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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE EDUCAÇÃO

DA POPULARIZAÇÃO DA FILOSOFIA À EXPERTISE
FILOSÓFICA: UMA PROBLEMATIZAÇÃO DO PAPEL
DO INTELECTUAL NA MÍDIA (REVISTA CULT 1997-
2013)

Guilherme Magalhães Vale de Souza Oliveira

São Paulo
2015

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Guilherme Magalhães Vale de Souza Oliveira

DA POPULARIZAÇÃO DA FILOSOFIA À EXPERTISE
FILOSÓFICA: UMA PROBLEMATIZAÇÃO DO PAPEL
DO INTELECTUAL NA MÍDIA (REVISTA CULT 1997-
2013)

Dissertação apresentada à Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo para
obtenção do título de Mestre em Educação.
Área de concentração: Filosofia e Educação

Orientador: Prof. Dr. Julio Groppa Aquino

São Paulo
2015

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AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE
TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS
DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

Catalogação na Publicação
Serviço de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

1 Oliveira, Guilherme Magalhães Vale de Souza
O48p Da popularização da filosofia à expertise filosófica: uma problematização
do papel do intelectual na mídia (Revista CULT 1997-2013) /
Guilherme Magalhães Vale de Souza Oliveira; orientação Julio Groppa
Aquino. São Paulo: s.n., 2015. 189 p. grafs.; tabs.; anexos

Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Educação. Área
de Concentração: Filosofia e Educação) – Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo.

1. Filosofia (Popularização) 2. Governo 3. Mídia 4. Intelectual
5. Foucault, Michel I. Aquino, Julio Groppa, orient.

2 Para Frederico. . Tânia e Adriana.

faculdade e encontros da vida. aos professores que. agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior (CAPES) pela bolsa de estudos concedida nos últimos dois anos da pesquisa. Ao grupo de estudos ao qual sigo afiliado à Faculdade de Educação da USP. convivência e interesse. 1 AGRADECIMENTOS Os seguintes agradecimentos figuram. Cintya Ribeiro. Yolanda Gloria Muñoz. . sua paciência e seu conhecimento. Rodrigo Inácio. Crislei Custódio. Peter Pelbart. Anita Guimarães. Marcelo Perine. as contribuições e a revisão de última hora. afetaram esta dissertação mais do que esperavam. Aos amigos que. Destaco. suas vidas também pulsam em todas as linhas que se seguem. Rachel Gazolla. Em especial. Christian Vinci. ainda. Aos colegas e parceiros recentes de investigação. ofertadas pela leitura atenta e generosa de Giovane Rodrigues. Ricardo Cavalcante. Daniela. participaram de minha trajetória de formação ético-acadêmica: Ricardo Salgado. ofertando-me ânimo para a sua continuidade. Tomás Troster. Carlota Boto. pela cordialidade e sinceridade com que se dispuseram a ler e discutir meu trabalho. Flávio Tito. Igor Marques. aos que chegam: Darian Rabbani e Taís Patrício. de Barros. não obstante. Gisela do Val. como uma singela e merecida lembrança honrosa àqueles que. Renata Marques. aos que ainda estão presentes: Ana Paula Chaves. Mario Porta. Pedro Camarote. fizeram parte desta dissertação. entre escola. Michelle Martins. Fábio Zanoni. Rafael Pereira. Natália Ribeiro. e aos que já passaram por ele: Claudia. Juliana Rotta. alvos de não menor admiração e respeito. Gilda Naécia M. Nina Knutson. porém sempre intensas. Daniel Avila e Felipe Ribeiro. indispensáveis para a apresentação final desta dissertação. Jeanne Marie Gagnebin. Lilian Leite. Florencia Carrizo. de alguma maneira ou de outra. Aos professores e funcionários das instituições e bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Contudo. aqui. Julia Bettencourt. nada disto seria possível). Julia Fonseca. por afinidade. tantos outros deixarão de ser nomeados por mero lapso de memória e pela iminência da finalização do processo. Marcelo Maccaferri. Vitor Serra. de diversas maneiras. Elisa Vieira. Régis Yasuoka. Sidmar Gomes. Anderson da Silva. Primeiramente. José Sérgio de Carvalho e Márcio Alves da Fonseca. alvos de admiração e respeito. Luiz Paulo Pimentel. Thatiane Faria. por disporem de seu tempo. Sandy Pessonia e Silas Sampaio (sem a contribuição de vocês. Aos amigos. Mariane Nascimento. Juliana Jardim. Rafaela Netto. Danilo. Tatiana Santana. Ana Maria Yamin. Gustavo. Daniele e Joy (por tudo o que foi partilhado). Jorge Ramos do Ó e Carlos Noguera-Ramírez. Salma Muchail. Aos integrantes da banca do Exame de Qualificação.

Por último. Uma alegria e uma honra sem fim. mas de nenhuma maneira menos importante: À minha família (Frederico. forças. primeira referência de professor. pela paciência nesses últimos tempos. pelo aprendizado constante do que é conviver. exercidos de modo tão amável quanto arrebatador. ao Julio Groppa Aquino. por tudo até aqui e mais. jogos. . exímio mestre da existência. 1 Em especial. Adriana e todos os demais). sorrisos. pela força cotidiana. por me conduzir e me fazer deslocar por caminhos nunca dantes percorridos. pelo ensinamento da perseverança e do amor. pelo carinho e admiração. À Clara. Enfim. ao Marcelo Rito. parceiro intelectual e afetivo de pensamentos. pelo governo e pela crítica constantes. Tânia. por irradiar luz à minha devida escuridão.

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Eis que viajo por terras desconhecidas, sem chegar ainda a lugar
algum. Vejo-me como um homem que vagou pelo oceano e, ao
avistar as Ilhas Maldivas que proliferam no Índico, quer visitar
todas. Minha grande viagem de nada me valeu; vejamos se
obterei algum ganho na observação dessas pequenas ilhas, que
parecem servir apenas para estorvar o caminho.

VOLTAIRE. O filósofo ignorante.

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RESUMO

O presente trabalho visa a uma discussão crítica acerca das relações entre filosofia e
mídia. Para tanto, valemo-nos das teorizações foucaultianas acerca da problemática da
governamentalidade, por meio de um procedimento analítico inspirado na obra
Arqueologia do saber. Partiu-se de um primeiro mapeamento de enunciados de
diferentes naturezas que se dedicaram a debater desdobramentos da popularização da
filosofia e a difundir produções culturais alegadamente filosóficas. Em seguida, tendo
uma revista brasileira de jornalismo cultural — CULT Revista Brasileira de Cultura —
como plataforma empírica de investigação, mapearam-se todos os artigos e entrevistas
realizados por e com filósofos — ou com alguma formação em filosofia — num período
de quase 17 anos, de 1997, ano de fundação da revista, até 2013, totalizando 186
fascículos. A análise debruçou-se sobre os diversos modos de abordagem temática,
teórica e metodológica presentes nos artigos da referida revista, optando por categorizar
os escritos segundo suas estratégias discursivas proeminentes. Inventariamos profissões
dos autores, correlações narrativas, temas gerais, teorizações, os objetos privilegiados e
conceitos-chave. Deste modo, procuramos problematizar determinados jogos de
governo de si e dos outros, articulados pela assiduidade, adensamento e
desaparecimento de certos tipos de estratégias, auscultando também o que seria o papel
relegado ao filósofo como pensador e/ou intelectual público ante seu presente — em
suma, a função pública do filósofo na mídia. Nossa hipótese de trabalho apostou numa
possível conversão da prática filosófica em uma expertise da conduta humana, por meio
de sua aliança com práticas de cunho estético e psicopedagógico, findando por
participar de tal modo no rol das estratégias contemporâneas de governo de si e dos
outros.

PALAVRAS-CHAVE: Popularização da filosofia; Expertise; Governamentalidade;
Função pública do filósofo; Mídia.

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ABSTRACT

This paper aims at a critical discussion on the relations between philosophy and the
media. For this purpose, we make use of Foucault's theories about the problematics of
governmentality through an analytical procedure inspired by the Archaeology of
knowledge. We started from an initial mapping of different kinds of statements who
were dedicated to discussing about the unfoldings of the popularization of philosophy,
and to spreading allegedly philosophical cultural productions. Having a Brazilian
magazine of cultural journalism — CULT Revista Brasileira de Cultura — as our
empirical research platform, we have mapped all articles and interviews by and with
philosophers — or by authors with some philosophical background — within a period
of almost 17 years, from 1997, the magazine's founding year, until 2013, totaling 186
issues. The analysis has scrutinized the diverse modes of thematical, theoretical and
methodological approaches within the magazine articles, by opting to categorize them
according to their prominent discursive strategies. We inventoried authors' institutional
affiliations, the styles of the narratives, the general themes, the theories, the privileged
objects and key concepts. Therefore, we have tried to problematize certain games of
government of the self and others, articulated by attendance, density and disappearance
of certain types of strategies, also observing what role would be relegated to the
philosopher as a thinker and/or a public intellectual at his present — in short, the
philosopher’s public role on the media. Our working hypothesis bets on a possible
conversion of the philosophical practice into an expertise of the human conduct, by its
alliance with aesthetic and psychopedagogical practices, participating in such a way in
the list of contemporary strategies of government of the self and others.

KEY-WORDS: Popularization of philosophy; Expertise; Governmentality; Public role
of the philosopher; Media.

.................................15 O trabalho do pensamento pelo crivo analítico da governamentalidade ...............19 II............25 Os novíssimos filósofos: um boom discursivo .........................183 .......... diferenças ..................................................................... deslocamentos........175 ANEXO III: Entrevistas de e com autores de filosofia na revista CULT .. PROBLEMATIZANDO A POPULARIZAÇÃO DA FILOSOFIA: O FILÓSOFO E A MÍDIA NA VIRADA DO SÉCULO XX-XXI ................................................................................................. pedagogização: acerca da expertise filosófica ..............................................................................................70 III.152 ANEXO I: Artigos e entrevistas de e com autores de filosofia na revista CULT (em ordem cronológica) .......177 ANEXO IV: Capas e quantidade de artigos por edição/ano da revista CULT ............ 2 SUMÁRIO I..................... governamentalização...............136 REFERÊNCIAS ...................87 Das seções e colunas de filosofia ........................ A filosofia em questão: adentrando a revista CULT ..........................97 A função pública do filósofo na CULT: diagnósticos e farmaceias .............................................60 Arqueologia e governamentalidade .................................................................. FRAGMENTOS DE UM DISCURSO FILOSÓFICO: PARA UMA ARQUEOLOGIA DOS ENUNCIADOS DE FILÓSOFOS NA REVISTA CULT (1997-2013) ..... O PENSADOR ANTE O PRESENTE: PREÂMBULO ......................................180 ANEXO V: Palavras-chave das estratégias discursivas dos artigos e entrevistas de e com autores de filosofia por ano/edição na revista CULT ................................35 A popularização sob o olhar acadêmico ................105 IV.........................................................................11 Entre a filosofia pop e os filósofos como intelectuais públicos: a agonística do pensar ............67 Hesitações e titubeios: coleta e manufatura do arquivo ........................................................................45 Reproblematizando: a função pública do filósofo na mídia ..................41 Popularização.......121 FONTES: Artigos e entrevistas de e com autores de filosofia na revista CULT..............82 Os primeiros anos: Lemos Editorial ............93 Os autores de filosofia na CULT: constâncias...................9 Pop-Nietzsche ou da popularização da filosofia .. O método em questão: a arqueologia como atividade histórico-política ..................................................................................................................................................................................................................................................b.........158 ANEXO II: Os cinquenta principais autores de filosofia por assiduidade de escrita na revista CULT (contando com entrevistadores e entrevistados) ...............................a........................................52 III................. ARQUIVO-ACONTECIMENTO OU O ENIGMA DO PRESENTE ....................................28 Os estratos da popularização da filosofia ...................................................55 III.........

A sabedoria de até então seria uma “espécie de fuga para a plebe” (p. por outro lado. ficamos sabendo que eles não estariam isentos de perigos. Deveriam ser como comandantes e legisladores — seu conhecer seria criar. Eles seriam. Acompanhando o pensamento nietzschiano sobre esses filósofos do amanhã. A seguir. eles diriam o “assim deve ser!” e determinariam “o para onde? e o para que? do ser humano” (p. um meio e um artifício do homem comum para sair bem de um “jogo ruim” — o jogo de conduzir ou ser conduzido pelos outros. A própria complacência em relação à sabedoria de sua época apoquentaria sua empreitada. que atassem no presente o “nó. grifos do autor). por necessidade. sentindo o fardo e a obrigação das mil tentativas e tentações da vida — “ele arriscaria a si próprio 1 “Tresvalorar” é a opção de tradução de Paulo Cesar Oliveira. para o termo em alemão Umwertung.106) — seu inimigo. homens do amanhã e do depois de amanhã: deveriam se achar e teriam que se achar sempre em contradição com o “ideal de seu hoje” (p. eles poderiam cansar-se durante seu aprendizado ou mesmo se deixarem prender e especializarem-se em algum ponto. Devido aos avanços da ciência e do conhecimento humano. que requereriam “de si um juízo. esses autênticos filósofos tinham a tarefa de criar valores. um Sim ou Não sobre as ciências”. . viveria de modo pouco filosófico e pouco sábio. Eles seriam uma espécie de filósofos com o gosto e o pendor diversos e contrários aos daqueles que até o momento haviam existido. utilizaremos transvalorar e/ou transvaloração. Em oposição aos homens de ciência ou aos eruditos. das Letras.96). O PENSADOR ANTE O PRESENTE: PREÂMBULO A última coisa que eu prometeria seria “melhorar” a humanidade. não haveria escolha: deveriam ser “espíritos fortes e originais o bastante para estimular valorizações opostas e tresvalorar e transtornar ‘valores eternos’” (p. sobretudo pouco prudente. legislar. opção de Rubens Rodrigues Torres Filho (Coleção Os Pensadores). nas edições da Cia. Conforme o autor de Além do bem e do mal. 1 Eles deveriam ser os precursores e arautos para “homens do futuro”. Para esses tipos de filósofos. seu criar. 9 I. os novos filósofos ajuizariam “sobre a vida e o valor da vida” (p.105. Friedrich Nietzsche (2006b) anunciava a chegada de novos filósofos.91). O verdadeiro filósofo. por opção estilístico-conceitual.95- 96). Friedrich Nietzsche Por volta de 1886. a coação que impõe caminhos novos à vontade de milênios” (p.91).

Eram. Não subestimemos tal relação: o tema da filosofia como uma espécie de medicina da civilização já estava anunciado desde seus primeiros escritos.. Nietzsche procurou distinguir esses filósofos do futuro de outros espíritos que também conclamavam a liberdade e despontavam na Europa desde o final do Século das Luzes.2 Criadores. suas duas doutrinas e cantigas mais lembradas são “igualdade de direitos” e “compaixão pelos que sofrem” — e o sofrimento mesmo é visto por eles como algo que se deve abolir. nas formas da velha sociedade até agora existente. a quem não se pode negar coragem nem costumes respeitáveis. gente prisioneira e agrilhoada” que. da hierarquia de valores que comporiam as mil almas que contém um indivíduo. seriam aqueles que. Esses pretensos espíritos livres. Acesso em: 27/02/2015). O que eles gostariam de perseguir com todas as forças é a universal felicidade do rebanho em pasto verde. que não passariam de niveladores. segundo Nietzsche. A afirmação do filósofo alemão dirigia-se aos novos pensadores. que tratam da relação entre filosofia e psicologia. por exemplo. em relação aos novos filósofos. circunscritos pela moral democrática e pela felicidade de rebanho — igualdade de 2 Vale citar. [. O filósofo-psicólogo seria um leitor das almas. ausência de perigo.46). rendiam-se aos valores idealizados pelo humanismo moderno..]. Outros célebres estudos que versam sobre o assunto são de Giacoia Jr. no apagar das luzes do XIX e na aurora do século XX. grifos do autor). defensores das “ideias modernas” (p. com segurança. aliás.org/#eKGWB>. organizados por G. psicólogos de seu tempo.] rapazes bonzinhos e desajeitados. livre-pensadores. bem-estar e facilidade para todos. Colli and M. sobretudo em sua tendência básica de ver. O que se pode dizer de mais rigoroso em relação a isso é que Nietzsche planejou chamar uma de suas Considerações Extemporâneas de “O filósofo como médico da cultura [Cultur]”. 10 constantemente. . escrita entre 1872 e 1875 (NIETZSCHE. segundo o autor.96.nietzschesource. (2001) e Kaufmann (1974). seriam com certeza “portas fechadas e janelas travadas” (p. jogando o jogo ruim” (p.. esta mais próxima de uma concepção psicofisiológica. alguém como um tentador. “uma espécie bem limitada de espíritos. mais precisamente.. (p. espíritos muito livres. legisladores. da publicação póstuma O livro do filósofo. psicólogos. Não são poucas as passagens. o que pode ser consultado nos fragmentos póstumos 23[15] de 1972. a qual alcançaria a condição de “rainha das ciências” ou o “caminho para os problemas fundamentais” (p. Montinari (disponível em: <http://www. compiladas. o capítulo “O filósofo como médico da civilização”. 2012). mas que são cativos e ridiculamente superficiais. Nietzsche indicava que esses novos filósofos também teriam a função de médicos ou.44-45). escravos eloquentes e folhetinescos do gosto democrático e suas “ideias modernas”.28). intituladas e publicadas mais tarde pelos editores da Edição Musarion (1920-1929). a causa de toda a miséria e falência humana [. o XVIII. Trata-se de notas escritas após O Nascimento da Tragédia.45).

Por todas essas tarefas e particularidades. Em cartas a amigos e a seu editor. Como indicação para estudos por vir. sobre o seu tempo. legisladores que. tais filósofos teriam uma relação conflitante e no limite paradoxal com o seu presente: seriam críticos e destruidores de seu presente ao mesmo tempo em que criariam e determinariam o seu dever ser. procurando manter a sua centralidade a despeito das diferenças dos usos posteriores. Com pouca notoriedade na praça e quase nenhuma ajuda financeira. impingiriam os caminhos a seguir. Nietzsche cultivou uma intensa atividade intelectual e de escrita. não se eximindo da tarefa de determinar novos valores. . De certo modo. direito: criação. de modo geral. uma natureza enigmática. um excelente intérprete contemporâneo (TONGEREN. 2010) traça o desenvolvimento dessa figura e dessa tarefa do filósofo em Nietzsche. Eles seriam contrários aos valores de seu tempo. Arte. Nietzsche era obrigado a lidar com sua impopularidade em meio ao circuito intelectual europeu. por volta dessa época. eles ditariam. enfim. quanto menos lidos (NIETZSCHE. Podemos crer que. Pop-Nietzsche ou da popularização da filosofia Nas quase duas décadas de sua produção filosófica. diagnóstico. 2003. para Nietzsche. reclama que seus livros não eram vendidos. do amanhã e do depois do amanhã. como foi anunciado. já que as próprias noções de medicina e/ou psicologia em Nietzsche não são estacionárias ao longo da obra do filósofo. em favor de um tempo por vir (DELEUZE. lei. suas obras eram publicadas muitas vezes às suas próprias 3 Esta designação concedida ao filósofo por Nietzsche careceria de ser mais bem trabalhada. pois seus valores e verdades não se estenderiam a todos. no contraste entre suas frentes de atuação. poderiam ser confundidos com pensadores do status quo vigente. 3 artistas que criariam novos valores e modos de vida. esses filósofos anunciados por Nietzsche seriam como psicólogos e médicos que diagnosticariam os males da sociedade. Curiosamente. 1976). entre 1872 e 1888. 11 direitos e compaixão pelos que sofrem —. mas eram precisamente o seu avesso. Nas afamadas palavras do filósofo francês Gilles Deleuze. a filosofia nietzschiana possuiria algo de um agir contra o passado. SOUZA apud NIETZSCHE. Apesar de pretenderem- se antidogmáticos. tendo legado outros tantos fragmentos e esboços. 2006b). os filósofos vindouros. Em última instância. os quais haviam despontado no iluminismo europeu e encontravam seus limites no imperativo de obediência às instituições e às ciências. psicologia. Nietzsche chegou a publicar mais de uma dezena de livros. Mesmo tendo abandonado a carreira de professor no final da década de 1870. o próprio rumo do ser humano. filósofos do futuro — possuem.

da Universidade Católica de Pernambuco. Um desses exemplos é a história em quadrinhos. Paulo. frase que a própria reportagem interpretou como uma tentativa de levar a filosofia às mídias de massa. Chegado esse tempo. pelo niilismo e pela quebra dos grandes paradigmas (apud TORRES. Muito contra sua vontade declarada (NIETZSCHE. do niilismo. em junho de 2010. Onfray afirmava que procurou “construir pontes para abrir mundos fechados em seus guetos” (apud PERES. 12 custas. realizada pelo filósofo francês Michel Onfray em parceria com o desenhista Maximilien LeRoy.E4). a obra do filósofo alemão talvez seja. passim). publicada no jornal Diário de Pernambuco em setembro de 2014. Pensamento que. como be yourself ou self-made man. coleções e adaptações em diferentes plataformas tecnológicas. não deixam de circular e serem debatidas. mas depois alavancado sua popularização —. de caráter poético-biográfico. nossa contemporânea. ele teria nascido postumamente. Devido à incompreensão de sua obra pelos seus coetâneos. 2010. o cenário profetizado por Nietzsche parece ter se confirmado. como escreveu (2003). cujas sociedades são marcadas pelo esvaziamento. estaria resumido na ideia de além do homem ou super-homem (como é comumente referida) e teria servido de base para imperativos ético-morais modernos ligados ao individualismo e ao empreendedorismo.p. Atualmente. passando pelos estudiosos que o envolvem em uma áurea sacra. De acordo com o professor pernambucano. propagam- se. 2014. p. mais do que nunca. assegurando que seus primeiros leitores talvez só aparecessem um século mais tarde. Esse período é apresentado como “tempo do esvaziamento. tal . aparentemente. s. Gozando de extrema notoriedade. ganham adeptos e inimigos. até o modo como suas obras são dirigidas às massas por meio de publicações. Em reportagem mais recente. relatadas em várias reportagens que enfatizam sua popularidade — fato que talvez tenha retardado. ele poderia ser hoje alçado à condição de estrela pop por diversos motivos: desde a quantidade de capas que estampam o seu visual bigodudo. publicada na França em 2010. suas ideias vendem. o professor de filosofia João Evangelista Tude de Melo Neto. da quebra dos grandes paradigmas”. Onfray é categórico ao afirmar que Nietzsche foi “o primeiro a propor um pensamento vivo e concreto para viver e agir em um mundo sem Deus” (p.). corrobora tais aproximações e associa a popularidade de Nietzsche ao seu diagnóstico das sociedades ocidentais que se formavam após seu anúncio da morte de Deus. Em reportagem da Folha de S. 2003. A despeito das polêmicas que envolvem a filosofia nietzschiana com a ideologia nazista alemã.E1).

mastigado. em 2006. Antes dessas passagens. Em entrevista publicada na primeira edição da revista Filosofia Ciência & Vida. como a religião cristã ou a moral burguesa. s. GIACOIA JR. contudo. ressalta a importância de Nietzsche para a filosofia de hoje. antes unânimes. a popularização deveria manter as características básicas da filosofia. para que “cada um busque o seu próprio caminho” (p. (GOYANO. no entanto. porém. 2014. Haveria. não se pretendem filosóficas. presente em sua obra.p. por isso. Todavia. 13 quebra acarretou a fragmentação de nossas referências morais. culturais e estéticas. Oswaldo Giacoia Jr. p. professor de filosofia na UERJ. que muitas vezes tenderiam para a vulgarização. a popularização poderia reproduzir um Nietzsche de “ideias deturpadas. No primeiro caso. O professor da UERJ. bonzinho. Esse lado bonzinho e domesticado também é sublinhado por Rafael Haddock- Lobo. não podemos deixar-nos enganar pela acessibilidade e aparente facilidade e familiaridade que a leitura de sua obra pode provocar. em especial a de Nietzsche. Melo Neto. não vulgarizam a filosofia. no segundo caso. 2014. o professor antecipava as querelas entre popularização e vulgarização da filosofia.). distanciamento dos mesmos. especialista no filósofo alemão. hoje. ao modo de Onfray. um lado benéfico e outro maléfico de tal popularização. mas ficcionais e.2). Entre uma e outra prática. domesticado (porque senão não vende)” (apud TORRES. contudo. quem arrazoou sobre tal popularização do autor de Além do bem e do mal no Brasil foi o professor de filosofia da Unicamp. para Giacoia. em especial porque a relação aí estabelecida com a arte como criação subverteria as sólidas bases religiosas e científicas do pensamento filosófico. Como seus colegas acadêmicos. por exemplo. apesar de sua popularização. ela despertaria o interesse de mais pessoas nas ideias do filósofo. Sabemos. que esse discurso da necessidade de Nietzsche para os nossos dias não é nenhuma novidade.2) fizeram dele uma referência pop. como a relação analítica rigorosa com os problemas cotidianos. de Nietzsche. afirma que a popularidade de Nietzsche também decorre de seu pensamento ter se tornado uma opção para refletir e agir num mundo sem referências fixas. quando afirma que a filosofia de Nietzsche teria involuntariamente se convertido. ao “culto da autoajuda” (apud CALIXTO. . 2006).. ele acreditava que as obras que romanceiam o pensamento e as vidas de filósofos. Adverte que. algo distinto do uso temático-pragmático e indiscriminado de afirmações filosóficas como referências culturais ou temas para obras literárias e teatrais. Haddock-Lobo também afirma que sua linguagem poética e a incitação. necessitando.

a importância da filosofia como arte e criação para vida — logo anunciando os riscos de qualquer aporte clínico ou terapêutico que tornaria o pensamento nietzschiano mais um serviço ou mercadoria. Entre intervenções de filósofos na mídia e produções culturais que versam obre o assunto. A discussão em torno de Nietzsche. enfim. Também é de comum acordo entre os especialistas supracitados que uma das principais motivações para a retomada do pensamento nietzschiano em sua versão popularizada seja o imperativo existencial que circula em torno da ideia/atitude de criação. acomodação e. igualmente corroborados pelos seus predecessores: os diagnósticos sobre a crise da razão e dos valores éticos e a emergência desse possível mundo sem referências. a filosofia e seu papel estariam em pleno processo de discussão e popularização. 14 Por último. beirando o niilismo. Se por um lado a contribuição do pensamento de Nietzsche à contemporaneidade torna unânime a sua popularidade. convenhamos. a criação de modos de vida. pode ter aspectos repetitivos — no caminho entre a necessidade de tomar conhecimento dos autores e os possíveis problemas dessa tomada de conhecimento a partir de determinadas abordagens — ou ainda dicotômicos — entre a exaltação dos diagnósticos de crise e. a importância da relação entre filosofia e vida. A tarefa daquele que pensa. A criação artística ou a criação conceitual. daquele que se apropria de uma tradição para conservá-la e divulgá-la ou daquele que busca fazer dela algo relevante para o seu tempo. e. entretanto. O que parece estar realmente em jogo. tal popularidade/popularização é vigiada com olhos críticos pelos especialistas. sua obra e sua popularização podem ser aventadas como uma amostra de um processo mais abrangente que vem ocorrendo nas últimas décadas. é certa: está em pauta o debate pelos desígnios do pensamento e da atividade filosófica. dada a possibilidade de facilitação. uma atitude de criação. O cenário discursivo que ora apresentamos. no limite. Uma coisa. por outro lado. teriam a ver com o nosso tempo e suas carências diante dos diagnósticos críticos. são os lugares e as possibilidades da atitude do pensador ante seu presente. filosofia e psicologia. Giacoia tomava a inciativa de indicar os contributos de Nietzsche para os nossos tempos. . em última instância. como aparente antídoto. contudo. transfiguração desse pensamento para usos que estão além e aquém da obra partilhada. hoje.

uma sucessão de acasos. aquelas que a incentivam. transmitido pela TV Cultura e organizado pela CPFL Cultura em 2012.4 Ele a chamou de pop’filosofia (DELEUZE. violências. tratando os livros como se escuta um disco ou se vê um filme. 15 Entre a filosofia pop e os filósofos como intelectuais públicos: a agonística do pensar Dentro desse cenário da popularização da filosofia. Na sugestiva imagem deleuziana (2013). sem qualquer tratamento especial. 1998). estudioso. retomam tal relação. Antes. a atividade filosófica de orientação pop enrabaria os pensamentos de autores para fazer filhos pelas suas costas. com o artigo analisado no próximo capítulo de Charles Feitosa (2001). e aquelas. que datam do final da década de 1990 e. .65). da obra de Nietzsche. de variados campos do conhecimento. de seu devir como pura transformação. ministrada pelo psicanalista e professor de filosofia Daniel Lins no programa televisivo Café Filosófico. PARNET. Esses experimentadores do pensamento ainda teriam como característica o uso despretensioso e interessado de outros autores. que se incumbiriam de levar a cabo um novo modo de fazer filosofia. foi inicialmente preconizada por Deleuze.12). entre outros. Esta seria algo como uma nova maneira de ler e talvez de escrever. quiçá. essa última vertente se vê associada comumente à ideia de uma filosofia pop. analisando e valendo-se de temas da cultura popular. Recentemente. bem como a marcação do mote da criação como principal contributo nietzschiano à contemporaneidade. Não haveria definitivamente o certo e o errado com 4 Não é nossa a relação estabelecida entre Nietzsche e pop’filosofia no cenário intelectual brasileiro. uma luta perene pelos desígnios do pensamento: sua agonística. de acordo com os interesses daqueles que o utilizam. Tal abordagem filosófica que faria usos e transfigurações do pensamento filosófico ao longo da história. desde que se pretendam apenas divulgadoras das obras dos filósofos. Para tal abordagem não haveria dificuldade na compreensão ou na utilização de conceitos filosóficos — não haveria “nada a compreender. a palestra intitulada Nietzsche: 100 anos de papo cabeça com o Brasil. ainda. p. nada a interpretar” (p. para elaborarem suas argumentações e inferências. Ao constatar o enfrentamento desses diferentes modos de receber e fazer filosofia pode-se inferir um jogo de deslocamento e conservação entre diferentes vetores. algumas vertentes argumentativas se desenham: aquelas que são receosas e indicam uma possível vulgarização. o pensador Michel Foucault consideraria a história do pensamento “como uma sucessão de fragmentos. Encabeçada pelo imperativo da criação. Em consonância com essa perspectiva. Seria uma forma de exaltar essa espécie de imoralismo histórico do pensamento. tal relação estaria nos primórdios da popularização da filosofia no Brasil. rupturas” (2011b.

esta caracterizada por uma classe social ou grupo político. também estaria implicado nele. os diferentes usos que são dados ao ato de pensar pelos próprios pensadores e filósofos? A discussão acerca da tarefa do filósofo em relação ao seu presente. não seria propriamente profícua para indagarmos sobre sua prática hoje. atrelado ao que em nosso século se convencionou nomear de intelectual público. Essa entrada do filósofo como intelectual público. ou que verse a respeito de um assunto que não pertence ao seu próprio campo de atuação: sua respeitabilidade e poder de interferência estariam fundamentados pela excelência em sua profissão (BLANCHOT. Papel esse que. Em termos gerais. por um recorte histórico. É indiferente que essa opinião seja expressa em seu nome ou em nome de todos. Tomemos a acepção que Maurice Blanchot dá ao termo “intelectual”. por vezes. Por ela nunca ter deixado de ser praticada e. os modos de governo do pensamento e da conduta humana. muito comum quando se fala em popularização da filosofia. Isso ocorreria por que aquele que não é um especialista no acontecimento sobre o qual opina. contudo. confunde-se com o papel de tal intelectual. deslocou-se entre o representante universal da humanidade. corre-se o risco de se entrar em debates sem fim. menos ainda. na maioria das vezes. não como um representante universal. e a sua tomada de posição em lutas políticas. em seus respectivos campos de atuação. certa ignorância e discrepância da opinião do intelectual em relação ao fato sobre o qual se opina. restar-nos-ia talvez apenas uma pergunta: como poderíamos perspectivar. todavia. a pergunta pela utilidade. Na medida em que ele não está envolvido com os interesses diretos relativos ao ocorrido. pois tal juízo só poderia ser feito pela posteridade. e sua respectiva problematização nos nossos dias. Assumindo-o agora. Tal definição explicaria. Diante dessa instabilidade histórica dos afazeres filosóficos. não desqualificando. Apesar de suas particularidades. parece que a tarefa do filósofo. Em meio a sua popularização. hoje em dia. em geral os intelectuais seriam aqueles profissionais que. emitem uma opinião. 2001). mas como partícipe em situações mais específicas. 16 o que se faz do pensamento. a própria opinião. o que está em jogo são os modos como o pensamento se endereça ao seu objeto e aos próprios sujeitos. poderia ser colocada em cena pela descrição teatral de . sociais e econômicas. sua opinião é alimentada exclusivamente por sua dimensão de cidadão e partícipe de um todo social. ainda esbarra num outro modo de ser do pensador. Em suma. quando convocado a se manifestar sobre assuntos do presente.

frases feitas manipuladoras. ao final. dizendo não ter pensado sobre o assunto dessa maneira. a um só tempo. que anunciava o papel do intelectual como próximo das práticas pedagógica e psicanalítica (os termos foram “correção dos erros do poder” e “autoconhecimento/conhecimento do outro”). organizado pelo estudante da USP Duanne Ribeiro e realizado nas instalações da Tenda Cultural Ortega y Gasset da Universidade de São Paulo. do conhecimento. a sociedade e a si mesmo. Cada um ao seu modo expôs uma crise atual — da sociedade. entre outras mesas. quais seriam os efeitos de tais tarefas num contexto em que não haveria mentiras a desvelar ou sociedades a melhorar. poderia inspirar-se/refugiar-se num fora do poder. que escondem a verdade e proliferam mentiras. então. apresentou uma conversa entre a professora de filosofia e autora Marcia Tiburi e o cientista político e jornalista Bruno Paes Manso. do psicanalista e do artista. seguidas de retumbantes aplausos. Terminadas as falas. A pergunta. . A primeira fala. ainda. era seguida por aquela que apresentou o papel do intelectual como o de desmistificar os discursos do poder. em que não haveria algo fora das relações de poder? A resposta do primeiro palestrante (o jornalista por profissão) foi modesta. libertando a verdade e a criação. no dia 16 de abril de 2014. No primeiro caso anuncia-se uma função médico-corretiva. desmistificar e desvendar as mentiras proferidas pelo poder. No colóquio. mas de forma muito afável e 5 O evento em questão trata-se do 1º Colóquio de Filosofia e Jornalismo. Os debatedores à mesa eram um jornalista e um filósofo. 17 um recente evento. a intitulada “O papel do intelectual público”. foi acerca das implicações dos papéis defendidos pelos autores e suas consequências numa perspectiva nietzschiana- foucaultiana da verdade e do poder: se o intelectual se aproximaria das funções do pedagogo. da educação — como justificativa das suas proposições. atreladas a interesses múltiplos. que na sua perspectiva era preferível ser afetado pelas coisas e falar sobre o que nos interessa. da ética. uma função de desmitificação e distinção da mentira em relação à verdade que. onde tudo o que é dito e feito participam das relações de poder que determinam nossos modos de vida.5 Ao discutir a relação entre filosofia e jornalismo. dois palestrantes definiram as tarefas do pensador ou do intelectual público como sendo mais ou menos estas: corrigir e diagnosticar. ora no campo literário. no segundo. os discursos que se repetem e tornam-se clichês. um ouvinte/interlocutor procura realizar uma pergunta não em termos de proposições e prescrições. ora no artístico. Essa última fala deixou claro. mas de estratégias e jogos. vociferando contra aqueles que escreveriam de acordo com pautas ou interesses econômicos/ideológicos.

Tendo como resposta do seu interlocutor apenas essa cara. Se à primeira vista. as relações tecidas entre o filósofo pop e sua posição como intelectual público. Para escapar a essa circulação. como se este saboreasse um exótico prato que. Desqualificando aqueles que vendem a informação. ele assinava embaixo”. talvez. era “óbvio que ficar fora do poder é muito mais curtido [sic]. reafirmou as semelhanças entre as práticas jornalística. seria preciso formular sua própria voz. continuou o segundo palestrante. “que o caminho da arte é o caminho muito mais prazeroso”. muito mais legal” — apesar de. evidenciando. só ele parecia apreciar. A resposta do segundo palestrante (o professor de filosofia por profissão). sua própria expressão. Após tal vitupério. para criar espaço público. pedagógica e psicanalítica. o segundo palestrante chama-o pelo nome e o inquire sobre sua cara de perplexidade. argumentando que dizer a palavra cu seria “alta epistemologia acadêmica” quando proferida numa palestra transmitida para toda a universidade. de uma agenda do dia-a-dia. a cena desenrolada nesse evento remete-nos aos traços atribuídos por Nietzsche à figura do filósofo. Diante do largo sorriso de seu interlocutor. embora o trabalho do jornalista como intelectual parta. partiu da convicção de que. Era “óbvio”. 18 convidativa. não obstante. ao mesmo tempo. tal palestrante emenda: “vira artista ou vai tomar cu [sic]! Se Nietzsche estivesse aqui. seria preciso sair dessa circulação dos discursos mesmificados. como jornalistas e publicitários. aparentemente. pois quebraria “com algum pensamento pré-estabelecido”. em favor do papel do artista — muito devido à infelicidade que aqueles provocariam a si mesmo e aos outros pelo contato “com o mundo feio” —. a do filósofo quando exercendo o . levanta-se da mesa e despede-se com um sorriso no rosto ao som dos aplausos da plateia. quando observarmos mais atentamente. mesmo sabendo da crítica frankfurtiana à indústria cultural e da concepção nietzschiana da verdade como inventada pela repetição/circulação de dizeres. talvez poderemos encontrar no seio dessas relações um processo mais profundo e disseminado na sociedade: aquilo que denominamos como psicopedagogização das práticas sociais — entre elas. necessário ser antecipado. o segundo palestrante manda todos esses que vendem “a alma para essa merda toda” tomar no cu [sic]. necessariamente. era “óbvio que escrever literatura é muito mais legal”. o segundo palestrante olha seu relógio. tudo isso ser um tanto utópico e.

hoje. Em contrapartida.15). O pensamento metafísico também operaria por opostos. p. grifo do autor). p. marcando os lados do bem e do mal. Tal é a hipótese que pretendemos desenvolver no nosso trabalho. Segundo Nietzsche. De acordo com Nietzsche. Tal prática e percepção só se tornaram possíveis. pautada por um constante. grifo do autor). recuperar uma suposta essência humana esquecida ou escondida. pouco se ouve falar sobre as atividades teórico-metodológicas experimentais desenvolvidas pelo próprio filósofo alemão ao longo de sua obra. religiosos e estéticos. da mentira e da verdade. igualmente ignorando a possibilidade de que não exista “ação altruísta nem contemplação totalmente desinteressada” (2006a. seria esse sentido que faltaria aos filósofos. .15). pois correria o risco de impor certas verdades últimas e universais ao ignorar o vir a ser de nossos valores e juízos. O trabalho do pensamento pelo crivo analítico da governamentalidade Observa-se como o conceito de criação e a tarefa de psicólogo e pedagogo da sociedade em Nietzsche são constantemente evocados pelos filósofos que pleiteiam a popularização da filosofia. mais próximo da ciência natural do que das especulações morais. a favor de um melhoramento do mundo. apontando sempre para um mundo outro. continua ele. o que o permitiu aventar acerca de uma “química das representações e sentimentos morais. Nietzsche (2006a) teria alertado sobre os perigos da formulação de problemas e pontos de vista a partir de um pensamento metafísico: eles tomariam o homem atual como uma verdade eterna. como se esta fosse um valor em si. assim como de todas as emoções que experimentamos nas grandes e pequenas relações da cultura e da sociedade. laborioso e rigoroso método. melhor etc. descobrir uma verdade sonegada. 19 dito papel de intelectual.16. p. sua prática teria sido a de uma filosofia histórica (2006a) — em oposição à uma filosofia metafísica —. tais princípios da filosofia histórica iriam de encontro ao uso quase metafísico da ideia de criação que circula por aí. e mesmo na solidão” (2006a.25. Pensamento dicotômico perigoso. como se devessem. devido ao nível que a ciência alcançava em sua época. a cada época. de modo que a partir de tal método seria possível demonstrar que “este mundo gradualmente se tornou” (p. do poder e da resistência. A nosso ver. A essa química ou mistura ele associou as condições de possibilidade do que nominou como sentido histórico ou a capacidade de perceber que “não existem fatos eternos: assim como não existem verdades absolutas” (2006a.

mas em termos das relações de poder entre verdade e sujeito. 20 Daí que. podemos ver seus procedimentos de escrita sendo estudados e absorvidos por outros autores. deveria ser o de revelar e desmistificar as verdades ocultas do mundo. 2006a. de melhoria pela sua atuação. no fundo. Ele não colocava os problemas das relações sociais em termos dicotômicos. possa haver um uso metafísico ao acreditar que a tarefa do pensador. o seu próprio questionamento e sua possível transvaloração como imperativos. desses poucos. somente por meio destes é que conseguir-se-ia aferir o estado das coisas e o que seria preciso fazer ante tal diagnóstico do presente.288). o ensaio de Alberto Pucheu (2003) e o artigo do presente autor (OLIVEIRA. Se. O exercício do poder consiste em ‘conduzir condutas’ e em ordenar a probabilidade. o pensador francês desenvolveu estudos que colocavam em questão não a legitimidade. poderíamos intuir que até mesmo as ideias e os valores em torno da criação são dignas de desconfiança e deveriam implicar. em Nietzsche. De modo geral. aplicando tal filosofia histórica ao pensamento contemporâneo acerca de Nietzsche. em uma palavra. como em todo processo analítico-histórico. é menos da ordem do afrontamento entre dois adversários. seja Foucault aquele que a tenha levado mais adiante. . O poder. mas a operacionalidade e a hegemonia de certos valores e práticas sociais. do filósofo ou do intelectual. 7 Foucault explicita que tipos de relações esses termos descrevem. p. apesar de sua natureza equivoca. aparentemente redundantes: “O termo ‘conduta’. 2006e). 2013. o ato de ‘conduzir’ os outros (segundo mecanismos de coerção mais ou menos estritos) e a maneira de se comportar num campo mais ou menos aberto de possibilidades. esses procedimentos teórico-metodológicos poderiam se resumir a dois: a investigação histórico-genealógica e a escrita fragmentária e experimental. 6 Desses. ao mesmo tempo. A ‘conduta’ é. por um lado. Talvez. bem como precisa a razão para a junção deles. talvez seja um daqueles que melhor permite atingir aquilo que há de específico nas relações de poder. na esteira da qual tais relações constituir-se-iam como tramas de um diuturno jogo de forças baseadas na condução da conduta7 (2013). o que ele tardiamente chamou de governamentalidade (FOUCAULT. promovendo uma espécie de cura ou correção social. Talvez. destaco os estudos do pensador francês Maurice Blanchot (2007). ou. Acreditamos que somente após tais procedimentos foi possível ao filósofo alemão elaborar e prescrever seus motes de criação e autodeterminação. Tal tarefa de diagnosticador da sociedade e de seu presente estariam condicionados. ou do vínculo de um com relação ao outro. por parte dos filósofos atuais. por determinados procedimentos teórico-metodológicos.6 são poucos aqueles que se aventuram na atividade genealógica. 2012). Tributário do trabalho teórico-metodológico de Nietzsche. como poder e resistência. do que da ordem do ‘governo’ (FOUCAULT.

nem mais nem menos. da prisão ou das relações de si consigo foram temas/objetos tratados para desenrolar uma análise dos focos de experiência por esses três níveis. Estas. matriz normativa que permite decupar o que é o pensar filosófico e o sujeito filósofo em meio a outros e. atados uns nos outros. o poder. em segundo lugar. particularmente. por último. todo um modo de ser (2009b) ou. mais eficazes.4-5). como forma de saber sobre o trabalho do pensamento. palavras e frases encadeadas logicamente. segundo. Por uma questão de precisão e potência metodológicas. não teriam nada a ver com a “filosofia da história. A crítica consistiria. um complexo de gestos. uma análise das relações que amarram uns aos outros o conjunto de normas. De outro modo. instrumentos. em seguida. a constituição de certo modo de ser filosófico. Diante de tal perspectiva analítica. Eles tampouco seriam superestruturas ideológicas. Os discursos para Foucault são. No nosso caso. mais verdadeiras etc. esse aparente conjunto de letras. as matrizes normativas de um comportamento para os indivíduos. não se resumiriam a seu estatuto linguístico. como preferiu nomear ao final de seus estudos. que colocamos em questão: primeiramente. ideias flutuando sob o mundo. O estudo da loucura.180). a verdade e o sujeito (2000). Por meio dessa última noção. configurariam todo um modo de sentir. desmistificação e desmoralização dos atos e verdades ditas alhures para. ao mesmo tempo em que implicam. “as formas de um saber possível. p. então. tanto daqueles que o produzem quanto daqueles que a ele aderem. mas com uma prática mista. Foucault buscou demonstrar a articulação recíproca entre: primeiro. Foucault denominou os estudos levados a cabo pelo crivo analítico da governamentalidade de práticas histórico-filosóficas (2000). na análise das “relações entre as estruturas de racionalidade que articulam o discurso verdadeiro e os mecanismos de sujeição que a elas estão ligados” (2000. e enfim os modos de existência virtuais para sujeitos possíveis” (p. . 21 Bem ao modo nietzschiano. valores morais e modos de pensamento que. as formas de saber e a constituição dos modos de ser — ou. o trabalho do pensador seria o da crítica. em poucas palavras. serem substituídas por outras. em que nenhum domínio é descartado para a análise. Esta. atores. em meio a sua alegada popularização. é a própria ideia e a prática da filosofia. nem com a história da filosofia”. que mascarariam sua realidade. instituições. Foucault procurou dar maior exatidão aos seus procedimentos e objetos de estudos: percebeu que um discurso. entendida não como uma denúncia. todo um pensamento ou um foco de experiência (2010c). ver e pensar. melhores. A materialidade do discurso implicaria.

proposição e determinação da condução de conduta alheia. de emancipá-las do modo como estão vivendo e dar-lhes outro rumo. como forma de desconfiar. Assim. Em outras palavras. senão o dever. em todo caso. Em relação a tal processo de racionalização da vida humana. residiria outro processo. por outro lado. Extrapolando o recorte histórico proposto por Foucault. Mas. a crítica seria. com o fim de transformar suas vidas. de liberá-las. recusar. os homens governaram a si mesmo e aos outros. simplesmente.173). portanto. em concordância com o pensamento de Foucault. a crítica seria parceira e adversária das artes de governar. Esse processo Foucault denominou de governamentalização ou a entrada dos modos científico-racionais no cálculo das relações de poder que passaram a atravessar e a conduzir tudo o que envolve a existência humana. aqueles que teriam o aval. A emergência da atitude crítica e a governamentalização da sociedade fazem parte de um movimento reversível pelo qual. na história moderna ocidental. e quase que simultaneamente. ela não existiria sem tais jogos de governar a si mesmo e ao outro pela discurso verdadeiro racional e científico. a relação crítica/governo pode ser usada como um profícuo crivo analítico ou um ponto de inflexão acerca do papel do filósofo e do intelectual. angariando o papel de intelectuais públicos seriam. uma forma de deslocar. não deveríamos fazer crítica convictos de estarmos fora dos jogos de governo de si e dos outros. eles também se tornariam parte de estratégias de governo pelo deslocamento. que demandaria atenção especial de todo pensador. Reciprocidade mútua entre crítica e governo. por um lado. de desenvolver as artes de governar.173). mas. 22 Atrelado a esse trabalho da crítica. de alcance histórico- social. Do modo como Foucault reconstrói sua história da crítica como trabalho analítico. os filósofos. A crítica seria algo como uma postura obstinada e analítica face aos mecanismos de governo dos homens: uma “arte da não-servidão voluntária”. Nas últimas décadas. da “indocilidade refletida” (p. sua verdade no habitat . de criticar os modos pelos quais práticas sociais governam a vida das pessoas. então. imaginamos que a reciprocidade adversária e produtiva entre crítica e governo ou. limitar e transformar. ao passo que conduzem essa mudança de vida. “o movimento pelo qual o sujeito se dá o direito de interrogar a verdade sobre seus efeitos de poder e o poder sobre seus discursos de verdade” (p. Julgamos que. é partindo dessa intersecção crítica/governo que gostaríamos de investigar o nosso problema de pesquisa: os filósofos e sua atividade. sua tarefa.

a CULT Revista Brasileira de Cultura. valendo-nos da noção de governamentalidade. segundo acepções foucaultianas. mas evidenciando os conceitos. dessa maneira. 1993). nossa próxima pergunta seria: como vem sendo desempenhado o papel do filósofo e da filosofia em meio à sua popularização? Desta feita. averiguamos as tendências das temáticas mais usuais. 23 que mais os temos visto ultimamente — os meios de comunicação em geral. os estilos de enunciação. Num primeiro momento. suas verdades etc. tratou-se de mapear e analisar as diferentes intervenções de filósofos por meio de seus escritos veiculados em uma revista de divulgação cultural. das próprias concepções de filosofia em jogo (sua tarefa. Mais especificamente. desde sua fundação em 1997 até 2013. arqueológica e problematizadora. com o intuito de perspectivar a difusão e a circulação de determinadas ideias ditas filosóficas num âmbito não acadêmico. a hipótese geral do trabalho aponta para a popularização da filosofia como uma prática pedagogizante e de teor corretivo/adaptativo. tratar-se-ia da irrupção de uma expertise técnico-filosófica em meio a um contexto de midiatização e pedagogização sociais. De modo geral. sua luta constante de produção de inteligibilidades. quais são os deslocamentos. das interpretações mais recorrentes. A pesquisa consistiu em um duplo mapeamento levado a cabo por meio de uma investida. os objetos tratados. consubstanciada na oferta de discursos identitários. de preceitos morais e de prognósticos salvacionistas. Em última instância.). analisamos os discursos não em termos de representações do que foi dito sobre o tema da filosofia. Nela. evidenciando. arrogando-se a autoridade de intelectual público ou especialista social (ROSE. por meio da qual o filósofo. Em seguida. das filiações teóricas. Esse tipo de análise por meio de um arquivo determinado propiciou constituir uma problematização outra em relação ao que vem sendo feito sobre e no âmbito da popularização. bem como os processos de subjetivação a reboque de tais produções. Num segundo momento. produções culturais e artigos acadêmicos que versam sobre o assunto. bem como sondar alguns ajuizamentos sobre tais práticas. procuramos vislumbrar o que esses dados têm em comum. o que é divergente. dos objetos dos quais trataram. . partindo do alegado fenômeno da popularização da filosofia. findaria por ocupar um papel de destaque na racionalidade típica dos regimes neoliberais. as estratégias e alianças discursivas operadas por produções culturais e pelas intervenções de filósofos na revista em pauta. realizamos um levantamento das principais reportagens e artigos de jornal e revista. a engenhosidade dos discursos. contabilizando 186 fascículos.

de tutela da conduta e do pensamento alheio. por sua vez. 24 Ao fim e ao cabo. tão cara ao trabalho filosófico quando compreendido como um gesto recalcitrantemente crítico. . ambicionamos tornar visível a discursividade da popularização da filosofia e. do filósofo como intelectual público. no limite. de aconselhamento e. consubstanciada na possível subjugação do sentido histórico por um ensejo explicativo. ensejo perpetrado ora por uma aliança com outras práticas contemporâneas. ora por um apelo a imperativos da ordem moral e pragmática — ambos avessos à potência da inconformidade e da suspeita.

filosofia. PROBLEMATIZANDO A POPULARIZAÇÃO DA FILOSOFIA: O FILÓSOFO E A MÍDIA NA VIRADA DO SÉCULO XX-XXI Existe atualmente em nossas sociedades um certo número de questões. fez parte do Conselho Editorial da revista CULT. as angústias que nos atravessam — que. Cortella. Com aproximadamente cinco minutos em cada dia. dos objetos que procuro analisar. . de problemas. o solo sobre o qual eu me desloco. Cortella entoa um polido português na certeza lisonjeira de que educação e filosofia são práticas não só essenciais à escola como à vida em geral. de angústias que são o verdadeiro motor da escolha que faço e dos alvos que procuro analisar. entre tantas ocupações. lecionou durante muito tempo na PUC-SP e. é. Juntam-se à prática de Cortella ao menos outra meia dúzia de filósofos que ao longo das últimas duas décadas vêm aparecendo recorrentemente com sua voz pública de especialista em diversos meios de comunicação. avisando à locutora que o programa Escola da Vida entrará no ar. é o solo. soa um alarme escolar em meio à programação diária de uma estação de rádio. angariando a condição de best-sellers. pois por definição ele é minado. é personagem ativa na realidade educacional. passando por dicas de como viver bem. A seguir. ética e gestão de pessoas — alguns deles. 25 II. De assuntos que rondam o cotidiano nacional e internacional às raízes histórico-etimológicas de palavras como educação ou felicidade. entre 1991 e 1992 e realizado numerosas palestras em diferentes instituições. não ouso dizer sólido. Por alguns anos no início da década de 2000. Desde maio de 2012. o especialista em filosofia/educação convidado para comentar e discutir temas do cotidiano à luz da reflexão filosófica em programas de rádio e TV. a locutora traz um tema acerca do qual o professor Mario Sergio Cortella discorrerá. graduado em filosofia e doutorado em educação sob a orientação de Paulo Freire. é ainda autor de diversos livros sobre educação. as tensões. podemos conferir uma tabela com os principais dessa leva. e da maneira que tenho de analisá-los. É o que somos — os conflitos. perigoso. de feridas. de inquietação. política e editorial brasileira. há mais de duas décadas. em um horário próximo às 10h00 da manhã. Tendo ocupado o cargo de Secretário Municipal de Educação de São Paulo. finalmente. Michel Foucault Todas terças e quintas-feiras.

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a necessidade de professores/pensadores ligados à área da filosofia virem a público para debater temas e dar sua contribuição esclarecedora. eram os teólogos que tinham certo poder sobre o pensamento e um papel de conhecimento. não filosofia. 27 A despeito de formações e percursos intelectuais diferentes. Nietzsche ensinava filologia e teve que abandonar a universidade para poder pensar mais livremente. cada um à sua maneira. . procurando autorizar seu juízo ora pela sua robusta formação acadêmica ora pelo excesso de referências científicas. “É só no século XIX”. Quase todos têm suas carreiras validadas e consolidadas dentro de instituições acadêmicas. e então não existia para o filósofo a questão de se integrar (2008a. geralmente trazem alguma citação ou embasamento erudito para comparar ou alentar certas opiniões e fatos. alguns destes sendo reconhecidos como filósofos postumamente. continua Foucault. Foucault afirmava que o filósofo não tinha papel na sociedade (2008a). p. no limite. Espinosa fora caçado pela congregação religiosa da qual fazia parte ao emitir uma carta com fortes críticas às autoridades teológicas. “que se encontram. mas antropologia e geografia. como o caso do imperador romano Marco Aurélio. voltando aos documentos históricos e percebendo sua relação com a sociedade. Dito papel só poderia ser estabelecido retrospectivamente. embora engalfinhados entre a legitimidade e a desconfiança sobre sua atuação. Em última instância. Seu papel e seu lugar na sociedade. estão cada vez mais em evidência. Quase meio século antes. Kant não ensinava filosofia. O pensador francês rememora alguns pontos históricos que confirmam sua declaração: Sócrates possuía. aprendia-se retórica. Outros ainda trazem estatísticas. eles defendem. um papel subversivo. atualmente. Até o século XIX os filósofos não eram reconhecidos como tais: Descartes era matemático. apesar de fazerem parte de uma leva de profissionais que passaram a exercer uma espécie de papel público como comentadores da cultura e da sociedade. Nos séculos seguintes. eles possuem atuações mais ou menos semelhantes: comentadores de temas do cotidiano à luz de suas escolhas teóricas. num artigo para uma revista francesa de 1966. No período de maior influência da religião cristã. alguns poucos eram escolhidos preceptores ou conselheiros de imperadores. conceitos de vários campos das ciências humanas. pois seus questionamentos não eram admitidos pela ordem estabelecida.34).

bem como a convocação recorrente aos filósofos para que se manifestem sobre assuntos os mais variados — alguns desses profissionais. artigo publicado no Jornal da Cidade de Aracaju. aplicados a muitos temas e submetidos a muitas interpretações. compõem uma pequena amostra daquilo que bem poderia ser sintetizado como um boom discursivo acerca da filosofia e de temáticas filosóficas na atualidade. Ainda em plena atividade e atrelada a uma diversidade de lugares e atitudes. . igualmente. chegamos a seu hiperinvestimento no plano sociocultural. a internet. seja nos veículos de comunicação. Seja no campo editorial. Tais iniciativas impelem-nos a tomar a dispersão da discursividade alegadamente filosófica nos meios de comunicação contemporâneos (aqui englobados na rubrica mídia) como objeto da própria reflexão filosófica. tem sido alvo de um pronunciado processo de popularização. Para além do perímetro universitário. artigo publicado na Revista de História. A filosofia está viva (RODRIGUES. as ondas do rádio e da televisão. É o que também atestam os best- sellers que pululam nas livrarias. as cadeiras de filosofia: Hegel era professor de filosofia” (p. A essa altura. assinando colunas em jornais e em revistas de grande circulação ou ancorando programas televisivos. 28 enfim. matéria publicada no jornal Valor Econômico. Entre a academia e a receita de bolo (FEITOSA. Filosofia POP (CORDEIRO. 2011). É certo.34). julgamos que o cenário atual da produção filosófica lato sensu não poderia ser suficientemente perspectivado sem levarmos em conta suas aparições extra-acadêmicas. inclusive. o termo filosofia e a designação filósofo/filosófico circulam na evocação de muitos autores. nesta última década. artigo publicado na revista Galileu. e A Filosofia em meio à popularização e ao estranhamento (SILVA. Filosofia pop em questão (SANTIAGO. Os novíssimos filósofos: um boom discursivo Da famigerada inutilidade da filosofia para a vida (desde a paródia de Aristófanes e a reprovação de Cálicles) e sua vilania (Sócrates e sua incriminação por corromper os jovens). os DVDs e. pensava-se que a filosofia atingia seu fim. 2012). portanto. 2012). 2011). o que vem sendo produzido no campo filosófico abarca os periódicos culturais e jornalísticos. coluna de opinião publicada em O Estado de São Paulo. Portanto. que a filosofia. 2011). o que é dito/feito hoje como filosofia compreende uma dispersão de diferentes práticas.

apresentava algumas passagens das obras de filósofos famosos. Schopenhauer e Nietzsche. uma nova geração de pensadores vem se dedicando a popularizar a disciplina” (s. “desde o começo da última década. O próprio Sloterdeijk era um desses autores traduzidos à época.p. a reportagem divulgava o crescimento do mercado editorial brasileiro voltado à publicação e à tradução de filósofos tanto consagrados e mortos como daqueles em plena atividade. 2012)8. quais são os websites consultados e quando esses artigos foram acessados. Sêneca. professor da Universidade Alfred. 29 Carla Rodrigues (2012) apresentava a afirmação do contemporâneo filósofo alemão Peter Sloterdijk sobre o lento processo de morte da filosofia. Como de praxe. como os romances filosóficos de Jostein 8 Alguns artigos de jornais e revistas a seguir foram citados de fontes online. a venda de livros voltados para o ensino de filosofia — que. a reportagem apresentava três: além das boas traduções de livros de filósofos consagrados. que vive em um mundo paralelo”. desde 2008.). é obrigatório na Educação Básica brasileira — e a própria iniciativa de alguns filósofos tornar suas obras acessíveis para facilitar as vendas.p.). devido à impossibilidade de acessá-los em seu veículo material original. Epicuro. indicaremos. embora. a reportagem trazia o depoimento de Claudio Oliveira. No corpo do artigo. embora sua consumação não ocorresse tão cedo. s. algumas paginações das citações estarão ausentes e só as referenciaremos com o nome do autor e a data de publicação. Para exemplificar. A despeito dos prognósticos negativos do filósofo alemão. estaria mais próximo de uma reflexão sobre a vida do que da preocupação com a “definição de conceitos” (s. Como justificativas para tal crescimento do mercado editorial. cujos autores e obras servem como guias existenciais. como Sócrates/Platão. Com isso. Tiago Cordeiro (2012) relatava as impressões que comumente se tinha da filosofia até então — vista “como coisa de gente que pensa demais. Um desses especialistas era entrevistado pela reportagem: Emrys Westacott. tradutor e professor de filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF). nas referências bibliográficas.). . o autor da reportagem avaliava as abordagens atuais que tentam deixar a filosofia mais acessível. dado sua tarefa ainda não cumprida (SLOTERDIJK apud RODRIGUES. Cordeiro fazia referência a certos usos dessa filosofia popularizada. adaptadas por especialistas do ramo como fórmulas morais para orientação na vida cotidiana. Montaigne. 2012. em Nova York e autor de Thinking through philosophy (sem edição em português).p. A reportagem ressaltava que o tipo de filosofia popularizada hoje. afirmando que “o mercado editorial ainda não se deu conta do potencial da área de filosofia” (OLIVEIRA apud RODRIGUES. dos seus respectivos websites. Em seguida.

comentava em seu artigo sobre Mehdi Belhaj Kacem. o que gerava o risco de a filosofia acadêmica. os autores que relacionam “a disciplina a temas de cultura popular”. como Alain de Botton. autor dos livros Menos Prozac e mais Platão e Pergunte a Platão. Na análise do primeiro caso. Feitosa descrevia a palestra de Lou Marinoff. ex-discípulo fervoroso de Alain Badiou. No outro acontecimento. . perder “cada vez mais a conexão com seu lugar e seu momento” (s. autor de Filosofia em Cinco Lições.p. 30 Gaarder. o professor da UNIRIO criticava a ausência de um pensamento criativo e experimental.p. propusesse alguns exercícios prático-filosóficos. Silviano Santiago (2011). como Gregory Bassham com Harry Potter e a Filosofia e Willian Irwin com Os Simpsons e a Filosofia. caminhadas e conscientizações de ideias no cotidiano. então. escritor e então colunista do jornal Estado de São Paulo. Na análise do segundo caso. Kacem. O risco seria. fazer da prática filosófica uma receita de bolo. em 2005. queria “reconciliar a pesquisa na filosofia e na psicanálise com a atualidade política e comportamental” (p. Em relação ao primeiro. por fim. Segundo o colunista. a vida amorosa. para os dias atuais. que escrevem para o grande público e aproximam-se de uma terapia filosófica ou da autoajuda. referente à intenção e à ação humanas. tinha como eixo do seu artigo a análise de dois acontecimentos recentes envolvendo a popularização da filosofia: “duas situações extremas”. era importantíssima. Sobra espaço ainda para que.). “altamente codificada”. e. entre outros títulos de popularização da filosofia. Feitosa afirmava que tal perspectiva concedia à filosofia um papel aconselhador. De maneira geral. a cultura pop e os distúrbios de comportamento nas grandes cidades. Charles Feitosa (2011). trabalhando uma série de questões da atualidade. jovem filósofo franco- tunisiano que havia lançado um livro intitulado Pop Philosophie. um encontro de especialistas no pensamento hegeliano que procuravam discutir uma questão que. como meditações. entre outros. autores mais influentes.S2). como a competição no trabalho. no qual o palestrante procurava aliar pensamento e terapia. explorando comercialmente a inquietação das pessoas. Roger-Pol Droit. A alternativa proposta por Feitosa a esse dilema atual da filosofia era uma revisitação do espírito da pop art no modo de fazer filosofia — já evocada por Deleuze na sua célebre e curta passagem sobre a pop’filosofia ou filosofia pop. então professor adjunto de filosofia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. “dois riscos possíveis para a filosofia na atualidade” (s. autor de O Mundo de Sofia. ao final da reportagem.).

p. Em relação a tal atitude. operando “demolições e apropriações. à reflexão sobre a cultura do presente — ele mesmo buscando praticar tal vertente. que formulam pequenas receitas práticas de como conduzir a vida. Segundo Feitosa. parciais ou totais. Rodrigues noticia o crescimento do mercado editorial para os livros de filosofia em geral.). Santiago explorava a emergência do filósofo como novo ator e especialista social à luz da prática de um filósofo contemporâneo. em último caso. antigos ou recentes. enfim. “faz parte do processo de pensar. à imagem. apesar da alegada crise editorial e da impopularidade. aliançadas à psicanálise e à autoajuda.p.). Saulo Henrique Souza Silva (2011).). enfatizando os . da morosidade e. 31 a filosofia pop proposta por Feitosa seria uma prática híbrida entre filosofia e arte. partindo da recusa do aconselhamento terapêutico e da erudição acadêmica. 2011. a qual se orientaria segundo duas principais atitudes: a recusa de apenas se basear no “supostamente clássico e incontornável”. Feitosa. Silva. propõe uma filosofia pop aliada à arte. construindo tais respostas sobre um alicerce de argumentos” (s. já que “não tem por finalidade desvelar o seu significado e nem a sua especificidade disciplinar.p). e a ocupação das mídias como um “projeto de divulgação do pensamento” (s. visto que está atrelada às leis do mercado” (SILVA. defende um distanciamento para com a popularização. tal tarefa consistiria na construção de “novos edifícios conceituais”. Considerando à importância do retorno dela como disciplina escolar e evidenciando a dificuldade de estabelecer a tarefa e o lugar do filósofo em meio a sua popularização. s. das estruturas filosóficas antecedentes”. conjugando “o universal e o singular”. defende a ideia de que a popularização da filosofia se trata de um fenômeno duvidoso. em se tratando da atitude de divulgação. tão comuns em entrevistas e declarações públicas (2011).p. Cordeiro apresenta as aplicações mais comuns da filosofia hoje. à época doutorando em filosofia e professor do Colégio de Aplicação da UFS. Tais afirmações reiteram certa ideia de que o discurso filosófico se constituiria como um comentário ad infinitum. o compartilhamento dos saberes em busca de novas e melhores partilhas dos poderes”. Ambas as atitudes procurariam reforçar tanto a importância de se pensar as manifestações culturais da atualidade. objetivando “novas explicações a determinados problemas. da inutilidade imediata da prática filosófica. Cada reportagem ou artigo ofereceu características do que se tem feito a título da popularização da filosofia. de modo estrutural e não acidental. o filósofo ou o intelectual deveriam evitar as “generalizações apressadas” (s. como a própria questão da divulgação. para o autor.

32 alicerces da verdadeira tarefa da filosofia ao retomar certa história de sua origem. apresentado pela filósofa e psicóloga Viviane Mosé. anunciava-se a filosofia como uma ajuda para viver melhor. fazia uso de algumas ideias e passagens de obras dos filósofos mais . o filósofo como intelectual social. 50.8). p. 2001. Cinco lugares e cinco modos que a filosofia estaria ocupando: o mercado editorial. segundo o filósofo e professor Mario Sergio Cortella — ali entrevistado — protagonizava um revival. não é tão recente como podemos supor. Mas os três reservam pelo menos uma noite por mês para tentar entender o que está por trás de sentimentos tão díspares quanto coragem. 2001. pesquisa motivos ocultos e reinterpreta fatos. 2011) e pelo contexto de um país “embevecido pelo capitalismo”. a apresentadora. partindo de cenas e situações do cotidiano. e o filósofo conservador. Todos os cinco autores também fazem menções genéricas às razões que justificariam o fato de a filosofia vir ocupando crescentemente o cenário mercadológico-cultural de diversos países. e em nove minutos. 2012). cuja educação visa à reprodução tecnicista e o lucro. já que a supervalorização do mundo prático teria gerado “nas pessoas comuns um vazio existencial que só a filosofia pode ajudar a preencher porque as explicações técnico-científicas não são mais suficientes” (apud FALCÃO. 2011). Contudo. 2012. buscam decifrar o sentido dos acontecimentos cotidianos para viver melhor (FALCÃO. não só o brasileiro. o filósofo pop. Razões que compreenderiam desde as “eternas questões da humanidade” e “problemas contemporâneos diversos” (CORDEIRO. até o resultado do “investimento do mercado editorial” especializado (RODRIGUES. aprofunda a reflexão. o programa de televisão Fantástico. mas não o saber pelo saber” (SILVA. 42. sem uma “sólida tradição filosófica e científica. Em oito minutos. 2001. porque desperta “a interrogação. vivem em mundos completamente diferentes. tais razões e condições. desejo e medo da morte. ridicularizando justificativas aparentes ou falsas” (FALCÃO.9). SANTIAGO. Em 17 de julho de 2005. Uma década antes. em sua reestreia em 2006. O estudante Rafael Rogara. e o médico pernambucano Mozart Cabral. a prática terapêutica. a dona de brechó Denise Pini. Com a ajuda de filósofos e historiadores. levava ao ar o programa Ser ou Não Ser. passando pela inquietação das pessoas “diante de um mundo em que não se sentem em casa” (FEITOSA. p. p. quando de sua estreia em 2005. A reflexão filosófica. Paulo de 21 de junho de 2001. 2011).8). veiculado pela Rede Globo. na matéria da Folha de S. bem como o tema da popularização da filosofia na mídia. 17.

A filosofia. os programas de TV). Uma matéria no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo. A filosofia é a pesquisa que vai levar à descoberta de coisas. 33 conhecidos. da USP: Uma coisa é jornalismo filosófico e outra é a reflexão. sossego e tempo. No suplemento Cultura do Estado de São Paulo de 05 de novembro de 2006.E6). Não haverá uma discussão filosófica de conceitos filosóficos. trazia o seguinte posicionamento do professor de filosofia da UNICAMP. Ele também identificava o fato de que a sociedade tecnológica trouxera muitas vantagens. Quem iria querer estudar Platão e Kierkegaard no mundo prático que surgia pós-anos 60? Ninguém. se quisermos. as publicações editoriais. apenas insinuações (apud BARTOLOMEI. É um objeto difícil de ser exposto. Só um bando de pseudointelectuais que não tinha nada mais importante com que se ocupar. se a religião perdera espaço como discurso hegemônico e o consumo na sociedade capitalista mais esvaziava do que preenchia. Outra opinião que representava a corrente. que implica em ócio. mas depende do virtuosismo da professora que vai apresentar o programa. Não sou contra. p. aconselhadora. (2006. quem fazia um curso de filosofia sabia-se candidato preferencial ao desemprego. tomando o cuidado de não julgar tais iniciativas sem antes investigar as possíveis razões de tal fenômeno. o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle escrevia para a Folha de S. 2005. oficial e mais crítica à iniciativa. Luiz Zanin Orichio tratava da matéria de capa da revista francesa L’Express. O problema é que a filosofia exige raciocínios longos e uma lógica dedutiva e indutiva completa. p. ao pensamento e à crítica (apud BARTOLOMEI. mas nenhuma que aumentasse a felicidade individual. era tida como a mais démodée das disciplinas. Há algumas décadas. O colunista do Estado apresentou uma digressão sobre os últimos acontecimentos que popularizavam a filosofia (os cafés filosóficos. Roberto Romano: Não que o meio [televisivo] não tenha condições nem o público. o que restava era o apego à velha sabedoria. com um título que antecipava sua conclusão: A felicidade pela filosofia. com o intuito de oferecer aos telespectadores uma reflexão propedêutica e.D6). p. concluindo que.E6). com o avanço tecnológico e o crescente anti-intelectualismo social. no dia da estreia do programa em 2005. o problema é não confundir uma coisa com outra. A televisão tem um tempo rápido. 2005. Em matéria publicada em 12 de novembro de 2006. ao mesmo tempo. Paulo sobre “um dos fenômenos mais . era a do professor de filosofia José Arthur Giannotti.

uma espécie de revanchismo anti-intelectual. por fim. sendo ensinada aos interessados como uma maneira de “ler o que acontece no mundo contemporâneo e [de] agir no presente” (CARDOSO. tal fenômeno poderia ser denominado heteróclito. Segundo a professora. Uma última passagem significativa desse cenário recente é a entrevista9 concedida pela professora de filosofia Jeanne Marie Gagnebin. . àquela altura a filosofia já era “disciplina obrigatória nas escolas. Contudo.7) ou por algo que se aproximasse dela. sem simplificar. das alegações 9 A íntegra dessa entrevista foi publicada no blog do Departamento de Filosofia da PUC-SP. 2008. Gagnebin identificou que certamente havia um “fenômeno mercadológico em torno da filosofia atualmente” (apud AQUILES.E12). 2012. Gagnebin esclarece que escrever sobre algum assunto complexo a ponto de torná-lo algo acessível seria um trabalho muito difícil. Outra matéria. Indagada sobre a validade do lançamento de livros que prometiam conhecimentos complexos para o público leigo.com/2012/06/08/a-filosofia-e-o-mercado-de-consumo-editorial- entrevista-com-jeanne-marie-gagnebin-inedita/>. mania na tevê. nas empresas e até nos livros para crianças”. Caso contrário. da PUC-SP. portanto. tal fenômeno seria alavancado por três razões: o retorno do ensino de filosofia na Educação Básica brasileira. poderia contribuir de maneira didática para a compreensão da filosofia. p.wordpress. apenas serviria para gerar ganhos financeiros.7). uma vez que a popularização desmistificaria o caráter complexo e transcendental das obras filosóficas. tanto para o cotidiano como para os universais. à Folha de S. p. Para o autor. Mas todas essas abordagens portariam um objetivo em comum: “reconciliar o pensar e a alegria de viver” (p. Disponível em: <http://filosofiapucsp. uma atenção tanto para o corpo como para o pensamento. Segundo especialistas entrevistados pela matéria. s. cujas características seriam: a simplificação da linguagem filosófica por jargões da área de administração de empresas. 34 pitorescos na vida cultural do Brasil dos últimos anos: o crescente interesse pela filosofia” (2006. afirmava que a filosofia estava em alta. uma recusa das hierarquias da cultura. recuar um tanto mais na história e encontrar na edição da revista Veja de 28 de março de 1979 — mais de 20 anos antes. a crise das religiões na Modernidade que outrora garantiam certa segurança aos conceitos e valores para explicar o mundo e servir de guia pessoal.p). então. Mas alcançar tal simplicidade. já que composto por “práticas e expectativas diversas”. Paulo em junho de 2012. publicada por IstoÉ na edição de 11 junho de 2008. 2012. Acesso em: 08 jun. Poderíamos.

evidenciando suas características materiais: veículo. professores de filosofia mobilizavam-se para reintroduzi-la nas escolas. 3) livros (para)didáticos. tipo de produção. segundo os professores Tarcísio Padilha e Arthur Giannotti. ao trabalho de uma filosofia histórica. 35 da popularização na virada do século — uma reportagem que procurava expor certas mutações em curso no trabalho do filósofo como intelectual. as abordagens temáticas e teóricas etc. sendo alguns autores considerados filósofos. cujo trabalho também será contemplado adiante.10 distinguimos inicialmente quatro estratos de difusão: 1) obras autorais. A opção por detalhar os estratos por material consistiu em uma tentativa de não ajuizar as produções culturais. Um modo de operar a filosofia mais analítico e menos propositivo. Trata-se de obras as mais 10 Um levantamento complementar de tais produções é oferecido por Tatiana Sanches (2011). mas exemplificar a heterogeneidade das produções. 1979. na tentativa de engajá-la a problemas tocantes à realidade brasileira da época.102). e o próprio Giannotti conclamavam outro modo de endereçamento da filosofia ao cotidiano: não em termos de oferta de novas respostas ou de uma inteligibilidade da realidade. ora valendo-se dos pensadores do passado para enriquecer o exame dos temas atuais. mais afeito. Antecipando a justificativa de certo afastamento da filosofia acadêmica em relação à realidade cotidiana. bem como suprir uma “falência de ideias que marcaram as décadas de 50 e 60 no Brasil”. As funções atribuídas à filosofia. o professor Bento Prado Júnior. eram oferecer “novas respostas para os desafios do mundo moderno”. também entrevistado na reportagem. quais sejam: o “desenvolvimento como instrumento da liberação nacional” e a “crença na sociologia como conhecimento da realidade” (ALVARENGA. . 4) multimídia. O primeiro estrato refere-se às obras que se valem de reflexões filosóficas ou nelas se apoiam. Os estratos da popularização da filosofia Com o intuito de aprofundar o mapeamento do universo das diferentes produções culturais de cunho alegadamente filosófico. com a qual nos alinhamos na presente pesquisa. portanto. mas as racionalidades materializadas nos discursos que presidem algumas das produções — racionalidades que serão sumariamente discutidas ao longo das exposições. nos moldes daquela praticada principalmente por Foucault (2000). o problema não é o suporte material. Entretanto. Não obstante. mas ora retornando às questões clássicas da filosofia à luz dos problemas do presente. seus modos de enunciação. p. 2) coleções.

Exemplos disso são 101 experiências de filosofia cotidiana e Filosofia em cinco lições. do filósofo e jornalista francês Roger-Pol Droit. Todos eles são inspirados. de excertos específicos de filósofos e de reflexões muitas vezes descontextualizadas historicamente. por exemplo. receitas ou alternativas para os problemas da vida cotidiana. lançados no Brasil em 2002 e 2012. Esse tipo de publicação abarca. O que as caracteriza. A argumentação empregada é geralmente associada a fórmulas. de 2013. de 1992. comumente associada ao ramo da autoajuda. os livros do psiquiatra Irvin D. e o mais recente O problema Espinosa. valendo-se da história da filosofia. ainda. de 2010. Tais produções. de alguma maneira. 36 variadas. (em coautoria com Arthur Meucci e Júlio Cesar Pompeu respectivamente) nos quais são apresentados temas supostamente gerais da humanidade entremeados por passagens e referências a filósofos consagrados e por digressões próprias. por temas e reflexões filosóficas oriundas da vida pessoal de filósofos ou de pensadores clássicos. têm como característica principal uma intencionalidade mais pragmática. de modo geral. Menos . podendo também ser confundidas com as de tipo ensaístico. Quando Nietzsche chorou. de 2012. O mesmo se passa com os dois últimos livros de Clóvis de Barros Filho intitulados A vida que vale a pena ser vivida. respectivamente. como As consolações da filosofia. de ponderações sobre temas genéricos ou de sugestões de teor pragmático-terapêutico. os romances filosóficos. adotar certos exercícios diários etc. de 2002. o brasileiro Eduardo Giannetti. com seus Felicidade. Há também a abordagem de tipo ensaística. é a finalidade expressa de veicular reflexões e noções filosóficas por meio de histórias ficcionais. Mais Platão. e A filosofia explica as grandes questões da humanidade. de 2010. Yalom. de Lou Marinoff. e cujas intenções são ora propor que a filosofia tenha finalidades úteis para o cotidiano. as quais poderiam ser categorizadas segundo o tipo de abordagem empregada. por meio da qual os autores desenvolvem reflexões de apelo histórico-filosófico sobre os mais variados temas que atravessariam a realidade atual. A terceira abordagem corrente das obras autorais é a de apelo expressamente terapêutico. ora refazer o percurso histórico da filosofia em pequenas lições temáticas. A cura de Schopenhauer. como o largamente conhecido O mundo de Sofia. publicado em 1991 por Jostein Gaarder. com o objetivo de oferecer ao leitor argumentações de efeito prático e moral. Exemplos disso são os best-sellers de Alain de Botton. tais como revalorizar determinados aspectos da vida. e A ilusão da alma. de 2005.

com 85 fascículos). apesar de não se devotar exclusivamente à filosofia. e The Philosophy of Popular Culture (organizada por Mark T. Disponível em: <http://www. com 32 fascículos até o momento). como é o caso da tradicional coleção Os Pensadores. visam servir de leitura geral e introdutória ou apenas de informação/curiosidade/entretenimento. tal como aqui optamos por designá-las. trazendo filósofos brasileiros refletindo sobre temas gerais da filosofia. medo. 2001 e 2011. organizada por Paul Strathern. de 2012.net/material-didatico/levantamentos-bibliograficos>. desejo. valendo-se igualmente de contextualizações histórico-bibliográficas ou culturais. racionalidade etc. Conard. ambas a cargo da L&PM. Nietzsche para estressados.. respectivamente. como os Miniensaios de filosofia. Acesso em: 28 maio 2014. Um segundo estrato das publicações contempla as coleções de livros filosóficos. publicada pela Abril Cultural (em três reedições. concentram-se as publicações de natureza (para)didática. Há também as coleções de comentadores de filósofos que procuram introduzir/sintetizar as ideias de determinado pensador a partir de breves condensações de suas vidas e principais obras/teorias. contabilizando 44 fascículos até o momento). de Luiz Felipe Pondé. Popular Culture and Philosophy (organizada por George A. . Três são seus tipos: os livros didáticos propriamente (que desde o ano de 1997 vêm se proliferando segundo várias versões e autorias)11. “oferece informações úteis sobre os pensadores e os temas mais importantes da história com uma linguagem acessível e bem-humorada” (LEYA BRASIL. primeira do ramo na divulgação filosófica no Brasil. Exemplos disso são o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. como The Blackwell Philosophy and Pop Culture (organizada pelo professor do King’s College William Irwin. Há também os de cunho enciclopédico ou propedêutico. geralmente adotados em escolas e subsidiados por políticas públicas de incentivo à leitura. e Entendendo. de 1988 a 2004). com vistas à divulgação de partes da obra de autores selecionados. bem como da coleção Pocket ou da recente O essencial de Nietzsche. Um terceiro tipo de coleção é voltado para temas específicos. publicados em 2000. há de se mencionar as coleções que priorizam a relação entre cultura pop e filosofia. Sob o arco do terceiro estrato das publicações. O Livro da 11 Levantamentos e análises criteriosas desses livros vêm sendo desenvolvidos pelo Laboratório de Licenciatura e Pesquisa sobre o Ensino de Filosofia (LLPEFIL) da UFRJ. Reisch. mas não se atendo a um só filósofo ou tema. Por fim. e de Allan Percy. que veio a público no Brasil em 2013. 2015). que. É o caso das coleções Filósofos em 90 minutos. de 1973 a 1984) e depois pela Nova Cultural (em cinco reedições. 37 Prozac.. os quais.llpefil-uerj. como ética.

de Pondé. abordando temas variados que foram tratados no seu programa semanal na rádio paulistana CBN. com corpo editorial inglês e norte-americano. Filosofia Conhecimento Prático e Filosofia Ciência & Vida. cujas primeiras 12 edições circularam entre 2010 e 2011. lançado em 2011.com. que também escreve para a CartaCapital. bem como a de Safatle. as mais emblemáticas são a Philosophy Now. Paulo. O último estrato da difusão filosófica remete às produções multimidiáticas. o programa Peripatético. na TV Cultura). publicada trimestralmente à época do seu lançamento em 1991. 38 Filosofia. o CPFL Café Filosófico. de Martin Cohen.). No âmbito internacional. de Will Buckingham e Douglas Burnham. tendo começado a circular no final de 2011. e Casos Filosóficos. vale destacar a publicação em dois volumes de Pensar bem nos faz bem!. destacam-se Filosofia: grandes temas do conhecimento. ora mais específica. colunas assinadas por filósofos e apresentações destes em programas de TV e rádio (as colunas de Marcia Tiburi e Vladimir Safatle na revista CULT. no ar desde julho de 2012. publicação esporádica e organizada em volumes pela revista Mente e Cérebro. transmitido pela TV Cultura. assim como vários outros programas de rádio e TV que trazem em sua programação participações de filósofos. de periodicidade mensal (atualmente em seu número 20). e bimestralmente desde 1997. a publicação francesa PhiloMag. de 2012. abarcando desde publicações de DVDs em bancas de jornal (Filosofia de Botequim. na 49ª edição/5º ano de circulação (desde 2009) e 101ª edição/9º ano de circulação (desde 2006). em 2012. também editada mensalmente desde 2011. e Luiz Felipe Pondé no jornal Folha de S. e outras quatro edições. até chegarmos à internet. histórias em quadrinhos e sátiras (existentialcomics. Soma-se Mente. No contexto brasileiro. duas publicações mensais. Cérebro & Filosofia. e a publicação espanhola Filosofía Hoy. Filosofia & Conhecimento etc. Levando em consideração a dificuldade acentuada de perspectivar as nuanças presentes em tal cenário discursivo complexo. Nessa seara. de cunho jornalístico/informativo e de abordagem ora mais genérica. na qual sites com artigos e conferências (philosophybites. geralmente periódica. ubíquo e multifacetado. . em 2013. editada mensalmente desde 2006. A esse terceiro estrato associa-se ainda uma terceira forma de publicação. respectivamente. restringimo-nos inicialmente a apontar uma distinção preliminar entre tais produções.com) despontam com frequência. de Mario Sergio Cortella. por exemplo).

de voltar-se para as questões do dia-a-dia e oferecer questionamentos ou procedimentos práticos. procuram espraiar certa inteligibilidade redutora e. De outra parte. emancipação social. experimental e criativa. Desta feita. voltada para a relação entre filosofia e terapia. simplificar ou mesmo viabilizar o acesso imediato às ideias filosóficas. poderíamos encontrar mais uma cisão entre os modos de fazer filosofia hoje. em última instância. para além das fronteiras universitárias ou escolares. os livros de cunho pragmático-terapêutico e aqueles declaradamente de autoajuda. podemos afirmar que todo tipo de popularização pode ter um efeito de divulgação. e por alguns ensaios autorais temático-históricos que se concentrariam mais em tecer comentários e relações no interior da obra de um dado filósofo ou tema. Trata-se. para a difusão de determinado pensamento. vida como obra de arte) segundo uma orientação geral nietzschiana-deleuzeana. aligeirar. Parece-nos. A maioria das produções popularizantes leva adiante uma espécie de retorno da filosofia ao cotidiano. os guias introdutórios. Elas estariam praticamente circunscritas pelas coleções de obras completas e selecionadas de filósofos. poderíamos encontrar desde Lúcio Packter e sua Filosofia Clínica até os livros de Botton. 39 Uma parcela delas devota-se ao que denominamos divulgação: trata-se daquelas obras que não procuram romancear. buscando não incorrer necessariamente em algum tipo de facilitação ou distorção. Marinoff e Percy).  Uma de orientação mais crítica. mas nem todo tipo de divulgação almejaria a popularização das ideias filosóficas. traduzindo seus conceitos de modo às vezes aligeirado e atribuindo-lhes certa destinação pragmática. geralmente pautada por algum engajamento em questões socioculturais e/ou filosóficas (como os temas de gênero. assim. utilitarista do discurso filosófico. que as produções da popularização. com forte influência da Escola de Frankfurt. de modo que podemos observar três concepções desse fazer filosófico:  Um de orientação mais pragmático-clínica. a pecha de autoajuda (aqui. aqui. . no limite. para seu suposto uso na vida cotidiana. No interior dessa seara popularizante. propriamente da popularização — tais como as biografias romanceadas. alcançando. há aquelas iniciativas que se valem de passagens de obras de filósofos com vistas a facilitar sua leitura. apesar de muitas vezes estarem apoiadas na autoridade acadêmica de seus autores.

abrindo caminho para uma espécie de democratização da linguagem e para o estudo de fenômenos culturais independentemente de sua tradição cultural ou localização social. digamos. Com respeito à segunda vertente.] Hoje é preciso. de um pensamento coerente e de conteúdos desprezados por sistemas intelectuais moralizantes. cuja postura seria a de se diferenciar dessas duas e apresentar um lado. a filósofa e professora Marcia Tiburi. não configurando nos seus discursos uma mesma política de verdade (como a perspectiva da ajuda e da melhora pelo pensamento). Tal proposta pode ser encontrada. s. argumentar e ensinar ao público o que é um argumento (CARVALHO. mas a boa filosofia pop seria feita de “bases tão pesquisadas quanto as acadêmicas” (p. tal modo de fazer filosofia seria a aliança de uma pesquisa rigorosa. não se classificando como pop.p. ao mesmo tempo. na entrevista de Olavo de Carvalho concedida a um site sobre o filósofo na mídia.). os autores da segunda e da terceira prática. intentando não resguardar nenhuma utopia salvadora ao pensamento ou ao conhecimento. Charles Feitosa também descreve a filosofia pop como uma forma de resistência tanto ao pedantismo erudito quanto à simplificação exagerada. Não entendem uma palavra do que ele diz e ele ainda se arrisca a ser comido vivo. aliançando “rigor e inventividade ao tratar de temas da cultura contemporânea” (FEITOSA. atuante em diferentes mídias. De modo similar.). no entanto.p. na qual ele assevera que Um filósofo na mídia é um pregador “in partibus infidelium” — um jesuíta entre antropófagos. .7). Embora os autores das três vertentes realizem intervenções em variados veículos de informação. enfim. de um ensaio corajoso. na apresentação do seu livro intitulado Filosofia Pop — Poder e biopoder (2011). Em suma. 2014. mas cultivando certa interpretação neoliberal e conservadora do conhecimento como prática científica eficaz na busca da verdade e. [. 40  Uma terceira. 2002. s. dizem-se contrários a primeira vertente e procuram definir sua postura diante do presente de modo mais crítico.. do desenvolvimento da vida. por exemplo. ainda sustenta a necessidade da filosofia para o presente e o cotidiano. mais politicamente incorreto da filosofia. A terceira vertente. escreve sobre como filosofia pop teria se tornado uma espécie de “contraponto à filosofia acadêmica”. quiçá.. apenas as duas primeiras granjeiem a alcunha de pop.

não como uma área de conhecimento que teoriza a vida”. encontram-se com a terceira vertente na tentativa de encontrar sua legitimidade dentro da popularização por uma espécie de disputa e mútua derivação entre a academia e a vida cotidiana. programa comandado por Luiz Felipe Pondé. os participantes teriam um tempo livre para refletir sobre as discussões. usando a filosofia “como instrumento prático para vida.] em um nível mais elevado” (p. parecem carregar um gesto analítico ora denunciativo e ajuizador (o bem e o mal). sexo. Tratar-se-ia de uma conversa entre indivíduos com diferentes formações e convicções para tratar de um tema em comum. Por fim. de alguma forma. mas com certeza. mediada por um filósofo. Encerrada a conversa.. 2015). de diagnóstico e consolo. O projeto afirma que seria um momento para “rever as pessoas como na primeira cena da apresentação. . é a proposta de dinâmica do programa e seu princípio norteador.11). reconectando a filosofia do mundo acadêmico “com a vida em tempo real” (p. Podemos observar que tanto um tipo de filosofia pop. no entanto.6). democratização da linguagem. em oposição à outra tarefa pop. hoje. autor do Guia politicamente incorreto da filosofia. ora propositivo e imperativo (faça isso ou aquilo). o programa propunha como finalidade “provocar o pensamento filosófico no homem comum”. entre o pensamento tradicional e a liberdade de pensar. entre a teoria como pura abstração e a prática como conhecimento senão eficaz. ao menos crítico e criativo.6). o Pondé. Vejamos. encontramos o texto do projeto do Peripatético (BOSSA NOVA FILMS. fundamentado em pressupostos tão evidentes e habituais — como liberdade do pensamento. Algo curioso. Perpetrando uma crítica à filosofia acadêmica. casamento e melancolia. capacidade de revelar a verdadeira verdade e realidade — quanto insuspeitos e conflitantes entre si. “não conectada ao cotidiano como esteve na sua origem” (p. voltariam para discutir acerca dos efeitos da conversa sobre suas convicções e valores. mas afeita à análise experimental e crítica da sociedade. Tais modos de fazer filosofia. Apresentando temas como fé.. afirma que características como curiosidade e necessidade de compreender a vida não são exclusividade de especialista. 41 Também como exemplo dessa terceira vertente. transformados [. A popularização sob o olhar acadêmico A temática da popularização da filosofia ou de sua relação com a cultura contemporânea tem sido igualmente objeto de alguns trabalhos acadêmicos.

129). Aliada à perspectiva da teoria crítica. o retorno da filosofia ao campo das discussões em torno das práticas humanas comuns deveria ocorrer pela substituição de uma filosofia “com letra maiúscula e sabor teológico” para outra com “letra minúscula e parte da cultura ordinária”. Dentre eles. de um mundo “em que antigas referências ligadas à religião. é a partir do lançamento do livro de Gaarder que os olhos do mundo se voltam novamente para a filosofia como um conhecimento útil e acessível a todos. cuja tarefa “passaria a ser ajudar no processo de mudar nossas crenças e nossa forma de vida” (LOPES. aprofundar e esclarecer as razões subjacentes às nossas crenças” e como um “modelo pedagógico necessário das sociedades vindouras” (p. se todos fossem produtores de cultura e não apenas seus . tal processo só se efetivaria caso a população tivesse maior acesso à cultura comum. No caso de Lopes (2011). refletir e aprender” (p. da política ou da técnica e da ciência. apesar da relação sempre intrínseca entre filosofia. 2011. a autora debruça-se sobre o fenômeno da popularização de modo a interpretá-lo como um efeito da pós-modernidade.46). Os autores elaboram argumentações semelhantes acerca da impopularidade da filosofia. No caso de Correia (1995). Em relação à filosofia. Tatiana Amendola Sanches (2011) e Paola Zordan (2006). presente nos domínios da moral.125). é reforçado o “caráter eminentemente formativo” da filosofia como um exercício crítico voltado a “discutir. p. Carlos João Nunes Correia (1995) e Marcos Carvalho Lopes (2011). caracterizam a filosofia como um tipo de atividade e de conhecimento que está na base de toda sociedade. cultura e população. ela também estabelece a dicotomia entre banalização e senso crítico. poucos autores detiveram-se na questão. Atribuindo-lhe tanto o propósito de procurar a essência e o imutável. como a tarefa de uma formação geral da população para os novos tempos flexíveis e instáveis. 42 Dos trabalhos que tratam da relação entre filosofia e cultura na contemporaneidade. cujo retorno ao interesse público teria se dado tão somente no século XX. mesmo em tempos e contextos diferentes. este último visto como um caminho necessário “de disseminação e aproximação da filosofia a aspectos da vida comum e de práticas cotidianas das pessoas — passo inicial para o cultivo de novos meios de pensar. família e comunidade perdem a importância” (p. Para essa autora. do direito.42). Para Sanches (2011). ambos os autores clamam pela necessidade de a filosofia se voltar para a experiência prática humana. No que tange propriamente à popularização da filosofia.

opta pelo primeiro. p. Ao longo do texto. toma a arte como uma prática que subverte a opinião. Guarnieri. de outro. Envidando uma análise em termos . 2011. a arte é atividade criadora em sua essência. a dissertação de Angelo Ricardo de Almeida Guarnieri (2005) e a tese de Marli Aparecida Pechula (2007). o que se daria pela própria disseminação da cultura. Feitosa. 2011. Feitosa realizou uma análise do conceito de filosofia pop. Valendo-se principalmente de Jürgen Habermas como interlocutor teórico. originalmente articulado por Gilles Deleuze. potencializariam a recepção ativa da filosofia. de modo parecido ao que fez Zordan. Por uma espécie de distinção entre as duas atribuições que se dão ao conceito pop na cultura geral — uma de cunho alternativo. valendo-se. específico da década de 1960. uma prática cultural “a partir do ponto de vista da negociação de significados” (SANCHES. p. em um dos primeiros artigos brasileiros sobre o tema. Para tanto. Os meios de comunicação de massa. evidenciando que seria este o uso subversivo da tradição pelo pop que Deleuze gostaria de trazer à filosofia. uma filosofia feita para o povo. própria do povo — uma “pop’filosofia: banalidade de um pensamento que cria e inventa uma vida” (ZORDAN. a autora alia a sua concepção de filosofia popular à de arte. pois. este último indicando um caminho que a filosofia deveria seguir.10). e outra de cunho comercial. nesse sentido.132). 2006. p. advogando em favor de uma relação necessária e indispensável entre ambas. que acontece a metamorfose do factício (2006.132). industrial.8). De um lado. 43 receptores. convertendo os meios de informação e de entretenimento em “fonte de pedagogia cultural” (p.47). Zordan afilia-se à teoria pós-crítica ou pós-estruturalista. mormente. a partir da década de 1980 —. marginal. p. é por meio da arte. desenvolveu um trabalho empírico sobre o tratamento oferecido à filosofia num jornal brasileiro entre 1994 e 2003. Três outros trabalhos tratam das transformações e das relações da atividade filosófica num presente midiático: mais uma vez. é Charles Feitosa (2001). genérico. o de multidão/anônimo. O que chama atenção nos textos acima é o consenso em torno do necessário desencastelamento da filosofia. Daí sua extrema importância para a pop’filosofia. o sentido de massa/vulgar e. Já o texto de Paola Zordan principia distinguindo duas denotações da noção de popular. de modo que esta viesse a se tornar mais “uma voz na conversação da humanidade” (LOPES. afinal. de Deleuze como interlocutor. por sua vez. aprofunda-a e a substitui pelo conceito.

utilizada de maneira desviante da original. na França. Segundo o autor. tecendo também diferentes alianças. Marc Sautet. cujos resultados. Propagam-se palavras de ordem para a tarefa da filosofia. pela fenomenologia. senão universal. inclusive no que diz respeito aos objetivos precípuos. na Alemanha. Já Pechula. todos parecem apegar-se à premissa da filosofia como um bem cultural. Desta feita. p. seriam sempre da ordem do desenvolvimento e da melhoria da condição humana. como revolução. contrariando certos estudos contemporâneos relativos às diferentes finalidades da prática filosófica em sua emergência greco-romana. ora apoiados na tradição clássica da história da filosofia. a filosofia permanece viva no interior das páginas do jornal Folha de S. seja com as ciências contemporâneas. por filósofos pragmáticos ou da ciência. os autores versam. Paulo e mantém um diálogo com seus leitores. formação. ao menos local ou pessoal. a autora assevera que haveria uma contradição entre a filosofia clássica grega. como uma prática benéfica e imprescindível. e uma possível filosofia prática de cunho terapêutico. analisa seu uso contemporâneo para fins clínicos e terapêuticos. identificando quatro abordagens específicas: Gerd Achenbach. que são os de informar e formar a consciência de leitores afeitos à filosofia como prática acadêmica e no tocante à sua popularização (2005. construção e criação de modos de vida. voltada para a educação política. . em uníssono. o autor procura diagnosticar a relação estabelecida entre filosofia e imprensa escrita. de um senso crítico aguçado para interpretar o mundo à volta. sobre o modo como o espraiamento da filosofia na cultura oscila entre a banalização do seu rigor e a necessidade de um cultivo.157). ora orientados pela Escola de Frankfurt. nos EUA. 44 de indústria cultural e autonomia do sujeito. seja com a pedagogia e com a arte. Assim. Contudo. quando adequadamente alcançados. em consonância com os diferentes interesses econômicos. ou mesmo na filosofia contemporânea. políticos e ideológicos que estão em jogo nessa relação. Lou Marinoff. no Brasil. apoiada numa espécie de discurso histórico-essencialista de uma filosofia originária da Antiguidade grega. Lúcio Packter.

uma sociedade onde o conhecimento fosse a salvação. ficar à mercê dos monopólios do conhecimento. Nesse sentido. que a relação entre pensamento e mídia poderia ser compreendida. 2009/2010). em outras palavras. por um lado. entendendo que. responde Foucault: “de canais estreitos. “não deveria haver. no mínimo. o problema que se apresenta à atualidade intelectual e comunicacional. por outro. se aquilo que se populariza é a verdadeira filosofia ou não — mesmo que ambos os juízos encontrem legitimidade na própria história da filosofia.304). segundo Foucault. os meios de informação. seria o de multiplicar os “canais. continua Foucault. é possível admitir. quase monopolistas. o que nos interessa interrogar diz respeito aos jogos de veridicção/subjetivação que vêm sendo levados a cabo em nome da prática filosófica. Tendo em mente o fato de que nosso problema investigativo não reside no estatuto da mídia. HARA. misantrópicas. reservados seus tantos perigos. pedagogização: acerca da expertise filosófica Ainda que seja possível argumentar contra a ou em favor de uma presumida filosofia para as massas. de produção e de circulação de ideias. então. de perguntar se se trata de banalização ou proselitismo. 2007. a nosso ver.304). educação e pensamento não deveriam. De modo contrário à noção de mídia como falsificação ou manipulação. 2004. dialogando com a teorização foucaultiana.305). RANOYA. . De outro modo. Contudo. 45 Popularização. bem como os efeitos governamentalizadores aí testemunhados. As reclamações constantes contra os meios de comunicação e a própria cultura seriam queixas. as redes de televisão e de rádio. os jornais” (p. aqui. Isso não equivale a dizer. convém esclarecer que optamos por nos distanciar de algumas abordagens que. como campo de direito ao saber e de cultivo da inquietação. do que realmente se sofre? “De muito pouco”. 2009. as vias de acesso. essa informação à qual se é submisso” (p. ou seja. que se deveria instalar uma “sociedade sábia” ou. governamentalização. optamos pela problematização de sua popularização com um objetivo diferente do que. nessa relação. toma lugar toda sorte de estratégias ético-políticas. insuficientes” (p. não se trata. a reboque do próprio Foucault (2008e). Meios de comunicação. GROHMANN. dos meios oficiais de informação. espaço de mútua interpelação. DITTRICH. essa formação à qual nos submetemos e. mas nas investidas popularizadoras aí verificadas a título de trabalho filosófico. se viu até o momento tanto no âmbito acadêmico quanto no jornalístico. Face à abundância de coisas por saber. compreendem a mídia como um dispositivo de controle e de alienação (LOPEZ. afunilados. Assim.

teriam se acomodado historicamente como práticas laicas de direção de consciência (2000. 2000). por meio de técnicas de “monetarização. A qualidade do saber qualifica o governo (2011d. [. oriundas e difundidas pela pastoral cristã à época do início da modernidade. tanto pela esquerda quanto pela direita. As artes de governar pela verdade. com sua preocupação com a saúde da população. tradução nossa). 46 Julgamos. p. um acirramento dos jogos de governo de si e dos outros por meio dos saberes. Segundo Nikolas Rose (1993). que tal popularização faz coro com um processo distinto.307).171). aumento dos poderes dos consumidores. cujos abusos de autoridade foram duramente criticados ao longo do século XX. o poder começou a ser exercido por meio da intervenção de um certo saber governamental. econômicas. — vêm sofrendo deslocamentos nas últimas décadas. ligado à racionalização dos discursos políticos. Segundo Foucault. Tendo em mente que a circulação e a discussão pública de ideias na modernidade datam do século XVIII. com o final do absolutismo. humanas passam por um verdadeiro renascimento.. ambas atreladas à governamentalização da sociedade (FOUCAULT. mas por relações específicas com a verdade. p. nos últimos três séculos. pois os dirigentes sabem que não se pode governar sem um saber. morais e científicos sobre a vida. Não obstante. que abarca conhecimentos dos processos econômicos. estes perpetram.. tais jogos de governo de si e dos outros nos séculos XIX e XX — subsumidos na ação do que se conveniou designar Estado do bem-estar social. Nas últimas décadas daquele século. por sua vez.295. A governamentalização do espaço social apregoada por Foucault descreve um conjunto de práticas em um determinado período histórico marcado por formas de governar os homens não mais a partir de um poder soberano. cujo fim seria a salvação daqueles que se conformassem a tais discursos. temos testemunhado. . assim. da racionalização da experiência. de outro modo. sua educação etc. contabilidade financeira e auditorias” (p. Trata-se de um mecanismo implacável dos jogos de (auto)governo. sociais e demográficos. nas sociedades ditas liberais avançadas ou neoliberais. mercadologização. Poderíamos designá-lo como donatário da popularização dos saberes ou.] As ciências políticas. a proposição desses jogos não estaria mais exclusivamente a cargo do Estado. viram-se transformar essas críticas em novas estratégias de governo aliadas aos já tradicionais modos de disciplinamento e de monitoramento. uma atitude de sujeição.

2008. mas cultivar certa atitude crítica. No caso das análises dos discursos midiáticos. não em termos de ideologia ou manipulação. No caso das produções culturais. foi possível detectar o fato de que ora eles examinam as questões mercadológicas (RODRIGUES. 2001. de modo a não simplificar ou oferecer soluções rápidas aos problemas do presente. fornecendo-lhes técnicas e conhecimentos variados para que eles próprios se responsabilizem pelo governo de si mesmos. insinuando as razões para tal. foi possível perceber a pronunciada diferença entre divulgação e popularização. 2011). O que se vê aqui. segundo Rose. SANTIAGO. portanto. 2012). Assim. é uma espécie de transferência da autoridade de governar a vida para uma série de práticas não estatais. as quais vêm assumindo o papel de regulação da conduta humana — papel incorporado na figura dos experts. pela qual alguns autores distinguem qual seria a verdadeira filosofia. uma análise dos mecanismos de governo da conduta por meio da relação entre discursos. pelo prisma da governamentalidade. CORDEIRO. As exceções residem nas considerações de Orichio (2006). com certa predominância desta última abordagem. A popularização da filosofia como um espraiamento ou uma variação das artes de direção de consciência por intermédio da mídia contemporânea pode. reversível (FOUCAULT. já que as produções que elencamos como popularizadoras carregam consigo um apelo redentor. então. 2011. ora eles a reprovam (SILVA. ora promovem a utilidade da popularização da filosofia (FALCÃO. 2012. 47 O que salta à vista. então. segundo Foucault. valores morais e constituição de subjetividades evidenciaria os efeitos de poder que certa prática filosófica poderia produzir. mas como uma luta perene na constituição de um tipo específico de sujeito-cidadão. transformável. Daí que. 2006a): incitação de condutas e não opressão das mesmas. os quais teriam a responsabilidade de instruir os cidadãos. . 2011). os quais mantêm certa distância em relação ao que está em jogo nessas produções: uma análise da composição do cenário da popularização. 2012). Safatle (2006) e Gagnebin (apud AQUILES. CARDOSO. é a autoridade sendo paulatinamente deslocada da esfera do Estado para um rol de especialistas sociais. de situar as relações entre política e ética ou entre veridicção e subjetivação como um campo estratégico móvel. FEITOSA. paciente e rigoroso e as experiências cotidianas. fazendo do pensar uma prática moralizante e prescritiva que se coaduna com os preceitos morais em voga. a nosso ver. tratar-se-ia. na qual ensejam uma possível reconciliação entre pensamento erudito. ser problematizada.

Desta feita. Exemplo disso é a iniciativa de filósofos como Alain de Botton. parece ignorar outra vertente da prática filosófica — não a eminentemente criadora ou transformadora. 2012). 2006). Rodrigues (2012) e Gagnebin (apud AQUILES. 2011. tendendo para uma abordagem pragmática. excluindo termos extremamente técnicos. atitudes profícuas para a compreensão de nosso presente. p.82). talvez seja possível supor que a expertise do como se deveria viver redundaria no imperativo do como se deve governar a si mesmo. . de formação básica e indispensável para o futuro (LOPES. Tais condições da popularização deixam claras as tendências mercadológicas dessas iniciativas. 2006. 2011). ora ela é legítima (FEITOSA. Claro está que cada autor busca atribuir legitimidade à filosofia próxima ao cotidiano como meio de defender determinados tipos de trabalhos filosóficos. 2001. Ademais. 2011) ou de um trabalho criativo e artístico (ZORDAN. que aparece tanto em certos artigos jornalísticos e acadêmicos como nas produções culturais notadamente popularizadoras. desponta na maioria das vezes uma abordagem mais ajuizadora: ora a popularização é repreensível12 (PECHULA. mas aquela que opera como desconstrução. sejam eles na forma de pedagogia cultural (SANCHES. Um aporte pragmático com interesses econômicos. Tal defesa da legitimidade. 48 Quanto aos discursos acadêmicos. Essas iniciativas filosóficas acompanhadas dos termos como “popularização”. Segundo o primeiro. repletos de referências aos grandes pensadores [para] nos ensinar a viver melhor” (VENTICINQUE. como atestam Silva (2011). LOPES. suspensão de juízos. de uma retomada histórica clássica do que é a filosofia. parecem-nos voltadas principalmente para a acessibilidade da filosofia a partir de dois princípios: econômico e de linguagem. em oferecer “textos de autoajuda leves e eruditos. Evocando algumas variações de nomenclatura adotada 12 Aqui. seria forçoso reconhecer no advento da popularização da filosofia indícios inequívocos do processo de governamentalização social descrito por Foucault e atualizado por Rose. 2011). distanciamento analítico-crítico. 2007). o artigo de Silva (2011) corrobora tal abordagem repreensiva. apresentada em matéria de 2012 da revista Época. SANCHES. valendo-se. a acessibilidade de acordo com o segundo princípio visaria oferecer um conteúdo cuja linguagem não fosse especializada. “populares” ou mesmo “pop”. 2012. bem como indicam a proposta de uma forma de erudição leve e de ascese pessoal cotidiana. portanto. buscar-se-ia oferecer livros e obras de baixo custo. também ele. ZORDAN. a nosso ver.

portanto. livre e global. Intitulada A escola da vida — nome também de sua escola londrina de filosofia —. o discurso filosófico despontar como algo sólido e. Seria o caso. portanto. políticas públicas. quanto na descrição dessa mesma realidade como incerta e cambiante. benéfico. ao se espraiarem para além das fronteiras das instituições que historicamente as delimitavam. em seguida. 49 para esse tipo de literatura. os filósofos passaram a figurar como atores sociais autorizados a emitir uma gama de juízos sobre os mais variados problemas sociais. essa parece ser o tom discursivo dominante. fazer surgir suas singularidades. de. vêm se convertendo em imperativos seculares de responsabilização e de ajustamento corretivo dos indivíduos por eles mesmos. a cargo de especialistas de diferentes áreas e organizada pelo filósofo suíço. ajuizando comportamentos pessoais. Em suma. por conseguinte. salvo as exceções já apontadas. Segundo o pensador francês Jacques Rancière (2002). uma lógica produtiva de crise-salvação. não obstante se proclame criativa. assim. De modo geral. como lifestyle design ou psicologia aplicada. antecipando tais . alardeado desde a mídia até a universidade. trata- se de um complexo discursivo que converte o discurso filosófico em matriz de experiências relacionadas a uma formação individual intensamente regulada. segundo os valores da época. finda por produzir um modo pedagogizado e pedagogizante de se apropriar do trabalho do pensamento. Tal performatividade. a coleção oferece títulos sugestivos que vão desde Como encontrar o trabalho de sua vida a Como pensar mais sobre sexo. Como vimos. Mais especificamente. educacionais etc. em certa concepção psicopedagógica do indivíduo como instância psicológica dotada de consciência autônoma e imbuída da responsabilidade de autocorreção. a reboque das múltiplas diretrizes oferecidas pelos especialistas sociais. para. analisando e prescrevendo condutas. de viés utilitarista e supostamente democratizante. a matéria apresenta uma nova coleção de livros. conferir destaque à sua performatividade e. parece-nos que a singularidade dos discursos acerca da popularização apoia-se tanto na alegação de que a filosofia acadêmica estaria apartada da realidade cultural. Algo semelhante parece ocorrer com outras práticas afins — com destaque para as práticas educacionais de timbre não formal — que. Nas publicações e aparições midiáticas aqui escrutinadas. Essa formação de si mesmo calca-se. ao se problematizar a popularização da filosofia. assim.

converter-se- ia. findam por exercer a função de pastores de uma tal boa consciência. Afiliamo-nos à concepção foucaultiana de filosofia como. segundo a qual este não teria “de ser procurado somente em formulações teóricas.p). 50 implicações. O problema em tela reside. psicólogos. como assevera Rancière. ele pode e deve ser analisado em todas as maneiras de dizer. participativa etc. parafraseando Foucault (2014c). então. atividade do pensamento sobre si mesmo (2006b). para nos ensinar a cuidar bem de nosso eu e a viver harmoniosamente a vida (s. Ao contrário. p. Dito isso. então. Nos jogos contemporâneos de governo de si e dos outros. como um especialista que deve incitar o sujeito a se adequar aos preceitos vigentes. . agora terrena. em um mero funcionário da verdade. mas possivelmente menos aguerridas. democracia e formação continuada convertem-se em diretivas morais. de se conduzir” (FOUCAULT. cidadã. a nosso ver.209). Talvez não menos perigosas. em centenas de revistas e programas de TV. tal como o projeto humanista de formação com vistas à autorrealização do sujeito de modo racional. médicos. o filósofo desponta. no caráter do trabalho filosófico quando convertido em uma expertise ancorada num tipo de autoridade atribuída ao filósofo. que exerceu grande influência sobre Foucault em sua formação acadêmica. de fazer. Ao fazê-lo. higienistas. sem questioná-los. ele seria consagrado como farol de supostos valores morais. para quem. ou diríamos mesmo para a qual só serve a matéria que lhe for estranha” (p. a filosofia popularizada seria a repetição do “refrão midiático do cuidado de si no cotidiano”. ao fim e ao cabo. Para Georges Canguilhem (1995). autônomo e evolutivo. inscrevendo-se na infinidade de recomendações que nos fazem. fomentando e reiterando alguns princípios ético-políticos dominantes da modernidade. estaria assegurada uma felicidade. nutricionistas e outros. as produções popularizadas da filosofia estariam. bem como de modos mais apropriados ou convenientes de interpretação do próprio presente. 2014d. estritamente. a seu modo. na esteira da qual cidadania. outrora transcendente e teológica. sua atuação bem definida: aliando-se a práticas corretivas e terapêuticas. convém relembrar que não se trata aqui de rechaçar o trabalho filosófico quando debruçado sobre questões mundanas. a partir dessa atribuição.15). a própria definição de filosofia evidencia sua relação com coisas alheias à sua realidade instituída: ela “é uma reflexão para a qual qualquer matéria estranha serve. A filosofia e o filósofo popularizados passam a ter. como as da filosofia ou da ciência.

logrando. daquilo que é adquirido como verdadeiro. 51 Daí o fato de o encontro entre filosofia e mídia levar-nos. deslocar e transformar os parâmetros pelos quais pensamos. por sua vez. invisibilizadas que são por sua circulação e justificação constantes. p. hoje e mais uma vez. retomar a avaliação das regras e das instituições e. modificando os valores recebidos e todo o trabalho que se faz para pensar de outra maneira. resguardado seu raio de ação no interior de uma área específica de atuação. é uma conjunção complexa entre pesquisas e movimentos sociais que põe em questão os modos como nos relacionamos com a verdade e a maneira que nos conduzimos eticamente a partir dela. Seria preciso. sacudir os hábitos. dissipar as familiaridades aceitas. a partir dessa nova problematização (na qual ele desempenha seu trabalho específico de intelectual). jamais deveria se avizinhar à moldagem da vontade política alheia.305): afastar-se. então. pleitearmos qualquer espécie de gesto diretivo ou de selo de porta-voz de uma suposta essencialidade da filosofia e sua tarefa. findariam por extrapolar seu campo de conhecimento. oferecer uma mirada sumária sobre os deslocamentos da atividade filosófica em meio ao contexto de midiatização/pedagogização da sociedade com o propósito de tomar certa distância do nosso presente. no presente texto. cujas lutas locais. Estar no cerne desse jogo seria a “própria vida da filosofia” (p. mas o investigador da relação entre o indivíduo e a verdade. por uma série de esforços. nem à prescrição de como se deveria viver.306). acrescentar uma pergunta com implicações ético-políticas para o filósofo: “se esta é a relação que temos com a verdade. como devemos nos conduzir?” (p. o trabalho intelectual. Ao contrário. no entanto. através das análises que faz nos campos que são os seus. . o papel do filosofo como intelectual. p. diagnosticar certas forças discursivas em jogo no presente. contudo. poderia restringir-se a não ser o juiz do verdadeiro e do falso. intentamos. o de interrogar novamente as evidências e os postulados. Segundo o próprio Foucault (2014a).306). seu trabalho seria. O que está em jogo. aqui. as maneiras de fazer e pensar. Não uma filosofia soberana. a indagar sobre o papel do intelectual-filósofo na sociedade. Nessa perspectiva. mas uma “filosofia em atividade” (2008e. quiçá.259). sem. Em tal contexto pedagógico-midiático. participar da formação de uma vontade política (na qual ele tem seu papel de cidadão a desempenhar) (2006d.

difusos e relacionam-se uns com os outros. para um horizonte intelectivo consensual e apaziguante. práticas e atores filosóficos tão díspares parecem convergir. o filósofo pop. a convocação. a difusão e a convivência de teorias. a popularização da filosofia significaria. que nesse processo de popularização atuam forças e interesses tão diversos politicamente quanto longínquos cronologicamente. foi-nos possível perceber que os artefatos e os atores correlacionados à popularização são múltiplos. estabelecendo alianças com tantas outras práticas sociais quanto possíveis. valores morais. no entanto. Até aqui. das colunas semanais. então. dos programas midiáticos e livros de preceitos customizados. como a arte. interesses econômicos. Esta. os discursos filosóficos popularizados. Podemos conjeturar. o empreendedorismo e a pedagogia moderna. Destarte. Se. insuspeita. tornam-se incapazes de se furtar à prescrição de valores morais. seja para associarem-se. num mundo tido como incerto e em crise permanente. por um lado. pôr em jogo determinados modos de pensar. Na ânsia de assegurar um controle utópico sobre o viver. 52 Ora. mesmo procurando identificar suas particularidades em meio a tantas outras práticas sociais para que. seu foco de atuação. a despeito de terem o presente como seu problema analítico e. relegando o trabalho crítico e criativo à condição de pastor ordeiro de uma vida. seja para recusarem-se. por exemplo. aproxima-se do cotidiano das pessoas ao oferecer fórmulas de (auto)governo como exercício de liberdade cívica. abrigando-se na confortável condição de benesse formativa ou de commodity cultural de aspiração redentora. por outro. preceitos pragmáticos. impopular. ele findaria por arrefecer a tarefa crítica inerente ao gesto analítico (FOUCAULT. reluta intempestiva. dos romances. Em última instância. Reproblematizando: a função pública do filósofo na mídia Após embrenharmo-nos nas variadas formas popularizadas de fazer filosofia. concomitantemente. numa tentativa paradoxal e explícita de festejo da multiplicidade e da diversidade democráticas. agora. A filosofia e o filósofo popularizados. dirigem-se a ele mais como um terreno fértil para semearem verdades inexoráveis do que como um solo minado por certezas frágeis e. 2000). sob o manto pragmático da popularização. enfim. Tal processo envolve. no limite. tornar operatórios regimes de inteligibilidades para . embota-se a capacidade do pensamento de se impacientar consigo próprio. a psicanálise. acabam por se confundir com essas mesmas práticas de timbre utilitarista. retomem sua alegada utilidade social. disparatadas.

os acadêmicos. do jogo da condução de conduta. então. posicionar-se e de argumentar sobre alguma teoria ou acontecimento em um veículo midiático. os pop. Se o nosso problema está voltado para rever o papel do pensador ante seu presente. históricos e conceituais que se referem à publicação de algum livro ou à efeméride de algum autor ou acontecimento. teorias e modos de enunciação. É claro que não iremos ver professores de filosofia contrários à popularização fazendo programas de TV temáticos sobre dado assunto. impreterivelmente. Muitos deles. que estão em voga na atuação do filósofo quando este aparece na mídia? . Antes de figurar de modo antagônico em relação às práticas de ensino de filosofia nas universidades. aliás. analisadas neste capítulo. Algo como uma expertise filosófica desponta na atualidade. o filósofo participa. diríamos até. encontra lugar na mídia em geral. contudo. dada a tamanha visibilidade que sua atividade angariou nas últimas décadas. assim. Vale destacar. seria o caso de estudarmos mais detidamente como tais forças se configuram para subjetivar a atuação do filósofo: quais seriam as estratégias discursivas. desempenhando um papel de intelectual público. entre objetos. Exercendo esse papel de defender. Seria necessário. Contudo. prosseguir em nossa análise de modo a destrinchar as atividades dos filósofos a fim de melhor vislumbrar as relações entre veridicção e subjetivação que tal expertise suscita. conceitos. que a maioria das vertentes da popularização da filosofia. a nosso ver. Não só pela Universidade. o trabalho do filósofo vê-se atravessado por todas essas vertentes da popularização de sua atividade: os contra e os a favor. temas. nas filosofias engajadas teoricamente ou naquelas que atribuem a si próprias a tarefa de descoberta de verdades universais. entrincheirado. um acirramento dos efeitos normativos que podem ser observados na academia. o filósofo contemporâneo entrincheirado. tratando de assuntos temáticos. pela própria demanda de uma população por orientação e respostas aos seus problemas. É possível ver. observamos muitos deles divulgando sua obra. Disseminado como mais um especialista social na trama dos saberes e afazeres cotidianos. mas pela própria circulação bibliográfica e midiática. 53 a interpretação e a intervenção na realidade. a popularização acarreta. publicam sua opinião sobre um dado assunto quando seu conhecimento é solicitado. fazendo resenhas sobre outros livros. os terapeutas etc. É fazer vingar um modo de ver e pensar o mundo.

os sujeitos. conformam. agora. Nossa tentativa é a de vislumbrar a atividade filosófica por meio da materialidade mesma da luta de forças do pensamento. seus modos de ver. aportando na análise das intervenções dos filósofos. valores e interesses variados que rondam a sua tarefa mais eminente: a de pensar e escrever sobre o mundo — sobre seu mundo e o dos outros. a partir dos pares poder/resistência. Ver-se-á que tal atividade tampouco é homogênea ou mesmo constante. [. nesse ponto e em outros. 54 Relembremos que não se pretende ver tal jogo pela abordagem coercitiva. O capítulo está divido em duas grandes seções: a primeira trata da apresentação. da justificativa e da descrição do método. . tenha se utilizado do conhecimento (e do desconhecimento!) como um simples instrumento.] todo impulso ambiciona dominar: e portanto procura filosofar (NIETZSCHE. dizer e viver o mundo. dominação/libertação. trata-se de uma problematização do filósofo e/ou do pensador atual por meio do jogo de impulsos. suas formas de relação com os outros. No próximo capítulo justificaremos e descreveremos a empiria eleita para o nosso trabalho — uma publicação que estaria próxima do estrato (para)didático —. em meio ao teatro de suas verdades. criam etc. Não pressupomos que por trás destas haveria um impulso ao conhecimento. a partir das revistas culturais. suposto pai de toda filosofia. será a de vislumbrar a relação entre o filósofo e a mídia. mas sim que um outro impulso. Mais detidamente. 2006b.. a segunda trata da apresentação e da descrição da revista.12-13). excluem. bem como apresentaremos o método com o qual nos inspiramos para analisá-la.. tanto para si quanto para os outros. Nossa intenção. definem. concentrar-nos-emos no desempenho do filósofo como intelectual público a partir do modo como ele analisa o presente. p. Tal como em Nietzsche. Tais dualidades camuflam um estudo positivo dos procedimentos que descrevem.

as possíveis semelhanças e diferenças. bem como algumas das produções culturais analisadas. mais difundido. nem tampouco o fenômeno da popularização em si. quais seriam as . imanente aos seus escritos. 55 III. a tendência da psicopedagogização da filosofia quando de sua popularização — em um terreno tanto mais conciso quanto menos difuso. tomam parte desse movimento mais geral. John Cage A despeito de termos conjeturado acerca de certa expertise filosófica no cenário sociocultural brasileiro. é bastante claro que nada sei. termos constatado uma popularização da filosofia com certa configuração difusa de sua prática impele-nos. como os filósofos contrários ou distantes das práticas que aligeiram a filosofia. dispõe valores morais e códigos de conduta no interior de jogos de forças e entre interpretações de mundo. homogêneo e espraiado em todas as diferentes produções culturais? Tanto os filósofos que produziram algo da ordem de uma filosofia popularizada. que é o da intervenção dos filósofos na mídia. O fato de. entre as distinções que fizemos acerca das produções de divulgação e de popularização. passaria a não mais indagar pelas produções e práticas popularizantes. mas quando estou trabalhando. portanto. a indagar: será que tal expertise se resumiria ao campo das produções próprias ao que nomeamos “popularização”? Seria conveniente imaginar que tal configuração pudesse ser algo generalizado. falta-nos ainda pôr à prova nossa hipótese — a saber. Como nossa intenção não é ajuizar ou mesmo denunciar. em algo como a função pública do filósofo. Além disso. ela exemplifica um flanco de práticas que difundem e apregoam certo modo de pensamento corretivo/adaptativo ou mesmo denunciador/ajuizador. nas últimas décadas. FRAGMENTOS DE UM DISCURSO FILOSÓFICO: PARA UMA ARQUEOLOGIA DOS ENUNCIADOS DE FILÓSOFOS NA REVISTA CULT (1997-2013) Tudo o que sei sobre método é que quando eu não estou trabalhando. Isso por julgarmos que o problema não é tanto a plataforma material onde ela ocorre. por prudência. agora. Um problema que residiria. é-nos importante conjeturar quais seriam. Parece-nos que a argumentação acerca da popularização. Nossa análise. às vezes penso que sei alguma coisa. mas pelo que vem sendo feito pelos filósofos em suas aparições midiáticas.

A primeira razão reside na consideração desse estrato — que contempla os livros paradidáticos. que gira em torno da produção. Se há uma espécie de configuração discursiva aliançando pedagogia e saberes “psi” no discurso filosófico — caracterizando-se como uma espécie de expertise filosófica. 2010c). entre educação e cultura. competir-nos-ia aprofundar tal hipótese a partir da análise de textos pertencentes a um dos estratos mais espraiados segundo nossa categorização: o estrato assim definido como (para)didático. Uma segunda razão seria a emergente relação que se estabeleceu. e não mais apenas dos universais e de sua história. os guias propedêuticos e as revistas culturais e específicas — como um cruzamento entre as práticas educacionais e informacionais. almejando certa melhoria do ser humano —. se instituiu entre informação e conhecimento. 2010e). continuamente vemos investimentos intelectuais. da difusão e da reflexão pela qual o pensamento ocupa-se dos seus limites e de sua função no tempo presente. desde a modernidade ocidental. da circulação de panfletos e novelas filosóficas em folhetins. seria o caso de averiguarmos o que tais filósofos têm escrito na mídia quando não pretenderam. É nessa relação que os contornos do papel dos intelectuais modernos se constituíram: profissionais de algum campo do conhecimento . 2000. Tal relação sugere o espraiamento das práticas educacionais. no qual filosofia. Como exemplo. da aparição da prensa gráfica de Gutemberg e da Enciclopédia dos iluministas. Em última instância. mas dariam forma a todo tipo de instituição e produtos culturais. por meio dos quais diversos especialistas enunciam juízos. Nessas publicações. de cunho formativo. em nossa sociedade. 56 prováveis intercessões entre esses modos de abordagem da filosofia. políticos e econômicos na elaboração de discursos que circulam acerca da sociedade. ponderando sobre as fronteiras frágeis dessa distinção um tanto lacônica que propusemos. análises e pareceres sobre os mais variados assuntos. estritamente. Nessa época há uma relação nebulosa entre jornalismo e filosofia. bem como o célebre texto de Immanuel Kant e o debate em torno do conceito de esclarecimento (FOUCAULT. pois não estariam mais restritas às instituições propriamente pedagógicas. Duas razões nos levaram a tal escolha. Tal cruzamento nos é importante pela relação intrínseca que. destacaram-se as produções híbridas de filósofos que flertavam com o teatro e com a literatura. educação e informação parecem se confundir. popularizar a prática sob sua alçada. entre filosofia e jornalismo (FOUCAULT. da possibilidade do debate público de ideias. nomeadas como não formais. corretivo e moralizante. Época de efervescência política e filosófica.

A CarosAmigos. publicada pela Editora Casa Amarela. de Jostein Gaardner. mais ou menos regulares. a Editora 17. as revistas culturais ou revistas de cultura vêm sendo. Bravo! e CULT. Dessa maneira. que passou a ter o subtítulo Revista Brasileira de Cultura. da política e do social. Primeiramente. estipulamos que o marco histórico adequado seria o ano de 1997. adquiriu a revista. viram-se despontar algumas das principais revistas de cultura brasileiras pós-ditadura: CarosAmigos. um pensamento não estacionário. quando encerrou suas atividades. apenas após os anos de chumbo do regime militar. Dito isso. esteve sob a direção da Editora Lemos e seu subtítulo era Revista Brasileira de Literatura. para o Brasil. No entanto. pode-se dizer que a história da revista CULT também divide-se em dois momentos. Assim como neste último caso. mas ativo. lócus de produção intelectual e crítica cultural desde o Estado Novo. pelas aparições de filósofos que escrevem nelas. a Editora 17 é renomeada como Editora Bregantini. na década de 1930. de propriedade de Daysi Bregantini. ampliando a abrangência dos conteúdos vinculados. pois tratam geralmente de algum assunto relativo ao tempo presente — este. Se tomamos como marco histórico para a popularização da filosofia num âmbito internacional o ano de 1991. 57 emitindo opiniões sobre algum assunto de interesse geral. essas três revistas culturais visam (ou visavam) a um debate acerca da realidade cultural. o privilégio dado à literatura era evidente. O primeiro momento. por ora. veiculando matérias e artigos sobre e/ou de filósofos. de julho de 1997 a abril de 2002. Nela. teve seu lançamento em abril de 1997 e ainda circula mensalmente. Dito isso. que. algumas razões nortearam nossa escolha por uma revista cultural como a CULT. com a publicação do livro O mundo de Sofia. pós-1988. muitas vezes distinto de seu próprio campo de atuação. o que nos interessou foram as revistas culturais mais afeitas à divulgação e ao debate de ideais e temas não específicos ao campo da filosofia. Apesar de não serem dedicadas exclusivamente à filosofia. anterior aos discursos sobre a popularização (que começam a surgir por volta do ano 2000) e bem anterior às publicações especializadas em filosofia. tão caro à discussão em pauta e a nós mesmos. Em maio de 2002. escrevemos. é que o . A Bravo! foi publicada pela Editora D’Ávila entre outubro de 1997 e fevereiro de 2004. no Brasil. acarretam. e pela Editora Abril entre março de 2004 e julho de 2013. A partir de 2005. as publicações no campo dos (para)didáticos. no interior desse estrato. Nessa época em que consolidava-se a democracia brasileira e fortalecia-se a discursividade neoliberal nos domínios da economia.

58 cenário do que é chamado de jornalismo cultural vem tomando corpo na realidade brasileira. Segundo nossa perspectiva. divulgam e propõem — está ligada não à especificidade do público-alvo. ele possuiu uma diversidade de atores sociais. Interessam-nos tais implicações. a ação dos filósofos — o que escrevem. evidenciando. os hábitos. Por alguns anos. são como um termômetro do desejo do público. muitas vezes. obtém-se assim um maior alcance de seus conteúdos aliando uma concepção pedagógica ao entretenimento e à informação. Em jornais. os debates sobre as práticas. as revistas culturais têm. Nesse sentido. A quarta razão. bem como dinamizar o acesso. de modo geral. as reportagens. cujos interesses são diversificados. Tal dinâmica da produção de uma revista em todos os seus âmbitos evidencia também os efeitos de tais mudanças nas demandas do público em relação à filosofia — o que o público quer da filosofia? Se algo muda. enfim. os valores e as produções técnico-intelectuais vêm ocupando cada vez mais espaço. Assim. ocupava cargos públicos vinculados à cultura. As mudanças editoriais. mas à formação dessa diversidade. não de alienação. a socialite e . a reflexão sobre o que é dito como cultura ou. a dos intelectuais. a quantidade e o tempo de leitura. a que respondem as práticas filosóficas quando inseridas no mercado editorial. apontam para a proeminência do tema como um grande vetor de processos. Ou seja. tanto o público leigo como certo público especializado como alvo. Antonio Carlos Sartini. o jornalismo cultural parece tomar parte de um processo social entendido como pedagogia cultural (SANCHES. é para agradar o público. Em segundo lugar. suscitado pelo eminente avanço das práticas não formais de educação. a mudança de imagem. identidade. mas também pedagógico. sites e revistas especializadas. à época de sua ligação com a revista. refere-se à formação de seu corpo editorial. as revistas culturais são respostas tanto a demandas sociais de caráter geral quanto a demandas de uma parcela da sociedade. é porque agrada ao público. cunhadas por Theodor Adorno e Max Horkheimer. que. 2011). no caso da escolha da CULT. Com reportagens que pretendem maximizar as informações e ampliar o espectro de sua abrangência. vale reafirmar que essas revistas vêm preencher um nicho não apenas mercadológico. mas de subjetivação das condutas sociais. se ainda está em circulação. A própria ideia de cultura de massa ou de indústria cultural. A terceira razão: não importando se elas são de fato lidas ou não. seções. Uma das consequências disso é que elas só sobrevivem quando o público as compra. como o atual superintendente do Museu da Língua Portuguesa. em sua maioria.

tão somente seu desenlace. uma das revistas de cultura de maior tiragem no Brasil. educação e sociedade e. Cosette Alves. segundo o site da publicação. Nenhuma das enunciações que aqui se desenredam terá como finalidade o arremate do assunto. contabilizando 186 fascículos. não obstante concreta. antes. 2015). o diretor cultural do SESC-SP. imprecisa. o crítico literário e professor aposentado da USP. . Que fique clara nossa intenção de não totalizar ou acreditar numa verdade abrangente e totalizante. Afinada em certa medida com os discursos teórico- filosóficos. De largada. bem como analisar as características e as mudanças em torno das inserções dos filósofos na revista. Danilo Miranda. tem por finalidade uma visão microscópica. A análise dessa amostra. como se olhássemos pelo buraco de uma agulha (FOUCAULT. Ela é agora. após a extinção da Bravo!. sendo assinada por praticamente “todas as universidades e bibliotecas do país” (REVISTA CULT. desde 2003 a revista nunca deixou de ter seções especiais voltadas à filosofia e sempre contou com diretores editoriais ou colunistas filósofos. com um número aproximado de 35. seus atributos e contribuições para a presente investigação. das atividades dos filósofos. Apesar de revistas como a Bravo! ou mesmo a Filosofia Ciência & Vida possuírem grandes tiragens e serem. para analisar o processo de emergência e dispersão dos discursos e temas filosóficos.000 exemplares. contudo. queremos nos aproximar dos momentos anteriores a esse alegado momento de popularização. começando desde a fundação da revista CULT. cabe-nos argumentar acerca da escolha de nossa metodologia de trabalho. 59 ex-proprietária das lojas Mappin. Iremos nos ocupar de todas suas edições até dezembro de 2013. o par veridicção/subjetivação. por certo. 2010c) a relação que se estabelece entre filosofia. veículos de divulgação e/ou popularização da filosofia. João Alexandre Barbosa. nessa relação. e a agitadora cultural e esposa do político José Serra. É considerada. “a mais inteligente revista de cultura do Brasil”. Monica Allende Serra. antes de imergirmos na análise propriamente dita. até os dias de hoje. De tal modo. em 1997. a respeito do que aqui se configurou. o professor e filósofo Mario Sergio Cortella. admitamos: o estudo dos escritos de filósofos na CULT é apenas uma amostra. elas mesmas.

sobre o que chamou ora de regimes de verdade ou economia política da verdade (2014a). dissimulados por uma traiçoeira familiaridade que beira à transparência. Foucault afirma ter se debruçado. Os discursos para os indivíduos seriam. interpretada e constituída por determinados discursos. Eles não teriam como função alienar ou mentir para o indivíduo acerca de sua realidade.19). em cada época. sem história.33). como prêmio ou promessa para poucos.a. Aqueles ignorariam muitas vezes a existência contingencial destes.33). imagens. os tipos de discursos que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros. os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros ou falsos. as mesmas verdades que poderiam nos fazer “sorrir um século mais tarde” (p. para descrever os indivíduos encerrados em seus próprios discursos em uma dada época. Em oposição à crença de uma verdade transcendente. os discursos verdadeiros ou as formas de veridicção passam a ser compreendidas como um arranjo instável e complexo de imposições. a maneira como se sancionam uns e outros. seus coetâneos. sejam os dos dominantes quanto os dos dominados. “os homens tiveram a percepção de todas as coisas. por via de regra. Estabelecer a relação entre verdade e subjetividade dessa maneira é evidenciar . O método em questão: a arqueologia como atividade histórico-política Como peixes num aquário. Nossa experiência não consegue discordar de Veyne: os discursos que nos rodeiam passam por verdadeiros para nós. p. em uma dada época. De toda maneira. tal regime político-econômico dos discursos consiste nos modos pelos quais uma sociedade define. tanto no ato de sua emissão como passados muitos séculos depois de seu aparecimento. dado que a própria realidade é ela mesma vista. retóricas. 60 III. o estatuto dos que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro (2014a. pensaram e agiram” (p. Paul Veyne (2009). ora de política de verdade (2000). as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade. Somente as transformações no decorrer do tempo permitir-nos-iam entrever que geralmente falamos “conforme o que se admite ser verdade”. então. desejos que produzem e organizam o modo como sentimos. como lentes através das quais. oferecida pelo historiador e parceiro intelectual de Foucault. Esta é a celebre tradução possível. pensamos e vivemos. Obcecado pelo fato de as palavras em forma de discursos existirem e de continuarem a circular e a exercer certas funções em nossa realidade.

Para organizar e descrever nossa massa discursiva produzida sob o bastião da filosofia inspiramo-nos na atividade da arqueogenealogia. meses. 1968/2010d. Dada a relação imanente entre verdade/subjetividade. Já em 1966. os movimentos de acumulação e de saturação lentos. tributária das análises nietzschianas. há séculos. de uma história feita pela Escola dos Annales ou de uma história das . por assim dizer. características. 1969/2009a. em certo sentido.. semanas. por exemplo. 2010b. adotamos a arqueologia como não sendo efetivamente uma história. 61 as relações reversíveis entre desejo e inteligibilidade como alvos de disputas e embates que compreendem numerosas configurações de forças. Para delimitar melhor o modo como nos apropriamos dessa atividade. 1969/2014b. combinam-se. Foucault teria dito que. A princípio. 1969/2008c. as quais. invisibilizados que estão por sua notável propagação ou enaltecidos como possíveis interpretações indiscutíveis e obrigatórias sobre o homem e o mundo. por um espanto diante da existência de discursos que circulam. também somos assolados por certo espanto em face de uma massa discursiva que se acumula sob nossos pés. seu modo de constituição” (p.. assim como as condições desse pensamento. Ela não procuraria determinar longos períodos. precisamos demarcá-la em relação às diferentes teorias e metodologias de trabalho com as quais concorria a empreitada foucaultiana à sua época. Foucault (2008a) afirmava que o filósofo poderia desempenhar o papel de arqueólogo. tal como era praticada por diferentes vertentes clássicas no século XX.35). os processos irreversíveis. “não somos nada além do que aquilo que foi dito. por fim. tal como Foucault a apresentou ao longo de alguns escritos até os meados da década 1970 (em ordem cronológica da publicação original: 1967/2008b. tal noção foi se compondo como uma atividade histórico-política (2003). O desígnio dessa atividade resumia-se. 1974/2003. ora discutidos até a exaustão. cuja forma de análise histórica dos discursos implicava questionamentos políticos para o tempo presente. ao modo foucaultiano. De modo mais específico. nosso gesto metodológico-analítico aprofundou-se nas preocupações deflagradas pela atividade propriamente arqueológica. desaparecem e subsistem no interior das relações sociais. os equilíbrios estáveis. ora de modo retrospectivo. ora passando despercebidos. que “estuda o espaço no qual se desdobra o pensamento. Ora de modo prospectivo. a apenas um: saber o que somos hoje. p. Tal circulação diuturna dos discursos não passa incólume em nossa existência. consubstanciam-se nas experiências possíveis de um indivíduo.” (FOUCAULT. 1978/2010b). e empregada e desenvolvida por Foucault ao largo de sua obra. ao menos.258).

É nesse sentido. baseada no mito de uma subjetividade originária e constituinte. A arqueologia foucaultiana. Foucault confeccionou suas pesquisas a partir dos limites próprios de cada corrente: limite da fenomenologia. Poder-se-ia dizer. Nas palavras de Frédéric Gros (2012). ainda. aos deslocamentos e transformações. caracterizava-se mais pela descrição dos fenômenos de rupturas. que Foucault aproximou-se dos estudos filosóficos tributários de Nietzsche. quanto das análises internas da estrutura. de oposição. limite. tradição anglo- saxônica de estudos linguísticos. 62 mentalidades. talvez a teoria que mais fez frente às pesquisas foucaultianas. incapaz de dar conta dos sistemas significantes na complexidade ordenada e rigorosa de suas articulações. de modo conciso. por um lado. o cenário intelectual desde o final do século XIX estava dominado pela fenomenologia e pelo marxismo. que se voltavam para a história como campo fértil de problematização para se desembaraçar de universais dogmatizantes. comprometidos com noções distantes de uma historicidade. por exemplo. com uma atenção aos atos e limiares epistemológicos. mas fazendo surgir as relações de implicação. ela se fez possível por uma reelaboração de algumas das principais noções que compõem esses tipos de investigação (2009a): a abordagem ao documento. às escalas micro e macroscópicas. Para Foucault. Esse tipo de análise histórica. cujos protestos humanistas escondiam mal a realidade sombria dos regimes comunistas (p. Caso quisesse escapar aos ditames de tais filosofias. pela recusa desses expedientes. A atividade arqueológica também se diferenciaria do que se conveniou chamar história das ideias. segundo Gros. Com seus anos de formação sob tal égide. do marxismo. no entanto. ou corroborar com as análises propostas em termos de estruturas. descrevendo os discursos não como grandes unidades homogêneas contínuas e coerentes entre si. que no marxismo. apesar de ter contado com suas contribuições. característica do estruturalismo — ambos.318). manteve-se apartada tanto de uma possível epistemologia histórica. e os temas ligados a uma concepção antropocêntrica da história. Por outro lado. além disso. seria o caso de praticar uma análise do sujeito que não estaria dissociada da história e de suas práticas de transformação. a relação da arqueologia com a prática da história se daria. as noções de continuidade e de descontinuidade. Desse modo. subsistiam ainda noções fundamentais a toda filosofia: o sujeito e a verdade como noções a-históricas. . de uma ciência ou de um texto literário. de exclusão entre eles (2008b). enfim. seria precisar aproximar-se ou da filosófica analítica.

No segundo caso. decompondo-os e reagrupando-os de acordo com critérios metodológicos convenientes ao problema de investigação. de filosofia. ora por uma passividade excludente dos processos de transformação. evidenciando as possíveis continuidades e descontinuidades de elementos que compõem uma série documental. desde as canônicas às consideradas não nobres (livros. Não se trataria de interpretá-los ou de determinar se dizem a verdade ou qual seria o seu valor expressivo. Na primeira. cuja caracterização ora se dá por um protagonismo onipresente na história. A intenção geral dessa abordagem seria. uma subjetividade unitária garantiria à história seu sentido evolutivo. No primeiro caso. livro. instituições. Noções antagônicas e igualmente relevantes. a análise em termos arqueológicos libertaria a história dos temas ligados a certo antropologismo ou superaria sua concepção antropocêntrica. mas se evidenciarão as condições de existência para que tal e tal coisa seja dita sob a alcunha. de forma independente e levando em conta a sua função à época. registros. Por meio delas. tão somente. mas como monumentos a serem descritos em sua materialidade e multiplicidade de inscrições. um fio condutor progressivo apontando uma finalidade das transformações históricas. Por último. 63 Primeiro. narrações. objetos. Nesse sentido.). pois levam em conta a complexidade de relações entre os diferentes discursos que comporiam uma série documental. obra.) são decompostas de acordo com outras categorias. as unidades de análise canonizadas pelas ciências humanas (como filosofia. a de desmonumentalizar os documentos: a um só tempo. . Na segunda. a noção de documento. pela descrição arqueológica não se pretende fazer falar um sujeito histórico. textos. regulamentos. medicina. economia. Tal procedimento colocaria em primeiro plano a autoridade e a arbitrariedade dos discursos: no nosso caso. Em oposição a isso. duas categorias estruturantes das análises históricas clássicas são postas em questão: a de teleologia e de unidade. abandona-se a suposição de que as análises históricas precisariam indicar um caminho evolutivo. as noções de continuidade e descontinuidade. edifícios. o sujeito estaria à mercê de um processo no qual é vítima de instâncias exteriores a ele. técnicas. trata-se de atribuir aos documentos um status singular dentro de uma dada sociedade. afinal. mas trabalhá-los e elaborá-los no sentido de conferir-lhes uma organização e um recorte próprios. tratar-se-ia a história como uma série de transformações. não se falará mais em filosofia para lhe atribuir certo status ao que é dito. por exemplo. Em seguida. costumes etc. atas. Foucault realiza uma crítica ao modo como a história interroga os documentos: não mais como rastros de uma memória trazida à vida. autor etc.

64 O indivíduo como um objeto transcendental e sua história como uma teleologia fundamental estariam na base de todo o projeto do humanismo moderno. de um acontecimento ou de um indivíduo. Ela tampouco teria parentesco com uma geologia e a escavação dos subsolos dos discursos. como sustenta o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr. a arqueologia não é absolutamente uma análise do discurso pela “descoberta de um começo ou a exposição à luz das ossadas do passado” (2014b.139).135). quanto pelas suas . o problema geral de Foucault em relação ao fazer histórico era o de “dissolver uma representação do homem como sujeito unitário consciente” (p. Ela debruça-se sobre a materialidade discursiva no sentido mais amplo: tanto pelas relações de superfície entre seus elementos — como os objetos. p. a descrição de suas atuações. seduções. mas pensarmos e nos colocarmos no interior de todas as peripécias dos corpos. do fundamento a partir do qual todo o resto seria possível” (FOUCAULT. indisposições. desejos. deslocamentos. a arqueologia não teria parentesco com a genealogia como um estudo dos começos e das sucessões. fraturas.146). p. Logo.52). como pergaminhos em que vêm se escrever e inscrever as memórias das múltiplas experiências que vivenciamos (p. 2008c. mais pela superfície e a exterioridade dos discursos. então. a qual remete ao termo arché — do grego. fazer história ao modo foucaultiano assemelhar-se-ia a compreender tanto o desenrolar dos acontecimentos quanto sua própria análise como um jogo ou uma luta de interpretações e ficções sobre nós e o mundo. É por conta de tais recusas e reelaborações da relação com a história que não devemos associar a arqueologia praticada por Foucault com sua definição etimológica. A atividade arqueológica interessa-se. São os corpos pensados como documentos. os temas e as teorias —.146). tentando “tornar visível o que só é invisível por estar muito na superfície das coisas” (2008c.92). com a qual se estudaria as “relações que seriam secretas.146). não buscando “reencontrar as raízes de nossa identidade” ou o “destino da continuidade histórica que permite nos explicar a nós mesmos no presente” (p. por meio dos quais não se buscaria reconstituir a identidade de um objeto. linguísticos ou semânticos. Em poucas palavras. choques. origem. mais silenciosas ou mais profundas do que a consciência dos homens” (p. atrações. “começo no sentido da origem primeira. Dito de outro modo. Assim. os conceitos. escondidas. princípio etc. (2004). a análise do que eles fazem e de como explicam o que fazem. Nas palavras da historiadora Margareth Rago (1993). p.

É a entrada dos discursos na história do homem. 2008c. delimitando-o em suas diferentes relações. pois registrada. etc. então. 65 relações de exterioridade. p. recortando-o com um problema. Os documentos como arquivo continuam a operar em nosso tempo porque o próprio pesquisador também os traz à vida conforme seu recorte. mas de ensejar um trabalho analítico-crítico que relegue aos discursos sua importância como um acontecimento sempre singular. possibilitando o surgimento de outros discursos” (2008c).67).” (2008b. 2008b. políticas. a arqueologia seria a descrição da existência acumulada de discursos que Foucault conveniou chamar de arquivo (em ordem cronológica. Por arquivo. indecifrável — sem lhes conceder a verdade última ou a totalidade do seu tempo. A partir dessas demarcações.255). pode-se compreender o conjunto de regras de uma massa verbal fabricada pelos homens. configurando-o em seus elementos e categorias próprias. seus fins. de relações sociais. A arqueologia como uma atividade histórica e política. 2010d. a partir de documentos. 2014b). complexo e. de práticas. inquirida por procedimentos que nos remeteriam ao encontro de uma verdade essencial depositada numa memória autêntica. no limite. entre os acontecimentos discursivos e outros tipos de acontecimentos. de instituições. ao passo que se busca abarcar “a função que se pode atribuir [aos discursos] uma vez que essa coisa foi dita naquele momento” (2010b. não uma resposta para o presente. não estão presos ou mortos nos documentos históricos. atentando para o fato de que “alguém disse alguma coisa em um dado momento”. é-nos possível resumir o objetivo da análise da arqueologia como o estabelecimento de certo número de relações. investida por suas técnicas e suas instituições e tecida com sua existência e sua história (2014b). Tampouco ele seria útil para averiguarmos o que foi pensado ou vivido em dada época. por sua vez. p. não nos valemos dele a fim de ofertar modelos ou exemplos de práticas ou ideias para o presente. mas a materialização da vitalidade de um gesto. Não é uma questão de parcialidade ou manipulação. tratando de um conjunto de discursos como arquivo. sua problematização. É o que foi possível dizer em tal e tal época e que permitiria entrever certas regularidades nas relações complexas e móveis entre as coisas ditas e as outras práticas sociais. “em que se pode relacioná-lo com outros estratos. Ditos que. Ao constituirmos um dado arquivo como objeto de análise. poderia servir à política na medida em que se investigam as . Em poucas palavras. mas que persistem e continuam a funcionar e a se transformar “através da história.

para a presente pesquisa. voltado para o público. Mais uma vez. enunciações. como eles os abordam? De que modo eles descrevem aquilo de que tratam? O que propõem em termos de procedimentos de análise e pensamento? .156). pode definir “objetivos táticos de estratégia de luta” para o presente (2003. o aparecimento e a dispersão. Nem palavras. inibem. temas e teorias e o que eles ensejam. seria atentar para qual regularidade evidencia-se como uma espécie de regra de formação dos discursos filosoficamente orientados nos meios de comunicação. Auscultar a heterogeneidade. conceitos. dessas práticas. as condições. extensos. ao longo dos anos. em favor do debate público. fazem falar ou calar). quando os filósofos propõem análises ou tomar partido dos acontecimentos do presente. Os artigos de filósofos e entrevistas de e com filósofos das 186 edições da CULT foram constituídos por nós como uma série documental histórica possível de ser analisada arqueologicamente. duradouros. a arqueologia. são investidos por ao mesmo tempo em que investem modos de pensamento e de vida. 66 bases. mas o complexo que as constituem: o discurso em ato (tanto escrito quanto falado). Precisamente em função disso. o que nos interessa vislumbrar são as possíveis relações. não se baseando na analogia utilitarista e anacrônica entre o passado e o presente. apanhar as discrepâncias e disjunções sob sua aparente unidade. nem coisas. no âmbito do indivíduo que diz ou no modo e com o conteúdo do que se diz. Apesar de a metodologia arqueológica ter sido utilizada por Foucault na análise de discursos mais bem formados. Tomar de assalto essa possível formação de um discurso filosófico cuja razão de existência é ser lida por um público. É a voz/escrita de um pensador em público. parece-nos não menos válido utilizarmos tais procedimentos pela simples questão de querer evitar uma análise do discurso na sua forma estrutural e linguística ou histórico-dialética. alianças constituintes dessas práticas sob o abrigo do que se chama filosofia ou atividade filosófica. p. Indagar e decompor as configurações desses regimes enquanto acontecimentos discursivos é a atividade mais próxima de uma positividade analítico-científica que dê conta de abarcar as possibilidades de transformação do que somos e pensamos. Nesse sentido. para além da unidade que o termo “filosofia” possa suscitar. De modo que. conexões. as continuidades e os deslocamentos dos regimes de verdade ligados a certos sistemas de poder que. por sua vez. os diversos vetores discursivos que impingem efeitos de sua veracidade nas relações de poder (a composição entre objetos. complexos e mais diversificados.

O próprio autor. queremos pensar que dentro desses deslocamentos. evitava deixar-se rotular e enclausurar pelo que era dito sobre seu trabalho. tateando às cegas os objetos tratados. Parece-nos que o procedimento arqueológico de análise seria uma delas. . 67 Arqueologia e governamentalidade Até o momento. Embora tais formulações teórico-metodológicas estejam cronologicamente mais de uma década afastadas. um empirista cego. seja do filósofo ou do historiador. —. tais demarcações (MACHADO. ainda que austera. p. nossa intenção procedimental foi a de nos valermos da descrição arqueológica à luz das últimas teorizações foucaultianas. quiçá ainda. transformações e descontinuidades. como um jornalista radical. parece-nos que uma das suas principais características é seus deslocamentos teórico-metodológicos e temáticos. talvez seja possível encontrar certas regularidades e singularidades. Como pretendemos demonstrar a seguir. nem por fases temáticas — loucura. um espadachim ou mesmo um simples professor. preferia definir-se de maneiras pouco ortodoxas. experimentando certa liberdade de escrita e pensamento. de nosso tempo. tudo isso para que a investigação e a escrita em seus livros fossem realmente experiências por meio das quais pudesse sair transformado (2010f). deslocando- se e distanciando-se do ponto de onde partira. até então estranhos ao trabalho analítico. e os deslocamentos do trabalho de Foucault tenham sido alvo de debates e interpretações acadêmicas diversas. de forma legítima. GALLO. 2004) buscando conferir uma unidade ao pensamento foucaultiano. ética etc. Embora muitos autores corroborem. genealógica etc.19-20). O agenciamento de procedimentos heterogêneos com temas improváveis. produziu movimentos de circunvolução nos seus escritos. um pirotécnico. arregimentando certa vontade de saber avessa aos dogmatismos com uma lucidez atenta aos problemas do seu tempo. 2007. Rejeitando renitentemente as clássicas nomenclaturas de filósofo ou historiador. em suas entrevistas e livros. chocando-se com o que não queria dizer ao passo que ele mesmo denunciava suas confusões possíveis (2009a. criminalidade. Aproveitamos para advertir que não conformamos Foucault às suas fases metódicas — arqueológica. principalmente dos desdobramentos que competem às relações de governo de si e dos outros. tais esforços aparentemente incoerentes com o trabalho rigoroso do método científico evidenciam uma tática combativa aos próprios modos operativos vigentes nas ciências humanas de seu e. que foram reconfigurando e alterando seus modos de pensar e abordar seus problemas.

induzem essas produções de verdades. poderíamos dizer que Foucault nunca deixou de analisar discursos atentando para os problemas histórico-políticos. Essas produções de verdades não podem ser dissociadas do poder e dos mecanismos de poder. táticas e estratégias próprias aos seus estudos ao longo da década de 1970. foi sendo reapropriada por outros procedimentos que Foucault experimentou. como o próprio Foucault afirmou. São essas relações verdade/ poder. as legislações. técnicas. saber/poder que me preocupam (2010a. Pode-se. ou. o problema que nunca deixou de inquietar o pensador francês foi a interface estabelecida entre verdade e poder. Fossem os discursos psiquiátricos. A nosso ver. os relatos e as cartas.183). por exemplo. fossem os documentos de regulamentação. A análise discursiva proposta pelas primeiras obras de Foucault. teorias políticas ou econômicas. efeitos de poder que nos unem. entre saber e poder (2010a). mas interferem na coerção e validação tanto de um quanto de outro. definíveis e definidos. nos atam. fazendo-o ligar-se com toda uma trama de relações exteriores à sua produção. então. O uso desses termos. elas próprias. Daí uma noção como arqueogenealogia configurar de modo mais preciso o trabalho metodológico propriamente foucaultiano. p. científicos. da modernidade à antiguidade. como a análise genealógica. que parecem suscetíveis de induzir os comportamentos e os discursos” (2000. . para enfim. 68 A atividade arqueológica. já que suas análises teriam como ponto de partida uma questão atual (2006d). coincidirem com a noção de problematização (2006c. pelo termo “poder” recobrimos “toda uma série de mecanismos particulares. clínicos. extrapola as dimensões relativas apenas ao discurso. ou. mas a um modo de fixar um tipo de análise. dessa maneira.229). com os mecanismos de poder nas sociedades. e porque essas produções de verdade têm. ao mesmo tempo porque esses mecanismos de poder tornam possíveis. 2014e). obras históricas ou literárias. estabelecer uma relação intrínseca entre a descrição do arquivo. Não são estranhos um ao outro. Em tese. a descrição arqueológica foi se sofisticando e compôs-se com a análise em termos de procedimentos. médicos. p. tecnologias. ainda. Se pelo termo “saber” referimo-nos a “todos os procedimentos e a todos os efeitos de conhecimento aceitáveis em um momento dado e em um domínio definido”. na sua superfície e na sua exterioridade. mas intrínseca a todos os efeitos e consequências de tal ação enunciativa. não dizem respeito aos princípios de realidade.

pode-se afirmar que o tipo de análise à qual pretendemos nos filiar. a interface saber/poder passa a sofrer modificações nos últimos escritos de Foucault. que são o que geralmente se chama de poder (2006e. tampouco um conceito. ao que os outros tentam responder não deixando sua conduta ser determinada ou determinando em troca a conduta dos outros e os estados de dominação. Uma vez descritos os acontecimentos discursivos pelos feixes de relações que determinadas formas de veridicção estabelecem. Dupla dimensão dessas relações entre as formas de veridicção e os processos de subjetivação. mas um procedimento analítico artesanal. portanto: uma primeira. afinal. 69 enredando o discurso nos mecanismos complexos de funcionamento das ações humanas em meio a ideias e instituições. p. Dado nosso recorte analítico da função pública do filósofo em tempos de popularização da filosofia. com Foucault. Procurando evitar a hipótese repressiva das relações e a interpretação ideológica dos discursos. entre eles. examina os jogos estratégicos entre liberdades — jogos estratégicos que fazem com que fins tentem determinar a conduta dos outros. o indivíduo socialmente localizado. Daí podermos dizer. poder-governo e ética-sujeito que Foucault nomeou pensamento ou focos de experiência (2010c). . estabelecida como uma subjetividade ativa e não passiva. a relação de si consigo. referente aos modos de endereçamento que constituem objetos da prática filosófica. para pensar e escrever diversamente daquilo que se pensa e escreve. produzida no interior do nexo saber/poder por meio do que ele chamou de “pragmáticas de si”. o que está em questão na presente pesquisa são as relações veridicção/subjetivação estabelecidas entre o indivíduo que pratica a filosofia e os objetos dos quais ele trata. referente ao próprio indivíduo que pratica a filosofia (de que modo ele pratica a filosofia e como ele se subjetiva como filósofo).285). Apesar dessas demarcações metodológicas. Neles se insere a dimensão ética do sujeito. entre hesitações e titubeios (2010a). Pela aproximação do procedimento arqueológico à perspectiva da governamentalidade. é possível situar e problematizar as funções e os efeitos de tais discursos sobre os processos de subjetivação correntes. e uma segunda. Foucault faz aparecer o caráter volitivo e agonístico das redes de relações de governo de si e dos outros. Foi esse conjunto de saber-verdade. que nossa investida arqueológica não chega a ser exatamente um método.

estranhando outros falando de maneira pouco convencional sobre livros. a repetição ou a distância . o editorial da revista. prateleiras e letras. beirando a imbecilidade em tempos da informática. Se à primeira vista estudar revistas de cultura poderia parecer maçante e inculto para quem teve uma sólida formação filosófica. É um sem pensar. todos esses elementos remetiam-nos a uma situação estranha. Mas não nos enganemos. entre a familiaridade e o estranhamento. instigante. Em seu livro O sabor do arquivo (2009) ela descreve a sua experiência de anos adentrando bibliotecas e arquivos nacionais na realização de um exercício de leitura e de análise de documentos copiados com a própria mão — exercício obstinado. Esse modo apaixonado de construir uma narrativa.57). que não correspondem mais a uma época intelectual ao mesmo tempo mais tradicional — e até conservadora — e menos presa à descrição do cotidiano (2009. p. só mais tarde. descobrir seus sentidos e formular interpretações. a troca de olhares entre os parceiros de recinto ou a solidão em meio a mesas. composta por leituras exegéticas dos grandes pensadores e obras que. filosofando sobre a resenha de um livro. mas nunca vistos pessoalmente. não obstante. pensando o tempo todo. pois algo parecia ocorrer para além da interpretação e da erudição. pode aparecer como o vestígio de exigências extintas no presente. muito embora a busca por tecer as relações entre acontecimentos ainda estivesse presente. a escolha do lugar. as idas à biblioteca. os pensamentos que se avizinhavam e não nos pareciam tão portentosos. sentir-se meio herege. se perto do ar-condicionado ou no andar de cima onde o wi-fi tinha melhor sinal. 70 Hesitações e titubeios: coleta e manufatura do arquivo O trabalho da historiadora Arlette Farge pode ser designado como outra fonte de inspiração para nossos procedimentos de coleta e análise. que nos permite conviver com os escritos e. fizeram e mudaram o mundo. de estabelecer uma relação com o documento e com as pessoas que ela revela. O sentimento de intimidade com autores coevos à nossa própria época. É por meio desses exercícios que encontramos o tempo necessário para introduzir-se e deixar-se levar pelo arquivo. Apesar de seu foco ter recaído sobre os arquivos judiciários e sua concepção de arquivo ser um tanto distinta daquela de Foucault. disseram-nos. obras e filósofos de cabeceira. foi a descrição de sua relação com a materialidade deles e o sabor desprendido por tal atividade que mais nos comoveu. banal e estranho. como peixe fora d’água.

sem nada saber ao certo nem qual papel nos caberia a partir dali. Mesmo que esperássemos encontrar algo próximo à nossa hipótese. Quem é esse ator social? O que o caracteriza? No campo atual. no qual o que “advém depois dele raramente tem a ver com o que se passava antes” (FARGE. a confabularem e redefinirem os ditames do nosso tempo. morais etc. a quantidade de páginas devotadas a um tema ou um autor. Ler nosso arquivo era despir-nos de toda vestimenta pomposa com a qual havíamos nos vestido durante os anos de formação para. imagem ou disposição de informações revelava portar mais do que um significado — era toda uma dramaticidade da produção de pensamento. a partir de nossos problemas. a valorar e transvalorar nossos ideais mais caros e também aqueles mais abomináveis. entretanto. Munidos. do planejado. que encontramo-nos face a um conflito: “lugar de nascimento”. p. da paciência. quebra-cabeças de ideias. adentrarmos os bastidores e o teatro das verdades filosóficas (e. que tais incidências de sensações e acontecimentos. sobre ele. errando pelos ditos e escritos. por que não. Estávamos. um dos primeiros problemas surgidos ao depararmo-nos com a materialidade dos discursos foi a delimitação do próprio objeto em questão — o filósofo e sua atividade.) quase que inteiramente nus. Mas o que poderia ainda dizer o arquivo? Tudo já estava dito nele. *** Iniciado o procedimento de construção do arquivo. impregnando-se. de uma lenta criatividade. começando sempre outra vez: oferecer-nos ao mundo como arquivo. sociais. 71 entre as ideias. talvez. um jeito certo de fazer. apenas. admitimos agora. recolhendo. do anunciado. Parecia-nos. Cada linha. muito já se dissera. do evolutivo e progressivo. oferta de valores. segundo nossos interesses. políticas. 2009. quiséssemos ou não.49). fatos e comentários de uma edição. econômicas. discursivos ou não. o filósofo seria aquele vinculado à academia? Aquele . as interpretações do que já fora dito. como acontece de se fazer — dar mais uma volta. Sim. sem propriamente ter um método. ou mesmo ritualístico. Eram verdadeiras encenações de forças. o arquivo construído em meio a uma revista cultural — o conflito de forças do pensamento pertinente aos filósofos na CULT. e. privilegiados que estávamos por ler aquilo ao nosso modo. enfim. estavam carregadas de um sentido insuspeito por outros. ainda que de modo irrisório. em uma situação oposta ao do conforto.

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que se graduou em filosofia? Aquele que seguiu a carreira de professor ou de
pesquisador? Ou filósofos poderia ser qualquer escritor/pensador que, pelas relações
mais ou menos regulares entre temas e objetos escolhidos e os modos de abordá-los e
enunciá-los, caracterizariam um modo de ser filosófico?
Para não essencializarmos a atividade filosófica e excluirmos de antemão
determinados discursos constituídos por diferentes feixes de relações, usamos como
critério a ocorrência, na descrição do autor de cada artigo, da palavra filosofia e/ou
filósofo. Esse critério contemplava, então, aqueles cuja formação acadêmica, seja
graduação, seja pós-graduação, incluía cursos de filosofia; aqueles que desempenhavam
alguma atividade docente relativa à filosofia (história da filosofia, filosofia do direito,
ética, política etc.); e aqueles cuja denominação dada pela revista ou pelo próprio autor
foi a de filósofo.
Partimos, então, da ideia de que a atividade filosófica não se caracterizaria por
um tipo de discurso invariável ou por uma função própria a um tipo de sujeito — muito
embora ao longo da história tenha-se investido nesse modo de rarefação e autorização.
Tal atividade, segundo nossa perspectiva, parece-nos ter sido constituída por
determinados jogos de investimentos heterogêneos e extrínsecos ao campo filosófico
formal, funcionando por meio de estratégias variáveis, segundo características e funções
possíveis, mas não menos improváveis. Em última instância, tentamos tornar visível a
formação da discursividade filosófica em sua multiplicidade constitutiva, demonstrando
que todos aqueles que mantiveram e/ou mantêm algum vínculo com o pensamento
filosófico levam-no adiante a seu modo. Nem tanto o filósofo, portanto, mas a atividade
filosófica.
Para a coleta das informações dos discursos ditos filosóficos construímos tabelas
inspiradas nos elementos constituintes de um discurso aventados no livro A arqueologia
do saber (FOUCAULT, 2009a). São eles: objeto; modalidade enunciativa ou tipos ou
estilos de enunciação; conceito; e o nexo tema/teoria. As organizações de conceitos,
objetos, e tipos de enunciação formam, segundo seu grau de coerência, de rigor e de
estabilidade, temas ou teorias. A configuração geral desses elementos num discurso
denominaria o que Foucault ratificou como estratégias discursivas.
Os objetos, os modos de enunciação, os conceitos, os temas e as teorias de um
discurso como o da filosofia não foram, ao longo de sua história, sempre os mesmos. Se
o interrogarmos no nível de sua existência, unidade, permanência e transformações,

73

escreveu Foucault, o discurso não poderá ser considerado como a soma dessas opções
diversas. Essas opções, ao contrário,
devem ser descritas como maneiras sistematicamente diferentes de
tratar objetos de discurso (de delimitá-los, reagrupá-los ou separá-los,
encadeá-los e fazê-los derivar uns dos outros), de dispor formas de
enunciações (de escolhê-las, organizá-las, constituir séries, compô-las
em grandes unidades retóricas), de manipular conceitos (de lhes dar
regras de utilização, fazê-los entrar em coerências regionais e
constituir, assim, arquiteturas conceituais). Essas opções não são
germes de discurso (onde estes seriam determinados com antecedência
e prefigurados sob uma forma quase microscópica); são maneiras
reguladas (e descritíveis como tais) de utilizar possibilidades de
discurso. (p.77)

Muito embora algumas temáticas, numa perspectiva mais afamada e
conservadora da história da filosofia, sejam hegemônicas ou existam objetos mais
pertinentes que outros, fica claro, ao atentarmos para os artigos de filósofos publicados
em uma revista de cultura, que o discurso filosófico possui relações entre elementos
muitas vezes incoerentes, contraditórios e insuspeitos quando comparados uns com os
outros. Seria possível então definir se um discurso é filosófico apenas pelo seu tema ou
pelo seu objeto, pelo modo como ele enuncia e narra ou pelos conceitos que escolhe?
São esses questionamentos acerca de uma espécie de essencialidade do discurso
filosófico, bem como de sua materialidade e sua tarefa, que pretendemos pôr em
operação com uma análise arqueológica. Desde que nossa intenção não é encontrar
nenhuma essência ou identidade fixa do discurso filosófico, mas bem ao contrário, sua
complexidade de composição, sua historicidade desapercebida, a algaravia das
diferentes formas de pensar e fazer filosofia, torna-se necessário uma análise que
evidencie tal formação dos discursos. Por uma análise de inspiração arqueológica,
então, o mapeamento realizado permite vislumbrar os feixes de relações entre esses
elementos, almejando flagrar, entre relações hegemônicas e inesperadas, uma possível
regularidade de formação de um discurso.
A possibilidade de descrever tal formação de uma regularidade discursiva nos
possibilitaria demonstrar que os discursos pertencentes a um determinado campo do
conhecimento são alvejados e atravessados por uma série de outras forças discursivas e
não discursivas. Essas regularidades discursivas só são passíveis de serem captadas
quando nos debruçamos sobre os discursos não como realidades prontas, ciências, ideias
e conceitos já determinados de antemão. Na análise proposta, não há discursos ideais.
Esses são artefatos construídos em um jogo de interesses em que dada configuração de

74

elementos, constituindo uma formação discursiva, sobressai-se em relação a outras. Daí
que, em dado momento, os discursos filosóficos da revista privilegiaram certos objetos
ou temas, conceitos ou teorias. E essas configurações não serão menos filosóficas que
outras.
Não se trata de algo como uma moda ou mesmo uma imposição do exterior para
o interior dos discursos. Não parte somente da intelligentsia política ou científica, mas
tampouco da população. Não diremos ainda que tal foco de forças exerça sobre outros
algo como a dominação ou repressão ou mesmo soberania; mas, sim, excede-se como
uma eficácia nos modos de condução e de governo. Nas palavras de Roberto Machado
(2007), em suma, a arqueologia teria por objetivo “descrever conceitualmente a
formação dos saberes”, quaisquer que fossem, “para estabelecer suas condições de
existência” (p.166), suas condições de aparecimento, organização, transformação e
dispersão, valendo-se da noção nietzschiana de que as verdades são uma produção
histórica, enunciados duradouros que se tornam hábitos.
Dado que a análise dos discursos por meio dessas categorias não constituiria um
método formalmente estabelecido e pronto para ser aplicado, elaboramos ao menos três
tabelas, até chegarmos, já ao final do percurso de pesquisa, numa que nos pareceu
satisfatória.
Portanto, além de um campo na tabela destinado à edição, a data e a paginação
dos artigos publicados na revista, estabelecemos os seguintes campos das tabelas para
dar visibilidade aos elementos que constituem um discurso:
 Num primeiro campo, as modalidades enunciativas. Estas foram divididas em
dois outros campos:
a. O(s) nome(s) do(s) autor(es) do(s) artigo(s) e suas filiações
institucionais.
b. As naturezas narrativas dos artigos, buscando entender de que modo
seus enunciados eram tecidos e com que fins. Tais naturezas narrativas
foram estipuladas em:
i. Resenha/divulgação, quando o discurso tratava de comentar
obras, eventos e/ou autores com o intuito de divulgá-los, seja para
a aquisição, a participação ou suscitar interesse. Ele consiste
numa descrição de partes e passagens da obra, elencando a
possível contribuição para a discussão acerca do tema e/ou objeto
em pauta.

amor ou a ideia em Platão. muito embora certas conclusões. Os ensaios tendiam também a tratar acontecimentos da atualidade. passando por notas e referências bibliográficas mais ou menos bem definidas. geralmente. objeto ou conceito tratado. Crítica e/ou propositiva (ensaio). ora de forma velada. Apesar de expressarem um ponto de vista sobre seus objetos. a vida e a trajetória intelectual de um autor. sem esgotá-lo. iii. fosse ele temático. a partir dos próprios autores que tematizavam. fazendo a relação entre obra e vida). 75 ii. a loucura ou genealogia em Foucault. de maneira exegética. Apesar de manterem certo rigor de escrita. os artigos incluídos nessa categoria não apresentavam nenhuma proposta ou aplicação pragmática das teorias que utilizavam ou das conclusões a que chegavam. conferindo um gesto crítico de duas intencionalidades. pertinente ou não a algum tema ou acontecimento contemporâneo à sua escrita. a partir de um ponto de vista histórico. em tese. ora somente como a exposição de diferentes questões acerca de um determinado assunto. Histórica conceitual. ora como um gesto . a política ou banalidade do mal em Arendt. os ensaios abordavam seu objeto. quando o discurso abordava seu objeto. ora aludindo a eles de modo mais aligeirado e sem precisão de referências históricas. buscando traçar o significado e seu desenvolvimento no decorrer de uma obra ou no pensamento de um autor. quando ele expunha as várias acepções que um tema ou conceito possui em um mesmo ou em diferentes autores — avizinhando-se às histórias da filosofia tradicionais. pudessem apontar questões do presente. temática e/ou biográfica (comentários). quando.e. conceitual ou biográfico (i. os artigos possuíam uma forma mais experimental e distante da ortodoxia acadêmica no modo apossar-se de seu tema. ora contextualizando-os de maneira escassa. ora de forma explícita. esclarecimento ou a crítica em Kant. pois continham desde subtítulos. entre tantos outros. Associamos tal abordagem enunciativa com a estrutura formal que geralmente caracteriza artigos acadêmicos.

aquelas que eram mais extensas. quando autores de filosofia se propuseram a fazer ensaios ou qualquer outro tipo de escrita ficcional e não diretamente analítica. a noção de ágape para o tema do amor no cristianismo. buscavam propor. a política brasileira caso o objeto fosse o regime político da democracia) e qual disciplina ou prática social determina esse objeto paralelamente aos discursos filosóficos (qual outra . por outro lado. divididos entre: a. acerca da função. em sua grande maioria as argumentações ou as conclusões a que chegavam os ensaios eram ajuizadoras. aparentando perguntas sem muita flexibilidade. que. Ficcional. não propunham uma continuidade nas perguntas. por vezes. 76 crítico-ajuizador.. salvo raras exceções. quando convinha defendê-lo ou denunciá-lo de acordo com valorações propostas. sempre que possível. fundamentalmente.e. Em oposição ao comentário. alocamos os outros componentes de um discurso. muitas delas eram curtas e não permitiam que muitos assuntos fossem abordados. um livro específico na obra de um filósofo). prescrever ou mesmo convencer seus leitores do ponto de vista exposto. na leitura das entrevistas. v. de modo geral. Não obstante. o papel da razão para a tarefa do intelectual. não propiciando que o entrevistado pudesse desenvolver uma ideia de maneira mais detalhada e relacionada com outros assuntos. iv. tratavam ou da trajetória biográfico-intelectual do entrevistado ou da obra recém-publicada ou desenvolvida pelos entrevistados. Entrevistas.e. sobre o que eles se debruçavam (i. para os estratos da realidade de onde o objeto poderia emergir (i. tecendo relações com seu contexto contemporâneo. do papel e da tarefa das atividades realizadas pelo entrevistado. algumas características ressaltaram: por um lado. Nesses casos. indagando. No caso do objeto buscamos delimitar do que tratavam os artigos.  Num segundo campo da tabela. Temas e objetos dos artigos. Buscamos também atentar. quais seriam suas opiniões e interpretações sobre determinado assunto em pauta. questionava- se acerca da relação entre vida e obra. teoria e prática e.

a exegese e o livre pensamento. compondo com o nexo tema-teoria. psicanálise. crítica literária. a sexualidade quando se tratava de homofobia). Essas . b. c. Autores e obras citadas. Aqui foram dispostas as palavras- chave em termos de conceitos e teorias. para os distúrbios do comportamento. duradouro ou instável etc. possuem suas finalidades tão consolidadas quanto insuspeitas. mas parece-nos que o comentário e o ensaio.e. de outro modo. indicando que certas palavras ascendiam a conceitos quanto utilizados por determinados autores (i.e. Há tratados e manifestos. poderíamos colocar-nos um problema concernente à relação entre modos de pensamento e de escrita na filosofia — problema que por si só daria margem à escrita de teses e livros. genealogia etc. com quem estabelece relações por meio de seu estatuto? 2) Quais são os lugares de origem e quais são os lugares de aplicação do discurso? 3) Quais as relações estabelecidas entre o discurso e seu objeto. Aqui. as categorizações. filosofia do direito. a psicanálise. Os temas apareceram como o todo de uma parte (i. preferimos nos valer de caracterizações buscando resumir alguns traços que nos foram aparecendo na leitura dos artigos e. a política. como já ocorreu.e. a economia). 77 prática poderia se debruçar sobre esse mesmo objeto. Contudo. aprazível ou desprezível etc. Ainda. A pergunta pela formação das modalidades enunciativas nos termos arqueológicos estabelecidos por Foucault era norteada por estas outras: 1) quem fala? — qual é o estatuto daquele que fala. a atitude adotada sobre ele? Essa questão nos remete aos modos como o autor se dirige e intervém sobre algo. cartas e fragmentos. ideologia. quais condições institucionais e legais dão-lhe o direito a uma prática e à experimentação de um saber.). dialética. os autores e suas obras citadas. as técnicas e os instrumentos utilizados. Teorias e conceitos (palavras-chave). dar um pequeno contributo à disputa de valores entre os dois principais modos de operação da escrita filosófica. para o modelo de governo ideal.) historicamente constituídos. incluindo seus pontos de vistas e formas de valorar seu objeto de acordo com juízos estético-morais (bom ou mau. eficaz ou incompetente.) e técnico-científicos (falso ou verdadeiro. linguística. crise. i. história natural. Pode-se censurar as denominações que escolhemos para caracterizar as modalidades enunciativas como pertencentes mais à análise linguística do que à arqueológica. marxismo. a psiquiatria.

sua composição complexa e nunca definitiva. seu sistema de ideias. o ensaio. mas extrair delas uma espécie de seu contraponto: o comentário. para uma nova premissa filosófica. seu modo de ser no mundo. Tais escolhas. Aqui. Esse seria o papel do ensaio. a vida ainda não capturada. acompanhamos Nietzsche quando ele diz que toda grande filosofia ou lance de pensamento. numa sutil atitude de parcialidade velada em que se deixa sobressair mais o texto de outrem do que o seu próprio. desde Aristóteles. em segundo lugar. mas sim uma espessura imensa de sistematicidades. No campo tema e objeto. sua imagem. ao fim e ao cabo da análise. inserindo a literatura e derivações na ordem do discurso. p. . em terceiro lugar.13 Tal forma de categorizar as modalidades não impede. seja sobre o que for. foi preenchida com as palavras-chave que remetiam às teorias e conceitos utilizados no artigo ou entrevista. parecem fazer saltar. que características de uma categoria adentrem a outra. a fim de flagrar a argumentação 13 Dito isso.85). nos seus moldes histórico- acadêmicos. destituindo-as de seu lugar foram do poder ou da posse de qualquer tipo de valor moral a priori. e consiste sempre em um comentário exegético sobre algo. por isso mesmo. também recolhíamos passagens inteiras sobre um assunto. de Montaigne a Adorno. mais uma vez. mostrando. não permite a liberdade de relacionar ideias típicas ao fazer literário-poético. pode ser considerada premissa para todo filosofar. a maneira como valorações morais e modos de escrita se encontram em determinadas épocas de acordo com determinadas regras discursivas — o mote de nossa inspiração metodológica. A segunda parte da tabela.12). a dificuldade de operar com conceitos que buscam sintetizar tais abordagens e a necessidade de maior maturidade na observação e interpretação dos escritos por parte do pesquisador. a escrita da história da filosofia. Barthes. ainda. um conjunto cerrado de relações múltiplas” (FOUCAULT. Elas trazem à tona não “a própria vida em efervescência. Por outro lado. no limite. e revela-nos a hierarquia de seus valores morais e experiências subjetivas sobre as quais edificam seu argumento. 2009a. o hibridismo e a multiplicidade de intervenções. como seus detratores o expõe. não passa da “opinião pessoal do seu autor” (2006b. é a própria crítica de Foucault. e. não nos caberia reforçar. em primeiro lugar. seu pensamento. uma ou outra forma de escrever e pensar. Por um lado. p. a relação agonística entre os acontecimentos e nossas interpretações sobre eles. Uma amostra da insustentabilidade de tal juízo de valor. por exemplo. contrapôs-se a essa exigência de sistematicidade do pensamento. entre outros. talvez. de modo geral. 78 formas se contrapõem de uma maneira específica. Recolher desse modo os autores e as obras citadas permitia configurar melhor a fundamentação teórico- conceitual de suas abordagens e argumentações. contribuindo.

aos tipos de enunciação. a coleta se viu. mas pergunta-se pelas regularidades e instabilidades de sua conduta entendida como configurações variáveis de atitudes adotadas sempre em relação a algo: seja a si próprio ou ao outro — sua formação. Em última instância. muitas vezes. por outro. por sua vez. Não seria nossa intenção tecer comentários exegéticos ou mesmo realizar um ensaio propositivo sobre o que cada um deveria ou não falar. definidas pela organização e sistematização das dimensões do discurso elencadas (objeto. a própria função desempenhada e reconhecida socialmente. não com o intuito . Deu-se maior destaque. nosso estudo almeja distinguir e assinalar os diferentes usos do pensamento e as concepções e funções do conhecimento filosófico em particular. 79 acerca de um dado objeto ou tema que. bem como a dispersão e o deslocamento dos elementos que constituem seu discurso. aos objetos do discurso e aos temas tratados. mutilada e prevaricada. Resguardando-nos uma modéstia analítica. bem como a conceitos e temas. Tal análise não se pergunta pela essência do autor. aparições. demonstrou-se exaustiva a ponto de alertar-nos quanto ao nosso tempo e nosso objetivo. Esse modo de indagação e descrição pela materialidade das relações que o autor e seu escrito estabelecem. tipo de enunciação. assim. evidenciando. conceito. Devido à multiplicidade de referências a autores e obras. tema/teoria). os conceitos e as teorias utilizados. perifericamente. Não obstante. apesar de nos parecer necessária. as tomadas de decisão e ação. e. o que está em questão são as formações das estratégias. elencando. pretendemos mostrar que os modos de endereçamento que se valem dessas estratégias são a forma como o próprio pensamento é posto para funcionar. as supostas evoluções ocorridas na sua prática. permite-nos fazer aparecer as transformações de seu ponto de vista e de suas interpretações. nosso objetivo é dar visibilidade para a prática filosófica no que compete aos modos de endereçamento das suas questões. os temas e as interpretações válidas para o estudo de sua atividade e seu suposto objeto. os deslocamentos. Uma segunda dificuldade apresentou-se a nós. Daí que preferimos movimentos de leitura mais desenvoltos. Como já dissemos alhures. de um indivíduo constante em suas atitudes e relações. desaparições e as hegemonias desses modos e das próprias questões. por um lado. Isso porque a leitura completa dos artigos. de sobrevoo. relacionava-se com a construção dos conceitos e a configuração da modalidade enunciativa. os instrumentos e técnicas utilizados no desenvolvimento de sua prática e saber. as relações pessoais e institucionais.

a um mirabolante salto. Nesse cenário de difusão e propagação da filosofia na virada do século XX para o XXI. pretendeu-se como um sobrevoo geral pelo discurso filosófico. desses modos de fazer filosofia. mas apenas de indicar certas modulações ao longo dos anos analisados. Breve momento também de respiro. apesar de exaustiva. de modo crítico e reflexivo. enfim. Tal endereçamento analítico assemelhar-se-ia. Lentamente e de modo muito mais simples do que o descrito por Foucault. Ela não pretendeu ser dura e minuciosa. em nome desses princípios. talvez seja possível tomar distância. Como dito antes. A análise. Multiplicar. em última instância. por meio de tais procedimentos (FOUCAULT. Como o próprio . Pelos malabarismos com o arquivo. nossa intenção foi a de estabelecer relações entre componentes do discurso e. mas recolher as diversas respostas a tais questões. tampouco procuraremos propor a verdadeira maneira de se praticar a filosofia ou fazer uso do pensamento. deslocando-nos das respostas e impressões já dadas. São apenas apostas. detendo-se em alguns fragmentos com a esperança de surpreender as constâncias e inconstâncias dessa tarefa em plena popularização. quando estes empenham-se na discussão pública? De que modo eles se valem do pensar? Com que finalidade? A que papel relegam sua atividade? A proposta de nossa análise não é necessariamente oferecer uma resposta definitiva. A partir da análise inspirada nos procedimentos foucaultianos para da configuração geral do discurso filosófico na mídia. logo. 80 desmerecer os escritos. incógnitos até — outros modos prováveis de pensar e ver o mundo. 2000). qual tem sido o uso do pensamento pelos filósofos. pulverizar. menos aproveitados. entre as diferentes formações discursivas a fim de vislumbrar o que é feito em termos de filosofia na mídia. pode servir-nos a partir de agora. poder pairar e vislumbrar. lances — errância. nem que por alguns instantes. À objeção de não cientificidade. oferecemos as impressões de um trabalho obstinado a multiplicar as dúvidas. de experimentação de novos ares. a movimentar o pensamento. deslocar. em vistas de tais objetivos. Temos consciência de algumas falhas e das imprecisões de nossa análise. extensos foram seus procedimentos de coleta e interpretação. O que até aqui foi dito como inspiração metodológica. os contornos desse aquário — o que é aceito ou não como verdade em uma época. como diretriz ou como caminhos possíveis já trilhados. caso queiramos. em último caso. ainda que breve e perigoso.

pensar o inominável” (FARGE. . 81 Foucault nos alerta. escorregadio. p. ainda na sua condição de indistintas.160). barulhento. p. sombrio. “nenhum método deve ser. Um método deve ser feito para nos livrarmos dele” (2008f.48). Uma lição teórico-afetiva: os procedimentos metodológicos em torno do arquivo assemelhar-se-iam ao abrir sendas numa floresta fabulosa. uma meta. cuja força e sonoridade dos encontros e desencontros reverberam as coisas vivas. embora comoventes. Não apegar-se estritamente às categorizações e aos gestos propostos tanto por Foucault quanto por Farge é honrar seus próprios esforços: errar pelo arquivo com a severidade necessária para sobreviver nele. No trabalho com o arquivo parece sempre haver algo de “medir o patético. caminho vivo. Tais descrições metodológicas desses autores foram nosso mapa. nossas dobras: foram nossos arquivos sobre arquivos. em si.

quando a revista passou a não ser publicada no mês de fevereiro (2003) e depois no mês de janeiro (a partir de 2009). 14 Conferir Anexo I. . como optamos por designá-los. autores de filosofia. A filosofia em questão: adentrando a revista CULT De julho de 1997 a dezembro de 2013. No interior dessas edições.b. arco temporal que abarcamos em nossa pesquisa. Vejamos o gráfico a seguir. houve um aumento significativo no número de artigos de autores de filosofia. contabilizamos 538 artigos14 escritos e entrevistas concedidas por autores que atuam na área da filosofia ou que tiveram boa parte de sua formação ou que apenas flertaram com a filosofia em sua trajetória de formação — todos eles. com exceções a partir de 2002. a revista CULT publicou 186 edições. Ao longo dos 17 anos analisados. lançadas mensalmente. 82 III.

o crescimento foi de 58%.81).75). ocorre também uma mudança na quantidade de vezes que os filósofos aparecem nas capas. Santo Agostinho (n. como no caso dos dossiês de Sartre e Nietzsche. pensamento norte-americano (n.61).74). Daí em diante.95). é substancial o aumento de artigos. Foucault (n. até 2002. Marilena Chaui (n. pensadores e temas filosóficos. mas em 2004 o aumento foi de 66% em comparação ao ano anterior. quase 36% ou mais de 1/3 de toda a produção da revista nos últimos nove anos é relacionada à filosofia.63).72). dez são resenhas bibliográficas ou de divulgação de obras e conceitos.83). o número de artigos jamais é inferior a 38.34).92). os relacionamentos intelectuais e amorosos de Sartre e Simone de Beauvoir. Adorno (n.64). Levando em consideração que cada edição teve em média 12 artigos acerca das diferentes áreas abrangidas pela revista. Três edições após a compra da revista pela Editora Bregantini.88).60) e Marx (n.85). Sartre e a liberdade (n. com dois grandes picos em 2008 e em 2010. e que 11 edições foram lançadas por ano entre de 2005 e 2013. entre outros (n. no mesmo ano de 2002. Entre alguns dos ensaios críticos e comentários históricos. 15 Conferir Anexo IV. . filosofia contemporânea.91). são apenas 33.37) e Heidegger (n. Marilena Chaui (n. Foram apenas quatro capas com filósofos até esse ano: Sartre (n.35). temos um total de 1188 artigos publicados no período. Adorno (n. há duas edições em seguida com filósofos/pensadores na capa: é o caso de Wittgenstein (n. e a média é de 47. Lévi- Strauss (n. poetas. Desses.15 Estas. filosofia e fé (n. pensamento radical (n. em junho de 2002. temáticos e/ou conceituais. entre filósofos. e uma nova ascensão em 2013. quatro são entrevistas. 83 Nos primeiros cinco anos é notável a pouca frequência de artigos. Até a edição 56.6 artigos por ano. músicos etc. Nietzsche. 11 são comentários históricos. Ao longo de todas as edições. Destes. outros três são ensaios ficcionais e cinco ensaios críticos. De 2005 em diante. Em 2003 o crescimento foi mínimo. como escritores. há características semelhantes. Nietzsche (n. quando a revista ainda se subintitulava Revista Brasileira de Literatura. de abril de 2002. Cristianismo e modernidade (n. eram na maioria das vezes ocupadas por outros atores sociais. em maio de 2002.84). aparecem: Camus (n. A partir da mudança de editora e da linha editorial.44).

117). Walter Benjamin (n.128). Freud (n. Foucault (n. Edgar Morin (111). Gramsci (141). Adorno (173). Walter Benjamin (106). Camus e Nietzsche (n. Herbert Marcuse (n. as origens históricas da filosofia (n. Rorty. Foucault.145).169).121). Merleau-Ponty (123).182). Camus e Nietzsche (170). Walter Benjamin (n. o perspectivismo histórico e uma filosofia da crítica e da criação. Heidegger (44). Slavoj Zizek (n.99).175). Herbert Marcuse (127).108). talvez incorrendo em uma leviandade. Jean-Paul Sartre (3). Marilena Chaui (133). os pensadores de Maio de 68 (n.173).106). Hannah Arendt (129). Marilena Chaui (35). Camus (63).131).98).110). Os filósofos que mais apareceram nas capas foram Friedrich Nietzsche (4). Jacques Rancière (139). Foucault (159). Vladimir Safatle (n.143).112).100). Marilena Chaui (85). Gramsci (n. Rousseau (n. Hannah Arendt (n.126).179).181). István Mészáros (119). Pierre Bordieu (n. Jacques Derrida (n. Sartre. a esquerda na encruzilhada (n.111).122). Foucault (81).154). Slavoj Zizek (158). filosofia e consolação (n. Marilena Chaui (4). . 84 com Sartre. Chaui.129). como uma das 16 São eles: Sartre (34).170). (123).141).180).107).103). Jacques Rancière (n. Nietzsche (37).186). com artigos de filósofos e psicanalistas (n. Lévi-Strauss (n. Habermas (n. Rawls. Giorgio Agamben (n.127). Edgar Morin (n. ética em tempos de crise (n.118).149). Marilena Chaui (n. Marx (61). Vladimir Safatle (186).172).138). mídia e poder (n. Slavoj Zizek (2) e Walter Benjamin (2). Gilles Deleuze (n. Foucault (134). Judith Butler (n. Norberto Bobbio (104). filosofia do direito (n.124). Marilena Chaui (182).158).133). Gilles Lipovetsky (120). Adorno (92). Pierre Bourdieu (n. Giorgio Agamben (180). Foucault (n. Walter Benjamin (171).115). Habermas (97). Zygmunt Bauman (n. a atitude cética na filosofia (n.150). Hannah Arendt (n. Bento de Núrsia.159). Kierkegaard (179). Barthes (n. Gilles Deleuze (108).119). Noam Chomsky (n. Adorno (n. Theodor Adorno (3). Rawls.116).134).101). Marilena Chaui (n. e 44 capas estampadas propriamente com filósofos16 — aproximadamente 23% do total (ou cerca de 30% a partir de 2002).104). Slavoj Zizek e a renovação do pensamento de esquerda (n.166). Adorno (72). Poderíamos dizer. Freud (n. Sartre (91). Rousseau (172). István Mészáros (n. a realidade da alma humana. Freud (n. Jürgen Habermas (136). que se tratam das principais vertentes da filosofia contemporânea do século XX: Nietzsche. Lévi-Strauss (n. pensadores discutindo o poder e a ética na TV (n. tragédia grega (n. são aproximadamente 75 capas com temáticas do pensamento e ciências humanas ou cerca de 40% do total (cerca de 55% se contarmos a partir de 2002). Slavoj Zizek (118). Wittgenstein (60). Nietzsche (88). Michel Foucault (4). Nietzsche (n. Merleau- Ponty n. Hannah Arendt (99). marxismo nos EUA (n. Judith Butler (185). Gilles Lipovetsky (n.162). Rorty. teólogo (n. Deus no pensamento contemporâneo (n.136).139). Foucault. Hannah Arendt (2). Jürgen Habermas (n.171). o mal (n.97). De 1997 até 2013. Kierkegaard (n.147).185). Norberto Bobbio e filosofia do direito (n. Jacques Derrida (117). Max Weber (n.120). Nietzsche (149). Santo Agostinho (75).

em 2008. pensamento radical (n.145). a teoria crítica com Adorno e.84). ética em tempos de crise (n. e a nova filosofia contemporânea. teoria crítica e psicanálise. constituídos por um conjunto de artigos específicos. Kierkegaard (n. 2014).95).64). os pensadores de Maio de 68 (n. Filosofia contra o sistema (2012). Filosofia francesa contemporânea (2010). a atitude cética na filosofia (n. mas possuíam suas chamadas nelas. o existencialismo com Sartre. entre outros (n. a ascensão de um governo de esquerda no Brasil.112). salvo algumas exceções que continham somente artigos especiais ou entrevistas.143). a realidade da alma humana (n. Espinosa (n. destacamos: Maquiavel (n.169). Os clássicos do pensamento social (2011). filosofia e consolação (n. a esquerda na encruzilhada (n. mesclando engajamento político. acentuando-se em 2004 e mantendo-se num nível de circulação intenso na próxima década. Determinados acontecimentos ao longo desse período.74). 85 principais filósofas brasileiras. filosofia do direito (n. poderiam oferecer-nos algumas balizas para elucidar esses números: o crescimento do mercado de livros voltados para a área. quatro edições especiais sobre filosofia. pensadores discutindo o poder e a ética na TV (n. com Zizek.175). a UNESCO estabelece toda terceira quinta- feira do mês de novembro como o Dia Internacional da Filosofia (UNESCO. Outras capas com temáticas filosóficas também apresentavam dossiês.120). marxismo nos EUA (n.103). Em relação aos dossiês sobre filósofos ou com temáticas filosóficas que não ocupavam as capas. além de todas as questões que 17 Foram publicadas. . os quais contavam com a participação recorrente de autores de filosofia — é o caso de Cristianismo e modernidade (n. as origens históricas da filosofia (n.122). filosofia e sociologia tornam-se disciplinas obrigatórias no ensino básico brasileiro.116). pensamento norte-americano (n. antes. ainda. A grande maioria das edições com capas de filósofos correspondiam a dossiês sobre sua vida e obra. reunindo os principais artigos publicados na revista sobre o tema: Escola de Frankfurt (2009).83). alguns deles relatados também no capítulo anterior.109). a filosofia entra num processo de maior difusão. o aumento do medo e da necessidade de posicionamento teóricos e práticas acerca das eminentes ameaças perpetradas pós-11 de setembro.79). os relacionamentos intelectuais e amorosos de Sartre e Simone de Beauvoir. os estudos sobre a relação poder/saber nas práticas sociais de Foucault. a filosofia política de Arendt.121). logo. Deus no pensamento contemporâneo (n.131). Kant (n.115). estética (n. em 2005. com Benjamin.17 Todos esses números corroboram as pistas aventadas no nosso capítulo anterior: a partir de 2002.126).

podemos ressaltar —. como afirmamos. ensaio. em 216 ocasiões ou 40% do total). não se circunscrevendo às produções propriamente popularizantes — é todo um cenário em torno da circulação e de intervenção de ideias e personagens filosóficos. em sua grande maioria. conceitos: em primeiro lugar. arte. Porém. objetos. aproximadamente. alardeada e discutida desde o final da década de 1990. deter-nos um tanto mais nas particularidades das intervenções de autores de filosofia na CULT para configurarmos melhor sua atuação e difusão. em quatro grandes campos de publicação da revista: artigos avulsos (que contêm tanto artigos críticos/histórico-temáticos quanto resenhas bibliográficas). temas e teorias. papel da filosofia ou do filósofo. Seria preciso. de modo bem aproximativo e em ordem de decrescente de relevância:18  Modalidades enunciativas: comentário histórico. com a incidência do crítico e depois do propositivo (aproximadamente em 200 ocasiões ou 36%). o que pode ser configurado como popularização é um tanto mais extenso quanto diverso em termos de sua produção. Esse panorama traçado a partir da CULT poderia. sociedade. ética ou subjetividade. em seguida. a maioria tratou de acontecimentos da atualidade temporal em que os artigos foram escritos. moral. . as seções e/ou colunas de autores de filosofia que. as entrevistas com e/ou conduzidas por autores de filosofia. detiveram-se sobre variados temas a partir de suas escolhas teóricas e conceituais. confirmar a ideia da popularização da filosofia. Entre as principais estratégias discursivas identificadas nos artigos publicados por autores de filosofia (exceto as entrevistas por e com autores de filosofia) — entre modalidades enunciativas (resumidamente em termos das naturezas narrativas). então. foram os temas/objetos relativos à política. então. incluindo alguns artistas. Os 538 artigos mapeados estão distribuídos. os dossiês sobre filósofos ou pensadores das ciências humanas. 18 Conferir Anexo V. resenha/divulgação (aproximadamente em 61 ocasiões ou 12%). conceitual e biográfico-intelectual (ocorreu. ao longo de algum período.  Temas. religião. 86 envolvem o enfraquecimento e/ou o reposicionamento dos parâmetros e paradigmas ético-morais tidos como tradicionais nas sociedades ocidentais. por fim. objetos. democracia. e. entre temático. conceitos.

temos: Jeanne Marie Gagnebin (6 artigos). indústria cultural. respectivamente e em ordem de aparição. Olgária Matos. os 10 principais autores de filosofia que escreveram na revista. Nietzsche. Marcia Tiburi (80 e 2 entrevistas). Renato Janine Ribeiro (18). história ou historiografia da filosofia. Adorno.19 Com respeito às entrevistas com filósofos e/ou realizadas por filósofos.  Os principais filósofos citados e campos discursivos: Hegel. teologia. o lugar reservado à introdução/editorial da revista. Foucault. cinco vezes ao longo dos 17 anos. um retrato necessariamente pluralista (embora seletivo) de uma realidade fragmentária como a nossa — e talvez por isso seja oportuno explicar. Roberto Romano (19). liberdade. Luís César Oliva (9). Os primeiros anos: Lemos Editorial Na sua primeira edição. Isso implica que a modalidade enunciativa da entrevista foi também uma das principais formas de os autores de filosofia se manifestarem na revista. dentre os 50 que escreveram ao menos dois artigos cada. teoria crítica. foram 60 ocorrências.20 O principal entrevistado foi Marilena Chaui. ainda. Heidegger. a cultura e a reflexão. ciência. Marx. Juvenal Savian Filho (14 e realizou 10 entrevistas). filosofia crítica. Aristóteles. experiência. com cerca de 12% do total de artigos de nosso arquivo. a revista queria ser um espaço de divulgação e reflexão sobre o exercício da palavra e sua influência na sociedade. a ideia do nome CULT. 87 conceitos do cristianismo. todos entrevistados por duas vezes. fragmento da palavra “cultura” que 19 Conferir Anexo II. Vladimir Safatle (44 e 2 entrevistas). Slavoj Zizek e Vladimir Safatle. discute a pertinência do lançamento de uma publicação que se propunha ser um espaço para a literatura. exibindo um retrato multifacetado do panorama cultural. Podemos destacar. os títulos e as edições. Em ordem crescente. 20 Conferir Anexo III. Charles Feitosa (9). Platão. Eduardo Socha (29 e 3 entrevistas). José Arthur Giannotti. . estética. poder. psicanálise. seguida por Paulo Eduardo Arantes (3 vezes) e Jacques Rancière. aqui. Com uma epígrafe de Jorge Luis Borges sobre o poder transformador do livro. crítica. os entrevistados. Kant. Benjamin. os entrevistadores. denominado Ao leitor. filosofia do direito.

Na sua primeira edição. 06 e 10. 1997. com capa do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara. que escreve nas edições 02. Diretor de estudos da École des Hautes Études em Science Sociales. como resenhas de livros e . Seu artigo intitulado “Crítica literária no Brasil. mestre em literatura brasileira e doutoranda em filosofia política na USP. seguida por Rosa Gabriela de Castro. o autor de artigos mais recorrente ligado à filosofia é Luciana Artacho Penna. mas professor de filosofia na Universidade Federal do Pará (UFPA). por sua vez.20-24) tratava da crise da crítica literária no Brasil e.2). Ambas tratam de assuntos não diretamente filosóficos. ainda na seção sobre o Rumos Itaú Cultural. Tal artigo poderia ser considerado como um ensaio biográfico-histórico. de julho de 1999. formado também em direito. divulgação de eventos. aparece na edição 24. já que intercala dados históricos sobre a vida do autor tratado e o contexto político-social em que se inseria. A autora não faz uso de referências às suas abordagens teórico-metodológicas. e tendo como fim relatar certo recorte temático: os conflitos com a Coroa portuguesa e com a Igreja deflagrados pela atuação de Vieira. Jacques Leenhardt. foram publicados no total apenas 14 autores de filosofia.40-46). numa seção especial de divulgação das palestras ministradas no evento Rumos Itaú Cultural. ontem e hoje” (p. é sobre o missionário português Padre António Vieira. foi Benedito Nunes. O primeiro autor filósofo brasileiro a escrever na revista. doutora em filosofia pela USP e professora do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL-Unicamp). constam matérias de tipos tão diversos quanto resenhas críticas sobre livros. que escreve nas edições 19 e 26. PINTO. crítica sobre eventos. da crise da literatura num contexto de midiatização da cultura. na edição 26. O primeiro autor a escrever na revista cuja formação estava circunscrita à área filosófica e fora nomeado pela revista como “filósofo”. entrevistas. artista plástica e mestranda em filosofia na USP. de janeiro de 2000. Até a edição de número 30. p. Até janeiro de 2000. apresentando passagens de documentos. Seu artigo intitulado O profeta encarcerado (p. uma coluna periódica assinada pelo gramático Pasquale Cipro Neto e um espaço para a divulgação de locais turísticos cuja história está ligada à literatura. Há apenas uma matéria escrita por um filósofo: Adma Muhana. seu artigo é intitulado “Crítica de arte e cultura no mundo contemporâneo” (p.10-13). sua relação com o Brasil e os motivos que o levaram a ser encarcerado pela Inquisição. 88 procura traduzir a instantaneidade e a rapidez caleidoscópica da comunicação contemporânea (LEMOS.

Seu artigo discorre sobre os romances literários de . A primeira edição dedicada a um filósofo só veio a ocorrer no número 34. Nas reportagens de não filósofos. contabilizamos 35 ocorrências. De 1997 até janeiro de 2002. 2000. escreve um artigo sobre a torre na França onde estão localizados os livros do filósofo francês Michel de Montaigne (p. 89 comentários sobre obras de artistas. da arte. escreve uma resenha para o livro do escritor Juliano Garcia Pessanha. Piglia e Bernhard (DUARTE. Descreve-o como um livro de linguagem poética com espanto filosófico. estão as quatro edições com capa de filósofos e seus respectivos artigos. como Heidegger. dois artigos sobre assuntos ligados à filosofia escritos por não filósofos e dois escritos por autores de filosofia. citando influências do autor. em maio de 2000. dos artigos que tocam de alguma maneira no tema da filosofia (ou citando filósofos ou obras filosóficas. cuja escrita caminhava entre a filosofia. ora os temas ligados à arte que estão em questão na pauta dos autores ligados à filosofia e/ou filósofos. Duarte. professor de filosofia da Universidade Federal do Paraná. Cioran. 2000). Kafka. Gombrowicz. Ele ainda afirma que Sartre talvez tenha sido o último intelectual total da contemporaneidade. Na capa. Ela faz parte do dossiê preparado sobre o filósofo Jean-Paul Sartre. José Alexandrino de Souza Filho. no entanto. da resenha crítica literária/artística ou seções de recomendação de livros de filosofia. Jean-Paul Sartre e um dossiê sobre os 20 anos de sua morte. todas elas oscilando entre os temas da literatura. As reportagens de autores de filosofia nessa edição competem a André Duarte e Franklin Leopoldo e Silva.30-34). a literatura e a biografia. A outra reportagem de um não filósofo é de Manuel da Costa Pinto. Franklin Leopoldo e Silva. entre escritores e filósofos. professor do departamento de filosofia da USP. literatos ou pensadores renomados. ou tratando de temas que beiram a discussão filosófica de uma época ou de um autor). p. Em particular. intitulado Ignorância do sempre. O então editor e jornalista responsável da CULT escreve sobre a morte do filósofo francês Jean-Paul Sartre e sobre como Michel Foucault era o “sucessor natural de Sartre no posto da figura central da intelectualidade francesa” (PINTO. Vê-se que são ora os temas da história da cultura. professor de literatura francesa na Universidade Federal da Paraíba. escreve para o dossiê sobre Sartre. que se ocupa da descrição de histórias dos lugares ao redor do mundo que possuem alguma relação com escritores. O artigo encontra-se na seção Turismo Literário. No interior da revista.54).

socialismo no Brasil (p. marxismo como teoria eficiente para explicar os fenômenos culturais (p. em particular. é a que consta a primeira e longa entrevista com Marilena Chaui.46-47). de Oswaldo Giacoia Junior. A segunda edição que exibia um filósofo em sua capa. ética de esquerda (p. 2000). capitalismo e o declínio da coesão e da consciência de classe (p. 90 Sarte. a filósofa toca em tantos assuntos quanto possíveis a partir de sua trajetória intelectual: o tema da sexualidade nos anos 1960 e 1970. A terceira edição da revista cuja capa estampa um filósofo é a 37. a crítica à ideologia da competência. nomeada filósofa e professora titular de filosofia da USP. pela editora PubliFolha. a qual supõe que o indivíduo no poder sabe e o trabalhador não sabe (p.48-50). Nela. número 35. pela representação da liberdade falhada de seus anti- heróis (SILVA. que tratam da relação entre liberdade. p. mas. de um não filósofo. bem como a relação do intelectual com o poder — temáticas que serão retomadas por nós na última seção deste capítulo.51). do filósofo e do intelectual em tempos de crise. FURTADO. a crítica da razão como narrativa mítico-interpretativa. Manuel da Costa Pinto. deve despertar a consciência dos vínculos entre o indivíduo e a comunidade humana. Ela ainda se deteve sobre a questão do papel da filosofia. Ali. de junho de 2000.51). é uma resenha sobre o lançamento do livro Folha explica Nietzsche. encerra-se discutindo a função da literatura segundo Sartre. CARRASCO. Que outro filósofo poderia rivalizar com ele na condição de voz que ultrapassa os muros da universidade e ganha as bancas de jornal e prateleiras de hipermercados de um país como o Brasil com tiragens de 15 mil exemplares? Que outros pensadores teriam esse poder de falar ao mesmo tempo aos exegetas mais sofisticados e a uma massa de leitores que consomem esse opúsculo pressentindo que Nietzsche . bem com o retrocesso da temática após os anos 1980 com a AIDS (CHAUI. possivelmente. de agosto de 2000. existência e história e. Costa Pinto exalta a publicação do livro. aparecem Friedrich Nietzsche e um dossiê sobre o centenário de sua morte.45-46). entre a condição metafísica da existência e os embates do homem para construir sua singularidade na história — consciência que jamais se cumprirá através da subordinação a um partido ou a uma doutrina. relacionando a popularidade de Nietzsche com sua relevância para os dias atuais: Esse acontecimento editorial é por si só revelador da posição que Nietzsche ocupa dentro de nossa cultura.54). como A náusea e Os caminhos da liberdade. esquecendo-se da questão ideológica de cada discurso (p. Um primeiro artigo.48). a qual. nas palavras de Silva. 2000.

O autor trata do diálogo radiofônico. Oswaldo Giacoia Junior. 91 pode inocular neles a desconfiança de que. o autor realiza um comparativo histórico-conceitual entre a obra de Sérgio Buarque de Holanda e a de Nietzsche. realiza um ensaio de divulgação e de comentário acerca dos principais conceitos nietzschianos. a partir das próprias leituras e citações de Buarque de Holanda em seu livro principal. intitulado Raízes do Brasil e Nietzsche (2000. como a vontade de poder. Horkheimer. Para ele. de Gerhard Schweppenhäuser. o professor da Unicamp. entre outros. p. além-do-homem e justiça. na Revista de Pesquisa Social. “O homem cordial”: “Vosso mau amor de vós mesmos vos faz do isolamento um cativeiro” (p. 56-59). professor de design. genealogia. dentro desses temas. Na tentativa de instrumentalizar Nietzsche pela perspectiva do marxismo. afinal. e pode ser encontrada no quinto capítulo de Raízes do Brasil. nem tudo vai bem sob o céu da indústria cultural? (PINTO. Giacoia ainda referencia outros importantes conceitos para Nietzsche.46-51). não haveria Teoria Crítica (HORKHEIMER apud SCHWEPPENHÄUSER. em 1950. Outros três artigos escritos por autores de filosofia fazem parte do dossiê especial para o filósofo alemão. em 1937.54). Ainda segundo o autor do . o artigo “Amor fati prisioneiro: Horkheimer e Adorno lêem [sic] Nietzsche” (2000. professor do Departamento de Filosofia da UFPA. transvaloração (2000. Parte I). Nietzsche é declarado pelos nazistas como o arquétipo do homem germano-heroico. influenciou a elaboração do livro Raízes do Brasil e o conceito de homem cordial. seria o caso de discernir. perspectivismo. doutrinas importantes ligadas à tradição metafísica. Em seu artigo. Por último. comunicação e teoria da mídia na Universidade de Weimar. p. Chaves explora como o pensador alemão. 2000). 2000. afirma que sem Nietzsche. formado em filosofia na Universidade de Hamburgo. Nele.52-55). Schweppenhäuser trata do acerto de contas entre perspectivas filosóficas com respeito ao nazismo. p. entre Theodor Adorno. A passagem da obra nietzschiana no livro de Buarque de Holanda que ilustra tal influencia é derivada de Assim falou Zaratustra (capítulo “Do amor ao próximo”. que dão o nome ao artigo: Nietzsche.60). niilismo. eterno retorno. o núcleo sistemático na reflexão de Nietzsche que talvez não o incluam na tradição metafísica. Max Horkheimer e Hans-Georg Gadamer sobre a filosofia nietzschiana e sua relação com o marxismo e o nazismo. O segundo artigo no dossiê Nietzsche é o de Ernani Chaves. p.

portanto. de André Duarte. escritor e jornalista. de um ensaio mais propriamente crítico. é uma resenha com o intuito de divulgar a publicação do livro Heidegger. uma (im)possível convergência” e estabelece relações. segundo Schweppenhäuser. apesar de conter referências históricas precisas e citações para elucidar o tema Nietzsche e o nazismo. 92 artigo. escrito por Rüdiger Safranski e editado pela Geração Editorial. O autor começa com uma discussão sobre a linguagem filosófica e a tensão entre obscurantismo/profundidade e simplicidade/clareza para expor um assunto complexo. O segundo. assumiria uma moralização ideológica (como se existisse um estado ou modelo ideal de homem. um mestre da Alemanha entre o bem e o mal. De modo ensaístico. professor-titular do Departamento de Filosofia da Unicamp e docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP. mestre em Psicologia e doutorando em Filosofia na USP. tratando da tese de heideggeriana da aniquilação da coisa pela ciência. mas nomeado filósofo pela revista. baseando-se no artigo Das Ding (“A coisa”) e nos estudos sobre o poeta alemão Friedrich Hölderlin. mas como uma crítica à situação conformista com relação ao seu presente industrial-liberal. O amoralismo nietzschiano para Adorno. e intitula-se “Heidegger e Wittgenstein. intitulado “Heidegger em seu tempo”. contém um dossiê sobre o filósofo alemão Martin Heidegger. A quarta e última edição com filósofos na capa e artigos especiais para a ocasião. de Juliano Garcia Pessanha. outros quatro artigos versam sobre o filósofo alemão em questão. O quarto e último artigo é de João da Penha. O primeiro. é um comentário histórico-conceitual sobre a crítica de Heidegger à ciência e à objetificação do ser pela tecnologia. de Zeljko Loparic. Além de uma entrevista com Gianni Vattimo sobre seu pensamento e sua atuação na política italiana. Pessanha discorre sobre a metáfora da britadeira/perfuração. intitulado “Sobre a aniquilação da coisa”. até a troca da editora em 2002. Trata-se. . intitula-se “Ser e tempo: uma ‘pedagogia’ da perfuração”. poderíamos entender o ódio e o ataque nietzschiano ao trabalho e à economia não como uma forma de dominação das massas pelo além-do-homem. escritor e ensaísta. O terceiro. cooptado pelo nazismo). de modo temático-conceitual. mas comentando questões conceituais em Heidegger e seus possíveis usos na escrita e na análise da realidade. entre dois filósofos aparentemente diferentes e suas denúncias à insensatez da metafísica. professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná.

que antes dos primeiros anos do século XXI (até mais ou menos 2002. fazendo comparativos. apareceram seis seções e/ou colunas de filósofos na revista. Por via de regra. As principais foram: . histórica e conceitualmente. algumas situações históricas. fossem comparativos entre filósofos. quando a revista é comprada pela Editora 17. Por mais que — ou justamente por isso — a revista subintitulasse-se. alguns filósofos. Desde 2002. com isso. senão nulos. relegaram ao autor de filosofia o papel de historiador e comentador de outros filósofos e obras. discorrendo sobre seus conceitos. a filosofia simplesmente não tinha prioridade na pauta editorial antes de 2002: ou não era relevante para a cultura midiática ou não era vendável. Poderíamos supor. os temas de filosofia eram escassos. 93 Ele revela ainda certa predominância da filosofia alemã no século XX em face da matriz francesa do pensamento filosófico. nos primeiros cinco anos de sua existência. até a edição 57. em algo pop. Das seções e colunas de filosofia Como pudemos perceber. como Revista Brasileira de Literatura. principalmente. quando a Editora 17 adquire a revista CULT. Tal característica dos artigos de filósofos começa a se modificar com o surgimento das seções especializadas de filosofia. nenhum artigo se propôs a analisar a realidade atual de seu tempo e tampouco emitiu opiniões mais precisas ou elucidou tarefas da filosofia com relação aos seus objetos — isto é. O que podemos destacar sobre esses dados ainda é a ausência em várias edições de autores e/ou temas filosóficos até o ano de 2002. e mesmo sendo um espaço reservado para a reflexão sobre a cultura em geral. ou artigos de comentários. de certa maneira. que logo se tornará Editora Bregantini). a grande maioria dos artigos de filósofos eram resenhas ou ensaios de divulgação de obras e conceitos. não se escrevia sobre assuntos concernentes ao campo das problemáticas filosóficas na revista. Ficamos a imaginar o que pode tê-lo tornado. Ou ambas. Filósofos eram pouco requisitados para darem seus pareceres e. fossem histórico- biográficos. os artigos dos dossiês se propuseram ora a divulgar ora a comentar. Tampouco se viram filósofos falarem sobre assuntos do presente/cotidiano ou relatarem alguma referência clara à atividade específica dos filósofos. Com exceção da entrevista com Chaui.

97 e 98. mestre em filosofia e doutoranda pela USP. debutando em setembro de 2010. com um artigo do professor de filosofia. mas outros autores. de junho de 2003. Na sua grande maioria. inicialmente. contabilizando sete artigos. até a edição 95. Tiburi e Safatle escrevem. editor de filosofia da revista ao longo de 2008. n. na edição 105. até agosto de 2006. e um artigo (edição 65 de janeiro 2003) de Tessa Moura Lacerda. Até final de 2013. contava com artigos dos professores de Ética e Filosofia Política da USP e da Unicamp. que nunca mais reapareceu. cuja primeira aparição ocorreu em julho de 2002. contabilizando 14 e 18 artigos. é quem escreve. de julho de 2006). intercalando seus artigos com Christian Dunker. respectivamente. com uma reflexão sobre o mundo pós-11 de .  Filosofia: resenha ou Filosofia: livros — aparece na revista em agosto de 2007. intitulada Diálogos na transversal (a partir de maio de 2013. 13 artigos de modo regular a partir de abril de 2007. na edição 122. Antes dessa seção. Renato Janine Ribeiro (da edição 69. como Marilena Chaui e Marcia Tiburi também contribuíram para a seção. Eduardo Subirats (setembro de 2002. numa seção denominada Estética. Após algum tempo para de redigi-la e ingressa numa outra coluna. nome para tematizar artigos avulsos da revista. de janeiro de 2006. oficializa-se como colunista em março de 2008. Eduardo Socha. edição 179). na edição 150. na edição 59. mestre e doutor em filosofia pela USP. Luiz Paulo de Rouanet (sobre renda básica e filosofia política) e se repetirá por mais cinco vezes. Feitosa escreveu em duas edições consecutivas.  Colunas de filósofos — a primeira colunista filósofa da revista é Marcia Tiburi. passa a se chamar apenas Ética) — alternadamente a cada mês. 94  Filosofia Cult — teve início na edição 58. de setembro de 2005) e Roberto Romano (da edição 70.  Ética & Política (a partir de outubro de 2005. aproximadamente. nas suas respectivas colunas. psicanalista e também colunista da revista. mas se consolida como seção relativamente regular em março de 2008. edição 112.61. ela redigiu.21 21 Houve ainda uma seção chamada Situações críticas. na edição 99. no interior de uma seção chamada Filosofia. contabilizando nove artigos de Luís César Oliva. Vladimir Safatle é o segundo colunista filósofo. na edição 122 e continua escrevendo regularmente até a edição analisada pela nossa pesquisa. 65 e 21 artigos. de março de 2003. de junho 2002 e desapareceu na edição 67.  Filosofia com arte — escrita por Charles Feitosa. de maio 2003. nas quais três dos escritores são autores de filosofia: o filósofo catalão. até a edição 104.

indicam algumas obras de filósofos que trataram do assunto e descrevem o contexto histórico-social em que tal pensamento se inseria. Quem começa a escrever na seção Ética & Política é Renato Janine Ribeiro. Em uma única página. p. Ele versa sobre o tema. com déficit social. Na Filosofia Cult. Aristóteles. 2003. entre junho de 2002 e março de 2003. Seu artigo intitula-se “Democracia: entre a mimese e a criação” (p. 95 Adentrando um pouco na análise das seções. Em todo seu setembro). de modo breve e simples. No seu único artigo. finalidade. em maio de 2003. Pascal e Descartes.16). possam começar a dar aulas de democracia aos ricos: “Eis uma questão fundamental para a filosofia política” (p. era uma proposta híbrida. Lacerda escreve sobre Leibniz e liberdade de escolha. da crise do modelo de democracia vigente no Primeiro Mundo e o fracasso antropológico da política ocidental em sua tentativa de impor a países como Iraque e Afeganistão um direito baseado no indivíduo e uma sociedade fundada na economia. Walter Zingerevitz (janeiro de 2003.15). a Filosofia Cult desaparece e. Platão. Oliva escolhe alguns conceitos-temas caros à atualidade social. Ele suscita a questão do Terceiro Mundo como nova potência democrático-política. Como apresentada pela própria revista. mas tampouco ensaísticos. o doutor em filosofia e professor das Faculdades Integradas Tibiriçá. n. causalidade. Chaui. progresso. buscando a origem de tais conceitos/temas e indicando as discussões para o seu porvir.65. sem demasiadas conexões ou sem querer expor sua visão de maneira explícita. na edição 69. a seção pretende dedicar-se a “discutir o significado filosófico e ético dos fatos mais importantes do mundo contemporâneo. política e filosófica. São comentários que não chegam a ser totalmente exegéticos. sobre a influência do pensamento de Bachelard na modernidade). tematizando tal reflexão como um assunto relativo à nossa contemporaneidade. Pouco menos de um ano depois de seu lançamento. De certa forma. estreia a seção Ética & Política. como modernidade. contemporâneo à escrita do artigo. E questiona-se acerca da possibilidade de que as democracias emergentes. os autores procuram refazer certos percursos da história da filosofia. . valendo-se de Bacon. Lucrécio. críticos ou propositivos. Os textos serão assinados em edições alternadas por dois dos maiores especialistas no assunto” (REDAÇÃO apud RIBEIRO. Jean Bodin. Espinosa. tratemos de alguns artigos de cada uma das seções. Santo Agostinho.14-16). que mesclava o comentário da história da filosofia com a fluência de um ensaio temático-conceitual.

Segundo a autora. no que diz respeito ao trabalho com as palavras. Tiburi reconhece que o afastamento da filosofia da sua materialidade linguística. Acerca dos modos como esses colunistas operam em seus artigos. desde a antiguidade. passa. é pela separação entre . tal relação estaria na tensão entre a razão dos conceitos. Origens do individualismo inglês. como as eleições. o livro de Alan Macfarlane. consolidou o poder estratégico-histórico do pensamento metafísico como um lugar do indizível ou do ainda por dizer. Romano vai defender como a realidade atual da democracia é fruto de uma intensa modificação de seu conceito e prática ao longo da história. Muitas vezes sem citar uma só obra teórica ao longo das próximas colunas. Para a autora. cabível apenas à filosofia. e os afetos das palavras. Intitulado “Deuses e democracia” (2003. de janeiro de 2006. na edição 99. com a condenação dos sofistas e retóricos. Valendo-se de mais de seis citações teóricas. Já Roberto Romano pode ser considerado um tanto comedido e fiel à tradição acadêmica. de modo que o autor busca defender a tese de que a estética é um conhecimento inteligível. é Roberto Romano quem escreve. próprios ao trabalho filosófico. valendo-se de citações precisas de obras teóricas e tomando um tema da história da filosofia para iluminar uma situação do presente. sem seguida.16-18). Esse exame inicia-se a partir de temas do filósofo alemão Alexander Baumgarten. apesar de imediato e intuitivo. a partir da perspectiva hegeliana. de junho de 2003. Feitosa remonta às origens histórico-filosóficas da estética a fim de questionar seu estatuto de experiência apenas sensorial e não inteligível. geralmente girando em torno do contexto político atual brasileiro. aborda a relação e as diferenças entre filosofia e literatura. Na edição seguinte. podemos dizer que o estilo de Renato Janine Ribeiro é um tanto mais desinibido e pouco temeroso com relação à legitimidade de seu discurso. por Platão e retorna à teoria estética de Hegel. conceitual e temático com um ensaio teórico-metodológico em torno da investigação estética. 96 artigo. mais próximos do trabalho literário. na edição 122 de março de 2008. O primeiro artigo da seção Filosofia com arte. Ele alia um comentário histórico. Já o primeiro artigo da coluna de Marcia Tiburi. Ele traz um apanhado sobre as concepções de democracia e as práticas políticas contemporâneas. ele reflete sobre acontecimentos específicos do presente. ele cita. os valores do eleitorado etc. Ele encerra propondo que uma investigação mais sensata da arte deveria começar colocando fim a alguns dos pressupostos fundamentais da própria estética. p. o texto explora a defasagem entre as concepções de democracia ao longo da história. sem muita importância para o desenvolvimento de seu tema geral.

22 Tal empreitada. data. acerca de um episódio próprio da condição humana — o momento de quebra e ruptura e o momento de enfrentar um obstáculo — a partir das metáforas do prato quebrado como a vida interior do indivíduo e do muro como obstáculo na vida a ser saltado. Uma noção de vida. Encerrando. O ensaio direciona-se para ponderar acerca do estatuto da subjetividade humana. sem dispô-las no formato ABNT (autor. Do meio para o final do artigo. As referências completas podem ser consultadas nas fontes ao final do texto e no Anexo I. a cisão entre filosofia e retórica. visa entrever a 22 Para a menção genérica de artigos da revista a partir daqui. segunda Safatle. benevolente àqueles que continuam tentando. por assim dizer. consubstanciado na ruptura ou no obstáculo. que extrapolaria as letras possíveis do alfabeto para identificarmos seus artigos e citá-los corretamente. da sua forma de se constituir como uma dimensão funcional por meio das possibilidades de viver experiências evitáveis ou inevitáveis sob o risco do sofrimento. em setembro de 2010. a fim de desconstruir certa autoridade metafísica da filosofia. limitar-nos-emos a apresentar a edição e os autores. de modo ensaístico. Tal sofrimento. o primeiro artigo de Safatle. Essa ameaça. . deslocamentos. incorrendo num pensamento covarde. Há algo de comentário histórico-conceitual no artigo de Tiburi. prossegue Tiburi. vida capaz de resolver os problemas que ela coloca para si mesma. mas pela exigência ontológica e ética da responsabilidade pelo que foi dito e escrito. Os autores de filosofia na CULT: constâncias. 97 conceito filosófico e palavra retórica que a filosofia consolidou sua autoridade na história do pensamento. A filosofia. ao redistribuir. em duas partes. não ocorreria pela afecção desviante da palavra em relação ao pensamento rigoroso. no entanto. contudo. tenderia a ser superado quando compreendido como parte constitutiva da trajetória de vida de um indivíduo. buscando descrever as constâncias e os deslocamentos entre as diferentes estratégias discursivas utilizadas. necessário para sua transformação e fortalecimento. medita. Isso se deve à grande quantidade de autores mencionados. a autora afirma que a filosofia não deveria se esquivar desse destino material do seu dito. num cenário geral dos artigos de autores de filosofia na CULT. é sempre ameaçada pela sua proximidade com a literatura. a autora leva a discussão para a perspectiva que lhe interessa: a relação possível e necessária da palavra literária com o pensamento conceitual filosófico. então. página). Finalmente. na edição 150. diferenças Enveredemo-nos.

ora teoricamente. Daí os artigos privilegiarem como seus temas e objetos. como o próprio indica. de certo modo. para uma seção chamada Ética & Política. as questões ideológicas e os dispositivos sociais que configuram sociedades mundo afora. abordados muitas vezes de forma ensaística. muitas vezes com um tom denunciativo de certas práticas. Por outro. podemos observar de que modo a filosofia toma como tema e objeto algo mais específico. restringindo a análise filosófica ao seu caráter ético e político. oriundas da teoria crítica. Seu objeto deixa de ser conceitos mais ou menos aleatórios da modernidade retomados por uma abordagem histórica e passa a ocupar-se de acontecimentos do presente. como Brasil e Estados Unidos. cultivando o campo epistemológico relativo aos sentidos. aos seus regimes de governo e às relações sociais entre Estado e população por meio da aliança entre comentário histórico e ensaio crítico-opinativo. bem como os certos tipos de atividade filosófica. na maior parte do tempo. Por último. foca nos temas relacionados às teorias políticas. grosso modo. Ética e política entendidas. da estética e da psicanálise. principalmente. de abarcar os vários campos da filosofia. tais como a discussão das orientações políticas direita/esquerda ou tecnologias de vigilância e espionagem utilizadas pelos governos. Poderíamos dizer que a primeira mudança da seção de filosofia. A seção Filosofia com arte (anteriormente denominada Estética) volta-se para a reflexão sobre as técnicas. ao modo da história da filosofia. ela. o regime político da democracia e suas particularidades em cada país. A seção Filosofia Cult trata de temas mais tradicionais. 98 possível formação de uma regularidade discursiva que caracterizaria a atividade filosófica quando praticada na mídia. A seção Ética & Política. especializa-se. a criação e os efeitos das produções artísticas dos seres humanos sobre si mesmos. como dissemos. como análise das formas de governo político e seus valores morais estabelecidos. ora opinativamente. elas contemplam. A entrada da seção Filosofia com arte contribui para esse processo de especialização. No caso específico das seções de filosofia. entendendo tal processo como uma tentativa de . os quatro grandes campos ou estratos. apresentam um deslocamento do sentido que a própria revista concederá à atividade filosófica e seu objeto de análise nos anos seguintes. Por um lado. refazendo tal história muitas vezes de modo sóbrio e tradicional. bem como os autores escolhidos e seus estilos. De uma seção cujo autor valia-se da história da filosofia como modelo de apresentação de temas. as colunas de Tiburi e Safatle abordam seus temas a partir de uma perspectiva filosófica crítica e/ou do sujeito. pode ser uma tentativa.

tendendo para certa descrição de suas características essenciais. a voz e o grito na música. tratando principalmente de assuntos relevantes da atualidade ou próprios de certo entendimento da condição humana — uma investida sobre acontecimentos sociais. a música. a literatura. Tiburi escreve mais sobre uma cultura pop. a coluna de Feitosa escolhe campos das produções artísticas. o funk. mas transitando por autores franceses como Foucault ou Deleuze. passando pela música até as análises da subjetividade (sexualidade. Nas colunas de autores de filosofia. que abrangem quase 24% de todos os artigos de nosso arquivo. saúde mental. como indústria cultural. Do comentário histórico da filosofia. comportamento etc. Ambos também partem de temas e objetos da cultura em geral. encontramos o modo ensaístico no seu estado mais peremptório. procuram ou relacioná-los ou partir de algum acontecimento da atualidade e do presente. principalmente. Contudo. fazendo da filosofia um exercício não mais tanto exegético. fazendo uso principalmente de conceitos da teoria crítica de Adorno e Horkheimer. como o rock. para servirem de temas e poder discutir. O que parece interligar todas as estratégias discursivas das seções de filosofia são certas abordagens dos seus temas e objetos que. cada uma a sua maneira. passando pelas meditações ético-políticas da atualidade. então. o labirinto na arquitetura). não se vale tanto da teoria crítica quanto dos conceitos e temas forjados no interior das teorizações psicanalíticas de Freud à Lacan. a arquitetura e. como pudemos notar. tais como a dança. Há todo um deslocamento de uma orientação basicamente histórico-conceitual e analítica em direção a uma orientação estético-política e opinativa. Um uso ilustrativo da arte para a vida. a partir de elementos característicos de cada um (a coreografia da dança. políticos. todo um uso da arte e de artistas como dispositivo e exemplos de criação e reflexão. de análise e proposição de modos de pensar e viver.) — este. filmes e documentários. . 99 analisar o presente. um tema caro entre os colunistas. as possibilidades de sua relação com a vida cotidiana. e engajando-se nas problemáticas relativas ao nexo temático-teórico do feminismo através de Kant. econômicos e também sobre uma espécie de natureza humana. da arte e da psicanálise para analisar tanto questões clássicas quanto pop. Ambos seguem a linha das seções de filosofia. o pensamento como comparação entre elementos heterogêneos. O professor de filosofia da USP. como Tiburi e Safatle. no entanto. Safatle aborda desde o capitalismo. chegando às alianças com as teorias crítica. o belo e a imagem em movimento do cinema. Há. são seus temas e modos de abordagem que se alteram. Nietzsche e Agamben. o cinema.

n. de fato. III. por exemplo. de Sartre (segundo dossiê na edição 91). também encontramos algumas constâncias e deslocamentos ao longo dos 17 anos. Poucos são aqueles que. conceitos e teorias filosóficas são a maioria. Adorno.44).25 Foucault (primeiro dossiê na edição 81)26 e Hegel (que 23 Conferir Anexos II. Platão. na qual se aborda sua trajetória intelectual. Agostinho. de Chaui. Os principais autores citados durante esse período são (daqui em diante.52) De 2002 até 2004. quando modalidades enunciativas como a resenha e a divulgação de conceitos começam a aparecer. com exceção da entrevista da professora de filosofia da USP. globalização e sociedade pós-industrial (Eduardo Subirats. Maquiavel. n. No que diz respeito ao âmbito geral dos artigos de autores de filosofia. segundo Adorno). Foucault. Hegel. Luiz Damon Santos Moutinho (existencialismo. IV e V. Husserl e Arendt ganham evidência nos artigos e nas três entrevistas com filósofos nesse período. Rousseau e Kant (2003). Adorno e Sartre e demais pensadores franceses contemporâneos (2005).23 Em meio a artigos de resenhas de livros e filósofos escrevendo e fazendo crítica literária. tendo como principais temas Nietzsche. Kant. Sartre. sempre em ordem decrescente de assiduidade): Bacon. autores menos canônicos passam a ganhar terreno. consciência e as influências de Hegel. de Nietzsche e de Heidegger. Outros autores como Aristóteles. aproveitando o espaço público da revista. passando a cair a partir de 2005. 24 Escrevem: João da Penha (com uma biografia intelectual e a herança crítica de seu pensamento).46). Kant. trabalham com a materialidade de um arquivo para uma análise pormenorizada sobre alguma questão específica. Aristóteles. constituídos por artigos de comentários histórico-temáticos e conceituais. literatura e filosofia (Michel Deguy. Hegel e Hobbes (2004). seu papel como intelectual e sua participação na política no Brasil. metafísica e existencialismo (Gianni Vattimo. Franklin Leopoldo e Silva (sobre liberdade e compromisso). . os artigos ao modo de comentários históricos acerca de temas. Wittgenstein. e Kierkegaard. e a relação entre poesia. Agostinho e Espinosa (2002). com destaque para a permanência. Pascal. Kierkegaard e Husserl na filosofia sartreana).24 Adorno (primeiro dossiê na edição 72). Todos os citados circulam parcialmente em todos esses anos. os primeiros quatro anos e meio da revista são marcados pelos quatro dossiês sobre a filosofia de Sartre. 100 quanto fundamentado por impressões pessoais e sustentados pelas formações teóricas de seus autores. n. 25 Jeanne Marie Gagnebin (sobre o grande sistema de dominação social que constitui a Auklärung.

97 e 98) e pós-modernidade (Claudio Julio Tognolli. n. Além de duas entrevistas.83). ética e verdade em Tomás de Aquino. além do dossiê. filosofia e educação (entrevista com Mario Sergio Cortella. espiritualidade. n.85).A.U. políticas públicas (entrevista com Olgária Matos. cultura. Marcio Gimenes de Paula (relação entre Kierkegaard.. cristianismo. (Nietzsche. crise. com Michel Onfray e Olgária Matos. 30 Na edição 98. com a democracia. são hegemônicos os temas e acontecimentos da atualidade em geral. citando Pascal. escrevem Tiburi. Sócrates e Cristo).U. imperialismo). n. Goethe e Montaigne). Kierkegaard. indivíduo e liberdade.98). Oswaldo Giacoia Jr. democracia e sociedade). com destaque em um dossiê sobre filosofia e fé (n. 29 Franklin Leopoldo e Silva (solidão e solidariedade pelo viés do existencialismo. religião. na qual se concentra o maior índice de autores de filosofia numa só edição. sobre os diferentes modos de filosofar.27 Temas e teorias dos artigos sobre os filósofos acima abrangem a pauta da ciência. Destaque especial para uma edição inteira sobre filosofia contemporânea (n. Em 2005. Feitosa e Kwasi Wiredu. como: capitalismo (segundo dossiê Adorno na edição 92). E. Fabiano Curi (entrevista com Luiz Felipe Pondé sobre filosofia. Luiz Bernardo Leite Araújo (Habermas. Foucault.28 Esse é também o ano da segunda entrevista concedida por Chaui com destaque de capa (n. Dostoiévski). sobre o contexto da discussão política na mídia àquela época e os rumos políticos. estética (artigos de Feitosa. suas polêmicas) e Salma Tannus Muchail (um breve comentário introdutório sobre a prática intelectual filosófica de Foucault a partir de suas investigações históricas). Renato Janine Ribeiro (o engajamento político de Sartre).. guerra) e Heraldo Aparecido da Silva (E.A. 27 Roberto Romano (fanatismo religioso. . do materialismo dialético e do existencialismo. eles restringem-se e passam a girar em torno da política. (entrevista com Richard Rorty).U. filosofia da religião). Se nos primeiros anos os principais temas eram as teorias e conceitos de filósofos clássicos da história da filosofia. Rodrigo Toledo França (tecnologia. Álvaro L. Alain de Botton (filosofia pop e solidão). política. de 2002 até 2005.A. seu papel como intelectual. E.30 26 Renato Janine Ribeiro (vida e obra de Foucault. Luiz Paulo Rouanet (John Rawls. com 14 artigos)29 e discussões em torno da religião divididas em dois dossiês (edições 88 e 98). pluralismo e a nova ordem mundial). Rawls e Habermas. aparece como referência em vários artigos). Deus e Pascal). culturais e econômicos do país. Nietzsche também está sempre pairando como uma sombra a ser aludida aqui e acolá.94).97. (filosofia política. filósofo ganês. com a discussão acerca da liberdade (são os anos dos artigos de Ribeiro e Romano). Em 2004.98). e uma entrevista com o filósofo pragmatista John Shook). e teorizações acerca da história pelo viés do humanismo. as teorias políticas e a relação entre Estado. Rorty.M. Cody Carr (filosofia. 101 embora não tenha um dossiê próprio. história das religiões). n. com artigos acerca de Sartre. Marcio Alves da Fonseca (o engajamento em Foucault e a noção operatória de poder como estratégia).88). da antiguidade à modernidade. Valls (resenha de livros que popularizam a filosofia). Paulo Ghiraldelli Jr. 28 Ghiraldelli Jr. os Estados Unidos e seu pensamento ganham destaque (n. e da ética.

U.100. Em particular.125). n. n.141).129). e biopolítica também são conceitos recorrentes. no ano de 2008. O contexto contemporâneo continua sendo o pano de fundos dos artigos. Bobbio. Os anos de 2007 e 2008 — este último alcançando um dos picos de artigos/ano — possuem farta abordagem na discussão a respeito do papel da filosofia e do filósofo. como Habermas (n.149). Todas as outras abordam temáticas como: o ceticismo (n.123).122). (n. a filosofia de Maurice Merleau-Ponty (n. das 11 edições.99.32 Os temas e objetos relativos à democracia. Barthes. 32 Ivo da Silva Jr. são temas frequentemente abordados. n. as reflexões sobre as tarefas e os rumos da filosofia começam a granjear espaço. n. a psicanálise de Lacan (n. com ênfase no primeiro em 2009 (segundo dossiê. Márcio Alves da Fonseca (mecanismos de normalização e os perigos do funcionamento do direito). já que se trata da capa e dossiê dedicados à Goethe e seu legado para o humanismo moderno. genealogia e transvaloração dos valores). Henry Burnett (arte e redenção).139) e Gramsci (n. Comentários ao modo da história da filosofia e divulgação de conceitos continuam como as principais modalidades de enunciação. Espinosa. Benjamin. Adorno. Outros temas de grande circulação pelos artigos são a arte. a política e a ética. a militância e o pensamento de Maio de 1968 na França (n. Temas como a origem da filosofia e seu contexto histórico (com dois dossiês. niilismo e decadência). Sócrates.136). n.106. (filosofia da cultura). Agamben e Heidegger. Derrida.134)31 e no segundo em 2010 (terceiro dossiê. com um dossiê próprio. .A. temos o retorno de Foucault e Nietzsche como protagonistas dos artigos. e o conceito de Deus no pensamento contemporâneo (n. cultura. na edição 130). arte e educação em Pierre Bourdieu (n. Outros autores constantemente citados nos artigos desses dois anos são Hegel. a filosofia da revolução em Herbert Marcuse (n.104.130).138).124).128).103 e 107) e a prática filosófica de autores (Arendt. Bauman (n.109) são maioria ao longo das 11 edições desse ano. o marxismo nos E. n.126). 102 A partir de 2006.121). são predominantes. Rogério Miranda de Almeida (religião. Kant. a filosofia e o amor pelo mundo na visão de Hanna Arendt (n. Ernani Chaves (relação de Foucault com a psicanálise e sua recepção no Brasil). ao direito e ao papel da filosofia e do intelectual. n. Feminismo.127). a sociologia de Weber (n.108. Autores pouco assíduos nos artigos. 10 apresentam temas relacionados ao pensamento filosófico ou às ciências humanas (a exceção quase não chega a sê-lo. Peter Pál Pelbart (literatura e filosofia em Foucault). ganham um dossiê cada. Em 2009 e 2010. 31 André Duarte (centralidade da obra de Foucault para as ciências humanas). Deleuze. n. n. Scarlett Marton (ética. ao poder. capitalismo e psicanálise. Rancière (n. Cláudio Oliveira (a herança de Foucault para Agamben).

As entrevistas também são mais assíduas.164 e 165. Cristiane Negreiros Abbud Ayoub. Democracia. de Adorno a Benjamin. as quais geralmente privilegiam a opinião do entrevistado em relação ao seu tempo presente. cultura pop (n. Marcelo Pimenta Marques. Débora Morato Pinto (Bergson e o consolo do tempo.151 e 152. indagando sobre as diversas funções atribuídas à filosofia. é alcançado no ano de 2011. bem como a teoria crítica.34 As principais teorias evocadas são a psicanálise. Temas gerais. Leopoldo e Silva. a era Lula (n. José Luiz Furtado. com Safatle escrevendo para o dossiê) e rumos da cultura no Brasil e contracultura (n. ubíquas no decorrer das edições. Silvana de Souza Ramos (Montaigne. com Ricardo Musse). com uma coluna de Safatle tocando no tema).151). a modalidade do ensaio crítico-propositivo toma ainda mais corpo nesse ano.156.145. tendo como principais temas a ética.157. mundo árabe (n.148. cujo auge. A primeira edição de 2010 (n. Vale notar que é de 2010 o maior registro de artigos de autores de filosofia/ano e a quarta entrevista com Chaui (n. com colunas de Tiburi escrevendo sobre cultura pop. pertinentes a diferentes áreas do conhecimento. escrevem sobre o tema Olgária Matos e Rafael Cordeiro Silva). é a modalidade enunciativa do ensaio que ganha força. no ano anterior.143) apresenta um dossiê sobre as implicações entre filosofia e consolação. . Jeanne Marie Gagnebin (filosofia para ajudar a viver uma vida sem consolação). Savian Filho. escrevendo Leopoldo e Silva.154. com João Carlos Salles e Robespierre de Oliveira). ela realiza também uma entrevista com Plínio Smith). literatura e cinema (n. Mais um dossiê sobre 33 Luizir Oliveira (Sêneca.33 Com a coluna de Safatle. sua tarefa como pensador ou intelectual e sua biografia intelectual.146). vida equilibrada e o poder consolador do pensamento). tanto históricas quanto em face de sua atual popularização. escrevem Safatle e Paulo Jonas de Lima Piva. 34 Para cada dossiê. como perversão (n. Savian Filho. Fernando Ruy Puente. o mal (n. segundo nossa análise. respectivamente. a experiência pessoal. respectivamente.133). juventude (n. o amor (n.153) ganham dossiês.144). moral e subjetividade).160. Joel Birman e Anderson Gonçalves. religião e literatura sempre estão presentes. É o ano da terceira entrevista com Marilena Chaui (n. Juvenal Savian Filho (Boécio e a função do conhecimento no seu livro A consolação da filosofia). A grande maioria dos temas continua tendo como objeto acontecimentos da atualidade. 103 A partir de 2009. funk. já com a estreia da coluna de Tiburi e.150) e o tempo (n. Haddock-Lobo). Torres Carrasco. a moral e a política. a liberdade. entrevista com Silvia Faustino). São os dossiês sobre mídia e poder (n. as resenhas/ensaios de Eduardo Socha sobre livros e eventos. Destaque para os dossiês sobre ética em tempos de crise (n. melancolia e o riso de liberdade. com uma coluna de Tiburi que trata do assunto). Eduardo Socha e Alexandre Ferreira.

beirando o caráter erudito e informativo. é a quinta entrevista de Chaui. Temas como a condição humana contemporânea. Hegel. Algumas questões levantadas no início do nosso trabalho passam a ganhar maior corporeidade a partir desse panorama traçado no presente capítulo: haveria. nos dossiês. Mais uma vez. Safatle (que na sua coluna comenta o método histórico foucaultiano) e Ernani Chaves (psiquiatria e anormalidade). mostrando como algo deve ou não ser. de agosto de 2013 (n. Por fim. e a tensão entre comentário exegético com o fim de explicar um dado assunto. Ricœur é uma constante menor desde 2009. Sartre e um pouco menos de Kierkegaard. bem como a influência teórico-temática dos fenomenólogos. e o ensaio crítico ou apologético que. são as mais abordadas. Teorias como psicanálise e. como Foucault e. com Kant. Caio Liudvik (sobre as visitas e a relação de Foucault com o Brasil). em decorrência da análise geral dos artigos. de certa fundamentação teórica (sem dúvida a tradição crítica alemã. Heidegger. 2012 e 2013 são anos que mantêm a toada dos últimos em relação às estratégias discursivas utilizadas. com destaque na capa. A realidade brasileira. Nietzsche e Adorno. Hegel. entre os modos tradicionais e experimentais de apropriação e enunciação de um pensamento. Husserl. bem como da própria realidade? São tais perguntas. é objeto da maioria dos artigos. Antonio Negri (sua apropriação dos temas e conceitos de Foucault). Deleuze). o aumento da presença da psicanálise freudiana e lacaniana. mas também do existencialismo de Heidegger. por último. como atividade de pensamento. principalmente. Nietzsche. que nortearam nossa seguinte análise das principais áreas e temáticas tratadas nos artigos que. e. dessa vez. Fechando nosso arco temporal. Sartre e Benjamin são os autores mais citados. marxismo. de maneira quase pedagógica. de certos modos de enunciação (como o recuo histórico em busca da origem das palavras e dos problemas. experimenta e propaga o discurso filosófico como uma opinião de caráter imperativo). n. bem depois.158). um uso anacrônico das reflexões histórico-filosóficas que fazem uso do que foi dito e estudado como uma referência prática para o tempo presente do leitor? Estaria a filosofia. isto é. Marx.182). e a presença dos filósofos pós- críticos. Adorno. . de um 35 Escrevem: Joel Birman (loucura).159)35 e uma entrevista com Zizek (n. Merleau-Ponty e Ricœur. Eles poderiam ser tratados como a consolidação de certa temática e de objetos filosóficos (tanto a reflexão sobre acontecimentos da atualidade e a constante indagação e definição sobre o papel do filósofo e da filosofia). identidade e sexualidade estão na base de boa parte dos artigos. 104 Foucault (o terceiro. configurando-se como uma estratégia discursiva aconselhadora e corretiva do olhar do leitor.

Ética. da obra de Maquiavel e de Hobbes. as quais circunscrevemos sob a denominação de “subjetividade”. Foi ao longo dessa seção. até recuos históricos a fim de tratar. principalmente. por exemplo. ou as maneiras pelas quais os autores procuraram definir o trabalho do pensador. no papel ou na tarefa da própria filosofia. do filósofo ou do intelectual. antes delas. um gesto passou a se configurar com relação aos autores de filosofia: estes passaram a discutir. Acreditamos que nosso foco deveria residir nas discussões em torno da política e do pensamento — ambos. de aspectos de comportamentos modernos. indicaram a passagem do filósofo como historiador e/ou especialista em alguma teoria para a posição daquele que atua. Política. que redundariam na função. como o fascismo. analisar e emitir opiniões sobre os acontecimentos contemporâneos. A função pública do filósofo na CULT: diagnósticos e farmaceias No decorrer dos artigos. passando pela questão da liquidez proposta por Bauman até a necessidade de tomada de posturas críticas e reflexivas por boa parte dos artigos. Pôde-se ler desde comentários acerca dos regimes totalitaristas do século XX. o nazismo e o stalinismo. com as seções e colunas. Política e democracia Uma das principais áreas de conhecimento filosófico abordadas nos artigos foi a política. em que a democracia é o regime hegemônico. entre concepções de conhecimento e procedimentos práticos. na forma de discussões sobre comportamento. por . talvez. já que os dois especialistas no assunto comentavam questões atuais à luz de seus conhecimentos na área. mas. principalmente com as entrevistas. que. Enquanto a questão da ética redunda em inúmeros comentários a respeito dos valores. por meio de seu arcabouço teórico. Tais escritos e posicionamentos dos autores abordaram três principais temáticas. Pensamento. pertinentes um ao outro. e reverberando na constituição da noção da subjetividade contemporânea segundo os autores abordados. Primeiro. bem como com alguns artigos esparsos. nas discussões acerca dos rumos de seu presente — aquela tarefa que ficou conhecida como sendo a do intelectual. valores morais e descrições acerca da constituição e da natureza humana. como veremos. Isso se deve. na forma de discussões em torno dos regimes de governo mais propícios para nosso tempo. 105 modo geral. aos dois anos de seção Ética & Política.

o tema da democracia como regime político passou a ser examinado e. além de mais de 40 artigos sobre o tema (ou seja. políticas e de fechamento das expectativas culturais”. estaríamos vivendo numa espécie de autoritarismo do conhecimento. numa mescla de “niilismo e de resignação insatisfeita ou satisfeita com o tempo presente” (p. Marilena Chaui anunciava vivermos “num tempo de crise. de junho de 2000. 106 exemplo. pressupõe que aquele que dirige e comanda sabe. não sabe. instalando no seio das relações sociais um empecilho para a democracia. Também do ponto de vista de uma crise atual. diagnosticava as sociedades ocidentais vivendo no interior daquilo que ele chamou de Império. Isso. por algumas vezes. em sua entrevista na edição 69. a maneira pela qual esse universo pós-moderno transformou a razão no veículo de todas as formas de autoritarismo e de totalitarismo” (p. extremamente eficaz na denúncia da ambiguidade da 36 Basta fazer uma varredura nos títulos dos artigos para encontrar 13 com a palavra democracia. identificado com uma economia de mercado globalizada mediante a qual pareceria impossível qualquer forma de resistência. conceito que resumiria as características de formas de poder transnacionais e transgeográficas. a eliminação da assembleia como o lugar de onde sairiam as decisões e transportaria tal tarefa para a figura do dirigente técnico e/ou erudito. cujo objeto de governo seria a vida social como um todo. tece algumas condições para o exercício do intelectual em meio a esse contexto de ameaça à democracia.45).36 Na edição 35. quase 8% do total de artigos).45). por exemplo. em sua primeira entrevista publicada na CULT. Em face do Império. de maio de 2003. Para a filósofa brasileira. além dos autoritarismos pré e pós-Segunda Guerra. como conjunto de ideais e valores que fundam boa parte das divisões de trabalho contemporâneas. próprio talvez da dialética do esclarecimento anunciada pela Escola de Frankfurt. marcado por uma ideologia da competência. colocaria um problema para o próprio intelectual como personagem nessa engrenagem ideológica. estaria na ordem do dia a discussão daquilo que é a “crise na e para a filosofia que é a crise da razão. de fechamento das expectativas sociais. Chaui. Isso pressuporia. sem armas. e aquele que obedece e executa. respectivamente. . passando ao estatuto de questão central. defendido. Antonio Negri. “movimento sem fronteiras. então. econômicas. A ideologia da competência. como as experiências de protestos antiglobalização de Seattle e Gênova em 1999 e 2001. Segundo esse diagnóstico da filósofa. por sua vez. Negri negar-se-ia a pronunciar fórmulas e respostas e limitar-se-ia a avisar que tais lutas seriam desenvolvidas no interior de dinâmicas locais.

as suas ambiguidades constitutivas. Um dos indicadores para afirmar um destino diferente de sua leitura sobre o revolucionário russo foi a pouca aceitação de seu livro sobre tal retomada nos círculos acadêmicos europeus e norte- americanos.10). sem necessariamente repeti-la. e apesar de toda a promessa antiglobalização. Para o filósofo esloveno. p. por exemplo. para Zizek. de um lado. Num caminho inverso ao de Negri. mas tampouco seria o caso de inutiliza-lo. dado que não possuímos. para Zizek. Imaginamos que.8). e do entusiasmo estilístico. as quais possibilitam que eles sejam usados tanto por progressistas quanto por reacionários. nem tampouco acabar num modismo como ocorreu com Che Guevara. Seu retorno acenava para uma releitura de um personagem e suas ideias do período pré-revolucionário russo. Para além da demonização. Não jogar o jogo acadêmico. dos pensadores ditos pós-modernos que acreditavam ser necessário criar novas fórmulas e conceitos.10). p. boa e global teoria sobre o que está acontecendo no mundo hoje” (p. uma “real. 107 globalização e ao reivindicar sua democratização” (NEGRI. apresentava seu “jogo filosófico” (2005. para Zizek oposição real entre Estado e multitude. anterior à Primeira Guerra Mundial. vide as aspirações. a de um grande conflito global. “estamos em uma crise ainda maior” (p. segundo Negri. Em tais conceitos ignorar-se-iam. o filósofo Slavoj Zizek. esquivando-se.7) sobre a possibilidade de retornar a algum personagem ou ideia. a democratização das oportunidades de mercado e da globalização significaria. Ainda de modo similar a Negri. sua própria ruína. portanto. até então. o caso seria transtornar ainda mais a teoria. estaríamos “hoje em uma situação similar” à de Lenin. por um lado. como o de “sociedade pós-industrial”. quase místico. 2003. em entrevista concedida na edição 90.10). . Um retorno a Lenin não seria repetir todo o processo desastroso que se seguiu após a Revolução Russa com Stalin. de março de 2005. por outro. de outro. MUNCINI. não havendo. Esse personagem seria Lenin. intitulado Multitude. dos marxistas da velha escola que ainda acreditavam na globalização como uma nova forma de imperialismo e. entendendo-o como herdeiro de uma lógica da resistência que não possuía “a força necessária para criar um modelo alternativo”. de tom “totalmente abstrato. Essa era a crítica de Zizek. religioso” (p. à “construção de uma nova sociedade na Terra”. seria repensar a prática e a teoria sem pressupostos dogmáticos. retornar não significaria fazer do passado um modelo. no último livro de Negri. VILLANI. por exemplo. para o Império. às teorias de Negri.

para um uso estético-existencial. pintura ou instalação) o “termo que devemos reservar a toda imagem que ainda nos reserva a distância que promove pensamento” (p. Da democracia como conceito do pensamento político. em dezembro de 2007. sem qualquer suspeita. Outros 37 Ele retornaria ao tema na edição 137. Tiburi considera pensarmos uma ética democrática do olhar como possibilidade de “incluir pensamento no modo como vemos o que vemos” (p. de julho de 2009.38). Dois anos adiante. A democracia. A concepção crítica de Zizek demonstra um pouco os próprios usos do pensamento em nome de valores e regimes políticos: legitimação desses regimes pelo pensamento. na edição 120. entendida aqui. deveria ser levada a sério segundo o entrevistado: pseudoconceitos. 108 A ambiguidade das teorias e conceitos. no artigo intitulado “Democracia corrompida”. utilizados por nações ocidentais tidas como progressistas para pôr em evidência modos de vida contrários aos seus. p. Em última instância. Logo. da “indústria visual” que nos obrigaria ao que e ao como ver o que vemos. Ao final. por exemplo. sem a suspeita de Zizek ou sem seu fundamento no conflito e sua impossibilidade real. “só a arte salva nosso olhar” — entendendo como arte (vídeo. “olhar fascista”. encontramos um dos artigos de Tiburi defendendo a ideia de uma “democracia do olhar” (2007c. esconderiam o próprio terror em projetos de “libertação” dessas nações opostas. tais como “terrorismo”. como uma forma de manipulação dos interesses sociais por uma maquinaria fascista. e metaficização desses valores. por exemplo. por sinal. democracia pode significar nada:37 “ela pertence a um grupo de palavras que não possuem mais sentido diante de uma análise crítica” (p. a libertação do olhar para que ‘eu pudesse ver com meus próprios olhos’” (p.39). ela “seria a eliminação da violência. apresentada ao final da entrevista. seja.38) em face da ditadura do “vejo. revela um tanto do otimismo do pensador esloveno para os ditames da política e do papel do intelectual. segundo Zizek. evocados.39). “revolução” ou “liberdade”) valores e realidades possíveis em si mesmos. Curiosa apropriação da ideia de democracia.11). respectivamente). para Tiburi. Não obstante. significando tanto o levante popular para que mudanças aconteçam. a noção de retornar a estágios anteriores da história para melhorar certas concepções teóricas de pensadores passados. nos artigos de Ribeiro e Romano (edições 75 e 70. seria uma dessas palavras sendo usadas como disfarces. por um lado. cinema. . que “tudo quer abarcar” (p. logo existo”. segundo a autora. por outro — supondo haver nessas palavras (seja “democracia”. Nesse sentido.38).

revelaria que a aversão por um governo político islâmico. por exemplo. refletiria a constante intervenção dos países ocidentais nas decisões políticas desses países. tanto no Ocidente quanto no Oriente: ambos precisarão “inventar um meio de equalizar esse problema. Versão difícil de ser sustentada. por sua vez. países ditos laicos apoiaram diferentes ditaduras em países que tentaram erguer um governo islâmico. uma modernização política que ainda não teria sido alcançada pelo mundo árabe.46). 109 dois artigos de Safatle. a relação entre política e religião estaria longe de ser uma questão resolvida. tendo a palavra democracia sempre à mão como argumento de autoridade. Segundo Safatle. por exemplo. são as que menos acreditam . da mesma forma que nós também precisamos” (p. esquecendo-se que o fenômeno da violência e. a aversão ocidental à ascensão de um governo islâmico encontrou fundamento na violência empregada por tais políticas de governo islâmicas. com o artigo de Safatle intitulado “A democracia que não veio”. nas escolas e empresas. à edição 175. trazem à tona. Ainda segundo Safatle. é algo relativamente recente e alimentado exatamente pela constante interferência dos países ocidentais nos interesses das nações que gostariam de se ver livres das ditaduras. como crucifixos. Chegamos. ora com o de atacar outro. p. os partidos políticos essencialmente religiosos e as variadas referências ao cristianismo. Em oposição às tentativas de organização política própria. Bastaria lembrar não só a representatividade dessas religiões nas câmaras de deputados. nos países do Oriente Médio. Isso representaria. Segundo Safatle. com o cristianismo e suas variadas vertentes. de abril de 2011. um uso interessado de “democracia” seria a apologia que países ocidentais fazem ao seu regime aparentemente democrático e laico face aos regimes político-religiosos do Oriente Médio. devido à influência da religião. “no interior dos quais a força das crenças religiosas deu lugar à possibilidade de uma confrontação eminentemente política” (2011. finalmente. segundo as convicções desses países. mesmo que baseadas nos dogmas de uma religião diferente do cristianismo. O autor afirma que a maioria das pessoas que se portam como defensores dos valores democráticos. de dezembro de 2012. escreve Safatle. do terrorismo nesses países.46). essa ideia relativa de democracia. usado ora com o fim de defender um lado. na edição 156. nos diferentes regimes políticos de países como os Estados Unidos. prossegue Safatle. Esse contexto. talvez. esse conceito conflitivo e disputado. Países ocidentais gostariam de acreditar que seus regimes políticos são sistemas laicos. a Alemanha e o Brasil.

Tiburi. No decorrer dessas discussões aqui apresentadas. uma discussão acerca da influência dos conglomerados globais de mídia sobre a circulação de informação e questões como liberdade de expressão. como formas de problematizar a realidade dos discursos a favor da democracia. Romano e Ribeiro). em suas imperfeições e distorções. ele indica as três razões pelas quais esta ainda não teria ocorrido: a primeira seria “a confusão deliberada ente o jurídico e o político”. na edição 75. vê-se a necessidade de construir um espaço político de absoluta indiferença às identidades ou. conflito pelo diálogo de diferenças e o respeito pela não desqualificação do discurso oposto.11). por vir. A democracia segundo Safatle deveria ser compreendida como algo que não se realizou. ainda segundo Safatle. sem precisar determinar de forma completa o modo de ser do sujeito por processos disciplinares e de controle. Seria preciso levar em consideração. em outras palavras. pondo em pauta os interesses econômico-financeiros que permeiam tais conglomerados e direcionam seu funcionamento. no limite. com a falência do Estado-nação. um Estado capaz de “socializar sujeitos em seu ponto de indeterminação”. a segunda razão seria “o medo atávico da participação popular direta” por parte daqueles que defendem as estruturas representativas e negam a possibilidade de uma participação direta pela tecnologia. a democracia deveria ser compreendida por dois princípios: o de conflito e o de respeito. Isso porque lhes é interessante sustentar a democracia tal como ela existe hoje. não reconhecendo a dimensão extrajurídica do direito de resistência e o caráter provisório das estruturas normativas do direito. principalmente no artigo deste último. vemos a palavra “democracia” oscilando entre a possibilidade real de uma convivência justa e. Seria preguiça intelectual não pensar outras formas possíveis de relações sociais e de poder entre seres humanos? Ou uma espécie de ceticismo filosófico-político. insuperáveis. digna entre seres humanos (caso de Negri. por ora. como engodo. Democracia como redenção. o que não implica a posição contrária a ou simplesmente a favor do atual estado de coisas. Safatle) e outros modos mais céticos e cautelosos (como Zizek. 110 nela. nem que seja utópica. ou democracia como desconfiança do que nos é familiar. no limite. por exemplo. indicando que. que poderia nos levar a uma paranoia infinita e quiçá niilista dos ditames dos regimes políticos para os indivíduos. p. O que caberia à filosofia fazer? . a terceira e última razão seria a “relação de reconhecimento entre Estado e cidadão”. Advogando a favor de uma “verdadeira democracia” (2012. No caso de Romano e Ribeiro.

Para Chaui. àqueles que. ativemo-nos a algumas passagens que nos possibilitaram problematizar tal questão a partir de uma agonística do pensamento. Todo um mapa da tarefa da filosofia poderia ser definido. o filósofo/intelectual teria que de alguma maneira participar da divisão de trabalho que competiria aos executantes. quanto em artigos mais ensaísticos e entrevistas. enquanto intelectual. A filosofia teria. por fazerem política através das letras. mas que abarcasse uma participação direta ou nas ações de um partido político ou nas ações dos movimentos sociais. Em primeiro lugar. . do filósofo ou do intelectual As renitentes investidas que procuram problematizar e redefinir a tarefa do filósofo e da filosofia são tão frequentes quanto díspares. nada saberiam. Por exemplo.61).45). “mergulhar numa ação política com outros e realizá-la a partir de decisões coletivas e sobretudo realizá-la a partir de um aprendizado que você tem na relação com o outro” (p. então. conceder-lhe-ia “uma liberdade muito grande de se movimentar no tempo. portanto. Chaui em relação à atuação do filósofo como intelectual. a partir desses enunciados. logo no início dos anos 1990. descrita pela entrevistada. de operar com o alargamento das fronteiras temporais” (2000.45). os filósofos/intelectuais seriam. tendo como objeto “a interrogação do sentido do ser das coisas” (p. a entrevista com Marilena Chaui na edição 35. “esse poder de abertura da chave temporal”. Pelo fato de terem seu trabalho atrelado ao campo acadêmico-especulativo ou. por mais libertários que fossem. segundo tal ideologia. uma ação não apenas escrita. tais investidas constam tanto dos artigos que comentam o pensamento de filósofos (explicitando aí uma interpretação da própria definição de filosofia desses autores a partir de suas referências teóricas). Foi essa a justificativa para ter se filiado ao Partido dos Trabalhadores ou ter exercido cargo público. parte estruturante da segregação social perpetrada pela ideologia da competência e pelo autoritarismo da razão e do conhecimento. o fato de que dimensão prática da filosofia seria mediada por um trabalho especulativo. Em segundo lugar. A filosofia teria muito a dizer em tempos de crise e de grande fechamento de horizontes. foi a única maneira de provar que se pode. 111 Pensamento e o papel da filosofia. É essa atitude que Chaui chamou de militância. em outras palavras. por exemplo. esta precisaria se posicionar em relação ao contexto atual da crise da razão. Retomemos. p. Contudo. Para escapar a essa condição sine qua non de sua atividade. Em nosso arquivo. com respeito ao trabalho da filosofia. então.

um tanto distante de sua atuação como intelectual pública. partindo da premissa que a política vale-se do pensamento da mesma forma que o pensamento vale-se da política para seus próprios propósitos. agora. ainda. Duas edições após a segunda entrevista de Chaui na revista. No entanto. e. n. o intelectual não deveria propriamente abdicar de seus pensamentos e desejos. uma definição de filosofia.19). propondo-se como uma interrogação “sobre o sentido e o valor do conhecimento e da ação” (2009. limitar e controlar sua imaginação (p. de novembro de 2006. Por isso a pergunta pela utilidade ou funcionalidade não serve para averiguar os contributos da filosofia para o indivíduo e a sociedade. sobretudo. então. ele pode se voltar para o “futuro levando em conta o passado e o presente ou pensar esse futuro na sua imaginação” (p. na edição 108. o que caracterizaria o intelectual em contraposição ao cidadão comum — que tem a possibilidade de agir e pensar seu presente. mas. p. nessa última entrevista. tem CPF etc.85) e. de descentrar. Outros dois autores tratam diretamente da questão do intelectual. Para o entrevistado. Para Giannotti. nessa relação entre presente. pela possibilidade de deslocar. p. Nesse caso. nas duas que se seguem. Conforme Chaui. n. A partir desse engajamento. logo.9). mas ocupando uma posição no espaço público” (2004. — é a diferença de que alguns se “engajam numa atividade política nem sempre partidária. cujos problemas são suscitados pelo seu tempo.9-10). A força do filosofar residiria. a partir do passado e mirando o futuro. após essa primeira entrevista. Sergio Paulo Rouanet. A entrevistada retoma. o direito de também ele flertar com o diagnóstico da situação do país àquela época e discorrer sobre o papel do intelectual. passado e futuro para suscitar problemas. correria o risco de alimentar realidades políticas com resultados práticos nefastos. ponderava a respeito . um trabalho do pensamento e da ação para pensar-se e compreender-se a si mesmo.9). que paga imposto. a CULT dava a José Arthur Giannotti. por último. a defendê-lo em meio às críticas públicas (2009. de modificar o sentido do que já foi pensado. a atitude filosófica inicia-se com a desconfiança da veracidade ou do valor de crenças cotidianas. 112 É notável que. O primeiro deles.133). como atitude diante do presente. a função da história da filosofia para o próprio filosofar: como enraizamento da filosofia na história. ela retoma mais uma vez. um intelectual que pensa o futuro na sua imaginação. a autora passa a anunciar e avaliar os primeiros anos do novo governo comandado pelo partido à qual era filiada (2004. citado na entrevista de Chaui como opositor à sua posição de intelectual. de maneira a deixar seus sonhos determinarem suas ações e desejos.

Tal postura e condições de possibilidade. Segundo Mészáros. pela formulação de julgamentos de valor. de outubro de 2007. precisaríamos criar meios para que “haja uma cultura geral maior do que existe hoje” (2006. sendo tanto descritivo quanto normativo. o filósofo marxista húngaro contesta tanto a recusa da figura do filósofo como intelectual de inspiração sartreana. como dizia Sartre. ele precisaria ser caracterizado. leva em consideração mais a lógica argumentativa do que o contexto histórico. aquele que falaria em nome dos interesses universais. Caso quiséssemos ter de volta tal ator social. estariam desaparecendo devido à especialização na formação acadêmica das ciências humanas. 113 do desaparecimento desse ator social denominado intelectual. dito de outro modo. como o proposto por Foucault na definição de um intelectual específico. um não exclui o outro. arrefecer ou mesmo inutilizar suas teses e gestos. primeiro. em definitivo. no retorno do intelectual universal e orgânico. Poderíamos reconhecer essa aspiração ao retorno ou à manutenção do intelectual universal na entrevista de István Mészáros para a edição 119. p. segundo. saindo do lugar que lhe cabe na divisão dos trabalhos intelectuais para formular julgamentos na esfera pública. diz Rouanet. A tradição que atualmente mais se arrisca a filosofar sobre as questões pertinentes a seu tempo. sob a ameaça de. problematiza a razão de não haver uma filosofia brasileira. quanto a adoção de um filósofo mais circunscrito ao seu campo de trabalho. Para tal gesto. principalmente. que Renato Janine Ribeiro. engajando-se num combate prático munido de um conhecimento especializado. daquele que se volta para os problemas da sociedade na qual ele vive e atua.11). tal como aconteceu com Sartre após Foucault.11). de setembro de 2005. . p. Este. Ali ele ainda conclama a retomada da atitude de pensar o presente por certa tradição europeia denominada continental. um ou outro modo de atuação. por uma formação multidisciplinar e. a qual relacionaria a filosofia com a cultura. num retorno a uma formação mais universalista ou. a analítica. na edição 95. então. Nela. Na sua visão. É no interior dessa problemática do filósofo como intelectual. com a política. não necessitaríamos escolher. em seu último artigo na seção Ética & Política.45). com a história. intromete-se naquilo que não é da sua conta. “a fim de que as pessoas tenham mais disposição em participar da discussão de temas de interesse coletivo” (p. no que compete à “reflexão propriamente filosófica sobre os temas que hoje nos desafiam” (2005. ao rejeitar um e optar pelo outro.

38 Para o entrevistado. segundo seu modo de ver. Na edição 64. e. que não bastaria ficar pensando questões “meramente ontológicas. 114 Para Ribeiro. as correntes filosóficas e os períodos históricos” (2002. o jornalista e professor de filosofia Domingos Zamagna anunciava a filosofia como uma disciplina insólita porque ninguém mais ousaria defini-la. Mario Sergio Cortella afirma que os filósofos brasileiros têm buscado renovar as questões tradicionais da filosofia. por sua vez. ecológica.34). Conforme o autor do artigo. Cortella não afirma que a filosofia deveria guiar o ser humano ou ser ensinada na escola ou no trabalho. Zamagna procurou associá-la. na entrevista publicada na edição 98. de dezembro de 2002. “ambiciona colocar o 38 Curiosa afirmação de Cortella. que buscam a verdade num processo contínuo. Cortella alertava. teológicas ou metafísicas”. mas “olhar o cotidiano e a história” do que fora produzido. consequentemente. vide a sua participação em programas de rádio e televisão. histórica e política singular — não se inova em filosofia ou não se produz filosofia brasileira por não valorizarmos tal realidade. No caminho contrário à argumentação de Ribeiro. numa aceleração “bastante forte da reflexão e compreensão filosófica” (2005. de dezembro de 2005. muitas vezes apenas opinando e ficando na dóxa. a atividade do pensamento seria um “atributo atávico da espécie humana” e muitos filósofos teriam criado formas de pensamento que não eram propriamente edificantes ou pedagógicas. de uma aplicação da teoria que não leva em consideração a experiência cultural. bem como redigir livros que visam facilitar a filosofia para a leitura do público leigo. Isso decorre. Algumas concepções de filosofias que pretendiam redefinir ou renovar o pensamento crítico e filosófico à luz de seu presente já circulavam antes e continuaram a circular nos artigos e entrevistas. p. agora dos argumentos favoráveis à popularização da filosofia. não teorizamos sobre ela. deveria chegar a hora em que os professores e pesquisadores da tradição continental deveriam parar de fazer somente história da filosofia e pensar filosoficamente seu presente. pois “tal definição varia de acordo com os filósofos. continuava. contudo. “Cada pensador”. desde as traduções dos clássicos até a questão de pensar filosoficamente a política. Ainda na contramão. como seriam aquelas próprias dos inspiradores de ditaduras e totalitarismos. no caso. poucos se prestariam “a uma reflexão filosófica propriamente inovadora”. comum e acumulativo. pois não se ensina a pensar. p. .11). ao papel do cientista e à empresa da ciência. embora o Brasil tenha uma comunidade filosófica que se manifesta politicamente discutindo coisas públicas. Mais uma vez evocando a noção de crise.

Luiz Felipe Pondé. Daí a razão de dizer que a filosofia possuiria tantos atrativos quanto as ciências. p. Na perspectiva cética. de janeiro de 2008. muito pelo contrário” (p. realizar uma leitura crítica do mundo e. 115 tijolo da sua contribuição para a construção de um grande edifício”. Oswaldo Porchat.57). bem como a necessidade de uma para a outra. mostrando como outros fizeram antes de nós. poder “produzir efeitos na realidade” (2005. Em oposição a uma parcela significativa da filosofia da era moderna. Nesse sentido. sem necessariamente apelar ao pragmatismo ou a soluções alternativas. Tal modo de fazer filosofia seria uma tentativa de compreensão do mundo e de nossa experiência. “a mais totalizadora e abrangente . em sua entrevista publicada na edição 97 (especial sobre filosofia). significaria “multiplicar os efeitos críticos e radicais”. na mesma edição 64 de dezembro de 2002. Na onda dessa possível popularização. em seguida. Por sua vez. propor uma solução alternativa a esse mundo. declarava que o ceticismo filosófico o fez entender a relação entre a vida comum e a filosofia. por sua vez. enfim. a filosofia poderia ensinar o povo a pensar por outros dois movimentos: em primeiro lugar. mundos extraterrenos ou crenças dogmáticas. quando filósofos iluministas tinham contribuído para o “arsenal conceitual de uma grande parcela da Revolução Francesa” (p. e. de novembro de 2005. problematizava o contexto do pensamento ocidental à luz de uma “virada pragmatizante” (2002. ora como certo ceticismo de fundo. De outro modo. por sua vez. p.19). em segundo. Resumindo: “o terror é condição geral do ser humano e o modo ‘medroso’ de enfrentá-lo não é necessariamente religioso. Pondé defende um retorno ao pensamento religioso como forma de crítica ao pensamento pragmatizante do mundo moderno e contemporâneo. segundo Onfray. De outro modo. o qual. Uma filosofia para o povo. a filosofia atual estaria confinada aos especialistas e universitários. resgatando o ensino de filosofia. por vezes construtivo (vertente esta que levou a uma reflexão utilitarista e epistemológica de viés propriamente pragmatizante). a fim de mostrar sua relevância para o presente. p.9). encarada pelo autor ora como pura miséria intelectual e próxima à autoajuda.19). a filosofia cética se voltaria para o “espaço mundano” (2008. praticando uma história crítica do mundo. Em resumo. Ao seu modo. na verdade. na sua entrevista da edição 121. não oferecendo grande perigo. o chamado de Michel Onfray era para a filosofia se libertasse das amarras da universidade para. para alcançar esses efeitos críticos e radicais seria necessário.9). alimentaria os interesses do pensamento para trabalhar analiticamente sobre a vida comum e seus dilemas. não haveria verdades transcendentais.

Daí a razão do filósofo entrevistado tomar a pergunta pelo papel político do intelectual como uma forma de expor. segundo o entrevistado. Nesse sentido. as Meditações metafísicas (Descartes). caso optasse por participar de levantes populares ou manifestações políticas.60). tradição presente tanto na antiguidade quanto na modernidade.18) e recusar esses esquematismos espiritualistas new age. Porchat prossegue afirmando que o filósofo cético não precisaria voltar-se para a situação ético-política de uma sociedade de modo especial. cujas posições e escolhas foram pouca lúcidas e um tanto dogmáticas. Seu trabalho seria o de ajudar os outros a “refletir e não o de pensar por eles”. afastando-se dos engajamentos políticos. comum a qualquer cidadão. o entrevistado propunha um retorno à psicanálise de Freud e à filosofia em geral para praticar uma “espiritualidade sem Deus” (2008. também ele. seria o de “trazer um pouco de complexidade. por exemplo. sem diferenciação e rigor no seu pensamento tal como teria sido propagado na França desde os Novos Filósofos¸ na década de 1980. seria o de “escrever livros e não o de dizer em quem votar” (p. Na longa entrevista concedida em dezembro de 2008. cheios de confusões e sentimentalismos frouxos. Essa atitude. a qual não escrevia para uma comunidade culta. O intelectual deveria trabalhar e não simplesmente assinar petições. de inteligência. também o seriam a Carta a Meneceu (Epicuro). só distinguir-se-ia da opinião do cidadão pela sua capacidade de se dirigir ao um âmbito mais geral. a relação entre intelectual e cidadão. seria o de “buscar a verdade e não o de dar lições de moral”. continua o entrevistado. mas para a humanidade. Dito isso. Se isso fosse considerado popularização da filosofia. fá-lo-ia não como intelectual. 116 possível” (p. de dúvida ao debate público e não o de reforçar as paixões e os esquematismos de uns e outros”. os Ensaios (Montaigne). assim. de Sartre e Bourdieu. . o Dicionário filosófico (Voltaire) ou a A gaia ciência (Nietzsche). sua posição na política seria a de exercer sua profissão de pensador e.20). Conforme Comte-Sponville. p. Avesso ao ideal da popularização da filosofia nos moldes do uso de grandes conceitos. dizendo respeito “à comunidade dos seres humanos” mais do que “ao contexto particular de um país” (p.60).16). não seria o caso de inventar uma nova ciência ou comentar a filosofia dos outros. seria parte da própria atitude filosófica que privilegia a vida comum e. mas “reatar com a tradição filosofante” (p. na edição 131. mas como cidadão. André Comte-Sponville respondeu perguntas sobre o papel do intelectual e sobre sua concepção de uma filosofia feita sobre o presente para a humanidade.

é algo inevitável. de outubro de 2009.24). Tiburi também abordou um subtema recorrente (por exemplo. seria “um mago da palavra porque conhece a lei de seu funcionamento”. metafísica. quando nasce. pensando com Agamben. ameaçaria “calcificar” a educação. profanadora. p. que surja dos problemas de seu tempo. para Tiburi. ela seria a “história . “sempre ameaçada de virar certeza” (2007b. por outro. em nome da dúvida. contudo. tarefa tanto da educação quanto da filosofia.40). No seu artigo da edição 123. falava a respeito da responsabilidade da filosofia nos dias de hoje. Não podendo negligenciar “a vida em sua dimensão real. seria uma primeira atitude para. para a autora. ainda nesse artigo diz. O discernimento entre a filosofia e sua história (sempre as grafando com maiúsculas). afirma que o que importa à filosofia é “enfrentar a nudez dos fatos” (2007a.40). seria análoga ao gesto de restituição democrática de devolver à esfera humana o que tinha sido sacralizado. no caso de Chaui. núcleo essencial. acima): a relação da filosofia com sua história. resumido na ideia da crítica como formulação de problemas: “a crítica aos falsos problemas e a formulação daqueles que realmente importam” (p. às vezes de forma mais breve ou mais alongada. 117 Entrevendo um meio termo entre pensamento empírico e pensamento transcendental. próprio de Bergson. expondo o complexo sem torná-lo raso. também expressava alguns posicionamentos sobre como pensa o papel do filósofo e da filosofia. por um lado. p. A partir do anúncio de que a filosofia está na moda. Sua potência. ela afirma que o filósofo. mas que. quando pensada como saber constituído ou área pertencente apenas aos eruditos apartados das relações sociais.34).113). o papel da filosofia seria retomar um gesto duplo. destituí-la de sua superioridade datada cronologicamente como verdade absoluta e. promover sua atitude reflexiva. Escrevendo sobre o conceito de profanação em Agamben (n. intensa. entre os temas abordados em sua coluna. Frédéric Worms. Por exemplo. Uma má filosofia.114). muitos interessados gostariam de conhecer sua história. p.40). de abril de 2008. nesse sentido. nem em sua dimensão última. facilitando sua compreensão. ao escrever sobre a relação com o feminismo (n. Marcia Tiburi. frágil. concreta. p. segundo Tiburi. que a “boa filosofia”. talvez menos real” (2009. em meio à sua popularização seria a da “modificação das bases da educação pelo avanço da crítica e da compreensão em território sem especialização reflexiva” (2008. especialista em Henri Bergson. podendo “minar um projeto de formação para a democracia” (p. logo abandonaria a poesia.40). Que a filosofia esteja no interior da história. em sua entrevista publicada na edição 140.

No primeiro. seja. 118 do pensamento crítico ligada à vida de certos homens que a escreveram e à cultura à qual pertenceram” (p. não se poderia narrar sua história como consolo para a posteridade. perpetrada nas pós- graduações das universidades. elimina-se tal núcleo essencial da filosofia — situação. de modo organizado e com espírito sistemático. a democratização dos saberes e o desencantamento do mundo não poderiam se satisfazer com o apelo a qualquer forma de “entidade transcendente” como consolo — caso contrário. seja para estudar os conceitos. as teorias. Evitando ser complacente com duas modalidades atuais da filosofia. as modificações da atitude crítica em meio à modernidade: numa aliança entre cristianismo e Iluminismo. foi apresentada por Luís Oliva na primeira seção da Filosofia Cult. a filosofia seria uma forma de compreender o presente a partir da história de seus conceitos. seja para continuá-lo ou rejeitá-lo” (2002. julho de 2002. como uma nova terapia ou como a arrogância erudita da lucidez crítica. caindo na confusão entre discurso filósofo e religioso. a nosso ver. com vista tanto ao estatuto do presente quanto à historicidade de sua prática. num caso implícito. a saber. Ainda. edição 59. p. Dessa afirmação. A filosofia e sua história deveriam manter. Afirmando-a como liberdade do pensamento. ao promover uma leitura historiográfica que “apenas repete e assina embaixo dos grandes conceitos do passado”. ponderou a respeito da relação entre filosofia e consolação. as interpretações que aparecem” (p. abandonar-se-ia todo o discurso que buscava se fundar na razão e na impossibilidade da metafísica. é preciso defender a filosofia como algo que é criado e recriado a cada vez que alguém se “dá o trabalho de elaborar. Num primeiro momento. Talvez de modo semelhante. as concepções.41).40).24). um diálogo crítico com o que é pensado e estabelecido. Oliva afirmava que uma das primeiras lições para quem começa a estudar filosofia seria “a descoberta de que os conceitos têm uma história e por isso sempre se referem ao passado. bastiões do “pensamento como instituição” (p. poderíamos retirar. o artigo de Jeanne Marie Gagnebin no dossiê da edição 143. de fevereiro de 2010. tal como proposto pelo dossiê. mas também à propriedade por um público restrito. por sua vez. Não obstante. de acordo com a autora. a filosofia seria uma atividade conceitual. Gagnebin procurou reestabelecer historicamente as pistas sobre os laços e seu enfraquecimento. No segundo. dois fundamentos. Adorno e a impossibilidade da consolação pela razão após Auschwitz: face à organização racional da violência. Em segundo lugar. outra concepção de filosofia e sua relação com a história. para rejeitá-los e criar novos. em oposição à mera conversa ou debate.41) no rumo de uma pesquisa. . por exemplo.

A filosofia seria uma consciência de que se pode pensar contra si mesmo. Descrevendo a natureza humana como sendo da ordem da plasticidade. nem para o mal” (p. como uma agressão contra si mesmo: contra o que se pensa. mas “recupera objetos que lhe são exteriores” (p. a psicanálise. Suas inspirações teóricas provêm de autores que. Por fim. propostos por Foucault.64). “ver um pouco aquilo que outros não gostariam de ver” (p. na sua entrevista publicada na edição 186. compreenderam a filosofia como “um discurso vazio. Safatle responde sobre os campos de sua atuação. é possível observar tantas abordagens quanto possíveis da filosofia expressas nos artigos dos autores de filosofia aqui analisados. acompanhada da decepção em relação a certezas do senso comum”. com a história ou com a religião. brigar consigo mesmo. ou seja. nem para o sofrimento. por parte da filosofia.65). De forma breve. até a morte. diria o autor. no sentido dela não ter objetos próprios”. Portanto. contra o que se é — a favor. da plasticidade natural do ser humano. à atualidade impor-se-ia uma atitude filosófica. a estética e a política — nesta última frente. entre a psicologia.15). como diz Gagnebin ao parafrasear Camus. a viver plenamente. epistemológica e ética. percebendo que se estava errado antes — “agressividade da filosofia”. a associar o pensamento crítico a proposições políticas ou metafísicas. Da sua relação com a ciência. Segundo Safatle. segundo a Gagnebin. que nos ajudaria a viver “uma vida sem consolação” (p. de certa maneira. afirmando ter se filiado a um partido político de orientação socialista com o fim de pensar o âmbito político “para além dos partidos” (2013. 119 É a partir daí que a autora tece suas considerações finais para a filosofia de hoje: remetendo-se aos mestres da suspeita Nietzsche. Uma “filosofia sem absoluto”. p. como foi o caso de Adorno ou de Foucault. que não pode pretender encontrar um sentido último nem para a vida humana. Gagnebin parafraseando Ricœur. Vladimir Safatle. que não poderia nos consolar ou. Marx e Freud. é forçosa uma recusa. antes. p. passando pela necessidade de retornar . de “resistência à assimilação entre aspirações a uma vida justa e suas traduções apressadas em doutrinas políticas ou religiosas” (2010. nada a ver com qualquer visão epifânica. nem para a morte.64). de dezembro de 2013 — última de nossa abordagem analítica — apresenta sua definição ou apropriação da atividade filosófica no presente. em suma. avessa às limitações identitárias. mas sim com uma “complexificação da visão. quiçá. a atividade filosófica seria algo como o retirar a pele das coisas para ver suas estruturas.9). esfolar um pouco as coisas. “ciente dos limites tanto da razão quanto da fé.15). Uma filosofia.

revelar. criar. ora porque esse retorno seria descabido. ora porque a filosofia ainda estaria presa a especializações e academicismos. uma vez que ela sempre esteve em relação com o seu tempo e contexto. Toda uma miríade ou um caleidoscópio dos afazeres filosóficos que nos faz. alargar. . a seguir. deslocar. Consolar. pôr problemas. desse modo. muitas vezes reconhecendo a impossibilidade desse retorno. libertar. solucionar. 120 ao presente. repensar o percurso da pesquisa até aqui percorrido. descortinar. a filosofia tecer tantas relações quanto apresentar funções para seu trabalho. democratizar. Vimos.

assaltou-nos: à eminência da famigerada conclusão. porque a ciência é lenta e a imaginação mais vaga. . 121 IV. uma espécie de sensação paradoxal da escrita. munida da mais alta erudição.27) Sim. de derivações e digressões iminentes. 1999. porém. a bem da verdade. Tal sensação absorta poderia ser explicada. o qual poderia cegar qualquer inteligência brilhante. Digno da descrição do defunto mais ilustre da literatura brasileira. epistemológica e historicamente. desprovido do fôlego para encerrar o que. arquivo- espetáculo: “acerbo e curioso espetáculo”. de interpretações possíveis. mesmo à luz das breves conclusões alcançadas ao final de cada capítulo. como incapacidade intelectual. p. no qual a história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que não lhe podiam dar nem a imaginação nem a ciência. Chamemos essa impressão após a lida com o arquivo como resultado de um verdadeiro acontecimento — uma explosão de sentidos imanentes. uma teimosia e birra diante de sistemas filosófico-dialéticos. esse ponto tão esperado quanto desejado. de distribuir e novamente dispor a exuberância excessiva dos enunciados descritos. Padecimento pelo arquivo. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Não filosofemos mais impunemente. bem ao modo de Blanchot. de reagrupar. parece abrir-se como um buraco diante de cada palavra ou releitura. numa distorcida alusão à Derrida. de relações explícitas e implícitas. (ASSIS. uma preguiça mimada e derradeira. Gilles Deleuze Adentrando o capítulo final da presente dissertação. perante a carência de uma síntese de tudo o que foi até aqui tratado. o final. o arquivo como um clarão arrebatador. espanto e/ou perturbação são algumas das palavras que podem descrever. diante da colossal empreitada. ARQUIVO-ACONTECIMENTO OU O ENIGMA DO PRESENTE Sair da filosofia pela filosofia. contraria a evidência material de que tudo tem um fim. Pasmo. enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. os efeitos do contato com a pletora de estímulos e pensamentos. paradoxalmente. É como se um abismo se escancarasse sob as tentativas de sintetizar. e que nem chegaria aos pés das mais suntuosas imaginações. tão buscado quanto planejado. por assim dizer.

eminentemente. Todavia.14). em meio aos infinitos discursos. e fizeram-nos pensar para além do que a mais vã filosofia poderia esperar. assim. sumamente entendida como a atenção às verdades despretensiosas achadas com método rigoroso (NIETZSCHE. 2006a). que desenrolar tal novelo seria o mesmo que procurar refazer tantas histórias da filosofia quanto possíveis. de tentar perceber o que está acontecendo com a filosofia no presente. Se o trabalho do pensamento “não é denunciar o mal que habitaria secretamente em tudo o que existe. para a insurreição dos saberes (1999. diante do que seria preciso resolver-se e passar corajosamente ao enfrentamento. p. temendo pela nossa pesquisa e sanidade intelectual. No fim das contas. Se nos foi impossível fixar o arquivo-relâmpago. resolver ou solucionar males e problemas. seja por prudência. não o vemos” (FOUCAULT. por isso mesmo. tão intimamente ligado a nós que. portanto. ao contrário. seja por modéstia. não com o intuito de curar. A construção e o atravessamento do arquivo pela nossa leitura problematizadora multiplicaram as histórias e as práticas filosóficas empenhadas hoje. 122 Foucault uma vez escreveu que o “fundamental da história passa pelo fio miúdo e tênue dos acontecimentos”. tal como ocorrera com Brás Cubas. nossa atitude analítica não nos parece uma incapacidade intelectual ou uma recusa de saber. recobramos a vitalidade e pudemos fruir da inebriante desordem do arquivo.100). nenhuma verdade profética. as muitas relações e desígnios que a prática filosófica pode assumir. p. nenhuma proposição ou alternativa. p. a coragem do enfrentamento. nenhuma definição definitiva. Tornar visível o visível para anunciar suas possibilidades e perigos. Acreditamos que restou-nos. Tampouco. nada de conclusões previsíveis. não nos seria lícito — muito menos preferível — adotar tal empreitada agora. diagnóstico do presente. Tratou-se. passa pelo “buraco de uma agulha” (2010c. por meio da metodologia foucaultiana.). parece-nos que abre passagem. talvez tenha sido por certa obstinação na erudição que sobrevivemos à presente empreitada. na sua relação com a mídia: de “fazer aparecer o que está tão próximo. cada qual com uma linha temática própria — nossos buracos da agulha. Nada de achismos ou verdades pré-determinadas. os diversos temas e objetos etc.246). mas pressentir o perigo que ameaça em tudo o que é . contudo. Pelo afastamento de concepções prévias acerca do que havíamos pensado e agenciado pelo constante e laborioso processo da ciência. 2011c. O contato com o arquivo resultou em numerosos acontecimentos discursivos e fios argumentativos (sentido e emergência da popularização da filosofia ao longo da história.

2014e. a constituição do duplo arquivo — o genérico e o específico —. especialistas. p. pessoas. para além dos guias introdutórios e coleções de livros com obras originais ou de comentadores. vale a pena pensar de novo (2008d). ora tão somente num sentido conotativo. para iniciados ou não. *** Na primeira parte da presente pesquisa (capítulos 1 e 2) partimos da alegada popularização da filosofia para averiguarmos as seguintes questões: por um lado. contudo. muitos se aventuram na reflexão filosófica e diversas coisas são ditas como filosóficas. Daí a necessidade de retomada. Nesse primeiro momento. Julgamos. da qual não se sai o mesmo. como objetos. em três anos e alguns meses. . então. Coisas em geral. como esse nome que engloba tanto a atuação do filósofo quanto tudo aquilo a que é conferida a alcunha de filosófico. os primeiros textos e análises. mais precisamente de nossa parte. Ou a lentidão de todo o processo fez com que as coisas passassem por nossos olhos — a história do presente filosófico — num raio. o choque perante nosso arquivo. Atualmente. entre filósofos. jornalistas e população? Em decorrência dessa. enfim: perda da noção de tempo e verdade. que o estatuto da filosofia devesse ser compreendido por meio do grande espectro de suas aparições. então. alheias à pluralidade do real. voltadas para o mesmo objeto: o presente. produções artísticas ou características de algo. quais seriam as verdades e tarefas propostas para a atividade filosófica? Percebe-se que a filosofia passa a não mais se ocupar exclusivamente de questões ditas clássicas.217). a elaboração de sua problematização. O pensamento como um transe — e. recebem esse adjetivo — ora devido à sua referência direta ou indireta à história da filosofia. como estaria se realizando a discussão desse cenário. Tudo ocorreu mais rápido do que prevíamos. 123 habitual e tornar problemático tudo o que é sólido” (FOUCAULT. Tempos e enunciados sobrepondo-se em 17 anos ou. como tampouco é somente o filósofo capaz de praticar e produzir filosofia. presenteou-nos com a concretude da experiência do pensar. A decisão pelo tema do trabalho. então. foi-nos possível perceber o despontar de duas principais práticas filosóficas — ambas.

nas plataformas materiais de divulgação cultural. aliançado com o discurso psicológico-psicanalítico e espraiado em diferentes plataformas materiais. sobre os valores. faria uso de tais enunciados a fim de comentar situações e oferecer. como analisamos. as verdades e os rumos éticos. Mais do que abarcar uma atividade filosófica de análise e crítica. talvez por eles mesmos — as instituições pedagógicas. de cunho crítico-ajuizador. de colocar o pensamento sob o signo de uma ontologia do presente . almejadamente fértil. flertaria tematicamente com a ideia de uma estilística da existência ou da vida como obra de arte. misto de expert e professor. possíveis soluções ventiladas para problemas e tempos outros. Contudo. o filosófico-terapêutico. poderíamos dizer que a filosofia ter- se-ia voltado definitivamente ao presente de modo crítico e criativo. a filosofia terapêutica. de Nietzsche a Charles Feitosa. Desmascaramento e invenção de modos de vida. tinha como finalidade diagnosticar e buscar tratar certos acontecimentos e comportamentos do presente com o auxílio dos enunciados de filósofos. tanto como agora. apelando a Foucault. pop ou não (da filosofia clínica até Alain de Botton). desde Kant. entre as tantas correntes e vertentes filosóficas ao longo da história. de sábio e jornalista. investigamos quais e como poderiam ser suas atuações possíveis nesses veículos de comunicação. impunha-se como uma modalidade que resgataria a criatividade e a utilidade da filosofia para o presente: desconstrução das mentiras. A partir daí. na sua mais recente emergência. uma espécie de filosofia pop propriamente dita. econômicos e culturais de um dado tempo e sociedade. corretivo. que esses atores exercessem sua atividade para além dos lugares aos quais eles haviam sido confinados. Algo que. revelação das verdades. Um segundo modo. de modo anacrônico. Era oportunidade. Tal entrada desses atores na mídia. muito embora esses tenham emergido no século das luzes como uma forma de fazer circular e discutir temas relevantes à sociedade na qual estariam inseridos. tornou-se a possibilidade real de uma discussão generalizada. 124 Um primeiro modo. aliançada com a estética e a arte. esta teria tornado o campo fértil e movediço da contemporaneidade em um solo minado de prescrições e opiniões diversas acerca de imperativos e análises ético-clínico e estéticas de fundo aconselhador. políticos. os costumes. Desse modo. nunca dantes possibilitaram. Desta feita. adaptativo. médico e artista. a intenção de nosso trabalho dirigiu-se para pensar o que seria esse filósofo na mídia — o que seria esse ator social.

perguntando-se sobre o que estava acontecendo ali. orientados por certas fundamentações téoricas. os ensaios a respeito de algum tema do presente. que toda uma complexidade de estratégias discursivas configuram os enunciados e produzem diferentes efeitos de poder — efeitos que incidem sobre o que se é capaz de pensar e fazer. cuja função social seria a de ofertar veridicções para que indivíduos adotassem-na como formas de conduzirem-se uns aos outros —. Nos 17 anos analisados. de modo geral. por outro. 125 (FOUCAULT. 39 Talvez esse seja um caso clássico do problema da diferença entre fazer história da filosofia e filosofar. Apesar da complexidade das configurações estratégicas. 2010c). por outro. a divulgação. fazendo do discurso filosófico mais uma política de verdades no rol das discursividades veiculadas nessas revistas culturais e. contudo. Daí o mirante privilegiado que escolhemos para a observação dessas estratégias e táticas discursivas por meio da revista CULT (capítulo 3). mas de larga difusão. diferentemente do que identificamos como popularização. o problema tornou-se tanto mais abrangente quanto complexo. paralelamente ao alardeado boom discursivo apresentado no início do capítulo. e. em particular. naquele instante. a explicação ou a informação para iniciados e não iniciados (na forma de comentários ou ensaios). certos regimes ou políticas de verdade configurando certa regularidade discursiva. aos quais relacionamos a função do filósofo como intelectual. O crescente aumento de artigos de autores de filosofia a partir de 2002 — ou seja. ao adentrarmos na revista CULT e constituirmos nosso arquivo de enunciados filosóficos. pôde-se afirmar que a filosofia passou por um processo. e da legitimidade angariada pelos filósofos para escreverem assiduamente. Entretanto. Os autores de filosofia da revista. no entanto. alguns poucos anos depois das primeiras incidências discursivas sobre a popularização da filosofia na mídia jornalística — é uma prova do interesse do público. pensar à luz do presente também foi o mote. foi-nos possível reconhecer. na CULT.39 Pudemos detectar. Da popularização à CULT. por um lado. empenharam-se em duas grandes formas de atuação: por um lado. . se no início conjeturávamos a respeito da emergência e/ou formação de uma expertise filosófica — de um tipo de saber/poder de alicerces liberais.

126

O feixe de relações da temática filosófica consolidou-se em torno dos temas da
atualidade: fosse a política, com a subtemática da democracia no centro do palco das
discussões, fosse a ética, com diferentes comentários e alusões sobre a natureza ora
essencial ora plástica do ser humano ou sobre o que está ocorrendo com a nossa alma,
nossa identidade, nossos modos de vida ao longo dos últimos anos. Ainda, a própria
atualidade da filosofia foi colocada em questão: fosse também a própria história da
filosofia, num primeiro momento, com artigos de certo modo imitando e aligeirando a
estrutura acadêmica de enunciação; fosse a própria tarefa e possibilidade de fazer
filosofia em nosso tempo, com diversos autores discorrendo sobre os diferentes modos
de filosofar e, logo, de fazer história da filosofia — julgamos que isso tenha se
intensificado mais propriamente a partir de 2006.
Tais temáticas mais recorrentes pareceram-nos, de certa maneira, os campos
tradicionais da filosofia — política, ética e o próprio questionamento acerca dos limites
e possibilidades do pensamento, entre, por exemplo, história, epistemologia e metafísica
—, atravessados pelas estratégias discursivas predominantes.
Apesar de toda a variedade dessas estratégias, foi possível identificar a
regularidade de outro feixe de relações: o das teorizações. Ora por abordagens
exegéticas, ora por abordagens mais aplicadas, as teorias rondaram as tradições alemã e
francesa, com um menor destaque para a filosofia analítica anglo-saxã.40 Notadamente,
a teoria crítica, por meio de conceituações acerca da indústria cultural ou da ideologia
ou mesmo da crítica como emancipação. Foi também o crescente uso da psicanálise
como referencial teórico que ocupa e estrutura um número relevante deles.
Embora muitos autores de filosofia defenderem a ideia de uma hibridização da
filosofia, ocupando fronteiras com outras formas de práticas e conhecimentos, a nosso
ver, tal filosofia híbrida procurou praticar a filosofia assumindo as finalidades daquelas
outras disciplinas, mais do que partilhar ideias e métodos ou transpor barreiras
identitárias. Como exemplo disso, em nossos mapeamentos, a filosofia aliada à arte
deve criar conceitos e inventar outros modos de vida possíveis; a filosofia como terapia
deve encontrar soluções precisas a partir de fundamentos conceituais como sujeito,
consciência, inconsciente — categorias que poderiam ser colocadas em questão por um

40
Com respeito a essa influência da tradição europeia nos artigos e, por sua vez, na formação do
pensamento filosófico brasileiro, notamos o artigo de Renato Janine Ribeiro (2005) cobrando o
aparecimento de uma filosofia brasileira que respondesse às urgências de problematizações sobre o
presente; de fato, poderíamos dizer que há uma filosofia brasileira que se volta para as questões do
presente, como ele mesmo assevera, mas a grande maioria de autores de filosofia brasileiros produziram
artigos na revista acerca de filósofos estrangeiros.

127

gesto crítico para com o entendimento do que é a subjetividade humana; todavia, a
filosofia ético-política viu-se, na revista, entrincheirada entre a análise crítica e a
proposição ao engajamento em temas e questões sustentados por valores morais pouco
questionados.
Ainda nos artigos da revista, dos que se aventuram a falar sobre o presente de
modo a analisá-lo e ofertar possibilidades de pensá-lo de modo diferente, fizeram-no de
modo circunspecto (eram concedidas poucas páginas, não mais de três, para as seções
especiais de filosofia), muitas vezes ensaístico, sem uma possível sistematização ou
problematização para além da dicotomia erro e acerto, mentira ou verdade, encerrando
com uma argumentação mais ou menos incitadora ou propositiva sobre como se deveria
pensar tal problema a partir de então.
No tocante ao uso da democracia como plataforma conceitual de discussão, a
grande maioria ainda a enxerga como possibilidade real de convivência, sem muito
discernir suas contradições internas. Aposta-se na possibilidade de uma sociedade justa,
igualitária e harmoniosa, não abdicando dessa espécie de refúgio político-conceitual;
sem investigar, por exemplo, as diferentes nuances tanto históricas quanto dos modos de
convívio nas novas sociedades micropolitizadas de nossos dias.
Quando chegamos às discussões acerca da concepção e do papel da filosofia,
tratadas na parte final do capítulo anterior, são 13 filósofos brasileiros que discorrem
sobre a tarefa da filosofia e do filósofo e quatro estrangeiros. Além disso, é-nos
oferecido um campo múltiplo de posicionamentos e problemas suscitados, como as
relações entre filosofia e (sua) história (mostrando sua mútua necessidade); filosofia e
ciência (mostrando sua similaridade); e filosofia e religião (fazendo uma apologia da
última frente a um tipo de uso em voga da primeira).
No que concerne à tarefa da filosofia propriamente dita, encontramos um
conjunto de problemas levantados que dizem respeito: ao modo como o pensamento e o
pensador devem endereçar-se ao mundo e à sua atualidade, se pelo eruditismo ou pela
acessibilidade do discurso; a elaboração de problemas relevantes e descartar outros
como falsos; à ideia de uma filosofia que possa, de fato, diagnosticar criticamente ao
mesmo tempo em que possa ofertar soluções, mundos imagináveis, alternativas reais; e,
enfim, que dizem respeito à questão do intelectual, essa figura um tanto fantasmática,
esboçada ora como uma função necessária ora como apenas uma atitude sem
particularidade alguma, de modo que qualquer cidadão comum poderia exercê-la. Com
respeito a essa última questão, há toda uma discussão histórica que gira em torno do

128

papel do filósofo e do intelectual no século XX — de Gramsci a Foucault, de Marx aos
Nouveaux Philosophes. Toda uma problemática sobre a análise crítica, a militância, os
propósitos finais da filosofia e do pensamento — discussões, a nosso ver, propícias a
serem desenvolvidas num trabalho por vir.
Se caracterizarmos de modo breve o intelectual como aquele que interfere em
campos e problemas aos quais ele não pertence profissionalmente, mas que o afetariam
como cidadão, o filósofo na mídia nem sempre exerceu tal atividade, tampouco da
mesma maneira. Pela CULT, podemos observar que, inicialmente, os autores de
filosofia se inseriram na revista de maneira muito pontual, quase no sentido da
divulgação de obras, temas e conceitos filosóficos. É a partir das seções de filosofia,
quando começam a aparecer em 2003, que eles passam a abordar assuntos diversos,
muitas vezes alheios ao seu campo, mas valendo-se do pensamento filosófico para
pensar os conceitos que giram em torno do problema. Vale lembrar, aqui, que mesmo
aqueles que defendem uma filosofia de orientação mais popularizada, isto é,
pop/criativa, afirmam que a filosofia tem no trabalho conceitual a sua principal forma de
atuação. Não obstante, alardeou-se mais o imperativo de que a filosofia deveria ser
criativa do que foi-nos possível perceber um pensamento criativo nos autores de
filosofia.
Em tese, a atividade filosófica entra em cena na CULT inicialmente na figura do
velho professor de história da filosofia, que se vale de sua erudição para elucidar temas
caros ao seu presente (como é o caso dos dossiês e do primeiro colunista das seções de
filosofia, Luís Oliva). Algo acontece, no entanto, quando ela passa ao comentário
crítico, ora ajuizador, ora propositivo, versando sobre assuntos do presente e amparado
pela formação acadêmica do autor, formação que se manifesta em breves referências
teóricas e conceituais, explícitas ou implícitas. Do comentador histórico ao ensaísta do
presente, ele não está assumindo tão somente o papel do intelectual — que, a partir de
seu próprio campo, interfere em assuntos de outros campos, engajando-se em lutas ora
universais, ora mais específicas.41 Ele tampouco trata apenas de perguntar pelo que
ocorre, mas muitas vezes investe-se de seu poder formativo-institucional para propor

41
Nesse sentido do engajamento em lutas, vemos Roberto Romano, na edição 96, denunciando o discurso
eugenista do governador de Santa Catarina e sua política pública, a fim de questionar os fundamentos do
pensamento e da atuação política no país. É o caso também das lutas abordadas por Marcia Tiburi em
torno da arte como princípio criativo e emancipador (talvez, algo da ordem do universal) e do feminismo
e sua postulação como pensamento crítico social (aqui, algo da ordem do específico). Hibridismo, então,
entre intelectual universal e intelectual específico.

tal como Foucault as apresenta segundo diferentes conceituações em seus três últimos cursos: entre filosofia e espiritualidade (2006a. p. tal veridicção conforma modos de vida tão moduláveis como constantemente estimulados pela variedade de ofertas cada vez mais atrativas sobre como é bem viver. sim. mas entre duas diferentes linhas históricas do pensamento filosófico. entendida de modo a priori e inquestionável. teórica etc. atribui-se. em sua mútua implicação. ou seja. de certo modo.) sobre o ocorrido. Dito isso. assim. entre analítica da verdade e ontologia do presente (2010c. ela evidenciaria a constante agonística entre modos de veridicção e processos de subjetivação.139-141). conceitual. analítica da verdade. mas nem por isso menos governados. Um modo analítico ao mesmo tempo em que normativo de estabelecer a verdade — esta muitas vezes alçando-se a uma dimensão metafísica. em contraste a essa regularidade discursiva e com menor constância e assiduidade. um caráter transcendental e normativo à verdade. flexíveis.21-22). p. Como aventamos mais acima. experimental-ensaístico. mas. A despeito disso. o discurso filosófico ocupa-se da distinção do verdadeiro e do falso. operando certa análise do presente à luz de . tais práticas poderiam ser analisadas como uma oscilação ou um híbrido. haveria uma espécie de trabalho que não se pretenderia propositivo. a rigor. e entre metafísica da alma e estilística da existência (2011a. concedido a nenhuma das duas vertentes históricas. ontologia do presente. Cada um desses pares compreende concepções diferentes do fazer filosófico. Apesar de Foucault se posicionar no interior das segundas conceituações (2010c). o discurso filosófico ocupa-se das relações sempre móveis e transitórias entre as verdades e os modos de vida que ela conforma. alçada à dimensão metafísica. De um lado (filosofia.21-22). ambas as linhas. em relação a qual o indivíduo deveria subjetivar-se. Nenhum privilégio é. de apelo clínico-existencial. quanto uma proposição prática (seja de ordem moral. estilística da existência). ensejo pragmatizante do conhecimento aliado a um estatuto metafísico da verdade. voltado para identificar e descrever a natureza ou a alma humana. estariam atuando dinamicamente como modos de fazer filosofia e de configurar modelos de conduta moduláveis. p. metafísica da alma). De outro lado (espiritualidade. Talvez. 129 tanto uma leitura do acontecimento de que trata. estaria em voga na discursividade dos filósofos na mídia cultural um hibridismo que resultaria n uma prática estético-científica. não havendo dimensão outra de verdades imutáveis ou um conhecimento metafísico sobre a natureza das coisas. em suma.

alimentar a suspeita para com a transcendência de uma verdade possível de ser ofertada como interpretação última da realidade. adversário a ser combatido. melhoramento — do pensamento e das condutas humanas. sua recorrência é relativamente pouca. possuindo um destaque paralelo. é a continuidade da dicotomia poder/resistência e não a compreensão de uma luta perene. O trabalho com arquivo. Devido à exiguidade dessa abordagem teórico-metodológica na revista. ofertando-o. a partir da sua perspectiva ou da especialidade oriunda de sua formação. sobretudo. como explicação correta sobre tal e tal assunto. nesse contexto. a educação. um juízo de valor. O lugar do autor no discurso. executam análises na forma de avaliações. seria tanto a resistência quanto a promessa de solução. embora destacada em alguns artigos como o agente provável de transformação rumo a um futuro idealizado. 130 alguns conceitos e temáticas históricas ao levantar mais suspeitas do que proposições. o articulista ignora que também exerça. Suspeitamos que grande parte dos autores de filosofia age. Tal análise-avaliação pode ser considerada. cotejando tal diagnóstico da realidade a partir de seu referencial teórico. de um antagonismo entre interpretações. visando. tal como um poder que estaria dominando. aliás. Uma pedagogização — ensinamento. sempre um veredito. Pouco ou quase nada escreve-se sobre um conjunto determinado de enunciados escolhidos por um recorte temporal e problematizador. no limite. oposto. O lugar da educação na filosofia midiática parece localizar-se em outra instância. tais autores. constitutivo da própria possibilidade de pensar: nada parecido com a perspectiva da reciprocidade entre crítica/governo. por meio de um modus operandi psicopedagógico: ancorados pelos fundamentos da pedagogia moderna ou do discurso psicanalítico. sem muito alarde. com isso. geralmente é em face de um outro. uma denúncia de um poder — o qual. O que se observa. aparentando ser um assunto a que não se deva devotar demasiadas explicações — apenas esperanças. poucos artigos ofertaram ou demonstraram perspectivas historicizantes dos modos de pensar filosóficos. em relação ao qual ele. que procuram identificar os possíveis males e crises da sociedade. na sua natureza). por sua vez. é geralmente legado ao recolhimento de algumas passagens temático-conceituais de autores ou impressões pessoais sobre um determinado fato para aí sim ponderar sobre o presente. apaziguamento. de forma a . o filósofo-intelectual. pretensiosamente talvez. como se fossem especialistas no ser humano (nas suas relações sociais. a ser corrigido. mais uma vez. sobretudo. É curioso notar que em todos os artigos investigados.

p. . suas práticas utópicas cotidianas. Cada pesquisa visa a um tema diferente: os escritores. talvez. relevante. que a tudo descortina porque a tudo contém. (p. é toda a filosofia que se desloca. Julio Groppa Aquino. os esforços analíticos supracitados visam transtornar toda uma vilania moral do pensamento pedagogizado: ao perverter essa moral. Dr. seu investimento psicobiológico. a cidade. útil e. redentor da humanidade? Só agora. sua relação com o outro e com a escrita. Conforme Aquino (2013). ao outro e a si mesmo. o jornalismo e sua prática de circulação.18). porque apoiada paradoxalmente no dever impetrado e no direito autoproclamado ao usufruto de uma educabilidade ininterrupta. Todas voltadas a entender essas práticas sociais eivadas por uma racionalidade pedagógica: um modo de se endereçar à realidade. Tais pesquisas são levadas a cabo por investigadores de diferentes campos acadêmicos sob a orientação do Prof. da obrigação de pensar ‘em comum’ com os outros. sem amarras. 131 compreender tais relações como “batalha de saberes contra os efeitos de poder do discurso” (FOUCAULT.204) Se concordarmos com a hipótese da pedagogização do social. e. institucionalizado para além das instituições. o domínio do modelo pedagógico. a exclusão da tolice” (2008d. difusão e conformação de ideias e modos de vida. Como poderia. por que não. seu lugar reconhecido. o filósofo como o estrato midiático analisado apresenta-o a nós —. se for correta a premissa de que a governamentalidade terá as práticas educacionais menos como um terreno empírico pontual e mais como um dos modus operandi privilegiados de governamento dos viventes. a saúde. as categorizações das tessituras do corpo humano. enfim. seu modo de vida. sobretudo. seja preciso localizar nosso trabalho no interior de um conjunto de pesquisas acerca da hipótese de uma pedagogização das relações sociais. enfim. quiçá.242-243) —. as práticas escolares. bem como a advertência foucaultiana acerca de um mundo tornado sala de aula — mundo da “tirania de uma vontade boa. 1999. se é pela autoridade conquistada com esse saber que angaria a possibilidade de alguma mudança social com sua profissão e sua ação? Como poderia suspeitar de sua atividade intelectual quando acaba de conquistar. não desconfia de seu próprio saber. p. no Programa de Pós-Graduação em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). menos do que como intelectual e mais como um especialista geral. será também correto concluir que a celeridade e o espraiamento dos atuais processos de pedagogização constituirão uma forma de gestão social tão onipresente quanto onisciente. Pelo que pudemos averiguar. os autores de filosofia — e.

levado a cabo pela intelectualidade contemporânea quando em exposição na mídia. em particular.209-210). 132 Inquieta-nos certa hegemonia. O quase silêncio dos artigos estudados a respeito desse paradoxo do pensador ou do pensamento. de crítica e governo. de criação e destruição. poderão servir de faísca para todo aquele que se interessar em fazer pesquisa sob a perspectiva da agonística do devir de todo pensamento — do seu constante jogo de forças de apropriação e aniquilação. um ato de condução de conduta. diferentes das suas. não intencionam normatizar o trabalho filosófico ou desqualificar outras teorizações. os quais. limitamo-nos a repassar. carregada de suspeita para com toda verdade. duradouras para a formação dos modos de vida humanos. Essas transformações. enfim. inclusive a sua própria. não obstante. Atividade crítica sobre seu próprio pensamento. mas. como Foucault a expôs no seu prefácio. Ao modo de uma ressalva. . o pensador pudesse libertar alguém sem exercer. não fixando fronteiras intransponíveis e não descrevendo sistemas fechados. entretanto. Eles concernem a duas considerações do trabalho analítico e metodológico foucaultiano que. Trata-se possivelmente de um otimismo do pensamento. então. sob a suspeita de seu próprio pensamento. Nesse escrito. tão-somente alguns pontos teórico-metodológicos que se mostraram pertinentes para nós. contudo. ao segundo volume da História da sexualidade (2014d). posiciona o pensamento/saber e. evidenciou- nos que muitos daqueles que se reivindicam herdeiros de Nietzsche e de toda uma vertente filosófica que deseja pensar o presente. como se. parece ter se subsumido nas discursividades e teorizações impregnadas pela ânsia de encontrar soluções práticas. efetivas. tal como já exposta por nós. 2006b). mas sua historicidade em perspectiva. com a regra e consigo”. não para anunciar sua verdade última. consciente de seus efeitos de poder. de uma racionalidade no interior dos discursos que. por ele mesmo. não podem “efetuar-se senão por um trabalho do pensamento sobre ele mesmo: seria isso o princípio da história do pensamento como atividade crítica” (p. posteriormente dispensado para seu uso no livro. de um lado. de um lado. por ventura. se assim a pudermos nomear. de outro. o poder/controle. flertando com a possibilidade de encontrar uma metafísica da educação humana — realmente libertária e edificante. O primeiro diz respeito à definição de crítica. mas fazendo aparecer singularidades transformáveis. ignoram os estudos de Nietzsche sob o signo do sentido histórico (2006a. a crítica seria entendida como “análise das condições históricas” segundo as quais se constituem as “relações com a verdade. Tal herança teórico-metodológica. descartado depois.

pois são vidas que influem nas nossas ao passo que também podemos nos distanciar delas. compadecer-se de sua vaidade. 2007. anterior a qualquer raciocínio ou julgamento. nem a ação política para desacreditar um pensamento. Atividade crítica sem nenhum apelo propositivo ou redentor para tornar visíveis forças discursivas e não discursivas móveis. sim. uma vez mais. Tomar o arquivo com ódio e. p. Aqui. e agora ela se despedaça e a irracionalidade surge de dentro dela como um verme que vem à luz (NIETZSCHE. Nenhuma mistificação ou culto à irracionalidade. todo saber é apenas uma fenda. Convivência e experiência com a materialidade do dito e escrito. sem nunca almejar considerar sua totalidade. de seu desvairo. portanto. Esmiuçar e apaixonar-se por suas verdades e estratégias. não sua razão: você não precisa mais dela. todo seu escarcéu — toda a transitoriedade e a impermanência das coisas humanas. feito um manual ou guia para uma vida não fascista: “não utilize o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade. ao mesmo tempo. de seu esvaecimento. do poder sobre as coisas e os . Mas talvez esse erro. com a compaixão devida. a partir de um bloco material de inscrições no corpo do mundo para vislumbrar toda sua algaravia. uma quebra. como se ele fosse apenas pura especulação” (2014c. Daí a importância capital do trabalho com o arquivo. Apenas a constatação do falhanço do saber e. Tentando escapar do risco de tomar partido em relação a algo aparentemente incólume. abarcá-lo. Não fazer do pensamento uma proposição política.10). semelhante a uma pele que lhe escondia e cobria muitas coisas que você ainda não podia ver. Inserido na historicidade dos acontecimentos. todas as experiências humanas — tem de formular questões. podemos encontrar a herança de Nietzsche na sua melhor forma: Agora lhe parece um erro o que outrora você amou como sendo uma verdade ou probabilidade: você o afasta de si e imagina que sua razão teve aí uma vitória. p. 133 Um segundo ponto concerne a uma das indicações que Foucault escreve para seu prefácio ao Anti-Édipo de Deleuze e Guattari. quando você era outro — você é sempre outro. que poderão se deslocar a partir do momento em que são anunciadas.208). aliás — lhe fosse tão necessário quanto as suas “verdades” de agora. mas tampouco fazer da realidade um princípio que desqualifique as possibilidades que o pensamento — e. Foi sua nova vida que matou para você aquela opinião. poderíamos abordar o presente não partindo de nossas impressões e interpretações a priori. à complexidade ou à ignorância. eternos preconceitos disfarçados de conceituação. uma ferida aberta nas entranhas misteriosas do mundo presente. enfim.

conveniente às suas convicções. procedimentais. no entanto. distinguia claramente aquilo que era opinião de engajamento e aquilo que desenvolvia em seus estudos. Tal relação não dogmática entre essas duas possíveis instâncias de um indivíduo fazia com que tanto uma quanto outra pudessem reavaliar. por isso mesmo. Penso que. valores e interpretações acerca do que se faz sobre o real. de valoração. modificar determinadas atitudes. O pesquisador/professor tampouco deveria legitimar e propagandear sua postura política enquanto cidadão engajado. ela não ocorreria necessariamente por sua associação a outras práticas sociais. já que estas também estão enviesadas por modos de pensamento e valores morais mais ou menos hegemônicos e bem determinados historicamente. “uma atitude crítico-criativa em relação à herança cultural. reproblematizar e. se há hoje uma crítica possível à filosofia. O saber. epistemológicas. Filosofia a partir de um arquivo. conjunturas e vestígios.VIII). uma luta contra a identidade enquanto um dispositivo fixo e estável. mesmo que projetados. Em última instância. adota posições dentro das lutas cotidianas e que não deveria impor ao pesquisador/professor (ou qualquer outro cidadão) o que ou como ele deveria pensar e escrever sobre tal e tal problema. a rigor. tais como esperava que acontecesse com seus escritos: simultaneamente batalha e arma. só vale a pena pensar sobre algo quando não se sabe precisamente . que participa de uma realidade política. bem como a recusa de fazer do presente um objeto passível de conhecimento total e. 134 acontecimentos. 2014). encontro irregular e cena repetível (FOUCAULT. Era mais uma questão ético- política: uma distinção entre fazer filosofia e fazer política. Parece-nos que Foucault. ao longo da história. pois. inclusive o seu). próprio para uma intervenção utilitária. bem como a conquista de certo distanciamento em relação ao próprio presente” (AQUINO. não significaria a separação ou distinção entre vida e obra. Essa clareza. Efeitos de poder que trocam de lado. O papel de cidadão. de normatividade. ecoados. reproduzidos. ao contrário de Nietzsche (muito embora sua profissão e seu modo de pensar interferissem e o fizessem refletir acerca da constituição dos modos de vida. por ventura. de certa maneira. Era. é constantemente apropriado e modificado com fins inauditos. 2005. consubstanciada por certas configurações morais. Não é pela psicologia. p. Isso ainda nos faz lembrar como Foucault imaginava o alvedrio entre os processos de produção e circulação de obras humanas. pela arte ou pela política que se poderia fazer uma crítica do nosso modo de pensamento.

Não sabemos quanto durarão. alimentando a suposição dogmática de um ideal e de um progresso planejado. de uma idade de ouro derradeira para o porvir da humanidade — palavras tão carregadas de esperanças quanto de totalitarismos potenciais. nas criações de instâncias naturais imutáveis para o ser humano. Talvez. A crítica do pensamento contemporâneo. Assim. de não acessá-lo e desvendá-lo em todo o seu enigma. Alicerces que estariam na duração de suas projeções. 135 o que ou como. Na presença de tal enigma. Só podemos falar do presente como algo que acontece. antes de propor e apontar o caminho. Tal crítica não seria tampouco a oferta de uma saída. aprender a perguntar. equivaleria a um questionamento dos seus alicerces metafísicos. somente a impostura de não saber: percepção das verdades como tão transitórias quanto determinantes. Alicerces que se fincaram mais fundos ainda pelas crenças na cientificidade moderna como possibilidade de conhecer o presente e de constrangê-lo a seu bel prazer. ignorando a fatalidade de desconhecê-lo por inteiro. . exemplificado na análise do pensamento dentro do âmbito filosófico-midiático. mas podemos indagar impertinentemente sobre seus efeitos. por exemplo. e não como sempre aconteceu ou acontecerá. sair da filosofia apenas pelo deslocamento em relação aos modos de filosofar e pensar hegemônicos.

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nov. Isso provoca a mudança das datas a partir de outubro/novembro de 2003. jun.40-42. RIBEIRO. p.14-16. 2003.72.38-40.77. Newton. Democracia: entre a mimese e a criação. jul. CULT. Roberto.34-36. Salma Tannus.42 RIBEIRO. Renato Janine. Um filósofo que pratica histórias. MUCHAIL. ROMANO. Walter. BIRMAN. n. RIBEIRO.34. ZINGEREVITZ. 2003. 2003.79. CULT. MUNCINI. 2003. BIGNOTTO.34-36. set. RIBEIRO. p. Roberto. 2004.54-56. Renato Janine. 2004.40-42. n. Roberto. Roberto. dez. n.47-49.75.8-12. p. no site. 2004. n.34-36. Aldo. Roberto. 2004. n. p.51-55. p. .. ago. 2003.52-53. p. dez. 42 A partir daqui pode-se perceber problema de registro dos meses/edições da revista. 2004. n. Um itinerário de conversões filosóficas. Renato Janine. 2004.66. Deuses e democracia. p.81.74.. p. CULT. p.80. n. jul. ROMANO. CULT. abr.77. n. nov. A economia como mistério. Juvenal. Renato Janine.73. Maria Andrea. 2003. ROMANO. n. RIBEIRO. FIGUEIREDO. p. abr. Para entender a crítica da razão pura. abr.74. PONDÉ. abr. Roberto. CULT. CULT. jun. Um milhão de ouvidos. jun. CULT. CULT.47-49. CULT. RIBEIRO.79. político.44-46. PIMENTA. maio 2004.82. CULT.75.69. 160 OLIVA. RIBEIRO. Foucault. Uma racionalidade assassina. p. n. nov. OLIVA. Do “eles” ao “nós”. RIBEIRO.70. PICH. n. Resistir às Sereias. mas quem é este senhor.14-16. CULT.79. p. CULT. CULT. 2003. 2003. p. 2003. dez. p. Helton. CULT. REGO. n. CULT. fev.40-42. nov. CULT. n. Um livro essencial. Eduardo. p. O riso e a política. A questão do divertimento em Pascal. ROMANO. p. A formação do caráter. n.74. A tragédia política. n. p. Renato Janine. Democracia. p. Vinicius de. VILLANI. NEGRI. CULT. p. n. mar. p. às três da tarde. O cálculo sinistro de Diderot. n.50-53.72. 2003. n. Democracia e debate. CULT. 2004. n.54-57. Pedro Costa. Arqueologia do campo. do diabo à ética. p. p. CULT. o lançamento da edição 57 é maio de 2002.36-38.79. CULT. jun. p. n.16-18. Renato Janine. n. 2004. Luís César. ROMANO.48-51.50- 53. 2004. dez. CULT. PORTA. Estética e sistema. ADVERSE.14- 16. O que forma o elo social?. Direita e esquerda como posições. CULT. p. p. n. maio 2003. Renato Janine.30. 2003. A universalidade da razão e o método cartesiano. 2003.69. maio 2003. CULT. CULT.75.67. p.79.50-51. 2003. Joel. n.71. RIBEIRO. O enigma da liberdade. p. Na revista impressa. adiantando um mês no cronograma do que se seguia. nov. p. é junho de 2002. 2004. Renato Janine. n. n. Antonio. O império da biopolítica. CULT. Maquiavel. CULT. ROMANO.36-39. Ontologia do pó. mar. 2004. CULT. Mario Ariel González.56. p.75. CULT.47-49. p. GAGNEBIN.14-17. Luiz Felipe. n. n.44-46. n. n. 2003.74.47-48. CULT. jan. p. Luís César. Ideais com deságio. n. Renato Janine. Roberto Hofmeister. jun.81. Antiamericanismo. o povo?. Pontualmente.78. n. 2003. CULT. RINESI. 2004. p. CULT. Roberto. Jeanne Marie. fev. O racionalista vital.44-46. ago. CULT. Maquiavel e o republicanismo.81. abr. 2004. 2003. 2004 ROMANO. 2004. p.76. n.74. fev. SAVIAN FILHO. Pedro. no geral. n. CULT.81.

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Vladimir. Ernane.17. Voltar a agir. Os alienistas.158. Cabeças frescas.159.163. CULT. 2011. p. Ricardo. n.44-46. p. Eu era um lobisomem. TIBURI. p. Histeria e obsessão.56- 57. por baixo. Indústria cultural e manutenção do poder.164. Slavoj. LIUDVIK. p.159.157. Marcia.45. 2011. p. p. SAFATLE. CULT.158. n. DUARTE. maio 2011. n. CULT. p. Eu sou o que sou. Indústria cultural da felicidade. CULT. TIBURI. 2011. p. jul.20-22. 2011.38-39. A democracia moderna e a estética da moeda. n.23-24. SAFATLE. jul. O silêncio impossível. MUSSE. GIANNOTTI. p.46.159. nov. jun.27. Marcia.162. jun.47. n. TIBURI. 2011. n. Gilda de Mello e. Marcia. CULT. n. Marcia.154. ZIZEK. 2011. p.159. 2011. 2011.57. 2011. PERES. Z de Zizek. Pierre. Vladimir. Vladimir. 2011. Tempo redescoberto. Sigi. SOUZA. BOTTON. SAFATLE. José Arthur. Marcia. Olgária. p34-39. p. set.63. CULT. p. mar. nov. n. Meu Foucault.65.14-18.159. CULT. n. Rockfilosofia. n. TIBURI. GUIMARÃES NETO. n.161. n. n. 171 MATOS. PONDÉ. jun. 2011.158. 2011. n. jul. 2011.34-38. p. n. jun. maio 2011. p.53-55.156. CULT. n. CULT. Marcia. Marx ataca. Vladimir. n. CULT. Marcia. n. jun. 2011. n.58. 2011. 2011.14-15. 2011. Benedito Nunes. fev. O cuidar de si. CHAVES. 2011. Democracia e religião.19. uni-vos!. 2011. fev. p. p. O mistério da corrupção — do enigma da iniquidade ao enigma da honestidade. ago. A farsa como tragédia. TIBURI. n. n.59. n. 2011. jul.61. Joel. Ninguém mora onde não mora ninguém. CULT. CULT. p. p. CULT. o tirano. maio 2011. p. 2011.52-53.161. Rafael Cordeiro. n.18-23. n. . GENTIL. 2011. LIUDVIK. n. SAFATLE. jul. n. n. CULT. Reconhecido pelo cão. CULT. p. mar.29. p.46-47. n. p. CULT. SAFATLE. Jean. CULT. Foucault na USP. CULT. Do jeito que você gosta. 2011. 2011.20-46. n. GUTIERRES. O dia em que Foucault se fez. maio 2011. abr. A nova moral do funk. Luiz Felipe. p. BOLLACK.36. abr. Caio. Mãe desnaturada. SAFATLE. CULT. 2011.160. 2011. ago. set. p.63. p. 2011.157. p. CULT. p. p. 2011. p. p.157. 2011. n. n. CULT. SAFATLE. n. Marcia. n.161. Por cima. SILVA. ou a arte do ensaio.161. Política da solidão. CULT.156. set.162. CULT.164. CULT. De Bastide a Aleijadinho. dez.156. n. 2011. CULT. Hélio Salles. CULT. n. André. p.50-51.62- 65. CULT. out. Caio.59. CULT.155.60. CULT.158. Vladimir. 2011.42. GUIMARÃES NETO. set. Vladimir. TIBURI. 2011. CULT. CULT. CULT. Amor pelo dever. O Antropólogo.159. Kant moribundo. out.157. Caio.26-31.158. SAFATLE.54. Slavoj. n. 2011. O mal-estar no mundo.155.154. 2011. TIBURI. Ernani. Jaqueline. TIBURI. abr. A biografia de Bob.156. Vladimir.162. TIBURI. BIRMAN.43. CULT. Ernane. CULT. n. abr. Marco Flamínio.160. SAFATLE. Marcia. Saqueadores.163. LIUDVIK. Vladimir. Antonio. CULT. Caio. p.160. ZIZEK. Alain de.40-42. Guerras psi. p. dez. p. p. CULT. CULT. NEGRI. SAFATLE. “Somos um país caipira”. out. CULT. Vladimir. LIUDVIK. CULT. n. p.26-28.57. out. 2011. n. p.157. Marcia. p. jul. TIBURI. O filósofo da web.162. ago. Vladimir. n. CULT. LÉVY. maio 2011. jun.158. p.

CULT.43.169. Vladimir. “Nietzsche agiu como um álcool forte sobre Camus”.168. SP irá receber Cátedra Foucault no segundo semestre. Luiz.55. p. O músico revolucionário.167. n. SAFATLE.173. p. SAFATLE. 2012. CULT. abr. Elvis não morreu. Vladimir. . O culto às marcas. Caio. maio 2012. 2012. p. n. ARANTES. 2012. Estado de exceção permanente.168. SAFATLE. 2012. FREITAS. CULT.167. Franklin Leopoldo e. Educação negativa. Imagem como capital. CULT.57. p. Marcia. GOTTSCHALK. 2012. Humilhação. Vladimir. CULT. A política do espetáculo. CULT. jun. n. 2012. n. Marcia. ADORNO.28-31. 2012. Vladimir. CULT. 2012. nov. TAYLOR. abr.171. CULT.65. p. Marcia.38-41. dez. n. SAFATLE.45.51. Para além do homem. Theodor. n. mar. n. SAFATLE.65. CULT. CULT. CULT. n. logo existo. TIBURI. jul. 2012. São Paulo e Cairo. TELLES. CULT. NASCIMENTO.172. CULT. SAFATLE. SAVIAN FILHO. Vladimir. Vladimir. Walter. 2012. Marcia. ROSENFIELD. fev. Jacques. CULT. p. Marcia. out. Sofrimento psíquico e social.175. jul. CULT.173. CULT. LIUDVIK. 2012. n. abr. TIBURI. p. BOLZANI FILHO.173. jul.170. CULT.25-29. Vladimir. Sinto.171. 2012.172. p. SAFATLE. p.65. jul. p. 2012. Marcia. Luiz. jun.24-30. 2012. PERES.30- 36. Edson. Cristiane. p. TIBURI. Arte bloqueada. n. CULT. n. Filosofia da insurreição. ARCO JR. CULT. Otília.41. p.26-29. ago. 2012. 2012. ONFRAY.172. TIBURI. set.25-27. 2012. ago. 2012. CULT. n. Coronelismo intelectual.168. p.169. dez. O fim da democracia?.170. n.24. Fim do mundo.36-37.175. p. n. ago. Massa e utopia. out. segundo Lacan.171. SILVA.175. Marcia.46.174. n. LIUDVIK. CULT.47.37-39. 2012. O ser humano é corpo-alma.172. TIBURI. n. Marcia.51. n. p. p. Cultura do logro. Fascismo potencial. n. CULT. Charles. dez.174. Caio. TIBURI.11.167. 172 2012 DOSSIÊ ESPECIAL — Filosofia contra o sistema SAFATLE. n. Vladimir. CULT. abr. set. 2012. Juvenal. CULT.30-33. A potência pós-urbana. A questão da alma. Marcia. CULT. CULT. TIBURI. out. Kathrin. Verlaine. set. SOCHA. dez. 2012.171. CULT. A invenção precoce. p. p. n. Milton Meira do. Passagens. 2012. CULT. n. n.38-40. CULT. 2012. Slawomir. p. CULT. p.19. p. O mito da preexistência da alma em Platão. p. Vladimir. Sofrer hoje. A lista dos mais vendidos. SAFATLE.35-38. mar. CULT.175. p. p. p. nov. jul. CULT. p. Ensaio de orquestra. Michel. n. p. Marcia. out. TIBURI. Mauro dela Bandera. nov. SIERAKOWSKI. A obra fundadora. 2012. CULT. 2012.170.19. Medialidade: império e religião dos meios. p. p.173. Marcia. CULT. TIBURI.170. Habermas clássico sai no Brasil. TIBURI. CULT. n. ago.42-45. A aparência do improviso. Roberto. CULT.174. 2012. p.166. n. p. CULT. 2012. Vladimir. set. 2012. n. TIBURI.170. Esteticomania. O professor e o mestre zen. REPA. 2012.167.59-60. PIRES. 2012.65. n. maio 2012. Marcos Flamínio. n. n. 2012. n.28-30. 2012. p.41-45. p.166.165. p. p. n. n. n.172.57. p. fev. Eduardo. 2012. CULT. Brecht e Ka.14-17. p. n. RANCIÈRE. 2012.57.48-49. p. Ruínas estéticas. 2012. A democracia que não veio. 2012. n.. maio 2012. n. SAFATLE. n.20-23.61-65. p. n. set. BENJAMIN. CULT. n.175.165. dez.

CULT. BERTOLO. Gabriela Ferreira da. dez. n. p. 2012. SAVIAN FILHO. Vladimir. CULT. 2013. 2013. 2013. Humberto Araujo Quaglio de. BERTOLO. abr. Agamben e a indiferença. SILVA. CULT. 2013. n.178.56-57.36-37. William. p. Marcia. CULT.178. maio 2013.179. Diálogos com a filosofia contemporânea.177. n.34-35. p. p. CULT.38-41. n. Infância clandestina. Nas origens da filosofia contemporânea. Forma-de-vida e uso em Homo Sacer.181. CHAUI. n. 2013. CULT. abr. n. ROSA FILHO. André. jun. n. GIACOIA JR. TIBURI. Marilena. finitude e corpo.34-36. SAVIAN FILHO. maio 2013. n. 2013. 2013.179. Esteticamente correto.180. n. n. p.21-25. 2013. Um pensador subjetivo.180.181.178. 2013. IANNINI. CULT. p.51. Anderson. CULT. 2013. p. MELO.177. Tarso de. p. Nada aconteceu. mar. CHAVES. A vida nua e o sujeito de direito. p. OLIVEIRA. jun. n. p. jun. p. Sílvio. jun. CULT. ROOS. Nova elite caipira. Algumas notas sobre marxismo e literatura.36-39. maio 2013. maio 2013. p. n. n. VALLS. Bicentenário de nascimento de Kierkegaard.177. p. n. Lucas.175. TIBURI. n. CULT. CAVALLETTI. n.42-43. De Freud a Benjamin.6-15. jun.28-30. CULT. CULT. O poeta fora do lugar. CULT. n. n. 2013. Marcus. Valeria. CULT. 173 CORDEIRO. n.24-25. 2013. p.49. jul. Juvenal. CORDEIRO.43-45.179.180. CULT. DOWELL. abr. Denilson Soares. p.6-9. CULT. CULT. Jonas. Claudio. jul. CARONE. AGAMBEN. 2013. p. n.. Abismos. n.180.177. n. p.180. n.25-27. n.25. p. Agamben. 2013. n. Juvenal.180.178.180. 2013. Giorgio. Marcia.180.55. Marcia. p. p.49. n. BONACCI. mar. 2013. CULT. maio 2013. CULT. n. CULT.179.25-27. Cultura da negligência. MELO. CULT.178. CULT. Marcia.182. um filósofo para o século 21. CULT. 2013. jul.31-34. CULT. CULT. maio 2013. Imaginação e revolução. A linguagem como enterro. Vladimir. A lira de Antonio Cicero. CULT. 2013. Para inglês ler.179. n. ROSA FILHO.35-38 WATKIN. p. SAFATLE. 2013 TIBURI. 2013. n.178. Marcia. TIBURI.42-45. CULT. CULT. 2013.181. André.62-65.179.39-41. CULT. Gilson.180. jul.40-42. jun. Antonio. p. 2013. p. Álvaro L. n. n. abr. Lucas. Feminicídio.35-37. p.46-47. Andrea. TIBURI. CULT. p. . Crítica da cultura. p. Os mundos suspensos de Rimbaud. Tarso de. p.38-41. A língua de Freud e a nossa. TIBURI.28-31. SOUZA. 2013. Bernard. p.53. Marcia. jun. CULT. n.28-31.178. Oswaldo. p.181. Juvenal. 2013. abr. Mania de carrão. fev.177. p. GUYAUX. Sob o signo da insatisfação.66. Sobre a dificuldade de ler. GONÇALVES. Pela responsabilidade intelectual e política. ago. Socratismo agostiniano. CULT. CÍCERO. M. PRETO. 2013. 2013. p. mar. Celular e reza. mar. Religião. CULT. mar. n.61. Denilson Soares. p. p. abr. Inoperosidade e atividade humana. jun. 2013. abr. SAFATLE. n. LAURET. João Augusto Mac.176. Ernani. p. CULT. Ética em tempos sombrios. Sílvio. SAVIAN FILHO.

183. n. TIBURI.185. p. TIBURI. out.186. SAFATLE. 2013. nov.184. Carla Milani.24-29.27. p. n.6-15.186.186. out. TABARONI. set. p. Carla. CULT. Juvenal.183. 2013. TIBURI. dez. 2013. 2013. CULT. CULT. “Vencer a si mesmo”. nov. n.182. nov.185. 2013. 2013. 2013. p. Alex. Vladimir. Marcia. 2013. n. CULT. p. 2013. 2013. CULT. BUTLER. RODRIGUES. SAVIAN FILHO. A filósofa que rejeita classificações. p. p.54-55. p. DAMIÃO. CULT. n. dez. p. Judith Butler: Feminismo como provocação. CULT. Andrea. A filosofia nua e crua. nov. Vladimir. Marcia. CULT. 2013. SAFATLE.182. TIBURI.19. p. CULT.184.52. 2013. out. dez. Minotaura.17. n.54-55. Fora da representação. CALHEIROS. n. Filosofia do filme. p. 174 FRÜCHTL.18. Francisco de Assis: uma modernidade possível.184. CULT. O método Brecht: utilidade e atualidade.186. . n. 2013. p. TIBURI. n. p. ago. Na fonte do pensamento franciscano.185. SAFATLE.186. MELO. p.186. 2013. A ratoeira da internet. Hannah Arendt. n. Da arte de nosso desejo de política. n. CULT. Queerificando Antígona. CULT.44-47. Judith. CULT. 2013. CULT. SAFATLE. Marcia. n.63. 2013. n.22-23. Marcia.21-23. CULT. Susana de. O poder da psiquiatria. Tarso de. n. p.28-31. Manifesto Makumbacyber. dez. p. Homo Sedens. Vladimir. dez. ago. n. set. n. CASTRO. Marcia. dez. Orlando. ago. O vício e as drogas. CULT.32-39. n.185. p. CULT. Carla Milani. Vladimir.43-46. 2013. CULT. Marcia.49. p. TIBURI. 2013.182. n. Josef. DAMIÃO. TODISCO.22-25.

Luciana Artacho 3 30. Carla Milani 2 41. Newton 2 38. Marcia (entrevistador) 80 (2) 2. HADDOCK-LOBO. ZIZEK. Luís César 9 10. Caio 5 15. FONSECA. Luiz Bernardo Leite 2 36. CASTRO. CHAUI. Franklin Leopoldo e 12 8. Débora Cristina Morato 3 32. Rafael 2 44. Jacques 2 . RIBEIRO. Marilena (entrevistado) 3 (5) 19. João da 3 29. Susana de 3 24. Juvenal (entrevistador) 14 (10) 7.. DAMIÃO. Pedro Duarte de 2 35. CORDEIRO. DUARTE. PENHA. ANDRADE. Henry 3 22. CARRASCO. Paulo 4 17. GONÇALVES. Anderson 2 43. BIGNOTTO. GIACIOA JR. Roberto 19 5. Douglas Ferreira 2 37. Jeanne Marie 6 11. André 5 14. TIBURI. CHAVES. ROMANO. SAFATLE. Ernani 5 13. Renato Janine 18 6. M 3 33. Rosa Gabriela de 3 23. ARAÚJO. Roberto Hofmeister 3 31. LIUDVIK.. Álvaro L. 175 ANEXO II: Os cinquenta principais autores de filosofia por assiduidade de escrita na revista CULT (contando com entrevistadores e entrevistados) Autor Quantidade de artigos 1. Vladimir (entrevistado) 44 (2) 3. OLIVA. PONDÉ. Eduardo (entrevistador) 29 (3) 4. Slavoj (entrevistado) 3 (2) 20. Luiz Paulo (entrevistador) 2 (1) 34. CALHEIROS. OLIVEIRA. Márcio Alves da 2 42. PENNA. CASTRO. Charles 9 9. Alexandre de Oliveira Torres 3 (1) (entrevistador) 21. BURNETT. SAVIAN FILHO. MELO. SOCHA. Oswaldo 3 26. PINTO. SILVA. BARROS. Luiz Felipe (coautor) 5 (1) 12. PICH. GAGNEBIN. GHIRALDELLI JR. Rodrigo 3 25. Denilson Soares 2 40. Joel 4 16. BIRMAN. DUARTE. ZINGEREVITZ. LEENHARDT. VALLS. Walter 4 18. Alex 2 39. ROUANET. Tarso de 3 27. FEITOSA. Claudio 3 28.

Robespierre de 2 47. Juliano Garcia 2 50. SILVA FILHO. PAULA. NUNES. Marcio Gimenes de 2 48. PESSANHA. OLIVEIRA. Waldomiro José da 2 . PELBART. Peter Pál 2 49. 176 45. Benedito 2 46.

21. n. Gianni Vattimo. n. . 12. RORTY.95 (2005). Reflexões e provocações filosóficas. A história enraizada no movimento da sociedade. n. Jean. CULT. Gianni. Manuel da Costa. GIANNOTTI. CULT. n. Marilena.118 (2007).46 (2001). Patrícia de. Rodrigo.86 (2004). Juvenal. João Quartim de. Zé Lúcio. Paulo Arantes: “Hoje a filosofia se encontra em estado de sítio”. Antonio. Sergio Paulo Rouanet: “O intelectual está deixando de existir”. 27. n. ARANTES. MORAES. Jean-François. Peter. Leandro. n. ROUANET. MARCEL. n. DUARTE. Arthur Danto: “Na arte hoje. 20. Duas questões para Michael Hardt. Zero em comportamento. NAVAS.97 (2005). CULT. n. Paulo Eduardo. n. Paulo. CULT. EICHENBERG. Na companhia dos homens. ALVES. Paulo Eduardo. CULT. n. 10. Natalia. REZENDE. 4.87 (2004). n. Selvagem inocência. MUNCINI. n. Richard. CESANA. Marcelo. Felipe. Michel Deguy. O iconoclasta. n. CULT. Cauê. CULT. Joaci Pereira. MATOS. ALAMBERT. Marcelo. CULT. Fernando. 22. JAFFRO. 23. CULT.. 19. “A realidade imita o marxismo”. Marcelo. Eduardo Subirats. n. n. Luiz Paulo. COLTRO. Marcia. Mario Sergio. REDAÇÃO. 25. CARDIM. TIBURI. GHIRALDELLI JR. CULT.85 (2004). 6.97 (2005).61 (2002). O império da biopolítica. REZENDE. Pela via política. n. CULT. Aldo. SINGER.97 (2005). 28. NEGRI. CULT. Natalia. REZENDE. VATTIMO.83 (2004).94 (2005).52 (2001).95 (2005). n. 26. 8. CULT. A interrogação permanente de Marilena Chaui. n. CULT. REZENDE. 24. Laurent. GHIRALDELLI JR. CULT. DANTO. CULT. ALVES. SUBIRATS. Alexandre de Oliveira Torres. Sergio Paulo. Marcelo. 17. MONTELEONE. n. n. ONFRAY. PINTO. VILLANI. MUNCINI. O visível e o invisível.92 (2005). Ecos de setembro. Futebol moral. Michel. CULT.98 (2005).35 (2000). Vladimir. Fazenda modelo. Arthur. BAUDRILLARD. SAVIAN FILHO. SAFATLE. Modernos e Bárbaros. 2. Cauê. n. n. 13. Olgária.90 (2005). n. Em busca do tempo livre. O estado das coisas. PINTO. CULT. tudo é permitido”. Olgária. CULT.65 (2003). Paulo. MATTÉI. Adolfo Montejo. 3. Jacques. CULT. CULT. CULT. 177 ANEXO III: Entrevistas de e com autores de filosofia na revista CULT 1. Maria Andrea. Marcelo. CULT. CULT. ARANTES. John. n. CESANA. 11. 14. ARANTES. GALÉ. Fabio. FURTADO. 18.. REZENDE. REZENDE.108 (2006). Maria Andrea. Pedro Fernandes. Slavoj. CHAUI. “Outro ataque terrorista à América é inevitável”.92 (2005).83 (2004). Eduardo. KONDER. MATOS. n.61 (2002). Manuel da Costa. HARDT. Francisco. CULT. n. VILLANI. 7.69 (2003). José Arthur. CHAUI. RANCIÈRE. SHOOK. ZIZEK. 9. CULT. CORTELLA. CULT.44 (2001). CIA. CARRASCO. ROUANET. 16. 5. DEGUY. Um intelectual destrutivo. Joana. n. Michael.85 (2004). Michel. A música da modernidade. Aldo. CULT. Paulo Eduardo.84 (2004).117 (2007). 15. n. Marcelo. Olá Lenin. Marilena.

Juvenal. 42. ARANTES. Caio. . CULT. COMTE-SPONVILLE. CULT. 45. 43. n. BRAGA. 55. Michel. GIRARD.145 (2010). CULT. HONNET. 119 (2007). Z de Zizek. Antonio. GUYAUX. Juvenal. CULT. A paciência do pensamento. 178 29. REDAÇÃO. 48. SAVIAN FILHO. CULT. Sílvio.139 (2009).133 (2009). n.141 (2009). CULT. Benedito. CHAUI. 34. Antropologia renovada.167 (2012). Gilles. CULT. O fim da democracia?. por baixo. n. MENEZES. Eduardo. 36. n. CULT. RANCIÈRE. CULT. BIANCH. O ciclo do desejo e da violência. GUIMARÃES NETO. SAVIAN FILHO. Cético. responsável pela infelicidade. CULT. Melissa Antunes de. 47. História do amor no Brasil. O retorno à vida comum. n. Realidade. CASTRO. REDAÇÃO. 46. n. Contra os racismos e em defesa da psicanálise. Jaqueline. n. SOCHA. ZIZEK. SAVIAN FILHO.143 (2010). MÉSZAROS. 140 (2009). Gianni. Axel. Débora Morato. n. Clóvis. René. Eduardo. WORMS.178 (2013). Mary del. 37.131 (2008). CULT. CULT. Por cima. 33. CULT. Alain de. n. 30. espiritual e popular. Slawomir. CULT. Eduardo Viveiro de. Eduardo.151 (2010). CULT. CULT. Plínio Junqueira. n. Oswaldo.136 (2009). CULT. Marcos Flamínio. Por uma ética mundial da esperança. Redescobrir a China. PERES. SOUSA. CÍCERO. Lucas. BARROS FILHO. LIPOVETSKY. Juvenal. Sólida iniciação. Juvenal. Marcus. Gabriela. Caio Túlio. Slavoj. n. Marilena. Ernane. Reencontrando Clarice.146 (2010). Ruy. LÉVY. em grande parte. TAYLOR. 49. “Nietzsche agiu como um álcool forte sobre Camus”. n.134 (2009). 44. BERTOLO. A lira de Antonio Cicero.126 (2008). SAVIAN FILHO. BOTTON. Silvia. Mídia e catástrofe. n. GUTIERRES. n. n. 54. 39. ROUDINESCO. A potência pós-urbana. 50.177 (2013). François. Pierre. PRIORE. CULT. Entrevista com Fréderic Worms. Gunter. PRETO.121 (2008). JOSAPHAT. Sob o signo da insatisfação. LOSSO. n. Wilker de. SIERAKOWSKI.120 (2007). n.141 (2009). SOUSA. Marilena. ONFRAY. Eduardo Guerreiro. SOCHA. Wilker. Jacques. Juvenal. 52. CULT.149 (2010). O filósofo da web. A atividade filosófica pode oferecer alguma consolação?. Juvenal. SOCHA. VATTIMO. 40. Marco Flamínio. PINTO. indústria cultural e liberdade.147 (2010). n.167 (2012). Gilles Lipovetsky: “As marcas de tornaram o sentido da vida das pessoas”. 53. n. 35.170 (2012). n. Otília. n. PERES.158 (2011). 32. n. 38. FAUSTINO. 41. Um anticapitalista excepcional. TÜRCKE. Partilha do sensível. CULT. n. n. AXT. SMITH. Charles. PORCHAT. SAVIAN FILHO.153 (2010). NUNES. CULT. O capitalismo é. István.151 (2010). André. CULT. Diego. CULT. CULT. LONGMAN. REDAÇÃO. 51. André. CULT. Duas perguntas para Axel Honneth. CHAUI.158 (2011). n. Juvenal. LIUDVIK. CULT. Elisabeth. JULLIEN. Carlos. VIANA. Christoph. CULT. Alvaro. n. ROSA FILHO. n. CULT.160 (2011). COSTA. 31. 56. SAVIAN FILHO. Fréderic. SAVIAN FILHO.

179

57. CHAUI, Marilena; SAVIAN FILHO, Juvenal. Pela responsabilidade intelectual e
política. CULT, n.182, p.6-15 (2013);
58. FRÜCHTL, Josef; DAMIÃO, Carla Milani. Filosofia do filme. CULT, n.182
(2013);
59. BUTLER, Judith; RODRIGUES, Carla. A filósofa que rejeita classificações.
CULT, n.185 (2013);
60. SAFATLE, Vladimir; SAVIAN FILHO, Juvenal. A filosofia nua e crua. CULT,
n.186 (2013).

180

ANEXO IV: Capas e quantidade de artigos por edição/ano da revista CULT

EDIÇÃO / CAPA / DOSSIÊS No. de Artigos Por Ano
1. Che Guevara 1
2. George Steiner 1 1997
3. Ferreira Gullar ─
4. Canudos ─ Total: 3
5. Clarice Lispector 1
6. João Ubaldo Ribeiro 1
7. Bertolt Brecht ─
8. Michel Tournier ─
9. Bienal do Livro ─
10. Literatura em imagens 1 1998
11. Futebol e literatura ─
12. Antonio Candido ─ Total: 2
13. Haroldo de Campos ─
14. Ricardo Piglia ─
15. Bienal Antropofágica ─
16. Stéphane Mallarmé ─
17. José Saramago ─
18. Fernando Pessoa ─
19. Joan Brossa 1
20. Umberto Eco 1
21. Bienal do Livro ─
22. João Paulo Paes ─ 1999
23. Lygia Fagundes Telles 1
24. Machado de Assis 1 Total: 9
25. Jorge L. Borges 1
26. Carlos Drummond de Andrade 2
27. Plínio Marcos 1
28. Sigmund Freud 1
29. João Cabral ─
30. Loyola Brandão ─
31. James Joyce ─
32. Gilberto Freire ─
33. Manuel Bandeira ─
34. Sartre 2
35. Marilena Chaui [uma filosofia da liberdade] 2 2000
36. Franz Kafka ─
37. Nietzsche, 100 anos 3 Total: 7
38. Eça de Queirós ─
39. Julio Cortazár ─
40. Oscar Wilde ─
41. Nelson Rodrigues ─
42. Graciliano Ramos ─
43. Guimarães Rosa ─
44. Heidegger 5
45. Veríssimo 2
46. Murilo Mendes 1 2001
47. Alcântara Machado ─
48. Jim Morrison 1 Total: 12
49. Caetano Veloso ─
50. Jorge Amado ─
51. Cecília Meireles ─
52. Proust 1
53. Islã 2
54. Leminski ─
55. Oswald de Andrade ─
56. Literatura U.S.A. ─
57. Lenine ─ 2002
58. Rumos da língua portuguesa 1
59. Literatura de cárcere 2 Total: 19
60. Wittgenstein 4

181

61. Marx 4
62. Drummond 1
63. Camus 1
64. Cristianismo e modernidade 6
65. Beatles 3
66. Literatura gay 1
67. Hitler 1
68. Carandiru ─
69. Chico Buarque 2 2003
70. Paulo Coelho 1
71. Blues 1 Total: 21
72. Adorno 2
73. Baudelaire 1
74. Lévi-Strauss / Dossiê: Maquiavel 5
75. Santo Agostinho 4
76. Cuba 1
77. Dostoiévski 2
78. Ditadura 1
79. Literatura de combate / Dossiê: Kant 5
80. Literatura japonesa 1 2004
81. Michel Foucault e a loucura 4
82. A linguagem das roupas 1 Total: 34
83. Pensamento E.U.A. 6
84. Dialética da paixão 3
85. Marilena Chaui [e os segredos do Estado] 4
86. Vida boêmia 4
87. Gabriel García Márquez 3
88. Filosofia e fé [Nietzsche] 3
89. As mil e uma noites 2
90. Retorno de Lenin 2
91. Sartre e a liberdade de ser 4
92. Adorno [A batalha de] 5 2005
93. Antonioni 1
94. Nova face da França 5 Total: 49
95. Pensamento radical 3
96. Punk 2
97. Pensadores: Sartre, Foucault, Rorty, Rawls e Habermas [Especial 15
filosofia]
98. Bento de Núrsia 7
99. Hannah Arendt [Amor, filosofia e política em] 5
100. Roland Barthes, subversivo e sedutor 3
101. Freud [O essencial em] 2
102. Poesia [Essa tal de] 3
103. O início da filosofia 6 2006
104. Norberto Bobbio e a filosofia do direito 4
105. Caetano Veloso, pseudo-intelectual 1 Total: 38
106. Walter Benjamin, crítica e redenção 5
107. Mito e verdade na tragédia grega ─
108. Gilles Deleuze 6
109. Truman Capote / Dossiê Espinosa 3
110. Lévi-Strauss ─
111. Edgar Morin [As novas ideias de] 1
112. Filosofia do direito 4
113. As divas do cinema 1 2007
114. Oscar Wilde [O gênio] 1
115. TV Brasileira [Pensadores discutem sua qualidade, poder e ética] 2 Total: 39
116. Noam Chomsky / Dossiê Kierkegaard 8
117. Jacques Derrida 8
118. Slavoj Zizek e renovação do pensamento de esquerda 6
119. István Mészáros 3
120. Gilles Lipovetsky / Dossiê Estética 5
121. A supremacia da dúvida [ceticismo] 7
122. Marxismo nos E.U.A. 4
123. Merleau-Ponty 8

Vladimir Safatle / A modernidade de Francisco de Assis 6 . Marilena Chaui / Dossiê Pensamento do feminismo no século 20 5 134. Michel Foucault 6 160.. Contracultura 5 153. Freud [Continuidade e rupturas] 7 2010 148. Nietzsche [filósofo da cultura e desafiador dos valores] 7 Total: 63 150. Michel Foucault [A herança de] 9 135. Lévi-Strauss [o criador de mitos] 4 163. e a nossa] 4 182. Judith Butler 4 186. Pierre Bourdieu 6 129. O mito da juventude 5 158. Perversão [Novas formas de] 4 145. Deus no pensamento contemporâneo 6 132. W. Marilena Chaui [A lucidez de] 4 Total: 51 183. Mídia e poder 5 155. Clarice [Lispector] 4 168. Max Weber [A sociologia de] 3 125. O crack social 2 166. Bowie. A literatura norte-americana do século 20 1 136. Kierkegaard 6 180. Adorno [o filósofo contra o capital] 4 174. James Joyce [Metamorfoses de] 1 177. Rimbaud [é hora de reler] 7 179. Filosofia e consolação 7 144. Fernando Pessoa e o cinema 2 165. Jürgen Habermas [pensador da razão pública] 8 137. A era Lula 3 149. Freud [A língua de. O mal 6 151.. A linguagem da periferia 2 184. Jacques Rancière 5 Total: 45 140. Herbert Marcuse [O filósofo da revolução] 8 Total: 62 128. Dylan. A esquerda na encruzilhada 2 2012 170. Jacques Lacan [o sofrimento na contemporaneidade] 3 175. Freud apaixonado 4 162. Mundo Árabe 4 157. Goethe [Legado humanista] 3 131. 182 124. J. Alma russa [e literatura] 1 133. Nietzsche: o vício de Camus 5 171. O papado do intelectual 5 178. Depressão 4 141. Jacques Lacan 4 2008 126. Slavoj Zizek 6 2011 159. Ética em tempos de crise 6 146. Samuel Beckett 2 143. muito além de maio 5 127. Giorgio Agamben [um filósofo para o século 21] 9 2013 181. 1968. Pierre Bourdieu 2 167. Hannah Arendt [Amor pelo mundo] 8 130. Rousseau [o criador da modernidade] 5 173. Antonio Gramsci 4 142. Glauber Rocha 2 156. Amor [e as (des)razões do coração] 4 147. Mal-estar na cultura 3 169. Maria Rita Kehl / Dossiê O Tempo 7 154. A realidade da alma humana 6 176. O poder da psiquiatria 3 185. A democracia e seus impasses 4 2009 138. Zygmunt Bauman 2 139. Os rumos da cultura no Brasil 7 152. Queen 3 Total: 43 161. Walter Benjamin 4 Total: 40 172. Dostoiévski e Tolstoi 2 164.

progresso. Heidegger. Afeganistão. Sartre. cristianismo. moral. Platão. Sartre. Pascal. Heidegger. crítica. resenha. política. Sartre. Anselmo. Berdiaev. existência. Octavio Paz. 11-de-setembro. tecnologia. experiência da escrita. Alfred-Jarry. Sartre. divulgação-de-conceitos.sociedade. corrupção. filosofia árabe. Hume. 18-29 Sigmund Freud. Plutarco: Burke. 30-41 existencialismo. democracia. Ovídio. 42-53 Benjamin. Aristóteles. crítica. 183 ANEXO V: Palavras-chave das estratégias discursivas dos artigos e entrevistas de e com autores de filosofia por ano/edição na revista CULT ANO No. teoria. Hölderlin. Descartes. Aufklärung. revistas-culturais. linguagem. Borges. Maquiavel. Weber. Descartes. 01-05 1998 2 Crítica-literária. Nietzsche. Espinosa/Spinoza. crise. Frege. transgressão. crítica-ao-racionalismo. iluminismo. encarnação. política. teologia. senso comum. ética. Heidegger. Joyce. modernidade. Diderot. Agostinho. militância. comentário-filosófico. biografia-intelectual. fórum-social-mundial. Marx. crítica-de-arte. divertimento. crise mundial. Kafka. Locke. Galeno. Rilke. diversão. Milan-Kundera. marxismo. prática. Bacon. elo-social. direito-penal. Blanchot. 2001 12 Heidegger. Peter Burke. Camus. Nietzsche. crítica à ciência. Bacon. teatro. história-da-filosofia. Merleau-Ponty. iluminismo. seriedade. Merleau-Ponty. Camus. Benedito Nunes. nazismo. Horkheimer. existencialismo. sátira. Kant. economia. democracia. Maquiavel. Tocqueville. teoria-literária. Genet. Pascal. Levinas. tirania. Aristóteles. Tomás-de-Aquino. Kant. totalitarismo. Benjamin. Nietzsche. teologia. política. 65-75 Jean-Genet. Maquiavel. condição-humana. despolitização. psicanálise. resenha. estética. Rousseau. nazismo. Cervantes. Aristóteles. resenha. atualidade. 2002 19 Aristóteles. Wittgenstein. Nietzsche. de TEMAS/CONCEITOS/AUTORES PRINCIPAIS ARTIGOS 1997 3 Padre António Vieira. Platão. Derrida. Husserl. terrorismo. modernidade. Husserl. esclarecimento. 2000 7 Marilena Chaui. Wittgenstein. Franz Kafka. biografia-intelectual. antropofagia. política. Heidegger. vida feliz. liberdade. Cortázar. Adorno. Lucrécio. política. cidadania. Edições museu. Demócrito. Jorge Luis Borges. cultura. Freud. Russell. religião. crítica ao finalismo. Bachelard. papel da filosofia. Montaigne. papel-do-intelectual. literatura. Adorno. história-da- filosofia. ética. Arendt. debate. perspectivismo. Adorno. Pascal. Aristóteles. filosofia. criação literária. literatura barroca. música. Sérgio Buarque de Holanda. Goethe. espanto filosófico. pobreza. literatura. Kant. Wittgenstein. política. Horkheimer. republicanismo. Jung. Edições história-da-filosofia. Tomás-de-Aquino. ética. Sartre. Locke. Platão. Benedito Nunes. Shakespeare. público/privado. educação. epistemologia. poética. modernidade. Adam Smith. crítica-de-arte. progresso história-da-filosofia. Platão. romance. causalidade. Sartre. Descartes. Heidegger. Schopenhauer. lógica. multiculturalismo. pedagogia. história. história-da-filosofia. direito. Camus. Rousseau. Milton. Necker. Chardin. Leibniz. música. Marilena-Chaui. jornalismo. televisão. Edições 06-17 1999 9 Resenha. Stendhal. Montaigne. Dante. história-da-filosofia. virtude. política. Deleuze. condição-humana. Heráclito. teologia. Amor fati. crítica-aos-intelectuais. linguagem. arte. Pascal. Shakespeare. Wittgenstein. história-da-filosofia. epistemologia. 54-64 Espinosa/Spinoza. cotidiano. democracia. Hegel. Hobbes. imprensar. cartesiano. Marx. indústria-cultural. política. indústria-cultural. iluminismo. globalização. Lukács. Kant. romance. Bacon. islamismo. sofrimento. política. Kant. história-da-filosofia. Schiller. crítica-literária. Edições biografia-intelectual. Hobsbawn. Homero. cultura. riso. Arendt. Camões. Rousseau. Agostinho. homossexualidade. Deus. Maquiavel. Edições liberalismo. Jorge Luis Borges. ética. Adorno. Agostinho. escritura. Tomás-de-Aquino. Abelardo. história-da- filosofia. Kafka. Nietzsche. Lacan. Nietzsche. solidão. Descartes. banalidade. Aufklärung. Estado. ceticismo. Dostoiévski. Machado de Assis. Foucault. liberdade. Edições resenha. Iraque. Aristóteles. Camus. Pascal. Nietzsche. Edições metafísica. Adorno. existência. teologia. Emil Cioran. Cioran. causalidade. Espinosa/Spinoza. Bacon. Gabriel Garcia Marquez. resenha. crítica. 2003 21 história-da-filosofia. Dostoiévski. literatura. Bacon. 11-de- setembro. Nietzsche. Hannah Arendt. teoria crítica. Pascal. governo popular. dialética. democracia. . Jean Bodin. Fontanelle. dasein. Marx. Freud. globalização MERCOSUL. Parmênides.

dança. Husserl. vigiar. história-da-filosofia. saúde. vida. ética. 2005 49 Medicina. educação. best- seller. esperança. teologia. diálogo. história. Belo. França. valor. Foucault. romance. E. história. política. moral. Kierkegaard. Kierkegaard. polêmica. E. Heidegger. história-da-filosofia. tecnologia. sátira. afeto. crise. conhecimento. verdade.A. Aristóteles. crítica. estratégia. política. cidadania. filósofo. poder. fisiologia. política. política. Kierkegaard. Granger. moral. filosofia. crença. polêmica. conceitos. herança. diferença. Maquiavel. Schiller. terrorismo. Stendhal. história-da-filosofia. biologia. Fichte. filosofia. atualidade. Hegel. política. arte. história. Locke. Adorno. Kant. compromisso. ideologia. liberdade. filosofia. polêmica. ecletismo. ciência. Sartre. democracia. Hegel. sonho. 99-109 Estado. Deus. cinema. metafísica. papel-do-filósofo. formação. obediência. Lebrun. França. ética. política. filosofia. solidão. política. público. solidão. movimento. divulgação. guerra. arte. cultura. pop. fé. eleições. religião. transgressão. vigilância. religião. epistemologia. ciência.A. normas. resenha. Nietzsche. Marx. Guéroult. metodologia. Locke. Bauman. mídia. Bento-Prado-Jr. psicanálise.. imagem. revolução. atualidade. Hegel. Hume. papel-da-filosofia. crítica. Foucault. história. público/privado. história-da-filosofia. Sartre. Habermas. medicina. Kant. Plutarco. Iluminismo. partido- comunista. comunidade. teatro. arte. Schelling.A. reflexão. engajamento. Descartes. Kierkegaard. política. política. resenha. política. transgressão. papel-da-filosofia. divulgação. transparência. 2004 35 Política. Agostinho. filosofia. filosofia. revolucionário. moral. direita-esquerda. papel-do-intelectual. atualidade. ética. sociedade. intelectualidade. política. popularização-da-filosofia. liberdade. fama. Aristóteles. democracia. política. atualidade. engajamento. Lispector. França. imperialismo. Dostoiévski. crítica. Hobbes. política. Schmitt. resenha. Agostinho. pragmatismo.. estética. religião. Disney. repressão. eugenismo. propriedade. Hobbes. história-da-filosofia. espionagem. literatura. corrupção. democracia. pós-estruturalismo. religião. biografia-intelectual. Barthes. Diderot. Hobbes. crise. ética. crítica. labirinto. Edições direita-esquerda. Rawls. biografia-intelectual. desejo. ciência.U. Nietzsche. teologia. política. psicologia. Russel. democracia. caráter. Goethe. política. pop. Lyotard. poder-soberano. Hobbes. Platão. políticas-públicas. Descartes. cristianismo. Lacan. religião. Foucault. E. atualidade. liberdade. ética. Hegel. comunismo. reflexão. Winnicott. graça. Montagine. arte. atualidade. Goethe. políticas-públicas. Heidegger. história-da-filosofia.U. Platão. mídia. Olgária-Matos. política. filosofia. razão. divulgação. Foucault. política. história-da-filosofia.. Hobsbawn. ética. Rousseau. cultura-digital. futebol. Foucault. política.U. história. experiência. E. religião. linguagem.U. conservadorismo. arte. razão-de-Estado. violência. história-da- filosofia. papel-do-intelectual. amor. teoria-literária. ordem. Aristóteles. Nietzsche. Tratemberg. Edições Tomás-de-Aquino. belo. ética-da-responsabilidade. pós-estruturalismo.U. Schlegel. tecnologia. juízo. economia. sociedade. Escola-de- Frankfurt. Reich. indústria-cultural. divulgação. medicina. religião. Brasil. Deleuze. existencialismo. consciência. atualidade. Platão. sociedade. 2006 38 Totalitarismo. dialética. reflexão. resenha. moral. economia. amor.. política. Brasil. pragmatismo. Kant. conselho. ética. socialismo. ética. religião. Hume. política. Sartre. Pascal. Arendt. crítica.U. existencialismo. Sócrates. belo. Donald-Davidson. África. Cristo. teologia. eugenia... eugenia. atualidade. Diderot.A. pragmatismo. papel-do-intelectual. democracia. Hegel. atualidade. história-da-filosofia. herança. formação. história. Kant. origem-da-filosofia. Schiller. Hölderlin. revolução. fascismo. Adorno. filosofia. ciência. prática. arte. Mandeville. estética. Ghiraldelli-Jr. diferença. ideologia. Bauman.. . Sartre. educação. cinema. mercadoria. Freud. democracia. belo. Tomás-de-Aquino. regime-político. 76-87 Bacon. política. iluminismo. cidadania. Kant. Schelling. pós-modernidade. filosofia. capitalismo. divulgação. atualidade. cultura. religião. ética. Nietzsche. saúde. terrorismo. poder. 88-98 religião. ideologia. democracia. Derrida. pluralismo. ética. estética. filosofia. estética. Locke. educação. sociedade. espiritualidade. conflitos. cosmopolitismo.A. Bacon.A.. política. Arendt. medo. estética. religião. Hegel. monitoramento.A. metafísica. Espinosa/Spinoza. Heidegger. pragmatismo. ética. fanatismo. Aristóteles. mercadoria. política. história-da-filosofia. E.U. pós-modernidade. Agostinho. vertentes-filosóficas. democracia. Hegel. nazismo. biografia-intelectual. E. Nietzsche. Rorty. Edições estética. estudos- culturais. Pascal. Flaubert. filosofia. cultura. resenha. polícia. ética. Stendhal. 184 intelectualidade. Espinosa/Spinoza. divulgação. filosofia-pop. punk. filosofia. Kant. arte. entrevista. Arendt. biografia-intelectual. liberdade. Hegel. crítica. conhecimento. filosofia-francesa. metafísica. França. racismo. raça. E. Canguilhem. Deus.

alteridade. Hegel. Kant. design. caça. cinema. Habermas. Flusser. personagem. filósofos. democracia. pensamento. Benjamin. desconstrução. pirronismo. religião. Hardt. entrevista. Kierkegaard. fascismo. Brasil. origem-da-filosofia. Merleau-Ponty. Sócrates. atualidade. modernidade. história-da-filosofia. Rorty. Rousseau. Kant. arte. natureza. Shakespeare. Habermas. lei. Shakespeare. militância. belo. diferença. Diderot. democracia. Agamben. fenomenologia. luxo. Agostinho. Hobsbawn. Kierkegaard. literatura. Benjamin. arte. técnicas. metafísica. vida. Agamben. diferença. Hegel. arte. civilização. Negri. Ovídio. Benjamin. método. Heidegger. Heidegger. intelectualidade. linguagem. Hegel. Adorno. Kant. desejo. Schelling. Derrida. administração. biografia-intelectual. atualidade. direito. . pensamento. teatro. crítica. Hobbes. 185 acontecimentos. utopia. Benjamin. Artaud. grito. filosofia. Aristóteles. resenha. desejo. indústria-cultural. Platão. 120 Aristóteles. filosofia. utilidade. luta-de-classes. Adorno. afeto. Sócrates. investigação. liberdade. Benjamin. Sócrates. ódio. Hegel. filosofia. filosofia. terapia. Habermas. Agamben. crítica. Edições experiência. Freud. interpretação. Alemanha. Sócrates. Arendt. Engels. direito. Arendt. símbolo. mito. sagrado. religião. Agamben. Rorty. Heidegger. filosofia. democracia. rock. diagnóstico. Jorge-Luis-Borges. melancolia. feminismo. direito. ética. pirronismo. ceticismo. Maquiavel. senso-comum. Sartre. jogo. indústria. islamismo. Horkheimer. Marx. texto. signo. espetáculo. festa. cristianismo. papel-da-filosofia. dialética. transformação. Fichte. Edições ceticismo. experiência. Kant. conceito. literatura. espanto. Hegel. Paulo-Arantes. Hegel. linguagem. conceito. divulgação. ética. diagnóstico. relações. criticismo. divulgação. 110. papel-do-intelectual. Deus. governo. verdade. Flusser. soberania. Hegel. Sexto-Empírico. história. busca. Platão. filosofia. Hegel. Kant. sensibilidade. Kant. voz. Descartes. outro. corpo. luta. Pirro. Foucault. verdade. Platão. Wollstonecraft. beleza. Agostinho. metafísica. Hegel. espiritualidade. pós-modernidade. teoria. belo. Leibniz. iluminismo. filósofo. capitalismo. divulgação. Adorno. Lacan. origem-da- filosofia. Freud. teoria. resenha. história-da-filosofia. papel-da-filosofia. alegria. biografia- intelectual. suspensão-do-juízo. crítica. filósofo. cidadania. arte. Hegel. Pascal. sexualidade. Descartes. papel- do-intelectual. arte. Marx. linguagem. luta. Schelling. belo. arte. empirismo. filosofia. intelectualidade. divulgação. comunicação. Kant. filosofia. Marx. Vattimo. atualidade. Aristóteles. contemporaneidade. indivíduo. subversão. alteridade. Foucault. indústria-cultural. Platão. Derrida. Édipo. literatura. Platão. Derrida. papel-da-filosofia. filosofia. filósofo. história-da-filosofia. Kierkegaard. olhar. Pirro. biografia-intelectual. signo. política. teologia. arte. inconsciente. Foucault. Barthes. belo. Chaui. Platão. Brasil. Reale. Marx. metafísica. consciência. papel-do-intelectual. engajamento. política. Deleuze. Kierkegaard. ética. estética. doença. Nietzsche. Platão. dúvida. escrita. segurança. esquerda. linguagem. imanência. papel- da-filosofia. Deleuze. Aristóteles. corpo. arte. estética. Derrida. Lula. razão. desconstrução. existencialismo. ciência. Agostinho. Jaspers. Kierkegaard. razão. 2007 39 Desejo. literatura. Deleuze. Deleuze. Descartes. atualidade. Derrida. prática. Tomás-de-Aquino. Espinosa/Spinoza. Espinosa/Spinoza. Tomás-de-Aquino. radicalidade. moral. academia. Platão. papel-da- filosofia. atualidade. Sexto-Empírico. psicanálise. Nietzsche. política. Derrida. palavra. biografia-intelectual. idealismo. mito. clínica. perigo. modernidade. Bergson. Benjamin. Zizek. Nietzsche. ética. papel-da-filosofia. Lipovetsky. história-da- filosofia. fenomenologia. Mouffe. Debord. história-da-filosofia. arte. democracia. vida. Foucault. teologia. democracia. entrevista. Adorno. palavra. Hegel. herança. Benjamin. Heidegger. papel-da- filosofia. cultura-árabe. ciência. filosofia. marxismo. belo. dogmatismo. origem-da-filosofia. felicidade. Adorno. acontecimento. tragédia-grega. moral. lógica. esclarecimento. Marx. fenômeno. política. arte. multiplicidade. Grécia. Bento-Prado-Jr. Benjamin. hipermodernidade. dialética. dialética. Espinosa/Spinoza. cinema. Agostinho. resenha. origem-da- filosofia. escritura. intuição. humanismo. Erasmo. Espinosa/Spinoza. tecnologia. Kant. Horkheimer. biografia-intelectual. desejo. Platão. 2008 62 História. Bergson. Agostinho. Kafka. Sócrates. felicidade. Zizek. filósofo. Sócrates. profanação. Heidegger. Negri. atualidade. Nietzsche. Hegel. Sócrates. capitalismo. Bauman. Biopolítica. jurista. Canguilhem. patriarcado. condição-humana. marxismo. marxismo. estética. cristianismo. filosofia. divulgação. condição-humana. resenha. Aufklärung. divulgação. imanência. Adorno. política. biopoder. Horkheimer. política. Kant. Nietzsche. individualismo. subjetividade. Foucault. papel-do-intelectual. cristianismo. Freud. Burke. filosofia. Negri. Papa. filósofo. Badiou. Tomás-de-Aquino. palavra. atualidade. Espinosa/Spinoza. responsabilidade. Deleuze. Stendhal. modernidade. crítica. debate-público. Bataille. Virgílio. política. esquizoanálise. Agamben. arte.

tecnologia. Sartre. marxismo. Hobsbawn. Kant. Lacan. Marcuse. política. Arendt. espírito. política. Kant. Freud. discurso. pensamento. fora. educação. papel-da-filosofia. psicanálise. escrita. pensamento. . Lacan. Marx. razão-sensível. Derrida. verdade. Heidegger. Kant. academia. razão- instrumental. modernidade. história-da-filosofia. Mao. Adorno. reflexão. consciência. Merleau-Ponty. Bento-Prado-Jr. psicologia. modernidade. Merleau-Ponty. Machado-de-Assis. herança. papel-da-filosofia. nazismo. Foucault. Bachelard. Rodrigo-Duarte. Gadamer. Arendt. Blanchot. felicidade. resenha. ciências. público. crítica. filósofo. vida. outro. filosofia. Fink. debate. evolucionismo. estética. linguagem. crítica. identidade. adolescência. ideologia. literatura. teologia. ideologia. cuidado-de-si. Kant. Badiou. revolução. Nietzsche. experiência. Descartes. influência. feminino. Foucault. política. reflexão. dever. filósofo. percepção. 186 121. conhecimento. crítica. teoria. Derrida. Negri. poder. vida-comum. religião. Hume. Husserl. pragmatismo. religião. guattari. atualidade. filósofo. dialética. cidadão. exterioridade. Horkheimer. linguagem. história. ética. música. Wittgenstein. Ewald. infelicidade. Ricoeur. Merleau-Ponty. filosofia. ética. Kant. atualidade. papel-da-filosofia. literatura. história-da-filosofia. 131 ceticismo. expressão. psicanálise. literatura. Sexto-Empírico. banalidade. violência. cultura. Kant. Adorno. filosofia. política. superfície. razão. Pierce. Heidegger. revolução. vida. interrogação. Heidegger. Adorno. Teoria-Crítica. Kant. Agamben. subjetividade. Blanchot. história-da-filosofia. psicanálise. Habermas. Bento-Prado-Jr. entrevista. revolução. Edições entrevista. felicidade. crítica. fenomenologia. Mezan. ensaio. Beauvoir. Benjamin. corpo. consumidor. totalitarismo. ceticismo. pensamento. nazismo. Birman. fenomenologia. literatura. Hume. resenha. Heidegger. Friedman. Agamben. condição-humana. Agostinho. filosofia. Wittgenstein. 132. Schmitt. discurso. Foucault. universidade. crítica. debate. poder. Hegel. moral. esperança. liberdade. Horkheimer. Aristóteles. Popper. cultura. revolução. Benjamin. problemas. Brasil. Brasil. Heidegger. Aristóteles. Husserl. revolução. biografia-intelectual. senso-comum. filósofo. Deus. condição-humana. política. Heidegger. atualidade. poder. maio68. Arendt. música. lógica. filosofia. resenha. história-da-filosofia. Debord. sonhos. arte. Horkheimer. direito. Freud. erudição. história-da- 142 filosofia. Kafka. Nietzsche. democracia. liberdade. fenomenologia. conceito. Diógenes-Laércio. Adorno. Aristóteles. herança/influência. Rousseau. Wollstonecraft. tragédia. Brasil. esquerda-direita. Tomás-de-Aquino. Hobbes. papel-da-filosofia. racionalidade. Marcuse. memória. poder. conceito. Nietzsche. técnica. antropologia. Horkheimer. pichação. Roussel. mal. Platão. sensibilidade. teoria- crítica. feminismo. Platão. crítica. ensaio. Descartes. transgressão. Merleau-Ponty. Heidegger. Beauvoir. Wittgenstein. religião. criação. Heidegger. Feuerbach. Russell. Levinas. empirismo. biopolítica. Derrida. modernidade. Aristóteles. indivíduo. Hegel. pop. história. história. cinema. práxis. Stockhausen. Habermas. ação. melancolia. Nietzsche. Horkheimer. Hegel. biopolítica. Sennelart. história. ensaio. Foucault. moral. Arendt. Lévinas. vanguarda. lei. Adorno. Hardt. Descartes. divulgação. Brasil. democracia. Deus. filósofo. Benjamin. ética. discurso. Deleuze. natureza. Berkeley. Proust. filósofo. ensaio. crítica. justiça. utopia. Aron. Kant. best-sellers. Deleuze. experiência. Montaigne. ontologia. biografia- intelectual. Platão. Bergson. Hegel. Oswaldo Porchat. Berkeley. Arendt. herança/influência. Adorno. Bergson. psicanálise. moda. popularização-da- filosofia. papel-da-filosofia. Flusser. Freud. estética. biopoder. Marx. Foucault. Husserl. poder. clássico. Hegel. razão. crítica. Wollstonecraft. filosofia-francesa. popularização. interpretação. marxismo. iluminismo. conhecimento. norma. ciência. tempo. modernidade. cultura. ceticismo. tecnicidade. contemporaneidade. ciência. linguagem. Foucault. Kant. autoajuda. herança/influência. Marx. Butler. engajamento. mito. sociedade. direito. práxis. discurso. política. neopirronismo. crenças. prisão. poder. Cícero. papel-da-filosofia. atualidade. atualidade. misticismo. sociedade-industrial. outro. Bataille. responsabilidade. Montaigne. Merleau-Ponty. Chaui. Brasil. resenha. Sartre. Sartre. literatura. história. loucura. sociedade. ciência. Simondon. Arendt. Foucault. metafísica. divulgação. papel-da-filosofia. transformação. fenomenologia. Pascal. Espinosa/Spinoza. divulgação. 2009 45 Ensaio. papel-da-filosofia. Derrida. Heidegger. semiótica. Oswaldo Porchat. democracia. papel-do-intelectual. Oswaldo Porchat. resistência. biografia-intelectual. Morin. educação. arte. Kafka. biopolítica. pós-humano. Marx. Adorno. Marcuse. herança/influência/ Brasil. Habermas. arte. Shakespeare. mídia. Merleau-Ponty. estética. Beauvoir. razão-instrumental. feminismo. percepção. ciência. tecnologia. Dumézil. ciência. Freud. Fichte. Descartes. recalque. filósofo. futuro. Agamben. crítica. pensamento. atualidade. Husserl.

Nietzsche. liberdade. Epicuro. literatura. Camus. Adorno. capitalismo. Edições concretude. atualidade. circulação. Adorno. patologia. marxismo. autenticidade. criação. terapia. resenha. moral. Weber. democracia. filósofo. mal. moral. Platão. Hobbes. dicotomia. cinema. corrupção. ensaio. Kant. Nietzsche. corpo. interdisciplinar. melancolia. capitalismo. Horkheimer. papel-do-intelectual. religião. Oriente-Médio. capitalismo. conduta. papel-da-filosofia. 153 ensaios. transformação. burrice. consolação. Agamben. patológico. ciência. criação. Bacon. filósofo. Freud. capitalismo. cidade. Aristóteles. mal. política. antiguidade. intelectualidade. condição-humana. pensamento. religião. arte. tempo. insatisfação. literatura. Boécio. política. Lefort. Bento-Prado-Jr. democracia. 154. papel-da-filosofia. moral. industrai-cultural. história-da-filosofia. feminismo. Benjamin. política. escrita. Adorno. ensaio. amor. Hegel. papel-do-intelectual. identidade. poder. fetichismo. alienação. estética. desejo. política. valores. humanidades. Daniel-Lins. moda. experiência. liberdade. individualidade. Bergson. fetiche. papel-da-filosofia. religião. atualidade. atualidade. poder. doença. Weber. ética. Aufklärung. música. Deleuze. Locke. civilização. vida. Ricoeur. crítica. política. atualidade. estética. Descartes. Derrida. cristianismo. verdade. Foucault. esquizoanálise. literatura. afeto. Levinas. Hegel. história-da-filosofia. Lacan. iluminismo. França. papel-da-filosofia. Brasil. 2011 43 Ensaio. Benjamin. Derrida. divulgação. lei. Deus. voz. direito. autoridade. Adorno. Arendt. amor. Kant. democracia. genealogia. liberdade. ensaio. solidão. Worms. liberdade. teologia. atualidade. Aristóteles. bullying. psicanálise. democracia. tempo. poder. Rousseau. Nietzsche. ensaio. ética. Foucault. dialética. cristianismo. Ricoeur. estética. pluralidade. Blanchot. teoria-social. Brasil. Derrida. Deleuze. economia. Mann. sexualidade. justiça. entrevista. tempo. Sade. pop. Aristóteles. Horkheimer. reality-show. análise. conhecimento. dialética. política-externa. Kant. revolução. mídia. negatividade. moradia. cultura. Schoenberg. atualidade. Pascal. indivíduo. psicanálise. cotidiano. verdade. divulgação. Arendt. Bento-Prado-Jr. interioridade. ensaio. fracasso. moral. arte. Deleuze. filosofia-francesa. Benedito-Nunes. monstro. transvaloração. coerção. Adorno. filósofo. kitsch. Benjamin. política. gozo. indústria-cultural. Horkheimer. divugação. ensaio. utopia. Montaigne. Benjamin. Sócrates. psicanálise. filosofia. Weber. sem- consolação. autoria. Bourdieu. nudez. jogo. ensaio. religião. papel-da-filosofia. . política. Adorno. sociedade. Deus. salvação. ética. fracasso. perversão. reconhecimento. ensaio. Locke. trabalho. teologia. dispositivo. ética. política. direito. sociedade. masoquismo. Weber. Schiller. papel-da-filosofia. teoria. papel-da-filosofia. administração. dispositivo. história-da- filosofia. Nietzsche. entrevista. twitter. Artaud. Freud. atualidade. Marx. política. ética. Nietzsche. democracia. liberdade. ensaio. corpo. responsabilidade. cinema. Tocqueville. Sacher- Masoch. Montaigne. ensaio. tempo. mídia. Debord. sociedade. Freud. revolução. massa. entrevista. mídia. ensaio. judaísmo. Foucault. intelectualidade. Estado. democracia. Lyotard. engajamento. idiota. Heidegger. Freud. ensaio. John-Cage. Hegel. Sêneca. divulgação. poder. resenha. popularização-da-filosofia. racionalismo. democracia. 2010 63 Paradoxo. 187 direito. Nietzsche. repressão. digital. crise. Brasil. Edições papel-do-intelectual. Schelling. filósofo. história- da-filosofia. moda. ensaio. mídia. modernidade. ética. Deleuze. psicanálise. feminismo. história-da-filosofia. Adorno. linguagem. Nietzsche. totalitarismo. resenha. moral. judaísmo. papel-da-filosofia. amizade. herói. pensamento. futebol. condição-humana. Elias. Nietzsche. Marx. humanismo. Grécia. psicanálise. ética. revolução. Benjamin. literatura. estética. Paulo- César-De-Souza. resenha. psicanálise. Roberto-Carlos. Foucault. patológico. valores. tradução. ciência. Engels. religião. atualidade. Bacon. Michael- Jackson. atualidade. animal. crítica. história-da- filosofia. Bergson. moral. Bildung. Mao. cristianismo. Levinas. Benjamin. atualidade. duração. Heidegger. moral. filósofo. discurso. poder. tempo. ética. sociedade. Nietzsche. arte. Bergson. Adorno. economia. valores. ensaio. moral. poder. redes-sociais. Goethe. liberdade. Agostinho. ensaio. pensamento. papel- do-intelectual. reformismo. ensaio. Marcuse. existencialismo. eleições. Beckett. Nietzsche. teologia. 164 modernidade. Montaigne. Kafka. ideologia. literatura. integridade. consolação. riso. Kant Freud. Adorno. Pascal. Hegel. democracia. Agostinho. ensaio. democracia. vida. educação. medo. atualidade. Aristóteles. atualidade. resenha. ética. niilismo. Marx. sociedade. decisão. atualidade. modernidade. metafísica. pop. estoicismo. atualidade. moral. condição-humana. Hegel. filósofo. universidade. tecnologia. ensaio. 143. Platão. subjetividade. Heidegger. Marx. Brasil. Sartre. Freud. exclusão. reflexão. Marcuse. corpo. política. ensaio. Deus. Freud. melancolia. método. internet. liberdade. morte. diagnóstico. ensaio.

linguagem. cultural. iluminismo. Agamben. 175 governo. papel-do-intelectual. filosofia. John- Cage. Kant. ensaio. religião. Bacon. Foucault. ensaio. medicina. cuidado- de-si. lixo. literatura. imagem. Platão. Sartre. ensaio. mercado. teatro. Dewey. intelectualidade. ensaio. atualidade. Lukács. Platão. indivíduo. funk. resenha. moral. Sartre. Adorno. mídia. ensaio. ensaio. feminismo. ensaio. temporalidade. barbárie. capitalismo. indivíduo. Brasil. coisificação. consciência. massa. ensaio. Ricoeur. Badiou. Hegel. Horkheimer. Agamben. sono-antropológico. Brasil. sociedade. papel-da-filosofia. papel-da-filosofia. política. classicismo. Benjamin. Teoria-Crítica. Aristóteles. ensaio. experiência. psiquiatria. contemporaneidade. fé. vida. Husserl. invenção. emancipação. cidadão. psicanálise. filosofia. sexualidade. Comte-Sponville. Hyppolite. sistema-político. psiquiatria. linguagem. capitalismo. intelectualidade. Deleuze. conferência. alma. utopia. pensamento. existencialismo. hiperconectividade. marxismo. política. poder. protestos. espetáculo. ação-comunicativa. forma. resenha. crítica. atualidade. Gadamer. Rousseau. real. psicanálise. Kant. sofrimento. resenha. marxismo. Safatle. maternidade. ciência. metafísica. política. Adorno. papel-da-filosofia. divulgação. Agostinho. ansiedade. Lyotard. Brasil. história-da-filosofia. Adorno. moral. atualidade. música. psicoterapia. psicanálise. Habermas. linguagem. Beauvoir. Weber. Cícero. existencialismo. Descartes. Bergson. atualidade. amor. ideologia. Bruno. Brasil. história-da-filosofia. razão. Kant. Paulo-Arantes. marcas. Nietzsche. divulgação. contemporaneidade. Lacan. atualidade. Leopoldo-e-Silva. Canguilhem. pornografia. mercado-editorial. internet. indivíduo. Adorno. moral. Olgária-Matos. Kant. Foucault. Escola-de-Frankfurt. Agostinho. alma. Bataille. Husserl. Kierkegaard. Lukács. Descartes. academia. Marx. vida. Engels. atualidade. narrativa. Rago. atualidade. educação. clínica. Escola-de-Viena.U. Benjamin. Hegel. estética-financeira. Janine-Ribeiro. popularização. Nietzsche. Leibniz. fascínio. diálogo. estética. fascismo. historia-da-filosofia. mídia. ensaio. Conde. Deleuze. Kant. cristianismo. neurose. história-da-filosofia. arte. atualidade. Platão. sociedade. atualidade. indivíduo. Bendo-Prado-Jr. Flusser. Espinosa/Spinoza. Adorno. consciência. Kant. medicina. 176. atualidade. Marx. papel-da-filosofia. correspondência. desejo. psiquiatria. Edições eternidade-do-mundo. Agostinho. coronelismo. papel-da-filosofia. instituição. divulgação biopoder. atualidade. biografia-intelectual. felicidade. Dunker. Nietzsche. terapia. Marx. ética. Horkheimer. ensaio. autoritarismo. patriarcado. Estado. ética. Adorno. doença- mental. biografia-intelectual. democracia. condição- humana. Adorno. Zizek. Tiburi. consumismo. Zizek. Rancière. sociedade. hermenêutica. divulgação. moral. Foucault. filosofia. razão. divulgação. papel- da-filosofia. esquerda. historia-da-filosofia. . Platão. dever. Foucault. ensaio. psicologismo. linguagem. ensaio. estética. mulher. Edições atualidade. religião. atualidade. Iluminismo. subjetividade. atualidade. música. liberdade. Sade. cinema. revolução. mídia. Heidegger. intelectualidade. ensaio. papel-do-intelectual. psicanálise. Bachelard. identidade. identidade. Montaigne. Império. música. antropologia. ensaio. espectador. teologia. Althusser. crença. império. Merleau-Ponty. Agostinho. Badiou. Heidegger. Nietzsche. corpo. Iluminismo. atualidade. marxismo. psicanálise. Heidegger. Arendt. divulgação. Ricoeur. ensaio. Lacan. Freud. Horkheimer. corpo. história-da- filosofia. 165. estilo. intelectualidade. cultura-de-massa. medialidade. história-da-filosofia. cinema. Brasil. Kant. Orlandi. idolatria. Giannotti. reconstrução. gênero. economia. Sartre. natureza. marketing.A. ensaio. Brasil. capital. música. cinema. história-da-filosofia. condição-humana. moral. farmacologia. 188 Husserl. Camus. corrupção. humilhação. Descartes. Descartes. ensaio. angústia. comunicação. contemporaneidade. Bastide. atualidade. arte. afeto. negativa. Lukács. instituição. liberdade. teologia. Foucault. loucura. Rousseau. Foucault. dialética. curadoria. Canguilhem. alma. Hegel. marxismo. sustentabilidade. 2013 51 Ensaio. Meszaros. Lacan. Hegel. papel-da-filosofia. arte. histeria. indústria-cultural. pensamento. educação. Kant. ensaio. solidão. ensaio. Butler. filosofia. futuro. Hegel. Platão. pop. pedagogia. biografia- intelectual. Camus. arte. igualitarismo. Horkheimer. ensaio. Platão. moral. obrigação. estética. cristianismo. moral. dominação. ética. história. histeria. E. Deleuze. fenomenologia. liberdade. Derrida. Sartre. Foucault. ensaio. condição-humana. Adorno. história-da-filosofia. antipolítica. rock. identidade. indústria-cultural. Wall-Street. pensamento. Hegel. problema. Merleau-Ponty. economia. 2012 40 Ensaio. Nietzsche. best-seller. Benjamin. divulgação. vanguarda. psicanálise. política. revolução-iraniana. esquerda. Epicuro. arqueologia. democracia. Estado. norma. Zizek. Lévi-Strauss. Rousseau. divulgação. resenha. Sêneca. resenha. Pascal. Marx. industrialização. Bento-Prado-Jr. Foucault. pop. Olgária-Matos.. conceito.

democracia. tragédia. revolução. religião. Habermas. corpo. Arendt. ensaio. papel-do-intelectual. livro. gênero. biopolítica. educação. dúvida. belo. Blanchot. Kierkegaard. Didi-huberman. Bataille. Benjamin. dispositivo. terapia. Aristóteles. cinema. Heidegger. papel-da-filosofia. ensaio. religião. feminismo. papa. sexualidade. Agamben. manifestações. alegria. diálogo. condição-humana. cinema. Sloterdijk. transformação. morte. Heidegger. papel-da-filosofia. diferença. Heidegger. Aristóteles. ética. Fichte. condição-humana. tecnologia. fetiche. Hegel. Nietzsche. Adorno. Rimbaud. Arendt. telefonia. norma. método. fé. Horkheimer. cinema. patologia. ensaio. fé. Foucault. razão-de- Estado. Althusser. Aristóteles. Hegel. ensaio. imaginação. cinema. escrita. Husserl. Wittgenstein. política. atualidade. negligência. Deus. pensamento. Lyotard. teologia. gênero. Weil. Espinosa/Spinoza. história. Montaigne. luto. atualidade. Sócrates. Lacan. feminismo. Bataille. ética. Habermas. luto. Nietzsche. Foucault. crença. liberdade. genealogia. método. cura. Estado. Deleuze. inoperar. Kant. Schelling. Hegel. Hegel. investigação. razão. Brasil. Agamben. Lévi-Strauss. . automóvel. indiferença. filosofia. Schelling. ensaio. Brentano. Marx. arte. moral. mídia. atualidade. moral. literatura. capitalismo. ensaio. pensamento. Merleau-Ponty. poesia. Foucault. ensaio. Goethe. Kant. Agamben. Nietzsche. Benjamin. Deguy. entrevista. leitura. morte. Freud. Benjamin. crítica. papel-da-filosofia. Safatle. Platão. atualidade. Badiou. Adorno. sacerdotes-da-moral. filósofo. Lacan. Agamben. Kafka. estética. engajamento. literatura. atualidade. ensaio. papa. disciplinar. Butler. história-da-filosofia. cultura. política. Heidegger. Lacan. Maquiavel. Beauvoir. Kierkegaard. Derrida. Benjamin. antiacademia. Butler. Agostinho. atualidade. escravidão-voluntária. psiquiatria. Shestov. política. cristianismo. representação. biopolítica. Hegel. Zizek. luta-de-classes. Deleuze. 189 186 história-da-filosofia. biopoder. Hegel. doença. símbolo. Rancière. história-da-filosofia. Blanchot. experiência. democracia. Marx. literatura. Agamben. Sartre. Escola-de-Frankfurt. poder. tecnologia. estética. soberania. Kierkegaard. Estado. Leibniz. Lessing. Hegel. crise. Espinosa/Spinoza. atualidade. arte. vida. Hegel. biopoder. crítica. manifesto. Nietzsche. história-da-filosofia. Iluminismo. capitalismo. diálogo. Frege. direito. Derrida.