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ARTIGO

Integração sul-americana: um balanço crítico

South American integration: a critical assessment

Alexis SALUDJIAN 1

Resumo: Esse artigo trata da dimensão regional do modelo de desenvolvimento da América do Sul. A pri-
meira seção apresentará um balanço dos modelos de integração econômica regional a partir do conceito de
regionalismo aberto. A segunda tratará dos processos de integração regional na América do Sul (Mercosul e
Comunidade Andina de Nações) depois da década de 1990. A terceira discutirá o panorama político da região
na década de 2000 e a tentativa de renovação das proposições sobre integração regional. Finalmente, serão
analisados os resultados empíricos da integração econômica e da inserção internacional da América do Sul na
economia mundial em termos comerciais (1985-2009).
Palavras-chave: Integração Regional. América Latina. Modelo de Desenvolvimento. Comércio.

Abstract: This article deals with the regional dimension of the South American development model The first
section presents an assessment of regional economic integration models based on the concept of open region-
alism. The second will deal with regional integration processes in South America (MERCOSUR and the An-
dean Community of Nations) after the 1990s The third will discuss the political landscape of the region in the
2000s and the attempted renewal of proposals on regional integration. Finally, we will analyze the empirical
results of economic integration and international insertion of South America in the world economy in terms
of trade (1985-2009).
Keywords: Regional Integration. Latin America. Development Model. Trade.

Submetido em: 02/09/2014. Aceito em: 30/09/2014.

1 Graduado em Ciências Econômicas (Universidade Paris 10 - Nanterre), doutorado em Economia (Université
Paris 13 – Villetaneuse) e pós-doutorado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, Brasil). Professor
Adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, Brasil) e pesquisador
associado do CEPN (Centre d'Economie de Paris Nord). E-mail: <saludjian@ie.ufrj.br>. Esse trabalho teve fi-
nanciamento do IPEA (2010-2011), Projeto IPEA/PNPD Nº 015/2010 “Governança Global e Integração da Amé-
rica do Sul”. Uma versão anterior do trabalho recebeu os comentários dos membros da pesquisa e pareceres
da equipe do IPEA. Agradecemos a todos, assim como a Paulo Kliass. A extração dos dados teve o apoio de
Wesley Silva, consultor em estatística do IPEA/DEINT. A revisão final do texto foi realizado pela professora
Márcia dos Santos Silva, a quem agradecemos. A responsabilidade das opiniões do presente trabalho é do
autor.
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Argumentum, Vitória (ES), v. 6, n.2, p. 76-102, jul./dez. 2014.

Alexis SALUDJIAN

Introdução

N
o início dos anos 1990, ao sair da titividade sistêmica, aproveitando as eco-
“década perdida”, os países da nomias de escala a nível regional em situ-
América do Sul estavam à pro- ação econômica favorável e, em caso de re-
cura de modelos de desenvolvimento al- cessão, a defesa com base na demanda do
ternativos aos que foram - corretamente mercado regional. O regionalismo aberto
ou não - implementados nos anos 1960- (CEPAL, 1994) ou “novo regionalismo”
1980. O peso da dívida e as consequências (Estevadeordal e outros, 2000) foi uma ten-
econômicas e sociais foram tão fortes, que tativa de compatibilizar a globalização li-
a opção por um apoio público forte parecia beral e as normas da Organização mundial
descartada e irrelevante pela ortodoxia no do Comércio (OMC) com os blocos regio-
poder. A via alternativa e transformadora nais (seção 1). Um rápido panorama dos
mais radical estava um tanto descartada processos de integração econômicos regio-
devido ao fim da Guerra Fria e ao capita- nais nos anos 1990-2000 (Mercosul e Co-
lismo triunfante. munidade Andina de Nações) será apre-
sentado na segunda seção.
O Regionalismo Aberto ou “novo regiona-
lismo” foi uma maneira de incluir as novas Esse tipo de modelo legitimado pelos go-
teorias econômicas sobre comércio inter- vernos abertamente liberais ficou enfra-
nacional e desenvolvimento na temática quecido com as crises mexicana em 1994,
da integração regional que acontecia em asiática de 1997, russa de 1998, brasileira
todas as regiões do mundo: a reconfigura- de 1999 e a crise Argentina de 2001 (ver os
ção dos espaços econômicos e geopolíticos gráficos 1 e 2 no anexo 1). Desde 2007, os
foi muito forte, não unicamente nas Amé- governos críticos ao discurso neoliberal
ricas. Assim, nesses anos (1994-1996) vá- (principalmente Venezuela e Equador) ti-
rios acordos e novos tratados ou amplia- veram que se defrontar com uma crise
ções foram firmados: União Européia mais geral. O impacto social, político e aca-
(UE), UE-Mercosul, UMEAO (União Mo- dêmico foi muito forte (para além da Amé-
netária dos Estados da África Ocidental), rica do Sul) e as previsões em termos de
ASEAN (Associação das Nações do Su- estabilidade, melhorias sociais e melhor
deste Asiático), APEC (Associação Econô- inserção internacional, ficaram distantes
mica Ásia-Pacífico), por exemplo 2. A inte- dos resultados de quase 20 anos de políti-
gração econômica regional, desde a pers- cas liberais. Desde a volta à democracia, o
pectiva da economia ortodoxa era apre- discurso liberal estava totalmente desacre-
sentada como forma de melhorar a compe- ditado e incapaz de gerar a legitimidade,
como anteriormente. Nessa terceira seção,

2O número de acordos regionais notificados na OMC (anteriormente GATT - General Agreement on Tariffs
and Trade) passou de menos de 20 nos anos 1970, a menos de 10 nos anos 1980, mas chegou a mais de 60 nos
anos 1995-1999 segundo (BID, 2002, p. 29).
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Argumentum, Vitória (ES), v. 6, n.2, p. 76-102, jul./dez. 2014.

dominação da visão ortodoxa nas deci. p. 6./dez. Integração sul-americana apresenta-se uma rápida análise sobre a onal . Ri- cardo. média ou alta) além na economia mundial. com a dis. 2014. será apresentado na última . Serão tratados também al. v. tor financeiro. serão mo. na hora das definições dos tomadores de variana para las Américas (ALBA). posteriormente formalizada pelos 3Ver os trabalhos “clássicos” de economistas orto- doxos como (Viner. verificando se o mesmo permitiu a redução da heteroge. mas o possível verificar a forma de participação compromisso sobre a macro-estabilidade da América do Sul no comércio mundial e não permite que o essencial do regime de se a região teve algum benefício dessa po. nas políticas de integração regional fa- bilizados dados da UN-COMTRADE para zendo com que estas não rompam com o análise do período 1985-2009. nal foi durante muito tempo relegado pelo simples fato da noção de “espaço” geográ- Nesse trabalho. sendo) fortemente influenciado pela teoria sões sobre os processos de integração regi. tivos. 1950) ou (Balassa. 78 Argumentum. . Desta maneira. Para esse fim. um estudo empírico so. das vantagens comparativas de D. Vitória (ES). ou quando houver diferenças. Mercosul. acumulação desigual à dominante finan- lítica econômica para melhorar efetiva e ceira seja modificado profundamente. mas também sobre o tipo de tecno. O estudo da integração econômica regio- neidade estrutural e social da região. decisões.fa- zados para pensar a integração econômica zendo com que uma política e um discurso sul-americana e a sua articulação com os diferentes possam continuar tendo com projetos subcontinentais existentes (Inicia. Essa visão continua in- Sul para a discussão das eventuais políti. fluindo sobre os tomadores de decisão e cas tecnológicas. fico não ser considerada nas formulações ção das seguintes hipóteses: neoclássicas da teoria econômica 3. será tentada a demonstra. 1 Balanço dos processos de integração re- guns elementos relativos ao modelo de de. A forma de legiti- do caráter ligado aos recursos naturais e mar a política pode ter se modificado e cer- ao trabalho intensivo. Alternativa Boli. gionais na América Latina desde a dé- senvolvimento oriundo dessa inserção na cada de 1990 economia mundial.“super-determinação do macroeco- eventual modificação dos modelos mobili. a or- CAN) e novos Unión de Naciones Sul. Finalmente. 1990 sobre a integração econômica regio- bre a inserção internacional da América do nal nos anos 2000.IIRSA. 76-102. sendo fortemente influenci- triais. ado pelo novo peso da economia chinesa logia utilizada (baixa. nômico ortodoxo sobre o político”.inércia das visões dominantes nos anos parte do trabalho. O de- senvolvimento econômico foi (e continua . base os modelos econômicos semelhantes tiva para a Integração da Infra-estrutura aos anteriores do período liberal nos obje- Regional Sul Americana.2. modelo de acumulação sob domínio do se- tinção entre produtos primários e indus. todoxia macro-econômica terá preferência americanas (UNASUL). 1962). sustentavelmente a sua inserção na econo- mia mundial. será tas iniciativas podem ter mudado. jul. n.

n. Essas micos à integração sul-americana foi. num contexto de liberalização (Consenso gráfica de P. empresas e importações das tecnologias mento fundamental para que os países e as de fora com tentativa de internalizar os economias pudessem aproveitar plena. terceira dora. de Washington) a procura do aumento do valor agregado dos bens produzidos e ex- Assim. jul. Na visão da Co- mente das vantagens comparativas (“su. a lógica ortodoxa do desenvolvi.2. mas esses trabalhos de P. 1990. Vitória (ES). Ver Chang (2003) e Bairoch (1994). se apoiando no que teve força nos anos 1970 e que conti- mercado regional. terminaram sustentável. marco macro-econômico «estável» graças guerra fria. Venables. liberalizante da época do “fim da (2000) geração. alinhada à corrente conserva. de abertura e a grande inserção na econo. seja nacional ou regional . segunda (1990) ou mesmo. Krugman nos anos 1990. nuou influenciado pela visão dominante manda mais “estável” e supostamente liberal dos anos 1990-2000. e o Caribe (CEPAL) dos anos 1990. Krugman e A.na fase de expansão da economia mun- dial. sendo super determinadas pelas políticas macroeconômicas de cunho liberal (ou ne- A resposta em termos de modelos econô. estimular a eficiência produtiva e assim mica sul-americana pode contribuir para romper a inércia de preços nos oligopólios esse ciclo da seguinte maneira 5: nacionais graças à concorrência internaci- onal. oliberal. liberalização (trans-nacionalizações das rias (liberalismo comercial) seria o instru. sem entrar nesse debate). e modernizadas pela nova economia geo. 76-102. como base de uma de. . que visava aumentar o conteúdo tecnoló- mia mundial (demanda mundial) seriam gico dos bens comercializados através da essenciais. processos e adaptá-los) 6. 6. missão Econômica para a América Latina postamente” naturais4). essa li- beralização era também uma maneira de Para a visão ortodoxa. 1980). aproveitando a criação de comércio As ideias neo-schumpeterianas relativas gerada por mercados mais abertos. Alexis SALUDJIAN trabalhos de Heckscher-Ohlin-Samuelson No que se refere à inserção internacional. de inflação do Banco Central «independente» e 5 Ver por exemplo nas referências bibliográficas os uma taxa de juros. arranjos macroeconômicos têm idiossincrasias - 79 Argumentum. . 4Não entramos nesse artigo na discussão sobre o 6Ver Saludjian (2010). o grau MER. caráter natural ou estrategicamente construído de 7No caso do Brasil se deu com o sistema de metas tais vantagens. nos políticas de ajuste sejam da primeira (anos anos 1990. consolidaram o fato que o história” e do triunfo do liberalismo pós. p.nos períodos de recessão. a políticas de cunho liberal era um “bem público” favorável ao conjunto da socie- dade e que tinha que ser preservado a qualquer custo 7. a integração econô. a maior do mundo./dez. ao desenvolvimento do sistema produtivo e tecnológico. v. 2014. portados combinou com a corrente das no- mento econômico seria de “dentro para vas teorias do comércio internacional (RO- fora”: para poder se desenvolver. influenciando CEPAL 1990). A redução das barreiras tarifá.

aumentando a infra-estru- 9 Ausência da moeda no modelo. Vitória (ES). 2005). estudo estático. Os efeitos em termos de custos vantagem era de assegurar. O Banco Interamericano É interessante ressaltar que a integração é de Desenvolvimento (BID) trabalhou so. jul. 2014. por exemplo. direitos alfandegários “tudo ou nada”. nal como etapa prévia à uma maior globa- lização comercial. por exemplo. mercial ou tecnológica. Integração sul-americana A integração econômica acompanhou esse Assim mostrada a “superioridade” do Re- tipo de visão de inserção internacional gionalismo Aberto (vis-à-vis um hipoté- como foi estudado a partir do livro da CE. tura para o comércio de bens e serviços (IIRSA). mas iniciativas visando à redução dos custos de 8 Ver Saludjian (2005). Essa última instituição promo. n. modelo de integração econômica aceita as ción Productiva con Equidad (ver Saludjian. entre ou. mento de uma política regional. transação. 80 Argumentum. assim como gionalismo aberto. Os efeitos de criação os do «resto do mundo» (países fora do permitidos pela redução dessas barreiras acordo regional) atinja o nível máximo no alfandegárias devem se tornar maiores do caso de barreiras tarifárias nulas8. mas elas são numerosas9. Não serão reproduzidas as críticas inter. também hipoteticamente sub- erto en América Latina y el Caribe. Numa situa. de nível de satisfação. da Argentina./dez. ausência de estudo sobre o papel das Empresas contribuíram a essa mesma visão. políticas de macro-estabilidade ortodoxas 2005). sitivo para atingir um nível superior de sa- via um tipo de regionalismo aberto cuja tisfação). la integra. o receituário neoclássico. apropriada ao aumento do livre-comér- ses se beneficiam atingindo um máximo cio 10. o nalismo seja considerado eficiente. 10Na seção seguinte. Trans-Nacionais e o nível organizacional das em- presas. mundial. metido a elevadas barreiras tarifárias). v. Essa modelo do BID apresenta os resultados re. A partir que os efeitos de desvio para que o regio- de uma análise estático-comparativa. que o nível de satis. Mesmo advertindo sobre os riscos que seriam uma base para o desenvolvi- de uma abertura completa. fandegárias) continuam constituindo o fação dos «indivíduos representativos» ponto central do argumento a favor do re- dos países do bloco regional. 76-102. o ción económica al servicio de la Transforma. o período ver o caso. seja co- riu à visão da integração econômica regio. . ção dos custos de transação a resposta ção de Regionalismo Aberto. tico regionalismo fechado ao comércio PAL em 1994 titulado El regionalismo abi. tações dos anos 1950-1970 contribuiu para a consolidação de certos setores e grupos econômicos na América do Sul. 6.2. a CEPAL ade. que vê na redu- ção neoclássica de utilidade. num marco de transação (nesse caso de barreiras al- analítico neoclássico. p. visão é compatível em todos os níveis com ferentes aos níveis de satisfação numa fun. vista como uma etapa para o livre-comér- bre essa mesma problemática sendo mais cio global e que a lógica liberal prevalece categórico quanto aos beneficios do livre (criação de comércio e do seu impacto po- comercio. serão analisadas como algu- tros. Da mesma maneira que a política de In- nas e externas feitas a esse tipo de modelos dustrialização por Substituição de Impor- neoclássicos. todos os paí. Ver (SALUDJIAN.

ses respectivos e os seus interesses nacio- líticas e visões da integração regional na nais16. a partir do Tratado de Maastricht. de meta de inflação do Banco Central. são: o Fundo 12 Como foi a saída de helicóptero do Presidente F. tipo de discurso ./dez. os países em vez de de- econômica e o adjetivo neoliberal. 14 Ver Carcanholo (2010) e Saludjian (2010). contra as políticas do «passado neolibe- ando e ditando a política econômica após ral»14. 6.2. minologia da nova CEPAL.. bus (2002. apresentados um número expressivo de possível legitimar políticas econômicas trabalhos e documentos oficiais como do (macroeconômicas. 6. para ca. macroeconômica conjunta atuaram exata- levou a modificar em grande medida a mente na direção contrária sendo influen- maneira de legitimar as políticas a partir ciados pelos grupos econômicos dos paí- dessa época. e que tem editado e difun- a crise econômica. Sobre a LRF. período dos anos 2000. 96). continuam sendo rias e aumento do livre-comércio). p. neo-estruturalista na ter- uma visão mais homogeneizadora (estru. como notam Nascimento e De- R. organismo do qual o De la Rua em dezembro 2001 da Casa Rosada após Brasil é Estado-membro. nanceiros. mesmo depois do econômica (redução das barreiras tarifá. nuar utilizando esses modelos (Regiona- vulgados seja na academia seja no âmbito lismo Aberto. país central e de peso funda. . economia do conhecimento dos policy-makers. Monetário Internacional. dido algumas normas de gestão pública em diver- 13 No caso do Brasil. plo da estabilização da inflação através do sistema 15 Ver Filgueiras e Gonçalves (2007. Era im. Essas medidas estão de acordo com os objetivos li- damentação pode ser encontrada nos trabalhos de berais. n. Isso tam. […]”. péia.] os modelos que gemonia e da constituição de grupos/elites de inte. 81 Argumentum. 2014. entendidos e di. Certos autores caracterizaram esse a série de crises que indicamos acima. Alexis SALUDJIAN de liberalização mais forte do final dos com o discurso neoliberal dos anos anos 1980 e 1990. representante da visão gramsciana da he. Porém.«novo-desenvolvimen- ção das variáveis macroeconômicas sobre tista» no Brasil. a fun. acadêmicos sejam os modelos econômicos e as justificativas eles nacionais ou estrangeiros11). Es. 1980/1990 sem graves consequências em cimento de outros setores empresariais (fi. foram tomados como referencial para a elaboração resses internacionais. Cox. produtivos. ção regional de América do Sul. da Lei de Responsabilidade Fiscal. de resultados na «estabilização» macroe- bém vale para a maneira que os modelos conômica13 deixaram espaço para conti- econômicos são aceitos. sos países. De maneira mais teórica. p. América do Sul fortemente influenciadas pelos modelos de base (neoclássicos) que No que se refere ao tipo de integração (li- justificam economicamente a integração beral) ou alternativo. termos de legitimidade política 12. Não foi diferente para as po. 76-102. nosso grifo) “[. p. aldo e Arceo (2006). jul. da Lei de 16 Ver Basualdo e Arceo (2006). Responsabilidade Fiscal e do superávit primário. integração regional) 11 Sobre o tema dos setores dominantes ver Basu.. […] a Comunidade Econômica Euro- mental para qualquer orientação relativa à integra. trata-se por exem. Existia uma dificuldade adicional: a maneira de aplicar e apresentar a política em épocas de crise. política e social na Argentina. tipo de modelo como Modelo Liberal Peri- sas crises tiveram um forte impacto sobre férico 15. também criou o fortale. Uma hipótese que se e de abertura comercial) só que com outro procura mostrar é que a super determina.e para lutar tural e socialmente) continuou influenci. senvolverem uma política de coordenação racterizar as políticas dos anos 1980/1990. v. Vitória (ES).

que será rapidamente apresen. n.2. e eventualmente Quadro 1 a seguir) tem uma longa história financeiro. 2014. Collor de Mello ba- seou-se numa visão (neo) liberal domi- Essa seção teve como objetivo mostrar nante na América do Sul do Consenso de quais são os fundamentos econômicos do Washington. no qual o debate sobre os temas desde a tentativa de reestruturação produ- de desvios e criação de comércio. gentina. Tais inte- mática da teoria liberal do comércio inter. grações tiveram um cunho principalmente nacional) tem destaque quase exclusivo liberal. aproveitou-se da taxa de câmbio nou-se por apontar alguns elementos rela. baixo . barreiras tiva regional dos cepalinos originais da tarifárias e efeitos de escalas (ou seja. do nível de comércio intra-Mercosul. era muito venciadas pelo do bloco sul-americano. ção regional como espaço de eficiência A integração latino-americana recente (ver para o capital produtivo. North America Free Trade Agreement cano y del Caribe) no “Informe sobre el (NAFTA ou ASEAN). A es- tado na seção a seguir. Venezuela e Equador) o que Programa de Integração e Cooperação constitui um avanço para definir uma es.80% nos casos da 82 Argumentum. UE e APEC) vol- tasse a níveis de comércio intrabloco seme- A visão ortodoxa e tradicional da integra. nalização comercial da região. Ar- que prevaleceu desde os anos 1990. Esse nível. jul. Em 2008 4/5 do comércio era realizado (América da Alasca até Terra do Fogo) en- com outras regiões (ver Gráfico 3 no controu com o Mercosul uma proposta al- Anexo 1). a crise Mexicana do “Tequíla” (1994-1995) e a 2 Integração econômica Regional na crise asiática subsequente fizeram rapida- América do Sul: rápido panorama histó. com a retomada nos anos pós-dita- nas medidas econômicas. ternativa mesmo com as dificuldades vi- tras zonas/blocos econômicos. 6. p. ver dados da OMC Proceso de Integración Regional. A assinatura tratégia alternativa mesmo com as limita. em 1986 (PICE).em torno de 60 . lhantes aos níveis de pré-integração a par- ção econômica toma como indicador de di. e mostrava o elevado grau de internacio- 2010” que continua entendendo a integra. tir de 1999-2000 (ver Gráfico 3 nos anexos). Integração sul-americana SELA (Sistema Económico Latinoameri. comparado com ou. mente com que a quarta zona comercial do rico dos anos 1990 mundo (após ALENA. 2009 . tabilização e o Plano Real no Brasil. a te. v. . Menem e F. Note-se que o dura dos acordos setoriais e de coordena- discurso político mudou (especialmente ção produtiva entre Argentina e Brasil na Bolívia. UE. em 1991 do Mercosul pelos Presidentes da ções indicadas. CEPAL (ALADI) dos anos 1980. 76-102. Termi. Vitória (ES). O então melhor aluno do tipo de modelo de integração econômica Fundo Monetário Internacional (FMI). namismo de um bloco regional a evolução do comércio intra-bloco. Econômica. Em 1990./dez. do peso “uno a uno” com o dólar norte tivos ao predomínio dessa visão mesmo americano (Lei de Convertibilidade de depois da mudança do panorama político 1991) para impulsionar uma forte elevação da região. época C. o nível A opção da Área de Livre Comércio das era menos de 15% contra um pouco menos Américas (ALCA) apoiada pelos Estados de 20% das exportações da América do Unidos de América (EUA) desde 1990 Sul.

a re. A ênfase do processo era emi. 2000: IIRSA (Modelos do BID. 1979-1983: Início da Institucionalização da CAN (Comunidade Andina de Nações) e regionalismo aberto. A eleição de H. (de 5% do comércio total nal em 1980 para 15% em 1998 (Ver Gráfico 3 no Anexo). 76-102. Fonte: Elaboração do autor a partir dos diversos acordos de integração regional e subregional. 1991: Mercosul no marco analítico liberal dos anos 1990. Peru. Tal como aponta: 83 Argumentum. política (“que se vayan todos” na Argen- tina) motivou a eleição de vários governos Como serão vistos na próxima seção. americana de Nações (CSN) e da ALBA e ram em 1983 um modelo aberto de inte. jul. Chile. fato se concretizou com a criação na vará à criação em 1979 da Comunidad An. houve uma 3. 2005: Encontro de Mar del Plata (“fim” do ALCA). A terna comum. a assina. 1994: Encontro de Miami (ALCA). Tal dor marca o início de um processo que le. com o objetivo de justificar a ALCA promovida por G. chamados de “progressistas” (não-libe- novação política nos anos posteriores à rais) na América do Sul. crise Argentina de 2001 terminou com a le- onal do norte da América do Sul. 2000. Os países adota. Vene- tre Bolívia. 1986: Programa de Integración y Cooperación Económica (PICE) Brasil-Argentina no marco do desenvolvi- mentismo cepalino. mesma época (2004) da Comunidade Sul- dina de Naciones (CAN). ção das consequências econômicas e soci- vre comércio e adotou-se uma tarifa ex. ais de vários países da América do Sul. Colômbia. 2006: Entrada do Venezuela no Mercosul 2008: UNASUL. gração onde regia explicitamente a lógica do mercado. No que diz respeito à integração sub-regi. Brasil. n. 1969: Acordo de integração subregional no norte da América do Sul (Acordo de Cartagena). 2014. o cenário político Andina de Justiça e do Parlamento An. Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). zuela se posicionaram contra a ALCA. Alexis SALUDJIAN Quadro 1: Principais acordos de integração econômica regional na América latina 1960: Acordos regionais para um Mercado Comum Latino-americano do tipo Prebisch (chamado de regio- nalismo fechado pelos autores defensores do “novo Regionalismo” ou “Regionalismo aberto”). 2004: Comunidad Sudamericana de Naciones (CSN) e ALBA. política econômica e em certos casos da naram paralisando a CAN. . 3 O panorama político da região na dé- nentemente comercial e os resultados em cada de 2000 e a tentativa de renovação termos de comércio intrabloco estavam das proposições sobre integração regio- em alta até 1998. Chaves em esperança de mudança de orientação da 1998 gerou problemas políticos que termi. v. 6. Desta maneira. “Área de livre-comércio do Alasca até a Terra do Fogo”). Equa. rios países como Argentina. o encontro de Mar del Plata em 2005. Vitória (ES). da Tribuna No início dos anos 2000. p.1 Os processos de integração nos anos consolidação institucional dos anos 1979 e 2000 1983 (criação do Conselho Andino de Mi- nistros de Assuntos Externos. gitimidade do discurso (neo) liberal e vá- tura do Acordo de Cartagena em 1969 en.2. de grande parte da região mudou em fun- dino) e em 1995 foi criada uma zona de li./dez. 1980: Crise da dívida. Bush em 1990.

parte da Venezuela. que engavetou. para as Américas com um maior grau de profundidade e (FIORI. Lugo foi inúmeras controvérsias comerciais entre Brasil e eleito em 2008. Pueblos de Nuestra América (ALBA-TCP) zquez) e do Paraguai (período do Presi. e o seu projeto dança de modelo econômico aconteceu de criação da ALCA. os modelos vigentes implementa- dos na época liberal anterior. principal país da região. pleno do modelo neoliberal levaram a mesmo com governos críticos ao neolibe./dez. e só aos pou- pedir tensões comerciais e até diplomáti- cos foram mudando (em alguns casos). Brasil. e coincidiu com a mudança da política externa ame- Mercosul durante a tentativa de golpe de ricana. mostrou a existência de interesses contra- dos os novos governos mudaram. p. No Paraguai. cana. desde então continuou relativamente inci- dente Lugo) multiplicaram os discursos de piente com intercâmbios entre Venezuela renovação e reorientação do Mercosul e Cuba (petróleo contra serviços médicos e 17Obviamente existem casos específicos como esse 18Por exemplo o caso Botnia entre Argentina e Uru- da Bolívia em que o problemas sociais levaram à guai. Primeira- No caso do Mercosul. se aproximar institucionalmente com o rica do Sul. Estado no Paraguai em 1999). A dificuldade de aprovação da en- sua estratégia econômica. parlamentos dos quatro países membros nomia sul-americana. F. 2014. 2). as divergências econômicas conti- e políticas neoliberais que haviam sido nuaram entre os membros sem que o me- hegemônicas na década de 1990. da nova administração republi. ralismo. a entrada nismo norte-americano no continente. 17 com choques políticos mais claros já que as medidas contrárias ao funcionamento O objetivo desta seção é mostrar que. ana para las Américas de 2004 a 2009 eleição do Presidente Lula). jul. Integração sul-americana Todos os novos governos de esquerda como futuro comum dos países membros. 2011. pressões políticas (e/ou militares) fortes. de George Bush. 76-102. além do interesse de mente a integração autônoma da Amé. o “globalismo liberal”. mente. sem ter conse- guido alterar ainda. mas canismo de solução de controvérsias (Pro- mantiveram a política macroeconômica tocolo de Olivos em 2002) conseguisse im- ortodoxa daquele período. se opuseram às ideias Porém. pouco foram Em escala sul-americana. De ríodo anterior e passaram a apoiar ativa. ou progressistas. a política externa do pe. políticos e econômicos desses países. Essa exaustão deu espaço para várias iniciativas. 84 Argumentum. to. o trada da Venezuela no Mercosul pelos modelo tradicional de inserção da eco. no Mercosul garantia também certa estabi- Este giro político à esquerda ocorreu de lidade política (como mostrou a reação do forma quase simultânea. pode-se falar de alterados (especialmente no Brasil e na Ar. . opondo-se ao intervencio. um esgotamento do referencial legitima- gentina). a cas 18. 6. dor do modelo liberal. Argentina sobre um amplo número de produtos. o caso de Itaipu entre Brasil e Paraguai e as eleição de Evo Morales. da Em países como Bolívia e Equador a mu- Administração Clinton. os governos da Ar. p.2. quase ditórios entre os países e entre os grupos imediatamente. a proposta da Alternativa Bolivari- gentina (pós-crise de 2001). v. Mesmo assim. do Uruguai (a (ALBA) e Alianza Bolivariana Para Los partir da eleição do Presidente Tabaré Vá. Vitória (ES). na prática. substantivamente. n. do Brasil (pós.

Essa situação mostra que componente nacional é um elemento que da mesma maneira que as decisões políti. ONGs. mas também integração e a forma dessa integração pro. Essa situação favorável permitiu A Comunidade Andina das Nações que vários atores econômicos nacionais (CAN) sofreu uma grave crise em 2006 (agronegócio. Bolívia e Uruguai continuaram vocou debates de natureza econômica e assinando acordos de livre comércio com política. modelos de integração econômica especi- posta de nove membros: República Boliva. condição privilegiada. os Acor- monia do Brasil e do bloco boliviano na dos de Livre comércio se multiplicaram na CAN (Equador e Bolívia) mostraram que a região. parceiros da região da América do Sul 19 Ver: http://www. internacional (ex- uma integração econômica alternativa terna na ONU./dez. Bolívia e. 6. problemas de pobreza e a forte demanda social in. Peru. San Vicente e as Granadinas e parte da China (atualmente maior parceiro Antigua e Barbuda 19. tampouco pode se realizar dade popular (interna). como vimos no início de outubro 2010. República de Nica.org/exterior/can_mercosur. comercial e investidor na América do Sul22).htm>. taram o funcionamento do modelo de de- cou numa mudança da trajetória de regio. sindicatos) não afe- UNASUL 20 e com o Mercosul21 não impli.alianzabolivariana. desse tipo de experiência tanto no que diz respeito 22Não se trata aqui de negar os esforços políticos à construção de uma trajetória soberana de desen. apoiando a manu- sões políticas entre os dois países (CEPAL. v. satisfeita. O 2010. no 20 Ver <http://www. almente no Cone Sul. matérias primas produzidas por vários República de Honduras. p. contraria os efeitos integradores entre paí- cas sozinhas não têm a capacidade de mo. p.org/suda. Chile. dos em grande parte. porque a partir de República de Bolívia. tenção da macro estabilidade ortodoxa. comu- se trata aqui de minimizar os problemas e limites nidadandina.comunidadandina. Colômbia.org/ >. mas de avaliar se esses são suficientes para modifi- volvimento (frente à forte presença de empresas car o projeto econômica de integração econômica transnacionais e oligopólios nacionais) quanto aos alternativo. Davos. durante a década dos anos 2000. ses. 76-102. jul. 85 Argumentum. Desde 2009 a ALBA está com. estes foram manti- riana da Venezuela. Note-se que.2. Assim. República de países da zona e com forte demanda por Ecuador. . Vitória (ES). merica. longe de ter desaparecido nômico para ser um contraponto à hege. 124-126). 2014. financeiro) estivessem em com a saída da Venezuela devido a ten. Não 21Relação Mercosul-CAN: ver <http://www. 1983. OMC) e até mesmo plena sem uma visão estratégica e política popular internacionalmente (Fóruns Soci- comum. 23Isso não se aplica nesses termos para Venezuela. A aproximação da CAN com a ais Mundiais. Alexis SALUDJIAN de educação) o entre Bolívia y Cuba (apoio No que diz respeito aos fundamentos dos técnico). nem a hierarquia de po- nalismo aberto existente no bloco desde der 23. senvolvimento. Os recentes debates em abril e maio de 2011 sobre a criação de um bloco eco. 2000 se iniciou um ciclo de preço alto de rágua e a Mancomunidad de Dominica. República de Cuba. n.htm>. Equador. Os ajustes em termos de políticas e dificar os fundamentos dos regimes de programas à procura de maior legitimi- acumulação.

3.] uma economia só” tes. mas a maneira pela qual essa 3.1 Integração física (IIRSA) 24 iniciativa de 2004 27 ocorreu num contexto de modificações políticas importantes na América do Sul. permanecendo nua analisando o interesse da integração “alternativo” ou “progressista” no dis. econômica em termos de criação de co- curso. p. Projetos diferentes na essência e nos obje.org/BancoConocimiento/ Ver SELA (2010.2. constam mércio e os períodos de avanços retóricos em primeiro lugar o Regionalismo Aberto e institucionais na integração sul-ameri. ciativa para a Integração da Infra-estru- compatibilidade entre acordos de livre co. n. privadas (ou semiprivadas) brasileiras na Comunidade Andina de Fomento (CAF).2. Essa estratégia de grandes corre- para uma proposta alternativa como a pro. del comercio » (SELA.asp?CodIdioma=POR>. . jul. 8). Krugman) e conti- de pressupostos e modelo. Vitória (ES). com impacto no processo 24 Nessa parte nos centraremos sobre o impacto de mejorar la competitividad internacional y reducir essa iniciativa sobre a integração econômica no que los costos y tiempos de transacción en el comercio diz respeito ao Regionalismo Aberto e a redução de internacional. p/principios_orientadores/principios_orientado.2 UNASUL tivos. 2010. el desarrollo de instrumentos para la facilitación sentados na primeira seção). 25 Ver <http://www. 27Comunidad Sudamericana de Naciones (CSN) a res_POR. Não se pretende discutir em detalhe a UNASUL. deduz a economia neoclássica (nova eco- vimento contraditório: liberal em termos nomia geográfica de P. Integração sul-americana como os que se encontravam fora da Nos princípios orientadores da IIRSA. mércio (versus desvio de comércio) 26. sem levar em conta de maneira significa- tiva o espaço. mas que acabam se aproximando se- rão discutidos a seguir. Assim. o meio ambiente e as comu- 3. 2. A senvolvimento Econômico e Social fonte de financiamento dessa iniciativa é (BNDES) desde o final da década dos anos também relevante para entender a estraté- 2000 e a estratégia de grandes empresas gia que guia seus princípios gerais: BID. 2014. Os novos projetos de integração nidades presentes. formas do financiamento dos projetos. 2009. O peso do Banco Nacional de De. ha estimulado en los últimos tiem- custos de transação (argumentos mobilizados nos pos un interés creciente en los países de ALC por modelos de integração regional neoclássicos apre.2. grifo nosso).iirsa. dores visa dar apoio a um tipo de inserção posta original relativa ao banco do Sul da internacional e de capacidade exportadora Venezuela e do Equador. tura Regional Sul Americana 25. comercial através da redução das barrei- ras internas ao comércio. Ini- mesma. rica do Sul como “[. América do Sul não deixou muito espaço Fonplata./dez. p.7) teria como interesse modelos de desenvolvimento e de integra. p. 76-102. “La importancia de titutivo da UNASUL em Brasília em maio de 2008. vê-se que não existe in. 6. A visão de Amé- As dificuldades no que diz respeito às fon. v. 86 Argumentum... 6. partir da Declaración del Cusco (dezembro de 2004) 26 A seguir duas citações da SELA (2010) sobre o e UNASUL a partir da assinatura do Tratado Cons- mesmo tipo de argumento: 1. cujo objetivo é a liberalização e abertura cana. aproveitar as economias de escalas como ção econômica são um exemplo desse mo. p.2. (IIRSA.

educación y SUL. SIPLAN parece relevante porém. tico e o papel da integração física mudou SUL serviu como ponto de apoio para ou. a IIRSA tem como primero princípio o regionalismo aberto Los aspectos que incluyó la Declaración que discutimos na seção 1. 2009). cultura. que resse dos empresários ou dos trabalhado. 2010. p. que tem um as dimensões sociais. 138). um projeto de integração em infra-estru- tre Mercosur. com o modelo econômico do Regiona- lismo aberto. Al respecto. p. beneficiarias de este enfoque subregio- nal más amplio (CEPAL. Existe UNASUR y el proyecto integracionista: uma dicotomia entre a integração política La UNASUR puede ser un espacio ade- e a integração econômica. sertado en la estructura de la Unión de Naciones Sul-americanas (UNASUR). Politicamente. 87 Argumentum. (UNASUL. Tal como estabelece a Declaração de Cusco: Como foi visto acima. La res)./dez. internacionais. (de Cusco) fueron: la concertación y coordinación política y diplomática. grifo nosso).2. fico más amplio de la UNASUR. 76-102. Por ejemplo. y Chile a través del per. la transferencia de tecnolo- tinuarão o trabalho agora dentro da UNA- gía en materia de ciencia. específicamente en el marco del trabajo Aparece claramente a menção ao livre co- del Consejo Suramericano de Infraes- mércio como vetor integrador da América tructura y Planificación (COSIPLAN) do Sul o que é perfeitamente compatível (CEPAL. Se a citação é levada em Vale a pena ressaltar que o discurso polí- conta. em 2010. pelo menos até cuado para tratar algunos temas delica- o período recente. principalmente após (IIRSA) podría ser una de las principales a tentativa de golpe de Estado no Equador. la integración física. n. los temas re- para um rumo alternativo. os funda- enfoque num modelo de desenvolvimento mentos teóricos da necessidade de reduzir para fora de cunho mais ortodoxo. tura a partir da UNASUL através do CO- feccionamiento de la zona de libre co. nos últimos anos integrando por exemplo tras iniciativas como a IIRSA. de mobilizar profundización de la “convergencia en. o tipo de mercio”. 6. la armonización posta da IIRSA dentro da UNASUL já que de políticas de desarrollo rural y agroa- são as mesmas equipes da IIRSA que con- limentario. Essa separação faz com dos que no han podido abordarse plena- mente en la Comunidad Andina y el que a capacidade política de orientação MERCOSUR. o estabelecimento de Iniciativa para la Integración de la Infra- uma cláusula democrática em outubro estructura Regional Suramericana 2010 foi importante. . la interacción entre empresas y sociedad civil. teniendo en considera- ción la responsabilidad social empresa. grupos de inte. Alexis SALUDJIAN de integração econômica regional. jul. en 2010. 2014. permitiría el equilibrio de intereses. homogeneiza- lativos a la infraestructura física y la dor seja reduzida à possibilidade de influ- complementación en materia de energía enciar os atores (nacionais. la IIRSA se ha in- rial. vê-se que em alguns casos a UNA. Contudo. Vitória (ES). la A iniciativa recente. y. podrían resolverse en el ámbito geográ- financeiros ou industriais. energética modelo utilizado não deve afetar a pro- y de comunicaciones. v.

ordenamiento normativo de sus Estados Partes. jul. decisões políticas e a efetiva aplicação econô. Se for considerada a experiência europeia mesmo que parcialmente. también se tica. ricano de Educação. tégicos e deveriam ser prioridade nessa cos expressivos (recentemente em 2010 fase inicial de desenho econômico. Se 31Ver <http://www. v. estima que el porcentaje de no internalización de 88 Argumentum. delo de integração regional ganhou um rado ao papel político e econômico da Co. reconheceu as dificuldades da do Tratado Constitutivo das Nações Sul- IIRSA: americanas 29 termina não apontando para uma direção precisa tanto nos modelos Asimismo. de las instancias decisorias del MERCOSUR en el 30 Ver <http://www. 76-102./dez. financeira.org/>. 6. p. órgão das Nações A lista de objetivos específicos do artigo 3 Unidas. O mo- papel da UNASUL não pode ser compa. sul: “Un tercer desafío es mejorar los niveles aún com/downloads/tratado-constitutivo-UNA- bajos de incorporación de la normativa emanada SUR. de União Europeia.pptunasur.coseccti-unasur. infraestrutura. mas os canais de missão Europeia de Bruxelas. 2010. Até mesmo a CEPAL. Tec- torio para hacer viables los objetivos de nologia e Inovação (COSECCTI 31) estão la integración física regional (CEPAL. americano (CDS) 30 e o Conselho Sul-ame- tentables y sistematice el marco regula. O modelo econômico exis- de esta con las dimensiones económicas tente continua sendo a referência. Es- cujo desempenho não tem a capacidade de ses canais (política-economia) sofreram Um exemplo da diferença que existe entre as nor- 28 dichas normas excede el 50%” (CEPAL. estra- Mesmo tendo mostrado resultados políti. n. Vitória (ES). Tal não é o caso da UNASUL.pdf>.org>. 124. etc. cionais. Ciência. o das políticas de integração regional. Cultura. a hipótese 2 so- em relação às vinte e sete economias naci. novo destaque político. Os gru- y políticas de la integración regional pos de trabalhos temáticos previstos na existentes en América del Sur y procurar alcanzar una institucionalidad eficaz UNASUL como o Conselho de Defesa Sul- que permita implementar políticas sus. gião nos anos 2000 e assim fundamentou. 2014. mica é o caso da aplicação das normas no Merco. e os efeitos econômicos nos seto- mandato para exercer um tipo de política res. mas. não são automáticos. bre a inércia nos processos de formulação onais dos membros do bloco regional. . 138).cdsunasur. además de la necesidad de que deveriam ser privilegiados quanto às realizar un intenso trabajo de difusión políticas prioritárias (integração energé- de la IIRSA en la sociedad. porém. No caso da transmissão entre a vontade política. Esses dois conselhos são. 29Disponível na página: <http://www. de outro. como no caso do Equador) a UNASUL ainda carece da capacidade em influenciar A presente seção apresentou rapidamente as políticas econômicas e os fundamentos as modificações políticas ocorridas na re- macroeconômicos nacionais ou regionais. p. a Comissão Europeia tem um lado. nosso grifo). de desenho das políticas para esses seto- res. Integração sul-americana os custos de transação (barreira tarifárias) influenciar os tipos de políticas econômi- permaneceram. entre os agentes econômicos e institu- econômica.2. ainda numa fase muito inicial do processo 2010. p. cas para o conjunto da América do Sul 28. agroali- requiere mejorar la complementariedad mentar.).

– apesar do discurso sobre a importância ceira. Sul e se esse padrão se modificou ao longo do perí- tados dos fluxos comerciais.1 Comércio.2. rica do Sul (e sim para América Latina). 6. p. funda (liberal) na economia mundial . 89 Argumentum. a UNCTAD critica a visão neoclás- dial32 sica do desenvolvimento pela abertura econômica e a inserção na economia mun- 4. dos empíricos do tipo de integração eco- nômica em termos de inserção na econo. estudo apresentado nessa seção diz respeito à apre. A especificidade do odo considerado. A escolha timos na seção 1) deve também se interessar nas das origens e destinos (América do Sul ou países eventuais mudanças da pauta comercial da Amé. nados. 76-102. Alexis SALUDJIAN ataques permanentes durante os anos Globais33. Apontou-se alguns ele. n. finan. mento. 2014. A relação entre mercado interno e volta a ser um dos eixos fundamentais do externo. A Comissão Econômica das Nações Uni- mia mundial. assim como os determinantes modelo de acumulação já financeirizado desses diferentes mercados são colocados numa economia mundial em profunda em questão: os países em desenvolvi- mutação com o peso crescente da China e mento podem não se beneficiar de uma de reconfiguração das Cadeias de Valores 32A temática da integração econômica regional por como trabalhos da CEPAL não disponibilizam tais seguir modelos na procura da redução das barrei. Assim. 33 Não se entrou em detalhes sobre essa literatura sentação de séries temporais em gráficos permi. Vitória (ES). por exemplo 34. nômico foi fraco na América Latina. Especialmente. gráficos e não especificam os resultados para Amé- ras tarifárias para melhor o comércio (como discu. que pode ser encontrada em Kaplinsky e Morris tindo a análise de tendências. Estudos recentes mostraram que 1980-1990 (liberalização comercial. ou regiões mais desenvolvidas como EUA ou UE) rica do Sul e precisa assim de uma avaliação das visa a discutir o caráter dependente da América do políticas econômicas aplicadas com base nos resul. veis na base de dados da UN-COMTRADE assim 34 Ver Mulder (2009) e Palma (2010). . desenvolvimento e dial a qualquer custo. quando comparado a outras regiões. os fun- (curto) período da Industrialização por damentos da visão liberal apresentados na Substituição de Exportações. no inserção na economia mundial que se refere à especialização em setores nos quais a demanda mundial é forte ou Esse modelo de acumulação baseado nas quando o baixo custo da força de trabalho exportações (desenvolvimento para fora) é um elemento essencial da competitivi- conheceu uma breve mudança durante o dade do país ou da região. mas a partir seção 1 do presente artigo foram questio- do final dos anos 1980 e início dos 1990. As tabelas disponí. (2000). das para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) traz elementos importantes 4 Resultados empíricos da integração sobre esse tema no seu último relatório pu- econômica e da inserção internacional blicado em setembro de 2010. como Na seção seguinte serão vistos os resulta. jul. a Ásia. destruição da confiança nas institui. v.o mentos estruturais que mostraram que tal peso das exportações no crescimento eco- quadro não se reverte facilmente. das exportações e da inserção mais pro- ções públicas). Nesse docu- da América do Sul na economia mun./dez.

de valor globais. TAD (2002). para o Comércio Internacional (CUCI). gre asiático” não ficou imune. Vitória (ES). as consequências negati- balho mostra que a visão ortodoxa de alo. meio ambiente. Sobre esse ponto ver (Salama./dez. UNCTAD (2002. Além sindicatos e representatividade. mecanismos de seguro-desemprego. além de não considerar as consequências sobre o nível de salários37. do mais. vas sobre o nível de formação/qualifica- cação ótima dos agentes econômicos raci. etc. tor. sem seguridade social. bem re- munerado. o modelo das exportações. 90 Argumentum. mas sim de perceber as di. como a crise de 1997 evidenciou. fatores essenciais para a dina.ameri- do trabalho. a combinação entre progresso tec- nológico. 78). Como o mesmo Os gráficos (Anexo II) indicam a estrutura relatório da UNCTAD aponta. ção/remuneração da força de trabalho e o onais não tem se revelado sustentável. Por. ção” da integração ou até mesmo de “pa- pel perverso”. 2014. 76-102. Integração sul-americana maior inserção na economia mundial. p. o “mila- 36 Ver UNCTAD (2010. jul. . A partir dessa dependência tecnológica) e países menos base de dados. segurança ferenças com o caso das economias latino . o objetivo é entender o pa- desenvolvidos e com uma heterogenei. informada anteriormente 39. o petróleo e produtos deriva- 38 Não se trata aqui de negligenciar a experiência de dos não são considerados. pel da integração regional nesse processo dade estrutural e social muito pronunci. se- volvidos que já têm uma base de demanda gundo a metodologia de S. 35 Carteira de trabalho.2 Estrutura e “qualidade do comércio” dutividade podem não ter consequências da América do Sul (1985-2009) na criação de emprego decente. 2000). 4. 79). da evolução do comércio. nando o modelo de desenvolvimento in- tanto. Lall (2000) e interna robusta e estável (além de uma in. 6. que possa piorar a já precá- A relação entre a inserção na economia ria inserção da América do Sul nas cadeias mundial e a especialização da força de tra. 37 Ver UNCTAD (2010. sem instituições referentes à força sustentável e muito vulnerável às oscila- de trabalho 35. Ver detalhes em UNC- certos países asiáticos. geração própria de bens de capitais ou tec- nologia. salário mínimo. sem ções do mercado mundial 38. 39Nessa classificação. das importações totais e de desenvolvimento para fora (export-led) o saldo comercial da América do Sul dife- pode promover uma corrida para o fundo renciando em produtos primários e pro- do poço (race-to-the-bottom) em relação dutos industrializados por uma parte e - ao nível dos salários. v. p. investimento e aumento da pro. seguindo a classificação insuficiente para os trabalhadores. p. canas.2. Neste tópico será apresentado um estudo mização do mercado interno. 87-95). e confirmar a hipótese de “não contribui- ada36.em função do conte- de demanda interna e de poder de compra údo tecnológico. p. n. pouco importa se pecialmente a (Classificação Uniforme existe diferença entre países mais desen. pela Composi- ção das exportações/importações com Na visão ortodoxa criticada pela UNC. Isso leva a problemas para esses últimos . base nos dados da UN-COMTRADE e es- TAD nesse relatório.

os gráficos. também 41 Para chegar a 100% deve se considerar a categoria estão disponíveis os destinos/origens: Japão.2. i. gional). ativa e adaptada às necessidades dos países e das suas populações. a parte dos bens industrializados se Ao contrário. p. Assim. jul. Pacífico. i. pesquisa e desenvol- estudo sobre o conteúdo tecnológico dos vimento) e tem conseqüências fortes sobre bens no comércio internacional. Etapa 2: Para as exportações e as importa- ções. analisados os saldos (em volumes e não mais em porcentagem do total). 42Na base de dados da UN-COMTRADE. exportações. 79). Para os o tipo de modelo de desenvolvimento eco- ortodoxos. que importa é ter certeza que o livre co- mércio possa garantir a alocação ótima dos Esse primeiro passo se dá tanto para as e recursos (inclusive o “capital humano”). em fun.v) China42. custosa. nejamento da tecnologia permite a aplica. quanto a origem da mesma 40. se analisa a vância. mas para não complexificar cos. n. quando as decisões estratégicas são toma. o primários e industriais41. O processo local de acumulação de conhe- rença teórica entre um enfoque ortodoxo e cimento implica igualmente um esforço um enfoque crítico.iv) UE. p. 91 Argumentum. . Etapa 1: Para América do Sul. ii) Média intensidade tecnológica. são ção da sua inserção na economia mundial. das nas matrizes fora da região (EUA. privilegia-se um enfoque no compõe em 4 categorias: qual a homogeneidade entre os diferentes níveis de tecnologia é tão importante i) Alta intensidade tecnológica.). Etapa 3: Para concluir esse estudo. preferimos não representar essas sé- ries.não representamos em curva. Como indica Romer (1990). 76-102. Vitória (ES). como para as importações Nesse tipo de modelos e visão ortodoxa. xando o país ou a região mais vulnerável i. i. 40 Ver UNCTAD (2010. 6. na medida em que a produção de um bem de alta tecnologia acarreta em A leitura dos gráficos e a análise se desdo- maior valor agregado. Alexis SALUDJIAN Deve ser salientado que existe uma dife. iii) Baixa intensidade tecnológica. UE etc.iii) EUA. dei. v. O fato de que a tec. o conteúdo em tecnologia é im. entre outros. que -para não poluir os gráfi. ção de uma política industrial integrada iv) Intensiva em trabalho e recursos (entre os níveis de tecnologia e a escala re. autor composição das exportações em produtos das teorias do crescimento endógeno. naturais. Ásia- “outras transações”.i) Mundo./dez. bram em três etapas que serão detalhadas nologia seja importada ou resulte de um a seguir: processo local (ou regional) de acumula- ção de conhecimentos não tem tanta rele. nômico e social. no que diz respeito ao superior (educação.ii) América do Sul. (respectivamente “para” e “do”): não importa muito saber de onde vem a i. tecnologia e se ela é adaptada. desvinculada do aparelho produtivo. portante. o pla. 2014.

se for considerado o saldo das Empresas Transnacionais (ETN) têm a (Exportações menos Importações por tipo capacidade de articular na escala mundial de produto e por tipo de tecnologia). dutos primários (em torno de 40% do total cionar essas evoluções. tipo de modelo para América do Sul. os produtos intensivos em tec- com os EUA e a UE por representarem pa. 92 Argumentum. os parceiro. zados. com eventuais po. 2014. 6. cen. com predomínio de pro- odos em que isso ocorreu para poder rela. As importações da América do Sul rica do Sul. o déficit trizes. desde os anos 2000). dando ênfase aos perí. durante o período colonial e continuam sendo mais de 70% compostas depois. Os produtos respectivamente inten- comércio mundial. Nesse mesmo período. jul. Esses países/zonas centrais nas ca. constituindo-se tegorias da CEPAL original e da Teoria da a sua maior parte de bens de média e de Dependência43 a partir do processo de in. ternacionalização da produção e do papel Finalmente. ob- a produção através de cadeias de valores serva-se que o mesmo é positivo (exporta- globais projetando plantas. 76-102. v. ções superiores às importações) desde tros de pesquisa e desenvolvimento em 1985 para os produtos primários com um qualquer lugar do mundo dependendo de forte aumento desse superávit a partir de uma estratégia definida nas suas casas ma. a composição das exporta- especial atenção às modificações e inver. nologia alta representam 25% em 2008 de- íses /zonas que historicamente tiveram pois de terem atingido mais de 30% em uma grande influência na configuração do 2000. (importações superiores às exportações) dos produtos industrializados se tornou O caso da China tornou-se essencial para muito mais forte (cinquenta bilhões de dó- garantir o crescimento (ou boa parte dele) lares em 2004 para quase duzentos bilhões e manter a estabilidade macro (liberal)./dez.Comércio com o resto do mundo: Em cio (e de produção) da zona. 2003/2004. . sivos em trabalho e recursos naturais e em dade de “modelar” as relações comerciais baixa tecnologia representam algo em através de seu poder hegemônico (no caso torno de 20% do total dos bens industriali- dos EUA) e da antiga relação com a Amé. n. serção da América do Sul na economia mundial assim como o padrão de comér. cassa em bens industrializados e com uma intensidade quase nula em tecnologia nos A partir dos resultados é possível ter-se indicam o caráter sustentável ou não desse uma visão mais detalhada do tipo de in. Os produtos industri- líticas específicas de integração regional alizados representam cerca de 30% das ex- ou de abertura comercial com um ou outro portações da região. As 43 Ver Santo (2000) e Marini (1977). Integração sul-americana A seguir será apresentada a análise dos informações relativas à composição es- dados de acordo com esse roteiro. . p. de bens industrializados. Será prestada termos gerais. alta tecnologia (40% para cada categoria). veis desde 1985. ções da América do Sul continuam está- sões de tendências. Desse montante. Vitória (ES).2. pois tiveram a capaci. fábricas. produtos intensivos em tecnologia média representam a maior parte com 30 a 35% Preferiu-se estudar as relações comerciais desde 1996.

A América do Sul citário a partir dos anos 2000 nos dois seg- vem mantendo um padrão de inserção na mentos considerados (primários e indus- economia mundial semelhante aos dos trializados). esse tipo de integração não industrializados de alta tecnologia chega.5 bilhão em bens primários o que não se repetiu em 2008 e 2009 (déficit . Ver o trabalho de Palma Outros trabalhos mostraram que a melhora em ter. novamente). nologia) representam menos de 15% cada uma. Uma hipótese que pode ser dustrializados de 45% em 1985 a 55% em formulada é que o modelo de integração 2008. relativamente reduzidos. As duas outras categorias (intensiva em sentar noventa e oitenta bilhões de dólares trabalho e recursos naturais e em baixa tec- respectivamente. O caráter “aberto” e voltado para fora dominou o 44Nesse ponto do trabalho não se discutiu se essa Sul ficou muito aquém da modificação em regiões melhora relativa foi suficiente ao nível mundial. respectivamente. do total. mas sendo compen. 6. O saldo comer- sado pelo excedente também em aumento cial foi praticamente nulo em bens primá- de bens primários. No que se refere às importações da Nessa primeira aproximação geral do co. Os volumes considerados são comércio intra-regional. Os saldos nega. ada nos anos 1980 com mais de 50% de portador de produtos industrializados se bens industrializados e 30% de bens pri- manteve estável no período estudado. v.2. . ante. o peso da China e o período de altos levemente superavitário em bens industri- níveis dos preços das commodities foram alizados nos anos 1990 para se tornar defi- fatores importantes. rios e bens industriais nos anos 1985-1990. níveis baixos de comércio intra-América ção econômica sul-americana): As expor. médio nível tecnológico chegaram a repre. n.Comércio com a América do Sul (ou seja./dez. mos de capacidade de exportação de bens industri- alizados de média e alta tecnologia na América do 93 Argumentum. corroborando os dificação efetiva ou não do tipo de integra. como o Leste Asíatico. americana. (2010). América do Sul a partir da própria Amé- mércio com o resto do mundo. o padrão de rica do Sul. conseguiu os impactos desejados no co- ram a representar 30% nos anos 1980 para mércio intra-América do Sul. Dessa porcentagem a maioria são “aberto” (e liberal) dos anos 1990 não mo- bens intensivos em tecnologia média que dificou substancialmente o padrão de co- variou de 35% (nos anos 1980) até 45% nos mércio ao longo das duas últimas décadas. Alexis SALUDJIAN de dólares em 2008/2009). sobre integração econômica latino ou sul- solidaram uma predominância de bens in. 76-102. Em 2007. mários. Como será visto adi. o déficit em bens industriais média tecnologia representam 30% e 40% vai se aprofundando. p. se mantém a tendência inici- exportador de produtos primários e de im. Vitória (ES). 2014. jul. lizados e 1. cair a uns 20% nos anos 1990 e vêm se es- tivos dos bens industrializados com alto e tabilizando em torno dos 30% desde 1998. Os bens Pelo menos. anos 1990 e de volta desde 2003. Os bens industrializados de alta e Desde 2003. indicador da mo. da Sul apesar dos modelos (e discursos) tações para a própria América do Sul con. teve um superávit anos 1990 com uma ligeira melhora em de 2 bilhões de dólares em bens industria- conteúdo em tecnologia média e alta 44.

87). EUA. Em 45Ressalta-se que para chegar a 100% faltam as ca. . p. jul. v. As importações são dificando o comércio mundial e para al.Comércio da América do Sul com os bilhões em 2008) e deficitário em bens in- EUA e a UE: o padrão de comércio com os dustrializados (mais de 40 bilhões em países do “Centro” (EUA e UE) é dife./dez. pouco dinâmicos). ii) 1998-2003: redução desse défi. a consolidado. deixando as tentativas pro- proporção é igual (30% para cada 45). 2014. China pela América do Sul decresceram a portantes e crescentes em bens industriali. observa. 6. 76-102. saldo dos bens primários de América do rante os anos 2000-2009. a ordem econômica mundial desde dos de alta (quase 50%) e média (40%) tec- os anos 2000. déficit de até 40 bilhões em 2008 e 2009. Os dois primeiros paí- ses ou grupo de países são regiões mais  Com a UE: 70% das exportações são desenvolvidas enquanto a China vem mo. de bens primários. 94 Argumentum. O nível tecnológico dos menos de que representaram cerca de 15% das ex. seja por ser produtos de tipo plados por essa classificação. n. movidas pela nova CEPAL neo-estrutura- lista dos anos 1990-2000 frustradas. No que se refere às im. 10% de bens industrializados exportados é portações entre 1985-2003 e aumentaram irrisório. nas importações para 25% em 2009. já que quase todas as exportações América do Sul com a UE se manteve ao para a UE da América do Sul são de pro. a inversão se dá menos de 20% em 1985 para quase 40% em no final dos anos 1980 quando os bens pri- 2001 para finalmente se estabilizar em mários chegam a representar a maior parte torno de 30% nos anos 2003-2009. 2008). 70% são bens industrializados 90% dos bens são industrializados e mais (e 10% primários) dos quais 50% são de de 40% desses são de alta tecnologia. Ver UNCTAD (2002. bens industrializados intensivos em traba- Quando analisamos os saldos. da China. Vitória (ES). O saldo é superavitário em bens primários (em aumento desde 2003 com 60 . compostas de 90% de bens industrializa- guns. lho e recursos naturais importados da mos 3 períodos: i) 1985-1997: déficits im.2. Os alta tecnologia e 40% de média tecnologia. comercial em bens primários vem cres- cit para praticamente 5 bilhões de dólares cendo a partir de 2002-2003 para atingir e iii) 2004-2009: forte e rápido aumento do quase 40 bilhões de dólares em 2009. pelo mesmo período mais de portações. nas últimas duas ou três décadas (ou seja produtos tegorias “não classificados” que não são contem. Integração sul-americana padrão de inserção na economia mundial. seja por não ser pro. Sul com os EUA. é levemente superavitá- Convém estudar as relações com os três rio de 1985-2006 e tende a se reduzir desde países (ou grupo de países) importantes: 2007. UE e China.  Com os EUA: As exportações de bens de alta tecnologia aumentaram de No que se refere à China. nologias. O saldo em 1997. Pelo contrário. O Essa característica não se modificou du. partir de 1992 para chegar a menos de 20% zados de até quase 30 bilhões de dólares do total dos bens industrializados. Os bens das exportações da América do Sul (mais intensivos em trabalho e recursos naturais de 80%). longo do período estudado e parece ter-se dutos primários enquanto para os EUA. p. “combustíveis” que a classificação tampouco toma dutos cujos mercados tenham aumentado muito em consideração. O padrão primário-exportador de rente.

Essa deficiência tem sido apontada gica e articulação política perene entre os desde o fim do período neoliberal por au. compra de aviões militares mostra a dependência tecnológica nesse aspecto estratégico. de uma estratégia alternativa e progres- o comércio com o novo principal parceiro sista de integração econômica regional. Não elemento estratégico prioritário com os re- pode ser negada uma maior integração cursos e financiamento associados. Perez (2001) ou de um ponto de vista 47 A mesma conclusão pode ser observada no que se mais crítico Varsavsky (1974). . trando a fraqueza da capacidade de cria. p. p. programas de pesquisa e formação e criar mente inalterado. Vitória (ES).. v. ria incerta.. (2001). É verdade que o nível um fundo para financiar projetos (CEPAL. 2014. Palma (2010). do trabalho da Red Mercosur sobre esse tema (RED 50A controversa no Brasil desde 2008 referente à MERCOSUR. como a Ásia 47. Todavia. dade de projeção fora do espaço regional nhecimento é gritante (1. centro de pesquisa regional se tornaria nológico das exportações da América do fundamental na hora de pensar de ma- Sul se deve ao aumento das importações neira estratégica e dinâmica 49 a inserção da de bens de elevado nível tecnológico mos. manutenção e desenvolvimento de a discussão sobre a política de defesa da uma base cientifica-tecnológica a nível re. Alexis SALUDJIAN contrapartida. América Latina) 48.2. 95 Argumentum.5 a 2.5-0. o aumento do nível tec. fragilizando assim a capaci- ses asiáticos na geração de inovação e co. países qualquer política de defesa resulta- tores da CEPAL./dez. um sinal interessante já que pretendia de- finir a agenda de trabalho relativa à for- O presente estudo sobre o comércio da mulação de uma política comunitária em América do Sul no período 1985-2009 ciência e tecnologia. n. ficou claro que importações) aumentou ao longo do perí. América do Sul. para as despesas em Pesquisa e Desenvol- vimento (P&D) contra 0. Ou seja. coordenar ações con- tende a mostrar que o padrão de inserção juntas entre os países andinos.5% do PIB sul-americano 50.7% do PIB na 46 Assim. tal projeto tem um custo muito elevado e odo. Sem autonomia tecnoló- gional. jul. refere ao setor de serviço. mas ao nível mundial a América do que precisa ter uma visão estratégica. 48Ver Katz (2001. 76-102. Mesmo não sendo o tema 49“[. p. 85-86). A Sul se situa aquém de outras regiões em UNASUL poderia colocar esse tema como desenvolvimento. A diferença com os paí. o trabalho já citado de Ver UNCTAD (2010. A comercial de América do Sul mostrou recente reunião do Conselho Andino de desde final dos anos 1980 um padrão de Ciência e Tecnologia em julho de 2010 foi comércio reprimarizado 46. Novamente. atualizar os na economia mundial se manteve pratica. América do Sul na economia mundial. 126). 116-120). O projeto de uma Agên- lizados (50% em alta tecnologia) teve uma cia de Inovação em escala sul-americana é evolução inversa atingindo um déficit de um desafio fundamental para a definição mais de 40 bilhões em 2008-2009. o saldo dos bens industria.] as a moving target [..]” usando a expressão de central do presente trabalho recomenda-se a leitura Perez.. A inci- das cadeias produtivas de valor à escala ativa da CAN em 2010 de promover um mundial. p. Junto com essa política tecnológica caberia ção. tecnológico do comércio (exportações e 2010. pode existir um “Efeito commodities”. 6. 2010b).

Gambina nota: “La crítica popular al li- 52 Ver UNCTAD (2010. la Apesar dos esforços de vários dirigentes forma más compleja de coordinación políticos na década de 2000 na proposição de las decisiones económicas. com direitos universais e visando uma es- ção financeirizado e excludente predomi. la teoría de la integración cons. os primeiros resul- lleva necesariamente una agravación de tados empíricos tendem a mostrar a per- los desequilibrios regionales y una ma- yor concentración geográfica de los in. a integração econômica a ser. para uma estratégia de inserção alterna- dada em Furtado (1968. (.) Así. p. 76-102. de desarrollo. v. p. en consecuencia.. segue demandante de argumentos ao seu mitir o desenvolvimento de um modelo de favor 52 acumulação mais homogeneizador e me- nos desigual51. Vitória (ES). Integração sul-americana As características do regime de acumula. então. la integración no planificada con- ao nível sul-americano. defesa da região ficam.2. 2014. nem uma inserção menos O que se observa é uma incompatibilidade predatória social e ambientalmente na di.. Brasil. La planificación de la in- tegración será. são então cando estimular las economías de aglo- determinantes para o conjunto dos países meración o compensando correctamente da região. 54 Assim J. país de América do Sul. 51Ver Salama (2010). 88). 6. entre um regime de acumulação voltado visão internacional do trabalho.. dependente nos seus aspectos mais essen- ciais. bre comercio y al orden económico hegemónico. bus. n. po- lítica e social com homogeneidade estrutu- Conclusão ral e social53. 96 Argumentum. inércia dos processos de formulação de viço do emprego decente e qualificado políticas de integração econômica regio- nal54. en 53 Ver UNCTAD (2010. un esfuerzo que busca maximizar las economías de escala de producción en As escolhas de estratégias para o principal función de la técnica disponible. mas ela precisa de um modelo econô- [.. manência do padrão de desenvolvimento gresos. infraestrutura. jul. um consenso político na América do Sul ción adquiere la forma de una política como um todo. En los de mudança do modelo de desenvolvi- que concierne a los países subdesarrolla- mento. para fora e uma integração econômica. nante na América do Sul parecem não per.] la integración económica constituye mico e político também alternativo. . A dificuldade da integração econômica em Existem várias janelas de oportunidade termos de políticas integradas já foi estu. incluindo uma política integrada dos. dando suporte à hipótese referente à Entretanto. em grande medida dependente da tituye una etapa superior de la teoría visão brasileira que continua não gerando del desarrollo y la política de la integra. tratégia de homogeneidade social plena. p. grifo nosso): tiva da América do Sul na economia mun- dial./dez. 79). As políticas relativas à tecnolo- los efectos negativos que podrían pro- ducirse sobre colectividades específicas gia.

construyó la posibilidad de li. BID. P.). n. Disponível en el marco de la Iniciativa para la Inte. l'Histoire économique. Seguimiento de las actividades mercio [diversos números]. . 76-102.. y pensar que regionalmente se ha 97 Argumentum. ção do nível macrofinanceiro e do tipo de Neoliberalismo y sectores dominantes: inserção na economia mundial sobre uma tendencias globales y experiencias nacio- integração econômica sul-americana mais nales. ago.iadb. ARCEO. Mythes et paradoxes de mías emergentes. D. 2011. Santiago de chile. Europa o Estados Unidos. soberana. Neoconservado- americanas (UNASUR) y la Iniciativa de rismo com roupagem alternativa: a Nova Transporte del Hemisferio Occidental Cepal dentro do Consenso de Washing- (ITHO)”. Economic and social progress in La- cos nesse trabalho. 1962. Allen and mas não de natureza a modificar substan. 2014. jul. CARCANHOLO. tin America: 2002 report: Beyond border. homogeneiza. Por eso. superado el ciclo de inserción mundial subordi- mitar la propuesta del ALCA. funcional a la estrategia global de un grupo tratados bilaterales y multilaterales empujados por reducido de transnacionales” (GAMBINA. the new regionalism in Latin America. E. em: <http://www. 1994. grifo nosso). CEPAL. R. Panorama de la inserción inter- nacional de América Latina y El Caribe 2008-2009. G. Boletín Electrónico Comercio Exterior en Cifras. ALADI. Buenos Aires: CLACSO. (Colección Grupos de Trabajo Clasco). [vários números].nsf/vsitioweb/boletinaladi>. Revista Integración & Co- ALADI. M. Sudamericana (IIRSA). Paris: La Décou. integration.C. Referências BID INTAL. 2010.).2. Londres: Ed.Pa- namá (PPP). nacional de América Latina y el Caribe ladi/arquitec.aladi. el Plan Puebla. Dis. Panorama de la inserción inter- ponível em: <http://www. Alexis SALUDJIAN Existem idiossincrasias e modificações na BALASSA B. Daí a hipótese de sobre determina. confundirnos. p. que se renueva con nada. Washington D. v. 2010. Disponível em: el cambio de siglo. 2002. cialmente o funcionamento do modelo vi- gente. 2006.. Rio de Janeiro: Pão e Rosas. E.org/intal/detalle_ gración de la Infraestructura Regional tipo. Vitória (ES). 2009-2010: crisis originada en el Centro y recuperación impulsada por las econo- BAIROCH. la Unión de Naciones Sud. das da América Latina no Século XXI. dora e igualitária para a qual contribuímos com alguns elementos empíricos e analíti. 216 p. Unwin. independente. no debemos 2011.asp?idioma=por&cid=234&tid=4>. Encruzilha- (ALADI/SEC/di 2160). (Org. CEPAL. (Comp. BASUALDO. verte. The theories of economic margem do sistema econômico capitalista. 2008. In: CASTELO. 15 jun. 2010.org/nsfa. Informe del primer semestre ton. 6./dez.

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n.2. jul./dez. Alexis SALUDJIAN ANEXOS Gráfico 1 . Vitória (ES). 2014.Taxas de crescimento do PIB Real por décadas e por regiões (%) Gráfico 2 .Taxa de crescimento do PIB real América Latina (%) 12 10 8 6 Argentina 4 Brasil Chile 2 México América Latina 0 1 2 3 4 5 6 7 8 -2 -4 -6 -8 101 Argumentum. 6. . v. p. 76-102.

5 .0 1995 2001 2003 2005 jan-mar 2006 1990 1998 2002 2004 2006 Jan-Mar 2007 102 Argumentum. v.Comércio intra-bloco regional 1990-2007 (% exportações intrabloco / exportações totais) Comércio intra-bloco regional 1990-2007 (% exportações intrabloco/ exportações totais) 30. Vitória (ES).2. 76-102. n. 6. p.0 Andean Community Mercosur Anexo II a CACM LAC 7. . jul.5 LAIA 15.0 22./dez. 2014. Integração sul-americana Gráfico 3 .