Agosto - 2008

APOSTILA
ESGOTOS SANITÁRIOS

Organizado pelo Engº Sanitarista e Ambiental
O texto linkado a
Marcelo Chaves Moreira
seguir foi elaborado
Extraído do link e autor:
a partir do conteúdo http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/ES00_00.html?submit=%CDndice+de+Esgotos+Sanit%E1rios

do livro Carlos Fernandes de Medeiros Filho
ESGOTOS (cfilho@dec.ufcg.edu.br resumo biográfico)
SANITÁRIOS Engenheiro Civil nascido no Estado do Rio Grande do Norte, em
30/12/1951, Professor da Universidade Federal de Campina Grande
cuja capa é vista acima
com pós-graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental.

Propósito: Estimular os profissionais responsáveis pela implantação de Sistemas de
Esgotamento Sanitário da Embasa (Empresa Baiana de águas e Saneamento S/A)
ao estudo da hidráulica geral e visão sistêmica do empreendimento sob este
aspecto sendo capaz de interpretar e adequar-se à dinâmica da obra sem que haja
distorções físicas e financeiras. Para uma perfeita performance torna-se necessário
que o interessado saiba manipular o CADERNO DE ENCARGOS da Embasa
(disponível na intranet), planilha eletrônica (excel) e computação gráfica
(AutoCAD). No final de cada capítulo encontram-se exercícios o que considero
pertinente faze-los.

ÍNDICE GERAL
ESGOTOS SANITÁRIOS

CAPÍTULO I

1. SISTEMAS DE ESGOTOS

1.1. Generalidades e Definições

1.2. Classificação das Águas de Esgotamento

1.3. Sistemas de Esgotos

1.3.1. Definições

1.3.2. Evolução dos Sistemas de Esgotamento

1.3.3. Cronologia dos Sistemas de Esgotos

1.3.4. Comparação entre os Sistemas

1.4. Sistemas de Esgotos Sanitários

1.4.1. Definição

1.4.2. Objetivos

1.4.3. Situação no Brasil

1.4.3.1. Gerenciamento

1.4.3.2. Situação Atual

1.5. Exercícios

NOTAS

CAPÍTULO II

2. CARACTERIZAÇÃO DOS ESGOTOS SANITÁRIOS

2.1. Tipos de Despejos

2.2. Composição e Classificação dos Esgotos Sanitários

2.3. Presença Bacteriológica

2.3.1. Origem

2.3.2. Patogênicos

2. Matéria Orgânica 2. Exercícios CAPÍTULO III 3. Nitrogênio e Fósforo 2.4. Generalidades.2.3. Coeficiente de Retorno 3.3.5. Contribuição Doméstica 3. Corrosão Bacteriana 2.2.1.1.4.3.2. pH 2. 3.4. Tipos de Sólidos 2.2.4. Características Químicas 2.1. Concentração de Gases nos Esgotos 2.2.2.3.1. 3.5.4. População Flutuante.6. Processo de Decomposição de Matéria Orgânica 2.2. População de Projeto 3.2. Origem 3.5. Densidade Demográfica . Demanda Bioquímica de Oxigênio .4.7.2. Contribuição Per Capita Média 3. Características Físicas 2.4.2.4.2.DBO 2.3.4. Comparação entre os Processos 2. VAZÕES DE CONTRIBUIÇÃO 3.2. Aspectos Físicos 2.4.6.2.1.8. Introdução 3. Conclusão 2.5.3.3. Crescimento de População 3.3.5.

3. Propriedades Físicas 5. Terminologia Básica 4.3.6. Exemplo 3. Comentários 4.1. Classificação dos Movimentos 5.2. Contribuição Total 3. Fórmula Universal 5.4.2.2.2.2.5.6.1. Expressões Mais Comuns na Literatura 5. Introdução 5.5.5. Exercícios CAPÍTULO V 5.4.1. COMPONENTES DOS SISTEMAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 4.4. Equivalente Populacional 3.3. Equação da Energia 5.6.2. Fórmula de Hazen-Williams .2. Equação da Continuidade 5. Águas de Infiltração 3. HIDRÁULICA DOS COLETORES 5.5.2. Exercícios CAPÍTULO IV 4.3. Introdução 4. Comentários 3.4.6. Perda de Carga 5.6.6.4.6. Contribuição Média Doméstica 3.1.2. Contribuições Concentradas 3.7. Expressão Geral para Secção Circular 5.

11.4.12.1. Introdução 6.0 5.4. Fórmula de Manning 5.5.11.6.6. Exercícios CAPÍTULO VI 6 CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO / CONDIÇÕES TÉCNICAS 6. Exemplos 5.2.2. Fórmula de Bazin. Solução Gráfica 6. Fórmula de Chézy 5.7.11.11.5.6.2. Hipótese Clássica 6.1.y / do = 1.8.9.5.2.0 5. Relação entre os Elementos 5. Tensão Trativa 5.2.6. Condições Específicas 6. Perdas de Carga Localizadas 5.2. Secção Plena .3. 5. Justificativa 6.y / do < 1. Secção Parcialmente Cheia . Exemplo 6. Exercícios CAPÍTULO VII 7. Número de Froude 5.2.3.1. Hipótese de Cálculo 6.3. Escoamento Livre em Secções Circulares .Elementos Geométricos e Trigonométricos 5.2. CÁLCULO HIDRÁULICO DE REDE COLETORA .13. Energia Específica 5.10.

2.7. Profundidade dos Coletores 7.2. Pré-moldados 8.2. Introdução 7.8.5.6.TIL .2.1. Taxa de Cálculo Linear 7.2.3. Exercícios CAPÍTULO VIII 8.5.6.2.5.4.1.3. POÇOS DE VISITA 8. Taxa de Contribuição Domiciliar 7.1. Planilhas de Cálculo 7.3.4. Concreto Armado no Local 8. Localização dos Coletores 7. Definição 8.5.1. Sequência de Cálculo 7.3.5.9. Tubulações de Inspeção e Limpeza .7.7. Exemplos 7. Dimensões 8. Alvenaria 8. Localização dos Poços de Visita 7. Coeficientes de Contribuição 7.2.4. Localização 8.7.5 Elementos para Especificações 8.7. Outros Materiais 8. Metodologia de Cálculo 7.1. Traçados de Rede 7. Disposição Construtiva 8. Estudo Preliminar 7.

6. Exemplo Esquemático 9.5.5.1.6.5. Funcionamento Hidráulico 9. Introdução 10. Conceitos 10.2.7. Ocorrências 10. Características Gerais 10. Tipos de Obstáculos 9.7.EEE 10.3. Definição 9.8.6. Bombas para Esgotos 10.4. Bombas Helicoidais 10. ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ESGOTOS . Noções sobre Motores .8. Exemplos 8.1.3.3.6.6. Classificação 10.6. Localização 10.4. Ejetores Pneumáticos 10.2.1. Exercícios CAPÍTULO IX 9.7. SIFÕES INVERTIDOS 9. Exemplo 9. Informações para Projetos Hidráulicos 9.2. Seleção de Bombas 10.4. Exercícios CAPÍTULO X 10.6. Bombas Centrífugas 10.

10.7.8.8.2.4.7.4.7.7.5.1. Dimensões Úteis 10.8.7. Informações Básicas 10.8.8.8.5.11.7.10. Unidades Preliminares 10. Considerações Finais 10. Projeto de Elevatórias 10. 10.8. Tubulações 10. Motores Síncronos 10. Motores Elétricos 10.8.5. Exemplos 10.1. Comentários 10.5.7.2. Pré-Dimensionamento 10.2.3.6.9. Detalhes a Serem Obedecidos 10.4.7. Material das Tubulações 10.8. Cálculo do Volume 10.4.1.4. Potências 10. Peças Especiais e Conexões .8.8.3. Motores Assíncronos 10.4.3.8.8. Sala de Bombas 10.1. Exercícios .4. Estrutura Funcional 10.8.2.7. Considerações para Projetos 10. Rotores 10. Tipos de Motores 10. Poço Úmido 10.6.

CAPÍTULO I SISTEMAS DE ESGOTOS 1.. conforto e segurança e produtividade em uma comunidade urbana. formarão as vazões de esgotamento ou simplesmente esgotos. o lixo. também é uma conseqüência da presença humana. deve ser coletado de modo sistemático e seguro e transportado para locais de beneficiamento. onde.1. e tradicionalmente tem sido de responsabilidade. através de um sistema de galerias e canais. tratamento prévio para que ao atingir os pontos de consumo. requerendo.2. conjuntamente com as de escoamento superficial e de possíveis drenagens subterrâneas. A existência desse conjunto de condutos artificiais de esgotamento‚ denominado de sistema de drenagem pluvial ou sistema de esgotos pluviais. pois. do poder público imperante na coletividade. Entende-se. Generalidades e Definições É característico de qualquer comunidade humana. Sendo assim. isoladas do perímetro habitado a fim de evitar interferência no desempenho das atividades vitais da comunidade. em geral vazões sazonais de origem pluvial. SISTEMAS DE ESGOTOS 1. a mesma esteja qualificada com um grau de pureza que possa ser utilizada de imediato para o fim a que se destina. para os corpos receptores de maior porte da área tais como córregos. conseqüentemente. observar-se que a boa operação e confiabilidade dos sistemas que compõem as atividades de Saneamento Básico respondem diretamente por melhores condições de saúde. etc. é fundamental para preservação da estrutura física da comunidade. rios. A água consumida na comunidade deve ser de procedência conhecida. As instalações necessárias para que a água seja captada. Paralelamente à operação dos serviços citados devem também ser drenadas as águas de escoamento superficial. deverão passar por processos de depuração adequados antes de serem lançadas nos corpos receptores naturais. pela redução ou controle dos efeitos adversos provocados pela presença incontrolada dessas vazões. acabam poluindo as áreas receptoras causando desequilíbrios ecológicos e destruindo os recursos naturais da região atingida ou mesmo dificultando o aproveitamento desses recursos naturais pelo homem. etc. incineração. Essas águas. que a existência dos serviços descritos é essencial para o bem-estar de toda uma comunidade humana. na sua maioria geram vazões de águas residuárias que. tratada. de acordo com a sua origem. também. o consumo de água como uma necessidade básica para desempenho das diversas atividades diárias e. devem ser coletadas e transportadas para locais afastados da comunidade. Este serviço é executado pelo sistema de esgotos sanitários. esse conjunto de serviços compõe o denominado Saneamento Básico. de modo mais rápido e seguro. pelo menos no seu gerenciamento. os esgotos podem ser classificados tecnicamente da seguinte forma: . Os processos de consumo da água. 1. Classificação das Águas de Esgotamento A expansão demográfica e o desenvolvimento tecnológico trazem como conseqüência imediata o aumento de consumo de água e a ampliação constante do volume de águas residuárias não reaproveitáveis que. quando não condicionadas de modo adequado. Por definição. É fundamental. Este condicionamento é necessário para preservar o equilíbrio ecológico no ambiente atingido direta ou indiretamente pelo lançamento. por não disporem de condições de reutilização. a geração de águas residuárias sem condições de reaproveitamento. transportada e distribuída nos pontos de consumo constituem o sis-tema de abastecimento de água. A geração de resíduos sólidos. ou áreas de depósito previamente determinadas e preparadas. Sendo sua constituição de teor insalubre e de presença incômoda para a população humana. lagos. de acordo com as circunstâncias. na maioria das vezes.

com o passar do tempo os rios se tornavam tão poluídos com esgoto e o lixo. 1. principalmente. devendo-se isto. à inexistência de redes regulares de distribuição de água potável encanada e de peças sanitárias com descargas hídricas. pavimentadas e drenadas com esgotos canalizados em galerias subterâneas de tijolos argamassados a. construíram-se nas partes centrais.). 1. Evolução dos Sistemas de Esgotamento Os primeiros sistemas de esgotamento executados pelo homem tinham como objetivo protegê-lo das vazões pluviais.C. Nas residências constatou-se a existência de banheiros com esgotos canalizados em manilhas cerâmicas rejuntadas com gesso. galerias em pedras de mármore para drenagem urbana de águas superficiais. no vale da Índia. como as cidades tendiam a se desenvolver às margens de vias fluviais.esgoto industrial. como por exemplo. compõe o que se denomina de Sistema de Esgotos.). no Punjab. . bacias. além de uma série de órgãos acessórios indispensáveis para que o sistema funcione e seja operado com eficiência. tratar e dar o destino final adequado às vazões de esgotos. O chamado esgoto industrial é aquele gerado através das atividades industriais.. No Egito. pelo menos 50 centímetros abaixo do nível da rua. gera um tipo de esgoto com características inerentes ao tipo de atividade (esgoto industrial) e uma vazão tipicamente de esgoto doméstico originada nas unidades sanitárias (pias.3. Isto a mais de 3000 a. Portanto. indicam a existência de ruas alinhadas. a mais de 1000 a. lavatórios.esgoto sanitário ou doméstico ou comum. tais como lavagem de piso e de roupas. por definição. assim como em Tel-el-Amarma.1. e em Harappa. Definições Para que sejam esgotadas com rapidez e segurança as águas residuárias indesejáveis.C.. Sistemas de Esgotos 1. notadamente nos palácios e edifícios reais. em Kahum. lavagem das ruas e de drenos subterrâneos ou de outro tipo de precipitação atmosférica. lavatórios. à primeira vista. no Médio Império (2100-1700 a. Em Tróia regulamentava-se o destino dos dejetos.2. etc. fazendo com que não houvesse. principalmente para beber. faz-se necessário a construção de um conjunto estrutural que compreende canalizações coletoras funcionando por gravidade. Na América do Sul os incas e vizinhos de língua quíchua. uma cidade arquitetonicamente planejada. Esse conjunto de obras para coletar. unidades de tratamento e de recalque quando imprescindíveis.C. Porém. vazões de esgotos tipicamente domésticos. a rede coletora é apenas uma componente do sistema de esgotamento. em alguns casos. Poucas foram as exceções a esse padrão. em Creta. O conjunto de condutos e obras destinados a coletar e transportar as vazões para um determinado local de convergência dessas vazões é denominado de Rede Coletora de Esgotos. transportar. consumo em pias de cozinha e esgotamento de peças sanitárias. onde até algumas moradias mais modestas dispunham de banheiros. que os moradores tinham que se mudar para outro lugar. . E Knossos. Sítios escavados em Mohenjo-Daro. salientando-se que uma unidade fabril onde seja consumida água no processamento de sua produção. por causa da necessidade da água como substância vital. Denomina-se de esgoto sanitário toda a vazão esgotável originada do desempenho das atividades domesticas. obras de transporte e de lançamento final. desenvolveram .3.3. contava com excelentes instalações hidro-sanirtárias. Este padrão universal foi seguido pelos humanos por muitos e muitos séculos. sendo que a cidade contava com um desenvolvido sistemas de esgotos. O esgoto pluvial tem a sua vazão gerada a partir da coleta de águas de escoamento superficial originada das chuvas e.esgoto pluvial. bacias sanitárias e ralos de chuveiro.

Já Estrabão surpreendeu-se negativamente com a construção de galerias a céu aberto em Nova Esmirna. pelo menos uma estagnação. no entanto. Águas e Lugares (1). a partir de Augusto (63 AC-14 DC). É importante citar que uma obra como a cloaca máxima. A prestação destes serviços. eram prioridade das áreas nobres das cidades gregas e principalmente das romanas. Vitrúvio (70-25 a. pode-se citar que enquanto no século IX. Saliente-se que nas cidades gregas havia os administradores públicos. com a finalidade de mantê-las limpas e alinhadas.. já dispunha de um ser-viço público de adução de água encanada. e desgraçadamente para o Ocidente. Grande parte dos conhecimentos científicos foram deslocados pelos cientistas em fuga. Neste período. A partir de 476 da era cristã. a uma substituição deste conhecimento por uma cultura a base de superstições. sugerindo a construção de casas em áreas elevadas. que construiu obras de drenagem das águas estagnadas de dois rios. porém por sua insuficiência quantitativa. No livro hipocrático Ares. no Ocidente. foi concluída no governo de Tarquínio Prisco. a manutenção e a limpeza dos condutos. como o conhecimento científico restringiu-se ao interior dos mosteiros. os astí-nomos. se não um retrocesso. onde os moradores tinham de pagar pelo uso do serviço. destinada ao esgotamento subterrâneo de águas estagnadas dos pés da colina do Capitólio até o Tibre. considerava-se insalubres planícies encharcadas e regiões pantanosas. bárbaras e ensinamentos cristãos. construído por Herodes (73-4 a.. Historicamente é observado que as civilizações primitivas não se destacaram por práticas higiênicas individuais por razões absolutamente sanitárias e sim. Sistemas de drenagens construídos em concreto com aglomerantes naturais também existiram nas cidades antigas como Babilônia. Em De Arquitetura. ficaram por conta da iniciativa eclesiástica. iniciou-se o período medieval. a cidade do Cairo. as instalações sanitárias como encanamentos de água e esgotamentos canalizados. para o mundo árabe. de que as doenças não eram exclusivamente castigos deteve. em suas cidades. dando início na Europa. Nas cidades romanas do período republicano esta gerência era desempenhada pelos censores e no imperial. com a queda do Império Romano. por exemplo. a sujeira era retirada com a utilização de pás e veículos de tração animal. no Egito. em Selenute. por religiosidade. um texto médico por excelência. nas cidades as pessoas construíram casas permanentes e esgoto. caracterizou-se por uma fusão de culturas clássicas. principalmente nas cidades menores. a partir do final do século XII. exemplos de Paris (1185). C. C). Praga (1331).adiantados conhecimentos em engenharia sanitária como atestam ruínas de sistemas de esgoto e drenagem de áreas encharcadas. Relatos de Josefos (37-96 d. . C) sobre o Oriente Médio. lixo e refugos em geral eram depositados nas ruas. começaram a aparecer na Grécia. C) justificava a importância de se construírem as cidades em áreas livres de águas estagnadas e onde a drenagem das edificações fossem facilitadas. as práticas sanitárias urbanas sofreram. A iniciativa de pavimentação das ruas nas cidades européias. e o mau odor tornava-se insuportável. na Sicília. Jerusalém e Bizâncio. ensolaradas e com ventilação saudável. Como exemplo desta afirmativa. responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e de esgotamentos urbanos como. Na Idade Média. que duraria cerca de um milênio. tornou-se o marco inicial da retomada da construção de sistemas de drenagem pública das águas de escoamento superficial e o encanamento subterrâneo de águas servidas. centralizado em Constantinopla.). gerando a hoje denominada Idade das Trevas (500-1000 d. Como a ênfase de que as doenças eram castigos divinos às impurezas espirituais humanas e seus tratamentos eram resolvidos com procedimentos místicos ou orações e penitências. Quando as pilhas ficaram altas. descrevem elogios ao sistema de drenagem em Cesaréia. de modo a se apresentarem limpos e puros aos olhos dos deuses de modo a não serem castigados com doenças. muito freqüentemente. estas inicialmente para fossas domésticas e. só em 1310 os franciscanos concordaram em que habitantes da cidade de Southampton utilizassem a água excedente de um convento que tinha um sistema próprio de abastecimento de água desde 1290. pelos zeladores e atendentes. Esta condição prevaleceu até o final do século XVIII. C. Nuremberg (1368) e Basiléia (1387). visando combater uma epidemia de malária. ainda hoje em operação. particularmente a partir do trabalho de Empédocles de Agrigenco (492-432 AC). ou seja. notadamente a Pérsia. Os primeiros indícios de tratamento científico do assunto. por volta dos anos 500 a. estas cidades tornaram- se notáveis por seus peculiares e ofensivos odores.

pois as mesmas. saturando grandes áreas do terreno e poluindo fontes e poços usados para o suprimento de água. . A generalização dos sistemas de distribuição de água e as descargas hídricas para evacuar o esgoto. já no Renascimento. Além disso. pavimentadas. Apesar das consideráveis melhorias executadas nos esgotos londrinos no século anterior. conseqüentemente. A sistemática de carreamento de refugos e dejetos domésticos com o uso da água. notadamente a partir da Alemanha. provocaram a saturação do solo. tornaram-se um problema de saúde pública. embora fosse conhecido desde o século XVI. o abastecimento de água urbano teve radical desenvolvimento. O aparecimento da água encanada e das peças sanitárias com descarga hídrica. Os estudos de John Snow (1813-1858). nas instalações sanitárias. juntamente com a formação de empresas fornecedoras de água. Raramente eram limpas e seu conteúdo se infiltrava pelo solo.posteriormente. Muitas cidades como Paris. eram operações que deveriam ser resolvidas com os recursos da Engenharia Civil e não no serviço médico. portanto. quando John Harrington (1561-1612) instalou a primeira latrina no palácio da Rainha Isabel. em áreas mais poluídas por excrementos e lixo. que ainda eram o preço inevitável da vida urbana. com manutenção inadequada. as galerias continuavam despejando seus bacilos no rio Tâmisa. constrangimentos do ponto de vista estéticos. O governo britânico assustou-se com a intensidade de mortes e as autoridades perceberam uma clara conexão entre a sujeira e a doença nas cidades. procedimentos que viriam a se generalizar no século seguinte. A extravasão para os leitos das ruas criou. fez com que a água passasse a servir com uma nova finalidade: afastar propositadamente dejetos e outras impurezas indesejáveis ao ambiente de vivência. Em termos de saneamento o período histórico dos séculos XVI e XVIII é considerado de transição. Ao mesmo tempo. A epidemia de cólera de 1831/32 despertou concretamente para os ingleses a preocupação com o saneamento das cidades. o movimento iluminista. através de um suprimento de água e de esgotamento efetivos. permitindo-a alcançar os canais de esgotamento existentes sob muitas cidades. contaminando a principal fonte de água potável da capital. Paralelamente começava a se concretizar a idéia de serem organismos microscópicos como possível causa das doenças transmissíveis. com profundas alterações na vida das cidades e. contaminando as ruas e o lençol freático. controle e uso destes serviços têm origem a partir do século XIV. era ilusoriamente fácil eliminar a água de esgoto. As primeiras leis públicas notáveis de instalação. a revolução industrial e as mudanças agrárias provocaram alterações revolucionárias no final do século XVIII. além de mostrar que as doenças não se limitavam às classes mais baixas. ou seja. iluminadas e drenadas. A partir do século XVI. mas elas pareciam tão incapazes como suas predecessoras de evitar as contrastantes ondas de mortes por doenças e epidemias. Em seu famoso Relatório (1842). como a de cólera (1831-1832). Londres e Baltimore tentaram o emprego de fossas individuais com resultados desastrosos. pois se passou a empregar bombeamentos com máquinas movidas a vapor e tubos de ferro fundido para recalques de água. provocou um efeito colateral assustador: as epidemias se espalhavam com muito maior rapidez e produzindo um alcance de vítimas muito mais devastador. Chadwick (1800-1890) já afirmava que as medidas preventivas como drenagem e limpeza das casas. No século seguinte. tanto na Inglaterra como no continente. inicialmente empregada em hospitais e moradias nobres. a melhoria das condições de transporte. um dos maiores desafios enfrentados pelos reformadores sanitários do século XIX. pois evidenciou que a doença era mais intensa em áreas urbanas carentes de saneamento efetivo. sua disseminação só veio a partir de 1778. Ruas estreitas e sinuosas foram alargadas e alinhadas. As fossas. No início do século XIX havia na Grã-Bretanha várias cidades consideradas de grande porte. levando a necessidade de criação de esquemas para limpeza das vias públicas das cidades grandes. As décadas de 1830 e 1840 podem ser destacadas como as mais importantes na história científica da Engenharia Sanitária. Como esses canais de esgotamento se destinavam a carrear água de chuva. também. se tornaram fontes de geração de doenças. paralelo a uma limpeza de todos os refugos nocivos das cidades. quando Joseph Bramah (1748-1814) inventou a bacia sanitária com descarga hídrica. a generalização dessa prática levou os rios de cidades maiores transformarem-se em esgotos a céu aberto. com a crescente poluição dos mananciais de água o maior problema era o destino dos esgotos e do lixo urbanos. para os canais pluviais.

Após criteriosos estudos e justificativas foi adotado na ocasião.). Adams que projetou os esgotos em Brooklyn. temendo contaminação da tripulação e. Hamburgo. Amsterdam. originando. Epidemias de cólera que assolaram a Inglaterra e outros países europeus até os anos 1850. Ao estudarem a situação os projetistas depararam-se com situações peculiares e diferentes das encontradas na Europa. forçava a instalação de medidas sanitárias eficientes por todos o planeta. Tennessee (1873). e a necessidade do intercâmbio comercial. onde todas os esgotos eram reunidos em uma só canalização e lançados nos rios e lagos receptores. o precursor do Serviço de Saúde Pública Norte-Americano.000 mortes causadas pela doença e. a reforma radical do sistema sanitário. Efetivamente Londres só teve um sistema de esgotos considerado eficiente a partir de 1859. que os navios comerciais da época evitassem a ancoragem em seus portos. Finalmente o engenheiro George Waring (15) foi contratado para projetar um sistema de esgotos para a cidade de Memphis. Estas epidemias foram responsáveis pela formação do Departamento de Saúde Nacional. conseqüentemente. Criava-se. notadamente os portos do Rio de Janeiro e Santos. O sistema caracterizou-se também porque os trechos coletores iniciais de esgotos sanitários eram separados das galerias de esgotos pluviais. entre elas. gerando insegurança e implicando. então. etc. pois a construção das avantajadas galerias transportadoras das vazões máximas contrapunham-se às desfavoráveis condições econômicas características dos países situados nestas faixas do globo terrestre. Neste ano foram mais de 2. Londres. contratados os ingleses pelo imperador D. tornou imprescindível a necessidade de canalizar as vazões de esgoto de origem doméstica. além das águas residuárias domésticas. A solução indicada foi canalizar obrigatoriamente os efluentes domésticos e industriais para as galerias de águas pluviais existentes. separando rigorosamente a água potável da água servida: os esgotos abertos seriam substituídos por encanamentos subterrâneos. No realidade métodos de disposição de esgoto não melhoraram até os anos 1840 quando o primeiro esgoto moderno foi construído em Hamburgo. Foram então. Detalhes destes projetos pioneiros de sistema de esgoto são geralmente desconhecidos por causa da falta de registros precisos. Viena. portanto. o Sistema Separador Parcial. Paris. o denominado Sistema Unitário de Esgotos. Pedro II (1825-1891). pois a proliferação de pestes e doenças contagiosas em cidades desprovidas dessas iniciativas propiciava. feitos de cerâmica durável. então. No início do século XIX. as tarifas a serem pagas pelos usuários. como a Inglaterra por exemplo. A concepção inicial de sistemas de esgoto criados na América é creditada a Julius W. No Brasil relacionavam-se nesta situação. conseqüentemente. Buenos Aires. cinco anos depois. assim. A preocupação com os problemas de saúde pública na América do Norte cresceu com o surgimento da epidemia de febre amarela em Memphis. para elaborarem e implantarem sistemas de esgotamento para o Rio de Janeiro e São Paulo. logicamente. Nova Iorque (1857). principalmente as condições climáticas (clima tropical) e a urbanização (lotes grandes e ruas largas). Nos Estados Unidos inicialmente muitos sistemas de esgotos foram construída em cidades pequenas e financiados por fundos criados pela própria população local. apenas as vazões pluviais provenientes das áreas pavimentadas interiores aos lotes (telhados. um inédito sistema no qual eram coletadas e conduzidas às galerias. já se contabilizavam cerca de 5150. na época. Alemanha. cujo objetivo básico era reduzir os custos de implantação e. No entanto. com índice pluviométrico muito superior (cinco a seis vezes maiores que a média européia. Chicago. Funcionários da prefeitura de Paris já haviam começado a projetar esgotos no começo do século XIX para proteger seus cidadãos de cólera. pátios. Porém nas cidades situadas em regiões tropicais e equatoriais. aos seus visitantes os mesmos riscos de contaminação. causando prejuízos constantes às nações mais pobres e dependentes do comércio internacional. etc. Era moderno no sentido de que foram conectadas ligações individuais das casas a um sistema coletor público de esgotos. as principais cidades brasileiras. Os reformadores e os engenheiros hidráulicos (1842) propuseram. praticamente incapaz de custear . região onde predominava uma economia rural e relativamente pobre. por exemplo) a adoção de sistemas unitários tornou-se inviável devido ao elevado custo das obras. principalmente na área de saúde pública. a construção dos sistemas unitários propagou-se pelas principais cidades do mundo na época.A evolução dos conhecimentos científicos. a evolução tecnológica nas nações mais adiantadas.

32 AC . 1700 AC . por Tarquínio Prisco. Rapidamente o sistema separador absoluto foi difundindo-se pelo resto do mundo a partir das idéias de Waring e de suas publicações e também de um outro famoso defensor do novo sistema.Vários pontos: surgimento de manilhas cerâmicas.Roma: Agripa (63-12 AC) ordenou a limpeza das galerias existentes e criou novas de até 3m de largura por 4km de extensão.Índia: construção de galerias de esgotos pluviais em Nipur.Atenas: criação da bomba parafuso. 260 AC . por Tarquínio.a implantação de um sistema convencional à época. 4000 AC . 2750 AC .Harada e Mohenjodaro. portanto. o separador absoluto passasse a ser adotado obrigatoriamente no país. Com a implantação do projeto de esgoto sanitário de Memphis estava criado então o Sistema Separador Absoluto (1879). projetou em sistema exclusivamente para coleta e remoção das águas residuárias domésticas. 500 AC . cuja característica principal é ser constituído de uma rede coletora de esgotos sanitários e uma outra exclusiva para águas pluviais. 200 AC . em condutos de barro.70m de comprimento. fizeram com que. 1. de pedras arrumadas. Saturnino Brito (1864-1929). excluindo.Creta: empregado no Palácio de Minos. 3100 AC . por Ctesibius (20).Babilônia: construção de galerias de esgotos pluviais. trabalhos e sistemas reformados pelo mesmo.Roma: construção de galerias auxiliares a principal.Creta: instalada a primeira banheira no palácio de Knossos. Waring. 1237 DC .3. por Arquimedes (287. a partir de 1912. por Dédalus. o soberbo (540-509). 3000 AC . seu contemporâneo. 2000 AC . 514 AC .3. as maiores cidades americanas estavam com linhas de esgoto em funcionamento. . 3750 AC .Índia: início dos sistemas de drenagem subterrânea no vale dos hindus.212 AC). Engenheiro Cady Staley.30m. as vazões pluviais no cálculo dos condutos. denominada de cloaca máxima. Cronologia dos Sistemas de Esgotos A seguir está relacionada uma série de datas com registros de acontecimentos marcantes na história da evolução dos sistemas de esgotamento na civilização ocidental.Roma: construção de uma galeria com 740m de extensão e diâmetro equivalente de até 4. 580-514 AC).Londres: surgimento da água encanada com o emprego de canos de chumbo. No Brasil destacou-se na divulgação do novo sistema. Depois do controle da epidemia e construção de um sistema de esgoto sanitário em Memphis (1889).Atenas: criação da bomba de pistão. em Knossos. 3750 AC . Pakistão: muitas casas com banheiros abastecidos através de tubos cerâmicos e condutos em alvenaria de tijolos para condução de águas superficiais. cujos estudos. o Velho (c. manilhas cerâmicas de ponta e bolsa com cerca de 0. diante da situação e contra a opinião dos sanitaristas de então.Mesopotâmia: início de construções de sistemas de irrigação.

1785 DC . 1650 DC . 1680 DC . 1855 DC . 1857 DC . 1897 DC .Recife: iniciada a construção da primeira rede coletora de esgotos sanitários desta capital.Londres: uso compulsório de tubos de ferro fundido. tornando-se uma das primeiras cidades do mundo dotada de rede coletora de esgotos. 1873 DC . etc. Gloucester (1826). 1808 DC .Lichfield: substituição de canos de chumbo por de ferro fundido.Memphis. 1689 DC . 1842 DC . . 1848 DC . 1815 DC .Londres: permissão para lançamento de esgotos domésticos no rio Tâmisa (o que seria proibido em 1876).Londres: substituição de estruturas de madeira por canos de ferro fundido.Alemanha: uso obrigatório de fossas nas residências.Londres: promulgação na Inglaterra de leis de saneamento e saúde pública. 1827 DC . Alemanha: iniciada a implantação de um sistema projetado de esgotos de acordo com as teorias modernas. 1876 DC . Horizonte: inauguração da cidade com água e esgotos projetados por Saturnino de Brito.Hamburgo.Inglaterra: emprego de tubos de ferro fundido. EUA: criação do Sistema Separador Absoluto por George Waring ( ? -1898). Idem Dublin (1809).Londres: James Simpson introduz no mercado os tubos de ponta e bolsa.Rio de Janeiro: inauguração do sistema de esgotos (separador parcial) da cidade.Nova Iorque: inauguração do sistema de esgotos da cidade. 1879 DC .Londres: lançamento compulsório das águas domésticas nas galerias pluviais.Gloucester: instalação de latrinas municipais.Londres: início do emprego de água para limpeza de privadas.Inglaterra: autorizado o lançamento de efluentes domésticos nas galerias pluviais. 1830 DC .B. 1805 DC . 1500 DC .Paris: construída a primeira galeria com cobertura abobadada. 1804 DC . 1847 DC .Irlanda: apresentada pelo autor a expressão de Manning. 1857 DC .Rio de Janeiro: contratação dos ingleses para criar sistemas de esgotamento para as cidades do Rio e São Paulo. 1889 DC . 1778 DC .Paris: Denis Papin (1647-1712) inventa a bomba centrífuga.Londres: Joseph Bramah (12) inventa a bacia sanitária com descarga hídrica. 1892 DC .1370 DC . Filadélfia (1817).São Paulo: inaugurado o primeiro sistema coletor de esgotos (separador parcial) da cidade.Campinas: execução da rede coletora desta cidade.

Para melhor entender esta preferência pode-se elaborar uma série de comparações como as relacionadas a seguir: a) Desvantagens do Sistema Unitário  1.3. aliados ao desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade após o Renascimento.  tem funcionamento precário em ruas sem pavimentação. em virtude dos grandes volumes de esgotos coletados e transportados em épocas de cheias e. Observando esta série de acontecimentos conclui-se que na Antigüidade a preocupação voltava-se para obras de esgotamento pluvial.Inglaterra: iniciada a fabricação de tubos de PVC.São Paulo: criação da CETESB . principalmente do ponto de vista da quantidade e qualidade das vazões transportadas. b) Vantagens do Sistema Separador Absoluto . 1900 DC . o alto grau de diluição em contraste com as pequenas vazões escoadas nos períodos de estiagem. 1.São Paulo: Saturnino de Brito inventou o tanque fluxível. conseqüentemente.São Paulo: construção da estação de tratamento de esgotos de Santo Ângelo 1953 DC .Plano Nacional de Saneamento (2). fizeram com que o homem tomasse consciência da necessidade de criar sistemas eficazes de saneamento onde se garantisse o abastecimento da água potável e recolhimento das águas residuárias e dá-lhe condições favoráveis de reciclagem na natureza. em função da sedimentação interna de material oriundos dos leitos das vias públicas.Brasília: criação do PLANASA . dificulta o controle da poluição a jusante onerando o tratamento. 1968 DC . principalmente de pequenas declividades longitudinais. O surgimento da água encanada e a disseminação do uso de peças sanitárias com descarga hídrica. Comparação entre os Sistemas A evolução dos sistemas de esgotamento deu origem a dois tipos com características bem distintas. 1920 DC . 1912 DC .  exige altos investimentos iniciais na construção de grandes galerias necessárias ao transporte das vazões máximas do projeto. Isto justificado pela inexistência de peças sanitárias com descarga hídrica e pela ignorância dos povos sobre a periculosidade dos resíduos domésticos.4. 1962 DC . 1968 DC . o Sistema Unitário e o Separador Absoluto. sendo esta situação decorrente dos acontecimentos que caracterizam este período da História. Verifica-se também que durante a Idade Média não há registros da evolução na área de saneamento.São Paulo: invenção do tubo de ferro fundido centrifugado por De Lavaud. 1907 DC .Áustria: início da produção de tubos de cimento-amianto por Ludwing Hastscher. criando maiores dificuldades físicas e no cotidiano da população da área atingida. sendo este último o mais empregado nos tempos contemporâneos. acarretando problemas hidráulicos nos condutos e encarecem do a manutenção do sistema.São Paulo: Saturnino de Brito iniciou as obras de esgotos e drenagem da cidade de Santos.1900 DC . 1928 DC .  implicam em construções mais difíceis e demoradas em conseqüência das suas dimensões.Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (3).Campina Grande: fundação da primeira empresa pública nacional de saneamento (SANE-SA).Brasil: adoção do sistema separador absoluto.

Isto é o que será exposto ao longo desta publicação. considerando-se que o bom funcionamento desses serviços implica em uma existência com mais dignidade para a população usuária. inclusive desobrigando a construção de galerias pluviais em maior número de ruas.  permite a implantação independente dos sistemas (pluvial e sanitário) possibilitando a construção por etapas e em separado de ambos. Diante destas circunstâncias é quase inconcebível nos dias de hoje. Neste contexto. onde praticamente toda a água residuárias gerada na área urbana é canalizada para utilização em áreas agrícolas irrrigáveis. 1. segurança e conforto dos usuários. Em vários países (entre estes o Brasil) é obrigatório o emprego do sistema separador absoluto. rios.  permite a utilização de peças pré-moldadas denominadas de tubos. etc.  acarreta maior flexibilidade para a disposição final das águas de origem pluvial. Um exemplo de sistema unitário moderno é o da Cidade do México. Desse modo torna-se imperativo que o estudo de projetos de esgotamento sanitário levem a concepções distintas das do esgotamento pluvial e.  permite a instalação de coletores de esgotos sanitários em vias sem pavimentação. Identificada a separação técnica pode-se afirmar que o conjunto de condutos e obras destinadas a coletar. transportar e dar destino final adequado as vazões de esgoto sanitário denomina-se de Sistema de Esgotos Sanitários. com ênfase para o dimensionamento dos componentes das redes coletoras convencionais. conseqüentemente.4.4. dentro de um macro-estudo que envolva todas as propostas de saneamento básico de uma comunidade. b) Objetivos Sociais  controle da estética do ambiente. pois estes efluentes poderão ser lançados nos corpos receptores naturais da área (córrego. Definição Diante das diversas comparações não há como resistir a afirmação de que a implantação de sistemas separados para águas residuárias e para vazões pluviais seja mais vantajosa. 1. lagos. permite atingir os seguintes objetivos: a) Objetivos Sanitários  coleta e remoção rápida e segura das águas residuárias. na execução das canalizações devida a redução nas dimensões necessárias ao escoamento das vazões. reduzindo custos e prazos na implantação dos sistemas.  disposição sanitária dos efluentes. evitando lamaçais e surgimento de odores desagradáveis.2. tanto para pequenas comunidades como em grandes centros urbanos.  reduz as dimensões das estações de tratamento facilitando. pois melhora as condições de higiene. devolvendo-os ao ambiente em condições de reuso. . conseqüentemente. a operação e manutenção destas em função da constância na qualidade e na quantidade das vazões a serem tratadas.1. pode-se assegurar que a implantação de um sistema de esgotos sanitários.4. em função da sua importância. Sistemas de Esgotos Sanitários 1. Objetivos A implantação dos serviços de Saneamento Básico. tem de ser tratada como prioridade sob quaisquer aspectos na infra-estrutura pública das comunidades. acarretando assim maior força produtiva em todos os níveis da mesma.  redução ou eliminação de doenças de transmissão através da água. serem projetados sistemas unitários de esgotamento.  eliminação da poluição e contaminação de áreas a jusante do lançamento final. bem como sua correta operação.) sem necessidade prévia de tratamento o que acarreta redução das seções e da extensão das galerias pluviais. pois esta situação não interfere na qualidade dos esgotos sanitários coletados. ao desenvolvimento de teorias em separado. aumentando a vida média dos habitantes. a partir deste ponto.

os governantes passaram a se limitar a administração da crise continuamente. como no resto na América Latina em geral. como complicador. A partir dos anos oitenta.1.3. fizeram com que os recursos para investimento em sistemas de esgotamento sanitário fossem insuficientes para acompanhar o crescimento da população. as práticas esportivas. lagos. embora não alcançasse a meta de 1% do PNB previsto para o final da década. Situação no Brasil 1. apenas 30% destas são dispostas adequadamente). rios.  redução de gastos públicos com campanhas de imunização e/ou erradicação de moléstias endêmicas ou epidêmicas.. aliada a uma política governamental de descompromisso pela organização de programas para o setor de saneamento. que o estado. desaparecendo o estado como orientador das políticas sociais. do trabalho e do mercado. A despeito da aparente evolução da qualidade de vida dos brasileiros na época. no Brasil. fazendo com que o déficit aumentasse a cada ano. o estado seguiu sendo praticamente a única instância de liberação de recursos e financiamento de programas de saúde e saneamento. Situação Atual Segundo a Organização Pan-americana de Saúde . Apesar da ausência de dados mais precisos é possível comprovar as diferentes expectativas de vida entre as diversas classes sociais no Brasil. c) Objetivos Econômicos  melhoria da produtividade tendo em vista uma vida mais saudável para os cidadãos e menor número de horas perdidas com recuperação de enfermidades. sem uma preocupação clara com as conseqüências sociais desta mudança. tais como malária e tuberculose e o ressurgimento de outras consideradas extintas como. Urge pois. superando distorções provocadas pela atual realidade mundial.3. Hoje se tem menos de um terço da população brasileira atendida com sistemas de esgotos sanitários e. etc.2. por exemplo a cólera e a dengue. Enquanto a população crescia o atendimento com os serviços de esgotamento nunca chegou a crescer o suficiente para diminuir o número de brasileiros sem este benefício no mesmo período. por exemplo. O aumento de enfermidades anteriormente em declínio. não havia uma política de promoção de espaços onde se expressassem as variedades de interesses e perspectivas dos diversos fatores sociais e a definição dos rumos a seguir. Gerenciamento Nos anos setenta. ante o compromisso de igualdade entre cidadãos. a América Latina (aproximadamente 450 milhões de habitantes) necessita investir cerca de US$ 216 bilhões para resolver seus problemas de saneamento básico. a partir do Governo Figueiredo. Somente para disposição dos resíduos domésticos serão necessários recursos da ordem de US$ 8 bilhões (produção diária de 250 mil toneladas de lixo doméstico sendo que atualmente. valorizando as propriedades e promovendo o desenvolvimento industrial e comercial. acelerou-se a deterioração dos modelos de desenvolvimento em voga na região e. . tem causado uma superposição de efeitos negativos que resultam em uma evidente deterioração social. vários destes sistemas sendo operados inadequadamente. 1.4. facilitando. a realização dos projetos elaborados. ficando na dependência de ações de políticos nem sempre com conhecimentos adequados no assunto. 1.  utilização das áreas de lazer tais como parques.  melhoria das condições de conforto e bem estar da população.4.OPS. A difícil situação econômica que o país vem suportando nos últimos anos. somadas as mudanças no eixo político com a passagem de regimes de natureza autoritária para governos eleitos pelo voto direto. com a internacionalização do capital.  preservação dos recursos naturais.4. como previsto no PLANASA. resultando numa conta social muito pesada e de tristes conseqüências .3. possa promover ações que gerem respostas sociais adequadas às necessidades diversas.

poluição e contaminação. integrado ao FESB (Fundo Estadual de Saneamento Básico).5. .PLANASA . com alteração da denominação da já então denominada Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Básico e de Defesa do Meio Ambiente.5% com ligações de esgotos sanitários. estudos. Exercícios  Definir . canal e canalização. com recursos financeiros oriundos do BNH e FAE. . . Nele pela primeira vez foram feitas as definições de endemia e epidemia. ensaios e treinamento de pessoal no campo da engenharia sanitária.Saneamento Básico. até o surgimento da Bacteriologia e da Imunologia. . . .conduto.águas residuárias. . mantendo a sigla CETESB.recursos naturais.cano e manilha. Plano Nacional de Saneamento . . Por exemplo.programa que visava viabilizar soluções adequadas com o objetivo específico de reduzir o déficit histórico do saneamento básico no país.  Fazer um "comentário histórico" justificando a lacuna de 1200 anos sem datas notáveis em Saneamento na "era cristã". pesquisas. NOTAS: 1.079.Sistema Unitário de Esgotamento.tubo e tubulação.moléstias endêmicas e epidêmicas. com o objetivo de realizar exames de laboratórios. 1.  Quais as principais dificuldades para implantação de sistemas unitários de esgotamento?  Que razões levaram D.Sistema Separador Absoluto. a juros de até 8% ao ano. . passando a se denominar Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental. Águas e Lugares (em grego Aeron Hidron Topon) foi o priimeiro esforço sistemático para apresentar as relações casuais entre fatores do meio físico e doença. 2.ligação de esgotos e economia (em saneamento).Objetivos Sanitários.Sistema de Esgotos Sanitários. Ares. Econômicos e Sociais. . .Outra observação que pode ser feita é o desequilíbrio regional entre os beneficiados com sistemas de esgotos sanitários. de 17 de dezembro de 1976.CETESB. de 24 de julho de 1968. 3. . Resolução da Assembléia Geral Extraordinária dos acionistas da CETESB.  Descrever as conseqüências sanitárias do aparecimento da água encanada e dos aparelhos com descarga hídrica. enquanto no sudeste tem-se 58% da população beneficiada na Região Norte este índice cai para menos de 2.  Pesquisar o significado de: .Pedro II a contratar os ingleses para projetarem e construírem sistemas de esgotamento em cidades brasileiras ?  Que razões incentivaram George Waring a criar o Sistema Separador Absoluto?  Em que situações poder-se-iam projetar sistemas unitários em detrimento do separador absoluto?  É possível que efluentes pluviais necessitem de tratamento? Justificar. com objetivos e atividades bem mais abrangentes na área de saneamento.  Classificar os tipos de águas esgotáveis de acordo com a origem. Centro Tecnológico de Saneamento Básico . Esse livro tornou-se um clássico da medicina por mais de dois mil anos. criado pelo Decreto 50.

É importante mencionar que gases inodoros também podem ser tóxicos. têm seus esgotos reunidos aos de origem doméstica após serem acondicionados tanto biológica como química e fisicamente para que não sejam afetadas as características básicas das vazões receptoras. independente do modo como a mesma tenha sido adquirida. a ocorrência de patogênicos à vida animal em geral. Nestas condições o esgoto passa a ser denominado de esgoto velho. a partir do momento em que os mesmos não possuam mais condições de reutilização. ácidos carboxílicos.2. comerciais ou industriais. resultante parte da água que lhe deu origem e parte inserido através de turbulência normalmente ocorrida na sua formação. Composição e Classificação dos Esgotos Sanitários Os esgotos sanitários têm em sua composição cerca de 0. prevalecendo a presença de hidrocarbonetos simples. que os esgotos de uma indústria de lacticínios tenham predominância acentuada de matéria orgânica em seu meio. Tipos de Despejos O uso da água nas suas mais diversas formas. devem ser retirados do ambiente de consumo de água. aldeídos parafínicos. Os despejos procedentes de áreas comerciais e residenciais apresenta-se com características semelhantes se analisados isoladamente. enquanto que os de uma metalúrgica caracterizar-se-ão pela presença de óleos minerais. cianetos. A partir desse ponto o esgoto adquire uma aparência escura e libera continuamente gases de odor desagradável e ofensivos a saúde humana. estéticas. em ambos os setores. 2. compondo-se o esta essencialmente de água. De um modo geral. do processo de industrialização utilizado e do produto industrializado. consumidores de matéria orgânica e de oxigênio e. As águas residuárias geradas em atividades industriais têm características próprias em função da matéria-prima. é. . ésteres. a vida microscópica passa a ser desenvolvida consumindo oxigênio procedente da decomposição de compostos oxigenados presentes na mistura. com liberação de pequenas quantidades de gases mal cheirosos. pelas mais diversas razões. causadora dos mais desagradáveis transtornos. Por essas razões os distritos industriais ou grandes complexos fabris normalmente são dotados de sistemas de esgotamento próprios adequados a realidade individual ou coletiva dessas unidades de transformação. a origem de despejos líquidos os quais. esses despejos são originados de atividades domésticas. em geral. O esgoto doméstico chega à rede coletora com oxigênio dissolvido.1% de material sólido. compostos de cromo e outros metais pesados em sua composição. esgotos domésticos ou esgotos sanitários. Tecnicamente esses despejos são denominados de águas residuárias domésticas. Desta forma. etc. no entanto. pois a mesma possui em seu meio microrganismos. Com a movimentação turbulenta através dos condutos de transporte a parte sólida sofre desintegração formando uma “vazão líquida” de coloração cinza-escura. Espera-se. sólidos em suspensão bem caracterizados e apresentando odores próprios do material que foi misturado a água na origem. na maioria unicelulares. tendo em vista que. Sem a presença de oxigênio livre o esgoto entra em condições anaeróbias de decomposição.1. por exemplo.. resultando em um líquido com resíduos essencialmente orgânicos. e para que não traga problemas de escoamento a jusante da rede coletora. passando a ser denominado de esgoto séptico. etc. CAPÍTULO II CARACTERIZAÇÃO DE ESGOTOS SANITÁRIOS 2. oriundos da atividade metabólica dos microrganismos presentes em seu meio. muito provavelmente. provoca. estabelecimentos industriais isolados. tais como higiênicas. ou seja. numericamente tão pequena. o volume de água consumida deve-se a efetivação de atos de higienização e acondicionamento de alimentos. na maioria das vezes. Essa parcela.

leptospirose. . principalmente. Naturalmente estas bactérias também são encontradas no solo e já foram mais utilizados como indicadores de contaminação no passado. A conhecida Escherichia coli é uma componente dos CF. podendo repetir-se posteriormente ou não.3. são porque se apresentam com composição orgânica de natureza qualitativa similar. Presença Bacteriológica 2. no entanto. a quantidade de oxigênio livre tende a zero. podem ser configuradas como doenças endêmicas. Os EF são variedades êntero-intestinais do homem (espécie predominante: Streptococus faecalis) e de outros animais. implicar em alguma proporcionalidade numérica entre si. que são males que atacam uma coletividade em uma determinada época. A quase totalidade desses microrganismos são essenciais ao metabolismo in-terno dos alimentos que são ingeridos e são eliminados do interior do organismo quando se faz uso de bacias sanitárias ou mictórios.O aumento da lâmina líquida nos condutos originado do acréscimo das vazões para jusante e da redução das declividades. A eliminação de coliformes pelos indivíduos é constante. amebíase. De um modo geral quando outras vazões que não de origem estritamente doméstica são reunidas propositadamente a estas. 2. sendo que os CT. chamadas de águas servidas.1. porém estas relações atualmente estão em desuso.. do intestino dos indivíduos que contribuíram para a formação das vazões esgotáveis. Origem A parcela da matéria orgânica presente nos esgotos sanitários é composta por um número muito grande de microrganismos vivos oriundos. 2. enquanto que o oxigênio livre no meio aquoso é consumido pelos microrganismos aeróbios. etc. formam o esgoto doméstico. Essas águas misturadas às que procedem das atividades de asseio. febres tifóides. No estudo da composição dos esgotos sanitários podem ser encontrados agentes provocadores de doenças transmissíveis tipo cólera. (êntero-bactérias comuns aos animais de sangue quente) que é da ordem de 106 a 107 por cem mililitros (medida aproximada de um copo d'água). Se a capacidade de reaeração da massa líquida não for suficiente para abastecimento das necessidades das bactérias. em fezes de seres humanos e de animais de sangue quente. e/ou epidêmicas. Na busca de possíveis contaminações os principais indicadores de contaminação fecal comumente pesquisados é a quantificação dos coliformes totais (CT) e os fecais (CF) e os estreptococos fecais (EF). Patogênicos Tem-se uma idéia quantitativa do número de bactérias presentes nos esgotos domésticos observando-se a concentração de coliformes fecais.3. mas sua presença em mananciais de água aventa a possibilidade da presença de microrganismos prejudiciais a saúde do homem. dificulta a entrada do oxigênio atmosférico. Historicamente a relação CF/EF. chamados de agentes patogênicos. provocando o desaparecimento de toda a vida aquática aeróbia. que são enfermidades comuns aos habitantes de um lugar ou de certos climas. embora hoje ainda sejam trabalhadas.2. disenterias. dependendo das providências sanitárias adotadas durante e após cessada a epidemia. provenientes das fezes ou urina de portadores destes sem. que são coliformes encontrados normalmente em águas poluídas. quando menor que a unidade indica que a possível contaminação é devida a outros animais de sangue quente e quando maior que "4" torna-se um indicador de que a contaminação foi provocada por despejos de origem doméstica. xistosomose. ancilostomose.3. por exemplo. Essas bactérias não são perigosas. pois sobrevivem a temperaturas mais altas (44 oC) que os totais (37oC). A massa líquida resultante da mistura das excretas humanas com águas de descargas é denominada de águas negras ou águas imundas. de modo que não alteram prejudicialmente o funcionamento do sistema de esgotamento para jusante. enquanto que a de patogênicos é função de que os mesmos estejam doentes ou simplesmente sejam portadoras do agente infeccioso. que dependendo do padrão de saúde da região. Os CF são um grupo de êntero-bactérias originários do homem de outros animais de sangue quente e são mais úteis em análises.

originando o processo de decomposição biológica aeróbia do esgoto também chamado de oxidação. visto que nestas condições é provável que todo o oxigênio livre presente inicialmente. com relação variável em função do tipo de digestão: aeróbia ou anaeróbia 2. O mecanismo biológico de remoção da matéria orgânica nos esgotos chama-se de metabolismo bacteriano. sulfatos e água. por exemplo) e digestores de lodo. Comparação entre os Processos De uma maneira ou de outra a matéria orgânica biodegradável presente no esgoto é decomposta pela ação das bactérias nele presentes transformando-a em matéria estável. 2. por exemplo. Quando o material orgânico é consumido para obtenção de energia este processo é denominado de catabolismo e quando a matéria é usada para transformação em massa molecular. protozoários ou vermes. São as bactérias facultativas. protozoários e vermes. As facultativas são ativas nas unidades aeróbias e nas anaeróbias. dos sulfatos (SO4=).4. microrganismos aeróbios são encontrados nos processos de lodos ativados e filtros biológicos e os anaeróbios predominam em digestão anaeróbia de esgotos (reatores UASB.3. de comportarem-se como aeróbias ou anaeróbias. a concentração de compostos inorgânicos e/ou a cor antes da reutilização como água para abaste- cimento. patogênicas ou não. metais pesados. desenvolve-se o processo de decomposição anaeróbia ou putrefação que é realizado pelas bactérias anaeróbias as quais consomem o oxigênio dos compostos orgânicos e inorgânicos em sua atividade metabólica como. principalmente os vegetais. compostos de enxofre. etc. além da bactéria aeróbia ser menos resistente à situações adversas. Esgotos com grandes frações de águas residuárias industriais podem requerer tratamento especial para remover constituintes particulares. Em casos especiais pode haver necessidade de se corrigir a concentração de outros constituintes como. vírus. porém a produção de lodo que vai requerer um tratamento posterior.Uma série de microrganismos patogênicos para o homem normalmente o atingem através dos despejos fecais oriundos de pessoas infectadas. Nas cidades maiores. de larvas. são mais facilmente assimilados pelos organismos superiores. No tratamento dos esgotos. provocam doenças entéricas infecciosas que podem ser fatais. amoníaco e gás sulfídrico entre outros. salvo aqueles originados no beneficiamento de produtos de origem animal. seja consumido ao cabo de quatro a seis horas de escoamento.3. dependendo da presença ou não do oxigênio livre. por exemplo. Outras bactérias têm a faculdade. geração de novas bactérias. Essas bactérias têm o poder de manutenção da atividade biológica mesmo que o esgoto passe de condições aeróbias para sépticas. a grande maioria dessa população é de bactérias. tem-se o anabolismo. não contém em seu meio número significati-vo de microrganismos vivos. Esses microrganismos na sua maioria bactérias. nitratos. Muito frequentemente uma estação de tratamento envolve processos anaeróbios combinados com aeróbios. que são gases nocivos à saúde humana e de odor bastante desagradável. . ou seja. Estes processos são interdependentes e ocorrem simultaneamente. tais como de indústrias de laticínios. em função das grandes distâncias a serem percorridas pelas vazões de esgota-mento. Para efeito de comparação pode-se afirmar que o processo aeróbio desenvolve- se com maior rapidez e seus produtos. enquanto que do anaeróbio resultam metano. por exemplo. Processos de Decomposição da Matéria Orgânica Embora uma parte dos microrganismos vivos presentes nos esgotos sejam de natureza virótica. é possível a ocorrência de septicidade dos esgotos no interior dos condutos. as substâncias orgânicas insolúveis dão origem a solúveis mineralizadas. de matéria orgânica como alimento e oxigênio para respiração. Na ausência do oxigênio livre ou presença em quantidade insuficiente para a realização do processo citado. A forma como esse oxigênio é adquirido pelas bactérias é o que as diferenciam entre si do ponto de vista sanitário. necessitam para sobrevivência da espécie. Denominam-se de bactérias aeróbias aquelas que consomem em sua atividade vital o oxigênio livre presente no interior da massa líquida. como pesticidas. é muito maior no aeróbio (vinte vezes). E todas elas. gás carbônico.3. Quanto aos esgotos industriais. ou seja.

podendo ser mortal para o homem em concentrações superiores a 300mg/L. originando ácido sulfúrico.0). favorece a condensação desses gases. 2.2. O contato com o oxigênio (O 2) presente no ar circulante no espaço livre do conduto e com as bactérias.Portanto. pois. O ácido formado pela ação bacteriana tem alto poder de reação sobre materiais ligantes como o cimento. Um exemplo bastante citado na literatura de saneamento a descrição de um fenômeno comum nas regiões de climas quentes e tropicais (temperaturas acima de 25 oC) nos esgotos em condições sépticas. adição de produtos químicos . como esquematizado na equação simplificada do fenômeno (Eq. bem como dos condutos e equipamentos. tendendo. Corrosão Bacteriana É importante também mencionar que não só o aspecto sanitário da ação bacteriana é motivo de estudo. principalmente de albuminas.1. Aeróbias H2S + 2O2 ----------------------------> H2SO4 + CaCO3 ---------> H2CO3 + CaSO4 Eq. pode ser significativamente afetada pela atividade de bactérias. 1 .Corrosão bacteriana do concreto nas canalizações de esgotos sanitários Para evitar danos às canalizações em conseqüência do aparecimento de ácido sulfúrico devem ser tomadas providências para sua eliminação ou a limitação de sua produção.5. pois este procedimento acarreta aceleração na mineralização da carga orgânica. 2. que se desprende da massa líquida para o espaço aéreo interno do conduto. um ácido forte. sempre que possível. com elevado teor de sulfatos e projetados com pequenas declividades (< 0. bac. inclusive com os mesmos processos de aparecimento do ácido sulfúrico.1) e na Fig. quimicamente um gás fraco e mal cheiroso. A estabilidade das unidades de um sistema de esgotos sanitários. Esse procedimento deve ser efetuado através do controle do pH de descargas que contenham enxofre (mantê-lo entre 5.3. sem condições de resistir às cargas externas. A corrosão dos materiais metálicos pelo ácido sulfúrico pode ser descrita de modo similar aos materiais ligados com cimento. FIG. ao desmoronamento das canalizações. 2. Na decomposição anaeróbia. originando sulfatos de cálcio.2.1 Thiobacillus Esses sulfatos são compostos moles e quebradiços. é vantajoso o fornecimento de oxigênio livre à massa de esgotos. o consumo do oxigênio dos sulfatos (SO4=) provoca o aparecimento do gás sulfídrico (H2S). após a utilização do enxofre por bactérias sulfurosas em seus processos respiratórios e liberando energia.008m/m).5 e 9. além de evitar os transtornos ambientais provocados pelas substâncias geradas com o processo anaeróbio.

antes de tudo. Características Físicas 2. 2. A determinação da quantidade total de sólidos presentes em uma amostra de esgotos sanitários é chamada de sólidos totais. turbidez. É importante lembrar que em qualquer sistema o problema será sazonal e que em cada situação as soluções serão peculiares às circunstâncias de operação do sistema projetado. Nos sólidos suspensos encontram-se.4. orgânicas ou minerais. resinas epoxi ou ceras especiais capazes de resistir ao ataque químico dos ácidos fortes. A temperatura é também uma importante determinação física e é função do clima da região geográfica.5.fração dos sólidos medida após evaporação da parte líquida da amostra filtrada. em mg/L.oxidantes (cloro.parcela dos sólidos totais volatilizada no processo de calcinação. em mg/L. um projeto bem elaborado e implantado. nas canalizações construídas com materiais cimentados ou metálicos. Além das providências citadas. reduzindo o mau cheiro característico nas condições anaeróbias). Tipos de Sólidos São caracterizados como sólidos dos esgotos todas as partículas nele presentes em suspensão ou em solução. deverão ser empregados revestimentos internos a base de materiais vinílicos.  Sólidos em Suspensão . 2. 1876-1965). parte é de sólidos suspensos (200mg/L) e o restante sólidos dissolvidos (500mg/L). em mg/L. em proporções mais ou menos iguais. Aspectos Físicos Na formação dos esgotos sanitários o adicionamento de impurezas a água de origem dão-lhe características bem definidas as quais sofrem variações ao longo do tempo em virtude das transformações internas decorrentes da desintegração e decomposição contínua da matéria orgânica. 700mg/L em média. de 0. medida em ml/L (K.  Sólidos Dissolvidos .resíduos sólidos retidos após calcinação dos sólidos totais a 500 o C. sólidos sedimentáveis e não sedimentáveis. aeração das vazões (oxigênio dissolvido mínimo da ordem de 1mg/L). ventilação (com ventiladores primários conectados aos poços de visita) e limpeza periódica dos condutos. Características Químicas . sedimentáveis ou não. Dentre estas características são de fácil percepção cor.porção das partículas em suspensão sedimentadas por ação da gravidade quando a amostra é submetida a um período de repouso de uma hora em um cone padronizado denominado cone de Imhoff.4. Imhoff. principalmente no que disser respeito a declividades mínimas de projeto. O teor de sólidos é bastante variável (300 a 1200 mg/L) com aproximadamente 70% de matéria orgânica.45 mícron. 2. evitar altas concentrações de DBO. em mg/L. dos quais 75% são voláteis e 25% fixos.  Sólidos Sedimentáveis . Também se observa que a diminuição gradativa da quantidade de oxigênio dissolvido intensifica o escurecimento da mistura esgotável e exalação de odores desagradáveis e ofensivos a saúde humana. tanto mecânica como quimicamente e. por exemplo. em mg/L. De um modo geral pode-se comentar que dos sólidos totais. através de micromalha.  Sólidos Orgânicos ou Voláteis . presença de sólidos em suspensão e temperatura.massa sólida obtida com a evaporação da parte líquida da amostra a 100 o a 105o C.quantidade de sólidos determinada com a secagem do material retirado por filtração da amostra. odor.2.  Sólidos Minerais ou Fixos .4.1. A separação dos tipos de sólidos presentes na mistura é feita em laboratório e classificada da seguinte maneira :  a) Sólidos Totais . Entretanto quanto aos sólidos dissolvidos tem-se 30% de voláteis contra 70% de fixos. reage não apenas com o gás sulfídrico como também com as mercaptanas.

Esquema da Depuração Biológica 2. a necessidade desta quantificação faz com que se empregue métodos alternativos diretos ou indiretos para sua determinação. . graxas e gorduras. 25% a 50% de carboidratos e cerca de 10% de lipídios. Carboidratos são compostos polihidroxilados tais como açúcares. Normalmente se parte de uma das duas propriedades que são características das substâncias orgânicas: a) o material orgânico pode ser oxidado e b) o material orgânico contem carbono orgânico. ou seja.2. Proteínas são grandes complexos moleculares compostos de aminoácidos.1.5. Portanto é necessário que se utilize de um parâmetro que use uma propriedade que todos têm em comum para avaliar a concentração de compostos orgânicos. O material orgânico pode estar na forma molecular ou em aglomerados ditos particulado. carboidratos e lipídios. celulose e amidos.5. enquanto que os microrganismos em geral são micros seres unicelulares. Estes micros seres transformam o material orgânico usando-o como fonte de energia e para a formação de novas células. encontram-se presentes uma grande variedade de compostos orgânicos inanimados e de microrganismos vivos (estes ou alguns destes já podem estar presentes também no corpo receptor). é impraticável (se não impossível!) uma identificação individual de todos eles. 2 . 2. FIG. Os lipídios são substâncias orgânicas a base de óleos. As principais categorias de matéria orgânica encontradas nos esgotos sanitários são proteínas. para que se descrevam os processos metabólicos faz-se necessário que se caracterize quantitativamente a concentração do material orgânico. a determinação quantitativa dos diversos componentes da matéria orgânica nas águas residuárias seria extremamente difícil ou mesmo impossível. da energia liberada nas reações parcela é consumida na respiração e mobilidade das bactérias. por exemplo. Matéria Orgânica Nas águas residuárias de origem doméstica. enquanto que outra parcela é usada no crescimento de novas células (processo de cissiparidade).2.2. O volume de matéria orgânica biodegradável presente em uma amostra de esgoto doméstico típico deverá apresentar 40% a 60% de proteínas. O restante é perdido na forma de calor. Quantificação da matéria orgânica Sabe-se que devido a vasta variedade de compostos orgânicos em esgotos sanitários. isto é. A utilização do material orgânico pelos microrganismos chama-se metabolismo. enquanto que a síntese de material celular a partir do material orgânico é denominada de anabolismo. Por outro lado. A transformação da matéria orgânica no interior dos esgotos pode ser descrita como mostrado no esquema da Figura 2. Portanto. No metabolismo o consumo do material orgânico para obtenção de energia é denominado de catabolismo.

a reação de oxidação será expressa como: A partir dos pesos atômicos dos elementos químicos envolvidos na reação. determinando-se o consumo de oxigênio na degradação da amostra. Este parâmetro mede o oxigênio equivalente ao conteúdo de matéria orgânica de uma amostra que pode ser oxidada por um forte oxidante químico.2z) O2  x CO2 + (y/2)H2O Eq. 2. No teste da DBO prevalecem as condições de biodegradabilidade. Assim na DBO determina-se o material orgânico biodegradável. para aceleração da oxidação. Demanda Química de Oxigênio . estes dois testes serão estudados a seguir. calcular a DQO teórica de uma solução de CxHyOz como: DQOtotal = 8(4x + y . uma massa de 12x + 1y + 16z gramas de material orgânico consome ¼ de (4x + y . Formulando a matéria orgânica como C xHyOz . teoricamente. . ou seja. Considerando que alguns componentes do esgoto são de mais lenta oxidação (gorduras. Um terceiro teste pode ser utilizado no caso da necessidade da quantificação de carbono orgânico como alternativa para quantificar a concentração do material orgânico: o teste do Carbono Orgânico Total (COT). ou seja. isto é. 1 mol de material orgânico. por exemplo). Considerando-se que rotineiramente nos laboratórios trabalha-se com DQO.Em laboratório um destes métodos indiretos rotineiramente empregado é a medição do consumo de oxigênio na oxidação da matéria orgânica. Em pesquisas relativas a engenharia sanitária. mede-se o esgoto em termos da quantidade total de oxigênio requerida na oxidação da matéria orgânica para CO2 e H2O como mostrado na equação 2. em geral fenolftaleína. Por outro lado os compostos orgânicos que não provocam demanda de oxigênio durante o teste da DBO são quantificados no teste da Demanda Química de Oxigênio (DQO).2 No teste da DQO. H (1 g/mol). por exemplo) adiciona-se sulfato de prata como catalisador.3. Diante deste raciocínio pode-se.2z) moles de oxigênio ou 8(4x + y . um forte oxidante. E.5. então. então. a oxidação das substâncias orgânicas estará praticamente completa (mais de 95%). Segundo o professor Adrianus van Haandel em Tratamento Anaeróbio de Esgotos (1994). portanto a matéria orgânica não biodegradável não é afetada durante a realização do teste. Este teste é baseado no princípio de que a quase totalidade dos compostos orgânicos pode ser oxidada por um agente oxidante sob condições ácidas.2z)g de O2 (lembrar que O2 = 2 x 16 g/mol \ 32/4 = 8). É fundamental salientar que os compostos orgânicos presentes no esgoto são divididos em dois grupos: os biodegradáveis que são os compostos que podem ser oxidados pelo oxigênio (restos de alimentos. A verificação desta oxidação é feita empregando-se uma solução de uma substância orgânica com concentração conhecida. em função da simplicidade do teste e com DBO por melhor traduzir o que ocorre na natureza. uma amostra de água residuária é adicionada a uma mistura de dicromato de potássio e ácido sulfúrico. conclui-se que. CxHyOz + ¼ (4x + y . normalmente são empregados dois testes padronizados que se baseiam na oxidação do material orgânico: os testes da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o teste da Demanda Química de Oxigênio (DQO). A mistura esgoto-oxidante-ácido é aquecida até seu ponto de ebulição e. 2.2z) / (12x + y + 16z) mg de DQO / mg de CxHyOz. a DQO teórica da solução é calculada a partir da estequiometria de sua oxidação. O valor teórico pode ser comparado com o valor experimentalmente obtido. C (12 g/mol) e O (16 g/mol).teste da DQO Um dos testes mais freqüentemente empregados para a determinação do consumo de oxigênio é o da DQO (demanda química de oxigênio). após um período de duas horas nesta condição. calcula-se o conteúdo equivalente de matéria orgânica presente originalmente. Em ambos os testes o material orgânico e a concentração deste é determinada a partir da consumo de oxidante para a oxidação. enquanto que o teste da DQO contabiliza-se todo o material orgânico inicialmente presente na amostra.2. As diferenças essenciais entre as testes estão no oxidante utilizado e nas condições operacionais prevalecentes em cada teste. por exemplo) e os não biodegradáveis (determinados tipos de detergentes e de derivados de petróleo.

Demanda Bioquímica de Oxigênio . Voltando aos exemplos pode-se afirmar: 0. 0. estas devem ser adicionadas em um processo chamado em saneamento de semeadura. que a massa de oxigênio consumido será. Ácido oxálico . No teste da DBO. exatamente igual à massa de material orgânico oxidada como DQO.25 g CH4. por ser um processo natural. Uma diferença significativa de ordem prática entre os testes é que no da DQO a oxidação do material orgânico quimicamente oxidável é completada em cerca de duas horas. Esse parâmetro normalmente é expresso em miligrama de oxigênio por litro de esgoto (mgO 2/L). implica na necessidade de quantificar-se esse consumo de oxigênio tendo em vista que a sua determinação é um indicador do teor da matéria orgânica biodegradável diluída. promove uma reação de redox com o material orgânico biodegradável. através da ação de estritamente biológica por bactérias.teste da DBO O consumo concomitante de oxigênio nos processos de estabilização biológica da matéria presente nos volumes de esgotos sanitários.6g (COOH) completamente oxidados. Dessa necessidade surgiu o conceito de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) que literalmente pode ser definida como a quantidade de oxigênio livre necessária para estabilizar bioquimicamente a matéria orgânica através da ação de bactérias aeróbias.CH4 DQOtotal = 8(4x1+ 1x4 .2x0) / (12x1+ 1x4 + 16x0) = 4mg de DQO/mg de CxHyOz .18mg de DQO/mg de CxHyOz . quando se usa oxigênio para oxidação de material orgânico. por definição.18 = 5. no livro já citado. enquanto que a oxidação biológica de material orgânico leva várias semanas para ser concluído. 1 grama de material orgânico (como DQO) equivale a 1/0. Logo a massa de material orgânico oxidado em um sistema de tratamento de esgotos pode ser medida através da determinação da massa de oxidante consumida para esta oxidação. Quando não há bactérias em concentração suficiente nas amostras. ou seja. 2. vários são os motivos que provocam esta lentidão. 3. É importante observar que o mesmo exclui degradação em condições sépticas.5. juntamente com nutrientes.2x2) / (12x1+ 1x0 + 16x2) = 0mg de DQO/mg de CxHyOz .(COOH)2 DQOtotal = 8(4x2+ 1x2 . 2. ou seja. neste o oxidante empregado é o oxigênio dissolvido que. No caso das águas residuárias .4.6g (COOH)2 requerem uma massa de 1g O 2 para sua completa oxidação. Dióxido de carbono .CO2 DQOtotal = 8(4x1+ 1x0 . Ainda segundo o professor van Haandel. para que se tenha a noção mais realista possível do teor de material orgânico biodegradável presente. equivalem a 1 grama de material orgânico como DQO. Convencionou-se. ou seja.6g (COOH)2. no caso.25 g CH 4 ou 5.Exemplos: 1. significando que o CO2 já é uma substância totalmente oxidada. embora a quantificação do material orgânico também seja feita a partir do consumo do oxidante usado. 1 grama de material orgânico como DQO.25 g CH4 ou 5. Metano . 1 grama de material orgânico (como DQO) equivale a ¼ = 0. sendo este teste uma maneira indireta de determinação quantitativa da matéria orgânica presente na mistura através do consumo de oxigênio. então o que realmente se está afirmando é que massa de material orgânico significa massa de oxigênio necessária para oxidar o material orgânico. Como dito inicialmente. então.2x4) / (12x2+ 1x2 + 16x4) = 0. determinada em laboratório. Analisando-se os exemplos torna-se elementar entender as afirmações conclusivas em cada um deles.

5. a DBO total pode ser estimada pela expressão: DBOt = DBOúltima (1 . período em que a reação é mais intensa. Isto significa que o parâmetro DBO de uma água residuária representa o consumo biológico de oxigênio durante um período de incubação de 5 dias a uma temperatura de 20oC (DBO520). Eq.23 t ) Eq.8 a 2. Esta diferença resulta de que ao consumir material orgânico parte deste é convertido em novas bactérias e no final tem-se uma fração de material celular que não é oxidada. No caso de esgotos sanitários este processo demora cerca de quarenta dias ou mais. então: DBO520 = 0. a razão geralmente se situa na faixa de 1. Como o teste da DBO na prática é mais complicado pelos motivos já expostos.DQOb Eq.DQOb = 0. 2. Comparação entre os parâmetros O valor da DBO última (DBOu) será sempre inferior ao da DQO total do material biodegradável (DQO b). os ensaios para a determinação da DBO.5.70 (no caso de esgoto doméstico. precisam ter suas moléculas quebradas em unidades menores para que possam ser assimiladas.3 onde t é o período de incubação. citado em Tratamento Anaeróbio de Esgotos. são desenvolvidos com uma incubação da amostra durante 5 dias. Sabe-se que na maioria das águas residuárias o material orgânico é uma mistura de material biodegradável e não biodegradável e que existe uma proporcionalidade entre a DBO u e a DQOb de cerca de 87% da DQOb (concentração de DQO biodegradável).59.com grande variedade de compostos orgânicos.4 ou DQOb /DBO520 = 1.0. Freqüência dos testes da DBO e da DQO Em um estudo de caracterização da matéria orgânica presente em um determinado esgoto faz-se necessário que se desenvolva testes consecutivos tanto de DQO como de DBO. mesmo após um longo período de incubação.6. geral-mente realiza-se a DQO com maior freqüência. porque esse teste leva a um resultado de mais abrangente em um menor espaço de tempo. por uma questão até de espaço e de equipamentos e até por razões históricas. convencionou-se cinco dias para o desenvolvimento do teste. para esgoto sanitário bruto.2) 2. 2. durante o teste as amostras são mantidas a uma temperatura constante de 20 oC (um valor médio para as condições ambientais normais de temperatura) e fora do alcance da luz. a taxa de oxidação do material orgânico depende da natureza e do tamanho de suas moléculas. Como em condições normais de diluição toda a matéria orgânica biodegradável deve estar estabilizada após cerca de 30 dias de atividade biológica aeróbia. mas as macromoléculas do material coloidal como as proteínas. ou seja. os carboidratos e os lipídios.68 x 0. Da mesma maneira o material dito particulado somente poderá ser metabolizado após ser "dissolvido" para compostos moleculares. 2. 3.DBOu = 0. restando praticamente consumos residuais de oxigênio em processos de nitrificação.5 É lógico que a presença de material não biodegradável elevará a razão DQO/DBO 520 para um valor maior que 1. Determinada a DBO520 pode-se empregar a relação empírica de Phelps (1944) .68. esta parcela corresponde a cerca de 13% da carga orgânica inicial de modo que a DBO infinita equivale a 87% da DQO biodegradável.70. Segundo McCarthy e Brodersen (1962). . Como em laboratório torna-se impraticável esperar tanto tempo pelo resultado do teste. Esta massa orgânica resultante é denominada de resíduo endógeno. Pequenas moléculas podem ser consumidas de imediato pelas bactérias.e.87. que se conheça o valor médio destes dois parâmetros. visto que na degradação biológica a oxidação não é completa.5. Como a taxa de oxidação seria influenciada pela temperatura e pela atividade fotossintética.

através do azedamento do meio. 2. Nitrogênio Nitrogênio merece especial atenção nas análises químicas das amostras dos esgotos porque sendo um nutriente indispensável para o crescimento dos microrganismos responsáveis pela depuração biológica. implica no consumo de oxigênio dissolvido.O teste da DBO é realizado com menor freqüência. mesmo em pequenas concentrações. A redução do nitrato para nitrogênio gasoso é denominado de desnitrificação. Por exemplo. porém certos despejos industriais tratáveis . portanto. nitratos como mostram as equações seguintes: Este processo é chamado de nitrificação e sua ocorrência nas estações de tratamento. O teste da DQO tem outra vantagem muito significativa que é a possibilidade de se fazer o balanço de massa. o que se não for controlado pode trazer sérios problemas de eficiência. Nos cursos de água a presença de compostos de nitrogênio pode ser um indicador de despejos de esgotos a montante e da ”idade” destas ocorrências. de um modo geral. além de alcalinidade com a redução do pH. como foi dito. é prejudicial aos peixes. Normalmente sua presença em despejos domésticos é suficiente para promover a crescimento natural dos microrganismos. Pelo balanço de massa pode-se verificar se os procedimentos experimentais usados nos testes foram adequados e se os testes foram realizados corretamente. a concentração do material orgânico biodegradável presente no efluente do sistema. a presença excessiva de nitrogênio amoniacal indicará poluição recente e a predominância de nitratos a possibilidade de uma descarga mais antiga ou mais distante. clorofila e muitos outros compostos biológicos é. posteriormente. 2. lógico que sua presença seja comum nos esgotos sanitários e sua determinação seja um parâmetro fundamental para caracterização de águas residuárias brutas e tratadas. Uma das limitações do teste da DBO é que. inclusive na sedimentabilidade do lodo.5. orgânica (dissolvida ou em suspensão). porém em um número razoável para os objetivos do estudo e procurando-se estabelecer uma relação empírica entre as concentrações da DBO e da DQO. sendo que essa amônia (NH3) pode ser oxidada pela ação de bactérias e o excesso oxidado para nitritos e. No meio aquático o nitrogênio pode estar presente nas formas molecular (gasosa). estimar o valor da DBO a partir do da DQO. de nitritos (NO2. caso sua presença seja excessiva.5. amoniacal como amônia livre (NH3) ou ionizada (NH4+). Sendo um constituinte natural de proteínas. como mostram as equações. o que pode favorecer o aparecimento da eutrofização nos receptores. Quanto a esta última forma. No caso de um sistema anaeróbio de tratamento torna-se necessário que se determine a concentração do material orgânico no afluente que pode ser removido através da digestão anaeróbia e. favorecendo o aparecimento da eutrofização nos corpos receptores. então. Definida esta relação pode-se. Fósforo O fósforo assim como o nitrogênio. Em esgotos domésticos brutos as formas predominantes são o orgânico e o amoniacal (cerca de 99% do nitrogênio total). é um nutriente essencial para o crescimento dos microrganismos responsáveis pela biodegradabilidade da matéria orgânica e também para o crescimento de algas. seus compostos favorecem o desenvolvimento de algas e plantas aquáticas que podem comprometer a qualidade dos efluentes.7. para pH superiores a 11 praticamente só se encontra amônia na forma NH 3 e para pH inferiores a 8 a situação inverte- se. depois.) e de nitratos (NO3= ). Saliente-se que a presença de amônia livre. O nitrogênio aparece nos esgotos na forma orgânica (5 a 40mg/L) ou de amônia (10 a 50mg/L).8. a transformação do material orgânico ocorre em um ambiente aeróbio e os resultados não podem ser tomados como indicativos confiáveis para o caso de uma degradação anaeróbia.

e seu teor nos esgotos. poli ou pirofosfatos e fósforo orgânico.7 a 7. No tratamento de lodos de estações de tratamento de esgotos. Concentrações de 10 a 50ppm de H 2S na . em ortofosfato. principalmente no esgoto industrial. Devido a capacidade de atuar como tampão contra a queda do pH. No caso particular dos esgotos de Campina Grande. que é a medida da capacidade do líquido em neutralizar ácidos. pH e Alcalinidade O termo pH expressa a intensidade da condição ácida ou básica de um determinado meio. especificamente através da digestão anaeróbia. Concentrações de Gases nos Esgotos A presença de gases danosos a saúde do homem nas canalizações de esgoto. o pH se constitui num dos principais fatores de controle do processo. está ligado a qualidade da água de abastecimento. Cerca de 80% do total é de fósforo inorgânico. 2. Nestas circunstâncias o pH deve ser mantido em faixas adequadas ao desenvolvimento das reações químicas ou bioquímicas do processo. principalmente.5) devido ao consumo de sal como tempero nos alimentos pela população e da presença de cloretos (30 a 85mg/L) juntamente com compostos de cálcio (30 a 50mg/L) procedentes de infiltrações ocorridas ao longo dos condutos ou da própria água de origem (O padrão de potabilidade em vigor no Brasil. É definido como o cologarítmo decimal da concentração efetiva ou atividade dos íons hidrogênio (pH = . tendo em vista que o bom desempenho do tratamento biológico adotado depende muito da manutenção das condições de neutralidade do pH. A determinação do pH é uma das mais comuns e importantes no contexto do tratamento de água residuárias por processos químicos ou biológicos. 5 a 15mg/L (poli + orto). Este fósforo apresenta- se principalmente nas formas de ortofosfato.9. trata- mentos biológicos são altamente favorecidos.log aH+). Os esgotos sanitários apresentam-se de um modo geral neutros ou ligeiramente alcalinos (pH de 6. embora lentamente. Também é importante a determinação da quantidade de sulfatos (20 a 60mg/L) que têm sua origem na formação das águas residuárias. enquanto que o orgânico varia de 1 a 5mg/L. originada em sua maior parte da diluição de detergentes e favorecido pela condição de pH em torno da neutralidade. embora por si só sua presença não seja um problema sanitário muito importante no caso de águas de abastecimento. bases e seus sais derivados. Assim sendo. a alcalinidade é um importante parâmetro na caracterização do esgoto doméstico e.5 e 8. é resultante da presença de ácidos fracos.biologicamente podem requerer adição deste elemento como complemento para o desenvolvimento satisfatório da massa biodegradadora. a sua determinação é um parâmetro fundamental para caracterização de águas residuárias brutas e tratadas. 2. o que deve acontecer completamente até o final do tratamento dos esgotos. Alcalinidade.5.6. O fósforo presente nos esgotos domésticos (5 a 20mg/L) tem procedência. preconiza uma faixa de pH entre 6. torna-se um perigo potencial para os operários da manutenção. Nos esgotos domésticos de formação recente a forma predominante de ortofosfato é HPO 4= . Porém sua predominância tende a ser acentuada a medida que o esgoto vá envelhecendo. uma vez que os poli fosfatos (moléculas complexas com mais de um "P" e que precisam ser hidrolisadas biologicamente) e os fósforos orgânicos (pouco representativos) transformam-se.5). visto que é nesta forma que ele pode ser assimilado diretamente pelos microrganismos. aonde chega a mais de 300mg/L de CaCO3. da urina dos contribuintes e do emprego de detergentes usualmente utilizados nas tarefas de limpeza. especialmente o gás sulfídrico.

decomposição anaeróbia e aeróbia. bem como da reunião aos esgotos de despejos de fontes não domésticas e até de possíveis infiltrações ao longo da rede coletora.microrganismos patogênicos? . Pode-se afirmar que concentrações além de 100ppm seriam consideradas excessivas. Concentrações de cerca de 100ppm não são recomendáveis para permanência de mais de uma hora. Químicas e Bacteriológicas dos efluentes sanitários dependem da qualidade da água consumida pela população e dos costumes alimentares desta. Um projeto bem elaborado não deve apresentar concentrações de H2S superiores a 5. Não é possível estabelecer concentrações típicas de H2S no interior dos condutos de esgotos.0ppm nas atmosferas dos condutos. no entanto.matéria orgânica biodegradável.corrosão bacteriana.teor de sólidos.  Que se entende por razões estéticas? e higiênicas ?  Que significam: . Pesquisar as origens desses sólidos.carga orgânica dos esgotos. . sem a qual não adiantaria a “perfeição” do projeto executivo. . É fundamental. química e biológica de esgotos sanitários “in natura” é fundamental o estabelecimento de suas possíveis origens. Trabalhar sob taxas de 300ppm podem levar a morte e acima de 3000ppm esta deverá ocorrer de forma instantânea.doenças entéricas e enterobactérias?  Definir oxigênio dissolvido. esgoto velho e esgoto séptico. anaeróbias e facultativas?  Explicar o significado de: . É imprescindível também que essa operação seja eficiente. Exercícios  Definir despejos líquidos e águas residuárias. e da temperatura que quanto mais baixa dificulta as atividades dos microrganismos produtores de sulfetos. . para que se tenha menos problemas de operação e manutenção dos sistemas de esgotos sanitários.águas negras ou imundas? .  O que significa o termo “concentração” no estudo da microbiologia?  Que são bactérias aeróbias.seres unicelulares? . principalmente maiores extensões e menores concentrações de oxigênio livre. . e químicas.8.7. concentrações em torno de 50ppm podem provocar cegueira temporária. Em um estudo de caracterização física. a implantação de um projeto bem elaborado de modo a coletar eficientemente e transportar segura e rapidamente às unidades de tratamento. 2. 2. . pois.características físicas dos esgotos.sólidos em suspensão? . Em tarefas que exijam mais horas de exposição do trabalhos. que a quantidade do gás depende das características da rede coletora. dificultam a produção dos gases perigosos no meio da massa líquida dos esgotos.atmosfera do ambiente provocam irritações nos olhos e nariz e dores de cabeça para permanência de até duas horas de trabalho em contato com o esgoto.demanda bioquímica de oxigênio (DBO). Velocidades de autolimpeza e diâmetro adequados. pontos de aeração estratégicos e manutenção eficiente do sistema.  Que são proteínas? e carboidratos? e lipídios? . Sabe-se. . Conclusão Foi descrito que as características Físicas.  Classificar e definir os diversos tipos de sólidos presentes nos esgotos domésticos. e bacteriológicas.

bactérias. . .processos de oxidação e putrefação.nitrossomonas e nitrobacter.poluição e contaminação. nitritos e nitratos.nitrificação. vermes. rotavírus e enterovírus: .  Pesquisar o significado de: . germes e larvas. . . micróbios.nematódeos e nematóides.vírus. espiroquetas e salmonelas. . bacilos.epidemia e endemia.  Por que ocorre corrosão na parede superior interna de alguns coletores sanitários? e no fundo do coletor ?  Comparar: .protozoários. . leptospiras. .

75 a 0. Essas considerações implicam que. Esta fração é conhecida como relação esgoto/água ou coeficiente de retorno e é representada pela letra “c”.2. Esses volumes irão depender de uma série de fatores e circunstâncias tais como qualidade do sistema de abastecimento de água. entre outros. Um dos parâmetros mais importante nos projetos de abastecimento de água é a quantidade de água consumida diariamente por cada usuário do sistema.60 a 1. lavagens de pisos externos e de automóveis. proporcionalmente. serão dimensionados os órgãos constitutivos do sistema. segundo a literatura conhecida. sendo que a partir das suas definições. 3. 3. normalmente a maior e a mais importante do ponto de vista sanitário. Introdução O projeto de um sistema de esgotos sanitários depende fundamentalmente dos volumes de líquido a serem coletados ao longo da rede coletora. contribuições domésticas. em geral de origem industrial e a inconveniente. De um modo geral estima-se que 70 a 90% da água consumida nas edificações residenciais retorna a rede coletora pública na forma de despejos domésticos. produz águas residuárias ditas “servidas” quando oriundas de atividades de limpeza e as “negras” quando contém matéria fecal.85.2. denominado de consumo per capita médio e representado pela letra . De acordo com a freqüência e intensidade da ocorrência desses fatores de desequilíbrio.2. mas sempre presente. a água utilizada na rega de jardins.3. parcela de águas de infiltrações. população usuária e contribuições industriais. a relação entre o volume de esgotos recolhido e o de água consumido pode oscilar entre 0. Origem O consumo contínuo de água potável no desempenho diário das atividades domésticas. por exemplo. CAPÍTULO III VAZÕES DE CONTRIBUIÇÃO 3.1.30. na maior ou menor contribuição doméstica de vazões a esgotar.1. No Brasil é usual a adoção de valores na faixa de 0. Coeficiente de Retorno “c” É natural que parcela da água fornecida pelo sistema público de abastecimento de água não seja transformada em vazão de esgotos como.2. vazões concentradas. Contribuição Doméstica 3.2.q” Como conseqüência da correlação das contribuições de esgoto com o consumo de água. caso não haja informações claras que indiquem um outro valor para “c”. Como esses despejos têm normalmente origem na utilização da água dos sistema público de abastecimento. alguns fatores poderão tornar esta correlação maior ou menor conforme a circunstância. torna-se necessário o conhecimento prévio dos números desta demanda para que se possa calcular com coerência o volume de despejos produzidos. embora haja uma nítida correlação entre o consumo do sistema público de água e a contribuição de esgotos. etc. a saber. As vazões de esgotos sanitários formam-se de três parcelas bem distintas. Contribuição Per Capita Média “c. O estudo para determinação do valor de cada uma dessas parcelas será desenvolvido nos itens seguintes deste capítulo. Em compensação na rede coletora poderão chegar vazões procedentes de outras fontes de abastecimento como do consumo de água de chuva acumulada em cisternas e de poços particulares. 3. espera-se que a maior ou menor demanda de água implicará.

“q”. 3. M = mortes. pois. Em áreas onde a população tem renda média muito pequena e os recursos hídricos são limitados.M ) + ( I . no período “t”. este per capita pode atingir valores inferiores a 100 l/hab. Generalidades Denomina-se população de projeto a população total a que o sistema deverá atender e volume diário médio doméstico o produto entre o número de habitantes beneficiados pelo sistema e o per capita médio de contribuição produzido pela comunidade. pois. no Brasil adotam-se per capitas médios diários de consumo de água da ordem de 150 a 200 l/hab. por isto. População de Projeto 3. Esse procedimento. pois não se deve projetar um sistema de coleta de esgotos para beneficiar apenas a população atual de uma cidade com tendência de crescimento contínuo.2. muito provavelmente.4. inviabilizaria o sistema logo após sua implantação por problemas de subdimensionamento. Esse parâmetro. Com relação a determinação desta população. este coeficiente pode ultrapassar os 500 l/hab.dia para cidades de até 10000hab e per capitas maiores para cidades com populações superiores. As normas brasileiras permitem o dimensionamento com um mínimo de 100 l/hab.E ) . é necessário que o projetista seja bastante criterioso na previsão da população de projeto. Assim se torna prioritário que os sistemas de esgotamento devam ser projetados para funcionarem com eficiência ao longo de um predeterminado número de anos após sua implantação e. principalmente em cidades maiores.dia.q”. Eq. . Esse procedimento é freqüente em virtude do caráter eminentemente prioritário dos projetos de sistemas de abastecimento de água na infra-estrutura pública sanitária das comunidades. Em situações contrárias e onde o sistema de abastecimento de água garante quantidade e qualidade de água potável continuamente. como por exemplo em pequenas localidades do interior nordestino. Além do estudo para determinação do crescimento da população há a necessidade também de que sejam desenvolvidos estudos sobre a distribuição desta população sobre a área a sanear. Crescimento de população A expressão geral que define o crescimento de uma população ao longo dos anos é P = Po+ ( N .2.2.1. a ocupação das áreas centrais. é significativamente diferenciada da ocupação nas áreas periféricas. é um valor estimado pelos projetistas em função dos aspectos geo- econômicos regionais. por exemplo. desenvolvimento social e dos hábitos da população a ser beneficiada.2.1 onde: P = população após “t” anos. A determinação da população futura é essencial.4. De um modo geral.dia.4.dia. 3. devidamente justificado. da definição do per capita de consumo de água pode-se determinar o per capita médio de contribuição de esgotos que será igual ao produto “c. Po= população inicial. 3. N = nascimento no período “t”. na maioria das vezes. dois são os problemas que se apresentam como de maior importância: população futura e densidade populacional. e o mesmo valor para indicar o consumo médio para populações flutuantes. Partindo-se.

ou seja.4 onde P. . tendo em vista a redução dos recursos e da área de expansão. como longos períodos de estiagem.crescimento rápido quando a população é pequena em relação aos recursos regionais. acima de tudo. Eq. ou pelo contrário. .taxa de crescimento decrescente com o núcleo urbano aproximando-se do limite de saturação.  3ª fase . 3. “t” o intervalo de anos da previsão e “g” a taxa de crescimento geométrico (ou exponencial) que pode ser obtida através de pares conhecidos (ano Tii. Logicamente não havendo fatores notáveis de perturbações. guerras. “P o” a população inicial do projeto. Na primeira fase ocorre o crescimento geométrico que pode ser expresso da seguinte forma P = Po ( 1 + g )t .crescimento linear em virtude de uma relação menos favorável entre os recursos econômicos e a população. etc.  2ª fase . Eq. a instalação de um pólo industrial. em 1838. I = imigrantes no mesmo período.5 Na terceira fase os acréscimos de população tornam-se decrescentes ao longo do tempo e proporcionais a diferença entre população efetiva Pe e a população máxima de subsistência na região. embora seja uma função dos números intervenientes no crescimento da população. pode-se considerar que o crescimento populacional apresenta três fases distintas:  1ª fase . da seguinte forma .3. por exemplo. Eq. 3. o surgimento de um fator acelerador de crescimento como.1849). econômicos e sociais.6 que é conhecida como equação da curva logística e cuja representação gráfica encontra-se representada na Fig. Esta relação é expressa da seguinte maneira: . E = emigrantes no período. Para que estas dificuldades sejam contornadas. não tem aplicação prática para efeito de previsão devido a complexidade do fenômeno. Po e “t” tem o mesmo significado e “a” é a taxa de crescimento aritmético (ou linear) obtida pela razão entre o crescimento da população em um intervalo de tempo conhecido e este intervalo de tempo. P s (população de saturação).1. Eq. justificáveis. várias hipóteses simplificadoras têm sido expostas para obtenção de resultados confiáveis e. Eq. 3.3 Na segunda fase o acréscimo de população deverá ter características lineares ao longo do tempo e será expresso assim P = Po + at . Esta expressão. 3. 3.2 onde “P” é a população prevista.. população Pi). Esta expressão foi desenvolvida pelo matemático belga Pierre François Verhulst (1804 . o qual está na dependência de fatores políticos.

9 e e = 2. que o progresso técnico pode alterar a população máxima prevista para um determinado conglomerado urbano.3. 3. (T2. P1.7 Eq. se para uma cidade fictícia os resultados dos últimos três censos registrassem o seguinte quadro: Ano do censo População ( hab ) 1970 274 403 1980 375 766 1990 491 199 então. Feitas essas verificações calculam-se Eq.P3) de modo que (T3.P1). Por exemplo. 3.T1) = 2 (T2 . ou seja. . sendo um complicador a mais a ser avaliado em um estudo para determinação do crescimento da população. FIG. no entanto. três pares (T1.P2) e (T3. Para aplicação da equação Eq. base neperiana.T1) . 1 . 3.718281828.5 deve-se dispor de três dados de populações correspondentes a três censos anteriores recentes e eqüidistantes.8 Eq. P1 < P2 < P3 e P22 > P3 . 3.Curva logística de crescimento de população Deve-se observar.

a população para  t=0 o que equivale a P1 (mostrando que o estudo de projeção indica a população inicial).412.1970 ) e P22> P1.1970 = 2 ( 1980 .T1 ). Além desses três métodos de crescimento ditos matemáticos convencionais. Este método é denominado de prolongamento manual ou extrapolação gráfica. por exemplo. o projetista poderá criar outras expressões que o mesmo achar mais conveniente e justificável como. então. que a cidade em análise tenha um crescimento análogo às maiores em comparação.348. com o crescimento de empregos. Também poderá lançar mão de métodos gráficos como o simples traçado de uma curva arbitrária que se ajuste aos dados já observados sem a preocupação de estabelecimento de uma expressão matemática para a mesma. como era de se esperar nesta situação. 1011. isto é. T3 . 1990 . paralelas às curvas de crescimento das cidades em comparação. ou seja. Admite-se.  t = 20 anos equivalendo pois. por exemplo. relacionar o crescimento da cidade com o crescimento do estado. Colocando-se os dados de população em um sistema de eixos cartesianos tempo x população e transportando-se para o ponto referente a população atual da cidade em estudo. pode-se calcular De acordo com os parâmetros encontrados pode-se verificar. a partir do ponto onde tais . etc. encontrou-se um valor semelhante ao de saturação. Outro método freqüentemente mencionado na literatura sobre o assunto é o método gráfico denominado comparativo. o que permite a aplicação do método da curva logística. 375 7662 = 1.P3. O mesmo consiste na utilização de dados censitários de cidades nas mesmas condições geo- econômicas que a cidade em previsão e que já tenham população superior a esta.T1= 2 ( T2 . 1011 > 274 403 x 491 199 = 1. Sendo assim. a população P3.  t = 50 anos (30 anos após o último censo)  t = ilimitado ou infinito e.

2.cidades tinham a população atual da cidade em previsão. além da população residente. obtém-se um feixe de curvas cuja resultante média considera-se como a curva de previsão para a cidade menor ( Fig. População Flutuante Em certas cidades.3.áreas comerciais c/ edificações de escritórios 500 a 1000 . 3. 3.casas geminadas com predominância de um pavimento 75 a 100 .2 ). Densidade Demográfica Por definição a intensidade de ocupação de uma área urbana é a densidade demográfica e. em termos de saneamento.3. Da mesma maneira que é feito para a população fixa.casas isolados com lotes médios e pequenos(250 a 450m²) 60 a 75 .4. significativo e tem que ser considerado no cálculo para determinação das vazões. a NB-587/89-ABNT prevê para estimativa de população a aplicação de modelos matemáticos (mínimos quadrados) aos dados censitários do IBGE.4. 3.2. É o caso de cidades balneárias. é geralmente expressa em habitantes por hectare (hab/ha) com tendência a valores crescentes das áreas periféricas para as centrais nas cidades maiores.áreas periféricas c/casas isolados e grandes lotes (~800m²) 25 a 50 .Curvas comparativas OBS: Em termos de normalização. 2 . FIG. Esta população é denominada de população flutuante. o número de pessoas que a utilizam temporariamente é‚ também. . também estudos deverão ser desenvolvidos para que a população flutuante seja determinada.áreas industriais 25 a 50 É prioritário nas obras de saneamento analisar como as populações futuras serão distribuídas sobre a área.prédios pequenos de apartamentos (3 a 4 pavimentos) 150 a 300 .3. custo das áreas. estâncias minerais. diversos fatores devem ser considerados tais como condições topográficas. estâncias climáticas. etc. planos urbanísticos. Para que estes resultados sejam confiáveis e resultem em um bom desempenho do projeto.prédios altos de apartamentos (10 a 12 pavimentos) 400 a 600 .casas geminadas com predominância de dois pavimentos 100 a 150 . Como ilustração para essas afirmações é apresentado a seguir um quadro com valores médios freqüentemente encontrados no estudo de distribuição urbana das populações Área x Densidade: Densidade Tipo de Ocupação Urbana da Área (hab/ha) . expansão urbana.

relaciona-se diretamente com o consumo de água de abastecimento e quando se trata da carga orgânica toma-se como valor padrão 54g/hab. desde que não haja pesquisas locais que indiquem outro valor. De um modo geral pode-se afirmar que as formulações matemáticas do tipo aritméticas não são recomendáveis para previsões superiores a trinta (30) anos e as geométricas para períodos de projeto superiores a vinte (20) anos. religiosidades e preconceitos.5. quando se trata de determinação de dados hidráulicos.6.  a área habitável onde a população está instalada e seus limites de saturação.2. para fins de dimensionamento. Qualquer que seja o modelo de previsão utilizado deve ser verificado periodicamente e ajustado às informações mais recentes que fugiram a previsões iniciais. etc. de uma “previsão”. infra-estrutura sanitária. No quadro abaixo é mostrada uma série de contribuições tradicionalmente adotadas em diferentes países do nosso globo. . Paraíba.dia) Alemanha 54 E.4. visto que os resultados encontrados não passam. dos seus costumes. 3. hábitos e condições sócio-econômicas da população.U. foi obtido 39g/hab.  as disponibilidades econômicas e suas variações com o crescimento da população. os levantamentos cadastrais da cidade bem como a existência de um plano diretor associado a uma rígida obediência ao código municipal de obras. Contribuição orgânica média per capita País Carga Orgânica ( g / hab. ou seja.A 80 Holanda 54 Índia 45 Inglaterra 60 Quênia 23 Zâmbia 36 3. Comentários Com relação à previsões de desenvolvimento populacional de uma cidade deve-se observar que os fatores que comandam esse crescimento apresentam características de instabilidade que podem ser questionadas para previsões a longo prazo. No Brasil.dia. uma população que corresponderá a quantidade de contribuintes que produziriam o mesmo volume de esgotos gerados pela unidade fabril. em Campina Grande. Em pesquisas efetuadas na EXTRABES/UFPB. notadamente de unidades de tratamento. como o próprio termo indica. Para que a determinação do número equivalente de contribuintes seja confiável deve-se conhecer a fonte desta vazão bem como o seu nível de produção. por exemplo. Algumas informações de caráter geral são de suma importância em um estudo de evolução de população como. O equacionamento matemático representa apenas uma hipótese de cálculo com base em dados conhecidos mas sujeitos a novas situações imprevisíveis inicialmente.  a potência genética do grupo humano.dia. Equivalente Populacional Sabe-se até então que um projeto de um sistema de esgotos sanitários é definido a partir da determinação da população contribuinte. leis civis.4. No caso da reunião de uma vazão industrial à contribuição doméstica é costume. São importantes nestes estudos. Esse procedimento é muito importante para o dimensionamento. transformar a vazão exemplificada em uma contribuição resultante de uma população equivalente.2. Portanto.facilidades de transporte e comunicação. cabe ao projetista cercar-se de todas as informações necessárias que o permitam uma previsão no mínimo defensável em quaisquer circunstâncias.

deste modo. fissuras ou rupturas nas tubulações. podem assumir importância fundamental para a infiltração.dia. e publicado na Revista DAE n. Contribuição Média Doméstica . Esse fenômeno torna-se mais significativo quanto maior for a cidade e mais diversificada for sua estrutura econômico-social. assim.0 l/s.Qdom Definida a população de projeto “P” e o per capita médio diário de contribuição “c. sem previsão de modificações futuras significativas no citado complexo urbano. Também influi no volume infiltrado o tipo de terreno em que os condutos estão instalados e a pavimentação ou não dos arruamentos.2.º 133. Deve-se salientar que os valores das populações de projeto têm como objetivo inicial a determinação das etapas de construção de forma a proporcionar um cronograma de execuções técnica e financeiramente viável. 3. É possível também deparar-se com situações onde não haja necessidade de preocupações com variações de populações ao longo do tempo e do espaço. Este volume torna-se mais acentuado no período chuvoso.ABNT que recomenda a adoção de uma taxa de contribuição de infiltração . contribuir para o aumento da infiltração. de responsabilidade do proprietário do imóvel. Neste caso ter-se-ia. É lógico que. em terrenos arenosos há maior facilidade da água subterrânea atingir as canalizações que em terrenos argilosos. a ocupação imediata e. Por exemplo. culturais. além das contribuições originadas nas ligações clandestinas de águas pluviais. logicamente.QI A vazão que é transportada pelas canalizações de esgoto não têm sua origem somente nos pontos onde houver consumo de água. em um acréscimo no volume infiltrado. caso ocorra. sob justificativas. Águas de Infiltração .TI. citados no trabalho Infiltração de Água nos Coletores de Esgotos Sanitários apresentado pelos engenheiros D. através de juntas mal executadas. etc. . por exemplo. pois parte das estruturas poderá permanecer situada temporariamente submersa no lençol freático. então o volume médio diário de esgotos domésticos produzidos será. É importante. Quando da determinação da infiltração deve-se considerar também a confiabilidade das canalizações de água próximas às de esgotos. teoricamente. Qdom = c.5 a l. q.5. também. pois a freqüência de vazamentos naquelas implica na possibilidade de saturação no subsolo em volta podendo.10 3. o caso da elaboração de um projeto de um sistema de esgotamento sanitário para um conjunto habitacional com edificações padrão.  os ciclos de crescimento . P.km. Bruno e M. Parcela dessa vazão é resultante de infiltrações inevitáveis ao longo dos condutos. T. de 0. Tsutiya no 12º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. tecnológicas. Também é de esperar que em áreas periféricas o crescimento das cidades tende a ser horizontal enquanto nas áreas centrais este crescimento.q”. Na impossibilidade de dados ou argumentos mais precisos pode-se trabalhar com a sugestão da NBR 9649/86 . considerando-se que a extensão destes condutos é maior que o total da rede coletora e sua execução e manutenção geralmente não é tão cuidadosa como a da rede pública implicando. 3. etc. As canalizações internas aos lotes. citar que para uma mesma cidade pode-se ter contribuições diferentes em áreas de mesma dimensão. nas paredes das edificações acessórias. em litros/dia com “q” em l/hab. será na vertical.3. Pesquisas para determinação de coeficientes de infiltração são raras em nossa literatura e os resultados mais conhecidos estão mostrados no quadro a seguir. em 1983. P Eq.cada ciclo corresponde a um conjunto de condições originadas de acordo com razões econômicas.

567 Brasil 1967 1.20 a 0. determinadas edificações podem produzir contribuições de águas residuárias que não podem ser consideradas como ligações normais ao longo da rede. contribuição média per capita doméstica.QC Além das contribuições domésticas coletadas ao longo da rede e das vazões de infiltração. principalmente.W.30 a 1. centros comerciais. que é resultante do produto da taxa de infiltração “TI” com a extensão “L” das canalizações subterrâneas. e que a qualidade dos materiais empregados na confecção das tubulações. São as chamadas contribuições concentradas. Para o cálculo destas vazões são consideradas população de projeto. alteram sensivelmente as condições de escoamento para jusante. bem como o nível de estanqueidade com que as juntas são executadas. clubes com piscinas. Para as situações onde se fizerem necessárias determinações das vazões máxima e mínima de projeto o procedimento clássico é serem empregadas as mesmas variações definidas para o cálculo das variações de .40 I. 3.9649 Brasil 1986 0. Merriman USA 1941 0.11 onde: QT = vazão média total diária. que podem ter origem em estações rodoviárias. são fatores de redução deste tipo de vazão. grandes edificações residenciais e/ou comerciais.03 Azevedo Netto São Paulo 1943 0.40 Hazen & Sawyer São Paulo 1965 0. uma indústria de bebidas. infiltrações ao longo da rede e vazões concentradas. Eq. expressar a vazão média coletada na forma QT = Q D + Q C + Q I . de estabelecimentos industriais que usam água no processo de produção como. Exemplos de algumas contribuições de infiltrações estudas e publicadas AUTORIDADE LOCAL ANO TI . Recife 1911 0.30 SANESP São Paulo 1973 0. Contribuição Total . 3.l/s.00 NBR .50 Fair & Geyer USA 1954 0. Contribuições Concentradas . 134 .10 Jesus Netto São Paulo 1940 0. e.4. grandes hospitais. QD = contribuição média diária doméstica. a infiltração deve ser mínima ou mesmo nula.50 -Fonte: Revista DAE .QT Estudado cada uma das parcelas formadoras das vazões de esgotos sanitários pode-se.Santry lDallas 1964 0.30 a 0.5. entre outros. por exemplo.70 DES.30 PNB . 3. QC = contribuições concentradas. tendo em vista que.km Saturnino de Brito Santos. lavanderias públicas. QI = águas de infiltrações.10 a 2.70 T. devido ao seu volume. Sursan Rio de Janeiro 1959 0.1983 É fundamental considerar que para coletores novos situados acima do lençol freático. portanto.40 Greeley & Hansen São Paulo 1952 0.

K1 .600 hab.350 hab. .contribuição industrial futura: 350m³/dia. atuais e futuras.K2 = 2.50.consumo per capita: 200 l/hab. . Eq. 3.população futura: 22.K1.K2 / 86400 .dia.50. Eq. justificado em que as infiltrações dependem das condições dos condutos e que as vazões concentradas são função da estrutura interna do estabelecimento contribuinte. 3.80. e seus valores serão obtidos das formas descritas a seguir:  Contribuição doméstica máxima diária em l/dia QDmáx. Eq.14 onde K3 (coeficiente de contribuição mínima) é freqüentemente adotado como 0. .consumo doméstico de água.  Contribuição doméstica máxima horária em l/s QDmáx.d = c.P.13 onde K2 (coeficiente da hora de maior vazão do dia de maior contribuição) é arbitra do usualmente em 1. máxima e mínima.6. .K3 / 86400 . a partir das informações apresentadas a seguir: .taxa de infiltração: 0.população atual : 12. 3. Logo.q. .q. OBS: Descarga industrial regularizada ao longo do dia. de uma comunidade fictícia.Situação atual . Exemplo Calcular as contribuições média. apenas a parcela de origem doméstica sofrerá variações diárias e horárias na grande maioria das situações de projeto. Observe-se que estes valores indicados para os coeficientes são números usuais para situações onde os projetistas não dispõem de informações mais precisas que indiquem dados mais ajustados a realidade local.contribuição industrial atual: 260m³/dia e .0005 l/s.coeficiente de reforço: K1. . Solução: 1ª .extensão da rede (etapa única): 30.P.50.q.m.12 onde K1 (coeficiente do dia de maior contribuição) tem valores usuais no Brasil variando de 1.h = c. 3.  Contribuição mínima em l/s QDmín.relação esgoto/água: 0.20 a 1. .3 km.P.h = c.0.

b) de A.15 = 29.i = 22.05 l/s./86400) + TI. QTmáx. Verificar também para cada uma das cidades a admissibilidade da curva logística e. onde o coeficiente de retorno seria maior que 1. c) de C pelo método comparativo a partir de A e B.L].consumo per capita de água. . .i = (c. .87 x 2.crescimento de população.Situação futura QT.15 = 63. pede-se estimar a população futura. fazer uma previsão para o ano 2020 por esse método.P.f = 102. .  Citar situações práticas.  Como a eficiência do sistema de abastecimento de água afeta a contribuição de esgotos?  Como o nível de conservação da rede de distribuição de água pode afetar o volume de esgotos coletados? e da rede coletora? Justificar. justificando.60l/s. B e C pelo método geométrico. 3.103 = = (0.90l/s.87 + 3. B e C pelo método aritmético. tabulados a seguir. Exercícios  Quais as origens dos resíduos líquidos que formam as vazões da rede coletora de esgotos.contribuição per capita de esgotos.0 + 3.7. .14 l/s. B e C. QTmax. QTmin.densidade demográfica.f = 40.87 x 0.0.  Definir .f = 61.QT.90 l/s e QTmín.consumo per capita médio.01 + 15. E quando seria menor?  Explicar os termos “consumo de água” e “contribuição de esgotos” comparando-os.15 = 41.80 x 200 x 12.5 + 3.q.01 + 15.0005x30./86400) + [(QC.i = 22.01 + 15.350/86400) + [(260/86400) + 0. Comparar e comentar os resultados a partir do encontrado através do prolongamento manual dos dados de cada cidade. no ano 2010 a) de A. em caso afirmativo. .previsão de população  Conhecidos os dados censitários de três cidades A.03 l/s.3]x103 = 22. 2ª .

Admitir valores usuais no Brasil. CIDADE 1970 1980 1990 2000 A 65060 79600 94260 111560 B 61200 72200 84600 104400 C 39900 46230 53900 67200  Em uma cidade com população de projeto equivalente a 28600hab. Extensão total da rede coletora 42.9km.fatores que influem no consumo de água e na contribuição de esgotos. máxima e mínima dos esgotos sanitários coletados. .a relação entre o desenvolvimento das cidades e a contribuição de esgotos sanitários. calcular as vazões média. .  Comentar sobre .

 Coletor Principal: coletor de esgotos de maior extensão dentro de uma mesma bacia. suas unidades e seus elementos acessórios envolvem.  Coletor de Esgoto: tubulação subterrânea da rede coletora que recebe contribuição de esgotos em qualquer ponto ao longo de seu comprimento. . sem rebaixamento. as unidades de tratamento. uma praia.  Recobrimento do tubo coletor: diferença de nível entre a superfície do terreno e a geratriz superior externa do tubo coletor.  Sistema Coletor: Todo o conjunto sanitário. constituído pela rede coletora. os emissários. também chamado coletor público. O estudo dos sistemas de esgotamento.1.  Passagem Forçada: trecho com escoamento sob pressão.  Estação Elevatória de Esgotos (EEE): conjunto de equipamentos. um lago. A rede coletora. CAPÍTULO IV COMPONENTES DE SISTEMAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 4.  Diâmetro Nominal (DN): número que serve para indicar as dimensões da tubulação e acessórios.  Órgãos Acessórios: dispositivos fixos sem equipamentos mecânicos (definição da NBR 9649/86 - ABNT). localizada em pontos singulares por necessidade construtiva e econômica do projeto. Introdução A coleta e o transporte das águas residuárias desde a origem até o lançamento final constituem o fundamento básico do saneamento de uma população. com a finalidade de passar sob obstáculos que não podem ser transpassados em linha reta. para prevenção contra obstruções por sedimentação progressiva.  Poço de Visita (PV): câmara visitável destinada a permitir a inspeção e trabalhos de manutenção preventiva ou corretiva nas canalizações .. pois se destina apenas ao transporte das vazões reunidas.  Corpo Receptor: curso ou massa de água onde é lançado o efluente final do sistema de esgotos. etc.é um exemplo de órgão acessório. Terminologia Básica A seguir serão apresentados conceitos e definições de componentes e acessórios diversos dos sistemas de esgotos sanitários. Os condutos que recolhem e transportam essas vazões são denominados de coletores e o conjunto dos mesmos compõem a rede coletora.  Rede Coletora: conjunto de condutos e órgãos acessórios destinado a coleta e remoção dos despejos gerados nas edificações.  Interceptor: canalização que recolhe contribuições de uma série de coletores de modo a evitar que deságüem em uma área a proteger. através dos coletores ou ramais prediais. compõem o que é denominado de sistema de esgotos sanitários.1).  Bacia de Drenagem: área delimitada pelos coletores que contribuem para um determinado ponto de reunião das vazões finais coletadas nessa área. uma terminologia própria a qual será objeto de estudo neste capítulo.  Caixa de Passagem (CP): câmara subterrânea sem acesso. um rio. etc.2.  Coletor Tronco: tubulação do sistema coletor que recebe apenas as contribuições de outros coletores. estações elevatórias e órgãos complementares e acessórios.  Estação de Tratamento de Esgotos (ETE): unidade do sistema destinada a propiciar ao esgoto recolhido de ser devolvido a natureza sem prejuízo ao meio ambiente.  Emissário: canalização que deve receber esgoto exclusivamente em sua extremidade de montante.  Ligação Predial: trecho do coletor predial situado entre o limite do lote e o coletor público.  Sifão Invertido: trecho de conduto rebaixado e sob pressão. 4. interceptores. em geral dentro de uma edificação subterrânea. emissários.  Tanque Fluxível: reservatório subterrâneo de água destinados a fornecer descargas periódicas sob pressão dentro dos trechos de coletores sujeitos a sedimentação de material sólido.  Profundidade do Coletor: a diferença de nível entre a superfície do terreno e a geratriz inferior interna do coletor (Figura 4. naturalmente. destinado a promover o recalque das vazões dos esgotos coletados a montante. por exemplo.

interceptor ou emissário limitado por duas singularidades consecutivas. nos emissários e nas entradas das ETE. eventualmente. até terminar em outra unidade de recalque. dois poços de visita. sendo isto somente possível através de instalações de recalque de cujo efluente partirá um novo coletor que poderá. situadas em áreas planas ou mesmo com declividade superficiais inferiores as mínimas requeridas pelos coletores para seu funcionamento normal. que se elevem as cotas dos coletores a profundidades mínimas ou racionais. assim como a necessidade de transporte de vazões finais para pontos distantes da área de coleta forçará a construção de um emissário. estas vão continuamente afastando-se da superfície até atingirem profundidades inaceitáveis em termos práticos.  Trecho de coletor: segmento de coletor. deverão ser projetados interceptores. ou seja. O lançamento subaquático no mar ou sob rios caudalosos normalmente poderá ser realizado através de emissários com elevatória na extremidade de montante. que não lhe cause alterações danosas ao seu equilíbrio com o ambiente natural. requerendo assim. por exemplo.  Tubo de Queda (TQ): dispositivo instalado no PV de modo a permitir que o trecho de coletor a montante deságüe no fundo do poço.  Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL): dispositivo não visitável que permite a inspeção externa do trecho e a introdução de equipamentos de limpeza. Nestas ocorre que no desenvolvimento das tubulações coletoras.Terminologia da vala de assentamento de um coletor 4. visto serem . principalmente aqueles que protegem margens aquáticas.3. As estações de tratamento de esgotos (ETE) ocorrerão quando os corpos receptores das vazões esgotáveis não possuírem capacidade de absorção da carga orgânica total. Por uma situação similar a ocorrência de estações elevatórias é freqüente em interceptores extensos. localizado na extremidade de montante dos coletores.1 .  Terminal de Limpeza (TL): dispositivo que permite introdução de equipamentos de limpeza. Comentários Dependendo da ocorrência de áreas onde os coletores não possam continuar ou mesmo desaguar o esgoto bruto. A capacidade das ETE será dimensionada de modo que o efluente contenha em seu meio uma carga orgânica suportável pelo corpo receptor. A ocorrência de estações elevatórias é freqüente em cidades de grande porte. Figura 5.

e também os tanques fluxíveis por estes permitirem o funcionamento ininterrupto dos trechos a jusante. filtros biológicos e valos de oxidação) ou fechadas. Diversos autores classificam poços de visita e dispositivos substitutos destes. dar-se-á por gravidade. embora sob pressão. como órgãos acessórios obrigatórios das redes. evitando assim. o consumo contínuo de energia elétrica e equipamentos de recalque permanentes.estas normalmente estruturas a céu aberto (lagoas de estabilização. em termos de economia de operação. mas apoiadas na superfície (biodigestores). como nas estações elevatórias.  Diagnosticar e opinar sobre o que são órgãos acessórios obrigatórios e eventuais das redes coletoras?  Qual a finalidade das estações elevatórias e dos sifões invertidos? . Os sifões invertidos e as tubulações de recalque das elevatórias são as únicas unidades convencionais a funcionarem sob pressão nos sistemas de esgotos sanitários. enquanto que citam como acessórios eventuais sifões invertidos. das estações de tratamento. Na impossibilidade da transposição em linha reta. Exercícios  Quais as finalidades das redes coletoras de esgotos sanitários?  Por definição um coletor tronco é um coletor principal?  Todo sistema de esgotamento sanitário tem interceptores? E emissários? Justificar. ocupando como os poços de visita. nos SES. considerando que estes funcionam juntos aos coletores com vazões contínuas e por gravidade. é o sifão invertido. pela existência no local de obstáculos de qualquer natureza e que não possam ser removidos ou “atravessados”. 4.  Os sifões invertidos funcionam por gravidade? Hidraulicamente são condutos livres ou forçados?  Por que as estações elevatórias são ditas "instalações eletromecânicas"?  Qual a finalidade dos poços de visita? e dos tanques fluxíveis?  Descrever a ocorrência. considerando que o escoamento.4. a indicação mais viável. um espaço natural das tubulações transportadoras. inclinada corretamente.

o regime é denominado de permanente e uniforme.  densidade relativa (relação c/a densidade da água a 4oC) . 5. não resultará em erros significativos. a utilização das mesmas leis e princípios que regem o escoamento de água em condutos. serão mostrados a seguir as principais características da água a esta temperatura.massa por unidade de volume) . define-se um movimento laminar ou viscoso e quando não há definição das trajetórias das partículas.1% de sólidos em dissolução ou em suspensão.0074 Kgf/m (1 Kgf = 9. Classificação dos Movimentos A Hidráulica é o ramo das ciências físicas que tem por objetivo estudar os líquidos em repouso e em movimento. exceto nos escoamentos naturais subterrâneos em meios porosos.E = 2. s= 0. Esse pequeno teor relativo de sólidos torna o esgoto um líquido com características hidráulicas similares às da água.Pv = 0.18 x 108 Kgf/m² . No permanente as características do escoamento não variam ao longo do tempo. Se um líquido escoa em contato com a atmosfera diz-se que ele está em escoamento livre e quando escoa confinado em um conduto de seção fechada com pressão diferente da atmosférica tem-se um escoamento forçado ou sob pressão. o mais comum em dimensionamentos hidráulicos.s/m2 (1 Kgf. tem-se o movimento turbulento ou hidráulico.029 x 10-4 Kgf.  pressão de vapor (pressão exercida pelo vapor em determinado espaço) . Introdução O esgoto sanitário é um líquido com características essencialmente orgânicas com cerca de 99. Quando as características variarem ponto a ponto. CAPÍTULO V REVISÃO DE HIDRÁULICA / HIDRÁULICA DOS COLETORES 5.0239 Kgf/cm² .s/m2 = 98.2.= 1.= 998.= 998.23 Kgf/m3. sendo mais uma condição criada artificialmente em laboratórios para efeito de desenvolvimento de estudos. 5. para solução de cálculos hidráulicos quando o fluido for esgoto sanitário. s2 /m4. na seção em estudo.80665N).10-6 m2/s (1m²/s = 104 stokes (3). Quando o movimento desenvolve-se de tal maneira que as partículas traçam trajetórias bem definidas no sentido do escoamento.23.= 101.76 Kgf .  viscosidade dinâmica (ou somente viscosidade) . Diante desses argumentos este capítulo tratará de apresentar um resumo de hidráulica. Esta condição de escoamento será constantemente considerada no dimensionamento convencional de condutos de esgotamento pluvial como será visto nos próximos capítulos. Se além de não se modificar ao longo do tempo também permanecer inalterado ao longo da canalização.1. ainda pode ser uniforme e variado.1 poises (2). O escoamento permanente. embora com certeza haja escoamento.011.3. para que se tenha uma idéia do comportamento do líquido em estudo.9% de água e 0.  viscosidade cinemática (  ) .  tensão superficial (tensão por unidade de comprimento numa linha qualquer de separação) . É de fundamental importância teórica também a classificação dos regimes de escoamentos em regime permanente e não permanente ou variável. onde serão apresentados conceitos e formulários mais comumente empregados no dimensionamento de condutos de esgotos. nestas condições:  peso específico (peso por unidade de volume) . instante a . Sendo assim.  densidade absoluta ( /g .= 1.  módulo de elasticidade (relação entre aumento de pressão e o de massa específica) . A primeira condição é de difícil ocorrência. Propriedades Físicas Como muitos dos dados pesquisados sobre esgotos sanitários têm como padrão leituras a 20 oC (1).

1 onde. 5. energia de pressão (piezocarga).1). 5. 5. m.Vn = Q . Q = a vazão em estudo.. m/s. = An. atritos. a energia mecânica de um líquido sempre estará sob uma ou mais das três formas citadas.V será constante. Z = altura sobre o plano de referência. estas parcelas podem ser agrupadas da seguinte forma: Eq. quando a velocidade aumenta com o tempo.2 que é conhecida como teorema de Bernoulli ( 4 ) para fluidos reais. m/s². 1 e 2 do escoamento (Figura 5.  = peso específico.V1 = A2.instante.V2 = . sendo "" a densidade do líquido. Desprezando-se a compressibilidade da água temos para as n seções do escoamento A1. etc. Equação da Energia A energia presente em um fluido em escoamento pode ser separada em quatro parcelas.4.. Vi= a velocidade de escoamento pela mesma seção.  = fator de correção de energia cinética devido as variações a de velocidade na seção ou coeficiente de Coriolis (5) . para duas seções transversais em dois pontos distintos.. Portanto. g = aceleração da gravidade. a saber. v2/2g) é denominada de energia mecânica do líquido por unidade de peso. A soma das parcelas z + (p/ ) + (. Kgf/m³. devido a turbulência. Kgf/m². v = velocidade do escoamento.. denominada de perda de carga. m. ao longo de todo o escoamento. conforme a variação da velocidade de escoamento ao longo do conduto e com o tempo. Partindo do princípio da conservação de energia. energia cinética (taquicarga).A. Isto quer dizer que em qualquer seção transversal da canalização o produto . Ai= a área da seção molhada em "i". energia de posição (hipsocarga) e energia térmica. onde p = pressão. a vazão varia no tempo e no espaço e. 5.. .3. ou retardado. Eq. hf= perda de energia entre as seções em estudo. o escoamento é dito não permanente. quando em ritmo contrário. ou seja. pode ainda ser classificado como acelerado.. Equação da Continuidade É a equação que mostra a conservação da massa de líquido no conduto.

por sua vez.L. por unidade de peso será P. consequentemente. logo. FIG. Para a parcela p/ vejamos o seguinte raciocínio: o trabalho realizado por um líquido deslocado através de um cilindro de seção transversal A.Z e.1 . que é igual a Z. situado em uma determinada posição relativa de altura Z.Cilindro de área A e extensão L (ao lado) .Elementos componentes da Equação 5.Z /P. 5.. ao longo de sua extensão L.. Então a sua energia potencial será P.A.2). Seja P o peso de um determinado volume de líquido.L (Fig. impulsionado por uma pressão p.! Figura 5. sendo que.2. 5. A.2 . O mesmo raciocínio poderá ser aplicado para a parcela cinética. o peso desse líquido é .

Esta expressão. Eq. do grau de turbulência. D-4. etc. Para tubos rugosos funcionando na zona de completa turbulência ( 8). é equacionada da seguinte forma: J = 10. NR > 4000 (os coletores de esgotos. da rugosidade. sem dúvida. apresentação americana. Eq.4 onde f é um coeficiente que é função do diâmetro.Weisback (6) A expressão para cálculo da perda de carga de Darcy. Fórmula Darcy .6.5. a denominada expressão universal de perda de carga. Eq. Expressões mais Comuns na Literatura 5. Com resultados bastante razoáveis para diâmetros de 50 a 3500mm.2.2. . o valor de f pode ser determinado utilizando-se da expressão de Colebrook-White (10).85. embora comprovadamente apresente resultados mais confiáveis.87. .C-1. sua manipulação implica em certas dificuldades de ordem prática o que leva muitos projetistas a optarem por expressões empíricas alternativas de melhor trabalhabilidade.85. . em geral.5.6 onde K significa o tamanho das asperezas internas do conduto e K/D a rugosidade relativa. aproximadamente entre 2000 e 4000. Fórmula de Hazen-Williams (12) É. 5. e calculado pela expressão de Colebrook. onde NR é conhecido como Número de Reynolds (7). Eq.643. numa análise hidráulica. conforme exemplos no quadro abaixo. 5.2. principalmente em pré-dimensionamentos.1.2. Q1. Nos raros casos de tubos lisos com escoamento laminar.6. 5. grandeza esta de grande significado. NR < 2000 (normalmente só obtidos em laboratório) a rugosidade não interfere no valor de f que é calculado pela expressão f = 64/NR .7 onde C é o coeficiente de rugosidade que depende do material e da conservação deste.6.5 Para escoamentos não laminares situados na zona de transição de NR. que dá confiabilidade a uma expressão para cálculo das perdas ( 11) e que normalmente não é considerada nas expressões empíricas. a fórmula prática mais empregada pelos calculistas para condutos sob pressão desde 1920. é freqüentemente representada pela equação . trabalham com NR >10000) é comum ser utilizada a expressão de Kármán-Prandtl (9). 5.

100 .200 110 . é a mais famosa e tradicional expressão para cálculo hidráulico de condutos trabalhando em escoamento livre.200 93 usado 225 .600 115 < 100 89 100 .2.200 110 rebitado 225 .400 113 < 100 107 .4. Normalmente é apresentada da seguinte forma: .Concreto > 1000 140 Até 50 125 .600 100 < 100 65 100 . que depende do acabamento das paredes do conduto.400 113 Novo 450 . J a declividade da linha de energia (perda unitária) e C é o fator de resistência denominado de Coeficiente de Chézy.Manilha cerâmica ou 100 . 5.Plástico (PVC) usado 60 .350 140 Esta expressão tem como grande limitação teórica o fato de não considerar a influência da rugosidade relativa no escoamento.600 115 <100 89 . Fórmula de Bazin (14) .8 onde V é a velocidade média.6. podendo gerar resultados inferiores à realidade durante o funcionamento. 100 .200 120 Novo 225 .400 96 450 .400 80 450 .600 130 < 100 107 100 .Concreto 225 . R o raio hidráulico.600 140 .200 93 20 anos soldado 225 .400 96 450 .Aço revestido 500 . 5.Aço sem revestimento. 5.Cimento amianto .600 100 < 100 120 .6.400 113 450 .200 110 usada 225 .200 74 30 anos 225 . Tipo de tubo Idade Diâmetro (mm) C < 100 118 100 .400 136 450 .100 135 125 .600 85 Nova < 100 107 .Aço sem revestimento.200 130 Novo .Ferro fundido cimentado 100 .Ferro fundido pichado 10 anos 225 . Fórmula de Chézy (13) Originalmente definida em 1775. Eq. na perda calculada para pequenos diâmetros e valores muito altos para maiores. caso não haja uma correção no coeficiente C usualmente tabelado.1000 135 ou .400 125 450 .2.3.

16 para a maioria dos tipos de canalizações empregadas nos esgotamentos sanitários e R o raio hidráulico.11  concreto 0.70  terra limpa e estável 0. comumente denominado de coeficiente de rugosidade de Manning.22  concreto sem acabamento 0.Muito mencionada.28  alvenaria em tijolos aparentes 0. esta equação apresenta bons resultados para cálculos de condutos livres.11  concreto com revestimento “queimado” 0.16 5.TUBOS  aço soldado 0. Abaixo é apresentada uma listagem dos valores de m de Bazin para superfícies em bom estado de conservação. Eq. 5.CANAIS  alvenaria de pedras brutas 1. Em geral n = 0.33  alvenaria rebocada 0.70  terra coberta com grama 1.14  cerâmicos vitrificados 0. principalmente em publicações francesas e italianas.00  terra coberta com plantas aquáticas 1.10 onde n é um coeficiente que depende da rugosidade das paredes dos condutos. 5.14  madeira aparelhada 0.40 2 .22  ferro fundido 0. 5.14  em uso com esgotos sanitários 0.6.06  escavado em rocha 1.11 .5.013 para escoamentos de esgotos sanitários (Veja lista). Normalmente é apresentada como segue: . Fórmula de Manning (15) A equação de Manning tem a seguinte forma .40  alvenaria de pedras brutas cortadas 0.30  concreto com revestimento alisado 0. Eq. mais citados na literatura: 1 . Eq. Em um escoamento livre permanente e uniforme .70  alvenaria de pedras com faces retangulares 0.9 onde m = 0.2.16  cimento-amianto 0. Bazin criou uma expressão para o coeficiente C de Chézy sem considerar a influência da inclinação da linha de energia.

6.030  terra coberta com plantas aquáticas 0.CANAIS  alvenaria de pedras brutas argamassadas 0. Eq.025  terra coberta com grama 0. conforme o tipo de acidente.020  alvenaria de pedras com faces retangulares 0.013  em uso com esgotos sanitários 0. 5. . contrações de seção.011  PVC 0. como tentativa de justificar e prevenir contra distorções no funcionamento dos condutos.015  alvenaria rebocada 0. enquanto que outros simplificam mais ainda tomando quedas de carga de 3 a 10cm. sabe-se cientificamente que esta hipótese não é verdadeira.015  ferro fundido com revestimento 0. sendo o procedimento temerário para cálculos rigorosos.013 Embora na prática os valores de n sejam freqüentemente tomados como constantes para qualquer valor de lâmina líquida (altura de água no conduto).011  concreto com revestimento 0.010  terra limpa e estável 0.015  aço soldado 0. locais ou acidentais.TUBOS  aço rebitado 0.017  alvenaria em tijolos aparentes 0.013  cimento-amianto 0. na maioria das vezes.035 2 . no caso de condutos sob pressão.12 onde V a velocidade na menor seção da singularidade e K um coeficiente de perdas localizadas que varia de acordo com cada singularidade.013  ferro galvanizado 0. como mostram alguns exemplos listados em quaisquer livros de hidráulica ou de instalação predial.7.014  concreto com revestimento alisado 0. Abaixo uma seqüência de valores de n da Expressão de Manning comumente apresentados na literatura 1 .hf’ Também denominadas de perdas singulares. podem ser determinadas a partir da seguinte expressão geral . alargamentos. paralela ao fundo do canal (seria teoricamente a perda unitária média do escoamento no trecho em estudo).011  cerâmicos vitrificados 0.onde V é a velocidade e I a inclinação da superfície livre da água que.012  ferro fundido sem revestimento 0. estas perdas são desprezadas exceto em casos particulares de curvas.012  concreto sem revestimento 0.012  concreto sem acabamento 0. Alguns projetistas usam o expediente de acrescer ao valor de “n” tabelado 20% a 30%.014  madeira aparelhada 0.012  concreto com revestimento “queimado” 0. Perdas de Carga Localizadas . A variação de “n” com a lâmina está representada na Figura 5. encontros de canais e embocaduras. No caso de escoamento livre não existem fórmulas universalmente aceitas e. 5.

 =  . onde “ P’ ” é o peso do líquido. do peso específico e da declividade do conduto. L. por exemplo. pois.L ) = R. como tensão de arraste média.g . logo  = F / (P. 5. Como para ângulos de até 5o (a maioria dos condutos livres têm declividades inferiores a esta) sen @ tg e denominando-se de “I” a inclinação do fundo do conduto. com o tempo não ocorram reduções sucessivas da seção útil ou que se aglomerem em volumes sólidos maiores provocando abrasão nas paredes internas dos condutos quando arrastados pelo líquido.(ou tensão de arraste) definida como o esforço tangencial unitário transmitido às paredes do conduto pelo líquido em escoamento. sedimentáveis naturalmente. 2 . sen  Por definição tensão é força / área.50Pa para tubulações de concreto. que se possa admitir que a tensão de arraste em um escoamento de esgoto é função do raio hidráulico. Imagine-se um trecho de canalização funcionando em escoamento livre conforme esquematizada na Figura 5. Isto implica em dimensionamento das tubulações de esgotos em condições de escoamento tais que se garanta um esforço tangencial mínimo entre o líquido em escoamento e a superfície molhada do conduto. A. então  = R. onde “R” é o raio hidráulico. É.5.13 permitindo. 0. Como parâmetro para dimensionamento de coletores de esgoto há autores que recomendam. essencial que se evitem estes depósitos indesejáveis para que. I . A.g .sen ) / ( P. Tensão Trativa . Deste esforço tangencial origina-se o conceito de tensão trativa . Eq.8.2. pois.sen . L) . a seguir será apresentada a obtenção de uma expressão para o seu cálculo. g. FIG. Para melhor entendimento do conceito de tensão trativa. prejudicando o escoamento e danificando a canalização. Assim  = ( A. 5. Analisando a figura tem-se P’ =  .Forças de ação em um canal .L. onde P é o perímetro molhado. sen . Os líquidos esgotáveis possuem em seu meio materiais mais pesados que a água e.60Pa (16) para PVC e 1. conseqüentemente. L e F = P’.

onde para cada valor de E tem-se dois valores de y. é um conceito muito importante quando se estuda escoamento livre.). 5. Colocando-se os valores de E em função de y resulta um diagrama típico mostrado na Figura 5. a pequenas alterações na energia específica. É formulada pela equação: .9.Diagrama de energia específica É importante lembrar que no ponto crítico o escoamento é bastante instável podendo. fluvial. torrencial ou supercrítico quando a altura for inferior. exceto no mínimo da curva. rápido. por exemplo. etc. onde se tem o menor valor para “E” com que a vazão poderá escoar na seção em estudo. Conceitualmente é identificado como escoamento superior. também.3. velocidade crítica. . Geralmente canalizações com escoamento livre são projetadas para funcionarem no regime subcrítico. trazendo transtornos para o funcionamento da obra projetada. FIG. Eq. Representa a quantidade de energia por unidade de peso do líquido. O ressalto hidráulico é. medida a partir do fundo do canal. um exemplo de mudanças de regime. lento.14 onde y é a altura da água no canal. É neste ponto onde se lêem as denominadas condições críticas do fluxo (lâmina crítica. onde se desenvolve uma curva com duas assíntotas.5.E Também chamada de “carga específica”. uma ao eixo EE e outra a bissetriz dos EE e YY. propagação de ondas e áreas de subpressões são exemplos de ocorrências complicadoras que desaconselham o projetista trabalhar com escoamentos supercríticos a não ser em situações sem alternativas como. 5. provocar sensíveis alterações na lâmina líquida. no caso de vertedores livres. Energia Específica . sobre-elevações. tranqüilo ou subcrítico se o mesmo é desenvolvido com lâmina maior que a crítica e inferior. 3 . Velocidades elevadas.

do . tem-se .1. Io0. 5. Escoamento Livre em Seção Circulares . onde. do2/4. Seção Plena . Número de Froude . não é única.y / do = 1. por exemplo) escoando hidraulicamente em condições livres.Fr (17) Número de Froude é um valor que relaciona forças de inércia com as de gravidade no fluxo.0 Se um conduto de seção circular de diâmetro do está completamente cheio por um líquido (esgoto. diz- se que este conduto está funcionando a “seção plena”.11.5.15 Se Fr for menor que a unidade então o regime é subcrítico.5 Eqs.  raio hidráulico pleno: Ro = Ao/ Po = do/4 .17 OBS. Nesta situação suas expressões geométricas são:  área molhada plena: Ao = . Esta simbologia.: O índice oem do e Io lembra que a seção em estudo é circular e nas demais incógnitas que além de circular a seção está funcionando cheia. . 5. ocupando totalmente cada seção contínua e sucessivamente.11.16 onde g é a aceleração de gravidade.10. ficando a critério de cada autor. 5.  velocidade a seção plena: Vo = (1/n) . Eq.Elementos Geométricos/Trigonométricos 5. . Assim na condição crítica. Se igual a unidade tem-se a condição crítica e quando for maior o escoamento desenvolve-se em regime supercrítico. (do/4)2/3.  perímetro molhado pleno : Po = . no entanto. Eq. 5.

0 5.60 rad  â  4.  P (perímetro molhado) = â .sen â ) .(sen â / â ) ]  V/Vo =[ 1 .(2y / do) ] em radianos ou y/do = [ 1 . â0.5.(sen â / â ) ] 2/3. Relação Entre os Elementos  A/Ao = (1 / 2) (â .11.11. FIG.4 onde “b” é a corda.2. “y” a altura (lâmina líquida).  A (área molhada) = (do2/ 8 ) .5. para 1. empregando Manning. 5.  b (corda) = do .3. Fora deste intervalo o desenvolvimento do ângulo central torna-se incompatível com a evolução da curvatura interna da superfície.19 . para a expressão.y/do < 1. “d o” o diâmetro da seção e “â” o ângulo central molhado.  R (raio hidráulico) = (do / 4) [ 1 .063 . geometricamente. 4 .sen â)] .cos ( â/2 ) ] / 2 .5)0.18 e.(sen â / â ) ] . (n.5. [ 1 . sen (â/2) Eqs. do -1.(sen â / â ) ] 2/3  Q/Qo = [ (1 / 2) (â .  â = 2arccos[ 1 . Logo.5.Seções parcialmente cheias .4 + sen â .Q / Io0.40 rad (18).0 Esta situação encontra-se esquematizada na Figura 5. 5.sen â)  P/Po = â/2  R/Ro = [ 1 . Eqs. ( â .y / do  1. Seção Parcialmente Cheia . do / 2 .  â = 6.

n = 0. ( Io )1/2] com do = 0.5. Pede-se calcular a capacidade do trecho quando seu funcionamento for (a) à seção plena.12.(do /4)2/3 .5.013 e Io = 0.Vo = (. Um trecho tubulação de seção circular de 0.Estas relações estão mostradas na Figura.3%. b) y = 0. escoando livremente e (b) com lâmina líquida relativa de 75%.003m/m  Qo  0.75do 1. Figura. está assentado sob uma declividade de 0.1135m³/s = 113.do2/4).40m.[(1/n). Solução: (admitindo-se “n” constante = 0.013) a) Qo = Ao .5 l/s.5 . Exemplos  1. Solução analítica .5.Relações entre elementos das seções circulares 5.40m de diâmetro executado em concreto simples.

2.Pelas Eqs.  4. . Exercícios  1.913. Solução gráfica (utilizando a Fig. Estudar o significado de .5 104.  2.0. Definir desnível geométrico.19 rad.4 l/s.(sen â)/â ] = 0.: Caso se deseje encontrar a área. ao = â x 360o/ 2 ou â = ao] x 2/ 360o.V. 5.1 l/s . A (área molhada) = do2 x (â . Definir regime permanente e uniforme de escoamento. .013) x (0.sen â) / 8. .75 onde cos (â/2) = .5.pressão de vapor.do/2 = (2/ 360)ao. então Q = 0. Exemplo: A( = área molhada) = do2 (â .(sen ao)}/8.18 quando os ângulos forem medidos em graus e não em radianos.121 m.densidade absoluta e relativa.003)1/2  104. Encontrar as expressões equivalentes às Eqs.sen 4. então: A = do2{[(2/ 360)ao] .tensão superficial e módulo de elasticidade.5. .75 segue-se na horizontal até encontrar a curva de vazão de onde. logo como Q = A.viscosidades dinâmica e cinemática.(sen ao)/[(2/ 360)ao]} ou seja. Q = 0.92 x 113. n constante) Com y/do = 0.0. então.0944  4.02 x (4.5.cos (â/2) ] / 2 = 0.101m2 e R = (do/4) x [ 1 . OBS.13. o raio hidráulico e velocidade parciais o procedimento é análogo. Solução : Os valores de â serão apresentados em graus aoe multiplicados por 2/ 360 quando estiverem como parcela da correspondente expressão. 5.peso específico. linha piezométrica.sen â)/8 = 0.  3.  2. conduto livre e conduto forçado. perda de carga unitária. na vertical.121)2/3 x (0.19 .do/2 e R = (do/4){[ 1 . P = â.101 x (1 / 0.19)  0.5 ou â = 2 cos-¹ (.5) ou â = 2 x 2.18 tem-se y/do = [ 1 . lê-se Q / Qo= 0. Pesquisar o significado de .

16/3 l/s. Sugestão: calcular q (vazão unitária = 2. determinar os coeficientes correspondente de Manning e o da fórmula universal. na mesma galeria.  11.  12.  13. Qual seria a vazão. Sendo n = 0. encontrar o diâmetro comercial para a situação e verificar as condições de escoamento (V e y) para n = 0.005 m/m de declividade.coeficiente de Coriolis.conduto liso e conduto rugoso. Quantos trechos paralelos de coletores de esgoto de 200mm de diâmetro com lâmina máxima de 3/4 de seção.005 m/m.0 m de largura conduz cerca de 2600 l/s quando a profundidade molhada é de 1.70Qo. calcular a) Qo e Vo. R e Q para V = 1. as expressões sugeridas no exercício anterior. Vc=(g. Calcular a capacidade e a velocidade de escoamento quando a mesma trabalhar cheia escoando livremente.013 (constante).  9. Calcular a capacidade de uma galeria funcionando a seção plena.  10. Uma galeria circular de concreto revestida internamente com material betuminoso.  17. b) y = 3do / 4. descarrega uma vazão de 2. Para um coeficiente de Hazen-Williams de 130.85m/Km. revestido com cimento alisado a colher de pedreiro. b) Q e V para y = 0. Um canal triangular com paredes inclinadas de 45°.40m. perímetro molhado P e raio hidráulico R no caso de: a) y = do / 2. Um determinado trecho de galeria de 600mm de diâmetro está assentado sob uma declividade de 0. c) y e V para Q = 0. Deduzir a partir do conceito de energia específica e do número de Froude.20m. sem carga.pressão absoluta e pressão relativa.. a 0. Io = 0. Para condutos circulares encontrar em função de “d o” as expressões geométricas para cálculo da área molhada A. de diâmetro de 1500mm sob 0.5 m³/s.013. . O que significa tensão trativa ? e energia específica?  6. para n = 0. para uma lâmina máxima de 1/2 seção ? Admitir n = 0.  16. Para Q = 50 l/s.0m. . tem um caimento de 0.  14.50m³/s de vazão. Um canal retangular de 3. Que diâmetro dever-se-ia indicar para que um emissário de esgotos sanitários fosse capaz de transportar 282 l/s a 0. Pede-se calcular a energia específica da corrente líquida e a verificação do regime de escoamento.75d o. Que quer dizer “condições críticas de escoamento”?  7.  19. poderiam ser substituídos por um único de 700 mm nas mesmas condições de declividade.  18.20% calcular a altura da água nesse canal. d) y.  8.08% de declividade.  5.013 a seção plena. Resolver o exercício anterior empregando “n” variável. Se sua declividade longitudinal de 0. . No exercício anterior verificar as condições críticas de escoamento para n = 0. A.013 para qualquer lâmina.10 Vo.m) e empregar as expressões h c = (q2/g)1/3. Sabendo-se que um determinado trecho de canalização de 1000mm de diâmetro‚ é capaz de transportar teoricamente 1.013 a seção plena.hc )1/2 e Ic = (nVc / R2/3)2. nas seguintes hipóteses: (a) n constante e (b) n variável.002 m/m e uma altura molhada máxima de 0. trabalhando a 70% de seção.  15. com diâmetro de 1.003m/m. quando esta funcionasse a 2/3 de seção? Utilizar expressão de Bazin.

concluiu que não era uma constante. Wash.00. posteriormente. possamos trabalhar como igual a 1. Irlanda. segundo o mesmo Vautier. é. Stoke: unidade de medida de viscosidade cinemática. Também são comumente empregados os diagramas de Rouse (Hunter Rouse. secretário da Royal Society e. Desenvolveu pesquisas sobre mecânica. a equação de Colebrook-White. em 1829. igual à de um líquido cuja viscosidade é um poise e cuja massa volumétrica é um grama por centímetro cúbico (vale 104 unidades MKS de viscosidade cinemática). tornou-se a escala padrão da física. depois. publicado em 1939 (Lewis Ferry Moody. a partir do trabalho de Prandtl e seus estudantes. Especialista em pesquisas para a determinação de viscosidade de fluidos. nascido em Paris. P. em 1841. na prática. Irlanda e formado na Universidade de Cambridge. físico e matemático francês. ( 3 ) De George Gabriel Stokes (1819-1903). (14) Divulgada em 1897. que também foi diretor do Corps..10 a 1. Pierre Vautier (1784-1847). matemático e notável físico teórico britânico. a fórmula prática mais difundida na literatura técnica americana e a mais empregada pelos engenheiros deste lado do planeta para dimensionamento de condutos livres sendo. nascido em Nancy. por exemplo. Henri Emile Bazin (1829-1917). Usava o ponto de ebulição da água em uma extremidade (0 grau!) e o de congelamento na outra (100 graus). ( 9) Apresentada em 1935 pelos engenheiros Theodore von Kármán (1881-1963). ( 4 ) Daniel Bernoulli (1700-1782). particularmente usando em seus experimentos conjuntos de esferas. A inversão da escala tal como é usada hoje. ( 7) Definido em 1883 por Osborne Reynolds (1842-1912). relacionando equilíbrio de sólidos elásticos e correntes de fluidos compressíveis. (15) Apresentada nos E. ( 6 ) Hoje muito conhecida. Introduziu na hidráulica um fator de correção . de 1835. Conference. 1894-1979. publicou a versão definitiva da equação Navier-Stokes (Ver Louis Marie Henri Navier. ( 8) Historicamente o termo “turbulência” (do inglês turbulence) foi introduzido na Hidráulica pelo contemporâneo de Reynolds. sendo igual a 2. elasticidade. no c. pelo engenheiro irlandês nascido em Normandy. engenheiro-físico norteamericano) (12) Desenvolvida pelo Engenheiro Civil e Sanitarista Allen Hazen e pelo Professor de Hidráulica Garden Williams. (11) Divulgada em 1938.U. e na termodinâmica a Teoria matemática do calor.A. para designar o estado do escoamento dos fluidos além do número crítico de Reynolds. Robert Manning (1816-1897) e recomendada para uso internacional desde 1936 pelo Executive Committee do 3º W. engenheiro americano). publicada pela Real Sociedade Sueca em 1742. mesmo ano em que era inventado o aço fundido. engenheiro francês. and of the Equilibrium and Motion of Elastic Solid. conceituado professor da State Unisity of Iowa) e o de Stanton (Thomas Edward Stanton. professor da Politécnica de Paris e. (13) Sua criação é devida ao engenheiro francês natural de Châlons-sur-Marne.‚ é por sua simplicidade e resultados bastante satisfatórios. criador da escala termométrica centígrada. particularmente sobre hidrodinâmica. principalmente em pré-dimensionamentos.0 no fluxo laminar e 1. pelo professor de matemática saxônico Julius Weisback (1806-1871).D/n para seções circulares de diâmetro D. criador da Física Matemática juntamente com o alemão Leonard Euler (1707-1783). matemático e engenheiro irlandês de Belfast. notório pesquisador alemão no campo das resistências a escoamentos de fluidos em tubos). formado na Ecole des Ponts et Chaussées e. .01 no hidráulico ou turbulento. cientista suíço de Gröningen. um seu compatriota e contemporâneo. 1880-153. Antoine Chézy (1718-1798) e divulgação científica em 1876. foram dois pesquisadores em hidráulica do Imperial College de Londres. engenheiro. sem dúvida.C. som e estudos matemáticos com aplicação na medicina e produziu escritos sobre movimentos de ondas em geral e coeficientes de contração e a relação entre estes e a extensão. por exemplo. professor William Thomson. de Dijon) mas na verdade originalmente divulgada. seu presidente. s. recorrem-se a diagramas específicos como. deve-se a outro sueco. o Lorde Kelvin (1824-1907). a fórmula universal mostra que na situação de turbulência os valores de "f" tornam-se mais difíceis de ser determinados. nascido em Skreen. calor. Igual. o médico Carl von Linné (1707-1778) e. assim. Nascido em Belfast. Na hidrodinâmica seu mais notável trabalho foi Mémoire sur les équations générales de l'équilibre et du mouvement des corps solides élastiques et des fluides. dirimindo dúvidas do próprio Coriolis. utilizando o parâmetro (viscosidade dinâmica). amigo pessoal de Lagrange (1736-1813) e Laplace (1749-1827). Gotthilf Heinrich Ludwig Hagen (1797-1884). como a Fórmula Darcy-Weisback (Henry Philibert Gaspard Darcy (1803-1858). também. sendo que freqüentemente. inclusive. esta equação foi desenvolvida pelo engenheiro francês. e educado em Cambridge. foi professor da Universidade de Glasgow por 53 anos e o criador da escala absoluta para medição de temperaturas. baseado nos resultados experimentais de Nikuradse divulgadas em 1933. Com resultados bastante razoáveis para diâmetros de 50 a 3500mm. vivendo na Inglaterra por toda a vida.NOTAS* ( 1) De Andreas Celsius (1701-1744). (10) Cyril F Colebrook e Cedric White. professor e hidráulico francês. decrescendo com o crescimento da velocidade média. denominado de coeficiente de Coriolis. notadamente em tubulações industriais. diretor do Corps des Ponts et Chaussées. que construíram. na Alemanha (Johann Nikuradse. 1785-1836) . onde foi professor em Cambridge. Publicou mais de cem trabalhos científicos sobre variados assuntos. Em 1845 com o paper On the Theories of the Internal Friction of Fluids in Motion. g. na anáise matemática de Prandtl (1875-1953) e de Kárman (1881-1963) e nas próprias observações do autor. embora nesta situação. para cálculo da velocidade média em canais abertos. 1865-1931. o denominado Diagrama Universal de Moody. finalmente. creditada ao engenheiro alemão de Königsberg. um tanto erroneamente. entre 1902 e 1905. que. a V. a fórmula prática mais empregada pelos calculistas para condutos sob pressão desde 1920. e os franceses Alexis Claude Clairaut (1713-1765) e Jean le Rond d’Alembert (1717-1783) ( 5 ) Gaspard Gustave de Coriolis (1792-1843). ( 2) De Simeon Denis Poison (1781-1840). também conhecida como equação universal de perda de carga. 1906-1996. D. húngaro naturalizado americano e o alemão Ludwig Prandtl (1875- 1953). recomendada pelas normas da ABNT para escoamento livre ao lado da fórmula universal para cálculos de condutos sob pressão. em 1889.

filósofo e matemático francês. William Froude (1810-1879). Devonshire. (17) Associado ao nome do matemático e engenheiro civil inglês. Ferdnand Reech (1805-1880). nascido em Dartinghan. 105 N/m² = 1 bar. professor da Universidade Federal da Paraíba. Pascal: 1Pa = 1 N/m². (18) Conforme cita Sérgio Rolim Mendonça. alsaciano de nascimento.(16) Em homenagem a Blaise Pascal (1623-1662). natural de Clermont-Ferrand que estabeleceu o princípio de que diz: em um líquido em repouso ou equilíbrio as variações de pressão transmitem-se igualmente e sem perdas para todos os pontos da massa líquida. em Tabelas Adequadas para Aplicação de Métodos Iterativos nos Cálculos Analíticos de Condutos em Sistemas de Abastecimento de Água e Esgotos Sanitários * Fonte: Site Só Biografias . na realidade teve seus fundamentos teóricos originais nos estudos do professor de mecânica francês.

contudo. em geral construídos a partir de suposições teóricas carentes de confirmações reais. Para efeito de validade do conceito aplicado. Outros fatores poderiam também ser considerados como contrários a aplicação do conceito citado. etc. estar-se-á simplesmente dimensionando a favor da segurança quanto a sua capacidade. as vazões crescem para jusante em virtude dos acréscimos oriundos das ligações prediais. no máximo. associando-se a isto. o decorrer de tempo de escoamento do líquido no interior dos condutos. melhorando ainda mais no sentido de jusante das canalizações quanto as condições de escoamento. visto que se espera que para montante ocorra. porém pode implicar em obras superdimensionadas nos condutos principais.1. as mesmas leis que regem o escoamento de águas. CAPÍTULO VI CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO / CONDIÇÕES TÉCNICAS 6. 6. para efeito de cálculo. tendo em vista que dependem diretamente do número de descargas simultâneas.. mudanças de greide ou de cotas no poço de visita de jusante. conforme estudo desenvolvido no Capítulo 6. visto que não é permitido diâmetros diferentes em um mesmo trecho. funcionam como condutos livres e podem ser aplicados no seu dimensionamento. bem como desaparecendo os intervalos sem descargas nos coletores a montante e. fazendo com que o escoamento para jusante torne-se contínuo. notadamente nas áreas de contribuição iniciais de projeto. quando as cotas da calha do extremo jusante no trecho e do montante do seguinte forem diferentes. principalmente para pequenos projetos como conjuntos habitacionais. como o escoamento tem que se dar em condições de lâmina livre deve-se considerar.2. pois. no instante de maior vazão. a qual ocorrerá. de intensidade ao longo do dia. principalmente para bacias de drenagem superiores a cinco quilômetros quadrados . como ocorre com o consumo de água. caso não seja considerado o efeito do amortecimento. conectados às ligações prediais. não se considera o modo da distribuição das contribuições na rede. No método clássico de determinação das vazões de esgotos despreza-se esse conceito. presença variável de sólidos. sem dúvida.2. Introdução Os condutos sanitários. na seção do extremo jusante do trecho em estudo. A medida que o coletor estende-se para jusante o número de descargas simultâneas vai aumentando. em termos de lâmina livre. confinado em uma canalização capaz de comportar a vazão correspondente e nas condições adequadas. a situação mais desfavorável. Hipótese de Cálculo 6. implicando em que o escoamento dar-se-á em virtude do desnível geométrico (igual a perda da carga no trecho).2. embora se saiba que.2. desconsidera-se também o rebaixamento da lâmina a jusante. a vazão máxima de jusante como permanente e uniforme ao longo do trecho. originárias dos conjuntos ou aparelhos sanitários. Os trechos iniciais dos coletores têm regimes de escoamento extremamente variáveis. pequenas cidades. ou seja. principalmente nos coletores. tais como: variação de vazão ao longo do dia. No escoamento permanente e uniforme não há variação na velocidade com tempo e na velocidade com a extensão. No entanto.1. Hipótese Clássica No dimensionamento clássico utiliza-se a hipótese de que o escoamento dar-se-á em regime permanente e uniforme em cada trecho. visto a complexidade do estudo de hidrogramas de escoamento. variando. que é uma conseqüência do tipo e distribuição do consumo de água e que depende da simultaneidade da utilização dos aparelhos. exceção os de recalques e sifões invertidos. uma situação semelhante a da seção final. Admitindo-se. 6. etc. É importante lembrar que o método citado fornece bons resultados de funcionamento. Justificativa É fácil entender que a vazão de contribuição a cada instante é uma conseqüência da utilização simultânea dos aparelhos ou conjuntos sanitários.

sendo que a vazão a considerar para determinação das dimensões de qualquer trecho não será inferior a 1. enquanto que o segundo depende. considerando-se que essa é a que apresenta maior rendimento se comparada às demais seções em condições equivalentes. Esse consumo pode ser proveniente de dois tipos: a) consumo relativo a trabalhos domésticos. é calculada a partir do consumo máximo de água.  Tensão Trativa  .Para todos os trechos da rede serão sempre estimadas as vazões de início Q i e final de plano Qf . menores possibilidades de vazamentos (ocorrências mais freqüentes em condutos sob pressão) e condições mais desfavoráveis ao surgimento de anaerobiose.ABNT relaciona uma série de condições específicas para dimensionamento hidráulico dos coletores de esgoto as quais serão apresentadas a seguir:  Seção A. a descarga de uma bacia sanitária. Além disso a turbulência acentuada contribuiria para a entrada de ar no meio líquido aumentando. resultante de tarefas coletivas em cada residência. Grandes vazões.Nos sistemas de esgotamento. além de menor consumo de matéria-prima para moldagem dos seguimentos (tubos). ao longo do tempo.0 Pa ( = 1N/m² para a vazão inicial Q i. durante a madrugada.50 l/s o que equivale. descargas sanitárias. A NBR 9649 indica como limite máximo a velocidade de 5.5mm de diâmetro ou menores e outros materiais sedimentáveis. a NBR 9649/86 recomenda que para cada trecho seja verificado um valor mínimo de tensão trativa média igual a 1. pois o primeiro é constante.3. conforme será mostrado no Capítulo 15. mas por outro lado velocidades excessivas colocariam em risco a estrutura das tubulações. um diâmetro mínimo de do= 100mm.O dimensionamento clássico é feito a partir da determinação da vazão máxima de contribuição que. As normas e especificações brasileiras indicam. ou seja. dos hábitos individuais. assim. limpeza geral e vazamentos e b) consumo de uso pessoal como banhos. no entanto. para os diversos tipos de materiais.0m/s. cozinha. principalmente. ablusões e lavagens de roupa. 6. que logicamente. Condições Específicas Para dimensionamento de coletores de esgotos uma série de limitações técnicas deve ser observada para que o processo de coleta e o rápido e seguro afastamento das águas residuárias seja garantido de forma contínua e adequada durante toda a vida útil do sistema.  Velocidade V .  Vazão Q . para verificação do funcionamento do trecho nas situações extremas de vida do projeto. Para que não haja preocupações do ponto de vista da engenharia é recomendável não se trabalhar em trechos consecutivos.ferro fundido V até 6.013.0 m/s . quando ocorrem as vazões mínimas o líquido escoado tem muito menos material em suspensão. consegue-se maior vida útil para as tubulações. além de danificarem as próprias paredes internas pelo efeito da abrasão. notadamente os higiênicos. Segundo a mencionada norma este valor de tensão é suficiente para arrastar grãos de areia de 1. Para amortizar os possíveis problemas de funcionamento por causa das variações de vazão ao longo do dia. principalmente nas juntas.É lógico que quanto maior a velocidade melhores serão as condições de arraste. só ocorreria em condições finais de projeto. maiores vazões implicam em maiores velocidades que ajudam a “limpar” o coletor e. a lâmina líquida no interior do trecho. em geral a seção circular é a mais empregada. É importante que se verifique a tensão trativa para as condições iniciais de projeto e as velocidades máxima e crítica esperadas para o fim do plano.0m/s. aproximadamente. Tradicionalmente são recomendados os seguintes limites de velocidades V: . evitando que os sólidos pesados sedimentem-se ao longo dos condutos e possam obstruí-los com o tempo. se n = 0.A tensão trativa tem sido reconhecida como um bom critério de projeto e tem substituído o critério anterior (até os anos 70) que era o da velocidade mínima para dimensionamento de coletores. e limitar a espessura da camada de limo interna nas paredes. condição danosa para alguns materiais utilizados na confecção dos tubos A garantia de funcionamento contínuo obtém-se desde que não haja obstruções ou rupturas nos condutos por causa de sedimentação de sólidos ou recalques negativos nas fundações de apoio às tubulações. visto ser a que apresenta maior raio hidráulico. A NBR 9649/86 . com velocidades superiores a 3. poucos sólidos a serem transportados. Para assegurar a autolimpeza. Com estes objetivos alcançados. implicam em grandes diâmetros o que pode inviabilizar sua especificação diante de várias circunstâncias. abrangendo gastos na lavagem de utensílios. por sua vez. A separação dos consumos conceitualmente é válida. reduzindo a produção de sulfetos.

67 para Vfinal = 4.1) .0005 m/m. .mín = 0. A declividade máxima será aquela para qual se tenha a velocidade máxima.0 m/s . pois velocidades .PVC. 6.concreto V até 4.1 . bem como a formação logo após a entrada em uso. RJ. não sendo recomendável declividades inferiores a 0.013 para esgotos sanitários tendo em consideração que o número de singularidades (PV. Para tubulação funcionando a 3/4 de seção e do até 300mm (segundo o Professor MENDONÇA.  Lâmina d'água y (Figura 6.0 N/m².Desenhos esquemáticos de lâminas molhadas OBS: A relação lâmina d’água/diâmetro ( y/do ) é denominada de lâmina relativa.0055 Qi-0.1 OBS: Io. 6.) independe do material da tubulação. Por exemplo. Quando a velocidade final Vf for superior a velocidade crítica Vc . da camada de limo junto as paredes.53 Qf-0. 1986. São determinadas admitindo-se o escoamento em regime permanente e uniforme e para a vazão final Qf(situação de lâmina máxima de projeto)..3).  Declividade Io. Io.47 Eq. será de 50% do diâmetro. segundo a NBR 9649/86. principalmente na parte inferior da seção molhada. R. sendo n = 0. para cálculo de tubulações de esgotamento sanitário.013 então. no máximo alcançar 75% do diâmetro do coletor para garantia de condições de escoamento livre e de ventilação. segundo MENDONÇA.fibrocimento V até 3.As lâminas d’água devem.2) e Io.0 m/s (Eq. É importante verificar o valor da velocidade resultante de modo a verificar se esta é ou não superior a velocidade crítica. Em climas mais quentes e declividades acentuadas esta camada de limo pode se tornar menos significativa em relação ao material das paredes. da forma e do material da tubulação. 6.4 Figura 6.Definidas as vazões de projeto (inicial e final) em cada trecho segue-se a determinação do diâmetro e da declividade. 1991. 6.013. TIL etc. deverá ser aquela que implique em menor escavação possível.0 m/s  Rugosidade n . a NBR 9649 recomenda que essa velocidade crítica pode ser calculada pela seguinte expressão V = 6.mín = 2. associada a um diâmetro escolhido de tal maneira que transporte a vazão final de projeto em condições normalizadas. R)1/2 .67 para Vfinal = 5. (onde “g” é a aceleração de gravidade local) Eq. (g .0 m/s (Eq. S. uniformiza a resistência ao escoamento.O coeficiente de rugosidade de Manning depende do diâmetro. Esta declividade deverá ser de tal modo que além de garantir as mínimas condições de arraste. em Projeto e Construção de Redes de Esgotos. Independente desta gama de influências.mín em m/m e Qi em l/s. Hidráulica dos Coletores de Esgotos.26 Qf- 0. pode ser determinada pela equação Io.0 m/s . é usual empregar-se n = 0. a maior lâmina admissível. da relação y/do e das características do esgoto. =10 KN/m³ e n = 0.mín = 4. na publicação já citada). ABES. A declividade mínima que satisfaz a condição de tensão trativa  =1. manilhas cerâmicas V até 5. 2a Edição.

2 .013). Esta figura. 6. 6. apresenta uma faixa de utilização para esgotos. em função da vazão em l/s e declividade em m/m. Por exemplo: para I o = 0.75).reduzida e scaneada) . G. não é recomendável projetar-se encanamentos com lâminas iniciais inferiores a 20% do diâmetro da canalização.1. (Fonte:Revista DAE . Embora pelo critério de tensão trativa média tenham-se teoricamente condições de autolimpeza. sendo esta a razão básica para a limitação da lâmina relativa máxima em 50%.0 l/s (y/do = 0. Tsutíya e publicada como anexo a Revista DAE Nº.2 ). elaborada pelos Engenheiros J. Machado Neto e M.005m/m e do = 200mm a vazão variará de 2. Ábaco para o Dimensionamento e Verificação da Tubulação de Esgotos pela Tensão Trativa . Soluções Gráficas 6.superiores implicam em arraste e mistura de ar com as águas em escoamento.4. para lâminas relativas de 0.013 ( Fig. T. 6. Fig. O.Ábaco para o Dimensionamento e Verificação da Tubulação de Esgotos pela Tensão Trativa (n = 0. aumento da lâmina líquida.20) até 21. Evidente que havendo a introdução de ar na mistura ocorrerá aumento do volume do líquido e.0 l/s (y/do = 0. 45. Vol.4.140/85. quando em funcionamento supercrítico.75.20 a 0. conseqüentemente.n = 0.

20 a 0.3 ). para um do= 450mm tem-se: y/do = 0. Por exemplo. Publicado originalmente como Anexo à P-NB-567/75 da ABNT.6698. A Tabela 6. 6.55 tem-se K=1.1 substitui.n = 0.2. este ábaco (aqui ampliado em sua abrangência) simplifica bastante o cálculo de condutos circulares em escoamento livre e apresenta os diâmetros dos condutos em função da lâmina relativa e do fator de condução K que é determinado através da expressão K = Q / Io1/2com Q em m3/s e Io em m/m. a utilização deste ábaco. . Eq.013 ( Fig. Exemplo: para K = 1.4 devendo-se trabalhar na faixa de utilização recomendada para esgotos sanitários.4. de 0.61.5998 e y/do = 0.6. correspondendo a um y/do = 0.75% de lâmina.0 então o diâmetro do indicado será de 350mm (menor diâmetro).75 tem-se K= 2. Ábaco para Cálculo de Tubulação pela Fórmula de Manning . 6. com vantagens na precisão dos resultados em algumas situações.

013) (Fonte: Livro Esgotos Sanitárisos do Prof Carlos FErnandes) .Fig. 6.Ábaco para Cálculo de Tubulação pela Fórmula de Manning (n = 0.3 .

007m/m (n = 0.0347 0.4978 0.0400 0.5172 0.4562 8.0521 0. Sendo Qf / Io1/2 = 0.4432 4. Encontrar um diâmetro capaz de transportar uma vazão de esgotos de 60.1580 2.1152 0.4028 0.9879 35.7496 0.5079 9.8212 0.8543 1.0701 6.4498 0.do2 e R = 0.0761 0.1563 0.5895 4.1366 0.9799 1.6698 2.2973 0.Valores do fator de condução K = Q / Io1/2 em função de y/do e do (Fonte: Livro Esgotos Sanitárisos do Prof Carlos FErnandes) 6.1277 0.3301 1.3042 18.2203 0.7436 2.1325 0.1355 53.8841 16.8562 3.7293 1.0814 0.1875 1.70 0. sob uma declividade de 0.64.1998 0.2842 9.1834 0. neste caso Qf / Io1/2 = 0.0215 0.2198 1.0634 0.6319.5575 5.2856 0.8114 3.35 0.0432 0.6118 11.0735 59. Solucionar empregando as tabelas de Q / Io1/2: a) Com que lâmina relativa um trecho com diâmetro de 450mm transporta uma vazão de esgotos de 100.67.2032 2.5963 7.2212 1.1388 0. poder-se-ia determinar y/do  0.7018 0.5.6445 10.7314).0471 0.5990 12.0513 0.0846 0. entra-se na linha de y/do = 0. ou seja.65 0.0279 2.0302 0.3995 0.2496 0.7314 1. Diâmetros y/do 100mm 150mm 200mm 250mm 300mm 350mm 400mm 450mm 500mm 550mm 600mm 800mm 1000mm 1500mm Fator de condução K = Q / Io1/2 0.5377 1.2477 0.1.0101 0.0449 0.8411 1.2542 0.20 0.6406 2.5422 0. sob uma declividade de 0.4835 0.3905 0.1080 47. do = 300mm e y/do = 0.0712 20.3258 0.4697 0.8879 2.4078 0.5664 0.4596 Tabela 6 .1893 0.8818 1.9534 1.1921 0.75 0.8818 na coluna correspondente ao do = 0.300m (observa-se que subindo na mesma coluna. do = 300 mm.72.0298 0.3016.5998 3.60 0.3016.8096 1.45 0.6496 0.72.4341 3.1105 0.0135 0.5 / 0.0795 23.0892 0.0036m/m? .3870 3.0133 0.8990 2.0642 0.1565 2.30 0.2802 1.9608 1.1275 0.3992 1.do2 x (0.4917 0.0287 0.6668 0.40 0.4769 6. b) pela Fig VI.do)0.8516 3. Io = 0.55 0.5752 2. Q3/4 = 0.2481 0.1407 11. (0. Solução: P/ Qf = 60 l/s .8674 1.1.0208 0.72 e c/ y/do até 0. pois 278mm não é comercial. d) analítica Para y/do= 0.6831 0.0862 0.9155 2.6319.50 0.2116 2.007m/m e n = 0.6952 13.0174 0.8431 0.6145 3.0258 0.0582 21.5475 0.1614 4. c) pelas tabelas de Qf / Io1/2 Com Qf / Io1/2 = 0.3306 0.0045 0.0995 6.0024 18.0 l/s.5.6496 com 0.7394 0.4263 0. 6. Exemplos 6.8631 64.5868 0.75 (= 3/4) tem-se A = 0.1023 0.2.0762 5.013.06 = 0.5.5368 3.1903 0.2991 0.2724 1. através da interpolação visual dos valores 0.75 e procura-se um valor que iguale ou supere 0.013).1252 8.0429 41.0 l/s.4033 0.2709 4.0070 0.9866 29. do  0.4255 1.2852 0.25 0.1639 0.1033 1.2745 0.2004 0.64.do .4396 5.013 a) pela Fig VI. logo do = 300mm.007)0.6075 0.4915 0.4439 0.1823 0.3445 0.3483 0.0691 4.0390 0.2.1164 0. então.75 então.5583 0.6827 4.9928 1.0412 1.278m.3835 0.5728 2.7452 14.

sendo que inicialmente trabalha com apenas 43. constante. é de 387 mm para uma declividade de 0. Sabe-se que 12% da vazão recolhida deve-se a infiltrações ao longo da rede a montante.60m de diâmetro.10m de diâmetro. Qual será seu diâmetro e velocidade do escoamento. na situação de vazões máximas.35% de declividade.3 l/s. estimando-se para 1. Qual a vazão e a velocidade de projeto?  Qual a altura molhada em uma tubulação de esgotos de 500mm de diâmetro transportando 204. o um trecho de coletor deve escoar no final do plano uma vazão de 126. o calcular a lâmina líquida de um conduto circular com diâmetro de 600mm transportando 218 l/s (Io = 0.7436 com 0.  Calcular a capacidade máxima de um coletor de esgotos de 0.45do. com 1% de declividade. funcionando a 3/4 de seção? Quais seriam suas condições críticas de escoamento?  Foi proposto o seguinte problema: “Calcular um diâmetro comercial capaz de transportar 15 l/s de esgotos sanitários sob uma declividade de 0.400m.9 l/s com uma lâmina absoluta de 80mm.005m/m e deverá transportar 32 l/s no final do plano.006 m/m. no caso 1.6 l/s.b) Nas mesmas condições de vazão e declividade.0045m/m?  Um coletor de esgotos sanitários de 0. qual será a declividade e a velocidade de projeto?  A lâmina líquida em um coletor de esgotos em concreto armado. para Qf / Io1/2 =1.450m. o .diâmetro do trecho.  Explicar as razões normativas de limitações nos valores de velocidade. assentado sob 0. declividade de 0. 6. declividade de 0. respectivamente) um y/d o = 0.65% pede-se o .70.75 até que seja localizado o primeiro valor que iguale ou supere Qf / Io1/2 = 1.0004m/m e apresenta uma vazão máxima de 408. admitir demais parâmetros necessários ao cálculo. deverá transportar 36.2%). quando y/do for igual a 0. Exercícios  Por que os coletores de esgoto sanitários são dimensionados de modo a garantirem o escoamento livre?  Encontrar a expressão para cálculo de velocidade de Manning em função da tensão trativa. Sendo n = 0.013): a) Pelas tabelas de Q/ Io1/2. Uma tem 1. verificar também a velocidade de escoamento. E da tensão em função da velocidade. 600 mm.67 encontra-se que y/do = 0.013): o um coletor circular tem uma declividade de 0. qual o diâmetro recomendado? Qual a lâmina? Solução (n = 0.45%.  Duas galerias circulares encontram-se. Sabendo-se que a declividade do trecho é de 0.67. Determinar a descarga e a velocidade de escoamento quando esta lâmina for de apenas 0.8890.6.65 e 0. lâmina relativa. A segunda tem 0. que corresponde a coluna de d o = 0.60.  Determinar a área.condições de funcionamento (y e V) atuais e futuras.  Que população de projeto poderia ser beneficiada por um coletor de esgotos de 400mm de diâmetro.  Qual a máxima população de projeto contribuinte para um trecho de coletor de esgotos sanitários de 300mm de diâmetro. assentado com declividade tal que resulte em uma velocidade média de .  Resolver os seguintes problemas utilizando soluções gráficas e analíticas (n constante = 0. b) 200mm e c) 250mm. Qual a resposta correta e o porquê de cada uma das outras não serem adequadas?.5752 e 1. declividade.013.001m/m e uma vazão máxima de 122 l/s. tensão de arraste e diâmetros.52 l/s sob uma declividade de 0. o perímetro e o raio hidráulico molhados no coletor do exercício anterior.  Se em uma tubulação de 200mm de diâmetro em manilha cerâmica vitrificada internamente escoa uma vazão 12. o idem se Qf = 72 l/s e Io = 0.” Entre as respostas calculadas foi dito que o diâmetro seria a) 150mm.013. Pergunta-se a que altura da maior deverá entrar a menor para que. não apareçam condições de remanso ou de vertedouro livre? n = 0.55.20m de diâmetro. n = 0. b) Usando-se a condição de lâmina relativa máxima entra-se na linha de y/do = 0.68 (subindo na mesma coluna).67 (interpolando 1.6l/s de vazão média.3%. na coluna correspondente a 0. controle de sulfetos e aspectos construtivos. justificando-os.013. quanto a condições de autolimpeza.6 l/s quando funcionar a 3/4 de seção.25m de diâmetro.

50m/s? Considerar infiltração máxima da ordem de 15% da vazão recolhida. o A redução do limo nas paredes molhadas diminui a produção de sulfetos. justificando-os.subdimensionamento nos diâmetros maiores. da possibilidade produção de sulfetos e dos aspectos construtivos para grandes diâmetros. Qual seria a capacidade ociosa se o trecho tivesse sido construído em 350mm? Sendo n = 0.superdimensionamento para pequenos diâmetros e o . . a tensão trativa decresce com o diâmetro implicando em o . o quanto as condições de autolimpeza.  Pesquisar e comentar as afirmações o Io é função da autolimpeza.013. escoamento da ordem de 0. admitir demais parâmetros necessários ao cálculo. para uma mesma velocidade.

L) .q. e a segunda a contribuição originária das ligações domésticas ao longo dos condutos e dos possíveis pontos de infiltrações nos mesmos.K1. Para que isto aconteça é necessário muito critério quando do cálculo da posição e do assentamento das canalizações como medida de prevenção contra abatimentos nas fundações. Eq. para verificação dessa condição de autolimpeza.4 .A) Eq.P) / (86400. a utilização do conceito de tensão trativa. usualmente determinada relacionando-se com a unidade de comprimento dos condutos ou a unidade de área esgotada. bem como dotar os trechos de condições mínimas de autolimpeza. 7. CAPÍTULO VII DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO DOS COLETORES 7.ha) -  Td = (c.2.2 2) por unidade de área (taxa de contribuição superficial . Essas taxas traduzem o valor global das contribuições domésticas máximas horárias dividido pela extensão total da rede coletora da área em estudo e são calculadas pelas seguintes expressões: 1) por unidade de comprimento (taxa de contribuição linear doméstica .l/s. 7. 7. Coeficientes de Contribuição 7.d) / 86400 .K2. situação bastante perigosa para determinados tipos de materiais utilizados na confecção de tubos.1.q.K1.K2.1. garantias de escoamento livre e funcionamento contínuo e adequado.A) / (86400. Com estes objetivos consegue-se maior vida útil para as tubulações.P) / (86400. Essa identificação compreende duas parcelas distintas.2.q. de fácil identificação em planta. A garantia do funcionamento contínuo é obtida desde que se reduza ao menor número possível as ocorrências de rupturas ou obstruções dos condutos.m) -  Td = (c. sendo a primeira delas as vazões concentradas.K1.d.3 ou  Td = (c. menores possibilidades de vazamento (ocorrências freqüentes em condutos sob pressão) e condições desfavoráveis ao surgimento de anaerobiose nas vazões de esgoto. devendo possuir capacidade suficiente de transporte durante todo o projeto.l/s.1 ou  Td = (c.K2.L) Eq. O cálculo das contribuições domiciliares ao longo dos trechos é feito a partir da determinação dos coeficientes de contribuição ou taxa de contribuição doméstica “Td”. Taxa de Contribuição Domiciliar Homogênea As canalizações coletoras de esgotos funcionam por gravidade e a determinação de suas dimensões é feita a partir da identificação das vazões que por elas serão transportadas. Atualmente se encontra em evidência no estudo do problema. 7. para que não haja redução progressiva de seção de escoamento por sedimentação.K1.K2. 7. Eq.q. que é a força hidrodinâmica exercida sobre as paredes do conduto. Introdução Os condutos de esgotos sanitários têm como finalidade a coleta e o afastamento rápido e seguro dos resíduos líquidos ou liquefeitos das áreas habitadas.

Taxa de Cálculo Linear A taxa de contribuição linear .Hmín .1 a profundidade mínima .5 para o início de plano e  Txf = Tdf + TI Eq. é resultante da reunião da taxa de contribuição doméstica (Td) com a infiltração (TI).2. 7. 7.02 = declividade mínima para ramais prediais . Profundidade dos Coletores A profundidade mínima para os coletores está relacionada com as possibilidades de esgotamentos das edificações nos lotes. d a densidade populacional e L a extensão total da rede coletora. devendo.m/m. visto que as vazões dos esgotos sanitários são formadas a partir das contribuições domésticas reunidas às possíveis infiltrações que penetram nas canalizações coletoras. Como mostrado na Fig.30m = altura mínima para conexão entre os ramais prediais. ou seja :  Txi = Tdi + TI Eq. e (m) = espessura da parede do tubo.3. 7.50m = profundidade aproximada da caixa de inspeção mais próxima. no entanto. ser limitada pela concessionária de esgotos da cidade. pode ser equacionada da seguinte forma: Hmín = h + 0. 7.7 onde: h (m) = desnível do leito da rua com o piso do compartimento mais baixo. tendo em vista a responsabilidade do esgotamento de subsolos. 0.50m + 0. A determinação da vazão de dimensionamento de cada trecho.Nestas expressões A é a área de contribuição. D (m) = diâmetro externo do tubo coletor. . L (m) = distância da caixa de inspeção até o eixo do coletor.6 para o final de projeto. 0.2.02L + 0. 0. Eq. denominada de contribuição em marcha.Tx . 7. 7.30m + (D + e) . é feita multiplicando-se a extensão do trecho em estudo pela taxa de cálculo linear ou taxa de contribuição linear.

a . visto que o escoamento em coletores dar-se-á por gravidade.Posição do coletor em perfil De um modo geral. dispõe-se a esta altura do texto.5m de profundidade. bem como as recomendações técnicas que deverão ser obedecidas na elaboração de um projeto. do usuário e da manutenção do sistema. por isso. de modo que a apresentação de um traçado de uma rede terá obrigatoriamente uma forma similar ao das vias públicas. Na falta de informações mais precisas. de modo a reduzir as ligações apenas aos poços de visita e os custos das ligações prediais. do tráfego sobre a pista de rolamento e a garantia de esgotamento na ligação predial. ligações individuais poderão ser substituídas por uma ligação coletiva. 7. Feito esse estudo procura-se locar o ponto de lançamento final dos esgotos na planta (pelo menos a direção para esse ponto) para.20m de profundidade atende a maioria das situações para trechos de 100 ou 150mm de diâmetro. a seguir. grandes profundidades podem se tornar antieconômicas.65m sob passeios exclusivos de pedestres. para nela identificar os diversos divisores de água e talvegues. E desde que haja pontos de esgotamento. pela disposição dos arruamentos. visto que os condutos componentes crescem de montante para jusante em suas seções transversais. sempre acompanhando a queda da superfície dos terrenos e orientados. Por razões econômicas ruas com pequeno número de possíveis ligações (até três pontos de contribuições é um número razoável). devem ser projetados coletores auxiliares mais rasos.90m quando a canalização estiver sob leitos carroçáveis e 0. todas as ruas poderão possuir coletores de esgotos. elaborar o posicionamento dos condutos principais e possíveis canalizações interceptoras e emissários. FIG. Em geral um mínimo de 1. principalmente. com as canalizações transportadoras sob o leito das ruas. de conhecimentos suficientes para o desenvolvimento do cálculo de uma rede coletora de esgotos sanitários. 7. 1 . tipos de sobrecargas externas ou cotas de lançamento final. evitando-se. geologia e hidrologia da área. Usualmente o valor de 6. em todos os níveis. compatível com os primeiros ramais prediais e coma proteção contra cargas eventuais externas. em combinação com a topografia. partir para o projeto dos coletores secundários sem abuso de dimensões. nos seus diversos seguimentos. nas extremidades iniciais dos coletores estão as menores profundidades. de acordo com o crescimento das vazões de esgotamento. Por outro lado. dentro de uma concepção que reduza as dimensões às menores possíveis. Esse tipo assemelha-se a uma rede hidrográfica. a NBR 9649/86 aconselha um recobrimento mínimo de 0. Traçados de Rede Devidamente identificadas as finalidades de um sistema de esgotos sanitários. por razões essencialmente financeiras. por exemplo. nas laterais das ruas. deve-se limitar a profundidade máxima das valas. da posição do lançamento final e também do sistema adotado (separador ou combinado). Para a definição do traçado da rede coletora a primeira providência do projetista é o estudo da planta da cidade.0m é tido como limite máximo. Os coletores públicos não devem ser aprofundados para atender ao esgotamento de instalações particulares situadas abaixo do nível da via pública e sempre que a profundidade do coletor tornar-se excessiva deve-se examinar a possibilidade da recuperação deste para profundidades menores através de estações elevatórias (Capítulo X).4. assim. Definida uma concepção geral de projeto deve-se. Este valor decorre da tentativa de proteger a canalização contra esforços acidentais externos advindos. principalmente em termos de escavação e. sendo que para coletores situados a mais de 4. a esta altura.

FIG.).Traçados típicos de redes coletoras O traçado perpendicular é característico de cidades com desenvolvimento recente e com planos de expansão definidos.  radial. Diante dos vários aspectos que o traçado poderá resultar. a maioria dos autores costuma expor a seguinte classificação (Fig.  leque. 7.  zonal ou distrital.3. Localização dos Poços de Visita .5. 7. 2 . 7. O interceptor predomina em cidades costeiras e o zonal e o radial são característicos das grandes cidades.obrigatoriedade de construção de um trecho de coletor (Fig. O em leque é freqüente em cidades situadas em vales e de formação antiga.):  perpendicular. 3 .2.Exemplos de situações de redução de trechos na rede FIG.  interceptor. 7. 7.

aproximadamente. pode-se projetar coletores auxiliares instalados sob a calçada do lado mais distante da linha do coletor ou de ambos os lados sendo que a distância for excessiva para os dois lados da rua. pois podem se tornar um recurso muito vantajoso e economicamente mais viável. . . respeitando-se as distâncias máximas de a) 100m. onde se recomenda a construção de dois coletores paralelos. interceptores e emissários) serão compostos de trechos limitados por dispositivos de acesso externo. compatibilizar o afastamento preventivo das duas canalizações. bem como o não distanciamento demasiado das edificações da margem mais afastada (Fig.encontro de canalizações. Em vias públicas muito largas.6. Nas ruas com seção transversal inclinada os condutos de esgotamento tendem a ser instalados próximos a margem mais baixa. 7. Diante destes argumentos os coletores auxiliares pode ser um recurso a se dar muita atenção. VIII). 7. . declividade. mas da margem oposta visando. c) 150m. a profundidades adequadas ao esgotamento das edificações. Localização dos Coletores A recomendação clássica é que a canalização de água localize-se a um terço (1/3) da largura da rua a partir de uma margem. de modo a evitar ligações prediais muito longas. Cap.mudanças de direção. profundidade ou diâmetro. principalmente.nos trechos retos. estarão sobre cotas inferiores. para do de 200 a 600mm.extremidade inicial dos coletores. Esta recomendação também é válida para o caso de avenidas de tráfego rápido e volumoso. destinados a permitir a inspeção dos trechos a eles conectados e sua eventual limpeza ou desobstrução (V. tendo em vista o esgotamento das edificações que. . para do superiores a 600mm. b) 120m. em determinadas circunstâncias. a mesma distância. Esses dispositivos em geral têm uma concepção padrão e são denominados de poços de visita. enquanto que os condutos públicos para esgotamento devem ficar situadas. um em cada lado da pista e. Especialistas recomendam este expediente quando o alinhamento lateral do passeio chegar a nove metros de distância. se possível. Por norma devem existir poços de visita nos seguintes pontos: . sob o passeio para pedestres.Todos os condutos livres da rede (coletores.4). logicamente. A maior ou menor largura da pista de rolamento fará com que a recomendação anterior sofra adaptações. para do até 150mm.

FIG. etc. como por exemplo. Em regra geral. são localizadas todas as ruas onde a existência ou passagem de coletores for indispensável para. Por exemplo. Para pequenas áreas são freqüentes apresentações em plantas. utilizam-se plantas em escala 1:2000 com curvas de nível separadas de um (1. pouco traz de definitivo no posicionamento das canalizações devido. com os respectivos arruamentos e pontos notáveis. então. a problemas de escala.1. determinará o deslocamento adequado da canalização de esgotos sanitários. um coletor de número 16 só poderá receber vazões do coletor 17 ou 18 ou 19. lançarem-se os poços de visita necessários. Outro fator que poderá provocar o deslocamento para posições mais convenientes será a geologia do subsolo e o tipo de edificações predominantes na área. como de água potável. acarretando maior facilidade de escavação das valas e menor risco para os estabelecimentos que ladeiam o arruamento. Isto poderá ser feito com o desenho de pequenas setas a critério do projetista. Todos os coletores devem ser. cabos telefônicos. no Projeto Hidráulico. quando da ocorrência de encontros. 7.. o mesmo encarrega- se de apresentá-la com desenhos e detalhes a parte. em escalas convenientes. a opção por um novo posicionamento em função da existência de faixas de terrenos menos rochosos.0) metro. Seqüência de Cálculo 7. elabora-se um traçado para a rede dentro de uma concepção mais adequada a situação. em seqüência.7. normalmente. etc. a apresentação em planta do projeto da rede dentro do traçado urbano. Feito isto. isto em função do tamanho da prancha final representativa do levantamento da localidade. identificados com algarismos arábicos de modo que um coletor de número menor só possa receber efluentes de números maiores. 4 .7. principalmente. e no caso do 16 reunir-se com o . Para as posições em que o projetista tem condições de determinar com precisão a passagem definitiva da canalização. De posse da planta topográfica. ficando a definição exata condicionada ao serviço de implantação (Projeto Executivo). 7. A seguir procura-se identificar a declividade natural do terreno.Exemplos de perfis transversais de arruamentos e posicionamento dos coletores A existência de outras canalizações subterrâneas anteriores a implantação da rede de esgotos. em escala de até 1:500. Estudo Preliminar ]Para lançamento dos coletores. pois esta será a referência inicial para o posicionamento em perfil dos trechos. galerias pluviais..

para esta vazão. em marcha e jusante e a vazão de dimensionamento baseada na qual se definirá o diâmetro de cada trecho. A planilha ainda possui uma coluna complementar de “observações” onde poderão ser assinalados. Quando esse desnível for vencido por um tubo de queda anota-se TQ = . e identificam-se as cotas do terreno sobre os poços de visita. calculam-se as populações de projeto e. 6. Ainda poderiam ser acrescidos nesta etapa dados sobre lâmina absoluta. de modo a se poder identificar todos os dados técnicos de cada trecho de coletor. para cada trecho. conforme proposto em 7. nos pontos extremos dos trechos e sua extensão. Neste modelo a planilha é dividida em cinco partes onde na primeira parte são identificados os coletores.. para início e fim de plano. sua declividade Io. montante. 7.. Por exemplo as colunas correspondentes à declividade Io e ao caimento h poderiam vir antes das cotas de montante e jusante do trecho. velocidade de projeto e velocidade crítica e plena etc. calcula-se a declividade média do terreno. máx. mín e Io. A partir destes dados iniciam-se os cálculos propriamente ditos. Nesta parte da planilha tem-se as cotas de montante e de jusante do trecho. Exemplo: para Qf = 2. A seguir aparecem os dados topográficos de cada trecho de coletor.0038m/m e Io. Deve-se também observar uma proximidade lógica e prática nesta numeração. Os modelos de planilha encontradas na literatura sobre o assunto são inumeráveis e variam inclusive entre projetistas. Numeram-se todos os trechos. a declividade média do terreno em cada trecho.8. as cotas de montante e jusante e a declividade média do perfil do terreno sobre o trecho em estudo. tanto o desenho como a leitura das mesmas.7. 7. quando se inicia o dimensionamento de cada trecho de coletor. através das expressões correspondentes às q. no sentido crescente das vazões em cada coletor. para o trecho. Planilhas de Cálculo Uma planilha de um projeto hidráulico de rede coletora deve apresentar o resumo dos resultados calculados na elaboração do projeto. a qual será muito importante na definição da declividade desse trecho de coletor. no trecho. Esta ordem pode ser mudada a critério do calculista. m. de acordo com o tipo e o número de informações que cada um entenda como conveniente e necessário. mín = 0. assim. determinando-se. Diante desses argumentos. caimento h. m e se não. facilitando. em seguida.7. identificam-se os limites de declividade Io. Na segunda parte encontram-se os dados de vazão trecho a trecho. bem como o volume de cada uma dessas contribuições. Por último localizam-se os pontos de contribuições concentradas..3).1. aqui é proposto um modelo de planilha baseado em apresentações convencionais que poderá ser modificado pelo leitor de acordo com sua interpretação (Ver na Solução do Exemplo 7. Também se deve optar por esta numeração tendo em vista que os coletores mais extensos serão os de menor número reduzindo o número de algarismos nas plantas baixas da rede. diâmetro do. os trechos e a extensão de cada um destes. Naturalmente os poços de visita de jusante tornam-se de montante para os trechos seguintes. Se a declividade do terreno for inferior a declividade mínima calculada.51m/m. CTm e CTj . as contribuições lineares dos diversos setores da área edificada e de expansão prevista. Se It estiver contida no intervalo calculado. lâmina relativa y/doe tensão trativa . mín. It . Qf. h =. Até este ponto a planilha está composta apenas de dados colhidos como informações da área do projeto. Metodologia de Cálculo Após identificadas as cotas do terreno. 6. L.20 l/s têm-se Io. então. por exemplo. Nesta parte poderá ser adicionada uma coluna onde se identificariam os logradouros públicos nos quais se situariam cada um dos trechos. e Eq.2.. mas o projetista poderá criar colunas com dados exclusivos do poço de montante do trecho em estudo. a seguir. na ordem crescente da numeração por coletor e seus trechos.13 os trechos seguintes serão do coletor 13. máx = 2.3. Definida a vazão de dimensionamento. Na última parte da planilha são mencionados os dados sobre os poços de visita de jusante de cada trecho: cota do fundo do poço e sua profundidade. os desníveis de entrada de cada trecho no poço. então o trecho deverá ser implantado com Io = It e a canalização repousará paralelamente ao perfil da superfície do terreno.2. então o trecho será dimensionado com Io = Io. trecho a trecho. para o conjunto de coletores. Caso It seja .1.7.

em geral. máx então Io = Io.4 então do= 230mm. A Fig. ou seja. desde que a profundidade de jusante não atinja valor inferior a mínima normalizada. Exemplo: K = 0. que é um material próprio para sofrer desintegração ao longo do esgotamento tubulado. a declividade mínima é de 0. máx. tem-se como opção a redução da profundidade dos trechos seguintes.. ou seja.). como por exemplo papel higiênico. 5 .0045 m/m. com o seguinte procedimento: calcula-se o fator de condução K = Q / Io1/2. Q .superior a Io. No caso de vazões variáveis. normalmente não possuem condições de adquirir materiais higiênicos e sanitários adequados. onde se procura identificar o menor diâmetro (nunca inferior ao de qualquer trecho a montante!) que forneça uma relação y/do nas condições previstas em 6. Primeiro pelo fator sócio-econômico.1  do = 250mm com y/do 0. Por estas razões o projetista deve ser bastante cauteloso para optar pelos chamados sistemas condominiais que é um sistema freqüentemente projetado para esgotamento sanitário de pequenas vilas e conjuntos de edifícios.50m. Capítulo VIII). 7. FIG. essa é a maior das mínimas possíveis.3. mín a Io. onde a manutenção é feita pelos próprios usuários.Perfil hipotético de um trecho de coletor Determinada a declividade do trecho segue-se a determinação do diâmetro adequado. são precárias ou até inexistem. e leva-se este valor ao ábaco da P-NB-567/75. Desde que o poço de montante do trecho em dimensionamento tenha profundidade superior a mínima. serão instalados tubos de queda (V. indicando as diversas incógnitas aqui mencionadas. e caso esta reunião ocorra com uma diferença de cotas superior a 0. 7. um poço de visita por exemplo.60. panos. preferindo-se indicar 250mm. máx. Essa escolha poderá ser feita a partir das expressões analíticas de geometria plana mostradas no Capítulo 6 ou através da Fig.7.50 l/s.5 mostra um perfil hipotético de um trecho. este novo trecho e os seguintes poderão ser calculados com declividades inferiores à do terreno. No caso da vazão de dimensionamento ser a mínima. comunidades com estas características. que é um diâmetro em desuso. etc.m³/s e Io . pois no Brasil. Particularmente quanto ao emprego do diâmetro mínimo é pelo menos questionável o uso de 100mm para drenagem sanitária de áreas urbanas faveladas ou ocupadas com população de baixa renda. com Io < It e no intervalo Io. papéis grosseiros ou resistentes. Ainda poderão ocorrer situações que por condições impostas em trechos a montante. Sempre que houver encontro de trechos essa reunião dar-se-á através de uma unidade de acesso para inspeção e limpeza. torna-se mais prático elaborar o dimensionamento para a vazão maior e testar o diâmetro encontrado para a condição inicial do projeto. Sem dúvida é um sistema mais econômico do ponto de vista . Pelas Tabelas 7. No primeiro caso a extremidade de jusante do trecho será mais profunda que a de montante (hj > hm).2. garrafas. as instalações hidráulico-sanitárias internas aos lotes nestas áreas urbanas. Q f > Qi. Nestas situações é preferível que os coletores públicos tenham diâmetro mínimo de 150mm. tendo como agravante o fato de que. No segundo terão iguais profundidades (hj = hm) e no terceiro a de montante é que será mais profunda (hj < hm). Segundo pelo falta de educação sanitária o que resulta na má utilização do sistema em conseqüência da colocação imprópria de objetos que provocam entupimentos nos coletores (frascos.m/m. 1.

.13 (verificar as unidades empregadas no cálculo de modo a expressar os resultados em pascal) e a velocidade de projeto a partir do uso da equação da continuidade (Eq. Um trecho de coletor de esgotos de 72m de extensão deverá escoar no fim do plano uma vazão máxima de 6.0 l/s = 0.4% = 0.1. então Io.mín = 0. It = 0.5.29m. Io = It = 0. Qf = 6.8. A determinação da tensão trativa deverá ser efetuada a partir da Eq. Solução: a) São conhecidos L = 72m.0024m/m e It = 0.72.min < It.mín = 0.CTj CTj = CTm . caso a população usuária não esteja educadamente preparada para o seu uso.00 x 0.29 . 5.004m/m.57m. 5.4%.0024m/m. . 7.8.hm = 506.cota do terreno a jusante . c) Declividade do trecho . em geral.CCm CCm = CTm .00m. se It> Io.0040  0. Exemplos Exemplo 7.compara-se com a declividade do terreno Io.Io .013 ).0055 x 6. sabendo-se que a profundidade de montante é de 1.min.escolhe-se a declividade Io do trecho igual à do terreno.cota do coletor a montante .29m.47  0.006m³/s.72 = 504. hm = 1.004m/m. o diâmetro mínimo é de 100mm e predomina profundidades médias menores. para uma cota de montante de 506. considerando-se que neles. CTm = 506.L x It = 506. encarecendo excessivamente a manutenção ou mesmo tornando o sistema inoperável. b) Cálculos auxiliares .72m.de aquisição do material e de implantação.1) ou através da Fig. porém seus objetivos poderão ficar muito aquém dos pretendidos. ( n = 0. então. 5.288m . d) Desnível Dh do coletor e cota de jusante CCj Dh = L x Io = 72.004  506.calcula-se a declividade mínima para a vazão máxima no trecho Io.0040m/m.0 l/s. Pede-se traçar o perfil do trecho. .29 . ou seja.1.0-0.72m e que a declividade média do terreno no trecho é de 0.00 x 0.

5 0. então.0.7.150m (Qf / Io1/2 = 0.0040.282m.75. Pelas Tabelas 7. entra-se na linha de y/do = 0.004m/m e Qf = 6.006 / 0.570 .095. 2.5 traça-se o perfil (fica como exercício). e) Diâmetro do 1. f ) Perfil . .com todas as cotas determinadas e baseando-se na Fig. 3. 7.2 o menor diâmetro antes da faixa limite de y/do é de do = 0.288 = 504.0 l/s tem-se do = 150mm. pelo ábaco da ABNT .pela Fig. > 1.calcula-se o fator de condução Qf / Io1/2 = 0. .1. Pelo ábaco da tensão trativa mínima Com Io = 0.1388).0 Pa. procura-se um valor que iguale ou supere 0.15m para uma relação (lida no eixo horizontal) y/do= 0. CCj = 504.57.095 do = 0. de K = Q/Io1/2 Com Qf / Io1/2 = 0.095.

013.K2 = 2.6 para Tx= 0. sabendo-se que a população usuária de 8555 habitantes consome. Calcular os coletores indicados na FIG.m.67Km de extensão.3 .8.m.80.2.10 -4 l/s. 7.00331 l/s. 200 litros de água potável por pessoa.3.Rede em planta para o exemplo 7. FIG.dia.8.0008  0.0035 l/s. 6 .0 e c = 0.Exemplo 7.0) / (86400.8.200.2.m e n = 0. em média.8555. Encontrar a taxa de dimensionamento para cálculo de uma rede coletora de aproximadamente 12. Solução: ( K1.12670)]+ 0.80) Tx =[(0. 7. onde se espera uma infiltração máxima de 8. Exemplo 7.

0045 0.74 341.74 1.50 342.74 3.45 1.245 4.16m 4 50 12.0063 0.40 0.0033 0.0040 0.52 1.04 342.40 0.66 2 90 1.350 0. E. L.315 1.40 0.62 2.40 343.50m) R e S: Dados do PV de jusante T : Observações sobre o trecho e desnível de entrada no PV quando acima do fundo do PV de jusante).50 342.80 0.34 150 0.14 1.000 0.36 342.500 1.66 h=0.50 344.90 150 0.280 344.50 341.46 1.280 1.805 343.155 6.500 344.350 6.48 341. O.66 h=0. M.805 0.60 342.74 1. F e G : Dados de vazão (calculados a partir da determinação da taxa de dimensionamento) H.50 1.500 344.525 344.490 0.74 1.00 0.23 342.0044 0.80 0.0080 0.7) Coletor Trecho L Qmont. 0.000 0.0080 0.00 343.0040 0. CTjus.14 341.20 342.805 1.80 343. (l/s) Qmarc Qjus.40 341.20 0.51 2.000 0.45 1.16m A.30 342.5l/s) CTmont.00 344.00 343.09m 4 1 80 2.34 1.00 342.70 1.66 2 1 80 1.155 344.380 343. P e Q : Dados calculados para cada trecho de coletor com profundidade mínima de 1.280 2.50 342.53 1.20 100 0.205 0.0060 0.0045 0. .50 150 0. CCjus. B e C : Dados do traçado (lidos na planta após definido o traçado da rede de coletores) D.175 3. do y/do  Cota de fundo Profundidade OBS (m) (l/s) (m) (mm) (Pa) (m) (m) A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T 1 1 100 3. I e J : Dados topográficos do terreno (cotas do terreno lidas na planta) K.04 342.000 0.70 342. (l/s) Qdimens. It Io  h CCmont.0060 0.66 3 1 60 .50 1.90 150 0.10 341.0025 0.0043 0.24 341.20 341.55 341.00 0.0080 0.20 344. N. (1.66 h=0.0044 0.50 3 100 5.00 343. Solução: Ver planilha abaixo e o resultado em planta (FIG.27 342.280 2.50 100 0.50 2 50 3.350 3.210 1.50 5 1 70 4.42 1.14 1.61 342.0043 0. 7.500 1.175 12.525 3.245 4.14 100 0.74 100 0.350 345.40 342.50 343.0063 0.350 3.380 12.0080 0.30 342.70 343.245 343.70 100 0.80 343.00 0.

FIG. 7. 7 - Rede calculada, em planta, para o exemplo 8.8.3

A figura mostra como deve ser apresentado todo o resultado do dimensionamento em planta. Além das plantas os
projetos também devem conter os perfis completos dos coletores com suas devidas dimensões e informações,
suficientes para não deixarem dúvidas sobre o que se vai construir.

OBS: Nesta planta P significa tubo de PVC.

7.8. Exercícios
 Por que a taxa de cálculo linear é calculada para a hora de contribuição máxima?
 Justificar as limitações para recobrimento dos coletores.
 Comentar a importância dos divisores de águas e dos talvegues na definição do traçado da rede coletora.
 Apresentar exemplos de sistemas de traçados combinados, possíveis de ocorrência.
 Qual a finalidade dos poços de visita? Quando se usam poços de visita?
 Qual a distância máxima entre PVs consecutivos quando o diâmetro da canalização for 150mm?
200mm ? 300mm? 600mm? 800mm?
 Comentar a recomendação de construção de dois coletores laterais em ruas de muito movimento. E em
avenidas muito largas.
 Como a geologia do subsolo pode influir no posicionamento dos coletores?
 Por que não se deve projetar trechos de coletores com declividades “excessivas” ? e “muito pequenas”?

 Como se deve projetar coletores sob terreno com declividades naturais superiores a valores limites
recomendados por normas?
 Lançar a rede e desenvolver o cálculo hidráulico-sanitário do arruamento fictício mostrado na Fig. 7.8.

São conhecidos:

- população por lote: 5 pessoas;

- consumo médio de água: q = 150 l/hab.dia;

- coeficiente de retorno: c = 0,80;

- coeficiente de reforço: K1 x K2 = 2,00;

- coeficiente de infiltração: 0,0008 l/s.m.

Escala: 1: 2500

FIG. 7.8 - Figura com a planta baixa do arruamento

 Desenhar arruamentos fictícios e lançar traçados de redes coletoras. Fazer o dimensionamento
hidráulico-sanitário dos coletores.

CAPÍTULO VIII
POÇOS DE VISITAS
8.1. Definição

Poço de visita é uma câmara visitável através de uma abertura existente na sua parte superior, ao nível do
terreno, destinado a permitir a reunião de dois ou mais trechos consecutivos e a execução dos trabalhos de
manutenção nos trechos a ele ligados (Figura 8.1).

FIG. 8. 1 - Modelo convencional de PV

8.2. Disposição Construtiva

Um poço de visita convencional possui dois compartimentos distintos que são a chaminé e o balão, construídos
de tal forma a permitir fácil entrada e saída do operador e espaço suficiente para este operador executar as
manobras necessárias ao desempenho das funções para as quais a câmara foi projetada.

O balão ou câmara de trabalho é o compartimento principal da estrutura, de seção circular, quadrada ou
retangular, onde se realizam todas as manobras internas, manuais ou mecânicas, por ocasião dos serviços de
manutenção nos trechos conectados. Em seu piso encontram-se moldadas as calhas de concordância entre as
seções de entrada dos trechos a montante e da saída para jusante. Estas calhas são dispostas de modo a guiar as
correntes líquidas, desde as entradas no poço, até o início do trecho de jusante do coletor principal que atravessa
o poço. Desta maneira, assegura-se um mínimo de turbilhonamento e retenção do material em suspensão,
devendo suas arestas superiores serem niveladas, no mínimo, com a geratriz superior do trecho de saída.

A chaminé, pescoço ou tubo de descida, consiste em um conduto de ligação entre o balão e a superfície, ou seja,
o exterior. Convencionalmente é iniciada num furo excêntrico feito na laje de cobertura do balão e indo até a
superfície do terreno, onde é fechada por um tampão de ferro fundido (Fig.8.2). A partir da chaminé, o
movimento de entrada e saída dos operadores é possibilitado através de uma escada de ligas metálicas
inoxidáveis, tipo marinheiro, afixada de degrau em degrau na parede do poço ou, opcionalmente, através de
escadas móveis para poços de pequenas profundidades.

FIG. 8. 2 - Modelo de tampão de fºfº para poço de visita

No caso de um ou mais trechos de coletores chegarem ao PV acima do nível do fundo são necessários cuidados
especiais nesta ligação, a fim de que haja operacionalidade do poço sem constrangimento do operário
encarregado de trabalhar no interior do balão. Para desníveis abaixo de 0,50m não são obrigatórias instalações de
dispositivos de proteção, considerando-se a quantidade mínima de respingos e a inexistência de erosão
provocados pela queda do líquido sobre a calha coletora. Para desníveis a partir de 0,50m faz-se necessária a
instalação dos chamados tubos de queda, os quais consistem numa derivação do trecho de montante por um “Tê”
ou um conjunto formado por “uma junção 45° invertida associada a um joelho 45°”, ao qual será conectado um
“toco de tubo” vertical, com comprimento adequado e apoiado em uma curva 90°, que direcionará o fluxo para o
interior do PV. Em quaisquer dos dois casos, o bocal livre da junção repousará ligado a face interior da parede do
PV, para facilitar o trabalho de eventuais desobstruções no trecho correspondente (Fig.8.3). Para diâmetros de
trechos afluentes superiores a 375mm é preferível o emprego de poços de queda como esquematizado na Fig.8.4.

 e em posições intermediárias em coletores com grandes extensões em linha reta.3. FIG. 4 . o 120m p/ tubulações com do de 200 a 600mm. 8. o 150m p/ tubulações com do superiores a 600mm.  nas alterações de posição e/ou direção da geratriz inferior da tubulação.Poço de visita com tubo de queda FIG. .  nos encontros de coletores.  nas alterações de diâmetro.Poço de visita com poço de queda 8. 8.  nas mudanças de direção dos coletores (todo trecho tem que ser reto).  nos desníveis nas calhas. Localização Convencionalmente são empregados poços de visita:  nas cabeceiras das redes. 3 .  nas mudanças de material. de modo que a distância entre dois PV consecutivos não exceda: o 100m p/ tubulações de até 150mm de diâmetro do.

00 h 2. sempre que possível. com uma abertura excêntrica de 0.60 db = 1.60 e hc = 0. bem como o tampão.60m db= do+ 1. As demais recomendações visam a manutenção da continuidade das seções. por recomendações funcionais.1. servindo também como suporte para a chaminé. Observar que pela tabela recomenda-se para do0. os equipamentos de limpeza e desobstrução no interior do mesmo.60 para quaisquer do db = do+ 1. A Tabela 8.30mdo0. principalmente para tubulações de saída com até 400mm de diâmetro.6. estas peças têm 1. São construídos com a superposição vertical dos anéis de altura 0.60m.30 db= 1.00 db = 1. como dimensões úteis mínimas.5.60 db = do+ 1.30 hc 1.30m ou 0.60m db=1.30 do 0.50 do0. ou seja. para a chaminé 0.8.60 e db = 1. A chaminé.30 dc = 0. A redução do balão para a chaminé é feita por uma laje pré-moldada denominada de peça de transição.1 mostra as dimensões mínimas recomendáveis para chaminé e balão em função da profundidade e do diâmetro do da tubulação de jusante. a que sai do poço de visita.50 0.00 (*) Considerar que a passagem pela laje de transição e o espaço para assentamento do tampão fazem parte da altura da chaminé.12. com liberdade de movimentos.00m. Dimensões A fim de permitir o movimento vertical de um operador.0 metros.00m. não deverá ter altura superior a 1. para montante (Fig. Tabela 8. para o balão.30 db = 1.). 8. o que facilita a introdução de equipamentos no interior da tubulação.60 0. que deve ser colocada de maneira tal que o centro de abertura projete-se sobre o eixo do coletor principal que passa pelo poço. para que o operador maneje.1 .4. O balão.5.60 e hc = h db = dc do 0.50 para quaisquer do do0.30 1. Elementos para Especificações 8. operacionais e psicológicas para o operador.00 do 0. sendo que.60m. terão um diâmetro mínimo útil de 0. bem como elimina zonas de remanso ou turbulência no interior das mesmas.Quanto às extensões retas as limitações decorrem do alcance dos equipamentos de desobstrução.Dimensões Mínimas para Chaminé e Balão de PV (*) Profundidade Diâmetro "db" Diâmetro "do" da tubulação Diâmetro "dc" e altura "hc"da "h" do de jusante (m) chaminé (m) do PV (m) balão (m) h 1.5) Os poços de visita executados com anéis pré-moldados de concreto armado são os mais comuns. Pré-moldados (Figura 8.60m.00 dc = 0. .0 m.50m e para do0. deve ter uma altura útil mínima de 2.40m.30 do 0.50 0. como se pode observar na figura 8.00m de diâmetro e.50  h  2. 8. a chaminé.50 qualquer do dc = 0. para 0.

20m. 6 . que será a base de sustentação para toda a estrutura do poço. 8. 8. sob a calha de saída do trecho de jusante. O acabamento do piso. sendo este enchimento do fundo executado em concreto 1:4:8. para moldagem das calhas. O primeiro anel ficará apoiado numa parede de concreto ou de alvenaria. A seguir é colocada uma camada de concreto simples 1:3:5. 5 . é dado de modo a resultar numa declividade de 2% em direção a borda das calhas. para evitar a quebra desse anel quando da ligação das tubulações ao poço. FIG.Peça de transição em concreto armado . FIG.Poço de visita em anéis pré-moldados (extensões em metros) A construção de um PV com anéis pré-moldados inicia-se com o nivelamento da fundação com brita compactada. numa altura mínima de 0. denominada de laje de fundo. o que provocaria infiltrações futuras de água e possíveis instabilidades estruturais.10m acima da geratriz superior externa de quaisquer dos trechos afluentes. com uma espessura mínima de 0. no fundo do PV.

5.08m. segue a mesma orientação recomendada para os PVs pré-moldados (Fig.60m de diâmetro e também anéis de menor altura. podendo ter seção horizontal circular ou prismática. vertical. calhas e outros serviços. Esses degraus podem ser de ferro galvanizado. para melhor acabamento. piso. sendo a chaminé construída com anéis pré-moldados. 7 . sendo encimada por um tampão em ferro fundido.8. Concreto Armado no Local De ocorrência mais freqüente para canalizações com diâmetro superior a 400mm ou em situações onde não haja condições para obtenção de pré-moldados.O acesso ao fundo do poço é feito por uma escada tipo marinheiro.8). Na construção da chaminé normalmente são empregados anéis pré-moldados com altura de 0.00 metros. em concreto com dosagem mínima de cimento de 300Kg/m³.15 ou 0. como citado no item anterior. .15m de largura por 0.Detalhes dos degraus A chaminé deve ser executada obedecendo a sistemática similar recomendada para o balão. 0. os quais vão sendo instalados à medida que se vão assentando os anéis. padronizado no seu modelo pela concessionária exploradora dos serviços de esgoto da localidade. em substituição à escada fixa. para sua complementação. base.2. sendo o excesso retirado e a junta alisada a colher de pedreiro e. FIG. mas como este material sofre desgaste corrosivo com o tempo. repousando cada degrau entre dois anéis consecutivos. Quanto ao acabamento.7). É recomendada a construção de uma chaminé com altura mínima de 0.08m de altura (Fig. estas mais viáveis para poços de visita com profundidades inferiores a 3. 8.30m por 0.30m para facilitar a construção ou reposição da pavimentação do leito viário. 8.30m ou 0.8. com degraus equiespaçados de 0. suas paredes cimentadas com nata de cimento dosada com impermeabilizante (1:12 na água). é preferível degraus em ligas de alumínio ou mesmo o emprego de escadas portáteis.40m e um mínimo útil de 0. Todas as peças terão obrigatoriamente que se assentarem sobre argamassa de cimento e areia a 1:3 em volume. Normalmente apenas o balão é armado no local.

5. Alvenaria (Figura 8. ou mesmo de cimento.3. O balão terá seção circular ou prismática.9) A ocorrência de poços desta natureza decorre. reboco impermeabilizante. em função das circunstâncias. em tijolos maciços de uma vez. principalmente para confecção de balão. da dificuldade da obtenção de peças pré- moldadas no local da obra. . As paredes terão espessura mínima de 0. 8 . 8.60m de diâmetro por um máximo de 1. rejuntados e rebocadas com argamassa de cimento e areia de 1:3 em volume. FIG.20m. e será encimado por uma laje com abertura excêntrica. de alguma forma. na maioria das vezes. implicando.Poço de visita em concreto armado no local 8. a 300kg de cimento por metro cúbico de concreto. em alvenaria como o balão.00m de altura. ou também. A chaminé poderá ser executada em anéis pré-moldados. alisadas com colher de pedreiro. porém com a dimensão mínima de 0. se necessário. em estruturas mais viáveis economicamente. em concreto armado pré-moldada ou fundida no local. dosada com impermeabilizante.10m. Externamente as paredes deverão receber uma camada de chapisco e. com espessura mínima de 0.

4. 8. tubo de fibrocimento. Tubulações de Inspeção e Limpeza .1. . 8. tubo de concreto. Um destes dispositivos é o denominado Tubulação de Inspeção e Limpeza - TIL.6.Poço de visita em alvenaria de tijolos 8. têm as finalidades principais dos PVs sem que o operador penetre no interior do dispositivo (Fig. Logo a redução destes ou sua substituição por dispositivos alternativos de menores custos de instalação e que permitam as operações de manutenção e inspeção previstas.TIL 8. Os TILs são dispositivos destinados a permitir a inspeção e a limpeza dos trechos a partir da superfície sem que haja contato físico do operador com o coletor de esgotos.PV. PVC rígido ou poliéster armado com fios de vidro. serão sempre objeto de estudos pelos projetistas.8. Definição e estrutura Até 50% dos custos de implantação de uma rede coletora de esgotos sanitários podem ser consumidos na construção de Poços de Visita . poderá ainda ser utilizada alvenaria de blocos curvos de concreto.5. ou seja. 9 .6.10). FIG. Outros Materiais Além dos materiais citados para confecção das paredes da câmara de trabalho.

fechada com um tampão móvel padronizado de 36Kg. . geralmente de ferro fundido. de uma tubulação inclinada no sentido do escoamento das vazões. constituindo- se. 8. A extremidade superior da tubulação. no diâmetro de 100mm para trechos de do = 100mm e 150mm para trechos com do superiores. Os TILs devem estar situados a uma distância máxima de 75m de outro dispositivo similar ou 90m do PV mais próximo. deve ser provida de uma tampa para evitar queda de objetos. FIG. 10 .11).TL (Fig. Alguns práticos não recomendam distâncias superiores 35m entre TILs consecutivos ou 45m para o PV mais próximo. Em hipótese alguma um TIL deverá ser empregado em substituição ao PV no encontro de coletores. no mesmo coletor. Quando um TIL é apenas um prolongamento da extremidade de montante do coletor tem a denominação de Terminal de Limpeza . principalmente para coletores mais profundos (recobrimentos superiores a 2. penetração de animais ou entrada de águas superficiais.Corte esquemático de um TIL São empregados em trechos retos de pequenos diâmetros (do até 200mm) em substituição aos PVs. na sua forma mais simples. quando da retirada inoportuna do tampão. no fundo da caixa de acesso.0m).8. conectada à tubulação subterrânea através de uma junção 45° ou com junções mais suavizadas com auxílio de curvas 22°30'. O acesso do TIL é feito através de uma caixa de proteção.

Um dos modelos que é apresentado a seguir . e rápida instalação. como exemplo. é o fabricado pela tradicional empresa TIGRE S. TIL pré-fabricado Alguns fabricantes de tubos já disponibilizam no mercado TIL pré-moldados para esgotos de especial interesse para sistemas condominiais. É uma peça totalmente auto-portante. transporte e estocagem.6. 8.Corte esquemático de um TL 8. denominado comercialmente como TIL Radial Tigre (Figura ao lado). caracteriza-se construtivamente pela leveza. em trechos de pequena profundidade com vantagens econômicas consideráveis em ralação aos PV convencionais. FIG.A Tubos e Conexões. 11 . . sem necessidade de revestimento de concreto para estabilidade de sua estrutura. coletores com passeio ou mesmo na via pública. facilitando o manuseio. 100% em Plástico para Esgoto.2. Produzido com materiais plásticos em processo contínuo de rotomoldagem. dimensionada para suportar os esforços de tráfego para diferentes profundidades de instalação.

cujas principais dimensões estão indicadas na tabela a seguir.80m e do = 0.20m.60m de diâmetro por 0. enquanto que o balão terá diâmetro de 1.20m . b) profundidade de 1.50. incluindo a passagem pela laje de transição e o espaço para assentamento do tampão.e funcionalmente pela eficiência do escoamento do esgoto sem interferências e pontos de acúmulo de limo ou sedimentos e com formas e dimensões que facilitam as operações de limpeza. d) h = 2. ou seja.7.80m e do . possibilita abertura somente das bolsas que receberão contribuições.1. logo a chaminé terá 0. porém fechadas originalmente. especialmente por hidro- jateamento. logo o balão terá diâmetro de 1.50m.50 e o diâmetro de 0. permanecendo as demais totalmente fechadas após sua instalação. Encontrar as dimensões úteis para PVs. com base na Tabela 8.30m. Uma variação do produto da citada empresa é o TIL de ligação predial. incluindo passagem pela laje de transição e espaço para assentamento do tampão. e) h = 3.80m e do = 0. É produzido nas versões DN150 e DN300.70m: Aqui se tem 1. enquanto que a chaminé terá 0.70m por uma altura útil de 1.60m e diâmetro de saída de 0.50m.90m: Neste caso para quaisquer que sejam os diâmetros.7.50m por uma altura útil de 2. indicado para ligações de ramais prediais aos coletores primários ou auxiliares de um sistema convencional. logo a chaminé terá 0. fabricado apenas no DN 100.00m. Com posições de entrada pré-definidas.60m de diâmetro por 0. incluindo passagem pela laje de transição e espaço para assentamento do tampão. ou entre trechos de um sistema condominial. Exemplos 8.1. além de facilitar a manutenção e operações de limpeza. o PV não terá um balão configurado e sim uma seção constante de 0.00m por uma altura de 1.60m de diâmetro por 0. Tabela das dimensões dos TIL Radial Tigre DN/DL C (mm) h (mm) Massa (kg) 150/200 800 610 16 300/250 1000 980 45 8.60m de diâmetro.80m de altura. c) h = 1.30m de altura mínimos.30m de altura mínimos.50 e do 0.= 0. Na realidade estas peças têm uma função similar à dos Tê Sanitários numa instalação hidráulica predial.50m Como h 2. nas seguintes condições: a) profundidade de 0.00  h  2. enquanto que o balão terá diâmetro de 1. . mas diâmetro maior que 0.25m: Com 1.30m.00  h 2. melhor direcionar o fluxo de esgotamento.

50 e o do = 0.90 300 4 3. Qual a diferença conceptual entre eles?  Desenvolver um estudo comparativo técnico econômico entre “terminal de limpeza” e “poço de visita”. do PV Profundidade (m) Diâmetro do efluente (mm) 1 1. Encontrar as dimensões úteis para PVs nas seguintes condições: Nº.7 8.18 250 .15 600 7 2.80m para uma chaminé de 0.Se h 2.  Expor razões que obrigam a existência das chaminés.Visualização das incógnitas dos Exemplos 8.30 e 1.0 metros”. Por que a altura das mesmas deve ficar entre 0. câmara de trabalho. calhas de concordância e trechos de montante e de jusante.20 150 3 1. (Ver figura abaixo) Figura 8.50 200 2 3. terá uma altura útil de 2.00 500 6 4.12 .00m por uma altura útil de 2.  Definir poço de queda para PV. Exercícios  Em termos de poço de visita definir: chaminé.8.00 metro?  Qual a razão principal da abertura da peça de transição ser excêntrica? E porque esta mesma abertura deve ser posicionada sobre o principal coletor que passa pelo poço?  Quais as vantagens e desvantagens das escadas fixas em relação às portáteis?  Por que os PV em concreto armado no local são mais utilizados para canalizações com diâmetros superiores a 400mm ?  Por que as chaminés são mais freqüentemente construídas com anéis pré-moldados?  Definir TIL e TL.0m de altura (altura máxima) incluindo as espessuras da laje de transição e do tampão.  Explicar a recomendação “o balão sempre que possível.70 400 5 2.  Explicar os diversos posicionamentos obrigatórios dos PVs nas redes de esgoto.  Explicar o emprego de tubos de queda nos PV.60m de diâmetro por 1.20m logo o balão terá diâmetro de 1.

50 700 .10 300 9 1.8 5.

em sistemas de esgotos. hidráulicos. destinadas a travessia sob obstáculos que impeçam a passagem da canalização em linha reta. a opção freqüentemente mais viável. linhas férreas. No caso de encontro de condutos de esgoto escoando livremente. Definição Os coletores de esgotos são projetados para trabalharem com escoamento livre. Esses. CAPÍTULO IX SIFÃO INVERTIDO . são freqüentes a ocorrência de canais e galerias subterrâneas. Portanto.2. não podem ser transpassados em sua seção útil. com tipos de obstáculos como os citados e diante da necessidade de continuação do escoamento para jusante. portanto.9. sob pressão. o escoamento só teria continuidade por meio de um bombeamento por sobre a seção de impedimento ou por sob a mesma seção tendo em vista que a passagem através de sifonamento normal torna-se inviável por vários motivos. poderá não ser possível em virtude do surgimento de obstáculos intransponíveis nessas condições. Essa canalização rebaixada. Eventualmente a seqüência de trechos consecutivos em linha reta continuamente. os quais não poderiam ser deslocados ou alterados em suas cotas. principalmente. voltando a profundidade normal após vencida horizontal-mente a largura do acidente a ser transposto. a profundidades economicamente viáveis e suficientes para não serem afetados estruturalmente por esforços externos e de modo a permitirem o esgotamento das descargas procedentes das ligações prediais.1. sifões invertidos são canalizações rebaixadas. etc.1). principalmente nas grandes cidades. embora haja uma necessidade da continuidade da canalização para jusante. passando por baixo do obstáculo a ser vencido. o que implicaria em consumo contínuo de energia mecânica. metrôs. é denominada de sifão invertido tendo em vista o perfil inverso desta ao de uma tubulação de sifonamento normal (Fig. Sua principal vantagem sobre instalações elevatórias é que os mesmos não requerem equipamentos eletromecânicos. por definição. Figura 9. Tipos de Obstáculos Nas comunidades urbanas. cada trecho de coletor terá que ser projetado para instalação em linha reta. são exemplos de obstáculos que em virtude das suas estruturas físicas e funcionais.. . Conforme a condição de escoamento livre.Corte esquemático (perfil) de um sifão invertido 9.1 . Diante da impossibilidade da travessia em linha reta da canalização através de um obstáculo qualquer. será fazer com que a linha de esgotamento seja rebaixada para passagem sob a seção impedida.

9. exigindo projeto cuidadoso para que sejam reduzidas ao mínimo as possibilidades de sedimentações e obstruções nas seções mais baixas do sifão. Quando a utilização de sifões invertidos for inevitável. que são compartimentos visitáveis conectados aos trechos “horizontais” do sifão através do prolongamento destes trechos. na câmara nº.2. dois condutos paralelos de iguais dimensões. no poço de limpeza e. no seu piso. por força da energia gravitacional. Exemplo Esquemático A Fig. pelo aumento progressivo da vazão.1. Os condutos normalmente deverão ser executados em concreto armado.1 (de entrada) está disposto de modo a encaminhar o fluxo mínimo para o conduto central. aço ou em ferro fundido. . sua manutenção também onera a operação do mesmo. esquematicamente. tanto localizadas (entradas. através de um sistema composto de vertedouros e comportas. confinado por uma proteção de concreto para melhor estabilidade estrutural. o segundo vertedor começará a extravasar alimentando o terceiro conduto. Informações para Projetos Hidráulicos Deve-se evitar sempre que possível. com n = 0.2). nos períodos de vazão máxima. como se pode observar na Fig. além de ser uma obra de encarecimento de implantação do sistema. como na maioria das canalizações de esgotamento.015 no caso do emprego da expressão de Manning. Esse piso será projetado de modo a permitir a reunião das vazões parciais e encaminhá- las a entrada do trecho de jusante. 9. 9. pois as operações de limpeza e de possíveis desobstruções dos sifões são bem mais complicadas que as comumente realizadas nos coletores. acrescida da altura correspondente às perdas de carga hidráulicas internas ocorridas ao longo das calhas. servindo como poços de visita da canalização e como plataformas subterrâneas de manobras para o encaminhamento das vazões. Quando a vazão aumenta o líquido começará a extravasar por um dos vertedores laterais para ser transportado pelo trecho vizinho e quando a entrada deste também se afogar. através da abertura de saída da mesma. no caso de pequenas variações de vazão. As saídas na câmara nº.2 mostra. “lavando-se” a canalização com jatos de água limpa no sentido inverso.4. projetos de sifões invertidos nos sistemas de esgotamento. Na maioria das vezes projeta-se apenas uma câmara com este fim. sendo seu dimensionamento bastante criterioso no que diz respeito a determinação das perdas de carga.3. 9. pelo menos. obviamente.9. além de evitar refluxos nos diversos ramos do escoamento. porém ao longo do trecho rebaixado o escoamento é forçado. curvas e saídas) como ao longo dos condutos. Observe-se que o piso da câmara nº. localizada sob a câmara de entrada com acesso pela lateral desta (Fig. controlados por registros ou comportas. para que operem alternadamente. a estrutura completa será composta de.2 deverão estar na mesma cota. sob pressão maior que a atmosférica local. no mínimo igual a correspondente ao nível máximo do líquido na entrada da canalização de saída desta câmara. Funcionamento Hidráulico O escoamento do esgoto através do sifão invertido é proporcionado. um sifão invertido convencional com três condutos paralelos. Quando a previsão for de grandes variações de vazão ao longo do plano de projeto (Qmáx/Qmín > 5) o sifão deverá ser projetado com três ou mais condutos para funcionamento simultâneo no fim do plano. considerando-se que. 9. junções. uma na entrada e outra na saída. A limpeza de cada conduto é executada com a abertura da comporta na extremidade do trecho de esgotamento. de modo que seja garantida a continuidade de fluxo de vazão. evitando-se as curvas acentuadas nas suas trajetórias. Todo dimensionamento hidráulico é realizado considerando-se as velocidades de escoamento e as perdas de cargas localizadas e ao longo das canalizações.5. se necessário. Para facilitar as operações de limpeza. os sifões invertidos deverão ser dotados de câmaras de limpeza. Um sifão invertido deve ser projetado com duas câmaras visitáveis.

356 m.Desenho esquemático de um sifão invertido OBS. poderá ser estimada em torno de 0. Figura 9. Q1= 90 l/s e D1= 350mm tem-se J  0.: As perdas de carga entre soleiras de entrada e de saída ao longo do trajeto. Adota-se D1 = 350 mm (arredondamento para menor em virtude das condições de velocidade mínima).90m/s 9. Exemplo Pré-dimensionar as seções hidráulicas de um sifão invertido para escoar vazões de esgotos com as seguintes variações: Qmín = 90 l/s.09m³/s e Vmín = 0.6.10 m² D = 0. Qméd = 330 l/s e Qmáx = 700 l/s.  Primeiro conduto (Este conduto deverá ser calculado para a vazão mínima de 0.90m/s) A = Qmín / Vmín = 0.2 .004m/m.  Segundo conduto .90 = 0. C = 100. Solução:  Número de condutos Qmáx / Qmín = 7.8 > 5  n = 3.006m/m e a velocidade mínima de escoamento nos condutos igual a 0. no interior das câmaras de entrada ou de saída (desnível da linha piezométrica).09 / 0.  Perda de carga (Esta perda deverá ser a mesma para todos os ramos do sifão para que as cotas das soleiras de jusante sejam idênticas) Adotando-se Hazen-Williams.

90 = 380 l/s Q3 = 380 l/s. J = 0.Resultado esquematizado do exemplo 9. pois não haverá um quarto conduto). Tubos de PVC poderiam ser especificados? Justificar.004m/m e C = 100 tem-se D3 = 600mm (por excesso.6.explicar seu funcionamento.3 .  Terceiro conduto (Dimensionado para vazão excedente dos dois primeiros) Q = 700 .90 = 240l/s Para J = 0. C=100 e Q = 240 l/s tem-se D2 = 500mm e Q2  230l/s.  Detalhes : Figura 9.definir. FIG. Exercícios  Com respeito a sifões invertidos em esgoto.(Este conduto deve atingir o pleno funcionamento quando a vazão de esgotos for igual a média) Vazão de dimensionamento: Q = 330 . o .230 .3.por que são ditos condutos sob pressão? o . 9. ferro ou aço para sifões invertidos. do ponto de vista hidráulico: o .004m/m.  Citar situações onde os sifões invertidos são inevitáveis. .por que a velocidade de escoamento deve ser “alta”? o .  Que alternativas poderiam ser analisadas à indicação de um sifão invertido?  Por que os sifões normais não têm emprego em sistemas de esgotamento?  Por que um número mínimo de dois condutos paralelos?  Como seria executada a limpeza com auxílio de jatos de água?  Explicar a preferência por tubos de concreto. 9.por que devem ser evitados? o .7.

 Dimensionar (cálculo hidráulico) o sifão esquematizado na Fig. 9.2 sabendo-se
o - escala aproximada: 1:200;
o - cota de chegada na câmara 252,00;
o - diâmetro de chegada e de saída: 900mm (lâmina máxima 0,72m);
o - vazões de projeto: mín = 102 l/s, méd = 259 l/s e máx = 580 l/s.

 Uma tubulação de esgotos sanitários de 1500mm de diâmetro está assentada sob uma declividade de
0,001m/m (n = 0,013). Para uma vazão mínima de 0,40m³/s e uma média de 1,10m³/s, projetar um sifão
invertido para a capacidade máxima da tubulação, sabendo-se que a perda hidráulica é de 0,007m/m (n
= 0,015).

 Calcular um sifão invertido para as seguintes condições:
o - extensão do sifão = 50,00m;
o - depressão máxima = 3,00m;
o - desnível disponível = 0,65m;
o - vazões de projeto (n = 0,013): Qmín = 35 l/s, Qméd = 115 l/s e Qmáx = 240 l/s.

 Uma galeria de águas pluviais de 1,20m de diâmetro e I o = 0,0015m/m, transporta em tempo seco uma
vazão máxima de 0,3 m³/s. Projetar um sifão invertido que conste de três ramos, sabendo-se que a
declividade disponível é de 0,005m/m e o rebaixamento mínimo possível é de 6,0m.

CAPÍTULO X
ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS
10.1. Introdução

Em algumas situações nos sistemas de esgotos sanitários pode ser que haja necessidade de elevação de vazões de
esgotamento. Isto ocorre com relativa freqüência em condutos longos exclusivos de transporte dessas vazões. O
impulsionamento forçado das vazões torna-se possível através de instalações denominadas de Estações
Elevatórias de Esgotos - EEE, as quais se podem definir como “instalações eletromecânicas projetadas,
construídas e equipadas de forma a transportar o esgoto de um nível de sucção ou de chegada até o nível de
recalque ou de saída, acompanhando as variações afluentes”. Este capítulo tratará de um estudo relativo a
elevatórias empregadas nos sistemas de esgotos sanitários sendo que, como o tema é muito amplo, seu conteúdo
limitar-se-á a descrição de informações compatíveis, com o nível desta publicação e de modo a permitir ao
estudante familiarizar-se com o assunto.

10.2. Ocorrências

Como as canalizações coletoras e transportadoras de esgoto funcionam como condutos livres, elas devem ser
projetadas com uma certa declividade, o que implica em um acréscimo contínuo no caimento, ao longo de cada
trecho de canalização, de montante para jusante. Tendo em vista a manutenção de velocidades de escoamento
tais que consigam garantir condições de autolimpeza no interior dos condutos, cada trecho será projetado em
função de uma declividade mínima. Para que os custos das escavações, para instalação das canalizações, sejam
viáveis é necessário que haja uma sintonia entre o sentido do escoamento nos condutos e a declividade natural do
terreno, desde que esta seja igual ou superior a mínima exigida para cada trecho projetado, resultando em
volumes mínimos a escavar quando da execução das valas.

Porém, nem sempre se tem áreas a esgotar onde a superfície do terreno apresente essas condições e, assim sendo,
para que haja condições mínimas de escoamento, a profundidade dos condutos subterrâneos crescerá para
jusante, podendo atingir níveis impraticáveis, caso a área de projeto ao longo do desenvolvimento da canalização
continue em condições desfavoráveis. Se os condutos atingirem profundidades excessivas, teoricamente acima
de 6,0m (na prática, 4,5m), então, devem ser empregadas instalações que transportem as vazões até então
recolhidas, para uma cota que permita a construção e operação dos trechos a jusante daquele ponto novamente
em condições viáveis tecnicamente. Esta recuperação de cotas é conseguida através de uma elevatória de
esgotos. Além da situação descrita pode-se projetar elevatórias para recalques de esgotos produzidos em áreas
baixas, para reunião de vazões de bacias diferentes (sistemas distritais), quando da ultrapassagem de divisores de
água, na necessidade de lançamentos submersos, nos recalques de lodos nas estações de tratamento e,
eventualmente, nas entradas ou entre unidades destas.

Uma elevatória por ser uma instalação eletromecânica consumidora contínua de energia, acondicionada em
edifício próprio, constitui-se em uma obra que irá onerar a implantação e a operação do sistema, devendo ser
objeto de minuciosos estudos comparativos, para que seu projeto só seja definido quando não houver mais
opções técnicas viáveis com a utilização de escoamento por gravidade.

10.3. Classificação

As EEE podem ser classificadas de várias maneiras, porém nenhuma delas é satisfatória, como citado por
Metcalf e Eddy. Esta classificação pode ser feita em função de sua capacidade ou de sua altura de recalque ou da
extensão deste, segundo a fonte de energia, pelo tipo de construção, etc. A PNB-569/75 da ABNT classifica-as da
seguinte maneira:

a) quanto as vazões de recalque - Qr

- pequena: Qr 50 l/s,

- média: 50 < Qr< 500 l/s,

- grande: Qr500 l/s;

b) quanto a altura monométrica - H

- baixa: H  10 m.c.a,

- média: 10 < H < 20 m.c.a.,

- alta: H  20 m.c.a.

Define ainda como tubulação curta a tubulação de recalque com comprimento de até 10 metros e longa aquela
com extensão superior.

10.4. Características Gerais

A Fig.10.1. mostra o corte esquemático de uma pequena elevatória convencional com bombas de eixo horizontal,
moldada no local. Vale salientar que as EEE têm suas características definidas a partir da determinação das
vazões a elevar, dos equipamentos e seus modelos a serem instalados e do método construtivo.

Tipicamente quando são moldadas no local, são estruturas em concreto armado nas construções subterrâneas e
em alvenaria nas externas. Constituem-se de uma câmara de recepção denominada de poço úmido, de detenção
ou de coleta, no qual se instalam grades de retenção de material grosseiro (d > 2,5cm) e dispositivos para retirada
desse material retido, escadas fixas de acesso, entradas de sucção e extravasores. Também possuem uma câmara
de operação denominada de poço seco ou câmara de trabalho, onde estão instalados os equipamentos de
impulsão (conjuntos motor-bombas), geradores, válvulas de controle e antigolpe, conexões de continuidade do
recalque, exaustores, etc., além de estruturas de circulação de operadores e transporte de máquinas.

Normalmente sobre o poço seco estão as dependências de acomodação dos operadores (instalações sanitárias e
escritório) e equipamentos e dispositivos necessários a operação e manutenção das instalações (talhas, ganchos e
chaves, quadros elétricos, alarmes e painéis de controle automáticos e manuais), sistemas de ventilação e
calefação, drenagem, etc.).

FIG. 10. 1 - Corte esquemático de uma elevatória convencional com bombas de eixo horizontal

10.5. Localização

alegam as seguintes vantagens sobre os conjuntos tradicionais:  dimensões reduzidas. 10. Conceitos Nas elevatórias de esgotos o tipo de bomba mais freqüente é a centrífuga. em geral. A descrição das principais características e a aplicabilidade desses equipamentos é o que será desenvolvido a seguir. Também é freqüente o emprego de conjuntos motor-bombas submersíveis.6. Diferentemente dos rotores empregados no bombeamento da água limpa. ou nas proximidades de rios. com relativa constância. Nestes conjuntos a bomba e o motor formam um monobloco que opera dentro da massa líquida a ser elevada. As verticais podem ser com motor acoplado ou de eixo longo.  facilidades de acesso. os de bombas centrífugas para esgotos são do tipo aberto. as bombas mais empregadas são do tipo de eixo horizontal ou vertical afogadas.  distância das habitações. tornando igualmente singela as operações inversas com emprego de uma talha quando de previsíveis inspeções ou reparos. Também são muito empregados os conjuntos motor-bombas submersíveis (de eixo vertical). remete o líquido aspirado através da sucção.3) têm especificação bastante restrita. ou de um distrito de coleta. embora de maior custo de aquisição. pois o eixo muito extenso poderá acarretar excentricidades quando do seu funcionamento podendo gerar danos significativos ou até irreparáveis ao conjunto.  proteção natural contra possíveis inundações.  possibilidades de eventuais descargas de esgotos em galerias ou canais próximos quando de paralisações do sistema elevatório. sem necessidade de aparafusamentos.  possibilidades de ampliações futuras. Além das bombas centrífugas também são empregadas as bombas helicoidais e os ejetores pneumáticos.10. apenas pelo seu peso próprio. O conjunto pode ser movimentado verticalmente através de uma haste-guia (ou conjunto de hastes) em aço inoxidável que permite o acoplamento automático entre o flange de saída da bomba e o da entrada da tubulação de recalque. estas de uso menos freqüente. na voluta. de aspiração única instaladas em um poço seco com motores acoplados sobre o piso no caso de eixo horizontal (Fig. situando-se nos pontos mais baixos de uma bacia.10. do seu centro para a periferia. do ponto de vista construtivo. praias. o posicionamento das EEE. pois o conjunto funciona dentro do líquido. Esses conjuntos têm a vantagem imediata. decorre do traçado das redes coletoras e canalizações de maior diâmetro equivalente. Bombas Centrífugas Nas EEE convencionais.6.  facilidade de obtenção do terreno. As bombas centrífugas são compostas de uma carcaça que molda em seu interior um canal de secção gradualmente crescente para direcionar o líquido bombeado para a saída da bomba com energia de pressão. que são do tipo fechado.  harmonização da edificação com o ambiente vizinho. .  facilidade de obtenção de energia elétrica. pelo princípio da força centrífuga.1.Para escolha definitiva da localização de uma EEE deverão ser observados e analisados os seguintes aspectos:  menor desnível geométrico entre a captação e o fim do recalque e menor extensão deste. podendo ser de eixo horizontal ou vertical. 10.4).  dispensa poço e casa de máquinas. etc. córregos. manutenção simplificada e fácil inspeção.6.  não requer precaução contra inundações ou preocupações com refrigeração pelo mesmo motivo. Os adeptos deste tipo de equipamento. com diâmetros equivalentes a até cinco centímetros.10. Independente dos pontos citados. Bombas para Esgotos 10. Dentro da voluta encontra-se um elemento girante denominado de rotor que recebe energia mecânica através do seu eixo e. Este canal é chamado de voluta.2) ou sobre a própria bomba quando o eixo é vertical. As bombas de eixo vertical com apenas a bomba submersa ou afogada (Fig. com velocidade fixa ou variável. que permitem o bombeamento de sólidos em suspensão no esgoto.2. de não requererem a construção de um poço seco (Fig.

 volume de escavação reduzido e não necessitando de compartimentos para acomodação de operadores. 2 . pois dispõem de comandos automáticos de partida e de parada de acordo com os níveis do líquido e alarme detectante de avarias. que historicamente está no mercado desde 1948. FIG. 10.  manutenção preventiva apenas semestral e garantia de três anos sem necessidade de lubrificação dos rolamentos de esfera.Elevatórias com bombas de eixo vertical .Elevatória com bombas de eixo horizontal FIG. 10. Com estas características o conjunto de maior tradição comercialmente é o de origem sueca.  não necessita de vigilância.  podem funcionar a seco. da marca FLYGT.  permitem passagem de sólidos de até doze centímetros de comprimento. 3 . prometendo as seguintes vantagens:  componentes padronizados.

Seu princípio de funcionamento mantém-se inalterado desde os tempos de Arquimedes (287-212 a.0m. devidamente dimensionados para suportarem as cargas axiais e radiais que atuam sobre o mesmo.  é praticamente imune às imperícias dos operadores e a danos e paralisações decorrentes de materiais fibrosos tais como trapos. a quem esta invenção é atribuída.  apresenta bom rendimento (até 85%) para vazões máximas de dimensionamento de 10 a 3200 l/s. embora o mecanismo já deva ter existido no antigo Egito em formas mais primitivas. têm sido tradicionalmente empregadas para recalques de baixa altura e curta extensão (típica para recuperação de cotas ou em projetos de estações de tratamento).3 até 3.  necessita de redutor de velocidade. principalmente nas partidas. natural de Siracuse. O parafuso constitui-se de um eixo tubular em aço carbono ao qual estão soldadas as hélices do mesmo material com diâmetro de 0.5). Comparando-se com as bombas centrífugas.  dispensa utilização de válvulas de gaveta. Essas bombas são constituídas de um parafuso montado dentro de uma calha anti-retorno em aço carbono ou concreto. acoplado a uma unidade motriz externa conectada na extremidade superior e completada com mancais de apoio inferior e superior. as helicoidais apresentam uma série de vantagens.C.  maior corrente elétrica. 4 .3. A lubrificação é feita por meio de graxa . O conceito hidráulico básico permanece inalterado ao longo desses dois milênios.  apresenta menores ruídos durante o funcionamento e maior durabilidade. FIG.. O mancal superior é constituído de um rolamento axial e um de escora. de retenção. bomba de graxa e acessórios (Fig. Bombas Helicoidais Também chamadas de bombas parafuso.). na Sicília. tubulação de sucção e recalque.  pequenas alturas manométricas (2 a 9 metros) em virtude da possibilidade de formação de catenária ao longo do parafuso.10. proporcionando-lhe maior vida útil. 10.  dispensa dispositivo de proteção de montante como caixas de areia e grades.  trabalha com qualquer vazão. assentado com uma inclinação de 30 o a 38o. resistentes a corrosão. sejam bastante diferentes. embora o desenho mecânico e o método de construção das atuais bombas.  maiores espaços horizontais. a saber:  baixa velocidade de rotação (até 100rpm) reduzindo problemas de abrasão e custo de manutenção e de fácil operação. que permitirão a elevação do esgoto. evidentemente. etc. principalmente em relação as submersíveis.6. buchas de fiapos. sem necessidade de refrigeração e sem riscos de cavitação. Por outro lado estas bombas apresentam algumas desvantagens em relação às bombas centrífugas como:  maior custo das instalações mecânicas.Instalação típica para bombas FLYGT (Conjunto motor-bomba submerso) 10.

Ejetores Pneumáticos Os ejetores pneumáticos são bombas de pequena capacidade (2 a 20 l/s) para emprego em unidades independentes.A. o mais tradicional fabricante de bombas helicoidais é a Fábrica de Aço Paulista S. 10. está copiado na Fig. . que aciona um redutor de velocidade de rotação através de polias e correias. vedado hermeticamente contra infiltrações de líquidos. montado sobre uma base metálica. A unidade motriz constitui-se de um motor elétrico.FAÇO. 6 . cujo diagrama de seleção de seus produtos.Gráfico para seleção de parafusos FAÇO 10. 5 .6. Por sua vez esse redutor é acoplado ao mancal superior. Deve-se observar que. O mancal inferior é dotado de rolamento autocompressor. apresentado em folheto comercial de 1980.Corte esquemático de uma bomba parafuso simples No Brasil. quanto maior o diâmetro do parafuso menor o número de rotações e maior a vazão bombeada.10.4. principalmente para esgotamento de subsolos de edificações que se situam abaixo do nível da . FIG.fluida. recebendo graxa de forma automática de um lubrificador acionado independentemente. 10. FIG.6.

7. como por exemplo.rede coletora externa de esgotos. dimensões e quantidades a serem instalados. 10. impulsionando ar comprimido fornecido por um compressor acoplado. de alguma fonte ou processo. ocupam pouco espaço e quando da instalação de múltiplas unidades podem ser alimentados por uma única central de ar comprimido. que dispensam poço seco e grades.7. 10. Cada ciclo dura em média um minuto quando o ejetor trabalha com sua capacidade máxima. FIG. Motores a gasolina. o emprego de motores alimentados por outras fontes de energia. conjuntos de reserva com motores de combustão interna (movidos a gasolina. Quando o nível mínimo (Nmín) é atingido a posição da válvula V2 inverte-se dando início a um novo ciclo. no caso de simples recuperação de cotas ao longo de um coletor possivelmente utilizar-se-ão bombas parafuso. além desses tipos de combustíveis implicarem em maiores custos operacionais (mais caros) e. Noções sobre Motores 10. além da sua grande versatilidade de adaptação às mais variadas cargas. Tipos de motores Nas instalações hidráulicas motores são máquinas que vão receber uma modalidade de energia. Esses dados são essenciais para que sejam definidos os tipos de conjuntos. manutenção e investimento. porém. bem como as possíveis etapas para ampliação das instalações iniciais do projeto.6. Exemplos: grande crescimento das vazões de projeto ao longo do plano implicam em instalações dos conjuntos por etapas. localização da estação. não expelem maus cheiros (desde que bem ventilados). álcool ou gás (ignição por centelha) são menos empregados porque seu princípio de funcionamento é suscetível a maior número de falhas tanto na partida como em funcionamento. requerem pouca lubrificação. Não é raro. forçando o líquido acumulado através da “válvula V 4” visto que neste movimento a V3 ficará fechada. Quando a água residuária alcança o nível máximo (Nmáx) a “válvula V2” é aberta através do acionamento provocado pela “bóia C”. etc. Compõem-se de câmaras metálicas com entrada e saída em 100mm ou mais. inferiores a 15%) e para alturas manométricas de 3 a 15 metros. Em sua maioria as bombas para impulsionamento de esgotos sanitários são acionadas por motores movidos a eletricidade. definição das tubulações e as curvas características das bombas e do sistema. álcool.Corte esquemático de um ejetor pneumático Ejetores pneumáticos são viáveis para esgotamento de vazões de até 20 l/s (vazões maiores consumem muita energia com baixos rendimentos. e transformar esta energia de modo a fornecer energia mecânica às bombas. com etapas a cada 10). Para melhor entendimento do mecanismo de funcionamento de um ejetor pneumático deve-se observar o corte esquemático mostrado na Fig. tais como. também. grandes vazões e pequenas alturas deverão requerer bombas de eixo axial. 10.10. em maiores riscos no . baixo custo de operação. grandes flutuações da vazão indicam bombas com descarga variável. enchendo a câmara de recepção T. por vários motivos.5. Seleção de Bombas Para a definição do conjunto de bombeamento a ser empregado em uma elevatória devem-se ter informações precisas sobre as vazões de projeto e suas variações diárias e ao longo do alcance do plano (em geral 20 anos.7. 7 . O próprio gás produzido nas estações de tratamento poderá ser uma fonte alternativa de energia.1. O esgoto líquido penetra através da “válvula V3”. gás ou diesel) para que haja garantia de continuidade de funcionamento nos períodos em que ocorram falhas no fornecimento de energia elétrica.

no interior dos quais se desloca um êmbolo e onde se realiza a combustão da mistura e a subseqüente expansão dos gases. características construtivas e partes componentes de tais máquinas comerciais existentes e conhecimentos fundamentais sobre velocidade síncrona. Motores a diesel (ignição por compressão) são mais freqüentemente utilizados para funcionamento nestas situações emergenciais. Em razão da complexidade do assunto não é objetivo deste texto um estudo detalhado sobre motores elétricos e sim descrever apenas conhecimentos elementares sobre os mesmos. etc. visto que normalmente a energia elétrica é fornecida em corrente alternada. Pertencem a uma das seguintes categorias:  motor síncrono polifásico. escorregamento. Seu uso fica restrito a situações muitos especiais. sendo os tipo Shunt os empregados nestas condições.armazenamento. 1857-1894): no Brasil = 60Hz. pois inicialmente necessitariam de um dispositivo de retificação de corrente. portanto. como por exemplo. são vantagens significativas do motor diesel sobre o a gasolina. a maior durabilidade. etc. Por outro lado os motores a diesel são mais caros e bem mais pesados que os a gasolina de cilindradas equivalentes. utilizado. com sentidos opostos.  motor assíncrono (ou de indução) polifásico nas especificações com rotor de gaiola e com rotor bobinado. Corrente elétrica polifásica é a corrente composta. ‘incendiar’.2. “n” tensões alternadas senoidais que guardam entre si uma diferença de fase constante e igual a 360º/n.) informações de tipos. funcionamento e empregos. pois aqueles funcionam com pressões consideravelmente maiores necessitando. físico alemão. produzindo o funcionamento dos motores a explosão. 10. desde que seja constante a freqüência da alimentação.7.número de rotações por minuto (normalmente de 500 a 1200rpm). e que atuam sobre um corpo. tanto no vazio como em carga.freqüência da corrente em Hertz (Heinrich Hertz. Os de corrente contínua são raramente utilizados. 10. conjugados (na Física é a denominação dada a um sistema de duas forças paralelas de suportes distintos.7. Além disso são de custo mais elevado. em casos de funcionamentos com velocidades constantes ou variáveis apenas entre intervalos de bombeamentos com o controle rigoroso destas flutuações executado através de um reostato (resistor variável. Motores síncronos O motor síncrono tem a velocidade de rotação do eixo (em geral expressa em número de rotações por minuto - rpm) denominada de velocidade de sincronismo “Ns”. rigorosamente constante. a resistência e a grande capacidade à média e baixa rotações. que significa estado dos corpos em combustão. que proporciona menores riscos de falhas e gastos mais reduzidos com combustível. produzida por um gerador onde se formam. f . OBS: Ignição é um termo originado do latim ignire. conceitos. torque). Comparativamente os motores diesel são mais vantajosos.3. Motores elétricos Um estudo básico dos motores elétricos envolve além de bons conhecimentos sobre eletricidade (energia e potência. corrente nominal. . de conformidade com a seguinte expressão: Ns = ( 120 f / p ) Eq. principalmente sobre terminologia. estruturas próprias mais reforçadas. A ignição espontânea utilizada pelos motores a diesel. 10. enquanto que Cilindrada é um termo derivado do latim cylindru. simultaneamente.1 sendo: Ns . Os motores elétricos podem ser de dois tipos: de corrente contínua e de corrente alternada. Os motores de corrente alternada são usualmente utilizados para o acionamento de bombas hidráulicas. fatores de potência e de serviço. e definida em função dos valores de freqüência da corrente e da quantidade de pólos do motor. e que define a capacidade máxima de admissão de gás pelo conjunto de cilindros. Têm conjugado de partida (torque) elevado. rendimentos mecânicos. em geral para limitar corrente em circuitos ou dissipar energia). que são órgãos fixos em um motor de explosão.

não coincidindo exatamente com a velocidade de sincronismo já referida. considerando que os assíncronos têm fator de potência muito baixo. é atraído continuamente pelo campo do estator. para alcançar a rotação síncrona. O custo inicial. resistente a corrosão. daí o nome de motor de indução. O princípio básico de funcionamento consiste na interação de dois campos magnéticos. parte elementar de um enrolamento). do enrolamento e também de um núcleo de chapas magnéticas de baixa perda.7. Nestes casos. que tende a anular os efeitos do campo de origem. para que se obtenha uma maior superfície de dissipação de calor para o ambiente em volta e proporcionar alta resistência mecânica. Não são motores adequados para elevatórias comuns de esgotos sanitários. também denominados de indução.  para proteção de sua integridade precisa de dispositivos especiais que o pare automaticamente no caso de saída de sincronismo. enquanto que o rotor é composto de um eixo para transmissão da potência mecânica desenvolvida. destinada à alimentação dos enrolamentos do rotor. é elevado e a fabricação ainda restrita em nosso país. normalmente  um motor de indução tipo gaiola. pois em eletricidade correntes induzidas tendem a se opor à causa que as originou. pelo mesmo eixo do motor. p . por exemplo). Motores síncronos só são viáveis para grandes instalações. de equipamentos especiais. a velocidade de rotação é ligeiramente variável. Esta é a principal e suficiente condição para que os motores síncronos tenham sua utilização muito restrita. freqüentemente. vida útil longa. há uma ligeira redução na rotação. das bobinas e da estrutura de suporte denominada de carcaça. A preferência por estes motores deve-se ao fato de os mesmos possuírem várias vantagens. tais como. 10. etc. que é conhecida por escorregamento.4.  tem conjugado (= medida do esforço para giro do eixo.  não tem arranque próprio necessitando. Exemplo: 1200rpm síncrono corresponde 1170rpm de indução. alimentadas por um sistema de compensadores automáticos. gerado pela passagem da corrente. por excitação e no ferro). Normalmente tem um valor entre 5 e 10% da potência do motor síncrono. De um modo geral pode-se relacionar que este tipo de motor tem as seguintes desvantagens:  necessita instalação de chaves especiais (compensadoras) para sua partida. As correntes internas são geradas por indução eletromagnética. Sua potência deve ser tal que possa vencer as perdas a vazio (perdas mecânicas. flexibilidade de manobras e manutenção. com ranhuras na superfície interna onde estão alojadas as bobinas (do francês bobine que significa agrupamento de espiras) normalmente constituídas de fios de cobre esmaltado revestidos com verniz à base de poliester em forma de espiras (do grego speira.número de pólos (em geral 6 a 14). Esta reação faz com que o rotor seja atraído pelo campo . o dispêndio com a energia elétrica passa a ser significativo na economia global do sistema. nas bobinas curto-circuitadas em torno de um eixo. Nestes motores o enrolamento do rotor não possui ligação elétrica direta com a linha de alimentação. Basicamente são motores trifásicos compostos de um estator ou indutor fixo e um rotor ou induzido. em geral construída em ferro laminado. normalmente trifásica. partida sozinho mesmo em carga. Isto é obtido através de uma excitatriz (pequena máquina elétrica destinada a produzir a corrente necessária à alimentação dos enrolamentos indutores de uma máquina principal) acionada. torque) de partida baixo. Externamente a carcaça e as tampas em ferro fundido são providas de aletas ou ranhuras as mais profundas possíveis. geralmente quando a potência das bombas ultrapassa de 500HP e as velocidades necessitam ser baixas (até 1800rpm). implicando automaticamente no aparecimento de um campo reagente para cada espira. Seu princípio básico de funcionamento está no fato de haver uma indução de um campo girante no estator.  criteriosa e difícil operação. em razão de sua maior eficiência.  pode sair de sincronismo (a condição básica de sua opção) por perturbações no sistema (excesso de carga. Em função da carga mecânica aplicada. entretanto. A estrutura e o mecanismo de operação dos motores síncronos são relativamente complicados e para o seu funcionamento há necessidade de uma fonte suplementar de energia em corrente contínua. pois. um girante produzido no estator pela corrente alternada e um outro fixo gerado no rotor que. Motores assíncronos Nos motores assíncronos. Esta indução gera uma força eletromotriz nas espiras do rotor. no seu funcionamento. da ordem de 3 a 5%. construção simples. O estator compõe-se de um núcleo de chapas magnéticas tratadas termicamente para redução das perdas.

As instalações de bombeamento com potências inferiores a 10HP utilizam quase que exclusivamente motores desse tipo. A partida é feita utilizando-se chaves elétricas apropriadas. apresentando. Quando em cada ranhura são colocadas barras e estas barras são soldadas em suas extremidades a um anel de cobre. Estes anéis podem ser providos de aletas externas que substituem o ventilador. com mesmo número de pólos. Nos motores de grande potência empregam-se múltiplos pacotes com espessuras de 10cm cada. também. exigindo dispositivos especiais para redução deste problema. por este motivo. Isto é um dos motivos de que os motores com rotor em curto-circuito serem mais compactos e de operação mais simples. para melhor refrigeração interna e redução do aquecimento de todo o equipamento. a medida que o rotor é atraído pelo campo do estator a variação do campo reagente vai-se reduzindo. desapareceria o efeito magnético que faz o motor funcionar. Observar. tem-se o rotor de gaiola. principalmente nos de pequena potência. Com este amortecimento novamente ocorrerá um aumento da força de atração e o ciclo repete-se. não existindo contato elétrico do induzido com o exterior. Evidentemente se o rotor alcançasse a velocidade do campo girante não haveria geração de corrente induzida e. Em geral possuem de 3 a 5 canais por pólo e por fase. visto que as extremidades (três) do enrolamento são unidas a três anéis fixados no eixo permitindo a introdução de resistências em série com as três fases do enrolamento na partida e a colocar em curto os terminais citados quando em funcionamento. mas o número do estator induzido por este. Logicamente. Também denominado de rotor em anéis. Podem ser usados para acionamento de bombas centrífugas e de êmbolo. havendo necessidade de uma ventilação forçada obtida com ventiladores internos. Neste caso o rotor não possui número de pólos próprios. O rotor ou induzido pode ser de dois tipos: bobinado ou em anéis e de gaiola ou em curto-circuito.girante. Rotores Os rotores dos motores assíncronos são constituídos por conjuntos de condutores colocados em pacotes de lâminas de ferro com espessura de 0. pois há uma necessidade de uma corrente cinco. O motor de indução com rotor de gaiola é o tipo de uso mais corrente nas pequenas e médias instalações de bombeamento. 10. O bobinado é composto de um núcleo em ferro laminado onde se fixa o enrolamento semelhante ao do estator.5mm cada lâmina. conjugados elevados com corrente reduzida no arranque. Nestes o inconveniente da alta absorção de corrente no arranque é atenuado com emprego de um reostato de partida. diminuindo progressivamente a força de atração. que da maior ou menor quantidade de espiras dependerá a intensidade da força de atração gerada. conectando-as em curto entre si. tendendo a se igualar em módulo a mesma velocidade do campo do estator para neutralização dos efeitos do campo do estator.5. sete e até dez vezes superior a de plena carga. isoladas entre si por uma camada superficial de óxido de ferro e providas de furos que fornecem ranhuras ou canais nos quais os condutores são colocados. O rendimento (m) é elevado. o que é um sério inconveniente no momento de partida. Nos grandes motores a excessiva quantidade de calor gerada fica além da capacidade de dissipação pelas paredes. consequentemente. .7. implicando em acréscimo nas dimensões da máquina e seu encarecimento. fazendo com que a velocidade de rotação do rotor também seja amortecida. O rotor não possui nenhum enrolamento.

Este rendimento depende das perdas no estator. principalmente quando há necessidade de partidas com carga. A potência P consumida pelo conjunto motor-bomba (potência de entrada) expressa em quilowatt (KW) é dada pela expressão: P = 0. Convém. Potências A potência de placa do motor (potência mecânica que o motor fornece ao seu eixo) deverá ser suficiente para cobrir o valor da potência absorvida pela bomba.Esquema de um motor elétrico Os motores de indução com rotor bobinado têm aplicação recomendada quando se tem um conjugado de partida elevado durante toda a fase inicial de movimentação.10. Freqüentemente a potência nominal é expressa em cavalos-vapor (CV) ou em “horse-power” (HP). no rotor e nos circuitos internos e. hm ). requerem maiores cuidados de manutenção e têm pior rendimento. para emprego em situações onde as partidas sejam sem carga ou com carga reduzida. alguns autores classificam como potência nominal ou de saída a potência no eixo do motor e de potência de entrada a potência absorvida pelo motor. 8 . como por exemplo.Qb. 10. em instalações onde as bombas exigem motores acima de 50HP. hm.2 onde “ b . Figura 10. Seu custo é bem maior que os motores assíncronos com rotor de gaiola.  m” e é denominado de rendimento “” do conjunto. Têm sido utilizados com maior freqüência.7. b . entretanto.. Não há necessidade de chaves especiais para a partida. pois a bomba poderá eventualmente funcionar com vazão maior do que a prevista. embora os motores assíncronos com rotor de gaiola sejam também fabricados para potências maiores.7355KW (Ver Anexo A2). e exigir uma potência maior em seu eixo. Eq. das perdas mecânicas (Figura 10.H / (75. tubulação nova que admite escoamento maior devido a perda da carga ser menor que a calculada ou tubulação descarregando em cota inferior a prevista. São mais indicados para bombeamento com velocidade variável. também.9).6. A relação entre a potência nominal e a potência de entrada é o rendimento do motor. Como o motor também consome potência na transformação de energia elétrica em mecânica.736. .986HP = 0. que seja ligeiramente superior. sendo 1CV = 0.

Figura 10. 9 .Esquema das demandas de energia nos conjuntos .

etc. Número de fases. Tensão nominal. Por exemplo. Projeto de Elevatórias 10. No caso de uma variação positiva na tensão implicaria em acréscimos na potência do motor e na corrente e velocidade nominais. canais.10. sucção. A grande maioria dos motores é fornecida com terminais de enrolamento ditos religáveis. devidamente justificada).8.  determinação do sistema de medição das vazões afluentes.7. enquanto que a potência do motor e a corrente nominal continuariam inalteradas.  Potência nominal. por exemplo ligações série-paralela. A grande maioria das elevatórias não requerem voltagens superiores a 760V. 10.7. possibilitando o funcionamento em redes com tensões diferentes.2. . Em geral estes dados são os seguintes:  Fabricante.  definição do número de conjuntos elevatórios incluindo os de reserva (rotação de 500 a 1200rpm. etc.  dados geométricos e físicos dos canais afluentes.5m/s na sucção e 2. não havendo variação de freqüência.  Tipo de corrente e intensidade nominal. estrela-triâgulo ou tripla tensão. Também devem funcionar satisfatoriamente com variações de freqüência de até 5% em torno da sua freqüência nominal sem variação da tensão. No caso de variações na tensão e na freqüência simultaneamente a soma destas variações não deve ultrapassar 10% do valor nominal da freqüência.  pré-seleção dos conjuntos elevatórios (velocidade mínima de 0. ou até 1800rpm para vazões de até 0. 10. Tipo.1. material. médias e máximas. Regime de trabalho. Fator de serviço. lâmina líquida. Informações Básicas No estudo para elaboração de um projeto de uma EEE são necessários o conhecimento dos seguintes parâmetros básicos:  vazões de projeto (mínimas. um acréscimo na freqüência implicaria em redução no conjugado e na corrente de partida e aumento na velocidade nominal.8.) e promove os levantamentos topográficos e as sondagens preliminares. Pré-dimensionamento O passo seguinte será a definição preliminar das instalações dentro das limitações que seguem:  pré-dimensionamento do poço de sucção (diferença entre os níveis máximo e mínimo úteis e com bombas afogadas) com uma submergência mínima para que seja evitada a formação de vórtices na entrada da sucção. acesso e a infra-estrutura pública existente (ruas. Freqüência.  Velocidade de rotação. dimensões. cotas.05m³/s. Os motores devem ser capazes de funcionar satisfatoriamente quando alimentados com tensões de até 10% de variação em torno da sua tensão nominal.8. Define-se corrente nominal como a amperagem que o motor absorve da rede quando em funcionamento na potência.  hidrogramas de chegada. Código. De posse destas informações o projetista define o local da construção a partir de inspeção da área. iniciais e finais de projeto). Comentários As EEE de pequeno porte funcionam com tensão de 380 a 460V com 60Hz de freqüência. Todo motor deve vir com uma placa onde estão indicados seus dados baseado nos quais poderá ser feita sua aquisição. tensão e freqüência nominais.60m/s para impedir sedimentações indesejáveis e velocidades máximas de 1. rede de energia. Modelo e número de fabricação.  Classe de isolamento.5m/s no recalque). verifica os níveis de inundação. enquanto que não haveria alterações sensíveis nos conjugados e na corrente de partida. em geral até 380V). Nas de grande porte as voltagens chegam a valores superiores a 4000V (nestes casos com equipamentos auxiliares de menores voltagens.

com espaçamento máximo entre barras de 2. O princípio de funcionamento consiste em fazer passar a corrente líquida por sobre um depósito numa velocidade tal que as partículas pesadas (areia e outros sedimentos) fiquem retidas.30m/s. partículas metálicas.1. FIG. .8.10). como mostrado na Fig. Em pequenas EEE poderá ser utilizado o gradeamento tipo cesta. chamadas de caixas de areia. será de efetiva utilidade na retenção de corpos sólidos de maiores dimensões tais como animais mortos. Para melhor embasamento sobre grades e caixas de areia pesquisar bibliografia sobre estações de tratamento de esgotos.11). devidamente justificada. contra a abrasão e também evitar depósitos de materiais inertes em unidades posteriores. uma outra unidade pode ser necessária que seria uma caixa de areia logo após ao gradeamento.15m/s provocam sedimentação indesejada de matéria orgânica e acima de 0. etc.10m nas mecânicas (Fig. menos freqüentemente. A velocidade pela grade deverá estar entre 0. Unidades Preliminares Essencial para o funcionamento efetivo de elevação dos esgotos.40m/s permitem a passagem de partículas arenosas. com separações entre barras de 10cm.10. principalmente quando se empregam bombas centrífugas. seixos. 10. O material retido é retirado periodicamente por processos manuais em pequenas estações ou mecanicamente nas estações de maior porte.10. No caso da remoção mecânica as grades sempre estarão assentadas com inclinação de 70o a 90o e na manual 45o a 70o.6 e 1.3.Perfil esquemático das instalações de uma grade Areia e outros minerais pesados tais como entulhos. enquanto que as mais leves (material orgânico e flutuantes) sigam junto com o esgoto nadante (Fig. é o gradeamento e.10. Estes materiais devem ser removidos para proteção das bombas. Em algumas situações uma grade preliminar.10. 10 . Velocidades inferiores a 0.0m/s ou até 1. principalmente na estação de tratamento. garrafas. carvão. A velocidade do escoamento pela caixa deve ser da ordem de 0.5cm e com perdas mínimas de 0. com retirada manual. Sólidos que poderão ser prejudiciais ao bombeamento deverão ser retirados previamente antes que alcancem a entrada de sucção.4m/s. dependendo do tipo e teor dos sólidos sedimentáveis no volume a bombear.15m nas manuais e 0. etc. tubulações e peças especiais. Em elevatórias maiores são instaladas grades com remoção e trituração mecânicas.) deverão ser retidos em unidades posteriores às grades.

Para determinação do volume do poço úmido o projetista deverá partir das seguintes considerações:  não ser tão pequeno que provoque enchimento rápido e consequentemente uma alta freqüência de partidas e paradas no bombeamento.8. gerando condições sépticas do esgoto acumulados exalando maus odores. não havendo portanto a possibilidade de bombeamento contínuo a vazão constante. 11 .4.4.10. torna-se imprescindível a construção de um tanque armazenador de esgotos para permitir o funcionamento adequado das bombas. Quando for previsto instalação de novos conjuntos ao longo do plano dimensiona-se a arquitetura do poço úmido com base nesta previsão e com a locação exata das futuras unidades de sucção. Cálculo do Volume . facilitando serviços de limpeza e reparos. opcionalmente os compartimentos poderão ser intercomunicáveis através de comportas.  evitar a formação de volumes parados (zonas mortas) que criariam sedimentações indesejáveis e geração de maus odores.Posicionamento dos conjuntos motor-bombas 10.  controlar a formação de turbulência que afetaria a altura de sucção e o rendimento das bombas. nociva a instalação eletromecânica. Esta câmara de detenção do volume afluente é denominada de poço úmido. FIG. A Fig. notadamente nos casos de bombas centrífugas. 10. 12 .1. Poço Úmido 10. O futuro conjunto deverá estar em uma posição intermediária entre os dois primeiros (estes para funcionamento alternado) e mais próximo do afluente.  impedir a formação de vórtices no líquido para não permitir a entrada de ar nas bombas.8. Para efeito de ampliação da capacidade de armazenamento do poço úmido. bem como sedimentações problemáticas no fundo do poço.4.2.  fixar um nível mínimo do líquido de modo a garantir o afogamento ou submersão das bombas centrífugas e um máximo tal que não dê retorno prejudicial a canalização afluente. FIG.  impedir a acumulação de gases produzidos pelos esgotos o que poderia implicar em riscos de explosões.12 mostra um exemplo onde se observa o espaço recomendado para instalação de uma terceira sucção a qual está prevista em uma posição tal que não crie zonas mortas. poço de sucção ou câmara de aspiração.Esquema de instalação de uma caixa de areia 10.  não ser tão grande que resultem em períodos de detenção muitos longos.8. de modo a tornar a operação da unidade mais flexível. 10. Considerações para Projetos Diante da realidade que é a variação das vazões afluentes a uma elevatória de esgotos. É conveniente que essa câmara seja dividida em pelo menos dois compartimentos com entradas independentes. que prejudicariam o funcionamento inicial do projeto.

10. Feito este cálculo verifica-se seu valor para as condições de número máximo de partidas por hora e o maior período de parada (V. Para recalque à vazão constante o volume do poço úmido será de maiores proporções para evitar partidas muito freqüentes de bombeamento. das características das bombas selecionadas. observando-se.  Altura . 10.0 e 1. Entre 20 e 100HP não inferior a 15 minutos e superiores entre 20 e 30 minutos. altura. conforme o Quadro 10.  Comprimento . pois.10. Para motores inferiores a 20HP o tempo entre duas partidas consecutivas não deve ser inferior a 10 minutos. o “volume útil V” do poço úmido é determinado pela expressão V=q. Por outro lado.13.4.4.o fundo do poço deverá ter inclinações da ordem de 45 o a 60o na direção da sucção. Detalhes a Serem Obedecidos No desenho definitivo do poço úmido alguns detalhes são fundamentais para seu bom desempenho operacional.para proteção do bombeamento contra prejuízos advindos de entrada de ar na sucção.deverá ser iniciada por uma curva de 45 o ou 90o. de um modo geral. ou seja.  Largura .6 metros. períodos de detenção superiores a 40 minutos (se possível inferiores a 20 minutos) não são recomendáveis.É função do nível da extravasão (em torno de 30 centímetros acima) ou do nível máximo de alarme (aproximadamente 15 centímetros acima) e. das condições hidráulicas da sucção e da disposição física em relação as outras unidades da elevatória. Dimensões Úteis Determinado o volume útil. as quais poderão ser obtidas a partir do enchimento com concreto magro ou com a construção das próprias paredes externas nesta disposição. Exemplo 10.  quanto a entrada de sucção . principalmente em pequenas EEE.3 onde q é a vazão afluente e t é o período de parada do bombeamento. Assim.Suficiente para instalação adequada dos conjuntos elevatórios com as folgas necessárias para montagem e inspeção. Em qualquer situação não se deve prever mais que quatro partidas por hora para evitar fadiga nas partes elétricas das instalações. Recomenda-se ainda que a “submergência S” de projeto não seja inferior a três vezes o diâmetro de entrada da sucção (S3D).1. parte-se para a definição de sua forma geométrica.8. períodos assim originariam sedimentações e condições sépticas indesejáveis.3. A despeito disto a segunda hipótese é mais corriqueira em função da simplificação na operação. . o que provocaria o aparecimento de vórtices. das dimensões então definidas.  quanto a proteção contra vórtices . com boca alargada nas condições mostradas na Fig.8.t Eq.Depende do distanciamento das sucções entre si e das paredes ou no caso de bombas submersas. as orientações a seguir descritas. da natureza da elevatória. De um modo geral no pré-dimensionamento adota- se 10 minutos como período de parada quando a vazão afluente corresponder a média de projeto. 10. 10.4. As recomendações convencionais mais comuns são:  quanto as paredes do poço .A utilização de bombas de velocidade variável requer um volume útil menor tendo em vista a acomodação do bombeamento às vazões de chegada. dependendo do volume útil calculado. a faixa de operação deve ficar entre 1. largura e comprimento.1. b). recomenda-se um afogamento mínimo da borda da entrada em função da velocidade de entrada.

QUADRO 10. como externa.0 1.0 m/s e  D = 100 mm  S0.8. passando a depender principalmente. Genericamente. aço de 500 a 3000mm.5. o valor da tabela é inferior a 3D (= 3 x 0. Material das Tubulações Para quaisquer diâmetros as tubulações expostas. preferencialmente serão em ferro fundido com juntas flangeadas. 10. a opção por um determinado material poderá implicar em sensíveis diferenças de investimento tanto na aquisição como no assentamento e até na manutenção das mesmas. ou seja. O diâmetro de entrada da bomba deve ser da ordem de uma a duas vezes inferior ao da sucção e esta conexão deve ser executada através de uma redução excêntrica para evitar o possibilidade de acumulação de ar ou gases do esgoto a montante da bomba. porém os metálicos e os cimentados necessitam tanto de proteção interna. Isto acarreta conexões diferentes para as entrada e saída de cada bomba. ou seja.: “Submergência”. plástico com fibra de vidro até 1000mm e fibrocimento de 150 a 600mm. Peças Especiais e Conexões O diâmetro mínimo para elevatórias de esgotos é de 100 mm e é recomendado hidraulicamente que quando houver tubulação da sucção esta deve ter diâmetro um pouco superior ao do recalque. Para diâmetros maiores (300mm ou mais) a diversidade de materiais é mais notável.6m. em especial as internas às edificações. desconsiderando-se problemas de aquisição e transporte. conseqüentemente. Tubulações 10. contra os efeitos nocivos do meio líquido.8.5 1. um termo freqüentemente empregado em hidráulica. FIG.6 0.6 1. Normalmente. o valor da tabela supera 3D. concreto armado de 400 a 3000mm. Para as tubulações enterradas.30m). o que provocaria cavitação e. fibrocimento.5. por exemplo. Exemplo: para Vs = 1. opcionalmente.Valores Mínimos de Submergência Velocidade de Entrada Submergência Vs (m/s ) Smín (m) ______________________________________________ 0. devido a resistência destas a impactos acidentais após instaladas. para recalques de pequenos diâmetros (até 250mm) empregam-se tubos de PVC ou.5. desgaste eletrolítico.4 10. 13 . que podem provocar.0 0.Formas de sucção e respectivas submergências OBS.8 1. inclusive. dr = 100 ds = 125mm.9m. frente a agressividade de determinados tipos de solo e de águas subterrâneas.8.1 . 10. em virtude da importância de suas extensões. danos aos equipamentos. é uma forma anglicista de “submersão”.2.1. tubos de ferro fundido são empregados em diâmetros de 300 a 1200mm.3 1. Deve-se também saber que os tubos de plástico enterrados não carecem de revestimentos protetores. . das condições de pressão na linha.  D = 300 mm  S0.

é uma unidade que já nasce cara e permanece dispendiosa devido ao consumo contínuo de energia e outros custos de operação e manutenção. Exemplos Exemplo 1. oficinas. 10. tubulações e conexões. controle e alarme.60m. torna-se muito importante que o estudante visite unidades desta natureza em operação. também. Sala de Bombas Esta parte do projeto consiste em criar espaços e localizar as bases para os conjuntos motor-bombas.6. sua estrutura interna inclui equipamentos de movimentação e serviço (pontes rolantes. como visto. exaustores e detectores de gases. drenagem de pisos. além de espaços próprios para a disposição dos elementos hidráulicos complementares e outros dispositivos de operação.7. etc. acessos e escadas.10. gerador de emergência e outros que se fizerem necessários. no caso de estações de grande porte. depósitos.. A saída para o recalque provavelmente será através de um diâmetro duas vezes inferior ao da tubulação a jusante seguida de uma ampliação gradual concêntrica. pois o assunto além de muito amplo é razoavelmente complexo. aberturas de piso. Considerações Finais Um projeto completo de uma EEE envolve. iluminação artificial e natural. para melhor conhecer e entender as EEE. Para complementar o assunto torna-se indispensável um bom estudo sobre golpes de aríete em linhas de recalque e suas linhas transientes e equipamentos de amortecimento ou combate ao golpe.). 10. 10.dia (adotado). Portanto.0m entre cada dois conjuntos sucessivos. 10. Dependendo das exigências para operação e manutenção. logo população máxima é permanente). elétrico e eletromecânico. são instalados registros de bloqueio para permitir.População do projeto P = 805 x 5 = 4025 pessoas (conjunto habitacional. Além disto válvulas antigolpe também são instaladas para proteção de toda a estrutura a montante destas e da canalização em si. Os esgotos sanitários produzidos em um conjunto habitacional popular formado por 805 casas com previsão de ocupação imediata. como já comentado em 10.Cada trecho de sucção contém obrigatoriamente um registro de bloqueio de modo a permitir a inspeção ou até a retirada total dos conjuntos elevatórios sem que haja inundação do poço seco (caso de bombas afogadas). vestiários. painéis de controle. observando suas características e comparando com a teoria exposta neste capítulo. tudo isto com perfeita funcionalidade interna e em harmonia com o ambiente externo circunvizinho.30km. Sabe-se ainda que a rede coletora a montante da elevatória mede 4. Estrutura Funcional Uma edificação de uma EEE pode ser composta na sua forma mais simples. Solução: a) Cálculos preliminares . Pede-se determinar o volume do poço úmido e a potência a ser instalada para um desnível geométrico previsto de 6.8. com média de 5 pessoas por residência. comportas. baterias de banheiros.8. administração.9. Por outro lado. . restaurantes. . talhas.Per capita de consumo d’água q = 150 l/hab. etc. Logo. estrutural. calefação.2. necessitam ser recalcados para lançamento em um poço de visita situado a 408m de distância. ventilação. hidráulico-sanitário e antincêndio. Recomenda-se uma separação mínima de 1. projetos arquitetônico. sala de comandos e. paisagístico. No início do recalque. de apenas o poço úmido (bombas submersas) até uma série de compartimentos de acordo com sua necessidade tais como sanitário. além de operações de manutenção. deve-se evitar este tipo de estrutura prevendo-se apenas em casos extremos de falta de opção. a alternativa de funcionamento dos conjuntos efetivos e reservas.

K2 = 1.96CV.máx = V/Qmín= 4000/(3.min) = 60/27. b = 66%) Pb= 12 x 16.Vazões (para K1 = 1.97m/s. . b) Volume do poço úmido (admitindo-se um período de parada de 10min quando a vazão de chegada corresponder a Qd ).79 + 0.Diâmetro da canalização recalque Dr = 1.90 min (menor que 20!) 2) funcionamento mínimo (vazão da chegada mínima) .6 e TI = 0.150 x 4025  483m³/dia  5.00m³ satisfaz as condições de impedimento de septicidade e sedimentação e número máximo de partidas por hora. c) Potência instalada .35)x60  7. 2) potência do conjunto ( m = 80% ) Pm = (3.00-3. então indica-se Dr = 125mm. 3) máxima vazão de projeto (tempo de chuva) Qh.94 l/s e analisando-se as circunstâncias do problema com uma só bomba funcionando com uma capacidade Qb = 12 l/s tf. .60 x 483000 / 86400  3.99/1000  4.máx+ tf.25.88HP.79 l/s.142m. Assim conclui-se que o volume de 4.máx = 1.0005 l/s.(vazão de chegada mínima) tp.66)  3.mín = V/(Qb .0224 (26 + 408) + 6.95 ) x 0.25 x 483 000 / 86 400  6. pois pode-se empregar um diâmetro de 150mm na sucção sem perigo de sedimentação.3 x 0. .Qmín) = 4000 / (12.68m/s e se D r = 125mm tem-se Vr = 0. C = 80 (fofo usado) e com Q = 12 l/s tem-se J = 0.0224m/m.Volume médio diário de contribuição (p/C = 0.Altura manométrica .Potência instalada PI 1) potência da bomba (Qb = 12 l/s .0121/2  0. 2) doméstica máx.35 x 60)  19.32 /(75 x 0.96 / 0.m) 1) doméstica média do dia de maior contribuição  Qd = 1.40 e K3 = 0. .19 m³  4 m³ Testando este valor para 1) parada máx. .80)  Q = 0.máx = 9. 4) mínima de projeto (tempo seco)  Qmín = 0. Supondo-se um comprimento virtual para as perdas localizadas equivalente a 26m encontra-se H = 0.80 x 0.71 min 3) número máximo de partidas por hora (quando a vazão de chegada for mínima indica máxima parada com mínimo funcionamento) N = 60 min/(tp.3 x Qb1/2 = 1.60  16.99  9. Se Dr = 150mm tem-se Vr = 0.94 l/s.80 = 4.Pré-dimensionamento do volume V = tp x Qd = (10 x 60) x 6.32m.40 Qd = 1.59 l/s.para um Qmáx = 11.0005 x 4300m  11. do dia de maior contribuição Qd. .35 l/s.99 l/s.40 x 6.986  4.61 2.14 (menor que 4!).H Empregando Hazen-Williams.

300mm. Solução: 1. 20 anos após.70 50 8.65 2.48HP.3 metro. 3) potência com folga (5 a 10HP toma-se 20%) Pf = 1.um de reserva) PI = 2 x 6HP. H(m) e V(m/s) . Hazen-Williams C = 80. Pede-se selecionar o conjunto de bombas e indicar os níveis de partida e parada para a EEE que trabalhará no final do plano.15 0. Exemplo 2.60 m/s Para melhor visualização colocar estes dados em um gráfico ( Q.32 0. Qméd = 50 l/s e Qmáx = 90 l/s.85 160 22. Qméd = 80 l/s e Qmáx = 160 l/s. sendo que para tubulação nova. Assim para área A = 0. A altura do volume útil é de 1.13 180 25.00 90 12.17 1. Ht = 7. V) x H.28 100 13.55 _____________________________________________________ * menor que 0.41 *40 8. 4) potência instalada (dois conjuntos .44 0.88  5. Curva do encanamento Para fofo 20 anos.71 140 13. Q H V Q H V _____________________________________________________ 0 7.20 x 4.014146.27 *20 7. no início do plano seria Ht = 7.Q.0 ( Q / 160 ) 1.0m sobre um desnível geométrico de 7. . tem-se para vazão em l/s.85). (Adaptado do MetCalf & Eddy) Uma estação elevatória será projetada para receber esgotos sanitários de uma área parcialmente urbanizada e descarregar em uma tubulação interceptora.0m.0 (Q / 160 ) 1.0m.98 60 9. com as seguintes vazões de projeto: Qmín = 40 l/s.00 2. Analisando-se o enunciado e os resultados do quadro anterior conclui-se que:  a altura geométrica é pequena em relação às perdas.29 1.56 120 15.85 x (80 / 130) 1.0 + 15. De acordo com cálculos preliminares determinou-se que a tubulação de recalque é em ferro fundido. além de uma perda localizada nos conjuntos de 1.0 + 15.00 0. obtém-se o quadro Q(l/s).7069m² tem-se V = 0.26 80 11. C = 130. 2.71 1.16 1. com uma perda de carga total de 15.85.74 0. Sabe-se ainda que após 10 anos de operação suas vazões são: Qmín = 20 l/s.81 1.

.ponto de funcionamento da bomba = H = 7.15 = 100. II . 10 pólos.3m.para tubulação nova. 3.0.30m. .  c) Verificar ainda as condições de funcionamento da bomba . Segunda alternativa  a) Etapas I .partida da primeira bomba em baixa.27m/s respectivamente).15m para cada nível de controle tem-se .15 = 100.15m. 5.partida de ambas as bombas em alta velocidade: Nmáx = 101.  sabendo-se pelo enunciado que a elevatória é do tipo “distrital” e que a vazão bombeada não é jogada diretamente em uma depuradora (espera-se que um interceptor recolha outras vazões) não há necessidade de instalar bombas de velocidade variável.parada de ambas as bombas em alta = 100.  b) Bomba A partir de um catálogo.primeira bomba com velocidade baixa. pelo enunciado.00 .  e) Cotas de alarme (para alertar operadores em eventuais falhas no bombeamento e verificar a partida da bomba de reserva de alta velocidade. .15 = 101.3 = 23.15 + 0. 4.15 = 101.  2ª .ambas as bombas com velocidade alta.00m. 0.0 + 1. não podem ser consideradas para vazões de bombeamento. . 900rpm).  pode-se.  b) Níveis d'água Admitindo-se que a bomba fica completamente afogada a partir da cota 100. optar por bombas de uma ou duas velocidades procurando-se obter o melhor rendimento possível no final e no meio do plano.parada da primeira bomba (Nmín) = 100. . .85m.30 + 0.0. síncrono. etapa I: 101. .15m onde se desliga a bomba da etapa I e.segunda bomba com velocidade baixa.15m.vazão máxima = 160 l/s = Qmáx .60m/s (0. em 300mm. então.parada de ambas as bombas em baixa = 100.15 = 100.0 + 15.partida de ambas as bombas em baixa na etapa II: 101.  as vazões mínimas. . Primeira alternativa  a) Ponto de funcionamento . onde partem as bombas na etapa III.71 e 1.  as vazões média e máxima de 10 anos. escoariam com velocidades superiores a 0.  c) Pontos de partida (onde as bombas começam a funcionar) Estabelecendo um espaço de 0.alarme do Nmáx = 101.30m.  a indicação de uma única bomba de velocidade constante para a vazão máxima de fim de plano implicaria em superdimensionamento para o final de 10 anos. 20 e 40l/s.  d) Pontos de parada (onde as bombas deixam de funcionar) . 8 pólos.45m.perdas na bomba = hf = 1.motor de indução ).15m. III . selecionar uma bomba de alta velocidade (1170rpm .3(Q/160)1.00m então o nível mínimo (Nmín) deverá estar na cota 100.15 . 720rpm).Duas bombas de duas velocidades. com capacidade para a vazão máxima de projeto.15 + 0. podendo ser de uma ou de duas velocidades. o nível máximo (Nmáx) a 101.para N = 705rpm (equiv.60m/s. pois levam a velocidades inferiores a 0.85. Alternativas  1ª . uma em funcionamento e outra de reserva.Duas bombas em funcionamento. . cada uma com capacidade para recalque da metade da vazão máxima.15m acima ou abaixo dos níveis limites) .para N = 870rpm (equivalente ao síncrono.

através de uma tubulação de 400mm de diâmetro (Io = 0. Qméd = 64 l/s e Qmáx = 148 l/s e o b) 20 anos .6 e 2.  f ) Parada de emergência (para proteção das bombas e outros equipamentos) = 100.15 = 99.5.45m. Admitir outras informações que julgar necessárias e apresentar um estudo dos níveis de partida e parada das bombas e.6m.  Calcular a potência a ser instalada para funcionamento de conjunto motor-bomba não submerso.2 para as seguintes condições: o a) 10 anos .  Explicar um a um. está na 515.  g) Bomba de reserva .2m abaixo da de despejo no final do recalque. o b) vazão de bombeamento.  Por que nas EEE as bombas centrífugas são de rotor aberto?  Quais as vantagens e as desvantagens dos conjuntos motor-bombas submersíveis?  Quais os riscos operacionais das bombas de eixo vertical longo?  Por que é vetado o emprego de válvula de pé e crivo nas entradas das sucções das EEE? e por que o registro a montante da entrada da bomba?  Comparar motores síncronos com assíncronos (estrutura. junto com as bombas da etapa III. vantagens relativas. São conhecidas ainda vazão mínima de projeto igual a 11. Exercícios  Definir Estações Elevatórias de Esgotos.11.45m e PARA(!) na cota 100.15 .  O que se define como EEE de pequeno porte? de média altura? e de baixa altura com tubulação curta?  Explicar a razão de grandes cidades praieiras possuírem várias EEE em seus sistemas de esgotamento.6m. Apresentar também a solução comercial.15 = 101.  Repetir o exemplo 10. Qméd = 118 l/s e Qmáx = 256 l/s. os requisitos listados no item 10.Qmín = 18 l/s.  Explicar o princípio do “Parafuso de Arquimedes”.  Projetar uma EEE para bombear uma vazão afluente que variará ao longo do plano de 0.85m.EEE.  Indicar as dimensões de uma bomba parafuso FAÇO para descarga de 0.132m³/s.00 .  Que são “comandos elétricos” em uma EEE?  Por que motivos as velocidades de escoamento nos recalques de esgoto devem ser limitadas? Por que 0.15 = 100. a uma altura manométrica de 32.00m e que o terreno.2 vezes a média. quanto ao material.  Pesquisar: o controles automáticos de níveis para bombas. o ancoragem em tubulações de recalque. sobre o mesmo ponto.0m? Citar outras limitações.  Por que as bombas helicoidais não são indicadas para alturas de recalques superiores a 9.  Fazer um estudo comparativo entre os diversos tipos de condutos empregados nas EEE.Qmín = 31 l/s.).9.alarme do Nmín = 100.0.017m³/s a 0.É uma bomba de alta velocidade e só entra em funcionamento após alarme de nível máximo = 101.00m.0.  Sabendo-se que a vazão média afluente a uma EEE é o dobro da mínima e que a máxima é 2.  Apresentar desenhos esquemáticos dos compartimentos da EEE do exercício anterior sabendo-se que a cota da calha do coletor afluente é 511. também. e cuja soleira inferior encontra-se a 12. são inevitáveis. pede-se calcular o a) volume do poço úmido. para recalque de 110m³/hora de esgoto sanitário.007m/m) em concreto armado. .6m³/s. uma solução comercial para os conjuntos.0 l/s de esgoto a uma altura de 6.30 + 0.5 l/s e altura manométrica 23. etc. consumo. . o c) condições de funcionamento. o d) potência a ser instalada. 650m adiante.0m. 10.60m.  Citar situações onde elevatórias de esgotos .  Citar e justificar as diversas unidades complementares comumente encontradas nas médias e grandes EEE.  Calcular a potência do motor para acionamento de uma bomba parafuso capaz de elevar 100.5 m/s?  Qual a razão do projeto do poço úmido ter uma submergência mínima?  Por que se limitar períodos de detenção e de funcionamento nas unidades elevatórias de esgotos?  Anotar e justificar as singularidades de uma instalação de bombeamento de esgotos com bombas de eixo horizontal afogadas.

o bombas de fluxo misto e axial.o equipamentos antigolpe de aríete. . o bombas de emulsão de ar e rotativas. o motores de voltagem variável e de combustão interna.