COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO

1 Coríntios

SIMON KISTEMAKER

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COMENTÁRIO DO
NOVO TESTAMENTO

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COMENTÁRIO DO
NOVO TESTAMENTO

Exposição da
Primeira Epístola aos Coríntios

Simon J. Kistemaker

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Comentário do Novo Testamento – Exposição da Primeira Epístola aos Coríntios ©2003,
Editora Cultura Cristã. Publicado originalmente em inglês com o título New Testament
Commentary, Exposition of the First Epistle to the Corinthians por Baker Books, uma
divisão da Baker Book House Company, P.O. Box 6287, Grand Rapids, MI 49516-6287.
©1993 by Simon J. Kistemaker.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida,
armazenada em um sistema de recuperação ou transmitida de qualquer forma ou por
quaisquer meios – eletrônicos, mecânicos, fotocópia, gravação ou outro, sem autoriza-
ção prévia e por escrito da editora. A única exceção se constitui de breves citações em
resenhas impressas.
A tradução da Escritura do texto de 1 Coríntios é do próprio autor. As citações da
Escritura, exceto as de outro modo indicadas, são da tradução de Almeida, Revista e
Atualizada. Usada com permissão.

1ª edição em português – 2003
3.000 exemplares
Tradução
Helen Hope Gordon Silva
Revisão
Claudete Água de Melo
Vagner Barbosa
Editoração
Eline Alves Martins
Capa
Expressão Exata

Publicação autorizada pelo Conselho Editorial:
Cláudio Marra (Presidente), Alex Barbosa Vieira,
André Luís Ramos, Mauro Fernando Meister,
Otávio Henrique de Souza, Ricardo Agreste,
Sebastião Bueno Olinto, Valdeci Santos Silva.

EDITORA CULTURA CRISTÃ
Rua Miguel Teles Júnior, 394 Cambuci
01540-040 São Paulo, SP Brasil
C.Postal 15.136 / 01599-970 São Paulo, SP
Fone: 11 3207-7099 / Fax: 11 3209-1255
www.cep.org.br / cep@cep.org.br

Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas
Editor: Cláudio Antônio Batista Marra

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SUMÁRIO

Abreviaturas ......................................................................................... 7
Prefácio .............................................................................................. 11
Introdução ......................................................................................... 13
Comentário

1. Introdução (1.1-9) e Divisões na Igreja, 1ª parte (1.10-31) ............... 53
2. Divisões na Igreja, 2ª parte (2.1-16) ................................................. 105
3. Divisões na Igreja, 3ª parte (3.1-23) ................................................. 143
4. Divisões na Igreja, 4ª parte (4.1-21) ................................................. 181
5. Imoralidade e Litígios, 1ª parte (5.1-13) ........................................... 219
6. Imoralidade e Litígios, 2ª parte (6.1-20) ........................................... 249
7. Problemas relativos ao Casamento (7.1-40) .................................... 291
8. Comida Oferecida aos Ídolos (8.1-13) ............................................. 365
9. Apóstolos e Direitos (9.1-27) ........................................................... 393
10. Admoestações e Liberdade (10.1-11.1) ........................................... 445
11. Culto, 1ª parte (11.2-34) ................................................................. 503
12. Culto, 2ª parte (12.1-31) ................................................................. 567
13. Culto, 3ª parte (13.1-13) ................................................................. 623
14. Culto, 4ª parte (14.1-40) ................................................................. 657
15. A Ressurreição (15.1-58) ................................................................. 723
16. Coleta para o Povo de Deus (16.1-4) e Conclusão (16.5-24) ......... 819

Bibliografia Seleta ............................................................................... 851
Índice de Autores ................................................................................ 867
Índice da Escritura ............................................................................... 873

6

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ABREVIATURAS

ASV American Standard Version
ATANT Abhandlungen zur Theologie des Alten und Neuen
Testaments
ATR Anglican Theological Review
AusBRev Australian Biblical Review
BA Biblical Archaeologist
BAR Biblical Archaeology Review
Bauer Walther Bauer W. F. Arndt, F. W. Gingrich, F. W.
Danker, A Greek-English Lexicon of the New
Testament, 2d ed.
BDT Baker’s Dictionary of Theology
BEB Baker Encyclopedia of the Bible
BF British and Foreign Bible Society, The New Testament,
2d ed., 1958
Bib Biblica
BibOr Bibliotheca Orientalis
BibRev Biblical Review
BibToday Bible Today
BibTr The Bible Translator
BibZ Biblische Zeitschrift
BJRUL Bulletin of John Rylands University Library of Manchester
B of T Banner of Truth
BS Bibliotheca Sacra
BTB Biblical Theological Bulletin
Cassirer A New Testament Translation, E. Cassirer
CBQ Catholic Biblical Quarterly
ChrSchRev Christian Scholar’s Review
ConcJourn Concordia Journal
ConcThMonth Concordia Theological Monthly
CristTheolRev Criswell Theological Review

8 COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO

CTJ Calvin Theological Journal
EDNT Exegetical Dictionary of the New Testament
EDT Evangelical Dictionary of Theology
EphThL Ephemerides théologicae lovaniensis
EvJ Evangelical Journal
EvQ Evangelical Quarterly
Exp The Expositor
ExpT Expository Times
GNB Good News Bible
GThJ Grace Theological Journal
HTR Harvard Theological Review
Interp. Interpretation
ISBE International Standard Bible Encyclopedia, rev. ed.
BJ Bíblia de Jerusalém
JBL Journal of Biblical Literature
JETS Journal of the Evangelical Theological Society
JQR Jewish Quarterly Review
JRH Journal of Religious History
JSNT Journal for the Study of the New Testament
JSOT Journal for the Study of the Old Testament
JTS Journal of Theological Studies
KJV King James Version
LCL Loeb Classical Library edition
Liddell H.G. Liddell, R. Scott, H. S. Jones, Greek-English
Lexicon, 9th ed.
LuthQuart Lutheran Quarterly
LXX Septuaginta
Merk Augustinus Merk, ed., Novum Testamentum Graece
et Latine,9th ed.
MLB The Mordern Language Bible
MM J. H. Moulton, G. Milligan, The Vocabulary of the Greek
Testament, 1930
Moffat The Bible — A New Translation, James Moffatt
MSJ The Master’s Seminary Journal
NAB New American Bible
NASB New American Standard Bible
NCV New Century Version (The Everyday Bible)
NEB New English Bible
NedTTS Nederlands theologisch tijdschrift
Neotest Neotestamentica

ABREVIATURAS 9

Nes-Al Eberhard Nestle; Kurt Aland, rev; NovumTestamentum
Graece, 26th ed.
NIDNTT New International Dictionary of the New Testament
Theology
NIV New International Version
NJB New Jerusalem Bible
NKJV New King James Version
NovT Novum Testamentum
NRSV New Revised Standard Version
n. s. nova série
NTS New Testament Studies
Phillps The New Testament in Modern English, J. B. Phillips
PitPer Pittsburgh Perspective
RB Revue biblique
REB Revised English Bible
ResScRel Recherches de Science Religieuse
ResQ Restoration Quarterly
RevExp Review and Expositor
RevHistPhilRel Revue d’Histoire et de Philosophie Religieuses
RSV Revised Standard Version
RTR Reformed Theological Review
RV Revised Version
SB H. L. Strack, P. Billerbeck, Kommentar zum Neuen
Testament aus Talmud und Midrasch
SBL Society for Biblical Literature
SBT Studies in Biblical Theology
SEB Simple English Bible
SJT Scottish Journal of Theology
Souter Alexander Souter, org., Novum Testamentum Graece
SR Studies in Religion/Sciences Religieuses
SWJourTh Southwestern Journal of Theology
Talmud The Babylonian Talmud
TDNT Theological Dictionary of the New Testament
Thayer Joseph H. Thayer, Greek-English Lexicon of the New
Testament
ThEd Theological Educator [New Orleans]
ThF Theologische Forschung
ThLZ Theologische Literaturzeitung
TheolZeit Theologische Zeitschrift
TNT The New Translation

10 COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO

TR The Textus Receptus: The Greek New Testament
According to the Majority Text
TrinityJ Trinity Journal
TynB Tyndale Bulletin
UBS United Bible Societies Greek New Testament, 3d ed.
VigChr Vigiliae christianae
Vogels H. J. Vogels, org., Novum Testamentum Graece et
Latine, 4th ed.
VoxEv Vox Evangelica
VoxRef Vox Reformata
WBC World Biblical Commentary
WTJ Westminster Theological Journal
WesThJ Wesleyan Theological Journal
WUNT Wissenschaftliche Untersuchungen zum Neuen Testament
ZPEB Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible
ZTK Zeitschrift für Theologie und Kirche

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PREFÁCIO

Meu predecessor, Dr. William Hendriksen, trabalhou incansavel-
mente na redação de comentários para a série Comentários do Novo
Testamento. Mesmo quando sua saúde começou a falhar, ele ainda ini-
ciou o trabalho preliminar para um comentário sobre 1 Coríntios. Ele
havia escrito sobre todas as epístolas paulinas à exceção da correspon-
dência coríntia. Sua contribuição introdutória a este planejado comen-
tário foi publicada postumamente e eu faço referência a elas tanto no
texto como nas notas de rodapé.
Considero um privilégio oferecer este volume aos leitores. Como
outros na série, este comentário foi composto para proveito tanto do
pastor como do estudante sério da Bíblia. Aspectos técnicos foram co-
locados em seções separadas e em notas de rodapé, com o propósito de
tornar mais agradável a leitura deste livro.
A tradução do texto grego é minha. Citações do restante do Antigo
e do Novo Testamentos são geralmente extraídas de “the New Interna-
tional Version”. Citações de outras versões são claramente assinaladas.
O número de artigos e livros especializados recentemente publica-
dos sobre particularidades de 1 Coríntios é realmente fenomenal. Nes-
te volume, procurei fazer uso dessas atuais publicações tanto quanto
possível e citá-las quer nas notas de rodapé quer na bibliografia. Gra-
ças a incessante pesquisa, melhorou muito nossa compreensão da epís-
tola de Paulo dirigida aos coríntios no século I e a nós na última década
do século XX.
Algumas das explicações que apresento neste volume não encon-
trarão consenso universal. Isso é normal para qualquer comentarista
que escreve sobre 1 Coríntios. Apesar das minhas divergências com

12 COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO

relação a outros autores, tenho por eles sincero respeito e recomendo
aos leitores seus livros e artigos. Creio que, em minha exposição, fui
fiel ao texto da Palavra de Deus e que ouvi diligentemente ao que Deus,
por meio de seu servo Paulo, diz a nós.

Simon J. Kistemaker
Páscoa, 1993

13

INTRODUÇÃO

14 INTRODUÇÃO

ESBOÇO

A. Corinto
B. Cronologia
C. Mensagem
D. Destinatários
E. Teologia
F. Autenticidade
G. Características
H. Texto
I. Propósito
J. Esboço

INTRODUÇÃO 15

A. Corinto
1. Localização
A antiga Corinto estava localizada numa extensa planície abaixo do
soberbo Acrocorinto, um cume fortificado de 575 metros de altura na
península do Peloponeso. A subida íngreme do Acrocorinto tornava o
forte praticamente invencível e a própria cidade era relativamente segu-
ra. Da antiga Corinto, a distância até a cidade portuária de Lacaeum,
localizada no golfo de Corinto, era de cerca de três quilômetros ao norte.
A cerca de onze quilômetros para o leste situava-se a cidade portuária de
Cencréia junto ao golfo de Sarônica. Esses dois portos traziam a Corinto
comércio e riqueza. Navios do Ocidente (Itália, Espanha e Norte da África)
levavam seus produtos até Lacaeum, e navios do Oriente (Ásia Menor,
Fenícia, Palestina, Egito e Cirene) aportavam em Cencréia.
Capitães e tripulações relutavam em navegar as duzentas milhas
que circundavam o cabo ao sul da península (cabo Malea), onde tem-
pestades imprevisíveis tornavam a navegação extremamente incerta.
Extravios de navios, cargas e vidas estavam profundamente gravados
na memória tanto dos proprietários dos navios quanto dos marinhei-
ros. Por esse motivo, ou atracavam em Lacaeum ou em Cencréia. Des-
ses portos, transportavam as mercadorias dos navios maiores pelo ist-
mo que liga a península à Grécia central.
A construção de um canal teria facilitado o transporte de mercado-
rias, como Periander (625-583 a. C.) percebeu; mas, em vez disso, pa-
vimentou-se uma ligação terrestre, que se chamou de diolkos. Essa
palavra significa uma plataforma móvel sobre rodas. Pequenos navios
eram colocados sobre as plataformas e arrastados do golfo de Sarônica
no lado oriental até o golfo de Corinto no lado ocidental, e vice-versa.
O volume de mercadorias transportadas através do istmo contribuiu
consideravelmente para a quantia de taxas de circulação de mercadori-
as recolhidas por Corinto.1
1. Jerome Murphy-O’Connor, “The Corinth that Saint Paul Saw”, BA 47 (1984): 147-59.

16 INTRODUÇÃO

Na Antigüidade, o rei grego Demétrio e os imperadores romanos
Júlio César e Gaio Calígula quiseram escavar um canal através do ist-
mo em seu ponto mais estreito (7,2 quilômetros). Nero, mais tarde, deu
início às obras, mas logo teve de abandonar o projeto por várias ra-
zões: finanças, uma crença de que fazer um canal era um ato de sacri-
légio e uma teoria de que os níveis da água nos dois lados do istmo
eram diferentes.2 Josefo relata que Vespasiano, o general das forças
romanas na Palestina, que escravizou um número incontável de ju-
deus, enviou aproximadamente seis mil homens judeus a Corinto para
cavar a passagem pelo istmo em 67.3 Finalmente, na última parte do
século IX e começo do século X, engenheiros franceses construíram e
completaram o canal coríntio.
2. História
A cidade de Corinto aparece na Ilíada de Homero e, portanto, data
do segundo milênio antes de Cristo. Exerceu influência sobre toda a
península, o istmo e parte da Grécia central. No século VII a. C., Co-
rinto alcançou o seu apogeu devido à sua atração para o comércio.
Periander impulsionou o poder comercial de Corinto suprindo o equi-
pamento necessário para transportar navios menores através do istmo.
Mas, durante o dois séculos seguintes, Corinto teve de enfrentar o po-
der rival de Atenas.
Durante a Guerra do Peloponeso (431-404 a. C.), entre Atenas e
Esparta, Corinto aliou-se a Atenas. Essa guerra enfraqueceu Atenas e
Corinto de tal forma que Filipe II da Macedônia subjugou Corinto no
ano 338 a. C. Seu filho, Alexandre o Grande, usou Corinto como um
centro comercial e atração turística. Depois da morte de Alexandre
(323 a. C.), Corinto assumiu a liderança das cidades-estados gregas no
Peloponeso e no sul da Grécia.
Mais tarde, em 196 a. C., os romanos conquistaram a Grécia e con-
cederam a Corinto o direito de liderar a liga das cidades na província
da Acaia. Quando os corintos se rebelaram, cinqüenta anos mais tarde,

2. Suetônio, Life of Apollonius of Tyana 4.24; Plínio, Natural History 4.9-11; Jerome
Murphy-O’Connor, St.. Paul’s Corinth: Texts and Archaeology, Good News Studies, vol. 6
(Wilmington, Del.: Glazier, 1983), pp. 53, 85.
3. Josefo Wars 3.10.10 [540].

7. o principal da sinagoga. mestres e traba- lhadores de muitos países ao redor do Mediterrâneo. Aumen- tavam a população de Corinto. Paulo menciona no- mes latinos de pessoas que viviam em Corinto: Tércio.4 A língua oficial era o latim. Todas essas pessoas viviam e trabalhavam em Corinto ou em suas duas cidades portuárias. artistas. C. a cidade permaneceu em ruínas. Gaio e Quarto (Rm 16.12). o casal judeu Priscila e Áqüila.14. Corinto desfrutava de reconhecimento internacional. Ha- via também mercadores. até que Júlio César a reedificou em 44 a.2. Religião e Cultura Autores gregos e romanos nos séculos que antecederam o surgi- mento do Cristianismo referiram-se muitas vezes a Corinto como a cidade da fornicação e da prostituição. expatriados e escravos. Povo Como um colônia sujeita à lei romana. Crispo. “viver uma vida coríntia”) para descrever a imoralidade da cidade. Tício Justo. esta colônia honra Júlio César. INTRODUÇÃO 17 os romanos. 16. . A população da cidade incluía certo número de judeus de Israel e de outros lugares. Ofici- ais romanos civis e militares. Victor Paul Furnish. destruíram a cidade. e reconstruiu os dois portos de Lacaeum e Cencréia.22. entre os quais estava o procônsul Gálio (At 18.23). artesãos. embora o grego permanecesse a língua do povo simples. “Corinth in Paul’s Time. Em resumo. 4. Os gregos haviam cunhado o termo corinthiazesthai (literalmente. sob Lúcio Mummius. gregos nativos. Por um século. Corinto tor- nou-se uma colônia romana conhecida então como Colonia Laus Julia Corinthiensis (a colônia coríntia é louvor juliano). Corinto tinha um governo semelhante ao da cidade imperial. What Can Archaeology Tell Us?” BAR 14 (1988): 14-27. 1Co 1. Corinto tinha uma dúzia de templos 4. A própria cidade era um centro manufatureiro e os dois portos faziam de Corinto um centro do comércio internacional. 3. A cidade prosperou novamente como um entreposto e centro comercial que atraiu pessoas de várias partes do mundo. filósofos. e Fortunato (At 18.17). contribuíam para sua diversidade e for- taleciam sua economia. residiam em Corinto junto com uma multidão de colonos formada de ex-soldados e libertos (ex-escravos) vindos de Roma. isto é. O interior contribuia para a base agrícola de Corinto.

2-16. mercadores e solda- dos.8 onde. Afrodite. 6. Oster. dos quais. Estrabão escreve sobre a ci- dade de Corinto em época anterior à sua destruição pelos romanos. RB 92 (1985): 359-74. Apolo e Posêidon.9. a presença de uma sinagoga judaica nos dias de Paulo não está em questão. D. O imperador Cláu- dio. o Imperador Cláudio enviou Gálio a Corinto para servir como procônsul (presumivelmente de julho de 51 até junho de 52). Os judeus em Co- rinto tinham sua própria sinagoga. 7. dificilmente era um lugar para altos padrões morais. Os imperadores Júlio César e Tibério haviam dado aos judeus liberdade para praticarem sua religião desde que se abstives- sem de atos de rebelião contra o governo romano. Veja Dan P... 12. Why did Paul Spend Half His Journeys in These Cities?” BibRev 4 (1988): 20-30.10. mas da qual logo o expulsaram. 8. “Aphrodite a Corinthe: Réflexions sur Une Idée Re- çue”. um. ver H. no início. Lucas narra que os líderes judeus arrastaram Paulo até o tribunal (bhma) do procônsul Gálio9 e o 5. O imperador Augusto declarou Corinto a capital da província de Acaia e. As claras exortações de Paulo para fugir da imoralidade (5. dedicado à deusa do amor. também.6 Supomos que a cidade de Corinto e seus dois por- tos. Hera e Hermes. 15-20. embora essa província estivesse sob jurisdição senatorial. algumas vezes o imperador designou procôn- sules para administrar a lei romana. havia reeditado esse decreto imperial.6. Havia também vários altares e templos para as divindades gregas Atenas. “Corinth & Ephesus. 14-26)”. . Consultar Richard E. 11. C.7 Entre os diversos grupos religiosos presentes em Corinto. Assim.1. 6. ZNW 83 (1992): 52-73. 10.5 embora a exatidão dessa afirmação tenha sido questionada por muitos estudiosos. Embora os arqueólogos atribuam uma data do III ou IV séculos para esse lintel. Misuse and Neglect of Archeological Evidence in Some Modern Works on 1 Corinthians (1Co 7. que recebiam uma multidão de navegantes. 8. Cole. “Use. Os coríntios também permitiam que muitos grupos religiosos dife- rentes praticassem sua fé.20. em 146 a. convidaram Paulo a pregar. incluíam- se os judeus. Jr. Arqueólogos descobriram um lintel com a provável inscrição “Sinagoga dos Hebreus”. Entre outros. 9. além de santuários para o culto dos deuses egípcios Ísis e Serapis.18 INTRODUÇÃO ou mais. Saffrey.1-5.8) deixam a nítida impressão de que a promiscuidade não era rara nessa cidade. era conhe- cido na Antigüidade por sua imoralidade. os coríntios cul- tuavam Asclépio. Além do culto a Afrodite. Estrabão Geography 8. e registra a presença de mil prostitutas no templo de Afrodi- te.

não uma questão civil e. Importância Paulo decidiu pregar o evangelho nas capitais das províncias. Supomos que Paulo tenha se ocupado em seu ofício de fabricante de tendas durante esses eventos e. Paulo deve ter assistido aos Jogos do Istmo na primavera de 51. INTRODUÇÃO 19 acusaram de ensinar uma religião contrária à lei (At 18. talvez trinta. não era. Ao contrário dos judeus.24-27). nem mesmo à circunci- são. Mas de- pois que perderam sua causa no tribunal do procônsul. seus ensinamentos enfureceram os oficiais da sinagoga local. Gálio. na primavera. Paulo e a igreja continuaram a pregar o evangelho sem medo de que lhes fizessem mal (ver At 18. Paulo ensinava que os gentios convertidos ao Cristianismo não pre- cisavam se submeter aos rituais da fé judaica. Os jogos incluíam corridas.10). HTR 64 (1971): 169-87. em casas grandes. em casas menores. reuniam no máximo cin- qüenta pessoas e. recusou a acusação. BA 25 (1962): 2-31. Por esse motivo. 27). “The Apostle Paul and the Isthmian Games”. Considerou as 10. a igreja continuou a crescer. ofensiva à população em geral. vista como uma variante da fé judaica. absolutamente. na casa de Tício Justo.13). Os gentios corínti- os mais facilmente poderiam aceitar a fé cristã do que a religião judai- ca. proclamava o evangelho da salvação (ver 9. Os cristãos fundaram igrejas domésticas que. Um acontecimento importante na Corinto cosmopolita do século I eram os Jogos do Istmo. por esse motivo. os cristãos encon- travam-se nas casas de membros da igreja – em Corinto. a in- trodução do Cristianismo. 5. entre as quais. que arrastaram Paulo até a presença de Gálio. sabendo da legitimidade da religião judaica. que morava ao lado da sinagoga. Oscar Broneer. fazendo-se tudo para com todos. . À vista das várias correntes religiosas existentes em Corinto. lutas e corri- da de bigas (comparar com 9.10 Durante seus dezoito meses em Corinto. Para ele. Tessalônica na Macedônia e Corinto na Acaia. e “Paul and Pagan Cults at Isthmia”.22. Esses jogos eram o segundo em importância – o primeiro lugar pertencia aos Jogos Olímpicos – e eram realizados a cada dois anos.12. Porque o Senhor tinham muitas pessoas nessa cidade. o assunto era uma controvérsia religiosa interna. recusou-se a ouvir os ju- deus porque sua acusação nada tinha que ver com a lei romana.

Nessa ocasião. Os membros receberam três visitas (2Co 13. Entre outras coisas. divórcio. . suas palavras não estão limitadas a certas pessoas ou a determinada época.15). as rotas co- merciais terrestres e marítimas se encontravam. ele começou seu duodécimo ano em 25 de janeiro de 52. Paulo devotou seu talento.11). em alguns casos. Procônsul Gálio Lucas informa que Paulo permaneceu um ano e meio em Corinto em sua primeira visita (At 18. Cronologia 1. Sabemos que o mandato para um procônsul era de um ano.20 INTRODUÇÃO capitais como centros estratégicos onde. menciona que a visita de Paulo a Corinto ocorreu quando Gálio servia como procônsul da Acaia (At 18. A mensagem teológica que ele apresenta aplica-se a situações existentes em inúmeras congregações através do mundo. De fato. para outras cidades da região e para muitas partes do mundo mediterrâneo. orientação sadia. o evange- lho finalmente se espalhou para as vilas rurais ao redor. tempo e lágrimas à congregação de Corinto. Conseqüentemente. Paulo deixou por escrito orientações para a igreja universal. Paulo orientou os crentes sobre como lidar com todas as suas dificul- dades. Gálio já havia cumprido quase sete meses de seu proconsulado em Corinto (julho de 51 a junho de 52). Apresentaram diversos problemas práticos que angustiavam a jo- vem congregação coríntia. separação. Como pai dessa igreja específica (4. 11. Arqueólogos descobriram inscrições próximas a Delfos que. Uma vez que Cláudio deu início ao seu primeiro ano de gover- no no dia 25 de janeiro de 41. “The City of Corinth”.11 B. SWJourTh 32 (1989): 5-10. num caso. seus ensinamentos sobre casamento. longas cartas e incessante ora- ção. mencionam o nome Gálio como procônsul da Acaia junto ao de Cláu- dio. No entanto.12). a epístola de Paulo é dirigida a cada crente de qualquer época ou século em todas as partes do mundo. a contar do primeiro dia de julho até o último dia de junho. virgens e viúvas (capítulo 7) servem para todos. Mais do que a qualquer outra igreja. De Corinto. a inscrição especifica a data como o duodécimo ano do reinado do imperador Cláudio e a vigésima sexta vez que ele era proclamado im- perador. Consultar Larry McGraw.1).

podemos dizer. segundo Josefo. Suetônio Cláudius 25. menciona ainda que Suetônio escreveu sobre a expul- são dos judeus por causa dos distúrbios instigados por Chrestus. mas os proibiu de se reu- nirem. em 49. em seu primeiro ano no poder. The Seven Books of History Against the Pagans. Com base na data do proconsulado de Gálio. escreve que.4.2.18) e. então. ao que parece. 2. que aceitamos como estabelecida. Judaeos impulsore Chresto assidue tumultuantes expulit.12 Esse historiador.C. não estava familiarizado com o nome grego Christus (o ungido). Paulus Orosius. mas co- nhecia o nome mais comum Chrestos (o benevolente). D. trad. Paulo Orósio. partiu para Éfeso.: Catholic University Press.6. Priscila. a expulsão dos judeus por Cláudio aconteceu no nono ano do domínio do imperador. Entre os que partiram estavam Áqüila e Priscila. ou seja. INTRODUÇÃO 21 Depois de seu comparecimento diante do tribunal de Gálio. 13. que algum tempo depois chegaram a Corinto.13 Essa proibição foi promulgada em 41. com certo grau de certeza. p. não expulsou os judeus da cidade. que Pau- lo fundou a igreja de Corinto nos anos 50-52.6. (Washington. Desconhecendo a diferença entre Judaísmo e Cristianismo. Conseqüentemen- 12. Paulo per- maneceu ainda muitos dias em Corinto (At 18. 1964). Cláudio decretou que todos os judeus fossem banidos da cidade impe- rial. Deferrari. . série Fathers of the Church. Imperador Cláudio Encontramos outra referência à cronologia em Atos 18.14 O problema é que não podemos encontrar em qualquer dos escritos de Josefo nenhum trecho semelhante a essa afirmação. Dio Cássio afirma que o imperador Cláudio. onde Lucas escreve que Áqüila e sua mulher. 14. Suetônio registra que Cláu- dio “expulsou os judeus porque esses provocavam constantes distúrbi- os sob a instigação de Chrestos”. Historiógrafos romanos fornecem mais informações sobre a expulsão dos judeus. Dio Cássio Roman History 60. Embora Suetô- nio pensasse que Chrestos instigasse pessoalmente os distúrbios. de Roy J. 297. historia- dor cristão do século V. haviam chegado re- centemente da Itália porque o imperador Cláudio (41-54) havia expul- sado todos os judeus de Roma. su- pomos que os judeus em Roma entraram em choque com os seguidores de Cristo. Suetônio não indica a data da expulsão dos judeus.

1984). 1979). The Jews under Roman Rule (Leiden: Brill. Murphy-O’Connor. mas ele escapou durante a noite quando outros cristãos. pp. pp. pp. de uma janela na muralha. Dessa forma. 18. o baixaram num cesto (11. A Chronology of Paul’s Life (Filadélfia: Fortress. 1968).22 INTRODUÇÃO te. pp. Ele relata que o governador preposto do rei Aretas montou guarda na cidade de Damasco para o prender. Depois da morte do imperador Tibério em 16 de março de 37. ela precede imediatamente a primeira vez em que Paulo esteve em Corinto e con- corda com a data seguinte. E. Ao contrário. Chronology. alguns estudiosos questionam a exatidão do relato de Orósio e optam pelo relato de Dio Cássio para datar a restrição da liberdade dos judeus em Roma por Cláudio. se Paulo visitou Corinto pela primeira vez em 41. Apostle to the Gen- tiles. Paul. 22-23. quando Cláudio promulgou seu decreto sobre os judeus em Roma.32. Consultar Robert Jewett. 16. e antes de sua morte. Luedemann.M.: Revell. St. 17. 140. 210-16. Gaio Calígula. há estudiosos que atribuem a Lucas uma memória vaga e falta de per- cepção histórica. 129-40. 1976). . Rei Aretas Paulo faz uma interessante observação histórica em 2 Coríntios. a da chegada de Gálio.18 15. a fuga de Paulo dessa cidade ocorreu depois que Aretas começou a governar Damasco. contudo. Paul’s Corinth. Gerd Luedemann. aceitar semelhantes con- jeturas. J. Murphy-O’Connor. D. Por exemplo.16 Achamos difícil. St. 164-71. vemos 49 como a data da expulsão.15 Preferem essa data à indicada por Orósio. ver também o título americano The Odyssey of Paul (Old Tappan. concedeu a Aretas o contro- le de Damasco como um rei subordinado. pp. ele não poderia ter retornado a Corinto até os primeiros anos da década seguinte. Jewett. Smallwood. época em Gálio se encontrava ali. até 39 ou 40 A. p. Paul’s Corinth. 30-33. Paul. 36-38. p. 1968). C.17 3. dois anos mais tarde. Apostle to the Gentiles: Studies in Chronology (Filadélfia: Fortress. 170. Para onde Paulo foi nesse meio-tempo? Tentando resolver esses problemas cronológicos. seu sucessor. em 37. pp. Aretas IV governou como rei dos nabateus de 9 a. George Ogg. em 51. N. The Chronology of the Life of Paul (Londres: Epworth. Estudiosos que adotam a data mais recuada de Dio Cássio têm de responder a uma série de questões sobre a cronologia das visitas de Paulo a Corinto.33). Por exemplo.

19. o levaram para Cesaréia e o colocaram a bordo de um navio para Tarso (At 9. Tessalônica. convidado por Barnabé. a igreja os enviou ao Concílio de Jerusalém (At 15).18-22). Supomos que Paulo chegou em Corinto no outono de 50. Paulo partiu de Corinto na primavera de 52. onde ensinou por um ano (At 11. Paulo fundou igrejas na Cilícia e na Síria (At 15. 20. em 44 ou 45 (At 11.8 – 17. onde os deixou.21) e. Paulo encontrou-se com Pedro e Tiago por quinze dias (Gl 1.26). quando Paulo e Barnabé pregaram o evangelho na ilha de Chipre e em Antioquia da Pisídia. Igreja de Corinto Logo depois do encontro em Jerusalém.36 – 16. depois de catorze anos.29. navegando com Áqüi- la e Priscila para Éfeso. então. Paulo e Barnabé Ao chegar a Jerusalém. mas 55 é uma data bastante próxima. Ver sua . Os fiéis.1). chegando a Éfe- so provavelmente no outono de 52 (At 18. Ele cruzou o mar Egeu e viajou até Filipos. 20. Paulo iniciou sua segunda viagem missionária pela visita às igrejas na Ásia Menor (At 15. ensinando. INTRODUÇÃO 23 4. continuando sua viagem para Cesaréia. primeiro na sinagoga e depois na escola de Tirano. De- pois. subiu novamente a Jerusalém (Gl 2.29.11).30).31). ali permanecendo por dezoito meses (At 18. Durante esse tempo.5).41.18) e dá margem a controvérsias. Gl 1.18. viajou pela Ásia Menor. Depois de seu retorno a Antioquia. datamos o Concílio de Jerusalém em 49. A primeira viagem missionária aconteceu provavelmente entre 46 e 48. Não temos como especificar a ocasião exata da composição de 1 Coríntios. Permaneceu três anos em Éfeso.19 5. Se considerarmos os catorze anos como referindo-se ao tempo transcorrido desde a conversão. Icônio.23. S.33). e propagando a palavra de Senhor (At 19. Dockx é da opinião que Paulo compôs a carta no primeiro trimestre de 54.20 19. fortalecendo as igrejas.25.1). 20.19).8. temendo pela vida de Paulo. depois de uma ausência de três anos. foi para Antioquia.30). A referência “catorze anos” pode tanto incluir como excluir os “três anos” (Gl 1. Listra e Derbe (At 13-14). Paulo e Barnabé viajaram para a Judéia a fim de oferecer ajuda aos cristãos que padeciam por causa da fome. Paulo escreve que. Beréia e Atenas (At 16. de onde foi para Jerusalém e Antioquia (At 18.

No ano se- guinte.1).1. 378-87. Não dis- pomos de uma data exata da elevação de Festo ao governo em Cesa- réia. Félix manteve Paulo na prisão. Depois de enviar essa epístola.19).: Mercer university Press. Governadores Félix e Festo Tendo partido de Éfeso.24 INTRODUÇÃO De certa forma. (Atlanta: Scholars 1989). in Society of Biblical Literature 1989 Seminar Papers. 3. 1 Coríntios é a continuação de uma epístola anteri- or que Paulo escreveu mas que não foi preservada. Wars 2.14. Jones.4). Paulo foi a Corinto e os visitou “em tristeza”. escrevendo- lhes depois uma carta “com muitas lágrimas” (2Co 2. A visita e a remessa dessa carta provavelmente aconteceram em 55. o go- vernador romano. Paulo compôs 2 Coríntios. em Cesaréia. First Corinthians: A Faith Community Com- mentary (Macon. Paulo diri- giu-se a Corinto para passar o inverno ali (1Co 16. Durante o inver- no de 57. pp. Snyder. por David J. mas Félix deve ter permanecido até uma data entre 52 e 59. Em Jerusalém. Ver também David L.2.6). 6. não conseguiu transmitir sua mensa- gem. Félix já ocupava o posto por vários anos quando presidiu o julgamento de Paulo em Cesa- réia (At 24. Na companhia de Agripa II. RB 81 (1974): 183-95. Paulo chegou em Jerusalém para a celebração do Pentecoste nesse ano (At 20.16. redigiu sua carta aos Romanos.4 [284]. fato que moveu os coríntios a lhe escreverem uma resposta (ver 7. 1992). Paulo respondeu a carta que havia recebido da igreja em Corinto e compôs o que hoje chamamos 1 Coríntios. Ga.17). 21. p. Aparentemente. que estava no décimo ano de seu reinado. . 21. Depois de uma extensa jorna- da a pé pela Macedônia e uma viagem de navio até Cesaréia. Josefo. o que fixa o encontro com Paulo no verão de 59. 8. Agripa começou a governar em março do ano 50. Festo ouviu a defesa de Paulo. Ele havia enviado aos coríntios uma carta ordenando a eles não se associarem com pesso- as imorais (5. Ao que tudo indica. entregando-o a Pórcio Festo.9). Paulo foi preso e enviado a Félix. Durante os últimos dois anos de sua administração. Lull.21 As referências indiretas em Atos e nas epístolas de Paulo à sua vida e ministério fornecem uma cronologia da época de sua conversão “Chronologie Paulinienne de l’Année de la Grande Collecte”. consultar Graydon F. “Luke’s Unique Interest in Historical Chronology”. fortalecendo as igrejas na Macedônia e chegando a lugares tão distantes como o Ilírico (Rm 15. org. 10). No mesmo sentido.

No primeiro versículo sobre esse assunto. a igreja estava dividida em quatro grupos e cada um seguia um líder: Paulo. Conforme lhe haviam dito. permitiu o surgimento de muitos proble- mas. C. tratou do problema como prioridade.1). as virgens (7. o período relativamente breve do ministério de Paulo na igreja de Corinto. Quando um espírito de partidarismo invadiu a igreja de Corinto. Problemas de Liderança A congregação de Corinto significava muito para Paulo: ele escreve que era pai espiritual deles em Cristo Jesus mediante o evangelho (4. Mensagem A epístola foi ocasionada por um relatório trazido a Paulo por mem- bros da casa de Cloe (1. confiantemente. 1.9-20). A delegação formada por três homens da igreja de Co- rinto supriu as lacunas existentes (16. por uma carta dos coríntios (7.1).11). Paulo também tinha ouvido acerca de incesto (5. podemos.1) e Apolo (16. a comida sacrifica aos ídolos (8. Dentro dessa cronologia. O relatório dos da casa de Cloe referia-se às facções que haviam surgido em Co- rinto e estavam destruindo a unidade da igreja. Quando Paulo tomou conhecimento da existência de facções na con- gregação de Corinto.1) e pela chegada de uma delegação da igreja de Corinto (16. Cefas ou Cristo. a igreja de Corinto não primava por estabilidade. Podemos seguramente dizer que. e inferir que ele escre- veu 1 Coríntios dentro dos três anos seguintes à sua partida de Corinto. litígios (6.17). Sem dúvida.15). os dons espirituais (12. INTRODUÇÃO 25 nas proximidades de Damasco até sua viagem a Roma e subseqüente soltura. junto com as diferenças de origem étnica e de status econômico de seus membros. ele apela aos coríntios no nome do Senhor Jesus . Apolo.12).25). A congregação reunia pessoas de várias nacionali- dades e muitas línguas. A carta que ele recebeu de Corinto continha perguntas sobre o casa- mento (7. a coleta para os santos de Jerusalém (16.1). Havia judeus cristãos.1-8) e imoralidade (6. havia também cidadãos ricos e escravos indigentes.1). os quais conheciam as Escrituras do Antigo Testamento e os gentios tementes a Deus que haviam freqüentado as reuniões de adoração na sinagoga local. as pessoas afastaram-se umas das outras e a união deu lugar à discórdia.17). devido a essa diversidade. datar a primeira visita de Paulo a Corinto entre 50 e 52.

assumin- do um espírito de mansidão. p.23 Instruiu os coríntios a entregarem tal homem a Satanás e a expulsarem- no da comunidade (5.5).18-21. Não eram gnósticos. “The Use of the Old Testament in 1 Corinthians”. Paulo aplica a revelação divina ao cotidiano deles.24. Estão incumbi- dos da missão de proclamar e ensinar a revelação de Deus ao povo. 2. Problemas Morais e Sociais Na comunidade de Corinto. perturbado por enfermidades morais e sociais. 2. Paulo os chama de volta à revelação de Deus e aponta Cristo como poder e sabedoria de Deus (1. da igreja de Corinto (de 52 a 55).3). 1971). 138.22 mas adversários do afã de Paulo de ensinar e aplicar o evangelho de Cristo.20-25. razão pela qual proíbe-se a arrogância e o partidarismo. Malan.18-22. 23.10-12). . de John E. Cada membro da igre- ja de Corinto tem de aprender o que as Escrituras têm a dizer e. Por causa da ausência de Paulo.13). Paulo considerou toda a igreja de Corinto responsável por esse pecado e repreendeu seus membros por não se lamentarem.13) subentende uma resposta negativa que afirme a unidade da igreja cristã. um homem mantinha relações sexuais com a mulher de seu pai – um mal que não acontecia nem mesmo entre os gentios (5. Rosner. NeoTest 14 (1981): 134-66. Quem são Paulo e Apolo? A resposta é que são simplesmente servos a quem o Senhor atribuiu a tarefa de levar pessoas à fé nele (3. trad. Esses líderes alegavam serem sábios e filo- soficamente instruídos. 3. Walter Schmithals vê puro gnosticismo cristão em Corinto.sate’: Corporate Responsibility in 1 Corinthians 5”. Paulo ordenou que fosse removida da igre- ja tal infâmia. S. A pergunta retórica: “Cristo está dividido?” (1.5. sem dúvida. eles se opunham e desafiavam a liderança de Paulo e de seus cooperadores (4. eram influenciados pela filosofia grega da época (comparar 1. Steely (Nashville e Nova York: Abingdon.1-6. 12-14. alguns de seus líderes haviam se tornado arrogantes. por três anos. precisa evitar divisões na igreja (4. “‘ouvci. 9. Ver Gnosticism in Corin- th: An Investigation of the Letters to the Corinthians.1-5. não o meio mas o fim do primeiro século é conhecido por um começo embrionário do gnosticismo cristão nas igreja de Corinto. F. ma/llon evpenqh.1). 30). que evitassem divisões e que estivessem unidos numa só mente e num só parecer (1. Contudo.6). essa mácula prejudicaria a eficácia da igreja em Corin- to. NTS 38 (1992): 470-73. Paulo esperava dos cristãos que fossem exemplares quanto à pureza 22.26 INTRODUÇÃO Cristo para que estivessem de acordo uns com os outros. 16. Consultar Brian S. 12.10).

a saber. Com relação às demandas em juízo.24. instou-os que preferissem sofrer injustiça e dano a obter um ganho de causa que inevitavelmente seria prejudicial ao seu próximo (6. solteiras e viúvas. a responsabilidade dos cristãos fortes para com o irmão mais fraco e a unidade da igreja.7. a celebração da ceia do Senhor. 7). mas que fugissem da imoralidade (5. suas diferenças. A igreja enviou uma carta a Paulo em que os membros buscavam sua orientação em questões relativas ao casamento. .8). 3.9. Por essa razão. Paulo fundamentou seu ensi- no na instituição do santo matrimônio no Éden e no pronunciamento de Jesus sobre não quebrar os votos matrimoniais (Gn 2.4-6). Ele atendeu plena- mente à solicitação deles apresentando uma longa exposição sobre um assunto de interesse universal (v. 4. Exerciam a liberdade cristã comprando tal carne no mercado. o fato de cristãos apresentarem suas demandas perante um juiz gentio (6. ninguém apresentou uma exposição mais detalhada sobre questões ma- trimoniais do que Paulo em 1 Coríntios 7. pessoas separadas ou divorciadas. Aplicando a lei de Cristo de amor mútuo. Os cristãos que tinham cons- ciência firme não tinham dúvidas quanto a comer carne num templo idólatra porque consideravam o ídolo como nada sendo e a carne como alimento comum. Problemas Religiosos e Culturais Outra questão sobre a qual os coríntios buscaram orientação foi quanto à atitude que deveriam ter diante de uma prática gentílica: co- mer comida sacrificada a um ídolo (8. Mt 19. Re- petidamente. Outros problemas sociais existentes na comunidade de Corinto esta- vam relacionados a casais. Na verdade. 18).1). INTRODUÇÃO 27 moral em uma sociedade imoral. Paulo ordenou aos coríntios que não se associassem com pessoas sexualmente impuras. A imoralidade também envolvia um mal social. em toda a Escritura. Paulo fez os coríntios recordarem-se de seus ensinamentos anteriores sobre a imoralidade. perguntando se lembravam de suas ad- moestações. instruiu-os de forma clara a encontrarem um homem sábio dentre eles para julgar.9-11. 6. como mediador.1). Mas Paulo chamou a atenção para a consciência do irmão mais fraco. Problemas Eclesiásticos Os quatro capítulos seguintes (11-14) dizem respeito a questões pertinentes ao culto: oração e profecia.

Destinatários Pela leitura cuidadosa da carta de Paulo. pois ele cita passagens de vários livros do Antigo Testamento.12-58 e sua discussão sobre a escatologia. quase um terço da soma total de suas citações diretas são da profecia de Isaías. onde Paulo cita esse profeta dezoito vezes de um total de sessenta passagens do Antigo Testamento. sabemos que alguns judeus aceitaram o evangelho e abandonaram a sinagoga local. o significado do amor. Problemas Doutrinários Nada indica que os leitores tenham pedido alguma orientação de Paulo sobre a doutrina da ressurreição. Paulo escreve que os coríntios corriam o risco de serem desviados do cami- nho por doutrinas errôneas sobre a ressurreição de Cristo (15. Precisamente falando. conhecidos como temen- tes a Deus. Paulo escreveu sobre a expectativa do retorno de Jesus (1. A questão em si precede e segue o eloqüente capítulo sobre o amor (13). Tam- bém gentios que adoravam o Deus de Israel. Do relato histórico em Atos. Essa propensão para citar Isaías também é evidente em Romanos. Isso é revelador por causa do longo discurso de Paulo sobre a ressurreição física do corpo em 15. Judeus e Tementes a Deus O emprego do Antigo Testamento por Paulo em sua epístola revela que ele pressupunha que muitos de seus leitores tinham um conheci- mento básico das Escrituras. Paulo encoraja seus leitores a aguardarem o retorno de Cristo. . ele faz citações de Gênesis. Nas observações iniciais de sua epísto- la.12. D. Deute- 24. que dá tom para a conduta apropriada no culto. 5.24 Além da afini- dade de Paulo com Isaías. creram em Jesus e foram batizados (At 18.28 INTRODUÇÃO os dons espirituais. 1.12). Mas havia chegado ao seu co- nhecimento que alguns membros da igreja de Corinto negavam a exis- tência da ressurreição (15.34). No começo e no fim de sua epístola. Ele revela sua própria predileção por citar mais de um livro que de outro.8). Os problemas referentes aos dons espiritu- ais eram tão graves que a carta que os coríntios enviaram a Paulo pedia que explicasse a questão dos dons espirituais. o profetizar e o falar em línguas e a ordem no culto. podemos aprender algo sobre seus leitores.7-8). 33. Êxodo.

três anos mais tarde. 2. podiam compreender o contexto das passagens citadas e sua aplicação. Também consegui- am entender a profundidade do ensinamento de Paulo e não necessita- vam de explicações adicionais.13. imoralidade e licenciosidade. comiam a carne. Muitos dos tementes a Deus de Corinto haviam adquirido conheci- mento das Escrituras na sinagoga local e na igreja. afastava-se deliberadamente de Deus e esperava o tempo passar embriagando-se. Salmos. Jeremias e Oséias. Não devemos esquecer que permaneceu ali so- mente dezoito meses. inveja. pois Paulo partiu em 52. Convertidos Outras pessoas converteram-se à fé quando Paulo começou seu ministério em Corinto. Paulo repreende o comportamento deles. bebiam vinho e entregavam-se à orgia. INTRODUÇÃO 29 ronômio. esses israelitas matavam bois. Por exemplo. de Isaías 22. o con- texto. Podiam os cristãos de Corinto compreender. O povo de Jerusalém não se arrependia. compreendiam imediatamente a importância histórica dessas pa- lavras. a colocação e a aplicação dessas citações do Antigo Testamento no discurso de Paulo? Cristãos de origem judaica haviam aprendido as Escrituras desde a infância e. que amanhã morrere- mos”. Paulo cita as palavras “Comamos e bebamos. Jó. Em resumo. não podia esperar que cada membro da igreja de Corinto tivesse um conhecimento e uma compreensão perfei- tos das Escrituras. Muitos dos problemas eclesiásticos e sociais nessa igreja surgiram de um discernimento e uma aplicação insuficientes da Palavra de Deus. . familiarizados com a história de Is- rael. ele se firma basicamente nos livros de Moisés e na profecia de Isaías.3). a ponto. Sabiam que Paulo fazia alusão à indiferença do povo de Jerusa- lém quando um exército estrangeiro encontrava-se prestes a devastar o seu país. pela sua conduta estavam desacreditando o templo de Deus. com relação a 1 Coríntios. de imediato. Paulo os faz lembrar que. Em vez de pedir socorro a Deus. Quando escreveu 1 Coríntios. inclusive. assim. Cristãos de origem judaica. marca- do por brigas. de a diferença entre eles ser desprezível (3. Paulo observa que a conduta de alguns cristãos coríntios é idêntica à das pessoas mundanas.

25 mas nove das ocorrências estão no gênero neutro e referem-se a verdades.1. fazem bons julgamentos. 14. ver 3. 3. Eles diziam que todas as coisas eram lícitas.17).30 INTRODUÇÃO como o Espírito de Deus habita neles. satisfaziam seus próprios dese- jos pecaminosos.1. o corpo deles é o templo de Deus. 37. 25.26 Buscavam satisfação sexual. Em vez de servirem ao seu Senhor e Salvador. não são sensuais ou mundanas e aceitam o mandamento do Senhor e obedecem a ele. é o caso. Omanson. dialogando com eles a partir de seus slogans. Deus o destruirá (3. Ver Roger L. BibTr 43 (1992): 201-13. mas Paulo mostra que a imoralidade sexual é pecado contra o próprio cor- po. Paulo escreve a palavra espiritual doze vezes. lhes diz que se tornaram altivos no falar e que carecem de correção (4.17). ao que Paulo respondeu “mas Deus destruirá tanto estes como aquele” (6. Eles se deleitavam em pecados sexuais e sociais e per- mitiam-se tal conduta sob o pretexto da liberdade em Cristo.13. Uma vez mais ele lembra os coríntios que o corpo do cristão é um templo do Espírito Santo (6. difi- cilmente. seria de se esperar que esse termo grego estivesse no masculino plural e aparecesse freqüentemente do início ao fim de 1 Coríntios.37). Quando emprega a forma masculina. 26. mas Paulo afirma que nem todas as coisas são proveitosas.3. Acaso Paulo.11. 46. 15.15. Verificamos que essa carta contém uma série de lemas que eram usados pelas pessoas arrogantes de Corinto.19. e o estôma- go para os alimentos”. Paulo os censura com afirmações contrárias que anu- lam o conteúdo de seus lemas.1. 9. Pessoas espirituais são cheias do Espírito Santo. está se opondo a pessoas que se autodenominam de espirituais? Fosse esse o caso. De maneira franca. Paulo confronta esses arrogantes que queriam tirar o máximo proveito da liberdade cristã. 4. 14.16.13). 10. .44 [duas vezes]. Eles aplicavam o slogan “Todas as coisas me são lícitas” (6. 3. Van- gloriavam-se dizendo: “Os alimentos são para o estômago. “Acknowledging Paul’s Quotations”. se alguém destrói esse templo.12. 15. 1 Coríntios 2.18-21).16.12. Esse.23) à sua conduta diária. quer no singular ou no plural (2. coisas e corpos espirituais. E. com a expressão grega pneumatikoi.1. 12. o termo aparece em con- traste explícito ou implícito com pessoas que são não-espirituais ou crianças em Cristo. 10. Paulo se dirige a esses membros da igreja.

5. A cultura roma- na influenciou a sociedade de Corinto e alguns de seus costumes torna- ram-se parte da vida diária. Quando ofereciam sacrifícios. . Os mem- bros da congregação demonstravam falta de homogeneidade e união enquanto permaneciam em práticas pecaminosas que pertenciam às suas respectivas culturas. judeus e tementes a Deus também eram recém-convertidos ao Cristianismo e precisavam ser instruídos no evangelho. Misuse and Neglect”. Silas e Tito) atenderam às necessidades da igreja. Por exemplo. Oster. Evidentemente. Paulo não usa o termo presbítero. oravam ou profe- tizavam. a. Romanos Depois da reconstrução de Corinto em 44. Fortunato e Acaico. puxavam a toga sobre a cabeça. 3.4. Paulo designou presbíteros em cada congregação que fundou (At 27. Já em sua primeira viagem missioná- ria. pp. Alguns dos líderes na igreja foram Estéfanas e seus dois amigos. Os ex-chefes da sinagoga de Corinto. C. Ele tem em mente o costume dos romanos que.27 4. A congregação de Corinto compunha-se de pessoas den- tre todas as camadas da sociedade e de muitas nacionalidades.. “Use. 67-69. a cidade tornou-se uma colônia romana habitada por um grande número de pessoas dos corpos administrativo e militar e por escravos libertos.15. Paulo escreve sobre véus que cobriam a cabeça de homens e mulheres no culto: um homem não deve ter sua cabeça co- berta quando ora ou profetiza. tam- bém eram considerados líderes. na Itália e nas colônias. Líderes A congregação de Corinto ainda estava em seu estágio de forma- ção quando apóstolos (Paulo e Pedro) e cooperadores apostólicos (Apo- lo.16). Timóteo. Paulo está tentando dizer aos cristãos de Corinto que gostaria que se apartassem de forma clara des- ses costumes romanos e adotassem um estilo de vida cristão. INTRODUÇÃO 31 Muitas dessas pessoas eram recém-convertidos que precisavam ser alimentados na fé. cobriam a cabeça em devoções públicas ou privadas. Crispo e Sóstenes. 13). mas uma mulher que ora ou profetiza deve cobrir sua cabeça (11. mas pede aos membros que se submetam àqueles que haviam se dedicado ao serviço da igreja (16.

6). a seu companheiro de trabalho (1. alguns negavam completamente a ressurreição. pois. sempre com apreço. Comparar com Andrew D. 29. 6. ver também 1Tm 3. Outros estavam fascinados pela oratória dos sofistas gre- gos. ao que parece. dissertação de doutorado. defen- diam interesses diferentes. 3. Winter. mostram que Jesus baseou-se exclusiva- mente nas Escrituras para o seu ensino. ele se dirigiu à igreja em Filipos juntamente com seus “bispos e dáconos” (Fp 1.22).12. contrariamente. Consultar Bruce W.1). Ele tinha de lidar com membros com concepções errôneas acerca da fé cristã.6.28 5. reve- la um estágio inicial de liderança. 5.1). Com o Antigo Testamento em 28. A congregação de Corinto.10. 4. especialmente Mateus. Clarke. 1988.32 INTRODUÇÃO 14. E. Quando chegou a Corinto depois de sua humilhante experiência no Areópago de Atenas (At 17. Apolo era admirado e Paulo desprezado por alguns em Corinto. Os sofistas em Atenas acreditavam possuir os te- souros da sabedoria e seus seguidores procuravam imitá-los.16-34).12). conseqüentemente. Anos mais tarde.12). Esses adversários não for- mavam necessariamente uma frente coesa.1-7). “Are Philo and Paul Among the Sophists? A Hellenistic Jewish and a Christian Response to a First Century Movement”. Adversários Em muitos lugares. as Escrituras do Antigo Testamento eram uma fonte fundamental de informação. nessa epístola. 22. 11. Teologia Para os escritores do Novo Testamento. . Os evangelis- tas. Também instruiu Tito para que constituísse presbíteros em cada cidade na ilha de Creta (Tt 1. Paulo não possuía o dom da eloqüência que Apolo tinha (comparar com 2Co 10. Paulo afirmou não ter vindo aos coríntios “com ostentação de linguagem ou de sabedoria” (2. Paulo observa que os judeus exigem sinais miraculosos e os gregos buscam sabedoria (1. que atraía muitos ouvintes. Influenciados pela filosofia grega.29 Paulo menciona Apolo sete vezes. Paulo demonstra ter encontra- do adversários de seu ministério e doutrina. 16. Macquaire University. TynB 43 (1922): 395-98. “Secular and Christian Leadership in Corinth”.5.4. em sua epístola.23). entre os quais estavam aqueles que ensinavam que não há ressurreição (15.

Brian S.10). Por exemplo. o autor da epístola aos Hebreus ensina a superioridade de Cristo e da doutrina do sacerdócio. Dis- cute as doutrinas do pecado. dizendo: “Uma mulher não deve se separar de seu marido” (7. vinte. compõem a teologia de Paulo a doutrina da igreja em sua relação com o culto e a vida. Mateus 5. Em suas epístolas aos Coríntios. Sua discussão sobre o divórcio começa com os ensi- namentos de Jesus que estão registrados nos Evangelhos. Os exemplos tirados dos capítulos 5-7 revelam que Paulo se baseou nas Escrituras para instruir os leitores na moralidade social e sexual. Levítico.18. Paulo termina suas instruções a respeito do homem incestuoso fazendo uma citação do texto grego de Deuteronômio 17.16). Paulo é um 30. Números. 19. como também alude a elas apresen- tando paralelos verbais em outros lugares em suas duas epístolas co- ríntias. 32.2-12. Não apenas ele cita passagens do Antigo Testamento. três. 21.31 As Escrituras são a base da teologia de Paulo. Êxodo. catorze. inclusive. TynB 43 (1992): 399-401. Lucas 16. Conseqüentemente. Essas alusões e paralelos verbais são predominantemente dos livros de Moisés. de um dito de Jesus. Paulo apresenta esse dito com suas próprias pala- vras.32. 32 dos Salmos e Provérbios.30 Jesus tam- bém faz referência à instituição do casamento (Gn 2. o Cristo e o Espírito Santo. e Deuteronô- mio. Paulo apóia a sua doutrina com citações das Escrituras do Antigo Testamento e. Além disso. além de Isaías.13). à qual ele acrescenta o seu próprio ensino: “O que Deus ajuntou não o separe o homem”(Mt 19. Deus Embora Paulo mencione repetidamente o nome de Cristo Jesus. INTRODUÇÃO 33 mãos. Rosner. 31. doze ocorrências. 1Co 6.24). Marcos 10. Ele denuncia a imoralida- de sexual com uma citação da instituição do casamento no paraíso (Gn 2. . ele o apresenta em relação a Deus. “‘Written for Our Instruction’”. Gênesis. 1.24.6).7: “Expulse o homem mal do seu meio” (5.3-9. da salvação e da santificação do homem e da soberania de Deus. e o ensino da ressurreição. A corres- pondência coríntia está repleta de referências diretas e indiretas às Es- crituras do Antigo Testamento. Paulo apresenta Deus como o Pai.

e o Filho Jesus Cristo. os membros da igreja são descritos como seu campo.20.9. são um.4) aparece na declaração de Paulo. edi- fício e templo (3. p. mas as demais passagens nessa epístola dizem respeito às bênçãos futuras do reino vindouro. trad. Herman N. Além disso. no Novo Tes- tamento. Deus é fonte de poder e sabedoria (1. Junto com outros autores do Novo Testamento.1). Deus escolhe as coisas fracas. Cristo Jesus entregará o reino a Deus. Israel. 50).4).3). A referência ao reino em 4. Noutra parte em suas epístolas. Deus é também Pai de seu povo (1. Ao empregar o termo Pai. porém.18-25). . o Pai. O povo de Deus herdará o reino vindouro junto com Cristo em glória. o reino pertence a Deus. mas pela vontade de Deus (1. 1975). loucas e humildes do mundo a fim de que se gloriem no Senhor (1. “para nós há um só Deus. Deus é Senhor. então. de John Richard de Witt. Cristo recebe esse título.13).24.24). Pela mensagem da cruz e de Cristo. Paulo não distingue entre o senhorio de Deus e de Cristo. o Pai” (8.3). é o único SENHOR” (Dt 6.5) e ao Filho amado de Deus (Cl 1. 10. Mediante Cristo Jesus. Ele se refere ao conceito reino cinco vezes em sua epístola (4.10-15). a saudação é primeiro da parte de Deus. Deus realiza todas as coisas por meio de seu Filho Jesus Cristo. Ele é o Criador e a plenitude de todas as coisas. os quais Deus chamou “à comunhão de seu Filho Jesus Cristo” (1. Paulo rela- ciona o reino a Cristo e a Deus (Ef 5. no Antigo Testamento. Ridderbos. Deus revela sua sabedoria oculta ao seu povo e envia o seu Santo Espírito para que compreendam e discirnam os mis- térios de Deus (2. o SENHOR. 15.26-31). Para Paulo. e. Seguem alguns exemplos de como Paulo identifica essas duas Pessoas: Antigo Testamento Novo Testamento a mente do Senhor a mente de Cristo o dia do Senhor o dia de nosso Senhor Jesus o nome do Senhor o nome de nosso Senhor Jesus a vontade de Deus a vontade do Senhor 33. nosso Deus. 6. 203.33 O credo judaico “ouve. Paul: An Outline of His Theology.9).5-17). o Pai. do Senhor Jesus Cristo (1.6).20 fala do poder atual do reino de Deus. na consumação dos séculos (15.34 INTRODUÇÃO apóstolo de Cristo Jesus. Deus causa o crescimento na igreja pelos seus servos. Paulo dá graças a Deus pelos coríntios (1. (Grand Rapids: Eerdmans. Paulo indica que Deus o Pai.

. Paulo enfati- za a verdade de que Cristo Jesus é Filho de Deus e Senhor de seu povo (1.7. reve- lou-lhe a fórmula da Ceia do Senhor (11. org.14) e os cristãos celebrando a Santa Ceia pro- clamam a morte do Senhor até que ele venha (11.26). A proclamação da ressurreição de Cristo é de suprema importância (15. os israelitas no Egito foram preservados do po- der destruidor do anjo da morte (Êx 12. invocam o seu nome. Jesus Cristo é a figura central em toda a epístola: os que crêem são santificados em seu nome. Para o apóstolo e os destinatários de sua epístola.3-5).2. Em vista disso. por causa de sua experiência de conversão em Damasco. Participando do cálice da comunhão. 35. 9). in Soci- ety of Biblical Literature 1989 Seminar Papers. Cristo O leitor de 1 Coríntios impressiona-se pelo uso repetitivo da ex- pressão. Fee. De forma semelhante. Jo 1.26).18).29. p. onde encontrou- se com o Cristo ressuscitado. “Toward a Theology of 1 Corinthians”.17). respectivamente). 1989). org.6. 271. INTRODUÇÃO 35 Paulo identifica a divindade de Jesus Cristo com Deus. in Society of Biblical Litera- ture 1989 Seminar Papers. Lull (Atlanta: Scholar. completa ou parcial.18. “Theology in 1 Corinthians: Initial Soundings”. por David J.33).23) e o teste- munho sobre Deus (2.25) e sabem que ele. pregar o Cristo crucificado (1. Cristo libertou o seu povo do pecado e da culpa (ver Is 53. Furnish.34 Na igreja.7). nosso Senhor Jesus Cristo. por David J. os cris- tãos ouvem as palavras de Jesus “Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (11. Esse evangelho recebe vários nomes: a mensagem da cruz (1. como supremo sacrifício. o Pai. Hb 9. confessam com gratidão o ensino 34.35 Jesus Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal imolado como um sa- crifício pelo seu povo (5. pelo seu sangue pascal derramado no Calvário. derramou seu sangue por eles. Deus é um Deus de ordem e de paz (14. Pelo sangue do cordeiro pascal que puseram nas om- breiras de suas portas.23-25) e transmitiu-lhe o con- teúdo do evangelho (15. 13). coordena o corpo e esta- belece seus líderes (12. 260. 24 e 28. 1989). Lull (Atlanta: Scholars. Gordon D. Cristo salva o seu povo de sofrer a morte eterna. 2. Consultar Victor P. p.1). Jesus Cristo incumbiu Paulo de pregar o evangelho (1. recebem sua graça e são nele enrique- cidos. Deus atua em todos os mem- bros do corpo de Cristo: dispõe os membros. Por fim. Como sacrifício definitivo pelo povo de Deus.

23.6).28). A questão da subordinação também aparece em outros lugares (15. menciona a obra expiatória de Cristo: sua morte na cruz (1. todas as coisas vieram a existir e.21.11).3). São liber- tados do peso do pecado e da morte e receberam a vida eterna pela morte de Jesus na cruz. Mas como pertencemos a Cristo. o Pai.20. Além disso. O Filho foi enviado para fazer a vontade de Deus.14) e da impossibilidade de servir ao Senhor e aos demônios (10. Jesus Cristo é criador e fonte de vida do seu povo. Paulo escreve. Cristo está su- bordinado a Deus. em o nome do Senhor Jesus e no Espírito de Deus os coríntios foram lavados. o que Paulo escreveu aos coríntios é o mesmo que o mandamento do Senhor (14.13). o Pai. . Apesar de todas as coisas terem sido subordinadas a Cristo Jesus. O preço pago por Jesus para redimir o seu povo foi o seu sacrifício na cruz.2). Por meio do Senhor Jesus Cristo.37).23).4). celebram a festa da Páscoa.36 INTRODUÇÃO do evangelho de que Cristo morreu por seus pecados (15. eles não devem destruir um irmão por quem Jesus morreu (8. assim Cristo está com a igreja hoje e até o fim dos tempos (Mt 28. o Senhor disciplina o seu povo no sentido de julgá-lo (11. em vári- as partes de sua epístola. A palavra de Jesus é definitiva quanto à separação de casais (7. recebe todas as coisas de Deus. compa- rar com Mt 6.11).20). como Paulo indica com a referência à presença espiritual de Cristo durante a jornada de qua- renta anos dos israelitas pelo deserto (10. o seu povo vive (8.10). 7. Cristo pertence a Deus (3.3). Conseqüentemente. o cabeça de cada homem é Cristo. Por último. e o cabeça de Cristo é Deus (11. observamos uma suces- são ordenada: recebemos todas as coisas do Filho.4).32. Lc 16. santificados e justificados (6. Como convidados à mesa do Senhor.24. Além disso.23) como um lembrete aos coríntios de que a redenção deles se realizou por meio da morte de Jesus. que. por duas vezes: “Vocês foram comprados por um preço” (1Co 6. Paulo. ver também 4. por sua vez. o direito de pregadores receberem seu sustento do evangelho (9. Cristo está sempre próximo de seu povo. “para que Deus seja tudo em todos”. 2. Paulo escreve que o cabeça da mulher é o homem. Como esteve com o seu povo no deserto. o Pai. por meio dele.

concede-lhes o dom da imortalidade e lhes dá vitória (15. a seguir. Tendo recebido seu poder do 36. Essencialmente. Devem imitá-lo como ele imita a Cris- to (11. p. Paulo informa que não se apresentou aos coríntios “com os- tentação de linguagem ou de sabedoria” (2.”36 3.19.37 Nesses capítulos. Espírito Santo Em suas referências ao Espírito de Deus. INTRODUÇÃO 37 Paulo exorta os coríntios a imitá-lo. 27). uma vez em cada um. 12. sete ocorrem no capítulo 2. Por Cristo. sete no capítulo 12. Deus trans- formará todos aqueles que pertencem a ele num piscar de olhos (15. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University Press. Paulo atribui. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. 1937). um papel instrumental à terceira Pessoa da Trindade. a fé em Jesus efetua a união de Cristo com o seu povo. Por causa de sua salvação. predomi- nantemente. membros dele (12. De modo nenhum. Observe-se que Paulo menciona a expressão Espírito Santo apenas duas vezes (6. “A redenção final do corpo é parte do triunfo supremo do Filho Encarnado.1).12. 51. John Parry. essas passagens. As demais passagens falam sobre a existência e o poder do Espírito Santo.3-5) devem servir ao Senhor porque ele os cobriu de dons espirituais (1. Os ouvintes do evangelho de Cristo (15.4).1). são o corpo de Cristo e. Mais da metade dessas referências retratam o Espírito como agente a partir de quem. Não se apresentou com palavras persuasivas de sabedoria. De um total de dezoito referências ao Espírito nessa epístola.3). nos capítulos 3 e 7. duas no capítulo 6 e. lvi. sabem que. St. mas normalmente diz o Espírito ou o Espírito de Deus.7). Finalmente.22. individualmente. R. Embora aguar- dem ansiosamente a sua volta. quando ele vier. foram enriquecidos em tudo. A prega- ção do evangelho acontece somente pela operação eficaz do Espírito de Deus. Examinaremos.23.54-57). a qual garante a nossa ressurreição. assim como Cristo também ressuscitou fisicamente den- tre os mortos.15). 37.52). feito ou revela- do. Primeiro. 20. por quem ou por meio de quem algo é dado. mas com uma demonstração do poder do Espírito (2. . Deus redime o seu povo. já que em Cristo Jesus ele se tornou seu pai espiritual (4. Paulo enfatiza a obra do Espírito nos capítulos 2 e 12. fala do Espírito de Deus revelando verdades espiri- tuais profundas e concedendo dons da graça aos que crêem.

Todos esses dons são obra do mes- mo Espírito (12. abaixo.38 Em segundo lugar. Apenas o Espírito de Deus é capaz de compreender e revelar as profundezas de Deus.10.13. Paulo colocou a proclamação do evangelho num plano mais elevado do que aquele da sabedoria humana. Donald Guthrie. E ele concede aos crentes dons espirituais para a edificação do corpo de Cristo. Ou seja. Paulo menciona que uma pessoa é capaz de confessar o senhorio de Jesus somente pelo Espírito Santo (12.11). esse é o único lugar no Novo Testamento que liga o Espírito Santo à obra da justificação dos crentes.16).11). Em sua discus- são dos dons espirituais (cap. Paulo escreve que nós. Aliás. sem a presença do Espírito.9). Paulo descreve as atividades do Espírito com o uso de algumas preposições (colocadas. que está em vocês. Deus possui a sabedoria secreta que revela ao seu povo por meio do seu Espírito (2. Isso fica claro especialmente na asser- ção de Paulo de que o corpo físico dos que crêem são o templo do Espírito de Deus (3. somos todos batizados em um só Espírito (12. rejeita (2. . 10). o Pai. Essas pro- fundezas são inquiridas e interpretadas pelo Espírito. Em resumo. o qual vocês têm da parte de Deus” (6. Os dons espirituais de sabedoria. fé e cura são dados mediante o Espírito (12. o Espírito serve como agente de Deus em relação à salva- ção do povo. mas também como vindo da parte de Deus. por fim. O Espírito ensina aos que crêem em palavras espirituais. 12). as quais o homem. que conhece os pensamentos de Deus (2. 12). é incapaz de compreender e. conhecimento.3). Quarto. em itálico). para revelar ao seu povo verdades espirituais para a sua salvação em Jesus Cristo. o Espírito Santo é enviado por Deus.14). E. a estreita relação entre Deus e o Espírito não se evidencia apenas na identificação do Espírito como sendo de Deus. Os que crêem foram justificados espiritualmente no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de Deus (6.13). New Testament Theology (Downers Grove: Inter-Varsity. 38. 1981).8.38 INTRODUÇÃO Espírito. Sua obra inclui a obra da santificação e justificação dos santos.19). Terceiro. que formamos o corpo de Cristo. 550. Paulo diz: “o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo. O Espírito santifica e também justifica o povo de Deus. por isso. p. a presença santificadora do Espírito Santo nos cristãos indica que o corpo físico é um templo no qual Deus se agrada habitar.7.

1 Tessalonicenses e 2 Tessalonicenses. duas em Filipenses. bem mais do que os dezoito meses que esteve em Corinto. Assim é o corpo espiritual de Cristo (12.16b.33) e “igrejas”(14. embora muitos.34). . fazem-no para adorar seu Senhor. respectivamente. tinha um interesse espe- cial no bem-estar espiritual da igreja de Corinto. INTRODUÇÃO 39 4. Paulo afirma repe- tidamente que seu ensino e admoestações destinam-se a “cada igreja” (4. 27).1-3). Os da Galácia expressaram homogeneidade com a comunidade de Corinto por sua demonstração de um interesse comum em enviar um donativo aos santos em Jerusalém (16. Ensina primazia. três em 1 Timóteo. três em Gálatas. Culto Quando os membros da igreja se reúnem regularmente. Das 61 ocorrências do termo ekklesia (igreja) nas epístolas de Paulo.17). emissários (Timóteo e Tito) e visitas pessoais. Paulo enfatiza a unidade da Igreja de Cristo com uma referência à celebração da santa comunhão. 21 encontram-se em 1 Coríntios. por implicação. porque todos participamos do único pão” (10. a. Noutra parte.14. “O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós. a qual ele aconselhou por meio de cartas. “todas as igrejas” (7.17. nove em 2 Coríntios. quatro em Colossenses. Paulo compara a igreja de Corinto com o corpo humano feito de muitos órgãos comple- tamente dependentes uns dos outros.12. nove em Efésios. respectivamente. Paulo dedica vários capítulos a esse assunto específico (capítulos 11-14). um só corpo. é na correspondência coríntia que Paulo emprega a palavra igreja com maior freqüência. Esforçando-se pela unidade na Igreja universal.16. oram e profetizam no 39.17). prescreve decoro no vestir quando homens e mulheres. Todavia.39 Ele fundou muitas igrejas e permaneceu em Éfeso por quase três anos. Esses órgãos formam um corpo harmoniosamente reunido para funcionar apropriadamente. somos unicamente um pão. b. da Igreja universal. E as igrejas na província da Ásia enviaram suas saudações à congregação de Corinto (16. cinco em Romanos.19). Natureza da Igreja A congregação em Corinto demonstrou desdém pela unidade da igreja local e.11. e uma em Filemom. Igreja Dentre todas as suas epístolas.

Paulo discute em detalhes a prática coríntia da profecia e do falar em línguas.28-30).1-3).16). 8. p. 1987]. Até mesmo punham em dúvida a validade de seu apostolado (9.13).40 c. Por isso. profetas.3) e ao batismo como uma iniciação ao corpo de Cristo (12.41 Novos convertidos gentios tentaram introduzir a sabedoria e o espírito do mundo na igreja (2. 41. fortalecer e encorajar os crentes (14. Não sendo esse o caso. sem omitir uma referência à confissão de fé “Jesus é Senhor” (12. o que fala deve ficar calado (14. discute aparência aceitável. 19). Dons No contexto de três capítulos (12-14). governos e variedade de línguas e intérpretes (12. 22) exclui a discussão de Paulo sobre o casamento (7. 3. Mas mesmo essa última passagem não está livre de controvérsia (ver 11. Paulo recapitula o ensino sobre a celebração da ceia do Senhor. Dentre esses dois dons. 373. d. Deus instituiu apóstolos.3). 12. Depois de listar esses dons espirituais.40 INTRODUÇÃO culto. dons de curar. Paulo permite o falar em línguas somente quando isso comunica ver- dades inteligíveis à igreja para a edificação e instrução. instrui os coríntios a examina- rem-se a si mesmos antes de participarem dos elementos sagrados e exorta os coríntios a exercitarem moderação (11.6-19). operadores de milagres. Paulo reflete sobre os dons espirituais que Deus deu à igreja. socorros. New Testament Theology. Para benefí- cio da igreja. Paulo os censura aspera- 40. p. ordenadamen- te e num contexto de amor (14.1. transmite as palavras da instituição da Comunhão. critica com severidade distinções de classe e comportamento inconveniente à mesa do Senhor. o batismo significa ser batizado com o Espírito de Cristo.8-10). Gordon D. A profecia deve edificar.28). Disciplina Detectamos um relacionamento desgastado entre Paulo e a igreja em quase cada capítulo dessa epístola.5. 755. Comparar com Guthrie. Paul. p. Esses dons variam desde o da sabe- doria até o de falar em línguas e interpretá-las (12. .1-40) e sobre o decoro no culto (11. ele considera a profecia superior ao falar em línguas. Fee (The First Epistle to the Corinthians in New International Commenta- ry on the New Testament series [Grand Rapids: Eerdmans. Alguns dos membros eram tão arrogantes que queriam tomar de Paulo a liderança da igreja.2-16). n. Nesse con- texto. mestres.3-34). Ridderbos. 3.

Ressurreição De todos os escritos de Paulo. a própria colheita está próxima. Quando as primícias dos grãos maduros são colhidas. 23). O fato redentor de que Cristo ressuscitou dos mortos é para todos os crentes a garantia de que tam- bém eles ressuscitarão (6.22): pelo homem veio a morte pelo homem veio a ressurreição dos mortos 42. Pau- lo teve de instruí-los a exercer disciplina (5. “Realized Eschatology at Corinth”. 1 Coríntios 15 figura como o capítu- lo por excelência sobre a ressurreição. 2Tm 2.37). 15. ver Anthony C. Paulo descreve Cristo como as primícias daqueles que morreram (15. Paulo afirma que suas palavras são divinamente inspiradas porque Je- sus está falando por intermédio dele (14. 510-26. 10.42 Ele apresenta essa doutrina por meio de um paralelismo tipicamente semita (15.12). porque participar da comida oferecida a um ídolo anula a comunhão com Cristo à sua mesa (8. Proibiu os coríntios de irem aos templos pagãos para refeições de comunhão. alguns coríntios estavam vivendo como pessoas mundanas numa comunidade cristã.21. Como uma última censura àquelas pessoas que se julgam espiritualmente dotadas. NTS 24 (1977-78). INTRODUÇÃO 41 mente e pergunta se deveria ir ter com eles “com vara ou com amor e espírito de mansidão” (4.12).33.1-13.1-35). 5. Aqueles que arrogan- temente repudiam o ensino de Paulo deveriam saber que Deus os repu- dia (14.16). A congregação de Corinto não foi capaz de exercer sua responsabi- lidade como corpo e expulsar um homem incestuoso de seu meio. Também censurou o comportamento imoral de algumas pessoas que queriam aplicar a li- berdade cristã aos costumes sexuais (6. comparar com Mt 10. . Para uma discussão abrangente.36.12).15.14. 14. o fato permanece de que Paulo ensina a ressurreição física do povo de Deus.21). Alguns coríntios negavam a ressurreição (15.17-34. Thiselton.1-22).38. 13). O mandamento de Paulo para que houvesse ordem à mesa do Se- nhor e sua instrução em defesa do culto edificante são medidas corre- tivas que a igreja deveria implementar (11. Se eles espirituali- zavam sua própria ressurreição dos mortos ou não.20. Em vez de viverem como cristãos numa sociedade pagã.5.

43 43. Das profecias de Isaías e Oséias (Is 25. contudo. um espírito vivificador.52). mas também indicam que seus escritos encontram-se em linha de continuidade com a Palavra de Deus revelada. Paulo escreveu suas cartas aos Coríntios fazendo citações diretas e adaptadas do Antigo Testamento. Seus escritos. por vezes. “How the New Testament uses the Old”.8. Earle Ellis. sua atenção não se dirige a palavras espe- cíficas. ó inferno. ó morte. ó morte. A profecia de Isaías lê: “Tragará a morte para sempre”. respirando o ar das Escrituras. As Escrituras não só sustentam o ensino de Paulo. e Oséias tem: “onde estão. Em conclusão. in New Testament Inter- . Paulo substitui livremente as pala- vras da Escritura pelo termo vitória com o qual culmina o seu discurso sobre a ressurreição. além de alusões a ele.45-49). porque Cris- to tem a autoridade de erguer seu povo da sepultura e transformá-los em corpos gloriosos e realizar esse ato redentor num piscar de olhos (15. Paulo menciona Adão. para sua teologia. que é o cabeça da raça humana. Paulo afirma que Adão tornou-se um ser vivo. Paulo explica o texto do Antigo Testamento para que sirva à linha mestra de sua mensagem inspirada. O primeiro Adão. e Cristo. o teu aguilhão?”. O contraste é incomparável. Paulo cita versos que falam sobre a morte: “Tragada foi a morte pela vitória” e: “Onde está.42 INTRODUÇÃO todos os que estão em Adão morrem todos os que estão em Cristo serão levantados. Quando Paulo afasta-se. a tua destruição?”. o segundo Adão removeu a maldição e concede vida eterna a todos os que nele crêem. ó morte. demonstram a ação do Espírito Santo. que é o cabeça de todo o seu povo. Os 13. que é seu principal autor.14). o segundo Adão. O Espírito de Deus confere a Paulo autorida- de apostólica para usar e adaptar passagens do Antigo Testamento na apresentação de verdades inspiradas ao povo de Deus. mas ao contexto daquela passagem. mas Cristo. pela desobediên- cia. trouxe a maldição da morte sobre a raça humana. não aparece a palavra vitória. O primeiro Adão veio do pó da terra. A conclusão do longo discurso de Paulo sobre escatologia soa como uma nota de triunfo. desceu do céu (15. Ver E. das palavras exatas do texto do Antigo Testamento. a tua vitória? Onde está. as tuas pragas? Onde está. Nessas duas passagens do Antigo Testamento. contudo.

Justino Mártir cita diretamente de 11.2.1.1. a Epístola de Barnabé tem semelhanças textuais com 3. 13. Howard Marshall.3.11. ver também Rm 16. Comecemos com a evidência interna.21). pois em muitos lugares Paulo faz referências a si mesmo (1.19). a saudação. 1. e Didache 10. 44. pp. o endereçamento. Segundo. INTRODUÇÃO 43 F. essa epístola possui credenciais tanto internas como externas que provam a autoria pauli- na. por I. 16.14) e Lucas escreve que Crispo era o principal da sinagoga local que converteu-se com toda a sua casa (At 18. 16 e 18. Respectivamente. alguns poucos anos antes haviam estado entre os primeiros membros dessa igreja (At 18. Terceiro.1. Evidência Interna Primeiro. As referênci- as cruzadas a passagens paralelas em outras epístolas paulinas são nu- merosas demais para serem mencionadas. (Grand Rapi- ds: Eerdmans. o Apóstolo”. 199-219.22. em Atos. 2. 5.6. Toda a evidência aponta in- questionavelmente para o apóstolo Paulo. Sóstenes aparece como remetente junto com Paulo (1. Paulo batizou Crispo (1. Exeter: Paternoster. Evidência Externa Ao final do século I. Barnabé 6. a autenticidade da epístola de Paulo estava estabelecida.19 no capítulo 35 pretations: Essays on Principles and Methods. 22. Autenticidade Uma das cartas mais importantes de Paulo. e as saudações e doxologia na conclusão da carta são semelhantes às de outras epístolas de Paulo. Áqüila e Priscila enviam saudações à igreja de Corinto (16. a própria carta atesta a autoria paulina. referências cruzadas a Atos e às epístolas paulinas em diversos lugares confirmam os nomes e os assuntos discutidos nessa carta. Clemente de Roma refere-se a essa epístola como “a carta do bendito Paulo. 1977).4. Na abertura de 1 Coríntios. Lucas menciona que Sóstenes era o princi- pal da sinagoga em Corinto que foi espancado diante do tribunal de Gálio (At 18. 3.17). a bênção e a ação de gra- ças no começo. 12.8).3). . org. O nome Sóstenes aparece tanto em 1 Coríntios como em Atos. e a Didache traz a expres- são aramaica Maranatha que também ocorre em 16.1) e. 1 Clemente 47.44 Durante o século II.

2ª ed. assunto que aparece de novo no capítulo 9. a não ser recorrendo a hipóteses que são.: Mercer University Press. 25-27). De acordo com alguns estudiosos. Paulo mostra uma atitude irredutível com relação à participação em sacrifícios oferecidos a um ídolo (10. Vêem con- tradições na composição.45 Não imaginamos que Paulo. Jr. Paulo recebeu informação sobre os co- ríntios da parte de visitantes (1. Não podemos refazer a seqüência da composição da epístola. tendo em vista pausas literárias em outras cartas de Paulo (ver.23–11.12-19 e 15.5.8-10. Por causa das muitas obrigações em Éfeso (ver At 19. 16. Hea- thcote e P.1. Rm 5. Irineu. as transições bruscas na carta devem ser vistas 45. compôs a carta de uma só vez. Paulo informa aos coríntios que os visitará em breve (4.33.20. 1962). 16. 20. Jean Héring. 6). regidas por muitas variações. elas mesmas.20. 3. The Origin of I Corinthians. 43-58.46 Contudo. . W. Paulo escreveu a epístola aos poucos e essa inevitável protelação contribuiu para mu- danças repentinas em sua redação. o cânone Muratório atri- bui as cartas aos Coríntios a Paulo e as coloca encabeçando a lista das epístolas paulinas.17).18).19) mas no último capítulo faz alusão a uma demora (16. Nos primeiros quatro capítulos de sua epístola. Marcião colocou 1 Coríntios em seu cânone. 1983). ele conversou com esses mensa- geiros sobre os problemas que preocupavam a igreja em Corinto. Além disso. p. Clemente de Alexandria e Ter- tuliano fazem muitas citações dessa epístola. por carta (7.1).1) e por relatos (5. The First Epistle of Saint Paul to the Corinthians. 21. Ga. No último quartel desse século. 11. mas é bran- do em sua discussão sobre a liberdade de consciência (10. E. trad. Além disso. Hurdt. Sem dúvida nenhuma. Paulo reflete sobre a questão da apostolicidade. pp. por exemplo.. Integridade Estudiosos que questionam a unidade de 1 Coríntios chamaram a atenção para a desconexão entre os assuntos apresentados.11. 34). Para ilustrar. de A. J.44 INTRODUÇÃO de sua obra Dialogue with Trypho. finalmente.1-22). (Marcon. Allcock. com ou sem a ajuda de um escriba. esses são apenas três exemplos que ilustram falta de coerência. sem interrupções. concluímos que essa peculiaridade é uma de suas características. xiii. 46. (Londres: Epworth. Ver a pesquisa de John C.

Segunda. O apóstolo não dá recomendações práticas so- mente àquela igreja particular. Características Vemos a epístola de Paulo aos Romanos como a carta patente do Cristianismo. Paulo usa um grande 47. First Epistle to the”. A marca registrada dessa epístola é o pronome pessoal eu. p. do princípio ao fim.”47 G. Atende aos membros da igreja como um pastor que tem interesse pessoal em seu bem-estar espiritual. Paulo se expressa de forma pessoal ao discutir os proble- mas práticos dos coríntios. problemas graves no culto. mas a toda a igreja cristã. Por contraste. 1 Coríntios é. 775. uma epístola que revela o cuidado pastoral de Paulo para com a con- gregação de Corinto. casamentos desfeitos. uma situação que reclamava um pronunciamento apostólico em mais do que um tema. Uma primeira característica é que a epístola é excepcionalmente abrangente no tratamento de problemas que a igreja precisa enfrentar: cismas. Leon Morris conclui: “Não é um tratado teológico sistemático. Paulo passa naturalmente de um assunto a outro. o estilo no qual 1 Coríntios foi escrita é notavelmente bom. mas uma tentativa genuína de tratar uma situação concreta da vida. Paulo demonstra um domínio do grego que em determinados lu- gares rivaliza com o estilo de autores clássicos.. “Corinthians. A carta é uma compilação de tópicos frouxamen- te conectados entre si. 12-16) são dedicados a questões práticas rela- tivas à vida da igreja. A série de questões discutidas por Paulo em 1 Coríntios é suficientemente ampla para que os membros de cada congregação possam de bom grado re- correr a ela para orientação. Sabemos que alguns poucos capítulos finais de Romanos (cap. INTRODUÇÃO 45 contra o pano de fundo que foi o fato de Paulo receber informação periódica e reagir a ela. feminismo na igreja. algumas vezes com pouco material de transição. Terceira. vol 1. ISBE. em que o apóstolo apresenta as doutrinas a respeito do pecado. concepções erradas sobre a consumação dos tempos e a coleta de do- nativos para os pobres. litígios. da salvação e do culto. respeito pela liderança. . que aparece repetida- mente em todos os seus dezesseis capítulos. Leon Morris. Assim. práticas e influências mundanas.

1 Coríntios 3. Consultar Kurt Aland e Barbara Aland. pois eles foram instruídos pelos apóstolos e seus cooperadores. trad de Eroll F. L. tabela 6. The Text of the New Testament. contando também os numerosos testemunhos que têm um tex- to incompleto. 9. Rhodes. mas eles estão incompletos. a carta apresenta alguns poucos problemas textuais que nenhum tradutor e comentador pode ignorar.49 Ele espera que os coríntios respondam afirmativamente a essas perguntas. Portanto. Paulo faz muitas perguntas retóricas. 5. 06abs.48 A epístola revela um tempero semítico por causa do uso freqüente que o autor faz de passagens do Antigo Testamento. Thayer relaciona um total de 110 palavras. Apesar da força do testemunho externo. Paulo. Primeira Coríntios 13. Paulo refresca a me- mória dos coríntios e constrói sobre o fundamento estabelecido no co- meço dessa igreja. 704-706.. 0142. Quase todos os tra- dutores adotam a leitura “e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado”. D.3 é outro texto crucial. ele repete a interrogação: “Vocês não sa- bem que. 48. O manuscri- to em papiro tem todos os capítulos. 16. B. A. a leitu- ra de 2. 50. a epístola conta com um texto grego firmemente estabe- lecido..16. 19. recorre ao emprego das palavras aramaicas amém e maranata.4 deveria ser “não em palavras persuasivas de sabedoria” ou “não com persuasão de sabedoria”? É mínimo o apoio de manuscritos para a segunda interpretação. 24. inclusive. Texto O texto grego de 1 Coríntios tem o apoio de um papiro (P46) e dos principais testemunhos (tanto unciais como minúsculas). 9. 6. Não obstante. . Mas a esmagadora maioria do apoio de manuscri- tos para o texto grego é “e ainda que entregue o meu próprio corpo a fim de me orgulhar” (NRSV). 49. (Grand Rapids: Eerdmans. os tradutores preferem a primeira. encarte s/nº . 3.13.2. 15. Y.46 INTRODUÇÃO número de palavras que são peculiares a essa carta.1987). ao fazer essas perguntas.50 Em resumo. pp. Os manuscritos unciais que têm o texto completo de todos os capítulos são os códigos Í. Quarta e última. 056. 0150 e 0151. Leiden: Brill. Por exemplo. Especial- mente na primeira metade.?”. H. em vista disso.6.

Propósito Resumindo o conteúdo da epístola. Introdução 1. Divisões na Igreja 1. a exegese da passagem. podemos ser breves na afirma- ção do propósito de 1 Coríntios. a epís- tola consiste da resposta de Paulo aos problemas e preocupações da igreja em Corinto. Paulo respondeu as perguntas que lhe haviam sido submetidas por carta (7. Resposta aos Problemas Relatados A. INTRODUÇÃO 47 os tradutores são influenciados pela evidência interna e escolhem a leitura mais fraca.17). alguns manuscritos ocidentais transpõem 14. é possível interpretar a passagem dentro do contexto ge- ral para mostrar que o sentido é de fato lúcido e compreensível.20 II. mostrar aos leitores que eles eram parte da igreja universal. a fraseologia permanece a mesma depois da transposição e afeta muito pouco. Mas essa transposição não contou com uma reação favorável. o apóstolo procurou corrigir uma série de tendências errôneas na comunidade de Corinto. Uma delas era a apatia quanto ao exercício da disciplina com relação ao homem incestuoso. J.35 para depois de 14.10-4.10-6. a razão para a mudança parece provir da inquietude dos escribas.1-9 I.1) e por uma delegação (16.40. 1. a epístola de Paulo instrui os cristãos em Corinto a coletar fundos para socorro aos santos necessitados em Jerusalém. se é que o faz. Primeiro. Além das observações introdutórias e da conclusão. Quarto e último ponto. não se tem essa evidên- cia. Segundo. Por fim.34. Contudo. Paulo procurou promover um espírito de unidade na igreja local e. Estes sentiam-se desconfortáveis com a fraseologia da reco- mendação de Paulo para as mulheres manterem-se em silêncio no cul- to. Por enquanto. Todavia. Esboço Um esboço simples de 1 Coríntios pode ser memorizado sem mui- to esforço. Terceiro. Os estudi- osos que classificam esses versículos como uma glosa incorporada mais tarde ao texto de 1 Coríntios carecem da necessária evidência textual para substanciar seu argumento. ao mesmo tempo. I.21 . “para ser queimado”.

8-11 3.1-11 4.10-17 2.10-6.9-13 3. Alimento Oferecido aos Ídolos 1.4 A Resposta de Paulo às Preocupações dos Coríntios 7.5 – 24 IV.1-3 2.1-13 C.1-7 2. Sabedoria do Espírito 2.1-23 5.5-18 B.2-14.12-16 4.20 B.1-58 G.1-16. Problemas Relativos ao Casamento 7.1-9 Introdução 1. Saudações 1.6-16 4. Facções 1. Incesto 5. Imoralidade e Litígios 1.1-8 2. Servos de Cristo 4.48 INTRODUÇÃO B.20 7. Solicitações de Paulo 16.4-6 .1-6. 1.20 A Resposta de Paulo aos Problemas Relatados 1. Litígios 6. A Loucura da Cruz 1. Imoralidade 6.17-24 5. Exortações e Saudações 16. Uma Digressão 7. Excomunhão 5. Conhecimento 8.10-4. Alimento Oferecido aos Ídolos 8.1 E. Culto 11.4-9 B. 7.1-40 A. Virgens e Casamento 7.1-6.1-16.1-27 D.40 F.18-2.13-24 Um esboço completo com todas as rubricas e detalhes fica assim: I. Unidade 8. Conclusão A. Admoestações e Liberdade 10.21 A. Conduta Apropriada 7.4 III. Coleta para o Povo de Deus 16. Divisões na Igreja 1.1-3 A. Ação de Graças II.1-11. Cooperadores de Deus 3. Resposta às Preocupações dos Coríntios A. A Ressurreição 15.12-20 III.1-40 B.25-40 8. Problemas Relativos ao Casamento 1.1-4 16. Imoralidade e Litígios 5. 1. Apóstolos e Direitos 9. Fidelidade e Matrimônio 7.1-21 5.1-13 B. Crente e Descrente 7.5 3.

Admoestações e Liberdade 1.1-25 6.1-12 2. Exortações e Saudações 1.58 16. INTRODUÇÃO 49 3. Apóstolos e Direitos 1.9-11 3. Ressurreição de Cristo 15.5-9 2.1-27 C. Admoestações Provenientes da História 10.12 16.50-57 7.12-34 4. Liberdade Apostólica 9. Pecado 8.10.14-22 3.13-18 2.1-31 4.26-40 15.19-24 .2-14.35-44a 5.44b-49 6. A Apostolicidade de Paulo 15.23–11. Ressurreição dos Mortos 15.1-13 5. Renúncia de Direitos 9.13-18 3. Admoestações contra a Idolatria 10. Homem e Mulher em Adoração 11.19-27 10. A Ressurreição 1. Relutância de Apolo 16. Solicitações de Paulo 1.1 11.1 D.1-4 G.15.13-24 B. Imortalidade e Vitória 15. Analogias ao Corpo da Ressurreição 15.1-13 2.2-16 2. Direitos Apostólicos 9.11 3.1-11. Saudações Finais 16. Dons Espirituais 12. Carta de Amor 13. A Ceia do Senhor 11. Planos de Viagem de Paulo 16. Liberdade de Consciência 10.9-13 9. Admoestações Finais 16.1-58 F. Corpos Físico e Espiritual 15.8 4.40 E.7. Conduta Disciplinada 14.17-34 3.1-8 2.5-24 Conclusão 16. Culto 1. 16. Consciência 8. Chegada de Timóteo 16. Uma Exortação 15. Coleta para o Povo de Deus IV.5-12 A. Profecia e Línguas 14.

50 INTRODUÇÃO .

INTRODUÇÃO 51 COMENTÁRIO .

52 .

10-31) .1-9) e Divisões na Igreja. parte 1 (1. 53 1 Introdução (1.

10-17 1.1-9 I. Divisões na Igreja 1. Sabedoria e Loucura 1.54 ESBOÇO 1.4-9 B. Saudações 1.20 II.10-4.10 – 6. Ação de Graças 1.21 A. Introdução 1.18 – 2.21-25 b. Facções 1. A Resposta de Paulo aos Problemas Relatados 1.1-3 A. Os Perdidos e os Salvos 1. Os Fracos e os Fortes .5 2.26-31 c.18 – 20 a. A Loucura da Cruz 1.

nosso Pai. assim como o testemunho de Cristo foi confirmado em vocês. Sempre dou graças a meu Deus no que diz respeito a vocês. pelo qual vocês foram chamados à comunhão de seu Filho. que lhes foi dada em Cristo Jesus. Fiel é Deus. Graça a vocês todos e paz. da parte de Deus. Suas epístolas anteriores tinham sido as duas cartas à igreja em Tessalônica e sua carta aos Gálatas (normalmente aceita como a primeira epístola composta por Paulo). 5. aos santifica- dos em Cristo Jesus. à igreja de Deus que está em Corinto. outros ou em 51/52 ou 53 d. chamados para ser santos. (ver a Introdução ao comentário). 4. e nosso irmão Sóstenes. porque nele vocês foram enrique- cidos de todas as formas.1-9 A. 8. eram as controvérsias e as perguntas que compe- 1.1 Conforme essas primeiras epístolas e as cartas aos Coríntios que foram preservadas atestam. Jesus Cristo nosso Senhor. Saudações 1. chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo.1-3 Esta é a primeira das três principais epístolas (1 Coríntios. e os conservará irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 2.. Ele também os confirmará até o fim. Senhor deles e nosso: 3. de maneira que não falte a vocês nenhum dom espiritual enquanto aguardam ansiosamente a revela- ção de nosso Senhor Jesus Cristo. I. Paulo. 2 Corín- tios e Romanos) que Paulo escreveu. 9.C.C. Alguns estudiosos datam a composição de Gálatas em 48/49 d. . em toda a palavra e em todo o conhecimento.C. 7. Introdução 1. a propósito da sua graça. e do Senhor Jesus Cristo. 55 CAPÍTULO 1 1 1. Paulo escreveu 1 Coríntios provavelmente em 55 d. com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 6.

1). deu-lhe a auto- ridade divina de pregar o evangelho e para dirigir-se a todas as igrejas (4. chamado para ser um apóstolo de Je- sus Cristo. “Paulo.1. De certo modo. 16.1. Gálatas 1.1.15). B of T 280 (1987). conduta apro- priada nos cultos. remuneração de ministros.1).15). Paulo começa essa carta apresentando-se como o autor e remetente.1. Na maioria de suas cartas.” Como faz em todas as suas outras epístolas. havia sido enviado por Jesus Cristo e por Deus o Pai (Gl 1. chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo. cuja mensagem precisa comunicar corretamente. 7. William Hendriksen. ali- mentos oferecidos aos ídolos. Filho e Espírito Santo. Ele usa a expressão um apóstolo de Jesus Cristo como uma fórmula de introdução padrão que caracteriza suas epístolas.3 Somente nas introduções de Filipenses. 27. 1 Coríntios 1.2 1.17.1. e nosso irmão Sóstenes. um 2. Jesus pessoalmente o chamou para ser um após- tolo aos gentios (At 9. Noutra parte. Paulo afirma que é um apóstolo de Jesus Cristo. a. . Paulo. 14. p. A necessidade de escrever é mais evidente em 1 Coríntios do que em qualquer outra epístola paulina.1. Por ocasião da conversão de Paulo. Paulo foi chamado pelo Deus Triúno: Pai.2). 2 Timóteo 1. As referências (com pequenas variações) são estas: Romanos 1. 1 Timóteo 1.1. celebração da ceia do Senhor.1. como um apóstolo. William Hendriksen observa: “Dentre todas as epístolas de Paulo não há outra que cubra uma tão ampla variedade de assuntos e proble- mas. fé na ressurreição até o exercício da caridade cristã”.2). Se alguém fizesse isso. cobrindo temas que vão desde litígios.1. Quando Jesus chamou Paulo para ser um apóstolo. ninguém na igreja de Corinto podia legitimamente pôr em dúvida a condição de apóstolo de Paulo (comparar com 9. Conseqüentemente. 1 e 2 Tessalo- nicenses e Filemom é que Paulo omite a referência ao seu apostolado. Nome e chamado. Colossenses 1.56 1 CORÍNTIOS 1. Ele afirma enfa- ticamente que foi chamado (ver também Rm 1.1 liram Paulo a escrever. Foi ordenado para esse ofício quando o Espírito Santo o separou e a Barnabé “para a obra que os tenho chama- do” (At 13. Em suma.1. Sabe também que um apóstolo age como o representante daquele que o enviou. 3.33b. estaria se opondo ao Senhor.1. 2 Corín- tios 1. Tito 1. Paulo declara que. casamento e divórcio. Efésios 1. o falar em línguas. “1 Coríntios”. Gl 1. Jesus Cristo.17.

Paulo o menciona apenas uma vez em todas as suas epístolas. Ele escreve a palavra ekklhsia. aos santificados em Cristo Jesus. com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo.1. Senhor deles e nosso. 5. Paulo o apresenta como “nosso irmão”. face à falta de mais informações. os cristãos começaram a designar suas próprias assembléias como a igre- ja (ekklhsia) em Cristo. “Pela vontade de Deus. com o texto grego de Tg 2. Talvez este Sóstenes fosse o prin- cipal da sinagoga em Corinto que foi espancado no tribunal de Gálio (At 18. Efésios 1.4 Paulo efetivamente afirma que seu chamado como apóstolo tem sua origem em Deus.1. No entanto.2).21). 1 CORÍNTIOS 1.17). Usavam o termo para distinguirem-se dos ju- deus. chamados para ser santos.2 57 apóstolo pode ser comparado a um embaixador (2Co 5. Mas. 16).” Declarando que seu apostolado baseia-se na vontade de Deus. Pela metade do século I. Fee conjetura que Sóstenes possa ter atuado como secretário de Paulo (com- parar com 16. 39. b. “Nosso irmão Sóstenes. que usavam a palavra synagogue para seus locais de reunião (com- parar. 10.32.” A ordem das palavras desse versículo in- trodutório exclui Sóstenes do ofício apostólico. estudiosos afirmam que Sóstenes apoiou Paulo na mensagem comuni- cada aos coríntios. 41).1. Destinatários. Gordon D. 2 Timóteo 1. Paulo endereça sua carta “à igreja de Deus que está em Corinto”. 1987). Embora Paulo escre- va o pronome “eu” em lugar de “nós” (por ex. The First Epistle to the Corinthians. . À igreja de Deus que está em Corinto.1. podemos dizer ape- nas que ele atuou como um cooperador de Paulo. nos vs. porém. Observe como o faz em uma de suas primeiras 4.. 31. uma expressão que no mundo helenista de então era um termo técnico tradicional normal- mente empregado para referir-se a reuniões políticas ou de agremia- ções (comparar com At 19. Paulo distingue cuidadosa- mente os encontros dos cristãos tanto das assembléias gentílicas como das sinagogas judaicas.5 2. p. New International Commentary on the New Testament series (Grand Rapids: Eerdmans. Ver 2 Coríntios 1. Colossenses 1. do que se conclui que Sóstenes é um cristão bem co- nhecido dos crentes em Corinto. 14. 4.20) que repre- senta em outro país o presidente ou primeiro ministro de seu governo.

2. Seu povo não deixa o mundo (ver 5. pp. pois a Igreja de Deus está nele. o qual. 2Co 1. Saved by Grace (Grand Rapids: Eerdmans. . chamou o seu povo do mundo para uma vida de santidade. 17. 299. Apesar das freqüentes brigas. JETS 27 (1984): 56-64. por meio de Jesus Cristo. depois. Paulo. comprometeu-se a ser porta-voz de Cristo.1.58 1 CORÍNTIOS 1. facções e imoralidades dos coríntios.2 epístolas: “À igreja dos tessalonicenses. 1989). parado- xalmente. está inteiramente cônscio do ato gracioso de Deus. Exe- ter: Paternoster. “Chamados para ser santos. Grand Rapids: Eerdmans. aponta os seus pecados e faltas. o conceito igreja pode ser compreendido apenas em rela- ção a Jesus Cristo. Comparar com Anthony A. 1976). pelo qual ele santifica os crentes.1). inclui a responsabilidade destes de serem santos. pois o cristão reconhece que é constantemente chamado para ser santo (ver Rm 1. série Calvins’s Commentaries.6 “Aos santificados em Cristo Jesus. Consultar João Calvino. No grego. 2Ts 1. 8. a santificação é tanto um ato definitivo de Deus quanto um processo ao longo da vida. 202-3. vol.7 Nessa epístola. Ele indica que. No entanto. Paulo foi chamado para ser um apóstolo de Jesus Cristo e. mas de- monstra ao mundo que foi santificado em Cristo Jesus. trad. p. Paulo primeiro afirma que os crentes foram separados por Deus para viverem vidas santas e.10). NIDNTT. em Deus Pai e no Senhor Je- sus Cristo” (1Ts 1. p. os descreve como povo que foi santificado em Cristo Jesus (com- parar com Ef 5.” Santidade é mais do que um estado. não obs- tante. Deus chamou os crentes ao estado de santidade e espera deles que pratiquem a santidade. Ver também William W. Esse chamado permanece eficaz tanto para o apóstolo como 6.7) e para viver uma vida de santidade. o verbo ser não aparece na expressão chamados para ser santos.27). De forma semelhante. Para os que crêem. Hoekema. quando um crente é santificado.” A igreja pertence a Deus. Fraser.1).8 O ato gracioso de Deus. de John W. assim. Ver Lothar Coenen. sem ligar a igreja diretamente a Jesus Cristo. 1. “Paul’s Use of Kalein: A Proposal”. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. mas o propósito de Paulo é instruir seus leitores a cumpri- rem seu compromisso de serem santos. Klein. (reedição. Paulo endereça suas duas epístolas aos coríntios de forma semelhante: “À igreja de Deus que está em Corin- to” (1Co 1. 7.

1). a epístola é especificamente dirigida à igreja em Corinto. A segunda parte do versículo 2 enfatiza a unidade que os cristãos mostram na oração quando invocam o nome de Jesus Cristo.23. 23.2.2. 2 Pedro 1.3 59 para os coríntios.2. graça e paz. At 15. na qual todos os crentes. nessa epístola.9 “Com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Se- nhor Jesus Cristo”.3. Saudações. 1 Pedro 1. W.. Paulo recebe cristãos gentios e cristãos judeus como iguais na Igreja de Jesus Cristo. aos cren- tes tanto em Corinto como em outros lugares? Embora as cartas de Paulo fossem destinadas a serem lidas nas igrejas (Cl 4. com pequenas diferenças.27. na tradução. Filemom 3. 1Ts 5.7. “Senhor deles e nosso. p. Graça a vocês todos e paz.16). 1 Tessalonicenses 1. da parte de Deus. Tg 1. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. saudavam-se uns aos outros com o termo shalom (paz). da parte de Deus. As- sim. No texto grego. Paulo refere-se à Igreja universal. 11. as duas expressões. 1 CORÍNTIOS 1. acaso. apare- 9. eles permanecem chamados. 2 João 3.2.1 e Tito 1. em Colossenses 1. A oração une os cristãos diante do trono da graça. Efésios 1. comparar também 2Pe 3.2. a palavra Kyrios (Senhor) é omitida. 10. “Graça a vocês todos e paz. e do Senhor Jesus Cristo”. Ver também o prólogo de 1 Clemente. 2 Coríntios 1. Paulo escreve “Senhor deles e nosso”.16.10 aparece também. Eposition and Notes. Grosheide. F. e associa os coríntios com todos os outros crentes. nosso Pai. c.26. Esse corpo está no mundo inteiro. pois os crentes em toda parte reconhecem Jesus Cristo como Senhor. em toda a parte. e do Senhor Jesus Cristo. por ex.2. nosso Pai. é determinada pelo contexto. tanto nas cartas de Pedro como de João. con- tudo. 3. Mas. por toda a sua vida.” Paulo quer que os coríntios saibam que pertencem ao corpo de crentes.4. Filipenses 1. de forma modi- ficada. Romanos 1. estaria Paulo se dirigindo. Com essas palavras. New International Commentary on the New Testa- ment series (Grand Rapids: Eerdmans. Gálatas 1. Essa é a saudação usual empregada por Paulo na maioria de suas epístolas. 23.2. Os judeus. 2 Tessaloni- censes 1.11 No mundo helenísti- co. e. de forma que. “invocam o nome de nosso Senhor”. . Sua forma derivada charis significa “graça”.15. as pessoas saudavam-se umas às outras normalmente com a pala- vra grega chirein (traduzida como “saudações”. Na litera- tura epistolar da Igreja Cristã. 1953).

Palavras. Nos 12. C. Paulo fielmente dá graças a Deus. R.1. C. O tempo perfeito denota ação completada com resul- tado duradouro. A voz passiva indica que Deus é o agente e que ele santi- fica os coríntios em Cristo. todos os crentes são fi- lhos de Deus por meio de Cristo. e paz. Lenski observa que “graça está sempre antes.60 1 CORÍNTIOS 1. não há nem pode haver paz. Paul’s First and Second Epistle to the Corinthians (1935. a paz necessariamente segue”. 2 cem juntas e têm um sentido decididamente teológico. H. Sem graça. e do Senhor Jesus Cristo”. Nesse texto.j (chamado) para indicar que Paulo sofreu a ação enquanto Deus realizou a ação de desig- nar Paulo como apóstolo. na qual Jesus ensinou seus seguidores a dizer “Pai nosso”. Versículo 2 h`giasme. p. nosso Pai. Ação de graças 1. recebem as bênçãos da graça e da paz. Lenski. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University Press. sempre depois.1. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. 30. E. Expressões e Construções em Grego em 1.”13 B. 28.12 Paulo junta graça e paz à sua fonte original: elas provêm “de Deus. R. p. “O principal conceito do termo é o de perten- cer a Deus. . Em harmonia com a oração do Senhor.noij – o particípio perfeito passivo no dativo plural está colo- cado como aposto ao substantivo igreja. 13. As virtudes da graça e da paz são dádivas de Deus aos seus filhos e ele concede esses benefícios como um Pai. por meio dele. R. H. John Parry. Paulo retrata Deus como Pai. mas quando a graça é nossa. The Interpretation of the St. o verbo a`gia.stoloj – esse substantivo é precedido por klhto. Columbus: Wartburg.2 Versículo 1 •avpo. St. ele contém o dever de ser semelhante a ele no caráter. Isso se deve ao fato de que graça é a fonte de paz. 1946). Por essa razão. que coletivamente está no dativo singular.4-9 Por todas as bênçãos espirituais e materiais que ele e os destinatá- rios de suas cartas possuem.zw (eu santifico) refere-se a um ato definitivo de Deus. 1937).

Paulo pode escrever com precisão a palavra sempre? Trata- se de uma fórmula que ele está empregando no começo de sua epísto- la? Não. invariavelmen- te. 15. imoralidade.14 4. derramados liberalmente sobre os cristãos coríntios (ver. Comparar com Efésios 5.2. . Ele ora pelas igrejas que fundou e agradece a Deus por elas. O’Brien.1). no espaço de dois versículos (vs. Deus deu graça aos coríntios. Ele é o agente implícito e os co- ríntios são os beneficiários passivos (ver Rm 12. 1 Tessalonicenses 1. Por essa razão ele pode agradecer a Deus sem cessar.3. e “Thanksgiving and the Gospel in Paul”. por ex. suas palavras são. 7). Dois manuscritos gregos (códigos Sinaiticus e Vaticanus) omitem o pronome pessoal meu. de gratidão pelas pessoas a quem escreve. 1 Tessalonicenses 2.15 Paulo revela seu coração pastoral. que Paulo usa a palavra graça. Ver Peter T.3. File- mom 4. 2 Tessalonicenses 1. problemas conjugais e litígios. a propósito da sua graça. 1 CORÍNTIOS 1.3. 1977). No grego. que lhes foi dada em Cristo Jesus. Ao escrever “sempre dou graças a meu Deus no que diz respeito a vocês”. na forma de dons espirituais. pp. Sempre dou graças a meu Deus no que diz respeito a vocês.20. a raiz dessa palavra aparece tam- bém em dar graças (v. Mas como Paulo pode expressar sua grati- dão a Deus pela igreja de Corinto? Os membros haviam lhe causado enorme tristeza com suas divisões.4-11). Essa é a segunda vez. mas ele não menciona coisa alguma sobre quaisquer virtudes próprias dos corínti- 14. Introductory Thanksgiving in the Letters of Paul (Leiden: Brill.3. “A propósito da sua graça. Qual a importância desse concei- to? Paulo está maravilhado com a graça de Deus. 9). Usa o advérbio sempre para modi- ficar a locução dar graças. Observe que Paulo usa a voz passiva na segunda metade desse ver- sículo. a enumeração de dons em 12. O coração de Paulo está repleto de gratidão porque Deus quis chamar seu povo para fora do ambiente imoral e idólatra de Corinto. A graça de Deus se eviden- cia nos dons que concede ao seu povo.. que foi dada a vocês em Cristo Jesus”.13. Paulo enfatiza o conceito graça nesses versículos. 2 Tessaloni- censes 1. Paulo dá graças pela fidelidade de Deus aos crentes de Corinto. Romanos 1. Filipenses 1. 2Co 8. Colossenses 1. Até mesmo ali Deus estabeleceu a igreja em comunhão com Jesus Cristo (v.6. 4) e em dom (v.4 61 versículos iniciais de suas epístolas.4. 108-16. NTS 21 (1974): 144-55. Em resumo. 3 e 4).8.

isto é. Friedrich Hauck e Wilhelm Kasch.23. misericórdia e graça (Rm 2. os beneficiários desta graça foram redimidos e estão agora separados do mundo pagão no qual vivem. mas “de todas as formas”. “por ele” (KJV. Quando Paulo escreve “vocês foram enriquecidos nele de todas as formas”. a. 844. Paulo afirma que a graça de Deus foi dada em Jesus Cristo. Deus não adornou os coríntios com as riquezas que estão em Cris- to com parcimônia.19).4). b. em Cristo. 329.7.. não está se referindo especificamente às pos- sessões materiais dos coríntios. 9.4-31). Esse versículo exibe variantes de duas palavras cruci- ais. paciência. mas Paulo chama a atenção para seus tesouros espirituais em Cristo (ver 3. Nesse peque- 16.4. A próxima variante é “nele” (NIV. NIDNTT. numa passagem paralela. TDNT. Paulo chama a atenção para a soma de dons que os coríntios receberam. a leitura nele é prefe- rível. Friedel Selter. 2.21-23. RSV) ou. o crente recebeu incontáveis riquezas espi- rituais. ou como porque (uma conjunção causal que explica a locução em Cristo Jesus). Deus é rico em bondade. 2. p. embora não forneça uma lista de dons espirituais (ver 12.8).62 1 CORÍNTIOS 1. vol. No versículo 5. NKJV). A primeira palavra nessa frase pode ser traduzida como que (uma conjunção introduzindo uma afirmação que completa a oração sempre dou graças. pois nele se ocultam todos os tesouros do conhecimento e da sabedoria (Cl 2. Paulo expressa o de- sejo de que os coríntios pudessem se tornar ricos pela pobreza de Cris- to [2Co 8. Mensagem. 26). Das gloriosas riquezas que estão em Cristo Jesus. Deus supre as necessidades daquele que crê (Fp 4. Deus tem incontáveis riquezas espirituais que de- seja dar aos remidos por meio de Cristo. Além disso. Porque nele vocês foram enriquecidos de todas as formas.11]). p.5 os.16 De acordo com as Escritu- ras. como aparece em al- gumas traduções. 9. Como aposto à locução si- milar da oração precedente (“em Cristo Jesus”). .9. É possível que alguns deles sejam prós- peros (v. 5. portanto.. Cristo possui riquezas insondáveis (Ef 3. em toda a palavra e em todo o conhecimento. Tradução. 6. Ef 1. vol.3). Os tradutores geralmente preferem a segun- da opção. Em Cristo.

14. em 1 Coríntios 8. .2. Assim como o testemunho de Cristo foi confirmado em vocês. quando apropriadamente usados.”19 Os dons espirituais de palavra e co- nhecimento. 1976).6. 475. First Epistle to the Corinthians. por fim.6. 7ª ed. 6. 13. C. 2 Corín- tios 2. isto é. 28.5. mas a noção de apreensão e aplicação da verdade cristã é constante.14.. espiritual- mente ricos. 2. sua ocorrência é freqüente em ambas as cartas aos Coríntios18 e está estreitamente rela- cionada ao termo sabedoria. Introductory Thanksgivings. 10.7). Eu prefiro a primeira das duas opções pelas seguintes razões: as palavras assim como dão equilíbrio e apresentam uma comparação com o versículo precedente. O termo grego logos refere-se à expressão do conhecimento evangélico (evangelho) que eles tinham.7. A locução foi confirmado é uma constru- ção na voz passiva que pressupõe Deus como agente. 17. 4 vols. ele acentua as palavras todas e todo/toda para indicar que aqueles que recebem as bênçãos de Deus são. Em outra carta. 10. BJRUL 46 (1964): 269-97.17 Essa é a primeira vez que o termo conhecimento aparece nessa epístola. 8.8. p. Também.1. K. Barrett. “Christianity at Corinth”. 11. E. “Diversas matizes de significado apare- cem em contextos específicos. Paulo ilustra em que sentido os coríntios receberam riquezas espi- rituais: “em toda a palavra e em todo o conhecimento”. 6. 11. Grosheide. 8.6. 119. A mensagem do versículo 6 pode ser tanto uma reflexão posterior que explica o versículo precedente como uma introdução ao versículo seguinte. (1877. 4. Essa construção forma um paralelo com foram enriquecidos no versículo 5. Exprimiam objetivamente a verdade do evangelho que subjetivamente compreendiam. que indica os beneficiários dos dons espirituais. Alford’s Greek Tes- tament: An Exegetical and Critical Commentary. Com pequenas diferenças. com a boca confessavam o conhecimento espiritual que tinham no coração. aptos para se admoestarem mutuamente” (Rm 15. vol. são um testemunho elo- qüente de Cristo (2Co 8. o dom da fala é análogo ao testemunho de Cristo.14). 18. Grand Rapids: Guar- dian. 12. Ele apresenta a fala e o conhecimento como dois desses dons especiais. p. 1 CORÍNTIOS 1. p. O’Brien. Paulo afirma estar certo de que os cristãos estão “cheios de todo o conhecimento.6. sem medida. a locução em vocês corresponde ao pronome vocês [subentendido na tradução: vocês foram enriquecidos].6 63 no versículo. 19. 7. Henry Alford.

ao modo como Deus con- firmou o testemunho de Cristo no coração dos coríntios. Hans Conzelmann. ao contrário. Paulo não está interessado em listar os dons específicos (ver capítulos 12-14). em última instância. O verbo faltar no presente nessa ora- ção conclusiva indica que realmente possuíam esses dons. MLB [a RA. 7. ousamos dizer que Deus.64 1 CORÍNTIOS 1. a essa altu- ra. RSV. “De maneira que não falte a vocês nenhum dom. pela fé. eles verdadeiramente receberam talentos espiritu- ais em abundância. Leitch. trad por James W. De maneira que não falte a vocês nenhum dom espiritual enquanto aguardam ansiosamente a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. “Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible” (Filadélfia: Fortress. . Em outras palavras. Veja Bauer. a segunda tradução é preferível à primeira. por George W. org. REB).21 Pela graça de Deus. A menção dos 20. Resultado. contudo. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to the Corinthi- ans. A questão refere-se. p. 21. que seria uma referência objetiva à pregação do evangelho pelos apóstolos e evange- listas (por exemplo. Robertson. confirmou a mensagem do evangelho nos crentes por meio da operação do Espírito Santo. concluímos que os coríntios não têm falta alguma em quaisquer dos dons espiritu- ais precisamente por causa da pregação do evangelho. 1975). T. 5). NIV. Deus confirmou a verda- de do evangelho de Cristo no coração dos coríntios. inclusive]). A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Rersearch (Nashville: Broadman. Com esse verbo. NKJV. ele dá a entender que não estão em desvantagem em relação a outras igrejas. p. 500.20 À vista da menção geral em toda a palavra (v. A. Se interpretarmos o versículo 7 no curso do parágrafo. p. Paulo não diz que é possível que falte quaisquer dons aos coríntios.” Como Deus conferiu numerosos dons espirituais aos coríntios. não lhes faltava nenhuma dessas bênçãos. 494.. na epístola. 1934). MacRae. Ainda que Paulo não explique. Observe estes dois pontos: a. 27. Outras versões trazem “o testemunho a respeito de (ou sobre) Cristo”.7 A leitura o testemunho de Cristo pode ser entendida subjetivamen- te como uma referência ao conteúdo do evangelho como tal (KJV.

2 vols. W.19) “Esperamos ansiosamente por nossa adoção como filhos” (Rm 8.23) “Com paciência aguardamos por isso” (Rm 8. 1 Pedro 3. “Enquanto aguardam ansiosamente a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. 8). quanto à revelação de Cristo”. Paulo.5) “E nós esperamos ansiosamente um Salvador do (céu)” (Fp 3. como revela o emprego dela por Paulo em outras epístolas: “A criação aguarda em ansiosa expectativa” (Rm 8.34). portanto. Bengel’s New Testament Commentary.167. vol. Grosheide. De Eerste Brief van den Apostel Paulus aan de Kerk te Korinthe. Lewis e Marwin R. à vista disso. uma pala- vra composta com conotação de intensidade e zelo em relação à espe- rança cristã.25) “Porque nós. no grego. p. ou pavor. 24. 1932). quer encorajar sua audiência a aguardar ardentemente o retor- no de Cristo. ela não significa “milagres”( ver 12. 5) do que à locução foi confirmado (v. Ver também Hebreus 9.7 65 dons espirituais diz respeito mais à locução foram enriquecidos (v. Essa ênfase é importante à vista da longa exposição sobre a ressurreição do corpo que ele apresenta em 15. onde discute explicitamente o dia escatológico. 1 CORÍNTIOS 1. nesse contexto. interpretá-lo no sentido mais amplo possível. . trad. 23. O interesse dos coríntios no retorno iminente do Senhor parece ter diminuído (com- parar com 15. 6).28. série Kommentaar op het Nieuwe Testament (Amsterdã: Van Bottenburg.” Paulo associa dons espirituais à expectati- va do retorno de Jesus. Nessa passagem.20. 48. por Charlton T. 33. Não deveríamos limitar o termo dom. pelo Espírito. aguardamos a esperança da justiça que pro- vém da fé”(Gl 5.9. Inter- pretar a palavra de maneira estrita (a saber.20)24 Esse verbo em particular geralmente ocorre no Novo Testamento 22.23 A locução verbal aguardam ansiosamente é. logo no início de sua epístola. inaceitável. preferivelmen- te. 30). F. Paulo menciona duas vezes o fim dos tempos: aqui e no versículo seguinte (v. p. 2. como um milagre que serve para confirmar a pregação do evangelho) seria restritivo e. b. (Grand Rapids: Kregel. “A prova para um cristão verdadeiro ou falso é sua espera. onde ele se refere ao dia do Senhor Jesus Cristo.12. Expectativa.22 A palavra dom aparece aqui pela primeira vez nessa epístola e. 1981). Vincent.12-58. 28. Como John Albert Bengel observa. mas.

o sujeito de um versículo paralelo é Deus:25 “Mas aquele que nos confirma com vocês em Cristo e nos ungiu é Deus” (2Co 1. e os conservará irre- preensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 4-9) requer que o sujeito do v. No grego. os coríntios e os confirmou pela pregação relativa a Cristo (vs. . b. 1Pe 1. ninguém poderá acusá-los.” Paulo não está dizendo que os coríntios são irrepreensíveis agora que lhes escreve.66 1 CORÍNTIOS 1. 9). Paulo ensina a maneira como os crentes serão apresentados irrepreensíveis perante a mais elevada corte: é pela morte do corpo físico de Cristo que Deus está reconciliado ao pecador e o declara sem culpa (Cl 1. E. assim também a promessa do constante poder de Deus os firma até a consumação. isto é. Com o substantivo revelação. Deus enriqueceu. Os coríntios devem aguardar ansiosamente o dia dessa revelação. p. 13. Primeira. 128.7. 4 e v. 6 e 8). a oração de abertura do v. o fluir do parágrafo (vs. Segunda. Ele também os confirmará até o fim. Noutra parte. naquele dia. 9 (“Fiel é Deus”) não indica um novo sujeito.8 em relação aos crentes que expressam um genuíno desejo escatológico pela restauração de todas as coisas. A locução os confirmará não expressa apenas um voto. 5 e 6). “E os conservará irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo.7. Como a pregação do evangelho confirma os cren- tes em sua fé. e não Jesus Cristo.22). ele olha para o futuro e expressa sua certeza de que Deus os apresentará sem culpa por ocasião do julga- mento final. 25. 8. Jesus removerá o mistério de seu ser pelo desvendar da sua presença (2Ts 1. pois. por ocasião do seu retorno. Introductory Thanksgivings. Mas. por quatro razões. 4. última. mas uma promessa que Deus vai cumprir.21). de todas as maneiras. Paulo afirma que. O’Brien. “Ele também os confirmará até o fim. a. mas uma bênção de conclusão num parágrafo em que Deus é o agente. Terceira. Ao contrário.13). Paulo emprega o verbo confirmar/firmar duas vezes nesse parágrafo (vs. 8 seja Deus. o parágrafo começa e termina com uma referência a Deus (ser vs. serão irrepreensíveis.” Quem confirmará os co- ríntios? Deus ou Jesus? A pessoa mencionada no versículo anterior é Jesus Cristo.

28. Am 5. Significa aceitar o sacra- 26.18-20).27 Podemos confiar inteira- mente em Deus. a.2).13. Fiel é Deus.28 Comunhão como união e partici- pação compreende igualmente a participação no sofrimento e na glória de Cristo e o pertencer ao corpo de Cristo.. An Exposition of the First Epistle to the Corinthians (1857. Charles Hodge. “fiel é Deus”. contudo. requer uma vida de santidade na qual um cristão conforma-se em corpo e alma à semelhança do Filho de Deus (ver Rm 8. Ver também Hoekema. que resolutamente sustenta o seu povo até o fim (v. 85. 11. o Pai.10). Deuteronômio 7. Paulo inicia a sentença com essa palavra. Jesus Cristo nosso Senhor.7.29).14. 2). Somente os que foram chamados à comunhão do Filho têm experiên- cia da paciente fidelidade do Pai. 27. “Muitos são chamados. elabora seu plano de salvação por meio de seu Filho. O retorno de Cristo inclui um julgamento em que tanto Deus como Cristo servirão como juiz (ver Rm 14.9. Para enfatizar o concei- to fiel. “Pelo qual vocês foram chamados à comunhão de seu Filho. “Fiel é Deus. Paulo afirma incondicionalmente que Deus é fidedigno no cumprimento de suas promessas. disse Jesus (Mt 22.9 67 No Antigo Testamento. Jesus Cristo. Nesse dia. p. O chamado é real quando o crente tem verdadeira comunhão com Cristo. O chamado é sempre associado a Jesus Cristo. . 1965). 1 Tessalonicenses 5. p. O eco dessa verdade ressoa do começo ao fim das Escrituras. Conzelmann. p. b. Saved by Grace. pelo qual vocês foram chamados à comunhão de seu Filho. 2.23. a expressão o dia do Senhor refere-se ao dia de juízo (Jl 3.10.13. 1 Coríntios 10. 2Co 5.3. mas poucos são escolhidos”. o termo alude ao retorno de Cristo (por ex.” Deus. como no caso do apostolado de Paulo (v. 1Ts 5. reedição: Grand Rapids: Eerdmans.” Na hipótese de alguém duvidar da veracidade dos versículos precedentes. o Pai começa e o Filho executa esse plano (comparar com 8. 1 CORÍNTIOS 1. Hebreus 10. No Novo Testamento. Mas é eficaz para todos o chamado de Deus? Dificilmente. Essa comunhão. Como Charles Hodge o descreve: “Comunhão compreende união e participação”. 10. Fp 1. os fiéis serão declara- dos irrepreensíveis “pelo veredicto do juiz”.6. Isaías 49. 1 Corinthians.11.16. 2 Timóteo 2.26 9.6).14). 1) e o chamado dos coríntios à santidade (v.24. 28. 2 Tessalo- nicenses 3. 8). 10.

7-11.” Paulo agradece o fato de que Deus. aceita com fé verdadeira. o Pai.4-9 mento da santa comunhão: lembrar que Cristo morreu por nós (10. tem genuína comunhão com Cristo. O Filho. Apolo ensinou as Escrituras aos coríntios e deu continuidade ao fortalecimento dos crentes (1. no Novo. com a explicação de que “ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1. Paulo termi- na sua ação de graças com uma compilação de nomes e ofícios divinos.16).11. Muitos deles haviam vivido em trevas espirituais. pela graça de Deus. divisões.16. A igreja era abençoada com um grupo de pessoas excepcional- mente talentosas (12.68 1 CORÍNTIOS 1. ele alude à exal- tação deste: “o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1Tm 6.29 Considerações Práticas em 1. seu título é Cristo. mas.7). 27-31) mas sofria de rivalidade.15).C. 19. Apocalipse 17. Quando o crente é completamente transformado no âmago de seu ser.21). Paulo permaneceu em Corinto por apenas um ano e meio. A proclamação do evangelho. Paulo re- gozijava-se na salvação deles. De uma forma positiva. “Seu Filho. ago- ra. que os havia chamado a uma vida de santidade. O nome do Antigo Testamento. diz João. tinham comunhão com Jesus Cristo. c. chama o crente à comunhão e que o crente tem comunhão com o Filho.2-3.12. ele dirigiu-se positivamente às pessoas. por fim. sacerdote e rei. enquanto estabelecia uma igreja (At 18.. presumivelmente).4-9 De acordo com Lucas. 3. . O nome aponta para seu ofício de profeta. assumiu a carne humana e recebeu o nome de Jesus. Nos anos seguintes. Joshua.3). nosso Senhor. nosso Senhor. problemas morais e irregularidades na condução do cultos. Salmo 136. Enquanto o prenome do Filho é Jesus.4-6). relembrou os coríntios de seu compromisso com Cristo e os conclamou a ascende- rem a um nível mais elevado de serviço a ele na igreja e na sociedade. agradecendo a Deus. quando Paulo chama Jesus Cristo de “nosso Senhor”. tornou-se Jesus. E. Jesus Cristo.14. que significa o Ungido ou o Messias. dirigiu-se aos leitores de for- ma pastoral. Comparar com Deuteronômio 10. eternamente gerado pelo Pai (Sl 2. Em sua ação de graças a Deus. 50-52 d.17. Quando Paulo escreveu 1 Coríntios. 29. que é Jesus Cristo. conduz à comunhão com o Pai e o Filho (1Jo 1.

Eu os exorto. no nome de nosso Senhor Jesus Cristo. GNB. naquele que é o capítulo mais longo de sua epístola (cap. 32. RSV. NAB. H. J.touj – trata-se de um adjetivo verbal que expressa a voz passi- va (“não pode ser repreendido”).31 que é omitido por outros. Cassirer.8). Phillips. sua confiança e interesse. conta com o forte apoio de uma ampla variedade de testemunhas e versões gre- gas. ensino e correção.4. meus irmãos. “The eschatological transitions to the Pauline letter body”. É palavra composta formada pelo prefi- xo de privação av (in/ir-). Paulo conduz o parágrafo de ação de graças a um clímax que serve de introdução ao restante de sua epístola. que todos estejam de acordo e que não haja divisões entre vocês. 11. . 12.30 O corpo de sua epístola con- siste de admoestação.32 Versículo 8 avnegklh. REB. Obteve. SEB. mas que vocês estejam unidos tanto na disposição mental quanto no parecer. repreensão. NRSV. Dou graças a Deus porque não batizei a nenhum de vocês. de que há contendas entre vocês. NIV. ou “Eu sou de Cefas” ou “Eu sou de Cristo”. Moffat. 4. irmãos.8 Versículo 4 tw/| qew|/ mou – ao menos dois manuscritos principais (códigos Sinaiti- cus e Vaticanus) omitem o pronome possessivo. 10. Roberts. as- sim. O texto. 8 69 apesar da falta de amor delas a Deus e seus semelhantes. Neotest 20 (1986): 29-35. O que eu quero dizer é isto: que cada um de vocês diz “Eu sou de Paulo”. 7. contudo. NEB. 1 CORÍNTIOS 1. fui informado. Mas. 15). Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por vocês? Vocês foram batizados no nome de Paulo? 14. ao cha- mar a atenção para o dia do Senhor nessa passagem. Referindo-se ao retorno de Cristo e ao fim dos tempos (vs. KJV. Muitos tradutores são favoráveis à inclusão do pronome meu. ou “Eu sou de Apolo”. Expressões e Construções em Grego em 1. Paulo discute a dou- trina da ressurreição e do destino eterno dos fiéis. BJ. MLB. Paulo dá o dom para o restante da carta. NJB.w (eu chamo). 30. 13. pelos da casa de Cloe. pela preposição evn (em) e pela forma adjetiva do verbo kale. 31. Pois a respeito de vocês. Em resumo. NASB. Palavras. NKJV.

Por exemplo. 9). 16. Paulo sabia que devia confrontar os leitores de sua carta quanto a suas facções. exorta seus leitores “pelas misericórdias de Deus” (Rm 12. devem compreender que essa comunhão inclui unidade e harmonia e exclui dissensão e rivalidade. Eu os exorto.17). Facções 1. mas sabe que precisa chamar seus leitores de volta a um relacionamento vivo com o Senhor e que deve fazer isso de forma pastoral e positiva.20 A. contendas e ostentações para que. Exortação. Porque Cristo não me enviou para batizar. pudesse lhes ensinar princípios de conduta espiritual. para que a cruz de Cristo não seja anulada. mas que vocês estejam unidos tanto na disposição mental quan- to no parecer. Em suas epístolas. Mc 3.) do Senhor Jesus Cris- to.25. além desses. ele se dirige a eles como seus irmãos (e irmãs) espirituais e os exorta a considerar o nome. não me lembro se batizei algum outro.70 1 CORÍNTIOS 1.1). que todos estejam de acordo e que não haja divisões entre vo- cês. o Filho de Deus (v. para que ninguém possa dizer que vocês foram batiza- dos em meu nome. Quando ouviu falar das divisões dentro da igreja de Corinto.24. II. não com sabedoria de palavras. “por nosso Senhor Jesus . Batizei também a casa de Estéfanas. Tendo sido chamados à comunhão com Jesus Cristo. Paulo admoesta os coríntios pelo nome (lit. Resposta de Paulo aos Problemas Relatados 1. Assim. Fazemos as seguintes observações: a. Lc 11. Paulo percebe que as contendas dos coríntios ainda não resultaram em cisma. isto é.10-17 10. Divisões na Igreja 1. a plena revelação do Senhor Jesus Cristo.10 – 4. irmãos. 17.10 – 6. 15. então.21 Jesus disse que um reino dividido contra si mesmo ficará deserto e toda casa dividida contra si mesma cairá (Mt 12.10 exceto Crispo e Gaio. 1. no nome de nosso Senhor Jesus Cris- to.25. ele freqüentemente exorta seus leitores apelando à mediação de Deus ou de Cristo. mas para pregar o evangelho.

“A Pattern of Prophetic Speech in first Corinthians”. pp. Paulo exorta os membros da igreja em Corinto para que se entendam uns com os outros (comparar com Rm 15.. Welborn. tanto a positiva como a negativa. TDNT. ele os exorta a serem concordes e lhes diz para não serem cismáticos (“não haja divisões entre vocês”). 1.12-27). Thayer. Paulo exorta os que crêem a serem um no Senhor. em vez disso.36 Elas são ago- ra exortadas a trabalhar juntas em unidade de mente e julgamento. Em seu discurso. 570-71. Devem confessar de modo unânime a fé em Cristo. A expressão divisões transmite o pensamento de discussão e rivalidade que dilacera a igreja. e. . 34. 336. 36. A igreja pode ser comparada ao corpo humano (ver 12.1). Gillespie. 1 CORÍNTIOS 1.34 Na mesma sentença. Paulo diz aos coríntios que parem. uma atitude de amor que se empenha por harmonia e paz (Fp 2. Paulo não está pedindo uniformidade de opinião mas. JBL 106 (1987): 85-111. que “pensem concordemente. 5. p.12).2). por fim. 35. por- que Paulo escreve: “. JBL 97 (1978): 74-95. sim. como no caso de Evódia e Síntique. Paulo proíbe os coríntios de formarem partidos na igreja. isto é. “pela mansidão e benignidade de Cristo”(2 Co 10.10 71 Cristo” (Rm 15. “On the Discord in Corinth: 1 Corinthians l-4 and Ancient Politics”. p. A palavra grega katartizein significa tornar uma pessoa o que Deus quer que ela seja. NIDNTT. estejam unidos tanto na disposição mental quanto no parecer”. busca evitar discórdias. Numa palavra. por solaparem a unidade da igreja. c. O contraste com as cláusulas precedentes nessa sentença é notável. vol. Devem estar em paz uns com os outros.1.5). Concórdia. Unidade.1. formam os dois lados da moeda proverbial. Ele noti- fica os coríntios de que. Consultar Georg Braumann. O termo disposição mental está relacionado ao poder de observação e a palavra parecer a formar um julgamento ou uma opi- 33. que é composto com perfeição e que reflete unidade e har- monia. 2Ts 3. b. ele não está refutando heresi- as. Consultar Thomas W. vol.35 Suas instruções.2). estão se tornando uma afronta a Jesus Cristo. É empregada com relação àque- las pessoas que “haviam sido restauradas à harmonia”. Otto Schmitz. 795.30). no Senhor” (Fp 4. perfeita.. “no Senhor Jesus” (1Ts 4. Veja Lawrence L.33 Quando apela ao nome de Jesus Cristo.

diversidade na unidade. Embora Paulo deseje livrar a igreja de divisões. no seio do povo de Deus. amor. meus irmãos. Outra possibilidade é que Cloe fosse uma comerciante que morava em Éfeso e que seus empregados (que tanto poderiam ser escravos. em todas as coisas. pelos da casa de Cloe. chaman- do-os de meus irmãos (e irmãs). mas tomou conhecimento de fatos. Além disso. Se Cloe era cristã não pode ser determinado. “Who Are ‘the People of Chloe’ in 1 Cor. “Pelos da casa de Cloe. indica que não ouviu rumores. Em vez disso. Obviamente a igreja não tomou a iniciativa de informar o apóstolo sobre suas contendas. dessa forma. onde Paulo estava quando escreveu a carta.” Paulo menciona a fonte de sua informação e.72 1 CORÍNTIOS 1.37 b. as notícias quanto às divisões surgiram lá. “Pois a respeito de vocês. Pois a respeito de vocês. Não obstante. não se sabe. 37. 10. 1:11?” JTS 25 (1924): 163-67. meus irmãos. Ele deseja boas relações e. não está pedindo aos coríntios uniformidade de pensamento. F. Ele está dizen- do a eles que. Conforme colocou Rupert Meldenius. Poderíamos supor que residia em Corinto. pois o texto pressupõe que os coríntios a conheciam. assim. mas que o pro- curaram por sua própria iniciativa. a. Foi informado por pessoas que não fo- ram enviadas como mensageiros pela igreja de Corinto. . livres ou membros de sua família) regularmente viajavam entre Corinto e Éfeso e conheciam bem a igre- ja. Se ela morava em Éfeso. usa o termo irmãos uma segunda vez em dois versículos (vs. um escritor do século 17: Nas coisas necessárias – unidade. ele permite. ou em Corinto. 11. Montgomery Hitchcock é da opinião que ela era uma deusa ou uma pagã. ele lida pastoralmente com os membros da igreja de Corinto. E.11). que ocorre somente uma vez no Novo Testamento. devem se esforçar por obter perfeita harmonia e continuar vivendo unidos e em paz. Em coisas não-essenciais – tolerância mútua. fui informado. Paulo quer que o coríntios estejam unidos em suas observações e em seus julgamentos e que abandonem seu sectarismo.” Não temos outra informação sobre Cloe além do nome dela. R. quanto à intenção e ao parecer. de que há contendas entre vocês.11 nião.

ainda. 1 Coríntios 1. ou numa perspectiva diferente. 12. Além disso. Archibald Robertson e Alfred Plummer. violam o mandamento de Deus de amar uns aos outros. Ele está dizen- do: “Vamos falar francamente”. “Eu sou de Paulo”. A oração O que eu quero dizer é isto mostra que Paulo está com- pletamente informado sobre as contendas em Corinto.20. Para dizer de outra forma. por isso. Numa ordem ascendente. A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St. (1911. 2ª ed. Na igreja de Corinto. Apolo e Cefas) repudiavam a existência de grupos e contendas. 39. contudo. Filipenses 1. Tito 3.4. 2 Coríntios 12. relacionado esses gru- pos a pessoas específicas. o nome de Paulo é o de menor importância.”39 a.20. Ela ocorre nove vezes nas epístolas de Paulo e em nenhum outro lugar do Novo Testamento. reedição. Paulo havia fundado a igreja. Mes- mo aqueles que se dispunham favoravelmente em relação a Paulo ha- 38. Gálatas 5.29. conseqüentemente. outro ainda diz que imita a Pedro. “Sem dúvida. O nome de Paulo é o primeiro da lista de quatro. Edimburgo: Clark. 1 CORÍNTIOS 1. mas contribuíam para um espírito de sectarismo que prejudicava o bem-estar espiritual da igreja (ver Tg 4. nem todos na igreja aceitavam o apóstolo. p. outro afirma ser de Apolo. A palavra grega para contendas é tipicamente paulina. 11.12 73 c. ou “Eu sou de Cefas” ou “Eu sou de Cristo”. 1975).3. Ver Romanos 1. 1 Timóteo 6. Não nos é permitido con- cluir que esses quatro partidos reunissem todos os membros da igreja. e um último afirma ser um discípulo de Cristo. A ironia. A questão é que os próprios coríntios haviam criado grupos dentro da igreja e. 3. “Que há contendas38 entre vocês. ou “Eu sou de Apolo”.11. Paul to the Corinthians. é que as pessoas que tive- ram seus nomes identificados com tais partidos (Paulo. O que eu quero dizer é isto: que cada um de vocês diz “Eu sou de Paulo”.2). nenhum líder foi a Corinto a fim de estabelecer seu próprio partido.” Essas contendas ainda não haviam se tornado divisões permanentes. International Critical Commentary.9.15. contendas demonstram falta de amor e. . 13. devido ao partidarismo existente. mas. havia coríntios que não se incluíam em nenhum dos qua- tro partidos. um membro apresenta-se como seguidor de Paulo.13. o nome de Cristo é o último e o hie- rarquicamente mais elevado.

74 1 CORÍNTIOS 1. também seu Commentary on the First Epistle to the Corinthians. Não há como comprovar que Cefas (Pedro) tivesse visitado Corinto na ausência de Paulo.12 viam ultrapassado o seu ensino e intenções. tornara-se o pai espiritual em Cristo dos coríntios (4.6). 2Co 10. 1963). org. 22. seu objetivo era o de confirmar os coríntios em Cristo (ver v. especialmente porque consideravam Paulo uma pessoa fraca cuja apresentação oral não primava pela eloqüência (2. 44. Possuía um conhecimento magistral das Escrituras e. Rejeitando o espírito sectário dos coríntios.15). De um ponto de vista humano. 1-12. p. c. não só demonstra respeito por seu colaborador Apolo como também fala de modo apreciativo a respeito de seu trabalho (3.40 Supomos que os coríntios conheciam a Pedro pessoalmen- te. o caminho da salvação (At 18.5). Ele não queria que olhassem para ele.25. Ecclesiastical History 2. in Abraham unser Vater: Juden und Christen in Gesprach über die Bibel. K. de Priscila e Áqüila em Éfeso. Tor- nou-se sucessor de Paulo em Corinto e era um orador eloqüente (At 18. embora en- sinasse a respeito de Jesus. pois Paulo menciona que Pedro era acompanhado por sua esposa nas viagens missionárias (9. . pp. Sabemos que Apolo era procedente da reno- mada cidade de Alexandria – um centro acadêmico onde fez seus estu- dos. Mas tanto Paulo como Apolo se recusavam a verem-se como rivais. Pedro. por toda essa epístola. “Eu sou de Cefas”. 6). Sabemos que Paulo. mas para o Senhor. b. Paulo estava diante de um rival que o havia superado no púlpito em Corinto. 11. 5. É provável que tenha estado ali. 16. Barrett.4.1. Martin Hengel e Paul Schmidt (Leiden: Brill. 4. “Eu sou de Apolo”. 6. “Cephas and Corinth”.24-28). Algumas pessoas na igreja ficaram impressionadas por esse orador. Por ter pregado o evangelho. conhecido como cabeça da igre- 40. por Otto Betz.12).24-26).10. série Harper’s New Testament (Nova York e Evanston: Harper and Row. Eusébio. pois o próprio Paulo não havia promovido o surgimento de uma facção à parte.6. Eram cooperadores na proclamação do evangelho de Cristo. ao contrário. precisou aprender com mais exatidão. 1968). Mas Paulo não estava interessado em ser reconhecido pelo trabalho realizado. E ver C. Paulo defendia a inte- gridade de Apolo. Festschrift für Otto Michel zum 60. Ele entendia que também Apolo repudiava as con- tendas e facções na igreja.

estamos marchando Onde os santos marcharam .9. disse: Irmãos. na caridade. as incontáveis divisões na igreja fazem com que o cristão se . Em suas epístolas.10-12 75 ja e porta-voz dos apóstolos. 2. Ele quer dizer que a Igreja universal com todos os seus membros individuais pertence a Jesus Cristo. Um. preferia usar o nome aramaico dele em vez da versão grega. Pedro e Paulo respeitavam-se mutuamente. seria o caso de que os coríntios que não pertenciam a nenhum dos outro grupos formavam um partido de Cristo? Acaso não eram todos esses cristãos seguidores de Cristo? Cristo não se encontra numa categoria diferente das outras três pessoas? Será que foi Paulo que se opôs aos coríntios dizendo “Eu sou de Cristo”? Não conseguimos responder a muitas dessas questões porque Pau- lo não acrescenta nenhuma outra informação além da que temos nessa seção do texto. Nós não estamos divididos.5. em seguida. Considerações Práticas em 1. Soldados Cristãos] e. Noutra parte. ver Jo 1. de novo e. diz enfaticamente aos coríntios que eles são de Cristo (3. d. Somos todos um só corpo.22. A construção gramatical dessa passagem exclui a inter- pretação de que Paulo tenha dito Eu sou de Cristo.12. Paulo refere-se a Pedro como Cefas e.18. 9. Por exemplo. 3. Paulo.42 para a mesma constru- ção).10-12 Sabine Baring-Gould escreveu o magnífico hino “Onward Christians Soldiers” [Avante.7. Apolo e Cefas. 1 CORÍNTIOS 1. Gl 1. 14. 8) contra oito vezes a Cefas (no grego – 1. ao que parece.22. Um. comparando a Igreja com um exército poderoso. tam- bém 2Co 10. “Eu sou de Cristo”. Deparamo-nos com uma série de questões quando tentamos interpretar essa afirmação. 11. Contudo. Petros. refere-se duas vezes a Pedro (Gl 2. em vista do que po- demos ter certeza de que também Pedro abominaria ter seu nome asso- ciado a uma facção em Corinto. 15.7).23.5. ele menciona os três nomes. na esperança e na doutrina. era altamente respeitado.

Cassirer) ou “repartido” (BJ. Todas as três perguntas são retóricas e esperam uma resposta negativa.”. disputas dentro da igreja têm sido a causa de muitos cismas.42 Uma vez que essas palavras são seguidas por duas orações interrogativas. 1961). 42. se surge discordância de alguma forma com respeito à religião. REB). não tarda a acontecer que o que está na mente das pessoas logo estoure em conflito real. P46vid. Moffatt). “Cristo está dividido?” A maioria dos tradu- tores compreende as primeiras três palavras desse versículo como uma pergunta. 5 vols. Algumas poucas versões trazem “rasgado” ou “dentro” (NAB. em seu comentário sobre esse texto. St. reedição.43 Foi Cristo dividido no sentido de que foi cortado em pedaços? G. Grand Rapids: Eerdmans. pois ele é o Cabeça da Igreja.76 1 CORÍNTIOS 1. (1910. “dividir”. Paulo chamou a atenção de seus leitores para Cristo com a pergun- ta quanto a Cristo estar dividido. não pensa assim. Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por vocês? Vo- cês foram batizados no nome de Paulo? a. Paul’s First Epistle to the Corinthians.. 26-27.13 lamente. 43. não havendo outra área de disputas mais acirradas. não desmembramento”. por W. Segundo João Calvino: “Onde divisões religiosas são abundantes. 44. mas os coríntios aparentemente disseram sim.44 Mas é impossível distribuir Cris- to. Al- guns manuscritos antigos (por ex. aqui. E o corpo deve honrar sua cabeça. Findlay. Primeira pergunta.41 13. 3 de The Expositor’s Greek Testament. I Corinthians. Essas pessoas pensaram que poderiam dividir o Cristo. Calvino. Além dos conflitos geográficos e lingüísticos. SEB. no vol. pp. Alguns tradudores apresentam uma declaração exclamatória: “Certamente Cristo não foi dividido entre vocês!” (NEB. de sua cabeça os membros recebem sustento e dire- 41. 765. REB) ou “Cristo foi dividido entre grupos!” (GNB). a conseqüência inevitável é que os homens rapidamente se disponham a fazer guerra. G. Pois. “indica dis- tribuição. enquanto nada é mais efetivo para nos congregar e nenhuma outra coisa ajuda mais a unir nossas mentes e mantê-las em paz do que a harmonia religiosa. G. Paulo respondeu não a essa pergunta. G. 326. a qual é o seu corpo. e não como uma afirmação. . org. Findlay. 1962) colocam um prefixo interrogativo com a palavra não para conformar a cláusula às duas perguntas seguintes. Robertson Nicoll. os especialistas vêem uma seqüência lógica de três perguntas. Segundo Findlay. E alguns tradutores adotaram a interpretação que inclui a partícula negativa (ver NEB.

Editores da UBS. a. . 23.: Alpha. Winona Lake. O absurdo de invocar o nome de Paulo (ou o nome de Apolo ou o de Pedro) é patente. 2 Coríntios 13. Por causa do sinal e do selo do batismo. os coríntios pertenciam a Jesus Cristo e viviam uma nova vida. Com a pergunta “Cristo está dividido?”. exceto Crispo e Gaio. o verbo crucificar. Não Paulo. 15. Eles não podem dizer que pertencem a Paulo (ou. eram chama- dos cristãos.38. Souter e o Texto Majority as incluem. do Filho e do espírito Santo (Mt 28. REB. 5.4. Dou graças a Deus porque não batizei a nenhum de vocês. G. 6. NKJV. b. 10. Segunda pergunta. 15 77 ção. Por causa do batismo deles na morte de Cristo (Rm 6. Bible Studies (reedição. NAB. 1 CORÍNTIOS 1. ele aplica a si mesmo o termo que perten- ce exclusivamente a Cristo. 19. Nesl-Al. “Dou graças a Deus”. pois.19) ou no nome de Jesus (At 2. James D. 14. Baptisme in the Holy Spirit.14. Editores e tradutores do Novo Testamento grego dividem-se com respeito à inclusão ou exclusão das palavras a Deus. p. 1 Coríntios 1. Ind. honrou a Cristo e promoveu a unidade da Igreja.45 Aqui. 8. Alguns dos coríntios po- dem ter a máxima estima pelo fundador da igreja em Corinto.”46 O batismo significa que alguém se identifica completamente com a pessoa em cujo nome foi batizado(a). a Apolo ou Pedro). Gálatas 3. Terceira pergunta. Adolf Deissmann. NRSV. desonram a Cristo. NEB. Paulo fez a atenção recair sobre a cabeça do corpo.2. Nas epistolas de Paulo. 1979) p. SEB GNB. mas terão de reconhecer que Paulo não morreu numa cruz para libertá-los do pecado. 45. Studies in Biblical Theology. Muitos deles preferem incluir47 a palavra mais do que excluí-la. Merk. c.3). “Vocês foram batizados no nome de Paulo?” Quando os coríntios receberam o sinal do batismo.24. NASB. ocor- re apenas oito vezes. 117. 2.5). Dunn. para que ninguém possa dizer que vocês foram batizados em meu nome. 47.13. mas Cristo. fazendo isso. em suas variantes. 147. 2ª série 15 (Londres: SCM.1. “Batismo ou fé constituem o fato de pertencer a Deus ou ao Filho de Deus. foi crucificado por eles. “Paulo foi crucificado por vocês”? Os corín- tios devem ter imediatamente percebido o absurdo dessa pergunta. 1970). também. 46. Ver KJV.48. eles foram batiza- dos no nome do Pai.14.

First Corinthians. c. Alguns comentadores pensam que Estéfanas foi convertido em Atenas. 1Co 1. . Rm 16. b. o qual. Quando deixou a sinagoga. em seu ministério. Ele havia delegado a outros a tarefa de batizar os convertidos. Filipe. 20. Robertson e Plummer. p. O nome Gaio ocorre cinco vezes no Novo Testamento (At 19. que esse Gaio seja a mes- ma pessoa que Paulo batizou quando fundou a igreja de Corinto.48. “Porque não batizei a nenhum de vocês. para que ninguém pudesse atribuir importância ao seu nome. Suspeitamos. por isso.23). O próprio Estéfanas estava presente quando Paulo escreveu 48.12). Contudo. Sóstenes o sucedeu (At 18.23. creu em Jesus (At 18.12). Ele esquece de citar Estéfanas e sua família junto com Crispo e Gaio.17). ele hospedou-se na casa de Gaio (Rm 16.4. Paulo. ainda que sua família morasse em Corinto. Batizei também a casa de Estéfanas.48 Mas isso não passa de conjetura.14. Quando Paulo passou o inverno em Corinto. foi que batizou os samarita- nos (At 8.” Segundo o relato de Lucas.78 1 CORÍNTIOS 1.” Paulo é grato pelo fato de que. 11. onde compôs sua carta aos Romanos. 3Jo 1). com toda certeza. 15.15). d. não me lembro se batizei algum outro.16 O emprego de Paulo em suas epístolas dá apoio à inclusão. Da mes- ma forma. Paulo parece ter tido um lapso de memória. não batizava os que criam. mas ele queria que as pessoas olhassem para Cristo que os redi- mira e não para o pregador que os havia batizado. não batizava pessoas em seu nome. junto com todos os membros de sua casa. Paulo revela que a casa de Estéfanas consistia nos primeiros crentes na província da Acaia (16. e Pedro instruiu os seis judeus cristãos de Jope a batiza- rem os membros da casa de Cornélio (At 10. “Exceto Crispo e Gaio. que era parte da Acaia.8). 16. na parte final de sua epístola.29. “Para que ninguém possa dizer que vocês foram batizados em meu nome. mas expressando satisfação pelo fato de não ter batizado muitos dos crentes em Corinto. além desses. 4). Crispo ha- via sido um dirigente da sinagoga em Corinto. e não Pedro nem João.” Paulo não está ofere- cendo uma oração de ação de graças (ver o v. ainda que essas palavras não constem de alguns dos principais manuscritos.

a. 15. Nesse texto. tato e aptidão. Lucas diz que. que a proclamação da mensagem não deveria se tornar um trata- do filosófico e que a cruz de Cristo não pode perder sua centralidade. Lídia (16. nascidos em sua casa (Gn 14. ele revela que casas e seus cabeças foram salvos e batizados: Cornélio (10.17 79 essa epístola.14). comparar com Jo 4. O cabeça de uma família considerava sua casa uma unidade religiosa que ele próprio liderava. 1 CORÍNTIOS 1.8). os quais ministravam às necessidades espirituais dos cristãos (16.14).16). escravos e visitantes. para que a cruz de Cristo não seja anulada.9. quando a salvação veio a Zaqueu. 11. Assim. 15. 17. Paulo revela características humanas nor- mais mesmo quando está escrevendo um livro inspirado da Bíblia. mas para pregar o evangelho. ele pode ter sido o amanuense que escreveu a carta para Paulo e o lembrou do fato. Paulo enfa- ticamente afirma não ter interesse em batizar convertidos. veio também à sua casa (Lc 19. Gl 1.1. pode ter sido cabeça de um extenso círculo familiar. outros parentes. A declaração positiva é que Cristo o enviou para pregar a mensagem da salvação.15).53). Estéfanas e os membros de sua casa eram trabalhadores ardorosos na igreja de Corinto.16) e refere- se a cristãos que pertenciam à casa de César (Fp 4. As negativas são que Paulo não recebeu a ordem de batizar crentes. Paulo escreve que não consegue se lembrar de ninguém mais a quem tivesse batizado. Paulo menciona a casa de Onesíforo (2Tm 1.15. Porque Cristo não me enviou para batizar.22).16.15). A tarefa de pregar o evangelho requer talento. educação. Em Atos. Crispo (18. Agora ele apresenta o motivo: Cristo o enviou como um pregador do evangelho (Rm 1. Quantas pessoas formavam o círculo de sua casa? A Bíblia ensina que o termo casa incluía marido. mas para pre- gar o evangelho. Nos dois versículos precedentes (vs. Batizar crentes é um ato simples e .31-34). Abraão contava com 318 homens capazes. pois seu chamado não era para batizar crentes. filhos. esposa. Por exemplo. Como uma pessoa influente. Não temos infor- mação quanto ao número de membros da casa de Estéfanas.2. Ele não atribui importância ao privilégio de batizar convertidos. Tarefa. 48. Paulo expressa um elemento positivo e três negativos. o carcereiro de Filipos (16. não com sabedoria de palavras.16).

nesse versículo. 84-85. Paulo absolutamente não está desmerecendo o batismo.”50 49. “‘Contar boas-novas segundo a sabedoria do mundo’ é uma contradição. Da mesma forma. “com sabedoria de palavras”. a palavra aparece no contraste que ele faz entre a sabedoria de Deus e a sabedoria do mundo. os apóstolos foram enviados a pregar o evangelho com simplicidade e clareza. Paulo segue o exemplo de Jesus.17 não requer preparo. eviscerar o evangelho. pp. “Pregar o evan- gelho é lançar a rede. Batizar é um ato que não se repete e que distingue um cristão do mun- do. ‘novas’. para ser preciso. 1977). “Não com sabedoria de palavras. deixava primariamen- te a outros a tarefa de batizar. mas a pregação se dá a cada Dia do Senhor e muitas vezes nos dias úteis da semana. Essa é a primeira vez na epístola que Paulo escreve a palavra sabedoria. Na retórica grega. Jesus designou os apóstolos como pescadores de homens (Mt 4.80 1 CORÍNTIOS 1. pois ele proclama a mensagem da cruz em termos simples. Adornar a teoria do Calvário com elaborados teoremas significaria ‘anular a cruz de Cristo’. Findlay. b. . Paulo não se identifica com esse procedimento. é trabalho apostólico.19) e os enviou a pescar homens pela pregação. Commentary on First Corinthians (1886. Ver Frederic Louis Godet. isto é. a uma nova vida e ao crescimento. Mas. 767. contar notícias. Jesus proclamou a mensagem da salvação e o povo simples o ouviu com alegria. a expressão sabedoria de palavras descreve o método de um orador grego discur- sar com eloqüência.2).”49 Paulo tinha de usar todo o seu tempo e talento para pregar a Palavra e. por isso.” Paulo não diz “pala- vras de sabedoria” ou “sabedoria para falar”. 50.1. à fé. Ao pregar o evangelho de forma simples. Nos versículos seguintes dos capí- tulos 1 e 2. Método. Está se- guindo o exemplo que Jesus deixou durante seu ministério terreno: Cristo proclamava o evangelho e os discípulos batizavam os crentes (Jo 4. First Corinthians. Batizar é reunir os peixes já apanhados e levá-los para bordo. os oradores esmeravam-se na apresentação de argumentos filosóficos para defender um determinado ponto de vista. Grand Rapids: Kregel. somente requer e admite linguagem direta. mas pregar é uma tarefa permanente de conduzir pessoas ao arrependimento. mas. p. reedição.

Considerações Práticas em 1. Esse mundo rejeitou a mensagem de uma morte ingnominiosa na cruz.16 A cultura norte-americana aceita o individualismo como um modo de vida. tios e tias. Havia indicado a vergonhosa cruz de Cristo pela qual eles foram sal- vos do pecado e da morte. filhos e filhas. Ela estimula o desejo de liberdade e promove o esforço por sucesso numa sociedade competitiva. sobrinhos e sobrinhas. um número cada vez maior de famí- lias são chefiadas ou apenas pelo pai ou apenas pela mãe.” Quando proclama- va a mensagem da morte de Cristo na cruz do Calvário. Quando norte-americanos ou povos de outras culturas lêem a passa- gem da Escritura com a palavra casa. isto é. família.1). Conseqüente- mente. Então teria sido vã a sua mensagem e em consequência não teria havido conversões e não aconteceriam batismos. do abandono e da separação. Os adultos freqüentemente moram longe de seus pais e de seus irmãos e irmãs. a família como tal é mais propriamente um pequeno núcleo que consiste de um ou de ambos os pais e. contudo. A família atende às necessidades materi- ais. a família geralmente consiste de um clã que inclui avós. a interpretação e a . Os coríntios sabiam que Paulo tinha pregado o evangelho da morte de Cristo sem recorrer à oratória ou à sabedoria humana (ver 2. As estatísticas revelam que pelo menos um terço da população na América do Norte se muda a cada ano. As famílias geralmente estão espa- lhadas de norte a sul e de leste a oeste. são colocados em instituições para idosos onde seus filhos e filhas podem visitá-los de vez em quando. Por causa do di- vórcio.16 81 “[Para] que a cruz de Cristo não seja anulada. a mensagem da cruz teria sido esvaziada de seu poder e glória. Institui- ções para idosos são praticamente inexistentes. Em humildade. sociais. Paulo sofreu o escárnio do mundo greco-romano. Quando pais idosos necessi- tam de cuidado diário. emocionais e espirituais de todos os seus membros. ele os tinha chamado ao arrependimento e fé em Jesus Cristo. pai e mãe. Se Paulo. Em outras culturas. econômica e política com base em seus próprios méritos. tivesse adota- do a prática grega e tivesse apresentado sua mensagem com retórica eloqüente. Ela encoraja a pessoa a subir a escada soci- al. geralmente. 1 CORÍNTIOS 1. de dois ou três filhos. pois os pais idosos são cuidados por seus filhos e netos.

Desde que. 23. Onde está o sábio? Onde está o especialista na lei? Onde está o inquiridor deste século? Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? 21. A constru- ção está no perfeito para demonstrar efeito duradouro e no passivo para indicar que Deus é o agente. 19. 27. 12. que estamos sendo salvos. pela sua sabedoria.17. A partícula de. indica que as pessoas que falam são semelhantes. não conheceu Deus. Considerem seu chamado. Porque a palavra da cruz é loucura para os que estão perecendo. Podemos segu- ramente presumir que uma cultura que considera a família como um clã reflete mais apropriadamente o modelo bíblico do que uma estrutura que promove o individualismo e a falta de raízes. E desde que os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria. tanto judeus como gregos. 25. 24. Para os que foram chamados.82 1 CORÍNTIOS 1. Expressões e Construções em Grego em 1. aprouve a Deus salvar aqueles que creram pela loucura da mensagem que foi pregada. 26. 18. Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.10. não muitos de nobre nascimento. – o contraste indica que alguns estão dizendo isto e outros. 16. poder de Deus. 16. Pois está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios. 22. é claramente adversativa para destacar a construção peri- frástica h=te kathrtisme. mas o curso da sen- tença positivamente sugere que ela limita a atividade do infinitivo batizar. Mas . Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Palavras. 20. mas uma oração subordinada final seguida de um verbo exortativo. o mundo. A repetição de de.17 loipo. e loucura para os gentios. e a inteligência dos inteligentes eu anularei”. na sabedoria de Deus. 17 compreensão da palavra será necessariamente diferente.n…de. Versículo 12 me. uma pedra de tropeço para os judeus.noi (que vocês possam ser completos).10. ouv – a partícula literalmente nega o verbo enviar.que não foram muitos sábios de acordo com a carne. 12. aquilo. não muitos poderosos. irmãos. a – a conjunção não introduz uma oração subordinada final sim- ples. Versículos 16. Versículo 10 i`n. nós prega- mos a Cristo crucificado.n – essa expressão adverbial significa “em adição a isso”. mas para nós.

Para que. de fato.18 83 Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. 18). Ela aponta para Cristo. São.18-2. o relato da morte de Cristo numa cruz fora da cidade de Jerusa- . pois cada uma contribui para uma mensagem poderosa. contrários. Paulo ensina que o que é loucura para o mundo (a saber. para anular as que são. Mas por causa dele vocês estão em Cristo Jesus. 19) e leva os coríntios a tirarem suas próprias conclusões fazendo-lhes uma série de perguntas (v. Cada palavra nesse texto é importante. exatamente como está escrito: “Aquele que se gloria. e o que é sabedoria para o mundo (ou seja. que sofreu a morte de um criminoso. glorie-se no Senhor”. 31. nada têm em comum. Mas a sabedoria de palavras que o orador pronuncia é de origem humana e contrária à mensagem da cruz. a pregação da cruz) é sabedoria para Deus. 30. e santificação. 2.5 Nessa seção. 1 CORÍNTIOS 1. e as desprezadas. Embora os dois termos traduzidos como “palavra” e “palavras” tenham a mes- ma forma original no grego (logos). 29. Ele delineia o efeito do pregar-se a mensagem da cruz de Cristo (v. “A palavra da cruz é loucura. fundamenta seu ensino com uma passagem do Antigo Testamento (v. Os Perdidos e os Salvos 1. sistemas filosóficos inventados pelo homem) é loucura para Deus. Porque a palavra da cruz é loucura para os que estão pere- cendo. mas que afeta o destino eterno do homem. Quando Paulo escreve a palavra da cruz. no contexto. ele a separa da expressão sabedoria de palavras (v. e redenção.18-20 18. mas para nós. A loucura da Cruz 1. a. para que nenhum homem possa se vangloriar diante de Deus. 17). A conjunção porque serve como uma ligação à referência de Paulo à cruz de Cristo (v. poder de Deus. 17) e dá ao versículo 18 o caráter de um explicação. A palavra da cruz é a mensagem que proclama um acontecimento de significado teológico e histórico. e aquelas que não são. E Deus escolheu as coisas insignificantes do mundo. que estamos sendo salvos.” Para os gentios contemporâneos de Paulo. o qual se tornou sabe- doria da parte de Deus para nós: justiça. 20). 28.

pois somente esses transviados da sociedade eram cru- cificados pelos romanos. nessa esperança. salvos durante sua vida na terra. pp. Eles não estão a ponto de perecer. Notes on the Epistles of St. reedição. Essa expres- são tem tanto um componente subjetivo quanto um objetivo: subjeti- vamente. 2).9) “E. O próprio Paulo coloca-se no mesmo nível dos coríntios e afirma que eles são salvos. Lightfoot. guardam com alegria a lembrança dessa abençoada segurança . portanto. Em contraste. por isso.15) Futuro: “Quanto mais nós seremos salvos” (Rm 5. pois estão no processo de se- rem completamente salvos (comparar com Hb 1. loucura para os gregos (v. Paul from Unpublished Com- mentaries (1895.14).18 lém era loucura.3. 1957). 23). assim. “[Loucura] para os que estão perecendo. Paulo encoraja seus leitores. Ele se inclui quando diz: “Mas para nós que estamos sendo salvos. Portanto.” O particípio presente estão perecendo denota uma ação que está em progresso. em princípio.10). fomos salvos” (Rm 8. 2Ts 2. Classificavam Jesus como um criminoso ou um escra- vo degenerado. B. todo o Israel será salvo” (Rm 11. são. Durante toda sua peregrinação terrena. o povo que repudia a mensagem de Paulo a considera loucu- ra. Eles foram chama- dos e santificados (v. eles pertencem a uma classe diferente porque aceitaram a ”palavra da cruz” e creram no evangelho. Mas eles não eram salvos quando Deus os chamou? O que exatamente Paulo ensina sobre o tempo da salvação? Em que tempo o verbo salvar é usado?51 Uns poucos exemplos lançam luz sobre o ensino de Paulo: Passado: “Porque. A mensagem da cruz que Paulo anunciava era. 157-58. mas estão pere- cendo realmente. ele nos salvou” (Tt 3.84 1 CORÍNTIOS 1. . objetivamente. Grand Rapids: Zondervan. 4.26) Os crentes.15.8) “Segundo a sua misericórdia. os coríntios não estão perecendo.24) “Pela graça vocês foram salvos” (Ef 2. A salvação plena 51. Consultar J. o efeito da rejeição é condenação irrevogável (2Co 2.5) Presente: “Por ele [o evangelho] vocês estão sendo salvos”( 1Co 15.” Observe que a cláusula que estamos sendo salvos serve como uma explicação do pronome pes- soal nós.5.2) “Os que estão sendo salvos” (2Co 2.

Deus não depende de 52. a tradução grega das Escrituras do Antigo Testamento (Is 29.10). ver também Sl 33.19 85 vem para eles quando deixam o cenário dessa casa terrena e entram na presença de Deus. Essa é uma citação que Paulo faz quase palavra por palavra da Septuaginta. Em essência.16). O poder de Deus torna-se efetivo quando o evangelho de Cristo é proclamado e as pessoas aceitam essa mensagem com fé. 53. New Testament Theology (Downers Grove: Inter- Varsity. 1981). No Novo Tes- tamento. Mt 15.15).” Paulo diz confiantemente aos seus leitores: “a nós pertence o poder de Deus”. Interp 44 (1990): 120. mas não com o seu coração (Is 29. o qual honra a Deus com os seus lábios.14. 19. Tiago chama a sabedoria terrena – em oposição à sabedoria celestial – de não-espiritual e do diabo (Tg 3.53 Seguindo o método de Jesus de apresentar Escritu- ras como prova. os sofisticados contemporâneos de Paulo pensaram que ele estava proclamando pura tolice ao relacionar o poder de Deus à fraqueza da cruz. Veja Peter Lampe.9).13.52 Contudo. Paulo confirma sua doutrina citando uma passagem do Antigo Testamento. A Septuaginta difere do texto hebraico. Ele se opõe à sabedoria que se origina num coração que está longe de servir a Deus. Essa linguagem lembra a que Paulo usa em sua epístola aos Romanos: “Pois não me envergonho do evan- gelho. “É o poder de Deus. “A palavra da cruz” tem poder para ressuscitar o pecador da morte espiri- tual e para dar novidade de vida. 592. p. porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (1. Comparar com Donald Guthrie. Pois está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e a inteligência dos inteligentes eu anularei”. Deus torna nula a sabedoria dos sábios de Israel e dissipa a inteligência humana. Deus está dinamica- mente oferecendo a salvação ao seu povo. . que lê: “A sabedoria do sábio perecerá e a inteligência do inteligente desaparecerá”. “Theological Wisdom and the ‘Word About the Cross’: The Rheto- rical Scheme in 1 Corinthians 1-4”. O contexto dessa passagem do Antigo Testamento alude ao povo de Israel. 1 CORÍNTIOS 1.8.

Isaías 22.13 em 2. Em 1 Coríntios. Fee observa com propriedade: “Con- tudo. o rei Ezequias depositou sua confiança no Deus de Israel. “Isaías. rei da Assíria (Is 36-37).8 em 15. Isaías 25.13 em 15.54.12 em 14.18-31”. Ele tem em mente o cerco de Jerusalém pelas forças de Sena- queribe. é na loucura de nossas maquinações humanas que imaginamos poder ludibriar a Deus ou que nos faz pensar que Deus deve ser tão esperto quanto nós”.9.54 20. contudo.36). William Hendriksen. Isaías 64. Gordon D.12).32.000 soldados assírios (Is 37.11. No oráculo do profeta contra o Egito.18]. “William Hendriksen on 1 Corinthians 1.4 em 2. descreve as pessoas.21. Isaías pergunta onde estão os homens sábios do faraó (Is 19. A seguir. p. Paulo demonstra uma aparente predile- ção por citar e fazer alusões à profecia de Isaías. Isaías 28. Fee.18. nós somos instados a rogar a Deus por sabedoria (Tg 1. Isaías 40.19. a qual ele dará liberalmente a qualquer um que se achegar a ele com fé. NKJV). 56. seis são de Isaías: Isaías 29. Alusões. dizendo: Onde está o escriba que contou [deveria ter contado] o tributo (cobrado dos judeus)? Onde está aquele que pesou (deveria ter pesado) o tributo? Onde está o que contou [de- veria ter contado] as torres (cujo número os assírios conheceriam na medida em que as fossem destruindo)? [Is 33. . que o libertou da opressão.14 em 1. 70. 55. no contexto dos ais pro- nunciados sobre os assírios.55 Duas das perguntas nesse versículo – Onde está o sábio? Onde está o especialista na lei? – são explicitamente de Isaías. Isaías pergunta onde está o escriba (Is 33. Quando o exército assírio cercou Jerusalém. o escriba é o especialista nas Escrituras do Antigo Testamento. refletindo sobre tudo isso.”56 Para o propósito de Paulo. atônitas. B of T 284 (1987): 20. e Paulo baseia-se implicitamente em Isa- ías para uma terceira pergunta: “Deus não tornou louca a sabedoria do mundo?”.86 1 CORÍNTIOS 1. Onde está o sábio? Onde está o especialista na lei? Onde está o inquiridor deste século? Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? a. Das dezessete citações diretas do Antigo Testamento.5). 54. First Corinthians. pelo contrário.20 nossa sabedoria. Um anjo do Senhor causou a morte de 185.16.

Resumindo as três primeiras perguntas com uma quarta. Paulo faz a seguinte pergunta retórica: “Deus não tornou louca a sabedoria do mundo?”. muito embora eles próprios ainda não tivessem compreendido 57. p. tanto judeus como gregos.25). A expressão deste sécu- lo se opõe a o século vindouro. Enquanto o mundo volta a sua sabedoria contra o Todo-po- deroso.20 87 Prometendo redenção para Israel. mas recusavam-se a aceitar a mensagem da cruz como o cumprimento dessas doutrinas. . 1 CORÍNTIOS 1. Barrett. Deus diz que destruirá o saber dos sábios (Is 44. As expressões deste século e deste mundo são sinô- nimas. o resultado é derrota para o mundo. Essas pessoas recorriam às doutrinas da lei do Antigo Testamento. contrasta os valores éticos do mundo presente com os do reino de Cristo. Paulo diz que Deus fez parecer louca a sabedoria deste mundo. e destrói a sabedoria do sábio. First Corinthians. Paulo não supõe que todos os sábios saíram de Corinto. Paulo dirige o seu discurso àqueles judeus que haviam recebido formação para explanar as Escrituras do Antigo Testamento (que. Fosse alguém confrontar a Deus com sa- bedoria humana. Perguntas. 53. era a formação do próprio Paulo). a sabedoria desaparece da terra quando os mestres que se opõem a Deus proclamam sabedoria humana. Deus torna louca a prudência do mundo. que age para salvar. Paulo vale-se de um paralelismo no final da terceira e da quarta pergunta. “Onde está o sábio?” Com quatro perguntas. da mesma forma. seria ele o derrotado. “Onde está o inquiridor deste século?” Essa terceira pergunta apli- ca-se aos filósofos. Paulo resume o que havia afirmado no versículo 18 e provado pelas Escritu- ras no versículo 19. os sábios do Egito desapareceram de cena por ordem de Deus. mas que a tentativa deles de frustrar a obra de Deus é fútil (ver 3.57 Os coríntios precisam compreender que Deus tornou loucura a sabedoria mundana daqueles que rejeitaram a mensagem da cruz de Cristo. b. Como na época de Moisés. Com uma pergunta retórica que espera uma res- posta afirmativa. diga-se de pas- sagem.19). “Onde está o especialista na lei?” Com a segunda pergunta. A ênfase recai sobre Deus.

demonstra que há somente duas classificações: os perdidos e os salvos. sua estreita relação com o particípio presente do mesmo verbo no versículo 18 é interessante. na sabedoria de Deus. Expressões e Construções em Grego em 1.20 Against the Background of Jewish Sapiential Traditions in the Greco-Roman Period (Lanham.19 toi/j)))avpollume.18-20 Versículos 18. Md. aprouve a Deus salvar aqueles que cre- ram pela loucura da mensagem que foi pregada. a.59 toi/j)))swzome. Consultar James A. SEB. c. Ver a relação desse verbo com o substantivo (loucura). o mundo. Grammar. 59. NKJV.noij – esse particípio médio presente do verbo avpo. não conheceu Deus. Phillips.: University Press of America. NEB. o aoristo mostra ação concluída. REB. ko. Sabedoria e Loucura 1. Por meio dela.smou – uma vez que a evidência de manuscritos que favorecem da inclusão do pronome tou. Davis.58 Palavras. Desde que.n e de.llumi.tou é forte.” As duas conjunções (“desde” e “que”) expres- sam causa e tornam esse versículo uma explanação comovente da ma- 58. NAB.21 o pleno significado dessa cruz.nw (torno louca). o mundo. ResQ 10 (1967): 201-10. . 827 60. pela sua sabedoria.llumi (eu destruo) indica que o processo é contínuo e que o composto é perfeito. McMillan. 74.21-25 21..60 Ou- tros supõem que a adição do pronome pode ter sido influenciada pela expressão anterior este século. Ver Robertson. 1984).|zw (eu salvo) indica que os crentes estão sendo salvos.88 1 CORÍNTIOS 1. O contraste das partículas me. pela sua sabe- doria.18 – 3. GNB. não conheceu Deus. que transcende o presente século. p.ranen – do verbo mwrai.noijW – o particípio presente progressivo do verbo sw. “Desde que. Deus inaugurou o sécu- lo vindouro. KJV. Cassirer. “An Aspect of Re- cent Wisdom Studies in the New Testament”. muitos tradutores a adotaram. Wisdom and Spirit: An Investigation of 1 Corinthians 1. Versículo 20 evmw. na sabedoria de Deus. avpolw/ – o verbo é a forma futura de avpo. p.

Alguns comentaristas apontam as seguintes passagens do Novo Testamento: Atos 14. mas a Deus salvan- do os crentes por meio da mensagem da cruz de Cristo. (Grand Rapids: Zondervan. Inversamente.27. e Romanos 1. 12 vols. 1 CORÍNTIOS 1. E uma terceira objeção é que a oração “o mundo. Grand Rapids: Eerdmans. pela sua sabedo- ria não conheceu Deus” não deveria ser entendida como logicamente precedente à oração aprouve a Deus. org. 1 Corinthians.10 de The Expositor’s Bible Commentary. 61. no vol. falando ao povo de Listra. Mas o que Paulo entende pela expressão a sabedoria de Deus? Geralmente é dada uma destas duas respostas: 1.. p. por Frank E. mas mandou chuvas e estações frutíferas. Lightfoot. recebe ênfa- se na sentença e é crucial para o entendimento desse versículo. Paulo é específico quando diz: “na sabedoria que pertence a Deus”. rev. Gaebelein. a sabedoria do mundo é loucura para Deus porque ela é uma rejeição da mensagem da cruz. Ou seja. Leon Mor- ris. que de- clara que os homens são indesculpáveis porque Deus se deu a conhe- cer pela criação. p.17. ed. aprouve. não a sabedoria do mundo. .62 embora eles reconheçam que o peso desses paralelos é sig- nificativo. na qual Paulo. p. Outros comentaristas registram objeções a essa linha de inter- pretação. e Fee. p. First Epistle to the Corinthians. 72 62. 47. diante do Areópago. 44.61 2. diz que Deus não deixou a si mesmo sem testemunho. 21. Notes on the Epistles. Harold Mare. 20).20. W. Atos 17. 194. 96. 161. A estrutura básica da sentença é que Deus em sua sabedoria aprouve salvar os que creram na mensagem da cruz. Uma objeção relacionada é que a expressão sabedoria de Deus está em oposição à expressão a sabedoria deste mundo. 1 Corinthians. afirma que os homens procurariam a Deus. Deus rejeita a sabedoria do mundo por causa de sua recusa em aceitar a sabedoria de Deus. Hodge. p. Uma objeção é que o contexto desse versículo é relaciona- do não a Deus revelando-se a si mesmo na criação. Mas apraz a Deus salvar aqueles que em fé aceitam o evangelho de Cristo. p. em que Paulo. A sabedoria de Deus. série Tyndale New Testament Commentaries (Leicester Inter- Varsity. Deus executa o seu plano de salvação em sabedoria que o mundo chama loucura. Ver os comentários de Calvino. 1987). Grosheide. Godet. é importante.21 89 neira como Deus transformou em loucura a sabedoria do mundo (v. O verbo principal. 1976). p. 39. p.

64. decisão e propósito. Paulo caracteriza adequadamente tanto os judeus como os gregos. 23 b. vol. 23. le- mos que os judeus repetidamente pediram de Jesus um sinal. ora ridiculariza mordazmente a pregação do evan- gelho porque para a mente humana pecaminosa ele é loucura.16.” Sendo ele mesmo um judeu nascido numa cultura helenista. A pregação não é apenas a apresentação elo- qüente de um sermão (embora uma apresentação eficiente também te- nha a sua importância). os incrédulos. a palavra pela indica o objeto da confiança: o mundo confia na sabedoria humana. “Os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria. E desde que os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria. O resultado é que. na loucura da pregação. O mundo ora igno- ra propositadamente. Nos dois casos. uma pedra de tropeço para os judeus. Gottlob Schrenk. Marcos 8. Nos Evangelhos. Hans Bietenhard.39.18. diametralmente oposto à loucura humana e seu apego à sabedoria do mundo. vol. Ele ago- ra especifica. enquanto a pessoa do mundo se recusa a conhecer a Deus e se perde eternamente.” O verbo aprazer aponta para a soberania de Deus em vista da qual ele escolhe os crentes eleitos com base em seu decreto. contudo. Domingo após domingo. Mas o povo de Deus continua crendo nesse evangelho louco e o aclama como sabedoria de Deus. rejeitam essa sabedoria e a chamam de loucura. fornece uma explanação adicional.1. Pela segunda vez. 741. Finalmente.90 1 CORÍNTIOS 1.38. nós pregamos a Cristo crucificado. mas também o conteúdo da mensagem. e apresenta o mundo dividido em dois grupos: os judeus e os gregos.22. 818. NIDNTT. Lucas 11. 16. e loucura para os gentios. “Aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da prega- ção. p. mas o crente.63 O que apraz a Deus é. . a. Paulo emprega a conjunção causal desde que (ver v. dessa forma. e até mesmo nos demais dias da semana. porém. 22.30. p.11. os crentes ouvem a pregação do evangelho e recebem instrução das Escrituras. 21) e.64 Jesus 63. 2. 6. TDNT. o crente conhece a Deus e é salvo eternamente. Os crentes aceitam o conteúdo divino com fé e respondem à sabedoria de Deus. deve-se observar o contraste entre duas locuções nesse versículo: o mundo… por sua sabedoria e pela loucura da men- sagem que foi pregada. João 2. c. 2. Mateus 12.12.

a idéia de proclamar uma mensagem sobre uma pessoa que foi pregada a uma cruz era com- pleta loucura. uma pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gentios. os judeus rejeitaram a mensagem divina da salva- ção que Jesus trouxe (Jo 1. Apesar disso.” Para os gentios. Mes- mo uma simples referência a uma tal pessoa era ofensiva a um judeu de sensibilidade religiosa (comparar com Dt 21. Gl 3. pois recusavam-se a crer nele a não ser que realizasse um milagre (ver Jo 4. refere- se. quando Jesus veio.” Do ponto de vista de um judeu.48).23. eles e seus conterrâneos buscavam sabedoria. eles recusaram-se a crer nele a não ser que ele se tornasse um operador de milagres sujeito às ordens deles.” A diferença é. afirmando que.2). “E loucura para os gentios. da filo- sofia e da cultura grega. era o extremo da insensibilidade religiosa. eram os beneficiários das alianças de Deus. a um grupo de pessoas sob a influência da língua. Filósofos estóicos e epicureus (At 17. das promessas e das leis do culto (Rm 9. demonstravam ceticismo. ele e seus colaboradores estão explicando o significado da crucificação de Cristo (ver 2. Deus havia confiado as Escrituras do Antigo Testamento (Rm 3. Tanto judeus como gregos. 5. da lei. O termo gregos tem sentido mais amplo do que uma simples refe- rência aos cidadãos de Corinto ou mesmo à Grécia como nação. Em resumo. 1 CORÍNTIOS 1. 23 91 não se submeteu a eles. Aos judeus. mar- cante. isto sim.” Mas qual é precisamente o sentido dessas palavras? O próprio Paulo oferece uma resposta dupla. Uma pessoa crucificada pelas autoridades romanas geral- mente era um escravo criminoso.18) busca- vam razões para sua existência neste mundo.18). Deus amaldiçoava eternamente uma pessoa crucificada. identificar um homem crucificado como o Cristo. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado. 17. ele declara uma verdade que foi adotada como um lema pela Igreja Cristã: “Nós pregamos a Cristo crucifica- do. no entanto.11). em sua pregação.3. Na forma de pensar dos gentios.11). Na verdade.22.2). isto é. o Messias. b. seria ridículo dizer o que quer que fosse a respeito de um homem condenado .13. Paulo refere-se ainda de forma mais intensa à cruz do que havia feito antes (vs. Triunfantemente. ao contrário de Paulo e de seus colaboradores que pregavam o evangelho de Cristo. Dotados de mente inqui- sitiva. “Uma pedra de tropeço para os judeus. de fato.4).

25 a morrer dessa maneira. “Porque a loucura de Deus é mais sábia do 65.16). 1993). Hb 1.4. a palavra poder é uma resposta ao pedidos de um sinal pelos judeus. Carson. D. sabedoria. Paulo não diz que Cristo personifica sabe- doria. Cl 1. Uma vez mais Paulo usa o verbo chamar (ver vs. Cristo é o poder de Deus na redenção do seu povo. Nos versículos 24 e 25. santo e separado do mundo. 1975). Somente aquelas pessoas. mas à sua obra de recriação (ver v. 21) e são salvas. 333. Rm 1.92 1 CORÍNTIOS 1. Paulo não relaciona a palavra poder à obra de Cristo na criação (Jo 1. 9). Deus chama para si um povo que é amado. o nome Cristo significa o Cristo crucificado e ressuscitado. Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Nesse con- texto. A sabedoria de Deus contrasta com a lou- cura dos gentios. b. Oriundos das comunidades judias e da cultura grega. O poder de Deus é revelado na ressur- reição de Cristo. que foram efetivamente chamadas por Deus. Paulo atribui quatro qualidades a Deus – poder.2). a. Herman N. Os crentes aceitam a mensagem da cruz e prontamente admitem não compreenderem plenamente o significado do sofrimento de Jesus na cruz.65 Ele os chama dentre aqueles judeus para os quais Cristo é uma ofensa e dentre aqueles gregos para os quais Cristo é loucura. .24. tanto judeus como gregos. Certamente. incluindo judeus e gregos. que é o maior milagre de todos os tempos. c. são capazes de crer na mensagem da cruz e aceitá- la sem reservas.1. 22-23. p. sabem que são salvos pela fé. A. um escravo criminoso que morria numa cruz não poderia ser o Senhor e Salvador da humanidade. 25.17. 2. Paul: An Outline of His Theology. Cristo é o poder de Deus. Ridderbos. por John Richard de Witt (Grand Rapids: Eerdmans. Loucura de Deus. The Cross and Christian Ministry (Grand Rapids: Baker. trad. Para os que foram chamados. Sabedoria de Deus. Na verda- de. mas que Cristo é a resposta de Deus aos gentios que consideram loucura mensagem da cruz.16. Porque a loucu- ra de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. loucura e fraqueza – as quais vamos examinar sepa- radamente. pp. Poder de Deus. Não obstante. 18.3. 24. essas pessoas crêem na mensagem de Cristo (v.

Dana e Julius R. tou/ khru. Versículo 23 evstaurwme. . desde que”) enfatizam a causa e explicam o versículo anterior. 1 CORÍNTIOS 1. p. “E a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.ssw (eu pre- go) refere-se não à atividade da pregação. o tempo perfeito nesse particípio passivo mostra que a ação de crucificar Jesus ocorreu no passado.non – do verbo stauro.j pisteu. o Senhor disse: “A minha graça te basta.n)))de.” A loucura atribuída a Deus e comparada com a sabe- doria humana é infinitamente maior do que as qualidades atribuídas ao homem. Nova York: Macmillan. Fraqueza de Deus.9. sw/sai tou. E. Respondendo ao repetido apelo de Paulo para remover um espinho de sua carne.” Deus recorre àquelas coisas que são loucas e fracas aos olhos do homem para mostrar sua sabedoria e força na obra da salvação do povo de Deus. mas ao conteúdo do evangelho. Palavras. Cooper.21-25 93 que os homens.4). Expressões e Construções em Grego em 1.r – essas duas conjunções (“pois. mas os efeitos desse ato é relevante para o passado. “The Foolishness of God versus the Wisdom of Man”. M. me.66 Deus usa uma manjedoura em Belém como o berço para seu majestoso Filho e escolhe uma cruz cruel como instrumento de morte para seu enviado divino.67 O particípio ativo presente (“os que crêem”) revela progresso contínuo.w (eu crucifico). Ver H. por- que o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12. – o contraste entre os interesses dos judeus e dos gregos é enfatizado. ThEd 14 (1983): 35-40. d. 67. 66.gmatoj – o substantivo derivado do verbo khru. ga.ontaj – o aoristo infinitivo (“salvar”) denota uma ação simples vista em sua totalidade. o presente e o futuro. ver também 13. 196. Ver J. Mantey.21-25 Versículo 21 evpeidh. reedição. 1967). A Manual Grammar of the Greek New Testament (1927.

2. 98. Se esse chama- do torna-se efetivo pela obra do Espírito Santo.26 Versículo 25 o[ti – a conjunção introduz aparentemente uma oração coordenada. em vista disso. Na linguagem da época. que não foram muitos sábios de acordo com a carne. 1960). Chamado. Mas qual é o significado do termo chamado [ou vocação]? Primeiro. Hodge. O verbo é o primeiro termo na sentença grega. . UBS) colocam um sinal de ponto e vírgula no final do versículo 24 para mostrar a estrutura coordenada da cláusula seguinte. NEB. p. Editores do texto grego (Nes-Al. é enfático. An Idiom-Book of New Testament Greek. irmãos.68 c. traduzida “[mais sábio] que a sabedoria dos homens”. ser entendido como uma ordem (modo imperativo) ou como uma constatação (modo indicati- vo). 69.70 Paulo diz para os coríntios considerarem seu chamado. REB. o crente desfruta de comunhão íntima com Cristo (vs. 26). 70.r no versículo seguinte (v. NRSV.pwn – aqui está uma referência implícita à “sabedoria dos homens”. A seguir. Considerem seu chamado. Phillips e Cassirer. Moule. NIV. o crente que res- ponde ao chamado de Deus entra em comunhão com outros crentes (ver Ef 4. KJV. GNB. não muitos de nobre nascimento. SEB. D. RSV. e o mesmo faz a conjunção ga. ele freqüentemente recorre à saudação cordial. 26-31 26. NASB. Grosheide. tw/n avnqrw. 2ª ed. 9. não muitos poderosos. nesse versículo. Quando Paulo apresenta um assunto sensível que toca os seus leitores pessoalmente. A maioria dos tradutores opta pelo modo imperativo e traduz (com variantes na escolha da palavra) “Considerem!”69 Outros tomam o verbo no modo indicativo e o traduzem “vocês estão consideran- do”. NKJV.1). MLB. 68. irmãos. Deus chama uma pessoa pela pregação e pelo ensino do evangelho. O Fraco e o Forte 1.94 1 CORÍNTIOS 1. Bengel. C. a. O verbo considerar pode. (Cambridge: Cam- bridge University Press. esse termo também incluía as mulheres. comentaristas Barrett. 24). F.

dar instrução relativa à posição educacional. são povo de Deus. 1 e 14). financeira e social. também são santos (v. mas as revela aos pequeninos que de- pendem de outros para ajuda e direção (Mt 11. 14.27 95 Além disso. 1 CORÍNTIOS 1. 2ª ed. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para enver- gonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para en- 72. Abraham J. econômica e social desses coríntios: os sábios. Lc 10. Sóstenes e Crispo (vs. 74. p. aumentada (Filadélfia: Fortress. 2) e. 72. poucos deles eram reco- nhecidos como sábios. Jesus revela que Deus oculta coisas espi- rituais dos sábios e instruídos. Social As- pects of Early Christianity. Consultar E. poucos eram bem-nasci- dos. Preci- sam estar dispostos a suportar o escândalo da cruz (Gl 5. o generoso Gaio (v.21). os poderosos e os de nobre nasci- mento. A Horsley. 73. 1983). p. Paulo faz seus leitores lembrarem de sua vocação es- piritual. por John H. Classe. Alguns cristãos de Corinto eram da opinião de que seu lugar na igreja era superior ao dos demais crentes (v.25. “The Social Identity of the First Christians: A Question of Method in Religious History”. . tesoureiro da cidade (Rm 16. Não são apenas chamados. Ver Gerd Theissen. Rm 16. na seqüência. 1982).” Paulo fornece informação indireta sobre o status de alguns membros da igreja antes de sua conversão. org. Seu sectarismo os impedia de servir a outros. A igreja de Corinto consistia de pessoas simples e de alguns poucos líderes que haviam alcançado proeminência educacio- nal. 16.23). Pelos padrões do mundo.23) e Erasto. isto é.17). não muitos de nobre nascimento. 12). não muitos poderosos. A.74 Dentre as pessoas proeminentes estavam Es- téfanas (v. Malherbe. The Social Setting of Pauline Christianity: Essays on Corinth. os ex-líderes da sinagoga. CBQ 39 (1988): 224-39. “Não há muitos sábios segundo a carne. Eles precisam compreender a manifestação de loucura e fraqueza da parte de Deus em relação à cruz de Cristo. isto é. Consultar R. Não tinham interesse em promover o bem-estar espiritual de seus ir- mãos na fé. da classe governante ou da nobreza.11) e demons- trar a humildade de Cristo. Judge. 16. de origem nobre. Schütz (Filadélfia: Fortress.73 b.72 Paulo vai. 72. Embora alguns dos cristãos de Corinto fossem ricos. como tais. JRH 11 (1980): 201-17. “segundo a carne”. “Wisdom of Word and Words of Wisdom in Corinth”. 27.

mas a soberania de Deus. considerava o descanso no sábado completa insensatez e uma perda de tempo. Terceiro. ele o faz por meio das técnicas literárias do contraste e da repetição. para anular as que são. e os primeiros serão últimos” (Mt 20. os paralíticos. o povo de Deus fazia algo sem sentido ao guardar o sábado. A repetição ocor- re na escolha dos verbos escolheu e envergonhar. 28 E Deus escolheu as coisas insignificantes do mundo. Na parábola do grande banquete (Lc 14.19). e aquelas que não são. e as desprezadas. Primeiro. 26) é equilibrada por um antônimo. Paulo afirma que as coisas insignificantes e as desprezí- . 28 vergonhar as fortes.16-24). muito embora para o mundo a mansidão seja sinônimo de fraqueza. por isso. o mundo gentio não tinha um conceito de semana e. “as coisas insignificantes” (v. Paulo expõe a ação redentora de Deus. Essas são coisas sem importância (comparar com 3.96 1 CORÍNTIOS 1. Deus escolhe essas coisas que o mundo consi- dera fracas para envergonhar as fortes. 27 e 28]). apresentando o lado positi- vo das afirmações negativas do versículo anterior (v. Mas Deus usa as ciosas que o mundo chama loucura para envergonhar os homens que são tidos por sábios. Em segundo lugar. Antônimos nesses versículos são as coisas loucas e os sábios. além da expressão do mundo. 26). escolhendo as coisas lou- cas do mundo. os cegos e os mancos. A expres- são adversativa mas começa um contraste. Jesus retratou os convidados no salão do banquete não como cidadãos. o dito proverbial é aplicável: “os últimos serão primeiros.27. Deus governa soberanamente. Paulo ensina não a doutrina da eleição divina. Nesses versículos.5). de acordo com o autor romano Sêneca. Para ilustrar. Soberania. Ele repete intencionalmente palavras e expressões para demonstrar que Deus age na vida dos corín- tios (o verbo escolher e o substantivo mundo ocorrem cada um três vezes nos dois versículos [vs. 28). Por exemplo. Paulo ensina duas coisas: a. as Bem-aventu- ranças ensinam que os mansos herdarão a terra (Mt 5. Nesses versículos. mas como os pobres. as coisas fracas e as fortes.16). A expressão muitos de nobre nascimento (v.18. Aqui.

112. Godet. mas somente Deus. Como Paulo escreve em sua carta à igreja em Roma. Propósito. 1974). vol. vol. Ladd. Na visão do mundo. 77. Deus escolhe aquilo que é insignificante e desprezado e esvazia as coisas que são importan- tes para o mundo. J. fracas e desprezadas pelo mundo. 2.17. Deus as escolhe como suas. 73. aos poderosos e aos de nobre nascimento. Como o expressa John Albert Bengel. Ver George E.29 97 veis foram escolhidas por Deus. Deus elimina toda vanglória em sua presença porque nenhum homem. NKJV). Deus leva a cabo seu propósito conferindo honra ao que é comum e abolindo as coisas que são importantes. Deus executa os seus planos de acordo com a sua vontade soberana. p. 76. b. É como se elas fossem inexistentes. Para ele. O mundo dá valor apenas aos sábios. envergonha os fortes e anula coisas que aos olhos do homem são importantes. p. 1 CORÍNTIOS 1. I. Para que nenhum homem possa se vangloriar diante de Deus. Eles 75. A Theology of the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. o substantivo coisas no plu- ral neutro “indica uma massa em que os indivíduos têm tão pouco va- lor que não são contados como personalidades distintas”. “Podemos nos glo- riar não diante dele. é digno de lou- vor e glória. . NIDNTT. Packer. 398. Paulo escreve três orações de propósito nos versícu- los 27 e 28. p. Ele diz que Deus envergonha os sábios. ninguém pode atribuir o crédito a si mesmo. 1. Quando Deus vai até a mais humilde camada de existência para esco- lher seu próprio povo e suas próprias coisas e então as exalta. p.76 Ele anula (isto é. New Testament Commentary. Bengel. Mas Deus inverte os pa- drões do mundo pelo fato de escolher pessoas que são humildes. remove completamente) esses padrões transitórios para dar lugar aos estatutos eternos que são inaugurados com a nova ordem em Jesus Cristo.77 Os coríntios aparentemente não haviam aprendido essa lição.75 Mas essas pessoas. 173. essas pessoas e coisas insignificantes não contam. First Corinthians. às quais o mundo despreza. mas nele”. Paulo conclui sua longa discussão com uma oração subordinada final negativa que exclui qualquer vanglória humana diante de Deus. Deus “chama as coisas que ainda não existem como se elas já existis- sem” (Rm 4. 29.

17.1. 2 Coríntios 5. Por essa razão. Paulo ensina as pessoas a não se gloriarem em seus feitos. – Thomas Hastings 30.” A locução em Cristo Jesus ou em Cristo aparece muitas vezes nas epístolas de Paulo. Desamparado. 1Coríntios 1.” Paulo chega ao ponto central da questão ao lembrar os coríntios da salvação deles em Cristo.6.17.22. Em suas duas epístolas. Gálatas 1.11. 2 Coríntios 10. Eles são crentes. 11. Nu. 8. pois Deus é a causa de o homem estar em Cristo Jesus. a. Tudo o que eles recebem vem a eles da parte de Deus o Pai. que os ama por meio de seu Filho Jesus Cristo. b. venho à fonte.3. e redenção. 5. ele começa o versículo com uma par- tícula adversativa que é traduzida como “mas”. 78. Romanos 6.31). mas a louvarem o Senhor em tudo o que fazem: até mesmo seu comer e beber precisa ser feito para a glória de Deus (10. Deus enviou seu Filho para salvar seu povo. . o qual se tornou sabedoria da parte de Deus para nós: justiça. e santifica- ção. Lava-me. Paulo freqüentemente censu- ra os seus leitores por causa do pecado de se vangloriar. Simplesmente me apego à tua cruz. Eles precisam ver que Deus os chamou para fora de um mundo de trevas para a mara- vilhosa companhia de Cristo. a união com Cristo é um privilégio e ao mesmo tempo uma obrigação de viver uma vida que seja dedicada a ele.79 Estar em Cristo significa ter comunhão íntima com ele e com todos os demais crentes que estão unidos a ele.30. 10. 18.21.12. “Vocês estão em Cristo Jesus. Em outras palavras. venho a ti em busca de graça. para purificá-lo de pecado e para trazê-lo para a sua gloriosa comunhão.98 1 CORÍNTIOS 1. 79. Paulo pode corretamente dizer “por causa dele”. venho a ti em busca de vestes. Efésios 1. 7. 9. Ele indica Deus como o autor da salvação. 39.30 se vangloriavam livremente nas realizações humanas e na posse de coisas materiais. Nada trago em minhas mãos. 1 Coríntios 3. Imundo. Mas por causa dele vocês estão em Cristo Jesus. ou morro. “Mas por causa dele. Salvador.13.78 De forma exemplar. 16. não incrédulos.

80 Outros tradutores consideram a frase um comentá- rio parentético. Findlay. Isso é evidente mesmo quando o termo sabedoria é interpretado em oposição a Cristo Jesus. justiça. 81. Ele começa o versículo 30 com o pronome vocês. justiça. nós nos tornamos benefi- ciários dessa sabedoria. 80. W. Alford. Mas quando ele mencio- na a sabedoria em conexão com a salvação. Porque estamos em Cristo Jesus. santidade e redenção. Bender. afir- mam que o conceito sabedoria é explicado pelos substantivos justiça. p.83 A sabedoria tem sua origem em Deus. entre os quais alguns comentaristas. O texto parece indicar que a palavra sabedoria tivesse de ser explicada pelos outros três subs- tantivos (comparar a tríade análoga lavados. santificados e justifica- dos em 6. A gramática no texto grego dificulta a coordenação das quatro pala- vras sabedoria. santidade e redenção.81 Outros. de modo que a sentença principal seria: “De [Deus] vocês são por meio de Jesus Cristo (que se tornou sabedoria para nós pela ação de Deus) justiça. Hodge. BJ. First Corinthians. Ele coloca a oração parentética em oposição a Cristo Jesus. “Que se tornou sabedoria de Deus para nós. 82 Convém tecer algumas poucas observações sobre essas traduções. por meio de Cristo Jesus. Ver NKJV. todos os quatro subs- tantivos estão em primeiro lugar relacionados a ele e depois a nós (ver as traduções NEB e REB). Com respeito aos quatro substantivos.30 99 c.” Alguns tradutores. A oração subordinada “que se tornou sabe- doria de Deus para nós” reflete a obra salvífica que Cristo realizou em nosso favor: em Cristo temos justiça. concluímos que “[sabedoria] se mantém por si mesmo. santidade e redenção. que se refere aos coríntios. que a faz habitar em Cristo Jesus. Paulo es- creve que Cristo é sabedoria para nós. KJV. e redenção”. ainda. NIV. NJB. . Por exemplo. 773. ele muda o pronome para a primeira pessoa do plural oblíquo nos para incluir-se. Mediante nossa união com Cristo. Calvino. santidade e redenção como sendo a seqüência que Paulo pretendia. Por sua vez.11). 1 CORÍNTIOS 1. “Bemerkungen zur Übersetzung von 1 Korinther 1:30”. com os outros três ligados a ele a título de definição”. Godet. possuímos sabedoria espiritual para conhecer a Deus e tomarmos posse de sua obra para nossa salvação. ZNW 71 (1980): 263-68. Lenski. 82. 83. e santificação. entendem os quatro substantivos sabedoria.

6.24. não aparecem outra vez como uma tríade e não são explicados no contexto da passagem.” Em Cristo somos reconcilia- dos com Deus. I Corinthians. e redenção. justiça e retidão em favor de seu povo. Fp 3.18) para compreender que. “Justiça. exatamente como está escrito: “Aquele que se gloria. santidade é um estado interior alcançado pela habitação do Espírito Santo no crente. mas santidade é o resultado ou efeito de um ato. Justiça é um ato único. Ele cita Jeremias 9.100 1 CORÍNTIOS 1.21. 85.84 a justiça é um ato externo mediante o qual uma pessoa é declarada justa em Cristo. Paulo usa essa pas- 84.25 e apresenta um resumo de uma linha: “Aque- le que se gloria. e. p. p.9). 9. Paulo fundamenta seu ensino na Escritura. por meio de sua obra. que Deus nos liberta do peso da culpa e da servidão ao pecado. glorie-se no Senhor”. Que alguém se glorie de conhecer intimamente a Deus. por último. Bauer. Cristo Jesus é nosso Salvador e Senhor. fomos declarados justos diante de Deus.4.25).85 Cristo Jesus ofereceu a si mesmo na cruz do Calvário pela nossa redenção (Rm 3. Caso alguém queira se vangloriar. Para que. Esses substantivos não são apresentados numa seqüência doutri- nária. 31. 46. que Deus nos santifica para nos fazer permanecer em sua presença sem qualquer ruga ou mancha. Em Cristo Jesus recebemos uma mente iluminada (comparar com Ef 1. Noutro lugar. p. diz o Senhor. Deviam vangloriar-se. ver Rm 10. Thayer. . glorie-se no Senhor” (ver 2Co 10. no entendimento e conhecimento de Deus. e santidade. segundo. a fim de que possamos nos tornar justiça de Deus em Cristo (2Co 5.24. Jeremias regis- tra uma palavra do Senhor que instrui o povo de Israel a não se vanglo- riar por causa da sabedoria humana ou de riquezas terrenas. primeiro.17). que demonstra bondade. Calvino. ele pode fazer isso somente vangloriando-se no Senhor e dando graças a Deus o Pai pela pessoa e obra de Cristo. Paulo usa a palavra redenção na lista de três substantivos explica- tivos. Paulo ensina que Deus fez de Cristo Aquele que leva sobre si os nossos pecados. Redenção talvez apareça por último na se- qüência porque “é o primeiro dom de Cristo a iniciar em nós e o último a ser aperfeiçoado”. Conforme seu costume.31 d.

nascido em 1844. Segundo Nietzsche. Afirmam que os ensinamentos de Cristo estão ultrapas- sados e os Dez Mandamentos. 4. os cristãos são favoráveis ao sofrimento. Ele anula seus padrões inventados por homens para que eles experimentem falência moral e ceifem uma colheita de violência física numa sociedade decadente. Para ele. Contudo. Secularistas modernos dirigem acusações semelhantes contra Cristo e o Cristianismo. somos libertos das algemas da religião cristã.8. assim como muitos ancestrais de sua mãe. Filipenses 3.10. Deus escolhe as coisas loucas e as fracas deste mundo para promover sua igreja e seu reino.10. desenvolveu uma pro- funda aversão à fé cristã. 16.17. Nietzsche não apenas desprezava Jesus como também a todos os que acreditavam no evangelho de Cristo. Deus estava morto e Jesus era um insensato. . Ao estudar teologia.86 86. além de preferirem o fraco ao forte.26-31 Versículo 26 ble. Está no modo imperativo.12. 10. os humanistas e os secularistas. os agnósticos.pete – como primeira palavra de uma oração.15. obsoletos. Seu pai era um ministro do evangelho. Ele se alegra por aquelas pessoas que vivem em harmonia com a sua palavra e que se gloriam em seu Senhor e Salvador Jesus Cristo. desprezam as riquezas e a sabedoria. de obstruir a realização própria e de induzir à culpa. Deus escolhe as coisas loucas e fracas do mundo para en- vergonhar os ateístas. Ele confere honra ao traba- lho de pessoas insignificantes e desprezadas que dedicam a vida ao servi- ço de Deus e de seus semelhantes. Ensi- nam que se adotarmos padrões humanos. Colossenses 2. Entrementes.27-29 101 sagem de forma resumida para dizer aos coríntios que conhecessem a Deus pessoalmente em Jesus Cristo e se gloriassem somente nele. Expressões e Construções em Grego em 1. esse verbo ativo e presente é enfatizado. 1 CORÍNTIOS 1. não no indicativo. 1 Coríntios 3.9. 18. Descrevia Jesus como um fraco que morreu vergonhosamente numa cruz em absoluto fracasso. Acusam as normas cristãs de inibir a vida. pertencia a uma fa- mília de pregadores. Gálatas 5.27-29 Friedrich Wilhelm Nietzsche. Considerações Práticas em 1. 8.2. Palavras. Paulo usa esse verbo com freqüência no imperativo.

. Nesses dois versículos. p. e o tempo aoristo em katargh. “Ao acrescentar a palavra.j [a loucura. 3ª ed. Versículos 30. o.nta.] foi provavelmente adicionada por escribas a fim de dar equilíbrio e harmonia em relação às demais ora- ções. Versículo 29 mh.] ta. kauch.102 1 CORÍNTIOS 1.nhtai (pode ser) deve ser complementado com um subjuntivo depois da conjunção. to.sh| mostra que Deus anulou de uma vez por todas as coisas que eram de valor para o mundo.27-31 Versículo 27. asqene.”87 Editores do texto grego e tradutores dividem-se entre incluir ou eliminar a conjunção. a qual não é um novo item da série. a fraqueza]).nta – a conjunção [kai.graptai (está escrito) é o per- feito indicativo passivo e é introduzido pelo advérbio kaqw. 25. e não o substantivo carne.28 O tempo presente em kataiscu. portan- to. ta. . 87. o. equivale a ninguém. Ver João 6. Ele usa o plural para referir-se a pessoas. mh.66 para um uso semelhante dessa preposição. mh.rx – a sintaxe é hebraica: a partícula negativa nega o verbo vangloriar-se.31 evx auvtou/ – a preposição expressa causa.j. mas uma caracterização abrangente e representativa de todos os itens preceden- tes.shtai pa/sa sa. Metzger. Bruce M.. 545. 1975). Além disso. O verbo ge. v. [kai. 26]).nh| (duas vezes) indica que Deus conti- nua a envergonhar os sábios e os fortes. a tra- dução literal toda carne significa realmente “todas as pessoas” e. Corri- gida (Londres e Nova York: United Bible Societies. i[na – o verbo ge. passou desapercebida aos escribas a for- ça da expressão ta. A Textual Commentary on the Greek New Testament. Paulo vale-se do uso do neutro plural em vez do singular (por exemplo. avgenh/ – a tradução as coisas insignificantes não reproduz o jogo de palavras entre esse adjetivo e o substantivo euvgenei/j (de nobre nascimento [v.on)))to. mwr.

. Paulo contrasta a sabedoria do mundo com o poder de Deus. ricos ou de nobre nascimento. diz Pau- lo. Apolo. Num discurso sobre a loucura da cruz. 1 CORÍNTIOS 1 103 Sumário do Capítulo 1 Na parte introdutória do capítulo. poucos deles são sábios. que é uma pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gentios. não pregava com “sabedoria de palavras”. Pelos padrões humanos. Dirige-se aos membros da igreja em Corinto. devem gloriar-se somente no Senhor. grupos que seguiam Paulo. diz Paulo. Por essa razão. Porque eles estão em Cristo Jesus. Paulo afirma o seu nome e o seu chamado como apóstolo. Paulo lembra os coríntios da posição que eles têm. Além disso. a confir- mação do testemunho de Cristo e a fidelidade de Deus. Declara que Cristo o comissionou para pregar o evangelho. Cefas e Cristo. para que a cruz de Cristo não perdesse o sentido. Paulo conclama as pessoas em Corinto a concordarem umas com as outras. Expressa sua gratidão a Deus pela graça que os coríntios haviam recebido em Cristo Jesus. Ele tomara conhecimento da existência de um espírito de divisão que estava produzindo facções. a saber. ele havia batizado poucas pessoas. Afirma que Deus salva seu povo pela loucura da pregação do evangelho. Ele observa que a loucura de Deus excede a sabedoria humana e que a fraqueza de Deus é maior do que a força humana. lembra que foram santificados e chamados para serem santos e os cum- primenta com uma saudação apostólica. Ele diz a eles que Deus escolheu as coisas insignificantes e desprezadas para evitar que qualquer pessoa se vangloriasse. Censura os coríntios perguntado-lhes se Cristo está dividido ou se Paulo foi crucificado por eles.

104 .

1-6) . 105 2 Divisões na Igreja. parte 2 (2.

106 ESBOÇO (continuação) 2. Poder e Fé 2. Deus e Revelação 2.10b-13 c.6-8 a. O Homem Não-espiritual e o Espiritual . Sabedoria do Espírito 2. Sabedoria e os Amadurecidos 2. O Espírito Santo e Sabedoria Humana 2.14-16 d.9-10a b.1-5 d.6-16 3.

para que a fé deles pudesse basear-se no poder de Deus.novas para países e cidades por toda a bacia . d. irmãos. Nada levou aos coríntios senão a mensagem do Cristo crucificado. marinhei- ros podiam levar as boas. para o norte (Lacaeum). não cheguei anunciando o testemunho sobre Deus com eloqüência excepcional ou sabedoria incomparável.1).C. Eu fui até vocês em fraqueza. prefe- ria visitar capitais das quais o evangelho pudesse se irradiar para as regiões circunvizinhas. 3. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria. Eu decidi nada saber entre vocês. Corinto. Desses portos. 1. mas no poder de Deus. conti- nuou sua viagem até Corinto (At 18. mas no poder do Espírito Santo. Para que a fé de vocês não se apoiasse em sabedoria de homens. pois o apóstolo ainda não completou seu discurso sobre a loucura da cruz. provavelmente no verão do ano 50 d. Depois de Paulo ter visitado Atenas por ocasião de sua segunda viagem missionária. 2. ele lembra seus leitores da primeira vez que os visitou. Como era seu costume. No último segmento da discussão. 4. Quando fui até vocês. 5. 107 CAPÍTULO 2 2 1. quando foi a eles para lhes proclamar o evangelho. mas em demonstração do Espí- rito e de poder.1-5 A divisão de capítulo nessa conjuntura é infeliz. Não foi com discurso persuasivo. que ficava no sul e centro da Grécia. Quando fui até vocês. a capital da Acaia.. senão a Jesus Cristo e este crucificado. temor e grande tremor. não cheguei anunciando o tes- temunho sobre Deus com eloqüência excepcional ou sabedoria in- comparável. irmãos. um dando para o sudeste oriental (Cencréia) e outro. tinha dois portos. Poder e Fé 2.

Corinto era estrategicamente localizada para a difusão do evangelho. como uma explanação do versículo 1. No texto grego.108 1 CORÍNTIOS 2. Logo depois de sua chegada. Além disso. Texto Majority. p. tradutores e professores do Novo Testamento grego preferem o último termo. p.16-34).” Paulo chegou em Corinto abati- do em conseqüência de seu encontro com filósofos e da resposta ad- versa à sua mensagem em Atenas (At 17. NASB. Gaio e Estéfanas com suas respectivas famílias à fé em Jesus. 101. Vol. Merk. Nes-Al. Timóteo e Silas continuaram a obra da pregação do evangelho. BF. The Text of the Epistles: A Disquisition upon the Corpus Paulinum (Londres: Oxford University Press. Outros eruditos discor- 1. misté- rio. “Não cheguei anunciando o testemunho sobre Deus. . De fato.6). que tem a palavra mistério. NAB. a. 1953). Cassirer. 1043. 3). Crispo.15). Zuntz. enquanto o que existe para testemunho é gran- de. NIDNTT. Mais uma vez. Diversos editores. Com essa ex- pressão comum de afeição. revela seu coração pastoral quando trata de questões delicadas relativas à igreja de Corinto. as palavras apresentam semelhanças que podem justificar a confusão. irmãos.1 do Mediterrâneo. RSV. BJ.2. 3. b. Paulo chama os coríntios de irmãos. isto é. NIV. Paulo proclamou aos coríntios o evangelho. Face à observação de Paulo de que os membros da casa de Estéfanas foram os primeiros convertidos na província da Acaia (16.11). judeus cristãos e fabricantes de tendas que o ajudaram (At 18. “Quando fui até vocês. apela a todos os membros (homens e mu- lheres) dessa igreja. MLB. foi recebido na casa de Áqüila e Priscila.1 Sua preferência se fundamenta na evi- dência interna. Paulo e seu anfitrião e anfitriã formavam o núcleo da igreja cristã em Corinto. TR. no sentido do contexto em que o termo aparece (compare 1. Quando Paulo deixou Corinto dezoito meses mais tarde (At 18. NEB. Lothar Coenen. enquanto outros. Alguns estudiosos interpretam o versículo 7. presumimos que Áqüila e Priscila já eram cristãos. o qual é o testemunho de Deus revelado por meio de Jesus Cristo. NKJV. mas limitado. Paulo levou Tício Justo.” Alguns manuscritos gregos têm a palavra testemunho. G. KJV. Pregando a judeus e gregos na sina- goga local. A igreja coríntia então continuou a florescer e a crescer em número. O testemunho manuscrito para a leitura mistério é antigo.

Nesse contexto. 5. Paulo muitas vezes demonstra em suas epístolas que possui tanto eloqüência como sabe- doria. subjeti- vo e objetivo: Deus é aquele que dá origem ao testemunho e Paulo o proclama e instrui os coríntios a respeito de Deus. onde oradores capa- zes eram admirados.2 c. em Corinto. Groscheide. Um genitivo subjetivo significa que Deus é o autor desse testemunho. Muitos tradutores adotam a leitura o testemunho de Deus enquanto outros lêem “o testemunho a respeito de Deus” (NIV. ao mesmo tempo. Cassirer). A di- ferença é uma questão de como se deve interpretar o caso genitivo. As duas expressões referem- se a palavras que vêm dos lábios de um orador e a pensamentos que formam sentenças com as palavras. W. Os substantivos eloqüência e sabedoria descrevem as qualidades verbais e a acuidade mental de um orador. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. o qual encontra-se aqui subentendido na palavra testemunho. “Com eloqüência excepcional ou sabedoria incomparável. 1 CORÍNTIOS 2. em vez 2. qualquer um de seus ouvintes a podia entender. mas o evangelho de Cristo. 58. Obviamente. n. Essa abordagem não era comum no ambiente helenista. mas aos excessos cometidos pelos oradores e fi- lósofos gregos. Mas quando Paulo chegou a Corinto. série New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Paulo refere-se não à deficiência quanto às suas próprias habilidades. por isso. Paulo havia trazido a mensagem da salvação em linguagem sim- ples e. Levando em consideração uma construção semelhante (1. Seus de- bates com os epicureus eruditos e os filósofos estóicos em Atenas ha- viam sido totalmente infrutíferos e.1 109 dam. Exposition and Notes.6). argumentando que os escribas foram influenciados pela leitura do versículo 7 e. O apóstolo recusa-se a adotar as suas práticas. 1953). p. ele não apresentou um misté- rio. por esse motivo. . interpretamos o genitivo como sendo. o genitivo objetivo faz de Paulo o proclamador desse testemunho a res- peito de Deus. ele não havia pregado o evangelho à maneira de um orador nem de um filósofo.” Paulo declara publicamente que ele não havia aparecido em Corinto com uma mensagem apresentada com sublime eloqüência e sabedoria. introduziram a palavra no versículo 1. F. Pelo contrá- rio.

mas dirigir a atenção de seus ouvintes para Deus e Jesus Cristo. “Senão a Jesus Cristo e este crucificado. Je- sus Cristo. (Londres: Epworth. “Entre vocês. Allcock. trad.: Glazier. estranha ao apóstolo (At 17. Ele não designou Paulo para qualquer outra tarefa a não ser essa. a busca dos gregos por conhecimento e sabedoria não era. a. Mas esse dificilmente seria o caso. senão a Jesus Cristo e este crucificado. Consultar Jean Héring. pregar o evangelho da cruz de Cristo. Paulo termina o versículo 1 com a palavra Deus para indicar que o seu propósito não é exaltar a si mesmo.110 1 CORÍNTIOS 2. não conhecia outra tarefa se- não proclamar a mensagem de seu Senhor e Salvador crucificado.15. série New Testament Message (Wilmington. 1979). W.14). de forma alguma.16). Del. Paulo começa esse versículo com o pronome pessoal “eu” (a primeira palavra no texto grego trata-se da contração “e eu”) para expressar intimidade com os seus ouvintes. de sinagoga para sinagoga e de igreja para igreja. c. p. p. . J. The First Epistle of Saint Paulo to the Corinthians. Além do mais. Gl 6.17). Jesus Cristo o havia escolhido para apresentar o nome de Cristo a judeus e gentios (At 9. “Porque decidi nada saber. 14. 2. Jerome Murphy-O’Connor.” Aparentemente.” Essas palavras referem-se ao ano e meio que Paulo permaneceu com os coríntios enquanto lhes ensinava a Palavra de Deus (At 18. Mas ele não estava interessado em ensinar as metodologias coríntias que os pensadores atenienses haviam adotado e os filósofos humanistas haviam esposa- do. pois a formação que havia recebido em Jerusalém havia sido intensa e prolongada. por A. No texto gre- go. Como um embaixador no pleno sentido da palavra. 17. 1 Corinthians. 1962). a expressão “entre vocês” revela o modo de vida de Paulo enquanto ia pregando o evangelho de região para região.11).23. isto é. Paulo parece ser antiintelectual. Num sentido mais amplo. Quando Paulo chegou a Corinto. ele prega com simplicidade e clareza a mensagem da cruz de Cristo. Heathcote e P.2 disso.3 Como conclusão. estava agindo em cumprimento da responsabilidade que Jesus lhe hou- vera confiado. Paulo diz que viera pregar as boas-novas do Cristo crucificado (1. b.” Essa é uma reelabora- 3. Eu decidi nada saber entre vocês. 26.

Deve ser antes e acima de tudo um ministro da Palavra de Deus. M. senão a Jesus Cristo e este crucificado”. Às vezes. “Cristo crucificado” (1. sempre que teve suprimentos suficientes. Portanto. temor e grande tremor. 3. um pregador geralmente colocava estas iniciais depois do seu nome: V.2. Os após- tolos deram o exemplo quando designaram sete homens cheios do Espíri- to Santo e de sabedoria para ministrarem às necessidades físicas das viú- vas em Jerusalém (At 6. contudo. a vida eterna e a ressurreição do corpo. Eu fui até vocês em fraqueza. essa pes- soa precisa fazê-lo com inteira dedicação ao chamado que recebeu para o ministério. Quando Cristo chama alguém para proclamar o evangelho. Contudo. mas também os benefícios eternos para cada pessoa que crê: o perdão dos pecados. Considerações Práticas em 2. ele dedicava todo o seu tempo ao ministério da Palavra. “a tempo e fora de tempo” (2Tm 4. ministro da Palavra do Se- nhor). (Verbi Domini Minister. Paulo relata a história pessoal como um exemplo. os apóstolos dedicaram-se à proclamação da Palavra e à oração. Paulo tinha de ir além dos de- talhes históricos da crucificação e ensinar a seus ouvintes as implica- ções teológicas desse acontecimento redentor na história humana.23). D. 3 111 ção mais detalhada de uma expressão que já havia aparecido antes. Que confissão dos lábios de um dos apóstolos de Cristo! Quanta honestidade! Quanta humildade! Novamente aqui (ver o v. A mensagem da crucificação de Cristo parece ser direta e simples.2 Espera-se de ministros ordenados do evangelho façam da proclama- ção e do ensino do evangelho de Cristo sua vocação de dedicação exclu- siva. Séculos atrás. Ele nada tinha a oferecer senão a mensa- . Ele despe sua alma e revela seus pensamentos íntimos. 1). Não apenas ensinava a razão da morte de Cristo na cruz. 1 CORÍNTIOS 2. Um pregador faz bem em repetir e aplicar a máxima de Paulo: “Eu decidi nada saber entre vocês. para usar as palavras de Paulo. Dessa forma.1-6).2). Ordenação quer dizer que Deus os colocou à parte para pregar. precisa recusar ofertas para envolver-se em outras áreas da vida. Paulo realizou trabalho manual como fabricante de tendas para suprir suas necessidades diárias. mas tanto os judeus como os gentios rejei- tavam o apelo de Paulo para que cressem num Cristo crucificado como uma ofensa ou como loucura.

experimentou o medo e teve sua coragem estremecida. Paulo menciona sua estada de dezoito meses em Corinto (At 18.10) e que tinha sua visão comprometida por enfermidade (ver Gl 4.13.14). Efésios 6. pois ele conhecia as suas limitações humanas.11).15. Antioquia. Por causa de seu ofício. em determi- nada ocasião. tanta que ele teve de deixar a sinagoga local para continuar seu ministério na casa de Tício Justo. “Eu fui até vocês em fraqueza. Jerusalém. 2 Coríntios 7.10). e ver a LXX de Êxodo 16. Macedônia e Acaia.112 1 CORÍNTIOS 2.15. Chipre. além disso. Filipenses 2.7-11). Aos olhos dos coríntios influentes. imaginamos que Paulo abrigava temor e tremor natu- rais. estava doente por ocasião de sua visita aos gálatas (Gl 4. ficamos sabendo que Paulo preci- sou de auxílio material. Paulo não dá detalhes.4 O medo é uma força debilitante usada por Satanás para retardar os servos de Cristo e para distorcer sua percepção.11) quando escreve que esteve em Corinto com “temor e grande tremor”. Foi sua a árdua tarefa de estabelecer uma igreja na cosmopolita Corin- to. freqüentemente.12.23-28. A recepção que teve da parte dos ju- deus em Corinto logo transformou-se em hostilidade.15.3 gem da morte de Cristo na cruz. Os judeus constantemente conspiravam contra ele e. Supomos que Paulo era um homem realmente sem atrativos. passava por privações e afli- ções (2Co 11. Não obstante. De suas outras epístolas. para continuar pregando e não silenciar. Os termos temor e tremor ocorrem várias ve- zes nas epístolas de Paulo como uma expressão de ansiedade. sem recursos e sem privilégios. diante da tremenda 4. conseguiram fazer com que ele fosse julgado pelo pro- cônsul Gálio (At 18. 6. eles o tinham como nada mais que um escravo e não nutriam qualquer respeito por ele. talvez de pequena estatura (2Co 10. Jesus revelou que tinha muitas pes- soas na cidade de Corinto (At 18. Os termos temor e tremor estão relaciona- dos às inúmeras ameaças políticas e sociais que Paulo teve de enfrentar. Paulo era uma pessoa sem força. 12.12).5. Jesus apareceu a Paulo numa visão e lhe disse para não ficar com medo. . durante sua estada em Corinto. Além disso. provou ser um defensor e propagador destemido do evan- gelho quando pregava nas sinagogas e mercados públicos de Damas- co. temor e grande tremor” (comparar com 4. mas con- fessa que. Quando o desencorajamento sobrepujou o apóstolo. Ásia Menor.7).

4. tinha de confiar em Deus.” O texto gre- go dessa parte do versículo 4 tem algumas variantes. no decorrer de um culto. b.4 113 tarefa de pregar o evangelho e fundar uma igreja em Corinto. Depois do culto. but in the Demonstration of the Spirit and Power’ (1Co 2.6 O que Paulo quer dizer? Ele era capaz de apresentar o evangelho persuasivamente com palavras cuidadosamente escolhidas. com isso. será como o confiante evangelista que. mas em demonstração do Es- pírito e de poder. trad de John W. Paulo se recusa a pronunciar sua mensagem em palavras per- suasivas de sabedoria.4). fracassou no púlpito e ficou humilhado perante a congregação. o senhor teria saído como chegou. Ele sabia que. mas em Deus. enquanto negava a si mesmo. Lim sugere que esses oradores eram pregadores coríntios que mascateavam o evangelho por lucro. . Por causa disso.18) e a obra da pregação. 1 CORÍNTIOS 2. Se o fizer. aqui. um presbítero lhe deu este sensato conselho: “Se o senhor tivesse chegado ao púlpito da maneira como saiu. Nenhum pregador pode confiar em suas próprias idéias e habilidades.5 Isso fica evidente na mensagem contida no próximo versículo. que lhe proveria a força necessária para cumprir a missão. Timothy H. p. “Não em palavras persuasivas de sabedoria. João Calvino. Contudo. a. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria. Texto. (reedição.” A humildade deve ser uma característica de cada pastor que conduz uma congregação em culto. Jesus dá ao pregador a exigente missão e obrigação de pregar o evangelho. seu discurso e pregação não consistiam em palavras persuasivas de sabedoria. “‘Not in Persuasive Words of Wisdom. isto é. Paulo não identifica os oradores que falam persu- asivamente e que pregam em palavras de sabedoria. Grand Rapids: Eerdmans. (1987): 137-149. Nas traduções. pregou sem o poder sustentador do Espírito Santo. Ele repete o que ha- via afirmado num versículo anterior (v. como dei- xou claro em seu discurso perante o rei Agripa II (At 26. Ele usa esses dois termos para descrever a mensagem do evangelho (1. sugere que sua sabedoria não se origi- na no homem.28).” NovT. 1976).27. 50. Fraser. Paulo diz que sua linguagem. 5. Contu- do. 6. 1) e agora personaliza as pala- vras linguagem e pregação com o pronome minha. série Calvin’s Commentaries. Negativa. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians.

Bauer. que o corpo deles é um templo do Espírito Santo (6. Zuntz. 1975). Os coríntios deviam saber que o seu nascimento espiri- tual é obra exclusivamente do Espírito Santo (v. The Epistle to the First Corinthians. p. p. p. Eles têm a evidência neles mesmos. Essa interpretação tem o apoio de um dos mais antigos manuscritos. Paulo mesmo cunhou a palavra. Positiva. é uma leitura secundária. Gordon D. que pela primeira vez aparece aqui nessa epístola. “Mas em demonstração do Espírito e de poder. série New International Commen- tary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. a leitura persuasão não conta com o apoio dos manuscritos. 13). A segunda palavra é “Espírito”. 1987). A primeira é “demonstra- ção”.11).19) e que seus dons espirituais são obra do Espírito (12. portanto. corrigida (Londres and Nova York: United Bible Societies. contudo. Eles propõem a adoção de um texto grego mais breve que omite o termo palavras. 8. 546. 88. que é um termo usado num tribunal com relação a um testemu- nho. A última palavra é “poder”. Bruce M. Independentemente da escolha que o tradutor faz. persuasão. Aparentemente.7 Outros estudiosos são de opinião de que esse adjetivo deveria ser traduzido como o substantivo singular.4 essas variantes dificilmente aparecem exceto pela leitura: “Não con- sistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana” (RC. p 23-25. assim como NKJV. 639.114 1 CORÍNTIOS 2. essa palavra está intimamente associada com o Espírito Santo. 2. itálicos acrescentados). Metzger. n. O termo significa que ninguém é capaz de refutar a prova que é apresentada. O adjetivo humana parece ser um acréscimo que escribas inseriram para explicar o conceito sabedo- ria e. c. Por exemplo. The Text of the Epistles. Jesus 7. e é o texto aceito pela maioria dos tradutores.8 Embora fortes argumentos tenham sido reu- nidos em defesa dessa tradução. A Textual Commentary on the Greek New Testament. do que resulta a leitura não com a persuasão de sabedoria. . A maior dificuldade para os tradutores. Fee. está no adjetivo persuasivas. No Novo Testamento. 3ª ed. P46. “Não em palavras persuasivas de sabedoria” ainda parece ser a tradução preferida. as dificuldades permanecem. Esse adjetivo não ocorre em nenhum outro lugar em toda a literatura grega.” Paulo escolhe três palavras-chave para descrever o poder espiritual disponí- vel àqueles que pregam a Palavra de Deus.

5). E sua pregação re- sultou na fé pessoal deles em Deus. Calvino. aqui tem um senti- do mais amplo que o de milagres.” Observe que Paulo emprega o substantivo plural homens para ilustrar que em Corinto muitas pessoas estão mi- nistrando suas próprias concepções e sabedoria. p. com o Es- pírito Santo e com profunda convicção” (1Ts 1. Deus opera fé no coração dos coríntios por meio da pregação do evangelho de Cristo. Mas a fé repousa no poder de Deus. 1 Corinthians. O discernimento hu- mano é temporal. mas também com poder. pede sabedoria 9. Eles possuem prova visível e incontroversa por meio do poder do evangelho e da presença do Espírito Santo. Numa de suas epístolas. ela fracassaria completamente e desaparece- ria.5 115 disse aos apóstolos que eles receberiam poder quando o Espírito Santo descesse sobre ele no Pentecoste (At 1. perfeita e imutável. ver também Lc 24. “Sabedoria de homens. que defende o crente e lhe dá forças para perseverar (comparar com 1Pe 1. Quando um cristão.8. Muito embora a expressão poder geralmente signifique maravilhas. Paulo declara o motivo pelo qual ele rejeita as palavras persuasivas e a sabedoria excepcional. No último versículo dessa seção. Deus confia a Paulo a missão de fortale- cer a fé deles mediante sua instrução nas verdades da Palavra de Deus. Paulo diz a eles que esse dom não tem sua origem na sabedoria humana nem é confirmada por ela. falho e sujeito à mudança. Se a fé fosse de origem humana. Para que a fé de vocês não se apoiasse em sabedoria de ho- mens.49). Ele havia se dirigido aos coríntios para pregar o evangelho. O termo denota “a mão de Deus se estendendo para agir poderosamente. mas no poder de Deus. Em resumo. mas no poder de Deus. com fé. mediante o apóstolo. . em várias formas”. os coríntios precisam saber que a fé não se fundamenta na sabedoria de homens. mas também os levou à conversão.9 Paulo exorta os coríntios a abrirem seus olhos espirituais e obser- varem por si mesmos que Deus está em ação por meio de seu poder e de seu espírito. 1 CORÍNTIOS 2. Ele não apenas lhes concedeu o dom da fé. a sabedoria de Deus é eterna. 5. Paulo escreve: “Nosso evangelho não chegou até vocês simplesmente com palavras.5). 51.

o sentido de fui. continuou a pregar.2. . Além disso. Considerações Práticas em 2. a formação teológica foi e continua sendo oferecida em escolas de teologia afiliadas ou em seminário teológicos. Os pregadores devem ser ensinados a pregar sermões que sejam exposições fiéis das Escrituras. e não po- dem ser separados.15). F. Incumbiu Timóteo de pregar a Palavra “com grande paciência e cuidadosa instrução” e a fazer “o trabalho de um evangelista” (2Tm 4. Paulo foi a Corinto com o propósito expresso de pre- gar o evangelho e. ouv – essa partícula negativa está colocada imediatamente depois do verbo h=lqon para mostrar que a partícula negativa usual mh. com o particí- pio significaria “não anunciando”. A origem de muitas universidades deve-se ao desejo da igreja de formar os futuros pregado- res. os sermões precisam ser sem verbosidade e sem histórias que não sejam relacionadas à passa- gem bíblica em questão.5). 1960).4 Igrejas com origem na Reforma do século XVI sempre patrocinaram a causa de um ministério com formação superior. Alegra- se na salvação que Deus lhe concedeu..5). pregadores devem ser capazes de se comunicarem e de se relacionarem eficazmente com as pessoas à quais eles ministram a palavra de Deus. C. Moule. anunciando passa para o negativo. Por fim.1-5 Versículo 1 h=lqon)))katagge.1-5 a Deus (Tg 1. Palavra.. An Idiom-Book of New Testament Greek. (Cambridge: Cam- bridge University Press.llwn – o verbo no aoristo ativo (“fui”) e o particípio no presente ativo (“anunciando”) formam uma locução verbal. ele experimenta a operação do poder de Deus. 105. exortou Timóteo a perseverar no que havia aprendido de Paulo e de outros.10 Com as palavras nessa seqüência. Expressões e Construções em Grego em 2. 10. p. depois de sua chegada. 2ª ed.116 1 CORÍNTIOS 2. O objetivo sempre foi o de capacitar os candidatos ao ministério para o emprego correto da Palavra de Deus (ver 2Tm 2. D. Em suas epístolas pastorais. Quando essas escolas cresceram e finalmente se tornaram universida- des. O próprio Paulo havia estudado profundamente as Escrituras.

que no dativo singular é peiqoi/. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge University Press. peiqoi/j sofi.5. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. 4. Metzger. essa preposição significa “sobre”. Lightfoot.j (persuasivas). 13. B. 12. 168. p. por George W. O substantivo peiqw/ (persuasão). Moule.12 Versículo 4 lo. Consultar Hans Conzelmann. org. 546. por James W. Paul from Unpublished Commentaries (1895. J. Essa leitura tem o apoio dos códices Vaticanus. e ao verbo evgeno.krina (decidi) e traduz a oração toda como segue: “Eu não tinha o objetivo nem a inten- ção de conhecer coisa alguma”. F. Sinaiticus e Bezae. contudo. o qual modifica “palavra” e “pregação”. 17. 1957). . 2. p. 55. D. ocorre em outros textos gregos. 1 CORÍNTIOS 2. Leitch. 18. R. 13).goj – Paulo usa reiteradamente o singular e o plural de lo.goj nos primeiros dois capítulos dessa epístola (1.mhn (estive) no versículo 3. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to Corinthians.11 O advérbio de negação para o infinitivo eivde. n. Aqui.1-5 117 Versículo 2 ouv – J. que aparece duas vezes. 49. John Parry. Mas não existe evidência textual para a presença do adjetivo peiqo.1. evn – com o dativo em ambas as vezes que ocorre.2.) C. especialmente na leitura mais breve que omite o substan- tivo lo. pp. Moule.13 Versículo 5 i[na – a oração subordinada negativa de finalidade com mh. está ligada ao sujeito principal kavgw. fornece numero- sos exemplos de um deslocamento ou troca das partículas negativas ouv e mh. que é uma construção semelhante mas normal. B.aj lo. 1937). Grand Rapids: Zondervan. e chama a atenção para o texto grego de 2 Coríntios 2. First Corinthians. Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia: Fortress. Textu- al Commentary. a palavra é um sinônimo para a mensagem do evangelho. p. reedição. 17. especialmente com o pronome minha.nai (saber) deveria ser mh.goij. 156. 11. p. 92. p.goij – “palavras persuasivas de sabedoria”. O apoio dos manuscritos nesse versículo é extre- mamente fraco. MacRae. Idiom-Book. 1975). trad. Lightfoot liga a palavra de negação ao verbo e. 171. e ver Fee. Notes on the Epistles of St. St.

a qual. 3. Ora. Sabedoria e os Amadurecidos 2. essas pessoas são guiadas pelo Espírito Santo. 15. à medida que explicamos verdades espirituais em palavras espirituais. que estão destinados a perecer. Mas. Pois quem entre os homens conhece as coisas do homem senão o espírito do homem que está dentro dele? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus senão o Espírito de Deus. Paulo não define ou . entretanto. porque são loucura para ele e ele é incapaz de entendê- las. Essas coisas Deus preparou para aqueles que o amam. exatamente como está escrito. porém. mas ele mesmo não é julgado por ninguém. entre os amadurecidos. mas o Espírito que vem de Deus. sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século entendeu. 12. a primeira palavra da sentença é “sabedoria”. não. E as coisas que falamos não são palavras comunicadas pela sabedoria huma- na. não. porém. é enfática. 10 Porque Deus as revelou a eles pelo Espírito. O homem não-espiritual não aceita as coi- sas do Espírito de Deus. 11. Sem dúvida. Receberam a sabedoria secreta de Deus que ele revela ao seu povo. entretanto. Coisas que os olhos não viram e os ouvidos não ouviram E que não entraram no coração do homem. 8. por causa de sua posição. Porém o homem espiritual jul- ga todas as coisas. que estão destinados a perecer. Na verdade. 7.6-16 Na segunda parte desse capítulo. 16 Pois quem conheceu a mente do Senhor. temos a mente de Cristo. 9. 14. “Falamos sabedoria. mas aquelas comunicadas pelo Espírito. a sabedoria deste século ou dos governantes desta época. entretanto. a. porque elas se discernem espiritualmente. se a tivessem entendido.118 1 CORÍNTIOS 2.6 6. a sabe- doria deste século ou dos governantes desta época.” Em grego. Falamos sabedoria. Falamos sabedoria. para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus. 13. que o possa instruir? Nós. entre os amadurecidos. Paulo dirige-se a todos os cris- tãos que são sábios quanto à salvação. Mas falamos a sabedoria de Deus em um mistério – sabedoria escondida. porém. Uma tradução literal seria “Sabedoria falamos”. Porque. que Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória. a. o Espírito pers- cruta todas as coisas. não teriam crucificado o Senhor da glória. até mesmo as profundezas de Deus. nós não recebemos o espírito do mundo. Sabedoria do Espírito 2.6-8 6.

o que significa um abandono do texto grego. 3. Estes pensam que a mensa- gem da cruz de Cristo anunciada por Paulo é simplista e não corres- ponde aos padrões da sabedoria secular. ele retoma o plural de 1. Com a ajuda da conjunção adversativa entretanto. continua a elaborar sobre as observações iniciais sobre sabedo- ria. NEB). Por exem- plo.6 119 descreve aqui essa palavra (ver o v. 9.18-30). Ao fazer uma diferença nítida entre os dois conceitos de sabedoria. Paulo muda freqüen- temente do singular para o plural e vice-versa (por ex.” A literatura sobre o versículo 6 é. quem são essas pessoas amadurecidas? Também existem cristãos imaturos? Acaso Paulo ou outros escritores do Novo Testamento agru- pam cristãos por categorias? Paulo está fazendo uso de ironia quando usa a palavra amadurecido quando ele sabe muito bem que os coríntios não alcançam o padrão de perfeição? Paulo e seus colaboradores estão falando diretamente aos amadurecidos ou estão eles com (entre) os amadurecidos discutindo sabedoria? Ele está tomando por empréstimo . Compreensivel- mente.. “[falamos] sabedoria … entre os amadurecidos. 24. Mas entre quem Paulo e seus colegas de ministério falam sabedoria? b. Aqui. Paulo contrasta a sabedoria divina com a sabedoria do mundo que havia encantado alguns cristãos coríntios. entre os quais estão seus colaboradores Timóteo e Silas. 10). nos versículos subseqüentes. Alguns tradutores interpretam o pronome plural nos versículos 6 e 7 como o singular “eu” (ver GNB. Com o verbo grego lalein (falar). mas o ato de falar. os estudiosos levantam múltiplas questões. reúne os conceitos sabedoria e Espírito. 7). bem como a dos que com ele trabalham. conforme já explicou (1.1.21. ele não denota o conteúdo da fala. Nessa epístola. fenomenal. sem dúvida. 6. Paulo afirma enfática e confian- temente que ele e seus companheiros de ministério têm a sabedoria de Deus que. é com certeza superior à sabedoria do mundo. 30). é indubitavelmente distinguida pela sabedoria. 1 CORÍNTIOS 2. O que ele quer dizer é que sua pregação. mas deixa subentendido que está se referindo à sabedoria de Deus (1. Paulo passa do singular (eu) para o plural (nós). com respeito a essa ora- ção subordinada. Paulo tem em mente todos aqueles que pertencem ao círculo apostólico. 2.23: “Nós pregamos a Cristo crucifica- do”.

TDNT. exortam todos os cristãos a avançarem para a maturidade (por ex. Paulo fala aos coríntios como a “crianças em Cristo” (3. 1 Coríntios 14. vamos nos limitar a apenas algumas delas e fornecer os seguintes comentários. Em outras palavras.28. Efésios 4. 75-76. os escritores do Novo Testamento não apresentam qual- quer evidência de uma distinção entre dois tipos de cristãos: amadure- cidos e imaturos.120 1 CORÍNTIOS 2.3. Prophecy and Hermeneutic in Early Christianity: New Tes- tament Essays (Grand Rapids: Eerdmans. espirituais e naturais. Paulo não distingue entre cristãos amadure- cidos e imaturos. W. pp. Filipenses 3. 14.6 palavras que pertencem a outros ambientes que não a comunidade cris- tã de Corinto?14 Essas e muitas outras perguntas merecem uma respos- ta. pois ninguém pode reivindicar ter alcançado a perfeição. 12. crente e incrédulo. p. 2. Colossenses 1. reconhecemos níveis de desenvolvimento.20). a palavra grega que é traduzida como “amadure- cido” ou “perfeito” ocorre em outros lugares das epístolas paulinas e geralmente é equivalente a “adulto”. Hb 6. . 13) e que atendem ao evangelho de Cristo. Ver Gerhard De- lling. 1978. Descreve fé e descrença. 15.15. distingue entre cristãos amadurecidos que aceitam a mensagem da cruz e descrentes que consideram a sabe- doria de Deus loucura. Os es- critores do Novo Testamento não fazem essa distinção. Earle Ellis. 62. Interp 13 (1959): 425-432. Não obstante. Em vez disso. NIDNTT. Vol. dentre os quais situamos Jó. experimentaram o poder de Deus na própria vida e aguardam a renovação de todas as coisas como fruto da ressurreição de Jesus. pp.1) e lhes diz que eles pensam como crianças (14. Reinier Schippers. 45-62. sabedoria de Deus e do mundo. Até mesmo os homens mais santos.15 Adultos são aquelas pessoas que aceitaram o evangelho da cruz de Cristo. Baird. com a palavra amadurecidos. Consultar E. do Novo Testamento.20. terão de admitir que alcançaram apenas um pequeno começo. São os que recebem a sabedoria divina e se alegram nela com os que também crêem.13. Primeiro. Terceiro e último. Segundo. Vol. em vez disso. Para não nos estendermos demasiadamente. no contexto. e Paulo. superiores e inferiores. considera todos os cristãos nos quais o Espírito Santo efetiva- mente opera como cristãos amadurecidos. Paulo inclui todos os coríntios que receberam o Espírito (3. 8.16.. Entre o povo de Deus. “Among the Mature: The Idea of Wisdom in I Corinthians 2:6”. do Antigo Testa- mento.1).

1968). ver C.26. ainda. que con- trola a história do mundo. Dentre muito outros. Lightfoot. Ali Paulo escreve que se os poderosos deste século tivessem conheci- do a sabedoria divina. Barrett.28 (ver também 15. NTS 14 (1967-68): 33-55. Fee. “Que estão destinados a perecer. A sabedoria deste século é idêntica à sabedoria do mundo (1. O contexto não contém referência aos anjos maus. 53.17 Outros estudiosos. mas a seres humanos que são considerados fortes (1. TOU AIWNOS TOUTOU – A New Look at 1 Corinthi- ans 2:6-8”. A Commentary on the First Epistle to the Corinthians.30.24.17. Paulo usa o tempo presente do verbo. p. Paulo usa a expres- são “destinados a perecer”. K. que é a mesma que é traduzida como inva- lidar em 1. 70.18 d. “The Rulers of This Age – 1 Corinthians II. não teriam crucificado Jesus. Deus faz sua Palavra triunfar e a sabedoria do mundo e seus defensores. abrangendo todos os líde- res políticos e intelectuais do mundo. Wesley Carr. nem a dos governantes desta época. pensam que a expressão se refere a autoridades seculares. de oficiais. Dentre os comentaristas que defendem essa interpretação.16 Mas esta interpretação encontra dificuldade no versículo 8. 16. para indicar o permanente controle que Deus exerce neste mundo. 14. Columbus: Wartburg.12). Além do mais. fracassar. o contexto mostra um contraste entre a sabedoria humana e a sabedoria divina sem referência a poderes demoníacos. Ele mostra que Deus. p. p. E. Não foram demô- nios. .27). pp.26). Gene Miller. JBL 91 (1972): 522-528. p.31. 174. mas governantes que crucificaram Jesus. D. causa a repentina destituição de líderes. destinados a perecer. Por todos os séculos. de mestres e suas filosofias. os demô- nios conheciam a Jesus.” No grego.” Paulo continua a descrever o significado da sabedoria em termos negativos. 96. 18. C. “Não. “ARCONTWN. Carson. “Paul: Sophos and Pneu- matikos”. Entre eles estão Caifás e Pilatos.27). 17.20). Jo 12. Quem são os “governantes desta época”? Alguns estudiosos inter- pretam a locução como referência aos poderes demoníacos e aludem a muitas passagens do Novo Testamento (por ex. NTS 23 (1976-77): 20-35. Paul’s First and Second Epistle to the Corinthians (1935. Ef 6. porém. como os evangelhos claramente mostram. The Interpretation of St.6-8”. Lenski. 1946). A. 1 CORÍNTIOS 2. The Cross and Christian Ministry (Grand Rapids: Baker.6 121 c. 47. H. 4. a sabedoria deste século. 1993). Comparar com Robin Scroggs.11. 103-104. série Harper’s New Testament Commentaries (Nova York e Evanston: Harper e Row. R. portanto. ver Calvino. p. autoridades que crucificaram Jesus (ver At 3. que é caracterizada por uma natureza fugaz e variável. 16..

ele dá uma descrição positiva: a sabedoria de Deus é eterna e sem limites. Paulo menciona a sabedoria em termos negativos.30). Mas falamos a sabedoria de Deus em um mistério – sabedo- ria escondida. Ela conduz as pessoas das trevas para a luz. Paulo não fala um mistério. a sabedoria humana é temporal e leva as pessoas à frustração e. 11-15). New Testament Theology (Downers Grove: Inter-Varsity. Paulo está se referindo à sabedoria de Deus.7. a. a sabedoria se torna manifesta. Essa é a primeira vez que a palavra mistério ocorre em conexão com sabedoria (A leitura variante no versículo 1 é uma exceção). Mistério. salvação e glória. à destruição. é precedido geralmente por verbos com sentido de “revelar” ou de “proclamar”. ZTK 84 (1987): 297-312 . mas a maneira de falar (ver o v. 8 7. Para o que crê. se a tivessem entendido. Sabedoria divina. A diferença entre a sabedoria do mundo e a sabedoria de Deus é clara. Porque.19 O processo de salvação é um milagre para os cren- tes. p.122 1 CORÍNTIOS 2. A sabedoria é um mistério e é ininteligível ao descrente. 95. Sabedoria e salvação por meio de Cristo são intimamente relaciona- das. pois Deus a comunica por meio do evangelho que os apóstolos pregam. Paulo havia afirmado antes que Cristo é sabedoria de Deus e. “Verborgene Weisheit und Heil Für die Traditions- geschichte und Intention des ‘Revelationsschemas’”. Consultar também Michael Walter. não teriam crucificado o Senhor da glória. pois a palavra sabedoria significa “os atos sábios de Deus na sal- vação do homem”. origem e caráter. No versículo anterior (v. Donald Guthrie. 6). 1981). Ou seja. O caso genitivo de “sabedoria” indica posse. a sabedoria de Deus é misteriosa. Agora. O que Paulo quer dizer com a oração: “falamos a sabe- doria de Deus em mistério”? O verbo grego lalein (falar) não denota a substância do discurso de Paulo. sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século entendeu. Sempre que o termo mistério aparece no Novo Testamento. por fim. b. E “sabedoria” é qualificada pela lo- cução em mistério. assim. se tornou nossa sabedoria (1. Esse mistério foi predestinado por Deus 19. que Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória. 6). 8. Paulo ensina aos coríntios que ele e os demais pregadores declaram a sabedoria de Deus em um mistério. mas um mistério para pessoas que não têm o Espírito de Deus (comparar com vs.

. Notes on the Epistles. permanece algo que a mente humana não pode compre- ender plenamente.3. refere-se à “sabedoria oculta. 21. Preordenado.16). predestinou esta salvação para nossa gló- ria antes da humanidade sequer ter sido criada. Muito embora este mistério da salvação não esteja mais oculto. por ex. ao qual predestinou para glória. uma verdade que Paulo afirma ao discorrer sobre esse tema em outro lugar: “E se ele fez isso para tornar as riquezas de sua glória conhecidas aos objetos de sua miseri- córdia.21. 8 123 antes da criação deste mundo. d. p. que Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória”. . Deus. que ele preparou de antemão para glória?” (Rm 9. Ignorância. p. Ele diz que essas coisas foram depois reveladas aos crentes por meio da pregação do evangelho e pela obra do espírito Santo (1Pe 1. 6). Paulo não poderia ter descrito a dife- rença entre a sabedoria secular e a sabedoria divina em termos mais claros. enquanto a deles diminui”. B. não obstante. Este mistério está relacionado ao amor de Deus. Paulo. Pedro revela que os profetas investiga- ram atentamente o tempo e as circunstâncias da vinda de Cristo.” Paulo repete a expressão governantes deste século (v. A sabedoria que esteve oculta até o tempo presente é agora revelada por intermédio da pessoa e da obra de Cristo. “sabedoria essa que nenhum dos governantes deste século entendeu.10). p.7.17-19). ele.10-12). a metáfora se encontra em Zc 9. O contraste entre a glória dos que crêem e a glória dos senhores terrenos é revelador. Esses governantes não têm conhecimento espiritual e não conse- guem ver a importância do reino de Cristo na terra. TDNT. Lightfoot: “Nossa glória cres- ce. em sua sabedoria. NIDNTT.26). Deus é soberano e demonstra sua graça e misericórdia ao seu povo. Günter Finkenrath.20 c. Fp 3. então. Vol. Assim escreve J. Lightfoot. 175. 1 CORÍNTIOS 2. Vol 4. o qual é tão profundo que o ser humano é incapaz de o compreender inteiramente (comparar com Ef 3. Cl 1. Ele preordenou salvar os coríntios para a própria glória deles. Günther Bornkamm. 820. mas na vida por vir resplandeceremos como pedras de sua coroa (ver. 3. mas agora Deus o revela ao seu povo por meio da pregação do evangelho (ver Ef 3. Não podem 20. 504.21 Refletimos a glória e as virtudes de Deus já nesta vida. que vem em res- posta à súplica do crente: “venha o teu reino” (Mt 6.23).

a doutrina da salvação.10-12). WesThJ 22 (1987): 56-64. Deus revela a salvação de acordo com sua graça eletiva como uma verdade que “precisa ser ensinada sábia e cuidadosamente”. Jesus. não teriam crucificado o Senhor da glória”.7 compreender o governo de Deus na terra porque Deus não lhes revelou sua sabedoria divina. Acaso Paulo fala apenas de Caifás. “Predestination as Temporal Only”. Ele não só governa no céu. o Senhor da glória. Nossa mente humana não consegue apreen- der completamente a importância do amor de Deus pelos pecadores. Grosheide. Deus já tinha planejado salvar a humanidade para a glória daqueles a quem ele redime. p. Ver também o ponto de vista de J. Herodes Antipas e Pilatos ou tem em mente todo líder que governa sem dar glória a Deus? Os líderes judeus e gentios que crucificaram Jesus são representantes de todos os governantes deste mundo. mas inteiramente na eter- nidade. profunda. Confessamos que não podemos apreender inteiramente esta verdade em nossa mente. pode ser compreendida somente porque Deus a revela para nós. Kenneth Grider. simples e. Quando Paulo escreve que. é a resposta à pergunta do salmista: “Quem é o Rei da Glória”? (Sl 24. Considerações Doutrinárias em 2.23 22. E a glória que parcialmente recebemos nesta vida. se tivessem entendido essa sabedoria. Cristo os abençoa e os faz prosperar (Sl 2. Paulo fala da sabedoria de Deus. por- que o conceito antes de todos os tempos é profundo demais para nós.8. explica a ignorância desses go- vernantes em termos negativos: “porque. De fato.22 Qualquer pessoa que ignore a causa de Cristo toma lugar junto com os governantes que mataram Jesus. Ele predestina seu povo para a glória eterna. 65. . ver também At 7. é maravilhosa demais para nós. mas também na terra e se faz conhecido pela pregação do evan- gelho. Confissão de Fé de Westminster 3.2). First Epistle to the Corinthians. Se os governantes deste mundo se submetem a ele. 23.8. Em vez disso.7 Deus é soberano na execução de seu plano de criar o universo e de salvar a humanidade do pecado. no entanto.124 1 CORÍNTIOS 2. isso causa-nos temor e maravilha. Paulo não explica a resistência de judeus e gentios à revelação de Deus em Jesus Cristo. que se revela em um mistério. antes da criação desta terra.

25 eiv – seguido pelo indicativo na prótase e com a. b. Introduz a passagem com a adversativa mas seguida pela fórmula exatamente como está escrito.24 Versículo 8 h[n – o pronome relativo no feminino não se relaciona ao termo ante- cedente mais próximo.nhn – o particípio perfeito passivo do verbo ocultar deve- ria ser traduzido como um mais-que-perfeito para indicar que a sabedoria de Deus esteve oculta por um longo período.9. Robertson. 1117.n na apódose. T. Adversativa. . no versículo é traduzido algumas vezes como “isto é” ou é substituído por algum sinal de pontuação. 24. Paulo fundamenta seu ensino com um apelo às Escrituras. evn – o sentido da preposição é “na forma de” ou “consistindo de” avpokekrumme. – o segundo de. pois falta um verbo.9 125 Palavras. A sentença como está é incompleta. essa é uma sentença condicional oposta à realidade. Expressões e Construções em Grego em 2. Como faz em muitos outros lugares nessa epístola.an – a seqüência das palavras nessa locução é significativa porque enfatiza que a sabedoria tem sua origem em Deus e pertence a ele. 54. p.6-8 Versículo 6 evn – essa preposição seguida por um substantivo no caso dativo não significa “para” ou “em”. de. exatamente como está escrito. 25. Mas. Deus e Revelação 2. Versículo 7 qeou/ sofi. mas “entre”. mas ao termo sabedoria. Essas coisas Deus preparou para aqueles que o amam. A. 1934). mas que no presente é reve- lada. Coisas que os olhos não viram e os ouvidos não ouviram E que não entraram no coração do homem. A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman.10a 9. First Epistle to the Corinthians. “glória”. p. Parry. 1 CORÍNTIOS 2. a.

nem com os olhos se viu Deus além de ti. 27. portanto. “L’énigme de 1 Cor. que trabalha para aquele que nele espera. Berger. O contraste. 102) segue comentaristas mais antigos que repetem o verbo falamos (v. Presumimos que Paulo recorre à memória.9”. mas difere consideravelmente do tex- to hebraico: Porque desde a antigüidade não se ouviu.15. Frid. 7). NTS 31 (1985): 603-611. K. alguns estudiosos acreditam que Paulo se valeu também de palavras de outras passagens (Is 52. LXX). 10). b. RB 70 (1963): 52-74. Em vista da divergência.9 Sugerimos a inserção do verbo no plural nós entendemos para equili- brar com a locução verbal tivessem entendido no versículo anterior (v. . Mas a locução verbal está escrito significa que a importância dessas palavras ainda perma- necem válidas para o presente. ii. 8). 65. a introdução proposta do pronome nós serve igual- mente como um esclarecimento dos versículos 8 e 9 e como uma ponte para o pronome nos no versículo seguinte (v. Mas Lenski (First Corinthians. porque também a tradução grega de Isaías difere: “Desde a eternidade não temos ouvido. Ao mesmo tempo. II. Uma tradução possível é: “Pois se [esses governantes] tivessem conhecido esta sabedoria.. não tendo as Escrituras diante de si.4.27 26.17. Profecia. e nossos olhos não têm visto nenhum Deus além de ti e tuas obras que farás para aqueles que esperam por misericórdia” (Is 64.3. A citação vem de Isaías 64. “Zur Diskus- sion über die Herkunft von 1 Kor. Jr 3. Paulo. “Ver B. não teriam crucificado o Senhor da glória.16).126 1 CORÍNTIOS 2. p. cita de memória. Paulo cita livremente a profecia de Isaías escrita sete séculos antes de Paulo ter escrito essa epístola. Ele formula um texto que concorda com as passagens das profecias de Isaías e Jeremias. aparentemente.9”. 9”. “The Enigmatic avlla. Feuillet.26 O contraste entre os versículos 8 e 9 é eviden- te. nem com ouvidos se percebeu. in 1 Corinthians 2. NTS 24 (1978): 270-283. Entretanto – exatamente como está escrito – [nós entendemos as] coisas que nenhum olho viu nem ouvido algum ouviu”. A. é entre “governantes deste século” (Pôncio Pilatos e Herodes Antipas) que não conheciam a sabedoria de Deus e os coríntios que conhecem sua sabedoria.

Por meio de sua Palavra e na plenitude do tempo para a vinda de Cristo. NAB. Tomemos em consideração primeiro os termos negativos. 1:10. Em termos positivos. . O subs- tantivo coisas. NIV. demonstramos nosso amor a Deus por este dom maravilhoso. o autor de Eclesiástico diz: “Ele conce- deu [sabedoria] àqueles que o amam” (Sir. Jr.12. análise e assimilação dos fatos. I Cor.28).30 Quanto à sabedoria de Deus.. quando compreendemos essa verdade. Mas o conhecimento da salvação não se origina com o ser humano quando este abre seus olhos para ver. olhos. WTJ 43 (1980-81): 301-319. ZNW 50 (1959): 106-112. e nós o amamos. ou ouve o que outros lhe dizem.3. 2. MLB. Em outra epístola Paulo escreve. Paulo elimina todos os caminhos de percep- ção dos sentidos e deixa o leitor tirar sua própria conclusão no sentido de que a sabedoria só pode emanar de Deus. ouvidos e coração [mente]. NKJV. RSV). 8. Tiago 1. Ele conclui a citação com uma linha positiva: “Essas coisas Deus pre- parou para aqueles que o amam”. Paulo cita três partes do corpo humano e as apresenta em termos negativos: “Coisas que os olhos não viram e os ouvidos não ouviram. 30. Paulo enfatiza o processo da percepção. Consultar Johannes B. Bauer. A última linha da citação ensina duas coisas: Deus é o autor de nossa salvação. 2. TOIS AGAPOSIN TON THEON’ Rm 8:28 (I Cor. O que Paulo está tentando dizer nesta passagem? Uma vez que ele se refere a quatro diferentes passagens das profecias de Isaías e Jeremias.. Paulo informa aos coríntios que “Deus pre- parou [salvação] para aqueles que o amam”.29 Ao mencionar os órgãos físicos. e que não entraram no coração [isto é. 29. a saber. 28. 28 significa a sabedoria de Deus que é revelada para o propósito da salvação do ser humano. na mente] do homem”. omitido em algumas traduções. SEB. Conseqüentemente. temos de interpretar a passagem tal como a en- contramos. ele a revela. Walter C. Kaiser. “Deus trabalha para o bem daqueles que o amam” (Rm 8. Significado. 1 CORÍNTIOS 2.. Ver também 1 Coríntios 8.9. O texto ensina que Deus preparou as coisas que pertencem à salvação e concede esse dom independente- mente de mérito nosso. KJV.3)”. Esses órgãos por si mesmos não podem dar ao ser humano sabedoria para conhecer e compreender a obra divina da salvação.5. ou concebe pensamentos. “‘. “A Neglected Text in Bibliology Discussions: 1 Corinthians 2:6- 16”.9 127 c.

p. Archibald Robertson e Alfred Plummer. 183. ver também Lc 24. Eu prefiro a leitura causal pelas seguintes razões: Primeira. As diferenças provêm da leitura do texto grego e da interpretação do versículo precedente (v. Jr 3.9. enquanto outras dão preferência a uma causal. Moule. Expressões e Construções em Grego em 2. A união dos textos com uma conjunção causal esclarece a razão pela qual temos conhecimento com respeito à nossa salvação: Deus a revelou a nós. traduz literalmente o hebraico (com- parar o texto da Septuaginta de IV Re 12. p. A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St. Edimburgo: Clark. Deus revela sua sabedoria por meio do Espírito. 1739 e de outros 31. Por meio do Espírito Santo.16. 2ª ed. nesse caso. Idiom-Book. Codex B. se inserimos um verbo no versículo 9. por lhe dar mais força.23). Palavras. 32. O pronome não está limitado aos apóstolos e seus coopera- dores. International Critical Commentary. de modo que a salvação é a obra da Trindade. opera mediante seu Espírito e nos garante a sua glória. At 7.10a Versículo 9 evpi. (1911.25. reedição.5.31 No grego. como pois ou porque. eliminamos a necessidade de uma conjunção alternativa ou aditiva no início do ver- sículo 10.17).38. . Deus produz a salvação.32 Versículo 10a ga. kardi. Porque Deus as revelou a eles pelo Espírito. isto é. mas abrange todos os crentes. 1975). “para nós Deus as revelou”. o pronome se encontra no início por motivo de ênfase.10a 10a. 16. Segunda. 43.50. Algumas têm a conjunção adversativa mas. mas Paulo usa o grego da Septuaginta que. terceira.an – a preposição evn seria mais apropriada. Paulo to the Corinthians.r — essa conjunção tem o apoio de P46. outras trazem a aditiva e. O Espírito prepara uma pessoa para receber a verdade do evangelho e a conduz a Cristo. E. ela faz justiça ao pronome nos [a nós].128 1 CORÍNTIOS 2. 28. Deus torna conhecida aos crentes a sua sabedoria (Mt 11. As traduções divergem quanto à primeira palavra dessa oração. 9). a conjunção causal liga este versículo (10a) à citação imediatamente antecedente.

33 c. avpeka. p. 7). trad. Paulo escreve o verbo perscrutar no presente para indicar que para o Espírito a obra de perscrutar nunca cessa. A sentença afirmativa serve como uma observação inicial em uma seção sobre a obra do Espírito Santo. Nesse ponto (v.34. Numa doxologia. 10). 178. muitos preferem iniciar um novo parágrafo em vez de dividir esse versículo em duas partes. porém. Consultar Lightfoot. 2 vols. 1 CORÍNTIOS 2. a frase é profun- da em nos revelar a relação interpessoal dentro da Divindade. O Espírito Santo e a Sabedoria Humana 2. em vez de revelação geral. portanto.. 155. tomamos a primeira parte do versículo 10 como uma conclusão ao versículo 9 e a segunda parte como o começo de um novo parágrafo. 34. Sua conotação é de uma revelação especial. na presença de Deus todas as coisas são descobertas e reveladas (Hb 4.luyen – o verbo revelar está relacionado com a palavra mistério e com o perfeito particípio ativo oculta (v. Paulo reconhece exatamente essa ina- bilidade ao perguntar: “Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” (Rm 11. Nenhum ser humano é convidado a tomar assento nos conselhos de Deus. Dividem o versículo 10.13). 35. por Henry Beveridge. Qual- quer escriba seria tentado a modificar a frase com a conjunção de. À luz desse contexto.34 10b. p. Deus conhece todas as coisas e seus olhos estão em toda a parte (Pv 15.35 O Espírito perscruta todas as coisas e nada escapa à sua atenção. (Grand Rapids: Eerdmans.7). Admiti- mos que a mente humana é incapaz de sondar a profundeza das pala- vras de Paulo. os quais sempre permanecem mistérios para a mente 33. as traduções NEB. Apesar de breve. Nós. Institutes of the Christian Religion. Na verdade. ver também Jó 11. João Calvino.10b-13 Os tradutores geralmente divergem quanto à divisão de parágrafos. ga. . até mes- mo as profundezas de Deus. 8ª ed. NIV e NCV. O alcance da obra do Espírito chega até as profundezas de Deus.3). é a leitura mais difícil e. por exemplo. o Espírito perscruta todas as coisas.. americana. vol 1. ela ocorre três vezes em três orações.r.10b 129 manuscritos. Notes on the Epistles. em vez de de. 1949). a preferida. O que são essas profundezas de Deus? São os caminhos incompreensí- veis de Deus.

Dentre essas profundezas estão as riquezas inexauríveis da sabedoria e do conhecimento de Deus (Rm 11. Tenta- mos analisar as razões que nos levam a fazer e a dizer determinadas coisas num esforço por nos conhecer. Ele responde a essa pergunta dizendo que somente o espírito do homem é capaz de conhecer suas próprias motivações. deparamo-nos com inúmeras dificuldades para conhecermos nos- sas motivações interiores. temos de confessar que muito embora tenhamos sido criados com conhecimento natural básico a respeito de nós pró- prios. O espírito humano é capaz de guar- dar segredos dos olhos e ouvidos de outras pessoas. o dom divino da salvação aos homens. Pois quem entre os homens conhece as coisas do homem senão o espírito do homem que está dentro dele? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus senão o Espírito de Deus. Se fôssemos além do ponto básico que Paulo está * “God moves in a mysterious way/ His wonders to perform. a difusão do evan- gelho em cada época e geração e a vinda do reino de Deus. Nosso conhecimento inato nos guia na to- mada de decisões relacionadas ao ambiente em que vivemos. E cavalga as tempestades. a. Analogia./ He treasures up His bright designs/ And works His sovereign will. Pergunta se alguém pode saber os motivos das ações de uma pessoa. Paulo compara o espírito de homem com o Espírito de Deus. Por outro lado. Nas profundezas de minas insondáveis De sua destreza que nunca falha.// Deep in unfathomable mines/ Of never-failing skill. Empregando uma analogia da vida humana./ He plants His footsteps in the sea.” . b. Procuramos obter uma compre- ensão básica de nosso ser subconsciente pela análise de nossa mente.* – William Cowper 11. Entesoura seus sábios desígnios E executa a sua vontade soberana./ And rides upon the storm.130 1 CORÍNTIOS 2. Deixa suas pegadas nos mares. Deus se move de modo misterioso Ao realizar suas maravilhas.33). Diferença.11 inconstante e pouco profunda dos homens.

Deus é o Criador do espírito do homem (Zc 12. a.26). conjugado aqui no pretérito. “Essa mudança de terminologia pode ser considerada como uma advertência para nós não forçarmos a analogia”. os meus caminhos” (Is 55. Notes on the Epistles. in: New Dimensions in New Testa- ment Study. “oi=da and ginw. Em outras palavras. O apóstolo oferece a confortadora garantia de que recebemos o Espírito. mas o Espíri- to que vem de Deus. Paulo não está dizendo que o Espírito de Deus está engajado em obter conhecimento relativo aos pensamentos de Deus. Mas o Espírito incriado de Deus procede do Pai e do Filho (Jo 14. org. O espírito tem conhecimento inerente. para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus. Deus conhece a mente do homem. “Ora.1). o espírito dentro do homem conhece seu próprio pensamento. 351.” No versículo anterior. nem os vossos caminhos. A idéia que o primeiro verbo passa é a de se ter conhecimento natural básico – ou seja. 36. Como Deus disse ao povo de Israel: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos. No texto grego desse versículo. dessa forma. O segundo verbo. Longenecker e Merrill C.8). . que força a analogia. Burdick. Paulo chega ao cerne do parágrafo sobre o Espírito de Deus versus o espírito humano. ele soprou nas narinas do homem o fôlego da vida (Gn 2. 179. Paulo escreve dois verbos diferen- tes para conhecer (oida e ginwskw). denota o processo de se adquirir conhecimento: “Ne- nhum homem conseguiu uma compreensão das coisas que pertencem a Deus. A repetição da expressão homem nesse versículo tem como objetivo reforçar a imensurável diferença entre o espírito huma- no e o Espírito de Deus. é enfatizado. Mas ver Donald W. vacilaríamos. nós não recebemos. Paulo falou do espírito humano de forma geral. dado a nós por Deus. por Richard N. Com esse pronome inclusivo. Tenney (Grand Rapids: Zonder- van. p. Lightfoot.skw in the Pauline Epistles”. nós não recebemos o espírito do mundo. Esse pronome está no início da frase em grego e. Ora.36 12. Paulo contrasta os dois ver- bos para explicar que a mente humana é capaz de conhecer as coisas referentes ao homem. p.12 131 tentando ensinar. 1 CORÍNTIOS 2. mas o ho- mem é incapaz de conhecer a mente de Deus. mas não as coisas referentes a Deus. 1974).7). senão o próprio Espírito de Deus”. Mas aqui ele especifica os coríntios e a si mesmo pelo uso do pronome possessivo plural nós.

132 1 CORÍNTIOS 2.12

b. “Não o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus.” A
expressão não o espírito do mundo tem sido interpretada de diversas
formas:
descreve os governantes do mundo que crucificaram Jesus (v. 8);
denota o mal que estabeleceu suas próprias regras e objetivos (ver
2Co 4.4; 1Jo 4.4; 5.19);
é equivalente à sabedoria deste mundo (1.20);
é o espírito no homem que é mundano.
Nós afirmamos que o espírito do mundo é o espírito que torna o
mundo secular.37 Desde que Adão e Eva caíram em pecado, o espírito
deste mundo tem se revelado em oposição ao Espírito de Deus: por
exemplo, na impiedade anterior ao dilúvio, na construção da torre de
babel e nos falsos mestres que procuraram destruir a Igreja nos dias
dos apóstolos (2Pe 2; 1 Jo 4.1-3; Jd 4-19). É o espírito que governa
uma pessoa na qual não habita o Espírito de Deus. É o poder que deter-
mina “todo o pensar e agir dos homens, que se opõe ao Espírito que é
de Deus”.38
Ao contrário, como Paulo o expressa em eloqüente grego, os cren-
tes receberam o Espírito que procede de Deus (ver Jo 15.26; Gl 4.6). O
Espírito de Deus vem aos crentes de uma outra esfera que não este
mundo e transmite o conhecimento de Deus, da criação, da redenção e
da restauração. Desde o Pentecoste, o Espírito de Deus habita no cora-
ção de todos os crentes (6.19).
c. “Para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuita-
mente por Deus.” Por que Deus nos concede o dom do seu Espírito? A
resposta é para que possamos conhecer de maneira inata as coisas que
dizem respeito à nossa salvação. O Espírito nos ensina os tesouros que
temos em Cristo Jesus, a quem Deus entregou à morte numa cruz a fim
de que tenhamos vida eterna (1Jo 5.13). Se Deus entregou seu Filho,
sem dúvida nos dará com ele todas as coisas (Rm 8.32). Os crentes
tomam posse do dom da salvação mediante a obra do Espírito Santo.
Reconhecem por meio da fé que, em Cristo, pecado e culpa lhes foram
37. Consultar Lenski, First Corinthians, p. 108.
38. Hermann N. Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology, trad. por John Richard de
Witt (Grand Rapids: Eerdmans, 1975), p. 92.

1 CORÍNTIOS 2.13 133

removidos, que Deus está reconciliado com eles e que o caminho para
os céus foi aberto para eles.
13. E as coisas que falamos não são palavras comunicadas pela
sabedoria humana, mas aquelas comunicadas pelo Espírito, à me-
dida que explicamos verdades espirituais em palavras espirituais.
a. Intérprete. Nesse ponto de seu discurso, Paulo refere-se a si
mesmo e aos seus colegas pregadores. Revela que as palavras que pro-
clamam não são baseadas em sabedoria humana.
Fazemos as seguintes observações:
Primeira, Paulo usa um verbo grego que significa o ato de falar, e
não o conteúdo do discurso (ver vs. 6, 7). Segunda, ele coloca a nega-
tiva na frase propositadamente antes de palavras para contrastar sabe-
doria humana e sabedoria divina. E, terceira, indica que o agente que
ensina os apóstolos e seus colaboradores o que pregar não é uma pes-
soa repleta de sabedoria humana. Ao contrário, essa pessoa não é outra
senão o Espírito de Deus. O Espírito, portanto, os capacita a proclama-
rem o evangelho (Mt 10.20).
Além disso, o próprio evangelho é inspirado pelo Espírito. Isso
não deveria ser entendido como se os apóstolos fossem meros instru-
mentos que o Espírito Santo empregou para atingir seus objetivos. Com
certeza, não! Os autores da Escritura usaram seus talentos e capacida-
des, sua formação e cultura e suas características e peculiaridades na
tarefa de escrever. Não obstante, o espírito os ensinou como verbalizar
as verdades de Deus. Como diz Paulo enfaticamente: “Falamos ... não
palavras comunicadas pela sabedoria humana, mas aquelas comuni-
cadas pelo Espírito” (itálicos acrescentados). Para o apóstolo, portan-
to, a inspiração não se baseia em pensamento humano ou em sabedoria
de homens, mas no ensino concedido pelo Espírito Santo. O estilo,
vocabulário, dicção e sintaxe de Paulo são os veículos da verdade que
o Espírito lhe ensinou.39
b. Variante. As traduções da última parte do versículo 13 diver-
gem, conforme ilustram alguns poucos exemplos:

39. Consultar Frederic Louis Godet, Commentary on First Corinthians (1886; reedição,
Grand Rapids: Kregel, 1977), p. 154.

134 1 CORÍNTIOS 2.13

“Expressando verdades espirituais em palavras espirituais” (NIV).
“Interpretando verdades espirituais para homens espirituais” (mar-
gem da NIV).
“Comparando coisas espirituais com espirituais” (KJV, NKJV).
“Interpretando verdades espirituais àqueles que possuem o Espíri-
to” (RSV) ou “aos que são espirituais” (NRSV).
“Suprindo linguagem espiritual para coisas espirituais” (NJB).
O sentido exato dessa última parte da frase é obscuro. Uma tradu-
ção literal é incompreensível: “Interpretando espirituais em espiritu-
ais”. Portanto, o leitor precisa levar em consideração o contexto desse
versículo em busca de orientação para escolher e fornecer dois subs-
tantivos que completem a oração.
Se considerarmos as referências explícitas de Paulo aos cristãos
amadurecidos (v. 6) e ao homem espiritual (v. 15), poderemos entender
que o escritor tem em mente homens espirituais. Se aplicarmos as re-
gras da gramática, contudo, deparar-nos-emos com uma sutil objeção a
essa interpretação. O segundo adjetivo, espirituais, não é precedido
por um artigo definido que designe um grupo de pessoas em particular
(gramaticalmente, uma palavra masculina); em vista disso, existe a pos-
sibilidade de que Paulo quisesse dizer “palavras espirituais”. Nós não
deixamos de considerar essa interpretação,40 mas pretendemos dar o
mesmo peso a uma segunda interpretação, a de que o adjetivo refere-se
ao substantivo palavras (gramaticalmente neutro). Ou seja, Paulo e
seus colaboradores estão interpretando verdades espirituais em pala-
vras espirituais (implicitamente, para homens espirituais). Por isso, para
um dos adjetivos, suprimos a palavra verdades e para o outro, o termo
palavras; dessa forma, lemos: “interpretando verdades espirituais em
palavras espirituais”.
c. Explicação. O verbo grego synKr]n{ pode ser traduzido tanto
como “combinando”, “comparando” ou como “interpretando”.41 O pri-
meiro desses três significados está de acordo com o contexto e tem

40. Como escreve Donald Guthrie, “Se... cristãos que são ensinados pelo Espírito são
capazes de interpretar a verdade espiritual aos que possuem o Espírito, isso demonstra o
ministério de ensino do Espírito”. New Testament Theology, p. 556.
41. Bauer, p. 774.

1 CORÍNTIOS 2.12, 13 135

sido escolhido por muitos comentadores.42 Tradutores modernos, con-
tudo, relutam em adotar a palavra combinando porque duvidam que
seja este o sentido que Paulo quis transmitir.
Outros estudiosos adotam a segunda alternativa (“comparando”) e
observam que o mesmo verbo grego ocorre em 2 Coríntios 10.12, onde
significa “comparar”. Mas são diferentes os respectivos contextos, ra-
zão pela qual uma tradução igual para ambas as passagens se torna
difícil e improvável.
Conclusivamente, portanto, o contexto parece dar suporte à leitura
interpretar. Friedrich Büchsel observa que a tradução combinar é mui-
to fraca, enquanto “comparar” introduz um conceito que é incompatí-
vel com o contexto. “Em vista disso, o melhor é aceitar o significado
“interpretar”, “expor”, que é predominante na [Septuaginta] ‘expondo
revelações do Espírito’”.43

Palavras, Expressões e Construções em Grego em 2.12,13
ko,smou – diversos manuscritos acrescentam o pronome demonstrativo
tou,tou para indicar contraste (“este mundo”), mas a leitura mais breve
tem o apoio de testemunhos mais antigos e mais fortes.
didaktoi/j – este adjetivo verbal (“ensinadas”) tem um sentido passi-
vo. Ocorre duas vezes e é seguido em ambas as vezes por um genitivo
subjetivo.44
pneumatikoi/j pneumatika, – o primeiro adjetivo não tem o artigo defi-
nido toi/j, que reduz a probabilidade de que seja masculino (ou seja, ho-
mens espirituais). Eu prefiro manter os dois adjetivos no mesmo gênero
neutro. A presença de lo,goij (palavras) neste versículo sugere que Paulo
subentende que pensamentos espirituais são explicados em palavras espi-
rituais.45

42. Dentre muitos outros, ver Leon Morris, 1 Corinthians, ed. rev., série Tyndale New
Testament Commentaries (Leicester: Inter-Varsity; Grand Rapids: Eerdmans, 1987), p. 58.
43. Friedrich Büchselm TDNT, Vol. 3, p. 954. Ver também a leitura da LXX em Gênesis
40.8, 16, 22; Daniel 5.15-17, onde o verbo se refere à interpretação de sonhos.
44. Consultar Moule, Idiom-Book, p. 40.
45. Consultar Robertson, Grammar, p. 654.

136 1 CORÍNTIOS 2.14

d. O Homem Não-espiritual e o Homem Espiritual
2.14-16
Paulo conclui com um último contraste este capítulo descrevendo,
primeiro, em termos negativos, o que a pessoa não-espiritual não é
capaz de fazer. Depois, fala positivamente sobre o homem espiritual e,
por último, conclui que os leitores de sua epístola têm “a mente de
Cristo”.
14. O homem não-espiritual não aceita as coisas do Espírito de
Deus, porque são loucura para ele e ele é incapaz de entendê-las,
porque elas se discernem espiritualmente.
a. “O homem não-espiritual.” A palavra grega que eu traduzi como
“não-espiritual” ocorre aqui e em quatro outros lugares no Novo
Testamento.46 A tradução declara o que o homem não é, a saber, espiri-
tual. Isso é exatamente o que Paulo quer expressar por meio do con-
traste de uma pessoa não-espiritual com uma pessoa espiritual. “O pri-
meiro é homem animado, dotado de alma no sentido de força vital, o
homem natural, em contraste com o homem espiritual.”47 O homem
natural pertence ao mundo, enquanto o homem espiritual pertence a
Deus. Um é um descrente e o outro um crente; um não tem o Espírito
enquanto o outro tem o Espírito; um segue os instintos naturais (Jd 19),
o outro segue o Senhor.
b. “[O homem não-espiritual] não aceita as coisas do Espírito de
Deus.” Embora o verbo aceitar seja sinônimo de receber (ver o v. 12),
a diferença é digna de nota. O primeiro verbo, que é ativo, refere-se ao
objeto que é aceito. O segundo verbo, que é passivo, descreve a manei-
ra como o objeto é recebido. A tradução não aceitar, nesse versículo,
tem o sentido de rejeitar. O homem não-espiritual repudia as coisas do
Espírito de Deus porque ele não as entende nem as deseja. Ele aceita
apenas as coisas do mundo.
c. “Porque são loucura para ele.” A coisas espirituais dizem respei-
to ao pecado, à culpa, ao perdão, à redenção, à salvação, à justiça e à

46. 1 Coríntios 15.44 (duas vezes), 46; Tiago 3.15; Judas 19. Para a tradução não-espiri-
tual, ver Bauer, p. 894, e NEB, REB, BJ, MLB, RSV.
47. Günther Harder, NIDNTT, Vol. 3, p. 684; ver também Eduard Schweitzer, TDNT, Vol.
9, p. 663.

1 CORÍNTIOS 2.15 137

vida eterna. À pessoa não-espiritual, essas coisas não têm sentido, são
irrelevantes e, inclusive, estultice. Elas não têm lugar em uma vida que
é limitada ao mundo presente.48
d. “E ele é incapaz de entendê-las, porque elas se discernem espiri-
tualmente.” Paulo fala a respeito de uma incapacidade que é causada
pela ausência do Espírito Santo na vida do descrente. Admite-se que o
incrédulo possa exceder o cristão de várias maneiras: intelectualmen-
te, quanto à educação, filosoficamente ou, até mesmo, moralmente.
Pode ser um cidadão digno e um líder na sociedade que evita os exces-
sos sensuais que caracterizam outras pessoas. No entanto, o não-cris-
tão é incapaz de entender as coisas espirituais. Falta-lhe a presença
habitadora do Espírito Santo para iluminar seu entendimento.
Paulo afirma que o descrente não é capaz de compreender as ver-
dades espirituais “porque elas se discernem espiritualmente”. O verbo
discernir é importante. Primeiro, aponta para um processo contínuo de
avaliar o contexto espiritual em que vivemos. Segundo, a voz passiva
denota que o crente guiado pelo espírito Santo é capaz de testar os
espíritos para verificar se eles vêm de Deus (comparar com 1Jo 4.1).
Submisso a Deus, o cristão deve julgar todas as coisas espiritualmente.
O agnóstico ou ateísta é incapaz de julgar espiritualmente porque
ele próprio está morto em transgressões e pecados (Ef 2.1). Com res-
peito às coisas espirituais, é como um homem que aperta o interruptor
quando não há corrente elétrica e, assim, não consegue acender a lâm-
pada. Pior, não tem sequer idéia do que causa a pane e é incapaz de
predizer a duração do blecaute. Ele é impotente para alterar a situação,
mas precisa esperar até que o fornecimento de energia elétrica seja
restabelecido. Da mesma maneira, a não ser que o poder do espírito
entre em sua vida e o ilumine espiritualmente, ele permanece em tre-
vas espirituais. O espírito santo capacita o homem a ver claramente o
caminho que conduz à vida e a avaliar com exatidão as circunstâncias
em que ele próprio se encontra.
15. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele
mesmo não é julgado por ninguém.
a. “Porém o homem espiritual julga todas as coisas.” Que alegria
48. Consultar S. D. Toussaint, “O Homem Espiritual”, BS 125 (1968): 139-146.

138 1 CORÍNTIOS 2.16

para uma pessoa espiritual, chegar diretamente a Deus, a fonte de sa-
bedoria (Tg 1.5)! De Deus ele recebe sabedoria sem limites. Conse-
qüentemente é capaz de examinar todas as coisas criteriosamente e de
exercer a liderança num mundo submetido à escuridão do pecado. “É
somente o homem espiritual que tem esse conhecimento firme e são
dos mistérios de Deus, que realmente distingue a verdade do erro, o
ensinamento de Deus das invenções humanas e é muito pouco iludi-
do.”49 Para o crente, as Escrituras são uma luz em seu caminho e uma
lâmpada para seus pés (Sl 119.105). Ele sabe que na luz de Deus ele vê
a luz (Sl 36.9). Em vista da unção da pessoa espiritual com o Espírito
Santo, ela tem conhecimento da verdade (1Jo 2.20). Assim, é capaz de
distinguir a verdade do erro, o fato da ficção e a autenticidade do fingi-
mento.
Paulo escreve que o homem espiritual julga todas as coisas. Por
implicação, essa pessoa recebe a direção do Espírito Santo e usa as
Escrituras como sua bússula para a jornada desta vida. A expressão
todas as coisas significa o espectro geral da existência humana. Isso
não significa que o homem espiritual seja um especialista em cada área
da vida. Em vez disso, com respeito à comunidade na qual Deus o
colocou, é capaz de avaliar todas as coisas espiritualmente.
b. “Mas ele mesmo não é julgado por ninguém.” Esta é uma afir-
mação ousada de Paulo. Contudo, o apóstolo não quer dizer que os
cristãos jamais são julgados (comparar com 14.29), mas, em vez disso,
que o crente não pode ser julgado por descrentes; eles são incapazes de
julgar um crente espiritualmente. O crente é julgado com base na Pala-
vra de Deus. Afinal, são as Escrituras, e não regras e regulamentos
humanos, que julgam o homem espiritual com respeito ao seu destino
eterno.
16 Pois
quem conheceu a mente do Senhor,
que o possa instruir?
Nós, porém, temos a mente de Cristo.
a. Fonte. Este versículo é a confirmação da afirmação ousada de
Paulo na passagem anterior (v. 15). Como de costume, Paulo funda-

49. Calvino, I Corinthians, p. 62.

1 CORÍNTIOS 2.16 139

menta seu ensino com citações das Escrituras, que ele considera sua
corte de apelação. Cita, agora, duas linhas separadas de Isaías 40.13 da
tradução grega do texto hebraico (comparar com Jr 23.18; Sabedoria
9.13). Em outra parte, Paulo cita a passagem inteira do Antigo Testa-
mento em ordem consecutiva (ver Rm 11.34). Mas, agora, ele omite
uma linha do texto da Septuaginta, a saber, “quem foi o seu conselhei-
ro?”. As duas linhas “quem conheceu a mente do Senhor” e “que o
possa instruir” diferem ligeiramente do texto hebraico: “quem enten-
deu a mente do Senhor” e “a quem o senhor consultou para o alumiar”?
b. Significado. Em que sentido a passagem do Antigo Testamento
prova o argumento de Paulo? A palavra-chave nessa citação é o termo
mente, que se refere tanto a Deus como a Cristo. Paulo indica que a
mente de uma pessoa espiritual precisa estar em harmonia com a men-
te de Deus. Quando o homem é controlado pelo Espírito de Deus, ele
deseja cumprir a lei de Deus, fazer a vontade de Deus e refletir a glória
de Deus. Deus conhece o homem e o instrui, mas seria um absurdo
pensar que o homem é capaz de conhecer e de instruir a Deus. Quem
tem autoridade para julgar a lei de Deus? Em sua epístola, Tiago escre-
ve que “aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da
lei e julga a lei” (4.11). Ele diz ainda que Deus é o único Legislador e
Juiz (4.12). Não obstante, a pessoa na qual habita o Espírito de Deus
possui conhecimento espiritual para o guiar e dirigir nesta vida terrena.
Paulo afirma que nós, como crentes, temos a mente de Cristo. Nos
versículos precedentes, ele dá ao pronome pessoal nós um sentido in-
clusivo. Portanto, também aqui o pronome se refere a Paulo e aos de-
mais apóstolos e aos crentes que deles ouviram o evangelho. O escritor
da Epístola aos Hebreus declara sucintamente: “Essa salvação, que foi
anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos
que a ouviram” (2.3). A expressão mente de Cristo, portanto, significa
o conhecimento que o crente tem de Cristo pela ação do Espírito e a
apropriação da mensagem do evangelho.50

50. Wendell Lee Willis, “The ‘Mind of Christ’in I Corinthians 2, 16”, Bib 70 (1989): 110-
122.

140 1 CORÍNTIOS 2.15, 16

Possa a mente de Cristo, meu Salvador,
Viver em mim, dia após dia,
Por seu amor e poder controlando
Tudo o que eu faço e digo.
– Kate B. Wilkinson

Considerações Práticas em 2.15,16
Paulo realmente quer dizer que o cristão que ora fervorosamente pelo
dom do Espírito está livre de cair em erro? Dificilmente, pois muitos cris-
tãos podem testificar que por causa de uma desatenção momentânea, pas-
saram anos em torturante aflição. Somente a vida de Jesus na terra pode
ter sido caracterizada como sendo isenta de erro. Com toda a humildade,
seus seguidores têm de confessar que suas vidas estão longe de serem
perfeitas.
O povo de Deus, redimido por meio da obra de Jesus Cristo, é chama-
do a amar a Deus de coração, alma e mente, e a amar o próximo como a si
mesmo (Mt 22.37-39). Deve fazê-lo para expressar sua gratidão a Deus
pela salvação dada por Cristo. Devem orar para que o Espírito Santo, que
vive dentro deles, os conduza para mais perto de Jesus Cristo. Ter comu-
nhão com Cristo significa ter a mente de Cristo, e eles querem servi-lo em
gratidão.

Palavras, Expressões e Construções em Grego em 2.14-16
yuciko,j – este adjetivo é derivado do substantivo yuch, (alma, vida) e
tem a conotação de uma vida natural que permanece em contraste com a
vida de um crente que está cheio do Espírito Santo.
tou/ qeou/ – os manuscritos que incluem essas duas palavras são refor-
çados pela antigüidade, pela distribuição geográfica e pela importância.
Portanto, a regra de que a leitura mais breve representa o texto original
não pode ser mantida nesse caso.51
mwri,a)))evsti,n – “é considerado como loucura” pela pessoa não-espiri-
tual.52 Ver também 1.18; 3.19.
51. Metzger, Textual Commentary, p. 547. Comparar com Fee, First Corinthians, pp. 97-
98, n. 5.
52. Friedrich Blass e Albert Debrunner, A Grek Grammar of the New Testament and
Other Early Christian Literature, trad. e rev. por Robert Funk (Chicago: University of
Chicago Press, 1961), nº 190.1.

1 CORÍNTIOS 2 141

avnakri,netai – o verbo no presente ativo e passivo ocorre três vezes
nesse e no próximo versículo. É um verbo composto que significa “olhan-
do através de uma série (avna,) de objetos ou particularidades para distin-
guir (kri,nw) ou inquirir”.53
ta. pa,nta — uma série de testemunhos substituiu me,n pelo artigo defi-
nido ta, para efetuar uma balanço com de, na oração seguinte. É difícil
determinar a leitura exata, mas a possibilidade de me,n ter sido substituída
por ta, é mais provável do que o inverso. Além disso, permanece a questão
quanto a se o artigo definido fortalece o adjetivo pa,nta ou serve para
indicar o plural neutro em lugar do acusativo masculino singular.54
kuri,ou – no Antigo Testamento, essa palavra é outro nome para Deus.
Mas, no Novo Testamento, ela se refere a Jesus Cristo. As palavras Se-
nhor e Cristo neste contexto são sinônimas.
o[j – o pronome relativo no masculino singular é empregado para in-
troduzir uma idéia consecutiva, “que” ou “de forma a”.55

Sumário do Capítulo 2
Paulo lembra aos coríntios que ele não havia chegado até eles como
um orador eloqüente ou como um filósofo. Em vez disso, ele procla-
mara o testemunho de Deus, isto é, o evangelho de Cristo que ele não
trouxe segundo o discernimento humano mas no poder do Espírito de
Deus. Paulo declara que sua pregação é uma mensagem de sabedoria
que se origina em Deus, mas que os governantes deste século haviam
sido incapazes de compreender. Ele fundamenta seu ensinamento ci-
tando de uma passagem da profecia de Isaías.
Em um segmento sobre o Espírito de Deus, Paulo revela que os
crentes receberam não o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de
Deus. Com a sabedoria que o Espírito concedeu aos crentes, as pessoas
espirituais são capazes de julgar todas as coisas espiritualmente.

53. Thayer, p. 39.
54. Metzger, Textual Commentary, pp. 547-548.
55. Robertson, Grammar, p. 724.

142

143

3

Divisões na Igreja, parte 3

(3.1-23)

144

ESBOÇO (continuação)

3.1-23 4. Cooperadores de Deus
3.1-4 a. Meros Homens
3.5-9 b. Servos de Deus
3.10-15 c. Construtores a Serviço de Deus
3.16,17 d. Templo de Deus
3.18-23 e. Advertência e Conclusão

145

CAPÍTULO 3

3 1. E eu, irmãos, não pude falar a vocês como a homens espirituais, mas [falei
a vocês] como homens que são sensuais, como crianças em Cristo. 2. Eu dei a
vocês leite para beber, não alimento sólido, porque vocês ainda não podem supor-
tar alimento sólido. Na verdade, vocês ainda não podem. 3. Porque vocês ainda
são naturais. Porquanto, desde que há entre vocês ciúmes e contendas, não é as-
sim que são de mente não-espiritual e que andam nos caminhos do homem? 4.
Pois quando alguém diz: “Eu sou de ”Paulo”, mas outro diz: “Eu sou de Apolo”,
não são vocês meros homens?
5. O que então é Apolo e o que é Paulo? Eles são servos por meio dos quais
vocês se tornaram crentes, conforme o Senhor deu uma tarefa a cada um. 6. Eu
plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus. 7. De modo que nem o que
planta nem o que rega é alguma coisa, mas somente Deus dá o crescimento. 8.
Ora, o que planta e o que rega são um, mas cada um receberá a sua recompensa,
segundo o seu próprio trabalho. 9. Porque de Deus somos cooperadores; vocês
são lavoura de Deus e edifício de Deus.
10. Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como
prudente mestre construtor, e outro edifica sobre ele. Porém cada um cuide como
edifica 11. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto,
o qual é Jesus Cristo. [sobre ele]. 12. Contudo, se alguém edifica sobre o funda-
mento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13. a obra de cada
um se tornará manifesta, pois o dia a demonstrará, porque estará sendo revelada
pelo fogo. E o fogo provará que tipo de obra cada um realizou. 14. Se a obra que
alguém edificou permanecer, ele receberá uma recompensa. 15. Se a obra de al-
guém se queimar, ele sofrerá perda; mas esse mesmo será salvo, todavia, como
que por meio do fogo.
16. Vocês não sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus
habita em vocês? 17. Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá;
porque o templo de Deus é santo e isso é o que vocês são.
18. Que ninguém se engane. Se alguém dentre vocês se tem por sábio neste
século, que se faça de tolo para se tornar sábio. 19. Porque a sabedoria deste
mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito:
“Ele apanha os sábios na própria astúcia deles”.

146 1 CORÍNTIOS 3.1

20. E outra vez:
“O Senhor conhece os pensamentos dos sábios,
que são pensamentos vãos”.
21. Portanto, que ninguém se glorie nos homens; porque tudo é de vocês: 22.
seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam
as coisas presentes, sejam as futuras: todas as coisas são de vocês. 23. E vocês são
de Cristo, e Cristo é de Deus.

4. Cooperadores de Deus
3. 1-23
Paulo fala aos coríntios com severidade, pois eles se mostraram
crianças em Cristo por causa de sua incapacidade de crescerem espiri-
tualmente (A linguagem usada pelo apóstolo lembra as palavras escri-
tas pelo autor da Epístola aos Hebreus [5.12-14]). Paulo considera
maduros os cristãos que, cheios do Espírito Santo, são capazes de exer-
cer a liderança na construção da casa de Deus.
a. Meros Homens
3.1-4
1. E eu, irmãos, não pude falar a vocês como a homens espiri-
tuais, mas [falei a vocês] como homens que são sensuais, como cri-
anças em Cristo.
a. Destinatários. Sempre que precisa repreender seus leitores, Pau-
lo dirige-se a eles de forma pessoal e como iguais. A palavra irmãos,
que inclui também as irmãs na congregação, transmite uma mensagem
de solidariedade. É uma abordagem pastoral que revela o cuidado amo-
roso de Paulo. Por contraste, os profetas do Antigo Testamento jamais
se dirigem ao leitores como irmãos, mas os admoestam severamente
com as palavras assim diz o Senhor. Muito embora a mensagem em si
seja áspera, Paulo expressa unidade com os destinatários de sua epís-
tola (ver, por ex., 1.10, 11, 26; 2.1).
b. Mensagem. “Eu... não pude falar a vocês como a homens espiri-
tuais, mas [falei a vocês] como homens que são sensuais.” Observe
que Paulo usa o pretérito para indicar sua primeira visita aos coríntios
(2.1). Naquela ocasião, muitos deles eram gentios que nunca tinham
ouvido a revelação de Deus nas Escrituras. Durante sua primeira visita
a Corinto, ele os abordou com o evangelho que eles aceitaram pela fé.

1 CORÍNTIOS 3.1 147

Mas agora Paulo se dirige a pessoas que são não-espirituais e sensuais
em sua conduta. Ele se refere a elas como “meras crianças em Cristo”.
Ele está descrevendo a condição espiritual em que elas se encontravam
quando ele lhes escrevia sua epístola. Critica os coríntios pelo fracasso
deles em apreender o sentido do evangelho de Cristo que ele lhes havia
anteriormente proclamado. Por conseguinte, ele está dizendo que eles
não foram capazes de fazer progresso em seu crescimento espiritual.1
c. Conseqüência. Paulo afirma que não pode chamá-los de homens
espirituais, mas os considera sensuais (lit., carnais).2 Mas se eles não
são espirituais (ver 2.14), eles são ou não cristãos? Sim, são cristãos,
porque Paulo dirige-se a toda a igreja em Corinto, a qual ele descreve
como santificada em Cristo Jesus (1.2). Além disso, o apóstolo declara
que ele e os coríntios receberam o Espírito (2.13). Por último, ele cha-
ma os destinatários de irmãos para fortalecer o laço de unidade com
eles (3.1). Gordon D. Fee observa: “Uma pessoa não pode ser cristã e
não ter [o] Espírito. Por outro lado, os coríntios estão envolvidos com
comportamentos não-cristãos; nesse sentido, eles são “não-espirituais”,
não porque não têm o Espírito, mas porque estão pensando e vivendo
exatamente como aqueles que não o têm”.3
Paulo escreve essas palavras como uma repreensão contundente.
Os coríntios em geral estão se conduzindo como pessoas carnais, do
mundo. Não só ele os chama de sensuais; chega até mesmo a usar o
humilhante termo crianças. Em certo sentido, Paulo é contraditório:
numa afirmação anterior ele tinha dito: “Entretanto, expomos sabedo-
ria entre os amadurecidos” (ver comentário sobre 2.6), mas agora ele
descreve os coríntios como crianças, embora crianças em Cristo. A
maturidade não é algo que se alcance no final de um período probató-
rio. Paulo ressalta que a maturidade é alcançada na hora da ressurrei-
ção dos mortos (consultar Fp 3.11-15). “Isso significa que, para ele,
em marcante contraste com concepções modernas evolucionistas in-

1. Comparar com James Francis, “‘As Babes in Christ’– Some Proposals Regarding 1
Corinthians 3,1-3”, JSNT 7 (1980): 41-57.
2. Comparar com Bauer, p. 743; Thayer, p. 569.
3. “Gordon D. Fee, The First Epistle to the Corinthians, série New International Com-
mentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1987), p. 123; D.A. Carson, The
Cross and Christian Ministry (Grand Rapids: Baker, 1993), pp. 70-71.

148 1 CORÍNTIOS 3.2

fluenciadas pelas ciências biológicas, maturidade é uma categoria esca-
tológica.”4 Cristãos maduros são aqueles que estão vivos em Jesus Cris-
to, estão cheios do Espírito Santo e buscam glorificar a Deus, o Pai.
Aqui, contudo, a palavra perfeito tem o sentido de que o crente
vive tanto interior como exteriormente a vida cristã desde o momento
em que ele se apropriou plenamente do evangelho.5 Paulo diferencia
pessoas maduras de crianças para incitar os coríntios à ação. Como
crianças, ainda consomem leite em vez de alimento sólido, e assim
permanecem principiantes na fé. Podem ser comparados com um bili-
onário que vive como se fosse paupérrimo.
2. Eu dei a vocês leite para beber, não alimento sólido, porque
vocês ainda não podem suportar alimento sólido. Na verdade, vo-
cês ainda não podem.
Apesar da referência de Paulo a crianças, ele continua a lidar gen-
tilmente com os leitores de sua epístola (comparar com 1Ts 2.7; 1Pe
2.2). Ele os chama de crianças em Cristo. Quando uma mãe verifica
que seu neném não está crescendo fisicamente, ela se preocupa e con-
sulta um médico. Da mesma forma, Paulo, que descreve a si mesmo
como o pai dos coríntios “pelo evangelho” (4.15), está vitalmente inte-
ressado no crescimento espiritual deles.
A metáfora é interessante. Paulo usa a mesma linguagem do autor de
Hebreus, que também descreve sua audiência como crianças que conso-
mem leite em vez de alimento sólido (Hb 5.12-14). O autor de Hebreus
explica que a metáfora leite significa as doutrinas rudimentares da fé
cristã. Mas Paulo apresenta a figura de linguagem sem a explicar. Ele
deixa à imaginação do leitor a tarefa de dar sentido à metáfora.
Em termos espirituais, alimento sólido consiste de doutrina cristã
avançada. Paulo diz a seus leitores que eles ainda não estavam prontos
para alimento sólido quando esteve com eles. Mas agora, decorrido
certo tempo, eles deveriam ser capazes de compreender os ensinos avan-
çados da fé cristã. Isso não significa que suas cartas aos coríntios não
contenham doutrina. Pelo contrário, a primeira epístola de Paulo aos

4. J. Stanley Glen, Pastoral Problems in First Corinthians (Londres: Epworth, 1965), p. 53.
5. Herman N. Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology, trad. de John Richard de Witt
(Grand Rapids: Eerdmans, 1975), p. 271.

mas quando ele tem a aparência ou textura do couro. “controlados por sua natureza humana corrompida” (TNT). p. a expressão de carne (sarkinos) indica a essência ou substância de carne.”6 3. 330. C. p. O primeiro termo descreve uma subs- tância imutável. Robertson Nicoll. Mor- na D. “numa condição natural” (NAB). “de mentalidade não-espiritual”(Cassirer). St Paul’s First Epistle to the Corinthians. desde que há entre vocês ciúmes e contendas. “inclinações naturais” (NJB). no inglês. p. . Outras traduções para essa palavra que aparece em itálico são: “mundanos” (NIV). e não quanto ao conteúdo. “da carne” (NRSV). Barrett. isto é. não é assim que são de mente não- espiritual e que andam nos caminhos do homem? a. Embora a diferença no gre- go seja de apenas uma letra. 7. No grego. reedição: Grand Rapids. “Hard Sayings: I Corinthians 3:2”. K. Findlay. “no plano meramente natural” (NEB). Paulo usa o adjetivo sarkinos (de carne) no versículo 1 e o adjetivo sarkikos (carnal) no versículo 3. 6. um comentarista compara com a distinção. 1968). 81. 3 de The Expositor’s Greek Testament. A explicação de Paulo nesse versículo indica que o ali- mento que ele dá aos coríntios “difere quanto à forma. A título de exemplo. G.3 149 coríntios é repleta de ensinamento referente à moralidade. é descrito como leathery. o segundo. 5 vols. há distinção de significado. Ver também SB. ao passo que o termo carnal (sarkikos) descreve sua aparência e características. Eerdmans. G. por W. 3.” Sem qualquer tentativa de abrandar seus sentimentos. (1910. entre leathern (feito de couro) e leathery (com qualidades próprias do cou- ro). 1 CORÍNTIOS 3. Porquanto. série Harper’s New Testament Commentary (Nova York e Evanston: Harper and Row. no vol. Theology (1966): 19-22. eclesiologia e escatologia. Assim. A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. “Porque vocês ainda são naturais. não-espirituais em sua conduta. Paulo diz aos coríntios que eles são natu- rais. 785. Porque vocês ainda são naturais. uma característica que pode ser alterada. 1961).7 O termo leathern se aplica a um artigo feito realmente de couro. Hooker. org. Vol.

150 1 CORÍNTIOS 3. Por exemplo. no final do século I.13.4. Haviam recebido o Espí- rito de Deus (2. 6. Quando Clemente de Roma escreveu sua epístola aos corínti- os. 4. ele con- 8. Pa- recem indicar que a presença do Espírito em sua vida não faz diferen- ça. como o Espírito não reside nele. Logo depois da saudação e das palavras de ação de graças no começo de sua epístola. 4. Contudo. porque os coríntios estavam cheios de ciúme e de contendas (1.9 Escolhendo palavras que descrevem a vida dos coríntios. de fato. Pois quando alguém diz: “Eu sou de ”Paulo”.3). o crente que está inclinado a seguir os caminhos do mundo não consegue crescer espiritualmente e.” Por essa razão. 9. dos quais ele espera uma resposta positiva. “Não é assim que são de mente não-espiritual e que andam nos caminhos do homem?” Aqui está uma pergunta retórica que Paulo pro- põe aos coríntios. Os coríntios discutiam entre si. usou com freqüência os termos ciúme. eram destituídos de amor uns pelos outros e se comportavam como pessoas não-espirituais. 9.20). c.12). Vol.5. deve ser admoestado a se arrepender. 5. Sua conduta diária não os distingue daqueles que não têm o Espíri- to. subseqüentemente. isto é. 2Co 12.4 Como a palavra natural aqui difere de não-espiritual em 2. 9. mas outro diz: “Eu sou de Apolo”. Cle- mente aponta os vícios que os contagiavam e oprimiam já por várias décadas (comparar com Tg 3.8 b.2.1. E seu andar segundo o homem não condiz com o que deve ser a vida de alguém que crê (ver Sl 1. TDNT. p. do mundo. 663. . Gl 5. como pessoas não-espirituais que observavam os caminhos da carne.11. não são vocês meros homens? Paulo volta ao ponto de partida ao repetir as palavras que tinha ouvido dos membros da casa de Cloe (1. inteiramente ciente de seus muitos problemas congregacionais.14).14? Paulo está dizendo que os coríntios se igualam às pessoas do mundo a tal ponto que não resta diferença perceptível entre eles quanto à conduta. e não a lei de Deus.20. “Porquanto.7. care- ce de discernimento espiritual. Eles eram. inveja e con- tenda. Paulo os repreende com severidade.2). Um descrente é não-espiritual e. mas agiam como se fossem pessoas do mundo. 1 Clemente 3. desde que há entre vocês ciúmes e contendas. Rm 13. Consultar Eduard Schweizer.

10 Recentemente.8). Lon- dres: Clarke. 1978). ele não diz que eles se encontram numa determinada classe da qual devem ser promovidos para se tornarem cristãos espirituais.31-46. Paulo refere-se aos leitores como 10. Considerações Doutrinárias em 3. A pergunta: “Não são vocês meros homens?” é paralela à oração do versículo anterior (v. amor e santidade.. Efésios 2. Holiness: Its Nature. 8. Hindrances.1-4 As Escrituras. Os outros dois. Reisinger. “Eu sou de Cefas”. e “Eu sou de Cristo”. 1956). Apocalipse 22.15-28. Oséias 2. Ryle. Sabemos que a Bí- blia é clara no que diz respeito à divisão da humanidade em apenas dois grupos. Por ex. 11. Nas suas epístolas aos Coríntios. . Porque esses no- mes não foram incluídos? Paulo e Apolo haviam sido ministros do evan- gelho na igreja de Corinto. cada cristão poderia clamar ser de Cristo (Rm 14.2. Paulo compara os cristãos em Corinto com seus correspondentes mundanos. p. Agora. p. Pedro também enfatiza a necessidade de crescimento espiritual no cristão (por ex. mas podemos provar que a Palavra de Deus fala de uma categoria de crentes “nascidos de novo” que são cristãos carnais? Geralmente. Salmo 73.11-13. E. What Should We Think of “the Carnal Christian”? (Edimburgo: Banner of Truth Trust. Apolo e Cefas.18). Gênesis 4. conhecimento. ensinam que há duas classes de pessoas: crentes e descrentes.1-4 é citado como prova.. fé. 3): “que andam nos caminhos do homem”. C. muitas pessoas têm introduzido uma categoria a mais e falam de três divisões: a pessoa não-regenerada.23. Paulo menciona três nomes: Paulo. 1Pe 2. Mais para o final do capítulo. J. Paulo encoraja os corín- tios a crescerem em graça. and Roots (reedição. ao contrário de Cefas.11 Na ver- dade. Em resumo. porém. de Gênesis 1 até Apocalipse 22. Ver também Ernest C. 1 CORÍNTIOS 3. Mateus 25. ele emprega apenas dois dos slogans que os coríntios profe- riam: “Eu sou de Paulo” e “Eu sou de Apolo”. o cristão espiritual e o cristão carnal.1-15. com certeza. Difficulties. Ambas as orações servem para equiparar os cristãos coríntios às pes- soas não-espirituais do mundo. 1 Coríntios 3.14-15. XV. Embora Paulo repreenda os coríntios por eles serem apenas crianças em Cristo e não terem a maturidade que já deveriam ter alcançado. 2Pe 3. não são repetidos.1-4 151 frontou os coríntios sem rodeios com o problema das divisões na igre- ja.

mas é impedido de assim fazer por causa do comportamento deles. Versículo 3 o[pou – essa partícula não diz respeito a lugar.13 avllV – no contexto. santidade e redenção (1. depois de sua repreensão. Paulo escolheu deliberadamente a forma sarki. diz a eles que estão em Cristo Jesus. o qual é para eles sabedoria. Exeter: Paternos- ter.noij – “de carne”.12 Os cristãos de Corinto são pessoas espirituais que estão lutando com um problema de comportamento. p. trad. Hoekema. 1989). Adjetivos como terminação ikoj (como no versículo 3. Palavras. [“carnal”]) geralmente significam semelhante a.11). Paulo chama os coríntios de nova criação em Cristo (2Co 5. p. a segunda à ética.3). Saved by Grace (Grand Rapids: Eerdmans. A primeira categoria diz respeito à substância material. 1987).1-3 Versículos 1. sarki.152 1 CORÍNTIOS 3. Academie Books. Expressões e Construções em Grego em 3. no versículo 3.2 hvdunh. mas a extensão ou causa e é traduzida como “na medida em que” ou “desde que”.1-3 cristãos espirituais. 25.qhn – o aoristo de du. Paulo os repreende por suas in- trigas e conduta. o advérbio é uma forte adversativa que significa “sim. 1961).2. . sarkikoi. justiça. sem dúvida”.2). ele os lembra das riquezas espirituais que possuem em Jesus Cristo (3. 21-23). e rev. 12. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature. nº 113.noij no versículo 1 e sarkikoi. 189. de Robert Funk (Chicago: University of Chi- cago Press.namai (sou capaz) com a partícula negativa ouvk comunica que Paulo deseja dirigir-se aos coríntios como pessoas es- pirituais. san- tificados e justificados no nome de Jesus Cristo (6. No entanto. 13. Adjetivos terminando em &inoj geralmente ex- pressam o sentido de feito de. Anthony A. isto é. e também que eles foram lavados. Ver também sua contribuição a Five Views on Sanctification (Grand Rapi- ds: Zondervan. Finalmente.17). que os colocam no mesmo nível das pessoas munda- nas. Ele os chama de santificados em Cristo Jesus (1. Friedrich Blass e Albert Debrunner.

TNT. GNB. Isso é o que tanto Paulo como Apolo estavam fazen- do na igreja de Corinto. Phillips). 1 Corinthians. “Eles são servos por meio de quem vocês se tornaram crentes. e não a pessoa – o que conta não é quem a pessoa é. Muitas traduções apresentam o pronome interrogativo em ambas as questões: “O que então é Apolo e o que é Paulo?” (NKV. 1 CORÍNTIOS 3. 3:5”. Pergunta. Paulo relaciona os nomes três vezes (vs. Servos de Deus 3. 5. 10 de The Expositor’s Bible Commentary. a. b. A conjunção então liga a pergunta ao versículo anterior (v. por Frank E.15 W. O que então é Apolo e o que é Paulo? Eles são servos por meio dos quais vocês se tornaram crentes. É Cristo que o envia para ministrar como servo do povo de Deus. onde Paulo censura seus leitores pelo partidarismo que prevalecia na igreja de Corinto. são servos de Cristo.5 153 b.5-9 Um pastor não é ministro de uma igreja particular. 205. “nós somos servos”. W. 16. “A razão disso é que nenhum obreiro cristão deve ser idolatrado. SEB. Harold Mare observa ainda que Paulo intencio- nalmente não usa a primeira pessoa do plural. Dittberner. 4). mas sim na obra que essas pessoas estão realizando para Cristo. Como servos de Cristo (4. NKJV). mas sempre numa ordem diferente a fim de chamar a atenção sobre a obra que Paulo e Apolo estão fazendo e não sobre a personalidade deles.”16 14. Agora ele mesmo dará uma resposta. Paulo seguidamente faz perguntas que reque- rem respostas positivas (ver o v. esperavam a bênção de Deus sobre o seu trabalho. p. O Texto Majoritário inverte a ordem dos dois nomes (NKV. no vol. Harold Mare.” Observe que Paulo chama a si mesmo e a Apolo de servos para remover qualquer idéia errônea de que eles fossem apóstolos ri- vais que estão agindo cada qual segundo seu próprio programa. mas ministro do evangelho de Cristo. “O que então é Apolo e o que é Paulo?”14 O que é importante para Paulo é o ofício. MLB. BibToday 71 (1974): 1549-52. 22). mas diz apenas que eles são servos. Eles não devem prestar atenção nas pessoas. Gaebelein. Resposta. mas o que ela é. Moffat. 12 vols. (Grand Rapids: Zondervan. “‘Who is Apollos and who is Paul?’ – 1 Cor. 4).1). Ver A. 5. 4. . conforme o Senhor deu uma tarefa a cada um. 1976). org. NKJV. NAB. 15. Em estilo retórico.

3. Não pode fazer o sol brilhar. Apolo regou.” O Se- nhor envia seus servos para realizarem diferentes tarefas: Paulo serviu como um professor excepcional. fertilizar. é inca- paz de fazer as plantas crescerem e depende inteiramente de Deus para o produto da colheita. ou a chuva cair. . Paulo prontamente admite as diferenças no ministério.23) comissionado pelo próprio Senhor. em que o agricultor semeia ou planta mudas. “Conforme o Senhor deu uma tarefa a cada um. A diferença é que o primeiro termo refere-se à completa submissão que alguém devota a Cristo. Quando ele prega fielmente a Palavra a fim de que pessoas creiam no evangelho. o objetivo do servo de Cristo é levar pessoas à fé em Cristo. c. Tarefa. Finalmente. Isso inclui lavrar. semear ou plantar.154 1 CORÍNTIOS 3.7. Essa é uma ilustração tomada diretamente de um cenário agrícola. 548. O segundo diz respeito ao serviço feito em favor de Cristo à sua igreja e aos membros desta. Em vista disso. ninguém deve enaltecer o pregador. mas opõe- se quando os coríntios mostram preferências que resultam em facções. Semeou onde ninguém tinha proclamado a Cristo.10). o vento soprar. NIDNTT. Paulo acrescenta a adversativa mas e diz que somente Deus dá o crescimento. capinar. que mera- mente realizou o seu trabalho (Lc 17. Conseqüentemente. Klaus Hess. o colaborador do agricultor rega o solo com a quantidade necessária de água. Mas aqui a atividade do ser humano precisa parar. p. O ser humano prontamente admite que é incapaz de controlar as condições climáticas. regar. Cl 1. Quando partiu para Éfeso. Paulo não emprega o termo escravos. Vol. Para que as sementes germinem ou as mudas peguem. 6. mas o crescimento veio de Deus. Eu plantei. cuidar e pul- verizar. Semelhantemente. 17. amor e comunhão.6 Além disso. mas servos. Apenas Cristo deve receber a glória e a honra (comparar com Jo 3. pois ele não pode fazer as plantas crescerem.30). Espera-se do agricultor que faça todo o trabalho de cultivo em preparação para o crescimento.17 Paulo é um servo do evangelho de Cristo (ver Ef 3. Ele quer que os membros da Igreja de Corinto afastem o ciúme e pro- movam o laço de unidade. e Apolo como um eloqüente prega- dor. Paulo pregou o evangelho em Corinto.

Paulo não menciona nenhum nome. não recebem crédi- to.14). Esses dois. mas Deus recebe a honra e a glória pelo trabalho realizado na Igreja. e não o pregador. A obra da pre- gação e do ensino do evangelho que se realiza em toda parte só é bem- sucedida se Deus concede sua bênção. mas Deus continuou fazendo a igreja crescer. a. mas somente Deus dá o crescimento. segundo o seu próprio trabalho. 6): não o homem. Ele não está interessado em nomes. Caso Deus quisesse estabele- cer uma igreja sem a ajuda de pregadores. No grego. Ora. 1 CORÍNTIOS 3. O versículo 7 conclui o versículo anterior (v. contudo. Mas ele emprega ministros para efetuar o crescimento da igreja (ver Rm 10. Quando Apolo esteve com os coríntios. teria sido em vão se Deus não tivesse continuamente feito a igreja crescer tanto espiritual como nu- mericamente. Um está plantando mudas e o outro segue regando as mudas recém-plantadas. De forma alguma! Contudo. 8. ele poderia fazê-lo. deixou em Corinto uma igreja ainda inexperien- te. Os verbos gregos no texto indicam que o trabalho de Paulo e de Apolo era temporário. Ambos têm um objeti- vo comum: ver as plantas crescerem e. é importante. ele regou. “O que planta e o que rega são um. Os coríntios precisam ver a mão de Deus no trabalho realizado pelos ministros da Palavra. Observe que. mas cada um recebe- rá a sua recompensa. tanto de Paulo como de Apolo. Paulo não está desmerecendo o trabalho para o qual os pregadores são chamados. Mas todo o trabalho. amadurecerem para a .” Pensemos em dois agricultores ocupados numa lavoura. mos- trando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo (At 18. Os ministros não são nada em comparação com Deus. mas o de Deus. 7. 8 155 um ano e meio depois. ele intencionalmente omite nomes de pessoas para mostrar aos leitores que Deus. permanente.7. Ajudou-os. nessa conclusão.28). De modo que nem o que planta nem o que rega é alguma coisa. Paulo e Apolo um dia partiram de Corinto. o que planta e o que rega são um. mas em resultados. Deus recebe todo o louvor. muito embora seu trabalho seja vital. Paulo se utiliza ainda da ilustração emprestada da agricultura referindo-se a “o que planta” e “o que rega”. depois. a colocação da palavra Theos (Deus) no final da frase é enfática. Unidade.

em unidade e cooperação. Individualidade. 9. que liga o versículo anterior (v. os dois servos demonstraram decidida devoção a ele. Por terem passado tudo para as mãos de seu senhor. a. Trabalharam para ele e não para si mesmos. na qualidade de servos de Cristo. “Porque de Deus somos cooperadores.156 1 CORÍNTIOS 3.9 colheita. portanto. Paulo ob- serva que a individualidade é um fator que Deus também leva em con- ta: “E cada um receberá a sua recompensa. mas para a glória de Deus. Na segunda metade desse versículo. Recompensas. serviram à igreja de Corinto para a glória de Deus.” Nos versículo subseqüentes. vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus. muito pelo contrário. e o que havia recebido dois talentos conse- guiu quatro para o seu senhor. são o resultado da fidelidade. O numeral um aparece no gênero neutro em grego. de forma que é possível dizer que ela se refere a cada obreiro no reino de Deus. Porque de Deus somos cooperadores. por seu suor e inteligência. para indicar que ambas as pessoas pertencem à mesma categoria de obreiros da lavoura de Deus. Não são a razão nem o objetivo dos esforços dos servos. Quando o se- nhor retornou. pensam em rivalidade e disputa mas. Tomando uma parábola como ilustração. segundo o seu próprio tra- balho. Nenhum dos dois trabalhadores. os que receberam cinco e dois talentos esforçaram-se e. b. Por essa razão. nem as pessoas que obser- vam o seu trabalho. mas. Paulo pode dizer que ambos eram um só.14-23). Paulo . Cada um recebeu louvor e recomenda- ção individual pelo trabalho que havia feito (Mt 25. aquele que havia recebido cinco talentos apresentou dez talentos ao seu senhor. dobraram as quantias que seu senhor havia confiado ao seu cuidado. A favor da primeira interpretação está a conjunção porque. Paulo não restringe a aplicação das palavras cada um. Essa parte do versículo diz que aquele ou aquela que trabalha não se afadiga para sua própria glória. 8) à primeira parte desse versículo. Paulo e Apolo jamais pensaram em rivalidade.” O termo cooperadores denota a relação entre Paulo e Apolo ou a relação entre esses dois obrei- ros e Deus? A primeira interpretação resultaria na tradução “coopera- dores para Deus” e a segunda em “cooperadores com Deus”.

JB. Fee. p. edifício de Deus. Philips. MacRae. JBL 80 (1961): 364-70. 21. KJV. e “são servos assalariados de Deus.2). p. a repetição por três vezes da palavra Deus no versículo 9 não tira a possibilidade de que o primeiro uso seja objetivo (“para Deus”). Victor Paulo Furnish. 788. Deus e homem ja- mais são iguais na proclamação do evangelho. pois Deus é o agente. 1975). A segunda interpretação é: “Nós também trabalhamos junto com Deus”.19 De outro prisma. RSV. Ele conclui que “o argumento do parágrafo inteiro enfatiza a unida- de deles em cooperação sob Deus”. p. 1 CORÍNTIOS 3. por George W. 20. pois o homem é apenas um instrumento na mão de Deus e não trabalha ao lado. Gordon D. que ocorre três vezes nesse versículo. sugere a idéia possessi- va. 74. . Hans Conzelmann. First Corinthians. ele coloca o pronome vocês no final da sentença para ênfase. b. n. Paulo escreve que “somos cooperadores para sua alegria” (2Co 1. a substantivos que transmitem a idéia objetiva. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. 7 e 8) a tornam plausível. trad. por James W. ver também 1Ts 3. “Vocês são lavoura de Deus. 134. a expressão “cooperadores” está ligada. em outras passa- gens. de nós para vocês. Bauer. No grego. mas para Deus.20 Essa tradução é aceitável apenas na medida em que se exclui a idéia de cooperação em equiparação com Deus.18 São trabalhadores a serviço de Deus.15). os versículos anteriores (vs. Muitos tradutores apresentam o caso genitivo na forma possessiva (somos cooperadores de Deus) e deixam sem resposta a questão da interpretação.24) e “Tito é meu companheiro e cooperador de vocês” (2Co 8. Essa possibilidade apóia-se em dois fatores: a mudança da primeira pessoa plural nós para a segun- da pessoa plural vocês a torna provável. Além disso. 53.21 Não obstante. Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia: Fortress. Comparar essas duas versões com variantes: “porque somos companheiros trabalhan- do juntos para Deus” (GNB.9 157 está dizendo que Apolo e ele próprio não estão trabalhando para si mesmos. mas para Deus (At 9. SEB. 86.23. em vez de [serem] seus colegas”. Moffat). Fee observa que a posição enfática da forma de Deus. Barrett. 19. Cassirer. Por exemplo. ele conti- 18. Leitch. First Corinthians. “Fellow Workers in God’s Service”. p. org.” Paulo passa dos ministros para as pessoas.

j (quem?) nas duas ocorrências em vez do neutro ti. Os editores de EDNT. Paulo passa para uma metáfora referente à arquitetura. Os coríntios devem com- preender que ministros trabalham na igreja não para si mesmos.9. Os construtores fazem seu trabalho para o Senhor (ver Ef 2.5-9 nua a usar a comparação com a lavoura. Blass e Debrunner. – a conjunção deve ser entendida como uma explicação. Greek Grammar. pertencem somente a Deus. 3ª ed. João Calvino. 1975).158 1 CORÍNTIOS 3. mas para o Senhor. por exemplo. Bruce M.5). Vol. nº 442.19-22. o contexto demanda o prono- me interrogativo neutro.5-9 Versículo 5 ti. passa por um processo. p. contudo. no versículo 5 (uma vez que a resposta é “Nada”. dão apoio à seqüência seguida aqui. quando é cultivada? A segunda interpre- tação parece encaixar-se melhor ao contexto do que a primeira. Apesar do testemunho manuscrito antigo em favor do masculino. corri- gida (Londres e Nova Iorque: United Bible Societies. Palavras.25 22. provavelmente para repetir a seqüência do versí- culo anterior (vers.”23 Do imaginário agrícola. 25. Expressões e Construções em Grego em 3. sugerem que Paulo estava pensando numa vinha. trad. como. kai. 246. (o quê?). “Disso segue que os coríntios estavam errados em sub- meterem-se a homens quando. a quem Paulo chama de lavoura de Deus. Ou seja.24 VApollw/j)))Pau/loj – O Textus Receptus (KJV. As melhores testemunhas. no senti- do de “que é para dizer”. Paulo e Apolo cultivaram os corínti- os. “Além disso. . A Textual Commentary on the Greek New Testament. 4). 24. também um edifício. no sentido de que dá fruto? Ou é para ser considerada passiva. 548. 1. 72. 1976). para ser erguido. a pergunta dificilmente pode ser “Quem”). “[Vocês são] edifício de Deus. 23. p. a suposição do neutro ti no versí- culo 7 é decisiva para ti.22 Essa lavoura deve ser consi- derada ativa. 1Pe 2. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. NKJV) inverteu a or- dem desses dois nomes. Grand Rapids: Eerdmans. pela pregação do evangelho.” Assim como uma lavoura vai sendo cultivada. Metzger. – O Texto Majoritário opta pelo masculino ti. série Calvin’s Commentary.)))ti. de John W. Fraser (reedição. p. por direito.

dion)))i. 10-14. 2ª ed. 26.27 gew. a. 27. Ele descreve a vida espiritual dos crentes como uma construção em andamento (Ef 4. John Parry. D.” Paulo. 1960). “Segundo a graça de Deus que me foi dada. Paulo recorre diversas vezes à comparação com o trabalho de edificação. 10.29. lancei o funda- mento como prudente mestre construtor. 21). Ef 2. e outro edifica sobre ele.26 Versículos 8. Porém cada um cuide como edifica [sobre ele].9 i. F. 144. Segundo a graça de Deus que me foi dada. 16) e observa que Cristo é o único fundamento deles (vs.22. R. mas a obra de Deus (que ocasiona o crescimento) continua ininterrupta.xanen — o tempo imperfeito do verbo auvxa. antes de desenvolver seu tema da edificação. An Idiom-Book of the New Testament Greek.10-15 Em suas epístolas. The First Epistle of Paulo the Apostle to the Corinthians. St. O trabalho humano (plantar e regar) é um acontecimento único. C. (Cambridge: Cambridge University Press. Ele apresenta os cristãos como edifício de Deus (vs. Esses dois verbos estão no aoristo. 1937).7 hu. reconhece a graça recebida de Deus. p. 1Ts 5. Cl 2. Cambrid- ge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University Press.7). – o caso genitivo nesta oração em particular é objetiva (“para Deus” ou “em favor de Deus”).rgion – este substantivo indica um campo que está sendo lavrado ou cultivado.nw (faço crescer) difere no tempo dos outros três verbos (plantar e regar) no versículo 6. 1 CORÍNTIOS 3. . conseqüente- mente” (ver o v. 64. Moule.10 159 Versículos 6. Construtores para Deus 3. Não reivindica pertencer ao grupo exclusivo dos doze apóstolos.20).don – o adjetivo descreve a particularidade ou individuali- dade da pessoa. qeou/)))evsmen sunergoi. p. w[ste – essa partícula conclusiva significa “e assim. 9.11) e revela que os cristãos estão sendo juntamente edificados em Cristo (Ef 2. c.

Paulo tinha elaborado um plano de construção para lançar os alicerces da estrutura. depois da ascensão de Jesus e do derra- mamento do Espírito Santo. o qual perten- ce ao empreiteiro que supervisionava o trabalho de muitos subcontra- tados. portanto. vol. Ele dá a si mesmo o título de mestre construtor. Rm 15. Além disso. 1981). mas da própria igreja espiritual. No en- tanto.2. Silas e Timóteo (ver At 18. constrói o edifício. (Grand Rapids: Kregel. E esse chamado Paulo con- siderava um ato divino de graça pelo qual ele sempre deu graças em suas epístolas (ver. Paulo tinha a tare- fa de supervisionar o trabalho realizado por seus cooperadores na edi- ficação de um templo espiritual em Corinto. De forma semelhante. Jay Shanor. NTS 34 (1988): 461-470. Ef 3. John Albert Bengel. 2. Lewis e Marvin R. mas o edifício foi construído por outros.8). Paulo.160 1 CORÍNTIOS 3.10 não tendo compartilhado do ensino diário que Jesus lhes deu. o 28. b. Paulo não está falando de cristãos individuais que compõem a igreja. . Paulo atribui sua posição de apóstolo à graça que Deus lhe concedeu. com seus subcontratados.5). e outro edifica sobre ele. capacitado. Com toda a humildade. “Lancei o fundamento como prudente mestre construtor. 15. Paulo foi chamado somente mais tarde. Apolo inclusive.10. de Charlton T. mas também o empreiteiro que.9. Bengel’s New Testament Commentary. trad. O construtor era responsável pela supervisão diária de cada um dos construtores individuais.” Paulo faz uso de termos familiares aos coríntios que tinham conhecimento de construção..28 Ele menciona que é um construtor pela graça de Deus. por ex.4. p. De fato. Antes da chegada de seus cooperadores. pouco antes de afirmar que ele é o mestre construtor da igreja de Corinto. A oração subordinada e outro edifica sobre ele não deve ser enten- dida negativamente. Sabia que fôra a última pessoa a quem Jesus apareceu. Vincent. não é somente o arquiteto. “como por um nascido fora de tempo” (15. 29. ele elimina qualquer idéia de arrogância de sua parte ao chamar a si próprio de sábio. 7. Em vista disso.29 Paulo se descreve como construtor prudente. fora chamado para ser um apóstolo. 2 vols.8).15. como se Apolo tivesse recebido louvor e aceita- ção indevida em Corinto. Absolutamente! Paulo lançou o fundamento. especialmente de construção de templos. Gl 2. “Paul as Master Builder: Construction Terms in First Corinthians”. 179.

20). Pau- lo diz que sua meta era “pregar o evangelho. 2.11 161 termo mestre construtor elimina qualquer crítica negativa quanto ao estabelecimento da igreja de Corinto.20. pela graça de Deus.10-15). Fundamento apropriado. A tarefa deles é edificar os membros individuais da igreja mediante o ensino e a pregação fiel do evangelho de Cristo. ele é o cons- trutor que emprega muitas pessoas a fim de erigir um edifício sobre o alicerce que ele mesmo lançou. Ele quer a melhor atuação de cada trabalhador. nesse caso. para não edificar sobre fundamento alheio”. Para dar ênfase. ele revela o trabalho permanente de edificação do corpo de Cristo. Paulo exorta os construtores a re- alizarem um trabalho de qualidade. Assim como ele próprio deu o exemplo. Jürgen Goetzmann. Paulo menciona sua conduta (de não edificar sobre fundamento alheio). Quando Paulo escreve o verbo edificar. “A co- munidade cristã é juntamente edificada pela cooperação de todos os participantes (1Co 3. 11. em unidade com apóstolos e profetas (Ef 2. Vol. 253. a palavra fundamento abre esse versículo no grego. além do que foi posto. Paulo reali- zou o trabalho de um pioneiro quando levou o evangelho a uma cidade pagã conhecida por sua imoralidade. para tornar-se a única santa comunidade do Senhor. Paulo e seus colaboradores servem a um mesmo propósito. Na última parte desse versículo. . Qual foi o fundamento que Paulo. 1 CORÍNTIOS 3. o qual é Jesus Cristo. p. lançou em Corinto? Foi o evangelho de Cristo. Cada casa e cada edifício requer um ali- cerce sólido. Com o auxílio divino. jamais poderão ser atri- buídas a um alicerce (uma infra-estrutura) deficiente. não onde Cristo já fora anunciado. Caso fendas e rachaduras significativas apareçam em pa- redes construídas sobre uma fundação sólida. na primeira carta aos Coríntios. a. “Porém cada um cuide como edifica. a saber.” Em Romanos 15. NIDNTT. à edifica- ção espiritual da igreja. Os coríntios ouviram as boas- 30.”30 c. pois Paulo está no comando. ser atribuída ao trabalho negligente dos que cuidaram da superestrutura. Porque ninguém pode lançar outro fundamento. Em sua epísto- la aos Romanos. mas. A responsabili- dade deve. assim ele espera que todos os que constroem sobre seu fundamento adotem sua ética de trabalho.

13 novas da salvação por Jesus Cristo: a encarnação do Filho de Deus. Os apóstolos recebe- ram este evangelho de Jesus. E o fogo provará que tipo de obra cada um realizou. feno. pois.12. pois o dia a demonstrará. em harmonia com evangelho. Paulo indubitavelmente estava se opondo a algumas pessoas que estavam ativamente tentando mudar o fundamento sobre o qual a con- gregação em Corinto estava edificada. se alguém é suficientemente abrangente para incluir cada pessoa que trabalha ativamente na obra do Senhor. Definitivamente. porque estará sendo revelada pelo fogo. Nenhum teólogo pode mudar o evangelho sem incorrer na ira de Deus (comparar com o v. a obra de cada um se tornará manifesta. madeira. a morte. 13.162 1 CORÍNTIOS 3. A expressão Con- tudo. é o verdadeiro fundamento sobre o qual a Igreja é constituída. Craig A. Paulo espera que os ministros do evangelho de Cristo construam a Igreja e que o façam. Contudo. . Evans. o sofrimento. “cada um cuide como edifica [sobre ele]” (v. 10b). prata.10-15”. b. Base falsa. a Igreja repousa sobre nenhuma outra base senão a revelação de Cristo.31 Nenhum trabalhador a serviço do Senhor pode ensinar e pregar impunemente um evangelho que é contrário ao evangelho de Cristo. a ressurreição e a ascensão de Jesus. pedras preciosas. e então o entregaram à posteridade como um depósito sagra- do. Com sua advertên- cia. se alguém edifica sobre o fundamento. Paulo adverte os coríntios de que “ninguém pode lançar outro fundamento. 17). reveladas nas Escrituras. e a realidade do perdão e da restauração para cada um que aceite Cristo com verda- deira fé. do edifício que está sendo erguido pelos obreiros na Igreja de Deus. Ninguém pode propor outro fundamento em lugar daquele que Deus mesmo estabeleceu. “How Are the Apostles Judged? A Note on 1 Corinthians 3. palha. proclamaram-no tanto a judeus como a gentios.” Paulo não está falando da infra-estrutura. 12. ele alerta os construtores de que seu trabalho será julgado. JETS 27 (1984): 149-150. pois fra- cassará completamente. se alguém edifica sobre o fundamento com ouro. A pessoa e a obra de Jesus Cristo. além do que foi posto”. mas da superestrutura. o ter- 31. “Contudo. Em outras palavras. a.

“You Are God’s ‘Sukkah’ (1 Cor. Essas pessoas estão vitalmente interessadas em doutrina pura e na “pura pre- gação da Palavra [de Deus]”. . aplicam-na à vida diária e progridem espiritualmente conforme buscam edificar a si mesmos e aos demais crentes. 10- 17)”. nem aplicada erroneamente. prata. realmente. 75 33. os quais apresenta em or- dem decrescente de importância. Se a fundação que Deus estabeleceu é sua revelação em Jesus Cris- to. “A obra de cada um se tornará manifesta. 1 CORÍNTIOS 3. pedras preciosas. pedras preciosas. prata e pedras preciosas não é. 1 Corinthians. o ouro é o mais precioso e a palha o menos precioso de todos. Entretanto. É óbvio que ninguém constrói toda uma casa de ouro. iii. palha. barro e palha. Dos seis. “Com ouro. Ford refere-se à Festa dos Tabernáculos.12. NTS 21 (1974): 139-142. Alguns vivem segun- do esta Palavra. Outros levam uma vida su- perficial com uma aparência de Cristianismo. Com a metáfora. feno. 13 163 mo alguém não se refere apenas a pregadores e mestres do evangelho.” A figura de linguagem que Paulo emprega também não deve ser interpre- tada literalmente. prata. Cada um desses materiais por si só não se presta para a construção de toda uma casa. Paulo usa a comparação para mostrar o que as pessoas fazem com a revelação de Deus em Jesus Cristo. J. Os materiais usados para construir o edifício precisam estar em conformidade com a preciosidade e dura- bilidade da fundação. barro ou palha. Os templos no mundo antigo eram construídos com mármore e adornados com ouro e prata. p. convincente. a explicação de que as pessoas decoravam essas habitações com ouro. então o edifício deve refletir essa revelação em cada fase de sua construção. nem compreendida alegoricamente.” Temos aqui a oração 32. Embora o aspecto temporário das moradias seja digno de nota. M.32 Constroem suas casa espirituais com os metais e pedras preciosas da Palavra viva.33 c. Calvino. madeira. Paulo menciona seis materiais. parecem estar satisfeitos em viver em casas comuns feitas de madeira. Todo crente deve construir um edifício sobre o fundamento da Palavra de Deus. As casas co- muns eram construídas com madeira e tijolos feitos da mistura de bar- ro e palha. quando as pessoas construíam moradi- as temporárias feitas de madeira ou palha. b. madeira. ele quer dizer que a superestrutura pre- cisa corresponder à infra-estrutura.

e não mais para a obra coletiva da Igreja. também cada um indivi- dualmente comparecerá perante o Senhor por ocasião do juízo (Ap 20. con- forme Paulo expressa. d. No caso de os tradutores es- colherem a primeira alternativa. Essa manifestação revelará tudo o que alguém tiver feito ou deixado de fa- zer para Cristo.5.7-10. 2 Timóteo 1. 1 Coríntios 1.34 O objeto direto do verbo de- monstrará é o substantivo obra na sentença anterior.12.11-27).8. mas. ocultar sua obra. “o Dia do Senhor” (Cassirer) ou “o Dia de Cristo” (GNB). ao escrever sobre a segunda vinda de Cristo. temos a seguinte leitura: “Pois naquele dia o fogo revelará a obra de cada um” (GNB). pois a locução verbal estará sendo revelada não tem um sujeito. Assim como na parábola dos talentos ou das minas. o texto lê: “Aquele dia se revelará com fogo” (NAB). mas os especialistas favore- cem a primeira escolha em vista da evidência em textos paralelos.8. o dia de sua manifestação virá em breve. no presente.11-15). afirma que “isso acontecerá quando o Senhor Jesus se revelar do céu em cha- 34. O sujeito pode ser tanto o dia do julgamento como a obra das pessoas (RA e RC fazem a forma verbal concordar com “obra”. Alguns tradutores vertem a palavra como “o dia do juízo” (NEB.12). O homem pode.14-30. 13 principal que conclui o argumento que Paulo iniciou na oração subor- dinada condicional no versículo 12. cada servo teve de comparecer perante o senhor (Mt 25. “Porque estará sendo revelada pelo fogo. Ele interrompe a metáfora da cons- trução para chamar a atenção para a obra de cada crente em particular. 1 Tessalonicenses 5. Ambas as traduções são interessantes.10.4. revelada). e.” A referência é ao dia do juízo. . Paulo.12. Ver Romanos 13. O dia do juízo final35 revelará as obras de cada um. Lc 19. 2 Tessalonicenses 1.” O fraseado dessa ora- ção específica acarreta problemas exegéticos.164 1 CORÍNTIOS 3. SEB). Por exemplo. Se escolhem o segundo termo. “Pois o dia a demonstrará. 4. 18. Com o tempo futuro. 2 Coríntios 5. Cada pessoa prestará contas do que tiver feito com a revelação de Deus em seu Filho. Paulo admoesta os coríntios acerca de um dia em que será manifesta a obra de cada um. 35. ao qual Paulo se refere repetidas vezes. 4.12. Os livros serão abertos e cada um será julgado de acordo com as obras que foram registradas (Ap 20.

NTS (1970-71): 114. Charles W. 16.19). p. o edi- fício também será inestimável.37 Recompensas são basea- das na obediência ativa a Cristo e percebidas em um espírito de gratidão. . Se a obra que alguém edificou permanecer. ele sofrerá perda. em vez disso. a. “1 Corinthians III. Se o fundamento é de valor incalculável. Revelar a obra de alguém não é exatamente a mesma coisa que destruí-la pelo fogo. se a segunda alternativa for adotada. Primeira condição. se o termo obra é o sujeito. como que por meio do fogo. 15). 14. Finalmente.14. Vol. Ouvindo atentamente a argumentação de Paulo sobre a cons- trução de um edifício. 37. 10-15 and the Testament of Abraham”. 1 CORÍNTIOS 3.1). De uma perspectiva espiri- tual. A primeira diz: “Se a obra que alguém edificou permanecer”. a oração seguinte fica praticamente idêntica. ele receberá uma recompensa. Paulo conclui essa parte do discurso com duas sentenças condicionais.36 Quais são os fatores determinantes desse processo de prova? Os fatores são fé em Jesus Cristo (ver o v. Ele admoesta os coríntios a serem cuidadosos quanto ao modo como edificam sobre esse funda- mento. determina “se receberão ou não recompensas dentro do contexto da salvação”. parece incongruente dizer “o fogo revelará a obra de cada um” e depois dizer que “a obra de cada um será queimada” (v. 5) e a presença do Espírito Santo no coração dos crentes (vs. 3. 809. Fishburne. 10. 6.” Paulo não equipara necessariamente obra e edifício. 15). mas esse mesmo será salvo. Essa parte da frase introduz o conceito de per- manência. 15 165 ma de fogo” (2Ts 1. ele argumenta.” f. 15.11). “E o fogo provará que tipo de obra cada um realizou. NIDNTT. todavia. ver também Ml 4. Se a obra de alguém se queimar. A melhor opção é considerar a expressão dia como sujeito e interpretar o verbo ser revelada(o) como reflexivo: “o dia se revelará com fogo. prata e pedras preciosas) são um complemento apropria- do à fundação preciosa em Jesus Cristo. percebemos que Paulo identifica o fundamento do edifício com Jesus Cristo (vs. O obreiro fiel na igreja estabe- 36. Além disso. o teste pelo fogo não determina o destino eterno dos coríntios (comparar com v. Hermann Haarbeck. Os materiais duráveis aplicados na cons- trução (ouro.7.

Vol. 3.14).166 1 CORÍNTIOS 3. “Se a obra de alguém se queimar.38 Recompensas são dadas apenas para o trabalho que não estamos obrigados a fazer. Work and Good Works”. Crowther. 10) O cristão não deve viver em busca de recompensa. p. Paul Christoph Böttger. Pelo contrário. ergueu os olhos e respondeu com orgulho em sua voz: “Estou construindo uma catedral. ele mesmo exclama com alegria que o trabalho que realiza é feito segundo a graça que Deus lhe deu (v. mas o texto se aplica a cada um que crê e. Um incêndio destrói todos os materiais combustíveis.5). verifica-se a perda de bens. Segunda condição.14. Perguntou a um o que estava fazendo e recebeu a áspera resposta: “Você não enxerga? Estou assentando tijolos!” O outro. A conclusão da primeira sentença condicional é que um obreiro aplicado “receberá uma recompensa”. Um transeunte viu dois pedreiros assentando tijolos. Rosscup conclui que Paulo combina os símbolos que tanto agradam a Cristo . Dessa forma o cristão fiel receberá sua recompensa. Paulo repete aqui o que havia escrito no versículo 8: “cada um receberá sua própria recompensa”. caso contrário seri- am obtidas como pagamentos por boas obras. James E. senhor!”. ExpT 81 (1970): 166-71. 722. 39. Quando o fogo termina. Paulo não está dizendo que os coríntios devem obter crédito por obra realizada para o Senhor. 4.” Esse é o outro lado da moeda do provérbio. quando perguntado sobre o que fazia. mas não aceita remuneração por seu trabalho. Como Paulo usa o termo recompensa nessa epístola? Paulo diz que ele prega o evangelho. dessa forma. Então o Senhor premiará a labuta do crente com as bênçãos necessárias e ainda louvará o obreiro fiel (4. Paulo não aceita depender de nin- guém. 15) àqueles pregadores do evangelho que são negligentes em seus afaze- res e que vêem sua obra desaparecer. 142. 15 lece objetivos de longo alcance. mas em busca de graça e miseri- córdia (comparar com Lucas 17. Herber Preisker. p. b. não obstante afirmar que “ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (9. C. TDNT. Vol. É fácil restringir o versículo (v. usa materiais dispendiosos e se orgu- lha da qualidade de seu trabalho.39 38. ele sofrerá perda. argumenta que uma recompensa deve ser recebida por alguma coisa que é feita voluntariamente. serve como uma advertência a jamais se tornar negli- gente mas trabalhar diligentemente pela causa do Senhor. A antiga anedota do pedreiro é perti- nente. tais como madeira ou palha. NIDNTT. “Works.10).

10-12 Quando uma pessoa que pratica medicina ou direito abre um consul- tório ou escritório em determinado lugar. Ninguém entra nos céus fiado em boas obras. na maioria das vezes permanece nesse lugar até a aposentadoria.” Ape- sar do dano que o crente negligente sofre. New Testament Commentary. Bengel.21-23). deve ser edifica- da sobre o nome e os talentos de um determinado pastor. p. como recompensam o cristão: doutrina. Durante seus primeiros anos de ministério. MSJ 1 (1990): 33-51. Poucos são os pastores que ocupam o mesmo púlpito por 25. motivos e carácter puros. O médico ou advogado atende à comuni- dade e geralmente não sente necessidade de mudar-se para outra região. Quando chega a se aposentar. Quando um mi- nistro permanece numa igreja por mais de duas décadas. Deus lhe concede graciosa- mente o dom da salvação. é salvo pela ondas”. John Albert Bengel descreve de forma cla- ríssima o conceito salvação por meio da comparação do pecador que é salvo pelo fogo como “um negociante náufrago [que]. todavia. Jd 23). quarenta anos. a igreja permane- ce forte e continua a crescer. em seu último ministério. o qual é acusado por Satanás. é “um tição tirado do fogo” (Zc 3. mesmo.10-12 167 “Mas esse mesmo será salvo. a igreja edifi- cada sobre Jesus Cristo permanece até o fim dos tempos.12 — ‘Gold. via de regra serviu em uma meia dúzia de cidades. 1 CORÍNTIOS 3. e. pois o Senhor diz que o sumo sacerdote Josué. Precious Stones’”. muda-se geralmente uma vez a cada quatro anos. um pastor se muda a cada quatro ou cinco anos. Silver. Vol. o que pode levar à divisão quando o pastor se aposenta ou falece. contudo. “A New Look at 1 Corinthians 3. 2. como que pelo fogo. 40. mas sobre o fundamento firme. as pessoas come- çam a identificar a congregação pelo seu nome. Algumas igrejas prosperaram durante pastorados longos enquanto outras desfrutaram de uma série de dons e talentos de pastores que servi- ram por períodos mais breves. Quando isso acontece.40 Isso não equivale a dizer que qualquer um que realize a obra que Cristo lhe confiou será salvo (Mt 7. Enquanto pastores vêm e vão. Considerações Práticas em 3. permanece uma década ou mais numa mesma congregação. atividade. .2. trinta ou. Jesus Cristo. Nenhuma igreja. A salvação é o ato gracioso de Deus mediante a obra expiatória de Cristo na cruz. mediante a per- da das mercadorias e do lucro. 181. Em média. Então o pastor tende a se tornar a única liderança forte em sua congregação.

j – a preposição com o genitivo transmite a idéia de “passar entre.setai – a forma no futuro da voz passiva do verbo zhmio. Aplicando-se a regra de que a leitura mais difícil é a mais original.5). – essa preposição pode significar “ao contrário de”.10-15 Palavras. Aqui. 9).ptetai – o tempo presente do verbo avpokalu. não uma probabilidade. mas os verbos permanecer e queimar são opostos.rgon – essas duas frases nos versículos 14 e 15 são idênticas. omitidas provavelmente porque já constam no versículo anterior (v.ptw (revelo) pode ser passivo (“é revelado”) ou médio (“revela-se”). p. Expressões e Construções em Grego em 3. através de”. As orações subordinadas condicionais expressam a realidade junto com suas conclu- sões denotando recompensa ou perda.stou – Paulo enfatiza a responsabilidade individual pelo uso da expressão cada um quatro vezes em seis versículos (vs.41 Versículos 12.11 tou/ qeou/ – alguns manuscritos não têm as palavras de Deus. O conceito perda é a melhor das duas interpretações.w (sofro perda.168 1 CORÍNTIOS 3. Versículos 14.2. 13 [duas vezes]). dia. “outra que” ou “além de” (comparar com Lucas 13.15 ei. T. 42. A. 10. e. Idiom-Book. para. . Sua ausên- cia pode ser explicada mais facilmente que sua presença. 51. 582.42 41. 4. zhmiwqh. p. 1934). puro. penalidade) refere-se a alguém que sofre perda ou é punido com uma multa. e`ka.13 eiv – a partícula introduz uma condicional cuja primeira parte está no versículo 12 e a parte final na primeira sentença do versículo 13. Rm 14. avpokalu. 8. Robertson. Paulo está observando condições na igreja de Corinto e está afirmando um fato. A Grammar of Greek New Testament in the Light of Historical Rese- arch (Nashville: Broadman. aceitamos as palavras como genuínas. Moule. tinoj to.10-15 Versículos 10. o médio é uma tradução apropriada com o substantivo dia como seu sujeito.

in New Dimensions in New Testament Study. Em suas epístolas.. A palavra grega para templo é naos.16. A pergunta feita por Paulo é uma censura aos coríntios. quando se tornaram cristãos. Eles sabem que são o templo de Deus. para indicar que Deus fez o nome divino habi- tar ali (1Rs 8. Paulo afirma de forma explí- cita: “Nós somos o santuário do Deus vivo” (2Co 6. Donald W. a pala- vra para o templo em si. 2 Coríntios 6. Burdick.1). Paulo chama a atenção para o templo de Deus (comparar com o v. “Vocês não sabem?”.19. “Que vocês são templo de Deus. 17 [duas vezes]. Deviam ter compreendido que. Aqui. org. “oi=da e ginw. 2 Tessalonicenses 2.16).21. Se alguém tenciona destruir esse templo. segunda.9). Ele os repreende por não conhecerem seu próprio status e lugar em relação a Deus. No entanto.4.43 b.16.16-20). Paulo quase sempre escreve naos. Ele se refere ao complexo do templo (hieron) apenas uma vez . o Espírito Santo veio habitar dentro deles e ficar com eles. que serve aos trabalhado- res que o constroem.. 44. Efésios 2. a expressão templo está no singular (ver 6.17 Paulo dá prosseguimento à figura dos edifícios. O verbo saber no grego significa o conhecimento inerente que os crentes devem ter. 1974).” O vocabulário dessa oração é ímpar por duas razões: primeira. Longenecker e Merrill C. e “Todo o edifício. Paulo não revela como vieram a ter esse conhecimento. Tenney (Grand Rapids: Zondervan. p. ele repreende os coríntios por causa de sua negligência e preguiça em usar o conhecimento que possuem (1.21). Noutro lugar em seus escritos.16 169 d.5. o substantivo no grego não é precedido por um artigo definido. cresce para templo dedicado ao Senhor” (Ef 2. 1 CORÍNTIOS 3. que indica o pró- prio templo e não o complexo do templo (conhecido em grego como hieron). por Richard N. 8.skw in the Pauline Epistles”. mas agora revela que não está falando de um edifício comum. 347. Ver 1 Coríntios 3. 16.44 43. depara-se com Deus como seu inimigo e encontrará completa destruição. que é santo. 6. Vocês não sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? a. Simplesmente pressupõe que eles devem ser capazes de trabalhar essa informação. Templo de Deus 3. 9).16 [duas vezes].

17. Por sua conduta. mas pelo Espírito de Deus. Em sua mente.19. como Paulo escreve em outra epístola.9). Ele também sabia que. . ele indi- em uma exposição a respeito do sustento material dos obreiros cristãos (1Co 9.170 1 CORÍNTIOS 3.30. O comportamento – brigas. Paulo afirma que o Espírito Santo vive no corpo físico dos cren- tes. não há outro templo além da Igreja de Jesus Cristo. quando a Igreja deixa de ouvir à palavra de Deus. imoralidade e permissividade – dos cristãos em Corinto era repreensível. A igreja é santa porque o espírito de Deus habita no coração e na vida dos crentes. “Se alguém destruir o templo de Deus.12).19). inveja. Os coríntios devem saber que receberam o dom do Espírito de Deus. esse templo não pertence a Satanás. Em 6. Contudo. onde apraz à Divindade habitar. Deus o des- truirá. porque o templo de Deus é santo. Se não há outro templo além desse. compare com 1Ts 5. isto é. c. o corpo de crentes. Ainda que o próprio Paulo tenha cumprido um voto (At 18.4). Paulo já tinha chamado a atenção para o fato de que não haviam rece- bido o espírito do mundo. o templo de Deus é a igreja. Condição. Se alguém destruir o templo de Deus.18) e apresentado ofertas no templo de Jerusalém (At 21. e isso é o que vocês são.13. estavam entristecendo o Espírito Santo (Ef 4. Paulo está dizendo que os fatores que podem destruir o templo de Deus já estão presentes no momento em que es- crevia sua epístola aos coríntios. o artigo definido torna-se desnecessário.” Na realidade. para ele o templo espiritual era a Igreja universal. mas o Espirito de Deus (2. os coríntios estavam profanando o templo de Deus e. mas a Deus. Mas agora ele diz aos coríntios que a presença do Espírito está dentro deles e que eles são o templo de Deus.17 Para Paulo e para os coríntios. “E que o Espírito de Deus habita em vocês?”. compa- rar com Dt 18. a. que neles habita (Rm 8. Sem identificá-los pelo nome.23- 26). Deus o destruirá.1). Ele ensina que os cristãos não são controlados pela natureza humana pecaminosa. Paulo omite propositadamente o artigo definido antes do substantivo naos para indicar o uso absoluto dessa palavra. o maligno assume gradativamente o controle e procura cumprir seu desejo de re- sidir nesse templo (2Ts 2.

incorrerá na ira de Deus. Razão. e é isso o que vocês são. Eles estão arrui- nando. Não se trata simplesmente de uma lei de retribuição – uma pessoa re- cebe o que merece – mas também de uma advertência implícita de que a Igreja é a menina dos olhos de Deus (comparar com Zc 2. “Porque o templo de Deus é santo. seja por doutrina ou por modo de vida. Paulo fala aos coríntios de modo pessoal e afirma que eles de fato são o santo templo de Deus. a Igreja é santa e.45 45. como tal. o verbo destruir aparece duas vezes: é a última pala- vra da primeira oração e a primeira palavra da segunda oração. atinge a Deus. Ela jamais será destruída. por enquanto. muito embora. desprezada. No grego.8).” Por que Deus protege a sua Igreja e destrói os seus inimigos? A Igreja pertence a Deus e está separada do mundo (2Co 6.17 171 ca aqueles que estão destituídos do Espírito de Deus. até mesmo. corrompendo e destruindo propositadamente a igreja. A Igreja é santa porque Deus é san- to.14-16). Apesar de seus pecados. e disso segue que não é possível estar sem súditos. Em resumo. Confissão Belga. b. encontra-se na presença de Deus sem ruga ou mácula (Ef 5. Uma confissão de fé do século 17 declara: Esta Igreja existe desde o começo do mundo e permanecerá até o fim. Deus o destruirá. possa parecer tão pequena e. E esta santa Igreja é preservada por Deus contra a fúria de todo o mundo. qual- quer um que procure destruir esse templo. artigo 27 (itálicos adicionados).27). Aquele que atinge a Igreja de Deus. Uma tradução para o português não consegue transmitir a ênfase da constru- ção original. 1 CORÍNTIOS 3. Em Jesus Cristo. mas Paulo enfatiza que a Igreja é templo de Deus.2). Influenci- am os membros pelo exemplo que dão com seu modo de vida mundano. Isso é visto pelo fato de que Cristo é o Rei eterno. . esses crentes foram santificados em Cristo e foram chamados para serem santos (1.

têm edifícios para o culto que são modestos e apa- rentemente vazios. Os templos dos gentios.16. 17 Considerações Práticas em 3. mas a Deus. . Robertson. habitava o Nome de Deus. Quando Paulo ensinava aos crentes de Corinto que eles eram o tem- plo de Deus. mais tarde.rei. As pessoas perguntavam a eles: “Onde está o Deus de vocês?”. As igrejas cujas raízes espirituais e históricas vêm do período da Re- forma do século XVI. é único em seu gênero46 e é usado no sentido absoluto da palavra. Expressões e Construções em Grego em 3. Eles ti- nham de dizer aos zombadores que o edifício não continha ídolo algum.172 1 CORÍNTIOS 3. um templo em Jerusalém. Eram inca- pazes de compreender como o Deus invisível dos cristãos podia habitar um corpo humano visível.j – “o templo.17 Quando os israelitas construíram um tabernáculo no deserto e. Parry. 794-95. Os gentios tinham dificuldade para imaginar um templo sem um edifício. Palavras. O povo adora a Deus pela recepção da proclamação da palavra e pela resposta a ela. No versículo 17. fqerei/— o futuro do indicativo do verbo fqei. está a Bíblia aberta. p. não podiam compreender que um grupo de cristãos poderia se autodenominar um tem- plo e afirmar que o Espírito de Deus habitava dentro deles.17 nao.rw (destruo) tem uma leitura variante no tempo presente fqei. Na verdade. First Epistle to the Corinthians. à plena vista de qualquer participante do culto. 46. No templo. Grammar. que fala com eles por meio das Escrituras. 68. p. eles foram alvo de chacota das nações. À exceção do púlpito.16. os descrentes de Corinto ficavam perplexos.16. mas ali o artigo tem a conotação de esse ou de o anteriormente mencionado. que provavelmente tornou-se presente do indicativo por ser repetição da mesma palavra imediatamente precedente. de bancos. Não adoram a palavra. ao contrá- rio. o edifício é vazio. um batistério e uma mesa da comunhão.” O substantivo aparece sem artigo definido. sobre o púlpito. continham ídolos que representavam os seus deuses. o substituto aparece duas vezes com o artigo.

Tiago 1. Ele lembrou os crentes das riquezas que possuem.18-23 Paulo chegou ao final de seu discurso sobre a tensão na igreja de Corinto. 12 e 17) quando se dirige aos leitores. mestres e discípulos.7. Em que consiste. Observe que ele uma vez mais recor- re ao uso da expressão Se alguém dentre vocês (ver os vs. Admoestação e Conclusão 3. Paulo pretende alertar os leitores quanto ao perigo de se afastarem da verdadeira doutrina da palavra de Deus.16. em vez disso. especial- mente aqueles em Cristo e no Espírito Santo. 15. 2 Tessalonicenses 2. Paulo retorna à sua discussão anterior sobre a sabedoria (1.20-25. ele torna esses comentários sobre a sabedoria fundamentais para tudo o mais.18 173 e. 18. Ao contrário.3. a. “Que ninguém se engane. membros e simpatizantes. o edifício e o templo de Deus. pois. líderes e leigos. b. pois tal coisa é loucura para Deus. pois todas as coisas são deles em Cristo.6. Embora ele pareça confundir os seus leitores ao voltar às primeiras observações. . Segundo. esse auto-engano? Paulo explica na sentença que segue.33. Que ninguém se engane. “Se alguém dentre vocês se tem por sábio neste século. Gálatas 6. palavras ações e se recusa a admitir que está errada.9.” Primei- ro. Tanto Paulo como Tiago repetem várias vezes a ad- moestação: “Não se enganem”. ver também 4. 47.47 O auto-engano acontece quando uma pessoa procura justificar seus pensamentos. Paulo adverte a todos em Corinto.10). que se faça de tolo para se tornar sábio.” Nossa expectativa seria a de que Pau- lo formulasse uma conclusão à discussão imediatamente precedente sobre a fundação. adverte seus leitores quanto ao engano próprio. pronuncia-lhes uma severa admoestação no sentido de que não se tornem sábios aos seus próprios olhos. devem tornar-se inteiramente cônscios de suas posses. Ver 1 Coríntios 6. Os coríntios estavam enganando-se a si mesmos porque estavam sedu- zidos pela sabedoria do mundo. O apóstolo. 2. Agora. em vez de se referir à ilustração emprestada da agricultu- ra e do ofício da construção. que Paulo indica já estar acontecendo na igreja de Corinto. 1 CORÍNTIOS 3. Se alguém dentre vocês se tem por sábio neste século.

governar a própria vida e ad- ministrar seus próprios negócios em vez de se submeterem ao senhorio de Cristo. sugere a implementação das regras do individualismo: “O que é meu é meu”. A sabedoria do mundo se manifesta em pessoas que querem ser independentes. Jesus ensina seus seguidores a dar liberalmente a qualquer um em necessidade (Lc 6. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus.5). contudo.27). as doutrinas de Jesus são tolice. humildemente pratica ações que emanam de um coração sábio e com- preensivo. O mundo. Nesse resumo. O mundo. contudo.44. Lc 6. p. Eis um ou dois exemplos de tolice cristã: os cristãos obedecem ao mandamento de Jesus para ama- rem os seus inimigos (Mt 5. Deus não tornou louca a sabedoria do 48. em seguida. O cristão que escuta de modo obediente à voz do Senhor. porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles.30. Tal pessoa possui sabedoria celestial que é “pura.48 c. pacífica. Devem rejeitar a sabedoria mundana e tornarem-se tolos aos olhos do mundo. imparcial. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios. “Que se faça tolo para se tornar sábio. então se tornarão sábios aos olhos de Deus. mas Paulo diz para seus leitores que se eles se tornarem tolos ao olhos do mundo. I Corinthians.174 1 CORÍNTIOS 3. O propósito de Paulo é levar os coríntios a seguirem os preceitos do evangelho de Cristo. indulgente. Calvino. que são pensamentos vãos.. 38). tratável. prescreve o slogan “Pague na mesma moeda”. plena de misericórdia e de bons frutos. aceitar o rótulo tolo. Eles precisam ser guiados pelo Senhor e se tornarem completamente dependentes dele para a sabedoria celestial (Tg 1. sem fingimento” (Tg 3.19.” Essa afirmação informa aos cristãos coríntios que eles precisam fazer uma volta de 180 graus. Os coríntios precisam ver o contraste entre o Cristianismo e o mundo e.. Para o mundo. Paulo repete os pensamentos que já havia expressa- do na pergunta: “Porventura. 80. . 20 Terceiro.17). 20. 19. Paulo especifica que a sabedoria que seduz os crentes tem sua origem neste século.

Grand Rapids: Eerdmans. “A capacidade do ser humano de racionalizar não consegue se manter di- ante da soberania divina. WTJ 32 (1969): 1-23. 1965). Carson. Ver Otto Bauernfeind.52 Ele 49. 18). A.11. 20). A primeira citação (v. o texto se aplica diretamente às pessoas sábias dos dias de Paulo que astutamente maquinam favorecer a causa de sua própria sabedoria mundana. ao Livro dos Salmos para mostrar que Deus despreza a sabe- doria que se origina no coração do homem. 20 175 mundo?” (1. e essas duas expressões também apa- recem no discurso de Paulo sobre a sabedoria e a loucura (1. 5. 52. Elifaz compara Deus a um caçador que apanha Jó em sua astúcia. D.50 É parte de um longo discurso que Elifaz. Vol. An Exposition of the First Epistle to the Corinthians (1857. 51. se empregados para alcançar-se um fim ao qual não estão ajustados”. Ele já havia citado Isaías 29. LXX). Essa é uma sabedoria sem Deus. extraída do Salmo 94. . 19) é tradução literal que Paulo faz do texto hebraico de Jó 5. p. o tema- nita. 60. dirige a Jó. Mas Deus apa- nha o sábio em sua própria astúcia e torna louca a sua sabedoria.11. ele sabe que eles são fúteis”. que tem o plural homens. 1 CORÍNTIOS 3.49 Além do mais. Tendo em vista que o contraste entre o mundo e a comunidade cristã é o cora- ção desta questão.13. Essa é a única citação direta do Livro de Jó em todo o Novo Testamento. Substituindo as palavras dos homens por dos sábios. 413. A expressão deste mundo forma um paralelismo com a expressão neste século (v. 50. p. p. NIDNTT.19. Harman.20). 1.19). Em certo sentido. TDNT.”51 A segunda citação (v. agora recorre ao Livro de Jó e. Consultar Allan M. Nas palavras de Charles Hod- ge. 726. Ele examina a sabedoria do mundo da perspectiva de Deus e a declara loucura ou estultícia. Paulo considera necessário reiterar seu ensino sobre a sabedoria do mundo. mas Paulo a escolheu por causa da palavra-chave sabedoria. Não obstante. é propositada- mente adaptada para o contexto presente. A leitura da Septuaginta não coincide com a tradução grega apresentada por Paulo. essa citação é tomada fora de seu con- texto. “A própria verdade ou o conhecimento verdadeiro tornam-se loucu- ra.14 (1. Charles Hodge. Uma tradução do hebraico lê: “O SENHOR conhece os pensamentos do homem.20). em seguida. Paulo fundamenta o seu ensino nas Escrituras. “Aspects of Paul’s Use of the Psalms”. Paulo se baseia no texto da Septuaginta (Sl 93. Paulo altera o texto ao mesmo tempo em que o interpreta. Vol. reedição.

No entanto. sejam as coisas presentes. Na primeira citação. Precisa reconhecer que Deus. todo louvor e toda honra são devidos ao seu nome. alguns poucos tradutores traduzem a oração assim: “Basta de gloriar-se nos homens!” (NIV.176 1 CORÍNTIOS 3. Essas pessoas lembram aqueles que se opõem a Deus com a sabedoria do mundo. o contexto do Salmo 94 fala do raciocí- nio louco de homens arrogantes que oprimem e matam o inocente (Sl 94. Na segunda. que ninguém se glorie nos homens. em completa dependência dele.1). 22 muda o vocabulário. Deus já declara suas deliberações como sendo vãs. muito embora Paulo a tenha inserido em substituição da palavra “homens”. como obje- tos. Portanto. 18-20): ele exorta os corín- tios a não se gloriarem em outros seres humanos.7). sejam eles Paulo. pois nada permanece oculto dele. governa o mundo e tudo o que nele há. seja Paulo. Seus pensamentos são inteiramente conhecidos perante o Senhor. não podem escapar. O salmista declarou que a terra pertence a Deus e tudo o que ela contém pertence a ele (Sl 24. NEB. O Senhor declara que os pensamentos humanos são vazios. O objetivo da diretriz de Paulo é que não devem se vangloriar em homens. Deus concede seu dom gracioso ao seu povo. não o ser humano. seja a morte.31. . “Portanto. Portanto. Agora ele apresenta o lado negativo da mesma exortação ao dizer aos leitores que não se gloriem nas realiza- ções de seres humanos. seja Apolo. Apolo ou Cefas. sejam as futuras: todas as coisas são de vocês. Como ele usa a forma imperativa do verbo. glorie-se no Senhor” (Jr 9. seja o mundo. seja Cefas. Paulo citou as Escrituras para reforçar seu argumento e disse: “Aquele que se gloria. as opiniões dos sábios são fúteis e sem proveito (comparar com Rm 1.” Paulo faz um resu- mo com base nas passagens precedentes (vs.24). o qual. As duas citações do Antigo Testamento têm o Senhor Deus como sujeito e os sábios. Uma vez mais a palavra-chave é “sábio”. os quais são loucos aos olhos de Deus.21. os sábios são como um pássaro capturado numa rede. 21. seja a vida.21). porque tudo é de vocês: 22. TNT). mas não o sentido. não pode gloriar-se em si mes- mo. Em 1. isto é. a. com variações. que ninguém se glorie nos homens. Qualquer um que procura se opor a Deus com sabe- doria humana inevitavelmente é derrotado. mesmo antes de conse- guirem formular seus pensamentos.

sejam as coisas presentes. Embora o dito tudo é de vocês seja um provérbio estóico – “O homem sábio. 1 CORÍNTIOS 3.. são os tiranos por excelência da existência humana. Paulo pode dizer aos coríntios: “Nós somos de vocês”. Interpret 44 (1990): 145-57. Paulo muda o foco de suas observações finais. seja a morte. Paulo o remove de seu contexto filosófico e o relaciona a Jesus Cristo.12). por meio de Cristo. seja o mundo.54 Mas Paulo diz que todas as coisas pertencem aos crentes. Nessa oficina. 80. 154. Gordon D. seja Cefas. Abruptamente. o redimiu. 1 Corinthians. de fato. Fee comenta: “Esses cinco itens. Realmente. 54.. Ele passa de uma exortação negativa para uma declaração positiva de que tudo pertence aos coríntios.. seja a vida. o mundo perten- ce a ele. esse mundo redimido por Cristo é a oficina. deve glorificá-lo por tudo o que ele fez e continuamente sustenta pelo seu poder. é se- nhor sobre tudo o que vem a ele de fora”53 –. que fez o mundo.” Paulo come- ça. First Corinthians. Fee. Em que sentido um cristão possui as categorias que Paulo enume- rou? A palavra mundo deve ser compreendida em relação a Jesus Cris- to. c. p. Paulo inclui o ministério dos que pregam e ensinam o evangelho.. Em certo sentido. mas proprietários (por acaso. O povo de Deus preci- sa ver a obra de Cristo em cada aspecto da criação. dessa forma. Assim. aos quais as pessoas es- tão cativas como escravas por toda a vida”. ele glorifi- ca o seu Senhor. Conzelmann. Paulo fala do mundo. porque eles não são escravos.38. 53.21. Ao usar o termo tudo. tanto o espiritual como o material. “Seja Paulo. Apolo e Cefas do início de sua expo- sição (1. a enumerar as categorias que integram o pronome tudo. Consultar Victor Paul Furnish. ele exorta os coríntios a verem que o Senhor tudo lhes concede. do presen- te e do futuro. da vida. O povo de Deus. portan- to. a vida. da morte. possui todas as coisas. o local de trabalho do cristão. o presente e o futuro).” De repente. seja Apolo. . 22 177 b. “Belonging to Christ: A Paradigm for Ethics in First Corinthians”. p. Paulo também menciona a morte. Ele repete os nomes Paulo. sejam as futuras. “Porque tudo é de vocês. em Romanos 8. pois ele sabe que. isto é. o sustenta e nomeia o seu povo para ser o seu despenseiro nele. Esses homens são servos de Cristo enviados para atender às necessidades espirituais do povo de Deus.

” Pela segunda vez. . eles todos perten- cem a Cristo. Colossenses 2. Em vista disso. dizendo: 23. Vol. que os livra da morte (Rm 8. do século XVI.20. 55. Nada acontece por acaso. a quem pertencem e ser- vem. e Cristo é de Deus. em Cristo Jesus” (Rm 6. Uma passagem típi- ca de uma das epístolas de Paulo é ilustrativa: “Pois. Paulo afirma que os cristãos possuem todas as coisas.39). Que ninguém diga individu- almente “eu sou de Cristo” (1. A primeira parte desse versículo traz a informação de que os corín- tios pertencem a Jesus Cristo. “Que eu não pertenço a mim mesmo. Ele é tanto o doador da vida como o vencedor sobre a morte. todas as coisas (por exemplo. pelo contrário.20. Ver também Gálatas 2.19. como corpo. esta afirmação.178 1 CORÍNTIOS 3. pois.23 As duas palavras seguintes. 11). os cristãos possuem o presente. na vida e na morte – ao meu fiel Salva- dor. no qual Deus governa. consultar Walter Schmithals. que está em Cristo Jesus” (Rm 8. Contudo. que em grego consiste de duas palavras. mas. pergunta e resposta 1. pp. e não para partidos dentro da igreja.10. Eles têm sua vida e bens unicamente por meio dele. também se referem a Jesus Cristo.55 E. é diretamente vinculada a Cristo. quanto a viver. propôs uma questão pertinente: “Qual é teu único conforto na vida e na morte?”. NIDNTT. Paulo escreve eloqüentemente sobre a derrota da morte.11). pois nada pode separá-los “do amor de Deus. “Todas as coisas são de vocês. c. saúde e enfermidade. Paulo efetivamente põe um ponto fi- nal ao partidarismo na igreja. alegria e pesar) vêm de sua mão. 56. E vocês são de Cristo. Quanto ao futuro. O téologo Zacharias Ursinus.10) e pelo Espírito Santo. Catecismo de Heidelberg. vivem para Cristo. Jesus Cristo”. Ele deu sua vida por eles.12). Assim também vocês se considerem mortos para o pecado.56 Os cristãos podem dizer com Paulo: “Se vivemos. e ele mes- mo deu a reposta à sua pergunta. de uma vez para sempre morreu para o pecado. A vida de Cristo é dada aos crentes pelo evangelho (2Tm 1. 6. “vida” e “morte”. Paulo prossegue. mas pertenço – corpo e alma. os cristãos colocam sua fé e confiança em Jesus Cristo. 1. e os convidou a terem comunhão com ele. Com esse resumo. 439-41. quanto a ter mor- rido. vive para Deus.2. por último. mas. mas vivos para Deus.

a preposição significa. Por meio de Cristo. que nesse caso significa “penso”. como Paulo explica em outra parte desta epístola: “O próprio Filho também se su- jeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou. Idiom-Book.8. p. pareço). – com o dativo. ver Gl 3.19 evxapata. para o Senhor morremos. dokei/ – a forma impessoal do verbo doke. Sua inveja. que ocorre inúmeras vezes no Novo Testamento. A segunda parte do versículo é uma afirmação teológica: “E Cristo é de Deus”.tw – imperativo presente ativo.28).w (eu engano).sqw (que ninguém se glorie). terceira pessoa do singular. Sumário do Capítulo 3 Paulo registra uma razão adicional para pregar o evangelho aos coríntios: ele os considera pessoas mundanas que não passam de bebês em Cristo. Cristo foi enviado por Deus para realizar sua obra media- dora neste mundo. Quer. metaforicamente.18. para. para que Deus seja tudo em todos” (15. a preposição significa “com referência a”. 16. 1 Coríntios 3. pois. Esse verbo aparece somente nas epístolas de Paulo.3. do verbo evxapata.w. “aos olhos de Deus”. Cristo está sujeito a Deus o Pai. somos do Senhor” (Rm 14. . Expressões e Construções em Grego em 3. evn – seguido pelo dativo plural avnqrw.57 O verbo mais freqüente é plana. 52. Deus é a fonte elementar de vida para todo o seu povo. se morremos.poij.29).58 Versículo 21 w[ste – a partícula introduz o imperativo médio presente kauca. Palavras. Serve como uma partícula conclusiva e significa “assim. vivamos ou morramos. então” ou “por isso”.w (penso. Romanos 7.18-21 179 para o Senhor vivemos. brigas e divisões revelam seu mundanismo e 57. 2 Coríntios 11. 1 CORÍNTIOS 3.18.11.3.18-21 Versículos 18. 2 Tessalonicenses 2. 58 Moule.

outros estão edifi- cando a Igreja. e esse alicerce é Jesus Cristo. Ele incita seus leitores a não se glo- riarem em homens. Alternando metáforas. um argumento que Paulo prova pela citação de passagens do Antigo Testamento. mas compreenderem que em Cristo possuem todas as coisas. Paulo escreve que os construtores erguem edifícios nos quais empregam ouro. A sabedoria do mundo é loucura aos olhos de Deus. e Deus o destruirá. pedras preciosas. mas Deus deu o crescimento. madeira. . Cada um realiza uma tarefa e re- cebe uma recompensa. Sobre ele. Eles pertencem a Cristo. Ele lhes diz que Apolo e Paulo são servos envia- dos pelo Senhor para os levar à fé. no qual seu Espírito habita.180 1 CORÍNTIOS 3 falta de maturidade. Paulo plantou a semente. Apolo regou. Cada um ou receberá uma recompensa ou sofrerá uma perda. Paulo se compara a um construtor que estabeleceu um alicerce. barro ou palha. Os coríntios devem saber que são o templo de Deus. prata. Paulo conclui seu discurso com uma admoestação a não se deixa- rem enganar pelos padrões do mundo. Os trabalhos de cada pessoa serão provados pelo fogo para que se verifique a qualidade da obra feita. e Cristo é de Deus. Proponha-se alguém a destruir esse templo. mas Deus controla obreiros e campos.

181 4 Divisões na Igreja. parte 4 (4.1-21) .

Fidelidade 4.14-17 d. Visita em Breve .6-8 b.1-21 5. Servos de Cristo 4. Descrição 4.9-13 c.182 ESBOÇO (continuação) 4.1-5 a. Admoestação 4. Orgulho 4.18-21 e.

Por essa ra- . por que se vangloria. eu os admoesto a que sejam meus imitadores. como se não o não tivesse recebido? 8. 9. não teriam muitos pais. então. E. Porém. a escória de todos até agora. Mesmo que vocês tivessem incontáveis assisten- tes em Cristo. Pois quem o torna diferente de qualquer outro? E o que você tem que não tenha recebido? E se de fato o recebeu. então. 2. 16. Vocês já têm tudo de que precisam. nem por isso me dou por justificado. 5. Essas coisas. mas nós somos desprezíveis. sofremos fome. E eu desejo que vocês realmente se tenham tornado reis. somos esbofeteados e não temos morada certa. pois. 14. Não tenho consciência de que haja alguma coisa contra mim. Assim. vocês já estão ricos. é de pouca importância que eu seja julgado por vocês ou por um tribunal humano. Portanto. pelo evangelho. cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. 13. mas vocês são fortes. de modo que possamos reinar com vocês. Nós somos tolos por causa de Cristo. quando perseguidos. eu as apliquei a mim mesmo e a Apolo. pois eu. Pois eu acho que Deus nos fez apóstolos. contudo. Nós nos tornamos o lixo do mundo.4. em atenção a vocês. que os homens nos considerem como servos de Cristo e des- penseiros dos mistérios de Deus. 11. porque nos torna- mos um espetáculo para o mundo. Trabalhamos com as nossas próprias mãos. o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas. 10. como também manifestará os desígnios dos corações. o que se requer dos despen- seiros é que cada um deles seja encontrado fiel. sede e nudez. mas para admoestá-los como a amados filhos meus. quando caluniados. para os anjos e para os homens. quando somos injuriados. em último lugar. 183 CAPÍTULO 4 4 1. Portanto. para que ninguém se torne arrogante e favoreça um em detrimento de outro. respondemos com palavras brandas. para que por nosso exemplo aprendam que não devem ir além do que está escrito. 3. Mas para mim. o único que me julga é o Senhor. 7. Assim. vocês se tornaram reis. Nós somos fracos. mas vocês estão confiando em seu próprio discernimen- to em Cristo. bendizemos. entretanto. eu não julgo nem a mim mesmo. 15. sem nós. Até à presente hora. vocês são nobres. Não escrevo estas coisas para os envergonhar. 17. tornei-me pai de vocês em Cristo Jesus. nada julguem antes do final do tempo. 12. como homens condenados à morte. suportamos. irmãos. até que venha o Senhor. 6.

mas pelo próprio Cristo. os servos de Cristo são cooperadores entre si e não estão competindo uns com os outros. em quem tudo lhes pertence. como se eu não estivesse indo até vocês. exatamente como eu ensino em todos os lugares em cada igreja. o qual os lembrará dos meus caminhos em Cristo Jesus. a. pois. ele é responsável perante aquele que o mandou. Se todas as coisas são deles em Cristo (ver 3. no qual Paulo disse aos coríntios para não se gloriarem em ho- mens. A palavra originalmente descrevia os escravos que remavam no convés de uma . Além disso. que é meu filho amado e fiel no Senhor. Com o uso do plural. Ele os instruiu a olharem para Cristo. Fidelidade 4.” Observe que Paulo usa o plural nesse versículo para se referir aos após- tolos e seus auxiliares. Pelo uso das palavras assim. 20. b. Porque o reino de Deus consiste não em palavra. Paulo será julgado pela obra que tiver feito. e então vou conhecer não a palavra daqueles que são arrogantes. a. fossem estes Paulo.1-5 1. Cristo ordenou que ele fosse fiel no serviço de Deus e no ministério a seu povo. mas de {yphretai (servos sob seu senhor). 21. Paulo conecta o ensino do capítulo 3 com o que escreverá a seguir. Apolo ou Cefas. pois. que os homens nos considerem como servos de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. mas em poder. mas o poder que eles têm. Essa palavra para “servo” é derivada não de diakonos. “Assim. mas no versículo 3 ele muda para o singular. mas em breve irei visitá-los. Assim. como um servo de Cristo. ele chama a atenção dos seus leitores para a instrução que veio antes.184 1 CORÍNTIOS 4. Alguns se tornaram arrogantes. Paulo diz que. não pelos homens. se o Senhor quiser. pois.22).1 zão. Servos de Cristo 4. 1-21 Nesse segmento de sua epístola. O que vocês querem? Devo ir a vocês com uma vara ou com amor e espírito de mansidão? 5. 18. Final- mente. “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo. 19. estou mandando a vocês Timóteo.” Essas duas palavras referem-se ao capítulo ante- rior.21. então que cada membro da igreja de Corinto considere os apóstolos como servos de Cristo.

No século I.11 e as passagens paralelas de Mc 4.4 Mas qual é o sentido que Paulo quer dar a essa expressão? 1. é o senhor deles. 255. e não a Igreja. Law in the New Testament (Londres: Darton.2. pp. 2. 4.1. p.16). Jürgen Goetzmann.” Uma outra descrição de Paulo e de seus cooperadores é transmitida pela palavra despenseiro. .1 Paulo informa aos coríntios que a igreja deve compreender a rela- ção entre os apóstolos e a Igreja e entre os apóstolos e Cristo.7. mas Jesus. Colossenses 2.2 Para dizer de manei- ra mais enfática. os membros da igreja devem respeitar esses apóstolos que voluntária e fielmente servem a eles em lugar de Cristo e sob sua autoridade. 1 CORÍNTIOS 4. Ver Bauer. Por exemplo. 3. “1 Corinthians 4:1-5”.14. comparar com At 26. “Oikonomia – Terms in Paul in Comparison with Lucan Heilsgeschichte”.2. precisa prestar contas de sua administração (ver Mt 25. O termo mistério ocorre com freqüência no Novo Testamento. 4.7. Thayer. 1). o termo assumiu um sentido mas amplo e significava um trabalhador doméstico.3 Nesse versículo (v. 842.20). Reumann. Para ser preciso.4. 21 vezes nas epístolas de Paulo e quatro vezes no Apocalipse (1. M. 2. pp. NTS 13 (1966-67): 147-167. Efésios 3. o termo des- penseiro não se refere a uma casa e aos bens pessoais de seu dono. 17.5. Derrett. seis estão na forma de “mistérios de Deus” ou “misté- rios de Cristo”: 1 Coríntios 2. Assim. NIDNTT. 10.11 e Lc 8. “E despenseiros dos mistérios de Deus. Jouette M. Interpret 44 (1990): 181. Os após- tolos são servos na Igreja. de tempos em tempos.5 e 7). Dentre 28 ocorrências no grego. c. J. D. Longman and Todd. O termo refere-se ao servo a quem o senhor confiou a supervisão da casa. 4.11-27).1 (interpretação variante). 1970). 48-77. 641-642. aparece uma vez na resposta de Jesus quanto ao seu costu- me de ensinar por parábolas (Mt 13. 19. p. Bassler. Apocalipse 10.3. Lc 16.10). pois eles foram enviados por Jesus Cristo para servirem à Igreja (3.20. Paulo e seus colaboradores eram “subalternos de Cristo e supervisores em nome de Deus”. o atendente que tomou o rolo de Isaías de Jesus quando ele pregou em Nazaré era um servo na sinagoga local (Lc 4. O despenseiro ou mordomo é considerado responsável pelos bens de seu senhor e. Vol. J.1 185 embarcação. o substantivo mistérios mostra que o sentido é que são despenseiros da revelação de Deus em Jesus Cristo.

Assim. pp. p.6 o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. é graciosamente manifestado pelo próprio Deus àqueles que são por ele escolhidos e abençoados. A inferência é que se Paulo e seus auxiliares são despenseiros de Deus.7). pp. Em vista disso. assim. somos capazes de apreen- der a obra da redenção de Cristo.186 1 CORÍNTIOS 4. Ao dizer “então”. 504. Paulo passa para o singular um.21-23) eram um sumário e o primeiro versículo desse capítulo (4. Vol. 480. fortalecem os crentes em sua fé. O conhecimento do próprio Deus permanecerá para sempre um mistério para a mente humana. 4. TDNT.”5 O conhecimento que Deus nos revela é apenas um vislumbre de todo o espectro do conhecimento divino. Donald Guthrie. Como instrumentos de Deus. edificam a igreja. e . 93-94. Indica.2 Não devemos simplesmente equiparar os mistérios de Deus com o evangelho de Cristo. pela operação do Espírito Santo. Günther Bornkamm. Paulo uma vez mais faz uma conclusão. 1981). A revelação descobre o mistério em si. Vol 3. é o objeto da revelação. 820-821. Sentenças conclusivas parecem proliferar nos escritos de Paulo. Bauer.1) também recapitula esse en- sinamento. mas. New Testament Theology (Downers Grove: Inter- Varsity. 6. que o requisito “ser fiel” não se aplica apenas à equipe de obrei- 5. Paulo e seus colaboradores são despenseiros dos mistérios de Deus. então. “O mistério em si não é revelação. dessa vez do contexto precedente sobre despenseiros. NIDNTT. Mas a exigência básica de um despenseiro é a fidelidade. Do plural despenseiros. No tempo determinado. .. como os co- ríntios devem estimá-los? Que qualidade devem os membros da igreja de Corinto examinar em relação a esses despenseiros dos mistérios de Deus? A epístola de Paulo parece indicar que seus destinatários apreci- am a capacidade de falar e a eloqüência. O conhecimento do mistério da re- denção nos é dado por meio da palavra de Deus e da operação do Espí- rito Santo (ver o comentário sobre 2. p. proclamam o evangelho. 2. pelas Escrituras.. Ver também Günter Finkenrath. A mordomia requer uma dedicação que ex- clua todo interesse próprio e inclua lealdade sacrificial (Lc 12. o mistério de Deus não é revelado por si mesmo.42). Os últimos versículos do capítulo anterior (3.

.9. Moffat).13).14. Ou se eles quisessem convocá-lo perante uma corte humana. primeiro quando trabalhou em Corinto. entretanto. Atos 4. b.19. 8. “Mas para mim. TNT. De um modo típico do Antigo Testamento (comparar com Jz 6. 9. O verbo julgar nesse versículo significa “examinar. 28. Mas para mim. é de pouca importância que eu seja julgado por vocês ou por um tribunal humano. é de pouca importância que eu seja julgado por vocês.3. suportou julgamento severo. Como um despenseiro fiel que se guarda de qualquer interes- se próprio. NRSV. 3.O termo tribunal humano prova- velmente contém uma alusão à corte eclesiástica que foi convocada para provar o apostolado de Paulo. A locução é de pouca importância serve como uma introdução à oração subordinada final (“que eu seja julgado por vocês”).10 7. Welborn.1. pois estava disposto a sofrer tudo pelo seu Senhor. interrogar”. JBL 106 (1987): 108. a. quando cada pecador terá de se apresentar diante de Deus (3.18).3 187 ros.8).9 Mas há aqui um contraste implícito com o dia do julgamento final. Algumas traduções têm o plural na segunda parte do texto: “que possam ser encontra- dos fiéis” (RSV. e At 24. eu não julgo nem a mim mesmo. o texto grego diz “um dia indicado por uma corte humana”. “On the Discord in Corinth:1 Corinthians 1-4 and Ancient Politics”. Paulo profere um juízo bastante modesto de si mesmo.” Paulo não demonstra arrogância alguma.8. 12. 1 CORÍNTIOS 4. 347. mas verdadeira hu- mildade. mas a cada pessoa que serve a Cristo (1Pe 4. p. Bauer. ele também consideraria isso de pouca monta em comparação com se apresentar diante do trono de justiça de Deus. “Ou por um tribunal humano. mais tarde quando esteve preso em Cesaréia.10).” Literalmente.8 Paulo não tinha re- ceio de ser investigado ou interrogado. Ef 3. 10. ele leva- ria isso em mínima conta. 2Co 11. que o havia enviado mediante Jesus Cristo. Lawrence L.7 Cada cristão precisa demonstrar fidelidade e dedicação. e finalmente quando esteve em Roma (9.9.15). Consultar também o texto grego de Lucas 23. muitas vezes. Paulo expressa várias vezes modéstia diante de Deus e diante dos leitores de sua epístola (ver 15. Se os coríntios o quisessem interrogar. Paulo.

está falando de seu apostolado. eu não julgo nem a mim mesmo. na série Calvin’s Commentaries. “No entanto. ele tem toda a razão de fazer objeção a essa avaliação. Grand Rapids: Eerdmans. “João Calvino.” Essa não é uma afirmação dissimulada com a qual Paulo estivesse querendo se colocar acima de qualquer crítica. Considerações Práticas em 4. pois os estudantes sabem anali- sar com bastante perspicácia tanto os pontos fracos como os pontos fortes de um professor.”11 4. Isso não quer dizer que Paulo esteja querendo fugir de qualquer avaliação. Por isso.3 Administradores de instituições educacionais pedem que os estudan- tes avaliem o desempenho dos professores na sala de aula. Porém. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. contudo. 1976). o único que me julga é o Senhor. Os pastores devem estar dispostos a submeterem-se à avaliação da igreja quanto à sua doutrina e vida.” No grego. trad. “Não importa o que os homens pen- sam. Por outro lado.188 1 CORÍNTIOS 4.4 c. Paulo não tinha medo de crítica. . a. “Não tenho consciência de que haja alguma coisa contra mim. Membros da administração podem auxiliar um professor na superação de dificuldades e manifestar gratidão por bom desempenho. [um pastor] deve apelar a Deus. Os professores reconhecem o valor desse procedimento. De modo algum! Paulo sabe que não pode ser objetivo na avaliação de seus próprios pensamentos. p. Paulo não está falando de ações humanas que precisem ser averiguadas de tempos em tempos. Esse tipo de julgamento pertence a Deus. Não devem se tornar reféns do medo ou temer perder a auto-estima. se um pastor fiel vai ser avaliado por membros de uma congregação que nutrem más intenções. palavras e ações. ele deixa esse ato de julgamento para Deus. por John W. Avaliações têm o objetivo de fortalecer os pastores em seu trabalho e sua auto-estima. pois so- mente ele pode ser um juiz imparcial. 86. ele disse aos coríntios que considerava o julga- mento deles uma questão secundária. as palavras alguma coisa estão colocadas no início por ra- 11. Não tenho consciência de que haja alguma coisa contra mim. Fraser (reedição. nem por isso me dou por justificado.

estaria ensinando uma justiça que se poderia merecer. O que ele quer dizer é que. Em sua vida. o qual cumpriu a lei (Mt 5. 12. nada julguem antes do final do tempo. c.16 e Fp 3. Com base na obra perfeita de Cristo. Se Paulo fosse justificado com base em sua fidelidade apostólica. como sutilmente observa John Albert Bengel. o qual não somente trará à plena luz as coisas ocul- tas das trevas.6). “aquele cuja consciência o acusa é que procura atuar como juiz de sua própria causa”.13).12 b.10). está realçando que está de cons- ciência limpa. 2 vols. Em vista disso. 5. não por causa de suas próprias obras. Lewis e Marvin R. pois. 183. John Albert Bengel. A justificação.1-3). seja em tempo de decepção (At 18. não adquire a perfeição (comparar com Gl 2. Bengel’s New Testament Commentary. 1981).11). então. . até que ve- nha o Senhor. “Pois o único que me julga é o Senhor. p. por Charlton T.4).12. Jesus tem direito de julgar Paulo.17) e é o fim da lei (Rm 10. (Grand Rapids: Kregel. A observação não deve ser interpretada no sentido de que ele tivesse calado sua consciência. 2. Paulo diz aos coríntios que sua prestação de contas é ao Senhor (comparar com 2Co 5. supervisiona e avalia a obra que Paulo precisa reali- zar. contudo. se assim fosse. Vincent. o homem é completa- mente justificado. Ele indica que já foi declarado justo. E. 1 CORÍNTIOS 4. a obra mediadora de Cristo teria sido insuficiente ou in- completa. dessa forma. trad. Vol. Paulo conjuga o verbo justificar no perfeito: “nem por isso me dou por justificado”. Paulo demonstra que é zeloso em sua obra apostólica. o enviou como um apóstolo aos gentios (At 13. Portanto. “Contudo.” Jesus Cristo é o juiz. Paulo. por meio do Espírito Santo.” As palavras claras dessa oração expressam uma verdade profunda. O Senhor designa. com respei- to ao seu apostolado. Já. cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. contudo. Paulo era um servo fiel que diligentemente cum- pria todas as suas atribuições.5 189 zões de ênfase. Jesus é que julga o apóstolo com respeito ao serviço apostólico que Paulo realiza em seu ministério. que não lhe pesa na consciência falta alguma (ver Jó 27. como também manifestará os desígnios dos cora- ções. mas por causa de Jesus Cristo. pois.6-10) ou em tempos de dificul- dades iminentes (At 23.5). nem por isso me dou por justificado. jamais pode se basear nas boas obras realizadas pelo homem (Tt 3. com seu zelo.

“Nada julguem antes do final do tempo. Ele não está dizen- do que deveriam deixar completamente de julgar. Mas Paulo proíbe que se critique uma pessoa cuja doutrina e conduta estejam em harmonia com a Escritura. p.3).13 Deus governa todas as coisas por ele criadas. é preciso que a igreja julgue.2. Observe que Paulo dá aos leitores um mandamento forte. trará à luz todo tipo de coisas até então ocultas. mas a esperar até o fim dos tempos. Ele os instrui a não julgar coisa alguma. 757. como também manifestará os desígnios dos corações. que se lê literalmente: “não antes do final do tempo julguem coisa alguma”.11]). sendo o próprio Jesus o juiz de Paulo. assim. “O qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas. 13. Quando Jesus voltar – e ninguém sabe quando será – cada crente participará do ato de julgar (6. A intenção evidente dessa observação é mostrar aos coríntios que então também eles esta- rão sujeitos a julgamento. não! Quando um pastor ou professor não adere à verdade da palavra de Deus. No dia do julgamento. inúmeras coisas das quais os cris- tãos não tiveram conhecimento serão trazidas à luz. Quando eles estiverem juntamente com Paulo no juízo. . Embora o termo trevas tenha freqüentemente um sentido sinistro (ver. a cegueira tem- porária do mágico Barjesus [At 13. Davi registra que as trevas e a luz são a mesma coisa para Deus (Sl 139. b. A revelação do Senhor. Li- gando a consumação do século ao retorno do Senhor.” O Senhor tornará públicas as coisas relativas ao homem. Paulo encerra a discussão sobre os comentários adversos dirigidos a ele e a seus cooperadores.. até que venha o Senhor.12). A vinda do Senhor. tanto as interiores como as exteriores. Paulo ordena aos crentes que parem de emitir palavras de julgamento. e seu ensino e vida contradiz as Escrituras. Sua con- clusão é que. Dissipará as trevas e.11] ou o mandamento para tornar públicas as obras infrutíferas das trevas [Ef 5.2). Com certeza. o que inclui as trevas. Bauer.” Com isso. os coríntios deve- riam abster-se de julgá-lo. quando o Senhor voltar.5 Observe os seguintes aspectos: a. por ex. aqui a palavra tem conotação neutra e se refere simplesmente a coisas que são desconhe- cidas. então terá chegado a hora de criticarem a obra realizada por Paulo (ver 6.190 1 CORÍNTIOS 4.

Ver Isaías 35. então.12). ele as tornará públicas. que Deus derrama seu louvor sobre o crente que fielmente faz a vontade de Deus. as pessoas são capazes de esconder pensamentos e intenções nos recantos íntimos do coração. na parábola dos talentos. mas. não de seres humanos. Assim.23. 1 CORÍNTIOS 4.29). ele começa indicando quando os cris- tãos receberão louvor. isto é. cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. quan- do Cristo haverá de revelar todas as coisas (Ap 22. A seguir. ao contrário disso. Jesus diz: “E eis que venho sem demora. a fim de que todos os segredos sejam descobertos (Rm 2. conseqüentemente.16.5 191 Além disso.11-13). A Escritura ensina. Ela serve como uma exor- tação aos coríntios para absterem-se de julgar a Paulo e seus colabora- dores e para esperarem o louvor de Deus. este louvor procede de Deus. ouvimos Jesus dizer acerca dos servos que haviam recebido cinco e dois talentos: “Muito bem. Apocalipse 2.4. no tempo determinado por Deus para a vinda de Cristo. Muitas dessas intenções nunca vêm à luz durante a vida terrena de uma pessoa. Entre no gozo do teu senhor” (Mt 25.12). sem deixar dúvidas. ouve de modo obediente à Palavra como aquele que recebe a aprovação de Deus (Rm 2. que haverá recompensas nos céus para o cristão.10. Em vez de escrever palavras de censura. e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap 22. não de homens. 40.” Quem recebe louvor da parte de Deus? Deus elogia a pessoa que possui o poder regenerador interior do Espírito Santo e.21. Deus distribuirá graciosamente o seu louvor a cada crente no dia do julgamento.23. sobre o muito o colocarei. 14. Louvor da parte de Deus. Mas.5 Devemos ver a ênfase de Paulo acerca do louvor no contexto desse versículo específico. NKJV). . quando Jesus voltar. ele afirma que cada pessoa receberá louvor individu- almente. Ap 20. Paulo conclui essa seção com uma menção positiva acerca do louvor. você foi fiel no pouco. 62. Por exemplo. c. “E. servo bom e fiel.14 A Bíblia não ensina que uma pessoa pode merecer a salva- ção. Considerações Práticas em 4.11. Por fim.

.1-5 Versículos 1.nw (eu exa- mino) revela não uma ação no futuro. 16. Versículo 3 evla. porque ela dá equilí- brio à segunda parte da sentença. p. conseqüente- mente” (ver. mas uma ação continuada no pre- sente. 1960). o` avnakri. C. 1.2 a.192 1 CORÍNTIOS 4.16 zhtei/tai – ”o que se requer”. e significa “alguém” ou “as pessoas”.”15 w-de – a partícula está voltada para trás. 69. Ibid.7). e significa “segue que”. p.nqrwpoj – este substantivo é empregado num sentido geral e indefi- nido. “Assim é como as pessoas (isto é. p. O imperativo continua a série kauca. F. e significa “ao demonstrar que”. Em vez disso.21). D. (Cambridge: Cam- bridge University Press.17 15. w[ste – uma conjunção ilativa que significa “e assim.n está voltado para frente. vocês) devem nos considerar. também pode ser indicativo (“você está requerendo”).1-5 Palavras. Moule.. o advérbio loipo. 3. Bauer. muitos dos principais manuscritos têm a segunda pessoa plural imperativa zhtei/te (requerei!). 161.nwn – o particípio presente ativo do verbo avnakri. 17. 2ª ed. impessoal. logize. que tem a terceira pessoa do singular (“seja encontrado”). Expressões e Construções em Grego em 4.sqw (3. 144.5 evn tou/tw – esta oração subordinada preposicional significa “por isso” ou “por essa razão” e expressa a idéia de causa. Versículo 4. O superlativo verdadeiro é “o me- nor” (ver 15. An Idiom-Book of New Testament Greek.ciston – temos aqui o uso intensivo do adjetivo superlativo de mikro.sqw (v.9). 1). Contu- do. A oração subordinada iniciada pela conjunção i[na resulta do superlativo intensivo e explica o seu sentido: “que eu deveria ser julgado”. para a palavra despenseiros no v. Os tradutores preferem a terceira pessoa do singular.j e é traduzido “muito pouco”.

. Hooker.18 Ele recorre a essa sauda- ção para preparar sua audiência para a mensagem direta e pessoal que segue. 1 CORÍNTIOS 4. Essas coisas. Paulo emprega imagens emprestadas da agricultura e das edificações. eu as apliquei a mim mesmo e a Apolo. “para mudar a forma de” (Bauer. “Essas coisas.1. para que ninguém se torne arrogante e favoreça um em detrimento de outro. as palavras essas coisas abarcam as três metáforas empregadas por Paulo no texto entre 3. no contexto imediato. Orgulho 4. para que por nosso exemplo aprendam que não devem ir além do que está escrito. “nesta representação geral” (NEB). ele havia aplicado a si mesmo e a Apolo para benefício de seus leitores. iv. Mais uma vez Paulo se dirige aos seus leitores com a saudação irmãos que. incluía também as irmãs. Mas. Ver.1. Consultar Morna D. Em resumo.6 193 o` e. a. Paulo está dizendo que ele quer usar uma figura de linguagem com “essas coisas”. 1. em atenção a vocês. No capítulo anterior.19 Paulo afirma que o que escreveu aos coríntios.5 e 4. ao não fazer menção de Pedro.painoj – o substantivo é precedido por um artigo definido para enfatizar que o louvor é dado a cada cristão individualmente. irmãos. Outras tradu- ções lêem “tenho figuradamente transferido” (NKJV). Tanto Paulo como Apolo haviam servido à igreja de Corinto por longos períodos de tem- po. “‘Beyond the Things Which Are Written’: An Examina- tion o 1 Cor. Em vista disso. Aplicação. 3. apresenta os despenseiros como ilustração.10. 11. 513). p. na lingua- gem dessa época. eu as apliquei”. 19. por exemplo.6”. 26. irmãos. b. E Paulo também quer conduzir o assunto de maneira pastoral. chama indiretamente a aten- ção para sua observação anterior de que Paulo e Apolo são servos de 18. O que são “essas coisas” que Paulo aplicou? A questão precisa ser respondida em conexão com o sentido do verbo aplicar.6-8 6. 2. NTS 10 (1963-64): 127-32.5.

Uns poucos exemplos mos- tram várias maneiras possíveis de traduzir essa frase. Cambridge.21 Essas ilustrações. são para o benefício dos coríntios. Consultar André Legault. como também diferenças na interpretação do texto em si. org. diz Paulo. R. do construtor e do despenseiro a si mesmo e a Apolo. . Hans Conzelmann. 131-32. Aprendizado.” Especialistas têm gasto muita tinta no esforço de explicar essa parte do texto. 4. 23. “Beyond the Things”. pp. Herme- neia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia: Fortress. “Que vocês possam aprender de nós a não pensar além do que está escrito” (NKJV). Welborn. “Que lhes possa ser ensinada a verdade das palavras: ‘Nada além do que está escrito’” (Cassirer). MacRae. consultar J. 1937). “De modo que vocês possam aprender de nós o significado do dita- do: ‘Não vá além do que está escrito’” (NIV). 78-79.22 Mas não há evidência textual para substanciar a alegação de que essas palavras sejam uma glosa. p. ou um princípio. “‘Beyond the Things Which Are Written’ (1 Cor.194 1 CORÍNTIOS 4. p. 4. 1975). “Para que por nosso exemplo aprendam que não devem ir além do que está escrito. pp. NovT 19 (1987): 332. “Not Above What Is Written: A Note on 1 Cor 4:6”. ExpT 82 (1970-71): 215-17. por exemplo.5. A maioria dos estudio- sos acredita que essas palavras “são evidentemente um provérbio. Legault. “‘Beyond the Things Which Are Written’”. IV. em fórmula proverbial”. Ross.23 Pode ter sido um ditado cor- 20. a omissão dessas palavras torna o próprio versículo incoerente. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians.6”. 22. M. Hooker. NTS 18 (1971-72): 227-31. por James W. St.20 Ele aplica a linguagem figurada do agricultor. Esses exemplos não só revelam diferentes traduções do texto gre- go.6)”. 21. Além do mais. Alguns especialistas são da opinião de que as palavras “não devem ir além do que está escrito” são uma glosa ininteligível que deve ser eliminada do texto. Lawrence L.6 Cristo encarregados da tarefa de proclamar os mistérios de Deus (3. Ver. Para uma opinião diferente.1). “Possam vocês aprender de nós a não ir além do que está estabele- cido” (NAB). 86. “A Conciliatory Principle in 1 Cor. trad. por George W. John Parry. Leitch. b. 231. Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University press.

6 195 rente na arena política da época de Paulo e que servia para a promoção da unidade. Arrogância. . 31. 9. 1 CORÍNTIOS 4. e foram escritas para nossa admoestação. 16. Seria. sim! O próprio provérbio precisa transmitir uma mensa- gem. 31. A severa admoestação que Paulo faz aos coríntios de que não de- vem ir além do que está escrito adquire um sentido adicional no capítu- lo 10. 15. Paulo proíbe cada um dos coríntios de promover o partidarismo exaltado que está em curso na igreja (1.8). c. há dezessete citações do Antigo Testamento em 1 Coríntios e dez em 2 Coríntios. 20). Paulo afirma: “Essas coisas aconteceram a eles como advertência.45. que no contexto das duas epístolas aos coríntios significa a Escri- tura. sobre quem os fins dos séculos chegaram” (10. E. Conclusivamente. 24. dizem esses especialistas. 2 Coríntios 4. Paulo continua a conde- nar o orgulho.9. 9. 11. Paulo se refere a toda a revelação do Antigo Testamento. quando Paulo toma emprestada a expressão o que está escrito.9.12. o termo grego gegraptai (está escrito) freqüente- mente introduz citações das Escrituras. Empertigando-se como galos encrespados. 10.9. dos Profetas e dos Escritos.24 Paulo faz repetidas citações dos livros da Lei. A tradução está escrito (com variações). o tema básico desse segmento. 2.7. restritivo demais limitar a admoes- tação de Paulo de “não ir além do que está escrito” às seis passagens da Escritura citadas por ele nos três primeiros capítulos de 1 Coríntios (1.21. está se referindo às Escrituras do Antigo Testamento? Presu- mivelmente. uma facção prefere Paulo e a outra facção. 10. 2. de fato. ocorre em 1 Co- ríntios 1. 7.11). 3. “Para que ninguém se torne arrogante e favoreça um em detrimento de outro.19.13.9. referindo-se às Escrituras. Apolo. nessas cartas.19.19. pois nos versículos seguintes (vs. seria cômico observar cada um dos membros da igreja exibindo os favoritos de seus partidos. No total.19. O problema crucial do que Paulo afirma diz respeito às divisões na igreja de Corinto. os membros de cada facção colocavam-se arrogantemente uns contra os outros. Se não fosse tão sério. No entanto. 3. faz uso de uma máxima familiar nos círculos de Corinto para apelar para o fim das divisões na igreja e para promover a unidade.” A última parte desse versículo é impor- tante. 8. Depois de citar alguns poucos exemplos da história de Israel. Paulo. 54. 14.15.

A tradução de Cassirer também requer esta resposta: “Ora. como se não o não tivesse recebido? Paulo faz três perguntas aos coríntios: a. Ou seja.26 Certamente. “E o que você tem que não tenha recebido?” Paulo faz novamen- te uma pergunta retórica a cada cristão. b. Pau- lo não criou uma facção com o seu nome. não tem base para arrogância. Os coríntios precisam aprender a serem humildes e compreenderem que tudo o que possuem receberam de Deus. Eles precisam aprender com seus líderes a ouvir os ensinamentos da palavra de Deus.7 3.27 e Tg 1. p. as Escrituras advertem as pessoas contra a arrogância (ver. seja Paulo ou Apolo. c. Uma pessoa arro- gante é incapaz de recorrer a alguém em busca de auxílio. na série New International Commen- tary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. Cada um está em débito com Deus e precisa louvá-lo por tais posses e. por exemplo. . ninguém!”. Que ninguém trombeteie sua preferência por um líder. Conzelmann responde: “Nada”. Consultar F. cada coríntio e coríntia precisa reconhecer a fonte de tudo o que relacionar.12. 104. mas que cada crente procure aprender deles o que as Escri- turas têm a dizer. Eles ou- vem Deus falar com eles a partir das páginas das Escrituras. o que o distingue dos outros homens?”. Essa pergunta também recebe uma resposta negativa: “Nada”! Perguntado sobre o que possui. 1 Corinthians.196 1 CORÍNTIOS 4. dessa forma. 25. 1953). W.17). por que se vangloria. “ E. Paulo desafia o indivíduo que deseja arrogantemente exibir sua superioridade a dizer de quem recebeu o posto de que se apropriou. e Deus não concedeu superi- oridade alguma a nenhum cristão individualmente. Paulo dirige- se a cada membro da igreja quando usa o pronome pessoal singular você. Pv 8. Uma resposta honesta precisa ser que Deus concedeu todos os dons materiais e espirituais (ver Jo 3. por que se vangloria. 26. “Pois quem o torna diferente de qualquer outro?”. se de fato o recebeu.13 e Gl 6. Jó 40. 86. 7.3). Exposition and Notes. Pois quem o torna diferente de qualquer outro? E o que você tem que não tenha recebido? E se de fato o recebeu.4). como se não o não tivesse recebido?” A terceira pergunta vem logo em seguida. A questão que Paulo coloca diante de indivíduos enfatuados é retórica e recebe a resposta negativa: “Obviamente.25 Em diversos lugares. Grosheide. p.

pois acreditam que são ricas quando são absolutamente pobres. de modo que possamos reinar com vocês. “Vocês já têm tudo de que precisam. Ironia. por isso.” Paulo passa novamente para a segunda pessoa do plural vocês e fala para a igreja. na verdade.” Paulo vale-se de expressões que circulavam entre os filósofos estóicos daquela época (ver o co- mentário sobre 3. Como eles dependem inteiramente de Deus. 91. vocês já estão ricos. 1 CORÍNTIOS 4. e os coríntios aparentemente estavam sendo influenciados pelo ensino deles. “Sem nós.17). não podem dar a si mesmos qualquer crédito por suas aquisições. vocês se tornaram reis. de modo que possamos reinar com vocês.8 197 se uma pessoa recebeu um dom – seja um bem espiritual ou material - ela está obrigada a expressar gratidão. Mas você não percebe que é infeliz. sem nós. Seria o cúmulo da ingratidão não reconhecer sua origem e. . b. O apóstolo expressa seu desejo de que o reino de 27. Alegam serem reis. 1 Corinthians. Em total contraste com a realidade. 28. E eu desejo que vocês realmente se tenham tornado reis. a. assim. consideram-se bem- sucedidos na igreja e na sociedade e.” Nesse versículo. Contraste. n. não têm necessidade de coisa alguma ou de nin- guém mais. I Corinthians. 28. cego e nu” (Ap 3. “Vocês já estão ricos. o tom de Paulo é irônico. miserável. vocês se tornaram reis. em vez de súditos do rei. Vocês já têm tudo de que precisam. Ele observa que os coríntios pensam ter satisfeito suas exigências espi- rituais e materiais. Em vez de verem a si mesmos como cidadãos no reino de Deus. p. então. pobre. se apresenta como seu legítimo proprietário. Jesus repreende a igreja de Laodicéia: “Você diz: ‘Estou rico. Consultar Calvino.27 8. cultivavam a falsa noção de que cada um era superior aos demais. “E eu desejo que vocês realmente se tenham tornado reis. como se sempre os tivesse possuído e. Se Deus concede graça. obtive riqueza e não preciso de coisa alguma’. 87.21). A pessoa que recebe esses dons age. Por exemplo. então seu povo se torna recebe- dor de bênçãos incontáveis.” Pessoas auto-suficientes enganam a si mes- mas. Consultar Conzelmann. com efeito. os cristãos coríntios agem como se fossem os soberanos nesse reino. não expres- sando gratidão a ele.28 Tais filósofos orgulhavam-se de serem auto- suficientes. desprezar o doador. p.

Palavras. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature.. eles se colocam à frente de Paulo e seus colaboradores. ver KJV e NKJV).. ele e Apolo prontamente se assentariam junto deles eles na cadeira de honra real. que é intensiva e é traduzida como “de fato”.4.21).. Agora alegam ser independentes desses servos e enganam a si mesmos fingindo serem reis. i[na mh.29 A condição simples introduzida por eiv expressa realidade.6-8 Deu tivesse de fato se revelado e que os crentes coríntios reinassem com Cristo (2Tm 2. A expressão ei-j u`pe.. Friedrich Blass e Albert Debrunner. Ap 3. Apolo e outros) lhes haviam ensinado a respeito do reino de Deus e os tinham conduzido a Cristo.17). como o oposto é que é verdadeiro.198 1 CORÍNTIOS 4. Se esse fosse o caso.nnumi (eu sacio) e o verbo ser/estar na segunda pes- soa do plural do tempo presente significa que por um tempo considerável os coríntios tiveram todas as coisas de que necesitavam..12.6-8 Versículos 6.7 No Texto Majoritário. ele se utiliza de sarcasmo para impressionar os leitores de sua epístola.j significa “cada um em favor de um contra o outro (ninguém.. nº 247.r tou/ e`no. ela realça a conjunção ka…i. 1961). Eles deixaram de reconhecer o fato de que os servos de Cristo (Paulo. em agin- do assim. – a construção perifrástica com o perfeito passivo do particípio de kore. trad. Tanto manus- critos mais antigos como geograficamente mais representativos. e rev. por Robert Funk (Chicago: University of Chicago Press. o infinitivo presente qronei/n (pensar) ocorre depois do verbo ge.sate (vocês se tornaram ricos) e evbasileu.sate (vo- 29.noi evste.fusiou/sqe – o verbo na segunda pessoa do plural na voz mé- dia é um presente subjuntivo no contexto de uma oração subordinada fi- nal (comparar com Gl 4. omitem o infinitivo. O comentário irônico lhes faz saber que. no en- tanto. Expressões e Construções em Grego em 4. . em favor de um contra o outro)”. os quais ainda estão aguardando a vinda do reino. Versículo 8 kekoresme. Os verbos evplouth. Mas.graptai (está escrito.

mas tem sua própria reflexão sobre a importância de ser um apóstolo (o plural apóstolos não é específico. 9-13) ele avalia de modo realista sua presente condição. Descrição 4. c. em último lugar. Ele compôs essa epístola algum tempo depois de o dis- túrbio ter ocorrido (At 19. aqui (vs. Supomos que Paulo esteja se referindo ao que havia recentemente acontecido a ele em Éfeso. a saber. porque nos tornamos um espe- táculo para o mundo. Se Paulo expressou ironia nos versículos precedentes (vs. Em vez de estar na posição mais alta. como homens condenados à morte. continuavam sendo ricos.23-41). 8). 1 CORÍNTIOS 4. os coríntios tinham se tornado ricos e. à categoria apóstolo). como se estivessem numa para- da de vitória. Sua experiência tem sido a de que. Pois eu acho que Deus nos fez apóstolos. é sub- metido à ridicularização.” Deus colocou os apóstolos em último lugar. A locução eu acho (que significa “em minha opinião”) é um aparte e deve ser compreendida à luz da senten- ça inteira. . mas refere-se. para os anjos e para os homens. a. ou seja. Essa condição é a oposta daquela a que Paulo se refere causticamente. 7.8). governando. b.” Paulo não está sendo crítico. Alguns tradutores oferecem um equivalente dinâmico aqui: “no fim da procissão” (NIV). por causa de seu apostolado. Os coríntios sabiam bem qual era a situação de Paulo quando ele descreve a condição de um apóstolo. apenas observa que Deus designa homens para serem apósto- los. do pon- to de vista deles. sofren- do perseguição e morte. “no final da parada dele” (BJ). ódio e maus-tratos físicos e verbais. “Em último lugar. de modo geral.30 na qual os conquistadores aparecem primeiro e os con- 30. ele está na posição mais baixa. Ele aceita essa designação como um fato.9 199 cês se tornaram reis) são aoristos de ingresso (que expressam ingresso num novo estado). a de que ele quisesse ser um rei com os coríntios e governar com eles (v. sem fa- lar da possibilidade da morte. itálicos no original). como homens condenados à morte. “Pois eu acho que Deus nos fez apóstolos.9-13 9. “bem no final da procissão da vitória” (TNT.

Consultar K. 10. no qual Gaio e Aristarco. Observe que essa mesma palavra grega aparece duas vezes no relato que Lucas faz do tumulto em Éfeso.31 Paulo afirma que ele e seus companheiros de apostolado são tolos “por causa de Cristo” (ver. para os anjos e para os homens. pp. Nós somos fracos. Os anjos observam tudo e. 1987). 31. . Assim. vocês são nobres.. por ex. informam a Deus. não é um exagero. 18. “Porque nos tornamos espetáculo para o mundo. teriam de admitir que os apóstolos são exata- mente o oposto dos monarcas reinantes. “Nós somos tolos.29. Nós somos tolos por causa de Cristo. seria o caso de supormos que sua fala é irônica. c. 16. da qual deriva o termo teatro. Se uma pessoa afirma que ela mesma é tola.31) como espetáculo para o povo.12). anjos os socorrem e fortalecem. companheiros de Paulo.10 quistados por último. foram arrastados para o teatro (At 19. Ao contrário. A. quando o povo de Deus suporta sofrimento e depara-se com a morte. anjos e homens. mas vocês são fortes. mas vocês estão confi- ando em seu próprio discernimento em Cristo. como mensageiros. qualquer um podia comparecer para assistir à execu- ções de escravos e criminosos. a.19. ou por mão humana ou pelo dente de feras. Que contraste essas duas categorias! Os an- jos são enviados por Deus como ministros a serviço de seus eleitos.22-25. e ser chamado de tolo é uma experiência degra- dante que pode comprometer severamente a auto-imagem de alguém. 44-54.200 1 CORÍNTIOS 4. mas nós somos desprezíveis. At 14. E é exatamente isso que ocorre no caso desse versículo. a afirmação de Paulo de que ele é um espetáculo para o mundo.10. Paul and the Irony of Afliction.” A auto-estima é um ingrediente básico de uma vida equilibrada. sentem prazer em ver outros seres humanos serem despedaçados por feras na arena. SBL Semeia Studies (Atlanta: Scholars. Paulo acrescenta os dois subs- tantivos. Em contraposição à palavra mundo. os homens são cruéis e de coração frio. Se os coríntios parassem um momento para refletir sobre a vida dos apóstolos de Cristo. 17. Plank.” Paulo emprega a palavra theatron (traduzida como “espetáculo”). Portanto. Em anfiteatros. Esse lugar assinala-os como vítimas que logo verão a morte.

Comparar com Jürgen Goetzmann. o sentido é obviamen- te duplo: dessa forma. Ele prontamente proclama a fraque- za dos servos de Cristo num mundo em que a fraqueza é desprezada e a força é louvada. vol.2. Recorrendo à ironia. 2Co 11. Paulo contrasta sua fraqueza (2. p. 620. Os coríntios.12). que é tolice ao olhos dos sábios deste mundo”. 32. na série New International Com- mentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans.19) e encontravam-se separados de Cristo e do Espí- rito Santo. 2Co 12. 13. Paulo contrasta a sorte dos apóstolos com a dos coríntios. confiavam em sua própria razão enganosa. 2. Então. Paulo e os demais apóstolos são tolos ao arriscarem a vida por causa de Cristo. Em sua oposição a Paulo. “Todavia. 176.13). 1987). declaram-se fortes. “Mas vocês estão confiando em seu próprio discernimento em Cristo. 9. pois é Cristo que o fortalece (Fp 4.32 b. The First Epistle to the Corinthians. 1 CORÍNTIOS 4. Paulo é bastante irônico quando diz aos destinatários de sua epístola que eles se consideram crentes inteligen- tes e sábios em Cristo. 9).18. contrasta a honra que os coríntios receberam com a desonra que é atribuída aos apóstolos.10 201 De uma perspectiva humana. vocês são nobres e nós. Considera sua própria fraqueza como sendo marca de um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo.4) com as virtudes de poder e força. Paulo tenta fazê-los per- ceber a sua própria arrogância.33 Teríamos esperado que os coríntios re- cebessem a direção do Espírito Santo (2.5. de fato.” Aqui temos ainda mais ironia. c. desprezíveis. Toma a revelação de Jesus com res- peito à sua própria fraqueza como motivo para vangloriar-se. Quer dar a entender justamente o oposto. . NIDNTT.” Os apóstolos são tolos aos olhos não somente do mundo. 10. por- que a sabedoria deles é meramente humana. Gordon D. na ordem inversa. ao contrá- rio. foram chama- dos e santificados por ele (1.3. Nós somos fracos e vocês são fortes. diz que o poder de Cristo se aperfeiçoa nele (2Co 12. mas são fracos e destituídos de comunhão ínti- ma com Cristo. Deveriam ser fortes no Senhor. contudo. mas também dos crentes coríntios. deixaram-se influenciar pela sabedoria mundana (comparar com 3. 33. Em vez de buscar sabedoria em Cristo.9). os apóstolos também refletem a verdade do evan- gelho. p. Em outra parte. que nada tem que ver com a sabedoria divina em Cristo. Fee.

R. somos esbofeteados e não temos morada certa.11-13 Os coríntios professam-se honrados. 36.4-10. Fp 4.34 Além dessas coisas. sede. 1. O verbo é quase sempre empregado para descrever os maus- tratos pelos quais Paulo teve freqüentemente de passar. sofremos fome. açoites. 34.10. TDNT. bendizemos. tumultos. 12. ver Rm 8. os apóstolos são objeto de zombaria. Nós nos tornamos o lixo do mundo. Paulo teve de passar por uma enfermidade quase mortal enquanto esteve na provín- cia da Ásia. Hodgson. fome.202 1 CORÍNTIOS 4. Não está suplicando piedade.35 A frase “e não temos morada certa” não significa que Paulo fosse um morador de rua ou sem-teto. 6. Até à presente hora. Trabalhamos com as nossas próprias mãos.” Essa descrição concorda com ou- tras passagens nas quais Paulo cataloga as calamidades pelas quais passou: espancamentos. 13. porque procuram fundir as coisas de Cristo com as coisas do mundo. frio e perigos mortais (2 Co 4. suportamos. escárnio e desonra por parte dos incrédulos. sede e nudez. “The Power in Pauls Teaching’ (1 Co 4. são honrados por Deus. sede e nudez.36 Durante suas freqüentes viagens.8-11). sofremos fome. 35. “Até à presente hora. prisões.9. . mas que era um peregrino sem um domicílio estabele- cido. quando caluniados. somos esbo- feteados e não temos morada certa.12). Chama a atenção para a forma como os apóstolos vivem. Spencer. JETS 32 (1989): 551-61. 11.23- 27. noites em claro. por causa de sua comunhão íntima com Jesus. “Paul the Apostle and First Century Tribulation Lists”. 503. ZNW 74 (1983): 59-80. nada acumulam a não ser vergonha sobre si mesmos. quan- do perseguidos. o verbo grego indica que ele foi golpeado a socos por pessoas que rejeitavam o evangelho de Cristo. vol. Mas. mas deseja que os corín- tios saibam que os verdadeiros servos de Cristo precisam passar por aflição e disciplina. Inversamente. ainda assim. Bauer. Quando Paulo escreve que foi espancado. é provável que Paulo fizesse uso de uma tenda construída por ele mesmo. Paulo faz uso de ironia em apenas algumas observações. talvez em Éfeso (2 Co 1. mas não quer desenco- rajar os leitores. a escó- ria de todos até agora. quando somos injuriados. 441.8. 12. naufrágios.9-20) “.35. 11. Albrecht Oepke. p. a. p. William D. respondemos com palavras brandas.

. Jesus tornou-se um carpinteiro.18). não faltam refe- rências ao fato de Paulo se dispor pessoalmente ao trabalho (ver. a respeito da per- 37. porém.24. b. 2Ts 3. para ter como se sustentar. volta-lhe também a outra. levou”. bebida e agasalho. Tanto em Atos como nas epístolas de Paulo. First Epistle to the Corinthians. continuavam a abençoar seus inimigos e a suportar perseguição. preferiu trabalhar com suas pró- prias mãos para não obstruir o progresso do evangelho (9. Paulo esclareceu esse mandamento dizendo que aqueles que pregam o evangelho devem ser mantidos por aqueles que ouvem a pregação (9.34. No mundo impaciente de hoje. 1Co 9. a qualquer que o ferir na face direita. Comparar com Grosheide. 20. Lv 24.8). “Quando somos injuriados.20. Muito embo- ra o ofício de Paulo fosse considerado inferior.12b). lhes ensinou: “não resista ao perverso. Em vista disso. pé por pé” (Êx 21. c. ver também 1Tm 5.” Cada menino judeu tinha de aprender um ofício.9. Dt 19. Paulo afirma literalmente que. 44. os gregos nutriam desprezo pelo trabalho manual. suportamos. Jesus. Os judeus observavam a regra “olho por olho. por ex. 1 Ts 2. quando perseguidos. Em resposta.14. ame os seus inimigos e ore pelos que o perseguem” (Mt 5..37 Eles eram da opinião de que o trabalho braçal era para escravos.. Ofensa encontra ofensa e perseguição encontra reação imediata. bendizemos. 1 CORÍNTIOS 4. Paulo carecia muitas vezes de comida.28). Os verbos que Paulo usa nessa passagem estão no tempo presente a fim de indicar que os apóstolos eram constantemente ridicularizados e perseguidos. p. mão por mão..6.21). Paulo rebaixava-se socialmente aos olhos dos cidadãos locais. Mas na cultura helenis- ta de então. O pró- prio Paulo não fez uso desse direito.” O mundo é incapaz de compreender essa atitude descrita por Paulo.3. 109. João e Tia- go eram pescadores e Paulo era um fabricante de tendas. Ao traba- lhar com suas próprias mãos. “E trabalhamos com as nossas próprias mãos. Os apóstolos ado- tam o ensino de Jesus e demonstram sua instrução na própria vida diária. ver Lc 6. At 18.39. geralmente com seu próprio pai. muitas pessoas vivem se- gundo o slogan “bateu. mas.7).11-13 203 Jesus deu a seus discípulos o mandamento de que o trabalhador deve receber seu salário (Lc 10. ele não se envergonha- va dele. dente por dente.

p. NKJV). pp. os apóstolos são representantes de Jesus.” A linguagem que Paulo emprega para descrever a si próprio e os demais apóstolos é pitoresca. essa tradução está de acor- do com o contexto. 617.11-13 seguição. A palavra transmite a idéia de obscurecer a verdade de forma a colocar alguém em má situação. Embora Jesus tenha dado a si mesmo como o supremo sacrifício pelos pecados da humanidade. I. Da mesma forma. p. A. 479. TDNT. Então ele acrescenta que eles são “a escória de todas as coisas”. Consultar J. vol. Enquanto escrevia essa epístola em Efésios. ver NAB. a escória de todos até ago- ra. Sabiam que durante sua vida terrena teriam de suportar a der- risão do mundo. 9-12).39 Essas oferendas eram feitas em benefício da sociedade. 90-91. TDNT. “tentamos conciliar” (RSV. pode muito bem ter ouvi- 38. d.5. pp. os apóstolos podiam encontrar força e conforto no Senhor. 430-31.50). Packer. 6.” O verbo caluniar realmente significa “adulterar” ou “deturpar” as pala- vras de alguém. O remédio que Paulo prescre- ve é difícil de se tomar: “respondemos com palavras brandas”. Hanson.45”. vol. a palavra peripsema (escória) era fre- qüentemente empregada em relação ao sacrifício anual de criminosos ou de pessoas deformadas. ele continua a amar os seus acusadores. . NIDNTT. “estamos suportando”. Eles eram o “lixo da sociedade”. Em vista disso. respondemos com palavras brandas. 39.13b and Lamentations 3.38 À luz da descrição de Paulo da conduta apostólica. Cassirer). Ele se refere ao lixo que é removido numa faxina completa de uma casa ou prédio. os apóstolos também sofreram fisica- mente por causa do evangelho de Cristo. “Nos nós tornamos o lixo do mundo. Mas na literatura grega. Paulo está dizendo que. “Quando caluniados. vol. Gustav Stählin. Paulo escreve a expressão até agora. Os apóstolos aprenderam a viver com opressão num espírito de mansidão de acordo com os ensinamentos de Cristo (ver Mt 5. Desprezados pela sociedade e considerados lixo. que era considerado um crimi- noso e foi pendurado numa cruz para benefício do povo (comparar com Jo 11. Essas expressões parecem ser sinô- nimas. Friedrich Hauck. Consultar Bauer.204 1 CORÍNTIOS 4. Os tradutores diferem neste ponto: “suplicamos” (KJV. 3. “humildemente apelamos” (NEB). ExpT 39 (1982): 214-15. e. 1. “1 Corinthians 4. mesmo quando a verdade é deturpada em mentira.

. portanto. Sofrem mau-trato verbal que freqüentemente é acompanhado de angústia física e mental. 3 de The Expositor’s Greek Testament. Henry F.12). Seguidores de Cristo desco- brem que as amizades mundanas os abandonam. alma e mente. e amar o próximo como a si mesmo (Mt 22. G. mas quando são obedientes ao evangelho. provado e fortalecido em sua fé. p. a filiação à Igreja declina em países onde flui riqueza e conforto. 803. Assim.12).. No entanto. porque é grande o seu galardão nos céus” (Mt 5. lutam contra forças espirituais controladas por Satanás (ver Ef 6. Tornam-se auto-suficientes e. embora mantendo uma aparência religiosa. No entanto. St. perdem seu amor por Cristo e pela mensagem da salvação. 1 CORÍNTIOS 4. Jesus ensina que um cristão deve amar a Deus de todo coração. eles se regozijam. contudo. 5 vols. Abraão é conhecido como pai de todos os crentes.11-13 Estatísticas revelam que a Igreja cresce numérica e espiritualmente em países onde perseguições. Jesus diz: “Regozijem-se e exultem. Jó foi tentado. Onde vivem cercados de conforto e tranqüilidade material.32). no Vol. “a avareza. ele será rico em Cristo. por W.40 Considerações Práticas em 4. deve estar sempre a serviço de Cristo. G.37-40).. Como diz Paulo. são rejeitados pelo mundo e têm de sofrer perseguições. é idolatria” (Cl 3. então. Deus o abençoou com incontáveis riquezas. org. Na ver- dade. Riqueza ma- terial. 1961). Da mesma forma. corrupção e aflições são comuns. injustiças. buscar para si pobreza para estarem vi- vos espiritualmente? Não necessariamente. alegrar-se com a perseguição e a afli- ção? Eles jamais deveriam buscar a perseguição pela perseguição. Robertson Nicoll. reedição. tomei a minha cruz. Lyte deu expressão poética ao seu desejo pessoal de seguir a Jesus e aceitar as conseqüências: Jesus. Deveriam os cristãos. mas o cristão não deve jamais servir às riquezas. Findlay. ainda assim Deus o abençoou com numerosos bens terrenos. os cristãos tendem muitas vezes a esquecer os chamamentos de Cristo. Deveriam os cristãos. A eles. Paul’s First Epistle to the Corinthians. Por comparação. 40. muito embora considerado pobre pelo mundo. pobreza. (1910. pois receberão sua recompensa.5).11-13 205 do algum tipo de canto ominoso da parte da população local: “Aos leões com os cristãos!” (15. Grand Rapids: Eerdmans.

/ Thou from hence my all shalt bee. e. and follow Thee.rti w[raj – “até à presente hora”. Exceto o aoristo passivo evgenh. tu. igualmente a anjos e a homens”. segundo.12 a. denotando ênfase). for- saken. Versículos 11. Esse trecho (vs. loidorou. de agora em diante.smw| – o substantivo no dativo é explicado pelos substantivos avgge. a posição desses dois pronomes pessoais (no começo e no final das três orações. A. menosprezado.9-13 Tudo deixei. I my cross have taken. Tudo o que busquei. 1934).lois e avnqrw.” 41.* Palavras.rti (até agora). como é rica minha condição: Deus e os céus me restam ainda.10 dokw/ ga./ Destitute.9-13 Versículos 9.cri th/j a. 788. para te seguir. tw/| ko. e[wj a.206 1 CORÍNTIOS 4. primeiro./ All I’ve sought or hoped or known./ Perish every fond ambition. . * “Jesus. Robertson. sua ordem inversa na última oração./ All to leave. A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman. muitos manuscritos que refletem antigüidade e ampla representação geográfica omitem a conjunção s[ti (que). almejei ou conheci. a sua repetição.41 h`mei/j)))u`mei/j – note-se. Expressões e Construções em Grego em 4.poij e significa “para o mundo. destituído.menoi – o particípio presente de loidore. meu único bem serás. abandonado. p. despised.qhmen (nós nos tornamos) no versí- culo 13. por fim.w (eu injurio) pode ter um sentido concessivo (“embora sejamos injuriados”). todo esse segmento tem todos os verbos finitos e os particípi- os no tempo presente.r – uma afirmação parentética que significa “pois em mi- nha opinião”. T./ Yet how rich is my condition:/ God and heaven are still my own. Porém. 11-13) começa e termina com uma referência ao tempo. Pereça qualquer apaixonada ambição.

para os envergonhar”. Suas palavras são palavras de um pai que. elas são incapazes de apagar. 15 207 Versículo 13 perikaqa. ao que parece. . TDNT. Ele os admoesta a prestar atenção às suas palavras. o termo indica “o que foi raspado”. d. Paulo havia censurado asperamente os coríntios.4). A desinência &ma desse substantivo denota o resul- tado da ação.14.yhma – da preposição peri. 1 CORÍNTIOS 4. mas agora ele vol- ta-se a eles como um pai amoroso que tem cuidado pelos seus filhos (ver 2Co 6.42 Paulo dirige-se aos coríntios em amor genuíno. peri. pois eu. e do verbo ya. corrige seus filhos.31. mas para admoestá-los como a amados filhos meus. vol. Colossenses 1. Com relação ao verbo grego nouthetein (admoestar). 4. pois é o pai deles em Cristo. A vergo- nha deixa uma marca indelével na mente delas. Admoestação 4. não teriam muitos pais. assim. “não. raspo). 1022. Uma das coisas que as crianças mais receiam é serem envergonhadas na presença de seus amigos.28.14-17 14. Nos versos seguintes. 2Co 9. 43.43 15. 42. tornei-me pai de vocês em Cristo Jesus. “para admoestá-los”.zw (eu limpo) significa o resíduo da ação de esfregar um objeto.w (esfrego. 3. 2 Tessaloni- censes 3. Ele quer que os coríntios o escutem para benefício deles mesmos. que. p. A igreja de Corinto não quer ser desonra- da na presença de outras igrejas na Acaia.13. ver Atos 20. Romanos 15.16. (ao redor) e o substantivo derivado do verbo kaqari.11). assim como eles são os seus filhos. que é uma palavra paulina. Não escrevo estas coisas para os envergonhar. Depois de uma oração negativa..14. Johannes Behm. em amor. pelo evangelho.rma – esse composto de peri. Macedônia e Ásia Menor (comparar com 6.15.19..12. Mesmo que vocês tivessem incontáveis assistentes em Cristo.5. Gl 4. 1Ts 2. 1 Tessalonicenses 5. ele revela o conteúdo de sua admoestação. ele usa o adjetivo amados. Pau- lo faz uma observação positiva.

protegê-la de perigos e de más influências. O pai era muito mais chegado ao filho do que o pedagogo jamais poderia ser. outras literaturas sagradas judaicas e a tradição oral) era considerado um pai. Paulo chama a atenção para o conceito pai. pelo evangelho. Consultar Norman H. b. NovT 29 (1987): 150-76. 3. castigar e corrigi-los com respeito à conduta e à doutrina cristã. . Young. gramática e dicção. pp.45 Assim. 44. do qual se originou o termo pedagogo. Paulo emprega o termo pai- dagogos.15 a. além de Apolo e de mim mesmo. um mestre que ensinasse aos seus alunos a Torá (as Escrituras do Antigo Testamento. SB. vocês tivessem sido guardados por muitos assistentes que os tivessem conduzido a Cristo. Ele era incumbido de disciplinar a criança. 45. “Mesmo que vocês tivessem incontáveis assistentes em Cristo. sou seu pai espiritual que primeiro lhes ensinou o evangelho”. De uma perspectiva judaica.11). Por dezoito meses. “Paidagogos: The Social Setting of a Pauline Meta- phor”. vol. Dessa forma. mas nenhum poderia ter muitos pais espirituais. suponham que. Paulo exagera propositadamente quando sugere que os coríntios te- riam dez mil pedagogos para cuidar. mas apenas um pai biológico. Em vista disso. poderia verdadeiramente dizer que em Cristo Jesus ele era o progenitor espiritual da igreja de Corinto. cuidava dele quando estava doente. Veja que um pai que contrata um pedagogo continua sendo responsável pela educação de seu filho. Paulo afir- mou sua autoridade apostólica com relação àqueles membros da igreja que a questionavam. Paulo havia trabalhado para estabelecer a igreja em Corinto (At 18. Ele diz aos coríntios: “Por um momento. e atendia às suas necessidades até que o menino alcançasse a adolescência. “Não teriam muitos pais. 340-41. Não obstante.” Cada pessoa pode ter inúmeros professo- res.” Com certo exagero. castigá-la sempre que necessário. um pedagogo era um escravo doméstico ou um homem livre que acompanhava o filho (ou os filhos) de pais abastados até a escola e de volta para casa. Paulo observa que os coríntios poderiam presumivelmente ter inumeráveis pedagogos para conduzi-los a Cristo. e ajudar a criança na pronúncia correta. pois eu.208 1 CORÍNTIOS 4.44 Ele ajuda- va o menino a fazer seu dever de casa. Na cultura helenísti- ca. tornei-me pai de vocês em Cristo Jesus.

Embora outros obreiros. con- clamou-os a seguir a Cristo e demonstrou seu amor constante para com eles. De Boer. ver também Gl 4. Falando como seu pai espiritual. 48. de John Richard de Witt (Grand Rapids: Eerdmans. tivessem ido a Corinto para auxiliar no ensino e na edificação dos membros da igreja.7.16. 17. Paulo demonstra seu amor para com seus 46. . cuidado. vemos que a igreja não produziu os apóstolos. a. 16. Imitadores. que se revela no evangelho.”48 Esse relacionamento íntimo. “Quanto mais íntimo o relacionamento de pai e filho. Silas. Em outra parte dessa epístola. Paulo espera que os coríntios si- gam seu exemplo. ele escreve: “Sejam meus imitadores. 450. os quais saíram para fundar a igreja. Wilhelm Michaelis. p. “‘Become imitators of me’: The Pauline Conception of Apostolic Tra- dition”. 1 CORÍNTIOS 4. Paulo pode chamar a si mesmo de pai dos coríntios. mas também espiritualmente a semelhança de seu pai e sua mãe. Elas re- produzem o modo de vida de seus pais. mais as semelhanças se desenvolvem. TynB 42. Stanley. o qual os lembrará dos meus caminhos em Cristo Jesus. Eva Maria Lassen. 9). Paulo levou o evangelho aos coríntios. p. se funda no amor. 2Ts 3. eles o fizeram sob a autoridade última de Paulo. exatamente como eu ensino em todos os lugares em cada igreja. 668. ob- viamente. 1975). M. Fp 3. “The Use of the Father Image in Imperial Propaganda and 1 Corinthians 4:14-21”. vol. ao contrário. Bib 40 (1959): 859-77. As crianças refletem não ape- nas fisicamente. como também eu sou de Cristo” (11. 17 209 Se examinarmos essa questão de uma perspectiva diferente. está imitando a Cristo. entre os quais estavam Timóteo. ensinou-lhes o modo cristão de viver. 153. 4.1. Herman N. que é meu filho amado e fiel no Senhor. O que Paulo está tentando dizer é que se alguém está imitando a ele. The Imitation of Paul: An Exegetical Study (Kampen: Kok. Apolo e Tito. Paulo os conclama a imitar a Cristo. TDNT. orientação e ensino. D. testemunhou seu nascimento espiritual. Paulo.1 (1991): 127-36. aprendem verdades elementa- res e adotam seus valores fundamentais. ele os chama a serem seus imitadores e a adotar seu teste- munho pessoal de Cristo. eu os admoesto a que sejam meus imitadores. Agora. Paul: An Outline of His Theology. estou mandando a vocês Timóteo. Ridderbos. trad. Desde que nascem.17. Por essa razão.46 Por meio do evangelho de Cristo. 1962). as crianças são dependentes de seus pais para a sobrevivência. Portanto.12. Willis P. p. 47.47 Por implicação. Jesus Cristo capa- citou os apóstolos.

16. 2Tm 1.210 1 CORÍNTIOS 4. c. O raciocínio é que quando um escritor envia uma carta ou um mensageiro. Fp 2. quando Paulo teve de deixar Filipos. Instrução.16. o ato de enviar ocorreu no passado. NKJV). não temos evidência de que Timóteo tenha sequer ido até Corinto (ver. o que sugere que Paulo instruiu Timóteo a viajar a Corinto. “Por essa razão. 1Ts 3. que é meu fi- lho querido e fiel no Senhor”. Paulo está enviando Timóteo aos coríntios.10. Filhos.1-3. b. Como um pai natural normalmente ama seu filho. esperaríamos que Paulo incluísse seu nome nas saudações. Para os destina- tários. isso acontece no presente. Timóteo aprendera a fé de sua avó Lóide e de sua mãe Eunice (2Tm 1.5). “[Timóteo] os lembrará dos meus caminhos em Cris- to Jesus. Tessalônica e Beréia. A maioria dos tradutores traduz o grego literalmente: “enviei”.8-21).D. Paulo chamou Timóteo de “meu filho amado e fiel no Senhor”. Se Timóteo tivesse estado com Paulo nessa época. já era cristão há algum tempo. Timóteo foi traba- lhar em seu lugar (AT 17. 55).1. Quando Timóteo mais tarde acompa- nhou Paulo.” Como filho espiritual de Paulo.15. No entanto. Isso significa que Paulo considerava a si mesmo o pai espiritual de Timóteo. Ele devia lembrá-los da . estou enviando Timóteo até vocês.22. coloca-se no lugar dos que vão recebê-la.2.1-3) e. ao que se presume. E Timóteo provou sua lealdade filial para com Paulo no serviço ao Senhor. Junto com a carta. 17 filhos espirituais ao chamá-los de “filhos amados” (v. Paulo come- çou a escrever a Primeira Epístola aos Coríntios.2. Outros tradutores preferem a forma presente do verbo: “Estou en- viando”. Por esse tempo (A.11). ele foi muitíssimo bem recomendado pelos cristãos em Listra (At 16. porém. assim Pau- lo amava profundamente o seu filho espiritual (1Tm 1. comparar com Fm 10). Sabemos do livro de Atos e das Epístolas de Paulo que Timóteo freqüentemente completava as tarefas que o pró- prio Paulo estivesse impossibilitado de fazer. Timóteo precisa refrescar a memória dos filhos espirituais de Paulo em Corinto. pressupomos que ele tenha se convertido quando Paulo e Barnabé estiveram em Listra e Derbe em sua primeira viagem missionária (At 14. exatamente como ensino em todos os lugares em cada igreja. 6). como em 2 Coríntios 1. Mas do ponto de vista de quem envia. 14. Por exemplo.

Acaso Paulo está desconside- rando o mandamento de Jesus? Não necessariamente. Carson. JQR 13 (1900-1901): 567-80. “Abba. Jesus diz aos doze discípulos e às multidões que rejeitem o título rabbi como um título para si próprios. 1984). especialmente os grandes mestres”. 12 vols. Paulo afirma que. 15). 475.49 Jesus os admoesta contra o uso de títulos que promovam o orgulho nas pessoas que são dessa forma honradas. 49. No Novo Testamento. org. que é assim honrado e glorificado. por Frank E. D. Father: Title of Spiritual Leader and Saint”. Matthew. K. Quando Paulo usa a figura de linguagem de pai e filhos. ele a qualifica dizendo: “pois eu. As palavras de Je- sus precisam ser entendidas dentro do contexto em que foram ditas. no vol. imediata- mente pensamos na palavras de Jesus quando proferiu seus ais contra os fariseus: “A ninguém sobre a terra chamem de pai. 1 CORÍNTIOS 4. mas Jesus Cristo. Considerações Doutrinárias em 4.14-17 211 conduta cristã de Paulo.9). aquele que está nos céus” (Mt 23.33). Não há lugar. E seu ensino ali é semelhante ao que os coríntios haviam recebido alguns anos antes. p. portan- to. .14-17 Quando Paulo escreve que é o pai dos cristãos coríntios. pelo evangelho. aqui referida como “dos meus caminhos em Cristo Jesus”. Ele estivera ensinando. Compõem as atividades desenvolvidas por Paulo em prol de Jesus Cristo e da edificação da igreja. Paulo e os demais apóstolos jamais são chamados de pai quando outros se dirigem a eles. 8 de The Expositor’s Bible Commentary. Paulo crê e defende a unidade da Igreja de Jesus Cristo (ver 7. tornei-me pai de vocês em Cristo Jesus” (v. A. Em seu discurso contra os fariseus.8). nutrir e orar.17. Kohler. Não é Paulo. ninguém deveria pensar que não estivesse traba- lhando em outro lugar. aconselhar. porque só um é Pai de vocês. para divisões e doutrinas que sejam contrárias ao evangelho. Então. muito embora não tenha visitado a igreja de Co- rinto por algum tempo. (Grand Rapids: Zondervan. Esses caminhos referem-se ao trabalho que Paulo reali- zou durante sua estada entre os coríntios: ensinar. O termo os pais “tornou-se uma maneira muito comum de se referir aos antigos professo- res da lei. pregar. Além do mais. Gaebelein. formar. diz a eles que ninguém os deveria chamar de pai porque Deus é o Pai de todos eles. principalmente em Éfeso e na província da Ásia. 14. pois eles têm apenas um mestre (Mt 23.

. 19. Versículo 17 e.51 eva. Robert Hanna. mas aqui o contraste das palavras ouv)))avlla.pw (eu torno [alguém] envergonhado). Normalmente. 1983). mas em breve irei visitá-los. 50.14-17 Versículo 14 ouvk evntre.212 1 CORÍNTIOS 4. a par- tícula mh. Ambas as leituras têm apoio equivalente nos manuscritos. e.n)))e. faz paralelo com a oração “que é meu filho amado e fiel no Senhor”.ouj – esse adjetivo no plural masculino acusativo não significa “dez milhares” mas sim. como se eu não estivesse indo até vocês. essa leitura com o particí- pio presente é preferida ao verbo infinitivo nouqetw/. Expressões e Construções em Grego em 4.14-17 Palavras. p. Visita em Breve 4. p.chte – com o verbo no subjuntivo. re- quer um abandono da regra. se o Senhor quiser. Alguns se tornaram arrogantes. evgw. “incontáveis”. u`ma/j – observe-se que esses dois pronomes pessoais colocados juntos um do outro indicam o relacionamento estreito entre Paulo e os coríntios. “estou enviando”. 529. Bauer. o[j u`ma/j avnamnh. A Grammatical Aid to the Greek New Testament (Grand Rapids: Baker.w (admoesto). 291. O advérbio avllV na apódose (a segunda parte da oração) significa “ao menos”. a oração subordinada condi- cional expressa ceticismo.18-21 18.pemya – o ativo aoristo de pe. Essa oração subordinada expressa finalidade.mpw (envio) é provavelmente o aoristo epistolar.pwn – a partícula negativa ouvk precede o particípio presente ativo de evntre. Versículo 15 muri.50 nouqetw/n – do verbo nouqete. 51.sei – “o qual os lembrará”. rege particípios. contudo o uso do particípio é uma característica predominante nos escritos de Paulo.

b. 100. ainda que esses líderes estivessem espalhan- do o rumor de que Paulo não iria a Corinto. Fp 1.3. Depois de viajar pela Mace- dônia.11. 1 CORÍNTIOS 4. 6). A arrogância torna uma pessoa cega para a realidade. Calvino. Comunica-lhes. o Senhor diz: “A soberba. Paulo quer que esses coríntios orgulhosos reconheçam sua ofensa e se arrependam.4). eu os aborreço” (Pv 8. 3. Antes que ele transfira sua atenção para questões de disciplina. Contudo. Escreve que está para chegar em breve. pretende ir até Corinto e passar algum tempo ali. C. “Em breve. de forma que esse mal não venha a contaminar toda a congregação. Cl 1. Asserção. a arro- gância.21). Aparece não só na forma de um espírito de divisão. inclusive. Paulo uma vez mais urge tais pessoas que são líderes arrogantes a prestarem atenção (comparar com 1. Sentiam-se provavelmente seguros.10).4.4. “eles sabem muito bem que Paulo está equipado com o poder de Deus”.3. talvez todo o inverno (16.3. Paulo se lembrava diariamente das igrejas em oração e continuava pessoalmente interessado em seu bem-estar espiritual (1. Esses são pecados que alguns dos coríntios cometiam (comparar com 5.4.52 c. Paulo retorna à discussão da arrogância que era de- monstrada por alguns dos coríntios (ver v. 2Ts 1.1). pois esse pecado conti- nua como um mal arraigado na congregação. pensando que a presença de Timóteo revelasse a falta de inte- resse de Paulo em relação à igreja de Corinto. 2Co 10. Eles subestimavam o cuidado amoroso de Paulo para com a igreja e sua intenção de visitar as igrejas na Macedônia e na Acaia (At 19.3). I Corinthians.9.3. Os líderes arrogantes em Corinto pensavam que Paulo permaneceria em Éfeso e não visitaria os coríntios.” Paulo fala com determinação. irei visitá-los.2.18. Personificado como sabedoria. 19 213 e então vou conhecer não a palavra daqueles que são arrogantes.5-7). a.2.12. 1Ts 1. p. Estava determinado a visitá-las.1-3. mas também na falta de respeito para com Paulo (ver 9. o mau caminho e a boca perversa. . 52. provavelmente no ano 56 d.13b). mas o poder que eles têm. pois está indo de fato visitar a igreja de Corin- to.8). 8. Arrogância. Intenção. que deixará Éfeso depois do Pentecoste (16. se o Senhor quiser.

Se esses homens estivessem cheios do Espírito Santo.214 1 CORÍNTIOS 4. Em outros textos. mas o poder que eles têm.1. Antes. 2 Timóteo 4. mas em poder (1Co 4.24. vou conhecer não a palavra daqueles que são arrogantes.13.9. 6. Paulo havia zombado dos coríntios ao chamá-los de reis (v.18.21. “E.20. . ele recorda o poder e o alcance universal da ação de Deus. 4. Ele não é seu próprio senhor. nem em palavra arrogante.5. 8). também ocorre com freqüência nas epístolas de Paulo. Gl 5. então. 2 Tessalonicenses 1. Paulo dá a devida ênfase ao senhorio de Jesus Cristo. 50. Paulo realça o aspecto presente do reino de Cristo. 1 Tessalonicenses 2.53 Em muitas passagens. Propósito. Com o conceito reino. 15. Colos- senses 1. Embora o termo apareça principalmente nos evangelhos sinó- ticos. que o envia aonde quer que a presença de Paulo se fizer neces- sária. Paulo escolhe cuida- dosamente suas palavras. Romanos 14. Nas observações finais dessa parte da carta. não teriam a capacidade de edificar a igreja. Ef 5.12). 1 Coríntios 4. Ele quer conhecer que influência esses líderes têm exercido sobre os membros da igreja.12.20 Paulo qualifica suas intenções com a oração subordinada condici- onal se Deus quiser (ver também 16. o reino não consiste em comida ou bebida (Rm 14.10.11.9. Mas se eles estivessem sem o Espírito Santo.17. Ele sabe que está a serviço do Senhor. Gálatas 5. Paulo planeja permanecer por algum tempo em Corinto para descobrir se tais líderes tinham sido capacitados com poder espiritual para levar adiante a causa de Cristo. “O exercício do senhorio implica o exercício de um 53. Por exem- plo.19-21. Porque o reino de Deus consiste não em palavra.17). Essa é a primeira vez que Paulo emprega a palavra reino nessa epístola.10.” Paulo não está interessado em saber o que os seus oponentes têm a dizer. mas em poder.5. ele salienta o aspecto escatológico do reino: pessoas ímpias não o herdarão (6. d. pois suas acusações foram proferidas enquanto ele estava ausente.7). teriam sido capazes de exercer uma liderança positiva na igreja. 20. Efésios 5. Em suas referências ao reino. mas pertence ao seu Senhor Jesus Cristo.20) e em vidas que são dignas de Deus (1Ts 2. mas agora ele lhes ensina a doutri- na de que Cristo governa com poder em todo o seu reino.5).

Toda a autoridade nos céus e na terra lhe foi dada (Mt 28. 15). que é sim- 54. p. The Interpretation of St. mas a toda a igreja de Corinto.57 Paulo oferece a alternativa de ir a Corinto com uma vara de poder espiritual que lhe foi dada por Jesus Cristo. Entramos nesse reino “somente por causa do poder salvador de Deus. Na pri- meira. O Novo Testamento descreve Cristo dotado de poder absoluto. Acaso Paulo vai a Corinto como um mestre-escola ou assistente que aplica a vara aos alunos desobedientes?56 Essa interpretação literal se ajustaria ao contexto em que Paulo mencionou os pedagogos ou assis- tentes que eram incumbidos de corrigir o comportamento de crianças (v. Columbus: Wartburg. Robert W. O que vocês querem? Devo ir a vocês com uma vara ou com amor e espírito de mansidão? Paulo encerra seu discurso fazendo duas perguntas diretas. Evanston and Londres: Harper and Row. interroga seus leitores sobre o que eles querem que ele faça. p.18). 303.4. está qualificado a corrigir o povo com a autoridade da Palavra de Deus. Ele é o representante de Cristo e. 57. Carl Schneider. and Word of God: The Problem of Langua- ge in the New Testament and Contemporary Theology (Nova York. C. “Devo ir a vocês com uma vara?” Como interpretamos a palavra vara? Ela pode ser compreendida literalmente ou de modo figurado. Funk. R. 55. Jesus Cristo governa de maneira suprema pelo exercício do poder espi- ritual (5. 968. dá a eles uma alternativa: desejam ser punidos ou amados? Ele não faz a pergunta somente aos arrogantes. No entanto. 429. 1966).55 21. 202. que nos transforma de um modo maravilhoso e nos torna participantes de seu reino”. uma explicação figurada é válida se entendemos que Paulo vai a Corinto com “uma palavra de poder”. .”54 Muito embora Paulo omita o nome Jesus nesse versículo. Cada um na congregação é co-responsável pelo dano que o partidarismo e a arrogância causaram. 1946). 6. Por causa de sua responsabili- dade corporativa. Hermeneutic. p. 56. vol.1). 1 CORÍNTIOS 4. H. a. ver também Mc 9. o reino de Deus pertence a Cristo. New Testament Theology. todos agora devem responder à pergunta de Paulo. Guthrie. Language. assim. TDNT. Lenski. portanto. Na segunda.21 215 domínio que está intimamente ligado à idéia de reino dinâmico visto no ensino de Jesus. No reino de Deus. p. Paul’s First and Second Epistle to the Corinthians (1935.

lqw. chorou por ela porque os seus habitantes deixaram de reconhecer que em Jesus Cristo o próprio Deus estava vindo até eles (Lc 19. Em harmonia com o ensino de Cristo.216 1 CORÍNTIOS 4. que ocorre duas vezes no versículo 20. o faz com amor.41-44). Durante seu ministério terreno. Paulo agora está perguntando aos coríntios se eles querem que ele vá e os perdoe em amor e mansidão ou os castigue no caso de eles se recusarem a se arrepender. vol. 163-64. Jesus disse palavras de censura e de lamento (Mt 23.23). Versículos 20. Essa partícula introduz um pensamento subjetivo de alguns coríntios.5. Se os re- preende.18-21 Versículo 18 w`j – “como se”. exige o dativo dos substantivos palavra e poder. Palavras. Ap 2. Expressões e Construções em Grego em 4. 19. ele preferiria ir como um pai amoroso para falar a filhos arrependidos. Assim.w (eu incho) deve ser tradu- zido no perfeito composto: “alguns se tornaram arrogantes”. “[Ou devo ir a vocês] com amor e espírito de mansidão?”. 11.21 evn – a preposição.27. a saber. Por ocasião de sua entrada triunfal em Jerusalém.6]. Preferiria poupá-los a puni- los. Como já tem demonstrado por palavras e ações. Margaret Embry.9).8 [Sl 45. Jesus ensinou os seus seguidores a promover um espírito de mansidão (Mt 5. desde que se arrependessem (comparar com 2Co 1. evfusiw. .18-21 bolizado por uma vara (Hb 1.37-39). É um dativo descritivo evn r`a. o apóstolo preferiria ir até eles com brandura. A escolha é deles.5.9]).58 b.29). ele próprio chegou mansamente caval- gando um jumento (Mt 21. ver Zc 9. 14). Se a escolha fosse deixada para o apóstolo.bdw| – a preposição com o substantivo no dativo denota acompa- nhamento (“com vara”) e deve ser ligada ao verbo e. Cristo utiliza essa vara para a destruição final do mal. Esse verbo no aoristo é um subjuntivo deliberativo: “Devo ir a vocês?” 58. 1.qhsan – o passivo aoristo de fusio. pp. NIDNTT.5.15 [Sl 2. mas quando ele avistou Jerusa- lém. seu amor por eles é genuíno (ver o v. “Paulo não virá”. 12.

Paulo serve-se de ironia. Deus espera que eles sejam fiéis. têm fome e sede. Para fazer os coríntios voltarem ao seu juízo. realizam trabalho ma- nual para o seu próprio sustento. deviam dei- xar que o Senhor os julgue. mas uma adjunção. A partir daí. de modo que não podem se vangloriar como se sempre as tivessem possuído. carecem de agasalho e de abrigo. Conclui perguntando se desejam receber castigo ou amor e brandura. revela como os apóstolos vivem para Cristo e para o evangelho de Cristo. pois ele revelará os que está oculto no coração dos homens e ele os louvará. diz a eles que lhes envia Timóteo para lem- brá-los do exemplo de vida do apóstolo e que ele mesmo em breve irá visitá-los. pois respondem a ele e não a homens. Os coríntios não deveriam julgar os labores desses apóstolos. por Paulo. Paulo admoesta os coríntios a não irem além do que está escrito e não serem arrogantes uns para com os outros. de seus filhos amados. 1 CORÍNTIOS 4 217 te – essa partícula não é uma conjunção. São maltratados física e verbalmente. Diz a eles que tudo o que possuem lhes foi dado. porém fortes. perguntando se eles são ricos e se go- vernam como reis. em vez disso. Sumário do Capítulo 4 Paulo ensina aos coríntios que ele e os demais apóstolos são servos de Cristo e mordomos dos mistérios de Deus. São fracos. Ela com- bina componentes iguais. . pois ele é o pai espiritual deles mediante o evangelho. Os coríntios são chamados. mas mostram paciência e bondade. Paulo os conclama a seguirem o seu exemplo.

218 .

219 5 Imoralidade e Litígios. parte 1 (5.1-13) .

Uma Ilustração Oportuna 5.1-8 1. Um Irmão Imoral 5. Incesto 5. Falha na Comunicação 5.1.6-8 b.6. Imoralidade e Litígios 5.5 a.12.9-11 a. Excomunhão 5.9-13 2.1.20 B.220 ESBOÇO (continuação) 5. Um Julgamento .13 b.

já julguei o homem que assim agiu. para que vocês sejam uma massa nova. isto é. com o fermento da malícia e da maldade. Imoralidade e Litígios 5. assim como vocês são. Incesto 5. 2. 6. no nome do nosso Senhor Jesus entreguem esse homem a Satanás para destruição da carne. Deu a entender que se eles se arrependessem. Pois na ver- dade Cristo foi sacrificado como nosso cordeiro pascal. mas sim com o pão não fermentado da sinceridade e da verdade. Joguem fora o fermento velho. Não sabem que uma pequena quantia de fermento faz crescer a massa toda? 7. Realmente foi noticiado que existe imoralidade em seu meio. vamos cele- brar a festa. como se eu estivesse presente. ou seja. 221 CAPÍTULO 5 5 1. mas presente em espírito. 4. Esse pecado hediondo à vista de Deus e do homem . Vocês se vangloriarem não é bom. Paulo havia dado aos coríntios uma escolha: ele deveria ir a eles com uma vara ou no espírito de amor e brandura. 3. 8. Ele soube que alguém na igreja cometeu o pecado do incesto e que essa pessoa não foi repreendida pelos mem- bros da igreja.1-8 Na conclusão do capítulo anterior.20 1. teria de castigá-los com uma vara. e de tal espé- cie que não acontece nem mesmo entre os gentios. caso contrário. E vocês são arrogantes! Não deveriam estar se angustian- do? Expulsem de seu meio o homem que praticou esse ato. Essa conclusão serve de ponte para o novo assunto que Paulo quer discutir com os coríntios. B. 5. não com o velho fermento. Pois mesmo eu estando pessoalmente ausente. ele seria para eles um pai amoroso. sem fermento.1.6. que um homem tem a esposa de seu pai. de modo que seu espírito possa ser salvo no Dia de nosso Senhor. Quando vocês se reunirem e eu estiver em espírito com o poder de nosso Senhor Jesus. Portanto.

Em contraste. “Existe imoralidade em seu meio. que um homem tem a esposa de seu pai. contudo. Um Irmão Imoral 5. Se um filho tivesse relações sexuais propositadamente com sua madrasta. isto é. . holos. “geral- mente” ou “completamente”. a expressão esposa de seu pai significava “madrasta”. Transmite mais o sentido de “por intei- ro” do que universalidade1 e significa que a história toda foi relatada. Deus disse repetidamente aos israelitas: “Não tenham relações sexuais com a esposa de seu pai. al- guns rabinos judeus condenavam o casamento de um filho prosélito 1. Tanto o homem. Realmente foi noticiado que existe imoralidade em seu meio. a. “Realmente foi noticiado. por causa de sua falha em agir.” A primeira palavra da sen- tença grega. Nos meios judaicos. ver o comentário). na BJ lê-se “Foi-me contado como fato indubitável”. Por ter a posição inicial na sentença. Notícia. Paulo não está interessado em reve- lar quem foi que espalhou a notícia.8. o advérbio é enfático e modifica a expressão impessoal foi noticiado. Embora a mulher não fosse aparentada biologicamente com o filho. a comunidade teria de condená-lo à morte por apedrejamento. mas Paulo passa a impressão de que o pai ainda vive (Gn 35.20).1 precisa ser extirpado. é um advérbio que significa “realmente”.7). 9. por causa de seu ato de incesto.. isso o desonraria” (Lv 18. 20. como a igreja.30. Ele só declara o fato e não fornece detalhes. e de tal espécie que não acontece nem mesmo entre os gentios. A SEB tem “Está sendo contado em toda parte”.22. b. Conteúdo. 27. por causa dos votos de casamento com o pai dele. são culpados de pecado. exceto para dizer que numa carta anterior ele havia advertido os coríntios a não se associarem com pessoas imorais (v.. ela lançava o filho num pecado ao ter relações sexuais com ele.222 1 CORÍNTIOS 5. Dt 22. Am 2. Será que um filho estaria livre para se casar com sua madrasta se seu pai tivesse morrido? Nos primeiros dois séculos da era cristã.1-5 1. um homem tem a esposa de seu pai.” Paulo faz um relatório sobre a imoralidade que diz respeito a um membro da igreja e a esposa do pai desse homem. Não nos é dito se a mulher é uma crente ou se o pai do homem está vivo. ou como ele recebeu a notícia. a.

Paulo pro- põe: “Vocês não deveriam antes estar angustiados?” Agora que os aler- tou sobre uma mancha sobre o corpo da igreja.6. 3. ele lhes pede que come- cem um período de lamentação. 358. Paulo faz referência aos gentios para incitar a comunidade cristã a agir. “De tal espécie que não acontece nem mesmo entre os gentios. vol. 10. Paulo en- frenta a dificuldade de procurar raciocinar com pessoas a quem falta humildade e constrangimento. Assim como uma maçã podre pode estragar todo o conteúdo da caixa.12. porque alegam possuir conhecimento superior (3. 19). Com uma pergunta retórica que espera resposta positiva. mas haviam se casado com mulheres estrangeiras 2.23). O Antigo Testamento fornece o exemplo de Esdras. 3.2). porque ele sabe que os líderes já tinham desviado outros. Não obstante. em vez de permitir que um membro envergonhe a congregação toda.1. No capítulo anterior ele havia declarado que alguns dos coríntios eram arrogantes quanto ao modo de falar (4.2 223 com sua madrasta pagã. 18.18. Tinham voltado a Jerusalém e construído o templo. SB. Por que os coríntios haviam negligenciado em castigar essa pessoa imoral e não a haviam expulsado? As palavras de Paulo são mordentes: “Vocês são arrogantes”. p.11-14. Pensam que estão livres para decidir não fazer nada a respeito dessa maldade (6. que chorava por causa da infidelidade dos exilados. Paulo condena o ato e chama a atenção para a conduta dos gentios a respeito dessa questão. assim um pecador irresponsável pode tornar toda a igreja coríntia ine- ficaz em seu testemunho à comunidade gentia.”3 Quando Paulo menciona a palavra gentios. ele certamente deseja indi- car a severidade do pecado que o membro da igreja havia cometido.2 Será que os judeus e os prosélitos de Corinto tinham tomado conhecimento dessa prática de tolerância? Não sabemos. Agora ele se dirige a todos os crentes em Corinto. Eles já vêm sendo soberbos há algum tempo e continuam a ser orgulhosos. Cícero condena o incesto: Pro Cluentio 5. mas outros o toleravam. 8. O verbo angustiar-se refere-se a en- tristecer-se pelo pecado cometido quer pela própria pessoa ou por ou- tros. 1 CORÍNTIOS 5. . 2. E vocês são arrogantes! Não deveriam estar se angustiando? Expulsem de seu meio o homem que praticou esse ato.

excluí-lo.4 Paulo diz aos corín- tios que também entrem num período de lamentação. Os coríntios precisam deixar seu orgulho. 13).” Nos versículos 2 e 3. Concessão. mas presente em espírito. b. Ver também Brian S. a própria comunidade cristã será colocada sob condenação divina (v. Admite que a distância geográfica o separa dos destinatários de sua carta. com o concomitante arrependi- mento da igreja. assim demons- trando arrependimento com tristeza piedosa. Paulo diz: “Expulsem de seu meio o homem que praticou esse ato”. por assim dizer. “Pois mesmo eu estando pessoalmente ausente. Precisa ocorrer a disciplina. p. . mas isso não significa que suas palavras escritas possam ser re- cebidas de modo leviano. ele coloca o pro- nome vocês do versículo 2 contraposto ao pronome eu do versículo 3. já julguei o homem que assim agiu. Subseqüentemente eles se humilharão diante de Deus.1-6). Para ênfase. e dirige a reunião da assembléia da igreja local. e sentirão sua presença amorosa. Rosner “‘ouvci ma/llon evpenqh. Ao contrário. mostrar obediência re- novada à lei de Deus e expulsar o homem mau da igreja. Bauer. 3. Do lado inverso. O grego indi- ca que o homem cometeu um ato de imoralidade. e nesse sentido a está liderando pessoalmente. Chegou o momento para a disciplina da igreja. limpa e purifica o corpo de Cristo. a. não que ele continua a praticá-lo. 642. já julguei o ho- 4. como se eu estivesse presente. ele está com a igreja em espíri- to. Paulo abertamente dá seu parecer sobre a questão da imoralidade. Paulo sabe que ele e os coríntios têm de remover a mancha da congregação. Julgamento.224 1 CORÍNTIOS 5. NTS 38 (1992): 470-83. mas presente em espírito. Se os coríntios não expulsarem o homem imoral da igreja.3 que pertenciam ao povo à volta deles (Ed 10. assim como o cirurgião precisa usar o bisturi para remover o tumor maligno do corpo do paciente. A igreja de Jesus Cristo é caracterizada pela santidade e deve tirar o pecador ostensivo e não arrependido.sate’: Corporate Responsibility in 1 Corinthians 5”. Em espírito ele toma na mão o martelo. “Como se eu estivesse presente. Ele faz isso por meio de oração em favor dos coríntios e mediante sua epístola. ex- cluindo-o. Pois mesmo eu estando pessoalmente ausente.

4. Bauer traduz a combinação de assim e isso como “tão ignobil- mente” (p. Cassirer. Paulo não determina um procedimento detalhado para a disciplina da igreja. ele ressalta que o ato de pecar aconteceu no passado e tem efeitos que perduram para a igreja. Grosheide.15-17). eles deveri- 5. KJV. Numa assembléia correta. Além disso. que lhes prometeu em pessoa que estaria presente onde houvesse dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18. 1953). zelosamente a incluem para mostrar a ênfase pretendida por Paulo. Algumas traduções. assim. NKJV. 1 CORÍNTIOS 5. 597). não há dúvida nenhuma aqui do juízo divino como no caso de Ananias e Safira. Ele escreve no passado perfeito. e em essência ele é redundante quando diz: “como se eu estivesse presente”. . NASB. mas sobre uma condenação. p. de modo que seu espírito possa ser salvo no dia de nosso Senhor. mas podemos esperar que a prática de confirmar a verdade por duas ou três testemu- nhas teria de ser seguida (ver Mt 18. No grego. eles devem invocar o nome de Je- sus. 121. 6.6 Paulo escreve uma seqüência de três conceitos que servem como demonstrativos (o homem. para indicar que to- mou uma decisão logo que soube do pecado. Para favorecer o estilo. New International Commentary on the New Tes- tament (Grand Rapids: Eerdmans. portanto. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. “Como Paulo não fala sobre uma ação. agiu). W. a igreja precisa excluir o homem que cometeu o crime. 4. Fala como se estivesse em Corinto. sem autoridade. “eu já julguei”.” Paulo diz à congregação que ele já agiu com respeito ao homem imoral. ele quer que a igreja aja. 5. F. A Paulo não está faltando autoridade. Ele instrui os membros a se reunirem em assembléia e a fazer isso como se ele esti- vesse presente. alguns tradutores omitem a palavra assim.”5 A fraseologia é enfática na cláusula o homem que assim agiu. Quando vocês se reunirem e eu estiver em espírito com o poder de nosso Senhor Jesus. guiada pelo seu juízo no caso. Exposition and Notes. no nome do nosso Senhor Jesus entreguem esse homem a Satanás para destruição da carne. Reunião.20). O objetivo das palavras de Paulo é induzir a igreja de Corinto a eliminar esse mal de seu meio imediatamente. Enquanto reunidos. no entanto. 5 225 mem que assim agiu. a. Que ninguém pense que Paulo está longe da cena e.

mas presente no espírito. org. não seria assim por várias razões. para entregar esse tal a Satanás para a destruição do corpo. Paulo escreve repetidamente: “eu estou com vocês”. no grego ele emprega o adjetivo pessoal enfático meu com o substantivo espírito. 1 Corinthian.. 7. MacRae. Essa sentença única fica desa- jeitada e deixa de comunicar a intenção de Paulo. a expressão em espírito é sinônima da frase “o poder de nosso Senhor Jesus”. como se sua presença física fosse real e sua presença espiritual ilusória. . o que revela tensão e agitação interior. quando vocês se reunirem e meu espírito. Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia : Fortress. Primeira. Quando vocês estiverem reunidos. como apóstolo. com respeito àquele que fez esse fei- to. Traduções. com o poder de nosso Senhor Jesus Cristo. A dificuldade com que nos deparamos é a pontuação dessa passagem (vs. 3-5). No uso idiomático em nossa língua. 1987). 4 e 5. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. 8. Terceira. como fica evidente nas seguintes traduções. ele exerce poder divino. Hans Conzelmann lista seis opções e Leon Morris sete.226 1 CORÍNTIOS 5. esse adjetivo é omitido. Paulo fala com a autoridade apostó- lica que Jesus lhe delegou. pp. por George W.. p.4. trad. Não. série Tyndale. para que o espírito possa ser salvo no dia do Senhor Jesus” (KJV). “Pois eu. New Testament Commentaries (Leicester: Inter-Varsity: Grand Rapids: Eerdmans. coloquei a frase em nome do nosso Senhor Jesus como parte do versículo 5. Como deverá ser interpretada a frase no nome do Senhor Jesus? Essa frase pode modificar uma das quatro8 cláusulas em itálico: “Eu já pronunciei a sentença em nome do Senhor Jesus sobre o homem que fez tal coisa. 1975). Leitch. de- vem entregar esse homem às mãos de Satanás”. ed rev. Paulo escreve uma sentença longa à qual falta fluência. Consulte. como ausente no corpo. 84-85. em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Segunda. Os tradutores dos tempos modernos apresentam sentenças mais curtas e introduzem pontuação apropriada. Em minha tradução. Mas mesmo assim perma- necem numerosas dúvidas. já jul- guei.. (RSV). por James W. 5 am saber que o próprio Paulo estaria com eles em espírito. de Conzelmann. como se estivesse presente. Não deveri- am menosprezar sua presença em espírito.7 O grego original indica que esses versículos podem ser inter- pretados como sendo uma só sentença ligada frouxamente. b. na verdade. Nos versículos 3. 97. Morris.

“Eu. Essa frase ocorre com os substantivos nome e poder e os torna indistinguíveis. e eu estiver com vocês em espírito com o poder de nosso Senhor Jesus”. Eles mantêm que os crentes que se reúnem no nome de Jesus sabem que ele é o cabeça e eles são o corpo (Ef 1. vocês devem. mas presente no espírito. é difícil decidir se a interpretação deve ser nosso Senhor Jesus ou o Senhor Jesus.. NTS 37 (1991): 1-21. Quando vocês estiverem reunidos. RB 84 (1977): 245. já julguei aquele que fez esta coisa em nome do Senhor Jesus. Muitos estudiosos endossam a segunda interpretação: “Quando vocês se reunirem no nome de nosso Senhor Jesus. por causa de variantes textuais. Jerome Murphy-O’Connor. os ouvintes tiveram de ligar a frase em questão ou às palavras que a precedem ou então àque- las que a seguem. Se seguirmos esse princípio. embora ausente de Corinto no corpo. Quando os oficiais da igreja leram essa epístola em grego nas congregações. entregar a Satanás um homem como esse” (Cassirer). Tendo em vista a fraseologia usual de 9. 5 227 “Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Je- sus. 1 CORÍNTIOS 5. A objeção que se faz a essa interpretação é a frase repetiti- va de nosso Senhor Jesus. Gerald Harris. então. faz sentido olhar uma frase no contexto do texto grego e ligá-lo à frase mais próxima. Inversamente. sim. E estes crentes sabem que onde dois ou três estão reunidos no nome de Jesus. e. Mas essa interpretação enfrenta algumas objeções.4.. poderemos favorecer a segunda ou a terceira interpretação. não é uma opinião pessoal. Primeiro.20).. .22. 3-5”. “The Beginnings of Church Discipline: 1 Corinthians 5”.. Muitos tradutores favorecem a primeira interpretação porque Pau- lo. no nome do Senhor Jesus. essa pessoa deve ser entregue a Satanás”. “1 Corinthians V. porém. fala com autoridade em nome de Jesus.. Seu veredicto. 23). ele estará em seu meio (Mt 18. entreguem esse homem a Satanás” (NIV). pronunciado em nome de Jesus e com a apro- vação deste. como quem está presente.9 “Quando vocês e meu espírito estiverem reunidos. A terceira interpretação transmite o sentido de que o homem come- teu o pecado sexual com sua madrasta no nome do Senhor Jesus..

Os coríntios devem obedecer a Paulo e agir com base na autoridade de Jesus. A ordem para entregar alguém a Satanás tem paralelo numa outra epístola em que Paulo escreve sobre pessoas que naufragam em sua fé: “Dentre estes se contam Himeneu e Alexandre. com a cláusula entregar esse homem a Satanás. Com exceção da frase no nome de nosso Senhor Jesus. Os crentes estão seguros na mão de Deus. deve recair sobre o co- mando de Paulo e a execução deste pela igreja.228 1 CORÍNTIOS 5. Suspeito que a última coisa que esse peca- dor invocaria seria o nome “de nosso Senhor Jesus”. 13). Veja G.20). A ênfase. Entregar alguém a Satanás é semelhante à ordem que Jesus deu aos discípulos: tratar um pecador impenitente como um pagão ou cobrador de impostos (Mt 18. . a sentença transmite a ordem de Paulo à congrega- ção de Corinto de expulsarem esse homem. então. Paulo diz: “[Eu já sentenciei]: no nome de nosso Senhor Jesus. A quarta interpretação parece a melhor.” Traduzi o ver- bo entregar como imperativo – o grego tem um infinitivo – para mos- trar a severidade do caso. finalmente. o versículo 4 deve ser entendido como uma afirmação parentética. entreguem esse homem a Satanás”. 10. Ele diz aos membros que quando se reunirem pre- cisam passar a agir. Cole.10 Quando os coríntios agirem. para serem ensinados a não blasfemar” (1Tm 1. EspT 98 (1987): 205. “1Co 5. Se ligarmos a frase prepo- sitiva. teríamos esperado que Paulo mencionasse o mau uso do nome de Jesus com uma repreensão cáustica. pois tanto o espírito de Paulo como o poder de Jesus estarão presentes. pare- ce haver uma incongruência na conduta de um filho cristão que teve relações ilícitas com sua madrasta gentia e invocou o nome de Jesus para justificar seu pecado. A. A excomunhão expurga o mal da igreja (compare com o v. serão ajudados pela presença espiritual de Paulo e pelo poder de Jesus. A ordem de Paulo para entregar uma pessoa a Satanás é o ato de excomunhão. E. Destruição. c. 5 Paulo (“nosso Senhor Jesus”) ao longo de toda a epístola – ele quase sempre fala de “o Senhor” sem a identificação Jesus – os estudiosos preferem a interpretação com o pronome pessoal nosso.4 ‘com meu espírito’”. de quem ninguém.17). se o caso fosse esse.4. no nome do nosso Senhor Jesus. A seguir. os quais entreguei a Satanás. “Entreguem esse homem a Satanás.

mas quando voltou ao lar estava vivo novamente (Lc 15.7).28. mas se um peca- dor é entregue ao príncipe deste mundo. “Para a destruição da carne. e o filho pródigo arrependido ao confessar que ele pecara contra Deus e contra seu pai. 32). tiramos dois exemplos de pessoas que se arrependeram. quando referente à parte vil da vida física do homem. pode arrebatá-los (Jo 10. A primeira é uma explicação de que a “car- ne”. p. 5”. porque melhor me ia então do que agora” (Os 2. BibTr 39 (1988): 429-36. como a esposa sexualmente imoral de Oséias personifica Israel. declara que “a destruição física não é prevista” (NIDNTT. 2Co 12. respectivamente.12 mas ele nunca conduz um pecador a Cristo e ao arrependi- mento. 29). entre outros. Thiselton. Colin Brown. vol. retornou à casa paterna. Nós fazemos objeção a essa explicação. Em resumo. Quando está à deriva e privado de apoio espiritual. G. Cambi- er. somos forçados a recorrer a uma de duas hipóteses. Ele está determinado a levar um pecador para mais longe de Deus. Deus permite a Satanás atacar e aos poucos enfraquecer o corpo físico do homem (compare com Jó 2. Do Antigo e do Novo Testamentos. essa explicação não merece consideração. Portanto. Ver.5: A Fresh Approach in the Light of Logical and Semantic Factors’. J. N. Gômer que. Satanás só pode destruir aquilo que Deus permite. ele recobra seu juízo e. EspT 83 (1972): 151-52. o filho perdido estava morto. o faz pecar.13 Paulo não se refere a uma 11. SJT 26 (1973): 204-28. 13. no entanto. Ele não goza mais da proteção que uma comunidade cristã atenciosa e so- lícita proporciona. Nas palavras do pai. C. mas confessou seu pecado diante de Deus e. 12. ele enfrenta a destruição. Ele caiu em si depois de guardar porcos para um gentio até mesmo no sábado do Senhor e passar muita fome. 5 229 nem mesmo Satanás. Ele tinha quebrado o mandamento de Deus. Preferimos a segunda hipótese. Além do ato de excomunhão. .24.7). esta parte de uma pessoa perece.5)”.11 Nas mãos de Satanás. de vontade própria. Satanás antes impede do que promove a causa de Cristo. 1 CORÍNTIOS 5. “La Chair et L’Esprit en 1 Cor. exclama: “Irei e tor- narei para o meu primeiro marido. Joy. arrepende-se.” O que Paulo quis dizer com a palavra carne? Por falta de detalhes esclarecedores. v.4-6. 1. subseqüentemente. T. NTS 15 (1969): 221-32. “‘Is the Body Really to Be Destroyed?’ (1 Corinthians 5. G. “The meaning of Sarx in 1 Corinthians 5. Anthony C. “Satan ¾ God’s agent for punishing”. 466). Thornton.4.

os tradutores compreendem o termo como se referindo não ao Espírito divino. o pecador tem tempo sufi- ciente para refletir sobre sua condição e arrepender-se. 3 e 4). 1Ts 5. o que parece apontar para o dia do juízo. Primeira. nos versículos antecedentes (vs. por ex. I Corinthians. não depois de sua morte.19). Ao contrário. a palavra pneu- ma ocorre duas vezes e faz referência ao espírito do homem.14 “Para que o espírito dele possa ser salvo. 15. A morte física fecha a porta irrevogavelmente a uma segunda oportunidade para o arrepen- dimento e a salvação (Lc 16. Commentary on First Corinthians (1886. Adela Yarbro Collins. reedição. p. não a carne humana e o Espírito Santo. Morris. Mas essa não é a questão na passagem aqui. p. A seguir. . Paulo quer dizer que nesta vida o pecador arre- pendido recebe a salvação e no Dia do Senhor é contado entre aqueles 14. o qual ocorre durante a vida terrena da pessoa. 257.1-10). Ainda que a palavra grega pneuma (espírito) na tra- dução possa referir-se ao Espírito Santo ou ao espírito do homem. 1977). Paulo escreve que o espírito do homem pode ser salvo no Dia do Senhor.” A cláusula sobre a des- truição da carne é gramaticalmente subordinada a essa cláusula princi- pal de propósito.30.230 1 CORÍNTIOS 5. Isso não signi- fica que o homem precisará aguardar até o fim dos tempos para poder ser salvo.15 É certo que a Escritura nos ensina a não angustiar ou tolher o Espírito Santo de Deus (ver Ef 4. 86. não que a presença do Espírito Santo pode ser conservada. E em último lugar. Frederic Louis Godet. Rejeita- mos essa interpretação por pelo menos três razões.4. Grand Ra- pids: Kregel.. o versícu- lo 5 contrasta a carne e o espírito do homem. e sim ao espírito humano. Durante esse processo. mas sim a um proces- so de declínio físico. em Atos 5. A dádiva da salvação depende do arrependimento. “The Functions of ‘Excommunication’ in Paul”. A destruição da carne serve ao propósito de tornar a alma do peca- dor novamente sã antes de ele morrer. 5 morte repentina (como. não no inferno. uma estudiosa sugeriu que a comunidade cristã tinha de expulsar o homem incestuoso “para evitar ofensa à presença do Espírito Santo”.19-31). não ao Espírito Santo. Não obstante. HTR 73 (1980): 263. Paulo declara que o espírito do homem pode ser salvo. A Bíblia nos ensina claramente que o arrependi- mento precisa acontecer na terra. Contudo.

Fascher. 16. Na sua infinita sabedoria para levar um pecador ao arrependimen- to. . 8). vivenciada na vida presente. Deus chama seu povo para ser um povo santo.3-5 Quando os israelitas entraram em Canaã e venceram Jericó.32. Pedro pôs a descoberto o engano que pratica- ram. 1987).3-5 231 que são glorificados. 1Pe 4. “Zu Tertullians Auslegung von 1 Kor 5. com certeza. Fee.7). ele instruiu os membros a expulsarem o homem da igreja no nome do Senhor. 17-20. Resta saber se esse homem foi restaurado física e espiritualmente. Deus quis que os seguidores de Jesus honrassem a verdade. “No Dia de nosso Senhor Jesus. Eerdmans. ThLZ 99 (1974): 9-12. Gordon D. Brian S. 17. mas que terá seu cumprimento pleno no Dia do Senhor. Rosner.26). Acã trans- grediu a ordem dada por Deus ao se apoderar de itens dedicados a Deus. Ananias e Safira propositadamente tentaram enganar o Espírito Santo.6).25.11.1-11). e Deus os removeu da comunidade cristã tirando a vida deles (At 5. 213. 1-5 (De Pudicitia c.”16 A frase o dia do Senhor tam- bém pode se referir a mais do que o fim dos tempos. 13- 16)”. The First Epistle to the Corinthians.” Paulo espera que.1 (1991): 137-45. Consultar E. Pode significar também um período singular durante o qual o povo de Deus se regozijará no Senhor. ainda que Sata- nás destrua o corpo físico. A excomunhão do homem consistia em ser entregue às mãos de Satanás. Paulo encarrega a igreja de se limpar da maldade e da vileza e abraçar as virtudes da sinceri- dade e da verdade (v. Zc 14. As pessoas o apedrejaram e assim foi removida a ira de Deus contra o pecado (Js 7. o espírito do homem possa ser salvo no dia do juízo. Deus usa vários meios e métodos (ver 11. Os profetas do Antigo Testamento entendiam a frase com o sentido de um tempo durante o qual Deus reivindica a vitória sobre o mundo e seu povo triunfa com ele (Is 2. Com uma ordem direta.17 Considerações Práticas em 5. quando o julga- mento ocorrerá. Deus está interessado na salvação da alma do homem. 1 CORÍNTIOS 5. “Temple and Holiness in 1 Corinthians 5”. New International Commentary on the New Testament series (Grand Rapids. p. TynB 42. Paulo pôs diante da igreja coríntia o comportamento incestuoso de um de seus membros. “A salvação é antes de tudo uma realidade esca- tológica. Na igreja de Jerusalém.

Ela precisa procu- rar levar os ofensores ao arrependimento e à salvação ou então recorrer à excomunhão. D. o pecado dele teria continuado a infetar a congregação inteira.1-5 Se Paulo não tivesse agido fortemente para excluir esse homem da igreja. o substantivo. nº 473.18 tina – a posição desse pronome indefinido (“alguém”) é singular. Palavras. e o mundo está livre para observá-los. 2ª ed. ela deve demonstrar um ódio intenso ao pecado e um desejo sincero de santidade. Os cristãos vivem numa casa de vidro. que ocorre duas vezes. Quando a igreja deixa de reprimir um pecado que o mundo condena. por assim dizer. a Igreja se tornou uma impostura: elas vêem uma Igreja na qual alguns líderes são corruptos. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature. mas nesse contexto significa “incesto”. Seus padrões de moralidade não se comparam favoravelmente àqueles de outras religiões. e rev. onde a disciplina é frouxa e onde a excomu- nhão se tornou uma prática obscura. Essa santidade exige amor ardente para com Jesus Cristo e obediência total a seus mandamentos. A razão dessa expansão feno- menal é a falta de credibilidade da Igreja. cul- tos e religiões que não são o Cristianismo.a – o adjetivo denota severidade (“de tal espécie”). normalmente significa “fornicação”. An Idiom-Book of New Testament Greek.j (do pai) e dá ênfase aos dois substantivos. Em nossa cultura. realmen- te) aparece no início da sentença para ênfase. trad. Friedrich Blass e Albert Debrunner.232 1 CORÍNTIOS 5.1-5 Versículo 1 o[lwj – o advérbio que significa “inteiramente” (até mesmo. (Cambridge: Cam- bridge University Press. F. A cláusula w[ste é mais explicativa do que cláusula de resultado ou mesmo de propósito.19 18. A Igreja hoje deve tratar seriamente com o pecado. 900). 140. Em palavras e ações. está colocado entre gunai/ka (esposa) e tou/ patro. Expressões e Construções em Grego em 5. 19.etai (é noticiado) que no tempo presente é iterativo. 1960). . Bauer a lista como cláusula de resultado (p.th pornei. A conduta imoral do homem apresentava uma ameaça direta à existência da própria igreja. toiau.1. por Robert Funk (Chicago: University of Chicago Press. p. e modifica o verbo avkou. Para muitas pes- soas. C. Moule. ela já se tornou ineficaz. observamos um crescimento rápido de seitas. 1961).

esse pronome pessoal é enfático.n ga. Versículo 3 evgw. (no entanto presente). me. sunacqe. Versículos 4. .gw (eu reúno) constitui a construção genitiva absoluta que se estende até a frase seguinte (tou/ evmou/ pneu/matoj. me. i[na – embora essa partícula geralmente introduza uma cláusula de propósito.xaj – as evidências dos manuscritos se dividem quase igualmente para o uso desse particípio aoristo ou para poih. pra.n de. A partícula me. de modo que a escolha é realmente difícil. Bruce M. A partícula ouvci. correspondente.r (pois eu) no versículo 3.5 h`mw/n – a evidência de manuscritos para esse pronome pessoal parece favorecer sua inclusão em vez de sua omissão. u`mei/j – a posição enfática do pronome com a conjunção (“e vo- cês”) é equilibrada pela expressão introdutória evgw.1-5 233 Versículo 2 kai. Sua contraparte é parw. 1975).n (estar ausente) denota con- cessão (“embora”).saj. 550.20 Existe a possibilidade de que um escriba tenha acrescentado a palavra para dar peso adicional à frase em nome do Senhor Jesus Cristo. Ambos os particípios têm o mesmo sentido nesse versículo. 1 CORÍNTIOS 5. aqui uma estrutura imperativa faz sentido. e meu espírito). A Textual Commentary on the Greek New Testament. paradou/nai – o infinitivo aoristo que denota ação única toma o lugar de um imperativo: entreguem! 20. Sendo assim. A presença da palavra Cristou/ logo em seguida ao substantivo VIhsou/ continua problemática. porque provas externas dos manuscritos gregos são fortes tanto a favor da inclusão como da exclusão.n subsiste sozinha e não é equilibrada por um de. p. corri- gida (Londres and Nova York: United Bible Societies. O particípio presente avpw. i[na tem imperatividade.n – como primeira palavra da sentença. é parte de uma pergunta retórica que pede resposta afirmativa.ntwn u`mw/n – o particípio aoristo passivo do verbo composto suna. 3ª ed. Metzger.

Grand Rapids: Eerdmans.31. Os cristãos em Corinto. cada pedacinho de fermento tinha que ser removido dos lares. 109. o ciclo teria de ser bruscamente quebrado pela rejeição do fermento.6-8 Nos versículos anteriores. 4.9) e seu potencial para levar a resultados danosos. Ele repreende os coríntios pela sua arrogância em não remover o peca- dor de seu meio. Paulo usa o exemplo do fermento que permeia toda a massa e pode contaminá-la se contiver bactérias nocivas. que no seu tempo consistia de massa retida da hora da última fornada. trad.21. p. Mas se o fermento estivesse contaminado por bactérias nocivas. Era acrescentado um líquido a uma parte dessa massa. João Calvino. Vocês se vangloriarem não é bom.. que era então misturada com farinha para dar início ao processo de fermentação. 1976). isso ameaçaria a saúde física das pessoas que comessem o pão. série Calvin’s Commentaries. e que por uma semana inteira o povo judeu comia pão sem fermento (ver 21. Paulo explicou a base para sua sentença de excluir o irmão pecador da comunidade cristã. primeiro ele precisa lembrar aos coríntios a jactância peca- minosa deles. Não sabem que uma pe- quena quantia de fermento faz crescer a massa toda? Em poucas palavras. e especialmente aque- les de descendência judaica. Mas para ilustrar o que tem em mente. 6. Portanto. 3. Paulo repete o que havia dito antes (ver v. Fraser (reedição. Paulo se refere a fermento (tam- bém chamado de levedo). Uma Ilustração Oportuna 5. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. João Calvino comenta: “Pois eles eram tão orgulhosos como se esti- vessem vivendo nas condições de uma Idade de Ouro.234 1 CORÍNTIOS 5.7). . o mal da imorali- dade em seu meio os destruirá a todos. sabiam que por ocasião da celebração da Páscoa. Já lhes havia dito que não se gloriassem nos homens e sim no Senhor (comparar com 1.21 Se os cristãos coríntios não agirem rapidamente. quando na reali- dade estavam rodeados por muitas coisas vergonhosas e impróprias”. 2). Ele quis humilhá-los mostrando-lhes a realidade de sua situação e a seriedade do pecado. A ilustração do fermento contaminado trans- mite a idéia de sua ampla penetração (ver Gl 5. de John W. Ele agora acrescenta uma ilustração vívida tirada da vida diária: o processo de fazer pão.6 b.

Paulo enfatiza o positivo e faz o negativo subordinado ao positivo. 39). assim os coríntios devem expurgar o mal de seu meio. especificamente do pecado da parte incestuosa.22 A segunda parte do versículo 6 é uma pergunta retórica que exige uma resposta afirmativa. Paulo ordena que os coríntios se livrem do velho fermento e ao mesmo tempo afirma que eles são “uma nova massa. Mas o fermento deve ser interpretado simbolicamente nesse contexto.7 235 Êx 12.21). 11. isto é.11) e chamados para viverem vidas santas. Sabiam que a quantia de fermento era relativamente pequena em comparação com a quantidade de massa. assim como vocês são.34. sem fermento”. os coríntios conheciam bem os resultados de fermento infectado. Joguem fora o fermento velho.33. a santificação deles em Cristo Jesus deve sem demora motivar os coríntios a remove- rem o mal de seu meio. os cristãos judeus de Corinto sabiam que o fermento muitas vezes simbolizava o mal. Antes de celebrar a festa da Páscoa. Marcos 8. Lucas 12. A parábola do fermento é uma exceção (Mt 13. “Joguem fora o fermento velho.6.1. Semelhantemente. Quando Paulo diz que eles são sem levedo. simboliza ficar livre da escravidão do pecado. ele quer dizer que foram santificados por Cristo (1. O fermento representa o mal. 1) corromperia a comunidade cristã em Corinto! 7.15). b. sem fermento.33. para que vocês sejam uma massa nova. porque o pão 22.” A primeira sentença desse ver- sículo parece revelar uma contradição inerente.15. pelos ensinos de Jesus. Assim como os judeus tinham de remover o fermento velho de suas casas e comer pão sem levedura por uma semana inteira. . 1 CORÍNTIOS 5. a. Pois na verdade Cristo foi sacrificado como nosso cordeiro pascal. do mesmo modo que os judeus limpavam seus lares de toda partícula de fermento uma vez por ano. os israelitas tinham de limpar toda e qualquer partícula de fermento de suas casas. Lc 13. Mateus 16. Quan- to mais um escândalo sexual “de tal espécie que não acontece nem entre os gentios” (v. expurgar o velho fermento da igreja coríntia deve ser feito depressa.” A remoção do fermento velho dos lares israelitas no Egito ocorreu na pressa e simbolizava sua libertação da escravidão (Êx 12. Paulo quer que a igreja coríntia se limpe. 6. Naturalmente. Além disso. “Para que vocês sejam uma massa nova.2.

25. Allcock (Londres: Epworth. isto é. “An Exegetical Study of 1 Corinthians 5. The First Epistle of Saint Paul to the Corinthians.24 E como ele coloca essa sentença. Paulo es- pera que os coríntios façam uma aplicação prática e removam o pecado rapidamente de seu meio. essa epístola não tem qualquer espécie de cronologia. 24. Dessa passagem não podemos deduzir que Paulo estava para celebrar a Páscoa judaica em Éfeso.25 Ele lembra aos coríntios: os israelitas tive- ram de remover fermento de seus lares antes que pudessem comer o cordeiro pascal. Veja J. Seu pecado foi expurgado por meio da morte sacrificial de Cristo. p.23 c.5. pp.7. Eles então matavam o cordeiro e passavam o sangue dele nas ombreiras e na verga porta (Êx 12. ele.7 pascal tinha de ser sem levedura. P.8). 3. Assim também os cristãos em Corinto tinham de remover todo e qualquer traço de mal de seu meio e demons- trar que são “uma nova massa”. 26. 36. Seu povo é santificado por causa de sua morte na cruz.6.13). EvQ 41 (1969): 97-108. por A. 359-60. J. tornou-se o sacrifício su- premo e final para o povo de Deus (Hb 9. “Pois na verdade Cristo foi sacrificado como nosso cordeiro pas- cal. Howard. Jo 1. “‘Christ Our Passover’: A Study of the Passover-Exodus Theme in 1 Corinthians”. Trazendo à mente essa perspectiva teológica. Dean O. 23. A imagem da matança do cordeiro pascoal na véspera da ceia da Páscoa e a morte de Cristo na cruz deve ter surgido bastante natural- mente à mente de Paulo. vol. Donald Guthrie. Ele removeu o pecado do mundo (Is 53. como Cordeiro de Deus. W. Num sentido espiritual. Springfielder 38 (1974): 134-40. Será que. Heathcote. os cristãos podem celebrar a Páscoa. 464. mas sim numa passagem relacionada à disciplina. . Isso seria colocar algo no texto em lugar de extrair algo dele. porque com exceção da referên- cia ao Pentecostes (16. não num contexto teológico.29). Consultar Jean Héring. New Testament Theology (Downers Grove: Inter-Varsity. nessa passagem. SB. Paulo dá uma referência cronológica que nos ajuda a datar a epístola? Não.236 1 CORÍNTIOS 5. Os cristãos são libertos do peso da culpa e receberam o dom da vida eterna. Mas quando Cristo foi crucificado.7b”. trad. 1962). 1981). um povo novo em Cristo. K.” Paulo compacta uma grande quantidade de teologia numa senten- ça bastante curta. Wenthe. p.26).26 Os seguidores de Cristo são salvos da morte eterna pelo sangue do cordei- ro pascal morto no Gólgota. ele é con- ciso.

Essa exortação implica celebrar nossa liberdade em Cristo Jesus. “[Vamos celebrar a festa] com o pão não fermentado da sinceridade e da verdade. Portanto. com o fermento da malícia e maldade. o que significa pão que não está contaminado e permeado pela maldade. Paulo escreve a palavra poneria (maldade). por- que num capítulo subseqüente (11. A exortação para celebrar uma vida de obediência à vontade de Cristo exclui o fermento velho. O próprio . Este “pão” do qual os coríntios devem se nutrir consiste de “sinceridade” ou pureza de men- te. Positivo.1. A pureza de mente é um componente. O homem não-convertido é caracterizado pelos pecados da inclinação para o mal e a maldade. que se refere às atividades do diabo.8 237 8. mas sim com o pão não fermentado da sinceridade e da verdade. E mais. Ele insiste com os leitores para que obser- vem a festa de consumir “pão sem fermento”. o termo verdade é o inverso de maldade. ou seja. com o fermento da malícia e da maldade. isto é. vamos celebrar a festa. As ex- pressões malícia e maldade são explicações do termo fermento velho. Paulo está falando figuradamente sobre a alegria que os cristãos sentem por saber que estão limpos do pecado. A inclinação para o mal é a disposição pecaminosa de uma pessoa e a maldade é o exercício sinistro dessa disposição. a. Quando Paulo escreve sinceridade. Nem está Paulo dizendo que os coríntios devem celebrar a Ceia do Senhor.” A linguagem que Paulo emprega é incon- fundivelmente metafórica. Negativo.17-34) ele lhes ensinará a respeito da Santa Comunhão.12) e consagrar-nos para fazer sua vontade (Rm 12. a malícia e a maldade.2. ou seja. pôr em ação nossa própria salvação (Fp 2. 1 CORÍNTIOS 5. cujo propósito é amar o Senhor e amar seu próximo como a si mesmo. 1Pe 2.5). No grego. “Vamos celebrar a festa não com o velho fermento. Se estivesse pedindo que fizessem isso. que em si descreve a natureza velha e pecaminosa da pessoa. estaria pedindo aos gentios para se tor- narem judeus antes que ele pudesse aceitá-los como cristãos. b. Ainda mais. não com o velho fermento. Não. ele propõe o oposto da expres- são inclinação para o mal. um recurso do crente santificado.” Paulo não está pedindo que os cristãos coríntios observem a celebração judaica da Páscoa. ele estaria negando a importância da expiação de Cristo.

9). mas ele descreve o diabo como sendo o maligno (Mt13. nem a pessoas ganan- ciosas e trapaceiras ou idólatras. . Com uma pessoa assim nem mesmo comam! 12.7. 8 Jesus se chama de “a verdade” (Jo 14. 9. vol. 2 vols. O verbo no presente do subjuntivo ativo é exortativo (“celebremos”) e sugere ação contínua. Thiselton. mas é inferencial e significa “portanto”. o que significa que devem viver uma vida nova. New Testament Foundations: A Guide for Christian Stu- dents. ne. ou um idólatra ou difamador ou beberrão ou trapaceiro. p.44). – literalmente. porque então vocês teriam de deixar este mundo. Essa partícula deve ser entendida como uma explicação do termo fermento velho.27 Em vez de instruir os coríntios a adotarem padrões exclusivos de moralidade. embora se chame irmão. NIDNTT. Versículo 8 w[ste e`orta.rate – o aoristo imperativo ativo do verbo composto evkkaqai. “e não”. 1975). O adjetivo kaino.. 27. Pois que direito tenho de julgar aqueles que estão fora [da igreja]? Vocês não julgam aqueles que estão dentro? 13. Martin. inclusive os princípios morais. Paulo havia dito aos cristãos coríntios que eles têm comunhão com Cristo (1. 11. eles são capazes de viver em harmonia com todos os preceitos de Deus.rw (eu limpo). Com essa verdade. Numa passagem anterior.on – nesse contexto o adjetivo transmite a idéia de uma quebra com o antigo para ser completamente novo.6). O composto é mais perfectivo (completo) do que diretivo.7. Agora ele lhes diz para comer o pão da verdade. Mas Deus julgará aqueles que estão fora. não mancha- da pelas más influências da impureza e da duplicidade. vol. Anthony C. 886. (Grand Rapids: Eerdmans.zwmen – aqui a partícula não introduz uma cláusula de re- sultado. o Novo Testamento). 28.19) e o pai da mentira (Jo 8.238 1 CORÍNTIOS 5. Já lhes escrevi em minha carta para não se associarem com pessoas imo- rais. 10. 397. seja uma pessoa imoral ou gananciosa.28 Palavras. Eu me referia não a pessoas imorais deste mundo. Paulo chama a atenção deles para a verdade em Cristo.n significa que o novo existe juntamente com o antigo (por ex. p. Mas agora eu lhes escrevo para não se associarem com alguém que. 2. Expressões e Construções em Grego em 5. Consultar Ralph P.8 Versículo 7 evkkaqa. 3. mhde.

Agora ele explica o que tinha em mente.9-11 9. embora numa sentença desajeitada cujo sentido é mais bem transmitido numa paráfrase.3. Ao todo Paulo enviou quatro comunicados a Corinto (ver a Introdução). 1 CORÍNTIOS 5. b. Falha na Comunicação 5.9). que no grego consiste de apenas três palavras e em nossa língua tem no mínimo cin- co: “Não se associem com fornicadores”. . E. 2Co 10.9. além de mencionar o homem incestuoso.4). 2.” Por várias razões não podemos presumir que Paulo esteja se referindo a essa epístola. final- mente. Faltam-nos informações adicionais sobre o conteúdo da breve carta de aconselhamento que Paulo escrevera.” Tudo que nos resta da epístola anterior de Paulo é a cláusula que temos aqui. Primeira. “Mas agora eu lhes escrevo”. o versículo 11. “A não se associarem com pessoas imorais. ele já enviara à congregação uma epístola com uma mensagem a respeito de imoralidade (5. na carta) sugere algo acontecido no passado. e que parece ser diferente de 1 Coríntios. a. E antes de compor 2 Coríntios. Antes de redigir 1 Coríntios. 10. Conseqüentemente. A cláusula reflete a preocu- pação de Paulo pelos leitores que vivem na cidade imoral de Corinto. a. Já lhes escrevi em minha carta para não se associarem com pessoas imorais. Eu me referia não a pessoas imorais deste mun- do. porque então vocês teriam de deixar esse mundo. ele ainda não disse nada sobre pes- soas imorais. nem a pessoas gananciosas e fraudulentas ou idólatras. entendemos que Paulo se refere a uma carta anterior que não foi preservada. A seguir. “Já lhes escrevi em minha carta. a frase eu lhes escrevi em minha carta (literal- mente.9-13 Pelas duas epístolas paulinas à igreja coríntia. ficamos sabendo que Paulo escreveu duas cartas adicionais que não mais existem.10). mas pelas observações que se- guem. Paulo escreveu muitas cartas que não se tornaram parte do Novo Testamento (16. concluímos que os coríntios o haviam entendido mal. ele mandou à igreja uma epístola que pode ser chamada “a carta pesarosa” (2Co 2. indica um contraste evidente. 10 239 “Expulsem o homem mau de seu meio”. Excomunhão 5.

10. Pesso- as gananciosas e trapaceiras servem não a Deus.9. O escritor preten- de uma coisa. Paulo não queria dizer que os coríntios deveriam se separar completamente de pessoas sexualmente imorais. Sua objeção é à presença do homem incestuoso na igreja coríntia. “Catalogues and Context: 1 Corinthians 5 and 6”.” As comunicações escri- tas freqüentemente ficam abertas a mal-entendidos. “não inteiramente” (p. mas aqui ele é direto em seu uso do singular: “uma pessoa imo- ral” (v. O catálogo de vícios (ganância.. mas o leitor entende outra. 11). idolatria) na verdade é uma extensão da proibição de Paulo para não se associar com pessoas que cometem imoralidade sexual. fraude.. Ele pretende que os cristãos coríntios não se associem com um irmão membro da igreja que pratica atos sexualmente imorais. 609) e Thayer. os cristãos não podem se apartar inteiramente de pessoas imorais.240 1 CORÍNTIOS 5. das oficinas de trabalho e da arena de esportes. Isso não acontece com a correspondência escrita. Neste mundo imperfeito. Ele quis di- zer: não se envolvam com essas pessoas! (comparar com 2Ts 3. “Eu me referia não29 a pessoas imorais deste mundo. 10 c. Os coríntios entenderam que a carta inicial de Paulo lhes dizia que não se associassem com pessoas sexualmente imorais do mundo – os indivíduos da praça do mercado. “pessoas imo- rais”. “Naturalmente não estava me referindo às pessoas em geral que são. 476). NTS 34 (1988): 622- 29. 1. Ele lhes disse que expulsassem essa pessoa de seu meio. Deduzimos que na carta anterior ele se expressara com um termo geral. Peter S. No entanto. A falta de clareza. Os leitores haviam posto de lado a carta porque reconheceram que a ordem de Paulo não poderia ser im- plementada. pois. torna-se um empeci- lho enorme à compreensão.” (REB). 30. e sim ao Dinheiro (Mt 29. na qual as demoras são comuns e esperadas. . nem a pes- soas gananciosas e fraudulentas ou idólatras.30 Os pecados nessa lista mais longa têm que ver com servir a qualquer ídolo em lugar do Deus vivo. Bauer tem “de modo algum” (p. Zaas. mas essas duas últi- mas traduções falham em comunicar. Num diálogo oral. uma pes- soa pode pedir esclarecimento e então receber uma resposta imediata. 9.14). isso equivaleria a deixar este mundo (mas veja João 17.14-18). 11). e por essa razão escreve a frase imoralidade sexual quatro vezes (vs.

31. Cl 3.5.24.” Em sua epístola anterior. seja uma pessoa imoral ou gananciosa.” O adversativo mas contrasta as primeiras palavras aqui com o versículo 9. por causa de seu pecado. Findlay. Robertson Nicoll. Grand Rapids: Eerdmans. p. Essas pessoas não fazem parte do reino. d. No presente. Paulo está dizendo: “Se alguém duvidou do teor da carta anterior. porém o crente tem de viver ao lado do incrédulo. . 3 de The Expositor’s Greek Testament. (1910. onde Paulo faz alusão a uma carta anterior. embora se chame irmão. teria de deixar totalmente a sociedade humana.31 Eu explico o advérbio agora como sendo uma referên- cia à condição presente da igreja coríntia. no vol. 1961). 32. “Porque então teriam que deixar este mundo. o trigo e o joio cres- cem juntos no campo até a ceifa. a Igreja não poderá mais ser chamada de cristã. Segundo a parábola de Jesus. Mas agora eu lhes escrevo para não se associarem com nin- guém que. org.” Se um cristão quisesse se separar de pessoas mundanas. ou um idólatra ou difamador ou beberrão ou trapa- ceiro. por W. Esses dois conceitos são mutuamente exclusi- vos. Contudo essa pessoa. Descrever alguém que é sexualmente imoral como sendo um ir- mão é uma contradição. G.11 241 6.32 b. reedição. ele se relaciona ao momento e à questão a respeito do homem incestuoso. Bauer tem como as coisas estão agora (p. embora se chame irmão. Paulo chama a pessoa gananciosa especificamente de idólatra (Ef 5. não pode pertencer à comunidade cristã e é excluída do reino de Deus. 812. e sim do mundo. Então o mato será lançado no fogo e o trigo armazenado no celeiro (Mt 13. e Jesus revela a impossibilidade de servir aos dois ao mesmo tempo. 545).20. ver Gl 5. “Mas agora eu lhes escrevo. St. Com uma pessoa assim nem mesmo comam! a. será impossível não entender o sentido daquilo que trans- mito agora”.5) que não herdará o reino de Deus. 5 vols. 11. seja uma pessoa imoral. Suas ações contradizem tudo o que a Igreja ensina. 1 CORÍNTIOS 5. Mas Paulo qualifica sua declaração dizendo que o homem imoral se dizia um irmão. Se ela permanecer dentro da comunhão cristã. G.30). Paulo havia escrito a expressão coletiva pessoas imorais¸ mas no presente contexto a pala- vra significa “uma pessoa imoral”.13). “Não se associem com ninguém que. Paul’s First Epistle to the Corinthians. Lc 16.

15).9. não darás falso testemunho. Wilhelm Mundle.. 380. denunciam o beberrão e o avisam sobre as conseqüências espirituais de sua intemperança (por ex. O substantivo idolatria aparece quatro vezes no Novo Testamento (1 Co 10. no entanto.3). .9. o dinheiro reinava supremo. não fornicarás. não furtarás. Gl 5. A condenação da ganância e da idolatria aparente- mente diz respeito à condição social da antiga Corinto. Ez 44. Não oferecer comida a um parente.4) e al- guns outros receberam a ordem de abster-se (Lv 10. Dt 5. TDNT. NIDNTT.” Dois vícios adicio- nais mencionados aqui são a difamação e a embriaguez.6-21). ou um idólatra. 8. O amor ao dinheiro invariavel- mente leva à adoração de ídolos – qualquer que seja o ídolo.7) e uma vez em Efésios 5.10. “Um difamador ou beberrão ou trapaceiro. Não obstante. 1Pe 4.1-17. não cobiçarás (Êx 20. 2.34 d. p. Com respeito ao consumo de vinho.21).20.11 c.10). As Escrituras. 10. A lista de pecados que ele fez nessa passagem se assemelha a alguns dos manda- mentos do Decálogo: não praticarás a idolatria. Com freqüência. Paulo advertia os cristãos a não participarem de cultos a ídolos. 6. 286. e. Somen- te aqueles que eram constrangidos pelo voto nazireu (Nm 6. e o influxo de viajantes de outros países.14. p. vol. ele quer que os coríntios saibam que a imoralidade sexual não é o único pecado que a comuni- dade cristã condena. 22. a um amigo. nem o Antigo nem o Novo Testamento em parte alguma prescreve uma abstinência total. 10). A palavra idólatra ocorre quatro vezes nessa epístola (5. 6.3. a um conhecido. vol. Jr 35.8. 11.33 Essa advertência repetida revela a ansiedade de Paulo com respeito ao culto aos ídolos. Paulo não segue a seqüência dos Dez Mandamentos. normas estabelecidas de hospitalidade não podiam ser quebra- das. 33. 34.5 (ver também Ap 21.242 1 CORÍNTIOS 5. Devido ao co- mércio e transporte de mercadorias. “Com pessoa assim nem mesmo comam!” Numa sociedade ori- ental.6.” Paulo se repete nessa lista prolongada de pecados. “Uma pessoa gananciosa. 2. que ele considerava um pecado ostensivo e uma homenagem aos poderes demoníacos. ele enfa- tiza os pecados que eram comuns na cultura daquele tempo. Cl 3.5. ele omite o mandamento para não cometer assassínio. Paulo havia mencionado a fraude ou trapaça no versículo anterior (v. Friedrich Büchsel. 14.

Jesus muitas vezes comeu com cobradores de impostos e peca- dores e era chamado amigo deles (Mt 11. os cristãos poderiam seguir os costumes soci- ais aceitos comendo com não-cristãos. e sim o tempo passado do verbo escrever (ver Rm 15. Expressões e Construções em Grego em 5. 1 CORÍNTIOS 5. nº 433. Palavras. Veja Simon J. Kistemaker.smou – a primeira ocorrência significa o mundo secular.9-11 243 ou a um hóspede poderia ser interpretado como declaração de guerra. . 177. o composto do infinitivo médio no presente sunanami.15).13.17).gnusqai (associar-se) é usado como imperativo numa estrutura indireta de comando. Tanto no versículo 9 como no 11. incluindo a Nestlè-Aland. qual é o objetivo dessa ordem de Paulo? A questão diz respeito à disciplina da Igreja.36 tou/ ko. O pecador é uma mancha na integridade da Igreja (comparar com 2Pe 2.3 5 Numa inversão das normas estabe- lecidas. Jesus instruiu seus seguidores sobre o procedimento que prescreve para a excomunhão poder resultar numa separação completa entre a comunidade cristã e o pecador ofensivo (Mt 18. que liga os dois substanti- 35. Tal pecador deve ser exclu- ído da comunhão dos cristãos.15). a British and Fo- reign Bible Society e a Merk tem a leitura kai. Versículo 10 ouv – essa combinação parece significar: “Não estou me referindo a pessoas imorais em geral”.19. p. 36.2. A parábola do amigo à meia-noite indica que um anfitrião estaria dis- posto a incorrer no desagrado de um vizinho no esforço de obter comi- da para seu hóspede (Lc 11.graya – este não é o aoristo epistolar. Então. kai.2) – e escandaliza- va os líderes religiosos. a se- gunda. o mundo inteiro. – as edições gregas. arrepender-se e voltar à fé (comparar com 2Ts 3. Greek Grammar. Lc 15. Então ele poderá se conscientizar do erro de seu caminho.5-8). Blass e Debrunner. Em contraste.9-11 Versículo 9 e. 1980). Jd 12).. The Parables of Jesus (Grand Rapids: Baker.14.

Ele apresenta uma demarcação clara das atribuições devidas da autoridade com referência a si. 284.15. p. p.graya – este é o aoristo epistolar. A leitura kai. Ele se refere à sua carta que foi mal compreendida e à explicação subseqüente aqui (vs.12 vos pleone. A conjunção evpei.12. Um Julgamento 5. no sentido de “porque senão” (ver 7. 38. Textual Commentary. não é temporal e sim causal.37 evpei.13 12. b. . Em dois versículos Paulo expõe a legitimidade de se aplicar a dis- ciplina da Igreja. O direito de Paulo. Ele conclui essa seção com um apelo à congregação para deixar as Escrituras terem a palavra final nesse assunto.38 Versículo 11 e.ktaij (indivíduos cobiçosos) e a[rpaxin (trapaceiros). – com essa conjunção. ovnomazo. – a combinação da partícula negativa com a conjunção significa “nem mesmo”. Paulo chega ao fim de seu discurso sobre excluir pecadores intencionais.10): não está fa- lando sobre pecadores fora da comunidade cristã. é fortemente sustentada por testemunhas tanto alexandrinas quanto ocidentais”. ver 9.menoj – o particípio presente na voz média denota concessão: “embora ele se chame”. Pois que direito tenho de julgar aqueles que estão fora [da igreja]? Vocês não julgam aqueles que estão dentro? a. O escritor se vê como estando no lugar do destinatário da carta. mhde. (ou): “assim mecanicamente conformando-se ao contexto. Para uma ocorrência similar. à congregação coríntia e a Deus. ele escreve o aoristo mas quer dizer o pre- sente. Bauer. Quando Paulo usa a expressão aqueles que estão fora. ele revela suas origens judaicas. 551.244 1 CORÍNTIOS 5.14). 9. O Texto Majoritáio tem a leitura h. Metzger. a cláusula revela uma elipse de uma próta- se numa sentença condicional contrária aos fatos: “[se esse fosse o caso] vocês teriam de deixar o mundo”. Os rabis judeus designavam as pessoas que pertenciam a uma religião di- 37.

O dever da Igreja. não de um pe- queno grupo de autoridades ministeriais”.16). K.39 Os “de dentro” eram aqueles que se- guiam a fé judaica.2). SB. Paulo pergunta aos coríntios se eles sabem que os santos julgarão o mundo (6. “Expulsem o homem mau de seu meio”. No grego. Quando um membro da igreja in- tencionalmente persiste no pecado e recusa arrepender-se. quando caminhava pelas ruas da antiga Atenas. Barrett.13 245 ferente como sendo “de fora”. p. 133. e não sobre o tempo presente. 3. vol. b. a diferença entre o tempo presente ou futuro do verbo julgar depende de um acento. Dentro da comunidade cristã.40 13. Mas aquele versículo específico fala do juízo final. Se a igreja deixa de julgar. 362. Então a igreja não vê mais esta pessoa como alguém que lhe pertence. Mas Paulo não tinha autoridade para julgar fora da Igreja. Não um líder eclesiástico indi- vidual. No capítulo seguinte. 1 CORÍNTIOS 5. 40. A tarefa de Deus. C. ela se coloca no campo do pecador e é igualmente culpada diante de Deus. Ele admite abertamente que ele não tem o direito de julgar o mundo. Pelo contrário. p. a congregação inteira deve excluir essa pessoa de seu rol. não Paulo. S. Isso não quer dizer que Paulo aprove a vida pecaminosa dos incré- dulos. 1968). como uma pessoa do mun- do. Mas se ele ou ela opta por viver em deso- bediência ao Senhor. mas ao contrário. mas sim a igreja inteira deve julgar esses casos que pedem a separação decisiva entre a Igreja e o mundo. Mas Deus julgará aqueles que estão fora. Barrett: “A responsabilidade pelo julgamento está nas mãos de todo o corpo de crentes. ele se agitou porque a cidade estava cheia de ídolos (At 17. a igreja pre- cisa exercer a disciplina. Paulo aplica esses termos respec- tivamente ao mundo e à Igreja. série Harper’s New Testament Commentaries (Nova York e Evanston: Harper and Row. Escreve C. c. mas os manuscritos 39. Nessa passagem. A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. . Portanto. mas a igreja toda é responsável por administrar a disciplina a membros obstinados. Paulo faz aos coríntios uma pergunta retórica que exige uma resposta positiva: “Vocês não julgam aqueles que estão dentro?” Qualquer pessoa que afirme ser membro da Igreja precisa prome- ter obediência a Jesus Cristo.

5). JBL 103 (1984): 259-61.246 1 CORÍNTIOS 5. a diferença é insig- nificante. Paulo chama a atenção tanto para esse ho- mem como para qualquer outra pessoa na congregação que pratique o mal deliberadamente. 44. Outros estudiosos preferem o tempo futu- ro do verbo.7. 220 n. 24. “‘Cast Out the Evil Man from Your Midst’. Fee.13b)”. aparece repetidamente em Deuteronômio. Deus julga as pessoas e concluirá essa tarefa no dia do juízo. A palavra de Deus. A afirmação conclusiva de Paulo é uma frase das Escrituras: “Expulsem o homem mau de seu meio”. Consultar Peter S. 12).44 A severidade de deixar um pecador 41. Alguns estão a favor do tempo presente e dizem que isso aponta para a competência.43 A passagem do Antigo Testamento. contudo. A igreja administra a disciplina por amor à sua pureza.13 antigos não tinham marcas de acentuação.21. First Corinthians. tendo em vista os primeiros versículos do capítulo seguinte (ver o comentário sobre 6. Deuteronômio 17. Zaas. 42.7. 21. 7. 22. A passagem ecoa a ordem anterior de Paulo para entregar o homem incestuoso a Satanás (v. Ele conhece os perdidos e os salvos das pessoas no mundo. mas a tarefa de expulsar pecado- res impenitentes é um dever que a igreja precisa exercer. 13). Presumivelmente. (1 Cor 5. Nessa passagem. b. tem o verbo imperativo expulsar no singular. a quem se dirige enfaticamente com o pronome vocês (v. enquanto Deus julga as pessoas do mundo.25). com uma ligeira variação. p. e Deus (v. tanto no hebraico como no grego. O texto.41 O julgamento do mundo nós deixamos para Deus. 19. Paulo. e portanto não podemos determinar se Paulo quer dizer “Deus julga” ou “Deus julgará”.1-4).42 No geral. p. 24. que é tanto onisci- ente como onipotente. 278. First Corinthians.19. Godet. no entanto. usa a segunda pessoa do plural do presente do imperativo para indicar que a igreja inteira deve estar envolvida no processo de expurgar o pecado para conseguir a pureza na igreja.21. Os tradutores estão igualmente divididos quanto a isso. Paulo contrasta claramente os membros da igreja coríntia. Paulo optou por usar a pala- vra grega para “mal” porque ela apresenta um jogo de palavras com a palavra grega para “fornicador”. . E com Abraão indagamos: “Não agirá com jus- tiça o juiz de toda a terra?” (Gn 18. 43. Deus certamente julga os membros da igreja que estão em erro.

Blass e Debrunner. Paulo havia escrito uma carta para os coríntios na qual lhes manda- va não se associarem com pessoas imorais.13 evxa.45 Resumo do Capítulo 5 Depois de dizer aos coríntios que ele poderá ir a eles para puni-los ou para amá-los (4. Mas o fer- mento contaminado – ele fala figuradamente de fermento como sendo disposição pecaminosa e a maldade – precisa ser eliminado em favor do pão sem levedo da sinceridade e da verdade. e então instrui a igreja a fazer isso. Palavras. Ao contrário. Expressões e Construções em Grego em 5. .7 e paralelos tem o pronome reflexivo e`autw/n. Paulo diz que soube da imoralidade existente dentro da igreja local. ele os admoestava a 45. Quando o pecador enfrenta o isolamento total. Ele mesmo já decidiu excluir o homem da congregação. nº 288.rw (eu expul- so) tem uma conotação diretiva (comparar com v. porque então seus leitores teriam de sair deste mundo. A disciplina da igreja é planejada para causar contrição no coração do pecador e nutrir nele um desejo de retornar ao cuidado do Senhor Jesus.1. Usando uma ilustração da vida doméstica. Paulo observa que o fermento em pequena quantidade permeia toda a massa. O texto grego de Deuteronô- mio 17.13 247 sem o apoio e o cuidado da igreja é comparável à excomunhão de bani- dos sociais e morais na sociedade judaica do tempo de Jesus. Ele revela que um homem manteve relações sexuais com a esposa de seu pai.rate – o aoristo imperativo do verbo composto evxai. Greek Grammar. entregando-o a Satanás. Paulo repreende os membros da igre- ja por serem arrogantes: ele os admoesta a se entristecerem e expulsa- rem o pecador de seu meio. Agora ele revela que tinha em mente não todas as pessoas imorais do mundo. 1 CORÍNTIOS 5.21). 2). a possibilidade de arrependi- mento é real. evx u`mw/n auvtw/n – ”para longe de vocês”. Esse pronome na segunda pessoa do plural é introduzido pelo verbo evxarei’j/ (você precisa expulsar) na segunda pessoa do singular.

Inversamente. Ele os proíbe de sentarem-se à mesa com essas pessoas. . ga- nanciosas. caluniadoras. Paulo conclui seu discurso citando um versículo apropriado do Antigo Testamento. idólatras. que se embriagam ou concentradas em fraudar. Os membros da igreja devem julgar os irmãos membros que se envolvem em práticas pecaminosas. Deus é o juiz de pecadores que estão fora da igreja.248 1 CORÍNTIOS 5 não se associarem com pessoas dentro da igreja que são imorais.

249 6 Imoralidade e Litígios.1-20) . parte 2 (6.

15-17 b.18-20 c. Imoralidade 6.4-6 b.250 ESBOÇO (continuação) 6.1-3 a.9-11 d. Os Humildes Suportarão 6. Prostituta 6. Os Santos Julgarão 6.1-11 3. Os Sábios Falarão 6.8 c. Permissão 6. Os Ímpios Perderão 6. Comprada .7.12-20 4.12-14 a. Litígios 6.

Será possível mesmo não haver nenhum homem sábio em seu meio que possa ser árbitro entre seus irmãos? 6. Ou não sabem que os santos julgarão o mundo? E se o mundo é julgado por vocês. os estelionatários – nenhum deles herdará o reino de Deus. 251 CAPÍTULO 6 6 1. foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. ousa entrar na justiça perante os ímpios em vez de resolver a questão perante os santos? 2. os idólatras. sim. mas levadas diante de juízes munda- nos. os homossexuais. Se têm. será que não têm competência para resolver causas triviais? 3. o propósito do Cristianismo é permear o mundo todo. até mesmo a seus irmãos. 3. Prova disso é a questão das disputas que não são resolvidas dentro dos limites da comunidade cristã. 10. Digo isso para vergonha de vocês. O mundo está penetrando na comunidade cristã para amoldá-la aos padrões do mun- do. Litígios 6. as pessoas imorais. os difamadores. um irmão vai à justiça contra outro irmão – e isso diante de incrédulos? 7. os ladrões. Não sabem que nós julgaremos anjos? Quanto mais assuntos comuns? 4. uma derrota completa vocês terem entrado na justiça contra si mesmos. quando tem uma queixa contra alguém. No entanto. os glutões. Qualquer um de vocês. Ou será que não sabem que os ímpios não herdarão o reino de Deus? Não se enganem. Os irmãos cristãos que levam suas causas para não-cristãos estão tornando a igreja um motivo de galhofa no mundo gentio. então. foram santificados. . influenciá-lo e mudá-lo de acordo com as normas do evangelho. 11. E é isso que alguns de vocês foram. causas sobre assuntos comuns. Por que não é preferível ser tratados injustamente? Por que não serem antes fraudados? 8. Já é. 9.1-11 Para Paulo. pois. Entretanto. Mas vocês tratam injustamente e causam prejuízo. vocês foram lavados. Mas Paulo nota que em Corinto está acontecendo o contrário. vocês nomeiam homens que nada valem na igreja? 5. os sodomitas.

RevExp 80 (1983): 341-50. Os gregos tinham paixão por ouvir os advogados deba- ter as causas na corte perto do local do mercado em cada cidade. mas já de um aspecto legal.” A frase qualquer um de vocês é propositadamente geral. Qualquer um de vocês. A Igreja que se desenvolvia num mundo gentio deveria tomar emprestado uma pá- gina do caderno judeu sobre como processar questões litigiosas dentro de seu próprio círculo. em 6.1-8. “Christ and the Congregation: 1 Corinthians 5-6”. não em termos de detalhes.1 Paulo interrompe sua discussão sobre a imoralidade para instruir os coríntios sobre o caminho que devem seguir com respeito a deman- das na justiça. um vez que.1 Os processos que envolviam dois judeus eram resolvidos numa corte judaica. a.252 1 CORÍNTIOS 6.1-3 1. Paulo ainda está preocupado com a imoralida- de sexual. ousa entrar na justiça perante os ímpios em vez de resolver a questão entre os santos? Como foi com a notícia sobre o homem incestuoso (5.12. . quando tem uma queixa contra al- guém. Presumimos que a discussão de Paulo sobre julgar (5. 362-65. a.11”. de acordo com o Talmude.1). Nem podemos saber que espé- cie de processo Paulo tinha em mente. Paul S. era proibido ir perante juízes gentios. Ver também V.1-11”. Na opinião de Paulo. George Shillingon. NovT 25 (1983): 37-58. Pelo fato de um cristão iniciar uma demanda. Os judeus em Israel e na Dispersão tinham suas próprias cortes. pp. 6. Os Santos Julgarão 6. Peter Richardson afirma que. mas de princípios. ele já viola um princípio que Cristo ensinou a seus se- 1. porque Paulo não dá nenhum exemplo específico. “Quando [qualquer um de vocês] tem uma queixa contra alguém. Direction 15 (1986): 40-50. 3. ele discute o problema. 2. Minear. os cristãos também deveriam resolver suas diferenças dentro dos limites de sua própria comunidade.2 No contexto de relativamente poucos versículos. vol. SB.13) o tenha feito lembrar de outro problema que existia na igreja de Corinto. não pode- mos determinar como Paulo soube que os cristãos levavam queixas contra os irmãos a um juiz não-cristão. “Judgment in Sexual Matters 1 Cor. “People of God in the Courts of the World: a Study of 1 Corinthians 6.

Taylor. “Toward a Biblical Theology of Litigation: A Law Professor Looks at 1 Cor. e que não estão preparadas para a calma mental e para suportar as injúrias.8). recursos financeiros desse acusado. 122. no caso de estes serem negados. 1976). Ele sabe que um caso que vai à justiça freqüentemente “é uma luta até a morte na qual se causa dano (econômico. isto é. sob a cober- tura da lei. p.3 A pes- soa que leva outra pessoa à justiça está resolvida a obter. Ele escreve: Na verdade. Em seguida. ele não se interessa pelos detalhes. Ele pretende ganhar a causa sem levar em conta o efeito prejudicial que a ação poderá ter sobre o acusado.27). observou com perspicácia que as partes envolvidas em causas judiciais eram motivadas por ganância. Ex Auditu 2 (1986): 109. hostilidade e obstinação. fica perfeitamente ób- vio que elas têm a mente exageradamente inflamada por desejos erra- dos e gananciosos. Eerdmans. ousa entrar na justiça perante os ímpi- os em vez de resolver a questão diante dos santos?”. buscar o bem de seu próximo. “Qualquer um de vocês. João Calvino. psicológico e espiritual) às partes”. Robert D. Fraser (reedição. ou então onde as partes se mostram obstinadas entre si no trata- mento da questão com o máximo rigor da lei. Será que um cristão pode pensar algum dia em processar alguém? Sim. Note também os seguintes pontos: primeiro. mas por princípios. 6:1-11”. 4. O mundo secular de hoje insiste com as pessoas para que exijam seus direitos e. de acordo com os mandamentos de Cristo. onde quer que ocorram processos judiciais com freqüên- cia.1 253 guidores. Mas a Bíblia ensina o amor que. se traduz em 3. que levem uma pessoa ou uma instituição à justiça. não fazen- do distinção alguma entre um crente e um incrédulo. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians..4 A motivação que existe por trás dos processos civis é muitas vezes incompatível com a profissão cristã da pessoa. série Calvin’s Commentaries. João Calvino. 1 CORÍNTIOS 6. b. . vingança. Paulo escreve somente “contra alguém”. posto em prática. trad. impaci- ência.. se ele puder nisso observar e cumprir a lei régia: “Ame o seu próximo como a você mesmo” (Tg 2. mesmo se este for um inimigo (Lc 6. de John W. que estudou direito em duas universidades francesas antes de se tornar teólogo.

2. M.4).6. que significa os santos. Ap 20. Ele quer saber se existe alguém tão “descarado a ponto de buscar justiça com pecadores e não com o povo santo de Deus” (NJB). que eu tradu- zi por “ímpios”. 24. Devem cumprir o mandamento de amar o próximo como a si mesmos. Em 6.1-11: An Exegetical Paper”. . Paulo com franqueza pergunta aos coríntios se alguém pode “ir à justiça”. 3. 15. Aqui a pergunta é se os santos sabem que se assentarão como juízes para julgar o mundo (Mt 19. Paulo acrescenta instruções quando diz: “Ninguém ofenda nem defraude a seu irmão” (1Ts 4. Naturalmente.13. Fuller.30. 822.16. será que não têm competência para resol- ver causas triviais? a. 7. Ou não sabem que os santos julgarão o mundo? E se o mun- do é julgado por vocês. ele pergunta se algum coríntio tem a audácia de levar um irmão cristão à justiça com o propósito de pagar mal por mal em vez de aplicar a Regra Áurea (Lc 6.6 Se os cristãos têm uma desavença. 5.254 1 CORÍNTIOS 6. Bauer. 9. Ele os envolve num diálogo.2. 9. “Ou (vocês) não sabem?”. Reginald H. p.28. 16. “First Corinthians 6. quando os livros serão abertos e todas as pessoas comparecerão diante do trono de Deus. que a resolvam na presença do próprio povo de Deus (comparar com Mt 18. D. Ver também 3.17). Comparar com J. “Judgement and 1 Corinthians 6”.6).7 Paulo lembra aos leitores as lições sobre o final dos tempos e a moralidade que lhes havia ensinado em ocasiões anteriores. os coríntios se lembram da lição que Paulo lhes ensinou sobre o dia do juízo. e eles devem responder positivamente às perguntas retóricas que ele faz. Em outro lugar. A palavra grega adikoi.31). 19. Quan- do procuram um juiz gentio. Lc 22. Derrett. significa descrentes. o outro lado da proverbial moeda é a palavra hagioi. 6. 5. As disputas devem ser resolvidas pela mediação no espíri- to de promover cada um os interesses do outro.5 Na verdade. Conhecimento. O que Paulo quer ressaltar é que os coríntios não devem dar ao mundo a oportunidade de ridicularizar Cristo e dividir sua Igreja. NTS37 (1991): 22-36. Ex Audituu 2 (1986): 99. Pelo menos seis vezes nesse capítulo.2 conciliação. “os coríntios estão lavando sua roupa suja em público”.

12). Die Auslegungsgeschichte von I Kor 6. 1955). Por contraste. “Os santos julgarão o mundo. Autoridade. 3. 1 CORÍNTIOS 6.22. Beiträge zir Gescxhichte der Neutestamentlichen Exegese series (Tübingen: Mohr {Siebeck]. Policarpo. 10. Rechtsverzicht und Schli- chtung. Sabedoria 3. Supomos. por ex. embora de forma implícita.10). mas também reinarão com Cristo na era vindoura (2Tm 2.4. que Paulo esteja se referindo tanto aos anjos que deixaram suas posições anteriores de autoridade como aqueles que em pureza e fidelidade continuam a servir a Deus. Os filhos de Deus são superiores e têm posição mais alta do que os 8.8).8 Se os crentes julgarão o mundo no dia do juízo. Jd 6. Não sabem que nós julgaremos anjos? Quanto mais assun- tos comuns? Observe que Paulo inclui a si próprio quando escreve na primeira pessoa do plural. entretanto.3 255 b. Paulo faz outra comparação. Devem saber mediar problemas na congregação e resolver as questões de modo a agradar todos os envolvidos.. Paulo ensina os leito- res a amar (isto é. Para prosseguir com o assunto. Ele aplica este ensinamento ao dia do juízo. quanto mais de- sonram o nome e a causa de Deus quando levam causas judiciais insig- nificantes perante um juiz gentio. comenta que Paulo ensina essa doutrina (Epístola aos Filipenses 11. falham nisso. Ap 20. será que (vocês) não têm competência para resolver casos triviais?”. . Nessa oca- sião. 2Pe 2. incluindo seus juízes terrenos. Por falar nisso.3). que cita as palavras os santos julgarão o mundo. Paulo faz outra pergunta: “Se o mundo será julgado por vocês. Ele emprega o recurso literário de ir do maior para o menor. devem ser capazes de cuidar entre si de casos comuns no dia de hoje. Os santos não só julga- rão. Para vergonha deles.” Confiamos que Pau- lo conhecia o ensino da literatura intertestamentária que fala dos san- tos julgarem e regerem o mundo e as pessoas do mundo (ver. no entanto. certamente são competentes para as causas tri- viais desta vida. Se os co- ríntios recebem a honra singular de julgar o mundo. p. Lukas Vischer. Comparado às obrigações tre- mendas da vida futura. os papéis serão invertidos.1-11. honrar) Deus e amar seu próximo. porque os crentes estarão julgando o mundo pecador.21. Provavelmente já havia falado antes sobre a queda dos anjos e que Deus os julgaria (comparar com Is 24.

– quando a preposição é seguida do caso genitivo. Enquanto os anjos caídos recebem sua justa punição. como tais.1-3 Versículo 1 pra/gma e. o termo e[teron refere-se não a um ju- deu ou um gentio. eles não são criados à imagem de Deus e não são ajuda- dos por Cristo (Hb 2. kri. 53.3 krinou/sin embora os manuscritos antigos não tivessem os sinais de acentuação.j significa “contra”. por faltar aos anjos um corpo físico. Deus envia os anjos para servir ao homem. C.lwn aparecesse no contexto “jul- gar um ao outro”. (Cambridge University Press. porque essa comparação só ocorre aqui na Escritura. Robertson. lidamos com assuntos comuns na base do dia-a-dia.14).10 evpi.nenesqai – a voz média desse infinitivo do presente transmite uma idéia recíproca. A comparação é singular. Quanto mais. que está para herdar a salvação (Hb 1. Mais uma vez. como se o pronome avllh. no contexto. Consultar A.n e[teron – essa é uma expressão corrente no meio jurídico: “mover uma ação contra seu próximo”. An Idiom-Book of New Testament Greek. A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman. estão muito acima das tribulações e cuidados terre- nos. denota “na presença de”.256 1 CORÍNTIOS 6. p. 1934). Moule.1-3 anjos. Terceira. 1960). F. mortais. o homem é criado à imagem de Deus e foi redimido por Cristo. 10. Em seguida. os anjos santos continuam em seu glorioso serviço. o contexto exige não o presente kri. portanto. mas 9. T. E.j to. Versículos 2. Santos anjos rodeiam o trono de Deus e.nousin (eles julgam).cwn pro. 2ª ed.16). mas sim a um irmão cristão com quem o queixoso tem um relacionamento litigioso. p. Expressões e Construções em Grego em 6. D. 811.9 A preposição pro. enquanto nós. devemos nós ser capazes de solucionar os assuntos comuns? Palavras. . Paulo emprega o conhecido recurso literário de ar- gumentar do maior para o menor. pelas seguintes razões: Primeira.

4 257 sim o tempo futuro. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature. Se têm. trad. krithri. – aqui está uma expressão elíptica que é semelhante a po. Aqui estão três versões representativas: “Portanto.wn evlaci. se vocês têm disputas sobre tais assuntos. As traduções desse versículo em particular variam com respeito à pontuação e à interpretação. vocês nomeiam aqueles que são os menos estimados pela igreja para julgar?” (NKJV). “Se vocês então têm juízos com respeito a coisas pertencentes a esta vida. Os primeiros seis versículos desse capítulo contêm várias pergun- tas.11 b. geralmente pelo estudo do contexto. aceitar o versículo 4 como sendo uma sentença interrogativa em lugar de uma declarativa ou imperativa.sw| ge. então. Parece lógi- co. por Robert Funk (Chicago. vocês os levam diante daqueles que nada valem na Igreja ” (NJB). A forma passiva kri. 1961). a posição de um imperativo no final de uma sentença é fora do comum (ver IV). nº 427. nomeiem como juízes até mesmo homens de pouca importância na igreja” (NIV). Portanto. causas sobre assuntos comuns. Versões. University of Chicago Press. Friedrich Blass e Albert Debrunnet. Os Sábios Falarão 6. mh. vocês nomei- am homens que nada valem na igreja? a.netai com a expressão prepositi- va evn u`mi/n apresenta um dativo instrumental. ma/llon e significa “para não falar em”.ti ge. Mesmo uma declaração de fato (NJB) interrompe o fluxo das sentenças interrogativas. e rev. A segunda parte do versículo é uma ordem. Se entendermos o versícu- lo como interrogativo. “Mas quando vocês têm assuntos desta vida para serem julgados. Dentro dessa seqüência.stwn – o substantivo significa “processos jurídicos” e o adjetivo é um superlativo no caso elativo que significa “muito pequeno”. “julgado por vocês”.4-6 4. 1 CORÍNTIOS 6.3. os editores e traduto- res do texto grego precisam determinar o sentido do texto. como devemos interpretá-lo? 11. então. . uma declaração do fato ou uma pergunta? O manuscrito grego antigo foi escrito sem pontuação.

2).4 b. Conclusão.258 1 CORÍNTIOS 6. que se acha aberta a várias interpretações. Além disso. c. Ordene que atuem como juízes para o povo em todo o tempo. Ele disse: Escolha homens capazes dentre todo o povo – homens tementes a Deus. de cem. homens confiáveis que detestam lucro desonesto – e nomeie-os como oficiais. entendem que os juízes vinham da pró- pria comunidade cristã. indiretamente. . ele repreende os coríntios por sua arrogância em desprezar irmãos cristãos. alguns tradutores consideram como sujeito da cláusula os juízos gentios: aqueles “homens que nada valem na igreja” (NJB). Se isso era verdade. contudo. de cinqüenta e de dez. causas sobre assuntos comuns”. O fluxo da passagem retrata claramente a condenação de Paulo quanto à prática dos crentes levarem causas judiciais perante juízes gentios. Ele completa a sentença com uma segunda cláusula. Nenhuma tradução ou interpretação está livre de di- ficuldades.1. como é também o termo causas do verso 2. Interpretação Do versículo anterior (v.21. Assim Paulo aplica o princípio do contraste. Stein sugere que cristãos judeus. A. 3). segundo Paulo. chefes de grupos de mil. Também não é provável que os cristãos coríntios nomeassem juízes gentios. é pelo menos tão competente como um juiz não-cristão. Mas será que a comunidade nomearia juízes que eram considerados pouco significantes ou que não eram respeita- dos? Se Paulo está fazendo uma pergunta retórica. o que parece pouco provável. Um cristão de peque- na importância. Parece que preferia. conforme estavam acostumados. a expressão assuntos comuns é repetida. 22]. Paulo chega a uma conclusão com uma cláusula condicional: “Se têm. então.12 Outros tradutores. mas mande que tragam todo caso difícil a você. Quando Moisés servia ao povo de Deus como juiz no deserto do Sinai. aconselhou-o a nomear juízes assistentes. Essa interpretação subentende que esses juízes eram desprezados pelos membros da Igreja Cristã (ao contrário de 1Tm 2. 12. mas um juiz gentio. os casos simples eles po- dem resolver por si mesmos [Êx 18. “Wo trugen die korinthischen Christen ihre Rechtshändel aus?” ZNW59 (1968): 86-90. ele espera uma res- posta negativa. Por exemplo. Jetro. um princípio em- pregado na história bíblica. em lugar disso. os cristãos gentios não procuravam um rabi. seu sogro. Com base nesses dois versículos. nomeavam um rabi como juiz em causas triviais. pois esses juízes já ti- nham sido nomeados pelo estado.

C. Comparar com L.14). 14. 5. Digo isso para vergonha de vocês. seus bêt dîn. 719-27. Quando os judeus retornaram a Israel. 1 CORÍNTIOS 6. Esse homem sábio seria comparável a um rabino judaico que resolvia problemas em co- munidade de judeus. De fato. “The Law Courts in Corinth: An Experiment in the Power of Baptism”. Harper and Row. . Encyclopaedia Judaica. Lewis. os judeus tive- ram seus próprios tribunais de justiça. ATR. uma pessoa que possa arbitrar entre duas pessoas a fim de efetuar a harmonia. K. Haim H. que ainda era vigente nos tempos apostólicos. quer em Israel ou no estrangeiro. Assim. “Será possível mesmo não haver nenhum homem sábio em seu meio?” Aqui está mais uma pergunta retórica à qual se espera que os coríntios respondam então: “É claro que há um homem sábio em nossa comunidade”. de Judá. Embora antes tenha escrito que não os envergonharia (4. col. isto é.13 Paulo está pedin- do aos cristãos que eles também nomeiem homens respeitáveis e sábi- os de sua própria comunidade para servir como juízes. Paulo repreende seus leito- res por sua negligência e apatia. 138. ado- taram esse sistema. Será possível mesmo não haver nenhum homem sábio em seu meio que possa ser árbitro entre seus irmãos? Os cristãos de Corinto há muito tempo já deveriam ter estendido os princípios da fé cristã às questões jurídicas. vindos da Babilônia. Cohn. supl. Do mesmo modo. que se refere a um estudioso de nível menor do que um rabino. a. Ele espera que sua censura leve os leitores a agirem imediatamente para sanar a situação. nomeou juízes em todas as cidades fortificadas da terra (2Cr 19. em toda comunidade judaica por toda a Dispersão. série Harper’s New Testament Commentaries (Nova York e Evanston. A Commentary on the First Epistle to the Corinthians.5). “Bet Din ad Judges”. 1968). agora ele lhes diz abertamente que as palavras dele têm o propósito de envergonhá-los.” Paulo não está sugerindo 13. 11 (1990): 88-89. Barrett sugere a palavra hakam (homem sábio). o rei Josafá. “[Um sábio] que possa ser árbitro. A. Deveriam ter nomeado homens sábios e capazes de sua própria comunidade para resolver cau- sas triviais entre os irmãos cristãos.5 259 Moisés escutou Jetro e nomeou homens capazes e honrados para servir ao povo como juízes. vol. Paulo quer que nomeiem um homem que tenha a capaci- dade de atuar como mediador. p. esses homens cuidavam das causas triviais enquanto Moisés cuidava das difíceis.14 b. 4.

“Entre seus irmãos. por John Allen. e sim como mediador que busca unir as duas partes para entendimento e acordo mútuo. Calvino. Paulo volta a essa questão nos versículos seguintes. c. No entanto. (Grand Rapids. 1 Corinthians. físico e financeiro do irmão cristão? Calvino escreve: Se um cristão. Pode um queixoso que vai à justiça ter em mente o bem-estar espiritual. ou. Combinei a referência aos dois homens na palavra irmãos.6 que os coríntios nomeiem juízes para terem uma posição permanente (ver v.” A sentença grega é extremamente concisa nessa parte final do verso: “entre seus irmãos”. quer demandar seus direitos numa corte judicial. e não de vingança. Pelo contrário. que devemos entender como sendo dois irmãos em Cristo. para resumir. Eerdmans. ver também Institutes of the Christian Religion. emocional. trad. O sábio não age como juiz que entrega um veredicto.18. 4. O fato de que um cristão está levando um irmão cristão à justiça já é prova suficiente de que ele colocou de lado o mandamento de amar seu próximo. pp. um irmão vai à justiça contra outro irmão – e isso diante de incrédulos? Esse versículo pode ser entendido como uma exclamação ou como uma pergunta. 1). optamos por uma interrogativa que. vol. 1949).] . 2 vols.15 Mesmo que seja difícil chegar ao ideal. pois. 122-23. expressa com ênfase os sentimentos de Paulo. À vista da repetição próxima (ver v. Em outra parte (2Co 6. qualquer sentimento venenoso. 6. Dentro da comunidade cristã. essa é uma situação ina- creditável que nega os fundamentos da fé cristã. na última parte desse versículo. qualquer ira. Para Paulo. qualquer sentimento mau.8) precisa funcionar sem restrições. Em tudo isso o amor será o melhor guia. Mas agora ele pergunta se os corínti- os estão levando irmãos crentes à justiça perante um juiz não-cristão. ele precisa tomar muito cuidado de não chegar ao foro com qualquer desejo de vingança.260 1 CORÍNTIOS 6. 7). o mandamento de amar uns aos outros é um preceito fundamental para o cristão.20. nessa passagem há um ar envolvente de me- diação.15) Paulo pergunta: “O que têm em comum os 15. sem ir contra Deus. essa Lei Régia (Tg 2. 2.

Friedrich Büchsel. 97. 1 CORÍNTIOS 6. a resposta subentende que quando essas duas categorias de pessoas se ajuntam. Gerhard Dautzenberg.netai (v. p. 3. 409. 185.chte – a partícula com o verbo no presente do subjuntivo intro- duz a prótase de uma sentença condicional que expressa probabilidade.. John Parry. 17. 6). .17 avdelfou/ – o substantivo no singular não deixa completa a sentença. 18.nestin (há) que sem a negativa ouvk significa “não há nenhum”. essa preposição é usada num sentido adversativo como “contra”. TDNT. p. Além do mais. diakri/nai – o verbo composto difere no sentido do verbo simples kri. Grammar. O composto significa arbitrar.zete como presente do indicativo na forma interro- gativa: “Vocês estão nomeando?” Versículos 5. p.gw – as evidências dos manuscritos favorecem essa interpretação em vez de lalw/ (comparar com 15. vol. Palavras. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cam- bridge University Press.ni – esta é uma contração da forma e. “. o crente colhe resultados danosos. e. 1937). 1. Moule. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. vol.18 meta. 163. eu mesmo pensei. A duplicação de ouv em ouvdeij (ninguém) enfatiza a negativa. Expressões e Construções em Grego em 6. p. e. St. R.. Robertson..4-6 Versículo 4 me. p.. p. “diakrino é usado para falar sobre a atividade de um mediador ou árbitro em contraste com o de tribunais mundanos”. 947. Deveria estar no plural ou ser repetido no singular.” 16 evan. Idiom-Book. Mas veja Bauer. EDNT.4-6 261 crentes e os não-crentes?” A resposta é enfaticamente negativa. – no contexto.Escritores do Novo Testamento apenas seguem o caminho pisado do uso grego com a liberda- de e individualidade apropriadas”. 305. o simples denota julgar.6 le. A apódose tem o verbo qi. 16.n ou=n – essas partículas de inferência podem ser traduzidas em lin- guagem coloquial como sendo: “Ora.34 e a variante). A interpretação prefe- rida denota o conteúdo da fala: a variante significa o ato da fala.

2 vols. Já é. a controvérsia deveria ter sido resolvida. Paulo declara que esse costume é inaceitável para crentes. ele já passou muitas horas discutindo seus agravos e ressentimentos na presença do acusado e de outros.7. Por que não é preferível ser tratados injustamente? Por que não serem antes fraudados? a. Em outras palavras. 20. uma derrota completa” não só para si pró- prio. Lewis e Marvin R. No versículo anterior (v. em sua opinião. um processo judicial é “uma derrota completa”. 1981). Paulo nota um só incidente de um cristão que registra queixa contra um irmão cristão.12. (Grand Rapids: Kregel. 194. p. e é incapaz de ser uma testemunha eficaz para o mundo.8 7. O emprego que Paulo faz da palavra já indica essa atividade preliminar durante a qual. Os Humildes Suportarão 6. ele repreende os coríntios por rebaixarem irmãos crentes le- vando-os à justiça. Vincent. antes de um indivíduo processar outro. O que Paulo está procurando comunicar aos coríntios? Simples- mente isto: mesmo que um juiz dê ganho de causa ao queixoso. Paulo vira tudo de cabeça para baixo quando diz que ganhar uma causa é uma derrota para os coríntios. O querelante não deve receber louvor nenhum por ganhar a causa. por- que ele faz isso em detrimento da comunidade cristã.. O substantivo derrota ocorre duas vezes no Novo Testamento. por Charlton T.19 Geralmente. John Albert Bengel. o pro- cesso judicial já teve efeito danoso sobre o acusado e toda a comunida- de cristã. para eles. a prática de um processar o outro parece não ter sido incomum na comunidade cristã.. John Albert Ben- gel comenta: “O louvor não é mencionado explicitamente aqui.20 19. 349. pois. p. ele enfrenta “já. Bauer. aqui e em Romanos 11. onde significa perda. . Se o queixoso quer ir adiante e iniciar um processo. Mas nesse versícu- lo ele se dirige a todos os coríntios. 2. uma derrota completa vocês terem entrado na justiça contra si mesmos. mas para a comunidade cristã inteira. Em vez de lhes dizer que eles devem exigir seus direitos. Bengel’s New Testament Commentary. De um ponto de vista mundano. 6).7 c.262 1 CORÍNTIOS 6. trad. A igreja demonstra uma falta de amor numa atmosfera de hostilidade. vol. mas um tipo de antítese dessa natureza é que é pretendido”. Derrota.

40 NVI. Aquele que cultiva essa atitude está seguindo nos pas- sos de Jesus. Paulo ainda lhes pede que se subme- tam a roubo – e isso num tribunal de justiça. ensina os leitores a não se apegarem a pertences terrenos.19-23). de- vem estar dispostos a suportar injustiça. até mesmo a seus irmãos. “Por que não serem antes fraudados?” Se há o que contraria nosso senso de valores. é permitir que nós mesmos sejamos fraudados. b. comparar com Lc 6. Fraudados. ganha aprovação diante de Deus. 1 CORÍNTIOS 6. por as- sim dizer. c.30). se torna o acusado perante os juízes gentílicos. Mas vocês tratam injustamente e causam prejuízo. Pedindo aos coríntios que suportem uma perda de bens materiais. Como pôde um cristão ainda chamar um membro da igreja de irmão no Senhor se ele o prejudicou moral. 8. o conceito de comu- nhão cristã é severamente solapado pelo espírito litigioso dos coríntios. Toda a comunidade cristã. deixe que leve também a capa” (Mt 5. Nesse versículo. e não um espírito de ganância. mas Paulo. seguindo a instrução de Jesus. Se os coríntios ainda não se convenceram de que as posses materiais só têm valor transitório.8 263 A escolha de palavras na primeira parte desse versículo é singular. Duas questões aparecem nesse texto. e sim que o fizeram contra si mesmos. Paulo mostra que está plenamente ciente do efei- to que os litígios têm sobre a comunidade de Corinto. De modo sutil. Primeira. Qualquer pessoa instintivamente protege suas posses. ele os incentiva a buscar o amor mútuo e a revelar um espírito perdoador. O resultado é que esses processos são devastadores para a moral da comunidade cristã. Esses processos jurídicos têm nutrido uma atitude de cobiça e ira que agora ameaça a essência da comunhão da igreja. ele lembra aos leitores as palavras de Jesus: “Se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica.29. sim. Injustiça. Ao contrário. Paulo não diz que os coríntios moveram processos um contra o outro. Um espírito de mansidão e altruísmo que é capaz de suportar o erro de boa vontade (comparar com 1Pe 2. ele apresenta uma pergunta que subentende uma ordem para os coríntios. emocional e financeiramente num . “Por que não é preferível ser tratados injustamente?” Como se Paulo antecipasse objeções às suas palavras.

. a preocupação do amor pelo próximo é apagada numa atmosfera de egoísmo brutal. promover o bem-estar da comunidade cristã. 8 processo na justiça? A falta de amor e a presença do ódio tornam im- possível a verdadeira comunhão cristã.37.8 Será que um cristão pode em alguma circunstância recorrer a uma ação judicial? A Bíblia responde afirmativamente a essa pergunta. a unidade do corpo se desintegra (comparar com 12. Considerações Práticas em 6. p. a conduta dos coríntios é inteiramente contrária aos princípios cristãos. o Livro de Atos é claro em mostrar que Paulo fez uso do sistema judicial romano várias vezes. Se um crente não deve entrar com processo. Eles devem resolver suas disputas e diferenças pela mediação. contudo apelou à lei romana para defender a si próprio e à causa do Cristianismo (At 16.7. Para Paulo. os cristãos devem se abster de iniciar ações na justiça. Taylor. 22. Em vez disso.264 1 CORÍNTIOS 6. É preciso dizer que ele não iniciou os pro- cessos. No entanto. e dar ao mun- do um testemunho transparente.7. Quando as pessoas se atacam mutuamente. Quando isso acontece. A sociedade em geral. Os cristãos devem reconhecer que “o litígio é uma manifestação da au- sência de comunidade”. Além do mais. mas os cristãos em particular. “Toward a Biblical Theology of Litigation”. Oficiais e juízes governamentais são nomeados por Deus para servir ao público e assegurar o bem-estar dos cidadãos (Rm 13. como a justiça funciona dentro do contexto de uma comunidade cris- tã? Um cristão deve pôr de lado qualquer desejo de tratar seu irmão injustamente ou de defraudá-lo.25).21 Os processos jurídicos contribuem para a desin- tegração de uma sociedade e fazem com que o individualismo reine su- premo. devem resolver 21. Deve a comunidade cristã ter seus próprios juízes e advogados? Aqui também a resposta é afirmativa. Deus instituiu o governo civil. ele deve buscar o bem- estar material de seu semelhante e assim cumprir positivamente o man- damento de não cobiçar as posses de seu próximo. pois o litígio é um borrão sobre a comunidade. Para ilustrar.25. o que inclui o judiciá- rio.11). 25. 114.1-5). Uma segunda preocupação é se pode um cristão abrir qualquer pro- cesso litigioso na justiça.

23 Essas duas formas médias expressam um sentido permissivo ou talvez causativo. Os Ímpios Perderão 6. 1957).22 avdikei/sqe)))avposterei/sqe – esses dois verbos no tempo presente e voz média expressam a idéia de “deixar-se ser tratado injustamente e frauda- do”. 9. os glutões. p. Paul from Unpublished Commentaries (1895. os ho- mossexuais. O pronome reflexivo (“vocês mesmos”) não é sinônimo de avllhlw/n (um ao outro). [enquanto] e`autw/n enfatiza a de identidade de interesses”.7 h. que deve ser su- prida nas perguntas retóricas que Paulo faz. nº 314. os estelionatários – nenhum deles herdará o reino de Deus. ele lista mais uma vez algumas das mesmas categorias de pessoas más (ver 5. Ou será que não sabem que os ímpios não herdarão o reino de Deus? Não se enganem.n é contrabalançada pela partícula de. 808. Os cidadãos cris- tãos devem tomar a frente a fim de promover respeito pelo próximo e assim contribuir para a edificação de uma sociedade estável. os sodomitas.9-11). Com isso Paulo aponta para um processo que precede a ação judi- cial. d. A partícula me. Grammar. Nesse trecho.dh me. Lightfoot. 10 265 as diferenças num clima de mediação e reconciliação. 212. Ao se referir a esses pecadores imorais.9. Palavras. J. 6).9-11 Depois da discussão de Paulo a respeito de causas na justiça e seu efeito devastador sobre a comunidade cristã. os ladrões. Blass e Debrunner. Greek Grammar. reedição. Devem de- monstrar que a estima e o amor mútuos são as marcas características da decência e da moralidade. os idólatras. meqV e`autw/n – a preposição tem uma conotação adversativa (“con- tra”. Robertson. . p. 10. Este último “exporia a idéia de diversidade de interesses. Expressões e Construções em Grego em 6. Notes on the Epistles of St. Grand Rapids: Zondervan. ele amplia a discussão ao mencionar as pessoas pecadoras que serão barradas de entrar no reino de Deus. ver v. os difamado- res. 1 CORÍNTIOS 6. Paulo distingue entre aqueles que pecam deli- beradamente e os coríntios que foram limpos do pecado.n – o advérbio já está posicionado no começo da sentença para ênfase. as pessoas imorais. 22. 23. B.

o verbo herdar significa que não há possibilidade de que pecadores impenitentes irão.24.20. quem herdará esse reino? Certamente não se- rão os ímpios. especialmente no de Mateus. 37. p. no entanto. cuja imoralidade sexual e outros pecados os desqualifi- cam. Mas em sua primeira epístola aos coríntios. Paulo não está pensando em pessoas que enxergam o erro de seu caminho e se arrependem. que apre- sentam as mesmas perguntas retóricas. Eerdmans. Ladd.9). Os pecadores impenitentes.8. “Não se enganem. p. os idólatras. p. São pessoas cujo desejo é fazer o mal. A Theology of the New Testament (Grand Rapids. não pelas obras.” Mais uma vez Paulo exorta os leitores a não se 24. 10. Leon Morris. Em seguida. estão excluídos do reino. Em primeiro lugar. Eles recebem a herança. se inclinam a causar dano a outras pessoas e assim contrastam com os justos. “Os ímpios não herdarão o reino de Deus. 2 e 3). em algum tempo.25 c. Os coríntios sabem e entendem as implicações espirituais de processos na justiça e de uma vida peca- minosa? A pergunta retórica que Paulo faz nesse versículo exige uma resposta positiva. o conceito de reino ocorre repetidamente nos evan- gelhos sinóticos. 1. 15. todas essas passagens estão relacionadas com as bênçãos futuras do reino vindouro. 6. 1974). 31. 50).266 1 CORÍNTIOS 6. O uso do futuro é definitivo: eles nunca herdarão o reino. EDNT.20. b. compartilhar das bên- çãos de Deus. vol. Paulo continua com a conjunção ou que liga essa passagem aos versículos anteriores (vs. Ele se refere. Comparar com George E. àque- las que de vontade própria continuam em seus pecados e se gloriam neles. . ao contrário. 25. 410. Com exceção de 4. Academic Books.9. as pessoas imorais. Paulo menciona o conceito somente cinco vezes (4.” Paulo pergunta se os coríntios estão cientes dos fatos básicos que dizem respeito ao reino de Deus. os homosse- xuais. Terceira. a palavra herdar está relacionada aos filhos e filhas que compartilharão uma herança no reino e nesse caso são os filho de Deus. diferentemente dos justos. mas pela graça (ver Ef 2. os sodomitas. “Ou será que não sabem?”. E finalmente.24 Eles. New Testament Theology (Grand Rapids: Zonder- van.9. Meinrad Limbeck. 1986). 10 a.

18-32).16. VigChr 41 (1987): 396-98. Mas no mundo gentio daquele tempo a idolatria muitas vezes era fonte de perversão sexual (ver Rm 1. A inclusão de idólatras nessa lista de pecados sexuais parece um pouco fora de contexto.” Paulo agora se 26.22. “Homosexuals or Prostitutes? The Meaning of Arsenokoi- tai (1Co 6. ou entre duas pessoas não casadas. 10 267 enganarem (ver 3.9.7. 459. p. “Can Arsenokoitai Be Translated by ‘Ho- moxexuals’? (1Co 6.18). Ele usa o termo para descrever rela- ções sexuais ilícitas ou entre uma pessoa casada e outra não casada. 244-45. moichoi (adúlteros). Ele enumera pecados que têm que ver com a imoralidade sexual.19. Sex and the Immoral Majority”. ver também Lv 18. 1Tm 1.27 Essa palavra conota passividade e submissão. 27. 1 CORÍNTIOS 6.1-10. descobrimos que a preocupação com práticas sexuais era prevale- cente entre os homens do século I. difamadores.20).9. Paulo afirma a doutrina de Jesus de que a imoralidade sexual torna uma pessoa impura (ver v.13). VigChr 40 (1986): 187-91.29 Esses homens chafurdavam em pecados homossexuais e rivalizavam até mesmo com os habitantes da antiga Sodoma (Gn 19.10)”. Em contraste. Gálatas 6.10)”. “Ladrões.9. .10)”. pela cerâmica e pela escultura dos gregos e roma- nos. Wright. pp. 2. Bauer.9. “Homosexuality: The Relevance of the Bible”. “Translating Arsenokoitai (1Co 6. A palavra grega seguinte. Petersen. Mt 15. VigChr 38 (1984): 1255-53. d. vol. descreve o pecado sexual que uma pessoa casada comete com outra que está ou não está casada. o terceiro ter- mo grego. p. 10. As três categorias seguintes são os adúlteros.33. 488. os homossexuais e os sodomitas. e menciona em primeiro lugar os imorais (ver comentário sobre 5. representa homens que iniciam práticas homossexuais (1Tm 1. 28. “Paul. arsenokoitai (sodomitas). vol. 11.10). EvQ 61 (1989): 291-300. Walther Günther. 20. Consultar David F. 29. Ver também Herbert Braun. resulta em quebrar o vínculo do casamento. Tiago 1.26 eles devem estar plenamente apercebidos da sociedade má na qual vivem. e William L. malakoi (homossexuais). Repare que Paulo coloca os idólatras entre as pessoas imorais e os adúlteros. 1Tm 1. 1Tm 1. 6. 1 Coríntios 15. NIDNTT. 11). é relacionada a “homens e meninos que se permitem serem usados homossexualmente”. glutões.9. Daughters of Sarah (maio/junho de 1988): 26-28. estelionatários. São os parceiros ativos dessas prá- ticas.28 Pela prosa. Veja Catherine Clark Kroeger. A primeira expressão grega. TDNT.

Quando Paulo chegou a Corinto pela primeira vez.17. Mas quando um pecador mos- tra arrependimento genuíno e entrega sua vida a Cristo em fé. Os cobradores de impostos e as pros- titutas eram os pecadores no tempo de Jesus. Os coríntios podiam se identificar com essa exposição de Paulo sobre pecados morais. vocês foram santificados. a lista é uma repetição de uma passagem anterior (5.32. Lavados. Imundos.19).15). Ele dá a entender que qualquer pessoa que persiste em praticar esses vícios será impedida de entrar no reino. Lc 5. “E é isso que alguns de vocês foram. 9) serve para dar ênfase à severidade das transgres- sões que Paulo enumerou. e roubo. e.10. Observe os seguintes pontos: a. eram impuros. porque alguns dos membros tinham deixado uma vida de pecados sexuais e sociais. ele levou o evan- gelho da salvação a algumas pessoas que viviam em pecados sexuais e sociais. b. eles eram párias sociais e morais. Ele parece ecoar o Decálogo.” Jesus disse que ele veio chamar não os justos. vocês foram santificados. ele os enumerou na ordem dos Dez Mandamentos. 1Tm 1. “Vocês foram lavados. vocês foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.11 volta dos pecados sexuais para aqueles que têm que ver com posses materiais. Em sua epístola. vocês foram lavados. santificado e declarado justo. E é isso que alguns de vocês foram. Entretanto. mas notando que somente uns poucos coríntios tinham vivido antes uma vida degenerada: “alguns de vocês foram [degenerados]”. Por causa da vida pecaminosa que eles levavam antes. “Nenhum deles herdará o reino de Deus. Com exceção da categoria de ladrões. mas por meio da pregação do evangelho eles receberam a dádiva da salvação e esta- vam limpos. vo- . Paulo fala agora não em termos gerais. Ele não está dizendo que uma pessoa que comete qualquer um desses pecados nunca herdará o reino de Deus. mas sim os pecadores ao arrependimen- to (Mc 2.” A duplicação da afir- mação solene (v. ele é perdoado. pois mesmo não listando os dez pecados. abuso físico e verbal. Jesus os chamou ao arrependimento e depois comia e bebia com eles em suas casas (Mt 11.268 1 CORÍNTIOS 6. 11.11). lavado de seu pecado. libertado de sua culpa.

Paulo transmite a men- sagem da imensa mudança espiritual. porque em outro lugar nessa epístola Paulo coloca a justificação antes da santificação (1. Agora ele os lembra de que eles foram tornados santos. ainda que o ato de lavar o pecado esteja ligado ao batismo.17. que no grego ocorre antes de cada um dos três verbos. No presente texto. Paulo deixa de usar o verbo batizar.. 26.” O lavar é completo. Veja J.18).9). . “Vocês foram justificados. os teólogos pro- testantes debateram se a santificação deveria preceder a justificação. Ele frisa o ato de ser limpo do pecado e deixa a impressão de que devemos entender esse ato figurativamente.16. 1989).” Usando o forte adversativo entretanto. Saved by Grace (Grand Rapids: Eerdmans. ExpT 82 (1971: 266-71. Exeter: Paternoster. Aqui ele quer enfatizar o efeito do batismo. Ele contrasta o passado pecami- noso dos coríntios com sua nova vida em Cristo. aqui e em Atos 22. K.2). apaga toda a culpa do relatório. Em Atos. 1 CORÍNTIOS 6. At 20. “Vocês foram santificados. por ex. Quando Deus perdoa um pecador arrependido ele zera.18).32. assim os coríntios foram limpos dos pecados de sua vida anterior. Paulo conta sua experiência de conversão em Da- masco.” Em séculos passados. 203. Part 2. A santificação significa que o crente entrou para a comunidade de Deus (ver 1. “The Holy Spirit and Baptism.19. Paulo dis- se aos coríntios que eles estavam santificados em Jesus Cristo (1.11 269 cês foram justificados. O Novo Testa- mento ensina que todo aquele que crê em Jesus é santificado nele (Jo 17.30). escreve o pronome pessoal da segunda pessoa do plural vocês nesse versículo com cada verbo.” Já no início de sua epístola.30 Como o próprio Paulo havia se limpado de seu pecado de perseguir a Igreja de Cristo. Anthony A. “Vocês foram lavados. 31. Consultar. Além disso. The Pauline Evidence”. p. O verbo lavar aparece somen- te duas vezes no Novo Testamento.31 A justificação é um ato declarativo de Deus pelo qual o crente é pronunciado justo em Cristo e é coordenado com o 30. O verbo lavado (conforme traduzido) e os dois verbos seguintes (santifi- cado e justificado) estão na voz passiva. quando Ananias o instruiu a ser batizado e a lavar-se de seus pecados (At 9. Hoekema. Parratt. Paulo deseja ser especificamente pessoal na forma de se dirigir a eles.

195. A preposição em está presen- te duas vezes. 1977). Essa escolha de palavras é comum a Paulo. Os três verbos (lavado. Os crentes são batizados no nome de Jesus Cristo e no poder do Espírito (por ex.38. Primeiramente. aplica-se a todos os três verbos e deve ser entendida como significando “em relação a”. 14. pois nesse texto Pau- lo não ensina especificamente a fórmula batismal trinitariana da Gran- de Comissão (Mt 28. Graça. 7. p. o Espírito e Deus. não o Espírito Santo.270 1 CORÍNTIOS 6. vol. Paulo está dizen- do que. Jo 1. 2. New Testament Commentary. mas escreve “o Espírito de Deus”. Consideremos agora de que manei- ra esses três verbos se relacionam com o Senhor Jesus Cristo e o Espí- rito de Deus. At 10. o ato de santificar os crentes baseia-se na obra redentora do Senhor Jesus Cristo e é sustentado pelo poder do Espírito Santo. ele não está explicando a distinção entre a santificação e a justificação.. Frederic Louis Godet mantém que aqui Paulo usou os três nomes divinos como fórmu- la batismal. o lavar do pecado é o resultado do batismo. 12.5).3). Contudo essa observação não deve ser levada muito longe. p. 3. . Nesse contexto. o ato de justificar o crente aparece ligado ao poder do 32. santificado.40. espe- cialmente nessa epístola (2. Commentary on First Corinthians (1886. “o Senhor Jesus Cristo”.32 c. aparece por vezes a frase no nome de ligado ao batismo (por exemplo.16.11 ato de Deus da santificação. eles estão no tem- po aoristo. porque Paulo menciona Jesus Cristo.48). a justificação tem sua base na obra expiatória e torna-se real para o crente pelo testemunho poderoso do Espírito. Do mesmo modo. A parte final do versículo deve ser ligada a cada um dos verbos que a antecedem (lavar. 33.19). Deus pronunciou os coríntios tanto santos como justos. justificar). ver Mt. que descreve uma ação única instantânea. santificar. reedição.11. Bengel.11. At 2. 8. 19. 302. A seguir. Grand Rapids: Kregel. Finalmente.33 Não obstante. “No nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. justi- ficado) são gramaticalmente aparentados. em dado momento.33. Paulo usa o nome completo de Jesus.” A última parte desse versículo revela um trinitarianismo implí- cito.16. e sim escrevendo um discurso contra a iniqüidade. No grego. 12. 3.

mas. o perse- guidor dos cristãos primitivos. arrependeu-se. O Antigo Testamento conta a narrativa surpreendente da graça de Deus estendida a Manassés. conforme Paulo indica. que amava o Senhor e o servia fielmente.11). E chama Paulo. O Espírito Santo participa da santificação do crente. praticou magia e adivinhações. Cristo é vindicado pelo Espírito.. excluem o pecador do reino de Deus? A resposta é sim a todo pecador que se chega a Deus. Para um dos criminosos crucificado com ele. Sacrificou seu próprio filho. 1 CORÍNTIOS 6.16. desviou o povo de seu reino e derramou sangue inocente (2Re 21. Ele se dirige à mulher pega em adultério dizendo: “Vá e deixe a sua vida de pecado” (Jo 8.15). Considerações Práticas em 6. 2Cr 33. com uma restrição: “Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens.48.11 271 Espírito somente nesse texto. Ao ler essa narrativa. Deus não só o perdoou como o res- taurou como rei de Judá (2Cr 33. colocou uma escultura no templo de Deus. e perguntamos ousadamente se Deus perdoará todo e qualquer pecado co- metido contra ele. mas em nenhuma outra parte da Escritura encontramos o Espírito envolvido na justificação do crente.1-9). se . quando tomou consciên- cia de si no cativeiro.11 A graça perdoadora de Deus oferecida aos pecadores que se arrepen- dem é impressionante e satisfaz plenamente. rei de Judá e filho de Ezequias.. Apenas no presente texto o Espírito é ligado à justificação do crente.43). Perdoará aqueles pecados que. afirma: “Em verdade digo que hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.1-9. Tentamos sondar a profundidade do amor perdoador de Deus. ficamos maravilhados com a graça perdoadora de Deus.12. de “meu vaso escolhido” (At 9. confessa seu pecado e roga por misericórdia. Contudo. 16. esse rei. mas a justificação é obra de Deus com base na justiça de Cristo. Eis a garantia de Jesus. ser-lhe-á isso perdoado. Vá em paz” (Lc 7. 50).13). Manassés nasceu na família de Ezequias. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem. no hino cristão de 1 Timóteo 3. Jesus diz à mulher imoral que entrou na casa de Simão o fariseu: “Seus pecados estão perdoados . mas a blasfê- mia contra o Espírito não será perdoada. a sua fé a salvou. Mas Manassés fez o mal aos olhos do Senhor. Ele adorou os baalins e edificou altares aos exércitos estelares nos alpendres do templo. Na verdade.

e sim para o Senhor. e o Senhor para o corpo. mas Deus des- truirá a ambos. Moffatt. “Como é sabido. 559. Fuja da imoralidade. RSV. vol. 34. 19. R. glorifiquem a Deus. 15.31. avpelou. “Todas as coisas me são permitidas”. “todas as coisas me são permitidas”. Uma palavra mais exata seria toiou/toi (essas pesso- as). NIDNTT.11 tau/ta – o pronome no plural neutro é usado para se referir não a coi- sas. Grammar. e sim a pessoas. . Ver Cassire. 13. Consultar G.w (eu lavo) como passivo. 20. para os alimentos”. Robertson. 1. p. com seu corpo. então.36 12. p. Beasley-Murray. Contudo. O corpo não é para a imoralidade. KJV. não lhe será isso perdoado. 18. NKJV. Ou vocês não sabem que aquele que se une à prostitu- ta é um só corpo com ela? Pois ele diz: “Os dois se tornarão uma só carne”. Vol. p. al- guns tradutores apresentam uma tradução literal: “vocês se lavaram [fi- cando] limpos”.sasqe – a maioria dos tradutores interpreta esse aoristo médio indicativo avpolou. 14. eu hei de tirar os membros de Cristo e torná-los membros de uma prostituta? Nunca! 16.32 NVI). NASB. EDNT. Deus não ressuscitou só o Senhor como também nos ressuscitará pelo seu poder. Por ex. e o estômago. Qualquer outro pecado que o homem comete está fora de seu corpo.. Palavras. pois. Mas aquele que se une com o Senhor é um só no espírito com ele. “Os alimentos são para o estômago. embora o pronome plural neutro seja enfático e direto. 137. evn – essa preposição muitas vezes faz permuta com a preposição eivj. mas nem todas são proveitosas. pois só Jesus Cristo os limpa. mas eu não serei dominado por nada.35 Eles interpretam o médio como significando que os can- didatos ao batismo se submeteram ao batismo.272 1 CORÍNTIOS 6. TNT. Vocês foram comprados por um preço. Ou vocês não sabem que seu corpo é um templo do Espírito Santo dentro de vocês.. as leituras marginais em RV e ASV. 36. Por isso não se pode insistir na distinção entre as duas preposições”. nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12. mas o homem imoral peca contra seu próprio corpo. NIV.34 Os crentes são incapazes de lavar seus próprios pecados. REB. evn e eivj são na realidade a mesma palavra. Expressões e Construções em Grego em 6. Vocês não sabem que o corpo de vocês é um membro de Cristo? Bem. SEB. 152. 35. BJ. que receberam de Deus? E vocês não pertencem a si mesmos.11 alguém falar contra o Espírito Santo. 1. Phillips. 17.

A origem do lema não é de importância precípua.23 no contexto dos capítulos 8-10. Paulo lista os lemas usados pelos corínti- os. p. 1973. mas nem todas são proveitosas. Ele lista os lemas um a um e dá sua resposta apropriada: Lema Resposta Todas as coisas me são permitidas mas nem todas as coisas são proveitosas Todas as coisas me são permitidas mas eu não me deixarei dominar por nada Os alimentos são para o estômago e o es.12 (duas vezes). Permissão 6. 38. Coríntios livres-pensadores eram de opinião que podiam fazer o que bem entendessem.12-14 12. EvQ 60 (1988): 99-127. Veja Michael Parsons. Imoralidade 6. a. 86.38 Seu modo de aplicar o lema todas as coisas 37. .12 273 4. Hurley sugere que Paulo se dirige a cristãos judeus. disserta- ção de doutorado. 1 CORÍNTIOS 6. No capítulo anterior. “Todas as coisas me são permitidas”. ele deu instru- ções a respeito do caso do incesto. Não podemos apurar com toda a certeza se Paulo havia dado aos leitores essas palavras. “Todas as coisas me são lícitas. “todas as coisas me são lícitas”. “Being Precedes Act: Indicative and Imperative in Paul’s Wri- ting”. Examinando o lema de 6. mas eu não me deixa- rei dominar por nada. “Man and Woman in 1 Corinthians”. Nos versículos 12 e 13a.23 (duas vezes).” Esse lema aparece quatro vezes na primeira epístola de Paulo aos coríntios (6. Paulo agora volta ao assunto da imoralidade.37 O que é significativo é que certos membros da igreja de Corinto usavam o lema como desculpa para pro- mover seu modo de entender a liberdade cristã. a. agora ele discute princípios gerais com respeito à imoralidade sexual.12-20 Depois de admoestar os coríntios sobre os litígios. James B. Cambridge University. mas Deus destruirá a ambos tômago para os alimentos Vamos agora comentar cada lema e a resposta de Paulo que o segue. 10. Também não sabemos se o lema veio dos filósofos gre- gos ou dos incipientes gnósticos.12 e 10.

Career of the Reformer I. eles se entregavam a pecados sociais e sexuais. ele não diz “nem tudo é útil para mim ” ou “nem tudo é útil para você”. 37.. e ele outra vez restringe o raio de sua aplicação e. p.37-40). ao contrário. Mas nossa conduta.274 1 CORÍNTIOS 6. Em lugar de viver como crentes perdoados. c. Alguns coríntios livres-pensadores pareciam aplicar as pala- vras todas as coisas a tudo. mas eu não me deixarei dominar por nada’”. eles justificavam o pecado em nome da liber- dade dada a eles em Cristo. 39. 279. Em conseqüência disso. p. Nessa afirmação ele omite o referente. Um cristão é um servo perfeitamente obrigado a todos. 1957). inclusive aos atos sexuais imorais. não sujeito a ninguém. os mandamentos de Deus traçam parâme- tros claros sobre a conduta aceitável. deixa a questão em aberto. Helmut T. O egoísmo contraria a ordem de amar nosso próximo como a nós mesmos.12 me são lícitas excedia os limites do comportamento cristão aceitável. sujeito a todos”. 31 (Filadélfia: Muhlenberg. Entre- tanto Paulo rejeita a noção de que a expressão precisa ser entendida como incluindo o pecado. santos e justos. Em vez de se submeterem ao governo de Jesus Cristo. Em vez de servir ao Senhor e seu próximo em amor cristão genuíno (Mt 22. vol. 40. Ver Bauer. org. 55 vols.. “‘Todas as coisas me são permitidas. . Luther’s Works. serviam a si próprios.39 b. Ele escreveu: “Um cristão é um senhor perfeitamente livre de todos. Numa de suas afirmações sucintas. quer boa ou má. sempre afeta as pessoas com quem interagimos. Paulo escreve: “Mas nem todas as coisas são proveitosas”. “Mas nem todas as coisas são proveitosas” (comparar com Sir.40 Novamente Paulo cita o moto que circulava na comunidade cristã em Corinto. Embora Paulo concorde com o moto. seu impacto. isto é. ele o limita com uma declaração adversativa: “mas nem todas as coisas são úteis” (RSV). Lehmann. 344. Não temos o direito de fazer o que quer que agrade a nós sem estarmos atentos a qualquer efeito nocivo que nosso comportamento possa ter sobre nos- so semelhante. com isso. Martinho Lutero lançou luz sobre o entendimento errôneo da liberdade por parte dos coríntios. A expressão todas as coisas tem seu inverso na frase coisa alguma.28).

p. nem pessoa alguma. Ele faz isso com freqüência para dar liderança e direção aos leitores que enfrentam questões morais e sociais. Foi assim que Deus projetou sua 41. 13. Paulo recita agora um ditado proverbial específi- co: tem que ver com os alimentos e o estômago. seja quem for.15. a. Quando não é desperdiçado. nós somos limitados por leis naturais e morais: o comer e beber devem ser exercidos com moderação. ele se torna pessoal ao aplicar o moto a si mes- mo na primeira pessoa do singular. e o sexo deve ser conservado dentro dos laços do santo matrimônio. Ter autoridade é ter domínio sobre algo ou alguém. para os ali- mentos. ele nota o fato de que ele não possui mais aquilo que o possui. Rm 6.7. 2. ele quer dizer que tem a autoridade para fazer todas as coisas.29. 10. ele acrescenta-lhe um comentário de forma semelhante ao do texto anterior (ver v. 30. Mas. A pessoa que compôs esse ditado. contanto que isso ocorra em comunhão com Cristo. 33.41 Terceiro. eu não permitirei que nada. o público aceitou o moto prontamente. Por exemplo. 8. Ver 1 Coríntios 6. Deus criou um mundo que produz uma variedade de alimentos para sustentar a vida. 1 CORÍNTIOS 6. Mas se uma pessoa cede ao pecado. no grego Paulo apresenta um trocadilho. O corpo não é para a imoralidade. vol. tornou-o vívido invertendo os dois substanti- vos na segunda metade. o alimento acaba no es- tômago de quem come. “todas as coisas me são permitidas”. Mas embora Paulo aceitasse a verdade do provérbio. Deus nos deu apetites naturais que podemos satisfazer em liberdade cristã.7. . 12). tenha autorida- de sobre mim. New Testa- ment Commentary. para os alimentos”. E. um estômago recebe alimen- to para o benefício do consumidor.11. 14. “Os alimentos são para o estômago. ao se identificar com essas questões. 7. e o estômago.’” Começando com um slogan generalizado. ela é seu escravo e o pecado é seu mestre (comparar com Gn 4. mas Deus destruirá a ambos. Portanto. e o estômago. 196. inversamente. Depois. “‘Os alimentos são para o estômago. Quando ele diz que todas as coisas são lícitas para ele.13 275 O que Paulo está tentando comunicar com essa negação? Primeiro. e sim para o Senhor. diz Paulo.13.16). Consultar Bengel. O trocadilho em grego é refletido nos itens com itálico. e o Senhor para o corpo. Uma pessoa pode exercer a liberdade cristã livremen- te em todas as coisas.

e o Se- nhor para o corpo.29). Lightfoot observa que os coríntios confundiam a proibição de duas categorias distintas: “comida e bebida de um lado. reedição. (1911. da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas” (At 15. Aqueles coríntios que ostentavam sua liberdade em Cristo se consideravam livres para regalar-se no comer e na gratificação sexual. Portanto. Lightfoot. bem como do sangue. B. Os membros do Conselho de Jerusalém sabiam que os gentios consideravam aceitável a imoralida- de sexual. aos decretos sobre os alimentos. Nesse contexto. p. o mandamento de Deus para fugir da fornicação e adultério é relacionado à moralidade. 42. Ver também Archibald Robertson e Alfred Plummer. 1975). porque qualquer pessoa com bom senso santificado deseja ser saudável e continuar a ter saúde. Ele o formou à sua imagem e segundo sua semelhança (Gn 1. 10. 123. Clark. A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St. b. Notes on the Epistles. Deus criou o corpo humano não para o prazer pecaminoso. Os produtos alimen- tícios. Inversamente. Tanto o alimento como o estômago são tem- porais e sem permanência.26). . mas para sua glória.13 grande criação. Mas o consumo em si não é questão de morali- dade. os membros do conselho acrescentaram a lei moral: “que vocês se abstenham das coi- sas sacrificadas a ídolos. e sim para o Senhor. Para dar ênfase à sua natureza passa- geira.14. Mas sua imoralidade se- xual violava os preceitos do Conselho de Jerusalém e era uma trans- gressão do Decálogo (Êx 20. Paulo não entra em pormenores sobre comer alimentos oferecidos aos ídolos. 2ª ed. “Mas Deus destruirá a ambos.18). c.276 1 CORÍNTIOS 6. Em outros lugares ele trata desses tópicos (8. International Critical Commentary. Paul to the Corinthians.42 Comida e bebida devem ser consumidas com moderação e discrição. não para a imoralidade sexual.23-33). que são perecíveis. com o tempo se acabam. a liberdade cristã.” Aqui Paulo focaliza a temporali- dade da comida e do estômago. p. Edimburgo. sujeita ao envelhecimento. Mas Deus também impõe limites. “O corpo não é para imoralidade. Dt 5. declara que Deus há de destruir as duas coisas.” O recado que Paulo dá aos coríntios é que eles não devem identificar o apetite sexual com um apetite por comida e bebi- da. ou comer e beber para a glória de Deus. e a vida humana. J. 214. e pecados de sensualidade do outro”.

43 Nosso corpo físico. os primeiros frutos. Como o alimento e o estômago são feitos um para o outro. . pois o propósito de Paulo não é esse. e nós somos sua família (Hb 2. Ele vê o uso do corpo humano no sexo ilícito como coisa absolutamente contrária a seu propósito (ver 1Ts 4. Ao lema dos coríntios. Fee. assim o corpo físico e o Senhor servem um ao outro. como seu corpo foi ressuscitado. Devemos discer- nir a diferença entre a ressurreição de Cristo e a nossa.10. Ele faz um paralelo com o ritmo e o estilo do lema deles: O alimento para o estômago e o estômago para o alimento. O Senhor reivindicará esse cor- po porque pertence a ele (Rm 14.28). Paulo acrescenta ainda sua própria instru- ção. e nós somos seus seguidores (15. Paulo retorna 43. Por esse motivo. Ele instituiu o casamento para a propagação da raça huma- na e para o enriquecimento do casal no casamento.8).14 277 Deus criou o corpo físico do homem para o trabalho na sua criação (Gn 1. na morte descerá ao túmulo. 14.20). Assim como Deus destrói o alimento e o estômago. No mundo gentio dos dias de Paulo. série New International Com- mentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Então Paulo observa que o corpo é para servir ao Senhor e acrescenta ainda que o Senhor é para o corpo. porém manchado pelo peca- do. O corpo para o Senhor e o Senhor para o corpo.15. os filósofos gregos considera- vam o corpo físico dos homens de valor insignificante. The First Epistle to the Corinthians. enquanto viam sua alma como tendo importância total. 1987). p. Deus não ressuscitou só o Senhor como também nos ressus- citará pelo seu poder. Gordon D. O paralelismo não deve ser levado até sua conclusão lógica. Tanto o alimento como o estômago são de significação transitória. Foi remido por Cristo e será ressusci- tado. Mas essa diferença não é a preocupação de Paulo nesse texto específico. tanto quanto ao tempo como quanto ao tipo. mas o corpo e o Senhor têm significação duradoura ligada à ressurreição. Cristo é as primícias. ele restaura tanto o corpo de Cristo como o nosso na ressurreição.3-5). criado por Deus. 1 CORÍNTIOS 6. Ele é o autor de nossa salva- ção.11). 256.

Versículo 14 evxegerei/ – o futuro ativo (“ele ressuscitará”) é apropriado ao ensino que retrata a ressurreição física como sendo um acontecimento vindou- ro. .zw (eu tenho autoridade sobre) apresenta um trocadilho. e ele assegura que Deus também levantará o corpo de cada um de nós pelo seu poder. no qual ele próprio está incluído.xestin (é permi- tido) denota que a pessoa a quem se aplica recebeu a autoridade (evxousi.rei. corri- gida (Londres e Nova York. A interpretação é que. – a repetição da conjunção significa “tanto. 13).somai – o uso do futuro passivo de evxousia. 44.15. A segunda tradução é a preferida por- que dá equilíbrio com o neutro pa. Expressões e Construções em Grego em 6. ele meramente introduz o fato de que Deus ergueu Cristo dos mortos. A Textual Commentary on the Greek New Testament. Ele o tem em alta estima e o vivificará pelo seu poder (veja Rm 8. e esse mesmo poder tocará nosso corpo morto no túmulo para dar-lhe vida.29. pois o verbo e. que provavelmente representa um erro inadvertido de um escriba. Metzger. Mas. tinoj – esse pronome indefinido pode ser masculino (“qualquer pes- soa”) ou neutro (“qualquer coisa”). como”.14. Outras leituras são o aoristo evxh. assim também nosso corpo físico será ressuscitado. kai. O verbo composto e o verbo simples são idênticos quanto ao sentido. 11. p.13 evxousiasqh.nta (todas as coisas). Embora seja colocado no túmulo por ocasião da morte.17. 1975). 1 Tessalonicenses 4. 45.278 1 CORÍNTIOS 6. Note que Paulo se torna pessoal ao usar o pronome da primeira pessoa do plural nós. United Bible Societies.45 Os tradutores são a favor da primeira leitura. 552.a).geiren e o tempo presente evxegei. Bruce M. 2Co 4. nosso cor- po físico é precioso para Deus (comparar com Sl 116.15). Palavras..geiren que segue o aoristo do verbo simples h. Atos 24.12-14 à doutrina da ressurreição no capítulo 15 e frisa a significação do cor- po humano.11. 13. assim como Jesus foi ressuscitado fisicamente.44 Também contrabalança o tempo futuro de katargh.24. no contexto atual.sei (ele destruirá) no versículo anterior (v.28. O poder de Deus tocou o corpo de Cristo na sepultura.)))kai. Veja João 5.12-14 Versículos 12..16. 3ª ed.4).

Vocês não sabem que o corpo de vocês é um membro de Cristo? Bem. c. Rm 12. ele quer que os leitores concordem com ele e. que é a Igreja (ver 12. Paulo espera receber uma resposta posi- tiva à sua primeira pergunta (v. vs.5. . “O corpo de vocês é um membro de Cristo. 9). b. por ex. a prostituição e a fornicação eram consideradas atividades toleráveis.6). Agora ele revela a extensão desse relacionamento íntimo: o corpo físico do cren- te é na realidade um membro de Cristo. Nesse versículo.. A palavra grega pornh (prostituta) é um eco da palavra porneia (fornicação. cita de um discurso de Demóstenes: “Nós temos amantes para o prazer. mas 46. 15a) e agora prossegue com outra per- gunta.C. a palavra coloquial “por- nô” deriva dela).. Cristo usa nosso corpo físico para promo- ver a causa do evangelho e nutrir a comunhão com ele. ele é nosso cabeça e nós somos seus membros. 3. vou tirar de Cristo esses membros que fazem o que ele manda e uni- los a uma prostituta?”. Na cultura grega daquele tempo.12. The Origin of 1 Corinthians (Macon. eu hei de tirar os membros de Cristo e torná- los membros de uma prostituta? Nunca! a. Prostituta 6. Jr. Ele está dizendo: “Se isso é verda- de. imoralidade sexual [vs. 1983).15 279 b. 87. um escri- tor do século II d.15-17 15.” Paulo dá continui- dade ao pensamento de um versículo anterior (v. John C. portanto. então. escreve: “bem. Nós. por isso. concubinas para a concubinagem diária. Ele parece referir-se a ensinos orais anteriores para refrescar a memória dos leitores. Paulo declara o fato simples de os crentes serem “membros de Cristo”. Num contex- to subseqüente ele estende esse fato ao corpo de Cristo.46 E pergunta se eles têm qualquer conhecimento com respeito ao próprio corpo. Ateneu.. 19].: Mercer University Press. “Bem. 2. 13. então. Antes de colocá-la. então”. Ga. “Vocês não sabem?” Outra vez Paulo faz uma pergunta retórica com o verbo saber que exige uma resposta afirmativa (ver. somos as mãos e os pés de Cristo! Precisamos obedecer às orientações que vêm de Cristo. 13) no qual ele afir- mou que o corpo é para o Senhor e o Senhor para o corpo. eu hei de tirar os membros de Cristo e torná-los membros de uma prostituta?”. Hurd. p. 1 CORÍNTIOS 6. 27. Paulo espera dos coríntios uma resposta negativa.

15. não podem unir-se com uma prostituta. Horst See- bass conclui: “Aquele que se une a uma prostituta tem uma existência em comum com ela. Se uma pessoa tem relações sexuais com uma prostituta. vocês não sabem?.573b (LCL) 48. e nós a ele.”48 Paulo revela justificável indignação com respeito à condição moral em Co- rinto.49 47. 16. 130. seu ato envolve não meramente seu ser físico. 2. que ocorre três vezes (vs. onde a imoralidade sexual ocorria mesmo entre os cristãos. “Impossível” (GNB) ou “Fora de questão” (NJB). 49. 1 Corinthians. “Cristo é tão ligado a nós.280 1 CORÍNTIOS 6. Horst Seebass. Concluímos que. Não existe um pecado puramente sexual. Em vez disso. vol. p. c. em suas comunicações orais. Ou vocês não sabem que aquele que se une à prostituta é um só corpo com ela? Pois ele diz: “Os dois se tornarão uma só carne”. NIDNTT.16 esposas nós temos para produzirem filhos legitimamente e ter uma guardiã de confiança de nossa propriedade doméstica”. Mas Paulo ensina que se eles estão unidos com Cristo. 19). ele não pretende traçar um paralelo exato. . Corpo e espírito são intimamente ligados. Portanto. “Ou vocês não sabem?” Observe a frase repetitiva.47 Quando Paulo fala dos membros de Cristo e dos membros de uma prostituta. Paulo havia instruído os coríntios a que aban- donassem as práticas sexuais imorais dos gentios. ele contrasta a comunhão sagrada do crente com Cristo e o desejo sensual da pessoa que tem relações com uma prostituta. a. 16. mas também seu ser espiritual. Paulo responde à sua própria pergunta retórica com uma réplica incisiva. Esses dois conceitos são incompatíveis. Que ninguém dissesse que servia a Cristo no espírito. Calvino. O espírito do prostíbulo e o Espírito de Cristo excluem-se mutuamente”. social e religiosamente. que somos unidos num só corpo com ele. Athenaeus Deipnosophistae 13. mas que no corpo era livre para fazer o que agradasse a si mesmo. Eles tinham de saber que pertenciam a Jesus de corpo e alma. p. “nunca”. Em outras versões é dada como “Certamente que não” (NKJV). “Nunca!” A resposta negativa à pergunta de Paulo é dada numa única palavra. Todas elas enfatizam que isso seria impensável. 350. O ato afeta sua pessoa interior e o orienta material.

ele cita somente a parte final. Em seu artigo. “Aquele que se une à prostituta é um só corpo com ela. Deus ordenou aos israelitas que o temessem. 16). Paulo denun- cia o pecado sexual dizendo que o homem que se une a uma prostituta é um só corpo com ela. Salomão se apegou às suas esposas estrangeiras que o induziram a adorar outros deuses em lugar do Senhor Deus (1Re 11. ele é uma só carne com ela e quebra seus laços com o Senhor.50 Como pessoa sexualmente imoral. 10). 17. a afirmação continua sendo verdade para todo casamento (ver Mt 19. NASB)). Ef 5.20).31). deixa o ho- mem pai e mãe e se une à sua mulher. ele perde seu quinhão no reino de Deus (v. 6. 1 CORÍNTIOS 6. Theology 66 (1963): 491-93. ele está sob a maldição de Deus. na verdade significa es- tar colado com alguém. Esse versículo faz paralelo com a primeira parte do verso anterior: “aquele que se une a uma prostituta é um só corpo com ela” (v. “Pois ele diz: ‘Os dois se tornarão uma só carne’”. Dentro dos laços do matrimônio. O relacionamento é tão próximo como dois 50. c.5. Desse versículo. Ele prova o que diz com sua alusão ao relato da criação de Eva no qual o verbo unir-se ocorre. to- mando-a da tradução Septuaginta: “Os dois se tornarão uma carne”. “Por isso. . Mas quando o esposo tem relações ilícitas com uma prostitua. G. Essa citação de uma frase da instituição do casamento parece não caber.17 281 b. envolve um relacionamento de apego que tem implicações espirituais. usado em ambos os versículos. que o servissem e que se chegassem a ele (Dt 10.1-8).” Em nossa língua.24. porque a passagem tem relação com a narração do estado sem pecado de Adão e Eva no paraíso. 1 Cor. é necessário fornecer as palavras “com ela” para comple- tar a tradução da sentença grega.16”. “Hard Sayings – V. Mas aquele que se une com o Senhor é um só no espírito com ele. Aqui há duas ilustrações: primeira. R. um esposo e esposa cristãos tornam-se uma só carne e são um no Senhor. A Escritura mostra que o verbo unir- se se refere a mais do que a união física. Em seguida. O verbo unir-se. e eles se tornarão uma carne” (Gn 2. Em vez de receber a bênção de Deus. Duncan aplica a passagem de Paulo a um cristão que tinha relações com uma prostituta do templo. Não obstante.

é pecado. Para o crente. exalta a pessoa. sem amor. Nesse versículo (ver v. que é uni- do a Cristo. 67. e restaura o espírito do crente. Ele contrasta a união corporal de macho e fêmea com a união espiritual do crente e Cristo. confiança. o corpo e o espírito não o são. mutuamente destrutivo. 1981). prejudica a alma dela. Unir-se a uma prostituta constitui degradação e resulta em desonra. Em contrapartida.16.17 Realmente chama a atenção o contraste entre a pessoa que se une a uma prostituta e a pessoa que se apega a Cristo. 15. . Cristo. ela passa 51. obediência e pureza.282 1 CORÍNTIOS 6. p. enco- raja o viver sadio.16. 16) nós temos de fornecer também as palavras com ele para completar a tradução do grego. Por exemplo. pois embora uma prostituta e Cristo sejam opostos com- pletos. Earle Ellis.. e é degradante. amor.45. Uma pessoa imoral deixa de gozar a felicidade matrimonial. Considerações Práticas em 6. é impossível separá-los porque a pressão do ar como que cola um ao outro. Agora menciona o relacionamento íntimo de nosso espírito. E. decididamente egocêntrico e vergonhosamente imoral. instrui a pessoa na lei do amor para com Deus e para com o próximo. 1978). o relaciona- mento entre um homem e uma prostituta é momentâneo. unir-se ao Senhor significa exaltação e resulta em estima. Paulo já havia observado que nosso corpo é um membro de Cristo (v. p. 2Co 3. o relacionamento que o cren- te tem com Cristo é caracterizado por permanência. sem responsabilidade. 15) e assim deu ênfase à singularidade de nossa estrutura física. o corpo e a alma formam uma unidade a serviço do Senhor.17). Esse contraste não pode ser levado a extremos. ao contrário. É esse o relaciona- mento que um cristão deve ter com o Senhor. edi- ficação. por ex. New Testament Theology (Downers Grove: InterVarsity. A prostituição torna a pessoa propensa à doença. Consultar Donald Guthrie. 552. Prophecy and Hermeneutic in Early Christianity: New Testa- ment Essays (Grand Rapids: Eerdmans. 17 pedaços de vidro colocados um sobre o outro.51 Assim ele se torna um com o Senhor em espírito e goza uma união interior com ele (ver. Um crente torna-se unido ao Senhor por meio da presença do Espí- rito Santo que nele habita.

Consultar também Parry. tem implicações espirituais. ama seu Senhor. LXX). Expressões e Construções em Grego em 6.menoj – Paulo emprega o particípio presente médio do verbo simples em lugar do composto no relato de Gênesis (2.nomai (eu sou. a diferença entre essas duas formas verbais é insignificante. busca satisfação própria em servir aos outros. tanto em Gênesis 2.rka (carne).16 Versículo 15 poih. 53. Stanley Glen. “Assim podemos entender por que a carta aos Efésios [Ef 5. expressa um desejo negativo na forma de uma oração: “Que não seja assim”.24. Ele sugere um apego em vez de união sexual. substitui o serviço a Deus pelo sexo.15. mh. cultua-o com alegria.noito – o aoristo optativo de gi. constituem a união que é normativa para o casamento”. “A Fresh Look at 1 Corinthians 6. First Epistle to the Corinthians. Mas ver J. promove a decência e exempli- fica a virtude. Ainda que o particípio composto proskollw. Miller.53 Além do mais. I. no caso acusa- tivo. forma a construção nominativa do predicado: “os dois se tornarão uma carne”. 1 CORÍNTIOS 6.”.24 como nesse versículo. torno-me) no opta- tivo com a partícula negativa mh. o subjuntivo deliberativo é preferido. Mas um cristão constrói o companheirismo amoroso e duradouro com sua esposa. 16 283 pela experiência de fracasso na intimidade pessoal. p. cultiva a conversação sadia. Como a sentença é interrogati- va. 52.sw – esse é um futuro ativo do indicativo (“eu farei”) ou o aoristo ativo do subjuntivo (“para que as faça?”). mas a uma categoria. . 105. NTS 27 (1980): 125-27. ge. p. th|/ po.15. eivj – essa preposição com o substantivo sa. como noivo e noiva. obsceno e sensual.16s. J.rnh – a presença do artigo definido dá a entender que Paulo se refere não a uma pessoa apenas. e entrega-se ao que é vulgar.21-33] enfatiza que Cristo e sua Igreja. Versículo 16 kollw. 1965). 93.52 Palavras. Expressa dúvida e incredulidade. as formas se referem à união do ato sexual. Pastoral Problems in First Corinthians (Londres: Epworth.menoj denote direção.

18-20 18. b. . e cai em duas categorias: essa parte do versículo é um slogan coríntio54 ou uma declaração que Paulo escre- veu. Hurley. fora do corpo”. W. 262.55 A primeira alternativa é que Paulo restringe o slogan com a cláu- sula “mas o homem imoral peca contra seu próprio corpo” (v. o que indica ação contínua. Brendan Byrne. 112. 1955) p. Robert H.12-20”. 1987). pois acham que a resposta suavizadora de Paulo ao slogan é abrupta. Jerome Murphy- O’Connor. “Fuja da imoralidade”. por comparação. 196.284 1 CORÍNTIOS 6. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introducti- on. Veja Fee. mas o homem imoral peca contra seu próprio corpo. Qualquer outro pecado que o homem comete está fora de seu corpo. Paulo emprega o verbo fugir no tem- po presente. a resposta de Paulo é inadequada para contrapor-se ao impacto desse suposto moto expresso pelos livres-pensadores coríntios. série New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Groshei- de. Idiom-Book. Swma in Biblical Theology: With Emphasis on Pauline Anthropo- logy (1976. Grand Rapids: Zondervan: Academic Books. 57. p. “Man and Woman”. Todos os ou- tros pecados estão a esse respeito. 151. p.18”.” O que Paulo está dizendo nessa declaração sucinta? A biblio- grafia sobre o verso 18b é vasta. “Sinning against One’s Own Body: Paul’s Understanding of the Se- xual Relationship in 1 Corinthians 6. Moule. CBQ 40 (1978): 391-96. First Corinthians.12). Está insistindo com os corín- tios para que se abstenham da imoralidade que encontram diariamente na degenerada sociedade de Corinto (comparar com 10. a. pp. Nesse contexto ele dá a mensagem do ver- sículo 18: “Nenhum outro pecado ocupa a força da comunicação cor- poral da pessoa de uma forma precisamente tão íntima. F. 70-75.57 A 54. Nesse mandamento.18 c.56 Além disso. 18c). Fuja da imoralidade. 56. CBQ 45 (1983): 613. 55. A segunda alternativa tem maior aceitação porque com ela Paulo exorta seus leitores a fugirem da fornicação – um pecado que prejudica tanto o corpo como a alma. “Corinthian Slogans in 1 Corinthians 6. cuja esposa tentou se- duzi-lo. Comprado 6. Mas os estudiosos fazem objeção a essa interpretação.14). “Qualquer outro pecado que o homem comete está fora de seu corpo. p. Esse breve mandamento é exemplificado por José na casa de seu mestre egípcio Potifar. Gundry. José deixou sua capa na mão dela quando fugiu daquela casa (Gn 39. Exposition and Notes.

3. Fazem isso porque o texto expressa a exceção do pecado da fornicação. Paulo pergunta retoricamente aos coríntios se eles têm conhecimento definido (ver vs. en- tão. por- que fica dentro do corpo. está a exceção aos pecados cometidos fora do corpo: a fornicação é o único pecado dirigido contra a satisfação do corpo da própria pes- soa (ver Sir. E experimentam satisfação mútua em vez de alienação e sentimento de culpa. 1 CORÍNTIOS 6. redimiu e santificou. 9. um esposo e esposa que são um só no Senhor comunicam seu amor mútuo na intimidade do ato sexual. E a dependência química de drogas ou álcool? Esses também são pecados contra o corpo? Aceita-se que a ânsia por essas substâncias se origina dentro de uma pessoa.” O adver- sativo mas exige a inserção da palavra outro na frase anterior.58 Inversamente. “Ou vocês não sabem?” A conjunção comparativa ou fornece um motivo adicional para se fugir da imoralidade sexual. 19. “Todo outro pecado que o homem comete está fora de seu corpo. 366-67. Ver SB. pp. 2. O fornicador usa seu corpo pecaminosamente contra o Senhor que o criou. Assim José pergun- tou à esposa de Potifar: “Como.” 58. Pela última vez nesse capítulo. 3. que receberam de Deus? E vocês não per- tencem a si mesmos. b. “Seu corpo é um templo do Espírito Santo dentro de vocês.” Aqui. Novamente eles precisam dar uma resposta afirmativa à pergunta. Mas o pecado da fornicação que surge no espírito busca gratificação do próprio corpo e assim é restringido ao corpo. “Mas o homem imoral peca contra seu próprio corpo. Presumimos que numa ocasião anterior Paulo lhes tenha instruído sobre o uso apropriado e o destino do corpo físico. e 16). 15. 23. c. cometeria tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39. vol. eles se alegram na dádiva graciosa de Deus da felicidade do casamento. Ou vocês não sabem que seu corpo é um templo do Espírito Santo dentro de vocês. a. .16-27). esse pecado é diferente de todos os outros pecados.19 285 maioria dos tradutores acrescentou um outro ao texto grego que diz: “Todo pecado que o homem comete está fora de seu corpo”.9). pois. as próprias substâncias entram no corpo humano de fora. Em certo sentido. Em suma.

59 Então. A segunda é naos. como na cidade de Jerusalém. No presente versículo é usado naos.. E mais.1.” Nesse breve segmento do versículo. Efésios 15. é onde o Espírito de Deus se agrada viver. Na Igreja primitiva.19). com o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo (ver. . O grego tem duas palavras que são traduzidas “templo”. Irineu chamava os cristãos individuais de “templos de Deus” e descrevia-os como “pedras para o templo do Pai”. Êx 26. devemos evitar entristecê-lo (Ef 4.11. esse era o lugar onde Deus habitava entre seu povo até a destruição do templo em 70 d. de modo que o corpo deles é seu templo. ou dádiva. d. respectivamente. Ele observa que o Espírito Santo faz sua habitação dentro deles. no singular para aplicá-las ao crente individual. Em contraste.C. c. que os crentes individuais possuem e continu- am a possuir o dom.19 Paulo faz os coríntios se lembrarem da sacralidade de seu corpo. ele coloca ênfase sobre o Espírito Santo. Irineu. Hb 9. Para o cristão. porque Deus nos criou. Ele escreve as duas palavras. o corpo físico do cristão pertence ao Senhor e serve como residência do Espírito Santo. ele revela que a origem do Espírito é de Deus. o Espírito Santo”. a saber.1- 5). do Espírito Santo. Ver também Epístola de Barnabé 4. Jesus nos redimiu e o Espírito Santo faz sua habitação dentro de nós.31-34. O Deus triúno reivindi- ca que pertencemos a ele. mas nos deixa livres para consagrar e ceder nosso corpo físico a ele. que denota o prédio do templo. não num local geográfico fixo.” Nós não somos os donos de nosso próprio corpo. e sim no corpo do crente individual. “E vocês não pertencem a si mesmos. corpo e templo. A seguir. que se refere ao complexo do templo em geral. Quanta honra ter o Espírito de Deus habitando dentro de nós! Ob- serve que Paulo escreve a palavra templo (ver o comentário sobre 3. por ex.30) ou apagar sua chama (1Ts 5. por meio da ordem de palavras no grego. isto é. “Que receberam de Deus.286 1 CORÍNTIOS 6. aqueles que cometem a fornica- ção profanam o templo do Espírito Santo e causam dano espiritual e 59. Aos coríntios Paulo escreve literalmente: “Seu corpo é um tem- plo daquele que está dentro de vocês. Para o judeu. 6.15. primeiro. A primeira é hieron.16).3 e 9. se o Espí- rito de Deus habita dentro de nós. Paulo ensina.

pp.23. Ele diz aos coríntios que usem o próprio corpo. pp. Numa passagem paralela. sen- do livre.6. 264. Por Deus ser dono de nosso corpo. 267. semelhantemente. O Texto Majoritário amplia a última parte desse versículo. 265. em seu corpo. Jesus pagou pela nossa liberdade do pecado. vol. Não se tornem escravos de homens”. Breve Catecismo de Westminster.7). O termo comprou traz à mente o mercado de escravos.22. Paulo exorta-nos a fugir da imoralidade sexual (v. Portanto. que são de Deus (KJV.62 60. 6. 1 CORÍNTIOS 6. Vocês foram comprados por um preço. ver também Gl 4. devemos montar guarda sobre a santidade dele e prote- gê-lo de poluição e destruição. ele faz referência a cristãos que Cristo comprou como escravos para servi-lo. Fee. pois. Eles podem fazer isso escutando obedientemente a voz dele à medida em que ele lhes fala por meio de sua revelação. pois. 20. First Corinthians. O templo de Deus é santo e precioso. é liberto do Senhor. NIDNTT. que é o templo santo do Espírito. 13. “Vocês foram comprados por um preço.19b-29?” CrisTheolRev 3 (1989): 373-75. (7. 268. acrescentando um parale- lo: “e em seu espírito. Paulo diz a mesma coisa: “Porque o que foi chamado pelo Senhor. Vocês foram comprados por um preço. nós somos mordomos dele e precisamos prestar contas a ele. NKJV). 1. “Hos 3. para que. Cristo agora é seu dono e mestre. é escravo de Cristo. 61. O acréscimo não tem o apoio de manus- critos gregos dos primeiros séculos e por isso os tradutores preferem não aceitá-lo. o que foi chamado. sendo escravo. glorifiquem a Deus. onde eles eram comprados e vendidos. Ver George L. 62.1-3 – Background to 1 Cor. Bauer. pp. em seu corpo. 12. 18).” Essas palavras aludem à morte de Jesus na cruz do Calvário. Por esse motivo. para honrar a Deus. como filhos remidos de nosso Pai celestial. .20 287 físico inexprimível para si e para os outros. onde ele pagou o preço de nossa redenção. e gozá-lo para sempre”. Ele habilmente converteu uma discussão negativa numa exortação positiva. a. pergunta e resposta 1. b.60 Se isso é o que Paulo quer dizer. Klein.”61 Aqui Paulo apresenta a afirmação conclusiva de um longo discurso sobre a imoralidade se- xual (6. David H.12-20). nós possamos compartilhar de suas bênçãos. “Glorifiquem Deus. Field. Um catecismo do século 17 faz a pergunta: “Qual é o fim principal do homem?” A resposta é: “Glorificar a Deus.

se origina e permanece dentro do corpo. É uma transgressão. en- tão.j] tou/ sw. Deus escolheu o corpo dos remidos para ser a habitação de seu Espírito. que denota a própria ação. . significa “fora” e aqui está relacionado ao pecado. Bauer.18-20 Versículo 18 a`ma. no próprio corpo”. 39. Expressões e Construções em Grego em 6. Versículo 19 to. o lugar onde Deus habita com seu povo. p. no aoristo da voz passiva.matoj evstin permanece fora do corpo.dh (agora. nao. O paradoxo é que o homem que cuida de seu próprio corpo (Ef 5. em contraste com todos os demais pecados que estão fora do corpo.18-20 Palavras. “À parte da fornicação ev [kto. O genitivo pode ser explicado como um genitivo de quantidade: “vocês foram comprados por um preço”.rthma – em vez do substantivo a`marti. e por implicação tem Cristo como seu sujeito. o pronome é suficien- te para expressar o plural. 63. 246. Moule. evkto.a (pecado). Idiom-Book.29) se volta contra ele próprio ao cometer fornicação. Como todas as pessoas têm um corpo físico. já) é uma partícula usada com o imperativo glorifiquem! para mostrar urgência: “Glorifiquem a Deus. 64.sqhte (vocês foram compra- dos) controla o caso genitivo.j – como advérbio usado como preposição imprópria. – a forma abreviada de h. Esse pecado específico. p.288 1 CORÍNTIOS 6.64 dh.j – o templo. a[marthma descreve o resultado da ação. Versículo 20 timh/j – ”por um preço”. o substantivo singular é distri- butivo. isto é.63 eivj – essa preposição indica um alvo que está colocado com intenção e meios “contra”. sw/ma u`mw/n – com o pronome plural. visto que a imoralidade po- lui o próprio corpo”. O verbo hvgora.

Paulo ensina os leitores que suas disputas surgem de uma falta de amor. tolerância e integridade. e que o alimento é para o estômago e o estômago para o alimento. Ele insiste com os leitores para que fujam da imoralidade. E ele revela que o corpo deles é o templo do Espírito Santo. Paulo apóia seu ensi- no referindo-se a uma passagem do relato da criação. não foi feito para a imoralidade sexual. Alguns dos coríntios pronunciam lemas que dizem que tudo lhes é permitido. santificados e justificados. O corpo deles é um membro de Cristo. . Paulo corrige os coríntios com comentários sobre esses le- mas. ladrões. idólatras. Mas os coríntios haviam sido lavados. Ele observa que os maus não herdam o reino de Deus. Ele res- salta que os santos julgarão o mundo e os anjos. e portanto nunca deve ser unido a uma prostituta. Infratores do sexo. Portanto. 1 CORÍNTIOS 6 289 Resumo do Capítulo 6 Os cristãos coríntios processam um ao outro na justiça diante de juízes gentios. beberrões e mal- dizentes também são barrados do reino. Eles foram comprados por um pre- ço e destinados a glorificar a Deus. eles devem nomear um homem sábio dentre eles como mediador em lugar de ir à justiça perante incrédulos. Ele lhes ensina que o corpo deles pertence ao Senhor. Paulo os repreende e pergunta se eles não têm na igreja homens piedosos que possam solucionar suas disputas triviais.

290 .

1-40) . 291 7 Problemas Matrimoniais (7.

Conduta Apropriada 7. 8.36-38 d.1-16. Uma digressão 7. Casamento e Serviço 7.292 ESBOÇO (continuação) 7. Problemas Matrimoniais 7.4 III.29-31 b.11 b.1-7 1. Dificuldades 7.10. A Resposta de Paulo às Preocupações dos Co- ríntios 7. Noivado e Casamento 7.32-35 c.1-40 A. Votos de Casamento .25-28 a. Solteiros e Viúvas 7.17-24 4. Casados e Divorciados 7. Crente e Incrédulo 7.25-40 5. 8-11 2.39-40 e.12-16 3. Estado Marital 7. As virgens e o Casamento 7. Fidelidade e Casamento 7.9 a.

e que o marido não se divorcie de sua mulher. com respeito às coisas sobre as quais vocês escreveram: É bom que um homem não toque em mulher. E eu estou estabelecendo esta regra em todas as igrejas. não como uma ordem. 14. esposa. a esposa para com seu marido. marido. 2. Agora. que se casem. Mas se ela de fato o deixar. que ele não a mande embora. Mas se o incrédulo sair de casa. No entanto. 7. 10. Mas se não exercem domínio próprio. Para os restantes. 12. Depois unam-se novamente. outro aquele. se irá salvar seu marido? Ou como sabe você. Que o homem cumpra sua obrigação marital para com sua esposa e. que não desfaça a cir- . Desejaria que todos os homens fossem como eu sou. 6. e a esposa incrédula foi santificada pelo marido [cristão]. que cada um viva a vida que o Senhor lhe concedeu. conforme Deus chamou a cada um. pois é melhor casar do que abrasar com desejo sexual. A esposa não tem autoridade sobre seu próprio corpo. se irá salvar sua esposa? 17. não o Senhor: Se algum irmão tem uma esposa não crente e ela consente em viver com ele. Mas por causa da imoralidade. 8. Àqueles que estão casados dou este mandamento – não eu mas o Senhor – que uma mulher não se separe de seu marido. Pois como sabe você. Deus nos chamou para a paz. mas seu esposo tem. um este dom. eu digo – eu. que saia. 15. Pois o marido incrédulo foi santificado por sua esposa [cristã]. Um irmão [cristão] ou irmã [cristã] não é obrigado em tais assuntos. 9. de outra forma seus filhos seriam impuros. que permaneça sem se casar ou que se reconcilie com seu marido. cada um tem seu próprio dom dado por Deus. Mas digo isso como uma concessão. que cada homem tenha sua própria esposa e cada mulher tenha seu próprio marido. Qualquer homem que já foi circuncidado e chamado. e semelhantemente o marido não tem autoridade so- bre seu próprio corpo. 4. e ele consentir em viver com ela. 16. semelhantemente. mas sua esposa tem. Mas digo aos não casados e aos viúvos que é bom para eles se permanece- rem como eu vivo. 293 CAPÍTULO 7 7 1. para que Satanás não os tente por causa de sua falta de domínio próprio. mas agora são santos. exceto talvez por consentimento mútuo por um tempo especificado para que tenham tempo para a oração. Todavia. 18. 5. 13 E se qualquer mulher tiver um marido incrédulo. que ela não o mande embora. Não recusem um ao outro. 11. 3.

Irmãos. 39. que pela misericórdia do Senhor sou digno de confiança. para que possa ser santa tanto no corpo como no espírito. 22. não busque ser desligado. não para restringir vocês. Qualquer um que não foi circuncidado. 28. como pode agradar sua esposa. ele faz bem. Mas. a respeito das virgens eu não tenho mandamento do Senhor. Vocês foram comprados por um preço. 40. ela não terá pecado. por causa da presente crise. você não terá pecado. Porque este mundo. Pois aquele que foi chamado no Senhor quando escravo. como ele pode agradar o Se- nhor. Eu digo isso em seu próprio benefício. Se você está desligado de esposa. é bom um homem permanecer como está. Que se casem. Ela será mais feliz permanecendo como está. mas eu. E se uma virgem se casar. aquele que se casa com sua noiva casa- doura faz bem. se você puder tornar-se livre aproveite a possibilidade. ela está livre para se casar com quem quiser. 19. de fato. 37. dou meu parecer. que sejam como se não se alegrassem. Porque a mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Que cada um permaneça na vocação em que foi chamado. que sejam como se não as usassem plenamente. mas somente no Senhor. 32. Também a mulher que não é casa- da ou a virgem cuida das coisas do Senhor. 29. mas para promover decoro e devoção ao Senhor sem distrações. 38. mas o que impor- ta é a obediência às ordens. e eu gostaria de lhes poupar estas dificuldades. . e seus interesses são divididos. Mas o homem casado cuida das coisas deste mundo. que cada um permaneça com Deus na situação em que foi chamado. como se não comprassem. quando chamado. Portanto. Se você está ligado a uma esposa. Mas aquele que permanece firme em seu próprio coração e não está sob nenhuma obri- gação. e do mesmo modo o homem livre.1-40 cuncisão. a virgem com quem ele pode casar – se suas paixões são fortes e deve ser assim – deixem que faça o que ele deseja. de forma que de agora em diante mesmo aqueles que têm esposa que sejam como se não tivessem esposa. 25. que ele não se torne circunciso. 34. é uma pessoa livre no Senhor. irmãos. Não se tornem escravos de homens. nem a incircuncisão. 21. 36. 33. Eu quero que vocês sejam livres de ansiedades. O homem que não está casado cuida das coisas que pertencem ao Senhor. mas tem seu desejo sob controle e ele decidiu em seu coração não se casar com a virgem. em minha opinião. é um escravo de Cristo. mas foi chamado. Mas essas pessoas terão grandes aflições nesta vida. de como ela pode agradar seu marido. 35. E penso que tenho o Espírito de Deus nisso. Agora. Mas se alguém pensa que está se portando desonrosamente para com a escolhida. o tempo está abreviado. 23. A circuncisão nada é. E aqueles que choram. Mas a casada cuida das coisas do mundo. mas aquele que não casa faz melhor. que sejam como se não chorassem. Eu digo isso. que isso não o incomode. 31. 30. 24. Penso então que.294 1 CORÍNTIOS 7. E aqueles que usam as coisas do mundo. Mas mesmo que você se case. em sua forma atual. Mas se o mari- do morre. 27. Se você era escravo quando foi chamado. e aqueles que compram. está passando. ele não peca. 20. não procure uma. e aqueles que se alegram. 26.

entregue por Estéfanas. Com a exceção de algumas passagens em outra parte no Novo Testamento. com respeito às coisas sobre as quais vocês escreve- ram: É bom que um homem um homem não toque em mulher. e aqueles que querem permanecer solteiros. o decoro de virgens e a continência. Ele condenou com indig- nação a frouxidão moral dos coríntios e incentivou-os a viverem vidas saudáveis para glorificar a Deus. “Agora. esse capítulo é singular em apresentar diretrizes básicas para aqueles que são casa- dos.9) na qual havia escrito sobre pessoas em Corinto que eram sexualmente imorais. Série New International Commen- tary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. mas prefe- rimos abster-nos de especulações.17). Numa carta da igreja de Corinto.4 A. Fee. que não mais existe. 7. te- nha também feito referência à idolatria e a outros assuntos.1 Os coríntios responderam a essa epístola com um comunicado escrito. Na 1.1 295 III. ladrões e idólatras.” Paulo freqüentemente escreveu à igreja de Corinto e re- cebeu. 1 CORÍNTIOS 7. Agora. Nesse capí- tulo ele discute a conduta apropriada de casais.1-7 1. Paulo escreveu a respeito do incesto. . Problemas Matrimoniais 7. Gordon D. Não obstante. Conduta Apropriada 7. p. ele ainda não havia tocado no assunto do casamento. a fidelidade duradoura no casamento. A carta. da separação. Ele enviou aos corín- tios uma carta (5. Talvez essa carta. Paulo recebeu o pedido de aconselhamento sobre problemas matrimoniais na igreja. A Resposta de Paulo às Preocupações dos Coríntios 7. no qual pediam conselhos sobre vários itens. aqueles que desejam sê-lo ou que no passado foram casados. dos litígios e da imoralidade sexual. correspondência vinda deles. Notamos os seguintes pontos: a. da virgindade e do ce- libato. Fortuna- to e Acaico (16. por sua vez. The First Epistle to the Corinthians.1-16. Fee se sente livre para incluir na carta inicial de Paulo pessoas gulosas. com respeito às coisas sobre as quais vocês escreveram. I. 1987).1-40 Nos dois capítulos anteriores (5 e 6).

1.1?” NTS 28 (1982): 125-31. Uma indicação é a frase recorrente agora com respeito a (vs.33). TNT. org. “Is Paul’s Attitude toward Sexual Relations Contained in 1 Cor 7. a coleta para os cristãos de Jerusalém (16. 2Ts 2.1. que ele compara à união entre Cristo e a igreja (ver Ef 5. consultar W.1. 1Ts 4. ver John C. . NovT 31 (1989): 229- 56.11. os coríntios pediram conselhos a Pau- lo. 3.2-34).” Essa sentença seria uma citação da epístola que Paulo recebeu dos corínti- os? Uma tradução coloca a declaração na interrogativa: “É melhor que um homem não se case?”. Em sua carta. Paulo não poderia ter defendido o celibato para todos. por ex. REB. por C. o celibato (7. 12 com variações). Portanto.22. 39. 1983). as bênçãos pactuais de geração em geração (Gn 17. inclinamo-nos a dar resposta afirmativa à primeira pergunta e negativa à segunda. 61-94. e veja NRSV.1).1 – 16. The Origin of I Corinthians (Ma- con. Margaret M.1-12). Orígenes nota que Paulo recebeu essa epístola e conservou seu conteúdo intacto.12-57).. o culto (11. de. E. pois estaria contradizendo o pronunciamento de Deus: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2. 4. in 1 Corinthians”.296 1 CORÍNTIOS 7. ele tem uma visão elevada do casamento. 12. Mitchell. Ga. É possível que tenham perguntado a Paulo também sobre isso. 8. carne oferecida a ídolos (8. “É bom que um homem não toque em mulher.18).1-11. “Origen on 1 Corinthians. o primeiro item que eles mencionaram tenha sido o casamento Castidade. Podemos determinar com certo grau de certeza quais foram as per- guntas que eles fizeram.3 Como a ex- pressão agora com respeito a está faltando.: Mercer University Press.1-4) e Apolo (16. “Concerning peri. Para uma discussão completa. Phipps. 16.1-24.28). 25. Então Paulo estaria contra a procriação (Gn 1. porque tanto os coríntios como os tessaloni- censes mostravam interesse por esse ensino (ver. dons espirituais (12-14). 2. #121”.40).1 maior parte de l Coríntios (7. Hurd Jr.12).12).2 Paulo discute o casamento (7. Mas Paulo não é con- tra o casamento. pp. presumivelmente. Paulo responde às perguntas que eles fizeram. não podemos determinar se na carta que mandaram os coríntios lhe perguntaram sobre a doutri- na da ressurreição (15. Jenkins JTS 9 (1907-1908): 500.7) e o crescimento da igreja. Baseado em sua própria autoridade..13- 5. Para uma visão diferente.25-38).4 Ou trata-se da declaração inicial de Paulo de sua discussão sobre o casamento? À luz do contexto. 1.

pp. 3. ao citar essa afirmativa. JETS 23 (1980): 307-14. é mais extensiva do que uma mera referência ao casamento. pp. A citação. 377-78. será que Paulo está indican- 5.6 Aparentemente. e alguns deles ainda diziam que era um dever da mulher. é difícil dizer (ver o comentário sobre o v. 7. Segundo Walter Bauer. A formação e a educação de Paulo o impediriam de dizer que um homem não deveria tocar uma mulher. agrada a Deus.1 297 E mais. pois isso poderia ser interpreta- do como se ele defendesse o celibato para todos. vol. 6. Origin of I Corinthians. Qual o sentido dessa sentença? A Nova Versão Interna- cional traduz o texto: “É bom que um homem não se case”.29). pode ser considerada um sumá- rio da pergunta. A expressão tocar em mulher é um eufemismo não para o casa- mento. Ver também Hurd.6. que Paulo agora discutirá nos versículos seguintes (vs. 2-7). Entendemos que Pau- lo está citando uma frase da carta que recebera dos coríntios. mas para o ato sexual (Gn 20. p. que não significa “esposa”. O grego emprega o termo genérico anqrwpos (homem) em lugar da expressão anhr (esposo). Essa tradu- ção é uma interpretação do texto. p. Gordon D. a possibilidade de que ele tivesse sido casado em alguma época não pode ser descartada levianamente. Sua afirmação. portanto. Pv 6. O lema coríntio. c. 159-60. 1 CORÍNTIOS 7. Bauer. aplicava-se a qual- quer homem e qualquer mulher. e contribui para a salvação (cf. 400. o grego tem o substantivo indefinido gynh mulher. Fee sugere que o eufemismo ter relações com é uma tradução possível. Sentido. no entanto.18)”. Tendo em vista seu entendimento profundo da vida matrimonial. First Corinthians. Esses coríntios diziam que era bom um homem não ter relações sexuais com uma mulher. mas falha em transmitir o sentido exato. Fee. 2.1 in the NIV”. . 7). um grupo de crentes em Corinto se levantou con- tra a imoralidade reinante na cidade. 314. “I Corinthians 7. sem dúvida em forma mais abreviada. 275. a expressão é bom que significa que o celi- bato é “moralmente bom. p.5 Se em alguma época Paulo foi casado.7 Mas. os rabinos comumente ensinavam que o casamento era uma obrigação do homem. SB. Eles defendiam o celibato e de- clararam esse estado como normativo para o restante dos cristãos lo- cais. Além disso.

Paulo fala de modo favorável e com conheci- mento de causa sobre o casamento. “por causa das fornicações”. por John W. Ele aponta para as relações sexuais ilícitas que alguns dos cristãos tinham. eles eram parte de uma sociedade pagã que nenhu- ma objeção fazia à fornicação.298 1 CORÍNTIOS 7. Literalmente. 1b). 135. Paulo vai direto ao cerne do problema que existia na comu- nidade coríntia.24). que qualifica o lema no versículo anteri- or (v. Série Calvin’s Commentaries. “Mas por causa da imoralidade.” A primeira palavra no discurso de Paulo é a adversativa mas. na verdade não está. Portanto. p. Não se vê nenhuma indicação de que ele o desmereça de qualquer forma. Em nenhum lugar em qual- quer de suas epístolas ele deprecia o estado do matrimônio. que o homem sem esposa era meio homem. João Calvino escreve: “Pois Deus assim o ordenou no princípio. pois é da vontade de Deus que eles sejam santificados. Paulo está tentando transmitir? 2. possivelmente por experiência pró- pria. sua abordagem ao proble- ma da imoralidade é mais realista do que a dos coríntios celibatários. 8 Nos versí- culos seguintes (vs. Ele está atento ao problema que os cristãos enfrentavam em Corinto. Contudo. Ele mesmo fez referência à união de Adão e Eva no paraíso reconhe- cendo que Deus instituiu o casamento (6. Fraser (reedição. Gn 2. Mas por causa da imoralidade. João Calvino. Grand Rapids: Eerdmans.3). O plural ilustra as ocorrências freqüentes do sexo com prostitutas. 2-5). qualquer mal ou dificuldade que exista no casamento surge da corrupção da instituição de Deus”.2 do que o celibato é preferível ao casamento? Não. que cada homem tenha sua própria esposa e cada mulher tenha seu próprio marido. por assim dizer. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. a. embora soubesse que pronunciar um lema não impe- diria uma pessoa de cair no pecado.16. o arremate do homem. 1976). trad. Em suas instruções a Timóteo. 8. e sentia a falta de auxílio de que ele especificamente precisava. por assim dizer. e a esposa era. Ele reconhece plenamente que os males da imoralidade sexual formam a urdidura da vida de Corinto. O que. Paulo diz. .3). Em outro lugar Paulo exorta os leitores a que evitem a forni- cação (1Ts 4. Paulo endossava o lema dos coríntios que lutavam pela causa do celibato. escreve que os apóstatas proí- bem as pessoas de se casarem (1Tm 4. Portanto. então.

“Paulo não coloca aqui a base para o matrimônio. 3 de The Expositor’s Greek Testament. no vol. Cada parceiro deve ter seu próprio cônjuge. Na narrativa sobre o homem incestuoso (5. Grand Rapids: Eerdmans. no sentido de manter um (ou uma) amante ilícito(a). G. pois foi assim que Deus o ordenou desde o princípio (ver Mt 19. É pelo uso do adjetivo cada que o apóstolo responde à afirmação coríntia (v. p. 1 CORÍNTIOS 7. org. (1910. O verbo ter é eufemístico para se referir ao ato sexual e não deve ser interpretado como “manter”. Do mesmo modo. mas seu mari- 9. “Que cada homem tenha sua própria esposa e cada mulher tenha seu próprio marido. Paulo quer dizer que cada homem deve ter sua própria esposa sexualmente e cada esposa deve igualmente ter seu próprio marido. 162. 5 vols. a esposa para com seu marido. A esposa não tem autoridade sobre seu próprio corpo.1).10 E o segundo versículo prepara o tom para a próxima sentença no discurso de Paulo. o verbo tem uma conota- ção sexual. G. reedição. 4. no versículo 3. qualquer pessoa) e cada homem se complementam. Findlay. Observe que a declaração deles. Paulo reco- menda que se casem e fiquem juntos em relacionamento monogâmico. semelhantemente.”9 Não devemos.” A incapacidade de algumas pessoas de praticar a continência as induz ao pecado. Hurd. Paul’s First Epistle to the Corinthians. 823. acusar Paulo de defender uma visão de que o casamento é meramente uma medida preventiva contra a imoralidade. p. como se fosse ‘ordenado como remédio contra o pecado’. “é bom que o homem não toque em mulher”.8b). Que o homem cumpra sua obrigação marital para com sua esposa e. Ele efetivamente excluía a poligamia de qualquer tipo que fosse. 4 299 b. 1961). por W. Origin of I Corinthians. As expressões “um homem” (isto é. Para evitar que pequem. Robertson Nicoll. 1b). Paulo intencionalmente repete as palavras cada e próprio e aplica os dois termos igualmente ao marido e à esposa. “um homem tem [‘possui’] a mulher de seu pai”. 10. pois. mas dá um motivo especial pelo qual se devem casar aquelas pessoas de Corinto que de outra for- ma poderiam ter ficado solteiras.3. . Note também que ele dá ênfase à igualdade entre o homem e a mulher no estado de matrimônio. 3. St. é seguida pela réplica de Paulo: “que cada ho- mem tenha sua própria esposa”.

mas pelo contrário. Versículo 2 Versículo 3 que cada homem tenha sua própria que o homem cumpra sua obrigação esposa marital para com sua esposa cada mulher tenha seu próprio mari. Obrigação. 88. a esposa deve conceder ao marido aquilo que ela lhe deve. mas sua esposa tem b. Called to Be Saints: An Exposition of 1 Corinthians (Grand Rapids: Baker. .”12 Ele não proclama nenhuma ordem sobre ascetismo 11. semelhantemente a esposa para com do seu marido Embora o versículo seguinte não corresponda ao ritmo dos dois versículos anteriores. deve satisfazer suas obriga- ções maritais para com ela. Robert G.3. ainda. Paulo quer dizer o paga- mento de uma dívida que cada um tem em relação ao outro. Ele dá ênfase à igual- dade dos dois sexos com respeito à união conjugal. 1977). ele tem seu próprio equilíbrio interno: Versículo 4 a esposa não tem autoridade sobre seu o marido não tem autoridade sobre próprio corpo. Em lugar de “obrigação”. semelhantemen- te. O paralelismo nos versículos 2 e 3 é digno de nota e demonstra o interesse de Paulo pelo casamento e sua preocupação com ele. mas sua esposa tem. ele frisa que o marido não deve exigir da esposa. o Texto Majoritário tem “benevolência” ou “afeição” (ver KJV. Gromacki. mas seu marido tem seu próprio corpo. “Que o homem cumpra sua obrigação marital para com sua esposa e. da mesma forma. Com penetrante entendimento das intimidades da vida conjugal. Com as palavras cumprir e obrigação. 4 do tem.300 1 CORÍNTIOS 7. Paulo declara que tanto o marido como a esposa devem cumprir seus deveres matrimoniais recíprocos. e semelhantemente o marido não tem autoridade sobre seu próprio corpo. a esposa para com seu marido”. E. Paralelos. p.11 “O casa- mento sem sexo não é somente antinatural como é também expressa- mente proibido. NKJV) 12. a.

vocês) “não defraudem seu cônjuge”. Paulo diz a seus leitores para pararem de fazer isso e ordena aos casados que (se- gunda pessoa do plural. Vincent. De fato.” Paulo permite abstinên- 13. ou nesse caso. vol. 2. b. Ele declara que a esposa não tem nenhuma autoridade sobre seu próprio corpo. Depois unam-se novamente. trad. há completa igualdade. p. Paulo ensina que o esposo é o cabeça da esposa (11. 5). 1b) não se aplica a casais casados. c. O verbo dá a entender o roubo ou furto de posses que pertencem a uma pessoa (comparar com 6. Não recusem um ao outro. 199.23). 5. mas espera que o leitor complete o pensamento. ele omite o objeto direto do verbo recusar. Cada um dos dois tem autoridade sobre o corpo de seu cônjuge. e vice-versa. a. para que Satanás não os tente por causa de sua falta de domínio próprio. cuja opinião era que os ca- sais casados deveriam abster-se de relações sexuais. 2 vols. (ver v. (Grand Rapids: Kregel. mas sua esposa tem essa autoridade. Autoridade. . ele se torna pessoal de um modo não-usual nesses assuntos íntimos.13 Em outra parte. 3). mas que o esposo tem este poder.” O que Paulo indica na primeira cláusula dessa sentença é que alguns casais casados dessa comunidade coríntia estão até mesmo recusando um ao outro os seus direitos conju- gais. “Exceto talvez por consentimento mútuo por um tempo especi- ficado para que tenham tempo para a oração.5 301 dentro dos laços do casamento. Mas aqui ele deixa bem claro que com respeito à sexu- alidade de marido e mulher. Êx 21. Assim experimentam completa mutualidade. O versículo 4 revela que Paulo tem um entendimen- to ainda mais profundo da vida de casado do que ele expressou no versículo anterior (v. porém mal-orientados.8). 1 CORÍNTIOS 7. Lewis e Marvin R. Paulo dissuade os cristãos coríntios bem-intencionados. que o marido não tem nenhum poder sobre seu próprio corpo. 1981). Por discrição.10). John Albert Bengel corre- tamente intitula esse versículo de: “um elegante paradoxo”. exceto talvez por consentimento mútuo por um tempo especificado para que tenham tempo para a oração. e os dois se submetem um ao outro. por Charlton T. 3. John Albert Bengel. “Não recusem um ao outro.3. Bengel’s New Testament Commentary. Ele ensina aos coríntios que o lema deles de não tocarem uma mulher (v. de seus direitos (ver v. Ef 5.7.

os casais devem retomar suas funções normais. mas a abstinência permanente é melhor”. eles fogem para Deus em oração. mas proí- be qualquer pessoa de impor restrições involuntárias sobre seu cônjuge. se tanto o marido como a esposa concordam em fazer isso. porque um arran- jo permanente pode levar a um casamento arruinado. Mas na vida conjugal. Paulo imediatamente acrescenta a segunda restrição. sociais.2-9). “Depois se unam novamente. A oração diária é a marca autêntica de todo cristão sincero. O casamento é um escudo protetor que deve ser empregado com eficácia contra as sutile- zas de Satanás (Ef 5. espirituais ou físicos aparecem para esmagá-los. c. Paulo diz aos crentes em Corinto que quando o período de oração termina. que busca explorar a fraqueza humana tentando ou o marido ou a mulher ao adultério. Nessas ocasiões. e ao divórcio. Paulo permite essa exceção à regra. A expressão por consentimento mútuo frisa a igualdade dos sexos com respeito às relações íntimas. e terceiro. Levar adiante restrição permanente dentro dos laços conjugais é contrariar as provisões graciosas de Deus para o matrimônio e seu maravilhoso dom da sexualidade. marido e mulher às vezes enfrentam crises que pedem oração especial.302 1 CORÍNTIOS 7. Que ninguém diga: “A abstinência temporária é boa. . O divórcio não só é contrário à instituição do casamento (Gn 2. se ambos usarem esse tempo para oração. Tanto o marido como a esposa devem estar completamente convencidos de que a abstinência é desejável e que contribui para o bem de ambos. para que Satanás não os tente por causa de sua falta de domínio próprio”.24. mas derrota exatamente o propósito para o qual a abstinência é proposta: levar a uma vida santa. seria aconselhável não casar. Recusar fazer uso das proteções que Deus providencia é um pecado pelo qual o indivíduo é responsabilizado. Mc 10. Os tradutores interpretam o verbo unir-se como uma ordem. Paulo alerta os leitores para a presença de Sa- tanás.11). Quando problemas financeiros. Se esse fosse o caso. que a abstinência seja temporária. se os dois concordam que a abstinência é por um período limitado.5 cia de relações maritais em três casos: primeiro. eles poderão voluntária e temporariamente abster-se de intimidades maritais. depois.

Ao contrário.15 O casamento no qual esses direi- tos são honrados é a norma de Paulo. 7). Calvino. Deus mostrou que embora Adão fosse uma criação perfeita. A primeira palavra. 15. Paulo não está dizendo que ele vê o casamento como uma concessão. criou-os seres sexuais. “Agora digo isto. Paulo se refere não ao casamento. Eu farei para ele uma ajudadora apropriada” (Gn 2. I Corinthians. Se Deus fez homem e mulher.. ele permite a abstinência temporária que tem o consentimento de am- bos os cônjuges. 6. 5c). tanto o homem como a mulher foram criados com necessidades sexuais que encontram satisfa- ção verdadeira no casamento. “mas”. e instituiu o casamento. o versículo 6 deve ser ligado ao versículo que vem imediatamente antes e não ao contexto inteiro (vs. . isto é. 2-5). p. O TNT acrescenta uma interpretação do versículo 6 (em itálicos). não como uma ordem. 137.4. Mas digo isso como uma concessão. À luz do versículo seguinte (v.. Com o pronome demonstrativo isso. do qual ele está totalmente a favor. então a abstinência forçada e permanente dentro do casamento é contrária ao desígnio de Deus.6 303 Considerações práticas em 7. o termo concessão diz respeito à 14. mas à exceção da regra de direitos maritais (v. é pecaminoso. ele declarou: “Não é bom que o homem esteja só. 1 CORÍNTIOS 7.18). Calvino comentou com perspicácia: “O homem é somente a metade de seu corpo. Paulo declara que o marido tem autoridade sobre o corpo de sua esposa e a esposa tem autoridade sobre o corpo do marido.24) e. deu a cada um o poder sobre o corpo do outro. que eu permito o casamento. 5b). Por essa razão. ele criou Eva. é uma adversativa que entendemos como um limitador do comentário que antecede: “Depois unam-se novamen- te. Além disso. em lugar de ser espiri- tual.” (v. De uma das costelas de Adão. não como mandamento”. Em suma. quando um dos parceiros defrauda o outro. Mas esse acréscimo não faz justiça ao sentido do versículo 5. 5 Depois de Deus ter criado Adão. ele ou ela viola a ordenança criacional de Deus (Gn 1.14 Deus nos fez de modo que no casamento o homem complementa a mulher e a mulher complementa o homem. e é o mesmo com a mulher”. ele era incompleto enquanto Deus não fez Eva para ser sua contraparte.28. 2. como concessão. que Deus instituiu.

Paulo ensina que. Eduardo Arens.” Paulo expressa uma vontade genuína. Mas ele recusa transformar essa concessão em mandamento. Talmude.16 7. que Deus instituiu.7 restrição que Paulo permite que os cônjuges observem temporariamente. Paulo recebeu esse dom do Se- nhor e assim pôde alegrar-se com a sua condição. Hea- thcote e P. W. “Desejaria que todos os homens fossem como eu sou. seja bom e recomendável. e se Paulo foi ordenado. Quando Deus retira a necessidade de casamento de uma pessoa.304 1 CORÍNTIOS 7. 1962). outro aquele. sabemos que ele vivia a vida de um celibatário quando escreveu 1 Coríntios. a. Paul married?” BibToday 66 (1978): 1191. The First Epistle of Saint Paul to the Corinthians.18 Os pais da Igreja primitiva debateram longamente essa questão. “Para ser ordenado rabino. Qual- quer que tenha sido o histórico pessoal de Paulo. A questão de saber se Paulo foi casado alguma vez incita a curiosi- dade. Se Paulo era casado quando vivia em Jerusa- lém.” O casamento foi ordenado por Deus para a procriação da humanidade e para a realização pessoal dos cônjuges.por A. segue-se que ele deve ter sido casa- do. . um este dom. nem todas as pessoas devem ser casadas ou buscar o casamento. especialmente à luz do conhecimento completo que Paulo mos- trava ter do casamento. Paulo não a impõe a qualquer pessoa a quem falte esse dom. e não um desejo improvável. Desejaria que todos os homens fossem como eu sou. divorciadas ou viúvas. embora o casamento. Mas o que ele tem em mente? Ele está defendendo o celibato em vez do casa- mento? De modo algum.”17 Os rabis eram ensinados que todos os judeus deveriam se casar para procriar. Kiddushin 29b. J. ele a contempla com o dom da continência. 18. um este dom. “No entanto. Embora ele mesmo tivesse recebido o dom da abstinência. a Lei exigia que o candidato fosse casado. p. trad . outro aquele. Algumas pessoas já foram casadas e agora estão separadas. cada um tem seu próprio dom dado por Deus. Allcock (Londres: Epworth. b. Jean Héring. “Was St. poderia ter se separado de sua esposa quando se converteu ao Cristianismo? Sua esposa pode ter permanecido fiel ao judaísmo. 17. E por isso Pau- 16. Mas ele reconhece bem que nem todas as pessoas recebem esse benefício. No en- tanto. Yebamoth 63a. 50. cada um tem seu próprio dom dado por Deus.

1946). p. Tt 2. Ele está falando sobre seu próprio dom.1-5 Versículos 1. 33) e i. Isso não significa que alguém que não consegue fazer isso e então se casa recebe um dom especial de participar no casamento.20 19. 2] usado para contribuir com variedade e é exatamente equivalente a e`autou/”. ele estimula as pessoas que têm a capaci- dade de se impor restrições a permanecerem solteiras como ele.1-5 305 lo escreve que Deus concede a cada pessoa seu dom. Ind.28. Paulo exalta o casamento. Paul’s First and Second Epistle to the Corinthians (1935.dion mostram uma diferença: e`autou/ é seguido pelo substantivo esposa (Ef 6.n e`autou/ gunai/ka – “sua própria esposa”.4. th. diferente do versículo 1b. 24. 1979). Note que. Adolf Deissmann.dion precede o substantivo marido (14. que os manuscritos mais antigos omitem. o da continência. Muitas testemunhas colocaram o pronome pessoal moi (para mim. Palavras. Rm 12. até falar em línguas ou interpretá-las (12.yate – ao aoristo ativo do verbo evgra. Paulo usa o artigo definido aqui e na expressão to. 20. KJV. No Novo Testamento os termos e`autou/ e i. 124.12).5. Esse não é o caso.9- 11.n i. Ef 6. encoraja as pessoas a entrarem no matrimônio. .dioj é aqui [v. foi-lhe dada a graça de praticar o autocontrole. The Interpretation of St. Cada pessoa deve decidir por si mesma sobre essa questão.ndra (seu próprio marido). H. NKJV). Ele é decoroso em sua escolha de palavras. 282.22. C. contudo franco em expressar sua opinião. Bible Studies (reedição. porque ele fala eloqüente- mente sobre os assuntos íntimos de sexualidade e casamento. No entanto.1.19 Paulo não receita nenhuma lei ou mandamento. Winona Lakae. Expressões e Construções em Grego em 7. 1Pe 3. 9. profecia. não podemos rotular Paulo como sendo um asceta que menospreza o casamento. A pessoa a quem Deus não concedeu continência faz bem em casar (ver v. Mt 19. Lenski.2 evgra. A palavra grega charisma significa dons espirituais que vão desde fé. Com respeito ao celibato. 1 CORÍNTIOS 7. Columbus: Wartburg.6). p. cura.11. e ensina que o casamento satisfaz necessidades humanas que Deus criou. Nessa passagem.35.5). milagres.fw (eu escrevo) está faltan- do um objeto indireto. Finalmente. Consultar R.dion a. Paulo não se refere a nenhum desses dons. Não obstante. “i.: Alpha.

6. 9.dwmi (eu dou). A Textual Commentary on the Greek New Testament. Fidelidade e Casamento 7. A Grammatical Aid to the Greek New Testament (Grand Rapids: Baker.24). O acréscimo pode ter sido introduzido por escribas que promoviam o ascetismo. 11. 1961).21 avpodido. Metzger. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature. Versículo 5 eiv mh.n – a presença da partícula a.12). 295.lw (eu devo) e signi- fica um dever ou uma obrigação. Robert Hanna. 15. 145.n empresta certo grau de expec- tativa a essa parte da sentença.4. 1983). 553. p. 3ª ed. th/| (jejum e). 2ª ed.. nesse versículo.8-11 Paulo faz uma abordagem sistemática ao assunto da sexualidade 21.nhn eu. e rev.shte – o tempo aoristo do verbo ter tempo é revelador porque aponta para uma ocorrência única. p. 128. An Idiom-Book of New Testament Greek.1-5 Versículos 3. indica um relacionamento distin- tamente pessoal.zei – Paulo escolhe propositadamente essa palavra. por Robert Funk (Chicago: University of Chicago Press. e não para a ação contínua. Moule. ver também C. “Quando um homem dá à sua esposa aquilo que lhe é devido. O substantivo tem o apoio dos melhores e mais antigos manuscritos gregos e é preferido à interpretação do Texto Majoritário.ti a.23 A expressão significa “exceto talvez”. 2. Esse verbo tem o substantivo derivado (autoridade). 12 [duas vezes].306 1 CORÍNTIOS 7. que quer dizer “ter poder” e que no passivo significa “ser dominado por” (6. 1975).tw – o verbo composto pela preposição avpo.9. 1960). ovfeilome. 1. EDNT. p. (para trás) e pelo verbo di. . trad. Kurt Niederwimmer. (Cambridge: Cambridge University Press. vol.. 23. “Embora essa idéia não seja inerente dentro da própria partícula (“não privam um ao outro. para que possam”). 5. Friedrich Blass e Albert Debrunner.4 ovfeilh. corri- gida (Londres e Nova York: United Bible Societies. as palavras estão ausentes em ma- nuscritos mais antigos e melhores. F. que nessa carta ocor- re dez vezes (7. 22. Antes da palavra oração. nº 376. o Texto Majoritário tem a expressão nhstei. 18. exceto.”22 evxousia.37. 24.a| kai. No entanto. i[na – o primeiro i[na dá um sentido imperativo aos verbos da cláusula. 8.. D..n – esse substantivo deriva do verbo ovfei. p.10. Bruce M.24 ocola.noian (a bondade que lhe é devida).

Os Não Casados e as Viúvas 7. vol. ver especialmente pp. como era de esperar. ele discute os pecados sexuais e exorta os coríntios a fugirem da imo- ralidade (6. o termo não casados se refere a uma mulher separada de seu esposo (v. Fee dá várias razões para a escolha da tradução viúvo. pp. 3. 11). “Paul’s Treatment of Marriage in 1 Corinthians 7”. Orr. p. 26. 536-37. . a. ele tem em mente tanto homens como mulheres cujos respectivos cônjuges já morreram. William F.”25 Se aceitarmos a interpretação ampla dada ao parágrafo anterior.8 307 humana. e tem. uma palavra para eles. pp. ou falar em viúvos e viúvas?26 Não.1-5). Será que Paulo está indicando duas categorias dis- tintas ou a expressão não casados é sinônimo de viúvos? Se este últi- mo é verdade. pois instrui todos a evitarem todos os relacionamentos sexuais. 34). a homens (v.9 8. “Esse termo inclui aqueles que nunca se casaram e aqueles que foram casados e que agora são solteiros.12-20). Depois ele cita uma frase de uma carta que recebeu da congregação em Corinto. Categorias. 236.8. Não seria melhor agrupar todos numa só categoria. As viúvas pertenciam 25. vol. 32) e a mulheres (v. 287-88. a. EDNT. Depois de discutir uma exceção temporária à função completa do matrimônio. Colin Brown. então o texto parece revelar redundância. Mas digo aos não casados e aos viúvos que é bom para eles se permanecerem como eu vivo. NIDNTT. No grego. Paulo usa o gênero mas- culino para os não casados e. No entanto. portanto. ver também Niederwimmer. 1 CORÍNTIOS 7. no contexto desse capítulo em particular. Depois de uma repreensão com respeito ao incesto (5. Ele próprio pertence a esse grupo de pessoas. 12-14. Essa frase reflete um extremo oposto. ele se volta àqueles que não são casados e desejam per- manecer solteiros. Uma viúva é uma mulher que foi um dia casada mas atualmente não é casada e pertence ao pri- meiro grupo. o gênero feminino para as viúvas. de modo algum. Paulo faz objeção a esse lema e chama a atenção para a providência graciosa de Deus do casamento. First Corinthians. PitPer 8 (1967): 5-22. 1.

nenhuma palavra de desaprovação pela incontinência. que se casem. Ao dar aconselha- mento àqueles que não se casaram. 7. série New Testament Com- mentary (Grand Rapids: Baker. Michael L. ele já indicou que o estado do matrimônio é aconselhável (vs. Mas se não exercem domínio próprio. mas a quem falta o dom da conti- nência. Paulo oferece a solução que Deus instituiu para essa situação: “Que se casem!” Não há repreensão. série New Century Bible (Londres: Oliphants.27 Os não casados são uma classe de pessoas que inclui viúvos. Paulo aconselha essas pessoas e as viúvas a permanecerem sem casar como ele próprio faz. 1971). Dessa forma elas seriam felizes no cumprimento de sua vocação natural.” Paulo compreende plenamente a natureza humana e dá conselhos sen- satos. 1 and 2 Corinthians. William Hendriksen. presumivelmente por causa de sua falta de autocontrole. “Mas se não exercem domínio próprio. A igreja as sustentava em suas necessidades financeiras. F. Que entrem na situação do matrimônio e assim vivam uma vida honrosa e pura.14). “To Marry or to Burn: purou/sqai in 1 Cor. 177. Ele escreve: 9. 2-5).9”. Contudo. Os tradutores sabem que o verbo por si é incompleto e pede uma explicação.3- 16). Bruce. separados ou divorcia- dos. mas o contexto exige acrés- cimo das palavras com desejo sexual. agora.28 Percebem-no como o juízo 27.308 1 CORÍNTIOS 7. p. Ele reforça seu conselho dizendo que é bom ficarem em sua condição não casada.9 a uma classe especial. p. 28. Ele já havia falado da incontinência (v. e tanto homens como mulheres que são solteiros.” O grego tem somente o verbo pyrousthai (queimar). que se casem. Os rabis talmúdicos junto com estudiosos do século III até o presente interpretaram esse verbo como se referindo a queimar no inferno. Paulo aconselha o casamento para quem não está casado. Exposition of I-II Timothy and Titus. Paixão. mais uma vez. inversamente. F. 68. pois é melhor casar do que abrasar com desejo sexual. 1957). A eles. “Pois é melhor casar do que abrasar com desejo sexual. E. b. CBQ 36 (1974): . Paulo insistia com as viúvas jovens para que se casassem para ter filhos e cuidar do próprio lar (1 Tim 5. Paulo é realista. nenhuma men- ção de pecado. Para evitar a possibilidade de caírem em pecado porque lhes falta continência. até descritivo. Barré. 5). ele declara que algumas pessoas não se contêm. e eram-lhes designados ministérios na igreja (1Tm 5.

ele instruiu os maridos e esposas a não privar um ao outro (v. 1992). Paulo demonstra seu discernimento profundo da natureza humana. Dentro do contexto da união conjugal. Findlay. Deus criou Adão e Eva e seus descendentes com neces- sidades sexuais que são satisfeitas pela união conjugal no casamento. G. do outro lado. First Corinthians: A Faith Community Commentary (Macon. First Corinthians. . G. Paulo escreve que a pessoa deve entrar no casamento como um ato para evitar um estado de desejo contínuo. NTS 36 (1990): 281-89. Mas seu conselho não cobre todas as situações. mas procura exercer domínio 193-292. 9). ele insiste que procurem parceiros para casar (v. Snyder. Suas expressões são muitas vezes in- completas para que o leitor possa completar o sentido óbvio. 96-97.8. mas deixou de dizer tudo para que o leitor complete o que falta. 5). 30. tanto o marido como a mulher satisfazem as necessidades um do outro. Por exem- plo. Ga. As- sim. Mas Paulo alude a queimar de desejo sexual. Na sua discussão a respeito desse assunto sensível. Paulo aconselha seus leitores a aceitarem o que Deus provê. Ele entende plenamente as características sexuais que Deus criou no ho- mem e na mulher. E. Para ele.8. Paulo é franco mas ao mesmo tempo discreto.30 Considerações Práticas em 7. 9 309 justo de Deus sobre o pecador que continua a violar as leis sexuais tradicionais.: Mercer University Press. 1 CORÍNTIOS 7. 825.9 Ao discutir com franqueza um tópico que geralmente causa embara- ço. Dizen- do que é melhor casar-se do que queimar. p. “Musonius and Paul on Marriage”. Graydon F. mas se o casamento é impos- sível.29 Com a palavra comparativa melhor Paulo está colocando o casa- mento contra o queimar. Findlay observa com sabedoria: “Melhor casar do que abrasar. 29. ele novamente convida o leitor a completar a sentença. o casa- mento. e com os não casados que não têm autocontrole. O entendi- mento comum do verbo queimar nesse contexto é relacionado à incon- tinência. melhor abrasar infinitamente do que pecar”. ele ensina que a incontinência tem sua solução dentro dos laços do casamento. pp. Roy Bowen Ward. No presente versículo. o casamento é o contexto no qual o marido e a mulher encontram satisfação para seus desejos sexuais. qualquer pes- soa que não recebeu o dom da continência.

310 1 CORÍNTIOS 7. O adjetivo substantivo não-casado se aplica a homens e mulheres. Àqueles que são casados dou este mandamento – não eu mas o Senhor – que uma mulher não se separe de seu marido. O aoristo denota ação única e é incoativo. Note que o artigo definido indica uma categoria e a distingue da categoria de viúvas. o segundo verbo está no infinitivo presente passivo (“ser inflamado com”) para indicar ação continuada. ) precede o verbo para sublinhar o negativo do verbo evgkrateu.31 eva. Paulo endossa o casamento e instrui as pessoas que têm falta de controle próprio a desfrutarem da satisfação sexual que a vida de casado proporciona. Em contraste.nandroj (sem marido). Além disso.n mei. gamh/sai)))purou/sqai – o primeiro verbo é o infinitivo aoristo ativo (“casar-se”).ontai (eles se controlam).moij – “os não casados”.8. Versículo 9 eiv de.nwsin – Paulo escreve o presente do subjuntivo para expressar duração (tempo presente) e incerteza (modo subjuntivo): “Se por acaso permanecerem”. Esse verbo está no médio com conota- ção reflexiva (ver 1 Clem. Expressões e Construções em Grego em 7.8.ontai – com o uso da partícula eiv e o presente do indicativo do verbo. a pessoa em geral vive uma vida equilibrada cheia de alegria e felicidade e está livre de sentimento de culpa ou remorso por pecados sexuais. ouvk evgkrateu. b. Conclusivamente. Palavras. Casado e Divorciado 7.9 Versículo 8 toi/j avga. 31. 30. p. Paulo declara um fato.11 10. experimenta uma aflição emocional indevida.3). Thayer. 9 próprio. . Além disso. a partícula ouvk (em vez de mh. 3.10. essa pessoa também enfrenta o problema de carregar o peso do pecado e culpa por sua incontinência. mas para mulheres os gregos geralmente usavam a palavra a. Quando as necessidades sexuais são satisfeitas no casamento como Deus prescreve.

Citando o relato da criação. Paulo não exerce mais a sua autoridade. portanto. 9).5. Uma dessas.27) e “por isso. Para eles.15). Mes- mo tendo recebido autoridade apostólica que ele já demonstrou em muitos lugares (por ex. 7.37. mas o Senhor.” O que é que o Senhor ordena? Numa discussão com fariseus que lhe perguntaram acerca do divórcio. com o tempo perfeito no grego da expres- são casaram-se. 5. ele agora apela à autori- dade do Senhor Jesus Cristo.14. 12. E Paulo sa- bia que. “Dou este mandamento – não eu.23. 15. os cristãos coríntios ouviriam e obedeceriam à voz de Jesus. comparar com 1Ts 4. tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.” Aqui Paulo se dirige a crentes que já se casaram. 14. Escrevendo sobre esse assun- to.5. mas do Senhor. ambos tinham igual autoridade. Quando sub- seqüentemente os discípulos desejaram saber mais sobre o divórcio.35). Paulo indica tanto duração como estabilidade.18.8b. . Jesus acrescentou seu próprio comentário. os apóstolos e a Igreja primitiva conferiam a mes- ma importância às Escrituras do Antigo Testamento e ao Evangelho oral ou escrito. Portanto. que podem lhe ter vindo direta- mente por visão ou indiretamente por meio dos apóstolos (ver 9. 11. que para ele e os coríntios tem autoridade divina. mas uma só carne. Paulo afirma que ele tem uma ordem para pessoas casadas que vem não dele. “Àqueles que são casados. Paulo revela muitas vezes que ele re- cebeu palavras ou ordens do Senhor. Supomos que Paulo tenha ouvido essa declaração dos outros apóstolos. Nessa epístola. dei- xa o homem pai e mãe e se une à sua mulher.. Paulo se põe de lado e permite que Jesus fale diretamente aos coríntios. Ele usa as palavras de uma tradição oral do Evangelho. com respeito ao casamento e divórcio. b. Por falar nisso.10 311 a.24). Ao longo de seu ministério. e assim recebeu-a indiretamente de Jesus. 19). e sim a do Se- nhor. Paulo cita a palavra de Jesus preser- vada na tradição evangélica. Jesus os remeteu à Escritura. a. provavelmente de Simão Pedro (Gl 1. “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20. 6. nem é encontrada nos Evangelhos.18. Ele disse: “De modo que já não são dois. “[Deus] os criou homem e mulher” (Gn 1.3. Paulo repeti- damente citou palavras pronunciadas por Jesus. 8). Na verdade. 1 CORÍNTIOS 7. Mas agora ele faz refe- rência a palavras faladas que foram registradas nos Evangelhos escritos. o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mc 10.

o paralelo em Lc 16. 11) menciona o marido.9). que exclama: “Eu odeio o divórcio” (Ml 2. o marido toma a decisão e se divorcia de sua esposa (Mt 19. A in- tenção de Deus é que os votos de casamento não sejam dissolvidos. O profeta Malaquias também se refere à narrativa do Gênesis e denuncia o divórcio como uma quebra da aliança que o marido fez com sua mulher. Uma tradução tem o médio: “ela se separar” (REB). 32. que permaneça sem se casar ou que se reconcilie com seu marido. mas a mulher não tinha nenhum direito de se divorciar do marido. 11. “The Divorced Woman in 1 Cor. “Que uma mulher não se separe de seu marido. segundo Jesus.14-16). A possibilidade realmente existe de que mulheres influentes da igreja de Corinto tivessem consultado Paulo a respeito das relações maritais e do divórcio. Ele cita a palavra do Senhor Deus. Nesse mundo. O apóstolo responde a elas com uma palavra de Jesus. . a mulher tinha o direito de tomar a iniciati- va e separar-se de seu marido. Em vez disso. c.11 Jesus acrescentou: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra co- mete adultério contra aquela.12). e ver Jerome Murphy-O’Connor.11. E se ela repudiar seu marido e casar com outro. Mateus escreveu sua narrativa para um público judaico. O Evangelho de Marcos. no entanto. 7. A maioria das versões tem a voz ativa.32.312 1 CORÍNTIOS 7. 11). o que é eufemismo para divórcio. da mesma forma. “separar” ou seu equivalente. a qual. comete adultério (Mc 10. não deve ser quebrada. Observe que no Evangelho de Mateus nada é dito sobre a esposa se separar do marido. Ele começa com a esposa e no versículo seguinte (v. no qual o marido podia mandar a esposa embora por qualquer motivo. O relato da criação ensina a unidade de esposo e esposa.10-11”. A regra que data do começo da história humana é que uma esposa não pode se divorciar de seu marido e que.18 omite a exceção). outra tem a passiva “ser separada” (NJB). e que o marido não se divorcie de sua mulher. reflete o mundo gre- co-romano. escrito num contexto romano e dirigido a gentios. um marido não pode mandar embora sua esposa (v. JBL 100 (1981): 601-6. Jesus permite uma exceção somente quando um dos cônjuges se torna infiel ao outro (Mt 5. Mas se ela de fato o deixar.”32 Paulo demonstra suas próprias prerrogativas autorais invertendo a ordem da afirmação de Jesus.

1 CORÍNTIOS 7. desejavam obedecer ao ensino das Escrituras e de Jesus. e então que aquilo que ele uniu ninguém devia separar (Mt 19. ele ordena que ela fique sem se casar ou se recon- cilie com seu esposo. “Marriage and Divorce in the New Testament”. então. Calvino. p. 13). ele está extrapolando os limites da exceção à infidelidade que Jesus permitiu (Mt 5. “Que permaneça sem se casar ou que se reconcilie com seu ma- rido. Paulo aceita a realidade da separação. O termo reconciliação “nunca é usado a 33. 1 Corinthians. Com uma cláu- sula condicional no grego. Ao contrário. “Mas se ela de fato o deixar. que conselho tinham para um casal cristão vivenciando a incompatibilidade que leva ao divórcio? Aparentemen- te. Dando a entender que o elo do casamento não deve ser quebrado. no parêntese Paulo está repetindo os ensinos de Jesus ao não permitir exceção nenhuma à regra do casamento. Será que Paulo está dando sua própria opinião na cláusula parentética ou é palavra de Jesus? E se é opinião do próprio Paulo. ele não aprova a sepa- ração. Contudo. A pergunta à qual Paulo deve responder é: como a palavra de Deus no Antigo Testa- mento e o ensino de Jesus se aplicam a um divórcio específico em pauta em Corinto? Quando o divórcio afinal se torna um fato consuma- do.32)? Jesus declara que Deus havia instituído o casamento. Semelhantemente nos dias de Paulo. Nem o marido nem a esposa têm “o poder de tornar um casamento inválido”.6).34 Em outras palavras. de forma que a parte final do versículo 10 se completa na última cláusula do versículo seguinte.” Os editores geralmente consideram essa parte do versículo 11 como sendo um parêntese. Paulo mostra que a ocorrência de divórcio é provável. ele proíbe casar de novo e aconselha a esposa que inicia o divórcio a se reconciliar com seu marido. 34. o que a igreja diz?33 b. a igreja local estava enfrentando uma situação na qual uma esposa iniciava procedimentos de divórcio contra seu marido.11 313 a. Marrow até declara que o ensino de Jesus sobre o divórcio era impraticável em Corinto (p. Se crentes coríntios. Quando Paulo escreve que uma esposa deixa seu marido.” A probabilidade do divórcio é por demais real hoje em dia. não era nada inconcebível. 147. mesmo entre cristãos. o divór- cio. ATR 70 (1988): 3-15. . Ele quer dizer que o casal não tem o direito de anular os votos que fizeram. Consultar Stanley B. Marrow.

pp. Enquanto a mulher perma- necer sem se casar. No grego.10. Por fazer mal a todos. mas somente que nós nos reconciliamos com ele”. c. Ele proíbe o marido de mandar sua esposa embora. a segunda perdeu sua razão de ser. Fica implícito que o esposo precisa lutar por reconciliação no caso de um divórcio. Nunca se diz que Deus se reconciliou conosco. Ele aconselhou as pessoas não casadas que tinham problemas de falta de autocontrole a se casarem (v. 11 respeito de uma parte inocente. as crianças. há esperança para a reconciliação.26). Paulo escreve: “Se um membro sofre. porque o casamento é para toda a vida. mas se prende à Pala- vra de Deus. . Paulo ensina o que as Escrituras dizem sobre este assun- to. William F.35 Se a es- posa inicia o processo de divórcio. Luck. “que se reconcilie com seu marido”. A separação afeta o marido. os parentes se esforçam para evitar o divórcio se for de algum modo possível. O divórcio devasta a família inteira. “E que o marido não se divorcie de sua esposa. a mulher. Paulo emprega um sinônimo de divórcio que é. 9). Agora escreve que a mulher que planeja se divorciar de seu esposo deve ficar sem se casar. 165-66. também. os membros têm a responsabilidade corporativa de ajudar os membros da irmandade quando eles precisam de aconselhamento.11 O conselho de Paulo de que a esposa que se separa de seu marido não deve se casar novamente parece contrário àquilo que ele escreveu antes nesse mesmo capítulo. Nas sociedades em que a famí- lia ampliada é uma unidade bem integrada. com ele todos se regozijam” (12.314 1 CORÍNTIOS 7.” O que é verdade para a mulher é igualmente verdade para o marido. Ele se recusa a seguir a cultura de seu tempo. “mandar embo- ra”. todos sofrem com ele. 35. Se um deles é honrado. à segunda. Mas Paulo liga a primeira afirmação. Divorce and Remarriage: Recovering the Biblical View (San Fran- cisco: Harper and Row. “que permaneça sem se casar”. Considerações Práticas em 7. ela é quem deve fazer os esforços que levam à reconciliação. os parentes e os amigos. Se a primeira parte não é observada. 1987). Embora na sociedade judaica e greco-romana o marido tivesse a prerrogativa de se divorciar de sua mulher e tivesse maior liberdade do que a mulher. Na comunidade da igre- ja.10. literalmente. o divórcio é algo que Deus odeia (Ml 2. Com referência à igreja.16).

40. Paulo tem de ditar uma regra com base em sua autoridade apostólica. não o Senhor: se algum irmão tem uma esposa não crente e ela consente em viver com ele. 8. 1 CORÍNTIOS 7.11) entre aspas e a introduziríamos com a expressão Jesus disse. que ele não a mande embora. não o Senhor. Ele não tem nenhuma palavra para os incrédulos. Nessa situação. mas agora fala com autoridade própria como ele faz em muitos pontos ao longo desse capítulo. eu digo”.12-16 12. “‘I say. O versículo 12 então começaria com a introdu- ção: “Para os restantes. eu digo – eu. Apostolic Authority and the Development of Early Chirstian Halakah”. . 12. Em segui- da. ou vice-versa. Ele indica que não está mais apelando a uma palavra falada por Jesus. Paulo escreve: “Para os restantes. Casamento misto.11). Portanto. Observe os seguintes pontos: a. 8. “Se algum irmão tem uma esposa não crente e ela consente viver com ele. que ele não a mande embora.” Em todo o 36. not the Lord’: Personal Opinion. b.36 Ele enfrenta o problema do casamento misto no qual o marido é crente e a esposa incrédula. e dar conselhos que estejam em harmonia com o ensino de Jesus. Para os restantes. 32. Trata-se do último grupo de pessoas a receber o con- selho apostólico. Paulo deve se pronunciar sobre esse assunto com a autoridade que Cristo lhe deu. 10.” Se seguíssemos os moldes de redação de hoje. 25. 35.6. 10.12 315 Crente e Incrédulo 7. eu digo – eu.24). Consultar Peter Richardson. Agora ele encara o problema de crentes e incrédulos no contex- to do casamento. A igreja agora se dirige ao apóstolo dos gentios e busca uma res- posta para as questões maritais relacionadas a marido cristão e mulher gentia. Paulo discute os direitos conjugais em relação à instituição do casamento (Gn 2. Na primeira parte do capítulo (vs. Mas Paulo está escrevendo no estilo de sua época. colocaríamos a passagem anterior (vs. “Para os restantes. Autoridade apostólica. TynB 31 (1980): 65-86. 10. Ver 7. ele se dirige aos não casados e às viúvas da igreja (vs. eu digo”.9) e depois diz uma palavra do Senhor para os casais casados que são crentes (vs. 2-7).

Nunca de- vem ser os primeiros a buscar o divórcio. os cônjuges cristãos devem fazer tudo que podem para ficar com seus parceiros incrédulos. Pois o marido incrédulo foi santificado por sua esposa [cris- tã]. Deus proíbe seu povo de se casar com gentios. Paulo lhes diz que se casem somente no Senhor (v. o conselho de Paulo a ela é que fique com ele e não alimente idéias a respeito de divórcio. no qual a esposa tinha o direito de divorciar-se do marido. de outra forma seus filhos seriam impuros. à parte da questão religiosa.14-18).” Na cultura greco-romana do século I.316 1 CORÍNTIOS 7. que ela não o mande embora. Em outro lugar. Paulo está se dirigindo a pessoas do mundo grego-romano. . Ele orienta o casal a ficar junto quando a esposa incrédula está plenamente satisfeita em viver com seu esposo crente. No caso de casamentos mistos. e isso também vale para os coríntios. Mas na situação presente. 14. O Problema.13. comparar com 2Co 6. 13. e ele con- sentir viver com ela. o casal vive junto har- moniosamente. na qual somente o marido poderia iniciar um divórcio. Paulo chama o marido de irmão espiritual (ver 1.1) que dá liderança como chefe da casa. então que ele conserve intacto o casamento. No entanto. Ela se tornou cristã. mas agora são santos. Não era o caso na sociedade judaica. O conselho de Paulo é: “Fi- que como está”. mas seu marido (ainda) não chegou à fé em Cristo. E se qualquer mulher tiver um esposo incrédulo. 14 Antigo Testamento. um marido gentio aceitou o evangelho e põe sua fé em Jesus Cristo. a. 39. Mas a esposa dele permanece firme em suas cren- ças pagãs e não segue seu marido em sua fé recém-encontrada. A palavra mulher nesse contexto significa que essa pessoa é cren- te. Se sua esposa está feliz de ficar com ele e o marido está contente com ela. um casamento misto geralmente significava que uma mulher cristã tinha um marido pagão. Se o marido sente-se feliz em viver com sua esposa crente. O conselho de Paulo aos coríntios é fundamentado no princípio bíblico de que o casamento não deve ser dissolvido. diz Paulo. “Pois o marido incrédulo foi santificado por sua esposa. e a esposa incrédula foi santificada pelo marido [cristão].

p. mas não o outro.16). Resposta.15) Como um cônjuge não cren- te pode ser santificado? b. Entretanto. palavra e oração pode ganhar o seu cônjuge para Cristo. 1 CORÍNTIOS 7. 148. “Women Holy in Body and Spirit: The Social Setting of 1 Corinthi- ans 7”.. O que o após- 37. o propósito de Deus de salvar seu povo é muito mais inclusivo do que nossa compreensão limitada do proces- so da salvação. SR 19 (1990): 221-34. 18. . Por causa do poder de Cristo. por sua conduta.1-6). especialmente quando Paulo escreve que o corpo de um crente é membro do próprio Cristo (6. Não. Calvino. MacDonald.14 317 Um homem cristão normalmente não teria uma esposa incrédula.38 Calvino escreve: “Pois a piedade de um faz mais para ‘santificar’ o casamento do que a impiedade do outro para torná-lo impuro”. NTS 36 (1990): 161-81. 1937). e depois o inverso. 1 Corinthians. 112. St John Parry. O Novo Testamento faz repetidos relatos de um cristão que é batizado com sua casa inteira (por ex. Consultar Margaret Y. At 16. o cônjuge incrédulo havia sido santificado pelo par- ceiro crente. p. a esposa também havia se tornado cristã. Qual o sentido exato da expressão foi santificado? O cônjuge in- crédulo continua um gentio e assim mesmo Paulo declara que ele ou ela foi consagrado. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University Press. Paulo primeiro se re- fere à esposa crente que vive com um esposo pagão.37 Devido à opressão que muitas esposas cristãs tinham de suportar por parte de maridos incrédulos (ver 1Pe 3. Nessas famílias. A incongruência desse relacionamento marital cha- ma a atenção. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians.8. Paulo não está dizendo que um marido ou esposa não-crente tor- nou-se moralmente santo por meio de seu cônjuge cristão. a in- fluência de um crente muitas vezes é mais forte do que a influência de um não crente. 38. Devemos ser cuidadosos em não procurar coisas de- mais no texto. “Early Christian Women Married to Unbelievers”. R.39 Em outras palavras.32-34. 39. 1Co 1. Nesses casos. o ho- mem não é capaz de santificar ou salvar um semelhante. o evangelho penetra no mundo de tal manei- ra que em dada família um dos cônjuges se torna um cristão. Depois o que é crente.

8-9.41 O objeto não era santo por si mesmo. reverenciar os nomes de pessoas. 7. O cônjuge não-cristão concorda em viver com a pessoa cristã em quem habita o Espírito de Deus. consa- grar pessoas. itens rela- cionados ao culto no tabernáculo (Êx 29. a expressão ser santificado está no tem- po perfeito. terceiro. 42. Santificado. Grand Rapids: Eerdmans. 40. An Exposition of the First Epistle to the Corinthians (1857.37. em seguida. pp. sua conduta é afetada pela conduta do côn- juge cristão. ou pela expiação do pecado (Hb 9. Charles Hodge. o que indica que. ou coisas (1Pe 3. colocar coisas de lado para as funções sacras (por ex. Paulo não está dizendo que o cônjuge gentílico tem um relaciona- mento pessoal com Cristo. 1965).24) e conserva intacto seu casamento em obediência ao mando de Jesus (Mt 19. e em último lugar. 19). reedição. No grego.14). Um estudo das Escrituras revela que a palavra gre- ga santificar tem pelo menos quatro sentidos diferentes. ou o altar a oferta colocada nele (Mt 23. ou por batismo (1Co 6. purificar alguém do mal. p.15). RB 84 (1977): 356. Não obstante.14 tolo quer dizer é que um cônjuge não-crente que convive intimamente com um parceiro cristão sente a influência da santidade.40 O segundo sentido do verbo “santificar” se aplica ao presente versículo.42 Os dois vi- vem num ambiente santificado.6). porque o lar é consagrado pela leitura e aplicação da Palavra de Deus e pela oração. O cônjuge crente santificou o cônjuge incrédulo de maneira muito semelhante à maneira em que o templo santificou o ouro ligado a ele. cumpre as obrigações que advém da instituição do casamento (Gn 2. 44). mas por associação. pois nesse caso ele não seria mais chamado de incrédulo. Jerome Murphy-O’Connor. 41. .11). Significa.17. O inverso é igualmente verdade: qualquer pes- soa não santificada é influenciada pelas reivindicações de um mundo que se opõe a Cristo.14”. a partir do momento em que o cônjuge se torna cristão. seu esposo ou esposa entra em contato com a santidade. Paulo também declara santos os filhos que nasceram antes ou depois da conversão do cônjuge ao Cristianismo. c. pelo casamento cristão (1Co 7.318 1 CORÍNTIOS 7. pri- meiro. Bauer.13). “Works Without Faith in 1 Cor. Ser santificado significa que uma pessoa é influenciada pelas rei- vindicações de Cristo. 116.

e sua mãe.16). Se ele se refere a estes últimos. p. 1975). por Frank E. . eles não são declarados impuros com base na falta de fé do que é incrédulo. Mas se o incrédulo sair de casa. Um irmão [cris- tão] ou irmã [cristã] não é obrigado em tais assuntos. a fé triunfa sobre a falta de fé na família.”43 O texto não indica se Paulo tem em mente só os filhos de casamentos mistos ou também os filhos de pais crentes em geral. Loide. Eunice. 414. criaram-no num lar piedoso onde ele aprendeu a pôr sua fé em Jesus (2Tm 1. ele o chama para viver uma vida de santidade constante. p. Ele deixa implícito que os filhos são consagrados com base na fé daquele que é cristão. há mais razão ainda de considerar esses filhos santos. Esses filhos são incorporados na vida da Igreja pelo sacramento do batismo. org. Deus fez um pacto com seu povo e o abençoa ao longo das gerações (Gn 17. (Grand Rapids: Zondervan. mas agora são santos. Embora ele escreva dois adjetivos descritivos (impuros. “Os filhos pactuais deverão ser contados como parte do povo de Deus e deverão ser nutridos na fé cristã e no temor do Senhor (Ef 6. Timóteo era filho de uma judia e de um pai grego incrédulo. Escrevendo sobre o povo judeu que Deus declarou ser santo. es- pecialmente quando eles próprios confessam sua fé. os ramos também o serão” (Rm 11. Os Filhos. Mas qual é a diferença entre as palavras santificado e santo com respeito a essa família? Enquanto o cônjuge incrédulo é santifica- do pelo cônjuge crente. W. Gaebelains.15 319 d. Deus nos chamou para a paz. I Corinthians. 12 vols. 1 CORÍNTIOS 7. Paulo declara que o cônjuge incrédulo é santificado e os filhos são santos. Quando Deus santifica seu povo. que saia. 43. por John Richard de Witt (Grand Rapids: Eerdmans.7).4). A mãe cristã pode reivindicar as promessas pactuais de que seus filhos são santificados à vista de Deus e chamados para a santidade.” E a próxima geração? Paulo menciona os filhos nas- cidos numa família em que só um dos cônjuges é cristão. santos) para os filhos de pais que estão em casamentos mistos. Harold Mare. 1976). 230. trad. Paulo diz: “Se for santa a raiz. 44. 10 of The Expositor’s Bible Commentry. no vol. Paul: An Outline of His Theology. Em suma. Ver Herman N. ele não faz restrições em asseve- rar que são santos se um dos pais é crente.5). Riddebos.44 15. os filhos desse cônjuge gozam de um relacio- namento pactual. Sua avó. “De outra forma seus filhos seriam impuros.

Paulo está perfeitamente de acordo com o que já havia aconselhado. porque seu cônjuge incrédulo “rompeu com Deus em vez de com seu cônju- ge”. “Um irmão [cristão] ou irmã [cristã] não é obrigado em tais as- suntos. 10-13). “É provável que as mulheres que possuíam dote de casamento pequeno ou não tinham nenhum. tenham se encontrado divorciadas. Comparar com David E. isoladas e sem dinheiro por amor ao evangelho. p. e não seu cônjuge. Assim ele não mais poderá ser considerado santifi- cado por meio de sua esposa crente.2)? Ele ou ela está livre para se casar outra vez e começar de novo? O sentido literal da expressão não está obrigado se refere a escra- vizar: “um irmão ou irmã não está escravizado”. Calvino. Garland. incluindo o marido ou esposa não crente. ele. que saia. e deixa essa questão em aberto (comparar com vs. que nada tinham para se sustentar.15 a. As conseqüências econômicas para uma mulher cristã abandonada por seu marido muitas vezes eram severas.46 Nesse versículo. “Early Christian Women”. tem toda a responsabilidade pelo divórcio. 9. porque a primeira cláusula dessa sen- tença declara um simples fato.”45 Paulo aconselha a irmã cristã: “Não impeça que ele saia de casa”. Paulo quer 45. O incrédulo é quem quebra o vínculo do casamento.” Não temos dificuldade nenhuma em entender a regra de Paulo de aceitar a partida voluntária do cônjuge incrédulo. Se o marido incrédulo se recusa a apoi- ar a fé de sua esposa e acha impossível viver numa atmosfera cristã. deixe-o ir embora. 1 Corinthians. Mas se o incrédulo decide repudiar a espo- sa. Ele recomenda ao cristão buscar paz com o cônjuge incrédulo. “A Biblical View of Divorce”. 46. p. MacDonald. Ele está interessado no testemunho que o cristão dá para o mundo. Agora o crente não está mais obrigado àquela união.” As palavras de Paulo pintam um retrato da realidade. essa mulher passava por incontáveis dificuldades. b. que Deus pretendeu que durasse a vida inteira. “Mas se o incrédulo sair de casa. RevExp 84 (1987): 419-32. Paulo nem proíbe nem recomenda um novo casamento para o cônjuge abandonado. que uma mulher cristã não deveria se divorci- ar de seu marido (vs.320 1 CORÍNTIOS 7. . Mas qual é o sen- tido da expressão “não é obrigado”? Será que ele está querendo dizer que a parte abandonada não é mais obrigada por seus votos do casa- mento (ver Rm 7. 234. 150. 11).

também abrange a vida em família.16 321 que o cônjuge cristão viva em obediência ao evangelho de Cristo e assim se oponha valorosamente às forças do Maligno (Ef 6. se irá salvar seu marido? Ou como sabe você. para Cristo (1Pe 3. a esposa normalmente adotava a fé cristã. Pedro aborda um problema marital semelhante: uma esposa que se tor- nara crente teve de viver com seu esposo que não abraçava o Cristia- nismo. 1 Pedro 3. marido.18. 47. porque melhor eu ia então do que agora” (Os.11. ao proibir o divórcio e promover a reconciliação. e sim um espírito conciliatório para com seu parceiro incrédulo.16). Isso não sig- nifica paz a qualquer preço.47 No capítulo anterior. “Deus nos chamou para a paz. diz ele. Quando. Hebreus 12. Esse testemunho continua efetivo até para o cônjuge incrédulo que saiu voluntariamente (v. um esposo se tornava cristão.22. Romanos 12. O que Paulo está dizendo é que o crente que sofre o divór- cio deve mostrar não hostilidade.7).14. 2 Timóteo 2. no tempo de Paulo. Quem sabe o côn- juge não crente exclame: “Irei e tornarei para meu esposo [ou esposa] como no começo. O testemunho contínuo de um cônjuge cristão pode provar ser eficaz em ajudar o descrente a chegar à fé em Cristo.33. Paulo proíbe os cônjuges cristãos de buscar o divórcio. 1 Coríntios 14. 10. esposa. Mas. com seu comporta- mento. 15). 16.11). e mostrava ressentimento e hostilidade.19. 14. se irá salvar sua esposa? Enquanto o cônjuge incrédulo demonstrar sua disposição de viver com o cônjuge cristão. Agora ele recomenda paz no casa- mento. 1 CORÍNTIOS 7. porque o cônjuge cristão não pode ab- rogar sua fé. . mas resolvessem suas diferenças paci- ficamente por mediação (6. Paulo disse aos cristãos que não fossem a juízo. O cristão provê ao cônjuge não cristão a oportunidade de retornar e restabelecer o casamento. se uma esposa cristã iniciar o divórcio.” Esse é um dos princípios funda- mentais do Novo Testamento.1-8).1). ela precisa ficar sem se casar de novo ou ser reconciliada a seu esposo cristão (vs. 2. ele ou ela é santificado. Pedro aconselha a es- posa cristã a ser submissa a seu marido e ganhá-lo. o cônjuge cristão precisa dar-lhe a oportuni- dade de voltar e restaurar o casamento. Com respeito a um cônjuge não-cristão. Pois como sabe você. A declaração geral de Paulo. que Deus nos chamou para a paz. c.

. com uma situação na qual o divórcio se tornou realidade? Como membros do corpo de Cristo. Seu pai relutaria ou recusaria cuidar de uma filha cujo marido a tivesse mandado embora por causa da religião dela. Quando um homem incrédulo divorcia-se de uma mulher cristã. Jl 2. Devemos dizer palavras de encorajamento. contudo somos instrumentos na mão de Deus para fazer com que isso aconteça. Findlay. Jn 3. sempre que possível deve ser evitado. De que maneira o cristão de hoje age.322 1 CORÍNTIOS 7.22. Paulo incentiva ou desestimula o divórcio num casamento no qual o cônjuge incrédulo sai de casa? Tendo em vista sua ênfase na paz. Mas um dote também podia consistir de um presente que o pai dava à filha por ocasião do casamento. ele desaconselha o divórcio. Quando o divórcio cortava os laços matrimoniais. esta deve saber que o Senhor cuidará dela em todas suas necessidades. embora não a qualquer preço. O crente sempre deve ter esperança.48 O conselho do apóstolo permanece o mesmo: não anule os vo- tos do casamento. não encoraja- dos”. Nós somos incapazes de efetuar a salvação.14. precisavam ser dissuadidos de se divorciarem. ele salienta que só Deus pode salvar seu povo.15 Quando Paulo diz que nem os maridos crentes nem as esposas cren- tes sabem se serão úteis para salvar os cônjuges pagãos. sabendo que Deus efetivará seu plano e propósito: (comparar com 2Sm 12. O único recurso dela seria ir procurar os membros da igreja para ter auxílio espiritual e financeiro. 48. o marido deixava a esposa sem lhe dar qualquer sustento. Findlay astutamente observa que os coríntios. p.14. e fornecer ajuda material e espiritual. Et 4. por isso. 828.9). E uma esposa cristã não podia voltar à sua família pagã. First Corinthians. senti- mos a dor e o mal que uma pessoa divorciada tem de sofrer. Considerações Práticas em 7. “com suas noções frouxas de moral.15 O divórcio é uma experiência que violenta a própria alma. As providências para o casamento nos tempos antigos exigiam que o noivo desse ao pai da noiva um dote que consistia de uma quantia estipulada de dinheiro ou serviços presta- dos.

v. David L. Metzger observa 49.12-16 Versículo 12 toi/j)))loipoi/j – “os restantes”.gw evgw. The Sayings of Jesus on the Churches of Paul: The Use of the Synop- tic Tradition in the Regulation of Early Church Life (Filadélfia: Fortress. au[th – o pronome demonstrativo no feminino singular tem seu ante- cedente na palavra esposa.3. Expressões e Construções em Grego em 7.6) essa expressão é sinônima de ta. 1 CORÍNTIOS 7. A tradução deveria ser “esta”. o termo correspondente tw|/ pistw|/ depois da palavra irmão (ver NAB). 93. Paulo se dirige aos cônjuges de casamentos mistos e manda que os parceiros cristãos exer- çam liderança.j. tij – Paulo usa a cláusula condicional duas vezes (vs. 13) para expressar o fato de que ele está falando de realidade. primeiro. le. mas por motivo de clareza acrescentei a palavra cristã entre colchetes (comparar com REB). 1971). 5. 12. evn th/| e evn tw|/ – a preposição com o caso dativo pode indicar lugar (na esfera de) ou causa (por causa de). Dungan observa que essa “é a forma de tratamento com que Paulo costuma se referir aos incrédulos”. mas é dado como se o texto dissesse auvth. O pro- nome pessoal mostra contraste ou antítese a o` ku.49 Em algumas passagens (Ef 2. Versículo 14 gunaiki/ – depois da palavra esposa.13.rioj (ver v. David L. Eu não adotei a interpretação ocidental. Mas no contexto coríntio. que está como pronome pessoal da terceira pessoa (ver também ou[toj em vez de auvto.qnh (os gentios). Contudo os me- lhores manuscritos têm a interpretação irmão. 13). p. Dungan. avdelfw|/ – em vez de “irmão” o Texto Majoritário tem a leitura avndri. em se- guida. (ela). alguns manuscritos ocidentais e outros inserem. 1Ts 4. a expressão th/| pisth/| (os que crêem) e. ei. Versículo 13 suneudokei/ – esse verbo composto (“ela consente em”) expressa tanto mutualidade (marido e mulher consentem em morar juntos) e intensidade (“ela ou ele está inteiramente feliz”).12-16 323 Palavras. e. – essa combinação expressa autoridade: “Eu digo”. Bruce M. . 10). (marido) que quase todas os outros tradutores adotaram.

RSV.51 u`ma/j – a evidência dos manuscritos é mais forte para h`ma/j do que para u`ma/j. 50. p. Paulo emprega essas ilustrações a fim de dar um contexto para o próxi- mo segmento de sua discussão sobre o casamento e para enfatizar a responsabilidade do cristão para com Deus.17 que embora a palavra esposo seja um correlato mais adequado para o termo esposa do que a palavra irmão. Duas traduções evitam optar e traduzem: “O chamado de Deus é um chamado para viver em paz” (NEB.53 eiv)))sw. Idiom-Book. . Moule.zetai (ele parte) expressa uma afirmação factual. 53. que cada um viva a vida que o Senhor lhe conce- deu. Paulo deixa essa pergunta direta sem res- posta de propósito. Para dar apoio ao preceito ele fornece duas ilustrações. JB. porque só Deus pode responder. p. Metzger. 17. Moffatt. 17. NJB. 20. conforme Deus chamou a cada um. uma sobre a circuncisão e a incircuncisão e a outra sobre o escravo e o livre. MLB.seij – “se irá salvar”. 4. alguns escolhem “vocês”. evn)))eivrh. Contudo. Todavia. REB).nh| – a preposição tem a função de eivj com o sentido. alguns editores dos textos gregos adotam a interpretação vocês ainda que esta tenha menor apoio. Os tradutores estão divididos igual- mente entre as duas opções.50 Versículos 15 . 555. NAB. 51. NKJV./ numa modificação subseqüente tw|/ pistw|/ foi acres- centado a avndri. “a força especial de avdelfw|/ não [tem] sido apreciada. Phillips. 79.16 eiv – a partícula com o presente do indicativo cwri. 52.17-24 Em meio a esse discurso sobre o casamento.324 1 CORÍNTIOS 7. 114. E eu estou estabelecendo esta regra em todas as igrejas. Para captar novamente um pouco da nuança que pertence a avdelfw|. “Deus os chamou para uma paz na qual ele quer que vocês vivam”. SEB. O presente médio do imperativo cwrize. GNB. 24). Textual Commentary.”.52 e outros “nós”. Uma Digressão 7. Ver Parry. Esta é a regra que ele dá à igreja: “fique no lugar que o Senhor lhe concedeu” (vs.sqw (que ele parta) é permissivo. First Epistle to the Corinthians. p. NASB. TNT. KJV. NRSV. Cassirer. Paulo faz um desvio para enfatizar uma regra que ele menciona três vezes.

Um tradutor apresenta a palavra Deus duas vezes nesse versículo (Cas- sirer). 55. 20. cami- nhar) de acordo com isso. disse Paulo. O Senhor muitas vezes conduz os seus a outras áreas de vida e lhes dá diferentes funções a desempenhar. p.b). refletido em duas traduções (KJV. 22 [duas vezes. “Conforme Deus chamou a cada um. “Todavia. 15.17 325 a. Entretanto. mas não impres- cindível. maridos e esposas cristãos. NKJV) inverteu a seqüência de “Senhor” e “Deus”. Hodge. Contudo. Ele quer que sejam pais e mães cristãos. Deus chama uma pessoa primeiro para a comunhão de Jesus Cristo (1. mas também entre judeu e gentio.”55 Nesse capítulo. Ele sabe que o evangelho entra não só no relacionamento entre marido e mulher. . seja qual for a vocação em que Deus os coloca. Isso não significa que Deus não permite ao crente nenhuma mudança de posição. 17. então que seja assim. que cada um viva a vida que o Senhor lhe concedeu. 18 [duas vezes]. 15a. Paulo escreve repetidas vezes que Deus chamou o crente (vs. 21. emprego ou residência. Em qual- quer situação em que a pessoa esteja quando se torna cristã. Observe que Paulo usa o substantivo cada um duas vezes na primeira sentença desse versículo. a vida continua. quando um casamento é dissol- vido.”54 Novos convertidos à fé cristã muitas vezes são da opinião que o único meio de mostrar gratidão a Deus pela dádiva da salvação é tornar-se pastor ou missionário do evangelho. precisam refletir a glória 54. 120. Paulo alarga seu horizonte para se dirigir a todos os afetados pelo evangelho. b. O Texto Majoritário.” A primeira palavra é uma adversativa que chama a atenção para a exce- ção à regra de que os votos do matrimônio são laços firmes (v. Quando o cônjuge cristão está divorciado do cônjuge incrédulo. É o lugar na vida que o Senhor designou para cada um. 1 CORÍNTIOS 7.9) e depois para um papel de de- sempenho da vida cristã no contexto em que o Senhor o colocou. First Epistle to the Corinthians. empregadores e empregados cristãos. Cada um deve desem- penhar o papel que o Senhor lhe distribuiu e viver (literalmente. ela deve permanecer ali. O Senhor chama seu povo em todas as posições da vida para segui-lo. 24). Isso é louvável. “Paulo procurou convencer seus leitores de que sua relação com Cristo era compatível com qualquer relacionamento ou posição social. entre escravo e homem livre.

Quando um judeu era cha- mado por Deus para seguir a Cristo. Como judeu circunciso ele poderia testemu- nhar de modo eficaz a favor de Cristo entre pessoas judias como ele. Comparar com Josefo Antiquities 12. . A circuncisão nada é.17. quando um gentio era chamado por Deus. onde cristãos de origem judaica e gentílica formavam a igreja.18. 9. Ele faz essa regra apoiado em sua autoridade apos- tólica. Mas Deus não o chamou para que fosse circuncidado (Gl 5. que era circuncidado. Precisam viver de modo digno naquele lugar e ambiente. 24). Esse foi o caso de Timóteo.326 1 CORÍNTIOS 7. mas o que importa é obedecer às ordens.” A regra para os crentes é ficar onde o Senhor os pôs e viver de modo digno de seu chamado. nem a incircuncisão. Semelhantemente. Qualquer homem que já foi circuncidado e chamado. 18. Quando Deus chama uma pessoa a uma vida de comu- nhão em Cristo. 16.5). 19 dele. 1 Macabeus 1. as alianças e as promessas de Deus (Rm 3. “E eu estou estabelecendo esta regra em todas as igrejas.5. as diferenças que separam um judeu de um gentio não mais são válidas. entre os judeus que o conheciam em Listra e Derbe (At 16.34. porque em Cristo Jesus as distinções de 56. não deveria tentar desfazer essa marca quando mais tarde na vida se tornava cristão. Era o caso em Corinto.20). 14. Aqui temos um exemplo de uma congregação típica do século I em que cristãos judeus e cristãos gentios cultuavam e trabalhavam juntos.1 [24‘]. como cristãos que demonstram o amor do Senhor Jesus.2).4. Qualquer um que não foi circuncidado. ele não deveria tentar tornar-se um judeu solicitando ser circuncidado. que era circuncidado no oitavo dia depois de seu nasci- mento.3).56 Deus o chamou para ser um judeu entre os judeus (ver 9. Paulo diz isso duas vezes para provar seu argu- mento (vs. ele não deveria tentar desfazer cirurgicamente sua circuncisão para ter aparência de gentio. 19. que não desfaça a circuncisão. que ele não se torne circunciso.15. Um judeu. Ali as diferenças étnicas aparentemente não causa- vam discórdia. Ele poderia invejar o judeu que havia recebido a revelação.2.1). c. e aplica-a em todas as igrejas (ver 4. 20. mas foi chamado.

32.10-14). eles ouvem Paulo dizer que a circuncisão não é nada. porque um judeu não estaria muito disposto a desfazer a marca da circuncisão e o gentio normalmente relutaria em aceitar essa marca. Os judeus. Embora a lei de Deus estipulasse a circuncisão como sinal do pacto (Gn 17. diz Paulo.19-21). . 21 327 ser judeu ou gentio desaparecem. Mas.20. no entanto. mi- lhares de cristãos judeus eram zelosos quanto a guardar a lei mosaica.25. Paulo distingue claramente entre uma observância exterior da lei como demonstrada pelo sinal do pacto.” Mais uma vez Paulo apresenta a regra que ele determinou em todas as 57. “Que cada um permaneça na vocação em que foi chamado. a. opunham-se à palavra de Paulo e apontavam para uma surpreendente incoerência.6.15. de fato. Se você era escravo quando foi chamado. você puder tornar-se livre. Não o sinal externo do homem. não por uma crença errônea de que ela seja necessária para se obter a salvação. Essas pessoas por vezes exerciam pressão indevida sobre os cristãos gentios para que fizessem o mesmo (ver At 15.28. 20. 5. mas por terem um coração alegre e agradecido pela dádiva graciosa da salvação. Mas se. e um espírito interior que revela obediência à vontade de Deus. O judeu e o gentio são iguais aos olhos de Deus. Gálatas 3. aproveite a pos- sibilidade. porque em Cristo Jesus ele adota a ambos. Mas ele afirma que guardar a lei de Deus é importante (comparar com Sir. Que cada um permaneça na vocação em que foi chamado.2). No entanto. 6. O Senhor quer que tanto cristãos judeus como cristãos gentios cumpram a lei moral.57 Deus chamou o cristão gentio para ser uma testemunha no contexto cultural no qual Deus o colocou.1. Ele deseja a obe- diência. 21. na Palestina.23).20).26. a saber. A circuncisão e a incircuncisão nada têm que ver com a fé cristã. 1 CORÍNTIOS 7. que isso não o inco- mode. Paulo faz referência a casos excepcionais. fazer a sua vonta- de é o que importa. incluindo o rito da circuncisão (At 21. e sim seu desejo interior de guardar a lei de Deus. Romanos 2. Elas continuaram a fazer assim mesmo de- pois que o Concílio de Jerusalém tomou a decisão de que esses gentios que se tornavam cristãos não precisavam se submeter à circuncisão (At 15.

60 A mudança final na sociedade. que estão relacionadas ao novo nascimento espiritual por meio da Palavra e do Espírito de Deus. O evan- gelho de Cristo há de permear a sociedade aos poucos como o levedo permeia a massa de uma fornada de pão.58 Por exemplo. Esperaríamos que Paulo condenasse a escravidão como instituição criminosa. Ele está ciente do anseio do escravo por liberdade. 17. Ele está dizendo: “Cumpra as exigências de Cristo no lugar onde você estava quando recebeu o chamado de Deus”.” Aqui está um exemplo concreto tirado do cenário social do tempo de Paulo. 436. Scott Bartchy. 59. Consultar Hodge.59 outros tinham ficado sem treinamento nem instru- ção. “Se você era escravo quando foi chamado. Ele diz ao escravo que se tornou um cristão que não se preocupe com a escravidão.18-21). Embora muitos escravos tivessem adquirido habilida- des valiosas. E a vocação se refere à situação da pessoa na vida. 60. freqüentemente essas pessoas analfabetas eram desprezadas e até maltratadas por donos insensíveis (comparar com 1Pe 2.20. 24].328 1 CORÍNTIOS 7. MALLON CRHSAI: First Century Slavery and the Interpretation of 1 Corinthians 7:21. 73-76. S. pela qual o mundo é mantido”. A ênfase de Paulo está nas palavras “vocação” e “chamado”. mas também um relacionamento horizontal que se estende do lugar na vida de uma pessoa aos seus semelhantes. Mont. 122-23. . preenchido cargos profissionais e adquirido um certo ní- vel de instrução. First Epistle to the Corinthians. Esse novo nascimento espiritual não é um mero elo vertical entre Deus e o homem. Uma vocação pode ser entendida como sendo uma posição ou vocação na qual um crente vive em obediência aos preceitos de Deus. p. 317. série SBL Dissertation 11 (Missoula. Por meio do evangelho. Paulo a 58. pp. que isso não o inco- mode. 1973) pp. 21 igrejas [ver vs. Paulo instrui cada convertido a ficar onde Deus o colocou na vida e não mudar de ocupação. um contador que se converte ao Cris- tianismo não deve sentir que não pode mais exercer o cargo de conta- dor por causa de sua fé. Paulo está dizendo que “cada um deve permanecer na posição em que estava quan- do foi chamado”. b. Bauer. Mas ele não trata dessa questão. Paulo não está interessado em perturbar a estrutura existente da sociedade.: SBL. mas ele sabe que Deus reina supremo. Ridderbos. “uma ordenança divina superior está se efetivando. p. Paul.

p. “Mas se. “Contudo. . quando ele ou ela é libertado. de fato. Ver Bauer. No momento ele exorta o escravo cristão a não se preocupar com sua condição.62 A maioria dos tradutores prefere a segunda tradução porque perce- be que a pessoa livre está em melhor posição de difundir o evangelho do que o escravo que fica tolhido por várias restrições. positivamente. MLB. a primeira gramatical e a outra cultural. de modo que um escravo podia ser uma testemunha efetiva entre seu próprio povo. No entanto. Via de regra. TNT). “Mas se. p. 1 CORÍNTIOS 7. Assim. o sentido do pronome a? Negativamente. NRSV). ver. 884. A primeira tradução enfrenta pelo menos duas objeções. Significa um novo começo de vida e não uma continuação da escravidão. aproveite- a” (REB. a interpreta- ção “fazer pleno uso de sua condição como escravo” se junta à frase 61. c. se vier uma chance de liberdade. 183). aproveite a possibi- lidade. contextualmente. p. viva conforme [o chamado de Deus]” (Bartchy. você puder se tornar livre.. 82. O mestre pôde fazer isso por razões econômi- cas ou sociais. os escravos ansiavam ser livres. estas são três traduções representativas: “Mesmo se você tiver a chance de liberdade. mas sim o mestre quem tomou a deci- são de alforriar o servo. a todo custo [como um liber- to]. entra numa nova fase. por ex. sem dúvida. o escra- vo. o verbo use é um impe- rativo no tempo aoristo. Gramaticalmente. ver tam- bém NAB. 62. de fato. Em seqüência. era incontável o número de escravos no século I. à liberdade. SEB. Uma objeção à segunda tradução é que o contexto parece exigir uma interpretação de permanecer na escravidão. você deve preferir fazer pleno uso de sua condição como escravo” (NJB. indicando uma ação única. isto é. 21 329 deixa com o Senhor. você for alforriado. Consultar Bartchy.20. precisamente. à vocação. contudo ele determinou a condição do escravo. e.”61 A última cláusula do grego tem apenas duas palavras e falta- lhe um objeto direto: “antes use [-a]” (NKJV). a palavra poderia se referir à escravidão. GNB. Uma objeção cultural é que não foi o escravo. First-Century Slavery. Qual é.

a segunda é a preferida. Esse versículo frisa a palavra Senhor. 17-24) é a permanência. Como família espiritual. diferenças sociais e econômicas eram esquecidas. Comparar com Peter Trummer. O versículo 22b diz: “Do mesmo modo. no entanto. Entretanto. A terceira tradução tem a palavra chamado como objeto direto do verbo viver (tirado da sentença anterior). quando um escravo obtém liberdade. 22a). Precisavam de uma palavra de encorajamento e exortação. e serve como correlativo da segunda tradução do versículo 21b. Deus criou o homem não para ser escravo de seu semelhante.63 Das três traduções. é um escravo de Cristo” (ver o comentário sobre o v. o homem que está livre quan- do chamado. mas para ser livre. seu anseio humano foi satisfeito. Zur Interpretation des amllon chresai in 1 Kor 7. da pró- pria sentença. o Senhor chama seu povo e também é dono dele. A igreja de Corinto era constituída de população variada.21”. Sua regra dada aos membros da igreja é que permaneçam no lugar que Deus designou ao indivíduo (vs. o homem livre quando chamado.330 1 CORÍNTIOS 7. 20. Em outras palavras. isto é. a qual ocorre duas vezes no sentido de agente e possuidor. O tema recorrente que Paulo frisa nesse capítulo e especialmente nessa seção (vs. Todos eram participantes da graça de Cristo. devemos simplesmente supri-la do contexto imediato. Isso não significa imobilidade e inflexibilidade. Exceto por uma omissão. 22. A última palavra da sentença. é enfática pela sua posição. 24).22 seguinte: “Pois aquele que foi chamado no Senhor enquanto era escra- vo é uma pessoa livre no Senhor” (v. não o de chamado. por exemplo. “Cristo”. portanto. Pois aquele que foi chamado no Senhor quando escravo é uma pessoa livre no Senhor. 17. os membros aceitavam um ao outro como irmãos e irmãs. Aqui a sentença apresenta o conceito de liberdade. Bib 56 (1975): 344-68. . “Die Chance der Freiheit. o versículo mostra 63. essa objeção perde sua força quando tomamos os versículos 21 e 22 como paralelos. e do mesmo modo. desde os ricos e influentes até os pobres e o escravo. Dentro da igreja. 22b). Mas quando falta a uma sen- tença grega uma palavra necessária para se completar o pensamento. Mas esses cristãos que eram escravos estavam plenamente cientes de sua falta de liberdade. é um escravo de Cristo.

“vocês foram comprados por um preço”. Quando Deus o chamou para fazer parte de seu povo. Com certeza. “Pois aquele que foi chamado no Senhor quando escravo é uma pessoa livre no Senhor. Aqueles 64. porque foram com- prados por um preço. A primeira parte desse versículo é uma repetição exata de 6. Vocês foram comprados por um preço. mas as palavras estão colocadas num contexto completamente diferen- te.19). mas antes para a liberdade que recebeu em Cristo (Jo 8. 1977). Grand Ra- pids: Kregel. reedição. onde deve- mos fornecer a expressão prepositiva no Senhor. a. . 6. Cristo libertou os coríntios do pecado e pagou por eles com o preço de seu sangue (ver 1Pe 1. a sentença como um todo tem dois segmen- tos paralelos. Paulo escreveu sobre prostitutas e instruiu os coríntios para que fugissem da imoralidade sexual. no contexto de Cristo libertar os es- cravos do pecado e da morte.18. Frederic Louis Godet escreve o seguinte: “Se em Cristo os escravos se tornam livres. então nem a escravidão nem a liberdade devem ser temidos pelo crente!”64 23. b. Não se tornem es- cravos de homens.6). No capítulo anterior.” Paulo diz ao escravo cristão que ele não deve olhar para sua posição social. Agora ele coloca as mesmas palavras. e os libertos escravos. 1 CORÍNTIOS 7. aos que são libertados da escravidão. do mesmo modo que o homem livre é também um liberto de Cristo. Então essa parte diz: “do mesmo modo. “O homem livre quando chamado. no Senhor é um escravo de Cristo”. 362.23 331 equilíbrio. ele experimentou liberdade do pecado e da culpa.20. mas agora pertence aos libertos do Senhor. o escravo que é um liberto no Senhor é ao mesmo tempo escravo de Cristo. Frederic Louis Godet.” Quan- do o Senhor chamou o homem livre. Ele não é mais um escravo do pecado. A omissão está na segunda parte do versículo. p. Assim. é um escravo de Cristo. Juntos são irmãos e irmãs no Senhor (Fm 16). ele se tornou um escravo espiri- tual que obedientemente faz a vontade de Deus (Ef. Ele lembrou a eles que o corpo de cada um era um templo do Espírito Santo e depois acrescentou que os coríntios pertenciam a Cristo. isto é. o homem livre quando chamado. Commentary on First Corinthians (1886.36).

o cristão deverá saber que Deus está sempre com ele e nunca o abandonará (com- parar com Dt 31. 20). Em lugar de obedecerem à lei de Deus.5. 17-24) com uma regra que deu a todas as igrejas. Hb 1.24 que foram comprados por Cristo devem ter plena segurança de sua salvação. Em cada um dos três versículos ele aplica a regra especificamente a cada crente. Cl 2. Nesse versículo. 24. ed. Como ele não está se dirigindo especificamente a escravos e sim à congrega- ção toda. I. 24). um cidadão no reino de Deus e um soldado no exérci- to do Senhor. E. CrosbyNR Paulo faz uma séria advertência a todos os crentes coríntios para que não se tornem escravos de homens. Irmãos. . Observe que Paulo se dirige pastoralmente aos leitores na segunda pessoa do plural. F. Mas também significa que cada crente deve viver dignamente na presença de Deus. Deus me comprou. B. e agora o termina com aquele mesmo princípio (v. porque os olhos de Deus estão sobre ele em todos os momentos.5). 1960): 487. A tradução de G.55). que cada um permaneça com Deus na situação em que foi chamado. Que segurança! Jesus é meu! Tenho antegozo da glória do Céu! Com Cristo herdeiro. Isso significa que quaisquer que possam ser as circunstâncias de um crente.. (Salmos e Hinos. Dele nascido.332 1 CORÍNTIOS 7. Js 1. o sangue lavou.1.6. N. Ele repetiu o preceito na metade do segmento (v. Conseqüentemente. O cristão é um membro da família da fé. segue fielmente o texto do original de Fanny Crosby.12). – Fanny J. Deveriam saber que são escra- vos sujeitos a Cristo de modo bem semelhante a como os israelitas eram sujeitos a Deus (comparar com Lv 25. os cris- tãos apanhados na armadilha do pensamento humano se tornam escra- vos dos homens (Gl 5. Paulo os exorta a atentarem para a vocação a que Cristo os chamou. Paulo provavelmente tem em mente as filosofias humanas e os sistemas religiosos que prendem em sujeição a mente do homem (comparar com 2.20). ele acrescenta a expressão com Deus. NR. Paulo começou esse segmento (vs.

ali ele precisa viver honrosamente diante de Deus. W. mas nas celestiais (Fp 3. – essa combinação é adversativa e significa “mas”. 1 CORÍNTIOS 7.tw – o tempo presente no modo imperativo expressa dura- ção: “que continue andando”. eu imponho uma regra para todas as igrejas”. ele chama à estabilidade.17-23 Versículo 17 eiv mh. p. Finalmente. 1025. Expressões e Construções em Grego em 7. Robertson o traduz “somente”. 1953). No entanto. a expressão com Deus faz com que o crente viva na esperança da volta de Cristo. 1934). 66. O próprio evangelho deve efetuar uma mudança. T.19. a sociedade e a cultura devem mudar.n66 Paulo não forneceu a prótase negativa dessa sentença con- dicional.17-23 333 Por que Paulo declara três vezes a regra de permanecer na condi- ção em que se encontra? Ele deu dois exemplos da esfera religiosa (judeu e gentio) e da esfera social (escravo e livre). a vocação do crente individual é viver diante de Deus em qualquer circunstância. F. ele enfatiza sua regra de manter estabilida- de. peripatei. p. b). A. mas nós entendemos que ele diz: “Apesar da cláusula de exce- ção sobre o divórcio (v. Antes e depois de cada um desses exemplos. É equiva- lente a plh.2).”65 Um cristão põe em prática os ensinos de Cristo. quer ele tenha suas raízes no judaísmo ou no paganismo e quer ele seja escravizado ou livre. A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman. série New International Commentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Ele percebe que com a entrada do evange- lho no mundo. Blass e Debrunner. Para Paulo. . Exposition and Notes. “Está claro que Paulo considera a vocação como fator determinante na vida de um cristão. 65. Em qualquer lugar na vida em que o cristão se encontrar. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. Palavras. Ele emite o aviso para evitar circunstâncias que possam pôr em perigo essa vocação. Greek Grammar. 172. O cristão primitivo ansiava estar com Cristo e por isso colocava sua mente não em coisas terrenas. O cristão vive sua vida na terra sabendo que seu lar eterno é com Deus. Grosheide. nº376. e não à revolução. Cl 3. 15a.20.

21c]. olhando só as bases gramaticais. isto é.w (eu cha- mo) não quer dizer que o homem foi chamado para a incircuncisão.68 ma/llon crh/sai – esse é o imperativo aoristo de cra. 69.67 A combinação eiv kai. mas em 1 Coríntios 7 um kai. Esses empregos sugerem que. Versículo 22 evn kuri/w| – a preposição pode se referir tanto à esfera (no Senhor) ou agência (pelo Senhor). A pri- meira tradução é a preferida. p. e sim que ele foi chamado nessa condição. ke. essa é a tradução exigida”. SAB. Scott Bartchy observa: “Não há exemplos de eiv kai. a segunda é apoiada por aqueles que declaram que escravos devem permanecer na escravidão.omai (eu uso) que contrasta com o presente do imperativo. enfático aparece antes e depois do uso de eiv kai. th. SJB. significa “se realmente”ou “embora”. 67. eiv e kai.noj – o particípio perfeito passivo do verbo composto perite.17-23 Versículos 18. realmente’. Phillips). significar ‘embora’ ou ‘mesmo se’ em 1 Coríntios. MLB. A maioria dos tradutores opta pelo dativo de esfe- ra. First-Century Slavery.. À vista do contexto social e jurídico. uns poucos escolheram agência. 21c] devem ser traduzidos ‘se.334 1 CORÍNTIOS 7. mas seu efeito continua no presente. 178. 68. (entretanto) é mais forte do que a partícula de. O adversativo avlla. GNB. – essas três palavras estão no centro do debate sobre a tradução e interpretação desse versículo específico. Ver. Algumas traduções omitem a adversativa (por ex. S. o escravo tem um novo começo como pessoa livre. TNT. NIV.w (eu guardo) e denota execução ativa. O advérbio ma/llon significa “sem dúvida” ou é comparativo que exclui uma mudança social e se traduz “antes”. (mas) e contrasta as duas partes desse versículo.19 peritetmhme.69 Embora o aoristo da passiva klhqei.rhsij – o substantivo vem do verbo thre. NIV.klhtai – esse particípio perfeito passivo do verbo kale. em [v. A primeira tradução é preferida pelos estudiosos que dizem que a sentença quer dizer liberdade da escravidão. . o contexto sugere esfera. Versículo 21 avllV eiv kai. em [v.j (duas vezes) se acomode à agência. NRSV. por ex.mnw (eu circuncido) mostra que a ação ocorreu no passado. Bartchy.

1 CORÍNTIOS 7. 327. a. pp. que ele introduziu no versículo 1. é amplo e tem muitas facetas. alguns cristãos de Corinto aconselhavam-nas a não casar. Ele não explica o sentido da palavra virgens. Status Marital 7. 25.20.70 As virgens em idade de casar estavam hesitantes quanto a entrar num casamento por no mínimo duas razões: primeiro. que pela misericórdia do Senhor sou digno de con- fiança. 26) dessa época tornava o casamento pouco aconselhável e. 70. . no qual ele nos forne- ceu duas ilustrações vívidas de estabilidade tiradas das esferas religio- sa e social. First Corinthians. a respeito das virgens eu não tenho mandamento do Senhor. “Agora. 323. à conduta apropriada para com uma virgem e ao alcance dos votos matrimoniais.25-28. mas eu. Virgens e Casamento 7. 5.” As primeiras duas palavras pa- recem referir-se a uma pergunta que os coríntios lhe fizeram em sua carta. p. Paulo agora dá aconselhamento sobre esses as- suntos íntimos e estritamente pessoais. Calvino. gi. a “presente cri- se” (v. Consultar Fee. a respeito das virgens. Paulo opera seqüencialmente ao passar em revista essas ques- tões. Mas ele ainda enfrenta perguntas relacionadas à virgindade. ainda. 71. o divórcio e os casamentos mistos. mas é provável que tenha em mente “o próprio estado da virgindade”. 1 Corinthians. ao casamento e o serviço do Se- nhor. dou meu parecer.25-40 Depois de um breve interlúdio (vs.25 335 Versículo 23 timh/j – ver o comentário sobre 6. Paulo agora retoma suas discussões sobre o casamento.71 Pau- lo discute esses assuntos nos versículos subseqüentes. Paulo já respondeu perguntas sobre os direitos conjugais. Agora. os solteiros. a. 17-24). Este assunto. mh. 155.nesqe – o tempo presente do imperativo negativo dá a entender que alguns coríntios já estavam influenciados por doutrinas mundanas.

contudo confia no Senhor.” Paulo escreve sua epístola por inspiração divina.8-12). Foi Cristo que o chamou para ser um apóstolo e quem lhe deu vários dons. c. 1Ts 2. Gn 2. Mas em relação às vir- gens que têm planos de casamento. 1Tm 1. Em todas as suas epístolas. conselheiro. dou meu parecer.336 1 CORÍNTIOS 7.26 b. ele confiou numa ordem do Senhor. “Eu não tenho mandamento do Senhor. 26. Paulo lhes dá sua opinião e espera que os coríntios sigam seu conselho. Ele sabe que o Senhor lhe deu autoridade apostólica para falar e para escrever em benefício da Igreja. 16).16. Paulo não tem nenhuma ordenança nem da Escritura nem do Senhor. por causa da presente crise. Paulo observa que lhe foi mostrada misericórdia de forma que ele se tornou fiel não por sua livre vontade. é bom um homem permanecer como está. Mc 10. mas pela benevolência de Cristo. que pela misericórdia do Senhor sou digno de confian- ça. e declara que. e não por entendimento perspicaz humano (2Pe 1. ele ganhara a confiança desses crentes de modo que procuravam-no para aconselhá-los. construtor.13. portanto. 26. Paulo tornou-se um ministro fiel do evange- lho. Penso então que.24). E com respeito ao divórcio.21).” A respeito da pergunta sobre se o celibato é bom e o casamento mau. 10). que disse aos fariseus que os votos de casamento são duradouros e não deveriam ser quebrados (v. Nesse versículo ele diz que dá sua opinião. dife- re da primeira metade.4. Paulo só podia se voltar à Escritura e responder que Deus instituiu o casamento (6. Mas ele não legislará com respeito a esse assunto pessoal e sensível da virgindade.20. na qual ele citou um mandamento do Senhor (v. em quem os crentes podiam pôr sua confiança. “Mas eu. 40). pregador e professor (ver 4. Paulo empregava esses talentos de boa vontade e em obediência para servir aos seguidores de Cristo. reco- nhece que Jesus em sua misericórdia o mudou de perseguidor da Igreja a implantador. e no versículo seguinte escreve: “eu penso” (v. por causa da “presente crise”. Ele havia demons- trado sua fidelidade a Jesus. 10. Sua abordagem na segunda metade desse capítulo. Agora ele fala sem uma ordem divina. Paulo qualifica seu aconselhamento com as palavras introdutórias eu penso. E mais.1. a quem ele dá o crédito por tê-lo chamado para o apostolado. o celibato é preferível ao casamento. Alguns tradutores têm leituras alternativas: . e ver v.

30) indique uma calamidade que se seguiu a certas irregularidades na celebração da Ceia do Senhor.72 A terceira resposta é que uma fome nos arredores gregos está an- gustiando os cidadãos. Leon Morris. 1985). Mas o que tem que ver a celebração da Ceia com adiar um casamento? A aflição de doença e morte em algumas famílias parece ser motivo pouco provável para Paulo desencorajar obrigações matrimoniais na igreja toda. Se a presente aflição é interpretada de uma perspectiva escatológica. “so- frimentos” (2Co 6. Veja Bruce W. TynB 40 (1989): 86-106. pois essa pessoa pode 72. The First Epistle of Paul to the Corinthians: An Introduction and Com- mentary. Qual era a crise que afligia a comunidade de Corinto? Os estudiosos geralmente dão uma de três respostas: a palavra grega anangkh (necessidade. ou refere-se a uma fome na terra. no entanto: “Paulo se refere com freqüência à volta de Cristo. 1 CORÍNTIOS 7. mas ele não associa anangkh com isso. Todos os outros usam o adjetivo presente para descrever a crise. mas nunca os acontecimentos que precede- rão a segunda vinda”.16). Os cristãos suportarão insultos e durezas por causa de sua fé ao entrarem no período que leva ao fim dos tempos. nin- guém pensaria em fazer planos para casar. Winter: “Secular and Christian Responses to Corinthian Famines”. a pessoa que não está casada deve permanecer solteira. 37). 29) e que este mundo está passando (v. o conselho de Paulo a uma pessoa não casada é apropriado. 31).26 337 “as iminentes aflições” (MLB. 73. Ele diz que o tempo está abreviado (v. 112-13.. à vista dessa aflição. Como diz Leon Morris. (Leicester: Inter-Varsity: Grand Rapids: Eerdmans. Por isso. ou é uma referência um tanto disfarçada à perseguição que os cristãos têm de suportar à medida que o fim dos tempos se aproxima. mas está livre para escolher o contrário. RSV) ou “a crise iminente” (NRSV).73 Portanto. pp. “necessidade imposta” (9. etc. série Tyndale New Testament Commentaries . Talvez a referência de Paulo aos fracos.4). ela tem sentidos como “obrigação” (v. 2ª ed. . especialmente os pobres. afli- ção) denota uma calamidade que caiu sobre a igreja em Corinto. doentes e moribundos (11. 26-31). A primeira explicação é que aconteceu algum infortúnio na comu- nidade coríntia. Quando ele emprega essa palavra. A segunda interpretação é que nesse segmento Paulo faz alusão ao fim do mundo (vs.

16. NTS 19 (1973): 219-25. A expressão grega avna. Elliott.21. que nota uma dificuldade presente quando Ptolomeu entrou no templo em Jerusalém. 75. 4. Todos os três pontos de vista funcionam com hipóteses.23. Ver especialmente J. Uma tradução literal é: “Eu penso então que isso é bom em vista da presente aflição.75 De um ponto de vista judaico. uma virgem era prometida a seu futuro esposo e um noivado era equivalente a um casamento (ver Dt 22. “Se você está ligado a uma esposa. K. não busque ser desligado.7 com respeito à fome. mas deixado de completá-la e então tenha construído uma segunda cláusula.24. Em favor do estilo.26. não procure uma. a maioria dos tradutores elimina a cláusula que isso é bom. Não deve- 74.338 1 CORÍNTIOS 7. 27. Esse verbo também pode ser aplicado a um homem e uma mulher que foram ligados por votos nupciais. O texto grego não flui bem. Mt 1. . Se você está ligado a uma esposa. Nós presumimos que Paulo tenha começado uma cláusula.27 suportar a dureza de uma fome bem melhor do que pais que têm de prover diariamente para seus filhos. Mesmo se as presentes necessidades (como o caso de uma fome) tornam difícil a vida de casado.74 Se considerarmos a “presente crise” à luz da discussão sobre a celebração da Ceia do Senhor. que é bom um ho- mem permanecer como ele está” (NASB). Paulo menciona que alguns coríntios estão com fome quan- do vêem à mesa do Senhor (11.18). não busque ser desligado. Em pelo menos duas passagens. Uma última observa- ção: Paulo usa a expressão homem no sentido genérico para incluir tanto homens como mulheres. “Paul’s Teaching on Marriage in 1 Corinthians: Some Problems Considered”. mas dos três o terceiro parece dar a razão mais forte para ficar sem se casar. a. Paulo emprega o ver- bo numa forma do passado (você tem estado ligado) para indicar um ato que aconteceu no passado com resultados que se estendem até o presente. Ver também 3 Macabeus.” Novamente Paulo ensina que os laços matrimoniais não devem ser quebrados. desde o tempo da criação Deus pretendeu que marido e mulher ficassem juntos. 34). Se você está desligado de esposa.gkh (aflição) ocorre em Epiteto 3. Uma incapacidade de poder suprir as necessidades diárias de uma fa- mília se aplica como prova de apoio para adiar o casamento. pode- mos ver uma possível indicação de uma fome.

ela não pecou. porque sua conduta está em harmonia com a instituição do casamento (Gn 2. Paulo tinha em mente os viúvos. você não terá pecado. O contexto geral inclui tanto casais casados quanto noivos. Paulo dirige-se aos problemas da época (a saber. . Obser- ve que Paulo repete a palavra-chave desligado. Mas qual é o sen- tido do verbo desligar? Paulo está aconselhando os solteiros a não contemplarem o casamento na situação econômica opressiva do tempo presente (v. First Corinthians. pp. se uma virgem fez os votos a seu marido. 10-13). e eu gostaria de lhes poupar estas difi- culdades. b. o casamento legalizado não é pecado. Ele está dizendo que se um homem entrou no estado de matrimônio. “Mas essas pessoas terão grandes aflições nesta vida. “que casem” (v. Para ele.76 Além disso. 77.” 76. 314-115. Aflição. porque ele já havia expressado seus pensamentos sobre a separação e divórcio (vs. Ele já havia dito que se pessoas não casadas não podem se conter.28 339 mos. São sem culpa. Mais uma vez Paulo emprega o tempo perfeito: você tem sido desligado. 9). Mas essas pessoas terão grandes aflições nesta vida. 28. 1 CORÍNTIOS 7. eles não pecaram de modo algum. Seu conselho agora diz respeito à prudência do casamento nas circunstâncias dadas. a. Paulo os ordena a não buscar a dissolução de seus votos de casamento ou noivado. não procure uma. Walter Bauer diz: “Um estado anterior de ser ‘ligado’ não precisa ser tido por certo”. 26). ela não terá pecado. Consultar Lenski. Mas mesmo que você se case. b. Semelhantemente. 483. portanto. Defendendo a santidade do matrimônio.77 Ele assegura aos coríntios que quando homens ou mulheres não dão atenção ao seu conselho sobre o casamento. Paulo não está interessado em discutir a dimensão moral do casamento.” A segunda parte do versículo faz paralelo à primeira no estilo e na sintaxe. E se uma virgem se casar. Casamento. p.24). “Se você está desligado de esposa. mas não as pessoas separadas ou divorciadas. Na primeira parte desse versículo. a dificuldade para o cristão) e não à questão do peca- do. contudo enfrentam sérias dificuldades. restringir a interpretação desse versículo aos casais ca- sados ou noivos. Bauer. ele não pecou.

Também. 79.” Paulo se torna íntimo quando se dirige aos seus leitores com o pronome pessoal eu. 28. no entanto. a tradu- ção literal. p. org. p. e a palavra não se aplica ao sexo masculino. pp.25-28 Na segunda metade desse capítulo. em lugar da versão livre. RSV. reforça o ponto de vista de que a Grécia sofreu uma fome. tem causado deba- te considerável. MacRae. 25). Casamento espiritual. 1975). 8. O termo aflição é uma expressão vaga. 5). Grosheide pensa em mulheres grávidas e mães que amamentam bebês (Mt 24. ele expressa o desejo de poder protegê-los de aflição.25-28 Paulo apela ao uso do plural para referir-se a um grupo de pessoas que já casou ou está contemplando casar. Origin of 1 Corinthians. “aflição na carne”. também se refere a um solteiro que tem dever marital para com sua noiva (vs. Virgens são casais que estão na igreja de Corinto que decidiram praticar o ascetismo.81 Mas Paulo diz aos coríntios para não privarem um ao outro da intimidade ma- rital (v.19). é sinônima de “a presente crise” (v. 177-80. 158. Aqui estão várias interpretações: a. 1Coríntios. Desejo. Ver First Epistle to the Corinthians. mas REB e NJB têm “durezas”. JB. Por exemplo.340 1 CORÍNTIOS 7. 26). 80. que em algumas traduções ocorre no plural como “aflições”. . por James W. 25. Calvino entende a palavra como significando “as responsabilidades e as dificuldades” que as pessoas casadas enfrentam. p. 78. Assim o termo inclui tanto homens como mulhe- res (v. Leitch: Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia: Fortress.79 Se a palavra faz referência a uma fome que está asso- lando a terra. 38). Nota Adicional sobre 7. 177. “Gostaria de lhes poupar estas dificuldades.78 Os intérpretes encontram dificuldades em dar uma explicação adequa- da desse termo. 37. 36. Determinar o sentido desse termo. Virgens são casais que são noivos comprome- tidos com o casamento. 132 n. Homens e mulheres. 36-38). 34 [duas vezes]. Eles têm um compromisso espiritual que tem as vantagens do casamento sem relações sexuais. c. Como pastor. Paulo menciona a palavra grega parthenos (virgem [virgens]) sete vezes (vs. 1 Corinthians: A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. Ver Hans Conzelmann. mas na situação presente ele lhes desaconselha o casamento para poupar problemas iminentes às pessoas. por George W. Ele não está contra o casamento. GNB. 81. trad. b. Hurd.80 Mas o contexto denota virgens do sexo feminino. SEB. “aflições desta vida”.

Quando um marido judeu morria. Em apoio desta interpretação eles apontam o texto grego de Apocalipse 14.85 82. “teve compaixão. dirige-se ao homem e. e sim a homens.. Blass e Debrunner. 194. Virgens casáveis. muitos membros eram cristãos gentílicos que não co- nheciam a prática do levirato. explica o particípio perfeito anterior e significa. Grammar. uma conotação causativa. . Paul: 1 Cor. 85. e. com o particípio perfeito da passiva. The Scrolls and Christian Origins: Studies in the Jewish Background of the New Testament (Nova York: Nelson. Mt 22. Moule. “Who Are the ‘Virgins’ Discussed in 1 Corinthians 7:25-38? EvJ2 (1984): 3-15. Hurley. p. uma viúva não é mais uma virgem. o qual tem.25-28 Versículo 25 w`j hvlehme. pisto. 127.24).5. 1973. Os virgens são moços que nunca se casaram.6.w (eu tenho misericórdia. Ford. Eu prefiro esta interpretação. à mulher.84 Do verbo evlee. James F. suficiente para se poder confiar nele”. 1128. O uso da passiva indica que Deus mostrou misericórdia a Paulo. J. 85. Idiom-Book.3. Virgens são mulheres jovens que nunca casaram. Cambridge Univer- sity. “Levirate Marriage in St. Casamento de levirato. p. nº 425. a quem chama de “a virgem”. d.. p. 7”. no versículo 28b. portanto. James B.82 Embora a igreja de Corinto tivesse vários convertidos judeus.25-28 341 c. Palavras. dissertação de doutorado. 84. 83. De alguns cristãos coríntios. Alguns estudiosos asseveram que o termo virgens deve ser aplicado não a mulheres. “Man and Woman in 2 Corinthians”. e deixa a impres- são distinta de que o termo virgem (ns) se aplica a jovens que ainda não se casaram. M. NTS 1o (1964): 362. o tempo perfeito do particípio revela uma ação no passado que tem significância para o presente. 1961). Robertson.j ei=nai – o infinitivo é epexegético. Bound. E mais. isto é. Matthew Black. Greek Grammar. p. pena). Celibatários do sexo masculino. seu irmão solteiro era obrigado a casar com a jovem viúva (Dt 25. onde o termo aparece com referência a homens. no versículo 28a. Expressões e Construções em Grego em 7.4. Paulo recebeu a pergunta se virgens deveri- am contemplar o matrimônio visto os tempos aflitivos em que viviam. As virgens são viúvas jovens.noj – a partícula w`j significa “como um que”. Ele dá seu conselho pessoal às virgens e seus pretendentes.83 A objeção a esse ponto de vista é que Paulo. 1 CORÍNTIOS 7.

29-31 Depois de dar seu conselho a virgens e a casais de noivos.sh|j (você casar) gh. que sejam .29. zh. se dirige ao homem.lusai (de lu. kalo.n anqrw.noj. ele se desvia de seu objetivo para escrever sobre o casamento e pondera o futuro imediato.desai (de de. Dificuldades 7. 30 Versículo 26 tou/to kalo. Tal- vez inadvertidamente. 31. 30. Este subs- tantivo.pw| to. Mas ele deixa de declarar uma perspectiva escatológica precisa sobre a consumação do mundo. e aqueles que compram que sejam como se não com- prassem. b. Versículo 27 mh. parqe. seguindo o costu- me daquele tempo. o tempo está abreviado. As formas verbais são sinônimas e idênticas no sentido. Eu digo isto. O primeiro verbo está na segunda pessoa do singular porque Paulo. eu solto) expressam uma inter- rogativa em suas respectivas cláusulas. irmãos.rcein – as duas cláusulas desse versículo apresentam uma repetição. Ele não se interessa por esse assunto no momento.tei – o presente do imperativo transmite a proibição: “pare de procurar”. de. de forma que de agora em diante até aqueles que têm esposa que sejam como se não tivessem esposa. Os tempos perfeitos de. que sejam como se não chorassem. A resposta a essas perguntas está expressa em duas proibições.mh| (ela ca- sar). A partícula evan.w. “é bom para um homem estar como ele está”. Três manuscritos unciais (códices B. 29. E aqueles que usam as coisas do mundo. E aqueles que choram. Paulo retrata as dificuldades que os crentes de Corinto devem suportar. portanto. nas duas sentenças condici- onais introduz verbos no subjuntivo gamh. omite essa frase e traduz a última parte do versículo.w eu ligo) e le. que sejam como se não se alegrassem. O segundo verbo está na terceira pessoa do singular e tem o substantivo virgem como seu sujeito. é precedido pelo artigo definido h` para indicar a cate- goria de virgens. kai. A maioria das versões. – “mesmo se”. Ocorre paralelismo nas duas sentenças. ou[twj ei=nai.342 1 CORÍNTIOS 7. Versículo 28 evan.n u`pa. e aqueles que se alegram. F e G) e uma teste- munha minúscula (420) eliminam o artigo definido.

numerosos acontecimentos estão comprimi- dos. Paul. Paulo instrui os coríntios a enxergar o casamento. Ele deseja levar a atenção da igreja à configu- ração sempre mutante deste mundo no qual o tempo está comprimido. Por essa razão. Ele quer que percebam a temporalidade desta era. à maneira da época. e atrás para o casamento. p. Por causa desta fé. E o termo digo significa uma declaração solene em lugar de fala comum. o tempo está abreviado.50.87 86. .86 A palavra isto aponta adiante e se refere à perspectiva de tempo e mun- do. os crentes devem con- templar de modo amplo a vida e concentrar-se nos fundamentos eternos. Entre essas duas afirmações sobre a natureza passageira desta era. “Eu digo isto. mas a todos os membros da igreja de Corinto.12). 15. Ridderbos. No Novo Testamento. a rapidez dos acon- tecimentos e a brevidade da vida. a primeira pessoa do singular fhmi. 1 CORÍNTIOS 7. Por tudo isso. 19. especialmente aqueles que dizem respeito à vinda do reino de Deus por meio da proclamação de evangelho. os aconte- cimentos são comprimidos e seguem-se uns aos outros com rapidez. eu. Com o pronome pessoal da primeira pessoa. Paulo está dizendo aos corín- tios que rejeitem a visão de tempo dos gentios e adotem o ponto de vista de que o reino de Deus já invadiu este mundo e está transforman- do-o (comparar com Mt 11. Os cristãos devem entender que assim como a forma presente deste mundo passa (v. irmãos.29-31 343 como se não as usassem plenamente. a tristeza. a alegria. e sim so- bre a era que engloba o tempo no qual ele vive (ver Mt 24.15. os negócios e o serviço ao próximo à luz desta era nova que a fé cristã inaugurou. 87. A frase o tempo está abreviado é curiosa porque Paulo não está falando sobre o tempo de calendário. Dentro desse espaço de tempo. 10. a vinda do reino de Deus continua e toca todos os aspectos da vida humana. as posses. Paulo coloca algumas frases poéticas.29. a.” Observe que essa primeira parte do versículo 29 e a última sentença do versículo 31 transmitem uma mensagem sobre a brevidade do tempo.) (eu digo) ocorre apenas em 1 Coríntios 7. Paulo fala pastoralmente ao dirigir-se de forma pessoal não só aos que são casados.22). Porque este mundo em sua forma atual está passando. ele se dirige a seus leitores e os chama de “irmãos” (incluindo as irmãs). 31). 312.

e aqueles que se alegram. porque os crentes entraram numa nova época de sua vida. Como cristãos. Bib 58 (1977): 237-45. p. “Die Stellung zur Welt bei Paulus.88 Considere o ritmo da poesia em suas cinco partes com a frase recorrente em itálicos: aqueles que têm esposa que sejam como se não tivessem esposa. 480. Weltbewertung bei Paulus nach 1 Kor 7. Epikteit und der Apokalyptik. eles tanto vêem o mundo em que vivem como se movem dentro de uma perspectiva eterna (comparar com At 17. E ver Gottfried Hierzenberger. Bauer. . e não como citação de outra pessoa (2 Esdras 16.42-45). que sejam como se não se alegrassem e aqueles que compram que sejam como se não comprassem e aqueles que usam as coisas do mundo que sejam como se não as usassem. “De forma que de agora em diante mesmo aqueles que têm espo- sa. 1966). Nós entendemos es- ses versículos como composição do apóstolo.29b-31a) e Diogene il Cínico”.28). Ein Beitrag zu 1 Kor 6. Paulo introduz esses versículos poéticos com a expressão de forma que de agora em diante.” Repare que Paulo escre- ve linhas poéticas que descrevem a vida humana. e aqueles que choram que sejam como se não chorassem. 29-31”. que sejam como se não tivessem esposa. 89.344 1 CORÍNTIOS 7. 88. p. 7. ZTK 61 (1964): 125-54.89 Entretanto. “San Paolo (1 Cor. As palavras traduzidas temporalmente como “de agora em diante” podem também significar por inferência “portan- to”. 29-31 (Düsseldorf: Patmos. Romano Penna vê um possível paralelo em Diógenes Laertius Lives 6.29.29-31 b. 30. Consultar Wolfgang Schrade. o uso temporal combina melhor com o contexto do que o uso inferencial.

que trata de comprar e adquirir as coi- sas. mas torna muitas pessoas ricas. Como Paulo o coloca. Devem enxer- gar a natureza transitória delas e saber que depois de passar por este vale terreno. O próprio Deus instituiu o casamento na aurora da história humana. Nesta vida. tristeza. A vida aqui – mortal.29b. c. Pois podem nos matar. Mas o ensino de Jesus sobre a administração responsável das pos- ses terrenas ecoa nessa frase final. 1 Corinthians. Ver Grosheide. 30). lançados em tristezas.10). o casamento não perde sua importância na era presente. p. os crentes entrarão na eternidade.91 isto é. 90. bens e serviço). “E aqueles que usam as coisas do mundo. o celibato e nem o divórcio. Jesus ensinou seus seguidores a não colocar o coração nessas coisas (Lc 6. mas não devem ficar absortos neles (NIV) nem usá-los de modo incorreto (NKJV). Mas como interpretamos a expressão que sejam como se? Em to- das as partes da composição poética de Paulo (casamento.30). . 1 CORÍNTIOS 7. First Epistle to the Corinthians.” O versículo final desse trecho poético parece repetir a parte anterior. Calvino. p. pois todos serão como os anjos no céu (Mt 22.90 Na era vindoura ninguém estará casado. 91. Percamos bens. ou atentos a adquirir pos- ses.29-31 345 O que Paulo quer dizer quando escreve: “Aqueles que têm esposa que sejam como se não tivessem esposa”? Com certeza ele não está defendendo a separação. nós não devemos fazer das coisas terrenas nossos objetivos máximos. “devemos viver como se pudéssemos ter de deixar este mundo a qualquer momento”. o lar. ele nada tem. os cristãos não devem ficar absortos nessas coisas. pobre. de- vem preparar-se para a vida após a morte. Os seguidores de Jesus podem usar os bens deste mundo. entretanto possui tudo (2Co 6. Quer estejam ca- sados. ele é entristecido. portanto. 160. riqueza. que sejam como se não as usassem plenamente. mas continua a alegrar-se. 177. então. Um cristão vive uma vida que é contraditória em certo sentido. ale- gria. dados à alegria. Ele está dizendo que os cristãos devem limitar o casamento a este presente século.

A bancarrota de pes- soas. expandir e gastar. especialmente quanto à vida familiar.31. Solapada por infidelidade marital.29-31 Mas vive Deus – real Seu reino é para sempre. o apóstolo João escreve palavras quase idênticas em uma de suas epístolas. Johannes Schneider. bem como seus desejos” (1Jo 2. A expressão forma atual se refere à “forma (ou manifestação distinta) deste mundo”. TDNT. E a obsessão por possuir.7). do exultar. 7. Paulo tem o mesmo pensamento quando se refere ao mundo de cada dia em que a pessoa vive. deserção e di- vórcio. usar e abusar dos bens ou do meio ambiente do mundo é inteiramente aflitiva. o cris- tão não pode colocar seu coração naquilo que é passageiro. Ele conclui sua contribuição poé- tica com uma declaração definitiva: este mundo está passando. mas por causa do pecado ele está sujeito a frustração e gemidos (Rm 8. tristeza e morte. Por conhecer a epístola de Paulo. vol. Paulo diz. A propagação de doenças. p. e em numerosos casos inexis- te. diz Paulo. a forma atual do mundo está desaparecendo. companhias. – Martinho Lutero d.” Paulo completou o círculo de seu argumento com sua referência ao tempo encurtado em que os cristãos vivem.29-31 A sociedade atual é caracterizada pela instabilidade. 958. Ele diz: “O mundo passa. O mun- do é a criação de Deus. cidades. a vida familiar vem se deteriorando. “Porque este mundo em sua forma atual está passando. províncias ou estados. Por essa razão. da fome e da pobreza em grandes áreas do mundo causa indizível sofrimento. O termo ocorre duas vezes no Novo Testa- mento (1 Co 7.17a). e até de países é coisa comum. 92.346 1 CORÍNTIOS 7. Considerações Práticas em 7. não tem forma duradoura. . pela ocorrência das estações na natureza ou as mudanças gradativas na configuração da terra. está sujeita a mudança constante.20-22). Em conseqüência. Mas sua aparência. É o mundo do casar-se e lamentar. O mundo em si permanecerá até o último dia. e sim no que é durável e eterno.92 comparável às mudanças dos atos e personagens no teatro ou filme. E este mundo. Fp 2.

omai (eu uso).n – a construção perifrástica consiste do particípio perfeito passivo de suste. ZNW 66 (1975): 61-90.93 Palavras. eles põem em prática o amor genuíno em seu relacionamen- to com o cônjuge (1Co 13. ou no comércio para evitar a ganância (Pv 11.menoi – a primeira palavra é um particípio sim- ples. A partícula w`j sugere uma noção concessiva. não se sabe se as formas simples e composta diferem quanto ao sentido.31. “como se”.18).noj evsti. e a segunda um composto do verbo cra.15). O particípio composto é perfectivo e significa “usar plenamente”. to.20) e por esse motivo depositam sua confiança no Deus eterno. mas bus- cam viver dentro dele em harmonia com todos os mandamentos de Deus. 16). Não vivem desligados deste mundo presente.5).29-31 347 Os seguidores de Cristo estão no mundo. Bauer.6). 9. e choram verdadeiramente com os que choram (Rm 12. loipo. Mas como ocorre somente duas vezes no Novo Testamento (7.llw (eu encurto) e do verbo ser. 1 CORÍNTIOS 7. O tempo perfei- to expressa duração persistente. p. mas não são deste mundo (Jo 17. “de agora em diante”.3-5).14. 94. Versículo 31 crw.94 93. . Eles são ridicularizados quando recomendam castidade para evitar a imoralidade (Ef 5. 420. Expressões e Construções em Grego em 7. Sabem que sua ci- dadania está no céu (Fp 3. alegram-se verdadeiramente com aqueles que se alegram. Os cristãos pertencem ao mundo que virá e por isso estão plenamente conscientes da temporalidade desta existência terrena.1). i[na)))w=sin – o presente do subjuntivo funciona como um imperativo em lugar do verbo numa cláusula de propósito: “que vivam”. detestam explorar seu semelhante ou o meio ambiente no qual vivem.n – este termo tem o sentido de “finalmente”.menoi)))katacrw. na loja.29-31 Versículo 29 sunestalme. e contentamento com comida e roupas básicas para evitar a cobiça (1Tm 6. Doughty. Ver Darrell J. “The Presence and Future of Salvation in Corinth”. isto é. integridade no local de trabalho. Para ilustrar.

Mais uma vez dedica-se a falar sobre o questão do casamento e do celibato. Assim. a. “O homem que não está casado cuida das coisas que pertencem ao Senhor. especialmente em relação com o serviço ao Senhor. Ver também Fee. “Eu quero que vocês sejam livres de ansiedades”. 1. então. como ele pode agradar o Senhor. 35). Uma tradução literal da parte final da primeira sentença é “sejam livres de preocupações”. se entendemos a palavra num sentido positivo. como ele pode agradar o Senhor.95 Isso é verdade tanto para os casados como os que são solteiros.7). 32. Jurgen Goetzmann. 343. vol. “livres de ansiedades”.25-34.32 c. 278. . p. Essa sentença. sem as preocupações. ele volta ao tópico que estava discutindo. No entanto. O homem que não está casado cuida das coisas que pertencem ao Senhor.11. 95. cuida das coisas concernentes à Igreja de Deus.348 1 CORÍNTIOS 7. Devem deixar as ansiedades com o Senhor.32-35 Depois de uma breve digressão na qual Paulo demonstra sua preo- cupação pastoral por toda a igreja de Corinto.” É significativo o propósi- to de Paulo de colocar o homem não casado antes da pessoa casada. Fp 4. b. NIDNTT. 34a). Eu quero que vocês sejam livres de ansiedades. flui da seção anterior na qual Paulo ensina os cristão a implementar o conceito que sejam como e vivam na liberdade que o Senhor provê. Ele liga a sentença sobre o homem solteiro com seus cuidados pelo Senhor à frase anterior: “Eu quero que vocês sejam livres de ansieda- des”. ele evita colocar o casado numa posição que seja inferior à do solteiro (ver o comentário sobre o v. mas a palavra traz uma conotação negativa de irresponsabilidade. então entendemos a intenção de Paulo (comparar com Mt 6. Ele começa e termina os versículos 32-35 com esse pronome pessoal para indicar que ele se dirige a toda a congrega- ção (ver o comentário sobre o v. mas ao contrário ele fala sobre a pessoa que não é casada. Casamento e Serviço 7. p. Esperaríamos que Pau- lo discutisse as preocupações do casado primeiro. Observe que Paulo fala a todos os membros da igreja de Corinto dirigindo-se a eles como “vocês” (plural). Diz que o homem solteiro. First Corinthians. 1 Pe 5.

Com base nisso. Filipenses 2.25. os interesses da pessoa casada estão divi- didos. cuidar das necessidades de sua esposa e fi- lhos e dedicar seu tempo a trabalhar na igreja. Paulo discu- te em seguida os interesses do homem casado. tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1Tm 5. Gor- don D. Paulo não diz palavras de desa- provação com respeito à posição de casado de um obreiro na igreja. 33. Depois de mencionar as coisas que ocupam o solteiro. 1 CORÍNTIOS 7. Conse- qüentemente.97 Paulo colo- 96. 34 [duas vezes]. ele mostra diligência e cuidado de promover a causa de Cristo. sim.33. Paulo compreende esse verbo pelo lado positivo. e seus interesses são divididos.20. 345. em missões.8). Em outro lugar Paulo escreve: “Se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa. 12. Tanto o homem solteiro quanto o casado gozam a mesma liberdade que Deus dá.1). o homem não casado assume um interesse positivo pelas coisas do Senhor. um homem deve agradar sua esposa. a saber. Ele só observa que o obreiro solteiro tem mais tempo para dedicar à causa de Cristo do que o outro. Quer trabalhe no evange- lismo. ou esteja empenhado em qualquer outra função na qual o Senhor o tenha colocado.6. Mas o homem casado cuida das coisas deste mundo.96 Nas passagens que aparecem fora do presente capítu- lo. First Corinthians. Entendo que Paulo diz que o casado tem uma obrigação dupla. de forma que não há sugestão de crítica. 33. Eu tomo a palavra cuidar num sentido positivo. . Fee. Paulo observa. 4. p. 34a 349 O verbo cuidar de ocorre cinco vezes em 1 Coríntios e duas vezes em Filipenses. como pode agradar sua esposa.32. Fee conclui incisivamente: “Diferente. de modo que um não é inferior ao outro. mais envolvido no mundo presente. 1 Coríntios 7. mas inferior ou pecaminoso. o casamento não é errado nem pecaminoso. Ele faz isso por desejo sincero de agradar ao Senhor (comparar com 1Ts 4. Na verdade. que tenha um pastorado. Cuidar da família é uma preocupação válida e necessária. não”. mas limita o tempo que uma pessoa pode gastar no trabalho para o Senhor. Para Paulo. 34a. sim. Com a liberdade que Cristo lhe dá. Contudo. ele não pronuncia qualquer palavra de desaprovação pesarosa a respeito do estado de casado. 97. presumimos que Paulo tivesse em mente a interpretação positiva do verbo em questão.

ver também Cassirer). e a virgem. Metzger (Textual Commentary. As diferenças em traduzir a primeira parte desse versículo tornam-se claras quando examinamos versões repre- sentativas: “Há uma diferença entre uma esposa e uma virgem.350 1 CORÍNTIOS 7. Note também que o terceiro exemplo tem a palavra também acrescentada no começo da sentença e tem a palavra e em vez de ou entre os termos casada e virgem. a mulher não casada. “Assim.34b ca tanto o homem solteiro quanto o casado no mesmo nível e os vê como colaboradores iguais na igreja. 555) escreve que “a leitura menos insatisfatória é aquela apoiada por representantes primitivos dos tipos de texto Alexandrino e Ocidental (P15 B 104 vv copsa. Editores das edições gregas do Novo Testamento fazem listas delas e chegam a um acordo sobre adotar uma leitura em particular que repre- sente a mais ampla área geográfica possível. Obviamente. o verbo gre- go é traduzido como “divididos” e a cláusula é colocada com o versí- culo anterior (v. Uma mulher não casada ou vir- gem está preocupada com as coisas do Senhor” (NIV). . UBS. esse exemplo revela uma estrutura gramatical incorreta de um sujeito composto (a mulher não casada e a virgem) seguida de um verbo no singular. Também a mulher que não é casada ou a virgem cuida das coisas do Senhor. Bruce M. finalmente. No segundo. E o terceiro exemplo (NJB) coloca a cláusula “e ele está dividido na mente” no versículo 33.bo)”. “e seus interesses estão divididos. Observe que no primeiro exemplo o verbo grego da primeira sen- tença é traduzido como “há uma diferença”. Mas a casada cuida das coisas do mundo. Merk. também. 33). Problema textual. a.98 Isso é refletido na leitu- ra daquelas testemunhas gregas que vão do Oriente ao Ocidente (ver o segundo exemplo. 98. p. Nes-Alm BF. ocupa sua men- te com as coisas do Senhor” (NJB). o texto grego do versículo 34 tem muitas variações. E. de como ela pode agradar seu esposo. NIV). para que possa ser santa tanto no corpo como no espírito. 34b. A mulher não casada cuida das coisas do Senhor” (NKJV.

Paulo compara os cuidados do homem não casado com os do homem casado (v. as traduções apresentadas tanto no segundo como no terceiro exemplo têm mérito e são preferidas ao primeiro. Se é acrescentada. A Commentary on the First Epistle to the Corinthians. Se for. E. a palavra e que precede a expressão está dividido no segundo exemplo (NIV) tem forte apoio textual para ser a leitura origi- nal. e omitiram o termo também.34b 351 b. 504. então a cláusula e ele está dividido pertence ao versículo 33. 180. o primeiro exemplo faz novo arranjo da ordem das palavras para fazer a expressão a mu- lher não casada sujeito do verbo cuidar na segunda sentença.100 Além disso. Interpretação. a conjunção impe- de uma tradução fluente do versículo 34. embora com um sujeito com- posto que é seguido por um verbo no singular. mulheres sepa- radas ou divorciadas. K. possivelmente seja noiva. Ver C. então a palavra que nós traduzimos como “ou” realmente significa “que é”. 100. Embora as variações textuais nesse versículo sejam muitas. No entanto. 1968). uma virgem é uma pessoa que. e ele contrasta os cuidados da mulher casada e da não casada (v. Mas se a aceitamos como original. Barrett. O terceiro exemplo não faz isso. Série Harper’s New Testament Commentaries (Nova York e Evanston: Harper and Row. No segundo exemplo. este dá uma tradução exata. 1 CORÍNTIOS 7. c. Por isso. os tradutores convenientemente interpreta- ram a conjunção e entre “mulher não casada” e “virgem como sendo ou. . p. embora solteira. p.” Não temos certeza se Paulo escreve a expressão virgem como explicação da frase a mulher que não é casada. por último. Os tradutores do primeiro exemplo (NKJV) seguem uma leitura gre- ga que suprime essa conjunção. “Também a mulher não casada ou a virgem cuida das coisas do Senhor. Inversamente. como resultado. 33). uma interpretação ampla da palavra virgem é preferida. 34). o verbo grego memeristai quer dizer “está dividido” na voz passiva. ou então solteiras. Paulo pode ter tido em mente viúvas. Bauer. Avaliação. Como Paulo 99. Como avaliamos as diferenças textuais nas quais se baseiam as traduções? Em favor do primeiro exemplo (NKJV) há que essa tradução mantém o equilíbrio dos versículos 33 e 34. Em seguida. Esse verbo nunca é usado para indicar “uma diferença” (NKJV).99 e não deve ser traduzido na voz ativa.

Ele fala pastoralmente 101. Consultar Margaret Y. com o pronome plural vocês. não temos como nos certificar do sen- tido exato dos termos em questão. ao corpo que não está carregado de obrigações maritais e maternais e ao espírito que é dominado pelo Es- pírito Santo. Donald Guthrie. Como Paulo disse antes (v. 33). O que importa é o fato de que uma mulher não casada é capaz de se dar inteiramente à obra do Senhor (comparar com Rm 16. Agora ele se dirige a todos os leitores. é relacionada aos cuidados mundanos de um lar comum. 14). 167.12. Eu digo isso em seu próprio benefício. Se ela não está sendo cortejada com vistas a um casamento. mas para promover decoro e devoção ao Senhor sem distrações.101 Mente e corpo cheios com o Espírito refletem a santi- dade de Deus. a santidade da esposa crente permeia sua família de tal modo que até seu marido incrédulo é santificado e seus filhos são santos.22) e estabelece um lar cristão. 32a).3). . aqui e no versículo anterior. New Testament Theology (Downers Grove: Inter-Varsity. A esposa dedica-se ao cuidado do marido e dos filhos como para o Senhor (Ef 5. Isso não quer dizer que a mulher não casada que dedica sua vida ao serviço espiritual seja mais santa do que sua irmã casada que ama seu esposo e com ele cria uma família.352 1 CORÍNTIOS 7.” Aqui está o complemento ao comentário de Paulo de que o homem casado cuida de sua esposa (v. não para restringir vocês. A palavra mundo. “Mas a casada cuida das coisas do mundo. 35. ela está completamente livre para dedicar sua vida ao serviço do Senhor. Fp 4. De modo nenhum. 1981). Com esse versículo. casados e solteiros. de como ela pode agra- dar seu marido.” Paulo atribui santidade à pessoa toda. A solteira se consagra ao Senhor porque ela não tem restrições que a impeçam de fazer assim. MacDonald. (ver v. “Women Holy in Body and Spirit: the Social Set- ting of 1 Corinthians 7”. “Para que possa ser santa tanto no corpo como no espírito.35 não dá informações adicionais.2. Paulo mostra outra vez seu interesse pastoral pelo bem-estar espiritual de seu povo da comunidade coríntia. p. NTS 36 (1990): 161-81. Paulo se preocupa com o bem-estar espiri- tual e físico de todos os crentes em Corinto.

110. and Distraction”. por ex. Em grego. 106. 32). 25. constância) para a obra do Senhor e. Ele indica que respeita a liberdade do cristão individual. 3.35 353 com o pronome pessoal da primeira pessoa. por fim. Nesse versículo con- clusivo ele nada diz sobre o status marital dos leitores. 1 Corinthians. 104. Calvino. Not Like the Genti- les: Marriage Rules in the Letters of Paul. deve ser “sem distrações”.102 A frase é derivada ou da guerra ou da caça e deve ser entendida figurativamente. Calvino escreve: “Nenhuma restrição deve ser imposta à consciência das pessoas. 29.39). porque ele se dirige a todas as pessoas na igreja de Corinto. e penetra a privacidade da vida deles com o propósito único de promover os próprios interesses deles. 103. Anxi- ety. Consultar David L. p. “1 Cor 7:32-35 and Stoic Debates about Marriage. a frase não para restringir vocês realmente diz “Eu não os prendo com laço”. Essa vida deve retratar devoção (estabilidade. Para aqueles que receberam o dom da continência. 9). Thayer. agradável e atraente. 1985). mas todos devem ser plenamente dedicados a ele. p. 147. por assim dizer. 1 CORÍNTIOS 7. . Paulo já fez diversas referências à instituição do casamento (ver vs. p.103 Será que Paulo está elevando a vida dos não casados acima da vida daqueles que são casados? Realmente não está. e ele endossa o matrimônio como estado ordenado por Deus (6. com o resultado que alguém seja coibido de se casar”. Bauer. isto é.104 Em suma. A expressão laço ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. eu (ver. p. Consultar O.16). JBL 102 (1983): 429-39. Série SBL Dissertation 80 (Atlanta: Scholars. Larry Yarbrough. 164.. por extensão. 102. Ele pede a todos os leitores que sirvam ao Senhor de todo coração. vs. Balch. que não permitam que nada os separe do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8. A palavra que traduzi decoro significa no grego “boa ordem”. Paulo não tem desejo nenhum de colo- car os coríntios numa trela. o Senhor usa tanto os casados como os não casados para o avanço de sua Igreja. uma vida apropriada. Paulo defende uma vida de serviço de tempo integral caracterizada por disci- plina e devoção ao Senhor. 5. e.

schmon.” As primeiras duas palavras formam a parte conclusiva do versículo que antecede (v. Em vista do apoio dos manuscritos.redron – do advérbio eu= e do verbo paredreu..stwj – um advérbio que ocorre só uma vez na Escritura e significa “sem distração”. O sentido negativo transmitiria o sentido irresponsável. Expressões e Construções em Grego em 7. Versículo 35 pro. num sentido positivo.noj (a virgem). d.32-35 Versículos 32. avperispa.32-35 Palavras. que é corroborado pelo substantivo h` parqe. O adjetivo composto é derivado de eu= (bem) e och/ma (comportamento) e significa “decoroso” (ver 12. interesso-me por) significa sem preocupação. O verbo merihna|/ em ambos os versículos deve ser interpretado positiva- mente. ao qual falta o substantivo parte. Esta leitura tem o forte apoio textual de numerosas testemunhas importantes com somente a pequena variação de repetir as palavras o` a. assisto constantemente). 33). O composto vem do privativo av (sem) e do verbo perispa. . Noivado e Casamento 7. os tradutores favorecem esta leitura.36-38 Mais uma vez Paulo menciona virgens em relação ao casamento.schmon – a preposição é seguida pelo artigo definido e o adjetivo composto eu.j to. como adjetivo.w (eu me sento junto a.24). 105.mnouj – esse adjetivo composto do privativo av (não) e o verbo merimna. Então. #117. esse adjetivo composto indica devoção mas.. deve ser traduzido “constante”105 Aparece uma vez no Novo Testamento. Versículo 34 kai.gamoj (os não casados). eu. o sujeito do verbo merimna|/ (ela se importa) é o substantivo h` gunh.33 avmeri.1. Blass e Debrunner.ristai kai. euvpa. meme.354 1 CORÍNTIOS 7.w (estou distraído). – “e ele está dividido. Greek Grammar.w (eu cuido de. Também..

o termo compor- tar-se não honrosamente pode ser um eufemismo para atos sexuais indecentes. 106. comparar com Ap 16. À luz do uso do grego. o adjetivo grego avsch.” Parece que foi pedido que Paulo desse seu con- selho sobre uma questão a respeito de uma virgem com idade de casar. especi- almente aqueles que estão compromissados para casar. possivelmente sua noiva. Mas se alguém pensa que está se portando sem a devida honra para com a escolhida. Por exemplo. interpretamos essa passagem pelo ponto de vista antigo oriental no qual o pai fazia os planos de casamento para sua filha? Ou explicamos o assunto do noivado e casamento com base nos costumes de hoje? Estudemos os versículos dessa passagem frase por frase. E o substantivo avschmosu. são incapazes de se controlar (v. a.23). a virgem com quem ele pode casar – se suas paixões são fortes e deve ser assim – deixe que faça o que ele deseja. ele não peca. Outras pessoas devem casar-se. .mona refere-se a “partes [íntimas] inapresentá- veis” (12. Paulo esta recomendando o celibato para aqueles que também receberam esse dom. “Mas se alguém pensa que está se portando sem a devida honra para com a escolhida. Por causa de seu dom de continência.27. 9). e em fazê-lo não pecam.106 Paulo é a favor do casamento quando as pessoas. Esses versículos não têm clareza de expressão e por isso ficam abertos a várias interpretações.36 355 Ele é explícito em afirmar que pessoas que decidem casar-se não pe- cam.nh significa atos homossexuais indecentes (Rm 1. por que ele escreve: “ele decidiu em seu coração não se casar com a vir- gem” (v. por que Paulo diz “deixe que se casem” quando o noivo ainda não foi apresentado? Se aceitarmos que Paulo se refere ao noivo. 1 CORÍNTIOS 7.15). 36)? É o noivo da virgem ou é o pai? Se ele é o pai. 37)? Será que a tradução do versículo 38 deve ser “aquele que se casa com a virgem” (NIV) ou “aquele que a dá em casamento” (NKJV)? E finalmente. Por exemplo. quem é a pessoa descrita como esse “alguém” (v. 35). Deixe que se casem. Esse termo deve se referir a um ho- mem que possui uma virgem. O homem está “se portando sem a devida honra” para com a mulher não casada e agindo contra o que Paulo insta para que cada crente de Corinto faça: que promova o decoro (v. Ele começa com uma cláusula condicional que expressa realidade e continua com a palavra alguém. 36.

Mas aquele que permanece firme em seu próprio coração e não está sob nenhuma obrigação. 121.13). mas sim o esvair de paixão”. a. “u`pe. p.108 Aqui a interpretação subjetiva que se refere a desejo sexual se ajusta bem ao contexto e é a preferida (comparar com Jo 1. b. 7). Bauer. Parry. nota que a palavra “não descreveria um excesso. Bauer observa que quando a palavra se aplica a um homem. mantemos o mesmo sujeito nessa cláusu- la condicional. no entanto. e sim como expressão de intensificação” (p. NIV). A palavra grega thelema tem tanto um sentido objetivo (“o que se deseja que aconteça”) como uma conotação subje- tiva (“o ato de querer ou desejar”). ele não peca. que tem o dom da conti- nência (v.356 1 CORÍNTIOS 7. Por essa razão.” O sujeito da cláu- sula condicional anterior é um homem cuja conduta moral já se tornou questionável.” Agora Paulo discute o caso do homem que escolheu não se casar por causa de pressões financeiras ou sociais. o que provavelmente significa que seu desejo sexual controla o homem e o força a casar-se.r não deve ser entendida no sentido temporal. Outras traduções têm a leitura domínio sobre sua própria vontade (por ex. “Se suas paixões são fortes e deve ser assim.107 Nós optamos por este último. o termo hyperakmos pode significar ou “passado da idade de casar” (com referência à mulher) ou “com fortes paixões” (referindo-se ao ho- mem). Esse homem tem a força interior para controlar seus desejos e assim é como Paulo. mas tem seu desejo sob controle. 28). “Deixe que faça o que ele deseja. Deixe que se casem. Paulo reitera o que disse no princí- 107. 354. 37.. .” Primeiro. ele faz bem. p.37 b. ele faz bem.” Anteriormente Paulo dera o mesmo conselho: “que se casem” (v. A natureza íntima do assunto a tratar faz com que Paulo expresse probabilidade com a partícula condicional se. O sujeito é o noivo e sua virgem noiva a quem Paulo aconselha o casamento. 108. “E ele decidiu em seu coração não se casar com sua virgem casadoura. No grego. First Epistle to the Corinthians. 839). Mas aquele que permanece firme em seu próprio coração e não está sob nenhuma obrigação. 9) e “se se casar não terá pecado” (v. Paulo acrescenta que “deve ser assim”. mas tem seu desejo sob controle e ele decidiu em seu coração não se casar com sua virgem casadou- ra. c.

Lc 17. 38. Accidence and Word-Formation (Edimburgo: Clark. 111. aquele que se casa com sua noiva faz bem. Mas o que ele tenciona transmitir com essa decla- ração? Mateus conta que José. “não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho (Mt 1.25.30.35. 1 CORÍNTIOS 7. e ainda acrescenta: “ele [já] decidiu”. Samuel Belkin. Não é para todo mundo. p. ZNW 21 (1954): 275-95. Os estudiosos afirmam que nos tempos apostólicos as distinções claras do grego clássico haviam se tornado menos nítidas. não temos certeza se a lei dos judeus era seguida em Corinto. Os noivados judaicos eram o mesmo que casamentos e não deviam ser desmanchados. com o resul- tado que os dois verbos tinham o mesmo sentido. Segundo a lei judaica. Marcos 12.38. 110. A pergunta é se esses dois verbos sempre diferem no sentido ou se são por vezes sinônimos. 36-38). Paulo louva o homem que respeita a virgindade de sua noiva e durante a crise daqueles dias (v. 2. no entanto. é a causa das interpretações alternativas dessa seção (vs. 8.111 Se este não fosse o 109. Em seguida. um homem era obrigado a sus- tentar sua virgem por um ano no caso de o noivado ser dissolvido. Consultar James Hope Moulton e Wilbert Francis Howard. 20. A Grammar of New Tes- tament Greek.9) na qual ele louva o casamento e exalta o celibato. que apresenta duas vezes o verbo grego gamizw (eu dou em casamento).38 357 pio desse versículo. Portanto. Mateus 22. Gamizw ocorre com o verbo grego gamho (eu caso) na conhecida expressão “casar e dar em casamento”. 1929). JBL 54 (1935): 49-52. O homem pesou todos os fatores disponíveis e chegou à firme conclusão de não se casar. Ouvimos o eco da afirmação anterior de Paulo (vs. 410.109 O problema. vol. é que a igreja coríntia não era exclusivamente judaica. mas aquele que não casa faz melhor. 26) adia o casamento.27. Paulo diz que esse homem determinou “guardar sua própria virgem”.110 Paulo usa o verbo gamho no versículo 36 e o verbo gamizw no versículo 38. .25). 121. p. que estava noivo de Maria. E celibato deve ser sempre en- tendido em conexão com o dom especial da continência. Ver também MM. Werner Georg Kümmel. “The Problem of Paul’s Background”. 24. “Verlobung und Heirat bei Paulus (1 Kor 7:36-38)”. O versículo 38.

Pai-filha. 2ª ed. NJB.36-38 caso. NIV na margem). E esse conselho não constituiria comportamento desonroso para os pais. International Critical Commentary. reedição. O problema pode ser aliviado. NIDNTT.113 A desvantagem des- sa interpretação. Nota Adicional sobre 7. e oferece uma avaliação totalmente realista da situação”. 116-19. Colin Brown. casamento espiritual. ver também Morris. ele não preci- 112. NAB. NASB. 115. NRSV. A passagem apresenta dificuldades demais. o verbo gamizo deveria ser interpretado como significando que um pai dá sua filha em casamento. está em nosso desejo de fazer a passagem relevante aos tempos e cultura em que vivemos. os tradutores modernos entendem os dois verbos gregos como sinônimos que denotam “casar”. 113. na qual os pais esta- vam envolvidos no processo decisório. (1911. 2. Edimburgo: Clark. “deixe-a casar”.114 Para elucidar a palavra virgem (vs. espe- raríamos que os pais aconselhassem suas filhas solteiras a não se casarem. tradutores acrescentam a pala- vra filha (NASB. A seguir. Cassirer.36-38 O problema da tradução dessa passagem dá origem a grandes diver- gências quanto à interpretação. E eles são muito dife- rentes da era apostólica e da cultura de Corinto. . entretanto. ou aceitando-se a leitura variante.358 1 CORÍNTIOS 7. para esta interpretação. 29). 36) torna-se difícil de explicar quando só pai e filha são mencionados. p. 588. p. Com respeito à crise atual (v. 36. Paulo ainda não disse nada sobre um noivado. 28) e a brevidade do tempo (v. TNT. Paul to the Corinthians. Três possibilidades podem ser listadas: pai-filha. A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St. MLB. Consultar GNB. 26). O sujeito da passagem toda parece ser não o pai da noiva. 114. no entanto. ou afirmando que o plural é elíptico e significa “deixe a filha e seu pretendente se casarem”.112 Colin Brown caracteriza a tendência moderna quando escreve: “Esta interpretação não envolve nenhuma mudança de sujeito no v[ersículo] 36. SEB. no versículo 36. 1975). a grande aflição para pessoas casadas (v. NIV.115 Contudo. Archibald Robertson e Alfred Plummer. e sim o homem que contempla o casa- mento ou o adia. 38). NCV. 159. REB. Portanto. se Paulo quer transmitir o conceito pai-filha. Consultar JB. First Epistle to the Corinthi- ans. Mas o sujeito de “deixe que casem” (v. e o casal noivo. vol. Esta é a explicação tradicional que ainda é proposta hoje. NKJV. a. pp.

116 b.118 E. Casamento Espiritual. 36-38) não fornece nenhuma sugestão de que Paulo esteja pen- sando num casamento espiritual. A lin- guagem descritiva de Paulo com respeito a deveres maritais tanto do ma- rido como da esposa (vs. Agora Paulo aconselha o ho- mem a buscar o casamento como solução ao dilema que ele e sua virgem estão enfrentando. p. Alguns estudiosos acreditam que um jovem tome sob seus cuidados uma jovem e viva com ela em harmonia espiri- tual. Seboldt. A. Craig. mas sem união física. Essa interpretação se baseia em práticas de um estágio posterior na história da Igreja. 117. e então ele está indo em direção contrária ao conselho anterior de Paulo (ver v. Consultar David E. O casal noivo. 88. Paulo o aconselha a assumir um relacionamento normal de matrimônio. 1953). finalmente. ele está fazendo uma escolha melhor. Hurd. 1 CORÍNTIOS 7. 75. ainda que o jovem con- trole seus desejos.: Glazier. por fim. Clarence T. a própria passa- gem (vs. I Corinthians. Del. Jerome Murphy-O’Connor. Ne- nhuma outra virgem é mencionada nessa passagem. Além disso. Origin of 1 Corinthians. por causa de condições sociais decidiram não casar ainda.36-38”. Roland H. 10 in The Interpreter’s Bible (Nova York: Abingdon. vol. “The Christian’s Posture: Toward Marriage and Celibacy: 1 Corinthians 7”. “Spiritual Marriage in the Early Church: A Suggested Inter- pretation of 1 Cor. isso seria fútil. e esse fator enfraquece consideravelmente o ponto de vista de que a pas- sagem se refira a um casamento espiritual. Hurd.117 No caso do jovem ter dificuldade em se controlar. p. Mas se o jovem tem o dom da continência e não se casa com sua virgem. John C. Paulo assegura ao homem que ao fazer isso ele não 116. p. Por que um pai estaria preocupado quanto a dar sua filha vir- gem em casamento se ela já passou da idade casadoura? Na verdade. Mas as pressões físicas es- tão se tornando fortes demais para o rapaz. ConcThMonth 30 (1959): 103-19. 176-89. o verbo gamizo tem uma conotação causativa que signifi- ca: “Eu faço com que se casem”.36-38 359 saria enfatizar que o pai determinou “conservar sua própria virgem”. 118. 2-5) deve ser considerada quando examinamos a visão do casamento espiritual. observa com perspicácia que “a tradução causativa de gamizo nunca teria sido questionada” se a passagem inteira estivesse livre de dificuldades. 9). sua virgem pode não conseguir fazê-lo. diz Paulo. 174. Mas não se sabe se esse verbo é sempre causativo. 7. E. Ver. por exemplo. c. RevExp 80 (1983): 351-62. Garband. Não há evidência dessa prática em meados do século I. Um rapaz está noivo de uma jovem. The First Epistle to the Corinthians. Jr. série New Testament Message (Wilmington. 1979). .

119 e. ela está livre para se casar com quem quiser. em minha opinião. Das três interpretações.38 e`autou/ – o pronome reflexivo perdeu sua força e é o mesmo que auvtou/ (sua própria). mas agora ele usa a partícula evan. ele não disse nada sobre essa categoria de pessoas. 144. Mas se o marido morre. w[ste – essa é uma partícula inferencial que significa “e então. eu sou a favor da última. separação. Palavras. difi- culdades cercam a terceira explicação. porque nossa tendência é interpre- tar o texto dentro de nossa própria cultura e época. 39.36-38 Versículo 36 eiv de. O sujeito é o mesmo que o da cláusula anterior: “alguém”. Versículos 37. vir- gens e noivados. Votos de Casamento 7. seguida pelo subjuntivo h=| do verbo ser. Se a pessoa é capaz de se controlar e decide postergar o casamento. . p. Paulo aprova sua decisão. h=| – dentro da sentença condicional. Portanto.39.40 Paulo já discutiu os assuntos casamento. Porque a mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. ele dedica dois breves versículos às viúvas. evan. Paulo coloca uma segunda condição. 40. Idiom-Book. tij)))nomi. Mas à parte de ter mencionado a palavra viúvas uma vez (v.zei – a partícula eiv seguida do verbo no indicativo parece mostrar que Paulo está familiarizado com a situação: “se alguém pensa”. E penso que tenho o Espírito de Deus nisso. Não obstante. 119. divórcio. o melhor é não sermos dogmáticos. Ela será mais feliz permane- cendo como está. Com respeito às nume- rosas incertezas que envolvem essa passagem em particular.39. 8). Expressões e Construções em Grego em 7. 40 está pecando. mas somente no Senhor. em seus comentários finais sobre o casamento.360 1 CORÍNTIOS 7. de acordo com isto”. Moule.

em minha opi- nião. “Ela será mais feliz permanecendo como está. 51. 40 361 a. Só a morte corretamente deixa o esposo livre dos laços do casamento que conserva juntos marido e mulher. 121. Comparar. “Was las Tertullian 1 Kor 7.122 Mas Paulo afirma que a viúva está livre para casar.39?” ZNW 77 (1986): 284–87. 20. No casamento. NKJV). conforme Paulo notou antes (vs. ela está livre para se casar com quem quiser. 15. contudo.”120 Dadas em contexto diferente. segundo as palavras de Jesus (ver v. 10. às de Romanos 7. 1 Tessalo- nicenses 4. nas epístolas de Paulo.2. Mas a inserção parece ser influenciada pelo texto paralelo (Rm 7.” Paulo apela para o uso de um eufe- mismo dizendo: “se o marido dormir”.2). os laços são igualmente válidos para o homem enquanto sua esposa está viva. a profetiza Ana (Lc 2. solidão e dificuldades aparecem para a viúva. O Texto Majoritário tem a adição por lei depois do verbo ligada (ver KJV.36. com1 Coríntios 11. Tertuliano. enquanto ele vive. mas em vez disso discute o possível novo casamento da viúva. 10-11).14). “Mas se o marido morre. marido e mulher devem ser um no Senhor. um eminente líder aconselhou as viúvas a não se casarem de novo. Bauer. por inferência. O divórcio é contrário ao mandamento do Senhor. “Porque a mulher está ligada ao marido enquanto ele viver.39.” Esse conselho parece sugerir que a mulher não casada fica num estado de espírito mais feliz do que aquela que está casada. Manuscritos que são tanto primitivos como de ampla distribuição geográfica não têm a inserção. Johannes B. Por exemplo. 122.13-15. Acrescentando essa condição. 1 CORÍNTIOS 7. Nos séculos II e III. mas se o mesmo morrer.121 Ele não coloca restrição ne- nhuma sobre a viúva. . com apenas uma exigência: o futuro marido deve ser um crente. desobrigada ficará da lei conjugal”.6. O compromisso ao casamento não é para o momento e sim para a vida toda. Mas algumas viú- vas escolheram não se casar. b.6). mas somente no Senhor. c. por exemplo.37). a mulher casada está ligada pela lei ao marido. as palavras desse versículo são seme- lhantes. Ali Paulo fala sobre a lei e diz: “Por lei. Aqui Paulo declara que os laços do matrimônio são válidos para a esposa enquanto seu marido está vivo. Mas quan- do momentos de tristeza. o fato é que em outro lugar ele aconselha as viúvas jovens a se casarem novamente (1Tm 5.30. 120. Paulo nota que um cristão tem um modo de vida diametralmente oposto àquele do não crente. como. chamando isso de adultério. Ele não tem necessidade de se repetir. 18. Mt 19.

124 No entanto. As- sim repete a fraseologia do versículo 25. em que se dirigia às virgens. um segundo casa- mento significa entrar na família de outro homem. 769. Tem o respaldo da influência do Espírito de Deus. mas ao mesmo tempo revela que em dar sua opinião ele possui o Espírito de Deus. ela ficará mais contente do que se casasse e encontrasse proble- mas. ele estabelece uma conexão com seus leitores e obtém o respeito deles. New Testament Theology.362 1 CORÍNTIOS 7 a felicidade é um sonho fugidio. “Epistolary Uses of Expressions of Self-Confidence”. Fazendo assim. JBL 103 (1984): 585-97. por causa da imoralidade. Na opi- nião de Paulo. Por causa de sua postura e auto-segurança. o que pode causar dificuldades inesperadas e evitar que ela tenha uma vida feliz. Olson. negligenciando a intimidade marital. Guthrie. a viúva será bem avisada de ficar como está. seu conselho é mais do que uma opinião pesso- al. Paulo suaviza o que diz com as palavras em minha opinião.” Paulo fala com autoridade apostólica. “E penso que tenho o Espírito de Deus nisso. E. Mas quando oferece sua própria opinião. marido e mulher não devem privar-se um ao outro. inversamente. d. contanto que tenham o dom da continência. um homem deve ter uma esposa e uma esposa deve ter um marido. Ele reage dizendo que. mas depois desse período devem reassumir as relações normais. Stanley N. Reconhecem sua compe- tência e confiabilidade e afirmam sua autoridade e credibilidade. e em suas epístolas expressa sua confiança em si por causa do poder do Espírito Santo que nele habita. Aqueles que não são casados e são viúvos devem permanecer no estado em que estão. ele afirma confiança interior. No casamento. Se 123. p. mesmo experi- mentando o poder do Espírito Santo.123 Quando Paulo tem uma ordem direta do Senhor. . Os casais que desejam dedicar tempo à oração poderão se abster de atividade sexual. Resumo do Capítulo 7 Paulo toma em mãos a carta que recebeu dos coríntios e cita uma sentença que advoga o celibato. ele deixa de insistir em confor- mismo. Em numerosos lugares no decorrer de todas as cartas. ele espera dos crentes a obediência. Ele dá seu conselho às viúvas. 124.

Paulo faz essa regra para todas as igrejas. e declara que casar-se não é pecado. . Se um homem é incapaz de controlar-se com respeito à sua virgem. Paulo nota que indivíduos não casados têm mais tempo para dedi- car ao serviço do Senhor do que aqueles que são casados e precisam prover às necessidades da família. 1 CORÍNTIOS 7 363 esse não for o caso. Todas as pessoas devem se contentar com a situação de vida na qual Deus as colocou. Com um mandamento do Senhor. Se um homem consegue controlar seu dese- jo e decide não se casar. Ele insiste para que todos vivam para o Senhor sem distrações. mas a aconselha a continuar não casada e a desfrutar felicidade. Paulo fala contra o divórcio. Outro segmento da discussão de Paulo sobre o casamento diz res- peito às virgens. Ele relaciona o ser solteiro e o casamento à crise da- queles dias. devem casar-se. porque a época em que vi- vem é abreviada. E observa que o mundo na forma em que o conhecem está passando. Paulo conclui seu discurso sobre o casamento referindo-se aos votos de casamento que são para a vida toda e só findam com a morte de um dos cônjuges. os casais devem permanecer juntos e não considerar a separação. Ele diz a todos os que se casam para esperar muitas dificuldades. Ele afirma que a viúva está livre para casar-se novamente no Senhor. Se o incrédulo sai por vontade própria. a esposa não fica mais presa aos seus votos de casamento. Paulo aconselha que se case e declara que o homem não está pecando. Mesmo nas famílias em que um dos côn- juges é crente e o outro um incrédulo. Ele apresenta ilustrações da circuncisão e da incircuncisão. da escravidão e da liberdade. mas é aconselhada a viver em paz. ele está fazendo a coisa certa.

364 .

1-13) . 365 8 Comida Oferecida a Ídolos (8.

Unidade 8.8 3.1-3 1.366 ESBOÇO (continuação) 8.1-13 B.9-13 4. Consciência 8.4-6 2. Conhecimento 8. Comida Oferecida a Ídolos 8.7. Pecado .

nem todos têm este conhecimento. Mas cuide que esse direito seu não se torne um empecilho para aqueles que são fracos. O conhecimento envaidece. e para quem nós vivemos. então. contudo. “Mas a comida não nos aproximará de Deus. algumas pessoas comem comida como se fosse oferecida a ídolos. 367 CAPÍTULO 8 8 1. de quem são todas as coisas. Entretanto. Agora quanto à comida oferecida a ídolos. será que a consciência de alguém que é fraco não tomará coragem para comer comida oferecida a ídolos? 11. Pois mesmo se existam os pretensos deuses. . 4. 8. p. 1. Com respeito a comer o alimento oferecido a ídolos. Mas se alguém ama a Deus. mas o amor edifica. comendo no templo de um ídolo. Nós nem estamos perdendo algo se não comermos. 6. 12. Assim vocês pecam contra Cristo ao pecar contra seus irmãos e ao ferir a cons- ciência fraca deles. nem ganhando algo se comermos”. 9.1 e que “não existe Deus senão um só”. Por- que o irmão fraco por quem Cristo morreu é destruído pelo seu conhecimento. Por estarem acostumados com o ídolo até agora. 3. Portanto. sabemos que “todos nós temos conhecimento”. Se alguém supõe que sabe alguma coisa. que tem conhecimento. 13. não sabe ainda como deve saber. 7. sendo fraca. 2. Bauer. eu nunca mais comerei carne para que eu não faça com que meu irmão tropece. e um Senhor Jesus Cristo. 10. nós sabemos que “não existe tal coisa como um ídolo neste mundo”. para nós há um Deus o Pai. 5. como na verdade há muitos deuses e muitos senhores. por meio de quem são todas as coisas e por meio de quem nós vivemos. 446. quer no céu ou na terra. ele é conhecido por Deus. é contaminada. se a comida faz com que meu irmão tropece e caia em pecado. E sua consciência. Pois se alguém vir você.

25. A família convidava amigos e parentes.1. . Um partido podia dizer ao outro partido: “Não exagere quan- to à justiça”. Outras vezes. “Agora quanto à comida oferecida a ídolos. os sacrifícios pagãos eram atos religiosos que envolviam a família.7). O conhecimento envaidece. mortos e ofe- recidos aos deuses. Os cristãos então compravam a carne e consumiam-na em casa.23)? A consciência de alguns crentes estava despreocupada enquanto a de outros estava pesa- da (8.368 1 CORÍNTIOS 8. A expressão “a comida oferecida a ídolos” é um lembrete direto das instruções do Concílio de Jerusalém aos cristãos gentios: abster-se do alimento ofer- tado a ídolos (At 15.17). Certas partes eram queimadas no altar. Conhecimento 8. entre os quais havia cristãos. l. os cristãos gentios estavam debatendo se a proibição era abrangente ou flexível. Estavam livres para ir a festas desse tipo? Podiam se diver- tir em nome da liberdade cristã? (ver 6. Paulo se volta à próxima pergunta da carta que recebeu dos coríntios. Na época de Paulo. Por inferência. a carne consagrada era vendida nos mercados.1.1-3 1. outras par- tes eram tomadas pelo sacerdote. para uma festa. Alimento Oferecido a Ídolos 8. 21. Paulo agora vai para um tópico que é tanto ético como religioso: um cristão pode comer carne que foi oferecida a ídolos? A questão tem que ver com a vida doméstica e social de numerosas famílias cristãs que têm de tomar decisões quanto a comer ou não com amigos gentios. 10. 25. Ap 2.1-13 Depois de discutir a questão ética do casamento no capítulo anteri- or.14. mas o amor edifica.29. Animais eram levados ao sacerdote. sabemos que “nós todos temos conhecimento”.12.” Com as primeiras duas palavras desse texto (ver 7. Agora quanto à comida oferecida a ídolos. 16. e o segundo partido podia replicar: “Não exagere quanto à perversidade ” (Ec 7. Os membros da igreja coríntia se viam diante da dúvida de saber se deveriam comer carne que tinha sido consagrada a um ídolo num tem- plo pagão.1. 12.1 B.16. e o resto da refeição consagrada era devolvido à família que havia oferecido o animal como sacrifício.20). 12).

2).2.1 369 Imaginamos que os cristãos judeus consumiam só alimento kosher. 6). b. Observe que eles não dizem: “Nós temos conhecimento”.16. 6. Paulo tem algo a lhes dizer.2 Ao longo de toda essa epístola.4). 1.. Paulo já havia falado sobre o conhecimento. e que o Senhor único é Jesus Cristo (v. 3. por ex.14-33). sabiam que esse Deus único é Pai. O amor nunca é arrogante (13. 1987). c. 1 CORÍNTIOS 8. 13.16. 10. Por inferência. The First Epistle to the Corinthians. 8. 365. “O conhecimento envaidece.3 Ainda que Paulo deixe de explicar o termo sabedoria. que se sentia perdido quanto a saber como proceder.23-11. Paulo emprega repetidamente o verbo saber em seu de- bate com os coríntios (ver.” Os estudiosos estão de acordo sobre a última parte dessa sentença ser uma citação tirada da carta que os coríntios enviaram a Paulo. Gordon D. 11. 3. no qual tinha louvado os leitores por possuírem esse tesou- ro (1. E depois havia também o irmão de consciência fraca (vs. Os cris- tãos em Corinto tinham estado se gabando sobre seu saber.5). série New Interna- tional Commentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. Fee. RB85 (1978): 545. REB). Mas agora ele sugere que o conhecimento leva à arrogância. e as versões (GNB. NRSV.1)”. Jerome Murphy-O’Connor. No entanto. Portanto.11- 14). 2. 4). Em suma.” Num contex- to anterior. Por exemplo. sobriamente. Paulo lembra a eles. 3. dedi- ca tempo e esforço à questão sensível da liberdade cristã em relação ao alimento comido num ambiente judaico-gentílico (10. Os coríntios criam que os ídolos todos nada eram e que Deus é um só (v. a essa altura de sua epístola. E Paulo.1. deduzimos alguns fatos pelo contexto. 4). o conheci- mento que se subordina ao amor torna-se útil. O conhecimento sem o amor envaidece. Ele só consegue edificar sua vida espiritual sobre o funda- mento do amor. mas sempre construtivo. Um cristão deve começar com amor. . que nem todos sabiam disso (v. mas o amor edifica. p. Em vez disso. se os co- ríntios exaltam o conhecimento. a ques- tão da comida que havia sido oferecida a ídolos era debatida calorosa- mente na igreja de Corinto. “Sabemos que ‘nós todos temos conhecimento’. 7-13). 7). que deve estar ausente de um estilo de vida cristão (v.1-13. “Freedom of the Ghetto (1Co 8. mas tinham liberdade para comer junto com cristãos gentios (Gl 2. afir- mam que todos os cristãos da comunidade coríntia e de outras partes têm conhecimento.

Por si só o conhecimento sempre é limitado quanto à esfera de ação. Paulo continua a sua resposta à carta que rece- beu dos coríntios. Qual é. Preci- sam reconhecer que todo conhecimento é derivado e vem de Deus por meio de Cristo. . a integri- dade e a obediência em ação. então. Todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento de Deus estão guardados em Cristo (Cl 2. portanto. João Calvino. ver também Gl 6.3). que ba- seia o conhecimento em amor. Mas em outra parte dessa epístola. porque é incompleto e imperfeito (13. a humildade. 1976). Mas Paulo nada quer ter com essa atitude soberba. Sendo assim. 3 2. 3. John W. Conhecimento. Mas se alguém ama Deus. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians.2. Grand Rapids: Eerdmans. Um crente reconhece suas limitações quando ele confessa que só Deus tem conhecimento e sabedoria infini- tos.3). não sabe ainda como deve saber.8-10). O resultado é que essa pessoa acha que sabe tudo. um verbo que revela a atitude soberba do coríntio que glorifica o conheci- mento. Se alguém supõe que ele sabe alguma coisa. Paulo nota que o conheci- mento passa. ele é conhecido por Deus. Ele reage à atitude de um membro da igreja que supõe que o conhecimento seja tudo. Na primeira cláusula. por. Paulo já disse aos coríntios que “se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era. série Calvin’s Commentaries.18. deve tornar- se ‘louco’ para que se torne sábio” (3. ele indica que a pessoa que imagina pos- suir conhecimento já o acumulou e o aperfeiçoou por algum tempo. Fraser (reedição.370 1 CORÍNTIOS 8. dizendo: “ele ainda não sabe o que deve saber”.4 Podemos reconhecer esse conhecimento quando vemos na vida de uma pessoa a graça. Conhecimento sozinho não é errado. Paulo usa o verbo conhecer no tempo perfei- to. Observamos estes dois pontos: a. trad. tem uma dimensão espiritual relacionada com Deus. ele lhe dá um basta. na 4. Paulo insiste com os coríntios para que reexaminem sua visão do conhecimento e compreendam o que devem saber. O verdadeiro conhecimento. ao alcance e à profundidade. A ênfase está no verbo supõe. 172. Com esse tempo verbal. o começo do verdadeiro conhecimento? João Calvi- no observa que o fundamento do verdadeiro conhecimento é o conhe- cimento pessoal de Deus. p.

2). Primeiro. 1 CORÍNTIOS 8. e não uma conquista. que ama a Deus. St.Paul’s First Epistle to the Corinthians. Amor. 1Jo 4. 367-68.1. Grand Rapids: Eerdmans. e sim Deus. G. Paulo tinha de enfatizar a verdade bíblica que Deus mostrou a seu povo (comparar Êx 33. ele é essencial à vida. com sua ênfase no conhecimento. G. . Mas o crente. G. Aqui Paulo liga os dois conceitos e dá a entender que o ingrediente essencial do conhecimento é o amor. E. o conhecimento deixa de ter sentido. 1961). Findlay. ela engana a si mesma e fracassa to- talmente. Mas quando uma pessoa deixa de ligar o conhecimento ao amor divino.12. contrasta com a essência do versículo 2. 840. falta-lhe o apoio dos tradutores.” O conhecimento humano é temporal.19). a mensagem do versículo 3. o grego emprega o tempo per- feito para o verbo passivo – é conhecido – para dar a entender que o ato de conhecer ocorreu no passado mas tem evidente resultado no presente. quando as pessoas buscavam se tornar membros de igre- jas. em se- gundo lugar. G. Considerações Práticas em 8. Sem o amor verdadeiro. Do século VI ao século XIV a instrução na fé cristã era dada princi- palmente no círculo familiar. Isso não quer dizer que por causa do amor da pessoa por Deus ela receba reconhecimento divino. 5.5 Na verdade. Robertson Nicoll. por W. Essas verdades eram os ensinos elementares de Cristo (Hb 6. Embora Fee opte por uma leitura abreviada do texto e um sentido diferente. O ini- ciador não é o ser humano. ele é conhecido por Deus. Findlay nos dá um resumo original. compreende plena- mente que ele é conhecido por Deus. com sua ênfase no amor. contudo característico: “Paulo nada atribuiria à aquisição hu- mana. reedição. vols. pp. First Corinthians.9. org. 3 de The Expositor’s Greek Testament. b. (1910. p. uma dádiva. a religião é uma concessão. a última parte do versículo 3 é um pequeno desvio que Paulo faz de sua intenção de falar sobre comida oferecida a ídolos. No entanto. nosso amor ou conhecimento é o reflexo do amor e do conhecimento divino direcionados a nós”.1-3 No século I. e em anos posteriores isso incluía tanto o Credo Apostólico como a Oração do Se- nhor. 17.1-3 371 verdade. mas o amor divino é eterno. Gl 4. Duas observações finais a respeito desse segmento. no Vol. “Mas se alguém ama a Deus. elas eram batizadas e instruídas nas verdades do Cristianismo. 5.

Bib 61 (1980): 172-97. Em tempos recentes. Consultar Gordon D.372 1 CORÍNTIOS 8. o problema que a Igreja enfrenta não é uma falta de amor. (carne sacrificada a uma divindade) aparece em 10.28. Na Inglaterra. Significa carne sacrificada a um ídolo e/ou comida em festas ou então vendida no mercado. vem do substantivo ei. À parte do Credo Apostólico.1-3 A Reforma sentiu a necessidade de redigir inúmeros catecismos. os teólogos de Westminster compuseram seus catecismos breve e maior. Fee. da Holanda e da América do Norte.quto. da oração do pai-nosso e dos Dez Mandamentos. mas ao homem. a necessidade da Igreja nesta hora é instrução sólida nas verdades da Palavra de Deus.w (eu sacrifi- co). i`ero. tornou-se um guia de instrução padrão nas igrejas reformadas da Alema- nha. Ao longo dos séculos que se seguiram à Reforma. Martinho Lutero escreveu seus catecismos maior e menor para ins- truir o povo que desconhecia os ensinos básicos do Cristianismo. o conhecimento foi glorificado. Expressões e Construções em Grego em 8. é antes uma ignorância da Bíblia. “Eidolothyta Once Again: An Interpretation of 1Corinthians 8-10”. O problema dos membros da Igreja não é arrogância intelectual.1-3 Versículo 1 eivdwloqu.n. Por vezes a instrução tornou-se um exercício intelectual divorcia- do da fé e do amor genuínos. Esses recursos educacionais foram preparados para in- culcar a fé cristã especialmente no coração e na mentes dos filhos de cren- tes e interessados. A rica herança dos anos passados não é mais passada de geração em geração. Em 1529. contudo. Alguns estudiosos vêem uma liga- 6.dwlon (ídolo) e do verbo qu. neutro plural no genitivo. E. Palavras. e sim uma falta de conhecimento. o substantivo conhecimento é uma qualidade atribuída não a Deus. os instrutores dos catecismos têm sido instrumentais na propagação de conhecimentos bí- blicos. em 1545 e 1647. com o inevitável resultado de haver estagnação eclesiástica. João Calvino compôs um catecismo em 1536 e instruía o povo de Genebra diligentemente semana após semana. em conseqüência. muitos membros da Igreja pouco sabem do conteúdo da Bíblia. de 1563. respectivamente. . Por causa do analfabetismo bíblico.twn – esse adjetivo verbal substantivado. h` gnw/sij – neste texto. O Catecismo de Heidelberg.6 Seu sinônimo.

trad. 225-37. então. a. “Consciousness and Freedom among the Corinthians: 1 Corinthians 8-10”. Hans Conzelmann. e. trad. por James W. Leitch.3 evgnwke. Gnosticism in Corinth: An Investigation of the Letters to the Corinthians.gnw – o tempo aoristo desse verbo é incoativo (“ele começou a sa- ber”) e é qualificado pela negativa ainda não. Muitos dos membros tinham raízes no paga- nismo e precisavam que Paulo os guiasse para saberem como lidar com a questão de comer comida sacrificial advinda de um templo pagão. “Com respeito a comer o alimento oferecido a ídolos. NTS 27 (1981): 32-51. perto do final do século I.4 373 ção entre a situação em Corinto e o movimento gnóstico do século II. por John E. ver Walter Schmithals. Steeley (NovaYork: Abingdon. o gnosticismo ainda estava no estágio de nascimento. 1 CORÍNTIOS 8. Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (Filadélfia: Fortress. mas sim passiva: “ele é conhecido [por Deus]”.28-30). 1 Corinthians. MacRae.1975). A Commentary on the First Epistle to the Corinthi- ans. os estágios iniciais do gnosticismo se espalhavam aqui e ali. Entre os estu- diosos que atribuem o Gnosticismo a alguns coríntios. org. R. 1971): pp. Com respeito a comer o alimento oferecido a ídolos.” Nessa passagem.skw (eu sei) denota uma ação no passado. Como refletem as epístolas de João. Este problema é tanto irritante para os leitores como é complexo para Paulo.7 Versículos 2. 2. e que “não existe Deus senão um só”. 15. que tinha de dar respostas a uma comunidade cristã de consti- tuição dividida e variada.4-6 4. A. nós sabemos que “não existe tal coisa como um ídolo neste mun- do”. a heresia gnóstica entrou na Igreja. Paulo retoma o assunto que introduziu antes (v.gnwstai – a voz passiva média desse verbo no tempo perfeito não é média. e “Gnosis in Corin- th: 1 Corinthians 8. Mas tudo o que podemos dizer com certeza é que em meados do século I. 1) e mais uma vez fala sobre a questão do alimento oferecido aos ídolos. 7.1-6”. O verbo é sinôni- mo dos verbos chamado e escolhido por Deus (Rm 8. por George W.nai – o infinitivo perfeito ativo de ginw. . 140. pp. Horsley. com efeito duradouro no presente. Unidade 8. então. CNQ 40 (1978): 574-89. Mas no tempo de Paulo. e.

argumentam os coríntios. é o único Se- nhor” (Dt 6. Israel. p. e quantos neles confiam.4. Suas mãos não apalpam. têm olhos. mas não o recitava todas as manhãs e nos finais da tarde. seus pés não andam. 135:15-18] c. Isso é resumido no credo hebraico: “Ouve. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem. dizem: nenhum ídolo existe na realidade.8. 45. “E que ‘não existe Deus senão um só’. nosso Deus. a palavra mundo seria relacionada à “qualidade de ser criada” e serviria como substituto por “exis- tência”.” Essa última parte do versículo é tirada também da carta que os coríntios haviam mandado a Paulo.10. têm ouvidos e não ouvem têm nariz e não cheiram. Is 44.4 b.374 1 CORÍNTIOS 8.12-20). Se não há ídolos ver- dadeiros. eles estão livres para comer da carne 8. . 115. Têm boca e não falam. mas somente objetos inanimados feitos de madeira. [Sl. No contexto judeu-cristão. e aqui diz: “Nós sabemos”. o Senhor. Ela ecoa o ensino bíblico de que só há um Deus. Paulo repete uma verdade espiritual que os coríntios aprenderam das Escrituras e que agora aparece na carta: um ídolo é nada (Is 44. O salmista desconhecido compara o Deus de Israel aos ídolos das nações e afirma: Prata e ouro são os ídolos deles. pedra ou metal. “Um ídolo não é nada no mundo”. Os judeus recitavam esse credo duas vezes ao dia. pela manhã e ao fim da tarde. Consultar Murphy-O’Connor. e não vêem. A Igreja Cristã herdou esse credo dos judeus. “Sabemos que ‘não existe tal coisa como um ídolo neste mundo’. Literalmente.”8 Outra vez Paulo cita palavras da carta que os coríntios lhe enviaram. 546. por essa razão. ver Sl 86. Muitas versões escolhem uma forma desse substituto. “Freedom of the Ghetto”. obra das mãos dos homens.4-8.5). 1). Os coríntios confessam sua crença de que Deus é um. Ele apresenta a sentença com a mesma frase usada antes (v. som nenhum lhes sai da garganta.

de quem são todas as coisas. trad.9. e para quem vivemos. ele efetivamente põe em dúvida a realidade desses ‘deuses’. Ele permite que os gentios empreguem sua escolha de palavras quando dizem que há deuses no céu e na terra. são sem autentici- dade. Como os salmistas. 96. Ver Bruce W. Salmo 82. Pois mesmo se existem os pretensos deuses. porque Deus reina supremo no céu e na terra. 97.11). Paulo repudia os deuses que os gentios cultuam.4.30. Eles não conseguem reivindicar divindade. Vincent. estavam na terra e estavam no mar. Sata- nás não é e nunca será divino. 11.1..1.7. 5. 138. por meio de quem são todas as coisas e por meio de quem nós vivemos.11 A expressão senhores provavelmente significa seres de um nível inferior que eram vistos como subordinados aos deuses propriamente ditos. Ver John Albert Bengel. a quem Jesus chamou de príncipe deste mundo (Jo 12. 168.9 Consideram a liberdade que têm de comer este alimento no contexto da liberdade cristã. ao inserir a palavra preten- sos. para nós há um Deus o Pai. Mas. por exemplo. Os gentios adoravam numerosos deuses e senhores.5. Lewis e Marvin R. Isso se deve à estrutura poética do versículo 6 e à falta de uma transição fluente entre os dois versículos.3. No versí- culo 6 ele começa outra sentença. 1 CORÍNTIOS 8. e um Senhor Jesus Cristo. Bengel’s New Testament Commentary. . (Grand Rapids: Kregel. 95.2 (1990): 209-26. 1981). quer no céu ou na terra. Ver.10 Ele observa que esses deuses existem apenas em nome. 136. contudo. 6. Ainda que pessoas adorem Satanás. TynB 41. 6 375 que foi dedicada a tais ídolos. por Charlton T. 6. 10. Prestaram ho- menagem a deuses que viviam no céu. 14. O que Paulo está dizendo quando afirma que há pretensos deuses no céu ou na terra? Será que ele não está contradizendo a confissão anterior dos coríntios de que há somente um Deus? De modo nenhum. Winter. como na verdade há muitos deuses e muitos senhores. “Theological and Ethical Responses to Religious Pluralism –1 Corintians 8-10”. 16. Paulo escreve a primeira parte de uma oração concessiva nesse versículo. 9. mas ele não chega a terminá-la gramaticalmente.31. p. 2 vols.

Mas em suas epístolas.2.7. ver 15. ZNW69 (1978).9). Por exemplo. Os após- tolos.4. Paulo formula afirmações doutriná- rias sobre a ressurreição dos mortos (por ex. Nos Evangelhos e mesmo em Atos (1.6. p. p. Quando ele se refere a Deus. 8. Ela corresponde ao seu discurso no Areópago: “somos descendência dele” (At 17.4. “De quem são todas as coisas. Por exemplo.33. 168. Archibald Robertson e Alfred Plum- mer. diz Paulo. ver Fee.6”. e por essa razão não podemos descartar a pos- sível autoria paulina.13 Será que Paulo escreveu essas palavras. Ver também Malaquias 2. Jerome Murphy-O’Connor.2. R.14 Com o termo Pai. A. Paul to the Corinthi- ans. 17. 130-35. ele usa repetidamente esse nome. b. 13. E ele frisa seu ensino de que todas as coisas vieram de Deus.10. 12.376 1 CORÍNTIOS 8. International Critical Commentary.. 42-44). Romanos 1. 8. 2ª ed. assim como vivemos para ele (Rm 11. semelhantemente.36). A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St.7-10). 1 Pedro1.” O contraste que Paulo apresenta é entre os pretensos deuses e o único Deus e Pai. 6. Os gentios colocavam seus deuses no céu. é um só Deus que não está confinado a um local. “Contudo.6. First Corinthians. Alguns dizem que Paulo é o autor. Mas nosso Deus. “The Background of the Confessional in Cor. 15.15-17. Para ilustrar.6 Os estudiosos debatem se Paulo compôs esses versículos. porque aparecem aqui na forma de uma afirmação de credo.2. 14.1975). Paulo demonstra a capacidade de compor princípios doutrinários. e para quem vivemos. Atos 2. 1 João 1. Horsley. Efésios 1.15.28). “1 Cor. reedição.” Quando Paulo se dirige a gentios tanto em Listra como em Atenas. na terra ou no mar. Paulo sugere o conceito de família e indica que nós somos filhos de Deus. Por exemplo. notam que Deus é Pai tanto de Jesus como dos crentes. ou será que citou palavras de uma fórmula confessional que era corrente em comu- nidades judaico-helenistas da Igreja Cristã? A evidência não é conclu- siva. 374. Edimburgo: Clark.12 enquanto outros defendem que ele tomou a declara- ção emprestada.6: Cosmology or Soteriology”.12-18. RB 85 (1978): 253-67. 8. (1911. Apocalipse 1. Jesus ensina os discí- pulos a dirigirem-se a Deus como Pai (Mt 6. mas está em toda parte (comparar com Sl 139. Deus e o Pai são um. Paulo fornece doutrina instrutiva para os cristãos coríntios.24-31). 7). ele ensina que Deus criou este mundo (ver At 14. . para nós há um Deus o Pai. a.

e em sua sim- plicidade elas transmitem verdades espirituais profundas que fortale- cem a fé do cristão. Testemunhas mais fortes e mais am- plamente representativas não incluem essa palavra. Em poucas linhas curtas e paralelas. Assim. contudo. A cláusula é concessiva. cria- ção e salvação. Cristo nos criou e nos redimiu. “E por meio de quem nós vivemos. o Senhor Jesus Cristo.” Dessas frases.16. A partícula per é intensiva e enclítica. Hb 1. não temos difi- culdade em ver que eram facilmente aprendidas. Por inferência. O paralelismo é realmente forte. mas não de Deus. a última par- te relaciona-se à redenção que Cristo nos deu. Essas duas palavras gregas também ocorrem no relato de Paulo sobre a criação do universo por Cristo (Cl 1. Paulo retoma sua discus- são. O Texto Majoritário. “E um Senhor Jesus Cristo. c.3. th/j – com a repetição de peri. comparar com Jo 1. Palavras.3). por isso a maioria dos estudiosos não a inclui. 1 CORÍNTIOS 8. kaiv)))ei. de modo que nós vivemos por meio dele. Ao mesmo tempo.” Observe que Paulo chama Jesus de Senhor. Aqui Paulo pisa de leve. motivado pela pergunta dos coríntios sobre alimento oferecido a ídolos. Con- tudo. d. para que não seja acu- sado de contradizer sua declaração anterior de que Deus é um só. as palavras todas as coisas significam a totalidade de sua criação. Deus o Pai criou todas as coisas por seu Filho. por meio de quem são todas as coi- sas. ele dá a entender que Jesus é divino por causa da obra da criação e redenção. refletido em pelo menos três traduções (KJV. Cristo.4-6 Versículos 4-5 peri. Paulo ensina as doutrinas sobre Deus. Nós devemos nossa existência a Deus o Pai e por isso vivemos para ele. nós supomos que essas doutrinas eram conhecidas pelos coríntios. ele ensina a divindade e a eternidade de Jesus ao declarar que todas as coisas na criação vieram a existir por meio de Jesus Cristo. Expressões e Construções em Grego em 8. “a verdade da sentença principal é afir- . 1). Supondo que Paulo tenha composto essas linhas. insere a palavra e[teroj (outro).per – “mesmo se”. (ver v. NKJV. memorizadas e adota- das pelos leitores dele. NJB).4-6 377 Em grego.

nta – o artigo definido fortalece o adjetivo para tornar o concei- to totalmente abrangente.17]). Fortunato e Acaico [16. e a criação. 1985). A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman. algumas pessoas comem comi- da como se fosse oferecida a ídolos. T. 1026. Revela que nem todo crente de Corinto tinha pleno conhecimento das doutrinas que Paulo acabava de expor. Calif. E sua consciência. pa. pp. a preposi- ção significa agência. Embora tenha escri- to que no geral todos eles têm conhecimento (v.: Scholars. 16. b. Paulo tem em mente aqueles cristãos que tinham vindo há pouco tempo do paganismo e cuja fé no Senhor era fraca por causa da ignorância. “Entretanto. A. série SBL Dissertation 68 (Chico. nem todos têm este conhecimento.7 mada fortemente em face dessa única objeção”. Versículo 6 evx ou. Por estarem acostumados com o ídolo até agora. Paulo é responsável pela totalidade de membros da igreja.(por meio de quem). mas o pronome se refere a Cristo.– a preposição denota origem. Agora ele fala às necessidades deles. 88. é contaminada. sendo fraca.378 1 CORÍNTIOS 8. Entretanto. Robertson. Como pastor e professor. ele agora afirma que os cristãos fracos não têm conhecimento particular. p.8 7. ta. Cristo. sobre Deus. Ver Idol Meat in Corinth: the Pauline Argument in 1 Corinthians 8 and10. mas o pronome relativo se refere a Deus. 3. “Por estarem acostumados com o ídolo até agora. algumas pes- soas comem comida como se fosse oferecida a ídolos.” Essa sentença 15. 1934).7.16 Presumimos que Paulo soube da falta de conhecimento de alguns dos crentes por informação da delegação coríntia (Estéfanas. a. . 1). nem todos têm este conhecimento. nós não estamos persuadidos de que as palavras nós sabemos pertencem à citação. “de quem”. Wendell Lee Willis afirma que as palavras nós sabemos do versículo 1a fazem parte de uma citação sobre a sabedoria que então faz contraste com o conhecimento do versículo 7.15 Paulo a coloca como sendo um caso extremo.” A primeira pa- lavra é uma adversativa forte. Consciência 8. Na combinação diV ou. Contudo. 68.

14). teria mostrado que alguns dos crentes fracos ainda estavam servindo aos deuses do paganismo. que Paulo minis- tra a essas pessoas. Eram como um ex-viciado que trava uma batalha interior cada vez que entra em contato com as drogas. Mas todas as vezes que os cristãos fracos entravam em contato com algo relacionado a um ídolo. 1 CORÍNTIOS 8. A associação que tive- ram com o ídolo até sua conversão permanece com eles no tempo pre- sente.” Os cristãos que eram espiritualmente fortes podiam declarar que o alimento que talvez tivesse vindo de um templo continua sendo comida comum.17 Mesmo que não mais adorassem os ídolos nem os servissem. NKJV. Paulo se refere ao ambiente pagão do qual os crentes tinham recentemente saí- do. amigos e conhecidos estavam liga- dos integralmente a um ídolo. a segunda é a mais difícil de explicar e. a preferida. A contradição desaparece quando percebemos que no grego Paulo emprega a palavra ídolos no singular. “Comem comida como se fosse oferecida a ídolos. todavia.16. 6. E esses costumes continuavam a ter uma influência conceitual sobre os cristãos fracos. É mostrando sua compreensão da situação difícil deles. mesmo depois de sua conversão.19). nesse versículo ele revela que os cristãos fracos de Corinto estão acostuma- dos com ídolos. Ele lhes diz que são templo de Deus e que o Espírito de Deus vive neles (3. portanto. Mais tarde nesse contexto ele as exorta a que prossigam em seus esforços para fugir da idolatria (10. Das duas leituras. Se ele tivesse usado o plural. estavam diante de um conflito. Os costumes de seus parentes. e assim revelando seu amor. c. Contudo.2). NJB e NAB com “consciente”) em lugar de costume. Algumas traduções refletem o Texto Majoritário. Os crentes que eram fortes diziam que os ídolos nada eram senão madeira e pedra. Mas agora ele trata do problema que esses irmãos têm para comer a comida que foi ofertada a ídolos. ainda não estavam libertos da influência de seu próprio passado. mas aqueles que eram espiritualmente fracos eram incapazes de dizer as- 17. Ele sabe que no convívio com os gentios elas não adoram mais os ídolos. Paulo reconhece os problemas espiri- tuais que os cristãos fracos estão enfrentando.7 379 quase parece estar fora de lugar se considerarmos que Paulo chama os coríntios de santificados e santos (1. . Com as palavras até agora. que tem a leitura consciência (KJV. Com o uso do singular.

Qual é o significado da mente de uma pessoa ser contaminada? Àque- les que são fracos faltam princípios definidos de conduta. Provavelmente já conheciam o decreto do Concílio de Jerusalém (At 15. ele ou ela tropeça desneces- sariamente em vários pontos no caminho da vida (vs. p. 10-12). pp. 28). 49. RSV. Consultar Paul D. as associações com as práticas do paganismo o faziam encolher-se quando comiam carne que provavelmente viera de um ani- mal sacrificado num templo. imediatamente nota- remos duas diferenças. A consciência de uma pessoa precisa ser bem informada para funcionar apropriadamente. 8.19 Falta a eles conhecimento e autoconfiança. Fisk. 7775-85. Claude A. NIDNTT. algumas traduções têm o futuro. Conscien- ce in the New Testament (Londres: SCM e Naperville. Nós nem esta- mos perdendo algo se não comermos nem ganhando algo se co- mermos”. 19. Se esse não for o caso. Colin Brown. “The Gifts of God and the Authentication of a Christian”. p. Pierce. Qualquer ligação com o paganismo tor- nava-se uma pedra de tropeço para os cristãos fracos. Gardner.” Paulo está des- crevendo a experiência subjetiva dos crentes fracos quando ele escre- ve sobre a consciência deles ser contaminada. Texto. Para eles. a. Sua consciência é fraca porque o conhecimento que eles têm de si próprios é deficiente em comparação com os irmãos na fé. “Eating Meat Offered to Idols: Corinthian Behavior and Pauline Response in 1 Corinthians 8-10. 1. dissertação de doutorado.27. pesa-lhes uma consciência que foi manchada de maneira semelhante. “E sua consciência. “Mas a comida não nos aproximará de Deus.: Allenson. Se comessem comida que tivesse vindo de um templo pagão. Quando co- mem carne que é poluída por idolatria. Cambridge University. . Se compararmos algumas traduções.s. considerariam que de alguma forma tinham participado da adoração de ídolos. d. “não aproximará” (por ex.29).. 352. eles se recusavam a consumir comida sacri- fical até mesmo em sua própria casa (ver 10. 18. sendo fraca. 1955). os fracos não conseguiam nem pensar em com- prar essa carne no mercado e prepará-la em casa.18 Embora se manti- vessem longe dos templos. vol.8 sim. 1989. Embora os fortes pudessem até entrar num templo e comer carne que tivesse sido sacrificada (v.380 1 CORÍNTIOS 8. Uma se trata do tempo verbal na primeira sen- tença. Consultar Bruce N. Ill.” TrinityJ 10 n. 10). é contaminada. (1989): 49-70.

e o estômago. Consultar a lista que John C. dizem os fortes. 8. Como o versículo seguinte (v. o presente versí- culo parece ter vindo dos próprios coríntios.8 381 NRSV. A outra diferença influencia a ordem das palavras na segunda sen- tença. Em outras palavras. NJB). nem bebida” (Rm 14. p. 377 n. A dúvida é se os coríntios estão preocupados quanto a se chegarem a Deus em adoração ou quanto aos efeitos do juízo final. Não sejam oprimidos por sentimento de culpa na consciên- cia. Fee suspeita que a ordem do negativo seguido pelo positivo seja a leitura mais difícil e. CBQ 41 (1979): 292-98. NKJV. “‘Mas comida não nos aproximará de Deus’. “os alimentos são para o estômago. 9) é definitivamente a resposta de Paulo. pois Deus não os responsabilizará no dia do juí- zo. Sentido. 6. “Food and Spiritual Gifts in 1 Cor. 1 CORÍNTIOS 8. NEB. Fee. Jr. Esse capítulo em particular apresenta algumas citações dos coríntios às quais Paulo responde. Jerome Murphy-O’Connor. esses coríntios estão dizendo aos irmãos e irmãs mais fracos que não se preocupem com as conseqüências quando comem alimento que pode ter sido oferecido a um ídolo.8”. Hurd.13) expressa o mesmo pensamento. Em outra epístola ele escreve: “Porque o reino de Deus não é comida. . portanto. 22. A negativa (“perdendo algo se não comermos”) antecede a posi- tiva (“ganhando se comermos”) ou será que a ordem deve ser inverti- da? Alguns tradutores começam com o positivo (KJV. REB) enquanto outras enfatizam o presente.: Mercer University Press. 21. NKJV. Ga. 1983). enquanto outros adotaram a ordem que nós preferimos.20 b.” A segunda parte da citação da carta escrita 20. que estudiosos explicam com relação ao dia do juízo. Phillips). 68. para os alimentos” (6. “não aproxima” (ver KJV.” O que os coríntios fortes estão dizendo é que o alimento em si não tem nenhum significado religioso. a original. Paulo concorda prontamente com essa opinião. First Corinthians.17). A evidência de manuscritos favorece o futuro. Gordon D. Nesse versículo também parece que temos uma declaração que os coríntios fortes usavam em suas con- versações com os membros mais fracos da igreja.21 c. NIV. NAB. Origem. “‘Nós nem estamos perdendo algo se não comermos nem ganhan- do algo se comermos’. p. compilou em The Origin of 1 Corinthians (Macon.22 O lema dos coríntios.

sei (consciência). Com uma adversativa. em vez disso. A palavra tem forte apoio de manuscritos. Expressões e Construções em Grego em 8. mas isso é igual- mente verdade para a leitura alternativa. pela escolha de palavras. A Textual Commentary on the Greek New Testament. 7). Chamando todos os alimentos de comuns. Palavras.a| – esse substantivo apresenta uma conotação causal. suneidh. Metzger.dhsij”. Pecado 8. estudiosos textuais mantêm que a leitura alternativa. “por causa do costume”. Como o substantivo sunhqei. Talvez. p.sthmi (eu trago diante de). pari.7. 4. 8 avllV – note o adversativo forte (“entretanto”) que segue os versículos anteriores mas se refere ao primeiro versículo (v. Observe que não estão usando a expressão comida oferecida a ídolos. É um termo jurídico e se refere a procedimentos no tribunal. “aparentemente surgiu pela assimilação com o seguinte sunei. Paulo indica que.23 parasth.9 pelos coríntios dá ênfase à primeira parte.382 1 CORÍNTIOS 8. Eles comem ou obtêm alimen- to e mostram sua obediência a Deus (comparar com Fp 4.9-13 9. 3ª ed.sthsi.sei – tempo futuro ativo do verbo pari.12). eles se recusavam a ver o ponto de vista daqueles cuja consciência os incomodava quando comiam comida que havia sido sacrificada a um ídolo. Bruce M. 1). 1975). os coríntios desejem indicar que até carne oferecida a um ídolo seja apenas comida comum. falam em comida comum que é ingerida. Mas ele tinha de chamar a atenção deles por causa da falta de amor e de compaixão deles pelos irmãos e irmãs mais fracos. tem o apoio dos manuscritos mais fortes e é preferido à leitura com o tempo presente. No entanto. os crentes fortes diziam que eles não estão perdendo nem ganhando algo. Mas cuide que esse direito seu não se torne um empecilho para aqueles que são fracos. Visto que o alimento por si só não possui nenhum valor moral. Paulo teria de concordar com esses coríntios que defendiam a cau- sa da liberdade cristã. embora concorde com o 23. corri- gida (Londres e NovaYork: United Bible Societies.a| (v. 557. . sunhqei.

ele havia dito aos coríntios que o conhecimento e o amor precisam caminhar lado a lado. l Corinthians.24 Eles reivindicam agressivamente para si o direito à liberdade cristã.13). Consultar Roy A. pois o próprio Paulo ensina que “nenhum alimento é por si mesmo impuro” (Rm 14. O direito que um cristão exercita legitimamente nunca deve se tor- nar empecilho para outro crente irmão. mas sim que aque- les que são fortes causam ofensa. Harrisville. mas quando é acompanhado por amor. Em dois versículos anteriores (vs. 7). descobrindo uma ausência de amor na con- duta de alguns coríntios (comparar com Rm 14. 1. série Augsburg Commentary on the New Testament (Minneapolis: Augsburg. Paulo. Ele constrói a expressão esse direito seu. que era ofensa para outros na igreja. não de Paulo. liberdade sem amor gera arrogância. assim como conhecimento sem amor produz orgulho. 8).2). Ele ordena aos leitores que cuidem de sua própria conduta. Sua atitude não deve ser empecilho para os membros mais fracos da igreja.14).30). 1987). A liberdade que um cristão goza deve sempre ser reivindicada no contexto de servir um ao outro em amor (Gl 5. No entanto. E o empecilho aqui é comer carne sa- crificial. 1 CORÍNTIOS 8. Paulo detecta uma atitude perigosa que abalará a unidade da igreja. ele rejeita o contexto no qual é usa- do. 141. E Paulo. O conhe- cimento por si só resulta em arrogância. essa é a segunda vez que a palavra fraco aparece nesse capítulo (ver v. Paulo usa a expressão pedra de tropeço para descrever um obstáculo específico que um cristão pode colocar no caminho de alguém. Os coríntios têm o direito de afir- mar sua liberdade de comer alimentos. 24. no qual o pronome esse reflete um traço de sua antipatia pela aparente soberba de alguns coríntios (ver Lc 15. mas desses coríntios espiritualmente fortes. Mas a liberda- de cristã deve sempre ser observada no contexto do amor para com o próximo em geral e o irmão ou irmã espiritualmente fracos em particular. E mais. Se essa expressão vem. edifica. p.9 383 sentimento geral da citação (v. registra agora uma objeção pastoral. Os membros que promovem seus direitos de ser livres estão exercendo pressão indevida sobre aqueles cuja consciência os impede de comer certas espécies de carne. .15). Paulo não está dizendo que aqueles que são fracos se ofendem. uma certa medida de arrogância parece óbvia.

Fisk. Em contraste. 10. ele não veria mal ne- nhum em estar presente numa reunião festiva numa das salas apropria- das de um templo. Paulo não repreende uma pessoa que coma numa sala de jantar de um templo. sua intenção é retratar a realidade de uma ocorrência comum. comendo no templo de um ídolo.384 1 CORÍNTIOS 8. mas apenas desfrutando da companhia de família e amigos. Consciência. Ele observa. Por causa de seu conhecimento firme da fé cristã. Esse crente poderia ser con- vidado a ir para uma festa celebrada numa das muitas salas do templo. mas sim para o efeito que essa ação poderá ter sobre um irmão mais fraco. porque a um judeu não ocorreria entrar num templo para comer carne sacrificada a um ídolo. Paulo retrata a possibilidade de um cristão que é espiritualmente forte sentar-se e comer no templo de um ídolo. e a carne comida.23) e membro da igreja local. que um crente espiritualmente forte não está adorando a um ídolo. Não é irreal a possibilidade de que Erasto. 62-64.10 portanto. o diretor de obras públicas em Corinto (Rm 16. . Pois se alguém vir você. será que a consciência de alguém que é fraco não tomará coragem de comer comida oferecida a ídolos? Fazemos estas observações: a. 20). O irmão fraco não é um judeu. devesse comparecer a festas desse tipo. ele recusaria quebrar os laços de família ou amizade. Tomando uma situação da vida diária. Ele poderia arrazoar que o ídolo não era nada mais que um pedaço de pe- dra lavrada.25 Aqui ele chama a aten- ção não para o fato de comer numa sala pública. provavelmente. b. Ao contrário. numa passagem mais adiante (10. Sua fé em Deus permaneceria forte. pp. “Eating Meat Offered to Idols”. é provável que o irmão fraco seja 25.19. Embora Paulo forneça uma ilustração usando você no singular. alerta os coríntios que amam a liberdade a demonstrarem amor não ofendendo os membros da igreja que são seus irmãos. por exemplo. que tem conhecimento. Ali a carne de um animal sacrificado a um ídolo seria consumida. Fazendo uma refeição. E mais. Paulo comenta sobre a idola- tria e lá retrata o pecado de adorar um ídolo. comum. Mantendo a liberdade cristã. corretamente. Essa ação tem o potencial de levar o irmão mais fraco à idolatria.

26 Paulo agora pergunta ao cristão forte com certo toque de ironia: “Será que o ato de comer num templo não torna ousada a consciência do irmão mais fraco?”27 Pela sua conduta. Sua confiança é destruída por causa de sua dor de consciência. Em vez de ser edificado. p. F. A conduta sem amor e consideração pode ser desastrosa. Songer. p. Paulo observou que o conhecimento conduz ao orgulho e o amor leva à edificação (v. W. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthi- ans. 1 CORÍNTIOS 8. mas a verdade é que ele leva seu irmão a extraviar-se. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: The English Text with Introduction. 28. Paul W. ele é des- truído. aquele que é forte lidera o fraco. 1930). “St. Gooch. Paul on the Strong and the Weak: A Study in the Resolution of Conflict”. R. 133. Grosheide. 27. St. Crux 13 (1975-76): 10-20. “Problems Arising from the Worship of Idols: 1 Corinthi- ans 8. John Parry. 26. RevExp 80 (1983): 363-75. ele associa esse ato com o culto a ídolo. Bauer. Paulo sabe que a conduta insensível do irmão que tem co- nhecimento destrói “o irmão fraco por quem Cristo morreu”. Sua conduta impensada e rude constitui um pecado contra Cristo. Se uma pessoa espiritualmente fraca entrar e comer naquela sala. Porque o irmão fraco por quem Cristo morreu é destruído pelo seu conhecimento. 7). não o irmão fraco. Portanto.1-11. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge Uni- versity Press. série New International Commentary on the New Testament (Grand Rapis: Eerdmans. mas sua consciência fraca ganha ousadia. sua consciência é poluída em vez de fortalecida (ver v. A responsabilidade toda pela saúde espiritual do irmão está sobre os ombros da pessoa que tem conhecimento. A voz interior de sua consciência não mais o res- tringe.1”. Exposition and Notes. Quando o irmão fraco come carne sacrificial num templo pagão.28 No início de sua discussão sobre este assunto. Paulo examina as conseqüências da conduta do irmão instruído que intencionalmente passa por cima das objeções que o irmão fraco apresenta. e a consciência. 29.29 11.11 385 um gentio que tivesse se convertido recentemente ao Cristianismo. 1). cujo conhecimento espiritual fosse limitado. 538. Consultar Harold S. Paulo agora repete o mesmo pensamento em palavras diferentes. 1953): 363-75. . fraca. especialmente para os espiritualmente fracos seguidores do exemplo da pessoa forte que lhes abre o caminho.

não comendo certos alimentos.4). Segunda. Resumindo. 1 and 2 Corinthians. A intenção desse versículo é retratar o contraste entre a morte de Cristo e a dureza de coração dos coríntios fortes. Paulo não está ensinando que um cristão forte pode fazer com que um irmão espi- ritualmente fraco pereça. Esse verbo é um sinônimo que Paulo usa para explicar o sentido de “destruir”.15 e seu contexto iluminam esse versículo: “Se seu irmão está entristecido por aquilo que você come. Com o tempo presen- te ele transmite ação progressiva. e também o fará resistir à tentação. Eis uma explicação tríplice do ponto de vista de Paulo: Primeiro. Nessa sentença.31 Não 30. então o mínimo que um irmão forte pode fazer é demonstrar o amor fraterno a cristãos irmãos na fé. 82. p. que é colocado numa sentença interrogativa (ver KJV. 12) apresenta o verbo ferir no tempo presente. F. Por causa do que você come. NKJV. Cristo amou esse irmão tanto que morreu por ele. O Texto Majoritário tem o tempo futuro (“será destruído”). [“poderia ser destruído”] ou o condicional (SEB). ele enfatiza especialmente os verbos destruir e morrer. Consultar F. com a ordem das palavras. mas não a idéia de que o irmão fraco “já está perdido”. Phillips. não destrua seu irmão por quem Cristo morreu”. 1971). 31. [“se- ria destruído”] para transmitir a probabilidade de vivenciar ruína mas não de ser realmente perdido para sempre. New Century Bible (Londres: Oliphants. Esses dois verbos são palavras-chave.11 O que o apóstolo diz nesse versículo diz respeito à vida espiritual dos cristãos fracos. O irmão fraco é tolhido em seu crescimento espiritual pela falta de amor dos irmãos cristãos. . Em seguida. alguns tradutores introduzem um verbo como auxili- ar: “poderia” (JB). Ele dá a entender que Cristo continua a proteger do mal essa pessoa e fará com que possa ficar de pé (Rm 14. Bruce. Paulo torna cada palavra im- portante nesse texto. Se Cristo pagou o sacrifício supremo morrendo por esse irmão fraco.386 1 CORÍNTIOS 8. e a GNB numa sentença afirmativa). a passagem paralela em Romanos 14.30 O irmão mais fraco “está sendo destruído”. Mais duas observações sobre essa passagem. o verbo destruir está no tempo presente para indicar que a ação já está ocorren- do. você não está mais agindo em amor. porque ele escreve “irmão” e não “pecador” ou “homem”. E por fim. o contexto imediato (v. Primeira.

No grego. mas se dirige aos coríntios fortes pessoalmente. Soldados que lutam numa guerra não devem apontar suas armas para seus companheiros. Jesus e seus irmãos e irmãs são um.41-46). o uso do pronome vocês pare- ce revelar que o problema do momento envolvia algumas pessoas.5. Usando o presente do verbo pecar. Paulo perguntou a Je- sus quem ele era. Contra seus irmãos. 26. Assim vocês pecam contra Cristo ao pecar contra seus ir- mãos ferindo a consciência fraca deles.8. Ele escreve “seu conhecimento” e chama a aten- ção para a atitude fria.11).2) e o vê como seu irmão (com- parar com Hb 2. O tempo presente aponta para a relevância e a seriedade do insulto deles contra Cristo. não os membros irmãos. Quando Paulo foi cegado pela luz celeste perto de Damasco. Jesus perguntou-lhe por que o perseguia.12 387 obstante. 1). E conseqüentemente. 22. Pecam contra Cristo. mesmo quando sua insen- sibilidade está dirigida contra seus próprios irmãos em Cristo. e sim eles mes- mos são culpados e enfrentarão o juízo. A resposta foi: “Eu sou Jesus. Paulo não fala mais em termos gerais. Irmãos cris- . desses coríntios que estão envaideci- dos pelo conhecimento (v. sem amor. Contrastando a morte de Cristo – como ilustração do maior amor ima- ginável – com o conhecimento sem amor de alguns coríntios. Os coríntios fortes estão pecando contra seus próprios irmãos. Eles cometem pecado pela sua atitude para com os co-participantes da igreja da qual são membros em Cristo.15). Ele usa o ver- bo pecar duas vezes na mesma sentença. Atordoado. Cristo o redimiu e santificou (1. Concluindo. ele acentua essa palavra ao ter a forma pecam perto do começo da sentença e a forma pecar na posição final. b. isto é. de modo que uma ofensa contra um crente é uma ofensa contra Jesus (ver Mt 25. Note estes termos: a. a Igreja.10. o apóstolo chega ao âmago da questão. Também. a quem você persegue” (At 9. Paulo observa que os coríntios estão no processo de cometer o pecado de falta de amor contra Cristo. Paulo encoraja seus leitores a expressarem seu amor aos membros mais fra- cos da igreja. 12. 1 CORÍNTIOS 8.

13 tãos que pecam contra companheiros cristãos pecam contra Deus e enfrentam-no como juiz. NTS 33 (1987): 244-54. c. “‘Conscience’ in 1 Corinthians 8 and 10”. Ele e seus associados entregaram a carta do Concílio de Jerusalém aos cristãos gentios (At 15.12). Gooch. Paulo usa a palavra geral alimento em lugar do termo carne sacri- ficial. 173.”32 De um ponto de vista objetivo.29). os coríntios fortes continuamente ferem a cons- ciência fraca de um irmão ao induzi-lo a comer carne sacrifical. Os leitores podem estar certos de que Paulo fará de fato o que ele está dizendo. p. Consultar Paul W. A conclusão a essa parte da discussão é que o próprio Paulo vai prover liderança na igreja de Corinto. Portanto. que estava no centro da discussão (ver vs. Ferindo sua consciência fraca. eu nunca mais comerei carne para que eu não faça com que meu irmão tropece. a consciência ferida de um crente causa uma falta de auto- estima. 7. . First Corinthians. 1. de modo que sua sensibilidade é entorpecida. A questão de consumir alimentos não deve tornar-se pedra de tropeço para nin- guém na igreja. se comida faz com que meu irmão tropece e caia em pecado. 4. O próprio Paulo repreendeu tanto Pedro como Barna- bé pela recusa deles de comer com cristãos gentílicos em Antioquia (Gl 2. “Aquilo que requer o tratamento mais gentil é tratado brutalmente.388 1 CORÍNTIOS 8. Esse versículo é uma sentença condicional que expressa realidade e certeza. Robertson e Plummer. Se os cristãos que estão espiritualmente fortes falharem em sua responsabilidade de fortalecer os fracos. De um ponto de vista subjetivo. Os crentes de quem se espera que encorajem e instruam os irmãos que com eles participam são quem repetidamente ferem sua consciência enfraquecida.33 13. 33. 10). “aquele que pode salvar e destruir” (Tg 4. Paulo vai dar o exemplo. não fisicamente. Cristãos judeus até recusa- vam comprar carne num mercado local de gentios por medo de comer 32. Veja a tradução literal dessa fra- se: “ferindo sua consciência que se acha em condição enfraquecida”. mesmo enquanto fisicamente ausente. Eles o ferem espiritualmente.11-14). eles atingem uma consciên- cia já enfraquecida que se torna entorpecida.

34 E se esse extremo significa não comer carne por algum tempo. Paulo estava disposto a privar-se de comer certos alimentos para que pudesse promover a causa de Cristo.20). Paulo diz: “Eu nunca mais comerei carne para que eu não faça com que meu irmão tropece”. Mas Paulo se dispõe para ir a qualquer extremo para evitar ferir a consciência de qualquer pessoa por quem Cristo mor- reu. por todos os modos. O que ele está pedindo que cada crente faça é mos- trar amor cristão genuíno para cumprir o resumo do Decálogo: amar a Deus de coração. e amar seu próximo como a si mesmo (Mt 22. de modo algum. NTS 31 (1985): 113-24. . com o fim de.10 O Concílio de Jerusalém estipulou que os cristãos gentios deveriam abster-se de alimento sacrificado a ídolos (At 15.22). “Rejected. Ignored. Agostinho expressa um comentário nesse sentido: “Enquanto você amar Deus e seu próximo. salvar alguns” (9. Paulo se adapta prontamente. Ele submete até sua liberdade cristã ao princípio do amor. Paulo está sugerindo que todo cristão se torne vegetariano? Não. com o fim de ganhar os fracos. especialmente porque ele proibiu comer carne sacrificial em 10. você pode fazer qualquer coisa que desejar e não cairá em pecado”.37-39).29). Na verdade. Por amor a seu irmão cristão. Paulo permitia que os cristãos entrassem num templo e participassem de festas celebradas numa de suas salas de jantar. O consentimento de Paulo nesse capítulo parece ser contraditório. Brunt. or Misunderstood? The Fate of Paul’s Approach to the Problem of Food Offered to Idols in Early Christianity”. Será que Paulo é complacente num capítulo (8. Fiz-me tudo para com todos. O que Paulo tenta fazer é seguir na linha estreita do meio entre permitir a liberdade cristã e fortalecer a consciência 34. John C. mente e alma. 1 CORÍNTIOS 8. Eles guardavam a lei de Moisés por completo (comparar com At 21. ele declara inequivocamente: “Eu fiz-me fraco para com os fracos. Nota Adicional sobre 8. Mas em Corinto.18-22)? Dificilmente. a difusão do evangelho e o cresci- mento da Igreja. No capítulo seguinte dessa epístola. Os cristãos gentios também tinham cuidado ao comer com amigos gentios.14-22.10) e rigoroso em ou- tro (10.13 389 alimentos que tinham sido oferecidos a um ídolo.

Considerações Práticas em 8. o pecado era uma ques- tão de frustração. que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tia- go 4. as pessoas gos- tam de fingir que não há nada de errado. Não era algo que fosse levado a sério. As Escrituras. ele forjava uma associação espiritual com um ídolo e assim tornava-se um idólatra.12 dos fracos.7. Paulo condenava a prática (10. a expressão usada não é “pecado”. Quando a mídia menciona escapadas sexuais de pessoas im- portantes. Em outras palavras.8).18. Devia saber que Deus é um Deus zeloso (Êx 20. no capítulo 8 Paulo se dirige aos fortes. No mundo greco-romano do tempo de Paulo. o pecado não é levado a sério. era uma falta de habilidade que o treinamento contínuo poderia superar. dando à parte ofendida um presente apro- priado. mas no capítulo 10 aos fracos. a pessoa culpada continua a agir como se nada tivesse acontecido. Em muitas partes do mundo. Se a ofensa continuar não descoberta. o cristão não deveria ter nada com eles. O pecado era comparado a um flecheiro que erra o alvo e assim tem a experiência de fracasso. Na verdade. Quando um cristão se tornava participante de idolatria (10. o pecado é um embaraço para o ofensor quando seu ato torna-se conhecido por todos. Sempre que gentios adora- vam a um ídolo. pois. 14). Embora a conseqüência do pecado seja evidente.390 1 CORÍNTIOS 8. 20). O pecado. não compreendem que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele.12 No mundo de hoje. especialmente quando relacionado com a imorali- dade sexual. con- tanto que não ferissem a consciência dos cristãos mais fracos. no entanto. o pensamento parece ser que o termo “pecado” não deve ser aplicado para ninguém porque pode prejudicar a reputação da pessoa. estavam livres para participar. A carne sacrificial em si não é prejudicial. Muitas vezes é considerado divertido. portanto. O . Se cristãos assistissem a uma festa onde essa carne era servida. Pecar é ultra- passar os limites legais dentro dos quais devemos viver e trabalhar. e sim “uma fraqueza de caráter”. Nas palavras de Tiago: “Infiéis. Mas sem- pre que o fato de comer carne estivesse diretamente associado com a ido- latria.4.4). ensinam que o pecado é uma afronta pesso- al a Deus e uma transgressão das leis que ele estabeleceu. Dt 5. A vergonha pode ser remo- vida por um ato de restauração.

o pecador é limpo por meio do san- gue de Cristo derramado no Gólgota.nontej – o tempo presente desse particípio (‘pecando”) com o tempo presente de tu. todos transmitem uma impressão de freqüência kai. Palavras. eivj to.ptontej (ferindo) e o presente do verbo avmarta. Versículo 12 a`marta.a refere-se à liberdade de alguns coríntios para comer carne sacrificial (comparar também com 9. por Robert Funk (Chicago: University of Chicago Press.4-6. eva. O pecado só pode ser perdoado por meio do derramamento de san- gue – na era do Antigo Testamento o sangue de animais prefigurava o de Cristo. 1 CORÍNTIOS 8.10). Como o escritor da Epístola aos Hebreus tão bem o coloca: “sem derramamento de sangue. ouvci. 11.10 h` evxousi. Na era do Novo Testamento. – essa conjunção é usada no sentido explicativo para particulari- zar e explicar aquilo que foi dito. – a sentença condicional com o subjuntivo aoristo expressa probabilidade: “se alguém o vir”.a u`mw/n au[th – a ordem de palavras dessa frase é enfática: “este direito seu”.22). Paulo faz uma pergunta retórica que exige uma resposta positiva. A cláusula em si revela um quê de ironia. Friedrich Blass e Albert Debrunner. #442.dh| se. nós nos voltamos a ídolos e cometemos adultério. Em lugar de amá-lo como nosso cônjuge. E a idolatria nada mais é do que adultério espiritual. Deus ama seu povo como um noivo ama sua noiva. mas a um ídolo. Expressões e Construções em Grego em 8. 1961).35 35.ein – esse presente do infinitivo de propósito expressa o efeito sobre o irmão fraco. 18.n ga. 12. e rev. Mas o contexto dessa passa- gem parece indicar que comer numa sala de jantar do templo era uma ocorrência freqüente.9-13 391 pecado é um insulto a Deus porque nós escolhemos não mais servir a ele. não há per- dão” (Hb 9.9. – com essa partícula negativa. “dar-lhe coragem para comer”.nate (você está pecando). . trad.9-13 Versículos 9.r tij i. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature.)))evsqi. O substantivo evxousi.

A liberdade que alguns coríntios exercitam. eles pecam contra seus irmãos e contra Cristo. dos ídolos e da comida oferecida a eles. Contudo a comida por si só não tem nenhum valor religioso. Ele responde à pergunta sobre a comida oferecida a ídolos e mostra como é insuficiente declarar que um ídolo nada é. F.w (ser fraco). Versículo 13 dio. Embora Deus e Jesus Cristo sejam conhe- cidos. Aqui ela enfatiza a cone- xão das cláusulas envolvidas. O próprio Paulo está pronto para abster-se de comer carne a fim de evitar que um irmão fraco caia em pecado. 36. An Idiom-Book of New Testament Greek. C. mas o particípio presente ativo no acusativo feminino singular do verbo avsqene. 2d ed. Moule. 1960). 164. D. no entanto. Se eles esmagam a consciência de um irmão fraco. poderá ser pedra de tropeço para os fracos. (portanto) e da partícula enclítica &per que acrescenta força intensiva ou extensiva. o fato de que ídolos nada são não é plenamente conhecido.j (fraco). Al- gumas pessoas ainda estão sob o peso da idolatria. o Pai. . O particípio mostra ação descritiva.per – uma combinação de dio. e sabem que há um Senhor Jesus Cristo. Os coríntios sabem que há um só Deus. O substantivo é escolhido proposi- talmente para indicar qualquer tipo de comida sólida.392 1 CORÍNTIOS 8 avsqenou/san – observe que Paulo usa não o adjetivo avsqenh. que criou todas as coisas.36 eiv brw/ma – a partícula introduz uma sentença condicional de simples fato que expressa realidade e certeza. p. Paulo os avisa que não desencami- nhem nenhum irmão quando comem alimento no templo de um ídolo. (Cambridge:Cambridge University Press. Essas pessoas têm a consciência fraca. que se torna contaminada. Resumo do Capítulo 8 A carta que Paulo havia recebido dos coríntios continha muitas perguntas.

1-27) . 393 9 Apóstolos e Direitos (9.

Liberdade Apostólica 9. Direitos Apostólicos 9.7-12 c.1.15-18 b.19-23 a.19-27 3. Apóstolos e Direitos 9. Marcas do Apostolado 9. Recompensa 9. Remuneração 9. Capitulação de Direitos 9.13-18 2. A Estratégia de Paulo 9. As Ilustrações de Paulo . Serviço 9.24-27 b.1-27 C.1-12 1.394 ESBOÇO (continuação) 9.3-6 b. Defesa 9.14 a.13.2 a.

15. Ou ele está realmente falando por causa de nós? Pois por causa de nós está escrito. Nós não temos o direito de comer e beber? 5. não tenho nada de que me gabar. falo? Ou a lei não diz estas coisas? 9. Sou obrigado a pregar. será grande coisa se rece- bermos de vocês uma colheita de coisas materiais? 12. eu simplesmente . mas suportamos todas as coisas para não criarmos obstáculos ao evangelho de Cristo. e o debulhador deve debulhar com esperança de compartilhar da co- lheita. Quem presta serviço no exército à própria custa? Quem planta um vinhedo e não come do seu fruto? Ou quem cuida de um rebanho e não bebe leite dele? 8. Minha defesa diante daqueles que me examinam é esta: 4. não é? 10.. Não sou eu livre? Não sou um apóstolo? Eu não vi Jesus nosso Senhor? Vocês não são meu trabalho no Senhor? 2. Pois vocês são o selo de meu apostolado no Senhor. Assim também o Senhor orientou aqueles que pregam o evangelho a obterem seu sustento do evangelho. Mas se o faço por peso da obrigação.. Barnabé e eu não temos o direito de abster-nos de trabalho físico? 7. porque o lavrador deve arar com esperança.. Se semeamos coisas espirituais para vocês. Porque se prego o evangelho. Se não sou um apóstolo para ou- tros. 16. 17. será que não o possuímos ainda mais? Contudo. Deus não se preocupa com bois. Não falo estas coisas como homem. Ninguém invalidará meu motivo de me gloriar. 13. Se faço isso por escolha própria. 395 CAPÍTULO 9 9 1. pois ai de mim se não pregar o evangelho. 11. nós não usamos desse direito. Porque na lei de Moisés está escrito: “Não atarás a boca ao boi quando debulha”. Não temos o direito de levar conosco uma esposa crente como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas fazem? 6. Pois eu preferiria antes morrer do que. 3. Se outros compartilham desse direito [de sustento] sobre vocês. eu tenho uma recompensa. Vocês não sabem que aqueles que ministram os santos cultos comem a comida do templo? E aqueles que servem no altar regularmente participam das ofertas que estão sobre o altar? 14. pelo menos para vocês eu sou. E não escrevo estas coisas para que desta maneira saiam em meu beneficio. Mas eu não tenho usado nenhum desses privilégios.

com aqueles que estão sob a lei eu me tornei como alguém sob a lei. 27. Paulo possui a liberdade cristã de esco- lha. Qual é. Apóstolos e Direitos 9. mas nós uma coroa imperecível. e nele Paulo relaciona o conceito a seu apostolado. O tema desse capítulo é a liberdade de escolha cris- tã. Vocês não sabem que aqueles que correm em uma corrida estão todos correndo. Paulo também quer evitar que seus leitores digam que ele está des- ligado dos problemas da comunidade e não fala sobre eles. mas só um recebe o prêmio? Assim corram a corrida para que possam vencer. para ganhar aqueles que estão sob a lei. 19. E todos os que competem nos jogos exercem o autocontrole em todos os aspectos. embora eu mesmo não esteja sob a lei.1-27 O capítulo 9 parece ser um interlúdio ou uma parte de uma discus- são do capítulo 8 e 10. Mas pela causa do evangelho ele muitas vezes se recusa a exercer sua liberdade. 23. para que depois de ter proclamado o evangelho a outros. eu fui escravo de todos para ganhar tantas pessoas quanto possível. E eu faço todas as coisas por amor ao evangelho para que eu possa compartilhar nele juntamente. De fato. eu esmurro de forma a não bater no ar. . porque ele tem direitos apostólicos. Para aqueles que são fracos eu me tornei fraco para ganhar os fracos.14-30. minha recompensa? Quando prego o evangelho.9). Fazem isso para receber uma coroa perecível. eu mesmo não fique desqua- lificado. 22. Com os judeus eu me conduzi como judeu para ganhar os judeus. 18). mas sob a lei de Cristo. Ele quer que os crentes em Corinto ajam de modo semelhante e vivam de tal maneira que o Senhor seja honrado e seus irmãos na igreja sejam edificados.396 1 CORÍNTIOS 9. eu o ofereço de graça para que não faça uso pleno de minha autoridade no evangelho. alguns dos coríntios até chamaram suas palavras de insignifi- cantes (2Co 10. 25. 24. 20.5) e trabalho na igreja (9. mas examinando a questão mais de perto observamos que em 8-10 Paulo desenvolve o conceito de liberdade de escolha ou direito. Para ser preciso. Eu me tornei todas as coisas para todos os homens para que por todos os meios eu possa salvar alguns. para ganhar os que estão sem a lei. eu corro de maneira a não perder a meta. 21 Com aqueles que estão sem a lei eu me tornei como alguém sem a lei. C. 18. Porque embora seja livre de todos os homens. que ele havia mencionado explicitamente no capí- tulo anterior (8.10).12. embora eu não esteja sem a lei de Deus.4. Mas eu trato meu corpo duramente e o escravizo. vida social (9.1 cumpro o serviço de despenseiro que me foi confiado. 26. então.

Indignado. 393.21-26).1. Um apósto- lo precisava ter seguido Jesus do tempo de seu batismo no Rio Jordão até sua ascensão no Monte das Oliveiras e tinha de ter testemunhado a ressurreição de Jesus (At 1. Fee sugere que o contexto do capítulo 9 é uma parte integral da resposta de Paulo à carta escrita a ele pelos coríntios. NKJV). p. “Eu não vi Jesus nosso Senhor?” Paulo defende seu apostolado com base na sua experiência na estrada de Damasco.1 397 1. Fa- zendo uma pergunta que exige resposta positiva. forma uma ponte natural entre o último versículo do capítulo anterior (8. uma experiência 1. ele sabia que seus opositores o haviam criticado.16-18).13) e esse versículo.15. Diziam que ele não podia satisfazer as exigências apostólicas delineadas quando os apóstolos ti- raram sortes para escolher Matias como sucessor de Judas. “Não sou eu livre?”. Pelos relacionamentos de Paulo com os coríntios no passado. Não sou eu livre? Não sou um apóstolo?1 Eu não vi Jesus nosso Senhor? Vocês não são meu trabalho no Senhor? Paulo propõe uma série de quatro perguntas que se relacionam à sua vida e apostolado e que exigem respostas positivas.21- 23). Direitos Apostólicos 9. Marcas do Apostolado 9. A pergunta inicial. “Não sou um apóstolo?” (comparar com 1. eles precisavam reconhecer sua liberda- de. .2 1. Paulo enfrenta a crítica à sua posição de apóstolo. 1 CORÍNTIOS 9.1-12 a.11-16). particularmente quanto a comer e beber com eles (comparar com Gl 2. Antes. não sou um apósto- lo?” O Texto Majoritário inverte a ordem (ver KJV. 26. trata da liberdade que Paulo gozava em Jesus Cristo. Gordon D. 22.1987). Desde sua conversão.2 Essa pergunta nada tem que ver com a questão do escravo e do homem livre (7. Paulo não fazia parte dos Doze e lhe faltava o ensino que Jesus lhes tinha dado. The First Epistle to the Corinthians. Os principais manuscritos gregos têm a leitura: “Não sou eu livre. New Interna- tional Commentary on the New Testament series (Grand Rapids: Eerdmans.21. ele se defende contra qualquer pessoa que discordasse dele. 2.1). Mas ele sabia que Jesus o havia chamado para ser um apóstolo aos gentios (At 9.

só pode ser feita “no Senhor”.. Presumimos que eles conheciam muito bem esse relato.23). para se referir ao Jesus histórico de Nazaré.8.12. E Paulo acrescenta o título descritivo nosso Senhor para enfatizar que só o Senhor pode nomear alguém ao apostolado. mas a palavra Cristo não tem apoio dos manuscritos. Como cris- tãos gentios. 5. Another Jesus: A Gospel of Jewish-Christian Superio- rity in II Corinthians (Kampen: Kok.10).398 1 CORÍNTIOS 9. por ex. 1Ts 4. “Vocês não são meu trabalho no Senhor?” Os próprios coríntios tinham de admitir que se Paulo não tivesse proclamado o evangelho de Cristo.14). eles ainda estariam vivendo em trevas espirituais. Ef 4.10-14. Fp 2. 13..1. Nessa sentença. Quem quer que tenham sido. Oostendorp.10. 2Co 4. Ele escreve a palavra Jesus.7. Gl 1. Quem eram essas pessoas que semeavam dúvida no coração dos crentes? Eram os judaizantes que instigavam a tensão entre os corínti- os e se recusavam a reconhecer o apostolado de Paulo?4 Teríamos es- perado que Paulo fornecesse mais detalhes (comparar. 2Co 10. aqueles que Paulo chama de “outros” não são membros da igreja 3.1-11. O pronome nosso de- monstra que Paulo e os coríntios têm um elo comum em Jesus.3. eles próprios eram uma prova positiva de que Paulo era um apóstolo aos gentios. por ex. p.6. .11-21.3 Quando Paulo usa um nome apenas. Paulo escolhe as palavras cuidadosamente. 12. Gl 1. 1967).16). ele retrata o Jesus terreno (por ex.2 que confirmou a ressurreição de Jesus. com Gl 1. Como ex-perseguidor da igreja. 22. O Texto Majoritário apresenta o nome duplo Jesus Cristo. Ninguém em Corinto podia afirmar ser ignorante da experiência de conversão de Paulo e de como Jesus lhe apareceu pessoalmente (15. Durante sua ausência da congregação coríntia. não Cristo. 4.. 15. Se não sou um apóstolo para outros. Consultar Derk W. 12. 2.21. pelo menos para vocês eu sou.1-10. Pois vocês são o selo de meu apostolado no Senhor. a questão sobre se ele era um apóstolo ou um impostor tinha sido le- vantada. A obra de fundar uma igreja não é empreendi- mento humano que possa ser executado à parte do Senhor. mas falta evidência conclusiva. Paulo reconhecia que a Igreja Cristã poria em dúvida seu apostolado (ver. 82.

trad. Por inferência.1. Gottfried Fitzer. Com a palavra selo. 6. . João Calvino. 948-49. Mais uma vez Paulo usa a expressão preposicional no Senhor (ver v. ele identifica a igreja de Corinto. João Calvino faz uma paráfrase do objetivo de Paulo: “Se há alguns que têm dúvidas sobre meu apostolado. p. com uma sentença con- dicional – “Se não sou um apóstolo para outros. contudo. 184. eles são sua carta de recomen- dação (2 Co 3.2). The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. Além do mais. se o Senhor nomeia Paulo para ser um apósto- lo. isso não deve acontecer no caso de vocês. vol. porque desde que fun- dei sua igreja por meu ministério. avlla. evn kuri. Expressões e Construções em Grego em 9. – em lugar da partícula negativa ouvk. ou vocês não são crentes. ou vocês são obrigados a reconhecer-me como sendo um apóstolo”. pelo menos para vocês eu sou” – Paulo declara a realidade da situação.1. Seus membros confirmam sua autoridade apostólica e são o selo de seu apostolado autêntico. TDNT. para acentuar um tom mais incisivo na terceira pergunta.2 ouvci. mas decididamente ele é um apóstolo aos coríntios.5 A certeza de Paulo se acha no selo do seu apostolado que ele rece- beu do Senhor. série Calvin’s Commentaries. é locativa e indica rela- cionamento. 7. p. 1976). 5. Ele não é um apóstolo para eles. Fraser (reedição: Grand Rapids: Eerdmans. Ele observa que os crentes coríntios habitam na esfera do Senhor. então aqueles que estão no Senhor inevitavelmente validam seu apostolado. NIDNTT. Palavras. 1 CORÍNTIOS 9. e a partícula ge modificam o tom da apódose nessa sentença condicional de fato simples “para vocês pelo menos eu sou”. Paulo agora escreve ouvci. que ele usou para as duas primeiras perguntas. Na verdade. por John W. vol. ge u`mi/n eivmi – a adversativa avlla. 3. 499. 2 399 de Corinto.6 As credenciais de Paulo são válidas porque a própria comunidade coríntia as atesta.w| – a preposição não é instrumental. 1). pp. Reinier Schippers.

b. Ele tem o direito de ter 7.. Grand Rapids: Eerdmans. Ele estimula a comunhão cristã à mesa. 1983). Como cristão remido por Jesus Cristo. Defesa. A palavra esta pode referir-se ou aos dois versí- culos anteriores (vs. ele efetivamente barrou a possibilidade de consumir car- ne sacrificial. os cristãos gentios consideravam que ele estava preso às leis alimentares de Moisés.1)? O fato de que o vocabulário é emprestado do campo legal parece exigir uma resposta afirmativa. 4. p. série Tyndale New Testament Commentary. 109. aqueles que vêem o versículo 3 como começo de um novo parágrafo colocam dois pontos depois de “esta” e o aplicam aos direitos apostólicos de Paulo. por que Paulo fala de defesa? Por Paulo ser judeu e não gentio. Ver TNT. The Origin of I Corinthians (Macon. . Divisão textual. ao companheirismo e ao sustento (vs. 4. p. ele está livre da lei mo- saica. Minha defesa diante daqueles que me examinam é esta: 4 Nós não temos o direito de comer e beber? a. Por exemplo.5.8 Das duas interpretações. Jr. 12). Os versículos seguintes fornecem a resposta que Paulo tem o direito à comida. 8.7 Inversamente. (Leicester: Inter-Varsity.2) ou aos dois versículos seguintes (vs. Ele defende sua liberdade de não exercer seus direitos. Mas ele se recusa a reivindicar esse direito porque deseja incrementar a causa do evangelho. Phillips. 2ª ed. imaginamos que Paulo tenha falado de modo figurado. mas se recusa a comer carne sacrificial para evitar ferir a consciência de um irmão.3-6 3.5). Ga.400 1 CORÍNTIOS 9.:Mercer Uni- versity Press. Entre outros. Será que está escrevendo sobre um tribunal ao qual foi chamado para prestar contas (ver 4.3. Hurd. The First Epistle of Paul to the Corinthians: An Intro- duction and Commentary. à bebida. ver Leon Morris. a segunda é a preferida porque o contexto geral enfatiza os direitos de Paulo. 4 b. Os estudiosos que ligam o versículo 3 aos que antecedem aplicam o termo esta ao apostolado de Paulo que está selado pela igreja de Corinto. John C. Declarando que ele se privaria de comer carne. Mas tendo em vista a distância geográfica que separava Paulo de seus interrogadores (de Éfeso a Corinto). 1. 130.3. No contexto da epístola. Uma segunda dificuldade tem que ver com as palavras de Paulo minha defesa. mas escolhe não se valer dessa liberdade. At 22. Defesa 9. 1985).

Paulo não fala mais de alimento sa- crificado.18).5 401 uma esposa para acompanhá-lo. Tratava-se de uma minoria que tinha voz na congregação. Paulo informou aos coríntios claramente que ele oferecia seus préstimos de graça (v. que apresentou sua defesa com ousadia e promoveu a causa de Cristo. ele exerceu seu ofício de fabricar tendas para sustentar-se (At 18.9.2. Talvez esses críticos estivessem pro- curando um apóstolo cuja conduta preenchesse todas as suas expecta- tivas. então. c.9 Embora haja razão para ligar esse ver- sículo (v. Falta-nos suficiente informação sobre as acusações específicas que os adversários de Paulo estavam fazendo contra ele. Não temos o direito de levar conosco uma esposa crente como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas fazem? 9. isto é. A resposta de Paulo a essas perguntas era que ele. Essa pergunta exige resposta afirmativa. os coríntios que receberam os ensinos de Pau- lo eram obrigados a sustentá-lo financeiramente. Mas quando Paulo morou em Corinto. Dúvidas. que um trabalhador merece seu salá- rio (Lc 10. NTS 25 (1979):284-98. na casa de Áqüila e Priscila. . Com respeito a pregar o evangelho de Cristo. 4) a 8. 5. enfrentava um processo durante o qual os interrogadores faziam per- guntas sobre seu comportamento. a igreja tinha de providenciar cama e mesa para ele como recompensa pelos trabalhos que ele realizava em seu meio.3). Ver Wilhelm Pratscher. Nos versículos seguintes. Nossas explica- ções. por assim dizer. somos inclinados a ver o contexto seguinte em vez do contexto antecedente. se baseiam em conjunturas. Segundo a ordem do Senhor. 18).7. onde a palavra direito ocorre numa discussão sobre liberdade de comer carne. Paulo pergunta aos adversários se ele tem o direito de comer e beber. 15-18). mas opta por ficar solteiro para que nada o impeça de pregar e ensinar o evangelho. 1 CORÍNTIOS 9. não em evidências específicas. ele informa aos leitores que não usou seu privilé- gio de ter apoio financeiro (vs. O fato de que Paulo se recusou a exercer seus direitos fez com que alguns crentes levantassem dúvidas acerca de sua condu- ta. e sim de comer e beber à custa da igreja de Corinto. 1Tm 5. mas essas pessoas não conseguiam intimidar Paulo. “Des Verzicht des Paulus anf Finanziellen Unterhalt Durch Seine Gemeinden: Ein Aspeld Seiner Missionsweise”.

Se Paulo tivesse uma esposa para acompanhá-lo.7. à vista de seu conhecimento das intimidades da vida de casado (ver o comentário sobre 7. Mc 6. Os irmãos do Senhor são aqueles que Mateus e Marcos mencio- nam em seus evangelhos: Tiago. Bauer. Quando Paulo menciona “os outros apóstolos”. seus irmãos. é plausí- vel supor que ele já havia sido casado. À parte da tradição. Terão de concordar que ele tem o direito de casar-se e ter uma espo- sa como companheira de viagem.1-9). Rm 16. é difícil determinar.6). assim como os corínti- os.3.55.14). como João conta. Jesus apareceu para Tiago (1Co 15. 14. A intimidade entre marido e mulher é fortalecida pelo elo comum que o casal possui como crentes em Jesus Cristo. Andrônico e Júnias (At 14. uma esposa”.10 Se Paulo havia sido casado em al- guma época. Johannes B. o livro só tem relatos de dois apóstolos. com sua mãe. Mas. nada sabemos a respeito do trabalho dos irmãos de Jesus.23-28).3). 1Ts 3. não criam em Jesus durante seu ministério terreno (Jo 7. José. Não sabemos nada pela Escritura sobre a vida e as viagens dos outros que pertenciam aos Doze. que numa tradução elegante se torna “uma esposa crente”. Imaginamos que Paulo es- teja pensando nos Doze.5)”.5 a.” Mesmo sendo Atos conhecido como Atos dos Apóstolos. b. os quais. BibZ 3 (1959): 94-102. “Como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas fa- zem. 10. Eles são meio-irmãos de Jesus. Mas depois de sua ressurreição. Simão e Judas (Mt 13. Pedro e Paulo (João é mencionado incidentalmente). ela teria sofrido naufrágio. Fora do livro de Atos e das epístolas de Tiago e Judas.7).5). sabemos pouco sobre a obra dos apóstolos. .402 1 CORÍNTIOS 9. ela teria vivido a falta de comida e bebida e teria tido roupa insuficiente (ver 2Co 11. que diz que Tomé viajou chegando até à Índia. Paulo per- gunta aos coríntios se ele tem o direito de viajar com uma esposa cren- te. e as outras mulhe- res se reuniam com os onze apóstolos no cenáculo (At 1. Maria. e não num círculo maior de apóstolos que incluísse Barnabé. ele dá a entender que estava bem informado sobre suas viagens e circunstâncias familiares. E um casal missionário se dá completamente à obra de expandir a Igreja. “Não temos o direito de levar conosco uma esposa crente?”. Uma tradução literal do grego é “uma irmã (no Senhor). “Uxores Circumducere” (1Kor 9. No dia da as- censão de Jesus.

Barnabé e eu não temos o direito de abster-nos de trabalho físico? Se interpretarmos a primeira pergunta de Paulo a respeito de comi- da e bebida como tendo o sentido de que a igreja era obrigada a forne- cer comida e bebida aos apóstolos. Mas temos toda razão para crer que.38.5. 1Coríntios 1.42). Se Paulo e Barnabé estão ocupados nisso.6 403 O nome Cefas. Não temos prova de que Barnabé tenha visitado a igreja de Corinto. Tanto Barnabé como levita e Paulo como fariseu tinham aprendido um ofício para poderem se sustentar. uma vez resolvido o rompimento entre esses dois amigos. inferimos que o relacionamento de Paulo com seu colega Barnabé estava restaurado. Paulo menciona Barnabé em sua carta às igrejas na Galácia (ver Gl 2. 1 CORÍNTIOS 9. Mas como se encaixa nesse contexto a segunda pergunta? Estivesse Paulo casado. Sabemos que Paulo fabricava 11. Contudo. 9. (Durante a segunda viagem de Paulo à Ásia Menor.39. naturalmente. o que causou uma separação entre os dois cooperadores.15. Silas o acompanhou).22. talvez até mesmo em Corinto. Agora Paulo relata que Pedro levava sua esposa consigo nas viagens missionárias.29-31. é o nome aramaico de Pedro (Jo 1. 3.1-13).39). Por que Paulo menciona Barnabé? Paulo tinha tido um desentendi- mento com Barnabé em Antioquia da Síria (At 15. Lc 4. .14. e a resposta à pergunta é um sonoro sim.11 e aqui ainda referir-se à sua esposa. Por Paulo mencioná-lo repetidamente nessa carta.40). presumimos que Pedro havia visitado a igreja em Corinto. Barnabé foi o companheiro de Paulo em sua primeira viagem missionária até Chipre e sul da Ásia Menor. Não temos como verificar se Pedro tinha estado em Corinto em qual- quer época. Se disser- mos que Paulo escreveu essa epístola depois do episódio infeliz em Antioquia. Aqui Paulo pergunta se Barnabé e ele têm o direito de fazer exclusivamente trabalho espiritual. Os escritores dos Evangelhos descrevem Jesus curando a sogra de Pe- dro em Cafarnaum (Mt 8. Mc 1.12. ele e a esposa – um peso financeiro extra para a igreja. a igreja seria obrigada a sustentar ambos. 15. eles se encontraram outra vez. 6. Macedônia e Grécia.5. então ela corresponde a essa tercei- ra pergunta. a igreja terá de sustentá-los financeiramente. Ma- cedônia e Grécia.

5-9.404 1 CORÍNTIOS 9. Consultar H. a prática do dízi- mo era observada rigorosamente.3-5).12-15. E.17-19. Eles tinham de coletar um dízimo dos outros israelitas para seu sustento e para a manutenção do tabernáculo e seus trabalhos.22- 29.3-6 tendas. Ele tinha o direito de pedir sustento. o povo de Deus deve levantar os fundos necessários para cui- dar das necessidades dos seus pastores e missionários. que tinha o nível de professor. . as pessoas a quem eles servem devem sustentá-los financeiramente. Sempre que possível. contudo. Lc 9. Por sua vez. Números 18. Até mesmo a viúva pobre lançou no gazofilácio do templo suas duas moedinhas (Mc 12. Mc 6. ele os instruiu a não levarem dinheiro. Nasuti. 26-29. para que estes pastores e missionários possam cobrir suas necessidades cotidi- anas. Não é de admirar que o choque de cenários culturais diferentes tenha feito com que as pessoas de Corinto fizes- sem perguntas sobre a conduta de Paulo.12 Considerações Práticas em 9.3-6 Quando Deus instituiu o sacerdócio em Israel. Sabe- mos que a cultura grega desprezava o trabalho físico. Quando Jesus enviou seus discípulos dois a dois. ele também instituiu o dízimo. Paulo. P.7). Os sacerdotes e levitas não receberiam nenhuma herança na terra prometida. para concluir.23). 24. o que era a sua segu- rança de que Deus providenciaria para eles o suprimento de todas as suas necessidades. os membros da igreja expressam seu amor e gratidão 12.41-44) e assim deu tudo quanto ela possuía. “The Woes of the Prophets and the Rights of the Apostle: The Internal Dynamics of 1 Corinthians 9”. 13. Embora ministérios de confecção de tendas tenham seu lugar e seu propósito.7-11. 14.30-33. trabalhava com suas próprias mãos para gerar sustento financeiro. os descendentes de Levi foram sustenta- dos pelos dízimos do povo de Deus.13 Em toda a era do Antigo Testamento. mas não temos informações sobre o ofício de Barnabé. Nos dias de Jesus. comida ou sacola (Mt 10. Disse-lhes que o trabalhador é digno de seu salário. mas se recusava a valer-se desse direito. os pastores e missionários devem trabalhar em tempo integral na pregação e no ensino da Palavra de Deus. Deuteronômio 12. de modo especial pelos fariseus (Mt 23. Ele deu a regra de que um trabalhador no reino de Deus deve receber sua renda do povo de Deus (Lc 10.21. 26. CBQ 50 (1988): 246-64. Ver Levítico 27.

3-6 Versículo 3 evmh.a (defesa). Expressões e Construções em Grego em 9. – esse adjetivo possessivo (de mim) é mais forte e mais expressi- vo do que o enclítico mou (meu/minha). do versículo anterior (v.14 14. Palavras. o adjetivo se aplica gramaticalmente apenas a Paulo. evrga.3-6 405 ao Senhor quando dão com alegria seus dízimo e ofertas (2Co 9. A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature. Versículos 4. Versículo 6 mo. contudo. As duas negativas anulam-se mutuamente. . trad. Friedrich Blass e Albert Debrunner. e rev. também se aplica a Barnabé.n gunai/ka – a aposição de dois substantivos significa que o primeiro descreve o segundo: “uma irmã (no Senhor) como esposa”.5 mh. de modo que a pergunta recebe uma resposta positiva. – a partícula negativa no início de cada versículo introduz pergun- tas retóricas que normalmente pedem uma resposta negativa. 1 CORÍNTIOS 9. au[th – a posição desse pronome demonstrativo (“esta”) no final do versículo favorece a interpretação de que ele se refere aos versículos se- guintes.zesqai – A partícula nega o presente do infinitivo trabalhar.7). nos dois versículos o verbo principal é negado pela partícula ouv. De domingo em domingo apresentam suas dádivas ao Senhor como ato de culto e esperam que estas sejam usadas para a glória de seu nome. mh. #431. a sentença depende da negativa mh. Não obstante.noj – no singular. Por extensão. de modo que com a negativa dupla as perguntas retóricas recebem respostas afir- mativas. No entanto. por causa da partícula comparativa h. por Robert Funk (Chicago: University of Chicago Press. avdelfh. 1961). especialmente quando colocado entre o artigo definido h` e o substantivo pologi. no começo do versí- culo. 5) e é uma pergunta retórica.1.

Alguns incluem o versículo 7 com o segmento anterior (vs. que era bem conhecido pelos leitores da epístola. Essa per- gunta também recebe uma resposta negativa. Quem presta serviço no exército à própria custa? Quem plan- ta um vinhedo e não come do seu fruto? Ou quem cuida de um rebanho e não bebe leite dele? a. p. 3. que tinha de suprir suas tropas com as necessidades da vida – suprimentos que conseguia de estoques do governo ou das nações vencidas. TDNT. 5. 3- 12). vol.7-12 Os estudiosos não são unânimes em determinar as divisões em pa- rágrafos nessa parte do capítulo.. Ver também Oswald Becker.16 b. e ainda outros o têm no início de um novo parágrafo (vs.4) no versículo 9. inversamente. “Quem planta um vinhedo e não come do seu fruto?”. Nós incluímos o versículo 7 com os versículos 8-12 porque é introdutório para esses versículos.7 c. 602. Um soldado recebia provisões de seu superior. As perguntas relacionadas à agricultura são reforçadas por uma citação da lei de Moisés (Dt 25. A seção anterior (vs. Vol. NovT 16 (1974): 52. 3-6). Bauer. As 15. 144-45. 7-12). NIDNTT. e Paulo argumenta a partir des- ses exemplos para falar aos coríntios sobre seu direito de esperar deles sustento material. P. 592. E.15 Isso seria impensável. Paulo não está pedindo aos coríntios um salário. outros o colocam no contexto maior (vs.. o versículo 7 apresenta três per- guntas que pedem respostas negativas. . 7. Chrys C.406 1 CORÍNTIOS 9. ninguém pode pagar um salário para si próprio”. “OYWNION: A Reconsideration of Its Meaning”. Nenhum soldado prestaria serviço num exér- cito à sua própria custa. mas com esse exemplo ele defende seu direito às necessidades básicas. Serviço 9. 16. suas tropas se revoltariam. “Quem presta serviço no exército à própria custa?” Essa é a pri- meira de três perguntas nesse versículo que exigem resposta negativa. Hans Wolfgang Heidland. 3-6) lista três perguntas retóricas que pedem respostas afirmativas. Caragounis. O exemplo é tirado do cenário agrícola. pp. Se falhasse nessa tarefa. “Salário” não é uma boa tradução [nesse texto] porque.

da lei mosaica Paulo tira as palavras: “Não atarás a boca ao boi quando debulha” (Dt 25. 6. 438. 1 Corinthians. Frederic Louis Godet. Todos responderão: ninguém. 9. ver 1Tm 5.16. 1977). “Porque na lei de Moisés está escrito. 19. lhe darás o seu salário.19 Mas Paulo argumenta 17. Commentary on First Corinthians (1886. . quando Paulo ensina. p. As- sim.13. 32. falo?”. 20. do lavrador e do pastor não têm que ver só com a cultura do tempo apostólico.15). b. 187. uma vinha e um rebanho. 55. falo? Ou a lei não diz estas coisas? 9a. e apre- senta o exemplo de um assalariado que vive na pobreza e precisa de seu salário. Esses três exemplos. Exemplos da vida são instrutivos. ele cita a Bíblia com freqüên- cia.4. Deus diz ao empregador do homem: “No seu dia.21. “Ou quem cuida de um rebanho e não bebe leite dele?”. o do soldado. 1 CORÍNTIOS 9. portanto. 15.27. p. na Escritura. 3. “Não falo estas coisas como homem. o povo de Deus é muitas vezes retratado como sendo um exército.31. Grand Ra- pids: Kregel. Calvino.2.” Calvino pergunta por que Paulo não apelou para uma ilustração mais clara da lei mosaica. Porque na lei de Moisés está escrito: “Não atarás a boca ao boi quando debulha”.9. 5.17 Com essas três ilustrações da vida diária. 8. Paulo se volta para a Escritura. Não falo estas coisas como homem. 54. O versículo 8 refe- re-se ao mundo no qual nos movemos no dia a dia e lembra aos leitores dos exemplos que Paulo deu no versículo 7. 10. 16. c.18). 26.6). O pastor desfruta de um suprimento diário de leite de seus animais e ele pode alimentar-se e também sua família com os produtos derivados do leite.19.8. 45.9. 9a 407 palavras lembram um ditado proverbial da lei mosaica: “Qual o ho- mem que plantou uma vinha e ainda não a desfrutou?” (Dt 20.18 A Palavra de Deus é funda- mental. 18. reedição. 14. A expressão lei é explicada aqui como sendo a lei de Moisés. mas Paulo não baseia seu argumento somente nas observa- ções auto-evidentes. antes do pôr-do-sol” (Dt 24. Paulo prova o claríssimo fato de que ele merece sustento financeiro por seu trabalho entre os coríntios. a. 1 Coríntios 1. “Ou a lei não diz estas coisas?” Como faz repetidamente nessa epístola. c.19.7.

que fosse duro. grandes e pequenas. 13).. Uma tábua. SB. liso e nivelado. e o debulhador deve de- bulhar com esperança de compartilhar da colheita.14. “The Current Crisis in Exegesis and the Apostolic Use of Deute- ronomy 25. p. ele não requer que o homem cuide melhor ainda de seu semelhante? d.21 Deus está preocupado com o comporta- 20.10. 27. Kaiser. Como Criador deste universo. quando Paulo per- gunta se Deus está preocupado com bois. 10 do menor para o maior: se Deus quer que o fazendeiro tome conta de seu animal. Às vezes o fazendeiro punha os bois ou cavalos para pisar o grão com os próprios pés (comparar com Mq 4. Ver G. para o serviço do homem. Se um judeu amordaçasse o boi.. Portanto. 21. O boi podia comer tanto grão quanto quisesse enquanto estava puxando aquele peso todo. não é? 10 Ou ele está real- mente falando por causa de nós? Pois por causa de nós está escrito que o lavrador deve arar com esperança. “Deus não se preocupa com bois. quando clamam” (Sl 147. 3.9). 382.. era puxada em cima do grão por uma junta de bois ou cavalos que caminhava em círculo em volta de um poste (comparar com 2Sm 24.23). 21). O homem põe o animal para trabalhar para ele. Deus dá aos homens a ordem de permitir que um boi coma grão. ele não está dizendo que Deus só cuida de pessoas e negligencia os animais. Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento” (Sl 104. Jr. Walter C.4 in 1 Corinthians 9:8-10”. Note estas observações: a. “Faz crescer a relva para os animais e as plantas. “Dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos.” O fazendeiro israe- lita espalhava seu grão num terreiro de debulho ao ar livre. A inter- pretação dessa pergunta deve ser entendida no contexto das Escrituras. M. vol. mas Deus estipula que o homem deve cuidar do boi porque ele pertence à grande criação de Deus (ver Pv 12. Preocupação.408 1 CORÍNTIOS 9. não é?”. “Não atarás a boca ao boi quando debulha. Lee.. “Studies in . Deus mantém de momento em momen- to tudo o que ele fez. ele correria o risco de ser açoitado na sinagoga local. cujo peso era aumentado com pedras ou pessoas. Ele dá alimento a todas as suas criaturas.12. Deus não se preocupa com bois. JETS 21 (1978): 17.20 9b.22-24).9b.

Mais especificamente. Arar e semear normalmente são seguidos por debulhar e colher. “1 Corinthians 9. Argumento.19. mas logo estará desfrutando a colheita [Sir. Paulo diz que a expressão está escrito se refere à citação do Antigo Testa- mento do versículo que antecede (v. 10 409 mento do homem para com sua criação. REB]. Observe a ênfase na expressão com esperança. 9). Ao contrário disso. tem prazer em compartilhar o produto. como resultado de trabalho diligente. Instone Brewer. Este trabalhador prega e ensina o evangelho e espera a recompensa de uma colheita. NTS 38 (1992): 555-65. ele não está mais citando. D. . como a Igreja cuida de seus ministros? A expressão realmente significa que se Deus ordenou que o homem cuidasse de seus animais. não de animais. 1 CORÍNTIOS 9. ele não poderá esperar que ele providencie adequada- mente para o trabalhador. Deus fala ao homem e ordena que ele escute de modo obediente. A resposta a essa pergunta é enfaticamente afirmativa.9b. ele ensina que se o homem não cuida adequada- mente do animal. Quando escreve “porque o lavrador deve arar com esperança. Paulo pergunta a seus leitores: “Ou ele está realmente falando por cau- sa de nós?”. referindo-se à sabedoria.9-10”. Ele enfatiza que as Escrituras foram escritas para o homem e dirigidas a ele. Isso não quer dizer que Paulo não leva em consideração a intenção de Deus de não amordaçar um boi enquanto ele está debulhando os grãos.9-11: A Literal Interpretation of ‘Do Not Muzzle the Ox’”. c. Se você cultivá-la. Eclesiástico. No entanto. por isso ele repete a expressão por causa de nós. b. As Escrituras não contêm essas palavras. e não às palavras seguintes. 22. que ocorre duas Texts: 1 Corinthians 9. você trabalhará por um pouco. porque ele quer que o homem seja um bom mordomo. ele instrui os membros da Igreja a cuidarem dos ministros do evangelho. Endereçamento. e o de- bulhador deve debulhar com esperança de compartilhar da colheita”. Paulo confirma o que esteve ensinando nas frases anteriores. 6. num nível mais elevado. Mas o que Paulo está tentando dizer? Ele aplica essas palavras figuradamente ao obrei- ro cristão que.” Com a palavra pois. “Pois por causa de nós está escrito. diz: “Vá a ela como um lavrador que ara e semeia.22 Nós presumimos que Paulo esteja pensando num dito popular que tenha tido origem numa comunidade rural agrícola. Theology 71 (1968): 122-23. então espere os bons frutos que ela fornece. Deus está falando de homens.

As recompensas são infin- das e satisfazem além de qualquer medida terrena. Tradutores diferem aqui quanto às divisões em versículos e parágrafos. que devem participar das bênçãos materiais que vêm aos mem- bros da igreja. E agora eles esperam uma resposta espiritual e material dos membros dessa igreja. Nessa colheita. ele não pode esperar algum bem material em troca? A pergunta exige uma resposta afirmativa. Se de fato Paulo se- meou semente espiritual. Ambos estão cheios de esperança de que possam participar da colheita e apreciar sua recompensa.27). as palavras do versículo anterior parecem acres- centar muito pouco ao discurso. a esperança do lavrador torna-se realidade quando ele colhe a produção e se alegra.410 1 CORÍNTIOS 9. 11. pois os coríntios são. Ele e seus com- panheiros têm de fato semeado a Palavra espiritual de Deus entre os coríntios. será que não o possuímos ainda mais? Contudo. sem dúvida. Se semearmos coisas espirituais para vocês. nós não usamos desse direito. Mas o presente texto oferece a neces- sária explicação. tanto ele como aquele que debu- lha terão parte. mas nós suportamos todas as coisas para não criarmos obstáculos ao evangelho de Cristo. 24. leva mais tempo e exige paciência e cuidados extras. Ele tem em mente os trabalhadores espirituais na Igreja de Deus. ele escreve uma sentença condicional que reflete um fato verdadeiro. Em termos do aguardo esperançoso. beneficiários dos maiores dons (ver Rm 15. O crescimento espiritual. 12.24 23. Paulo não está falando sobre o lavrador e o debulha- dor em si. Muitos se- . No final. O crescimento na natureza ocorre numa estação em que os meses geralmente podem ser contados nos dedos de uma mão. no entanto. Além disso. e o debulhador no final. o lavrador está no começo do tempo de lavoura. Paulo aplica as palavras desse texto a si mesmo e a seus compa- nheiros ao usar o pronome pessoal nós. O Texto Majoritário tem uma leitura ampliada na segunda parte desse ditado: “E aquele que debulhar com esperança. Se outros compartilham desse direito [de sustento] sobre vocês. A comparação entre coisas que são eternas e coisas que são temporárias é óbvia.23 Aquele que ara e semeia deve fazer isso com a esperança de uma colheita no final. deve ser participante de sua esperança” (NKJV). 12 vezes. será grande coisa se [nós] recebermos de vocês uma colheita de coisas materiais? À primeira vista.11.

será que não o possuímos ainda mais?”.25 Depois.2. Paulo pregava e ensinava os coríntios. Talvez qui- sesse que pensássemos em Apolo e Pedro. Aos sábados. nós não usamos desse direito. NRSV. Comparar com Atos 20. E.9. a palavra vocês significa não um genitivo do sujeito (“seu. p. b. Quem são as pessoas às quais Paulo se refere indiretamente? A palavra outros revela que são pessoas que estão na mesma categoria que Paulo. 2 Tessa- lonicenses 3.34. Eu sigo Nes-Al. e portanto habilita- dos no trabalho em couro. Mas outros terminam o parágrafo atual ou com o versículo 12 ( TNT) ou o versículo 14 (NAB.3). Paulo ganhava o sufici- ente para pagar suas despesas. Nem Apolo nem Pedro fundaram a igreja de Corinto. REB) e começam um novo parágrafo com o versículo 12b.” Quando chegou em Corinto em sua visita inicial. por último. de vocês”). o texto grego tem a ex- pressão pura o direito. porém. Paulo escreve que esses homens compartilham do direito de esperar remune- ração por seu trabalho diário de pregar e instruir. 514. Paulo ficou com Áqüila e Priscila. Ele está dizendo que outros estão exer- cendo seu direito de pedir sustento financeiro. O verbo compartilhar é uma tradução direta do grego (ver v. 10). “Se outros compartilham desse direito [de sustento] sobre vocês. mas um genitivo objetivo (“sobre vocês”). “gozar”. que na linguagem comum pode significar “apreciar”. ele pregava na sinagoga local. a saber. então certamente Paulo pode requerê-lo para si. Bauer. . Se os outros usam o direito a sustento finan- ceiro.12 411 a.13. ele trabalhava para não ser pesado aos coríntios. Paulo está perguntando se ele não de- veria ter a primeira parte no direito de sustento. e os coríntios o consideram seu pai espiritual (4. 25. Ele havia se recusado a valer-se do direito de ser sustentado pela igreja que ele fundou e à qual servia. 11. que também ministram.35. O primeiro ponto que notamos é que Paulo escreve uma sentença condicional para afirmar as circuns- tâncias existentes em Corinto. Durante a semana. NJB). Ao contrário.15). Durante o período de um ano e meio. 1 CORÍNTIOS 9. Estes eram fabricantes de tendas como Paulo (At 18. Ao fazer essa comparação. NIV. “Contudo. Paulo sim. mas o contexto exige a explicação adicional de sustento. 2 Coríntios 12.8. aqueles que proclamam o evangelho.26 À medida que procura- guem as divisões UBS (GNB. 1 Tessalonicenses 2. 26.

e em tudo me guardei e continuarei a me guardar de ser pesado para vocês” (2Co 11. 66. então. e precisava de algo. supriram o que me faltava. Com o pronome nós. não me fiz pesado para ninguém. Eles agüentaram muitas inconveniênci- as em benefício do evangelho de Cristo. Se Paulo se recusasse a exercer seu direito de ser sustentado.12 va formular diretrizes que promoveriam a causa do evangelho. Paulo não procurava dádivas. Ele e seus cooperadores suportaram todas as coisas. William Hendriksen. No grego. Paulo e seus associados fariam qualquer coisa por amor ao evange- lho. p. 27 Quando Silas e Timóteo afinal chegaram. Paulo se tornou um pre- gador do evangelho de tempo integral (At 18. “Mas nós suportamos todas as coisas para não criarmos obstácu- los ao evangelho de Cristo. Exposition of I and II Thessalonians. c. Paulo sem dúvida inclui seus cooperadores Silas e Timóteo. quando vieram da Macedônia. 1955). eles o chamariam de ga- nancioso. porque ele mesmo escreve: “E quando eu estava entre vo- cês. Mas se aceitasse ser sustentado. mas prontamente deu o crédito devi- do a essa igreja pelo apoio que ela lhe deu. série New Testament Com- mentary (Grand Rapids: Baker.14-16). o verbo suportar tem como primeiro sentido o ficar quieto por amor a outros (comparar com 13.412 1 CORÍNTIOS 9. Essa igreja macedônia foi exemplo para outros com respeito a dádivas voluntári- as. A igreja em Filipos o supriu repetidas vezes com ofertas em dinheiro para ajudá-lo em seu trabalho (Fp 4. Seu estilo de vida. seus críticos o acusariam de ser desinteressa- do. . nunca deveria se tornar impedimento 27. pois os ir- mãos. Paulo escreve. Sabemos que esses homens haviam trazido dádivas financeiras para Paulo das igrejas da Macedônia. onde o mesmo verbo grego aparece). distante. que também podem ter trabalhado num ofício para suprir suas necessidades.” A adversativa mas dá força a e explica a adversativa contudo na cláusula anterior. ele viu que não poderia escapar à crítica. Eles próprios fariam o máxi- mo para não se tornarem pedras de tropeço para ninguém que desejas- se conhecer Jesus Cristo.7.9). Eles não desejavam que nenhum possível convertido a Cristo pu- desse jamais dizer que os apóstolos estavam interessados no dinheiro dele.5).

Greek Grammar. matéria. A Critical and Exegetical Commentary on the First Epistle of St. p. Este evangelho pertence a Cristo e ao mesmo tempo o proclama. (1911. 2ª ed. A Textual Commentary on the Greek New Testament. A palavra impedimento é um termo militar que tem a conotação de quebrar uma estrada para impedir o avanço do inimigo que o está perseguindo. contudo.10 ga. Metzger. sarkika. A conjunção pode ser explicada no sentido de “isto é” (NEB). somente Nes-Al apresenta o versículo 10b como uma citação. Difi- cilmente podemos transformá-lo em recitativo quando não há na Escritu- ra nenhuma referência. os estudiosos preferem o texto mais fraco. Thayer.2. 30.r – a partícula afirma a resposta positiva às perguntas retóricas anteriores (vs.9-12 413 para os coríntios. A maioria dos tradutores dá à palavra uma conota- ção causal.19 é apenas um leve eco.seij. 3ª ed. 166. Edimburgo: Clark. 29. Paul to the Corinthians. reedição. . 28. 9b. A evidência de manuscritos para essa leitura é mais fraca do que para fimw. – esse adjetivo descreve a aparência e as características da carne (ver 3. A posição de u`mw/n parece dar ênfase à idéia possessiva (“suas coisas materiais”). Palavras. 31.3).28 A palavra representa uma interrupção no cur- so de uma ação. 10a) no sentido de “com toda a certeza”.29 khmw.31 Versículo 11 eiv – três vezes em três cláusulas sucessivas. Contudo. e se refere a objetos materiais. Comparar com Archibald Robertson e Alfred Plummer. p. 1975). a fonte dessa citação não foi localizada. Blass e Debrunner.9-12 Versículos 9. o recitativo ou o causal.3). nº 452. p. Expressões e Construções em Grego em 9. 186. 1 CORÍNTIOS 9. Entre as edições do Novo Testamento Grego. pois Sir 6. Bruce M. 12a). que nesse caso significa a divulgação do evangelho de Cristo (2Co 6. corri- gida (Londres e NovaYork: United Bible Societies. h`mei/j u`mi/n – note a justaposição desses dois pronomes pessoais nessa cláusula e na seguinte (ver também v. essa partícula introduz fatos que são verdadeiros. International Critical Commentary.1975). com base transcritu- ral.30 o[ti – essa palavra pode ser ou a conjunção que. 558.seij – “você amordaçará”. isto é.

1. 19. 33. . o escritor de Hebreus nota que de mui- tas maneiras e em muitas formas. mas. 13. Ver também 3. pelos apóstolos. 9. Robertson.13-18 a. 2.2. T.16).414 1 CORÍNTIOS 9. Paulo poderia ter usado o adjetivo e[teroi (diferente). Remuneração 9. Os leitores deve- riam ter tido melhor percepção. está revelando sua verdade redentora a seu povo (Hb 1. 9. 3. ele considera o sistema levítico que Deus havia instituído em conexão com o templo. “Vocês não sabem?”33 Essa pergunta – uma repreensão – ocorre em outra parte da primeira carta aos coríntios (3. p. caso contrário. e nesses últimos dias nos falou por intermédio do Filho.aj rege o caso genitivo do pronome. Admitidamente.16.24. a revelação de Deus formava uma unidade. 500. Deus falou aos pais pelos profetas.cw (eu compartilho de). pelo contrário. Ele vê semelhança entre a ordem de Deus para o sustento de sacerdotes e levitas e a ordem com respeito à compensa- ção para os mensageiros do evangelho. 15. 5. tou/ Cristou/ – o genitivo é tanto subjetivo (“de Cristo”) como objeti- vo (“para Cristo”).14 Para os apóstolos e seus auxiliares. Renúncia a Direitos 9. Quando Paulo escreve sobre receber sustento financeiro do povo de Deus.6.lloi – ”outros” da mesma categoria. Vocês não sabem que aqueles que ministram os santos cul- tos comem a comida do templo? E aqueles que servem no altar regularmente participam das ofertas que estão sobre o altar? a.13 Versículo 12 a. Paulo lhes tinha dado 32. u`mw/n – o substantivo evxousi. Mas é Deus que.16. A.32 O substan- tivo em si é genitivo por causa do verbo mete.13. revelavam em sua vida religiosa uma incongruência perturbadora. 2). sendo o sentido resultante “este direito [de sustento] sobre vocês”. Ver 1 Coríntios 6. 1934). A Grammar of the Greek New Tetament in the Light of Historical Research (Nashville: Broadman.

35 c. Os dízimos e ofertas que as pessoas traziam ao tem- plo em Jerusalém eram para os sacerdotes e levitas. p. com perspicácia. Calvino. Como em outros lugares nessa epístola (por ex. especificamente em Israel. Calvino. Deus estipulou que os descendentes de Levi recebessem sua renda das ofertas que o povo trazia ao santuá- rio de Deus (Dt 18. observa a diferença entre o culto nos templos pagãos e no templo em Jerusalém: “Um argumento derivado do costume dos pagãos certamente teria sido fraco.2.13 415 os ensinos do Antigo Testamento e a mensagem do evangelho. 27. A palavra comida se refere às necessidades da vida e a expressão templo faz referência aos cultos divinos de adora- ção. Ver também SB.38. Ali os sacerdotes recebiam uma parte do que era oferecido no altar. “E aqueles que servem no altar regularmente participam das ofer- tas que estão sobre o altar?”. 1 CORÍNTIOS 9. 190. Os 34. Será que Paulo está intencionalmente distinguindo entre aqueles que trabalham no pátio e aqueles que ser- vem no altar? Dificilmente. os corín- tios gentios sabiam que os sacerdotes nos templos pagãos recebiam sua renda das pessoas que vinham para cultuar.1). Números 18. 3. 14). b. 7. Ver Levítico 6. embora acontecesse de essa renda ser usada para fins que não eram comida e roupa.8-7. Como a tribo de Levi não tinha herança em Israel. Ele se refere ao altar no pátio dos sacerdotes no templo em Jerusalém. a resposta é afirmati- va. Deuteronômio 18. 8. Mas será que nós podemos esperar que os cristãos gentios de Corinto esti- vessem familiarizados com as ordens do Antigo Testamento sobre os sacerdotes e levitas?34 À vista da comparação do próximo versículo (v. I Corinthians. E já à parte de ensinos da Escritura. “Que aqueles que ministram os santos cultos comem a comida do templo?”. 22. vol 3. . pois as rendas dos sacerdotes não eram dedicadas a necessida- des como comida e roupa. 300-301. Paulo faz uma declaração paralela.8-31. pp. mas sim a mobília e acessórios dispendio- sos.6). 21. “assim também o Senhor orientou aqueles”. 35. Essa parte da sentença expressa uma afirmação geral so- bre o trabalho e ministério de todos aqueles que estão ligados aos ser- viços dos templos.1-5. aparato esplendoroso e luxo extravagante”.. Os coríntios já deveriam conhecer das Escrituras as prescrições divinas relacionadas às providências para aqueles que lhes ministra- vam no serviço de Deus.

18).19-21). o próprio Jesus. e sim da Palavra de Deus. Nos Evangelhos. Assim também o Senhor orientou aqueles que pregam o evangelho a obterem seu sustento do evangelho.14 coríntios tinham conhecimento desses regulamentos do templo. 451. Assim mesmo. O pregador que proclama o evangelho fielmente pode esperar receber seu sustento do evangelho. Seu apelo é para uma autoridade superior à dos apóstolos. Esse versículo define claramente a fonte de sustento para o minis- tro da Palavra. Deus havia dado suas instruções para sustentarem a tribo de Levi. Essa ordem pede obediência.13. Do mes- mo modo. Paulo amplia o ensino de Jesus dizendo que aqueles trabalhadores que se dedicam completamente à pregação e ao ensino do evangelho devem ser sustentados pela igreja (Gl 6. 14. não obstante. Não a forma. Paulo escreve que Jesus ordenou que seus discípulos ganhassem a vida das pessoas a quem ministravam o evangelho.14 Um pregador é um ministro do evangelho.7.416 1 CORÍNTIOS 9. não dos apóstolos. não para os sacerdotes. Na verdade. Não deveria haver diferença nenhuma. Essa é uma distin- 36. comparar com 1Tm 5. Je- sus disse aos discípulos que um trabalhador é digno do seu salário (Mt 10. Paulo apela para uma palavra do Senhor que ele põe no mesmo nível das estipulações da lei mosaica. eles de- veriam entender que as provisões para os sacerdotes e levitas são as mesmas para os pregadores do evangelho.6). e sim para o povo de Israel. isto é. p. que provê seu salário anual. Embora ministre a Palavra aos membros da igreja. ele é um servo não da igreja. e sim dos membros da igreja. ele serve à igreja.36 Considerações Práticas em 9. ele permanece um servo da Palavra de Deus. “Mas ai daquele homem que afirma viver do evangelho sem que ao mesmo tempo viva pelo evangelho”. Lc 10.10. mas o princí- pio por trás dessas providências precisa ser observado. Godet. mas reconheciam que os cristãos gentios não precisavam observar essas leis cerimoniais (comparar com At 15. First Corinthians. .

essa preposição indica causa ou origem. O Senhor instruiu os beneficiários desse ministério a suprirem as ne- cessidades do pregador. Fee. Os leitores sabiam. Consultar Gottlob Schrenk. Ninguém negará que um ministro pode ser empregado e remunerado no mundo ordinário do trabalho e distinguir-se por seus dons. e foi ordenado para consagrar-se completamente ao ministério da Palavra.38 evk – seguido pelo caso genitivo. .13. 38. no entan- to. First Corinthians. A evidência de testemunhas textuais tanto pela omissão como pela inclusão é forte. i`ero. Palavras. A escolha de Paulo de to. 6. De seu salário. e sim em benefício deles. Bauer. – o adjetivo no plural neutro significa “as coisas santas” e refere-se a tudo que era ligado ao templo.14 Versículo 13 ouvk oi. p.16. 3. por exemplo.j (templo – o edifício em si). evk tou/ i`erou/ – o Texto Majoritário omite o artigo definido ta.p. 413 n. pode ir além das necessidades básicas da vida. Ver 3. NKJV). 95. ta. TDNT. 372. O sustento que eles estendem ao pastor.date – a partícula negativa introduz uma pergunta retórica que espera uma resposta positiva. Ele foi chamado para essa gloriosa tarefa. vol.19.. 1 CORÍNTIOS 9. A ordem não é dada aos missionários. o ministro deles deve poder liquidar suas dívidas de estudante. Versículo 14 toi/j – o dativo expressa vantagem.37 ta. p.13. e não o objeto indireto.n (complexo do templo) difere da preferência dele por nao. i`era. 37. 232. que na tradução tem de ser fornecido (KJV. porque Paulo e seus companheiros de trabalho lhes haviam ensinado as Escrituras. Um pastor deve receber um salário adequado para sustentar-se juntamente com os membros de sua família. porque o Senhor envia seu embaixador para pregar essa Palavra como ministro de tempo integral onde quer que seja possível. comprar livros para sua biblioteca pastoral e assinar periódicos teológicos e pastorais para que o ajudem em seu trabalho. 14 417 ção significativa. Mas um servo da Palavra precisa dedicar seu tempo à pregação e ao ensino do evangelho. Expressões e Construções em Grego em 9.

Corinto (At 18. mas antes como sinais de amor por Paulo (Fp 4. Sua menção de Barnabé. 39.15-18 15.14).15 b.34) realizou-se durante a segunda e terceira viagens (ver também 2Co 12. Consultar Ronald F. e sim no progresso do evangelho. Paulo percebe que alguns de seus lei- tores poderão ter a impressão de que ele está pedindo que a igreja o reembolse por trabalhos passados. refere-se à primeira viagem. Ninguém invalidará meu motivo de me gloriar. Pelo contrário. ape- sar da ordem de Jesus de que o trabalhador seja remunerado pelos seus serviços. a. CBQ 41 (1979): 438-50. .12).. presume-se que Paulo dependeu dos préstimos de um escriba.” Ao compor sua carta aos coríntios. O trabalho físico de Paulo em Tessalônica (1Ts 2. Portanto.. Paulo não está dizendo que outros são obrigados a seguir seu exemplo de se recusar a aceitar ser sustentado pelas pessoas. b.9).” Paulo sus- tentou-se com seu próprio trabalho durante as três viagens missionári- as. Ele afirma categoricamente que não reivindicou para si o direito de sustento financeiro (ver 4. Pois eu preferiria morrer do que. Ele não está interessado em seu próprio progresso. “Mas eu não tenho usado nenhum desses privilégios. ele esclarece que não está pedindo aos coríntios nenhum benefício pessoal. que se ocupava de trabalho manual para suprir suas próprias necessidades (9. Recompensa 9.418 1 CORÍNTIOS 9.3) e Éfeso (At 20. Hock.. “The Workshop as a Social Setting for Paul’s Missionary Preaching”. E não escrevo estas coisas para que desta maneira saiam em meu benefi- cio.6). E continuará a observar o princípio de não aceitar dinheiro ou gêneros pelo seu trabalho espiritual.39 Paulo afasta a possibilidade de os coríntios pagarem-no por seus préstimos durante uma visita futura. E as dádivas da igreja de Filipos não devem ser entendi- das como remuneração por serviços prestados. Enquanto está em pro- cesso de formar suas sentenças. Mas eu não tenho usado nenhum desses privilégios.14-18). mas de se apoiar em seus próprios recursos. “E não escrevo estas coisas para que desta maneira saiam em meu beneficio. Paulo mantém o princípio de não pedir nenhum salário.

8. Quando ele se controla de novo.14).15 and 7. na versão King James: “Porque melhor me fora morrer. NIDNTT. Só podemos supor qual teria sido a sentença inteira. 5. 229. pp.. por exemplo. . ele havia admoes- tado os leitores a não se gloriarem a não ser no Senhor (1. nós concluímos que Paulo se emocionava facilmente. TDNT vol. Rudolf Bultmann.12. 1. Sua razão de gloriar-se. Conservando a quebra na sentença.41 d.31. alguns manuscritos antigos dão à sentença uma semelhan- ça de continuidade com uma leitura diferente do grego.40 Nessa passagem. No entanto.9.” O que Paulo está querendo dizer? Anteriormente em sua epístola. recomeça com um pensamento um tanto diferente. Paulo reflete sobre seu relacionamento com os coríntios e é dominado por suas emoções. com Romanos 3. Porque se prego o evangelho. mas só com respeito a seu Senhor. vol.25. 16. refletimos o estado emocional de Paulo. não tenho nada de que me 40. Agora ele sugere que o cristão nunca pode se gloriar em si mes- mo ou em sua própria habilidade. “Pois eu preferiria morrer do que. 1 Coríntios 6.32. então. 651-52. Roger L. BibTr 34 (1983): 135-39. 41.10”. Nunca saberemos.32.” Pelas suas epístolas. antes que alguém me anule essa glória” . 12). A força da emoção de Paulo resultou numa ruptura da sintaxe. ver Gl 6.42 Paulo pode até dizer que seu direito de sustento por parte da igreja de Corinto não é motivo de se gloriar. Essa leitura é refletida. Ninguém pode impedi-lo de gloriar-se sobre isso (2Co 11. é que a causa do evangelho tem estado e está avançando livre de qualquer ônus. por exemplo. Freqüentemente ele se interrompe no meio de uma sentença e deixa o leitor preencher as lacunas.. Essa tradução dá uma leitura suave. Se recebesse remuneração agora. “Ninguém invalidará meu motivo de me gloriar. Mesmo se os coríntios desejassem remunerar Paulo. Omanson. 10. Comparar. Veja Hans-Cristof Hahn. 3. ele daria a seus adversários a oportuni- dade de invalidar seu motivo para se gloriar.16 419 c. 1 CORÍNTIOS 9.10). 42. mas não transmite a tensão emocional que causou a que- bra. Talvez Paulo estivesse a ponto de fazer um comentário crítico.. ele recusaria a ajuda deles para não cau- sar impedimento ao progresso do evangelho (v. “Some Comments about Style and Meaning: 1 Corinthians 9. de forma que deixa de completar a sentença.

1. isto é. 17. vol. Depois ele ensinou na igreja em Antioquia e de lá foi a Chipre e Ásia Menor. Se eu faço isso por escolha própria. A expressão ai de mim descreve a maior miséria que Paulo pôde imaginar. Tt 1.16. NIDNTT. Como ele mostra em sua mensagem de despedida aos presbíteros de Éfeso. Rm 1.15.2). esses homens eram dominados pela urgência de pronunciar a mensagem que Deus lhes havia dado. ele preci- sa falar (Am 3. Quando Jesus chamou Paulo na estrada de Damasco. Paulo é escravo de Jesus Cristo. Paulo proclamou a boa- nova aos judeus nas sinagogas de Damasco e Jerusalém. em pé diante do Sinédrio. Jeremi- as disse que a Palavra de Deus era como um fogo em seu coração e em seus ossos (Jr 20.10)..20). por ex. ele lhe disse que pregasse o evangelho aos gentios e ao povo de Israel (At 9. “em tempo e fora de tempo” (2Tm 4. a comissão recebida do Senhor o impulsionava a pregar. . como observa muitas ve- zes em suas epístolas (ver.9) e Amós escreve que. “Pois ai de mim se não pregar o evangelho. pregar o evangelho tanto a judeus como a gregos. 3. Quando começou seu ministério. Como Paulo. Ao contrário. e como tal ele executa fielmente sua tarefa (Lc 17. 26. Gl. ele trabalhou. para que judeus e gentios tomassem conhecimento do evangelho de Cristo. 1054.1). 17 gabar.43 Ele precisava pregar o evangelho da salvação – em suas próprias palavras a Timóteo.” Paulo evoca o lamen- to que os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testa- mento proferiram. dizem a esse corpo regente que eles não podem deixar de falar sobre o que tinham visto e ouvido a respeito de Jesus Cristo (At 4. pois ai de mim se não pregar o evan- gelho.420 1 CORÍNTIOS 9. porque Deus falou.15-18). Ele traria sobre si esse sofrimento se fosse desobediente ao divino mandado para pregar.8). Paulo não via o fato de ter sido nomeado para pregar como motivo de se gloriar. p.10. Pedro e João.21). Se não. Ver Norman Hillyer. eu tenho uma recom- 43. Paulo queria completar a tarefa que o Senhor Jesus lhe tinha dado. Sou obrigado a pregar. “testificando tanto a judeus como a gregos o arre- pendimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20. ele ficaria sujeito à ira de Deus e suas con- seqüências.

ele teria esperado uma compensação monetária deles. fizemos só a nossa obrigação” (Lc 17. mas não são intransponíveis. especialmente na palavra recompensa. porque Paulo indica que ele está sob obrigação divina para pregar o evangelho. com direitos (vs. Paulo sabe que ele recebeu sua incumbência do próprio Jesus. e a primeira parte deixa de corresponder bem com a mensagem do versículo anterior (v. 1-6). Se essa pessoa executa sua tarefa não por vontade própria. com o uso repeti- do do pronome da primeira pessoa eu (quatro vezes). eu simplesmente cumpro o serviço de despenseiro que me foi confiado. a. Se um mordomo faz sua tarefa por escolha ou sob coação. está na primeira parte do versículo.” Paulo escreve a palavra traduzida como despenseiro para mostrar que. preparou o jantar do mestre. Este versículo é obscuro. Ele é como o servo da parábola que arou o campo do mes- tre. . 18). porque ele era servo de seu mestre. b. Aqui. “Mas se o faço por peso da obrigação. Seme- lhantemente. “Se eu faço isso por escolha própria. No versículo seguinte (v. os servos de Deus devem dizer: “Somos servos inúteis. ele é apenas um mordomo. então. Ele não recebeu nenhuma palavra de gratidão por seu trabalho.1). ele serve a Jesus como um mordomo (ver 4. sua propriedade ou seus negócios.10). e pergunta – bem como responde – qual é sua recompensa. se ele tivesse vindo por escolha própria. No tempo de Paulo. Mas Paulo os informa que. embora ele seja um após- tolo. serviu-o à mesa e finalmente teve um momento livre para comer e beber. mas porque seu mestre o designou. sua responsabi- lidade permanece inalterada. Assim teria uma recompensa. Paulo parece retroceder a isso. as dificuldades permanecem. 16). 1 CORÍNTIOS 9. A segunda senten- ça combina bem com o contexto.” Se vemos esse versículo como uma continuação da explicação sobre os direitos de Paulo como pregador. eu simplesmente cum- pro o serviço de despenseiro que me foi confiado. Mas se o faço por peso da obrigação. O problema. Eles o vêem como pregador que veio até eles de livre e espontânea vontade. mordomos eram escravos a quem era dada a responsabilidade de administrar a casa de seu mestre. Os coríntios não conseguem entender como Paulo deixa de defender seus direitos como pregador.17 421 pensa. ele chama a aten- ção para si.

44. série The Bible Speaks Today (Leicester e Downers Grove: InterVarsity. ele teria sido frustrado em seu pro- pósito. Agora ele volta sua atenção a isso e dá sua explicação. Ao contrário.15.7). ele obedecia de bom grado àquele que o enviara e assim recebia uma recompensa. Nes- sa liberdade. 16. Ninguém poderia algum dia alegar um direito sobre Paulo por causa de alguma responsabilidade financeira (2Co 11. a expressão pregar o evangelho indica tanto a pregação como o viver de acordo com o evangelho.422 1 CORÍNTIOS 9. 15. David Prior. The Message of 1 Corinthians:Life in the Local Church.” Jesus man- dou que o trabalhador recebesse seu salário (Lc 10. minha recompensa?” Paulo percebe que. se lhe fosse mandado pregar por certa soma de dinheiro. 18). “Qual é. eu o ofereço de graça para que não faça uso pleno de minha autoridade no evangelho. mas a razão de Paulo para gloriar-se teria sido tirada. 142. 3. Preacher or Evangelist?”BibTr 32 (1981): 141-44. então. então. 46. embora receba pagamento por seus préstimos. Ver Paul Christoph Böttger. vol. eu o ofereço de graça. Qual é.7). 10. minha recompensa? Quando prego o evan- gelho. Ele proclama o evangelho gratuitamente (v. 17).18 18. “Um médico pode atender os doentes pelos motivos mais nobres. 158. 9). 45.. Essa recompensa não é algo que Paulo deseja para si. 15). . Em certo senti- do. 14). em seu discurso. Consultar Richard Cook. NIDNTT. “Paul. Como escravo de Cristo. 1985). 18)44 b. Paulo podia ativamente proclamar para todos a boa-nova.9. Por não receber remuneração por seu trabalho. p. Ef 3. Mas Paulo se recusa a valer-se de seu direito apostólico e chama de seu motivo de “gloriar- se” esta sua escolha por pregar o evangelho sem remuneração (v. Gl 1.45 Aqueles que pregam o evangelho devem receber sua renda do evangelho (v.. A pureza da motivação de Paulo é bem ilustrada por um paralelo tirado do universo médico. ele deixou de explicar a palavra recompensa na primeira sen- tença do versículo anterior (v.8. “Quando prego o evangelho. Paulo não devia fa- vores a ninguém..46 O evangelho teria sido proclamado. p. O desejo de Paulo de ser obediente à incumbência divina que recebeu é evidente em muitas epístolas (por ex. Ele via sua comissão para pregar como um privilégio. Ele rotula de “recompensa” essa sua ação de não aceitar pagamento pela sua obra no ministério (v. a.

“Para que não faça uso pleno de minha autoridade no evange- lho. Charles Hodge. 47. Primeiro: por que Paulo escolheu pregar o evangelho sem cobrar? É evidente que não o fez para ganhar mais elogios do que os outros apóstolos. Ele faz uso de seus outros direitos. a evidência da sua pureza é colocada acima de dúvi- da. que exerceram seus direitos apos- tólicos. Mesmo tendo escrito que ele trabalhou mais do que os outros. Paulo fez sua opção de suprir suas necessidades finan- ceiras trabalhando em seu ofício. Grand Rapids. e não entendi- das como uma referência abreviada à pregação do evangelho. 1 CORÍNTIOS 9. devem ser entendidas com a palavra autoridade. Ele traba- lhava por amor ao evangelho e sua influência cada vez maior no mundo.18 423 Mas quando ele assiste os pobres gratuitamente. An Exposition of the First Epistle to the Corinthians (1957. Paulo atribui o louvor e os agradecimentos a Deus (15. Paulo sabe bem que ele tem o direito apostó- lico de ganhar a vida do evangelho. mas opta por exercer o ofício de fabricante de tendas.10). 1965). “em o evange- lho”. e ele nunca pode exigi-la de outros. como também conclui todo o segmento sobre os direi- tos apostólicos de Paulo. . A idéia de realizar trabalho para vantagem própria lhe era repugnante. aqui Paulo estaria pedindo que os pregadores do evange- lho o imitassem? A resposta é um sonoro não. ele tem liberdade de exercer essa esco- lha. p. 162. Em nenhum lugar nas epístolas de Paulo encontramos qualquer evidência de que os pregado- res devam abolir a ordem que Jesus deu aos trabalhadores em seu rei- no. Fazemos duas perguntas. Segundo. Paulo oferece gratuitamente seu serviço com respeito ao evangelho. Eerdmans. As últimas três palavras da sentença. Se um ministro do evangelho tem uma fonte de renda independente e oferece seu trabalho de graça. mas nunca poderia exigir isso de seus cooperadores.”47 Paulo pregava o evangelho de graça – evidência indiscutível de sua motivação pura.” Essa segunda parte da sentença não somente explica melhor a primeira parte. c. embora seus motivos sejam os mesmos. Mas essa escolha é sua. mas não o de receber salário. Da mesma forma.

A apódose afirma verdade factual. An Idiom-Book of New Testament Greek.n ga. Consultar Metzger. C.keitai – voz passiva (“é colocada [sobre mim]”).424 1 CORÍNTIOS 9. forte e tem extensa representação geográfica.steumai – observe que o caso acusativo do substantivo despenseiro é retido com o verbo no perfeito passivo foi confiado. ouvdei.r euvaggeli. – a partícula comparativa do que depende do advérbio ma/llon (me- lhor) e precisa de outro elemento para completar a comparação. p.15-18 Palavras. F. evpi. pp. h. O apoio de manuscritos para essa leitura é antigo. o que resulta numa quebra de sintaxe.graya – este é o aoristo epistolar.j kenw. O verbo ativo pisteu. (Cambridge: Cam- bridge University Press. Versículo 16 eva. Em contraste. Mas esse elemento está faltando. Versículos 17. o apoio textual para a variante i[na tij kenw. Moule. D. – o uso do pronome pessoal como primeira palavra da sentença denota ênfase. para indicar contraste com o versículo anterior. 1960). 48. 17). no entanto. e. ed. O tempo presente mostra relevância continuada. É seguido pela adversativa de.sh| (para que alguém possa esvaziar) é fraco. a leitura h= não ocorre em outra parte do Novo Testamento.an pepi.sei – “ninguém esvaziará”.zwmai – essa cláusula é a prótase de uma sentença condicional que transmite o modo concessivo: “embora eu pregue o evan- gelho”. 2ª.18 oivkonomi.15-18 Versículo 15 evgw. Paulo indiretamente se refere a Jesus. Textual Commentary. 558-59. o escritor olha para sua epístola do ponto de vista dos leitores e emprega o tempo passado pelo presente: “Es- tou escrevendo”. 49. 32. Recorrer ao uso da palavra h= (na verdade) como meio de evitar a quebra é desaconse- lhável.49 Com a passiva. i[na – essa cláusula aposicional explica o versículo anterior (v. na qual Jesus é o agente subentendido. Expressões e Construções em Grego em 9.w com o dativo tini. Exceto por uma variante em Hebreus 6. .48 A regra de que a leitura mais difícil é mais pro- vavelmente a original se aplica aqui.14. e o acusativo do substantivo seria espera- do.

Comparar com F. Agora ele sugere que é livre de depender financeiramente de alguém. a. Tendo demonstrado seu dese- jo de ser livre como pregador do evangelho. Ele ecoa a idéia que começou esse capítulo (v. Aqui ele declara que é livre de todos os homens. 1).19-27 Paulo tinha a difícil tarefa de trabalhar em duas culturas distintas. ele estava livre de qualquer impedimento que pudesse obs- truir sua pregação.19 425 eivj to. Grosheide. Por essa razão. Não aceitando compensações da igreja de Corinto pelo seu ministério. ele revela a estratégia que emprega em ganhar pessoas para Cristo. Ali ele havia dado a entender que era livre das restrições alimentares que a lei mosaica impunha sobre os judeus. Ele tinha de pre- gar o evangelho a ambos os grupos. 1). Com a palavra livre. a dos cristãos judeus que viviam de acordo com a lei mosaica. katacrh. Paulo retorna à discussão sobre liberdade que deu início a esse capítulo (v.sasqai – a frase preposicionaal com o infinitivo articu- lar expressa resultado em vez de propósito. ele queria ficar livre para que pudesse ser útil ministrando a todos. mas sim livre de todos os homens. Paulo não diz que ele está livre de todas as coisas. Ali ele afirma que é livre porque tem a liberdade cristã. 1 CORÍNTIOS 9. A liberdade é um conceito relativo com suas próprias limitações. O infinitivo é perfectivo (“usar plenamente”). porque ele não fez uso da liberdade completa que possui.50 50. A Estratégia de Paulo 9. Porque embora seja livre de todos os homens. Paulo estava na posição nada invejável de exercer liderança falando sobre todas as questões que di- vidiam os crentes em Corinto. ao mesmo tempo procurando uni- los em uma comunidade de crentes e servindo como fiel pastor para os cristãos que tinham consciência fraca. Commentary on the First Epistle to the Corinthians: .19-23 19. como fato objetivo. W. eu fui escra- vo de todos para ganhar tantas pessoas quanto possível. 3. Liberdade Apostólica 9. e a dos cristãos gentios que estavam livres da lei de Moisés.

Paulo demonstra que ele é servo de Jesus ao ser servo do povo de Cristo (comparar com Gl 5. Paulo pode se relacionar com todo e qualquer crente na igreja de Corinto.5). . 2. Agostinho o colocou sucintamente: “O homem é mais livre quando controlado so- mente por Deus”. Paulo imita Jesus. para ganhar aque- les que estão sob a lei. Paulo começa com seu próprio povo e se prende ao princípio “primeiro ao judeu e depois ao gentio”. R. Como homem livre. 211.426 1 CORÍNTIOS 9. 142. mas para servir. ele espera ganhar mais adeptos com a estratégia de ser um escravo do que por qualquer outro método. Não é assim entre vocês. Com os judeus eu me conduzi como judeu para ganhar os judeus. 51.13).51 De modo conclu- sivo. St.46. quem quiser tornar-se grande entre vocês. Cambridge Greek Testament for Schools and Colleges (Cambridge: Cambridge University Press.20 Paulo podia dizer que estava livre para comer ou não comer carne. p.16. o objetivo de Paulo é ganhar tantas pessoas quanto for possível para Cristo.25-27). e quem quiser ser o primeiro entre vocês será servo de vocês” (Mt 20. John Parry. Ele cumpriu literalmente as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos: “Vocês sabem que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Em vez disso. Romanos 1.. “Com os judeus eu me conduzi como judeu para ganhar os ju- deus. 52. ele nunca estava livre da lei de Deus. Ver.5. Entenda-se que ele não está competin- do com outros apóstolos para arrebanhar maior número de converti- dos. 1937). Mas The English Text with Introduction. que veio não para ser servido. série New International Com- mentary on the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans. porque ele tinha liberdade apenas dentro do contexto dessa lei. por ex. Atos 13.52 Paulo nasceu judeu e era hebreu de hebreus (Fp 3. pelo contrário.” Como alguém que é escravo de todos. 1953). Ele tem plenos direitos apostólicos de ser livre de controles humanos. p. Contudo. será esse o que os servirá. Sendo servo de todos. Exposition and Notes. e que ele gozava de liberdade financeira por causa de seu ofício de fabricar tendas. embora eu mesmo não esteja sob a lei. a. com aqueles que estão sob a lei eu me tornei como alguém sob a lei. 9. 6. Mateus 10. 20. The First Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians. mas escolheu ser servo de todos os crentes coríntios.

3).55 Mas por que será que Paulo chama a atenção novamente para os judeus? A resposta parece ser que ele deseja es- clarecer bem a distinção entre aqueles que estão sob a lei (v.21). . Embora acusa- do de não ensinar a lei de Moisés ao povo judeu que vivia na Dispersão (At 21. As duas orações se apli- cam aos judeus que estão sob a lei de Moisés e também a cristãos que têm consciência fraca. série New Testament Commentary (Grand Rapids: Baker. ele próprio fez um voto nazireu para expressar gratidão a Deus por livramento (At 18. p.17) e assim não é mais um judeu ou um grego. Kistemaker.13-14”. 26). Ver Hall. Comparar com Stephen Westerholm. ele se uniu a quatro nazireus em seus ritos de purificação e pagou as despesas deles para a oferta sacrificial (At 21. ele mostrou-se disposto a apaziguar os cristãos judeus em Jerusalém. Veja Barbara Hall. Gaventa (Nashville: Abingdon. org. 56.” Aqui se encontra um paralelo com a primeira frase desse versículo. 762-64.23. 20) e aqueles que não têm a lei (v.19-23” in The Conversation Continues: Studies in Paul and John. 21). 146. 55. também parece se relaci- onar aos cristãos que têm consciência fraca que estão sob a lei e aos cristãos fortes que exercem a liberdade de não estar sob a lei. por ter se tornado um seguidor de Jesus. In Honor of J. NTS 32 (1986): 94-112. 1 CORÍNTIOS 9.56 53. Israel’s Law and the Church’s Faith: Paul and the Recent Interpreters (Grand Rapids: Eerdmans. L. Ver T. Paulo tentou promover a unidade da Igreja. por Robert T. Exposition of the Acts of the Apostles .20 427 quando escreve que ele se tornou um judeu para os judeus. “All Things to All People: A Study of 1 Corinthians 9. “All Things to All People”. Fortna e Beverly R. Paulo se adaptou a costumes judaicos quan- do procurava ganhar os judeus para Cristo. “Com aqueles que estão sob a lei eu me tornei como alguém sob a lei. 1988). Donaldson. Ao levar cristãos da Macedônia e da Ásia Menor (At 20. embora eu mesmo não esteja sob a lei. pp.24. 192-195. 146.53 Durante seu ministério. ele dá a entender que.20. Louis Martyn. p. Essa distinção não se aplica somente aos judeus de um lado e aos gregos de outro. ele é uma nova criatura (2Co 5. Aqui estão alguns exem- plos notáveis: ele mandou circuncidar Timóteo “por causa dos judeus” (At 16. 1990). 1990).4) para Jerusalém.54 b. pp. Consultar Simon J.18). “The ‘Curse of the Law’ and the Inclusion of the Gentiles: Gala- tians 3. 54. Desejava demonstrar que não fazia objeções a obedecer à lei de Moisés.

21). A evidência para a inclusão é esmagadora. Gl 5. Ele tem em mente os judeus que ainda não conhecem Jesus e o poder libertador do evangelho.10. Paulo se adaptava tanto aos judeus como aos gentios.428 1 CORÍNTIOS 9.58 Depois. Entretanto. Ainda que Paulo tivesse sido nomeado apóstolo primeiramente aos gentios (ver Gl 2. 12. 21. “Para ganhar aqueles que estão sob a lei. para ganhar os que estão sem a lei.” O propósito de Paulo em obedecer à lei judaica é encorajar os judeus a se converterem ao Cristianismo. ele está diante tanto de gentios que igno- 57.” Por que Paulo não diz diretamente “gentios” em vez de escrever a longa circunvolução. Paulo está disposto a associar-se àqueles judeus que consideravam ser obrigação sua obedecer à lei mosaica. “aqueles que estão sem a lei”? Primei- ro. p. 5. Com aqueles que estão sem a lei eu me tornei como alguém sem a lei. Textual Commentary. tanto a parte civil como a cerimonial dessa lei provaram ser um fardo para os judeus (comparar com At 15.7-9). Ele deseja que “aqueles que estão sob a lei” possam ter a mesma liberdade que ele goza em Cristo. ele acrescenta uma rejeição reveladora à sua disposição de observar o mandamento da lei de Moisés: “Eu mes- mo não estou sob a lei”. Gl 2. a. 58. por ex. “Com aqueles que estão sem a lei eu me tornei como alguém sem a lei. 559. Como defensor da liberdade cristã (ver. Contudo.13). Fará isso em cenários judaicos por um só motivo: para ganhar os judeus para Cristo. que pode ter sido omitida acidentalmente quando da transcrição.20. 5. de purificação e da guarda do sábado. ele pregou o evangelho da salvação tanto a ju- deus como a gregos (At 20. Consultar Metzger.1.2). 10. Assim ele buscava ganhar “os sob a lei” e “os sem a lei”.57 Ele permanece livre em Cristo Jesus. mas sob a lei de Cristo. A palavra gentios ocorre somente quatro vezes (1Co 1.21 A palavra lei nesse versículo e no próximo (v. em benefício do evangelho.1). Paulo colocará de lado sua liberdade em Cristo e se colocará sob o jugo da lei mosaica. Ele não se refere a cristãos judeus que já sabem que têm liberdade.. 21) se refere à lei mosaica. Com esses judeus ele observa seus costumes. nessa epístola ele evita alienar os gentios e é cauteloso ao dirigir-se a eles diretamente. O Texto Majoritário omite essa cláusula. c. Para ser preciso.23. o que inclui regras alimentares. embora eu não esteja sem a lei de Deus. .4.

. First Corinthians. ele deixava de observar as leis judaicas de alimentação. 21). Paulo escreve o termo ano- mos.” Com essas palavras. portanto ele trans- gredia os preceitos de Deus.19. Ele vive de acordo com a lei de Cristo. que tem um sentido duplo: objetivamente. Fee toma esse substantivo como sendo um genitivo objetivo. Os judeus raciocinavam que ele não era ignorante da lei. Mas o sentido subjetivo também atua aqui. 1086. 60. As nações eram povos sem a lei. Deus confiara aos judeus “as próprias palavras de Deus” (Rm 3.21).60 mas sob a lei de Cristo. Sempre que Paulo estava com gentios.21 429 ram a lei de Deus como de gentios cristãos que estão livres da lei mo- saica. Paulo contrasta os que estão sem a lei com aqueles que haviam recebido a lei. Cl 2. Eu mesmo não estou sob a lei (v.11-14. 19). porque Paulo acrescenta imediatamente que ele mesmo não está sem a lei de Deus. A primeira afirmação (v. b. 4. Observe que em três versículos seguidos Paulo enfaticamente informa os leitores sobre sua situação: Eu sou livre de todos os homens (v. TDNT. vol. 21).11. a conduta de Paulo entre os gentios o tornava um gentio. mas havia deixado de lado todas as outras nações (Sl 147. mas sim sob a lei de Cristo (v. “Ser livre significa não estar nem debai- 59. “Embora eu não esteja sem a lei de Deus. 1 CORÍNTIOS 9. 429.20). “aqueles sem a lei” poderia até se referir aos co- ríntios fortes. os gentios eram sem a lei de Deus. Veja Walter Gutbrod.59 No presente versículo. Ver também MLB. 19) deve ser explicada à luz das outras duas declarações (vs. subjetivamente. Paulo deixa claro aos cristãos judeus e gentios que ele não é uma pessoa fora da lei. De um ponto de vista judaico. p. circuncisão e celebrações de luas novas e sábados (ver Gl 2. Eu não estou sem a lei de Deus. “para com Deus”. 20. 16). Não é de admirar que em Jerusa- lém ele tenha sido acusado de ensinar os judeus na Dispersão a aban- donar as leis e os costumes de Moisés (At 21. eles eram pessoas que não davam atenção àquela lei. E finalmente. p.2). o sentido objetivo prevalece. 20). No grego.

ele se sujeita à lei de Cristo.4. Quando eles põem sua fé em Cristo. . Se o crente está dentro da lei de Cristo. então. trad. “Para ganhar os que estão sem a lei. pp. esses gen- tios ordenam a própria vida de acordo com a lei de Cristo.” Em seu esforço de ganhar o maior número possível de pessoas para Cristo. 119-20.”63 c.430 1 CORÍNTIOS 9. Paul: An Outline of His Theology.7) no mesmo nível de um dos preceitos mosaicos (Dt 25. os mandamentos morais de Deus permanecem. Consultar Herman N. ele não pode fazer nada que seja proibido ao cristão. ao mesmo tempo ele está dentro da lei de Deus e obedece à vontade dele.18). Em relação a Cristo. esta lei de Cristo? A expressão ocorre uma outra vez no Novo Testamento (Gl 6. 63. Paulo diz ao leitor que a obediência a essas ordens é importante (7. Ele não busca mais a salvação em relação à lei. 1975). contudo ao mesmo tempo ele está sob a lei de Cristo. The Cross and Christian Ministry (Grand Rapids. Por meio de Cristo. O que é. isso o obriga. Paulo está dizendo que ele está livre da lei pela qual os judeus buscaram salvação. Mas agora que a salvação chegou por meio de Jesus Cristo. mas agora ele quer guardar a lei para demonstrar sua gratidão a Cristo. 1Co 9. 61. 62. Ele não está livre da lei de Deus.9. 1Tm 5. Paulo é livre. Baker. e ele deve fazer tudo o que foi ordenado ao cristão.19). “All Things to All People”. “O que Deus exigir dele como crente do novo pacto. p.21 xo da lei nem fora da lei.62 Ele até coloca a palavra de Jesus de que o trabalhador é digno de seu salário (Lc 10.”61 E aquele que está em Cristo Jesus é uma nova criatura. Hall. Paulo busca ganhar os gentios para o Senhor. Existe um limite rígido à flexibilidade enquanto ele busca os perdidos de grupos de culturas e religiões diferentes. Embora Cristo tenha abolido as leis civis e cerimoniais. D. 284-85. E porque Cristo é o Mediador da lei de Deus. Carson. Ridderbos. e sim em Cristo. 1993).2) e descreve a implementação do amor: levar as cargas uns dos outros. 152. ele não pode pisar fora desses constrangimentos. Ocupado em brincar com o termo lei. a visão de Paulo sobre a lei de Deus mudou. pp. 14. A. um cristão. Paulo deve manter- se dentro dos parâmetros dessa lei no cenário do pacto de Cristo. ele está sob a lei de Cristo. por John Richard de Witt (Grand Rapids: Eerdmans.

como fracos na consciência eles requerem ajuda daqueles que são fortes. Os fracos eram aqueles coríntios cuja consciência era fraca. “A Note on ‘the Weak’ in 1 Corinthians 9. Teríamos esperado um equi- líbrio sintático que incluísse os fortes. nessa epís- tola. O versículo 22 dá a entender que. nessa passagem em particular. 1 CORÍNTIOS 9. 21) para levá-los a um conhecimento salvífico de Cristo.9-13).22 431 22. precisavam do aconselhamento de Paulo e de seu incentivo para serem fortalecidos em sua fé cristã (Rm 14. Eu me tornei todas as coisas para todos os homens para que por todos os meios eu possa salvar alguns. Com aqueles que são fracos eu me tornei fraco para ganhar os fracos. nem muitos de berço nobre. passa a discutir seu relacionamento com os fracos. No contexto. David Alan Black assegura que os fracos são não-cristãos que eram incapazes de elaborar qualquer justiça para si. Sugerimos que com a frase eu me tornei fraco para ganhar os fra- cos no versículo 22. 20) como para os gentios (v. Com um rodeio. Os fortes eram livres em Cristo e não ficavam com a consciência pesada quando comiam carne que ha- via sido sacrificada a um ídolo. Bib 64 . Anteriormente. ele completou a volta ao passar em revista a liberdade que ele tem em Cristo. ele emprega o verbo ganhar tanto para os judeus (vs.64 Considere o fato de que durante seu minis- 64. Os fracos já conhecem Jesus Cristo como seu Salvador. Paulo pode ter tido em mente uma conotação du- pla – uma conotação que se refere tanto aos fracos na consciência como aos economicamente fracos.26-28).22”.1). Mas quando Pau- lo fala dos fracos – aqueles cuja consciência é fraca – não há necessi- dade de escrever o verbo ganhar. 19. Assim. Paulo também pode ter estado pensando em ganhar para o Senhor os coríntios que eram fracos economicamente. Fazemos duas observações: a. Mas Paulo não está interessado em comparar os fortes com os fracos. Adaptação. Agora Paulo ressoa essa mesma mensagem quando escreve: “Eu me tornei fraco para ganhar os fracos”. “Com aqueles que são fracos eu me tornei fraco para ganhar os fracos. e que Deus chamava as coisas fracas e insignificantes para envergonhar as fortes (1.” Paulo agora volta à sua discussão sobre os cristãos com consciência fraca (8.1. ele declarou que entre aqueles que Deus tinha chamado não havia muitos poderosos. 15.

o Senhor Jesus Cristo penetraria no coração de qualquer pessoa que vivesse em trevas espirituais. (183): 240-42. estava pronto a identificar-se com os po- bres para ganhá-los para Cristo. E para os fracos ele tornou-se fraco. “Paul’s Tentmaking and the Problem of His Social Class”. mas para o escravo. que se chama o pior dos pecadores (1Tm 1. Assim mesmo. .15). A Model for Those Who Seek to Win Souls”.22 tério em Corinto Paulo identificou-se prontamente com os pobres não apenas quanto às palavras.” O apóstolo é um modelo para todos que desejam ganhar pessoas para Cristo. ele voluntariamente vestiu um avental e colocou uma faixa na cabeça para exercer seu ofício. Ronald F. Paulo servia como instrumento para levar pecadores a Deus por meio do evan- gelho. Estariam deixando de ver o forte propósi- to que motivava Paulo em seu empenho missionário: era levar o evan- gelho ao maior número possível de pessoas. mas o verdadeiro tra- balho da salvação pertencia a Deus. mas as pes- soas da classe baixa o aceitaram alegremente. como era refletido na educação esmerada que havia recebido. b.432 1 CORÍNTIOS 9. e com os gentios como um gentio (dentro dos limi- tes do mandado de Cristo). Se o fizessem. Realidade. Deus abriria o coração de todas as pessoas que ele escolhesse salvar. Se Deus se agradou de salvar Paulo. Seu trabalho de fabricar tendas era uma demonstração vívida de se identificar com aqueles que eram economicamente fracos (At 18. Os adversários podiam acusar Paulo de ser ineficaz. O próprio Paulo pertencia à classe alta. Hock. “Eu me tornei todas as coisas para todos os homens para que por todos os meios eu possa salvar alguns.1-4). JBL 97 (1978): 555-64. aconselhava e incentivava. Com os judeus ele vivia como judeu. Kenneth W. Neller entende os fracos como sendo pessoas a quem falta ma- turidade espiritual: “1 Corinthians 9. A elite social do mundo greco-romano desprezou-o por seu ofício ignóbil. Paulo se adaptava a situações diversas em todas as culturas. estariam completamente errados quanto ao motivo que o impulsionava. mas também quanto às ações. no entanto. Paulo pregava. para que pudesse tornar-se “todas as coisas para todos os homens”.65 A elite considerava a oficina como sendo um lugar que não era para o homem livre. instável e mutável. Paulo estava convencido de que à medida que ele pregava a boa- nova da salvação. 65. ResQ 29 (1987): 129-42. Paulo.19-23.

“E eu faço todas as coisas.24. há ale- 66. Ele pensa em sua tarefa que o Se- nhor lhe deu e que ele espera completar. p. NKJV). Há alguns manuscritos gregos que têm a leitura “eu possa salvar todos”. contanto que o evangelho seja proclamado a todas as pessoas. 24). Paulo é o servo do evangelho. 23. e ver Fp 3.” Observe que Paulo escreve a pala- vra todos/todas quatro vezes nos versículos 22 e 23.23 433 Em poucas palavras. b. “Por amor ao evangelho.14).19. 1 CORÍNTIOS 9. Ele trabalha como se todas as pesso- as devessem ser salvas. descendo ou su- bindo a qualquer nível da sociedade. mas a evidência favo- rece o texto que nós adotamos: “eu possa salvar alguns”. pois ele declarou que em Cristo não havia “nem judeu nem grego. isto é. Sempre que uma pessoa se volta para Cristo em fé. c.” A cláusula repete o pensamento dos versículos 15-18.” Imaginaría- mos que Paulo fosse um perdedor quando anunciou sua intenção de ser servo de todos que queriam escutar o evangelho. É a tarefa de proclamar plena- mente o evangelho da graça de Deus a todas as pessoas em todos os lugares (At 20. Ele sabia que em Cristo todos os crentes são um. nem homem nem mulher” (Gl 3. “Para que eu possa compartilhar nele juntamente. . o Texto Majoritário tem “isto” (KJV. é “para que por todos os meios [ele] possa salvar alguns”.66 a. É compreen- sível que Paulo fosse o primeiro a dizer que embora ele trabalhasse muito para apresentar o evangelho a todas as pessoas. não ele. Rm 11. como demonstra ao servir todas as classes de pessoas.28). Para Paulo a palavra discriminação era desconhecida. mas ele sabe que só algumas responderão ao evangelho (ver 10.33.7-14). exercendo qualquer tarefa ignó- bil. Paulo estava disposto a viajar ao Ilírico (atual Albânia e ex-Iugoslávia) e Espanha para dar ao evangelho a divulgação mais ampla possível (ver Rm 15.13). e sim o beneficiário das bênçãos que acompanham a pregação da boa-nova. mas Deus. Em vez de “todas as coisas”. 774. Paulo não é o perde- dor. nem escravo nem liberto. Bauer. ele é um humilde servo do evangelho que fará qualquer coisa. E eu faço todas as coisas por amor ao evangelho para que eu possa compartilhar nele juntamente. efetua a salvação (Fp 2. Paulo expressa um sóbrio realismo quando escreve que ao ser todas as coisas para todos os homens.

. Mas o próprio evangelho permanecia sem mudança.11- 14”. mas ministrou o evangelho com eficácia para todos. seu propósito deverá ser sempre levar as pessoas ao conhecimento salvífico de Jesus Cristo. TynB 29 (1978): 89-142. Jesus mandou os fariseus pagarem impostos a César e da- rem a Deus aquilo que lhe pertence (Mt 22.19-23 gria e felicidade no Senhor.19) e assim foi considerado como um deles. dos gentios e dos fracos. “Pauline Inconsistncy: 1 Corinthians 9. inclu- sive na questão de comida e bebida.19-23 Se Paulo queria ser todas as coisas para todos os home