N e w s l e t t er

de

D er m e v a l

Franco

Insight
Número 4—Julho de 2010

A era da informação veio com tudo para deixar os seres humanos sintonizados, interligados e conectados ao mundo. Mas também angustiados e, por vezes, doentes. Precisamos nos desligar do supérfluo e sintonizar-se com o que é de fato importante.

Tecnoangústia ou falta de nexo? A Gestão da atenção em nossas vidas.
era da informação veio com tudo para deixar os seres humanos sintonizados, interligados e conectados ao mundo. Mas também angustiados e, por vezes, doentes. Precisamos nos desligar do supérfluo e sintonizar-se com o que é de fato importante. Aumentamos a velocidade nas decisões, nas escolhas e hoje não conseguimos viver sem o computador, o celular e a internet. Sentimo-nos aleijados se deixamos o celular em casa. Uma revolução de 20 anos foi capaz de afetar radicalmente a nossa maneira de viver. Ganhamos tempo e produtividade com a tecnologia da informação e com a globalização, mas perdemos algo nessa relação. O senso e a coerência e, quem sabe, o nexo das correlações entre os eventos. Desejamos tudo agora! Impacientamo-nos com o processar do computador, com a espera na linha telefônica, com alguns metros de engarrafamento. Este é o preço da complexidade do mundo moderno. No trabalho, se há alguns anos tínhamos trinta pessoas fazendo uma tarefa, hoje temos cinco. A tecnologia da informação proporcionou às empresas ganhos de produtividade jamais vista. Agora, todo o trabalho braçal de somar, dividir, multiplicar e subtrair – para ser mais simples fica a cargo de sistemas informatizados. Aquele indivíduo que fazia o controle de estoque na ponta do lápis agora faz o seu controle em um SISTEMA. Ele – o sistema

A

- passou a ser tão importante, que o cliente já não questiona quando o Atendente diz: “- Desculpe-me Senhor, mas o sistema está fora do ar!” Viramos reféns do SISTEMA! Imagine se um dia tivermos uma pane global de satélites por alguma interferência alienígena ou um ataque terrorista? O mundo pára. Caos! Quando valorizamos a tecnologia em detrimento das relações pessoais, perdemos o bom senso e o humanismo. Tornamos-nos reféns da tecnologia: - “Eu quero aquele modelo de notebook que vi ontem na televisão! - Como? Já saiu de linha?” A obsolescência de produtos aliada à queda contínua dos preços e de facilidades de pagamento, funciona como ópio para consumidores ávidos por novidades fresquinhas. Nada contra o consumo desde que seja consciente. Porém, ainda estamos distantes dessa clareza de consciência. As pessoas vão continuar consumindo o que é despejado no mercado – com qualidade ou não – movidas pela propaganda cada vez mais especializada em criar necessidades supérfluas de consumo. Bem-vindos a era do consumismo! A hipervelocidade e o excesso informacional interfere na vida e na saúde psíquica das pessoas. A necessidade de “estar ligado” faz com que antes de tomarmos o café da manhã, a primeira coisa que fazemos é ligar o computador para ver os emails. Somos reféns e estamos assober-

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bados pela quantidade de informações recebidas. A conseqüência disso são os sintomas cada vez mais freqüentes nas pessoas: (1) Incapacidade de tomar decisões ou de resolver problemas; (2) Irritabilidade e raiva; (3) Dores no estômago e nos músculos; (4) Sentimentos de desânimo e desamparo; (5) Insônia, depressão; (6) Cansaço físico e mental; (7) Perda de energia e de entusiasmo. Sofremos da síndrome do déficit de atenção. O que fazemos com o excesso de informações? Guardamos em nossa lixeira psíquica? Fazemos back-up de coisas irrelevantes? Utilizamos uma rede de proteção para barrar o lixo informacional que cai em nosso repositório cerebral? Quais fontes nós podemos confiar, sem correr o risco de tomar decisões erradas? As perguntas não se esgotam. Está na hora das pessoas usarem dispositivos de proteção da atenção para “dessintonizar” – ou seja, para pensar, refletir, analisar as conseqüências de todas as informações recebidas. Nesse mundo desco(nexo), precisamos criar mecanismos de auto-proteção para que não nos sintamos prejudicados. Diante desse cenário desconfortável, devemos perguntar diariamente se isto ou aquilo faz sentido para as nossas vidas e, - claro! - para o nosso trabalho. É como se colocássemos um filtro (auditivo e visual – primordialmente) em nossa “caixa de entrada” para selecionar o que serve ou não para nós. O que está de acordo com o nosso “perfil” social, comportamental, econômico, político, de gostos, hábitos e costumes. No mundo virtual, o uso das redes sociais, da aproximação das pessoas por interesses ou afinidades, parece ser uma ideia interessante para mitigar os riscos do excesso, frustração e perda do senso de

realidade. O fato de obter depoimentos, testemunhos, solicitar sugestões, conversar com as pessoas, selecionar os relacionamentos, aprender a ler as conexões manifestas ou ocultas que existem entre coisas e pessoas, são atitudes saudáveis na mudança de época que vivemos. A capacidade de selecionar o que é importante nesse “mundo complexo”, obriga-nos a enxergar além das fronteiras, utilizar fortemente a intuição e deixar sempre o “desconfiômetro” ligado. São habilidades que podem e devem ser desenvolvidas em prol da saúde mental. O nosso esforço será o de dedicar mais atenção à realidade que nos cerca e estabelecer focos de interesses claros e objetivos, para que não nos percamos nesse oceano de estímulos a que somos expostos diariamente. Portanto, esforcemo-nos para encontrar o sentido das coisas. Aquilo que “tem nexo” para as nossas vidas, sabendo que não nos livraremos da complexidade – ela está instalada e é caótica –. Mas possivelmente tornaremos as nossas vidas um pouco mais simples e menos confusa.

A capacidade de selecionar o que é importante nesse “mundo complexo”, obriga -nos a enxergar além das fronteiras, utilizar fortemente a intuição e deixar sempre o “desconfiômetro” ligado.

Dermeval Franco – Administrador com pós-graduação em Marketing. Educador e consultor organizacional em Estratégia, Recursos Humanos e Liderança. Autor do livro “As Pessoas em Primeiro Lugar – Como Promover o Alinhamento de Pessoas, Desempenho e Resultados em Tempos Turbulentos” – Editora Qualitymark – 2003.

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