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2017­6­1 Instituto Ludwig von Mises Brasil

Instituto Ludwig von Mises Brasil 
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O sistema financeiro é capitalista?
por Francisco Pompeu, quinta­feira, 5 de março de 2009

 

Por Francisco Pompeu

A recém­desencadeada crise econômica tem levado muitos comentaristas apressados a declarar a
morte do liberalismo. Alguns mais exagerados chegam a enxergar a queda de um novo muro, agora o
de Wall Street. A economia de livre mercado teria demonstrado sua ineficiência, sua incapacidade de
prover segurança e desenvolvimento.

Entretanto, um olhar mais atento nos leva a conclusões opostas. É aceito amplamente que a crise tem
origem no sistema financeiro. Vejamos algumas características deste sistema e investiguemos se
realmente ele atende aos requisitos mínimos para ser classificado como de livre mercado.

1.     O produto básico com o qual lida o sistema financeiro é a moeda. Há tempos nos diversos
mercados a moeda não passa de papel pintado, de curso forçado, emitido de forma monopolista 
pelos diversos governos, sem nenhum tipo de lastro ou garantia real. A moeda pode ser criada em
qualquer quantidade pela autoridade emissora, tendo, portanto, seu valor amplamente manipulado
pelo governo. Eventualmente, como demonstrado em inúmeros episódios de hiperinflação ao longo
da história, a moeda pode ter seu valor reduzido a zero, deixando de ser um bem econômico.

2.     Os bancos e instituições financeiras que atuam neste mercado somente podem fazê­lo com
autorização expressa dos governos. Os entes governamentais distribuem para, alguns escolhidos,
cartas patentes que habilitam seus detentores para as operações com o produto moeda e seus
derivados. Portanto não há livre competição nem genuína liberdade no acesso de empresários a este
mercado.

3.      As regras para atuação no mercado financeiro são estritamente moldadas, controladas e
fiscalizadas pelos órgãos governamentais. No âmbito nacional o controle é exercido pelos bancos
centrais, enquanto no internacional os agentes financeiros se submetem a regras como as
configuradas no Acordo de Basiléia. Não há livre iniciativa nem liberdade empresarial nos tais
mercados financeiros.

4.      O preço fundamental nos mercados financeiros, a taxa de juros, é definido pelos bancos
centrais. Não há, portanto, o processo de livre negociação com a oferta e a demanda de moeda
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5. por preços administrados. Neste caso.aspx?id=240 2/3 .2017­6­1 Instituto Ludwig von Mises Brasil definindo o nível dos preços. Trata­se de um processo caracterizado por monopólio governamental.      Um aspecto fundamental do sistema de livre mercado. mesmo escaldados pela recente crise que motivou o PROER. Ao não incorporar os conhecimentos e informações dos incontáveis agentes econômicos. ou seja. não vigora no sistema financeiro. pela iniciativa empresarial severamente tolhida. como. o detentor de carta patente bancária desfruta de outro privilégio que o distingue dos empresários capitalistas comuns.org. o respeito ao direito de propriedade. emprestam o dinheiro recebido para dezenas de outros clientes sem autorização expressa do depositante inicial. Entretanto. vigem privilégios inaceitáveis como a permissão de emitir moeda falsa. onde o desrespeito aos princípios fundamentais do Direito é permitido. Os bancos. gera inflação. Assim. Nos bancos brasileiros. por exemplo. os preços são resultado das ações e das informações de milhões de agentes num processo de interação dinâmica em contínua mutação. os preços de mercado guiam e informam a atuação empresarial. Esta ação do banco central. são desrespeitados. Num mercado sem intervenção. que terá parte de sua riqueza seqüestrada. As regras vigentes hoje permitem o regime de coeficiente de caixa fracionário. Claro que a taxa de juros definida pelos bancos centrais é uma meta. Ao mesmo tempo em que são definidos pela ação dos empresários. o grau de alavancagem passa de 12. O depositante tem seu direito de propriedade desrespeitado e o banco cria moeda do nada mediante expedientes meramente escriturais. ou seja. não se distingue da simples falsificação de moeda. No caso dos bancos americanos o grau de alavancagem chegou a 32. um banqueiro alavancado estaria em virtual falência. 6. vem em seu socorro o banco central e põe à sua disposição numerário suficiente para impedir a quebra do banco. A adoção do coeficiente de caixa fracionário implica alavancagem dos recursos realmente existentes nos cofres das instituições financeiras.      Diante de uma corrida bancária. no sistema financeiro. mas ela distorce de maneira inegável os preços no mercado financeiro. não se pode aceitar que a crise atual seja decorrente do livre mercado. situação típica dos mercados livres capitalistas. para cada dólar depositado o banco emprestava 32. prejudicando a população em geral. direitos fundamentais. O que entrou em crise foi um modelo fortemente regulado pelo Estado. para proteger os interesses do banqueiro. ao aumentar a massa monetária. mas apenas a visão limitada e distorcida da autoridade monetária. situação em que os diversos clientes comparecem em massa aos bancos para resgatar seus depósitos. Note­se que os modernos instrumentos financeiros sobre os quais a mentalidade estatista e antilibertária joga a responsabilidade da crise atual não passam de novas e criativas maneiras de se cometer o velho pecado do multiplicador bancário. monopólios privados por concessão estatal. induzindo empreendimentos com grande probabilidade de fracasso.br/ArticlePrint. em função dos mecanismos de alavancagem. a rigor. como emprestador de última instância. sob o regime de preços administrados.mises. Além disso. ao receberem o depósito de um cliente com o compromisso implícito de guardá­lo em segurança. atividade que. a taxa de juros administrada propaga falsos sinais e informações equivocadas. Em resumo: o sistema financeiro em seu desenho atual não é um sistema de livre mercado nos marcos das regras universais do direito. o de propriedade. ________________________________________________ http://www. dos depósitos recebidos apenas uma fração permanece no caixa à disposição dos depositantes. indicando as iniciativas economicamente viáveis.

2017­6­1 Instituto Ludwig von Mises Brasil Francisco Pompeu é físico pela UFMG. Veja também: Um Banco Central é incompatível com uma economia livre Estimulando a economia até o colapso O mito de que o laissez faire é o responsável pela crise atual http://www.aspx?id=240 3/3 .org.mises.br/ArticlePrint. Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela ENAP e Mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidad Rey Juan Carlos de Madri.