UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

JOÃO HUMBERTO CESÁRIO

TÉCNICA PROCESSUAL E PROTEÇÃO DE INTERESSES AMBIENTAIS TRABALHISTAS: AS TUTELAS INIBITÓRIA E DE REMOÇÃO DO ILÍCITO NA PRESERVAÇÃO DA SAÚDE DOS TRABALHADORES

Cuiabá 2010

JOÃO HUMBERTO CESÁRIO

TÉCNICA PROCESSUAL E PROTEÇÃO DE INTERESSES AMBIENTAIS TRABALHISTAS: AS TUTELAS INIBITÓRIA E DE REMOÇÃO DO ILÍCITO NA PRESERVAÇÃO DA SAÚDE DOS TRABALHADORES

Projeto de Pesquisa apresentado como requisito parcial à aprovação na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico e ao desenvolvimento do Mestrado em Direito Agroambiental Graduação do em Programa Direito de PósAgrombiental

oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso, sob a orientação metodológica da Professora Doutora Marluce A. Souza e Silva.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Carla Reita Faria Leal

CUIABÁ - MT 2

2010

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO TEMÁTICA.......................................................................................04 1. PROBLEMATIZAÇÃO................................................................................................06 2. OBJETIVOS................................................................................................................10 2.1. OBJETIVO GERAL..................................................................................................10 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................................11 3. HIPÓTESES................................................................................................................11 4. JUSTIFICATIVA..........................................................................................................12 5. REFERENCIAL TEÓRICO..........................................................................................14 6. REFERENCIAL METODOLÓGICO............................................................................16 7. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...................................................................17 8. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES.............................................................................18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................18 BIBLIOGRAFIA...............................................................................................................19

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APRESENTAÇÃO TEMÁTICA Apresentamos como objeto de estudo a utilização da técnica processual para a tutela de interesses ambientais trabalhistas. O mencionado estudo será desenvolvido com observância na linha de pesquisa do Direito Ambiental, fundando-se na interação entre o Direito Ambiental do Trabalho e a Tutela Processual dos Interesses Difusos e Coletivos.1 O tema apresenta em seu bojo uma reflexão jurídica e política importante. Sua origem remonta à própria história do trabalho, enquanto atividade essencial à acumulação da riqueza. Durante o advento histórico conhecido por Revolução Industrial Inglesa houve a introdução da máquina a vapor no processo produtivo, criando-se as bases para a existência de uma produção em grande escala e da criação de uma economia verdadeiramente de mercado, a demandar a contratação de um crescente contingente de trabalhadores, o que promoveu a transformação do trabalho em emprego, gerando, em decorrência, uma série de conflitos coletivos de natureza
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É inevitável pontuar que a integração de duas linhas de abordagem, uma de índole material e outra de matiz processual, pode soar, à primeira vista, como uma heresia perante a ortodoxia acadêmica. Almejando suplantar essa possível objeção, há de se ressaltar que o processo é contemporaneamente encarado como um instrumento de efetivação do direito material, necessitando ser moldado, quando da sua aplicação, às principais características deste último. Não se trata, obviamente, de retornar-se à teoria imanentista, que tratava o processo como um mero capítulo do direito objetivo, mas de reconhecer-se a inequívoca instrumentalidade que baliza o jusprocessualismo. Colhe-se, nesse sentido, o escólio de BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Direito e processo - influência do direito material sobre o processo. 5ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009, p.p. 14 e 15: “Todo trabalho científico deve ser elaborado em função de duas premissas básicas: visão crítica da situação e projeto de reforma. Com esta preocupação procurou-se desenvolver o tema da relativização do binômio direito-processo como meio de acesso à ordem jurídica justa. Sustenta-se, aqui, que os aspectos fundamentais do direito processual são concebidos à luz da relação jurídica material. As questões maiores do processo são solucionadas com dados inerentes à relação da vida e ao direito substancial que a regula. Quanto mais consciência tiver o processualista desse fenômeno, maiores serão as possibilidades de construção de mecanismos aptos a alcançar os escopos do processo. (...). a partir do momento em que se aceita a natureza instrumental do direito processual, torna-se imprescindível rever seus institutos fundamentais, a fim de adequá-los a essa nova visão. Isso porque toda a construção científica desse ramo do direito deu-se na denominada fase autonomista, em que, devido à necessidade de afirmação da independência do direito processual, valorizou-se demasiadamente a técnica. Passou-se a conceber o instrumento pelo próprio instrumento, sem a necessária preocupação com seus objetivos, cuja indentificação é feita à luz de elementos externos ao processo. Seu escopo é a eliminação da crise do direito material, formulando e atuando a regra jurídica ao caso concreto. A técnica adotada pelo legislador, visando ao adequado desenvolvimento do método por ele criado para solução dos litígios (processo équo e justo), é simples meio. Em nenhum instante pode o processualista esquecer-se de que as questões internas do processo devem ser solucionadas de modo a favorecer os resultados pretendidos, que são exteriores a ele.”

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reivindicatória, que serviram para a propulsão da criação do direito do trabalho, obviamente que dentro de determinados arranjos ideológicos, que na essência estão ainda intactos nos dias atuais. Neste contexto iniciam-se as mazelas inerentes a um meio ambiente de trabalho desequilibrado. Ocorre que as fábricas, até então inexistentes, apareceram no mundo laboral como uma necessidade intrínseca do processo produtivo emergente, mas organizadas de modo precário do ponto de vista da preservação da integridade física e psicológica do trabalhador, nelas reinando a insalubridade, caracterizada pela falta de higiene, luz e ventilação, bem como pela ocorrência de ruído excessivo e de fuligem tóxica no ar rarefeito. Em tal momento, ademais, exigia-se, indiscriminadamente, o trabalho de homens, mulheres e crianças, em jornadas excessivamente longas, sem duração predeterminada, e que se estendiam de sol a sol. Dentro deste caldo social, emergiu uma nova consciência jurídica coletiva, na qual o proletariado, classe até então desconhecida, passou a se organizar para pleitear melhores condições de trabalho, ato premido pelo imperativo de autodefesa, haja vista que os seus membros estavam expostos à ocorrência dos mais variados acidentes de trabalho, bem como ao aparecimento de uma série de doenças como asma, pneumonia, tuberculose, dentre outras. Antevendo as proporções catastróficas que tal revolta poderia atingir, as elites político-econômicas, representadas principalmente pela Igreja Católica, se adiantaram aos fatos, para defender a posição estratégica de que o Estado deixasse de ser abstencionista e passasse a interferir diretamente nos conflitos trabalhistas, fazendo-o por via da edição de legislação supostamente tuitiva. Ainda que incorrendo no risco da simplificação, é lícito dizer que os editos legislativos que daí emergiram ficaram circunscritos à redução da jornada, à proibição de labuta em horário noturno e à limitação da carga horária do labor de mulheres e menores*, sem preocupação com a eliminação das condições adversas de trabalho, no que foram secundados por toda a legislação posterior, inclusive aquela oriunda do chamado constitucionalismo social, já no início do século XX.**
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Conferir, v.g., o Moral and Health Act, de Robert Peel, tido por muitos como o primeiro diploma normativo genuinamente trabalhista, onde o trabalho dos menores aprendizes foi limitado a doze horas e proibido para o período noturno. ** Vide, por exemplo, a Constituição Mexicana de 1917 e a Constituição de Weimar de 1919.

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Evidente que tal opção trouxe consigo a matriz para a criação de uma série de adicionais econômicos que ainda hoje perduram no direito do trabalho, inclusive na vigente Constituição brasileira (horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, penosidade...), como se a saúde do trabalhador fizesse parte do fetiche consumista do capitalismo, passível de ser comprada como simples mercadoria, sem tornar necessária a superação das mazelas sócio-ambientais que persistem no cotidiano laboral em moldes ainda mais estarrecedores do que aqueles descritos no contexto da vetusta Revolução Industrial Inglesa.2 1. PROBLEMATIZAÇÃO Embora o juslaboralismo tenha surgido a partir das lutas dos operários ingleses contra as condições de labuta a que estavam submetidos, se constata ainda hoje, passados dois séculos, que paradoxalmente os trabalhadores convivem com as mais degradantes situações ambientais. Tal ocorrência se explica no fato de que o juslaboralismo, balizado pela lógica do capitalismo a que serve3, preferiu monetizar a saúde do trabalhador, como se a
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Confirmando o diagnóstico em questão, reproduz-se, adiante, as palavras OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidentes do trabalho ou doença ocupacional. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2005, p.p. 26 e 27: “De acordo com levantamento da OIT divulgado em 1985, a cada três minutos um trabalhador perdia a vida no mundo em conseqüência de acidente do trabalho ou de doença profissional, e a cada segundo, pelo menos, quatro trabalhadores sofriam algum tipo de lesão. Em menos de duas décadas a situação piorou amargamente. Estatísticas da mesma OIT divulgadas em 2003 asseveram que ocorrem por ano no mundo 270 milhões de acidentes, representando uma média aproximada de 740 mil por dia ou nove por segundo. Desse elevado número de ocorrências, resultam a cada ano por volta de dois milhões de acidentes do trabalho com óbito, quase quatro mortes por minuto. Além das perdas humanas e todos os efeitos colaterais dolorosos, há um custo econômico extraordinário que ultrapassa anualmente um trilhão de dólares americanos, por volta de 4% do produto interno bruto global, o que demonstra a necessidade urgente de adoção de políticas efetivas voltadas para o enfrentamento do problema. Essas estatísticas lamentáveis reforçam o paradoxo da situação: o local de trabalho, que deveria servir para o homem ganhar a vida, está se transformando, em muitas ocasiões, em lugar sinistro para encontrar a morte!” (sem destaques no original) 3 A corroborar a assertiva de que o direito do trabalho serve à estabilização da sociedade capitalista, colaciona-se a lição de RODRIGUES, Marcelo Abelha. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, p. p. 49 e 50: “A transformação do Estado liberal em Estado Social deve-se a uma série de mudanças de comportamento, inclusive do próprio sistema capitalista, que passou a ser refém da necessidade de proteger em certa dose o trabalho humano que explorava (o lado social), porque em última análise dele dependia para a formação da riqueza e a manutenção do status quo. Nesse processo de mudança destaca-se o importante pioneiro papel da carta constitucional norteamericana, onde já se fazia presente a necessidade de um Estado intervencionista, com deveres negativos (não ferir as garantias dos indivíduos), mas também com prestações positivas a cumprir, mormente no campo social. A verdadeira transformação vem, no entanto, com a Constituição Mexicana

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integridade física e espiritual do ser humano pudesse ser objeto de um contrato de compra e venda. Logo, se no âmbito do direito material do trabalho interessa ao capitalista que a legislação determinante do cumprimento de obrigações laborais de adequação ambiental passe despercebida, já que a farsa do pagamento de adicionais* melhor convém ao atingimento do seu objetivo acumulatório, não será difícil concluir que no campo processual a técnica individual e condenatória será privilegiada em detrimento da coletiva e mandamental.4 Ocorre que na medida em que a legislação objetiva é construída a partir de premissas ideológicas que interessam às elites econômicas, é de se intuir que o direito processual acaba por absorver os anseios do sistema econômico hegemônico,

de 1917, a de Weimar em 1919 e da Polônia e Iuguslávia em 1921.” * Não custa lembrar que os adicionais trabalhistas brasileiros são apurados a partir de uma base de cálculo ínfima, já que no país são praticados baixíssimos salários. Demais disso, o pagamento dos ditos adicionais pode ser contabilmente fraudado com facilidade. Perceba-se, por exemplo, que se um empregado for contratado para auferir o salário mensal de R$612,00 (seiscentos e doze reais), para trabalhar em um ambiente insalubre de grau médio, será muito simples para o empregador contabilizar no recibo de pagamento o mínimo de R$510,00 (quinhentos e dez reais) pagos a título de salário de sentido estrito, mais o montante de R$102,00 (cento e dois reais) pretensamente adimplidos como o adicional de 20% da insalubridade. Tudo aparentemente dentro da lei! Mas o trabalhador, a rigor, nada receberá para esvair sua saúde em um meio ambiente laboral insalubre... 4 Reproduz-se, almejando o intento de demonstrar o quase absoluto desprezo do direito material do trabalho para com as obrigações de fazer e não fazer, bem como do direito processual do trabalho para com as técnicas mandamentais, as palavras GIGLIO, Wagner Drdla. Direito processual do trabalho. 10ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1997, p. p. 267e 268: “São raras, se existentes, as obrigações de não fazer, nos processos trabalhistas. Não temos notícia de um exemplo, sequer, além da medida liminar para sustar a ordem de transferência de empregado (...). (...) Nos processos do trabalho, as obrigações trabalhistas de fazer mais ocorrentes, na prática (sem ordem de importância ou frequência), são as de anotar ou retificar as anotações da Carteira de Trabalho, de entregar as guias de levantamento dos depósitos do FGTS, de fornecimento dos documentos necessários à obtenção do seguro-desemprego, de promover, de reintegrar o empregado e de fazê-lo retornar às atividades laborativas.” Das palavras do Professor Giglio podem-se extrair, de tal arte, pelo menos duas conclusões: a) as potencialidades das obrigações de fazer e não fazer são pouquíssimo exploradas pela praxe trabalhista.; b) o processo do trabalho não vem se valendo da técnica mandamental para a promoção do equilíbrio ambiental trabalhista. Desse modo não se pode concluir de modo diverso, senão para se compreender que esse quadro é no mínimo preocupante, principalmente quando recordamos que a Consolidação das Leis do Trabalho estabelece, nos seus artigos 154 a 201, toda uma série de regras de medicina e segurança do trabalho, que partem da inspeção prévia, do embargo e da interdição do estabelecimento; passando pelo processo de implantação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA); pelo fornecimento gratuito de equipamentos de proteção individual (EPIs); pela obrigatoriedade da realização de exames médicos periódicos e nos momentos específicos da admissão e da dispensa; pela observância de regras de iluminação, ventilação e conforto térmico; pelos requisitos de segurança para o uso e a manutenção de máquinas em geral, e especificamente de caldeiras, fornos e recipientes sobre pressão; pelos procedimentos de neutralização da insalubridade e pela forma de manuseio e transporte de material tóxico, até chegar às regras de prevenção da fadiga.

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reproduzindo e efetivando toda uma cadeia de dominação, cujo efeito final é a geração de um círculo vicioso de alienação e opressão. Justamente por isso é que, ainda hoje, a doutrina processual trabalhista permanece renitentemente fiel ao postulado da teoria trinária de classificação das ações de conhecimento5, desprezando, por completo, os provimentos mandamental e cognitivo executivo lato sensu, bem como as ações de natureza coletiva, por via das quais se mostra viável atender, englobadamente, os interesses individuais homogêneos, coletivos e difusos da classe trabalhadora, com notável economia de energia jurisdicional. Lamentavelmente, essa forma estrábica de visualização do processo trabalhista acaba por produzir efeitos danosos e duradouros na jurisprudência, já que a postulação em juízo, na maioria dos casos por ignorância – produto da ideologia dominante - e nos demais em função dos interesses econômicos de sindicatos pouco comprometidos com o bem-estar das categorias que representam, continua a privilegiar indiscriminadamente a técnica individual e condenatória, permanecendo descrente para com as eficazes possibilidades coletivas e mandamentais. Em contraposição a tal quadro, nosso estudo buscará delinear um novo marco teórico, para que com substrato nos vetores constitucionais fundamentais da cidadania
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Abordando a tibieza da classificação trinária dos provimentos jurisdicionais cognitivos, assim se manifesta MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela específica - arts. 461, CPC e 84, CDC. 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001, p.p. 38 e 39: “Com o surgimento das novas relações jurídicas, freqüentemente de conteúdo não-patrimonial, tornou-se evidente a inefetividade das sentenças da classificação trinária. Os direitos não-patrimoniais, como é curial, não podem ser efetivamente tutelados através da sentença condenatória. Essa sentença, por correlacionar-se com a execução por subrogação, somente mostra-se adequada para permitir a reparação do direito violado ou o cumprimento forçado da obrigação inadimplida. A sentença condenatória, como já foi dito, não se presta a impedir alguém de praticar um ilícito, exatamente porque não se relaciona com a execução indireta, ou seja, com meios que possam atuar sobre a vontade do devedor para convencê-lo a adimplir. A sentença declaratória, por outro lado, se não é ligada a qualquer meio de execução, limitando-se a declarar algo a respeito de uma relação jurídica, também é evidentemente impotente para impedir a prática do ilícito. Diante da sentença declaratória, o réu não se vê compelido a não praticar o ilícito. Sabe o demandado que a única sanção que sofrerá, diante da prática do ilícito, é a ressarcitória, o que lhe permite transformar, livremente, o direito do autor em tutela ressarcitória, que na maioria das vezes será prestada pelo equivalente em pecúnia. As sentenças de classificação trinária, em outras palavras, não tutelam de forma adequada os direitos que não podem ser violados, seja porque têm conteúdo não-patrimonial, seja porque, tendo natureza patrimonial, não podem ser adequadamente tutelados pela via ressarcitória. Pior do que isso, a classificação trinária, por sua inefetividade, permite a qualquer um expropriar direitos nãopatrimoniais, como o direito à higidez do meio ambiente, transformando o direito em pecúnia. Na verdade, e por incrível que possa parecer, um sistema que trabalha exclusivamente com as três sentenças clássicas está dizendo que todos têm direito a lesar direitos desde que se disponham a pagar por eles! (sem destaques no original)

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plena, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho, possam ser alicerçadas as bases de construção de um novo pensamento juslaboral, cujo locus privilegiado seja a técnica processual mandamental coletiva, para que por via dela os empregadores sejam judicialmente obrigados a tomarem medidas de caráter inibitório ou de remoção do ilícito, hábeis a transformar em realidade o direito fundamental ao equilíbrio ambiental trabalhista (artigo 7º, XXII, da CRFB).6 Importa demonstrar, a partir de uma abordagem dedutiva, que tanto o direito material do trabalho quanto o direito processual do trabalho vêm alimentando na classe trabalhadora uma falsa sensação de proteção. Vale destacar que os efeitos danosos e problematizantes deste estudo advêm de quatro fatores básicos: a) enquanto as ações coletivas têm o condão de satisfazer englobadamente os interesses individuais homogêneos, coletivos e difusos dos trabalhadores, as individuais resolvem os problemas jurídico-trabalhistas caso a caso, com um desnecessário dispêndio de atividade judicial; b) enquanto a técnica mandamental possui a virtude de inibir a ocorrência da ilicitude ou de impor a remoção do ilícito, a técnica condenatória permite, na prática, a concretização de um dano; c) enquanto a técnica mandamental satisfaz interesses diretamente (por ser específica)7, a condenatória o faz apenas indiretamente (por resolver um
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Para uma compreensão mais pormenorizada sobre os aspectos teóricos e práticos do problema apresentado, conferir CESÁRIO, João Humberto. A tutela processual mandamental como fator de promoção do equilíbrio ambiental trabalhista. In: CESARIO, JOÃO HUMBERTO (org). Justiça do trabalho e dignidade da pessoa humana - algumas relações dos direitos ambiental, civil, eleitoral e processual com o direito do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2007. 7 Tratando da importância da tutela coletiva, mandamental e específica, para a materialização dos direitos e deveres ambientais, assim se pronuncia RODRIGUES, Marcelo Abelha Rodrigues. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, p.p. 57, 58 e 59: “(...) pode-se ainda afirmar, categoricamente, que, dentre as crises de cooperação, os deveres ambientas mais descumpridos são os que envolvem a prática de um fazer ou um não fazer. (...) Tal conclusão resulta do fato de que um dos princípios do direito ambiental é o da participação ou solidariedade, expressamente inserido no art. 225 da CF/88, onde se lê que tanto o poder público quanto a coletividade tem o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Está aí, às escâncaras, a regra magna que impõe um dever positivo e outro negativo a toda coletividade em relação à proteção do equilíbrio ecológico. (...) Isso vem evidenciar que esse dever social precisa ser visto sob dois flancos distintos, um negativo e outro positivo: o primeiro na adoção de comportamentos sociais, personalíssimos, (..) de não praticar atos que possam ser ofensivos ao meio ambiente e a seus componentes; o segundo na adoção de comportamentos sociais que representem um facere, uma tomada de atitude, comissiva, mas que não se resuma apenas à esfera individual, ou seja, não preocupada apenas com o eu, mas com o todos. (...) Acrescentando ao que foi dito acima os

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prejuízo em perdas e danos)8; d) enquanto que a tutela mandamental é cumprida com base em um rito processual simplificado (§§ 4º, 5º e 6º do artigo 461 do CPC), a tutela condenatória é executada por via de um procedimento complexo, gerando maior gasto de energia processual (artigos 876 a 892 da CLT c/c Arts. 475-I a 475-R do CPC). 2. OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL Demonstrar as possibilidades de utilização da técnica processual na perspectiva da tutela coletiva dos interesses ambientais trabalhistas.

ingredientes da essencialidade (à vida) e da instabilidade do equilíbrio ecológico, pode-se antever que todas as crises jurídicas ambientais referentes ao cumprimento de um dever de fazer e não fazer exigem não só uma solução rápida, mas também específica, no sentido de que a tutela jurisdicional a ser entregue à coletividade deve ser a mais próxima possível daquela que se teria com o cumprimento espontâneo do dever jurídico ambiental. A idéia precípua é que a tutela jurisdicional a ser entregue seja a mais coincidente possível com o resultado previsto pela norma ambiental. Enfim, se ela prevê um não fazer, então esta é a tutela que deve ser buscada; se, por outro lado, prevê um fazer, é este que deve ser adimplido. (...) Trata-se, pois, de içar a tutela específica dos deveres ambientais como um norte a ser perseguido e alcançado. Contrario sensu, é de se dizer que a não realização da tutela jurisdicional específica pode comprometer o direito fundamental à vida de todos os seres vivos. (...) é de se dizer que nem sempre será possível a obtenção da tutela específica, enfim, aquela originalmente prevista pelo legislador. (...) Nesse particular, apenas subsidiariamente é que se deve pensar na tutela reparatória do meio ambiente, ou seja, quando se mostre impossível a tutela específica idealizada pelo legislador. E, ainda assim, a reparação deve ser o mais próximo possível do resultado que se teria com a conduta esperada pelo legislador. Daí porque a reparação in natura é a tutela reparatória mais freqüente no direito ambiental. Seja por razões pedagógicas do poluidor e transgressor da norma ambiental, seja por razões de proteção do meio ambiente, sem dúvida, mais vale uma reparação in natura do que uma reparação pecuniária, porque, em última análise, sabe-se que o equilíbrio ambiental e o prejuízo causado às presentes e futuras gerações não encontra um valor que reflita com fidelidade a perda ambiental, de forma que o dinheiro nunca paga o prejuízo causado pela degradação do equilíbrio ecológico. (...) Diante desse quadro, o papel do processo civil é o de oferecer técnicas que atendam ao ideal de justiça ambiental. ” 8 Quanto à resolução das obrigações de fazer e não fazer em perdas e danos, impõe-se, mais uma vez, trazer à tona o escólio de MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000, p.p. 293 e 294: “A correlação necessária entre a condenação e a execução forçada esconde não só uma opção pela incoercibilidade das obrigações infungíveis, mas também a própria ideologia liberal da intangibilidade da vontade humana. O conceito de sentença condenatória está comprometido com as doutrinas que inspiraram o Code Napoléon, pelo qual ‘toda obrigação de fazer ou não fazer resolve-se em perdas e danos e juros, em caso de descumprimento pelo devedor’ (art. 1.142), e principalmente com a ideologia que deu origem ao dogma de que a coerção das obrigações infungíveis constitui um atentado à ‘liberdade’ dos homens.”

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2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: a) Identificar as táticas de diluição contábil dos salários em adicionais, demonstrando, concretamente, que tais subterfúgios são extremamente simples e eficazes à extração de mais-valia, inviabilizando, propositadamente, o estabelecimento de um meio ambiente que seja saudável para a realização do trabalho; b) Levantar informações sobre a doutrina e jurisprudência processual trabalhista, para demonstrar que ambas reproduzem no plano adjetivo a lógica hegemônica no âmbito material, apegando-se, via de conseqüência, ao uso das técnicas individuais e condenatórias em detrimento das coletivas e mandamentais. c) Avaliar, dentro desse prisma, a concretute da promessa constitucional de redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (artigo 7º, XXII, da CRFB); d) Repensar a práxis trabalhista, para enxergá-la a partir dos fundamentos republicanos da cidadania plena, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (artigo 1º, II, III e IV da CRFB); e) Demonstrar as possibilidades de utilização processual das tutelas inibitória e de remoção do ilícito, como instrumentos de afirmação do direito fundamental da classe trabalhadora a um meio ambiente de trabalho equilibrado. 3. HIPÓTESES 3.1. O direito material do trabalho optou por monetizar a saúde dos trabalhadores para atender ao objetivo acumulatório do capital; 3.2. O direito processual trabalhista privilegia a técnica individual e condenatória em detrimento da técnica coletiva e mandamental. 3.3. O capitalismo dispõe de um “exército industrial de reserva”9, o que permite ao capitalista tratar o trabalho humano como mercadoria descartável, passível de aquisição a baixíssimos salários, que servem de base de cálculo para o pagamento

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Sobre o “Exército Industrial de Reserva”, ver MARX, Karl. O capital (Edição resumida por Julian BORCHARDT). 7ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1982, p.p. 152 e segs.

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dos ínfimos adicionais criados para “proteger” o trabalhador. A proteção trabalhista, portanto, está com seu sentido ético desvirtuado. 3.4. A forma doutrinária de visualização do processo trabalhista pode estar produzindo efeitos danosos e duradouros na jurisprudência, já que a postulação em juízo privilegia as técnicas individuais e condenatórias, permanecendo descrente para com as possibilidades coletivas e mandamentais. 4. JUSTIFICATIVA Percebe-se, passados mais de vinte anos da promulgação da vigente Constituição, que os juslaboralistas ainda não compreenderam adequadamente o seu verdadeiro significado. Ocorre que a Carta Política de 1988 rompeu abertamente com qualquer concepção que pudesse privilegiar indiscriminadamente o patrimonialismo jurídico. Dito de modo mais explícito, podemos assentar, com efeito, que o seu fundamento axiológico central reside na promoção da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III, da CRFB). A propriedade, neste contexto, embora continue a merecer especial deferência (artigo 5º, XXII, da CRFB), deve dobrar-se, antes de tudo, ao cumprimento de uma função social (artigo 5º, XXIII, da CRFB), o que passa, inelutavelmente, pela observância das disposições que regulam as relações de trabalho, e, consequentemente, por um padrão exploratório que seja apto à promoção do bem-estar não só dos proprietários, mas também dos trabalhadores (artigo 186, III e IV, da CRFB). Faz-se imprescindível, deste modo, que os juristas do mundo laboral entendam, dentro de um novel paradigma de abalançamento de interesses jurídicos, que o principal direito dos trabalhadores é aquele previsto no artigo 7º, XXII, da CRFB, que preconiza a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. A propósito do quanto afirmado no parágrafo anterior, vale dizer que o vanguardista professor Sebastião Geraldo de Oliveira, digno Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, trata a prefalada regra sob o epíteto de 12

princípio do risco mínimo regressivo10, aduzindo, com colores acentuados, que a redução dos riscos inerentes ao trabalho deve ser vista como “o norte, a preocupação central, o ponto de partida e de chegada de qualquer programa sério sobre prevenção de acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais”11. Em que pesem todas essas considerações, o fato é que os operadores do direito do trabalho continuam conservadoramente imbuídos do propósito de tão-somente reconhecer aos trabalhadores os tradicionais adicionais econômicos que tanto caracterizam – às vezes até pejorativamente – esse ramo do conhecimento jurídico especializado, descurando-se, por completo, da responsabilidade que possuem em concretizar a promessa constitucional de redução dos riscos inerentes ao trabalho. Tal cenário justifica, com sobras, a relevância da pesquisa que ora delineamos no presente projeto de dissertação, já que por via dela buscaremos sensibilizar os principais atores do mundo do trabalho para a necessidade de serem privilegiadas, no campo da preservação da saúde da classe trabalhadora, as tutelas preventivas em detrimento das repressivas. Esse viés de abordagem, aliás, interessa a toda sociedade, já que o excessivo número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais com o qual convivemos, acaba por onerá-la como um todo, na medida em que os trabalhadores que esvaem sua saúde em ambiências laborais desequilibradas, acabam por depender exclusivamente da Previdência Social para o seu sustento pessoal e familiar. Sobreleva destacar, demais disso tudo, que o tema sobre o qual dissertaremos é pouquíssimo explorado na academia, sendo certo, pois, que muito contribuirá para que o Programa de Pós-graduação em Direito Agroambiental da Universidade Federal de Mato Grosso se destaque na abertura de novas e inexploradas trincheiras no universo jurídico-acadêmico nacional e internacional.

5. REFERENCIAL TEÓRICO

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OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr, 2010, p. 124. 11 OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Ibid., p. 123.

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Esta pesquisa estará fundamentada cientificamente nos estudos de diferentes categorias de análise. Seu principal sustentáculo, naturalmente, será a compreensão rigorosa de pesquisadores que pensam de forma original e criativa os direitos laboral e processual. Como restará claro no item destinado à bibliografia, muitos serão os doutrinadores em cujo pensamento jurídico penetraremos. Em vários deles buscaremos denunciar traços de ranço e conservadorismo jurídico. Em outros tantos extrairemos elementos avançados, que serão absolutamente úteis à contribuição que intentaremos emprestar para a construção de um ramo jurídico que, em futuro de médio ou longo prazo, poderá ser conhecido como Direito Ambiental do Trabalho. Dentre estes últimos pensadores, desejamos apontar dois que certamente serão os nossos principais referenciais teóricos. São eles os professores Sebastião Geraldo de Oliveira e Luiz Guilherme Marinoni. O primeiro deles, Sebastião Gerado de Oliveira, além de professor é Desembargador Federal do Trabalho. Das suas obras, a que mais relevará para o nosso estudo, é aquela denominada “Proteção Jurídica à Saúde do Trabalhador”, publicada pela editora LTr. Relativamente ao livro em questão, é de se realçar que o próprio professor Sebastião Geraldo esclarece na apresentação à sua 5ª edição, que no momento do seu lançamento, ocorrido em 1996, a obra foi considerada inovadora no Brasil sobre o tema da proteção jurídica da saúde do trabalhador, já que até então a literatura juslaboral estava centrada – como ainda hoje maciçamente o está – na lógica estreita da mera concessão de adicionais econômicos em prol destes atores sociais. Diz, textualmente, o referido autor:
Na época, a obra foi considerada pioneira sobre o assunto no Brasil, introduzindo uma forma diferente de abordar os riscos e as agressões à saúde existentes nos locais de trabalho. Até então, a literatura jurídicotrabalhista estava centrada na idéia de compensar as condições de trabalho adversas com adicionais remuneratórios. Fizemos uma proposta diferente, com o objetivo de despertar os operadores jurídicos para o valor principal e que verdadeiramente importa: o direito do empregado ao meio ambiente do trabalho saudável. Ao demonstrar os equívocos da monetização dos riscos, em face do princípio da dignidade da pessoa humana, mudamos o foco de análise da doença para a saúde, do trabalho para o trabalhador, do risco remunerado para o risco

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eliminado ou controlado, do dano para a prevenção.12

Já o segundo deles, Luiz Guilherme Marinoni, é Professor de Direito Processual Civil na Universidade Federal do Paraná, contando, dentre outras nobilíssimas credencias acadêmicas, com o título de pós-doutor pela Universidade Estatal de Milão. Toda a sua vastíssima produção bibliográfica servirá de lastro teórico para o estudo ora proposto. É de se dizer, a propósito, que a principal tarefa da nossa pesquisa será a de impregnar o processo do trabalho do pensamento do Professor Marinoni, a fim de que a processualística laboral possa romper de vez com o postulado trinário das ações cognitivas, para assim conviver naturalmente com as tutelas mandamentais e cognitivas executivas lato sensu, que são imprescindíveis à inibição ou remoção do ilícito, e, especificamente falando, à prevenção de danos à saúde dos obreiros. De modo a demonstrar a extraordinária contribuição do Professor Marinoni para uma mudança de paradigmas no pensamento processual, colacionamos, abaixo, alguns breves excertos literários emanados da lavra do Professor Egas Dirceu Moniz de Aragão ao prefaciar o livro Tutela Inibitória:
Insatisfeito com as idéias predominantes, que privilegiam a realização do direito pelo processo através da reparação (a tutela ressarcitória), o autor [Luiz Guilherme Marinoni] oferece ao debate e a idéia de, quanto possível, realizar o direito pelo processo através de meios que evitem o ilícito, que tenham caráter preventivo: a tutela inibitória. “Quando se pensa em tutela inibitória”, diz ele, “imagina-se uma tutela que tem por fim impedir a prática, a continuação do ilícito e não uma tutela dirigida à reparação do dano”. O importante, pois, é evitar e não apenas remediar. (...) Enfim, toda a sua preocupação parece centrada nesta observação das conclusões: “o direito material precisa ser efetivamente tutelado”, para o que a tutela inibitória contribui decisivamente. Recomendo prazerosamente a todos quantos se interessam pela realização do direito através do processo a leitura atenta desta obra, que constitui um marco nos estudos jurídicos e eleva sobremodo o conceito do Paraná e de sua Universidade.13

Como se vê, portanto, a pesquisa desfilará pelo pensamento jurídico de inúmeros pensadores, desde os mais conservadores até os mais avançados, mas
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OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Ibid., p. 15. ARAGÃO, Egas Dirceu Moniz de. In MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, p.p. 4 e 6.

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encontrará nas obras dos Professores Sebastião Geraldo de Oliveira e Luiz Guilherme Marinoni os seus principais arrimos teóricos. 6 – REFERENCIAL METODOLÓGICO De tudo o quanto antes foi dito, resta claro que a natureza desta pesquisa é exploratória, pois que além de se debruçar em um território jurídico pouquíssimo explorado, ela almeja, basicamente, sorver elementos que vêm sendo delineados em outros campos do saber jurídico, como, por exemplo, os direitos ambiental e processual civil, para então transportá-los e adequá-los à realidade dos direitos material e processual do trabalho, de modo a potencializar as possibilidades destes últimos quanto à concretização da promessa constitucional de redução dos riscos inerentes ao trabalho. A nossa maior responsabilidade será a de testar a validade das normas e concepções que hoje orientam parte da vida dos trabalhadores e trabalhadoras, para, assim, dirimirmos criticamente as mais variadas questões ambientais trabalhistas. Todos os aspectos que envolvem esse desafio serão avaliados e colocados em confronto com a realidade empírica, sabendo, de antemão, que muitos elementos desta proposta poderão estar em fatos subliminares, ou seja, dentro de um contexto em que a informação não poderá ser captada literalmente pelo observador. Nosso pesquisar, em síntese, será científico, visto que considerará os fenômenos jurídicos e políticos que produzirão um “pensar científico”. Todas as conexões entre meio ambiente e atividade laboral serão consideradas, pois acreditamos que este caminho revelará um resultado próximo da realidade empírica e oferecerá subsídio para uma nova forma de pensar e agir no âmbito jurídico-laboral. Utilizaremos o método indutivo, haja vista que partindo de dados ou observações particulares, poderemos chegar a uma proposição geral. Certamente estaremos prontos a produzir críticas ao sistema positivista, pois não teremos como verdade as aparências dos fatos. Nossa aproximação com o objeto da pesquisa se dará através de uma abordagem dialética, o que significa dizer que permanentemente confrontaremos tese e antítese em busca novas sínteses. 16

Importa destacar que o materialismo dialético é a única corrente de interpretação dos fenômenos sociais que apresenta princípios, leis, e categorias de análise. Isto nos obrigará a encontrar, nas contradições e fissuras do ordenamento, os fundamentos da substituição do velho pelo novo. Na análise dos dados obtidos na pesquisa de fontes primárias e secundárias faremos observações históricas e de conteúdo, sendo considerados, ainda, os dados estatísticos oficiais, a legislação e a doutrina produzidos no Brasil nos últimos anos. 7 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 7.1 - No primeiro passo serão coletados elementos acerca da legislação material e processual trabalhista brasileira. 7.2 - Após, serão colhidas por via de pesquisa bibliográfica, as diretrizes da doutrina material e processual trabalhista acerca do tema. 7.3 - Na seqüência, serão estudadas ações judiciais ajuizadas perante o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região nos últimos cinco anos. 7.4 - Outrossim, com base em índices estatísticos oficiais, serão catalogados dados relativos à ocorrência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais no Brasil, para que seja aferida a eficiência do sistema brasileiro de inibição dos mencionados problemas. 7.5 – A pesquisa será diretamente realizada nas fontes legislativas, doutrinárias, jurisprudenciais e estatísticas, bem como no contato direto com os juizes e servidores do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região. 7.6 - A análise dos dados será realizada dentro da perspectiva crítico-qualitativa. 7.7 – Em tal diapasão, faremos uma análise quantitativa do número de ações totais ajuizadas nos últimos cinco anos no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, com a indicação comparativa do número de demandas que versaram sobre jurisdição individual e jurisdição coletiva. Ao depois quantificaremos, quanto a estas últimas (ações de jurisdição coletiva), aquelas que versaram sobre direito ambiental do trabalho.

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8 – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES CRONOGRAMA DE ATIVIDADES 2010 2011 Trimestre Trimestre 1º 2º 3º 4º 1º 2º 3º 4º X X X X X Pesquisa Documental Qualificação do Projeto Análise Dados Revisão Geral Dados Coletados Sistematizaçã o Definitiva Dados Redação Tese X Defesa REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Direito e processo - influência do direito material sobre o processo. 5ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009. 2. OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidentes do trabalho ou doença ocupacional. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2005. 3. RODRIGUES, Marcelo Abelha. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. 4. GIGLIO, Wagner Drdla. Direito processual do trabalho. 10ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1997. 18 X X X X X X X X X X

Atividades

Revisão Bibliográfica

5. MARINONI, Luiz Guilherme Marinoni. Tutela específica - arts. 461, CPC e 84, CDC. 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001. 6. CESÁRIO, João Humberto. A tutela processual mandamental como fator de promoção do equilíbrio ambiental trabalhista. In: CESARIO, JOÃO HUMBERTO (org). Justiça do trabalho e dignidade da pessoa humana - algumas relações dos direitos ambiental, civil, eleitoral e processual com o direito do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2007. 7. RODRIGUES, Marcelo Abelha. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. 8. MARINONI, Luiz Guilherme Marinoni. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000. 9. MARX, Karl. O capital (Edição resumida por Julian BORCHARDT). 7ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1982. 10. OLIVEIRA, Sebastião Geraldo. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr, 2010. 11. OLIVEIRA, Sebastião Geraldo. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr, 2010. 12. OLIVEIRA, Sebastião Geraldo. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr, 2010. 13. ARAGÃO, Egas Dirceu Moniz de. In MARINONI, Luiz Guilherme Marinoni. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000. BIBLIOGRAFIA ANDRADE, Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para cursos de pósgraduação: noções práticas. 7ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2008. ARENHART, Sérgio Cruz. Perfis da tutela inibitória coletiva. 1ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. BARROS, Alice Monteiro de. Compêndio de direito processual do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 1998. BATALHA, Wilson de Souza Campos. Tratado de direito judiciário do trabalho. 2ª ed. São Paulo: LTr, 1985.

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BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Direito e processo – influência do direito material sobre o processo. 5ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009. ________. Efetividade do processo e técnica processual. 2ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. BRANDÃO, Cláudio. Acidente do trabalho e responsabilidade civil do empregador. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2006. CESÁRIO, João Humberto et al. Justiça do Trabalho e dignidade da pessoa humana algumas relações dos direitos ambiental, civil, eleitoral e processual com o direito do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2007. CESÁRIO, João Humberto. Provas e recursos no processo do Trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2010. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional ambiental brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Saravaia, 2008. COSTA, Coqueijo. Direito processual do trabalho. 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003. DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 20097. FAVA, Marcos Neves. Ação civil pública trabalhista. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2005. FIGUEIREDO, Guilherme José Purvin de. Direito ambiental e a saúde dos trabalhadores. 2ª ed. São Paulo: LTr, 2007. GIGLIO, Wagner. Direito processual do trabalho. 10ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997. GOMEZ, Diego J. Duquelsky. Entre a lei e o direito. 1ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 2ª ed., São Paulo: LTr, 2004. MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. ________. Tutela específica – arts. 461, CPC e 84, CDC. 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.

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________. Técnica processual e tutela dos direitos. 1ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. ________. Teoria geral do processo. 1ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho. 17ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARX, Karl. O capital – edição resumida por Julian Borchardt. 7ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1982. MELO, Raimundo Simão de. Ação civil pública na Justiça do Trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2002. ________. Direito ambiental do trabalho e a saúde do trabalhador. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2004. MELO, Sandro Nahmias. Meio ambiente do trabalho: direito fundamental. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2001. OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações por acidente do trabalho ou doença ocupacional. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2005. ________. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr, 2010. PADILHA, Norma Sueli. Colisão de direitos metaindividuais e a decisão judicial. 1ª ed. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 2006. PES, João Hélio Ferreira et al. Direito ambiental contemporâneo: prevenção e precaução. 1ª ed. Curitiba: Juruá, 2009. PINTO, José Augusto Rodrigues. Processo trabalhista de conhecimento. 4ª ed. São Paulo: LTr, 1998. POZZOLO, Paulo Ricardo. Ação inibitória no processo do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2001. RIBEIRO JÚNIOR, José Hortêncio et al. Ação coletiva na visão de juízes e procuradores do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2006. RODRIGUES, Marcelo Abelha. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. ROSSIT, Liliana Allodi. O Meio Ambiente de Trabalho no Direito Ambiental Brasileiro. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2001. SAAD, Eduardo Gabriel et al. Direito processual do trabalho. 4ª ed. São Paulo: LTr, 2004. 21

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais. 8ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. ________. Eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. SILVA, Marcello Ribeiro. Ação civil pública e o processo trabalho. 1ª ed. Ribeirão Preto: Nacional de Direito, 2001. SOARES, Evanna. Ação ambiental trabalhista. 1ª ed. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 2004. SUSSEKIND, Arnaldo et al. Instituições de direito do trabalho. 21ª ed., São Paulo: LTr, 2004. WITKER, Jorge. Como elaborar una tesis em derecho: pautas metodologicas y tecnicas para el estudiante o investigador del derecho. 1ª ed., Madri: Civitas, 1986.

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