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4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural

   

labrys,estudos feministas

número 3, janeiro/ julho 2003

 

Trauma coletivo e troca transcultural
E. Ann Kaplan

Tradução: Tania Navarro­Swain

Resumo

Neste ensaio, utilizo o conceito de trauma para referir-me a acontecimentos tão
espantosos  que é impossível interpretá-los. Meu pressuposto  é que as sociedades,
assim como os indivíduos, podem ser traumatizados . É preciso estudar suas operações
psicológicas, se quisermos ter uma vida mais pacífica. Escolhi ,como exemplo disto, 
entre várias possibilidades, o estado colonial assim como foi representado pela artista
australiana Tracey Moffatt, em sua foto-série, Laudanum (1998). Interessa-me a
ambivalência das relações sexuais coloniais como Moffatt as representa, neste nosso
período pós-colonial. Moffatt reflete sobre o choque psicológico do colonialismo e 
traços presentes nos fantasmas sexuais. Ela mostra que a lei contra a troca
transcultural produz, paradoxalmente, desejos repletos de prazer que a lei pretende
abolir. Em minhas pesquisas, pretendo detectar os modelos de troca transcultural que
incluem reparação e a possibilidade de vivenciá-la como uma dor.

Palavras-chave: trauma, colonialismo, troca transcultural, fantasmas sexuais.

 

Hoje é quase um clichê dizer que vivemos em uma
época complexa devido a problemas relativos à imigração,
às viagens internacionais, à pobreza, à esperança de uma
vida melhor, à leis e políticas opressivas, etc. A
comunicação torna­se cada vez mais difícil entre os
indivíduos de culturas diferentes. Em lugar de uma troca
produtiva, observamos uma pane de transmissão, ou uma
anti­transmissão, ou ainda, como pretendo discutir,
relações sexuais ditas “ perversas”. Vivenciamos um ódio,
uma intolerância crescente entre as raças,  que chamamos
em inglês “ethnic cleansing”. Os atos terríveis
perpetrados em 11 de setembro de 2001 por terroristas, em
Nova Iorque e Washington, testemunham que o ódio religioso
e cultural atingiu níveis intoleráveis.

            O que costumamos chamar de
“Postcolonial Studies”, nos Estados Unidos, consiste em um

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esforço de colaboração com a finalidade  de estudar este
ódio, a injustiça e todas as formas de dominação mundial.
Queremos compreender o colonialismo através de seus
efeitos, seus traços no presente. Com este objetivo,
empregamos diversos métodos de pesquisa.

            Meu método, como indico no título
acima, resulta do interesse que tenho no traumatismo.
Emprego este conceito de trauma para referir­me a
acontecimentos tão aterradores que não conseguimos
processa­los. Em inglês dizemos que é impossível “to
process the information cognitively”, ou seja, tratar a
informação pelo conhecimento. Assim, haveria uma resposta
atrasada, uma resposta corporal, tomando a forma de
alucinações, de pesadelos, de imagens repetidas, fobias ou
de uma conduta estranha. Isto significa que há, uma pane
de transmissão entre as pessoas de grupos diferentes e ao
mesmo tempo, a aparição de  formas e fantasmas de
transmissão complexas que o trauma e as estruturas
coloniais produzem.

Mas, como já observei em trabalhos precedentes
(Kaplan 2001a, 2001b), as sociedades também são capazes de
sofrer traumatismos. Poderiam, talvez, esquecer os
acontecimentos terríveis ou catastróficos do passado.
Estes atos, porém, deixam seus signos nos sintomas
culturais, semelhantes aos que atingem os indivíduos. 
Utilizando as teorias do trauma para estudar estas panes
de transmissão, a anti­transmissão cultural, procuro ir
além dos métods da história, da política ou da economia. É
preciso igualmente estudar as operações psicológicas se as
pessoas buscam viver em paz. E é justamente a psicologia
da transmissão (ou da pane de transmissão) que me
interessa especialmente.

            É evidente que neste  contexto, de um
estado colonial, a troca transcultural era traumática –
para os indígenas, evidentemente, mas também para os
indivíduos de raça branca. É o que Frantz Fanon descreve
em seu livro The Wretched of the Earth ﴾1963﴿, a respeito
de seu trabalho com os doentes na Argélia colonial. Os
franceses, assim como as vítimas argelinas, sofriam os
sintomas do traumatismo.

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Isto significa que estamos agora capacitadas para analisar não somente o choque psicológico da colonização. mas igualmente os desejos sexuais que as estruturas do colonialismo produzem. as roupas. para reproduzi­los no presente. 2003). observamos o fenômeno denominado em inglês “mimicry” – mímica – ou “going native” (indigenização). assim. que discuti em outros textos (Kaplan. pelas artistas que criam objetos de arte para expressar seus desejos. há pane de transmissão. que os dominam. pois o traumatismo histórico produz um vazio que impede a aproximação.             A maior parte dos indígenas bloqueia a transmissão por causa da  destruição traumática de sua cultura e modo de vida. 1997. Mas para certos colonizadores e suas vítimas. É como se estivessem habitados pelo passado colonial. nos estudos sobre o pós­ colonialismo.br/labrys3/web/bras/kaplan1. estuda­se as pessoas que funcionam como tradutores de uma cultura para outra. Interesso­me.             O termo «mimicry» é utilizado quando um dos indivíduos colonizados imita o estilo. os hábitos dos colonizadores; “indigenização” seria o caso de um dos colonizadores tomar a forma do Aborígine. pelo traumatismo deste tempo https://www.htm 3/28 . há anti­transmissão. ser como ele . apropriando­se de seu corpo. várias teorias para explicar este fenômeno. Isto oferece uma esperança de comunicação entre grupos diversos e é uma teoria mais otimista. suas atividades têm estranhos efeitos sobre sua maneira de agir.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural             A troca transcultural é problemática.labrys.  e mais recentemente.net.             Mas aqui me debruço sobre a ambivalência das relações sexuais coloniais – uma ambivalência que subsiste ainda no período pós­colonial. Talvez por culpabilidade. utiliza­se o conceito de “afrontamento” do qual fala Lyotard e que sugere a impossibilidade de conhecimento do Outro; por outro. Por um lado. que querem sua terra. Quanto aos colonizadores. Como é possível que um grupo de indivíduos mantenha relações com outro grupo que o oprime? Quando um ferimento irrecuperável existe entre estes grupos? Neste caso.             Encontramos.

 mas Moffatt encena dois modos de contacto traumático colonial. O projeto de Moffatt torna mais complexos os modelos. https://www.             As relações sexuais ambivalentes (Bhabha. ( Young.net. 1983. com uma série de fotografias impressionantes. representando tal ambivalência e os fantasmas de desejos anormais (não quero dizer “perversos”) que as estruturas coloniais produzem.             Entre estas duas teorias e estes dois tipos de relações coloniais. Nesta obra. a ambivalência de relações coloniais que tomam. no contexto do imaginário nacional da Austrália pós­colonial. 1984) em um estado colonial são talvez mais difíceis de ser confrontadas. afastando­as de suas famílias. muitas vezes. que subsiste ainda no inconsciente do indivíduo.br/labrys3/web/bras/kaplan1. que apontamos acima.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural passado. Uma mulher indígena criada por brancos. falei sobre o filme de Moffatt.             Em uma conferência realizada em Paris. “Night Cries”. que Moffatt realizou em 1998. Analiso aqui as imagens destas relações como são apresentadas por uma artista pós­ colonial. Neste trabalho. há um terceiro fenômeno que Hommi Bhabba estudou. analiso o texto “Laudamum”. Tracey Mofatt. a “mimicry” e a “indigenização”.labrys. 1995) Representa estes desejos ambivalentes talvez por vingança em relação aos crimes cometidos contra suas ancestrais.htm 4/28 . uma forma sexual. talvez para satisfazer seus próprios fantasmas sexuais ou ainda pelo prazer dos espectadores de imagens. Todas as formas de fantasmas sexuais resultam desta situação. Moffat está bem situada para refletir sobre o choque psicológico do colonialismo e seus os traços persistentes nos fantasmas sexuais do presente. ou seja. Moffatt medita sobre as rudes provas das jovens mulheres aborígines retiradas de suas famílias e obrigadas a servir como domésticas nas casas de estilo vitoriano em Sydney e em outras cidades.  Moffatt mostra que o inconsciente dos indivíduos brancos e aborígines da Austrália está povoado pelos fantasmas do rapto legal (“como a lei o exige”) de crianças. Os sintomas revelam­se nas imagens assim produzidas. dentro do quadro das cruéis leis australianas.

 O grandioso arco das escadas da casa vitoriana recorta a silhueta da senhora que acaba de desce­la. Os cabelos da senhora estão agora desfeitos e a doméstica. sugerem que as duas mulheres sentem um orgasmo. tal como descrita por Hegel. ordenada pelo colonialismo. esfregando­o com uma escova. abotoado até o pescoço. Metaforicamente. senhora em sua casa.             A primeira imagem mostra a relação hierárquica que existe entre a senhora e a doméstica. apresenta uma relação claramente escolhida. Seus cabelos estão presos e levantados.br/labrys3/web/bras/kaplan1. semelhante às drogas. que seria a doméstica ou que. segundo um esquema sadomasoquista. Neste momento. mas de uma maneira talvez paródica. É um desafio à troca transcultural fixa. Moffatt parece dizer que as relações coloniais são como uma intoxicação. Ao mesmo tempo. As imagens que nos apresenta acentuam a sexualidade fatal nas relações coloniais. Mas com certeza tudo é colocado em cena de maneira deliberada e  executada deliberadamente para dar uma visão das eventuais  relações que talvez tenham existido historicamente. Moffatt mostra como a relação hierárquica é de necessidade sexual e produz um desejo que transgride a ordem dominante e que é condenado por esta mesma ordem. claramente recíprocos ( talvez estimulados por drogas) com uma outra mulher. Em algumas imagens. ela está com um vestido longo. ainda que seus corpos não tenham um real contacto.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural             As fotos mostram uma mulher da época vitoriana. que entra em uma série de atos sexuais. a doméstica está curvada sobre o chão. no sentido em que as imagens tratam do desejo colonial ou da ambivalência destas relações. nua. evidentemente cheia de prazer.             As imagens seguintes. Aqui. Um balde a sua frente.net. fosse a criada da senhora. Na mesma cena. A doméstica não é aborígine.htm 5/28 . Moffatt usa deliberadamente a teoria freudiana da criança que tenta olhar pelo buraco da https://www.labrys. a/o expectadora/or torna­seum voyeur. talvez. é uma relação de senhora/ doméstica que é raramente representada. mas parece ser asiática ou mestiça. Moffatt cria intencionalmente uma atmosfera duvidosa. especialmente em uma relação  mestre­escravo. A significação da série não é clara.

 Suas mãos parecem lanças. ela parece ter se tornado uma personagem ameaçadora e de influência nefasta. ela está de pé em uma escada que se esvaece.             Várias imagens do exterior ameaçador são repetidas. A forma do corpo aqui sugere que Moffatt faz alusão ao famoso quadro “Olympia” de Edouard Manet.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural fechadura. Mas agora ela tem um ar de monstro. de modo violento e sadomasoquista. A senhora demonstra prazer na abjeção da serva.             Mas estas imagens cruéis são entrecortadas de belas imagens da doméstica nua e adormecida. enquanto o corpo da senhora é totalmente negro.labrys. como sugerimos acima.htm 6/28 .br/labrys3/web/bras/kaplan1. uma alusão. “Black Olympia” (1984). Este tema da casa assombrada e dos fantasmas que a ocupam é importante no projeto de Moffatt.             A relação entre a senhora e sua empregada começa naturalmente a se desenvolver após uma discussão entre as protagonistas. A senhora cuida do ferimento causado. a partir do exterior da casa.   Em outra imagem a senhora – vestida agora e com os cabelos novamente presos – parece chorar ao lado de sua serva. Caçoa dela. https://www. querendo talvez agradar a senhora. oferece­lhe uma flor de um vaso que se quebrara durante a briga. desta vez. Ela torce ligeiramente o braço da doméstica. empurrando a cabeça da doméstica para a mesa. como se a tomada viesse de um espelho deformante. Uma tomada ameaçadora. sob a forma de uma silhueta negra. feito em 1863 (e talvez refira­se também ao quadro de Jean­ Michel Basquiat. também. quando a doméstica nua. Lembramos dos filmes “noirs” quando vemos o corrimão da escada desenhando­se sobre as paredes brancas. que ironiza a imagem de Manet à sua maneira[1]). é seguida por uma imagem cortada da senhora. A tomada do exterior é seguida por imagens da senhora subindo a escada. corta­lhe os cabelos. Mas sua magem assustadora.net. É como se a casa representasse o estado colonialista e a Austrália tomada pelas lembranças desagradáveis daquele tempo. A casa parece assombrada. Há aí. talvez ao quadro de Manet[2]. é repetida após esta cena e.

 assim. que a posição da senhora começa a ruir. que é preciso lembrar. com a diferença de que agora a senhora está seminua. A tomada seguinte sugere uma personagem situada lá fora. a moça escrava assassinada volta para assombrar sua mãe. a transmissão bloqueada pela violência colonialista. no presente.             Laudanum evoca de maneira poderosa as relações traumáticas de troca transcultural: Moffatt descreve.             Podemos pensar.br/labrys3/web/bras/kaplan1. Estas imagens de Moffatt sugerem. sombrio. um desejo de reparação. Moffatt lembra­nos o interesse constante de tais https://www. A pane de transmissão. das “injustiças passadas”. enquanto a doméstica olha pela janela. A imagem do balde e da doméstica que estavam no início da série é substituída por um travesseiro no chão. proibido entre raças diferentes. ela se mostra em roupas íntimas. uma mulher caribenha que o mestre inglês havia trazido. a senhora é tomada de loucura. Agora.net. Em seguida. caída no chão da escadaria que havia descido anteriormente.labrys. a ambivalência das relações que assombram o inconsciente australiano. Em uma imagem. A senhora está louca e a doméstica parece haver saído. podemos pensar agora em Beloved. entretanto. Se lembrarmos Jane Eyre. sugere a casa assombrada. As esplêndidas imagens oferecidas por Moffat funcionam como uma escapatória para os desejos (ditos perversos). Assistimos. de maneira vivaz. A doméstica foge e o travesseiro marca sua posição anterior; a senhora está acabada. esconde e produz desejos perversos – perversos pois são interditos. criados pela estrutura colonial. assim. Neste romance. mas não é necessário que esteja claro. com seu aspecto cinza e nevoento.  A última imagem repete a mise­em­scène inicial da foto­série. talvez? Agora é a senhora que passa a roupa e a empregada está sentada no chão. Faz­nos pensar em Jane Eyre[3] e  na mulher louca que habita o sótão da casa. A atmosfera das imagens. de Toni Morrison.htm 7/28 . porém. a uma inversão do poder hierárquico do colonialismo. Não está claro. que as imagens exprimem um desejo de familiaridade.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural             Parece. que contempla a janela – o fantasma. a situação está invertida. um passado que não se pode esquecer.

. Fanon.. Trans Constance Farrington. que a lei contra a troca transcultural produz paradoxalmente os desejos que esta mesma lei pretende abolir. (1983. Referências bibliográficas: Bhabha. Frantz.Looking for the Other: Feminism. E. oeste/alhures. indígena/colonizador – e as identidades evidentemente fixas não existam mais (com efeito. _____________. Para isto. Ann.The Wretched of the Earth. apesar do “ créolização” das culturas?                             Como se sabe.             Na troca transcultural. seu charme. 1997. detectar os modelos de troca transcultural. em seguida. Mas antes que cheguemos a isto. New York:             Grove Press Kaplan.labrys. como espero haver indicado. nos é revelada não só nossa cumplicidade com o colonialismo. compreender os desejos que uma tal troca produz e.“Of Mimicry and Man: The Ambivalence of Colonial Discourse.htm 8/28 . há a possibilidade do traumatismo. porque os  conceitos de pureza racial e de uma ordem sexual hierárquica estão enraizados hierarquicamente. https://www.  Na confrontação da maneira como somos todos assombrados pelas relações colonialistas.”             October 28 :125-33.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural relações. é preciso. buscar os meios para avançar as pesquisas.” Screen 24 (6): 18-36. disciplinamos a transmissão cultural desta maneira. lembra­nos. sem cessar. assim como a promessa de um futuro.net.1984 .Homi K. pois.br/labrys3/web/bras/kaplan1. prosseguimos nossas pesquisas: porque as velhas dualidades subsistem na ordem simbólica apesar do hibridismo atual. ainda que atravessadas de traços traumáticos. Mas espero haver levantado a questão. assim. 1963. “The Other Question. Film and the Imperial Gaze. mas igualmente nosso engajamento nos desejos ditos “ perversos”. nós somos todas/os mistas/os). assim. quando as antigas dualidades – branco/negro. que incluem reparação e a possibilidade do luto ocasionado por uma perda. podemos pensar a reparação das injustiças. É preciso primeiro compreender os aspectos traumáticos da troca transcultural. Homi. Bhabha Reconsiders the tereotype      and Colonial Discourse. na análise de Laudanum de Moffatt.

1995. [2] Neste quadro. Outros livros recentes. foi publicada em  2000. em co-edição: Academic Feminists in Dialogue and Playing Dolly: Technocultural Fantasies and Fictions of Assisted Reproduction.labrys.  Uma antologia . Memory. Film and the Imperial Gaze." Forthcoming in E.estudos feministas número 3. e mais recentemente. 1998). 2003.  Looking for the Other: Feminism. a doméstica negra oferece flores à senhora. Robert. onde fundou e dirige o The Humanities Institute. "Traumatic Contact Zones and Embodied Translators (With             Reference to Select Australian Texts. Moffatt parece interrogar estas relações. [1] Muita tinta correu a respeito deste quadro.Colonial Desire: Hybridity in Theory. indicamos Women in Film: Both Sides of the Camera.br/labrys3/web/bras/kaplan1. janeiro/ julho 2003   A História e a crítica de arte no crivo dos feminismos  https://www. que sorri.Trauma and Cinema: Cross-Cultural Explorations. Motherhood and Representation.net. Feminism and Film. [3] Romance escrito por Emily Bronte-NT   labrys. Ann Kaplan é professora de Inglês e Literatura comparada na SUNY Stony Brook.htm 9/28 .  Novo livro em preparação: Sharing Trauma and Witnessing: Performance. New York  and London Dados biográficos: E. pós-modernismo e pós- colonialismo. Elas sugerem a possibilidade de relações sexuais entre a senhora e sua serva. Entre alguns de seus livros.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural             New York and London: Routledge _____________. ignorada pela maior parte dos críticos. Kaplan escreveu muitos livros e artigos sobre Estudos sobre as Mulheres na Literatura e na Mídia e Estudos Culturais  Suas perspectivas incluem feminismo. mas apenas as intelectuais feministas interessaram-se pela doméstica africana. evocando suas complexidades e iluminando aspectos que Manet não teria mostrado. Culture and Race. Ann Kaplan and             Ban Wang. Women in Film Noir (1978.  e um novo livro co-editado está no prelo: Trauma and Cinema: Cross-Cultural Explorations. psicanálise. Rocking Around the Clock. Eds. Hong                Kong: Hong Kong University Press Young.

labrys. transformando-a. Mieke Bal preenche os vazios que permeiam os discursos dominantes e encontra. nas obras de artistas masculinos. 1993: 202­203; sublinhado por mim﴿    Neste extrato de um texto célebre. Enfim. têm em comum a proposição de novas abordagens teóricas. a fim de repensar o discurso sobre as artes. singular: Griselda Pollock decifra. nestas obras de mulheres.net. saberes e engajamentos feministas. ou seja. ﴾Nochlin. a experiência reprimida das mulheres. forneceria um modelo aos outros tipos de questionamentos internos e se ligariam. de maneira profética. marginal. de maneira radical.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural Nadine Plateau Tradução: Carolina Noura e tania navarro swain Resumo Os três textos. suas autoras fazem emergir novas figurações suscetíveis de pressionar. então. os traços de um sujeito produtor de cultura. por meio de outras abordagens radicais.deste modo. entretanto. Cada uma destas leituras é. acrescenta uma diferença ao cyberfeminismo. À busca de significantes capazes de liberar o imaginário coletivo do todo-poderoso falo e mobilizando. a mencionada questão das mulheres poderia vir a ser um catalisador. Era 1971. ridiculamente regional . as únicas capazes de exprimir as mulheres e dar existência às suas obras no espaço da cultura. A cólera https://www. por sua vez. menor. feminismo. apresentados neste artigo. Palavras­chave: arte. uma ferramenta intelectual que permitiria verificar os pressupostos << naturais >>. a historiadora de arte Linda Nochlin esboça. de uma estratégia de visibilidade e de  uma posição crítica. cyberfeminismo   Em lugar de aparecer como um sub­problema. que aparece em uma revista de arte americana de avant­garde. crítica.br/labrys3/web/bras/kaplan1. a ordem patriarcal e os discursos que a legitimavam. enxertado eem uma disciplina séria e já estabelecida. ao mesmo tempo. Rosi Braidotti. Os movimentos  das mulheres sacudiam. o que os códigos dominantes ocultam. estas três teóricas testemunham uma insistente tática sobre “o feminino” que procede. o mundo ocidental por questionar. o que  se revelaria como o projeto mais fecundo das reflexões feministas no campo das artes plásticas.htm 10/28 .. por sua vez aos modelos existentes em outros domínios.

 não parecem ter notado as reflexões feministas como mostra a quase inexistente referências bibliográficas a autoras. Os textos do catálogo. que a linguagem das mulheres padece. de que  esta porcentagem não corresponde à participação crescente de artistas mulheres no âmbito das artes. libertá­lo das representações fixas e constrangedoras do feminino. representante  desta manifestação. é esta que hoje ainda afasta  as mulheres do poder de formular com os homens os discursos sobre as artes. A exposição contava com cerca de 1/4 de artistas mulheres. em uma entrevista concedida à Art Press.labrys. algumas delas bem visíveis. no Fredericarium.  trinta anos mais tarde. parece­me significativo neste sentido. A partir daí. percebido como um espaço de codificação da diferença sexual e assim uma questão para a liberação  das Descolonizar o olhar. Encontramo­nos agora. No entanto. na Alemanha.  não cessam de desenvolver as críticas e as análises do duplo sexismo do mundo da arte e dos discursos sobre a arte. inventar novas histórias para contar as mulheres: tais eram os sonhos das pioneiras. com a ressalva. . das quais conhecemos apenas aquelas desenvolvidas nos países anglo­saxões ou traduzidas em inglês.  e mesmo em destaque.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural feminista não poderia evitar o ataque ao o domínio da cultura. 1992:14). por outro lado. mas da recepção” notava Françoise Collin (Collin. as histórias e as críticas de arte feministas.htm 11/28 . referindo­se apenas à produção masculina. a impressionante produção feminista pouco influenciou os saberes constituídos.  O acontecimento artístico internacional que marcou o ano de 2002. e este é o momento  de constatar que . Okwui Enwezor.br/labrys3/web/bras/kaplan1. a Documenta XI  em Kassel. afirmava se interessar “às novas interpretações das condições de produção dos discursos artísticos” e também querer “ quebrar a armadura do discurso globalizante.net. como por exemplo. desde os anos sessenta. A exclusão mais tenaz e a mais sutil também. no entanto.   “Não é do lado da emissão. liberar o imaginário. Isto constitui certamente um progresso em relação aos primeiros Documentas. se é aceita a existência de um problema sociológico de sub­ representação das mulheres no mundo das artes. acrescentado numerosos interlocutores e criando as condições de um novo espaço https://www.

 engajaram­se em um combate que se quer útil às mulheres. 2001:20). para elas. este será o ponto de vista que eu defenderei aqui: a “questão das mulheres”. É apenas seguindo­se esta exigência que a questão pode nutrir a reflexão e passar ao crivo as disciplinas  que têm por objeto de estudo as artes plásticas. mas também de criar espaços de liberdade para as mulheres. de desmistificar os discursos. Tomando de empréstimo  ao filósofo inglês J. as mulheres não estavam mais “off the record”. a denúncia da opressão e da exploração das mulheres [em suas materialidades]. a priori suscetível de se interessar às novas formas de crítica. infelizmente. Este texto ilustra. sob a condição. 2002:25). https://www. como desejava Linda Nochlin. este desejo de querer mudar o mundo.labrys. a política. cujos escritos constituem hoje as matrizes disciplinares feministas domínio. (Griffin. bem até demais as dificuldades para  um intelectual. não se produziu. No entanto. porém. ou seja. As historiadoras e críticas em artes plásticas. de  destruir os preconceitos.pois o domínio das artes contemporâneas havia sido ampliado pela  integração de temas e formas de produções culturais é pouco presentes neste campo até aquele momento (o quotidiano. Mas a mudança de paradigma.br/labrys3/web/bras/kaplan1.htm 12/28 . (Phelan. Declarações estas desmentidas por sua contribuição ao catálogo da manifestação.net. Austin a idéia de “perfomative speech act”. como nos primeiros momentos.  de não renunciar ao que  é o fundamento dos feminismos. Em Kassel. reais. o documentário). de de integrar as teorias feministas à sua reflexão . Tratava­se. de defazer as barreiras. Peggy Phelan notava que a crítica de arte feminista  funciona como um  enunciado performativo. como uma declaração que supõe no mínimo uma vontade de produzir efeitos. rebatizada  em função das diversas vinculações políticas e filiações intelectuais.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural formal de produção”. dizendo. por mais modesto que seja o nível de intervenção. de fazer.L. permanece. e a luta pela sua liberação. potencialmente revolucionária. como vinte anos antes. É este senso de responsabilidade política em relação às  mulheres. que partilham os três textos que analisaremos.

 para acolher a contribuição das mulheres. o empreendimento  daquelas e daqueles que querem ampliar o discurso (Broude & Garrard. escrito com Roszika Parker (Parker & Pollock.net. permitindo as artes e os discursos produzidos sobre elas. isto é.  de conquistar um espaço qualificado como ideológico. 1992).  radicalmente da maioria das pesquisas feministas anteriores e mesmo contemporâneas. Estas tomavam por objeto as mulheres artistas . então. 1981). sempre é. retraçavam suas vidas e descreviam suas obras. 1981:169; minha tradução). Roszika Parker e Griselda Pollock proclamam a necessidade de criticar a exclusão das mulheres da história da arte “ enquanto prática ideológica institucionalizada. nem o impacto sobre o grande público. entretanto.br/labrys3/web/bras/kaplan1. Já em  seus primeiros trabalhos. Criticar o inventário dos/das grandes artistas (Broude & Garrard. destacava­se . grande arte. corrigir a história da arte. de maneira exemplar. completar.labrys.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural  Otimistas e positivas. acrescentando­lhe algo. se apoiando­se na iconografia e fazendo uso de conceitos clássicos da história da arte (qualidade. para ela. originalidade. O olhar matricial “Não existe outro lugar fora do espaço do discurso” ﴾Pollock.htm 13/28 . restabelecer uma realidade. 1982). em sua crítica impiedosa ao sexismo de nossa cultura. Frente a esta corrente reformista. fazer recuar suas fronteiras. O já célebre  “Old Mistresses”. seus saberes e seus engajamentos feministas para nos propor novas abordagens. Griselda Pollock. ela escolhe intervir neste terreno. 1996:71﴿. questionar os critérios de julgamento. que contribui à reprodução do sistema social pelas imagens e as interpretações do mundo que oferece (Parker & Pollock. da qual não se pode negligenciar nem a contribuição de novos materiais para reescrever a história. de ocupar. etc. esquecidas ou desconhecidas. Mieke Bal e Rosi Braidotti mobilizam . inovação. A palavra “combate” não é exagerada pois trata­se. https://www. Os discursos sobre as artes são o lugar de combate para Pollock. era.) sem.

 No entanto.net. “ Eu tento produzir um discurso que funciona no interesse das mulheres que vivem sob o signo da posição social e psíquica da feminitude” (Pollock. Excluídas do espaço masculino do flaneur  (o café. Morisot e Cassatt não são pintoras de segunda categoria. assim como as teses pós­modernas influenciadas pela lingüística e pela psicanálise. elas não praticam uma arte “feminina”.  mulheres. o bordel.htm 14/28 . que resultam em https://www. Pollock escolhe dois eixos para examinar o que essas artistas pintam e como elas pintam: o espaço e o olhar.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural Projeto ambicioso. a partir de suas posições femininas e nos espaços confinados que lhe são impostos. legíveis e pertinentes. Assim como seus colegas elas não respeitam a perspectiva clássica mas. o quarto. a rua). 1994:87). o que impõe uma nova abordagem teórica. a sala de jantar. No artigo entitulado “Modernity and the spaces of femininity” (Pollock. seus quadros não sofrem de deficiências. fornecerão as ferramentas críticas indispensáveis. Não. bonita. a varanda) e espaços de lazer burgueses (a calçada. A análise recusa os julgamentos estéticos proferidos sobre suas obras. A historiadora quer tornar as obras das mulheres artistas visíveis. Morisot e Cassatt nos dizem a modernidade em suas obras. a todas as mulheres. a sacada.br/labrys3/web/bras/kaplan1. elas não freqüentavam nenhum dos lugares onde se aprendia as formas de consciência e de representação da modernidade. da mesma maneira que a imensa maioria das mulheres artistas antes delas. ela relê os quadros de Berthe Morisot e Mary Cassatt. a sociologia. fenômenos de compressão e de imediatismo no primeiro plano da tela. íntima. duas pintoras pertencentes ao grupo de impressionistas. o teatro). o bar. há  mais de vinte anos. representam os lugares que lhes eram acessíveis: espaços privados (a sala. pela visão patriarcal que informa as artes e os discursos sobre as artes. criando. 1988). Optando decididamente por um ponto de vista feminista e uma abordagem interdisciplinar complexa.labrys. não. Projeto para o qual a leitura marxista da história social da arte. que mobiliza a história. São duas artistas que. a semiótica e a psicanálise. O engajamento feminista nutre fundamentalmente a reflexão de Pollock. sublinha Pollock. mas na medida dos prejuízos causados às mulheres. por exemplo. à sua maneira.

Pollock compara La loge. a obra não é somente o reflexo ou o produto da diferença sexual. um símbolo que permite dar sentido. a  uma série de elementos ativos no imaginário dos sujeitos mulheres.net. de as “inscrições no feminino”. como os homens. Para esta artista e psicanalista feminista. as mulheres impressionistas produziram. Em uma contribuição intitulada "Inscrições no Feminino "(Pollock. os traços depositados nas obras pelo inconsciente  das artistas. Era preciso. na incontornável necessidade de redefinir a modernidade. então. A este título. ressalta a autora. os elementos não percebidos e indizíveis no discurso patriarcal. onde Renoir oferece uma mulher ao olhar do espectador. mas elas possuem também um olhar diferente de seus contemporâneos.htm 15/28 . ela é também o lugar de produção e de negociação desta diferença: Cassat situa em seu quadro uma mulher em posição de sujeito. da mesma maneira que Irigaray e Cixous. mas de transformar este discurso a fim de criar uma outra visão. dar corpo.  Compreende­se o interesse de Pollock por este novo recurso semiótico. para chegar a essa conclusão.  Não somente elas organizam diferentemente o espaço. integrando o olhar das mulheres artistas  na história. 1996). observando ativamente o palco com a ajuda de binóculos. defende a invenção de “novos significantes de maneira a produzir um sistema de significados que permitam ao imaginário feminino e ao simbólico feminino  ser verdadeiramente parte integrante https://www. a cultura na qual vivem. a matriz é um significante igual ao falo. na linguagem. então. posição diferente daquela de objeto que lhe é comumente atribuída pelas obras masculinas.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural pontos de vista inusitado. Não se trata. Assim. a um quadro intitulado A l’opéra.br/labrys3/web/bras/kaplan1. ela que. Ela propõe. no qual Cassatt representa uma mulher de perfil. a leitura da produção estética com “o olhar matricial”. mais tarde. como intervenção feminista na história das artes.labrys. que Pollock decifrasse nas obras o que chamará. Este trabalho de decifração resulta. somente de completar a grande narração com o auxílio de novas histórias.  que lhe inspira a obra de Brancha Lichtenberg Ettinger. Pollock prossegue a busca de um discurso sobre a arte que significaria as mulheres como sujeitos e lhes concederia o  status de produtoras de cultura.

 com razão. 1996:80) em palavras que evocam o feminino. na minha opinião. de fazer ecoar no discurso este “ feminino reprimido. ele não é próprio às mulheres. tem uma parte ligada ao feminino.htm 16/28 . 1996:75; minha tradução). pois os homens. na qual dois sujeitos se testam um ao outro. O olhar matricial torna­se. A https://www. uma contribuição interessante não tanto quanto à questão repisada da criação das mulheres (Por que não houve grandes mulheres artistas. da qual as feministas sublinharam. se reconhecem como diferentes e se transformam reciprocamente (Pollock. o pousaram sobre as obras; o que é novo.labrys. É nesta direção que Lichtenberg Ettinger faz da matriz um símbolo de relação intersubjetiva. uma outra maneira de ver em oposição ao olhar fálico. em suma. como as mulheres. que surgem na loucura. de haver feito aparecer este  “reencontro emocionado com o inquietante outro” (Pollock. Por outro lado. mas em relalção à questão de saber como dar conta teoricamente desta realidade secular da criação das mulheres. então. nos sonhos e nas obras das mulheres. não é novo. ao contrário. diz Pollock. para ler essas inscrições no feminino. para revelar os traços de alteridade feminina.net. Pollock traz. pode indicar nossa experiência da obra de arte. etc. 1996:78). da dominação fundada sobre um sistema binário de oposições sempre hierarquizadas. um sujeito a um objeto.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural da nossa cultura que hoje exila as mulheres” (Pollock. mas sim uma experiência singular de alteridade. 1996:79) difere radicalmente da que confronta um indivíduo ao outro. e aí está o mérito de  Pollock e Lichtenberg­Ettinger é de o ter nomeado.  que ela não é tanto uma experiência de fusão. Uma tal experiência de “distância­na­ proximidade” ou de “co­emergência na diferença” (Pollock. por que existiram tão poucas . quase amoroso.  A matriz é o significante que faltava ao mundo. presente tanto nos homens como nas mulheres. Esse olhar atento.). a matriz. em uma relação de poder desigual. a matriz é também o lugar da gestação. da mesma forma que.br/labrys3/web/bras/kaplan1. Se o olhar matricial. aliás. da relação da mãe com a criança. inteiramente  dominado pelo falo. Este conceito é um símbolo neutro que. esse olhar do domínio.

1996:70.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural metáfora do estupro serviu mais de uma vez para simbolizar o ato criativo na nossa cultura ocidental. tal qual descrevia Francis Bacon no século XVII. torna problemática a relação da arte com o gênero e não  cessará de colocar em seu crivo. Seksueel geweld in cultuur gebracht>> (Bal. Este título. A leitura histérica Ao fim de seu texto sobre as inscrições do feminino. por vezes. salta aos olhos. Que se tratasse de experimentação científica. a condição mesmo de sua criação.br/labrys3/web/bras/kaplan1. O recurso a este conceito inscreve­se na lógica em que. o discurso sobre a “questão das mulheres”. De imediato. acusada de fabular. antecipando­a em uma obra escrita em língua holandesa e intitulada << Verkrachting verbeeld. Bal propõe assim uma “leitura histérica” da obra de arte que eu qualificaria de politicamente engajada do ponto de vista feminista Ela adota. sublinhado por mim). uma metáfora vem. Pollock desvela a posição do sujeito e de autora das mulheres artistas . precisa ela. Aquela em quem não se crê. conjurar esta imagem nefasta secretada pelos fantasmas angustiados dos homens. Pollock indagava­se sobre o que seria uma leitura matricial de um texto artístico. que tenta convencer que ela sofre e não consegue se desvencilhar. generosa. Uma insistência tática. desta forma. podemos traduzir da seguinte maneira: “O estupro representado. Pareceu­me que a historiadora das artes Mieke Bal respondia a esta questão. completamente. o ponto de vista da histérica. das quais as feministas contemporâneas recolheram testemunhos. 1998). ou da arte da pintura.  E eis que leve.net. ou seja. desde os primeiros trabalhos. A violência sexual na cultura”; o termo “representado” tem em holandês umduplo sentido de “posto em imagens” e de “inventada” no sentido de “imaginado”. https://www. “sobre a diferença sexual para quebrar estrategicamente os sistemas de poder que agem explicitamente e. afinal.htm 17/28 . contada por Kandinsky no século XX. Com o olhar matricial. lócus  de transgressão. a natureza ou a tela são os corpos das mulheres. de maneira latente sobre o gênero enquanto  eixo de hierarquia e de poder” (Pollock.labrys.  a similitude com as mulheres violentadas. aberta. objeto de desejo.

 no lugar da histérica. em lugar dos signos https://www. sublinha Bal. não mais que outros pintores que escolheram este tema. E com razão: Lucrèce. Esta posição vai permitir­ lhe nomear o que as mulheres vivem quando são forçadas à postura de histérica pois não dispõem de recursos simbólicos mínimos que lhes permita gerir sua vida psíquica. esta leitura desvela a misoginia de nossos modos de conhecimento e de interpretação. as relações de de força entre os sexos.htm 18/28 .4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural Não é por acaso: a escolha de Bal pela figura da histérica enraiza­se na sua solidariedade com as mulheres em carne e osso. exploradas. Bal se coloca.  identifica­se com ela em sua imaginação:”Não nos identificamos mais com uma visão objetivista. Mas Rembrandt. cujos  feitos notáveis tocaram a imaginação das gerações de mulheres e homens. Assim. como veremos adiante. evacuando assim. a própria realidade do crime. Este último encontra tanto na imagem evocada – l ´hystera. Bal dedica­se ao estudo de dois quadros de Rembrandt representando o suicídio de Lucrèce. na sua totalidade. Ela toma a  histérica. palavra grega da qual deriva a palavra útero – quanto por sua dimensão simbólica. A leitura histérica se interessa mais pela retórica da imagem que pela narração que ela ilustra. são reduzidas ao silêncio na vida real. uma relação de igualdade. onde um sujeito encontra  um outro sujeito. Colocamo­nos no centro da cena e e sentimos o que acontece” (Bal; 1988:32; minha tradução). aquelas que dominadas. ao pé da letra ou. a condição social das mulheres) e a análise histórica e literária para elaborar um instrumento teórico. de empatia.  Bal mobiliza.net. mais exatamente. ao mesmo tempo.br/labrys3/web/bras/kaplan1.  Com efeito . em restituir. seu saber feminista (sobre a sexualidade. o drama parcialmente representado nos quadros. que faz parte da galeria das grandes heroínas da história da arte. brutalizadas. modelo de esposa virtuosa na Roma antiga. então. ausências  e ocultações. A leitura histérica exclui toda relação hierarquizada entre uma pessoa que olha (sujeito) e uma pessoa olhada (objeto); ela supõe. e ainda mais pelos silêncios. não coloca em cena o estupro. Ativa e criativa. Toda a análise da historiadora consiste.labrys. graças ao trabalho de imaginação. se suicida após ter sido violentada. ao signo. ao contrário. o olhar matricial pregado por Pollock.

 pois “quando uma imagem toma o lugar de uma experiência. “Ele faz parte da própria significação do quadro apesar de ser invisível” (Bal. traz de volta à narração a responsabilidade do criminoso. permite à Bal denunciar a negação do vivido pela  vítima. a sinédoque. na narração do acontecimento trágico pintado por Rembrantd. a metáfora que coloca o suicídio no lugar do estupro. repousa. A leitura histérica. então. a experiência some de vista” (Bal. não é assim mais uma arma contra as mulheres – você inventou tudo isto – ela torna­se uma arma cultural para as mulheres>> (Bal. 1988:27). a palavra das mulheres. 1998:29).4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural explícitos que são as palavras. Enfim. forma de poética imaginativa. em realidade muito mais complexa que o expresso acima. Graças a esta “retórica inventiva”. assim como o  deslocamento da responsabilidade da morte de Lucrèce do autor do crime. o estupro não representado e faz reaparecer. É aqui que o trabalho científico de Bal encontra seu engajamento político para as mulheres reais.labrys. https://www. obriga assim a interpretar o gesto de Lucrèce como dependendo de sua posição de vítima. sobre a imaginação visual que permite ver mais do que se percebe ou do que o autor da representação. conclui ela. o violentador que havia sido apagado.net. Não é mais Tarquin que destrói Lucrèce. no texto de um pintor. segundo Bal. Primeira figura de estilo. Segunda figura de estilo. a terceira figura de estilo. em direção à vítima. é ela mesma que se mata.br/labrys3/web/bras/kaplan1. já ques os signos implícitos permitem representar o irrepresentável. Bal reintroduz. 1988:38). Em uma proposta próxima da decifração efetuada por Pollock.htm 19/28 .em  cena. tendo como recursos as figuras de estilo da literatura. que coloca o suicídio como uma parte do conjunto da narrativa. Mieke Bal busca. para melhor reprimir a experiência das mulheres e contribui assim para manter a violência  contra as mulheres.”A invenção. Toda sua demonstração ilumina a responsabilidade da cultura que coloca no centro da representação a parte imaginada da narração. a metonímia que faz do suicídio a conseqüência do estupro.

 Ela mostra que o amor entre mulheres foi tornado invisível nas artes ocidentais. 2002:16).br/labrys3/web/bras/kaplan1. E se nós tivéssemos simplesmente escorregando de um pólo significante ao outro. seja porque estava travestido sob a figura do mito. a artista...  Mas da fecundidade espiritual do casal de mulheres. Marie­Jo Bonnet vê no eros feminino a própria  imagem de criação artística.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural  No olhar solícito de Pollock e Bal. mas permanece  prisioneira da metáfora da procriação. do falo à matriz. 1991:181; minha tradução﴿. sem mudar de cenário? Não podemos deixar o cenário biológico e seus acessórios. E se isto não fosse suficiente. em última instância. faz existir. Recusa do feminino? Rebelião contra as mães? Revolução dentro da criação? O cyberfeminismo diferentemente <<Os Cyborgs são mais ligados à regeneração e desconfiam da matriz reprodutiva assim como de toda sorte de nascimento>> ﴾Haraway. os órgãos de reprodução? Por que é preciso que o significante   para o imaginário feminino nos encaminhe explicitamente para a maternidade? Não existem outras metáforas para simbolizar a criação artística? Em seu estudo sobre  casal de mulheres nas artes.htm 20/28 . inserido nas cenas de harém ( século XIX). https://www. pois “ordena. o desejo feminino é potencialmente criador já que insere. seja porque o ignoramos simplesmente ( antiguidade romana).net. 2002:34) da qual testemunham os mais antigos ícones da visitação. sua obra e também a criação fazem sentido e mesmo um novo sentido. acrescenta Bonnet. “ o entre mulheres”. não encontramos mais imagens em nossa cultura. Em outros termos. da alegoria ou ainda pior. torna visível um lugar a partir do qual as mulheres participarão da definição da cidade” Para fora a matriz  A criação é liberada da armadura heterossexual. da esperança “de engendrar a criança interior e de orientar seu desejo em direção ao Espírito” (Bonnet.É aqui que intervém as novas feministas que vão retirar a criação de suas associações seculares com a maternidade. Mas. a questão da representação do eros feminino não é somente estética  mas simbólica... o acesso das mulheres à função instituinte” (Bonnet.labrys. Ou.

 jogo mortal” (Haraway. segundo sua vontade. Assim se explica. que proclama a indecidabilidade do gênero.labrys. ao prazer  não mais culpado de amar a máquina.htm 21/28 . É assim que ser batizado cyborg (abreviação de cybernético organismo) produz sentido  através da pluralidade de narrativas. um aspecto de nossa encarnação>> (Haraway. de desfrutar de seu saber sobre a máquina. As fronteiras entre os organismos vivos (natureza) e os humanos (cultura) abateram­se; quanto às máquinas. O manifesto de Haraway abre assim. Um mito. por definição. Haraway constrói seu mito cyborg. econômica e social. sem dúvida. varrendo as oposições e contradições dentro de um irresistível impulso vital. não contém verdade porque ele é transmitido – isto é. traduzido e traído – em cada versão singular.net. na era das revoluções digitais e tecnobiológicas. 1991:180). nossos processos. deslizar livremente de um pólo a outro do continuum do gênero. a partir de agora “elas são nós.  A característica desta figura emblemática é de operar a fusão do vivente e da máquina. o sucesso da metáfora cyborg junto à geração criada  na evidência da construção social do sexo. o mito cyborg abre espaço à alegria. Um mundo. além da mistura dos limites entre o corpo orgânico e o artefato tecnológico. o sonho utópico de Haraway. 1991:181). um mundo em via de ser submetido ao que Haraway chama “informática da dominação”. passando “de uma sociedade orgânica industrial a um sistema de informação polimorfa – do ‘tudo é trabalhado’ ao ‘tudo é jogo’. Alimentadas pela  queer theory. o sexo e o gênero. subversivo. “de um mundo monstruoso desprovido de sexos” (Haraway. as que opõem o corpo e o espírito. Diante desta realidade política. outras dicotomias desabam.br/labrys3/web/bras/kaplan1.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural A imagem  cyborg (1).  desenrolando­se na nova paisagem tecnocientífica. essas jovens mulheres reivindicam  poder. face ao mundo amedrontador e fascinante do século XXI. 1991: 161; minha tradução). Irônico. https://www. proposta por Donna Haraway em seu célebre <<Cyborg Manifesto>>. A seus olhos. nutre hoje uma geração de jovens feministas que as teorias e práticas de militantes nos anos setenta e noventa deixam desamparadas. uma nova via para pensar nossa relação com o mundo pois.

Essa é sua posição frente a nossas sociedades pós­industriais: ela denuncia a brutalidade da transnacionalidade do capital. suas experiências íntimas. . uma reflexão e uma prática fiéis ao que nutre a força  dissente e de contestação dos femininos : o vivido pelas mulheres. entre as quais as Riot Girls e as Guerilla Girls. à época. 2001). ela nota a mistura étnica crescente em um https://www. Ela utiliza o termo para designar ativistas feministas presentes na cultura e nos mídias. essas iconoclastas. Braidotti possui uma notável capacidade de registrar os eventos do nosso mundo em mutação. Quanto à palavra cyberfeminismo. pelas quais sentimos sua simpatia.net. Ela  inventaria os atos de rebelião das mulheres. optado por esse último.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural aparece como uma liberação e como um formidável instrumento de empoderamento. em inglês.htm 22/28 . ao campo de investigação e de luta feminista. tudo o que era considerado como referente ao pessoal. estimando que a afirmação da diferença era uma prioridade em relação à realização da igualdade. sua cólera contra os homens e também contra suas mães. aquela da diferença sexual. das características do terceiro mundo que se propagam . Ele evoca também o grande debate entre o feminismo da igualdade e o da diferença.labrys. antes que os movimentos das mulheres tenha mostrado seu cunho   político? Rosi Braidotti traz. uma resposta a esta questão. senão fálicas. querem conquistar o cyberespaço para lá melhor atuar que os homens. aquelas que não querem mais as matrizes e reivindicam o poder de habitar sexos (corpos) múltiplos. que guiava Pollock. Braidotti não dá uma definição. seriam ela agora obsoletas? Como conceber. restringindo­lhe o sentido. Com efeito. em um texto intitulado. essas contestadoras. o título em inglês utiliza a palavra diferente e remete à diferença sexual. como a formulava Nochlin. A questão da mulher. então. “Cyberfeminism with a difference” que foi traduzido .br/labrys3/web/bras/kaplan1. narcisistas e combativas. em meu entender. aquelas que. de  submete­los a uma crítica minuciosa e de apreender as potencialidades a serem utilizadas pelas mulheres. Braidotti tinha. para “Cyberfeminismo diferentemente” (Braidotti.

 a despeito do discurso sobre a mistura dos gêneros e as potencialidades infinitas da informática. de sua idade. as produções de alta tecnologia do mundo pós­moderno crivo do gênero para se dar conta de  que os cybercorpos dos mídias americans exaltam   a cor branca e a feminilidade mais tradicional e que o cyberimaginário. todo embaraçado nos estereótipos sexuais. E seus protagonistas não são imagens numéricas mas agentes sociais reais. em meu entender. “o fator tecnológico deve ser considerado como proporcional e intimamente ligado ao humano” (Braidotti. Em várias ocasiões em seu texto. uma “nova aliança. a curto termo. de contextos urbanos pós­ industriais” (Braidotti. a positividade de Braidotti é exigente: é preciso mudar de perspectiva. e não no hyper­espaço da masculinidade abstrata. a ênfase dada à diferença sexual. do cyberespaço e a qualidade do que eles oferecem” e conclui: “Conseqüentemente. A diferença sobre a qual Braidotti insiste taticamente. que leva ao engajamento de Braidotti a seu lado. em proveito de uma abordagem mais tecnófila pois. manifesta uma pobreza deplorável.labrys. acrescenta ela. no entanto. ela lembra que.htm 23/28 . como diria Pollock.net. entre a tecnologia e a cultura..4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural momento de fortalecimento do racismo e da xenofobia e postula. de seu sexo.  perversamente fecunda. (Braidotti. Longe de ser uma atitude de aceitação fácil de fenômenos que se impõem pelo poder do dinheiro ou da moda. Mas com uma diferença. que se torna uma espécie de barreira para não ceder à tentação de sair fora de seu corpo. legitima.  Basta passar. Braidotti sublinha o fosso “entre as promessas da Realidade Virtual.  parece­me que. A preocupação com as mulheres reais. Braidotti aposta então no cyberfeminismo. 2001:52; sublinhado por mim).br/labrys3/web/bras/kaplan1. como ela o faz. mas ela toma lugar no mundo real. é a diferença sexual qque é preciso pensar a partir de seu enraizamento no real. seu vivido. 2001:41). como aliás entre o terceiro mundo e os países industrializados. esta nova fronteira tecnológica vai intensificar a distância entre os sexos e aumentar a sua polarização. a distância não cessa de crescer entre os sexos. abandonar a tecnofobia.. Voltamos à metáfora guerreira. 2001:41). de sua https://www.

 corpos múltiplos e conjuntos de posições incarnadas. à escuta das escritoras de ficção científica. é evidente. Enquanto Pollock e Bal trabalham para teorizar uma leitura não sexista das produções artísticas. Utilizar a tecnologia para liberar o imaginário coletivo do falor é.labrys. Braidotti.  a posse dos  códigos dominantes. Ela se volta então. bem antes que um discurso filosófico seja capaz de formulá­las. A originalidade do conceito consiste. de sua raça.htm 24/28 .Braidotti oferece às rebeldes a possibilidade teórica de “tratar a feminilidade como uma opção. A vontade feminista que as mulheres tornem­se sujeitos de sua história não abole o corpo.net. isto é. imitar e subverter as regras da determinação do feminino.br/labrys3/web/bras/kaplan1. como uma série de atitudes disponíveis” (Braidotti.. porém e mais profundamente o do artista.. 2001:54). A encarnação significa que nós somos sujeitos em situação” (Braidotti. em suas intervenções.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural classe.. aliás. O que elas faziam. Esta supõe. não somente o riso  que liberta a espectadora e o espectador de representações convencionais alienantes. que me parece melhor traduzido por subjetividade incarnada. 2001:43). sem a qual é impossível jogar. a política da paródia. a questão maior do cyberfeminismo. a política da paródia nasce da cólera e visa o riso. aqui. Braidotti reconhece. interpelada pelo mundo pós­moderno e pelas “grrrls” que quebram as barreiras sublinha as aporias do quadro teórico. Nossos corpos não se limitam amis a um gênero. porque elas imaginaram novas estratégias. aos olhos de Braidotti. Mais fundamental. Retomando os termos da corrente teórica e artística que faz da feminitude uma encenação e do gênero uma  performance.  Braidotti propõe o conceito de “embodied subjectivity”. em dar ao corpo um sentido que permite conceber o acontecimento histórico de sua naturalização:”  é mais adequado falar de nosso corpo em termos de incarnação.sem esperar por ela. artistas plásticas utilizando  novs mídias e outras artistas da web. pois o adjetivo “incarnado” remete ao ato de  se tornar  carne e na falta da palavra – como em inglês – ele contém então a idéia do corpo. o riso das mulheres do qual que Jo Anna Isaak celebra o poder revolucionário e a dimensão do prazer coletivo https://www.

A cultura. Esta insistência procede. no que ela mesma chama fazer a diferença. mas sem existir os totalmente presentes e os totalmente ausentes” (Marini. Marcelle Marini formulava assim as conseqüências desta operação: “A crítica feminista teria então como função romper a unidade aparente da cultura dita comum. acrescenta Braidotti. um campo de força onde há vencedores e vencidos. Sublinhei. de extrair disso uma medula feminista e de ressaltar a energia e a capacidade inovadora de três teóricas. 1992:146. esta luta dos sexos tende a se exacerbar. 2001:46; sublinhado por mim).labrys. https://www. definido como uma categoria do discurso ou incluso no conceito de incarnação. em cada uma. a insistência tática sobre o feminino. mas  elas participam da mesma vontade de tornar visível o lugar injusto destinado às mulheres. Não podemos expressar mais cruamente a violência das relações de poder entre os sexos no espaço simbólico. impondo a presença e o valor das obras produzidas pelas mulheres.  a fim de fazer pressão sobre o simbólico. 1999).br/labrys3/web/bras/kaplan1. atreladas a este trabalho urgente que visa fazer emergir novas representaçãos. Entretanto. sublinhado por mim). transformando­a.htm 25/28 .4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural (Isaak. quer seja considerado como a questão das mulheres. para mim. Cada uma dessas leituras é profundamente singular. Os textos apresentados acima foram abordados de maneira não crítica pois trata­se. Braidotti não aborda aqui o fundamento desta consciência crítica. Pollock decifra. Não existe mimesis  sem consciência crítica. entretanto. situa­lo no que Pollock denominava de responsabilidade política de trabalhar pela libertação das mulheres. ao mesmo tempo. mesmo pouco numerosas: a cultura aparece então como ela é. o que os códigos dominantes ocultam.net. únicas capazes de “dizer as mulheres” e de fazer existir suas obras no espaço da cultura. “a paródia só pode ser portadora do poder político à condição de ser sustentada por uma consciência crítica que visa a subversão dos códigos dominantes” (Braidotti. nas suas obras. Parece­me que no contexto atual das artes contemporâneas.Parece­me lógico. Bal preenche os vazios que compõem esses discursos e Braidotti acrescenta uma diferença ao cyberfeminismo. um campo de força. Falando da prática literária. de uma estratégia de visibilidade e de uma posição crítica..

Rosi. Verkrachting verbeeld. 1988. ela é definida pelo discurso. Hoje. a imensa responsabilidade que cabe à crítica feminista. IconEdition. mas para abrir espaço ao advento do que sonha Haraway “ uma heteroglosa poderosa e infiel” (Haraway. no momento em que elas acedem a tudo que formava. Bruxelles. Le langage des femmes. Utrecht: H&S. (dir. da perspectiva. Françoise. Mdimos. «Introduction». Feminism and Art History. Bonnet. https://www. 1991:181) (1) eu escolhi esta fórmula a fim de não dar gênero gramatical ao termo cyborg.).net. Pub. Norma & Garrard. IN Cahiers du Grif. 1992. Laurence (dir. pois eis que no momento em que as mulheres se encontram teoricamente em pé de igualdade – elas se beneficiam do mesmo ensino e investem os  mesmos espaços – enfim. Paris: Editions Blanche. Sabe­se que. iniciado e levado pelas feministas que. Quanto a mim. 1992. Collin. 1982. Broude. no passado. Não para substituir este discurso por um outro também totalitário. Mary D. IN Rassel. Seksueel geweld in cultuur gebracht. «Le cyberféminisme différemment».  apostarei no movimento irreversível. The Expanding Discourse. os critérios de julgamento bem definidos não existem e é pontualmente que os objetos são definido como arte e neste caso. Notamos. Marie-Jo. do modelo.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural pois a questão é de importância. as obras eram avaliadas em função da qualidade do desenho. na desesperança ou na jubilação. elementos agora acessíveis às mulheres.htm 26/28 . Referências Bibliográficas: Bal.Pub. etc. o artigo “the” ou “a” não tendo gênero em inglês. Bruxelles: Editions Complexes.br/labrys3/web/bras/kaplan1. brevemente. Essai sur le couple de femmes dans l'art. ao contrário. assim.). (dir. pela técnica. Les deux amies. passam no crivo a história e a crítica das artes. 2000. New York: HarperCollins. a crítica  e a história tem um papel crucial.labrys. Norma & Garrard . Braidotti. inspirava e alimentava os artistas. Cyberfeminisme. Mieke. as regras mudam: a obra de arte não é mais julgada pela competência. Feminism and Art History: Questioning the Litany. 2001.. da composição.  a espantosa capacidade dos homens de manter seus privilégios.Pub.). Mary D. New York : Harper & Row. Broude.

an elliptical traverse of the 20th century art.br/labrys3/web/bras/kaplan1. IN Helena Reckitt & Peggy Pheelan (dir. 1996.) Féminisme.. Griselda. Griselda. e artigos sobre esse tema nas diferentes revistas. Feminism and the Histories of Art. Linda. Rozsika & Pollock.4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural Griffin. art et histoire de l'art. IN Vision and Difference: Femininity. «Histoire et politique: l'histoire de l'art peut-elle survivre au féminisme?». New York: Pantheon. Especialista no domínio “Ensino e Gênero”. Griselda. MIT Press. Parker. New York: Phaidon Press.  Art & Feminism. Pub. Inside the Visible. Jo Anna. «A Cyborg Manifesto: Science.labrys. «Dune création minoritaire à une création universelle». Technology.  Art Press. Isaak. n°280 (juin). «Survey». in De Zegher. London: Routledge. Art et pouvoir. Pollock. Marcelle Marini. Peggy.. contribuição  sobre o tema “Mulheres e Artes Plásticas”. labrys.). 1993. 1999) e no número sobre as artes plásticas da revista Cadernos Marxistas (nº 221. 1981. Pollock. Feminism and Contemporary Art. janeiro/ julho 2003   https://www. Pub.estudos feministas número 3.. «Une structure de plate-formes. IN Michaud. Paris : ENSB-A. Tim. Interview d'Okwui Enwezor». and Socialist- Feminism in the Late Twentieth Century» IN Simians. coordenadora de pesquisas sobre o assunto “Estudos Feministas e Feminismo” & “Estudos Feministas e Emprego”. New York: Routledge. 1996. 1992.net. Bruxelles: Editions Complexes. março/abril 2002). Donna. Pheelan. Modernity and the Spaces of Femininity». 1988. no Dicionário das Mulheres na Bélgica (no prelo). e redatora chefe de  revista editorial que inventaria publicações e ensinos de estudos feministas e gênero na Bélgica. Catherine (dir. Le langage des femmes. da Universidade Livre de Bruxelas (nº 11. rede belga de coordenação  de Estudos Feministas. 2002. Nochlin. revista do GIEF. autora de “A escola no feminino”. «Inscriptions in the Feminine». Griselda.). de  “Sextant”. Paris: Jacqueline Chambon. 2001. Yves dir.htm 27/28 . Haraway. Interesse pela questão “arte e gênero”:  organiza seminários e mesas redondas sobre esse tema. Femmes. Art and Ideology. Pub. IN Cahiers du Grif. et autres essais. Cyborgs and Women: the Reinvention of Nature. Old Mistresses: Women. colaborou com um artigo  no número consagrado às mulheres. 1991. London & New York: Routledge.1994. entre as quais  “Crônica Feminista” .    Dados biográficos Nadine Plateau é atualmente presidente de Sophia. Pollock. editado pela Universidade das Mulheres.

4/9/2017 Trauma coletivo e troca transcultural   https://www.htm 28/28 .labrys.br/labrys3/web/bras/kaplan1.net.