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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO

DIREITO CONSTITUCIONAL
Texto de apoio correspondente às aulas
leccionadas ao 1º Ano da Faculdade de Direito
da Universidade do Porto com última revisão em
Agosto de 2005

Luísa Neto
Prof. Auxiliar da FDUP

Direito Constitucional 1º
Ano

Nota Prévia

Os elementos de estudo que ora se apresentam visam apenas fornecer mais um apoio para os alunos
do 1º Ano.

Estes alunos, recém-entrados na Faculdade, sentem-se não raras vezes perdidos, depois de um
empenhado e longo processo de candidatura.

De facto, são confrontados com um tipo de ensino distinto daquele a que vêm habituados do Ensino
Secundário, em termos de exigências, de vastidão dos programas, de estilo de exposição e modo de
leccionação, e daí decorrem inevitáveis dificuldades.

Que estas dificuldades devem contar, sempre, com o apoio dos docentes, e mormente daqueles que
têm a seu cargo disciplinas do 1º Ano, parece evidente e não merece aqui referência de maior.

Mas umas das dificuldades mais recorrente está porventura relacionada com a triagem que é suposto
fazerem, da bibliografia indicada.

Isto é tanto mais verdade no que tange ao Direito Constitucional, disciplina que convoca exigentes
competências técnicas mas que apela de modo incondicional a um enquadramento cultural mais
profundo.

O objectivo que aqui se tenta cumprir é tão só o de fornecer um roteiro consistente das aulas, onde
possam os alunos buscar arrimo seguro para as leituras dos manuais, monografias e outras fontes
indicadas, que obviamente estes elementos não substituem ou minimizam, e que antes devem fazer
parte de um caminho de busca, investigação e crítica pessoal que deve ser fomentada desde os
primeiros instantes da vida universitária.

Assim, estes elementos correspondem a uma versão muito simplificada – e que tem merecido
scessivas revisões – das aulas por mim leccionadas ao 1º Ano da Faculdade de Direito da
Universidade do Porto. Precisamente por isso se apresentam em estilo muito próximo do da linguagem
coloquial, opção que aqui se assume e que corresponde não só aos objectivos enunciados como
também ao tempo de que se dispôs para a sua apresentação. Apresenta-se igualmente uma
bibliografia desenvolvida da disciplina bem como sugestões jurisprudenciais que permitem colorir e
integrar os conhecimentos teóricos.

Cumpre-me agradecer – e faço-o com gosto -, a três pessoas. À Dra Anabela Leão, que enquanto
monitora da disciplina me auxiliou na organização da bibliografia e sugestões de jurisprudência, e que,
enquanto docente da disciplina, se encarregou da primeira revisão do texto. À também já licenciada
Mariana Tavares de Oliveira, que enquanto aluna, me fez o favor de me facultar o acesso aos seus
apontamentos, para que os cruzasse com os meus.
E ao Sr. Miguel Coelho, que teve a paciência – e, mais importante, o cuidado! – de dar uma primeira
forma informatizada aos elementos que ora se apresentam.

Que este trabalho conjunto possa servir os seus propósitos, são os meus votos.

Porto e FDUP, Agosto de 2005

Luísa Neto
Prof. Auxiliar da FDUP

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Direito Constitucional 1º
Ano

DIREITO CONSTITUCIONAL

Programa da disciplina

Parte I – O Estado e a experiência constitucional................................................................................4
Título I – O Estado na História
Capítulo I – Localização histórica do Estado
Capítulo II – O Direito Público moderno e o Estado de tipo europeu

Título II – Sistemas e famílias constitucionais....................................................................................27
Capítulo I – Sistemas e famílias constitucionais em geral
Capítulo II – As diversas famílias constitucionais
Capítulo III – Os sistemas constitucionais do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa

Título III – As constituições portuguesas............................................................................................56
Capítulo I – As constituições portuguesas em geral
Capítulo II- As constituições liberais
Capítulo III – A Constituição de 1933
Capítulo IV – A Constituição de 1976

Parte II– Teoria da Constituição...........................................................................................................77
Título I – A constituição como fenómeno jurídico
Capítulo I – Conceito de Constituição
Capítulo II – Formação da Constituição
Capítulo III – Modificações e subsistência da Constituição

Título II – Normas Constitucionais...................................................................................................... 86
Capítulo I – Estrutura das normas constitucionais
Capítulo II – Interpretação, integração e aplicação

Parte III – A Actividade constitucional do Estado ..............................................................................93
Título I – Funções, órgãos e actos em geral
Capítulo I – Funções do Estado
Capítulo II – Órgãos do Estado

Título II – Actos legislativos................................................................................................................107
Capítulo I – A lei em geral
Capítulo II – As leis da Assembleia da República
Capítulo III - Autorizações legislativas e apreciações parlamentares
Capítulo IV – Relações entre actos legislativos

Parte IV – Inconstitucionalidade e garantia da Constituição ..........................................................124
Título I – Inconstitucionalidade e garantia em geral
Capítulo I – Inconstitucionalidade e legalidade
Capítulo II – Garantia da constitucionalidade

Título II – Sistemas de fiscalização da constitucionalidade ...........................................................132
Capítulo I – Relance comparativo e histórico
Capítulo II – O regime português actual

Bibliografia........................................................................................................................................... 144

Sugestões jurisprudenciais ...............................................................................................................157

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a Ciência Política. o objecto de disciplinas como a Teoria Geral do Estado. mas apenas sobre os Estados em geral (numa decisão dependente da vontade dos membros efectivos). Até agora apenas o Estado tem poder coercitivo. associação académica). Ao contrário dos vários grupos humanos (ex. No entanto. O objecto do Direito Constitucional é a Constituição. visto que este é a única forma de sociedade política que tem Constituição. o Estado é uma sociedade de fins gerais (que se dedica a uma pluralidade de fins). o Direito Constitucional Comparado. no entanto. quer sob uma perspectiva normativa ( ou de “dever ser”) – como no caso do Direito Constitucional. A ONU pode ter esse poder coercitivo através do Conselho de Segurança. que respeita ao modo de criação do Estado. a História do Direito Constitucional. e que visa a realização temporal das necessidades colectivas. no caso da Ciência Política -. a Teoria Geral do Direito Público. o Direito Constitucional. Euro. genericamente entendido.Direito Constitucional 1º Ano Parte I – O Estado e a experiência constitucional Título I – O Estado na História Capítulo I – Localização histórica do Estado Capítulo II – O Direito Público moderno e o Estado de tipo europeu O fenómeno político é. que cria estruturas para que o Estado realize as suas tarefas.g. 4 . É um objecto que pode.: UE. ou a História do Direito Constitucional Comparado. Carta da ONU que prevalece sobre todos os demais tratados internacionais). encontramos já alguns fenómenos de paraconstitucionalização: fenómenos de aproximação ao Estado por parte de organizações supra-estaduais (ex. ser apreciado quer sob uma perspectiva de facto (ou de “ser”) – v. Estado) é então um Direito da Organização. O Direito Constitucional = Direito Político (Polis = Cidade. com marcas de estadualidade como o Parlamento Europeu. política económica comum.

Estado Estado / Comunidade – exerce poder para a realização de fins comuns. Não apenas os indivíduos. mas também as demais instituições que exercem autoridade pública.Direito Constitucional 1º Ano Rege fins gerais da ordem do Estado. quando falamos em fenómeno estadual. devem obediência ao Estado. muda a concepção do outro). Não há ideia de poder sem ideia de Direito (mudando a concepção de um. O Estado:  é uma das formas de sociedade política. 5 . De facto. Contém os grandes princípios da ordem jurídica do Estado Constituição Estabelece o modo de relacionamento do Estado com outros Estados O Direito Constitucional distingue-se de outros ramos do Direito na medida em que corresponde ao tronco do ordenamento jurídico. O Direito Constitucional é a parcela da ordem jurídica que rege o próprio Estado enquanto comunidade e enquanto poder. a soberania do Estado prevalece e ele é ainda a principal referência de estruturação política no tempo e no espaço.  é objecto de estudo da ciência do Direito Constitucional.  é abalado e/ou condicionado por factores internos e externos. No entanto. referimo-nos a organizações que estão em mutação e em transformação. e apesar dessas mutações. Estado / Poder – regulamentação das relações.

aui. Por Estado podemos entender:  comunidade de pessoas relação comunidade/poder  instituição de um poder  regulamenta as relações que se estabelecem entre pessoas e poder. mas o Estado é a realidade política que permanece. enquanto o Direito Constitucional estuda o Estado enquanto realidade sujeita a normas (dever ser). Ciência Mas também resulta do método e perspectiva de análise.Direito Constitucional 1º Ano Sociedade em geral Sociedades políticas Estado Estado Moderno Desde séculos XV e XVI Estado Constitucional Representativo e de Direito desde século XVIII O Estado é tanto objecto de estudo da Ciência Política como do Direito Constitucional. are. De facto. a Ciência Política estuda o Estado enquanto facto ou realidade (ser). Ora uma É determinada pelo objecto. stas. o Estado dura no tempo. 6 . statum” (permanecer). os titulares. Assim. Mudam os governantes. A raiz etimológica da palavra Estado resulta do verbo latino “sto.

O Estado é uma sociedade de fins gerais. Família. ou seja.: Estado. Acesso à independência política das colónias (ascensão de vários partidos..). mas o Estado tem uma multiplicidade de fins que tem que prever e abarcar e tem uma grande diferenciação de órgãos e serviços... O Estado passa então por dois fenómenos: .. Expansão do modelo europeu de Estado (homogeneidade espacial do Estado.Complexidade de organização e actuação uma centralização do poder corresponde a multiplicação de funções.Maurice Hauriou define a instituição = ideia de obra ou empreendimento que vive e perdura no meio social (ex.). ao escrever que “todos os Estados são Monarquias ou Repúblicas”. exportação de um mesmo modelo político). Abanca com a totalidade de fins gerais para satisfazer as necessidades colectivas. Propriedade Privada.Direito Constitucional 1º Ano Característica da Institucionalização . 7 . Como características básicas de qualquer Estado encontramos: 1. No Séc. Ou seja. O Estado é complexo. XVI Maquiavel. os grupos ou associações regem-se por fins particulares. veio generalizar / solidificar o sentido de Estado. o Estado é aqui uma instituição que corresponde a uma realidade histórica e que existe apesar das mutações históricas. . igualdade política. em “O Príncipe“.

por isso tem de lhe caber também o monopólio da força física. O Estado promove a integração. permanência do poder. Também os princípios gerais da constituição permanecem. Importa pois perceber que é preferível falar em coercibilidade e não em coacção ou coerção para melhor acentuar a ideia de mera susceptibilidade ou possibilidade de vindicação normativa pela força 4.Autonomia do poder político. mas sim o Direito do Estado com as suas leis e normas jurídicas. Não é o Estado que se impõe pela força. Corresponde a uma ideia de permanência. Ao Estado cabe a administração da justiça entre as pessoas. 3.Coercibilidade . a segurança quer interna.na esfera interna – a institucionalização manifesta-se e o Estado permanece mesmo aquando da mudança de governo.na esfera externa – O Estado mantém relações com outros Estados internacionais. .Direito Constitucional 1º Ano 2. quer externa. 8 . Esta institucionalização e permanência verifica-se também ao nível da Constituição. pois existem governos que não assumem as normas jurídicas de governos anteriores. de leis. susceptibilidade ou possibilidade de o direito estadual ser imposto pela força. O Estado é composto por uma comunidade de pessoas sujeita a um poder que se destaca. Mesmo sem ser absoluto ou totalitário. a direcção. porém. a própria sobrevivência como um fim em si. se bem que haja uma separação entre a comunidade civil e o poder político instituído. e imbrinca com permanência dos fins gerais a que o Estado se propõe.Institucionalização – duração. Fala-se em “soberania do Estado”. fixação. para além da mudança dos titulares. Há. . o Estado determina a sua mística de poder e justifica as suas acções em nome de objectivos próprios. a defesa da sociedade. de poderes. excepções. e enraizamento do Estado como realidade transtemporal.

que se revela indispensável para o Estado como referência da comunidade.Estado Moderno – sécs. Jellinek . precisamente chamado de “Constitucional”. São hoje considerados elementos do Estado o poder político.Estado Grego 3. O artigo 16º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão referia que uma Constituição. o povo e o território. para o ser. É a seguinte a classificação proposta por Jellinek: 1. Em 1900. XIV e XV Ao contrário de Jellinek.Estado Romano 4. 5. o que ainda hoje podemos dizer que corresponde ao conteúdo mínimo essencial de uma Constituição. não poderia prescindir de regular os direitos das pessoas e a separação de poderes. Já não existem hoje sociedades nómadas e a cada Estado corresponde um território. XVIII. Com elas surge um diferente tipo de Estado. A Constituição formal (escrita) surge das revoluções liberais do séc. Seguindo esta classificação.Territorialidade ou sedentariedade: Correspnde à necessidade de um espaço físico para que o Estado realize o seu poder (espaço físico de actuação).Estado Oriental 2.Estado Medieval 5. já que estes tipos não coexistem realmente. Jorge Miranda considera uma classificação de tipos históricos de Estado e não de tipos fundamentais. na sua Teoria Geral do Estado apresenta a categorização de tipos fundamentais de Estado – formas de organização do Estado em determinado tempo e espaço para realizar os seus fins. será também mais correcto falar- se de uma organização de tipo medieval e não de um Estado medieval.Direito Constitucional 1º Ano O objecto de uma Constituição material diz respeito aos princípios gerais do Estado (regras de ocupação do poder político e regras de cidadão e de Estado). já que aí não se verificaria uma identificação do poder estadual como poder supremo nem a 9 .

XV e XVI com o Renascimento e com os Descobrimentos. numa altura em que o aparecimento de fronteiras territoriais exíguas fazem da centralização do poder uma condição “sine qua non” para a existência e sobrevivência do próprio Estado.  resulta de uma centralização do poder por reacção à fase anterior. antes existindo uma fragmentação do poder político decorrente da organização feudal da sociedade. surgindo:  como uma necessidade de afirmação para com outros Estados europeus. Se os primeiros tipos de Estado têm localizações espacio-temporais bem definidas.  como uma necessidade de comunicação com Estados mais longínquos (Como nota marginal refira-se por exemplo que cessa de ser utilizada a expressão “povo bárbaro” que passa a ser substituída pela de “povo estrangeiro”). já o Estado Moderno:  pode surgir no séc. Podem identificar-se três características do Estado Moderno que marcam a ruptura com as outras formas anteriores de Estado: 1-Poder político = ideia de soberania 2-Estado = Nação 3-Estado laico 1 – Poder político = Soberania A actual teorização da soberania pode dizer-se ter sido realizada por Jean Bodin (Les six livres de la République). O poder político centralizado evita a desagregação do Estado em pequenas unidades territoriais e é o garante da unidade política estadual.  surge essencialmente nos sécs. XIV [Inglaterra e Portugal ].Direito Constitucional 1º Ano característica da coercibilidade. 10 .

e a Nação define-se por relação e em relação com o Estado.Estado = Nação Noutros tipos anteriores de Estados. Mas no Estado Moderno a um Estado corresponde tendencialmente uma Nação. No Estado Moderno o factor de coesão é a Nação. 11 . assim como podemos encontrar uma Nação dividida em vários Estados.esfera interna – como poder supremo: na esfera interna não há poderes acima do poder político/há um plano de subordinação de todos os poderes em relação ao poder político. O Estado laico radica no fundo ainda no Cristianismo e no brocardo“ Dai a César o que é de César. Grego e Romano). a Deus o que Deus” . que corresponde a um vínculo objectivo / emocional que resulta de vivências históricas e que promove a coesão de determinadas comunidades humanas.Direito Constitucional 1º Ano Atendendo à ideia de soberania o poder político pode ser apreciado: . Mesmo que não tenha sido imediata a separação em termos jurídicos (ex: em Portugal só ocorre com a Constituição de 1911). Podemos encontrar num Estado uma só Nação ou várias Nações.Estado laico O Estado Moderno de tipo europeu é um Estado que deixa de prosseguir fins religiosos. . havia uma separação no plano dos princípios entre fins religiosos e fins políticos. 3.esfera externa – como poder independente: na esfera externa o Estado não recebe directrizes de outros Estados / há uma coordenação com os restantes Estados . 2. o factor de união entre determinado número de pessoas havia sido por exemplo o factor religioso (Estado Oriental.

XVIII 3ª fase . XVII 2ªfase . Fases do Estado Moderno de tipo Europeu: 1ªfase .Estado absoluto Despotismo esclarecido – Séc.Direito Constitucional 1º Ano Estas três características do Estado Moderno devem considerar-se como aglutinadas às cinco características gerais do Estado.: Cortes em Portugal. Estados Gerais em França.Estado Constitucional.Estado Estamental (Ständenstaat):  O poder político encontra-se limitado por ordens representativas/há uma representação dos estratos da sociedade através de assembleias consultivas ou deliberativas (ex.Estado social de Direito – Do Século XX em diante (a partir da 1ª GG) Acentue-se que esta correspondência temporal é meramente tendencial e que a Inglaterra não segue esta evolução. Representativo e de Direito . Caracterização das fases do Estado Moderno de tipo Europeu: .Estado Estamental – sécs XIV /XV /XVI Determinados Estados com processo acelerado de evolução (Inglaterra) Monarquia de Direito Divino – Séc.Estado liberal – Século XIX . Parlamento em Inglaterra).  Surge numa fase de transição – tem ainda elementos do período de organização medieval e elementos do Estado Moderno de tipo europeu. já que parece passar directamente da fase do Estado Estamental para a do Estado Constitucional representativo e de Direito. como 12 .

 Em Portugal o Estado Estamental entra em declínio no reinado de D. mas parte-se do pressuposto da verificação das outras duas características).Estado Constitucional. XIX. através da lei que incorpora a razão geral ou da comunidade.  Despotismo esclarecido – Séc. até que deixa de haver limitação das ordens representativas por haver uma centralização total do poder na figura do monarca. XVII  Justificação divina para a centralização e exercício do poder político: o Rei é a personificação de um mandato divino para governar (Luís XIV – “L’État c’est moi” – glorificação e deificação do poder político).  República – o poder executivo cabe ou a um órgão colectivo ou a um órgão singular desde que este esteja limitado por uma assembleia. o Estado absoluto. Maquiavel considera apenas duas classificações do exercício do poder político:  Monarquia – exercício do poder político por um órgão singular por via hereditária ou electiva.  Monarquia de Direito Divino – Séc. Aristocracia e Democracia. João II. com qual se inicia no nosso país.  Cumula as três características (alguns autores referem-se apenas à expressão “Estado de Direito”. . XVIII  A justificação do exercício do poder político é a razão – deificada e mitificada (na esteira aliás dos ideais iluministas). 13 .Estado absoluto:  Há uma progressiva centralização do poder durante a fase do Estado Estamental.  Se a classificação do exercício do poder político da Antiguidade clássica distinguia Monarquia.Direito Constitucional 1º Ano a centralização do poder e a correspondência entre ideias de poder político e soberania. Afonso V e termina em D. . Representativo e de Direito – Sécs. XX. XXI  Melhor do que nos guiarmos pela razão de um é guiarmo-nos pela razão geral.

sujeitos a um poder participam/ têm poder de intervenção não têm qualquer tipo de escolha ou participação 14 .Constituição Americana . XVII) a guerra era o “desporto preferido de qualquer rei” já que não o afectava directamente. por expressa referência dos preâmbulos das Constituições francesas seguintes. Por Estado Representativo falamos da forma como o poder é exercido.  1789.  Kant dizia que a monarquia favorece as guerras porque as decisões são tomadas independentemente de afectarem o povo ou não. Por ser impossível o exercício directo do poder por todo o povo e injusto o exercício apenas pelo monarca.Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.  Declaração da Independência dos EUA.  1822.  Com a ideia de Estado Representativo surge uma nova forma de encarar a relação entre poder político a súbditos cidadãos . No séc.Direito Constitucional 1º Ano Por Estado Constitucional se pretende significar a explosão do movimento constitucionalista – qualquer Estado para o ser tem que ter Constituição (conjunto de princípios fundamentais que constituem a sua estrutura) mas esta poderá ou não ser escrita.  Por via das revoluções liberais a soberania pertence ao povo.  Para Carlos XII (no fim do séc.1ª Constituição formal portuguesa (mas já as leis gerais do Reino são constituições materiais. encontra-se uma via média: todo o povo elege representantes seus que exercem poder em seu nome.1ª Constituição escrita formal (ainda em vigor). em França – determina de modo essencial o sistema Francês e mantém-se em vigor. XVIII aumentam exponencialmente as constituições formais. 1787.)  1776 – Declaração dos Direitos do Estado da Virgínia.

refiram-se hoje algumas correntes neo-liberais.  respeito pelos Direitos Fundamentais.Direito Constitucional 1º Ano Por Estado de Direito se quer fazer expressar que o único critério de actuação possível é o critério legal. Fases do Estado Constitucional. Esta ideia de Direito implica:  separação de poderes – para Montesquieu. . Estado Social de Direito – surge no fim da 1ª Guerra e acentua questões sociais que reclamam intervenção do Estado. .é mais do que um estado de legalidade.XIX e ao Estado não intervencionista. Estado de legalidade  Estado de Direito (mais exigente) .corresponde ao séc. 2. 15 . Apesar de tudo. laissez passer”. Estado Liberal (Estado negativo). .  limitação recíproca dos poderes – fiscalização de uns poderes em relação aos outros. Representativo e de Direito: 1. e abstencionista do “laissez faire. Em termos incipientes esta ideia vem desde a Antiguidade Clássica (e já Platão referia que melhor que um governo de homens será um governo de leis. porque estas estabelecerem normas de conduta que pautam a sociedade).  cumprimento da legalidade (entendida em termos latos). a Lei.considera os valores subjacentes a determinada lei.cumpre-se a lei seja ela qual for. o que acontece. o critério do Direito.considera a ideia de Direito que está em causa.

Paralelamente ao Estado Social de Direito encontramos ainda hoje: .Estados Fascistas (Indonésia. provavelmente) .Constituição Portuguesa Podemos encontrar teses várias sobre estrutura do Estado: Contratualistas (Kant.Estado liberal (século . Rousseau) 16 .Constituição Mexicana 1919 .Constituição de Bona  1988 . Como manifestação das características do Estado Social de Direito podem-se apontar:  1917 . é emblemática desta nova fase)  1947 .Direito Constitucional 1º Ano Estado de polícia  Estado polícia  Estado policial .Constituição Brasileira  1976 .Constituição Italiana  1949 .Estados Socialistas .Estado absoluto .Constituição de Weimar (apesar de não ser a primeira.Estados Sociais – as preocupações sociais não são inseridas num enquadramento de Direito. A polícia enquanto XIX) instituição é utilizada para manter a ordem em termos totalitários (exercício ditatorial do poder).

 Para Rousseau e a sua ideia de contrato social há uma associação dos elementos que transferem o poder para uma entidade. nomeadamente de Direito Natural.Nas primeiras Constituições Portuguesas. 17 . Historicistas (De Maistre. a soberania é alienável. Positivistas (Kelsen. Carré de Malberg): O Estado rege-se pela lei que é emanação da sua vontade e tudo é considerado em termos de pirâmide normativa. Jusnaturalistas / Filosofia dos Valores Há princípios. como na de 1822.Direito Constitucional 1º Ano . 2º Pactum subjectionis – os cidadãos atribuem o poder político a determinada entidade. von Gierke) O Estado é resultado de uma evolução histórica.Marsílio de Pádua distingue dois momentos: 1º Pactum unionis – os cidadãos forma o Estado (união). e portanto de algum modo transferível (interpretação que pode dar origem a regimes totalitários). . Jellinek. que devem ser sempre tidos em atenção e que condicionam a actuação e organização estadual. .  Locke defende que independentemente da associação não há uma transferência da titularidade do poder político.  Os autores podem-se dividir consoante admitam ou não a soberania como alienável. lê-se por exemplo que o Reino de Portugal consiste na associação de todos os portugueses. mas antes pretende arvorar-se em justificação filosófica e jurídica.A essência do Estado corresponderia a uma associação de pessoas que se visa organizar: este suposto acordo não implica que tenha havido verificação histórica do mesmo.

Direito Constitucional 1º
Ano

Sociológicas (La Valle, Smend)
A criação do Estado resulta de uma articulação das forças vivas da sociedade
que levam à formação do Estado; tudo depende das vivências reais da
sociedade (tese que se aproxima da contratualista).

Marxistas
A supraestrutura do Estado é determinado pela infraestrutura económica, e a
alternância decorre da articulação que se verifica entre os modos sociais de
produção.

Institucionalistas ( M. Hauriou, Georges Burdeau, Constantino Mortati)
O Estado é uma ideia de obra ou empreendimento, que vive e perdura no meio
social.

Decisionistas / Ordinalista concreta (Carl Schmitt)
O Estado resulta de uma decisão, ordem concreta que é dada.

É possível fazer-se de algum modo uma síntese:

- Hoje não podemos prescindir de uma ideia de consenso / não falamos de contrato,
mas antes de base consensual (Contratualistas).
- A ideia de Estado existe em toda a sociedade (Institucionalistas).
- Interessa um Estado que incorpore princípios gerais e imutáveis que fazem parte da
filosofia dos valores (Jusnaturalistas).

Na doutrina portuguesa, para Marcello Caetano a Constituição é uma forma de
limitação do poder, enquanto para Rogério Soares a Constituição é o garante do bem
comum e é o elo, a ponte entre o passado e o futuro.

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Direito Constitucional 1º
Ano

Os elementos do Estado que Jellinek identifica são:
 elemento humano – povo
 elemento físico – território (Alguns autores entende que o território não deve
estar ao mesmo nível dos outros dois)
 elemento institucional – poder político Soberania

Podem ser entendidos enquanto elementos que se aglutinam ou os elementos
correspondem a condições essenciais da existência do Estado ou o Estado não
corresponde apenas ao somatório das condições, que podem ser mais.

Elemento humano – povo
Expressões afins:
- População – Atende-se a um ponto de vista sócio-económico / estatístico.
- Pátria / Nação – Vínculos de natureza histórica e emocional.
- República – Durante muito tempo foi entendido como sinónimo de povo; a partir do
momento em que Maquiavel trabalha este conceito, deixa de haver correspondência
entre os dois termos .
- Grei- Expressão arcaica em desuso.

O Povo corresponde à comunidade de cidadãos ligada entre si por um vínculo
jurídico, e consiste pois no conjunto de pessoas permanentemente ligadas a um
Estado através de um vínculo jurídico e que em democracia podem participar na
gestão da vida pública.

A cidadania é o vínculo jurídico que une uma pessoa ao Estado (a palavra
nacionalidade é muitas vezes utilizada como sinónimo, mas não o é
verdadeiramente). O povo titular do poder político e destinatário das normas jurídicas
da ordem jurídica estadual pode então incluir pessoas que estão fora do território
português assim o elemento humano é, de algum modo, mais condicionante do
que o elemento físico do território.

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Direito Constitucional 1º
Ano

Concepções de povo
1ª Para uma concepção democrático – liberal o que interessa é o vínculo jurídico.
2ª Para uma concepção Marxista o povo equivale ao povo trabalhador – ex.: URSS
3ª Para uma concepção próxima do Nacional-Socialismo /Fascismo, o povo terá a ver
com raça ou com as noções de Pátria e Nação.
4ª Para uma concepção próxima do fundamentalismo islâmico o factor de
identificação de povo é de ordem religiosa.

Na CRP de 1976 não houve adopção de uma perspectiva definida e não há
consagração constitucional da noção de povo.

Lei ordinária – Lei 25/94, de 19 de Agosto

A Declaração Universal dos Direitos do Homem proíbe uma situação de apatridia
(artigo 15º), o que implica a necessidade de resolver:

- conflitos positivos de cidadania – Pluricidadania – um mesmo cidadão tem várias
cidadanias (merece protecção de dois ou mais Estados).
- conflitos negativos de cidadania – Apatridia – uma pessoa não é cidadão de
nenhum Estado.

Critérios de aquisição de cidadania :
 ius sanguinis (direito que vem do sangue) - adquirem a cidadania aqueles
que forem filhos de pai ou mãe cidadãos desse Estado, independentemente do
sítio onde nasceram.
 ius soli (direito do solo) – adquire a cidadania aquele que nascer em território
desse Estado.

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O que caracteriza o Estado enquanto poder político soberano?  na ordem externa: . respectivamente em relação às situações dos emigrantes e dos apátridas. A aquisição da cidadania pode ser:  originária .Vejam-se ainda os casos especiais de Macau e Timor.Vejam-se os artigos 14º e 15º da CRP. Só pela subordinação do poder político ao Direito é que se encontra organização estadual (vejam-se exemplificativamente os artigos 1º e 3º CRP). por atribuição – casamento ou naturalização .tradicionalmente e desde 1648 e do Tratado de Westefalia: 21 . .nascimento ou  derivada ou superveniente. Esta soberania implica coordenação na ordem externa e subordinação na ordem interna.Poder político No Estado Moderno de tipo Europeu corresponde à ideia de soberania.Direito Constitucional 1º Ano Critérios de aquisição de cidadania no direito português:  Constituição 1822 – ius sanguinis  Constituição 1826 – ius soli  Constituição 1838 – ius sanguinis  Em 1867 o primeiro Código Civil Português regula a matéria em lei ordinária  Hoje a regra geral – apesar de algumas evoluções no sentido da relevância do ius soli – ainda continua a ser a do ius sanguinis. Elemento institucional .

ius tractum (direito de celebrar tratados / convenções).ius belli (direito de fazer a guerra). .o direito de fazer parte de organizações internacionais.ius legationis (direito de ter representações diplomáticas noutros Estados). as organizações internacionais.Direito Constitucional 1º Ano . . Mas como é que uma organização ou Estado pode interferir no funcionamento de outro Estado sem o consentimento deste? Se há problemas relativamente à questão de soberania interna poderá invocar-se hoje um direito de ingerência por razões 22 . Será que faz sentido falar-se em soberania na ordem externa? Desde logo se distinga entre Organizações internacionais (ONU) que resultam de uma associação e Organizações supranacionais que têm como objectivo a integração dos Estados.  nas organizações supranacionais as decisões são tomadas por maioria. desde os protocolos 9º e 11º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem que permitem ao indivíduo recorrer directamente ao Tribunal Europeu). a integração em organizações supranacionais implica escolha e vontade própria de Estado).  Por exemplo. mas o ius belli desaparece e é substituído pelo direito de utilizar a força apenas em legítima defesa. Os ius tractum e ius legationis mantêm-se. e também o próprio indivíduo (v. Como sujeitos no Direito Internacional encontramos o Estado. Hoje ainda se acrescentam: .e. Em termos processuais..o direito de reclamação internacional. tendencialmente :  nas organizações internacionais as decisões são tomadas por unanimidade (o que garante mais a posição dos Estados). no âmbito da UE haveria uma “maior perda de soberania” (não será inteiramente correcto falar-se de perda de soberania visto que há uma auto-limitação do Estado – i. .g.

ou seja. Quando falamos em estados soberanos unitários regionais e não regionais falamos de regiões políticas e não administrativas.  Estados compostos Há várias unidades com poder dentro do Estado. 23 . estão em causa regiões que contam com órgãos do governo próprio (e em grande medida é o poder legislativo aqui a pedra de toque essencial). mas têm consequências importantes ao nível do exercício da soberania externa.Direito Constitucional 1º Ano humanitárias. território). Regionais parcialmente regionais – Portugal (artigo 6º CRP) 2. continuariamos a ser um Estado soberano unitário e parcialmente regional.) As formas de Estado consistem precisamente no modo de articular os três elementos do Estado (povo. poder político. considerando admissível perda de soberania desde que em causa estivessem determinados ideais e valores (origem da Primavera de Praga – invasão da Checoslováquia. Significa isto que Portugal é um Estado soberano unitário e parcialmente regional e que mesmo que se tivesse realizado a regionalização prevista na CRP e recentemente submetida a referendo. Estados soberanos: Estados unitários integralmente regionais 1. que teve como precursora a teoria Brejnev. Não Regionais Nos estados unitários há um único centro de impulsão do poder.

Liechtenstein).: Andorra. da união pessoal à união real. 24 . formando um Estado composto.Direito Constitucional 1º Ano  Confederação – Associação de vários estados que se associam entre si.  União Real Verifica-se normalmente uma evolução: da confederação à federação. .: monarca de dois Estados por via de linhas sucessórias).  Federação – Associação de vários estados que se associam. .Estados confederados – são estados semi-soberanos que fazem parte da confederação. Estados semi-soberanos:  Confederados – compõem a confederação. mas criando uma terceira entidade à qual dão poder – há uma partilha horizontal e vertical dos poderes (União).Estados federados – são estados não soberanos que fazem parte da federação. . mas apenas em termos de uma partilha horizontal de poderes.Têm pouca autonomia na esfera internacional. Confederação  Exíguos – Estados com território reduzido que por si só não têm soberania externa completa e têm necessidade de associação a um outro Estado numa ordem externa (ex. Mónaco.  União Pessoal– união casual na mesma pessoa da titularidade de dois cargos distintos em dois Estados (ex.

: Commonwealth. União Federação Partilha vertical dos poderes  Estados federados  partilha horizontal dos poderes A distinção entre os Estados semi-soberanos e os Estados não soberanos é também uma diferença de grau.: séc.não há poder superior ao do Estado. Para estes autores: Regiões Autónomas  Estado 25 . Egipto – Turquia. Esta é uma característica rejeitada por autores como Marcelo Rebelo de Sousa que a considera como não fundamental. XIX. Originariedade .  Protegidos – protectora dos coloniais (ex. principados medievais. Na ordem interna a soberania caracteriza-se por: 1. Gronelândia. Dinamarca) Estados não soberanos:  Federados – fazem parte da federação. 2.Direito Constitucional 1º Ano  Vassalos – ex. reinos do Oriente em relação a Portugal na época dos Descobrimentos). Supremacia .Estado tem poder originário que vem de si próprio e não é um poder delegado por uma entidade externa. o que vem na sequência do que defendia Jean Bodin.

.Direito Constitucional 1º Ano . Mesmo os Estados federados (não soberanos na ordem externa) têm poder constituinte. executivo. 3. jurisdicional e legislativo. autodota-se de uma Constituição).  Política – dá origem a regiões políticas – órgãos de governo próprio. Quanto ao que identifica verdadeiramente os Estados. poder legislativo (Açores.poder originário e que pode ou não ser supremo. Regiões Administrativas. Poder constituinte – O Estado faz para si próprio uma constituição (ou seja. Esta descentralização pode ser  Administrativa : – territorial – dá origem às autarquias locais: Freguesias. para além destas cinco notas. Estado detém todos os poderes – político. 4. 19º CRP). Municípios. mas elas existem dentro da pessoa colectiva Estado. Madeira).poder não originário e não supremo. 5. Possibilidade de delegação de poderes por: . mas cria outras / novas pessoas colectivas. . 26 . têm os autores discutido se é:  o poder fazer leis – Locke / Rousseau  o poder fazer executar coercitivamente essas leis – Thomas  o poder tributário  a possibilidade de exercício de poderes muito alargados em Estados de excepção – Os estados de sítio e de emergência escapam à normalidade constitucional e permitem a suspensão de Direitos de liberdades e garantias (ver art.descentralização – o Estado atribui poderes. .Institucional – dá origem a institutos públicos.desconcentração – o Estado atribui poderes a outras entidades.

 Maurice Duverger (Les instituitions politiques) refere uma tendencial aproximação entre o modelo liberal e soviético. obra citada na Bibliografia. norte-americana – sistema de governo presidencialista. grande instabilidade ao longo da linha cronológica. 1º Estado com reconhecimento de liberdades públicas. 27 .sistema de governo parlamentar. Representativo e de Direito. certidão de nascimento do Estado Constitucional. berço do sistema de governo semi-presidencial. bipartidarismo.  francesa – ruptura com o Estado Absoluto.  Duas excepções no panorama europeu Rússia Turquia  Entre as duas Grandes Guerras há uma alteração acelerada que leva à fragmentação dos modelos de Estado. Famílias Constitucionais:  Antes de 1914 o grande modelo de Estado é o Estado liberal. de Jorge Miranda. Critérios e razões de identificação de famílias:  britânica .B. federalismo. marca o início do constitucionalismo directo. no que respeita a sistemas eleitorais e de partidos. Consultar “Ciência Política”. Há de facto uma efectiva aproximação mas por mutação interna do modelo soviético e não por cedência mútua dos dois modelos.Direito Constitucional 1º Ano Parte I – O Estado e a experiência constitucional Título II – Sistemas e famílias constitucionais Capítulo I – Sistemas e famílias constitucionais em geral Capítulo II – As diversas famílias constitucionais Capítulo III – Os sistemas constitucionais do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa N.  Também entre 85 e 89 há novamente transformações internacionais. mecanismo de fiscalização da constitucionalidade.

1689 – Como resposta à Petition of Rights surge a Bill of Rights. Por outro lado. merecerá ainda referência especial o caso do Brasil e dos PALOPs. 1911 – Estatuto de Westminster 28 . .1628 – Petition of Rights – pedido ao rei para o reconhecimento de certos direitos.1701 – Act of Settlement – lei que estabelece a forma de organização do Parlamento.Reino Unido Escócia (1602 – União Pessoal. . como o caso da Alemanha. Suíça.1679 – Lei sobre o Habeas Corpus – forma de garantia contra detenções ilegais.Direito Constitucional 1º Ano  soviética (ex. 1707 – União Real) Irlanda do Norte (com estatuto de autonomia 1922/ 1969) Não encontramos aqui uma constituição britânica formal ou um texto escrito em que se incorporem os princípios básicos. onde pela primeira vez um monarca aceita auto-limitar-se). Áustria. ou por apresentarem características específicas que mereçam o seu tratamento autonomizado. A Grã-Bretanha tem uma Constituição consuetudinária – com base no costume (consuetudo = costume) -. por seguirem vias completamente originais (Argélia. . apesar de hoje encontrarmos um movimento de compilação e codificação de determinadas normas. E existem ainda assim vários textos que podem servir de fonte para identificação desses princípios básicos: . Encontramos ainda Estados que não se enquadram em nenhuma destas famílias. soviética) – diferença fundamental de todos os outros modelos e famílias. completado em 1901. Tanzânia). .1215 – Magna Carta (constitui sem dúvida um embrião da Constituição. Família constitucional de matriz britânica: Grã-Bretanha Inglaterra + Gales (1283-Anexação) .

. 1215 – 1689 Bill of Rights  Magna Carta [fase Monárquica (Rei)] 2. . 1689 – 1832 alargamento do sufrágio  Fase Aristocrática (Câmara dos Lordes) 3. Lordes – constituída por pessoas que ganham o direito por via hereditária (Lordes consagrados em Lei própria) .Rei C. 1832 – actualidade  Fase Democrática (Câmara dos Comuns) Instituições britânicas: . por razões históricas.Governo A este órgão se dá no sistema britânico o nome de “Gabinete” (e portanto “sistema de Gabinete”).Parlamento bicameral C. Comuns – constituída por representantes e eleitos pelo povo. Em 27 de Outubro de 1999 foi aprovada a lei que retira o direito de voto hereditário a alguns membros desta Câmara. já que resulta de um órgão que existia para 29 .Direito Constitucional 1º Ano Divisão da História Constitucional Britânica: 1.

Direito Constitucional 1º Ano aconselhar o rei. O sistema britânico assenta num sistema eleitoral de círculos uninominais (por cada círculo é eleito um deputado). o que se identifica por: 1. mas sim maioritária. No Reino Unido o Primeiro-Ministro tem normalmente uma pasta a seu cargo e tem ainda funções de coordenação dos restantes membros do Governo. Por outro lado. Este sistema maioritário a uma volta – “the first past the post” leva à existência e funcionamento de dois partidos (Bipartidário). Família constitucional de matriz norte-americana: 30 . O Governo ser responsável única e exclusivamente perante o Parlamento (só o Parlamento pode destituir o Governo). A Câmara dos Lordes tem um poder diminuto: é um forum de discussão e funciona como Tribunal de Recurso de algumas decisões jurisdicionais. 2. A Câmara dos Comuns (Parlamento) constitui o grande centro da vida política britânica. ou seja. O Sistema do Governo na Grã-Bretanha é Parlamentar. o partido que tiver maioria dos votos no círculo elege o representante para o Parlamento (o que implica que não há representação de pequenas maiorias). de forte ideologia. O Governo ser emanação do Parlamento / o Governo “sai” do Parlamento (não há eleições para os membros do Governo. há eleições legislativas e todos os membros do governo têm que ter sido candidatos às eleições legislativas). não há representação proporcional. Hoje o Rei tem apenas poder simbólico de representação do Estado e do poder – “the Queen reigns but does not rule”.

31 . que vem na continuidade da Declaração dos Direitos da Virgínia e da Declaração de Independência dos EUA (1776) (e que curiosamente consagra o direito de procurar a felicidade). A fiscalização da constitucionalidade é feita por todos os órgãos jurisdicionais – todo e qualquer tribunal pode fiscalizar a constitucionalidade . escrita Constituição histórica elástica – na versão original tem sete artigos e estes foram sofrendo um trabalho de interpretação e actualização por parte dos órgãos jurisdicionais. A forma de Estado é a do Federalismo. Congresso Câmara dos Representantes – a representação tem em conta a dimensão populacional de cada Estado. importante em termos de interpretação e de relacionamento entre as competências da Federação e dos Estados Federados.Direito Constitucional 1º Ano A formação dos EUA identifica-se de modo estreito com o movimento constitucionalista. na medida em que está previsto um modo de alterar a constituição que difere do procedimento legislativo ordinário. Em 1787 é aí que encontramos a 1ª Constituição escrita. No seio da Constituição dos EUA há lugar para a teoria dos poderes implícitos. garantindo a Constituição formas de intervenção dos estados federados ao nível de funcionamento das instituições: Senado – dois senadores de cada estado federado / representação igualitária dos Estados.. É também uma constituição rígida e não flexível. pelo que se trata de uma fiscalização jurisdicional difusa.

Chefe de Estado (CFA) . 32 .Congresso .Tribunais – jurisdicional poderes .Tudo o que não estiver reservado à União ou Estado Federal pode ser objecto de intervenção legislativa dos estados federados.grupos sociais que se articulam com o Estado . mas apenas um conjunto de secretários que auxiliam o Chefe de Estado que é também Chefe do executivo. . . não esquecendo que este autor defendia que para além de uma repartição deveria existir também uma fiscalização e coordenação recíproca dos vários órgãos e poderes. . Esta separação de poderes manifesta-se ao nível: . .sistema federalista O Sistema de Governo é o Presidencialista: não há Governo enquanto órgão autónomo.Estados federados têm competências próprias (não só delegadas pela União).Eleição do Chefe de Estado (Presidente da União). Nos EUA há então lugar para a verdadeira separação de poderes advogada por Montesquieu.órgãos .Cada um dos Estados federados goza de poder constituinte – o que significa que os cidadãos estão sujeitos à Constituição do seu Estado e à da União.executivo .Direito Constitucional 1º Ano Expressão da repartição de competências entre Federação e Estados Federados: .sociedade .Constituição diz quais as matérias reservadas ao Estado federal – em termos legislativos.legislativo Separação de .Na forma de revisão da Constituição é garantida e obrigatória a intervenção dos vários estados federados . Fala-se a propósito de um casamento sem divórcio já que não há possibilidade do Congresso destituir o Presidente e vice-versa.

apesar da fraca ideologia de partidos que se organizam em volta de pessoas e não um projecto político.pode vetar as leis.Veto . encontramos tendencialmente um bipartidarismo. mensagens). onde se estabelecem meios de fiscalização recíprocos: Chefe de Estado / Congresso .poder jurisdicional . pode sugerir .de bolso / de gaveta (não é tomada nenhuma atitude) Tribunais / Chefe de Estado . No que toca ao sistema partidário.expresso . (através de .nomeação de juízes . determinadas . 33 .poder legislativo. A influência dos partidos verifica-se mais ao nível dos estados federados do que ao nível da União. .responsabilidade criminal de Secretários de Estado iniciativas legislativas ou do próprio Chefe de Estado. No que respeita ao sistema jurisdicional funciona a regra do precedente judicial: as decisões jurisdicionais devem obediência a uma decisão que tenha sido tomada perante casos análogos anteriormente.faz leis . As facultés de statuer et d’empecher de que fala Montesquieu transformam o sistema dos EUA num sistema de checks and balances (ou de freios e contrapesos). .é aí que funcionam as comissões de inquérito.poder executivo.concessão de indultos . .Direito Constitucional 1º Ano As comissões de inquérito de responsabilidade criminal são a única possibilidade de destituir o Presidente .

.  Fiscalização jurisdicional difusa da Constitucionalidade .Países escandinavos  Forma federalista de Estado: .visam exercer o poder .Japão . É um sistema fulanizado.Suíça . mas obedece-se aos contornos gerais). Expansão do Sistema Norte-Americano:  Modelo Presidencialista – América de Sul e Latina (nalguns casos não é o sistema perfeito. a importância dos partidos reside nas primárias que têm como objectivo a confrontação de várias pessoas dentro do partido para saber quem são os candidatos às presidenciais.Portugal (na Constituição de 1911 e hoje no âmbito de um sistema misto) . Nos EUA ao lado dos partidos aparecem “lobbys” e grupos de pressão com grande importância.pretendem influenciar o poder. .sistema fulanizado.Direito Constitucional 1º Ano Quanto à eleição para o Chefe de Estado.Continente Americano – Brasil 34 . que se encontra também essencialmente nos países da América Latina que adoptaram (e adaptaram) o sistema americano.Grécia .

2ª Guerra Mundial 1958 (62) 5ª República – 1958 . é impossível uma estabilidade e pacificação imediatas (internamente).é de tal modo radical o corte com os princípios do Ancien Régime que. 35 .Direito Constitucional 1º Ano . Suíça Família constitucional de matriz francesa: PERÍODOS Nº CONSTITUIÇÕES DATAS DAS CONSTITUIÇÕES Revolução 1789 a 1799 3 Constituições 1791 1793 1795 Consulado – 1799 3 Constituições 1799 1º Império – 1804 1802 1804 Restauração – 1814 2 Constituições 1814 1830 2ª República – 1848 3 Constituições 1848 2º Império – 1851 1852 .Luís Napoleão 1870 3ª República – 1870 3 Constituições 1875 4ª República – 1940 1946 .Europa – Alemanha.Conflito na Argélia O Sistema Francês tem origem na Revolução Francesa que marca o início do constitucionalismo Moderno (1789) não traz imediatamente um sistema estável que chegue até à actualidade porque .

Reino Unido . Não há bipartidarismo.papel fundamental da .EUA) . Traços constantes no Sistema Francês até 1958:  importância de uma Constituição formal escrita que se distingue das restantes normas parlamentares (leis) num nível superior.recusa a fiscalização jurisdicional da . Sistema Constitucional Sistema Anglo-Saxónico Francês . 1.dá-se mais importância . o que leva ao pluripartidarismo (maior instabilidade).  importância dada à garantia dos Direitos do Homem. .quando ocorre provoca reacções internacionais de Estados com Monarquias Absolutas (externamente) que tentam abafar e tumultuar a ordem interna francesa. que é instrumento racional que exprime a vontade geral (doutrinas iluministas e jusracionalistas) e que está ligada ao princípio democrático – é o Parlamento que elabora as leis. mas antes proporcional.  apesar de numerosos sistemas de Governo. quem faz as leis fiscaliza-as (o poder legislativo e . direito).Direito Constitucional 1º Ano . fonte de direito. Não é maioritário. 2.  papel da lei vista como sinónimo de razão. até 1958 o mais “seguido” é o parlamentar (muito diferente do Britânico).Leis – Fiscalização jurisdicional constitucionalidade. Jurisprudência como lei como fonte do ao Costume.órgão legislativo ou político político auto-fiscaliza-se politicamente) (Na linha de Montesquieu e da sua “coordenação recíproca” de poderes) 36 .

 apelo à participação democrática.tem apenas função simbólica sistema napoleónico). Como resultado:  reforço dos poderes do Presidente da República.o apelo à participação democrática dos cidadãos através de referendos (influência da democracia jacobina). A esta ideia se pretendeu aglutinar: . mas acrescentando como órgãos de poder efectivo o Governo e o Chefe de Estado. sem cair no extremo oposto do Presidencialismo norte-americano.ultrapassa-se a instabilidade do sistema parlamentar puro através de uma via média.  vantagens deste sistema: . 37 .Em 1958 a última Constituição francesa buscou uma tentativa de síntese de vários sistemas de Governo. .  poderes do Chefe de Estado  poderes do Chefe de Estado no Sistema Parlamentar . esta constituição surge num momento de grande instabilidade político–parlamentar.a manutenção da instituição parlamentar.poderes efectivos (influência do . o que significa que o Governo pode ser destituído por estes dois órgãos.Direito Constitucional 1º Ano .  três órgãos activos de poder Sistema Semi-Presidencial :  A principal característica é a de o Governo ser duplamente responsável perante o Parlamento e o Presidente da República ou Chefe de Estado.

º da nossa CRP.Governo .ser o Presidente da República quem preside ao Conselho de Ministros.segundo a Constituição francesa. . é desejável uma não coincidência entre as maiorias que sustentam o 38 . artigo 128.o Presidente da República poder demitir o Governo e dissolver o Parlamento.Direito Constitucional 1º Ano O sistema Semi-Presidencial é um Sistema triárquico / trialista. o Presidente da República ser originariamente eleito por 7 anos. apesar de este estar previsto na Constituição de 1958.Chefe de Estado .Parlamentarismo 2 órgãos activos .três órgãos activos no sistema de governo . está a um passo do sistema presidencialista. .Parlamento 2 órgãos activos Quando se fala de reforço de poderes do Presidente da República no Sistema Semi- Presidencial. e na prática francesa não se verificou o sistema semi-presidencial antes de 1986. de que é obreiro o General de Gaulle . . É que.resulta da constituição de 1958 . apesar de se ter alterado duração do mandato para 5 anos (cfr. deve-se atentar no facto de: . que prevê para o mandato do PR a duração de 5 anos). pelas tais razões de ciência política. retirando daí a sua legitimidade.Parlamento .Presidencialismo .o Chefe de Estado ser eleito sempre por sufrágio universal directo. conjugado com factores de ciência política e combinações partidárias. Este sistema.

Sistemas similares ao Francês:  Espanha. Em Portugal.Chama-se a esta não coincidência . Em Portugal. . houve sempre uma coabitação apenas interrompida em 1995 com a eleição de Jorge Sampaio para a Presidência da República.Maiorias de Direita Maiorias de esquerda  De Gaulle  François Miterrand  Pompidou  Giscard d’ Estaing (nesta altura também a maioria (mudam as duas maiorias) era de direita).O Sistema semi–presidencial foi uma situação de coabitação. como por exemplo o Conselho de Revolução.Direito Constitucional 1º Ano Chefe de Estado e a Assembleia. 39 . pois as maiorias não coincidem . têm características similares e verificam-se os aspectos importantes do sistema francês. A partir de 1986 verifica-se na prática o semi-presidencialismo. Alguns autores consideram mesmo que uma não coabitação pode neste sistema originar um super presidencialismo. Itália – partem da matriz francesa. entre 1976 e 1982 havia no sistema órgãos alheios aos modelos tradicionais. para se verificar o verdadeiro semi- presidencialismo. transposto para a Constituição portuguesa de 1982 (1ª revisão constitucional da CRP de 1976). Aquilo que aconteceu até 1986 foi que houve uma coincidência de maiorias.

. .concentração de poderes que não é . é feito em nome dele (ditadura do proletariado). que estão todos atribuídos a uma assembleia (no Sistema Francês tal verificou-se entre 1792 – 1795) .estrutura e supra – estrutura. uma atitude de rejeição do sistema capitalista.visa-se fazer florescer o proletariado e o operariado no lugar da burguesia.Direito Constitucional 1º Ano Família constitucional de matriz soviética Corresponde à ex-URSS.pauta-se por uma atitude negativa.concentração de poderes num centrada no mesmo partido. .evolução dos modos de produção .a influência do sistema arrasta-se para países e Estados pouco desenvolvidos em termos industriais. .Soviete – conselho. Importância e influência de Rousseau para a definição de um Sistema Convencional / de Convenção. .sistema de convenção francês entre 1792 e 1795  sistema de convenção soviético .todo o sistema social e jurídico de regulação. A doutrina do marxismo – leninismo: . Em 1917 – a revolução traz ao poder o partido bolchevista – leninista. com concentração de poderes. Estado de Partido Único. .visava a igualdade total entre membros de uma sociedade. 40 . .o exercício do poder cabe ao proletariado. ou melhor. assembleia representativa de determinados cidadãos e determinados interesses.dialéctica marxista opõe infra.

É também a primeira Constituição escrita formal que não se inspira no modelo liberal.  1924 – 2ª Constituição – estabelece uma estrutura federalista O Federalismo da ex – URSS é no entanto muito distinto do dos EUA.internamente . Fictício – a Federação não parte dos Estados. 41 . Complexo Regiões Circunscrições Os Estados federados não são todos iguais 2. por exemplo: Repúblicas Repúblicas Autónomas 1.externamente – a representação externa não é feita apenas pela a Federação. que lado a lado com a Federação têm poderes de representação externa.de facto – a Rússia não tem órgãos diferentes da Federação .Constituições do Sistema Soviético:  1918 – 1ª Constituição Russa – feita apenas para a Rússia e não para a União Soviética (pois esta ainda não existia enquanto Estado composto). não há uma vontade expressa por parte deles para formar a federação. pelo contrário.de direito – são vários os escalões de entidades que compõem a Federação . Inegualitário – as entidades que constituem a Federação não estão no mesmo plano. 3. tomada unilateralmente pelos órgãos centrais para a formação da federação (decisão tomada de cima para baixo).Direito Constitucional 1º Ano . não há a possibilidade de abandonar a Federação / não há secessão ou desvinculação em relação à Federação. a decisão é. . mas também pela Bielorússia e Rússia.

Estas duas Constituições. dando importância em termos formais aos direitos fundamentais e manifestando alguma abertura à coexistência pacífica.Centralizado – há um partido único que controla os poderes. estabelecem o sufrágio de classe ( sufrágio universal – apenas tem direito a voto o povo trabalhador). aproximando-se o modelo socialista do modelo liberal. de 1918 e 1924. têm entre si características comuns:  estabelecem uma estrutura do poder em pirâmides (verticais).Direito Constitucional 1º Ano 4.Gorbatchev 42 . correspondendo ao apogeu da direcção para uma sociedade comunista.  1977 – 4ª Constituição – Vem na sequência directa da Constituição de 1936. É no entanto a constituição que mais se assemelha formalmente às que vigoravam na altura na Europa. cujo mentor é Estaline. apesar de corporizar um outro ideal. Para esta reforma contribuíram:  factores económicos.  1988 – 1ª Revisão da Constituição de 1977  1994 – 2ª Revisão da Constituição de 1977 No início dos anos 80 há uma tentativa de reforma interna na União Soviética.  aceleração da difusão de ideias / maior rapidez de transmissão de ideias a nível internacional.  1936 – 3ª Constituição – estabelece uma colectivização rígida no Estado Soviético.  envelhecimento do regime.  factor pessoal .

Para o Estado Soviético o princípio de legalidade vem referido no artigo 4º da Constituição. poderes * .federalismo fictício. já que tem um duplo papel: .Direito Constitucional 1º Ano Em vez de uma ruptura  encontramos uma reforma / transição .ideia diferente de Constituição – a Constituição é antes de mais um meio para atingir o Estado Socialista / funciona mais no sentido de manifesto ou de programa político. Concentração de . complexo.as mudanças vêm numa linha de continuidade com o passado.corte total com o passado . que tem um papel previsto na Constituição. .apresentação do programa para os passos que falta dar.  A ideia de lei e do princípio de legalidade é também diferente da do Estado Constitucional Representativo e de Direito.existência de um partido único. sendo considerado enquanto princípio integrador: os actos são legais quando e enquanto contribuem para uma sociedade socialista. Para o Estado Soviético:  A ideia de Constituição é diferente da do Estado Constitucional Representativo e de Direito. * justificada pelo facto de ser essencial para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade. Para este está em causa uma ideia formal da lei – os actos têm que ser legais.ideia diferente de lei e princípio de legalidade. . 43 .balanço do caminho que a sociedade empreendeu até então. inegualitário .

ao contrário de outros estados europeus. . ou seja.  A Alemanha tem uma construção de tal modo autónoma da francesa. São também sistemas com a mesma língua. também mais explicitamente.Mongólia – 1922 difusão do sistema soviético .China .1994 – Chefe de Estado. Expansão do sistema: . Quer isto dizer. que têm o mesmo tipo de instituições políticas. é eleito por sufrágio universal. porque em termos de evolução cronológica têm um percurso análogo. A Áustria e a Alemanha encontram-se unificadas até ao período de Napoleão (divisão territorial e estatal).Chefe de Estado Colegial – sistema directorial da Suíça . mas eleito por sufrágio indirecto.1977 / 1988 – Sovietes + Praesidium – sistema directorial / chefia de Estado Colegial – 1988 – Presidente – Chefe de Estado singular. 44 . sociais.1949 .  1871 – há uma articulação entre a Áustria e a Alemanha sob domínio imperial (Estado Federal) Durante os séculos XVIII e XIX. culturais e económicas. A União entre a Áustria e a Alemanha era o estado da Prússia.Direito Constitucional 1º Ano .Vietname Sistemas Austríaco e Alemão  Estes sistemas são analisados sistematicamente em termos paralelos. que é singular. têm uma cultura organizacional idêntica. sofrendo alterações idênticas e paralelas. a Prússia não sofre revoluções. que se fala de uma tradição francesa e de uma tradição germânica.

Direito Constitucional 1º
Ano

 As constituições alemãs de 1849, 1871 estabelecem formas de monarquia
limitada, não absoluta, mas uma monarquia que se auto–limita (i.e.,
estabelecem uma monarquia constitucional).

Esta Monarquia Constitucional está limitada pelo Parlamento, e pelas posições de
garantias dos direitos fundamentais.

A Constituição de 1871 institui a Monarquia Imperial.

Com o fim da 1ª Guerra Mundial os Impérios centrais da Europa desagregaram-se.
Isto dará origem à Constituição Alemã de 1919 e a Austríaca de 1920. Como
semelhanças entre estas constituições podemos apontar o facto de ambas

1. terem um grande rigor técnico – os conceitos são tratados de uma forma
precisa.
2. preverem formas federativas de Estado.
3. preverem sistemas semi-presidenciais ou sistemas parlamentares
racionalizados, ou seja, com uma base que assenta no parlamentarismo
puro, mas introduzindo adições que nada têm a ver com ele.

A Constituição de 1919 de Weimar é a primeira Constituição alemã Republicana e é
também a primeira a estabelecer formalmente o Estado Social de Direito no âmbito
europeu. Garante, assim, os direitos dos particulares, mas aponta ao Estado
obrigatoriedade de intervenção para a garantia desses mesmos direitos.

Distingam-se assim duas gerações de Direitos Fundamentais:
 A 1ª Geração dos Direitos Fundamentais refere e estabelece direitos,
liberdades e garantias.
 A 2ª Geração dos Direitos Fundamentais exige já ao Estado uma intervenção
para que haja uma efectiva manutenção dos direitos económicos, sociais e
culturais.

45

Direito Constitucional 1º
Ano

A Constituição Austríaca de 1920, elaborada por Hans Kelsen e tendo uma estrutura
positivista e hierarquizada, estabelece uma fiscalização da constitucionalidade através
de um Tribunal Constitucional. (foi suspensa em 1929 e reposta em 1945).

A derrota em Versalhes e as vicissitudes que atingem ambos os sistemas provocam:
 na Alemanha, a instituição de uma ditadura nacional socialista.
 na Áustria, em consequência também da ditadura nazi, uma anexação
daquela por parte da Alemanha.

O fim da 2ª Guerra Mundial divide a Alemanha em:
 RDA –que se rege pela Constituição de 1968, de ideologia marxista-leninista
 RFA – que se rege pela Constituição de Bona de 1949
 situação atípica da divisão de Berlim

A partir da reunificação das duas Alemanhas, é a Constituição de Bona de 1949 que
vigora.

Características da Constituição de Bona de 1949:
 realce da ideia de democracia e relevo do princípio democrático
 preocupação com previsão e efectivação dos Direitos Fundamentais
 consagração de um sistema de governo que parte do sistema parlamentar
britânico, mas que pode definir-se como um sistema parlamentar racionalizado,
com introdução de elementos de racionalização que têm em vista o fim da
instabilidade política:
- moção de censura construtiva: exige a apresentação de um programa
alternativo de governo.
- saída da circulação política dos partidos que não, consigam obter mais de 5%
nas eleições, não há bipartidarismo.

O sistema de governo tem também a particularidade de ser um sistema de Chanceler:
é um sistema parlamentar racionalizado em que a figura preponderante é a figura do
Chanceler (equivalente ao cargo de 1º Ministro na República Portuguesa).

46

Direito Constitucional 1º
Ano

Sistema Suíço
O seu estudo interessa pela existência de:
1. Federalismo municipal
2. Mecanismos de democracia directa e semi-directa.
3.Sistema de Governo directorial

1. Federalismo Municipal:
- A Suíça teve duas Constituições, a de 1848 e a de 1874, estabelecendo
ambas formas compostas de Estado.
- A Constituição de 1874 tem no seu texto a base da actual Constituição suíça.

- Federalismo Municipal  Federalismo dos EUA

- semelhança com a Grécia Antiga: os - federação assente em Estados com
estados federados são pequenos larga extensão territorial
(corresponderão aos municípios
portugueses)
- a associação em Federação é de
Cantões

Curiosamente, a designação oficial da Suíça é ainda hoje a de Confederação
Helvética, o que não corresponde verdadeiramente à forma de Estado.

2. Mecanismos de democracia directa e semi-directa:
Democracia
- directa - os cidadãos tomam por eles próprios as decisões
- semi-directa – os cidadãos não intervêm directamente, mas ajudam a resolver os
problemas (ex.: referendos, iniciativa legislativa popular).
- representativa

- Nos cantões mais pequenos pratica-se uma democracia directa (possibilidade
prevista na nossa Constituição no artigo 245º, n.º 2).

47

Direito Constitucional 1º Ano . Pedro I – “toda a força ao poder executivo”. sendo reconhecidos os seus costumes e tradições e introduzindo-se regulamentação que lhes é directamente relativa. não há chefe de Estado singular. Da história constitucional brasileira constam 7 constituições desde a independência. Semelhança com o sistema EUA:  “casamento sem divórcio” – não há responsabilidade do Conselho Federal perante o Parlamento e vice-versa. Estas constituições são a expressão de que o Brasil é um território muito vasto e com variedade de situações económicas – heterogeneidade social.  Norte do Brasil – rural e pobre  Sul do Brasil – urbano e rico Por exemplo. Sistema de Governo directorial  Como já tinha acontecido em França em 1795 e na ex. mas colegial. sendo a de 5 de Outubro de 1988 a mais recente. . Sistema Brasileiro O Brasil tem já uma história constitucional longa e complexa: foi colónia.Nos Cantões maiores há uma democracia semi-directa (na CRP está admitida a iniciativa legislativa popular no artigo 167º. Império e República. 48 . económica e política. 3. assim como está também previsto o referendo). A Constituição portuguesa de 1822 aplica-se ao Brasil durante pouco tempo em virtude da independência deste território que entretanto acontece.URSS. uma das partes finais da Constituição diz respeito aos índios.1ª Constituição brasileira:  1824 – estabelece uma Monarquia Constitucional apesar de haver uma concentração do poder executivo no monarca (apesar de se falar na separação de poderes). No dizer de D. Na Suíça chama-se Conselho Federal.

Representativa da duração (assembleia eleita) (membros com assento hereditário).executivo dois poderes . Representativa de opinião .2ª Constituição Brasileira  1891  Prevê um Federalismo por influência dos EUA.monarca tem . a tónica presidencialista . da seguinte forma:  poder executivo – monarca  poder judicial – tribunais (acresce poder moderador balança )  poder legislativo – duas câmaras .acresce o poder moderador .poder executivo .poder legislativo .apesar de mais atenuada .poder judicial .  Estabelece o chamado poder moderador (assim designado por Benjamin Constant) que depois é previsto também na Carta Constitucional portuguesa de 1826. . a separação dos poderes surge-nos então.moderador Nesta Constituição.Estados 49 .Direito Constitucional 1º Ano Aliás.  tradicional (Montesquieu) Benjamin Constant . O poder moderador corresponderia a uma forma de introduzir harmonia e equilíbrio dentro da separação tradicional de poderes (Benjamin Constant).mantém-se ainda hoje na Constituição de 1988.federalismo complexo: União – Governo soberano da federação . .

Estados que fomentassem a desvinculação da União por parte deles e outros estados. sendo uma tentativa de cópia do sistema fascista italiano de 1922. Os Municípios têm leis orgânicas que são também forma de juridificar o exercício do poder político. .é autoritária de direita e resulta das consequências da crise de 1929.3ª Constituição:  1934 Tem a mesma estrutura e fontes da (centralizada) Constituição portuguesa de 1933. 50 . ou seja.  Sistema de fiscalização jurisdicional da Constitucionalidade. Trata-se no entanto de um federalismo imperfeito:  o federalismo implica uma divisão total de poderes. nem os Governadores poderem ser reeleitos.  Sistema Presidencial.Direito Constitucional 1º Ano Governos autónomos .Municípios A União tem Constituição federal. os princípios são os mesmos da anterior.4ª Constituição:  1937 – Apesar de ser provocada por um golpe de Estado. . Os Estados federados têm Constituição. “ política do café com leite” – alternância de Presidentes entre dois Estados:  São Paulo – produtor de café  Minas Gerais – Produtor de leite  República com governo representativo. .  alguns autores falam de um ultra – federalismo: há um receio pelos impérios centrais.  no Brasil há uma forte concentração do poder executivo. . com a particularidade de nem o Presidente.a figura do Presidente Gertúlio Vargas é muito importante.

Actos Constitucionais.há constitucionalistas que discutem se o 1º Acto Constitucional não terá sido ele próprio uma outra Constituição (1971). .um dos valores fundamentais é o respeito pelo valor do trabalho.7ª Constituição:  5 de Outubro de 1988 . . . . .é permanentemente alterada por várias revisões.dá importância à ideia de cidadania e dos direitos fundamentais. .é uma Constituição social. . isto é defende direitos económicos e sociais e reclama intervenção do Estado para a sua garantia.5ª Constituição:  1946 – tenta ultrapassar a tendência autoritária de Direita das Constituições de 1934 e 1937 e voltar ao espírito de 1891.tenta descentralizar o poder.6ª Constituição:  1967 (concentração de poder) – segue-se ao golpe de Estado / Revolução de Março de 1964. Estados têm representação de (cada Estado tem 3 representantes) acordo com o território e população.Câmara dos Deputados . .Senado .estabelece um Presidencialismo Para além do Presidente a Constituição prevê ainda a existência do Congresso Nacional : Duas Câmaras .Direito Constitucional 1º Ano . 51 .

: Etiópia. Nos Continentes Africano e Asiático há três situações ou modelos a destacar: 1.outros modelos nos Continentes Asiático e Africano. alternância entre sistemas de índole mais parlamentar ou mais presidencialista (quase sempre mais comum. para que os brasileiros escolhessem entre Monarquia e República – é a 1ª vez desde 1891 que se põe em causa a existência da República.ex.Direito Constitucional 1º Ano Traços comuns na História Constitucional brasileira:  protecção dos Direitos fundamentais.: Irão) 52 . 2. verificando-se quase sempre uma maior ou menor concentração do poder executivo). A Constituição de 1988 (7ª Constituição) previa a realização de um plebiscito em 1993. .Sistemas fascistas ou fascizantes:  de ideologia de Direita que se traduz pela negativa. ( A mesma previsão ocorreu para a Austrália em 1999) Sistemas não incluídos em Famílias Constitucionais . isto é.Outros modelos:  nada têm a ver com a forma de organização do Estado Moderno de Tipo Europeu.Sistemas fascistas ou fascizantes (ou com tendência para) impossíveis de caracterizar de forma rigorosa devido à sua heterogeneidade.: Estados em que vigora o fundamentalismo islâmico (ex. . Marrocos. . Modelo de Monarquia Tradicional – não é limitada pela constituição – ex. Poder político ligado à religião . que renuncia quer o liberalismo puro quer o comunismo (relação de rejeição).

 há uma tendência para a concentração de poderes.autonomia entre sociedade e . na maior parte dos casos não há uma correspondência com uma ideologia determinada. Estas “vias originais” estão relacionadas com Estados que consolidam através daquelas o seu nascimento e desenvolvimento – faz-se nascer um Estado e tenta-se constituir uma nação.: Tanzânia. Os Estados que adoptaram “vias autónomas” acabaram por ser Estados Autoritários. . e o facto de na maior parte deles já estar em vigor a segunda constituição após os Acordos de Independência celebrados entre 1974 e 1975 em Argel. Argélia. Lusaka e Alvor. falamos de Estados que sofreram um processo dramático de acesso à independência.sociedade civil não tem autonomia exercício do poder político No que respeita aos PALOPS. ao invés da situação de evolução que se verificou por exemplo com as ex-colónias francesas e britânicas. Estados Autoritários  Estados Totalitários . Opção formal por uma “via original” ou “via autónoma”. cidadãos . que é diferente da concentração de poder do ex. . que se manifesta não só no âmbito do poder político.Direito Constitucional 1º Ano 3. .limitação dos direitos dos cidadãos. mas não totalitários. mas também a nível económico e social ex. Constituições  1ª Geração . São Tomé e Príncipe e Cabo verde (nestes dois últimos estados observamos a “via autónoma” na primeira Constituição de cada um).há uma supressão dos direitos dos mas não há uma anulação.Angola – sistema marxista – leninista 53 . Birmânia.modelo soviético – única via para vincar os poderes num Estado que está em fase de criação. Podemos identificar duas fases ou gerações tendo em conta o número de Constituições desses Estados.

Brasil .tendencialmente de economia de mercado.São Tomé e Príncipe . Moçambique e Cabo Verde – 1992 muito semelhantes  Guiné – 1993 A 17 de Julho de 1996 foi constituída a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. excepto o caso de Moçambique que é de base colectivista.Guiné vias autónomas originais . Apesar de não haver referência directa a uma estrita aproximação de modelos políticos podemos ainda assim encontrar níveis de comparação entre membros da CPLP. 54 .Direito Constitucional 1º Ano .1990  Angola. .Estado composto federal – Brasil.todos os outros têm ou um sistema semi-presidencialista ou um parlamentarismo racionalizado (Cabo Verde) Forma de Estado: .Moçambique Sistema Presidencialista .todos os outros são unitários Regime económico: . Sistema de Governo: .Moçambique – sistema marxista – leninista moderado .Cabo Verde eventualmente o sistema que logrou maior desenvolvimento económico e social  2ª Geração  São Tomé e Príncipe .

 todos prevêem fiscalização jurisdicional da constitucionalidade (PALOPS).  todas prevêem um Parlamento unitário.  todas prevêem o Parlamento como tendo competência legislativa.  todas prevêem os direitos. à excepção de Moçambique que tem uma fiscalização política.  todas prevêem possibilidade de um referendo nacional.  todas prevêem um poder judicial independente. e depois direitos económicos e sociais.  todas são rígidas – têm uma forma especificamente prevista para serem alteradas. as Constituições são hoje muito idênticas:  todas prevêem um Estado de Direito democrático. liberdades e garantias do cidadão em 1º lugar (PALOPS).Direito Constitucional 1º Ano Em termos formais.  todos os Estados são unitários aliados a uma forte previsão de poder local (PALOPS). com excepção de Moçambique onde se verifica a situação inversa. 55 .

Constitucionalismo liberal ( início com a Revolução liberal de 24 de Agosto de 1820) – 1820 a 1926 2.As constituições liberais Capítulo III – A Constituição de 1993 Capítulo IV – A Constituição de 1976 A história constitucional portuguesa aproxima-se bastante do exemplo francês. A História Constitucional portuguesa em sentido moderno começa em 1820 com a Revolução liberal de 24 de Agosto na cidade do Porto que determina o fim da monarquia tradicional e o início do sistema constitucional. Constitucionalismo Democrático (início a 25 de Abril de 1974 em Lisboa) – 1974 1. mas apresenta uma maior estabilidade do que as situações verificadas em Espanha ou nos países da América Latina. Três períodos na História Constitucional Portuguesa: 1. Constitucionalismo autoritário (início com o golpe de Estado em Braga) – 1926 a 1974 3.Direito Constitucional 1º Ano Parte I – O Estado e a experiência constitucional Título III – As constituições portuguesas Capítulo I – As constituições portuguesas em geral Capítulo II . Constitucionalismo liberal 1822 Constituições 1826 – Carta Constitucional (*) 1838 1911 (*) – tem esta designação por ter sido outorgada pelo monarca 56 .

Constituição: 1933 . Há ainda assim quatro constituições no período liberal porque: .separação de poderes.liberalismo político e económico. . . .eram muito poderosas as forças reaccionárias. 2.Há uma restrição das liberdades públicas e uma concentração de poderes na figura do Chefe de Governo. Apenas muda a forma de governo.Começa pela ditadura militar e prolonga-se com a ditadura pessoal de Oliveira Salazar e com a intervenção final de Marcello Caetano.O regime é autoritário. 57 . Constitucionalismo Autoritário: . e a ideia de Direito também. mas não chega a ser totalitário. não se adaptando às necessidades do país. Relevantes são as ideias de: . .garantia dos direitos e liberdades.havia entre os liberais várias tendências:  liberais democratas  liberais conservadores A Constituição de 1911 é produto da instauração da República e não tem grande significado na alteração do plano da história constitucional. . já que não absorve totalmente a sociedade no Estado e não nega as liberdades públicas e privadas.há uma dificuldade de instauração do liberalismo em Portugal. já que as estruturas constitucionais são as mesmas. apesar de na Constituição tal concentração vir prevista para a figura do Presidente da República.Direito Constitucional 1º Ano É um período que corresponde ao Estado liberal em que prevalece (apesar das contra-revoluções e das duas restaurações da Monarquia Absoluta) uma ideia de direito liberal. . porque ele aparece como estrangeirado. como aparece consagrada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 no artigo 16º.

no século XIX.Constituição: 1976 . Constitucionalismo democrático: .Só depois de 1974 se estabelece o sufrágio universal (a Constituição mais próxima desse desiderato terá sido a de 1822).Direito Constitucional 1º Ano . . mas também de todas elas (com excepção para as de 1822 e 1838) terem sofrido várias revisões constitucionais. Era através das corporações (dos corpos sociais) e não do sufrágio que se tinha acesso ao poder político.É um regime muito parecido com regimes que se verificaram na Europa entre as duas Guerras. onde se inseria toda a sociedade (reacção contra o individualismo do liberalismo).anti-parlamentar .Revisões da Constituição de 1976: . . .É um regime que se afirma como: .A instabilidade constitucional portuguesa advém da existência de inúmeras constituições. .1982 – extinção do Conselho de Revolução.1997 – revisão do sistema político-legislativo 58 . . -1989 – supressão do artigo que proibia a reprivatização das nacionalizações empresariais do período revolucionário pós – 25 de Abril (artigo 83º).1992 – consequência do Tratado de Maastricht . 3. apesar de as Constituições o não dizerem expressamente. entendia-se que as mulheres não tinham direito de voto. . social e cultural.corporativo – traduzia-se na institucionalização de organizações corporativas.anti-liberal – no plano económico defende intervenção e controlo estaduais.A Constituição procurou realizar a democracia a todos os níveis – económico.

1823 a 1826 – Monarquia Absoluta. Do ponto de vista de poder atribuído aos órgãos. .Está presente o elemento democrático (previsto aqui talvez com a maior clareza durante o 1º período Constitucional português).1842 a 1910 – vigência da Carta Constitucional de 1826.A Constituição adere a uma ideia de patriotismo e nacionalismo liberais. .1828 a 1834 – Monarquia Absoluta.2005 – determinada no essencial pela necessidade de permitir o referendo do Tratado Constitucional Europeu Plano de vigência das várias constituições liberais . . decorrendo da ideologia revolucionária liberal francesa.2001 – para adesão ao Estatuto do Tribunal Penal Internacional . quase ingénua. . . . .1826 a 1828 – vigência da Carta Constitucional de 1826 (concentração do poder no monarca).Direito Constitucional 1º Ano .1822 a 1823 – vigência da Constituição de 1822 (liberalização/ descentralização do poder político).1836 a 1838 – vigência da Constituição de 1822. Constituição de 1822:  1ª Constituição portuguesa formal.2004 – essencialmente. com introdução da figura do 1º Ministro – Duque de Palmela. .  apontada como radical e quimérica.  é a 1ª Constituição formal que estabelece uma união real.  no que diz respeito à Forma e Sistema de Governo tem carácter “para – republicano”. . 59 . alteração ao sistema legislativo regional .1838 a 1842 – vigência da constituição de 1838.1834 a 1836 – vigência da Carta Constitucional de 1826. o poder monárquico está muito reduzido.

Carta Constitucional de 1826:  Tem este nome. Pedro (Marcello Caetano dizia mesmo que esta era a Constituição mais monárquica do seu tempo).previsão do poder moderador – este quarto poder traduzia-se numa concentração de poder no monarca.  Estão consagradas no artigo 1º da Constituição as três “liberdades liberais”: liberdade.nomear e demitir Ministros Constituição Setembrista de 1838  Quanto ao modo de elaboração esta é uma Constituição pactícia – há um pacto entre a Rainha e as Cortes.  Estabelecimento de compromisso entre liberais e absolutistas.daqui resultam poderes extraordinários para o monarca como por exemplo: . .  O artigo 26º diz respeito à soberania nacional.sancionar os decretos aprovados pelas Cortes .este poder moderador é apresentado como sendo a chave para a harmonia dos poderes políticos. 60 .forma de elaboração. D. porque foi outorgada pelo monarca. o que se encontra desde logo patente no preâmbulo. .convocar as Cortes . O primeiro documento elaborado contém as bases constituintes da que viria a ser a Constituição. também o poder executivo lhe pertencia (este poder moderador foi teorizado por Benjamin Constant e havia já sido previsto na Constituição Brasileira de 1824). . segurança e propriedade (John Locke).  Factores distintivos: .Direito Constitucional 1º Ano  A Constituição é elaborada pelas Cortes – assembleia representativa dos cidadãos (carácter democrático).nomear as Cortes . já que além deste.

Durante o último período de vigência da Carta Constitucional de 1826 (1842 a 1910) são efectuados Actos Adicionais à Carta 1895 1907  “Bill de Indemnidade” – isenta o executivo de qualquer responsabilidade das medidas tomadas enquanto o Parlamento estava dissolvido Como consequência destes surgem os decretos ditatoriais que estão na base da lógica que virá a presidir ao regime de 1933.  Foi a única Constituição liberal a apresentar vigência contínua.  Prevê uma Forma de Estado unitário. porque em termos estruturais a Constituição é muito similar à de 1822.  Distribui o poder executivo por Presidente da República Ministros Sistema presidencialista – não havia governo enquanto órgão autónomo (tal apenas se verifica na Constituição de 1933) Desde 1834 que sempre houve uma dualidade na chefia do Estado e do Governo. Constituição de 1911 (Republicana):  Estabelece uma nova Forma de Governo (República) mas apenas isso muda. Sempre houve um chefe de Estado e um chefe de executivo. seguindo o modelo Orleanista (dinastia de Orleães). Desta influência francesa capta o apagamento da figura do monarca.Direito Constitucional 1º Ano  Corresponde a uma tentativa de compromisso e equilíbrio entre as diferenças facções dentro dos liberais radicais moderados  Surge muito na sequência da Constituição francesa de 1830. 61 .  Tenta recuperar os valores e estrutura constitucional de 1822.

Aliás.Direito Constitucional 1º Ano Independentemente da formulação é estabelecido o parlamentarismo. .  Este novo regime instituído com o Golpe Militar de 1926 é apenas formalizado em 1933 pela Constituição.O Estado Novo surge num momento de instabilidade interna e externa. verifica-se uma instabilidade política que determina que em 28 de Maio de 1926.Gomes da Costa  Progressiva concentração do poder.  Os objectivos do Golpe Militar de 1926 pareciam ser apenas os de concentrar num só órgão os poderes legislativo e executivo. tendo início efectivo o Estado Novo. em Braga. . e em que a nível europeu se vivia uma época conturbada a nível social e económico.  Até então encontra-se em vigor a Constituição de 1911. Características do Estado Novo: 62 . ocorra um golpe de Estado que institui o Constitucionalismo Autoritário em vez da Constituição liberal vigente. mas não há bipartidarismo rígido ao contrário da Grã-Bretanha. mas vêm a revelar-se bem mais ambiciosos.Carmona e Sinel Cordes Período Sidonista – Sidónio Pais (1918 – 1919) Concentração total do poder. e como em França. . Entre 1926 a 1928 verificaram-se tentativas de aproximação com o que se havia passado no período Sidonista e em 21 de Abril de 1928 António Oliveira Salazar toma posse como Ministro das Finanças e mais tarde como Chefe do Executivo.Mendes Cabeçada . mas apenas na medida em que o movimento golpista concordasse com as respectivas disposições. Salazar consegue sanar as contas orçamentais e apresentar um equilíbrio financeiro que representa o fim do défice orçamental.

.personalidade de Salazar.Sufrágio orgânico do Presidente da República. liberdades e garantias poderem ser restringidos sem observância de quaisquer condições).as liberdades são postas em causa. anti-parlamentar e anti-democrático. já que formalmente: .mantêm-se relações privilegiadas no âmbito político com a Inglaterra. .  regime autoritário na prática.Estruturas corporativas: famílias – freguesias – câmaras – Câmara Nacional Corporativa – Presidente da República.social . .económico .Direito Constitucional 1º Ano  assumidamente: antiliberal.  Cada cidadão não participa individualmente na organização política mas antes se verifica uma estrutura piramidal: As organizações sociais de base vão-se agrupando família como célula base Corporativismo . Objectivos do Estado Novo:  Consagração dos direitos sociais (apesar de direitos.  O regime corporativo – previsto no artigo 5º . O artigo 33º da Constituição de 1933 estabelece a função social dos direitos. mas não são destruídas. . . de formação católica e educação modesta.político – cidadão deve integrar-se numa organização e só tem direito de sufrágio.é limitado pela ideia de unidade moral e bons costumes que cabe assegurar ao Estado. Assembleia Nacional Câmara Corporativa 63 . jurista.há sempre um princípio de livre nomeação dos titulares dos cargos políticos previsto na Constituição.

As posteriores revisões modificam o sistema:  revisão de 1951 – Conselho de Estado verifica a idoneidade moral dos Candidatos a Presidente da República. e que portanto se deve acabar com os partidos Estrutura apartidária. Assembleia Nacional – eleições por adesão/ratificação – não há livre escolha.  razão jurídica – o Presidente do Conselho de Ministros referenda todos os actos do Presidente da República. .  Presidente da República – eleito por sufrágio directo. . liberal e a organização marxista que visa a inserção nos sindicatos como via para a participação política. Estado Novo – corresponde a ideia corporativa da sociedade a nível social. porque:  razão política – prende-se directamente com a ideologia do regime. tem como razão a candidatura do General Humberto Delgado.Direito Constitucional 1º Ano . . representativa das várias corporações. económico e político.organização piramidal da estrutura da .Assembleia Nacional – relevo para a ideia de Nação.Governo – Constituição de 1933 é a 1ª que o consagra como órgão autónomo. os cidadãos apenas confirmam uma escolha já efectuada. Defende que a luta partidária desgasta o indivíduo. apesar de constitucionalmente ser o Presidente da República. . 64 .Presidente do Conselho de Ministros é a figura preponderante do regime.via média entre o individualismo sociedade.representativa dos cidadãos. .  revisão de 1959 – eleição do Presidente da República é feita através de sufrágio indirecto e orgânico (colégio eleitoral restrito).

Órgãos do poder político:  Presidente da República – eleito por sufrágio directo e a partir de 1959.Direito Constitucional 1º Ano Sufrágio orgânico Se o objectivo do Estado Novo é a implantação do Corporativismo há autores que dizem que ele não é claramente concretizado na Constituição e na prática não é alcançado completamente. Outros autores consideram que estes não foram partidos únicos. por sufrágio indirecto.  um objectivo definido como conquista do poder político. servindo antes apenas para manter/ conservar o poder. . já que não há:  permanência para além do acto eleitoral.1970 /1974 – Acção Nacional Popular São partidos ? Verdadeiros partidos ? Se o são.1933/1970 – União Nacional apenas variação de designação . 65 . foram únicos ? Vigorou um sistema de partido único ou dominante? Marcelo Rebelo de Sousa considera que foram partidos únicos. apenas ratificam. Consideram estes autores que estas estruturas eram auxiliares das eleições em Portugal. nem verdadeiros partidos. não correspondendo à ideia de partido político.  Governo – surge pela primeira vez como órgão autónomo  Assembleia Nacional Realizam-se eleições/ratificação em que os eleitores não têm verdadeira possibilidade de escolha.

Pressupunha-se a existência da União Pessoal entre o líder da União Nacional e o Presidente do Conselho de Ministros. Há um desfasamento entre a Constituição de 1933 e a prática. podemos encontrar:  Constituições normativas – o texto da Constituição corresponde à prática.  Constituições nominais / normativas – o grau de vinculação / correspondência entre a Constituição e a realidade é mais ténue (há desvios. há um poder efectivo da Constituição de regulação da realidade. Quanto à Constituição de 1933 há nominativa autores que a consideram semântica no que respeita a: . Revisões da Constituição de 1933:  1935 – 38 visam retirar o poder à Assembleia e dar mais poder ao 66 .sistema de Governo – relação Presidente da República/Presidente do Conselho de Ministros . Relembrando Karl Loewenstein.direitos fundamentais – os direitos são cerceados pela lei ordinária sem qualquer tipo de justificação.Direito Constitucional 1º Ano  uma base de filiados / apoio popular – é uma organização pensada de cima para baixo e não de baixo para cima. mas não muito significativos). quanto à relação entre as previsões da Constituição (norma constitucional) e a realidade constitucional. O ascendente desta figura do Presidente do Conselho de Ministros pode ser explicado por:  razão jurídica – referenda dos actos do Presidente da República / subordinação jurídica efectiva entre o Presidente da República e o Presidente do Conselho de Ministros.  Constituições semânticas – total desfasamento entre o que a Constituição prevê e a praxis constitucional.

 1974 – 1976 – PREC processo revolucionário em curso (não há uma linha de continuidade) processo revolucionário e constituinte  25 de Abril de 1974 – Revolução / Golpe de Estado  11 Março de 1975 67 . apenas sendo de apontar como surpreendente a longevidade e estabilidade alcançadas pelo regime. não há um reconhecimento da oposição. com extensos poderes. .  1971 – Primavera Marcelista – alargamento dos direitos / abertura do regime. Constituição de 1976:  Apresenta algumas características que resultam do processo de elaboração: . Balanço:  o surgimento do Constitucionalismo autoritário português não é estranho no contexto europeu.  a Câmara Corporativa acaba por funcionar como uma segunda câmara parlamentar.Constituição compromissória: o conteúdo resulta de um compromisso.  1951 – o Conselho de Estado verifica a idoneidade moral dos candidatos à Presidência da República. Influência dos vários partidos políticos – plataforma de acordo com os partidos.Constituição pós revolucionária: resulta de um processo revolucionário. de um pacto.  os direitos que são mais violentamente restringidos são os que se relacionam com a liberdade de expressão.  quanto ao sistema político.Direito Constitucional 1º Ano  1945 Governo.  1959 – O Presidente da República é eleito por sufrágio indirecto (colégio eleitoral restrito). elaborada em tempo de ruptura entre duas legitimidades diferentes (ver Preâmbulo da Constituição).

E aproxima-se de um governo semi-presidencial. constante também da Constituição de 1976. 68 . Atendendo à tradição histórica.  2 Abril de 1976 – aprovação da Constituição. a Assembleia Constituinte tinha dois sistemas à escolha:  parlamentar (vigente com a Constituição de 1911)  unipessoal (vigente com a Constituição de 1933)  não aproveita esta lição histórica. antes tem conteúdo vinculativo: havia nesse programa a previsão. em consonância aliás com o programa do MFA que não é apenas uma declaração de princípios políticos.  25 Abril de 1976 – entrada em vigor da Constituição. de um órgão herdeiro da revolução.  25 Novembro de 1975  26 Fevereiro 1976 – 2ª Plataforma de Acordo Constitucional MFA/Partidos Políticos. O órgão que vem a assumir a herança do PREC (Processo Revolucionário e Constituinte) é o Conselho da Revolução. porque:  quando esteve em vigor introduziu a instabilidade com sucessivas quedas de Governo. Não escolhe o regime Parlamentar. Se a Constituição tivesse sido aprovada até 25 de Novembro de 1975. pois quer evitar os riscos dos sistemas. nomeadamente no que diz respeito ao modelo de sistema político.Direito Constitucional 1º Ano  13 Abril de 1975 – 1ª Plataforma de Acordo Constitucional (resulta do 11 de Março) MFA/Partidos Políticos  25 Abril de 1975 – eleição da Assembleia Constituinte .era obrigação do programa do MFA apresentado em Abril 1974 com o objectivo de elaboração da Constituição. ela seria completamente diferente da que acaba por ser adoptada.

Assim. já que algumas correntes defendiam que apenas com uma verdadeira organização económica se garantem os direitos fundamentais. entre a ordem económica e os direitos fundamentais. Quanto à organização económica. é a 1ª Plataforma de Acordo Constitucional que está na base da discussão e votação daquela. porque:  quer evitar os riscos e abusos que dele advêm – regime autoritário.Direito Constitucional 1º Ano  era necessária uma tradição de debate parlamentar e centragem do poder no Parlamento o que não existiu.  Governo – órgão autónomo  Conselho de Revolução – competências consultivas em matéria de dissolução da AR e de declaração de estado de sítio ou emergência. Alguns autores consideram que o texto da Constituição apresentava nesta parte um pendor mais socialista. sendo introduzido um sistema socializante da economia. são:  Presidente da República mesma legitimidade político-eleitoral.  se baseou no programa do MFA e nas Plataformas de Acordo Constitucional onde se explicitava que o Presidente da República haveria de ser eleito por sufrágio directo e ainda se previa também a existência do Conselho de Revolução. eleitos por Assembleia da República sufrágio directo. Acabou por ter vencimento a corrente que dava a primazia à previsão dos direitos. 69 . Não escolhe um sistema unipessoal. já que a Constituição de 1933 havia suprimido as competências daquele. A Assembleia Constituinte discutiu qual a ordem de previsão constitucional. Como não foi inteiramente cumprido há quem fale aqui num costume contra constitutionem. os órgãos de Soberania na versão originária da Constituição de 1976.

Revisão de 1992 70 .Direito Constitucional 1º Ano Revisões da Constituição de 1976: Revisão de 1982  retirar em termos semânticos a carga ideológica socialista da Constituição  fim do Conselho da Revolução: há uma necessidade de distribuição das competências  fiscalização jurídica do Governo – Assembleia da República  aconselhamento do Presidente da República órgão criado ex novo – Conselho de Estado  fiscalização da constitucionalidade órgão criado ex novo – Tribunal Constitucional Consequências:  Aproximação ao sistema semi-presidencial no sentido estrito do termo  Criação de dois órgãos novos Revisão de 1989  a organização económica muda.  intervenção da figura do referendo. passando a prever-se uma economia de mercado controlada por uma intervenção estatal com limites.

antecipando-se no entanto a tal aprovação.Direito Constitucional 1º Ano  adapta a Constituição de 1976 a implicações decorrentes do Tratado de Maastricht. 71 .  alargamento da participação dos cidadãos no processo político (podem apresentar propostas de lei à Assembleia da República. introduziu uma verdadeira revolução no que diz respeito à autonomia legislativa regional. em termos que de alguma forma alteraram o conceito de unidade de Estado ou de ordenamento jurídico. propostas de referendo). e verdadeiramente. Por outro lado. sendo introduzidas ainda algumas novas regras quanto a concessão de direitos e restrição de direitos de militares. Revisão de 1997  altera o sistema de actos legislativos. por exemplo. Revisão de 2004 A Revisão de 2004 teve supostamente como pretexto a adaptação a um tratado de aprovação de uma constituição europeia. Revisão de 2005 Essencialmente determinada pela vontade de permitir o referendo do Tratado Constitucional Europeu. Revisão de 2001 Resulta em grande medida da necessidade de compatibilizar a Constituição com a adesão de Portugal ao Estatuto do Tribunal Penal Internacional.

Lei 1/76 72 .18/75.Formalmente – Declaração Universal dos Direitos do Homem e princípios cooperativos (aprovados pela Aliança Cooperativa Internacional) A Constituição recebe . .16.Direito Constitucional 1º Ano Sistematização da Constituição:  Princípios Gerais  Parte I – Direitos Fundamentais  Parte II – Organização Económica  Parte III – Organização Política  Parte IV – Garantia da Constituição Revisão Fiscalização da Constitucionalidade é ainda uma forma de garantir a Constituição.Materialmente – Leis 8.

Regime Específico dos Direitos.Regime Geral dos Direitos Fundamentais. 73 .º 2 e 3 – restrições dos Direitos.12º (em conjugação com o 14º e o 15º).  Artigos 18º 2ª parte .º 1 1ª parte – aplicabilidade directa. .Artigo 16º.n. que abrange os Direitos. Liberdades e Garantias.Direito Constitucional 1º Ano Os Direitos Fundamentais na Constituição de 1976 Parte I  Princípios Gerais  Direitos.: Código Civil. Sociais e Culturais Tipos de regime aplicável 1 . Liberdades e Garantias  Direitos Económicos.  artigos: .13º .16º  Os Direitos Fundamentais constam: .º 1 – Princípio da cláusula aberta.Convenções Internacionais .n. Código do Procedimento Administrativo). Liberdades e Garantias. Sociais e Culturais. Liberdades e Garantias e Direitos Económicos.Constituição da República Portuguesa. .vinculação . . . 2 . n.Leis Ordinárias (ex.

vinculação – de entidades públicas e privadas . nº1.2ª . proibição do excesso) 74 . Liberdades e Garantias. alínea b)] necessário – princípio da através de Decreto-lei autorizado proporcionalidade (necessidade. e Constituição. adequação.apenas a Assembleia da República 1º autorização expressa da pode legislar sobre esta matéria. no Drittwirkung não deve o intérprete também distinguir. apenas podem operar de acordo com os requisitos cumulativos previstos nos n.para outros autores resulta claro que poderes do onde o legislador constituinte não distingue Estado.1ª .duas teses: Estado.As restrições aos Direitos. .Aplicabilidade directa dos direitos.todos os poderes do .vertical: .º 2 e 3. liberdades e garantias: só e apenas estes podem ser invocadas directamente pelos cidadãos particulares – esta aplicabilidade directa resulta independentemente de haver uma intervenção do legislador ordinário.Direito Constitucional 1º Ano . privadas a nível privadas  todos os igualitário .Consagra a eficácia: .há autores que defendem uma entidades  entidades vinculação mitigada para as entidades publicas. Forma ------------------------------------.Conteúdo . também o Governo com a autorização 2º devem as restrições limitar-se ao da Assembleia [artº165.horizontal: . âmbito e qualquer função do Estado  Artigo 18º .

Direito Constitucional 1º Ano 3º carácter geral e abstracto.º 2 – ideia de legitimidade e necessidade.restrição  relações específicas de poder  artigos 269º e 270º . Restrição  Situação de conformação .aceita-se a restrição dos Direitos  é diferente quanto ao requisito de forma – artigo 164º o). mas nada se lhe retira.condiciona-se o exercício do Direito. Restrição  perda de direitos . prevê a matéria como integrada na reserva absoluta da Assembleia da República As restrições de Direitos. nº 4) . Liberdades e Garantias devem ser necessárias para solucionar uma situação de:  Colisão . 4º sem efeitos retroactivos. Esta teoria está no 75 .não é admissível (artigo 30º.  Concorrência – uma situação em que um particular se encontra protegido por mais do que um direito previsto na Constituição. entendeu-se que as situações de colisão e conflito se resolveriam com base num critério de prevalência hierárquica.restrição  renúncia voluntária a DLG .  Artigo18º.Um titular com um direito e um bem social / estadual. 5º salvaguarda do núcleo essencial. Durante muito tempo.  Conflito – Um titular com um direito e outro titular com outro direito (pode ser o mesmo ou não). n.retira-se parte do exercício do Direito. .

 Artigo 19º (suspensão do exercício de direitos). e Garantias. objecto duração regime geral dos direitos fundamentais Aos DLG aplica-se regime específico Formas de tutela dos Direitos. pois entende-se que não há lugar na CRP para uma hierarquia de direitos.Direito Constitucional 1º Ano entanto posta de lado. Liberdades.  A suspensão é total mas tendencialmente temporária. Deve então usar-se o critério da concordância prática que consiste em analisar cada situação e saber qual é o direito que deve ceder e qual o que deve prevalecer. e artigo  Justiça administrativa (artigo 268º/2) 23º quando apresentada ao Provedor  acções de responsabilidade contra o de Justiça) Estado (artigos 22º e 271º)  direito a um procedimento justo por parte da administração (artigos 267º e 268º)  direito à informação (artigo 268º)  direito ao arquivo aberto (artigo 268º) direitos de salvaguarda quanto à utilização da informática (artigo 35º) 76 .  A restrição é parcial mas tendencialmente definitiva.  jurisdicional  não jurisdicional  acesso ao Direito e aos tribunais  direito resistência (artigo 21º) (artigo 20º)  direito petição (artigo 52º.

Constituições materiais – função. Aos Direitos económicos. 3 . o regime específico dos mesmos. .Regime Específico dos Direitos Económicos.Direito Constitucional 1º Ano O artigo 17º manda que o regime específico dos Direitos.Dependência legal – para serem efectivados necessitam de intervenção do legislador ordinário. sociais e culturais aplica-se:  o regime geral. liberdades e garantias.Princípio do não retrocesso – se o legislador avança até um determinado ponto. conjunto de normas que ocupam um lugar cimeiro na hierarquia normativa. Parte II– Teoria da Constituição Título I – A constituição como fenómeno jurídico Capítulo I – Conceito de Constituição Capítulo II – Formação da Constituição Capítulo III – Modificações e subsistência da Constituição formais – forma jurídica. normas de desempenho 77 . conteúdo que tem a ver com o estatuto jurídico de uma determinada sociedade.  Duas características do regime específico dos DESC: . a partir daí não poderá voltar atrás em termos de concretização. Liberdades e Garantias se aplique também aos direitos fundamentais de natureza análoga aos direitos. em termos de legislação ordinária. de que alguns autores negam a existência. exigindo conformidade dos restantes actos normativos. Sociais e Culturais (Direitos de 2ª Geração / próprios do Estado Social de Direito).  em regime de cumulação.

Constituição formal intencionalidade (intencionalmente criada). As normas formalmente constitucionais. 16. Pelo que poderão existir normas formais (constitucionais) inconstitucionais – normas constitucionais do ponto de vista formal. 78 . fazem parte da Constituição material? Normalmente há um desfasamento entre o exercício de poder Constituinte material e formal. primazia hierárquica. acervo teórico dos princípios fundamentais do Estado. 18/75. (Otto Bachof).  resulta de um ou mais textos – Constituição Instrumental. Constituição Constituição Constituição Material formal Instrumental CRP 1976 – Constituição formal nuclear – aprovada em 2 de Abril de 1976 complementar recepção formal (DUDH) recepção material No que tange à recepção material das Leis 8. são também materialmente Constitucionais? Há normas que não fazendo parte da Constituição formal. mas que contrariam a Constituição material. veja-se a relação que se estabelece entre a previsão da não retroactividade da lei penal no artigo 29º CRP e o artigo 292º (com a numeração da RC 2004) com a referência à lei incriminatória dos elementos da ex-PIDE – DGS (derrogação constitucional). já que a Constituição formal é elaborada após uma manifestação da ideia de direito da constituição material.Direito Constitucional 1º Ano cimeiro na organização do Estado.

hoje Canadá tendo a constituição sido votada e aprovada pela Grã-Bretanha. Chipre (1960)).Em 1931 o estatuto de Westminster concede plena soberania ao Canadá (mas a constituição permanece a mesma e mesmo para rever a Constituição seria preciso a concordância da Grã-Bretanha). para a RFA previa que em caso de reunificação esta Constituição deixaria de vigorar.  3 – Mudança de regime / da ideia de Direito: 79 .pode assumir várias formas : .normal – órgãos do próprio Estado elaboram a Constituição.  2 . consegue um estatuto jurídico específico e cristaliza-o na forma escrita para um determinado tempo.Constituições feitas por órgãos exteriores ao Estado.Direito Constitucional 1º Ano material – poder do Estado de se autodotar de uma Constituição Poder Constituinte formal – para além da institucionalização do Estado. O poder constituinte actua nas situações:  1 .Em 1867 4 colónias da América do Norte formam uma federação.Trata-se no fundo de um fenómeno de novação (dar um novo título jurídico ao que já existe). .Momento de criação de um Estado: momento típico para o exercício do poder constituinte: .excepções – heteroconstituições: . ou podem ainda ser Constituições que decorrem de tratados internacionais (Albânia. resultam da descolonização de territórios da Grã-Bretanha e do desmembramento de uniões reais ou pessoais. . Sucedeu no entanto que após a reunificação ela vigora também nos territórios da ex. É o caso do Canadá: . . RDA.Transformação do Estado:  O artigo 146º da Constituição 1949 de Bona.

liberal. orientações diversas na sua origem (A CRP 1976 condensa princípios de origem social. o termos formais de um pacto / acordo texto inclui princípios que têm (Constituição 1838).conteúdo material da Constituição. 80 .modo de elaboração – resulta em ...bilaterais ...plurilaterais vontades contrapostas  Constituições pactícias (Constituição 1838) Constituição pactícia  Constituição compromissória . Mas hoje é claro que são porventura a mais jurídica das vicissitudes constitucionais.  4.Direito Constitucional 1º Ano  Constituição portuguesa de 1976 – adaptação do texto constitucional à Constituição material.  Veja-se o caso das Revoluções.plurais – mais do que um órgão (Constituição 1933) . Como se pode manifestar o poder Constituinte formal ? .Transição constitucional:  Mais gradual que a revolução 1826 (Portugal) – Carta Constitucional (poder preponderante do poder monárquico)  1951 (França)  Espanha por comparação ao que aconteceu em Portugal em Abril de 1974. São ainda um fenómeno jurídico? Durante muito tempo foram o símbolo do “não-direito”.simples – provêm de um único órgão (Carta Const. porque se pretende substituir uma ideia de Direito por outra.Actos .). 1826) unilaterais .

Imanentes – decorrem do poder constituinte natural.  transformação do Estado. Outros advogam o facto de as PACS apesar de conformadoras. já que as normas que resultam dos pactos foram votadas.objecto. esta tem supremacia hierárquica jurídica numa pirâmide normativa O poder constituinte pode então surgir em caso de:  momento de criação do Estado.  mudança de regime do Estado.  transição constitucional. ao contrário do que se entendeu já. 3. Transcendentes – decorrem aliás também de um Estado não estar isolado internacionalmente – requisitos de sociabilidade pelo espaço social em que está inserido na cena internacional (ex. valores éticos superiores. e intencionalidade de sociedade.: DUDH).para além do objecto.  a vida estadual ter alterações que o justifique. Poder constituinte material  formal Constituição material  formal .: estado federal ordem externa / internacional (?) podem 81 . discutidas e aprovadas como quaisquer outras. Este poder não é no entanto ilimitado. não serem vinculativas. este é o poder de fixar princípios axiológicos fundamentais da sociedade. 2.Heterónomos ordem interna. Encontra assim limites: 1. consciência jurídica colectiva e ideias de Direito que fluem internacionalmente. elaboração da Constituição. função de princípios fundamentais da . imperativos do Direito Natural.Direito Constitucional 1º Ano Há autores que dizem que as duas Plataformas de Acordo Constitucional determinaram que a Constituição portuguesa de 1976 fosse pactícia para além de compromissória. ex.

quanto ao alcance . . Este mesmo poder constituinte tem depois relevância.Tácitas Interpretação evolutiva da Constituição Revisão indirecta . constitucionais Revolução quanto ao objecto. Costume constitucional .Parciais (modificações constitucionais) – todas menos . há autores que negam a existência daqueles e há quem admita esta distinção. por isso.De alcance individual e concreto ou excepcional – Derrogação constitucional.vicissitudes Ruptura não revolucionária constitucionais Suspensão (parcial) da constituição quanto ao modo.Expressas Transição constitucional Revolução .Direito Constitucional 1º Ano confundir-se com os limites transcendentes e. no plano das vicissitudes constitucionais: Revisão Constitucional (stricto sensu) Derrogação constitucional .Totais Transição constitucional . menos a .vicissitudes derrogação constitucionais constitucional. 82 .vicissitudes a revolução e a transição constitucional. em termos já não originários mas derivados.De alcance geral e abstracto – Todas.

menos a suspensão constitucionais (parcial) da Constituição quanto à duração . quanto às . O órgão legislativo normal decide fazer uma revisão. Formas de Revisão : 1. 83 . 3. Vicissitudes .Na evolução constitucional – Todas. mas com maioria agravada – Constituição 1976. . o que caracteriza a Constituição. 1826. mas o essencial. 1838.Ruptura não na ordem Revolucionária constitucional. é destituído e há eleições para um novo Parlamento que fará a revisão.Revolução consequências (alterações constitucionais) .Com ruptura .  material – Grã – Bretanha  formal – Israel e Nova Zelândia. Constituição flexível (modo de introduzir uma modificação constitucional é semelhante à elaboração de uma lei ordinária).  modificação constitucional – já que é apenas parcial.Constituições de 1822. 2. .De efeitos temporários – Suspensão (parcial) da dos efeitos Constituição Revisão – forma mais frequente de introduzir vicissitudes constitucionais.França em 1791.De efeitos definitivos – Todas.Direito Constitucional 1º Ano Vicissitudes . Revisão feita pelo órgão legislativo normal. mantém-se. menos a constitucionais revolução e a ruptura não revolucionária. 4. mantendo-se o essencial da constituição: introduzem-se mudanças. mas com exigências especiais de tempo e iniciativa (Constituição 1911). Revisão feita pelo órgão legislativo normal sem exigência de maioria agravada.

 não oposição expressa – Constituições alemãs anteriores à actual.  Artigo 285º. 8. 2/3 para a aprovação. Ex.Norte da Europa. n. É o Parlamento (a Assembleia Representativa) que elabora a revisão e há a possibilidade de consulta pública por referendo.da revisão orgânicos  quanto ao órgão (Assembleia República) .º 1 – limite de iniciativa (Deputados). 2/3 para a aprovação. Paralelismo de formas – a forma de revisão depende daquela que foi a sua forma de elaboração – ex. já que os estados federados têm um papel activo na revisão da Constituição:  consentimento dos Estados federados (EUA).: Constituição francesa actual.: EUA.extraordinária – 4/5 para início do processo. 6.ordinária – basta um deputado ter iniciativa para começar. Revisão . 7. 5.Direito Constitucional 1º Ano .limites temporais . Nos Estados federais a revisão da Constituição é mais complexa do que num estado unitário. Revisão feita por assembleia representativa e obrigatoriedade de recurso ao referendo. 84 . No que respeita à CRP de 1976  Revisão – forma de garantir a vigência da Constituição (é modificação constitucional)  Artigo 284º .

85 . apenas pode promulgar – Artigo 286º.  2. Não faz sentido estabelecer limites materiais.º 1 / n.º 3 – limite maioria / formal .se o que chegar ao Presidente da República como sendo lei de revisão Constitucional. n.  Limites circunstanciais – Artigo 289º .A Constituição não pode ser revista durante a vigência de estado de sítio ou de emergência  Limites materiais – Artigo 288º . Faz sentido.princípios a respeitar mesmo em sede de revisão constitucional. não é legítimo (retira-se margem de escolha às gerações vindouras). Três correntes :  1. e em Portugal encontramos desde a Constituição de 1911 por exemplo a impossibilidade de alterar a forma republicana de Governo. é modificação constitucional . . este órgão terá poder de veto (posição defendida por Jorge Miranda e por Galvão Telles).vetar .Artigo 136º perante um diploma ordinário pode .  Artigo 286º. A Constituição dos EUA foi a primeira a estabelecer limites materiais. .enviar ao TC Mas quanto à revisão. mas Jorge Miranda defende aplicação de prazo do artigo 136º por analogia.Direito Constitucional 1º Ano  Artigo 285º. O Brasil também o faz por influência da França.º 3.não se refere prazo para promulgação. n.promulgar O Presidente da República quando . n. porque a revisão é a forma de vicissitude parcial. não o for verdadeiramente.º 2 – princípio da condensação.

.Normas materiais ou de . Jorge Miranda distingue entre limites materiais de 1º grau e de 2º grau. que se baseavam no princípio previamente abolido.: os constantes no artigo 19º.Normas primárias e normas remissivas. normas técnicas.Normas materiais e regulamentação e normas especiais. . mas admite-se que esses limites possam ser alterados: Como? Através de um processo de dupla revisão: com uma primeira revisão suprime-se um limite e numa revisão posterior alterar-se-iam os artigos. fundo.Normas gerais e . Parte II– Teoria da Constituição Título II – Normas Constitucionais Capítulo I – Estrutura das normas constitucionais Capítulo II – Interpretação.Normas gerais e . . orgânicas e normas proibitivas. Posição ecléctica – faz sentido a sua existência.Normas exequíveis e normas interpretativas . por si mesmo. n. integração e aplicação CLASSIFICAÇÃO DE NORMAS CONSTITUCIONAIS: Quanto ao Quanto às relações Classificações com Objecto / Conteúdo entre as várias normas especial incidência . .Normas de . Normalmente: 86 .Normas prescritivas e normas excepcionais.Direito Constitucional 1º Ano  3.º 6). .  mesmo que sejam retirados do artigo 288º não deixam de ser limites materiais (ex.Normas preceptivas e normas secundárias.Normas inovadoras e normas de execução.Normas materiais e formais. . .Normas principais e normas não exequíveis supletivas e subsidiárias.Normas exequendas e normas programáticas. normas de garantia.

nº 2. artigo 65º). exequíveis. Necessitam da concretização de determinadas políticas governativas. . Normas preceptivas não exequíveis por si mesmas – Artigo 26º.disposições Para Jorge Miranda: 87 .Direito Constitucional 1º Ano  DLG – normas preceptivas. ex. n. Dentro das normas constitucionais podemos ainda distinguir: . Vezio Crisafulli no entanto deixou claro que as normas programáticas são verdadeiras e próprias normas constitucionais. mais genéricos e abrangentes do que as disposições. exequíveis – Artigo 24º. e que antes correspondiam a uma mera declaração de intenção da constituição.º1.princípios – estrutura mais rarefeita. Normas não exequíveis por si mesmas – necessitam de intervenção do legislador ordinário. características do Estado social. características do Estado Liberal dizem respeito à natureza do Estado que lhes está subjacente.  DESC – normas programáticas. Houve autores que entenderam que as normas programáticas não eram verdadeiras normas. Implicam condições económicas e sociais a criar pelo poder político (são necessariamente não exequíveis – cfr p.

. .têm a ver com os limites imanentes (estabelecem regime.Unidade do Estado. . .Estado de Direito . 19º.Estado democrático.princípio da segurança dos cidadãos.princípio da não afectação das expectativas razoáveis dos cidadãos/ princípio da confiança. nº6). Princípios político constitucionais . forma e sistema de governo).Socialidade – importância dos DESC – ideia de Estado social.princípio da legalidade. Elementos de interpretação: 88 . . artigo 112º e 112º. . adjectivos instrumentais (por ex.Direito Constitucional 1º Ano substantivos axiológicos fundamentais – têm a ver com os limites transcendentes (CRP art. Interpretação das normas constitucionais A interpretação – determinação do sentido da norma constitucional não é diferente da interpretação das outras normas. nº2 – princípios adjectivos que visam proteger um princípio substantivo) Para Gomes Canotilho .

.(consequência do ponto anterior) vale mais do que todas as outras – tem efeito vinculativo.Direito Constitucional 1º Ano  literal – directamente expresso na norma. . .  sistemático – norma enquanto parte de um todo harmónico. interpreta (valor mais vinculativo) .efeito integrador. As regras de interpretação resultam do artigo 9º do Código Civil.  Haverá que dar especial atenção no campo do Direito Constitucional: .  teleológico – fim da norma (telos). 89 .  Constituição formal.qualquer intérprete pode determinar o . Para Gomes Canotilho  princípios da interpretação constitucional. .à vicissitude tácita em que pode consistir a interpretação evolutiva – elemento teleológico (Constituição material) Interpretação  Interpretação autêntica .  histórico.feita pelo autor da norma Interpretação autêntica .máxima efectividade – especialmente no que tange aos Direitos Fundamentais.feito pelo autor da norma que se sentido da norma.unidade da constituição.ao elemento sistemático sistemático – CRP 1976 – compromissória.

: lacuna – artigo 286º. que (dentro da Constituição). aplicar o prazo previsto no artigo 136º.falta de uma lei ordinária que a previsão normativa na Constituição Constituição manda que exista. era obrigatória por via da Constituição 90 . mas podemos integrar as lacunas. falta de .º 3.optar pela elaboração de norma pelo intérprete se tivesse que legislar dentro do espírito do sistema. Hoje considera-se que o legislador não é infalível. Integração de lacunas (situação que devia estar regulada pelo Direito e não está) O artigo 10º Código Civil manda .  ex. e que há lacunas no Direito Constitucional. n.) . Lacuna  Omissão (Direito Constitucional) .Direito Constitucional 1º Ano No que respeita à interpretação da legislação ordinária fala-se de um princípio da interpretação conforme à Constituição para escolha de um sentido que seja mais compatível com o texto constitucional – este princípio é usado pelo Tribunal Constitucional mas em muitos casos pode revelar-se forçada esta interpretação. não prevê prazo para a promulgação das leis de revisão Constitucional – eventualmente. Durante muito tempo vigorou a concepção do carácter absoluto e infalível do legislador constituinte.recorrer a casos análogos (atender à norma que o intérprete criaria dentro do espírito do sistema de todas as normas jurídicas do sistema português.

Recorrendo a normas de conflitos o Direito Internacional Privado regula a questão de saber qual o ordenamento jurídico que se aplica numa situação plurilocalizada. Aplicação das normas Constitucionais no espaço:  normas constitucionais portuguesas aplicam-se territorialmente em Portugal (artigo 5º CRP). 91 . estrangeira incompatível face à Para Jorge Miranda depende de contrariar ou não Constituição Estrangeira um princípio fundamental Esta posição coloca nas mãos dos juizes portugueses a tarefa de indagar sobre quais são os princípios fundamentais de uma constituição estrangeira.Direito Constitucional 1º Ano (fora da Constituição).aos cidadãos portugueses fora do país aplicam-se as normas portuguesas.  artigo 14º .E se a lei for inconstitucional face à Constituição holandesa? O artigo 204º da CRP proíbe a aplicação pelos tribunais de normas inconstitucionais (juiz não pode Norma ordinária aplicar a lei estrangeira).E se a lei a aplicar for inconstitucional face à CRP 1976? . Haverá Constituições de outros países que se podem aplicar em Portugal?  situação jurídica plurilocalizada. Suponha-se que há que aplicar a lei holandesa .

: leis 1974 – 1976). Relação entre norma ordinária e norma Constitucional (artigo 290º. n. Vigora aqui o princípio tempus regit actum – os actos regem-se pela lei em vigor à data da sua prática. 3. não é por ter surgido uma nova Constituição que a norma deixa de ser inconstitucional face à constituição da altura.tácita .  novação (em causa a ideia de sistema – princípio da interpretação segundo a constituição).º 1 CRP) compatíveis ou não com a nova Constituição (artigo 290º.revogação . n. Processo de desconstitucionalização (ex. Tudo o que está para trás é revogado ou caduca (posição extrema). leis que tinham valor de lei constitucional passam a ser leis ordinárias (artigo 290º.º 4 CRP) e encontram na nova constituição o seu novo parâmetro de validade.º 2).expressa .Direito Constitucional 1º Ano Aplicação das normas constitucionais no tempo: .ramo / global / de sistema (Oliveira Ascensão)  A relação das normas constitucionais anteriores e posteriores resolve-se com base nesta modalidade de revogação. Critérios de economia ou segurança – todas as normas ordinárias continuam como existiam desde que compatíveis com a nova Constituição (artigo 290º. n. n. 2. Tal significa que no caso de ser norma conforme à constituição de 1933 e contrária à CRP de 1976: 92 . Relação entre as normas constitucionais novas e o direito ordinário anterior: 1.º 2 CRP)  norma ordinária que contrariava Constituição de 1933  norma conforme à CRP de 1976 – não há sanação ou confirmação da norma.

da educação. ex.  Fins do Estado – dependem da caracterização histórica do Estado e resulta de um enlace entre a sociedade e o Estado. órgãos e actos em geral Capítulo I – Funções do Estado Capítulo II – Órgãos do Estado As funções do Estado podem ser vistas tanto no sentido de tarefa como no sentido de actividade. Galvão Telles lembra no entanto que há casos em que as inconstitucionalidades orgânicas e formais não são irrelevantes. jurisdicional.  se está em causa uma inconstitucionalidade formal é irrelevante.: função legislativa. É este segundo sentido que vai ser objecto do estudo em Direito Constitucional. falamos de meios que o Estado tem para atingir aqueles fins.  se a inconstitucionalidade é material é relevante. política. 93 . Galvão Telles introduz aqui o conceito de inconstitucionalidade pretérita. Enquanto tarefa. um fim do Estado. administração da justiça. Mas não parece que faça aqui sentido a distinção relevante/ irrelevante em matéria de Direitos Fundamentais.Direito Constitucional 1º Ano  se está em causa uma inconstitucionalidade orgânica é irrelevante. Apesar da norma cessar a vigência não deixa necessariamente de produzir efeitos. falamos de:  Necessidades colectivas que o Estado tem que assegurar. em que faz relacionar uma norma ordinária em vigor com uma Constituição que já não está em vigor ou relaciona uma norma ordinária que não está em vigor com uma Constituição em vigor. Enquanto actividade. nomeadamente no que respeita aos Direitos fundamentais. incumbência do Estado. Parte III – A Actividade constitucional do Estado Título I – Funções.

artigos 9º / 58º e segs. Para este. Podemos encontrar elementos materiais. têm-se apontado as funções:  legislativa Carácter de monopólio do Estado – pode combinar-se com  governativa uma delegação em entidades infra ou supra-estaduais.Direito Constitucional 1º Ano O elemento finalístico está sempre presente mas é relevante de modo directo na função entendida enquanto tarefa e de modo indirecto na função entendida enquanto actividade. formais e orgânicos que nos auxiliem na distinção entre as várias funções. / 81º (tarefa) .: associações de bombeiros). Dos dois sentidos são exemplo na CRP as disposições dos .executiva último a ideia de função do Estado . As funções do Estado entendidas enquanto actividade estão de algum modo condicionadas pela função do Estado entendida como tarefa. Tradicionalmente.judicial 94 . já que dependem do fim.  administrativa Admitem a participação de pessoas colectivas privadas de  técnica interesse público (ex.  jurisdicional supraestaduais. que está presente ao menos mediatamente. legislativapodemos destacar Aristóteles. Jean Bodin e Montesquieu.artigos 161º / 162º / 164º / 198º (actividade). Entre os autores que primeiro falaram desta -temática.

Funções Administrativa e Jurisdicional Passividade e imparcialidade Iniciativa e parcialidade – não quer dizer que a Administração não seja imparcial no relacionamento com os particulares. aplicação e observância do Direito. é parcial na prossecução do interesse público. faculté d´empêcher”).execução . 3.criação – Função legislativa . Para Jellinek as diferentes funções resultam da articulação entre os fins do Estado. visto que não há diferença entre um plano de elaboração de regras e de aplicação correcta das regras. 95 . Karl Loewenstein distingue três planos ao nível das funções do Estado: 1. e de acordo com as teorias dos positivismo jurídico. 2. que podem ser jurídicos ou culturais. Execução dessa política – através das funções administrativa e jurisdicional. Direito Constitucional 1º Ano complementa-se com a interdependência entre os órgãos que têm estas funções (“faculté de statuer. Decisão política – em sentido estrito. Para Kelsen. e existe uma relativa indistinção entre criação. e que podem ser abstractos ou concretos. não há verdadeiramente diferenças entre funções do Estado. que parece distinguir entre funções de . e os meios que o Estado tem ao seu dispor para os prosseguir. Fiscalização política – raramente é uma função autónoma dentro do Estado. correspondendo à função legislativa. Marcello Caetano apresenta a Teoria Integral das Funções do Estado. Duguit assenta no tipo de actos que resultam de cada função e a partir daí faz surgir as características de cada função.

Política lato sensu .a função técnica que corresponde à produção de bens e à prestação de serviços.Órgãos Direito .Imparcialidade . .Direito Constitucional 1º Ano Distingue igualmente entre funções jurídicas e não jurídicas.Função administrativa ou técnica .) .Actividade de dizer o .Liberdade de República atingir escolha .Satisfação das .Órgãos colegiais: interesse público e (não é uma forma de Governo dos meios mais arbitrariedade)  Assembleia da adequados para os .Função Jurisdicional Elementos Função Materiais Formais Orgânicas (resultado) . (parece no entanto que aqui se deveria falar de uma função enquanto tarefa e não enquanto actividade.Imparcialidade (na (dá origem a novas relação com os pessoas colectivas) cidadãos) .Iniciativa .Passividade independentes que . derivadas ou subordinadas às primárias .Função legislativa.Oportunidade .Função política stricto sensu ou governativa.Parcialidade (órgãos novos) colectivas (interesse público) .Administrativa .a função política que corresponde à conservação da sociedade de um bem colectivo geral.Discricionariedade .Independência para efeitos de 96 .Jurisdicional .Desconcentração necessidades . Secundárias. Nestas engloba: .Descentralização .Definição do fim e . Jorge Miranda distingue entre funções Primárias – Função política lato sensu .

Veja-se a propósito.Função legislativa – lei constitucional e lei ordinária (Lei.Função política – actos políticos. . Viriam a ser declarados inconstitucionais pelo Acórdão n.acto normativo – regulamento administrativo .sentenças do Supremo Tribunal de Justiça e de outros tribunais superiores em que com força obrigatória geral se fixava doutrina para uma mesma questão controvertida que havia recebia soluções diferentes a nível jurisprudencial. (Atenção ao caso dos Assentos . Enquanto que na pessoa física os órgãos expressam uma vontade real ou psicológica. . quanto à relevância. na 97 . permitindo a um tribunal ditar normas como se fossem leis.g. e que quanto à sua origem podem derivar do povo (eleição/referendo) ou de órgãos do Estado. Janeiro 96) Os órgãos existem para expressar a vontade das pessoas colectivas. Por se entender que estas decisões surgiam com força próxima da lei.acto imposto unilateralmente – acto administrativo.No âmbito da função administrativa encontramos: . v.:  Revista de Legislação e Jurisprudência n. de direito interno ou de direito internacional. foi defendida a inconstitucionalidade dos assentos por violação do princípio da separação dos poderes.º 3839  Revista da Ordem dos advogados – ano 56. Decreto-Lei e Decreto legislativo regional).acto que resulte de negociação– contrato administrativo . .Função Jurisdicional – sentença.Direito Constitucional 1º Ano recurso se organizam hierarquicamente Quanto aos actos que resultam de cada uma das funções: .º 810/93 do TC.

simples 98 . que colabora na prestação de funções públicas. correspondendo os órgãos a centros de imputação da vontade dessa pessoa colectiva. 4. Enquanto a pessoa colectiva Estado tem fins ou atribuições. órgãos simples  órgãos complexos Os singulares são Dentro do mesmo órgão encontramos outros órgãos (ex. O órgão que expressa a vontade da pessoa colectiva Estado distingue-se do agente. 2. parcelas dos meios que a pessoa colectiva tem à sua disposição para prosseguir os seus fins. 3. estatuto que têm os titulares dos órgãos. Encontramos quatro elementos essenciais do órgão: 1. de duração: os órgãos contribuem para a duração das pessoas colectivas.: necessariamente Governo e Conselho de Ministros). ou seja. Titular – a pessoa física ou conjunto de pessoas físicas que compõe o órgão.Direito Constitucional 1º Ano pessoa colectiva trata-se de uma vontade funcional. Competência – resulta da concretização de determinada norma jurídica e equivale nos poderes funcionais do órgão. Cargo / mandato – posição. Elemento institucional – ideia de permanência. Classificação de órgãos: 1. aos órgãos correspondem competências. órgãos singulares  órgãos colegiais Um titular Mais do que um titular 2.

auxílio de preparação das decisões finais (v.Direito Constitucional 1º Ano 3. . órgãos constitucionais  órgãos não constitucionais Consoante estejam previstos ou não na CRP. mas há outros (p. De entre os órgãos constitucionais destacam-se os órgãos de soberania (Assembleia da República.: Provedor de Justiça) 5. a regra em Direito Público é a de que seja obrigatório que se peça os seus pareceres.tomada por um órgão colegial No que respeita aos órgãos consultivos. Conselho de Estado). órgãos deliberativos  órgãos consultivos . órgãos inseridos em hierarquia  órgãos independentes (ex. mas que os mesmos não são vinculativos. 8. tribunais) (ex.tomada por um órgão singular . 6.tomada de decisões. Governo.g. 4. pareceres). que é o sufrágio. Decisão  Deliberação . nomeadamente no plano da representação político-partidária). órgãos primários  órgãos vicários 99 . órgãos electivos  órgãos não electivos Os órgãos electivos derivam de uma modalidade específica de designação dos titulares de cargos políticos. 7.ex. Presidente da República Tribunais). órgãos representativos  órgãos não representativos Têm-se em conta a pluralidade das expressões (por exemplo.

a AR elege 10 juízes e esses dez juízes elegem os restantes 3. para completar os 13 que compõem o Tribunal. Formas de designação dos titulares dos órgãos (processos de escolha):  Herança – característica das formas de Governo monárquico.  Eleição/Sufrágio Implica distinguir entre colégio eleitoral . . A lei determina qual a ordem pela qual o cargo vai ser ocupado.é atribuído a um titular de um órgão a possibilidade de participar num outro órgão pela sua titularidade no primeiro  Cooptação – alguns dos titulares de um órgão escolhem os restantes membros desse órgão. têm determinadas competências . lei.  Rotação – modalidade de designação de titulares de cargos políticos. Pode ser 100 .  Inerência .Direito Constitucional 1º Ano . em determinadas circunstâncias.activo – pessoas que votam.passivo – pessoas que podem ser eleitas. No caso da composição do Tribunal Constitucional (artigo 222º CRP).  Sorteio  Antiguidade  Rotação  Nomeação – um titular de um órgão é designado pelo titular de um órgão diferente (Governo – artigo 187º CRP). atribuídas directamente pela CRP ou pela substituem órgãos primários.

nomeação de embaixadores e declaração de paz e guerra).  representante jurídico do Estado perante a comunidade internacional (cfr artigo 135º . Holanda)  facultativo  directo  indirecto  individual  listas  uninominal  plurinominal Órgãos de soberania (artigos 110º e 111º CRP) 1. pelo que é um órgão autónomo legitimado pela popularidade e tem poderes mais alargados do que um Chefe de Estado legitimado 101 . O PR resulta de sufrágio directo.Direito Constitucional 1º Ano  universal  restrito (censitário ou capacitário)  igualitário  não igualitário (a determinadas pessoas cabe mais do que um voto)  obrigatório (Brasil.Presidente da República – artigos 120º e segs  representa a unidade da comunidade nacional (independência). A CRP (acontecia noutras Constituições portuguesas e acontece em Constituições Estrangeiras) utiliza sempre a designação PR e não Chefe de Estado.

. resulta da sua modalidade de designação (sufrágio directo) o aumento dos seus poderes próprios.  Rege-se pela CRP. 4. poderes de direcção política – pode ser discutível a sua existência. em termos defendidos por este autor e por outros durante muito tempo. de aferição dos actos legislativos – artigos 136º / 278º. Poderes do PR 1. poderes próprios – artigo 133º CRP  alínea e) + artigo 172º  alínea f) + artigo 196º  alínea g) + artigo 195º  alínea h) 2. nos termos e com os poderes definidos nos artigos 132º e 139º da CRP.organização.  composição – 142º  competência – 145º 2. poderes de controlo – nomeadamente. poderes partilhados – artigos 140º / 136º CRP. mas também pelo seu Regimento [artigo 175º a)]. Como órgão auxiliar do PR surge o Conselho de Estado (artigo 141º e segs.) Cfr. 134º e 190º CRP. A substituição do PR cabe ao PR interino. o que corresponde a um poder de auto . parecem estar mitigados – artigos 133º. 3. Para Benjamin Constant o Chefe de Estado deteria um poder neutro e supremo (soma total das autoridades de Estado). 102 .A Assembleia da República vem prevista nos artigos 147º e segs. Ou seja.Direito Constitucional 1º Ano por sufrágio indirecto.

n.  Pode funcionar em Plenário Comissões (artigo 178º. Aparecem como órgãos auxiliares:  presidente AR [artigo 175º b)]  comissões parlamentares  grupos parlamentares (artigo 180º)  funcionários especialistas da AR (artigo 181º) 103 . mas que por exemplo fora do período normal de funcionamento funciona a Comissão permanente – nº3 do artigo 179º (apesar de tudo com competências diminuídas em relação às da Assembleia da República)  Vigora entre nós o mandato representativo – artigo 152º. Isto não significa que haja diariamente plenário – artigo 174º -.º 2 -. artigos 174º CRP. n. por oposição ao mandato imperativo  É um parlamento unicameral (na história do Constitucionalismo Português.º 2 – todos os deputados pertencem a uma comissão) Comissões eventuais criadas a propósito de uma determinada matéria (ad hoc).  As legislaturas têm a duração de quatro sessões legislativas e cada uma das sessões legislativas corresponde aproximadamente a um ano – cfr.Direito Constitucional 1º Ano  Tem um carácter permanente enquanto órgão representativo de todos os cidadãos portugueses (ideia de continuidade da actividade parlamentar  primórdios da actividade parlamentar em que as Cortes funcionavam apenas por solicitação do monarca). nem sempre assim aconteceu).

Direito Constitucional 1º Ano As funções da AR podem ser:  electiva / criação de órgãos (Veja-se o artigo 163º.artigo 201º.autonomizada por exemplo por Gomes Canotilho) 3. etc.O Governo encontra previsão constitucional nos artigos 182º e segs.  órgão colegial  órgão complexo  para alguns autores o 1º Ministro seria também um órgão autónomo dentro do Governo  órgão solidário – artigo 189º  órgão organizado em termos hierárquicos .a AR pode promover inquéritos. .  de fiscalização (artigo 162º)  autorizante (artigos 161º/165º)  representativa (artigo 147º . o que constitui aliás poder comum aos órgãos colegiais). Quanto às funções que desempenha: 104 . mas também pode ser lei ordinária a determiná-la)  legislativa (artigos 164º / 165º/167º Na revisão de 97 os cidadãos passam a poder apresentar propostas de lei. para além do Governo e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas  de controlo do Governo /art. É aliás a matéria correspondente à sua única reserva legislativa exclusiva.º 1 a)  composição do Governo – artigo 183º  composição do Conselho de Ministros – artigo 184º Cabe-lhe ainda um poder de auto–regulação – nº2 do artigo 198º / nº3 do artigo 183º – no que diz respeito à sua própria organização e funcionamento (paralelo do poder da AR de fazer o regimento. discutir votos de confiança e moções de censura. n. 190º .

Quanto aos Tribunais e estatuto dos juízes vejam-se os artigos 202º. . e) e f) do nº1 do artigo 195º justificam-se tendo em conta que o Governo é responsável também perante a AR. Nesta última situação devem pois estar preenchidos dois requisitos: . No que se refere ao n. n.º 1 – Governo pode legislar. A causa de demissão pode ser qualquer uma das previstas no nº1 do artigo 195º. . ou seja.: Governo é minoritário e não tem apoio da AR. que opera a demissão automática. 105 . Governo resulta de uma coligação – os membros rompem a coligação e não apresentam o pedido de demissão.Direito Constitucional 1º Ano  política – artigo 197º  administrativa – artigo 199º c)  legislativa – artigo 198º . o PR por sua iniciativa demite o Governo (ouvindo o Conselho de Estado). em matéria concorrencial. e a que se segue o acto formal de exoneração. audição do Conselho de Estado (parecer obrigatório mas não vinculativo). As causas previstas nas alíneas d).material – situação de perturbação do regular funcionamento das instituições democráticas.º 2 – reserva exclusiva do Governo A demissão do Governo prevista no artigo 195º não deve ser confundida com o acto de exoneração.º 2 confundem–se os dois momentos. . Governo manda tropas combater num determinado país sem autorização do PR.formal .º 1 e 215º e segs. autorizado pela AR em matéria de reserva relativa ou desenvolvendo leis de bases.  causas invocadas: irregular funcionamento das instituições democráticas Ex. que consiste no acto do PR que faz terminar as funções do Governo. 4. n. n.

independência -interna – dentro da função jurisdicional -externa – face a outros órgãos e a outros poderes .imparcialidade Só há hierarquia dentro da função jurisdicional para efeitos de recurso. Tribunais:  Civis – Supremo Tribunal de Justiça . . 106 .Tribunais Administrativos e Fiscais  Militares – artigo 213º .2ª instância . Tribunal Constitucional – 221º e segs. De acordo com a CRP encontramos: .A Revisão de 1997 alterou substancialmente a redacção deste artigo (tanto mais que se tem questionado se num verdadeiro Estado de Direito faz sentido a existência destes tribunais).Tribunais Centrais Administrativos .1ª instância  Administrativo – Supremo Tribunal Administrativo . já que não vigora a regra do precedente ao contrário do que acontece em países como os EUA.Direito Constitucional 1º Ano Como características fundamentais encontramos: .

encontramos as características da generalidade – âmbito subjectivo/pessoal – efeitos abrangem mais do que uma pessoa abstracção .. num primeiro sentido. em que se salienta a vantagem do governo feito com base no Direito.º 2  Conselho Superior de Magistratura – 218º Parte III – A actividade constitucional do Estado Título II – Actos legislativos Capítulo I – A lei em geral Capítulo II – As leis da Assembleia da República Capítulo III . Representativo e de Direito (que se centra na relevância da lei para se autonomizar como fase do Estado Moderno de Tipo Europeu).Direito Constitucional 1º Ano Outros órgãos constitucionais: (auxiliares dos tribunais na sua tarefa de administrar a justiça em nome do Povo):  Ministério Público – artigo 219º  Conselho Superior do Ministério Público – 220º.Autorizações legislativas e apreciações parlamentares Capítulo IV – Relações entre actos legislativos Aproximando aqui a ideia de lei.e.âmbito objectivo – n. em especial. e como vimos no Estado Constitucional. 107 . na lei. n. i.º de casos/situações abrangidas pela norma A ideia de lei encontra-se presente na evolução dos vários tipos históricos de Estado. da noção de norma.

Para alguns autores continua no monarca a ideia de solenidade ou mesmo a de soberania. a lei substitui o papel da razão no exercício do poder político.querida por todos (quem elabora a lei é o Parlamento que representa todos os cidadãos: vislumbra-se aqui um entendimento estrito do princípio da separação dos poderes.Direito Constitucional 1º Ano Os autores clássicos. entendida enquanto expressão de racionalidade.) Também o princípio democrático está associado à ideia de lei. nalgum sentido. 108 . e como se entende que o princípio democrático assenta na representatividade. com especial atenção ao bem–comum e à subordinação dos interesses particulares ao interesse geral. A lei é então o critério de actuação do poder político que permite a transposição do Despotismo Esclarecido para o Estado Constitucional. no governo.  per leges – através da lei. De facto. o advento de um Estado Social de Direito que pressupõe a intervenção do Estado. enquanto necessidade dos tempos modernos já que é impossível que o Parlamento leve a cabo toda a intervenção legislativa necessária. e nomeadamente a partir do Iluminismo. Para Kant a lei é expressão da vontade racional. No século XX a função legislativa está repartida pelo Parlamento e pelo Governo de acordo com um entendimento mais flexível deste mesmo princípio.aplicável a todos (característica da generalidade) . incorporação da razão. leva a que se aceite também o Governo como órgão legislativo. Já para Locke. é o Parlamento quem faz a lei. Para Rousseau a lei corresponde à expressão da vontade geral (teoria contratualista da Constituição) visto que é: . No século XX. Para Thomas Hobbes a lei está relacionada com uma ideia de efectividade e de manifestação de poder soberano do Estado. Representativo e de Direito. mas a ideia de império (poder objectivo) passa para a lei. que deve ser:  sub leges – em submissão à lei. consideram que a lei tem uma importância vital na condução das coisas estatais. característico do século XIX. o essencial é a função da lei de garantia dos direitos dos cidadãos (liberdade. propriedade e segurança).

2. Reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes) – a Constituição prevê que determinadas matérias são reservadas à lei. Quando a CRP no artigo 112º fala em actos normativos estará a utilizar este conceito? Para Jorge Miranda a 109 . Primazia da lei (Vorrang des Gesetzes) – a lei tem um papel fundamental/ preponderante/prevalente. Não se deve no entanto confundir reserva de lei  reserva de Parlamento .pode ser lei da Assembleia da República .Direito Constitucional 1º Ano O Princípio da legalidade – que justifica e fundamenta o Governo per leges e sub leges enquanto forma superior de Governo – implica duas vertentes: 1. e a regulação de uma dada situação cabe primacialmente à lei (por exemplo: primazia em relação à função administrativa). (artigos 164º e mais abrangente). 165º da CRP).fórmula legislativa tem que resultar da ou decreto de lei do Governo (conceito Assembleia da República. O nº1 do artigo 112º da CRP estabelece o princípio da tipicidade das leis. têm que surgir com forma de lei (serão tendencialmente as mais importantes). que é o mesmo que afirmar que no nosso ordenamento só encontramos três formas de lei ou de lei em sentido formal:  lei em sentido formal  Lei  Decreto-Lei (Governo)  Decreto Legislativo Regional (Assembleias legislativas das regiões autónomas) Durante muito tempo se entendeu que a lei se aproximava do conceito de norma geral e abstracta – lei em sentido material.

Já a lei em sentido formal implica a consideração da força de lei . Foi Laband quem estabeleceu a dicotomia entre lei material e lei formal. a lei é imune à acção de outros actos inferiores Como se entrecruzam os conceitos os conceitos de lei em sentido material e formal? Torna-se claro que o conceito de lei utilizado pelo legislador constituinte na CRP não é unívoco.por causa da imposição anterior.positiva / negativa . surgindo alternadamente como sinónimo de 1. conseguindo então diferenciar-se três possibilidades: 110 . . Todo o Direito. 3. positiva – os actos com essa força podem revogar actos inferiores (ex. 4. o elemento de decisão política (que se relaciona com o princípio da oportunidade e da liberdade) e deve obediência às normas constitucionais.: lei pode revogar um regulamento). . 2. activa – os três actos legislativos podem impor uma determinada forma de regulação da vida dos cidadãos. Fonte de Direito intencional (deliberadamente criada). passiva . todo o ordenamento jurídico (artigos 203º / 13º).: não podem ser revogados por um regulamento). Normas criadas pelos órgãos do poder político (lei associada a conceito estadual). . Norma com efeitos externos – que se aplica aos cidadãos e não apenas dentro da pessoa colectiva Estado. negativa – nenhum dos três actos legislativos se deixa revogar por um acto inferior (ex.activa / passiva .Direito Constitucional 1º Ano lei em sentido material deve conter o elemento normativo.

Lei formal.º 1  Serão lei em sentido material ? Segundo Jorge Miranda há equivalência entre a lei formal e lei material e portanto não são leis em sentido material. Os Tratados e as Convenções inserem-se na função política e os Regulamentos na função administrativa.Direito Constitucional 1º Ano 1. Os actos legislativos são todos tendencialmente normativos. Lei material. Já no entender de Gomes Canotilho. 111 . e aqui intervêm novamente os conceitos de força positiva e negativa (ideia de hierarquia). n. Regulamentos ?  Não são lei em sentido formal porque não constam do artigo 112º. activa e passiva (ideia de conteúdo) Se a lei em sentido formal corresponde à previsão do nº1 do artigo 112º. Convenções ? . e se a lei em sentido material implica um elemento normativo que parte de uma decisão política com sujeição a enquadramento constitucional. que a expressão “Actos normativos” utilizada na epígrafe do artigo 112º é mais abrangente que a expressão “actos legislativos” que surge no nº1. Tratados internacionais ? . ex. 3.ex. Para Jorge Miranda o legislador constituinte não esqueceu apesar de tudo a vertente material. mas não formal.: lei da Assembleia da República geral e abstracta (elemento normativo. decisão política e enquadramento Constitucional). Marcelo Rebelo de Sousa e Nuno Piçarra. como se classificam por exemplo os .: regulamento (não faz parte do nº1 do artigo 112º) -. para o legislador constituinte teria importância determinante a vertente formal e não o elemento normativo. Situação desejável: lei simultaneamente material e formal: ex. como a política e administrativa.: lei da Assembleia da República que confere um subsídio a alguém. Porque o Parlamento e o Governo exercem outras funções para além da legislativa. mas não material ex. 2. mas nem todos os actos normativos são legislativos .: postura municipal (forma de regulamento). Daqui resulta de todo o modo.

o Governo passou necessariamente a ter intervenção legislativa. na elaboração das leis que se lhes vão aplicar. Apesar de os actos administrativos não poderem ser apreciados pelo TC. Ou seja.normas que parecem aplicar-se a uma pessoa. mesmo que uma norma não tenha abstracção. No Constitucionalismo Português a ideia de lei identifica-se durante o século XIX com um entendimento estrito do princípio da separação dos poderes – quem faz as leis é apenas o Parlamento -. é norma. podemos encontrar  Leis individuais aparentemente gerais – tenta-se dar cobertura a um acto administrativo p. no âmbito do elemento normativo e tendo em conta apenas a generalidade.  Leis gerais aparentemente individuais . o que se explica também por causa do princípio democrático: porque o Parlamento é o órgão representativo dos cidadãos é a população que intervém. ao menos indirectamente. No século XX. São muitas e muito complexas as matérias a tratar por via legislativa o que leva à necessária intervenção legislativa do Governo. E a generalidade pode ser não apenas simultânea como sucessiva. porque este apenas fiscaliza a constitucionalidade de normas. porque das duas características. ex. aquele órgão tem partido da presunção da coincidência entre lei formal e lei material para efeitos de protecção dos cidadãos. mas que verdadeiramente se aplicam a várias. ainda que tenha generalidade é lei em sentido material. durante o 112 . Há aliás autores que defendem que se o Governo. Assim. Trata-se aqui de uma necessidade e não uma fuga ao princípio da legalidade. uma sobressai: a generalidade é mais relevante que a abstracção.Direito Constitucional 1º Ano E o que dizer das leis–medidas (Massnahmegesetz) que visam prever para uma situação concreta providências legislativas necessárias? Para Jorge Miranda as leis medidas ainda são leis em sentido material. dada a necessidade de intervenção e voluntarismo do Estado Social.

3º Não havia fiscalização da constitucionalidade orgânica. Na Constituição de 1933 o primado é do Parlamento. mas mantém-se o costume constitucional com um reforço: a Constituição de 1911 admite que o Parlamento possa conceder autorizações legislativas ao Governo. Na Constituição de 1911 o Parlamento tem o primado da função legislativa. o princípio democrático não fica afectado. Recorde-se aliás que a Constituição é de 1933 mas a Assembleia Nacional só entra em funcionamento em 1935. No âmbito da CRP 1976 o primado legislativo é do Parlamento. Entre 1926 e 1933 o Governo faz as leis. A Revisão de 1945 estabelece que o Governo e o Parlamento estão num mesmo nível de paridade legislativa. por causa da forma de Estado. garantir a publicidade e a possibilidade de debate. Entre 1974 e 1976 o Governo legisla. o que propiciava grandes abusos. em que os números de produção legislativa foram de 600 decretos governamentais e apenas 2 leis. e há três situações que agravam esta circunstância : 1º O Parlamento dá autorizações legislativas ao Governo. de um Estado com “pluricentrismo legislativo”. Nas Constituições liberais apenas o Parlamento legislava. mas formou-se então um necessário costume constitucional (vicissitude tácita) de o Governo também legislar. na expressão de Gomes Canotilho. 2º O Governo pode legislar em caso de urgência e de necessidade pública. as assembleias legislativas das regiões autónomas igualmente exercitam poderes legislativos. mas o Governo tem também competências legislativas e. Como mero exemplo cite-se o ano de 1969. mas na prática quem legisla é o Governo.Direito Constitucional 1º Ano procedimento legislativo. (Fala- se aqui de uma “proliferação de centros de competência legislativa” ou.) – Cfr RC 2004 113 .

de acordo com o artigo 112º. Os regulamentos têm que estar subordinados a uma lei. não sendo necessário submetê-los a Conselho de Ministros. Mas as primeiras têm carácter mais solene do que os despachos normativos.g. Formas de Regulamentos. porque: 1º A reserva legislativa cabe à AR – artigos 164º e 165º 2º O Governo pode legislar. falamos de Decretos-Leis que. porque a função administrativa é secundária face à função legislativa. exercem também uma função primária sobre os regulamentos que são resultado da função administrativa. não podem ser inovadores. 3. 114 .artigo 165º 3º A AR pode apreciar alguns Decretos–Leis do Governo – artigo 169º Já no que respeita às competências legislativas do Governo. mas apenas com autorização.Portarias 4. de acordo com o princípio de precedência da lei / prevalência de lei.Despachos normativos As Portarias e os Despachos Normativos são da competência individual dos Ministros e a sua fórmula inicial sugere que estes agem em representação do Governo.Direito Constitucional 1º Ano O Parlamento tem o primado v.Decretos regulamentares São os mais solenes e importantes.Resoluções do Conselho de Ministros Adoptadas pelo Conselho de Ministros. em matéria de reserva relativa . 2. Não pode haver confusão entre Resoluções do Conselho de Ministros e resoluções da Assembleia da República (forma residual de actos da AR prevista no nº5 do artigo 166º). Quando o contrário não resulte da lei podem ser apenas aprovadas e assinadas pelo Primeiro-Ministro. por ordem decrescente de importância: 1.

salvo o 278º/4 e 5.Podemos encontrar leis de valor reforçado: a) Genérico II.Princípio da tipicidade – 112º / 1 e 5 . I – Leis orgânicas II – Leis estatutárias III – LEOE (105º e 106º) c) exclusiva – 198º/ 2 IV – Lei das Regiões administrativas Quanto a competência. A sua violação gera dois vícios: a) Ilegalidade b) inconstitucionalidade indirecta por desrespeito do artigo 112º/ 2/ 2ª parte. cfr.Leis ordinárias: a) Reserva absoluta – 164º administrativos das Regiões autónomas. LEGISLATIVOS REGIONAIS . com as especificidades dos artigos 136º/3. b) Específico NB: Atenção ao instituto da apreciação NB: Atenção ao papel do Representante da I – Leis de autorização parlamentar de decretos-leis – artigo 169º República. 168º/5 e 198º/1 a) soberania. originária ou independente – b) não seja matéria reservada aos órgãos de  Leis orgânicas – 166º/2 e 255º.A competência legislativa do Governo pode ser .Princípio da paridade legislativa – 112º / 2 / 1ª parte LEIS DECRETOS-LEIS DEC. b) Reserva relativa – 165º a) concorrencial. autorizada – 198º/ 1 b) autorizados nos termos da alínea b) do nº1 do . Pode haver decretos legislativos regionais I. disposto na alínea b) do nº1 do artigo 227º. (164º/165º/198º.  leis de autorização – 165º  leis de bases b) derivada  leis estatutárias.º 2).Leis constitucionais– 166º / 1 . complementar – 198º/ 1 c) artigo 227º.Direito Constitucional 1º Ano ACTOS LEGISLATIVOS . n. artigos 227º e 232º.É sempre necessário que: (artigo 198º CRP): a) seja matéria prevista nos estautos político- . 115 . nomeadamente no artigo 233º - II – Leis de bases assinatura e não promulgação.161º/b e 226º.

para tal apresentando 116 . Hoje a maior parte dos autores considera que deve ser o Governo a solicitar uma lei de autorização legislativa à Assembleia da República.º 2 – se não estão preenchidos os quatro requisitos.matéria concorrencial – 198º.º 1 c). n. mas é permitida a sua execução parcelada.º 4 é resultado de uma regra geral que implica se há quebra da relação de confiança.º 3 . artigo 165º. 1 b).decretos-leis em matéria de reserva exclusiva – 198º.decretos-leis autorizados – 198º n. . n. n.O artigo 165º. Às autorizações inseridas na Lei do Orçamento.º1 b)----------------------------. .pressupõem leis de . n. . mas que não deviam verdadeiramente lá figurar. n. n.Direito Constitucional 1º Ano O Governo pode fazer Decretos-Leis em quatro situações distintas: .º 2. pressupõem leis de .Artigo 198º.º 1 a). não há sentido na manutenção da lei de autorização da Assembleia da República (apelo a uma relação de tipo fiduciário). previstas no bases.º 5 consiste numa excepção à regra geral: desde que se trate de matéria fiscal incluída na lei do Orçamento (dois requisitos que são necessariamente cumulativos). em razão do seu objecto. as leis de autorização da AR caducam apenas no fim de ano económico em curso. n. . n.requisito formal autorização. n. O artigo 165º.º.decretos-leis de desenvolvimento – 198º.Artigo 165º.Artigo 165º. . Requisitos das leis de autorização: . a lei de autorização é inconstitucional.c) -----------------------------198º.º2 e segs. . dá-se o nome de Cavaleiros ou Boleias Orçamentais . .º 3 – a lei de autorização só pode ser utilizada uma vez. n.

º 1 a) pode fazer decretos-leis em matéria não reservada à AR. b) desrespeitassem princípios fundamentais das leis gerais da República (para o que necessitavam de uma autorização da AR). Quanto aos decretos legislativos regionais. Por seu turno. Para além disso. o Governo nos termos do artigo 198º. Já em matéria concorrencial tanto a Assembleia da República como o Governo podem legislar / têm iguais pretensões legiferantes De facto. Fazem parte da matéria concorrencial todos os conteúdos que por exclusão de partes se não encontrem nos artigos 164º.º2. nos termos do artigo 161º c) pode fazer leis em todas as matérias. 165º e 198º. a Assembleia da República. salvo as do 198º. Neste âmbito a lei da AR e o Decreto–Lei do Governo valem o mesmo de acordo com o princípio da paridade legislativa. 117 . Isto implica uma mútua revogabilidade. estes diplomas eram de tipos diferentes consoante a) respeitassem princípios fundamentais das leis gerais da República.então previsto no artigo 228º em termos exemplificativos (crítica à RC de 1997). até à Revisão de 2004 apenas podiam versar sobre matéria não reservada aos órgãos de soberania e encontravam-se ainda ainda sempre limitados pela necessidade de existência de interesse específico.º 2. previsto na primeira parte do nº2 do artigo 112º. n. n. com as devidas excepções da segunda parte do mesmo número e artigo.Direito Constitucional 1º Ano uma proposta de lei à Assembleia da República de autorização legislativa (sendo aliás da praxe que o Governo envie desde logo o projecto do decreto-lei a elaborar no uso da autorização a conceder). n.

c) permitir a possibilidade de autorizações legislativas concedidas pela Assembleia da República às Assembleias Legislativas das regiões autónomas nos mesmos termos em que são concedidas ao Governo e portanto em 118 . no conteúdo das Leis Gerais da República (definidas também em termos diferenciados desde 1997 no então nº5 do artigo 112º). Mas a Revisão de 2004 foi bastante mais longe no total estilhaçar do princípio da unidade do ordenamento jurídico. na medida em que veio: a) fazer desaparecer as leis gerais da República até então previstas no nº5 do artigo 112º. Para além disso as Assembleias Legislativas das regiões autónomas poderiam referir que são (sempre) desrespeitadas as disposições complementares. porque estas deveriam ser definidas como relevantes no seu todo. cabendo ao intérprete descortinar o que são princípios fundamentais e o que são disposições complementares. até 200  respeitar na totalidade as leis Gerais da República – então 227º a). ora substituído por um elenco de matérias constantes dos estatutos político-administrativos das regiões autónomas. Assim os decretos legislativos regionais podiam. ora revogado. entre princípios fundamentais e disposições complementares. Podemos aqui criticar a Revisão de 1997: não faz sentido esta distinção operar dentro do conteúdo das próprias Leis Gerais da República.  desrespeitar os princípios fundamentais desde que para tanto disponham de autorização da AR – então 227º b). A Revisão de 1997 tinha distinguido. b) fazer deparecer a noção de interesse específico.  respeitar os princípios fundamentais e desrespeitar as disposições complementares – então 227º a).Direito Constitucional 1º Ano c) fossem decretos legislativos regionais desenvolvimento – quando desenvolvessem regimes jurídicos constantes de Leis de bases ou Decretos- Leis de bases.

Orçamento do Estado (105º e 106º).Cabe às Assembleias Legislativas das regiões autónomas a elaboração de Decretos Legislativos Regionais. . podendo ter uma justificação substancial/parametricial ou formal. 119 . .Direito Constitucional 1º Ano matéria de reserva relativa de competência da Assembleia da República (artigo 165º). leis orgânicas.Os decretos legislativos regionais são enviados para assinatura ao Representante da República. que não se impõem a todos os actos legislativos e apenas estão numa relação directa de subordinação com os respectivos decretos-leis de desenvolvimento ou autorizados. Nos termos do artigo 112º.ex.Estatutos político-administrativas das regiões autónomas (226º). leis que carecem de aprovação de 2/3) que se impõem genericamente a todos os actos legislativos. Estas leis de valor reforçado podem ser: .leis que devam ser respeitadas por outras leis: . .leis que sejam pressupostos normativos e outros actos legislativos: leis de bases e leis de autorização. mas de imprimir uma diferenciação funcional aos diplomas em causa. . . nos termos que resultam da previsão do nº1 do artigo 232º.leis que carecem de aprovação de 2/3 (168º) – são leis agravadas pelo procedimento: .leis orgânicas . ex.para as quais a CRP estabelece formas específicas de aprovação.artigo 255º Podemos distinguir entre leis de valor reforçado específico (p. e seguem o procedimento previsto no artigo 233º. . e leis de valor reforçado genérico (p. 3 encontramos a referência a leis de valor reforçado. Não constituem uma nova forma de lei ou acto legislativo. leis de autorização e de bases). . Não se trata de igual modo de estabelecer uma hierarquia. ou seja.

Não há um preceito material que esteja directamente a ser violado. nos termos do artigo 169º/2 mas apenas para os decretos-leis autorizados – em que a relação entre o exercício das competências legislativas da AR e do Governo é mais próxima -. legislativo .º 2. desde que o faça até 30 dias depois da publicação e sob iniciativa de um mínimo de 10 deputados. contrariedade entre De facto trata-se aqui de uma lei que uma lei e outro acto primacialmente viola uma outra lei. podem ser objectivos da apreciação parlamentar quer a cessação da vigência. mas é violada uma relação de compatibilização imposta pela CRP. 120 . De facto. quer a alteração do diploma. e que respeita à possibilidade de certos actos legislativos do Governo poderem ser apreciados pela AR. pode a AR avocar a si uma competência de apreciação. Tem que haver ainda aqui espaço para referir o instituto da apreciação parlamentar (apelidado de “recusa de ratificação legislativa” até à Revisão de 1997) previsto no artigo 169º. Este instituto é justificado ainda pelo princípio do primado legislativo da AR. 2ª parte / nº 3. Direito Constitucional 1º Ano Nos casos de violação de leis de valor reforçado encontramos sempre cumulativamente dois vícios: Há sempre dois vícios .ilegalidade (apenas em casos que não são de matéria numa relação de concorrencial). que tenham sido alvo de propostas de alteração. A CRP prevê ainda a possibilidade de suspensão da vigência do diploma que é apreciado. n.inconstitucionalidade indirecta – 112º. e com excepção dos decretos-leis em matéria de organização e funcionamento do Governo previstos no nº2 do artigo 198º e que constituem matéria de reserva exclusiva deste órgão de soberania. De acordo com o nº1 do artigo 169º.

Promulgação .Publicação da comissão. generalidade e (artigos 136º e lei no DR.Referenda envio à ALR e de votação. .Redacção final do Decreto da AR.Propostas de votação. 137º).Debate na publicação e . No primeiro caso. emenda. . mas a verdade é que nos termos do artigo 169º/2 é a própria CRP e não mera lei ordinária a permitir que tal suceda.Publicação parlamentar sociedade civil. Comissão organizações da . (artigo 140º/2). Poderá parecer estranho que um acto legislativo seja suspenso por acto não legislativo dada a redacção do artigo 112º/5.Exame em .iniciativa da lei . a cessação da vigência é determinada por uma resolução da AR – artigo 166º.É possível a apreciação de decretos legislativos regionais. por exclusão de partes. PROCEDIMENTO LEGISLATIVO PARLAMENTAR (CRP e Regimento da AR) 1ª FASE 2ª FASE 3ª FASE 4ª FASE 5ª FASE Iniciativa Instrutória Constitutiva de Controlo Integração ou de deliberação ou de apreciação de discussão e eficácia votação Artigo 167º CRP Artigo 168º CRP Artigos 116º e Artigos 136º e Artigo 119º/2 168º CRP 137º CRP CRP .Direito Constitucional 1º Ano No termo do processo da apreciação parlamentar ou o decreto-lei cessa de vigência ou vigora com as alterações feitas pela AR.Registo. não nos termos do 169º. mas do nº4 do artigo 227º. . .Debate na . admissão. . 121 . integral dos debates no DAR.Intervenção das especialidade e .

286º (lei de revisão constitucional). as especificidades resultantes dos artigos 136º. que pode ser interna – tomando o nome de projecto-lei -. 122 .Direito Constitucional 1º Ano O artigo 167º. n. que determina não poder haver iniciativa que implique aumento de despesas ou diminuição de receitas no ano económico em curso. de iniciativa. n.º 5 e 278º.º 2. Vejam-se os diferentes tipos de vetos e as suas consequências (artigos 136º e 279º). Pode ser no entanto  obrigatória . .º 3. n. A mesma regra vale para iniciativa de referendo.º 7 prevê um prazo de 8 dias durante o qual o PR não pode promulgar um decreto que lhe tenha sido enviado para promulgação como lei orgânica. n. ou externa – tomando o nome de proposta de lei. .º s 4. nos termos do nº3 do mesmo artigo. tanto mais que o Orçamento de Estado é uma lei de valor reforçado genérico. tal como a possibilidade de veto ou de envio para o TC para fiscalização preventiva. que nos termos do artigo 136º o PR tem à sua disposição quando recebe um decreto governamental ou da AR. n. nº1 respeita à primeira fase. 168º. para as leis orgânicas.  vedada – o artigo 278º. este acto do PR é uma faculdade. 5 e 7). para que o Governo ou 1/5 dos deputados possam se assim entenderem pedir a apreciação preventiva da constitucionalidade (Vejam-se. Uma restrição em sede de iniciativa decorre do artigo 167º. O processo de fiscalização preventiva como enxertado no procedimento legislativo parlamentar: os seus efeitos. Percebe-se a regra. Quanto à promulgação. que deriva da chamada lei / dispositivo travão (que existe desde a 1ª República).

Direito Constitucional 1º Ano PROCEDIMENTO LEGISLATIVO GOVERNAMENTAL Regimento do CM .conjunto de normas internas elaborado pelo Conselho de Ministros que define procedimento para elaboração de um Decreto-Lei Iniciativa sectorial de cada ministério:  propostas de lei  decretos-leis  decretos regulamentares e resoluções.  Discussão e votação em reunião de Conselho de Ministros (RCM)  Aprovação de propostas de lei – AR  Aprovação de decretos leis e decretos regulamentares – PR  Aprovação de resoluções – Publicação em DR Parte IV – Inconstitucionalidade e garantia da Constituição Título I – Inconstitucionalidade e garantia em geral Capítulo I – Inconstitucionalidade e ilegalidade Capítulo II – Garantia da constitucionalidade Tanto a inconstitucionalidade como a constitucionalidade são em sentido lato conceitos de relação que entram em linha de conta com duas realidades: uma norma infra-constitucional e uma norma da CRP. Em sentido lato podemos considerar que a inconstitucionalidade corresponde a uma contrariedade entre uma norma e a CRP. Muitos autores têm considerado que as questões essenciais para avaliar um verdadeiro Estado de Direito são as que se reportam às matérias de 123 .  Apreciação de diplomas em Reunião de Secretários de Estado (RSE).  Apreciação pela Presidência do Conselho de Ministros.

Direito Constitucional 1º
Ano

 Estado de sítio e de emergência, porque só através da declaração de estado
de sítio e emergência se podem suspender alguns Direitos, Liberdades e Garantias;
 Inconstitucionalidade, porque se trata de saber como o Estado reage perante
uma contrariedade entre uma norma e a CRP.

É também verdade que em sentido lato a inconstitucionalidade se refere a qualquer
comportamento que contrarie a Constituição. Mas no nosso sistema não se fiscalizam
actos, apenas normas. Ou seja, há que distinguir entre as situações de
inconstitucionalidade e a possibilidade de fiscalização desses comportamentos.

De igual modo, o único tipo de inconstitucionalidade que releva é a directa.

Se nos socorrermos aqui da imagem de uma pirâmide que preveja Constituição, Lei e
Regulamento numa relação recíproca de subordinação, vemos
que daqui resultam ou podem resultar quatro situações:
1ª - lei obedece à CRP, regulamento obedece à lei (ideal).
2ª - lei obedece à CRP, regulamento ilegal (não há inconstitucionalidade
directa, mas ilegalidade e inconstitucionalidade indirecta, desprezando-se em
termos de fiscalização da constitucionalidade).
3ª - lei inconstitucional, regulamento legal (em função da relação com a lei; o
regulamento cai).
4ª - lei inconstitucional, regulamento ilegal.
As 3ª e 4ª situações relevam em termos de fiscalização da constitucionalidade.

Será admissível a inconstitucionalidade de normas constitucionais? Ou seja,
podem existir na Constituição normas que, fazendo parte da constituição formal,
contrariem a constituição entendida em sentido material?

 Para Otto Bachof – Sim
 Para Jorge Miranda – deve ser admitida a existência dessas normas
inconstitucionais apenas no caso da Revisão Constitucional. Se se está no
domínio da Constituição originária esse problema não se põe (porque implicaria
aferir de uma contradição no domínio do mesmo poder constituinte – poder

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Direito Constitucional 1º
Ano

originário – que fez a Constituição). Admite-se antes essa possibilidade quanto
a normas que vêm de um poder derivado que surja por vicissitudes
constitucionais (veja-se o caso da Revisão Constitucional de 2004)

Há dois argumentos que podem aqui ser invocados:
- Hoje é difícil encontrar princípios materiais objectivos, e talvez ainda mais
difícil encontrar diferenças entre Constituição material e formal.
- Nas Constituições como a Portuguesa - compromissórias – é mais difícil
chegar a esse juízo de inconstitucionalidade, porque há uma mistura de
princípios que advêm de várias correntes de pensamento.

Tipos de inconstitucionalidade:
1) Acção  Omissão

- deriva de um comportamento positivo - resulta de um comportamento negativo;
dos órgãos políticos do Estado:algo que de uma abstenção: algo que devia ter sido
não devia ter sido feito e foi. feito e não foi.

2) Total  Parcial

3) Material  Formal  Orgânica

- desrespeito de normas - desrespeito de normas - desrespeito de normas que
materiais. que têm a ver com dizem respeito à
procedimentos. competência do órgão.

4) Originária  Superveniente

- a norma contraria a constituição desde - no momento em que a lei aparece não há
o momento em que surge no problemas de inconstitucionalidade, que
ordenamento. surgem depois, ora porque aparece uma
nova Constituição, ora porque há uma
revisão constitucional.

125

Direito Constitucional 1º
Ano

5) Antecedente  Consequente

- norma que em si mesma é contrária à - não resulta directamente de uma relação
Constituição. de desconformidade com a Constituição,
mas depende de um determinado
pressuposto normativo que contraria a lei
fundamental.

Nem antecedente
- inconstitucional sempre houve fiscalização
---------  da constitucionalidade orgânica – referência à vigência da
Constituição
- inconstitucionalidade de 1933. -- 
consequente

Como se garante a Constituição? Ou melhor, que não haja inconstitucionalidade?

Como mecanismos de garantia da Constituição encontramos na CRP:
 A Fiscalização da constitucionalidade - relação específica entre a Constituição e
uma determinada norma
 A Revisão Constitucional
- garantia  fiscalização da constitucionalidade
 Lei autorização – inconstitucional

- muito mais lato - sistema de órgãos e normas que permite
A adaptação da Constituição é ainda uma
averiguar da forma deespecífica
relação se adaptarentre
aos tempos modernos,
uma norma e
evitando assim a transformação de uma constituição normativa em constituição
a Constituição.
s sentidos da Garantia:
semântica ou nominativa (Lowenstein)
 da Constituição – algo mais, mais amplo (162º a) – em sentido ge

- garantia  fiscalização da constitucionalidade

- muito mais lato - sistema de órgãos e normas que permite
averiguar da relação específica entre uma norma e
a Constituição.

A fiscalização é feita pela positiva e não pela negativa; assim, fiscaliza-se
a constitucionalidade e não a INconstitucionalidade.
126

declaração jurisdicional. vicio em comparação  Inexecutoribilidade  Necessidade de com invalidade.  Insanabilidade. Inidentificabilidade material. Inidentificabilidade formal.  subjectivos – existência do autor ou  subjectivo – objectivados –competência  objectivos – não essenciais / acidentais .  Não produção de efeitos jurídicos. . as normas mais ricas em garantia são as que asseguram tutela jurisdicional (por causa das próprias características da tutela jurisdicional).  Redutibilidade. VÍCIOS DO ACTO DO PODER POLÍTICO INCONSTITUCIONAL .Direito Constitucional 1º Ano O que faz parte do conceito não é a imposição da garantia da norma.  Absolutidade. ou seja. pelo poder político.  Incaducabilidade.  Insanabilidade.  Susceptibilidade de público julgado em  Não necessita de apreciação por qualquer concreto. da intervenção jurisdicional no tocante à apreciação da inconstitucionalidade e da invalidade.Correspondem à violação de: .  Totalidade. competência ou forma. mas a sua possibilidade de garantia. conhecimento e  Motiva o direito de declaração jurisdicionais  Relevo de interesse resistência. De todo o modo. As normas em si recorrem a outras para a sua garantia.Nulidade .Anulabilidade  Improdução total de  Imediatidade. princípio do respeito dos  Natureza declarativa casos julgados.  Menor gravidade do  Inconvertibilidade.  Não vincula ao  Oficiosidade.  O vicio respeita à efeitos. 127 .Elementos -  essenciais  subjectivos – vontade real  objectivos – forma e conteúdo da declaração  funcionais – fim vinculado  acidentais DESVALORES DO ACTO DO PODER POLÍTICO INCONSTITUCIONAL Inexistência Invalidade Irregularidade Ineficácia .  Existe acto. . normas substantivas (normas materiais) recorrem a normas adjectivas ou processuais (normas de garantia).Pressupostos – necessários para que um acto exista e seja válido. tribunal.

como surge o processo de fiscalização  abstracta (independentemente do  concreta – (no seio de um processo caso – pode a norma em causa nunca judicial – consequências para um ter sido aplicada). caso concreto). e 3.sucessiva – (já há acto / norma e a fiscalização é feita nesse momento posterior). .Direito Constitucional 1º Ano In: Marcelo Rebelo de Sousa.ex. Modalidades de fiscalização: 1) Objecto de quaisquer actos (p. assim como a fiscalização jurisdicional pode também ser difusa ou concentrada. mas 128 . 5) Circunstâncias .. do poder político) apenas de normas (caso português) 2) Natureza dos órgãos que a pratica política jurisdicional 3) Nº de órgãos que exerce a fiscalização difusa (vários órgãos) concentrada (num só órgão) É possível fazer o cruzamento entre os critérios referidos em 2. Muitas vezes se ouve dizer. I. ou seja. 4) Tempo (momento em que ela se manifesta) .preventiva – (antes de haver acto). O valor jurídico da acto inconstitucional. 1998. Lisboa. que na fiscalização concreta o TC fiscaliza os casos concretos: o TC não aprecia o caso / não fiscaliza o caso. a fiscalização política pode ser difusa ou concentrada. incorrectamente.

há um incidente no processo. Objectiva – o acto de fiscalização visa a preservação e integridade do ordenamento jurídico. abrange quase todas as . porque surge o propósito de um caso concreto durante o processo judicial. O TC restringe-se à inconstitucionalidade da norma. 8) Acção  Omissão . invocação de uma excepção uma norma tem vícios de para evitar a aplicação de uma inconstitucionalidade determinada norma. principal e abstracta 129 .Direito Constitucional 1º Ano antes a norma que se pretendia aplicar a um caso. Tendencialmente a fiscalização abstracta é objectiva e a concreta é subjectiva. objectiva. modalidades. Mas um caso em que isso não acontece é quando o Ministério Público é obrigado a recorrer ao TC. nos termos do artigo 280º. necessariamente sucessiva. . 6) Interesse Subjectiva – verifica-se uma relevância directa e individual para quem decide arguir a inconstitucionalidade. 7) Processo Principal  Incidental .O objecto do processo é decidir se .

Auts) . constitucionais e nº 5. nº 1.Proc. 281º e 282º CRP .Pres.Reg.1/10 Dep.Falta de medidas legislativas disposto na Constituição desaplicadas em . .Art. c) d) . .Provedor. Efeitos da . Objecto .Provedor. verifica e dá Fiscalização . . .Desaplicação da norma. Leis 281º.normas que infrinjam o .Ministério Público. 280.PR . d) e necessárias para tornar ou os princípios dela.Interdição de .Todos os tribunais. .Leis e D. Internacionais . Reg.Conv. a) b). (Dip. decisões dos tribunais .Normas aplicadas ou . exequíveis as normas Art. . 278º. R. .Art. 204º da CRP .Força obrigatória geral. G. . b). nº 1 a). .PR. . Acórdão de conhecimento aos órgãos ratificação Declaração competentes.Art. Leg. 68º LTC 130 . Regs) . 283 CRP e 67º. 279º da CRP . AR (Leis Org) .Dec.Art. Aut.PR.Acórdão de Julgamento.Art. . 280º da CRP . Direito Constitucional 1º Ano FISCALIZAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE NA CRP Por Acção Por omissão Concreta Abstracta Sucessiva Preventiva Sucessiva Difusa Concentrada Órgão Tribunais comuns TC TC TC TC Competente Iniciativa .Acórdão de Pronúncia. ALR (Regs.veto dos decretos.Dec. nº 3.Pres. Acórdão de Verificação . .Qualquer norma art. Aprecia.RR. .1/5 Dep. Legislação .Partes na causa.PM. .PM. AR . Reg. . (Tratados) . (Leis Org) . c).

Há 3 casos do Tribunal Federal dos EUA que determinam a evolução da jurisprudência do tribunal quanto a esta matéria (hierarquia de recurso também para a fiscalização da constitucionalidade).fiscalização jurisdicional difusa. 1º Madburry vs Madison (1803) 2º Fletcher vs Peck (1810) 3º Martins vs Hunterless (1816) 131 . Modelos de fiscalização em direito comparado: 1) EUA . também o princípio da legalidade era entendido de maneira especial (“legalidade socialista). quando se esquecem os optimistas mitos iluministas liberais e se toma consciência de que a Constituição pode. Na ex-URSS não havia propriamente fiscalização. a cargo de qualquer tribunal. há cada vez mais Estados compostos ou Unitários regionais - compatibilização entre direitos provoca também problemas de inconstitucionalidade. Por outro lado. de facto. O sistema de fiscalização da Constituição começa a aparecer quando deixa de haver optimismo em relação a ela. para podermos falar em sistemas de fiscalização tem que haver uma Constituição em sentido formal (que pode ser flexível ou rígida) e um sistema de garantia. porque como vimos o próprio conceito da constituição era também substancialmente diferente.Direito Constitucional 1º Ano Parte IV – Inconstitucionalidade e garantia da Constituição Título II – Sistemas de fiscalização da constitucionalidade Capítulo I – Relance comparativo e histórico Capítulo II – O regime português actual Se para haver inconstitucionalidade não é necessário que exista uma Constituição formal. ou seja. tendo que ver com uma ideia de programa que imprime uma determinada direcção política. não ser respeitada.

Direito Constitucional 1º Ano . os actos da função política são apreciados por órgãos políticos. mas esta tarefa está cometida apenas a um tribunal. . Japão. Portugal desde 1982 (1ª Revisão da CRP de 1976). Foi a fiscalização política que vigorou em Portugal durante a vigência das Constituições de 1822. Brasil.fiscalização política – Conselho Constitucional é o órgão político que fiscaliza a Constituição.  França – devido à existência do mesmo princípio. 132 . liberdades e garantias. O princípio da separação dos poderes dá origem a ambos os modelos. 2) França . como nos EUA.fiscalização jurisdicional concentrada – a natureza do órgão é jurisdicional (Tribunal). .Temas que mais têm ocupado os tribunais americanos a propósito da inconstitucionalidade: 1º Direitos. 1826 e 1838. Argentina.Exportação deste modelo: Itália. e países escandinavos. Portugal (Constituição de 1911). que surge apenas com a Revisão de 1929. no entanto.Exportação deste modelo: México. 2º Liberdades económicas e organização económica. Canadá. a argumentação / fundamentação é diferente:  EUA – porque existe aquele princípio tem que ser um órgão da função jurisdicional a apreciar a conformidade com a Constituição dos actos legislativos. 3) Áustria . Tunísia. A Constituição austríaca na sua versão originária não prevê no entanto esta possibilidade. 3º Federalismo e repartição das competências entre estados federados e Federação. Espanha.

Direito Constitucional 1º Ano O que é preferível. 133 .A inconstitucionalidade das normas é aferida pelo Parlamento.Constituições monárquicas liberais 1826 1838 .só dando esta competência aos tribunais é que se garante que os tribunais tenham a sua parcela de soberania – estatuto de solenidade. é também menos vulnerável a pressões. Já no âmbito da fiscalização jurisdicional é preferível que ela seja difusa ou concentrada? A doutrina diverge:  argumentos a favor da fiscalização difusa: . Em Portugal:  modelo de matriz francesa: 1822 . a fiscalização jurisdicional ou a política? Parece ser a jurisdicional. dadas as garantias que são apresentadas pelo funcionamento de um órgão com as características de um Tribunal.  argumentos a favor da fiscalização concentrada: .um único tribunal a fiscalizar garante uma harmonia de julgados/de decisões: este sistema garante uma maior certeza do Direito – há uma maior segurança pela ideia de que há uma jurisprudência constante.  por causa dos decretos ditatoriais – ratificados pela Câmara Parlamentar depois de o Governo usar abusivamente do poder legislativo -. o modelo é posto em causa.

entre 1974 e 1976.Comissão Constitucional – funciona junto do Conselho da Revolução ao qual dá pareceres não vinculativos. O estatuto da Comissão.Observa-se a regra de que se mantinha todo o direito anterior que não fosse incompatível com o espírito revolucionário. que vem a estar relacionado com o estatuto dos juízes do TC.As leis constitucionais provisórias entre ’74 e ’76 instituem a fiscalização política. .Na Constituição de 1933 continua a haver fiscalização jurisdicional. . Neste modelo há 3 órgãos a considerar: . qual o tipo de fiscalização em vigor neste período de tempo? .o modo do sistema resulta do acaso de esta parte só ser votada depois de 25 de Novembro de 1975 e depois da 2ª PAC (26 de Fevereiro de 1976). .Conselho de Revolução – também com competência nesta matéria. pode dizer-se ter constituído o embrião do TC. Depois do 25 de Abril. A inconstitucionalidade orgânica não era apreciada normalmente (muito raramente é que isso sucedia e mesmo assim ela só era possível de ser efectuada pela Assembleia Nacional).Direito Constitucional 1º Ano . É a mesma redacção (com ligeiras alterações) que se mantém hoje no artigo 204º da CRP.Tribunais – mantêm-se com o poder de fiscalização. 1971. . mas também há novamente controlo político. 134 . .Na Constituição de 1911 a fiscalização é jurisdicional difusa – artigos 63º e artigo 122º/ 123º com a Rev.Constituição 1976 (versão originária) .

135 . Aquando da Revisão de 1982. mas quase sempre sobre a mesma matéria.  fiscalização por omissão – Conselho da Revolução sob parecer da Comissão Constitucional. . . .  ou era substituído por outro órgão e se mantinha a fiscalização política. .Direito Constitucional 1º Ano As competências de fiscalização da constitucionalidade dividiam-se do seguinte modo:  fiscalização preventiva – Conselho da Revolução.Principais temas da fiscalização: DLG Organização económica Autonomia regional Distribuição de competência legislativa Na Revisão de 1982 o Conselho da Revolução tinha que desaparecer por imperativo constitucional.Fiscalização sucessiva abstracta quase nunca efectuada.  fiscalização concreta – cabe aos tribunais e pode intervir a Comissão.Número de decisões dos tribunais judiciais em relação à fiscalização sucessiva concreta muito elevado. mas apenas em sede de recurso.Efectiva articulação entre Conselho da Revolução e Comissão Constitucional.  fiscalização sucessiva abstracta – Conselho da Revolução sob parecer da Comissão. . o balanço do modelo de fiscalização em vigor foi o seguinte: .Fiscalização por omissão quase inexistente.Fiscalização preventiva quase nunca efectuada.

Processos de fiscalização . Dúvidas que sobressaem da Revisão de 1982: 1. 5. como intervém o TC?  Em termos de recurso.  concentrada  por via principal  necessariamente abstracta . para realização de uma fiscalização jurisdicional concentrada.  ou se seguia uma terceira via.Quem iria compôr o TC? Juízes? Cidadãos designados pela AR e pelo PR?  Eleição de 10 Juízes pela AR que cooptariam os restantes 3.Fiscalização preventiva . 2.Faz sentido manter a fiscalização preventiva?  Sim. 4.Veja-se a propósito do procedimento legislativo. 3.Mantendo-se esta ela será concedida ao TC ou a um órgão do poder político?  Ao TC.Mantém-se a fiscalização jurisdicional difusa.Direito Constitucional 1º Ano  ou se adoptava o sistema da Constituição de 1911 (fiscalização jurisdicional difusa).Fiscalização sucessiva abstracta  concentrada  por via principal  decorre do modelo austríaco 136 . que consistiria na criação do TC.Faz sentido manter a fiscalização da inconstitucionalidade por omissão?  Sim. é o único modo de prevenir que disposições inconstitucionais entrem em vigor.

º 1 1ª parte .  princípio da vinculação (à fiscalização de normas pedidas.: alínea g) do nº2 do artigo 281º). definida nos termos do nº2 do artigo 281º.º s 1 e 5 da LTC) Ver artigos 62º a 66º da Lei do TC.retroactivos – efeitos “ex tunc” – 282º. É um poder funcional das entidades – não é um direito – atribuído em função do cargo que se ocupa. mas não quanto à fundamentação – artigo 51º. podendo nesse caso fazê-lo através do Provedor de Justiça (artigo 52º CRP que estabelece o direito de petição.Força obrigatória geral (a norma desaparece do ordenamento jurídico e não mais pode ser aplicada): . Efeitos da Declaração:  Gerais . Objecto 281º n. Um cidadão não pode dirigir-se directamente ao TC. e em especial artigo 23º).  princípio do duplo ónus de impugnação . É uma faculdade e não uma obrigação.nº 2 e n.º 1 a) – Pode fiscalizar qualquer tipo de norma – independentemente da sua forma. Princípios a respeitar genericamente pelo TC:  princípio de pedido.º 1 – possível pedir também a declaração de ilegalidade das normas (contra leis gerais da República e leis de valor reforçado). para regras específicas para fiscalização sucessiva abstracta. A iniciativa. 137 . n. é tanto um poder genérico para algumas entidades como um poder limitado pela verificação de alguns pressupostos (ex.Direito Constitucional 1º Ano 281º n.

No que respeita a um caso de inconstitucionalidade superveniente. 138 .ressalvados os casos julgados – 282º. quer por razões jurídicas quer por razões políticas – interesse público. o que decorre desde logo da própria necessidade de garantia da Constituição. e há repristinação das normas que entretanto houvessem sido revogadas pela norma ora declarada inconstitucional. e concentrado. só essas são obrigatoriamente publicadas. na medida em que é ao TC que cabe a última palavra. . O TC pode limitar os efeitos nos termos do artigo 282º. respectivamente.º 3 (aplicação do 29º. . porque todos os tribunais podem intervir. É o tipo de fiscalização com maior volume de decisões do TC. mas não há lugar a repristinação e a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos desde a entrada em vigor da nova norma constitucional. No que diz respeito ao momento em que a retroactividade surge. simultaneamente difuso. aliás. nº4. quando à inconstitucionalidade originária e à inconstitucionalidade superveniente.Fiscalização sucessiva concreta Tem hoje um modelo misto.º 4) + excepção.º s 1 e 2 os efeitos. n. n. o artigo 282º da CRP distingue nos seus n. o momento que conta é o da entrada em vigor na norma constitucional e não ordinária como acontece com a inconstitucionalidade originária. Só têm relevância as declarações de inconstitucionalidade e. No caso de uma inconstitucionalidade originária a declaração produz efeitos desde o momento da entrada em vigor da norma ordinária. Continua a haver efeitos retroactivos. Não há relevância da decisão da não inconstitucionalidade – pode mais tarde ser enviada ao TC para apreciação –.Direito Constitucional 1º Ano .

. No caso da fiscalização sucessiva abstracta os efeitos são os previstos no artigo 282º da CRP e a declaração de inconstitucionalidade tem força obrigatória geral.TC. n.recurso apenas da decisão final . A nível material.qualquer norma. o que fica definida é a questão jurídico-constitucional.diplomas regionais.1ª instância – 2ª instância.º s 3 e 5. n.Direito Constitucional 1º Ano ANTES DEPOIS (versão actual do artigo 280º) . apenas casos de . A decisão vincula apenas as partes presentes no processo (a nível subjectivo ou pessoal). .recurso directo – 280º. Quem pode recorrer ao TC?  Partes (defesa subjectiva)– nunca é obrigatório – ver também 280º. . Já no caso da fiscalização sucessiva concreta os efeitos são os previstos no artigo 280º. n.ainda há exaustão de recursos. inconstitucionalidade. obrigatória exaustão de recursos.inconstitucionalidade e ilegalidade.decretos regulamentares. 139 . . . ..recurso de qualquer decisão tomada durante o processo. n.ºs 3 e 5 da CRP. .º 4 CRP e artigo 75ºA LTC  Ministério Público (defesa objectiva – defesa da integridade do ordenamento jurídico) – há casos em que é obrigatório – artigos280º.º 6 da CRP e artigos 71º e 80º LTC. Trata-se aqui de uma decisão de desaplicação – o que acontece é que unicamente naquele caso a norma não vai ser aplicada.decretos-leis / leis. tendo o TC quase funções de contra-legislador.

no caso de falta de regulamento cuja existência é determinada por lei. Também é possível falar de ilegalidade por omissão. ou seja. para o desaparecimento do Conselho da Revolução. estamos necessariamente a ter em conta omissões juridicamente relevantes.não faz em tempo útil. mas apenas a falta dos primeiros é sindicável pelo TC. Segundo Jorge Miranda a revisão constitucional de 1982 era devida como imperativo. Fiscalização por omissão Quanto à fiscalização por omissão.º 3. 140 . . v. enquanto que as decisões em matéria de fiscalização sucessiva concreta o acórdão de julgamento é tomado em secção.Direito Constitucional 1º Ano As decisões de fiscalização sucessiva abstracta são tomadas em plenário do TC.º 3 e 242º. estamos a falar de situações em que uma norma reguladora de determinada acção obriga à prática de outro acto ou actividade em determinadas condições e o órgão disso encarregue (que tem uma obrigação de actuação): . Outros casos de omissão em sentido lato vêm previstos na CRP nos artigos 205º. n.faz apenas parcialmente.nada faz. [199º c)]. . Há autores que dizem que dentro de um conceito de omissão relevante em sentido latíssimo poderemos falar de omissão da revisão constitucional. n. Podemos estar a falar da ausência de actos legislativos ou políticos. .g.

ou seja. não apareceu nos moldes actuais. se desde 1822 em todas as constituições portuguesas houve normas não exequíveis por si mesmas. não haveria omissões legislativas. E ainda assim. Estão em causa. porque se dizemos que a função legislativa é caracterizada pelo princípio da oportunidade. E de facto. Se em fiscalização sucessiva abstracta uma norma pode ser inconstitucional por violar princípios constitucionais. apenas em 1976 surge a fiscalização da constitucionalidade por omissão por causa do entendimento do princípio da constitucionalidade. normas constitucionais não exequíveis por si mesmas. 141 .º1 do artigo 283º. e nos termos do nº1 do artigo 283º. de acordo com a previsão expressa do n.º1 do artigo 283º.Direito Constitucional 1º Ano Mas para efeitos da fiscalização da constituição apenas relevam as omissões legislativas. maioritariamente. a falta de medidas legislativa necessárias para dar exequibilidade a normas constitucionais. e trata-se aqui pois de verificar o não cumprimento da Constituição por omissão. na fiscalização por omissão tem que haver sempre a identificação da norma que é violada. que deriva da violação de uma norma específica. Repare-se que o acto em falta. é uma norma ordinária e não um tratado nem um acto de revisão constitucional. Durante muito tempo houve resistência na aceitação deste processo de fiscalização. A iniciativa está hoje prevista no n.

considerar se as normas em falta já deviam e podiam ter sido elaboradas. mas note-se que até 1982 dependia do entendimento do Conselho da Revolução recomendar ou não a elaboração da norma. vinculação ao princípio do pedido).A cargo do Conselho da Revolução . O TC quando aprecia e verifica a inconstitucionalidade por omissão deve ter em conta as circunstâncias concretas de política legislativa (ou seja. A actuação do TC quando verifica a omissão e dá conhecimento aos órgãos legislativos. 142 . os efeitos deste processo de fiscalização. poderão parecer mais difusos e menos vinculativos dos que resultam de outras fiscalizações. não há por parte do TC uma defesa da CRP no sentido geral (o que se prende também com os efeitos da fiscalização por omissão).º2 do artigo 283º.Efeitos: quando o TC verifica a tinha a possibilidade de inconstitucionalidade por omissão dá recomendação aos órgãos que deviam conhecimento aos órgãos que deviam ter legislado e não o fizeram. Ora assim sendo.Só a pedido de determinadas sem qualquer requisito (não havia entidades. o TC não pode dar a ordem para a elaboração da norma ao órgão legislativo. A partir de 1982 e pelo princípio de separação de poderes. ter legislado.Efeitos: O Conselho da Revolução . não é uma actividade substantiva nem preventiva. . enquanto que agora o TC é obrigado a dar conhecimento da inconstitucionalidade. previstos no n. Estas alterações de regime decorrem essencialmente da passagem de uma fiscalização política para uma fiscalização de tipo jurisdicional. o que implica no fundo avaliar das condições ou possibilidade de legislar). Porque não elabora a norma.A cargo do TC .Direito Constitucional 1º Ano Versão originária da CRP 1976 Versão actual . À primeira vista actualmente o procedimento parece menos garantidor.Podia ser fiscalizada oficiosamente .

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Ac. 156 . n. Direitos. Serviço nacional de saúde e Princípio da proibição do retrocesso social – Ac.º 148/ 94. D Declaração de inconstitucionalidade de norma penal: Ac. Ac.º 324/ 93 . Declaração de inconstitucionalidade: limitação dos efeitos: Ac. n.º 39/ 84.º 1/ 97.º 175/90. Criação de vagas adicionais no acesso ao ensino superior: Ac. Objecção de consciência – Ac. n. n. Ac. n.º 25/84. n. n. n. Direitos sociais : Direito à habitação – Ac. Direitos dos agentes militares e militarizados (restrições): Ac.º 13/ 95. 486/2003. leis e regulamentos regionais. C Controlo político de rendimentos e património dos titulares de cargos políticos: Ac. Propinas universitárias – Ac. n.º 743/96.º 181/ 87. n. Ac. n.º 151/ 93. Reserva do possível – Ac.º 59/ 95. liberdades e garantias : Colheita de órgãos de pessoas falecidas – Ac. nº 810/93 . veto por inconstitucionalidade – Ac. 359/91.º 472/ 95. Restrições. n. nº. Autonomia legislativa regional: interesse específico.º 63/ 85. Liberdade de expressão e imprensa – Ac.º 256/ 90. n. Direitos de liberdade de imprensa e de resposta – Ac. Direitos fundamentais de natureza análoga e reserva parlamentar: Ac. Extensão do regime mais favorável – Ac.º 130/ 88.º 160/92. n. Interrupção voluntária da gravidez – Ac.º 74/84. Deficientes e princípio de igualdade: Ac.Ac.º 363/91.º 289/ 92. Ac.º 651/ 93. n.Direito Constitucional 1º Ano SUGESTÕES JURISPRUDENCIAIS DE DIREITO CONSTITUCIONAL A Assentos: Ac. n. n. n.º 103/ 87. n.º 254/ 90. n. Limites das restrições . n. Uniões de facto – Ac. n.º 346/ 93.º 151/92.º 449/ 87. condicionamentos e regulamentações – Ac. n. Dos trabalhadores: direito à greve – Ac. n. n. Autorizações legislativas: Ac. n.º 150/ 92.º 204/ 94. Ac. n.

Ac.º 182/ 89. Pretérita – Ac. nº. Decisões judiciais (sua exclusão) – Ac.º 355/ 97. Fiscalização concreta: Ac. 157 . Ac. n. n. n. n.º 446/ 91. Ac.º 480/ 89.º 158/ 88.Ac. O Objecto de controlo: Actos políticos – Ac. n.º 195/ 94. n. n. Normas privadas – Ac. n. Norma – Ac.º 276/ 89. n.º 103/ 87. n.º 74/ 87. 201/2004 Limites imanentes: Ac. 232/2004 Inconstitucionalidade: De normas constitucionais . n. Cláusulas das convenções colectivas de trabalho – Ac. n. 334/ 94 I Ilegalidade: violação de princípio fundamental de lei geral da república – Ac. Ac. n.º 631/ 99. Por omissão . n.º 189/ 88.Ac. n. Ac.º 189/ 88.º 172/ 93.º 273/ 88. n.º 11/ 83. n. n.º 150/ 86.º 231/ 94. Imigração: expulsão de indivíduos com filhos a cargo: Ac. Superveniente – Ac. Fiscalização preventiva: Ac. 198/2004 F Ficheiros automatizados sobre dados de saúde: Ac.Direito Constitucional 1º Ano E Escutas telefónicas: Ac.º 442/ 91. Fiscalização incidental pelo Tribunal Constitucional: Ac. n. L Liberdade de imprensa: Ac. n. n. Ac.º 472/ 89.º 26/ 85. N Não retroactividade da lei fiscal: Ac.º 1/ 92.

n. n. n.º 264/ 93.º 248/ 94. n. 158 .º 26/ 85. política de habitação – Ac.º 456/ 93.º 288/ 98.º 458/ 93. R Referenda: Ac. Princípio : Da Igualdade (discriminações positivas) . Ac.º 247/ 93. Ac.º 174/ 93. n. n. n.º 650/ 93. n. n.º 11/ 83. n.º 247/ 93. n.Direito Constitucional 1º Ano P Parlamento e Função Legislativa: Função legislativa e separação de poderes – Parecer n.º 709/ 97. Da protecção da confiança e retroactividade – Ac. n. Da prevalência de lei – Ac. n. Ac.º 448/ 93.º 309/ 94. Da proibição do arbítrio – Ac. Ac. Inquéritos parlamentares – Ac. n. Retroactividade da lei penal mais favorável: Ac.º 12/ 89.º 25/ 84. n. n.º 458/ 93. Ac. Ac. Ac. n.º 227/ 92. n.º 282/ 86. Poder Local: Princípio da autonomia municipal. n. n.º 160/ 93.º 432/ 93.º 16/ 79. n. Ac. n. Ac.º 285/ 92.º 340/ 92. Partidos políticos – Ac. n. Ac. Da proporcionalidade – Ac.Ac. Regulamento: dever de citação de lei habilitante – Ac.º 319/ 94.º 23/ 86. n.º 119/ 84. Ac. n.º 195/ 94. n.º 10/ 83. Ac.º 231/ 94. Ac.º 162/ 85. Da Igualdade perante os encargos públicos – Ac. n. Da precedência de lei – Ac. n.º 191/ 88. n. n. n.º 285/ 92. Reserva de acto legislativo (proibição de regulamento) : Ac. S Segredo de Estado : Ac. n. n.º 103/ 87. Republicano (separação entre as Igrejas e o Estado): Ac. n. Do Estado de Direito democrático – Ac.º 634/ 93. Referendo: fiscalização preventiva de propostas – Ac. Do pedido – Ac. Do Estado de Direito (determinabilidade das leis) – Ac. Ac.º 429/ 93. n.º 479/ 94. Regiões administrativas: Ac. n. Da proibição do excesso – Ac.