Inconstitucionalidades e inconsistências dogmáticas do

instituto da delação premiada (art. 4º da Lei 12.850/13) –
Por José Carlos Porciúncula
emporiododireito.com.br /inconstitucionalidades-e-inconsistencias-dogmaticas-do-instituto-da-delacao-
premiada-art-4o-da-lei-12-85013/

2017-4-6
Por José Carlos Porciúncula – 06/04/2017 [1]

1. Introdução

É comum dizê-lo, mas convém não esquecer: já em 1985 (portanto, há mais de trinta anos), Günther Jakobs
observava que nos sistemas jurídicos contemporâneos existem leis criminalizadoras que não seguem a lógica
do Direito Penal Clássico ou Direito Penal do Cidadão (Bürgerstrafrecht). Tais leis, se vistas em conjunto,
formam um corpus, cujos traços marcantes consistem na exacerbada antecipação da punibilidade (sem a
correspondente redução da pena cominada ao delito) e na relativização das garantias materiais e processuais
típicas de um Estado de Direito[2]. Estas leis regem-se por propósitos eficientistas, não estando preocupadas
em otimizar esferas de liberdade[3]. Por meio delas, assinalava Günther Jakobs, o Estado não pretende
dialogar com cidadãos, mas ameaçar inimigos. Não se trata da prevenção de delitos, mas sim da “neutralização
de uma fonte de perigo, como em relação a um animal selvagem (…)”[4]. De acordo com Jakobs, os âmbitos
nos quais o Direito Penal do Inimigo (Feindstrafrecht) se manifesta de forma mais evidente são os delitos
sexuais, o tráfico ilícito de entorpecentes, a delinqüência econômica e, par excellence, a criminalidade
organizada e o terrorismo.

Ao voltarmos os olhos para o nosso ordenamento jurídico, o diagnóstico de Jakobs parece se confirmar com
impressionante exatidão[5], notadamente quando analisamos a recente Lei 12.850/13. Nela estão presentes
todas aquelas características elencadas por Jakobs como próprias de um Direito Penal do Inimigo
(Feindstrafrecht). Não seria exagerado, pois, se disséssemos, com profundo lamento, que a Lei 12.850/13
representa uma das mais vigorosas expressões, no ordenamento jurídico pátrio, de tal tendência emergencial e
autoritária[6].

Neste trabalho, não apontaremos os inúmeros desafios constitucionais e dogmáticos que, a nosso sentir,
encontram-se por trás de cada um dos artigos da Lei 12.850/13. As considerações críticas aqui expostas cingir-
se-ão ao domínio da delação premiada (art. 4º da Lei 12.850/13). Trataremos de demonstrar que a delação
premiada, enquanto instituto que adquiriu notoriedade com a, assim denominada, “luta contra o crime
organizado”[7], também representa uma clara manifestação de um Direito Penal do Inimigo ( Feindstrafrecht),
violador das mais elementares e caras garantias de um Estado Democrático de Direito[8] [9].

2. Delação premiada e violação do Princípio do Estado de Direito (art. 1º, caput, da CF)

Não é preciso nenhum tour de force para perceber que o instituto da delação premiada viola frontalmente o
princípio do Estado de Direito (Rechtsstaatsprinzip). Constitui dimensão essencial de tal princípio a noção de
que o Estado deve perseguir os delitos, mas, por óbvio, não pode fazê-lo a qualquer preço[10]. Não é dado ao
Estado, a pretexto de evitar a impunidade, valer-se, por exemplo, de meios imorais para tanto, equiparando-se,
em certa medida, ao próprio delinqüente[11]. Como bem diz Winfried Hassemer, não é permitido ao Estado
utilizar os meios empregados pelos criminosos, se não quer perder, por razões simbólicas e práticas, a sua
superioridade moral[12]. E é justamente essa proeminência moral que é posta em xeque com a delação
premiada: por meio de tal instituto, vê-se um Estado inescrupuloso, que estimula a traição e a deslealdade por
meio da oferta de vantagens, fazendo do vício uma virtude, numa clara inversão de valores[13] [14].

Os efeitos daí decorrentes são devastadores: um Estado que abre mão de seus fundamentos éticos perde
qualquer legitimidade para exigir dos seus cidadãos comportamentos adequados ao Direito[15]. Pois se o
fizesse, incorreria em evidentíssimo venire contra factum proprium! Em termos de funções da pena, isso se

1/17

por exemplo. “a periculosidade da tentativa (…) já é eliminada pelo próprio autor que desiste. por ato voluntário do agente. bastando. merece indulgência[25]. evite o resultado[23]. nem sempre é possível justificar-se a ausência de pena (ou sua redução) em razão da inexistência (ou abrandamento) de necessidades de prevenção especial e geral. fundamentalmente. ao contrário do que ocorre na desistência voluntária. confirma a vigência do Direito que. poderá até mesmo ser isento de pena. e que determinado(s) resultado(s) advenha(m) daí[22]. predominante na jurisprudência do Tribunal do Império Alemão (Reichsgericht). de se arrepender. que ainda pode trazer consigo a punibilidade de tentativas carentes de perigo. dada a reparação do dano ou restituição da coisa. Por fim. Com efeito. ademais. na delação premiada o Estado confere ao delinqüente a possibilidade de abandonar a sua empreitada ou. e o abuso de confiança.oder Prämientheorie). aquele que desiste voluntariamente ou evita o resultado compensa (em parte) a impressão juridicamente perturbadora de seu fato e. Nada obstante. certos autores a tem comparado aos institutos da desistência voluntária. O simples fato de se prestar 2/17 . Note-se que o próprio Código Penal Brasileiro valora negativamente a traição. Senão vejamos. pode-se fazer referência à “teoria dos fins da pena” (Strafzwecktheorie). Como expressam os adeptos dessa teoria. então. entendida como fortalecimento de valores ético-sociais por meio do castigo[16]. do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior (arts. Por isso mesmo. como também revela a sua estrutura hierárquica. na delação premiada. quando não. Em síntese. no caso de sentenças condenatórias que tomem por base a palavra de delatores “comprados” pelo Estado) será absolutamente inidônea para a preservação de tais valores[17]. deve o Estado encarar a proibição de utilização de meios imorais (cujo exemplo mais eloqüente seria a delação premiada) para a persecução e punição de delitos como uma espécie de “imperativo de autopurificação”[19]. ora positivamente (como na delação)? Num claro intuito de dar ares de eticidade à delação premiada. a desistência voluntária e o arrependimento eficaz constituem um estímulo para que o autor abandone a execução do fato ou. quando não. O autor que desiste a tempo e de forma voluntária não subministra um mau exemplo para a coletividade. não há que se falar na diminuição da periculosidade do sujeito[28]. Tome-se o exemplo mais comum do delator que não só aponta os membros da organização criminosa (identificando as infrações penais por eles praticadas). Já para a “teoria da graça ou do prêmio” (Gnaden. Ao longo da História do Direito Penal. numa completa eliminação da finalidade de prevenção-geral positiva. a deslealdade. Dizem: assim como ocorre em tais institutos. 15 e 16 do CP)[21]. Ora. que nada mais é do que a traição. hoje. De acordo com a antiga “teoria político-criminal” (kriminalpolitische Theorie) ou “teoria da ponte de ouro” (Lehre von der goldenen Brücke ). na desistência voluntária e no arrependimento eficaz a ausência de pena justifica-se pela inexistência de necessidades de prevenção especial e geral. ora negativamente (como no homicídio e no furto). tal comparação parece-nos manifestamente inadequada.[20] qualifica o furto. que o ordenamento jurídico pátrio valore o mesmo fato (a traição). de refazer seus laços com a sociedade. considerada. a ausência de punição na desistência voluntária e no arrependimento eficaz consiste numa recompensa ao autor por ter suspendido a execução do fato ou evitado o resultado[24]. senão que. em tal hipótese. que colabore efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal. por isso mesmo. pode-se dizer que a finalidade de prevenção-geral positiva da pena somente pode ser alcançada quando a condenação se dá “com as mãos limpas”[18]. no arrependimento eficaz e no arrependimento posterior. para tanto. Como é possível. ainda prevalece em seu comportamento”[27]. dominante[26]. várias teorias procuraram fundamentar a ausência de pena na desistência voluntária e no arrependimento eficaz. no final. qualquer sentença condenatória que esteja assentada na violação de valores ético-sociais (como ocorre. Mutatis mutandis. é igualmente eliminada pela voluntariedade da desistência. até o recebimento da denúncia ou da queixa. recorde-se que a traição é uma qualificadora do crime de homicídio. em troca. a impressão de uma perturbação jurídica. no arrependimento posterior a redução da pena explica-se por uma diminuição das necessidades de prevenção especial e geral. De fato. Segundo seus defensores. Ora.traduz. Como argumenta Roxin. até certo ponto.

tais necessidades permanecem vivas. como já se disse. Ao ser preso. que previram. ajudando a polícia italiana a capturar o seu antigo chefe. seja ela entendida como fortalecimento de valores ético-sociais por meio da pena[29] (1). perseguiria todo delito. em parte. a partir de uma demonstração de que. Numa linha muito próxima.certas declarações não é prova da ausência de periculosidade. adotando o princípio da oportunidade (rectius: discricionariedade regrada). da CF e 76 da Lei 9. ao admitir a transação nas infrações penais de menor potencial ofensivo. mas somente daqueles em que estejam presentes necessidades de prevenção geral e especial[40].099/95 já havia mitigado o princípio da obrigatoriedade. As exceções a tal princípio costumam resultar da aplicação do princípio constitucional da proporcionalidade[42]. é a adoção do princípio da discricionariedade regrada para o delito de organização criminosa![33] Expliquemos as razões de nosso inconformismo. o próprio legislador estabeleceu exceções ao princípio da obrigatoriedade. condicionais)[38]. significativamente. da legalidade (art. na ausência de necessidade de prevenção-geral positiva. I. o que se deu por meio dos arts. descobriu-se que Di Maggio. independentemente da pessoa que o cometera[34]. 98. por óbvio. o seu fundamento material. da CF) e da igualdade (art. um pentito. acusado da prática de uma série de homicídios. da premissa maior da conclusão racional «o delinqüente deve ser punido». Como se sabe. para as infrações penais de menor potencial ofensivo. E isso é empiricamente demonstrável! Recorde-se o emblemático caso do mafioso Baldassare Di Maggio. (1) Na medida em que o delator pratica uma conduta manifestamente antiética.850/13. Entretanto. 5º. razão pela qual tais necessidades permanecem vivas. nem sequer demonstração de que se deseja percorrer o longo caminho da reintegração social. em certas situações. pois um sistema (processual) penal que se paute por ideais preventivos já não estará preocupado com o esclarecimento de todos os delitos ou mesmo com a 3/17 . a transação. membro da organização criminosa siciliana Cosa Nostra. De qualquer sorte. diminuindo-se. que justamente por ser um imperativo categórico é incondicional (ao contrário dos imperativos hipotéticos. Mas o que a Lei 12. mesmo após o seu (suposto) arrependimento. nas atuais democracias constitucionais o princípio da obrigatoriedade não foi deixado de lado. E isso é perfeitamente justificável. continuou cometendo novos crimes. E mais: tal princípio assentava-se na velha noção de justiça retributiva.850/13 traz de novo. Di Maggio resolveu tornar-se um collaboratore di giustizia. XXXIX. por isso mesmo. pois razões de igualdade exigem que o legislador determine previamente os pressupostos da sanção penal[41]. Com a substituição da velha teoria retributiva[39] por teorias da prevenção geral e especial (segundo as quais a pena não é um fim em si mesmo. pode-se ler em Kant: “A lei penal é um imperativo categórico” (“das Strafgesetz ist ein kategorischer Imperativ ”)[37]. segundo a qual dever-se-ia perseguir e punir. a pena não se faz necessária[43]. da CF) A Lei 12. No Brasil. Salvatore Riina. subministrando um mau exemplo para a coletividade. o princípio da obrigatoriedade surge em diversos diplomas processuais penais como garantia de que o Ministério Público. em seu lugar. caput. sem exceção. tendo-se provado contra ele outros três homicídios. Trata-se. (2) Na medida em que o delator recebe benefícios por sua conduta (podendo até mesmo ser «agraciado» com o perdão judicial). dizia Hobbes no Leviathan: “As leis penais determinam as penas devidas aos seus infratores e estão dirigidas unicamente aos servidores públicos obrigados à execução das penas”[36]. qualquer violação à lei penal[35]. mas uma necessidade social). 4º. propondo. a possibilidade de o Ministério Público deixar de oferecer ação penal. visto com extrema desconfiança). ao prever a possibilidade do Ministério Público não oferecer denúncia contra o delator (art. 3.099/95. e que nos parece abstruso. relativizou o princípio da legalidade (na modalidade obrigatoriedade da ação penal)[32]. o princípio da obrigatoriedade perde. a crença na inquebrantabilidade do ordenamento jurídico. Isso porque o Estado já não mais se preocupará com a persecução e punição de quaisquer crimes. seja compreendida como demonstração da inviolabilidade do ordenamento jurídico[30] (2). Também não é possível falar-se. § 4º). Delação premiada e violação dos princípios da obrigatoriedade. 5º. a delação premiada passa a ser vista pela comunidade como uma espécie de license to violate the law[31]. Isso resta meridianamente claro quando lemos autores como Hobbes ou Kant. não deixando a cargo das autoridades responsáveis pela persecução a decisão de quem deve ser punido em um caso concreto. tempos depois. na mencionada hipótese. De fato. Historicamente. enquanto parte do Poder Executivo (subordinado ao Monarca e. a lei 9.

assinalou Sua Excelência: o “tratamento igualitário das partes é a medula do devido processo legal” (HC 83. à personalidade do agente. da CF limitou a possibilidade de consenso no processo penal às infrações penais de menor potencial ofensivo![45] Veja-se que em alguns acordos de delação premiada firmados no bojo da “Operação Lava-Jato”.850/13. Delação premiada e violação dos princípios da igualdade III (art. caput. 59. rel. tiveram uma participação absolutamente marginal no grupo. não estaria realizando nenhum serviço à liberdade[44]. 59 do CP. Marco Aurélio. Note-se. imputação e defesa[49]. Uma de suas condições de realização encontra-se na atribuição à defesa da mesma dignidade e dos mesmos poderes que o Ministério Público[48]. 4º. deve dar a ambas as partes análogas possibilidades de alegação e prova”[50]. pois o art. explicando-se somente por uma razão pragmática. 5º. em italiano) representa a manifestação de uma necessária igualdade das partes no processo penal [47]. o Ministério Público Federal se compromete a não propor novas ações penais decorrentes dos fatos que são objeto do compromisso. estabelecerá. bem como a suspender por 10 (dez) anos todos os processos em tramitação contra os delatores. o que nos parece verdadeiramente teratológico é a introdução em nosso sistema. uma simetria entre ação e reação. 4/17 . da CF). A incompatibilidade da delação premiada com o art. que dispõe: “O juiz. relator do RMS 21. caput. viola frontalmente e a um só tempo os princípios da igualdade (na modalidade paridade de armas) e do devido processo legal (due process of law). já não será assunto seu todo tipo de criminalidade. 98. por exemplo. da CF). aos motivos. à conduta social. LIV. estaria movendo-se por considerações retributivas e. da CF). Como já assinalou o Ministro Marco Aurélio. do CP. seguramente. I. em alemão. parità delle armi. A toda evidência. numa claríssima violação dos princípios da obrigatoriedade e da indisponibilidade. LIV. às circunstâncias e conseqüências do crime. qual seja: a colaboração processual para fins probatórios![46]. não teriam muito a dizer e não despertariam o interesse do Ministério Público para a propositura de um acordo) recebam penas significativamente menores do que indivíduos que. Min. Delação premiada e violação do princípio da irretroatividade da lei (processual) penal mais gravosa. caput. que o quantum da pena estabelecida para o delator (se não for o caso de não oferecimento da denúncia ou de perdão judicial) não guardará qualquer relação com a sua culpabilidade e com necessidades de prevenção geral e especial. da CF). O princípio da paridade de armas ( Waffengleichheit. aos antecedentes.punição de todos os culpados. Entretanto. Deverá existir. resulta flagrantemente iníquo que delatores. Delação premiada e violação do princípio da igualdade II (art. Como dizia Frederico Marques. em espanhol. 5º. da Lei 12. do princípio da discricionariedade regrada para o delito de organização criminosa! Tem-se aí evidentíssima inconstitucionalidade. ainda. § 4º. conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: II – a quantidade de pena aplicável. possivelmente aqueles que mais contribuíram para a organização criminosa (pois. 5º. Não é demais lembrar que essa par conditio consiste num dos requisitos fundamentais do devido processo legal (art. II. 2003). De fato. 6. da CF). tem-se aí incontornável incompatibilidade com o art. dentro dos limites previstos”.884-DF: “acusação e defesa devem estar em igualdade de condições (…) A par conditio é inerente ao devido processo legal”. desde o princípio. Do contrário. está claro que a delação premiada. 4. por meio do art.255-SP. pois. 5. se assim não fosse. da paridade de armas e do devido processo legal (art. atendendo à culpabilidade. 5º. “Dentro das necessidades técnicas do processo deve a lei propiciar a autor e réu uma atuação processual em plano de igualdade. bem como ao comportamento da vítima. Parece estar fora de qualquer dúvida que a prática da delação premiada implica em superlativa violação ao princípio da igualdade (art. Ora. E mais recentemente. igualdad de armas. enquanto meio de prova exclusivo da acusação[51]. 5º.

Por isso. impliquem na restrição de garantias fundamentais dos imputados. proclamou que a garantia constitucional do due process of law abrange. pelo contrário. XXXIX. 4º da Lei 12. Estabelece o art. Uma interpretação literal dos referidos dispositivos poderia conduzir-nos à disparatada conclusão de que se trata de uma garantia que somente abarca a lei penal material. 5º. nulla poena sine lege praevia). na modalidade irretroatividade da lei penal mais gravosa (lex gravior). Da mesma forma. essa parece ser a exata compreensão do Supremo Tribunal Federal. materialmente assegurados. salvo para beneficiar o réu”. E o inciso XL desse mesmo artigo dispõe que “a lei penal não retroagirá. no regirá la regla tempus regit actum. costuma-se considerar como material toda norma que diga respeito à ampliação ou restrição do ius puniendi[53]. já não se pode defini-la como norma puramente processual. ainda que se quisesse classificar o art. não exclui automaticamente tal lei do alcance da cláusula”[57]. veremos que ele também abarca leis processuais penais que possam afetar diretamente a direitos fundamentais dos imputados. portanto. Por óbvio. por exemplo. que tais normas podem afetar diretamente a Direitos e Garantias fundamentais[55]. Na Espanha. em relação ao delator. Min.905-RJ. Mir Puig é categórico ao afirmar que “(…) las normas procesales que restrinjan el contenido de derechos y garantías del ciudadano no pueden ser retroactivas”[59]. o princípio da irretroatividade somente é válido para leis penais mais gravosas. o “direito de não ser processado e julgado com base em leis ‘ex post facto’”. Youngblood: “no que diz respeito à lei processual que afeta questões de substância ou de direito substantivo. Cobo del Rosal e Vives Antón sustentam que “en todos aquellos casos en que una ley procesal posterior al delito suponga una disminución de las garantías o implique cualquier clase de restricción a la libertad. em seu conteúdo material. a aplicação indiscriminada da máxima tempus regit actum parte da obtusa compreensão de que as normas processuais possuem natureza meramente adjetiva. sem exceção. Na Alemanha. o verdadeiro alcance não é estender a cláusula [de proibição de retroatividade] à lei processual. Grandinetti. a doutrina vem insistindo na validade do princípio da irretroatividade também para normas que. de alguma forma. a Corte Constitucional Alemã (Bundesverfassungsgericht). em oposição à lei material. o mesmo não pode ser dito em relação ao delatado: aqui se está diante de norma penal que retroage para prejudicar o réu. que no HC 96. deve chegar até onde seja necessária a garantia da objetividade. 4º da Lei 12. ignorando. mas advertir que a mera classificação de uma lei com o rótulo de processual. para qualquer norma de caráter processual penal. se analisarmos a gênese histórica de tal princípio. já em 1998. Por sua vez. tem-se assistido a inúmeros acordos de delação premiada cujos objetos consistem em supostos fatos criminosos ocorridos antes da Lei 12. sino que se aplicará la legislación vigente en el momento de realizarse la infracción. apesar de entender que. Ainda em terras Ibéricas.850/13 realmente contém norma de natureza material ou se. ligadas”[60]. por sua vez. presupuesto material al que tales consecuencias ‘procesales’ se hallan. em flagrante violação ao princípio da legalidade. o certo é que também aqui vigoraria o princípio da irretroatividade da lei (processual) penal mais gravosa. pois implica em evidente expansão do poder punitivo do Estado. De qualquer sorte. a ela se aplica a regra de direito intertemporal penal e não 5/17 . Por fim. cabe mencionar a advertência feita pela Suprema Corte Americana em Collins v. No Brasil. na modalidade irretroatividade da lei penal mais gravosa (nullum crimen. Trata-se da positivação no ordenamento jurídico pátrio do princípio da legalidade. doutrina e jurisprudência vêm. 4º da referida lei apresenta-se como norma penal mais favorável. Desde esse ponto de vista. nem pena sem prévia cominação legal”. e com ele a proibição de retroatividade. Entretanto. o art.No Brasil. sustentava que “Se a norma processual contém dispositivo que. Poder-se-ia questionar se o art. Aliás.859/13 possui natureza material.850/13 como norma processual penal. 4º da Lei 12. Com efeito. pode também ser válido para leis processuais penais[56]. Celso de Mello. É o que se passa a demonstrar. Entretanto.850/13[52]. Rel. embora possuam natureza processual. Apesar da notória dificuldade em se realizar tal distinção. em termos gerais. limita direitos fundamentais do cidadão. reconhece que. que surge como salvaguarda frente a possíveis arbitrariedades do legislador. DJ 01/08/2011. Sendo assim. Não é por outra razão que doutrina e jurisprudência classificam a prescrição penal como instituto de Direito material[54]. ao longo dos anos. Como assinala Américo Taipa de Carvalho. Günther Jakobs observa que “o princípio de legalidade. mas como norma processual com conteúdo material ou norma mista. percebendo que a velha máxima tempus regit actum não pode vigorar. indiscutiblemente. trata-se de norma de caráter processual. parece inquestionável que o art. da Constituição Federal que “não há crime sem lei anterior que o defina. em certas situações. tal proibição não se desfaz diante do Direito Processual”[58].

inclusive. por seu turno. a regra de direito intertemporal deverá ser a mesma aplicada a todas as normas penais de conteúdo material. Subversão dos papéis atribuídos aos sujeitos no Processo Penal A delação premiada produz uma séria subversão dos papéis tradicionalmente atribuídos aos sujeitos no Processo Penal. assim. Se prejudicial. como um todo. Portanto. Rubens Casara e Antônio Pedro Melchior. porém. qual seja a da anterioridade da lei. porque suprime ou relativiza garantias (…) limitar-se-á a reger os processos relativos às infrações penais consumadas após a sua entrada em vigor”[63]. ainda que de natureza processual. C) O Ministério Público renunciará ao seu papel constitucional de demonstrar em juízo e em contraditório a responsabilidade penal dos acusados. como também no contraditório e na possibilidade de resistência (defesa)[71]. vejamos. antes de mais nada. Nessa mesma linha. A regra. sejam eles culpados ou inocentes. sempre que esta representar uma garantia contra a opressão”[65]. e 6/17 . Paulo Queiroz defende que “a irretroatividade da lei penal deve também compreender. Defesa e acusação unirão esforços para que o imputado se declare culpado. por mais benéfica. Entre as várias formas de pressioná-los a aceitar o acordo de delação premiada seguramente ocuparão um lugar de “destaque” a abjeta prática do overcharging e. conformadores do due process of law)[67]. do contraditório e da ampla defesa (todos. ainda assim. ou seja. a que implique o contrário: aumento de garantias processuais”[66]. A) Os imputados. E. advertem que “Somente as normas tipicamente procedimentais. ampliando ou limitando. não perdem o seu conteúdo material (…) Assim. mesmo sob a forma de leis processuais. cujas características marcantes encontram-se não só na rígida separação entre juiz e acusação. retroatividade da lei penal ou processual penal mais benéfica e vedação de efeitos retroativos da lei (penal ou processual penal) mais gravosa ao réu. manterão o padrão de seus honorários. numa claríssima desnaturação do sistema acusatório[68] [69]. Para tais institutos. Senão. que determina. B) Os advogados agilizarão o seu trabalho e. 7. assim. como demonstra a experiência comparada. temerão os custos e os riscos de um processo penal e. afirma que “as regras da retroatividade da lei penal mais benéfica devem ser compreendidas dentro da lógica sistêmica. como aquelas destinadas a reger meros atos de comunicação processual. como se sabe. certamente. D) Os magistrados apoiarão a delação premiada. Portanto. por fim. sentir-se-ão impulsionados (rectius: coagidos!) a celebrar acordos de delação premiada. impõe-se discutir se a nova lei processual penal é mais gravosa ou não ao réu. correndo-se o sério risco de que. o intérprete deve. -. de importantes direitos consagrados em nossa Constituição. veda a liberdade provisória mediante fiança. de sorte que por norma processual menos benéfica se há de entender toda disposição normativa que importe em diminuição de garantias. é a irretroatividade da norma. mas não com menor ênfase. Aury Lopes Jr. vez que deve ser (re) interpretado à luz da Constituição Federal. pois ela implicará uma significativa redução do seu trabalho. Gustavo Badaró anota que “Todas as normas que disciplinam e regulam. visando torná-los colaboradores e. sem desdobramentos no conjunto de garantias (…) podem ser regidas pela máxima do tempus regit actum. Em seu lugar. verificar se a norma. direitos e garantias pessoais constitucionalmente assegurados. e. pelas mesmas razões. sempre que a nova lei processual for prejudicial ao réu.g. entendido como spettacolo dialettico[70]. depois de advertir corretamente que não se pode pensar o Direito Penal e o Direito Processual Penal como compartimentos estanques[62]. exprime garantia ou direito constitucionalmente assegurado ao suposto infrator da lei penal. a lei processual penal.. adota critérios menos rígidos para a decretação de prisões cautelares. a aplicação imediata da norma. fonte de prova[72]. na busca de um rápido acordo priorizem interesses pessoais em detrimento do benefício de seus clientes. abdicando. como regra geral. 2° do Código de Processo Penal. a lei deve cumprir sua função de garantia. Por sua vez. a exemplo da presunção de inocência. a não menos ignominiosa ameaça de imputar crimes a familiares[73]. quanto ao direito processual intertemporal. porque suprime ou relativiza garantias – v. limitar-se-á a reger as infrações penais consumadas após a sua entrada em vigor. também aqui.processual”[61]. vedada a retroatividade da lex gravior”[64]. restringe a participação do advogado ou a utilização de algum recurso etc. a despeito do que dispõe o art. tentará agir diretamente sobre os suspeitos.. afinal.

A exigência de uma prova corroborativa poderia. A toda evidência. o de sobrevalorização das declarações do delator. violar-se-ão inúmeros Direitos Fundamentais. não perceberão o paradoxo daí resultante[75]: para combater delitos que pretensamente ameaçam as bases do Estado Democrático de Direito. portanto.850/13. § 16. poder-se-ia objetar que esse risco não existe. violaria o princípio do livre convencimento fundamentado. por outros delatores (…)”. Ora. Justamente por serem provenientes de uma fonte de prova espúria. qualquer elemento que provenha do delator não poderá ser considerado como uma autêntica prova corroborativa. na Itália. Por sua vez. Entre os argumentos falaciosos que se destinam à usurpação de tal regra encontra-se (C) a alegação de que a exigência de uma prova corroborativa. somente adquirindo credibilidade por meio de uma confirmação proveniente de uma fonte independente[81]. (B) Outra prática recorrente é a da corroboração mútua ( mutual corroboration). trata-se de estratagema utilizado com a finalidade de se contornar o real alcance da norma insculpida no art. alicerces do próprio Estado Democrático de Direito![76] 8. e vice-versa. já que suspeita. e numa autêntica quebra do sistema acusatório. corroborariam a veracidade de suas declarações e (B) a corroboração mútua (mutual corroboration). pois o art. as declarações do delator são vistas com absoluta cautela e desconfiança. Trata-se de um artifício que consiste em considerar as declarações de um delator como prova corroborativa das declarações de outro delator. Aliás. configuram elementos que provêm de fonte suspeita. “(…) o Estado não poderá utilizar-se da denominada ‘corroboração recíproca ou cruzada’. fazendo-se necessária prova corroborativa dos fatos por ele apresentados. a experiência tem demonstrado a implementação de uma série de artifícios e argumentos falaciosos que buscam contornar tal regra. nos Estados Unidos. 7/17 . Entretanto. tão somente. Mas isso é absurdo: de fato. 4º. (A) Uma prática bastante comum é a de se requisitar ao próprio delator a apresentação de elementos (por exemplo: documentos) que possam corroborar as suas declarações. pelo próprio legislador. única e exclusivamente. 4º. certamente.700/DF. De mais a mais. da Lei 12. relator da PET 5. depoimento de agente colaborador que tenha sido confirmado. espúrios. Um dos maiores riscos da delação premiada é. trata-se de regra presente também em ordenamentos jurídicos alienígenas. da Lei 12. Dirá que elas são necessárias ao “combate” de crimes de altíssima gravidade. que supostamente “põem em cheque” os fundamentos do Estado Democrático de Direito. decretarão prisões provisórias sem qualquer traço de cautelaridade. se assim é. art. Entretanto. nada mais é do que uma solução para o problema do vício de origem de suas declarações[80]. portanto. Risco de sobrevalorização das declarações do delator. Senão vejamos. § 16. a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já era pacífica no sentido de que a “chamada de co-réu” não tem valor probatório algum se isoladamente considerada[77]. unicamente. Elementos trazidos pelo próprio delator serão elementos derivados de uma fonte espúria e. exigindo-se uma corroborating evidence[78]. 192 comma 3 do Codice di Procedura Penale estabelece que “Le dichiarazioni rese dal coimputato del medesimo reato o da persona imputata in un procedimento connesso a norma dell’art. cujo único objetivo será forçar o indivíduo a aceitar um acordo de delação premiada. como admitir que sua corroboração ocorra com base em elementos que ostentam a mesma natureza impura e. de fato. A exigência legal de que nenhuma sentença condenatória seja proferida com base. como proclamou recentemente o eminente Ministro Celso de Mello. a mesma debilidade?[82] Por isso mesmo. Em perfeita simbiose com o Ministério Público. 12 sono valutate unitamente agli altri elementi di prova che ne confermano l’attendibilità”[79]. excluir o risco de sobrevalorização das declarações do delator. nas palavras do delator.sentir-se-ão inclinados a sentenciar de forma mais severa todo aquele que “ouse” insistir na demonstração de sua inocência[74]. Por óbvio. pois. não poderá impor condenação ao réu pelo fato de contra este existir. supostamente. D) A sociedade sentir-se-á absolutamente satisfeita e aplaudirá a adoção de tais medidas excepcionais. ou seja. repita-se. Assim. antes mesmo desse dispositivo.850/13 determina que “Nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações do agente colaborador”. por ausência daquela independência à qual se fez referência. Entre os artifícios encontram-se (A) a solicitação para que o próprio delator apresente documentos que. se as declarações do delator são vistas. o art. as declarações do delator não têm valor probatório per se. em tais casos. com desconfiança e cautela.

em razão do diminuto grau de confiabilidade das palavras do delator e como garantia do delatado. e paradoxalmente. Em absoluta consonância com tal decisão. § 16. há outras situações que certamente tem a capacidade de suprimir a voluntariedade de um acordo de delação premiada. A (humana) tentação de se ver livre de uma situação verdadeiramente degradante faz com que. o sujeito admita a prática de crimes. porém freqüentes práticas do A) overcharging e B) bluffing. 4º. como a própria expressão indica. assim. Já em People v. Maryland. a Suprema Corte Americana pronunciou-se pela inadmissibilidade de confissão obtida por meio do uso abusivo do poder de acusar (charging power). Por isso mesmo. Voluntariedade da delação. portanto. Através da. ou até mesmo ignora-se o concurso aparente de normas. 9. Entretanto. a experiência tem demonstrado que inúmeros acordos de delação são celebrados por indivíduos que se encontram presos cautelarmente e que. desconsidera-se a continuidade delitiva. violaria o princípio do livre convencimento fundamentado. é impossível falar-se em voluntariedade[87]. E em United States v. Esta é uma alegação verdadeiramente equivocada. repita-se. a regra 11 das Federal Rules of Criminal Procedures determina que a validade do guilty plea depende não só do seu caráter voluntário. estão submetidos a um grau tal de pressão que se torna impossível constatar qualquer traço de voluntariedade em suas decisões[84]. Trata-se de uma questão de restrição legal (e não de hierarquia!) da prova. B) No bluffing.850/13 não pretendeu instituir nenhuma hierarquia entre as provas. como observa Petegorsky. pois o art. mas também do conhecimento que o sujeito possui da situação. a Suprema Corte da Califórnia observou que “Lies told (…) to a suspect under questioning can affect the voluntariness of an ensuing confession (…)”[90]. Aliás. inventando fatos e apontando inocentes como culpados. justamente em razão da debilidade ontológica de tal fonte. nesses casos. Foi exatamente por isso que em Brady v. assim denominada. nesses casos. Para além dessas hipóteses. da Lei 12. considerou apenas que as declarações do delator são insuficientes per se para a condenação do delatado. asking whether a guilty plea meets the ´knowing and voluntary´ standard”[89]. Hayes. Também é bastante comum o sobredimensionamento do número de imputações. 8/17 .(C) Por fim. Pense-se nas detestáveis. overcharging e bluffing O art. Musselwhite. the [Supreme] Court generally treats them as one requirement.850/13 estabelece como um dos requisitos da delação premiada a “voluntariedade”. instituída. Brady Rule. numa espécie de retorno ao sistema das provas legais ou tarifadas. a realização de confissões in the dark[88]. Por exemplo. a própria voluntariedade do acordo está condicionada ao conhecimento do sujeito: sua decisão somente será considerada voluntária se ele tinha plena consciência das circunstancias do acordo. Também nesses casos não é possível falar-se em voluntariedade. atemorizando-o e constrangendo-o a celebrar um acordo sob um véu de ignorância (veil of ignorance). a Corte estabeleceu a proibição do bluffing e a consequente obrigação da acusação de apresentar todas as evidências favoráveis ao sujeito. A) No overcharging. por sua vez. Tudo isso somente para compelir o sujeito a um acordo. Acordos de delação celebrados em tais condições dificilmente podem ser classificados como voluntários. mas apenas estabelecer um controle epistemológico sobre as declarações provenientes do delator. não raras vezes. numa tentativa de punir o mesmo fato duas vezes (bis in idem). evitando-se. prisão cautelar. em Bordenkircher v. sendo imprescindível para tanto a existência de provas corroborativas[83]. De fato. Pearce. atribuindo-se ao sujeito um crime por cada ação praticada. o Ministério Público. a Corte Federal de Apelação do 4º Circuito proclamou que o juiz não pode fazer uso do seu sentencing power para colocar os indivíduos numa posição tal que se vejam obrigados a fazer “unfree choices”[86]. o Ministério Público imputa ao sujeito crimes dos quais sabe que é inocente. Parece óbvio que. enfrentemos a alegação de que a exigência de uma prova corroborativa. a Suprema Corte Americana declarou a impossibilidade de se punir mais severamente aquele que não adere ao Plea Bargaining e decide fazer uso do seu direito constitucional de defesa [85]. 4º da Lei 12. Na realidade. Considere-se ainda a seguinte situação: o indivíduo decide celebrar um acordo de delação premiada porque sabe que o exercício do seu direito de defesa poderá implicar um tratamento mais severo por parte do juiz. blefa a respeito de supostas provas que possui contra o sujeito. “Rather than treating “knowing” and “voluntary” as two separate criteria. adotou um regime de prova legal negativa: não estabeleceu o que seria necessário para a condenação.

págs. 167 e ss. a do Codice di Procedura Penale que “(…) Le situazioni di concreto ed attuale pericolo [ periculum libertatis. com enorme regozijo. Ademar Borges.. tais considerações devem ser válidas também para acordos de delação premiada. Feindstrafrecht? Eine Untersuchung zu den Bedingungen von Rechtlichkeit in HRRS 2006. o mesmo. Transforma-se. recentemente. Das Selbstverständnis der Strafrechtswissenschaft vor den Herausforderungen der Gegenwart (Kommentar) in Eser/Hassemer/Burkhardt (edts. 515 e ss. A higidez de um acordo dependerá de sua voluntariedade e. observações e sugestões dos eminentes Professores Geraldo Prado. 10.). Navarra. notadamente quando se tratam de sujeitos que possuem as mesmas informações: o acordo de um implicará necessariamente no desinteresse por parte do Ministério Público em negociar com o outro. o processo penal numa espécie de “mercado persa”. consistente na divulgação de notícias falsas de que determinados sujeitos estariam prestes a fazer ou já teriam feito um acordo de delação. por isso mesmo. numa linha descritiva. 753 e ss. De qualquer sorte. Zur rechtsphilosophischen Begründung des Feindstrafrechts in Jakobs-FS.. Derecho penal del ciudadano y Derecho penal del enemigo in Jakobs/Cancio Meliá. Por meio de um trick. Não se faz necessário discorrer a respeito da patente ilegalidade de tais prisões. Berlin. Temos a obrigação de denunciá-la como um instrumento fundamentalmente imoral. o legislador italiano estabeleceu expressamente no art. Die Funktion der Strafe 9/17 . (em sentido crítico). Derecho Penal del Enemigo. Da (já) extensa bibliografia sobre o tema cfr. Buenos Aires. o mesmo. As portas se fecham. págs. isoladamente considerado. 2003. 2001. Athen. Paulo Queiroz.Ora. 289 e ss. as seguintes coletâneas de artigos: Cancio Meliá/Gómez-Jara Díez (edts. Uma triste. assim. Madrid. da plena consciência da situação por parte do sujeito. 1985. Quod erat demonstrandum. Cfr. A coação aqui é manifesta: logo após a divulgação desses boatos. Die Deutsche Strafrechtswissenschaft vor der Jahrtausendwende. Kriminalisierung im Vorfeld einer Rechtsgutsverletzung in ZStW 97. por óbvio. pretendiam obter a celebração de novos acordos[91]. Tais medidas. 2006. para estupefação geral. servindo apenas como forma de coagir o sujeito a celebrar um acordo. vols. pode ser caracterizada como manifestação de um Direito Penal do Inimigo. mutatis mutandis. Um conúbio deveras cruel: prisão cautelar e delação premiada Tornam-se cada vez mais freqüentes os casos em que prisões são decretadas somente para forçar o indivíduo a se tornar um delator. ilustres membros do Ministério Público Federal anunciaram. onde o lema parece ser “first in. págs. JCP] non possono essere individuate nel rifiuto della persona sottoposta alle indagini o dell’imputato di rendere dichiarazioni (…)”. [2] Cfr. Personalität und Exklusion im Strafrecht in Spinellis-FS. Jakobs. Derecho penal del enemigo.. sabe que quanto maior o número de acordos de delação celebrados. 11. o mesmo. 52. Polaino Navarrete. A exposição que se acaba de fazer não deixa dúvidas a respeito do acerto de nossa hipótese inicial de trabalho: a delação premiada consiste num instituto que se rege por uma lógica eficientista e que implica na violação de inúmeras garantias constitucionais (materiais e processuais). pois cada sujeito. Aliás. Kritik des Feindstrafrechts. 447 e ss.. 2005. Por isso mesmo. Vormbaum (edt. os trabalhos de Pérez del Valle. Jakobs. inconstitucional e irracional. pág. um ilustre membro do Ministério Público Federal declarou que “passarinho para cantar precisa estar preso”. 2000. págs.). que lançaram “um grande 171” na “cabeça” de presos na Operação Lava Jato. recentemente. o mesmo.. ultrajante![94] Notas e Referências: [1] O autor agradece sinceramente os comentários. 274 lett. menores serão as suas chances com o Ministério Público[92]. registre-se aqui que. 2009. o mesmo. El Discurso Penal de la Exclusión. 2006. págs. prova disso é que. Posteriormente. porém inevitável conclusão: delação premiada como manifestação de um Direito Penal do Inimigo (Feindstrafrecht). La Pena Estatal: Significado y Finalidad . não tem qualquer traço de cautelaridade. inaugura-se uma espécie de “corrida pela delação”. págs.). Rômulo Moreira. Artur Ferrari e Vinícius Arouck. 838 e ss. 19 e ss. best out!” (“quem chegar primeiro. págs. para evitar esse lamentável fenômeno. Enfim.. München. I e II. leva!”)[93]. A delação premiada é um perfeito exemplo dessa lancinante realidade. ademais. Por certo. Terroristen als Personen im Recht? in ZStW 117.

2001. 2010. 2011. págs. El diablo como persona en derecho. Krieg und Feindstrafrecht. Prospettive non ‘emergenziali’ di controlo dei fatti di criminalità organizzata. Rovito.. Feindstrafrecht.. Zur rechtstheoretischen Einordnung des modernen Terrorismus. con tutti i difetti che connotano questo tipo di provvedimenti: aprossimazione.beim Feindstrafrecht in Jakobs-FS. Krieg und Politik – Das Politische Feindstrafrecht im Alltag in HRRS 2006. págs. Organisierte Kriminalität und Kriminelle Organisationen 10/17 . Roma/Bari. Las viejas y nuevas polítias de seguridad frente a los peligros internos-externos in Bacigalupo-LH . Polaino-Orts. Bung. González Cussac. Ragués i Vallès. Gracia Martín. págs.. passim. rigorismo repressivo. pp. 317 y ss. 52 e ss. pág. o mesmo. págs. 2006. 1. págs... Napoli. págs. O inimigo em Direito Penal in RLD 2007. o mesmo. 2002. Portilla Contreras. 2009. 297 e ss. 303 e ss. 84 e ss. La legitimación constitucional de un Derecho penal sui generis del enemigo frente a la agresión a la mujer in InDret 3. Sobre a problemática do “processo penal emergencial” cfr. Mas também é correto. La crisis del Derecho penal contemporâneo.. Die Kronzeugenregelung des § 46 StGB . [5] Em termos gerais. 2ª ed. Aponte.. Tomo II. págs. Silva Sánchez. apontava para a presença nos sistemas jurídicos de todo o mundo de um “Direito Penal de Terceira Velocidade”. 529 e ss. São Paulo. Sica. págs. 2002. 2008. Chouckr. [4] Jakobs. Feindstrafrecht als Theorie der Normgeltung und der Person in HRRS 2006. resume a questão em termos absolutamente precisos: “La legislazione penale contro la criminalità organizzata rappresenta uma tipica espressione di normativa emergenziale. Demetrio Crespo. Numa mesma linha. 693 e ss. em especial. que tal instituto ganha notoriedade no campo da “luta contra o crime organizado e contra o terrorismo”. 1 e ss. Eine Erwiderung auf Günther Jakobs in HRRS 2006. [3] Jakobs. Sousa e Brito.). Sobre la idea de Günther Jakobs de “Derecho penal del enemigo” in Vives Antón-LH. Cardoso Pereira. passim. 625. 151. Zaffaroni. 2011. Processo Penal de Emergência. Napoli. Jiménez Redondo. Foffani/Orlandi. Aspectos de la política criminal en las sociedades postindustriales. Cfr. Feindstrafrecht – Einige Anmerkungen zur Arbeitsgruppe “Feindstrafrecht – Ein Gespenst geht um im Rechtsstaat” auf dem 30. Managua. Diritto e Ragione: Teoria del Garantismo Penale .. Pawlik. Criminalità Organizzata e Risposte Ordinamentali: Tra Efficienza e Garanzia.. Del «Derecho penal liberal» al «Derecho penal del enemigo» in Serta: In memoriam Alexandri Baratta. Rio de janeiro. 11 e ss. Muñoz Conde. La Pena Estatal.. Direito penal de emergência e alternativas à prisão. como assinalam alguns autores. 2005. Moccia. Der Terrorist und sein Recht. cfr. Agente encubierto como medio extraordinario de investigación. Fundamentos. 2010. Baden-Baden. págs. Também Silva Sánchez. p. págs. München. Il crimine organizzato: una categorizzazione fallita in Criminalità Organizzata e Risposte Ordinamentali. pág.. Consideraciones críticas sobre el actualmente denominado “Derecho penal del enemigo” in RECPC 7. 29-30. “Direito Penal Emergencial” cfr. caduta in termini di garanzie”. 2009. Aspetti dommatici e di politica criminale in Moccia (edt. com um interessantíssimo excursus histórico sobre o tema. 2013. Entwicklungslinien des Feindstrafrechts in 5 Thesen in HRRS 2006. págs. 9ª ed. Kriminalisierung im Vorfeld einer Rechtsgutsverletzung. caoticità. simbolicità.. El renacimiento del pensamiento totalitario en el seno del Estado de derecho: la doctrina del Derecho penal del enemigo in RP 19. 163 e ss.. Erwarten-Dürfen und Vorsorgen-Müssen. 1 e ss. passim. que “(…) la pratica dela contrattazione e dello scambio tra confessione e delazioni da una parte e impunità o riduzioni di pena dall´altra è sempre stata uma tentazione ricorrente nella storia del diritto penale (…)”. 168-169. De la tolerancia cero al Derecho penal del enemigo. Arnold. págs. págs. 1999. Bogotá. 2005. Mentalità emergenziale e crimine organizzato: profili storici in Criminalità Organizzata e Risposte Ordinamentali. 91 e ss. Cancio Meliá. como observa Ferrajoli. Tomo I. Malek. em 2001. considera acertado o diagnóstico de Jakobs. [7] É certo. Buenos Aires.. La Expansión del Derecho Penal. Madrid. 183 e ss.. 2008. págs. 2008. [6] Moccia. Cfr. El Derecho penal y procesal del “enemigo”. Potencial de Sentido y Límites de Vigencia. 63 e ss. El «Derecho penal del enemigo» en la Expansión del Derecho Penal in Robles Planas/Sánchez –Ostiz Gutiérrez (coords. assim denominado. págs. 1. Sobre a problemática do. Greco. Zaffaroni.027 e ss. 316 e ss. Derecho Penal del Enemigo. Strafverteidigertag 2006 in HRRS 2006. págs. Berlin. Zürich. Kneba.). Valencia. El enemigo en el Derecho penal. 57 e ss. 2002. 77 e ss.. págs. La perenne emergenza: tendenze autoritarie nel sistema penale . Barcelona. o mesmo. cuja característica marcante consistiria na relativização das garantias processuais e na flexibilização das regras de imputação. ¿«Derecho penal» del enemigo? in Derecho penal del enemigo. págs.061 y ss. Perspectivas desde el garantismo procesal penal. Barcelona. 756. 2007. págs. págs. Zurechnen-Können.

. [8] Nesse sentido. págs. 2014. Zaffaroni/Batista/Alagia/Slokar.. dato que la misura dela prima dipenderà. § 3/1.... págs. München. São Paulo. 2006. 2003. [19] A expressão é de Dencker. [13] Consideram imoral e/ou antiética a figura da delação premiada. pág. 244. Paeffgen. Processo Penal e Direitos Fundamentais. 2ª ed. 243. Grenzen der Kriminalpolizei in Sauer-FS. 11ª ed. Er darf verbrecherische Methoden nicht verwenden. 2014. die sich nicht nur normativ begründet. Direito Penal Especial. utiliza-se a expressão “to rat on someone” para significar “delatar alguém”. l’inderogabilità del giudizio. 60 e ss. 780. [14] Não é por acaso que. Göttingen. pág. 366 e ss. [11] Zaffaroni. Verwertungsverbote im Strafprozess. Crime Organizado. [17] Cfr. pág. [12] Hassemer. Zaffaroni. 2ª ed. Acordos de delação premiada e o conteúdo ético mínimo do Estado in Revista Jurídica 54. 85. Moreira. 1977. Fiore. Diritto e Ragione. Dencker. non esistendo nessun criterio legale che condizioni la severità o l’indulgenza del pubblico ministero e che disciplini la partita da lui ingaggiata con l’imputato. 638 e ss. Ein Studienbuch. Welzel. 2007. Sancinetti. [10] Cfr. Radbruch. 266. Jung.). Baden-Baden. Berlin. pág. ao discorrer sobre o patteggiamento penale: “Ne risulta scardinato l’intero sistema delle garanzie: il nesso causale e proporzionale tra la pena e il reato. Il crimine organizzato: una categorizzazione fallita. Bitencourt/Busato. Rechtsstaatliche Grenzen bei der Bekämpfung der Organisierten Kriminalität in Freiheitliches Strafrecht. pág. cfr. pág. Il crimine organizzato: una categorizzazione fallita. 91 e ss. Silva Franco.. [16] Nesse sentido. pág. eine moralische Überlegenheit über das Verbrechen. págs. Rio de Janeiro. il principio del contraddittorio.). 5ª ed. 258. Präventive und repressive Maßnahmen vor dem Hintergrund des 11. sondern auch praktisch-symbolisch zeigt. pág. pág. 125. 2006. Grundkurs StPO. 115 e ss. 359. 11/17 .. Coutinho/Carvalho. Delação Premiada in Faria Costa/Marques da Silva (coords. vol. Crimes Hediondos.. Gomes/Cervini. pág. Curitiba. [9] Como bem resume Ferrajoli. 2001. negati sostanzialmente se non formalmente dal primato assegnato alla confessione interessata e dal ruolo di subordinazione dell’indiziato assegnato all´accusa e magari alla difesa.in Italien in Gropp/Sinn (edts. 1957. dallo spirito d’avventura dell’imputato e dalla discrezionalità dell’accusa. 173: “Der Staat braucht. [18] A expressão é de Radbruch. la presunzione d’innocenza e l’onere accusatorio della prova. 1949. 2005. che richiede il conflitto e la netta separazione dei ruoli tra le parti processuali”. pág. Exigencias mínimas de la dogmática del hecho punible en la parte general de los Códigos Penales in RDPC 8.. i principi di uguaglianza. Der Kronzeuge – Garant der Wahrheitsfindung oder Instrument der Überführung? in ZRP 1986. 85. dell´abilità negoziale della difesa. Organisierte Kriminalität und Kriminelle Organisationen. eluse di fatto dal potere del pubblico ministero di mandar libero l’imputato che si dichiari colpevole. 28ª ed. 125. 2010. auch im Angesicht der Bevölkerung. 1969. [15] Cfr. Modelli di intervento sanzionatorio e criminalità organizzata: pericolose illusioni e inquietanti certezze della recente legislazione antimafia in Criminalità Organizzata. Strafverfahrensrecht. nonché l’obbligatorietà dell’azione penale e l’indisponibilità delle situazioni penali. Berlin. em inglês. pág. weil er sonst diese Überlegenheit und damit langfristig seine Glaubwürdigkeit und das Vertrauen der Bevölkerung in die rechtliche Ordnung des Staates gefährdet”. Verwertungsverbote im Strafprozess. 2001. 2006. entre outros. Já antes. São Paulo. págs. 5. págs. Curso temático de Direito Processual Penal. Das Deutsche Strafrecht. che vuol dire infungibilità della giurisdizione e delle sue garanzie. Volk. September 2001. 40. Berlin. São Paulo. Roxin/Schünemann. pág. di certeza e di legalità penale. Grenzen der Kriminalpolizei. 5ª ed. pág. München. págs. pág. 65. 1995. 627. São Paulo. I. Schmidt. II. Köln. Direito Penal Brasileiro. Lehrkommentar zur Strafprozessordnung und zum Gerichtsverfassungsgesetz. § 14/19. Camargo Penteado. Visão Luso-Brasileira. vol. 358. Ein Beitrag zur Lehre von den Beweisverboten. Strafprozess im Umbruch oder: Vom unmöglichen Zustand des Strafprozessrechts in StV 1999. pág. 132 e ss.. bem più che dalla gravita del secondo. Comentários à Lei de Organização Criminosa.

vol. Neuwied/Kriftel/Berlin. pág. págs. 365. 6ª ed. págs.. 238 e ss. Rio de Janeiro.. 1958. Curso de Direito Penal – Parte Geral. Berlin. 1985. Kritik des Kleinschrodischen Entwurfs zu einem peinlichen Gesetzbuche für die Chur-Pfalz-Bayerischen Staaten. 412. Tomo II. 2012. 423). Tomo II. Curso de Processo Penal. 4ª ed. [29] Assim.421. 2006. 1997. 2015. Strafgesetzbuch Kommentar. Rettungsverhalten und Rettungsvorsatz beim Rücktritt vom Versuch. 539. 48 (52). pág. 8ª ed. Fabel.. São Paulo. § 24/1 e ss. Schönke/Schröder. é inegável que possuem semelhanças. Rio de Janeiro. § 14/2. 2005. München. Roxin/Arzt/Tiedemann. 338. Behrendt. pág.. Parte General. a teoria dos fins da pena foi adotada pelo Tribunal de Justiça Federal Alemão (Bundesgerichtshof). Cuello Calón. referindo-se ao plea bargaining. [24] Defendem tal teoria. pág. Em sua versão “clássica”. Madrid. 19ª ed. Jescheck/Weigend. 1996. Barcelona. Strafrecht. Comentários à Lei de Organização Criminosa. 12/17 . 245-246. [33] Também em sentido crítico. Wann ist der Rücktritt vom Versuche freiwillig? in NJW 1955. págs. Parte General. 2ª ed.. AT. [21] Na Alemanha. 75 (80). por parte do agente. 2013. para que o benefício seja concedido. Weinholt. Das Deutsche Strafrecht. 102 e ss. Lições de Direito Penal.. [35] Roxin/Schünemann. Berlin. 129. Madrid. Fragoso. Apenas uma observação: sabemos que a delação premiada não possui exata correspondência com o instituto do plea bargaining. verfahrensrechtliche und kriminalpolitische Aspekte in JZ 1994. München. Strafrecht. pág. 490. Baden-Baden. 143. § 30/4: “Herrschend ist heute die Strafzwecktheorie” (“Dominante. 836. da confiança (…)”. Tomo I. 888. Jescheck/Weigend. Hoyer. Bitencourt/Busato. Bruno. basta que um dos resultados ocorra. 31-32. [26] Assim. New York. 184 in JuS 1989.. pág. pág. Rodríguez Mourullo. [31] A expressão é de Pound. Roxin. 173. 2ª ed. Dotti. Manual de Direito Penal – Parte Geral. I.. Entretanto. [28] Nesse sentido. traçam um paralelo entre a delação premiada e o instituto da desistência voluntária (tanto na tentativa inacabada quanto na tentativa acabada). pág. 1930.. Derecho Penal. § 3/26. Die Figur des Kronzeugen – Dogmatische. SK. Bitencourt.. 1ª ed. 1981. VII. págs. São Paulo. von Liszt. 130-131.850/13. pág. Berlin. Der strafbefreiende Rücktritt vom Versuch in JuS 1981. 3ª ed. Einführung in das Strafrecht und Strafprozessrecht. 14. 134. Como determina a própria norma. 5. AT II. Lampe. [32] Cfr. pág. vol. pág. Feuerbach. 1976. [25] Cfr. [30] Assim. 184. pág. [27] Roxin. pág. Giesen. é a teoria dos fins da pena”). Überlegungen zur Figur des Kronzeugen im Umweltstrafrecht in GA 1991.. 539. § 30/7. por todos. pág. pág. München. BGHSt 9. Pacelli. pág. págs. Na mesma linha. 1986. [23] Defendem tal teoria. § 14/2. Lehrbuch des Strafrechts. Marburg. Bloy. Bockelmann.. págs. 158 e ss. Strafverfahrensrecht. Lehrbuch des deutschen Strafrechts. 4º da Lei 12. 1990. pág. vol. Criminal Justice in America.. Tomo II.[20] Hungria. Geldwäsche und tätige Reue. por exemplo.. Kneba. 1881. 27ª ed. AT. 5ª ed. Roxin. [22] Tais resultados estão elencados nos diversos incisos do art. 2003. I.. Rio de Janeiro. Der halbherzige Rücktritt in NStZ 1984. Welzel. AT. Die Kronzeugenregelung des § 46 StGB . Strafverfahrensrecht. São Paulo. Cfr. 1. 256. 2006. Direito Penal – Parte Geral. 115. Puppe. Comentários ao Código Penal. Rücktritt vom Versuch „mangels Interesses” – BGHSt 35. 18ª ed. Parte General.. Lehrbuch des Strafrechts. 610. Strafrecht. 2000. 1804. hoje. [34] Roxin/Schünemann. § 24/4. 6ª ed. pág. 42: “Abuso de confiança (…) Consiste na traição. Antón Oneca/Rodríguez Muñoz. München.1967. 649.. Die dogmatische Bedeutung der Strafausschließungs- und Strafaufhebungsgründe. Rudolphi en Rudolphi/Horn/Günther/Samson. 1977.. Derecho Penal. defendendo uma versão “modificada” da teoria dos fins da pena (modifizierte Strafzwecktheorie). pág. 7ª ed. pág. Derecho Penal. Krauß. entre outros. pág.

Bürger: Zur Legitimation von Strafe. pág. Allgemeiner Teil. [38] Cfr. 97. M. pág. Barcelona. págs.[36] Hobbes. por exemplo. Subjekt. Teoria do Direito Processual Penal. [40] Cfr.. Die Metaphysik der Sitten in Immanuel Kant. Clérico. La perenne emergenza. 2001. 203 [48] Ferrajoli.. 4ª ed. págs. Appel. São Paulo. pp. Mir Puig. págs. vol. El principio de proporcionalidad como fundamento constitucional de límites materiales del Derecho Penal em Vives Antón-LH II. Giacomolli. Zaczyk. Kant. Berlin. págs. Moccia. sobre o princípio da proporcionalidade são: Alexy. Die Struktur der Verhältnismäßigkeit. [45] Cfr. Strafverfahrensrecht. n˚ 5.. 1991. Hruschka. Hruschka. 2ª ed. 207 e ss. § 14/2. págs. Cambridge/New York. 65. Mendes. pág. 83 e ss. Instituições de Direito Processual Civil.. págs. [39] Quando dizemos “velha teoria retributiva” não ignoramos que muitos autores ainda a defendem. Die Notwehr im Zusammenhang von kants Rechtslehre em ZStW 115. 2007. Baden- Baden. págs. 2003. 23 e ss. Cfr. o mesmo. Feuerbach und die Grundlagen des Strafrechts em Puppe-FS.. Berlin/Heidelberg/New York. Giacomolli. Hruschka. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras em RDJ. [46] Cfr. 48 e ss. Feuerbach und die Grundlagen des Strafrechts. [50] Frederico Marques. 29 e ss. 2012. por todos.357 y ss. págs. No Brasil. Moore. Werke in sechs Bänden. [49] Assim. Der Kronzeuge unter besonderer Berücksichtigung der Erfahrungen mit Kronzeugen in Nordiland em ZStW 103. [41] Nesse sentido. Scarance Fernandes.. La actual discusión sobre las finalidades de la pena in Roxin-LH. El principio de proporcionalidad y los Derechos fundamentales. O devido processo penal. Strafverfahrensrecht. 186. passim. 71-72. Roxin/Schünemann. Frankfurt a. Roxin/Schünemann. [43] Cfr. São Paulo. Porto Alegre. Pawlik. passim. Sobre o fundamento do princípio da legalidade processual em Kant cfr. O devido processo penal. passim. em especial. Kant zu Strafrecht und Strafe im Rechtsstaat em JZ. Köhler. I. 135.. 1996. o mesmo. [42] Os loci classici onde se discorre. 3ª ed. 304. 6ª ed. passim. Direitos Fundamentais e Direito Penal – A Constituição Penal . Forme and Power of Common-Wealth Ecclesiasticall and Civil. Strafrecht vor den Schranken der Grundrechte. 1985. São Paulo. [51] Numa linha muito próxima cfr. com propriedade. 577 e ss. Feuerbach und die Grundlagen des Strafrechts . 960 e ss. Barroso. Leviathan. 1960. Silva. 2ª ed. pág. passim. Berlin. 2011. 1997. Placing Blame: A Theory of Criminal Law. 171 e ss. 1997. Lagodny.. Bernal Pulido. São Paulo. pág. 597. München. pág. págs. Tübingen. Kant. págs. Bottke. Tübingen. Person. vol. Strafrecht. vol. págs. Zu den verfassungsrechtlichen Grenzen staatlichen Strafens. Denny. 2004. 2015. Byrd/Hruschka.. 197. Zur Begründung der Gerechtigkeit menschlichen Strafens em Eser-FS. No que se refere à sua repercussão em matéria penal cfr. 453. págs. 2003. 82 e ss. § 14/2. Darmstadt. [47] Assim. 17 e ss. Grundlinien der Allgemeinen Verbrechenslehre. pág. or The Matter. Hassemer.. Abordagem conforme a Constituição Federal e o Pacto de São José da Costa Rica.. Processo Penal Constitucional. passim. 179-180. Verfassung und Strafe.. Madrid. [37] Kant. Cfr. Diritto e Ragione. 17 e ss. Theorie der Grundrechte. 218. ainda. Rio de Janeiro. Feldens. 275.. pág. 1998. Oxford/New York... 2012. 200 e ss. 2001. 1997. Legalität und Opportunität im Strafverfahren in Freiheitliches Strafrecht. 2005.. IV. II.. Interpretação e Aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática transformadora. Kant. 1996. Tucci. págs. 1. Das Unrecht des Bürgers. 2002. 2010. 2007. O proporcional e o razoável em RT 798. 13/17 . págs. pág. 1991. 1971. 2 e ss. pág. Sobre o tema cfr. [44] Cfr. pág.

. pág. [60] Cobo del Rosal/Vives Antón. Rel. se tais acordos tratam de supostos fatos criminosos ocorridos antes da vigência dessa lei? Essa é a questão! [53] Nesse sentido. Rel. 41 da Lei 11. 1996. Derecho Penal.905-RJ. Prescrição Penal.269/96. Celso de Mello. por exemplo. [59] Mir Puig. Na doutrina. 1931. art. Torino. 264. Strafprozessrecht. 3ª ed. vol I. Zur Legitimationsfunktion des Zweckgedankens im gesamten Strafrechtssystem in Straftat. 3ª ed. Strafrecht. pág. da Lei 9. 1 e ss.034/95.. I. págs. [63] Lopes Jr.683/12. Código de Processo Penal Brasileiro Anotado. Heidelberg. págs.[52] Por óbvio. [61] Grandinetti. 7ª ed. Rio de Janeiro. 137. art. Direito Processual Penal. 123 e ss.und Strafzumessungssystems in Wolter/Freund (edts. 37 (1990). vol. Ein Straf-Recht ohne Prozeβ gibt es nicht”. 1998. Absehen und Mildern von Strafe: Strukturen eines ganzheitlichen Strafrechts-. Coimbra. Assim. PG. 1º da Lei 9. Salvador.613/98.. Derecho Penal. Barcelona.S. 2012. 1954. 2004. 2015. 273 (308). formado pela “união funcional” entre as categorias do fato punível. pág. STF AI 795. 259. 2002. [66] Queiroz. 1. págs. 6º da Lei 9. No Brasil..072/90. 7º da Lei 8. Genauer: sie sind funktional aufeinander bezogen und voneinander abhängig. art. Valencia. AT. Berlin. [65] Casara/Belchior. podemos citar: art. PG. 180. Freund. como afirma Volk. Machado. vol. Min. § 4/57. I. 13 e 14 da Lei 9. pág. Sucessão de Leis Penais. [57] Collins v. Derecho Penal. págs. pág. aqui não se ignora que. antes mesmo da Lei 12. 223 e ss. PG. [67] Sobre a abrangência do princípio do due process of law. 8ª ed. vol. no âmbito da “Operação Lava Jato”. Teoria do Processo Penal Brasileiro. München... Berlin/New York. Straftat. Strafzumessung und Strafprozess im gesamten Strafrechtssystem. Strafprozeß. art. do processo penal e da determinação da pena. É justamente com base nessa compreensão que alguns autores alemães defendem um “Sistema Integral do Direito Penal” (gesamtes Strafrechtssystem). 5ª ed. págs. O que se está aqui a indagar é o seguinte: como é possível que. pág.. O Processo Penal em Face da Constituição. Zur Dogmatik und Rangfolge von materiellen Ausschlußgründen. Jahn.. outros diplomas legais já contemplavam o instituto da delação premiada (embora cada um deles contivesse requisitos próprios para a concessão do benefício). 95. por exemplo.343/06. Processo Penal. Youngblood 497 U. Rechtstheoretische Grundlagen des Gesetzesvorbehaltes im Strafprozessrecht in Kudlich/Montiel/Schuhr. Espínola Filho. [58] Jakobs. Sobre tal questão cfr. Curso de Direito Penal.). São Paulo. arts. Não custa aqui observar que o projeto de um “Sistema Integral do Direito Penal” (gesamtes Strafrechtssystem) não se confunde com a antiga noção de Von Liszt de uma “Ciência Conjunta do Direito Penal” (gesamte Strafrechtswissenschaft). 68-69. DJ 01/08/2011: “A garantia constitucional do ‘due 14/17 . São Paulo. 249-250. [62] De fato. 2º da Lei 12. Rio de Janeiro. 751.850/13. 4º. Cfr. Verfahrenseinstellung. 2013. 2: “Die beiden Rechtsgebiete [Derecho penal y Derecho procesal penal] sind unter der Klammer ´Strafrecht´ miteinander verblockt.807/99. que deu nova redação ao § 5º do art. [55] Taipa de Carvalho. entretanto. 1997. págs. 122.. Gesetzlichkeit und Strafrecht. Manzini. 107. [54] Assim. Strafzumessung und Strafprozess im gesamten Strafrechtssystem. acordos de delação premiada tenham sido firmados com base na Lei 12. [56] BVerfGE 113.850/13.670/SC. pág. 141-142. 2012. pág. págs. 2ª ed. Parte Geral. de um perigo “umfassender Zweckgedanke”). Mir Puig. Wolter. Min. pág. cfr. o expressivo aresto proferido pelo Supremo Tribunal Federal no HC 96. 43 e ss (padecendo. 2000. Celso de Mello. 1999. [64] Badaró. 1993. 2ª ed. por todos. Trattato di Diritto Processuale Penale Italiano secondo il nuovo codice. Rio de Janeiro.

91. [69] Como diz Prado.016/SP. (j) direito de não se autoincriminar nem de ser constrangido a produzir provas contra si próprio (HC 69. Their presence is often the signal (like the canary dying?) that we have managed. 1997. No mesmo sentido. passim.096/RJ. Ellen Gracie – HC 94. Rel. Philadelphia. págs. o direito de defesa transforma-se num autêntico insulto. Celso de Mello). pelos agentes do Estado. 309-310. Lopes Jr. Rel. Rel. 8ª ed. ressalta a importância da formulação de paradoxos para a demonstração das fissuras e inconsistências de uma teoria: “Paradoxes have often been found lurking about in the deepest places of thought. Rel. [77] Sobre o tema cfr. 2005. sem dilações indevidas. Direito Processual Penal. sequer timidamente. [75] Goldstein. (h) direito ao benefício da gratuidade. Min. [68] Essa é a crítica de Rosett/Cressey. [74] Parece não restar dúvidas de que. como se culpado fosse. Jenseits von Gut und Böse. Min. Justice by Consent: Plea Bargains in the American Courthouse. 2013. Sistema Acusatório. Prado. que. antes do trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória (RTJ 176/805-806. Min. nesse contexto. pág. 73: “Não há na delação premiada nada que possa. Celso de Mello) e. Oxford/New York. Rel. de não ser tratado. to stumble on a deep and problematic place. La Justicia Penal Negociada. (e) direito de não ser processado e julgado com base em leis ‘ex post facto’. (b) direito à citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação. elementos essenciais à sua própria configuração. Quando se olha muito tempo para um abismo. Milano. pág. Fragoso. 1976. 3ª ed. por exemplo. 15/17 . entre feras. 3ª ed. II. pág. Rodríguez García. Experiencias de Derecho Comparado. São Paulo.. [72] Cfr. págs. Salamanca. Rio de Janeiro.376/RJ. em conseqüência. (f) direito à igualdade entre as partes (paridade de armas e de tratamento processual). Celso de Mello). 1975. Jurisprudência Criminal. Min. [70] Cfr. (g) direito de não ser investigado. os dados estatísticos trazidos por Finkelstein. quer se cuide de ilicitude derivada (RHC 90.135/SP. [76] Aqui cabe a advertência de Nietzsche. Min.289/RS. Da delação premiada. a respeito da ocorrência de tais lamentáveis práticas no âmbito do plea bargaining. Procedura Penale. mag zusehn. 73). [71] Sobre as demais características do sistema acusatório cfr. e direito à prova”. as seguintes prerrogativas: (a) direito ao processo (garantia de acesso ao Poder Judiciário). Langbein. Prado. Rel. 107 e ss. quer se trate de ilicitude originária. Min.. 72-73. Da delação premiada: aspectos de direito processual in Em torno da Jurisdição. Celso de Mello). em Versos Íntimos: “Acostuma-te à lama que te espera! O Homem. associá-la ao modelo acusatório de processo penal”. Und wenn du lange in einem Abgrund blickst.050/RJ. São Paulo. 97... Celso de Mello – HC 93. a fissure in the foundations”. 2005. Min. blickt der Abgrund auch in dich hinein”. dentre os quais avultam. daß er nicht dabei zum Ungeheuer wird. Ilmar Galvão – HC 83.process of law’ abrange. sometimes unwittingly. 2006. pág. 804 e ss. § 146: “Aquele que luta contra monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. 10ª ed. Vorspiel einer Philosophie der Zukunft . Mora. nesta terra miserável.. Min. Min. [73] Cfr. Rio de Janeiro. Esse autor lembra ainda que “o Processo Penal com o núcleo acusatório (…) foi consagrado pela Constituição de 1988” (pág. pág. vol. A Statistical Analysis of Guilty Plea Practices in the Federal Courts in HLR 89. por sua inquestionável importância. sente inevitável necessidade de também ser fera”. (l) direito de ser presumido inocente (ADPF 144/DF. Incompleteness: the proof and paradox of Kurt Gödel. Cordero. 105. o abismo olha para você” (no original: “Wer mit Ungeheuern kämpf. passim. Celso de Mello – HC 99. Rel. (i) direito à observância do princípio do juiz natural. Ou quem sabe de Augusto dos Anjos. acusado processado ou condenado com fundamento exclusivo em provas revestidas de ilicitude. a respeito do plea bargaining. 2003. págs. 2010.. em seu conteúdo material. (d) direito ao contraditório e à plenitude de defesa (direito à autodefesa e à defesa técnica). Rel. Leipzig. 1979. A Conformidade Constitucional das Leis Processuais Penais. Rel. 99. The Origins of Adversary Criminal Trial. Celso de Mello – HC 77. págs. New York.026/DF. (c) direito a um julgamento público e célere. 1886.

pág. [85] Bordenkircher v. 1979. Hoyer. 191 F. 471. The prosecutor’s unethical tactics might cause the defendant to give up any expectation of a fair trial. 46. pág. The resolve to keep one’s name clean gives way to the desire to end a Kafkaesque travail. 23. 1993. Die Figur des Kronzeugen. [79] Sobre o tema cfr. Sobre o tema cfr. [93] Sobre tal fenômeno no âmbito do Plea Bargaining cfr. Petegorsky.[78] Cfr. L´attendibilità delle dichiarazioni dei collaboratori di giustizia nella chiamata in correità . Plea Bargaining in the Dark: the duty to disclose exculpatory Brady evidence during plea bargaining in Fordham Law Review 81. gostaríamos de insistir que sabemos que a delação premiada não corresponde ao instituto do plea bargaining. 241 e ss. The Limits of the Criminal Law. At this point. Morais da Rosa. La valutazione dela prova nei processi di criminalità organizzata in Grevi (Org. Oxford/New York. São Paulo. pág.. 460. [88] Brady v.). págs. Plea Bargaining in the Dark. 87-90: “Prosecutors declare that they will push for ‘maximum penalties’ involving long prison sentences and huge fines. and ‘outrageous’”. It can become too much to bear. 46. [80] Assim.. 357. Sobre o regime de prova legal negativa cfr. They might threaten freezes or forfeiture of the accused’s assets unless the accused ‘cooperates’ with the government. págs.br/fsp/poder/214735-puxando-o-fio. 2016. 164 e ss. Ruggiero. [83] Cfr. ‘a disaster’. Processo Penale e Criminalità Organizzata. New York. Guia compacto do Processo Penal conforme a teoria dos jogos.shtml [92] Para uma profunda compreensão do «jogo processual» cfr. The Tyranny of Good Intentions. Badaró.603 e ss. Hagan/Bernstein. 4th 1216. l999). How Prosecutors and Law Enforcement are Trampling the Constitution in the Name of Justice. Hayes. pág. Entretanto. Ruggiero. Roma/Bari. ‘unfair and irrational’. Ruggiero. Magalhães Gomes Filho. pág. é inegável a semelhança entre ambos.uol. 2013. Badaró. págs. L´attendibilità delle dichiarazioni dei collaboratori di giustizia nella chiamata in correità . págs. Berlin. 263 e ss. Fassone. passim. págs. pág. pág. 31 e ss. plea bargaining enables prosecutors to supplement weak evidence with psychological pressure”. 434 U. Die allgemeine Kronzeugenregelung. Processo Penal. L´attendibilità delle dichiarazioni dei collaboratori di giustizia nella chiamata in correità. Direito à prova no Processo Penal. [82] Certeiramente.S. The practice has been denounced as ‘absolutely and fundamentally imoral’. págs. Florianópolis.3d 488 (4th Cir.folha. [81] Cfr. 2000. 237. [90] People v. The Sentence Bargaining of Upperworld and Underworld Crime in Ten Federal District Courts in Law and Society Review 13 (2). 16/17 . 2012. 3. Processo Penal. Frahm. Torino. Dogmatische Probleme und Rechtspraxis des § 46b StGB. [91] Confira-se a entrevista em http://www1. pág. 3ª ed. 1240 (1998). Overcriminalization. inclusive em termos de consequências negativas para os Direitos Fundamentais. 458. Pearce..S. 83 (1963). [94] Essa é a opinião de Husak. L´attendibilità delle dichiarazioni dei collaboratori di giustizia nella chiamata in correità . mais uma vez. Aqui. 1997. 2014. Musselwhite 17 Cal. 363 (1978). a respeito do instituto do plea bargaining: “Few knowledgeable commentators are prepared to defend the justice of plea bargaining. Ruggiero. [84] Cfr. [89] Petegorsky.com. Maryland 373 U.608. [86] United States v. 45 e ss. 3. 2008. [87] Como apontam com precisão Roberts/Stratton. pág. he calls his lawyer and gives his okay to working out deal (…) By making facts malleable.

com período Doutoral na Universidade de Bonn (Alemanha). Advogado criminalista. Ganhador do Prêmio Extraordinário de Doutorado 2012-2013. a opinião ou posicionamento do Empório do Direito.com/photos/teosaurio/10137986214 Licença de uso: http://creativecommons.0/legalcode O texto é de responsabilidade exclusiva do autor. necessariamente. em razão da autoria da Tese “La «exteriorización de lo interno»: sobre la relación entre lo «objetivo» y lo «subjetivo» en el tipo penal” (publicada em 2014 pela editora espanhola Atelier sob o título “Lo «objetivo» y lo «subjetivo» en el tipo penal: hacia la «exteriorización de lo interno»”).org/licenses/by/4. 17/17 . Imagem Ilustrativa do Post: Downstairs // Foto de: Mr Hicks46 // Sem alterações Disponível em: https://www. não representando. concedido pela Comissão de Doutorado da Universidade de Barcelona. Professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP/DF).flickr.José Carlos Porciúncula é Doutor em Direito Penal pela Universidade de Barcelona (Espanha).