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Consellw Editorial da área de Serviço Social

Ademir Alves da

Silva

Dilséa Adeodat a Bonetti

Elaine Rossetti

Beliring

Mari a Lúcia CarvaUio da

Silva

Mari a Lúcia Silva

Barroco

Dados Internacionais ds Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Silva, Edith Seligmaim Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dorío de si mesmo / Seligmarm Silva. — São Paulo : Cortez, 2011.

Edith

Bibliografia.

ISBN 978-85-249-1756-1

-

1. Ambiente de trabalho 2. Acidentes de trabalho 3. Doenças profissionais

  • 4. Trabalho e classes trabalhadoras—Desgaste mental I. Título.

11-05653

"~CDD-363.1

1

índices para catálogo sistemático:

  • 1. Saúde mental no trabalho : Bem-estar sodal

363.11

Edit h

Selígmann-SHva

CAPÍTUL O

1

.

PSICOPATOLOGIA DA

RECESSÃO'

E DO

DESEMPREGO

A crise econôrnicá suxgé seifiprèfigãdá'a liMa crise social. Ainbãs deterrninam/conjtmtaraeriie/profxmdas-repereussões-sobre-a-sáú^ e, de form a or a clar a e impactante , or a suti l e mascarada , também sobr e a Saúde Mental . Sofriment o social , sofriment o físico e sofriment o menta l são geralment e indissoGÍáv6Ís,-embora frequentement e seja m estudados de maneir a compartimentad a e reducionista .

Os'estudos ' sobr e os impacto s svihjeúvos do desempfegoque-súrge ciS'- sociado à recessão fora m feitos n o passado. O ãesernprégo de longa duração foi a situação mai s analisada ness a fase.-No período mai s recente , como veremos.depo'is , o desemprego intermitente passou. a ocupar- b cenário.

-

Assim , deveremo s

aq-ui;'inicialmente , lembra r investigações

que ,

ante s dá exacerbação da cbamâdã reestruturação

produtiva,

examinara m a

relação--entre--modifiGações-do-j3aerGado-de-trabalho-e-a_saúdados±:áb.ar __

lhadore s

— destacando àquelas verificada s e m relação à Saúde Mental .

Tai s

estudo s

fora m realizado s

e m períodos -de recessão'.económica

—• á começar n o período da Grand e Depressão de 19.29'que penetrou no s

anosl930 .

'

^

ày.^-

.S;

".

T

"

. Mai s recentemente ,

...

.

.

.

-y

outro s estudos fòraLm" rèãlizááos h õ péfiódb

recessão que s e estefideu dcfínal dos ãnós:1970 ao corneço 'dos ânos

1980.

4 0 2

EDITH SELIGÍAANH-SILVA

AJguma s das descoberta s realizadas nos an.os 1930 persiste m carregadas

de signiiicado par a o estudo da atua l conjuntura . A dinâmica psicossocial e n s repercussões subjetívas d o desemprego, mesmo que diferenciadas

conforme períodos históricos, contextos e conjuntura s

económicas distin-

tas, podem, servir d e referência par a a compreensão d e vários aspectos psicossociai s e psicopatológicos. Enhetanto , como será visto, as diferenças precisam ser levada s e m conta, par a que não s e façam interpretações equivocadas ne m s e implemente m intervenções incompatíveis co m a s nova s reahdades .

Po r

outr o lado, o exame

dos impactos

mai s

gerai s

das

crises sobre

a

saúde pode no s ajuda r n o entendiment o dos impacto s mentais . É o que

faremos

a seguir.

. 1 , A PERSPECTIVA EPIDEMIOLÓGICA

A abordage m epidemiológica permiti u a vários pesquisadore s de- senvolve r estudos e m perspectiva longitudinal , pai a acompanhar a trans- forinação dos perfis de morbidade e mesmo de alguns aspectos da mortalidade, ao long o d e períodos marcado s pel a recessão, e pel o desempreg o que a acompaiihava . O enfoque epidemiológico permitiit , assim, observa r d e que mod o s e modificara m os tipos de adoeciment o e diversas causas.de mort e a o long o dos anos que s e seguia m a o desencadeament o d e um a ;. recessão económica. Vejamo s o panorama que alguma s dessa s pesquisas--^s do século X X no s oferecem.

Brenne r

e Maonej

(1982)

realiza m revisão

d e estudos

anteriores

e

expõem resultados da pesquis a

realizada n o período 1955-76, n a higlater- .

ra,

Escócia e País d e Gales ,

e m

que

identificaram a importância, dos

au-

mento s

d e tensão n a determii.T.ação d o cresciment o

d a mortalidade

po r

 

doenças cardiovasculare s

nas

fases

d e recessão.

A o

examina r

a s fases

pós-recessão, os pesquisadore s

conclue m que o período inicial de recupe-

.-.iSr

ração da economi a pode ser u m moment o especialment e tensiógeno par a

os

desempregados

que realiza m esforços de reintegrar-s e

ao

mercado

..

-

Estudando

dados

d e diferente s

países, Brenne r

e Moone y

(1982):

procruram identificar d e qu e

mod o a s mudanças económicas, tant o iw^^ji-S

fases d e cresciment o

quant o na s

de recessão, afeta m a saúde human a

e,/,^

TRABALHO E DESGASTE

MENTAL

4 0 3

mai s especialnrente,

a ocorrência das afecções influenciada s pel a tensão,

alimentação, hábitos de vid a e condições de tra.balho. Embor a se detenha m mai s particularment e sobr e a s doenças cardiovasculares , o s autore s exa- mina m u m conjtmt o bastant e ampl o de afecções. E enfatizam:

(

...)

os efeitos da recessão afetarão de raodo adverso tanto aqueles

que tra-

 

baUiam quaiTto os que

perdem seus

empregos, particularmeiit e e m haven-

do taxas elevadas d e desemprego.

A razão disto è que a real

ameaça

de

perdas de carreira, iriodos de \n.àa. e relações com companheiros

de trabalho,

se mantida por ti m período prolongado, pode gerar par a a maiori a da p'o-

pulação uma série de tensões quase equivalentes'às da perda de emprego.

(p.435)

Mai s

adiante ,

o s mesmo s

autore s

cita m pesquis a

feit a no s Estados

Unido s e demonstia m que , ah, várias consequências

da

recessão só s e

refletíxam na s estatísticas algu m temp o após a instalação da crise econó-

mica : o s aumento s de mortahdad e infanti l só

fora m registrados depoi s

de u m o u de até doi s anos ; o aument o da mortahdad e

po r doenças car-

diovasculare s surgi u nu m espaço enti e doi s e tiês anos

depoi s do cresci-

ment o dos índices

d e desemprego. Ma s a s constatações referentes aos

transtornos mentai s fora m be m diferentes . Pois , n o mesm o estudo, o s

índices de morbidad e e de mortalidade vinculado s

à psicopatologi a ma -

nifestara m respostas be m mai s imediatas . A s taxas de suicídio e de homi- cídio aumentara m já durant e o primeir o ano de recessão. N a Inglaterra , especialment e o desemprego po r temp o prolongado (mai s de sei s meses )

revelou correlações co m

1982). E m investigações

o aument o de mortahdad e (BEBNNER; MOONEY, posteriores , Brenne r desenvolv e conclusões si-

milares , ao voltar-s e par a a anáhse d e dados epidemiológicos da Suécia dos períodos 1950-198 0 e par a a fase 1952-198 3 n a Escócia (BEBNNER, 1987 a e 1987b).

Nos países

em que a disseminação

da pobreza precede o surgimento

da cri-

se económica, a pior a das condições gerai s de Atida se fa z acoinpanha r pel o

increment o

d e toda s

a s patologia s

mai s

tiadicionáhnente

vinculada s

a

essas precariedades , servindo de exempl o aquelas que são mediada s pel a

desnutiição. Essa s observações merece m Ser consideradas no s países da América Latina . •

40. 4

j--'

.14

....

.

McQueen. e

Siegrist,(19,82)

 

mostráin que ,

alérh das

influêriciàs .dás

mudanças sociDeçonômtca"s sobre as patolagia s relacionada s

ãscondições

concretas

d e subsistência e a o ambiente ,

também precisar n ser inelho r

estudada s

.as .ações. dos

fatores

sociai s

n a

etiologi a da s ;do.er!.ças.^crónicas,

como

n o

caso

d o

câncer.

..

Especialmepte.e m

relação

..

às

doenças.cardiovasculares,.o

..

prp.césso

social e o labora l têrn sido objetp de; alguma. s investigações mai s minu -

ciosas , tant o e m a.bo,rdageçns e>qpericnentais.-conip epidemioló^^ Tímio"

(198Ó), po r çxernplo, exaniina.q. modo. , pej o .qu4:alguma s

características,

como a taref a co m ganli o po r prodúção,"as

atividade s emliph a

de

mon -

tagem-e-as jornada s prolongadas - de trabalh o eleva m -os níveis de adre -

nalina , de noradrenalin a e de ll-liidroxicorticoesteroide s urinários, "além

de aumentare m significativament e a frequência cardíaca e a pressão ar-

terial, O auto r assinal a ainda os riscos ipipHcito s nessa s v:erifícaçÕes. E m .

relação às doenças cordnari.anaâ, os aspectos la.borai s estudados po r

Timio.

.:.

são algrms dós qúe

as empresa s

adota m ao deciciir intensifica r o trabalho'

c o m o objetivó d e aufhenta r a produtividad e — o qu e s e exacerb a rios

períodos d e crise económica. Os mecanismo s psicofisiológicós e psícÒs^" "

sociai s

envolvido s nesse s adoedméhtos

são dentificamentè

reconhecidos

a partir d o conhècihiérito déséíivolvidb ria perspectiv a

indusive ,

e m estudos

experimentais. •

psico^ssom^

-

.:

No

exame

de

como a crise econôrtúca atinge vários aspectos d a Saú-

de n a América Latina , Laure U e Serrano. (1982) tambemaborda m

o pro -

blema

das

doenças coronarianas:-

..

:-

..

l;

..

.

-

Dados de mortalidade pdf doença isquêinica "do coração mostrar a úm au-

ment o continuado tanto no México quant o n o Equador, ácompáriharidó q

increráento da produtÍAddade. Haveri a que considerar

que

'ás fóiites "dd

estresse não são encontradas

soment e nos processos laborais, ma s tqmbém' :l.

_na. tensão gerada por

salário decrescente e po r

um a instabilidade de era-

""

mBALHO.E.PESGÃStEMENTAL

4Q5

tatada s

n o

perfi l

epidemiológica'desses

problema s

de'saúde

tiveram

ongemmastransíormaçoes-dosprõcéissoslaborâis^e

na"ameaça

constante "

de perda

de

emprego .

• ••

'

'

Garfiel d

(1980);

revendo

uma

série d e investigações-referentes-às

infiuêricias dà àheriaçãped,a'tensãolab0râis;feobí;e as-dóeriçascófonaria-

nas,.acentua â iiripórtân.da -de aspectos : qu e regresentamnaaximigação .de.

esforço e ação'.tensiógéna (estiessante);exigênda de hora s extras ; tiabalho

por. taref a —- sistema que , coitfórme o autor, acelera a atividade do.if aba-

r

ihado r démadoconstante,através.dapréssão'monetária:E,-aindá;íidoção

de' processo s e tecnologias em' que o trabalhado r perde cada vez mais o

controle sobre sua.própiria atividade,-qáe é, sirnultaneamente , mai s intensi -

ficada.-Esses mesrho s aspectos-foramos qup encontramo s e m noss a pesp

quis a realizada durant e a crise econóinica brasileir a d o inídp dos àho's-

1980,'como descrit o n a

•Parte-IVdeste-hvTOr"--;-'-'.'-.

.-.

'''•="--LaúfeIlV'Serrano-'(1982) r^^^

se

só vão s e revelando lentanienté

rias

estatísticas da saúde. Eín síntese,

essas autora s no s ipossibihtam entende r

o sfe'guirite:'

"

-'

'

-

;

'À medid a que àe ailalísáin

as transfeririàções industriais , vão surgin-^

doa's-elerhentos que se'tradrTzérrt-em'condições dé'tra'baÍho concretas :

condições de trabalho que nãò são extémas'aò tia'balhádor, e, sim, forma s

de' existênaa sbdal , biológica e psicológica. A dificuldade metodoíógica

de captar ist o sob form a de perfi s epidérrúológicos reside èm doi s proble -

mas . Po r u m lado , não h á expressões inaédiatas'na

que são processos que demora m anos par a concretizar-se como patologia s

específicas! O estiess e e a fadiga não'matam necessariament e e m curt o

prazo,"ma s vãó rininando o organismo pouc o a pouco . Quant o à crise, a

s

dassès-tiraball-iadoras àterão erd seuscoipo s po r urn. lorigo período, inde -

pendentement e d o futur o pf óxioio, Poristopodemo s dize r que a história

da doença de um a população é soda l e não natural ; que Va i s e gestando

prego cada vez maior.

(p. 22)

^

.• .i-i,

i-.

no s processos sodai s

ai;tes

de

chega r às suas

expressões sensíveis.

As autora s mendona m u m estudo, realizado n o Qhil e po r

 

.

(1982),

que

consta.tou u m aumento , notável n o número d e consultas,

..

ppí.f;

|:

2 . GRISES EG0NÔMICA5:

DOSAMO S

1930ÀATUALIDADE

 

operário, devido a causa s psicológicas, psicossomáticas, addente s e d.oenrv-'

 

çás rel^dpnada s co m esforço epostura , emmpment o de crise ecpnÔmicá|^

 

..

'.r

.....

y^e

exàn m

'b.reypinehte/^^^

estudos

êxenjplares

EchéVerxiá concluiu, baseado em. sua anáhse, que a s modificações

 

^.'realizados

e m

diferente s

países pará em" seguida

estuda i

experiêndas

í-l-.-:

:;ÍÍ;

i- í;i

4 0 6

EDITH SELIGMANN-SILVA

brasileiras

a fím d e aprofunda r a análise d e alguns aspectos referentes

às

forma s d e emergência d o desgast e menta l nas crises económicas

marcada s

pel a recessão e pel o

desemprego.

O estudo pioneir o mai s famos o ^í-oltado a o assmit o fo i um a investi- gação sobre o s impactos sociais e psíquicos d o desemprego de longa duração'^

(DLD). Ess a primeir a pesquisa sobr e a fac e psicossocial

n a trajetória d o

desemprego

prolongado ocorreu po r ocasião d a Grand e Depressão qu e

eclodi u e m 1929. 0 estudo fo i realizado po r um a psicóloga

social e doi s

sociólogos •— respectivament e

Mari e Jahoda, Pau l Lazarsfel d e H . Zeise l

—, tendo s e tornado clássico e sido publicado e m 1933 ; A

pesquis a fo i

desenvohdda n a pequena cidade d e Marienflia l (Áustria), onde a fábrica,

que er a a font e d e trabalho par a o s habitantes , for a fechada durant e a Gran.de Depressão. Apesquis a conjugou levantament o e análise d e dados sociai s e económicos d a pequena cidade à realização d e 6 2 estudos bio - gráficos baseados e m entrevistas . Ess a investigação minucios a revelo u o - mod o como s e entrelaçam histórico pessoal d e vid a e tiabalho, condições sociofamihare s e comimitárias. O s autore s constataram qu e o isolamento

social er a um a alteração crudal , qu e i a s e

intensiÉicando a o long o d o de -

semprego , articuladament e a alterações d o ânimo e da s expectativas ,

quant o a o futitro. Identificaram um a fort e assodação enti^e ti-ansformaçÕes da sociabilidade, alterações subjetivas e empobrecimento. A mesma pesquis a apontou, ainda , diferentes fases n a tiajetória psíqmca e social d o desem-

preg o prolongad o

(JAHODA;

LASAUSBELD;

ZEISEL ,

1933/1975 )

e a

adequa -

da integração.

de u continuidade ,

 

A

psicóloga social

. Mari e Jahod a

a o long o

da s

décadas seguintes e d e toda a su a ^tida, ao s estudos sobr e o tema

.Pros -

seguiu, assim, anahsaiTdo

a s alterações d a sociabilidade

 

t al n o context o da s grande s mudanças poHíicas, económicas e sodai s d a

segrmda metade d o século X X (FAHODA, 198 2 e 1988) .

 

Apesquis a

feit a e m Marientha l ofereceu

conhecimentos

qu

e s e

tor-

nara m subsídios teóricos e metodológicos importante s par a outia s

inves -

tigações

da mesma

época e par a alguma s mai s recentes,

voltada s

 

a o

es -

•\. Desempreso

de longa duração

(DLD) representa,

segundo Benoít-Guilbot (1992), "o resul-.

tado do acúmulo sucessivo, ao longo dos anos; de desempregados que não puderam se inserir oú

reInsenY no emprego" (p. 12).

'

.

'

>

TKABALHO E DESGASTE MEOTAL

4 0 7

tudo

d o desemprego

d e long a dm-ação e seus reflexos n o psiquj.smo, n a

vida famiha r e n a participação social

e poKtic a

do s

tiabalhadores.

 

A

apresentação do s aspectos n a realidade

do s anos 198 0 fo i exami -

nada n o hvr o Clwmeurs de langue durée, organizado po r Odil e Benoit-Guil -

b o t e Dunca n Galhe (1992) , que reúne estudos realizados em. oit o países

europeus .

O s danos psíquicos

vinculado s

a o DL D

fora m

reconhecidos a

partir dé

diversos

desse s estudos ,

assim'^como

a relação

enti-e estes e o s

prejuízos ocasionados á ^dda famiha r e à'sociabilidade d e mod o geral. O

estudo reàhzado n a Inglaterr a Uxmuno u á dinâmica pel a qua l o isolamen-

t o soda l d o desempregado s

e

intensifica a o long o d o temp o e como essa

hitensificação agra^^a a s dificuldade s d e reinserção n o mercado d e tiaba- lho. Já um a investigação d e âmbito nadonal , realizada n a Irlanda , e^d-

denciou a

situação d e desvantage m

do s

tiabalhadores

não

qualificados

e mosti-ou qu e 60 % do s operários não qualificados d o sexo masculino ,

enti-e 2 0 e 6 4 anos d e idade , encontiavam-s e desempregados o u apresen- tavam-s e impossibflitados d e tiabalhar po r problema s d e saúde. Ess e mesmo estudo irlandês, desenvolvido e m abordageni epidemiológica, verificou correlação positiv a enti e duração d o desemprego e constatação

de

distúrbios d a saúde mental . Ma s identificou também que o s smtoma s

de

alteração psíquica que havia m s e manifestado n o decorrer d o desem-

prego desapareceram quand o houv e reinserção e m nov o trabalho.

N a s

conclusões dess e hvro ,

fica

evident e

que os

distúrbios psicológi-

cos e psicossociais deconem de maneira importante das perdas financeiras e

materiais, porém também se apresentam independentemente destas. Houv e associação entr e depressões o u oufeos distúrbios psíquicos co m a insu-

ficiência de recursos materiais , e fo i também constatada um a significa- tiveL relação enti e a s fase s d e acentuação d o empobreciment o e o agra-

vament o do s transtorno s psíquicos e psicossociais . Val e assinalar

que ,

mesm o tendo sido considerada s a s diferenças enti e a s legislações e o s

sistemas d e proteção social dos países europeus examinados , a conclusão

foi de que o desemprego de longa duração sempre conduz a transtornos psico-

lógicos, e

vários desse s estudos aprofundara m a análise do s processo s

de degradação das relações familiares durant e o prolongament o d o desem-

preg o

(BENOÍT-GUILBOT ;

GALLIE ,

1992) ,

Estudo s comparativos

elucida m a evolução d o desemprego

e d e

seus

impacto s

htunanos , tomando-se ,

a o mesmo

tempo , important e mei o d e

408

identificar especificidades d e cada formação' sdciàl.-Nessaperspecti^va, o -Observatório d a Mudança Social n a Europ a Ocidental ^ pôSSibilit-on a

comparação d e situações nacionai s e locai s co m o objetivó d e identifica r a

variação do s impacto s de.natureza. divers a

dp, desemprego e m diferentes

estruturas e níveis da. sociedade. Ò estudo .comparativo tomars e impor - tant e mei o d e identificar especificidades refereiítes à (dinâmica social e , aos impactos humano s d o desemprego. Tais. especificidades dif erehciàm-se e m cada context o e po r isso rçq^uerem açpes pplíticas e medi4as.de_appió' que coiTesppndam^a essas pecuhm d

comparativo s têmcóntiibuído.parao.aprofuh(iamep.to

daçompfeènsãoda

complex a problemática constituída pel a expansão d o desemprego,

cujos

de

mod o

•se diferenciado"— atiavés d e regiões "centiais; é 'périferias da s

 

cidades ,

perturba m as comlmidades e instituições d e todo

 

tipo,

indusiv e

asfamíUas.

''"' '

'

'

-•

--i -^v. -

•.r ^i ^A

 

Ao

mesm o

temp o

-.

..

qu e o desempreg o aciona fluxo s migratórios,

.

também os bloquei a •— poi s s e falt a

tiabalho

e m toda parte , migra r

par a

buscá-lo pode ser.imiti l e a,entrada,e m 0'utras,-aréas

pode.mesraa.ser. ,

impedid a

e tomar-s e objeto

d e repress_ão. Dess a forma ,

o

desempre'gO'"

desafi a

o Estado e a sociedade,

a s pohtica s

publica s

e o s mo^vimenfqs

 

sociais.

 

Os

estudos brasileiros sobre

psicopatologi a n o desemprego

prolon-

 

gado

fora m

desenvolvido s

posteriormente , rios

anos

1990 , como

será

vist o

adiante . Didie r Demazière chama

a atenção par a a s diferenças enti e o s con-

textos , tipos defarnfliáeimpactos sociai s d o desemprego estudados.rio. s

anos

193 0 e os constatados

n a atualidade . Cham a a atenção par a a quas e

ausência, n a época, d e um a proteção social institudonalizada e para. p

_íãto_de_os contextos

e m qu e fora m realizados o s estudos

europeus

do s

anos

193 0

sere m

e m

geral

d e comunidade s

ber n

delimitada s

(caso^cie

Marienthal )

o u d e ddade s

muit o menore s

d o qu e as metiópoles bnâe.sè-'

2. Observatoire du Changemént Social enEwope occidentale: instituição que tema missão de reunir dados e observações para análise dos problemas sociais dos países da Europa Ocidental. Essa^;;

eiitídade.publicou o livro qúè es'tá sendo' iàeriúorxaãò: ChãriieUTS de longUe

•{ugúes'b'òn:ésj5onde a 'X>esempregados por tempo prolongado"'

...

iC;':

,

.

ãuiét, título'qúê êmpprí!,.;

•: i',.-5.^'. r: i. i

.

.; 'J :^JÉ(^§^

vêm rèafizarido estudos mai s recentes .

O mesmo auto r enfatiz a

âimpor-

" târicia 'de qu e a s metodõlogiás-de pesquis a

considere m

essas

e

outras '

diferenças e apont a também a s imphcaçÕes destas par a a definição da s

atividades , d e assistência social e reinserção na

atuahdad.e, como

veremo s

adiant e (DEMAZIÈBE; 199 5 :e 2003). ;.':,.••

 

i

  • 3. DIFERENÇAS SOCIAIS

QU E

MO D U U M

A S RESSONÂNCIAS

SUBJETIVAS

; .E m se u inído, os. estudos voltado s a o entendirhent o do s processos envolvido s ria psicopatologi a d o desemprego.partiram-do-pressupost o de,que.as,diferenças .de dasse,.s^odal.deterrninam, tainbém, diferenças importante s nd.sigriifiçadodo desempreg o eriti e aqueles quetiabalha m

basicament e par a garantir a subsistência como mei o par a alcançar outeos objetivos

e o s que. procurain,p,.ti:ahalho reladonado s a ocupar um lugar

no 77Zundo—incluindo desde ascensão e prestígio sodal , enriquecimento , poder, até desenvolviment o e realização pessoal, ou , ainda,'desempenho de u m pape l nâ sodedádé'.'Atualmente'sabemos que,:erri qualque r dessas s-ituações;-tanto--para-os -mais, pobres- qUanto-par-a-as -demai s camada s sociais, o'afastament o forçado d a ^dda labóral''rèpfèséhtâláiribém'iârhá perda relaciona l e subjetiva. Ess a perda , par a todo s o s qu e vive m d o •próprio tiabalho, é caracterizada po r sentimentos d e temo r e inseguran-

ça quant o a o futuro, tão mai s fortes quant o menore s fore m as perspectivas

de

encontia r e m curt o praz o um, outi o ehnprego e quant o menore s fore m

as garantias'de apoi o firianceiro drurante o desemprego. Entietanto , a s forma s d e examinar, diagnosticar e enfrenta r os impacto s sociai s e subje- tivos derivados d o deseriipregó^ainda estão longe d e im i consenso. Com o '

veremo s

a seguir.

'

>

3.1

' O Enfoque Psicodinâmico: Oiferendação entre o Desem'prego do- Profissional Qualificado e o do Trabalhador Desqualificado

Na

perspectiva

voltad a par a compreensão d a dinâmica psíquica, o

significado

qu e o

tiabalho

assume

pa.ra_cada

indi'víduo difere'profun -

damente ; conforme o. desej o investido 6 o aprofimdamento'da . relação

estabelédda co m a ocupação, qu e exerce".: Exist e irma distinção

impor -

410

EDITH SELIGÍMNN-SILVA

tajate

entr e

o que

acontec e nas profissões e m que

o investiment o

afetivo

se

fa z

a long o

prazo ,

acompanhando

a história de vi.da, nu m process o

em

que

o ti-abalho va i s e constitrundo nu m suport e

cada ve z

mai s

im -

portant

e

par a

a identidade , e o que

acontec e n o trabaiho não

qualifica-

do.

N a

primeir a situação, sempr e

que

a ruptui- a s e

fizer

contr a

de

d o mdivíduo, representará um a

ameaça à estabilidade

a vonta - psíquica.

Tant o

fa z

s e a ruptur a advém d e demissão

o u

d e um a

aposentadori a

forçada

precocemente .

Dejour s (1983a) estudou sob ertfoque psicodinâmico a questão d o "desempreg o qualificado", n a qua l inclui executivos , profissionai s d e ní-^í-el xmiversitário e tarnbém técnicos di-sí^ersos. El e distingue quati o va - riáveis determinante s quant o ao luga r ocupado pel o tiabalho n o mund o interno de cada indivíduo e, portanto , quant o aos riscos mentai s referen- tes à interrupção forçada da atividade :

 

1) a sublimação;

 

2)

a economi a

psicossomática;

 

3)

a

relação enti e o

tiabalho

e o passado psíquico;

 

4)

o

pape l

do

tiabalho

e m

fac e

de

conflitos afetivos

do

presente.

 

O

autor

atiibiú a essas

quati

o

determinante s

a forma pel a

qua l

o s

profissionai s

constioem

o s compromisso s

co m

o próprio

tiabaUro

e

o s

significados

que

este pass a a assumir par a

eles.

As

duas primeira s variáveis se reporta m a sentidos

construtivos

co m

referência à identidade e à saúde, ao pass o que

a situação é distint a

nas

outra s

duas ,

que

assume m

um a

conotação reativa , ist o é, defensiva.

Ve -

jamo s

o porquê dess a important e diferença.

 

Subliimção é a elaboração psicológica que responde construtivamen- te — atiavés de atí-^ddades socialment e reconhecidas e significativas par a

o sujeit o — às pulsões mora l e socialment e interditadas . N o que di z res- peit o à economia psicossomática, tiata-se aqui d a maneir a pel a qual , n a

relação

cotidiana

do indi\dduo co m as

exigências e o s conteúdos de

sua s

tarefas,,

são atendidas necessidade s e tendências pecuhaxe s a o seu con-

junt o psico-orgânico.

O mod o pessoal

d e exerce r a s atividade s

laborai s

corresponde , portanto , a um a verdadeir a regulação da economi a psicos -

somática, cuj a singularidade é comparável à dos próprios indi•^dduos ..

TRABALHO E DESGASTE MENTAL

411

Assim, se alguns encontxam o bem-estar

n o exercício maio r de

ati\ddades

que implicam, moviment o o u outia s forma s de utdização da muscul a tii-

ra, outios prefere m u m trabalho mai s concentiado e predominantemen -

te niental , ou , ainda , tarefas que exijam habilidade e m movimento s finos,

dirigidos a tiabaUios de grande

detaUiamento.

Na

anáhse sobre

a

relação enti e

a atividade

profissional

e o passado

psíquico,

Dejour s

utiliz a

a teori a psicanalítica par a mosti-ar que

muita s

veze s o indivíduo assume u m tipo d e atividade profissiona l que repre -

sent a u m verdadeir o cort e co m relação a o seu.passado. Ness e caso,

o

tiabalho

apresenta,

inclusive , a função de levanta r um a barreir a conti a

o

próprio inconsciente. '

Quand o

essa defes a rígida é derrubada

o exercício da profissão é interrompido ,

e "o sujeito sè detiont a bruscament e

co m

tudo aquil o que sempr e qui s oculta r de si mesmo " (DEjom.s , 1983a).

 

A

quart a

determinant e

é bastant e

conhecida.

Trata-se

daquel a

e

m

que

o

tiabalho

serve pára escapar de uma vida familiar

conflitiva

e

insatisfa-

tória.

Ahiperatividad e dos

"viciados

e m

tiabalho"

haAda sido be m

estu-

dada desde o s anos 1970, po r Machlomtz , no s Estados Unidos . O pape l

compensatório que o

ti-abalho

assume

e m tai s chcunstâncias havi a

sido

anahsado po r ess a autor a a partir d

e estudos

empíricos e origino u a

dihisão d o termo workaholics

—• que

corresponde

a viciados

em

trabalho

•—• e m conceito desenvolvido po r Machlowitz . Quand o ocorr e o desem-

prego,

o indivíduo acab a po r ter dificultada a fug a do conflit o domésti-

co,

que

tiequentemente

s e

intensifica, alimentado pel a ansiedade

des -

pertada n a família pel a nov a situação (MACHLOWITZ, 1976,197 8 e 1981;

DEjoims,

1983a).

 
 

Dejour s

consider a

que a sublimação

é frágil e não pode

ser

improvi -

sada, poi s

el a

é tecida

a o long o

d a tiajetória profissional , mediant e

u

m

process o dehcado e complexo . Entietanto , quando ocorr e o desemprego em pessoa s que assumem' o tia,baIho de mod o subhmatório, o s perigos par a o psiquismo seria m menores , dada a maio r flexibilidade dess e gru-

p o par a encontia r •—• mesmo for a do tiabalho — caminho s par a o inves -

timent o afetivo e m outi-as forma s

de

sublimação. Po r outi o lado,

quando

a econorrúa psicossomática dei>ca de

encontia r

n o

tiabalho

sua

forma d e

estabilização, cresce o risco de desencadeament o

 

de doenças que

envolve m

corpo.

 

ment e e Na s

situações e m que o trabalho assume

u

m

pape l

conti-a

vivências penosas , sej a par a

fugir do

próprio passado,

de defes a seja par a

e^dtar

4i2

,;TMSidláE#(^Tf MãlT^^

coxitatGS. co m a família/a ruptar a d o exerdd o profissiona l representa'tmi

•~"risco maio r par a a-saúdementarfDEjotJB.s,

1^9831):

•• -

•• .

•—•

'

Essa

análise das vivenda s súbjetívaBTio'desemprego

fãz'côm"qUp

Dejour s complemente ' de mod o • váliósò. os aqu i -já-, citados -estudos . de s anos 1930 sobr e impacto s psíqiucbse-psiCõssodaiS'rio'desefnpfego d (

longa-duração

(DLD) ; embor a o auto r naoímendone ás fases d a trajetória

 

assinaladas po r aquelas pesquisas piorieiras . Val e assinalar quê os quatr o

aspectos ressaltadóspor

Dejdurs--se-aplicam demod o mai s ampl o a todo s

os tipos.de-7-upíu7MS;isto éy-a.todas.assituações

em.queácõnián-uidadeda

vid a labora l é interrompid a — poz:qmlquen tipo: de desemprego" (não sé concentcando n o DLD)/considerand o também o s afastamentos devido s à doença o u addente/ e'aínda a interrupção dá vid a labora l pela"aposen-

cultur a organizacional , que lèvávatri' ôs'-Brijár.é"gaddè'''à- seritir-se idéntifií:

"cadus

co m a'eriLpreéá-ddeaiizada-; e

feostia

qu e

t e esmagados-quando a empres a fecha. Par a

táis^tôs^sãe-feitíisiláHéa^

melho r

compreensão d o

sofriment o psíquico qué emerge ness a situação; o' auto r i'deritifica ainda u m sistema coletivo d e defesa nosgrupo s dé tiabalho' repetitivo" sub ór- dmad o ápfincípiõstayloristás, sistenaa^qUeseriaCMacterizadopormári- ter' áquiÍo'qué o' áútof derioihiri a "ideologi a d.ó''áófi£méritd";^Põi'é'5sâ idéológiá;"Ó colétivó "cbristátá"a periósidâdè vivèriciada; irias ' támbé valoriza a capacidade de aguentar'fhn:veménte'á'permáhêriciá

de tiabálhorAó wiesàia tempo, encòritia'ihtèfpfetaçÕés"divérsás

miportânda d o se u desempenh o para- a firma o u par a o país: A o

para' a

perde r

o emprego' , o s tiabalhadores perderia m tambéin õ corítpaHilhãfmntó des -

tadoria . Pr o vaveknent e outra s 'análisessejam necessárias n o present e

do£

se sistema defensivo; defroritãrido-sé' éritãõ;"sòzirihós, -corri' â dureza"dã

anos

2000,

diant e da fprm a çoino s e apresentam:aalta.rotati\ddade

nos

situáçáó

concret a e cô'm apropri a angústia (DEJOURS- 1983a).'-"Agúeritax"

emprego s

e. a rapidez' , das

intermitências entre,empreg o

e

desempxeg o

 

esse nov o sofriment o pass a a ser um a ação sohtáriá"é'riâó mai s sõhdâriâ.

num a

configuração, que . se m

dÚAdda s e diferenci a _da e.studada

po r

Dejour s n o inído

dos

anos

1980

...

,

.

 

N o

trabalho

cíesíjwaZi/icacío, como j á vimos , não existe" sublimação.

 

3.2

A Visão dos Psicólogos Sodai s e^dos

Sociólogos do Trabalho

Assim, o -golpe<io desempregô-seíèpoirta-essendalmente-à-perda-do mei o

 

dé subsistênda, um a perda tant o rnai s agud a qiiãnto maiore s ò níveLdé pobrez a e a s responsabilidade s perant e a família. E m termo s gerais , a

 

Os estudos sobr e deserriprégó de long a duração forairi alv o de estu- dos espedai s po r part e de psicólogos sodai s e sodólogos, e m estudos que

ansiedade d o pa i de família que perde o empreg o seri a

mai s intens a d o

detalharemo s mai s adiant e e que erri.algrms.p.ontos apenas's e aproxima m

que o mal-esta r Advendado pel o jove m solteir o que mor a n a cas a do s pais .

da visão psicodinâmica acima detall"iada.

Entretanto, a s diferenças dè cad a expèriêndá indÍAddual não permiteni

_

'.' " A visão d e sodólogos'dotiabalho marcam-mai s fortémerite o dis -

tun a classificação que separe d e form a categórica. N a comparação que

acabamos d e form-ular, pesa

m

outro s fatores , tai s

como

a qualidade d o

relacionament o que o jovemmantémcom seus pais , bem-como os proje - •

t os de vid a que casa r e m brev e

alimenta . Po r exemplo , s e a expectativa do jove m é a d e

o u mora r d e form a independente , a perda d e empreg o

.

constitui dur o impediment o par a seus projetos . Fo i o que observamo s e m

'n'0'ssã'própriã

pesquis a qualífãSva, na"c[uãlToram redirâd.'"õs"'isfuaosl3.f'

caso de 42pessoa s que havia m perdid o seus emprego s havi a mai s de seis

mese s e tinha m diferente s níveis de qualificação e experiênda profissional .

Essa s pessoa s fora m entievistada s e m set e ddade s brasileiras de diferen-

tes regiões dopai s

(SELIGMANN-SILVA ,

1997b).

.

.^•.•'.i

ív

^.ÍTI;

i;:.^

Dejours ,

n o

mesm o

texto'de

19.83;

também focaliz a o

tiabálBadpr:

.•desq-ualificado.-Enti e Outros aspectos ,

aponta'os mitos construídos peá'á?

tanciament o

e m relação ao enfoque dâ subjeti^ddade adotad o pel o estu-

do d e Dejour s d o início dós anos .-1980 e que fo i acima resumido . A s perspectivas assumida s po r essas nova s elaborações teóricas investigara m

e m profundidad e d e que mod o

a condição social dos desempregado s s e

reladon a co m a sociabfiidade e co m a s inidativa s d e enfrentament o d o

-desempreg.©.--"

^--w———;-.r-——:— -í^^s-,—^-—— —

 

' Robert Caátel desenvolv e uiri important e conceit o

que

no s

ajuda a

compreende r

à

fragilização'dos

laços'de inserção sodal . O autor, eirihvr o

pubhcad o

n

a

França èiri 1991,^'identifica como desfiliação

o processo es -

••' 3. Trata-sé dé capítulo qUé faz párté do livro .editado porJacciues Donzelob Face a 1'exdúsion. Paris: Éditidns Le Séuii, 'Í991. Foi trad'uzido pára'o português porÁ. TijiWa e 'publicado'sob o'títu-

414

EDITH

SELIGMANN-SILVA

peda l que marc a a inflexão, das

trajetórias que conduze m à exclusão sodal .

Esclarec e

que

existe m muita s

modalidade s

d e desfiliação, havend o

u

m

denominado r

comu m

e m

todas

elas •—

a dissolução

de vínculos

sociais. B,

mai s

important e d o que

categorizar

o

s tipos d e desfOiação par a criai-

políticas específicas dirigida s a grupo s específicos,

seri a

a compreensão

do processo de desfiliação. O autor chama também a

atenção par a a s mu -

danças históricas pelas

quai s

os

processo s

e forma s

d e desfihação s e

tiansformaram,

ao long o de séculos sucessivos ,

assumind o

feições espe -

ciai s n o mund o contemporâneo (CASTEL, 1993 e 1998).

 
 

O

desemprego

de long a

dturação, n o

qua l

os

laços

d e

sodabfiidade

passa m po r mudanças e rupturas , contiibui e m noss o tempo , d e mod o

importante , par a a exdusão sodal . E m diferente s países, procura-s e n o

moment o estuda r as peculiaridade s

pelas iquais s e dá ess e processo, sem-

pr e permeado pel o entielaçamento de aspectos pohticos , sodoeconômicos,

culturai s e psicológicos.

A privação

é u m aspect o

desfihação. Mas , que

tipo de pri-

vação decorr e da perda do

centia l n a emprego ?

 

Podemo s entender, a partir da leitur a d e Caste l (1993 e 1998), que,

jimtament e

co m

a s perda s

materiais

assodada s à desinserção

d o

mund o

do trabalho, um a desinserção mai

s ampl a e complex a preds a ser consi-

derada — aquel a que iaipact a sobr e os diferente s âmbitos da sociabilidade,

sej a da sociabilidade que nasc e no s locai s de ti-abálho e nele s

se fortalece

e expande po r difereiTtes vias , sej a n a vid a

relaciona l que s e consti-ói

denti o da família e e m diferentes espaços da \nãa comm-dtária. Oempo^

brecimento relacional

também s e express a e m "prostiação dos valore s

sindicai s e pohticos " que contribui par a fragiliza r a s redes de apoio, que,

além de sere m laços de hiserção sodal , representa m important e mediação

n a constituição da

ddadani a

Ao

recorda r

o histórico das pohtica s sodais ,

o mesm o

auto r

lembr a

a existência de

um a

distinção que

sempr e

fo i impost a

pel a

mora l

tiadi-

dona l aos indigente s •—• a que separ a aqueles que não têm capaddade

par a

tiabaHiar

daqueles

considerados

aptos para o trabalho. Os

primeiro s

sempr e

tiveram

algu m

tipo d e assistênda, po r mai s precária

que

fosse.

lo "Da indigência à exclusão - a desfiliação: precariedade do trabalho e vulnerabilidade relacional", in Lancetti, A. (Org.). Saúde e loucura-grupos e coletivos. São Paulo: Hucitec, 1993, p. 21-48.

TRABALHO E DESGASTE

MENTAL

415

enquant o os segimdo s sempr e fora m encarados'com descoiifiança, quan - do não co m menosprezo , e colocados e m um a posição contraditória:

"injunção de

ti-abaUiar

 

e, ao mesmo tempo , impossibUidade

de

tiabalhar".

É

assún que sturge a "criminalização do indigent e ocioso, a que m s e im -

puta ,

po r possu h

u

m

gosto

inveterado pel a depravação e pel o prazer,

a

responsabilidade

po r sua própria condição" (CASTEL, 1993,

p.

26).

 

Ess a crinhiialização, lembrada pd o autor, se m dúvida está nas

origens

históricas do preconceit o de que

são objet o e da vergonh a que vivenda m

 

amd a

hoj e muito s dos

que estão

desempregados .

Espedalment e

quand o

.estãodesempregados há muit o temp o — mese s o u

 
 

As

i-uptm-as dasodabílidade

contiibúem

par a

anos . o isolament o

soda l

do desempregado . Àmedida que ocorr e o prolongament o do desempre -

go, s e acentua progressivament e esse isolamento . A exclusão

social

que

e m

^'•erdade

seri a

mai s

corretament e entendida como

isolamento social

seri a atingida , portanto , n o término de um processo cumulativo de desfilia-

ção, que , n o caso d o DLD , certament e está intimament e penetiado pdo s

fenómenos de privação

relacional

de

que

no s

fal a Caste l

(1993

e

1998).

 
 

Os estiidos de Donúnique.Schnapper lançam nov a lu z sobr e

a

ques -

tão,

n a

medid a

e m

que

o olha r sodológico ilumin a a s

condicionante s

da

 

dinâmica psíquica. Scknappe r (1981 e 1994), n a França, pubhco u

estudos

 

sobr e

o s desempregado s

d e

diferente s

faixa s

etárias e classes

sociais.

Primeirament e

essa sodóloga reahzo u um a

pesquis a

empírica

voltada

par a estudo

social dos

desempregados ,

enti e novembr o de 1978

e março

de

1980

(ScHNAPPER, 1981).

A autor a mendona ,

tieze

anos

depois , n

a

intiodução a um a reedição abualizada da mesm a

obra:

AiaJisando a prova dolorosa pel a qual passam os desempregados, a disso- lução de seus laços sodai s e dvicos , os riscos de vê-los derivar e m dheção a todas as outras formas de marginalidade, eu não tínhá dúvida de que me u trabalho seria sucedido por outros tantos trabalhos sodológicos que viriam

confírmá-lo. Ma s eu jamai s

poderi a supor que,

quinze anos mai s tarde, ele

guardari a toda

a sua atualidade.^ (SCHNAPPER, 1994, p. 13)

4. Tradução livre do francês, pela autora, assiin como das demais citações realizadas a partir das obras referidas em- francês.

 

TâABALldQÍJ).EèAStEyÁEm

,

....

.

^

...

4.1 7 .

 
 

A

seguir,

Schriáppér (1994) tece considerações'sobre

oiaumentord o

de referendai s

e categorizações "homogeneizadore s

 

7 qu e

analisa'como

numerodedesempregados- e

das popuiaçoes-atmgiclas pei o

desemprego/

inadsqtta-diD^s^t^S" situavõ^HS heterogéneas e síngulares-que- sao vi.venciâ-das

comparand o

o qu e observo u n o período

anterior, e O" qu e

constat a

n o

pelos

desempregado s

n a reahdade

contempOrânea.Pois essas

classifica-

início do s anos 1990

..

Assinal

a

a convergência.entre suas

..

observações

e a

ções

e

m gera l

distingue m categorias

d e des.empregados

^remseraaeís d e

de outros pesquisadores .

Encontr a

aexpansão.do desempreg o dos jo.vens;

outia s irrecuperáveis ou.espedahnenteproblerríáticas =e- o,que,.teiureper7 ..

e do deseriiprego d e long a dtttaçao

(DIÍD) , alérn d e constatar, que no s

ano s

cUssãoriâ:adiíurustiaçãQpúbhcá;,nãa. apenas ;

 

critérios.e

1990

uqa espectro rnaior d e categorias socioprpfíssionais desinserção "não

dhetiizes . d e èncaininhamento adotados

pelas

agências encariegadas

d o

periférica" está sendo atingido,:pel o desemprego . Tráta-se d e pessoas^

atendiment o

ao s desempregados ,

más também na s próprias'«ízíuiíesriei

 

inserida s n a çlasse.média; e co m qualificações,

A autpx a

senvolvidas pelos-agentés^-r^quepDdern^assiunir-craihó-fat

é-álém-

f-r

observa que o problema d o isolammto social continu a crucia l pa r a quçm

disso, s e torna r htunilhante s PEMÁZÍÈRE,

1995

e 2003). •

 

não teve oportunidad e d e formação profissional , mas . que também ocone

e -produz ipipactos importante

no cotidiano dos trabalhadores

qualificados. D e

onde podemo s inferir qu e essa constatação, d e Schnappe r apont a garã

uma dinâmica psicossocial n a qua l a subjetividade do s trabalhadore s

qualificados também está sul?metí.da a'pressÕes poWdãjment ê

/^•f//^/•1+1/^/^W/^o -t-ot-Y^l-^ /^-r-n

/-\r-i4-«-i r~it -.T-

...

^

i—T J

i

.

1 _

1

__

f_

desestabi-'-•

J1

____

Í

i

'

hzadora s

(SCHNAPPER, 1994)

...

,

..

.

.

.

Didie r Demazière

(1995

e 2003 ) discut e a política

social d e enfienta^^

ment o

a o desemprego, a.as

.dassifícações do s desempregado s

q^ue-têm -

sido adotadas , apontando'de que mod o elas têm-^dciado a prática sodal.','

O sodólogo desenvolve sua crítica após realiza r nhnudos a revisão do s

estudos sociológicos

que pesquisara m o s desempregados

desde a

Grande,.

.

Depressão. Assinal a

que

o estudo d e MarientíTal e , subsequeritemente , as,

pesquisas efetuadas riahiglaterra/naPolônia e e m outio s países, europeus ;

originara m interpretações e categorias d e anáhse qu e contarninara m

pesquisas realizadas décadas depois , e m contextos pohticos , económicos .

e crdturai s bastant e diversos daquele s da s comunidade s d e desemprega -

dos d e long a dm-ação analisados no s anos 1.930 (DEMAZIÈRE, 2003). Des - '.

sa forma , o auto r questiona o s critérios dassificatórios nasddo s ei n dife-; .

rentes pesquisas v-eltMas-aos-d-ese^pregadosre-as-Gategorias - eriadas-por-'

elas, criticaindo erifaticarnent e a ^apropriação, de. tai s classificações .pela

adixunistiação púbhca par a planeja r e iniplementa r a ação social voltada^: '

aos desempregados n a atuahdade (DEMAZIÈRE, 2003).

E m

síntese, Demazière demonsti a que equívocos grave s têm estado^

presaite s na, implementação; d a p,olítjca social^ direcipn.ada. à assístênci''

e áréíínsérção d e desernprégadós é que esses erros decorre m dautiOièafa'

•---•A critica principa l feit a põfDemãziére-é'de qú'é a s cafegorizàçõés

tó'madâs'oficiais e ópérád'õnãlíza'dãs''êWpòhticâs 'pu.bh'bás''têm ighdrado

a multiplicidade das situações hurnafiaé qué'h'ã6''sâò' apreensíveis pdo' s cri-'

térío's" adófacibs par a '3áèèifil:ar nefcessidadé^^ ê' fôrrnás' d e ehcármhhàr

ações 'qUe evitem a "exdusão sodal" ; que seriare m verdade ; meltio r em-

tendida"comoum/process o áeericfldeameízío de désfiliações sucessivas. ••'

"ÊpóssíveÍddentifícar"já n o texto'déDèmazière,;p èml995 ,

- gráiide aproximação d o pensament o de'.RobèrtCasteí, que é:.dtadQp èló

..

..

ãútÓf.' Val e recorda r qué Gá'slèrfe'z 'critica 'áô'.'u.'sò' ãbúsivó'd'0' coh'c'êit"ó' d'é

exclusão e d a designação d e urna categori a social d e "exduídos". Õs doi s

autore s

concordar a

que

tal.classi&cáçãó d e umrgrup;ahT3haano,.a^^^

equivocada ,

é pejorativa

e ofende a dignidade'dos

trabalhadores.

Todas

d e

a s

pessoa s faze m part e

d a humanidade . U

m imens o perig o d o rótulo "ex -

duído" é reforçar a idei a d e que existe m homen s e mulhere s que

possa m

ser (des)considerados como humanos . , '

 

'

\

, ..;

3.3, Processo.de

IsolamentoSoGÍal

 

.

.-.

-

- •.

Dua s

ordens-de

fenómenos converge m par a a constituição d o iso-

 

lament o

social.

Esse s

fenómenos aparece m

intimament e

entielaçados.

 

São

eles^

•'••'

^

,t

.

• -'.r.

:

Os

fenómenos

derivado s

d a privação material .

Qu e

s e aprofund a

 

gradualmente , a partíx; da., .perda; p-u_reduçãp,,extiemada

..

de

rmdirrientos

'da'unidade famUiar.

 

••

-

h,.,'!u;,.^>?.,

 

418

 

EDITH

SELIGWiANN-SILVA

TRABALHO

E DESGASTE

MENTAL

419

Os

fenómenos de,orde m subjetiva e intersubjetiva qu e atinge m si-

associada à possibilidade

d e preservação d a dignidade.

Ambas ,

conjmi -

multaneament e a identidade e a saúde,

apresentando

im,portante s

implica -

tamente , e m condições d e perd a o u mesm o carência material , s e torna m

ções tant o par a a identidade pessoa l

como

par a

a

social.^

essenciai s par a

 

evita r um a

tiajetória

d e desvinculamento s

 

sucessivos .

 
 

A

separação enti e essas dua s

ordens

d e

fenómenos pod e

se r

feit a

P o r

outi o

lado ,

daí decorr e

também o valo r preventiv o —

também

soment e

par a fins expositivos , poi s n o process o rea l encontxam-s e

 

todOs

e m termo s d e saúde mental- — da s mani.festaçÕes d e solidariedade qU e

intimament e conjugados .

Ness e

 

processo,

destacam-s e sentimentos

como

sejam mobilizada s independentemente

d e pertencimento s

e

m comu m

a

vergonha e desânimo—pelo

lado

d a pesso a desempregada .

Quand o

ocor-

quaisque r estrutur a o u rede d e naturez a famihar, étnica, refigiosa, profis -

r e efetiva discriminação — o qué

não é raro , conforme noss a

pesquis a

siona l o u outi b tipo institucionalizado . Ist o é, quand o a s ações solidárias

empírica realizada no s anos 1990 •—, à

tiisteza

pelas perda s pod e

somai-s e

sé estiTitúram e m nom e d e mxx único

pertenciment o compartilhado : o

a vergonha ou , mai s frequentemente , raiva e sentimento de revolta diant e d a

pertericimeht o à humanidad e (XIBEERAS , 1993). •

 

injustiça. A s constatações feitas po r Santos

e m pesquisas

d e camp o

reali-

E m

nossa s pesquisas ,

o

apoi o d o grup o fanuhar,

o u

no s

casos d e

zada s n a cidade

de Fortalez a (Ceará) também revela m esses aspectos ,

no s

tiabáUiadores .migrante s — o constituído pelo s conterrâneos, assumi u

quai s

a

carência materia l ger a

ou.aument a

a vergonh a d e estar

 

desem-

sempr e pape l essencial como suport e protetòr. contr a o desânimo e a

pregado

e o temo r de ser considerado

vagabundo

(SELIGMANN-SILVA,

 

1997b;

desestabilização psíqtuca (SELiGi\íAJ:«Nr-SiLVA,Í997b).

SANTOS,2000) .

,

.

.-.

D e form a similar, existe m constatações e m vários países d e qu e a

 

Entietanto , pel a

anáhse d e nossa s entie-sdstas

co m

desempregados ,

formação d e movimento s sociai s d e desempregados te m significado, além

o isolament o s e constiói também diretament e a partir d a carêrrcia material .

de ação pohtic a d e resistência, um a font e d e revitalização e preservação

P o r

exemplo ,

quand o

falta m condições

financeiras

rnínimas par a

 

us o

d e

da saúde mental . Esse s mo\dmento s vê m s e multiphcando , desde a dé -

tiansporte

coletivo/utilização d e roup a decente,

e mclusiv e par a

o

com-

cada d e 1990, é cresceram notavelment e após

2008 . Ess e cresciment o te m

partilhament o d e experiências sociai s

d o cotidiano social •— como

 

toma r

ocorrido principalment e n a Emopa , ma s n

a América Latin a também

u

m

café co m alguém ou, sair co m o s próprios fOhos par a um a ^dsita

fami -

existe m organizações d e desempregado s e m vários países, inclusive n o

h a r

(SELIGMANN-SILVA,

1997).

 

Brasi l

(SELIGMAJ\TN-SILVA,

1997b ; MENENDEZ , 1984;

KLELST,

2004).

 
 

Pertencimento

e dignidade

Nos estudos , de. camp o realiz.ados. sobr e o DLD , o isolamento social f oi tomad o wsível como eixo central d o process o então — e ainda hoj e •— denominad o pel a maiori a como exclusão social. Se m qualque r dúvida, egse; isolament o é alimentado , e constituído, basicamente , pel o process o

Quand o

a carência materia l é mantid a denti-o d e certos

cmnulaíivo d e desfihação tão,,bem anahsado po r Castel . Entietanto , s e a

p o

r

outi o

lado , não é acompanhad a

pel o

isolament o

social,

limite s e , o process o

desfihação fo r compreenchda como perda d e um a fihação anteriorment e

de exclusão

não s e completa , sendo favorecida s

a s possibilidade s

 

d e

sua

existente , teríamos que faze r nota r que a s anáhses dos processo s de DL D

reversão d o mesmo .

Est e

é o valo r d a preservação

do s

pertencimento s

revela m também o s impedimentos qu e s e colocam, tant o par a um a rein-

estar

desempregado ,

ma s

continua r

mantend o

comunicação

 

signifi-

serção n a esfer a d o tiabalho

quant o par a a inclusão do s desempregado s

cativa

e interação, po r

exemplo ,

co m

famihares ,

amigo s

e/o u

antigos

e m grupos , movimento s o u organizações par a eles novaè. Noss a obser-

mento s anteriores , ma s que não dehcam d e

representa r u m outi o desafio

companheiro s

d e

tiabalho.

A presentação d o ipertencimento

está

 

muit o

vação nã o vis a a u m questionament o merament e semântico, ma s si m

5. Na conceituação de identidade pessoal e identidade sodal adotada porMartin-Baró (1990)

baseada em George Mead.

,

,

. -

,i '

cliama r a atenção par a a gravidade é naturez a desse s innpedimentós, que certament e estão profundament e associado s às.desfihaçÕes d e pertenci -

 

írRAEIALH0.E^ES(3ASnSJWEtrWU

_..

,

..

,;^^^^^

1

..

.

.

^,.:.,

......

-J

...

á.21_

não apenas, .teórico:, mas tapthêhi ãèòrdem

política,

p.ois!çóxresponde à.defi-

4 ; •;., .JMRLICAÇQES .DAS

 

PARA A •;:

 

ruçao politica - paxa-implementar-ações

coordenada s

voltada s

para^que

 

-.POLÍTICA SOCIAL E PARA AS AÇÕES D'£ SERVrÇ03D"aAL

- •. •

   

-

'

 

,

esses impedimentos , sejam superado s em.cada formação social.'Os

estu-

 

dos

voltados. a exainip.ar

teajetójias.do.s,desémpre

eidentifica r

quai s

;--/-j-,

A s

pohticas-p.úbhcas

sãp.diretamentepr.essiona.das.pelos

múltiplos

 

são

esses impedirneiito s oferece m fundamento s .ya^

pax a

tai s açÕes

desdobramento s

sodai s d o desempreg o

d e mass a

(ScHisrAiPER;

 

1982).

(DEMAZIÈRE, . 199,5.,

.Np_^;B.rasg,^.algu^

.Urnay£r.tentedes.ses

d.çs^

 

pass a p.elo,.campp^ da.^^-^de

e ain -

impedjmentps. p

.--r.pois , decorrem,d e

nos_sa

 

da.perm,anec e

obsç-inrecid

rnaipri a dos

anahsta s

políticos e d.9S.

fP."

formação histórica e .'culjxual, . além. das

desigualdade s

que,marca m

.k

madpres

deriecisão.,A

 

psicopatologi a do, desempreg o e m gera l nãp

fa z

estruturasodoeconôírdça, ed^^^

 

parte

dos

, cpnteúdos na, capacitação; dos

ageri.tes

sociais,

qu e

atua m

na s

 

que são toda s

estreitament e iriter^relacionadas.íSELiGi^íAi^

1997b

pohtica s

d e empreg o

se m

esquece r

que

ainda faz,em muit a

falt a n

a

  • eI998;-SiiA^;HASEífBAi.G,20g0)^«- ' \

maiori a dos

curriculos dasprofissões de

saúde.

 

,• ..

 

.Se m

dú'\dda

,alguma,

a dinâmc a d a desffiação. descrit a por. Caste l

 

está n o centr o d o processo,.dé

prÊCflrízapão

materia l erejacional.que marc a

a

trajetória

d o que , preferençiaímentaà

designação .de^exçlusãp social^

hoj e denominamo s precarização_sodaÍ — conforme será examinad o ri o

 

"i--As colPcaçÕes'feitàs

noS

levam'aperceber.que , par a formula r pohti -

cas públicas-, destinadas-.ao' enfrentamento-do .desemprego,- tomarsene -

cessário Conhece r os processos de desfiliação e o s que possibíliterh novas

filiações.' O que'sigfuficã compreende r o cjue éstá e m jógd para-que result e

capítulo seguinte .

Poi s

ui n

ser

hrmiah o jaihai s

dehca

d e

fázér

part e d

o

tedd o

sodal , rnesmo

que

deslocado

de

sua s

instiixdçÕes.

 

isolament o o u preservação e fortaleciment o de laços de pertencimento .

   

Assim; urg e conhecer; no s rhacrocontextos (naciona l o u mesErto coiitinen-

Dentr e as ressonândas psiçopatológicas d o isolament o social

te o desempfêgoprolõr^

âe m das

dégress^^

duran -

tal)e-.nos-contextos-particulare s jhtérartículádos., D:íjíiiÊ

auiriehia

a vidne-

das mai s referida s n a hteratura . '

   

rãbiUdãdedõs séies hiimahd s e" o ^ue fortalece ãrésistência- às" ruptui-ás; B,

   

ainda , como a s suhjetividades é intersubjetividades s e movimentam , or a ab-

 

Na

América Latina , u m estudo

realizado

no . México,

po r

Matrajt

.

(1994), caracterizou o potendalpsiçopatogênico dos fenómenos subjeiiyos

que te m luga r quand o o desempregado , a o s e isolar, não reconhec e a

 

sorvend o pressões, or a respondend o a estas , transformando a correlação

de forças dos afores

envohddo s e possibilitando enfrentamentos e superações

do isolament o e d o

desampar o

atiavés de ações-coletivas,

dinâmica social que o levpú ãò des'emprego. U m do s problemãFque o

 

auto r enfoc a é o alcoolismo. Matraj t

chama

a atenção par a o

significado

 

A partir dos iriacrocontextos,

possi-vehnente ,

pesarão ness a

dinâmica

deste, considerando , ernperspectíya

psícanahtíca, o pape l da

ferida nar-

 

às variações

da riqueza, be m como

de sua

distiibiução, e da cultura

política

 

císica riá dinâmica psíqidca d p des.ánpregado, Isto.é, a.dor psíquica da

—^.

ein' termo s

dê'amadurecimento

dá cidadani a

átiva, d a democraci a

e

autoestimaferiãa pelo desemprego ocupa luga r

centra l n o process o psíquico.

d a

ética política.

.,

"

.......

.

Pois , através da bebida ,

o indivíduo "escapa de u m ambient e vivido

corno

-frustrante, n o

qual-a-6fu&fer-^açã0-é--vivld.-a--eom0^h:-um3]hação—(MAÍ^^

..

1994,p,

153).

2''

.

.'"V':' "

6.,S1lv.a e Hasenbalg. analisaram que a diminuição da desigualdade educacional brasileira , ocorrida durante os anqs. 1980 e 1990 decoppa principalmente de njelhora das condições de yida > s.oa m^iljdaâe g'éográfica que. aumentou o. acessode muitas famílias à educação em ddades. Õ."^-;

. í^fSr.Éssd-âoSístem

teria àtúádo-apenas^ em'40/e'párá á dirninúiçao dessa fomã^€s-^

-;<içsiguáldadé:(Sii^^

,-,

[--^j-••;•; )

-VÍJÍ

..

..

h:;>j^--r---'c

•••/'íi^iÈÊ

Nos microcontextps,

""duo.élnsuãriEmilS^

repercute m os históricos singulare s — d o indiví-

importância os significados e sentimento s que permeia m a s rdações in-r

terpessoai s

e que são mobilizado s pel a -vivenda d p desemprego .

A

qua -

hdad e

do s

-^dnculos que

estabelecern

seráriedsiva: pois , à medid a

que. o

desempreg o

se prolonga , poderão ser mai s propídos a

tece r

sphdariedaT

des

Qu.a

predpita r conflitos qu e leve m a nova s

Lembrando.aqu i

a fórçalyitalizante .assumida pel a sohdariedade

seja;para-.aresistência

4

2

2

EDITH

SELIGMANN-SILVA

 

TRABALHO E DESGASTE

MENTAL

4 2 3

política, sej a par a a resistência contr a o adoecimento. Ist o é, vitalLzação

N a

política social voltada par a a inserção o u reinserção social d e

significativa-tanto par a a prevenção quant o par a a recuperação da saúde.

desempregados ,

a qrtestão da sociabilidade te m se revelado u m dos pon -

 

Tant o a s críticas d e Castel

quant o

a s

de

Demazière apreseiitam im -

tos

cruciais.

Pois ,

além d e sentimentos

d e retraiment o

d e orige m psico-

plicações importante s par a as poKticas sociai s

e,

e m especial,

par a

as

ações

lógica —• como

o s sentimentos de fracasso

e desâ3.TÍmo , inúmeros im -

de Serviço

Social.

pedimento s

de orde m económica são muit o concretos

e conti-ibuem par a

 

Consideramo s

que

um

acréscimo deve ser feit o à" crítica

elaborada

mante r o isolament o social: a

falt a de dinheir o par a

tiansporte;

a falt a de

p o r Demazière: além da necessidade de discerniment o das características

da situação de cada trabalhador desempregado,

a avaliação do estado

de

 

roup a

o u

calçado par a

deslocar-se,

partidpa r d e cursos d e qualificação

ou rem-dÕes; que ,

além de sere m originados pel a ausênda de renda ,

tam-

saúde e d o desgast e existent e deve ser realizada , colocando foco no s

bém estão assodado s ao sentiment o de vergonh a pel o estado de carênda.

processos

psicossociai s

envolvido s —

par a

que

a ação

soda l

s e

tom e

Par a

mulheres ,

constatamos

que , muita s vezes , a falt a d e alguém que,

factível

 

durant e

sua

ausência d a casa, poss

a

cmda r dos fOhos pequeno s o u d e

 

Po r conseguinte,

levando

e m

cont a

o s estudos

citados

de

Castel, d e

 

idosos

dependente s

constitui barrek a

a que as desempregada s

participem

Demazière e d e Schnapper, programa s

diredonado s à coletí\ddade e m

e m

movimento s e

entidade s voltado s par a o enfrentament o e superação

que é densa a população desempregada necessitam de práticas não ape-

do isolament o e m que se encontiam, obviament e diminuind o a s chance s

'

nas de orde m coletiva, ma s também abordagens/avaliações iridi^dduáis

de

reintegração soda l

(singulares). Soment e assi m será possível realizar diagnósticos de situação

e interi^enções adequadas , po r u m lado, na s instâncias coletivas,-por

outio, junt o às pessoas . B par a estas últimas o ti-abalho e m equipe multi -

disciphna r muita s vezes exigirá ações de curiho terapêutico que envolve -

rão psicólogos, médicos

o u outeos profissionai s de

saúde.

A

forma pel a qua l os jovens

vêm sendo

atingidos pel o

desemprego

tornou-s e m n dos maiore s desafios n a aíuafidade. N a Europa , a questão

t em mobilizado os govei-nos , e extensos programa s espedalment e volta- -

dos a essa problemática vêm sendo desenvohddos . U m projet o de pes -

quis a que

envolve u sei s países europeus

n o

final

dos

anos

199 0 teve

po

r

objeto

ment e

o

desemprego

de long a dm-ação dos jovens

e examino u

conjunta -

o processo de isolament o soda l e os aspectos subjetivos . Um a

das

constatações dess e estudo fo i que , "além dos obstáculos estratiu-ai s à

inserção dos jovens n o mercado fora m encontiada s também forma s d e

'autoexclusão' n o sentido de u m reteaimeht o vinculad o à resignação"

  • (p. 147) . Sentiment o d e vergonh a e o desenvolviment o de passi-^ddade

fora m associados a situações nas quai s um a dependência institudofia l

ha^da s e cristalizado ao long o de períodos prolongado s de u m tipo de su-

port e que o estudo critica. O mesmo estudo também constatou que ó tia-

balho

informa l n a económica suUeirânea de alguns países agravava o isola-

ment o e o distãndamento soda l desses jovens (KIESELBACH et al. , 2006). '