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Revista Panorâmica On-Line. Barra do Garças– MT, vol. 16, p. 32 – 42, jan./jul. 2014.

ISSN - 2238-921-0

A PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES DE GEOGRAFIA DA UFMT - CAMPUS
ARAGUAIA – SOBRE OS POVOS INDÍGENAS1

Zenilda Lopes Ribeiro 2
Magno Silvestri3

RESUMO: Este texto mostra resultados de uma pesquisa realizada com estudantes do Curso
Geografia da UFMT – Campus do Araguaia, pela qual se objetivou analisar a percepção que
esses estudantes têm sobre os povos indígenas que habitam a região de Barra do Garças/MT.
Ainda, como objetivo específico, procurou-se identificar as formas de contato estabelecidas
com os indígenas presentes na cidade, parte da preocupação de preparar futuros profissionais
que irão atuar na educação básica do município, cujas escolas recebem, cada vez mais,
estudantes indígenas da etnia Xavante. A metodologia para o desenvolvimento da pesquisa
fez-se mediante a aplicação de um questionário, com duas questões subjetivas, discussão do
tema em sala de aula e análise do discurso. Como resultado verificou-se que muitos
estudantes percebem os indígenas como portadores de direitos e que esses direitos não são
respeitados, entretanto, vários estudantes mostram indiferença aos índios na cidade, que, para
eles, são mera sombra social.

PALAVRAS – CHAVE: Percepção de estudantes. Povos indígenas. Relações de contato.

PERCEPTIONS OF GEOGRAPHY STUDENTS, BELONGED TO MATO GROSSO
FEDERAL UNIVERSITY- CAMPUS ARAGUAIA, RELATED TO THE
INDIGENOUS PEOPLE

ABSTRACT: This article shows results of a students survey, belonged to the Geography
course at Mato Grosso Federal University- Campus Araguaia. Their aim has been to analyze
the student’s perception around indigenous peoples who inhabit this region. As specific
objective has been tried to identify forms of contact established with the Indians present in the
city of Barra do Garças as well. Part of this worry about preparing future professionals who
will work in basic education in the region which receive more and more students belonged to
the Xavante ethnicity. The methodology developed in this research hás been done by applying

1
Este trabalho faz parte do grupo de pesquisa interdisciplinar e interinstitucional “Fronteiras, Culturas,
Identidades: espaço de dialogo com povos indígenas do Araguaia/Xingu, aprovado pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico–CNPQ.
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Mestre em Geografia, pela UFMT. Docente do Curso de Geografia da Universidade Federal de
Mato Grosso, Campus do Araguaia E-mail zenildalr@hotmail.com
Página

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Mestre em Geografia, pela UFMT. Docente do Curso de Geografia da Universidade Federal de Mato
Grosso, Campus do Araguaia E-mail magno.silvestri@gmail.com

são as maiores vítimas dos discursos arraigados sobre a problemática indígena. constituída pelos municípios de Pontal do Araguaia e Barra do Garças. Revista Panorâmica On-Line. do 1º ao 4º ano. em 2009. a tríplice fronteira do Araguaia. several students has shown indifference to these indigenous around the city. 32 – 42. dentro do programa do Governo Federal de Reestruturação das Universidades Públicas (REUNI). em Goiás. 16. por meio dos debates em sala de aula. however. vinculado às Ciências Humanas e Sociais. Após a . ISSN . políticas e culturais da região. sobretudo. esta pesquisa busca. O Curso de Geografia do Campus do Araguaia foi criado. O objetivo geral da pesquisa foi analisar a percepção que os estudantes do Curso de Geografia têm sobre os povos indígenas que habitam o município de Barra do Garças. vol. A vivência dos estudantes. p./jul. it has been found a plenty of students have perceived the natives have rights and these rights are not respected. relaciona-se com a forma como esse objeto é percebido e como ele aparece na consciência. Karajás e. submetidas a quatro turmas do Curso. Contactrelitions. they are only social shadow. INTRODUÇÃO A percepção que se tem sobre um povo se constitui num ato de consciência. como objetivo específico.2238-921-0 a questionnaire. A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa. e. o qual se relaciona com o ato de ver. em Mato Grosso e Aragarças. pela etnia Xavante. está alicerçada pela presença dos povos indígenas Bororos. Indigenous Peoples. que. em Barra do Garças/MT. Página com duas questões subjetivas. com a aplicação de questionários. 2014. jan. Essa expansão da estrutura física vem provocando significativos rearranjos espaciais nas três cidades vizinhas. Os Xavante. which had two subjective questions. Esses rearranjos estão refletidos nas esferas sociais. em maior número. A geografia humanística chama a atenção para o fato de que é pelo vivido que o indivíduo se põe em contato com o mundo dos objetos exteriores. As result. procurou-se identificar as formas de contato estabelecidas com os 33 indígenas presentes na cidade. econômicas. discussion of the topic in the classroom and speech analysis. KEYWORDS: Perception of students. por sua vez. verificar a imagem desses povos indígenas construída. a qual é discursada e compartilhada pelos estudantes do Curso de Licenciatura em Geografia da UFMT. Nesse sentido. Barra do Garças– MT.

A fundação da cidade está relacionada ao garimpo de ouro. na Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande. Revista Panorâmica On-Line. que gerou os desdobramentos históricos de toda a ocupação da bacia do Xingu e do norte mato-grossense. Outra importante característica do aparato estatal em Barra do Garças é a . estabeleceram-se seis categorias de análise. jan. um marco para a expedição Roncador-Xingu. 1983). a partir de oito terras indígenas. fazem-se presentes em Barra do Garças. 32 – 42. Barra do Garças– MT. a BR-070 que liga Cuiabá a Brasília e também a BR-158 que liga a cidade de Barra do Garças ao nordeste mato-grossense. localizado na porção leste do Estado de Mato Grosso. em destaque os conflitos que impulsionaram a fronteira agrícola. onde. intencionais ou não. 16. O CONTEXTO SOCIOCULTURAL DA REGIÃO DE BARRA DO GARÇAS O município de Barra do Garças.141. A cidade é polo. foram classificadas para a análise da prosa. o que implica questionar: o que isto quer dizer? o que significa? (ANDRÉ. remontam à década de 1940. em detrimento dos povos tradicionais. na Região do Araguaia. em substituição à Funasa local e demais entidades de base de apoio aos Página povos Xavante. no Governo Vargas. Dentre elas. inserem-se também diversos conflitos pela posse da terra. busca-se investigar o significado dos dados qualitativos. as etnias Bororo e Xavante.2238-921-0 aplicação dos questionários. quando da fundação da cidade vizinha. na década de 1920. Suas características ocupacionais pós-invasão europeia. Nesse contexto. vol. em especial. no entanto. sobretudo. onde está a 34 Coordenação Regional da Funai. buscando a exploração das mensagens. fossem elas implícitas. praticamente. Aragarças. a população indígena. com área de 9. as quais. Os povos indígenas na região. Sua emancipação político-administrativa data de 1948. explicitas./jul. pela etnia Xavante. após desmembramento do município de Araguaiana. Cuiabá. Nesse tipo de análise. dista 516 Km da capital. a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). ligada ao Ministério da Saúde. ISSN .84 Km². divididas em três grupos. e está estrategicamente posicionada entre duas importantes rodovias de jurisdição federal. A etnia Xavante abrange uma área territorial compreendida oficialmente. a Terra Indígena São Marcos que tem a maior população e possui grande fluxo dos indígenas das aldeias para a cidade de Barra do Garças. é possível visualizar um complexo caso relacionado ao município vizinho de General Carneiro. na Latitude Sul 15° 49’01” e Longitude Oeste 52°09’08”. dividem o mesmo território. p. 2014.

oriundos de Aldeias Xavante. em geral. no comércio ou no setor de serviços. p. jan. depois.117) Os aspectos relatados sobre a presença indígena Xavante e os não indígenas apresentam questões relacionadas ao conflito pela terra e territorialidade./jul. educacionais e da saúde que centralizam as demandas dos Xavante. as terras estão nas mãos de fazendeiros e suas expedições de caça. Mas. 32 – 42. vol. e duas novas áreas foram consideradas indígenas. o processo histórico demonstra uma série de conflitos como. funcionários públicos e jovens que vêm à cidade receberem para pais ou para os avôs.2238-921-0 presença da Polícia Federal e dos demais órgãos ambientais. Eles vêm estudar na escola dos warasu. que conseguiram recuperar e integrar na TI Sangradouro a área denominada Volta Grande. Muitos desses professores. 2005. para aprender coisas do mundo branco e. Nas escolas estaduais do município. p. Barra do Garças– MT. descrito a seguir: Os Xavante. têm questionado os limites das áreas que habitam. Entretanto. contudo. por exemplo. conta com o apoio do Centro de Formação de Professores – CEFAPRO . a rede bancária recebe um fluxo muito grande de 35 aposentados. no período de festas. 16. ISSN . Revista Panorâmica On-Line. próximas a Barra do Garças. sempre geram conflitos com os não índios “vizinhos” da área indígena (OLIVEIRA. os indígenas estão presentes não como prestadores. professores. Embora essa presença se configure num amortecimento das relações entre indígenas e não indígenas. Antes de retornar para as Página . no caso dos Xavante de São Marcos. nas escolas públicas. a exemplo dos Xavante de Sangradouro. gerando uma situação conflituosa entre o sistema educacional vigente e a manutenção da cultura e das tradições indígenas. Na Terra Indígena Areões também ocorre processo semelhante. de uma forma geral. 2014. A educação básica em Barra do Garças. na região do médio Araguaia. de domínio não índio.ligado à Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso – Seduc-MT. Essa é uma estratégia de contato que reflete a coragem e a resistência dos Xavante. agentes de saúde que atuam nas aldeias. No setor de serviços e comércio. No inicio do mês. voltar a suas aldeias e ajudar a defender seus direitos. quando as relações se estreitam. mas. Esta área está separada das terras de Sangradouro pelo rio das Mortes e é área de caça dos Xavante. constam 55 meninos da etnia Xavante matriculados no ensino médio. têm dado significativa contribuição nos cursos de capacitação do CEFAPRO. seja nas escolas. esses conflitos se aprofundam no espaço urbano. o estudante deve seguir o calendário escolar. e capacita professores indígenas e não indígenas para trabalhar a relação/proximidade das distintas culturas em contato. que já experimenta a diversidade etnocultural. o jovem retorna à aldeia. mas como consumidores. segundo dados da Assessoria Pedagógica.

.M.2238-921-0 aldeias. 2014. 2001 p.] os índios são cidadãos com muitos direitos e nenhum dever. visão.. Fazem e acontece e não acontece nada [. percebemos não as formas..4) nos diz que a “Percepção é tanto a resposta dos sentidos aos estímulos externos. embora a percepção comece com os sentidos. 32 – 42.. cores. p. olfato.. 1968). roupas. tato e paladar. . eles vão ao comércio realizar as suas compras. jan. E há ainda o sexto sentido.] todas as percepções são. ISSN . PERCEPÇÃO: ALGUNS APONTAMENTOS Etimologicamente a palavra “percepção” vem do latim perceptione e significa ato ou efeito de perceber.] eu acho errado eles ficarem pedindo comida. ao mesmo tempo. são ideias que servem para marginalizar cada vez mais a sociedade indígena. formas e imagens. os comerciantes que são beneficiados são os mesmos que discriminam. mas os objetos que têm significados para atender às nossas necessidades. tanto para a sobrevivência biológica como também para garantir a manutenção da cultura. calçados. Assim. À guisa de esclarecimento./jul.. O mundo moderno é dominado pelo campo visual. aprender pelos sentidos (BUENO. Entretanto. Essa percepção de que os índios recebem salários é um discurso recorrente na população do município. “[. como a atividade proposital. p. o sentido ideal que é supostamente capaz de ver o que aos outros escapa. com muitos privilégios. traduções e reconstruções cerebrais com Página base em estímulos ou sinais captados e codificados pelos sentidos”. 20). sem que faça algo para isso” (R. na qual certos fenômenos são claramente registrados.C. dessa forma. é por meio da visão que os homens se expressam e se comunicam. 16. outra acadêmica afirma “[.S).). ou seja.. pois eles ganham dinheiro todo mês para comprar estas coisas” (S. apontamos depoimento de uma estudante que também tem comércio na cidade. O órgão mais usual é o da visão. enquanto outros retrocedem a sombra ou são bloqueados”. uma significativa demanda de lojistas é suprida pelo fluxo contínuo Xavante da região. Barra do Garças– MT. Isso significa que percebemos o que tem valor para nós. E “perceber” do latim percipiere é adquirir conhecimento por meio dos sentidos. Para (MORIN. principalmente. Revista Panorâmica On-Line.] tem salários milionários (alguns). No entanto. Em outro depoimento.F. intuição. vol. Yi-Fu Tuan (1971.. 36 sendo marcada pelo ambiente sociocultural onde estamos inseridos. Diz ela que “[. não se esgota neles. Aprender pelos sentidos e fazer uso dos cinco sentidos que são: audição.

Saindo desse imaginário. permanecem sempre “indígenas”. ele figura no imaginário como algo que existiu no Brasil do passado. Barra do Garças– MT. Entretanto. era tratado de selvagem. seus costumes. usava flechas. “índios civilizados” (FERNANDES.cit). ele é um ser puro. Como todos sabem. o índio é selvagem e traiçoeiro. 1993 op. não existe um “ser” índio. que estuda. um mundo comum. os povos indígenas são muitos diferentes uns dos outros e. Para FERNANDES (1993). caçava e pescava. essa categoria social é uma invenção dos colonizadores europeus. 32 – 42. a capacidade real dos sentidos difere. ocorrem muitas diferenças.2238-921-0 Todos os seres humanos compartilham de percepções comuns. os índios que falam português. 2014. eles são irredutíveis em sua identificação étnica. andava nu. além disso. porque se veem e sofrem como índios e assim também são vistos e tratados pela gente com a qual estão em contato. Para alguns. não há um interesse em conhecer a realidade indígena. bebe refrigerantes não é considerado índio de verdade. é mais fácil continuar com os estereótipos que igualam e colocam sob o mesmo rótulo diversas situações. não são considerados índios ou são percebidos como “índios aculturados”. 37 O que os autores colocam tem uma similaridade com os discursos atuais e com os depoimentos dos estudantes pesquisados. para outros. quem acredita na sua pureza o idealiza e os que acreditam na selvageria o temem. sua sabedoria. ISSN . Dessa forma. O índio do presente. Em sendo assim. compra carros para se locomover para as aldeias. mesmo dentro da própria etnia. 16. andar nu e ter o corpo enfeitado com penas./jul. de modo que uma pessoa de determinada cultura pode desenvolver um olfato aguçado. O índio ideal deve ser forte. embora aculturados. em virtude de possuírem órgãos similares. Como andava nu. bebem coca- cola e usam óculos escuros. As falas foram analisadas. p. pois a aquisição desse conhecimento poderia colocar em xeque a “civilização” dos não índios. Entretanto. COMO OS POVOS INDÍGENAS SÃO PERCEBIDOS A política dominante tem veiculado imagens distorcidas do índio. impregnado da inocência das crianças. jan. como aponta RIBEIRO (1995). buscando compreender e Página . bonito. Revista Panorâmica On-Line. vol. enquanto os de outra cultura adquirem profunda visão estereoscópica.

alinhadas aos interesses do capital. Barra do Garças– MT. Tabela 1: Análise da percepção dos estudantes diante dos povos indígenas Porcentagem de Grupos de Análise Categorias de Análise Estudantes Categoria 1 21. 2014. Primeiramente. em algumas ocasiões invadem as propriedades ou o espaço dos brancos. após a invasão deste território. vol.74%. Já a segunda aproxima-se de uma análise mais sensível e humanista.74% Grupo 1 Categoria 2 19. sobretudo aqueles que estão presentes na região de Barra do Garças. jan./jul. ISSN .22% Grupo 2 Categoria 5 13. sendo que a primeira. destaca-se por uma análise do processo histórico da relação dos povos indígenas com os povos não indígenas (brancos).56%. temos o seguinte discurso: Página Os povos indígenas por serem particulares culturalmente. demonstrando compreensão diante das realidades dos indígenas e não indígenas. de forma imediatista. em seguida. com 19. RESULTADOS E DISCUSSÕES Esta pesquisa propôs uma classificação dos discursos interpretados entre os estudantes em três análises tabuladas.92%. com 21. que hoje é acentuado pelas elites de domínio socioeconômico detentoras da grande mídia. classificou-se a percepção dos estudantes diante dos povos indígenas.52% Fonte: pesquisa de campo dos autores.2238-921-0 identificar a percepção e as imagens que carregam sobre os povos indígenas. realizou a análise dos discursos e das relações de contato. 32 – 42. A terceira compreende a análise de senso comum. Revista Panorâmica On-Line. Para tanto.04% Grupo 3 Categoria 6 06. 16. tivemos 23. 2012 O 1º Grupo contém três (3) categorias. e podem . característica reproduzida pelo processo civilizatório imposto pelas tradições europeias de formação tradicional. regularmente matriculados nas quatro turmas. em três grupos distintos divididos em seis (6) categorias descritas na tabela 1. a essa 38 categoria. foram pesquisados 46 estudantes do Curso de Geografia.56% Categoria 3 23. das relações construídas entre os povos indígenas autóctones e os povos não indígenas. p. Como exemplo.92% Categoria 4 15.

de que forma se estabeleceu esse contato? Os dados foram tabulados na tabela 2. mas registramos apenas 39 aquilo a que decidimos prestar atenção. ISSN . A tabela 3.52%. 2012.43% responderam não terem tido nenhum contato com os indígenas e 13. convergência das percepções.G). apenas com a categoria seis (6). O 2º Grupo contém as categorias quatro (4) e cinco (5).K.43% Não opinaram 13. Barra do Garças– MT. o contato evolui para amizade entre os índios e não índios. assim sendo. algumas coisas são lembradas e outras Página imergem nas sombras do esquecimento. Os estímulos aos sentidos são potencialmente infinitos.04% não responderam a questão. mostra os . Revista Panorâmica On-Line. Já a quinta caracteriza-se por uma relação de conflito direto. Tabela 2 – Análise de contato dos estudantes com os povos indígenas Porcentagem de Estudantes Estudantes que tiveram algum tipo de 56. caracterizando distanciamento e preconceito acentuado com poucos argumentos explicativos.53% contato Estudantes que não tiveram contato 30. com 13. A quarta compreende as análises pontuais de senso comum crítico parcial ou preconceituoso. demonstrando total indiferença em relação à questão indígena. em alguns casos. Embora a presença indígena na cidade seja constante. 2014. com 6. esse contato foi conflituoso por conta da língua ou por não compreenderem a cultura do outro./jul. sem espaço argumentativo.53% dos acadêmicos entrevistados mantiveram contato com os indígenas e essa relação se estabeleceu em função da atividade profissional e.2238-921-0 incomodar no sentido de invasão de terras na cidade de Novo São Joaquim- MT (N. 32 – 42. de forma reacionária. 16. Os resultados mostram que 56.04%. jan. Para averiguar como se estabelecem as relações de contato. p. com 15. O 3º Grupo. Em grau menor. foi questionado: o acadêmico teve contato em Barra do Garças com o indígena? se ele teve. vol. 30.22%.04% Fonte: pesquisa de campo dos autores. Os cinco sentidos marcam os estímulos sensoriais da percepção. é classificado por aqueles que não emitiram nenhuma opinião.

a acadêmica em tela concebe que os indígenas. citamos este depoimento: “[. Em outro depoimento.. e assim vão perdendo a sua identidade” (G.. vol. 2014. mesmo convivendo na sociedade dos não índios.] percebo um povo de costumes e cultura diferente que busca preservar seus costumes e cultura mesmo no meio dos brancos. sofredor. Como exemplo disso. jan. prontos a infringir a lei a qualquer momento.. uma das bases da raça plural brasileira. . pois embora a percepção seja individual. Entretanto. Nessa tabela. M.] a cultura indígena é muito rica. como aponta este depoimento: “[. Tabela 3 – Análise de Convergência das percepções – Como o indígena é percebido Marginalizad Sofrido Ruim Boa Perda da Luta Direito o Cultura +++++ ++++ ++++ + +++++++ ++ ++++ ++ +++ +++++ Fonte: pesquisa de campo dos autores. Página A imagem de povos aniquilados por povoações não-indígenas.. R.. A visão negativa do indígena na cidade está relacionada.. A percepção da cultura esteve vinculada a dois fatores: a perda da cultura e à manutenção dela. principalmente.). 32 – 42.2238-921-0 elementos mais percebidos. A hostilidade também esteve presente neste depoimento “[.M. Diz ela: “[. de indivíduos ligados a terra. mas infelizmente o que eu vejo andando pelas ruas são índios sujos.] são um bando de desocupados. é percebido também como pessoa que luta por seus direitos ou que teve seus direitos usurpados pelo não índio./jul. L).] a imagem que tenho hoje sobre os povos indígenas da redondeza é que eles estão perdendo a sua cultura desta forma mantendo uma cultura dos “brancos”. e que estão perdendo a sua cultura. podemos compartilhar percepções. a cultura brasileira. ao problema da bebida.M). estão mantendo sua cultura. 2012.G. ISSN .). o sentido da visão foi utilizado como referencial do lastro de 40 informações. pois sabem que não serão punidos” (A. M. 16.G.. Um povo que encontra dificuldade de ver o direito de sua terra respeitado” (M. Barra do Garças– MT. Revista Panorâmica On-Line. observa-se que a convergência de percepções aponta que o indígena é visto de forma negativa. p. Em oposição. bêbados e isso é uma imagem negativa” (D.. É percebido como ser marginalizado.

de luta por seus direitos. Por conta disso sofrem das mesmas mazelas que estão possíveis qualquer homem indiferente de que raça ou origem pertença. minha visão vivem. pois alguns estudantes se recusaram a responder à pesquisa sem alegar motivos. destacaram-se posições defensivas e de crítica forte ao comportamento duro e frio. discriminados. sob. dia a dia. são mera sombra social. sejam afetivos/amorosos. o contato realizado com grupos. Entretanto. 41 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Página . 2014. entretanto. ora parcial. Na análise de contato dos estudantes com os indígenas. por conta do contato necessário ou não com o “mundo branco”. associada ao processo histórico de ocupação dos não índios. relacionados à marginalização social inerente à ocupação urbana e a seus vínculos/práticas culturais de relacionamento. no Brasil e em Mato Grosso. Os indígenas foram percebidos pelos estudantes como povos sofredores. demonstrou-se uma análise dominante do senso comum. foram relatados conflitos diretos. Verificamos. manutenção da cultura. na cidade. ficou dominante o contato comercial e vinculado aos serviços. que muitos estudantes percebem os indígenas como portadores de direitos e que esses direitos não são respeitados. perdendo seus laços culturais. aniquilados. vol. marginalizados.). M. desorientados. Em alguns casos raros. pressão do poder econômico. 32 – 42. os quais. No segundo grupo. jan. p. também. pois ao mesmo tempo em que percebe que os indígenas apresentam movimento de resistência como luta por direitos. aponta que esses povos estão perdendo sua cultura e aos poucos estão sumindo como indígenas. desvalorizados pelo não índio. de busca de manutenção de sua cultura. no último grupo. carentes. acuados. 16. Entres esses contatos./jul. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES No primeiro grupo.2238-921-0 Ainda hoje vejo como indivíduos com laços fortes de comunidade. retraídos. as exigências dos indígenas no comércio. Revista Panorâmica On-Line. ISSN . para eles. Essa percepção é contraditória. e. S. isolados socialmente e com atitudes inconvenientes. caracterizou-se uma percepção aproximada das causas indígenas. segregados. na análise de contato entre índios e não índios. Barra do Garças– MT. (F. vícios. vários dos entrevistados mostram indiferença aos índios. a total indiferença. perdidos. a higiene. ora imparcial.

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