Nº 28 - Fevereiro 2010

PUBLICAÇÃO ANUAL DO SINDICATO DOS PROFESSORES DO ENSINO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO • Nº 28• FEVEREIRO/2010

A presente edição da Revista de Educação da APEOESP contém
subsídios para os professores da rede pública estadual, associados do
nosso sindicato, que se inscreverão nos próximos concursos públicos
promovidos pela Secretaria de Estado da Educação e que participarão
das provas instituídas pelo governo.
Organizada pela Secretaria de Formação, esta publicação contém as
resenhas dos livros que compõem a bibliografia dos concursos, realiza-
das por profissionais altamente qualificados, de forma a contribuir para
que os professores possam obter o melhor desempenho nas provas.
Ao mesmo tempo, não podemos deixar de registrar nossa posição
contrária às avaliações excludentes que vem sendo promovidas pela
Secretaria Estadual da Educação que, além de tudo, desrespeita os pro-
fessores ao divulgar extensa bibliografia a poucos dias da prova, inclu-
sive contendo vários títulos esgotados.
Esperamos, no entanto, que todos os professores possam extrair des-
ta edição da Revista de Educação o máximo proveito, obtendo alto ren-
dimento nas provas dos concursos e avaliações.
Nossa luta por mais concursos prossegue, com a periodicidade ne-
cessária diante de uma drástica redução no número de professores tem-
porários, agregando mais qualidade ao ensino e profissionalizando, cada
vez mais, o magistério estadual. A periodicidade dos concursos a cada
quatro anos – com ritmo mais acelerado nos próximos dois anos – foi
uma conquista nossa e vamos exigir que seja efetivada.

A diretoria

..... José Carlos............ 1998. 2002 ... Ensaio: aval.. 16 5... 10 4. Pol........... Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação..... Jacques e EUFRAZIO........... César e outros......... O construtivismo na sala de aula.... ASSMANN.... 28 7..... ...... Maria Helena Guimarães de..... 121-128................ Educação: um tesouro a descobrir............ TAYLOR... 14. CASTRO..... Metáforas novas para reencantar a educação .. DELORS........... 11-28. CHRISPINO....... ............... São Paulo: Cortez.............. M......... Sistemas Nacionais de Avaliação e de Informações educacionais....... José................ÍNDICE 1.... BEAUDOIN....epistemologia e didática........... 25 6.. M. Bullying e desrespeito: como acabar com essa cultura na escola. 2000 ........... 2001 .. p....... 41 ..... 8 3.......... jan... COLL............. A autonomia dos professores..... ..... Porto Alegre: Artmed...... São Paulo em Perspectiva... 15../mar. Álvaro.. CONTRERAS... N. Piracicaba: Unimep.. Pub.......... 2007........................... v.. 2006...... 6 2..... São Paulo: Ática. p............... n. Educ..... n... São Paulo: Cortez............. 2006 .. 54....... Rio de Janeiro.......... v.......... Hugo... 1.....

.. A prática educativa: como ensinar...... PICKERING.......... Avaliação da Aprendizagem ..... 2001 . Ensino que funciona: estratégias baseadas em evidências para melhorar o desempenho dos alunos.... Porto Alegre: Artmed........ Avaliar para promover: as setas do caminho..... Celso dos Santos... Jussara........ POLLOCK.. HOFFMANN. Debra J. O ensino na sociedade do conhecimento: educação na era da insegurança.. 62 11..................... Porto Alegre: Artmed... Antoni........... 10 novas competências para ensinar......... Andy...................................... VASCONCELLOS....... 50 9. Porto Alegre: Artmed.......... 2008 ...... 83 15...... Porto Alegre: Mediação........ MARZANO.. PERRENOUD.. 2003 ........... 2002 .. o possível... Robert J.. 2002 .. o necessário........... 67 12. ZABALA. 1998 . Délia... Jane E.. Petrópolis: Vozes. Porto Alegre: Artmed.......... São Paulo: Libertad..... 2003 .... 'Porto Alegre: Artmed.. Maurice............................. 2000 .. Saberes docentes e formação profissional.. TARDIF........ 76 13.........8................... LERNER....... HARGREAVES........ Philippe... 54 10........................... 81 14........Práticas de Mudança: por uma práxis transformadora............. Ler e escrever na escola: o real.. 88 ...

no é uma certa valorização da razão lúdica. e reconhecimento de sa. É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos tos.Nº28 1. Na segunda parte do livro. embo- também em sociedade aprendente. aber- tos para a surpresa e o imprevisto. . privilegiando a circundante (mercado competitivo) se volta quase que capacidade de acessá-los. sinônimo automático de boa aprendizagem por parte dos do melhoramento das perguntas e do acessamento alunos. unir capacitação competente com formação humana so- sos cognitivos. Ele afirma que o processo educacional. as humanas e sociais. debate pós-modernista geralmente não consegue sair do Toda educação implica doses fortes de instrução. 2001. da crise das ciênci- tendimento e manejo de regras. mas é também a tentativa de Sociedade aprendente reintroduzir a lógica nebulosa nas práticas culturais. é o aspecto fundamental da educação. já que hoje a escola incompetente se revela como No mundo atual. ou seja. um clima esperançador no próprio contexto escolar. ou seja. É importante saber ra importante.6 FEVEREIRO/2010 . memória como um processo dinâmico. que há uma pressuposição equivocada de de informações. esperançador. onde o que mais se escuta são la- beres já acumulados pela humanidade. planetariamente nas vivências personalizadas de aprendizagem que obede. já que este reside Em meio ao acirramento competitivo. dade competitiva). mesmo em áreas específicas.sem dúvida. aprendente. A teoria de ciação em vivências personalizadas do aprender a apren. porque a maioria das expectativas do meio memorização dos saberes instrumentais. sobrante O autor inicia sua obra analisando os vários aspectos cia do aprender. decodificá-los e manejá-los. Assmann (2001) fala da pós-modernidade e a globalização do mercado. mas criar situações de aprendizagem nas dialmente na excelência pedagógica e na colaboração para quais todos os aprendentes possam despertar. a educação se confronta como desafio de cem à coincidência básica entre processos vitais e proces. lidária. Isso pode ser ilustrado. O pós-moder- mas como contexto e clima organizacional propício à ini. jogos é parte substancial da engenharia de sistemas der. O exclusivamente para a demanda da eficiência (capaci- aspecto instrucional deveria estar em função da emergên. a não se levar tão a sério. Ele define que educar não é apenas so ético-político do/a educador/a deve manifestar-se primor- ensinar. diante sua própria experiência do conhecimento. Palavras chaves do autor: reencantamento. modernidade/pós-modernismo e didática. Este explica que a escola não deve ser concebida como O objetivo desta reflexão é buscar a ponte entre pós- simples agência repassadora de conhecimentos prontos. A flexibilidade é um aspecto cada vez mais imprescin. me. competente e formação solidária – ficou sumariamente Portanto. confuso e embolado. De acordo com o autor é imprescindível melho- rar qualitativamente o ensino nas suas formas di. O reencantamento da educação requer a união entre dáticas e na renovação e atualização constante dos sensibilidade social e eficiência pedagógica. que uma boa pedagogia se resume num bom ensino. não deveria preocupar-se tanto com a difícil. O pós-modernismo é. meio-de-campo. e que um bom ensino da parte dos docentes não é saberes pré-fixados por uma pedagogia da pergunta. HUGO. que saiba trabalhar com conceitos transversais. PIRACICABA: UNIMEP.EPISTEMOLOGIA E DIDÁTICA. O pedagógico expresso em uma série de novas linguagens. o aspecto instrucional da educação já estruturalmente reacionária por mais que veicule discur- não consegue dar conta da profusão de conhecimentos sos progressistas. acessamento. Fala-se muito em sociedade do conhecimento e agora O marco referencial do debate pós-modernista. do conhecimento. en. METÁFORAS NOVAS PARA REENCANTAR A EDUCAÇÃO . ASSMANN. O compromis- conteúdos. Essa instrução não múrias nostálgicas em relação a redenções falidas. é insuficiente para discutir e encarar os no- decodificar criticamente e encarar positivamente o desafio vos desafios da educação na situação pós-moderna. da morfogênese personalizada importantes relacionados com a qualidade cognitiva e so. globalizado. a melhoria pedagógica e o compromisso social têm que caminhar jun. a denúncia das fissuras da racionalidade moderna. com a visão da cial da educação. Uma pedagogia da complexidade. social democrática. Juntar as duas tarefas – habilitação disponíveis e emergentes. cognitivos complexos. O pós-moderno é também um con- dível de um conhecimento personalizado e de uma ética vite a relaxar.

Assim. plano da satisfação das necessidades e dos desejos. nes. comuns a todos os integrantes de uma va e criatividade produtiva. não será mento na vida das pessoas. Ele fundamenta a convicção de fácil arrancá-lo de lá e libertá-lo para outros sentidos. E é também para (no sentido de emprego justamente remunerado) na visão isso que convergem os interesses. permanece. pomposamente. em termos quantitativos. corres- guém sobreviverá. não apenas no sentido do ditado “vivendo e experiências de aprendizagem que são vividas como algo aprendendo”. a mento quantitativo da oferta escolar. Nisso houve bastante êxito. O livro é um conjunto de reflexões integradas e As linguagens sobre qualidade funcionam. ção indissolúvel entre processos vitais e processos de co- do nas experiências do prazer de estar conhecendo. nossa atenção deveria voltar-se. desses deveres. juridicamente sa proposta. bração biopsicoenergética do sentir-se como alguém que Argumenta-se que faltou. ou nem sequer ativada. há muitos aspectos irrecusáveis. assim como exigível. A ênfase prioritária dessa fase (aumento quantitativo) sobrevive como um eco interpelativo no mote: educação para todos. demonstra uma série de descobertas ra. melhor A preocupação por atender. que hoje estamos em condições de entender melhor a rela- O núcleo do processo pedagógico deve ser localiza. especialmente em dois aspectos: da cidadania com a exclusão social. ou apenas formalmente jurídica. exuberante discurso sobre a qualidade. como direcionadas aos vários aspectos que possam interferir na território ocupado. para refletir sobre a qualidade de um processo a ênfase se desloca do quantitativo para o qualitativo. ainda rudimentares até hoje comum dessa temática. fato de que o discurso sobre a qualidade se encontra. Cobra-se a ponte entre a escola e uma capacitação O fascínio e a manipulabilidade da linguagem sobre a cida- básica e flexível diante de um mercado de trabalho cada dania faz com que ninguém dê mostras de querer desistir dela. Para o trabalhador e seus e confusos. A mediação histórica fundamental da cidadania básica é cessidades básicas de aprendizagem no que se refere o acesso seguro aos meios para uma existência humana a competências mínimas e flexíveis. espaço disponível. Muitos ainda não se deram conta do qualidade do processo educacional. inscrito no que se para o problema seguinte: como criar melhores situações passou a chamar nova estratégia educacional. relaciona a questão processo produtivo. manece como um dos elos básicos entre cidadania e Algumas manobras poderosas já acontecem para ins- lógica da exclusão taurar uma verdadeira cruzada em favor da educação pela/ para a qualidade. No fundo. E.Agora. entregue os instrumentos para a satisfação de suas ne. afirmando que no futuro nin. é a isso digna. mas deve significar o acesso real. em pedagogia da qualidade. por décadas. Escolas por todo lado. per- cação básica. Não há cidadania sem a exigibilidade da- Na quarta parte. Daí a correlação estreita entre cidadania e trabalho que se refere à questão da qualidade. a cidadania se alicerça no direito ao trabalho.FEVEREIRO/2010 7 O ciclo que termina concentrou-se. cessárias para uma efetiva dignificação de suas vidas. a ecologia cognitiva e melhores interações geradoras da vi- demanda reprimida. CONCLUSÃO ou. ago. de um conjunto de direitos ços científico-técnicos. no ciclo anterior. hoje. o vínculo dessa está aprendendo. que setores do empresariado começam a dependentes. questão de fundo é melhorar a qualidade das expe- tendência à universalização do acesso à escola enquanto riências de aprendizagem. expansão escolar com as exigências de modernização do Na quinta e última parte. concentração no eixo científico técnico. mas num sentido mais profundo que nos leva que faz sentido para as pessoas envolvidas e é huma. ou o têm como insignificante. Ao longo do livro Assmann (2001) mostra que a com- . mente mediante processos de aprendizagem. Daí o educativo. a compreender que a própria vida se constitui intrinseca- namente gostoso. e até se chega a falar. 2. Destacam-se cidadania competiti. de todos os modos. melhores contextos cognitivos. o autor discorre sobre a qualidade quelas mediações históricas que lhe confira conteúdo no vista desde o pedagógico. Assmann. que se diz Grandes contingentes da população mundial passam ao estar comandando a dinâmica dos ajustes requeridos para rol de “massa sobrante” e faltam as decisões políticas ne- o crescimento econômico. ainda o consideram. Nº28 . e deveres básicos. aquisição de um colchão básico de competências desafio ético da atualidade é. Não há como ignorar que. mesmo havendo muitos que persistem em ignorar o fato. vez mais exigente no que se refere à versatilidade adaptativa Cidadania não pode significar mera atribuição abstrata. aprisionado dentro de um campo de significação bem fascinantes acerca de como se dá a experiência do conheci- determinado. ao exercício efetivo desses direitos e ao cumprimento os há carregado de ambiguidade. no au- Não basta melhorar a qualidade do ensino. demonstrar numa verdadeira universalização da edu- a questão do emprego. (2001). em meio à competitividade crescente pondentes àquela noção de dignidade humana que seja do mercado. a presença de flexíveis e multi-adaptáveis e uma estarrecedora lógica da exclusão do mundo de hoje. embora possa implicar também ár. antes de tudo. Ele diz que o maior 1. pelo menos por algum tempo. de aprendizagem. do trabalhador e ao acompanhamento atualizado dos avan. nas nhecimento. o autor. nação. sem uma educação fundamental que lhes estendível a todos num contexto histórico determinado. sem dúvida. um banal modismo passageiro. duos esforços.

E 2.a. ca caminharem separadas. M. Dedica-se ao desenvolve programas que envolvem Educação Artística.. mera atribuição abstrata.No decorrer do texto. ensinando projetos de tolerância e Educação Ambiental e questões sociais para crianças. e) Apenas a alternativa a está correta. mas é também a tenta. d) Apenas a alternativa b está correta.D d) Quando o pós-modernismo é. Atualmente. PORTO ALEGRE: ARTMED. a) É buscar a ponte entre pós-modernidade/pós-modernis- sitário brasileiro. . sem dúvida. qual é a reflexão que pode- vitais e processos do conhecimento. TAYLOR. 2. 5. e) A relação entre as duas é o maior desafio ético da atuali- c) Quando ela for concebida como simples agência dade e. 2006. e) As alternativas b e c estão corretas. pois ambas acabam andando juntas.A fissuras da racionalidade moderna. a melhoria pedagógica c) Porque cidadania e exclusão social podem significar uma e o compromisso social caminharem juntos. M. um conjunto de di- d) Todas as alternativas estão corretas.UNIPAC – Ubá. 1. trabalho com crianças. Marie-Nathalie Beaudoin é Phd e diretora de treinamen. 1. Naiara Guimarães Gasparoni/ Jordana de Paula da Silva Alunas do 4º período de Psicologia .-N. 2. repassadora de conhecimentos prontos. melhoria de treinamentos. 3.C b) Quando ele diz sobre a globalização do mercado.8 FEVEREIRO/2010 .Nº28 plexidade deve transformar-se num principio pedagógico tiva de reintroduzir a lógica nebulosa nas práticas culturais. Maureen Taylor é educadora com to na Bay Area Family Therapy Fraining Associates (BAFTTA). reitos e deveres básicos. essa relação intrínseca entre os processos 4. a) Todas. b) Nenhuma. experiência de ensino da pré-escola à 6ª série. mas atribuição abstrata. sem dúvida. 3. pedagógica? a) Em nenhuma parte do texto ele afirma sobre a melhoria 5. o fato maior desse nosso tempo é. c) Quando o processo educacional. ou apenas. repassadora de conhecimentos prontos. ambas devem significar o aces- e) n.B c) Quando ele reflete sobre a pós-modernidade e a didática. com a formação de profissionais. e. e ambas devem significar o acesso real ao b) Quando ela não for concebida como simples agência exercício efetivo dos direitos e ao cumprimento dos deveres. tos às formas complexas que assumem na vida dos aprendentes.d.d. Nesta perspectiva mos tirar do autor? acredita-se em reformas curriculares no ensino univer. pois ambas acabam andando separadas.Quando e como Assmann afirma sobre a melhoria e) n. ou apenas.Qual a visão do autor sobre o pós-modernismo? Gabarito: a) Ele não possui uma visão crítica sobre o pós-modernismo. são social? b) Quando o processo educacional e a melhoria pedagógi. exclusão do mundo de hoje. so real ao exercício efetivo dos direitos e ao cumprimento dos deveres. pela simples razão de que. a denúncia das 4. b) Que a escola melhorará com a globalização dos merca- dos Questões: c) Todas as anteriores estão corretas. deveres básicos. os docentes devem estar aten.Como o autor fala sobre a Escola? d) Cidadania e exclusão social não podem significar uma mera a) Quando ele define que educar não é apenas ensinar. BULLYING E DESRESPEITO: COMO ACABAR COM ESSA CULTURA NA ESCOLA.a.Qual é a relação entre questão de cidadania com a exclu- pedagógica. neste sentido. um conjunto de direitos e criar situações de aprendizagem. Possui publicações no site “Silencing Critical”. a presença de uma estarrecedora lógica de d) As alternativas a e b estão corretas. BEAUDOIN. que efetivamente possam contribuir mo e didática.

contrário. com que os alunos sejam tolerantes e aceitem as diferenças. se tornam possíveis dentro de discursos sociais nos quais pois o “eu” se constitui nas experiências com outros indiví- estão inseridas. Esse projeto é diferente dos outros métodos que vêm último. antes de rotular os alunos como adequa. Essa apreciação deve abranger alunos. permite o envolvimento da criança com a ne- víduo sofre em dada circunstância. Tais possibilidades somente ciso encarar os vários “eus” que compõem uma pessoa. Nº28 . Marie-Nathalie e no ambiente escolar influenciam os problemas relaciona. fazendo prevalecem as regras. caso não seja vivenciado. mentos que o indivíduo irá se reenergizar e construir um dos ou inadequados. porém não lhe do o Bullying e o desrespeito no ambiente escolar. criada por meio de Nas instituições escolares da sociedade capitalista. a competição e a avaliação. zem o conceito de “exteriorização”. Ele pode até saber o que significa. A parte dois do livro traz exemplos de sucesso na supera- As autoras mostram como os incentivos à competição ção do Bullying e do desrespeito. pois. valorizar as diferenças que compõem os grupos e Outra forma de visualizar esse contexto vem disposta mostrar que cada uma dessas diferenças traz aspectos pelas autoras no livro. precisam transformar sua percepção propósito de vida. o tigação da questão do Bullying e do desrespeito. A deve evitar as práticas adultistas. intitulada “Estabelecendo os fundamentos”. será nesses mo- Os educadores. interpessoais. ta. desenvolvem-se devido a uma série de circunstâncias. trazendo várias implicações como estimular o alunos. tempo e estimular a auto-reflexão. a colaboração implica minimizar o expressão. da gratidão e da admiração nas relações contribuir para aumentar a prática do Bullying. as autoras tra- e desrespeito: como acabar com essa cultura na escola”. jeito. daí ele ser composto por diferentes “eus”. O livro retrata o fenômeno do Bullying. tativa de contornar os efeitos dessas práticas. nos são vistos como produtos que podem ser constante. com uma sessão de material de apoio contendo pois nem sempre essa palavra encontra elo na vida do su- cartas de professores e o relato de experiências envolven. em forma de 4 ‘C’: curiosidade. Essa manei. colaboração e contextualização da perspectiva. a compreensão das Na parte I. jeito o desenvolva. Tal metodologia vem sendo muito nos do Ensino Fundamental. a compaixão se refere a olhar para a As autoras apresentam o projeto “Bicho que irrita”. ao desconstruir e examinar as influências culturais que o indi. que implica a “exteriorização” para uma percepção do pro- da contém exemplos que mostraram ser eficientes na ten. individualismo e atrapalhar a convivência cooperativa en. cessidade de exteriorização do que a irrita. que vem apenas tratando do desrespeito de forma didática. algo seqüencial e não isolado. Ele. de forma a criar bloqueios que vão restringir as opções em Como forma de evitar a prática do Bullying. diante dos fatos e passar a ter uma compreensão contextual A escola deve permitir o envolvimento com a comuni- para alguns problemas considerados “fora de padrão”. distinguindo-o da identidade da pessoa. fundamentos teóricos e as novas perspectivas para inves. incapacidade de lidar com a diferença. Aos educadores. a contextualização da perspectiva. ou seja. para que o ambiente escolar seja repleto de res- desequilíbrio de poder entre professores e alunos e.FEVEREIRO/2010 9 As educadoras se reuniram para escrever o livro “Bullying Como forma de observar o problema. mostrando como eles vêem o sistema educacional. fazer perguntas úteis. não permitir que curiosidade se encontra na habilidade dos educadores em os adultos exerçam poder extremado sobre as crianças. a segun. Para que essas mudanças permaneçam é pre- to para solucionar problemas. dade. Dessa forma. taneamente. Para evitar o Bullying não é preciso falar em respeito. será útil. um lugar menos susceptível aos problemas do desrespei- ra quantitativa de avaliar os desempenhos mostra um re. os alu. baseado na idéia de A obra é composta por duas partes: a primeira traz os que os problemas. A obra apresenta uma forma de cultivar o respeito no am- tre os alunos. é preciso determinadas situações da vida. biente escolar e tornar isso uma prática. to através da apreciação. experiências pode trazer mudanças que devem ser encara- as autoras abordam o panorama de influências culturais das como processo e não como algo que decorre instan- que limitam as possibilidades de opções de ação do sujei. além de disponibilizar alunos uma reflexão crítica sobre elas. os educadores devem advir de experiên- por formas de intimidação diretas ou indiretas que vão desde cias respeitosas para que essas sejam mais importantes e simples gozações até atitudes violentas desencadeadas pela significativas para a vida dos alunos. cabe incentivar a colaboração e evi- Desta forma. Infere também uma forma de tornar o meio acadêmico mente melhorados para ser mais produtivos. positivos às experiências grupais. caracterizado Dessa forma. Conforme elucidado pelas autoras. . de forma lúdica. blema. assim como os hábitos indesejados. O livro ainda traz entrevistas com empregada. ou seja. uma boa intenção para que o indivíduo possa adotar condutas prática inovadora que envolve atividades de diversão e de mais respeitosas. a cultura age no indivíduo duos. por peito. não fessores e funcionários da escola em geral. sem esquecer de que se paixão. pro- De acordo com Marie-Nathalie e Maureen Taylor. Maureen Taylor contaram com apoio de 230 educadores e alu- dos ao desrespeito. que os alunos reconheçam um “eu” preferido (positivo) e Para entender o Bullying. ainda. Para isso. O livro con. é preciso analisar o contexto que sejam estimulados a manter esse reconhecimento como cultural e as questões psíquicas que fazem com que o su. com. onde vínculos pessoais e do trabalho de aceitação do outro. se pode mudar uma determindada cultura de uma só vez. da expressão do reco- trato momentâneo de um aspecto do contexto que pode nhecimento. as práticas inovadoras devem permitir aos tar a concorrência entre os alunos.

mais importante. sistemas informacionais precisam estar assentados em Palavras-chave: informação e educação. em metodologias uniformes e ci- entificamente embasadas. como o ambiente familiar. por sua diversificação. Diante de tudo que foi exposto. em instrumen- no Brasil. MARIA HELENA GUIMARÃES DE CASTRO Professora do Departamento de Ciência Política da Unicamp e Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais cia das informações. salientando a importância do contexto em que esse os que desejarem informações sobre o desrespeito nas sujeito se encontra.Nº28 favorecendo o desenvolvimento de um ambiente escolar tor do poder e do saber. em especial. auxilian- como o caso do Brasil. 2000. escolas e nas instituições. requer necessariamente a implantação de mecanismos de 1995. Para tanto.14. observando todos os aspectos que pos. como acabar com essa cultura na escola” é voltado para sa influenciar essa prática. “Bullying e desrespeito: vido com o Bullying. MARIA HELENA GUIMARÃES DE. implantados a partir sil. subsidiando a tomada de decisões. gramas que possam responder às tendências de mudan- monitoramento e acompanhamento das políticas ças observadas. eles contribuem para assegurar a transparên. bem como ele se vê nesse contexto. de avaliação e informação educacional. projeto educacional. de fácil compre- Se os educadores conseguirem estabelecer um clima ensão. quais os acer. os mecanismos em que se dá a prática. Por fim. tos confiáveis de coleta. os sistemas de avaliação e infor- ensino caracterizam-se pela extrema descentralização mação educacional cumprem um papel estratégico para o político-institucional e heterogeneidade regional. tudos e Pesquisas Educacionais (Inep). SISTEMAS NACIONAIS DE AVALIAÇÃO E DE INFORMAÇÕES EDUCACIONAIS. escolar aqueles que estão inseridos na área educacional ou para e social. ra dos sistemas e seus principais componentes – os cen- Além disso. cas em curso por diferentes razões. o Bullying e o desrespeito tende- de respeito e acolhida. O livro apresenta. nização e sofisticação. N. planejamento e desenho prospectivo de cenários. rão a desaparecer. biente respeitoso e acolhedor. uma visão diferenciada da Educação e incentiva os discutidas sem que o professor se imponha como deten. CASTRO. sos escolares e as avaliações nacionais: o Sistema Nacio- . Embora recente. SÃO PAULO EM PERSPECTIVA. tanto por sua abrangência como mas estão avançando e. Para cumprir estes múltiplos objetivos. em países cujos sistemas de não menos importante. e os exemplos trazidos na obra ajudam a entender de atenção e de vínculo entre os alunos. SÃO PAULO. O livro disponibiliza formas de trabalhar o indivíduo envol. Em primeiro lugar. A linguagem.10 FEVEREIRO/2010 . V. federativo. e a co no processo de implementação de reformas edu- permanente prestação de contas à sociedade. os públicas. ensino bases de da dos atualizadas e fidedignas. e cacionais. gerando um am. sob a coordenação do Instituto Nacional de Es- de monitoramento e acompanhamento das ações e políti.121-128. estudos nessa área. em mecanismos ágeis e conci- A implementação de reformas educacionais em um país sos de divulgação. descrevem-se a estrutu- tos e correções em curso exigidos para sua real efetividade. onde as diferenças sejam ainda. P. cujos sistemas de ensino caracterizam-se por Este artigo discute os avanços e limites dos sistemas extrema descentralização político-institucional como o Bra. cumprindo assim dois requisitos bá- Resumo: A estruturação de Sistemas Nacionais de sicos da democracia: a ampla disseminação dos resulta- Avaliação e de Informação cumpre papel estratégi- dos obtidos nos levantamentos e avaliações realizados. 1. 3. Estes sistemas apresentam-se do enormemente a formulação de novas políticas e pro- como ferramenta básica para o planejamento. estes estes sistemas já contam hoje com razoável grau de orga- instrumentos de gestão permitem observar como as refor.

cumprir os prazos legais. a partir de 1997. se refere à forma de organização da educação básica. Com os ins. res- país e fornecer subsídios indispensáveis para o aprofundamento ponsável pelo preenchimento do questionário. merecem registro o acom- panhamento das alterações do sistema educacional e a SISTEMA DE INFORMAÇÕES identificação de demandas das Secretarias de Educação EDUCACIONAIS das unidades da Federação. o Exame de informações sobre o pessoal técnico e administrativo e Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Exame Nacional de pessoal docente.500 municípios. o Inep atualiza anualmente o Cadastro Naci. monitoramento das políticas educacionais e avaliação do O desenvolvimento de um eficiente sistema nacional de desempenho dos sistemas de ensino. através do pre. Da mesma forma. de âmbito nacional. mais conhecido como “Provão”. assim. torna-se fundamental a rea- O levantamento é feito junto a todos os estabelecimen. movimento e ao rendimento dos alunos. sitivo legal apresentam-se nas reformulações dos sistemas ma não periódica. é o instrumento básico de avaliação. dado que cimento de políticas de melhoria da educação brasileira. as informações disponíveis per. Cursos (ENC). O acompanhamento das alterações do sistema educa- nejamento e auxílio ao processo decisório para o estabele. que podem gerar necessida- A produção de dados e informações estatístico-educaci. lização de estudos que permitam um melhor detalhamento tos de ensino. no entanto.FEVEREIRO/2010 11 nal de Avaliação da Educação Básica (Saeb). o MEC pode estruturar programas desti. o caso do Censo do Professor. de só é possível pela parceria estabelecida entre o Inep e Observadas em conjunto. ser recebida quanto para maior aderência às necessidades onal de Escolas e as informações referentes à matrícula. Inep tem possibilitado a identificação de prioridades. lizados pelas Secretarias Estaduais de Educação. so Escolar. em seus diferentes níveis (educação infantil. por nível de atuação e grau de formação. É a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional por meio dos censos educacionais que se busca garantir a (LDB). or autonomia aos sistemas de ensino. um conjunto de informa- de fornecer parâmetros mais precisos para a formulação e ções indispensáveis para a formulação. realiza o levantamento ganização da educação básica mostra-se. ensino ta verificar o impacto destas alterações e a necessidade de fundamental e ensino médio) e modalidades (ensino regular. promoveram alterações na oferta de ensino dos diferentes níveis e modalidades e na organização de suas redes. mações. geran. informações educacionais tem orientado a atuação do go. sobre as configurações adotadas em cada sistema de en- enchimento de questionário padronizado. abrangendo temáticas específicas. além dos censos especiais. implementação e o monitoramento das políticas. Por fim. as Secretarias de Educação dos 26 estados e do Distrito mitem traçar um quadro abrangente da situação educacionaldo Federal. incluindo dados Por outro lado. além área de produção e disseminação de estatísticas e infor- . Por intermédio do sino. além de conferir mai- utilização da informação estatística neste processo. a possibilidade de aceleração de Superior e Levantamento sobre o Financiamento e Gasto aprendizagem. das redes pública e particular. subdividindo-se em três pesquisas distin. especificamente. atuação do MEC enfatizou a necessidade de fortalecer a sicas dos prédios escolares e equipamentos existentes. Os reflexos deste novo dispo- da Educação. Como toda pesquisa preocupada com a fidedignidade verno federal no que se refere à sua função supletiva. Censo Escolar O processo de implantação de novas propostas de or- O Censo Escolar. A coleta dos da- informação. o Censo Escolar apresenta uma trumentos criados. mudanças nos instrumentos de coleta utilizados pelo Cen- educação especial e educação de jovens e adultos). como de ensino de estados e municípios que. são apresentadas as bases complementares da distribuídas em mais de 5. realizados de for. in- tor educacional. de 20 de dezembro de 1996. ao dos implementadores de políticas educacionais. turmas. cução do levantamento anual. complexa sistemática de operacionalização. condições fí. voltada e validade dos seus resultados e dada a necessidade de para a superação das desigualdades regionais. a redefinição do papel e da forma de sobre sexo. organizadas pelo Centro de Informações e dos e o processamento das informações são operaciona- Biblioteca em Educação (Cibec). como a progressão con- dades de ensino. Nº28 . Entre as atividades permanentes realizadas para a exe- bate sobre os rumos da educação brasileira. cem o processo de aprendizagem. pla. exigindo assim um acompanhamento que permi- Básica. de análises e pesquisas críticas que possam enriquecer o de. séries e períodos. do Inep. cional tem sido objeto de grande preocupação. cuja viabilida- nados. sobretudo no que do os indicadores necessários ao acompanhamento do se. os conceitos de classificação e tas representadas pelo Censo Escolar. sob a co- A utilização dos indicadores e informações resultantes ordenação-geral da Diretoria de Informações e Estatísticas dos censos educacionais e das avaliações realizadas pelo Educacionais (Seec). tanto para a melhoria da qualidade da informação a Censo Escolar. entre outros. a suprir deficiências do sistema. muito de informações estatístico-educacionais relativas à Educação variado. que retrate a realidade do tos no formulário do Censo Escolar. centivou ainda práticas inovadoras que valorizam e favore- Os levantamentos abrangem todos os níveis e modali. milhões de alunos e 266 mil escolas públicas e privadas. turnos. além O Censo Escolar gera. de de incorporação de variáveis ou a supressão de quesi- onais de forma ágil e fidedigna. Censo do Ensino reclassificação de alunos. Este levantamento abrange um universo de cerca de52 tendo em vista a importância da disseminação das infor. além da cooperação da comunidade escolar. setor educacional. tinuada e parcial.

faculdades integradas e estabelecimentos ções que atuam nestes segmentos. O Censo do Ensino Superior promove o levantamento deverão proporcionar um quadro de referência mais preci- de dados e informações estatístico-educacionais junto às so sobre a cobertura alcançada e as modalidades de atendi- instituições de ensino superior – universidades. assim. O questionário foi ampliado. com divulgação prevista para este ano. é publicada a Sinop- se Estatística do Ensino Superior – Graduação. Todas as informações coletadas estarão vin- ção e Avaliação Educacional (Sediae) e se concretiza com culadas ao Sistema Integrado de Informações da Educa- a reestruturação do Inep que. governo e envolve o exame e o acompanhamento dos orça- mentos federal. subsistema atualmente em de- em autarquia federal. alizado em avaliação e informação educacional. entre outros. considerando-se para este fim os dados desigualdades regionais em relação tanto à qualificação oficiais apurados pelo Censo Escolar. pletando o mapa da educação brasileira. dos anualmente nas escolas cadastradas das respectivas O Censo do Professor revelou um quadro de profundas redes de ensino. em 1997. com um retorno expressivo. neste do que os dados apurados referem-se a número de matrí.Nº28 mações educacionais na estrutura do ministério que se tabelecido pela LDB. estaduais e municipais. Pode-se concluir. volvem transferências intergovernamentais de recursos. quanto aos níveis de remuneração dos professores. o Censo da Educação Escolar buição de cerca de R$ 17. A coleta abrange cerca de 1. senvolvimento e que será abordado no próximo item. constituindo. O Cadastro Nacional das Instituições de Ensino Supe- O recente grau de eficiência e credibilidade alcançado rior é atualizado com informações do Censo do Ensino pelo Inep na organização das informações e estatísticas edu. Livro Didático e Dinheiro Direto na Escola. cerca de R$ 14. do a abranger não só a graduação. objetivos que vêm sendo aten- renda Escolar. fessores por titulação e regime de trabalho e sobre os Levantamentos sobre Financiamento funcionários técnico-administrativos. centros mento oferecidas. graduação. passan- encontrava desprestigiada. foram realizados três censos especiais: o Cen- Escolar tiveram repercussão imediata e direta sobre a distri- so da Educação Profissional. Superior. e o Censo da Educação Especial. ingres. além dos repasses . permitirá incorporar ao culas e de concluintes. Indígena. em âmbito nacional. no último exercício. confir- Este mesmo critério de transparência foi adotado pelo mando a necessidade de políticas que promovam melhor MEC como princípio orientador dos principais programas distribuição dos recursos e que garantam maior eqüidade de apoio ao desenvolvimento do ensino fundamental – Me- na oferta do ensino público. em 1995. 1999.12 FEVEREIRO/2010 . a divulgação dos resulta- No seu conjunto. com os resultados do Censo. sistema de informações educacionais novas variáveis. dados sobre os pro. do Conselho Nacio- cacionais tem propiciado ampla utilização deste tipo de fer.200 cursos e 827 mantenedoras. Conforme disposto zação desse levantamento foi a necessidade de dispor de pela legislação instituidora deste fundo. com- so por curso e área de conhecimento. é feita o nível de escolarização e com o tempo de exercício do com base na proporção do número de alunos matricula- magistério – para orientar a implantação do Fundef. no exercício de e particular de ensino básico. O levantamento de dados relativos aos recursos dispo- mento de coleta do Censo 2000 passou por uma redefinição. 7. sempre em parceria com as instituições públi- Esta forte conexão entre o sistema de informações e a ges- cas e organizações não-governamentais diretamente en- tão de políticas é mais perceptível nos programas que en- volvidas com as políticas públicas das respectivas áreas. sídios para a revisão e o aperfeiçoamento das políticas de 2.5 do magistério e participar da busca de alternativas para bilhões. no âmbito de cada unidade da Federação. De fato. destes levantamentos especiais. o Censo da Educação Infantil. aos quais será acrescido. Anual- e Gasto da Educação mente. a distribuição dos dados sobre o salário dos professores – relacionado com recursos. didos pelo Fundef. do Diário Oficial da União. dos quais R$ 675 milhões Uma das razões pelas quais o MEC demandou a reali- referentes à complementação da União. A realização O levantamento é realizado diretamente pelo Inep.700. al- Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização cançando mais de 90% dos professores das redes pública do Magistério (Fundef). nal de Educação e Conselhos Estaduais de Educação. fornecendo. transformou-se ção Superior (SIEd-Sup). os programas e projetos executados por Com o objetivo de aprimorar as informações disponí- intermédio do Fundo Nacional de Desenvolvimento do En- veis sobre as diferentes modalidades de ensino e preen- sino (FNDE) apóiam-se nos diagnósticos decorrentes dos cher as lacunas existentes. portanto.000 alunos. Este objetivo inicia-se. o Inep realiza levantamentos levantamentos estatísticos da educação básica e superior. especiais. expansão da oferta e melhoria do atendimento. Inova. Em 1997. níveis e aplicados na educação abrange as três esferas de adequando-se ao novo conceito de educação superior es. bre a matrícula na educação básica produzidas pelo Censo Em 1999.100 instituições. em 1999.se em centro especi. que movimentou. Além disso. os programas e ações desenvolvidos pelo dos permite à sociedade se informar sobre a real situação FNDE envolveram. ramenta aos formuladores e executores de políticas educa- Censos Especiais cionais. ano. que as informações so- promover sua valorização. recursos da ordem de R$ 3. inscrições nos vestibulares. Os resultados Censo do Ensino Superior destas pesquisas. sen. sub- isolados.2 bilhões.7 bilhões. o Inep realizou o primeiro Censo do Profes- O exemplo mais notório é o Fundo de Manutenção e de sor. mas também a pós- com a criação da Secretaria de Desenvolvimento. bem como sobre o conjunto de institui- universitários. O instru.

Oferece assim dificuldade para a realização dos levantamentos. participaram do Enem mais de 315 mil alu- para atender aos seguintes objetivos: criar uma base única nos. em colabora. que envolve. Este perior. sobretudo. foi concebido Em 1999. A concepção Como resultado. das políticas de acesso aos efetiva entre o sistema de avaliação do ensino superior. coleta de informações junto às instituições de ensino su. e os processos de renovação do reconhecimento dos cur- AVALIAÇÕES EDUCACIONAIS sos e de recredenciamento das instituições. des brasileiras aceitam o Enem como um dos critérios de dos atualizado e gerar informações que devem ser apre. Direito.151 cursos gado em rede com a Secretaria de Ensino Superior (SESu). to da metodologia de apuração e de estimação das infor- Por isso. mais conhecido como “Provão”.Odontologia. podem ser des. por lei. para todos os estudantes informações e tanto a SESu quanto o CNE e as institui. procura aferir o desenvolvimento elemento da despesa efetivamente realizada. que estão concluindo os cursos de graduação avaliados a ções de ensino superior participarão da definição do que cada ano. eliminar do ensino médio. Por meio destes instrumentos. de 1999. a partir de suas recomendações. o CNPq. Portanto. Medicina Veterinária. No campo das avaliações educacionais. Implantado em 1996. o MEC enca- lar no ensino fundamental. em 13 áreas de graduação1 e tem estimulado um debate a Capes. duação. os concluintes e egressos do ensino médio. Ao Inep cabe a execução da coleta e manutenção de Este exame é obrigatório. já se conseguiu produzir dados sobre gasto do Enem está baseada nas orientações para a educação público para os exercícios de 1994. sem dúvida. foi estabelecida uma vinculação mais deve ser coletado e divulgado. Engenharia Química. 101 cursos das áreas de Administração. Direito e ção da Educação Básica (Saeb). bem como a das competências e habilidades que se espera que o aluno origem do seu recurso. go de 1999 a nova visita das Comissões de Especialistas segurar processo nacional de avaliação do rendimento esco. minhou ao CNE pareceres sugerindo renovação do reco- ção com os sistemas de ensino. e o Exame Naci. Nesse uma avaliação do desempenho individual. podendo no futu. o IBGE e a Unicamp. Engenharia Civil. sentadas anualmente pelas instituições por meio do Cen- so do Ensino Superior e Catálogo de Cursos. do dados e de disseminação de informações.Economia. incorporando outros po docente e na melhoria das instalações físicas. a inexistência de um sistema adequado de exe. manter banco de da. representando cerca de 20% do total de concluintes de dados e indicadores da educação superior. cução orçamentária e de consolidação das contas da ad- Exame Nacional do Ensino Médio ministração pública. 1995. em conjunto com o Ipea. realizado em 1998. perior (SIEd-Sup). o Conselho Nacional de Educação (CNE) intenso sobre as deficiências do ensino superior no país. acesso ao ensino superior. o Exame Nacional de Cur. iniciativa mais recente entre os três projetos permita a identificação dos programas de trabalho e do nacionais de avaliação. responsabilidade sobre este nível de ensino”·. do elevar o padrão de qualidade dos cursos oferecidos. básica estabelecidas pela LDB e. com a cooperação dos sistemas que tiverem De fato. o Provão já avaliou 2. nas novas di- SISTEMA INTEGRADO DE INFORMAÇÕES retrizes curriculares e nos parâmetros curriculares nacio- nais do ensino médio. subsidiar os processos de autorização e ensino superior. Nº28 . no entan. é um instrumento balizador SOBRE O ENSINO SUPERIOR e indutor da reforma deste nível de ensino que vem sendo O Sistema Integrado de Informações da Educação Su. com sociedade às informações sobre o perfil e o desempenho a utilização dos resultados do exame por instituições de das instituições. fornecendo in- sentido. buscan- produtores de informações e avaliações de interesse. . que contou com pouco mais de 115 mil participantes. que O Enem. Matemática. o Inep deu especial atenção para o aprimoramen- gresso no mercado de trabalho. e os Conselhos Estaduais de Educação. grandes dificuldades operacionais. é um exame voluntário e seu público-alvo são mações. prioridades e a melhoria da qualidade do ensino” e de “asse- Trata-se de uma importante tarefa. 1996 e 1997. objetivando a definição de nhecimento ou estabelecimento de prazo para o atendi- 1 Administração. em fase de implantação. Engenharia Mecânica e Medicina. A partir da Portaria Ministerial no 755. médio e superior. foram submetidos ao lon- o MEC assume a responsabilidade atribuída pela LDB de “as. de 11 de maio tacados três grandes projetos: o Sistema Nacional de Avalia. o que significa um crescimento extraor- sobreposição de competências e simplificar o processo de dinário em relação ao primeiro exame. Atualmente 101 universida- recredenciamento das instituições. conduzidas pela SESu. apresentou-se como a principal apresente ao final da escolaridade básica. da SESu e. e na Avaliação das Condições de Oferta de Cursos de Gra- onal do Ensino Médio (Enem). cação superior. Em 1999. qual o “Provão” se constitui um importante instrumento. garantir maior transparência e facilitar o acesso da aumento significativo está relacionado.FEVEREIRO/2010 13 intergovernamentais e dos gastos efetivamente realizados. Letras. principalmente no nível municipal. implantada no país. como critério complementar ou substitutivo reconhecimento de cursos e de credenciamento e aos seus processos seletivos. Engenharia Elétrica. levando as instituições a investirem na qualificação do cor- ro ampliar a sua rede de parceiros. Engenharia Civil que obtiveram conceitos baixos no Provão sos (ENC). Exame Nacional de Cursos Este novo sistema será coordenado pelo Inep e interli. gurar processo nacional de avaliação das instituições de edu- to. Jornalismo.

os seminários geraram consensos como dio. de 1997. o relação ao número total de professores do curso. se. podem ser destacados: muns entre as séries e a transformação das escalas de cada • monitorar a qualidade. Biologia. Em relação ao levantamento anterior. tências adquiridas ao longo da trajetória acadêmica. distribuídos em 7. e de Português. Desde a sua criação. . amplitude maior de conteúdos e habilidades. mediante aplicação de Quanto à divulgação dos resultados. tornou-se de exame imediatamente anterior. 1995 e1997. Iniciado em 1990. a partir de 1999. houve. C. o que trabalho. da como um conjunto de competências e habilidades evi- dores de curso para discutir o impacto das avaliações so. que revela que os dirigentes dos sistemas de ensino reco- Diante de sua principal finalidade – produzir referências nheceram a importância desta ferramenta para monitorar objetivas para incentivar e orientar as instituições a corrigi. prática docente e condições de oferta e de dade de questões – cerca de 150 por série e disciplina –. sino e das condições em que são desenvolvidos e obtidos. • oferecer às administrações públicas de educação informa- Como contraface da decisão administrativa de subme. Entre continuum. des de ensino de todos os estadose do Distrito Federal.993 escolas públicas e privadas. a partir de 1995. para os alunos da 3a série do ensino médio. cada curso passou res aparecem agrupados em quatro áreas de observação: a receber a distribuição percentual das médias de seus alu. pois contempla uma formas de avaliação curricular do desempenho dos alu. D e E). Estes fato- ceito (A. utiliza-se uma grande quanti- dos cursos. passando a abranger os ensi- à substituição dos conceitos pertinentes à titulação acadê. principalmente no que diz respeito à atuali. A participação continua sendo voluntária. rem suas deficiências e a investirem na melhoria do ensi. denciadas pelo rendimento apresentado nas disciplinas bre os cursos de graduação. abrangendo as diferentes realida. assim. as políticas educacionais. para a substituição de controles processuais e A cada dois anos. por uma dos e todas as redes de ensino – estaduais. Matemática. que permite ordenar o desempenho dos alunos em um des dos sistemas estaduais e municipais de ensino.800 diretores de escolas. além da classifi. O exame também está provocando alterações nas lhe confere maior validade curricular. mantiveram-se constantes. sos com baixo desempenho. Esta expansão da amostra teve como objetivo garantir maior confiabilidade na comparação do desempenho por estado e por rede de ensino. as características gerais do Saeb. professor e aluno. Também participaram da pesquisa13.267 professores e 2. o básica em todo o país. em termos tanto de objetivos quanto de estrutura e concep- SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO ção. obedecendo ao mesmo cri- importante para estimular e orientar a melhoria do ensino tério estatístico que assegura a representatividade das re- de graduação. com a adesão de todos os esta- mica e à jornada de trabalho do corpo docente. sendo 133.6%. o Saeb foi estruturado no sentido de sobretudo com o objetivo de estabelecer escalas de profici- produzir informações sobre o desempenho da educação ência por disciplina. sistema de educação básica. nos por faixa de desempenho. zação do currículo. sociadas ao final de cada ciclo de escolaridade: a 4ª e 8ª ções nacionais de ensino e representações das instituições séries do ensino fundamental e a 3ª série do ensino mé- de ensino superior. No entanto. portanto. gestão escolar.143 da 4a série. Física e Matemática. DA EDUCAÇÃO BÁSICA foram implementadas importantes mudanças metodológicas. o MEC realizou seminários nacionais com coordena. associa. 1993. Em 1999. verificar o desempenho dos alunos. o MEC abriu caminho para a • proporcionar aos agentes educacionais e à sociedade uma renovação automática do reconhecimento dos cursos bem visão clara e concreta dos resultados dos processos de en- conceituados em três avaliações consecutivas. O desempenho dos alunos. Promovidos em parceria com avaliadas3 abrangendo as três séries tradicionalmente as- conselhos de classe. O novo formato revela não Sua aplicação é feita em uma amostra nacional de alu- apenas a evolução da média padronizada de cada curso. parte daquilo que é proposto nos currículos estaduais. mas também o percentual dessa da Federação2 No primeiro ciclo do Saeb.516 da 8a série do ensino fundamental e 112. B. um crescimento de 115. Isso é possibilitado pela aplicação de itens co- os principais objetivos do Saeb.196 alunos distribuídos em 5.011escolas públicas e privadas. testes de rendimento. escola. nos representativa do país e de cada uma das 27 unidades como vinha sendo feito.792 da 3a série do ensino médio.se fato um sistema nacional.251 professores e 6. ções técnicas e gerenciais que lhes permitam formular e ter ao processo de renovação o reconhecimento dos cur. investigam fatores socioeconômicos cação de acordo com uma escala com cinco faixas de con. Caminha. reestruturação do projeto pedagógico Para a avaliação dos alunos. são levantados dados que. 3 O Saeb/99 incorporou novas disciplinas a serem avaliadas. em 1990.Nº28 mento das exigências mínimas.14 FEVEREIRO/2010 . O Saeb procura aferir a proficiência do aluno. nos fundamental e médio. sob pena de fechamento. Outra mudança refere. englobando as três séries avaliadas. o Saeb realizou o seu quinto levantamento nacional consecutivo – os anteriores foram em 1990. 114.659turmas de 1. além de burocráticos por avaliações externas sistemáticas. Somente a partir de 1995. com enfoque voltado para as habilidades e compe. municipais e apresentação da distribuição percentual por categoria. organizações profissionais. Participaram da amostra do Saeb/99 360. a eqüidade e a efetividade do disciplina para a obtenção de uma escala comum. foram incluídas as disciplinas de Geografia e História. em cada uma das discipli- 2 O Saeb/97 contou com a participação de 167. entendi- no –. Também são aplicados questionários em uma amos- o fato de os resultados do Provão serem um instrumento tra de professores e diretores. aderi- evolução em comparação com o desempenho obtido no ram 23 estados.302 diretores. em particulares. Além de Português. Também foram pesquisados 44. e contextuais que interferem na aprendizagem.451 alunos. abrangendo grande nos. Matemática e Ciências para os alunos da 4a e 8a séries do ensino fundamental. avaliar programas de melhoria da qualidade de ensino.

tem sido fundamental a permanente arti- cacionais. ência. que utiliza vocabulário controlado e funciona como nos resultados da avaliação da aprendizagem verificados mecanismo de localização de documentos e indexação. das. Desenvolvido pela Universidade Federal de Santa rículos propostos. eventualmente. as Secretarias Estaduais da Fazenda e os séries avaliadas. A descrição dos níveis de proficiência nas escalas de- Perfil Municipal da Educação Básica (PMBE) monstra o que os alunos efetivamente sabem e foram ca- pazes de fazer. Desenvolvido em parceria com a Fundação Seade.600 sites educacionais brasilei- res deficiências de aprendizagem. é apresentado em uma escala de profici.FEVEREIRO/2010 15 nas avaliadas. que tem afetado negativamente a apren- esteja relacionada com as normas em vigor. Nesse sentido. O sistema de infor- das indica. Ou seja. Por isso. pelo Inep e dados estatísticos de diversas fontes oficiais. o Saeb releva a os 26 estados e o Distrito Federal. sobretudo os de capacitação em serviço e formação continuada de pro- que se referem à avaliação e estatísticas educacionais. mente desenvolvido em sala de aula. permitindo a realização de pesquisas por assunto. medidas provisórias. o Brasil realizou notáveis progressos na área de avaliação dos na questão. Uma das distorções que as novas diretrizes curriculares após a aprovação da LDB. o ProLEI tem como principal caracterís- dos desnecessários para a formação geral na educação tica a possibilidade de relacionar ou correlacionar duas ou básica e incentivar uma abordagem pedagógica maisvoltada mais normas.507 mu- os currículos oficiais propõem e aquilo que está sendo efetiva. sobre a situação socioeconômica e educacional brasileira. orientando programas ros e estrangeiros selecionados na Internet. com ênfase naavaliação e estatísticas produzidas escalas de diferentes disciplinas. apresenta os produtos descritos a seguir. que é um catálogo áreas e conteúdos nos quais os alunos apresentam maio- com links para mais de 1. pareceres e instruções normativas. induzem mudanças nos cur- Internet. que reúne ar- programas de capacitação docente vem sendo feita desde tigos. a Fundação IBGE. isto é. O ProLEI permite uma pesquisa fácil e rápida usando a consoantes com a nova LDB. que pode variar de 0 a 500 pontos. ões e o Território Nacional. O PMBE é um aplicativo que disponibiliza informações vimento cognitivo e as habilidades instrumentais adquiri. por- pois permitem identificar as principais deficiências na tarias. ao serem apresentadas em uma escala única. As escalas de profici. dizagem dos alunos. o conhecimento. em cada unidade da Federação. ser encontrada. que é uma ferramenta de linguagem documen- trabalho de formação continuada dos professores. A legislação anterior à LDB tam- pretendem eliminar é precisamente o caráter enciclopédi- bém poderá. podendo se constituir como ferramenta ideal para a orga- nização de bibliotecas. Nº28 . através de links. reúne. culação entre o Inep e as equipes estaduais do Saeb. nicípios instalados até 1996. federal. decretos. ência mostram. uma síntese do desempenho dos em um único programa. torna-se possível comparar o desempenho dos alunos. pode-se comparar o que os parâmetros e O sistema dispõe de 252 variáveis sobre os 5. o nível de desenvol. de modo a reduzir a ênfase em conteú- Maria (UFSM/RS). ensaios e livros nos diferentes temas edu- 1995. a Fun- entre os diversos anos de levantamento quanto entre as dação Seade. estudos. e o Thesaurus Brasileiro de Educação mitindo aos dirigentes das redes públicas desenvolver um – Brased. Como resultado . A utilização do Saeb como subsídio para planejar Bibliografia Brasileira de Educação (BBE). dez regiões metropolitanas. na sua passagem pela escola. Educação (Cibec) passou por uma completa reestruturação. título e ano. a fessores. portanto. A média de proficiência pelo próprio Inep e em informações gerais processadas por obtida pelos alunos de cada uma das três séries avalia. Tribunais de Contas dos Estados. não sendo comparáveis as cacionais. portanto. constituídos pelos diferentes atores volvidos pelo Inep permite concluir que. Programa de Legislação Educacional so subsídio para orientar a implementação dos Integrada (ProLEI) Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino O ProLEI é um aplicativo que reúne toda a legislação Fundamental e da reforma curricular do Ensino Médio. As reformas desencadeadas pelo MEC. per- autor. Cada disciplina transformando-se em núcleo difusor de informações edu- tem uma escala específica. o lugar que ocupam na escala de mações do Cibec permite a disseminação virtual e local e cada disciplina. da área educacional e pelos segmentos sociais interessa. as cinco grandes regi- distância entre o currículo proposto e o currículo ensinado. o Centro de Informações e Biblioteca em e produção de informação educacional. dados educacionais produzidos alunos e. A DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES EDUCACIONAIS COMENTÁRIOS FINAIS Com a finalidade de tornar as informações produzidas Esta descrição sumária dos principais projetos desen- acessíveis aos usuários. tanto como o Ministério da Fazenda. resoluções. das competências e habilidades gerais. com base tal. publicadas a partir de 1996. desde que co dos currículos. na aprendizagem dos alunos. identificando a ligação en- para a solução de problemas e para o desenvolvimento tre as mesmas. área de políticas educacionais. indexando leis. na década de 90. Os resultados do Saeb constituem assim um precio. instituições nacionais e internacionais. O Cibec conta ainda com outros produtos como a Bi- Os resultados do Saeb permitem ainda identificar as blioteca Virtual da Educação (BVE).

visto que o movimento mun. apontam Debarbieux e Blaya (2002) e./MAR. o país conta hoje com um sistema ças que se refletem hoje na nova agenda do debate educa- moderno e eficiente de indicadores que possibilita monitorar cional. França. Violência esco. A divulgação das informações contribui para quali- as políticas e diagnosticar com acuidade as deficiências ficar a demanda. apesar de serem encontrados apenas 7 grupos dores e de gestores políticos. no tema. por si só. que compõem este complexo sistema que é o fenômeno senta inúmeras maneiras de classificar os conflitos e os violência escolar. 2000. Ortega e Del Rey (2002). indica a mediação de conflito como alter. Doutor em Educação. 2007.16 FEVEREIRO/2010 . 15. onde já se percebe um conjunto de políticas públi- sua preocupação com a violência. à dos. Reino Unido.. ao mesmo tempo em que apresenta outros. Espanha. CHRISPINO. esforço de tirar a “diferença” causada por alguns anos de sos pontos do país. N. ENSAIO: AVAL. promovidos com maior intensidade nos mentos periódicos realizados pelo Inep provocou mudan- últimos cinco anos. alternativas já testadas em sociedades distintas. enumera questões que devem ser consi. a produção acadê- dificuldade brasileira pela qual já passaram outros países. Mediação do conflito escolar dentre outros. ção em programa de redução da violência escolar como to do problema. V. ao final. JAN. aclararam os problemas e listaram A seqüência de episódios violentos envolvendo o espa. Estes países possuem já alguma tradi- conflitos escolares a fim de contribuir com o entendimen. apre. CHRISPINO. 2002) O presente trabalho se inicia apresentando um recente que os problemas novos da violência escolar no Brasil são estudo realizado por um instituto de pesquisa onde fica um problema antigo em outros países como Estados Uni- patente a importância que o jovem atribui à educação. PÚBL. No rastro dessas iniciativas. cas mais ou menos eficientes dirigidas aos diversos atores discute os conceitos de conflito e de conflito escolar. 11-28. RIO DE JANEIRO. 4. lência escolar como. vel enumerar alguns estudos pontuais até aproximadamente colar e. quando passamos a contar com um número maior deradas quando a escola se propõe a implantar um pro. UFRJ Professor do Programa de Mestrado do CEFET/RJ Resumo Já dissemos alhures (CHRISPINO. Conflito escolar. e que nos privaremos de citar por ser atraso na percepção do problema e na busca de soluções absolutamente desnecessário para a análise. Palavras-chave: Políticas educacionais.Nº28 desses esforços. O impacto das avaliações nacionais e levanta. Argentina e Chile. no brasileira. por exemplo. de estudos e pesquisas sobre os diversos ângulos da vio- grama de mediação escolar do conflito. P. Os diversos estudos publicados em língua portuguesa Introdução disseminaram idéias. EDUC. lar. dentre escola e ao professor. é possí- nativa potente e viável para a diminuição da violência es. um convite para a reflexão de educa. Abramovay e Rua (2002). quando consultado uti- dial em educação indica semelhança de acontecimentos lizando as palavras chave “violência escolar” e “violência mesmo que em momentos diferentes da linha de tempo. expõem uma próprias. Com este motivador. desencadeando uma dinâmica de trans- do ensino. Chrispino e Chrispino (2002). POL. Os acontecimentos que se repetem nos diver. permitin- ço escolar não deixa dúvida quanto à necessidade de se do que a comunidade educacional brasileira reunisse in- trazer este tema à grande arena de debates da educação formações para enfrentar um problema importante. GESTÃO DO CONFLITO ESCOLAR: DA CLASSIFICAÇÃO DOS CONFLITOS AOS MODELOS DE MEDIAÇÃO. no Brasil. ÁLVARO. mica brasileira já começa a demonstrar bons resultados o que seria. formação na qual a sociedade torna-se o agente principal. 54. o que indica que a produção deve estar vincu- . na escola”. de pesquisa no Diretório LATTES.

a sociedade e a ética” (RIO DE JANEIRO. vem sendo esvaziada pelo afastamento de bons docentes por conta do desprestígio e da perda signi- ficativa de salários. Pergunta: Para cada frase citada. solicitou ao IBOPE uma pesquisa intitulada “O jovem. o quanto estes ainda vêem na escola e na educação instrumentos importan- tes para suas vidas e o quanto a violência na escola os afasta de seus sonhos ou os amedronta. G. L.FEVEREIRO/2010 17 lada a grupos com linhas de pesquisa e temas de pesquisa Pergunta: Quem você considera mais responsável pela outros que absorvem os assuntos correlacionados com o garantia de um bom futuro para pessoas como você? universo da violência escolar. que recolheu opiniões de jovens entre 14 e 18 anos. 2006). O resultado mostra o quanto a escola e a educação po- voam o imaginário dos jovens. com a visão discente (RIBEIRO. 2004. M. o que pode resultar na transferência da escola da editoria polici. quais são os dois mais graves problemas do Brasil? . Pergunta: Gostaria que você dissesse. Vejamos al- guns resultados: Pergunta: Dentre estes. dentre outras. R. OLIVEIRA. A educação – apesar da existência de programas im- portantes como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF–. 2003. Nº28 . 2004). para cada uma al para a editoria de direitos sociais nos grandes veículos das pessoas e instituições que vou falar. B. não confia Educação. vem sofrendo com a falta de políticas públicas de longo prazo e efetivas que atendam às necessidades da comunidade.. 2006). vem se tornando cada vez mais “profanada” quando a história nos ensinou sobre uma escola cercada de res- peito. resulta numa visão por ângulos restritos da realidade edu- cacional. 2004). recentemente o Sindicato dos você concorda ou discorda Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro – Sinepe Rio –. com a gestão escolar (CAR- REIRA. P. Tudo leva a crer que o tema tenha ocupado um lugar de destaque na sociedade e academia brasileiras. pertencimento e “sacralidade”. mas correlacionando-a com a visão docente (OLIVEIRA. se você confia ou de mídia nacional. gostaria de saber se No que pese tudo isto. Experiências importantes vêm sendo realizadas como a do programa de Mestrado da Universidade Católica de Brasília/ Observatório da Violência que já produz uma série de pesqui- sas focada na violência escolar. FERNANDES. com a comunidade (SILVA. juventude e violência A formação de opinião sobre a escola e a juventude exclusivamente pelas manchetes de jornais e televisão. com o rendi- mento escolar (VALE. 2004).. vem sendo “sucateada” pela ineficácia dos sistemas de gestão e por recursos cada vez mais redu- zidos. 2005).

solicitam os limites próprios à juventude casar etc. CHRISPINO. fazer/não fazer. o jovem julga que a disciplina São exemplos de conflito interpessoal a briga de vizinhos. mas a escola permaneceu a mesma! Parece óbvio lenta. Daí po. por um lado. pois. provocam uma manifesta- Ao definirmos conflito como o resultado da diferença ção violenta. comprar/não comprar.. Uma segunda causa de conflitos é a conflito se origina da diferença de interesses. só percebemos o conflito um tipo padrão de aluno. entre alunos e entre os professores seja uma causa forço de entendimento do conceito. a guerra e o desentendimento entre te da boa escola. esquecemos que problemas mal re. podemos lançar mão da pesquisa de Fernandes . uma proposta. rígida. duas conclusões: a primeira é dos. com expectativas padrões. o jovem ainda crê na uma boa escola deveria estar voltada? (1º e 2º lugares) educação como alternativa e na escola como instrumento de mobilidade social e de diferenciação para o futuro. com quando este produz suas manifestações violentas. com diferentes sonhos. dido que a massificação da educação se. todos os que vivemos em sociedade temos a experiência pa o segundo lugar entre as instituições importante para do conflito. diferentes. visi- lia. podemos dizer que o objetiva de conflitos.. continuamos a conviver com o que encabeçam a lista de confiança com altos índices conflito intrapessoal (ir/não ir. sempre lembrando que a nossa é uma leitura. circunstâncias que derivam do conflito ou redundam nele. que este conjunto de diferenças é causador de conflitos solvidos se repetem! (CHRISPINO. na nossa avaliação. mente pela lei de menor esforço. hoje. numa adaptação de Redorta (2004. a separação familiar. casar/não senso comum. diferentemente do que diz o lar. pelo menos. fazem par. é parte integrante da vida e da ativida. vender/não vender. desenvolvidas e amparadas a partir de outras percepções e experiências. coibindo a manifestação vio. uma alternativa. devemos esperar que.]. vimentos de rompimento de paradigmas: O conflito. tes valores. 2002). (CHRISPINO.) ou interpessoal. expôs a Um exemplo claro da dificuldade que temos para lidar escola a um contingente de alunos cujo perfil ela – a esco- com o conflito é a nossa incapacidade de identificar as la – não estava preparada para absorver. da escola. A partir disso. no universo fendemos. e mesmo espaço alunos com diferentes vivências. O conflito e o conflito na escola Podemos depreender da pesquisa (1) que o jovem iden. certa. de assertividade das pesso- de aspirações. sobre o qual nos deteremos. E neste caso. que defendem o “vai-levando” ou o laissez-faire. a escola era procurada por Em geral. a segunda é que toda a vez que o conflito se manifesta. com diferen- lo. trouxemos para o existia antes na forma de divergência ou antagonismo. quer antiga. já que o salário é o p. A fim de exemplificar a tese que de- conjunto de pessoas. Temos defen- trita de erro e de acerto. das frente a outras. e (5) confirmando o item 4.18 FEVEREIRO/2010 . perdendo apenas para a famí. por outro. Eis. juntamente com criatividade e diálogo. Certamente haverá outras. superando. passa- o desenho de seu futuro. nas escolas e na vida. de ver ou interpretar algum acontecimento. com sonhos e limites aproxima- demos tirar. Poderemos buscar. Ainda no es. inclusive. passados semelhantes. 33). em passado remoto. podemos buscar entender melhor o que pode estar causando a violência na escola. a divergência de opinião entre alunos e profes- de social. Conflito é toda opinião divergente ou maneira diferente tifica na violência o maior problema da sociedade atual. garantiu o acesso dos alunos à escola. com diferentes culturas e com diferentes hábi- nós agimos para resolvê-lo. mos pelos conflitos pessoais da adolescência e. as. tos [. a causa primordial de opinião ou interesse de pelos menos duas pessoas ou da violência escolar. Desde os conflitos próprios da infância. 2002) que. quando não trabalhados. falar/não fa- percentuais. com dife- nós não soubemos ou não fomos preparados para identificá. de condições para estabelecer o diálogo. para desespero de gestores e docentes alunos. Com a massificação. CHRISPINO. o desemprego. quer contemporânea. de desejos e dificuldade de comunicação. grandes exemplos de conflito nos conhecidos mo- mesmo no final do mês. (2) que a escola ocu. Antes. sores. rentes expectativas.Nº28 Pergunta: Dentre estes. para qual ponto você julga que Apesar de todas as dificuldades. (4) os jovens. Percebe-se que não existe aqui a noção es. mas de posições que são defendi. (3) professores e escolas são as duas “instituições” tados pela maturidade. Os grupos eram formados por estudantes de perfis que se ele se manifestou de forma violenta é porque já muito próximos. Motivado por isso.

O • Ajuda a regular as relações sociais.. sociedade e as expectativas dos sócios. E isso numa comunidade que está diferentes. organismos políticos e Estados. Nº28 . Instala-se o conflito! treinada para inibir o conflito. pois a posi- cebidas por aqueles que vêem nele algo a ser evitado: ção conflitante é diferente do interesse real das partes. uma anomalia do controle social. por conseguinte. possuindo outras imóveis de igual valor. interesses conflitantes: o vendedor quer vender mais caro. Tome. ta. grupos sociais. pois este é visto como algo O conflito está regulado de tal modo que nem sempre ruim. Na verdade. Como a escola está acostumada historicamen. A ordem. Possivelmente. mas os suas posições. e que está também sendo superado. Um conflito criado pela de. A classifica- A ordem e o conflito são resultado da interação entre os ção costuma ser hierárquica e permite estabelecer seres humanos. to: quem ficar com a casa do casal tem a sensação de Outro mito importante construído em torno do confli. Professores e alunos dão valores diferentes à tem dentro da ordem podem permitir o entendimento com- mesma ação e reagem diferentemente ao mesmo ato: isso pleto dos conflitos que nela se originam e que. por derivação. que o conflito é deflagrado e até porque ele possui inúmeras vantagens dificilmente per. mesmo • racionaliza as estratégias de competência e de cooperação. diferença de conceito ou pelo valor diferente que se dá ao Somente estudo e compreensão das relações que exis- mesmo ato. não relações de pertencimento. Acontece. Ao solicitar que profes. Ao classificar definimos. pela diferença entreas opiniões. maior será a possibilidade de conflito ou de ram a sociedade e possuíam. Por exemplo. 103) realizada com alunos e professores de dife. garante e o sustenta. 95). que o segundo Redorta (2004. guns exemplos: Consideram-se altas as taxas entre 68 a 48.]. que pode es- ameaça. vitória sobre o outro. é conflito. são a razão de sua existência. em alguns aspectos tidos como indispensável pela socieda- haja conflito no espaço escolar. Como exemplo Porém. nos damos conta sequer de sua existência.. Os comerciantes têm há recursos escassos. é aquele que diz que o mesmo atenta contra a ordem. cia a partir de ocorrências cotidianas. os sócios que te a lidar com um tipo padrão de aluno. que brigam pela posse da casa onde moravam. • ajuda a definir as identidades das partes que defendem enquanto o comprador quer pagar menos [. que ocorre no conflito causado pela separação de casais ferente. classificar é uma forma de dar sentido. e prevêem um modelo de comportamento cooperativo. tomamos uma decisão a respeito da mos como exemplo o conflito político: apesar de parecer essência de algo. Diferentemente com o • permite perceber que o outro possui uma percepção di.FEVEREIRO/2010 19 (2006. Vejamos al- sores e alunos identifiquem níveis de gravidade de violên. em toda sociedade humana. médias as taxas entre 47 a 31 e baixas as taxas menores que 30 Podemos esperar que. há continuidade e regularidade Vamos buscar algumas classificações gerais de conflito . Classificações dos conflitos to é a manifestação da ordem em que ele próprio se pro. pois. expectativas diferença de opinião. ruptura da ordem anterior. posição de posse da casa esconde um interesse implíci- cimento e de amadurecimento social. ela apresenta a brigam. a • ensina que a controvérsia é uma oportunidade de cres. o confli. to. interesse é a motivação objetiva/subjetiva de uma condu- • ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro. é outra coisa senão uma normatização do conflito. O mos alguns exemplos de classificação de conflito. a partir da qual esta se estrutura e se distingue da • permite o reconhecimento das diferenças. p. muitas vezes. por fim. e ao defini-lo. mas soas. que não são posição. interesses são claros e definidos. buscare- duz e da qual se derivam suas conseqüências principais. cada Quanto mais diversificado for o perfil dos alunos (e dos um deles terá entendimento pessoal das regras que inicia- professores). Na verdade. conflito é a manifestação da ordem democrática. não sabemos exatamente o que o provoca. O os interesses são frontalmente conflitantes! conflito é inevitável e não se devem suprimir seus motivos. percebe-se a diver- rentes escolas do Distrito Federal. gência de opinião: isto dá origem a conflitos. É necessário ver as condições em que se fez a regra e requer dos alunos enquadramento automático. p. O disso. mas resultado natural de uma situação em que conder o real interesse envolvido. necessária às relações entre pes. que é a forma exterior do conflito. temos o futebol ou o desfile das escolas de samba: conflito começa a ser visto como uma manifestação mais eles excluem a violência como a entendemos comumente natural e. que exige a ordem e de onde emanam os conflitos. o mito de que o conflito é ruim está ruindo. A fim de melhor entender suas possibilidades.

por se restringirem a um universo conhe. dade que se dá para os diferentes conflitos escolares é um nicos e comunidade) e com rotinas estabelecidas primeiro ponto. latentes (conflitos os conflitos podem ser classificados em 6 tipos: Verídicos cuja origem não se exteriorizam) e falsos (se baseiam em (conflitos que existem objetivamente). sificados em estruturais. professores. ainda. demos sintetizar a sua tipologia. téc. com atores permanentes (alunos. interesse e quanto aos dados: Para Deutsch (apud MARTINEZ ZAMPA.Nº28 segundo Moore (1998). 27). no mais das categorização. Nebot (2000). contingentes (situa. A maneira de professores consideram que os conflitos mais freqüentes lidar com o conflito escolar ou educacional é que irá vari. de crescimento ou que o interpreta como um grave pro- mo educacionais a partir de Martinez Zampa (2005) e de blema que deva ser abafado. má interpretação ou percepção equivocada). 2004. colo- ar de uma escola que veja o conflito como instrumento cando em segundo lugar de importância os conflitos entre . espaços físicos etc). p. a tipologia de conflito é de tal im- mente). A priori- cido. de relacionamento de res a partir de Martinez Zampa (2004) e Nebot (2000). 62). a característica da escola ou Na comunidade escolar existem pontos que contribu- do sistema educacional favorecem este tipo de em para o surgimento dos conflitos e que.20 FEVEREIRO/2010 . descentralizados (conflitos que ocorrem fora do portância que ele dedica toda uma obra a essa tarefa. Para Redorta (2004). horários. vezes. não são explícitos ou mesmo percebidos. os conflitos podem ser clas- 2004) e Redorta (2004) e classificações de conflitos escola. 29) diz que os (temática. tes que não mantêm contatos entre si). Martinez Zampa (2005. p. Para Moore (1998. ções que dependem de circunstâncias que mudam facil. Po- conflito central). identificar conflitos escolares ou mes. no quadro a seguir: É possível. Deutsch (apud MARTINEZ ZAMPA. mal atribuídos (se apresentam entre par. de valor. Certamente. p. e importantes se dão entre seus colegas e diretores.

O clima entre direção. dos um dos tipos: que resultam de intolerâncias de toda ordem. • busca de “pontuação” (posição de destaque). técnico etc). • viagens e festas. 81-82). no coletivo. os conflitos escola- da comunidade educacional mais ampla. • cantina escolar ou similar. direção a lançar mão de processos de coalizão. o salário e as formas como o dinheiro se distribui espaço próprio da escola /ou com seus atores diretos. no momento de executar o projeto • agressões ocorridas entre alunos e entre os pro- institucional. de entre os docentes continuava fora dos muros da • Entre alunos e docentes. dos que se originam das diferenças pessoais. • Conflitos para definir o projeto institucional: sur. por: escola. etc . afetando a qualidade de vida dos fun- Dentre as classificações possíveis. planejamento. é que efetivamente merecem ser vistos como prioridade. colares ou oriundos das relações que envolvem os atores Segundo Nebot (2000. por: comunidade educacional. No entanto. p. são • não-atendimento a requisitos “burocráticos” e ad- aqueles provenientes de ações próprias dos sistemas es. para efeito de estudo. no estabelecimento escolar. Saindo do universo geral dos conflitos educacionais – instituição. ministrativos da gestão. A leitura externa da comunidade (cidadãos e pais) pode • divergência sobre critério de avaliação. chamaremos de conflitos escolares. • Conflito em torno da pluralidade de pertencimento: • rivalidade entre grupos. 31) enumera 4 tipos diferentes: • brigas. 52-53). execução e avaliação. nas festas de confraternizações. pelos intervalos muito • não-indicação para cargos de ascensão hierárquica. e Mestres e o Conselho Escolar funcionavam preca. Nº28 . p. • associação de pais e amigos. Essa posição não é ratificada por Oliveira e Gomes a de Martinez Zampa (2005. devam lidar profissionalmentecom as possíveis • descriminação. Ao se referirem às escolas • Entre docentes. Martinez Zampa (2005. que são –. Certamente po. etc. • desinteresse pela matéria de estudo. pedagógicos e de atores. estabelecimentos de ensino ou mesmo de níveis • bullying. animados. da autoridade formal (diretor) e da autoridade • critérios de avaliação. inclusive. surge quando o docente faz parte de diferentes • descriminação. o que fugiria do foco 1. visão de trabalho e do desenho hierárquico da no. • Conflito entre as autoridades formal e funcional: • falta ao serviço pelos professores. A seguir. achar que professores e diretores – profissionais e adultos • avaliação inadequada (na visão do aluno). e destes com seus professores. setoriais: são aqueles se produzem a partir da di- principal deste trabalho. • conflitos anteriores. levando a • perda de material de trabalho. p. adesões. 30. Os conflitos educacionais. riamente devido à falta de participação e envolvimento • valores diferentes. aniversári. 31-32) para ilustrar o texto. escrevem: • falta de comunicação. bom. O relacionamento entre os professores parecia muito • conceito anual entre docentes. procedimentos e exigências • eleições (de variadas espécies). por: surge porque. os.FEVEREIRO/2010 21 alunos. • não entender o que explicam. por: que foram pesquisadas. a Associação de Pais • questões de poder. aprovação e reprovação. ge porque a construção do projeto educacional • assédio sexual. surgem divergências nos âmbitos de fessores. surge quando não há coincidência entre a figura • falta de assistência pedagógica pelos professores. churrascos e outras. • divergência em posições políticas ou ideológicas. que os conflitos entre alunos. quanto a objetivos. • notas arbitrárias. por acontecerem no 2. detalhamos cada poder. manifestado. • mal entendidos. favorece a manifestação de diferentes posições • perda ou dano de bens escolares. escolhemos adaptar cionário e docentes. a amiza. Segundo informações colhidas. docentes e gestores. os que pos. cultu- deríamos ainda apontar os que derivam dos exercícios de rais. bastante amistoso. • namoro. diferentes de ensino. res podem ser categorizados em organizacionais. Como conflitos educacionais ou entre membros da • Entre alunos. • não serem ouvidos (tanto alunos quanto docentes). funcional (líder situacional) • uso de uniforme escolar. dificuldades que surjam no exercício da atividade docente e • falta de material didático. • Organizacionais suem fundo político ou ideológico. (2004. p. que descrevem como os docentes vêem Os conflitos que ocorrem com maior freqüência se dão: os valores e violência escolares. que gera a rotina de tarefas e de fun- enumerados restritamente – podemos relacionar os que ções (direção. voltado pela a escola e seu entor. • uso de espaços e bens. da comunidade escolar. • Conflito para operacionalizar o projeto educativo: • Entre pais. professores e alunos parecia • interesses pessoais.

em particular.. objetivando ouvir as diferenças para melhor 2.nindividuais. com suas características culturais. terá que lidar • Atores com a manifestação violenta do conflito. raciais e identidades: são aqueles grupos sociais imparcial – o mediador –. suas dificuldades por oportunidade para verbalizar a questão e tornar claro o que conta da violência que lança seus tentáculos nas escolas e se espera dele – o jovem – no conjunto de comportamen- discutimos o conflito em geral e na escola. do poder. do se não possuem as habilidades para fazê-lo. se são públicas ou privadas. etc) existência do conflito e. donde derivam as ações que caracte. as avaliações. considerar alternati- faz asua condição de existência no mundo. com a assistência de uma pessoa 2. de confiança cas e habitus que retroalimentam o estabeleci. Pedir aos estudantes disciplina. da posse. decidirem. colocam as questões em disputa que possuem um pertencimento e afiliação que com o objetivo de desenvolver opções. ser explícitos naquilo que esperamos dos estudantes e na- ção a capacidade da escola em perceber a exis. das diferenças de toda ordem. formação e dos dispositivos de controle de qualida. onde certamente o conflito se instalará. com toda a certeza. e de solidariedade. direção etc) permanente. Não podemos esperar que os Façamos um retrospecto do que foi apresentado até estudantes se comportem de um modo disciplina- aqui a fim de melhor encaminhar os pontos seguintes. se a esco- 1. formas mais maduras. conflito no universo escolar é assumir que existem confli- lo acadêmico e suas formas de produção (por exem. comunitários: são aqueles que emanam de re. o que seria uma ança nos professores e na escola. ritualísticas. familiares. folclóri. De outra forma. escreve Heredia. se o conflito é da a escola. ela é o palco des sociais de diferentes atores onde está situa. sem provê-los das tão do conflito são para sempre.Nº28 3. O primeiro ponto para a introdução da mediação de de e das formas de ensinar. não é a mesma coisa ensinar matemática que cumpra melhor as suas reais finalidades. a novas formas de cooperação. a organização dos horários de to e o transforma em oportunidade e aquela que nega a das turmas e dos professores. quilo que nos propomos a fazer. objetivando o aprendizado da a pessoa. transformando-o em ferra. falados e discutidos. são aquelas onde o diálogo é quer âmbito (turma. mas diferentes. devemos aprender o ofício da mediação de con- dos muros da escola.22 FEVEREIRO/2010 .]. responsabili- • Pedagógicos dade e iniciativa individual que podem contribuir para uma São aqueles que derivam do desenho estratégico da nova ordem social. la é o universo que reúne alunos diferentes. diação de conflito no currículo escolar. portanto. as condições Chamaremos de mediação de conflito o procedimento econômicas de seus habitantes. vas e chegar a um acordo que seja mutuamente aceitável. A mediação pode induzir a uma reorientação das rela- cas. onde o currículo considera as opor- aluno na escola. citando positivamente a ele. que ocorrem em qual. tos e que estes devem ser superados a fim de que a escola plo. E. tipos de escola: aquela que assume a existência de confli- res. patrocinam uma série de práti. Kansas. que é a tão co- São aqueles que denominamos “pessoas” e que de. caso. Em síntese. tão explícitos. podendo produzir o fenômeno de afas. espontâneas e mento de ensino (por exemplo. gostaríamos de chamar à aten. que são aqueles onde a “patologia” sos exemplos de conflito no campo das idéias. Neste gias. ampliando-se as fronteiras flito para que esta técnica se aprimore facultando a cultura (por exemplo. é como pedir a um transe- unte que encontre Topeka. Apresentamos a tese onde o conflito surge da diferença de • Culturais opiniões e divergência de interpretações.. nhecida violência escolar. etc) no qual os participantes. e ambas possuem procedimentos simila. Ray Scanhaltz (apud HEREDIA. devemos flito na escola. tência do conflito e a sua capacidade de reagir Sobre a gestão destes itens. das ideolo- toma um membro da organização escolar. dois literatura. da mediação de conflito. Há. tunidades para discutir soluções alternativas para os diver- 3. 1998). Até aqui apresentamos as expectativas dos estudantes É possível. No momento em que realçamos o con. são aquelas onde o exercício da explicitação do rizam a dinâmica familiar que afeta diretamente pensamento é incentivado. a presença de livres de resolver as diferenças pessoais ou grupais. seus ajustes ao currícu. Logo. etc) A mediação induz atitudes de tolerância. tos sociais. também pensar na introdução do tema me- com a ascensão social por meio da educação. há sempre o risco da estigmatização do onde as regras e aquilo que é exigido do aluno nunca es- membro da comunidade que é o causador do tão no campo do subjetivo ou do entendimento tácito: es- conflito. é dizer ao jovem e à criança . mas educacionais de San Francisco: uma vez que o aprendizado de convivência e ges. corpo docente. diretor de progra- menta do que chamamos de tecnologia social. vem ser distinguidos: As escolas que valorizam o conflito e aprendem a tra- 1. Rompem-se as concepções rígidas inevitável. sua confi. sem fazer uso Por que a mediação do conflito na escola de uma bússola [. habilidades requeridas. as organizações sociais do bairro. os bairros e suas características. balhar com essa realidade. ções sociais. fortes componentes migratórios na região. tes. Es. exposição madura das idéias por meio da assertividade e tamento familiar que acarreta o “depósito” do da comunicação eficaz. em grupos e subgrupos.

Não reflexão. um estudo de resultados quantitativos a partir de dez pro- • O uso de técnicas de mediação de conflitos pode gramas de mediação escolar nos Estados Unidos. merecerá um Todo programa que se proponha a envolver grande diagnóstico específico de conflitos e um modelo próprio. etc. evoluem para dalismo. que deságua na violência. permitindo o surgimento e o exercício 1998 apud CHRISPINO. Identificado o tipo de conflito que existe em cada escola. de técnica e nesse esforço de implantação da cultura de • O uso da mediação de conflitos terá conseqüên. ao apresentar um conjunto de distin. a equipe disposta a implantar o programa de medi- diferente. O tecido é o mesmo. 293) ensaia ”’ violência. Aponta ele: Resumo de estudos que documentam mediações e porcentagens de êxito Algumas questões norteadoras para o indistintamente a escolas diferentes. vergentes. número de variáveis. cias nos índices de violência contra pessoas. como é o caso das escolas. tas classificações de conflito foi permitir alternativas para Escolhemos dez itens para este exercício de provocação e identificação particularizada de cada contexto escolar. facultando melho- rem com o estudante. em grande parte adaptados daqueles apresenta- há receita na mediação de conflito que possa ser aplicada dos por Schvarstein (1998) e Chrispino e Chrispino (2002): . itens que definirão o tipo de programa que irão implantar. 2004): crítico. podem indicar alguns resultados promissores nesse tipo res escolares e melhorar o “clima escolar”.FEVEREIRO/2010 23 que suas diferenças podem transformar-se em antagonis. • Melhora as relações entre alunos. poucas são • Cria sistemas mais organizados para enfrentar o as avaliações quantitativas sobre o impacto dos progra- problema divergência ”’ antagonismo ”’ conflito mas de mediação de conflito. no grama deve comportar-se tal qual um grande e delicado momento em que a escola debate a instalação de um pro- tecido jogado sobre um conjunto de peças com contornos grama de mediação. van- mos e que.Apesar disso. rompen. mediação de conflito. ação de conflito escolar deverá responder a uma série de Nossa pretensão. Eis algumas vantagens identificadas para a mediação • Desenvolve o autoconhecimento e o pensamento do conflito escolar (CHRISPINO. se estes não forem entendidos. esse aprendizado e essa percepção social. 2004). são para sempre. Cabe ressaltar que des. uma vez que o aluno é chamado a fazer • O conflito faz parte de nossa vida pessoal e está parte da solução do conflito. violência contra o patrimônio. ou não. Cremos que as vantagens dos programas de mediação ção e fraternidade na escola. Kmitta (1999. ‘É melhor enfrentá-lo • Consolida a boa convivência entre diferentes e di- com habilidade pessoal do que evitá-lo’ (HEREDIA. escolar são bastante numerosas. por tal. que melhorar a qualidade das relações entre os ato. drões de decisão que devem ser atendidos. tros momentos da vida social. res condições para o bom desenvolvimento da aula. Nº28 . da tolerância. • Apresenta uma visão positiva do conflito. deve ter Temos algumas questões que representam eixos pa- o cuidado de trabalhar a partir de generalizações. toma a forma desta! Ele se amolda a cada realidade. mas ao alcançar a peça. • Permite que a vivência da tolerância seja um do com a imagem histórica de que ele é sempre patrimônio individual que se manifestará em ou- negativo. O Pro. • Constrói um sentimento mais forte de coopera. Com a partir das inúmeras classificações apresentadas anterior- um programa de mediação de conflito escolar não será mente. distintos. incivilida- o conflito. Cada escola é uma rede modelo de programa de mediação escolar complexa de relações e de valores e. quando ocor. p. presente nas instituições.

La resolución de conflictos en el aula. R. GOMES. C. S. jul. J. C. de cada uma dessas expressões. Pasado y futuro de la evaluación e los programas de REDORTA. vamos. (Comp. Dissertação (Mestrado em OLIVEIRA. DF: UNESCO: UCB. Limites da Mediação de Conflito na Escola: sem para cuidar de problemas de aluno que fiz concurso públi- limites de série. 20. Porto Alegre: ARTMED. 45-70. Caráter da Mediação de Conflito: obrigatório ou 10. O conceito de violência escolar na pers. C. O processo de mediação: estratégias práticas tão?. Paidós. tais do universo escolar? como: não foi para isso que estudei e me formei! Não foi 5. 2002. S. n. 44-65. Buenos Aires: en las escuelas. 2004. Como reducir la violencia PORRO. M. RUA. KMITTA. J. idade. Percepção de valores nas escolas pelos do- CHRISPINO. Brasília. R. conflictos: modelos de implementacion. W. DEL REY. Buenos Aires: DF: UNESCO. dade” entre os pares? flitos ou apenas alguns conflitos? 3. n. Relação da Mediação de Conflito com a Avalia.. 2003. 45-48. turno. 2002. C./ ORTEGA. R. pectiva dos discentes. Mediación educativa y resolucion de RIBEIRO.24 FEVEREIRO/2010 . Ênfase da Mediação de Conflito: No produto ou À guisa de conclusão no processo? Enquanto refletimos sobre a validade ou não de um pro- 4. 1. Ensayos CHRISPINO. grama de mediação de conflito. Brasília. B. M. Buenos Aires. p. Significações da violência escolar na perspec- . P. Paidós Ibérica. 2004. sept. Buenos Aires: Paidós. jan.Universidade Ca- HEREDIA. Afinal. v. R. A. oct. n. sidade Católica de Brasília. Estratégias educativas para a preven- ago.77-85. 2004. R./jun. 2005. Resolución de conflictos en la escuela./ competente para promover transformações. n. M. fessor. 2004.Nº28 1. Barcelona: Edicones Mediación escolar. Relação da Mediação de Conflito com as Re. ano 20.). DF. lores e violências escolares no ensino médio. P./set. B. Vejamos o que nos diz Porro (2004): Referências ABRAMOVAY. Ensayos tólica de Brasília. Identificação dos Mediadores de Conflito: me. JOHNSON. B. DF. São Educação)-Universidade Católica de Brasília.. 2002. ano7. CHRISPINO. Paulo: Editora Biruta. Escolha dos Mediadores de Conflito: ação podemos pensar diferentemente e isso faz parte das rela- institucional ou escolha das partes? ções humanas. 2004. 2003. DF. 2004. 1998. como herramienta de mediación. A. 2002. Cómo analizar los conflictos: la tipologia de conflictos resolución de conflitos escolares. M. Critérios para a Seleção dos Mediadores de Con- voluntário? flito: desempenho acadêmico ou “respeitabili- 2. 2005. E. In: BRADONI. RBPAE. y Experiencias. D. p. JOHNSON.). MOORE. R. Brasília. somos visitados por alguns bros do universo escolar ou alguns membros pensamentos que estão no imaginário educacional. A. G. jul. Revista do Pro. DEBARBIEUX. G. de Janeiro. F. 79. Buenos Aires. DF. Dissertação (Mestrado em Educação)-Univer. 1998. etc. Rio FERNANDES. Significações de violências na perspectiva de Educação)-Universidade Católica de Brasília. P. Brasília. T. 2006. p. T. Como os docentes vêem va- abordagens européias. de orientador educacional! Estou perto de me aposentar! gras Disciplinares: sem relação ou com relação? Não é nossa a proposta de contrapormo-nos a partir 7. Políticas educacionais de centes de ensino médio. Violência nas escolas: qual o papel da ges. 24. ano 4. Brasília. Violencia y conflicto en los ámbitos educativos. para a resolução de conflitos. 35. p. X. M. Alcance da Mediação de Conflito: Todos os con. 9. ção da violência. Dissertação (Mestrado em redução da violência: mediação do conflito escolar. 2000. D. OLIVEIRA. uma vez. G. Brasília. D. K. professores que trabalham em escolas “violentas”. W. Violências nas escolas. ou com limites? co! Não sou pago para este tipo de trabalho! Isso é trabalho 6. MARTINEZ ZAMPA. R.. 1999. Porto Alegre. Edicones Novedades Educativas. Mediação de conflitos: cabe à escola tornar-se y Experiencias. CARREIRA. D.. (Org. DF: UNESCO. mais 8. Violência nas escolas: dez OLIVEIRA. 2006.. No exercício de contro- ção: sem relação ou com relação? vérsia que pregamos ao longo deste trabalho. apresentar grandes idéias que contemplam o diação por pares ou outros mediadores? “outro lado” e deixar que cada um reflita e decida. Buenos Aires: Paidos. 2005. R. Brasília. Dissertação (Mestrado em Educação). A.. BLAYA. Atores da Mediação de Conflito: todos os mem. NEBOT. L. 2004.

Pensando especificamente o trabalho do professor. e sim uma referên. que pressupõe o trabalho em equipe monstram a necessidade de se compreender os conteú. aplicação e a avaliação do ensi.ppt >. dade. considerando-se o contexto em que os construtivismo é uma concepção útil à tomada de deci- agentes educativos estão inseridos. entendida no/aprendizagem e a ela deve servir. a sociedade e a ética. uma direção que tome decisões de forma A aprendizagem é motivada por um interesse.globo. é importante ressaltar que o construtivismo não é professor como agente mediador entre indivíduo e socie. M. Dissertação (Mestrado em Educa. que auxilia os professores nas tomadas de decisões lar conhecimentos. um bom caminho a seguir é com- A instituição escolar é identificada pelo seu caráter so. p. o Por fim. Ensayos y Experiencias. DF. que deve ser necessidades de cada situação particular. cados pessoais sobre a realidade. e o aluno como aprendiz social. Disponibilidade para a aprendizagem e o trabalho coletivo dos professores. constrói-se também o con- Nesse sentido. um ma.com/rio/jovens. Brasília. É preciso cia explicativa. essa formação continuada e a participação dos pais são pontos necessidade? Não é possível elaborar uma única resposta a essenciais para a construção da escola de qualidade. DF. como aquela que atende a diversidade. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas “História. Recebido em: 31/10/2006 35. 1. Brasília.Pedagogo (FFCLRP/USP) e Mestrando em Educação (FE/UNICAMP). o construtivismo não é uma receita. Ou seja. 2004. 2. jul. Dissertação (Mestrado em Educação)-Universidade Cató- SCHVARSTEIN. os entendida como a atribuição de significado pessoal aos profissionais da educação devem utilizá-lo como auxílio na conteúdos concretos. partir do relacionamento entre a experiência pessoal e a no./ago. M. Acesso em: 9 abr. fechado a novas contribuições. reflexão sobre a prática pedagógica. VALE. ou seja. não contrapondo aprendizagem e ao equilíbrio pessoal. n. Brasília. aprender significativamente. 24. Desse modo. É por meio da escola que os seres hu. CÉSAR E OUTROS. Aprender não é copiar ou reproduzir. Diseño de un programa de mediación escolar. Essas afirmações de.FEVEREIRO/2010 25 tiva dos alunos. 1998. COLL. RIO DE JANEIRO (RJ). 2004. uma ne- colegiada. Escola e comunidade juntas contra a violência esco- ção)-Universidade Católica de Brasília. o processo educativo não é responsabilidade do professor somente. SILVA. O autoconceito e a auto-estima influ- . A pré-existência de conteúdos confere certa pe- nual que deve ser seguido à risca sem se levar em conta as culiaridade à construção do conhecimento. Buenos Aires. L. sobre o como se apren. essa questão. N. 20. normas e finalidades sentido da aprendizagem (Isabel Solé) compartilhadas. Nº28 . dos da aprendizagem como produtos sociais e culturais. de experimentações e conhecimentos prévios. envolve aspectos afetivo-relacionais. DF. 2006. lica de Brasília. Jeferson Anibal Gonzalez . realidade. a cessidade de saber. características relacionadas dual e interação social. produzidos culturalmente. Disponível em: < http://oglobo. não apenas acumu- cas. Ao contrário. No entanto. 2006. mas construir significados próprios a durante o planejamento. que se professa (auto-estima). Os professores a e concepção desenvolvimento. C. Ao construir os signifi- manos entram em contato com uma cultura determinada. 2004.. Mas o que determina esse interesse. SÃO PAULO: ÁTICA. a aprendizagem cial e socializador. um referencial acabado. ano 4. o de e se ensina. Rio de Dissertação (Mestrado em Educação)- Janeiro: IBOPE. materiais didáticos preparados em conjunto. na construção de projetos didáticos e rotinas de trabalho. Aceito para publicação em: 5/02/2007 5. R. 2007. preender que além dos aspectos cognitivos. Violência simbólica e rendimento escolar. Universidade Católica de Brasília. lar: diagnóstico eesboço de plano de intervenção. a concepção construtivista compreende um ceito que se tem de você mesmo (autoconceito) e a estima espaço importante à construção do conhecimento indivi. composta por diversas contribuições teóri. 2004. O CONSTRUTIVISMO NA SALA DE AULA. mas construtivista (Isabel Solé e César Coll) elaborar uma representação pessoal da realidade a partir O construtivismo não é uma teoria. O jovem. Sociedade e Educação no Brasil” – HISTEDBR (GT/UNICAMP). 2004. 2004. sua construção acontece no âmbito da situação de ensi- Tendo em vista uma educação de qualidade. sões compartilhadas.

ou seja. Para isso. dessa forma. onando-as. vídeos. sanci- na aprendizagem escolar. Da mesma for. Os alunos são considerados receptores As interações. Esse deve ser o início alunos de maneira intencional. alunos já possuem conhecimentos prévios advindos da ex. é necessário com. Re- bre o processo educativo. é preciso conhecer do processo educativo: conhecer o que se tem para que se as características da tarefa trabalhada. A principal atividade do pro- as se educam. das rela. ligados às representações e expectativas so. É importante res- relaciona os conteúdos aos conhecimentos prévios e experi. sões parciais e particulares da realidade. informações necessárias. diferentes tipos de conheci- sejável e não a real compreensão do conteúdo. cada uma fessores. determinadas pelo se a realizar as tarefas de forma satisfatória. tentadas pelos professores. entende-se que o aluno aprende quando apreende ções que se estabelecem no contexto escolar. porém não em relação a outras pelo mesmo aluno. ao entrar numa sala de aula. conferências. o enfoque profundo pode ser trabalhado com os mas de conhecimentos construídos. dentre outros Para o ensino coerente. quando chegam à sala de aula os construção dessa competência é o papel do professor. que podem ser. que pode ser dividida em dois enfoques: o enfoque pro. esforço e envolvimento pessoal. Levar isto em consideração é compreender o fessor é possuir essas informações e oferecer múltiplas papel essencial dos aspectos afetivo-relacionais no processo situações (explicações. passivos dos reforços dispensados pelos professores. auto-estima. consi- dos alunos não estão vazias de conteúdo como lousas em derado como ser ativo que aprende a aprender.Nº28 enciam a forma como o aluno constrói sua relação com os sua auto-imagem. a intenção do aluno limita. Ao contrário. Compreendendo-se que aprender é construir conheci- ta. Os conhecimentos prévios podem ser compreendidos fundo e o enfoque superficial. estratégias e habilida- Em relação à motivação para conhecer.26 FEVEREIRO/2010 . é preciso considerar o estado fatores. da situação de ensino da qual esse aluno participa. É a partir dessas interações. as mentes mesmo. 2) Adquirir os conhecimentos relevantes: Nessa concep- mento de confiança. a representação e expecta- outros e com o conhecimento. capacidades. Na concepção construtivista é a partir onais. que não se deve roubar). O conhecimento é produto da 3. to. por exemplo. Os esquemas de que o professor considera como relevante. A inclinação dos alu. diferenciada em relação às duas restantes por enfatizar desses conhecimentos que o aluno constrói e reconstrói o papel supremo do professor na elaboração das pergun- novos significados. uma resposta de. instrumentos. aprendam os conteúdos escolares? A fessor. no processo de construção de conhecimen. tendo em vista que o autoconceito e a tende-se que aprender significa responder satisfatoria- auto-estima. o que se pretende com possa. Esses conhecimentos são diferentes. inicial dos alunos. determinado conteúdo e a sua necessidade. Tudo isso de- manda tempo. que conta com elementos pessoais e interpessoais com mentos. conhecimento contêm. destacam-se três. aprendizagem de novos conteúdos: os 3) Construir conhecimentos: Os conteúdos escolares são conhecimentos prévios (Mariana Miras) aprendidos a partir do processo de construção pessoal do Quando se inicia um processo educativo. nos para um enfoque ou outro vai depender. ocupam-se Identificam-se alguns aspectos globais como elementos de como os alunos adquirem conhecimentos. que as pesso. ainda. que influenciam conhecimento (Teresa Mauri) seu trabalho e sua relação com os alunos. normativa (saber pode variar. no entanto. devem ser caracterizadas pelo respeito mútuo e o senti. Reconhecer esses aspectos afetivos e relacionais considerando que aprender é: é fundamental para motivação e interesse pela construção 1) Conhecer as respostas corretas: Nessa concepção en- de conhecimento. saltar que esses esquemas de conhecimento são sempre vi- ências. dar. a representação se interessa por compreender o significado do que estuda e que cada pessoa possui sobre a realidade. visitas a museus) nas quais os alunos possam proces- sar essas informações. limitando-se ao contexto e experiências de cada pessoa. leituras. Auxiliar a branco. seus professores e afetivo-relacional é imprescindível ao processo educativo. o aluno como esquemas de conhecimento. seus conhecimentos prévios e esque- Entretanto. No enfoque profundo. cínio e memória que possibilitam a realização da tarefa. devem ser considerados melhores ou piores que outros. construir o novo. O que faz com que o aluno e a aluna Outro ponto importante a ser ressaltado é que o pro. colegas. As outras duas concepções. reconhecer essa dimensão tivas em relação à tarefa a ser realizada. alunos: a disposição do aluno para realizar a tarefa propos. identifica-se a natureza ativa dessa construção e . os alunos constroem representações sobre seus pro. de construção pessoal do conhecimento sobre a realidade. O centro do processo educativo é o aluno. des compreendidas em certos níveis de inteligência. Um ponto de partida para a cópia e não processo de significação pessoal. de ordem conceitual ressaltar que o enfoque com que o aluno aborda a tarefa (saber que o coletivo de lobos é alcatéia). A primeira concepção está ligada às concepções tradici- periência pessoal. possuem um papel mediador forçam-se positivamente as respostas corretas. Importante mentos. 4. tas. Entre as concepções de ensino e aprendizagem sus- ma. carrega consigo certa natureza ativa e construtiva do visão de mundo e imagem de si mesmo. pelo contrário. sobre essa base. básicos que auxiliam na determinação do estado inicial dos entendem de formas diferentes esse processo. ção. racio- preender a maneira como alunos encaram a tarefa de estu. o enfoque profundo pode ser a abor. Já no enfoque superficial. procedimental (saber como se planta dagem de uma relação a uma tarefa e o enforque superficial uma árvore). mente as perguntas formuladas pelos professores.

O problema metodológico para o fazer educativo não tindo do entendimento de que as interações e relações com se encontra no âmbito do “como fazemos”. muitas nomo dos conhecimentos que os alunos estão aprenden. como promoção. de atividades e também sua aplicação. 8) a avaliação e uma série de decisões relacionadas a ela. dizagem. dos. requer A análise aprofundada do ensino enquanto ajuda leva a compreensão do determinante ideológico que embasam ao conceito de “ajuda ajustada” e de zona de desenvolvi. Nº28 . conhecimentos prévios e experiência. Para tanto.FEVEREIRO/2010 27 a necessidade de conteúdos ligados ao ato de aprender Trabalhar a partir dessas concepções caracteriza desafios conceitos. Porém. o planejamento dades. seu planejamento e avaliação. realizar individualmente. Nesse sentido. implica também a nam suficientemente. Ensinar: criar zonas de desenvolvimento sobre a prática educativa. a análise das tarefas que propõem e conteúdos trabalha- tuir a atividade construtiva do conhecimento pelo aluno. Por isso. incrementando a capacidade de com. muito discutida. os novos saberes e o que já se sabia. construiu- Trabalhar com as relações afetivas e emocionais. uma pessoa realiza tarefas que não seria capaz de meios que se tem para facilitar o alcance desses objetivos. Nesse sentido. trução pessoal que o aluno realiza com a ajuda de outras onarem esses conhecimentos prévios. sem social que atribui ao ensino e em determinadas ideias so- a qual o aluno não poderá compreender a realidade e atuar bre como as aprendizagens se produzem. que estabelece a aprendizagem como uma cons- mo tempo. 2) Possibilitar a participação de todos os alunos óricas. compreensão do “que fazemos” e “por quê”. ceitos como o de avaliação inicial. disponibilidade. A contribuição do conceito de ZDP está relacionada à possibilidade de se especificar as for. conhecimento e interesses forem diferenciados. possibilitando a compreensão proximal e nelas intervir (Javier Onrubia) de seus processos. não realizam ou não domi. características: 1) a de levar em conta os esquemas de Outro instrumento importante para a compreensão do conhecimento dos alunos. 2) e. explícita ou implicitamente (currículo oculto). se o consenso de que não se deve avaliar somente o alu- duzir modificações e ajustes ao logo da realização das ativi. plantas). formativa e somatória tência. com a ajuda dos educativa deve-se levar em consideração os objetivos e os outros. 6. 4) Intro. acompanhado de lentos avanços. Ou seja. procedimental ou construção do conhecimento. mas também a atuação do professor. Recontextualizar e reconceitualizar a experiência. 7. pessoas. conhecimentos prévios dos alunos. Os enfoques didáticos (Antoni Zabala) lho com esses conteúdos demonstra a atividade complexa A concepção construtivista considera a complexidade que caracteriza o processo educativo. não receita formas determinadas de ensino. expressões e con- nas diferentes atividades. implicando o interesse. seus conhecimentos prévios em processo educativo é a concepção construtivista da apren- relação aos conteúdos a serem trabalhados. A avaliação da aprendizagem no currículo mas em aula. 6) Estabelecer relações entre os novos conteúdos e os ram como desafios aos envolvidos com o tema. mesmo que os níveis de compe. as práticas dos professores. Vygotsky. porém aponta-se para soa que aprende. 3) povoam o vocabulário educacional. 7) Utilizar linguagem clara Uma primeira questão a ser levantada é a relação entre e objetiva evitando mal-entendidos ou incompreensões. a ZDP pode ção das sequências didáticas que devem auxiliar a prática ser identificada como o espaço no qual. não se ig. ajudando os alunos no processo de signifi. (César Coll e Elena Martín) Para o trabalho com os conceitos acima arrolados. atitudinal. é decisivo para a aprendi- mensões do saber: procedimental (como a observação de zagem e o desenvolvimento das escolas e das aulas. a análise dos conteúdos trabalha- observa-se que o ensino. deve ajustar-se a esse pro. no. Com o desenvolvimento de propostas te- vas na aula. procedimentos e atitudes. mostra-se como importante instrumento de en- cesso de construção. trabalho que demanda e as distintas variáveis que intervêm nos processos de en- o envolvimento coletivo na escola. conjuga duas grandes tendimento do que acontece na sala de aula. rigor. nela. processo que necessita da contribuição da pes- nora aquilo que os alunos já sabem. formalidade. S. entende-se que esse esforço. entre outras). indi. mas antes na outras pessoas são a origem dos processos de aprendiza. escolar: uma perspectiva construtivista cação pessoal e social da realidade. mesmo que didáticas tendo em vista os conteúdos das diferentes di. No entanto. à prática educativa que não está isenta de problemas e limi- ciso organizar e planejar intencionalmente as atividades tações. mas oferece elementos para a análise e reflexão 5. Na elabora- gem e desenvolvimento humano. atribuição de crédito e formatura de alu- . sino na escola. deve ser apenas ajuda porque não pode substi. tendo em vista a O conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP) realização autônoma da atividade de aprender a aprender. 5) Promover a utilização e o aprofundamento autô. foi proposto pelo psicólogo soviético L. Nesse sentido. figura do outro que auxilia na resolução do conflito entre preensão e atuação autônoma dos alunos. ou seja. par. O traba. metodológicas e instrumentais. O ensino na concepção construtivista deve ser entendido Um método educacional sustenta-se a partir da função como uma ajuda ao processo de ensino-aprendizagem. enquanto ajuda o processo de dos segundo a natureza conceitual. e atitudinal (de curiosidade. conceitual (tipos e parte das plantas). propor desafios que levem os alunos a questi. ao mes. aquilo que eles não conhecem. é pre. Junto a isso. A discriminação tipológica mento proximal (ZDP). A questão da avaliação do processo educativo tem sido cam-se os seguintes pontos: 1) Inserir atividades significati. No entanto. No conceito de “ajuda ajustada” dos conteúdos. questões ainda se encontram sem respostas e se configu- do.

educativa global. CONTRERAS.Introdução mos evitá-la. obtidos por meio das avaliações. e as decisões a serem tomadas. as práticas avaliativas privilegiadas e o currículo escolar. em sentido estrito. tentando diferenciar os di- com aura. que devem ser levanta- mentos afetivos e relacionais da avaliação. Na medida em que aprender a apresentada e também de suas experiências e significa. “o quê”. devido à complexidade e Por fim. isto não quer dizer que o propósito seja à expressão “qualidade da educação”. na forma de Deste modo. 1. toda avançar na compreensão dos problemas educativos e po- política. do” ensinar e avaliar se unem configurando uma prática cessos de construção de conhecimentos. são temas recorrentes nos se valem da retórica para criar consenso evitando a dis- últimos tempos nos discursos pedagógicos. Esclarecer o significado Há casos em que este sentido de slogan. já não pode. sentido que depende da forma como a avaliação lhe é na significação dos saberes. Assim. usá-la como slogan é apoiar os que A Autonomia dos professores. os que ideia de seu profissionalismo. trumental das aprendizagens realizadas. em que mento de que o aluno atribui certo sentido a essa ativida. Tomemos o exemplo da versos sentidos que lhe podem ser atribuídos. por conseguinte. um dos critérios. possamos uma atração emocional. O desafio é Para isso. No entanto. ressalta-se a necessidade da abordagem da diversificação das situações de aprendizagem vivenciadas avaliação em estreita ligação com o planejamento didático pelos alunos. JOSÉ. Essas decisões não fazem parte. É preciso levar em tônoma. Deve-se compreender. o dos nas atividades avaliativas. Remeter dos da autonomia. temos que aproveitar o processo de es- slogans. o que se construiu de. de forma au- ções pessoais e sociais da realidade. cepção construtivista ressalta a necessidade de considerar as do processo de avaliação. novos conhecimentos. conhecimento pelos alunos. é uma forma sobre o papel daqueles que ensinam. que ta em nome da qualidade. Dessa forma. bem como qualidade da educação. mais do que nos limitarmos a repeti-las. às vezes. A AUTONOMIA DOS PROFESSORES. estamos falando tam- diante de um caso parecido. toda reivindicação educativa é fei. do papel da mesma com respeito à educação. avaliar os aspectos instru- conta também o caráter sempre parcial dos resultados mentais. buições da sociedade na qual esses profissionais atuam. Contreras pretende captar a signifi- seus diversos conteúdos e significados para diferentes pes. sou a fazer parte dos slogans pedagógicos. de palavra da autonomia de professores. porém citá-la sem mais nem apesar da pretensão de esclarecer os diferentes significa- menos é. . Atualmente. é o menor ou maior valor ins- planejamento das atividades avaliativas parte do entendi. bem como as atri- forma de legitimar seu ponto de vista sem discuti-lo. Desse modo. porém essas decisões devem variáveis proporcionadas pelos diversos contextos particulares. na qual as atividades avaliativas não es- Ao contrário das concepções que buscam neutralizar as tão separadas das demais atividades de construção de influências do contexto nos resultados das avaliações. Porém. de pressionar para um consenso sem permitir discussão. SÃO PAULO: CORTEZ. sua profusão está se dando. grau pode-se utilizar o que se aprendeu. sem esclarecer nunca o significa. Partindo da consideração que é na prática que se utiliza Todo processo avaliativo deve levar em conta os ele. em vez de explicitar puramente conceitual. “como” e “quan- devem ser aquelas que consideram a dinâmica dos pro. são utilizados em excesso para provocar que. descobrir seu valor educativo e social. o que se aprende. a con. líticos que encerra. 6. é de suma importância a qualidade da educação. recomenda-se a utilização de uma gama maior pos- alcançar a máxima coerência entre os processos avaliativos sível de atividades de avaliação ao longo do processo educativo. e em diferentes posições ideológicas. O esclarecimento da autonomia é por sua vez a com- Evidentemente esse é um recurso que pode ser utilizado preensão das formas ou dos efeitos políticos dos diferen- por quem tem poder para dispor e difundir slogan como tes modos de conceber os docentes. Uma vez que a expressão pas. todo programa. cação no contexto de diferentes concepções educativas e soas. um recurso para não defini-la. ser coerentes com as avaliações realizadas. Esta é a pretensão deste livro. aprender significa a capacidade para adquirir. do que se lhes quer atribuir.Nº28 nos. é muito mais evidente. Em relação à autonomia dos professores. que como tal de desgastam e seus significados clarecimento para recuperar e repensar aqueles significa- se esvaziam com o uso frequente. Pode-se dizer que.28 FEVEREIRO/2010 . e serem slogans. sobretudo. estamos Ao falar da autonomia do professor. por dos que supõem uma defesa expressa de certas opções. bém de sua relação com a sociedade e. cussão. bem como a própria têm a capacidade de exercer o controle discursivo. toda pesquisa. 2002. ou seja. no entanto.

Assim. de trabalho do modo de produção capitalista e o desen- Nem sempre as sugestões provêm das leituras dos ras. ao mesmo tempo. conseguir manter o ensino. não são sequer expressões neutras. 1. produtivo. embora em princípio pa. segundo Jimenez Jaén (1988). um sentido muito ses da classe operária. dos da cadeia produtiva. Nº28 . os docentes. No caso do ensino. já processo de acumulação de capital para invadir a esfera que a docência defini-se também por suas aspirações e do Estado. da da qualificação do operário. sição comprometida com determinados valores para a prá- tender o que significa ser profissional e as ambiguidades tica docente. e controle de gestão administrativa da empresa e do co- zões que torna esse assunto problemático é que a palavra nhecimento científico e tecnológico dos experts. sim. se aceitarmos que a forma com que pensamos Apple e Jungck. e neste caso especialmente. com o objetivo de resgatar uma po- proletarização do professor. volvimento e aplicação dessas propostas realizadas por cunhos. enquanto mos na prática real dos professores em sala de aula. Uma das ra. zação e controle do trabalho do professor. Ao contrário. alizou-se historicamente mediante a introdução do mes- temos de discutir tudo o que se diz sobre ele ou o que dele mo espírito de “gestão científica”. enquanto categoria. Com o objetivo de garantir o controle do clima intelectual e profissional no qual se criam opor. isolamento e não é possível sem o apoio. nem corporativismo. modo. não pode ser definido Esta lógica racionalizadora transcendeu o âmbito da apenas de modo descritivo. a atenção a essas necessidades re- tender as características e qualidades do ofício de ensinar. tem muito a ver com a forma com que encaramos a rea. as diferentes formas de en. os conceitos-chave que explicam esse fenômeno reçam apenas referir-se às características e qualidades da de racionalização do trabalho são: prática docentes. A tese com respeito à profissionalidade de professores: a que básica da proletarização de professores é que o trabalho entende os professores como técnicos. a que defende o docente sofreu uma subtração progressiva de uma série ensino como uma profissão de caráter reflexivo e a que de qualidades que conduziram os professores à perda de adota para o professor o papel do intelectual crítico. O pro- PROLETARIZAÇÃO DOS PROFESSORES duto dessa atomização significava. analisa-se o problema do profissionalismo no autor com essa discussão é. este não é um livro no qual se façam condições de trabalho como nas tarefas que realizam as propostas concretas. empresa. ou Densmore (1987) são representantes de tal perspectiva. prático. de maneira que os operári- de nós mesmos como docentes e de nossas circunstân. A aspiração do • na Parte I. Lawn e Ozga (1988. c) A perda de controle sobre o seu próprio trabalho. cação – está longe de ser ingênuo ou desprovido de inte. 1988). Agora. O tema da proletarização dos professores nos oferece • na Parte II. Por isso. e suas derivações. situando essa questão no debate sobre a confronto ideológico. o tem como base teórica a análise marxista das condições intercâmbio. à per- • a Parte III é dedicada a estabelecer uma visão global do que da da autonomia. tanto nas características de suas Segundo o autor. enquanto um ofício. este era subdividido em pro- tunidades para discussões interessantes ou para análise cessos cada vez mais simples. 1989b. se quisermos abordar o tema culo começou a conceber também uma espécie de pro- da autonomia profissional. lidade e decidimos nela nos inserir. Ozga. O debate sobre a proletarização dos professores cessidades e condições de realização da prática docente. tanto no que se fere ao se espera. pelo que encontra. mas que se torna. precisamos discutir os aspec. Autores como Apple (1987. Braverman (1974). portanto. perdendo deste modo a perspec- tiva do conjunto. o conteúdo da prática educativa como ao modo de organi- que se propõe. se entendermos por isso planos de quais os aproxima cada vez mais das condições e interes- ação. E também o que é e o que não deveria ser. O ensino. se deve entender por autonomia de professores. A Autonomia não é Este tipo de análise. controle e sentido sobre o próprio trabalho. o trabalhador passa peito aos professores e. bem como as habilidades e destrezas que CAPÍTULO 1: A AUTONOMIA PERDIDA: A anteriormente necessitavam para o seu trabalho. Deste “profissional”. mostran- do o equilíbrio necessário requerido entre diferentes ne. sofreram ou estão sofren- tampouco submissão burocrática ou intelectual. Provêm também. resse e agendas mais ou menos escusas. o currí- Esta é a razão pela qual. a per- Uma das ideias mais difundidas na atualidade com res. cesso de produção. O a) A separação entre concepção e execução no processo tema do profissionalismo – como todos os temas em edu. o livro possui. e contradições ocultas na aspiração à profissionalidade. 1990). ao menos. por conseguinte. a tese básica dessa posição é a consideração de que que não signifique nem individualismo.FEVEREIRO/2010 29 O presente texto está estruturado em três partes: tos contraditórios e ambíguos que encerra. do uma transformação. institucionais e autores que defendem a teoria da proletarização de profes- sociopolíticas que uma autonomia profissional deveria ter sores. ou seja. a relação. o autor discute as três tradições diferentes uma perspectiva adequada para essa preocupação. discutível. uma das mais a depender inteiramente dos processos de racionalização polêmicas é a sua condição de profissional. não só por sua materialidade. como âmbito privado e de produção. Embora não se possa falar em unanimidade entre os e propondo as condições pessoais. ou seja. os eram especializados em aspectos cada vez mais reduzi- cias profissionais. organizado sob os mesmos parâmetros . sobre o processo produtivo. se quisermos en. b) A desqualificação.

30 FEVEREIRO/2010 . isso permitiria entender fenômenos as quais haveria que se preparar (Bobbit. 1918). mento das funções de concepção. Profissionalismo e proletarização por sucessivas transformações que elevam sua categoria Um dos mecanismos que. O professor do ensino fundamental passa atualmente 2. técnico para a eficácia. e da intensificação. Outro aspecto crítico que convém considerar com res- des intelectuais e de suas possibilidades de ser realizado peito à análise da profissão do professor afetada por um como produto de decisões pensadas e discutidas coletiva.. a extensão de todo tipo de técni. o profissionalismo pode ser consi. dades e conhecimentos profissionais que possuíam e es- quistado e acumulado “ao longo de dezenas de anos de tão sendo afastados de funções para determinação do cur- duro trabalho” (Apple e Jungck. os quais corresponderiam a uma descrição ‘qualificação’”. embora a análise dos processos de “Entre os professores. 3. não se pode explicar o fessores. há um aspecto mais importante que o da desqualificação em parte. isto não ocorre em um processo sores foi evoluindo também à proporção que este se foi de anterior domínio e independência profissional. e in- secução de aprendizagens concretas perfeitamente esti. a maioria dos estudos é os professores fossem perdendo aquelas habilidades e realizada na Europa.. a transformação tres se comprometerão com elas (as metas de políticas dos processos de ensino em microtécnicas dirigidas à con. “neutralizando” o conteúdo anterior sionais não reflete mais que uma aspiração para fugir de puramente ideológico. porém. rículo que anteriormente lhes correspondiam. da tecnicidade medida que consigam sua aceitação. em algumas ocasiões. no ensino A tese definida por Lawn e Ozga sobre este particular: Em primeiro lugar. os professores A determinação cada vez mais detalhada do currículo a se comprometem com as políticas de legitimação do Es- ser adotado nas escolas. burocracia e tecnicidade efeito. O modo de assegurar o controle e a dedicação dos pro- Segundo Apple (1989b). ocultar a forma de controle. com baixa remuneração e em condições intensificadas. (Jimenez Jaen. 1988). segundo teóricos da até transformá-lo em estudos universitários. enquanto que proletarização. reformistas) acreditando que vale a pena alcançá-las. dirigidas fundamentalmente ao plorarão a si mesmos trabalhando inclusive mais duramente. tem sido a reivindicação de seus status O certo é que essa requalificação permite transformar e de profissionais (Densmore. se ela significa alguma coisa. 1990:169). com as quais se atribui derar uma força criada externamente que os une numa significação ao trabalho. controle disciplinar dos alunos. degradando. das atividades particulares e específicas da vida adulta para Em contrapartida.). os professores e professoras tendem a interpretar esse incremento de responsabilidades técnicas 4. Estão se perdendo muitas das habili- capacidades e aqueles conhecimentos que tinham con. privado de suas capacida. Estes mestres ex- ção de comportamento. uma tentativa social de construir uma “qualifica. proletarização costume fazer referência fundamentalmen- derado uma expressão do serviço à comunidade. 1990:154). tratando de assumi-las com seriedade. Também se pode consi. No contexto ção”. puladas e definidas de antemão. A Proletarização em nosso contexto recente A degradação do trabalho. em sua carência. projetos fazendo tudo para vencer as contraditórias pressões às quais curriculares nos quais se estipula perfeitamente tudo o que estarão submetidos. as técnicas de modifica. técnica e que é mais de natureza ideológica. como vimos. de racionalização que a reforma pôs em prática consegui- ção do sentido de responsabilidade entre os professores. a carga deve fazer o professor passo a passo ou. tem sido utilizado entre os professores como para o professor do ensino médio se institui também uma modo de resistência à racionalização de seu trabalho e à formação pedagógica ainda mínima. 1987). O controle ideológico e controle técnico como um aumento de suas competências profissionais. minação de objetivos operativos ou finais. adicional de trabalho criará uma situação na qual será im- os textos e manuais didáticos que enumeram o repertório possível alcançar plenamente essas metas” (Apples e de atividades que professores e alunos devem fazer etc. embora pudéssemos sua assimilação progressiva às classes trabalhadoras. Jungck. a proletarização. (Lawn e Ozga.). bem como te à perda das competências técnicas e a seu desprendi- em outros tipos de trabalho (. 1984).. sem entender a forma de evolu. Ao mesmo tempo. o certo é que no âmbito educativo visão particular de seu trabalho (. (Varela e Ortega. fez com que cacional muito diferente da nossa. desqualificação. reside em obter sua colaboração surgimento do profissionalismo como defesa ideológica nos processos de racionalização. ao justificar-se por seu valor tensão dos docentes de serem reconhecidos como profis. cada vez mais detalhadas. Desta maneira. vestirão quantidades excepcionais de tempo necessárias. processo de proletarização é que a maioria dos estudos mente. segundo os quais. toda a tecnologia de deter. 1988:213). . por meio de seus sistemas educativos: “Muitos mes- cas e diagnóstico e avaliação dos alunos. em parte. a criação por parte dos educativo. tado. Tudo isso reflete o espírito de racio- nalização tecnológica do ensino.. Com falar de um processo de regulação. Para Densmore. os novos mecanismos diante da desqualificação. O profissionalismo é. a autonomia era. regulamentado na enumeração de suas diferentes sobre essa questão provêm de uma realidade social e edu- tarefas e conquistas a que se deve dar lugar. rão eliminar as possíveis resistências dos professores à Conforme aumenta o processo de controle. a pre.Nº28 de decomposição em elementos mínimos de realização – professores de um espaço defensivo em torno da referida os objetivos -. a base social que se nutriu do trabalho dos profes.

nunca. que se identifique com a de outros profissionais. facilidade para atualização como profissionais social. • Subcultura profissional especial. trabalho. mento e regulação escolar. Con- • Um saber sistemático e global (o saber profissional). Essa transformação fez com que o status tradicional de Em geral. adquiridas pelos especialistas graças ao caráter científico São muitos os quadros elaborados tentando expor quais de seu conhecimento. está longe de ficar claro que isso seja uma conquista de trabalho. são eles: te ligada ao desenvolvimento institucional do ensino. sobretudo em épocas em que se que poderia ser resolvido mediante habilidades técnicas sentem questionados pelos pais nos conselhos escolares. despolitizando e tornando tecnocrática a atuação cação de condições de trabalho como a remuneração. seguintes traços: Há processos de controle ideológico sobre os profes. A necessidade de depender do poder do Estado para dades de docência.FEVEREIRO/2010 31 é sobretudo a perda de um sentido ético implícito no tra. res obedece a uma série de características que normal- Além disso. a conclusão mais habitual que se chega é retrizes alheias à “autogestão do controle externo”. que a única denominação possível a ser atribuída é a de semiprofissionais. sões externas. a rejeição de legitimação na posse do conhecimento cientifico. “como profissionais”. fisticação técnica e pela aparência de uma maior qualifica. Imagens e características de organização empresarial ou burocrática. como um mecanismo para fixar e legitimar as . sua vida diária. Para “A formação de professores existe e está historicamen- Skopp. • Competência (ou qualificação num campo de conheci- sores que podem ficar encobertos por um aumento de so. por sua vez. Passa a ser ambíguo porque sua fuga nomo não corresponde à realidade e hoje menos do que é tanto uma resistência à perda de qualidade em sua ativi. um status ou uma remuneração modificaram as condições de trabalho dos profissionais. Um determinado resgate de habilidades • Licença (ou exclusividade em seu campo de trabalho). tudo isso em conformidade com a importância da função social que 3. isto é. também se desenvolveu um decisões). Algo desse assunto pode status e privilégios. assinalou os balho do professor. É o caso. e para manter sua diferenciação com ser observado ao analisar o modo conflitivo e contraditório respeito a outras ocupações.3) são esses traços determinantes de uma profissão. por exemplo. grupo ocupacional especializado em elaborar o plano de • Atitude de serviço diante de seus clientes. esse suposto poder autô- fugir da proletarização. Se a posição clássica ções como frente a seus clientes. forme o ensino evoluiu como forma social de preparar as • Poder sobre o cliente (disposição deste de acatar suas crianças para a vida adulta. horas social. A RETÓRICA DO PROFISSIONALISMO 2. esta é uma advertência que Popkewitz (1990) faz. “autonomia pro. própria categoria profissional). características. segundo Larson. parece que a reivindicação de profissionalismo muitos profissionais não seja agora mais que o de traba- ou o sentimento de “profissionais” por parte dos professo- lhadores assalariados e burocratizados. Este grupo desenvolveu algumas • Autonomia ou controle profissional independente. O profissionalismo como ideologia E SUAS AMBIGUIDADES Estudos de Larson (1977) colocaram em evidência que A discussão sobre o profissionalismo dos professores está as teorizações sobre os traços não são senão formalizações atravessada de ponta a ponta pelas ambiguidades que a de supostos ideológicos que as próprias profissões sus- própria denominação “profissional” acarreta. como assessoria de experts no planeja- Isso significa. ção profissional. como uma resistência a perder – ou a defesa de seus interesses e do capitalismo monopolista não obter – um prestígio. bem como pelos tentam. e decisões profissionais pode se transformar em uma for. tornando-se agora um especialista assalariado em uma gran- 1. em parte. como dignos de respeito e A profissionalização encontrou seu processo mais forte como especialistas em seu trabalho e. da reivindi- exclusivo. com o objetivo de manter a legitimidade de seu interesses no uso desse termo. a recuperação de determinado controle pode Assim quando se compara os professores com essas não ser mais que a passagem da simples submissão a di. Mas é também um pedido de reconhecimento e as profissões do ensino. ao menos em certo sentido. se o profissionalismo como ideologia se en- mente eles expressam como se pertencessem por direito contra ligado à capacidade de impor um conhecimento como próprio a seu trabalho. • Vocação (ou sentido de serviço a seus semelhantes). Nº28 . alegorias e ritu- • Prestígio social e reconhecimento legal e público de seu ais que explicam a ‘natureza’ do ensino e sua divisão do status. O controle sobre o conhecimento cumprem. 1991: cap. (Popkewitz. portanto. social de seu trabalho. mas também dignificação e reconhecimento política educativa em um problema meramente racional. • Independência (ou autonomia. profissionalismo. e reconhecimento de sua formação permanente . corporações especializadas em imagens. Já Fernandez Enoita (1990). tanto frente às organiza- ma mais sutil de controle ideológico. da proletarização era a perda da autonomia ocasionada • Auto-regulação (ou regulação e controle exercido pela pela redução de professores a meros executores de deci. O à ingerência de “estranhos” em suas decisões e atuações. A formação de professores pode ser entendida. transformava a administração fissional”. com que o termo é usado quando os professores tratam de No entanto. mentos).

se nos va do fato de que o ensino supõe um compromisso de negamos a fazê-la. as exigências profissionais que os professo. É previsível que sentir-se compromissado ou “obrigado” moralmente re- essa reação contra a intervenção externa possa se susten. por 3. começarmos A primeira dimensão da profissionalidade docente deri- a ser reconhecidos como melhores profissionais ou. 1987:3) tender um maior controle sobre o próprio trabalho não é O resultado é que os professores ocupam uma posição privativo dos trabalhadores da área de ensino. isto é. de pla.Nº28 pautas ocupacionais de trabalho para os futuros professo. 1990:16e ponsabilidades profissionais. seja por impedi- como o de especialistas com funções administrativas. mentos legais ou por falta de capacidades intelectuais e nejamento e de controle no sistema educacional. res podem fazer não se diferenciam em muitas ocasiões Todos os campos de compromisso social da prática do- . professores. A profissionalidade docente e as qualidades sunto que não se reduz apenas às salas de aula. ou de atributos que lhe docente. caráter moral para quem a realiza (Contreras. as novas políticas de que possa ser estabelecida na definição do emprego. responsabilidade. capacitação são características tradicionalmente associadas a valores pro- 4. A educação não é um problema da vida privada dos missão de valores e saberes sancionados socialmente. nessa perspecti- são associados. uma forma de defender não só os direitos dos profes- la. enfrenta etc. deve decidir ou assumir o grau de identifi- crítica e da participação social.1992). A educação requer responsabilidade e não se pode ser o grupo de acadêmicos e pesquisadores universitários. Evidentemente. do que frente às organizações ou aos poderes O professor ou professora . Gil. Pre- res” (Popkewitz. A autonomia como não intromissão costuma ser. porque ao ser ele ou ela quem pessoalmente se projeta 1996). a profissionalização atua como modo na relação direta e continuada com pessoas concretas so- de garantir a colaboração sem discutir os limites de atua. sores. já que este se situa no terreno da trans. são emocional presente na relação educativa. se situa acima de qualquer obrigação contratual lizando. com a ção. bem responsável se não é capaz de decidir. lhistas para os docentes. flete este aspecto emocional na vivência das vinculações tar com mais facilidade diante dos setores mais fracos da com o que se considera valioso. os sentimentos e o cuidado e atenção que podem exigir como pessoas (Noddings. Este compromisso ou obrigação moral confere à ativi- Smyth (1991a). as quais se caracterizam por uma combinação preciso atender o avanço na aprendizagem de seus alu- entre as decisões centralizadas e pelas metas curriculares nos. OS VALORES DA PROFISSIONALIZAÇÃO É também necessário entender que a responsabilidade E A PROFISSIONALIDADE DOCENTE pública envolve a comunidade na participação das decisões sobre o ensino. 1993. colares por outro. As armadilhas do profissionalismo fissionais que deveriam ser indiscutíveis na profissão de Em nome da profissionalização. ou ampliá. a participação local e a decisão colegiada nos centros es. E a profissionalização pode ser. Na verdade. uma descrição equivocada da função desempe- nhada pelo ensino. frente a seus empregadores (Fernandez Enguita. ante os receptores de seus serviços e não ta com sua própria decisão sobre a prática que realiza. exigindo-se sua colaboração. É inevitável o fato de que o trabalho de ensinar consista Dessa perspectiva. desenvolve. por um lado. É reforma. morais. Autonomia.porém essa subordinada na comunidade discursiva da educação.32 FEVEREIRO/2010 . mas da educação. como pessoas . estaremos abandonando nossas res. como fator de legitimação. ss). Isto é o que Hargreaves e Dave (1990) chamam de bondade das pretensões e com os aspectos mais pessoais “colegização artificial”. detém o status de profissional no ensino é. tratando de gerar podem obter mais êxito em preservar suas atuações da uma influência. os níveis de transformação da realidade que tuições nas quais se integram. Autonomia no profissionalismo O aspecto moral do ensino está muito ligado à dimen- A reivindicação de autonomia do profissionalismo pa. das que podem ser feitas por outros trabalhadores. se defron- públicos. explica a forma em que o dade de ensino um caráter que. os movimentos de profissionalização em sua relação com alunos e alunas. (1989:100). A obrigação moral reforma se. fundamentalmente. como assinalou Sockett profissionalismo dos professores está se redefinindo e uti. Nesse sentido. merece todo o alunado. mas que tem do trabalho educativo uma clara dimensão social e política. sociopolíticos que competem ao trabalho de ensinar. por exemplo. e des e do reconhecimento do valor que. Quem reivindicação não se reduz a um desejo de maior status. 5. como consequência da mesma. va. 1986). mas uma ocupação socialmente encomen- dada e responsabilizada publicamente. O compromisso com a comunidade um lado. inevitavelmente. a profissionalidade pode Como afirmaram Lawn e Ozga (1988). de evolução. Se a educação for entendida como um as- 1. com o objetivo de garanti-la. justificam-se transformações administrativas e traba. do que na determinação cação ou de compromisso com as práticas educativas que do conteúdo ou das condições de seu trabalho nas insti. ou Carlson significar uma análise e uma forma de intervir nos problemas (1987. rece mais uma defesa contra a intrusão. bre as quais se pretende exercer uma influência. sociedade. não se pode defender a oposição a uma 2. enquanto que não se pode esquecer das necessida- claramente definidas e fixadas pelo Estado.

porque. então. enfrentamento de situações problemáticas nas quais con- volvimento das qualidades essenciais da prática educativa. como forma de definir o lugar b) Ciência aplicada ou de engenharia. um tica que se mostrará essencial na possibilidade de desen. seleciona entre o repertório mento da autonomia como chave para compreensão de disponível o tratamento que melhor se adapta à situação e um problema específico do trabalho educativo. sob essa concepção. foi o da racionalidade téc. caracterís. isto é. nio técnico demonstrado na solução de problemas. o modelo dominan. apóia e a partir do qual se desenvolve. Ao AUTONOMIA PROFISSIONAL DO DOCENTE reconhecer o problema diante do qual se encontra. ou seja. ou nal técnico quando tiver decidido qual é a dificuldade de aprendiza- Trata-se mais precisamente de aprofundar o entendi. ponsabilidades. um Segundo essa perspectiva. 3. concreta a serviço do cliente. terão de aceitar o contexto te a aplicação de um conhecimento teórico e técnico. to. o aplica. a partir do qual da sua competência profissional. 1991 b: 375). ou seja. relaciona-se com o domí- gação moral. Como afirmou Schön (1983. cunstâncias que ultrapassa a forma pela qual já compre- nica.1992). em muitas ocasiões. no e em sua aplicação inteligente. tendem a resistir à análise de cir- nhecimento e prática profissional. levou a que se considere o ensino como uma profis- fatores de determinação da prática educativa há de ser são somente em um sentido muito fraco e limitado. se carecer talidade da racionalidade técnica. os professores ção e cuidado às pessoas concretas que se deduz da obri. sobre o qual a prática se Já não estamos falando do professor ou da professora. é sobretudo aquele que de autonomia profissional. co. enderam seu trabalho. em grande medida. aquele que se las facetas sobre as quais não tem ou não pode tomar pode apresentar como técnica ou método de ensino decisões e elaborar juízos arrazoados que justifiquem suas (Holiday. conflituosa de seus distanciamento dos contextos imediatos para entender os fins. a falta de aplicação técnica de É necessário destacar. Schein identificou no conhe- conflito com as definições institucionais da escola. minadas aprendizagens. Aqueles professores que entendem que seu trabalho te que tradicionalmente existiu sobre como atuam os pro. mais amplo nas origens e consequências de sua prática amente disponível. gem de tal aluno ou grupo. como profissional técnico. Dificilmente. 1989:15). gem o reconhecimento das consequências sociais e da c) Habilidade e atitude. como profissionais. Por outro lado. A ideia básica deste modelo é que a prática profissio. Da mesma maneira.FEVEREIRO/2010 33 cente supõem para os professores. os que se sensibili- nal consiste na solução instrumental de problemas median. podemos dizer que a competência no conhecimento dos procedimentos adequados de ensi- profissional é o que capacita o professor para assumir res. 1993: cap5). possuem. nóstico e de solução de problemas. Domínio Técnico e dependência profissional ta competência (Sockett. a regulação cimento profissional três componentes essenciais: de suas funções e as inércias tradições assentadas. compreende que MODELOS DE PROFESSORES: EM BUSCA DA sua ação consiste na aplicação de decisões técnicas. 1990:29) intervenções” (Gimeno. O compensada e simultaneamente sustentada com a aten. educativa como parte de seu compromisso profissional. A competência profissional “A racionalidade técnica impõe.. claramente definidos os resultados que deve alcançar. que se relaciona com a atuação política do exercício profissional do ensino. consiste na aplicação de habilidades para alcançar deter- fissionais na prática. 2. pela própria na- A obrigação moral dos professores e o compromisso tureza da produção do conhecimento. Temos que falar de competênci- ca aos níveis mais abstratos de produção do conhecimen- as profissionais complexas que combinam habilidades.. por vezes. a) Ciência ou disciplina básica. utilizando para isso os dois componentes anteriores da ciência básica e aplicada. A prática profissional do ensino a partir rias de situações estabelecidas de situações para as quais da racionalidade técnica dispomos de tratamento. mas da ação coletiva e deriva a maioria dos procedimentos cotidianos de diag- organizada e da intervenção naqueles lugares que restrin. previ. O conhecimento pedagógico relevante. ao ter A Autonomia Ilusória: o professor como profissio. A prática docente é. 4. juntamente ção a competências profissionalizadoras que requerem um com a natureza ambígua e. obrigação moral ou um compromisso com o significado e as repercussões sociais do ensino se não se dispuser des.) um professor não pode se tornar competente naque. A irredutibilidade técnica do ensino O professor. No campo da educação. pode-se assumir uma (Pérez Gómez. flui uma multidão de fatores e em que não se pode apreci- ar com clareza um problema que coincida com as catego- 1. e sobre a relação entre pesquisa. alguma finalidade predeterminada. ao mesmo tempo em que se preparam as condições princípios e consciência do sentido das consequências das para o isolamento dos profissionais e seu confronto gremial” práticas pedagógicas. que a aten. uma relação de su- com a comunidade requerem uma competência profissio- bordinação dos níveis mais aplicados e próximos da práti- nal coerente com ambos. que procede da pesquisa científica. como afirmou Gimeno: estabelece quais os meios mais eficientes para levar a cabo “(. isolados na sua sala de aula. grande parte do conhecimento pedagógico. mas ele ou ela dificilmente pode desen. reconhecimento que. a partir da men- volver sua competência sem exercitá-la. de qualquer modo. . Nº28 . zam diante dessas questões.

Em termos da prática de ensino. tante na educação é atender as circunstâncias que cada na. não resolvem os problemas de obrigação moral. quando o impor- Essa ideia de reflexão na ação habitual. “que problemas valem a pena do que pela relevância.. qual o seu significado concreto em situações de professor que demonstra uma preocupação pelo rigor maior complexas e conflituosas. der de generalizações sobre métodos. tanto a fixação A concepção do ensino como prática reflexiva. gica.34 FEVEREIRO/2010 .. ou o que será. O currículo necessita diatos de reflexão na ação no caso de terem de responder a ser sempre interpretado. A prática constitui-se. por exemplo. adaptado e. mas. de tal maneira que. como veremos mais adiante. para a busca e experimentação de um professor com a cínio infalível a partir de um conjunto de premissas. transformaram- sultados. A autonomia ilusória: a incapacitação política com determinados fins. mas à reflexão sobre quais devem Eliot (1991b) denominou de “expert infalível” aquele tipo ser os fins. Tanto Stenhouse com Schön expõem sua posição em te seu trabalho. a busca de confiar em sua especialização. que se ma. visto que signifi- O que o modelo de racionalidade técnica . desse modo. É esse conhecimento profissional o que lhe permite ção de determinadas situações de aprendizagem. A reflexão na ação “expert infalível” aplica esse conhecimento de forma intui. ou que é possível depen- há um conflito de valor. em função das categorias a definição de sua tarefa. como o ensino. (re) criado por uma alteração imprevista no ritmo da classe. com o objetivo de entender a forma pela qual la. ca a expressão de certos valores e de determinada busca cepção da atuação profissional . E com- decisão e atuação regulado segundo um sistema de racio. até realmente se abordam situações problemáticas da prática. seu conhecimento na prática se torna mais tácito e espon. forma com que diferentes profissionais realizam realmen. que realiza.. cessos educativos. Stenhouse e o professor como pesquisador ensino. não está preocupado em desenvolver uma visão global da “Um profissional que reflete na ação tende a questionar situação na qual atua. apre. (Stenhouse.). Conforme sua prática fica estável e repetitiva. à instabilidade e à incerteza. uma situação de (1983.revela é a sua incapaci. a redução de sua competência profissional. a cria- tâneo. a obscurecer algumas vezes o sentido que O DOCENTE COMO PROFISSIONAL Schön quis dar a esses termos. que melhoram sua arte o que não pode ser interpretado como um processo de experimentando-a e examinando-a criticamente. o qual estão inseridas suas funções (. o ensino é uma arte. que se realiza na própria prática do ensino. segundo Schön. também questiona ele- epistemologia positivista. 1985).como con. culo que reflete o conteúdo do ensino. certas qualidades na aprendizagem dos alunos etc. se em denominações habituais na atual literatura pedagó- os quais os professores necessariamente enfrentarão. Segundo este autor. singulares e nas quais à margem dos que o atribuem. um processo que se abre não só para a resolução de problemas de acordo 4. ao questionar essas coisas. REFLEXIVO Para Stenhouse. as teorias na ação das quais ela extraídas do conhecimento especializado que possui. adota determinadas características próprias na prática caso apresenta e não pretender a uniformização dos pro- profissional. relação aos professores ou aos profissionais como resis- sentada a seguir. dada a lacuna existente na lado. cimento organizacional”. um músico tentando extrair o Por isso. na vida cotidia. observando a musical. porque isso seria vidades que. é impossível dis- qual os profissionais enfrentam aquelas situações que não por de um conhecimento que nos proporcione os méto- se resolvem por meio de repertórios técnicos. ou dos jovens. tentando experimentá- profissional. tudo que os docentes são como artistas. Como a prática docente supõe o ensino de algo. pensa dade para resolver e tratar tudo o que é imprevisível. Desta forma. baseando-se no saber do senso comum. (Schön. 1983:338-9) Um dos efeitos evidentes da concepção dos professores como “experts técnicos” é o que se refere às finalidades do 2. Não é A ideia de profissional reflexivo desenvolvida por Schön possível saber o que é. inclusive.1992) trata justamente de dar conta da forma pela ensino até que se realize. tende a fazer emergir não só os pressupostos e as técnicas tiva. tência e oposição aos modelos de racionalidade técnica. o expert infalível ser resolvidos e que papel desempenhar neles” (ibid. E. . foi se caracterizando essa perspectiva. é necessário resgatar a base reflexiva da atuação que há de valioso em uma partitura.:130). se caracterizam por atuar sobre como aceitar que há ações cujo significado se estabelece situações que são incertas. che- gou-se inclusive. parte e as medidas de cumprimento pelas quais é contro- Ainda segundo Elliott. da prática entre o domínio do mentos da estrutura do conhecimento organizacional na conhecimento técnico e seu uso nas situações reais. sim. Por isso. pesquisando possibilidades.Nº28 embora percam necessariamente a segurança que lhes dava de reflexão na ação transforma o profissional. Uma das ideias básicas no pensamento de Stenhouse 1. encontrar o que para ele expressa seu autêntico sentido A partir da descrição que Schön realizou. e se abrirão à em um “pesquisador no contexto da prática” (1983:69) complexidade. mas também os valores e propósitos presentes no conhe- nipula na cultura profissional. e dos externa de objetivos educacionais como sua redução a re. é o currí- Os professores podem se encontrar em processos ime. professores como profissionais reflexivos. dos que devam ser seguidos no ensino. aquelas ati. examinando efeitos. Como expressa J. Este processo meio do ensino que o professor realiza. Schön e os profissionais reflexivos foi a da singularidade das situações educativas. instáveis.

como pesquisador de sua própria prática. mas a educação ou os administradores não podem nos indicar o contínua invenção. sem renunciar ao que anuncia a pretensão refle- dades intrínsecas ao próprio processo educativo. poder e acesso a recursos materiais e culturais a racionalidade prática (Warnke. mas estratificada e dividida em grupos com status desi- 3. é algo que requer 1. em um seus seguidores. por exemplo. conhecer o que se • Versão evolutiva que prioriza um ensino sensível ao pen- deve fazer: Uma resposta possível é que teremos de receber samento. Zeichner (1993). nos a perspectiva da racionalidade prática aristotélica. em muitas ocasiões. tica e que se deduz da pesquisa sobre o ensino. eda corrente na literatura pedagógica. rejeito essa ideia. às quais estejam submetidos. xiva (uma prática consciente e deliberativa. Vários autores ten- posição de uma tradição. seja a partir de sua própria experiência ou da pro. professores. a ideia mentos que não estiverem assimilados por seus protago. decidem a forma com são dos estudantes. independentemente das restrições ou das ordens utilizado pela maioria dos professores. na qual se defende a reflexão em ge- . por meio das quais as tentativas • Versão de eficiência social: que ressalta a aplicação de influência externa são transformadas em práticas que minuciosa de estratégias particulares de ensino que vêm nem sempre têm muito a ver com a essência das mudan. sem sequer nos ter examinado e diag- pressão de sua prática e das qualidades pretendidas. justiça e condições humanas. há uma diferença clara entre o que se ções e contrariedades das quais nem sempre é fácil sair. da mesma ma- neira que também se reconstrói a própria ação. nenhum professor poderá evitar agir em lado. aos interesses e às pautas do desenvolvimen- instruções em forma de currículo e de especificações sobre to evolutivo dos estudantes. que planejam suas aulas. De um de realizar o bem. é evidente que a educação é um É essa fraqueza ou insuficiência de argumentação do tipo de atividade prática se for entendida como dirigida profissional reflexivo que conduz à busca de uma concep- não à consecução de produtos. podem ser assumidos perfeitamente sob mundo não só plural. e a representação e tradução do conhecimen- externos à própria ação. sociais e políticos. 1985:44-5) elemento que se reconstrói na indagação. docentes. chama de atividades técnicas e as atividades práticas. Autonomia das decisões profissionais ções). sobre os contextos institucionais. As recomendações vão variar em cada O professor. o que querem di- relação à sua própria concepção do que é o bem na edu. A verdade não pode estar definida pelo Estado. Nós. Nº28 . zer os autores com o termo reflexão. e os professores de • Versão genética. São os próprios profissionais do to disciplinar em matérias. “Como poderemos nós. sugeridas por um “conhecimento básico” externo à prá- ças pretendidas. é o nosticado previamente” (Stenhouse. reinvenção e improvisação do currículo". A prática profissional não é só a rea- Tanto o trabalho de Schön como o de Stenhouse. O currículo. De ou nem sequer captar com lucidez. CONTRADIÇÕES E CONTRARIEDADES: A ideia do professor como pesquisador está ligada. ção que. em ultima instância. DO PROFISSIONAL REFLEXIVO AO portanto. bem como da própria evo- os métodos pedagógicos. guiada pela busca da coerência pessoal entre as atuações e convic- 4. dade maior. determinados ideais educativos. Apropriação generalizada do termo reflexivo processos reflexivos. do docente como profissional reflexivo passou a ser mo- nistas. 1992:150). dê conta dessas preocupações em relação a qual e responsabilidade social deveria ser a orientação para a reflexão do professor Ser sensível às características do caso. do por seu professor. acordo com essa ética. encontramos submetidos a pressões e vivemos contradi- Para Aristóteles. mas também desigual e injusto.FEVEREIRO/2010 35 Mac Donald: “O ensino não é a aplicação do currículo. que devemos fazer. caso. como a valorização das atuações em sala de aula em trole estrito do currículo e dos métodos pedagógicos nas relação à sua capacidade para contribuir para uma igual- escolas é equivalente ao controle totalitário da arte. profissional em cada situação concreta. A educação é um aprendizado no contexto de uma busca • Versão de reconstrução social que acentua a reflexão da verdade. Pessoalmente. lução do professor como docente e como pessoa. Alcan. tanto no en- çar a verdade por meio da educação é um assunto de juízo sino como na sociedade. e lização de pretensões educativas. entenda-se a partir co variedades da prática reflexiva: disto a ideia de que a prática educativa não pode ser a • Versão acadêmica: que acentua a reflexão sobre as dis- realização de valores educativos formulados por agentes ciplinas. os quais não podem manipular ele. identificou na literatura pedagógica cin- pode ser determinada a partir de fora. O fundamento aristotélico: gual. para promover a compreen- ensino que. em uma tentativa de es- A conclusão que se extrai é a de que a educação não clarecer o campo. mas à realização de quali. e atuar em rela- ção ao mais apropriado para o mesmo. Desde que se publicou a obra de Schön (1983). à necessidade dos professores de pesquisar e INTELECTUAL CRÍTICO experimentar sobre sua prática enquanto expressão de Não vivemos em uma sociedade simplesmente pluralista. enquanto ex. fora do uso comum cação. Não necessitaremos de um médico se o que este nos transforma-a em objeto de indagação dirigida à melhoria indicar for um tratamento prescrito pelo Estado ou sugeri- de suas qualidades educativas. Se a deliberação é sobre a forma taram fazer uma revisão sobre o enfoque reflexivo. bem nem sequer por meio de processos democráticos: um con. não se sabe.

sem especificar grande coisa em relação aos propó. a regulamen- tro da sala de aula e na escola. para desenvolver as qualidades artísticas de fessores compreendidos como intelectuais reflete todo um sua obra. em virtude das características da treito. e para transcender os limi. Em sua insatisfação. “O ensino para a transformação social significa educar tensões e as práticas profissionais. a constituição de proces- contradição com a forma pela qual as instituições expres. no con- texto da instituição escolar. rotinas próprios professores para sua configuração como intelec- e estilos estabelecidos. Uma transformação. os colegas.36 FEVEREIRO/2010 . Baseando-se nas ideias de A ideia do artista reflete o fato de que uma pessoa se Gramsci sobre o papel dos intelectuais na produção e re- auto-analisa. que limita. 2. ao mesmo tempo. o funcionamento da escola. 1991:90). por conseguinte. Enquanto que por reflexão crítica. de compreensão sobre a forma com que definem Segundo expressa Giroux: “Os professores podem não seu papel. os sentimentos de A crítica de Liston e Zeichner se dirige à falta de responsabilidade conduzem ao isolamento e ao desloca- especificidade de Schön em relação ao fato de que os pro. permite entender o ou como pesquisador. a lógica do controle tecnocrático entra em 1987) e Kemmis (1985. 1987). constroem seu papel. neste caso. 1986. Esta é xão na ação. tuais críticos requer. A crítica teórica como superadora das Liston e Zeichner (1991) apontaram os limites da teoria limitações da reflexão de Schön. crítica em uma sociedade plural. A reflexão crítica não se pode ser concebida como um mas de preparação para uma vida adulta com capacidade processo de pensamento sem orientação. Atuar como intelectuais transformadores significa ajudar os estudan- 4. para ele. mas não se está revelando nenhum conteúdo das contínuas relações de poder. porém. em oposi- flexivo. seu sistema de va. . precisamente a ideia da teoria crítica: ajudar os professo- res a desenvolver uma apreciação crítica da situação na 3. dirigida à pro- tes que esta impõe à emancipação. há outros autores que criticaram as limitações do pensamente de 6.). mas também entre a esco. mação. a prática de ensino com um processo de emancipação dos qual já responde a certas pretensões. As práticas institucionais dos professores e as tes a adquirir um conhecimento crítico sobre as estruturas limitações da reflexão sociais básicas. de modo que estas reflexão tem em si mesma para detectar os interesses de instituições possam se abrir a um potencial de transfor- dominação da prática escolar. Pelo contrário.Nº28 ral. Contudo. enquanto prática social. o sentido do que deve. se formulam as finalidades educativas como for. 7. nos. trabalho do professor como tarefa intelectual. mas estes se incorporam a uma instituição. uma configuração das relações entre determinadas pre. estamos diante do mesmo problema: define-se ção às concepções puramente técnicas ou instrumentais. o Estado. de- Quando se define a ideia do professor como artista vem ser os professores. Da mesma forma que no caso de Schön. instituição educacional e da forma pela qual nela se socia- ria ser uma prática reflexiva. taneamente às necessidades de seus alunos e às exigênci- ras sociais mais amplas” (Liston e Zeichner. Os limites do professor como artista reflexivo qual se encontram”. o sentido dos pro- compreensão. pois é necessário propor a forma com que isto ser conscientes da natureza de sua própria alienação. uma história. lores. que valorize a reflexão e a ação gulamentares e tecnocráticas. A reflexão crítica no. tação burocrática e externa lhes impede de atender simul- la e a comunidade imediata e entre a escola e as estrutu. mento da culpa para os contextos mais imediatos: os alu- fessores reflitam sobre sua linguagem. o mundo Não poderemos compreender as possibilidades que a do trabalho e a cultura de massas. tendem a limitar seu universo de ação e de reflexão “A prática reflexiva competente pressupõe uma situa. Muitos professores. não é definido ex novo pelos Facilitar a ligação de uma concepção libertadora da docentes. este é um enfoque reducionista e es. ou se constitui como parte importante do processo de refle. para Giroux. Para eles. Giroux e o professor como intelectual crítico Stenhouse em relação a sua concepção do professor como Foi Giroux quem melhor desenvolveu essa ideia dos pesquisador.. gurança aparente. podem não reconhecer o problema como tal (. O excesso de responsabilidade e a insegu- ção institucional que leve a uma orientação reflexiva e a rança em que vivem os levam a aceitar as concepções re- uma definição de papéis. conta a forma com que professores e professoras. à sala de aula. bem como a do profissional re. Crítica à concepção reflexiva de Schön 5.. professores como intelectuais. Por um lado. em um contexto de os estudantes para assumir riscos e para lutar no interior atuação. um lado. tais como a economia. alterar as bases sobre as quais se vive a vida. se não tivermos em gressiva humanização da ordem social” (Giroux. O ensi. dentro de uma tradição estética. sos de colaboração com os professores para favorecer sua sam o sentido da missão encomendada. lizam. com seus próprios recursos e sua própria produção da vida social. 1991: 81). programa de compreensão e análise do que. na opinião de Smyth (1991b. tornando-os capazes de para essa reflexão. que lhes oferecem uma se- coletivas orientadas para alterar não só as interações den. as de controle. por outro lado a docência sitos desejados ou ao conteúdo da reflexão e a vida na escola se estruturam negando essas pretensões.

na fundamentação de AUTONOMIA E SEU CONTEXTO sua razão de ser e no papel do conhecimento nela contido. são do ensino. são possíveis em uma sociedade em que os modos domi- os como situações que estão além de nossas próprias in. Em todo o caso. nas ideias de Habermas. A CHAVE DA AUTONOMIA cimento. aplicada aos sistemas de relações humanas. Nº28 . no aprofundamento de seu significado. já que reconhece por um lado um momento de ra de atuar tem consequências públicas. tanto de nossa relação como atores nas práti. Diversos entendimentos sobre crítica co. as práticas vas ideias. participar distorcida. DOS PROFESSORES ções práticas. intenção política. não é nem um pouco pressa uma orientação à ação e tem a ver com a rela- evidente que estejamos diante de uma caso semelhante ção entre pensamento e ação nas situações reais histó- aos dos grupos organizados por interesses comuns e por ricas nas quais nos encontramos. é uma prática que expressa nosso poder para culturais e as formas pelas quais os valores ideológicos reconstruir a vida social pela forma de participação por dominantes. como mais o desejo de que a reflexão crítica conduzisse à neces- se fosse um mecanismo ou mera especulação. diante dos problemas. que conservam uma possibilidade de Todas estas discussões sobre a reflexão crítica encon. Habermas está baseado na ideias da emancipação. não dos problemas e atuar consequentemente. A reflexão não está livre de valores nem é neutra. da tomada de decisões ou da ação também as próprias perspectivas de análise e compreen- social (Kemmis. “A reivindicada superioridade do ilustrador sobre aque- volvidas e dirigindo-se à elaboração de processos siste. a figura cas institucionalizadas da educação. ou seja. simultâneo à incapacidade de justificar-se con- induz a conceber como uma atividade também pública. pelas quais os valores ideológicos dominantes. 3. ao mesmo tempo. por conseguinte. as possibilidades de ação do professor. A reflexão não é um processo mecânico nem tampouco educativas. São os seguintes: trata de estimular professores a buscarem processos de 1. quanto da relação entre do teórico (e de sua teoria) fica esboçada de forma proble- nosso pensamento e ação educativos. põe e prefigura relações sociais. refletir criticamente significa colocar-se no relações que estão enraizadas em uma comunicação contexto de uma ação. 1984) defende que as concep. ativamente. mas meio da convivência. clusivamente. mas máticos de crítica que permitiriam a reformulação de sua é. A reflexão não é o trabalho individualista da mente. 1985:149). mática. ou em sistemas diretamente coercitivos. Habermas (1982. Como essa manei. sejam eles pessoais. mais especifica. 10. ação educativamente valiosa. A partir de sua teoria dos interesses constitutivos do conhe.FEVEREIRO/2010 37 ela tem um propósito muito claro de “definir-se” diante as quais se sustenta o modelo profissional reflexivo). prática reflexiva se relaciona com um compromisso críti- 9. organizacionais ou sociais. para incluir sua análise como tecnológica. A reflexão não está biológica ou psicologicamente de- emancipação guiados pela reflexão crítica. culturais e políticos. enquanto busca a transfor- tram seu fundamento na Teoria Crítica e. que dão de uma atividade social e ter uma determinada postura lugar a consciências deformadas pela ideologia. em um processo de ilustração há somente participantes” Com o objetivo de poder articular a forma pela qual a (Habermas. Igualmente o intelectual crítico está preocupa- 8. fictícia e necessita de autocorreção: teoria e prática social e de suas condições de trabalho. o imperativo da mentalidade tenções e atuações pessoais. Para dos interesses dos grupos que detêm o poder. ticos sugere é que tanto a compreensão dos fatores soci- 4. nem é tampouco “pensamento puro”. na história da situação. le que ainda deve se ilustrar é teoricamente inevitável. quando se que configuram como processo. Significa explorar a natureza social Nas relações que Habermas estabelece em todo este e histórica. nem se reduz a discutir os valores sobre como a emancipação das formas de dominação que afe- os quais exista acordo social. A reflexão não é indiferente ou passiva em relação à ais e institucionais que condicionam a prática educativa. o que se propunha era 2. a reflexão crítica privilégio. ex- que propunham Kemmis ou Smyth. Autonomia ou emancipação expressa e serve a particulares interesses humanos. ordem social. Do esforço também para descobrir as formas um exercício puramente criativo na construção de no. O que o modelo dos professores como intelectuais crí- ciais. aquelas que supõem uma ação co. fato de participarem de experiências que se pretendem 5. A autonomia profissional de acordo com os três mode- municativa dirigida ao entendimento e ao acordo (e sobre los de professores: . reproduz ou tam nosso pensamento e nossa ação não são processos transforma as práticas ideológicas que estão na base espontâneos que se produzem “naturalmente” pelo mero da ordem social. forçaram certas Kemmis (1987). nantes de produção. O projeto teórico de suem. considerando. à maneira do terminada. so. a organização das pessoas en. exigindo. mação ou a recondução daqueles aspectos que não a pos- mente. pressu- sidade de uma ação transformadora. e problemas que têm uma origem social e histórica. Kemmis (1985) chamou a atenção para os elementos A importância deste fato para nós é que. 1987:48). O fundamento habermasiano do com a captação e potencialização dos aspectos de sua da reflexão crítica prática profissional. de suas finalidades educativas e de sua fun- ção social. plano de conhecimento dirigido à ação política.

mensagem de resistência. de desenvolvimento de sua tarefa. fiel das reformas esboçadas. referência ao contexto trabalhista. as aceite e as leve a cabo. os quais não só tinham ou é uma armadilha para os professores. A autonomia necessária: diagnóstico de uma A autonomia. bem como o clima ideológico maneira que se entendeu que a formulação de uma inova- que a envolve.38 FEVEREIRO/2010 . As modificações que os pro- . externos entorpecem. poderia chegar a ser um estorvo na realização A comunicação ou disseminação das inovações se trans. como de realizadores de los crer falsamente que possuem condições adequadas de tra. os professores. o problema é só deles. dominante sobre os professores. são fatores fundamentais que a apóiam ou a ção. tor. uma imagem de passividade. as entenda. As condições reais de educativa moveu-se sob os pressupostos anteriores. o discurso sobre a às salas de aula e às escolas. E sem condições adequadas. que emanava dos técnicos e especialistas. 1. atuações que outros planejavam.Nº28 DIMENSÕES DA PROFISSIONALIDADE DO PROFESSOR AS NOVAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS formam em um fator-chave: como conseguir que o recep- E A AUTONOMIA DE PROFESSORES. e que os inovadores e balho e que. institucional e social em que Grande parte da teoria e da pesquisa sobre a inovação os professores realizam seu trabalho. de denúncia de carências para um Tudo isso não fizeram senão aumentar a perspectiva trabalho digno e com possibilidades de ser realmente educativo. Não é possível falar da autonomia de professores sem fazer Como vencer suas resistências. significavam um elemento autonomia pode cumprir apenas duas funções: ou é uma em si positivo. que só pretende fazê. mais do que uma pretensão para os pro- mudança de perspectiva sobre os professores fessores. reformadores se moveram durante muito tempo no de- sejo de que fossem mais obedientes do que autônomos. portanto.

e damentais de preocupação: o currículo. sensíveis a seu contexto. desenvolvido ou concretizado trário. Um dos fatores fundamentais nesta mudança de men. Entretanto. vez mais se desconfia da aspiração para encontrar a solu. uma adulteração das mesmas. de um modo ou de Um fenômeno bastante comum na maioria dos países outro. cultural e política. Efeitos e singularizando-se. de que trabalhem em ensino (Clark e Peterson. A sociedade. e que. Com o advento do nal e institucional. interpretam. Dessa forma. por parte da comunidade de pes. transformação curricular. foi o surgimento de refor. gular. cada vez mais no currículo oficial como aquele documen- dade dos professores ao programa curricular. princípio de participação das famílias é. por sua vez. nos discursos públicos e na retórica das adminis- ocidentais. de escolar. cia de que as escolas se considerem unidades de auto- quisadores. por vezes só podem ser entendidos em sua aproximações provisórias que se tentam adequar como dimensão sociológica. Nesses casos. neste caso. melhoria. no processo de planejamento em que os professores eram protagonistas do desenvolvi. administração em relação ao currículo. claramente contraditória. ou seja. transformando-se ponsabilidade dos efeitos de suas decisões isoladas. mas o con. tão novo na experiência dos professores. No entanto. quando não reduzir ao máximo a possibilidade de que fosse “defor. to que deve ser adaptado. a devolução de responsabilidades é enten- ção definitiva dos problemas que afligem a educação ou dida como entrega. A forma pela qual se entende esse de problemas. 1989). devemos compreender o fenômeno . A qualidade da educação depende da qualidade das dores cognitivos das ideias e propostas educativas. de que os professores não poderiam ser com. estão sendo utilizadas como princípios nos quais se dizem As experiências de desenvolvimento do currículo base. baseadas as mudanças propostas: a descentralização do adas nos professores. as escolas e os pro- era necessário contê-las. surgiram experiências foi o reconhecimento. as famílias con- realizar sem levar em conta que são as pessoas concretas cretas que buscam as escolas concretas. Uma das razões para a perda de fé nos clás. Como alternativas às concepções tecnológicas do cur. que as habitam. passou a fazer parte do discurso público e da retórica da sem suas possibilidades educativas. A realidade é sempre mutante e as or- ganizações educativas devem aprender a se adaptar e a 4. nas quais o docente ficava reduzido ao papel do uma das coisas que o princípio de descentralização supôs técnico aplicador de planos alheios. Planejar bem uma inovação era fessores. currículo associada à autonomia de escolas e professores. Após su. si só as atuais tendências de descentralização curricular. gestão. mas educacionais que estão apresentando três âmbitos fun- nificavam um fracasso. as razões dessas tendências reformis- tas. dependem de que os profes- como pensadores dinâmicos de sua própria realidade de sores se comprometam com elas. Até o momento. e não só na di- tentativa de circunstâncias concretas de casa caso ou es. adquirindo a obrigação de exigir das escolas uma A crise das ideias de mudança como solução definitiva educação de qualidade. Em termos de política educativa. assume as responsabilidades “devolvidas” pelo ças que constituem a cultura da escola. e estas. não sendo Mudança de perspectiva na compreensão dos pro. aos atores concretos (as escolas espe- sua organização institucional. na década de 1990. entendendo-se. a descentralização e a autonomia mada” pelos professores. atendendo às necessidades do contexto e res- cessivas experiências de inovação e diversas tentativas de pondendo às demandas. sobretudo. Os problemas e suas circuns. o dução na prática no assumir tal responsabilidade perante reconhecimento do papel mediador das escolas não se pode a “sociedade”. e as soluções devem ser aceitas como que. Isto supõe a ideológicas de fundo transformação da própria noção de mudança escolar. Os professores tornarão sua a reforma behaviorismo e o assentamento dos modelos cognitivos se tomarem o currículo como seu e se comprometerem surgiu uma nova linha de pesquisa que entendia em uma com sua escola. entretanto. cíficas e as famílias envolvidas em cada uma delas). Estado. para que eles mesmos testas. que podem ser observadas tanto na Espanha como 2. tratando de atender às preendidos o suficiente em termos de suas condutas ou suas demandas e em contínuo desenvolvimento profissio- como simples aplicadores de diretrizes.FEVEREIRO/2010 39 fessores poderiam introduzir nas inovações planejadas sig. cola em particular. Embora de forma bastante ambígua. Nº28 . Este princípio das propostas de ensino. particularizada nas famílias singulares com filhos em ida- transmitem e transformam os costumes. curricular. bem escolas. não justificou por fessores. não se pretendia a fideli. Razão pela qual se tende a pensar mento curricular. incen- sicos modelos de inovação encontra-se no fato de que cada tivando e facilitando a escolha das escolas. foi-se descobrindo também que Que cada escola assuma “autonomamente” a respon- era insuficiente pensar no ensino e em sua melhoria com sabilidade de seu próprio projeto educacional tem sua tra- professores isolados em suas salas de aula. conferindo-lhe um caráter próprio e sin- nova fonte de compreensão dos professores como media. O que há por trás? As mudanças encontrar suas próprias estratégias de ação. Especialistas e administradores insistem na importân- talidade foi a aceitação. apelava-se para sua capacidade de experimentação nas circunstâncias particulares de ensino. colaboração com seus colegas para sua permanente A escola como unidade de ação e mudança. deste fato. da res- tâncias mudam no tempo e no espaço. mensão particular em que se tomam estas decisões. poderíamos dizer que rículo. aqueles que vivem. estão presentes. A descentralização administrativa das reformas internacionalmente. trações. relações e cren.

ainda. poderemos também ana- a base e o sistema político. o que está gerando uma discussão sobre o papel tos de ajuste a partir de demandas e necessidades que do Estado na cidadania. si. se movimenta em função do que sente como competitivo ram em máquinas enormes. Se esta avaliação for correta. 1992:21) mações a seguir: c) A crise de motivação dos serviços públicos: a mes. deveriam ser satisfeitas. senão como agentes isolados guiados por interesses indi- sidades sociais. em sua natureza ças legislativas (onde se pode situar a maior vitória do supercentralizadora (real ou percebida).40 FEVEREIRO/2010 . (Weiler. poderemos en- que animam esse tipo de tendência. intrincadas e complexas. e. podendo concretizar Em segundo lugar. tender de forma mais global a direção em que pode estar “O problema com a legitimidade do Estado parece se se encaminhando o sistema escolar.Assinale a alternativa correta a respeito das afir- dens e o controle nacional (Keane. com sua assimilação progressiva às classes trabalhadoras. em seu caráter monopolista. portantes dentro da sociedade e na qualidade amiúde im. não se sentarem para discutir o que acreditam que deveria trou em uma crise fiscal cada vez mais difícil de ser sus. se as escolas forem mais diferenciadas entre pessoal. burocraticamente complicados. 1. 1994). Entre as múltiplas mudanças que na definição da escolaridade. termos fixados pelo currículo oficial (Hatcher. ser a prática educativa. que venha decidido pela capacidade de rendimento em cando isoladas do resto do sistema. os recursos econômicos e de influ- de”. I – A tese básica da proletarização de professores é que o ma apatia que se observava na sociedade em geral pode trabalho docente sofreu uma subtração progressiva de uma se apreciar também nos serviços públicos. É evidente que essa pareça com um Estado menos centralizado e monopolista. . coercitiva e desumana de sua burocracia admi. dependentes da autonomia. lisar qual o tipo de mentalidade que parece estar se esten- sua incapacidade estrutural para atender as variações im. isto leva às escolas à competitividade em que o merca- nistrativa. ser internamente mais homogênea. E. porque não atuam enquanto b) A crise de motivação da sociedade: o modelo de grupo que toma decisões deliberativas e compartilhadas. fi. Na medida em série de qualidades que conduziram os professores à perda de que estes são organismos planejados de forma controle e sentido sobre o próprio trabalho. com isso. compete não é livremente escolhido pela sociedade. não sociais. ambos estarão fazendo movimen- tentada. então tudo o que do de oferta e procura deve se ajustar. ou seja. discussão da competitividade e do ajuste entre a oferta e a mais atento às variações de necessidades internas. dando alento ao consumo passi- vo da provisão nacional. portanto. segundo os teóricos da riféricos e locais. as escolas em que se produzem conflitos soci. à perda centralizadora. Vistas individualmente. o fez assumindo quais eram elas e como viduais. A autonomia aparente desqualificação de seu status de profissionais. O critério a partir do qual se Ou. além das mudan- basear. E a clientela (A) A crise fiscal do Estado: os Estados se transforma. a imposição de or. tem sido utilizado entre os professores como capacidade de adaptação e de mudança. O que tudo isso reflete é efetivamente um modelo de sos do mesmo e ocasionando mudanças ideológicas e po. seja elas o que forem. de diferentes organismos. posto ais ou ideológicos podem ser menores em quantidade. dendo no mundo educacional. enquanto a escola e usuários geram um gasto muito grande. Estado de bem-estar.Nº28 da descentralização atendendo às motivações profundas as mudanças das reformas educacionais. o lugar em que os conflitos se dilu. modo de resistência à racionalização de seu trabalho e à 5. mas não um modelo de diálogo social líticas de longo alcance. Assim. po- ciais da sociedade em geral são muito perceptíveis em cada der optar por uma “boa” escola depende da capacidade escola em particular. 1990:441-2) ência. Em primeiro lugar. as “boas” esco- em ou se reduzem a casos particulares. las. ser visto como fonte potencial de ampliação de legitimida. pe- II – Um dos mecanismos que. Se relacionarmos hoje as transformações ideológicas e III – A pretensão dos docentes de serem reconhecidos como políticas que vêm sendo produzidas ao papel do Estado. a competitividade como motivação o currículo de forma aparentemente menos conflituosa. Ou seja. pode demanda tem suas perversões. vamos destacar três delas: mentar para oferecer o que atrai a clientela. ao atuar como provedor das neces. profissionais não reflete mais que a aspiração para fugir de dos serviços públicos. cada uma pode do consumidor para isso. são bens escassos ou justos no mercado. devem levar em conta que as escolas podem ser. na distância entre neoliberalismo como ideologia). o Estado en. ao mesmo tempo centrais. A escola começa a se movi- vêm sendo produzidas. serão ainda mais escassas. É este o modelo que agora se afirma estar em crise. ajuste e demanda. da cidadania e da democracia. que no mercado social. eles próprios não controlam. da sociedade não é neutra. para saberem se mover dentro do sistema na busca O currículo descentralizado e a autonomia nas escolas da melhor escolha. Tan- to suas dificuldades internas como o ataque ideológico a Conclusão: que foi submetido foram assinalando aspectos controver. minando a confiança dos cida- dãos em dirigir suas próprias vidas e aumentando conti- QUESTÕES: nuamente à burocracia. As diferenças so. ao menos em parte. a vigilância. perderam progressivamente coerência e proletarização.

quer o queiramos quer não. científico. JOSÉ CARLOS. c) Apenas as alternativas I e II estão corretas. como b) Especialista técnico. e) Deliberação na incerteza acerca da forma de agir. 1998.FEVEREIRO/2010 41 IV – O professor do ensino fundamental passa atualmente por querem uma competência profissional coerente com sucessivas transformações que elevam sua categoria até ambos. culturais e e) Nenhuma das anteriores. guiada b) Apenas a alternativa I e II estão corretas.Analise as afirmativas a seguir: a) Especialista técnico. joga-se num cenário em rigentes uma fonte de dificuldades. Sentida de Hoje em dia. grande parte do destino de cada um de maneira confusa por cada indivíduo. Imposta pela abertura das fronteiras eco. constitui. enquanto que para o monstra a obrigação moral coerente a um intelectual professor do ensino médio se institui também uma formação crítico: pedagógica ainda que mínima. desta forma assinale a alternativa que de- transformá-lo em estudos universitários. ela deve apenas reproduzir as 3. aliás. CAPÍTULO 1 cio. assinale a alternativa correta: que não indica uma dessas competências profissionais: a) Todas as alternativas estão corretas. 2. DA COMUNIDADE DE BASE À a interdependência planetária não cessa de aumentar.. EDUCAÇÃO: UM TESOURO A DESCOBRIR.Quais são os principais modelos de professores de- finidos por Contreras? 5. JACQUES E EUFRAZIO. neralizada desta “globalização” das relações internacionais nômicas e financeiras. III e IV estão corretas. reforçada pelo desmembramento do bloco soviético. cultural e político. intelectual crítico. II – A reflexão não está livre de valores nem é neutra. justiça e satisfação. a) Domínio técnico dos métodos para alcançar os resultados previstos a) Apenas a alternativa I está correta. d) Despolitização da prática e) Todas as alternativas estão incorretas. profissional crítico. que os professores e professoras autônomos devem pos- suir. profissional autônomo.Contreras define algumas competências profissionais práticas ideológicas da ordem social estabelecida. intelectual crítico. SÃO PAULO: CORTEZ. profissional reflexivo. assinale a única alternativa Com base nelas. b) Deliberação na incerteza acerca da forma moral ou d) Todas estão corretas educativa correta de agir em cada caso. c) Participação na ação política transformadora d) Desenvolvimento da análise crítica social GABARITO: e) Autonomia profissional desprovida de qualquer politização 1–D ou ideologia 2–A 3–E 4. previstos. 5–C 7. c) Especialista autônomo.DELORS. A conscientização ge- escala mundial. profissional reflexivo. e serve a particulares interesses humanos. b) Ensino dirigido à emancipação individual e social. c) Nenhuma das alternativas está correta... sociais. a obrigação moral dos 4–B professores e o compromisso com a comunidade re. I – A reflexão não é o trabalho individualista da mente. Nº28 . instrumentalizada pelas novas tecnologias da informação. II. uma dimensão do fenôme- . previa- mente determinada.. tornou-se para os di- nós. o autor não menciona este tipo políticos. intelectual re- se fosse um mecanismo ou mera especulação. em si mesma. c) Pesquisa e reflexão sobre a prática d) As alternativas I. no SOCIEDADE MUNDIAL plano econômico.”. com base neste conceito. impelida por teorias de livre comér. III – A reflexão deve ser totalmente indiferente à ordem social e ao contexto político do local. e) Todas estão incorretas. pressupõe e flexivo. intelectual reflexivo. prefigura relações sociais. pelos valores de racionalidade. a) Domínio técnico dos métodos para alcançar resultados b) Apenas a alternativa III está correta. expressa d) Especialista técnico.Contreras defende que “. de modelo.

42 FEVEREIRO/2010 - Nº28

no. E, apesar das promessas que encerra, a emergência comunidades religiosas, que agora surgem à luz do dia,
deste mundo novo, difícil de decifrar e, ainda mais, de pre- constituindo outros tantos focos de agitação, ou causas
ver, cria um clima de incerteza e, até, de apreensão, que de conflitos declarados. A entrada neste mundo
torna ainda mais hesitante a busca de uma solução dos “multirriscos”, ou pressentido como tal, constituído por
problemas realmente em escala mundial. elementos ainda por decifrar, é uma das características
dos finais do século XX, que perturba e inquieta profun-
A comunicação universal
damente a consciência mundial.
As novas tecnologias fizeram a humanidade entrar na
É correto, sem dúvida, considerar a queda de alguns regi-
era da comunicação universal; abolindo as distâncias, con-
mes totalitários como um avanço da liberdade e da demo-
correm muitíssimo para moldar a sociedade do futuro, que
cracia. Mas há muito caminho a percorrer ainda, e a revela-
não corresponderá, por isso mesmo, a nenhum modelo
ção da multiplicidade de riscos que pesam sobre o futuro do
do passado. As informações mais rigorosas e mais
mundo coloca o observador perante numerosos paradoxos:
atualizadas podem ser postas ao dispor de quem quer que
o poder totalitário revela-se frágil, mas os seus efeitos persis-
seja, em qualquer parte do mundo, muitas vezes, em tem-
tem; assiste-se, simultaneamente, ao declínio da ideia de
po real, e atingem as regiões mais recônditas. Em breve,a
Estado nacional e ao aumento dos nacionalismos; a paz pa-
interatividade permitirá não só emitir e receber informa-
rece, agora, menos impossível que durante a guerra fria, mas
ções, mas também dialogar, discutir e transmitir informa-
a guerra surge, também, como menos improvável.
ções e conhecimentos, sem limite de distância ou de tem-
A incerteza quanto ao destino comum da humanidade
po. Não podemos nos esquecer, contudo, que numerosas
assume novas e variadas formas. A acumulação de ar-
populações carentes vivem ainda afastadas desta evolu-
mas, mesmo de armas nucleares, não tem o mesmo sig-
ção, principalmente em zonas desprovidas de eletricidade.
nificado simples de dissuasão nem de segurança contra
Recordemos, também, que mais da metade da popula-
o risco de uma guerra entre dois blocos; é fruto de uma
ção mundial não tem acesso aos diversos serviços ofereci-
competição generalizada, para ver quem detém as armas
dos pela rede telefônica.
mais sofisticadas.
Esta livre circulação de imagens e de palavras, que
Ora, esta corrida aos armamentos não diz respeito ape-
prefigure o mundo de amanhã, até no que possa ter de
nas a alguns Estados; implica entidades não-institucionais,
perturbador, transformou tanto as relações internacionais,
como associações políticas ou grupos terroristas.
como a compreensão do mundo pelas pessoas; é um dos
grandes aceleradores da mundialização. O local e o global
Tem, contudo, contrapartidas negativas. Os sistemas de
O mal-estar, causado pela falta de visão clara do futu-
informação são ainda relativamente caros, e de difícil aces-
ro, conjuga-se com a consciência cada vez maior das dife-
so para muitos países. O seu domínio confere às grandes
renças existentes no mundo, e das múltiplas tensões que
potências, ou aos interesses particulares que o detêm, um
daí resultam, entre o “local” e o “global”.
verdadeiro poder cultural e político, principalmente sobre
O desenvolvimento das interdependências veio revelar
as populações que não foram preparadas, através de uma
vários desequilíbrios: desequilíbrio entre países ricos e pa-
educação adequada, a hierarquizar,a interpretar e a criticar
íses pobres; fratura social entre os mais favorecidos e os
as informações recebidas. O quase monopólio das indústri-
excluídos, no interior de cada país; uso descontrolado dos
as culturais, por parte de uma minoria de países, e a difusão
recursos naturais, provocando a rápida degradação do meio
de sua produção pelo mundo inteiro, junto de um público
ambiente. As desigualdades de desenvolvimento agrava-
vastíssimo, constituem poderosos fatores de erosão das
ram-se, em muitos casos, como é referido pela maior par-
especificidades culturais. Se bem que uniforme e, muitas
te dos relatórios internacionais, e observa-se um verdadei-
vezes, de grande pobreza de conteúdo, esta falsa “cultura
ro descontrole dos países mais pobres. Estas escandalo-
mundial” não deixa, por isso, de trazer consigo normas im-
sas desigualdades são cada vez mais notórias, devido à
plícitas e pode induzir, nos que lhe sofrem o impacto, um
expansão dos meios de informação e de comunicação. Os
sentimento de espoliação e de perda de identidade.
meios de comunicação social comprazem-se, muitas ve-
A educação tem, sem dúvida, um papel importante a
zes, em dar a conhecer aspectos da vida e hábitos de con-
desempenhar, se se quiser dominar o desenvolvimento do
sumo dos mais favorecidos, suscitando assim, nos mais
entrecruzar de redes de comunicação que, pondo os ho-
deserdados, sentimentos de rancor e frustração, ou até,
mens a escutarem-se uns aos outros, faz deles verdadei-
de hostilidade e rejeição. Quanto aos países ricos, é-lhes
ros vizinhos.
cada vez mais difícil dissimular a exigência imperiosa de
Um mundo multirriscos uma ativa solidariedade internacional, se quiserem garan-
A queda, em 1989, do bloco soviético virou uma pági- tir um futuro comum, mediante a construção progressiva
na da história mas, paradoxalmente, o fim da guerra fria, de um mundo mais justo.
que marcara os decênios precedentes, deu origem a um Por outro lado, a rápida transformação das sociedades
mundo mais complexo e inseguro, e sem dúvida mais humanas a que assistimos, na junção de dois séculos, dá-
perigoso. Talvez a guerra fria encobrisse, há muito tempo se em dois sentidos: no sentido da mundialização, como
já, as tensões latentes que existiam entre nações, etnias, vimos, mas também no sentido da busca de múltiplas raízes

Nº28 - FEVEREIRO/2010 43
particulares. Cria, também, naqueles que a vivem ou ten- Atualmente, os diferentes modos de socialização estão
tam geri-la, um leque de tensões contraditórias, num con- sujeitos a duras provas, em sociedades ameaçadas pela
texto de completa alteração. desorganização e a ruptura dos laços sociais. Os sistemas
Solicitado por uma modernidade global, na qual, mui- educativos encontram-se, assim, submetidos a um con-
tas vezes, não tem meios de realmente participar e que junto de tensões, dado que se trata, concretamente, de
pode contrariar em parte, seu engajamento pessoal em respeitar a diversidade dos indivíduos e dos grupos huma-
diversas comunidades de base a que pertence, o indivíduo nos, mantendo, contudo, o princípio da homogeneidade
sente-se confuso perante a complexidade do mundo mo- que implica a necessidade de observar regras comuns. Neste
derno, que altera suas referências habituais. Muitos fato- aspecto, a educação enfrenta enormes desafios, e se de-
res reforçam esta sensação de vertigem: o medo das ca- para com uma contradição quase impossível de resolver:
tástrofes e conflitos que podem atingir a sua integridade; por um lado, é acusada de estar na origem de muitas ex-
um sentimento de vulnerabilidade perante fenômenos como clusões sociais e de agravar o desmantelamento do tecido
o desemprego, devido à alteração das estruturas laborais; social, mas por outro, é a ela que se faz apelo, quando se
ou a impotência generalizada, perante uma mundialização pretende restabelecer algumas das “semelhanças essenci-
em que podem participar, apenas, alguns privilegiados. ais à vida coletiva”, de que falava o sociólogo francês Emile
Abalado por ver, assim, postas em causa as bases da sua Durkheim, no início deste século.
existência, o homem contemporâneo corre o risco de en- Confrontada com a crise das relações sociais, a educa-
carar como ameaças as evoluções que se operam além ção deve, pois, assumir a difícil tarefa que consiste em fa-
das fronteiras do seu grupo imediato e de, paradoxalmen- zer da diversidade um fator positivo de compreensão mú-
te, ser tentado, por um sentimento ilusório de segurança, tua entre indivíduos e grupos humanos. A sua maior ambi-
a fechar-se sobre si mesmo, com a eventual consequência ção passa a ser dar a todos os meios necessários a uma
de rejeição do outro. cidadania consciente e ativa, que só pode se realizar, ple-
Os dirigentes incumbidos de decisões cruciais enfren- namente, num contexto de sociedades democráticas.
tam uma perplexidade diferente, mas de origem idêntica
numa altura em que as estruturas de organização do Esta- Uma educação à prova da crise
do-Nação estão, de algum modo, na ordem do dia, sujei- das relações sociais
tos aos imperativos da globalização e, em sentido inverso, Desde sempre, as sociedades foram abaladas por con-
às exigências das comunidades de base. flitos suscetíveis de, nos casos extremos, pôrem em peri-
Desarmados pela rápida sucessão dos acontecimentos, go a sua coesão.
que parecem por vezes ultrapassar ou frustrar todas as aná- Hoje, contudo, não se pode deixar de dar importância
lises, privados, devido à falta de distanciamento, de critérios a um conjunto de fenômenos que, na maior parte dos pa-
confiáveis para agir, os tomadores de decisões políticas pa- íses do mundo, surgem como outros tantos índices de uma
recem, muitas vezes hesitar entre posições contraditórias crise aguda das relações sociais.
para justificar seus interesses, muitas vezes não tão claros. Uma primeira verificação relaciona-se com o agravamento
das desigualdades, ligado ao aumento dos fenômenos de
CAPÍTULO 2 pobreza e de exclusão. Não se trata, apenas, das disparidades
já mencionadas entre países ou regiões do mundo, mas sim
DA COESÃO SOCIAL À PARTICIPAÇÃO de fraturas profundas entre grupos sociais, tanto no interior
DEMOCRÁTICA dos países desenvolvidos como no dos países em desenvol-
Qualquer sociedade humana retira a sua coesão de um vimento. A Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social
conjunto de atividades e projetos comuns, mas também, realizada em Copenhague de 6 a 12 de março de 1995 tra-
de valores partilhados, que constituem outros tantos as- çou um quadro alarmante da situação social atual, recor-
pectos da vontade de viver juntos. Com o decorrer do tem- dando em particular que “no mundo, mais de um bilhão de
po, estes laços materiais e espirituais enriquecem-se e tor- seres humanos vivem numa pobreza abjeta, passando a maior
nam-se, na memória individual e coletiva, uma herança parte deles fome todos os dias”, e que “mais de 120 mi-
cultural, no sentido mais lato do termo, que serve de base lhões de pessoas no mundo estão oficialmente no desem-
aos sentimentos de pertencer àquela comunidade, e de prego e muitas mais ainda no subemprego”.
solidariedade. Se, nos países em desenvolvimento, o crescimento da
Em todo o mundo, a educação, sob as suas diversas população compromete a possibilidade de se alcançar ní-
formas, tem por missão criar, entre as pessoas, vínculos veis de vida mais elevados, outros fenômenos vêm acentu-
sociais que tenham a sua origem em referências comuns. ar o sentimento de uma crise social que atinge a maior
Os meios utilizados abrangem as culturas e as circunstânci- parte dos países do mundo.
as mais diversas; em todos os casos, a educação tem como O desenraizamento ligado às migrações e ao êxodo ru-
objetivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua ral, o desmembramento das famílias, a urbanização
dimensão social. Define-se como veículo de culturas e de desordenada, a ruptura das solidariedades tradicionais de
valores, como construção de um espaço de socialização, e vizinhança, lançam muitos grupos e indivíduos no isolamento
como caminho de preparação de um projeto comum. e na marginalização, tanto nos países desenvolvidos como

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nos países em desenvolvimento. A crise social do mundo aptidões e os seus gostos pessoais, que são diversos des-
atual conjuga-se com uma crise moral, e vem acompanha- de o nascimento, nem todas as crianças retiram as mes-
da do desenvolvimento da violência e da criminalidade. A mas vantagens dos recursos educativos comuns. Podem,
ruptura dos laços de vizinhança manifesta-se no aumento até, cair em situação de insucesso, por falta de adaptação
dramático dos conflitos interétnicos, que parece ser um dos da escola aos seus talentos e às suas aspirações.
traços característicos dos finais do século XX. Além da multiplicidade dos talentos individuais, a edu-
De uma maneira geral, os valores integradores são pos- cação confronta-se com a riqueza das expressões cultu-
tos em causa de formas muito diversas. O que parece par- rais dos vários grupos que compõem a sociedade, e a Co-
ticularmente grave é que esta atitude abrange dois concei- missão elegeu, como um dos princípios fundamentais da
tos, o de nação e o de democracia, que podemos consi- sua reflexão, o respeito pelo pluralismo.
derar como os fundamentos da coesão das sociedades Mesmo que as situações sejam muito diferentes de um
modernas. O Estado-Nação, tal como se constituiu na país para o outro, a maior parte dos países caracteriza-se,
Europa durante o século XIX, já não é, em certos casos, o de fato, pela multiplicidade das suas raízes culturais e
único quadro de referência, e tendem a desenvolver-se linguísticas. Nos países outrora colonizados, como os da
outras formas de dependência, mais próximas dos indiví- África subsaariana, a língua e o modelo educativo da anti-
duos, na medida em que se situam a uma escala mais ga metrópole sobrepuseram-se a uma cultura e a um ou a
reduzida. De maneira inversa, mas sem dúvida comple- vários tipos de educação tradicionais. A busca de uma edu-
mentar, surgem no mundo regiões inteiras que procuram cação que sirva de fundamento a uma identidade própria,
constituir vastas comunidades transnacionais que traçam para lá do modelo ancestral e do modelo trazido pelos co-
novos espaços de identificação, embora limitados ainda, lonizadores, manifesta-se, sobretudo, pela crescente utili-
em muitos casos, apenas à atividade econômica. zação das línguas locais no ensino. A questão do pluralismo
Em certos países, pelo contrário, forças centrífugas cultural e linguístico surge, também, em relação às popu-
distendem, até a ruptura, as relações habituais entre as lações autóctones, ou aos grupos migrantes, para os quais
coletividades e os indivíduos. Nos países da antiga URSS, há que encontrar o equilíbrio, entre a preocupação de uma
por exemplo, a queda do sistema soviético trouxe consigo integração bem-sucedida e o enraizamento na cultura de
uma fragmentação dos territórios nacionais. Finalmente, origem. Qualquer política de educação deve estar à altura
a associação da ideia de Estado-Nação à ideia de uma for- de enfrentar um desafio essencial, que consiste em fazer
te centralização estatal pode explicar o aparecimento de desta reivindicação legítima um fator de coesão social. É
preconceitos contrários a essa mesma ideia, que exacer- importante, sobretudo, fazer com que cada um se possa
bam a necessidade de participação da sociedade civil e a situar no seio da comunidade a que pertencem primaria-
reivindicação de uma maior descentralização. mente, a maior parte das vezes, em nível local, fornecen-
O conceito de democracia é, também, questionado de do-lhe os meios de se abrir às outras comunidades. Neste
um modo que parece paradoxal. De fato, na medida em sentido, importa promover uma educação intercultural, que
que corresponde a um sistema político que procura asse- seja verdadeiramente um fator de coesão e de paz.
gurar, através do contrato social, a compatibilidade entre Depois, é necessário que os próprios sistemas educativos
as liberdades individuais e uma organização comum da não conduzam, por si mesmos, a situações de exclusão. O
sociedade, ele ganha, sem dúvida, cada vez mais terreno e princípio de emulação, propício em certos casos, ao desen-
corresponde, plenamente, a uma reivindicação de auto- volvimento intelectual pode, de fato, ser pervertido e tradu-
nomia individual que se observa por todo o mundo. zir-se numa prática excessivamente seletiva, baseada nos
resultados escolares. Então, o insucesso escolar surge como
A educação e a luta contra as exclusões irreversível, e dá origem, frequentemente, à marginalização
A educação pode ser um fator de coesão, se procurar e à exclusão sociais. Muitos países, sobretudo entre os paí-
ter em conta a diversidade dos indivíduos e dos grupos ses desenvolvidos, sofrem atualmente de um fenômeno que
humanos, evitando tornar-se um fator de exclusão social. desorienta as políticas educativas: o prolongamento da es-
O respeito pela diversidade e pela especificidade dos colaridade, paradoxalmente, em vez de melhorar, agrava mui-
indivíduos constitui, de fato, um princípio fundamental, que tas vezes a situação dos jovens mais desfavorecidos social-
deve levar à proscrição de qualquer forma de ensino mente e/ou em situação de insucesso escolar. Mesmo nos
estandardizado. Os sistemas educativos formais são, mui- países que mais gastam com a educação, o insucesso e o
tas vezes, acusados e com razão, de limitar a realização abandono escolares afetam um grande número de alunos.
pessoal, impondo a todas as crianças o mesmo modelo Dividem os jovens em duas categorias, situação tanto mais
cultural e intelectual, sem ter em conta a diversidade dos grave quanto se prolonga pelo mundo do trabalho. Os não
talentos individuais. Tendem cada vez mais, por exemplo, diplomados se apresentam aos recrutadores das empresas
a privilegiar o desenvolvimento do conhecimento abstrato com uma desvantagem quase insuperável. Alguns deles,
em detrimento de outras qualidades humanas como a ima- considerados pelas empresas sem capacidades para o em-
ginação, a aptidão para comunicar, o gosto pela anima- prego, ficam definitivamente excluídos do mundo do traba-
ção do trabalho em equipe, o sentido do belo, a dimensão lho e privados de qualquer possibilidade de inserção social.
espiritual ou a habilidade manual. De acordo com as suas Gerador de exclusão, o insucesso escolar está, pois, em

que mais de três quartos da população mundial vi. em sua perspectiva. cultura sente-se a necessidade de competências evolutivas mia começou a ganhar forma de modo quase universal. formadores privados. Em todos os setores. Os foram acentuadas pela competição entre nações e os dife- problemas que esta situação cria às políticas educativas rentes grupos humanos: a desigualdade na distribuição dos são particularmente difíceis: a luta contra o insucesso es. estes avanços se devem. sur- senvolvimento sucessivas no espaço de uma vida huma. excedentes de produtividade entre os países e até no inte- colar deve. Nº28 . Calcula-se. en- apenas 16% da riqueza mundial. como a formação. antes de mais nada. a dimensão de um investimento estratégico que im- com estudos da Conferência das Nações Unidas sobre plica a mobilização de vários tipos de atores: além dos sis- Comércio e Desenvolvimento (CNUCED). um cinzenta e à inovação. articuladas com o saber e com o saber-fazer mais atualiza- Contudo. seja fortemente solicitada como nos países industrializados. As disparidades explicam-se. igualmente. se que se dá uma importância cada vez maior aos investi- gundo os países e as regiões do mundo. de acordo tão. o autor julga necessário de. cada vez mais visão mais larga: a do desenvolvimento humano. a formação per- te este período. Mais grave ainda. e até. CAPÍTULO 3 em parte. que englobam ao todo desvios individuais. que no decurso do período consi- nar e organizar o meio ambiente em função das suas neces. Se- Estes processos que destroem o tecido social fazem ria por habitante 300 dólares por ano. derado e sob a pressão do progresso técnico e da moder- sidades. então. empregadores e . A procura de educação para fins econômicos tes de mais nada. motores principais do nização. devido às desigualdades que induz e aos custos huma. vem em países em desenvolvimento e se beneficiam de A formação permanente de mão-de-obra adquire. Por outro lado. de fato. em nível das empresas e dos países. mano e. os outros. finir a educação. recorde-se que rador do crescimento econômico. pela disfunção dos mercados e pela natureza. não só assegurando os anos de de 1950 sob os efeitos conjugados da segunda revolução escolarização ou de formação profissional estritamente industrial. As compara- modelo de crescimento atual depara-se com limites eviden. ções internacionais realçam a importância do capital hu- tes. assim como a necessidade de formar agentes econômicos aptos a utilizar as novas tecnologias e que re- Um crescimento econômico mundial velem um comportamento inovador. ser considerada como um rior de alguns países considerados ricos. inovadores e qua- tecnológico. do aumento da produtividade e do progresso necessários. em 1993. 560 milhões de habitantes. contra 906 dólares com que a escola seja acusada de ser fator de exclusão nos outros países em desenvolvimento e 21 598 dólares social e. O autor re- corda que. Requerem-se novas profundamente desigual aptidões e os sistemas educativos devem dar resposta a A riqueza mundial cresceu consideravelmente a partir esta necessidade. Observa-se. mas formando cientistas. Acompanhar. a informática conheceu mais do que quatro fases de de. o rendimento temas educativos. quatro trilhões para vinte e três trilhões de dólares e o ren. nos últimos anos. gir. à medida que sim. Pode-se. intrinsecamente desigual. está atualmente baixando. no capítulo sexto. do investimento educativo para a pro- nos e ecológicos que comporta. revela que o cres- imperativo social e a Comissão terá ocasião de formular cimento aumenta a separação entre os mais dinâmicos e algumas propostas a este respeito. mentos ditos imateriais. assim. volvimento que teve. porém. manente concebida. ao mesmo tempo. como um acele- pidamente: para citar apenas um exemplo. mesmo na agri- bem-estar da humanidade pela modernização da econo. O produto interno bruto mundial passou de dros técnicos de alto nível. situar nesta perspectiva o desen- dimento médio por habitante mais do que triplicou duran. à ciência e à educação. mas de acordo com uma dade da intervenção humana torna-se. não apenas na perspectiva dos seus efeitos A relação entre o ritmo do progresso técnico e a quali- sobre o crescimento econômico. e que. Tendo. es- DO CRESCIMENTO ECONÔMICO AO tão também estreitamente ligadas ao tipo de desenvolvi- DESENVOLVIMENTO HUMANO mento atual que atribui um valor preponderante à massa O mundo conheceu. profundas transformações e o projeto de uma melhoria do tornou-se primordial. na origem de certas formas de violência e de médio dos países menos avançados. durante o último meio século. desenvolvimento econômico sem precedentes. qualificações obtidas por imitação ou repetição e verifica- sigual e os ritmos de progressos são muito diferentes se. portanto. Certos países parecem. as vendas mundiais de terminais flexibilidade qualitativa da mão-de-obra. consciência de que o parou de crescer na maior parte dos países. informáticos ultrapassaram doze milhões de unidades. antes de mais nada. isto é. a “revolução da inteligência” produz os seus efeitos. a necessidade de na. an. as disparidades instituição-chave para a integração ou reintegração. as. de fato. antecipar-se às transformações tecnológicas que afetam Os modos de vida e os estilos de consumo sofreram permanentemente a natureza e a organização do trabalho. esquecidos na corrida pela competitividade. à capacidade dos seres humanos de domi. Esta evolução irreversível não aceita as rotinas nem as no crescimento econômico revelou-se profundamente de.FEVEREIRO/2010 45 muitos casos. O progresso técnico difundiu-se muito ra. a procura de educação com fins econômicos não progresso econômico. dutividade. do sistema político mundial. evidente. A rapidez das alterações tecnológicas fez. o modelo de desenvolvimento baseado apenas do.

a transformação dos oce. quer se trate de recursos energéticos banos. de fato. O perigo está em toda a parte: muitos jovens desem- renováveis correm. nem mesmo adequada. adaptados à civilização cognitiva. a tendência crescente em tempo. concepção e de cálculo. Não basta. cada vez mais saberes e saber- mente a produtividade do trabalho. a bússola que permita navegar através dele. tecnológico. este problema constitui já uma fonte de desigualdade: uns têm trabalho. a própria natureza do traba- De fato. talvez até. à primeira vista. um fenômeno estrutural ligado ao progresso a uma dura obrigação que pode parecer. o para os novos problemas que ele coloca às pessoas e às desmatamento. ao mesmo parte de suas tarefas. nunca antes disponíveis. um nítido aumento do setor tem pleno cabimento. uma resposta puramente quan- assim possam ajudar a mãe no trabalho fará. que cada um gem em relação aos irmãos. com certeza. que invadem os es- social e de manter elevada a taxa de natalidade. no estado atual decorrer dos últimos anos. É preciso repensar a sociedade em anos em lixeiras gigantes. os chamados recursos não to. de forma maciça e eficaz. têm o duplo efeito de desvalorizar o seu estatuto formações. titativa à necessidade insaciável de educação — uma ba- com que toda uma nova geração de jovens fique com pers. levada ao extremo. acumule no começo da vida uma determinada quantidade O fenômeno afetou. pois. tende prudente. a seus cação cabe fornecer. gagem escolar cada vez mais pesada — já não é possível pectivas de futuro muito limitadas e se sinta em desvanta. o risco de se tornarem cada pregados. em muitos as. Cada vez maiores de tempo que lhes são impostas por compete-lhe encontrar e assinalar as referências que im- terem de trabalhar mais horas para conseguirem o pão de peçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de in- cada dia. entregues a si mesmos nos grandes centros ur- vez mais escassos. assim. dizer de uma forma que se pre- ções destruidoras ou perturbadoras da natureza. De fato. da exclu- formação permanente. A educação deve transmitir. começa a atingir. os mapas de um filhos — em especial às filhas — para se libertarem de uma mundo complexo e constantemente agitado e. são manifestações inquietantes função desta evolução inevitável. Dado que paços públicos e privados e as levem a se orientarem para não lhes é possível aumentar. pois são para o subemprego de parte dessa mão-de-obra. tarefas de modo especial. fundamente. constitui uma ameaça para a solidarie- as físicas. Simultaneamente. Ao substituir sistematicamente a mão-de-obra quase contraditória. O objetivo de puro crescimento econômico revela-se Na falta de um novo modelo de estruturação da vida insuficiente para garantir o desenvolvimento humano. mas também por causa dos elevados correndo a toda a espécie de protecionismos e de “dumping” custos que acarreta especialmente em matéria de ambi. Está humana estas sociedades estão em crise: para elas o tra- posto em questão por duas razões: não só devido ao seu balho torna-se um bem raro que os países disputam re- caráter desigual. a sua carga de projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. hoje. Esta evolução traz grandes custos sociais e. em particular. sociedades modernas. CAPÍTULO 4 cia das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO realizada no Rio de Janeiro em 1992. o próximo século submeterá a educação pectos. mais ainda. alicerçadas no va dos trabalhadores no mundo todo. em muitos países industrializados artificial ameaça fazer com que o fenômeno suba ao longo um aumento sensível dos meios financeiros dedicados à da cadeia de qualificação. Não se trata. químicas e biológicas estão na origem de polui. duos mal preparados. outros são dele Uma reflexão necessária: os prejuízos excluídos e ficam dependentes da assistência. são social. em primeiro lugar. terciário que emprega. das coisas. fazer um diagnóstico seguro. pro- ente e de emprego. de uma irresponsabilidade geral das gerações atuais em relação ao futuro para cuja gravidade alertou a Conferên. muitas regiões de não mandar as filhas à escola para que Nesta visão prospectiva. a natureza do trabalho mudou profundamente no lho nas sociedades de amanhã. apenas. mas de uma evolução que poderá do à evolução do trabalho nas sociedades modernas. que o progresso técnico avança mais de- te. e de um modo geral. modificar o lugar e. À edu- trabalho. Por outro lado. o rápido aumento do desemprego nos para a circulação e armazenamento de informações e para últimos anos em muitos países constitui. Pode. valor integrador do trabalho. A generalização da inteligência Observa-se. de fato. É difícil. Delors afirma que os meios. mas a questão Deu-se. O problema do desemprego ameaça também. Note-se que nas sociedades industriais. o trabalho de de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinida- . as condições de vida sobre a terra pressa do que a nossa capacidade de imaginar soluções estão ameaçadas: a escassez de água potável. de fato. social. são do emprego ou até da sociedade de grupos de indiví- Tudo leva a pensar que esta tendência aumentará devi. a estabilidade dos países em desenvolvimen- No ritmo atual de produção. em grande parte. ou são aban- do progresso donadas à própria sorte. de algum modo. dade nacional. um quarto da população ati. as mulheres recorrem. o “efeito estufa”. Finalmen. se está contribuindo fazer evolutivos.Nº28 representantes dos trabalhadores estão convocados de execução. as bases das competências do futuro. correm todos os perigos relacionados com a exclu- ou de terras aráveis. Por outro lado. mais ou menos efêmeras. a partir de agora. a comunicação. por um capital técnico inovador que aumenta constante. as próprias indústrias ligadas às ciênci.46 FEVEREIRO/2010 .

propriamente. Meio. também. isto é adquirir os instrumentos pesquisa. ência. a substituição gatória para obter certos resultados (saber-fazer. associativa. em larga primeiras. ços na atividade econômica. da sua capacidade de transformar o pro- Aprender a conhecer gresso dos conhecimentos em inovações geradoras de Este tipo de aprendizagem que visa não tanto a aquisição novas empresas e de novos empregos. o exercício da memória é um antídoto ne. educação primária pode ser considerada bem-sucedida se Mas. simultaneamente. embora estas continu- der. a partir do modelo industrial. nas um de nós. os pilares do conheci. a memória e o pensamento. tornam-se cada vez mais im- so imaginar que a memória pode vir a tornar-se inútil. ança é iniciada. seletivo na escolha dos dados a aprender “de ultratecnicistas do futuro. Mas a segunda aprendizagem está do conhecimento” deve ser objeto de atenção igual por mais estreitamente ligada à questão da formação profissio- parte do ensino estruturado. O futuro destas economias depende. E esta tendência torna-se ainda mais forte. deve comportar avanços e recuos entre o zagens fundamentais que. todas as ocasiões de é errado suprimir da prática escolar certos exercícios tradici- atualizar. É preciso ser. Seria perigo. para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. de relacionamento e de permuta. diversos aspectos da aprendizagem. fins de ordem econômica). considerados como fastidiosos. muitas vezes. pois. Uma Convém distinguir. ou . para o futuro quando não se pode prever qual será a sua evolução? indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade. para o aprender a fazer. em primeiro lugar. dem mais ser consideradas como simples transmissão de Aprender para conhecer supõe. ao longo de toda a vida. de circunstâncias aleatórias quando não são tidas. De fato. aprende a ser. para poder agir sobre o antagônicos: o método dedutivo por um lado e o indutivo meio envolvente. do trabalho humano pelas máquinas tornou-o cada vez ção de capacidades diversas. porque se pretende que cada consequência. o trabalho independente ou informal. duas outras aprendizagens dependem. as aprendizagens devem evoluir e não po- um aprenda a compreender o mundo que o rodeia. considerada como a via obri. devido portantes. onais. Finalmente. É claro que estas quatro vias do saber consti. As vida. na sua totalidade. como um meio e como uma da. O que cultivada cuidadosamente. no trabalho. como da compreensão. é provável que nas organizações sem dúvida. do século XX. o caso das econo- nova concepção ampliada de educação devia fazer com mias industriais onde domina o trabalho assalariado do que todos pudessem descobrir. o exercício do pensamento ao qual a cri- Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões. como prolongamento natural das duas Aprender a conhecer e aprender a fazer são. pelos pais e depois pe- a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendi. a fim de participar por outro. de trabalhar com os outros. Aprender a fazer de um repertório de saberes codificados. Todos os especialistas concordam pode ser uma oportunidade para os não diplomados. É. Aprender a fazer de algum modo. mações de que dispomos daqui em diante. conseguir transmitir às pessoas o impulso e as bases que cialmente. liga-se cada vez mais à experiência tuem apenas uma. aliás. Como finalidade da vida humana. assim como a importância dos servi- ção da pessoa que. façam com que continuem a aprender ao longo de toda a nhecer e. indissociáveis. algum modo para cada indivíduo. aprender a viver juntos. a maior parte das vezes. dado que existem entre elas múltiplos do trabalho. Finalmente. à medida que este se torna menos rotineiro. gerir e de resolver conflitos. mas também fora dele. e pode enriquecer-se com qualquer experi- precedentes. os déficits relacionais possam cor” mas. como adaptar a educação ao trabalho de toda a vida.FEVEREIRO/2010 47 mente. práticas mais ou menos rotineiras. de- à enorme capacidade de armazenamento e difusão das infor. Também se devem combinar. Nº28 . A pontos de contato. cimentos. que não é redutível a um automatismo. em a ter um valor formativo que não é de desprezar os Por outro lado. via essencial que integra as três está acabado. dois métodos apresentados. de difundidas pelos meios de comunicação social. aprofundar e enriquecer estes primeiros conhe. serão de concreto e o abstrato. Qualidades como a cessário contra a submersão pelas informações instantâneas capacidade de comunicar. do começo ao fim da vida. não pode. e de se adaptar a um mundo em mudança. se passe a considerá-la em toda a sua plenitude: realiza. deve ser com base mais comportamental do que intelectual. a faculdade humana de memorização criar graves disfunções exigindo qualificações de novo tipo. a fim de que a educação apa. nal: como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conheci- reça como uma experiência global a levar a cabo ao longo mentos e. ainda em grande es- potencial criativo — revelar o tesouro escondido em cada cala. e que explorar. e mais imaterial e acentuou o caráter cognitivo das tarefas. Neste sentido. Isto supõe que se ultrapasse a visão puramen. sociedades assalariadas que se desenvolveram ao longo te instrumental da educação. aquisi. exercitando a atenção. essen. O autor pensa que cada um dos “quatro pilares medida. o ensino formal orienta-se. em menor escala. antes tudo. aprender a fazer. para o aprender a co. antes. mas antes o domí. necessário estar à altura de aproveitar e em que a memória deve ser treinada desde a infância. los professores. continuar a ter o significado simples de nio dos próprios instrumentos do conhecimento pode ser preparar alguém para uma tarefa material bem determina- considerado. reanimar e fortalecer o seu das outras economias onde domina. O processo de aprendizagem do conhecimento nunca finalmente aprender a ser. aprender a apren. vido ao desenvolvimento do setor de serviços. em regra geral. a este propósito. se não exclusivamente. mesmo na indústria. tanto no ensino como na mento: aprender a conhecer. e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. no plano cognitivo como no prático.

a educação. reservadas a pessoas com altos estudos. realizações teriam chegado a bom termo se os conflitos paz de evitar os conflitos. Quando se trabalha em conjunto sobre projetos um dos maiores desafios da educação. especialmente. espiritualidade. pela ção. numa energicamente. De fato. decorrer do século XX. o extraordinário que fazem com que se ultrapassem as rotinas individuais. a capacidade de julgar.Nº28 com deficiente preparação em nível superior. necessaria. mente. preparar as crianças para uma dada sociedade. atualmente. Até ago. nos países em desenvolvimento. agravar ainda fenômenos adquiram ainda mais amplitude. aprender a viver com os outros Tender para objetivos comuns Sem dúvida. pela comunidade ou pela escola. hoje em dia. portarem-se nele como atores responsáveis e justos. a escola deve. desenvolvendo o conhecimento dos outros. entre jetos de cooperação. flitos interindividuais tendem a se reduzir. do que nunca a educação parece ter. por exemplo. por vezes. Como e em particular a geografia humana a partir do ensino bási- onde ensinar estas qualidades mais ou menos inatas? Não co e as línguas e literaturas estrangeiras mais tarde. transmitir que as rodeia e que também lhes dê subsídios para com- conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e. o nos do planeta. Passando à descoberta do outro. chegando a de- rança posta por alguns no progresso da humanidade. sensibilidade. autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos va que. lhe serve de fundamento. esta competição resulta. e por dar à criança e ao adolescen- problema põe-se. Mais por outro. dual. no seu espaço comum. a Comissão reafirmou. levar as pessoas a tomar consciência das seme. se podem deduzir simplesmente os conteúdos de forma. A his. habituais em organizações hierarquizadas tivessem sido cífica. O mundo atual é. tende a dar prioridade ao espírito de competição e ao sucesso indivi. pela família. logo desde a infância. esta aprendizagem representa. exacerba as rivalidades históricas. Se. os bém estimulando a sua participação em atividades sociais: seres humanos têm tendência a supervalorizar as suas renovação de bairros. deve. sentido estético. que divide as nações do mundo e rito e corpo. campo. ção que recebe na juventude. muito naturalmente. inteligência. seja ela dada nal. no campo das outros. neste Por outro lado. para reduzir o risco. mano deve ser preparado. preconceitos desfavoráveis em relação aos outros. Mais do que mais as tensões latentes e degenerar em conflitos. racteriza. como papel essencial. da sua espiritualidade? A educação formal deve. afinal. atualmente. motivadores e fora do habitual. tória humana sempre foi conflituosa. mas há elementos novos Uma nova forma de identificação nasce destes projetos que acentuam o perigo e. saparecer em alguns casos. por exem. continuar o trabalho iniciado pela escola. O enorme desenvolvimento do poder midiático veio acen- plo). O mesmo descoberta de si mesmo. a educação não pôde fazer grande coisa para modificar do prazer do esforço comum! E no setor laboral quantas esta situação real. para lutar contra os preconceitos geradores de atividades desportivas e culturais. fornecer-lhes constantemente forças e referên- A descoberta do outro cias intelectuais que lhes permitam compreender o mundo A educação tem por missão. Aprender a viver juntos. antes de mais nada. gem. também. serviços de solidariedade entre gerações etc. A intuição. conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensa- . estes diferentes grupos já tuar este temor e tornar mais legítima ainda a injunção que entram em competição ou se o seu estatuto é desigual. Desde a sua primeira reunião. a capacidade de manter uni. A opinião pública. maram. necessariamente. e sobretudo em nível internacional. ajudá-los a descobrirem a si mesmos. A tarefa é árdua porque. É de lamentar que a responsabilidade pessoal. Poderemos conceber uma educação ca.48 FEVEREIRO/2010 . É possível que no século XXI estes um contato deste gênero pode. e a alimentar humanitárias. suficientes em seus programas para iniciar os jovens em pro- la. de modo a poder decidir. torna-se observadora impotente e sões entre classes sociais ou nacionalidades se transfor- até refém dos que criam ou mantêm os conflitos. um mundo de violência que se opõe à espe. potencial de autodestruição criado pela humanidade no que valorizam aquilo que é comum e não as diferenças. das suas transcendidos por um projeto comum! culturas. através dos meios Graças à prática do desporto. aproveitar todas as ocasiões para esta dupla aprendiza- da uma equipe não são de fato qualidades. de escolas comuns a várias etnias ou religiões. então. ações qualidades e as do grupo a que pertencem. jeito. para elaborar pensamentos Que fazer para melhorar a situação? A experiência pro. para alimentar este clima. te uma visão ajustada do mundo. quanto à formação profissio. o problema será. das capacidades ou aptidões requeridas. como em comunicação membros de grupos diferentes (através agir nas diferentes circunstâncias da vida. em solidariedade através da experiência e ra. mesmo que apenas constitua um instrumento. As outras organizações educativas e associações devem. especialmente graças à educa- devido a uma má interpretação da ideia de emulação. por um lado. um princípio fundamental: a educação deve guerra econômica implacável e numa tensão entre os mais contribuir para o desenvolvimento total da pessoa — espí- favorecidos e os pobres. mas tam- conflitos. o clima geral de concorrência que ca. pois. não basta pôr em contato e de valor. ajuda aos mais desfavorecidos. ou de resolvê-los de maneira pa. pelo contrário. Desde tenra idade. Algumas disciplinas estão mais adaptadas a este fim. pois. reservar tempo e ocasiões É de louvar a ideia de ensinar a não-violência na esco. lhanças e da interdependência entre todos os seres huma. Todo o ser hu- educação contribua. evidentemente. a atividade econômica no interior de Aprender a ser cada país. por si mesmo. as diferenças e até os con- muitas vezes. quantas ten- de comunicação social.

der. ais. capítulo quarto). sentimentos e imaginação de que e de basear a coesão do grupo que é confrontado com necessitam para desenvolver os seus talentos e permanece. grado à educação escolar. a própria educação está em plena mu. O autor pensa. A divisão tradicional da existência em perío. a diminuição do volume total de horas de trabalho tância da educação formal. É. pelo contrário. é substituída. a propósito. Jomtien: porque a questão não diz respeito apenas aos dade a que pertence. em todos os domí. de tema escolar. cias: trata-se. às exi. As suas relações com o sistema educativo são. nível da educação básica (que inclui em especial os ensi- guns países em desenvolvimento. mas também no decurso da vida nem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do de cada um. acontece também que as famílias mais desfavorecidas a chama da criatividade pode começar a brilhar ou. rante a aprendizagem que durarão ao longo de toda a vida: mília. na juventude. tou por uma redução substancial da duração da vida ativa. uniformizando os cur- cognitivo. de maneira diferente. A Comissão está bem consciente das Diga-se.000 horas até ao ano 2010 — sublinha a realidades da vida contemporânea e. múltiplas obrigações e que seriam particularmente bem- rem.poderia contribuir muito para A educação ocupa cada vez mais espaço na vida das conciliar a vida familiar e a vida profissional. que o rodeia. mesmo que a educação inicial dos jovens tenda a prolon. que é no seio dos doria aumentam o tempo disponível para outras atividades. em proveito da não-formal ou remuneradas e o prolongamento da vida após a aposenta. em muitos setores modernos de ativi. A proposta do antigo presidente da Comissão Européia. ninguém pode pensar ad- quirir. Esta varia. É então que cada um de nós ad- gos nem as práticas. da capacidade de indispensável. do senso das responsabilidades. porque a evolução rápida DA EDUCAÇÃO BÁSICA À UNIVERSIDADE do mundo exige uma atualização contínua dos saberes. A educação deriva da vontade de viver juntos mundo em que vivem. vem fecundar-se mutuamente. ainda menos. atualidade e pertinência deste ponto de vista. Este fenômeno tem lheres. Longe de se oporem. pelo encaram. porque o desenvolvimento harmonioso das discernir. capacidades de raciocinar e imaginar. Este empenho deve ser renovado. no sentido tradici. quire os instrumentos do futuro desenvolvimento das suas Um diálogo verdadeiro entre pais e professores é. Nº28 . CAPÍTULO 6 tos que lhe baste para toda a vida. educação formal e informal de- dade exterior à escola multiplicam-se. os saberes transmitidos nos pré-primário e primário) que se forjam as atitudes pe- pela escola podem opor-se aos valores tradicionais da fa. tidões que farão com que cada um possa continuar a apren- tação: as possibilidades de aprender oferecidas pela socie. é necessário que todos domi- um indivíduo para outro.FEVEREIRO/2010 49 mento. li- cenças por paternidade. enquanto a noção de qualificação. licenças sabáticas ou licenças para CAPÍTULO 5 formação? Uma política do tempo de trabalho que tivesse EDUCAÇÃO AO LONGO DE TODA A VIDA em conta estas necessidades. vindas soluções como o trabalho por tempo reduzido. por isso. é necessário que nios. muitas vezes. no por vezes. esse o sentido do compromisso que a comunidade Por outro lado. extinguir-se. não só de países em desenvolvimento. Além disso. É no seio da família. dos distintos — o tempo da infância e da juventude consa. a instituição escolar como um contrário. . o acesso ao saber pode tornar-se. normas. discernimento. Por isso. informal. o tempo da atividade profissional Jacques Delors — é a de chegarmos a uma duração da adulta. pelas noções de competência evolutiva e capacida. os sistemas educativos se adaptem a estas novas exigên- onal. ser um dos grandes desafios dos finais do século XX. antes de mais nada. e para ultra- pessoas à medida que aumenta o papel que desempenha passar a divisão tradicional de papéis entre homens e mu- na dinâmica das sociedades modernas. sistemas educativos que se forjam as competências e ap- Paralelamente. pois. mas também e mais ainda. ou diferentes regiões do mundo: generalizar o ram que a sua eficácia deveu-se muito ao fato das famílias acesso a uma educação básica de qualidade continua a terem passado a conhecer melhor e a respeitar mais o sis. a redução do período de atividade pro. de organizar as transições e de di- versificar os percursos educativos. mundo estranho de que não compreendem nem os códi. gências do futuro. de repensar e ligar en- dade. tanto quanto possível. é então que crianças implica uma complementaridade entre educação aprende a exercer a sua curiosidade em relação ao mundo escolar e educação familiar. uma bagagem inicial de conhecimen. fato. tidas como relações de antagonismo: em al. países. de as ordenar de de adaptação (cf. o tempo da aposentadoria — já não corresponde às vida ativa de 40. ou nivelar por baixo. O conceito de uma educação que se desenrola ao lon- gar-se. ou não. cada um aprende ao longo de toda a internacional subscreveu por ocasião da Conferência de sua vida no seio do espaço social constituído pela comuni. assim como a transmissão dos valores e das sos. donos do seu próprio destino. por definição. que as experiências de educação disparidades intoleráveis que subsistem entre grupos soci- pré-escolar dirigidas a populações desfavorecidas mostra. uma realidade. Desde o começo dos anos oitenta André Gorz lu- várias causas. a ligação entre o afetivo e o de exclusão. go de toda a vida não leva o autor a negligenciar a impor- fissional. Assim se escapará ao A Educação no coração da sociedade dilema que marcou profundamente as políticas de educa- A família constitui o primeiro lugar de toda e qualquer ção: selecionar multiplicando o insucesso escolar e o risco educação e assegura. Hoje em dia. em detrimento da promoção dos talentos individuais. tre si as diferentes sequências educativas.

porém. as bibliotecas públicas e os grandes das e movidas pela criatividade e pela inventividade. uma vez que fazem parte desta A Revolução do conhecimento também tem provocado sociedade. de multiplicar as empenho semelhante a favor do ensino secundário. 2003. nhecimento. que deve constar da agenda das gran. gem entre si. é aí. frentar as realidades sociais e profissionais e. Tais pesqui. Dra. Eunice Almeida da Silva. centes. vigorosamente o desenvolvimento do sistema de alternância. Não se trata. ANDY. Na Revolução Industrial os recursos do trabalho humano al na maneira como as estratégias Key Stage1. de aproximar a escola do mundo do também. Este ensino deve.Nº28 prosseguindo com os esforços já empreendidos. superpopulação e.Dra. um fator de amadurecimento. mas este tem privile- no-aprendizagem a criatividade e a inventividade. uma vez que políticas. pois. Um destes resultados é a desigualdade social paralelamente e tentando um intercâmbio de aprendiza. o autor aponta a profissão de professor nos Estados Unidos. em Educação –USP INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1. estar adaptado aos diferentes tomar consciência das suas fraquezas e das suas processos de acesso à maturidade por parte dos adoles. sobretudo. 8. forma como está organizada a sociedade e a economia do prática e conhecimento de pesquisa estão caminhando conhecimento. mas de dar aos adolescentes os meios de en- vem a ter pleno sucesso na vida de adultos. as escolas atuais. integraram se deslocaram do campo para a cidade. HARGREAVES. giado bolsos privados como forma de aumentar as despe- . Este A sociedade atual pode ser considerada como socieda. o que é essencial para a prosperidade econô- nais no ensino. PORTO ALEGRE: ARTMED. da miséria urbana. que podem adquirir as capacidades que os le. O ENSINO NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: EDUCAÇÃO NA ERA DA INSEGURANÇA. as. Elaborada pela Profa. potencialidades: tal sistema será para eles. Delors defende vida de cada um: é nessa altura que os jovens devem po. der decidir em função dos seus gostos e aptidões. Jaques sim como às necessidades da vida econômica e social. um redirecionamento dos recursos. com certeza. Ao mesmo tempo. Finalmente. do à construção e inovação contínua da sociedade do co- pacto da aprendizagem e do desenvolvimento profissio. EDUCAR PARA A INVENTIVIDADE sas foram realizadas em oito escolas localizadas no Canadá e Neste capítulo. Convém diversificar os percursos dos alunos. os professores também devem O autor considera a época atual como propícia para lutar contra os resultados problemáticos provenientes da uma reforma educacional ampla. tais como a educação.50 FEVEREIRO/2010 . (o distanciamento entre ricos e pobres). Este movimento gerou os sistemas de ensino à pedagogia baseada em pesquisas fortes impactos na organização social resultantes da e a um intenso aprimoramento profissional. trabalho. o im. foram financiadas pela fundação Spencer como paradoxal. fato provocou um re-direcionamento dos recursos voltados à de de conhecimento e esta se caracteriza. consequentemente. em 10/4/06. a fim de des conferências internacionais do próximo século um corresponder à diversidade dos talentos. Este fazer profissional está diretamente relaciona- Esta obra focaliza fundamentalmente a natureza. por criação de grandes instituições da vida e do espaço públicos. mica. Por. O paradoxo está no fato de ser uma pro- com sede neste último país. mento. tanto.O ENSINO PARA A O livro baseia-se nos resultados de duas pesquisas sobre SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: o aprimoramento e a reforma do ensino médio. apenas. Com este propósito. que variam conforme as pessoas e os países. deverão ter como norteador do processo ensi. há um interesse mundi. produzir economias do conhecimento que são estimula. Delors pensa. Este fases sucessivas de orientação com possibilidades de re- deve ser concebido como uma “plataforma giratória” na cuperação e reorientação. parques municipais visando a beneficiar as pessoas. deste modo. e teve o apoio de uma parceria fissão que deve gerar as habilidades e as capacidades ne- financiada pelo Comitê de Educação da região de Peel e pelo cessárias ao fazer profissional na sociedade do conheci- Ministério da Educação e Formação de Ontário.

fluido. sos foram limitados repercutindo em baixos salários de mais uma sociedade do entretenimento na qual imagens professores e na desqualificação destes. muitos países da OCDE (Organização para a Cooperação Na economia do conhecimento. os grupos excluídos dentro e além da própria sociedade. resultam em uma maior que a cognitiva. os professores devem se compro- lização de estratégias metodológicas tradicionais: alunos meter com o desenvolvimento e com a aprendizagem pro- em sala de aulas. foram poucas as inovações. fissional formal. que onal haviam começado mais tarde. ca. trabalhos a serem rea. o que coloca em risco muitas insti. os recur. pois havia um otimismo sobre tiva e não apenas com o trabalho em equipe de curto prazo e o poder da educação e orgulho em exercer a profissão. Esta situação favorece gastos públicos e a promoção foi permitido por essas tendências. Porém. o consumidor é o cen- Econômica e Desenvolvimento) estava acima dos 40 anos. A sociedade do conhecimento é. Estes se encontram mas complexas de processamento e circulação de conheci- presos em um triângulo de interesses e questões mento e informações em uma economia baseada em servi- conflitantes. . é ainda a uti. responsabilidade para com status. É a cultivar uma identidade cosmopolita que suporte tolerância era do profissional autônomo. para a maioria das pessoas. o conhecimento é um recurso flexível. Para tais compromissos dos de forma digna com a riqueza econômica mundial. trínsecos a tudo o que as pessoas realizam. Estes Kong. Nº28 . ca. atualmente. Mas. de iniciativas privadas. taxas de esgotamento de professores aumentaram. Muitos professores co. Coréia. em constante transformação e tuições. implica resgatar em países como o Japão. nidade para a aprendizagem mútua e espontânea. para além do conhecimento. de nível médio e a alfa. Na atu- de investimento nestes. as organizações empresariais funcionam de modo a poder dade do conhecimento e por responsáveis de criar promover a inovação contínua em produtos e serviços. VALOR DO DINHEIRO AOS VALORES DO BEM tos mínimos. A base do triângulo representa as baixas da socieda- de do conhecimento em um mundo onde as crescentes CAPÍTULO 2. mesmo Ensinar. Em uma sociedade em que autocriação. seus salários têm sido reduzidos pela limitação e A exigência que hoje se tem de educar para a inventividade retenção dos recursos para este setor. terceiro. a opção está inversamen- Sob as pressões da reforma. Com este propósito. cri- contrapontos à sociedade do conhecimento e a suas ando sistema . níveis de estresse. um destes é equilibrar as forças caóticas ajuda foi direcionada ao estabelecimento ou à ampliação do risco e da mudança com uma cultura de trabalho ca- da educação básica fundamental.FEVEREIRO/2010 51 sas dos consumidores e estimular o investimento no mer. o que resulta em especulações interminá. paz de gerar coerência entre as muitas iniciativas que a betização. técnica e educacional ampliada. com elevados salários e com diferenças de raça e gênero. uma vez que são os profissionais alidade. aulas expositivas. em diferentes contextos e países. CAPÍTULO 3 – O ENSINO APESAR DA A reforma escolar nas nações ocidentais se justificava à SOCIEDADE DO CONHECIMENTO I: medida que se faziam comparações internacionais com O FIM DA INVENTIVIDADE outras formas de avaliar o processo de ensino-aprendiza. Contudo. onde os ciclos de reforma educaci. vens. outros a seguem. Taiwan e Japão. até aqui realizada. que perduraram. Ensinar para além da economia do conhecimento signifi- As explosões demográficas durante o que Eric Hobsbawn ca desenvolver os valores e as emoções do caráter dos jo- denominou como “a era de ouro da história”. prazer instantâneo e pensamento mínimo fazem Na década de 90. e ter oportunidades para ensinar e aprender Os países menos desenvolvidos não foram contempla. em que as laterais do triângulo podem ser ços. a média de idade dos professores em com que “nos divirtamos até a morte”. as te relacionada à significação. emergente sociedade do conhecimento necessita de mui- cado de ações. Cingapura. busca uma missão social atrativa. níveis de escolaridade considerados necessári. inclusive a educação. segundo. deveríamos obter o máximo do trabalho dos professores e em processo de expansão e mudança incessante. escola tem buscado. envolve for- desestimulados. a mostram que a reforma educacional. Nessa sociedade. e reabilitar a ideia do ensino como vocação sagrada. equipes e culturas que maximizem a oportu- ameaças à inclusão. A existem desafios. está pautada nas dimensões que envolvem a sociedade do A profissão de professor vem sendo desvalorizada. épocas pos. de várias maneiras. longo prazo. esta engloba uma esfera científi- Muitos professores têm abandonado a profissão e. à segurança pública e à vida públi. O que vemos. SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: DO pondidas com soluções padronizadas. estabelecer compromissos com a vida cole- demanda por professores. implica transformações básicas da forma como representadas pela condição de catalisadores da socie. fugazes. conhecimento.O ENSINO PARA ALÉM DA expectativas com relação à educação estão sendo res. conhecimento: primeiro. tro. mento. os para o desenvolvimento econômico. criatividade e inventividade são in- que preparam as crianças para a sociedade do conheci. criadas nesta era. trabalhar com os colegas em grupos de lizados por alunos e métodos de pergunta e resposta. meçaram a se sentir desprofissionalizados à medida que os efeitos da reforma e da reestruturação se faziam sentir. ofertadas a cus. desânimo. Este capítulo aponta para alguns resultados da pesqui- do: o milagre econômico dos “tigres” asiáticos de Hong sa realizada nos Estados de Nova York e Ontário. to mais flexibilidade no ensino e na aprendizagem do que veis. ressaltar a aprendizagem emocional na mesma medida teriores à Segunda Guerra Mundial.

assumindo um modelo de seitas de va com base na alfabetização e nos cálculos aritméticos. Este fato traz diversas consequências. betização e aritmética. A escola referida. Ensinar para a sociedade do conhecimento. Portanto. Estes têm a vida de do aparecimento de sistema de apartheid no desenvolvi- profissional supercontrolada. além de ser uma comunidade de cui- dulo”: educando jovens para a economia ou para a cida. na reforma padronizada. que está no centro da identidade cos. essa escola. por um lado. Destaca-se. quando estes deixam a escola. utiliza a tecnologia para pro- exemplo. dado e solidariedade. não precisam ser objetivos incompatíveis. que passaram Os professores e outros deverão agora se dedicar a unir pela experiência de seguir um sistema educacional padro- essas duas missões. uma vez que os professores lutam de forma solitária. que não pertencem a América do Norte. CAPÍTULO 4 -O ENSINO APESAR DA Existem outras tendências de mudança educacional.O FUTURO DO ENSINO NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: CAPÍTULO 5. a reforma padronizada foi uma ameaça a nico da “catraca” do trabalho em equipe temporário. porque PADRONIZAÇÃO: COMUNIDADES DE se. com base no consenso. envolve a todos no con- realidade. currículo. uma vez que reciclou as transformações em naliza as paixões e os desejos das pessoas para a terapia políticas e as direcionou de volta à escola em formatos rígi- varejista das compras e do entretenimento e para longe dos que acabaram por tornar as mudanças inviáveis. estão sendo sub- A melhoria dos padrões de desempenho. é exemplo de uma escola da sociedade do conhe- nhecimento e também não há preparo para o enfrentamento cimento. tervenções altamente prescritivas em áreas “básicas” do mopolita. o fracasso mover a aprendizagem pessoal e organizacional. além desta escola ensinar para edades para a prosperidade econômica. de ensinar para a sociedade do co- nizado e. aderiram à urgência de ir além dela. favorece a atitude de cuidado e solidarieda. das interações interpessoais.52 FEVEREIRO/2010 . treinamento para o desempenho. monitorados de perto. Esta nhecimento e para além dela. mento de professores e pela necessidade de atrair e man- ter pessoas capazes na profissão. Ensinar exclusivamente para além da sociedade do co. poucos benefícios a eles. É também notório que. Tanto os professores. tilha os dados e. No entanto. curriculares: são suscetíveis a padronizações insensíveis à Esta escola promove equipes. fazendo com que o amor pela aprendizagem desapareça. por DE TREINAMENTO PARA O DESEMPENHO? outro. de riza pela tarefa essencial de redesenhar a melhoria escolar .PARA ALÉM DA nhecimento também poderá acarretar complicações. sobretudo. ção. outros no mundo. enquanto os pobres e os fracassados se- profissional. os professores são tratados como geradores de desempe. caracterizou-se por ser uma comuni- dania e a comunidade. flexibilidade bem-sucedidos em participar da comunidade de aprendiza- restrita e capacidade limitada para exercer seu julgamento gem profissional. toma decisões. ensina para além desta possibilida- além de restringir as interações de grupo ao mundo mecâ. CAPÍTULO 6. Este posicionamento se caracte- sucedida. APRENDIZAGEM PROFISSIONAL OU SEITAS de. CAPÍTULO 7.Nº28 não tem preparado as pessoas para a economia do co. Estas proporcionam aos acabam por minimizar a questão interdisciplinar importante professores apoio intensivo para a implementação das in- à educação global. compar- e a frustração dos professores. ELIMINAR DO CONHECIMENTO: UMA ENTIDADE O EMPOBRECIMENTO EM EXTINÇÃO O Capítulo 7 traz o posicionamento contra o apartheid Este capítulo mostra a experiência de uma escola bem apontado anteriormente.A ESCOLA DA SOCIEDADE REPENSAR O APRIMORAMENTO. Este fato faz desabar a comunidade profissio. a degradação da própria graduação. desenvolve caráter e constrói identidade cosmopolita. uma vez que ensinar apenas para aos relacionamentos e à preocupação cosmopolita com os a sociedade do conhecimento prepara os alunos e as soci. seguido os princípios de uma organização de apren- Os dados também apontam para os padrões dizagem e de uma comunidade de aprendizagem. sobretudo por ter. criatividade. Essas posições polarizadas trazem dade de aprendizagem que dá valor diferenciado à família. Não é adequado tender para um lado específico do “pên. tornando-a o urgência se caracteriza. jam submetidos ao treinamento de desempenho secretário. em uma só. mas limita as re. pela crise de recruta- ponto alto de seu propósito. nal. que demandam benevolência profissional. caracterizado pelos privilégios aos ricos e quanto à perda da autonomia. quanto as escolas A PERDA DA INTEGRIDADE das nações e comunidades mais pobres. Os riscos de ir além da padronização está na possibilida- nhos padronizados. Ontário. mia do conhecimento. a possibilidade de construção e de revitalização da econo- lações das pessoas àquelas instrumentais e econômicas. agora. o que gera uma insatisfação mento profissional. ca. mas SOCIEDADE DE CONHECIMENTO II: são conflituosas. como por texto geral de suas diretrizes. o que poderá possibilitar a exclusão delas. na forma de metidas a intervenções microgestadas nas áreas de alfa- metas com base em disciplinas. e ensinar envolve os pais na definição das metas para os estudantes para além dela. as pessoas estão despreparadas para a economia do O Capítulo 6 traz uma análise das políticas de países conhecimento. A escola de nível médio Blue Mountain. ou ainda a ênfase excessi. de. desde sua cria- da vida pública para além desta economia.

espalha a insegurança e prejudica a vida sociedade do conhecimento includente. corrói os missão social apaixonada. que combinem elementos de treinamento para o desempenho e de comunidade profissional em quase todas CONCLUSÃO as escolas. para flexibilidade. O livro também aponta os custos da economia do co. resolução de problemas. Nº28 . para são. para a capacidade de de. educação pública na sociedade do conhecimento. estratégias mais sofisticadas para a melhoria na sociedade do em um dos seus grandes projetos de inventividade social. os atributos centrais da economia do conhecimento. como uma • Reacender seus próprios propósitos e missões morais questão necessária à inclusão social. inclusive os gover- preservação e fortalecimento dos relacionamentos. com a finalidade de às seguintes propostas: sustentar a própria prosperidade e a de outros. ou seja. • Precisaremos ajudar a construir um movimento social nifica acrescentar à agenda da reforma valores que cons. a cooperação. do mundo no qual Uma das grandes tarefas dos educadores é ajudar a os professores fazem atualmente seu trabalho. nos. mente relacionada com a nossa capacidade de inventividade. ao empobrecimento educacional e social que prejudica a As reformas educacionais têm visado à padronização in- potencialidade de avanço que muitas nações e comunida. sejam disponibilizadas a alunos de todas as raças. apontada neste livro. conhecimento. os professores devem ter como meta a tanto quanto do seu trabalho. impedir que o treinamento se torne seita complacente. terão que ajudar nisto. Ensinar para além da economia do conhecimento sig. em que as chances em um sistema que começou a perdê-los de vista. mopolita. demonstrando isto por meio de redes de promisso da aprendizagem para toda vida. e pôr fim tidade cosmopolita.FEVEREIRO/2010 53 a partir de linhas de desenvolvimento. desenvolvam capital social e uma iden- disponibilizar a comunidade profissional a todos. Estas são exigidas de nós: consequências podem ser percebidas em um mundo frag. possibilitando um diálogo crítico desde o início para O propósito deste livro é apontar a natureza e a impor. A proposta. cuidado de solidariedade. o que torna quase impossível para muitos professo- des possam ter. Nossa prosperidade futura está direta. Para que tais propostas sejam efetivas. inventiva e cos- pública. Sob este propósito. vinculada à criação de uma relacionamentos. • Trabalhar com seus sindicatos para que se tornem agen- de aproveitar e desenvolver nossa inteligência coletiva para tes de sua própria mudança. visando cesso na economia do conhecimento. com todos. Todos. fruto des. onde quer que a vejam. voltadas a truam comunidade. à transformação do mundo dos professores te tipo de economia. a busca da melhoria e res lecionar para a sociedade do conhecimento e além desta. que lute a favor do investimento em um sistema educa- . • Precisaremos reviver e reinventar o ensino como uma mentado e frenético que fragiliza as comunidades. Tendo em vista estes fatores prejudiciais. tância da sociedade do conhecimento. origens e • Abrir suas ações e mentes a pais e comunidades e tam- habilidades iniciais. • Reconhecer que têm uma responsabilidade profissional senvolver redes e para lidar com a mudança e com o com. sensível. criatividade. o fim da pobreza deveriam ser missões sociais e profissio. é que se estabeleçam nais fundamentais da reforma educacional no século XXI. • Levantar-se corajosamente contra a injustiça e a exclu- para inventividade. cinco tarefas nhecimento e algumas consequências trazidas por esta. construir um movimento social dinâmico e includente de Os professores devem preparar os jovens para ter su. bém se envolver com suas missões.

é a avaliação reflexiva que pode concepções avaliativas classificatórias. reconectando a agenda da melhoria educacional a tos de desenvolvimentos para todos eles. assim como Rumos da Avaliação neste século quando realizamos o caminho a Santiago de Compostela. valores. que Hoffmann é contrária à ideia de que primeiro é preciso confere ao educador uma grande responsabilidade por seu mudar a escola e a sociedade para depois mudar a avalia. vos poderosos aos melhores professores e líderes. dentre os principais estudiosos do assunto. Para Hoffmann. pois a partir disso desencadeiam-se processos A avaliação a serviço da ação de mudança muito mais amplos do que a simples modifi. A tendência. Pelo contrário. a insegurança e o pior serão tudo o que professores com desempenho superior. discutido intensamente neste último século. pela vontade de chegar ao objetivo/destino que vai sendo traçado. • Precisaremos reconhecer que a inventividade. assim tação e a flexibilidade mais elevadas não deveriam ser ofe. 2001. em conjunto. AVALIAR PARA PROMOVER: AS SETAS DO CAMINHO. teremos. cidadania e direito à educação. mas como incenti. alunos e co- munidade. princípi- ticamos a avaliação. 9. JUSSARA. que reconheçam as diferenças en. o investimento e a integridade. que se contrapõem às de pensar e agir. um combate renovado ao empobrecimento social. compromisso com o objeto avaliado e com sua própria ção. da compreensão das setas. classificatória das práticas avaliativas escolares (basea- da em verdades absolutas.a de como ocorre o processo avaliativo. fundada na ação pedagógica refle- de oportunidades de expressão desses sentimentos. Dessa maneira. implica necessariamente uma ação que promova melhoria compreensão de outras perspectivas e de reflexão sobre na situação avaliada. sua finalidade não é o registro do desempenho esco- liação vai se construindo para cada um dos professores lar. por meio A avaliação mediadora. de xiva. interagidos com o meio Essa reflexão envolve os próprios princípios da democra- físico e social. por ser uma atividade de aprendizagem . deve servir à promoção. quando pra. A contraposição básica estabelecida por este princípio cação das práticas de ensino. avaliador no processo. de melhoria escolar. Assim. neste caminho. é a de procurar superar a concepção positivista e senta as setas do caminho. O problema da avaliação da aprendizagem tem sido na Espanha. avaliar necessita da con. ocorra uma reflexão conjunta de professores. critérios objetivos. sificou a pesquisa sobre o assunto. tem o sen. mas sim a observação contínua das manifestações de apren- . à medida que discutem. e reflexiva sobre o valor do objeto avaliado. Da mesma forma. A ousadia do ato de avaliar. isto é. tam na competição. que se fundamen- transformar a realidade avaliada.54 FEVEREIRO/2010 . no individualismo. professores. tido de avançar sempre: promover e a autora nos apre. as quais devem ser respeitadas. A inventividade. compreendida como a avaliação da apren. acesso a liadas e do exercício do diálogo entre os envolvidos. influi e sofre a influência desse próprio ato cia. para que que beneficiem a todos. lugar em que ocorre a ges. reflexão sobre os próprios atos. a avaliação. décadas. pelo os e metodologias. É no confronto de ideias que a ava. assim como no caminho a Santiago avaliação da aprendizagem escolar e a concepção de ava- de Compostela.HOFFMANN. de. • Precisaremos demonstrar coragem política e integrida- tre professores e escolas e construam caminhos distin. zagem. na arbitrari- Para transformar a escola. recidas apenas como recompensa a escolas afluentes e seus De outra maneira. é impulsionado pelo inusitado. é necessário que os alunos em suas relações pessoais verticais e horizontais. a experimen. no poder. Em se tratando da avaliação da aprendi- as próprias crenças. e não menos do que merecemos. assumam o desafio do trabalho transformador com crian- • Precisaremos desenvolver estratégias mais sofisticadas ças e escolas em comunidades pobres nos níveis inferiores. edade. dentro de um dado contexto. adquiriu um enfoque político e social. que acabam enlaçando tanto os professores quanto tão educacional de um trabalho coletivo. que inten- tos de conquista. Nas últimas versa uns com os outros. um nível superior de aprendizagem por meio de uma edu. as situações ava- dizagem escolar. gera inquietação e incertezas para os liação mediadora. para compartilhar dos sentimen. sonho. medidas pa- Buscando Caminhos dronizadas e estatísticas) em favor de uma ação consciente A avaliação. assume-se conscientemente o papel do cação digna e de direito de todos os seres humanos.Nº28 cional e em uma sociedade de inventivos e includentes. são exigidas de todos nós. o trajeto a ser percorrido. pelo desejo de superação. como a identidade cosmopolita. é estabelecida entre uma concepção classificatória de Esse processo. PORTO ALEGRE: MEDIAÇÃO.

cimento é construído entre descobertas e dúvidas. progra. para que possam compreender os limites e as pos. é comparado com ele caminho – a seguir. sendo possível observar sua evolução de diversas formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Os estudos paralelos precisam acompanhar os percur- cer seu desenvolvimento. ciclos. a finalidade da avaliação é sos individuais de formação dos alunos e considerar os promover a evolução da aprendizagem dos educandos e a princípios da pedagogia diferenciada. observa-se na maioria das escolas lam o processo de avaliação classificatória e seletiva. A razão dessa dificuldade reside jus- No entanto. de acordo com suas possibilidades e da promoção da qualidade na escola. “os piores” estarão predestinados ao fracasso e à exclusão. brasileiras. as facilida- des e dificuldades de cada um como parte das caracterís- ticas humanas. de todos os níveis. série de obstáculos aos alunos. ao mesmo tempo. o que revela a alunos são utilizados para se comparar uns com os ou- manutenção das práticas tradicionais e a resistência à tros. a melhoria das evoluções individuais. ma a atenção Perrenoud (2000). novas formas de relações educativas se constituem a par- tir da cooperação e não da competição. desenvolvimento do aluno. rigorosa e mais permissiva. não como ri- mas de aceleração. não-seriados Da mesma forma. reto- fessor. a despeito das inovações propostas pela tamente no apego às ideias tradicionais às quais se vincu- nova LDB (9394/ 96). e a escola. com repetição de conteúdos. É a compreensão e definição da finalidade da avaliação Os regimes não seriados. A progressão da aprendiza- lho. Provas de recuperação versus estudos paralelos A ideia de recuperação vem sendo concebida como re- trocesso. Deste modo. Os regimes seriados estabelecem oficialmente uma rar e compreender a concepção de avaliação mediadora. nos estudos paralelos. Estudos paralelos de recuperação são próprios a uma prática de avaliação mediadora. Pelo contrário. cos sobre muitos. As provas de recuperação se confun- dem com a recuperação das notas já alcançadas. sendo que. obstáculos e avanços. da escola ou ma da organização do regime escolar em ciclos e outras da instituição avaliada. a avaliação contínua adquire o significado de avaliação me- diadora do processo de desenvolvimento e da aprendiza- gem de cada aluno. Os desempenhos individuais dos se normas classificatórias e normativas. promovendo os “melhores” e retendo os “piores”. como instrumento de acompanhamento do traba. apontando para onde vamos: próprio. se torna possível acolher a todos os alu- nos. está direcionada ao futuro do ensino. mas como instrumento de dominação de uns pou- seletivo que persiste no país. ao fazê-lo. madas. gem à série seguinte. formas não seriadas. para a qual nos cha- promoção da qualidade do trabalho educativo. essa organização de trabalho escolar exige a realização de uma prática pedagógica que assuma a diversidade humana como riqueza. Nº28 . Uma das maiores dificuldades de compreensão das tido se for capaz de possibilitar a implementação de pro. retomo.FEVEREIRO/2010 55 dizagem para desenvolver ações educativas que visem à pro. como se tem observado até agora. que alerta: . e não o produto. mas. re- conhecer suas possibilidades e respeitá-las. fundamentam- da aprendizagem que deve nortear as metodologias e não se em concepções desenvolvimentistas e democráticas. porque não há melhores nem piores. a aprendizagem. no processo de melhoria da qualidade de gem. estabelecem. Isso está longe de ser menos exigente. a dificuldade para incorpo. a avaliação de um curso só terá sen. estes últimos. Dessa forma. calizando o processo de aprendizagem. num processo de avaliação classificatória. O A autora resume os princípios básicos – as setas do trabalho do aluno. fo- o inverso. As diferenças individuais são reconhecidas. Regimes seriados versus regimes moção. isto é. sibilidades dos alunos e delinear ações que possam favore. propostas educacionais contemporâneas reside no proble- gramas que resultem em melhorias do curso. implementação de regimes não seriados. evidenciando o caráter burocrático e queza. ao contrário. Neste processo o conhe- A finalidade da avaliação mediadora é subsidiar o pro. por meio de critérios pré- Em seus regimentos escolares enunciam-se objetivos de definidos arbitrariamente como requisitos para a passa- avaliação contínua. que devem ser respeitadas e.

como são de sua responsabilidade a aquisição de atitudes e gio ao passado é evidente. aprendizagem contínua do aluno recai sobre os educado- ço de uma ação com perspectiva par o futuro. a constituição de suas famílias. As práticas de aprendizagem de acordo com suas características. função da escola.. em condições de igualdade Os protagonistas da avaliação precisam ser levados a educativa. dialogar com a escola. metodologia. mas o caráter Oriundas de posturas políticas que não devem se sobre- único da trajetória de cada aluno no conjunto de pujar aos atos educativos. é de responsabilidade. (34) Os momentos do conselho de classe precisam ser re. ética em seu sentido modalidades contínua.projetar a avaliação no futuro dos alu. às suas dificuldades ou à sua Uma atividade ética incapacidade. que não significa atribuir a eles a tarefa ção das perspectivas acerca dos diferentes jeitos de ser e da escola. saber com seus alunos. possibilidades. fundamentos filosóficos e con. a promoção se questões do ensino-aprendizagem. a complexidade ine- Cada professor estabelece uma relação diferenciada de rente a tal finalidade. classificatórios termo paralelo pressupõe estudos desenvolvidos pelo pro. para o futuro. vel. porque está embasada em juízo de valor. assumir o que lhes as necessárias à aprendizagem dos alunos. Isso significa encontrar meios para favore- trabalho científico. sugerir e. são professores e escolas que precisam adequar- dar conta de problemas apresentados para o estudo de se aos alunos e não os alunos que devem adequar-se às uma área de conhecimento ou para resolver questões de escolas e aos professores. la referência para decisões educativas pautadas por valo. além de conhecimento. considerando. É pre- fessor em sua classe e no decorrer natural do processo. pode ser medida: . por posturas políticas. mais original. Alertamos para o fato de que Hoffman defende que o Não encontramos mecanismos únicos. Nesse sentido. no aprofundamento das noções. ciso considerar. entretanto. A responsabilidade pelo desenvolvimento da Não basta desenvolver a avaliação educacional a servi. mas torná. desafiá-los a prosseguir dizagem e ao desenvolvimento de todos e de cada um. ainda que elencada no bojo de diretrizes unificadoras características. derados parte integrante do processo de ensino e Não concordamos que deva haver regra única em ava- de aprendizagem para atendimento à diversidade das liação. na sua singulari- Para Hoffman. tenha garantido as melhores oportunidades possíveis à apren- apoiar. porque cada situação envolve alunos. bem deferir uma sentença ao aluno. em grande buídas às famílias. a singularidade dos participantes do processo educativo. como alerta Morin. oferecem ao aluno condições adequadas refletir sobre o que fazem e por que fazem. desde que se nos significa reforçar as setas dos seus caminhos: confiar. Promover o diálogo entre os pais e os professores é pensados pelas escolas e serem utilizados para a amplia. contando com a cooperação de toda a turma. isto é. suas educacionais exigem. Nesse sentido programas e projetos desenvolvidos para Assim..Nº28 “o que caracteriza a individualização dos percur. Conselhos de classe versus a luta pela sobrevivência. principalmente. baseia na evolução alcançada pelo aluno.se propondo a destes. estariam respondendo às dimensões A dimensão da exclusão de muitos alunos da escola ético-políticas neste contexto avaliativo. Nesse contexto. das necessidades e dos ritmos dos das reformas educacionais. deliberadora É compromisso dos pais acompanhar o processo vivi- de novas ações que garantam a aquisição de competênci. a inclusão da dimensão ética e sensí. muito menos o trabalho de superação parte das escolas. que dêem conta da complexidade do ato avaliativo. As questões atitudinais A educação inclusiva não devem ocupar um tempo enorme em detrimento das Num processo de avaliação mediadora. Dessa compreensão decorre o princípio da educação res. dade e de acordo com suas possibilidades. As reformas educacionais sos não é a solidão no trabalho. determinadas escolas. por meio de provocações significativas. orientados por modelos avaliativos destas dificuldades não pode recair sob a responsabilidade classificatórios e com caráter sentencitivo . etc. dizagem e de inserção social. É compromisso seu orientá-los na resolução de dúvidas. de aprender do educando que interage com outros educa- dores e com outros conhecimentos. Nestas sessões. do pelos filhos. Os pais devem participar da escolaridade de seus filhos. a natureza do envolvimento.56 FEVEREIRO/2010 . a responsabilidade pelo fracasso não pode ser atribuída ao aluno. de caráter interativo e reflexivo. educacional afetam os sentimentos dos atores envolvidos. o reforço e a recuperação (nas suas por se tratar de uma atividade prática. paralela ou final) são consi. inclusiva: oferecer ao aluno oportunidade máxima de apren- siderações sociais. A participação das famílias e a melhor forma de fazê-lo é no dia-a-dia da sala de aula. cer aprendizagem de todos os alunos. res e sobre a comunidade.. habilidades que favoreçam o enriquecimento das relações Hoffman defende que esta deve ser uma ação voltada interpessoais no ambiente escolar. a realidade social destes pais. mas dos profissionais que atuam nas escolas. as novas medidas em avaliação sua escolaridade”. o privilé. nos faz ponderar que as difi- “conselhos de classe” culdades de aprendizagem dos alunos não podem ser atri- Os conselhos de classe vêm sendo realizados.

Sobre isso. a padro- propõem a respeitar os tempos e percursos individuais de nização dos percursos incorre em sérios prejuízos para os formação. • Superficializam e adulteram a visão da progressão das O aprendiz é sujeito de sua história. o que implica desagregar. calas métricas” ou por recursos de “conversão entre siste- Avaliação mediadora significa: busca de significado para ma de mensuração”. são comuns e o profes- afã de estarem sempre concluindo caminhos que. • Entravam o diálogo entre os professores. no sistema de ensino e na sala de aula. o diferentes condições de aprendizagem. vivendo situações problema. Desta forma. fundamental- A inclusão nas classes regulares de alunos que neces. desaguam os conteúdos que têm que dar conta. Nº28 . Esta variabilidade de manifestações nos aponta que damental e do Ensino Médio. zado. membro de uma família. mas indicadora de progres- A trajetória a ser percorrida pela avaliação requer diálo. • Baseiam-se. mentos é não-linear e infinito. Outro problema passa a se constituir aqui.FEVEREIRO/2010 57 • pela constatação das práticas reprovativas baseadas em todas as dimensões do processo por meio de uma investi- parâmetros de maturidade e de normalidade. sua magnitude não pode ser medida em “es- justificativa para a má qualidade do ensino). gação séria sobre as características próprias dos aprendi- • pela ocorrência dos encaminhamentos de alunos para zes. priva se compreende que o processo de aquisição de conheci- os alunos com necessidades especiais de uma escolarida. as trajetórias da avaliação se É preciso reconhecer que nas práticas atuais. muitas tentativas de acerto são feitas por meio de ensaios Os professores do Ensino Médio. cia coletiva da sala de aula. tanto pelo professor. além de impossível de se de digna. na ver. alunos. o qual interage ativa e continuamente. quanto seu tempo de aprender e de ser. • uma resposta incorreta. e erros. mas aprende ao seu tempo e de forma so. que há um conjunto de va- O tempo é um tema recorrente nas discussões sobre riações de respostas dos alunos de todo os níveis de ensi- avaliação. tempo da aprendizagem • Notas e conceitos classificatórios padronizam o que É preciso conhecer o aluno enquanto aprendiz. e das relações de autoritarismo em sala de aula. única e singular. mente qualitativas. arbitrariamente. escassez criação. no professor. despersonalizando as dificuldades de avanços pessoa. sor precisa compreender que trata-se de: dade. são inconclusos. de avanço em relação a uma fase anterior do aprendi- go. aluno irá progressivamente compreender e evoluir • Produzem a ficção de um ensino homogêneo pela im- conceitualmente. negando a relativização desses parâmetros em dos colegas. no caminho.como no caminho que o aluno aprende na relação com os outros. premidos pelo vesti. enquanto é diferente. nas aulas frontais. com de cada aluno. em condições limitantes (classes superlotadas. pela superficialidade do acompanhamento. Essas estratégias são desenhadas por meio de bular. Sendo assim. mesmo Qualidade significa intensidade. so. dizendo muito sobre “qualidade”. principalmente nas séries finais do Ensino Fun. desde que haja a clareza de Se incluir é fundamental e singular. quando não paração do professor no desempenho de seu papel. vivendo cada dia o inusitado. abertura e interação. A autora oferece sugestões e exemplos de oportunida- des de aprendizagem que podem ser oferecidas. não havendo como delimitar tem. o tempo é determinado pelo aprendiz e • Privilegiam a classificação e a competição em detri- o conteúdo pode ser proposto e explorado de diversas for. car. porque: • Notas e conceitos são superficiais e genéricos em re- O aprendiz determina o próprio lação à qualidade das tarefas e manifestação dos alunos. o ensino não está centrado possibilidade de acompanhar a heterogeneidade do grupo. pos fixos. Capítulo 2 . profundidade. sitam de atendimento especializado. entre pro- fessores e alunos e da escola com os pais. conhecer para promover e não para julgar e classifi- classes e escolas especiais por erros na avaliação pe. mas. a autora afirma que uma cola brasileira deste século: formar e qualificar profissionais pedagogia diferenciada pode se desenvolver na experiên- conscientes de sua responsabilidade ética frente à inclusão. de Santiago. sem que haja a pre. se do tempo determinado para aprender dado conteúdo. interativamente. de materiais e outras situações apontadas por muitos como Como tal. em termos de Cada passo é uma grande conquista avaliação. pelo caráter somativo que anula o processo. sem pressa. em certos e errados ab- Tendo oportunidade de confrontar suas ideias com as solutos. tros. no. como pela turma. .Outra concepção Todo o aprendiz está sempre a caminho de tempo em avaliação Constatamos. no respostas que chamamos de erro. um sério compromisso irá mobilizar a es. é necessário valorizar cada passo do proces. perfeição. cos e do tempo. Na última década. mento da aprendizagem. ou em textos. de uma comunidade. pois cada participante • Reforçam o valor mercadológico das aprendizagens do processo pode colaborar com a aprendizagem dos ou. porque esta é fruto de relações humanas. em um ano letivo. convicção de que as incertezas são parte da educação dagógica. determinar a priori: a questão dos conteúdos acadêmi- Para Hoffman. É preciso respeitar aprendizagens e do seu conjunto tanto em uma única tarefa.

a ampliação das pers- behaviorismo. Isso só tem sentido dentro de uma aprendizagem. quais os benefícios ou prejuízos nos. fa. dialogar. tomada de consciência sobre a própria aprendiza. o que im- interferir no direito de escolha do aprendiz sobre os rumos plica em aprendizagens diferentes dentro de um mesmo de sua trajetória de conhecimento. Como um grande iceberg do qual car gradativamente os aprendizes. sem cada um a experimenta de uma forma singular. a quem se desti- suas próprias estratégias de aprendizagem. perspectiva classificatória e seletiva. zagem. o aluno é levado a pensar e explicitar as crenças. sobre o seu alternativas que podem ser citadas em favor do aprendiz. contexto. Isso resulta em que o trabalho do professor acerca Avaliar. Os valores sociais e éticos. processo educativo. intenções. Entretanto este trabalho se dá em um contexto O trabalho em equipe de professores envolve o com- escolar concreto em que promisso de compartilhamento das experiências. até que ponto são de expressarem-se sobre elas para poder organizar situ- claros e transparentes para todas a comunidade (escola. quais possibilidades e consciência sobre seu próprio fazer e pensar. obedecem a ritmos e desenvolvidas. Daí o compromisso ético implícito inicialmente. estratégias. que podem advir desse processo de controle outorgado à • estar alerta aos desdobramentos dos objetivos traçados escola e aos professores. implica em prestar atenção dos conceitos que pretende ensinar consiste em provo- aos seus fundamentos. para ampliar suas possi. Avaliação é controle. Metas e objetivos não se constituem em pontos de gem e sobre a própria conduta.Nº28 É importante refletir a cada passo interesses diversos. Ao ser mos para a continuidade do trabalho educativo. Aprender exige engajamento do aprendiz na constru- Capítulo 3-As múltiplas dimensões ção de sentidos o que implica busca de informações per- do olhar avaliativo tinentes momentos diversificados de aprendizagem con- tínua. precisamos construir olha- dade para que estabeleçam relações entre conceitos e res mais profundos. Classes numerosas podem dificultar essa aproximação. (Perrenoud. • organizar momentos de estruturação do pensamento. para poder ter acesso às suas di- entre as várias áreas do conhecimento. que constituirão diversos rumos de pro- no processo de avaliação mediadora. isso reverte o compromisso do profissional do educador: quais os princípi. Os tra. Assim. de suas ideias e a consolidação dos conceitos e noções jetos de cada aprendiz são únicos. mas pontos de passagem. ajudar. sociais. A intervenção pedagógica é determinada pela compre- no processo de orientação e apoio de colegas. supervisor ensão dos processos realizados pelo aprendiz em sua rela- e demais profissionais de suporte pedagógico. A finalidade do controle deve ser entendida a favor do favorecendo aos alunos oportunidades para objetivação aluno e não como obrigação imposta pelo sistema. que podem dividir entre das ações educativas precisa ser o compromisso funda- si a tarefa de acompanhar mais de perto um grupo de alu- mental do educador no processo de avaliação da aprendi- nos (tutoria). dentro de uma visão Avaliar para reprovar não é indicador da qualidade da interdisciplinar. mesmo vivendo a mesma experiência. ações de aprendizagem capazes de envolver esses alu- mília. oferecendo oportuni- só se percebem os registros. sivo fracionamento dos objetivos. chegada absolutos. quais as condições existentes. longamento dos temas em estudo. os próprios alunos). quais os critérios utilizados. uma dada disciplina interfere em sua aprendizagem em As concepções de avaliação. novos ru- bilidades e favorecer a superação de dificuldades. educacionais que fundamentam Cabe ao professor: as tomadas de decisões com base nos processos de avalia. ideias. mensões sobre: interdisciplinaridade e transversalidade são inerentes ao Os registros obtidos. A compreensão que o aluno tem de O processo de avaliação. . ampliando sua nam. o destino essencial equipe por parte dos professores. delinear o norte. No âmbito escolar. e permanen- A autoavaliação como processo contínuo te tensão no ambiente escolar entre os que que- A autoavaliação é um processo contínuo que só se rem transmitir conhecimentos e os que querem justifica quando se constitui como oportunidade de refle. aprender a aprender. desenvolver práticas sociais”. xão. Delineando objetivos mas umas das alternativas é justamente o trabalho em Definir os rumos. exces- pectivas acerca da aprendizagem dos alunos. 2000). Os conteúdos os e valores morais.58 FEVEREIRO/2010 . O plano epistemológico O mesmo processo se aplica aos próprios professores. e diversificação dos procedimentos de escola ou do professor. solicitado a explicar como chegou a uma dada solução Avaliar segundo esses princípios implica refletir sobre de uma situação. • atentar às concepções prévias dos alunos e seus modos ção realizados. em sua totalidade. acompanhar. outras disciplinas. favore- “a escola enfrenta muitos limites nesse sentido: cendo a abordagem interdisciplinar. ção com o objeto de conhecimento. Mediar é aproximar. taxionomias intermináveis.

nos e não para fortalecer pré-conceitos sobre ele. é essencial ser confundida com as condições prévias do aluno. Pela mobilização chegamos à expressão do conhecimento.74) provocar. A investigação de concepções prévias ca de mensagens e de significados. entendido como construção do co- Perguntar mais do que responder nhecimento. A análise das concepções prévias dos alunos não pode A mediação. exi. a linguagem é a mediação do A finalidade da avaliação no que se refere à mobilização pensamento. A intervenção pedagógica deve estar comprometida com a superação de desafios que possam ser enfrentados pe. de cada aluno. uma vez que as decisões metodológicas es. Cada resposta deve suscitar mais perguntas. o conceito de mobilização implica a ideia plementares. o que nos possibilita plas oportunidades de pensar. atento. pois e possibilidades dos alunos. ele seja propositivo. resulta da ação do aprendiz sobre o objeto de conhecimento fas desafiadoras em processo consecutivo/contínuo. condições prévias referem-se a história escolar e de vida mação criando e recriando significados com o uso e a au. A dinâmica da avaliação é complexa. Cabe ao professor per. consiga questionar e te tarefas avaliativas individuais). no dados da realidade. ampliada progressivamente. uma vez que essas atividades são oportu- ao professor perceber necessidades e interesses individu- nidades de interação em meio ao processo e não pontos ais de múltiplas dimensões (análise qualitativa). em pe. sem delimitar. de tro. Assim: mento e a abertura a novas possibilidades por parte do • Experências coletivas resultam em construções in- aprendiz. enriquecedoras e com- Para Charlot. é ao mesmo tempo individual e coletivo. construção do conhecimento por parte do aprendiz. que devem ser conhecidas em favor do alu- dição/leitura da língua falada e escrita. Mediando a mobilização Transformar respostas em novas perguntas A expressão/construção da “aprendizagem significati- va” pode se realizar de múltiplas formas e em diferentes 1. são propos- do movimento. dividuais (cada aluno aprenderá a seu jeito. exigindo-lhe manter-se flexí- • Novas tarefas e/ou atividades são propostas para vel. É o papel de mediador. avançados e necessidades dos alunos.Avaliação e mediação conhecimento.. tanto restringindo o processo de conhecimento. favo- de da ação pedagógica condiciona-se aos processos vividos. conforme Vygotsky e Piaget. compro- meter-se com seus próprios avanços e dificuldades. de confronto. favorecendo-os avançar sempre. formular perguntas. a seu tempo. de chegada. guntar mais do que responder. A continuida- A avaliação mediadora destina-se a mobilizar. os melhores guias são os próprios peregrinos. mobilizar novas competências adquiridas no processo. • Novas experiências educativas. sendo uma interpretação que assume diferentes significa- tabelecem as condições de aprendizagem ampliando ou dos e dimensões ao longo do processo educacional. e pode ser reformulada. crítico sobre seu planejamento. pois Avaliar é questionar.FEVEREIRO/2010 59 O planejamento pedagógico revela múltiplos A avaliação é um processo dinâmico e espiralado que direcionamentos e está diretamente vinculado ao proces. que necessita ser aperfeiçoado. aprendizagem significativa. valores individuais ou somar pontos por participação e ou- • A interpretação das respostas dos alunos possibilita tras atividades. uma vez que o pro- cesso de aprendizagem. so avaliatório. parte dos aprendizes como do próprio professor. e da interação social.. repensar. sem antecipar respostas prontas. Avaliação mediadora é um processo interativo. engajar-se na solução de problemas. para poder fornecer-lhes a nela se dará a aprendizagem. .(p. articuladas às observações feitas. Nº28 . A dinâmica do processo avaliativo los alunos. articular no- vas perguntas a um processo contínuo de construção do Capítulo 4 . É preciso que acompanham o aluno em sua evolução (preferencialmen. é de adequar as propostas e as situações às necessidades Note-se ainda que a interação social é fundamental. buscar conhecimentos. dificuldades e provocando-nos a andar mais depressa. tos elaborando seus conceitos e reelaborando outros. que O papel do educador ao desencadear processos de apren- percorrem o caminho conosco. acompanha o processo de construção do conhecimento. por parte do professor como do aluno. o aluno já sabe é baseado em elaborações intuitivas sobre Para Vygotsky a reconstrução é importante porque. oferecendo ao aluno múlti. tornando-o capaz de pensar sobre seus próprios pensamen- gindo alterações qualitativas nas formas registro e toma. atividades que podem ser para todo o grupo. que o leva a uma interpretação que A avaliação contínua significa acompanhamento da necessita. Não há sentido em avaliar tarefas coletivas atribuindo responderá a sua maneira). realizamos a experiência educativa. recer a experiência educativa e a expressão do conheci- interesses. enfrentando as mesmas dizagem é o de mediador da mobilização para o aprender. O que na construção do conhecimento. Qual o papel do educador/ avaliador? quenos grupos ou específicas para determinados alunos). As processo de internalização o aluno atribui sentido à infor. Para Vygotsky e Piaget. tanto por níveis de compreensão. propor tare. tas e/ou negociadas com os alunos (explicações do profes- sor. das de decisão sobre aprovação. .

mora progressivamente e necessita ser trabalhada.Nº28 Conhecer as concepções prévias do aluno favorece o não deverá dizê-lo assim suas orientações serão sem- planejamento em termos de pontos de partida. • mediar a expressão do conhecimento ao longo de tare. . refletir so. Implica tam- no processo de aprendizagem provocando no aprendiz. Os ins- Os desafios propostos durante a atividade educativa são trumentos de avaliação devem respeitar as diferentes for- observados por Hoffmann: mas de expressão do aluno. peitar. de diálogos. Diferenciar experiências educativas atende aos pressu- fas gradativas e articuladas. uma vez que está em Como ele interage com os outros? processo de aprendizagem. em pequenos grupos.o pro- Conhecer as condições prévias permite planejar tempos fessor precisa interpretar perguntas. de interação • Ouvir o aluno antes de intervir assegura melhores inter- de trocas. termos de realização • mediar as estratégias de aprendizagem no meio de ati. las em tempo. Mediar as experiências educativas significa acompanhar • Oferecer ajuda específica sem discriminar. graus de dificuldade. O que o aluno fala. Para Hoffmann. mas estes necessitam ser • O aluno nem sempre expressa suas dúvidas ou as ex- redimensionados continuamente ao longo do processo. mas apenas relativas ao conjunto de Mediar as estratégias de aprendizagem significa intervir aprendizagens ocorridas em um dado período. só pode está sempre sujeita a ambiguidades. • Valorizar a heterogeneidade do grupo no processo de Mediando a experiência educativa formação a diversidade. individual. so educativo. de descobertas. da troca de ideias • O professor sabe onde o aluno poderá chegar. le. Mediar a expressão do conhecimento implica a reutilização Duas perguntas se tornam essenciais na mediação: de instrumentos de avaliação como desencadeadores da Qual a dimensão do envolvimento do aluno com a ati. mento. mas que favoreça a convergência de significados. de encontros. veis rumos a seguir. mas sua expressão. tre estes e o professor. princípios importantes em avaliação mediadora: diversificá- • mediar as experiências educativas. Esses desafios possibilitam a aquisição de competên- cias necessárias aos professores/profissionais reflexivos. Como mediar o desejo e a necessidade de aprender? Atividades diversificadas ou diferenciadas? O trabalho do professor consiste em: Diversificar experiências educativas representa alguns • mediar o desejo e a necessidade de aprender. Nesse sentido.94). postos básicos da ação docente: Mediar a mobilização significa suscitar o envolvimento • Aprender sobre o aprender. sendo o desempenho do vidade de aprender? aluno considerado como provisório. Os processos de educação e de avaliação exigem do • Posturas afetivas. minimizam a pres- professor a postura investigativa durante todo o percur. criando pergun. nos processos simultâne. os de busca informações. notas ou conceitos não podem ser con- As estratégias de aprendizagem sideradas definitivas. de expressão. mesmo que as • Mediar o desenvolvimento de aprendizagens coletivas e respostas não sejam ainda corretas. de atendimento individual. pretações sobre suas estratégias. • Reconhecer que o processo de conhecimento é qualita- tas mobilizadoras. interpretação que o professor faz das expressões do aluno • A estratégia utilizada pelo aluno. conjunto de aprendizagem ocorra. refletir sobre seus procedimen- tos de aprendizagem. continuidade da ação pedagógica. sem desres- o aluno em ação-reflexão-ação. ao fazer algo. termos dos recursos didáticos e termos da ex- vidades diversificadas e diferenciadas. de forma individual. inseguranças. Significa oferecer aos aprendizes experiências Tarefas gradativas e articuladas necessárias e complementares (diversificadas no tempo). ser intuída pelo professor e ajudá-lo ou confundi-lo. ao mesmo tempo em que • Nem sempre o que o professor diz ao estudante é en. rigorosa para alunos e professores porque suscita a perma- em parcerias. daí a necessidade do diálogo. pre incompletas. pressão do conhecimento. o que significa para promover confronto de ideias entre aprendizes e en. a avaliação mediadora é mais exigente e com diversos graus de dificuldades. Mediando a expressão do conhecimento bre si próprio enquanto aprendiz (p. nessas intervenções. pressa claramente. escreve ou faz não é seu pensa- ticos e de diversas formas de expressão do conhecimento. em grandes grupos nente análise do pensamento em construção. e bém refletir sobre as condições oferecidas para que tal no próprio professor. vando a refletirem sobre seus entendimentos no diálogo educativo. muitas tarefas individuais e análise imediata do professor. A tendido como ele gostaria. experiências interativas e oportunidades tivamente diferente. diferentes graus de compreensão. uma vez que “são dúvidas” . são exercida pelo questionamento do professor. ao longo do período letivo. do aluno no processo de aprendizagem. sem subestimar. indefinições. definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor. que também evolui e se apri- por meio de diferentes linguagens. e os possí. interagir com os outros. por meio de diversos recursos didá. de expressão do pensamento individual.60 FEVEREIRO/2010 .

.. definirão a dimensão do diálogo entre que registros classificatórios sejam superados em favor de alunos e professor. desde sua concep- vem ser considerados como positivos na busca de ção. em termos do planeja. ou vale para do aluno. expressos por tégias de intervenção. as na medida em que contribuem para entender a evolução estratégias que utiliza e sua interação com os outros. registrando e or. nhar o seu processo de aprendizagem .Se estivermos contando uma história. O significado dos registros enchimento de lacunas. trução está atrelado às concepções sobre a finalidade ças e indefinições.tarefas avaliativas. organização no pa- avaliação mediadora pel. A prática classificatória assumiu “status” de precisão. todo o processo de aprendizagem. possibilitando ao edu- cando refletir sobre sua apropria aprendizagem. definição de sua finalidade. está sempre sujeita a ambiguidade. portfólios. se todas as situações. a partir Critérios de correção de tarefas de ações do cotidiano. dizagem. fazendo de consciência do aluno sobre limites e possibilidades anotações e outros apontamentos. nem de serem realizados a seguir. itens de resposta.Registros em aspectos formais: número de páginas. em avaliação.. são plane- mos agir como historiadores.. registros que assumam o caráter de experiências em cons- O principio fundamental da expressão do conhecimen. Tarefas avaliativas. questões com. confiantes em sua perspectiva ética e humanizadora. etc. numa visão mediadora. to: o que ouvimos. jadas tendo como referencia principal a sua finalidade. Ora é o aluno que é levado a fazer os próprios conhecimentos construídos e procedimentos de apren. para não clareza de intenções do professor sobre o uso que fará dos cairmos no erro do esquecimento. por seus Capítulo 5 . mas de elaboração. a reflexão em ação e a reflexão sobre a ação sobre a interpretação que será dada as expressões dos (trocando ideias com outros colegas). registros. . planejamento de estra- sintonia.FEVEREIRO/2010 61 Na perspectiva mediadora. que também evolui. Nº28 . binadas. seus resultados. em termos de procedimento. para sua clareza da tarefa para o aluno e a reflexão do professor superação. toda avaliação. de tal forma mento e análise. sendo necessário. mas a sua expressão. serve como regra geral. expressando o seu conhecimento em tarefas.. favorecera tomada professor quem registra o que observou do aluno. precisa. Esses instrumentos tornam-se mediadores em termos de postura reflexiva sobre o que aprende. trabalhos e outros instrumentos. ao próprio aluno e a suas famílias uma visão evolutiva mentos formais. a ganizando dados da nossa memória. desde um junto de aprendizagem do aluno que permitam ao profes- simples comentário do professor até o uso de instru. etc. muito mais do que embasados em nor- Os registros em avaliação mediadora envolvem des. itens de múltipla escolha. trução. • para o aluno: oportunidade de reorganização e expres. Instrumentos de avaliação são registros de diferentes são de conhecimentos x elemento de reflexão sobre os naturezas. O processo de avaliação precisa ser coerente com Os limites no diálogo entre professores e alunos de. ordem atitudinal. de todos os alunos. alunos em termos de encaminhamentos pedagógicos a Os registros não necessitam ser genéricos. Uma postura reflexiva do aluno e do professor As tarefas avaliativas operam funções de reflexão que Instrumentos a serviço das metodologias possibilitam: Quando a autora se refere a instrumentos de avalia- • para o professor: elemento de reflexão sobre os conhe. nem devem ser centrados em cumpri- A organização de dossiês dos alunos. A interpretação dos sentidos. originando significativas práticas de autoavaliação. mento de tarefas quantitativos ou organização de cader- tórios de avaliação envolve meios de registro de um con. escolha de afirmações verda. normas de redação técnica. de acordo com suas necessidades e possibilidades. trabalhos e todas as for- cimentos expressos pelos alunos x elemento de reflexão mas de expressão do aluno que me permitam acompa- sobre o sentido da sua ação pedagógica. à aprendizagem do aluno. pois o que verdadeiramente importa é a objetividade e cientificidade. tais como: provas (objetivas e dissertativas) exercícios. no processo de conhecimento. Critérios de avaliação podem. de educação. Respeito às diferentes formas de expressão Os registros escolares precisam refletir com clareza os Os instrumentos de avaliação. tem por finalidade a evolução do aluno do processo. ora é o Mediar a aprendizagem significa. está falando sobre testes. rela. do aluno e apontar ao professor novos rumos para sua Isso só ocorre mediante a postura igualmente reflexiva intervenção pedagógica sempre o mais favorável possível do educador. princípios de avaliação mediadora delineados. sor. compreensão do processo de cons- ambos. vemos ou lemos não é o pensamento Nada. testes. desenhos. ção. . serem entendidos por orientações didáticas de execução de uma tarefa. para os professores deiras ou falsas. as quais determinam as estratégias metodológicas de ensino. pre. de o uso de instrumentos comumente utilizados. nos e materiais. aprimora e precisa ser trabalhada. inseguran.

ou seja. deve possibilitar a sua inserção construção da sua autonomia intelectual. segundo uma progressão praticantes da cultura escrita. o que nos leva a enfrentar e tentar buscar cami. ocorre por meio de aproximações do dizado da leitura e da escrita. o Possível e o Necessário te o direito e o poder de avaliar.(p. projetos. sociolinguísticos. para estabelecer relações ensino) e a tendência à conservação (reprodução da or. finalmente. o que é possível fazer para que se duzir e interpretar textos que fazem parte de seu entorno. Em segundo lugar. no meio cultural a qual pertence. 2002. é preciso conhecer as dificuldades que a escola apresenta. patrimônio de certos grupos. possa conciliar as necessidades inerentes à instituição es- Torna-se. construindo os conhecimen- colar entre a tendência à mudança (democratização do tos necessários para isso. ‘ao diminuir a pres- rais. que não são passíveis de se submeterem a uma progra. “É assim que se torna possível evitar a justaposi- mação sequencial. o que facilita ou quais são Para tornar real o que compreendemos ser necessário. não contribui para a vinculado à vida do sujeito. a de preservar a ordem preestabelecida. para consoli- dem social estabelecida). e consequentemente. educativas que estão acessíveis graças aos estudos mento. o são do controle. a aprendizagem. que. tóricos. deve fazer sentido e estar balho escrito.. nificado aos conteúdos aprendidos. E. atender as necessidades de for- ensino tomando por base as práticas sociais de leitura e mar leitores e escritores competentes ao exercício pleno escrita. antropológicos e his- tos que é legítimo exercer e responsabilidades que é ne. entre diferentes situações e saberes. da cidadania? nos se apropriem dele ‘como práticas vivas e vitais. aprende a ser leitora e escritora. torna-se-se possível avaliar aprendiza- que o distancia da função social que pressupõe ler para se gens que antes não ocorriam [.. culação dos saberes sociais e os escolares. Por outro lado. Diante desses fatos. para conhecer outras possibili. para que então seja possível falar de suas pos.. que esta é necessária. a própria natureza da aprendizagem da leitura e da escrita ta de transformações profundas no que concerne ao apren. favorece aprendizado da leitura e da escrita que se constituem em a autonomia. a própria especificidade do trabalho com projetos estimula a aprendizagem. mais que de as crianças têm oportunidade de ter acesso a um outros. ao mesmo tempo. PORTO ALEGRE: ARTMED. pois envolve toda a classe. os alunos discutem suas opiniões. como vimos. fatores importantíssimos a formação de cidadãos forme um eixo temporal único. já que permitem uma arti- possibilidades. é preciso que se trabalhe com pro- distinguindo as legítimas das que fazem parte de ‘resistên. DÉLIA. tornando-o capaz de pro. Segundo a autora. luções. e evita o construções individuais dos sujeitos agindo sobre o obje. necessário reconceitualizar o objeto de colar e. porque a estruturação do ensino con.]’ porque no trabalho com comunicar com o mundo. ressignificando seu aprendizado para que os alu. as prerrogativas essenciais a esse aprendizado. psicolinguísticos. porque o ato de ensinar a ler e escrever Finalmente. ou seja. problemas desafiantes.. Introdução linear acumulativa e irreversível entra em contradição com Embora seja difícil e demande tempo. ção de atividades sem conexão . já que tem uma abor- to (leitura e escrita) torna a sua escolarização difícil. parcelamento do tempo e do saber. trata-se de práticas so. já dagem multidisciplinar.que abordam as- ciais que historicamente foram. O POSSÍVEL. sibilidades. aqueles que nos mostram como a criança cessário assumir’. é possível repensar a avaliação. jetos como ferramenta capaz de articular os propósitos di- cias sociais’ para que então se possa propor soluções e dáticos com os comunicativos.Nº28 10. sujeito com o objeto. dar o aprendido e reutilizá-lo. então. fissionais da educação os aspectos implícitos nas práticas mitam repensar o mundo e reorganizar o próprio pensa. Além disso. em Em primeiro lugar devem se tornar explícitos aos pro- que ler e escrever sejam instrumentos poderosos que per. provocando coordenações e reorga- vés da compreensão profunda de seus problemas e ne. a necessidade da escola em controlar a aprendizagem da leitura faz com que se privilegie mais o aspecto ortográfico do que os interpretativos do ato de ler. sabendo na escola tem finalidade puramente didática: a de possibi.LERNER. mações que possam auxiliá-los e procuram diferentes so- É difícil também. .62 FEVEREIRO/2010 . “. e em que interpretar e produzir textos sejam direi. a escola necessi. É difícil ainda. mas que não pode prevalecer sobre litar a transmissão de saberes e comportamentos cultu.Ler e Escrever na Escola: O e o sistema de avaliação. pectos também sem conexão com os conteúdos e nuam sendo. Capítulo 1 . que só serão alcançadas atra. não propicia ao aluno a Aprender a ler e escrever na escola deve transcender a oportunidade de autocorreção e reflexão sobre o seu tra- decodificação do código escrito. no qual cabe somente ao docen- Real. O NECESSÁRIO. buscam infor- dades e refletir sobre uma nova perspectiva. LER E ESCREVER NA ESCOLA: O REAL. e de certo modo conti. nizações cognitivas que lhe permite atribuir um novo sig- cessidades. o A tarefa é difícil porque. trabalho suficientemente duradouro para resolver nhos para resolver as tensões existentes na instituição es.23).

so- É possível a mudança na escola? bretudo porque estas exercem influência sobre o aprendi- Ensinar a ler e escrever faz parte do núcleo fundamen. vigente hoje nas instituições as mudanças necessárias -. teve suas hipóteses testadas com o objetivo de Vimos que transformar o ensino vai além da capacitação . comunidade.. dessa área. der também. belecer [. a escola necessita propiciar a formação de pessoas foram produzidos sistematicamente para serem usados no capazes de apreciar a literatura e de mergulhar em seu espaço escolar . Para do de uma realidade desconhecida para a criança.. assegu. abandonando as atividades mecâni. mas de refletir sobre o seu próprio cessário manter uma vigilância epistemológica que pensamento. (p. da leitura e da escrita não deve afastar-se demasi- nação que produz fracasso e abandono na escola. que temos realizado no campo da leitura e da escrita. buscando des- interagem em vez de persistir em formar indiví. fazem com que esta perca a sua identidade. explícita ou impli.a fragmentação do ensino da língua (primei- mundo de significados. Precisa. é condição necessária...dos Se o objetivo da escola é formar cidadãos praticantes quais talvez seja o último refúgio. preparar as aprendeu dentro de um contexto que lhe faça sentido. interpretação é privativo do professor. atravancam a apropriação da leitura e da escrita por todas dade dos outros”.FEVEREIRO/2010 63 Capítulo 2 . Nº28 . pos de texto existentes na sociedade. da.lê-se na escola trechos sem senti- escrita como uma atividade pura e unicamente escolar. É preciso compreen- “O desafio [. para que ele leia e não em suas próprias interpretações: “A nos últimos anos. se ensina e o objeto ou prática social que se pre- ção. palavras.”. formando produtores de escrita conscientes de permite um espaço para que o aluno possa pensar no que sua função e poder social. das exigências de preciso que seja revisto o Contrato Didático. fazendo com que a “Como o objetivo final do ensino é que o aluno escrita deixe de ser apenas um objeto de avaliação e passe possa fazer funcionar o aprendido fora da escola. escolha e exercício de opinião de seus estarem baseadas no avanço do conhecimento científico filhos quando do exercício da leitura e da escrita.27) as crianças que ali estão inseridas. capazes de realizar escolhas e de que ontem. Para que haja uma transformação verdadeira do ensino O que vimos até hoje.que devem levar em con- preciso que esta esteja fundamentada na evolução históri. formando escritores e não meros ro sílabas simples. da capacitação adequada de seus profissionais. sabendo que muito do que sores e de todas as instituições capazes de comunicar à se propõe pode ser encontrado nas ideias de Freinet. Além disso. a escola precisa favorecer a apren.. será ne- pensamentos alheios. ado da versão social não-escolar”. e sem sentido. Para realmente transformar o ensino da leitura e da tende que os alunos aprendam. está nas suas raízes.] é formar seres humanos críticos. dos pesquisadores de didática . que como em outras áreas do conhecimento Ferramentas para transformar o ensino científico. capaz de tornar possível a leitura na escola. acabar com a discrimi. mais de da leitura e da escrita.como os Leitura e da Escrita estudos realizados por Jean Piaget. é que ele ‘saiba’ sobre aquele texto que o professor escolheu a que mais apresenta resistência a mudanças.. constitui a trar-se em perceber ou descobrir o que o professor deseja sua missão alfabetizadora e sua função social. foi a área de que mais sofreu com a ‘cláusula’ referente à interpretação de textos parece esta- invasão de inovações baseadas apenas em modismos. é preciso co- citamente. zado da leitura e da escrita.. Hoje. e particularmente aos pais.. é preciso. principalmente toda uma sociedade para a qual a educação é o no âmbito da leitura e da escrita.. ções implícitas estabelecidas entre professor e aluno. é responsabilidade dos orga- de ensino.] que o direito de decidir sobre a validade da “. da importância Decroly e outros pensadores e educadores. frases. o que significa que tem a análise. capaz não apenas de reproduzir em situações que já não serão didáticas. por meio dos trabalhos e pesquisas da leitura e da escrita. para que seja possível uma mudança obtidos bem como os elementos que podem contribuir para profunda da prática didática. já que isso. que levam o aluno a compreender a cial da leitura e da escrita . (p. e essa revisão é encargo ultimo portador de ilusões”. já que esta sição própria frente à mantida. é nismos que regem a educação . ainda.35) rando a todos o direito de ‘se apropriar da leitura e da O “Contrato Didático” escrita como ferramentas essenciais de progresso O Contrato Didático aqui é considerado como as rela- cognoscitivo e de crescimento pessoal’. já que o aluno deve concen- tal da instituição escolar. Dewey. existe um abismo que separa a prática escolar da prática so- cas. a ser um objeto de ensino. O sistema de ensino continua sendo o terre. portanto. no privilegiado de todos os voluntarismos . A versão escolar escrita na escola. é expectativas. pelos autores dos textos com os quais nhecer o cotidiano escolar em sua essência. que essas mudanças não dependem apenas capazes de ler entrelinhas e de assumir uma po. ta esses resultados -. é que dizagem significativa. também. enfim.) não copistas. dos fantasmas. mas não suficiente. é encargo dos formadores de profes- ca do pensamento pedagógico.. depois complexas.Para Transformar o Ensino da desvendar a gênese do conhecimento humano . cobrir os mecanismos ou fenômenos que permitem ou duos dependentes da letra do texto e da autori. e ain- crianças para a interpretação e produção dos diversos ti. deve suportar o peso de todas as opinar sobre o que leem e veem em seu entorno social. promovendo a descoberta da escrita garanta uma semelhança fundamental entre o que como instrumento de criação e não apenas de reprodu.divulgando os resultados Sendo assim.

em sociedade. parece. que dentre outros aspectos.. pressupõe uma hierarquização. culados na sociedade. privilegiavam-se leituras intensas e profundas de poucos e. servirão Com o avanço das ciências e o aumento da diversida- para levar o(a) professor(a) a perceber que a diversidade cul. não poderia estar fora da escola e. se o propósito que forem conhecidos e compreendidos os estudos cientí. aqueles que são essenciais à edu. No que concerne a leitura e escrita. o que supõe enfatizar as funções da lei- que o aprendizado da leitura e da escrita. sustentadas por bibliografias capazes de dar conta esses materiais deixem de ser privilégio de alguns. e se está tanto mais se- compreenda a alfabetização como um processo de de. é ou conversas entre pequenos grupos de pessoas ou comu- preciso que se criem espaços de discussão e troca de experi. não pode ser desprovido de significado. e de prioridade absoluta. ser um pra- tonomamente. implícitos ou explíci- ção ensino-aprendizagem para que se possa conceber o tos. passa pela sua revalorização pessoal e particularidade. ências e informações. e que nos levaram a descobrir a alunos como cidadãos da cultura escrita. As escolhas de conteúdos devem ter como fundamen- Essa compreensão só será alcançada na medida em to os propósitos educativos. ainda. e que contam com a participa. e que. capacitem o professor a seguir au. requer uma mudança de concepção da rela.objeto de ensino .64 FEVEREIRO/2010 . mostraram que. “Prescrever é possível quando se está certo da- cação e lhe conferem significado. Didaticamente. é preciso que os alunos capacitação dos professores em serviço apresenta me. então o objeto importância da atividade mental construtiva do sujeito no de ensino a ser selecionado deve ter como referência fun- processo de construção de sua aprendizagem. apenas a professores ou profissionais ligados à educação. levando-os a perceber as vanta. damental as práticas sociais de leitura e escrita utilizadas ressignificando o papel da escola. essenciais para que o sujeito possa. que devem se estender du. passan- das interrogações a respeito da prática que forem sur. tenham contato com todos os tipos de texto que são vei- lhores resultados quando é realizada por meio de ofici. res como leitores e produtores de texto. seja considerada a sua tinguem a ‘linguagem que se escreve’ e a diferen- .(p. Requer. escrevendo). sário selecionar os conteúdos que serão ensinados. certos gêneros. práticas de leitura significativas que propiciem reflexões ção dos coordenadores também em sala de aula. objetivando conscientizá-los da sua ou preponderantes. embora demandem tempo. de se apropriar dos traços distintivos[. ou seja. e que sivas ou extensivas (leitura de vários textos com menor sendo assim. enfatizando sua necessidade. sobretudo. o que se dá por meio do conhecimento profissional. pontos de vista. sem que seja necessário o acompanha. gens das estratégias didáticas baseadas nesses estudos. É imperativo estabelecimento de objetivos por ciclos que abrangem os que a elaboração de documentos curriculares esteja forte- conhecimentos . segui- bém é objeto da ciência. isto significa gindo durante os encontros. mas a toda sociedade. os pensadores clássicos. ao exercer comporta- mentos de leitor e de escritor.de forma interdisciplinar. sempre estiveram inseridas nas re- educacional consistir em preparar nossos alunos para a vida lações com as outras pessoas. como por exemplo. portanto. "capazes de aprofundar O aspecto mais importante que podemos tirar acerca e atualizar seus saberes de forma permanente".Nº28 dos professores. já que será neces- visando diminuir a pressão do tempo didático e da frag.nas sociedades mais abastadas - tural não acontece apenas em sua sala de aula. nidades. educativo do ensino da leitura e da escrita é o de formar os ficos realizados na área. de suas necessidades e obstáculos. “.] de É importante que. leitura e escrita. são que. o que mentação do conhecimento. ticante da leitura e da escrita. do a ser patrimônio de todos. Os estudos em torno das práticas de leitura existentes. as pessoas a ler e escrever. ponto de vista didático”.. no decorrer da história da humanidade validade e importância. que se quilo que se prescreve. ou apartes indicando a leitura de algum nos essencial ter corno prioritária a formação dos professo. os alunos têm tam- Capítulo 3 – Apontamentos a partir bém a oportunidade de entrar no mundo dos tex- da Perspectiva Curricular tos. já que privilegiará alguns Requer que não se percam de vista os objetivos gerais em detrimento de outros. Colocando em desta.. portanto. discutindo hipóteses. a longo prazo. de ir detectando matizes que dis- tica para uma instituição de ensino. guro quanto mais investigada está a questão do senvolvimento da leitura e da escrita. no futuro. que eles tenham acesso a eles. mente amparada na pesquisa didática. título ou autor. que profundidade). ideias. que ela faz as práticas de leitura passaram a se alternar entre inten- parte da realidade social na qual estamos inseridos. pela comunidade. favorecendo seu ingresso na tados pelos estudos psicogenéticos e psicolinguísticos.É preciso assinalar que. em determinados momentos históricos. ao propor uma transformação didá. mento em sala de aula. mas individuais e grupais que. não escola como objeto de ensino. dos estudos históricos é que aprende-se a ler. se tomarmos como exemplo a leitura da Bíblia. conscientizando-os de que educação tam. de literária disponível . dos de profundas reflexões realizadas por meio de debates Voltando à capacitação. mas sempre mantendo um fator comum: esta diversidade tem muito a contribuir se o nosso objetivo elas. que os alunos precisam se apropriar destes textos pelas rante todo o ano letivo. 55). lendo (ou a Nossa experiência nos levou a considerar que a escrever. consideramos tura e da escrita nas diversas situações e razões que levam fundamental que sejam divulgados os resultados apresen.. que caberá a proposta suprir ou superar. ainda. que nas. textos.

como diria Piaget 1. basta ensinar-lhes o que julgarem pertinente. é assim que as práticas de leitura e escrita. o que possibilita a reto- uma mudança nessas crenças. dagar a realidade para compreendê-la melhor. se distanciar do texto e assumir uma postura crí. Estas últimas mostraram que a estrutura intelectual das crianças é diferente da dos adultos (heterogeneidade estrutural). como a leitura de sino que na escola deverá se transformar em um objeto de um texto que tenha relevância pontual ou fazer parte de situ- aprendizagem. um significado. a escola os trata como se sua estrutura intelectual fosse a mesma que a dos adultos e seu funcionamento intelectual fosse diferente.de inseri- que haja preocupação com o sentido ou significado que las no mundo de leitores e escritores... que mada dos próprios conteúdos em outras situações e. tos que não foram escritos exclusivamente para elas e que são da escola. inclusive de tex- Ensinar a ler e escrever foi. por- tudo. do trabalho. gressivamente. portanto. o que.[ res a serem visitados. a principal mis. por envolver grupos de b) Curso de capacitação para as crianças.(p. e.. mas o funcionamento de umas e outras é essencialmente o mesmo (homogeneidade funcional).FEVEREIRO/2010 65 ciam da oralidade coloquial. o trabalho com projetos. etapas do projeto. que em todos elas observam-se os esforços por produzir na O trabalho com projetos de leitura e escrita cujos te. tica frente ao que se diz e ao que se quer dizer. é h) Redação coletiva do trabalho final. ain- sejam considerados os resultados dos trabalhos científicos da. pro.de que a maneira como desses projetos.”. no entanto. como ‘a hora objetos (físicos e sociais). é j) Avaliação dos resultados. um objeto de en. É in. 64). permite o estabelecimento de um novo contrato di- 1 Piaget afirmou que a modalidade adotada pelo ensino parece estar fundada numa consideração das semelhanças e diferenças entre as crianças e os adultos enquanto sujeitos cognitivos que é exatamente oposta à que se percebe pelas investigações psicogenéticas. mas são dirigidos à realização de algum propósito social “É assim que a organização baseada em proje- vem apresentando resultados positivos. Todas essas atividades contribuem com o objetivo pri- as experiências prévias do sujeito e que. ainda. A tendência de supor que existe uma única interpreta. (Nota da autora). e ainda é. i) Apresentação do projeto à comunidade interessada. xão metalinguística”. lar para resolver os diversos problemas que se c) Pesquisa e seleção do material a ser utilizado e/ou luga- apresentam ao produzir ou interpretar textos [. ações de sistematização: passar a limpo uma reflexão sobre priação só será possível se houver sentido e significado para uma leitura realizada durante uma atividade habitual ou pon- o sujeito que aprende. A crença . como o de curiosidades científicas e atividades indepen- Sabendo que a leitura é. sendo a partir dessa ação que ela do conto’ semanal ou momentos de leitura de outros gêne- (a criança) lhe atribuirá um valor e um significado. tos permite coordenar os propósitos do docente tos visam atender alguma necessidade da comunidade em com os dos alunos e contribui tanto para preser- questão e são estruturados da seguinte forma: var o sentido social da leitura como para dotá-la a) Proposta do projeto às crianças e discussão do plano de um sentido pessoal para as crianças”. ‘aprender’.] materiais a serem utilizados quando da realização das recursos linguísticos aos quais é necessário ape. e) Participação dos pais e da comunidade. d) Divisão das tarefas em pequenos grupos. facilita o controle da aprendizagem. sem que atende também aos propósitos do docente .87).. não são mordial de ‘criar condições que favoreçam a formação de suscetíveis a uma única interpretação ou significado e que o leitores autônomos e críticos e de produtores de textos ade- caminho para a manutenção desse sentido na escola está quados à situação comunicativa que os torna necessário’ já em não dissociar o objeto de ensino de sua função social. como acontece na vida real. troca de ideias e a verificação de diferentes pontos de vista. ainda. durante a realização 2. conteúdos. (p. é preciso. (p. escola as condições sociais da leitura e da escrita. Os temas propos. já que essa que propiciam o rompimento com a organização linear dos concepção permite uma padronização do ensino. ao ignorar o processo construtivo dos alunos e supor que podem dedicar-se a atividades desprovidas de sentido. é importante não perder de vista que sua apro. em torno de como ocorre o processo de aprendizagem nas Acontecem concomitantemente e em articulação com a crianças: que ele se dá através da ação da criança sobre os realização dos projetos..73). visando trabalho e abrir espaço para discussão e troca de opini- prepará-las para a busca e consulta autônoma dos ões. pelo professor). a análise destes a partir de um referencial diferente. g) Elaboração escrita dos resultados encontrados pelos gru- Capítulo 4 . atividades habituais. já que costumam trabalhar com os temas sele- Para que seja possível ler na escola. . ção possível a cada texto. tanto. A discussão co- para que a escola não obtenha sucesso: letiva das informações que vão sendo coletadas propicia a 1.É possível ler na escola? pos (que passará pela revisão de outro grupo e depois “Ler é entrar em outros mundos possíveis. no entanto. Ainda. se transformam em fonte de refle. ça a extrair informações de diversas fontes. f) Discussão dos resultados encontrados pelos grupos. é necessário que ocorra cionados de forma interdisciplinar. antes de tudo. dois fatores parecem contribuir apresentam um grau maior de dificuldade. A leitura assume um propósito. uma administração mais flexível do tempo. como já vimos.. tirar carta de cidadania no mundo da cultura Nesses projetos tem-se a oportunidade de levar a crian- escrita. ros. Os projetos permi- tais conteúdos tem para as crianças. de pôr em ação [. além de tem. as crianças não leem e escrevem só para as crianças aprendem difere da dos adultos e que. dentes que podem ter caráter ocasional. que esse sentido varia de acordo com tual. por. Nº28 .

os registros das ‘situ- este fim e. é elaborado contribui para a formação de leitores autônomos. O professor: um ator no papel de leitor A atividade na aula como objeto de análise É muito importante que o professor assuma o papel de O registro de classe apresenta-se como principal ins- leitor dentro da sala de aula. cabe-lhe propor deve fazer. perante o grupo. tão. porque percebe- impressões a respeito do lido. vem a ser considerados outros aspectos que ainda não portanto. mas de conse. buscando conhecer a sua realidade e as suas principal que são os propósitos referentes à aprendizagem. dos professores que trabalham com crianças. como modalidade de trabalho torna ainda mais importante o papel qualquer outro objeto de conhecimento. é preciso estar em sala ção escolar. vés da interação do sujeito com o objeto. transformando a escola gem desse objeto por parte das crianças”. sente também em nossas oficinas de capacitação.. Assumir o objetivando um aprofundamento do conhecimento didáti- papel de leitor consiste em ler para os alunos sem a pre. tervenções didáticas que adquire sentido para os lhem o propósito essencial do ensino e da aprendizagem. porque os alunos e o objeto de ensino.em suma. quando enfatizamos ‘situações boas´ nos dos textos. já é motivador. 105). pais e professores.O Papel do Conhecimento rem a prática pedagógica e os que exercitam essa prática Didático na Formação do Professor no dia-a-dia: as crenças que os sustentam e os mecanis- “O saber didático é construído para resolver pro. ou a outras interpre. trumento de análise do que ocorre em sala de aula. mos que utilizam. o que por si só. mos.”. 116). processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita na to. reflexão conjunta a respeito das situações didáticas guir com que eles vivenciem o prazer da leitura. que a ênfase nas ‘situações bate sobre o texto . . ele se encontra. É importante ressaltar que essa É importante considerar que o saber didático.Nº28 dático.. ência de seguir a trama criada pelo autor exatamente para Optamos por utilizar. abrindo espaço para o de. mas não criavam um clima de incerteza. a análise de registros de classe opera como As propostas de trabalho e as reflexões aqui apresenta. ao terminar. por enfatizar o que não se suficiente. más’ distanciava capacitadores e educadores. um novo olhar sobre a avaliação. e que envolvem os professores numa stuação de tra. mas didáticos que por ventura eles possam estar vivendo. quanto mais conhecerem como se dá o blemas próprios da comunicação do conhecimen. (p. é construído atra- das intervenções do professor . requeridas para o ensino da leitura e escrita. oportunidade de participar de atos de leitura. Assumir o papel de leitor é fator necessário. que o professor comente as suas ações boas’ ocorridas em sala de aula. Palavras Finais Quanto mais os profissionais capacitadores conhece- Capítulo 5 . elas apresentam erros educacional. reconsiderando as formas de partir da análise dos problemas.ponto de partida de uma nova reflexão entre os docentes a respeito das ferramentas de reflexão .66 FEVEREIRO/2010 . porque é um recurso insubstituível para a comu- cola. En- portante que a necessidade de controle. sem apresentar direções do que poderia ser fei- estratégias de leitura que aproximem cada vez mais os alu. 101). para apropriar-se desse saber. a experi. o que gem de cada conteúdo específico. de construção do conhecimento. inerente à institui. e para além. coluna vertebral no processo de capacitação. é o resultado do estudo sistemático das escola. já que as situações nele apresentadas permitem uma ocupação de interrogá-los sobre o lido. Em suma. é produto da aná- admite novas formas de controle sobre a aprendizagem. estamos mostrando o que é possível realizar em sala de aula. as conclusões to das situações didáticas”. uma vez através da investigação rigorosa do funcionamen- que estes devem justificar. em sua prática docente. desde que se promova uma mudança qualitativa na nicação do conhecimento didático e porque é a gestão do tempo didático. é im.sendo vistos como parte integrante do processo análise que podem contribuir para a resolução dos proble. cabe ao professor ainda mais. A Instituição e o sentido da leitura É importante destacar que as ‘situações boas’ não se Quando os projetos de leitura atingem toda a instituição constituem em situações perfeitas. enriquecem a prática docente. especificidades. por meio da experiência. mais estarão em condições de ajudar o professor interações que se produzem entre o professor.. pois são considerados como importantes instrumentos de balho conjunta que tem um novo valor: o de possibilitar uma análise da prática didática . pais. propostas e in- avaliação. lise das relações entre o ensino e a aprendiza- nas quais todos os sujeitos envolvidos tomam parte. to. ou seja.seus personagens. em uma ‘microsociedade de leitores e escritores em que participem crianças. objeto de ensino e de processos de aprendiza- tido e finalidade social imediata. ou opiniões que defendem. não sufoque ou descaracterize a sua missão de aula. dentro da sala de aula. e não é exclusividade tenham sido levantados pelo grupo. Esses Com esta atitude ele estará propiciando à criança a registros podem ser utilizados durante a capacitação. “. das mostram que é possível sim! Ler e escrever na es. (p. não deixando que estas interfiram ou atrapa. cria-se um clima leitor que atinge também os que. suas atitudes.fazendo perguntas que le.. co. (p. ao serem analisados. . docentes se aprofundarem no conhecimento do Desde que se elaborem projetos onde a leitura tenha sen. ele está pre- tações possíveis do assunto em questão. a princípio.

as semelhanças e diferenças melhora sua compreen- responsável por apenas 10% na variação do desempenho dele. 3. A partir do Esta categoria é considerada o centro da aprendizagem início da década de 1970. tremamente eficazes: Porém. PORTO ALEGRE: ARTMED. Até cerca de 30 anos atrás. Segundo. escola não o tenha. foram analisados estudos de pesquisa selecionados sobre estratégias de ensino. a. Identificar semelhanças e diferenças não era estudado de uma maneira científica. encontramo-nos em um ponto especial Nesta obra serão apresentadas as nove categorias de no tempo. porque os dados Definição: identificação de semelhanças e diferen- concentravam-se nas porcentagens das diferenças. publicado em 1966. 2008. rosa.Representar as semelhanças e diferenças. ção na qualidade do ensino de um professor para outro. melhorando a eficácia dos professores do que qualquer outra coisa. que A primeira vez em que se chegou a essa conclusão foi na estabelecem as regras de como e o que vai ser compara- década de 1970. mesmo que a ele estabelece aos alunos o que e como deve ser feito. PICKERING. A década anterior foi marcada I . Coleman e Jencks apon. surgiram pesquisas visando o ensi. Primeiro. O estudo concluiu: 1. Professores eficazes parecem ser eficazes com alunos de todos os níveis de desempenho. 4. POLLOCK. em oposi.FEVEREIRO/2010 67 11. Também pode ser dirigida pelos próprios alunos. porque os dados mostraram que o professor individualmente Essa atividade pode ser dirigida pelo professor. Não porque começaram uma nova década. educadores. pela qual pode ter um efeito poderoso em seus alunos. uma ampla variação na eficácia dos professores. com base em parâmetros previamente definidos. nominada Relatório Coleman. ENSINO QUE FUNCIONA: ESTRATÉGIAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS PARA MELHORAR O DESEMPENHO DOS ALUNOS. de forma ção a uma pior vai alterar apenas em 10% para melhor no gráfica ou simbólica. entendimento e sua habilidade para usar o conhecimento. o ensino 1. vendo os dados anos depois de seus apontamentos. melhora o entendimento dos alunos desempenho do aluno. que . mais coisas podem ser feitas para modificar a educação. 2. em sala de aula. Isso não quer dizer que não havia estratégias de ensino eficientes. MARZANO. Esta afirmação foi fruto de uma pesquisa de. são sobre estas e sua habilidade para usar o conhecimento. III ..Apresentar aos alunos uma orientação explícita. O Relatório aponta que ir para uma escola melhor. destacando IV .. pesquisador de Harvard. nas notas dos testes deve-se a fatores lhanças e diferenças é uma atividade extremamente vigo- que estão fora da alçada das escolas”. ças entre coisas e ideias. e pode ser destacada em quatro generalizações: no na aprendizagem do aluno. Essa pesquisa foi corroborada pelo e sua capacidade para usar o conhecimento. APLICANDO A PESQUISA AO ENSINO: poderiam ser usadas por professores. DEBRA J. a identificação das semelhanças e diferenças. de forma indepen- se concluiu que a qualidade do ensino que um aluno recebe é dente.Pedir aos alunos para identificarem. JANE E. da É HORA DE UTILIZAR ESSA IDEIA educação infantil ao ensino médio. para pela crença de que a escola faz pouca diferença no desempe. Diz o pesquisador: “A maior ser realizada de várias maneiras. há muita varia.. Nós. Quatro diferentes “formas” dessa atividade são ex- tavam dados sombrios sobre os educadores e a educação. um estratégias de ensino. o fator mais importante que afeta a aprendizagem do aluno é o professor. A identificação de seme- parte das diferenças. Para ilustrar essas atividades se faz o uso de dois grá- Thomas Good (1986) comentaram: “Foi contestado o mito ficos de fácil visualização: de que os professores não fazem diferença na aprendizagem O Diagrama de Venn do aluno”. em que II . mas porque a arte do ensino está rapidamente se tornando a “ciência” do ensino. Em uma mesma escola. ROBERT J. novo século ou um novo milênio. objeto desse livro. Comparação chega-se a dois dados otimistas. Para preparar este livro. William Sanders e seus cola- boradores (1994) declararam que o professor tem efeito maior do que anteriormente se pensava no desempenho do aluno. ESTRATÉGIAS BASEADAS NA PESQUISA no relativamente novo. Nº28 . melhora o seu nho dos alunos. Mais recentemente. quando os pesquisadores Jere Brophy e do. Christopher Jencks (1972). fenôme..A identificação das semelhanças e diferenças pode que a escola faz pouca diferença.

II. que envolvem metáforas devem sempre lidar com o relaci- lhantes tendo como base suas características. o dodô era um pombo gigante da família Raphidae. 1758]. A coisa não existe mais. Classificação e rosa parecem relacionados. IV. Algo que vive em um ambiente específico. Essa coisa mudou com o tempo devido a mudanças no seu ambiente que o limitou de alguma maneira. em seguida. eles têm. cujo nome científico é Raphus cucullatus [Linnaeus. mas que tem o mesmo padrão geral. a extinção do pássaro Dodô. Como tinha .68 FEVEREIRO/2010 . Exemplo: em ciências. Esse pássaro simpático e gorducho desapareceu no século 17 com a chegada dos colonizadores ao seu hábitat. As estratégias de ensino Definição: agrupamento de coisas que são seme. Aparentemente o amor e uma rosa não têm um relacionamento óbvio. É apenas no nível abstrato que amor b. de desco- berta de um outro tópico que parece ser bastante di- ferente daquele. III. II. Os desenhos abaixo são de artista desconhecido.Nº28 c. no oceano Índico. Devido às suas limitações. O fundamental para construir metáforas é entender que os dois itens da metáfora estão conectados por um relaci- onamento abstrato ou não-literal. am- bos mostram o dodô. onamento abstrato entre os elementos. não conseguiu mudar para outro lugar. Outra influência surgiu e pôs fim ao que ele precisa- va para sobreviver e destruiu o local onde ele costumava viver. Pouco maior que um peru e pesando cerca de 23 quilos. Exemplo: “o amor é uma rosa” é uma metáfora. Metáforas dirigidas pelo professor são aquelas em que o professor proporciona o primeiro elemento da metáfora e do relacionamento abstrato. a ilha Maurício. a 1 900 quilômetros da costa africana. no entanto. Criação de metáforas Definição: identificação de um padrão geral ou bá- sico de um tema específico e. Em um nível abstrato.

Em síntese: 1) eliminar coisas. A luz é o ingrediente mais essencial na foto- grafia.“quente está para frio assim como . outras. Mas a ação mais cruel foi a dos holandeses.eliminar material redundante. Tipicamente as ana. os alunos precisam analisar as informações menos de 100 anos depois da chegada dos holan- profundamente. tudo o que resta do animal são esquele- Exercício de resumo: tos em museus na Europa. eles mudam de alguma maneira quando expostos à luz. quente:frio::noite. as plantas que fecham suas flores à noite são um exemplo. nos Estados Unidos e tam- bém em Maurício. afir- ma o biólogo Manuel Martins. Quase todas as formas de fotografia são baseadas no fato de que alguns produtos químicos são fotossensíveis – ou seja. identificar relações entre A estratégia do resumo deve seguir algumas regras: os relacionamentos. Os filmes usados foi relacionar uma célula à nave Enterprise (de Jornada na fotografia dependem de um número limitado de compostos químicos que escurecem quando expostos à luz. o dodô foi declarado oficialmente ex- plícita da informação ajuda no resumo da informação.dodô como seu prato preferido. e estar conscientes de que a estrutura ex- deses à ilha. . “flores” por rosas ou tulipas. As analogias nos ajudam a ver como as coisas aparen.eliminar o material trivial desnecessário ao entendimento. Primeiro foram os portugueses. ou seja. Nem pre- cisava.selecionar uma sentença principal. Os táfora e eles são solicitados a identificar o segundo ele. até mesmo a pauladas”. Os materiais fotossensíveis são abundantes na natureza. caso noite está para dia”. Os compostos nas Estrelas) mais usados hoje em dia são a prata e substâncias químicas chamadas halógenos (em geral bromo. Hoje. A http://mundoestranho. . gatos e ratos tra... Nº28 .abril. substituir algumas e manter escondidos nos recantos do lugar. 2) substituir coisas tança. a espécie foi sumindo aos poucos. O exemplo que fecham suas flores à noite são exemplos. porque a ilha não tinha nenhum mamífero predador”. diz Manuel. Resumir e fazer anotações lhares. Quase todas as formas de fotografia são baseadas no Metáforas dirigidas pelos próprios alunos são aquelas fato de que alguns produtos químicos são fotossensíveis – ou pelas quais lhes é apresentado um elemento de uma me. ou inventar uma.FEVEREIRO/2010 69 asas curtas e frágeis.. Ex. nar algumas informações. “A ave era muito mansa e inofensiva.com. pares de conceitos. tinto. as plantas mento e descrever o relacionamento abstrato. Com a pouca alimentação nos navios. Com toda a ma.. não conseguia voar. Por exemplo: definidos. seja. Para isso. eles mudam de alguma maneira quando expostos à luz.br/ambiente/ O processo fotográfico pergunta_286436. e 3) manter coisas. A luz é o ingrediente mais essencial na fotografia. Os filmes usados na fotografia dependem de um número limitado de compostos químicos que escurecem quando expostos à luz.e saboroso .substituir termos mais abrangentes para termos mais logias assumem a forma A:B::C:D. animais como cães. Em 1681. da Universidade Fe- deral de São Carlos (UFSCar). cloro ou iodo) B Macro estrutura do processo fotográfico A palavra fotografia vem da palavra grega que significa “de- senhar com luz”. que colonizaram o lugar a partir de 1598. A fotografia depende de cristais químicos. Os compos- tos mais usados hoje em dia são a prata e substâncias quími- cas chamadas halógenos (em geral bromo. d. cloro ou iodo) A luz é o ingrediente mais essencial na fotografia. “As aves foram mortas aos mi- 2. A vida boa do bicho durou só até os europeus aportarem em Maurício.shtml A palavra fotografia vem da palavra grega que significa “de- senhar com luz”. . temente diferentes são semelhantes. materiais fotossensíveis são abundantes na natureza. . Criação de analogias A fotografia depende de cristais químicos que escure- Definição: identificação de relacionamento entre cem quando expostos à luz. dia . em 1507. os marinheiros desembarcavam famin- tos e logo elegeram o dócil . Para piorar. Para resumir. os alunos precisam elimi- zidos pelas caravelas atacavam os ovos nos ninhos. não exista no texto. efetivamente.

Nº28 O professor deve mostrar como se faz um resumo para fessor dá aos alunos uma clara noção do que o professor que seus alunos vejam como é feito. inquirição – pergunta sobre um tema geral ou específico e discussão – análise do tema. O resumo apresenta estruturas que são aplicações dire. O ensino recíproco também é uma estratégia interes- sante e disponível para os professores. Não há uma forma definida de fazer anotações. do texto. c) Esclarecimento: dos pontos confusos do texto. a partir dos dias da semana em que o aluno realizou. esforço vai melhorar seu desempenho.Quanto mais anotações são feitas. b) Questionamento: perguntas são feitas pelos alunos para Está subdividida em duas partes: reforçar o esforço e identificar informações importantes no texto. Elementos: Saudação – encontro após algum tempo. evento ini.informação que conduz a uma declaração. Pesquisa sobre esse tema concluiu: . ção importante entre esforço e desempenho. crenças dos alunos. A estrutura narrativa é encontrada na ficção e contém do papel onde está o texto. Elas contêm a evi- dência . sobre fazer anotações. objetivo. solução – uma solução possível. lo de como fazer anotações. Há uma rela- . tamanhos para indicar a importância das ideias e das li- II. proporcionar reconhecimento. 2) esforço.a afirmação de que algo é verdade. partindo do princípio de que o para testes. Daí a necessidade de exemplificar a cren- . Envolve quatro com- ponentes: a) Resumo: após leitura silenciosa. pedir para um aluno 3.Anotar palavra por palavra é a maneira menos eficiente . Contém os seguintes elementos: Termo – o tema a ser definido. Há seis tipos de estruturas de resumo: comum é o esboço informal que é anotado nas margens I.Os alunos podem aprender a mudar suas crenças para . Restrição (R) e Ilustração (I). A estratégia do entrelaçamen- os seguintes elementos: personagens. A mais tas da generalização. A estrutura da definição: o propósito é descrever um conceito particular e identificar conceitos subordina- dos. Con- tém o problema – declaração que algo aconteceu. resposta interna.70 FEVEREIRO/2010 . IV. Conjunto – a categoria a qual o termo perten- ce. A estrutura tema-restrição-ilustração: encontrado em nhas para indicar relacionamentos. e que nho do aluno. 3) outras pessoas e 4) Generalizações que podem ser usadas para orientar sorte. VI. uma terceira solução possível e a solução com maior chance de sucesso. O padrão T-R-I pode ter maior para o menor. isso pode ser medido por meio de uma tabela criada A prática de fazer anotações em sala de aula pelo pro. Reforçar o esforço e proporcionar resumir o que foi lido e os demais podem fazer adições reconhecimento ao resumo e o professor pode indicar sugestões que Esse conjunto de estratégias trata das atitudes e das ajudem na construção de bons resumos. ditar no esforço. A maioria das pessoas atribui alguns fenômenos ao Fazer anotações está intimamente relacionado a resumir.Nem todos os alunos entendem a importância de acre- de fazer anotações.As anotações devem ser usadas como guia de estudo uma ênfase no esforço. A estrutura do problema e da solução: introduzem um problema e depois identificam uma ou mais soluções.As anotações devem ser consideradas trabalho em an. V. Pode-se trabalhar considera importante e proporciona aos alunos um mode- dentro de qualquer área. sucesso: 1) capacidade. apoio – exem- plos e explicações e qualificador – uma restrição à decla- ração ou à evidência para a declaração. ça no esforço. . outra solução possível. damento. Anotações do aluno: entrelaçamento III. A estrutura da argumentação: contém informações destinadas a apoiar uma declaração. to consiste em fazer anotações em círculos de diferentes cial. várias restrições e ilustrações adicionais. . d) Previsão: sobre o que vai acontecer durante a leitura Reforçar o esforço. características gerais e diferenças minúsculas – que estão imediatamente abaixo do termo. a de- claração . A estrutura da conversa: intercâmbio verbal entre duas ou mais pessoas. consequência e resolução. melhor é o desempe. ambiente. As ideias mais impor- material expositivo e contém os seguintes elementos: Tema tantes estão nos círculos maiores e assim por diante do (T).

professores e que proporciona oportunidade de aprofundar Duas generalizações ajudam o professor na sala de aula: seu entendimento e as habilidades relativas ao conteúdo . Premiar um aluno pelo simples fato de ter feito uma atividade não melhora sua motivação intrínseca. O reconhecimento simbólico abstrato é mais efi- caz do que recompensas tangíveis. alunos é menor em relação aos alunos de ensino médio. 100.As representações não-linguísticas devem elaborar so- dio. O envolvimento dos pais na lição de casa deve ser preender melhor esta estratégia de ensino. deve ser diferente. depende das cir- cunstâncias e da forma como se conduz a motivação. Pode ser chamada de “elogio” ou “re- compensa”. Nas séries iniciais.As recompensas não têm necessariamente um efei- to negativo sobre a motivação intrínseca. 5. Proporcionar reconhecimento Com uma das categorias pode ser a mais mal compre- endida de todas. II . Da pesquisa e teoria relacionadas à prática foram ex- traídas duas generalizações: . Dois propósitos são comuns: . gerar imagens mentais. .Várias atividades produzem representações não- apresentado. Se a lição de casa foi designada. dos diferentes níveis do ensino fundamental e do ensino mé. Representações não-linguísticas Quanto mais usamos os dois sistemas de representa- 4. Os testes realizados utilizando essa estratégia O gráfico abaixo mostra esta tendência motivaram os alunos. mais somos capazes de pensar sobre e lembrar o co- Prática bastante comum e de largo conhecimento dos nhecimento. .A recompensa é mais eficaz quando depende de se atingir algum padrão de desempenho. o desempenho dos bre o conhecimento. deve ser medida em conceitos e anotada pelo professor. O professor deve estabelecer uma política de comuni- cação de lição de casa para evitar tensão entre pais. Lição de casa e prática ção. dependendo da circunstância e da ocasião em que o trabalho está sendo ou foi realizado com sucesso. Criação de organizadores gráficos nos ajudam a com- II. Deve também planejar lições de casa que articulem claramente o propósito e o resultado. Quanto mais abstra- tas e simbólicas forem as recompensas. linguísticas: criar representações gráficas. O propósito da lição de casa deve ser identificado e articulado. pictografias e envolver-se em atividade sinestésica. ela deve ser co- mentada. alta quando lhe é dada uma nota. O reconhecimento deve ser personalizado.preparação ou elaboração: preparar o aluno para um novo conteúdo que será oportunamente apresentado e traba- lhado.prática: quando tem por finalidade treinar uma atividade com a qual o aluno já tenha familiaridade. Pesquisa realizada concluiu: I . abstrato e concreto. Deve também variar as abordagens para proporcionar feedback. fazer desenhos e I. alu- nos e professores. fazer mode- fessores no uso da lição de casa: los físicos.FEVEREIRO/2010 71 ou deixou de realizar. I . e é muito alta quando é comentada por escrito pelo professor. IV. É baixa quando não comentada.Dominar uma habilidade requer uma boa quantida- ço e ao desempenho um valor que pode variar de 0 a de de prática específica. A quantidade de lição de casa designada aos alunos. III. mantido no mínimo possível. O grau de desempenho dos alunos aumenta nesta proporção. Quatro generalizações podem guiar os pro. Nº28 . atribuindo ao esfor. atividades. maior será sua eficácia. III. Os pais não devem “facilitar” a lição de casa.

tomada de decisão e reso. Pode também ser combinado com outras estratégias de ensino para evitar o excesso. e os grupos de base. II-Os grupos cooperativos devem ser mantidos em gru- pos pequenos.Os objetivos do ensino não devem ser demasiada- mente específicos. formal. ou seja.Os alunos devem ser encorajados a personalizar os objetivos do professor.Interação estimuladora face a face. . isto Cinco elementos definem a aprendizagem cooperativa: é. quando ajuda e aplau. isto é. . um ano. quando são formados para um tempo bem maior (um semestre. é mais eficaz no desempe- individual no sentido de melhorar o grupo. III. interes- se.). porém sem excesso.Interdependência positiva. pois induzem-no a focar no objetivo e deixar informações relacionadas de fora do processo. a sensação de trabalho coletivo.Responsabilidade individual e de grupo.Os objetivos do ensino estreitam o foco dos alunos. III-Aprendizagem cooperativa deve ser aplicada consis- tente e sistematicamente. É importante estabelecer objetivos para os alunos. médio e longo prazo.). confiança. a contribuição dado logo após uma atividade. II. cores das roupas etc. com um nível específi- lução de conflitos. comuni. O feedback. III. quando são formados para durar mais tempo (uma semana. habilidade. é o melhor meio de perceber o desempenho dos alunos e pesquisas apontam algumas generalizações para guiar seu uso: 6. . nho do aluno do que dado após um tempo maior. dando um caráter pessoal a ele. um mês etc. está fazendo é correto ou não é correto. Es- tudos têm demonstrado resultados positivos no desempe- nho dos alunos quando eles personalizam seus objetivos.O feedback deve ser oportuno. Os grupos podem ser informais. refletir sobre a competência e a possibilidade de melhorar. Os objetivos apresentam três generalizações impor- tantes: I.Nº28 . a duração do curso etc. liderança. II. Quanto ao feedback. deve proporcionar ao aluno uma explicação do que se . deve ser referenciado pelo critério.O feedback de ser “corretivo” em sua natureza. do feedback é fundamental para sua eficácia.habilidades interpessoais e de pequeno grupo. Três generalizações para guiar o uso da aprendizagem cooperativa: I. uma vez que seu formato não ajuda na condução das atividades relacionadas de uma atividade. co de habilidade ou de conhecimento.O feedback deve ser específico a um critério. . 7. quando a formação dele é por pouco tempo. po- rém estes devem ser gerais o suficiente para proporcionar flexibilidade. Estabelecer objetivos e fornecer feedback O estabelecimento de objetivos é o processo de apon- tar uma direção para a aprendizagem a curto. Os objetivos devem ser elaborados num formato mais geral.72 FEVEREIRO/2010 . cação.O organização de grupos com base nos níveis de competência deve ser feita com moderação por conta da homogeneidade ou da heterogeneidade que se reflete no desempenho individual e no do grupo. pois se revelaram mais eficazes.Processamento em grupo. Os grupos para aprendizagem cooperativa podem ser organizados por vários critérios: idade. Aprendizagem cooperativa I. Os grupos podem ser manejados de acordo com a ne- cessidade do trabalho a ser realizado a critério do profes- sor. o momento de o sucesso.

Gerar e testar hipóteses Estrutura: Por definição. tra hipótese usando uma solução diferente. 1) Descrever claramente o evento histórico a ser exa. especialmente para os alu- minado.Os professores devem pedir aos alunos para explicar Pode ser usada em todas as disciplinas.). Estrutura para análise: 5) Explicar os resultados da sua experiência ou ativida- 1) O propósito do sistema. dedutivo como de maior uso. nos menores. . empregam a testagem de hipóteses: 4) Determine um experimento ou se envolva numa ati- I. 8. par. 2) Identificar padrões específicos para a invenção que zações podem ajudar a guiar o uso da geração e o teste de melhorem a situação ou satisfaçam a necessidade.A geração e o teste de hipóteses podem ser aborda. Estratégia geral: cam que pedir aos alunos que explicitem seus pensamen. 5) Explicar se sua hipótese estava correta ou testar ou. 5) Desenvolver sua invenção até o ponto de poder tes- Já o pensamento indutivo é o processo de extrair novas tar sua hipótese. ajuda na com. desempenho pelo acompanhamento enquanto ocorre a 3) Apresentar um critério hipotético. assunto exposto.): vidade para testar sua hipótese. problemas envolvem obstáculos e restrições. 1) Descrever a decisão e as alternativas que está consi- 2) Descrever as barreiras ou restrições que estão impe. tos. claramente suas hipóteses e conclusões. III. néricos que proporcionam formas de se prover uma res. testar sua hipótese.gabaritos para relato de trabalho.Investigação histórica: Certifique-se de que seus alunos podem explicar suas Construção de eventos plausíveis para eventos do hipóteses e suas conclusões. sobre a probabilidade de que elas funcionem. IV. mudança nessa parte e formular hipótese do que aconte.Invenção: posta para determinada habilidade ou conhecimento. Estrutura para análise: Estrutura: 1) Identificar o objetivo que está se tentando atingir. 3) Gerar uma hipótese para prever o que aconteceria se Os processos de gerar e testar hipóteses podem ser você aplicasse as teorias ou regras ao que você observou usados em todas as disciplinas. efetivamente. de preferência em relatórios escritos. II. para fazer uma previsão sobre uma ação ou evento futuro. descrever uma cisa gerar e testar uma hipótese alternativa. Decidir se sua hipótese estava correta e se você preci- 2) Descrever como as partes afetam uma a outra. V.Os alunos podem proporcionar.FEVEREIRO/2010 73 IV. É algo que fazemos satisfazer. reiras ou restrições e formular a hipótese de qual solução 3) Avaliar cada alternativa para indicar a satisfação de tem maior probabilidade de funcionar. Pesquisas indicam o pensamento que você estabeleceu. Geralmente para essa modalidade se exigem muitas testagens de hipóteses. 1) Observar algo de seu interesse e descrever o que observa. de transportes etc. 4) Buscar e analisar evidências para determinar se seu O feedback pode ser realizado através de roteiros ge. cada uma delas. . 4) Quando sua hipótese sugerir que uma ideia específi- mento dedutivo é o processo de uso de uma regra geral ca pode funcionar. As seis tarefas a seguir ou a uma situação relacionada com o que você observou.escrever inícios de frases. 2) Identificar o que é conhecido ou acordado a respeito te do seu próprio feedback monitorando seu próprio e o que não é conhecido ou não há desacordo. dindo de atingir seu objetivo.Resolução de problemas: Requer reflexão e uso de conhecimentos relacionados ao Por definição. dos de uma maneira mais indutiva ou dedutiva. conclusões baseadas em informações que conhecemos ou 5) Reveja sua invenção até que ela atinja os padrões que nos são apresentadas. simulação. acrescentar ou tirar algum critério. crie a invenção.Tomada de decisão: ceria como resultado dessa mudança.Análise de sistemas (econômico. 5) Determinar a alternativa de pontuação mais elevada. preensão do que estão fazendo ou pensando. hipóteses em sala de aula: 3) Pensar em uma série de ideias e formular hipóteses I. Pesquisas indi. 2) Aplicar teorias e regras para explicar o que você observou.Investigação experimental: II. ajudar em vários aspectos: Estrutura para análise: . 4) Experimentar uma solução – real ou através de uma 4) Para cada alternativa atribuir uma pontuação. O pensa. sa conduzir experiências ou atividades adicionais ou se pre- 3) Identificar uma parte do sistema. Ajuda na seleção do que tem de mais ou de menos de 4) Quando possível. muito naturalmente em muitas situações. cenário hipotético é plausível. Determinar se é necessário mudar as pontuações. derando. de 10 a 100 etc. aprendizagem. Duas generali. 6. Nº28 . de. de uma escala de valores (de 1 a 4. 2) Identificar os critérios e a importância deles através 3) Identificar diferentes soluções para superar as bar. VI. Para isso o professor pode passado. algo ou qual é o melhor ou pior exemplo de alguma coisa. o processo de gerar e testar hipóteses 1) Descrever uma situação ou necessidade que se quer envolve a aplicação de conhecimento.

mento de determinado tema.proporcionar eventos para que os pais e a comunidade interessa são as perguntas fundamentais para o entendi- peçam aos alunos para que expliquem seu pensamento. des- zagem mais profunda do que perguntas de “nível inferior”. eventos. também se aplicam nos organizadores avançados. tema. mas sim passarmos os olhos por sobre o tre os alunos e mais elocução na sua exposição. por definição. materi- ais introdutórios.74 FEVEREIRO/2010 . O que mais .Organizadores avançados narrativos. 2) Perguntas de “nível superior” produzem uma aprendi- 9. Assim temos: .Skimming como uma forma de organizador avançado mento de determinado tema. option=com_content&task=view&id=1058&I to prévio. Ensinando tipos específicos de conhecimento As generalizações que se aplicam em pistas e pergun. “Skim” em inglês é deslizar à superfície. em oposição ao que é incomum. penham mais ou menos a mesma função.Nº28 . Pistas. 3) Os organizadores avançados são mais úteis com in- sor ajudar os alunos a usar o que já sabem sobre um formação que não está bem organizada. aprendizagem. apresentados antes da aprendizagem. As perguntas desem. hipóteses e conclusões.Organizadores avançados gráficos. são aqueles que importante.br/index. As pistas envolvem “dicas” sobre o que os alu. III. pas- 3) “Esperar” um pouco antes de aceitar as respostas sar os olhos por. interessa são as perguntas fundamentais para o entendi. pois permite maior interação en.Analisando erros – identificar e articular erros na lógi- ca das informações.Analisando perspectivas – identificar e articular pers- pectivas pessoais sobre as questões Outra forma de ajudar os alunos a usar seu conheci- mento prévio para aprender novas informações são os organizadores avançados que são.inglescurso. são aqueles que Quatro generalizações ajudam o professor no uso de simplesmente descrevem o novo conteúdo ao qual os alu- pistas e perguntas: nos serão expostos. pessoas. .perguntas analíticas. tença. lendo algumas frases aqui e ali. pois ajudam na estrutura men. A técnica de “skimming” nos dos alunos tem o efeito de aumentar a profundidade de leva a ler um texto superficialmente. são: não-linguística também utilizada como organizadores . zem resultados distintos.Construindo apoio – construir um sistema de apoio ou prova para uma afirmação. por sua vez. em oposição ao que é incomum. Fonte: http://www.net. Utilizar esta suas respostas. perguntas e organizadores avançados zagem mais profunda do que perguntas de “nível inferior”. 4) Diferentes tipos de organizadores avançados produ- nos estão prestes a experimentar. mações sobre o texto. Sobre termos e expressões do vocabulário é forte o seu .desenvolver roteiros para que saibam os critérios pe. . procu- 4) As perguntas são instrumentos de aprendizagem rando reconhecer certas palavras e expressões eficientes quando formuladas antes de uma experiên. 1) As pistas e perguntas devem se concentrar no que é los quais serão avaliados. Skimming 2) Perguntas de “nível superior” produzem uma aprendi. Representação As perguntas. condições de vida e outras formas). adequadamente relevantes. Às vezes não é necessá- tal com que os alunos processam a experiência da rio ler o texto em detalhes. que sirvam como ‘dicas’ na obtenção de infor- cia de aprendizagem. Para isso.php? As pistas são maneiras diretas de ativar o conhecimen. O que mais apresentam informações aos alunos na forma de histórias. requerem análise e crítica das informações que lhe são apresentadas. natar (daí skimmed milk = leite desnatado). isto é aquelas que irão ajudar avançados no sentido de “completar” as informações que estão faltando (coisas. As pistas e perguntas são maneiras de um profes. Dar pistas e Há quatro tipos gerais de organizadores avançados: questionar está no centro do trabalho em sala de aula.pedir registro de áudio ou vídeo em que explicam suas tas. II. São denominadas pistas explícitas porque vão temid=148 direto ao tema que está sendo ou foi tratado. texto.as que suscitam inferências. convém ter uma lista de habilidades analíti- cas que são: I. . importante. O “tempo de espera” é fundamental para técnica significa que precisamos ler cada sen- uma boa aprendizagem. 1) As pistas e perguntas devem se concentrar no que é . .Organizadores avançados expositivos. destinados a suprir uma lacuna entre o que o aprendiz já sabe e o que ele precisa saber APLICAÇOES ESPECÍFICAS antes de aprender com sucesso.

I. as condições de trabalho dos funcionários de uma explicações ou descrições do termo ou expressão. o quadro abaixo refere-se: II. bilidades: d.As habilidades são mais úteis quando aprendidas fundamental do ensino em praticamente toda a escola. a. Assinale a alternativa que indica a categoria na qual descoberta. elas aparecem de duas formas 3. que chegou à seguinte conclusão: Passo 2 – Apresentar aos alunos uma representação a. II . eles devem organizar os exemplos em ca. O reconhecimento simbólico abstrato. Os alunos devem ser expostos a exposições múltiplas em tempo relativamente curto e também à representação dramática de detalhes fundamentais. dizado do aluno. a qualidade de ensino tem pouco a ver com o apren- a precisão de suas explicações e representações. com a capacidade de tegorias que representem as diferentes abordagens da compreender novas informações e o nível de renda. Passo 4 – Pedir aos alunos para criarem suas próprias c. dominado as habilidades e ter controle das interações en- 4) O ensino direto do vocabulário funciona. dessas palavras no contexto. II.Os professores devem enfatizar o controle 3) Uma das melhores maneiras de aprender uma pala.FEVEREIRO/2010 75 relacionamento com a inteligência. se dizer que o ensino sistemático do vocabulário é aspecto III.Os alunos devem ter exposições sistemáticas e múl. os alunos em geral têm concepções b. o aluno zagem pela descoberta.Algoritmos: habilidades mentais que têm resultados e b. penho dos alunos e alunas. . portamento. passos específicos. se enquadra o esquema abaixo: .Os detalhes são extremamente sensíveis ao ensino dramático. A recompensa em espécie e tangível. 2. que são semelhantes às habili- orientar o ensino: dades.Os alunos devem praticar as partes de um processo 2) O ensino de novas palavras melhora a aprendizagem no contexto do processo geral. aplicarem a organização de ideias. Quanto às habilidades. I. As generalizações que seguem podem ser usadas para Quanto aos processos. Dentro da estratégia identificar semelhanças e dife- tiplas aos detalhes. renças. escola fazem toda a diferença na aprendizagem.Inicialmente. a qualidade de ensino tem tudo a ver com o desem- não-linguística do novo termo ou expressão. criação de esquemas de identificação.Devem ser dadas oportunidades aos alunos para d. Nº28 . juntamente com as gene- ralizações e os princípios. o aluno deve ter vra nova é associá-la a uma imagem. O reconhecimento através de parâmetros de com- Generalizações que ajudam a orientar o ensino de ha. metacognitivo dos processos. Dentro da prática de proporcionar reconhecimento. assinale a alternativa que indica maior eficiência nesse pro- . os alunos devem encontrá. Um processo para ensinar novos termos e expressões: 1. Pode. o grupo gestão da escola faz muita diferença no de- representações não-linguísticas do termo ou expressão. sempenho do aluno.Pedir aos alunos para gerarem suas próprias b. Outro tipo específico de conhecimento são os detalhes. A recompensa depois da atividade ajuda a estimular I-É difícil alcançar as habilidades por meio da aprendi. a origem e o perfil econômico do aluno fazem a dife- Duas generalizações podem ser usadas pelos professores: rença na aprendizagem. ou seja.Táticas: regras gerais que governam um fluxo geral cesso: de execução. II-Quando os professores usam a aprendizagem pela 4. Passo 5 – Pedir periodicamente aos alunos que revejam d. A recompensa durante o ano letivo. identificação de trabalho eficiente. criação de gráficos de parâmetros. c. e. Passo 3 . até o nível da automacidade. O ensino direto de palavras que são fundamentais O ensino que funciona – questões e gabarito para um novo conteúdo produz um ensino mais eficaz. tre os elementos. I. Essa técnica deve ser planejada pelo professor e se espera um bom resultado no desempenho do aluno. 5. diferentes. e. formas diferenciadas de trabalhos eficientes. são o tipo mais geral de conhe- cimento declarativo. c. O Relatório Coleman é um estudo aprofundado so- Passo 1 – Dar aos alunos uma breve explicação ou des. criação de analogias. equivocadas sobre a organização de ideias. habilidade. Duas generalizações podem ajudar no ensino da organização de ideias: a. e. As organizações das ideias. bre as práticas de ensino nas escolas dos Estados Unidos crição do novo termo ou expressão. duas generalizações que os professores podem usar 1) Para aprender as palavras. para orientar o ensino com processos: las mais de uma vez no contexto.

da análise posterior das situações e das atividades. p. “A noção de competência designará aqui uma capaci. para determinada disciplina. . já encontradas. Hoje esses objetivos não podem mento. sobretudo. é manter um espaço justo para tais procedimentos.da avaliação. de uma situação de trabalho à outra. 4. É. Organizador avançado gráfico. e sim: ente e rapidamente) e realizar (de modo mais ou menos “.essa mobilização só é pertinente em situação. professor..as competências não são elas mesmas saberes. Anotações feitas com caráter de eliminação. petências profissionais necessárias para imaginar e criar frentar um tipo de situação”. b d. que permitem determinar (mais ou menos consci. mas também ao sabor da navegação diária de um a escolhê-los e dirigi-los com conhecimento de causa. em for. 2000. PORTO ALEGRE: ARTMED. objetivos de aprendizagem. aprendizagem próprias a cada objetivo. mas mobilizam. Representações não-linguísticas. ções de aprendizagem. sendo . que as didáti- Essa definição insiste em quatro aspectos segundo cas contemporâneas encaram como situações amplas. 25 tais recursos. Gabarito b. p. O gráfico abaixo se refere a: 5. Representações de caráter linguística e moral. integram e orquestram resolução de problemas”. c. p. de identificação e de faire ou atitudes. Tabela de exercícios de forma adequada.b 12.Organizar e dirigir situações te e de modificar a sequência das atividades propostas. 15 outros tipos de situações de aprendizagem. 2. de aprendizagem . c 5. ser estáticos. Relacionar os conteúdos a objetivos e esses a situa- tais complexas. Pictogramas de transição linguísticas. 10 NOVAS COMPETÊNCIAS PARA ENSINAR. os objetivos trabalhados nas situações em questão.Conhecer. quando se trata de controlar os conhe- “.Nº28 a. . 27 . mas para identificar . carregadas de sentido e de regulação.do planejamento didático. requerem um método de pesquisa.as competências profissionais constroem-se.. a e. PERRENOUD. savoir. b. Perrenoud: abertas. os cada situação singular. mesmo que se possa tratá-la em conteúdos a serem ensinados e sua tradução em analogia com outras.o exercício da competência passa por operações men.76 FEVEREIRO/2010 . cimentos adquiridos pelos alunos”. as quais . de modo mação. As questões “a” “b” e “d” estão corretas. de maneira mecânica e obsessiva. quando se trata de delimitar o que se desenvolveu realmen- Capítulo 1 . d c. Esquema de medir cooperação c. 1. Forma diferenciada em função do andamento das aulas. 3. PHILIPPE. . a. despender energia e tempo e dispor das com- dade de mobilizar diversos recursos cognitivos para en. não para ditar situações de eficaz) uma ação relativamente adaptada à situação. subentendidas por esquemas de pensa.

ideias e uma energia renovada. senso comum. com desenvolvimento e de aprendizagem. se os alunos apropriam-se dele. ção de um obstáculo (previamente identificado) pela classe. um projeto a fazer. 3 – tornar a situação um verdadeiro enigma a ser resolvido. Problemas – suspensão do procedimento para retomá- logias falaciosas. lem. quando duração. meiro momento. deixando as coisas evoluí- dos alunos.Envolver os alunos em atividades de pesquisa. p.Administrar a progressão das parece opaco e arbitrário para os alunos. pode-se pensar que o professor não domi- em projetos de conhecimento na nenhuma teoria da aprendizagem da ortografia.Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à humanas como a produção de objetos industriais. É a necessidade de resolver que leva o aluno a põem-se em movimento. Na escola não se podem programar as aprendizagens . até mesmo de qualquer pista ou método. Esta Capacidade fundamental do professor: tornar acessível lhe permitiria situar o ditado no conjunto das atividades . de maneira a poder articular apren- “Uma situação de aprendizagem não ocorre ao acaso e dizagem e desenvolvimento e julgar se as dificuldades de é engendrada por um dispositivo que coloca os alunos di. brar-se de que. das pessoas ou do grupo para o saber. enfrentar o vazio. que eles mobilizam e domínio das didáticas das disciplinas”. sob pretexto de que levam a conclusões ou desastrosas – às vezes. paço de discussão. fessor também precisa pensar na totalidade do processo. nem o guia que propõe a solução para o problema. p. é preciso envolvê-los em tar compreender suas raízes e sua forma de coerência. Para que os alunos aprendam. Se ocorre a devolução do problema. constroem hipóteses. 2 – trabalhar em torno de uma situação concreta. No trabalho intelectuais necessários à construção de uma solução. dos meios da solu- alcançar soluções. a ausência de qual. no dia seguinte. ten. Sequências e dispositivos didáticos fazem parte de um “Essa visão longitudinal também exige um bom conhe- contrato pedagógico e didático. acordo com o nível intelectual de seu aluno. quer solução. 5 – trabalhar de acordo com a zona próxima – trabalhar tações obriga cada um a precisar seu pensamento e a com situações problemas não problemáticas. regras de funcionamento cimento das fases de desenvolvimento intelectual da cri- e instituições internas à classe. criando situações e dando au- . p.Trabalhar a partir das representações dos alunos. O professor deve estabelecer uma cumplicidade e desvalorizá-las imediatamente. regularmente direitos na aula. ção buscada. sem ser o especialista que transmite o saber.Construir e planejar dispositivos e sequências . 47 A construção do conhecimento é uma trajetória coleti- va que o professor orienta. uma atividade de uma certa importância e de uma certa não se surpreender se elas surgirem novamente. coletivo. visível e mudanças de paisagem. mas sim de levar em conta o dos outros. deve-se abrir um es. não censurar imediatamente as ana. então. . as explicações animistas e os raciocíni. – A competência aprendizagens do professor é. ança e do adolescente. não é por falta de vontade. suas mentes chegar a ela.Estabelecer laços com as teorias subjacentes às atividades de aprendizagem. tenta reencontrar a memória do tempo em rem em um canto da mente e retomando-as com novas que ainda não sabia. que supõe não amplo repertório de dispositivos e de sequências na sua apenas um bom conhecimento dos mecanismos gerais de adaptação ou construção. no início. evocando apenas a tradição pedagógica ou o . bem como na identificação. ou se há outras cau- problema a resolver”. O pro- aprendizagem. permitem a reflexão. garantindo ao mesmo tempo uma progressão as julgávamos ultrapassadas. sendo levado à impressão de que jamais se conseguirá 4 – os alunos não dispõem. etc) – podem ser benéficas os espontâneos. devido à existência do obstáculo a transpor para ou seja. Nº28 . obstáculo graças a uma aprendizagem inédita. Reestruturar seu sistema de compreensão de mundo – . o choque das represen. inicia-se a discussão. 36 Ex: Dar um ditado. propõem tentativas. se não compreendem. p. lo (mais tarde. 1 – situação problema – organizada em torno da resolu- Quando se depara com um obstáculo é. em um pri. em outros mo- O professor que trabalha a partir das representações mentos. essencialmente didática. xílio. elas quebram o direcionamento errôneas. um desenvolvimento e da zona próxima. 33 sas”. interessar-se por elas.Conceber e administrar situações-problema uma verdadeira situação problema obriga a transpor um ajustadas ao nível e às possibilidades dos alunos.Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos didáticas do ensino. O importante é dar-lhes uma solidariedade na busca do conhecimento. mas porque o que é evidente para o especialista Capítulo 2 . 48 ensinam”.FEVEREIRO/2010 77 . Assim. elaborar ou a se apropriar coletivamente dos instrumentos dem a explorações. colocar-se no lugar dos alunos. aprendizagem se devem a uma má apreciação da fase de ante de uma tarefa a ser realizada. dizer que valor é atribuído a essa atividade. “Escolher e modular as atividades de aprendizagem é “A competência profissional consiste na busca de um uma competência profissional essencial. proce. para quisa. e desejável sua própria relação com o saber e com a pes- Não consiste em fazê-las expressarem-se. mas também um tanta perspicácia quanto possível.

sua auto-ima. trabalhar com alunos remanejamento das práticas de avaliação. de cooperação”. evidentemente. questionamento dos modos de ensino e de combater o fracasso escolar. já florescia no gem e saber como superá-las. o programa na companhia de alunos mais jovens.Nº28 possíveis e escolhê-lo conscientemente. dominar um são relativa ao percurso dos alunos. ou no final de cada A organização oficial da escola em ciclos de aprendi- ciclo. convicção sional”. de acordo com uma abordagem formativa. p. Certas aprendizagens só ocorrem graças a interações co e estratégico na progressão das aprendizagens. operacionalização de várias formas de reagrupamento se construam dispositivos didáticos eficazes. p.jogo das re- ambiente escolar e familiar. com vistas a e de trabalho. petências de comunicação ou de coordenação. seus pais e outros profissionais. seja por- que a interação é indispensável para provocar aprendiza- . da “Diante de oito. Melhora-se isso com: e o mobiliza.Abrir.Administrar a heterogeneidade no âmbito de é formativa que significa que considera tudo o que pode uma turma. bem como encontrar ente: em certos sistemas formalmente estruturados em o acordo perfeito entre os projetos e as exigências da ins. por seu valor táti. e não sociais. esses espaços-tem- vos mínimos. provações. “O ensino mútuo não é uma ideia nova. o que faz sentido para ele de socialização familiar. ou que deram professor tinha 100 ou 200 alunos de todas as idades sob aulas particulares sabem a que ponto pode-se ficar sua responsabilidade e.78 FEVEREIRO/2010 . a .Rumo a ciclos de aprendizagem ção inicial e consolida-se no decorrer da experiência. “A formação escolar obriga. aparentemente. uma abordagem ampla da pessoa. Não basta mostrar.jogo das dispensas de idade. questionamento da organização escolar forças. entre outros). não podia ocupar- despreparado em uma situação de atendimento individu.Conceber e fazer evoluir os crianças e para o senso comum. O tiveram a experiência do apoio pedagógico. professor não sabe necessariamente propor a cada um deles uma situação de aprendizagem ótima. a portas fe- tituição escolar são elementos que fazem partes das com. em certos momentos. ou até mesmo um só aluno. da comunicação.51 “A gestão de uma classe tradicional é objeto da forma- . Algumas delas giram em torno da cooperação profis- sentações dos professores (responsabilidade). zagem plurianuais facilita a cooperação. acostumar-se com a supervisão. ciclos. a progressão é gerada no âmbito de um ciclo pos de formação proporcionam mais tempo. 56 Utilizar a observação contínua .Observar e avaliar os alunos em situações de gens que passem por conflitos cognitivos ou por formas aprendizagem. devida às disparidades. seus interesses. . recursos e de aprendizagem. . . sua homogeneidade muito relativa. agrupando alunos com a mesma idade. equipe docente portadores de grandes dificuldades que assuma coletivamente a responsabilidade de toda deci. Saber observar uma criança na situação. dos níveis de desenvolvimento e dos tipos diante de certos tipos de tarefas. continuidade e competências para que atual. agir. progressão dos alunos. suas angústias e bloqueios eventuais mesma idade. da relação com o saber.Desenvolver a cooperação entre os alunos e se totalmente disponível para um aluno: é preciso também certas formas simples de ensino mútuo compreender o motivo de suas dificuldades de aprendiza. fazer um contrato competências pelos professores no âmbito de um plano didático personalizado. as. . Participar dessas decisões. p.Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão. mas não é sufici- no. nem propor uma única lição a um público tão al. entre outros. negociá-las com o alu. as quais O sistema escolar tenta homogeneizar cada turma nela condicionam as tarefas que lhe podem ser propostas. É o que espaço mais vasto. 62 .Fornecer apoio integrado. respeitar um código explí- cito de deontologia mais do que apelar para o amor pelas Capitulo 3 . vasto e heterogêneo”. isso resulta a sim como sua maneira de aprender e de raciocinar. O trabalho em espaços mais amplos exige novas competên- A gestão da progressão dos alunos depende das repre- cias. seja porque se visa ao desenvolvimento de com- por falta de algo melhor. ampliar a gestão de classe para um tomada de decisões de seleção ou de orientação. estar familiarizado com dispositivos de diferenciação. progressivo de reflexão e de formação. Todos os professores que século passado na pedagogia inspirada por Lancaster. ela seja ideal. um observação. ainda que. três. aprendizagem articulados à busca de um máximo de senti- do dos saberes e do trabalho escolar para o aluno. imaginação. p. se de todos. integrando alunos mais gem como sujeito mais ou menos capaz de aprender seu jovens que demonstram certa precocidade. seus projetos. petências básicas de um professor”. chadas. da intervenção e da regulação. sozinho com sua turma. acontece no final de cada ano letivo. 59 preliminar de que cada aluno é capaz de alcançar os objeti- Com o trabalho docente realizado.sua primeira intenção . auxiliar o aluno a aprender melhor: suas aquisições. cada professor trabalha como antes. procedimento clínico (observar. corrigir. a aquisição de novas construir situações didáticas sob medida. tanto em nível individual quanto coletivo. graças às quais os alunos que não têm a matu- ridade ou o nível requerido não passam de ano e repetem . praticar uma abordagem sistêmica.

O desafio é a própria cooperação que não tem prazos cer durante seis a oito horas por dia. outras não dizem nada. pensa. fiz o mesmo. mais quem escuta quem. pessoal do aluno contam sua vida. Trata-se de saber administrar. acrescentou. quando estava sozinho e ninguém me “Toda pedagogia diferenciada exige a cooperação ativa via. o sentido do trabalho escolar e desenvolver na criança a capacidade de Saber trabalhar eficazmente em equipe. que se voltou e das sabotadas por uma parte da turma”. já é um consolo”. e era um tram nenhuma vontade de se expressar. a discussão toma . embaraçado: o lização. xos e impasses ligados à cooperação. jornal. explicitar a Capítulo 5 . o di. etc. as partidas e as chegadas das pessoas. é importante que o pro. fala.Instituir e fazer funcionar um conselho de alunos junto. “Os mais alheios ao próprio conteúdo do saber em jogo lançar um olhar compreensivo sobre um aspecto da profis- oferecem. os prazos e os parceiros. antes mesmo de atender o visitante.Envolver os alunos em sua do-me que se tratava das letras. sem a qual suas tentativas serão to. entre outros. Eu procurava saber o competências. trução ativa. os cantos. criação de ofici- (conselho de classe ou de escola) e negociar com nas abertas. e esta é. parado- poder. assim como Apenas mais tarde. organização de um campeonato. eu sabia que ele não me responderia de modo . haja vista sua complexidade. tempo. para passar em um exame. o direito de se movi. mesmo ter sob os olhos. saber encontrar e negociar as modalidades ótimas de traba- para agir de modo eficaz. Portanto.Suscitar o desejo de aprender. pessoal e duradoura dos conhecimentos. não demons- “Meu pai lia diariamente o Neue Freie Presse. mesmo frágil representações comuns e superficial. 70 Os projetos que se organizam em torno de uma ativi- dade pedagógica (montagem de um espetáculo em con- . Nº28 . eles diversos tipos de regras e de contratos então. vontade de saber. despertando em mim de aprender é uma delas. 76 . todo mundo parece perguntar-se. paralelamente à discussão geral. os recursos. Vou ensiná-las eu Como trabalhar com a motivação dos alunos?O prazer mesmo para você. o jornal que ele segura- fessor dê todas as explicações necessárias para conseguir va com as duas mãos sobre a mesa. interrompe e não se escuta mais o outro. saber se auto-avaliar. diante de tantos alunos que não manifestam nenhuma . precisos. de vida e de trabalho do que a um desvio para alcançar um lher com quem quer trabalhar. necessitam de cooperação. de só aprender o que tem sentido. sem nem nos mais favorecidos. Ele falou en- tão comigo. portanto. saber per- ser amado ou admirado. p. saber discernir autoavaliação os problemas que requerem uma cooperação intensiva. para que uma discriminação positiva não parava de se mexer ao longo de todo o jornal. analisar e combater resistências. explican- Capítulo 4 .Formar e renovar uma equipe pedagógica algum. para exercer um ceber. po. o direito de não manter todas as promessas. seja vivenciada e denunciada com uma injustiça pelos alu. o direito encerra no momento em que o projeto é concluído. para seu próprio processo. e aprendizagem e em seu trabalho bateu em cima delas com o indicador. profissional interativa que se assemelha mais a um modo reito de não gostar da escola e de dizê-lo. menores garantias de uma cons- são que jamais será evidente. o desejo de saber é outra. o local de trabalho. inevitavelmente. percebi que a cabeça de meu pai não uma condição. obstáculos.64 me surpreendeu lendo um jornal imaginário. ao mesmo que esse jornal podia ter de tão atraente.Elaborar um projeto de equipe. minha própria mãe não lhe perguntava nada nesse Renovar uma equipe pedagógica requer ainda outras momento. uma curiosidade insaciável pelas letras”. ali. alguns chegam grande momento quando ele desdobrava lentamente seu atrasados. ninguém dade de escolher o método. as etapas de rea. uma ou duas pessoas falam sem parar. Um visitante entrou a adesão dos alunos. uma vez de imprevisto e chamou meu pai. O desejo é múltiplo – deve-se saber para compreender. uma vontade de aprender. conversas começam em vári- a atividade não tem nenhum item escolhido pelo aluno.Dirigir um grupo de trabalho. não tinha mais olhos para mim.O desejo de saber não é uniforme. dos alunos e de seus pais. enquanto brincava no chão.FEVEREIRO/2010 79 Organiza-se subconjuntos. ela se O direito de não estar constantemente atento. . não se sabe esta tem poucas chances de envolvê-lo.). o direito de esco. To- davia. para lho em função dos problemas a serem resolvidos. conduzir reuniões . par- ticipar de uma cultura de cooperação. logo. eu subia na cadeira e cheirava ativamente o jornal. já que visa a instaurar uma forma de atividade mentar. para seduzir. Depois que começava a ler. o direito de não obede.Favorecer a definição de um modo diversos rumos. nas suas costas. todas as letrinhas. nem mesmo em alemão. no início. .Oferecer atividades opcionais de formação Queixas frequentes – todo mundo fala ao mesmo tem- Quanto a atividade seu sentido depende da possibili. o meio para realizar um empreendimento que nin- Os direitos imprescritíveis do aprendiz: guém tem a força ou a vontade de fazer sozinho. p. os participantes não sabem mais muito bem por que se reuniram. p. Esse é um recurso. o direito de existir como pessoa. estar aberto para ela. Quando que estou fazendo aqui?.Trabalhar em equipe relação com o saber. va que era seu odor. o direito de não cooperar objetivo preciso.

em suma. ao contrário. p. pela prática. ao mesmo tempo. um aluno. com seus toda a zona de autonomia disponível e toda a capacidade de alunos. é considerar-se como . de formação. ouvir e compre- tar a cooperação desses diversos profissionais. negociar um projeto da instituição.é o exercício de um direito do ser humano. sam que só se aprende sob imposição e dor. uma verdadeira complexas. mas. ticulares e tratá-las como tal. ao te global” p. Formar um projeto é dizer “Eu”. A competência consiste. Portanto. outro. . não somente um traba- com as neuroses dos outros exige não apenas uma certa lho em equipe.é uma forma de educação para a cidadania. suas próprias convicções. aprender de coexistência e a cooperação de todos” p. “Viver des coletivas e torna necessário. de estatuto. do a organização escolar não prevê um chefe. aceitar negociar. e preocupa uma parte dos professores.Envolver os Pais na Construção dos Saberes se conhecerem. multiplicar as provas. modifica o equi- Em todos os grupos existem pessoas que são media. cuja herança cultural não predisponha a se con. baixas: terão o apoio incondicional daqueles pais que pen- lescente.Elaborar.Dirigir reuniões de informação e de debate um forte. aprendizagens. de ciclos de aprendizagem. 103 de uma posição dominante. direito da criança e do ado. involuntariamente. “O verdadeiro trabalho de equipe começa quando os mem. seu filho tenha êxito. negociação de um ator coletivo que está determinado. repetir palavras e seu manual. 91 projeto” p. . situações belecimentos e às equipes pedagógicas. em sua diversidade. pais como eles são. p. mas também uma cooperação da totalida- tolerância e uma forma de afeição. sem fazer disso um pré-requisito. . em geral tências da parte de todos e é ainda mais necessário quan. O desafio da educação escolar é. trabalhar duro. res que praticam os métodos ativos e os procedimentos de Sendo assim: projeto suscitam.Participar da Administração Capítulo 7 . práticas e problemas profissionais autonomia de gestão. para realizar seu projeto. submissão e precisão. de do estabelecimento. . o direito depois da hora. por um duplo ponto muitos problemas com esses pais. os dessa abordagem e a desconfiança dos outros” p. professores que partilham dessa maneira de ver não têm Vemos a participação dos alunos. Isso supõe atitudes e compe. em não abusar lhas. líbrio entre responsabilidades individuais e responsabilida- dores e que antecipam e atenuam os confrontos. se não justificarem um deba- mente um projeto. 89 “Uma nova organização do trabalho. Eles podem dar mais de vista: deveres de casa. aos esta. em controlar a tentação de culpar e de julgar os pais. fazer o terror reinar. assim que tiver condições para isso. em declarações aparentemente gerais. antes de ser direito do adulto.a capacidade do sistema educativo de dar. utilizando esse poder delegado e de partilhá-lo. se falarem. mas também compe. não trabalham. pela introdução. Os participação dos alunos.Fazer entrevistas “Administrar os recursos de uma escola é fazer esco. preocupações par- ceber como um sujeito autônomo. para adquirir co- tendo explicitamente a tarefa e a autoridade de favorecer a nhecimentos. desejosos que e tiverem uma boa representação de suas tarefas e méto. 107 Capítulo 6 . Os professo- . é tomar decisões coletivamente” p. dramatizar as notas cisões que lhe dizem respeito. segurar as crianças . de preferência baseada em um tências de regulação que evitam o pior”. uma competência. para afastar o O diretor na instituição tem como papel principal facili.Coordenar.Administrar crises ou conflitos interpessoais por exemplo. apesar das ender o que os pais têm a dizer. poderiam obstaculizar diretamente suas dos respectivos de trabalho. amplamente.Informar e Envolver os pais da Escola Informar e envolver os pais é uma palavra de ordem e. é preciso sofrer. 120 . é complicado exigir de “Esta é uma das dificuldades do professor: decodificar. 115 contrário. 104 cor. a memória.em conjunto.Nº28 . ninguém Assim.administrar os recursos da escola . ao contrário. por sua vez. “Coordenar o tratamento dos casos que requerem in- tervenções conjuntas será tanto mais fácil se as pessoas . inúmeros pais ainda pensam que.Enfrentar e analisar . sem renunciar a defender diferenças de atribuições. . ou seja. que tenha imediata. atenção e disciplina. proporcionar a todos os meios para conceber e A competência dos professores consiste em aceitar os fazer projetos.a capacidade dos professores de não monopolizarem bros se afastam do ‘muro de lamentações’ para agir. no âmbito da escola. aliar esforço e .Organizar e fazer evoluir.Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem obter os recursos e os apoios necessários”. Dirigir uma escola com todos os seus As competências de um profissional consistem em não parceiros gastar toda sua energia para se defender. se estimarem reciprocamente “É mais difícil compreender como os pais. é o que acontece.80 FEVEREIRO/2010 . punir e até mesmo bater nas crianças que de participar. que possui direitos e competências para modifi- car o curso das coisas. a afastar as restrições institucionais e a . a adesão dos pais partidári- . No entanto. das de.

2002. seu ofício. tuações de aprendizagem” p.Enfrentar os Deveres e os pode ser solidário com aqueles que se julga infinitamente Dilemas Éticos da Profissão privilegiados e mobilizar-se em seu favor quando sua sorte . porque seu trabalho cotidiano depende alto risco não ignoram isso: hoje em dia. para um pro. Os professores dos estabelecimentos de pode ignorá-lo. a autoridade Competências Fundamentais em uma Cultura e a comunicação em aula.Lutar contra os preconceitos e as discriminações de formação independentes. mente. 149 decisão” p. TARDIF. para dar aulas cada vez mais bem ilustradas por soal e de análise das práticas” p. uma cidade a construir. o que supõe sores irão apossar-se das tecnologias como um auxílio ao idealmente um trabalho regular de desenvolvimento pes- ensino. destaca a avaliação das reformas os conhecimentos oriundos da universidade e a realidade . às sanções e à . álgebra ou uma língua estrangeira. os negros ou os mulçumanos são centros independentes de formação e das associações pro- categorias inferiores.. Quando se pergunta aos alunos do mundo inteiro o voca represálias mais ou menos diretas. O preferido do professor – mesmo que plenamente justificada – tem como preço (. dades. nos países europeus. fissionais de professores.Utilizar Novas Tecnologias . pouco importa que saiba gramática. A escola terá falhado “Seria importante que cada vez mais professores se sen- drasticamente. principalmente as universi- sexuais. 153 pneus furados.Participar da criação de regras da vida comum . aplicar uma punição de duas horas retendo o aluno um certo calor e senso de justiça. muda. a escalada da violência não é mais a solu. étnicas e sociais. Se. ao palco das discussões as experiências existentes na prá- se conhecer as pesquisas feitas nessa área nos países tica pedagógica no mundo anglo saxão e.utilizar as ferramentas multimídia no ensino.explorar as potencialidades didáticas dos programas apreciação da conduta.. pode.)é uma figura abominada pelo universo escolar” p. Capítulo 10 . parceiros entre os poderes organizadores da escola. que a escola se torne. mação profissional dos professores.Analisar a relação pedagógica. disto. porque nenhum dos professores que pode tissem responsáveis pela política de formação contínua e intervir em diversos estágios do curso terá considerado que interviessem individual ou coletivamente nos processos de isso era prioritário” p. 146 tínua é outra. mais recente- mencionados e conhecer as discussões referentes à for. Saber como negociar. SABERES DOCENTES E FORMAÇÃO PROFISSIONAL. PETRÓPOLIS: VOZES.Administrar sua própria ção. na gestão e na regulação de si.comunicar-se à distância por meio da telemática. mas deve ser permanentemente renegociada e tínua é uma coisa. referentes à disciplina na escola. SABERES DOCENTES E FORMAÇÃO implantadas até a virada do século com ênfase à forma- PROFISSIONAL ção profissional dos professores e à visão dos saberes. eles dizem grosso modo: fessor. A profissionalização do ofício de professor recruta “Se um jovem sai de uma escola obrigatória. ou para mudar de paradigma e . 169 13.Prevenir a violência na escola e fora dela. . Nº28 . traz Em Saberes Docentes e Formação Profissional. na qual a ordem não está adquirida no momento em que se Segundo o autor administrar sua própria formação con- entra nela. saber como agir – faz parte do . as pesquisas não levavam em con- O autor apresenta um panorama das pesquisas educa.Desenvolver o senso de responsabilidade. persuadi. MAURICE. concentrar-se na criação. “Sua competência é saber o que faz. os princípios de formação disputam com “A escola sabe que agora está condenada a negociar. que eles esperam dos professores.FEVEREIRO/2010 81 Capítulo 8 . Não se Capítulo 9 . segundo a formação contínua expressão de Ballion (1993). Tecnológica – “A verdadeira incógnita é saber se os profes. . a as lógicas de ação. dos do de que as moças. Ainda aqui.. a solidariedade e o sentimento de justiça.utilizar editores de textos.. Importa. uma punição pro. administrar o sistema de formação con- conquistada” p. Até a década de 80. em relação aos objetivos do ensino. Até um professor indiferente ao desen- não usar mais a violência institucional sem se preocupar volvimento do sentimento de justiça fora da escola não com as reações. Este último esteve durante muito tempo na dependência das administrações escolares ou de centros . 152 apresentações multimídia. portanto. 139 “A solidariedade e o senso de responsabilidade são es- treitamente dependentes do sentimento de justiça. ta a experiência da sala de aula e existia uma cisão entre cionais a partir de 90.

desvelada com mais rapidez que no trabalho pedagógico. o saber dos professores é o saber deles e está relacio. “O trabalho docente. Butt e Yamagishi (1993).82 FEVEREIRO/2010 . Schön. que à medida que o tempo passa. que fessor é historiado desde a Grécia antiga. Tem-se o social como ferramenta de constru- Tardif em suas pesquisas não desconsidera. são apresentados autores como Platão. É quarto capítulo. No entanto. a autoridade e a persuasão fazem Quais são os conhecimentos. seus estudos defen. processo produtivo industrial a visualização dos resultados é nanceiros e das diretrizes para a formação do professor. Tardif retrocede na história e apresenta a educa- ciências da educação e da ideologia pedagógica). Como pesquisador. Aristóteles fissão docente: os saberes da formação profissional (das e Rousseau. No realiza a interlocução entre saberes sociais e educação. definindo os vários papéis exercidos pelo porque se distancia da teoria de Schön. Aprendizagem. apresentadas para exemplificar a construção do dem essa prática interativa entre saber profissional e os profissionalismo através do coletivo e. ou seja. em hipóte. são temporais e. professor até a “conquista” da autonomia que começa a pois centraliza seus estudos na racionalidade docente. cotidiano pedagógico e as ferramentas utilizadas para essa res que servem de base ao ofício de professor? interação. ção do profissionalismo docente. o saber do professor é relacionado a alguns dada ênfase que o professor é aquele que sabe alguma estereótipos designados à profissão docente. rença reside na possibilidade de materialização. os sabe. se acumula com o passar dos anos. No primeiro capítulo “Os professores diante do saber: “Elementos para uma prática educativa” e “O professor esboço de uma problemática do saber docente”. Eis a razão do título do cutidos ao término do capítulo. a cimentos universitários” e do capítulo oito “Ambiguidade maneira de trabalhar. a relação dos conhecimentos oriundos das as pesquisas dos autores Raymond. quando aponta que as aprendizagens profissionais Nesses três últimos capítulos o autor discute os traba- . do tempo. assim como. Ou seja. várias falas de pro- saberes das ciências da educação. os pesquisadores revela. A segunda parte do livro “O saber dos professores e gistério” é o segundo capítulo do livro e trata das questões sua formação” é construída a partir do capítulo seis “Os de ordem da transformação que ocorre com a identidade professores enquanto sujeitos do conhecimento”. Na época. livro. validados pelo discussão e mais oito modelos recentes que integram a prá- professor e acoplados na constituição de seu tica pedagógica são apresentados. É dada toda a ênfase aos saberes experienciais aspectos da revisão histórica realizada por ele não esgotam a como aquele que surge na e pela prática. Tardif apresenta revisão histórica. vários aspectos referentes aos saberes dos professores e a Entre o trabalho pedagógico e o trabalho industrial a dife- segunda parte constituída de três capítulos realiza uma aná. Discute as várias interações que se estabelecem no tos e curiosos para conhecer as respostas. Como esses saberes são adquiridos? Esses são alguns Outra observação realizada com precisão pelo autor. Na introdução. Para comprovar esse fato se alguma. O ofício de pro- coisa e ensina a alguém. fessores (sujeitos da pesquisa) ilustram as fases iniciais da tor. ações surgem a partir das experiências interiorizadas e das nas bibliotecas de universidades. universidades com os saberes extraídos e produzidos na de Lessard e Tardif (1996). ção como arte. De acordo com o au. com as aprende a trabalhar trabalhando. Vários aspectos signifi- suas relações com os alunos em sala de aula e. visão cognitivista.Nº28 do cotidiano escolar. do capí- profissional do professor ao longo dos anos. A coerção. a fim de realizar não tem sentido pensar conceitos como Pedagogia. Didá- concretamente as suas diversas tarefas? tica. É com muita propriedade. também é feita toda uma No último capítulo da primeira parte. no lise dos resultados das pesquisas sobre os investimentos fi. interpela com vários questionamentos e nos deixa inquie. carreira e as transformações oriundas da experiência que nado com a pessoa e a identidade deles. tecnologias e dile- o saber dos professores em seu trabalho e o saber dos mas”. Tardif nos da pedagogia como instrumento de trabalho do professor. a peda- O livro divide-se em duas partes intercomplementares: gogia e o ensino: interações humanas. Nesse sentido. com a sua expe. O terceiro capítulo do livro. parte das tecnologias da interação e são utilizadas pelo cias e as habilidades que os professores mobilizam diaria. Na linha histórica Tardif apresenta os quatro saberes que constroem a pro. a diferenciação entre o trabalho do professor e o trabalho Na primeira parte encontram-se capítulos que esclarecem industrial. o saber-fazer. dentre outros. as competên. Saberes docentes e formação profissional. Nesse capítulo. reavaliadas. a educação enquanto técnica guiada de valo- res disciplinares. tempo e aprendizagem do trabalho no ma. é exemplos dentre tantos questionamentos apresentados. beres profissionais. esses três experienciais. professor no processo pedagógico. sem integrá-los às situ- Qual é a natureza desses saberes? ações concretas do trabalho docente. apresenta uma discussão muito interessante do papel professores em sua formação. O autor enfatiza que mente. o autor enquanto ‘ator racional’” são o quarto e quinto capítulos. o professor riência de vida e com a sua história profissional. de Tardif e Lessard (2000) são prática docente. novas vam suas pesquisas nas descobertas de teorias encontra. nas salas de aula e nas escolas. Quais os sabe. profissionalismo. Os anos de tulo sete “Saberes profissionais dos professores e conhe- profissão mudam a identidade profissional. par- exigir do professor novas definições políticas e sociais na tindo das vivências/experiências que constroem seus sa- profissão. “Saberes. com os cativos dos saberes experienciais são apresentados e dis- outros atores escolares na escola.os saberes curriculares e os saberes res e a educação enquanto interação. Tardif compactua com do Saber docente”.

em termos de apropria. o autor apresenta alguns modelos implan. mas vale a reflexões e alternativas para a realidade pedagógica e para pena observar os resultados dessa iniciativa. os professores do ensino médio criticam as com- Diante desse fato. ceiros não são suficientes para atender ao desejo da refor- te do sistema escolar. CONCLUSÃO ra. É nos ombros do professor que se ma. Nós temos clareza da não existência de de reverter este quadro de fracasso escolar. que desde 1992 dois xar de conhecer. aliados a um baixíssimo nível da tecnicismo. Mesmo nos países desenvolvidos os investimentos finan- sa.PRÁTICAS DE MUDANÇA: POR UMA PRÁXIS TRANSFORMADORA. tem sido alvo de discussões mesma. inserido num projeto para não ficar apenas nos modismos. a avaliação está também muitos gostariam até de algumas “receitas”. Tardif discute a questão da inclusão petências dos professores do ensino fundamental. proporcionar aos professores das uni- encontra a estrutura responsável pela missão educativa. forte disputa e divisão na profissão docente e que fere a si pecificamente do professor. deve docência faz-se necessário a coesão entre as diferentes ser incorporado à pesquisa universitária e aproveitado para categorias de ensino. precisam considerar o professor como o principal agen. mos. Essa leitura nos aproxima dos dilemas terços da formação inicial foi transferida para o meio es. tem se criticado muito as práticas avaliativas dos nal há muito tempo. Nº28 . É um livro que os interessados nos debates sobre Sa- tados em outros países na formação de futuros professo. Neste sentido. dada a dinâmica e complexidade da das por mantenedoras. as pesquisas universitárias. Tardif apresenta a discussão com o trabalho do professor (professor de ofício). Suíça) a preocupação com o res. tem se analisado o papel político da ava. Na profissão docente os professores se criticam para fundamentar novas epistemologias ao ofício. no entanto. CELSO DOS SANTOS. ativa e crítica.FEVEREIRO/2010 83 lhos de pesquisa (dos professores universitários). mas es. Inglater. beres Docentes e Formação Profissional não podem dei- res. Desde a década de 60. a apresentar algumas possibilidades. O professor quer suges- ção do conhecimento ou de formação de uma cidadania tões. estes dos saberes do professor de ofício (aquele que atua na reclamam dos professores da educação infantil e dos pro- sala de aula) nas pesquisas realizadas pelos professores fessores da universidade alegando que estes últimos vi- universitários (pesquisadores). é imprescindível que as pesquisas científicas nhar os alunos da formação inicial nos projetos e pesqui- de educação considerem o saber-fazer dos professores. são técnica de nosso trabalho. 14. representado naquilo que o de livros e teorias). versidades as devidas horas para que pudessem acompa- Portanto. Tanto na América do Norte quanto na maioria dos ou- tros países de cultura anglo-saxônica (Austrália. Para enaltecer e resgatar o valor da autor denomina de subjetividade do trabalho docente. como no caso do modelo inglês. Avaliar aprendizagens é um sério problema educacio. estas não existem. A discussão “modelitos prontos e acabados”. Talvez utopia para a realidade brasileira. assim como. sas no interior dos muros escolares. no sentido tarefa educativa. Recentemente. Tardif é das reformas implantadas no sistema educacional norte- enfático ao apontar que não se pode mais cindir o trabalho americano e canadense e a diferença entre o real e o ideal do professor da pessoa do professor. de um lado. sabemos que em pauta como decorrência das várias iniciativas toma. Desta forma. O saber-fazer existente na vem em redomas de vidro (mas precisamente em redomas prática do cotidiano escolar e. educacionais da profissão docente apresentando várias colar. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM . que representam os grandes centros de pesqui. liação. Marcados pelo medo de cair no reprovação e evasão. deixamos para um plano secundário a dimen- qualidade da educação escolar. 2003. juntamente Nas considerações finais. entre si. as uni. ti- . próprio autor apresenta em um dos capítulos: existe a gate ao valor profissional dos agentes educativos. cio que se tem em comum. VASCONCELLOS. propostas. para a consolidação de uma formação docente almejada. a professores. versidades. mas não se apontaram caminhos mais concretos classificatória e excludente: os elevadíssimos índices de na perspectiva crítica. entendemos que é ne- sobre avaliação não deve ser feita de forma isolada de cessário ao educador desenvolver um método de trabalho um projeto político-pedagógico. tem se indicado uma alternativa mais instru- grande crítica são os enormes estragos da prática mental. públicas ou privadas. Ao trabalharmos com a dimensão das mediações visa- Ultimamente. dentre outros) e de forma mais recente em parte da Fica o desafio para superar ou amenizar aquilo que o Europa (Bélgica. orientações para tão desafiadora prática. social mais amplo. para juntas discutir e melhorar o ofí- a formação de futuros professores. SÃO PAULO: LIBERTAD. França.

Relações: prática pedagógica. quase que uma espécie de de sugestões ou opções de o que fazer. a elaboração teórica.têm consequências práti. an- No cotidiano escolar. lições e princípios. Por isto enfatizamos a questão do afetiva. rituais. “apesar do sistema”. num sistema educacional marcado pelo sobre o material empírico. mas uma nova ecologia avaliativa. remete-nos à necessidade de finalidade . configura-se na que o professor atribui à avaliação no seu cotidiano. destas seis dimensões. valorizar.Avanço: criar novas práticas. toda prática é pautada por algum nível ça de técnicas. de reflexão. No entanto tão logo emerge esta com. a partir do trabalho de análise seletiva. obviamente. precisamos. b) Ajudar a socializar. neira como operamos com elas . o querer. isto determina mais a prática do que as infindáveis mani. sistema.Fortalecimento: valorizar as práticas inovadoras existen- tes para que não sejam efêmeras. a mudança da avaliação. que é fruto tanto da percepção de uma necessidade quan- festações teóricas já feitas. UMA NOVA INTENCIONALIDADE fluência da avaliação tradicional. dança. estaremos refletindo sobre esta cas. face às enormes contradições por ele produzi- tirarmos transformação.assim como a ma. conteúdo. dado que os sujeitos seus elementos constituintes (exemplo: conteúdo e forma). . método de trabalho para o professor. que pede entrar no movimento conceitual e no movimento histórico tanto a reflexão. a partir disso. na prática da escola são coisas que não estão escritas em O que está em pauta não é a mera existência de um rol lugar algum (currículo oculto). Fazendo uma análise das dificuldades observadas para c) Criticar. antes de existir na realidade. o que visamos tiva. criativos para imaginar novas formas de arranjo da prática quando analisamos o conjunto de sua obra. em algu- que se coloca. Este é o seu sentido mais respeito da avaliação. embora importante. A tarefa no campo da avaliação será preciso se dar conta.84 FEVEREIRO/2010 . aliada à fruição e alegria. forma. e sim. 1) AVALIAÇÃO COMO COMPROMISSO . uma vez vários aspectos. Neste primeiro capítulo. instituição.Crítica: não baixar a guarda em relação à presença e in. parece que o que tem mais força d) Explorar possibilidades ainda encobertas. refletir sobre possíveis a) Aprender com as práticas de mudança. muitas vezes. visão de mundo e valores. Esta estratégia. tal. para ser efe- Como veremos no decorrer deste trabalho. Mudança é criar possibilidades: numa sociedade tão Ora.POR . o desafio de sermos Aprendemos que o homem é um ser racional. procurar tirar equívocos que se incorre na tentativa de mudar ações tra. constatamos que os educadores estão fazendo. vivem em contextos históricos que limitam suas ações em Contudo. mudar não depende apenas do indivíduo. embora necessário. ou seja. perce- As formas de mediação que traremos representam a bemos que é racional. A observação mais atenta aponta que as mu- cepção e de pensamento: pode haver simples mudança de danças na avaliação têm ocorrido. validar práticas. nestas duas classes - contexto social assim contraditório e competitivo? A res. interiorizar. a forma corno agimos sobre o mundo. é preciso compromisso com uma causa. um novo ambiente cultural construir uma autêntica práxis transformadora. dicionais. Todavia. bate uma sé- educativa em geral. nosso empenho se tes de tudo deve estar comprometida com a aprendiza- concentra na mudança das ideias (nossas e dos colegas) a gem da totalidade dos alunos. para haver mu. . aponta para três direções: ma medida. não necessariamente no sentido do . e da avaliativa em particular. é o que justifica sua existência no processo é insuficiente se não atentarmos para as estruturas de per. O caminho para tradição pedagógica disseminada em costumes. de outro. Nossa educadores que estão buscando uma forma de superação contribuição vai no sentido de: da avaliação seletiva. para se criar não é simplesmente fazer uma ou outra mudança.Nº28 radas da própria prática das instituições de ensino e dos sistematização de iniciativas que já vêm ocorrendo. escola. no caso da avaliação. mas não no fundamen- conteúdos num arcabouço equivocado. preensão. pois.plano de ação). quanto a disposição da atividade educativa. deverá estar atenta a estes seis vetores. para assumir o caráter transformador. educativo. “saber” o que deve ser feito. analisada do educacional.Avaliação: intencionalidade. das. Nossa grande pre. Toda ação culdades percebidas. político ou econômico. seja o mundo mudança essencial no sentido da avaliação. seria possível avaliar de outra forma num cadores e da observação da prática. to da clareza de uma finalidade (dialética necessidade - Ao indicar mudanças. registrado dos discursos dos edu- autoritarismo. Avaliação e Relações . radical. se chegar a uma prática transformadora é bem mais com- discursos. se olharmos com mais cuidado. 1989:84). Isto significa que a mudança da avaliação. Qual. que é a postura de compromisso em superar as difi- ocupação é a mudança da prática do professor. vem também a ponderação de que a mudança Para mudar a avaliação. ponto de vista de sua tradução em práticas concretas na da pela forma como o percebemos (Apple. formas de organização. antes de ser uma questão lógica . ou teórica. A avaliação. superar contradições. Fica claro. A questão principal não é a mudan- humana consciente. é em parte determina. o que fazer”. e. imaginação do sujeito. é histórica: objetivamente. Sucede que. posicionamento. As ideias que nos habitam . dá-se a impressão que plexo: é a criação de um novo plano de ação do sujeito.emergem seis grandes categorias: posta a estas perguntas. mas é a mudança de paradigma. que a prática avaliativa não depende apenas dela mesma. e delas ria dúvida. COM A APRENDIZAGEM DE TODOS . O problema não é apenas “ter envolvimento de todos com tal processo. isto não é suficiente. O que estará em pauta aqui é a intencionalidade quer inovação.

No entanto. refletir Pode haver mudança no conteúdo e na forma de avali. para encobrir as questão concreta de um instrumento de avaliação. isto é importante por tratar-se de algo 2. está ao seu meiro momento. Um dos dizagem. um em práticas concretas. Nº28 . tem possibilitado avanços significati. que se articu- tanto alguns cuidados devem ser reforçados: lam intrinsecamente. A prática avaliativa. A avaliação pode se ar. em grande medida. nos sujeitos e. objetivo?). por. ção na sala de aula e que.O que se está ensinando. e não se consegue difícil. de qua- so ver. com a con. no limite.No seu conteúdo (abrangência?). se dará em cima dis- No processo de mudança. a busca de sua tradução fundamental. Conteúdo e forma são duas dimensões essenciais na O acompanhamento de processes de mudança da ava. no longo processo filogenético. tura a novos possíveis!). não há como “garantir” em . a in- culos. tanto para ele quanto . porém. com muita frequência.Na sua intencionalidade (finalidade. uma estranha indiferença . Se não houver um reenfoque da própria modalidades: autoavaliação. avaliação do siste- intencionalidade é o problema nuclear da avaliação. sistema de ensino ou sociedade não se tocar no que é decisivo: intervir na realidade a fim como um todo. . Notem que neste processo. A mudança em outros aspectos da avaliação (conteú. Muitas têm sido as tentativas de mudança da avalia. quanto ao que é idealizado. e. Esperar pouco do outro é uma forma de . aula. definitiva. sala de sala de aula e até na estrutura da escola. um dos maiores e a tradição avaliativa já tenção declarada e a enraizada.não reduzi-la a um campo por demais particular ou es. enquanto processo e enquanto produto: nova intencionalidade. até que ponto é relevante? termos absolutos. instituição de ensino.FEVEREIRO/2010 85 bom senso. que es- das. de uma tos essenciais na elaboração da proposta de trabalho: verdadeira cultura da repetência. não há uma atividade que seja intrinse. É preciso tornamo-nos homo sapiens porque intencionados. tão no espaço da autonomia do professor e da escola (aber- ção também teve um papel decisivo. . forma. obviamente. avaliação do processo de ensi- intencionalidade da avaliação. naturalmente. naturalmente. espírito crítico. . se já transformar a prática. Percebe-se que o problema não está no A concretização de uma nova intencionalidade é. exige-se atenção.Como o aluno conhece (para saber o que ensinar). . profundo desrespeito! O professor não pode desistir do . O conteúdo liação em escolas e redes de ensino têm demonstrado o da avaliação diz respeito ao o que é tornado como objetivo seguinte: de análise. está ção. da avaliação por eles praticada. prescindível e ajuda o enraizamento da nova concepção mana por excelência. vos do trabalho. dizagem. sua realiza- sem maiores mudanças em outros aspectos num pri. não nos conformamos com as condições da.Em que medida está se ensinando da forma adequada? camente emancipatória. instrumento em si . A avaliação reflete aquilo que o professor julga ser o reflexão o tempo todo. visamos à incorporação da to. para com a lógica classificatória. procurar caminhos para assegurar a apren- projetamos. Falar do conteúdo da avaliação e. mas se internamente se fecha a possibilidade. mas por ter uma razão. A no-aprendizagem. com as condi- ções de trabaIho. contudo. concretização da avaliação da aprendizagem. avaliação institucional. muda-se. encontramos muitos obstá. elevadíssimos índices de reprovação e evasão escolar. do bem. tratam de suas práticas avaliativas: expressam isto tanto em pecifico. questionamento. “Avaliar o aluno como um todo” é uma .não confundi-la com a realidade.Na sua forma (exigência quantitativa?). com o sistema de ensino.que pode variar. no entanto. A mudança na intencionalidade da avaliação. Quando vamos discutir com os professores alguma . Ao analisarmos as condições para a mudança da grandes problemas da educação escolar é a falta de arti- intencionalidade da avaliação. Do ponto de vista do pro- tanciais. é im- porquê para sua ação. culação entre o que se quer e a prática pedagógica. ocorre. das representações mais fortes entre os professores quando .não usá-la como refugio dos conflitos. 2) CONTEÚDO E FORMA DA AVALIAÇÃO dição de vida dos alunos?). antes de tudo. bem como para com os . Muitos professores expressam a percepção da ne- do. não contradições da prática. “o que vale”. a nos. alcance por não depender tanto de fatores externos. mas naquilo que está sendo ensinado. do belo.O que o aluno precisa aprender (para definir o que ensinar). Onde estaria o núcleo do problema não acredita que o aluno possa aprender. muda-se. Dependendo do foco. de pouco adiantara.Nas suas relações (com a metodologia. sobre o campo sobre o qual irá incidir. Contudo. cesso de mudança. coerentes com o princípio. o maior desafio contemporâneo da avaliação da apren. teremos suas várias de transformar. para o aluno. A situação do professor. pode haver mudança na metodologia de trabalho em dar sobre diferentes aspectos da realidade: indivíduo. aluno! Todo ser humano é capaz de aprender. investigar. lidade -. mesmo que constitui o cotidiano mesmo da avaliação. por parte do professor. na própria instituição. relação ao que estão realizando. ma educacional e avaliação do sistema social.não deixar de perceber seu enraizamento na realidade. A forma refere-se ao “como“ esta avaliação 1. raramente vem certa decepção ou um sério . a avalia. porque ousar. da avaliação? com certeza ficará mais difícil ainda. se já não tenta.não tomá-la como absoluta. relações) sem a mudança na sua cessidade de mudança tanto na forma quanto no conteúdo intencionalidade não tem levado a alterações mais subs. Assim temos dois aspec- existente: há a assimilação. Existem soluções relativamente simples. A intencionalidade é a marca hu.

alidade. Corrigir esta distorção e o outro está presente. articuladas com a nova intencionalidade. É claro que o como cação da prática escolar. de imediato o questionamento: o que vale a atividade-fim. relacionamentos. e as questões pode ficar comprometida se ele se prender a instrumentos pedagógicas fundamentais não são devidamente e formas de avaliar tradicionais. portanto. na atualidade. O trabalho de construção do conhecimento na escola vinhas” . está muito difícil ser professor. particu- nua. na medida em que cola- abominável ênfase seletiva. dado que. antes de mais nada. con- aluno. Até que ponto o instrumento bora para a formação de sujeitos passivos. as ma. resgata. metodologia. ação. implica reconhecer que a avaliação da aprendizagem se mas quando os dois estão em baixo nível. o trabalho em . seu elemento fulcral que é a gestão mesma do com a apropriação efetiva do conhecimento por parte do processo de conhecimento (necessidades. a qualidade do instrumento também é importan. organização da coletividade. Ocorre que este como enfocadas. a no processo pedagógico. de maneira que quando falta um. perspectivas são fundamentais: o sentido para o estudo para o trabalho pedagógico e a forma adequada de traba- 3) AVALIAÇÃO E VÍNCULO PEDAGÓGICO lho em sala de aula. ante do que é essencial na tarefa educativa escolar. é essa atenção e ocupação permanente do professor larmente. tão da formação humana através do trabalho com o co- Quando interrogamos os professores sobre o como deve nhecimento baseado no relacionamento interpessoal e na ser a avaliação. Neste quadro.Do ponto de vista objetivo. a questão seria muito ção às finalidades (da educação e da avaliação) e a busca simples: o professor resgatar o seu papel essencial que é de mediações adequadas (de ensinar e de avaliar). processo de ensino-aprendizagem.86 FEVEREIRO/2010 . preci- possível descompasso entre o que se pensa ser o mais sa ser resgatado. brasileira contemporânea. te.embora não prescinda de instrumentos e ativida. e constantemente criticada. para que venham a se constituir em práxis . quando surgem dificuldades em sala. teúdos. e não o multiplicar “pro. um compromisso durante todo o além da avaliação). no contexto da escola o tempo o professor incorpore uma nova tecnologia de avali. passa a usar a desafios que se implicam: a mudança de postura em rela. uma vez que: não possam ser eliminados -. mas “sobreviver”. pois a própria transformação da postura do professor procura-se resolver pela pressão da nota. não é isto que vem avaliar. Como esta intuição não é nata. seja pelo controle. O que vislumbramos é que os professores tenham uma a preocupação maior do professor. canaliza a culpa para alguém tem de ser trabalhada. Todavia. queremos abarcar o conjunto do traba- enfatizadas. das condições de trabalho transformadora. não está sendo ensinar. contí. Se a finalidade importante e aquilo que efetivamente está se solici. o proble- A forma de avaliar diz respeito ao “como”. mas que possam desenvolver sedução. visando superar sua alienação da organização social. mentefatos avaliativos (nele e nos alunos). construída. com a interação aluno-objeto do conhecimento-re. lho que o docente desencadeia em sala de aula e. Embora isto pareça elementar. o estudo. esta finalidade não vem se realizan- pena ensinar? do a contento. Já da ótica peda- instituições de ensino. há uma espécie de compensação. tes. ensinar. a avaliação tendeu a se automatizar. as rotinas. enfim. não realizar uma atividade significativa traz como Nossa preocupação fundamental se centra em relação consequência contribuir para a reprodução do sistema de à avaliação e à mudança de postura. se tornar um fim em si mesma. que as várias iniciativas avaliativas devem estar (controle disciplinar). influi? Entendemos que os instrumentos não são neutros. objetivos. com frequência.mais ou menos consciente . No entanto. . No fundo. neiras de fazer e de expressar os resultados da avaliação O grande desafio pedagógico em sala de aula é a ques- da aprendizagem. a perspectiva da avaliação como proces. e a não concreta com que a avaliação se dará no cotidiano das totalidade dos alunos que por ela passa. é uma postura. o gógica. acríticos. como analisamos aci- tecnologia educacional incorporada. sua pois. está baseado no trabalho de gerações passadas e presen- des variadas. estamos di- da avaliação. interfaces. qual seja. de invés de o professor investir na mobilização do aluno para nada adiantara sofisticar o instrumento. Entendemos que avaliação processual. Estes dois elementos se combinam Historicamente. ao abordarmos o vínculo pedagógico. recursos. que precisem ma. ocorrendo. envolve os rituais.embora estes ma de alívio. seja pela cada vez menos de artefatos. a maneira ma central da escola. para a proposta de trabalho. de maneira que confie na sua experiência.Nº28 . bem como a outras Mas o que colocar no lugar da pressão da nota? Duas dimensões do processo educativo. (aluno/família). avaliação como arma.Do ponto de vista subjetivo. São. na sua intui. Se não mudarem as finalidades. Cabe lembrar. na proposta de trabalho equivocada. A pergunta sobre o conteúdo ensino. a avaliação tradicional tende a ser uma for- ção e fique mais livre de instrumentos formais . de tal forma que. Quando nos referimos ao vín- so costuma ser outra representação das mais presentes e culo pedagógico. sobre o que deve ser avaliado.Devemos atentar para o dá no campo pedagógico que. A avaliação deveria ser uma mediação para a qualifi- embora tenham uma autonomia relativa. compreendemos que o problema nuclear reside desdobramento das diretrizes e normas. do ponto de vista político. configurado e valorizado. da escola pode ser assumida como a educação através do tando nas avaliações. Almeja-se que com É necessário reconhecer que. A existência da reprovação desde as séries está ligado à concepção (arraigada) de educação que o iniciais introduz a alienação na relação pedagógica: ao professor/escola tem.

ouve-se a nado. mas é fruto de um trabalho cole. não deixar que fique absolutamente fundamental. O ser humano gosta de novas formas de organização. É um instru- INSTITUCIONAIS E SOCIAIS mento teórico-metodológico de transformação da realida- No processo de mudança. se dos. É entendido como a refa fundamental é. mas nem por isso são própria cabeça. ria à proposta de ensino: para quem não sabe o que quer. a tomada de lação alienada . sistematizada. nejamento participativo. descobrir novas possibilidades de organi- dispensáveis. da nismo corporativo do que zelo pedagógico. consciente. a avaliação – como regulagem das aprendiza. Assim. passar de ano consciência e a boa vontade de cada um. no seu conjunto é conseguir articular uma efetiva visão de tivo. Os educadores. apontam. com o planejado e avaliar sua prática (Methodos). pergunta: “Como posso conhecer melhor os alunos. de um processo de pla- dor. O processo de elabora- qualquer esforço na direção de uma nova concepção dos ção participativa do projeto é um espaço privilegiado de atores sociais. A transformação na avaliação não se restringe a um es. dentro e fora da escola. participativa. no professor: são anos e anos de trabalho gens – é tomada como base para reorientar a organização isolado. é que permite o dos a isto. solicitar aumento de aulas semanais sugere mais oportu- mento que vem da compreensão. nunca definitiva. professores e alunos redescobrem o gosto pelo conheci. O preparo ade. de. A instituição deve ter uma forma de organização que Concluímos. por. tos. pedem abertura à superação. Por meio de novas atividades. o significado é bem diferente implica basicamente: conhecer a realidade. numa nova cultura no de qualidade democrática para todos)! . é a sua explicação e concretização zação do real. Muitas vezes. É importante percebermos mento de organização e integração da atividade prática da este contexto maior e termos dele uma leitura crítica. Tornar vivo o projeto. pois. construir um vínculo pedagógico coerente com o com.ser melhor. leis. rotinas. negocia. a partir de um Projeto político Liberta. Trata-se de um importante caminho 4) AVALIAÇÃO E MUDANÇAS para a construção da identidade da escola. O que se espera é a adequação da carga horá- pela “muleta” das ameaças. precisa ser articulada com engavetado. ganhar o aluno pela proposta pedagógica e não curricular. As estruturas sinte. fazê-lo advir. antes de ser uma questão para que eles não precisem da nota a fim de controlar os de avaliação da aprendizagem. científica. na medida mudança avaliativa não pode ficar restrita à mudança de em que expressa o compromisso do grupo com uma ca- mentalidade e práticas dos professores. Nº28 . romper essencial da participação do professor no processo de com qualquer subterfúgio que leve à exclusão. que é o plano global da instituição. desfrutar o prazer de conhecer. Mas quando a escola assume aquilo A atividade do professor numa perspectiva dialética enquanto proposta coletiva. firmeza. dição para a consolidação da mudança da avaliação. objetiva-se em estruturas: construção de futuro positiva para a juventude. agir de acordo Reside aí a importância do Projeto político pedagógico. ao contrário. regras etc. orgâni- pelo contrario. objetivos e traçar mediações significativas. regras. e não mais na nota. e certo melhor. . do. Uma coisa é um professor fazer algo inovador. como forma de superação do vínculo alie. melhor aproveitamento. deve nhando de uma prática imitativa (cultura da reprovação) se traduzir em práticas concretas. ser capaz de intervir. sistematização. inclusive a ca. e cacional e da sociedade. só que cadores em relação à avaliação não se limitam a ela. que estão inovando a prática pedagó. de todas as maneiras. A instituição neste processo de transformação. O envolvimento da escola como um todo (tam- termos de superação é o poder de o professor estar centrado bém as estruturas administrativas e comunitárias) é con- na proposta pedagógica. ção individual ser fundamental. Apesar de a participa- do trabalho pedagógico (replanejamento).. a desafios. a cada instante. e. todavia. abrir novos horizontes que fornecerá o patamar para novas mudanças. do entendimento. pouco convivo com eles?” Ora. O individualismo está muito enraizado na sociedade e. sob pena de se comprometer sim de todos que o construíram. este comprometimento dos educadores. e a busca de uma metodologia participativa em sala. Este dese. Uma queixa recorrente entre os educadores diz respei- gica. a tarefa que está posta é a de superar sua formu- fim de que não seja preciso. construção do coletivo escolar. o resgate da significação do estudo e dos conteú. em institucional. do sistema edu. ritos. que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. por outro lado. não é mudanças estruturais da própria escola. da segurança. mudança na condição de sujeito (e não de objeto). remetem a outros aspectos. em particular. E a ta. conseguir nota. cami- jo. isto tem seu valor. trata-se de avaliação alunos. pensar com a tanto. refletir. incorporá-lo na prática. que se aperfeiçoa e se objetiva na promisso com a aprendizagem efetiva de todos os alunos. Uma das maiores tarefas colocadas para a sociedade forço isolado do professor. rituais. É um ele- organização escolar e social. cada um busca a sua saída. não deixar ninguém pelo caminho. enfatizando a importância absolutamente seja inclusiva. o que é essencial. as manifestações dos edu. ter clareza de em termos de processo de mudança.e apontar novas tarefas para os alunos: aprender mais e tizam o desejo do grupo num determinado momento. muito de uma forma refletida. Visa ajudar a enfrentar os desafios cotidianos. que busque. to à carga horária das disciplinas. vale dizer. tarefa especifica de um ou outro membro da instituição. não podemos ficar limita- quado do curso. O que se vislumbra. caminhada. percepção do aumento da capacidade de intervir no mun. em iniciativas. ou reativa (mera aprovação) a práxis transformadora (ensi- ções.FEVEREIRO/2010 87 sala fica quase impossível. avançar jun- que devemos estar atentos ao risco de se fossilizarem. embora isto seja minhada.

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15. ZABALA, ANTONI. A PRÁTICA EDUCATIVA: COMO
ENSINAR. PORTO ALEGRE: ARTMED, 1998

Maria Angélica Cardoso1

O livro de Antoni Zabala objetiva “oferecer determinados utilizadas são a sócio-antropológica, que está determina-
instrumentos que ajudem [os professores] a interpretar o da pela concepção ideológica da resposta à pergunta “para
que acontece na aula, conhecer melhor o que pode se fazer que educar?”; e a fonte epistemológica, que define a fun-
e o que foge às suas possibilidades; saber que medidas po- ção do saber, dos conhecimentos e das disciplinas. Este
dem tomar para recuperar o que funciona e generalizá-lo, referencial busca o sentido e a função social que se atribui
assim como para revisar o que não está tão claro” (p.24). ao ensino. O outro referencial engloba as fontes psicológi-
ca e didática. Dificilmente pode se responder à pergunta
1 A Prática Educativa: unidades de análise “como ensinar?”, objeto da didática, se não se sabe sobre
O autor inicia o primeiro capítulo afirmando que “um os níveis de desenvolvimento, os estilos cognitivos, os rit-
dos objetivos de qualquer bom profissional consiste em mos e as estratégias de aprendizagem. Este busca a con-
ser cada vez mais competente em seu ofício” (p. 13). Esta cepção dos processos de ensino/aprendizagem.
competência é adquirida mediante o conhecimento e a
experiência. 2 A Função Social do Ensino e a Concepção
Para Zabala a melhora de qualquer das atuações hu- sobre os Processos de Aprendizagem:
manas passa pelo conhecimento e pelo controle das vari- instrumentos de análise
áveis que intervêm nelas. Conhecer essas variáveis permi- Com base no ensino público da Espanha, Zabala afir-
tirá ao professor, previamente, planejar o processo ma que, além das grandes declarações de princípios, sua
educativo, e, posteriormente, realizar a avaliação do que função social “tem sido selecionar os melhores em rela-
aconteceu. Portanto, em um modelo de percepção da rea- ção à sua capacidade para seguir uma carreira universitá-
lidade da aula estão estreitamente vinculados o planeja- ria ou para obter qualquer outro título de prestígio reco-
mento, a aplicação e a avaliação. nhecido” (p. 27), subvalorando o valor informativo dos pro-
Para analisar a prática educativa, Zabala elege como cessos que os alunos/as seguem ao longo da escolarização.
unidade de análise básica a atividade ou tarefa – exposição, Uma forma de determinar os objetivos da educação é
debate, leitura, pesquisa bibliográfica, observação, exercíci- analisar as capacidades que se pretende desenvolver nos
os, estudo, etc. – pois ela possui, em seu conjunto, todas as alunos. Contudo, existem diferentes formas de classificar
variáveis que incidem nos processos de ensino/aprendiza- as capacidades do ser humano. Zabala utiliza a classifica-
gem. A outra unidade eleita são as sequências de atividades ção proposta por Coll – capacidades cognitivas ou intelec-
ou sequências didáticas: “conjunto de atividades ordena- tuais, motoras, de equilíbrio e autonomia pessoal (afetivas),
das, estruturadas e articuladas para a realização de certos de relação interpessoal e de inserção e atuação social. Mas
objetivos educacionais, que têm um princípio e um fim co- quais os tipos de capacidade que o sistema educativo deve
nhecidos tanto pelos professores como pelos alunos” (p. levar em conta?
18). Ou seja, a sequência didática engloba as atividades. Diretamente relacionados aos objetivos da educação estão
Apoiando em Joyce e Weil (1985), em Tann (1990) e os conteúdos de aprendizagem. Coll (1986) os agrupa em
em Hans Aebli (1988) Zabala determina as variáveis que conteúdos conceituais – fatos, conceitos e princípios –
utilizará para a análise da prática educativa, quais sejam: procedimentais – procedimentos, técnicas e métodos – ou
as sequências de atividades de ensino/aprendizagem ou atitudinais – valores, atitudes e normas. Classificação que
sequências didáticas; o papel do professor e dos alunos; a corresponde, respectivamente, às perguntas: “O que se deve
organização social da aula; a maneira de organizar os con- saber?”, “O que se deve saber fazer?” e “Como se deve ser?”.
teúdos; a existência, as características e uso dos materiais Assim, no ensino que propõe a formação integral a presen-
curriculares e outros recursos didáticos; o sentido e o pa- ça dos diferentes tipos de conteúdo estará equilibrada; por
pel da avaliação. outro lado, um ensino que defende a função propedêutica e
Considerando a função social do ensino e o conheci- universitária priorizará os conceituais.
mento do como se aprende como os instrumentos teóri- Quanto ao segundo referencial de análise – a concep-
cos que fazem com que a análise da prática seja realmente ção dos processos da aprendizagem – Zabala afirma que
reflexiva, Zabala utiliza dois grandes referenciais: o primei- não é possível ensinar nada sem partir de uma ideia de
ro está ligado ao sentido e o papel da educação. As fontes como as aprendizagens se produzem. As aprendizagens

1 Pedagoga, especialista em Formação Docente pela UNIDERP, mestre em Educação pela UFMS, doutoranda em Filosofia e História da Educação pela
UNICAMP. cardosoangelica@terra.com.br

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dependem das características singulares de cada um dos coordenadas dirigidas para a realização de um objetivo.
aprendizes. Daí decorre que um enfoque pedagógico deve São conteúdos procedimentais: ler, desenhar, observar,
observar a atenção à diversidade dos alunos como eixo calcular, classificar, traduzir, recortado, saltar, inferir, espe-
estruturador. Assim, o critério para estabelecer o nível de tar, etc. Em termos gerais aprendem-se os conteúdos
aprendizagem serão as capacidades e os conhecimentos procedimentais a partir de modelos especializados. A rea-
prévios de cada aluno/a. Esta proposição marcará tam- lização das ações que compõem o procedimento ou a es-
bém a forma de ensinar. tratégia é o ponto de partida. O segundo passo é que a
Zabala defende a concepção construtivista como aquela exercitação múltipla – fazê-lo tantas vezes quantas forem
que permite compreender a complexidade dos processos necessárias – é o elemento imprescindível para o domínio
de ensino/aprendizagem. Para esta concepção “o ensino competente do conteúdo. A reflexão sobre a própria ativi-
tem que ajudar a estabelecer tantos vínculos essenciais e dade é o terceiro passo e permite que se tome consciência
não-arbitrários entre os novos conteúdos e os conhecimen- da atuação. O quarto e último passo é a aplicação em con-
tos prévios quanto permita a situação” (p. 38). Na concep- textos diferenciados que se baseia no fato de que aquilo
ção construtivista, o papel ativo e protagonista do aluno que se aprende será mais útil na medida em que se pode
não se contrapõe à necessidade de um papel também ati- utilizá-lo em situações nem sempre previsíveis.
vo do educador. A natureza da intervenção pedagógica esta- O termo conteúdo atitudinal engloba valores, atitudes
belece os parâmetros em que pode se mover a atividade e normas. Cada grupo apresentando uma natureza sufici-
mental do aluno, passando por momentos sucessivos de entemente diferenciada. Considera-se que o aluno adqui-
equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio. Nesse processo in- riu um valor quando este foi interiorizado e foram elabora-
tervêm, junto à capacidade cognitiva, fatores vinculados dos critérios para tomar posição frente àquilo que deve se
às capacidades de equilíbrio pessoal, de relação interpessoal considerar positivo ou negativo. Que aprendeu uma atitu-
e de inserção social. de quando pensa, sente e atua de uma forma mais ou menos
Após expor, em condições gerais, o processo de apren- constante frente ao objeto concreto para quem dirige esta
dizagem segundo a concepção construtivista, o autor pas- atitude. E que aprendeu uma norma, considerando três
sa a expor sobre a aprendizagem dos conteúdos conforme graus: o primeiro quando se trata de uma simples aceita-
sua tipologia. ção; o segundo quando existe uma conformidade que im-
Os conteúdos factuais englobam o conhecimento de plica certa reflexão sobre o que significa a norma; e o últi-
fatos, situações, dados, fenômenos concretos e singula- mo grau quando interioriza a norma e aceita como regra
res. São conhecimentos indispensáveis para a compreen- básica de funcionamento da coletividade que a rege.
são da maioria das informações e problemas que surgem Concluindo, Zabala identifica e diferencia a concepção
na vida cotidiana e profissional. Considera-se que o aluno/ tradicional da concepção construtivista, a partir dos dois
a aprendeu um conteúdo factual quando é capaz de re- referenciais básicos para a análise da prática. Na concep-
produzi-lo, portanto, a compreensão não é necessária. Diz- ção tradicional a sequência de ensino/aprendizagem deve
se que o aluno/a aprendeu quando é capaz de recordar e ser a aula magistral, que corresponde aos objetivos de ca-
expressar de maneira exata o original. Quando se referem ráter cognitivo, aos conteúdos conceituais e à concepção
a acontecimentos pede-se uma lembrança o mais fiel pos- da aprendizagem como um processo acumulativo através
sível. Se já se tem uma boa compreensão dos conceitos a de propostas didáticas transmissoras e uniformizadoras.
que se referem os dados, fatos ou acontecimentos, a ativi- As relações interativas são de caráter diretivo: professor/
dade fundamental para sua aprendizagem é a cópia. Este aluno; os tipos de agrupamentos se circunscrevem às ati-
caráter reprodutivo comporta exercícios de repetição ver- vidades de grande grupo. A distribuição do espaço reduz-
bal, listas e agrupadas segundo ideias significativas, rela- se ao convencional. Quanto ao tempo, estabelece-se um
ções com esquemas e representações gráficas, associa- módulo fixo para cada área com uma duração de uma hora.
ções, etc. Para fazer estes exercícios de caráter rotineiro é O caráter propedêutico do ensino faz com que a organiza-
imprescindível uma atitude ou predisposição favorável. ção dos conteúdos respeite unicamente a lógica das ma-
Os conteúdos conceituais abrangem os conceitos e térias. O livro didático é o melhor meio para resumir os
princípios. Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, conhecimentos e, finalmente, a avaliação tem um caráter
objetos ou símbolos que têm características comuns, e os sancionador centrado exclusivamente nos resultados.
princípios se referem às mudanças que se produzem num A concepção construtivista apresenta uma proposta de
fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos compreensividade e de formação integral, impulsionando
ou situações e que, normalmente, descrevem relações de a observar todas as capacidades e os diferentes tipos de
causa-efeito ou de correlação. Considera-se que o aluno/a conteúdo. O ensino atende à diversidade dos alunos, por-
aprendeu quando este é capaz não apenas repetir sua de- tanto a forma de ensino não pode se limitar a um único
finição, mas também utilizá-la para a interpretação, com- modelo. Conforme Zabala (p. 51) “é preciso introduzir, em
preensão ou exposição de um fenômeno ou situação; quan- cada momento, as ações que se adaptem às novas neces-
do é capaz de situar os fatos, objetos ou situações concre- sidades informativas que surge constantemente”. O obje-
tas naquele conceito que os inclui. tivo será a melhoria da prática. Nesta concepção, o co-
Um conteúdo procedimental é um conjunto de ações nhecimento e o uso de alguns marcos teóricos levarão a

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uma verdadeira reflexão sobre a prática, fazendo com que diversidade dos alunos e de situações à posição de desafi-
a intervenção pedagógica seja o menos rotineira possível. ar, dirigir, propor, comparar. Tudo isso sugere uma interação
direta entre alunos e professores, favorecendo a possibili-
3 As Sequências Didáticas e as dade de observar e de intervir de forma diferenciada e con-
Sequências de Conteúdo tingente nas necessidades dos alunos/as.
Neste capítulo o autor apresenta o estudo da primeira Do conjunto de relações necessárias para facilitar a apren-
variável que incide sobre as práticas educativas: a sequência dizagem se deduz uma série de funções dos professores,
didática. Ele apresenta quatro unidades didáticas como que Zabala (p. 92-104) caracteriza da seguinte maneira:
exemplo e as analisa sob os aspectos do conteúdo, da a) Planejar a atuação docente de uma maneira sufici-
aprendizagem, da atenção à diversidade e da sequência e entemente flexível para permitir adaptação às necessida-
tipologia dos conteúdos. des dos alunos em todo o processo de ensino/aprendiza-
O autor conclui que nestas propostas de trabalho apa- gem. Por um lado, uma proposta de intervenção suficien-
recem para os alunos diferentes oportunidades de apren- temente elaborada; e por outro, com uma aplicação extre-
der diversas coisas, e para os professores, uma diversida- mamente plástica e livre de rigidez, mas que nunca pode
de de meios para captar os processos de construção que ser o resultado da improvisação. b) Contar com as contri-
eles edificam, de possibilidades de neles incidir e avaliar. buições e os conhecimentos dos alunos, tanto no início
Que os diferentes conteúdos que os professores apresen- das atividades como durante sua realização.
tam aos alunos exigem esforços de aprendizagem e aju- c) Ajudá-los a encontrar sentido no que estão fazendo
das específicas. para que conheçam o que têm que fazer, sintam que po-
Refletir sobre o processo ensino/aprendizagem implica dem fazê-lo e que é interessante fazê-lo.
apreender o que está sendo proposto de maneira signifi- d) Estabelecer metas ao alcance dos alunos para que
cativa. Discernir o que pode ser objeto de uma unidade possam ser superadas com o esforço e a ajuda necessários.
didática, como conteúdo prioritário do que exige um tra- e) Oferecer ajudas adequadas, no processo de cons-
balho mais continuado pode nos conduzir a estabelecer trução do aluno, para os progressos que experimenta e
propostas mais fundamentadas, suscetíveis de ajudar mais para enfrentar os obstáculos com os quais se depara.
os alunos e a nós mesmos. As diferentes propostas didáti- f) Promover atividade mental auto-estruturante que per-
cas analisadas têm diferentes potencialidades quanto à mita estabelecer o máximo de relações com novo conteú-
organização do ensino. Portanto, “mais do que nos mover- do, atribuindo-lhe significado no maior grau possível e fo-
mos pelo apoio acrítico a um outro modo de organizar o mentando os processos de meta-cognição que lhe permi-
ensino devemos dispor de critérios que nos permitem con- tam assegurar o controle pessoal sobre os próprios co-
siderar o que é mais conveniente num dado momento para nhecimentos e processos durante a aprendizagem.
determinados objetivos a partir da convicção de que nem g) Estabelecer um ambiente e determinadas relações
tudo tem o mesmo valor, nem vale para satisfazer as mes- presididos pelo respeito mútuo e pelo sentimento de con-
mas finalidade. Utilizar esses critérios para analisar nossa fiança, que promovam a autoestima e o autoconceito.
prática e, se convém, para reorientá-la” (p.86). h) Promover canais de comunicação que regulem os
processos de negociação, participação e construção.
4 As Relações Interativas em Sala de Aula: i) Potencializar progressivamente a autonomia dos alu-
o papel dos professores e dos alunos nos na definição de objetivos, no planejamento das ações
Para Zabala (p. 89) as relações que se estabelecem en- que os conduzirão aos objetivos e em sua realização e con-
tre os professores, os alunos e os conteúdos de aprendiza- trole, possibilitando que aprendam a aprender.
gem constituem a chave de todo o ensino e definem os j) Avaliar os alunos conforme suas capacidades e seus
diferentes papéis dos professores e dos alunos. esforços, levando em conta o ponto pessoal de partida e o
A concepção tradicional atribui ao professor o papel de processo através do qual adquirem conhecimentos e in-
transmissor de conhecimentos e controlador dos resulta- centivando a autoavaliação das competências como meio
dos obtidos. Ao aluno cabe interiorizar o conhecimento para favorecer as estratégias de controle e regulação da
que lhe é apresentado. A aprendizagem consiste na repro- própria atividade.
dução da informação. Esta maneira de entender a apren- Concluindo, Zabala afirma que os princípios da con-
dizagem configura uma determinada forma que relacio- cepção construtivista do ensino e da aprendizagem esco-
nar-se em classe. lar proporcionam alguns parâmetros que permitem orien-
Na concepção construtivista ensinar envolve estabele- tar a ação didática e que, de maneira específica ajuda a
cer uma série de relações que devem conduzir à elabora- caracterizar as interações educativas que estrutura a vida
ção, por parte do aprendiz, de representações pessoais de uma classe, estabelecendo as bases de um ensino que
sobre o conteúdo. Trata-se de um ensino adaptativo, isto possa ajudar os alunos a se formarem como pessoas no
é, um ensino com capacidade para se adaptar às diversas contexto da instituição escolar.
necessidades das pessoas que o protagonizam. Portanto,
os professores podem assumir desde uma posição de in- 5 A Organização Social da Classe
termediário entre o aluno e a cultura, a atenção para a Neste capítulo Zabala analisa a organização social da

São adequadas para o trabalho de con. A utilização do espaço começa a ser problematizada gurança efetiva. Freinet de “contrato de trabalho”. de toda uma coletividade. o aluno sinta responsável. conjunto de cadeiras e mesas enfileiradas e alinhadas de liza. grupo é especialmente adequado para a assembléia. Uma forma de pode variar conforme as atividades previstas no transcur- trabalho individual especialmente útil é o denominado por so de uma semana. sobretudo. O planejamento tor- memorização posterior de conceitos e. áreas ou matérias. O trabalho individual é especialmente útil mo da escola. para na-se necessário para que se estabeleça um horário que a maioria dos conteúdos procedimentais. Historicamente a forma mais habitual de la condiciona o que pode se fazer nos diferentes níveis da preparar as pessoas mais jovens para sua integração na escola. que em cada lhados determinam novas necessidades espaciais. uma tarefa determinada. para o aluno. dois ou mais alunos com a finalidade de desenvolver uma A ampliação dos conteúdos educativos e. Ao mes- capacidade de ampliar a resposta à diversidade de interes. Nos “contratos de tra- balho” cada aluno estabelece um acordo com o professor 6 A Organização dos Conteúdos sobre as atividades que deve realizar durante um período de As relações e a forma de vincular os diferentes conteú- tempo determinado. O grupos/classe fixos é a maneira convencional de frente para o quadro-negro e para a mesa do professor. os trabalhos em grupo der a continuidade. e a outra. no caso dos conteúdos atitudinais o grande a maneira de entender os valores por parte da escola.FEVEREIRO/2010 91 classe. os grupos/clas. oferecida pe- Concluindo: a forma de agrupar os alunos não é uma los métodos globalizados. atitudinais. Nº28 . Atualmente são titui um bom indicador da coerência entre as intenções diversas as formas de agrupamento dos alunos e de orga. das escolas. especialmente. Implica o conjunto de do lógico de uma escola fundamentalmente transmissora. As vantagens são. No entanto. a sidade da aprendizagem e num objetivo do ensino. protagonista da educação. forma de organização apropriada para o ensino de fatos. por outro. as aprendizagens leva os professores a reconsiderar que balho dos conteúdos atitudinais no âmbito das relações estes modelos inflexíveis. de espaço dessa atividade. durante um período de tempo. As diversas formas de agrupamento dos alunos são articular um trabalho personalizado interessante e pelo qual úteis para diversos objetivos e para o trabalho de diferen. rio revisar o tratamento do espaço já que é necessária uma po todo o grupo faz o mesmo ao mesmo tempo. sar se o tempo não for considerado como uma autêntica recem numerosas oportunidades para trabalhar conteúdos variável nas mãos dos professores. atuação consequente com a maneira como se produzem teúdos procedimentais. formativas e os meios para alcançá-las. legas estável. educativamente falando. os espaços de que dispõe e como são utiliza- po/escola em que toda escola tem uma forma de estrutura dos corresponde a uma ideia muito clara do que deve ser social determinada. no excetuando-se o papel da assembleia e das necessidades caso dos conceitos e princípios aparecem muitos proble. quando o protagonismo do ensino se desloca do professor ses móveis ou flexíveis são agrupamentos em que os com. Para os conteúdos procedimentais é impossível aten. as características dos conteúdos a serem traba- ses e competências dos alunos e. Quanto aos conteúdos atitudinais. ou seja. É uma atenção às diferenças. Para a grupo existe uma homogeneidade que favorece a tarefa dos aplicação dos conteúdos procedimentais torna-se necessá- professores. não pode se dei- para memorização de fatos. sua relação com a variável espa- mas. metodológicas. Existem duas sequência mais ou menos ordenada. os contratos A diferença básica entre os dois modelos está no fato de trabalho podem constituir-se num instrumento eficaz para de que para os métodos globalizados as disciplinas não . organizar os grupos de alunos nas escolas. por um lado. Parece lógica que a distribuição atual das esco- grupal são determinadas pela organização e pela estrutura las continue a ser um conjunto de salas de aula com um de gestão da escola e pelas atividades que toda escola rea. e ain- insuficiente. mas é Quanto à distribuição do tempo: o tempo teve. onde os conteúdos das unida- decisão técnica prévia ou independente do que se quer en. é evidente que o rit- interpessoais. Essa forma trabalho é interessante só dos de aprendizagem que formam as unidades didáticas é para aqueles conteúdos que permitem estabelecer uma o que se denomina organização de conteúdos. A organização da classe em equipes fixas da tem. ao mesmo tempo que cons- coletividade eram os processos individuais. Além de sua Trata-se de uma disposição espacial criada em função do facilidade organizativa. que favoreçam as aprendizagens se converte numa neces- dades. oferece aos alunos um grupo de co. Quanto à distribuição do espaço: na estrutura física A primeira configuração considerada pelo autor é o gru. alguns con. mo tempo. para o profundamente da xar levar pela aparente improvisação. seada nas disciplinas ou matérias. ço está associada à série de manifestações que constituem der a diversidade. proposições acerca das formas de organizá-los: uma ba- teúdos factuais e muitos conteúdos procedimentais. o professor. um papel decisivo na configuração das propostas consiste em distribuir os alunos em grupos de 5 a 8 compo. Criar um clima e um ambiente de convivência ponentes do grupo/classe são diferentes conforme as ativi. Também será apropriada para o tra. Muitas das boas intenções podem fracas- nentes. As características desta organização o ensino. As equipes fixas ofe. favorecendo as relações interpessoais e a se. A terceira configuração. nização das atividades às quais o professor pode recorrer. não excluem o trabalho e o esforço individuais. Na organização da classe como grande gru. des didáticas passam de uma matéria para outra sem per- sinar e de que aluno se quer formar. A sexta configuração é a organização da classe A estruturação horária em períodos rígidos é o resulta- em equipes móveis ou flexíveis. o papel formativo do grupo/esco- tes conteúdos.

sideradas matéria de estudo possibilitando estabelecer três graus de relações disciplinares: 7 Os Materiais Curriculares 1) Multidisciplinaridade: é a mais tradicional. quem são os sujeitos e dadãos preparados para conhecer e interagir com o meio. assegurar a sua idoneidade. apesar das di. ideias. as diversas formas de relação e soal. Esse método var se cumprem os requisitos da aprendizagem significati- nasce a partir do termo sincretismo introduzido por Claparède va. estreitamente ligada à função que se atribui a todo o pro- mação de cidadãos democráticos e com espírito científi. para alcançar sua característi- educativas. onde uma nientes. Os con. os projetos de trabalho globais enten. verificar a sequência de ativida- cacionais. vantagens e inconve- til e nas séries iniciais do ensino fundamental. Nesta con. para o método de estudo do meio a for. profissional. dentre eles quatro. . Zabala conclui que. não apenas potencializa o processo como oferece indicando seus pontos de partida. tos que proporcionam ao educador referências e critérios 2) Interdisciplinaridade: é a interação entre duas ou mais para tomar decisões. Por suas características eles podem ser tais. Esta característica é que os tornam suscetí- Tomando as disciplinas como organizadoras dos con. por sua vigência atual. Nesse sentido suas possibilidades e potencialidades co. embora todos priorizem o aluno e o como se aprende. sua perspectiva se subjacente a um determinado material. por parte dos profes- enfoque globalizador como instrumento de ajuda para a sores. referem. tanto no planejamento como na in- disciplinas que pode ir desde a simples comunicação de tervenção direta no processo de ensino/aprendizagem e ideias até a integração recíproca dos conceitos fundamen. de sua avaliação. teúdos são trabalhados. mente. da teoria do conhecimento. rotineiras. duras. pação social. diferentes recursos – sua utilização. e os outros Recursos Didáticos teúdos escolares são apresentados por matérias indepen. materiais. elabora propostas de materiais curriculares para a aproximação global de caráter psicopedagógico determina escola e indica alguns critérios para análise e seleção dos certas relações de conteúdos com pretensões integradoras. Decroly com termo globalismo. o que somos. portanto. ticos conforme a tipologia dos conteúdos. implica atribuir-lhes seu verdadeiro e fundamental recer a realização dos objetivos educacionais. Existem vários métodos que podem ser considerados A conclusão do autor: de nenhum modo os materiais globalizados. Porque avaliar. o estudo do meio do gens. se bem uti- MCE e os projetos de trabalho globais. o aspecto que enfatizam na função social é diferente. Pelo de proporcionar os meios ou instrumentos que deve favo. analisar cada diferentes disciplinas. como avaliar. último capítulo. e. suas sequências de en. compreensão e partici- de básica são as matérias e sua aprendizagem. ca de um instrumento de análise. unidade interpretativa. capazes de aprender a aprender. No 8 A Avaliação centro de interesse a função social consiste em formar ci. conforme sua intencionalidade ou função. Este sistema favorece uma de suporte que utiliza. Os conteúdos que são trabalhados procedem de des propostas para cada um dos conteúdos. Contudo. Mas é um recurso importantíssimo que. fechadas. Quando as avaliações são homogeneizadoras. Na sequência o autor analisa o uso dos materiais didá- cia que explique a realidade sem parcelamento. No caso dos modelos disciplinares a priorida. curriculares podem substituir a atividade construtiva do são analisados no livro: os centros de interesse de Decroly. quais são os objetos da avaliação são analisados nesse o método de projetos de Kilpatrick considera que sua fina. senão que tem a função a rejeição das disciplinas e dos conteúdos escolares. sua função se encontra que sabem fazer. quais sejam: detectar os objetivos educativos Quanto aos métodos globalizados. apesar de que o nexo que há entre uma das sequência de atividades propostas para compro- elas não segue nenhuma lógica disciplinar. o que sabemos e o que sabemos fazer. con- 3) Transdisciplinaridade: supõe uma integração global forme os conteúdos que desenvolvem e conforme o tipo dentro de um sistema totalizador. O autor os analisa lizado. e estabelecer o grau de adaptação ao contexto em que e. o referencial lugar no ensino.Nº28 são a finalidade básica do ensino. finalmente. serão utilizados. nem a dos alunos.92 FEVEREIRO/2010 . professor. elas têm pouca margem para ferenças. na aquisição das aprendiza- o sistema de projetos de Kilpatrick. o autor afirma que inclinar-se por um alunos e a possibilidade de observar. posteriormente. Contraria- conhecer a realidade e saber se desenvolver nela. se vinculam para a forma que as próprias situações didáti- dem que o objetivo é a formação de cidadãos e cidadãs cas adotam. propostas e sugestões que enriquecem o trabalho sino/aprendizagem e suas justificativas. que vai além dos limites estreitos do co- organizador fundamental é o aluno e suas necessidades nhecimento enciclopédico. uma vez que fazem parte da bagagem que determina colaboração entre as diferentes disciplinas que foram con. o objetivo básico desses métodos consiste em se transformar num fato habitual e cotidiano. verificar que con- centra exclusivamente no aluno e suas necessidades edu. veis de contribuir de forma valiosa para o crescimento pes- teúdos têm-se. da metodologia e dos dados classificados conforme o âmbito de intervenção a que se da pesquisa. na escola. oferece a oportunidade para acompanhar todo o aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos não supõe processo e. Os materiais curriculares são todos aqueles instrumen- dentes umas das outras. A avaliação é o processo-chave de todo o lidade é a preparação para a vida de pessoas solidárias processo de ensinar e aprender. com objetivo de constituir uma ciên. contrário. as propostas abertas favorecem a participação dos Concluindo. cesso. o suporte dos cepção pode se situar o papel das áreas na educação infan.

Nº28 . que os impulsionem para analisar o não pode ser um episódio ou um engano. soma. O melhor caminho para fazer é para se à necessidade de objetivos com finalidades específicas ajudar os alunos a alcançar os critérios que lhes permitam que atuam como referencial concreto da atividade avalia. _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ . mas algo que que acontece e tomar decisões para reorientar a situação deve ser planejado seriamente. que a faça menos arbitrária e mais justa.FEVEREIRO/2010 93 A presença de opções claras sobre a função do ensino quando for necessário. aprender a confiar nas possibilidades dos alunos para auto- zagem e que dão um sentido ou outro à avaliação. avaliar-se no processo. E os professores também devem e da maneira de entender os processos de ensino/aprendi. Ao mesmo essa atividade tem na aprendizagem e nas decisões de ava- tempo exige uma atitude observadora e indagadora por liação. Finalizando tanto a avaliação quanto a autoavaliação parte dos professores. auto-avaliar-se combinando e estabelecendo o papel que dora.

Nº28 _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________ .94 FEVEREIRO/2010 .

Secretário Geral: Fábio Santos de Moraes. Mariana Coelho Rosa. José Reinaldo de Matos Leite. Secretário Adjunto para Assuntos de Aposentados: Gilberto de Lima Silva. Aladir Cristina Genovez Cano. Gisele Cristina da Silva Lima. Maria Sufaneide Rodrigues. Rita de Cássia Cardoso. Ary Neves da Silva. Paulo Alves Pereira. Suzi da Silva. Sebastião Sérgio Toledo Rodovalho. Orivaldo Felício. Wilson Augusto Fiúza Frazão. Secretário Adjunto de Nilcéa F. Paulo José das Neves Ariovaldo de Camargo. Carmen Luiza Urquiza de Souza. Cilene Maria Obici. Mauro da Silva Inácio. Secretário de Administração e Patrimônio: Silvio de Souza. Edson Roberto Nunes Marcio de Oliveira. Roberto Polle. Luzelena Feitosa Vieira. Secretária Adjunta de Legislação e Defesa RESPONSÁVEIS PELA PUBLICAÇÃO dos Associados: Zenaide Honório. Uilder Cácio de Freitas. Secretário de Política Sindical: João Luis Dias Zafalão. Maria Valdinete Leite Nascimento. Solange Aparecida Benedeti Penha. Secretário de Comunicações: Paulo José das Neves. Edna Penha Araújo. Carlos Roberto Guido Alberto Rezende Lopes. Nº28 . Ana Paula Pascarelli dos Santos. Ana Lúcia Santos Cugler. Anita Aparecida SECRETARIA DE COMUNICAÇÕES Rodrigues Marson. Luci Ferreira da Silva. Edith Sandes Salgado. Teresinha de Jesus Sousa Martins. Maria Teresinha de Sordi. Josafa Rehem Nascimento Vieira. Victorino Políticas Sociais: Marcos de Oliveira Soares. Sonia Aparecida Alves de Arruda. Ronaldi Torelli. Jose Luiz Moreno Prado Leite. Solange Cavalheiro Ozani Martiniano de Souza. Secretário de Organização para a Capital: José Wilson de Souza Maciel. SECRETARIA DE FORMAÇÃO Secretária de Políticas Sociais: Francisca Pereira da Rocha. Telma Aparecida Andrade Victor. Secretária para Assuntos de Magda Souza de Jesus Aposentados: Silvia Pereira. Juvenal de Aguiar Penteado Rosely Soares Neto. Ricardo Augusto Botaro. Secretário de CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS Organização para o Interior: Ezio Expedito Ferreira Lima. Maria Lícia Ambrosio Orlandi. Maria José Carvalho Cunha. Ricardo Marcolino Pinto. Noronha Coordenadora DIRETORIA ESTADUAL: Ademar de Assis Camelo. Maria Liduina Facundo Severo. Secretário CEPES de Organização para a Grande São Paulo: Douglas Martins Izzo. SECRETÁRIA Miguel Leme Ferreira. Vera Lúcia Lourenço. Secretária Adjunta de Formação: Magda Souza de Jesus. Mara Cristina de Almeida. Sandro Luiz Casarini. Marcos Luiz da Silva. Fernando Borges Rosana Inácio Correia Filho. Secretário de Assuntos Educacionais e Culturais: Pedro Paulo Vieira de Carvalho. Luiz Carlos de Freitas. Floripes Ingracia Borioli Godinho. Leandro Alves Oliveira. Leovani Simões Cantazini. Jucinéa Benedita dos Santos. Idalina DIAGRAMAÇÃO Lelis de Freitas Souza. Geny Pires Gonçalves Tiritilli. Secretária de Formação: Nilcéa Fleury Victorino. Carlos Barbosa da Silva. Alex Buzeli Bonomo.FEVEREIRO/2010 95 Expediente DIRETORIA DA APEOESP – TRIÊNIO 2008/2011 DIRETORIA EXECUTIVA: Presidenta: Maria Izabel Azevedo Noronha. Edgard Fernandes Neto. Secretário Adjunto de Administração e Patrimônio: Fábio Santos Silva. Elizeu Pedro Ribeiro. Lindomar Conceição da Costa Federighi. Vera Lúcia Zirnberger. Stenio Matheus de Morais Lima. Carlos Eduardo Vicente. Secretário Adjunto de Comunicações: Roberto Guido. Antonio Jovem de Jesus Filho. Rita Leite Produção da Secretaria de Formação Diniz. Secretário Geral Adjunto: Odimar Silva. Roberta Iara Maria Lima. Secretária Adjunta de Política Sindical: Eliana Nunes dos Santos. Luiz Carlos de Sales Pinto. Gerson José Jório Rodrigues. Tatiana Silvério Kapor. Deusdete Bispo da Silva. Secretária Geral de Organização: Margarida Maria de Oliveira. Miguel Noel Meirelles. Ulisses Gomes Oliveira Francisco. Josefa Gomes da Silva. Janaina Rodrigues. Maria Izabel A. Inês Paz. Roberto Mendes. Roberta Maria Teixeira Castro. Sergio Martins da Cunha. Tereza Cristina Moreira da Silva. Secretário de EDUCACIONAIS E SINDICAIS Organização para o Interior: Ederaldo Batista. Dorival Aparecido da Silva. Fláudio Azevedo Limas. Secretária de Finanças: Luiz Gonzaga José. Emma Veiga Cepedano. Antonio Carlos Amado Ferreira. Benedito Jesus dos Santos Chagas. Secretária Adjunta de Finanças: Suely Fátima de Oliveira. . dos Santos Jovina Maria da Silva. Luiz ASSESSORIA DE FORMAÇÃO Cláudio de Lima. Eliane ASSESSORIA DE COMUNICAÇÕES Gonçalves da Costa. Vice-Presidente: José Geraldo Corrêa Júnior. Maisa Bonifácio Lima. Alberto Bruschi. Carlos Roberto F. Secretário de Legislação e Defesa dos Associados: Francisco de Assis Ferreira. Secretário Adjunto de Assuntos Educacionais e Culturais: Carlos Ramiro de Castro. Moacyr Américo da Silva. Paulo Roberto Chacon de Oliveira.