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Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

CEFET-MG

A APROPRIAÇÃO DA CULTURA TECNOLÓGICA

NA FORMAÇÃO DAS REDES SOCIOTÉCNICAS:

UM ESTUDO SOBRE O PORTAL DA

REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SÃO PAULO

ZULMIRA MEDEIROS

Belo Horizonte
2005
A APROPRIAÇÃO DA CULTURA TECNOLÓGICA

NA FORMAÇÃO DAS REDES SOCIOTÉCNICAS:

UM ESTUDO SOBRE O PORTAL DA

REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao curso de Mestrado

do Centro Federal de Educação Tecnológica de

Minas Gerais (CEFET-MG), como requisito parcial

para obtenção do título de Mestre em Educação

Tecnológica.

Mestranda: Zulmira Medeiros

Orientador: Prof. Dr. Paulo Cezar Santos Ventura

Área de Concentração: Educação Tecnológica

CEFET-MG
Belo Horizonte
2005
Aos meus pais, Izaura e Jobe, dedico esta minha realização.
AGRADECIMENTOS

A toda minha família, especialmente meus pais, Kley, Amanda, Ícaro,


Rogério e Beatriz, vocês me ensinam a cada dia que o amor incondicional é
a base sobre a qual edificamos nossos ideais e superamos nossas
limitações.

À „tia‟ Vera, Maria das Graças, Wonnes, Guilherme, Marildes, Laetitia,


meus professores inesquecíveis, cada um de vocês esteve presente, de
forma marcante, em momentos distintos da minha trajetória escolar.

À Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, especialmente


Rosa, Marívia, Mônica, Silvio, José Alves e Reinaldo, pelo belíssimo trabalho
que realizamos juntos, e a todos os educadores da RME-SP que, direta ou
indiretamente, contribuíram com esta pesquisa.

À AUGE, pelas experiências. Ao Mota, pelas oportunidades.

Aos colegas de trabalho, Patrícia, Sandro, Cristian, Francine, Giselle,


Luiz, Allan, Glasyela, Rosana, Fabiana, Cláudia, Edson, Simone, pela torcida
e apoio constantes e pela paciência e compreensão nos meus momentos de
ausência.

À Maria José, pelo seu exemplo e amizade.

Aos professores e colegas do mestrado, especialmente Andréia e


Nazaré, pelos „encontros acadêmicos‟. À Andréia agradeço, ainda, pelas
leituras criteriosas, que tanto contribuíram na finalização do texto.

Ao Paulo, meu orientador, pela calma, serenidade e disponibilidade


em todos os momentos, pelo respeito ao meu trabalho e às minhas idéias. A
este mestre e amigo devo a realização desta pesquisa como uma
experiência enriquecedora e prazerosa.

A Deus, por me abençoar com o convívio com todas essas pessoas


maravilhosas.
RESUMO

A internet e os diferentes usos que dela se faz podem agregar


benefícios diversos aos processos educacionais. Dentre tantas
possibilidades, observa-se que instituições de ensino públicas e privadas
já habitam o ciberespaço com seus sites e portais, onde são
disponibilizados serviços de matrícula, consulta de notas, webmail e uma
série de outras informações úteis para toda a comunidade escolar.

Com o objetivo de conhecer melhor esse contexto, este estudo


buscou investigar o processo de constituição de uma rede sociotécnica
em uma rede municipal de ensino. Por meio de observações,
levantamentos, questionários e entrevistas, realizou-se um estudo de
caso, onde foi possível acompanhar a criação, implantação e utilização de
um portal na internet, caracterizado como um novo espaço de
comunicação, de interação e de troca de informações entre a comunidade
escolar. A investigação concentrou-se na figura do educador e sua
percepção acerca desse espaço.

A partir da pesquisa de campo e de um referencial teórico, que


abrangeu elementos como cultura tecnológica, apropriação da tecnologia
pelo homem e formação de redes sociotécnicas, buscou-se analisar os
aspectos culturais e as formações reticuladas sobre as quais se
estruturam as relações sociais e os meios de comunicação, mais
especificamente a internet.

Acredita-se que a relação entre o homem e a tecnologia envolve


um processo de apropriação da cultura tecnológica, que influencia
diretamente a sua atuação na sociedade em rede. Os resultados
encontrados mostraram que portais educacionais podem ser utilizados por
instituições de ensino, de forma produtiva e colaborativa, entre todos os
atores da comunidade educacional, desde que em tal processo se leve
em consideração, dentre outros aspectos, a cultura tecnológica dessa
comunidade.

Palavras-chave: cultura, tecnologia, cultura tecnológica, rede


sociotécnica, portal.
ABSTRACT

Several benefits can be added to educational processes by internet


and its different uses. Taking into account as many chances as possible, it
is noted that, public and private educational institutions have already
inhabit the cyberspace with its sites and portals, where services such as
school registration, grade conference, web mail and other useful
information to school community are offered.

This study tried to investigate the process of organization of a


sociotechnical network in a city educational network, with the purpose of
knowing better this context. Through observations, surveys,
questionnaires and interviews, a case study was accomplished, and it was
possible to follow the invention, implementation and use of a portal in
internet, featured as a new space for communication, interaction and
information exchanges among the components of the school community.
This search concentrated on the educator and his/her perception on this
space.

From a research and a theoretical referencial, which enclosed some


components, as technological culture, the appropriation of the technology
by man and the formation of sociotechnical networks, one searched the
analysis of cultural points and netted structures, on which social relations
and means of communication, more specifically the internet, are based.

It is believed that relation between man and technology involves a


process of technological culture appropriation, that act directly on its
performance in the network society. Final results showed that educational
portals can be used by educational institutions, in an efficient and
collaborative way, among the agents of the educational community, since
such process, takes into account, among other, the technological culture
of this community.

Key words: culture, technology, technological culture, sociotechnical


network, portal.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Estrutura do portal EducaSampa ..................................................................... 74


Figura 2 - Estrutura de acesso aos sites que compõem o portal EducaSampa............... 76
Figura 3 - Site da Biblioteca Pedagógica .......................................................................... 77
Figura 4 - Site da Coordenadoria Casa Verde / Cachoeirinha ......................................... 78
Figura 5 - Site da EMEF Guilherme de Almeida ............................................................... 79
Figura 6 - Site dos Educadores ........................................................................................ 80
Figura 7 - Fluxo de trabalho no módulo de administração de acordo com as permissões
.......................................................................................................................................... 83
Figura 8 - Formulário para inclusão de enquete ............................................................... 84
Figura 9 - Fluxo de inclusão e publicação de conteúdo no portal .................................... 85

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Nota atribuída pelos educadores ao impacto que o portal iria causar na RME-
SP .................................................................................................................................... 101
Gráfico 2 - Acessos de educadores ao portal ................................................................. 102
Gráfico 3 - Evolução da quantidade de educadores cadastrados no portal ................... 102
Gráfico 4 - Evolução da quantidade de sites publicados ................................................ 103
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Escolas que possuíam ou não um site na internet .......................................... 94


Tabela 2 - Endereços dos sites das unidades que já possuíam um site .......................... 94
Tabela 3 - Dificuldades encontradas na construção do site ............................................. 95
Tabela 4 - Necessidade de criação do site da escola ...................................................... 95
Tabela 5 - Comentários dos usuários que já sentiram necessidade de ter um site de sua
unidade.............................................................................................................................. 96
Tabela 6 - Motivos apresentados pelos usuários para se ter um site da escola .............. 96
Tabela 7 - Expectativas dos usuários em relação ao portal ............................................. 97
Tabela 8 - Pontos positivos do portal ................................................................................ 98
Tabela 9 - Formas de contribuição do usuário ................................................................. 98
Tabela 10 - Pontos negativos do portal ............................................................................ 99
Tabela 11 - Preocupações dos usuários em relação ao portal ........................................ 99
Tabela 12 - Aplicações e serviços sugeridos pelos educadores .................................... 100
Tabela 13 - Quantidade de registros publicados em alguns aplicativos do portal ......... 103
Tabela 14 - Classificação dos links de acordo com o tema............................................ 104
Tabela 15 - Classificação dos fóruns de acordo com o tema ......................................... 105

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Habilidades docentes para o trabalho com as novas tecnologias ................. 37


Quadro 2 - Comparativo entre grupo e agrupamento ....................................................... 46
Quadro 3 - Estratégias de pesquisa ................................................................................. 61
Quadro 4 - Principais módulos e funções do sistema EOL .............................................. 75
Quadro 5 - Perfis e permissões referentes ao módulo de administração do portal ......... 81
Quadro 6 - Caracterização dos aplicativos que compõem o ambiente colaborativo ........ 85
Quadro 7 - Distribuição das responsabilidades ................................................................ 89
Quadro 8 - Demandas identificadas durante a especificação .......................................... 92
LISTA DE SIGLAS A ABREVIAÇÕES

CE - Coordenadoria de Educação
CECI - Centro de Educação e Cultura Indígena
CEI - Centro de Educação Infantil
CEU - Centro Educacional Unificado
CIEJA - Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos
DOT - Diretoria de Orientação Técnica
EJA - Educação de Jovens e Adultos
EMEE - Escola Municipal de Educação Especial
EMEF - Escola Municipal de Ensino Fundamental
EMEFM - Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio
EMEI - Escola Municipal de Educação Infantil
EOL - Escola On-line
FGV - Fundação Getúlio Vargas
MOVA - Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos
NAE - Núcleo de Ação Educativa
POIE - Professor Orientador de Informática Educativa
PPP - Projeto Político Pedagógico
PRODAM - Companhia de Processamento de Dados do Município
RME-SP - Rede Municipal de Ensino de São Paulo
SME - Secretaria Municipal de Educação
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ....................................................................................... 13
1.1. Contextualização do tema ............................................................... 13
1.2. Justificativa e objetivos .................................................................... 17
1.3. Questões da pesquisa ..................................................................... 17
1.4. Organização dos capítulos .............................................................. 20
2. SOCIEDADE, CULTURA E TECNOLOGIA ............................................ 22
2.1. Sociedade ....................................................................................... 22
2.2. Cultura ............................................................................................. 24
2.3. Cultura tecnológica .......................................................................... 28
3. O EDUCADOR E A CULTURA TECNOLÓGICA .................................... 33
3.1. As demandas ao docente ................................................................ 33
3.2. A apropriação da tecnologia ............................................................ 37
4. REDES SOCIOTÉCNICAS..................................................................... 42
4.1. Redes .............................................................................................. 42
4.2. Redes sociais .................................................................................. 44
4.3. Redes sociotécnicas ........................................................................ 47
4.4. O ciberespaço ................................................................................. 50
4.5. Uma rede sociotécnica no meio educacional ................................... 52
4.5.1 Sobre o conceito de portal.................................................... 53
4.5.2 Portais educacionais ............................................................ 54
5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................... 60
5.1. O método......................................................................................... 60
5.2. O objeto de estudo .......................................................................... 65
5.3. O campo de pesquisa ...................................................................... 65
5.4. A população .................................................................................... 68
5.5. Os instrumentos de pesquisa .......................................................... 68
5.6. Autorização para realização da pesquisa de campo ........................ 73
6. DADOS DA PESQUISA ......................................................................... 74
6.1. Caracterização do portal.................................................................. 74
6.2. O processo de construção do ambiente colaborativo ...................... 89
6.2.1 A formação do grupo gestor do portal .................................. 89
6.2.2 A sensibilização da comunidade educacional....................... 90
6.2.3 A especificação dos aplicativos ............................................ 91
6.2.4 A formação dos educadores................................................. 93
6.3. O portal sob o olhar dos educadores ............................................... 93
6.4. A utilização do portal pelos educadores ........................................ 101
6.5. O conteúdo publicado .................................................................... 103
6.6. Entrevistas com o grupo gestor ..................................................... 108
7. CONCLUSÕES .................................................................................... 112
7.1. As demandas da RME-SP pelo portal ........................................... 112
7.2. O portal EducaSampa ................................................................... 115
7.3. O portal sob o olhar dos educadores ............................................. 118
7.4. A utilização do portal pelos educadores ........................................ 123
7.5. Retomando as questões da pesquisa ............................................ 126
7.6. Limitações ..................................................................................... 131
7.7. Propostas para estudos futuros ..................................................... 131
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 134
ANEXOS ..................................................................................................... 140
13

1. INTRODUÇÃO

1.1. Contextualização do tema

“A natureza dos homens é a mesma, são os seus


hábitos que os mantêm separados”.

Essas palavras, ditas por Confúcio quatro séculos antes de Cristo


(LARAIA, 2001), mostram-se ainda muito atuais.

Os hábitos tanto podem segregar grupos, cada um com suas


próprias regras, costumes e mecanismos de controle, quanto ser o elo
entre indivíduos de um mesmo grupo, mantendo sua coesão e
cumplicidade. Laraia (2001) conclui que os hábitos, muito mais que os
aspectos biológicos ou ambientais, definem a cultura dos grupos sociais.

Entende-se por cultura o complexo dos padrões de


comportamento, crenças, valores e hábitos transmitidos coletivamente e
característicos de uma sociedade (FERREIRA, Aurélio, 1999)1.

As transformações por que passa essa sociedade produzem


mudanças nos seus sistemas de produção, nas relações sociais e, por
conseguinte, podem provocar conflitos e o surgimento de novos modelos
culturais. Essas mudanças culturais muitas vezes representam as
próprias adaptações dos indivíduos ao seu meio. Ainda segundo Laraia
(2001), a tecnologia é um dos principais fatores desencadeadores de
processos adaptativos, a partir dos quais outras mudanças adaptativas se
ramificam.

Não é necessário muito esforço para perceber a rapidez com que


as mudanças de cunho tecnológico vêm ocorrendo em nossa sociedade

1
O conceito de cultura será retomado mais detalhadamente no capítulo 2.
14

nas últimas décadas. Expressões como „sociedade da informação‟


(SILVA, 2000), „sociedade tecnológica‟ (SAMPAIO e LEITE, 1999) e
„sociedade do conhecimento‟ (MARINHO, 2002) têm sido utilizadas para
caracterizar a sociedade pós-industrial. Uma sociedade que exige de seus
indivíduos uma nova maneira de ser, de pensar, de produzir, de aprender,
de conviver. Moran (2000) chega a propor o conceito de „sociedade
interconectada‟, onde todos estão reaprendendo a se comunicar, a
integrar o humano e o tecnológico, a integrar o individual, o grupal e o
social.

Também a cultura dessa sociedade vem passando por mudanças


significativas. Em todo momento são necessárias novas formas de
comportamento e de relacionamento entre os indivíduos para que possam
atuar em uma realidade que muda constantemente. A tecnologia tem
eliminado progressivamente as barreiras físicas e temporais, facilitando a
comunicação e o acesso às informações, potencializando as adaptações,
as transformações e as reestruturações culturais.

Uma dessas adaptações culturais, aqui denominada cultura


tecnológica, refere-se aos novos comportamentos advindos da utilização
dos recursos da tecnologia, principalmente da tecnologia da comunicação
e da informação. Assim como muitos aspectos sociais mudaram em
função dessa evolução tecnológica, também os valores e concepções
passam por mudanças.

O que vemos é que esta evolução vai formando uma


cultura em que a tecnologia se torna imprescindível. A
técnica é fria e objetiva; a cultura que se vale da técnica e
da tecnologia é que levanta a questão do sentido da vida
e da busca dos valores que deseja privilegiar. A
tecnologia mantém essa relação com a cultura – portanto,
implicitamente, com a educação – tanto do ponto de vista
informal, com a caracterização sociopolítica da
sociedade, como do ponto de vista formal, com a
caracterização científico-profissional dos campos
emergentes da própria técnica (GRINSPUN, 2001, p.54).
15

Vê-se, nessas palavras da autora, a importância de se considerar a


educação dentro da sociedade e da cultura tecnológicas. A educação é
um fenômeno social e, portanto, influencia e é influenciada pelas
mudanças sociais. Por isso, fala-se muito dos desafios da escola
(instituição) em incorporar a dinâmica da sociedade atual: o perfil do
cidadão a ser formado, as competências e habilidades, as práticas
pedagógicas, o espaço escolar e a necessidade de se adequar ao mundo
tecnológico são alguns desses desafios.

Não se pode responsabilizar a educação por não dar conta sozinha


de todas essas demandas, mas, por outro lado, é impossível que a escola
se mantenha inerte e alheia ao seu contexto social, político, cultural,
econômico e, por que não dizer, tecnológico.

Nos últimos anos, grandes investimentos2 têm sido feitos com o


objetivo de proporcionar ao meio educacional o acesso às mais recentes
tecnologias. No entanto, somente a implementação da estrutura física
com os novos recursos tecnológicos não é capaz de solucionar antigos
problemas, de preencher as velhas lacunas que existem na educação.
Muito mais importante é o lado humano, as posturas, o comportamento
dos envolvidos, enfim, a essência. Não basta uma nova vestimenta em
um organismo que não se renova internamente.

Moran (2000) adverte para a necessidade de se fazer da educação


um processo de comunicação autêntica e aberta entre professores,
alunos, administradores, funcionários e a comunidade, dentro de um
contexto participativo, interativo e vivencial, já que na sociedade
tecnológica não se permitem mais modelos autoritários e verticalizados.

As tecnologias da informação e comunicação estão


criando circunstâncias para que as pessoas possam se
expressar como um todo, por inteiro, não só no aspecto

2
Embora tais investimentos possam ser considerados insuficientes ou mal aplicados, é
fato que eles existem (FERNANDES, 2004, p. 7), (MORAN, 2000, p. 12).
16

cognitivo, mas no emocional e social. [...] a possibilidade


de formação de redes de pessoas interagindo via Internet
têm facilitado a exploração dessas outras dimensões do
ser humano, obrigando-nos a rever constantemente
nosso papel como aprendizes e nossas concepções
sobre aprendizagem (VALENTE, 2002, p. 34).

Assim como Valente, muitos outros autores concordam que um dos


recursos tecnológicos mais significativos para a educação na atualidade é
a internet. Behrens (2000) afirma que a internet propicia um novo espaço
de interação, que vem para agregar recursos e possibilidades também ao
meio educacional, favorecendo a criação de ambientes ricos,
motivadores, colaborativos e cooperativos. O trabalho conjunto pode se
dar na sala de aula, na lista eletrônica ou na home page (MORAN, 2000).

Nesse contexto, surgem as redes sociotécnicas (LATOUR, 1994)


que, neste estudo, apresentam-se sob a forma de portais3, oferecendo
aos seus usuários meios de comunicação e acesso a informações neste
novo ambiente colaborativo: a internet.

Segundo Salazar (2001), essas redes de cooperação envolvem


conceitos de associação de interesses, complementação das
capacidades, estrutura horizontal de cooperação / colaboração / co-
responsabilidade, compartilhamento de informações / produtos /
resultados, sinergia de inter-relações, além do planejamento / execução
de projetos coletivos.

É de grande interesse, pois, um estudo sobre os aspectos


envolvidos na constituição de tais redes, mais especificamente no meio
educacional.

3
São chamados de portais os sites da Web que oferecem serviços e informações aos
seus usuários, de forma dinâmica e atualizada, além de permitir o acesso a outros
sites. Esse conceito será abordado mais detalhadamente no capítulo 4.
17

1.2. Justificativa e objetivos

Atuando desde 1995 com a utilização da informática no meio


educacional, e, nos últimos cinco anos, tendo acompanhado e vivenciado
a criação e a implantação de alguns sites e portais em instituições de
ensino do setor público e privado, a pesquisadora se viu instigada a
realizar um aprofundamento teórico e uma investigação sistematizada
acerca desse contexto.

Tal interesse se deu inclusive por acreditar que as instituições


educacionais ou redes de ensino podem utilizar a internet para
estabelecer uma nova forma de contato administrativo e pedagógico
dentro das suas comunidades escolares. As unidades educacionais, o
corpo administrativo, alunos, familiares e educadores, todos podem
beneficiar-se de um Portal Educacional.

A partir dessa hipótese, procurou-se analisar, dentro de um


referencial teórico e da observação em campo, o processo de constituição
de uma rede sociotécnica no meio educacional. Buscou-se compreender
aspectos culturais relacionados a tal processo, assim como conhecer os
serviços e informações que trafegam, as formas e freqüência de utilização
e a percepção dos educadores diante da implantação deste recurso.

1.3. Questões da pesquisa

Inicialmente, durante a estruturação do projeto de pesquisa e o


planejamento dos procedimentos metodológicos, as questões que se
faziam presentes eram basicamente:

 Qual a percepção do educador quanto ao uso da internet como um


novo espaço de interação com seus pares?

 Que mudanças ocorrem nas relações entre as pessoas de uma


mesma comunidade educacional a partir do uso da internet como
um novo espaço de interação?
18

 O uso desse espaço promove a inserção dessas pessoas no novo


modelo cultural proporcionado pelas novas tecnologias?

 Quais fatores levam alguns educadores a se apropriarem com mais


facilidade da cultura tecnológica? E quais fatores produzem
impedimentos para que outros interiorizem essa cultura?

 Quais as mudanças atitudinais o uso freqüente da internet pode


provocar em educadores de uma mesma rede de ensino?

No entanto, tal rol de questões serviu para dar sinais da falta de


conhecimento acerca do objeto de estudo. Algumas delas se mostraram
impossíveis de serem respondidas durante a realização da pesquisa.
Outras foram respondidas parcialmente e outras tantas surgiram no
decorrer das observações.

Isso ocorreu por tratar-se de um campo de pesquisa dinâmico,


vivo, real, sobre o qual a pesquisadora tinha pouco ou nenhum controle
sobre os prazos em que os eventos ocorreriam. Todas essas variações ao
longo do trabalho são aceitáveis quando se faz um estudo de caso4,
principalmente, tratando-se de um fenômeno tão novo e complexo, como
neste estudo.

Apesar disso, o campo escolhido para a pesquisa não se mostrou


inadequado, pelo contrário, apresentou-se muito rico e com uma grande
variedade de aspectos a serem observados e analisados. Alguns desses
aspectos, embora não considerados durante a estruturação do projeto de
pesquisa pelos motivos citados acima, foram incorporados durante as
observações. Muitos outros, entretanto, permaneceram fora das análises,
em nome da objetividade do trabalho.

4
Esse tema será amplamente abordado no capítulo 5, sobre o método de pesquisa
utilizado.
19

Respeitando o dinamismo e a singularidade do objeto em estudo,


optou-se pela ampliação do conjunto de questões norteadoras, com a
inclusão dos seguintes questionamentos:

 De que forma se apresenta a demanda de uma rede pública de


ensino pela criação de seu site na internet?

 Como se dá a constituição e a utilização de um portal na internet


por uma rede pública de ensino?

 De que forma as questões tecnológicas envolvem aspectos


culturais?

 Qual a percepção do educador quanto ao uso da internet como um


novo espaço de interação entre a comunidade escolar?

Em campo, acompanhou-se o planejamento, a especificação, o


desenvolvimento, a implantação e a utilização de um portal de uma rede
pública de ensino, enfocando-se o usuário educador, sua percepção
acerca da utilização da internet e sua apropriação desse espaço de
interação e da cultura tecnológica que o envolve. Foram observadas
ainda a forma e a freqüência de utilização de tais recursos.

A pesquisadora atuou na equipe técnica5 de desenvolvimento do


portal e a sua função dentro dessa equipe envolveu a participação no
levantamento e na especificação das aplicações a serem construídas,
assim como na validação de tais aplicações ao término dos processos de
construção. Todo esse trabalho foi realizado em conjunto com uma equipe
de servidores da rede de ensino, designada pela Secretaria de Educação.
Durante essas atividades, a autora teve contato também com
coordenadores das regionais de ensino, com professores e diretores de

5
O vínculo empregatício da autora dá-se com a AUGE Tecnologia e Sistemas,
instituição desenvolvedora do portal, vencedora do processo licitatório realizado pela
Fundação Getúlio Vargas.
20

escolas, além de visitas a algumas unidades educacionais. Pode-se dizer


que foi fundamental para esse trabalho a formação técnica e pedagógica6
da autora, pois a sua atuação foi exatamente no ponto de encontro entre
a equipe de programadores e analistas e a equipe de educadores.

Como pesquisadora, a autora se propôs a observar os eventos e


procedimentos e a analisar toda a documentação gerada durante o
processo de especificação, desenvolvimento, implantação e utilização do
portal, assim como da capacitação de seus usuários.

1.4. Organização dos capítulos

Com o intuito de melhor apresentar as discussões teóricas, os


dados coletados e as conclusões da pesquisa, esta dissertação
apresenta-se organizada em três partes.

Na primeira parte, que compreende os capítulos dois, três e quatro,


encontra-se o referencial teórico da pesquisa, onde serão retomadas, de
forma mais detalhada e abrangente, as temáticas levantadas nesse texto
introdutório: sociedade, cultura, tecnologia e redes sociotécnicas, situando
o meio educacional, mais especificamente, o educador, nesse contexto.

Dessa forma, o capítulo dois busca caracterizar a sociedade e a


cultura tecnológicas, abordando aspectos como as mudanças sociais e as
variações culturais, ambas tendo a tecnologia como pano de fundo. Em
seguida, já no capítulo três, é feito um estudo sobre o educador na
sociedade atual e sua apropriação acerca dessa cultura tecnológica. O
capítulo quatro aborda a constituição de redes sociotécnicas no meio
educacional, tendo a internet como elemento facilitador. Para isso, trata
também de temas como as redes sociais e os portais educacionais.

6
A autora é formada nos cursos Técnico em Eletrônica e Técnico em Informática e
graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais.
21

A segunda parte é composta pelos capítulos cinco e seis. O


capítulo cinco apresenta uma análise acerca do método do estudo de
caso, suas particularidades e justificativa pela sua utilização nesta
pesquisa. Em seguida, são caracterizados o objeto e o campo de
pesquisa, assim como os procedimentos de coleta de dados. No capítulo
seis são apresentados os dados coletados na pesquisa de campo, em
diferentes momentos e abordagens.

Na terceira e última parte está o capítulo sete, onde encontram-se


as conclusões a que se pôde chegar a partir dos dados coletados e das
questões que orientaram toda a investigação. Ao final, tem-se as
limitações da pesquisa e as propostas para estudos futuros.
22

2. SOCIEDADE, CULTURA E TECNOLOGIA

Neste capítulo apresenta-se, inicialmente, um breve estudo acerca


das evoluções sociais e da sua relação com a tecnologia. Em seguida, a
partir do conceito de cultura, trata-se das variações culturais no âmbito
tecnológico, buscando-se analisar a relação entre o homem e a tecnologia
como um processo de socialização e de aculturação.

2.1. Sociedade

[...] ao transformar, ao longo do tempo, as formas de


produzir e reproduzir os meios de sua própria
sobrevivência, o ser humano modificou também suas
relações humanas e com a natureza. As tecnologias que
criou – desde a roda até o computador – geraram
transformações na maneira de se comunicar, produzindo
meios de comunicação cada vez mais complexos
(SAMPAIO e LEITE, 1999, p. 13).

É possível estabelecer-se uma classificação dos grandes períodos


vividos pelo homem baseada nas características do modo de produção
dominante em cada época (PENIN, 2001).

O primeiro destes períodos, chamado de sociedade agrária, teve


seu principal modo de produção baseado na agricultura de subsistência.
Sem dispor de recursos tecnológicos sofisticados, os homens plantavam e
colhiam tendo como referência os ciclos da natureza - o dia e a noite e as
estações do ano. Tornar-se apto ao trabalho nessa sociedade era uma
tarefa que se atingia em pouco tempo e o conhecimento adquirido seria
utilizado durante toda a vida. O maior indicador de riquezas era a
propriedade agrária. A comunicação se dava, normalmente, de forma
direta, presencial. Os que tinham acesso à leitura e à escrita podiam
também fazer uso desse recurso para se comunicar.

Com a Revolução Industrial, a partir da segunda metade do século


XVIII, inicia-se o segundo período, denominado de sociedade industrial. O
homem se distancia da natureza e imerge no mundo das máquinas.
Tornar-se apto ao trabalho demanda mais tempo do que na sociedade
23

agrária e o trabalhador necessita ser mais e mais especializado. O


indicador de riqueza na sociedade industrial é a detenção dos meios de
produção, o capital e o lucro. Foi na sociedade industrial que os meios de
comunicação passaram a contar com o telégrafo, o rádio, o telefone, a
televisão e ainda com um considerável crescimento nos meios de
transporte, o que impulsionou o desenvolvimento da correspondência
postal.

Na segunda metade do século XX, inicia-se o terceiro período, a


sociedade tecnológica, caracterizada principalmente pelas mudanças
mais recentes nas tecnologias e nos meios de comunicação. O fluxo de
informações é intenso, o que faz com que o saber adquirido torne-se
obsoleto - não raro, por diversas vezes - durante a trajetória profissional e,
por isso, o trabalhador precisa estar em constante processo de formação.
Nessa sociedade, o principal bem é o conhecimento. Daí alguns autores
denominarem esse período de sociedade do conhecimento ou sociedade
da informação7.

A utilização do termo sociedade tecnológica não significa que a


relação do homem com a tecnologia surgiu nesse período. Kenski (2003)
lembra que a tecnologia está presente em todos os lugares e ações do
nosso cotidiano – papel, caneta, pratos, talheres, medicamentos etc.
Tecnologia seria, pois, o “conjunto de conhecimentos e princípios
científicos que se aplicam ao planejamento, à construção e à utilização de
um equipamento em um determinado tipo de atividade” (p. 18), enquanto
a técnica seria a maneira, jeito ou habilidade de lidar com cada tipo de
tecnologia para realizar determinada ação. Por isso, não somente a
atualidade deve ser chamada de período tecnológico, pois cada período
da história da humanidade é caracterizado por determinados recursos
tecnológicos.

7
O que não significa que conhecimento e informação sejam sinônimos.
24

Essa classificação em três grandes momentos não deve levar à


conclusão de que o processo se deu de forma linear, com a substituição
de um determinado modo de produção pelo outro, pois “o processo de
desenvolvimento de uma civilização é claramente acumulativo: conserva-
se o antigo, apesar da aquisição do novo” (LARAIA, 2001, p. 40). Ocorreu
que cada modo de produção continuou a existir, mas fortemente
influenciado pelo(s) seguinte(s). É o que se tem na atualidade: uma
agricultura que se utiliza da indústria e das mais recentes tecnologias e
uma indústria que, por sua vez, se torna, a cada dia, mais e mais
sofisticada tecnologicamente.

Lemos (2004, p. 19) considera que “as novas tecnologias de


comunicação e informação estão reconfigurando os espaços urbanos
bem como as práticas sociais destes mesmos espaços”.

Essas evoluções sociais8 são acompanhadas por mudanças


também culturais. Cada momento e cada espaço social é repleto de
tendências culturais que influenciam significativamente as atitudes e os
comportamentos dos indivíduos e dos grupos.

A sociedade da informação coloca ao alcance das pessoas


espaços e formas de interação nunca antes imaginados pela maioria de
seus usuários. Isto exige uma maneira inteligente de se utilizar os novos
meios e instrumentos de comunicação e informação (CEBRIÁN, 1999).
Daí o interesse em discutir acerca de como está se desenvolvendo a
nossa sociedade e como aproveitar as possibilidades oferecidas por
esses espaços de interação.

2.2. Cultura

A cultura é como uma lente através da qual o homem vê


o mundo. Homens de culturas diferentes usam lentes

8
“Evolução social: processo de desenvolvimento de uma determinada sociedade, das
suas formas e instituições, ou das suas funções culturais.” (FERREIRA, Aurélio, 1999,
p. 855).
25

diversas e, portanto, têm visões desencontradas das


coisas (BENEDICT, 1972 apud LARAIA, 2001, p. 67).

Como dito no capítulo introdutório, segundo Aurélio Ferreira (1999),


cultura são os padrões de comportamento, crenças, valores e hábitos
transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade.

O conceito de cultura9 construiu-se através da história da própria


humanidade. A palavra veio do latim medieval colere, que significa cultivo,
cuidado, mais relacionado à agricultura, pois, na Roma antiga, cultivar a
terra era uma atividade enobrecedora. Mais tarde, pelos pensadores
romanos, o significado de cultura foi estendido ao cuidado com as
crianças e com a sua educação, ao refinamento intelectual. A partir do
século XVIII, o conceito de cultura foi relacionado ao conceito de
civilização - o homem civilizado era o homem culto. No século XX, surgiu
a concepção de diversidade cultural e a cultura passou a ser vista como
uma dimensão social, um conjunto de regras comuns a um grupo.
(GOHN, 2001).

Na sociedade contemporânea, o estudo da cultura ganhou


abordagens diferenciadas: cultura popular10, cultura de massa11, cultura
nacional12, cultura política13 e, principalmente a partir das últimas décadas
do século XX, o advento das novas tecnologias da informação e
comunicação fez emergir expressões como cultura da mídia, cultura
tecnológica, cultura virtual e cibercultura.

9
Não é objetivo deste trabalho apresentar um detalhamento aprofundado acerca dos
vários conceitos de cultura, até porque, mesmo autores que se propuseram a
semelhante tarefa, em determinados momentos explicitaram a sua complexidade e
extensão, como pode ser observado em Laraia (2001, p. 63) e J. Santos (1996, p. 21 e
29). O objetivo aqui não é, senão, oferecer ao leitor uma iniciação conceitual e
evidenciar as contribuições que os estudos sobre o conceito de cultura proporcionaram
a esta pesquisa.
10
Ver J. Santos (1996) e Gohn (2001).
11
Ver J. Santos (1996) e Gohn (2001).
12
Ver J. Santos (1996).
13
Ver Gohn (2001).
26

Por vezes, o conceito de cultura é associado ao nível de


escolaridade; às artes, como o cinema, a pintura; às tradições de um
povo, como o folclore, os mitos; às etapas históricas, como a cultura
medieval, a cultura moderna; à forma de vestir ou à comida, como a
cultura francesa, a cultura árabe.

Laraia (2001) desenvolve o seu trabalho no intuito de demonstrar


que o homem é resultado do meio cultural em que foi socializado,
comprovando que nem o determinismo biológico e nem o determinismo
geográfico são suficientes para explicar o comportamento humano.

As ciências sociais consideram a cultura como o conjunto de


aspectos que caracterizam o modo de vida de um grupo, de uma
comunidade ou de uma sociedade. Aspectos estes que são mais fruto de
uma aprendizagem informal do que de uma transmissão institucionalizada
(FORQUIM, 1993).

J. Santos (1996), em sua abordagem de cultura como “aspectos da


realidade social”, afirma que “cultura diz respeito à humanidade como um
todo e ao mesmo tempo a cada um dos povos, nações, sociedades e
grupos humanos” (p. 8).

Sob esse prisma, admite-se a possibilidade de identificar variações


culturais dentro de uma mesma sociedade, ou seja, permite-se a análise
de grupos de indivíduos que se diferenciam dos demais por seus hábitos
e comportamentos sociais. São justamente essas divergências que
mantém o dinamismo das sociedades e das suas culturas.

Dessa forma, não se limita o conceito de cultura para caracterizar o


que é erudito dentro de um povo, mas também para se referir a
manifestações mais localizadas em grupos menores. „Localizadas‟ não
quer dizer „isoladas‟, pois nenhuma cultura é autônoma, ao contrário,
mantém relações complexas com a sociedade de que faz parte. “Ela é
produto dessa sociedade, mas também ajuda a produzi-la” (SANTOS, J.,
1996, p. 65).
27

Nota-se que é consenso entre os autores citados que a cultura é


algo dinâmico, intrinsecamente relacionado às mudanças sociais. A
cultura é vista por eles como produto coletivo da vida humana, uma
dimensão do processo social em constante mudança. J. Santos conclui
que:

O estudo da cultura exige que consideremos a


transformação constante por que passam as sociedades,
uma transformação de suas características e das
relações entre categorias, grupos e classes sociais no
seu interior. [...] Cultura é uma dimensão do processo
social, da vida em sociedade (SANTOS, J., 1996, p. 44).

Gohn (2001) compartilha dessa concepção ao afirmar que, nas


pesquisas sociológicas, “a cultura sempre aparece associada a processos
de mudança e transformação social, como mola propulsora de mudanças
sociais” (p. 30).

Ao falar-se em mudanças sociais e culturais, é pertinente sinalizar


para as duas maneiras em que podem se apresentar. Algumas mudanças
são resultantes de fatores externos ou do contato com outros grupos
sociais e culturais. Outras, conforme dito anteriormente, são produtos da
dinâmica interna da própria sociedade, grupo ou instituição, pois, no dia-
a-dia, os sujeitos vão se formando e também produzindo novos
comportamentos e, assim, recriando a cultura geral, numa via de mão
dupla.

Conclui-se, portanto, que não se pode estudar a cultura como algo


pronto, estático, pois, ao mesmo tempo, ela é condicionada e condiciona
uma sociedade que, por sua vez, está em constante transformação. Nem
tampouco acredita-se que a cultura é expressa somente como uma
representação mais ampla da sociedade, mas que pode também ser
analisada a partir de agrupamentos e suas diversidades culturais.

Sob esse ponto de vista, nesta pesquisa, faz-se interessante uma


abordagem mais específica acerca dos aspectos culturais inerentes à
relação entre o homem e as novas tecnologias.
28

2.3. Cultura tecnológica

A ciência e a tecnologia são aspectos da cultura por


causa do impacto direto que têm nos destinos das
sociedades atuais (SANTOS, J., 1996, p. 77).

Segundo Castells (1999), o desenvolvimento tecnológico e as


transformações das sociedades estão intimamente relacionados, embora
“a tecnologia não determine a sociedade e nem a sociedade escreva o
curso da transformação tecnológica” (p. 25), pois existem muitos outros
fatores que determinam o resultado final. Essa abordagem confirma-se
nas palavras de Rodrigues:

A tecnologia é o pano de fundo, o próprio quadro


referencial, no qual todos os outros fenômenos sociais
ocorrem. Ela molda nossa mentalidade, nossa linguagem,
nossa maneira de estruturar o pensamento, inclusive a
nossa maneira de valorar. [...] Por outro lado, toda cultura
tem seus valores arraigados. Esses valores são
questionados a medida em que a sociedade tecnológica
evolui (RODRIGUES, 2001, p. 76-77).

Lévy (1999) prefere não tratar do impacto das tecnologias sobre a


sociedade e a cultura, pois, segundo ele, isso enfoca uma distinção entre
essas três entidades. Esse autor defende tal distinção apenas no plano
conceitual. Para ele, as tecnologias não determinam a cultura, mas a
condicionam. A diferença, segundo ele, é que condicionar significa
oferecer possibilidades que podem ser aproveitadas ou não.

Segundo Benakouche (1995), o sentido do termo „impactos‟, nesse


caso, pressupõe que a sociedade possa ser passivamente atingida por
inovações que lhe são externas. Concordando com Lévy, BenaKouche
acredita que não se pode separar tecnologia e sociedade dessa forma,
atribuindo à primeira um aspecto não social, uma autonomia que ela não
possui, pois é fruto das demandas sociais. A autora prefere o uso do
termo „implicações‟ para tratar das relações entre tecnologia e sociedade,
por acreditar ser essa uma relação de reciprocidade, de interação.
29

Nota-se que é comum, entre esses autores, que não se deve tratar
a tecnologia como determinante das mudanças sociais, até porque isso
significaria dar à tecnologia um „poder‟ que não lhe é característico.

Superando a idéia de que a tecnologia seja atualmente


responsável por toda e qualquer característica social e cultural, é
necessário, no entanto, reconhecer que ela (a tecnologia) constitui-se
num dos campos adaptativos da cultura, a partir do qual outras mudanças
adaptativas e culturais se realizam. Como exemplo, tem-se os meios de
comunicação, que nos últimos anos passaram por uma verdadeira
revolução tecnológica, gerando novas relações sociais, transformando a
cultura e colocando novos desafios e necessidades aos indivíduos,
principalmente no que concerne aos conceitos de tempo e de espaço
(LARAIA, 2001).

Lévy (1999) faz uma comparação entre os meios de comunicação:


o correio e o telefone são exemplos de dispositivos comunicacionais „um
para um‟; o rádio e a televisão são exemplos de dispositivos
comunicacionais „um para todos‟. Já a internet seria um exemplo de
dispositivo comunicacional „todos para todos‟. Segundo esse autor, os
dispositivos comunicacionais e informacionais são os maiores produtores
de mudanças culturais, pois definem a relação entre os participantes e os
meios de comunicação e informação.

Desse modo, a tecnologia se apresenta como uma peça importante


na constituição cultural da sociedade. Assim como cada realidade cultural
tem sua lógica interna própria, com o mundo tecnológico não é diferente.
É preciso que o sujeito saiba relacionar a variedade de procedimentos
culturais com os contextos em que são produzidos para que as suas
práticas e concepções lhe façam sentido, evitando comportamentos
preconceituosos e para que lhe seja possível articular-se nesse contexto.

No entanto, sabe-se que a participação de um indivíduo em sua


cultura é sempre limitada, conforme afirma Marion Levy:
30

Nenhum sistema de socialização é idealmente perfeito,


em nenhuma sociedade são todos os indivíduos
igualmente bem socializados, e ninguém é perfeitamente
socializado. Um indivíduo não pode ser igualmente
familiarizado com todos os aspectos de uma sociedade;
pelo contrário, ele pode permanecer completamente
ignorante a respeito de alguns aspectos (LEVY, Marion,
1952 apud LARAIA, 2001, p. 82).

Laraia (2001) ressalta que é necessário, entretanto, que exista um


mínimo de participação do indivíduo no contexto cultural a fim de permitir
a sua convivência com os demais membros daquela sociedade. Nesse
sentido, Lévy (1999) concorda que “para integrar-se a uma comunidade
virtual, é preciso conhecer seus membros e é preciso que eles o
reconheçam como um dos seus” (p.68), o que implica um processo de
socialização e aculturação. Esse é o motivo pelo qual se considera, nesta
pesquisa, a importância do universo cultural relacionado às questões
tecnológicas na sociedade atual.

Acredita-se, assim como Freitas (2004), que a aproximação entre o


homem e o objeto técnico produz uma relação de familiaridade com a
tecnologia. Segundo a autora, assim como a cultura rege as relações do
homem com a sociedade, a cultura tecnológica se faz necessária
justamente para facilitar o processo de socialização do homem no mundo
atual.

Graells (2000) ressalta as mudanças culturais advindas da relação


entre o homem e a tecnologia:

Na sociedade da informação surge uma nova forma de


cultura, a cultura da tela que, como dizia Arenas (1991),
se sobrepõe à cultura do contato pessoal e à cultura do
livro. Além disso, junto ao mundo físico, real, com o qual
interagimos, agora dispomos também do ciberespaço,
mundo virtual, que multiplica e facilita nossas
possibilidades de acesso à informação e de comunicação
31

com os outros (GRAELLS, 2000, p. 4) [Tradução


nossa]14.

O autor fala, de modo geral, de uma cultura digital (cultura da tela)


potencializada pelas novas tecnologias e, de um modo particular, da
cultura virtual presente no ciberespaço.

Segundo Lévy (1999), o ciberespaço é o novo meio de interação e


comunicação possibilitado pela internet. Envolve não só a estrutura
tecnológica, mas a amplitude de informações nele contida e os seres
humanos que utilizam esse espaço. Está intrínseco nesse meio a
cibercultura, que, segundo o autor, é o conjunto de técnicas, atitudes,
valores e formas de pensamento que se desenvolvem juntamente com o
ciberespaço. Lemos vê a cibercultura como resultante dos contatos entre
o homem atual e as novas tecnologias:

Por cibercultura compreende-se o conjunto de atitudes


(apropriação, subterfúgio, ativismo) originadas a partir da
união entre as tecnologias informáticas e as mídias de
comunicação. Este conjunto de atitudes é produto de um
movimento sociocultural para domesticar e humanizar as
novas tecnologias. Conforme minha hipótese, ela é a
expressão cultural do encontro entre a „sociedade pós-
moderna‟ e as novas tecnologias baseadas na micro-
eletrônica (LEMOS, 1994, p. 1) [Tradução nossa]15.

Castells (1999), embora acredite que a sociedade em rede possua


uma dimensão cultural própria, não vê a cultura virtual como um conjunto
de valores, no sentido tradicional do termo, pois, segundo ele, a própria

14
En la sociedad de la información aparece una nueva forma de cultura, la cultura de la
pantalla que, como decía Arenas (1991), se superpone a la cultura del contacto
personal y la cultura del libro. Además, junto al entorno físico, real, con el que
interactuamos, ahora disponemos también del ciberespacio, entorno virtual, que
multiplica y facilita nuestras posibilidades de acceso a la información y de
comunicación con los demás (GRAELLS, 2000, p. 4).
15
Par cyberculture on comprend l'ensemble d'attitudes (appropriation, détournement,
activisme), nés à partir du mariage entre les technologies informatiques et les médias
de communication. Cet ensemble d'attitudes est produit d'un mouvement socioculturel
pour apprivoiser et "humaniser" les nouvelles technologies. Selon mon hypothèse, elle
est l'expression culturelle de la rencontre entre la "socialité post moderne" et les
nouvelles technologies basées sur la micro-électronique. (LEMOS, 1994, p. 1).
32

estrutura e diversidade das redes rejeitam esse modelo de cultura


unificadora. Ao contrário, para ele, a cultura virtual seria uma cultura do
efêmero, multifacetada. Percebe-se que essa é uma forma distinta de se
definir o termo, pois o autor trata da impossibilidade de se caracterizar a
amplitude de usuários do ciberespaço, cada um em sua diversidade social
e cultural.

Nesse ponto, concorda-se tanto com a visão de Lévy (1999) e


Lemos (1994) quanto com a de Castells (1999), mas a esta investigação
interessa também o conceito de cultura tecnológica, utilizado por Freitas
(2004), por priorizar-se o estudo de um modelo cultural próprio da
sociedade tecnológica. Por isso, mesmo que o ciberespaço seja, de certo
modo, o objeto de estudo desta pesquisa, é importante tratar da cultura
tecnológica por entender que esta caracteriza uma abordagem mais
ampla e que, de certa forma, precede a cibercultura ou a cultura virtual.

Falar em cultura tecnológica implica dizer que as evoluções


tecnológicas vividas pela sociedade atual não se restringem apenas ao
uso de novos equipamentos e produtos. Muito mais que isso, implica a
modificação de comportamentos, de certa forma, impondo-se à cultura
existente e transformando indivíduos, grupos e sociedade (KENSKI,
2003).

Desse modo, entende-se como cultura tecnológica o conjunto


complexo de valores, comportamentos, linguagens, hábitos e relações
sociais característicos dessa sociedade tecnológica. A sua importância
está relacionada com a possibilidade de o indivíduo agir socialmente, a
partir de um saber tecnológico do qual ele se apropria e desenvolve a sua
identidade, tornando-se um cidadão tecnologicamente competente.
33

3. O EDUCADOR E A CULTURA TECNOLÓGICA

Como o presente estudo possui um interesse em investigar


especificamente o educador como sujeito da sociedade e cultura
tecnológicas, este capítulo busca trazer à tona algumas questões
inerentes a tal relação. A partir das demandas que se fazem presentes ao
docente na atualidade e passando-se por conceitos como o de
alfabetização tecnológica, procura-se compreender o processo de
apropriação da tecnologia vivido pelo sujeito.

3.1. As demandas ao docente

Sempre que há um espaço, entendo que precisamos aliar


tecnologia à melhoria da qualidade de vida e despertar
nas pessoas o interesse em participar dos novos
conhecimentos, e obter outras soluções para os velhos
problemas (Tecnologia, para quê? Folha Universitária, 11
a 17 de outubro de 2004, p. 6).

A sociedade contemporânea traz para o educador uma série de


desafios (MARINHO, 2002): agora o professor não é mais única fonte de
informação para o seu aluno, pois ela (a informação) está em todo tempo
e lugar e, também por esse motivo, o professor deve entender que sua
própria formação é dinâmica e continuada. Além disso, faz-se necessário
que os educadores vejam uns aos outros como parceiros, num cenário
colaborativo, onde não mais se trabalha sozinho. E, por fim, o educador
deve buscar também nas novas tecnologias os meios de contextualizar,
atualizar, ampliar e melhorar a sua prática pedagógica. Segundo o autor,
é natural que o educador e demais atores do processo educacional sejam
desafiados diante das mudanças por que passa a educação na sociedade
atual, embora, nem sempre, os indivíduos se mostrem preparados para
responder de forma adequada a tais desafios.

Ao tratar do caráter permanente da formação do professor e de


como a informática se insere como um elemento novo nessa formação,
34

Fernandes (2004) apresenta uma classificação interessante sobre as


demandas que se fazem presentes ao professor na atualidade. Segundo
essa autora:

Estas demandas são internas – oriundas das situações


cotidianas da sala de aula – ou externas, oriundas de
ações sociais, econômicas e políticas na área de
educação e que exigem do professor a mobilização de
saberes próprios da profissão docente (FERNANDES,
2004, p. 17).

Relacionados às demandas internas, a autora cita os saberes da


docência, adquiridos antes e durante a formação inicial e ao longo da
trajetória profissional, tais como o conhecimento do conteúdo, o
conhecimento pedagógico, o curricular, o conhecimento adquirido por
meio da experiência e o conhecimento que o professor deve ter do aluno.
Relacionados às demandas externas, cita as exigências da sociedade
atual, principalmente as de cunho tecnológico.

Nota-se o enfoque depositado nas questões tecnológicas ao tratar


das demandas classificadas como externas. E esta postura é
compartilhada por Sampaio e Leite (1999) que consideram que, embora o
educador tenha hoje muitas outras carências, a questão tecnológica é de
grande importância, caracterizando-a como “estratégica, básica e de
sobrevivência deste profissional” (p. 11).

Tais desafios e demandas colocam o professor diante de situações


até então pouco familiares e exigem conhecimentos que não fizeram parte
da formação inicial de grande parte deles. Espera-se do professor sempre
uma postura crítica, objetiva e autêntica na utilização das tecnologias
digitais. E é comum encontrar essas demandas e expectativas presentes
também nas políticas públicas e em diversos estudos acerca do perfil dos
educadores.

Um bom exemplo disso é o documento que regulamenta o


Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO). O texto
caracteriza o trabalho de capacitação do docente como não apenas um
35

preparo “para o novo trabalho, mas também para o ingresso em uma nova
cultura, apoiada em tecnologia que suporta e integra processos de
interação e comunicação” (BRASIL, 1996, p. 12). Ou seja, a expectativa
que se tem é de que o professor seja capaz não somente de fazer uso da
tecnologia como ferramenta de trabalho, mas também de se modificar
culturalmente e se apropriar de um pensar e um fazer tecnológicos.

Como outro exemplo, pode-se citar uma pesquisa realizada pela


UNESCO16, cujos resultados foram divulgados em maio de 2004, sobre o
perfil dos professores do ensino fundamental e médio no Brasil. Os dados
mostraram que 59,6% desses professores nunca utilizaram o correio
eletrônico e 58,4% nem mesmo navegam na internet. Uma das
responsáveis por esse estudo e também pesquisadora da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Maria Fernanda Rezende Nunes, acredita que
esse distanciamento do professor em relação à internet limita a sua
capacidade de relacionar-se com seu aluno.

Como introdução à sua obra, já citada neste estudo, Sampaio e


Leite (1999) apresentam um texto17 de Michel Tardy, produzido em 1976,
que trata da forma como o professor está desatualizado em relação ao
seu aluno, em virtude, principalmente, das inovações tecnológicas. A
conseqüência disso, segundo as autoras, é que o professor precisa se
conscientizar da diversidade de meios de produção de conhecimento fora
da escola e da grande quantidade de informação que circula nesses

16
A pesquisa “o perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que
almejam” ouviu 5000 professores em abril e maio de 2002. Destes, 82,2% são de
escolas públicas e 17,8% de escolas privadas; 81,3% são do sexo feminino; 81% têm
pais que não completaram o ensino fundamental e médio e 15% têm pais sem
nenhuma instrução formal; 59,6% nunca usaram o correio eletrônico e 58,4% não
navegam na internet; 40,8% dizem ler jornal diariamente e 23,5% o fazem uma ou
duas vezes por semana; 74% vêem TV todos os dias; 41,3% nunca estudaram outros
idiomas. FONTE: Folha On-line. Internet não é ferramenta de professores, revela
pesquisa.
17
As autoras mostram como um texto produzido há quase trinta anos se faz tão atual ao
tratar das implicações das inovações tecnológicas nas relações sociais.
36

meios, criando uma diversidade de situações abertas à aprendizagem


informal.

Mas não é apenas o professor que se vê no impasse da


apropriação ou não da cultura tecnológica. Um artigo 18 publicado no jornal
da Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN), em outubro de
2004, apresenta opiniões de pessoas que, voluntariamente, mantém-se
afastadas das novas tecnologias (computador, internet, e-mail, telefone
celular etc) e contrárias à idéia de que é necessário fazer uso desses
artefatos em suas ações cotidianas. Algumas delas, como o escritor
Fernando Jorge, preferem escrever à mão a utilizar uma máquina de
escrever ou computador, e valorizam muito mais uma pesquisa feita em
livros e enciclopédias do que as feitas na internet que, segundo ele, é
lacunosa e apresenta informações incompletas e repetitivas, podendo
atender a quem tem pressa, mas não a um pesquisador exigente.

Considerando aspectos psicológicos, Tarelho19 acredita que essa


rejeição às novas tecnologias pode estar intimamente relacionada às
dificuldades que o ser humano tem de lidar com as perdas, o que sempre
gera angústia. O novo, como no caso das tecnologias, pode fazer parecer
que se está perdendo algo, além de fatores como conservadorismo,
apego a um estilo de vida ou até mesmo preconceito.

Neste estudo, acredita-se que, em diversas situações, a tecnologia


pode ser vista como uma aliada na melhoria da qualidade de vida da
sociedade, mas, para tanto, há que se passar por um processo de
apropriação da técnica, que, por sua vez, deve se dar da forma mais
natural possível.

18
Tecnologia, para quê? Folha Universitária. Jornal da Universidade Bandeirante de São
Paulo. Ano 7, p. 6 e 7, 11 a 17 out. 2004.
19
Luis Carlos Tarelho é psiquiatra e coordenador do curso de Psicologia da UNIBAN.
Seu depoimento consta no artigo „Tecnologia, para quê?‟, citado anteriormente.
37

Kenski (2003) propõe um processo mais amplo, em que a


apropriação é vista como uma etapa, conforme apresentado no Quadro 1:

Quadro 1 - Habilidades docentes para o trabalho com as novas tecnologias

Estágio Descrição
O professor tenta dominar a tecnologia e o novo ambiente de
Entrada
aprendizagem, mas não tem a experiência necessária.
O professor realiza treinamento bem-sucedido e domina o uso
Adoção
básico da tecnologia.
O professor sai do uso básico para descobrir uma variedade de
aplicações para o uso da tecnologia. O professor tem
Adaptação
conhecimento operacional do hardware e pode detectar falhas
básicas do equipamento.
O professor tem domínio sobre a tecnologia e pode utilizá-la
para alcançar vários objetivos instrucionais ou para gerenciar a
Apropriação
sala de aula. O professor tem boa noção do hardware e das
redes.
O professor desenvolve novas habilidades de ensino e utiliza a
Invenção
tecnologia como uma ferramenta flexível.
Fonte: Kenski, 2003, p. 79.

Além de equipamentos, disposição e cursos preparatórios, Kenski


(2003) aponta para a necessidade de familiaridade do professor com o
ambiente tecnológico, processo este que se dá de forma gradual e em
longo prazo e que deveria, portanto, começar durante a sua formação
inicial. Segundo ela, o professor deve se apropriar dessas tecnologias
para se tornar apto a discernir sobre as questões relacionadas.

3.2. A apropriação da tecnologia

O termo apropriação é utilizado em diversos contextos e, muitas


vezes, com significados distintos. Por isso, percebe-se como interessante
para a presente investigação uma abordagem mais específica,
remetendo-se, primeiramente, aos conceitos de interiorização e
internalização.

Segundo Doron e Parot (2001), é através da interiorização que os


elementos do mundo exterior são incorporados ao funcionamento mental
38

do sujeito, reorganizando as estruturas cognitivas anteriores por meio de


representações sociais. Esses autores atribuem à internalização o
processo de assimilação, pelo indivíduo, de dados exteriores como parte
dele próprio.

Vygotsky (1998) define a internalização como uma operação que,


inicialmente, representa uma atividade externa e que é reconstruída e
passa a ocorrer internamente, ou seja, um processo interpessoal que é
transformado num processo intrapessoal.

Pode-se dizer que internalização e interiorização implicam a


reconstrução dos processos psicológicos. Nota-se ainda que esses
conceitos são muito próximos, chegando a ser tratados como sinônimos
em algumas situações.

Já o processo de apropriação envolve, em certo momento, a


interiorização (ou internalização). Segundo Doron e Parot, a apropriação
pode ser definida como

o processo de desenvolvimento pelo qual o ser humano


reconstrói e faz a sua experiência acumulada pela
humanidade ao longo da história social. [...] O conceito de
apropriação é indissociável do de interação social. [...] A
apropriação diz respeito tanto aos objetos materiais
(utensílios) quanto aos acontecimentos e à linguagem.
Ela se prolonga e se estabiliza pela interiorização das
significações e das operações de tratamento dos
parâmetros do mundo físico e social (DORON e PAROT,
2001, p.79).

É nas relações sociais que o ser humano estabelece contato com


novas formas de comportamento, com novas linguagens e com novos
objetos. E, para que o indivíduo desenvolva sua relação nesse meio, é
necessário que ele tome para si sua cultura, internalizando seus
significados e se apropriando de sua dinâmica.

Por esse motivo, faz-se importante o conceito de apropriação neste


estudo, que aborda tão de perto a relação do educador com a tecnologia.
39

Uma relação que vai muito além da simples utilização, conforme afirma
Kenski:

não resta apenas ao sujeito adquirir os conhecimentos


operacionais para poder desfrutar das possibilidades
interativas com as novas tecnologias. [...] Exige também
a apropriação e uso dos conhecimentos e saberes
disponíveis não como uma forma artificial, específica e
distante de comportamento intelectual e social, mas
integrada e permanente, inerente à própria maneira de
ser do sujeito (KENSKI, 1998, p. 67).

E a autora completa, citando Nóvoa: “a inovação só tem sentido se


passar por dentro de cada um, se for objeto de reflexão e de apropriação
pessoal” (NÓVOA apud KENSKI, 1998, p. 67).

Benakouche (1995) amplia o conceito para o universo coletivo,


utilizando o termo „apropriação social‟ para referir-se ao processo de
aprendizado e/ou domínio que os grupos sociais desenvolvem em relação
às diferentes técnicas a que têm acesso. Segundo a autora, esse
processo se dá de forma diferenciada em cada sociedade ou, até mesmo,
entre grupos de uma mesma sociedade. Ela aponta alguns fatores como
determinantes dessas diferenciações, como a condição socioeconômica,
os valores culturais, a idade e o sexo dos usuários, e, ainda, certamente,
sua cultura técnica anterior.

Andréia Ferreira (2004), em sua recente pesquisa entre os


professores de História da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte,
identificou que a idade e o sexo não determinam a utilização ou não da
informática educacional como aliada ao processo de ensino-
aprendizagem. Mais determinantes nesse processo são fatores como a
formação inicial e continuada dos professores e as suas concepções
acerca da informática educacional e do ensino de História.

E Moran (2000) reforça a influência das questões culturais,


acreditando que elas implicam inclusive a forma como processamos as
informações.
40

Na presente investigação, acredita-se que o rol de aspectos que


podem condicionar o comportamento humano diante das tecnologias é
realmente amplo e complexo e que as questões relacionadas ao universo
cultural têm um valor significativo nesse processo de apropriação da
tecnologia, na interiorização da cultura tecnológica.

Como fator determinante dessa apropriação, Sampaio e Leite


(1999) apontam para a importância da „alfabetização tecnológica‟, que
deve ser vista como parte integrante da formação inicial e continuada do
professor. Segundo essas autoras, a alfabetização tecnológica não deve
ser confundida com o uso puramente técnico dos recursos tecnológicos.
Ao contrário, deve ser entendida

como um conceito que envolve o domínio contínuo e


crescente das tecnologias que estão na escola e na
sociedade, mediante o relacionamento crítico com elas.
Este domínio se traduz em uma percepção global do
papel das tecnologias na organização do mundo atual e
na capacidade do professor de lidar com as diversas
tecnologias, interpretando sua linguagem e criando novas
formas de expressão, além de distinguir como, quando e
por que são importantes e devem ser utilizadas no
processo educativo (SAMPAIO e LEITE, 1999, p. 75).

As autoras afirmam que, assim como a alfabetização (lingüística)


sempre foi um fator determinante de socialização, não é de se estranhar
que, na sociedade atual, seja relevante uma alfabetização tecnológica,
que torne o indivíduo capaz de lidar com as novas mídias e delas se
apropriar de forma crítica e objetiva.

Assim como Benakouche (1995) acredita que o processo de


apropriação social da técnica se dá de forma diferenciada em cada
contexto, Sampaio e Leite (1999) consideram que “professores que vivem
em diferentes realidades sócio-econômico-culturais possivelmente
necessitarão de diferentes processos de alfabetização tecnológica” (p.
102). Essas autoras apresentam duas vertentes iniciais para o processo
de alfabetização: uma relacionada ao uso mecânico da escrita e da leitura
- codificação e decodificação - e a outra relacionada à apreensão e
41

compreensão de significados. Esse conceito foi ampliado por Emília


Ferrero, relacionando a alfabetização ao uso que o sujeito ativo lhe daria
na construção do conhecimento e, ainda, por Paulo Freire, ao considerar
a alfabetização como meio de expressão e libertação do homem em sua
cultura, em sua sociedade (SAMPAIO e LEITE, 1999).

Nesse sentido, ser alfabetizado seria um fator determinante para


inserção e participação do homem em seu contexto sociocultural.
Analogicamente, na sociedade atual, a alfabetização tecnológica seria de
vital importância para a socialização do indivíduo, viabilizando a
democratização do acesso às novas tecnologias e se tornando um
instrumento de trabalho e de comunicação.

Conseqüentemente, através das diferentes formas de utilização, as


tecnologias vão se transformando, se reestruturando, se desenvolvendo.
No entanto, somente a partir da apropriação de uma cultura tecnológica, o
indivíduo torna-se capaz de criar essa diversidade de utilização.

Nota-se que é comum entre os autores citados neste capítulo que a


apropriação da tecnologia envolve muito mais do que a simples utilização
de equipamentos e produtos tecnológicos. Certamente tal utilização pode
ser entendida como uma fase inicial e necessária. No entanto, somente a
partir da modificação de processos psicológicos internos é que o indivíduo
se apropria da técnica e torna-se capaz de inferir no processo tecnológico.
42

4. REDES SOCIOTÉCNICAS

Rede sociotécnica é o construto central desta pesquisa, em torno


do qual investigou-se todos os demais conceitos e realizou-se também o
estudo empírico. Neste capítulo tem-se, inicialmente, a discussão de
algumas questões inerentes ao processo, como a formação das redes
sociais e, ao final, a caracterização do ciberespaço, mais especificamente
dos portais educacionais, como redes sociotécnicas.

4.1. Redes

A definição de rede, segundo o dicionário da língua portuguesa


(FERREIRA, Aurélio, 1999) é muito ampla. A palavra rede vem do latim
rete e pode remeter a qualquer um destes significados:
1- Entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames, etc.
com aberturas regulares, fixadas por malhas,
formando uma espécie de tecido.
2- Qualquer dos dispositivos feitos de rede, utilizados
para apanhar peixes, pássaros, insetos, etc.
3- Cilada, armadilha.
4- Dispositivo feito de rede, utilizado em circos, ou pelo
Corpo de Bombeiros, ou por qualquer outra
instituição de salvamento, e cujo fim é amortecer o
choque da queda de pessoas que, em exibições
acrobáticas ou por efeito de incêndio ou de outra
calamidade, se atiram ou caem de grande altura.
5- Tela de arame que lembra uma rede.
6- Rede finíssima de linha, usada para prender os
cabelos.
7- Rede sustentada por uma armação, que em geral
divide os dois campos adversários, utilizada em
esportes, como, por exemplo, o tênis, o vôlei, o
pingue-pongue.
8- O conjunto dos meios de comunicação ou de
informação (telefone, telégrafo, rádio, televisão,
jornais, revistas, etc.) ou o conjunto das vias (e do
equipamento) de transporte ferroviário, rodoviário,
aéreo, etc. que, pela sua estrutura e modo de
distribuição, se assemelha a uma rede, e se difunde
em áreas mais ou menos consideráveis: rede
telefônica, Rede Ferroviária Nacional.
9- O conjunto de estabelecimentos, agências, ou
mesmo de indivíduos, pertencentes à organização
43

que se destina a prestar determinado tipo de serviço:


rede bancária; rede de espionagem.
10- Qualquer conjunto ou estrutura que por sua
disposição lembre um sistema reticulado.
11- A canalização de água, esgoto, gás, etc. de uma
localidade.
12- Rede elétrica.
13- Designação genérica de entrelaçamento de
formações, como artérias, veias, etc.
14- Grelha.
15- Rede de computadores.
16- Rede de difração.
17- Grupo de emissoras que transmitem, em parte ou no
todo, programação em comum gerada por emissora
central, dita cabeça-de-rede.
18- Espécie de leito balouçante, feito de tecido resistente
de linho, algodão ou qualquer outra fibra, e
pendentes pelas extremidades terminadas em
punhos ou argolas, de armadores ou ganchos
geralmente pregados em paredes, árvores ou
armações metálicas.
19- Gado manso que se destina a conter o gado
malhadeiro ou fugidio.
20- Peneira (FERREIRA, Aurélio, 1999, p. 1723).

Interessa a esta pesquisa a primeira definição, por ser o ponto de


partida para as demais, a oitava, a nona e a décima quinta, por estarem
muito próximas do contexto em estudo e a décima, por oferecer a
abertura necessária para estender-se o significado deste vocábulo a todo
sistema que possua uma estrutura caracteristicamente reticulada.

A partir da noção de entrelaçamento, malha e estrutura reticulada,


este vocábulo foi, gradativamente, ganhando novos significados e sendo
empregado em diferentes situações. A palavra rede ganha um sentido
mais específico de acordo com o contexto em que é utilizada. Tanto pode
ser um conjunto de coisas ou de circunstâncias, quanto de pessoas ou de
instituições interligadas em torno de um interesse comum (LOPES, 2004).

Este é o objeto desta pesquisa: a rede de nós e ligações que


envolve e, ao mesmo tempo, abriga e sustenta um sistema formado por
equipamentos, indivíduos e procedimentos – máquina, homem e atitude.
44

Antes, no entanto, de aprofundar no estudo de tais redes, será feita


uma abordagem preliminar, acerca das redes sociais.

4.2. Redes sociais

Pensar e agir em rede é desafiante. Provoca, entre outras


coisas, o questionamento de nossas matrizes de
aprendizagem, convidando-nos a aprender algo novo, ou
seja, a mudar (SCHLITHLER, 2003, p. 1).

Barnes (1987, apud DUARTE e CRUZ, 2003) define as redes


sociais como o complexo de relações interpessoais existentes entre um
grupo de indivíduos. A família é o primeiro espaço de interações do ser
humano, a partir do qual ele desenvolve outras relações sociais, em
outras redes sociais: o grupo de amigos, o grupo da escola, do trabalho
etc. Em cada uma dessas redes, o indivíduo estabelece vínculos por
razão, principalmente, dos interesses afins. Assim, a troca de
experiências e a resolução de problemas comuns fazem das redes sociais
um espaço onde pessoas e grupos podem utilizar os recursos de seu
meio em prol do bem coletivo e/ou individual.

Em Speck e Atteneave (1973) encontra-se uma referência à origem


desse termo, que confirma o que foi descrito acima:

Os antropólogos britânicos criaram a expressão „rede


social‟ para descrever uma estrutura de amplitude e grau
de intimidade comparáveis aos das famílias e grupos,
mas que não se baseiam unicamente no parentesco
(SPECK e ATTENEAVE, 1973, contracapa) [Tradução
nossa]20.

Esses autores utilizam as redes sociais como unidades de terapia,


como forças curativas estimuladas por um trabalho intenso de mediação,
cujo objetivo consiste em canalizar e utilizar as potencialidades das redes

20
Los antropólogos británicos acuñaron la expresión „red social‟ para describir una
estructura de amplitud y grado de intimidad comparables a los de las familias y clanes
pero que no se basa únicamente en el parentesco (SPECK e ATTENEAVE, 1973,
contracapa).
45

sociais para que as pessoas resolvam mutuamente seus problemas. Em


seu trabalho, eles identificaram um interessante fenômeno, ao qual deram
o nome de „efeito rede‟, metaforicamente comparado ao efeito de ondas
provocado na superfície de um recipiente cheio de água quando nele se
atira uma pedra. As ondas se espalham até atingir as paredes do
recipiente, de onde, sob novo efeito, retornam com menor intensidade.
Esse efeito, segundo os autores, explica muitos dos comportamentos
observados nos indivíduos durante o trabalho de mediação, como se
fosse a reorganização de estruturas mentais já consolidadas. A rede
social, uma estrutura aparentemente invisível, mas, ao mesmo tempo,
muito real, se converte numa comunidade de sustentação do indivíduo
dentro de sua matriz social.

Estruturas interconexas e dinâmicas, as redes sociais se


estabelecem normalmente por relações mais horizontais, que supõem o
trabalho colaborativo e participativo. Essas relações se sustentam pela
vontade e afinidade dos indivíduos, caracterizando-se como um
significativo recurso de desenvolvimento, tanto para as relações pessoais
quanto para a estruturação social.

Um aspecto muito importante na constituição de uma rede social


efetivamente participativa e colaborativa é que ela seja coesa, que seja
um grupo, e não apenas agrupamento. Schlithler (2003) e Ayres (2001)
citam uma diferenciação cunhada pelo filósofo J. Paul Sartre, que
considera que um grupo ou uma equipe de trabalho é diferente de uma
série ou agrupamento de pessoas no ponto de ônibus, por exemplo. O
Quadro 2 sistematiza as principais diferenças entre grupo e agrupamento:
46

Quadro 2 - Comparativo entre grupo e agrupamento

AGRUPAMENTO GRUPO
Interesses exteriores fortes e interiorizados
Conhecimento anonimato profundo
Relacionamento superficial vincular, interdependente
indireta direta
Comunicação
unilateral bilateral (feedback)
Objetivos em comum comuns à todos
Diversidade problema riqueza
autocentrada descentrada
sem compromisso com compromisso
Atitudes sem confiança com confiança
competitiva cooperativa
passiva pró-ativa
Sentimento impotência motivação
integrada com
não refletida
Ação pensamento e emoção
circunstancial transformadora
Relação com o externo negada crítica
Fonte: SCHLITLER, 2000 apud AYRES, 2001, p. 11.

Em contraponto, é preciso considerar que uma “rede „simbiótica‟,


na qual todos os atores colaboram com uma obra comum em pé de
igualdade e com zelo permanente, não existe, é ilusória” (FACHINELLI,
MARCON e MOINET, 2001, p. 1). Na prática, então, admite-se que uma
mesma rede pode se comportar, ora como um grupo coeso, ora como um
mero agrupamento e que, numa mesma rede, pode-se ter indivíduos que
apresentam o perfil de participação exigido para a formação de um grupo
e indivíduos que se comportam como em um agrupamento e, ainda, que
um mesmo indivíduo apresente variações nos níveis de participação e
colaboração.

Como dito acima, e ainda, segundo Olivieri (2003), as redes sociais


podem ser entendidas como comunidades, virtual ou presencialmente
constituídas. Segundo a autora, essa identificação é muito importante
para a compreensão conceitual. Da mesma forma como originalmente – e
conceitualmente – a constituição de uma rede envolve células, nós, fios,
conexões, sistemas etc., a noção de comunidade remete a uma estrutura
47

social estabelecida de forma orgânica21, que se constitui a partir de


dinâmicas coletivas e historicamente únicas. Sua própria história e sua
cultura definem uma identidade coletiva, fundamental para os sentidos de
pertencimento de seus integrantes.

Esse pertencimento a uma rede provoca mudanças no indivíduo e


no próprio contexto cultural em que a rede se constitui, conforme mostra
Schlithler (2003) em seu artigo sobre a formação de facilitadores para as
redes sociais:

Entendo as redes sociais como meta e meio de


transformação porque, além de seus objetivos serem
sempre transformadores, o ato de formar e fazer parte de
uma rede desperta o protagonismo e, melhor ainda,
„ensina‟ a ser facilitador do protagonismo de muita gente.
Parece fácil? Mas não é. Vários estudos sobre redes
trazem este ponto em comum: um dos maiores desafios
das redes – senão o maior – é a mudança cultural que
elas exigem. [...] acredito que o processo grupal é sempre
transformador e desencadeia mudanças nos âmbitos
individual, grupal e social porque possibilita a
aprendizagem (SCHLITHLER, 2003, p. 1 e 2).

As redes sociais podem, então, ser vistas como um sistema de


interdependência que envolve a participação e/ou a colaboração entre
indivíduos, tornando o valor do todo maior que a soma das partes. O
pertencimento às redes sociais proporciona ao indivíduo a sua real
integração, socialização e posicionamento em seu meio.

4.3. Redes sociotécnicas

[...] existe um fio de Ariadne que nos permitiria passar


continuamente do local ao global, do humano ao não-
humano. É o da rede de práticas e instrumentos, de
documentos e traduções (LATOUR, 1994, p. 119).

21
Esse termo é aqui utilizado para caracterizar aquilo que tem o desenvolvimento
natural, inato, em oposição ao que é idealizado, calculado (FERREIRA, Aurélio, 1999,
p. 1455).
48

Na sociedade tecnológica, as redes sociais ganham uma nova


constituição. A mesma „sociedade interconectada‟ (MORAN, 2000) é
definida por Castells (1999) como „sociedade em rede‟. Ambos estão
caracterizando a nova estrutura social que se potencializa com o avanço
das tecnologias da comunicação e da informação.

Reafirma-se que não se deve entender que tais tecnologias sejam


a causa única das mudanças sociais em questão. Lévy (1999) lembra
inclusive que a estrutura reticulada não nasceu com os hiperdocumentos,
pois já existia nas enciclopédias e bibliotecas. E Silva (2000) confirma
esse pensamento ao falar das redes sociais dentro da sociedade
informatizada:

É preciso insistir na percepção de que a nova morfologia


social em rede não é produto da multimídia e da
telemática.[...] a sociedade em rede é potenciada não
apenas pelo novo paradigma informacional, mas também
por modificações em sua natureza (SILVA, 2000, p. 60).

Por esse motivo, o conceito de rede sociotécnica é tratado aqui


como „uma das formas‟ em que pode se desenvolver uma rede social.
Aquela em que a tecnologia oferece a estrutura de sustentação das
relações sociais que irão se estabelecer.

Lemos (2004) lembra que as redes sociotécnicas não são um


fenômeno recente na sociedade urbana, já que como tal podem ser
consideradas também as redes de transportes (rodoviário, ferroviário,
aeroviário etc.), de infra-estrutura (água, esgoto, eletricidade etc.) e de
comunicação (correios, telefonia, telégrafo etc.). O fenômeno mais
recente acerca das redes sociotécnicas talvez sejam as estruturas de
telecomunicações e tecnologias digitais.

Rede sociotécnica porque não se trata apenas de uma rede de


computadores, nem tampouco de um aglomerado de pessoas (CEBRIÁN,
1999), mas de uma interconexão de seres humanos - uma rede social -
49

possibilitada pelas tecnologias. Nela, tudo se dá de forma peculiar,


inclusive as relações entre as pessoas.

Bruno Latour (1994) define a estrutura das redes sociotécnicas,


onde o ser humano seria mais um nó numa estrutura não-linear sempre
aberta a novos componentes. A produção contemporânea de „coletivos
híbridos‟ (LATOUR, 1994) sugere um modelo de redes como um espaço
fértil para viabilizar a produção e a circulação de conhecimento e as novas
configurações sociais que emergem na atualidade.

Sob esse ponto de vista, torna-se inviável o estudo das evoluções


sociais sem uma abordagem acerca dos avanços tecnológicos, assim
como o estudo de tais tecnologias sem um olhar sobre as sociedades que
as produzem e as utilizam. Isto caracteriza o aspecto híbrido de artefatos
como a internet (VISEU, 2003).

Penin (2001), ao caracterizar o cenário social contemporâneo, cita


as novas formas de circulação, distribuição e uso da informação:

Verificamos que os conhecimentos sistematizados não


estão mais reunidos nas bibliotecas, nem o acesso a eles
se dá apenas nas salas de aula. Devido aos avanços
tecnológicos e referentes à informação no mundo
contemporâneo, o conhecimento circula em complexas
redes, sendo veiculado não apenas pelos meios
tradicionais de comunicação (rádio, jornais, revistas,
televisão etc.) como também pelo computador e,
sobretudo, pela Internet (PENIN, 2001, p. 48).

Desse modo, considera-se que a internet pode ser vista como uma
rede sociotécnica ao viabilizar e potencializar a interação e a
comunicação entre as pessoas, numa estrutura auto-reguladora
reticulada. A tecnologia que ela envolve, as conexões e os nós técnicos e
sociais por ela formados lhe servem de sustentação e, ao mesmo tempo,
são sua razão de existir.
50

4.4. O ciberespaço

Esta criatura do humano funciona, no simulacro do poder


ser, produz e dá a ver um espaço/tempo generalizado e
simultaneamente privado. [...] É um ente de vertigem
lúdica, emocionante, que encurta o espaço e prolonga o
tempo, em que o longe se faz perto e o tempo passado,
no presente, atualiza o poder do passado e projeta-se
aceleradamente em futuro. Operacional das
intermediações, é tecnicamente manipulável e
programável, permite produzir mais bens e serviços com
menos trabalho humano. [...] A sua marca de sedução é a
possibilidade de ser e estar numa ausência/presença. [...]
Esta figura controla, domina as conexões, potencia a
interação e produz decisivos efeitos nos comportamentos
humanos e sociais. [...] A matriz deste ciberinstrumento
que habita o ciberespaço é a Internet – a rede das redes
(LOPES, 2004, p. 14-15).

Nota-se aqui a caracterização da internet como “ciberinstrumento”.


Muitos são os autores que se utilizam do radical ciber na constituição de
vocábulos como ciberespaço, cibercultura, cibercidade para referir-se a
algo que, de certa forma, está relacionado à internet.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, (FERREIRA, Aurélio,


1999, p. 466), cibernética, que vem do grego kybernetiké, é definida como
“a ciência que estuda as comunicações e os sistemas de controle não só
nos organismos vivos, mas também nas máquinas”. O mesmo autor
caracteriza o ciberespaço como uma dimensão virtual da realidade, um
“meio conceitualmente análogo a um espaço físico, em que seres
humanos, máquinas e programas computacionais interagem - a internet”
(FERREIRA Aurélio, 1999, p. 466).

Lemos (1996), ao tratar da difícil tarefa de se definir ciberespaço,


cita William Gibson, o escritor de ficção científica que criou o termo:

Uma alucinação consensual vivida cotidianamente em


toda legalidade por dezenas de milhões de usuários em
todos os países, pelas crianças às quais se ensinam os
conceitos matemáticos... Uma representação gráfica de
dados extraídos das memórias de todos os computadores
dos sistemas humanos. Uma complexidade impensável.
Os raios de luz dispostos no não-espaço do espírito, os
amontoados e as constelações de dados. Como as luzes
51

das cidades no horizonte... (GIBSON, 1984 apud


LEMOS, 1996, p. 1) [Tradução nossa]22.

Para Lemos (1996), embora esta noção de ciberespaço como uma


“ligação neuronal direta” entre o homem e a tecnologia esteja um tanto
distante da realidade atual, é fato que a sociedade no século XXI, em
seus aspectos econômicos, culturais, políticos e educacionais, vai “passar
por um processo de negociação, distorção, apropriação dessa nova
dimensão espaço-temporal que é o cyberespaço” (p. 2).

Dentre as definições apresentadas por Lemos (1996), sob


diferentes abordagens23, é interessante ressaltar as semelhanças entre as
estruturas do ciberespaço e as do rizoma, que são capazes de se
modificar de forma descentralizada, caracterizando-se como um sistema
complexo e auto-organizador.

Retoma-se aqui a definição de Lévy (1999) apresentada no


capítulo 2, segundo a qual o ciberespaço seria o novo meio de interação e
comunicação possibilitado pela internet, que envolve, além da estrutura
tecnológica, também a amplitude de informações nele contida e os seres
humanos que o utilizam.

Assim como a formação de redes sociais, a formação de


comunidades virtuais baseia-se na interconexão e envolve
compatibilidade de interesses e um processo amplo de troca, de

22
Une hallucination consensuelle vécue quotidiennement en toute légalité par des
dizaines de millions d‟opérateurs dans tous les pays, par des gosses auxquels on
enseigne les concepts mathématiques... Une représentation graphique de données
extraites des mémoires de tous les ordinateurs du système humain. Une complexité
impensable. Des traits de lumières disposés dans le non-espace de l‟esprit, des amas
et des constellations de données. Comme les lumières de villes, dans le lointain...
(GIBSON, 1984 apud LEMOS, 1996, p. 1).
23
O autor discute o conceito de cyberespaço “sob a luz do hermetismo, da gnose, dos
ritos de passagem, do tempo real, do espaço imaginário e da metáfora evolucionista e
organicista da „Noosfera‟, do „Cybionte‟, da „Inteligência Coletiva‟ e dos „Rizomas‟” (p.
1).
52

cooperação. Nunca irão substituir24 por completo os encontros físicos, na


verdade os complementam, como uma forma alternativa de encontro.

4.5. Uma rede sociotécnica no meio educacional

A internet e a construção de ambientes virtuais das


escolas têm sido uma maneira delas fazerem frente a
este mundo em transformação (IAHN, 2002, p. 1).

A internet se faz presente em muitos dos segmentos da sociedade


atual e já tomou lugar em diversas ações presentes no cotidiano das
pessoas, seja em busca de informações, como na leitura de um jornal on-
line; serviços, como na execução de transações bancárias; e
comunicação, como a utilização do correio eletrônico. Essa lista poderia
estender-se muito se a intenção aqui fosse a de esgotar as
funcionalidades presentes na internet.

Lemos (2004) aborda o conceito de cibercidade, originada a partir


do ciberespaço e das relações sociais on-line. Isso porque, segundo esse
autor, as cidades são “artefatos que se desenvolvem sempre em relação
às redes técnicas e sociais” (p. 20). Sob este ponto de vista, ser cidadão
na cibercidade é estar conectado.

No setor educacional não é diferente. De maneira formal ou não, a


internet é utilizada em muitos contextos, tanto como ferramenta
pedagógica de apoio à pesquisa e ao processo de ensino e

24
A este respeito Lévy (1999) considera que não se pode “pensar as relações entre
antigos e novos dispositivos de comunicação em termos de substituição” (p. 129), pois
geralmente o desenvolvimento e a utilização de determinados recursos
comunicacionais acompanham interações e contatos de outros tipos, muitas vezes
reforçando-os. O autor cita vários exemplos, dentre eles: “as pessoas que mais se
comunicam ao telefone são também aquelas que mais encontram outras pessoas” (p.
129); “os museus virtuais provavelmente nunca farão concorrência aos museus reais,
sendo antes suas extensões publicitárias. [...] como o disco colocou mais pessoas em
contato com Beethoven ou os Beatles do que os concertos” (p. 154). Lemos (2004)
concorda que não se trata de abandonar a cidade física pela cidade virtual, “mas
propiciar a sinergia entre o espaço de fluxos planetário e o espaço de lugar das
53

aprendizagem, quanto como extensão do espaço escolar, favorecendo a


interação e a comunicação entre professores, alunos, e famílias e destes
com a instituição de ensino.

E é nesse segundo caso que se encontra o foco deste estudo.


Assim como Lemos (2004) afirma que “os portais são representações
atuais do espaço urbano no ciberespaço” (p. 21), acredita-se que, sob a
forma de sites ou portais, as instituições de ensino buscam se aproximar
da comunidade escolar e se fazer presentes no ciberespaço.

4.5.1 Sobre o conceito de portal

Página, site e portal são termos muito utilizados para designar


ambientes na internet25. Com significados diferenciados, porém muito
próximos, a utilização desses vocábulos se confunde e, em muitos casos,
são vistos como sinônimos. Página é amplamente utilizado porque todo
conteúdo na internet é organizado em páginas. Esse conteúdo pode ser
composto por textos, imagens, sons, formulários etc. Site significa local,
sítio, lugar em português. Na internet, site indica o local físico, identificado
através de um endereço. Enquanto o site contém um conjunto de páginas
específicas sobre um assunto, como exemplos, site do Programa
Universidade para Todos, site do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais etc, o portal procura ser um ponto de acesso
centralizado para o usuário, como, por exemplo, o portal do MEC, através
do qual se pode acessar diversos sites. Quando se diz que a utilização
desses vocábulos se confunde, é porque é possível encontrar-se
referências à página do MEC, ao site do MEC e ao portal do MEC, todos
referindo-se ao mesmo objeto.

cidades „reais‟” (p. 21), ou seja, uma relação de complementaridade, em vez de


substituição ou transposição.
25
Neste estudo, optou-se pela definição e utilização desses termos no intuito de se
construir um texto mais claro e objetivo, embora sejam utilizados também termos
como web site e home page.
54

Ainda sobre o conceito de portal, segundo Barbosa (2002), portais


são “sites que centralizam informações gerais e especializadas, serviços
de e-mail, canais de chat e relacionamento, shoppings virtuais,
mecanismos de busca, entre outros”. Em seu estudo, esta pesquisadora
analisa esse conceito através dos tempos: surgiu para designar sites
conhecidos como mecanismos de busca, através do qual o indivíduo pode
localizar outros sites a partir de uma busca por palavras-chave; mais tarde
passou a referir-se aos sites que permitem a personalização das páginas;
atualmente, o conceito de portal refere-se aos sites interativos, que
abrigam informações e serviços aos usuários, que podem interagir através
de chats e listas de discussão.

Grande (2003) classifica os portais em horizontais e verticais. Um


portal horizontal é um site com informações e serviços destinados a um
público genérico, com o objetivo de “atender às necessidades do maior
número de pessoas possível nos mais diversos assuntos” (p. 19).
Diferentemente, um portal vertical é especializado em determinado
segmento e apresenta informações e serviços destinados a um público
específico, buscando “atender às necessidades de um determinado grupo
de usuários relacionado a um único assunto ou a uma área de interesse”
(p. 19). Sob esse ponto de vista, um portal educacional é um portal
vertical.

Na origem do termo, um portal na internet seria a principal porta de


acesso, através da qual o indivíduo entraria em outros sites. Do mesmo
modo, um portal educacional, ao abrigar vários ambientes (site para o
educador, site para o aluno, sites das escolas etc) também se comporta
como uma porta de entrada, o lugar por onde o indivíduo inicia a sua
navegação pelos sites desejados.

4.5.2 Portais educacionais

Atualmente é possível encontrar, na internet, vários sites e portais


de instituições educacionais, com diferentes estruturas e concepções. Há
sites institucionais (de uma escola ou de uma rede de escolas) que
55

trazem informações sobre a história da instituição, sua infra-estrutura,


modalidades de ensino a que atende, fotos dos ambientes internos e
externos e dados sobre os eventos festivos ou acadêmicos, como período
de matrícula etc. Outros, indo um pouco mais além, trazem alguns
serviços, como a possibilidade de consulta de boletim escolar pelo aluno
ou seus pais e a realização de matrícula ou pré-matrícula on-line.
Acredita-se, no entanto, que além dessas informações e serviços, o portal
de uma instituição educacional deve oferecer também meios de interação
e comunicação entre seus múltiplos usuários.

Construir e disponibilizar um ambiente na internet contemplando


todas essas possibilidades não é uma tarefa fácil para muitas escolas,
seja pela questão financeira, seja por não possuírem conhecimento e/ou
infra-estrutura necessários para tal. Por esse motivo, muitas estabelecem
convênios (em alguns casos, pagam, mensalmente, um valor fixo por
aluno) com portais educacionais que já possuem serviços e conteúdos
disponíveis na internet26. Dentre esses serviços está o espaço reservado
para a página da escola, a possibilidade de alunos e familiares
consultarem dados acadêmicos e a comunicação entre professor, aluno e
família através da agenda escolar on-line. Para usufruir desses recursos,
a escola utiliza a estrutura já construída pelos desenvolvedores do portal,
fornecendo os dados (conteúdo das páginas, dados acadêmicos etc.) no
formato em que são exigidos a fim de que sejam disponibilizados aos
seus usuários. O aspecto positivo é que alunos e professores têm acesso
a uma ampla comunidade educacional virtual, podendo acessar
conteúdos curriculares, jogos educativos, simuladores etc. normalmente

26
Em matéria lançada recentemente, a revista Época elegeu como principais portais
educacionais, atualmente, o Educacional, o Klickeducação e o Educarede. O texto fala
das possibilidades que a internet abre para o processo de ensino e aprendizagem,
como as fontes de pesquisa, as facilidades de comunicação entre alunos e
professores etc. devendo-se estar atento para saber quando essa novidade é utilizada
em prol da melhoria do ensino e quando é utilizada somente como propaganda.
(Internet: o que muda na escola? Época. São Paulo, nº 338, p. 61-66, 8 nov. 2004).
56

categorizados por modalidade de ensino e/ou área de conhecimento,


além de notícias, artigos e entrevistas de interesse do setor educacional.
Todo esse material é disponibilizado pelo portal, sem que a instituição de
ensino tenha que se preocupar em publicar tais conteúdos. Em alguns
casos, a interatividade entre as escolas também é possível, sempre
gerenciada pela equipe do portal.

Os obstáculos que podem surgir nesse tipo de relação estão


basicamente na falta de personalização do serviço prestado e na
dependência que se estabelece perante a instituição desenvolvedora e
mantenedora do portal. Muitas vezes, a escola não possui liberdade em
opinar sobre, por exemplo, o leiaute de sua própria página ou sobre a
inclusão ou adaptação de determinado serviço ou aplicativo de acordo
com as suas necessidades. Ao contrário, ela se dispõe a utilizar um
produto que é construído para atender a várias escolas, de maneira
padronizada. Além disso, a instituição não estará construindo um
ambiente próprio na internet, o que a faz estar sempre dependente de
serviços de terceiros. Para reduzir esses efeitos, algumas escolas optam
por ter um site institucional com recursos próprios e com maior autonomia
e nele adicionar um link para o portal com o qual possuem convênio, a fim
de que seus professores, alunos e familiares possam ter acesso aos
demais serviços e conteúdos disponibilizados pelo portal educacional. Em
ambos os casos, fica clara a conotação de terceirização do serviço, no
todo ou em parte.

Uma outra possibilidade é a construção do portal por uma rede de


escolas, seja do setor privado, seja do setor público. O fato de reunir as
unidades educacionais de uma mesma rede de ensino, além de baixar
custos, garante a criação de um ambiente com a identidade dessa
comunidade escolar, com serviços e informações que atendam às
demandas dessa instituição. Essa alternativa certamente exige mais
tempo, trabalho e envolvimento, pois a instituição toma para si a
responsabilidade de decidir o que e como será feito, e isso implica uma
57

atuação direta na especificação das aplicações, no acompanhamento do


desenvolvimento, na validação e na implantação junto ao usuário final. Há
também a importante decisão por quem irá desenvolver as aplicações, ou
seja, se haverá ou não contratação de mão-de-obra externa. E, ainda, a
manutenção e atualização do conteúdo também são de responsabilidade
da instituição, que pode ou não distribuir essa tarefa entre os usuários do
portal.

Cabe aos administradores, em conjunto com a comunidade


escolar, optar pela forma que lhes pareça mais adequada de habitar o
ciberespaço.

Este estudo dedica-se mais especificamente à análise desta última


alternativa: um portal construído por uma rede de ensino, no qual cada
unidade educacional possui espaço para criação e publicação de seu site.
Os usuários diretos desse portal são, pois, as comunidades escolares
formadas por cada unidade que, juntas, compõem uma comunidade
maior.

Assim, o portal educacional, como uma rede sociotécnica, leva os


serviços e as informações da escola para o aluno, a família e o próprio
educador em qualquer tempo e lugar, „desterritorializando‟ o ambiente da
escola, tornando-o mais próximo e mais acessível a toda a comunidade
escolar.

Lévy (1999) apresenta quatro formas de como pode se dar a


relação entre o ciberespaço e o espaço territorial: analogia, substituição,
assimilação e articulação. Em seus argumentos, o autor se mostra
contrário às três primeiras formas e favorável à última.

Sobre a forma de analogia, que ele chama de uma duplicação do


território institucional no virtual, admite apenas que seja uma fase
transitória, inicial. Não se pode apenas reproduzir na internet as mesmas
informações e os mesmos serviços que estão disponíveis nas instituições,
58

nos museus, nas escolas, nas bibliotecas, etc. O ciberespaço se propõe a


algo mais amplo e participativo.

Sobre a forma de substituição das ações territoriais pelo


ciberespaço, o autor não concorda por achar que quanto mais nos
comunicamos, mais nos deslocamos e, por isso, as atividades que podem
ser realizadas através da internet jamais substituirão por completo os
deslocamentos físicos. Mesmo que a internet tenha um poder
descentralizador, desconcentrador e deslocalizador, ela não elimina os
centros, e não deve substituir as aproximações físicas e o contato
humano direto.

A respeito da forma de relacionar o ciberespaço com a cidade


através da assimilação, a crítica do autor se baseia na impossibilidade de
comparação entre as redes de comunicação interativas e as estruturas
que já compõem o espaço urbano, como redes de transporte, de televisão
ou telefônicas. Para ele, o ciberespaço não é uma infra-estrutura, mas
uma forma social e técnica de interatividade, que se utiliza das infra-
estruturas existentes. Assimilá-lo a tais infra-estruturas seria anular o seu
caráter tecno-social auto-organizador.

O autor vê na articulação entre o ciberespaço e o território uma


forma de melhorar a cidade geográfica, de flexibilizar os contatos, de
dinamizar os processos, um meio de compensar “a lentidão, a inércia, a
rigidez indelével do território por sua exposição em tempo real no
ciberespaço” (p. 195). Articulando-se um ao outro, internet e território se
completam.

Essa visão é compartilhada por Lemos (2004), Lopes (2004) e


Moraes (2004), quando consideram o ciberespaço como espaço de
complementaridade da cidade, e não como forma de substituição ou
transposição do território. Desse modo, potencializa-se a participação dos
cidadãos ao se colocar “em sinergia diversas inteligências coletivas, ou
mesmo reforçar laços comunitários” (LEMOS, 2004).
59

É nessa perspectiva que o portal educacional é reconhecido neste


estudo. Como um ambiente de apoio ao espaço escolar, capaz de
agregar serviços e informações e ser um espaço a mais de interação.

Desse modo, a escola pode utilizar seu site como um meio para
divulgação de sua proposta pedagógica, do seu calendário escolar, das
atividades desenvolvidas por professores e alunos etc. Os gestores
podem utilizar um canal direto de comunicação com cada segmento. Aos
educadores cria-se um espaço de formação, trocas de experiências e
compartilhamento de informações, além do acompanhamento extraclasse
de seus alunos. Para o aluno surge a possibilidade de convivência em um
novo espaço educacional, com possibilidade de acessar e compartilhar
informações com todos os demais alunos. E, por fim, aos familiares,
torna-se possível acompanhar o desempenho escolar dos filhos, conhecer
o trabalho desenvolvido na escola e ainda ter também um ambiente de
trocas de informações e experiências. Coloca-se, assim, a tecnologia a
serviço da melhoria dos processos educacionais, conforme lembra Levy:

Não se trata aqui de usar as tecnologias a qualquer


custo, mas sim de acompanhar consciente e
deliberadamente uma mudança de civilização que
questiona profundamente as formas institucionais, as
mentalidades e a cultura dos sistemas educacionais
tradicionais (LÉVY, 1999, p. 172).

Acredita-se que, complementando o território e proporcionando


uma nova forma de interação social, o portal condiz com as demandas da
instituição e de seus usuários que, nesse caso, são todos os atores da
comunidade escolar.

Quando um portal educacional se dispõe como suporte tecnológico


para as relações entre esses atores (instituição, educadores, alunos,
família), e destes com a própria tecnologia, tem-se o exemplo vivo de uma
rede sociotécnica.
60

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este capítulo aborda, inicialmente, o método de pesquisa utilizado,


assim como suas principais características, limitações e benefícios, sob o
ponto de vista de diversos autores, demonstrando como tais aspectos
justificaram a sua escolha. Em seguida, apresentam-se o objeto e o
campo de pesquisa, a população e os instrumentos de investigação,
caracterizando-os e contextualizando-os.

5.1. O método

Com o objetivo de conhecer melhor a formação de uma rede


sociotécnica no meio educacional, optou-se pela realização do estudo do
processo de construção e implantação de um portal de uma rede
municipal de ensino.

O método de pesquisa escolhido foi o estudo de caso, e tal opção


justifica-se principalmente pelo interesse em proceder a investigação de
um fenômeno atual dentro de seu contexto, conforme explicita Yin em sua
definição de tal método:

Um estudo de caso é uma investigação empírica que


investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu
contexto da vida real, especialmente quando os limites
entre o fenômeno e o contexto não estão claramente
definidos (YIN, 2001, p. 32).

Ainda de acordo com esse autor, a preferência pelo uso do estudo


de caso, quando se pretende investigar eventos contemporâneos, é ainda
mais justificável em situações onde os comportamentos relevantes não
podem ser manipulados, mas onde seja possível se fazer observações
diretas e/ou entrevistas sistemáticas. A presente investigação
corresponde à situação descrita por Yin (2001), já que o processo de
construção e implantação do portal foi acompanhado diretamente pela
pesquisadora, em seu contexto real. É importante salientar também que a
61

pesquisadora possuía acesso ao fenômeno em estudo, mas não possuía


controle sobre os eventos.

Um outro aspecto importante a ser verificado durante a escolha


pelo método de pesquisa é o tipo de questão a que se propõe responder.
Yin (2001) sistematiza, em um quadro comparativo (Quadro 3), como se
comportam as principais estratégias de pesquisa diante de cada um dos
critérios citados acima:

Quadro 3 - Estratégias de pesquisa

Forma da Exige controle Focaliza


Estratégia questão de sobre eventos acontecimentos
pesquisa comportamentais? contemporâneos?
Experimento Como, por que Sim Sim
Quem, o que,
Levantamento quem, onde, Não Sim
quantos, quanto
Quem, o que,
Análise de
quem, onde, Não Sim / Não
arquivos
quantos, quanto
Pesquisa
Como, por que Não Não
histórica
Estudo de caso Como, por que Não Sim
Fonte: Yin, 2001, p. 24.

De acordo com o quadro acima e com o que já foi dito


anteriormente, o estudo de caso é indicado quando as principais questões
que se colocam são do tipo „como‟ e „por que‟, quando o pesquisador tem
pouco controle sobre os eventos e quando o fenômeno a ser estudado
encontra-se inserido em um contexto real contemporâneo.

É possível que haja áreas de sobreposição entre as diversas


estratégias de pesquisa, ou seja, questões que podem ser respondidas
por mais de uma delas, que haja situações em que todas as estratégias
são relevantes, ou ainda, situações em que a combinação de duas delas
(um levantamento dentro de estudo de caso, por exemplo) seja a
alternativa mais apropriada.
62

Por isso, embora o método histórico e o método experimental


também objetivem responder às mesmas questões, eles não foram
considerados apropriados para esta investigação por razões óbvias: o
método histórico por ser indicado quando o pesquisador não tem acesso
ao fenômeno enquanto este está acontecendo e o método experimental
por implicar situações em que o pesquisador possa manipular os eventos
comportamentais de forma direta, normalmente isolando o fenômeno
estudado de seu contexto. Por outro lado, o estudo de caso em questão
utilizou-se, em alguns momentos, de levantamentos de dados que se
mostraram pertinentes.

Diversos autores27, ao tratarem do método do estudo de caso,


reconhecem que, assim como em outras estratégias de pesquisa em
Ciências Sociais, a sua utilização implica vantagens e limitações.

Uma das maiores limitações do método do estudo de caso é o fato


dele não fornecer uma base para generalizações científicas, pois o estudo
isolado de um ou alguns casos não pode ser considerado uma amostra
da população. Dessa forma, as generalizações não devem ser feitas para
populações ou universos, mas somente em relação às proposições
teóricas (Yin, 2001). Para Bonoma (1985, apud BRESSAN, 2000),
quantificação e enumeração não são objetivos do estudo de caso, mas
principalmente compreensão, obtida através da descrição, da
classificação, do desenvolvimento teórico e do teste limitado da teoria.
Laville e Dionne (1999) advertem ainda que se as conclusões, a princípio,
valem apenas para o caso em questão e nada assegura que possam ser
aplicáveis a outros casos, do mesmo modo, nada assegura que nunca o
poderão.

27
Bressan (2000), Gonsalves (2001), Goode e Hatt (1969), Laville e Dionne (1999), A.
Santos (2002), Pádua (2000) e Yin (2001).
63

Uma outra crítica comumente feita a esse método está relacionada


à falta de rigor e de objetividade. Segundo Goode e Hatt (1969) e Pádua
(2000), por conhecer tão de perto o seu objeto de estudo, o pesquisador
pode se precipitar em falsas certezas e conclusões. No entanto, Yin
(2001) afirma que tal negligência em aceitar evidências equivocadas ou
visões tendenciosas pode também ocorrer mesmo sendo utilizadas outras
estratégias de pesquisa. Em relação à falta de objetividade, os autores
são unânimes em afirmar que o pesquisador deve se ater em limitar o
tempo e os relatos da pesquisa.

Provavelmente, tais características podem ser apontadas porque o


método estudo de caso não permite que se criem regras precisas acerca
das técnicas de pesquisa utilizadas, ou seja, cada investigação depende
do tema, do pesquisador, dos seus pesquisados e do contexto
(GOLDENBERG, 2003). Essa característica do método exige que o
pesquisador esteja preparado para lidar com dados não padronizados, um
tempo de pesquisa indefinido e descobertas inesperadas. Goldenberg
(2003) afirma que “é muito freqüente que surjam novos problemas que
não foram previstos no início da pesquisa e que se tornam mais
relevantes do que as questões iniciais” (p. 35). Pádua (2000) concorda
com tal imprevisibilidade ao afirmar que, mesmo

...que o pesquisador, ao se propor desenvolver sua


investigação através do estudo de caso, já parta de
alguns pressupostos teóricos, o caso propriamente dito
se constrói no processo de pesquisa, à medida que se
identificam os múltiplos fatores que concorrem para sua
configuração (PÁDUA, 2000, p. 71).

Para Laville e Dionne (1999), no entanto, isso se traduz na maior


vantagem desse tipo de investigação, que seria a possibilidade de um
estudo mais aprofundado, pois não está limitado às comparações do caso
com outros casos e nem com uma rotina rígida de investigação. Em
virtude disso, o pesquisador tem mais liberdade para modificar suas
abordagens, adaptar instrumentos e até reorientar sua pesquisa, visando,
justamente, explorar elementos imprevistos.
64

O estudo de caso é ainda particularmente interessante quando se


trata da análise de processos sociais (GOODE e HATT, 1969), por ser um
meio de se organizar e sistematizar dados sem se perder o caráter
unitário do objeto em estudo, seja ele um indivíduo, uma família, um grupo
social, um conjunto de relações ou processos, ou mesmo toda uma
cultura. Tais características se fazem presentes nesta pesquisa, a partir
do momento em que se busca estudar de perto o processo de formação
de uma rede sociotécnica, os fatores que implicam sua constituição e as
relações que se estabelecem entre os educadores dentro dessa rede, ora
investigando aspectos mais localizados, ora analisando aspectos mais
globais. Acerca disso, Yin (2001) diferencia os estudos de casos
incorporados (quando subunidades são também estudadas) dos estudos
de casos holísticos (quando se examina apenas a natureza global). Pode-
se dizer que a presente investigação permeou as duas abordagens, não
analisando somente subunidades, sob o risco de se perder o caráter
unitário, e nem somente holística, para não se perder numa análise
abstrata, carente de dados.

A escolha por casos únicos ou múltiplos também é uma opção


quando se decide pelo estudo de casos. De acordo com Goldenberg
(2003), o método do estudo de caso “supõe que se pode adquirir
conhecimento do fenômeno estudado a partir da exploração intensa de
um único caso” (p. 33), reunindo um grande número de informações por
meio de diversas técnicas de pesquisa. Em virtude disso, o estudo de um
caso pode ajudar a compreender um fenômeno complexo de uma forma
não superficial, ou seja, um estudo que seria impraticável considerando
vários casos, ao ser feito a partir de um único caso pode mostrar-se
significativo, desde que tal caso seja significativo em um contexto mais
amplo, como afirmam Laville e Dionne:

Se o estudo de caso incide sempre sobre um caso


particular, examinado em profundidade, toda forma de
generalização não é por isso excluída. Com efeito, um
pesquisador seleciona um caso, na medida em que ele
65

lhe pareça típico, representativo de outros casos


análogos (LAVILLE e DIONNE, 1999, p. 156).

Considerando-se que o objeto de estudo em questão seja


representativo, principalmente para o setor público, que outros estudos
simultâneos do mesmo fenômeno estariam além dos limites desta
pesquisa (por ser um fenômeno complexo, quase raro e por questões de
tempo), a escolha pelo estudo de caso único mostrou-se como a
estratégia de investigação mais adequada.

Desfazendo também o mito de que o estudo de caso seja indicado


somente para estudos exploratórios, Yin (2001) considera que uma visão
pluralística é a ideal, ou seja, qualquer das estratégias de pesquisa,
estudo de caso, levantamento, pesquisa histórica ou experimento, pode
ser utilizada sob os três propósitos: exploratório, descritivo ou
explanatório.

A presente investigação, por realizar o estudo em um fenômeno


relativamente raro e novo, sobre o qual não existem estudos anteriores,
se caracteriza por uma abordagem mais exploratória e descritiva do que
explicativa.

5.2. O objeto de estudo

Caracteriza-se como objeto de estudo desta pesquisa um portal de


uma instituição educacional, reconhecido como uma rede sociotécnica
constituída pela comunidade escolar dessa instituição.

A instituição em questão é a Rede Municipal de Ensino de São


Paulo e o seu portal, o EducaSampa, pode ser acessado pela URL
http://educacao.prefeitura.sp.gov.br.

5.3. O campo de pesquisa

A pesquisa de campo desenvolveu-se na rede municipal de ensino


da cidade de São Paulo, durante o planejamento, especificação,
66

desenvolvimento e implantação do portal educacional pela Secretaria


Municipal de Educação, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas
(FGV).

A escolha desse ambiente deu-se, principalmente, pela sua


representatividade e por se dar em uma rede pública de ensino,
características não observadas em outros projetos similares nos quais a
pesquisadora já teve a oportunidade de atuar. Um fator decisivo foi a
concomitância entre a realização da pesquisa e a execução dos trabalhos
com o portal (especificação, desenvolvimento, implantação). Os ajustes
de cronograma que se mostraram necessários não comprometeram a
conclusão da pesquisa dentro do tempo hábil28.

A Rede Municipal de Ensino de São Paulo (RME-SP)

A rede municipal de ensino de São Paulo atende exclusivamente à


Educação Básica29 e é composta por aproximadamente 1200 unidades
educacionais, conforme o ANEXO E.

Para fins administrativos, o município é dividido em 31


30
subprefeituras , às quais estão vinculadas as Coordenadorias (de Saúde,
de Esportes, de Educação etc). As unidades educacionais estão,
portanto, ligadas às Coordenadorias de Educação (CE) e estas, por sua
vez, à Secretaria Municipal de Educação (SME).

A RME-SP atende atualmente cerca de 1,2 milhão de alunos e


possui cerca de 75 mil servidores, conforme sintetizam os ANEXOS G e
H, respectivamente.

28
O ANEXO A apresenta o cronograma inicial da pesquisa, o ANEXO B apresenta o
processo de construção do portal e o ANEXO C mostra o cronograma da pesquisa
adaptado às atividades do portal.
29
O ANEXO D apresenta as modalidades de ensino oferecidas pela RME-SP.
30
Conforme pode ser visto no mapa no ANEXO F.
67

O cenário anterior à construção do portal

Antes da construção do portal EducaSampa, a Secretaria Municipal


de Educação de São Paulo estava representada na internet por dois sites
distintos. Um deles estava vinculado ao site da prefeitura, assim como o
de todas as demais secretarias e órgãos municipais. Esses sites
agrupados formam o Portal da Prefeitura de São Paulo31, de caráter
basicamente institucional e informativo. Todo o conteúdo nesse portal é
publicado por uma equipe denominada „Governo Eletrônico‟, um grupo
restrito e centralizado na prefeitura, ou seja, nem a SME e nenhuma
escola ou CE possuía autonomia para publicação de conteúdo.

O outro site, que abriga o sistema denominado Escola On-line


(EOL), reúne os serviços de ordem acadêmica e administrativa da
Secretaria de Educação, como cadastro e manutenção dos dados das
unidades educacionais, dos alunos e dos servidores da rede. Esse
sistema é de acesso restrito a cerca de 3 mil servidores que trabalham
nos setores administrativos das unidades educacionais, nas
coordenadorias e na Secretaria de Educação e que são responsáveis
pela manipulação dos dados citados acima. Implementado na década de
90 e utilizando softwares pagos, esse sistema encontra-se deficitário há
alguns anos, tanto pelo volume de informações, cujo manuseio se mostra
cada vez mais complexo e lento, quanto pela carência de algumas
funcionalidades importantes para uma rede de ensino.

A Secretaria de Educação optou, então, pela construção de um


portal que incorporasse os dois ambientes descritos acima, contemplando
tanto o teor informativo e institucional quanto o sistema de gestão dos
dados acadêmicos e administrativos, sendo este último totalmente
reestruturado e ampliado. Além desses dois enfoques, houve um grande
interesse que o portal fosse um ambiente colaborativo entre as Unidades

31
http://www.prefeitura.sp.gov.br
68

Educacionais, Coordenadorias de Educação, servidores, educadores,


alunos, familiares e a comunidade em geral. Fez-se também a opção pela
utilização de software livre.

Esta investigação irá se deter no estudo do ambiente colaborativo,


que será melhor caracterizado no capítulo 6, onde são apresentados os
dados da pesquisa.

5.4. A população

Os usuários do ambiente colaborativo são todos aqueles que,


direta ou indiretamente, fazem parte da rede de ensino: servidores,
educadores, alunos, familiares e a comunidade em geral. Os serviços e
informações disponíveis a cada grupo, assim como o nível de acesso que
possuem, são diferenciados.

Esta investigação focaliza o usuário educador e a sua participação


na especificação, na implantação e na utilização do portal. Toma-se como
educador todos os servidores que se ocupam de funções diretamente
ligadas ao objetivo fim – a educação –, como professores, coordenadores
pedagógicos, POIE32 e diretores das unidades educacionais e das
coordenadorias.

5.5. Os instrumentos de pesquisa

A partir do que foi dito anteriormente, que um estudo de caso


normalmente não segue uma rotina rígida de coleta de dados e ainda
contempla a busca de informações a partir de fontes diversificadas
(GOLDENBERG, 2003, PÁDUA, 2000 e YIN, 2001), a presente
investigação lançou mão de diferentes técnicas em diferentes momentos
do estudo.

32
Professor Orientador de Informática Educativa.
69

Uma particularidade a ser ressaltada é que, pelo fato de a autora


ter desempenhado, simultaneamente, os papéis de profissional e de
pesquisadora, alguns limites foram impostos, durante a coleta de dados,
com o objetivo de se conseguir a mínima contaminação possível de um
papel pelo outro.

Embora a total imparcialidade seja algo irrealizável em uma


pesquisa33, uma preocupação constante da pesquisadora foi acerca da
não inferência sobre os itens em estudo, principalmente pautando suas
análises e conclusões sobre os fatos observados e dados coletados.
Também em nome da neutralidade, uma premissa tida como necessária
pela própria autora foi de que não introduziria artefatos e discursos da
pesquisa que se misturassem com a sua atuação de profissional diante da
SME. Um exemplo foi a decisão de não realizar entrevistas com os
educadores, já que a autora era reconhecida pela maioria deles como
uma representante da SME (mesmo não estando diretamente vinculada à
mesma), o que poderia prejudicar a veracidade e a clareza do diálogo. Em
outras palavras, buscou-se fazer com que a profissional inferisse no
processo e a pesquisadora apenas observasse e coletasse as
informações que julgasse pertinentes à sua pesquisa.

Dessa forma, a maior fonte de dados foi o próprio processo em


andamento, através do qual as informações foram obtidas, aliás, como o
deve ser em um estudo de caso.

Os dados desta investigação podem ser assim organizados:


- Caracterização do portal;
- O processo:

33
Segundo Japiassu (1975), assim como a objetividade e a racionalidade, a neutralidade
científica não passa de um ideal que nenhum cientista é capaz de realizar. Ele acredita
que o pesquisador já não é neutro desde o início da investigação, como na escolha do
tema e na criação das hipóteses. Demo (1989) se utiliza de palavras semelhantes, ao
dizer que a objetividade pode ser vista como a utopia da ciência. E, ao citar Weber,
lembra que tal autor coloca a palavra objetividade entre aspas justamente porque não
existe isenção total do sujeito diante do objeto.
70

Formação do grupo gestor do portal;


Sensibilização da comunidade educacional;
Especificação dos aplicativos;
Formação dos educadores;
- O portal sob o olhar dos educadores;
- Utilização do portal pelos educadores;
- Avaliação do grupo gestor.

A seguir, será feita uma breve caracterização de cada um desses


momentos de investigação e os respectivos instrumentos utilizados. Os
dados, propriamente ditos, serão apresentados no capítulo 6.

Caracterização do portal

A caracterização detalhada do portal EducaSampa foi feita a partir


do contato direto da pesquisadora com o objeto de estudo 34. Tal
caracterização é qualificada como dado da pesquisa porque se refere ao
artefato que foi observado enquanto era planejado, construído,
implantado e utilizado pela RME-SP.

O processo

Através da observação direta e participativa, a pesquisadora pôde


acompanhar as diversas etapas de construção do portal EducaSampa,
desde a sua concepção.

34
Em seu trabalho, a autora era responsável, juntamente com sua equipe, por atuar na
especificação dos aplicativos junto à SME e levar estas informações à equipe de
analistas e programadores; pela validação inicial dos protótipos dos aplicativos (a
validação final era feita pela SME); pelos testes e validação iniciais dos aplicativos (a
validação e os testes finais eram feitos pela SME); pela elaboração dos manuais e
construção do help on-line do módulo de administração.
71

O portal sob o olhar dos educadores

Durante o período de formação dos educadores foi aplicado um


questionário35 on-line a cada participante. Ao todo foram respondidos 789
questionários.

As questões de 1 a 8 abordavam o próprio evento (capacitação),


solicitando uma avaliação de cada participante acerca do local, da carga
horária, do material utilizado, dos instrutores etc. As respostas dadas a
tais questões não farão parte desta investigação. As questões de 9 a 15
tiveram como objetivo principal coletar opiniões acerca do portal em
questão. Estas sim, terão suas respostas analisadas.

Esse questionário foi elaborado em conjunto com a SME, visando


coletar informações que fossem de interesse de ambas as partes: SME e
FGV. Deve ser lembrada aqui a premissa de não se introduzir artefatos da
pesquisadora que sobrepusessem as atividades da profissional. Por isso,
não caberia, nesse momento, a utilização de um questionário extenso,
detalhado, com a finalidade de fazer levantamentos que atendessem
somente à pesquisa.

A utilização de questões abertas justifica-se pela autenticidade do


estudo, o que de certo modo impossibilitou a previsão de categorias para
a elaboração de questões fechadas. Além disso, as questões abertas, por
exigirem uma resposta espontânea do informante, possibilitam o
aparecimento do real significado das situações para os indivíduos, o que
é consideravelmente mais amplo do que aquilo que aparece em um
questionário padronizado, com questões fechadas (GOLDENBERG, 2003
e PÁDUA, 2000).

35
Ver ANEXO I.
72

O processo de análise das respostas obtidas, embora mais


trabalhoso do que o seria se fossem utilizadas questões fechadas, contou
com uma riqueza de detalhes e informações que dificilmente seriam
contemplados nesse tipo de questão.

Conforme dito anteriormente, o questionário foi preenchido on-line,


o que proporcionou que suas respostas fossem, de imediato, sendo
consolidadas em um banco de dados. No entanto, para a análise de
respostas em forma de texto, isso não significa muito, a não ser pela
possibilidade de contagem da ocorrência de determinadas palavras ou
expressões, o que também não se mostrou interessante, dada a
superficialidade desse tipo de análise. Segundo Laville e Dionne,

Mais trabalhoso, porém mais significativo, é o recorte em


temas, que correspondem a idéias ou conceitos. Estas
idéias e conceitos podem não encontrar-se explícitos a
ponto de serem localizados pelo software, mas requerem
uma leitura mais minuciosa com o objetivo de identificá-
los no texto (LAVILLE e DIONNE, 1999, p. 218).

Diante desse „estímulo‟ teórico e da real motivação da


pesquisadora por conhecer os detalhes das falas dos informantes, todas
as respostas dadas às questões 9 a 15, nos 789 questionários, foram
lidas e classificadas em categorias criadas a partir das próprias respostas.

Utilização do portal pelos educadores

Em setembro de 2004, o portal foi publicado em seu endereço


definitivo. Os primeiros seis meses foram dedicados à construção dos
sites e publicação de conteúdos pelas unidades educacionais e
Coordenadorias de Educação. Nesse período, a utilização do portal ainda
não foi disseminada entre alunos e familiares.

De outubro de 2004 a março de 2005, acompanhou-se a evolução


do número de sites criados, da quantidade de conteúdo publicado, de
educadores cadastrados e seus acessos ao portal.
73

Durante os meses de janeiro a março de 2005, foi observada a


utilização, pelos educadores, de alguns aplicativos no portal, como
Informes, Fórum, Banco de Aulas e Projetos, Publicação de Artigos e
Referências Bibliográficas.

Avaliação do Grupo Gestor

Para encerrar a coleta de dados, foi feita uma pequena entrevista


por e-mail com os integrantes do grupo gestor do portal. O ANEXO J
apresenta o roteiro dessa entrevista.

5.6. Autorização para realização da pesquisa de campo

Conforme vem sendo dito, em vários momentos, nesta dissertação,


a presente investigação se deu em paralelo com o trabalho realizado pela
pesquisadora junto à Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. É
prudente ressaltar que, durante todo o processo, tal atividade contou com
a aprovação e apoio da própria secretaria, através da Diretoria de
Orientação Técnica (DOT), da Chefe de Gabinete e da própria Secretária
de Educação. O ANEXO K sintetiza as comunicações com a SME acerca
da autorização para realização da pesquisa de campo.
74

6. DADOS DA PESQUISA

Este capítulo apresenta os dados coletados em campo, nos


diferentes momentos e abordagens, conforme descrito no capítulo 5.

Primeiramente, será feita uma caracterização mais ampla do portal


EducaSampa, com o objetivo de melhor informar ao leitor sobre o objeto
de estudo desta investigação. Em seguida, serão apresentados dados
referentes ao processo de construção, ao parecer dos educadores, ao
período de implantação e aos primeiros meses de utilização do portal.

6.1. Caracterização do portal

O portal EducaSampa foi concebido de forma a abrigar o sistema


administrativo e acadêmico da RME-SP, conhecido como Escola On-line,
e o ambiente colaborativo36. A Figura 1 ilustra essa estrutura:

Figura 1 - Estrutura do portal EducaSampa

36
O ANEXO L apresenta o folder explicativo, que foi distribuído na RME-SP durante a
divulgação do portal EducaSampa.
75

O EOL reúne os serviços de ordem acadêmica e administrativa da


RME-SP, como cadastro e manutenção dos dados das unidades
educacionais, dos alunos e dos servidores da rede. O Quadro 4 apresenta
as principais funções de cada módulo do EOL:

Quadro 4 - Principais módulos e funções do sistema EOL

Módulo Principais funções


- Manipulação dos dados cadastrais dos alunos, como inclusão,
atualização e exclusão de dados;
- Consultas por idade, sexo, turno, modalidade de ensino, série /
ciclo e outros critérios;
- Controle de desempenho e freqüência, com lançamento de notas
Aluno e faltas e emissão de boletim escolar;
- Emissão de histórico escolar;
- Cadastro, matrícula, rematrícula, remanejamento e enturmação de
alunos;
- Geração de diário de classe;
- Abertura e fechamento dos períodos letivos.
- Manipulação dos dados das unidades educacionais;
- Cadastro de cursos, turmas, turnos e modalidades de ensino,
Unidade assim como sua associação às unidades educacionais;
- Cadastro e consulta dos dados de infra-estrutura;
- Consulta de vagas por série.
- Manipulação dos dados cadastrais dos servidores;
- Atribuição de pontuação, classificação e classes;
Servidor - Cadastro e consultas de cursos, títulos, habilitações, área de
atuação, jornada, funções e atividades;
- Consultas por quadro de vagas, formação, atribuição.
Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme já mencionado anteriormente, o sistema Escola On-line


já existia na RME-SP, antes da criação do portal EducaSampa. No
entanto, por utilizar softwares pagos e por necessitar de novas
funcionalidades, optou-se pela sua reestruturação e ampliação em
software livre, numa versão totalmente integrada com o ambiente
colaborativo.
76

Por uma questão de foco, o EOL não será alvo de análises nesta
pesquisa. A sua breve descrição aqui tem por objetivo apenas garantir a
completude da caracterização do portal EducaSampa.

O ambiente colaborativo é a parte do portal EducaSampa à qual


esta pesquisa se dedica. Esse ambiente será apresentado a partir de
suas duas faces distintas: a interface de usuário e o módulo de
administração.

A interface de usuário

A interface de usuário compreende todas as páginas do portal


acessíveis ao usuário final, seja ele educador, aluno, familiar ou qualquer
usuário da internet. No caso do portal EducaSampa, a página principal da
interface de usuário é o site da Secretaria Municipal de Educação. Nesse
site podem ser acessados conteúdos como notícias, fóruns, informações
de interesse geral sobre a rede municipal, etc. A partir da página principal,
pode-se acessar os sites dos órgãos, setores, projetos e programas da
SME, os sites das coordenadorias e das escolas, os sites do aluno, do
educador e da família e o sistema Escola On-line. Todos esses sites
ajudam a compor o Portal EducaSampa, conforme ilustra a Figura 2:

Figura 2 - Estrutura de acesso aos sites que compõem o portal EducaSampa


77

Como exemplo de sites de órgãos e setores, tem-se o site da


Biblioteca Pedagógica, ilustrado na Figura 3.

Figura 3 - Site da Biblioteca Pedagógica

Como esse, há também os sites das áreas pedagógicas, como


Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação Especial, Educação de
Jovens e Adultos, Ensino Médio e Educação Profissional e os sites
„Informática Educativa‟, „Centro de Educação e Cultura Indígena – CECI‟,
„Centro de Informática‟, „Convênios‟, „Divisão de Educação e Cultura‟,
„Núcleo de Políticas Públicas de Leitura‟, „Memorial do Ensino Municipal‟ e
„Memória Técnica Documental‟.

Como exemplo de site de coordenadoria, pode-se citar o da


Coordenadoria Casa Verde / Cachoeirinha (Figura 4):
78

Figura 4 - Site da Coordenadoria Casa Verde / Cachoeirinha

Cada uma das 31 Coordenadorias de Educação pode ter o seu


próprio site.

Como exemplo de site de uma escola, tem-se o site da EMEF


Guilherme de Almeida (Figura 5), que fica na Coordenadoria de Educação
da Penha:
79

Figura 5 - Site da EMEF Guilherme de Almeida

Assim como a EMEF Guilherme de Almeida, cada uma das cerca


de 1200 unidades educacionais pode também ter o seu site.

Os sites do aluno, do educador e da família possuem conteúdos de


interesse desses públicos e são únicos para toda a rede (Figura 6). Isso
significa que todos os usuários, além de acessar os sites de cada escola,
também têm acesso a um site com informações de interesse de acordo
com o seu perfil na RME-SP.
80

Figura 6 - Site dos Educadores

Em todos esses sites (órgãos, setores, projetos e programas da


SME, os sites das coordenadorias e das escolas, os sites do aluno, do
educador e da família), há conteúdos de acesso livre e conteúdos cujo
acesso é restrito.

Conteúdos de acesso livre são todos que podem ser acessados


por qualquer usuário da internet que esteja navegando no portal, sem a
necessidade de uma identificação ou senha. Dentre estes conteúdos
estão enquetes, links, notícias e outras informações acessadas através
dos menus publicados no site da SME, nos sites das Coordenadorias ou
escolas. As páginas do aluno, do educador e da família, além de notícias,
possuem outros conteúdos de acesso livre, como os aplicativos Sites de
Estudo, Universidades, Artigos e Referências Bibliográficas.

Conteúdos de acesso restrito são abertos somente aos


educadores, aos alunos ou aos familiares. Para acessá-los, é preciso que
o usuário se identifique, informando o seu login e a sua senha, que são
81

definidos por ele próprio, quando se cadastra no portal. Para se cadastrar


e ter acesso aos conteúdos restritos, é necessário possuir algum vínculo
com a rede de ensino, ou seja, ser servidor, educador, aluno ou
responsável por aluno. Durante o cadastro, o usuário deve confirmar
alguns dados que lhe são solicitados para que ele seja reconhecido pelo
sistema e, a partir de então, escolher um login e uma senha que lhe serão
necessários sempre que desejar acessar algum conteúdo restrito no
portal. Dentre esses conteúdos restritos, pode-se citar como exemplos: a
leitura de algumas circulares, a participação em alguns fóruns, o acesso
ao banco de aulas e projetos, a consulta aos dados acadêmicos e a
possibilidade de envio de conteúdo como sugestão para publicação no
portal.

O módulo de administração

O módulo de administração compreende um ambiente exclusivo


para inclusão e publicação de conteúdos na interface de usuário. Para
acessar esse módulo, além de possuir um login e uma senha, o usuário
necessita de permissões específicas.

As permissões são dadas em função do perfil que é associado ao


usuário em determinada unidade funcional. A administração do portal
EducaSampa trabalha com quatro perfis (Quadro 5), em ordem
hierárquica:

Quadro 5 - Perfis e permissões referentes ao módulo de administração do portal

Perfil Permissões
Ao Autor é dada a permissão de incluir conteúdos e alterar e
Autor excluir somente os registros incluídos por ele mesmo, desde
que não estejam publicados.
O Editor possui permissões de incluir conteúdos, alterar
somente os registros incluídos por ele mesmo, excluir, publicar,
Editor
ordenar e tirar do ar somente os registros das unidades para as
quais possui permissão.
Este possui todas as permissões do Editor, além disso, poderá
Gerente montar equipes e gerenciar as permissões dos usuários das
unidades para as quais possui permissão.
82

Este perfil possui todas as permissões do Gerente, além de dar


Administrador atribuições de recurso a grupo e permissões a outros
Administradores.
Fonte: Dados da pesquisa.

Como visto acima, de acordo com o seu perfil no módulo de


administração, o usuário pode realizar determinadas tarefas. Veja um
exemplo: O usuário José Lucas é autor no site de uma coordenadoria e a
usuária Maria Júlia é editora no mesmo site. Dessa forma, todo o
conteúdo que o José Lucas inclui deve ser publicado pela Maria Júlia. E
assim, sucessivamente, podem ser dadas permissões no site da SME e
nos sites de cada coordenadoria ou unidade educacional.

É importante ressaltar que o usuário que possui um determinado


perfil em uma determinada unidade herda a mesma permissão nas
unidades „filhas‟. Desse modo, um usuário que é Editor no site de uma
coordenadoria, automaticamente, é também editor nos sites de todas as
escolas vinculadas a tal coordenadoria. O mesmo relacionamento existe
do site da SME para os das coordenadorias e escolas.

Com essa estrutura é possível organizar a equipe responsável pela


manutenção do portal de forma a descentralizar as atividades, mas, por
outro lado, mantendo um acompanhamento / controle efetivo de todo o
conteúdo publicado em cada página do portal.

Para que uma unidade educacional construa e publique conteúdo


em seu site, é necessário que nessa unidade exista uma equipe de
educadores que possuam permissões no módulo de administração. Por
isso, os administradores do portal deram permissão de gerente a todos os
diretores das escolas. Estes, por sua vez, definem, dentro de sua unidade
escolar, quais educadores serão os autores e quais serão os editores. A
partir daí, a unidade possui autonomia para criar o seu site, publicá-lo no
portal e atualizar o seu leiaute e conteúdo sempre que desejar. A Figura 7
sistematiza esse fluxo de trabalho:
83

Todos os acessos ao módulo de


Acesso por
login e senha
administração necessitam de
login e senha.

Gerenciamento Administradores dão permissão


das permissões aos Gerentes de cada unidade.

Gerenciamento O Gerente cria a equipe de sua unidade,


das permissões dando permissões aos editores e autores.

Seleção Autores e Editores podem


de leiaute selecionar leiautes.

Inclusão de Autores e Editores podem


conteúdo incluir conteúdos.

Publicação de Somente Editores podem publicar


conteúdo leiautes e conteúdos.

Figura 7 - Fluxo de trabalho no módulo de administração de acordo com as permissões

A finalidade do módulo de administração é possibilitar a


manipulação dos conteúdos do portal, através das seguintes ações
básicas: incluir, alterar, excluir, publicar e arquivar. Outras ações
secundárias também estão disponíveis em alguns aplicativos, tais como:
avaliar, republicar, visualizar histórico, excluir comentários etc.

Todas essas atividades são facilmente realizadas através de


formulários on-line acessíveis a qualquer usuário que tenha noções
básicas de informática, sem a exigência de nenhum conhecimento técnico
acerca da construção e manutenção de sites. A Figura 8 mostra, como
exemplo, o formulário para inclusão de uma enquete. Nota-se que, além
da inclusão da questão e das alternativas, é possível, no mesmo
formulário, a seleção dos sites em que tal enquete deve ser exibida, a
forma de exibição do resultado e o período de publicação.
84

Figura 8 - Formulário para inclusão de enquete

Em todos os demais aplicativos, a inclusão é bastante semelhante,


é claro, com variações pertinentes a cada conteúdo. Vale lembrar que a
permissão que o usuário possui irá determinar quais os sites ele pode
selecionar para incluir um conteúdo.

A inclusão, no entanto, não é suficiente para que o conteúdo


apareça na interface de usuário. Para isso, é necessário que haja a
publicação, que só pode ser feita por usuários com permissão de editor
(ou superior) naquela unidade.

Para facilitar a organização dos conteúdos no módulo de


administração, utiliza-se uma classificação de acordo com a sua situação,
que pode ser: Pendente, Publicado, Arquivo morto, Sugestão, Em revisão
85

ou Em avaliação. A Figura 9 sistematiza o fluxo de trabalho, explicitando


as situações pelas quais os registros podem transitar:

Inclusão / Sempre que um conteúdo é inserido ou alterado,


Alteração ele fica com status Pendente.

Após ser incluído ou alterado, é necessário publicar


Publicação o conteúdo para que ele apareça no site. A partir
desse processo, ele passa a ter o status Publicado.
Um registro fica com status de Arquivo
Arquivo
morto sempre que expira o seu período
Morto
de publicação ou que ele é tirado do ar.

Envio de Sugestão é o status dos conteúdos que


Sugestão foram enviados pelos usuários do portal.

Quando um dado está pendente e o editor


Em revisão opta por não publicá-lo, ele passa a ter
o status Em Revisão.

Em avaliação ficam as sugestões que estão


Em avaliação
sendo analisadas pela equipe pedagógica.

Figura 9 - Fluxo de inclusão e publicação de conteúdo no portal

Aplicativos do ambiente colaborativo

A seguir (Quadro 6) serão descritos, de forma breve, alguns dos


aplicativos disponibilizados no portal EducaSampa. Em todos eles, a
manipulação do conteúdo pode ser feita através do módulo de
administração.

Quadro 6 - Caracterização dos aplicativos que compõem o ambiente colaborativo

Aplicativo Principais características


- destinado à publicação de notícias, destaques e eventos;
- pode conter um título, um texto de chamada e um texto
interno;
Informes
- na interface de usuário, clicando na chamada, o usuário é
direcionado para a página interna, que contém o texto e até
3 imagens.
- destinado a indicação de links, como sites dos professores,
dos trabalhos dos alunos ou sites em geral, que possam
interessar o público do portal;
Links - pode conter um título, uma chamada e uma imagem de
chamada;
- clicando na imagem ou na chamada, o usuário é
direcionado para o site.
86

Aplicativo Principais características


- destinado à publicação de temas e questões de interesse;
- na interface de usuário, o acesso ao fórum pode ser
público ou restrito, dependendo da forma como foi
Fórum
publicado;
- pode ser restrito a determinados perfis, como fóruns
somente para educadores.
- diferentemente do fórum, a enquete possibilita a realização
de pesquisas de opinião sob a forma de uma questão
Enquete fechada;
- os resultados podem ser exibidos em número de votos e/ou
percentual.
- todos os educadores e alunos da RME-SP, após
Webmail realizarem o cadastro no portal, tiveram acesso a uma
conta de e-mail.
- possibilita que cada unidade funcional publique seu
calendário de eventos;
Agenda - na interface de usuário, os eventos são apresentados em
um calendário mensal e o usuário pode navegar nas
páginas de todos os meses do ano.
- possibilita que cada unidade funcional crie uma página com
os dados de sua equipe;
Quem somos
- o formulário de inclusão permite a publicação dos nomes,
cargos, e-mail e telefone de contato;
- possibilita que cada unidade funcional disponibilize em seu
site o serviço de fale conosco categorizado por setor ou
Fale conosco assunto;
- o aplicativo possibilita que os e-mails sejam enviados
diretamente para as unidades e seus setores.
- destinado à publicação de perguntas e respectivas
Perguntas
respostas, categorizadas por temas;
mais
- é um aplicativo centralizado, acessado através da página
freqüentes
principal do portal.
- destinado à inclusão e publicação do Projeto Político
Pedagógico (PPP);
PPP
- cada coordenadoria e cada unidade educacional pode
publicar o seu PPP.
- possibilita a publicação de circulares, memorando e memo-
circulares;
- na interface de usuário, o acesso a tais documentos pode
ser público ou restrito, dependendo da forma como foram
Comunicados
publicados;
- encontra-se nos sites das coordenadorias, por serem estas
instâncias da SME que publicam esses tipos de
documentos.
- destinado à construção do menu esquerdo, com até 3
subníveis;
Menu - na interface de usuário, ao clicar sobre o item de menu, o
customizável usuário é direcionado à página construída nesse mesmo
aplicativo;
- a página contém título, texto, uma imagem e a
87

Aplicativo Principais características


possibilidade de se adicionar link para uma álbum de
fotografias;
- cada site possui um menu específico.
- destinado à construção dos sites dos setores e órgãos da
SME, assim como das coordenadorias e escolas;
Construtor de
- possibilita a seleção de funcionalidades que irão compor o
sites
site, assim como a disposição de tais funcionalidades na
página principal.
- aplicativo que comporta cerca de 2000 sites cadastrados e
Sites de categorizados;
estudo - na interface de usuário, é possível realizar buscas por
categoria ou palavra-chave.
- aplicativo que comporta os dados de todas as instituições
de ensino superior do Brasil;
Universidades
- na interface de usuário, é possível realizar buscas por
Estado ou palavra-chave.
- destinado à publicação de artigos escritos pelos
educadores da rede;
- na interface de usuário, o educador, após informar login e
senha, pode enviar o artigo, que será avaliado e publicado
Artigos pela equipe do portal;
- na interface de usuário também é possível realizar buscas
por artigos publicados, por tema ou palavra-chave;
- os educadores da RME-SP podem comentar os artigos ou
ler os comentários postados pelos outros educadores.
- destinado à publicação de indicações de livros, revistas,
artigos, vídeos, etc feitas pelos educadores da rede;
- na interface de usuário, o educador, após informar login e
senha, pode enviar a indicação com o seu respectivo
Referências comentário; a avaliação e publicação é feita pela equipe do
bibliográficas portal;
- na interface de usuário também é possível realizar buscas
por indicações publicadas, por tema ou palavra-chave;
- os educadores da RME-SP podem comentar as indicações
ou ler os comentários postados pelos outros educadores.
- destinado à publicação de aulas e projetos sugeridos pelos
educadores da rede;
- na interface de usuário, o educador, após informar login e
senha, pode enviar a sua sugestão, que será avaliada e
publicada pela equipe do portal;
Banco de
- na interface de usuário também é possível realizar buscas
aulas e
por aulas e projetos publicados, a partir de vários critérios,
projetos
como modalidade de ensino, área de conhecimento, autor,
palavra-chave etc;
- os educadores da RME-SP podem comentar as aulas e
projetos publicados ou ler os comentários postados pelos
outros educadores.
- aplicativo através do qual são inseridas as imagens
Imagens utilizadas nos outros aplicativos (informes, links etc);
- o objetivo de se centralizar as imagens é de compor um
88

Aplicativo Principais características


banco de imagens que podem ser utilizadas em várias
partes do portal, sem que para isso tenham que ser
novamente gravadas no servidor.
- aplicativo através do qual são inseridos os arquivos
utilizados nos outros aplicativos (PPP, comunicados etc);
Arquivos
- o objetivo de se centralizar os arquivos é o mesmo de se
centralizar as imagens, conforme citado acima.
- destinado à publicação de conjuntos de imagens ou
fotografias, quando tal conjunto ultrapassa 3 unidades;
- após a inclusão das fotografias no aplicativo imagens, o
Álbuns usuário monta o álbum e insere um link na página
desejada;
- tal opção evita a publicação de várias imagens ao longo da
página.
- destinado à criação de salas de bate-papo e agendamento
de entrevistas on-line;
- as salas de bate-papo podem ser livres ou moderadas;
- as salas moderadas requerem a participação do
moderador, que é quem publica as mensagens;
- as entrevistas também contam com o recurso de
Chat moderação, que pode ser feito por uma ou várias pessoas;
- as entrevistas programadas compõem a Agenda de
Entrevistas, exibida na interface de usuário;
- as entrevistas já realizadas compõem o Arquivo de
Entrevistas, onde os usuários podem ler os diálogos;
- os convidados e moderadores são identificados no módulo
de administração.
Fonte: Dados da pesquisa.

Na maioria desses aplicativos, a estrutura de permissões possibilita


que cada unidade educacional possa incluir e publicar conteúdos em seu
próprio site. Em alguns casos, um mesmo conteúdo pode ser publicado
em vários sites ao mesmo tempo (desde que o usuário tenha permissão
de publicação em tais sites). Outra característica interessante, presente
em alguns deles, é a possibilidade de se definir um período de
publicação, com a indicação de uma data inicial e uma data final, o que
facilita a programação de conteúdos para entrarem e saírem dos sites
automaticamente.

Considera-se que essa caracterização do portal EducaSampa é


suficiente para que o leitor tenha um conhecimento razoável do artefato
aqui entendido como objeto de estudo. Um conhecimento mais amplo
inclui uma navegação em alguns de seus sites na interface de usuário e
89

também um mínimo contato com o módulo de administração e a dinâmica


que envolve os aplicativos.

6.2. O processo de construção do ambiente colaborativo

6.2.1 A formação do grupo gestor do portal

Conforme dito no capítulo 5, o portal EducaSampa foi construído a


partir de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a
Fundação Getúlio Vargas, sendo que todo o trabalho foi desenvolvido
coletivamente entre as partes, como mostra o Quadro 7:

Quadro 7 - Distribuição das responsabilidades

Atividades Responsável Auxiliar


Especificação SME e FGV -
Organização de conteúdo SME FGV
Desenvolvimento técnico FGV SME
Validação SME FGV
Ajustes técnicos FGV SME
Formação dos educadores FGV SME
Implantação SME e FGV -
Manutenção e suporte técnicos FGV SME
Manutenção de conteúdo SME -
Fonte: Dados da pesquisa.

Nos primeiros meses de trabalho (outubro de 2003 a fevereiro de


2004), as atividades referentes ao portal dentro da SME foram
desenvolvidas por alguns educadores da DOT, que, no entanto, eram
responsáveis também por outras atividades. No mês de março de 2004,
foi criado o Grupo Gestor do Portal. Este grupo, designado pela DOT e
instalado em uma sala no prédio da SME, foi composto por três
educadores da RME-SP (um pedagogo, um matemático e um historiador),
um administrador / jornalista assessor da SME e 4 estagiários da área de
informática.

A partir de então, o grupo esteve diretamente envolvido em todas


as atividades referentes ao portal, como especificação e validação dos
90

aplicativos, formação de educadores, implantação e manutenção dos


sites. Com exceção dos estagiários, que trabalham meio período (2 pela
manhã e 2 à tarde), os demais trabalham período integral, com dedicação
exclusiva às atividades descritas acima.

6.2.2 A sensibilização da comunidade educacional

Nos meses de outubro e novembro de 2003, foram realizados


encontros com diretores das escolas, coordenadores pedagógicos e
POIE, com a finalidade de compartilhar o projeto em desenvolvimento e
sensibilizá-los a participar. Na abertura desses encontros, era exibido um
vídeo (5 min.) com um pronunciamento da então Secretária de
Educação37.

Com duração de aproximadamente 2 horas, tais encontros


contemplavam uma breve apresentação do projeto do portal (navegação
em telão) feita por um representante da FGV e um representante da DOT,
e um espaço para dúvidas e sugestões dos participantes.

Ao todo foram realizados 8 encontros, com a participação de 500


educadores, em média, em cada um deles. A pesquisadora realizou a
apresentação, representando a FGV, em dois desses encontros.

O período de sensibilização foi importante por ser o primeiro


momento em que o portal, mesmo que ainda um projeto, chegou ao seu
usuário final – o educador da RME-SP.

Seguem algumas observações feitas pelos organizadores durante


os encontros:

 Os educadores, de um modo geral, gostaram muito do que viram.

 Manifestaram interesse por conhecer o projeto e dar sua opinião.

 Solicitaram que no portal houvesse espaço para envio de sugestões.

37
A transcrição do pronunciamento, na íntegra, encontra-se no ANEXO M.
91

 Pediram que a SME os mantivesse informados sobre a evolução do


projeto.

 Muitos utilizaram o momento para relatar problemas de infra-estrutura


tecnológica dentro das escolas, como computadores desatualizados
nas EMEI e falta de suprimentos nos laboratórios.

6.2.3 A especificação dos aplicativos

O período de especificação compreendeu toda a fase de


levantamento dos serviços e informações que deveriam ser contemplados
no portal. Inicialmente, o trabalho da pesquisadora se deu principalmente
com os educadores da DOT, em diversas reuniões.

Além da especificação feita na SME, houve a preocupação em


ouvir outras instâncias. Por isso, nos meses de outubro a dezembro de
2003, os coordenadores das Coordenadorias de Educação foram
convidados a se reunir na Secretaria de Educação para fazer um
levantamento prévio da estrutura básica dos sites das coordenadorias e
dos conteúdos e serviços que deveriam ser contemplados. Foram
realizados dois encontros: o primeiro, com representantes de 22
coordenadorias, e o segundo, com representantes de 6 coordenadorias.
Não houve uma seleção acerca de quais coordenadorias deveriam estar
representadas em cada encontro. Essa divisão se deu apenas pela
disponibilidade dos coordenadores.

Durante os encontros, que duraram, em média, 4 horas cada um,


os coordenadores foram incentivados a opinar sobre as suas demandas
em relação ao site. Após uma breve abertura com a apresentação do
projeto, eles se reuniram em grupos de 3 pessoas para discussão e
organização das idéias. Num segundo momento, todos expuseram suas
sugestões ao grupo maior e o resultado, principalmente os serviços
solicitados, foi agregado ao projeto do portal.

Ainda durante a especificação, a pesquisadora pôde visitar escolas


e coordenadorias que já possuíam sites (feitos com recursos próprios e
92

hospedados em provedores gratuitos). O produto dessas visitas também


serviu como base para a definição dos serviços que iriam compor o portal.

Nos encontros com os educadores da DOT, com os representantes


das CE e nas visitas às unidades, foram identificadas as primeiras
demandas da RME-SP pelo portal, conforme mostra o Quadro 8:

Quadro 8 - Demandas identificadas durante a especificação

Site Primeiras demandas


Publicação de informações sobre as modalidades de ensino
oferecidas pela rede, assim como os projetos e programas
SME em andamento.
Legislação vigente, com documentos para download.
Publicação dos projetos e atividades desenvolvidos pela
coordenadoria e suas unidades educacionais.
Coordenadorias Publicação do PPP.
Publicação de memorandos, memo-circulares e circulares,
podendo ser de acesso restrito ou não.
Identificação da escola, caracterizando seu histórico, PPP,
localização, patrono, comunidade etc.
Escolas Publicação das atividades desenvolvidas na escola e na
comunidade.
Publicação de trabalhos dos alunos.
Informações sobre a equipe de trabalho daquela unidade
funcional, com nomes, cargos, e-mails e telefones.
SME, Agenda mensal de eventos.
Coordenadorias
Forma direta de comunicação com os usuários.
e Escolas
Informações de interesse do público educacional.
Chat, fórum e webmail.
Fonte: Dados da pesquisa.

A partir dessas primeiras especificações, foi iniciado o


desenvolvimento do ambiente colaborativo. Os meses seguintes foram
caracterizados por um contato constante entre a pesquisadora e o grupo
gestor, para aprovações de protótipos, validações dos aplicativos, ajustes
e adaptações e ainda especificação de novos serviços. Em abril de 2004,
a primeira versão do ambiente colaborativo foi concluída.
93

6.2.4 A formação dos educadores

Durante os meses de junho e julho de 2004, aconteceu a formação


dos primeiros educadores da RME-SP. O objetivo foi capacitá-los na
utilização da ferramenta destinada à criação do site de sua unidade, ao
cadastro e à publicação de conteúdo, assim como ao gerenciamento das
permissões.

A seleção dos educadores que participariam da formação foi feita


pela SME, que optou por priorizar as EMEF, por serem as escolas mais
bem equipadas tecnologicamente e por possuírem POIE. Participaram,
então, 2 representantes (POIE) de cada EMEF e 2 representantes de
cada Coordenadoria, num total de 54 turmas com uma média de 15
alunos em cada turma. Os cursos, com carga horária de 12 horas, foram
realizados de forma presencial, nos laboratórios das escolas, das
coordenadorias e da DOT38. A pesquisadora ministrou o curso na primeira
turma, da qual participaram também 7 multiplicadores que ministraram o
curso nas demais turmas.

Na finalização de cada curso, cada participante teve a


oportunidade de preencher um formulário on-line contendo uma avaliação
do evento e algumas questões sobre o portal.

6.3. O portal sob o olhar dos educadores

As respostas ao questionário39 (questões 9 a 15) aplicado durante


o período de formação dos educadores possibilitaram à pesquisadora
conhecer o parecer dos primeiros educadores a terem contato com o
portal em funcionamento.

38
Ver no ANEXO N o quadro com data, horário e local em que ocorreram os cursos.
39
Conforme consta no capítulo 5, esse questionário foi elaborado em conjunto com a
DOT. Nesta investigação serão analisadas as respostas às questões de 9 a 15.
94

Nas questões 9 e 10, procurou-se investigar a situação atual da


RME-SP em relação aos sites das escolas na internet. Na questão 9 foi
perguntado se a Unidade Funcional (Escola ou Coordenadoria) à qual o
cursista estava vinculado já possuía um site. As respostas são
sintetizadas na Tabela 1:

Tabela 1 - Escolas que possuíam ou não um site na internet

Possuíam um site Quantidade Percentual (%)


Sim 82 10,4
Não 707 89,6
Total de respostas válidas 789 100,0
Fonte: Dados da pesquisa.

Aos que responderam “Sim”, foi solicitado que informassem o


endereço do site de sua unidade. Observa-se na Tabela 2 que apenas
37,8% dos respondentes soube fornecer o endereço correto do site:

Tabela 2 - Endereços dos sites das unidades que já possuíam um site

Endereços fornecidos Quantidade Percentual (%)


Forneceram o endereço correto 31 37,8
Forneceram o endereço, porém incorreto 35 42,7
Não souberam o endereço 16 19,5
Total de respostas válidas 82 100,0
Fonte: Dados da pesquisa.

Também aos que responderam “Sim”, foi perguntado quais as


maiores dificuldades encontradas na construção e publicação do site. As
respostas mais freqüentes são apresentadas na Tabela 3:
95

Tabela 3 - Dificuldades encontradas na construção do site

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Hospedagem (questão de custos e/ou limitação de espaço) 15
Falta de conhecimento / capacitação (html, Front Page etc) 9
Falta de tempo para atualização do site 6
Não conseguiram uma construção coletiva 5
Seleção / organização de conteúdo para o site 3
Total de respostas válidas 82
Fonte: Dados da pesquisa.

Aos que responderam “Não”, foi perguntado se em algum momento


houve a necessidade ou pensaram em criar um site para a escola. A
maioria respondeu que sim, conforme apresentado na Tabela 4:

Tabela 4 - Necessidade de criação do site da escola

Sentiram necessidade? Quantidade Percentual (%)


Responderam "Sim" 510 72,1
Responderam "Não" 69 9,8
Não responderam 128 18,1
Total de respostas válidas 707 100,0
Fonte: Dados da pesquisa.

Nota-se que a demanda por ter um site não era pequena. A Tabela
5 apresenta os comentários mais freqüentes dos usuários que disseram já
ter sentido a necessidade de ter um site da escola:
96

Tabela 5 - Comentários dos usuários que já sentiram necessidade de ter um site de sua
unidade

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Terem iniciado a construção, mesmo que com recursos e 48
conhecimentos limitados, mas não conseguirem concluir
Terem conversado sobre o assunto na escola, mas não terem 28
realizado o projeto por dificuldades técnicas, por falta de
conhecimento / capacitação.
Terem conversado sobre o assunto na escola, mas não terem 20
realizado o projeto por falta de tempo.
Terem construído blogs (ou similares) na escola. 11
Não saberem como criar e/ou publicar e/ou manter um site 7
Terem um site pronto, mas não terem encontrado uma forma de 5
hospedá-lo.
Terem publicado um site da escola, que se perdeu quando o 3
provedor deixou de ser gratuito.
Fonte: Dados da pesquisa.

A questão 10 procurou saber o que motivou a escola ou


coordenadoria a ter um site ou a já ter sentido necessidade de ter. A
Tabela 6 apresenta as respostas mais freqüentes:

Tabela 6 - Motivos apresentados pelos usuários para se ter um site da escola

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Divulgar os trabalhos, projetos, eventos e atividades da escola. 207

Facilitar a comunicação entre as unidades educacionais, 46


coordenadorias e outras escolas.
Para facilitar a comunicação (de um modo geral). 42
Divulgar os trabalhos dos alunos e professores. 41

Fazer parte do mundo digital, do mundo virtual, acompanhar as 40


novas tecnologias, estarem atualizados.
Possibilitar o acesso e a socialização de informações com mais 39
rapidez.
Viabilizar a troca de experiências. 34
Divulgar os trabalhos da escola para a comunidade. 29
Criar um canal de comunicação com a comunidade. 20
Viabilizar a inclusão digital. 11
Ser registro das atividades desenvolvidas na escola. 9
Fonte: Dados da pesquisa.
97

Da 11ª à 15ª questão, procurou-se investigar o parecer de cada


educador sobre o portal. Na questão de número 11 foi perguntado sobre a
sua expectativa. As respostas mais freqüentes são apresentadas na
Tabela 7:

Tabela 7 - Expectativas dos usuários em relação ao portal

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Comunicação entre escolas, coordenadorias e SME 120
Divulgação dos trabalhos da escola 60
Que seja um espaço de troca (de conhecimentos, informações
e experiências) 55
Comunicação 39
Espaço para professores e alunos 35
Que funcione 28
Que possibilite o acesso rápido às informações 27
Estimule a participação da comunidade 23
Construir logo o site da escola 21
Que promova a interação 21
Que o acesso não seja tão lento 21
Promover a inclusão digital 19
Socialização 16
Que continue, independente da gestão política 16
Que irá valorizar a escola pública 14
Que seja uma ferramenta pedagógica 13
Que haja liberdade 12
Se haverá tempo dentro da rotina de trabalho do POIE 11
Não responderam 68
Fonte: Dados da pesquisa.

A questão de número 12 perguntou quais os pontos positivos do


portal e em que ele considerava que mais poderia contribuir para o
sucesso desse projeto (Tabela 8 e Tabela 9, respectivamente).
98

Tabela 8 - Pontos positivos do portal

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Interação / Intercâmbio entre as escolas da rede 112
Troca de informações e experiências 78
Divulgação do trabalho das escolas 77
Comunicação 64
Acesso da comunidade 62
Valorização das escolas como uma rede 58
Ser instrumento de inclusão digital, possibilitando o acesso ao 52
mundo virtual e a utilização de tecnologias mais modernas
Estímulo ao aluno e ao professor 38
Melhoria e valorização da escola pública 37
Produção de conhecimento / crescimento humano e profissional 30
Espaço para as escolas construírem seu site com autonomia 28
para criação e publicação de conteúdo
Democratização da escola, do acesso às informações 27
Melhoria da qualidade do ensino 25
Facilidade de utilização 22
Socialização 21
Produção coletiva 21
Não responderam 111
Fonte: Dados da pesquisa.

Tabela 9 - Formas de contribuição do usuário

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Criando e mantendo a página de sua escola 42
Sendo articulador / multiplicador 38
Incentivando outros professores a utilizarem o portal 18
Incentivando os alunos 12
Enviando sugestões 7
Como usuário 5
Na divulgação 5
Com apoio técnico 3
Não responderam 657
Fonte: Dados da pesquisa.
99

A 13ª questão procurou saber dos participantes quais eram os


pontos negativos do portal e quais as suas maiores preocupações neste
projeto (Tabela 10 e Tabela 11, respectivamente).

Tabela 10 - Pontos negativos do portal

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Velocidade de acesso / Quedas de conexão 26
Padronização e limitações de cores, formatos e conteúdos 9
Ser uma forma de controle 7
Complexidade 6
Exclusão das EMEI 3
Preferem utilizar primeiro e depois opinar 29
Não há pontos negativos 88
Não responderam 602
Fonte: Dados da pesquisa.

Tabela 11 - Preocupações dos usuários em relação ao portal

Respostas mais freqüentes Ocorrências


O tempo necessário ao educador para atualização do site 99
Que o acesso não seja tão lento 81
O mau uso que pode ser feito 62
Que poderá haver uma sobrecarga para o POIE 48
Que haja continuidade, independente da gestão 44
Que os sites sejam atualizados 41
Quem irá atualizar o site nas escolas 33
Haverá necessidade de suporte 30
Que haja envolvimento 25
Censura (excesso ou falta) em relação aos conteúdos 24
Que os ajustes técnicos sejam efetuados 23
A necessidade de organização na gestão 18
Resistências e críticas por parte de outros professores 17
Necessitam de mais capacitação 17
Capacitação que deverão dar 15
A demora para implantar 15
Estrutura técnica da escola 14
Nenhuma 35
Não responderam 217
Fonte: Dados da pesquisa.
100

A 14ª questão quis saber do usuário que outros serviços e


informações ele gostaria de ver no portal. As respostas mais freqüentes
são apresentadas na Tabela 12:

Tabela 12 - Aplicações e serviços sugeridos pelos educadores

Respostas mais freqüentes Ocorrências


Notícias e informações de interesse da comunidade 193
educacional
O que foi contemplado já e suficiente 61
Informações sobre a vida funcional dos servidores 51
Help on-line, plantão de dúvidas 48
Informações sobre as escolas 43
Trocas entre professores 38
Links educacionais 31
Cursos on-line 25
Prefere utilizar primeiro 23
Chat 23
Espaço para sugestões e reclamações 20
Meios de comunicação na rede 18
Informações sobre legislação 18
Entretenimento 18
Webmail 15
Ajustes técnicos 15
Não responderam 167
Fonte: Dados da pesquisa.

Por fim, a 15ª questão solicitou ao usuário que informasse uma


nota, de 1 a 10, referente ao impacto que o portal teria na RME-SP. O
resultado é apresentado no Gráfico 1:
101

300

257
Quantidade de respostas 250

200
168

150 132
105
100
67
42
50

7 3 8
0
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Nota atribuída

Fonte: Dados da pesquisa.


Gráfico 1 - Nota atribuída pelos educadores ao impacto que o portal iria causar na
RME-SP

6.4. A utilização do portal pelos educadores

De outubro de 2004 a março de 2005, foram realizadas consultas


semanais40 no banco de dados do portal com o objetivo de monitorar a
freqüência de acesso e de utilização pelos educadores. Tais
levantamentos foram feitos pela equipe da PRODAM41 (onde o portal está
hospedado) em conjunto com a equipe da AUGE, com a participação da
pesquisadora na consolidação e organização dos dados.

O Gráfico 2 apresenta a quantidade de acessos42 dos usuários ao


portal durante o período citado acima.

40
Sempre que possível, realizou-se a leitura dos dados semanalmente, mas notam-se,
nos próprios gráficos, alguns períodos em que a mesma não foi efetuada, o que não
prejudicou de modo significativo a interpretação dos dados.
41
Companhia de Processamento de Dados do Município.
42
Os acessos foram contabilizados no momento em que o usuário efetua o login no
portal. As visitas sem login não foram contabilizadas.
102

1200

1023
Quantidade de logins 1000 944

777
800
680
608
600
497
471
402
400 353
320
243 225 231
200 135
105
68

0
31/10 a 06/11

07/11 a 13/11

14/11 a 20/11

02/01 a 08/01

09/01 a 15/01

16/01 a 22/01

23/01 a 29/01

30/01 a 05/02

06/02 a 13/02

13/02 a 19/02

20/02 a 26/02

27/02 a 05/03

06/03 a 12/03

13/03 a 19/03

20/03 a 26/03

27/03 a 02/04
Período

Fonte: Dados da pesquisa.


Gráfico 2 - Acessos de educadores ao portal

O Gráfico 3 apresenta a evolução do número de educadores


cadastrados no portal ao longo dos 6 primeiros meses:

4000
3740

3557
3500
Quantidade de usuários cadastrados

3367

3051
3000

2598
2500
2443
2362
2153 2300
2000 2078
1885 2015
1745

1500 1669
1408

1054
1000

500
500

0
9/dez
26/out
Setembro

10/jan

17/jan

24/jan

06/mar

13/mar

20/mar

27/mar
05/nov

17/nov

26/nov

06/fev

13/fev

20/fev

27/fev

Data

Fonte: Dados da pesquisa.


Gráfico 3 - Evolução da quantidade de educadores cadastrados no portal
103

O Gráfico 4 apresenta a evolução da quantidade de sites publicados


pela Secretaria, Coordenadorias e escolas.

250

206
200
182
171 173
Quantidade de sites

170
160 164
155 156 156 156 157
150 142

95
100 85

48
50
29
18 20
17 18 1718 1718 17
19 18 19 14 2015 18 18 18 18 19 20
12 1717 17 17 18 18 1819 18 18 19
8

06/mar

13/mar

20/mar

27/mar
10/jan

17/jan

24/jan

30/jan
05/nov

17/nov

26/nov

09/dez

06/fev

13/fev

20/fev

27/fev
26/out

Data

SME Coordenadoria Escola

Fonte: Dados da pesquisa.


Gráfico 4 - Evolução da quantidade de sites publicados

6.5. O conteúdo publicado

Durante os meses de janeiro a março de 2005, observou-se a


utilização do portal através dos conteúdos que por ele trafegaram. A
Tabela 13 apresenta a quantidade de registros publicados em alguns dos
aplicativos:

Tabela 13 - Quantidade de registros publicados em alguns aplicativos do portal

Janeiro Fevereiro Março


Informes 31 41 148
Links 11 16 57
Enquetes 3 10 23
Fóruns 3 8 21
Mensagens nos fóruns 74 61 196
Artigos 5 17 3
Referências 1 1 4
Aulas e Projetos 0 0 2
Fonte: Dados da pesquisa.
104

Com o intuito de conhecer as temáticas predominantes, foi


realizada uma categorização em dois destes aplicativos: Links e Fóruns. A
Tabela 14 apresenta a distribuição dos links de acordo com os temas
identificados:

Tabela 14 - Classificação dos links de acordo com o tema

Temas dos Links Quantidade Percentual (%)


Links educacionais 35 41,7
Links de serviços 27 32,1
Links para sites pessoais 13 15,5
Links com dicas de informática 6 7,1
Links para sites de entretenimento 3 3,6
Total 84 100,0
Fonte: Dados da pesquisa.

A seguir estão listados alguns links publicados, com o objetivo de


exemplificar as categorias citadas acima:

Exemplos de links educacionais:


 O ABCD de Ângela Lago - http://www.angela-lago.com.br
 Projeto Releituras - http://www.releituras.com
 Só Matemática - http://www.somatematica.com.br
Exemplos de links de serviços:
 Diário Oficial do Município - ww2.prefeitura.sp.gov.br//dom.htm
 Hollerith Eletrônico - http://holerite.prefeitura.sp.gov.br
 Cadastro Municipal de Leis -
http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/negocios_juridicos/cadastro_leis/00
0
Exemplos de links de sites pessoais:
 Blig da EMEF Sebastião N. de Lima -
http://emefsebastiaonogueiradelima.blig.ig.com.br
 Blog da Profª Márcia - http://www.diarybymarcinha.blogger.com.br/
Exemplos de links de dicas de informática:
 Adobe Acrobat Reader 6,01 (Português) -
http://ardownload.adobe.com/pub/adobe/reader/win/6.x/6.0/ptb/AdbeRdr60_DL
M_ptb_full.exe
 Site de pesquisa - http://www.google.com.br/
105

Exemplos de links de entretenimento:


 Mingau Digital - http://mingaudigital.com.br.calepino.com/
 Mundo da Criança - http://www.mundodacrianca.com

A Tabela 15 apresenta as temáticas presentes nas questões


propostas nos fóruns:

Tabela 15 - Classificação dos fóruns de acordo com o tema

Temas dos Fóruns Quantidade Percentual (%)


Temas pedagógicos 11 34,4
Temas acerca da rotina da rede de ensino 11 34,4
Temas administrativos 4 12,5
Temas gerais 3 9,4
Sobre o portal 3 9,4
Total 32 100,0
Fonte: Dados da pesquisa.

A seguir estão listados alguns temas de fóruns publicados, com o


objetivo de exemplificar as categorias citadas acima:

Exemplos de fóruns com temas pedagógicos:


 Os jogos possuem um forte potencial para serem usados como ferramentas
educativas, já que criam ambientes construtivos participativos para os usuários
(ao contrário de ambientes passivos, como um filme). De fato, diversos paises
vêem usando os jogos como ambientes pedagógicos, com resultados bastante
positivos. Caberia ao governo incentivar e fomentar para que modelos de
ambientes lúdico-pedagógicos fossem criados, promovendo especialmente o
desenvolvimento de jogos educativos. Você concorda?
 A televisão contribui positivamente na formação cultural?
Exemplos de fóruns com temas acerca da rotina da rede de ensino:
 As equipes pedagógicas passaram por diferentes cursos de formação ao longo
dos últimos anos, alguns deles tratando do desenvolvimento das competências
leitora e escritora dos alunos. Em que medida isso trouxe mudanças concretas
na prática do professor? O modo de ensinar está se transformando? Que
ações estão efetivamente sendo implementadas nas Unidades de Educação
Infantil e nos diferentes anos do Ensino Fundamental, EJA e Médio? Quais são
as principais necessidades sentidas?
 O que você acha que pode ser feito para o Conselho de Escola funcionar
melhor?
Exemplo de fórum com tema administrativo:
 O governo está estudando reescalonar os períodos de férias por região do
país. Leia o destaque e diga o que você acha a respeito.
106

Exemplo de fórum com tema geral:


 O que você acha sobre o plágio e a pirataria? Que atitudes você toma para
evitar estes crimes tão difundidos? Quais ações você espera dos órgãos
municipais, públicos, federais e privados para conter estes problemas?
Exemplo de fórum com tema sobre o portal:
 O que você gostaria de ter no portal?

De um modo geral, as enquetes e os informes apresentaram


conteúdos dentro de temáticas semelhantes às apresentadas acima.

Ainda acerca do conteúdo observado no portal, é interessante


apresentar alguns temas de artigos e referências. Segue abaixo uma
listagem com os títulos de alguns dos artigos sugeridos pelos educadores
da rede e publicados no portal:

 Acesso e permanência de alunos portadores de necessidades


especiais nas escolas públicas.
 Conselho de Classe e Série - reflexões e sugestões
 Construindo conhecimento no Ciberespaço
 Projeto Político Pedagógico: percebendo um contexto, iniciando uma
caminhada
 Resiliência
 A infinita chave do tesouro insondável
 A necessidade e a utopia
 Aprendizado e desenvolvimento do ser
 Canções e calçadas e tesouros da cidade
 Cultura Jovem
 Desafios do crescimento
 Hematomas da alma
 Pasárgada: Utopia da vida que poderia
 Sobre o pensamento simbólico
 História da Matemática no Laboratório de Informática Educativa
 Projeto Pedagógico
 Família X Escola, uma parceria que dá certo

Os educadores podem adicionar comentários aos artigos


publicados.
107

A seguir estão listadas algumas das referências indicadas pelos


educadores e publicadas no portal:

 Kirikú e a feiticeira - Vídeo


 A língua da mariposa - Vídeo
 Através do espelho - Livro
 O clube do imperador - Vídeo
 A estrada da vida - Vídeo
 A melhor escola para seu filho - Artigo de Revista

As referências são publicadas juntamente com um comentário


escrito pelo educador que a está indicando. Outros educadores podem
inserir novos comentários às referências já publicadas.

É também interessante apresentar aqui alguns comentários


inseridos em artigos e referências bibliográficas.

Comentário ao artigo “Construindo conhecimento no Ciberespaço”


Concordo com nossa colega quando aponta uma reflexão preocupada com a
qualidade e função do uso da Internet nas escolas. Assisti, também, outra
propaganda de um provedor em que os alunos colocam trabalhos impressos em
cima da mesa da professora e um deles, caracterizado como um homem das
cavernas, joga uma pedra com a inscrição do título do trabalho e todos os
encaram como algo muito estranho. Além do questionamento da qualidade de
informação e relevância para o aprendizado em questão, a propaganda é
carregada de preconceitos. Está aí um bom exemplo de se trabalhar valores
implícitos nesses tipos de propaganda.

Comentários ao vídeo “A língua da mariposa”

Ambientando na Espanha da década de 30, é a estória da amizade entre um


menino e um velho professor, até que é interrompida pela Guerra Civil espanhola
na ditadura de Franco. [...] Nesse filme ficou claro que educação familiar
confronta-se com a educação escolar. [...] Para trabalhar com o término deste
confronto, atravessando os problemas entre casa e escola, o professor necessita
buscar uma melhor relação do aluno com os estudos e a conscientização dos
pais sobre a importância da educação de seus filhos. A família precisa cooperar
no desenvolvimento de uma criança, beneficiando, junto aos mestres, o
aprendizado [...].

Esta é realmente uma excelente recomendação, o filme é de uma delicadeza


sem fim, quem dera se todos os educadores pusessem assisti-lo e se emocionar
com a riqueza de aprendizado que pode ocorrer além dos livros didáticos. O
tema também vem a calhar, acho uma das melhores cenas a carinha do mocho
com as perguntas do professor ao descrever a língua da mariposa. Não deixem
de assistir!
108

6.6. Entrevistas com o grupo gestor

Ao final da coleta de dados, foi realizada uma pequena entrevista


com os integrantes do Grupo Gestor. As questões foram encaminhadas e
respondidas por e-mail. A seguir está a transcrição, na íntegra, das
perguntas e respostas.

1. Como você vê a receptividade da rede acerca do portal?


GG1 - A receptividade acerca do Portal da SME que foi apresentado aos
servidores da rede pública sempre foi positiva. Boa parte das escolas (EMEF) já
possuem uma infra-estrutura básica e entendimento dos educadores quanto a
importância e benefícios da informática, internet e tecnologia em sala de aula e
em prol da atualização de conhecimento dos educadores.
GG2 - Esse é um anseio antigo de muitos professores da rede. Muitos
construíram seus sites na época da efervescência das home page gratuitas,
entretanto, com o encerramento desses serviços poucos puderam mudar para
hospedagem paga. No geral a receptividade foi muito boa.
GG3 - Ainda com algum receio, talvez seja pelo avanço desta ferramenta ou até
mesmo medo da própria.
GG4 - As pessoas olham com desconfiança. Poucos têm familiaridade com a
internet e com o que é novo. Aos poucos essa "cultura" vai mudar, mas para isso
vamos suar muito ainda. O convencimento é uma prática constante para o
sucesso do portal, até que consigamos fazer com que as pessoas entendam que
necessitam dele.
GG5 - Fica difícil avaliar a receptividade da rede quanto ao portal, pois
enfrentamos uma série de problemas e falhas de estratégia na construção desta
relação entre o público e esta novidade. O início da "sensibilização" gerou uma
expectativa que foi frustrada com a demora para a implementação de fato, o que
resultou em uma desconfiança por parte das pessoas que ainda não pudemos
reverter. Temos que levar em conta que o portal ainda não é amplamente
conhecido na rede, todo o trabalho feito até o momento envolveu basicamente
pessoas que de uma maneira ou outra estão envolvidos na construção de sites
das diferentes unidades, não tivemos uma ação efetiva de divulgação do portal
para toda a rede.

2. Que benefícios ele trouxe?


GG2 - Além da hospedagem gratuita, ou seja, garantir um lugar ao sol nessa
época em que todos têm site, a ferramenta de administração do portal permite
que qualquer pessoa possa construir o site de sua unidade educacional, sem
precisar ser webdesigner ou programador.
GG3 - Diversos, citando comunicação, interatividade e principalmente agilidade
nas informações em tempo real.
GG4 - A interatividade é um benefício que percebemos pelos e-mails que nos
enviam. Departamentos e pessoas que vêm utilizando o portal têm relatado que
caiu o número de telefonemas; que possibilitam troca de experiências e pedem
mais.
109

GG5 - Vejo como possibilidades, e não poucas. Como disse, o potencial do


portal não está sendo explorado nem na metade de sua capacidade. Para
analisar somente um aspecto, a agilidade nas comunicações que ele possibilita
traz enormes benefícios para a rede.

3. Há algo que piorou na rede com a implantação do portal?


GG1 - A implantação do portal na rede em nada prejudicou ou interferiu
negativamente na rede. Até o momento não existia nenhum projeto ou trabalho
sendo desenvolvido a não ser um número insignificante de páginas feitas pelos
próprios alunos na tentativa desesperada de criar uma página da Unidade,
páginas estas sem o mínimo recurso e hospedadas em servidores gratuitos.
GG2 - Com o pouco tempo de implantação do portal ainda não pude,
pessoalmente, vislumbrar algo que tenha piorado. E acredito que isso seja difícil
de acontecer. Minhas ressalvas ficam a cargo de que surjam alguns problemas
inerentes ao pioneirismo de algo tão grande.
GG3 - Ao contrário vem evoluindo cada dia mais, porém as pessoas precisam
fazer com o portal cresça mais e mais.
GG4 - Sem dúvida, não. É o momento de mostrar-se para o mundo. E todos
gostam de ser notados.
GG5 - A meu ver nada. O portal serviu para revelar algumas falhas na rede que
precisam ser abordadas. Como exemplo, cito a grande quantidade de
informações erradas cadastradas no sistema EOL.

4. Quais as maiores dificuldades enfrentadas na implantação?


GG1 - A dificuldade encontrada na implantação se deu na maior parte das vezes
e dos casos, por conta da burocracia e trâmites necessários que antecedem o
trabalho de auxílio para a implantação, ou seja, necessidade de publicação em
diário oficial, vistos e permissões de coordenadores para uma capacitação,
enfim, nenhuma ação pode ser feita sem cumprir todos os trâmites internos.
GG2 - Descompasso entre as fases, por exemplo: a capacitação maciça estava
acontecendo enquanto os ajustes com servidor ainda não estavam ok; as
sensibilizações foram muito distantes da implantação; o grande intervalo entre a
capacitação e a efetiva construção.
GG3 - Talvez seja o conflito de idéias, onde paramos para analisar o que é
possível ou não no portal.
GG4 - Apesar de termos participado das especificações, tivemos alguns
entraves. A troca da gestão da SME; o medo em como falar para não
descaracterizar o discurso da gestão passada. Pessoas tinham medo e com
medo acomodavam. Não tivemos colaboração efetiva das pessoas que deveriam
estar construindo e costurando conteúdos. Talvez se estivéssemos aqui desde o
início o cenário seria mais favorável. Quando chegamos já haviam sido tomadas
decisões que influenciaram muito a continuidade do projeto. Basta lembrar da
impossibilidade de sites internos.
GG5 - Temos que dividir esta questão em dois momentos delimitados pela
mudança de gestão no município, mas em ambos os momentos fica claro que
um processo destes precisa ser encaminhado por pessoas que tenham clareza
do que é um portal, do que é internet e onde pretende chegar com isto. No início
do projeto (gestão passada) não havia por parte de nossa secretaria pessoal
110

"capacitado" para servir de interlocutor à equipe que desenvolve a ferramenta, o


que ocasionou uma perda de tempo importante para o progresso do projeto visto
que uma equipe foi formada tardiamente e muito do que já havia sido feito teve
de ser revisto. Com a mudança de gestão todo o projeto ficou "congelado" pela
questão financeira que envolve o contrato para seu desenvolvimento e
oportunidades importantes para que ele "decole" na rede acabam se perdendo,
pois a administração do novo governo se vê frustrada em várias de suas
tentativas para se utilizar um portal que para eles não está preparado para fazer
o que gostariam que fizesse (formulários para pesquisa com toda a rede e
inscrições para cursos, eventos e atividades, entre outras coisas). Novamente
estamos marcando passo sendo que poderíamos ter experimentado avanços
consideráveis.
A coisa é tão complexa que todo um investimento pode ser perdido por falta de
continuidade na construção do sistema e falta de interesse de investir em algo
que, para uma parte da administração, não funciona e é uma herança incômoda
de um outro governo.
Com tudo isto dá para concluir uma coisa, um projeto deste porte desenvolvido
para um órgão público deve ser concluído no decorrer de uma única gestão, pois
as dificuldades para levá-lo avante debaixo de ideologias diferentes são enormes
e uma de suas chances de sucesso é já fazer parte do cotidiano de seu público
alvo.

5. Quais as maiores dificuldades enfrentadas na utilização do portal pelas


escolas e coordenadorias?
GG1 - Existe uma remoção constante na rede, a mudança dos membros da
secretaria empacou e fez com que o projeto retrocedesse em alguns aspectos
até a retomada dos trabalhos.
GG2 - O fato de ainda não fazer parte da cultura de RME-SP fez com que muitos
não incorporassem a construção e alimentação do portal no cotidiano de suas
atividades; As instabilidades do sistema causaram certo receio de alguns que já
estavam temerosos; em algumas escolas o conhecimento adquirido na
capacitação provavelmente ainda não tenha sido multiplicado; as mudanças nas
equipes ocorridas devido a troca de governo.
GG3 - Talvez seja a interação com a ferramenta e o medo deles em fazer algo
com a mesma.
GG4 - A capacitação / formação não atingiu nossos objetivos de forma plena.
Faltou um planejamento adequado. A rede não ajudou; tivemos muitos
problemas de queda do sistema e não sabíamos se era por falha de servidores
ou no aplicativo. Tudo colaborou para certo descrédito no projeto, que fora
mostrado já na primeira sensibilização com muitas possibilidades que não
aconteciam. Hoje temos relatos de pessoas que justificam que o site da sua
escola não está pronto porque o portal é instável.
GG5 - A falta de familiaridade com o sistema e de uma cultura onde a Internet
figure como prática comum.

6. O que é necessário ao portal para que ele seja melhor utilizado?


GG1 - Observei em diversas situações a necessidade dos servidores sentirem
envolvimento do Secretário Municipal de Educação e Coordenadores de Ensino
no projeto, talvez por experiências passadas e pela própria característica política
111

do nosso país, diversos projetos são perdidos, abandonados sem justificativas


cabíveis, os servidores observam e se preocupam muito com isso na esperança
de no mínimo evitar perda de tempo e canalizar esforços para projetos que
possam ser reconhecidos em curto e médio prazo.
GG2 - Maior divulgação, pois grande parte do público alvo (educadores em
geral, alunos e familiares) ainda desconhecem o portal. Acredito que quando
essas pessoas souberem da existência dessa ferramenta eles mesmos cobrarão
a construção e atualização dos sites de sua unidade, sendo co-participantes.
GG3 - Que toda a rede tome consciência que existe uma ferramenta que não vai
fazer milagres sozinha, mas sim só vai andar com ajuda de todos.
GG4 - Se adequando às necessidades do público a que se destina. Já
discutimos muito sobre as especificidades de cada ambiente no portal. O que um
aluno vê no portal que o faz voltar? Tem atrativo para ele? Professores precisam
de conteúdos específicos e que lhes ajudem no dia-a-dia. Da mesma forma a
família precisa ter acesso a funcionalidades prometidas e ainda não integradas,
como boletim, faltas, acompanhamento da vida escolar, que dependem da
continuidade do projeto de integração com o EOL, que ainda não ocorreu.

7. O que é necessário aos usuários para melhor utilizarem o portal?


GG3 - Perder o medo e interagir mais com o portal.
GG4 - Precisamos investir em divulgação. Há muitas formas de promover o
portal. Um editorial com informações diárias ou semanais que levem os
internautas aos ambientes do portal, promovendo páginas e sites internos. A
impossibilidade que ainda temos em abrir um site interno impede-nos, por
exemplo de levar o Internauta para conhecer o site do setor A, do B, do Setor C
e assim por diante. Outra forma de divulgação massiva através de banner's e
cartazes nas escolas. Estatísticas de acesso para mostrar avanços, como
também para orientar sites e páginas menos visitadas, e por aí vai...
GG5 - Neste momento, com respeito aos educadores, precisamos de empenho
das unidades ligadas à gestão do ensino no município para recheá-lo de
conteúdo institucional e utilizar-se dele como canal de comunicação com a rede.
Com relação a alunos e familiares precisamos de conteúdos interessantes que
sirvam de referência para pesquisa e uma campanha de divulgação que ainda
não foi feita.
112

7. CONCLUSÕES

Neste capítulo, inicialmente, serão destacados alguns aspectos


importantes percebidos na gama de dados coletados, como as demandas
da RME-SP pelo portal, as características do projeto, a percepção dos
educadores e a utilização do portal nos primeiros meses após a sua
publicação.

Num segundo momento, serão apresentadas algumas


considerações a partir dos questionamentos que nortearam todo o
trabalho e, ao final, serão discutidas as limitações da pesquisa e
propostas para outros estudos.

7.1. As demandas da RME-SP pelo portal

Esse é um anseio antigo de muitos professores da rede.


Muitos construíram seus sites na época da efervescência
das home page gratuitas, entretanto, com o
encerramento desses serviços, poucos puderam mudar
para hospedagem paga (GG2)43.

Percebe-se que o portal educacional na rede municipal de ensino


de São Paulo veio ao encontro de uma demanda das escolas, perceptível
a partir de dois fatores principais: escolas que já tinham um site e escolas
que queriam ter um site. A seguir, será feita uma análise acerca dessas
duas situações.

1) Algumas unidades educacionais possuíam um site na internet,


apesar das condições nada favoráveis para tal. O site era construído por
educadores que detinham algum conhecimento técnico específico e
alguma disponibilidade para organizar as informações e publicá-las. Não

43
Com o intuito de preservar a identidade dos informantes, os depoimentos serão
identificados pelos códigos GGX e E-XXX, onde X representa um número seqüencial.
Os depoimentos identificados com GGX são dos componentes do Grupo Gestor, e os
identificados com E-XXX, são dos educadores que responderam ao questionário.
113

raro este trabalho era feito pelo POIE da escola, que se propunha a fazê-
lo por iniciativa própria.

A escola ainda não tinha internet e também não tinha


Front Page, então a página teve que ser feita na casa da
professora que possuía esses recursos e que sabia usá-
los (E-654).
Não recebi capacitação para fazer site. Contei com a
ajuda dos colegas de outras unidades e de pessoas
amigas (E-682).
No passado foi construída uma página que se encontra
hospedada em host gratuito cujo controle está com
password de pessoas que deixaram a unidade e não
deixaram as devidas informações (E-448).

Além de não ser uma construção coletiva, a atualização das


informações nas páginas não era constante. Também por limitações
técnicas, tais sites possuíam normalmente um caráter informativo, sem
opções de interatividade entre os usuários, sem conteúdos pedagógicos
ou informações acadêmicas.

Um outro aspecto significativamente limitador citado pelos


educadores foi a hospedagem do site, cuja única opção era o provedor
gratuito. Esse tipo de hospedagem é limitado, tanto em relação aos
recursos disponíveis, quanto ao espaço (em bytes) para armazenar
informações, e instável, pois a qualquer momento o provedor pode
desejar cobrar pela hospedagem e, caso o usuário não queira ou não
possa pagar, perderá o site.

Já construímos uma home page, mas o provedor não


aceitou o volume dela. Chegamos a publicar no HPG,
mas tiraram do ar (E-030).
Nós tínhamos uma página no kit.net mas o acesso foi
fechado e não tivemos tempo de montar outro (E-667).
Nós tínhamos uma página, mas era hospedada no HPG e
quando deixou de ser gratuito ela foi tirada do ar (E-750).

Além disso, por serem sites individuais e por não haver uma
estrutura que facilitasse a comunicação e a localização destes na web,
muitos não eram reconhecidos pela RME-SP e, às vezes, nem mesmo
pela comunidade escolar daquela unidade. Prova disso é que a maioria
114

(62,2%) dos educadores cuja escola possuía um desses sites, não soube
informar o endereço correto.

2) A outra situação relevante é que, mesmo entre os educadores


cuja escola não possuía um site publicado, 72,1% afirmou que tal
demanda já havia sido levantada dentro de sua unidade.

Sentimos a necessidade de termos mais um meio de


comunicação interativa com as escolas, com a
comunidade (E-012).
A comunicação com nossas escolas foi o fator principal
que motivou a construção da página (E-018).
Queríamos divulgar informações sobre a escola e
trabalhos desenvolvidos pelos alunos (E-121).
Não temos página, mas temos um e-grupo, sentimos
necessidade de estarmos conectados (E-177).
Sentimos a necessidade de ter uma página para facilitar
a comunicação administrativa e pedagógica (E-341).
Nossa escola estava tentando criar uma página, este
portal realmente veio na hora certa (E-570).

Nota-se, nos depoimentos acima, que o que eles mais desejavam


em um site da escola estava relacionado com a comunicação entre as
unidades e com a divulgação dos trabalhos realizados. Observa-se a
necessidade de se mostrar na web, pela grande freqüência de termos
como publicar, mostrar, divulgar, apresentar.

Como POIE, fui muitas vezes questionada a respeito da


possibilidade de nossa escola ter um site. Para a
divulgação dos nossos projetos, para mostrar aquilo que
fazemos etc. Mas ainda estávamos na vontade (E-575).
Sempre temos maior divulgação de nossos projetos
quando estamos ligados a uma rede da web (E-629).
Já estávamos pensando na construção de uma página
para registrar e divulgar as diversas atividades realizadas
na escola (E-746).
É bom divulgar os trabalhos dos alunos e professores
para internautas em geral e informações úteis aos pais
dos alunos (E-775).

Como afirma Lévy (1999), que “não se trata aqui de usar as


tecnologias a qualquer custo, mas sim de acompanhar consciente e
115

deliberadamente uma mudança de civilização”, nota-se uma boa


receptividade dos educadores pelo portal, principalmente por
relacionarem-no a esta demanda presente na RME.

7.2. O portal EducaSampa

Percebe-se que, desde a sua concepção, o portal possui algumas


características importantes:

Ser um ambiente colaborativo

Nota-se que houve a preocupação em realizar um trabalho coletivo


envolvendo educadores, coordenadores pedagógicos, diretores das
escolas e coordenadores das CE. Os encontros de sensibilização e as
diversas reuniões para especificação dos aplicativos e serviços
comprovam essa construção coletiva e participativa. Até mesmo no
momento da formação dos educadores, houve interesse em ouvi-los, em
suas expectativas, críticas e sugestões (através do questionário que eles
preenchiam ao final do curso e das sugestões que foram coletadas
durante as aulas), demonstrando que, mesmo já estando pronto para ser
utilizado, o portal estava aberto a novas construções e/ou adaptações.
Esse envolvimento instiga nas pessoas o desejo de participar e de utilizar
o portal, porque elas o tomam como seu e não como um produto que
receberam pronto. Como afirma Schlithler (2003, p. 1), “o ato de formar e
fazer parte de uma rede desperta o protagonismo”. E esse sentimento de
pertencimento e de colaboração esteve presente nos educadores, tanto
durante as sensibilizações e reuniões quanto no momento da formação:

Este projeto tem tudo para dar certo. Posso contribuir


dando sugestões e atualizando o site (E-551).
Espero que com o que sei e o que aprendi nesta
formação, possa contribuir para a manutenção de nossa
página sempre atualizada (E-553).
O que mais posso contribuir não sei bem ainda, mas
tenho mil idéias (E-785).
116

Além disso, por ser construído fundamentado nas demandas da


RME-SP, o portal adquire um caráter mais personalizado, mais
identificado com a própria rede.

Acho que abrirá espaço para participação da comunidade


escolar, pois mesmo que não tenham acesso como
autores, poderão contribuir através de sugestões, numa
gestão democrática (E-201).
É praticamente um projeto em que, de uma forma ou de
outra, todos os segmentos da escola estarão envolvidos
(E-497).
Ele (o portal) pode ser um instrumento valioso na nossa
formação, na nossa troca de informações. E é isso que
nós vamos ter que saber e aprender a lidar, [...] construir
esse conteúdo pedagógico em conjunto, coletivamente.
Ele vai ser o nosso instrumento desse processo de
construção coletiva. Então o portal, eu queria que todos
vissem como uma coisa que vai nos auxiliar, [...] e não
uma coisa que vem pronta, com receita, [...] porque o
conteúdo lá, gente, não vai vir pronto, nós é que vamos
colocar nossas aulas, nós é que vamos colocar os
conceitos, lá vai estar o que nós pensamos, vai estar o
nosso projeto. Então a contribuição de todos é essencial
para que esse projeto dê certo (Secretária de Educação).

Ser um instrumental pedagógico foi uma preocupação que também


esteve presente em vários momentos. Nos encontros com os
coordenadores para o planejamento da composição do site das
coordenadorias e nos cursos de formação dos educadores, observa-se
que eles não se detiveram em sugerir conteúdos e serviços institucionais,
mas indicaram também elementos referentes à interação da comunidade
educacional, como publicação de aulas, fóruns e conteúdos de apoio ao
aluno.

[...] o portal vai ser para nós o diário oficial pedagógico.


[...] ele vai nos proporcionar buscar conteúdos, pesquisar,
se eu crio uma aula, eu disponibilizo pra troca e
comentários com outros professores. Nós vamos poder
registrar nossas experiências, vamos poder trocar
informações com uma dinâmica que hoje, o tamanho da
rede não nos permite (Secretária de Educação).
117

A acessibilidade

Ser um instrumento acessível a todos também foi uma das


premissas do portal EducaSampa. Isso se observa na concepção de um
mesmo ambiente onde estivessem os sites de todas as unidades, com
facilidade de localização e navegação.

Possibilita que todos tenham acesso às informações e


aos trabalhos desenvolvidos nas escolas, mesmo
aqueles que não possuem computador, pois poderão
acessar pelos telecentros (E-410).
A possibilidade de criação de uma grande comunidade
virtual de aprendizagem e troca de experiências parece
representar excelente oportunidade de articulação das
comunidades escolares da cidade e até de maior
participação cidadã na tomada de decisões (E-656).
Com a construção do portal, nós vamos dar esse passo
agora ao que é de fato poder mostrar o que nós fazemos
de uma escola pra outra. Numa rede tão grande, com 473
escolas de ensino fundamental fica muito difícil a gente
se ver em todos os cantos da cidade. O portal vai permitir
isso, vai permitir que a gente enxergue cada escola, que
a gente converse um com o outro (Secretária de
Educação).

Outra característica importante para a acessibilidade foi a facilidade


de utilização. A construção dos sites e a manutenção do conteúdo foram
colocadas ao alcance de todos os educadores44, sem a necessidade de
conhecimentos técnicos específicos.

É muito interessante saber criar página. Nunca pensei


que seria capaz, pois considerava algo muito difícil de
aprender. Estou feliz por ter conseguido aprender alguns
recursos para tal fim (E-577).
O portal é muito fácil de montar, mesmo sem apostila
qualquer pessoa consegue criar e atualizar (E-346).
As ferramentas fornecidas às escolas são fáceis de usar
e darão condições às escolas de fazerem suas páginas
(E-645).
Ele é fácil de entender, dá liberdade de criação, é fácil de
utilizar (E-785).

44
Educadores com permissão para acessar o módulo de administração do portal.
118

Além da hospedagem gratuita, ou seja, garantir um lugar


ao sol nessa época em que todos têm site, a ferramenta
de administração do portal permite que qualquer pessoa
possa construir o site de sua unidade educacional, sem
precisar ser webdesigner ou programador (GG2).

A autonomia

A característica citada acima, relacionada ao fato de cada unidade


poder construir seu site e nele incluir e publicar conteúdo, demonstra a
autonomia que lhes foi confiada. Conceber um portal que fosse capaz de
fornecer informações sempre atualizadas a toda a comunidade e abrigar
os sites das coordenadorias e das unidades escolares que, por sua vez,
também necessitavam disponibilizar informações atualizadas, não seria
possível sem a existência de uma ferramenta de inclusão e publicação de
conteúdo e gerenciamento de permissões acessível ao usuário final. O
módulo de administração, apresentado no capítulo 6, traduz a autonomia
que, de certo modo, foi dada a toda a rede, inclusive à própria SME.

Vejo muitos pontos positivos, mas o principal é a


autonomia que cada unidade terá para fazer a sua página
e poder divulgar o seu trabalho (E-779).

7.3. O portal sob o olhar dos educadores

De um modo geral, o portal foi muito bem recebido pelos


educadores da RME-SP desde os primeiros contatos que eles tiveram,
seja com o projeto, seja com o artefato em construção ou já sendo
utilizado. A seguir são destacadas algumas características do portal sob a
visão dos educadores.

Instrumento de divulgação

Para os educadores, o maior benefício do portal para a rede de


ensino são as possibilidades que se abrem para a divulgação dos
trabalhos realizados nas escolas. Aliás, essa era uma das demandas da
rede, tanto que esse aspecto esteve muito presente nos comentários
acerca dos motivos que levaram a escola a construir um site com
119

recursos próprios e no levantamento dos serviços e informações que o


portal deveria contemplar.

Temos muitas escolas que desenvolvem projetos


maravilhosos e que ficam "escondidos", portanto o portal
apresenta-se como uma possibilidade de conhecermos
esses projetos e partilharmos experiências (E-463).
É uma nova forma de comunicação que privilegia a
importância do registro. Em nossas escolas acontecem
muitas coisas boas, mas estas experiências ficam só
dentro da unidade. Com o portal poderemos ampliar os
horizontes (E-494).
A abertura de possibilidades de divulgar os projetos e
informações das escolas e uma maior aproximação da
comunidade com as escolas (E-536).
A oportunidade de todos na escola poderem publicar
seus trabalhos e mostrar seus projetos. Colocarem
sugestões, interação entre as diversas escolas (E-541).

E muitos demonstraram perceber a dimensão dessa divulgação ao


utilizarem termos como “mostrar a escola ao mundo”, “divulgar os
trabalhos para o mundo”.

Instrumento de comunicação e de interação

Nas falas dos educadores, sempre estiveram muito presentes


expressões como “troca de informações”, “troca de experiências”, “troca
de conhecimentos”, demonstrando o anseio por um ambiente propício à
colaboração entre educadores e ao intercâmbio entre as escolas,
coordenadorias e demais setores da SME.

O mais positivo do projeto é o intercâmbio que haverá


entre as escolas, entre coordenadorias e mesmo entre
professores como troca de experiências (E-107).
[...] o relacionamento entre professores e alunos e entre
escola e comunidade atingirá um novo patamar (E-190).
Este projeto facilitará a comunicação entre todos,
principalmente a troca de informações sobre os projetos,
aulas, atividades desenvolvidas nas unidades escolares,
troca de experiências, informações tecnológicas e outras
(E-564).

É este desejo mútuo de comunicação e de inteligência coletiva que,


segundo Lévy (1999) potencializa o desenvolvimento do ciberespaço. É
120

esta noção de participação e de colaboração que caracteriza a


comunidade, o grupo e o diferencia de um simples agrupamento (AYRES,
2001).

Instrumento de democratização de acesso

Na visão dos educadores, o portal oferece muitas possibilidades de


inclusão e de participação da comunidade na vida escolar, viabilizando
até mesmo a inclusão digital de alunos, professores e familiares.

A oportunidade de possibilitar à comunidade escolar o


acesso a um meio de comunicação eficiente e moderno
(E-039).
O acesso mais democrático à internet pelos alunos e
comunidade, bem como uma maior participação dos pais
na vida escolar dos filhos por meio do site da escola (E-
174).
Acho que também abrirá espaço para participação da
comunidade escolar, pois mesmo que não tenham
acesso como autores, poderão contribuir através de
sugestões, numa gestão democrática (E-201).
O portal traz a oportunidade a todos de se apropriarem
dessa forma de comunicação (E- 586)

Instrumento de valorização da escola pública

Um aspecto curioso foi a percepção do portal como um instrumento


de valorização da escola pública, como se pode ver em algumas falas dos
educadores:

Será um espaço aberto para que as pessoas possam


conhecer as escolas da Rede Municipal de Ensino e os
trabalhos desenvolvidos pelos Profissionais/Educadores
e Alunos da escola pública (E-442).
Neste momento em que a educação pública e o professor
estão sendo tão criticados pelos meios de comunicação,
é interessante as escolas terem esta ferramenta para
mostrar ao mundo que muitas escolas e muitos
profissionais têm ótimos projetos e os realizam (E-467).
Vejo tudo de bom!!! Será uma janela ABERTA para
desenvolvermos a criatividade e para expor ao mundo
que a Educação Municipal evolui e melhor ainda, tem
recursos para acompanhar a modernidade (E-567).
121

A importância da atualização

Os educadores demonstraram uma preocupação especial pela


atualização do conteúdo nos sites do portal, seja por perceberem a
importância das informações estarem sempre atualizadas, seja por se
preocuparem com quem irá se ocupar de alimentar os sites. Nesse ponto,
o fator „tempo‟ foi bastante mencionado: alguns acreditam que essa tarefa
não deve ficar somente a cargo do POIE e outros acham que as funções
do POIE devem ser revistas, de forma a incluir as atividades com o portal.
De certo modo, todos estão preocupados com a sobrecarga de trabalho
que pode ser depositada no POIE e quiseram mostrar que é necessário
tempo e pessoas dedicadas ao trabalho com o portal.

Fico pensando na escola. O POIE trabalha boa parte de


seu tempo com os alunos, outra parte capacita os
professores. Não sei bem como este trabalho na
construção e alimentação do portal se dará (E-018).
Que não seja encarado como atividade exclusiva de
POIE, e se o for, que haja uma portaria regulamentando
as horas a serem dedicadas para tal fim (E-114).

Quanto à preocupação com a própria atualização dos sites, eles


demonstraram certo receio de que algumas escolas, por não se apropriar
dessa atividade, deixem seus sites „abandonados‟.

A minha preocupação é que comece muito bem, mas que


as pessoas não tenham o compromisso de alimentar o
portal (E-047).
Estar sempre atualizando, não deixar a página ficar sem
dados novos ou interessantes (E-478).

Outra preocupação também relacionada à manutenção dos sites é


de que o conteúdo publicado não seja adequado, que se faça um mau
uso do portal, utilizando-o para fins políticos ou de promoção pessoal em
vez de fins educacionais.

Risco de unidades educacionais divulgarem notícias que


não convém tornar públicas. Ex: notícias que os
sindicatos pressionarem os editores para publicar etc. (E-
037).
122

Minha principal preocupação é que esse espaço se


transforme em uma vitrine política desvinculada de
preocupações pedagógicas significativas (E-472).
A preocupação de que as pessoas não entendam sua
responsabilidade como autor, editor e gerente e que não
saibam utilizar o portal com a ética necessária (E-120).

Recurso pedagógico

Os educadores perceberam o portal como uma ferramenta que


pode auxiliar na melhoria da qualidade do ensino, mas que, para tanto,
exige o envolvimento e a participação de educadores e alunos.

O que eu vejo de positivo é exatamente o fato de o aluno


ver o seu trabalho sendo apreciado por muitas outras
pessoas. Creio que isto possa incentivá-lo a criar cada
vez mais e conseqüentemente se desenvolver melhor
enquanto cidadão (E-304).
É mais uma ferramenta não apenas para informação, é
para produção e construção coletiva de conhecimento (E-
178).
Me preocupo com a possível falta de interesse dos
professores em participar do projeto (E-108).
Que nem todas as pessoas envolvidas na educação
desenvolveram uma cultura de tecnologia. Isto acaba
sendo uma barreira muito difícil de ultrapassar (E-455).

Questões técnicas

Durante a formação dos educadores, ocorreram muitos problemas


de queda de conexão e de lentidão na navegação do portal, que estava
hospedado em um servidor temporário na PRODAM, destinado à
homologação de aplicativos e realização de testes e treinamentos.

Também durante a formação, foram identificadas pelos educadores


algumas falhas de funcionamento e necessidades de implementações no
próprio portal. Todos esses eventos fizeram com que uma preocupação
bastante presente na fala dos educadores fosse de que falhas técnicas
não ocorressem quando o portal fosse implantado.

[...] quando estivermos elaborando a nossa página na


escola ocorra o mesmo que ocorreu no curso com a
123

conexão do portal, pois isto é muito desestimulante para


quem está usando (E-420).

A continuidade do projeto

Não foram poucos os educadores que manifestaram a


preocupação pela continuidade do projeto diante da possibilidade de
mudança de gestão na prefeitura.

Tenho a preocupação de que, caso mude a


administração, esse projeto seja abandonado e todo esse
esforço inicial desperdiçado (E-164).
O portal ser abandonado, como muitos projetos que
foram iniciados e abandonados no meio do caminho (E-
458).
Minha maior preocupação é que o projeto não continue
na nova gestão e seja engavetado (E-510).

A mudança de gestão ocorreu. Uma diminuição no ritmo de


desenvolvimento do portal também. Porém, ele continua publicado na
internet e sendo utilizado por seus usuários. Até o momento em que se
encerrou a coleta de dados, o portal recebeu da nova gestão um
tratamento imparcial. Não houve investimentos na continuidade do
desenvolvimento dos aplicativos e nem retirada do portal da web.

7.4. A utilização do portal pelos educadores

Nota-se que a maior utilização do portal coincidiu com os meses


letivos. Isto pôde ser visto nos gráficos de acesso, cadastro de usuários e
publicação de sites e na tabela de conteúdos publicados. De certo modo,
isso demonstra que o acesso ao portal foi inserido na rotina escolar.

Entretanto, a quantidade de usuários cadastrados, de acessos


semanais e de sites e conteúdos publicados nos seis primeiros meses do
portal é muito pequena para uma rede de ensino desse porte. Mesmo
entre os sites já publicados, muitos são os que às vezes ficam sem
atualização ou mesmo sem conteúdo.
124

Alves (2004), após realizar um estudo entre os POIE,


concomitantemente à esta investigação, concluiu que eles apresentam um
“perfil tecnológico em construção” (p. 26) e que certa resistência e
insegurança frente ao novo são, inclusive, esperados.

O fato de ainda não fazer parte da cultura da RME-SP fez


com que muitos não incorporassem a construção e
alimentação do portal no cotidiano de suas atividades
(GG2).

Pelo menos no curto período em que foi observado, o conteúdo


veiculado no portal apresentou um caráter mais informativo (informes e
links). Os aplicativos que realmente possibilitariam a colaboração entre
educadores foram bem menos utilizados, com exceção do fórum.

Segundo a avaliação do grupo gestor, muito poderia estar sendo


feito em termos de divulgação para que o portal fosse melhor utilizado.

[...] grande parte do público alvo (educadores em geral,


alunos e familiares) ainda desconhecem o portal. Acredito
que quando essas pessoas souberem da existência
dessa ferramenta eles mesmos cobrarão a construção e
atualização do site de sua unidade, sendo co-
participantes (GG2).

Uma outra questão importante, na opinião também do grupo


gestor, foi a mudança de gestão na prefeitura.

Observei em diversas situações a necessidade dos


servidores sentirem envolvimento do Secretário Municipal
de Educação (o novo) e Coordenadores de Ensino no
projeto, talvez por experiências passadas e pela própria
característica política do nosso país, diversos projetos
são perdidos, abandonados sem justificativas cabíveis, os
servidores observam e se preocupam muito com isso na
esperança de no mínimo evitar perda de tempo e
canalizar esforços para projetos que possam ser
reconhecidos em curto e médio prazo (GG1). [Grifo
nosso].

Em conseqüência da mudança de gestão, o ritmo de


desenvolvimento do portal foi reduzindo-se até chegar ao ponto de não
estarem sendo implementadas novas funcionalidades. Isso fez com que
125

algumas funções importantes, como a integração com o sistema EOL e a


disponibilização dos dados acadêmicos, não tenham sido implementadas.

Da mesma forma a família precisa ter acesso a


funcionalidades prometidas e ainda não integradas, como
boletim, faltas, acompanhamento da vida escolar, que
dependem da continuidade do projeto de integração com
o EOL que ainda não ocorreu (GG4).

No entanto, o portal continua publicado, muitos sites sendo


atualizados, estão acontecendo diálogos muito interessantes nos fóruns,
enfim, muitos estão se apropriando deste novo espaço. O grupo gestor e
algumas coordenadorias e unidades educacionais têm se dedicado a
realizar oficinas de construção e atualização de sites, como forma de
divulgar e estimular o uso do portal e de seus recursos entre os usuários.

Com tudo isto dá para concluir uma coisa, um projeto


deste porte desenvolvido para um órgão público deve ser
concluído no decorrer de uma única gestão, pois as
dificuldades para levá-lo avante debaixo de ideologias
diferentes são enormes e uma de suas chances de
sucesso é já fazer parte do cotidiano de seu público alvo
(GG5).
126

7.5. Retomando as questões da pesquisa

Conforme descrito anteriormente no capítulo introdutório, sobre as


questões iniciais da pesquisa, e melhor analisado no capítulo 5, acerca
das peculiaridades do método estudo de caso, constatou-se, ao longo
desta investigação, uma necessidade de reorientação dos
questionamentos e um olhar atento às descobertas inesperadas. Por isso,
muitas das conclusões a que se chegou passaram por meandros nem
mesmo imaginados quando se criou o projeto de pesquisa. A seguir,
serão retomadas todas as questões propostas, juntamente com uma
breve discussão acerca de aspectos pertinentes a cada uma delas.

O educador e o portal

Uma das questões iniciais, sobre a forma como o educador vê a


internet como um novo espaço de interação com seus pares, foi ampliada
incluindo também a forma como ele vê a interação com a comunidade
escolar. A partir dos dados apresentados no capítulo 6 e das análises
feitas no capítulo 7, nota-se que a receptividade do educador foi bastante
positiva, demonstrando uma percepção das possibilidades que se abriram
com a implantação e a utilização do portal. Ao valorizar aspectos como a
divulgação dos trabalhos das escolas, a troca de informações e
experiências entre educadores e o acesso da comunidade, eles
concordam com o que Moran (2000) acredita ser uma necessidade da
educação contemporânea: a de se tornar um processo de comunicação
participativo, interativo e vivencial, entre toda a comunidade escolar -
administradores, funcionários, professores, alunos e familiares.

Os educadores demonstraram ainda perceber as circunstâncias


criadas pelas tecnologias da informação e comunicação e que permitem
“a formação de redes de pessoas interagindo via internet” (VALENTE,
2002, p. 34) e viram o portal como um instrumento potencializador da
democratização do acesso e da participação da comunidade.
127

A apropriação da tecnologia

Outras duas questões da pesquisa tratam das mudanças que


ocorrem nas relações entre as pessoas de uma mesma comunidade
educacional, a partir do uso da internet como um novo espaço de
interação, e se o uso desse espaço promove a inserção dessas pessoas
no novo modelo cultural proporcionado pelas novas tecnologias. Essas
temáticas, embora não possam ser tratadas tendo-se como base a
utilização efetiva do portal pelos usuários, dado o curto período de tempo
em que tal utilização pôde ser observada, está muito presente nas falas
dos educadores e no referencial teórico deste trabalho.

Quando Freitas (2004) lembra que a aproximação com o objeto


técnico produz uma relação de familiaridade com a tecnologia, quando
Kenski (2003) considera ser tal familiaridade o primeiro passo para a
apropriação da tecnologia e, ainda, quando Doron e Parot (2001) afirmam
que o processo de apropriação é intrínseco às interações sociais, conclui-
se que o uso da internet como espaço de interação em uma comunidade
escolar aproxima seus usuários da tecnologia. Acredita-se, desse modo,
que a própria utilização do portal pode funcionar como um mecanismo de
difusão e de apropriação da técnica, fazendo com que a cultura
tecnológica se fortaleça entre os usuários do portal.

Os educadores, em seus depoimentos, também valorizaram muito


as possibilidades de inclusão digital que se abriram a toda a comunidade
escolar, a partir da implantação de um objeto técnico que pode ser
acessível a educadores, alunos e familiares.

Pode-se dizer que o portal teria uma função implícita de ser


facilitador da inclusão digital e da apropriação da cultura tecnológica.
Conseqüentemente, a socialização e a capacidade de atuação desses
indivíduos no meio seriam beneficiadas.
128

Acerca das influências do portal sobre as relações entre os


educadores da RME-SP, pode-se inferir, a partir dos depoimentos
presentes nos questionários e do diálogo que se observa em aplicativos
como o fórum, que a comunicação e a troca entre os educadores são
ações significativamente ampliadas e reforçadas pelo novo dispositivo
comunicacional (LEVY, 1999), sem a pretensão de substituir os encontros
presenciais, mas como um meio de estimular, registrar e valorizar a
participação de todos.

A cultura e a tecnologia

Uma das questões centrais desta pesquisa trata da forma como os


artefatos tecnológicos envolvem aspectos culturais.

É interessante lembrar a comparação entre a cultura e uma lente


(BENEDICT, 1972 apud LARAIA, 2001), através da qual os indivíduos
vêem o mundo. Provavelmente o portal teve um bom nível de aceitação
entre os educadores (que participaram da formação) pelo fato de já haver
entre eles uma cultura anterior que demandava a presença das escolas
na internet, através de seus sites. Da mesma forma, o número ainda
pequeno de usuários cadastrados e de acessos semanais pode ser
justificado pela falta da cultura tecnológica em uma significativa parcela de
integrantes da RME-SP.

Um outro aspecto importante, do qual nos fala Schlithler (2003), é


que um dos maiores desafios para uma organização em rede, e aqui se
enquadra a rede sociotécnica, é a mudança cultural que ela demanda.

Notou-se em campo, em alguns momentos, certa tendência por se


transportar para o novo espaço as características já enraizadas na cultura
organizacional. Um exemplo disso é responsabilizar os POIE pela
atualização do site de sua unidade. Um exemplo contrário foi perceber o
grupo gestor como uma equipe incentivadora, orientadora, mas que não é
responsável por todas as publicações do portal.
129

Acredita-se que, para ser caracterizado realmente como um


ambiente colaborativo, o portal não pode ser entendido como um
departamento dentro da instituição. Ao contrário, deve permear todos os
processos. Por isso, concorda-se com os educadores quando, em seus
depoimentos, alertam para a necessidade de se rever as estruturas e
responsabilidades. O portal não pode ser tarefa de alguns, suas
funcionalidades e conteúdos devem representar a identidade da
instituição, e não de um grupo. Daí a necessidade de participação dos
usuários no envio de sugestões de conteúdos (artigos, referências, aulas,
projetos etc.) a serem publicados. Apesar de essa constatação estar
presente nas palavras da Secretária de Educação e nos depoimentos dos
educadores, a participação dos usuários nos primeiros meses de
utilização do portal pode ser considerada pequena diante do tamanho da
RME-SP.

Sabe-se que muitas outras variáveis influenciam, em maior ou


menor grau, a utilização do portal pelos educadores, tais como o tempo
necessário para atualização dos sites e as condições técnicas
disponíveis, conforme eles mesmos explicitaram em suas falas.

Acredita-se, entretanto, que o processo demanda uma mudança de


postura, uma mudança cultural que só será conseguida após um bom
tempo de utilização e compreensão deste novo ambiente. A compreensão
de que o portal não é uma analogia e nem uma substituição do território e
seus processos (LÉVY, 1999), mas um espaço que o complementa, que o
amplia, que coloca em sinergia as contribuições de todos os seus
usuários (LEMOS, 2004).

A constituição da rede sociotécnica

Outras duas questões presentes nesta investigação abordam a


forma como se dá a demanda de uma rede pública de ensino pela criação
de seu site na internet, assim como a constituição e utilização desse site.
130

Para responder à primeira parte dessa questão, acredita-se que


seja interessante, caso o leitor assim o desejar, uma retomada da
discussão apresentada no início deste capítulo, acerca da demanda da
RME-SP pelo portal.

Lembrando que Lemos (2004) acredita que os portais representam


os espaços urbanos no ciberespaço, pode-se relacionar a necessidade de
divulgação dos trabalhos das escolas com uma intenção de habitar o
ciberespaço, de ampliar o ambiente escolar.

A demanda por um espaço de troca de informações e experiências


demonstra uma tendência ao trabalho em rede, uma necessidade de
compartilhar, de se conectar. Silva (2000) lembra que a organização
social em rede não se deve somente às novas tecnologias, mas
principalmente às mudanças na estrutura da própria sociedade
contemporânea.

Num processo de crescimento semelhante ao de um rizoma


(LEMOS, 1996), o portal rapidamente chegou a diversas escolas dentro
da RME-SP, conectando-as.

No entanto, nos primeiros meses de utilização, grande parte do


conteúdo que tramitou no portal possui um caráter mais informativo do
que colaborativo, um número considerável de escolas ainda não publicou
o seu site e muitos educadores não acessaram o portal uma só vez.

Sabe-se que uma rede sociotécnica não se baseia na reunião de


recursos e informações, mas principalmente na reunião de indivíduos,
num coletivo híbrido (LATOUR, 1994). Essa rede deixa de ser apenas um
agrupamento de pessoas (AYRES, 2001) quanto mais participativos e
colaborativos se tornarem seus integrantes.

Esse processo, porém deve se dar de forma gradativa e natural,


porque a rede sociotécnica não é construída - ela se autoconstrói. Pode-
se potencializar e estimular a sua criação e crescimento, mas ela tem o
131

seu tempo de desenvolvimento. A função do portal e dos seus


administradores é criar condições para que a comunidade se desenvolva,
dando-lhe ferramentas úteis e funcionais. Mas a utilização de forma
efetiva e colaborativa é um processo bem mais complexo, é um processo
de apropriação cultural.

7.6. Limitações

Vê-se como um fator limitador, nesta pesquisa, a distância


geográfica entre a pesquisadora e o universo pesquisado. Apesar do
contato constante por e-mail, telefone, conferências e das inúmeras
viagens a campo, alguns aspectos foram prejudicados em decorrência
desse distanciamento. Como exemplo, está o fato de a população da
pesquisa não ter incluído os educadores que não tiveram contato com o
portal. Por outro lado, o mesmo distanciamento geográfico pode ter
contribuído na imparcialidade e na seleção dos critérios de análise.

Em campo, pelo fato de a investigação ser realizada


concomitantemente com as atividades profissionais da pesquisadora,
notou-se em alguns momentos (sensibilização, capacitação etc.) que,
para os educadores, a pesquisadora representava a Secretaria de
Educação, o que afetaria, por exemplo, a realização de entrevistas.

7.7. Propostas para estudos futuros

Por ser um estudo inédito acerca de um objeto tão amplo e


complexo, este trabalho abre caminho para muitas outras investigações.

As questões acerca dos fatores que favorecem e/ou atrapalham a


apropriação da cultura tecnológica e das mudanças atitudinais que o uso
freqüente da internet pode provocar nas pessoas não foram respondidas
de modo satisfatório por dois motivos principais. Primeiro porque a
pesquisa se limitou aos usuários do portal, o que impediu um estudo
comparativo entre usuários e não usuários. E segundo porque o tempo
132

(24 meses) não foi suficiente para tal estudo, já que seria necessário um
período maior de uso efetivo do portal para se analisar esses aspectos.

Nos primeiros 12 meses, além do cumprimento dos créditos e da


elaboração do projeto de pesquisa, em campo já foi possível acompanhar
o período de sensibilização da comunidade educacional, a especificação
e o desenvolvimento dos primeiros aplicativos. No segundo ano,
acompanhou-se a capacitação das pessoas que ficariam responsáveis
pela criação e manutenção do conteúdo dos sites de suas unidades, a
implantação do portal e os primeiros meses de uso efetivo. Desse modo,
o tempo de 24 meses pode ser visto, aqui, como um fator limitador ou
como um aliado. Considerando-se que o período propiciou o
acompanhamento da concepção, criação e utilização (mesmo que por um
curto período), há de se convir que, mesmo em 24 meses, foi um
processo investigativo muito enriquecedor. Se o objetivo for o de se
analisar maiores implicações na rede de ensino a partir da utilização do
portal, esse tempo realmente é insuficiente.

É instigante, pois, a idéia de pesquisar as influências do portal


sobre toda a rede de ensino, acompanhando sua utilização por
educadores, alunos e familiares durante um período maior de tempo do
que o que foi possível nesta pesquisa.

Desse modo, será possível um estudo mais aprofundado e


completo acerca das influências do portal nas relações entre os
educadores e destes com a instituição de ensino. E também muito rico
será o estudo abordando as relações entre os demais atores da
comunidade educacional: entre alunos, entre familiares e destes com os
educadores e a instituição de ensino, através do portal.

Como a população da pesquisa ficou restrita aos que, de algum


modo, tiveram contato com o portal, como proposta para um estudo futuro
fica também a análise das concepções dos educadores que, por vontade
própria ou não, mantiveram-se alheios.
133

Por fim, com um período maior de observação, e considerando


todos os atores da comunidade escolar, usuários e não usuários do
portal, será ainda possível identificar e estimular as mudanças
necessárias para que o uso desse espaço seja realmente produtivo e
colaborativo.

*** *** ***

Acredita-se que a hipótese inicial desta investigação, de que


instituições educacionais podem utilizar a internet de forma produtiva e
participativa entre a sua comunidade escolar, para estabelecer uma nova
forma de contato administrativo e pedagógico entre seus múltiplos
usuários, considerando-se aí a cultura técnica dessa comunidade, tenha
sido parcialmente confirmada, tanto nos estudos teóricos quanto na
pesquisa de campo. Mais importante, no entanto, do que comprovar a
hipótese foi a diversidade de aspectos e pormenores que todo o trabalho
investigativo possibilitou à pesquisadora conhecer, explorar e
sistematizar.

Sabe-se que o método do estudo de caso apresenta limitações


quanto às generalizações, mas, retomando Laville e Dionne (1999), nada
assegura, entretanto, que as conclusões aqui apresentadas não sejam de
serventia para outros casos, dada a representatividade do objeto de
estudo desta pesquisa e a pluralidade de aspectos observados e
discutidos.

Por isso, espera-se que o presente trabalho traga contribuições


significativas para os estudos e aplicações das redes sociotécnicas sob a
forma de portais educacionais.
134

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55. TECNOLOGIA, para quê? Folha Universitária. Jornal da


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In: JOLY, Maria Cristina Rodrigues Azevedo (Org). A tecnologia no


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57. VISEU, Ana. Creating augmented technicians: The case of Bell


Canada. Paper to be presented at Life By Design: Everyday Digital
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58. VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o


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Organizadores Michael Cole (et all); tradução de José Cipolla Neto,
Luís Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche. 6ª edição. São
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59. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Tradução


de Daniel Grassi. 2ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
140

ANEXOS
141

ANEXO A - Cronograma das atividades programadas para a pesquisa

MÊS
ATIVIDADES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
Mai/03 Jun/03 Jul/03 Ago/03 Set/03 Out/03 Nov/03 Dez/03 Jan/04 Fev/04 Mar/04 Abr/04 Mai/04 Jun/04 Jul/04 Ago/04 Set/04 Out/04 Nov/04 Dez/04 Jan/05 Fev/05 Mar/05 Abr/05

Pesquisa bibliográfica

Elaboração do projeto de
pesquisa
Apresentação do projeto de
pesquisa ao colegiado
Primeira etapa da pesquisa
de campo (Sondagem)
Preparação dos instrumentos
de pesquisa de campo
Segunda etapa da pesquisa
de campo

Análises dos dados

Redação das primeiras


versões da dissertação
Redação da versão final e
apresentação da dissertação
142

ANEXO B - Cronograma das atividades realizadas na construção do portal

MÊS
ATIVIDADES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
Mai/03 Jun/03 Jul/03 Ago/03 Set/03 Out/03 Nov/03 Dez/03 Jan/04 Fev/04 Mar/04 Abr/04 Mai/04 Jun/04 Jul/04 Ago/04 Set/04 Out/04 Nov/04 Dez/04 Jan/05 Fev/05 Mar/05 Abr/05

Estruturação e consolidação
da parceria

Período de especificação ...

Período de sensibilização

Desenvolvimento ...

Formação de educadores

Implantação do portal

Construção das páginas e


manutenção de conteúdo
...
143

ANEXO C - Cronograma das atividades da pesquisa ajustadas às atividades do portal

MÊS
ATIVIDADES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26
Mai/03 Jun/03 Jul/03 Ago/03 Set/03 Out/03 Nov/03 Dez/03 Jan/04 Fev/04 Mar/04 Abr/04 Mai/04 Jun/04 Jul/04 Ago/04 Set/04 Out/04 Nov/04 Dez/04 Jan/05 Fev/05 Mar/05 Abr/05 Mai/05 Jun/05

Pesquisa bibliográfica

Elaboração do projeto de
pesquisa
Apresentação do projeto de
pesquisa ao colegiado
Primeira etapa da pesquisa
de campo (Especificação)
Acompanhamento do
processo (Observação)
Segunda etapa da pesquisa
de campo (Questionário)
Período de observação e
monitoração

Análises dos dados

Redação das primeiras


versões da dissertação
Redação da versão final e
apresentação da dissertação
144

ANEXO D - Modalidades de Ensino atendidas pela RME-SP

- Educação Infantil
- Ensino Fundamental
- Ciclo 1
- Ciclo 2
- Ensino Médio
- Regular
- Técnico
- Curso Técnico de Informática
- Curso Técnico de Contabilidade
- Curso Técnico de Marketing
- Curso Técnico de Secretariado
- Curso Técnico de Administração
- Curso Técnico de Prótese Dentária
- Normal
- Educação Especial
- Ciclo 1
- Ciclo 2
- Educação de Jovens e Adultos (EJA)
- Ensino Fundamental
- Ciclo 1
- Ciclo 2
- CIEJA
- Ciclo 1
- Ciclo 2
- Técnico Básico
- Serviços de Atendimento e Vendas
- Alimentação e Serviços Domiciliares
- Lazer e Desenvolvimento Social
- Beleza
- Programa MOVA
145

ANEXO E - Unidades Educacionais da RME-SP

TIPO

CEU EMEF

Total geral
CEU EMEI
SUBPREFEITURA

CEU CEI
EMEFM

EMEE

CIEJA
EMEF
EMEI

CECI
CEI
Aricanduva / Formosa / Carrão 9 7 3 19
Butantã 22 1 27 1 14 1 1 67
Campo Limpo 20 1 32 1 20 1 1 76
Capela do Socorro 18 3 22 3 22 3 71
Casa Verde / Cachoeirinha 12 11 6 1 30
Cidade Ademar 8 1 13 1 9 1 33
Cidade Tiradentes 17 1 16 1 1 15 1 52
Ermelino Matarazzo 9 8 13 1 31
Freguesia / Brasilândia 18 1 17 1 8 1 1 47
Guaianases 12 1 9 1 9 1 1 34
Ipiranga 17 1 14 1 10 1 1 45
Itaim paulista 15 2 17 2 20 2 58
Itaquera 28 2 19 1 18 1 1 70
Jabaquara 7 5 4 16
Jaçanã / Tremembé 11 10 8 1 30
Lapa 11 6 2 19
M'boi mirim 18 1 20 1 21 1 62
Mooca 17 11 3 1 32
Parelheiros 4 5 2 1 2 14
Penha 20 15 16 1 52
Perus 7 1 12 1 5 1 27
Pinheiros 5 3 1 9
Pirituba 20 2 27 2 2 15 2 1 1 72
Santana / Tucuruvi 10 9 2 8 1 30
Santo Amaro 6 11 1 3 1 1 23
São Mateus 22 2 22 2 17 2 1 68
São Miguel 18 1 19 1 1 16 1 57
Sé 10 3 3 1 1 18
Vila Maria / Vila Guilherme 16 15 7 1 39
Vila Mariana 9 3 1 13
Vila Prudente / Sapopemba 26 1 30 1 1 13 1 1 74
Total geral 442 22 438 21 8 312 21 6 15 3 1288
Fonte: http://educacao.prefeitura.sp.gov.br
146

ANEXO F - Mapa da cidade de São Paulo - Divisão em Subprefeituras

01. Perus
02. Pirituba
03. Freguesia / Brasilândia
04. Casa Verde / Cachoeirinha
05. Santana
06. Tremembé / Jaçannã
07. Vila Maria / Vila Guilherme
08. Lapa
09. Sé
10. Butantã
11. Pinheiros
12. Vila Mariana
13. Ipiranga
14. Santo Amaro
15. Jabaquara
16. Cidade Ademar
17. Campo Limpo
18. Mboi Mirim
19. Socorro
20. Parelheiros
21. Penha
22. Ermelino Matarazzo
23. São Miguel
24. Itaim Paulista
25. Mooca
26. Aricanduva
27. Itaquera
28. Guaianases
29. Sapopemba
30. São Mateus
31. Cidade Tirandentes
147

ANEXO G - Alunos da RME-SP: distribuição por modalidade de ensino

EMEF 556.489

CEI 320.671
Modalidade de ensino

EMEI 275.875

Creches 44.796

Educação
7.296
Especial

EMEM 3.213

0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000


Quantidade de alunos

Fonte: http://educacao.prefeitura.sp.gov.br
148

ANEXO H - Servidores da RME-SP: distribuição por área de atuação

3.061
Educação Infantil 17.861

2.573
Ensino Fundamental II 13.792

1.328
Ensino Fundamental I 13.403
Área de atuação

223
Operacional 13.170

1.179
Administrativa 3.571

239
Técnico-Pedagógica 2.707

4
Saúde 213

52
Ensino Médio 89

127
Outros 137

0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 18000 20000
Quantidade de servidores
Efetivos Não efetivos

Fonte: http://educacao.prefeitura.sp.gov.br
149

ANEXO I - Questionário aplicado na capacitação dos educadores

Nome: Sexo:
RF: E-mail:
Unidade Funcional:
Área:
Período: Horário:
Local:
Instrutor:

A FGV-PROJETOS busca constantemente aprimorar a qualidade dos serviços prestados


a seus clientes. Para isso, pedimos a gentileza de responder as questões abaixo.

QUESTÕES SOBRE ESTA FORMAÇÃO:

1. Sua expectativa foi satisfeita?


( ) Sim ( ) Não
Comentários:

2. O tempo programado foi suficiente?


( ) Sim ( ) Não
Comentários:

3. O local foi adequado?


( ) Sim ( ) Não
Comentários:

4. O material foi adequado?


( ) Sim ( ) Não
Comentários:

5. Os recursos técnicos disponibilizados (rede, computadores, acesso à web) foram


adequados à aprendizagem?
( ) Sim ( ) Não
Comentários:

6. A utilização do sistema de administração de permissões e inclusão de conteúdo para o


portal está agradável ao usuário?
( ) Sim ( ) Não
Comentários:

7. Os conhecimentos adquiridos terão utilidade na sua prática futura?


( ) Sim ( ) Não
Comentários:
150

8. Avalie o instrutor:
Ótimo Bom Regular Ruim
Capacidade didática
Domínio do conteúdo
Comprometimento com o curso
Relacionamento com os cursistas
Comentários:

QUESTÕES SOBRE O PORTAL:

9. A sua unidade funcional já possui uma página hospedada na internet?


( ) Sim ( ) Não
Se Sim:
Qual o endereço:

Quais foram as maiores dificuldades encontradas ao planejar / construir uma página?

Se Não:
Vocês já sentiram a necessidade ou já pensaram em construir uma página para a sua
unidade funcional?

10. Se a sua unidade funcional já possui uma página ou se apenas pensaram sobre o
assunto, o que os fez sentir a necessidade de ter uma página na internet?

11. Qual a sua expectativa para este novo projeto – O Portal da SME SP – que dará
espaço para todas as Coordenadorias e Escolas terem suas páginas?

12. O que você vê de positivo neste projeto? Em que você acha que mais poderá
contribuir?

13. E o que você vê de negativo? Quais as suas maiores preocupações?

14. Que serviços / informações você deseja que este portal tenha?

15. Qual a nota que você atribui ao impacto positivo que o portal vai gerar na Rede
Municipal?

Pouco impacto Médio impacto Muito impacto


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
151

ANEXO J – E-mail enviado ao grupo gestor com roteiro de entrevista

Caros colegas,

Vocês sabem que estou concluindo meu mestrado e que o meu tema é a
formação de redes sociotécnicas no meio educacional. O Portal da SME é meu objeto de
pesquisa (com a autorização da DOT).

O material que utilizo se limita aos questionários respondidos durante a


formação, às estatísticas do portal e a uma análise do uso que tem sido feito do portal
pela SME, coordenadorias e escolas.

Não realizei entrevistas durante as minhas idas a São Paulo principalmente para
não misturar minhas atividades profissionais com os estudos. Como pesquisadora, em
campo, limitei-me às observações.

No entanto, gostaria de ter a participação de vocês com depoimentos, por serem


pessoas que estão vivenciando a experiência ativamente e tendo contato direto com as
escolas. (Vale lembrar que dados pessoais serão preservados, ou seja, ninguém será
identificado pelo próprio nome).

Se também desejarem tal participação, por favor, escrevam algo para mim em
torno das seguintes questões:

1. Como você vê a receptividade da RME-SP acerca do portal?

2. Que benefícios ele trouxe?

3. Há algo que piorou na rede com a implantação do portal?

4. Quais as maiores dificuldades enfrentadas na implantação?

5. Quais as maiores dificuldades enfrentadas na utilização pelas escolas e


coordenadorias?

6. O que é necessário ao portal para que ele seja melhor utilizado?

7. O que é necessário aos usuários para melhor utilizarem o portal?

* Não é necessário responder a todas as questões.

** Fiquem à vontade para escrever sobre outras questões acerca do portal que
julgarem relevantes.

Por favor, repassem esse e-mail aos estagiários. A participação deles também é
muito bem-vinda.

Desde já agradeço a colaboração de vocês!

Um grande abraço,

Zulmira Medeiros.
152

ANEXO K - Autorização para realização de pesquisa de campo

Resumo da comunicação entre a pesquisadora e a SME acerca da autorização para


realização de pesquisa de campo

Início da pesquisa de campo, sob aprovação e acompanhamento


Novembro
da DOT (a pesquisa ocorria em paralelo ao trabalho desenvolvido
de 2003
pela pesquisadora junto à SME).
A pesquisadora manifesta o interesse em formalizar a autorização
Abril de
para pesquisa de campo. É orientada a enviar um e-mail para a
2004
Secretária de Educação.
16/04/04 Envio de e-mail para a Secretária de Educação.
Recebimento de e-mail, com resposta favorável da própria
Secretária de Educação, encaminhando o pedido para a DOT. Em
14/05/04
seguida, a pesquisadora foi autorizada a dar continuidade ao seu
estudo.
Diante da mudança de gestão na prefeitura, a pesquisadora
17/11/04 manifestou o interesse por formalizar a autorização para
realização de pesquisa de campo.
É então instruída pela DOT a encaminhar um pedido oficial, via
22/11/04
SEDEX.
Envio, por SEDEX, de pedido de solicitação de pesquisa de
25/11/04
campo45.
Recebimento de e-mail solicitando documentos complementares,
tais como cópia impressa do projeto de pesquisa, carta do
15/02/05
Professor Orientador e informações sobre o financiamento para a
pesquisa.
11/03/05 Envio, por SEDEX, da documentação solicitada.
15/04/05 Recebimento de ofício deferindo a solicitação46.

45
ANEXO O.
46
ANEXO P.
153

ANEXO L – Folder distribuído durante os encontros de sensibilização


154

ANEXO M - Pronunciamento da Secretária de Educação acerca do portal

“O plano de informatização da Secretaria está entrando numa nova fase. Nós


fizemos grandes investimentos, comprando computadores, falamos na Internet e
estamos falando muito em rede. Formar uma rede para troca de informações e registros.
Com a construção do portal, nós vamos dar esse passo agora ao que é de fato poder
mostrar o que nós fazemos de uma escola pra outra. Numa rede tão grande, com 473
escolas de ensino fundamental fica muito difícil a gente se ver em todos os cantos da
cidade. O portal vai permitir isso, vai permitir que a gente enxergue cada escola, que a
gente converse um com o outro, imagina que eu posso dar bom dia pra vocês, posso
chamar a atenção de todo mundo ao mesmo tempo. As pessoas comentaram: o portal
vai ser para nós o diário oficial pedagógico. Vocês olham todos os dias o diário oficial pra
ver a parte administrativa, quais são as orientações, o nosso calendário. Com o portal,
nós vamos passar a ver as coisas que interessam pra educação, que não as normas.
Nós vamos olhar o conteúdo pedagógico, como está o desempenho em cada escola,
nós vamos poder trocar aulas entre os professores, trocar idéias. Nós vamos poder
começar de fato, a trabalhar no conteúdo, e saber usar esse novo instrumento que está
na escola, que é o computador. Ele não pode ser só uma forma de consulta na internet,
ou que a gente aprenda a trabalhar um texto ou algumas coisas de matemática. Nós
precisamos usar o computador como uma ferramenta em sala de aula, e o portal é o
conteúdo dessa ferramenta, porque ele vai nos proporcionar buscar conteúdos,
pesquisar, se eu crio uma aula, eu disponibilizo pra troca e comentários com outros
professores. Nós vamos poder registrar nossas experiências, vamos poder trocar
informações com uma dinâmica que hoje, o tamanho da rede não nos permite. Ela não
nos permite mais conhecermos todos pelos nomes, a gente não conhece os diretores
pelos nomes, os professores, os alunos. Quando muito, cada escola conhece ali no seu
bairro, o coordenador de educação conhece os seus diretores, agora isso é possível
porque ele tem 50 escolas pra supervisionar. Mas 50 é uma rede municipal de educação
de vários municípios. Pra vocês terem uma idéia, Porto Alegre tem 91 escolas. Então é
uma relação diferente da cidade de São Paulo. E aí nós temos que buscar outros
mecanismos que não reuniões presenciais, e o computador, o portal, não é o
computador, mas é o conteúdo que vai estar lá atrás é que vai nos proporcionar isso. Vai
nos proporcionar enxergarmos essa rede, enxergarmos a zona sul, a zona norte, leste,
oeste, enxergar o aluno da primeira série, da última, suas dificuldades. Vai promover
debates ao mesmo tempo, nós vamos poder crescer muito em nosso processo de
formação continuada. Ele pode ser um instrumento valioso na nossa formação, na nossa
troca de informações. E é isso que nós vamos ter que saber e aprender a lidar, tirar os
fantasmas, os medos, e construir esse conteúdo pedagógico em conjunto, coletivamente.
Ele vai ser o nosso instrumento desse processo de construção coletiva. Então o portal,
eu queria que todos vissem como uma coisa que vai nos auxiliar, que vai permitir
elaborar mais conhecimentos, vai participar da construção do conhecimento, e não uma
coisa que vem pronta, com receita, ele vai permitir um outro acesso à informação e à
formulação e nós temos que aprender a tirar tudo dele, a saber usar todas as suas
páginas, contribuir com os conteúdos, porque o conteúdo lá, gente, não vai vir pronto,
nós é que vamos colocar nossas aulas, nós é que vamos colocar os conceitos, lá vai
estar o que nós pensamos, vai estar o nosso projeto. Então a contribuição de todos é
essencial para que esse projeto dê certo e pra que de fato a gente volte a ser uma rede.
Não a rede municipal de ensino que é uma lista de escolas. Nós temos o nosso projeto,
nós temos que atuar coletivamente, e é isso que o portal, eu pelo menos espero e
acredito que ele vá fazer.” (MARIA APARECIDA PEREZ – Secretária de Educação).
155

ANEXO N - Programação do curso de capacitação do portal

Período Horário Local


08:00 às 12:00 e
1 03 e 04/06/04 Laboratório de Informática da DOT
13:00 às 17:00
08:00 às 12:00 e Laboratório de Informática da Coordenadoria da
2 07 e 08/06/04
13:00 às 17:00 Mooca
3 14 a 16/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Profª Esmeralda Salles Pereira Ramos
4 14 a 16/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Profª Esmeralda Salles Pereira Ramos
5 14 a 16/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Profª Rivadávia Marques Júnior
6 14 a 16/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Profª Rivadávia Marques Júnior
7 14 a 16/06/04 08:00 às 12:00 EMEFM Darcy Ribeiro
8 14 a 16/06/04 13:00 às 17:00 EMEFM Darcy Ribeiro
9 14 a 16/06/04 08:00 às 12:00 Laboratório de Informática da DOT
10 14 a 16/06/04 13:00 às 17:00 Laboratório de Informática da DOT
11 21 a 23/06/04 08:00 às 12:00 EMEF General Osório
12 21 a 23/06/04 13:00 às 17:00 EMEF General Osório
13 21 a 23/06/04 08:00 às 12:00 EMEF José Bonifácio
14 21 a 23/06/04 13:00 às 17:00 EMEF José Bonifácio
15 21 a 23/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Prof. Levy de Azevedo Sodré
16 21 a 23/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Prof. Levy de Azevedo Sodré
17 21 a 23/06/04 08:00 às 12:00 Laboratório de Informática da DOT
18 21 a 23/06/04 13:00 às 17:00 Laboratório de Informática da DOT
19 21 a 23/06/04 08:00 às 12:00 Laboratório do antigo NAE 6
20 21 a 23/06/04 13:00 às 17:00 Laboratório do antigo NAE 6
21 28 a 30/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Júlio de Mesquita
22 28 a 30/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Júlio de Mesquita
23 28 a 30/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Maurício Simão
24 28 a 30/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Maurício Simão
25 28 a 30/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Prof. Mário Marques de Oliveira
26 28 a 30/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Prof. Mário Marques de Oliveira
27 28 a 30/06/04 08:00 às 12:00 EMEF Sem. Luis Carlos Prestes
28 28 a 30/06/04 13:00 às 17:00 EMEF Sem. Luis Carlos Prestes
29 28 a 30/06/04 08:00 às 12:00 Laboratório C. E.
30 28 a 30/06/04 13:00 às 17:00 Laboratório C. E.
31 05 a 07/07/04 08:00 às 12:00 CEU Perus
32 05 a 07/07/04 13:00 às 17:00 CEU Perus
33 05 a 07/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Cleomenes Campos
34 05 a 07/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Cleomenes Campos
35 05 a 07/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Eduardo Prado
156

Período Horário Local


36 05 a 07/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Eduardo Prado
37 05 a 07/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Oliva Irene Bayerlein Silva
38 05 a 07/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Oliva Irene Bayerlein Silva
39 05 a 07/07/04 08:00 às 12:00 Laboratório do antigo NAE 6
40 05 a 07/07/04 13:00 às 17:00 Laboratório do antigo NAE 6
41 19 a 21/07/04 08:00 às 12:00 Laboratório de Informática da DOT
42 19 a 21/07/04 13:00 às 17:00 Laboratório de Informática da DOT
43 26 a 28/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Desembargador Sebastião Nogueira Lima
44 26 a 28/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Desembargador Sebastião Nogueira Lima
45 26 a 28/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Frei Francisco de Mont'Alverne
46 26 a 28/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Frei Francisco de Mont'Alverne
47 26 a 28/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Paulo Nogueira Filho
48 26 a 28/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Paulo Nogueira Filho
49 26 a 28/07/04 08:00 às 12:00 EMEF Rui Bloem
50 26 a 28/07/04 13:00 às 17:00 EMEF Rui Bloem
51 26 a 28/07/04 08:00 às 12:00 EMEFM Lineu Prestes
52 26 a 28/07/04 13:00 às 17:00 EMEFM Lineu Prestes
53 27 a 29/07/04 08:00 às 12:00 Laboratório de Informática da DOT
54 27 a 29/07/04 13:00 às 17:00 Laboratório de Informática da DOT
Fonte: Dados da pesquisa.
157

ANEXO O - Solicitação de realização de pesquisa de campo


158

ANEXO P - Ofício deferindo o pedido de realização de pesquisa de campo