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1o-A. ao prever que “as florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação. O artigo 2º. reproduziu literalmente a redação do artigo 1º. II . consagrando o compromisso do País com a compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da água. III. a recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa. De sua vez. no dia 23 de julho de 2008.727/12. bem como da biodiversidade. esta Lei atenderá aos seguintes princípios: I . III . que instituiu uma série de novos tipos administrativos para punir os infratores da legislação ambiental. na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais. na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia. insta salientar também que o novo CFlo traz várias disposições mais flexíveis em favor do pequeno proprietário ou possuidor rural (prédio rústico de até 04 módulos fiscais).criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a preservação e a recuperação da vegetação nativa e para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis Em muitas passagens o novo CFlo adota dois regimes jurídicos: um de tolerância para as condutas lesivas ao am- biente perpetradas até o dia 22 de julho de 2008 e outro rígido para os atos praticados a partir dessa data. para o bem estar das gerações presentes e futuras. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos.responsabilidade comum da União. no crescimento econômico. ESPAÇOS TERRITORIAIS ESPECIALMENTE PROTEGIDOS ARTIGO 225.651/12. Isso porque. exercendo-se os direitos de proprie- dade. reconhecidas de utilidade às terras que revestem.ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas.definir.afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vege- tação nativa. que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei.fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água. bem de uso comum do povo brasileiro. em todas as unidades da Federação. Alterações pela Lei 12. e prevê instrumentos econômicos e fi- nanceiros para o alcance de seus objetivos PRINCÍPIOS Parágrafo único.514. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção Novo Código Florestal – Lei 12. §1º. áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal. publicada em 28/05/2012. com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem”. o suprimento de matéria-prima florestal. IV . www.cers. especialmente no que concerne às áreas de preservação permanente e reserva legal. em colaboração com a sociedade civil. do Código revogado. Esta Lei estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação. Estados. o que reflete a titulari- dade difusa do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. V .br 2 . são bens de interesse comum a todos os habitantes do País. DA CF: III . do novo CFlo. dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático. foi publicado o Decreto 6.reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade. Tendo como objetivo o desenvolvimento sustentável. o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais. a exploração florestal.com. do solo. do solo e da vegetação. Conteúdo do novo CFlo Art. VI . Distrito Federal e Municípios.

cuja faixa marginal será de 50 metros. Outra inovação do novo CFlo foi a previsão de criação do CAR – Cadastro Ambiental Rural. II. definição praticamente idêntica à que constava no artigo 1. a paisa- gem. com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais.PRECISAM SER DECLARADAS POR ATO DO PODER EX PARA EXISTIREMECUTIVO HIPÓTESES DO ARTIGO 4º - I) Mata ciliar – São consideradas áreas de preservação permanente as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente. § 2. do antigo Código Florestal. de qualquer natureza. Área de Preservação Permanente (APP) é a “área prote- gida. na faixa definida na licença ambiental do empreendimento IV) Entorno de nascentes e olhos d’água www. compondo base de dados para controle. decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água natu- rais. ARTIGO 29 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE De acordo com o artigo 3.com. III) Entorno de reservatórios d’água artificiais. ARTIGO 2º. facilitar o fluxo gênico de fauna e flora. excluídos os efêmeros. planejamento ambiental e econômico e combate ao des- matamento. preferencialmente.cers. registro público eletrônico de âmbito nacional. exceto para o corpo d’água com até 20 hectares de superfície. do novo Código Florestal. §2º. obrigatório para to- dos os imóveis rurais. APP’S DO ARTIGO 4º . consideram-se áreas de preservação permanente as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais.º. em zonas urbanas. proteger o solo e assegu- rar o bem-estar das populações humanas”. previu o novo CFlo que “as obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são transmitidas ao sucessor. em largura mínima de: 30M cursos d’água de menos de 10 metros de largura 50m cursos d’água que tenham de 10 a 50 metros de largura 100m cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura 200m cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura 500 para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 metros II) Entorno de lagos e lagoas naturais Atualmente. monitoramento. em zonas rurais.Em positivação da jurisprudência consolidada do STJ. no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural”. no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente. a estabilidade geológica e a biodiversidade.º.INCIDÊNCIA EX LEGE APP’S DO ARTIGO 6º . com a função ambiental de preservar os recursos hídricos.º. desde a borda da calha do leito regular. II. b) 30 metros. devendo ser feito.br 3 . em faixa com largura mínima de: a) 100 metros. coberta ou não por vegetação nativa. no órgão ambiental municipal ou estadual.

montes. VII) Os manguezais. este último mais interiorizado. com largura mínima de 50 metros. V) Encostas ou partes destas com declividade acima de 45º. cultural ou histórico. em projeção horizontal. III . a critério das autoridades militares. produzido por processos de sedimentação. estrato herbáceo. típica de solos limosos de regiões es-tuarinas e com dispersão des- contínua ao longo da costa brasileira. qualquer que seja a sua situação topográfica. IV .800m XI) Veredas Faixa marginal.formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias. entre os Estados do Amapá e de Santa Catarina. Tabuleiro ou chapada é a paisagem de topografia plana. ainda. aproxi- madamente seis graus e superfície superior a dez hectares. predominantemente. encontrada em praias. sujeitos à ação das marés. arbustivo e arbóreo. de acordo com o estágio sucessional. 6o Consideram-se. a partir do limite do espaço brejoso e encharcado APP’S DO ARTIGO 6º. montanhas e serras X) Áreas em altitude acima de 1. no raio mínimo de 50 metros. terminada de forma abrupta em escarpa. especialmente as de importância internacional. a vegetação natural conhecida como mangue. VIII) Bordas de tabuleiros ou chapadas Assim como seu verificou na legislação anterior. em faixa nunca inferior a 100 metros em projeções horizontais. VII . formado por vasas lodosas recentes ou arenosas. em toda a sua extensão O manguezal é o ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos. Seção II Do Regime de Proteção das Áreas de Preservação Permanente www. IX) Topo de morros.br 4 . o novo CFlo considera como APP as bordas dos tabuleiros ou chapadas. mesmo que intermitente. V .proteger várzeas.com. II . VI . apresentando.conter a erosão do solo e mitigar riscos de enchentes e deslizamentos de terra e de rocha. com cobertura vegetal em mosaico. com declividade média inferior a dez por cento.assegurar condições de bem-estar público.proteger as restingas ou veredas.cers. às quais se associa.Neste caso o novo CFlo seguiu a mesma sistemática do anterior. até a linha de ruptura do relevo.auxiliar a defesa do território nacional. como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues A restinga é o depósito arenoso paralelo à linha da costa.abrigar exemplares da fauna ou da flora ameaçados de extinção. equivalente a 100% na linha de maior declive VI) As restingas. DO NOVO CFLO Art. de forma geralmente alongada.proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico. as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a uma ou mais das seguintes finalidades: I . caracteri- zando-se a chapada por grandes superfícies a mais de seiscentos metros de altitude. com influência fluviomarinha. ao passo que o olho d’água é o afloramento natural do lençol freático. A nascente é o afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade e dá início a um curso d’água. de preservação permanente. onde se encontram diferentes comunidades que recebem influência marinha. cordões arenosos. dunas e depressões. VIII . IX – proteger áreas úmidas. Considera-se APP as áreas no entorno das nas- centes e dos olhos d’água perenes. quando declaradas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo.

cuja área ultrapasse ao mínimo exigido pelo novo CFlo (80%. na forma do artigo 9º-A. com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural. Sob regime de servidão ambiental. de direito público ou privado. Art. de interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei.com. § 2o A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente de que tratam os incisos VI e VII do caput do art. em locais onde a função ecológica do manguezal esteja comprometida. § 2o A obrigação prevista no § 1o tem natureza real e é transmitida ao sucessor no caso de transferência de domí- nio ou posse do imóvel rural. nas áreas de floresta situadas na Amazônia Legal. www. poderá utilizar a área exce- dente para fins de constituição de servidão ambiental e Cota de Reserva Ambiental. 4o poderá ser autorizada. nas áreas de cerrado situadas na Amazônia Legal. 12. Com propriedade. 7o A vegetação situada em Área de Preservação Permanente deverá ser mantida pelo proprietário da área. em áreas urbanas consolidadas ocupadas por população de baixa renda. a CRA – Cota de Reserva Ambiental. é um título nominativo represen- tativo de área com vegetação nativa. em caráter de urgência. § 3o É dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução.651/2012). inseridas em proje- tos de regularização fundiária de interesse social. § 3o No caso de supressão não autorizada de vegetação realizada após 22 de julho de 2008. do novo CFlo (Lei 12. da Lei 6.cers. excepcionalmente. dunas e restingas somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública. ressalvados os usos autorizados previstos nesta Lei. possuidor ou ocupante a qualquer título é obrigado a promover a recomposição da vegetação. 8o A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública. O proprietário ou possuidor de imóvel com Reserva Legal conservada e inscrita no Cadastro Ambiental Rural. para execução de obras habitacionais e de urbanização. nas seguintes hipóteses: I. § 4o Não haverá. é vedada a conces- são de novas autorizações de supressão de vegetação enquanto não cumpridas as obrigações previstas no § 1o. § 1o Tendo ocorrido supressão de vegetação situada em Área de Preservação Permanente. de ati- vidades de segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de aci- dentes em áreas urbanas. Art. em qualquer hipótese. direito à regularização de futuras intervenções ou supressões de vegeta- ção nativa. pessoa física ou jurídica.º. bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa”. além das previstas nesta Lei. 35% ou 20%. RESERVA LEGAL artigo 3. 9o É permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental. possuidor ou ocupante a qualquer título. § 1o A supressão de vegetação nativa protetora de nascentes.br 5 . o proprietário da área.Art. 20% nas áreas de floresta ou vegetação nativa em outras regiões do Brasil.938/81. inciso III. que o define como a “área localizada no interior de uma pro- priedade ou posse rural. 35%. existente ou em processo de recuperação. 80%. delimitada nos termos do art. auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológi- cos e promover a conservação da biodiversidade. a depender). inovação do novo CFlo.

com Área de Preservação Permanente.as áreas de maior importância para a conservação da biodiversidade.Nos casos de imóveis rurais localizados na Amazônia Legal. quando indicado pelo Zoneamento Ecológico-econô- mico estadual. II . Correspondente à área de Reserva Legal instituída voluntariamente sobre a vegetação que exceder os percen- tuais mínimos exigidos. devidamente regularizadas. o Poder Público federal po- derá reduzir a reserva legal de 80% para até 50%. de acordo com o melhor interesse ambiental. mesmo que esta não supere aos limites mínimos legais. ouvido o Conselho Estadual de Meio Ambiente. devendo ser aver- bada na matrícula do imóvel no qual se situa a área vinculada ao título e na do imóvel beneficiário da compensa- ção. o Poder Público estadual po- derá reduzir a reserva legal de 80% para até 50%. também será possível a ampliação dos percentuais mínimos de reserva legal em até 50% em qualquer Bioma brasileiro. tendo existência ex lege. exclusivamente para fins de regularização.Nos casos de imóveis rurais localizados na Amazônia Legal. quando indicado pelo Zoneamento Ecológico-econômico esta- dual. Isso porque a CRA poderá ser expedida em razão da vegetação da reserva legal.o plano de bacia hidrográfica. IV. mediante recomposição. O titular da CRA terá o direito de utilizá-la para compensar Reserva Legal de imóvel rural situado no mesmo bioma da área à qual o título está vinculado. eviden- temente a sua localização deverá ser definida casuisticamente.Nos casos de imóveis rurais localizados na Amazônia Legal. na hipótese de não atingir os percentuais mínimos legais. com Unidade de Conservação ou com outra área legalmente protegida. ca- bendo ao órgão estadual integrante do SISNAMA ou instituição por ele habilitada aprovar a localização da Re- serva Legal após a inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural. o Poder Público poderá redu- zir a reserva legal de 80% para até 50%. em áreas de floresta.a formação de corredores ecológicos com outra Reserva Legal. Protegida na forma de Reserva Particular do Patrimônio Natural (espécie de unidade de conservação a ser es- tudada). em áreas de floresta.II. Elevação da RL Excepcionalmente. . Localização da RL A reserva legal é criada pelo só efeito do artigo 12 do Código Florestal. A pequena propriedade ou posse rural familiar terá um tratamento diferenciado. para cumprimento de metas nacionais de proteção à biodiversidade ou de redução de emissão de gases de efeito estufa. Contudo. III. a critério do Poder Público federal. excluídas as áreas prioritárias para conservação da biodiversi- dade e dos recursos hídricos. e por terras indígenas homologadas. quando o Es- tado tiver Zoneamento Ecológico-Econômico aprovado e mais de 65% do seu território ocupado por unidades de conservação da natureza de domínio público. Redução da RL Existem hipóteses excepcionais que o novo Código Florestal permite a redução dos percentuais mínimos de re- serva legal (80% na floresta amazônica – 35% do cerrado na Amazônia Legal – 20% demais coberturas flores- tais): . IV .o Zoneamento Ecológico-Econômico III . para fins de recomposição. Existente em propriedade rural localizada no interior de Unidade de Conservação de domínio público que ainda não tenha sido desapropriada.br 6 . e www. em áreas de floresta. regeneração ou compensação da Re- serva Legal de imóveis com área rural consolidada. Deverão ser observados os seguintes critérios para a sua relimitação: I .cers. quando o Município tiver mais de 50% da área ocupada por unidades de conservação da natureza de domínio público e por terras indígenas homologadas .com.

o registro no CAR irá desobrigar o proprietário de averbar a reserva legal no Cartório de Registro de Imó- veis. cabendo o órgão ambiental competente. previamente aprovado pelo órgão competente do Sisnama. 20. pessoa física ou jurídica. que explicite. § 1o Admite-se a exploração econômica da Reserva Legal mediante manejo sustentável. de acordo com as modalidades previstas no art. a localiza- ção da área de Reserva Legal e as obrigações assumidas pelo possuidor.o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo (novos desmatamentos). salvo disposição legal em sentido contrário. B) áreas adquiridas ou desapropriadas por detentor de concessão. ou instituição por ele habilitada. C) áreas adquiridas ou desapropriadas com o objetivo de implantação e ampliação de capacidade de rodovias e ferrovias. conforme comprovação do propri- etário ao órgão estadual integrante do SISNAMA. ao proprietário ou possuidor rural não poderá ser imputada sanção administrativa. Dispensa da RL O novo Código Florestal também inovou ao prever expressamente a não exigência da reserva legal para determi- nados empreendimentos: A) empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto. em razão da não formalização da área de Reserva Legal.br 7 . nas quais funcionem empreendimentos de geração de energia elétrica. sendo mais uma inovação do novo CFlo. Registro imobiliário e inscrição no Cadastro Ambiental Rural O antigo Código Florestal (Lei 4.o proprietário ou possuidor tenha requerido inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural. com força de título executivo extrajudicial. a área de Reserva Legal é assegurada por termo de compromisso firmado pelo possuidor com o órgão competente do SISNAMA. por força do artigo 15. de direito público ou privado. devendo apresen- tar os dados identificando a área proposta de reserva legal. a alteração de sua destinação. em regra.com. e III . realizar a captação das respectivas coordenadas geográficas. possuidor ou ocupante a qualquer título. inclusive restrição a direitos. A Reserva Legal deve ser conservada com cobertura de vegetação nativa pelo proprietário do imóvel ru- ral.cers. por qualquer órgão ambiental competente integrante do SISNAMA. Seção II Do Regime de Proteção da Reserva Legal Art. Logo.a área a ser computada esteja conservada ou em processo de recuperação. foi instituído o dever de o proprietário de registrar a reserva legal no Cadastro Ambiental Rural no órgão ambiental competente. no mínimo. Entretanto. www. ou de desmembramento. II . desde que: I .771/65) previa que a reserva legal deveria ser sempre registrada no Cartório de Imóveis mediante averbação. permissão ou autorização para exploração de potencial de energia hidráulica. Para a pequena propriedade ou posse rural. No caso de posse. essa obrigatoriedade foi extinta pelo novo Código Florestal. a inscrição da reserva legal no CAR será gratuita. nos casos de transmis- são. subesta- ções ou sejam instaladas linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica. sendo que a transferência da posse implica a sub-rogação das obrigações assumidas no termo de compromisso. protocolada a documentação exigida para análise da localização da área de Reserva Legal. a qualquer título.as áreas de maior fragilidade ambiental. do novo CFlo. Com propriedade. será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do imóvel. 17. Agora. sendo vedada. Insta registrar que.V .

com. a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não. que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. embora em valor inferior ao da área de utilização irrestrita. desde que exista plano de manejo devidamente confirmado pela autoridade competente” (RESP 867. Assim. quando foi publicado o Decreto 6. de múltiplos produtos e subprodutos da flora. que só será extinta concomitantemente ao registro do parcelamento do solo para fins urbanos aprovado segundo a legislação específica e consoante as diretrizes do plano diretor de que trata o § 1o do art. 67. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas da região em sistemas agroflorestais.br 8 . sociais e ambientais.514. essa área pode ser indenizável. deverá ser iniciado o processo de recom- posição da Reserva Legal em até dois anos contados a partir da data da publicação desta Lei. bem como a utilização de outros bens e serviços.cers. nos casos de transmissão. 29. devendo tal pro- cesso ser concluído nos prazos estabelecidos pelo Programa de Regularização Ambiental – PRA. INDENIZAÇÃO NA DESAPROPROPRIAÇÃO “2. 18. sendo vedada a alteração de sua destinação. Art. 3o É obrigatória a suspensão imediata das atividades em Área de Reserva Legal desmatada irregularmente após 22 de julho de 2008. cíveis e penais cabíveis.º do artigo 16 do Código Florestal é restrição imposta à área suscetí- vel de exploração. ornamentais ou industriais. 6o O SNUC será gerido pelos seguintes órgãos. No caso da reserva legal na pequena propriedade ou posse rural. com as características natu- rais relevantes. 182 da Constituição Federal. com objetivos de conservação e limites definidos. compostos por espécies exóticas. de que trata o art. poderão ser computados os plantios de árvores frutíferas. análise e aprovação de tais planos de manejo. de modo que não se inclui na área de preservação permanente. que instituiu uma série de novos tipos administrativos para punir os infratores da legislação ambiental. com as respectivas atribuições: www.985/2000). 19. cumulativa ou alternativamente. com as exceções previstas nesta Lei. os órgãos integrantes do Sisnama deverão estabelecer procedimentos simplificados de elaboração. 68 e 69 do novo Código Florestal. Art. Explorações consolidadas na RL A disciplina de transição das explorações consolidadas em área de reserva legal é regulada pelos artigos 66. A área de Reserva Legal deverá ser registrada no órgão ambiental competente por meio de inscrição no CAR de que trata o art. legalmente instituído pelo Poder Público. tendo sido tomado como marco legal divisor do regime jurídico o dia 23 de julho de 2008. ou de desmembramento. a qualquer título. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO “é o espaço territorial e seus recursos ambientais. § 4o Sem prejuízo das sanções administrativas. Não se permite o corte raso da cobertura florística nela existente. 59 Considera-se manejo sustentável a administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômi- cos. A área de reserva legal de que trata o § 2. respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e con- siderando-se. A inserção do imóvel rural em perímetro urbano definido mediante lei municipal não desobriga o proprietá- rio ou posseiro da manutenção da área de Reserva Legal.085/2007). incluindo as águas jurisdicionais. SNUC Art. sob regime especial de administração.2o Para fins de manejo de Reserva Legal na pequena propriedade ou posse rural familiar. ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (artigo 2º. da Lei 9.

Floresta nacional – é a UC de propriedade pública.cers. permitida a visitação pública e proibida a caça. abióticos ou mesmo culturais. e previa o extra- tivismo na área. Reserva biológica – é a UC que tem como objetivo a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes. com as atribuições de acompanhar a implementação do Sistema.órgãos executores: o Instituto Chico Mendes e o Ibama.I – Órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente . ligada ao manejo dos recursos faunísticos. com o objetivo de conservar a diversidade biológica. nas respectivas esferas de atuação GRUPO DE PROTEÇÃO INTEGRAL Estação ecológica – é a UC que se destina a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. permitida a visitação pública e a pesquisa. sendo permitida a ocupação por populações tradicionais. proibida a visitação pública. sendo proibida a visitação pública. visando manter a manter ecossistemas naturais de importância regional ou local. composta por uma área coberta de vegetação predominante- mente nativa. composta por área natural com animais nativos. Reserva Extrativista – é a UC de propriedade pública utilizada pelas populações extrativistas tradicionais como condição de sobrevivência. Monumento natural – é a UC que busca preservar sítios naturais raros. podendo ser constituído por áreas particulares. do artigo 21. podendo a área ser pública ou particular. gravada com perpetuidade. apenas sendo permitida a pesquisa e a visitação. singulares ou de grande beleza cênica. protegendo a natureza. Reserva da fauna – é a UC de propriedade pública. os órgãos estaduais e munici- pais. tem o regime jurídico de proteção integral. do §2º. Área de relevante interesse ecológico – é a UC que pode ser formada por áreas públicas ou particulares. Parque nacional – é a UC de propriedade pública que tem o fito de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. apesar de ser formalmente considerada como de USO SUSTENTÁVEL. Reserva de desenvolvimento sustentável – é a UC de propriedade pública composta por área natural e que abriga populações tradicionais. sendo de propriedade pública. visando promover a diversidade e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos. admitida a visitação pública. podendo haver pesquisas se autorizadas e turismo ecológico. www. em caráter supletivo. com pouca ou nenhuma ocupação humana.com. sem a interferência humana direta. com atributos bióticos.Órgão central: o Ministério do Meio Ambiente. com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota nacional. ad- mitida a visitação pública. adequada ao estudo científico. Refúgio da vida silvestre – é a UC que tenta preservar ambientes naturais típicos de reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. com o objetivo de manter o uso sustentável dos recursos e desenvolver a pesquisa científica. Reserva particular do patrimônio natural – é a UC de propriedade privada. Poderá haver pesquisa científica se autorizada. Ressalte-se que esta modalidade. GRUPO DE USO SUSTENTÁVEL Área de proteção ambiental – é a UC que pode ser formada por áreas públicas ou particulares.br 9 . em geral exten- sas. e III . cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração transmitidos por gerações.Conama. estaduais e municipais. sendo permitida a visitação pública e a pesquisa. exceto para fins educativos. II . com a função de implementar o SNUC. que têm o uso concedido pelo Poder Público. pois o inciso III. exceto para fins educativos. se compatível. podendo haver agricultura e criação de animais de pequeno porte. com a finalidade de coordenar o Sistema. subsidiar as propostas de criação e administrar as unidades de con- servação federais. sendo de propriedade pública. com certo grau de ocupação humana. da Lei 9985/00 foi vetado pelo Presidente. em geral de pouca extensão.

da Lei do SNUC. devendo ser indenizadas em pecúnia a terra nua e a cobertura florística explorá- vel. Ampliação dos limites originais na medida do acréscimo. de estudos técnicos e de consulta pública. consistindo no ato da Administração Pública que altera o regime jurídico de um bem público. se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o ma- nejo dos recursos naturais. salvo se o particular fizer a doação do espaço. com a edição do Decreto 4.985/2000.340/2002.365/1941 (artigo 5. onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas.02. salvo atividades agropecuárias. Concedida a segurança. Votos vencidos. a fim de proteger cautelarmente a área. exceto pelo acréscimo proposto.plano de manejo: documento técnico mediante o qual. Antes da criação de uma UC. a desafetação de uma unidade de conservação também depende de lei. XVIII . mesmo que ela tenha sido instituída por decreto. que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota. da CRFB.2004). na modalidade utilidade pública. não pode ser feita sem observância dos requisitos prévios de estudos técnicos e consulta pública” (MS 24. nos termos do artigo 225. Inteligência do artigo 66. MS 24. § 1. A criação de uma unidade de conservação deverá ser precedida de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização.corredores ecológicos: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais. será possível a instituição de limitações administrativas provisórias durante o trâmite dos estudos técnicos. www.2003). de 1.665. se houver risco de dano grave aos recursos naturais ali existentes.º. A ampliação dos limites de estação ecológica. facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas. da Lei 9. conforme ratificado pela Suprema Corte: “Unidade de conservação. O parecer emitido pelo Conselho Consultivo do Parque não pode substituir a consulta exigida na lei.985/2000. As unidades de conservação poderão ser compostas por áreas públicas ou particulares. vedado o corte raso da vegetação nativa. mas apenas extintas ou reduzidas por lei.cers. e XIX . Caso o Poder Público institua uma UC pública em área particular. com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. “Quando da edição do Decreto de 27. Concessão do mandado de segurança. será necessária a sua desapropriação.º e 6. Ofensa a direito líquido e certo. ressalvada a possi- bilidade da edição de novo decreto” (STF. a Lei 9. com fundamento nos objetivos gerais de uma uni- dade de conservação. §§ 2.12. sem alteração dos limites originais.2001. mediante decreto do Presidente da República.184. Frise-se que o artigo 45.ARTIGO 2º XVII . a dimensão e os limites mais adequados para a unidade. exclui da indenização as espécies arbóreas declaradas imunes ao corte.08. que passará a integrar a classe dominial. III. Inadmissibilidade. ligando unidades de conserva- ção. com prazo de até sete meses. A sua regulamen- tação só foi implementada em 22 de agosto de 2002. os lucros cessantes. Vide artigo 22-A da Lei 9. pois foi presumido legalmente o interesse público. a depender da modali- dade. alínea k).º. Outrossim.º. e não em títulos públicos. A ampliação dos limites territoriais de unidade de conservação também necessita de consulta pública e estudos técnicos no que concerne ao acréscimo. Estação ecológica.br 10 . de 13. pois essa intervenção estatal supressiva da propriedade é não sancionatória. Falta de estudos técnicos e de consulta pública. obras públicas ou outras atividades econômicas já em desenvolvimento licenciadas. Nulidade do ato pronunciada. os juros compostos e as áreas que não tenham prova inequívoca do domínio anterior à criação da unidade de conservação.com.985/2000 não havia sido regulamentada. O Conselho não tem poderes para representar a população local. Requisitos prévios não satisfeitos. bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevi- vência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais. sendo dispensável este último requisito para as estações ecológicas e reservas biológicas. nos termos do Decreto-lei 3. inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. improrrogável. O processo de criação e ampliação das unidades de conservação deve ser precedido da regulamentação da lei.º. As unidades de conservação poderão ser criadas por ato do Poder Público (lei ou decreto).zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação.

a segurança e o bem-estar da população. III . RESPONSABILIDADE CIVIL ARTIGO 3º. por não se tratar de delegação do Poder Legislativo para o Executivo impor deveres aos administrados. não há violação ao princípio da separação dos Poderes.EIA/RIMA.com. 1.938/81: § 1º . 4.EIA/RIMA. ARTIGO 14.poluição. os proprietários localiza- dos nas zonas de amortecimento de Unidades de Conservação de Proteção Integral são elegíveis para receber apoio técnico-financeiro da compensação ambiental. com fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo re- latório . O art. www. DE 18 DE JULHO DE 2000. Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental. a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde.COMPENSAÇÃO AMBIENTAL Art. O valor da compensação-compartilhamento é de ser fixado proporcionalmente ao impacto ambiental.degradação da qualidade ambiental. assim considerado pelo órgão ambiental competente. Inconstitucionalidade da expressão "não pode ser inferior a meio por cento dos cus- tos totais previstos para a implantação do empreendimento". de acordo com o grau de impacto ambiental causado pelo empreendimento. a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros. cujos re- cursos deverão ser aplicados nas áreas (artigo 35 da Lei do SNUC).938/81 IV .985/2000 densifica o princípio usuário-pagador. ADI 3378 – 09. por danos causados ao meio ambiente. CONSTITUCIONALIDADE DA COMPENSAÇÃO DEVIDA PELA IMPLANTAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL. com a finalidade de recuperação e manutenção de áreas pri- oritárias para a gestão da unidade. sendo o percentual fixado pelo ór- gão ambiental licenciador. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. alíquota e sujeitos ativo/passivo. Prescindibilidade da fixação de percentual sobre os custos do empre- endimento. 5. direta ou indiretamente. § 1o O montante de recursos a ser destinado pelo empreendedor para esta finalidade não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento. Medida amplamente compensada pelos benefícios que sempre resultam de um meio ambiente ecologicamente garantido em sua higidez. c) afetem desfavoravelmente a biota. 36 E SEUS §§ 1º.985/2000 não ofende o princípio da legalidade. a exemplo da base de cálculo. 36. responsável. independentemente da existência de culpa. não foram definidos pressupostos básicos para a cobrança de um tributo pela lei. II .poluidor. 6. 36. de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei. dado haver sido a própria lei que previu o modo de financi- amento dos gastos com as unidades de conservação da natureza. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabili- dade civil e criminal. Inexistente desrespeito ao postulado da razoabilidade. 36 da Lei nº 9. LEI 6. LEI 6. O compartilhamento-compensação ambiental de que trata o art.04. a pessoa física ou jurídica. 36 da Lei nº 9. 3.br 11 . e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Compete ao órgão licenciador fixar o quantum da compensação. Contudo. 36 da Lei nº 9. o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral.985/2000. 2. Compensação ambiental que se revela como instrumento adequado à defesa e preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. De igual forma. de acordo com a compostura do impacto ambiental a ser dimensionado no relatório . afetados por sua atividade. Ação parcialmente procedente Com o advento do novo Código Florestal.Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo. é o poluidor obrigado. de direito público ou privado.cers. INCONSTITUCIONALI- DADE PARCIAL DO § 1º DO ART. por atividade causadora de degradação ambiental. Poderá ser cobrada taxa de visitação quando se tratar de unidade de conservação de proteção integral. este a significar um mecanismo de assunção partilhada da responsabilidade social pe- los custos ambientais derivados da atividade econômica. não havendo outro meio eficaz para atingir essa finalidade constitucional. no § 1º do art. a alteração adversa das características do meio ambiente.985. após estudo em que se assegurem o contraditório e a ampla defesa.2008 EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 2º E 3º DA LEI Nº 9. ART. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas.

no Direito brasileiro a responsabili- dade civil pelo dano ambiental é de natureza objetiva. DJ 22. Herman Benjamin. Prece- dentes citados: AgRg no Ag 973. § 2º . ARTIGO 21. é subjetiva ou por culpa.2005.725-PR.ª e 2. 934 do Código Civil).ª Turma. INCISO XXIII: d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa. sendo regida pelos princípios do polui- dor-pagador. deu-se provimento ao recurso. Rel. 14. www. Min. c/c o art. por qualquer razão. com isso. em matéria de proteção ambiental.741-SP. entre as quais se inclui a inversão do ônus da prova em favor da vítima ambiental. consoante a construção doutrinária e jurisprudencial.º). declararam a responsabilidade objetiva do Estado por danos ambientais.As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. sempre. jul- gado em 24/3/2009”. Nesse sentido.08. injusta oneração da sociedade.764- MG.071. "seja por total ou parcial exaurimento patrimonial ou insolvência. Nesse sentido. na hipótese de omissão de cumprimento ade- quado do seu dever de fiscalizar que foi determinante para a concretização ou o agravamento do dano causado pelo seu causador direto: 1. de cumprimento da prestação judicialmente imposta. com a desconsideração da personalidade jurídica. mesmo em se tratando de omissão na fiscalização ambiental.2010). da prioridade da reparação in natura.12. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarci- mento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. assegurado.com. independentemente da obrigação de reparar os danos causados.10.071.741. a sanções penais e administrativas. 37 da Constituição Federal. a atual jurisprudência dominante no STJ (1. IV. deve o Estado – que não provocou diretamente o dano nem obteve proveito com sua omissão – buscar o ressarcimento dos valores despendidos do responsável direto. § 1. após a repa- ração deverá regressar contra o poluidor direto.03. Min.2007. Segundo. Qualquer que seja a qualificação jurídica do degradador. e REsp 647. de respon- sabilidade subsidiária. solidária e ilimitada. e do favor debilis. este último a legiti- mar uma série de técnicas de facilitação do acesso à Justiça.071. 2. DJ 02. todavia. como na proteção do meio ambiente (Lei 6.ª Turma) é no sentido de que a responsabilidade civil do Poder Público é de execução subsidiária. de 24. REsp 604. Herman Benjamin. Mesmo que o Estado se enquadre como poluidor indireto por sua inércia em evitar o dano ambiental. a responsabilidade civil do Estado.2009: “4. pessoas físicas ou jurídicas. REsp 1.cers. do texto constitucional”.. cuja execução poderá ser promovida caso o degradador direto não cumprir a obrigação. colaciona-se passagem do Informativo 388 do STJ: Assim. Primeiro. AgRg no Ag 822. sem prejuízo da responsabilidade solidária. conforme preceitua o art.Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. evi- tando. DA CONSTITUIÇÃO § 3º . art. 5. inclusive técnica.2007.2008. DJ 22.577-SP. seja por impossibilidade ou incapacidade. 3.08. DJ 19. o di- reito de regresso (art. Ordinariamente.493-SC. vale colacionar passagem do julgamento do REsp 1. há responsabili- dade civil do Estado quando a omissão de cumprimento adequado do seu dever de fiscalizar for determinante para a concretização ou o agravamento do dano causado pelo seu causador direto. assentado no art. Com esses fundamentos. apesar de ser solidária.741/SP. por omissão. A jurisprudência predominante no STJ é no sentido de que. público ou privado.12. Trata-se.ARTIGO 225. DJe de 16. 50 do Código Civil" (REsp 1.938/1981. quando as circunstâncias indicarem a presença de um standard ou dever de ação estatal mais rigoroso do que aquele que jorra. de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente. LEI 9605/98 Art. enfrenta duas exceções principais. em microssistema espe- cial. Os últimos precedentes do STJ. Precedentes do STJ. na forma da lei. da reparação in integrum. Contudo. quando a responsabilização objetiva do ente público decorrer de expressa previsão legal.br 12 .ª T.º. inclusive da sua 2. regime comum ou geral esse que.

ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. do CPC. IV.725. a responsabilidade de adquirente de imó- vel já danificado porque. para que o réu saiba perfeitamente que terá a missão de desconstituir a presunção de veracidade dos fatos declinados pelo autor. de 23. A obrigação de reparação dos danos ambientais é propter rem. este não foi de sua autoria. Responsável direto e indireto.08. de 25. A responsabilidade por danos ambientais é objetiva e. “PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – DANO AMBIENTAL – CONSTRUÇÃO DE HI- DRELÉTRICA – RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SOLIDÁRIA – ARTS.753-SP. INC. independentemente da existência de culpa.08.. Súmulas 282 e 356 do STF. Solidariedade. REsp 1. se decorrente do fenômeno de violação ao meio ambiente. também. por isso que a Lei 8. 13. dispensando a prova do nexo de causalidade. não exige a comprovação de culpa. Vale destacar que a inversão do ônus da prova não deverá se proceder apenas por ocasião da sentença. Obrigação propter rem . Prequestiona- mento. Excetuam-se à regra. ainda que indireto (Estado-recorrente) (art. má- xime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4.398/1981 – IRRETROATIVIDADE DA LEI – PREQUESTIONAMENTO AUSENTE: SÚMULA 282/STF – PRES- CRIÇÃO – DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO: SÚMULA 284/STF – INADMISSIBILIDADE. preferencialmente no despacho saneador. a relação jurídica referente à proteção do meio ambiente e das suas conseqüências pela violação a ele praticada. 1056540. im- puta-se ao novo proprietário a responsabilidade pelos danos. www. é obrigado a indenizar e reparar o dano causado ao meio ambiente (responsabilidade obje- tiva).TRADICIONAL 2.902.04.171/1991 vigora para todos os proprietários rurais.2009. de qualquer natureza. (REsp.03. Legitimidade passiva do ente estatal.771/1965) que estabelecia uma limita- ção administrativa às propriedades rurais.] 3. Direito de regresso. Precedentes do STJ. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS “2. de 25.2011). 1. Dano causado ao meio ambiente.] 5. 3. se existente.2000). Responsabilidade ob- jetiva. Fixada a legitimidade passiva do ente recorrente. A Ação Civil Pública deve discutir. 267. DA LEI 6. IV. § 1º. a denunciação da lide. nexo de causalidade e dano). eis que preenchidos os requisitos para a configuração da res- ponsabilidade civil (ação ou omissão..2009). bastando a constatação do dano e do nexo de causalidade.º da Lei n. ou. ressalta-se. Art. Assim. Novo Código Florestal § 2o As obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são transmitidas ao sucessor. [.832. 2. não sendo surpreendido apenas na sentença. j.2005). o poluidor.08. 6. conforme realizado pelo Ministério Público (litisconsórcio facultativo)” (RESP 604.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE POLUIDORES: “Ação civil pública.060. o que legitima a inclusão das três esferas de poder no pólo passivo na demanda.br 13 . unicamente. E 14. DJ 22. [. Litisconsórcio facultativo. Resp 972.º 6. Impede salientar que o STJ passou a admitir a inversão do ônus da prova nas ações de reparação dos danos am- bientais.938/1981). em respeito ao Princípio do Contraditório. sendo uma ótima técnica de julgamento na hipótese de dúvida probatória (non liquet). Incabível.cers. de 1º/12/2009. Ausência... deve ser discutido em ação pró- pria” (REsp 232. por essa afirmação. 3º.com. pois poderá ser carreado ao suposto poluidor o ônus de comprovar que inexiste dano ambiental a ser reparado. 4. que tal responsabilidade (objetiva) é solidária. consoante acertada jurisprudência do STJ (REsp 802.187. no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural. independentemente de ter sido ele ou o dono anterior o real causador dos estragos. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. como tal. com base no interesse público da reparação e no Princípio da Precaução. e sim anteriormente.

a alteração adversa das características do meio ambiente. dentro da logicidade hermenêutica. nem lazer . nem trabalho. Imposição de multa. leis.ª T.de no mínimo 20% de cada propriedade.2011. Rel. Precedente do STJ: REsp 343. 4. 3. Para fins da Lei n. antecedendo a todos os demais direitos. Tratando-se de direito difuso. j.2011). mas decorre de obrigação propter rem. consoante previsto no EIA-RIMA. (REsp 896. O dano ambiental inclui-se dentre os direitos indisponíveis e como tal está dentre os poucos acobertados pelo manto da imprescritibilidade a ação que visa reparar o dano ambiental. considera-se imprescritível o direito à reparação. esta também foi a linha de pensamento seguida pelo STJ: 3. nos casos em que o empreendedor já honrou previamente com o pagamento da compensa- ção ambiental de que trata o artigo 36. 1. a segurança e o bem-estar da população. Entende-se que a resposta demanda uma análise casuística. Os dois institutos têm natureza distinta. DJ de 07. a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. Sanção administrativa. www. está protegido pelo manto da imprescritibilidade. 19. da Carta da República.863.cers.938. que cuida de hipótese de dano já ocorrido em que o autor terá obrigação de repará-lo ou indenizar a coletividade. aliás. de 10. desde que nela não se inclua a compensação anteriormente realizada ainda na fase de implantação do projeto. influências e interações de ordem física.º. com profundas implicações na espé- cie de responsabilidade do degradador que é objetiva.05. 5. art. Dano ambiental.º. III – poluição. Caso a resposta seja positiva. A indenização por dano ambiental. química e biológica. da Lei 9. tem assento no artigo 225. não se incluindo aqueles que possam ser objeto de medidas mitigadoras ou preventivas. Tal obrigação. nem saúde. entende-se por: I – meio ambiente.6. Relator Ministro Franciulli Netto.112. sendo necessário se verificar se o dano ambiental causado foi previsto ou não no EIA-RIMA.03. nos casos de atividade apta a gerar significativa degra- dação ambiental. Não há como se incluir nesse contexto aquele que foi previsto e autorizado pelos órgãos ambientais já devidamente COMPENSADO 6. 3. por seu turno. 17. DJe 29.10. não havendo bis in idem na cobrança de indenização. Min. em que o empreendedor destina parte considerável de seus esfor- ços em ações que sirvam para contrabalançar o uso de recursos naturais indispensáveis à realização do empre- endimento previsto no estudo de impacto ambiental e devidamente autorizados pelo órgão competente. a reparação civil assume grande amplitude. independentemente de não estar expresso em texto legal. independentemente da culpa do agente causador do dano. Uma questão que merece uma análise diferenciada é o regime jurídico de reparação do dano ambiental em unida- des de conservação. pois sem ele não há vida. Em matéria de prescrição cumpre distinguir qual o bem jurídico tutelado: se eminentemente privado seguem-se os prazos normais das ações indenizatórias.741/PR. fundada no simples risco ou no simples fato da atividade danosa. Execução fiscal. em prol do interesse coletivo. j. II – degradação da qualidade ambiental. por se tratar de direito inerente à vida.985/2000.com. fica demonstrado que a compensação ambiental paga pelo proponente do projeto já abarcou o dano ambiental. independe do fato de ter sido o proprietário o autor da degradação ambiental. 2. O montante da compensação deve ater-se àqueles danos inevitáveis e imprescindíveis ao empreendimento previsto no EIA/RIMA. que adere ao título de domínio ou posse. de 31 de agosto de 1981. REsp 1. O direito ao pedido de reparação de danos ambientais. 7. § 3.br 14 . Inclusive. se o bem jurídico é indisponível.2009 TEORIA DO RISCO INTEGRAL? “Administrativo. Precedente: (AgRg no REsp 1206484/SP.2002.º 6. o conjunto de condições. não sendo possível uma nova responsa- bilização civil. A compensação tem conteúdo reparatório.03.117. que permite. sob pena de bis in idem. abriga e rege a vida em todas as suas formas. IMPRESCRITIBILIDADE DA PRETENSÃO 5.11. 8.2011). Humberto Martins. fundamental. fundamental e essencial à afirmação dos povos.

como excludente de responsabilidade. Her- man Benjamin. ao manter condenação de danos patrimoniais e morais contra a Petrobrás por derramamento de óleo que prejudicou um pescador. por atividade causadora de degradação ambiental. tal qual no caso. divulgado pelo In- formativo 427: “MEIO AMBIENTE. por seu turno. é poluidor a pessoa física ou jurídica. conforme o art.2002) No dia 08 de fevereiro de 2012.938/81). se quem degradou promoveu a restauração imediata e completa do bem lesado ao status quo ante. Depreende-se do texto legal a sua responsabilidade pelo risco integral. não se fala em indenização. o que impõe a devolução dos autos ao tribunal de origem para que verifique existir dano indenizável e seu eventual quantum debeatur. deve ser afastada. ‘afetados por sua atividade’. 2. 225. ante a incidência da teoria do risco integral e da responsabilidade objetiva ínsita ao dano ambiental (art. Com esse entendimento. da Lei nº 6. se possível. ‘independentemente da existência de culpa’.br 15 . Dje 19/11/2009. com base na mesma legislação. 4. Contudo. inter partes. Min. REPARAÇÃO. art. O poluidor. poderá. 225. até sua restauração plena. INDENIZAÇÃO. COMINAÇÃO DE PEDIDOS É plenamente possível a cominação de obrigação de reparação com a indenização pecuniária cumulativamente. Destarte. caput. em tese. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. Rel. responsabilizando o degradador em decorrência do princípio do poluidor-pagador” (REsp 1. de direito público ou privado. 14 – ‘sem obstar a aplicação das penalidades administrativas’ é obrigado. por isso que em demanda infensa a ad- ministração.398).114. Precedente citado: REsp 1. de 26. 3.com. julgado em 16/3/2010. § 1º. Com isso.117-AC.” O princípio da reparação in integrum aplica-se ao dano ambiental. § 3º.11.b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. da CF/1988) devem reverter à coletivi- dade.cers.114. responsável. até que haja a recuperação total do dano. em regra. 14. a indenizar ou reparar os danos causa- dos ao meio ambiente e a terceiros. e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Já os benefícios econômicos que aquele auferiu com a exploração ilegal do meio ambiente (bem de uso comum do povo. www. em que se explorou garimpo ilegal de ouro em área de preservação permanente sem qual- quer licença ambiental de funcionamento ou autorização para desmatamento.586.120. da CF e do art. c) afetem desfavoravelmente a biota. a Turma deu parcial provimento ao recurso para reconhecer. discutir a culpa e o regresso pelo evento” (REsp 442. mais uma vez afirmou o STJ (2ª Seção) que a responsabili- dade civil objetiva ambiental fundamenta-se na Teoria do Risco Integral: A alegação de culpa exclusiva de terceiro pelo acidente em causa. a possibilidade de cumulação de indenização pecuniária e obrigações de fazer voltadas à recomposição in natura do bem lesado. o entendimento do STJ. REsp 1. Nesse sentido. direta ou indireta- mente. a obrigação de recuperar o meio am- biente degradado é compatível com a indenização pecuniária por eventuais prejuízos.893-MG.

br 16 .cers.www.com.