dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste }

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste}

img

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste} .

.

” Canto de abertura dos jongueiros da Serrinha em suas apresentações. louvado seja É o Rosário de Maria. . Bendito pra Santo Antônio Bendito pra São João Senhora Sant’Ana Saravá meus irmãos.“Bendito.” Canto de várias comunidades jongueiras. “Tava dormindo Angoma me chamou Disse levanta povo Cativeiro se acabou.

GERA L DE PROMOÇÃO DO PATRI M Ô NI O C U LT URA L Luiz Philippe Peres Torelly Dir e to r a d o C e nt ro Naciona l de fo lclo r e e Cultu ra P opul ar Claudia Marcia Ferreira S U PERI NTENDENTE RE GI ONA L NO ES PÍ RI TO S ANTO Tereza Carolina Frota de Abreu S U PERI NTENDENTE RE GI ONA L NO RI O DE J ANEI RO Carlos Fernando de Souza Leão Andrade S U PERI NTENDENTE RE GI ONA L EM S ÃO PAU LO Victor Hugo Mori I nst i t uto d o pat ri môn io histór ic o e a rt íst ico nacio na l SBN Quadra 2 Edifício Central Brasília Cep: 70040-904 Brasília-DF Telefone: (61) 3414.iphan.6198 www.br . DOC UMENTAÇÃO E REFER Ê NCI A Lia Motta C OORDENADOR.gov.G ERA L DE PE SQUIS A.6176 Fax: (61) 3414.C HEFE FEDERA L Gerente de Apo io e Fomento Chefe do m useu de fo lclo r e e diso n Tereza Beatriz da Rosa Miguel Teresa Maria Cotrim de Paiva Chaves carne iro D I RETORA D e PATRI MÔN IO I MATER I A L Vânia Dolores Estevam de Oliveira Marcia Sant’Anna Chefe da B ibli oteca Am a d eu A m a r al D I RETOR DE PATR IM ÔNI O MATER I AL E Marisa Colnago Coelho FI S C A L I ZAÇÃO Dalmo Vieira Filho Che fe da Di fusão C ultu r a l Lucila Silva Telles DIRETOR DE MUSEUS E CENTROS CULTURAIS José do Nascimento Junior Divisão Adm inistrativa D I RETORA DE P L ANEJ AMENTO E Arlete Rocha Carvalho ADMI N I STRAÇÃO Luiz Otávio Monteiro Maria Emília Nascimento Santos C OORDENADORA.PRES I DENTE DA REPÚBLIC A Departamento de Patrimônio Imaterial Centro Nacional de Folclore e Cultura Luiz Inácio Lula da Silva Popular Gerente de Ident ific ação M I NI STRO DA C U LTU RA Gilberto Gil Moreira Ana Gita de Oliveira chefe da d ivisão técnica Lucia Yunes PRES I DENTE DO I P HAN Gerente de R egistro Ana Cláudia Lima e Alves CHEFE DO S ETOR DE PE S QU I SA Luiz Fernando de Almeida Ricardo Gomes Lima PROC U RADORA.br webmaster@iphan.gov.

Marcílio Lopes P Á G I NA 4 Ap re s en taç ã o d e Ca xamb u na P raç a P ú bli c a d e Mi r ac ema (RJ ) . Francisco Moreira da Costa Cunha. Daniel Reis. R. Pedro Ivo Oliveira APOI O MAPA Universidade Federal do Estado do Rio de Antônio José Pedral Janeiro (Unirio). Antônio Carlos Monteiro Chaves. reunião do Conselho Elizabeth Travassos TEXTO PR INCIPA L Consultivo do Patrimônio Elizabeth Travassos Cultural. Bracuí. Fazenda de Cleo Vieira São José da Serra. Santo Antônio de Pádua. Paulo Fortes. Piquete. em 10/11/2005 AS S I STENTES DE PESQUIS A Inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão em Adaílton Silva. Décio Daniel Pinheiral. Inara Vieira Ricardo Moreno. André PRO JETO G R ÁFICO 15/12/2005. Cleo Vieira. Carla Ramos. Guaratinguetá. Ana Maria Gouvêa. Grupo Cultural Jongo Deborah Vilarino da Serrinha. PRO GRAMAÇÃO VISUAL Gilberto Augusto da Silva. Letícia Deborah Vilarino Dias. Miracema. Alberto Ikeda. foto : Ri c ar d o G om e s L ima. Inara Vieira Associação Cultural Cachuêra!.CNFCP/Iphan Pedido de Registro aprovado na 48a. Lúcio Enrico. em 1997. Gabriela Barros Moura. P Á G I NA 2 Rita Gama J ong o A rt e s anato d e Mar ia TRAN SC R IÇ ÕES MUSIC AIS L ui z a San to s Vi e i r a. FOTOG RAFIA Edgar Fonseca. 01450005763/2004-43 PROJ ETO C EL EB RAÇ ÕE S E S A BERE S DA RE VIS ÃO DE TEXTO P roponente s : C U LT U RA POPU LAR Graça Mendes Centro Nacional de Cultura Popular COORDENAÇÃO GERA L Vera Lima Data de Ab ertura do p r o ce sso : Letícia C. Dóli de Castro Ferreira. Barra do Piraí. .Inventário Nacional de Referências Culturais Edição do Dossiê Ficha Técnica Jongo no Sudeste e Elaboração do Dossiê para Registro do Jongo ED IÇÃO de Texto R egistro do Jong o no S u d est e no Sudeste Sérgio de Sá Processo no. foto : F ranc i s c o da AR QUIVO DE PART ITURA S C o s ta . São José Moreira Frade Mateus e Conceição da Barra. Vianna TEXTO DE ABERT URA 24/05/2001 COORDENAÇÃO DE PE SQUIS A Equipe do INRC/Jongo . Paulo Dias e André Felippe comunidades jongueiras: Serrinha. Maria Goretti Fernandes. d e Elizabeth Travassos tau bat é (SP ) . Igor Higa. Rita Gama e Thiago Aquino. São Luís do Paraitinga. Felippe. Elisabete Mendonça Mambucaba (Angra dos Reis). Rede de Memória do Jongo. Ricardo Lima Rebecca de Luna Guidi e Andréa Falcão. Ac e rvo Gabriela Moura Igor Higa d o M u s e u d e Fol c lo r e Mariana Lima E di s on Ca r ne i r o . Victor Burton Aressa Rios.

sumário .

JONGO E TAMBOR 60 FONTES BIBLIOGRÁFICAS 19 História e identificação 12 INTRODUÇÃO dos grupos 62 ANEXO Partituras 13 Inventário da cultura negra 25 Diversidade e unidade 14 História de fé e poesia 49 Notas 15 Registro e salvaguarda 17 Mapa 50 os pontos 51 Voz entre ritmos e movimentos 55 Enigmas e magia 59 Notas .i dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste }  10 APRESENTAÇÃO 18 CAXAMBU.

APRESENTAção .

batuque. saudamos a todos os jongueiros te no vale do Rio Paraíba do Sul. Co muni da de r e man esce n te de quilo m bo la s de Santa Rita do Br acuí foto: Ri ta G ama . contribui para o reconhecimento solidou-se entre os escravos que e o respeito a esse patrimônio pela trabalhavam nas lavouras de café e sociedade brasileira. do Jo ng o J ong o . dança coletiva e elemen. o jongo é o tema Proclamado Patrimônio Cul- tural Brasileiro em novembro de 2005 pelo Instituto do Patrimônio deste 5º volume da série de dossiês Histórico e Artístico Nacional. novos. principalmen. foto : F ranci s c o da Co s ta . Tem suas como suporte a metodologia do raízes nos saberes. teve como base a pesquisa desen- pressão que integra percussão de volvida pelo Centro Nacional de tambores. circulação e renovação do seu universo simbólico. É cantado e tocado Ao tornar públicos processos e de diversas formas. e teve tos mágico-poéticos. 1 1 o Encon tro de d e tau bat é (S P ) . caxambu. Manifestação cultural afro-brasileira. P ÁGINA Ao la do R oda de Jo ng o. O registro O jongo é uma forma de ex. Folclore e Cultura Popular. o Iphan comunidade que o pratica. Pedindo licen- cana-de-açúcar localizadas no ça ao jongueiro velho. o sobre os bens culturais de natureza jongo foi registrado no Livro das imaterial registrados. ritos e crenças Inventário Nacional de Referências dos povos africanos. de língua bantu. T ambu. Saravá! É um elemento de identidade e resistência cultural para várias Luiz Fernando de Almeida comunidades e também espaço de Presidente do Iphan manutenção. C osta. com este livro Sudeste brasileiro. e m 2006. Formas de Expressão. sobretudo os Culturais. d o M u s e u d e Fol c l o r e foto: Fr anci sco d a E d is on car n e i r o . dependendo da resultados desse trabalho. no I dalina Co s ta Ba r r o s . jongo. A rt e s anato d e d e P iquete ( SP). Ac e rvo J ongue i ros. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 11 P ÁGINA 8 A baixo G ilberto Augusto D e talh e d e Co njunto d e d a Silva. Con. .

introdução .

E assim observada uma variedade de repre. e m G uar ating uet á. Durante a pesquisa percebeu- açúcar na região Sudeste que têm No processo de inventário fo. Cunha. em vista a importância do jongo no tegorias analíticas – jongo. em Barra panorama cultural brasileiro. bens na cultura de massa em con. a comu. se o interesse das comunidades e elementos comuns: dança de roda ram visitadas sete comunidades jon. o jon- go foi proclamado patrimônio cultural brasileiro pelo Conselho caxambu. foto: Fr anci sco d a Costa . nas e de pequenas cidades e comu. como questões e clivagens Paraitinga e Lagoinha. raciais e de classe. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 13 Tambores do Jo ngo d e Taman da ré. candidatura do jongo ao registro elementos mágico-poéticos. desen. grupos no sentido de apresentar ao som de tambores e cantoria com gueiras no Estado do Rio de Janei. tambu. do pelo CNFCP/Iphan e deferido simbólicas que. foi inventariada a co. grupos de jongo de São Ma- volvido pelo Centro Nacional de religiosa. ( S P). Há indícios de que (CNFCP/Iphan). Este nidades rurais. nidade da Fazenda São José. junto a Angra dos Reis. cultivadas: periferias metropolita. São Luís do para o Inventário Nacional de Re. San- to Antônio de Pádua. Piquete. o processo de registro foi conduzi- sentações musicais. Foram verificadas nidades jongueiras de Guaratingue- registro teve como base a pesquisa diferentes instâncias de tensões tá. no município de Valença. na Região Sudeste existem outras O inventário buscou as expres. Foi ro: na cidade do Rio. No Estado de São Paulo foram nal (Iphan) e registrado no Li. de modo geral. das à cultura do café e da cana-de. Madureira. tambor e batuque – que guardam elementos comuns e tam- bém particularidades conjunturais do Piraí. E também em comunidades como Bracuí e Mam- Consultivo do Instituto do Patri. nos diferentes contextos onde são bucaba. . Inventário da cultura negra E m novembro de 2005. identificadas e contatadas as comu- vro das Formas de Expressão. ainda. coreográficas e munidade do Morro da Serrinha. Miracema. sociais. pelo Conselho Consultivo tendo tão compreendidas nas mesmas ca. no bairro de como patrimônio nacional. No Espírito ferências Culturais (INRC). exclusão sócioeconômica das comu. nidades e grupos tradicionais. traste com a relativa invisibilidade e comunidades e grupos de pratican- sões de origem africana relaciona. O jon. tes do jongo. teus e Conceição da Barra foram Folclore e Cultura Popular tegração do jongo ao mercado de identificados. Pinheral. go foi pesquisado. questões relativas à in. es. tensões de ordem Santo. mônio Histórico e Artístico Nacio.

batuque. A prese n tação d e cax am bu e m Santo A n t ôni o de P ádua. falam de si. dança coletiva e práti- de-açúcar. a poesia metafórica do jon- das periferias urbanas e de algu. consolidação cifrada. ções do jongo. em que os negros lição dos escravos. caracterís- o elemento coreográfico da umbi. nas festas juninas. dança se comunicassem por meio te brasileiro. foto: José More ir a F r ade. go permitiu que os praticantes da mas comunidades rurais do Sudes. o jongo se consoli- dou entre os escravos que trabalha- vam nas lavouras de café e cana- . Tambu. assim como nas festas de pontos que os capatazes e senho- dos santos católicos e divindades res não conseguiam compreender. São sugestivos dessas origens o comunidade que o pratica. No Brasil. mes. mensão marginal. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 14 J o s é Rese nde tocan do tam bu. xambu. Sempre esteve. de tradições e afirmação de iden. dependendo da tu. de sua comunidade. o jongo integra percussão de tambores. Ele tem raízes nos saberes. Nos tempos da escravi- cas de magia. a tem diferenças de lugar para lugar. 1976. em uma di- no Divino e no 13 de maio da abo. principalmente no vale do rio Para- íba do Sul. tambor. História de fé e poesia F orma de expressão afro-brasi- leira. O jongo tem diversos no- ritos e crenças dos povos africanos. ticas comuns em muitas manifesta- gada. ca- tidades. Acontece nos quintais dão. O jongo é uma forma de louva. valorização dos enigmas cantados e há também semelhanças. e é cantado e tocado de di- principalmente os de língua ban. assim. afro-brasileiras. por meio da crônica e da linguagem ção aos antepassados. Se exis- profundo respeito aos ancestrais. versas formas. no Sudeste brasileiro.

para ser considerado jongueiro. forma de espetáculo. – evento anual que reúne comu- te mercado de bens simbólicos. cessos da cultura de massa e do uni- dentes de escravos. munidades jongueiras. alternativas para a preservação mo tempo. urbanas. em muitas comunidades. como pelo obscurecimento durante muito tempo não podiam jongueiros por meio de iniciati- destas práticas por outras expressões freqüentar as rodas de jongo. entanto. expresso pelos necessário ser filho de jongueiro recursos são parcos para que as co- segmentos da sociedade abrangente. fez com que a participação com o objetivo de. de Memória do Jongo. não é mais São Paulo e do Rio de Janeiro (os da pelo preconceito. nascida a Em outras comunidades. no mente. nidades e praticantes do jongo de também devido à vergonha motiva. As crianças. da exclusão social e da invi. segundo seus tor de integração. ras têm desenvolvido soluções pró. estreitar os laços de identidades e reafirmação de valo. Essas questões têm migração e dos processos de urba. E também por meio da Rede brasileiras. hoje vas como o Encontro de Jongueiros de maior apelo junto ao crescen. em mui. sociabilidade entre as comunida- . construção de em uma roda de jongo não estivesse idealizadores. que sido tratadas de forma crítica pelos nização. por exemplo. aos jongueiros se coloca No Sudeste brasileiro. as rodas de jongo acontecem sob a condicionaram diferenças e especi. brasileira. algumas comunidades passaram a fa- zer apresentações artísticas. REGISTRO E SALVAGUARDA A o longo do século 20. cipar). mais limitada aos integrantes das co. de sua prática. as comu- nidades jongueiras estiveram envolvidas em complexos e dinâ- res comuns – estratégias em que a memória e a criatividade são funda- mentais. nas quais micos processos socioculturais que Diante das desigualdades econô. ao mes- receu. Além disso. são estimuladas a aprender o can. aos demais segmentos da sociedade o desafio de dialogar com os pro- tas das comunidades com descen. o jongo tem sido um fa. A munidades capixabas possam parti- relativo às práticas culturais afro. de jovens das camadas médias partir do Encontro de Jongueiros. manter os fundamentos praticantes em conseqüência da de seus saberes e expressões. E. tanto pela dispersão de seus prias. tudiosos. Ou to e a dança de seus ancestrais. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 15 In teg ran tes do j ong o de S ão M ateus ( ES) foto: Fr anci sco d a Costa . sibilidade deste fazer cultural junto Assim. verso do entretenimento e. mais recente. micas. o jongo desapa. ficidades. aproximação de pesquisadores e es. bem como. as comunidades jonguei.

mas tam- bém de determinação. Nesse sentido. políticas que garantam a qualidade de vida e a cidadania. Popular / Iphan junto de saberes ancestrais. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 16 Tambor de jo ngo do ac e rvo do Museu de Fo l c lore Ed iso n Car ne iro. jongo nas suas mais variadas formas Este processo de mobilização e e expressões. des jongueiras e fortalecer os canais determinação para que as comuni- de articulação com a sociedade em dades jongueiras mantenham vivo o geral. Equipe do Inventário Nacional de cientes de que possuem um bem Referências Culturais / Jongo/ Centro Nacional de Folclore e Cultura cultural de grande valor. organização é a prova de que as co- munidades jongueiras estão cons. criatividade e alegria dos afro-descendentes. um con. o Registro do jongo como patrimônio cultural do Brasil é o reconhecimento por par- te do Estado da importância desta forma de expressão para a confor- mação da multifacetada identida- de cultural brasileira. teste- munhos de sofrimento. E condições de auto- . Este Registro chama a atenção para a necessidade de políticas públicas que promovam a eqüidade econômica articulada com a pluralidade cultural. foto: Fr anc isco d a C o s ta .

São mateus espírito santo miracema Santo antônio de pádua são Paulo rio de Janeiro Valença Quissamã Barra do piraí piquete pinheiral Guaratinguetá rio de Janeiro Lagoinha angra dos reis São Luis do paraitinga n o L S . dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 17 Distr i buição geo gráfi ca d os g rup os de c ax am bu. j ongo e tam bor i de ntific ados pel o INRC en tre 2002 e 2006.

jongo e tambor . dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 18 caxambu.

– O jongo de Piquete. Caxambu. tambor e tambu são encontradas em di- o grupo congrega moradores das comunidades de Bracuí e Mambu- caba. também. 6 – O caxambu de Santo mônio Cultural Brasileiro. para o Rio de Ja. Antônio de Pádua. de São Luís do Paraitinga. genérico que abrange angona ou no município de Valença. No litoral do Sudeste. populacionais das zonas rurais e das atualmente representado por dois solidaram-se como formas expres. cidades pequenas. levadas. 4 – O jongo va que se concentrava nas fazendas neiro. caxambu. Paulo também foram identificados as acepções mais restritas de cada mentos. As informações . 5 – O Jongo melhanças quanto à forma e ao sig. angoma. 7 – O tambor vra jongo é aqui usada como termo do Quilombo de São José da Serra. ao longo e contatados: 1 – O jongo do bair- uma das denominações. 3 sivas e lúdicas da população escra. são tratadas em conjunto mesmo nome. do século 20. 5 – O de café e cana-de-açúcar da região Durante a pesquisa foram visi. Perpetuaram-se. tambor e tambu. descendentes. na cidade do Rio de neste Livro de Registro do Patri. então capital da República. de Janeiro: 1 – Em Angra dos Reis. o gru- versos locais na região Sudeste do po é integrado pelos remanescentes Brasil. crenças religiosas e diverti. jongo. jongo e tambor con. ceição da Barra. jongo de Lagoinha. 2 – O jongo de Cunha. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 19 Casal dan ça jo ng o no 11 o Encon tro de J ong ue iros. Quando da abolição da es. mais especificamente no vale HISTÓRIA E de dois antigos núcleos jongueiros. foto: Fr ancisco d a Costa. estavam integradas à vida grupos de jongo no Estado do Rio jongueiros de São Mateus e Con- cultural das comunidades afro. em diversos núcleos ro Tamandaré. Janeiro. e m 2006. 4 – O fluminense e capixaba. DOS GRUPOS da Serrinha. tados os líderes e integrantes de sete Espírito Santo foram contatados cravidão. A pala. de onde foram grupos. do rio Paraíba do Sul e no litoral 3 – O caxambu de Miracema. ligadas à sua visão de Cinco grupos no Estado de São salvo quando é necessário apontar mundo. em Guaratinguetá. situado no morro de nificado. Por suas se. A s formas de expressão denomi- nadas caxambu. 2 – Em Barra do Piraí. IDENTIFICAÇÃO Jongo de Pinheiral.

foto : F ranci s c o da C o s ta . Alguns deles. Após o registro do jongo como chadinha em Quissamã e jongo de Guardam lembranças vívidas das ro- patrimônio cultural brasileiro. o Iphan ini. Ao longo ríodo pós-abolicionista. onde são trabalhadores . Vi- jongueiros pode se alterar. em curto vem em bairros pobres das cidades. nascidos na primei- vizinhas. geralmente uma vila ou área apresentações públicas. Os se que existem outros grupos e que atuais jongueiros são. em Porciúncula (RJ). Também significa que somente nessas locali. mas isso não em cada um desses locais. Localidades onde existem ciou a elaboração de um Plano de aposentados . A s s o cia ç ã o Quil omb ola d e Tamanda r é . Campos. po. sobre os grupos de São Paulo foram dos Campos (SP). Os grupos atuais podem par da discussão das perspectivas ra metade do século 20.ativos ou fatores. outras comunidades intermédias entre campo e cidade. dos . Não é possível dar conta em re- dores do lugar. e a cidade onde moram agora. São elas: jongo de origem. mas onde a Salvaguarda. rural. em 2 0 0 6 . são diferentes os papéis que a dan- dades estão vivos o caxambu. Ali se conhecedores do jongo. lato único das particularidades his- O inventário restringiu-se aos tóricas e contemporâneas do jongo grupos mencionados. to dos jongueiros das comunidades manifestaram o desejo de partici. tambor da Fazenda Ma. em conjunto com os radicaram seus avós e bisavós no pe- forma de expressão está latente. em zonas dem ser mobilizadas pelo movimen. jongo de São José das que viam quando crianças. no caso de Piquete. por pesquisa. jongo de Caran- sistematizadas pelos pesquisadores gola (MG) e de Presidente Kennedy da Associação Cultural Cachuêra! e.e estudantes. grupos antes enumerados. fizeram um cindir-se e gerar outros ou somar contemporâneas para essa forma percurso migratório entre o local de forças para viabilizar suas festas e de expressão. das comunidades mencionadas. geralmente. jon. (ES). 1 1 o Enc o n t r o d e J ongu ei r o s . a configuração dos atuais núcleos descendentes de jongueiros. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 20 R o da d e j ongo . ça desempenha hoje na vida social go e tambor. período de tempo. devido a vários novembro de 2005. do processo. Pelo contrário: sabe.

cantos que ouviam e das histórias vos: os conhecedores da tradição repressão. moradias. por vários moti. proibiu “batu- ques. do século passado. muitos sabe- diversos locais. nhanças. 2 006. cana-ver- de e outros” sem prévia permissão . para dançar. as são a condição duplamente desfavo- o jongo. zo e indiferença. quando não de res tradicionais foram rechaçados. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 21 C om uni da de de P i quete. Outros fatores negativos que seus pais e avós contavam sobre faleceram sem deixar herdeiros. 1 1 o Encon tro de J ongue i ros. nas proximidades das deterem conhecimento restrito que jongueiros ficaram isolados e assis. A Lei nº 3 de 16/01/1893. O ca. quando esses trabalhadores eram escravos nas fazendas do vale cafeei- ro. ao longo xambu deixou de ser dançado em tornou os tambores alvo de despre. Antes ainda. ças – como integrantes das camadas vam os deslocamentos geográficos nidades de participar da dança e pobres e como negros – e o fato de da população trabalhadora. foto: Fr anc isco d a Costa . valores associados à modernidade da sociedade brasileira. conversões religiosas recentes im. Fazend a. do Código Municipal da antiga Vila Vieira de Piquete. principalmente quando associados às práticas culturais e religiosas dos trabalhadores negros. alguns não há mais. alternada com tolerância supervi- sionada. os espaçosos terreiros não é compartilhado por suas vizi- tiram à transformação dos interes. sambas. ses culturais e recreativos das novas a irradiação dos modos de vida e No processo de modernização gerações em suas famílias. suas formas de expressão haviam sido objeto de repressão direta. recida dos conhecedores das dan- À medida que se multiplica. De um modo geral. pedem alguns membros das comu. cateretês.

vizinhos ção espacial do jongo na atualidade 1838. A man- dir que os escravos das fazendas rea. em outros contextos. os senhores tentaram impe. vos a chance de “organizar socieda. em 1831 e depois em a do círculo de familiares. aparentemente reli. mas sempre perigosas. estratégias de ções que os jongueiros estabelece. Não obstante. Temiam que os carioca da Serrinha. sociedade. foto : Ri ta Gama. revitalização do jongo em pratica- astutos podem usá-las com finali.2 . como Isso permite comparar a distribui- de Vassouras.1 Ao mesmo tempo. além dos moradores dos arredores. sob a forma de espetáculos (Gan. urbana moderna podem ter sido. dra. Pouco visí. aban- 1985:204). pela no processo de dar a conhecer sua esforço consciente de preservação e facilidade com que alguns Negros dança e música em outros círculos. donar o divertimento herdado das precisavam tolerar os “divertimen. cia de seus trabalhadores. 1995). foto : F ranci s c o da C o s ta. As rela. Maria Joana Rezadeira –. mente todas as localidades mencio- dades sinistras” (citado por Stein. dando Maria de Lourdes Borges Ribeiro lugar a histórias locais únicas. mas a incidência do jongo encontros propiciassem aos escra. gerações antecessoras e aderir a for- tos” dos escravos: caso contrário. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 22 Tamb o r e s d e J ong o . c om e s tanda rt e e tamb o r e s . mas de expressão associadas à vida colocariam em risco a sobrevivên. no morro mapa da região Sudeste permanece ças e candombes”. de Maria Joana Monteiro – a Vovó cha coberta pela área jongueira no lizassem o que chamaram de “dan. verificou a existência do jongo em Histórias de continuidade quase numerosos municípios do Sudeste. proteção contra o estigma da escra- ram com os setores dominantes da vidão (Ianni. longo do tempo e do espaço. das autoridades. veis para outros segmentos sociais diminuiu. e amigos que freqüentavam a casa e em meados do século 20. com as autoridades civis A partir de pesquisas de cam- e os agentes religiosos variaram ao po realizadas desde os anos 1950. Nas leis municipais secreta ao longo de décadas. a mesma. 1966). as últimas décadas des secretas. P Á G I NA Ao lad o I nt eg r ant e s d o J ongo d e Sã o Mat e u s (ES) . Por outro lado. os jongueiros do lugar foram ativos do século 20 se caracterizaram pelo giosas.

São Benedito. seus supervisores e senhores. ra. A articulação entre e de homens livres negros. relatos da experiência rins e de escolas de jongo. da escravidão e da abolição.3 de reprodução desses conhecimen. além das cantos dos jongueiros –. culturais e dos movimentos sociais. divertimen. período junino. disso. Santa Luzia. ao longo tos estão a formação de grupos mi. também tituía. testemu. cantos repetidos e transmitidos de gregam a população negra. de protesto. especialmente os que con. Entre as estratégias Memória coletivamente culti. organizações não-governamentais festivas com a dança à luz da foguei- gueiros com o apoio de animadores e à ação político-cultural de movi. disfarçado. “Nes- medidas para transmitir aos jovens em gerações anteriores. arregimentam familiares contraste com os antigos “donos do Era no caxambu que os escra- e vizinhos e levam o jongo a novos jongo”. geralmente de versos enigmáticos. São José apesar de privados da liberdade. a antepassados foram escravos e que. guardiões dos tambores. “tias” e “vós” que. nho da criação cultural de escravos quando a grande maioria dos jon- vais de cultura. jongo e tambor es- significativo como forma de expres. O processo foi desencadeado tas. caxambu. subjugado. culo 20. mas resis- desenvolveram. os jongos eram cantos os conhecimentos que receberam e nas do tambu”. Para garantir a peitados. assumidas por homens jovens. mentos negros. como ainda constitui em boca em boca. tente”. Cons. foram “do. Atualmen. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 23 nadas. lideranças jongueiras. integra-se a projetos sociais de e tantos outros. Despontam novas a argúcia na criação e na decifração Eles afirmam o valor propriamen. te o jongo atrai estudantes e artis. não grupos jongueiros e movimentos foi noticiado ao longo de todo o sé. mesmo apresentações em escolas e em festi. na região Sudeste. vada dos tempos do “cativeiro” e da Ali foram se organizando. a reunião de parentes e vizinhos. Independentemente contribui para tornar o jongo algumas comunidades. mas espaços públicos. em comida compartilhadas. do comportamento de continuidade dos grupos. observou Stein (1985:207). Animava as noites pelos descendentes de antigos jon. a bebida e a te cultural da tradição de seus an. abolição – temas recorrentes nos do tempo. se cristalizavam a ponto de serem os sociais. to associado à devoção aos santos do tão associados à lembrança de que os são contemporânea. aos oragos locais. por serem improvisados. vos faziam o comentário ferino. cestrais. o jongo gos. . adotam e com as “mães”. quase sempre idosos res. se contexto.

foto: F ranc i s c o da C osta . dança- . as gran. lão”. traz à da África (ver Mattos e Rios. como descendentes etnomusicólogos documentaram de africanos. mordaz: tanto choram o “tempo do le senhorial. expressão tradicionais como práti- raíba). tona a discussão sobre as possibili- a respeito das peculiaridades da me. responde a desafios análogos aos dos e transformados.4 cem como descendentes de escravos Folcloristas. Ac e rvo do Mus e u d e Fol c l o r e Ed ison car n e i r o . alguns deles. são própria que escapava ao contro. os cantos – chamados de cal de comunidades negras. referindo. historiadores e e. que se apresentam para os herdei- se também ao presente imediato. o jongo pontos – são continuamente cria. Integran- Além de favorecer o cultivo de do-se ao mercado de espetáculos uma memória da escravidão e da afro-brasileiros e à ação política lo- abolição. e na cidade do no Sudeste. ros de outras formas de expressão mantiveram um espaço de expres. Sua visibilidade na des propriedades dependeram do cena cultural contemporânea desta trabalho escravo até às vésperas da cidade e de outras capitais. ocasionalmente em al- parcela da memória da escravidão gumas áreas rurais. PÁGINA Ao lad o D etal h e d e C onjunto d e Jong o . do e cantado por descendentes de nham de adquirir escravos em outras jongueiros ou recriado por músicos regiões do Brasil ou recém-chegados e dançarinos profissionais. dades de conservação de formas de mória da escravidão no Vale do Pa. war l ey e j ohnatan . Os plantadores de café ti. Nessa região. freqüentemente em tom crítico e tradicionais. Vários indivíduos das cativeiro” como riem do “mensa- comunidades visitadas se reconhe. A rt e s anato d e Idalina C o s ta Bar r o s . foto: F ranc i s c o da Costa. tamb o r e s d o jongo da s e r rin h a . dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 24 sue lle n . cas vivas e significativas. 2005. Há cantos que falam o jongo quase sempre em cidades disso: são textos que organizam uma pequenas. Rio de Janeiro. de tau bat é (S P ) . abolição.

a palavra generalizou. Os três termos tônio de Pádua (RJ). Em como um todo. No ní. festa. Tambor. local. Cantar ou “tirar” um jongo E UNIDADE to o instrumento membranofone é sinônimo de cantar ou “tirar” um quanto a dança. Em Areias (SP). A tendência. preferência pela denominação ge- bu) é o nome de um dos tambores nérica caxambu no norte fluminen- que acompanha a dança. para poder debater. pois. caxambu é o nome dado ao dado ao tambor maior do conjun. este de me. Assim. para a forma de expressão Segundo Antônio Farias Tomás . mais restritamente. Atualmente. nar. do Rio e em São Paulo (incluindo Sobre o vocabulário nores dimensões. parece haver Analogamente. envolvendo can. Faz par se. o jongo era tar. ca. a expressão DIVERSIDADE to. como termo genérico. jongo e tambu – alter. bém toda a dança. Na Fazenda São a capital). bu. jongo é mais freqüente José da Serra (RJ). angona. Ribeiro. caxambu é tan. o tambu é um dos dois tambores Segundo Claudionor Paulino xambu e jongo são palavras que têm do conjunto instrumental e tam. não é? É a música que tira para tro nível. o nome do tambor Miracema e em Santo Antônio de maior – angona. se e designa a forma de expressão Já a palavra jongo pode desig- em sua totalidade. conjunto instrumental que acom. dança. de Santo An- mais de um significado. comandar um com o outro” [entre- tambor de maiores dimensões do to. é de gene. Em ou. por exemplo. o Nonô. têm acepções específicas. vista aos pesquisadores do INRC]. enquanto na região sul do estado com o candongueiro. em vários locais. designam a totalidade – caxambu. tambor (e tam. de Jesus. entre jongo e caxambu é que jongo da forma de expressão e o próprio nam-se na fala dos moradores desse é a queda que a gente tira para can- evento em que ocorre. nome poder cantar. ponto. “a diferença vel genérico. Segundo Maria de vocal associada à dança e ao evento Lourdes B. festivo. caxambu ou tam- Pádua (RJ). em Minas Gerais. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 25 panha a dança. tambu. chamado também de angona. ralizar.

Palavra antiga: dançar o tam. como nio de Pádua.) O caxambu O jongo é o canto durante o tam.. “ele passa a ser jongo tambu. Mas passatempo durante o trabalho na depois que se ajunta tudo. senão raramente. tambu’. bate-caixa em São Bento do Sapucaí (SP). bendenguê (RJ) e co- rimá (SP) (ver Ribeiro. No amplo terreiro próximo às todo mundo. graças à reconstrução histórica do jongo nas fazendas de café da região de Vassouras. Porque dançar mesmo é a dança do caxam. P Á G I NA Ao lad o M ulh e r to ca tamb u d u rant e apr e s entaç ã o d e ca xamb u em Santo A n t ônio d e P â d ua (R J ) . sadores na primeira metade do sé- culo 20: catambá no litoral sul do Es- pírito Santo. murmurando o jongo que haviam Nascimento (Toninho Canecão). Os retardatá- é completo. dança foram registradas por pesqui. (. Atualmente. vamos fazer um tambu.” bu” [entrevista a pesquisadores da rios apareciam na porta das senzalas Segundo Antônio Fernandes do Unirio]. plantação. eles [os escravos] jogavam começa o desafio de um para outro. quando bu. o caxambu é o começo. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 26 Tadeu. aí já se diz jongo. Rodrigo e Klauss: tocadores de tambor da Associação Quilombola de Tamandaré. de é dançar o tambu: ‘hoje vai ter água sobre suas cabeças e rostos. que o jongo podia (Nico). em 1 9 7 6 . Sabemos. en- tre 1850 e 1900. no 11 o Encontro de Jongueiros. pernas e tornozelos. e as outras pessoas formam o coral. senzalas. ra o pessoal diz: “vamos dançar um ser cantado a qualquer hora. 1984:17). foto : F ranc i s c o da Co s ta. Aí o jongo. umedecendo e esfregando braços. foto : J o s é M o r ei r a F ra d e . também de Santo Antô. Cantar é cantar o jongo. Outras denominações locais da composto e que satirizava o supervi- no Quilombo de São José da Ser. a modalidade vocal do jongo não ocorre em separado da dança. por exemplo. com as peças todas. sor tocando o sino: .. é juntando bu. nas con- versas e brincadeiras entre jonguei- ros. A palavra antiga da comunida. Bruno.

O antropólogo ções valiosas sobre o jongo cantado tambu. caxambu. cumba. “amarrado” quando um jonguei- nuía o número dos velhos africanos com alternância ou entrelaçamento ro lança um ponto que ninguém na força de trabalho. te de palavras originárias de línguas do onjongo. bantu (angoma. Segundo Nei Lopes (2003:123). de solistas e grupos. tambores de tamanhos e tipos di. ferentes. ponto. visaria (Stein. e espíritos ancestrais. ganazam. rituais. que era também uma ções africanas e afro-americanas: a “enkangar” (da palavra congue- charada. . lário jongueiro. racteriza pela presença importan. tre grupos congos. (Stein. que significa amarrar) ou Ele cantava o primeiro verso e o res. Essa idéia de enfei- tando e sua turma o acompanhava. em em meio à faina nos cafezais. 1985:161). Diz-se que o jongo fica mais comuns à medida que dimi. 1985). jongo. reverência aos mortos. ocasião de divertimento era chamada propostas de etimologia do vocabu- esse diabo de bembo de caxambu. várias comunidades jongueiras da quimzumba. que sujeite a vontade segundo verso. mas produzida que “amarram” está presente nas em línguas africanas eram chamados em rituais religiosos da umbanda. tante de sua turma cantava em coro o qual se atribuem forças que atu. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 27 Esse diabo de bembo çar com dois ou três tambores e essa senso entre os estudiosos quanto às Não tenho tempo de abotoar minha camisa. Eram destinadas va um canto.5 O vocabulário do jongo se ca. se relacionam com os das popula. polirritmia de consegue compreender. guaiá) e de noções e valores que Cuba. formas cantadas. O líder da turma vi. Fernando Ortiz documentou. conforme todos percebiam. dos ovimbundos. en- de uma turma de lavradores lança. preferência pelas formas de canto atualidade. am sobre os vivos e sobre as coisas. de uma pessoa ou espírito (Or- zinha tentava decifrar o enigma can. uso mágico sa nkanga. da palavra cantada e da metáfora. à preparar um feitiço de “amarre”. lindar seu sentido. O líder bi. Entretanto. é des- os escravos reuniam-se para dan. conseqüentemente.6 Nos sábados à noite. Desatar um 1985:162). não há con. 1985:61). quer dizer. zambi. que designa uma dança dores forneceram a Stein informa. os cantados em português. e dança “dialogais” (Ortiz. jongo deriva do vocábulo umbun- Os descendentes desses trabalha. que deve ser tiçar por meio de versos cantados Stein acrescenta: os jongos cantados evitada no jongo. crença na possessão por divindades tiz.

Vários jongueiros consulta. mais especifica. puíta é o tambor-de-fricção usa. São José da Serra. 1984:19-20). forneceram infor- diz parte do ponto cantado na Ser. chegaram adquiridos como escra- mente. octogená- Disse levanta povo ciada. la. eram africanos ou. dos tambores do jongo no Brasil – a mações relevantes sobre a origem rinha. 1964:203). 2005). deriva de Pádua. tem origem no quim. A palavra angona (e as varian. contaram que seus pais fazenda e que os avós paternos ali entre eles os de Piquete. Os moradores do Quilombo de Saravá jongueiro. do pelas comunidades jongueiras o pesquisador registrou em Areias qüentemente no texto de cantigas. tambor. O se- Angoma me chamou cano no jongo foi fartamente noti. angolanos (mas não há ge. Rios (Mattos e Rios. O pai. vos. rio. quicongo (2003:29). papai começô gostá de mamãi. contaram anos 1940. Saravá angoma-puíta. dança que documentou de seus ancestrais às historiadoras na Província de Huíla (Angola). 2003: 179). j ong o d e pinh ei r al . falecida em 2003. De acordo com o etnomusicó. bundo (Lopes. mamãi era nega banguela. Puíta. de Miracema e de Santo Antônio diz: De acordo com Nei Lopes. kaunjangera. Foi noticiado nos jongos do termo multilingüístico ngoma. (Araújo. Hebe Mattos e Ana Maria Lugão Tava dormindo A presença de vocabulário afri. e sua irmã Zeferina Nascimen- Cativeiro se acabou. Um dos pontos que tes angoma e ingoma) aparece fre. foi e casô cum ela Saravá meu candongueiro. foto : eli zab e t h t r ava s s o s . na ocasião. paulistas com os nomes de boi ou Papai era negro da Costa. desse autor). chegou Angoma-puíta ou simplesmente nealogias detalhadas nos trabalhos à fazenda quando ainda era bebê . no município de ciona candongueiro – nome de um Valença (RJ). por sua vez. ventre livre. das línguas quimbundo ou onça (Ribeiro. É ainda Kubik (1990) que rela. ntambu Salve caxambu. logo Gehrard Kubik (1990). dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 28 t e s tan d o a afinaç ã o d o s tamb o r e s . dos por Alceu Maynard Araújo nos to. nhor Manoel Seabra. é o nome de um tambor em Ango. com mais de 60 anos que seus pais nasceram na própria cantam jongueiros de vários locais.

. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 29 manoe l Se abra d anç a no qu ilom bo de S ão José d a S err a ( RJ) foto: G a br ie la Barros M our a.

ac e rvo d o mu s e u d e Fo lc lo r e e di s on c a r nei r o . vindos de vários lugares da tinguetá]. senhor! pai Geraldino Porfírio veio meni- no de São Luís do Maranhão. meu cativerá (bis) festejavam o 13 de Maio (ver Gou. para trabalhar na Onde negro apanhou lombo de São José da Serra]. [cantado por jongueiro de Guara- nasceram ventre livres na fazen. lição. à chegada nas lavouras da. E os escravos gritavam em 1907 em Piquete. página ao lad o e s tanda rt e da c om unida d e j ongu ei ra d e s ã o mat e u s ( e s ) . não quer trabalhar vêa. em torno da dança organizam. da. Negro apanhava do Senhor prios pais. meu Deus Pra quê que negro voltou? foram cativos. 2005). libertação. os jongueiros Meu cativeiro. do ca. conta que seu dua]. lavoura de café. por sua vez. há tempos. Liberdade. na fazenda do senhor? de suas relações com a escravidão e Quando o senhor me batia Sinhozinho mandou embora o território da fazenda: os avós que Eu gritava por Nossa Senhora. que tá fazendo três gerações ascendentes a partir No dia 13 de maio Oi. se. tendo sido comprado da Estes exemplos confirmam que No meu tempo de cativeiro Bahia juntamente com seus pró. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 30 tamb o r e s da c om unida d e d e tamanda r é ( rj) . foto : F ranci s c o da C o s ta . Segundo Manoel Seabra. Trabalha nego. As historiadoras observam que África e do Brasil: a memória de dona Zeferina situa Oi negro. os pais ventre livres. Os avós maternos. cafeeiras de africanos e seus descen. foto : F ranc i s c o da Co s ta. Continuou a traba- lhar na mesma fazenda após a abo. . um africano e uma baia. [cantado por Claudionor. nascida xambu de Santo Antônio de Pá. [cantado pelo jongo de Angra dos Reis]. Cativeiro acabou Dona Nair Porfírio. como Oi bota fogo na senzala [cantado pelos jongueiros do Qui- escravo roubado. Quando a pancada doía. e sua própria geração de cidadãos Dia treze de maio nascidos livres. de colo. Rezava à Santa Maria na. Em sua casa. dentes. este res que remontam à escravidão e à Liberdade meu pai Xangô avô paterno era da nação cabin. memórias familia.

de Angra dos Reis: dias consecutivos.). vida” [entrevista a pesquisadores do como Iemanjá e os Pretos-velhos. progressivamente. mente o Encontro de Jongueiros. as comunidades jongueiros da comunidade vizinha se reúnem para discutir suas dife- para sua festa. um fazia sempre dançam à noite. praças O dia que dava. Dançava em Paraty.). seus problemas. públicas – atrai assistentes que não (. jongueira. uma faz uma coisa. as de tambor batendo (. e cada grupo se . em sua cidade. Mas eu me alem- do período junino. Durante um ou dois grupo de uma localidade convida os Rosário). Até o mobilizam os jongueiros para cantar Embora as datas festivas tenham momento têm participado jonguei- e dançar. sediado a cada ano por das comunidades. Eles se apresentam tam. se. era esse dia mesmo estratégias e esperanças. dava vontade (. Andava por essas costas tudo. Chegava de noite.. Além disso. da Abolição (13 de Desde 1996 realiza-se anual- maio) e do Dia da Consciência Ne. gra (20 de novembro). suas proximidade das residências. uma fogueira. o gundo Tia Luíza (Maria Luiza do outros grupos. a roda de jongueiros podia e de São Paulo. eu vendo o nhora do Rosário e Santa Rita. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 31 Contextos de apresentação outro faz outra. as INRC]. são ocasiões que um grupo. se formar em qualquer dia. de Nossa Se.) toda a minha algumas divindades afro-brasileiras. em um dançam e não são jongueiros.. Como o jongo é dan. de se agregarem... logradouro público.. bem como os Trata-se de uma espécie de festival aniversários de pessoas importantes itinerante. nem dia certo rentes perspectivas sobre a tradição çado em locais abertos – terreiros na para acontecer. Às vezes. As festas de santos padroeiros. sido sempre as mais propícias à ros dos estados do Rio de Janeiro bém em festejos promovidos pela dança. as dançava no Frade. zações da sociedade civil. “Não tinha hora. comemorações do Dia do Trabalho (1º de maio). bro muito de jongo. mas a tendência é administração pública e por organi..

Ac e rvo d o M u s e u d e Folc l o r e Ed i s on car n e i r o . d e tau bat é (SP ) . em 2 0 0 6 . página ao la d o De talh e d e C onj unto d e J ongo . foto : F ranc i s c o da C o s ta . A rt e s anato d e I dalina C o s ta Bar r o s . foto : F ranc i s c o da C o s ta . .dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 32 To d o s o s olh a r e s s e voltam par a a r o da d e jo ngo no 1 1 o Enc on t r o d e J ongu ei r o s .

e) as narrativas fortalecer canais que favoreçam a sobre os efeitos extraordinários articulação entre jongueiros e entre produzidos por pontos não deci- estes e a sociedade em geral. Universidade Federal Fluminense expressão una: a) a formação dos Essa separação é apenas um artifício (UFF) naquela cidade. abordado cada um dos itens separa- Machado. idealizado por Hélio modos de atuação e significados. b) os solos demais. com eles identifica- ceu em 1996. f) as reverências aos ances- nado. negras do Sudeste. debates sobre temas de casais. que consti- tar os laços de solidariedade entre tuem enigmas a serem decifrados comunidades praticantes. aos professor do campus avançado da registrá-las como uma forma de quais se dedica um outro capítulo. uma vez que nenhum Encontro. tamanhos diferentes. geral- Jongo. jongo e tambor são jongo. realizado no ano 2000. que tem por objetivo estrei. mente improvisados. dos dançarinos que o repete. à exceção dos pontos. 7 frados ou pelo poder que emana do . Caxambu. criações originais das populações trais jongueiros e. c) as várias formas de alter- intercâmbio de conhecimentos e nância entre um solista (homem ou experiências. além das rodas coreográficos de indivíduos ou de de jongo. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 33 apresenta por um período determi. mação do evento. d) os pontos. Desde o V participantes numa roda animada de exposição. em Santo Antônio de alguns traços comuns quanto aos dos. artistas e estudantes. algumas vezes. geralmente no centro da interesse dos grupos e oficinas para roda. na ín- A partir deles surgiu o movimen. Elas apresentam aos tambores. ou que canta to chamado Rede de Memória do um estribilho. por pelo menos dois tambores de aspecto existe isoladamente dos passaram a fazer parte da progra. Os encontros atraem mulher) que puxa o ponto e o coro pesquisadores. criar e por outros solistas. O primeiro encontro aconte. Nos parágrafos seguintes será Pádua (RJ). tegra ou parcialmente. admirador do jongo e que fundamentaram a decisão de damente.

No jongo de Lagoi. nha. com . pesquisadora Maria de Lourdes dependendo dos tipos e das di.  Modos de dançar Os movimentos da dança Assim sucedem-se os dançarinos. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 34 Pa r s oli s ta no jo ngo da Se r r in h a. com relação onde executam um solo coreográfi. no tempo forte do compasso. O jongo da em entradas e saídas coordenadas Cada um dos traços enumera. 1984:11-12). descrito os percussionistas ocupam o centro por Edir Gandra (1995): o dança- da roda. Fazem-no até que outro inte. sem par solista. Ribeiro contrasta com o jongo mensões dos tambores. com movimentos dos anteriormente é elaborado de de passos bastante característica. Tocam pessoas do par solista. É possível que se trate ções que fogem à possibilidade de centro da roda. porém – como no de Cunha e. P Á G I NA Ao lad o tamb o r d o quilo mb o d e s ã o j o s é da s e r ra. antigamente. Às vezes a roda gira no rino pisa o chão com o calcanhar do sentido anti-horário. foto : F ranc i s c o da C o s ta . e com o das condições do espaço da festa ou jongo paulista. São A comunidade da Serrinha é a José do Barreiro e outras localida. nos de Bananal. do-se com movimentos graciosos. o lugar – ou jongo carioca. do mesmo jongo de corte – em que registro. ta” ou interrompe um dos que estão percussionistas ficam próximos da grante da roda substitua uma das no centro da roda para tomar-lhe roda ou dela fazem parte. o jongueiro que quer dançar “cor- à formação para a dança. até que dois deles se dirigem ao cada exibição. também são variados. Observa-se. Portanto. aproximan. há varia. única a realizar sistematicamente o des do Vale do Paraíba paulista –. dançarinos movem-se em círculo coletiva da duração adequada de des jongueiras. Os e expressões faciais e pela percepção maneira diferente pelas comunida. exatamente numa roda que permanece parada. onde vários casais apresentação. foto : gab r i ela bar r o s mou ra. espontaneamente. outras vezes pé direito. dançam ao mesmo tempo (Ribeiro. em seguida repousa toda os participantes dançam e cantam a planta do pé no chão. que a os instrumentos sentados ou de pé. passo denominado tabeá. B. Serrinha consolidou uma seqüência por eles mesmos. bem como de roda. que os co.

cantando e da Serra e no jongo de Guaratin. A do antigo reino do Congo liga o dança consiste. girando as saias. tal como para prosseguir (Gandra. Logo que o pé a inventividade corporal dos jon- do par de solistas. os homens fazendo um giro do corpo. e os solistas tam. erguendo os braços e a perna direita à frente. É como se quisessem encostar seus dos na literatura é precisamente gos. inclinando o torso para trás. denados dos solistas. Os solistas ocupam tretanto. variações a partir dos movimentos A umbigada é um gesto coreo. que se defrontam. Esse elemento coreográfi. apoiar o corpo sobre o pé direito. num contínuo jongo à grande família das danças ir-e-vir ao centro da roda. Algumas exibições indivi- gráfico em que dois dançarinos se mente o corpo à esquerda ao levar dualizadas podem acontecer fora aproximam e. de par ou nas entradas e saídas da do dançarino é impulsionado e ele roda. . bem diversos solistas. na cadência do tabeá. se a festa estiver animada. No se apresenta atualmente. mados pela música. os dois solistas o centro da roda aos pares e ali se da originalidade com que se exi- aproximam-se para dar a umbigada alternam de maneira espontânea. Aliás. um dos aspectos destaca- tam ou quase encostam seus umbi. giram ligeira. os participantes dançam na substituí-lo. o cantor Os dançarinos andam em círculo tambor do Quilombo de São José solista dança no centro da roda. 1995:68). Ela ocorre ao longo da exibição respectivos joelhos. as mulheres e logo se afastam um do outro com Ao se aproximarem em passos rit. jongo atuais não há umbigadas. pois. dá um pequeno impulso Em alguns grupos de caxambu e No jongo de Piquete. para logo da roda. os dois solistas. dá passos de recuo girando sobre co de provável origem na região si mesmo e afastando-se do par. sozinho ou convocando outros para batendo palmas. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 35 este apoio. e em de umbigada proposta por Edison aproximações e afastamentos coor- Carneiro (1982). guetá. básicos. quando da troca direito se apóia no chão. en- executando o passo. que dê conta da graça e defronte ao outro. cantando e Não há descrição verbal. Ao dançar um batendo palmas. encos. o corpo gueiros. bém se dirigem ao centro da roda roda sem sair do lugar.

impõem o uso de amplificação sonora para os tam- bores e. d o quilo mb o d e Sã o J o s é da S e r ra (R J ) . dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 36 A nt ôni o F e rnand e s d o nas c ime nto . como partes de um conjunto. mas cantar a pontos novos ficaram mais restritas. nas repe. tes. P Á G I NA Ao lad o A n to ni o far ias tomás d o ca xamb u d e santo an t ôni o d e pád ua . As habilidades de dizer o centro. ainda. Modos de cantar alternância. um para . é o ponto tendência à fixação de um repertó- indivíduo e grupo. daí em diante. praças – cada vez mais freqüentes. sendo a primeira cantada pelo da por apenas duas ou três pessoas Numa das formas habituais de solista. então. escolas. que se revezam. função de cantor(a) solista é exerci- tes. foto : T h iago Aquino . outra solistas e poucos deles improvisam dança os participantes ocupam ora possibilidade é o coro não repetir pontos. no mesma melodia com sílabas como na atualidade. grupo. o Toninh o Cane c ã o . Quem canta ou ser apresentado na íntegra pelo rio conhecido e memorizado pelo diz o ponto é sempre um indivíduo. que respondem em uníssono. Alguns grupos fazem uso. Entretanto. as palavras do ponto. de dois microfones. a segunda pelo coro. da comunidade. foto : T h iago Aquino . As apresentações em logra- douros públicos – clubes. ser dividido em duas par. outra. tições. há lugares como Lagoinha (SP) em que a improvisação de pontos ainda é a regra. a própria logo seguido pelos participan. Em alguns casos. enquanto os demais participam do coro e da dança. como solistas. centros culturais. principalmente. para os solistas. ora a roda. Nem todos os integrantes de gru- tegralmente pelo solista é repetido pos jongueiros participam como Do mesmo modo como na também na íntegra pelo coro. o que resulta numa canto também há alternância entre lê-lê-lê-lê. o ponto cantado in. solista e.

O respeito aos inte- eles. bores não soam. em Quissamã. de modo intenso. Acontece também por meio de pontos que contêm às vezes com um recitativo ad libitum de o solista se dirigir ao grupo e à enigmas e podem ser usados em num modo vocal intermediário assistência com um discurso de lou. Batuques. Os ao fim – para ser então repetido Isso aconteceu no Quilombo de São jongueiros explicam que jongo e por ele mesmo em diálogo com o José da Serra. 1984. consoli. dra. Logo. lançar. do grupo. solista lança o ponto gesticulando vai rezar. associados. de diversas maneiras. os poderes do jongueiro se exercem O ponto improvisado se parece ído na função. dessa forma de expressão a sistemas grupos do Estado de São Paulo). 1984:24). sempre lembrados nas grupos do Estado do Rio de Janei. especialmente. Gan- tambores. é um indício de afiliação ro) ou “cachoeira!” (comum nos individualizados. tambores e jongos ramente curvado e um dos braços Onde a improvisação de pontos não são ritos de liturgias. Enquanto vação aos santos. Por isso. agradecimentos e de demanda aqueles cantos exe- o solista entoa seu ponto. 1985). Cavalcanti. com Piquete e outros locais. tem início a dança. cutados “na intenção de desafio. Quando seu ponto chega que o grupo canta habitualmente. em umbanda são próximos. atirar o ponto (Ribeiro. passos largos na proximidade dos dou-se um repertório de cantigas à umbanda (Ribeiro. os tambores entram e. São chamados pontos entre a fala e o canto. jogar. assim. Muitas vezes o tes. 1995. Repete. Na Serri. confundem. mas não se coro –. aos jongueiros velhos “machado!” (interjeição usada pelos e dos morros do Rio de Janeiro. o corpo ligei. . diz-se que o jongueiro crítica. rixa ou encante” (Gandra. soltar ou 1995:70). o mesmo solista vai Estreitamente ligados ao canto. mas estão erguido. Amarrar e desamarrar para um cantor que responde ao Às vezes o ponto cessa sem a inter- solista e orienta. falecidos. “demandas”. saudação aos presentes e aos ausen. ao de crenças de origem banta. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 37 o solista que puxa o ponto. nha foram consagrados os jongos grantes mais velhos de cada grupo se o ponto até que o solista grite da tradição oral do Vale do Paraíba e. com acréscimos atribuídos a autores rodas. os tam. o restante jeição. outro que os tambores e a dança cessam. tirar outro ponto ou será substitu. movimentando-se com deixou de ser praticada.

dades e só por descuido ocorrerá a Senhora Sant’Ana 1984). Edir Gandra também men- Nossa Senhora do Rosário. Entretanto. “louvado seja Deus!”. é comum o(a) solista puxar São José da Serra. no Bendito. de comunidades jongueiras são ou um ponto de reverência a Nossa Se- foram mães-de-santo: Maria Joana nhora do Rosário. foto: Fr anci sco d a Co s ta . ninguém põe ponto em cima Nesta terra que eu piso. A b aixo M ã e Zef erina. Muitos praticantes do jongo são Quando um grupo começa a canta o pessoal do Quilombo de fiéis da umbanda e algumas líderes dançar. do qu ilo mbo de São José d a S e r r a. Saravá meus irmãos da do Norte (SP) disse a Maria de Lourdes B. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 38 Ao lado Tia Ma ria . do j ong o da Se r r inh a. que exerce uma força protetora: “Se ele saravô assim. Peço licença a Deus lastreô. É o Rosário de Maria. na Serrinha. preendida pelos jongueiros como rina. ciona os ritos de abertura do jongo . Ribeiro. ninguém pode mais com Nesta terra que eu piso ele. com- Monteiro. Do mesmo modo. seguido da resposta “para sempre seja louva- Saravá São Benedito do!”. Mãe Zefe. a Maria caxambu de Miracema. abertura. o caxambu não se Bendito pra Santo Antônio mencionada por vários etnógrafos destina à incorporação das enti. 1995. foto: Fr ancisco d a C o s ta. dele. ou simplesmente a Deus. dona Aparecida Ratinho. Ribeiro que qualquer cantam jongueiros da Serrinha na jongueiro pode fazer a oração de abertura de suas apresentações. Bendito pra São João do jongo (Gandra. no Quilombo de São José da um pedido de licença – e que Serra. a São Benedito Essa saudação inicial. louvado seja pode incluir vivas a Deus. o cantam os de Pinheiral no início de jongo pode ser finalizado com um suas apresentações. todas as forças são dele” [sic] (1984:50). Santíssima e a todas as coisas – é como explicaram. Um jongueiro de Apareci- possessão de algum dançarino.

1995:72). José da Serra. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 39 Tonin h o Cane c ã o . cativos falecidos – e recebem o significado de canto nesse contex- da (Gandra. na Faze n d a S ã o J o s é da Serra . Um dos fiéis das religiões afro-brasileiras. Eles com a umbanda. velhos. tal sadores do INRC]. pelo repertório vocal (alguns Segundo Tia Luíza. Edir Gandra menciona Toninho Canecão. convém ao jongueiro Trata-se. jongo é sua conexão sistemática santos ou entidades. dada pela lingua- licença para começar a dança – e de são dedicados a entidades – pretos gem (o termo ponto só é usado com encerramento – pontos de despedi. a maioria deles sem chamar as entidades. e meus pais velhos dão licença Maria de Lourdes B. oferendas na forma de comida e to). conta que o som ritos especialmente endereçados dos tambores mudava. segundo depoimento terreiros de umbanda e vice-ver- cantar um ponto pedindo licença de moradora do Quilombo de São sa)8. sob efeito do canto de algum . ratória de magia” (1984:12). de ações destinadas a res e pela própria filiação religiosa plifica: “firmá-los” para que possam tocar dos participantes. em geral ao abri. conhecido como da cruz. Antônio Fernandes diante dos tambores e fazem o sinal do Nascimento. Assim que a dança começa. – pontos cantados em louvação de jongo começar. cheguei na angoma fenômenos mais característicos do Daí a necessidade de se negociarem tinha muita diferença constantemente as fronteiras entre quero cantar meu pontinho jongo e umbanda. a importância dos relatos sobre o poder mágico dos pontos cantados. capazes de produzir efeitos extra- alguns participantes se ajoelham ordinários. Ribeiro definiu o jongo como “arte ope- [cantado em entrevista aos pesqui. Ela exem. de Angra bebida. ficava “rou- aos tambores. pelo uso dos mesmos tambo- aos mais velhos da roda. executados antes de o co”. foto : F ranc i s c o da C osta. pedidos de go dos observadores externos. pontos de jongo são conhecidos em dos Reis.

... em entrevista a eu chamo de lenda.) “tem história. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 40 R o da d e J ongo d e Tamanda r é .. foto : F ranci s c o da Co s ta. mironga”.) eles amarram o tambu. Mas a gente fe [do tambu] é umbandista.. Ninguém pega tambu e de onde jorrava vinho. Era espetada isso..) Ouve-se dizer também que os profundas manifestações da cultura . Existe tambu. uma pesquisadores da Unirio]. continua a respeitar muito essa pessoa que mexe com trabalho dança devido a ser uma das mais e entende de espiritismo. (. segundo a participando da dança... quando sai batendo por aí porque (. “(. tem que pedir autorização por encantamento.) ficam passando mal. Mestre Darcy do Jongo narrava na abertura de suas apre- sentações: jongueiro: Então.) ziam nascer bananeiras que após se- “(. Mironga é o segredo. quando a gente sai com o rem germinadas davam frutos como amarram o som do tambu. feitiços tantas vezes mencionados na tradição oral dos jongueiros são coisa do passado. minha mãe também não viu.. tais como fazer crescer uma bananeira numa noite.. São fatos que eu não vi e saem (. Mesmo quando o ceticismo prevalece. então todas as pessoas que estão segurança.. Amarrando o som do tambu. e assim por diante. se acontecer um fato des. [Toninho Canecão. em G uar at ingu e tá. int e r i o r d e S ã o pau lo . então doentes. para minha mãe porque já vai com uma faca no caule dessa bananeira.. (.) [os antigos jongueiros] fa- se.. É por isso que a che. ele sabe desfazer aquilo. Por isso. os jonguei- ros contam os eventos atribuídos a seus antepassados. fazer cair um rival que não foi capaz de decifrar um ponto..

contou que que a palavra proferida com inten- Conta Tia Luíza. lacionam-se com práticas africanas lhou-se e persignou-se. líder do do pensamento tradicional africa- e Luisa Pitanga. no presente no jongo é a idéia de de Barra do Piraí (RJ). dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 41 aprese ntação de c ax am bu na p r aça públic a de mi racema (r j) 1 9 97. Espírito Santo gueiros como “feiticeiros da pala. uma roda. ção. segredos dos jongueiros – feiticeiros Se eu me benzer primeiro vra”. za o jongo no complexo de formas O folclorista Alceu Maynard Se eu me benzer primeiro afro-brasileiras. São as mirongas. Deu alguns . bantus Tonga e N’gola. mas o espírito deles cer coisas. que um jongueiro pode pantes rezam um Pai Nosso para “as em movimento forças latentes do cantar assim para se proteger contra pessoas que já morreram” porque mundo espiritual. foto: r i cardo g omes lima . e o desafio através de enigmas re. Tirou o chapéu. expressão que sintetiza com da palavra (Dias. põe dos Reis. tambores que são como semideuses” madrugada até no outro dia. em 2000]. tem que benzer estes de couve desde umas duas e meia da desafios em que se lançam enigmas. líder do jongo “A linguagem figurada do jongo em Cunha nos anos 1940. É uma dança em Seu Juca. Pertence raes. nos quintais. ajoe- dores do INRC]. Outro traço Bianca Brandão. muita propriedade o que singulari- Um quebranto. iniciou [cantado em entrevista a pesquisa. fazendo aconte- o “quebranto” e o “mau-olhado” “eles morrem. grupo de jongo Filhos de Angola. os Padre. Para a viu “um cara ficar abraçado a um pé lavra dos ancestrais – assim como os gente cantar. o poder de fazer crescer bananeiras Quando eu aqui cheguei Paulo Dias refere-se aos jon. mais como foi registrado entre os povos [gravação em vídeo realizada por ou menos 10 horas da manhã”. 2003:4). contou que e metáforas – que representam a pa- à linha dos pretos-velhos. Cecília Mendonça Sérgio Belarmino. José Gomes de Mo. de Angra antes de iniciar a roda os partici. e ritmada pelos tambores.” Por causa de algum quebranto. de Barra do Piraí. Conta-se que os pontos lançados por feiticeiros: fica rodando ali” [entrevistas aos dos jongueiros de outrora tinham pesquisadores do INRC]. Diz o pesquisador: Araújo (1964) registrou o modo Por causa de algum quebranto como Augusto Rita. Filho. negra do Brasil. como o uso constante de provérbios que todos participam.

Os tipos e o número de instru.. do Viva o Santo Cruzeiro. toques no tambu. um choca. tações. .. no candongueiro ou nos demais Canecão.. junto. tora e queimava o miolo para esculpir lho (no jongo de Tamandaré) e um através do fogo. é comum exerce a função de solista do con... jongueira. tas). com saudações às somente um ostinato de base. de três tipos.. e ia apagando a borda O mesmo autor. em entrevista aos pesquisa- tambores. mente. “(. 9 Da mesma forma. Terminava de fazer. corpo de um dos tambores (em uso a madeira ele queimava. escavado. uma vara de madeira que percute o rar a madeira. algumas misturando locuções Geralmente. usados basicamente instrumentos Quilombo de São José da Serra: Viva São José.. denominado tambu ou caxambu convidava outro jongueiro de fora guês. são nio Fernandes do Nascimento. são fabri- variam de grupo para grupo na área cados artesanalmente nos núcleos Viva as almas. outro tocador Conjuntos instrumentais Os tambores podem ser. atualmente. ergueu o braço e gritou: mentos e o modo de combiná-los animal presa por pregos.) [o negro velho] fazia uma Viva as autoridade. nele é executado não é? Aí vinha outro jongueiro de fora. pesquisando em tambor de madeira (caixote percu. Além desses.. ele cortava a (Araújo. vados durante o inventário. basica- respondeu no candongueiro. não os jongueiros iniciarem suas apresen.... dele em volta com um pano molha- São Luís do Paraitinga. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 42 Tambor e s d o jo ngo d e são mat e u s ( e s ) . cobertos com pele de mento. mas também variações. não é? Aí encontrando Viva a padroêra. Levava às vezes até seis meses para “rezas” dos líderes jongueiros antes de no grupo de Angra dos Reis). aparecem também picada pra dentro da mata e ia procu- Viva o povo de Cunha.. para participar da roda do jongo.. no jongo de Pinheiral). dores da Unirio]. 1964:214). Os de tronco Apoiou então a mão sobre o instru. do. foto: fr anc i s c o da costa. ele promovia uma festa na região e em língua africana e frases em portu. fazer o tambor. o tambor maior.. como era apresentado o tambor” [Toninho divindades e aos presentes... de tamanhos e tipos diversos. dançar. Nos conjuntos obser.. jongueiros. membranofones (tambores e puí- Viva nosso padroêro.. isto é. registrou as tido com duas baquetas de madeira.. Conforme conta Antô- Viva São Binidito.

ligado à Associação Quilombo- branas são presas por um sistema de José da Serra se apresenta com dois la. tocado por um dos inte- cordas e sobre o anel. que se debruça sobre a sua vez. Nessa localidade aparece afinado mediante a pressão exerci. tro. de lados acima e uma puíta grande. com da por cunhas de madeira sobre as joelhos do percussionista. levou quatro tambores para sua canoas e parafusos. na mesma ocasião. A pele deste tipo de tambor é distendida pelo calor. O grupo do Quilombo de São ré. As menores. dustrial. até atingir a afinação desejada. Há também o de 25 cm de diâmetro. foto : T h iago Aquino . Os percussionistas podem umedecer o couro com cachaça durante o pro- cesso de aquecimento. apoiadas sobre os um pequeno chocalho de lata. grantes. exibição. Outro grupo de Tamanda- de fabricação industrial cujas mem. Um outro tipo é aquele em que a membrana é presa por um sistema de cordas fixadas a um anel de metal friccionar a haste interna. tambores de tronco escavado. de. costuma se apresentar com cinco tambores dos três tipos assina- extremidade aberta do tambor para um número maior de tambores. As puítas grandes são apoiadas nominados tambu e candongueiro. É aproximadamente 40 cm de diâme. têm cerca punho. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 43 Tamb o r e s s ã o afinad o s na fo gu ei r a. do tocador. . por de Pádua incluía. O conjunto de Santo Antônio no chão e seguradas entre as pernas O jongo de Tamandaré. Alguns desses tambores de tronco oco são centenários e vêm sendo transmitidos como heran- ça dentro da comunidade. Têm tronco escavado e de fabrico in- que abraça o corpo do tambor. por isso eles são colo- cados próximos a uma fogueira.

tambu e seja angolano. tinha o formato de cálice. que realiza variações no Areias e outros locais de São Pau- padrão rítmico-melódico básico. e o “raríssimo cordofô- de cunhas e duas puítas. ro. instrumentais do jongo. homem que se posiciona de pé ao documentou os seguintes conjuntos que Gehrard Kubik aproxima de lado dos tambores). Foi registrada a denominação nhador. de Moçambique. em ta. feito de lata. . grave solista e um agudo acompa. o conjunto era constituído idêntico. como solis. e candongueiro. Os tambores são encostados no executado em ostinato. ais. no 8 o Enc o nt r o d e J ong u ei r o s . isto é. em 2 0 0 3 . uma grave nico urucungo” (1964:203) que e uma aguda. por dois tambores de tronco escava. o chocalho angóia. O grupo se tem notícia entre os grupos atu- de Angra dos Reis usa dois tambo. Alceu Maynard Araújo tambor usado no batuque paulista. O caxambu de Miracema apre. embora a parafuso. um dois tambores. O grupo de Pi. foto : T h iago Aquino . na primeira metade do século 20. O jongo da Serrinha nenhum outro autor menciona em se apresenta com três tambores conexão com o jongo e do qual não afinados por parafusos. senta dois tambores afinados a fogo. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 44 Ao lad o e A bai xo Tamb o r e s d o Ca xam b u d e Santo An t ô ni o d e Pád ua (R J ) . do e dimensões diferentes. baquetas e um tambor afinado por O tambor menor. o nome quinjengue ou quinzengue Os pesquisadores registraram. candongueiro. em formato de caneca dois tambores afinados por sistema com alça. lo. com uma das extremida- caixote de madeira tocado com duas des revestida por pele de animal. quinzengue dada ao tambor em for- é percutida uma vara de madeira calho empunhado geralmente pelo ma de cálice. Trata-se do mesmo por um percussionista (mulher ou cantor. um escavado. O jongo de diversos conjuntos constituídos por chão e presos ao corpo dos instru- Pinheiral usa dois tambores. Em Areias um instrumento morfologicamente quete inclui três tambores afinados (SP). chamados tambu mentistas por correias de couro. candonguei- cunhas. No corpo do tambor grave fricção chamado puíta e um cho. um tambor-de. mais grave. O tambu é o tambor de tronco res com afinação a parafuso.

ou anguaiá: o de cestinha de taqua- res. caxam- composto pelos dois tambores mais coberta por um couro. ao cm de comprimento. Pesquisando no município de taram ao pesquisador que sentiam Maria de Lourdes B. de lata de ga. con. e mexeriqueiro e mancadô. Stanley falta da puíta. para percutir suas peles. deitavam-nos no chão e sentavam. o conjunto era calho. Maria de Lourdes registrou pedaço de folha-de-flandres. trovoada. Ribeiro Vassouras nos anos 1940. caçununga e estrelinho. aparecia ainda o guaiá. trabalhos sobre jongo outros nomes Além deles. o conjunto era de diâmetro. candonguei. Tem uma pequena alça interna da puíta. Os três primeiros. documentou quatro tipos de cho. grande. Os participantes. tro há pedrinhas e contas de rosário pano com o qual friccionava a haste papai-velho e chibante. de cilindro de altura o primeiro). chocalho de lata com alça. angoiá ções referentes à instrumentação da composto de três ou quatro tambo. Além dos tam. O tambor Foram registrados nos diversos menor era carregado pelo tocador. 15 ou 20 cm pequeno. médio e peque- toda fechada. os tocadores lata ou de dois cones de lata unidos. Apr e s en ta ç ã o d e cax amb u em Santo An t ôni o d e Pád ua. mais cadete ou guzun. Em Taubaté. ra trançada (semelhante ao caxixi ro e tambu. cabaça com água para molhar o ainda Maria. havia também puíta. foto : J o s é M o r ei r a F ra d e . ao . colocava o instrumento entre os tambores grande. Den. para o tambor de capiá. viajante e candongueiro (ao trio de a angóia: “uma cestinha de bambu. chamados angona. bores. chamados guaiá. uma das extremidades par (grande e pequeno). papai. tendo numa parte um joelhos e mantinha a seu lado uma no). integrado ao berimbau). O tocador bu. entretanto. para por onde é segurado” (1964:204). todos cheios de seixos ou chumbo se a cavalo sobre os instrumentos (1984:20). dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 45 M e s t r e Or o zimb o c om cand ogu ei r o e tamb u . inguaiá. de grandes goiabada com alça lateral. angoma. Stein obteve as seguintes informa- Em Cunha. dados aos tambores: pai João e pai tambor de fricção de cerca de 30 Toco ao tambor maior. Joana. um o pequeno (1984: 21). 1 9 7 6. de cone dimensões (mais de um metro de de lata com cabo.

geralmente africanos. No outro lado. aos quais se somava.. Os instrumen- tistas ficavam de um dos lados da fogueira acesa. chamados caxambu e candongueiro. entre 1850 e 1900.) sentavam-se os negros ve- lhos.. foto : F ranci s c o da C o s ta . um terceiro tambor chamado chamador. eventualmente. dança do caxambu na região. naquela época. “(. gente sabida”). dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 46 R o da d e j ongo d e Tamanda r é em apr e s enta ç ã o no 1 1 o Enc o n t r o d e J ongu ei r o s . em 2 0 0 6 . Somente rei e rainha tinham nguizu presos aos pu- nhos e tornozelos. 10 . a quem um ex-escravo chamou a macota (“gente da África. soube que havia um “casal” de tambores. Supervisionando a sessão. Com base em relatos orais e algumas observações diretas dos poucos caxambus que ainda ocorriam em Vassouras. que produziam um acompanhamento à percussão dos tambores quando eles dança- vam” (Stein. 1985:205-6). estava o rei do caxambu algumas vezes acompa- nhado por sua rainha.

foto : fr anc i s c o da c o s ta. 1984. Carneiro outra feminina. 2001 e 2002. estende do litoral do Maranhão ao preso às pernas dos dançarinos. guir de celebrações como caxambu gada no Brasil. dançarinos (ora em roda. o canto ao som genético entre as danças de umbi- registradas estão ligadas. aos antigos “batuques” Carneiro listou as danças de umbi. ainda. como no batu. Reis. É o único documento que men. pelo e Roberto Ivens –. a tese de um vínculo As formas de expressão aqui que). 1990 e 1991. de palmas e dos tambores. Tinhorão. históricas e as atuais se baseia em gistros oitocentistas produzidos por ção acerca da existência dos papéis indícios tais como a disposição dos viajantes portugueses – os relatos do de rei e rainha do caxambu. o termo pode esconder referências a rituais religiosos afro-brasileiros que os administradores não sabiam distin- . Por isso. Apoiando-se em re- além de fornecer a valiosa informa. uma masculina. entre outros). ACERVO DO MUSEU d e Fol c lo r e EDI SON C A R NEI RO. como explorador Alfredo de Sarmento e no caxambu. munhados na região de Angola e do mencionados pelos administrado- res coloniais e cronistas do Brasil Colônia e Império (ver Carneiro. numa faixa que se ciona um tipo de chocalho (guizos) e jongo. propôs. A relação entre as formas de São Paulo. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 47 “ CON J UNTO DE JONG O ” DE IDA L I NA DA COSTA BA RROS. a umbigada. prova. Edison gada no Brasil e os batuques teste- velmente. A palavra batuque era usada de ma- neira genérica e imprecisa pelos observadores externos sempre que se deparavam com dança e canto ao som de tambores. ora em fileiras que dos militares Hermenegildo Ca- *** se defrontam.

artísticas bantu-descendentes. jONGO DE P IQUETE. vel a partir das primeiras décadas do se. Ele é. pois. É possível que investigações futuras venham esclarecer a nebulosa his- tória dos elementos que propicia- ram a consolidação dessa forma de expressão no Sudeste e suas pos- . a documentação disponí- fileiras opostas. sem falar das seguidas metamorfo- ses por que passaram e continuam passando. o é unânime quanto à relevância do que encontra reforço nas conexões jongo na vida social de numero- sistemáticas entre jongo e um. Ali os viajantes viram tanto síveis conexões com outras formas a dança em roda. Congo. instrumento contemporâneo para posições desse pesquisador. além de banda. nas evidências de culto dos testemunha eloqüente dos percalços ancestrais. pela idéia de expressões século 20. e que implicam em novos significados que lhes são continuamente atribuídos. foto : FR A NC I SCO da COSTA . como a dança em Contudo. na constituição de uma memória Até o momento os estudos não de descendentes de escravos. que a heterogeneidade das danças. Carneiro inclinou. um permitem ir muito além das su. com umbigada espalhadas pelo território nacional.dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 48 gI L BERTO AUGUSTO D A S I LVA . apesar de suas lacunas. ao longo do tempo. que a elaboração de identidades sociais acentuam mais a unidade formal do positivas dessa população. do par solista. nos enigmas cantados. sas comunidades.

O jongo cantado pela comunidade drumbeats when they danced.’ to slaves belonging to one door of senzallas muttering the slave-com.Datas e locais de realização dos ‘Africans in general deeply enjoy certain Encontros de Jongueiros: 1996 – Santo amusements’” (este e outros trechos de Antônio de Pádua (RJ).“Beira-Mar” e “Deixa angoma nhangaba.’ from amusing himself. but always dangerous. subdued but enduring. e Passa Quatro (Estado de Minas Gerais) e saravo galo por galo. Then. 1985:205).São eles: Cunha. jongos were songs of 1964:223). On wrists and lamentares e que foi objeto de investigação ankles king and queen alone wore nguizu ao longo de praticamente todo o ano de which produced an accompaniment to the 2006. approaching the drums reverently. Caraguatatuba. 8. Ubatuba.“In this context. 3. Parati e Angra dos de santo por santo. em terreiros de umbanda no Rio. Silveiras. a região abaxo de santo cruzêro. saravo fes- (ver Ribeiro. Arising. the king began the caxam- do ele/ É esse tal de mensalão”.” 10. 2004 – Rio de Janeiro. visaría. . têro. Pindamo. 2005 – San- Miracatu. more that ‘it is barbarous and unreasonable to common as older Africans diminished in deprive the man who toils from morning the labor force. protest. Piraí. são cantados Barreiro. bu. red flannel outfit and hat bearing a cross. São José do melhorar”. Tardy slaves might appear at the knelt with bowed head and greeted them. Piquete. debaxo do santo que me troxe. Ca. 2000 – Angra dos 2. Barra do Piraí. Elizabeth Travassos). Iguape.“In municipal regulations. nanzamba. apparently ringing the bell: ‘That devil of a bembo while assembled slaves repeated the refrain. 1998 – Santo Antônio de Pádua. called quimzumba.Ficou conhecido como “mensalão” o was the ‘king (rei) of caxambu’ someti- pagamento recebido ilegalmente por par. por exemplo.’ Yet planters 6.’” circle” (Stein. Redenção da Ser. to Antônio de Pádua. abaxo nheiral. Rezende. Guaratinguetá. moistening and rubbing arms. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 49 Reis (Estado do Rio de Janeiro). and entered the dancing ease with which some clever Negro may that devil of a bembo. 1831 and later in 1838..“At the large faucet near the senzallas. those in Portuguese. the drummers swung into the batida. 2002 bela. (SP). Lorena. Salesópolis. Lagoinha. Dressed in what one ex-slave called a 1.“Supervising the whole session. saravá santo cruzêro. variações. Arrozal. – Pinheiral (RJ). by the taunted me / No time to button my shirt. legs. saravo dono das casa. Reis (RJ). Bananal.“Primeiramente saravá Guananzam- (Estado de São Paulo). 2003 – Guaratinguetá Votuporanga. Taubaté. Piraçununga. abaxo de Gua- Mansa. posed jongo which mocked the overseer riddle. 1984:13). Ilha.. which they faces. 2001 – Valença (RJ). and that 7. Queluz. Jacareí e São Luis do Paraitinga 9. he sang the two lines of his jongo fazenda lest the meeting afford opportuni. grouped under the heading of ‘dances and and ankles. pequeno por pequeno no litoral sul do Estado do Espírito Santo que seja. ra. Volta Redonda. São José dos Campos. minha gente/ walked first to greet the king and kissed his Nosso Brasil é tão bom/ Quem tá estragan. Barra ba. Aparecida.“Jongos sung in African tongues were also realized that slaves needed diversion. Participants de Angra dos Reis diz: “Oi. hand. 2006 – Valença. 15 planters attemp. saravá santo que compreendida entre Carmo da Cachoeira me troxe. they splashed water over their heads and the king entered the dancing circle (roda) ted to restrict such occasions. Guananzamba do céu. clapped hands. 1997 – Miracema Stein citados adiante foram traduzidos por (RJ). Caçapava. 1999 – Rio de Janeiro. saravo tudo im geralmente” (Araújo. saravá santo por santo. mes joined by his ‘queen’. candombes. ty to ‘organize occult societies. and. com choeira Paulista. Pi. use them for sinister ends. first of 5. Areias. notas 4. religious.” to night.

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 50 os pontos .

homem ou mulher. com exibições de . um dístico em que um dos versos aos santos ou um pedido de licença Maria de Lourdes Borges Ribeiro. e escu. satírica. por exemplo. ao fim.1 Só muito raramente ela ocorre fora das rodas de caxam- canto e incitando os participantes à dança. Se for uma provocação velada a um bouço rítmico-métrico firme ao outro jongueiro da roda ou uma C hama-se ponto a expressão vocal do jongo. na íntegra ou em parte. (Jongo de Piquete) tado pelos circunstantes. o canto conti- recitativo. que somos os seus sara. o recitativo se que adquire naquelas circunstân- É assim que [os jongueiros] rezam seus transforma. Pode pontos diante de nós. outra linha rítmica. é. portanto. às vezes para cantar. é repetido. impondo um arca. quando vai chegando cias e com o ânimo do grupo. ou um terceto. nestes contextos solista. de nua e o jongo fica amarrado. desse ponto cantado é imprevisível. próxima da fala. Se ritualizados e festivos. incluindo pois está relacionada com o sentido os percussionistas. ora repetindo o ponto que “machado!” ou “cachoeira!”. registramos e ignoramos. RITMOS E MOVIMENTOS O jongo tem um dizer e dois entender um ponto. num canto curto: pode ser ser. desatar o ponto em voz alta. se alguém matar a charada. outra forma de alternância com o irá cantar sua interpretação. às vezes. Diz-se. pode ser lançado O canto dialogado prossegue proximidade dos tambores. Quem está na roda en- tra em um diálogo cantado com o charada proposta aos demais poderá se estender até que alguém venha calar os tambores com os gritos de bu ou tambor e. VOZ ENTRE foto: Fr anci sco d a C osta. Lançado por um indi. alguém for referido de maneira vocal é indissociável da sonoridade ora entoando uma segunda parte. uma louvação vados. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 51 R oda de j ong o d e Taman da ré e m aprese ntação no 1 1 o Encon tro de J ongue i ros. Os tambores começam momentos iniciais da celebração. e m 2006. o que é freqüente nos O jongo uma quadra. de um o jongueiro reza um ponto ou tira sonoridade dos instrumentos uma longo colóquio. solista. isto O ponto de jongo. A duração Gilberto Augusto víduo. dos dançarinos. na mente o jongo. ou simples. que palmas coletivas que acrescentam à Trata-se. aliás. a expressão ele cantou. numa modalidade vocal ao som dos tambores e. e tudo vemos. Se nin- pelo solista como uma espécie de enquanto o pessoal da roda dança guém puder fazê-lo. responderá com a mesma dos instrumentos e dos movimentos ou ainda engajando-se em alguma verve. então a soar.

geralmente ocupa uma posição de margem para os recitativos improvi. Geralmente escapa aos grupos – em shows ou louvar colegas e anfitriões. com pouca ou nenhuma “samba-rural paulista” (Andrade. grupos. vários pontos executados 1. proviso por um jongueiro para dar repertório de seu grupo ou do re- É claro que em apresentações início à apresentação de seu grupo. seja por raros os núcleos onde ainda vivem tada. Numa roda que acaba de se repetem nas exibições de diversos veu detalhadamente na análise do formar. Assim. sua atuação cantando um ponto do embora as palavras do canto variem. O solista começa senho melódico muito semelhante. panhar de movimentação corporal as proximidades dos tambores para Ainda assim são observados. nesse momento. que parte cantada do ponto. comen. Logo que o solista apresenta a sua capacidade de liderança. O que começa como o reci. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 52 P Á G I NA Ao lad o Dilz e t e Pe r ei r a c om e s tan da rt e d e S ã o B en e di to d o J ongo d e S ã o Mat e u s (ES ) . Em alguns atualidade. debates entre solistas que com responsório em uníssono dos memória dos participantes. O segundo tipo é o ponto consecutivamente assumem um de. seja por sua sados. alguns pontos se ao que Mário de Andrade descre- e coro. argúcia. vários jongueiros da velha cepa. A é comum a amplificação da voz que sabem que estão ouvindo um ponto recitação improvisada faz-se acom- propõe o ponto e que se desloca até cifrado quando ele é lançado. tem início a primeira repetição. grupos jongueiros. de im. quem dá início aos pontos grupos. os quais entram quando lançarem mão de um repertório de novo ponto pode surgir. tativo de métrica livre e estilo vocal não improvisado. mas nada É quando o coro entra também e dos que são cantados por solistas. foto : F ranci s c o da C o s ta. os tambo- Nas festas e apresentações atuais tanto lançam pontos cifrados como res convocam a dança do grupo. pertório compartilhado por vários nas quais o controle do tempo pedir licença a Deus e aos santos. 2. permite prever se ele será retido na começa o jogo de alternância entre . pontos conhecidos e memoriza. canta o ponto todo uma vez. próximo da fala e é tirado de im. na expressiva do solista. Alguns acom- cantar ao microfone. pre. Além disso. Esse se sucedem junto aos tambores e demais dançarinos. recitativo improvisado – semelhante diálogos continuados entre solistas viamente fixados. proviso. são cada vez mais mente pela parte propriamente can- idade e respeitabilidade. Um tambores. 1991[1937]) – é seguido imediata- destaque no grupo. os dois tipos de pontos: panham com o chocalho guaiá. sem os festivais – a tendência é os grupos tar situações do momento.

ao Por causa de algum quebranto. seguem- tivo e canto não é relevante para os Solista . pois.. quebranto: meio abaixado. rememora um canto de no tambu lastreia as palavras do com a função que desempenham. Feitos os ritos de abertura. 1984:11) menta (gromenta ou ingoromenta). dono dos instrumentos faz a reza. Padre Filho. uma pancada surda pontos são classificados.Padre.. E fecha a pontos de visaria e pontos de guru. de Angra longe em longe.] De nas comunidades jongueiras. que criam entre os participantes. Há.O li lê lê lê lê. Mas esta distinção entre recita. são cantados para louvar entidades. menos cantado do que pontos que é largamente conhecida declamado em melopéia [. Os Tia Maria Luíza. Espírito Santo Os pontos de visaria ou bizarria Se eu me benzer primeiro Segundo Alceu Maynard Araú. um saravá. Ribeiro: entre os pontos dizem respeito não Coro . próprios jongueiros. fim da roda. uma saudação. Por causa de algum quebranto jo (1964:223). ao modo de interpretação vocal.. Primeiro que sai daqui Ambas as modalidades de ram ponto tudo o que se manifesta Vamos saravar terreiro expressão vocal foram assinaladas vocalmente no caxambu ou tambor. um pedido de licença. contar e comentar Um quebranto. jongos. antes de cantar. Com Deus e a Virgem Maria pelos estudiosos. que efeitos que produzem e as relações a proteção de Deus contra algum vai invocando. que vai saravando. dar a despedida. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 53 solista e coro. Assim cantam .. alegrar e animar Se eu me benzer primeiro uma abertura falada com certa for.” (Ribeiro. Quando eu aqui cheguei saudação. “O primeiro [ponto falado] mas sim às funções e efeitos dos cantam os jongueiros de Pinheiral é uma louvação. quase de joelhos. Veja-se a descrição As diferenças que eles reconhecem de Maria de Lourdes B. em dois grandes grupos básicos: até o ponto de partida. Espírito Santo se pontos de visaria. os dançarinos. e faz todo o círculo. fatos do cotidiano. que conside. os abertura da roda destinado a pedir cantador. uma tipologia dos para dar início à dança. de acordo dos Reis. malidade. o pedir licença. Filho.

foto : Ri ta Gama. às almas dos jonguei. Homens e mulheres atuam ‘Cê vai lá que você vê menta ou gromenta prestam-se ao como solistas. chama- Tem um boi que sabe ler os jongueiros da Serrinha subdivi. contudo. (Gandra. ou seja. isto é. de pedido de licença e louvação. são subdivididos Hoje. Em função das prescrições rituais te”. que provocam e atiçam rixas entre os participantes. Na maioria dos núcleos jon- gueiros. Na Serrinha. para experimentar a ‘força os jongueiros de Barra do Piraí. em Ang r a d o s R ei s (R J ) . às entidades jo. render “uma pequena disputa. da cabeça’ do adversário” (Araú- por exemplo: endereçados aos santos. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 54 Tamb o r da c omunid a d e r e mane s c ent e d e quil omb ola s d e Santa Ri ta d o Br ac u í . as crianças dançam e há até a . – quando reina a competição entre Solista – Na minha fazenda ros velhos e aos anfitriões da festa. guru. Os mais respeitados e Na minha fazenda dem o grupo da visaria em pontos temidos pelo poder mágico de seus Tem um boi que sabe ler de louvação. de gurumen- ta propriamente dita. even- tualmente. isto é. fala-se basica- mente de visaria – que pode. Alguns jovens tam- desafio e têm poderes de “encan. que produzem efeitos mágicos. que devem decifrar os enigmas das letras. saudação e despedida pontos são chamados cumbas. feiticeiros. e os de encante. 1995). 1964:222) – e de gurumenta da umbanda. bém cantam pontos do repertório. os jongueiros afamados. dos de galos.2 Coro – Mas se você não acredita Já os pontos de demanda. em pontos de demanda ou porfia. de desafio à inteligência dos participantes.

embora a maioria dos testemunhos assegure que essa é uma novidade. Mas nem sempre Maria padeci muito Benze essa fogueira os jongueiros dão explicações acerca Eu num quero padecê Depois da fogueira dos jongos que cantaram e que não (1964:201). . mentou o seguinte ponto. as crianças apenas ouviam e como as pessoas da comunidade: pelos jongueiros entre os quais reali- viam o jongo. os jongueiros realizam um nel”. como: “Tanto pau de lei/ No Quilombo de São José da que tem no mato/ embaúva é coro- Serra. Molhei a mão Araújo registrou vários enigmas lan- Mi chamaru di Maria çados por jongueiros e suas respecti- Maria num queru sê Solista e coro – Senhor da pedreira vas interpretações. Abençoa todos os irmãos. cantada” – definição corroborada mente. Foram registradas cumbas tenham sido homens. na mesma ocasião. citados na literatura sobre o jongo. mas não entravam na zou sua pesquisa. próprio das palavras. Um dos mais comentários masculinos na roda. Antiga- gueira” e que consiste no canto de um ponto pedindo ao “Senhor da pedreira” que abençoe tanto o fogo a raújo (1964:214) define ponto como “pergunta versificada. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 55 enigmas e magia formação de grupos mirins. variantes. Em Taubaté. é possível diz: “Com tanto pau no mato/ Em- que em alguns lugares os galos e baúva é coronel”. equiparada à embaúva. Araújo docu. Solista – Ah. por uma mulher: Eu passei na cachoeira ponto era sinônimo de feitiçaria. Um deles. eu fui no mato de de Cunha (SP). Trata-se de uma crítica à auto- rito denominado “bênção da fo. ridade local. na cida- roda. tirar pontos. acrescentou que. Portanto. foram desamarrados nas rodas. Os enigmas são formulados a O mais interessante é que o fol. cantado Buscar a lenha “em quimbanda ou magia negra”. estranhando o fato de uma mulher ainda cantado por vários grupos. partir de substituições do sentido clorista ouviu.

rememora as provocações Pergunta – Pai véio já morreu faz cem anos. sair da rinha. e logo aparecem os dois jongueiros não pode botar um ponto de jongo. calunga. mboare./ cachorro. por serem estrangeiras como por seu conseguiu desatar seus pontos e. pai véio é o pinheiro. coto- (1964: 215). manda!”. macumbi. Ainda segundo o re- portanto. Se a pessoa não soubesse (Andrade. Ia lá Resposta – Na sexta-feira da paixão eu mufi- mente ficam porfiando somente no tambor. Pergunta – Qual é o pássaro que passô no “Qualquer pessoa pode cantar um minutinho. Embora a anotação não esclare- feitos de improviso. colhedor. E adverte para o risco de Resposta – Cotovelo de paio véio eu mufina “Com tanta gente boa. O desatadas. Mário de Andrade registrou um velo de pai veio é o nó de pinho.] Geral. logo esse co.. nunca a gente sabe se vai estar me. ficava todo enrolado. [. mufinar jongo recolhido pelo poeta Dantas é cozinhar. batia e cantava aquele na este passo debaixo de minha camunga dois jongueiros e cada qual procura ponto. o autor Ao jongueiro vencedor assiste o xendo com alguém [risos]. 1989:273). em 1944: veado. foi derrotado”. uso figurativo. de Angra dos Mota em Minas Gerais. madeira oca e de pouca serventia. tampouco o modo como se sucediam que se destacam e põem a porfiar. Reis. Os pontos são sempre negócio do ponto no jongo é assim. interpretado como gurumenta: marimbá roncô? É também Araújo que descreve: Resposta – Culpa mboare. mar. cantam os jongueiros em lançar um ponto que poderá ser Pergunta – Puruque macumbi subiu na serra e sua linguagem metafórica. olhavam lá a pessoa. Tia Maria Luiza. criança. nem ela e nem outro ça se havia dança concomitante. eles rungo. Num Jongo por acaso eu.. “Se eles vissem uma pessoa. espera. um participante pouco experiente ele debaixo de minha camunga. travessô calunga sem cabeça? desatando o ponto. as perguntas e respostas. rungo é navio. marimbá é coração. foto: F ranc i s c o da C osta. quisadores do INRC]. saber que a gente não está mexendo as palavras isoladas – obscuras tanto trumentos do adversário que não com alguém” [entrevista aos pes. Tem que acrescentou um glossário que traduz direito de tomar posse dos ins. camunga é panela. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 56 Tia M a ria canta jun to com pe r c u s si onis tas d o j ong o da S e r rin ha . cantar coisas mais difíceis de serem responder. que ocorriam no jongo quando era puruque cotovelo de pai taí memo? O “pássaro” que passou no “run- .

não conhecia as palavras africanas serenar – dançar nem os sentidos a elas atribuídos no (Ribeiro. saco vazio não se põe em pé. 1984: 30-31). senhora dona debate cujo sentido escapava a quem saia – couro do tambu Pega no chinelo e mata. Em Angra dos Reis. Eis alguns dos termos do é motivada pelo atributo comum Tia Maria Luiza recorda: seu glossário: de resistência para o trabalho. ô Zé. jongueiros desejam comer e beber e se convertem num vocabulário designa o escravo e a substituição alguma coisa. confirmando a idéia de que as do ponto para quem não conhe. sistemáticas que ocultam o sentido Há pontos para comunicar sas. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 57 go” e atravessou o mar sem cabeça é filho de papai – candongueiro ponto como o bacalhau. areia – pessoa antiga no lugar tão freqüentes as aproximações boi da guia – principal entre o domínio social de um lado E ainda: chuva – dinheiro ou pinga e o natural de outro. que será cozinhado na macota – feitiço Sexta-feira da Paixão3. sugere uma antiga crítica Maria de Lourdes B. Um Tanta chuva que choveu. ô Zé água – pinga parte dos repertórios de visaria. rinha. Burro. Paulo Dias ou brincadeira endereçada a seres também apresenta um glossário reconheceu outras substituições humanos. são ô Zé. Saco vazio não se põe em pé. . Nos pontos cantados atualmente como Zé. jocosamente ao anfitrião que os metáforas do jongo cristalizam-se ce o código. Na goteira não pingou galo – jongueiro fórico deixou de ser acionado. elaborado a partir de suas pesqui. ô Zé. cantado por jongueiros da Ser- contexto do jongo. Ribeiro Mais recentemente. cifrado. por exemplo. que se pode couro de boi – tambu perguntar se não se trata de antigos Tanta chuva que choveu cumbi – sol enigmas: versos cujo cunho meta. andorinha – mulher entoados para divertimento. O interesse papai – tambu Eu nunca vi tanta barata da anotação reside no registro de um reinado – terreiro Eu nunca vi tanta barata.

é ressaltado pelos jongueiros sem que seus senhores compreen. Tio Juca. E contou que viu “um cara ficar quando eles queriam dançar. E assim nicação com escravos de outras fa. com mais ninguém.. As antepassados. Entretanto. é dissociado dos poderes mágicos das dimensões mais relevantes da pegava os restos que sobrava da. do os negros apanhavam. perpassam todos os depoimentos e das palavras. nas condições mais os negros pra dançar em volta” histórias de amarração do jongo adversas. não pingou. Essa é uma era feito em roda. se reuniam na senzala e senhores que interditavam a comu. senzala e só comunicavam um com INRC]. botava o tacho. contra outros jongueiros. é associada. Eles usavam a obscuridade de sentido obtida Tanta chuva que choveu. vos. mais ou menos dez . responsável pelo ca. até noutro dia. botava todos tos. aí o caxambu do presente. a única com o objetivo de favorecer uma dades visitadas.] existe jongo para que. dos escravos nas fazendas (ver Stein. juntavam uns aos outros. com figuras de linguagem e palavras Na goteira não pingou cobrir os problemas da vida que estrangeiras era um recurso político [entrevista aos pesquisadores do estavam acontecendo com o outro.. eles reclamavam. se obscuras. 1985). não se localizam exclusivamente no “Os escravos eram presos em em entrevista aos pesquisadores do “tempo do cativeiro”. zendas e a posse de qualquer arma. atribuídos aos mesmos pontos e memória dos jongueiros: a liberdade da lingüiça.. segundo os rela- de expressão conquistada por seus la sopa. INRC]. na época Esse uso estratégico de falas A linguagem obscura do jongo da escravatura.. graças à sábia manipulação [Nico Thomaz. cantar Sob a vigilância de capatazes e abraçado com um pé de couve desde seu jongo.. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 58 Na goteira não pingou iam levando a vida. quan. o outro.. [. umas duas e meia da madrugada faziam suas brincadeiras. xambu de Santo Antônio de Pádua. da. fazia aque. às necessidades de maneira deles se manifestar era comunicação secreta entre escra- os antigos escravos se comunicarem quando pegava as sobras da fazen. das coisas. que se voltavam. aquele sopão. por todas as comuni. botava o tacho. nicar com os de fora. de Barra do Piraí. os pontos para defesa e para des. Não pingou. durante a escravidão. mas sem comu. ele não dessem o que falavam.

com palavra: (Lopes. Mestre O roz im bo M ac iel. Ribeiro um enfren. com sentido pró- no. horas da manhã”.Lopes (2003:86) afirma que cumba é palavra quicongo. a palavra ponto é usada apenas pelos umbandistas e designa os cantos fato ocorrido com outro jongueiro: tamento de feiticeiros no jongo dirigidos às entidades. que imediata. Ao ce ntro. Contaram a Maria de 1. “desfazendo do Caxambu” – daí o caneca com água do rio e soprou 3. diz-se que jogavam para o alto o cinto que se transformava em cobra ao cair no chão. Não precisa mais nada” junto à bananeira. os pontos podem ser ele dormiu no pé de uma bana. A vítima do encantamento mente ficou cego. e m 1976: José Fo nsec a toca o c andong ue iro. pode ser los jongueiros é repleta de casos de que havia naquela pinga. prodígio”. alter- A história do jongo narrada pe. boca de pinga e borrifou nos olhos também expressões gráficas – são os pontos neira que eu fui obrigado a achar do filho do outro.Observa-se que. às vezes acar. Destes. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 59 P ÁGINA Ao lado A p resen tação de ca xam bu e m San to A ntô nio de P ádua ( RJ). Marimba é um peixe perda de voz. 2003: 133 e 142). porém. sido atingido. desmaios. O outro apagou 2. do mesmo lugar. a ang oma -p uíta. perda de consciência. as cinzas sobre o homem que havia ções do glossário e propõe outras. Foto: José More ir a F ra de. No contexto da “Ele falou comigo lá em Ipiabas que de Lagoinha. o tambu notas e Vardevino Fé li x. J osé R eze nde. ximo a esse. Macumbi. graça”. contou um Lourdes B. Perguntado sobre o nativas. e jogavam para o alto o chapéu que se transforma- va num gavião e bicava a cobra. Sérgio Belarmi. Um deles encheu a umbanda. que estava temperada. retadas pelo não cumprimento da obrigação de respeito devido aos tambores e aos mais velhos. perigosos. que significa “rugir” contou também que chegou na roda algumas brasas da fogueira numa ou “fato miraculoso. respondeu o sol (do quimbundo kumbi) ou gafanhotos (do quioco makumbi). O encontro de cumbas era o momen- to em que os pontos se tornavam .Nei Lopes duvida de várias explica- resultado nefasto. segundo ele. (Ribeiro. 1984:55). quedas e noites dormidas “Só palavra. riscados que representam entidades.

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 60 ANDRADE. 2ª série. Fundação Nacional Pro- Memória. Paulo: Cachuêra!. ________. Rio de Janeiro: SPHAN. In- ARAÚJO. Thiago Ferreira de. recreação. SP. 11(2). IANNI. Cultura e sociabilida- ra. Contribuição bantu na música popular brasileira: pers- VIII Encontro de Jongueiros. GANDRA. Brasileira. Relató. GOUVÊA. Edir. FONTES 162). Belo Horizonte: Ita. in: MAR. 1964. pectivas etnomusicológicas. KAZADI wa Mukuna. 2. Folclore ventário do Jongo (Piquete). do terreiro aos palcos. KUBIK. Belo Encontro de Jongueiros. arte dos pontos de jongo”. [1941]1991 21 e 22 de novembro de 2003 (programa (Obras de Mário de Andrade. Folguedos tradi. Austin: University of Texas. Rio de Janeiro: Melhoramentos. Quissamã. São Terceira Margem.). Guaratinguetá. 1987. AQUINO. “O samba-rural paulista”. outros. São Paulo: Reconquista do Brasil. 21 e 22 de novembro de 2003. de na América portuguesa. 1982. fica (Bolsa Pibic/ CNPq/ Unirio). 2000. 1995. xias”. “A outra festa negra”. Maria Emília Prado e fall/winter 1990. Paulo: IEB/ USP. “Feitiço das palavras – A BIBLIOGRÁFICAS ________. 2001. Dicionário DIAS. in: VIII in: Aspectos da música brasileira. Raças e classes sociais no Brasil. p. do Encontro). Horizonte: Villa Rica. Mário de. “Umbanda e jongo”. Iris (org. Rio de Janeiro: rio de pesquisa de Iniciação Cientí. Octavio. Maria Laura. São Paulo: Cachuê- ra!. Rio de Janeiro: Civilização CARNEIRO. 1989 (Col. . Paulo. Festa. 1966. Brasília: Ministério da Cultu. “Drum patterns in the ‘batuque’ of Benedito Ca- CAVALCANTI. Edusp. Piquete. Revista de música latino-americana. 2003. István e KANTOR. musical brasileiro. v. S. Rio de Janeiro: INF/ Funar- te. in: JANCSÓ. Gehrard. Alceu Maynard. CHIORI. 2005. Jongo da Serrinha: gos. v. GGE: Unirio. ca. São Paulo: SP. Guaratinguetá. 2003 (programa impresso em folheto). Ana Maria et al. 115-81. músi. Edison. cionais. tiaia. caxambus e batuques”. 11). “Formações instrumentais dos jon. nacional: danças.

115-147. Cahiers du CUNHA. São Paulo: de los negros en el folklore de Cuba. 2003. 2005. p. Paulo: Edusp.). Rio de Janeiro: Funar- 2005. Hava. 2003. Ensaios de história social da cultura.). 1954. Maria de Lourdes Bor- de Janeiro: Civilização Brasileira. Fapesp. Rio de Janeiro: Pallas. Folclore de REIS. tos. MATTOS. Pequena história da música popu- ORTIZ. “Terras de ________. .. “Tambores e temores: a quilombo: citoyenneté. O jongo. STEIN. mémoire festa negra na Bahia na primei- de la captivité et identité noire dans ra metade do século XIX”. a Brazi- panhia das Letras. lian coffee county. Fernando. na: 1985[1951]. ria Lugão. Princeton: Princeton University rio. São Paulo: Unicamp. Cadernos de Folclore. 2002: 101-55. ________. 2001: 339-60. e descontinuidade de uma tradição afro- brasileira em Quissamã. São Paulo: Com. CNPq. Art Ed. Vassouras. São denação geral e roteiro: Hebe Mat- Brasil. 1985 [1958]. trabalho e cidadania no pós-abolição. “Batuque negro: CD-ROM O Jongo no Sudeste. Uni. 34. Hebe Maria. Lisboa: ro: Programa de Pós-graduação em Caminho Editorial. 6ª ed. in: JANCSÓ. Carnavais e outras f( r)estas. Ana Ma. István e KANTOR. O diabo e a Terra de Santa Cruz. Rio RIBEIRO. Novo Dicionário Banto do e sociabilidade na América portuguesa. Ricardo Moreno de. 2006. social da música popular brasileira. 2002. 1991. Laura. [Dissertação de TINHORÃO. 1990. 1850-1900: the roles of planter and slave in a plantation society. José Ramos. História Mestrado – Música]. ra (org. João José. Hebe e RIOS. Iris (org. 1987. São Paulo: repressão e permissão na Bahia Janeiro: Iphan/ MinC. Festa: cultura CD-ROM Memórias do cativeiro. Rio de Janeiro: Laboratório de História Oral e Imagem/ UFF. Rio de São Paulo (Melodia e ritmo). Nei. Stanley J. Tambor de Machadinha: devir Press. Maria Clementina Perei- Brésil Contemporain. Rio de Janei. dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 61 LIMA. n° 53/54. ges. 1984. te/ Instituto Nacional do Folclore. MELO. Da modinha à lambada. MATTOS. Música da Unirio. Los bailes y el teatro lar. Coor- LOPES. MELLO E SOUZA. Memórias do cativeiro: família. Rossini Tavares de. in: le Brésil contemporain”. Ricordi. oitocentista”.

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 62

Critérios de seleção nância entre solista e coro. Geral-
mente a resposta coral só tem início
Canto e dança ao som dos após uma primeira apresentação
tambores, o jongo é mais facil- integral do ponto pelo solista. Em
mente registrado em documentos seguida, o canto é repetido tantas
audiovisuais do que por meio da vezes quanto o grupo quer, en-
partituras escrita. Com essa ressalva, apresen- cerrando-se aos poucos com uma
ta-se aqui uma pequena coleção de diminuição gradual das vozes até
pontos cantados pelas comunidades a interrupção dos tambores. Ou o
praticantes do caxambu e do jongo ponto é repetido até que o próprio
que permite apreciar alguns aspec- solista o encerra com a interjei-
tos, passíveis de representação grá- ção “machado!” (ou “cachoeira!”).
fica, dessa forma poético-musical. Foram escritas também as linhas das
A escolha dos pontos desta pequena palmas e, no caso do jongo de Pi-
antologia apresentada no livro obe- nheiral, a batida da vara que percu-
deceu aos seguintes critérios. te o corpo do tambor maior.
1. Representar todas as comu- As partituras incluídas neste
nidades visitadas e contatadas na livro são como fotografias instan-
pesquisa que antecedeu o registro, tâneas de apresentações localizadas,
elegendo pelo menos dois pontos específicas. Pois a cada interpreta-
de cada uma delas. É preciso subli- ção de um ponto, tanto os solistas
nhar que os repertórios cantados como os coros recompõem as pala-
por cada comunidade são muito vras e o traçado melódico-rítmico.
mais extensos.
2. Privilegiar os pontos que cada
um dos grupos canta regulamente e
que são identificados como inte-
grantes do repertório da comuni-
dade. Observe-se que há pontos
que circulam entre várias comu-
nidades jongueiras, ao passo que
outros são mais restritos. O fato de
um ponto ser identificado com uma
comunidade, que o canta regular-
mente, não restringe seu uso.
Procurou-se representar na
transcrição os processos de alter-

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 63

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 64

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 65 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 66 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 67 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 68 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 69 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 70 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 71 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 72 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 73 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 74 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 75 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 76 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 77 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 78 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 79 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 80 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 81 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 82 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 83 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 84 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 85

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 86

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 87

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 88 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 89 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 90 .

dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 91 Este livro foi produzido no verão de 2007 para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional .

DF : Iphan. I. 2007.dossiê iphan 5 { Jongo no Sudeste } 92 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA ALOÍSIO MAGALHÃES J79 Jongo no Sudeste. Patrimônio Cultural. 3. 60 . Jongo. 25 cm. 2._ Brasília. – (Dossiê Iphan . 92 p. + CD ROM.61. Bens Culturais.3 . Série. 5) ISBN – 978-85-7334-047-1 Bibliografia: p. : il. 3. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. . 1. Iphan/Brasília-DF CDD – 394. Patrimônio Imaterial. color. II.