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Assinado por CHALANNA SILVA DE OLIVEIRA em 26/07/2010 17:06:59.171 GMT-03:00

EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

NEIDSONEI PEREIRA DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, bacharel em Direito, RG n.º 0802418082, CPF n.º 979403725-72, residente e domiciliado à Rua Rio Solimões, Ed. Madeira, ap.605, cond. Amazônia, bairro Saboeiro, Salvador-BA, CEP 41180-385; CHALANNA SILVA DE OLIVEIRA, brasileira, casada, advogada (OAB-BA 25261), RG nº 1203608535, CPF nº 012.780.755-18, residente e domiciliada à Rua Rio Solimões, Ed. Madeira, ap.605, cond. Amazônia, bairro Saboeiro, Salvador-BA, CEP 41180-385; LUCIANA OLIVEIRA SENA, brasileira, casada, advogada, RG 0652766200, CPF 987.785.555-34, residente e domiciliado à Rua Manoel Galiza, nº 38, bairro Piatã, CEP 41.650-105, Salvador, Bahia; LUCAS RIOS FREIRE, brasileiro, solteiro, advogado, RG 1197605258, CPF 021.629.555-63, residente e domiciliado à Rua João Bião de Cerqueiro, nº 306, Edf. The Palm Spring House, AP. 1104-A, CEP 41.830-580; JOSÉ CÍCERO DA SILVA, brasileiro, casado, licenciado em História, RG 3142939, SDS-PE, CPF 457.778.45487, residente e domiciliado à Rua do Hospício, 923, Ed. São Salvador, AP. 203, Bairro Boa Vista, Recife-PE, CEP 50050-050, sendo todos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, por sua advogada, infra firmada, vem à presença de Vossa Excelência interpor

MANDADO DE SEGURANÇA com pedido de LIMINAR contra
ato do PROCURADOR GERAL DA REPÚLICA, responsável pela normatização via Edital nº1 – PGR/MPU, de 30 de junho de 2010, do Concurso Público para provimento de cargos de Analista e de Técnico do Ministério Público da União, bem como o CENTRO DE SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS DA UNIVERSIDADE DE BRASILIA

(CESPE/UnB), responsável pela execução do referido Concurso Público, conforme consta do mencionado edital, em anexo, situada na Rodovia BR 251 – KM 04, CEP 71686-900, Brasília-DF, na pessoa do seu representante legal, na qualidade de promotora do concurso supracitado, pelos fatos e fundamentos jurídicos que serão expostos. 1 - DO FUNDAMENTO E DA TEMPESTIVIDADE E COMPETÊNCIA O presente writ tem como fundamento o artigo 5.º, incisos, VI, VIII, LXIX, LXXVII, artigo 37, I e II, artigo 102, I, “d”, da Constituição Federal de 1988, combinados com a Lei n.º 12.016/09. Nos termos do disposto no art. 23, da Lei n.º 12.016/09, o prazo para a interposição do Mandado de Segurança é de cento e vinte dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Os impetrantes tomaram conhecimento do ato ora impugnado, através do Edital nº1 – PGR/MPU, de 30 de junho de 2010, em anexo, de que as provas serão aplicadas no sábado à tarde do dia 11 de setembro de 2010 Constata-se, portanto, a tempestividade do presente mandamus. Por conseguinte, o artigo 102, I, “d”, determina ser competência do Supremo Tribunal Federal julgar Mandado de Segurança contra ato do Procurador Geral da República, que no caso é a autoridade responsável pela regulamentação e edição do Edital nº1 – PGR/MPU, de 30 de junho de 2010.

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DA

INTERPRETAÇÃO

CONFORME

À

CONSTITUIÇÃO

PARA

A

GRATUIDADE DA AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA Excelência, os impetrantes efetuaram o recolhimento das custas (comprovantes em anexo), conforme preceitua a Resolução nº 431, de 02 de junho de 2010, do STF, visando manter o regular andamento do feito. Entretanto, requerem a devolução de respectivo valor recolhido por entender inconstitucional a onerosidade deste remédio constitucional. O artigo 5º, inciso LXXVII, dispõe que “são gratuitas as ações de “habeascorpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania”. Prima facie, o presente writ é um ato que objetiva justamente o pleno exercício da cidadania, uma vez que o possível impedimento de ter acesso a cargos públicos por meio de
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processo seletivo, em face de motivo religioso, se configura um cerceamento da cidadania dos requerentes, conforme será exposto em seguida. E, mais importante, é entender que o mandado de segurança possui natureza de remédio constitucional, assim como o habeas corpus e o habeas data, razão pela qual não faz sentido se interpretar o dispositivo constitucional de forma a restringir a gratuidade a estas duas últimas ações, uma vez que onde há o mesmo fundamento deve haver o mesmo direito. Ademais, o inciso LXIX que prevê o mandado de segurança é claro ao afirmar que só caberá tal medida, quando a proteção do direito violado não for amparada por habeas corpus ou habeas data, que são ações gratuitas. Dessa forma, quando estes dois últimos remédios constitucionais não forem suficientes para proteger o direito violado, entraria em cena outro para socorrer o cidadão, de forma onerosa? Tal tratamento desigual não parece coerente ou justo. E vale lembrar, que em certo período que antecedeu o instituto do mandado de segurança, o habeas corpus era utilizado com o mesmo fim de proteger direito líquido e certo. Como então o instituto pode evoluir para prejudicar o indivíduo no que diz respeito à onerosidade? Assim, é injusto que o Estado pratique uma ilegalidade e, em seguida, cobre caro do cidadão que precise se proteger dessa afronta a seus direitos. Cabe aqui se utilizar das palavras do Ministro Gilmar Ferreira Mendes, na obra Jurisdição Constitucional, ao afirmar que “oportunidade para interpretação conforme à Constituição existe sempre que determinada disposição legal oferece diferentes possibilidades de interpretação, sendo algumas delas incompatíveis com a própria Constituição” (Jurisdição Constitucional, São Paulo, Saraiva, 1996, p. 222). Neste sentido é que se pede seja realizada a interpretação conforme à Constituição pelas razões já referidas, de modo a considerar também gratuito o presente writ, e por conseguinte, a devolução dos valores recolhidos como custas, diante da sua cobrança em razão do “esquecimento” do legislador em incluir expressamente a gratuidade do mandado de segurança, como fez com o habeas corpus e habeas data. 3 - DOS FATOS 3.1 – Da crença do repouso semanal enquanto dia sagrado Excelência, antes de tudo, se pede que no exame da questão se tenha o máximo de neutralidade possível, uma vez, que do judiciário se requer a imparcialidade, esta sempre

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aplicada neste colendo Tribunal, mas a neutralidade plena seria impossível se esperar do ser humano, considerando que todos têm sua bagagem cultural e crenças pré-concebidas. A despeito da questão principal se dirigir à aplicabilidade de norma constitucional de direito fundamental, no pano de fundo se encontra uma crença religiosa, e religião, como é sabido, sempre se demonstra ser tema polêmico, capaz de incitar os ânimos, preconceitos e discórdias, especialmente quando crenças solidificadas no inconsciente social, a ponto de se transformarem até mesmo em traço cultural, são confrontadas com a crença contrária de alguma minoria. E, por se tratar o pano de fundo de uma determinada crença religiosa, logo se cogitaria o não atendimento da demanda, por considerar que se todas as outras religiões demandarem com suas crenças, das mais diversas, seria impossível ao Estado executar suas atividades, especialmente concernente ao dia de guarda. Contudo, é prematuro negar o direito de crença de um grupo, concomitante ao pleno exercício da cidadania, sob o fundamento de que se outros assim demandarem, a administração pública se tornaria um caos. Entre as crenças sobre a santificação de um dia basicamente se destacam: a que afirma ser o primeiro dia da semana (católicos e maior parte dos evangélicos); a crença que têm a sexta-feira como dia santo (islamismo); e aquela que determina se observar o 4º mandamento de Deus, como ainda válido, conforme exposto na bíblia, em êxodo 20:8, englobando a santificação do sétimo dia, de um pôr-do-sol a outro. Portanto, há de se observar a realidade, e nesta se apresenta dissenso quanto à santificação dia apenas em relação aos mencionados, bem como não se encontram demandas judiciais ou administrativas semelhantes à que existe em relação ao sábado. E mesmo que houvesse, há de se observar os seus reais contornos, ao invés de se utilizar de mera especulação. Desse modo, a santificação e a guarda de um dia da semana representa um aspecto teológico fundamental para diversas religiões. Vejamos: Para o islamismo, a sexta-feira é o dia considerado sagrado. O sagrado Alcorão, no capítulo de Sexta-feira, versículos nove e dez diz: "Ó crentes quando fordes convocados para a oração de Sexta-feira, recorrei à recordação de Deus e abandonai vossos afazeres; isto será preferível se quereis saber. Porém, uma vez observada a oração, dispersai-vos pela terra e procurai as dádivas de Deus e mencionai frequentemente a Ele para que prospereis”. Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, a “a sexta-feira é o dia em que a comunidade islâmica se
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reúne, na mesquita, ao meio-dia, para a oração. Em seguida, realiza-se o khutbah, isto é, o discurso que não é um simples sermão religioso. Nele aprofundam-se as questões sociais, políticas, morais e tudo o que interessa à comunidade islâmica”. Também afirma que “a sextafeira, portanto, é mais que um dia de descanso, como o sábado dos judeus ou o domingo dos cristãos. É o dia da semana em que a comunidade islâmica que se reúne. Dependendo do país onde se encontre, a sexta-feira pode até ser um dia de trabalho, mas todos fecham os seus negócios pelo menos na hora do khutbah”. A despeito de não se ter conhecimento profundo sobre o islamismo, se percebe pelo acima citado que mesmo considerado como sagrado o sexto dia da semana, não impediria pela concepção mencionada a prática de atos como concursos públicos, desde que na hora do “khutbah”, cesse a atividade. Para o catolicismo, bem como a maior parte dos protestantes (ou evangélicos), o domingo é considerado como o dia sagrado, sendo o principal dia de adoração. Apenas como exemplo se menciona as seguintes palavras do então líder católico Papa João Paulo II a respeito da santificação do domingo, ao entender que as honras do sábado foram transferidas para o domingo, como um memorial de uma “nova criação” por meio da ressurreição de Jesus Cristo:
Nós celebramos o domingo, devido à venerável ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, não só na Páscoa, mas inclusive em cada ciclo semanal”: assim escrevia o Papa Inocêncio I, nos começos do século V, testemunhando um costume já consolidado, que se tinha vindo a desenvolver logo desde os primeiros anos após a ressurreição do Senhor. (...) A comparação do domingo cristão com a concepção do sábado, própria do Antigo Testamento, suscitou também aprofundamentos teológicos de grande interesse. De modo particular, evidenciou-se a ligação especial que existe entre a ressurreição e a criação. Era, de facto, natural para a reflexão cristã relacionar a ressurreição, acontecida “no primeiro dia da semana”, com o primeiro dia daquela semana cósmica (cf. Gn 1,1-2,4) em que o livro do Génesis divide o evento da criação: o dia da criação da luz (cf. 1,3-5). O relacionamento feito convidava a ver a ressurreição como o início de uma nova criação, da qual Cristo glorioso constitui as primícias, sendo Ele “o Primogénito de toda a criação” (Col 1,15), e também “o Primogénito dos que ressuscitam dos mortos” (Col 1,18).1

Por fim, para uma minoria2, que abrange adeptos do judaísmo, da Igreja Batista do 7º Dia, Igreja de Deus do 7º Dia, e, Igreja Adventista do 7º Dia, a qual pertencem os requerentes, o sétimo dia da semana, o sábado, é o dia sagrado de adoração.
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PAULO II, Papa João.Carta Apostólica Dies Domini ao Episcopado, ao Clero e aos Fiéis da Igreja Católica sobre a Santificação do Domingo. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/a post_letters/documents/hf_jp-ii_apl_05071998_dies-domini_po.html> Acesso em: 20 fev. 2007, p. 8 e 10. 2 Estima-se que no mundo haja cerca de 13 milhões de judeus, número já superado pelos Adventistas que, segundo dados da Associação Geral dos Adventistas do 7º Dia, atingiram em dezembro de 2005 cerca de 14 milhões e 400 mil membros. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), censo demográfico do ano de 2000, constata-se o número de 1.209.842 adeptos da religião adventista do 7º dia e 5

Como acima mencionado, para os Adventistas, o dia de repouso escolhido, abençoado e santificado por Deus é o sétimo, com o objetivo de ser um memorial da Criação, um dia em que se adora e se reconhece a Deus como Criador de todas as coisas e o ser humano como simples criatura. Assim é que, conforme a Crença Fundamental nº 19, os Adventistas do 7º Dia afirmam crer que
O bondoso Criador, após os seis dias da Criação, descansou no sétimo dia e instituiu o sábado para todas as pessoas, como memorial da Criação. O quarto mandamento da imutável lei de Deus requer a observância deste sábado do sétimo dia como dia de descanso, adoração e ministério, em harmonia com o ensino e prática de Jesus, o Senhor do sábado. O sábado é um dia de deleitosa comunhão com Deus e uns com os outros. É um símbolo de nossa redenção em Cristo, um sinal de nossa santificação, uma prova de nossa lealdade e um antegozo de nosso futuro eterno no reino de Deus. O sábado é o sinal perpétuo do eterno concerto de Deus com Seu povo. A prazerosa observância deste tempo sagrado duma tarde a outra tarde, do pôr-do-sol ao pôr-do-sol, é uma celebração dos atos criadores e redentores de Deus.3

Assim o sentido teológico e histórico do dia da guarda ou adoração varia entre as diferentes religiões. Por outro lado, a crença no dia de guarda e santificação é uma das crenças que tem sido relativizada, mas isso não muda o fundamento da mesma. Samuele Bacchiocchi compreendendo a atual realidade afirma:
A noção bíblica do “santo sábado”, entendida como uma ocasião de cessar as atividades seculares a fim de experimentar as bênçãos da Criação-Redenção por meio da adoração a Deus e do trabalho desinteressado pelos necessitados está cada vez mais desaparecendo dos planos do cristão. O problema é constituído por uma geral concepção errônea do significado do “santo dia” de Deus. Muitos cristãos bem intencionados consideram a observância do domingo como uma HORA de adoração em vez de O SANTO DIA do Senhor. Uma vez cumpridas suas obrigações de culto, muitos, em boa consciência, gastam o restante do domingo ganhando dinheiro ou se divertindo. Consequentemente, se alguém observa a pressão que nossas instituições econômicas e industriais estão exercendo para obter a utilização máxima das instalações industriais – programando turnos de trabalho que ignoram qualquer feriado – é fácil compreender que o plano a nós transmitido de uma semana de sete dias, com o seu dia de repouso e adoração, pode sofrer alterações radicais.4

Neste aspecto, a questão da tolerância fará grande diferença à efetivação do direito fundamental à liberdade religiosa em uma sociedade pluralista e democrática, sem que se restrinjam os direitos daqueles que desejarem seguir suas convicções. Eliane Moura da Silva

de 86.825 adeptos do judaísmo. Assim, considerando apenas essas duas religiões de maior representatividade quanto à guarda do sábado se estima, com base em um censo de 10 anos atrás, um total de mais de 1 milhão e 300 mil cidadãos brasileiros que professam tal crença. 3 DAMSTEEGT, P. G., Nisto Cremos: 27 Ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. Trad. Hélio L. Grellmann. 7. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2003, p. 331. 4 BACCHIOCCHI, Samuele. Do Sábado para o Domingo: Uma Investigação do Surgimento da Observância do Domingo no Cristianismo Primitivo. 1974. 221 f. Tese (Doutorado) - Pontificia Universitas Gregoriana, Roma, 1974. Disponível em: <http://allen7.diinoweb.com/files/Bacchiocchi.rar>. Acesso em: 21 jun. 2007, p. 10. 6

assevera sobre a tolerância no âmbito religioso da seguinte forma:
Todos os argumentos sobre a tolerância religiosa podem ser distribuídos ao longo de um grande espectro que vai do puro pragmatismo aos princípios morais e éticos. Podem variar da necessidade de proteção de interesses muito específicos de cada pequeno grupo até a análise mais elaborada das verdades religiosas, das questões de obrigação moral. Mas é a questão da diversidade, da pluralidade que fará a grande diferença.5

Essas duas questões levantadas pela autora – diversidade e pluralidade – devem ser entendidas de forma inclusiva, isto é, reconhecer as diferenças não apenas no campo teórico, mas de forma prática, para, se necessário aplicar e efetivar o princípio da igualdade no sentido de desigualar os desiguais para que desfrutem de verdadeira igualdade. A mesma autora ainda esclarece:
Tolerância religiosa não significa indiferença. A tolerância envolve ação e participação. Em primeiro lugar, aceitar que os seguidores de diferentes religiões consideram suas crenças como verdadeiras e, talvez, a única verdade que admitem. Em segundo lugar, permitindo que os outros tenham crenças diferentes e que, livremente, sem coerção de qualquer espécie (familiar, social, educacional, etc.) possam mudar de religião, denominação ou crença. Em terceiro, trabalhar em prol da garantia de livre prática religiosa, dentro dos limites da razão, cultura e sociedade. Um outro conjunto de ações afirmativas significa recusar-se a discriminar emprego, alojamento, função social, procurando respeitar e acomodar as necessidades religiosas que envolvam dias festivos, datas sagradas, rituais significativos.6

Ademais, o pluralismo político mencionado no art. 1º, inc. V, CF/88, não se restringe à multiplicidade de partidos políticos, pois o termo pluripartidarismo seria mais adequado, como de fato é utilizado no art. 17 que trata do assunto. É nesse sentido que leciona Manuel Jorge e Silva Neto ao afirmar que:
o fundamento do Estado brasileiro atinente ao pluralismo político também conduz à concretização da liberdade religiosa. E como? Precisamente porque pluralismo político não deve, em primeiro lugar, ser confundido com pluripartidarismo – princípio vinculado à organização político-partidária no Brasil, conforme acentua o art. 17, caput. Pluripartidarismo significa sistema político dentro do qual se permite a criação de inúmeros partidos. Mais abrangente, e, por isso, de conceituação um pouco mais difícil, é o pluralismo político. A despeito de sua maior amplitude, podese arriscar um conceito: pluralismo político é o fundamento do Estado brasileiro tendente a viabilizar a coexistência pacífica de centros coletivos irradiadores de opiniões, atitudes e posições diversas. 7 [grifo nosso]

De forma didática o mesmo autor faz uma análise do pluralismo político,
SILVA, Eliane Moura da. Religião, Diversidade e Valores Culturais: Conceitos Teóricos e a Educação para a Cidadania. Revista de Estudos da Religião. n. 2, ano 2004. Disponível em: <www.pucsp.br/rever/rv2_2004/p_s ilva.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2007, p. 10. 6 Ibidem, loc. cit. 7 SILVA NETO, Manoel Jorge e. A Proteção Constitucional à Liberdade Religiosa. Revista de Informação Legislativa, a. 40. n 160. out./dez.2003, Brasília, p. 116. 7
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decompondo-o de modo a deixar clara a relação entre este fundamento e a liberdade religiosa. Nestes termos afirma que tal expressão representa:
i) “fundamento do Estado brasileiro”, em face da “residência” constitucional do postulado; ii) “tendente a viabilizar a coexistência pacífica”, porquanto o ideal pluralista reflete a regra de ouro do livre arbítrio: a liberdade de um indivíduo termina quando começa a liberdade do outro (Spencer); iii) “de centros coletivos”, porque não se presta o pluralismo político a assegurar a liberdade de manifestação de pensamento da pessoa individualmente considerada, direito assegurado pelo fundamento concernente à cidadania e consubstanciado, por exemplo, no art. 5º, IV; iv) “irradiadores de opiniões, atitudes e posições diversas”, sendo certo que, ali onde se verificar diversidade quanto à opção política, ideológica, sexual e religiosa, deve ser conduzido esforço à respectiva e imprescindível harmonização. 8 [grifo nosso]

Além do pluralismo, também é princípio constitucional a dignidade da pessoa humana, intimamente relacionada com a liberdade religiosa. Manoel Jorge e Silva Neto tece o seguinte comentário a respeito dessa relação:
Algumas perguntas são mais esclarecedoras sobre a ligação entre a dignidade da pessoa humana e a liberdade de religião do que eventuais considerações a fazer-se em torno ao tema: Preserva-se a dignidade da pessoa quando o Estado a proíbe de exercer a sua fé religiosa? Conserva-se-lhe no momento em que o empregador, nos domínios da empresa, “convida” o empregado para culto de determinado segmento religioso? Reveste-se de alguma dignidade o procedimento por meio do qual alguns segmentos religiosos investem contra outros, não descartado até o recurso à violência? Sem dúvida, a opção religiosa está tão incorporada ao substrato de ser humano – até, como se verá mais adiante, para não se optar por religião alguma – que o seu desrespeito provoca idêntico desacato à dignidade da pessoa.9

Assim, a prática da tolerância, revestida por meio de uma ação afirmativa, resguarda tanto à dignidade do indivíduo quanto pluralismo social, objetivos para os quais o Estado Democrático de Direito foi instituído pela Assembléia Constituinte Brasileira, conforme o preâmbulo da CF/88, especialmente nos propósitos de se assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.

3.2 – Da situação dos impetrantes Pelo que acima foi exposto, é inegável que a observância de práticas religiosas, em particular ou em público, no “Dia do Senhor”, possibilite conflitos entre obrigações legais e princípios religiosos. É direito fundamental de toda pessoa não ser obrigada a agir contra a própria consciência e contra princípios religiosos. O direito de liberdade de consciência e de
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Ibidem, loc. cit. Ibidem, loc. Cit. 8

crença deve ser exercido concomitantemente com o pleno exercício da cidadania, consubstanciado em todos os seus direitos inerentes, outrora outorgados por nossa Constituição. Cumpre ressaltar que a gama de direitos conferidos pela Constituição brasileira de 1988 deve ultrapassar o seu aspecto formal da mera declaração e se concretizar na vida de cada cidadão brasileiro. É especificamente nessa dicotomia (declaração e efetivação) que, segundo José Roberto Fernandes Castilho, reside a atual e polêmica noção de cidadania, fazendo o mesmo as seguintes indagações: “Como se garantir a fruição dos direitos públicos subjetivos? Como proporcionar a igualdade de oportunidades? Como dar eficácia às normas constitucionais que tratam dos direitos sociais? Este é o ponto fulcral”10. Prossegue o mesmo autor dizendo que:
o processo de construção da cidadania é antigo e não tem fim. Não se completa nunca. "Onde quer que seja, existirão sempre homens e mulheres, grupos e indivíduos singulares, minorias e estratos particulares, submetidos a algum tipo de humilhação, degradação, injustiça ou opressão" (Marco Aurélio Nogueira) e, por isso, reivindicando direitos em concreto, exigindo a fruição efetiva das liberdades públicas.11

Salutar, então, é a colocação de Tércio Sampaio Ferraz Junior ao expor a importância do reconhecimento da cidadania:
Pode-se entender que sem o reconhecimento da cidadania, qualquer Constituição e, em particular, a Constituição brasileira, torna-se letra no papel. Em conseqüência, sem ela, o Direito perde, seguramente, sua substância. Afinal, no uso da expressão “Estado Democrático de Direito”, estão presentes componentes que tendem a fazer da liberdade ao mesmo tempo liberdade-autonomia e liberdadeparticipação.12 [grifo nosso]

Nesse sentido, como cidadãos brasileiros, os impetrantes se inscreveram no concurso público destinado a selecionar candidatos para o provimento de cargos de Analista do Ministério Público da União, conforme demonstram por meio de boletos bancários devidamente identificados e pagos. Acontece, Excelência, que, como mencionado, os impetrantes são de profissão religiosa protestante, cristãos por convicção, e membros regulares da Igreja Adventista do Sétimo Dia, instituição religiosa de alcance mundial, que tem como ponto de fé e doutrina, a guarda dos mandamentos de Deus, tal qual expressos na Bíblia Sagrada, em Êxodo 20:3-17. Acreditam que, os grandes princípios da Lei de Deus, são incorporados nos Dez mandamentos
10

CASTILHO, José Roberto Fernandes. Cidadania: Esboço de Evolução e Sentido da Expressão. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/cid_expressao.html>. Acesso em 15 ago. 2007, p. 4. 11 Ibidem, p. 6. 12 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Direito e Cidadania na Constituição Federal. Disponível em: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista3/rev1.htm>. Acesso em: 10 jun. 2007, p. 9. 9

e exemplificados na vida de Cristo, acreditam ainda que a salvação é inteiramente pela graça, e não pelas obras, mas seu fruto é a obediência aos dez mandamentos, dentre os quais se tem a guarda do sábado (Êxodo 20:8-11). Segundo o relato bíblico, o bondoso Criador, após seis dias da Criação, descansou no sétimo dia e instituiu o sábado para todas as pessoas, como memorial da Criação (Gênesis 2:1-3). Sendo assim, o quarto mandamento da Lei de Deus requer a observância deste sábado do sétimo dia como dia de descanso, adoração e ministério, em harmonia com o ensino e prática de Jesus, o Senhor do Sábado, sendo ainda sua forma autêntica de adoração suavemente delineada pelo Profeta Isaias (Isa 58:13 e 14) ao afirmar que a santificação desse dia deve ser um deleite no Senhor, não fazendo a nossa própria vontade ou buscando o próprio interesse. A prazerosa observância deste tempo sagrado, o "Sábado Natural", período que se estende duma tarde a outra tarde, a saber, do pôrdo-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado, é uma celebração dos atos criadores e redentores de Deus. Voltando à questão, entendem os impetrantes que, como cidadãos sob a proteção da Constituição Federal de 1988, têm o direito de participar do processo seletivo para ingresso no quadro de servidores do Ministério Público da União, sempre precisar abandonar a fé que possuem, assim como qualquer concidadão seu que seja adepto de religião ou filosofia distinta. No entanto, “impedidos” de participar do processo seletivo mencionado, por prezarem manter sua integridade religiosa, sua crença, pois ao estabelecer o Edital nº1 – PGR/MPU, de 30 de junho de 2010, do Concurso Público para provimento de cargos de Analista e de Técnico do Ministério Público da União, a realização das provas objetivas e subjetivas do cargo de Analista para a data de 11.09.10 (sábado, à tarde), o impetrado, ainda que por mera omissão, não respeitou o direito constitucional de livre profissão religiosa em concomitância com o direito democrático de acesso a cargos públicos, em especial daqueles que crêem na necessidade de observância dos mandamentos divinos, tal qual expressos na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, o manual do cristão. Em outras palavras, não poderão ter acesso a cargos públicos, em especial o de Analista do MPU, pela maneira mais democrática que é o Concurso Público sem que firam as suas consciências. Diante disso, os impetrantes, como pessoas livres e visando manter sua integridade religiosa, sua crença, mesmo sem abdicar dos direitos que lhe são conferidos, como v.g., o de ter acesso a cargos públicos por meio de processo seletivo para ingresso no
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quadro de Analista do Ministério Público da União, socorre-se do Poder Judiciário, para proteção de direitos conferidos pela Magna Carta e demais a legislação pátria.

4 – DO DIREITO A importância dos dias considerados como sagrados para determinadas religiões é reconhecida pelo Direito Internacional. Como exemplo vale mencionar a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, de origem da Organização das Nações Unidas – ONU, que assim dispôs em seu artigo 18:
Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Para tornar esse dispositivo ainda mais claro, a mesma Organização das Nações Unidas – ONU, fez editar a DECLARAÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE INTOLERÂNCIA E DISCRIMINAÇÃO BASEADAS EM RELIGIÃO OU CRENÇA (Resolução n.º 36/55). Deste documento extraímos os seguintes excertos:
Art. 1º. Ninguém será sujeito à coerção por parte de qualquer Estado, instituição, grupo de pessoas ou pessoas que debilitem sua liberdade de religião ou crença de sua livre escolha. Art. 6º. O direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença incluirá as seguintes liberdades: h) Observar dia de repouso e celebrar feriados e cerimônias de acordo com os preceitos da sua religião ou crença. [grifo nosso]

Neste mesmo sentido também é a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), que ingressa em nosso direito pátrio nos termos do Decreto n.º 678, de 06 de novembro de 1992, com caráter de norma supra-legal, nos termos do entendimento desse colendo Tribunal. Dispõe o artigo 12, item 2, que:
Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças. [grifo nosso]

A pergunta é: a realização de concursos públicos no dia de sábado não seria medida restritiva de direito que limitaria a liberdade de conservar ou mesmo aderir à religião que tivesse a crença da santificação do 7º dia, uma vez que restaria apenas uma opção entre o exercício da fé e a realização da prova? As dificuldades gerais para se conseguir emprego aliadas à impossibilidade de participação em processos seletivos para as carreiras do serviço

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público, implicam uma sobrecarga que somente a fé no Deus que pede a obediência a tal mandamento faria suportar a conseqüência pela manutenção de uma consciência livre. Estaria assim, visto sobre outro aspecto, preservada a livre competição no “mercado de idéias religiosas”, conforme muito bem exposto pelo Ministro Gilmar Mendes em seu voto no processo STA 389-Agr (Caso envolvendo o Centro de Educação Religiosa Judaica e o ENEM)? Outra norma internacional a ser observada na questão é o Pacto dos Direitos Civis e Políticos, de 1966, aprovado pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo n° 226, de 12 de dezembro de 1991, e promulgado pelo Decreto No 59213, de 6 de julho de 1992. Referido Pacto, em consonância com as demais normas internacionais de proteção dos Direitos Humanos, prevê expressamente a liberdade de religião. Traz este texto legal, em seu artigo 18, a seguinte disposição:
1. Toda pessoa terá direito a liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Esse direito implicará a liberdade de ter ou adotar uma religião ou uma crença de sua escolha e a liberdade de professar sua religião ou crença, individual ou coletivamente, tanto pública como privadamente, por meio do culto, da celebração de ritos, de práticas e do ensino. 2. Ninguém poderá ser submetido a medidas coercitivas que possam restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religião ou crença de sua escolha. 3. A liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita apenas à limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. [grifo nosso]

Este mesmo Tratado Internacional, em seu artigo 25 garante o acesso de todo cidadão aos cargos públicos, sem discriminação de qualquer natureza:
Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de discriminação mencionadas no artigo 2 e sem restrições infundadas: a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhidos; b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a manifestação da vontade dos eleitores; c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções públicas de seu país. [grifo nosso]

Garante, ainda, o artigo 26 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos:
Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito, sem discriminação alguma, a igual proteção da lei. A este respeito, deverá proibir qualquer forma de discriminação e garantir a todas as pessoas proteção igual e eficaz contra qualquer
13

O artigo 1º, do referido decreto, expressamente dispõe: “O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, apenso por cópia ao presente decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém”. 12

discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer opinião.

Não podem ser olvidadas as palavras do Brigadeiro José Elislande Bayer de Barros, anteriormente citadas, ao se referir que as duas hipóteses que se afiguravam ao tempo da Constituinte eram a dos “sabatistas” e, com maior intensidade, a da recusa de prestação do serviço militar obrigatório por parte de algumas religiões e outros grupos pacifistas. É fato que nas sociedades nas quais a maioria da população pratique determinada religião, alguns dogmas da mesma terão influência no processo de elaboração das leis desta sociedade, quer pela crença prévia do legislador, quer pela pressão exercida pela organização religiosa dominante. Exemplo disso é o caso brasileiro no que se refere a temas como aborto, uniões homossexuais, feriados por dia sagrado, dia de repouso semanal etc. Portanto, em alguns casos ocorrerão conflitos entre as convicções do indivíduo e as leis que deve obedecer. Será mais fácil, portanto, ser membro da Instituição Religiosa dominante do que pertencer à outra que tenha convicções divergentes, já que as crenças da primeira estarão em harmonia com o ordenamento jurídico, ou melhor, o ordenamento jurídico estará em harmonia com as crenças predominantes. Como então tal indivíduo será livre para escolher seu credo? Jónatas Eduardo Mendes Machado faz a seguinte reflexão:
Só se pode pensar e desenvolver livremente convicções em matéria religiosa, se se puder comunicar com outros e ter acesso a diferentes pontos de vista mundividenciais. Por outro lado, uma pessoa só tem liberdade religiosa se puder optar num ou noutro sentido sem ser por isso afectada na sua validade cívica, isto é, na sua igual dignidade como membro de pleno direito da comunidade política. A liberdade a que se refere a Constituição só tem sentido num contexto de um “dar e receber” em condições de reciprocidade. Por sua vez, a liberdade religiosa só tem sentido num contexto de igual liberdade religiosa. Daí a importância da igualdade de direitos entre todos os cidadãos e as diferentes confissões religiosas.14

Mesmo que o Estado não proíba diretamente a existência de alguma religião ou a vinculação do indivíduo a esta, poderá indiretamente criar obstáculos na medida em que exija determinados comportamentos dos seus cidadãos, v.g., impondo condição contrária à fé do indivíduo para que este usufrua determinados direitos, sem lhe proporcionar outra alternativa. Assim é que consoante Jónatas Eduardo Mendes Machado15 todas as confissões religiosas devem ser tratadas como iguais, de modo que a todas seja concedida igual medida de liberdade da forma mais ampla possível. Para isso, necessário será o procedimento de ponderação de bens em relação aos outros interesses e direitos constitucionalmente protegidos.
14 15

MACHADO, Jónatas Eduardo Mendes, op. cit., p. 285-286. Ibidem, p. 292. 13

Esse objectivo pode implicar a previsão, sempre que isso se justifique, de regimes especiais para membros de determinadas confissões religiosas. Pense-se por exemplo, no já referido caso dos adventistas do sétimo dia e da necessidade de respeitar e tutelar, tanto quanto possível, a sua recusa, religiosamente fundada, de trabalhar ao sábado. Embora estejamos aqui perante diferenciações jurídicas, nem por isso se viola o princípio da igualdade. Pelo contrário, estas servem o propósito constitucional substantivo de garantir a todos os cidadãos uma igual medida de dignidade e liberdade.16

Daí que diante da existência de leis que estejam em desacordo com a consciência de alguns indivíduos, e numa tentativa de contornar tal situação visando garantir igual liberdade de religião a todos, se criou o instituto da objeção ou escusa de consciência, que em nossa Constituição foi garantido no artigo 5º, inciso VIII, in verbis:
ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. [grifo nosso]

Em relação a este inciso supracitado, é oportuno registrar que, segundo José Carlos Buzanello, durante a Assembléia Nacional Constituinte, “a defesa da objeção de consciência foi encampada por democratas, grupos religiosos e pacifistas, tendo como pano de fundo a liberdade de crenças religiosas”. Referido autor cita as seguintes palavras do Brigadeiro José Elislande Bayer de Barros, proferidas em Audiência Pública no dia 24/07/1987 e registradas na página 80 do Diário da Assembléia Nacional Constituinte:
Sobre o serviço militar, farei uma pergunta, que talvez seja até de legislação ordinária. Tenho sido procurado por esses grupos interessados (...), os menoritas do Rio Grande do Sul, brasileiros de origem alemã, que tem como base de sua religião a proibição de matar, sob qualquer circunstância, e se recusam a prestar o serviço militar. Temos visto de vez em quando na História do País, e recentemente, “n” decretos do Presidente da República cassando a cidadania desses brasileiros, que perdem os direitos políticos por uma questão de convicções religiosas, que não querem ou não podem prestar o serviço militar. Como temos os sabatistas, que me parece que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica já têm uma forma de aliviar os trabalhos nos sábados. É excessivamente drástico cassar-se a cidadania de uma pessoa pelo fato de suas convicções religiosas. Nós todos, como homens inteligentes, e nesta hora tentando melhorar o ordenamento jurídico, temos que ter essa abertura democrática para esse contingente de brasileiros – e devemos respeitar todas as tendências, a democracia é exatamente de senso, não de consenso.17 [grifo nosso]

Como resultado das discussões a respeito da necessidade de previsão constitucional do direito à objeção ou escusa de consciência, foi que se estabeleceu no inciso VIII do artigo 5º o texto supracitado. A forma como foi redigido o dispositivo permite que a interpretação seja a mais abrangente possível. Observe que o constituinte utilizou a expressão “ninguém será privado
16 17

Ibidem, p. 292-293. BUZANELLO, José Carlos. Direito de Resistência Constitucional. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Iuris, 2006, p. 232. 14

de direitos”. Questionar-se-ia de quais direitos poderia o indivíduo ser privado e a resposta é lógica: qualquer um. Em nenhum momento o dispositivo se refere apenas aos direitos políticos ou a algum outro específico. O que o disposto no artigo 15 da Constituição afirma ao vedar “a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: IV – recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII”, é que a cassação de direitos políticos se dará no caso da recusa à prestação da atividade alternativa como forma de punição posterior. Assim é que o indivíduo não pode ter parte dos seus direitos de cidadão restrita por causa de suas crenças, quaisquer que sejam elas, tornando-se um cidadão de “segunda categoria”. Registre-se também a ressalva de que se o indivíduo alegar motivo de consciência para se eximir das obrigações impostas a todas as pessoas não poderá recusar cumprir prestação alternativa. O problema é que nem ao menos alternativa para o caso foi ofertada, como aconteceu no caso do ENEM, a despeito de parte dos guardadores do sábado entenderem que o isolamento também violaria sua liberdade de crença. Destarte, como forma de reafirmar o que dispõe o art. 5º, inc. VIII, sobre o direito à escusa de consciência, no que tange ao serviço militar, ainda na CF/88, o artigo 143 estabelece que as Forças Armadas, na forma da lei, atribuirão serviço alternativo a quem invocar imperativo de consciência para as atividades militares. A questão dos sabatistas, no entanto, foi deixada de lado. Contudo, a objeção de consciência de modo algum se restringe apenas à prestação do serviço militar. Com este entendimento é que Hédio da Silva Junior declara:
A leitura do art. 5º, inciso VIII, da Carta da República, permite constatar que o sistema jurídico brasileiro adota a objeção de consciência do tipo total, visto que admite a invocação de motivações de natureza religiosa, filosófica ou política. Por evidente, o preceptivo constitucional em comento utiliza a locução “eximir-se de obrigação legal a todos imposta”, sem adjetivar tal obrigação, pelo que contempla não apenas a recusa ao serviço militar obrigatório (exemplo freqüentemente lembrado pela doutrina), mas protege, ainda, ao menos teoricamente, a recusa ao cumprimento de toda e qualquer obrigação legal a todos imposta.18

A associação da objeção de consciência com a liberdade de crença é umbilical, razão pela qual para Cláudio Maraschin
a objeção de consciência deve configurar, na legislação pátria, como um Direito Fundamental que se projete como a concretização da liberdade de consciência e que possa gozar o mesmo nível de proteção que a Constituição outorga a outros Direitos

18

SILVA JUNIOR, Hédio. A Liberdade de Crença como Limite à Regulamentação do Ensino Religioso. 2003. 245 f. Tese (Doutorado) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2003, p. 76. 15

Fundamentais. 19

Calha rápida referência ao artigo 19, CF/88, no qual é reafirmado o que já vinha sendo consagrado nas Constituições anteriores, a saber, o princípio da separação entre a Igreja e o Estado, refletindo, portanto, o caráter laicista do Estado brasileiro. Assim dispõe nossa atual Constituição, no artigo já referido:
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na formada lei, a colaboração de interesse público;

Sobre esse conteúdo normativo, esclarece Pontes de Miranda:
estabelecer cultos religiosos está em sentido amplo: criar religiões ou seitas, ou fazer igrejas ou quaisquer postos de prática religiosa, ou propaganda. Subvencionar está no sentido de concorrer, com dinheiro ou outros bens de entidade estatal, para que se exerça a atividade religiosa. Embaraçar o exercício significa vedar, ou dificultar, limitar ou restringir a prática, psíquica ou material dos atos religiosos ou manifestações de pensamento religioso.20

Nesse sentido, caso o Poder Público determinasse dia diferente do sábado para realização do processo seletivo não estaria transgredindo tal norma, uma vez que são comuns concursos públicos realizados apenas no domingo, ou mesmo vestibulares, sendo realizados em dois dias (domingo e segunda) e até três dias consecutivos (domingo, segunda e terça), sem que venha ofender os demais credos. Relativamente é fácil tal constatação, uma vez que sendo o Brasil um país de 73,8% de católicos, sem considerar o número de evangélicos que em sua maioria não são “sabatistas”, não se tem conhecimento de demandas judiciais de igual conteúdo, visto que os mesmos adotam atitudes diferentes em relação ao seu dia considerado sagrado. E acrescente-se a seguinte indagação: Alguém se tornaria adepto ao judaísmo, adventismo ou qualquer outra organização religiosa, pelo simples fato de não encontrar dificuldades com a observância da crença da santificação do 7º dia? Estariam tais organizações religiosas sendo favorecidas a angariar mais adeptos em virtude de tal ato do poder público? Merece ser feita também a indagação em sentido oposto: aceitaria alguém se tornar adepto dos referidos credos, sabendo que, além das vicissitudes da vida, comuns a todos, se acrescentariam dificuldades na obtenção de educação (acesso a universidades quer por vestibulares, ENEM, conclusão de cursos, em razão de aulas exclusivamente aos sábados,
19

MARASCHIN, Claudio. Em busca de uma Fundamentação Jurídica da Objeção de Consciência. Revista de Direito Militar, nº 17, mai/jun 1999, p. 23. 20 MIRANDA, Pontes de apud SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 19. ed. rev. e atual. até emenda constitucional n. 31. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 254-255. 16

sem que se ofereça atividade alternativa como exercício domiciliar etc.) e emprego, especialmente os cargos públicos? Ou, pelo contrário, sendo uma sobrecarga para tais confissões religiosas, influenciariam negativamente nesta opção de fé?

4.1 – Possíveis questionamentos

a) Alteração da data, ou horário alternativo mediante isolamento, violaria o princípio da legalidade, vinculação ao edital e da isonomia?

Não é pertinente o argumento de violação ao princípio da vinculação ao edital, uma vez que é o próprio edital que é questionado. Quanto à legalidade é de se observar que acima do princípio da legalidade estrita, estaria o da conformação da lei ou edital com a Constituição que garante o direito fundamental à liberdade de crença, além das diversas normas de direito internacional citadas, às quais o Brasil é signatário. Igualmente não se violaria a isonomia, uma vez que nenhuma vantagem em termos técnicos se obteria com a concessão da medida em caso de alteração de data da prova para todos, e no caso do “confinamento”, a despeito de resguardar a liberdade de crença (ao menos para a maioria dos adeptos), criaria a sobrecarga do cansaço a mais em relação aos outros candidatos.

b) Caso concedida a medida pleiteada, estaria a Administração criando critérios de avaliação discriminada entre os candidatos?

Não se vislumbra tal configuração, uma vez que o critério será o mesmo para qualquer candidato caso a data seja igualmente alterada para todos, e, apenas o momento da aplicação da prova seria diferente no caso do “confinamento”, sendo que os confinados não teriam tempo a mais para estudo (apenas o cansaço adicional decorrente do isolamento) pois tal comportamento seria vedado, além de não condizer com o próprio motivo do pedido (santificação do dia).

c) Quando o Estado condiciona o exercício de um direito, no caso, acesso a cargos públicos mediante prova realizada no sábado, estaria privando algum grupo desse direito por motivo de ordem religiosa?

17

Prima facie, poder-se-ia até responder negativamente, uma vez que há a possibilidade de ninguém de tal grupo ter interesse naquele direito. No entanto, no caso concreto, pela dimensão do processo seletivo, e mesmo pelo simples fato do requerimento que ora é apresentado, se demonstra patente a violação. Registre-se que vem se tornando constante a busca pelo judiciário para solucionar tal impasse, a tal ponto que o Ministério da Educação paliativamente fez previsão de atendimento especial para esses casos, como de igual forma outros concursos públicos. Até mesmo unidades da federação cientes da situação e na ausência de lei federal vêm legislando a respeito, a exemplo do Estado de São Paulo, cuja aprovação da lei se deu por meio da derrubada do veto do governador pela assembléia legislativa, que possui maior representatividade da população, do que um único dirigente. Pensemos no caso de que todo concurso público, todo vestibular, todo calendário letivo do ensino fundamental ao superior, preveja atividades para o dia de sábado; essa classe de mais de um milhão de brasileiros não estaria sendo privada indiretamente de parte de sua cidadania, por não poder ter acesso a cargos públicos e à educação? Não seria isso uma violação à liberdade de crença, uma vez que teria que abrir mão da convicção religiosa de obedecer ao mandamento que crêem ser de Deus para participar de tais atividades?

d) A questão de fato diz respeito à liberdade de consciência e crença ou diz respeito meramente à preservação do “dia de guarda”, que, a depender da religião, poderia ser em qualquer dia da semana?

Acaso o dia considerado como sagrado não se configura uma crença religiosa? No caso dos sabatistas é a crença de que o próprio Deus escreveu diretamente os mandamentos em duas tábuas de pedra para que se lembrasse do dia de sábado como um memorial da criação, consubstanciado em Seu próprio exemplo de criar o mundo em seis dias e descansar no sétimo, conforme Êxodo 20:8 e 34:1? De fato, a depender da religião poderia ser em qualquer dia da semana, mas como já foi explanado nessa petição, prima facie, apenas os sabatistas têm essa peculiar forma de santificação do dia, além do que, a polêmica da santificação do dia se refere à sexta-feira (islamismo), sábado (adventistas, judeus etc.) e domingo (católicos e maioria dos evangélicos), e não a qualquer dia. Deve ficar bem claro que liberdade religiosa não pode ser confundida com libertinagem religiosa. De fato deve haver limites. Religião não é para ser brincadeira, especialmente quando possa vir a gerar algum ônus para terceiros. E a guarda do sábado não é invencionice moderna. Conforme tabela em
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anexo, é uma crença milenar que sempre esteve presente na história do homem, ainda que seguida pela minoria perseguida durante os séculos.

e) No presente caso, os interessados estariam sendo privados de direitos por motivo religioso, e assim restaria violado o inciso VIII do artigo 5º da CF/88, ou simplesmente os interessados é que “estariam deixando” de exercer um direito garantido pelo Estado por motivo religioso?

São duas formas de afirmar a mesma coisa. Sendo que afirmar que estão “deixando de exercer um direito” é uma forma eufemística de dizer que, em verdade, “estão sendo privados”. Se for seguida essa linha, dizer que “estão deixando de exercer um direito” por motivo religioso podemos reescrever a história de alguns mártires nos seguintes termos: Jonh Hus, reformador religioso, cuja estátua pode ser encontrada na praça central de Praga, deixou de exercer o direito à vida, garantido pelo Estado, porque, por motivo religioso, crença, convicção, pregou, dentre outras coisas, que qualquer pessoa pode comunicar-se com Deus sem a mediação sacramental e eclesial.

Galileu Galilei poderia ter optado pelo direito à vida abjurando publicamente de suas idéias, mas optou pelo direito de uma consciência livre, tranqüila, ainda que deixasse de exercer aquele direito. Igualmente muitos outros, como judeus e mouros, quando da ação do Tribunal do Santo Ofício na Espanha, tinham de optar em “deixar de exercer o direito” de permanecerem naquele país, caso não renegassem as suas religiões, ou mantê-las, mas em outro lugar. Nunca se deve esquecer o preço pago para hoje termos o direito à liberdade de pensamento e de crença.

f) Uma decisão que proporcionasse a alteração de data de realização do certame ou o isolamento teria efeito multiplicador?

Excelência, a pergunta inicial é: existe qualquer tipo de demanda para outros dias da semana? A maior parte das atividades (concursos e provas) ocorre no domingo e em outros dias da semana. A maioria esmagadora da população é de instituição religiosa que tem dia considerado como sagrado diferente do sábado e nunca nem ao menos buscou tal direito. Por quê? A norma constitucional do direito à liberdade de crença e escusa de consciência não já
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existe para todos? Simplesmente porque a forma de observância de tal norma para eles não é da mesma forma; para tais, tal crença é relativizada. Mas é claro, que com isso não se afirma que só os sabatistas tenham esse direito. Mas negar o direito aos mesmos, com base em mera especulação infundada (inexistência de pleitos semelhantes) seria razoável? E caso se conceda o direito pleiteado aos requerentes não significa que se torne tal posição em cláusula pétrea, podendo, diante de circunstância concreta, ser revista no futuro tal posição.

g) Seria viável (tecnicamente possível) a aplicação de provas diferentes, mas com mesmo nível de dificuldade, em dias distintos?

Entendemos que não é possível duas provas diferentes serem aplicadas porque se trata de um certame. O nível de dificuldade é subjetivamente variável, dependendo muito da preparação e aptidão do indivíduo. Por esses motivos é que não foi solicitada tal medida, mas aqui se fala por mera reflexão. Assim, nesse ponto acertada a posição dos Ministros Gilmar Mendes e Carlos Britto, na Suspensão de Tutela Antecipada nº 389. Contudo, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) parece pensar dessa forma apenas quando o problema envolve crença religiosa, uma vez que sustentou esse argumento no processo citado, mas posteriormente aplicou provas nos dias 05 e 06/01/2010 (terça-feira e quarta-feira) para adolescentes internos e presidiários de todo país, além de 334 estudantes de duas cidades do Espírito Santo, que não puderam fazer em dezembro por causa de enchentes na região. Noticia o portal G1 que “o nível de dificuldade deste Enem deverá ser idêntico ao da prova aplicada nos dias 5 e 6 de dezembro, quando cerca de 2 milhões de estudantes do país fizeram a prova. O motivo é que as questões são calibradas por nível de dificuldade”21.

Excelência, o que mais estarrece é o fato de o Ministério da Educação Cultura ter sustentado que “um exame aplicado para mais de quatro milhões de candidatos e outro para vinte e dois alunos”, “comprometeria a credibilidade do ENEM”, e, um dia após o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal, publicar, no Diário Oficial da União de 04/12/2009 (anexo), a portaria nº 317 regulamentando que a aplicação do ENEM nas Unidades Prisionais se daria em data posterior, com o seguinte esclarecimento trazido em

21

Acesso em 21/07/2009, às 10:00. Site: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1434643-5604,00FERNANDINHO+BEIRAMAR+E+MAIS+DEZ+MIL+PRESOS+DO+PAIS+FAZEM+O+ENEM+NESTA+T ERCA.html 20

reportagem da Agência Brasil, publicado no Correio Brasiliense (anexo): “As questões serão diferentes das que fazem parte do Enem regular, mas o nível de dificuldade da prova será idêntico. De acordo com o Inep, isso vai ser assegurado por meio do uso de uma metodologia utilizada em avaliações de habilidades e conhecimentos”. Diante disso, imagine como se sentiu o grupo de 22 judeus interessados naquela decisão da Corte Suprema, além de outros que não figuraram na referida ação, ao ver negado o seu pleito de uma data alternativa, e, no dia seguinte, descobrir a portaria supracitada garantir o mesmo que para eles fora negado. Poder-se-ia indagar porque não pode ser aplicado o mesmo critério para os sabatistas? Será que é mais respeitável nesse país ser criminoso do que ser religioso? Para quem fez mal a sociedade é possível a aplicação de prova em data alternativa, mas para quem busca fazer o bem, como em regra os religiosos fazem material e moralmente, não é possível? Esse ano novamente a prova do ENEM será realizado em um sábado e em um domingo, mesma situação do ano passado. Portanto, é oportuna a reflexão sobre as seguinte palavras de Aldir Guedes Soriano: “o Estado laico também não é confessional. Estado ateu possui um caráter confessional às avessas. Assim, o Estado laico não é ateu nem muito menos confessional: ele é neutro – ou, pelo menos, deveria, em tese, ser neutro22”.

5 - DA CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR (FUMUS BONI IURIS e PERICULUM IN MORA) A designação de data da prova do processo seletivo no Sábado, sendo referida seleção condição para acesso a cargos públicos, diante da crença religiosa já exposta, fere, por si só, o direito do impetrante em exercer plenamente sua cidadania concomitante ao direito fundamental e inalienável de liberdade de crença e consciência. Isso restou cabalmente demonstrado pela análise do artigo 5°, VIII, da Constituição Federal, e demais normas de Direito, estando assim claro o FUMUS BONI IURIS. Calha ressaltar, que o que será discutido no mérito é se na República Federativa do Brasil é possível o indivíduo manter sua crença na obediência aos 10 mandamentos de Deus, entre os quais está incluso o 4º mandamento, isto é, a

22

SORIANO, Aldir Guedes. Estado Laico é Neutro. Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 jul. 2007, Opinião, p. 3. 21

santificação do sétimo dia, sábado, e, ao mesmo tempo exercer plenamente a sua cidadania, mediante o acesso a cargos públicos. Observa-se que a despeito de não ser objeto da demanda, o resultado também terá implicações no âmbito do acesso à educação superior por meio de vestibulares ou ENEM, bem como implicação na própria conclusão dos níveis de ensino fundamental, básico e superior (é comum ocorrerem reprovações em virtude de freqüência inferior a 75%, pois determinadas aulas são designadas para ocorrerem entre o pôr-do-sol da sexta-feira e pôr-dosol do sábado - sábado bíblico -, sem que se ofereça uma atividade alternativa como exercícios domiciliares, que são ofertadas no caso de ausência por doença, por exemplo). Igualmente, diante da força e influência das decisões do Supremo Tribunal Federal, poder-se-á, reduzir o número de demandas judiciais ao proporcionar maior segurança jurídica a respeito da adequada interpretação constitucional quanto ao tema discutido no mérito, conforme acima destacado. É de tamanha importância, que não por outro motivo, a questão da guarda do sábado, de uma forma ou outra, é regulamentada por diversas leis municipais e/ou estaduais, a exemplo de Leis Municipais nos. 10.010/2006 (Porto Alegre), 1.014/2006 (Manaus), 2.657/2006 (Feira de Santana-BA), 4.194/ 1999 (Lins-SP) e 7.146/1998 (São José do Rio Preto-SP), Leis Estaduais nos. 6.334/2002 (Alagoas), 3.072/2006 (Amazonas), 6.667/2001 (Espírito Santo)23, 268/2002 (Maranhão), 6.140/1998 e 6.468/2002 (Pará)24, 11.662/1997 (Paraná), 11.830/2002 (Rio Grande do Sul)25, 1.631/2006 e 1.012/2001 (Rondônia), 11.225/1999 (Santa Catarina) e 12.142/2005 (São Paulo)26. Constituições dos Estados de Sergipe (art. 281 – incluído pela Emenda Constitucional nº 21/2000) e do Acre (art. 27, inc XXII e XXIII – alterada pela Emenda Constitucional nº 6/1992); Lei Distrital nº 1.784/1997 (Distrito Federal). Além das citadas leis acima, também tramitam projetos de lei em outras Unidades da Federação ou municípios, sendo que no âmbito federal, tramitou o projeto de lei nº 5/1999, ao qual foram apensados os projetos de lei nos. 5666/2001, 7001/2002, 7030/2002, 7125/2002, 2664/2003, 5446/2005, 6304/2005, 6663/2006, 6809/2006 e 8/2007, mas que, após aprovação por unanimidade nas comissões pertinentes da Câmara dos Deputados, aguardando apenas

23 24

Era foco da ADI nº 3118, mas que foi extinta por perda objeto, por ter sido revogada antes do julgamento. Objeto da ADI nº 3901, aguardando julgamento. 25 Declarada inconstitucional em 2003 pelo STF, em razão de vicio formal na iniciativa - ADI 2806. 26 Objeto da ADI nº 3714, aguardando julgamento. 22

votação em plenário, foi arquivado em face da não votação ao término daquela legislatura, conforme preceitua o regimento interno daquela Casa. Atualmente tramita no senado o Projeto de lei 261/2004 buscando regulamentar a questão, bem como o Projeto de lei 2171/2003, de origem da Câmara dos Deputados, que regulamenta de forma parcial, pois dispõe apenas sobre a aplicação de provas e a atribuição de freqüência a alunos impossibilitados de comparecer à escola, por motivos de liberdade de consciência e de crença religiosa. Também cumpre mencionar a existência na justiça federal do Distrito Federal da Ação Civil Pública nº 41602-44.2007.4.01.3400 (número antigo 2007.34.00.041870-4), cujo mérito foi julgado procedente em 1º grau. Referida ação tem como objeto possibilitar em todos os concursos públicos vindouros a realização de prova em horário diferenciado para os candidatos que assim o requerem por motivo religioso. Como houve apelação, os efeitos de referida sentença restaram suspensos. De forma bem resumida, referidas leis, projetos, ou ações judiciais, não proíbem em absoluto a realização da prova aos sábados, mas tão-somente “recomendam” que não aconteçam nesse dia, pois caso não seja possível tal medida, determinam que ao menos se garanta o direito ao “confinamento” até o pôr-do-sol, quando então se realizaria a prova. Nesses termos é que se requer à Suprema Corte que se determine que a data da prova de Analista do Ministério público da União seja alterada para outro dia que não o sábado, conforme designado pelo edital. É de se registrar que todos os últimos concursos do Ministério Público da União se realizaram aos domingos, sendo o turno matutino para os cargos de analista e o vespertino para o de técnico. Que também a empresa realizadora do concurso, CESPE tem aplicado semelhante procedimento em outros concursos, como o realizado no Estado da Bahia pra o Tribunal Regional Eleitoral, com provas pela manhã para o cargo de Analista (inclusive também com parte objetiva e subjetiva), e de técnico à tarde. Caso Vossa Excelência assim não entenda em sede de antecipação de tutela, que subsidiariamente, se conceda aos requerentes o direito de chegando ao local de prova permaneçam isolados e incomunicáveis até o pôr-do-sol, momento em que termina o dia bíblico, quando então poderá ser aplicada a prova aos mesmos com o mesmo tempo de duração concedido aos demais candidatos.

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Visando resguardar a integridade espiritual dos candidatos, caso entenda por essa medida, que também se determine a permissão para que durante as horas sabáticas (até o pôr-do-sol) tais candidatos possam portar e ler exemplar das Sagradas Escrituras (bíblia), que deverá ser previamente vistoriada por fiscal, assim como acontece em provas em que se permite consulta à determinado material, como legislação, a exemplo de exame da OAB, sendo as mesmas recolhidas quando do início da prova. A despeito de inexistir manifestação direta do STF a esse respeito, pode se extrair do voto do Ministro Gilmar Mendes (quando do julgamento da Suspensão de Tutela Antecipada nº 389, agravo regimental, em que se analisava às vésperas do ENEM se seria possível aplicar a prova em outro dia com conteúdo diferente) que a possibilidade de fazer a prova após o pôr-do-sol “revela-se, em face dos problemas advindos da designação de dia alternativo, mais consentânea com o dever do Estado de neutralidade diante do fenômeno religioso (que não se confunde com indiferença, consoante salientado anteriormente e com a necessidade de se tratar todas as denominações religiosas de forma isonômica”. Igualmente, chega a significativa conclusão o Procurador do Ministério Público do Trabalho, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela PUC/SP, Manoel Jorge e Silva Neto ao afirmar que:
Embora represente um custo maior para o órgão que disponibiliza as vagas a serem preenchidas por via de concurso público, o direito individual à liberdade religiosa do adventista – no caso, não se submetendo à prova em dia de sábado – não deve ceder espaço à comodidade da Administração Pública27;

No entanto, se a medida do “isolamento” atende ao pleito dos impetrantes neste writ, então porque se determinaria a alteração da data? Excelência, parece ser razoável que caso se conceda a medida pleiteada, por questão de isonomia, a mesma deva ser estendida a outros que professam a mesma fé e pretendam participar do certame. O que também poderia acarretar em possível prorrogação do prazo de inscrição, no caso desse julgamento ocorrer após o fim das inscrições em 30/07/2010. Por essa razão, considerando que assim como em questão de fé não há consenso sobre qual dia deva ser considerado sagrado, ou mesmo se algum dia deva ser assim considerado, também não há consenso em relação à forma de cumprir o mandamento da
27

SILVA NETO, Manoel Jorge e, op. cit., p. 129. 24

santificação do sétimo dia. Assim, entendem alguns, como aqueles judeus que pleitearam dia alternativo para o ENEM, e mesmo alguns adventistas do sétimo dia, que se dirigir ao local da prova no período sabático e lá permanecer confinado, se estaria transgredindo o quarto mandamento da lei de Deus. Dessa forma, caso a alteração do dia seja efetivada se atenderia de forma mais ampla a todos esses religiosos, mesmo porque, considerando ter a prova duração de 5 horas e se especulando que se inicie às 13h, a conclusão é que o isolamento acarretará extremo cansaço físico de mais de 10 horas seguidas em uma sala quase nunca confortável, fazendo com que o candidato em tese comece seu deslocamento por volta do meio dia, para chegar antes do fechamento dos portões, às 13h, ficar isolado até por volta das 18h, e, depois de mais 5 horas pra fazer a prova, poderá deixar o local, por volta das 23h, ou seja, quase meia noite. Será isso algum “privilégio” para tais candidatos que querem manter a fé íntegra? Ou a vantagem/privilégio estaria do lado daqueles que simplesmente chegarão ao local da prova para em seguida iniciá-la, tudo num espaço de cerca de 5 horas? Daí que se pede prioritariamente a alteração do dia da prova para outro diferente do sábado, de forma que o candidato mais apto, em idênticas condições de avaliação possa vir a integrar os quadros de Analista do MPU. Mas caso Vossa Excelência entenda prematuro conceder tal medida em sede liminar, que se garanta de imediato, de forma subsidiária, a medida do “isolamento”, para em seguida, ser feita melhor análise do pedido principal mediante prestação de informação por parte do Procurador Geral da República, que justifique o porquê da não realização do certame em outro dia, como no domingo pela manhã, como vinham sendo realizados os concursos anteriores do MPU. Por outro lado, caso não realizem os impetrantes a prova, perde o objeto o presente writ, nada mais havendo a discutir, a não ser lamentar a perda de possibilidade de ingressar no quadro de servidores do MPU, instituição desejada por muitos que anseiam ingressar no serviço público. Salientamos Excelência, que concedendo a liminar ora solicitada e caso posteriormente a decisão final seja pela improcedência do pedido, não restará maiores prejuízos para a Administração, pois simplesmente as provas realizadas pelos candidatos, ora impetrantes, serão consideradas nulas. Entretanto, se a liminar não for concedida e os impetrantes vencerem no mérito maior dificuldade será para execução de tal decisão, pois uma possível anulação de todo um certame envolvendo milhares de pessoas restará por demais gravosa a toda uma coletividade.
25

Convém novamente frisar que a prova se realizará no dia inicialmente fixado, qual seja, o dia 11 de setembro de 2010, sábado à tarde, havendo evidente perigo na demora da prestação da tutela, daí mais um motivo para se justificar a liminar pretendida, para que se consiga prestar o exame a tempo, bem como, caso atendido o pedido liminar, a empresa executora do certame, CESPE, possa se aparelhar para cumprimento a ordem judicial e evitar possíveis contratempos como se soube ter acontecido em situações semelhantes. Assim, não atendida a tempo essa possibilidade, morta estará a esperança dos impetrantes. Aqui se vê claramente o PERICULUM IN MORA. Em suma, afiguram-se presentes os pressupostos da liminar pleiteada: Primeiro porque a opção religiosa não pode ser motivo de privação de direito (inciso VIII, art. 5ª, da CF/88); Segundo, porque a alteração da data ou a alternativa de manter os candidatos incomunicáveis desde o início da realização da prova (provável 13:00h – horário local) tanto preserva seus direitos quanto a igualdade de oportunidades com os demais candidatos e o sigilo das provas; Terceiro, porque o não deferimento da liminar alijará, sem possibilidade de reversão, os candidatos do certame público.

6 - DO PEDIDO Diante disso, os impetrantes, como pessoas livres e visando manter sua integridade religiosa, crença e fé, mesmo sem abdicar de parte de sua cidadania e direitos que lhe são conferidos, como o de participar de referido processo seletivo, requerem: 1) que seja concedido a medida liminar, determinando que o Ministério Público da União, por meio do Procurador Geral da República, autoridade responsável pelo Edital nº 1 – PGR/MPU, de 30 de junho de 2010, altere o dia da prova para outro que não o sábado, ou, subsidiariamente, pelas razões acima expostas, que ofereça oportunidade aos requerentes para que seja realizada a prova objetiva/subjetiva, atualmente marcada para o turno vespertino do sábado dia 11 de setembro de 2010, no período após o pôr-do-sol do referido dia, ficando os mesmos, incomunicáveis e devidamente vigiados por fiscais, garantindo-se assim, o necessário sigilo e a incomunicabilidade, resguardando no período de isolamento o direito à leitura da bíblia, previamente conferida por fiscais, e recolhidas quando do início da prova;

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2) que, caso concedido o pedido acima, especialmente se for o pedido subsidiário do “isolamento, se determine à entidade executora do certamente convocação de interessados na medida; 3) que se dê ciência à autoridade coatora, Procurador Geral da República; 4) que seja efetuada a citação da empresa executora do certame, Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB); 5) que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, no caso, União, para que, querendo, ingresse no feito 6) seja concedida a devolução do valores recolhidos como custas, como conseqüência da interpretação conforme à Constituição a ser dado ao instituto do mandado de segurança, considerando-o gratuito à semelhança do habeas corpus e habeas data, nos termos do item 2. 7) a manutenção da liminar, e ao final seja julgado procedente o mérito da presente ação; Dão à causa o valor de R$ 50,00 (dez reais), para efeitos meramente fiscais, juntando a prova documental que obtiveram. Nestes termos, Pedem deferimento.

Salvador, 23 de julho de 2010

Neidsonei Pereira de Oliveira
CPF 979.403.725.72

Chalanna Silva de Oliveira
OAB-BA 25.261

27

34
.

ISSN 1677-7042
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA
PORTARIA N o 317, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2009

1

Nº 232, sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Art. 2º O ENEM/2009, a ser realizado na forma do art. 1º, será aplicado nos dias 05 e 06 de janeiro de 2010, nos horários estabelecidos abaixo, considerando, para todo território nacional, o horário de Brasília, de acordo com o seguinte calendário: I - no dia 05/01/2010 (terça-feira): das 13h às 17h30 - Caderno I (Prova IV: Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Prova III: Ciências Humanas e suas Tecnologias). II - no dia 06/01/2010 (quarta-feira): das 13h às 18h30 Caderno II (Prova I: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; e Redação, e Prova II: Matemática e suas Tecnologias). Art. 3º As normas e os procedimentos que regem o ENEM se aplicam, no que couber, ao disposto nesta Portaria. Parágrafo único. Os casos omissos serão decididos pelo INEP. Art 4º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua aplicação. REYNALDO FERNANDES

Ministério da Educação
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ DIRETORIA DE RECURSOS HUMANOS
PORTARIA N o 683, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2009

O DIRETOR DE RECURSOS HUMANOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto no Ato da Reitoria Nº. 425/08, de 18/03/2008, resolve: Homologar o resultado do Processo Seletivo para Professor Substituto, em Regime de Tempo Parcial - TP-20 (vinte) horas semanais, na Área de Pediatria, do Departamento de Materno-Infantil, Centro de Ciências da Saúde, habilitando SIMONE SOARES LIMA e ANA MARIA CARVALHO FONTENELE, primeira e segunda colocada, respectivamente, classificando ambas para contratação. (considerando o Edital nº. 09/2009/CCS, de 20.10.2009, publicado DOU 23.10.2009; o Processo Nº 23111.012766/09-60; as Leis nº.s 8.745/93; 9.849/99, e 10.667/2003, publicadas em 10/12/93; 27/10/99 e 15/05/2003, respectivamente). ANTÔNIO PÁDUA CARVALHO

O PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA INEP, no exercício de suas atribuições, conforme estabelece o inciso VI, do art. 16, do Decreto nº 6.317, de 20 de dezembro de 2007, e tendo em vista o disposto na Portaria MEC nº 438, de 28 de maio de 1998, que instituiu o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), complementada pela Portaria MEC nº 318, de 22 de fevereiro de 2001, e Portaria MEC nº 391, de 07 de fevereiro de 2002, e alterada pela Portaria nº 462, de 27 de maio de 2009, resolve: Art. 1º O INEP aplicará o Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM/2009 nas Unidades Prisionais que atendam aos seguintes requisitos: I - mantenham matriculas em programas especiais de ensino médio; II - tenham cumprido o disposto no artigo 8º da Portaria Inep nº 109, de 27 de março de 2009; e III - tenham efetuado a inscrição dos seus detentos.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
PORTARIA N o 297, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2009

O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA, substituto, no uso de suas atribuições, considerando o Decreto nº 5.773, de 09/05/2006, com alterações do Decreto nº 6.303, de 12/12/2007, e a Portaria Normativa nº 40, de 12/12/2007, tendo em vista o Despacho nº 79/2009, da Diretoria de Regulação e Supervisão de Educação Profissional e Tecnológica, conforme instrução dos Processos nº 23000.011533/2009-69 e 23000.023480/2008-48 (20080000312), do Ministério da Educação, resolve: Art. 1º - Aditar, nos termos do art. art. 10, § 4º, do referido Decreto nº 5.773/2006, combinado com os artigos 57 e 61 da Portaria Normativa citada, exclusivamente no que tange ao local de funcionamento da instituição de ensino superior e ao número de vagas do curso superior de tecnologia em questão, dos atos autorizativos abaixo especificados, respectivos ao credenciamento da Faculdade de Tecnologia SENAI Belo Horizonte, mantida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Departamento Regional de Minas Gerais, e ao reconhecimento do Curso Superior de Tecnologia em Processos Gerencias, ofertado pela mesma Faculdade de Tecnologia. Ato autorizativo em aditamento Portaria MEC nº.788, de 27/05/2005, D.O.U. de 30/05/2005, e Portaria MEC/SETEC nº 42, de 12/02/2008, D.O.U. de 15/02/2008 Endereço de funcionamento anterior da instituição / Nº de vagas totais anuais anterior Avenida Afonso Pena, nº 2.918, Funcionários, Município de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais / 80 vagas (Período noturno) Endereço de funcionamento da instituição pós-aditamento / Nº de vagas totais anuais pós-aditamento / Turno Avenida Afonso Pena, nº 1.500, Centro, Município de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais / 240 vagas (160 vagas noturnas e 80 vagas diurnas)

Art. 2º - Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. GETÚLIO MARQUES FERREIRA
PORTARIA N o 298, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2009

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA N o 1.709, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2009

O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA, substituto, no uso de suas atribuições, considerando o Decreto nº 5.773, de 09/05/2006, com alterações do Decreto nº 6.303, de 12/12/2007, e o Despacho nº 78/2009, da Diretoria de Regulação e Supervisão da Educação Profissional e Tecnológica, conforme instrução do Processo nº .013682/2005-39 (20050008125), do Ministério da Educação, resolve: Art. 1° - Reconhecer, nos termos do art. 10, § 3º, do referido Decreto nº 5.773/2006, o Curso Superior de Tecnologia em Marketing de Varejo, com duzentas vagas totais anuais, no período noturno, autorizado pela Portaria MEC nº 3.337, de 13/11/2003, D.O.U. de 14/11/2003, ofertado pelo Instituto de Ensino Superior de Bauru, estabelecido à Rua Alfredo Ruiz, nº 353, Centro, no Município de Bauru, Estado de São Paulo, mantido a pelo Instituto de Ensino Superior de Bauru S/C Ltda. Art. 2º - Nos termos do art. 10, § 7º, do mesmo Decreto nº 5.773/2006, o reconhecimento é válido até o ciclo avaliativo seguinte. Art. 3º - Nos termos da Portaria Normativa nº 10, de 28/07/2006, e da Portaria Normativa nº 12, de 14/08/2006, fica autorizada a alteração da denominação do curso para Curso Superior de Tecnologia em Marketing, constante do Eixo Tecnológico de Gestão e Negócios, conforme Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia. Art. 4º - Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. GETÚLIO MARQUES FERREIRA ANEXO

A SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, nomeada pela Portaria nº 712, de 21 de outubro de 2008, no uso de suas atribuições legais e observado o disposto na Portaria nº 731, de 22 de julho de 2009, que dispõe sobre a gerência de Programas e Ações do Plano Plurianual 2008-2011, resolve: Art. 1º Indicar os Coordenadores de Ação e Coordenadores-Executivos de Ação dos Programas da Secretária de Educação Superior constantes do Plano Plurianual 2008-2011 na forma do anexo desta Portaria. Art° 2° Esta portaria entra em vigor na data da sua publicação. MARIA PAULA DALLARI BUCCI

PROGRAMA 1067 - Gestão da Política de Educação 1377 - Educação para Diversidade e Cidadania 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário 1073 - Brasil Universitário perior

AÇÃO 4083 - Gerenciamento das Políticas de Ensino Superior 2C68 - Fomento à inclusão Social e Étnico-racial na Educação Su2272 - Gestão e Administração do Programa 4005 - Apoio à Residência Multifuncional 4413 - Treinamento Especial para Alunos de Graduação de Entidade de Ensino Superior (PET) 6344 - Credenciamento dos Cursos de Graduação e de Instituições Públicas e Privadas de Ensino Superior perior Federais 6379 - Complementação para o Funcionamento dos Hospitais de Ensino

UNIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSÁVEL Coordenação-Geral de Planejamento e Gestão Coordenação-Geral de Relações Estudantis Coordenação-Geral de Planejamento e Gestão Coordenação_Geral de Residências Saúde Coordenação-Geral de Relações Estudantis Diretoria de Regulação e Supervisão da Educação SuCoordenação-Geral de Hospitais Universitários Coordenação-Geral de Planejamento e Orçamento Coordenação-Geral de Planejamento e Orçamento

8551 - Complementação para o Funcionamento das Instituições Federais de Ensino Superior 0048 - Apoio a Entidade de Ensino Superior não Federais

Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.in.gov.br/autenticidade.html, pelo código 00012009120400034

Documento assinado digitalmente conforme MP n o 2.200-2 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil.

23/07/2010

G1 > Vestibular e Educação - NOTÍCIAS…
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vestibular e educação / enem

05/01/10 - 10h00 - Atualizado em 05/01/10 - 10h00

Fernandinho Beira-Mar e mais dez mil presos do país fazem o Enem nesta terça
Prova também será aplicada na quarta-feira. Candidatos de cidade atingida por enchente no ES farão exame.
Do G1, em São Paulo

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e mais outros dez mil presidiários e adolescentes internos de todo o país fazem nesta terça (5) e quarta (6) as provas do Exame Nacional do Ens ino Médio (Enem). O Minis tério da Educação e o Instituto Nacional de Es tudos e Pesquisas Educacionais (Inep) decidiram fazer uma aplicação especial por causa da logística de segurança do exame. O traficante está na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS). Segundo o Ministério da Justiça, fis cais do Ministério da Educação e agentes penitenciários vão acompanhar a aplicação do exame. O nível de dificuldade deste Enem deverá ser idêntico ao da prova aplicada nos dias 5 e 6 de dezembro, quando cerca de 2 milhões de estudantes do país fizeram a prova. O motivo é que as questões são calibradas por nível de

Beira-Mar vai fazer prova do Enem em Penitenciária Federal de Segurança Máxima em MS (Foto: Reprodução/TV Globo)

dificuldade. Nesta terça, serão aplicadas, das 13h às 17h30, as provas de ciências da natureza e ciências humanas , com 90 ques tões. Na quarta, os inscritos respondem a 90 questões de linguagens e matemática e fazem a redação, das 13h às 18h30. Tam bém estão es calados para fazer as provas nes ta terça e quarta os candidatos das cidades de Brejetuba e Itatiba, no Espírito Santo, prejudicados pelas enchentes nos final de s emana de dezembro em que o exame foi aplicado. Leia mais notícias de Vestibular

…globo.com/…/0,,MUL1434643-5604,00…

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23/07/2010

Eu Estudante - Correio Braziliense

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04/12/2009 Últimas notícias Ensino Médio Teste Vocacional Vestibular

Enem será aplicado em presídios nos dias 5 e 6 de janeiro
Agência Brasil Brasília - Os presos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) farão as provas nos dias 5 e 6 de janeiro de 2010, às 13h. A portaria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) foi publicada no Diário Oficial da União de hoje (4). O exame será realizada nos presídios que inscreveram os detentos e que mantêm programas especiais de ensino médio. A aplicação especial foi decidida dentro do sistema logístico de segurança do Enem. No dia 5 de janeiro, terça-feira, das 13h às 17h30, serão aplicadas as provas de ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. No dia 6, quarta-feira, os presos farão as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias e também a redação. O horário do exame será das 13h às 18h30. As questões serão diferentes das que fazem parte do Enem regular, mas o nível de dificuldade da prova será idêntico. De acordo com o Inep, isso vai ser assegurado por meio do uso de uma metodologia utilizada em avaliações de habilidades e conhecim entos. O sistema de consulta aos novos locais de prova do Enem regular deste ano está à disposição dos estudantes, no site do exame. Para saber qual é o local do exame, que será aplinado neste fim de semana, os candidatos também contam com as informações contidas no cartão de confirmação de inscrição, enviado pelos Correios. A busca pode ser feita também pelo telefone 0800 616161. Hora do Enem

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ANEXO D – POPULAÇÃO DE ADVENTISTAS E JUDEUS NO BRASIL411
Tabela 2094 – População residente por cor ou raça e religião Variável = População residente (Pessoas) Ano = 2000 Brasil e Unidade da Federação Religião Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Brasil Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Rondônia Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Acre Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Amazonas Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Roraima Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Pará Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Amapá Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Tocantins Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Maranhão Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Piauí Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Ceará Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Rio Grande do Norte Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Paraíba Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Pernambuco Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Alagoas Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Sergipe Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Bahia Judaísmo
411

1.209.842 86.825 34.122 126 5.859 12 63.440 663 6.473 87.662 967 5.499 45 8.737 246 64.916 101 8.543 49 22.868 223 8.725 106 9.151 76 41.032 1.398 13.343 9 15.997 171 115.151 927

IBGE. Banco de Dados Agregados. Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?z=cd&o=7&i=P>. Acesso em: 10 jun. 2007.

Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Nota: 1 - Os dados são da Amostra

Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo Evangélicas de missão - Igreja Evangélica Adventista Judaísmo

71.794 2.213 41.153 247 61.178 25.752 240.656 42.174 87.954 2.280 28.657 462 59.443 7.269 25.086 203 32.845 135 32.311 350 17.248 624

Fonte: IBGE - Censo Demográfico

ANEXO B – O SÁBADO ATRAVÉS DOS SÉCULOS408

“Quase todas as igrejas no mundo celebram os sagrados mistérios [da Ceia do Senhor] no sábado de cada semana.” Socrates Scholasticus, Eccl. History. “Então a semente espiritual de Abraão [os cristãos] fugiram para Pela, do outro lado do rio Jordão, onde encontraram um lugar de refúgio seguro, e assim puderam servir a seu Mestre e guardar o Seu sábado.” Eusebius’s Ecclesiastical History Filo, filósofo e historiador, afirma que o sábado correspondia ao sétimo dia da semana. “Os cristãos primitivos tinham grande veneração pelo sábado, e dedicavam o dia para devoção e sermões(...) Eles receberam essa prática dos apóstolos, conforme vários escritos para esse fim.” D. T. H. Morer (Church of England), Dialogues on the Lord’s Day, Londres, 1701.

Século II, III e IV Século III
408

Século II

Século I

“Desde o tempo dos apóstolos até o Concílio de Laodicéia [364 d.C.), a sagrada observância do sábado dos judeus persistiu, como pode ser comprovado por muitos autores, não obstante o voto contrário do concílio.” John Ley, Sunday A Sabbath, Londres, 1640

“Pelo ano 225 d.C., havia várias dioceses ou associações da Igreja Oriental, que guardavam o sábado, desde a Palestina até a Índia.” Mingana Early Spread of Christianity “Na igreja de Milão (Itália), o sábado era tido em alta consideração. Não que as igrejas do Oriente ou qualquer outra das restantes que observavam esse dia, fossem inclinadas ao judaísmo, mas elas se reuniam no sábado para adorar a Jesus, o Senhor do sábado.” Dr. Peter Heylyn, History of the Sabbath, Londres, 1636 “Por mais de 17 séculos a Igreja da Abissínia continuou a santificar o sábado como o dia sagrado do quarto mandamento.” Ambrósio de Morbius “Ambrósio, famoso bispo de Milão, disse que quando ele estava em Milão, guardou o sábado, mas quando passou a morar em Roma, observou o domingo. Isso deu origem ao provérbio: ‘Quando você está em Roma, faça como Roma faz.’” Heylyn, History of the Sabbath Pérsia 335-375 d.C. Eles [os cristãos] desprezam nosso deus do Sol. “Eles [os cristãos] desprezam nosso deus do Sol. Zoroastro, o venerado fundador de nossas crenças divinas, não instituiu o domingo mil anos antes em honra ao Sol cancelando o sábado do Antigo Testamento? Os cristãos, contudo, realizam suas cerimônias religiosas no sábado.” O’Leary, The Syriac Church and Fathers “Agostinho [cujo testemunho é mais incisivo pelo fato de ter sido um devotado observador do domingo] mostra... que o sábado era observado em seus dias ‘na maior parte do mundo cristão’.” Nicene and Post-Nicene Fathers, série 1, vol. 1, págs. 353 e 354 “No quinto século a observância do sábado judaico persistia na igreja cristã.” Lyman Coleman, Ancient Christianity Exemplified, pág. 526 “Neste último exemplo, eles [a Igreja da Escócia] parecem ter seguido o costume do qual encontramos vestígios na primitiva igreja monástica da Irlanda, ou seja, afirmavam que o sábado era o sétimo dia no qual descansavam de todas as atividades.” W. T. Skene, Adamnan’s Life of St. Columba, 1874, pág. 96 Sobre Columba de Iona: “Tendo trabalhado na Escócia por trinta e quatro anos, ele predisse clara e abertamente sua morte, e no dia 9 de junho, um sábado, disse a seu discípulo Diermit: ‘Este é o dia chamado sábado, isto é, o dia de descanso, e como tal será para mim, pois ele colocará um fim aos meus labores’.” Butler’s Lives of the Saints, artigo sobre “St. Columba” “Parece que, nas igrejas célticas primitivas, era costume, tanto na Irlanda quanto na Escócia, guardar o sábado... como um dia de descanso. Eles obedeciam literalmente ao quarto mandamento no sétimo dia da semana.” Jas. C. Moffatt, The Church in Scotland Disse Gregório I, Papa de Roma (590-604): “Cidadãos romanos: Chegou a meu conhecimento que certos homens de espírito perverso têm disseminado entre vós coisas depravadas e contrárias à fé

O SÁBADO ATRAVÉS DOS SÉCULOS. Disponível em: <http://www.igrejaadventista.org.br/Osabado/te mas10.asp#>. Acesso em: 27 jun. 2007.

Século VII

Século VI

Século V

Século IV

cristã, proibindo que nada seja feito no dia de sábado. Como eu deveria chamá-los senão de pregadores do anticristo?”

Índia, China, Pérsia, etc. “Abrangente e persistente foi a observância do sábado entre os crentes da Igreja Oriental e dos Cristãos de São Tomás da Índia, que jamais estiveram ligados a Roma. O mesmo costume foi mantido entre as congregações que se separaram de Roma após o Concílio de Calcedônia, como por exemplo, os abissínios, jacobitas, marionitas e armênios.” New AchaffHerzog Encyclopedia of Religious Knowledge, artigo intitulado “Nestorians” “O papa Nicolau I, no nono século, enviou ao príncipe governante da Bulgária um extenso documento dizendo que se devia cessar o trabalho no domingo, mas não no sábado. O líder da Igreja Grega, ofendido pela interferência do papado, declarou o papa excomungado.” B. G. Wilkinson, Ph.D., The Truth Triumphant, pág. 232

Século X

Século IX

Século VIII Século XI Século XII Século XIII Século XVI Século XV Século XIV

“Os seguidores de Nestor não comem porco e guardam o sábado. Não crêem em confissão auricular nem no purgatório.” New Schaff-Herzog Encyclopedia, artigo “Nestorians”

“Margaret da Escócia, em 1060, tentou arruinar os descendentes espirituais de Columba, opondo-se aos que observavam o sábado do sétimo dia em vez de o domingo.” Relatado por T. R. Barnett, Margaret of Scotland, Queen and Saint, pág. 97 “Há vestígios de observadores do sábado no século doze, na Lombárdia.” Strong’s Encyclopedia Sobre os valdenses, em 1120: “A observância do sábado... é uma fonte de alegria.” Blair, History of the Waldenses, vol.1, pág. 220 França: “Por vinte anos Pedro de Bruys agitou o sul da França. Ele enfatizava especialmente um dia de adoração reconhecido na época entre as igrejas celtas das ilhas britânicas, entre os seguidores de Paulo, e na Igreja Oriental, isto é, o sábado do quarto mandamento.” Coltheart, pág. 18 “Contra os observadores do sábado, Concílio de Toulouse, 1229: Canon 3: Os senhores dos diversos distritos devem procurar diligentemente as vilas, casas e matas, para destruir os lugares que servem de refúgio. Canon 4: Aos leigos não é permitido adquirir os livros tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos.” Hefele “Em 1310, duzentos anos antes das teses de Lutero, os irmãos boêmios constituíam um quarto da população da Boêmia, e estavam em contato com os valdenses, que havia em grande número na Áustria, Lombárdia, Boêmia, norte da Alemanha, Turíngia, Brandenburgo e Morávia. Erasmo enfatizava que os valdenses da Boêmia guardavam o sétimo dia (sábado) de uma maneira estrita.” Robert Cox, The Literature of the Sabbath Question, vol. 2, págs. 201 e 202 “Erasmo dá testemunho de que por volta do ano 1500 os boêmios não apenas guardavam estritamente o sábado, mas eram também chamados de sabatistas.” R. Cox, op. cit. Concílio Católico realizado em Bergen, Noruega, em 1435: “Estamos cientes de que algumas pessoas em diferentes partes de nosso reino adotam e observam o sábado. A todos é terminantemente proibido – no cânon da santa igreja – observar dias santos, exceto os que o papa, arcebispos e bispos ordenam. A observância do sábado não deve ser permitida, sob nenhuma circunstância, de agora em diante, além do que o cânon da igreja ordena. Assim, aconselhamos a todos os amigos de Deus na Noruega que desejam ser obedientes à santa igreja, a deixar de lado a observância do sábado; e os demais proibimos sob pena de severo castigo da igreja por guardarem o sábado como dia santo.” Dip. Norveg., 7, 397 Noruega, 1544: “Alguns de vocês, em oposição à advertência, guardam o sábado. Vocês devem ser severamente punidos. Quem for visto guardando o sábado, pagará uma multa de dez marcos.” Krag e Stephanius, History of King Christian III Liechtenstein: “Os sabatistas ensinam que o dia de repouso, o sábado, ainda deve ser guardado. Dizem que o domingo [como dia semanal de descanso] é uma invenção do papa.” Wolfgang Capito, Refutation of the Sabbath, c. de 1590 Índia: “Francisco Xavier, famoso jesuíta, chamado para a inquisição que foi preparada em Goa, Índia, em 1560, para verificar ‘a maldade judaica, a observância do sábado’.” Adeney, The Greek and Eastern Churches, págs. 527 e 528

Abissínia: “Não é pela imitação dos judeus, mas em obediência a Cristo e Seus apóstolos, que observamos este dia [o sábado].” De um legado abissínio na corte de Lisboa, 1534, citado na História da Igreja da Etiópia, de Geddes, págs. 87 e 88.

“Cerca de 100 igrejas guardadoras do sábado, a maioria independentes, prosperaram na Inglaterra nos séculos dezessete e dezoito.” Dr. Brian W. Ball, The Seventh-Day Men, Sabbatarians and Sabbatarianism in England and Wales, 1600-1800, Clarendon Press, Oxford University, 1994 Alemanha: “Tennhardt de Nuremberg adere estritamente à doutrina do sábado, por ser um dos dez mandamentos.” J. A. Bengel, Leben und Wirken, pág. 579 “Antes que Zinzendorf e os morávios de Belém [Pensilvânia] iniciassem a observância do sábado e prosperassem, havia um pequeno grupo de alemães observadores do sábado na Pensilvânia.” Rupp, History of the Religious Denominations in the United States “Os abissínios e muitos do continente europeu, especialmente na Romênia, Boêmia, Morávia, Holanda e Alemanha, continuaram a guardar o sábado. Onde quer que a igreja de Roma predominasse, esses sabatistas eram penalizados com o confisco de suas propriedades, multas, encarceramento e execução.” Coltheart, pág. 26 China: “Os taiping, quando interrogados sobre a observância do sábado, responderam que, em primeiro lugar, porque a Bíblia o ensina, e, em segundo, porque seus ancestrais o guardavam como dia de culto.” A Critical History of Sabbath and Sunday. Em 1844 surgiu nos Estados Unidos o movimento que, anos depois, teria a denominação de Adventistas do Sétimo Dia, de âmbito mundial.

Século XIX

Século XVIII

Século XVII