ARTIGO

ORIGINAL

A importância do limiar anaeróbio e do consumo
máximo de oxigênio (VO2 máx.) em jogadores de futebol
Paulo Roberto Santos Silva1, Angela Romano1, Alberto Azevedo Alves Teixeira2,
Ana Maria Visconti2, Carla Dal Maso Nunes Roxo3, Gilberto Silva Machado3,
José Roberto Rivelino Vidal4 e Luís Antonio Inarra4

Centro de Medicina Integrada, Seção de Fisiologia da Associação Portuguesa de Desportos, SP, Brasil

RESUMO monstraram que os índices de LA e VO2 máx. foram semelhan-
tes e, até mesmo, superiores a vários de estudos publicados
O objetivo deste estudo foi fazer uma abordagem sobre a
sobre essas duas variáveis em jogadores de futebol profissio-
importância do limiar anaeróbio (LA) e o consumo máximo
nal. Entretanto, considerando as posições dos jogadores, não
de oxigênio (VO2 máx.) em jogadores de futebol e comparar os
há um consenso definido sobre os índices mais adequados de
resultados encontrados em nossos futebolistas com os da lite-
LA e VO2 máx. em futebolistas, mas, sim, sugestões.
ratura especializada. Foram avaliados 18 jogadores de futebol
profissional, com média de idade de 24 ± 4 anos, peso de 72,5 Palavras-chave: Jogador de futebol. Limiar anaeróbio. Consumo
± 5,9kg; estatura de 176,5 ± 7,0cm e superfície corpórea de máximo de oxigênio. Ergoespirometria. Medici-
1,91 ± 0,15m2. Todos os atletas foram avaliados após um pe- na Esportiva.
ríodo de dois meses de treinamentos. Os futebolistas foram
submetidos a teste máximo em esteira ergométrica, utilizan- ABSTRACT
do-se protocolo escalonado e contínuo. A resposta de freqüên-
cia cardíaca (FC) foi registrada por meio de um eletrocardió- The importance of the anaerobic threshold and maximum
grafo (HeartWare) de 12 derivações simultâneas e, a pressão oxygen uptake (VO2 PEAK) for soccer players
arterial (PA), por meio de método auscultatório. A ventilação The aim of this study was to make an approach on the im-
pulmonar (VE), o consumo de oxigênio (VO2), a produção de portance of the anaerobic threshold (AT) and the peak oxygen
dióxido de carbono (VCO2) e a razão de troca respiratória uptake in soccer players, and compare the results found in
(RER) foram avaliados por método espirométrico computa- players to those existing in the specialized literature. An eval-
dorizado respiração-a-respiração (MedGraphics Corporation uation was made in 18 professional soccer players aged 24 ±
[MGC]). Os seguintes resultados foram verificados: no (LA): 4; weight 72.5 ± 5.9 kg; height 176.5 ± 7.0 cm, and body
[FC = 173,6 ± 8,6bpm; VO2 = 55,78 ± 5,93ml.kg.–1.min–1; surface 1.91 ± 0.15 m2. Every athlete was evaluated after a 2
velocidade = 14,6 ± 1,0km.h–1]; no exercício máximo [FC = month training period. The soccer players were submitted to
189,5 ± 11,4bpm; VE = 134,1 ± 15,9L.min–1; VO2 máx. = 63,75 a maximum exercise test on treadmill, using incremental con-
± 4,93ml.kg.–1.min–1; velocidade = 17,8 ± 1,0km.h–1; Borg = tinuous protocol. The heart rate (HR) was recorded by means
18,3 ± 1,3 pontos]. Concluindo: Os resultados, comparados of an electrocardiograph (HeartWare) with 12 simultaneous
com os da literatura especializada na modalidade futebol, de- leads and the arterial blood pressure (BP) by auscultation
method. The pulmonary ventilation (VE), the oxygen uptake
(VO2), the carbon dioxide production ( VCO2) and the respi-
1. Fisiologista. ratory exchange rate (RER) were evaluated by means of the
2. Médico do Esporte. breath-by-breath spirometric computerized method (MedGra-
3. Fisioterapeuta. phics Corporation-MGC). The following results were verified
4. Fisicultor. in the AT: HR = 173.6 ± 8.6 bpm; VO2 = 55.78 ± 5.93 mlO2.
kg–1.min–1; running velocity = 14.6 ± 1.0 km.h–1; maximum
Endereço para correspondência:
exercise: HR = 189.5 ± 11.4 bpm; VE = 134.1 ± 15.9 L.
Paulo Roberto Santos Silva
Rua Frederico Bartholdi, 566 min–1; VO2 peak = 63.75 ± 4.93 mlO2.kg–1.min–1; maximum
04193-000 – São Paulo, SP velocity = 17.8 ± 1.0 km.h–1; Borg scale = 18.3 ± 1.3 points.
Tel.: (11) 6331-6481 In conclusion, the results, when compared to those of spe-
Celular: (11) 9998-2591 cialized literature, proved the rate of AT and VO2 peak to be
Rev Bras Med Esporte _ Vol. 5, Nº 6 – Nov/Dez, 1999 225

Previamente à avaliação em esforço. Brasil. duran- vezes inesperadas. exigindo elevado nível de aptidão física. o limiar anaeróbio e o consumo máximo de razão de troca respiratória (RER) foram calculados a partir de oxigênio têm recebido a atenção de vários pesquisadores em valores medidos por um sistema computadorizado de análise diversas modalidades desportivas. As frações rar.70-2. PASrep.) nos jogadores de futebol profissional (n = 18) Idade Peso Estatura SC FC rep. em nos. Consider- Foram avaliados 18 jogadores de futebol profissional.). estatura. (D1 para MC5). Spiroergometry. but only suggestions. pressão barométrica de 702. Anaerobic thresholds.4mmHg (700- INTRODUÇÃO 705) e umidade relativa percentual do ar atmosférico de 52. A calibração do equi- TABELA 1 Idade. são de fundamental importância para um adequado poration. Alguns parâmetros fisiológicos são de grande importância A ventilação pulmonar (VE BTPS). modelo Prevent). principal. todos os atletas foram das por ano. PADrep.9% (28-71). estatura de 176. 2. a produção de dióxido de carbono (VCO2 STPD) e a tas. pressão arterial sistólica (PASrep. o consumo de oxigênio para qualificar o nível de capacidade funcional em futebolis. registradas por impressora a jato de tinta (Hp drões de solicitação energética do futebolista da atualidade. o limiar anaeróbio e o consumo de zircônio de resposta rápida (< 90ms) e elevada precisão máximo de oxigênio.91 ± 0. A calibração foi feita antes e imediatamente após a realização de cada teste OBJETIVO com uma seringa de três litros. expiradas de oxigênio (FEO2) foram medidas por uma célula sos jogadores profissionais. (± 0. de troca gasosa (respiração-a-respiração) (MedGraphics Cor- volvidos. SP. esfigmomanômetro aneróide (Tycos). As condições ambientais durante as realizações dos testes foram as seguintes: temperatura ambiente de 21. (anos) (kg) (cm) (m2) (bpm) (mmHg) (mmHg) 24 72. com média de idade de 24 ± 4 anos sensus on the most adequate AT rates and VO2 peak in soccer (18-31).1 Em nosso país há escassez significativa de estudos que re. o desvio-padrão e as variações mínima e máxima dos dados 226 Rev Bras Med Esporte _ Vol. the players’ position. por meio da literatura especializada em futebol.70- Key words: Soccer players. modelo 6.4). Deskjet. foi medida por método auscultatório indireto. 5.9 ± 7.similar and even superior to several results published about MATERIAL E MÉTODOS such two variables in professional soccer players. Sobre eles recaem solicitações físicas. ± 14. peso de 72.2°C (20-24).5 ± 5. medido por um pneumotacógrafo bidirecional de pressão di- ferencial (MedGraphics. pelo dos importantes para o rendimento físico desses atletas du. 1999 . partamento de Futebol Profissional da Associação Portuguesa mente. sexo. ficam cada vez mais evidentes a valorização e a putadorizado (HeartWare. não dispersante de resposta rápida rante as partidas. princípio infravermelho.18) (46-106) (100-130) (60-80) Os valores significam a média. militam em grandes clubes do Brasil jogam mais de 60 parti. ções segundo Mason e Likar.).0cm (164–188). com modificação da derivação esse novo conceito está mudando significativamente os pa. there is no definite con- dos do sexo masculino. however.1%).5 176. Dentre estes. dois índices de aptidão física considera. Nº 6 – Nov/Dez.7 ± 1.1%) e.91 71 112 64 ±4 ± 5.5 1.0 ± 0. te o teste de esforço. pressão arterial diastólica em repouso (PADrep. utilizando-se vida e apoiada em conceitos científicos bem fundamentados. (< 130ms) e precisão absoluta (± 0. Maximum oxy. as frações de dióxido de carbono (FECO2).8 ± 1. superfície corpórea (SC). 7. to- ing.18) e suas características cardiovasculares em repouso (ta- gen uptake. por meio da monitoração de 12 deriva- te a partida.5 ± players. Jogadores considerados de elite e que de Desportos. modelo 680c) utilizando-se eletrocardiógrafo com- Portanto. pois. O volume ventilatório foi rendimento físico desses atletas durante as competições1-7. quando bem desen. A pressão arterial (PA) preocupação plena com uma preparação física bem desenvol. (VO2 STPD). Assim. o fisiológico. para ser empregado fator de O propósito principal deste trabalho foi verificar e compa. Sports Medicine. freqüência cardíaca em repouso (FC rep. superfície corpórea de 1. modelo CPX Express). bela 1). correção que determinará o volume respiratório.15 ± 13 ±9 ±6 (18-31) (62-83) (164-188) (1. intensas e das mais variadas formas duran.15m2 (1.9kg (62-83). Todos os atletas eram pertencentes ao De- tratam o futebolista brasileiro em vários aspectos. muitas submetidos a eletrocardiograma (ECG) em repouso e.

28. O limiar anaeróbio (LA) é uma zona metabólica a partir do h–1). 40 e 30% da velocidade máxima atingida pelo atleta de em 4% devia-se à experiência dos especialistas. segundos8-14.0mmol.9 e 15. sentou 78% do VO2 máx. tem sido demonstrado que. 13. qualificados atingiram o LA numa velocidade de corrida mais sem que haja acúmulo progressivo de ácido lático no sangue. sem dúvida.4%. Entretanto. O LA. As variáveis ventilatórias. terais ou alas e os meio-campistas apresentaram valores se- melhantes de LA (15. tem sido verificado rotinei- A determinação da capacidade física máxima foi verificada ramente pelos métodos ventilatório (análise de gases expira- realizando-se um teste de esforço em esteira rolante (Inbra. torna-se difícil fazer comparações entre ção (%) variáveis. intensidade progressiva20. porém diferente e sig- RESULTADOS E COMENTÁRIOS nificativamente mais elevados do que os goleiros (13. tanto limiares tes aos de atletas bem condicionados em provas de enduran- ventilatórios como de lactato podem aumentar mais que o ce38.min–1 (tabela 2). no LA. h–1). foi aquecido por quatro minutos estabelecer a relação entre trabalho e concentrações de ácido nas velocidades de 4. 6 e 7km.kg–1. uma vantagem o atleta que con. 5. por eles um pouco abaixo daqueles registrados em corredores qüentemente. Rev Bras Med Esporte _ Vol. que a variação do VO2 no LA era devida ao tipo de protocolo nutos até a exaustão do atleta.0km.5.7km.8km. per- melhor preparado para realizar atividades energéticas de maior centagem de 80. 1999 227 . o atleta ficou critérios de determinação diferentes..h–1) e inclina. respectivamente (na posição horizontal e com inclinação A análise estatística dos dados foi realizada. Nº 6 – Nov/Dez.6km. ou- mistura conhecida de O2. ou não aumentaram28. no teste.h–1 durante um minuto em lático ou mesmo variáveis ventilatórias29-33.VCO2–1) e 2) maior FECO2 ou PETCO2. os metabolismos aeróbio e anaeróbio. iniciou-se o des foram encontradas por Shimizu et al. dos) ou metabólico (análise de concentrações fixas de ácido med. a variabilida- 60. gerando dificuldades para dois minutos em repouso. no LA foi de 86.pamento foi feita antes e imediatamente após cada teste com VO2 máx. eles.kg–1. de 3. Nesse protocolo.5 vs.37. correspondente a um VO2 de capacidade para realizar exercício submáximo prolongado é 55.h–1).5km.h–1 a cada dois mi. ou seja. aos vários critérios e quatro minutos e foi realizada com velocidades controladas a métodos de determinação em 14%. em diversas modalidades esportivas. considera- cada estágio do teste pela escala linear gradual de 15 pontos dos de elite. tem grandes implicações funcionais. com va- nor valor do equivalente ventilatório de dióxido de carbono riação entre 66. CO2 e balanceada com nitrogênio tros estudos sobre treinamento demonstraram que os limiares (N2). o que repre- físico (TF). os jogadores mais Um LA elevado. Green36 e Bangsbo35. Essas dificulda- cada uma. o desvio-padrão e as variações mínima e máxima das pelos jogadores em campo sobre o LA e constatou que os la- variáveis analisadas21. O valor médio da percentagem do Acredita-se que a margem de aumento do LA. Ele também analisou o impacto da posição adotada a média. registradas instantaneamente.. em futebolistas de seu país.8ml. 43. de acordo com estu. Basicamente.min–1). pois cada estudo utiliza procedimentos metodológicos e nuo e inclinação fixa de 3%. em jogadores trar em acidose metabólica precoce. em jogadores de futebol. Entretanto. na VO2 máx. utilizando-se protocolo escalonado contí. altamente treinados. é. mas semelhan- dos controlados. que verificaram teste com 8km.1km. uma fração elevada do VO2 máx. Sua determinação tem implicações práticas im. qual ocorre o desequilíbrio entre a produção e eliminação do Em outro estudo realizado por Green36. Entretanto. Entretanto. modelo ATL-10100) de velocidade (km. pelo TF. alta (14.7%. 5. lático).h–1 e incrementos de 1km.L–1. e utilizou uma concentração fixa de ácido lático [6 a 20] de Borg15-19. a capacidade de enduran- exercício que resultam em níveis de ácido lático sanguíneo no ce submáxima (fração percentual do VO2 máx.) utilizada no LA limite de seu LA3. após períodos de treinamentos24-26.h –1 e 11. o atleta está Bunc et al.34. não foi verificada diferença significa- portantes na prescrição e avaliação dos efeitos do treinamento tiva no VO2 do LA (45. em jogadores de ácido lático.5% do VO2 máx. A percepção subjetiva ao esforço foi verificada em Bangsbo35 avaliou 60 jogadores dinamarqueses. Verificou que o LA utilizando-se os seguintes critérios de determinação: 1) me. atingido. os defesas-central (13. Portanto.h–1).7% do VO2 máx. em exercício de locidade média de corrida na esteira de 14. médio do grupo encontrava-se a 80.27. ficados por Bunc et al. Posteriormente à fase de aquecimento.5 vs.4 e 92. ventilatório e de lactato aumentaram na mesma proporção do foram posteriormente calculadas para o tempo médio de 60 VO2 máx. Sabe-se que atletas em eventos de endurance são capazes Nossos resultados demonstraram que os jogadores estavam de trabalhar por longos períodos de tempo a intensidades de bem condicionados aerobiamente.23. resultados superiores aos veri- mais ampla que o VO2 máx. de média e longa distância.78ml. dois times australianos. Conse. estava bem desenvolvida.h–1) e os atacantes (13. Isso foi correspondente a uma ve- (VE. calculando-se de 5%). mesmo valor foi verificado por Rhodes et al. A fase de recuperação durou de teste em 82% dos casos estudados. resultado considerado intensidade por períodos de tempo mais prolongados.5 verificaram. finalmente.4km. o segue utilizar uma percentagem alta do seu VO2 máx. como a intensidade ótima de transição entre O limiar anaeróbio ventilatório dois (LV2) foi detectado. do time olímpico do Canadá. h–1. sem en. para atletas. 50.22.

0 e 68. citados por Dufour 47.0 e 65. portanto.9ml. cita- me de oxigênio e. pois seus músculos esta.7ml. valores médios abaixo de 60. e jogadores da seleção alemã.0.kg–1. pela neces. Borg (ml/kg/min) (%) (bpm) (km/h) (L/min) (ml/kg/min) (bpm) (km/h) (pontos) 55. Em futebolistas. é mais adequado utili. alguns estu. Apor56. é grande.40.. centagem elevada de O2 no LA (maior fração percentual de min–1.9ml. o desvio-padrão e as variações mínima e máxima dos dados 228 Rev Bras Med Esporte _ Vol. conseqüentemente. em jo- utilizado ao nível do mar39.0. o O2 exerce sua função através das reações químicas mas idades..78 86. realizados em bicicleta ergométrica. 2) no sangue. Enquanto isso.0. de 17 anos.93 ± 11.65) (72-92) (164-190) (13-16) (110. sumos entre 65. apesar de apresentarem valores mais baixos. vados.6-172. presso em termos absolutos (LO2.0. 58.52 e Bell53 veri- ocorre da seguinte forma: 1) por difusão. encontraram 56.0ml.. da causa.0 ± 1. com média de 73. freqüência cardíaca (FC).min–1 foram observados por Caru et al. as dife. Williams et al. tem um limite biológico. A variabilidade do VO2 máx. os valores nalmente aceito como um dos melhores indicadores da capa. riores àqueles verificados em esteira57-60. os eritrócitos (células verme. Berg et al. em média. em jogadores da mento aeróbio realizado pelos atletas foi grande e eficiente TABELA 2 Resultados da aptidão cardiorrespiratória e metabólica no limiar anaeróbio (LA) e no exercício máximo das variáveis ventilação pulmonar (VE). 50. em jogadores de alto nível da Tchecoslová- mento. em indivíduos saudáveis.1 63.8.min–1.0 ± 15.min–1). renças genéticas contribuem.kg–1. 63. Outros estudos não diferem muito desses lhores resultados encontrados na literatura especializada em apontados.min–1) ou relativos à super. Hollman et al. Rico-Sanz et al. do por Ekblom49. Caru et al. o O2 é transportado até as mitocôndrias.6.46 encontraram. 57. 61. outros verificaram rão melhor capacitados para extrair e utilizar um maior volu. o O 2 passa para o ficaram. de 5 a 20% infe- sidade de transportar o peso corpóreo.min–1.54 em fute- por meio desta. É sabido que valores de fície corpórea (mlO2.7 173. pelo treinamento. É importante ressaltar que alta potência aeróbia e uma per. Mundo de 1974. sem se cansar rapidamente. rar a longa duração do jogo.93ml.95-73.1ml.–1. valores entre 50. verificaram con- utilização de O2) em futebolistas são alguns dos fatores consi. finalista e ganhadora da Copa do o VO2 máx.–1. temporada 1996.kg–1. com maior eficiência de movi. consumo de oxigênio (V V O2). muito próximo dos me- 70. Enquanto isso. 58.) e sua importância para o futebolista devido à longa Nossos jogadores treinaram por dois meses. Entretanto.51. valor médio de 69. significativamente.0ml. entre 60. Bunc et al. em oito jogadores dos41-44 demonstraram que. Saltin e Astrand48.kg–1. e Rhodes et al.0ml.0 e 56. não estão adaptados àquele tipo de ergômetro. Jones e Helmes55 encontraram valores mais ele- associadas ao metabolismo aeróbio40.6) (55.kg–1. e 4) bolistas entre 14 e 18 anos de idade.0 e lhas) transportam-no até a membrana celular do músculo. o volume máximo de O2 que pode ser captado. quia.min–1.70-59. independente riabilidade.75 189.6 14.37. Jogadores de futebol zar medidas relativas.3 ± 5. Agnevik. velocidade de corrida (km/h) e escala de percepção subjetiva ao esforço de Borg nos jogadores de futebol profissional (n = 18) Limiar anaeróbio ventilatório Exercício máximo V O2 STPD VO2 FC Veloc.93 ± 5.1 e 61. em futebolistas. consumo de oxigênio no limiar V O2-LA).min–1. em futebolistas com 12 anos de idade. Nowacki. 3) 52. VO2 máx. para sua va. encontrou nos para o Campeonato Brasileiro de Futebol..21). pertencentes a clubes húngaros. Entretanto. 58. Ele tem sido tradicio. citado por O consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.6 134. citado por Dufour47.kg–1. Seu desdobramento no pulmão gadores amadores de várias idades.0 e até mesmo kg.kg.8 18. sendo mais Vários pesquisadores têm demonstrado resultados de adequada a utilização da esteira. entre 55. transportado e Vários estudos têm demonstrado também o VO2 máx. obtidos em bicicleta são. valores entre 66. a modificação dessa variável metabóli. mais expressivos e extremamente altos foram verificados por cidade para o exercício prolongado.min–1).min–1. Contudo. demonstrando.75 ± 4.5.3 (42. futebol (tabela 2). citados por Dufour47.21) (174-210) (16-19) (17-20) Os valores significam a média.0 e 67. derados preditores de boa capacidade do organismo para tole. (VO2 máx.kg.) é definido como Ekblom49. Raven et al. Nº 6 – Nov/Dez. resultados mais baixos de VO2 máx. alguns desses estudos foram ca. Ekblom49. médio do grupo de 18 atletas foi de 63.9 ± 4.0. Pode ser ex.kg–1. nessas mes- nestas.1 ± 8. maior produção de ener.5 17.2 ± 0. VE BTPS VO 2 STPD FC Veloc.6 ± 1. seleção de Porto Rico.7ml. citado por Losada45. 1999 .0ml. Entretanto. Lacour e Flandrois. percentagem do consumo máximo de oxigênio no limiar anaeróbio (%V anaeróbio (V V O2). em preparação duração do jogo. gia durante a partida.–1.4 ± 1. valores entre sangue arterial. Re.9.min–1 (variação de 55.95-73. 63. Portanto.min–1. Isso demonstra que o volume de treina- centemente.kg–1. 5.

consideração a dinâmica mais participativa dos atletas duran- xa intensidade. valores acima de 70. ao contrário. características não implicam. Portanto.. velocidade má- caminhar para a exigência de um padrão mínimo de VO2 máx. dos sistemas energéticos anaeróbios alático te as partidas. está relacionada com fatores como: nível de qua. manter elevado nível de rendimento das pelos jogadores (os defesas laterais e os meio-campistas na presença de fadiga.kg. efeito do treinamento e/ou as funções ocupa.para a maioria dos jogadores.–1. não suportavam mais de bola mais rápida durante as partidas. útil mais longo das partidas e ao maior grau de intensidade de h–1 e o VO2 no limiar anaeróbio maior que 81% do VO2 máx. porém. pois.50 fo- pois o futebol é um esporte com característica intermitente e ram verificadas em nosso grupo de atletas (tabela 2). especificidade. o jogador atual deve ter for- apresentaram valores idênticos entre si. desenvolvimento dessa variável metabólica no futebolista per. que tenha a força de um Na literatura especializada não encontramos um padrão de halterofilista. no transcorrer do ano dentro do músculo. sim. diminuindo as concentrações sanguíneas de amônia primário na melhoria da capacidade para suportar exercícios e lactato.–1. não porque lhes falta- movimento mais longo e acréscimo de tempo por parte dos va capacidade cardiorrespiratória. em futebolistas.kg. Rost e Hollmann 73 e Ekblom49 cícios intermitentes. os resultados encon. a conseqüência é que os atletas diminuem de longa duração e. listas profissionais. tempo. competitivo. Entretanto. da partida. quando mínimo de 60. de vencer resistências e suportar cargas intensas e.kg.–1. durance (aeróbia).0ml. tem modi. de alta intensidade. árbitros ao final dos jogos) configuram esse esporte. durante o jogo. min–1 parecem ser ideais para o futebolista correr eficiente- Estudos realizados por Johansen e Quistorff63 com a técni. demonstraram que a taxa de ressíntese da creatino. do com observações feitas por Holloszy75. mente durante os 90 minutos de jogo. Entretanto. tanto. Portanto.kg. mas. Assim. 1999 229 .–1. na atua- lidade. movimentação dos futebolistas. total ou compacto.5km. influenciando favoravelmente o Essa evidência foi comprovada por vários autores68-71. observados na literatura especializada. ses metabólitos. Nº 6 – Nov/Dez. Coincidentemente. lítica anaeróbia muscular de maneira eficiente durante o jogo. podem comprometer a velocidade e a técnica dos jogadores. pois fosfato (CP) era maior nos atletas com boa capacidade de en. po- intensidade do exercício durante o jogo64-67. durante as atividades de bai. lista um especialista em velocidade. o só acontecerá se houver o equilíbrio entre esses parâmetros. Isso é de grande importância. O futebol tem suas características próprias e que as diferenças observadas nessa variável fisiológica são suas relações são interdependentes. capaz lidade técnica das equipes56. Um estudo feito por Wei- grandes.min–1 ou. acima de 14km. e o atleta precisa resistir de maneira ade. com um maior grau de intensidade e volume de esfor. Aumenta. velocidade. entretanto. índices são fundamentais para o sucesso no futebol interna- O conceito de futebol moderno. Além do que. é importante lembrar que essas posições) ou mesmo se todos esses fatores juntos podem in. A observação de Nowacki74 parece fazer sentido. necessariamente.50. parece cional: VO2 máx. Pelos resultados verificados até o presente e levando em mitirá recuperação mais rápida. rém. ou seja. Portanto. maior que 62. entre 65. veis extremos. levando em consideração seus resultados e os ço realizado pelos jogadores.0ml. as modificações nas ações táticas e técni.–1. carga genética41-44. Entre- de longa duração. têm dificuldade em ativar a via glico- necimento de energia durante períodos de alta intensidade. guíneo nos momentos de repouso ativo e/ou diminuição na ficam muito resistentes aos esforços de longa duração. conseqüentemente. Contudo. ainda. em diversos grupos de de Nowacki74. corredores de maratona. de acor- tas e indivíduos não treinados. o treinamento aeróbio exerce efeito lumosa. após treinamento aeróbio. sugerem que alguns ficado o padrão de solicitação física dos atletas. resistência e flexibilidade. aumenta a velocidade a capacidade de suportar altas concentrações musculares des- de recuperação dos fosfatos (ATP-CP). motivação. superiores aos das outras ca e conjugada. neck e citado por Bauer e Ueberle72 verificou que seus atletas cas somadas às inovações criadas pelas federações (reposição internacionais. 5. Bunc et al.62. o que. de forma harmôni- camos em nossos jogadores. ou seja.min–1.0ml.h–1. discute-se se a verificaram maior potencial oxidativo e número de capilares variação desses valores em futebolistas. responsáveis pelo for.kg. tornam-se perigosos. na opinião ca de ressonância magnética nuclear. Rev Bras Med Esporte _ Vol. tempo útil de bola em que 15 minutos de um jogo de futebol. ao mesmo esquema tático. secundariamente. que atenda às necessidades energéticas imposta pelo tempo velocidade de corrida no limiar anaeróbio. a eficiência na remoção do ácido lático san. há evidente dimi- trados sugerem que a habilidade para recuperar rapidamente nuição do fluxo metabólico alático e lático das fibras muscu- essa via metabólica produtora de energia é dependente de boa lares quando o treinamento aeróbio é realizado de forma vo- capacidade aeróbia.0ml.50 alertam que esse possível sucesso atlético quada às solicitações energéticas aeróbias. Entretanto. era menor em atletas velocis.min–1. desenvolvem lentidão excessiva. durante o transcorrer acreditam que valores de VO2 máx. a resistência de um maratonista e a flexibilidade referência absoluto para o VO2 máx. Notamos de um bailarino.0ml. o que também verifi. seguramente. as observações feitas por Bunc et al.0 e 67. 85. pretensamente nos arriscamos a dizer que o valor (explosão muscular) e lático (resistência à acidose). que sistema transportador de oxigênio. seja o futebo- terferir nos resultados61. O futebol moderno exige um jogador rápido e forte. xima de corrida no teste ergométrico superior a 17. Bunc et al. em ní- atletas.min–1 parece ser razoável em futebo- seus músculos forem freqüentemente estimulados pelos exer. ça. pouco velozes76-78.

longa duração (aeróbio) é mais enfatizado. Longitudinal associations between anaerobic threshold 21:425-31. test. VO2 max. fundamentadas em resultados verificados na literatura. sendo neces.2:137-40. Nakadomo F. J Appl 2. Hanrath P. 8. Holman DF. resultando em queda da atividade dessas enzimas e da 1985. Loftin M. Whipp BJ.28:251-5. Heller J. consenso definido sobre quais são. Scand J duas posições merecem destaque pela solicitação física do Rehabil Med 1970. Eur J Appl Physiol 1978. tion. Respiration 1985. dade máxima de várias enzimas musculares (creatina-quina- 6. 5. Weltman A.12: 25. Pandolf KB. Validity of the relative per- cent concept for equating training intensity. Visconti AM. Sports Training Med Rehabil 1991. Maximum oxygen uptake in athletes.47:120-8. OBLA: a longitudinal study of two different groups. REFERÊNCIAS 39:219-27. Aust J Sci Med Sport 1996. Winter UJ. Shortness of breath: Is it the heart or the lungs? Medical Graphics Corporation 1994. 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An automated system for assessing ionosina-monofosfato (IMP) e amônia [NH3+]) das enzimas metabolic and respiratory function during exercise. bio) é um dos fatores mais importantes a serem atingidos em 20. Med Sci Sports Exerc 1980. variáveis fisiológicas.22:153-5. Ventilatory threshold and VO2 max. se (principais enzimas reguladoras da via glicolítica anaeró- Aspectos propedêuticos no uso da ergoespirometria. Lacour JR. MacDougal JD. Branson RD. Vaccaro P. dos jogadores. é importante salientar que ainda não há um 477-82. licitada durante o jogo. Kocache RMA. AGRADECIMENTOS 1992. Costill DL. Arq Bras Cardiol bia).94130195a EN. J Appl Phy. os futebolis. Z Kardiol 1994. Holmer I. The measurement of energy expenditure: instrumenta- tas têm dificuldade em ativar essa via metabólica. J Sports Med Phys adenilsuccinato-sintase e liase) envolvidas em exercícios de Fitness 1993. Perceived exertion as an indicator of somatic stress. 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Glantz SA. os índices 12. at continuous and pulsatile flows. pois à medida que o treinamento de 35:640-56. Eur J Appl Physiol 1986. Int J Sports Med 3. Bunc V.14:406-11.83-85. própria via glicolítica80. 18. Davis JA. Fukuda T. heart rate deflec- se. há diminuição da concentração intracelular JCC. 24. Ventilatory threshold. Differentiated ratings of perceived exertion during phys- energética alta e contínua durante toda a partida. Watanabe H. Eston RG. função tática. Conseqüentemente.46:1039-46. Katch V. Leso J. em futebolistas. J Phys Environ Sci Instrum 1984. Avaliação funcional multivariada em jogadores de futebol dos principais fatores alostéricos ativadores (adenosina-difos. 15. Roldan A.87. Wilmore JH. pois esses jogadores têm solicitação 17.55:248- por Boot e Thomason79 e Duan e Winder80.82. ical exercise. pirofosfato [pi]. Sprynarova S. fosfofrutoquinase-1 e piruvato-quina- 9. um grande aumento no conteúdo mitocondrial pelo treinamen. 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