Universidade Lusófona de Humanidades e

Tecnologias


Mestrado em Bibliotecas Escolares e Literacias do Século XXI









Professor Bibliotecário: Desenvolvimento de Novas
Competências


³A Biblioteca Escolar ± Organização para uma pedagogia
diferente do 1º Ciclo do Ensino Básico ao final do Ensino
Secundário´ Ana Maria Pessoa


Docente: Mestre Maria José Vitorino

Discente: Ana Maria Soares

28 de Julho de 2010


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͞A Biblioteca Escolar ʹ Organização para uma pedagogia diferente do 1º Ciclo do
Ensino Básico ao final do Ensino Secundário͟ Ana Maria Pessoa

O que me motivou a elaborar este trabalho foi a necessidade de analisar o valioso
contributo de Ana Maria Pessoa para aqueles que se encontram ou vão iniciar o
trabalho na área das Bibliotecas Escolares.
Depois de um ano de estudo e trabalho intenso nesta área, nada melhor, como nos diz
a autora e que eu partilho a mesma opinião ͞partilhar dúvidas/incertezas com aqueles
que já se interrogaram: -Tendo sido colocada (o) como responsável pela (s) biblioteca
(s), por onde começar?͟
No capítulo 2 a autora faz uma breve apresentação histórica das Bibliotecas Escolares
no nosso país.
Os professores nos anos 40/60 questionam-se sobre a sua prática pedagógica,
pretendem alterar e melhorar as suas formas de trabalho com os alunos. A escola
privilegia a memória.
As Bibliotecas Escolares seriam objecto de uma mudança nas escolas. A partir dos anos
40 estabelecem-se critérios para a constituição dos fundos para a Biblioteca e para a
selecção do responsável.
Em 1951 (circular 14/209 de 10 de Janeiro) estabelece que o professor responsável
pela Biblioteca deve ser dos grupos disciplinares 8º, 9º e 10º (Letras).
É considerado que os liceus são os mais vocacionados para a Biblioteca passando a
terem biblioteca obrigatoriamente, à excepção das Escolas Técnicas. O ensino Primário
não é referido, nesta altura.
A Biblioteca não era preocupação do ensino, uma vez que este era dirigido para um
único meio informativo ͞ o manual͟.
O desenvolvimento do pensamento activo e democrático na aprendizagem não era
valorizado.
A informação era obtida de forma passiva, onde o aluno era um receptor e o professor
o transmissor de saberes. Não interessava colocar os alunos a pensar.
No final dos anos 60 com a criação do Ciclo Preparatório e a introdução dos
audiovisuais em algumas escolas, a prática dos professores começa a ser alterada.
Porém, esta ͞inovação͟ está desligada da Biblioteca, visto ser considerada algo
͞diferente/moderno͟ e continuando a não responder às necessidades dos alunos e
professores.
As Bibliotecas, nesta altura, são espaços onde existem armários com livros sem
organização técnica.
Nos anos 70 começa-se a assistir a várias transformações no Sistema Educativo, a nível
de sala de aula. Com o 25 de Abril de 1974, o ensino já não seria mais o mesmo, a
escola já não era lugar único de aprendizagem, surge a preocupação de valorizar a
escola não ʹ formal.
As Bibliotecas Escolares estavam ultrapassadas, estas iriam ser transformadas em
centros de recursos e mediatecas.
Em 1977/1980 por iniciativa da Direcção Geral do Ensino Secundário foram realizados
cursos para professores responsáveis por Bibliotecas. O primeiro seria em Colares


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(Dezembro de 1977) e o último em Termas de Alcafache (Maio de 1980), sendo estas
medidas situações ͞pontuais de formação͟. (pág.15)
Em 1986 ͞ um grupo de trabalho de Bibliotecas escolares͟ fora do campo da acção do
Ministério da Educação, a Associação de Bibliotecários Arquivistas e Documentalistas
(BAD) começa a fazer referência à importância das Bibliotecas Escolares, no entanto,
as Bibliotecas continuavam a estar numa situação precária.
Os espaços físicos eram desajustados, o acervo pobre e orçamentos baixos. O pessoal
ligado à Biblioteca não tinha formação, o horário atribuído aos professores era
bastante reduzido para poderem desenvolver actividades na Biblioteca.
Em 1987 a 3 de Junho a Lei nº19 ʹ A/87 decreta ͞Medidas de Emergência sobre o
ensino ʹ aprendizagem da Língua Portuguesa͟ no seu Art. 4º. Intitulado ͞Bibliotecas
Escolares͟
͞ 1. Serão criadas bibliotecas em todos os estabelecimentos de ensino que ainda as não possuam e
implementadas medidas no sentido de assegurar a permanente actualização e o enriquecimento
bibliográfico das bibliotecas escolares.
2. As Bibliotecas escolares serão apetrechadas com os livros indispensáveis ao desenvolvimento cultural
e ao ensino ʹ aprendizagem da língua materna e adequadas à idade dos alunos, cabendo ao Ministério
da Educação e Cultura criar as condições de acesso e de orientação dos alunos relativamente à leitura.͟

De 1986 a 1987 a BAD promoveu, na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, 2
cursos sobre a ͞Organização e Animação de Bibliotecas Escolares͟
A partir desta data o grupo de trabalho de Bibliotecas Escolares traça os seguintes
objectivos:
Inventariar/fazer o levantamento das todas as bibliotecas escolares existentes no
país, nos diferentes níveis de ensino;
Conhecer as suas condições de funcionamento; sua situação organizativa;
Fazer o levantamento exaustivo da legislação que lhes é aplicável;
Propor medidas para melhorar as práticas documentais;
Estudar medidas para criar uma rede de bibliotecas escolares.
O grupo tentou organizar um Encontro de responsáveis pelas Bibliotecas Escolares,
mas não se tornou viável, no entanto, de 13 a 15 de Outubro de 1987 é realizado pela
Biblioteca Pública de Setúbal um encontro concelhio de Bibliotecas escolares.
O papel do professor já não é o mesmo da década de 70, ͞é um animador de grupos e
um manipulador de diversos documentos em diferentes supo rtes.͟
Mas, a realidade ainda não era essa em todas as escolas, nem na Lei de Bases do
Sistema Educativo que no Cap.V apresenta o manual como o primeiro recurso
educativo.
Nos anos 90 começa-se a assistir a uma mudança mais inovadora. A administração
escolar lança concursos inseridos no PRODEP para incentivar as escolas a
candidatarem-se ao financiamento para a criação de mediatecas. O Projecto não tivera
resultados, visto não ter sido bem negociado com a Comunidade Europeia e nem todos
os estabelecimentos de ensino participaram.
Foi uma iniciativa com boas intenções, mas sem enquadramento pedagógico, seria
importante ter conseguido implicar todo o corpo docente da escola e incluir a
biblioteca no projecto educativo. (pág.18)
Até meados dos anos 90 continuaram a chegar aos ͞ouvidos͟ vozes que denunciavam
a situação em que as bibliotecas se encontravam ͞A situação é de quase vazio
legal͙͟(CALIXTO, pág.18/19)


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Em 1995, o Despacho dos Ministérios da Educação e da Cultura faz com que seja
criado um grupo de trabalho com o objectivo de analisar e propor medidas de
incentivo à utilização do livro nas metodologias de ensino e no desenvolvimento das
bibliotecas escolares.
Desta forma, foi decidido pelos ministérios o início do lançamento de um faseado
Programa de instalação da Rede de Bibliotecas Escolares, referido no relatório
elaborado pelo grupo de trabalho, acima mencionado (Veiga e outros).
Em 1996 é criada a Rede de Bibliotecas Escolares, por Despacho Conjunto dos
Ministérios da Educação e da Cultura. O Ministério da Educação cria o Gabinete da
Rede de Bibliotecas Escolares, cujo Programa definiu duas modalidades de
intervenção:
-Dirigida a escolas inseridas em concelhos do país previamente seleccionados ʹ
Candidatura Concelhia à RBE;
- Dirigida a todas as escolas que fora daquelas áreas geográficas, desenvolvessem
experiências significativas ʹ Candidatura Nacional à RBE.
Ainda, em 1996 a BAD promoveu o I Encontro Nacional sobre Documentação e
Informação na Escola, com o objectivo de debater a problemática das Bibliotecas
Escolares.
A partir de 1998, a Lei de autonomia do Ensino Universitário passa a favorecer a
proliferação de cursos relacionados com as Bibliotecas.
Depois desta breve apresentação histórica Ana Pessoa no Capítulo 3 e 4 fala-nos da
importância da Biblioteca na Escola que ao longo do seu livro é uma constante. No
capítulo 4 relacionado com a Organização da Biblioteca reflectindo acerca dos
problemas da biblioteca escolar no sistema de ensino.
Em relação à Gestão /Recursos Humanos a autora refere que um professor não pode
recolher, tratar e divulgar toda a informação que recebe e que duas horas, como eram
atribuídas tradicionalmente são insuficientes, mesmo que não realize tarefas de
carácter técnico, assim como, ter funcionários de apoio na Biblioteca sem, serem
͞desviados͟ para outras funções. A situação ideal é ter uma equipa que gere prjectos e
promova a formação.
Na Biblioteca é bastante importante o Manual de Operações, Plano de Actividades e
Relatório Anual. As formas de utilização e regulamento da BE é necessário, que neste,
que esteja o horário de acordo com as necessidades dos utilizadores, informações
acerca das regras correctas de manuseamento dos documentos.
O regulamento deverá ser claro e conciso e os órgãos de gestão devem apoiar o
regulamento e proporcionar a sua discussão, com todos os potenciais utilizadores.
A organização da Biblioteca Escolar deverá ter em conta os utilizadores, saber o perfil e
quais as suas necessidades. É necessário apelar à intervenção dos professores para
uma ligação mais estreita entre a Biblioteca Escolar, Projecto Educativo, Projecto
Curricular e Plano de Actividades da Escola, e ainda atrair os alunos à Biblioteca, de
forma amigável e colaborativa.
A colaboração com as outras Bibliotecas próximas, também é fundamental, no sentido
de partilhar, por exemplo, a documentação existente, sendo de referir as Bibliotecas
Públicas que possuem técnicos que dão ajudas preciosas.
O fundo documental deve ser diversificado e em vários suportes, satisfazendo as
necessidades dos seus utilizadores. É importante saber/fazer o levantamento de toda a


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documentação existente; definir formas de constituição/aumento da colecção perante
a falta de recursos financeiros ʹ Aquisição ʹ Oferta ʹ Permuta
Em relação, à Aquisição devemos ter em conta os seguintes critérios, se for para apoio
curricular:
- para que idades, línguas, visão dos problemas, em que suportes, para que
utilizadores.
Na Oferta os critérios devem ser bem definidos, não aceitar tudo o que cada pessoa
escolheu em casa, pois poderá não ter interesse para a Biblioteca.
A Permuta e Empréstimo temporário nas Escolas da região e Biblioteca Pública
poderão estabelecer protocol os de permuta ou empréstimo temporário.
Deve-se potenciar a articulação entre as diversas Bibliotecas.
A Biblioteca não deverá ter só livros (romances, monografias, BD, Poesia, Teatro, ͙),
mas, também publicações periódicas (jornais ou revistas), sendo estimulada a sua
obtenção por assinatura.
Toda a ͞massa documental͟ deve ser tratada e posta à disposição dos utilizadores.
A produção de documentos dos alunos, professores deverá dar entrada no fundo
documental, podendo servir de base a outros trabalhos futu ros.
As Bibliotecas Escolares assumem-se, cada vez mais, como núcleos formativos e
pedagógicos, produtores de conteúdos essenciais à comunidade educativa e não a
espaços físicos com equipamentos e recursos documentais físicos e digitais.
Deverá ter-se em atenção o perfil e a dimensão da comunidade de utilizadores, após
análise das respectivas necessidades de informação/formação visando a coerência da
colecção.
A planificação e construção da Biblioteca pode ser encarada como produto de um
diálogo entre o(s) arquitecto(s) e os especialistas que têm uma palavra a dizer em
relação à Biblioteca, assim como, o mobiliário e equipamento deverá ser adequado às
necessidades dos utilizadores.
No capítulo 5 do livro são tratados os problemas biblioteconómicos começando pelo
tratamento técnico dos documentos que passam por 3 circuitos:
Circuito do documento (selecção, aquisição, registo, carimbagem;
Circuito do utilizador (onomástico, didascálico e ideográfico);
Circuito da Informação que é o tratamento técnico (catalogação, indexação
classificação).
Ana Pessoa descreve de forma muito clara, todas as fases de tratamento do
documento de uma Biblioteca/mediateca até à sua arrumação na estante.
Refere, ainda, que quando o catálogo não está informatizado tem de se proceder ao
registo em fichas de formato normalizado, o que já não acontece na maioria das
nossas Bibliotecas.
Para além do catálogo há o documento que está na estante, sendo que hoje o livre
acesso é uma aquisição do nosso tempo.
A equipa da BE deverá saber como funciona a tabela CDU (Classificação Decimal
Universal), como a utilizar para arrumar o fundo documental em livre acesso; como
definir as cotas (cariz topográfico) que localizarão o documento em estante.
No capítulo 6 são referidas as funções da BE que são múltiplas e no 7 a informatização
do fundo documental que desde 1986 tem tido alguma adesão, principalmente, a
cooperação técnica que tem existido entre as Bibliotecas Municipais e Escolares.


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Relativamente às funções: a BE tem função informativa, educativa (assegurar a
educação ao longo da vida), cultural (experiências de natureza estética, encorajamento
à criatividade e desenvolvimento de relações humanas positivas) e recreativa
(informação recreativa, materiais e programas).
A BE deverá ser uma estrutura capaz de interagir e gerir alterações em todos os
sectores da escola; devem ser considerados todos os recursos físicos, materiais e
humanos disponíveis facilitadores na melhoria das aprendizagens e deverá promover
os projectos articulados e reflectir sobre parcerias com o exterior.
Além de um vasto leque de recursos, quer sejam impressos como não impressos, ou
seja, meios electrónicos, a Biblioteca Escolar promove nas crianças uma consciência e
uma base para a compreensão da diversidade de cultural existente na nossa sociedade
actual, promovendo a formação e aquisição de competências e capacidades para o
desenvolvimento pessoal e a aprendizagem ao longo da vida, contribuindo para a
construção de leitores, tornando-os cidadãos autónomos e intervenientes.
Desta forma, todos os sistemas de educação devem ser estimulados a alargar os
contextos de aprendizagem à biblioteca escolar, não ficando só pela sala de aula e
manual. A Biblioteca promove a literacia através do desenvolvimento e promoção da
leitura como meio de aprendizagem e de lazer, reforçando o prazer de ler. Assim
como, através das tecnologias de informação e comunicação o aluno/jovem adquire
competências que lhe permitem continuar a aprendizagem de forma autónoma.
Em Portugal, muito se tem feito ao longo destes anos, a Biblioteca já não pode ser
perspectivada como um centro de recursos, devendo assumir-se como um centro de
aprendizagens cooperativas ao serviço do currículo, desenvolvendo o seu plano de
acção em articulação com os departamentos curriculares.
É este o nosso desafio, enquanto professores e bibliotecários, continuar a trabalhar em
conjunto para que a Biblioteca Escolar cumpra as suas funções e objectivos!



͞ Está demonstrado que, quando professores e bibliotecários trabalham em conjunto,
os estudantes atingem maiores níveis de literacia, de leitura, de capacidade de
resolução de problemas, bem como que adquirem competências de informação e
comunicação͟
In Manifesto das Bibliotecas Escolares da IFLA/UNESCO (2000)


















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Referências Bibliográficas

PESSOA, Ana Maria - ͞ A Biblioteca Escolar: organização para uma pedagogia
diferente do 1º ciclo do Ensino Básico ao final do Ensino Secundário͟ . Porto: Campo
das Letras, 1994. 114p.ISBN 972- 8146- 13- 2

CALIXTO, José António - ͟A Biblioteca Escolar e a sociedade da informação͟. Lisboa:
Editorial Caminho, 1996. 163p.ISBN 972 -21-9047.0

RBE- Instulução e orgunlzução do espuço puru us escolus EB1 e Centros Escolures (2010): [On
Llne] - [cons.2010-07-23]. Dlsponivel em WWW:<URL:
http://www.rbe.min-edu.pt/np4/37.html


RBE- Belex: Bibliotecas Escolares em Normas (2010):[On Line] ʹ [cons.2010-07-23].
Disponível em WWW:<URL:
http://belex.wetpaint.com/page/RBE

VITORINO, Maria José ʹ ͞Bibliotecas, Mediatecas, Centros de Recursos nas Escolas ʹ
Com quem? Orientações de apoio à concepção e gestão de formação contínua de
professores͟. Lisboa, 1998 : [On Line] ʹ [cons.2010-07-26]. Disponível em WWW:<URL:
http://www.oei.es/pdfs/rbe1.pdf

VITORINO, Maria José ʹ ͞Agora toda a gente vai à Escola ʹ Bibliotecas Escolares,
Desenvolvimento e Cidadania͟. Lisboa, 2007: [On Line] ʹ [cons.2010-07-26]. Disponível
em WWW:<URL:
http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM86.pdf