ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

REQUERIMENTO Número      /XIII (     .ª)

PERGUNTA Número      /XIII (     .ª)

Assunto: Requalificação da EN125 no Algarve

Destinatário: Ministério do Planeamento e das Infraestruturas

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

Têm chegado ao conhecimento do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda várias denúncias e reclamações
de condutores e outros utentes que circulam na EN125, no Algarve, sobre a requalificação desta via que se
encontra a decorrer. Desta forma, a referida requalificação apresenta erros flagrantes o que, em vez de diminuir,
tem contribuído para o agravamento das dificuldades de circulação nesta via e para o aumento dos acidentes
rodoviários.

Desde a introdução de portagens na Via do Infante pelo anterior governo PSD/CDS, a 8 de dezembro de 2011,
grande parte do tráfego rodoviário passou a fazer-se pela EN125, ficando esta via grandemente congestionada
com extensas e morosas filas de veículos. A requalificação da via, que já devia ter sido concluída há bastante
tempo, tem levado uma eternidade, com obras paradas, ou a desenrolar-se muito lentamente. Ainda no ano
passado, as obras foram suspensas durante o verão devido ao intenso tráfego rodoviário que tem lugar nesta
época do ano no Algarve. Obras que só foram retomadas há pouco tempo e que não ficarão concluídas, mais
uma vez, antes do próximo verão. E a requalificação da EN125 só está a decorrer numa parte da via, entre Vila
do Bispo e Olhão, enquanto na outra parte, entre Olhão e Vila Real de Santo António ainda não se sabe quando
irá arrancar.

Por outro lado, a requalificação da EN125 apresenta clamorosos erros técnicos, nomeadamente com a
existência de largos separadores centrais em cimento no meio da via, estreitas faixas de circulação para os
veículos, rotundas com saídas estreitas, falta de passeios para os peões, traços contínuos em retas extensas e
falta de iluminação. Um dos troços que comporta traços contínuo extensos situa-se entre a cidade de Lagos e
Vila do Bispo.

Um outro troço da EN125, objeto de requalificação no presente momento e que está a suscitar muitas
preocupações e reclamações, situa-se entre a localidade do Chinicato e a cidade de Lagos, numa extensão de
cerca de 2 quilómetros. Não faz qualquer sentido a manutenção e construção no centro da via de um separador
de cimento com vários metros de largura, sem qualquer utilidade e impedindo a existência de vias de circulação
duplas no mesmo sentido. O referido troço também não contempla a construção de passeios pedonais e a
iluminação não existe. Tudo isto acontece na principal entrada e saída de Lagos.

As portagens na Via do Infante e a requalificação em curso da EN125 estão a provocar o caos no trânsito em
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diversos locais do Algarve. Nesta via é comum ver alcatrão esventrado, buracos transformados em “crateras”,
pinos a separar faixas de rodagem, falta de bermas e homens e máquinas a trabalhar no meio da estrada.
Muitos automobilistas são apanhados desprevenidos pelas obras, com a agravante de não existirem
alternativas em muitos troços.

As situações acima referidas, além de gerar o caos no trânsito, contribuem para potenciar a insegurança e os
acidentes de viação (mesmo com a requalificação de parte da EN125). De acordo com dados fornecidos pela
Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, ocorreram no ano de 2016, no Algarve, 10.241 acidentes (mais
751 do que em 2015 e mais 1.903 do que em 2014), com 31 vítimas mortais e 158 feridos graves (grande parte
na EN125).

Os primeiros meses de 2017 estão a revelar-se ainda mais sangrentos. De 1 de janeiro a 15 de abril do
corrente ano, já tiveram lugar na região 2.445 acidentes, mais 34 do que em igual período do ano anterior e
mais 306 do que em 2015. Em relação às vítimas mortais a situação também é muito grave, com 11 mortos
neste início do ano, quando no ano anterior foram registadas 4 vítimas mortais e em 214 foram 7 mortos. Os
feridos graves também dispararam, com 50 este ano, 44 em 2016 e 38 em 2015, no mesmo período.

Os acidentes de viação, com o consequente número de vítimas mortais e de feridos, só irão reduzir-se
drasticamente no Algarve com a eliminação das portagens na Via do Infante, e a requalificação urgente e
adequada de toda a EN125.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério do Planeamento
e das Infraestruturas, as seguintes questões:

1. Tem o Governo conhecimento das situações acima descritas?

2. Pretende o Governo suspender as portagens na Via do Infante enquanto decorrerem as obras de
requalificação da EN125?

3. Vão as obras de requalificação da EN125 ser novamente suspensas, caso não fiquem concluidas até 30 de
junho? Para quando o início das obras de requalificação da via entre Vila Real de Santo António e Olhão?

4. Vai o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas atuar e de que forma, no sentido do corrigir o troço
em requalificação da EN125, compreendido entre a localidade do Chinicato e da cidade de Lagos, e
dotando o referido troço de passeios pedonais e de iluminação?

Palácio de São Bento, 5 de maio de 2017.

Os deputados
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

João Vasconcelos
Heitor Sousa