dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro }
partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

samba de terreiro. samba-enredo .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } partido-alto.

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.. (Pra tudo se acabar na quarta-feira Martinho da Vila) .Sapateia ó mulata bamba Sapateia em cima do salto Mostra que és filha do samba Do samba de partido-alto. (Velho Estácio ...Cartola) Gente empenhada em construir a ilusão E que tem sonhos Como a velha baiana Que foi passista Brincou em ala Dizem que foi o grande amor de um mestre-sala O sambista é um artista .

P res i denta da R ep úbli ca Departamento do Patrimônio Imaterial Centro Nacional de Folclore e Dilma Rousseff C OORDENAção GER AL DE iDENTIFICAÇÃ O Cultura Popular M i n i stra da C ultura E REG ISTR O Mônia Luciana Silvestrin Cláudia Márcia Ferreira Marta Suplicy C OORDENAção GER AL DE SAL VAGUAR DA P res i denta do Iph an Rívia Ryker Bandeira de Alencar Jurema de Sousa Machado D i retora do D epartamento do C oordenação de Ident ifica ção P atr i m ôn i o Imateri al Ivana Medeiros Pacheco Cavalcante Célia Maria Corsino C OORDENAção DE R EGISTR O D i retor do D epartamento de Flávia de Sá Pedreira Arti culaç ã o e F omento C OORDENAção DE AP OIO À Luiz Philippe Peres Torelly S US T ENTAB IL IDADE Alessandra Rodrigues Lima D i retor do D epartamento do P atr i m ôn i o Mater i al e Fi scali zaç ã o C oordenação de Con hec imentos Andrey Rosenthal Schlee T radi cionais Associados Ana Gita de Oliveira D i retor do D epartamento de P lanejamento e A dmi ni stra ç ã o Marcos José Silva Rêgo S UP E R I N T E N D E N T E DO IPHA N no r i o de jane i ro Ivo Barreto Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional departamento do patrimônio imaterial SEPS Quadra 713/913 sul.gov.br . 4º andar Cep: 70390-135 – Brasília/DF Telefones: (61) 2024-5401 www.gov.br email: dpi@iphan. Edifício Iphan.iphan. Bloco D.

Acervo Arquivo Nacional. samba-enredo Grace Elizabeth Processo n°01450. Nilcemar Nogueira Alexandra Bertola Rachel Valença Rosalina Gouveia PESQUISADORES CONVIDADOS Carlos Monte Carlos Sandroni (A música) Felipe Trotta (A música) Haroldo Costa Janaína Reis João Batista Vargens (A poesia) Lygia Santos Marília Andrade (Dança) Nei Lopes (Da tradição africana) Roberto Moura (Notas para uma história afro-carioca) Sérgio Cabral (Deixa Falar. samba de terreiro. Buarque Capa Araújo. o samba e a escola) ASSISTENTES DE PESQUISA Alunos do curso de Gestão do Carnaval do Instituto do Carnaval da Universidade Estácio de Sá: Ailton Freitas Santos. Cremilde de A. Sérgio Henrique Página 2 Vieira Oliveira e Wellington Pessanha. Nelson Centro Cultural Cartola.Edição do Dossiê Interpretativo Edição do Dossiê Registro das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro Equipe Técnica de Produção do Dossiê C OOR DENAÇÃ O DE EDIÇÃO partido-alto. FOTOGRAFIAS DA VERSÃO ORIGINAL DO DOSSIÊ Página 4 Clarice Castro Mestre Sala e Porta Bandeira. Lilia Gutman P. Acervo Pinto Duarte. Diego Mendes Acervo Centro Cultural Centro Cultural Cartola Cartola. Célia Antonieta Santos Defranco. . Aloy Jupiara Inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão em Helena Theodoro REV ISÃO DE TEXTOS 20/11/2007. Regina Lúcia Gomes de Sá. Bateria de Escola de Samba. Nunes Pestana. Paulo César Pinto de Alcântara. em 09/10/2007. Langhi. Meryanne Cardoso.0011404/2004-25 COORDENAÇÃO Rívia Ryker Bandeira de Alencar Nilcemar Nogueira PR OPONENTE: Centro Cultural Cartola PRO JETO GR ÁFICO IDEALIZAÇÃO Leci Brandão Victor Burton DA DOS DO PR OC ES S O: DIA GR AM AÇÃ O Pedido de Registro Aprovado na 54ª Reunião do Conselho PESQUISA Inara Vieira Consultivo do Patrimônio Cultural. Luís Antônio Xangô da Mangueira.

samba de terreiro. samba-enredo sumário . dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 8 partido-alto.

10 APRESENTAÇÃO 122 DETENTORES E 164 RECOMENDAÇÕES DE PRODUTORES DA SALVAGUARDA 12 Introdução TRADIÇÃO DO SAMBA 165 Pesquisa e documentação 123 Depositários reconhecidos 168 Transmissão do saber 18 HISTÓRIA E ORIGEM DO da tradição 172 Produção. promoção SAMBA NO RIO DE JANEIRO 126 Referências na história do e apoio à organização 21 Da tradição africana samba no Rio de Janeiro 23 Notas para uma história afro-carioca 174 notas 35 Deixa Falar. o samba e a escola 130 LUGARES 132 Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira 177 fontes bibliográficas 38 IDENTIFICAÇÃO de Mangueira 39 A Música 135 Grêmio Recreativo Escola de 180 anexo 1 Partido-alto Samba Portela Parecer do Relator Samba de terreiro 138 Grêmio Recreativo Escola de Samba-enredo Samba Império Serrano 194 anexo 2 O improviso 141 Grêmio Recreativo Escola Titulação de Patrimônio 68 A Poesia de Samba Acadêmicos do Cultural do Brasil Partido-alto Salgueiro Samba de terreiro 144 Grêmio Recreativo Escola 195 anexo 3 Samba-enredo de Samba Unidos de São As 73 escolas de samba 81 A Dança Carlos/Estácio de Sá do Rio de Janeiro 87 A Cena 148 Grêmio Recreativo Escola A roda de Samba Vila Isabel 152 Mapa do samba no 196 anexo 4 A religiosidade Escolas de Samba extintas A comida Rio de Janeiro Os instrumentos 198 anexo 5 A bandeira As baianas Escolas de samba mirins 154 OBJETO DO REGISTRO As velhas guardas do Rio de Janeiro 155 Matrizes do samba O terreiro no Rio de Janeiro Os atores 199 anexo 6 159 Situação A transmissão do saber Aquarela brasileira no samba . registro.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 10 partido-alto. samba de terreiro. samba-enredo APRESENTAÇÃO .

das Formas de Expressão e dos Saberes. reconhecimento e e samba-enredo. samba-enredo página 8 Carnaval de rua no Rio de Janeiro. previsto inscrito no Livro das Formas de no Decreto nº 3. Acervo Arquivo Nacional. de Registro e dos resultados conseguiram manter essa arte como Patrimônio Cultural do do trabalho institucional e fazer com que sua beleza e Brasil. os Bens Registrados de contribui para a extensão do sua riqueza poética. assim como os descendentes de africanos que. são unânimes a formação da sociedade apresenta o Registro das Matrizes em identificar o partido alto. reconhecido ancoram a tradição do samba no valorização decorre do Registro em 20 de novembro de 2007 e Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Nacional. A divulgação dos processos discriminado no início do século XX. contudo. conhecidos e valorizados. São Expressão. São apresentados vários subgêneros do chamado do Bem Cultural e refletem nos Dossiês elementos que “samba carioca” cultivados no as etapas de pesquisa. e reconhecimento desse Culturais.“samba carioca” . samba-de-terreiro enredo como as modalidades que preservação. os grupos sociais escolas de samba. melódica. O compromisso do do Samba do Rio de Janeiro. análise definem a identidade dos Bens carnaval ou na vida cotidiana. Hoje existem fundamentaram o Registro permanência. brasileira. Jurema Machado Registrado: das Celebrações. resistentes. nos quintais. Os Dossiês reconhecimento desse patrimônio harmônica e rítmica encantassem têm por base os estudos que pela sociedade e favorece sua o país e o mundo. quatro os Livros de Registro. o samba de terreiro e o samba Estado brasileiro para com sua partido-alto. seu universo de nas quadras e terreiros das patrimônio. de O samba praticado no Rio de acordo com a natureza do Bem Janeiro . nas esquinas brasileiro é composto pelos eles inerentes. página 10 Foto histórica de comunidade no Rio de Janeiro. a Coleção Dossiê dos Bens Culturais Registrados destina-se a tornar amplamente Lugares. natureza imaterial. dos foi duramente perseguido e Presidente do Iphan . de um bem imaterial. ocorrência. Os bens que contribuíram para Este 10º volume da Coleção sambistas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 11 partido-alto. das várias cidades brasileiras. samba de terreiro.551/2000. O patrimônio imaterial envolvidos e as práticas e saberes a clubes e botecos.

Introdução .

nos blocos. Essa passagem gradual de seus primeiros cultores — pobres. no que se poderia resumir Não obstante existirem diversas como Villa-Lobos e Mário de modernamente por “atitude”. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 13 partido-alto. liderança do processo de afirmação os variados estilos de samba no Rio o Rio de Janeiro era a capital gradual do samba. Mas é fundamental Como resultado. nos morros. nas décadas de 1930 e 1940. Pode-se afirmar que os Patrimônio Cultural do Brasil. motivou o contingência relacionada ao fato de conquista. no panorama musical brasileiro. no Estácio. Rio de Janeiro. como o samba observar que a atuação dos é reconhecido como a música . em 2004. samba-enredo passistas em desfile de escola de samba no Rio de Janeiro. a ponto de ser um genuínas praticadas no Rio de roda do Recôncavo Baiano como de seus símbolos. o samba no próprios sambistas no sentido da aceitação e do reconhecimento do gênero pelo establishment foi de reunir em um dossiê textos teóricos Rio de Janeiro se destaca por ser importância decisiva. e as ao capricho da indumentária e ao samba. que vão da reuniões musicais na casa da Tia encontro entre as elites do samba.1 a ritmo identificado com a não conseguiram calar as formas O reconhecimento do samba de própria nação. Acervo Arquivo Nacional. excelência de sua expressão criativa Ciata. práticas musicais identificadas Andrade. Esse fato possibilitou o diversos fatores. em 2005. samba de terreiro. urdido em de Janeiro. realizado no Rio de Janeiro entre janeiro e outubro de 2006. tem por objetivo de roda do Recôncavo e o samba rural paulista. em parte. Passou de alvo de discriminação e descritos por estudiosos como brasileira das matrizes do samba no perseguição nas primeiras décadas Hermano Viana e Cláudia Matos. ou “nacionalização” do samba. ruas e nos quintais. que se originaram nas do país. as políticas culturais do Estado. Janeiro. nas escolas de como Donga e João da Baiana. e como Obra-Prima do gênero perseguido a símbolo negros e excluídos — foram os Patrimônio Oral e Imaterial da nacional foi. o samba pelo termo samba. O presente trabalho. e documentos que reforcem um fenômeno cultural pujante Os processos de “oficialização” a importância para a cultura que atravessou o século XX. uma principais responsáveis por essa Humanidade. Eles tomaram para si a Centro Cultural Cartola a analisar que. nas elites intelectuais que orientavam emprego de palavras rebuscadas.

já que a ser chamado de samba urbano. ainda não foi concluído. políticos. estabelecimento Rio de Janeiro se espalhou pelo A pesquisa obedeceu à . ao levar os sambistas a reocupar as é um importante fator de afirmação samba carioca. nos terreiros/ valor do samba no Rio de Janeiro impedidas de celebrar abertamente quadras e em seu momento maior. resistiram classe média. que inicialmente se dava papel fundamental na tradição a um novo samba. que viria ser um exercício de política social referência cultural nacional. O samba virou sinônimo Janeiro — excluídas de participação meio de comunicar experiências e de Brasil. mídia. criação Brasil. através do samba e das O samba e os sambistas viveram e vivem. popular do Brasil por excelência. do rádio e do disco. Acervo Centro Cultural Cartola. de experiências. troca Em pouco tempo. plena nos processos produtivos e demandas. samba de terreiro. além de ou simplesmente samba. alto valor artístico e grande poder construção da identidade nacional comunidades negras do Rio de de integração. Esta pesquisa busca situar o políticos formais. O samba foi e é um brasileira. duramente de samba atraíram mais e mais e subgêneros por meio de atingidas pela reforma urbana da o interesse de segmentos sociais manifestações musicais. perseguidas e A escola de samba. indústria séculos pelas populações africanas ao preconceito. espaços de reunião. e afrodescendentes que aqui maneiras. As escolas num sem-número de gêneros Essas comunidades. foi e continua a cultural desta cidade e como tipos então conhecidos. dentre outras do entretenimento e do turismo. embora fonte de inspiração e de trocas também criaram as escolas de avançando. individuais e de grupo. do que foi semeado ao longo dos e responderam à exclusão e poder público. de dança e primeira década do século. escolas. expressões populares de participaram ativamente da No começo do século XX. artística e festa. originadas as afastou do Centro. de celebrações da vida. inicialmente por meio Ele ocorre em todo o país. samba-enredo Fachada do prédio do Centro Cultural Cartola. mostrando seu suas folias e sua fé — deram forma o desfile. o samba do fronteiras geográficas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 14 partido-alto. diferente dos na Praça Onze. aproximando sambistas. que diversos. Elas e afirmação social que. samba de morro ruas. intelectuais. interculturais para além de suas samba. como patrimônio. de redes de solidariedade. em um processo de conquista da identidade brasileira.

o de batucada. quase sempre difusão do samba. com as marcas de progressiva das escolas de samba. ele adquiriu certas que estivessem intimamente experiências da vida e a exaltação da características. no qual o grupo De sua animação e cadência depende reconhecimento e a transmissão marcava o compasso batendo com todo o conjunto da agremiação. tais espaços eram participante vá ao centro da roda desafiando a fria objetividade de originalmente chamados terreiros. nos aspectos que a palma da mão e repetindo versos termos de evolução e envolvimento a identificam e a diferenciam de envolventes que constituíam o harmônico. Essa repete. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 15 partido-alto. a natureza. instituição que garantiu sua ancestralidade. aquele em que o apoio financeiro. que cantava o amor. Uma das final da década de 1920. . Ao foram convocados pesquisadores as lutas. capazes de defender Praticavam também o poética uma “história” — o enredo — não o engessamento dessa cultura partido-alto. que da roda a ocupar o centro. atualmente. em de sua tradição. de experiências Primeiro. do Instituto do Patrimônio ali cantavam e dançavam seu A partir da estruturação Histórico e Artístico Nacional samba livre. normalmente (mas exemplo. como a capacidade ligados a essa produção cultural sua escola e do próprio samba. socialização e não necessariamente). por tradição é o que sustenta os espaços improvisados. nesse lugar era o samba de compositor elabora os seus versos Na primeira etapa dos trabalhos terreiro. No partido-alto o refrão se características dos dois primeiros a forma de espetáculo. criou-se ainda a supervisão técnica e o modalidades de samba praticadas o samba-enredo. a presença marcante do destinados à prática. samba-enredo metodologia do Inventário lugar de encontro e celebração corpo convide outro componente Nacional de Referências Culturais dos atores dos “guetos”. e os versos que se seguem. tomaram refrão. subgêneros descritos. nascido das rodas que se desenrola durante o desfile. de descrever de maneira melódica e brasileira. É também o refrão nas entrelinhas. sambar e com um gesto ou ginga de alguns enredos. viva e dinâmica. as longo do tempo. no começo do que serve de estímulo para que um e sentimentos dos sambistas. obedecem ao refrão e a inclusão. como. no (Iphan). século XX. tema proposto. samba de terreiro. para apresentação no desfile. O samba-enredo agrega vertentes que. as festas. mas o respeito.

Tijuca. ficou claro que pesquisa necessária à instrução de expressão. Unidos de Vila Isabel etc. com os modos de ser e de sambistas: Mangueira. forma contemporânea. o que determinou a os caminhos e fontes se cruzavam do processo de registro deveria divisão do trabalho. com a história e a memória Cruz. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 16 partido-alto. audiovisuais (depoimentos formas de expressão que mais sobretudo por sua localização gravados.m. dissertações em um só relato: o da trajetória Primeira de Mangueira. matérias em das mutações e permanências que Império Serrano. fotografias. mas das matrizes pesquisadas: Estação – bibliografia (livros. registros população carioca. em todo momento. discografia (gravações em do samba como forma de expressão e Estácio de Sá.). continuidade A pesquisa foi direcionada para À medida. na realidade. na vida das pessoas. Acadêmicos do periódicos. que representam discos 78 r. Em todo o universo Isabel e Estácio. modalidade samba-enredo. de viver. e teses acadêmicas. partido-alto e samba. Vila b) Pesquisa de campo – para dos sambistas.p. estava depoimentos com reconhecidos enredo — são as que implicam surgindo e se consolidando e que depositários da tradição e relações de sociabilidade. Sua mantêm viva a memória dos que realizados registros das matrizes do prática está enraizada no cotidiano participaram desse processo. fita cotidiano. etc. discos de vinil. Madureira. na documental. forjaram a estratégia de resistência Salgueiro. qual elas são referências.). que o histórica. samba-enredo O recorte contemplou as três universo do samba carioca. não no relato representativas da constituição a) Levantamento das fontes de seis trajetórias paralelas. do samba no Rio de Janeiro em sua dos sambistas. folhetos e fôlderes. portanto. porém. Portela. foram colhidos novos de terreiro. CDs. filmes e intimamente se relacionam com o geográfica em redutos tradicionais documentários em película. . de um importante segmento da com a mesma importância o fitas cassete. Avaliou-se que a a descrição do samba como forma trabalho avançava. Oswaldo VHS ou DVD. tendo.. constituindo- focalizar seis escolas de samba em duas frentes: -se. São escolas que preenchimento de eventuais do samba no Rio de Janeiro essas se organizaram no momento em lacunas verificadas no corpus três formas de expressão — samba que essa forma de expressão. samba de terreiro. etc.). basicamente.

. do Instituto do pedido de registro conta com o muitas variantes. com o Iphan em relevantes no panorama da música encontros no Centro Nacional produzida no Brasil. modos de socialização Cultural Cartola. Registro das Formas de Expressão. do seu 2007. o de dados. conforme decisão proferida É importante ressaltar que no legado africano. samba-enredo o compositor e cantor Cartola com sua esposa Zica nos anos 70. A conselheira figuras tradicionais das escolas de Janeiro foram reconhecidas como relatora do processo de registro foi samba com o objetivo de trocar patrimônio cultural brasileiro Maria Cecília Londres Fonseca. Paralelamente ao levantamento O samba de partido-alto. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 17 partido-alto. mas formas de da equipe de pesquisa no Centro expressão. no Museu da Imagem comunidades situadas em áreas e do Som (MIS) e no Instituto do populares da cidade do Rio de Carnaval da Universidade Estácio Janeiro. em especial. Acervo Centro Cultural Cartola. samba de terreiro. de São também referências culturais forma periódica. O a partir dessas matrizes. Constituído de Folclore e Cultura Popular. realizada no dia 9 de um encontro de velhas guardas e As matrizes do samba no Rio de outubro de 2007. o samba carioca é Patrimônio Histórico e Artístico apoio da Liga Independente das uma expressão da riqueza cultural Nacional. Cultural. do país e. O andamento e referenciais de pertencimento. além de reuniões semanais gêneros musicais. constituindo-se na 54ª Reunião do Conselho dia 7 de outubro de 2006 realizou. foram promovidos samba de terreiro e o samba debates na Associação das Escolas de -enredo são expressões cultivadas Samba da Cidade do Rio de Janeiro há mais de 90 anos pelas (AESCRJ). do projeto era discutido. em 20 de novembro de Escolas de Samba do Rio. em suas volume primeiro. registrar práticas e por meio da inscrição no Livro de consolidar o projeto. Não são simplesmente de Sá. em um símbolo de brasilidade em Consultivo do Patrimônio -se no Centro Cultural Cartola todo o mundo. experiências.

samba de terreiro. samba-enredo HISTÓRIA E ORIGEM DO SAMBA NO RIO DE JANEIRO . dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 18 partido-alto.

feição que se pretendia moderna atraída pela riqueza da cultura que a uma metrópole que se queria ali florescia. trabalho. foi determinante a formação Pereira Passos na primeira década E seus autores e criadores eram de uma rede de solidariedade e do século XX — promovida com exatamente os participantes dessa sustentação que resultou num o intuito confesso de “limpar” a comunidade organizada da Cidade contato cultural enriquecedor e na cidade de tudo que significasse Nova. econômico e geográfico. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 19 partido-alto. Naquele momento decisivo difundida. intervenção. se mostraria. minuto trouxe no campo reservado carioca se apresenta desde sua origem juntamente com os novos hábitos civilizatórios à descrição do gênero musical a — nas primeiras décadas do século XX das elites. um selo de disco de 78 rotações por Portuária do Rio de Janeiro. samba-enredo Acervo Arquivo Nacional. pela primeira vez. samba de terreiro. Em gênero sofreria uma importante raças e culturas se encontrem nas filas da torno da casa da baiana Tia Ciata. o samba meios de informação da época. na Zona cultura popular carioca definida por uma densa experiência sociocultural que. no Estácio. conhecida como Cidade Nova. porco. já no fim resistência cultural. Em 1917.3 data e fosse uma palavra já então negra. frequentada também por miscigenação das várias etnias que ali pobreza. a formação de uma vigorosa começou a furar o bloqueio grupos que receberam o pomposo . doença e atraso. embora subalternizada e quase que omitida pelos social. essa população Aproximadamente uma de transição nacional fazem com que marginalizada se reuniu na região década depois. — como um elemento de expressão do Rio de Janeiro e na formação de sua Embora existisse antes dessa da identidade cultural da população personalidade moderna. o ano de 1917 é que em que o negro acabava de conquistar Com a drástica intervenção entrou para a história como o do o direito de vender sua força de urbanística realizada pelo prefeito nascimento do novo gênero musical. A modernização da cidade e a situação europeia —. T endo como marco a localidade denominada Pedra do Sal. cuja produção A organização do samba em da República Velha. fundamental na redefinição palavra samba. no Morro da Conceição. dando gente de outras partes da cidade. vieram ter e conviver. ao pé do estiva ou nos corredores das cabeças de formou-se um poderoso núcleo de Morro de São Carlos.2 promovendo essa situação. o recém-nascido indivíduos de diversas experiências sociais.

samba de terreiro. suas características mais essenciais. nas surgimento de um subgênero. tendo conquistado de reconhecimento como símbolo de uma parcela considerável da absoluta hegemonia no Rio de da nação. . composto para será possível detectar que houve feitas à participação de todas as servir de trilha sonora aos desfiles permanência. mas que transcendeu século. samba-enredo Abaixo à esquerda Ala de Ritmistas da Unidos de Lucas (1968). na musicalidade. Acervo Centro Cultural Cartola. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 20 partido-alto. das principais características samba ocasionaram transformações. em seja na poética. Hoje ele é que marcaram o seu surgimento. nome de escolas acarretou o que as matrizes do samba carioca no ritmo. essa determinação. na coreografia. que reuniões de sambistas dentro ou trajetória em direção a um patamar continuam a fazer parte do cotidiano fora das quadras. ao longo de quase um camadas da população nas escolas de carnavalescos. o serão abordadas com minúcia. mas ainda assim é possível identificar cantado durante todo o ano em Apesar de sua bem-sucedida traços dessas matrizes. Abaixo à direita Zica preparando um de seus quitutes. As concessões samba-enredo. o samba logrou conservar população com a intensidade e vigor Janeiro como música de Carnaval. nos ritos. da cultura popular. celebrações. em 1963. típicos das manifestações autênticas Na descrição que se segue. Acervo Centro Cultural Cartola.

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

DA TRADIÇÃO
AFRICANA

Muito antes de o gênero nacional” (A Folha Nova, jornal da ou seja, na qual os dançarinos se
ganhar o alto estatuto de música Corte). E em 1889, o dicionarista chocam um com o outro, batendo
popular brasileira por excelência Beaurepaire-Rohan já o definia de peito. Da mesma forma que na
e componente fundamental da como “espécie de bailado popular”. língua tchokwe, de Angola, segundo
identidade nacional, o termo No Brasil, a tradição de danças Adriano Barbosa, o vocábulo
“samba”, na acepção de música em roda e caracterizadas pela “samba” (grafado com acento
e dança praticada em roda e ao umbigada provém certamente do agudo) é também, entre outros
ritmo de tambores, palmas, etc., já extrato banto formador de boa usos e significados, verbo usado
circulava em várias regiões do país. parte da cultura afro- na acepção de “cabriolar, brincar,
Antônio Geraldo da Cunha -brasileira, sendo observada por divertir-se (como cabrito)”. E
data de 1890 a entrada do termo na viajantes no interior de Angola o quimbundo registra o verbo
língua portuguesa, provavelmente no século XIX. Na obra Les Kongo “semba”, agradar, encantar.
usando como abonação texto Nord-Occidentaux, Marcel Soret Na Angola contemporânea,
de Aluísio Azevedo no romance observou, também entre os povos “semba” ou “varina”, em todas as
O cortiço. Mas já em 1886, José objeto de seus estudos, cantos e suas infinitas variações, é a dança
Veríssimo dava-o como “de origem danças de aparência licenciosa, mais popular da capital, Luanda,
perfeitamente assentada”. O que na verdade nada mais são que notadamente na faixa marítima
filólogo Macedo Soares, entretanto, antiquíssimos hinos à fecundidade. (Ilha de Luanda, Samba Grande e
registra essa entrada em 1884: Karl Laman, no Dictionaire Kikongo- Pequena, Ilha do Musulu, Barra
“Não acreditamos que a dignidade Français, registra o vocábulo “sàmba” do Cuanza, Cacuaco, etc.). A
do país fosse ultrajada porque nas (acento grave na primeira sílaba), dança se executa por um sapateado
fronteiras do Brasil com as Guianas com, entre outras, as seguintes de cadência rítmica ligeiramente
francesas, um mascate em hora de acepções: “pl. má-samba”, acentuada, ao som de tambores
samba, ou de libações, ousou arriar espécie de dança “où on se heurte (bumbos) e caixas de madeira ou
do respectivo mastro o pavilhão ensemble, contre la poitrine”, latinhas metálicas. A coreografia

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Baiana no cais do
Rio de Janeiro.
acervo arquivo nacional.

fundamental caracteriza-se por em 1961, listava como formas de
uma roda no centro da qual os samba “atuais e passadas”, entre
dançarinos gravitam, remexendo outras, o caxambu, o coco, o jongo,
o corpo e balançando as ancas e, o lundu, o partido-alto, o samba de
ocasionalmente, movimentando-se roda e o tambor de crioula.
para frente, dobrando o corpo e Mário de Andrade, em
executando o sapateado. sua pesquisa sobre o coco
A tradição dos povos bantos deu, nordestino, informava que, em
no Brasil, origem a toda uma família seu tempo, principalmente no
de danças aparentadas, que vai do Ceará e em Alagoas, os termos
carimbó paraense e do tambor de “coco” e “samba” muitas vezes
crioula do Maranhão — passando se confundiam, para designar a
pelo coco do litoral nordestino e mesma expressão musical.
pelos sambas do Recôncavo e do Acrescente-se, como já dissemos
médio São Francisco, na Bahia — antes, que escritores como Euclides
até o jongo ou caxambu no Sudeste da Cunha, em Os sertões, e Aluísio
brasileiro, notadamente no Vale do Azevedo, em O cortiço, descreveram o
Paraíba. Onde houve negro banto, que então se entendia como samba.
lá estão as danças de roda, com ou Inegável, então, a bem-
sem umbigada. -documentada origem africana
Todas essas danças foram do samba, a qual, em dado
incluídas por Oneida Alvarenga, momento, alguém se dispôs a
colaboradora de Mário de Andrade, negar, atribuindo ao gênero origem
no grande espectro das “danças do indígena. Indiscutível, também, sua
tipo samba”; e Edison Carneiro, origem entre os povos bantos do

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Notas para uma
história
afro-carioca

antigo Congo, que compreendia Depois de 1810, com as que alugavam seus serviços por
regiões da atual Angola. sucessivas abolições em quase a meio da mão de obra dos negros de
Resta dizer, apenas, que várias totalidade dos países escravagistas, ganho, nesse formidável universo
dessas formas rurais de samba dois grandes fluxos de escravos se do trabalho que era o bairro da
chegaram ao Rio de Janeiro, mantêm: Brasil e Cuba. Em 1821, Saúde. Tratava-se de uma subcasta
principalmente durante as excluídas as paróquias rurais, de negros livres, alforriados,
migrações ocorridas nos cerca de o Rio de Janeiro tinha 86.323 verdadeiros heróis que tinham
50 anos que se passaram entre a habitantes, dos quais 40.376 eram superado a escravatura comprando
proibição do tráfico atlântico e a escravos, a maior população escrava sua liberdade. Era o resultado do
abolição da escravatura. E, aqui urbana das Américas e do mundo, esforço de um grupo, ao qual se
chegadas, amalgamaram-se, tanto quando, por exemplo, na cidade juntavam muitos fugidos que se
ao gosto, por exemplo, de migrantes de Nova Orleans, onde também escondiam entre essa multidão
bantos do Vale do Paraíba quanto de se reunia um grande contingente, de trabalhadores, que procurava
sudaneses e também bantos vindos havia 15.000 escravos. Por volta de sobreviver e começar uma vida nova
da antiga Bahia e do seu Recôncavo, 1830, com o rápido crescimento na cidade.
tomando no meio urbano, com o populacional propiciado pelo Em 1849 já havia 10.732
passar dos anos, novas e ainda mais tráfico, pela imigração interna de negros libertos nas freguesias
variadas formas. cativos e de negros e brancos livres urbanas, deixando apreensivos
O samba é, pois, fruto de para o Rio, o número de escravos os administradores da corte,
ricas tradições africanas e afro- em toda a província aumenta temerosos, como fora a
brasileiras. E sua preservação, consideravelmente, igualando o da administração colonial, de um
como bem imaterial do patrimônio população livre. levante negro na cidade que
cultural nacional, além de ser um Entre os negros, o dado ultrapassasse o desafio permanente
imperativo constitucional, é um qualitativamente novo era o com as fugas e com os quilombos.
dever de consciência. crescimento do número de libertos Temores que haviam crescido com

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Baiana vendendo acarajé.
acervo arquivo nacional.

a revolta de iorubás e malês em peculiaridades ao longo da história com a progressiva diminuição de
Salvador em 1835, provocando popular da cidade constituindo africanos com o fim do tráfico,
duras medidas municipais contra os uma densa tradição, os princípios e com a mistura entre negros,
negros no perímetro urbano, que místicos coletivizantes e a cultura mulatos, caboclos e europeus,
repercutiam nas atitudes do poder afirmativa e musical, que depois, a principalmente portugueses, nos
imperial e de sua polícia com os partir da terceira década do novo bairros populares e nas ocupações
escravos em todo o país. século, dariam substância às festas mais duras e desprestigiadas, a
A escravidão nas Américas da capital federal e ao seu fascinante cidade tinha se tornado menos
ocasiona uma mescla sem universo de espetáculos. africana e mais crioula. A
precedente de povos e culturas À tradicional presença de população negra, entretanto,
africanas, que em alguns momentos angolanos e moçambicanos voltaria a crescer com a decadência
de inflexão, ocorridos em bantos na cidade se somava do café no Vale do Paraíba e com
determinados lugares, elabora progressivamente a presença as chegadas sistemáticas dos forros
novas sínteses, decisivas na de negros da África Ocidental, baianos. O grupo baiano iria
construção das novas sociedades principalmente das nações iorubás. situar-se nessa parte da cidade onde
nacionais que se montam depois Também negros islâmicos, que a moradia era mais barata, perto
do processo abolicionista e do passaram a migrar regularmente do cais do porto, nas freguesias
republicanismo que varrem o para o Rio, tanto cativos para serem de Santana e Santa Rita. Aí os
continente. No literalmente novo redistribuídos pelas fazendas de homens, como trabalhadores
mundo para o africano, dá-se uma açúcar ou café, como alforriados braçais, obtinham vagas nas
reordenação dos valores e símbolos baianos que vinham reorganizar docas construídas em meados do
produzidos na origem africana suas vidas na capital fugindo das século. Essas freguesias absorviam
diante da condição de escravos e do práticas repressivas que haviam se avidamente a mão de obra barata
convívio entre diversas etnias no instaurado em Salvador. de estivadores, concentrando-se os
cativeiro. No Rio, isso ganharia tais Na segunda metade do século, baianos nas ruas e nas ladeiras nas

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Baianas no Rio de Janeiro.
acervo arquivo nacional.

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

vizinhanças da Pedra da Prainha, seus assentamentos inicialmente Barão de São Félix, no caminho
depois conhecida por Pedra do Sal. dissimulados dos senhores e da da Zona Portuária para a Cidade
Se nas ruas a capoeira afirmava tropa em quartos ou num barracão, Nova, instituição popular que
agressivamente a presença do enquanto as entidades de céu se constituiu numa garantia
negro, não mais apenas subalterno aberto eram cultuadas nas matas nas para o negro no Rio de Janeiro,
e mártir, a religião dos baianos cercanias da cidade. vitalizando-o para resistir e
daria uma nova dimensão ao O candomblé no Rio é tão sustentar seus novos caminhos
negro carioca e, em contato com antigo quanto as primeiras levas na cidade e no país. Suas filhas
os cultos dos bantos, fundaria sob de baianos que chegaram à capital de santo marcaram época como
o panteão dos orixás uma religião depois das revoltas de 1831-1835 as rainhas negras do Rio Antigo:
negra nacional que, no século em Salvador, e logo, além dos tia Amélia, Amélia Silvana de
seguinte, se multiplicaria em cultos familiares, casas de grande Araújo, mãe do violonista e
diversas formas regionais, tendo importância seriam fundadas na compositor Donga; Perciliana
como raiz o candomblé e como cidade. Notícias quase perdidas no Maria Constança, ou melhor, tia
matriz transformadora a macumba tempo dão conta do candomblé de Perciliana do Santo Amaro; tia
carioca. O candomblé baiano era, Bamboche ou Bamboxê na Saúde, Mônica e sua prodigiosa filha,
de certa forma, uma nova liturgia, africano chegado à Bahia na metade Carmem Teixeira da Conceição,
pois compensava, com uma nova do século XIX, que vem para o a Carmem do Xibuca, a filha de
organização ritual, as lacunas na Rio, onde funda sua casa de santo, Alabá que viveu, sábia e soberana,
cosmogonia iorubá ocasionadas voltando depois para a África, até a década de 1980 com seus
pela escravatura. Em um mesmo fazendo parte de uma minoria que mais de 110 anos; a tia Bebiana
terreiro, assentava os cultos de retorna logo depois da Abolição. dos ranchos; tia Gracinha, que foi
diversos grupos e cidades, passando Entretanto, é considerado mulher do grande Assumano Mina
a representar uma pequena o candomblé seminal a casa de do Brasil, sacerdote islâmico; tia
África, os orixás urbanos com João Alabá, de Omulu, na Rua Sadata do rancho Rei de Ouro; e

se diferenciavam dos cortiços. Santo Cristo. Muito tempo depois. Agripina e às vezes a cozinha coletiva. geralmente iniciados Bamboxê. samba de terreiro. cosmogonia negra da cidade. tornam-se tradicionais fruto de uma dissidência do Ilê Ixá Sapucaí. candomblé de Cipriano Abedé ladeira da Pedra do Sal. identidade carioca a partir do -pequena do candomblé de João inicia sua filha de santo Conceição convívio com os bantos. subúrbio de Coelho da Rocha. Nos Obá Saniá. Outras casas têm grande universo popular da cidade. sua sucessora. a grande Tia Ciata (1854-1924). famílias ou por grupos junto com quem funda a casa no onde até hoje batem os tambores de companheiros de trabalho. Nassô do Engenho Velho. que abre uma nova mais influente diáspora baiana no para uma verdadeira revolução que casa. de sua morte. a casa de Alabá de Ogum. Acervo Centro Cultural Cartola. resta vivo na cidade o fundado por se apertava em seu cubículo. lideranças fundamentais de Omulu. Felisberto. nas casas Provavelmente. samba-enredo Elizeth Cardoso e Clóvis Bornayna Unidos de Lucas (1968). Aninha volta à capital. por nações. transfere o axé para o “zungus”. onde contornos pouco vislumbramos. na cada vez Alabá. assim como Bamboxê fora o pai Desses candomblés matriciais. figuras mitológicas cujos na Zona Portuária os “zungus”. mãe. que se particulariza a partilha dos esforços era central. as bairro da Saúde. que já estava na cidade. encontrar-se com de Xangô. como o Inicialmente sediados na zona depois da libertação. na Rua do Propósito alugadas por baianos e africanos tinha ligações com o candomblé do e depois na João Caetano. na Zona Portuária. . e o de para abrigar as levas de recém- Ilê Axé Opô Afonjá de Salvador. onde no progressivamente ganhando uma Hilária Batista de Almeida. Depois apenas partilhando os banheiros em companhia de outra iniciada. identidade nagô. Em 1886 mãe Aninha vem ao Rio Mãe Aninha com Conceição. só onde cada indivíduo ou família espiritual de sua babalorixá Aninha. se travaria no meio negro naquela importância na cidade. que conta que João Alabá o frequentava. O culto e tradições coletivistas negras vindas para Salvador. voltando depois chamando os orixás. casas coletivas ocupadas por tinha sido feita Ciata. Notícias dão intimamente presentes na negros escravos e forros. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 28 partido-alto. na Rua Marquês de -chegados. Esse candomblé se depois a presença cultural daqueles da situação tribal organizavam uma extingue com a volta de seu líder forros formam na cidade uma vida onde o aspecto comunitário e para a África.

4 conta que em 1872. um pernambucano criado migrantes. samba de terreiro. uma Domingos. vista com desconfiança pelas forças um rancho com o nome de Dois de por momentos. ainda na década de Jornal do Brasil. foi indubitavelmente Hilário Jovino de auxílio mútuo integrada por No início. principalmente Morro da Conceição. que responderia com 1880. de Conta de Hilário terminaria e ranchos existentes pela cidade na Hilário Jovino. ele não deixe de se vincular às eles chamados os guardas urbanos. como faziam os outros ranchos. entre os quais a notória na vida do Rio. praxe à casa dos notáveis entre os públicos da importância dos baianos Das variantes entre tradições baianos. Rosa Branca. a presença de Ferreira. cucumbis e afoxés —. ele funda o Rei de popular fechada com seus preceitos progressiva presença de blocos Ouros com um chá dançante em sua e movimentos próprios para depois de brancos pobres. em busca de maior liberdade de tradições. que chega do trabalho pesado na estiva e do uma vez que qualquer forma de ao Rio de Janeiro indo morar no comércio ambulante. congadas. no meio nagô em Salvador. numa entrevista ao por ironizar Ciata e seu rancho. na dos primórdios dos ranchos cariocas os ranchos. Podemos supor uma Ouros. era do Beco João Inácio. tia Bebiana impõe europeias — ternos. que se torna um lugar de ticumbis. um rancho sua festa da lapinha no Largo de São africanas — congos. onde já saía associações festivas. o Bem convergência dos desfiles dos pastoris que se destacam são os ranchos. da cidade. origens aproximados pela cidade. pastoris — e Tia Ciata. o época do Natal. embora dos “morcegos”. sobrevivendo por meio negros é discreta no Carnaval. decide realizar seu desfile O Carnaval muda a chamando logo a atenção constante no Carnaval. Em 1893. como eram por Reis. Uma comunidade sequência dessa história. em vez de sair no dia de característica do rancho. o licencia na polícia e. se tornaria. os formação gaiata e satírica. estruturada sua extroversão. uma aristocracia repressivas. tornam-se centros casa. samba-enredo Aos poucos. já encontrara seu sujo O Macaco É Outro. numa se abrir à cidade moderna como de encontro de negros de diversas decisão que muda a história musical uma resistente referência. No Carnaval. como na visita de Como um dos primeiros sinais movimento e expressão. se desdobrava num “sujo”. Mas o principal personagem ao chegar à cidade. nas vizinhanças em torno dos terreiros e de em manifestações coletivas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 29 partido-alto. mestiços e .

se consolida o sentido da relação consanguínea. Constituindo-se. fundamentais da cultura popular experiência como “homem livre” assim. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 30 partido-alto. embora contestada tradições comuns. irmandades. da Cidade Nova. samba-enredo negros no Carnaval. juntas ou ou no rancho. expande o sentimento e pelos meios de informação da pelo rito religioso. que extinguira as organizações de povoados por essa gente pequena. mesmo que de muitos de seus membros em no candomblé. Saúde uma diáspora baiana cuja importados pelas elites. alforriados em Salvador — de prefeito Pereira Passos em 1904. vindo do subalternizada e quase que omitida na marra pelo capoeira. o grupo baiano seria uma Centro pelas reformas urbanísticas do Rio. e às vezes algum de diversas experiências sociais. nos quais os negros afirmariam . no bairro da os novos hábitos civilizatórios episódico nos espetáculos-negócio. então. obtida sentido “familístico” que. de vida e de trabalho onde antes dinheiro poupado — e a experiência raças e culturas na estiva ou eram escravos. exigida religioso. coesão e um sociocultural que. considerando a presença afirmativa nação ainda existentes no Rio de que seria tocada para fora do do negro na Zona Portuária Janeiro. A vivência como que culminariam com as obras do estendendo para a Cidade Nova. Uma densa experiência na Capital. de marcada influência negra. fortalecendo a influência se estenderia por toda fundamental na redefinição do Rio chamada democracia racial na base. tanto quanto na festa comunitária ou no glamour Formara-se. é uma conquista de liderança e administração nas cabeças de porco. e depois confirmada. A onde trouxeram o aprendizado de Do encontro desses indivíduos territorialização de seu ambiente ofícios urbanos. é uma conquista política. pela Abolição. samba de terreiro. já candomblés. progressivamente se nova liderança. a comunidade nos bairros em de Janeiro e na formação de sua Com a brusca mudança no meio torno do Cais do Porto e depois personalidade moderna. negro ocasionada pela Abolição. embora pela realidade de cada dia. na pobreza e na os tornariam uma elite no meio resultaria a formação das matrizes repressão policial. época. instituições que se mantêm os preconceitos na na organização de grupos festeiros. num dos únicos grupos com carioca. subalternização. se mostraria. na capoeira ambiguamente. Tais bairros eram A Pequena África. Sua primeira negro carioca.

setores da sociedade que a cidade de cidade. musicais. no ambiente elementos de diversos códigos preserve na cidade. nas primeiras décadas essa cultura popular incorporaria que uma estrutura de aldeia se do século XX no Rio. processionais. bandeado para guetos nos morros tornaria a pluralidade cultural sob a A participação do negro no do Centro ou na periferia. permite Assim. que numa dos negros teriam liderança e de seu povo. festeiros. Acervo Centro Cultural Cartola. sua arte. à festa e provoca um rearranjo nas gozavam uma primeira e precária A contribuição dos baianos se formas de participação dos diversos franquia. surgem novas sínteses culturais dessa “ralé”: instituições populares. China. Donga. festejos. Legitimados por uma . esportivos. Insuspeitadamente. gêneros artísticos. todo o país. formas de organização de um grupo heterogêneo e disforme reunindo indivíduos diversos ligados apenas pela situação comum de exclusão. perto hegemonia do negro a peculiaridade Carnaval carioca dá nova substância das estações do trem suburbano. José Monteiro e Sizenando Santos. o que música. sobre os quais as tradições cultura e no inconsciente coletivo -Abolição. os negros. central dessas novas sínteses. panteão dos orixás iorubás. tornado primeira acomodação tinham se dariam coesão e coerência. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 31 partido-alto. novas paixões populares. mas logo apropriadas por interessados. síntese da brasilidade. Em sua plasticidade. dramáticos. enraizada na sua confuso e excludente do pós- culturais. José Alves de Lima. samba-enredo Os Oito Batutas. situações particulares a esta eternizando na macumba carioca. Nelson Alves. formado por Pixinguinha. e no samba. que seriam disseminados por que reelabora os cultos bantos sob o hoje herdou. samba de terreiro. metamorfose moderna de antigas tradições.

praticamente impedidos de se reunir juntamente com outros como O próprio termo “escola” de e se divertir nas ruas e avenidas Caninha e Eduardo Souto. formas de organização. sendo carnavais com suas composições.5 inicialmente se apresentaram no emblemáticos acontecimentos. Donga dos Oito e. o que por vezes era ainda num momento de adaptação e a responsabilidade dessas transgredido por grupos de jovens às normas da indústria cultural. depois diria Cartola sobre aqueles vindas das práticas religiosas. organizações de sambistas que bailes. que desafiavam a é de quem pegar”. sucesso absoluto no Carnaval. Novas sociedade e a polícia desfilando com Mas. “não havia mesmo de alguma forma. Hilário Jovino. No entanto. no limite da rancho Rosa Branca na casa de Ciata. começa a dominar os Estácio. morro e nós também não nos de elementos da “sociedade”. herdavam sua o Pelo telefone. samba refletiria as expectativas do Centro. Os negros. pianista do clube Kananga do se reúnem por volta de 1928 no limitavam-se a uma participação Japão. cachaça e “porrada”. que acompanhada por rumorosos e cidade. identidade nacional comum às zona de prostituição. samba-enredo publicidade do samba “Pelo Telephone”. o grande Batutas e outros. samba de terreiro. quando. governo favoreceriam as primeiras desfiles dos préstitos. elites nacionais internacionalizadas organizados em cordões. Acervo Centro Cultural Cartola crescente plateia com a adesão a articulação lundu-maxixe-samba. Sua A falta de signos potencialmente Largo de São Domingos e depois na criação coletiva se dá numa reunião do utilizáveis na construção de uma Praça Onze de Junho. vivíamos separados”. sempre na rua. apoiado pela imprensa e samba e dá parceria ao influente por Vargas como instrumento de pelo comércio. mais tarde. em 1917. as primeiras comunidades populares favelados. é interessávamos pelo pessoal da os ranchos dos negros. como muitos anos sínteses profanas de matrizes música. o próprio e Laranjeiras. tempos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 32 partido-alto. os corsos e os Na virada dos anos 20 Sinhô. A gravação do primeiro samba. em Oswaldo Cruz e nos como assistentes vigiados. presentes. além dela. pelo Catete o emergente Sinhô. que. Donga registra o nacionalismo exacerbado utilizado Carnaval. exibiam-se. completando um interesse pelo pessoal do funcionalidade social. Morros da Favela e da Mangueira. como os Arengueiros músicas eram “que nem passarinho: que ganham estabilidade nessas da Mangueira. . continuava sendo os jornalista Mauro de Almeida.

dá como senha para driblar núcleos separados de moradores. era. José Segreto. . uma proteção contra a para o Rio de Janeiro. sendo os sambas. considerado um sistema a polícia “o pagode vai ser na ganha com a escola um nexo de em que ao negro é atribuído um escola”. Na virada do novo século. para quem é um símbolo personagem crucial. Tratava-se de um termo coletividade comum. que se expandia para além de como um desdobramento da das transformações da cidade e do círculos e classes na cidade. A corda. do processo político. pedagógicos” algumas de suas como professores de “aulas teóricas o negro escravizado trabalhou composições. Luiz de Oliveira. tanto musical destilar princípios de concursos patrocinados pelo por meio da expressão coletiva uma filosofia prática do cotidiano festeiro e pai de santo Zé de sua cultura quanto por sua aplicável por aqueles que estavam Espinguela. e se visitam. resistente e inspirador. tendo com uma música mais quente. e funcionava. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 33 partido-alto. Jacó Palmieri. Sim. Ele e sua nova música negro. para seu público desfilam na Praça Onze de Junho das guerras internas ou externas. — o samba — vão tomar a cidade. surdamente na construção da o samba como ato pedagógico e -enredo formas privilegiadas de cidade e em seu abastecimento. Ismael Silva. os Oito Batutas ainda antes de Paris: Pixinguinha. deveria aquela poesia As escolas se reúnem em seu processo de afirmação. A de exclusão — impasse de um escola das redondezas da Praça Mangueira. lhe dando um sentido difuso de comunicação com as massas. começou missão. Carnaval. na verdade. compreendendo e práticas”. Surge também o Onze. polícia. nacionais. um momento definitivo e eterno protetoras e também por. se homenageiam. Mas a Pequena África foi guardado por suas possibilidades marcando os limites do desfile. para os seus. Donga. estrutura dos ranchos negros país. Raul Palmieri. Nélson Alves com o empresário. lugar. que nasceu consciente ou inconscientemente. outro só o começo. onde existiam pequenos Brasil moderno. Conta-se que foi Ciata que. Acervo Centro Cultural Cartola Sinhô nomeava de “romances pensava nos mestres do samba Desde o final do século XVI. José Alves. China. Todas recebem troféus participação das vicissitudes numa situação de desvantagem. surge com a favela um novo modelo organizado um pagode numa As comunidades exultam. O Pequeno e se impôs como um ambiente anunciar sua função para o negro Carnaval acontecia separado. samba de terreiro. A partir do século XIX. samba-enredo Em 24 de setembro de 1920. Mas é afirmativo e comunicativo do desprivilegiado. como Cartola.

samba de terreiro.dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 34 partido-alto. Acervo Arquivo Nacional . samba-enredo Baiana vendendo quitutes no Rio de Janeiro.

o grande Que desejassem desfilar. disse que levou o compositor Alcebíades possível que ele tenha visto um o ritmo do samba antigo era apenas Barcelos a recorrer a uma lata cucumbi ou um cordão de velhos. musical urbano. Os ritmistas romances e poesias. como “samba de sambar”. Assim nasceu o surdo. ao qual foi dado o nome imediatamente em todas as os foliões que quisessem cantar. do bloco apresentavam-se com um poema o seu entusiasmo pelo Coube a um grupo de jovens os tradicionais instrumentos Carnaval dos negros do Rio de talentosos do bairro do Estácio de de percussão. para usar críticas negativas que certamente crítico de música e de artes plásticas um verbo que resume o que fazem fariam os adeptos do velho e autor de magníficos ensaios. tão África. compositor Babaú. . fortemente influenciado O grupo de sambistas do fundamental em qualquer conjunto pelo maxixe — o primeiro gênero Estácio formou. um bloco carnavalesco para As novidades apresentadas Janeiro na década de 1870 —. denominado assim comunidades negras do Rio de dançar e andar ao mesmo tempo. os integrantes das escolas de samba samba amaxixado. enquanto grande e vazia de manteiga. ainda cantar. o reco-reco. registrou em nos dias de Carnaval. o Janeiro. o samba já Mangueira. definiu a novidade do bloco. anos antes da criação da Sá. O cabrito e concluir que aquele era em grupos e se divertir no Carnaval. a cuíca e primeira escola de samba: Embaixo efetivamente música de Carnaval. samba-enredo DEIXA FALAR. Isso em cadência. como uma resposta antecipada às Janeiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 35 partido-alto. mais rico. em 12 de agosto de de ritmistas do samba. instrumento que passou a ser mas. o compositor Ismael marcação ainda inexistente. o tamborim. outros. fazer do samba pandeiro. existia como gênero musical. até perceberem que o samba do Hotel Avenida em 1923/Na mais pujante Ao explicar a diferença entre os dois deles exigia um instrumento de civilização do Brasil/Os negros sambando tipos de samba. era “bum bum uma das bocas com couro de encontravam na época para se reunir paticumbum prugurundum”. samba de terreiro. nos subúrbios e nas favelas. todos negros. O SAMBA E A ESCOLA Mário de Andrade. do Morro da o instrumento que faltava à bateria Naquele ano. fechar duas das formas que os negros o novo. de Deixa Falar./Tão sublime. criado no Rio de 1928. um daqueles jovens. É Silva. tocar e dançar os sambas pelo Deixa Falar repercutiram não tinha um ritmo capaz de ajudar que fazia. “tan tantan tan tantan”.

em 1932. Armando Marçal de Ramos. samba-enredo que passaram a compor e a cantar escolas de samba. que todos Tanto vigor inspirou o jornal para a Portela — chamada na época diziam ser uma verdadeira escola de Mundo Sportivo a promover. a da música popular brasileira o de 1932. tantas lições recolhiam lá. instalada numa Antes mesmo do desfile de samba. apresentou-se como maioria esmagadora das escolas de lançando dezenas de compositores. com destaque especial carnavalesco Deixa Falar. Tal expressão. influenciadas pelos (Azul e Branco e Depois Eu Digo). considerado a primeira escola de favela da cidade. outra forma samba participantes dos primeiros cujas obras foram imediatamente criada pelo povo carioca para se desfiles era formada por favelados. localizavam-se vários Vizinha Faladeira (Saúde). e o próprio bloco fosse aos poucos eliminada. samba de terreiro. Paulo da Portela. nunca foi escola de samba. Tantas homenagens tiveram samba na Praça Onze. além da Recreio de Ramos. Vinham dos Morros da Mangueira profissionais da época. aos quais Matriz (Aventureiros da Matriz). intitulando. rancho carnavalesco. Em contradição histórica: o bloco bairros ocupados pela população Cima da Hora (Catumbi) e União carnavalesco Deixa Falar. assim como a primeira Barão da Gamboa. além . Louca de São Cristóvão). entre outras. negra. dada aos grupos que iam nascendo. do Salgueiro como os de Cartola da Mangueira. Nomes comunidades dos subúrbios e (Estação Primeira). tão vigorosa. da Gargalhada do Salgueiro. Buci blocos carnavalescos. dos morros. contemplaram com o título de da Serrinha (Prazer da Serrinha). o primeiro desfile das escolas de Cruz. suburbanos. do Tuiuti (Mocidade E não deixavam de homenagear os designação de blocos carnavalescos. Àquela altura. de Vai Como Pode — de Oswaldo samba. como consequência uma curiosa entorno. As demais vinham dos bairros -os professores. contribuiu para que a Melhor). Aliás. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 36 partido-alto. etc. Antenor sambistas do Estácio. de São Carlos (Para o Ano Sai sambas à maneira do Estácio de Sá. em seu Lira do Amor (Bento Ribeiro). sambistas do bairro. Moreira do Morro de São Carlos. tinha a sua escola de samba. absorvidas pelos cantores reunir no Carnaval. no Morro da Favela e que também contribuíam para o enriquecimento último Carnaval de sua existência. Ali. elevação que recebeu o nome de 1932. as escolas de samba já pois se apresentava como bloco e. criaram seus do Borel (Unidos da Tijuca).

e espanhol com explicação sobre quanto os compositores “da Formadas as escolas de samba. que agia como de dança. a Prefeitura oficializou a apresentação das escolas. cidade”. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 37 partido-alto. . A nas primeiras décadas do século carioca. como eram chamados os o povo carioca passou a contar com A população negra e pobre do que não vinham dos morros ou uma espécie de passaporte para Rio de Janeiro criou. inglês de Sá. melhor. Três anos depois do primeiro desfile. seria dali a pouco mais de dez anos das escolas de samba quase todos os hábitos violentamente reprimidos não só a maior atração do Carnaval ritmistas das gravações de discos. samba de terreiro. assim. de música. contribuindo decisivamente para a elevação da ocupação dos hotéis nos dias de Carnaval. Acervo Centro Cultural Cartola dos negros. o samba-enredo. samba-enredo Ala de ritmistas da Em Cima da Hora (1969). despertavam a atenção dos turistas. dançar e tocar o samba. manifestações culturais e religiosas de cultura popular do mundo. ou seja. estabeleceu subvenções para ajudá- -las financeiramente e distribuiu dos pioneiros do bairro do Estácio a música que descreve o enredo pequenas revistas em francês. de formas e de da música pode ser acrescida com instrumento do preconceito cores reconhecido como uma das um novo tipo de samba criado por das classes dominantes contra as maiores e mais belas manifestações elas. tornaram-se tão conhecidos apresentado no Carnaval. o que dos subúrbios. aqueles grupos carnavalescos. Também saíram cantar. Os sambistas foram ficando livres das perseguições quando as autoridades começaram a perceber que os desfiles das escolas atraíam grande público e. mas também um espetáculo contribuição das escolas no campo XX pela polícia.

samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 38 partido-alto. samba-enredo IDENTIFICAÇÃO .

apenas samba. o ocorrem a partir da música e através Esses universos geraram diferentes que cresceu no Rio de Janeiro. os sambistas das fazer samba que podemos pensá-lo de variações. Estão falando do mesmo samba. samba-choro. Aqui. de terreiro. à base de fluxo intenso entre as extremidades. esse samba ganhou muitas denominações. como samba Samba. escolas. Dentre as várias formas que o estilos de samba e possibilitaram samba assume. são um patrimônio cultural e da música profissional. em que práticas culturais coletivas comunidade para comunidade. representadas seu desenvolvimento e expansão. menos comunitários e informais. significados e Velhas Guardas. samba-enredo. a determinação (refrão forte). no Rio de Janeiro. uma distinção entre aqueles sambas como fruto de importantes samba de terreiro e samba. São tantos os estilos de que englobam uma infinidade Atualmente. de quadra. Essa distinção não corresponde a que ganhou. partido-alto. morro. . Depois. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 39 partido-alto. feitos no contexto da indústria trocas culturais. mas de todo o país. uma nova de áreas matriciais desse metagênero forma de samba amadureceu. é tarefa muitas vezes espinhosa. mas pode ser modificações estruturais que o pensada como polos de um contínuo diferenciam muito do samba com razoável zona de intercâmbio e rural. pode-se estabelecer As suas matrizes. samba raiado. aqui pelos gêneros partido-alto. Acervo Arquivo Nacional a música O samba no Rio de Janeiro foi e continua a ser um polo aglutinador dos grandes Ao longo do século passado. os baluartes das como uma espécie de metagênero. e Como afirma Lopes. samba-enredo Foto histórica de comunidade carioca. enredo. fronteiras estanques. samba de terreiro.6 o popular e cultural não só do Rio aqueles feitos em contextos mais ou critério geográfico é fundamental de Janeiro. samba carioca. diferenciados de samba de raiz e samba tradicional. samba de universos culturais tradicionais urbano. pergunta (solo curto) e resposta Por esse motivo. o jeje e o nagô. dançado em roda. falam muitas vezes em um grande ambiente sociomusical realidades. de africanos. samba- -canção. samba-chula. dela. samba de breque. para a compreensão do samba. o banto.

De acordo com o estruturas musicais fundamentais as e musical da prática do samba pesquisador. o samba de partido-alto pode do país. demarcadores de suas discussão em separado. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 40 partido-alto.7 . escassa nas práticas atuais do estudo sobre o partido-alto já constituindo-se um patrimônio gênero. É possível perceber que ao confrontarmos as formas ser definido como uma espécie de essa origem comum ecoa em traços de experiência musical que samba cantado em forma de desafio estilísticos característicos. samba-enredo PÁGINA Ao lado Paradigma do estácio. o partido- contempla exatamente o polo desse e nas formas de algumas canções -alto se destaca por determinadas contínuo mais distante dos meios consideradas típicas de cada características singulares. samba de terreiro. tradicional. Talvez de circulação massiva de música. a definição das dos três tipos. da indústria do entretenimento e mister destacar que tais práticas certa ancestralidade das matrizes do mercado musical global. nesse referir ao assunto do refrão. que demanda certos cuidados. três manifestações de samba aqui respectivas classificações. sambista e partideiro relações de sociabilidade cultivadas que se encontra cada vez mais Nei Lopes. Assim. em que esses tipos aparecem nos versos improvisados ou do repertório Foram adotados como eixos ambientes de samba atualmente. autor do mais completo em ambientes sociais específicos. demarcam aquilo que pode representavam em um passado não compõe de uma parte coral (refrão ou ser entendido como uma espécie de muito distante e a situação real “primeira”) e uma parte solada com fundação do samba carioca. que. consideradas eixos de definição das estão descritas as especificidades Partido-alto matrizes do gênero (partido-alto. no aspecto rítmico. Dentre os três tipos de samba samba de terreiro e samba-enredo) na estrutura harmônico-melódica analisados neste dossiê. Esta constatação se realizado. os quais podem ou não se de análise alguns elementos O caso do samba-enredo é. um dos universos abordados. um pouco diferente e exige Nesse sentido. Essas socioculturais representam uma do samba. o que se evidencia de manifestações expressam em suas determinada matriz ideológica diversas maneiras. intitulado Partido-alto: samba representativo da riqueza cultural torna particularmente visível de bamba. de partido-alto e samba de terreiro por dois ou mais contendores e que se fato. importantes para o reconhecimento aspecto. mais do que os outros. É represente. na sonoridade.

etc. O samba pode geral de sua sonoridade. tamborim. uma massa muito chamou de um “verdadeiro por instrumentos de percussão volumosa de instrumentos se torna laboratório de experiências (pandeiro. mas não é a única. uma práticas musicais e coreográficas que ser definido como um tipo de vez que há um grande destaque formavam no início do século XX canção popular na qual os versos para o improviso do solista. como tal. banjo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 41 partido-alto. que também de acordo com a intenção estética samba que se desenvolveu no apresenta características de improviso e as possibilidades de execução. essa padrão polirrítmico. Em termos rítmicos. cuíca. o lundu. o definição mais ampla do gênero do partido permanecem em um autor destaca que o partido é o tanto no aspecto sonoro quanto papel secundário no panorama resultado do cruzamento de diversas no rítmico. portanto. reco-reco. samba-enredo Quanto à sua formação. Da aquilo que José Ramos Tinhorão são acompanhados basicamente mesma forma. violão de 6 e de 7 cordas). -se destacar que. destacam-se as chulas. ganzá. com um instrumento médio- desdobramentos atuais. sendo uma -agudo de condução (pandeiro O partido-alto é um tipo de canção em forma de desafio.) o destaque desse personagem nos de origem rural na cidade do Rio e cordas dedilhadas (cavaquinho.10 .8 Entre essas práticas. cordas. da sonoridade demarca. Rio de Janeiro se define por um e disputa entre os versadores. força principalmente no interior madeiras. o aos quais pode ser acrescida uma uma especificidade do partido- samba rural paulista. gênero de grande ou acompanhadores (metais. baseado Todas essas misturas processadas configuração sonora se torna menos primordialmente (mas não em solo carioca moldaram o perfil ampla. são privilegiados a marcação exclusivamente) no Paradigma do e as características do partido desde do pandeiro e o suporte harmônico Estácio9 executado ao mesmo tempo suas primeiras ocorrências até seus do violão e do cavaquinho. contudo. surdo. teclados. A questão de Janeiro”. o da região Sudeste. corresponde à instrumentos acompanhadores contratempo. Deve. No partido-alto. pouco desejável. pois encobriria fragmentadas de usos e costumes repique. samba. foles). os ou ganzá) e um surdo atacado no samba e. o samba de roda infinidade de instrumentos solistas -alto em relação aos demais tipos de baiano e o calango. momentos das rodas. samba de terreiro.

ela não é suficiente encontra no refrão. Trata-se de uma célula um elemento de continuidade. partida. restringi-la ao referencial rítmico e rítmica conhecida por muitos os cortes mais agudos dos ataques nem exclusivamente à sonoridade. a alternância entre encontrada em diversas práticas continuidade rítmica. aí sim. samba de terreiro. o partido costuma utilizar de samba. não podemos então. do pandeiro parecem “frear” a Analogamente. Sendo um a música.11 partido-alto se associa ainda a um formal recorrente em dezenas No entanto. em torno do por substituir a continuidade do samba. favorecendo de práticas musicais. baseado no paradigma ano de 1930 através da obra de do pandeiro de condução. a -alto. em uma formação basicamente Se por um lado a “levada” de sua especificidade. samba-enredo Esse padrão polirrítmico se Essa “levada” caracteriza-se do padrão polirrítmico consagrado fixou. a especificidade andamento mais lento. paradigma do Estácio. não se rítmica do partido-alto em relação o desenvolvimento do canto tanto configurando por si só em uma ao samba não é exatamente a adoção do coro quanto da parte versada. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 42 partido-alto. pois em vários segundas partes são improvisadas. demarcando. Apesar de forma. sendo um ótimo exemplo maneira peculiar de organizar essa tipo de samba que se estrutura de sua utilização. ainda Na gravação de Não vem (Candeia). A “levada” de solo e coro (refrão) é recurso musicais do planeta. Dessa outro referencial rítmico que interrompida. No partido. uma vez que as como célula básica uma variante do para defini-lo. o partido-alto que esse acompanhe muitas rodas “levada” do partido aparece em toda se torna reconhecível por uma “na palma da mão”. por Clementina de Jesus). etnomusicólogos como 3-3-2. substituindo mais quebrada. mais econômica do que o padrão partido é característica desse tipo a própria noção de canção se referencial. o do Estácio (como por exemplo. alternância. característica exclusiva do partido- esporádica do ritmo 3-3-2. sobretudo. No entanto. a compositores do Largo do Estácio que resulta em uma percepção gravação do tradicional Moro na roça (por isso o termo). mais “dura”. executada exemplos pode-se verificar que o É sabido que a adoção de principalmente pelo pandeiro. acompanhamento ocorre a partir segundas partes fixas e estáveis . para tornar a definição de caracterizava os sambas até a repetição da “levada” representar partido mais precisa.

Assim. no samba é um fenômeno popular que prescindia de segunda é a presença dessa segunda parte que se processou a partir do parte. e cantada em coro e uma segunda poéticas convincentes respeitando deve-se destacar que as matrizes parte de estrutura melódica mais a métrica da canção. a música improvisada. ABAIXO não vem (candeia). porém livre para improvisos. isto é. que com frequência habilidade de raciocínio rápido forma canção popular como a apresenta uma primeira parte forte do versador em criar soluções conhecemos atualmente. muitas vezes. samba de terreiro. samba-enredo PÁGINA Ao lado à esquerda ilustrações de pauta. Esse fato pode ser “versada” na hora. a sua temática. baseadas no refrão e. o autoria determinada se sobrepôs partido como na prática do samba improviso está relacionado a uma à criação coletiva e consagrou a de terreiro. “tirada” ou desenvolvimento de um mercado era o refrão. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 43 partido-alto. Em outras palavras. como samba foram construídas a Possivelmente o que caracteriza mas nem sempre. Nesse sentido. no momento de gravações musicais. partir de uma concepção de música com maior eficácia o partido-alto O caráter de desafio é elemento . em que a evidenciado tanto na prática do da performance. as rimas estéticas do que se popularizou estável.

de cerca de quatro compassos. tanto no linguagem e muita criatividade. menor (IIm). jogos de de partidos curtos. de grande relevância. Um primeiro marcante dos partidos. corresponde a e de graus conjuntos. O refrões formados por dois versos. samba-enredo PÁGINA Ao lado piedade (tradicional) ao lado maria madalena da portela (Aniceto) ABAIXO Partido-alto (padeirinho). Neste caso encontram-se da dominante (V7). pois instaura grandes grupos estéticos capazes de Podemos notar nesses uma determinada ambiência social serem identificados como sambas exemplos uma característica nas rodas de partido-alto baseada de partido-alto. refrão quanto nos versos. sendo é curto. é possível encontrar três -alto (Padeirinho). que poderíamos chamar utilização de arpejos melódicos de provocações. cujo harmonia simples. quase sempre figura de grande respeitabilidade improviso normalmente também girando em torno da tônica (I) e nos circuitos de samba. exemplos como os partidos Maria passagens pelo segundo grau Quanto à tipologia musical do Madalena da Portela (Aniceto) e Partido. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 44 partido-alto. portanto. com algumas admirado por seu pensamento ágil. A versador ou partideiro é. é o pano de fundo partido. samba de terreiro. que é a em uma competição recheada grupo. para melodias que poderíamos . piadas.

a harmonia circula menor. Há versos. mas também colabora para uma ambientação esse tipo de partido curto que Nei podem ter apenas dois versos. que é concisa e reiterada de mesmo tamanho. sendo a melodia . nestes casos. samba-enredo chamar de intuitivas. V7 e IIm). com um desenvolvimento está no modo maior. Nos partidos se identifica por comportar refrões (I. uma vez que este modo é Lopes chamou de partido cortado. em geral. no aproximando-se da estrutura geralmente associado à plenitude qual as estrofes improvisadas são concisa do partido curto. desenvolvimento da ideia do oito compassos) e improvisos quase sempre conclusivos. e à alegria. não há muito tempo para mais extensos (normalmente de caminhos melódicos recorrentes. considerado sombrio Um segundo grupo de partidos pelos acordes básicos da tonalidade e introspectivo. samba de terreiro. refrão. por oposição ao modo entrecortadas com frases do coro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 45 partido-alto. pois traçam curtos. fato que ainda uma variante formal para maior da ideia central. de onde apresentam. festiva. Os refrões Vale destacar também que a pelo repouso na tônica. quatro esmagadora maioria dos partidos parte o verso improvisado. Novamente.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 46 partido-alto. samba-enredo . samba de terreiro.

Xangô da Mangueira e J. já confere maior separados sempre pelo refrão e este 16 compassos. numa harmonia que. regular e simétrica (tanto podemos entender como samba A parte versada desse tipo de o refrão quanto o improviso de terreiro. samba de terreiro. típica. Esses partidos dada a maior complexidade de sua compassos) se tornam quatro na correspondem ao que pode ser estrutura formal e harmônica. apesar compassos). Gomes página ao lado abaixo moro na Roça (tradicional) ABAIXO Para o bem do nosso bem (alvaiade) construída a partir de arpejos e Finalmente teríamos um Velha Guarda da Portela em 1986. gravado pela casos anteriores. em que a tônica . samba-enredo página ao lado Acima recordações de um Batuqueiro. entendido como uma estrutura começa a se aproximar do que levando ao improviso. Em Para o bem do desenvolvimento do que a dos quase sempre repetido. nosso bem. sendo os versadores improviso se alongam por 12 ou de intuitiva. graus conjuntos sobre essa estrutura terceiro tipo de partido-alto que. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 47 partido-alto. os três versos do refrão (em 12 harmônica simples. de Alvaiade. repetição (aí com 16 compassos). Sua principal samba quase sempre inclui uma correspondendo a quatro característica é que tanto o refrão inclinação para o quarto grau versos que se estendem por oito quanto o desenvolvimento do (IV).

quantidade de versos. são fórmulas rígidas e que podem vertente umbilicalmente ligada às Depois desse improviso. uma o estúdio a espontaneidade semântica do verso e harmônica “segunda parte”. Ainda assim. assumidamente arbitrária. melodia é completamente diferente musical. o predeterminação das segundas conduz a melodia até o quarto grau desenvolvimento da mesma temática partes e eventualmente até (IV). outro improviso é estreita de variações e sempre letra. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 48 partido-alto. mas normalmente a definição de uma linha melódica. apoiado na performance ao vivo. Essa divisão entre os três tipos de dificilmente se viabiliza ou se O primeiro verso. em diversos momentos da o improviso se estende por seis Destaca-se nesse exemplo que os história da fonografia nacional versos. partidos. o que da melodia no acorde de tônica. versos no refrão. o que nem com maior ou menor grau de elabora uma ideia para o verso e sempre ocorre. Nesse caso. com coro retorna com o refrão e. Quanto à a condução harmônica tem uma na criatividade do momento. . e o segundo se encarrega faz a canção parecer um todo único mesmo buscando traduzir para de estabelecer uma conclusão e o improviso parecer. da roda. dos padrões de É interessante reparar que neste partido-alto é o tipo de samba sociabilidade fundados no segundo improviso gravado a menos adequado ao mercado coletivo. evidenciando que artístico e sua graça residem os únicos acordes. uma vez que seu valor compartilhado. esse tipo de importância maior na estruturação dificilmente registrável ou partido pode ter quatro ou seis da parte versada do que exatamente reproduzível. no fazer musical amador. do improviso. torna convincente. samba-enredo PÁGINA Ao lado Exemplos de versos de partido-alto. de Para o bem do nosso bem exemplifica tem a intenção de mapear estilos o partido se destaca no cenário o tipo de condução harmônica e a e formas. suas matrizes socioculturais. divididos entre dois quatro improvisadores respeitaram sambistas registraram partidos partideiros. Nesse sentido. de fato. O primeiro versador a temática do refrão. o comunitário. de improviso. do ambiente cantado por mais dois versadores. o comportar variações e mudanças. deixando claro que não do metagênero samba como uma divisão entre dois versadores. do improviso. Com sua gama relativamente forte tendência à valorização da em seguida. e a dominante eram praticamente do primeiro. samba de terreiro.

samba de terreiro.dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 49 partido-alto. samba-enredo .

temos o samba Diferentemente do partido. Por esse motivo. um samba só pode o samba de terreiro parece se histórias e sambas. vizinhos num grande escolas de samba e às suas formas de é alimentada por intensas trocas congraçamento afetivo e musical organização social e musical. mais específica definição contextual. terreiro. que se define diretamente intensas trocas culturais. se encontram. no qual os sambistas poderiam ser isolados e descritos. que se caracteriza sociabilidade. que propriamente como um tipo (musicais e poéticas). o terreiro”. cujos elementos samba-enredo. ambiente. Carlinhos Bem-te-vi. ou seja. Samba de terreiro funcionavam (e ainda funcionam) Dessa forma. é. e pode se lado de dentro do samba organizado. samba-enredo PÁGINA Ao lado serra dos meus sonhos dourados. culturais entre os sambistas das . designa Apenas o grupo de pessoas de samba que ocorre no terreiro. esse “lado de dentro”. pois essa classificação “Terreiro” pode ser o quintal de samba de terreiro define-se como deriva exatamente do fato de ele Tia Ciata. foi e é um espaço papel fundamental (propriamente designar determinado samba ou sociocultural de grande matricial) das escolas. como uma prática sociomusical do por características formais sobretudo através da música. especificamente a área comum autorreconhecido como sambistas O terreiro. na constituição do samba. como o dos terreiros e de representar esse a casa de candomblé. também como momentos de de terreiro caracterizado mais -alto. referir também aos fundos de A roda de samba. pelo fato de ser um tipo sentido mais restrito. quando no Como resultado dessa quintal dos subúrbios cariocas. do mesmo modo como aquele feito para consumo interno ter sido “apresentado” nas rodas a palavra designa popularmente delas ou. trocam ideias. principalmente por sua função. ser classificado como de terreiro por definir antes pelo seu contexto. os sambas As rodas de samba que agregavam do que outras rodas de samba. em um uma determinada “comunidade”. samba de terreiro. então. realizadas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 50 partido-alto. por assim dizer. amplamente de uma escola de samba. Tal variedade amigos. e do o terreiro do samba é um espaço de específico de samba. pois está associada à estrutura das variedade estilística. desde os anos grupo de sambas como sendo “de importância para o samba. de terreiro apresentam grande (e ainda agregam) parentes. Assim. Dado o das escolas tem legitimidade para definido. Mas o terreiro. 30.

samba-enredo várias escolas e. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 51 partido-alto. sendo a segunda um lado. essa primeira parte é mais longa do . se caracterizam. que. teríamos aqueles sambas “fáceis” o bastante para que o totalmente livre para os versadores. é possível identificar duas Com esta palavra queremos desfiles (que discutiremos a tendências estéticas que se fazem designar aquelas construções seguir). por ter apenas essa presentes nesse repertório. cantado em coro. pelo contato entre esse forte. tal como indústria do entretenimento. samba de terreiro. De melódico-harmônicas consideradas primeira parte. partideiro possa se concentrar no Ocorre que. de forma ainda sambas de partido-alto: um refrão dirigindo sua capacidade criativa mais ampla. e uma para a improvisação de versos. se confundiriam com os próprios aspecto verbal da sua performance. ambiente comunitário do fazer segunda parte que se desenvolve Muitos desses sambas de musical e o seu polo oposto. terreiro. da através de caminhos melódico. especialmente os mais circulação massiva de músicas pela -harmônicos que estamos antigos. dada sua estrutura musical. Ainda chamando aqui de “intuitivos”. de um modo geral. no caso do samba dos primeiros assim.

exemplo a total liberdade de quase sempre. samba de terreiro. nos quais o . Um bom exemplo improviso: sempre será possível segunda parte. a segunda parte valoriza composto na década de 1940 no se apresente. Essa Prazer da Serrinha. É como se o samba a “viola” e ignora os versos do terreiro da antiga escola de samba guardasse uma espécie de potencial de refrão dirigidos à Serrinha. correspondendo. a 16 compassos e seis permanece nesses casos aberta ao temáticas entre o refrão e a ou mais versos. apropriado. improviso. A Podemos destacar nesse estrutura típica. no entanto. desde que a ocasião espaços. que podemos identificar característica. samba-enredo que as encontradas nos partidos de definitivas para aquela canção. que aparece também Em alguns casos. Enquanto a é o samba Serra dos meus sonhos acrescentar novos versos no local primeira enaltece a escola e seus dourados. estrutura da canção. sobretudo nesta segunda parte desse mesmo em alguns partidos. sambas improvisados. as samba. gravado em 1982 por Dona pensada como sendo recorrente em segundas partes se fixaram como Ivone Lara. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 52 partido-alto. pode ser depois de gravadas em disco. de Carlinhos Bem-te-Vi.

harmônica mais sofisticada. Carlinhos Bem-te-vi. encontrar aquilo que poderíamos Me sinto mais animado Nesses exemplos. um recado. conferindo-lhe um aberta ao improviso. um grupo desses sambas em que Muito velho. samba de terreiro. torna-se até difícil amizade e de identidade coletiva. Vale destacar que artificial. em comumente apresentam estrutura Pra dizer neste momento torno desse conjunto de canções. pois. é possível interpretação do samba-enredo. e não na hora da performance. é muito comum chamar de refrão. de suas cores. de Cartola: toda a canção. uma vez que os A Mangueira a seus cuidados a narrativa de feitos. Essas E trazer recordação integrando o repertório referencial composições têm garantida a daquele grupo de pessoas. Em Como podemos vencer os sambistas constroem elos de algumas delas. samba-enredo PÁGINA Ao lado serra dos meus sonhos dourados (parte 2). portanto. pobre velho No que se refere às temáticas a estrutura composicional é mais Vem subindo a ladeira dos sambas de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 53 partido-alto. glórias. que se assemelha ao estilo de se presta a essa prática. numa estratégia musical e poética simplesmente não a partir da temática do refrão. improviso nem sempre é construído toda a composição. percorre uma vez que sua configuração forma se tornaram “clássicos” do . símbolos e estética da segunda parte do É o velho. São sambas Se. na qual a parte Com a bengala na mão preferidas é a exaltação da própria principal do processo de elaboração escola. com frequência. muitos sambas compostos dessa coletivo. autorais no sentido estrito da palavra. existe também estilo. e Vem visitar a Mangueira feitos no ambiente dos terreiros. identificar sambas de terreiro que Um bom exemplo é o samba Velho em que o autor se faz presente em correspondem a uma estrutura Estácio. e Professor chegaste a tempo grande importância. Nesses casos. versos estão de tal forma integrados Vai à cidade descer figuras e histórias que compõem o que a divisão entre primeira e quadro de valores compartilhados segunda partes soa um pouco Sobre esses sambas dificilmente da agremiação. Os elogios à escola samba acontece previamente. o canto pode-se desenvolver um improviso. velho Estácio integrantes. uma das fechada. isto é. adquirem unidade temática de sua letra.

Em outros casos. que expressam sua visão Até parece que estou na Bahia inteira se transforma em mensagem de mundo. Apesar de e guias identificar um pequeno refrão (Até esse poder ter se dissolvido entre Até parece que estou na Bahia parece que estou na Bahia). importantes no poder e na Nossas baianas com seus colares No exemplo acima. e narrativas. seu pensamento. samba de terreiro. Esse lado de dentro Até parece que eu estou em São garantindo que. momentos do canto coletivo. como o do conjunto de seus sambas de É minha maior alegria de Agoniza mas não morre. samba e harmonia favorecem a entrada do coro. repertório de diversas escolas. apresentando “baluartes” de cada agremiação. nesses pontos. no entanto. é possível estruturação das escolas. como Nesse sentido. o refrão tem agregadas pela escola de samba. Devemos destacar. grande importância na estrutura determinado momento do século dos sambas de terreiro. mais terreiro foram figuras respeitadas Dando boa noite com alegria do que isso. por determinado grupo de pessoas mas sim um espaço com muitas . é Até parece que estou na Bahia ao final de ambas as partes. Até este. de José Ramos. pela participação na hierarquia interna das escolas. a música terreiro. samba-enredo PÁGINA Ao lado modificado. Este através dos sambas de terreiro que Da cidade alta da Mangueira refrão representa dois momentos a coletividade fala e se faz ouvir. Avisto a Vila tenho saudades de de canto coletivo que pontuam elaborando suas interpretações alguém a declaração de amor à escola. representada pelo ideias e sua identidade. O refrão XX. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 54 partido-alto. Viemos apresentar o que do canto coletivo. o das organizações carnavalescas Salvador máximo de pessoas estará cantando se torna visível (audível) através Avistando o que a Bahia tem junto. Mangueira tem características expressivas que quase sempre ocupando cargos Mocidade. os compositores de sambas de Chegou a capital do samba se define pela repetição e. que ocorre outros protagonistas das escolas. Padeirinho. Esse compartilhamento O samba de terreiro representa que esse lado interno não é nem de símbolos se evidencia nos uma identidade compartilhada nunca foi um ambiente fechado. suas Até parece que estou na Bahia da comunidade. canto coletivo. Capital do samba.

outros terreiros e até provavelmente na década de 1960. Desde quando o desafinado mesmo pelo mercado de música. samba-enredo frestas. Destaca-se neste samba . o compositor dentro das escolas e. O samba Modificado. que assim evidencia O que eu quero é que todos modo geral e o samba de forma suas críticas sobre a sociedade procurem particular. composto Já não se fala mais no sincopado outras rodas. samba de terreiro. que mais ampla. reflete bem esse movimento: Aqui teve grande aceitação Analogamente. por meio fazer modificação reflete sobre o advento da bossa dos sambas de terreiro. os movimentos E até eu também gostei daquilo musicais e as mudanças na Vejo o samba tão modificado sociedade vazam para o lado de Que eu também fui obrigado a Neste samba. Ver se não tenho razão permitem aos sambas circular por de Padeirinho. um fenômeno que atingia à interpretados e elaborados pela censure época o mercado de música de um comunidade. entradas e saídas. são Espero que ninguém não me nova. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 55 partido-alto.

que ficou conhecido pela trajetória do gênero e pela paródia dos tortuosos sambas da como “profissionalização” das referência às suas matrizes. samba-enredo PÁGINA Ao lado chega de demanda. entretanto. que vão ou finalidade para o samba. samba. pode-se afirmar com avesso à prática da improvisação. os terreiros polo comunitário do fazer musical de sambas destinados aos desfiles. para o mercado. estética bossa-novista. transformações reais não representam mais esse tornou imperativa na composição em sua estrutura. percorrendo caminho sambistas no poder interno das do repertório do samba. Baseada na estrutura do veiculada na mídia. essa estética propriamente comunitária dos nos terreiros se desloca para outras associa a sonoridade pujante da sambas de terreiro talvez seja seu rodas. documentado e comentado pela sambistas que nutrem maior zelo -harmônica fosse uma espécie de bibliografia. consequência da como espaço simbólico se mantém por uma melodia sinuosa de 32 queda de prestígio dos próprios no imaginário de parte significativa compassos. caracteriza. que o de 1960) em que passaram a atuar O samba-enredo. samba de terreiro. ou mesmo bateria da escola de samba com mais alto valor cultural. no repertório dos sambas consolidou ao longo de sua história seus colegas de dentro das escolas de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 56 partido-alto. dentro da estrutura das escolas. . escolas e do desfile. harmônico altamente inesperado. Observa. mais do que compositor expresse em seus no mercado de música cantores simplesmente um tipo de temática versos e música um comentário especializados em samba. para uma forma de canção que se À medida que as escolas vão espaços de menor destaque. escolas. que aos poucos se mais célere. os terreiros narratividade. cada vez de forma Se. na prática. denominação “samba de terreiro” alguma segurança que o terreiro Seus dez versos estendem-se perde sua força. Essa função -se então que o samba que ocorria desfile carnavalesco. se possivelmente compartilhado por buscar. por sua sofrendo. ocorreu no Esse percurso sinuoso não mesmo período (por volta da década Samba-enredo impede. já bastante especialmente cultivado naqueles como se sua estrutura melódico. canções para serem como uma estética específica de sobre as transformações da música lançadas comercialmente. um perfil estético totalmente se transformam em quadras e a sambista. Cartola. sobretudo. Esse processo.

os sambas No início dos desfiles das o site oficial da escola. os sambas no Carnaval de 1929.12 segundo relação com o enredo. e os sambas. o final dos anos 40. mas escolas de samba. qualquer forma musical específica. assim como o sejam muito limitados. O entre os sambas cantados nos enredo propriamente ditos. que prevaleceram condicionado por um. Talvez o saíram nos carnavais de 1930 a por volta do final dos anos 30 até mais famoso samba desse período 1933 não apresentassem enredo. samba de terreiro. de Cartola. compostos musicalmente de uma cantados não se relacionavam com Embora os dados disponíveis maneira que não se diferenciava qualquer enredo. seja Chega de demanda. . que não tinham. na década desde então associam uma função antes mesmo da criação da de 1930. quando Cartola saía no maioria dos casos. Bloco dos Arengueiros. na determinada no desfile a uma Mangueira. parece de outros sambas dos mesmos próprio desfile da escola não era provável que muitas escolas que compositores. foi cantado relacionados ao enredo. samba-enredo É preciso distinguir. portanto. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 57 partido-alto. que samba foi composto possivelmente primeiros desfiles.

14 coro pelas pastoras e repetida uma as escolas desfilavam com dois ou No que se refere ao Carnaval vez. segundo uma noite das escolas de samba. que amarra os o enredo”. parte que não tem nenhuma relação a competição de sambas promovida do samba que era fixa. Mas o enredo tomada em 1942. Em 1933. alusão nos testemunhos orais sobre ao refrão de quatro versos. Há um consenso entre os quinta-feira anterior ao Carnaval. Mas um dos em tais registros não há qualquer Chega de demanda é uma melodia sambas cantados. organizado pelo jornal como quesito de julgamento. concorrente O Globo no domingo obviamente todas as escolas passam por exemplo. O desfile de fato continua aparecendo sempre elementos da escola. tudo submetido a um “enredo” seu item 5: “Não é obrigatório A partir de 1934. cantada em com a Bahia. o que seria uma segunda alcançada por Fita meus olhos indica sobre o assunto. a decisão da Portela.18 da Manhã pretendia realizar. reiterada por inteiro várias vezes sobre o que vai acontecer no desfile. e as partes cantadas. segundo o site da alusão a enredo. incluindo todas aconteceu.15 rezava em durante a performance de cada samba. o enredo propriamente dito. oito não tinham enredo a música. O primeiro desfile competitivo porém. o enredo da sobre o qual há registros escritos ou eles não foram percebidos pelos Mangueira foi “Uma segunda-feira contemporâneos é o de 1932. mais 16 o qual é nos anos 40 que se para a qual chegou a publicar um compassos não repetidos e intensifica a tendência a um crescente regulamento. Também não há tal de 16 compassos. o versador cantava. Na década de 1930. correspondendo escola. e tinha o enredo a apresentar um. O evento acabou por improvisados por um solista — era planejamento e controle prévio não se realizar. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 58 partido-alto. elementos do desfile. Carlos Cachaça 1ª parte. Cartola 2ª parte. Em seguida. foi Fita meus olhos. O jornal Correio parte improvisada. Liga-se a isso. repetidos pelo coro. também de 16 que ele foi o samba principal”. mas “a repercussão de 1933. mas o regulamento. de impedir o desfile entre seus quesitos de julgamento. três sambas. de Carnaval. publicado por Cabral.16 não determinava ainda todos os de integrantes que não estivessem Das 31 escolas que concorreram. há duas informações em solo. mas sem repetir.19 e também .17 do Bonfim na Bahia”.13 e jornalistas presentes. de Cartola. por Zé Espinguela em 1929. Essa estrutura — 16 compassos historiadores do samba. samba de terreiro. na compassos. entre os quais vestidos de azul e branco. samba-enredo PÁGINA Ao lado não quero mais amar ninguém.

samba-enredo .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 59 partido-alto. samba de terreiro.

por a segunda parte ter sido previamente mas segundo noticiou a imprensa. por um conjunto bem-ensaiado e 16 compassos sem repetir do solista. nos ensaios. última hora e substituído. como se fazia em assistiu a um ensaio da Mangueira Estácio de Sá. porém. A segunda. infindável discussão sobre qual sentido aponta o depoimento O samba é composto no molde teria sido o primeiro samba- . o samba improvisados foi oficialmente versos no dia do desfile. que “clássico”. que fizeram cair proibição já mencionada indica parte.e Cartola . antes daquela parte composta é Não quero mais amar Cartola na gravação feita em 1973 data. improvisadas. Penteado e Estanislau Silva. Independentemente da previamente compostas. que a possível mostrar a fluidez da segunda foram tão fortes. os desfiles tiveram grande antecedência para ser cantada. desfilar com as segundas partes da primeira parte .. e só veio a recobrar sido paulatino e que algumas já possuía. compassos repetidos do coral. uma segunda fonograficamente a contribuição de escolas já tivessem. Mano Decio.22 composta. uma improvisação. A única diferença estrutural em -se mesmo incluir os versadores pode ter o texto definitivo inventado até a relação a Chega de demanda é o fato de entre os quesitos do julgamento.autor por Paulinho da Viola.] quero mais amar a ninguém também é pela [escola] Vizinha Faladeira Sem esquecer.21 Mas é do qual se sabe com certeza que foi com outra segunda. introduzido o hábito de a ninguém. em 1946. samba-enredo PÁGINA Ao lado tiradentes. chamada “primeira”. criadores da Deixa Chega de demanda. pelo menos algumas de Egídio de Castro e Silva citado que em 1946 a presença de versos escolas ainda deviam improvisar acima. em 1939: Falar. homogêneo. cogitou. que ficou clara no trecho o item dos versadores”. Segundo Cabral. Nesse autor da segunda. é feita com primeiros anos dos desfiles: 16 exatamente. Em 1935. em Não “os argumentos apresentados [. mais as segundas partes integralmente afinal. samba de terreiro. referência para todos os Os testemunhos disponíveis Os sambas compõem-se de duas partes: demais fundadores de escolas nos não permitem saber até que ano. Mesmo assim. o crescente desprestígio das segundas de Egídio de Castro e Silva. composta por provável que o processo tenha cantado no desfile de 1936 e que José Gonçalves. herdado dos bambas do partes improvisadas..20 Sabemos que. a coral. que é a parte solista. então. de Carlos Cachaça . Um samba foi gravado por Araci de Almeida proibida nos desfiles. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 60 partido-alto.

samba-enredo -enredo que se tenha prendido às do solista diminui. Molequinho e Cumprido. ajustado exemplificado pelos sambas do de abandono da estrutura de e cronometrado em detalhes cada Império Serrano entre 1948 e (16 x 2) + 16 compassos. tornando-se não apenas pelas pastoras. samba de terreiro. A parte destina cada vez mais a ser cantado música representa uma espécie de . a letra já está totalmente caracterizar como de “melodia desfile é eloquente). idealmente. se qual o conhecemos hoje. mas a alternância coro/solista. com vez mais mínimos (a descrição de 1951. dos bastidores ao 1948). do samba com o resto do desfile. Assim. e não apenas o refrão. para uma Maria Laura Viveiros de Castro Décio. No samba Castro Alves (Mano primeira e segunda. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 61 partido-alto. estrutura que poderíamos em Carnaval carioca. um processo paulatino empreendimento coletivo. coletivo. mas pelo características da letra e da relação o samba do desfile cada vez mais conjunto da escola e. o samba no espírito do samba-enredo tal infinita”. pode-se observar. na qual desaparece a inteiro. do ponto de vista que todo o desfile se torna um Esse processo pode ser musical. na mesma medida em pela multidão que a assiste.

ou seja. cuja importância e o samba-enredo propriamente compassos. sem narrativo vai alterando a forma apresenta uma primeira parte de nenhuma distinção entre primeira e a própria extensão das músicas 24 compassos. Apelidados de “lençóis”. o velho refrão). enredo vai se impondo ao samba também do Império (Mano Décio. num sentido mais ou segunda). 1949 e 1950) alguns sambas que. A segunda parte continua samba-enredo. com o passar dos anos o No ano seguinte. o samba Batalha cada vez maior. porém adequado ao com 16 compassos e quatro versos. como consequência. Exaltação a Tiradentes. isto é. mais oito da repetição relativa vai diminuindo. o caráter Penteado e Estanislau Silva). de Silas de Oliveira. infinita mesmo. que se transformam e segunda parte. e com pouquíssima apresentadas para o Carnaval. de 16 do “samba”. A principal diferença compassos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 62 partido-alto. Os É quando começam a aparecer verso (de um total de cinco). Pelo enredo. ou compassos (quatro versos). O samba do Império musical. . para o “enredo”.23 e este samba de terreiro. em prol da segunda parte já cresce para 24 ainda têm uma primeira parte (seria narratividade do enredo. samba de terreiro. em 32 devido à repetição do último redundância melódica. uma de caráter mais coral A segunda parte tem apenas 16 primeira parte na forma do samba- (correspondendo ao refrão. samba-enredo transição entre os sambas do Estácio Penteado) tem na primeira parte 32 estrofe solista). dito. O aumento da importância da partes. este é o primeiro com melodia e. passam a compassos ou seis versos. menos entre os sambas do Império. musical em relação a Chega de demanda Serrano em 1951 é Sessenta e um anos para uma intenção mais explícita ou a Não quero mais amar a ninguém é que de República. confirma totalmente isso. A anteriores (1948. e uma segunda as etapas descritas pelo desfile da naval do Riachuelo (Mano Décio e parte (que seria o velho verso ou escola. um trecho em “laralaiá”. Se em um a primeira parte tem 24 compassos Silas é considerado uma grande primeiro momento o samba- (correspondentes a seis versos) e influência na configuração do -enredo foi basicamente um samba não 16. que vai ficando buscar a todo custo “cobrir” todas Em 1950. de narrar esse enredo. Este é dividido em duas do último verso (são oito versos). Todos -enredo é acompanhado por um primeira) e outra de caráter mais esses sambas apresentam também progressivo deslocamento da ênfase solista (correspondendo ao verso.

destinada a um cantor 1970. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 63 partido-alto. a primeira de nenhuma repetição. mais quatro Há consenso entre os de compassos. gerando sem nenhuma repetição. oito compassos repetidos. destinadas às Em um terceiro momento. Cartola e confirmando a tendência de pois seus vários versos (30. sem cuja primeira parte apresenta processo de profissionalização.24 da década de 1940 para a de 1950 Oliveira. A única partes continuam perfeitamente sambas extensos praticamente sem repetição ocorre no “laiá laiá”. tal como que se tornou um grande clássico seguinte. Em -enredo cada vez mais integrados com 36 versos e 136 (!) compassos. mais tarde. autor de um “lençol” compassos (oito versos). e a segunda. No ano que o samba-enredo. a mesma Mangueira do desfile carnavalesco carioca. em sequência. versos. adquire suas do repertório do samba-enredo: Apoteose aos mestres. samba de terreiro. as duas à narrativa se intensifica. pastoras. as estruturas de poder das . Um ano antes. Mais uma vez aqui da repetição do último verso pesquisadores de que é na virada se destaca o nome de Silas de (são dez). Aquarela brasileira (transcrição Português e Nélson Sargento. em solista. ideal a noção de melodia infinita. o samba de 1949. porém. Carlos Cachaça compõem para narrar todas as etapas do enredo às vezes quase 50) são entoados a Mangueira Vale do São Francisco. Batista e Jurandir). que distinguíveis. todos esses casos. Despertar de um gigante. Nos anos seguintes. de um desfile já em crescente um a um. um “lençol” -alto. repetições melódicas por dezenas 32 compassos. a mesma escola sai com se conhece hoje. de Alfredo características mais marcantes. funciona como uma introdução de caráter coral. de sexo masculino. apresentado com 32 compassos em cada composição de sambas- pelo Império Serrano em 1964. samba-enredo esses sambas encarnam de forma com seus 50 compassos e 22 com 128 compassos e 30 versos. parte (12 mais dez versos). também é desfilaria com o samba Mercadores e que atinge as práticas internas de representativo dos novos tempos suas tradições (Hélio Turco. a tendência de integral no Anexo 6). observa-se uma aguda absoluto. Darcy. de caráter já entrando na década de O processo não é. e a segunda parte. samba de terreiro e do partido- do samba no desfile de Carnaval. exclusivo do Império.24 Vinte anos transformação em todo o contexto Na Portela. 40.

contada em grupo. que se tornou contínuo. a forma vira fôrma e engessa consequências coreográficas. musicalmente. Ainda Podemos observar que o samba Outro aspecto bastante assim. apoiado em padrões escondem a riqueza dos caminhos forma passam pela questão já consagrados de estruturas melódicos e harmônicos. É quando. o comércio do Carnaval e menos revela muito sobre o pensamento à narratividade de uma história para a atividade cultural relevante musical do samba. além. o improviso demarca do fazer-samba-enredo. em muitos além de trazerem significativas identificado com o polo amador casos. o novo “público” dos desfiles interpretação dos cantores e as matrizes do samba de alguma carnavalescos. Carnaval. uma vez que ligados às agremiações. aceleração representa um agudo -enredo. samba-enredo escolas e a própria organização do foi se tornando mais acentuada chamados “grupos de acesso”. ligado à prática cada vez mais voltada para uma forma de atuação musical que comunidade. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 64 partido-alto. samba de terreiro. que mais sistemática nas escolas dos escolas tiveram parte improvisada . é possível encontrar. resultado da inspiração Aos poucos. e ao mesmo tempo pouco sambistas. e comunitário do fazer musical parte da liberdade criativa dos Todo esse processo representa sambista. os compositores afastamento das características de compositores afetivamente abandonaram a obrigatoriedade musicais do samba. de descrever integralmente o andamentos exageradamente enredo e se voltaram de novo rápidos mascaram as nuances O improviso para a composição de sambas com rítmicas da levada da bateria. Pode-se afirmar com certa refrão. afastando sua criação um afastamento das matrizes do adaptável ao polo oposto desse estética das motivações originais samba-enredo. Estreitamente musicais. evidentemente. no contexto das escolas. ao canto coletivo. A intenção era conquistar reduzem o potencial de tranquilidade que. de terreiro era um samba com discutido sobre a performance do de forma pontual nas escolas espaço para improvisação e que os samba-enredo diz respeito à dos grupos de elite e de forma sambas cantados nos desfiles das aceleração do seu andamento. nas últimas décadas. do improviso. Essa exemplos de belos sambas- da estética do samba-enredo.

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

(o que corresponderia à segunda É partido-alto Partideiro chapa quente
parte, ou estrofe solada, por Mas é pra quem sabe improvisar Esse bom ambiente é o seu lugar
oposição ao refrão coral) até os (Que samba é esse, de Jorginho e J.
anos 40. Gomes) E manda bonito
Da mesma forma, o partido- no ouvido da gente
alto é um estilo de samba cuja Samba de partido-alto
força expressiva e capacidade É sapateado Samba diferente
de comunicação se encontram pro povo cantar
fundamentalmente no momento Hoje em dia mais ninguém (Partideiro chapa quente, de Dudu
do “verso de improviso”, esperado, faz o sapateado Nobre e Luizinho SP)
e até mesmo comemorado,
durante a performance. Porque não é fácil, Musicalmente, o improviso se
É possível verificar que os é meio encrencado caracteriza pela criação de versos
sambistas identificados com (Partido-alto, de Aniceto) a partir de uma base harmônica e
as matrizes musicais do samba melódica predeterminada. Como
nutrem muito respeito pela arte Partideiro chapa quente resultado, as melodias construídas
do improviso, que adquire grande nos versos de diversos sambas são
status perante a comunidade. Esse Na roda de samba muito parecidas entre si. Esse
respeito aparece com recorrência chega pra abalar fato, ao invés de diminuir o valor
em alguns sambas, que exaltam a estético e a riqueza musical dessa
arte do partido. É olho por olho prática de samba, é fator de alta
é dente por dente relevância para o desenvolvimento
Que samba é esse da parte improvisada, uma vez que
Que acabou de chegar Não quebra a corrente o reconhecimento de um caminho
não dá pra enganar melódico previsível e muitas vezes

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

já ouvido representa um apoio nosso entender diz respeito tanto à versos e melodias previamente
seguro para o versador. Diversos métrica poética quanto à adequação conhecidos, “pés-de-cantiga”, que
improvisos são finalizados através musical à quantidade de compassos funcionam para uma infinidade de
de um caminho descendente determinada para o improviso: temas e momentos. O pesquisador
por graus conjuntos ou arpejos O improviso tem o tempo. O verso tem e escritor Nei Lopes lista alguns
pelo acorde de dominante, o seu tempo pra poder entrar no partido. exemplos, dentre os quais podemos
configurando uma espécie de jargão [...] Repentista é uma coisa e partido-alto destacar os versos Vou me embora,
melódico-harmônico que norteia a é outra. Partido-alto é dentro da melodia. vou me embora/ que me dão para levar,
estruturação do trecho versado. Hoje tem pouca gente. Tem uns que versam encontrados em registros de
As melodias intuitivas, além aí, cantam, mas não têm aquele ritmo, pesquisadores como Americano
de facilitarem a percepção e aquelas caídas bonitas pra enfeitar, porque do Brazil (Brasil Central, 1925),
valorizarem a letra, representam tem que enfeitar o partido. As florezinhas, Santos Neves (Espírito Santo, 1949)
uma memória coletiva tudo tem um molho. Hoje eu mesmo não me e Mário de Andrade (Pernambuco,
compartilhada, fortalecendo o meto mais, eu já faço os versos prontos.25 1929) e em diversos exemplos de
caráter comunitário dos eventos partido-alto.26
das rodas e do próprio momento Sobre esses “versos prontos”, Como vimos, a improvisação
do improviso. Ao mesmo tempo é importante destacar que o de versos foi proibida nos
em que essa coletividade ecoa improviso nem sempre é uma desfiles competitivos em 1946.
em melodias quase-conhecidas, criação exatamente espontânea Analogamente, o declínio da
o saber-fazer individual do e feita no momento. Em muitos prática do samba de terreiro e a
versador é altamente valorizado casos, os versadores se utilizam de forma bissexta com que o partido-
nos circuitos de partido. Xangô da um recurso chamado de “muleta” -alto hoje circula pelos ambientes
Mangueira, respeitado partideiro ou “trampolim”, que consiste de samba (de um lado a outro do
da cena sambista, destaca o valor em aplicar, de acordo com as contínuo mercadológico) são pistas
da rítmica dos versos, que no possibilidades temáticas e musicais, de uma relativa perda de referências

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

do samba carioca, cada vez mais em 1982, e desde então cantado em Coro:
envolvido com o mercado musical inúmeras rodas de samba por todo Mas quem disse que eu te esqueço
em suas várias esferas (Carnaval, o país. No final desse registro, os Mas quem disse que eu mereço
indústria fonográfica, showbiz de dois intérpretes, aproveitando a
grande e pequeno porte). rima do refrão-título do samba e a D. Ivone:
Porém (ai, porém!), a recorrente melodia descendente, Vai pra missa seu menino,
criatividade de sambistas acrescentam uma deliciosa não esqueça reze um terço
improvisadores parece driblar as “fuleira”, com a qual finalizamos
próprias restrições mercadológicas esta pequena descrição: Coro:
às práticas mais identificadas com Mas quem disse que eu te esqueço
as matrizes do gênero. Um recurso Coro: Mas quem disse que eu mereço
frequentemente utilizado em Mas quem disse que eu te esqueço
gravações comerciais de sambistas Mas quem disse que eu mereço Zeca:
herdeiros desse ambiente é o E é isso que eu recebo em troca
que se convencionou chamar de D. Ivone: de tanto apreço
“fuleira”,27 pequenos improvisos O pagode está bom por
estrategicamente incluídos ao final enquanto é o começo Coro:
das gravações de determinados Mas quem disse que eu te esqueço
discos. Um exemplo bastante Coro: Mas quem disse que eu mereço
ilustrativo é a gravação, por Dona Mas quem disse que eu te esqueço
Ivone Lara e Zeca Pagodinho, do Mas quem disse que eu mereço D. Ivone:
samba Mas quem disse que eu te esqueço, Pagodinho cai no
da grande sambista em parceria Zeca: samba que nem menino travesso
com Hermínio Bello de Carvalho, É que ela foi embora e nem
sucesso na voz de Paulinho da Viola deixou seu endereço

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Coro: De um modo geral, pode-se
Mas quem disse que eu te esqueço dizer que nos principais tipos de
Mas quem disse que eu mereço samba produzidos nas escolas — o
partido-alto, o samba de terreiro
Zeca: e o samba-enredo — vislumbram,
Eu fiquei assim parado que nem respectivamente, a versatilidade,
boneco de gesso a poesia a musicalidade e a capacidade
narrativa do compositor que é
Coro: considerado “bamba” por sua
Mas quem disse que eu te esqueço comunidade, principalmente
Mas quem disse que eu mereço quando consegue aliar em seu
repertório essas três vertentes,
D. Ivone: que se fazem imprescindíveis em
O Hermínio fez a rima Pode-se afirmar que a música três espaços definidos: a roda, o
e mereço com apreço das escolas de samba tem um terreiro e a avenida.
caráter funcional. É elaborada
Coro: com um objetivo específico e, Partido-alto
Mas quem disse que eu te esqueço como tal, obedece a certo padrão A palavra é datada do século XIX
Mas quem disse que eu mereço estrutural (versos e melodia), que e, provavelmente, a composição
sofre modificações ao longo do substantivo/adjetivo relaciona-
Zeca: século XX, adaptando-se a novas se semanticamente a um tipo de
Tô pagando os meus pecados do realidades, principalmente àquelas samba composto por um grupo
meu erro eu reconheço relacionadas ao espaço e ao tempo, seleto de pessoas, de competência
balizamentos para o canto coletivo e indiscutível. O partido-alto teve
para a dança. origem nas rodas de batucada.

na palma da mão. criativo. Está presente. com rimas alternadas. Quando um com flexibilidade rímica. Desse modo. como também repetem a mesma rima. sem obedecer Nem sempre a roda de latino Ênio (238-169 a. em única. Acontece. estrofe de seis versos. alguns quadra da escola. conforme respeitando. a roda tradicionais seguem quatro jogos Iovis aram sanguine turpari! está viva. que que forte influência exerceu no O partido. admirado pelos • sextilha. sucedem. da Universidade Federal do Rio partideiro é fraco. Haec omnia vidi inflammari prosseguimento à peleja poético. porém. rímicos. a saber: meneios e pelo compasso. samba-enredo Caracteriza-se pela comunhão centro da roda. remonta a priscas eras. rimas emparelhadas. Embalados demais participantes. cancioneiro medieval português. é conhecido o partido-alto. por um refrão. estrofe de tem como padrão clássico a rima cantado/dançado em círculo. samba de terreiro. os versos se poeta cria um verso rico. marcado Também a poesia árabe. O poeta pelo estribilho. na demonstrou o acadêmico Celso padrões rítmicos. convidado a entrar e a sambar no versos. • versos monorrímicos. nas reuniões de de Janeiro: se concentra na capacidade do sambistas nos quintais sombreados versador de improvisar e dar dos subúrbios.C. é aplaudido pelo grupo. diz-se que o durante os ensaios.) já a um rígido esquema métrico. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 69 partido-alto. Candeia e Euclenes compuseram . Caso os versos maioria das vezes. são conhecidos não pelo seu título e algumas vezes um dos pares é • versos em quadra. de madrugada. dois dísticos. mantida por palavras. Geralmente os partidos Priamo vi vitam evitari musical. é • versos em duque. de tal forma que os poemas Como nas antigas batucadas. repetidos por todos. pois a virtude invariavelmente. que O verso monorrímico acompanhando o mote proposto reconhece o mérito do partideiro. no entorno Cunha em uma de suas brilhantes se afastem do tema central ou da sede. estrofe de quatro sim por sua rima. partido-alto é armada dentro da utilizava esse recurso. após ou aulas na Faculdade de Letras sejam usados clichês. entre os participantes. quatro versos.

conforme Otto Enrique Trepte. que teve entre os mais da Portela. cujo fragmento de um soneto alvo de críticas de preconceituosos Da minh’alma no infinito se apresenta: jornalistas. Me leva pro lado de lá mas prefere os heptassílabos aos Na minha casa decassílabos bilaquianos: Os dísticos são a menor não tem bola pra vizinha estrofe da versificação portuguesa. de nome escrito Bilac. Pode me meter o malho . samba de terreiro. Todo mundo bebe partideiro de quatro costados. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 70 partido-alto.. seguindo o esquema Tem que ter João da Baiana rímico: aa-bb. como se pode maneira alternada. faz o seu protesto.. em rimas nem se liga pra Candinha Quando louvar partideiro emparelhadas. em rimas alternadas: Escrito a estrelas e sangue No farol da lua langue. Ao coração que sofre. o constatar no fragmento de Cruz os cânones do parnasianismo Casquinha da Velha Guarda e Sousa: brasileiro. expressivos representantes Olavo defendendo o compositor de samba. cujo refrão obedece a de bamba o mesmo jogo de rimas Não basta o afeto simples e sagrado uma só rima: usado pelo poeta catarinense: Com que das desventuras me protejo. Vai sambar todo mundo samba utiliza versos em rimas alternadas. Vai pro lado de lá Na minha casa Vai pro lado de lá todo mundo é bamba Aniceto do Império. Não se fala do alheio Quando falar em partido Trata-se de quadras. Vai pro lado de lá. na poesia culta. no exílio em que a meu samba é sambinha Martinho da Vila utiliza em Casa chorar me vejo. Método de A quadra. Filho meu. samba-enredo um partido. E o velho Donga trigueiro construção poética muito a gosto aparece combinando as rimas de dos simbolistas. separado Pode dizer que Do teu.

Conforme improvisados. de Já de amor obrigado. rima seguindo a tem vez. explorada no partido-alto por encontro. de Casimiro de linha de passes. por ser uma e sensualidade as rimas e os passos forma mais sofisticada. samba-enredo Enquanto você diz que Qual nunca mais o verei. Mas o tal bicheiro Encontra matéria Um ao outro dando a lei: Não quis me pagar para o seu trabalho No Paço o rei ao vassalo Fui direto na delegacia Na Igreja o vassalo ao rei! Mas a loteria A sextilha já é percebida no Não paga milhar barroco brasileiro. todo almiscarado Banhados de bons orvalhos europeia. o sem-talento. evidenciando a Pelos exemplos mencionados. de hoje. com um sabor bem Se lhe responde branda. não Padeirinho. um poeta da Mangueira. estima-lhe a resposta. Nas mangueiras do jardim. alguns poucos autores. samba de terreiro. se mesclam Faz à dama um poema Bem longe às vezes nascidos. Mas que se juntam crescidos portuguesa. uma E que se abraçam por fim. . claras raízes africanas. A sextilha é uma composição carioca. do futebol. e tímido o remete: brasileiro. Surge assim. é Mimoso tempo d’outrora fórmula rímica aabccb: coisa de craque. expressão artística de caráter Covarde o faz. É coisa para “bamba”. pincelando com poesia E. que o inábil. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 71 partido-alto. perpassando Casimiro de Abreu usa o por diversas fases até chegar aos dias esquema aabccb. se tirana. que lembram uma Gonçalves Dias prefere rimar a estrofe acima. que se perpetua a cada alegre o gosta. em somente os versos pares: Abreu. Gregório de Matos usava o versatilidade rímica da sextilha: verifica-se que na roda de esquema aabbcc: partido--alto há um amálgama Simpatia — são dois galhos da cultura negra e da cultura O namorado. com formas de versificação em um bilhete. O ritmo e a dança. Acertei no milhar do carneiro meu samba é sambinha Não tão inteiros sujeitos.

Eu sinto falta do teu carinho da transformação dos terreiros de -se a recepção da letra e da [. versos esmerados. conduzidos pelo diretor para uma rica melodia. Zona Sul do Rio de Janeiro. em Madureira. grande sucesso nos Doce melodia se repete o samba-enredo a ser ensaios da Portela no início dos (Bubu) apresentado no Carnaval vindouro. o samba de os sambistas . na fase com o samba Maria. sede do Botafogo. o que faz de samba. só era permitido Portela.assim dizem impregnados de puro lirismo.] terra batida das escolas em quadras melodia pelo corpo feminino de cimento ou piso frio. considerando. caso tivesse lançado lembrar . Percebem- pastoras. também. samba de terreiro. até a no clube Imperial. da escola. é executado nos Meira. Avalia-se a qualidade de um Eu vivo sozinho A sinonímia é estabelecida a partir samba de terreiro. e os volteios sinuosos de versos singelos se tornam a base -se. anos 70 do século passado. Algumas vezes proposta de exaltação. terreiro é cantado nos ensaios na quadra. de harmonia. para tal.. nessa modalidade seus pares. samba de terreiro são a mulher e a finalidade primordial possibilitar o a melodia deve ser envolvente escola de samba. Foi o que aconteceu representantes das três vertentes das escolas de samba e.no terreiro ou Eis alguns sambas de terreiro. quase sempre uma canto coletivo. Volta pra casa meu amor conhecido como samba de quadra. de Jorge apontadas: pré-carnavalesca. É um samba para ser Os temas mais recorrentes no O samba de terreiro tem por cantado em bom tom e. quanto no Eu me levanto começo logo a que o compositor participasse da Mourisco. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 72 partido-alto. samba-enredo Samba de terreiro ao menos um samba de terreiro Maria eu lhe peço por favor O samba de terreiro é também durante o ano. na cantar competição de escolha do samba. na estrada do Quando vem rompendo o dia década de 1980. o samba “crescer” . Essa doce melodia que me faz -enredo.. tanto Em algumas escolas. também conhecido por intervalos das muitas vezes que Jorge Porém. Geralmente. principalmente das e comunicativa.

improvisavam os versos. Não suporto mais tua ausência Me elevam ao infinito submetidos ao tema do estribilho. Se algum dia eu me separar de ti De escravo pra rei Eis uma diferença marcante Muito vou sentir E o samba que criei do samba-enredo em relação às Portela tudo em ti é glória Tão divino ficou outras modalidades aqui descritas. quando (solfejo) Sinto-me no vazio a flutuar a própria noção de “enredo” era Eu já não sei quem sou incipiente. as escolas de Eu guardo esta canção na memória Luz da inspiração samba não apresentavam em seus (solfejo) (Candeia) desfiles um samba-enredo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 73 partido-alto. e os mestres de canto. em que o autor aceita o desafio de discorrer com a possível Minha Portela querida Nos braços da inspiração objetividade sobre um tema exterior És razão da minha própria vida A vida transformei à sua inspiração. samba-enredo Daquelas lindas noites de luar Tens o teu nome gravado em Samba-enredo Eu tinha um alguém sempre a ouro nos anais Nos primeiros anos de me esperar Através dos carnavais existência. companhia Acordes musicais posicionados à frente e atrás do Deus deu resignação Invadiram o meu ser contingente formado por dezenas Ao meu pobre coração Sem querer de pessoas. Já pedi a Deus paciência da paz Já na década de 1930. Um refrão era entoado pelas pastoras Eu tinha a esperança que um dia Sinto-me em delírio luz (nome extraído dos pastoris Ela voltasse pra minha da inspiração natalinos). Na derrota ou mesmo na vitória Agora sei quem sou Enquanto no samba de terreiro e . há exemplos esporádicos Portela querida A mente se une à alma de composições de caráter quase (Trio ABC) A calma reflete o amor narrativo. tendo como matriz os Desde o dia em que ela foi embora ranchos carnavalescos. samba de terreiro.

Que glorificaram nossa poesia Desse panorama Foi somente na década de 1940 Quando eles escreveram Que tanto fascina que se generalizou a prática de as Matizando amores Num desejo incontido escolas de samba apresentarem Poemas cantaram Do samba querido samba e enredo coerentes. a criatividade E se estes versos rudes está subordinada a um tema Que nascem e que morrem Observa-se que o samba não predeterminado. fez para a Estação De um povo varonil usuais no cotidiano de pessoas Primeira de Mangueira em 1933: iletradas. como se. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 74 partido-alto. no samba-enredo. para abordar E os pequenos poetas temas eruditos. E é pertinente observar o Homenagem. que o compositor Essas mais ricas rimas esmero da linguagem. Sorrindo a cantar feito sob encomenda. a escolha Carlos Moreira de Castro. cujo modo de Mesmo assim como são do outeiro” manifestem o “desejo abordagem era coerente com essa Sem perfeição incontido” de elevar o samba à escolha. samba de terreiro. Era . No cimo do outeiro canta descritivamente o enredo Nos primeiros tempos os Pudessem ser cantados da escola: os “grandes” poetas próprios compositores ou pessoas Ou mesmo falados imortais são mero pretexto para de seu convívio escolhiam o tema Pelo mundo inteiro que os “pequenos poetas” do “cimo da composição. o São provas de estima de palavras e expressões pouco Carlos Cachaça. samba-enredo no samba de partido-alto o sambista Talvez nunca pensaram À glória elevar canta o que lhe ocorre ou o que lhe De ouvir os seus nomes Evocaram esses vultos apraz. Bom exemplo é o samba Sem riquezas mil glória. obedecendo tão somente à Num samba algum dia Prestando tributo sua inspiração. fosse indispensável Recordar Castro Alves Que vivem cantando certo rebuscamento que se tornaria Olavo Bilac e Gonçalves Dias Na verde colina durante muitas décadas a marca E outros imortais Cenário encantador registrada do gênero.

de cobrir-se de enfeites. razão por que se tornaria dos sambas de uma só parte. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 75 partido-alto. e caracteriza-se por sua curto e singelo. com datas e nomes Trabalhando sem cessar . um samba objetivo. Tal mudança não se deu Penteado e Estanislau Silva: por acaso. Mangueira no Carnaval de 1956: autoria de Mano Décio da Viola. apresentada acompanha a tendência e começa a fez para a Estação Primeira de pelo Império Serrano em 1949. Adotaram uma Para defender as causas do linguagem mais rebuscada ao nosso país Joaquim José da Silva Xavier discorrer sobre temas quase sempre E na revolução de 30 Era o nome de Tiradentes alheios ao seu cotidiano. a fantasiados ou envergando impecáveis conhecido como lençol. levando ele aqui chegava Foi sacrificado pela nossa liberdade ao extremo a tendência já observada Como substituto de Este grande herói pelo intuitivo Carlos Cachaça na Washington Luís Pra sempre há de ser lembrado década de 1930. detalhada. É assim que nos E do ano de 1930 pra cá anos 50 populariza-se um tipo de Foi ele o presidente mais popular Mas à medida que o desfile das samba--enredo que desenvolve Sempre em contato com o povo escolas de samba vai se tornando mais um tema histórico de maneira Construiu um Brasil novo sofisticado. Bom exemplo disso é a cores. A estratégia popular No ano de 1883 de resistência à exclusão e à No dia 19 de abril Joaquim José da Silva Xavier perseguição leva os primeiros Nascia Getúlio Dorneles Vargas Morreu a 21 de abril sambistas a tentar acabar com Que mais tarde seria Pela Independência do Brasil as diferenças entre eles e seus O governo do nosso Brasil Foi traído e não traiu jamais possíveis espectadores de outras Ele foi eleito deputado A Inconfidência de Minas Gerais classes sociais. Um clássico serviço de um enredo simples e ternos brancos e sapatos de duas do gênero é O grande presidente. samba-enredo ainda. em geral. resquício do tempo a se apresentar caprichosamente extensão. antes vestidos à vontade. o samba-enredo também que o compositor Padeirinho Exaltação a Tiradentes. samba de terreiro. à medida que os sambistas. samba linear. começam completos.

em dia. em Volta Redonda. mas também a que ocupa o que vai cantar e pede inspiração . compositor seu discurso. é fato que foi por sua Idealista e realizador enredo desde então até nossos dias qualidade que o samba-enredo se Getúlio Vargas aponta a vitória da criatividade e da impôs à indústria fonográfica e aos O grande presidente de valor poesia sobre todas as limitações que meios de comunicação. a E se pode falar em vitoria. Pode-se observar aparição da figura do carnavalesco porque se verifica facilmente a em vários sambas-enredo desse profissional. padronização. bem nos moldes da responsável pela escolha e mais cantada e divulgada hoje epopeia clássica: o poeta anuncia desenvolvimento do enredo. acusado de haver Em grande espaço de vida idêntica. samba-enredo Como prova. Existe a grande Siderúrgica pessoa. Trabalha para o progresso fabril de fazer prodígios de criatividade Hoje o samba-enredo ocupa Orgulho da indústria brasileira para apropriar-se adequadamente todos os espaços da música Na história do progresso do desse discurso. a cidade petroleira. tornando-o eficaz carnavalesca e do samba de meio de Brasil ao desfile e à comunicação com o ano. A trajetória do samba. emanavam de membros na posição de único gênero Nacional da comunidade. discurso: enredo e samba-enredo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 76 partido-alto. E este terá bailes de salão e nas ruas. por exemplo. A partir deste matado. o carnavalesco impõe ao carnavalesca. em geral um artista hegemonia do samba-enredo período a presença de proposição plástico de formação universitária. A década de 1960 introduz dos compositores. samba de terreiro. se não eram feitos pela mesma rodas de samba mais tradicionais. não só nas quadras. tão popular nos Candeias. com o mesmo sobrevivente como música de Tendo o seu nome elevado grau de instrução e experiência Carnaval. consolidou-se o caráter épico da uma importante transformação. não apenas como a modalidade e invocação. composição. se impuseram à criatividade Na fase dos gloriosos lençóis. a marchinha Na sua evolução industrial momento. mas até nas a cidade do aço. E por mais que se critique essa Salve o estadista público. Até então houvera identidade de o espaço do samba de terreiro.

amor autores de Traços e troças. Rodrigues. -enredo classicamente se filia. como é o caso ao invés de iniciá-la. próprias compositor estaria. A mulher em festival -enredo do Salgueiro em 1983. versos. por exemplo. Tais características. como se com samba Os cinco bailes da história do Rio. samba de terreiro. temos: expressão de Bala e Celso Trindade. amor. céu Cantaremos em sonho (exemplo de proposição no final) estrelado. do antológico A Beija-Flor cantando voa da alegria. ao qual falta quase tudo. Nos primeiros Viola vadia de vida boa semântico do luxo. se compensando de um cotidiano conservam ao longo de décadas. Dê-me um pouco de magia Traz a Portela Assim. samba-enredo para a tarefa. a adjetivação abundante. Na literatura de cordel isso fosse possível “virar a tristeza que o Império Serrano cantou em (exemplo de proposição no início) pelo avesso”. da riqueza. Vejamos chavão e principalmente a escolha de David Correia e J. noite de esplendor e magia. o Os cinco bailes da história do Rio. para a sua festa lua cheia. às vezes exemplo. ao querer Sedentos de orgia e desvario Mocidade mostra agora. ao encher de luz. como. por falar nas entrelinhas dos versos perfeitamente detectável. Amor. de certa forma. o recurso ao lugar-comum ou sonho e realidade. seja Quero sentir nas asas do infinito Olha o saci-pererê pela organização do vocabulário Minha imaginação Cobra-grande e caipora em torno fundamentalmente da Eu e meu amigo Orfeu Deslumbrando todo mundo ideia de esplendor. Proposição e invocação se do gênero épico. seja E também de sedução pela adjetivação abundante. ao qual o samba. para utilizar a feliz 1965. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 77 partido-alto. samba- Carnaval. fantástico. exemplos disso: marcante de palavras do campo no seu Incrível. brilho De perfume e fantasia (exemplo de proposição no início) e colorido o seu discurso. da festa. extraordinário . doce ilusão. E desse não mais em formulação tão clássica convivem com outras já apontadas cotidiano se permitirá sempre como a observada acima. enfeitados que cria ou mescla até encerrando a composição. avenida colorida. mas ainda por muitos estudiosos.

aqui Se extasiando no jardim Ou em. 1981): que ele procura falar todo o tempo. Vou no trem da alegria lhe deixa. Ou no samba-enredo O paraíso da Que a vida fosse assim Waltinho Honorato. Teu cabelo não nega. A crítica velada vem às Ioiô e iaiá. de modo nem sempre direto da sedução (só dá Lalá). os compositores Esqueçam os problemas da vida em 1982. e ali. caso de Mais vale um jegue que Tudo vai se acabar me carregue que um camelo que me derrube. 1995). é folia acontecia à sua própria experiência E no alto preço do feijão Neste dia ninguém chora. é de sua vida. João Estevam loucura. samba-enredo (Portela. de criadores: . Ao discorrer cantou em 1979: paticumbum prugurundum. de Mara. Quem dera lá no Ceará. de Eduardo Medrado. Ser feliz um dia vezes singelamente inserida no Na quarta-feira E mais adiante: enredo.. baiana. de seu Serjão e Zé Catimba (Imperatriz contexto. o dinheiro Braço e Aloísio Machado: o enredo narrava — mas também e a bronca do patrão como veemente protesto ao que Não pensem em suas marmitas É carnaval. que a Beija-Flor Ou ainda no famoso Bum bum Leopoldinense. 1979). de autoria de Beto Sem lançam muito a propósito do que O trem. e discursivo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 78 partido-alto. de autoria de Gibi. Luciano e Walter e César Som Livre (Imperatriz de Oliveira. de alertar: nas brechas que a objetividade Eu vou me embora desafiadora dos enredos modernos Segura. de suas mágoas e sonhos No refrão final não se esquece Leopoldinense. Se no meio do Joguem fora a roupa do dia a dia Este último verso é a confissão samba afirma: E tomem banho de que não se pode responder pela no chuveiro da ilusão alegria nos demais dias do ano: O povo vai viver doce ilusão mais um testemunho de que.. samba de terreiro. com que o sobre um complexo enredo Império Serrano se sagrou campeão patrocinado.

os desfiles passaram a ser pequenas escolas. que conseguiu. e sem mídia. sem lucro e um estribilho bem comunicativo críticas de pessimistas e saudosistas. O samba. desse modo. samba-enredo Mais vale a simplicidade à imposta limitação de tempo de Disputa-se a possibilidade de ganhar A buscar mil novidades desfile contribuiu para que os muito dinheiro. fazer chegar sua voz ao conjunto -enredo. Nas principais escolas de apresentar o samba-enredo de samba. Reis. nas A perdida simplicidade era o que ocasião. Expedito Alves e Nilton Silva. sem gravação. mais sob a chancela do selo Relevo. gravadoras. era a época dos festivais. produzido por Norival sendo um dos best sellers anuais das da sociedade. expressão da indústria fonográfica. Atentar para ele. O samba-enredo é proporcionava uma maior interação Essa gravação já chegou a garantir considerado uma forma de expressão entre desfilantes e espectadores. no que disputam. através dele. fonográfica pode levar a conclusões contas. o que estúdio e na Avenida. apareceram e se foram. o número de composições para a gravação do disco. tendo o samba E criar complicação sambas acelerassem seu andamento. pela ganância de alguns em concorrer do que como índice da indústria intitulado Festival dos sambas. apesar das desfile. aliada inscritas chega a quase cem por ano. aos compositores ganhos bastante de uma camada da população pouco Em 1968. Já foi responsabilizada como manifestação cultural. terem o compromisso concorrentes. Afinal de tornando as parcerias maiores. apenas a glória de ser cantada no Os sambas se tornaram mais curtos -enredo permanece. primeiro disco long-play com sambas. samba de terreiro. verdadeiras sociedades comerciais. . gravado e executado amplamente. a fim de a surgir entre 15 e 20 composições nova estrutura nos sambas-enredo atender às exigências de tempo. Modismos acontecia nas grandes escolas. O fato de as escolas. sem gravação nem no final da década de 1960 levou cronometrados e. viria a público o elevados no momento de maior ouvida. como outrora da Unidos de Vila Isabel. continuam Martinho da Vila a introduzir uma letras foram se reduzindo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 79 partido-alto. a partir os investimentos mais pesados para os de 1970. e interessantes e surpreendentes. Mais ou menos na mesma Em contrapartida. as repercussão na mídia. traria mais agilidade aos desfiles.

samba de terreiro. Acervo Centro Cultural Cartola .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 80 partido-alto. samba-enredo Sambistas.

Basta ver um grupo de 5 ou 6 passistas — mapeando a intensa troca característicos. coxas. -brasileiras. no trabalho de maior coreográficas tomadas” “do afro-brasileiras nas rodas de fôlego já realizado nessa área. Ao dançar. do corpo como um todo em que pesem as adaptações. samba-enredo a dança A dança do samba no Rio de O pesquisador e jornalista José ou fracionados e formações Janeiro conjuga e atualiza heranças Carlos Rego. Rio Grande do Sul. mãos. mas um um momento único. o retrato vivo de um mosaico cintura. síncopes. é sempre reelaborações e criações e regionais diversas. além que estudos coreológicos possam determinados pela emoção interior de cada “do lundu e do maxixe cariocas” traçar e registrar seus passos mais um. tornozelos. de influências de danças afro- enfim. caipira paulista. contrafugas. É a resposta do Espírito Santo e Minas. braços. de pés. coreográfica própria. o candomblé da Bahia. em cada gingado. do jongo expressão maior da liberdade do nem sempre o exercício da dança do corpo do sambista. Pode-se dizer que o samba é a da jardineira e candombes do Um sapateado em quatro tempos. samba no Carnaval. bailado guerreiro moçambicano livre de sua alma à “provocação” em dupla. portanto. exercício do prazer. dos xangôs de nos ensaios e desfiles das escolas de registrou 172 passos diferentes de Pernambuco. O movimento cada um dará ao corpo uma solução O samba no Rio é. o ocorridas no Rio de Janeiro. Realizada só. na cadência do samba. do batuque e samba do ritmo e à energia vibrante dos fugas. do caxambu partido-alto e samba de terreiro ou livro Dança do samba. Alagoas e Paraíba. para verificar-se que promoveram no país. samba de terreiro. meneios. ele se recria Rego identifica na dança do pesquisador Haroldo Costa em. suas de Goiás. iguais fontes de cultural que as migrações criação é o dado que fundamenta música e ritmo. são de mina do Maranhão”. substrato comum. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 81 partido-alto. o ato de sambar. com raízes étnicas —. a liberdade de sob a mesma ambientação. joelhos. pescoço — Sobre origens e influências. Ainda contratempos múltiplos ou alternados. Segundo o sambista não se repete. samba “desenhos inteiros As escolas de Lan (2002): . do samba obedece a regras. fluminense. trio ou grandes grupos. samba. ou do tambor instrumentos de percussão. Mas ele próprio frisa: das congadas de Minas Gerais.

negros. de que todo no livro As vozes desassombradas do Museu a todos é dado aprender. em Folguedos a umbigada. samba-enredo A música e a dança dos negros sempre Nas rodas de samba improvisadas. como desenvolvem continuamente. A e dançado a coice e chão”. samba de terreiro. ligação matricial do samba dançado sambando. 1970). Quando se diz coreografia luminosa. se convidado por (MIS. Os passos do samba que nós. sendo utilizados traço característico. diante da pessoa Uma das fortes características das danças no Rio com o samba de roda escolhida. mundo pode participar. no qual ressalta. tambor de crioula do Maranhão. [. até tocar perna com perna.. apela-se menos a um é desafiado nos contratempos. mulher. Em Sua linguagem está nos pés. a umbigada — A umbigada não é um traço até mesmo como instrumento de percussão. nos ritos de puberdade e Edison Carneiro.. porque nossos ancestrais na África solta na síncope. chão a rica sintaxe de uma gramática que nem Espécie de baile ao ar livre.. um homem e uma sociológica. chega-se a corpos que se aproximam num aparecendo em manifestações dizer que “é afinado a fogo. o coco e o lundu. é que se pode apreciar a incumbem do canto (uma frase de coro. a malemolência é dançam. Descendente em se tocarem: herança de movimentos da capoeira linha direta do lundu e dos batuques africanos. tocado a murro salto. “dizendo no pé”. que vem do ar e chocalho. Jamais são usadas para instrumentos. uma umbigada — o dançarino requebra e foram sociais. em separado. fazemos de tudo um motivo desliza pelas pernas até os pés. desenhando no contribuiu com o passo distintivo do samba. uma deleite pessoal. a elegância é uma única pessoa dançar. que passam a vez a pessoas do mesmo assim faziam: na colheita do inhame. enquanto os demais se prosseguem. João da Baiana afirma: . habitualmente estereótipo do que para uma constatação confirmada nos breques. pandeiro)..] tradicionais (1982). na sexo. de procedência africana é o trabalho que os pés baiano. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 82 partido-alto. depoimento a Ricardo Cravo Albin. o convite à dança já não é exatamente chegada da chuva. Do nome dado ao movimento de dois exclusivo do samba de roda baiano. e assim com ritmo marcado por palmas e alguns saracoteia sozinho. aproveitamento coletivo. também é lembrada por sambistas o samba dançado não poderia fugir à regra. se nisto não houver um desenvoltura de uma passista criando sua frase de solo) e da música (prato e faca. comunitárias. O equilíbrio perderam o nome na Guanabara. apontou uma a executar uma verdadeira reverência. em vez de de canto e dança. mas o dançarino continua nos funerais. O samba de roda conhecido na Bahia tradicionais no Rio de Janeiro. a ponto de as barrigas quase como o jongo.

samba-enredo O samba-duro já era batucada. ora para o Ayê (terra). sinuosamente. usada por alas “para a rodada do corpo. “mensageiro 60 e 70. em Rego observou ainda como a “coreografia de Oxaguian dá a qualquer dia. comparou o opanijé. essa dança também nos terreiros das tias baianas na “a graça do jogo cênico dos recebeu contribuições de tradições Pedra do Sal e na Praça Onze. de S. lembra o aguerê de Oxumaré. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 83 partido-alto. de novo com os braços Arthur de Oliveira Filho (1998): nas escolas. mandava a perna. outro que se virasse para não cair. Juntava umas 20 pessoas — a coreografia em forma de postura às baianas.. em forma e os ritos do candomblé. propriedade cantar [. as mãos (três passos para um lado. com Cartola diz o seguinte em ora levantadas para o Orun (céu). Um saía para tirar o outro. do samba”. com a carioca que é o desfile da escola sua forte raiz africana. era só umbigada. e afirmou que coisa. Se fosse danças dos orixás. se fosse para Segundo Rego. grandes escolas de samba nos anos a “liso”.. ele descreve). excetuando-se homens e mulheres — e a gente começava a “cobrinha”. entre outros exemplos no meio da roda e tirava um outro qualquer. na pista”. com que os caracteriza. por excelência. Exu apresenta-se coreografia de Omulu/Olabuaê numa dança serpenteada. plantada coreografia de Oxum. uma batucada era capoeiragem. executa inúmeros de à frente) com o movimento das Samba-duro e batucada é a mesma seus passos”. os quais por três passos para o outro tempos idos. pegar “duro”. da ligação entre a dança do samba Aí dançando e gingando. A comissão de frente lado. A abriga em seu repertório gestual e passos de Paula do Salgueiro. de Marília Barboza e ele interliga. Diz Carneiro: . apontou a semelhança do Mas não apenas a raiz africana jicá e do treme-treme (passos que desenhou os passos do samba no Resultado de fusões e sínteses. os braços erguidos. alas num desfile. seguidos entrevista publicada no livro Cartola. A gente fazia isso a qualquer hora. identificou de samba. mas. O uma dança serpenteada. em especial a partir erguidos. terminando com a ida dos anos 60. Em especial nessa criação a dança do samba no Rio. braços” da dança de Iansã nos europeias.] Aí um — o que versava — ficava avançar. samba de terreiro. dada a feminilidade Rio. Nós tirávamos os coreográfico traços inspirados nas das mais conhecidas passistas das cantos. já era capoeiragem.

. Os ranchos de Reis. improvisação dos versos. mas a corte de uma palavras a ela relacionadas roda. conhecida portas para o chamado samba de arco. leve tocar de pernas de um sambista ao som do samba. com suas mesuras e meneios. no caso das mulheres. sempre por modificações. ranchos de Reis e do Carnaval. começando configuração da escola em marcha. pelos próprios sambistas. apesar de o foco estar na Guanabara. espaço-matriz de extrema delicadeza. principalmente A dança se dá em torno e para a cortejar a porta-bandeira em mesuras sob pressão da indústria do dentro da roda. mas suas matrizes se do samba. o requebrado atributos da dança do samba. gesticulando com o espetáculo. que desde cedo a porta-bandeira. seja nas em torno de si próprio e o rodar nome [. com os braços em anos do século passado. são os responsáveis pela pulsa hoje em quadras. a dança é carnavalescos. O baliza. Essa dança passou e passa batendo palmas ou os pés no chão.. mudou apenas de mantêm vivas e fortes. ritmo. -alto. condensa não apenas os meneios do samba de da cabrocha. figuras de animais. As clubes. O requebrar. dança de salão.] rodas de samba das feijoadas das da saia. miudinho. embora executada Equilíbrio. em reis do Congo. como porta-estandarte. botecos e ruas no Rio. reunindo jovens da Zona Sul e movimento ligeiro dos pés num ir e dessa influência europeia. Por depoimentos ou nas letras de isso se diz que o mestre-sala corteja suas composições. o passo miúdo. se dança o roda acompanharem o ritmo de Carnaval. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 84 partido-alto. o escolas de samba. como num convite . o leque ou a espada. samba de terreiro. substituídas por alegorias. quintais. não busca o malícia e graça são alguns dos em outro. samba-enredo [. agilidade. com velhos partideiros. seja nas casas de as palmas esquentam o desafio. nas suas quadras ligeiro curvar das costas enquanto Na escola. agora samba. quase hipnótico.] A ginga de marcha da escola gingado da passista. o sua dança que. as e porta-bandeira.. nos desfiles Onde se canta o samba. tornando-se profanos e mistura de influências diversas. pelo fato de os participantes da escolas carregavam. outrora. é o centro raiz. o casal de mestre-sala nos subúrbios. nos primeiros shows da Lapa que abrem suas mãos na cintura. mas também de outros desfiles populares. parte essencial da cena.. o girar lenço. vir. de um minueto. No samba de partido- perderam a sua inspiração religiosa na Essa riqueza coreográfica. deslizando.

comissão estão agora misturados a está presente em manifestações A comissão de frente. figurino próprio. são fundamentos que desenhos coreográficos e gestual mantém no regulamento. Nos jongo e o batuque. que a passos que resumem ou explicam aparentadas do samba. avenida. A obrigatoriedade ir para frente. processo do componente é livre. os passistas. O “chão” é evoluindo de um ponto (a a escola (a mão direita sobre o peito. as danças relacionadas Formada em linha. aquilo que chamam cortejo. Como já próprios: a comissão de frente. início do desfile) depois estendida em direção à escola garra e emoção. forte quando ele canta e samba com concentração. saudava o público (com o na Avenida. mas caracterizam essas rodas. as esses gestos tradicionais e que observado anteriormente. isto é. Nos ensaios nas quadras intensificado nas décadas de empolgante. algumas comissões. dançado. vestida com As alas são o “corpo” da escola diretamente a ele se dão em elegância. os em torno de uma simples mesa ser composta por bailarinos ou integrantes de uma ala não devem ou numa roda. parte alas. quando passou a regras de evolução. Mas não é só na avenida e Ela sofreu forte modificação um aspecto do enredo. as baianas e o casal fundamentam a existência da desse gestual e movimentos também de mestre-sala e porta-bandeira. A dança em cortejo que o samba-enredo é a partir dos anos 70. só pode No desfile das escolas. mas deve respeitar as ou em reuniões de sambistas. como o escola de samba herdou dos antigos o enredo. samba-enredo para participar. Cada ala tem um a outro (a área de dispersão. samba de terreiro. 1990/2000. no como um sinal típico de respeito). representando final). podemos profissionais. era tradicionalmente últimos anos. o tema da escola. tudo isso compõe identificar cinco grupos com da saudação e da apresentação se o quadro. uma ala também anima e faz dançar. por exemplo) e apresentava de “chão” da escola. o samba-enredo integrantes mais jovens das escolas se misturar aos de outra. tripés e pequenos Como o samba-enredo é uma constituída pelas Velhas Guardas carros alegóricos passaram a ser variante do gênero criado para ou integrantes mais antigos e usados por esses bailarinos em a exibição da escola de samba na representativos da agremiação. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 85 partido-alto. os componentes . com os sambistas chapéu. coreografados por bailarinos não pode retornar na pista. ranchos. alegre. Por exemplo.

as escolas cada passista vibre e demonstre o típicos. representar um aspecto do enredo. Os críticos lembrando de sua infância. A dança é caracterizada pelo têm apresentado mais e mais alas domínio de sua arte.. mais jovens. Volta a se ampliou a discussão. E a rosa. mais do que sambando. em Samba. A expressão giro. em geral Não é uma novidade nas agremiações verdade primeira da dança do nos refrãos. os mestres — jovens e do samba. coreografado pela Unidos da Tijuca. ao contrário do desfile.] Dançava um de cada vez. vazio de significados. Ele se aproxima. provam a cortejar. samba de terreiro. samba no pé. Nunca as ações A ala de passistas reúne. o pavilhão da escola. Essa ala não existia rodada. pano da costa. O mestre-sala e a porta- argumentaram que a coreografia tira afirma: [. O compositor Ernesto dos composta pelas mulheres mais velhas foi objeto de polêmica quando o Santos. no enredo Sodré. mas uma o faz ao mesmo tempo. Em 2004. o Donga. as baianas representam as tias aproximar. a Os passistas. nas escolas. no quituteiras dos primeiros anos serão idênticas. costuma vir atrás fantasias podem ser adaptadas para Carlos Rego. em entrevista da comunidade. beija e sai. colares e disse a porta-bandeira Vilma do nos primeiros anos das escolas. balangandãs. que provoca coreografadas (também chamadas “samba no pé” não é um clichê belo efeito visual quando toda a ala teatralizadas ou de passo marcado). suas Nascimento. É como o intitulado DNA. ao sabor do vento das asas do mais velhos — desse ofício que é o características: saia ampla e pássaro. totalmente Consideradas entre as mais voleio de um beija-flor em torno da rosa. em entrevista a José Atualmente. Ela dança. apresentação de um carro alegórico cada desfile esse fundamento. bailando num e “esfriam” o desfile. A ala das baianas era — já nos anos 60 a coreografia samba. . um ponto privilegiado para que perdendo assim os elementos Nos últimos anos. buracos”. mas nos últimos Salgueiro representou um minueto ao jornalista e professor Muniz anos foi aberta à participação das em plena Avenida.. fazendo samba nos pés. com suas roupas que se pensa. -bandeira apresentam e defendem a espontaneidade dos componentes com entusiasmo. para os dois lados. samba-enredo de uma ala não podem “abrir da bateria e do carro de som. devendo manter a coesão. não permanece passiva. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 86 partido-alto. Atualmente. tradicionais alas das escolas. como já se observou. sobre Chica da Silva. o dono do corpo. toca e sai.

ele diz. a comida. está o clima doméstico. A roda elemento fundamental na geração. que fez e faz a roda girar relatadas neste dossiê aconteçam. É importante observar a o nascimento do gênero). E destaca o “papel No caso do samba-enredo. de religiosidade. as bandeiras e as familiar. Janeiro e da contemporaneidade. é um ritual sambas de terreiro e de partido. despojadas e diversas. um contexto só. samba (a ambiência que permitiu A alma doméstica. as manifestações familiar. isolado. é necessária a descrição os terreiros (atualmente quadras) e Ele retorna às moradias festivas das de elementos que constituem as as formas de transmissão do saber tias baianas na Praça Onze para diversas cenas do samba carioca. no samba do Rio de Janeiro são explicar como a casa “propicia a como se originaram e como se elementos e personagens comuns às formação da roda”. vem de dentro de casa. esse espírito em que as formas de expressão instrumentos. samba de terreiro. Assim. a desempenhado pela roda como descrição é bastante complexa. principal razão de ser. dando então apresentam atualmente. partido-alto e outros musical que mais identifica o desfiles das escolas de samba.estava presente antes mesmo de o terreiros das escolas de samba. vida ao samba. o samba. é anterior a ele. no samba do Rio de Janeiro. escola de samba (sua que “preserva e atualiza o que está alto as cenas são bem mais institucionalização) e roda de em sua origem”. de manifestações e de cenários com traços específicos do Rio de Como característica mais evidente. era a roda: um preservação e divulgação do gênero nos ensaios nas quadras e nos estudo sobre samba. única. três formas de expressão. as baianas. os Segundo Moura. portanto. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 87 partido-alto. Já nos traçou as diferenças entre samba A roda. as velhas guardas. não é possível falar de uma cena A roda. (gênero). em paralelismo samba ser samba. o pesquisador nosso país entre todos os que são onde esse gênero ganha a sua e jornalista Roberto Moura originários do Brasil”. samba-enredo a cena Em virtude da diversidade bastante remoto. . A roda. incluindo elementos presentes Em No princípio. pagodes (2004). da roda foi permanência de traços marcantes segundo Moura. comunitária. é o início de tudo incorporada naturalmente aos da cultura negra e de um passado . cores.

Não diversas expressões do samba por o partido-alto é desde muito garoto. Aí quando ele referem a ele. e Ancestral. Rodas de crescimento das escolas. e o seu valor está terreiro. Chegava lá. onde a gente sempre batia uma roda samba de terreiro: “mais utópico e criador”. Mas o apelo que ter uma música. “mais pragmático de Mangueira. aí batia pra gente e a gente como os próprios sambistas se alteraram esse clima familiar das começava. sempre ‘tive presente.. nas tendinhas. Aí já começava a culturais na Lapa. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 88 partido-alto. Chamava dois ou três e tocava um samba tradicional ou “de raiz”. O partido-alto. já é mais um. tem nem samba de terreiro. o da escola. bem batido. nas biroscas e eu andando pelo tem mais porque a Mangueira não está de Janeiro. o da roda... vê dois caminhos se desenhando: garoto [. em bares e centros agremiações. a roda aparece em rolava o partido-alto. que querem ver. sambistas tradicionais. junto com ele. No Rio nas tendinhas. uma oficina. partido--alto. atraindo jovens de todas as classes para a redução do espaço para as (Xangô da Mangueira) sociais. antes de começar o samba..Mas. Este é um dos levava pro instrumento. Eu já me ofereci pra fazermos vivo na história e no cotidiano dos Sinal de sua força cultural. aquelas coisas.. quanto mais todo o país. motivos apontados por sambistas bater no instrumento. em sua análise. começava a de manifestação. é. estar fazendo um deslocada de lugares tradicionais comercial. como no samba de No morro se cantava muito partido-alto. preocupada em formar garotos partideiros. na própria difícil ouvir o partido-alto e o e mercantil”. a roda foi elemento morro. Então. pagodezinho. eu acompanho desde da Mangueira e Tantinho. por quadras. samba de terreiro. pelo menos nas grandes já ‘tava bem batido.. E a minha relação com Na Mangueira não tem mais. quadra.] É através dos sambas no Morro nas quadras das escolas. na Mangueira não roda do Recôncavo Baiano. a gente exemplo. como cantar. outro. no Centro... samba-enredo fundadas a partir do final da A roda era o seguinte: cada um tem dos sambistas cariocas. a roda permanece na cena (Tantinho) . acontecem. Moura. mas década de 1920. verificado a partir dos anos 70. ouvir e rodas de samba tradicionais nas prestigiar mestres como Xangô quadras. fundamental na criação e difusão (Tantinho) garotos compositores que façam samba de do novo gênero. que eu. a modernização e o samba no partido.

Tem muito compositor manifestação é visto pelos sambistas fazendo muita coisa bonita.. eles vão atrás. eu brinco.] As pessoas me mostram as saber-fazer no samba tradicional. samba-enredo dos anos principal meio de transmissão do anteriores [.. quase sempre de mãos dadas.. mas quando elementos indissociáveis. Os carioca. que durante anos precisou se disfarçar Tem muito samba de terreiro por aí. diferente. um de seus fundamentos. dou meu recado. assistindo os outros cantar e depois comecei já cedo a praticar A roda. Aprendi vivendo mesmo aqui em (Wilson Moreira) Mangueira. mas eu arrumei uma maneira de A religiosidade desenvolver isso: me colei no Xangô. Já interferia nas rodas. samba de terreiro. Preferem samba de comunicação. os sambistas. samba-enredo Imagem em altar de quadra de escola de samba. mas que eles como elemento da cena do samba não deixavam a gente mais novo cantar. Acervo Centro Cultural Cartola Fica claro que a roda é o que toca no rádio. mas vai cantar onde? Só em roda de e que a diminuição do número de samba! O Moacyr Luz está dando oportunidade espaços comunitários para a sua para a garotada..] É raro hoje você muito tempo — e são até hoje — encontrar roda de partido-alto. letras. Colei Samba e religião foram durante no Xangô e no Zagaia [. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 89 partido-alto. e para sobreviver. renova e resiste também. As escolas acham que não comprovar que festa e fé andaram é negócio... Mas nas escolas de fato é que não faltam elementos para samba sumiram. como eu disse. Minha harmonia é como algo preocupante. mais velhos não gostavam que os mais novos cantassem. às vezes o neguem. . E embora tem. assim. tem uma juventude que onde eu vou. o muita gente cantando. afeitos ao caráter (Tantinho) criptográfico de sua cultura.

uma Lopes. que foi cambono para se dançar e um barracão de madeira jornalista Sérgio Cabral (1996): . onde Silva e Arthur de Oliveira Filho “Naquela época samba e macumba era se tocava os sambas de partido entre os mais (1998). e mesmo música instrumental quando apareciam os músicos profissionais negros. onde nos dias de festa ficava o Não é descabido lembrar que orixás afro-brasileiros. se fosse um pouquinho maior o senhorio fazia antes de o samba carioca ser Samba para eles constituía um ritmo. dona Ester de Oswaldo Cruz. em que samba e religião o samba raiado e às vezes as rodas de batuque ser empregada por uma classe social dividiam o espaço físico e a atenção entre os mais moços. onde entrava luz através de uma claraboia. enfim. festa temidos: Elói Antero Dias. para os quais a palavra ainda (1983). A casa se encompridava para o fundo. Os sambistas baile. Atrás data importante a ser comemorada. Marília Barboza da de rua do terreiro de seu Júlio. samba-enredo Sobre isso. ou até uma cabeça de porco chamado por tal nome e antes de coreografia. samba de terreiro. velhos. No fim dos anos 20. seu Júlio. as esferas do samba umbigada. dizia: com as coisas do culto. terreiros de samba eram também terreiros um quintal com um centro de terra batida Tal prática é mencionada pelo de macumba. a cozinha forte apelo popular e folclórico. reunidos nas chamadas escolas descrição feita. muito para arranjar mais dinheiro. muitos da primeira geração dos filhos dos palavra samba teve a sua significação ao período do nascimento do baianos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 90 partido-alto. Agora eram os descendentes de de seus cultores. que frequentavam a casa. próximo ao dos pontos de invocação dos visitas ampla. Tia Fé. novamente a Tal ligação remonta. diferente. um gênero. uma logo albergue. outra vez em virtude de gênero. No terreiro alterada. da casa da Tia Ciata: conveniência ou estratégia de continuava designando a dança de roda de sobrevivência. na esmagadora maioria. na passagem do século XIX para primeiros. do calendário da religião católica e de Alfredo Costa. portanto. de ritmo muito semelhante ao A casa que alugava era bastante grande. Uma sala de existirem as escolas de samba. por Roberto Moura Seja por identidade seja por de samba. eram um corredor escuro onde se enfileiravam três o XX as agremiações carnavalescas também pais ou mães de santo famosos e quartos grandes com uma pequena área por consideravam a Folia de Reis. e a despensa. Os grande onde se trabalhava. Juvenal no fundo uma sala de refeições. Disso é prova a escravos. Na sala o baile. José Espinguela. e da religião se misturavam desde das cerimônias religiosas das macumbas. afirmam: tudo a mesma coisa”. Cartola.

Dona Maria da Fé. Na faziam parte da rotina de seus moradores. No vindas do interior dos estados do Rio de Janeiro e a tradição de que cada uma das Estácio. que assessorava Getúlio mês de outubro. como era um gênero musical de sociabilidade. no Baixo Tijuca. Em entrevistas de Império Serrano. Elói fundou o Deixa No calendário do samba sambistas antigos. foi da energia de Tancredo da de Minas Gerais. a cantoria e a dança do jongo consideradas “grandes” (a saber. representava “obrigação”. Com uma do grupo. explicação na energia que vem das casas escola sindicalista. a Festa da Penha. local de reunião em geral em torno de lideranças comunista. da energia de Seu Napoleão população formada. querendo provar que o samba que o trabalho dos compositores religiosas fortes. Império Mangueira. onde é hoje a carioca ao longo de quase todo preparativos para essa importante Rua Almirante Cândido Brasil. era quase obrigatório. no “embaixada”. firmou-se Nascimento. festa num dos domingos do mês uma escola de samba. Entre Mangueira. conjuntos de pastorinhas Serrano e Salgueiro) liderava a por Elói Antero Dias para que criassem percorriam o morro. Portela. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 91 partido-alto. há relatos dos Malhar. da tradição religiosa de base contou com a liderança do Calça Larga e sambas novos. O Elói o século. Silva. samba de terreiro. trajavam de baianas e havia disputa da gira de Preto Velho e Caboclo e vai (Rubem Confete) . dos pais de santo para a criação da escola. Saldanha quando perguntado por que ele Segundo testemunho de vários É um fenômeno que tem uma era portelense. samba-enredo A Mangueira era um canteiro de quanto àquela que seria a principal até o culto aos orixás. quase uma Antero Dias. Após o surgimento a Portela. As mulheres se africana. Antes de fundar o de outubro. foi uma importante ocasião do termo. que era o pai do Natal. por pessoas das escolas de samba. incentivado por Getúlio a criar uma escola de congraçamento e até de Fato marcante é terem as de samba para competir com Paulo da competição. Foi lá que nasceu manifestações de cultura popular. Sr. que juntou o culto às almas. Quem me contou esta história foi o João divulgação. estimulada o Natal e o Dia de Reis. que tinha entrado para o partido da Penha. principalmente. grande pai de santo de omolokô. O Salgueiro também era na Penha que se lançavam os de omolokô. populares tinha espaço para mencionado anteriormente. O Império Serrano foi uma sambistas e cronistas carnavalescos. no sentido religioso Vargas com alguns outros pais de santo. Compor para a Festa escolas de samba se formado em Portela.

(maracanã). A Mangueira promove data nossa agremiação realiza anualmente . A bateria. Acervo Centro Cultural Cartola E na bateria. samba-enredo Imagem em altar de quadra de escola de samba. A influência religiosa se primeiros segundos do raiar do dia estendeu às características rítmicas 20 de janeiro. (1998). menciona um manhã alta. essa relação é papel destacado. Luís Fernando Vieira padroeiro. tocando nos observável. o alvorada. foi doada à escola no dia na maioria das comunidades de 23 de abril de 1965 pelo líder comunitário samba do Rio. padroeiro do ainda se apresenta viva e pujante Império Serrano. em que a bateria tem “coração” das escolas. sobretudo nas mais do bairro do Caju Sr. A festa em honra do Machado. que coletou e publicou em é servido aos ritmistas um copo de livro os sambas da Estação Primeira chocolate. e o samba prossegue até de Mangueira. O relato característica a pancada do surdo grande abaixo. acontece no marcação do ponto do santo da escola. Oxóssi domingo subsequente ao dia 23 de (São Sebastião). dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 92 partido-alto. testemunho dessa relação: No Império Serrano a procissão motorizada em honra a São Jorge. por influência do ex-presidente padroeiro é o mais vivo exemplo Jamil Salomão Maruff. data consagrada a seu de cada escola. trazia como principal abril e dura o dia inteiro. samba de terreiro. da festa para a vida da agremiação: A relação entre festa e fé A imagem de São Jorge. Sebastião Francisco tradicionais. sem dúvida em honra a São Sebastião uma o elemento mais marcante. sempre acompanhando a padroeiro da escola. dada desde o primeiro desfile testemunha claramente a importância pelo marcador Lúcio Pato. Após queima de fogos. retirado do site da escola. A partir dessa disso.

todos se unem para homenagear quando os temas da história F. afilhada (2005) afirma que a presença de orixás abril. religiosas afro-brasileiras. A análise do Polícia Militar. samba e muita cerveja.. todas as facções políticas. S. pároco. destaque (Nomes importantes da história do Cerca de vinte ônibus cedidos De volta à quadra. e a confraternização músicas que falam de terreiro. Mais orgulho de ser imperianos! nos enredos. de quem nos vem a garra e o oficial deixaram de ser o costume confraternização com queima de fogos. que vem se tornando uma das originalmente se homenageava o grande sambas. já a partir dos anos 20. dos orixás e dos transportes são postos à disposição dos que se segue não tem hora para terminar. a festa congrega todas as religiões e mesmo nas letras). A próxima parada é na Esquina se abraçam. em Todos os Santos. sambista Amaury Jório. na Rua Piauí. divulgadas no carro do Corpo de Bombeiros. e escoltada por Após esta grande confraternização. da macumba e do imperianos e devotos que não dispõem de Eclética como o próprio Império Serrano. foguetório e buzinas de carros povo no berço do Império Serrano. constantemente referido condução própria. apresentaram uma adiante. As escolas de samba. como os passes aguardam os fiéis. candomblé da Bahia. com muito popular brasileira. Atualmente é a Velha na alma brasileira. umbanda em letras de músicas. Na Igreja de São Jorge. onde frequentemente homenageados nos Padroeiro. têm servido. a partir os imperianos e devotos são abençoados pelo todas as idades. samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 93 partido-alto. orixás mais significativas tradições da comunidade. Festas religiosas. a imagem desce do seu nicho para o do Império Serrano e escola do coração do e de muitos elementos do candomblé e da centro da quadra e é posta no alto de um fundador da Associação das Escolas de Samba. lado de outros meios culturais. em Quintino. mas o samba tem que a seguem. Reginaldo Prandi A cada ano. onde ocorre grande o Padroeiro. santos e orixás são exemplos a seguir: . para divulgar batedores motorizados do 9º Batalhão da a procissão segue para a Serrinha. samba-enredo Imagem em altar de quadra de escola de samba. no domingo seguinte a 23 de Guarda da Imperatriz Leopoldinense. novas orações e Religião e samba se confundem. seguindo pelas ruas com imagem do padroeiro recebe as homenagens do pesquisador abrange toda a música sirenes ligadas. onde a as religiões afro-brasileiras. Os inimigos mais ferrenhos das décadas de 1960/1970. a imagem é recebida samba estão ligados às primeiras gravações de gentilmente por empresários do setor de com aplausos dos devotos. no Centro Espírita Caminheiros da série de sambas sobre as tradições Verdade. espíritos caboclos. rádio desde o seu surgimento. os sem religião. ao Quartel de Campinho. cedido pelo quem faz as honras da casa. Em Segredos guardados. Acervo Centro Cultural Cartola a procissão motorizada em honra ao Dali a carreata segue até Ramos. do feitiço.

1985) Nos erês dos orixás A referência aos santos e às (Mãe Menininha do Gantois. Oxóssi. o combustível da Vem nos dar axé ilusão. típico das festas religiosas Com a força de Iemanjá do Rio de Janeiro colonial. samba-enredo Já coloquei na pedreira (Lendas do Abaeté. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 94 partido-alto. Mangueira. que se manifesta. Império Serrano. Ô Zaziá afro-brasileira como vimos. Grande Rio. agoiá Oxalufã olhou pra trás processional de deslocamento das Samba curima Sentiu a fé. no Oke-oke Natal Salgueiro é Maiongolê. é nosso rei Mas é inegável que na origem das Ô Zaziê. bebericou Filha de Oxum pra nos ajudar Império da Tijuca. pois a igreja É lindo ver a tua imagem Saravá os deuses da Bahia sempre foi mais resistente a essa Encantando a multidão Nesse quilombo tem magia aproximação que a umbanda. . 1993) Xangô é nosso pai. Ô Zaziá escolas de samba encontra-se não Oke-oke Oxóssi O Zaziê. Marangolá apenas a marca da religiosidade Faz nossa gente sambar Ô Zaziê. Marangolá toque dos surdos/tambores. suor e cerveja. 1997) (Samba. meu pai Ogum na sua fé É o verde esperança coloquei na mata Saravá Nanã e Oxumaré Com o branco que é a paz A noite inteira seu Ogum Xangô. no próprio caráter Janaína agô. (No mundo da lua. mas Portela é canto no ar (Templo negro em tempo de consciência também a forte influência da (Contos de areia. no amor a criação escolas. 1984) negra. entre outros Janaína agô. Oxalá e Iemanjá (A coroa do perdão na terra de Oyó. Maiongolé. Portela. agoiá E de regresso a Ifã indícios. Salgueiro 1989) religião do colonizador português. Mocidade tradições da Igreja Católica nos Salve Ogum D’Ylê 1976) enredos das escolas. muitas vezes Na imaginação de um guardião gerou polêmica. 1973) E no palácio houve a festa do pilão Cerveja preta para o Rei Xangô Epeu ê babá salve os Orixás Cerveja branca também Oh. samba de terreiro.

se identificavam a simples ação biológica de nutrir com comilança e fartura. Martha Abreu (1999). não individuais e coletivas. festivas. Vicentina Não há reunião de sambistas sem o Só quem é da Portela prazer do preparo e da degustação É que sabe que a coisa é divina de iguarias feitas pelas tias baianas. O A comida nas festas de samba do trabalho sobre religiosidade popular próprio samba registra essa ligação Rio de Janeiro reproduz e atualiza no Rio de Janeiro do século XIX. no criadas em torno dessas reuniões Pagode do Vavá retrata uma cena samba. A pode faltar: a comida. preservar. almoços e jantares. nesta cena. Transcendendo cidade. bem como muitas típica do samba e destaca um comunicar e reforçar memórias associações são regadas a petiscos. cervejas. samba de terreiro. constitui-se numa significados litúrgicos das festas do Pra casa do Chocolate que hoje maneira de renovar a energia de Divino Espírito Santo e da origem vai ter macarrão . elemento que. ao resgatar Quitandeiro leva cheiro e tomate o corpo. As escolas de samba foram Paulinho da Viola em seu toda a comunidade. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 95 partido-alto. Comer. Tinha gente de todo lugar representando possibilidade de No pagode do Vavá renovação. já então. samba-enredo Feijoada. como o Quitandeiro. fim das enfermidades e distribuição de dons e graças a todos. Domingo lá na casa do Vavá Desde os tempos de Tia Ciata. íntima. equivale a viver. Acervo Centro Cultural Cartola A comida africana dos escravos e libertos. de a dinâmica do comer/beber da situa como as festas populares na Monarco e Paulo da Portela: tradição africana. em seu comida engendra a criação. sabor e saber musical se misturaram nas Provei do famoso feijão da comunidades do samba carioca. Teve um tremendo pagode em cujo quintal muito se criou e Que você não pode imaginar consumiu comida e arte.

samba de terreiro. sendo seu preparo de alimentos são tratados de forma senhoras da tradição. a feijoada é dedicada a nagô da Nigéria. o azeite e o fogo. usando os Bahia como no Rio de Janeiro. • Rua Dutra e Melo – quintal preparar as carnes dos animais. comunidade de sambistas para Que a boia está enfezada e o sua manutenção e a renovação outra. ele fica nas mãos Ogum e a Omolu. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 96 partido-alto. de manutenção Portela. em Santo Angola/Congo. perpetua o encontro dos sambistas parte das festas. caboclo e ainda se relacionam com a tradição verdadeira cartografia culinária. as frutas. umbanda ajudassem a determinar afro-brasileira. os Pode-se observar a diferença e do Manacéa. Por isso. reunião da Velha cereais. palmas. revelará também uma terreiros de candomblé. em samba floresceu. como na tradição se aproxima do homem pela também come. da saúde da comunidade e de seu livro A velha guarda da Portela (2001). sentido. Nesse natural que os rigores e as delícias temperos. a água. a variedade de pratos produzidos Guarda nos anos 1970. que revela como a cozinha pontua e preparo dos alimentos que fazem representam a energia da vida. a cozinha é um Ao falar das ruas onde nasceu a a identidade dos espaços onde o espaço de criação. João Baptista Vargens. era morte em vida. samba têm a responsabilidade de toques e samba. servida para toda considerado um ato sagrado. Pela ligação de pais e o lugar onde as “tias” transformam a união do trabalho e da fé. as a comunidade. representando ritualística. os legumes. tanto na mães de santo com o samba. A cozinha é alto significado ritual. regada O espaço da cozinha é de alto de uma escola para outra. Noites inteiras são destinadas ao celebração de seus orixás. sendo que pessoas O preparo dos pratos pode ser do bairro de Oswaldo Cruz: especiais em cada comunidade de acompanhado de cantigas. apesar de a feijoada ser o pagode fica bom do axé — elemento vitalizador prato mais tradicional hoje nas das propriedades e domínios da grandes reuniões de samba. quando o sagrado Segundo Lody (1998). de uma a muito miudinho e muita . um mapa do samba no Rio gastronômicas da vasta culinária dos Para as baianas quituteiras que de Janeiro. e os das conhecidas “tias baianas”. Seja na tradição banto de natureza —. cozinhar é boca. samba-enredo Prepara a barriga macacada significado para a vida dos deuses.

Tinha também a Alzira Moleque. um símbolo desse modo de ser que registrado por Leon Hirzsman As grandes especialidades do é o samba carioca. de ervilhas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 97 partido-alto. Ponto de encontro na eventos como o Opinião e o Rosa Ah. qualquer lugar onde poderosos dotes culinários. Guarda passou a se reunir na Nelson Sargento. quintais. ela desfilou anos da feira das quartas. a Tia Vicentina. onde no samba de 1972. e patrono da Portela. A casa inspirou padaria. década de 1980 para beber e de Ouro. espaço são macarrão com galinha José do Nascimento. Vicentina do apelido era Moleque porque onde (sic) ela . A sua famosa feijoada durou • Quintal do Argemiro – numa parcerias e abrindo o apetite até o início dos anos 80. receber. Tinha a Vicentina. em tributo aos baluartes da segunda metade dos anos 70. na Rua da Carioca 53. Elton Medeiros. Irmã de Natalino em seu documentário Partido-alto. o Natal. macarronada às • Rua Júlio Fragoso – local do Eternizada por Paulinho da Viola vezes. alimentando escola. bicheiro • Rua Adelaide Badajós – local e feijoada. espaços do samba no Rio. o moraram a pastora Doca e seu Cartola. virou Dona Neném. samba-enredo galinha com quiabo feitos por atualmente a Velha Guarda Show Nascimento. em 1970. Elas faziam feijoada. O ZiCartola. mocotó. preparar e servir: a canja. tudo devidamente se encontra em eventos especiais. Nelson Cavaquinho. o bobó de camarão. perto do boteco e da musical da cidade. do histórico disco Portela passado de glória. vila. O famoso Cafofo da Surica. o • Rua Antônio Badajós – onde célebre casa de Dona Zica e mulato-velho. regadas a um pagode de diferentes gerações — como e participou como pastora da gravação de primeira e onde a Velha Zé Kéti. faziam arroz à minhota. Paulinho da Viola —. comida e bebida. Local que se tornou no Centro do Rio. no barracão da agremiação. famoso pelas sopas de legumes e entre 1963 e 1965. que funcionou especialmente o feijão da Vicentina. samba de terreiro. marcos na ampliação dos tinha a dona Iara. reuniu sambistas Mas também era famosa por sua voz. o macarrão com galinha e Altair. tinha aquelas tias. Dona de Velha Guarda para a compra do clubes. saborear corvina ensopada. Vicentina peixe e para a famosa cervejinha sambistas se reúnam tem de ter exerceu em sua plenitude a arte de e o tira-gosto. ponto de na ala das baianas e sempre ajudou encontro da “confraria” da Biroscas. botequins.

naquela tarde. PÁGINA Ao lado à direita reco-reco. notava-se já Beija-Flor. tomava umas cervejas e que guia essas reuniões: Feijoada samba-enredo. o feijão e as carnes. esses tentou imprimir uma marca própria em pouco tempo já reunia mais encontros reabriram nas quadras a seu encontro e o aspecto comercial de seis mil pessoas. Na Portela. Mas comia muita feijoada [. perdido espaço e voz na engrenagem cariocas. Quem ia lá e. que essa roda de samba no primeiro sábado os convidados especiais. que tem à frente a das coirmãs que visitam a anfitriã e o destaque dado aos sambas de Velha Guarda de Oswaldo Cruz. PÁGINA Ao lado ao centro caixa. o terreiro. escolas como o Império Serrano. samba de terreiro. Acervo Centro Cultural Cartola. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 98 partido-alto. chegava alegria. terreiro nas feijoadas variam de Sucesso instantâneo. Os nomes nas primeiras edições da Feijoada Eu e Nei Lopes sempre falamos em escolhidos indicam o espírito que o prato principal não era o comida. guardanapos de e sambistas tradicionais que tinham especial no calendário dos sambistas papel. Feijão. atenções e trazendo consigo sambas escolas ocupam atualmente um lugar conchas. que Mais do que se deliciar com os escola para escola. garfos. O que se viu e (Wilson Moreira) lombo. principalmente. carne-seca. bambas postura de retomada da quadra de cada mês. quase totalmente batidas. Iniciativas um espaço para a celebração do evidentemente não está ausente.. cozido também. comercial que domina as escolas. “samba tradicional” — o samba de (Monarco) a Mangueira. farofa. sambistas com a prata da casa e observar. couve. a Estácio de Sá.. a roda de o desfile de Carnaval. panelas de barro. pois cada uma começou com 300 participantes. chegava infernizava tudo. no entanto. arroz. quem cantava. linguiça. Acervo Centro Cultural Cartola. . pratos fartos e fumegantes. Acervo Centro Cultural Cartola. Ao fundo. ausente da roda. costela. Nunca fumei. ouviu foi a Velha Guarda reocupar rabo. orelha. Foi em 2003 que a cerveja.. voltando ao centro das As feijoadas nas quadras das fatias de laranja. Tinha Família Mangueirense. a feijoada.] Não Imperial. Onde (sic) ela semelhantes se espalharam por que chamam “samba de raiz” ou chegava. a terreiro. samba-enredo PÁGINA Ao lado à esquerda Timbau. queria outra iguaria. Caldeirão de Raiz.. temperos. caipirinha e refrigerantes. o Salgueiro. É preciso Feijoada da Família Portelense. Portela decidiu reviver as feijoadas Mesinhas espalhadas por toda preferencialmente voltadas para da Vicentina e trouxe de volta a a quadra. pé de porco. existe samba de terreiro sem feijoada.

] Sambista é aquele cara que pois o que advém é a alegria transbordante da (1981). Brasil). assim. como um instrumento O samba já vem. biológico. se não do sambista reaparece aqui. Arthur L. do jongo ao samba-enredo do sambista [. eu defino o À complexa simplicidade É na palma das mãos e na sambista assim. do samba. desde cedo se apropriaram não a defesa de um determinismo subirão ondas de alegria intensa. nesse esquema. Isso é o espírito o tempo. mas uma noção bem. Dos pés. houver um pandeiro. familiar e comunitária dos saberes considerado um dos maiores do samba. em toda “É de família”: são frases comuns voz-guia. de Oliveira Silva.. Essa foto vem adoutrinado dentro da pessoa. através desse tempos). do movimento induzido. (Rody) rítmica das palmas das mãos e do sola dos pés. todo ritmo a que ele musical precioso. Silas de Oliveira. registra o momento instrumento musical do sambista (sonoras). o mesa de bar no subúrbio. de Marília Barboza da Silva e só vive batucando. Aí. laje de favela ou em torno de uma ou caixa de fósforo — a cozinha O corpo do sambista é. primeiro instrumento de percussão. onde não há lugar para a angústia. que machucam o parte (no Rio de Janeiro e pelo na cena do samba e exprimem chão como um surdo de marcação. de objetos do cotidiano. Afirma Muniz Sodré.. samba-enredo Os instrumentos de bar. seja em uma seguir um solo de prato-e-faca qualquer variante do gênero começa. E essa transmissão se Como todo ritmo já é uma síntese (de compositores de samba-enredo da dá desde muito cedo.. agora cedendo seus utensílios “Já nasce sambando” ou “Já as mãos é que vão marcar o ritmo para a execução da música. Todo som caixinha de fósforo. samba de terreiro. o samba já condição de ser singular.. já vem. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 99 partido-alto. batucando em mesa atividade. Quem é adere leva-o a reviver um saber coletivo sobre emblemática ilustra a capa do livro sambista já traz no sangue. “Está no sangue”. que o samba ou Formada uma roda.. em um bater firme bater e arrastar dos pés pode se e cadenciado. É. dando sustentação à comunidades do samba. Em outra . cervejinha do lado. humano na temporalidade mítica. erguida à altura que o indivíduo humano emite reafirma a sua do peito. o ritmo negro é uma síntese de sínteses história do Rio. Uma das mais conhecidas -assentada do poder da transmissão o dono do corpo (1998): fotografias de Silas de Oliveira. As nasce sabendo”. em Samba. que atesta a integração do elemento de prazer em que ele batuca numa que é o seu próprio corpo.. um tamborim.

do seu patrimônio. pandeiro. ao final das é parte do exercício criativo dos 1920. Acervo Centro Cultural Cartola. tradição africana — saídos dos patrocínio de mínimos conjuntos e demonstrando. dezembro de 2005. No encerramento Mas foi a grande herança de do gueto das favelas ou das vilas delas. servia-se comida instrumentos de percussão da operárias. culto da umbanda. qualquer instrumento musical. cavaquinho. para sua recreação. nos primórdios do samba sessões religiosas que avançavam sambistas. flauta — para animar diferenças das batidas das baterias Em entrevista concedida em seus encontros musicais. na década de Isso se dava. para relaxar. em busca de novas sonoridades samba. samba-enredo acima Cuíca. A dança do ou do jongo. E. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 100 partido-alto. abaixo à direita repique. os moradores pela madrugada. abaixo à esquerda agogô. é Cartola — o mestre da Estação Primeira de Mangueira — quem tira música de tão simples instrumento. fotografia. Acervo Centro Cultural Cartola. lançavam das escolas do Rio de Janeiro. sem o auxílio de terreiros de práticas religiosas — que regionais — violão. em geral. explicou que. incorporado desde então à prática musical da cidade e do país. o jornalista mão de instrumental próprio ao A invenção e reinvenção de e pesquisador José Carlos Rego. instrumento-síntese do novo samba gerado nas ruas do Estácio nas primeiras décadas do século passado. igualmente simbólica. Acervo Centro Cultural Cartola. batucando no tampo de uma mesa de madeira. samba de terreiro. como já informado. as construiu a cena musical do samba. “O surdo é o trilho do samba”. diz mestre Odilon. foi de um latão de manteiga que surgiu o surdo. sem recursos para o e sobrevinha a cantoria e o batuque . no Rio de Janeiro. do candomblé instrumentos de origens diversas autor de um clássico.

Nesses terreiros o culto aos acabou resultando. ou Elói guias (colares) e saudações de cada Dessa forma é que diferenciações Antero Dias. síncopas. ou mesmo a uma roda com poucos sambistas ou impregnando as baterias do samba ausência parcial de um deles. Primeira de Mangueira. — daí ter sido tão comum a presença angola ou keto. um ensaio de ritmistas na quadra da sua habitual frequência. Acervo Centro Cultural Cartola. na matriarcal Estácio identidade de cada bateria está as famílias de ritmo das diversas de Sá. na Estação de invocação. estilos de dança. de uma escola. da mesma forma. aos terreiros de santo. com afinação de tarol. . de acordo com os na existência de fundamentos de pais de santo na liderança dos orixás que neles baixavam. Dessa forma surgiram Assim. imagens) primeiros grupamentos de samba. sambas de terreiro Oxalá. Isso igualmente se confirma de diferenciação vai para o tarol. alimentos. as características de suas casas conforme detalhou o pesquisador. a de santo. guias. Acervo Centro Cultural Cartola. carnavalescos. cantos religiosos implantados ou exibidos como Zé Espinguela. há toques de Oxum. etc. na estabeleceu diferenciados toques cada bateria bate para determinado Acadêmicos do Salgueiro a tônica de atabaques. comunidades de sambistas e de sons produzidos pela caixa de portanto. suas escolas de samba. votivos às nações jeje. tambores. denominados toques. as vestes. E. também. orixá. De acordo com Rego. de Ogum. no Não muito distante e quase símbolos da “africanidade” pensamento dominante de que tão antiga quanto a Estácio. samba-enredo à esquerda Pandeiro. à direita atabaque. retidas na memória rodas e festas que saíram têm sua propriedade individual. os ogãs — desenhos harmônicos ou o dos instrumentos que serão usados responsáveis pelo setor de ritmo privilégio deste ou daquele naipe varia de acordo com a situação: nos terreiros de santo — foram de instrumentos. A escolha Por extensão. na Prazer da Serrinha/ orixá têm identidades próprias. o perfil da bateria está nos relacionada à sua origem e. com começaram a estabelecer os estilos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 101 partido-alto. em cada terreiro de samba. samba de terreiro. coletiva dos grupos responsáveis instrumentos que alegrariam Isto é. pedras. suas batidas de bateria das escolas ou blocos Foi dessas primeiras batucadas. Como (essências. A partir daí é que partidos-altos.28 a repetição de certos e desfiles das escolas. o que guerra. de pelo ritmo. se sabe. ancestrais permaneceram na Império Serrano.

Os instrumentos José Carlos Rego as descrições dos de floreios. afora variadas dos metais e peças miúdas. em couro e/ou náilon. frigideira. Esses batem retos. como o prato e a coroando a levada de seu ritmo. a maior parte. de efeitos destaca-se. vai dos mais agudos à frente. a firmeza das médios se entrelaçando ao centro. por certo. Surdo – estabelece o compasso Império Serrano. e sudaneses. Essa diferença tonal é realizam solos e variações que que permite o perfeito equilíbrio entoam melodia. surdo de terceira marcação. pandeiros. acordados. samba de terreiro. Já no da madeira e o tinir de metais. E nesse canal paradinhas: a síncopa. Todos ritmo à execução de melodia e letra se exige mais do que doze tipos de os existentes batem a um só tempo. samba-enredo Surdos. oferecer escala de andamento e Para compor uma bateria não não há surdo de resposta. Aliás. com a potencialidade de informou. O vazio na resposta do surdo de A organização de tais naipes exclusivamente de percussão. instrumentos de percussão. criador do A base matricial tem origem nos binário — se mais rápido ou lento — . da mesma forma. da composição do samba. os que nela o único sopro é o apito de Na Portela. comando. Na Mocidade entre eles nas execuções. Segundo José Carlos Rego a cuíca. funcionam através da percussão instrumentos. são elementos de brilho que alcança o apogeu no risco das ao núcleo de ritmo. são os naipes de transitar dos sons mais agudos aos instrumentos que. apresentadas a seguir. seus agogôs. irão mais graves. destaca-se a grande quantidade agogôs. improvisações. para o conjunto da bateria. São do pesquisador de cuícas e tamborins despidos na parte de trás. Independente de Padre Miguel xequerés. cabaças. Na Estação Primeira de Mangueira. chocalhos. Acervo Centro Cultural Cartola. atabaques angolanos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 102 partido-alto. utilizado pelos mestres marcações tem contrapontos até o posicionamento dos graves de bateria. já segunda é coberto pelo tarol. a fricção sem desenhos floreados. Os ganzás.

samba-enredo à esquerda Xequerê. ele chama e dá De fácil execução. 40. atravessada por cordas de miolo do ritmo. surdo-mor ou maracanã (aqueles utilizados na Mangueira). chamado de surdão. Sua afinação é do couro mais tenso. comprido e de largura. abaixo tamborins. à direita chocalho. É uma caixa redonda. já nos anos ligação entre os marcadores. nos grupamentos militares. • Surdo de segunda: é um pouco menor e de afinação com o couro um tanto mais frouxo. Foi o último a ganhar imprimindo agilidade e brilho à era rufar e acompanhar a marcha funcionalidade. já que sua função inicial segunda. samba de terreiro. Também é chamado de surdo de resposta. Responsável metal ou náilon. que estabelece a marcação inicial. pelo alerta ou arranque duas baquetas ao mesmo tempo. Sua largura é . cadência. sendo o menor dos três percussivos graves. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 103 partido-alto. e fixa o andamento da bateria. Acervo Centro Cultural Cartola. produzindo o chamado É de porte médio. Acervo Centro Cultural Cartola. de cerca de vinte centímetros de marcações. Os surdos de base são de três tipos: • Surdo de primeira: o maior deles. bem assimilado pelo de duas baquetas. • Surdo de terceira: é igualmente afinação mais tensa. o som que Repinique – também chamado samba. Acervo Centro Cultural Cartola. percute preenche o vazio entre as de repique ou surdo repicador. Sua batida se dá no contratempo sinalizador. exige perícia na entre os de primeira e de partida aos demais instrumentos. percutida por designado por surdo de corte. Tarol – instrumento de origem Caixa de guerra – numa batida europeia.

Nas grandes baterias. página ao lado à esquerda Surdos. interligadas. Acervo Centro Cultural Cartola. Acervo Centro Cultural Cartola. É formado por harmônicas do ritmo. sua importância cresce. Como o tarol. foi assimilado pelo samba nos som é médio. baqueta rígida ou três flexíveis. percutidas por varetas agudos. Daí. dois ou mais recipientes batidos chapados funcionam redondas e furadas. Construídas na sacudidos no ritmo. Formado por Carnaval. emitem vazios entre as peças pesadas. o impacto visual é enorme. É das raras peças em que se pode som agudo com variantes médios. Nos pequenos conjuntos uma.29 que era percutido com pontiagudos. de metal ou de madeira de lei. Percutido por uma todo universo de variações. De Pode ser retangular. Das peças leves é a que em madeira. agudo e mais claro. oitavado ou redondo. quase duas vezes maior que o tarol. Quando Pratinelas – placas de metal. formado por um aro metálicos. Acervo Centro Cultural Cartola. num do batuque. em sua leveza. onde se colocam grãos. sons agudos e. Pandeiro – originário do Oriente produzem agradáveis sons Daí produzir um som menos Médio. agradável contraponto. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 104 partido-alto. os agogôs última forma a mais aceita nos samba. samba-enredo Chocalhos. vão ocupar a palma da mão e encorpava o som vertical ou horizontal. Quando tamburão. página ao lado à direita tarol. um. sendo esta reproduzir o ritmo integral do No conjunto da bateria. ser manipulado para o mais exige virtuosismo. duas ou mais campânulas Tamborim – da família dos sons de ritmo. para a bateria como o ancestral por arame ou madeira esferas ou pedregulhos. de pequena dimensão. Não dispõe de redondo no qual se estica o couro corda sobre o couro e exige maior ou plástico. o de metal incrustadas em fendas). podendo conter guizos Agogôs – instrumento do domínio do executante para não ou pratinelas (pequenas rodelas panteão dos deuses iorubanos. . todos os instrumentos. diminui. por malabaristas. samba de terreiro. Seu brilho. O pandeiro é um dos símbolos do primórdios. quadrado. interligadas ocos. fugir à cadência. quando sacudidas. sendo tamborim sinaliza mais alto que muito utilizado pelos passistas Chocalho – de origem marajoara. desde as marcações a aparecem como elemento de últimos anos. tempero. compõe o grupo das peças brilho dos desenhos e sinalizações leves e agudas. metal. ou africana.

originado na África. eram à bateria das escolas. o do país. que tem um na Portela e Manuel Quirino. quando as agremiações desfilam terreiro. o do arame sob tensão fortaleceram soa agudo. é necessário econômico: pandeiro e violão ou As variedades de modelos que um arranjo. atabaque. que faz o solos com o instrumento. bambu ou madeira deram aos Percutido com as mãos. e cordas — grupos de choro. no Império Serrano. no candomblé) sete cordas. Toca-se friccionando com um Pratos. a voz é surgiram ao longo dos anos são das célebre apresentação do enredo o principal instrumento. em geral Em uma roda de samba de muito apreciados. como se deu na cavaquinho apoiam o canto.. que. comprimento ou largura. ao Mocidade Independente de Padre um tipo de tambor de mina do qual está ligada uma vareta fina. pandeiro. orquestras sinfônicas. usado em desfile. de grande todos em tons médios e agudos. Gallo. os pratos em ocasiões especiais se incorpora de louça. Em pequenos conjuntos. com enredos sobre personagens sendo formada por instrumentos Reco-reco – o que os ganzás em ou tradições afro-brasileiras. de tão grande. . Quando ferido com a cavaquinho. etc. samba-enredo Pratos – não é estranha ao grupo mais férteis e inventivas. os reco-recos é abafado. foram responsáveis pelos exige que o tocador monte nele pano úmido a vareta. de pratos metálicos. só e roncador. instrumento com múltiplas formas também de madeira). seu som reco-reco. O e use um cordão a título de freio couro vibrar. a cena é mais simples. na — vão do diminuto caxambu a dos lados coberto por couro. é chamado puíta ao conjunto são de grande beleza. considerados os Reis dos Maranhão. função nas bandas marciais ou nas Cuíca – é um tambor de fricção. Calixto dos Atabaques – embora seja um feito de um cilindro de metal (mas Anjos. Em algumas regiões brilho e o tempero acrescentados no pescoço para se equilibrar —. Acadêmicos do Salgueiro. pela de metais das baterias a presença tamanho. Miguel. raspados pela faca. de percussão — surdo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 105 partido-alto. No partido-alto. Para o atabaque ser acompanhamento é ainda mais de brilho o ritmo das baterias. violões de seis ou serrilhados em ferro ou resultantes baqueta (aquidavi. samba de terreiro. tanto em “Quilombo dos Palmares”.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 106 partido-alto. samba-enredo . samba de terreiro.

um dos concepção e pela capacidade do verde e o rosa vieram do rancho bambas da primeira hora do samba grupo de protegê-la e apresentá. A escola vermelho e branco da bandeira Tendo marcado presença nas havia alterado o ritmo do samba. o Heitor dos Prazeres. Acervo Centro Cultural Cartola. segundo relata Ivette Deixa Falar para as agremiações branco da bandeira da Portela dos Prazeres. A bandeira. introdução do surdo de marcação. ser avaliado pela qualidade de sua Oswaldo Cruz. o estandarte. Arrepiados. se relacionam às do orixá Xangô. No Império samba e deu vida ao bailado do Prazeres foi reconhecido como o Serrano. que aconteceu carnavalescas que frequentava. samba de terreiro. samba carioca como elemento de estandarte uma maior liberdade e No Salgueiro. sambista que “trouxe a primeira as cores. Heitor. mostrou como a forma da de identidade das comunidades de no imaginário e na cena do bandeira possibilitava à porta. o verde e o branco. mestre-sala e da porta-bandeira. Foi na escola de samba de bandeira”. utilizando o aspecto funcional. passou às escolas de para os sambistas. da indumentária de baiana que no tecido são um forte elemento A bandeira é tão poderosa vestia. Na Mangueira. sambistas no Rio. as cores identidade de grupo que inspira . na tornando-o mais rápido. Estação Primeira brilha um surdo pano da costa. O azul e Ismael Silva. Acervo Centro Cultural Cartola. simbolicamente um instrumento que favoreceu a instrumentos musicais do samba substituto dos ancestrais e signo conjugação canto/dança/evolução como tambor. da escola. e a águia pela bandeira. em seu emblema. A inovação foi bandeira era também um quesito a é o símbolo maior da escola de introduzida pelo pai de Ivette. baqueta. o símbolo é a coroa. ruas do Rio com os ranchos. Heitor dos chocalho. já que levava a da da esperança e da paz. Naquela la. pandeiro. mapa da posição dos instrumentos na bateria de escola de samba. A bandeira agilidade nas evoluções. com a senhor da pedreira e protetor virada do século XIX para o XX. samba-enredo Cumprimento à bandeira de escola de samba. Mas o seu significado e Cartola. vivida em Laranjeiras. a Senhora da Conceição. página ao lado à direita tarol. da infância de no Largo do Estácio. parte tradicional suas cores e os símbolos bordados de marcação. caixa. “as baianas” eram homens importância foram além desse centro do pavilhão da fantasiados. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 107 partido-alto. foi inspirado no manto de Nossa a substituição do estandarte No início dos desfiles. no época. de comando.

e que desse branco azul do céu Porque são as cores que identificam a escola e fazem questão de vestir sempre suas E o Zé Ferreira vem saudando hoje nós a representamos. cores tradicionais pelas escolas nos A majestade do samba Quando ela começa a rodar arrepia! desfiles — sob o argumento de que Da velha guarda formosa e faceira (Dauro do Salgueiro) o espetáculo ganha quanto mais (Tributo à vaidade. brincos. recém. ou melhor. cantado de aniversários. samba de terreiro. nenhuma outra. como as velhas guardas. samba-enredo a escolha das cores de roupas do (Jorginho do Império. do glacê que cobre bolos em festas o meu coração. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 108 partido-alto. pulseiras. como mostram era nas cores da escola. Tudo em sambas. e a sua de praia. mas na nossa primeira não se repetiu no cotidiano das reunião de diretoria do Império. propus a meus companheiros de chapa menos entre os que defendem as Acorda Noel! que durante os três anos de nosso mandato a matrizes tradicionais do samba. cueca. A minha Velha Guarda Salve Oswaldo Cruz e Madureira não vai para lugar nenhum sem a bandeira. [. O abandono progressivo das Me chamam celeiro de bamba que para mim é o maior símbolo da escola. isto é.. E até roupa vermelha e branca. Sempre me alegrou muito ouvir bandeira para mim é sagrada. orgulho. bolsas —. bonito! Até sapato. lenços. me fazem Isso é dito. levam as cores de sua escola. lenço. da pintura de Eu só tinha. aquelas que a multidão .. existe sem as bandeiras e sem o gravatas. comunidades de sambistas. melhores roupas. Pra ver a nossa escola gente só vestisse essas cores. Carlinhos colorido for. expresso de diversas muros e paredes de casas. Vale (Dauro do Salgueiro) O meu canto é mais bonito muito para mim. durante muitos anos. até minha sunga esses exemplos: Salgueiro é minha escola. 1991) verde e branco. me fazem bem. Pelo Desperta Seu China! eleita.] Onde eu “Olha o Salgueiro aí passando!” O meu azul veio lá do infinito vou me arrepio ao beijar a bandeira. As cores alegram formas — pelas suas cores. dia a dia. prevalecendo o visual Madureira. de objetos pessoais — Império Serrano) A cena do samba no Rio não colares. Café da Portela e Iran Não é que eu goste especialmente de sobre a identidade e a história — Silva – Portela.

oh folia Quero ser a pioneira Que o poeta vai acordar Venho dar vazão à minha euforia A erguer minha bandeira A musa se vestiu de verde e branco E plantar minha raiz Desperta Cartola E o pranto se fez canto Desse mundo louco Vem pra avenida Na razão do dia a dia De tudo um pouco Se a Mangueira é uma porta aberta (Mãe baiana mãe. Semente viva identidade”. Serginho 20. viu germinar Serrano. Vilani Silva. Sidney do povo. príncipe Isabel. 1994) Professor. 1983) Arsênio – Mocidade Independente E a semente cresceu formosa de Padre Miguel. mas pode me chamar Apenas uma escola diferente Sambar de porta-bandeira de Vila. 1985) Deu Mangueira verde de A bandeira assume mesmo manga-rosa uma função de “documento de A bandeira é um elemento (Verde que te quero rosa. pra 2001 Você é a razão da sua vida e Beto sem Braço – Império (Ziriguidum 2001. escolas fazem umas às outras — das Neves e Flavinho Machado – como notamos nesses dois verdadeiras “embaixadas”. minha raiz. dialogando com fundamental nas visitas que as do samba. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 109 partido-alto. samba-enredo Pode me chamar de Vila Salgueiro. Sã. Geraldo o passado e o futuro do grupo. Heraldo Farias. Aluísio Machado Eu vou levar. A Princesa Isabel e André Diniz – Unidos de Vila 50 anos de glória. Tiãozinho e Você plantou. é de bambas um celeiro Vi no Morro da Mangueira Drumond Rosa da Silva. Marcelo D´Aguiã.. Bizuca. samba de terreiro. sinais de Mangueira.. 2005) Mangueira. Evandro Bocão (Salgueiro. Gibi. Claudinho e Quinho – Gilson Vermini e Valter Veneno – Amor vem agora Salgueiro. Leonel. vermelho Sonho ou realidade que orgulho é o meu Brazão! Balança o coração da gente Uma dádiva do céu (Muito prazer! Isabel de Bragança e Guerreiro. minha paixão. Luizinho (Dom Obá II – Rei dos esfarrapados. 2000) Ver o esplendor do luar A noite é linda senhora Abre as portas. 1983) outros exemplos: amizade e aliança — e ao se receber .

a partir de relato do que eu me sentia. Começa espetacular. ser recebido e portando sua bandeira. Um silvo agudo e sincopado varou -bandeira tem que estar presente para e passistas. quadra.. seguidos de baianas planície. nas quadras. situa alguns dos ela está carregando o pavilhão da sua escola. boa porta-bandeira tinha uma elegância casais que se apresentam. são eles que carregam o Atualmente.. então samba. que se alonga até de bailarinos. como para despertar Nunca deixar seu pavilhão com qualquer harmonia abrem espaço no sem susto o ímpeto adormecido das vozes pessoa. o baliza e a porta-estandarte. em sua dissertação de só vivia sorrindo. Cerimônia realizada até os -bandeira”. tinha um sorriso. no jornal Quilombo: O casal de mestre-sala e porta-bandeira é o primeiro guardião. Brasílio Itiberê. os diretores de a bater de mansinho. possam apresentar a noite turva. a escola abre um Ao chegar em outra agremiação estar sempre à bateria e ao palanque dos semicírculo e se destaca do grupo um casal de cabeça erguida. grande roda bem em frente A um último silvo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 110 partido-alto. um porte. samba-enredo convidados de fora do mundo do dança do mestre-sala e da porta. para o puxador e mestrado “Uma semiologia da que estar com aquela alegria porque ela é a para o presidente e convidados. formada em círculo à beira da Ao chegarem visitas ilustres na sua permitir que mestre-sala e porta- ponte. a porta-bandeira o primeiro casal. como se pode bandeira. para Mangueira. publicado em maio (Vilma Nascimento) de 1949. o casal de mestre-sala e porta. ensaios nas quadras. E as percussões começaram recebê-los com seu pavilhão. Procurar um guardião que poderá ser o meio da multidão. criando uma ancestrais. a bandeira. Era o tradição antiga.] quando eu comecei era assim: uma esquerda.. samba de terreiro. apresentando a bandeira (2003). durante os A Escola de samba do Morro da pavilhão da agremiação. postura elegante. a porta-bandeira tinha para a bateria. é uma deveres do casal em relação à então ela tem que se sentir uma rainha. eu sou uma rainha. aguardava os hóspedes ilustres da escola. bandeira. que baila na Eliane Santos de Souza rodava pros dois lados. Eu botava o pé na Avenida observar no relato do folclorista mestre-sala Carlinhos Brilhante: e digo: agora é comigo. [. [. dias de hoje.] próprio mestre-sala ou um diretor de harmonia. as extremidades à direita e à figuras centrais das escolas de samba. rainha dentro da sua escola de samba. Normalmente são dois E começa então a escalada do morro. aguardando puxadores.. .

] a minha escola de samba é a União As baianas simbolizam os mitos. Janeiro. samba de terreiro. no samba do Rio de em outras escolas [. Em seguida.. Eu agora estou fazendo trabalhos Praça Onze e do Estácio. A visão no Flamengo.. inicialmente. apresenta-se o segundo casal. aqui dentro. porque eu tenho cabelos brancos e representam espaços para os iorubás. E eu De acordo com a tradição papel atual. as baianas Lara do Império Serrano ou Tia (Mestre Odilon) rodavam.. um ritual de celebração da identidade dos sambistas. onde Tia Ciata.. é que o . samba-enredo Baiana em desfile carnavalesco. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 111 partido-alto. já que. mas ele é flamenguista.] Eu sou União da Ilha. representando o orgulho do grupo pela instituição que representam. volta ao centro para dançar com o primeiro casal. que algumas expressam do seu trabalho dele. azul. segundo [.. O mestre-sala desenvolve harmonicamente passos que simulam um cortejar e proteger a dama e a bandeira. como Dona Ivone sou União da Ilha. depois de percorrer toda a quadra. vermelha a sabedoria das tias da antiga Com a modificação do espaço e branca. Acervo Centro Cultural Cartola. para o Jurema do Salgueiro. é o encontro das bandeiras. berço e do papel. igual ao Zico Tia Bebiana e muitas outras direita e para a esquerda. as baianas rodam para a mas na Grande Rio eu ‘tô lá. a verdade é essa. é a minha escola. a gente não pode as cabeças coroadas pelos Olorum — senhor de todos os negar isso para ninguém. que.. Ele foi pro Japão mostrar o dançavam e louvavam os orixás. do samba. estão à esquerda de da Ilha. africana dos terreiros. As baianas lado esquerdo. mas eu ‘tô na Grande Rio.

as tias fundamentais na transmissão do tradicionais: turbantes. ojás. página ao lado à esquerda Velha Guarda da Mangueira. apaziguam e em que as escolas e carnavalescos as celebrações. Organizam a limpeza. está se perdendo. Formam o organizam o cotidiano das optam por criar para as alas coral feminino. As baianas do samba carioca elementos que as caracterizam. portanto. na medida fazem as comidas e preparam elas aglutinam. de geração para panos da costa. saias rodadas cuidar da roda. acervo centro cultural cartola. baianas da atualidade ajudam a saber do samba. bordadeiras. acervo centro cultural cartola. educadoras. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 112 partido-alto. São mães e avós dos usam. líderes comunitárias. Parteiras. da geração. acervo centro cultural cartola. da quadra. samba de terreiro. e tabuleiros. sendo para os comunidades do samba carioca. personagens inspiradas nas das baianas No cotidiano. das baianas fantasias que se compositores um termômetro . Parte dessa tradição escola. página ao lado à direita Velha Guarda da Portela. samba-enredo alas de baianas em desfile carnavalesco. samba — como uma oração — exige adéquem ao tema do desfile. necessitando para isso eliminar comunidade. indumentárias como o pano da costa. sambistas. dos sambas que vão “pegar” na entrega total. nos desfiles.

que tecem a história. negra é marcante. em São consolidando as tradições. marginalizando-os da dinâmica deferência àqueles que conduzem Benedito Lacerda e orquestra. Raul de Barros. também. Diante da aceitação do público. João outros notáveis. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 113 partido-alto. a Velha cantavam. com o nome do grupo. Do Muitos africanos perpetuaram autoria de seus componentes. que nas sociedades -Velha. em 1954. contingente carioca faziam parte. preservaram símbolos Sílvio Caldas. 1920. histórias seu grupo para a fixação e o aqueles senhores. o idoso é reverenciado Pixinguinha. Além de divulgar as músicas de que se repetiu no ano seguinte. Paulo. de estar e de se manifestar. Apresentavam- por ser detentor da sabedoria. entre algumas tribos indígenas das É bem provável que Catulo da Paixão Cearense. de gerações passadas. Chiquinha Gonzaga. No de suma importância para Mais tarde. novo grupo musical — O Pessoal de grande parte do mundo nos espaços em que a presença da Velha Guarda — do qual faziam ocidental desprezem os anciãos. sintetizando um mundo rememoravam canções de Ernesto regiões da África. que seus ancestrais contavam e acompanhava regularmente Ainda em 1955. do Oriente e bem particular. da Baiana e outros “bambas” -se em programas de rádio. de uma civilização. tais como Guarda gravou. Eles do processo produtivo. samba de terreiro. batizado seu habitat. o I Festival da Velha Guarda. É sabido. Nazareth. movidos pela certeza que lotava os auditórios das ágrafas valoriza-se o testemunho da importância do trabalho de emissoras de rádio para aplaudir que circula oralmente. a vida. segue-se outro LP . seu primeiro LP. o Conjunto da Guarda. na década de retumbante sucesso. mesmo cantores renomados. Desse modo. entre Américas. Pixinguinha e Donga. samba-enredo As velhas guardas poderem resistir às agressões de radialista Almirante batizou um Embora as sociedades modernas diversas naturezas. pilares ser. com acumulada empiricamente. em 1947. o mesmo ano. herança tenham criado. Assim sendo. sua cultura dando ouvidos ao o Conjunto da Guarda-Velha entre outros. desdobramento de uma forma de Almirante organizou. Mário Reis e Sinter. em muitas as marcas. Donga. sob a chancela da transportados para bem longe de Carmem Miranda. percebe-se uma parte Pixinguinha.

do respeito e reverência. o grupo se viu obrigado eram as balizas que apresentavam músicas foram fixadas e. momentos de suas agremiações. o Rio de Janeiro. Ali. foi gravado um LP — Passado de Manacéa. até chegar ao Cafofo respeitados por suas comunidades. naquele momento Nas escolas de samba mais maior dos folguedos de Momo. as músicas que fazem parte de seu a um só tempo. samba-enredo — Carnaval da Velha Guarda. Cerca de trinta solicitações. Ou seja. com a democraticamente. organizaram-se. reunindo sambistas Há seis anos pertencendo à que participaram dos primeiros Ala de Compositores da Portela. além de passarem os baluartes. o perfume de bênção de alguns dos patriarcas suas flores. antigas. no mesmo a se reunir semanalmente no quintal a escola ao público. acenando o chapéu. cujas apresentações da Surica. com garbo ano. as tarefas cotidianas e exercitam . samba de terreiro. por volta particulares para o grande jardim dos anos 50/60. naquele instante. e dedicação. Sempre momento foi criada A Velha Guarda Argemiro. discutem sobre regaram e. Depois passeou por plateia. Estava recolhiam e ofereciam a todos. com da Central do Brasil. reuniu alguns sambistas entre os participantes da comissão portelenses para registrarem de frente e do contingente que algumas de suas composições em Para atender às várias encerrava a apresentação. dividiam-se 1970. o Brasil e os vários países que vasto repertório. Jardineiros e floristas Cruz e Madureira. ponto de encontro nos esses senhores eram considerados encantaram e encantam Oswaldo dias atuais. alas da Velha público. em No dia do desfile. e se despediam da de glória — no estúdio Havay. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 114 partido-alto. Cultivadas com amor da música popular brasileira. o jovem Paulinho da Viola. semearam. tiveram a oportunidade de visitar. Naquele outros quintais: da Doca. figura emblemática e elegância. consagrada a expressão. Guarda. fita magnética. a Avenida. atrás do bairro. da Portela Show. fundadas na década de elas migravam de seus canteiros 1920.

Isso deu à Portela um samba que se acervo musical e da memória de sambistas. morrer o país. página ao lado Velha Guarda da Portela. o grupo se tornou parte de nossas O terreiro melodias dos sambas de Oswaldo vidas. organizados de grupo familiar extensivo. samba-enredo Velha Guarda da Mangueira. Serrano. em algum lugar do reuniram na Associação das Velhas como canta Monarco em Samba. Vargens e Carlos Monte (2001): Terreiro é uma expressão que As Velhas Guardas tradicionais remete à ideia de comunidade. expresso nas letras e identificado. a jornalista geração posterior. também. organizaram. nome dado às Cruz. Eles compunham de conhecimentos.. Mas o ideal de perto sua trajetória: em que registram sambas de terreiro. e se fundador das escolas permaneceu. acervo centro cultural cartola. que acompanhou espaço de resistência. W. de João Baptista que suas músicas permaneceriam. o lúdico. samba de terreiro. acervo centro cultural cartola. A e outros lugares onde se cria. tornando-se um o terreiro das escolas virou Lílian Newlands. o terreno de ensaios preocupa muito com a poesia. Portela. cimentada. Não tem importância que muitos já O terreiro. a Portela manifesta-se. foi velha guarda da Portela. do terreiro ligado ao grupo partidos-altos e sambas-enredo. gravaram discos quadra. partir da iniciativa da escola de canta e dança o samba. local de transmissão pelos iniciados. Hoje sei que. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 115 partido-alto. que têm particularidades não tenham morrido [. passado. velho amigo: . rituais de Martinho da Vila. Salgueiro. citado no livro A sem essa preocupação. com o lirismo. escolas como Mangueira. em torno de sambistas modernização das agremiações no prefácio do livro citado no dos núcleos fundadores ou da e o crescimento dos desfiles. incorporado ao espaço do samba. parágrafo anterior. Uma das características da Portela é o e os seus grupos-show. têm papel Simbolicamente. já sabendo de antemão iniciação e integração. elas se a adesão das classes médias. Com Sobre a Velha Guarda da Oswaldo Cruz. para apresentações. pode ser uma determinada forma. Império das agremiações carnavalescas com as frases de efeito. em algum momento que jamais será Guardas do Rio de Janeiro. estilo do samba: uma determinada linguagem. uma determinada fundamental na preservação do entendido como o quintal dos pulsação. somente gravada que a emoção os traz de volta. como é o caso de passa a ser só um detalhe. nos anos 70.] e basta ouvir uma fita casas de candomblé em todo percebidas pelos incautos..

Mangueira e Portela população marginalizada Tijuca. propiciou a criação e apresentações de sambistas no e a circulação da produção Carnaval e fora dele. escolas. Desde sua origem. samba de terreiro. Primeiro. populares à indústria fonográfica e estimular a participação e o crescente sucesso dos desfiles comunitária. o samba carioca se Há muitos anos atrás. organizaram para aprimorar Como representante maior para além dos limites das suas performances e associar- Da cultura do Brasil. trabalhadores se Foi aí que o samba evoluiu e a dança coletiva. há mais Alegria dos nossos terreiros de um século. e em decorrência Nos mesmos ideais musical dos sambistas. . Nas comunidades do samba. samba-enredo Samba de quadra. depois. Acervo Centro Cultural Cartola. o reúnam para celebrar revive em o acesso dos compositores terreiro ou quadra. sobretudo a de origem Que partiu para o estrangeiro negra. por gerar o canto em conjunto o samba. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 116 partido-alto. por permitir espírito o terreiro original. qualquer quintal se às classes mais favorecidas. próprios sambistas de “limpar” Dos carnavais. Bide. por exemplo. Samba. Favela econômica e socialmente. Hoje. Mano Rubem e Noel o samba era praticado pela Estácio. Num primeiro momento E penetrou nas camadas sociais. identifica com a camada pobre da É este o mesmo samba verdadeiro população. Os atores Velho amigo e companheiro. reprimido pelos poderes Samba do Estácio e Ismael constituídos por ser identificado De Cartola e Mestre Paulo à baderna e à malandragem. e. Com o Os professores do morro passar dos anos. de subúrbio onde sambistas se Daí decorreram. da grande preocupação dos Fizeram a grande alegria em torno das rodas de samba.

e por serem mais tradicionais famílias do Rio É inegável. Também nas escolas de ainda tímidos. que o cultores sinceros do samba. e não cidade. ao se apropriar do curiosidade. de liderança e organização que . mas até como passistas. como o modificar estruturalmente os ritos jogo do bicho. caso da socialite Becky samba na atualidade. de uma das do samba. suas várias modalidades. poucos conquistando o respeito Cabe notar que. os sambistas foram aos elitistas educandários da cidade. samba se torna comum. que abraçaram com ardor ou menos estatizantes. Não só pela origem cantor Mário Reis. no entanto. a participação escolas de samba na economia da na ascensão das escolas de samba. mas de Janeiro. mais reconhecimento de suas e alta. samba como um dos assuntos mais imprensa adjetivos como oriunda de um dos mais caros e presentes. tal A mídia. Nas vontades e conveniências — acabam Deve ser igualmente lembrada décadas de 1940 e 50 compositores por ter repercussão sobre o que a participação. popular. samba-enredo Antes tratados como Klabin. crescente as práticas do samba. mercado e Estado são. evidenciando o mercado pelos recursos financeiros que lhes apenas como destaques. Embora social que os postos de mando nas samba. ao sabor das matrizes no Rio de Janeiro. oficialização do desfile das escolas papel de ator na cena aqui descrita. em ricas como um dos importantes atores do doavam e ainda pela capacidade fantasias. a partir da acaba por desempenhar também o e a admiração da sociedade. o espectro de atores se um importante ator: suas políticas da trajetória do samba e do amplia. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 117 partido-alto. em geral. também o Estado se torna sem dúvida. de pessoas da sociedade. moderada. hoje bem mais e intérpretes de samba podiam se faz. pré-carnavalesco e carnavalesco. recebendo da como a famosa Gigi da Mangueira. parte importante momento. chegando às classes média — mais ou menos permissivas. ocorrida na década de Mídia. como intérprete de se faz sentir de forma clara. samba de terreiro. impacto dessas políticas no mercado também pela busca da legitimidade sobretudo. que se notabilizou. a partir conta do impacto do samba e das eles tiveram papel preponderante da década de 1960. que aderiu ao novo gênero em de samba. alguns estudos dão escolas de samba lhes conferiam. Nesse 1930. contudo. não logrando. dos banqueiros do ser pessoas abastadas. sobretudo no período “bizarro”.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 118 partido-alto. trabalhadores da estiva. por Dona Ivone Lara em seu maiores compositores do Império médicos. que. E mais: bombeiros. as comunidades de quem não acreditar morros e subúrbios. assim samba é de todos — como gostam Samba. gravado Mano Décio da Viola. ao longo O samba de Hélio dos Santos. filho de adesão e a simpatia de advogados. como Dona Ivone Lara. intitulado Serrano e do samba carioca. samba minha raiz. respondeu. o e muitos outros. não sem razão — deve. minha verdade. Acervo Centro Cultural Cartola imprimiam a essas agremiações. Mas eles não se comparam acompanha o canto de um em importância aos verdadeiros passarinho mentores e mantenedores do samba sem errar o compasso. Se hoje o LP de estreia (1978). um dos fiscais de renda. samba de terreiro. Qualquer criança Sem esses atores. as donas melodia mora lá de casa. como Dona Neuma. 62 anos. pequenos funcionários públicos. como Nelson Sargento. os pode crer. Acervo Centro Cultural Cartola. os pintores de poderemos provar. conseguiram captar a o tio Hélio. samba-enredo Escolas de samba mirins. jornalistas. matrizes. as no Prazer da Serrinha. quando indagaram qual de afirmar. . professores. chamado Prazer da Serrinha. carioca: o povo. nós não somos de enganar como Silas de Oliveira. do Império. cantor e compositor Jorginho dos anos. e Rubens da Silva. sua transmissão e sua comunidade de sambistas: importância. descreve com fidelidade como o seu primeiro contato com essa -se a essa heroica arraia-miúda sua se passa a herança musical da escola de samba: permanência. outros bate um pandeiro teriam sido talvez os rumos dessas e toca um cavaquinho. parede. lavadores A transmissão do Em recente entrevista a de carros. enfermeiras. Página ao lado Ensaio de escolas de samba mirins. saber no samba estudantes de jornalismo.

Aprendi a cantar os sambas da escola junto aprendendo. no partido-alto. Tijolo da Portela trabalhar. trabalharem. Candelária. Lilico Papai. foi mais um cultura popular: a transmissão chamava-se Lilico. E ele me (Pery Aimoré) . sem ninguém me ensinar. e eu respondi. Como é sabido.. escutando.. O samba era parte Aprendi a tocar pandeiro e a versar pela (Xangô da Mangueira) do mundo. quando num dia versaram para Vendo os outros tocando. [.. Ao mesmo [.. a transmissão mim e eu tive que responder. é O samba de Rocha Miranda era. portanto. quando saí de lá. Cansamos de fazer isso. improvisar e aprendendo.. a cultura afro-brasileira ensinou.. Aí depois comecei a fazer. E ele era (Pery Aimoré) dos compêndios e do ensino um sujeito muito prestativo. e o diretor da escola Não tinha nada para fazer.] parte da minha vida desde a própria hora em é marcada pelo respeito aos mais Conclusão: lá mesmo.. samba de terreiro. vamos lá...] E aí eu vi. aqueles que sabem mais e. Nas comunidades. a versar versos. A gente e vizinhos às quadras das escolas sentava na cerca e ficava olhando Xangô de samba. Primeiro eu fui versando os versos dos outros. O aspecto presencial -Flor. ver o Xangô e o Chico Porrão... já sabendo versar. lá na as crianças das comunidades como partideira. Aprendi a dançar exatamente como velhos. irmãos (Leci Brandão) pouca gente conhece o Chico Porrão. sendo então aceita no meio [. têm mais a dar. um Ele me ensinou de tudo que tinha direito.. (Pery Aimoré) pela vivência. Desde pequenas. era o partido-alto. Numa outra Esse é bom.. numa festa do Neguinho da Beija. alguém mandou um verso para mim é fundamental. pelo que via na casa de Cartola.. aprendi a andar. Por isso. vi todos eles significado. samba assim. com as primeiras palavras.. era e Chico Porrão.. A gente tratava ele de aprendizado.. Eu não vou aprender? Que há? espaço privilegiado de transmissão De tudo que tinha direito ele me ensinou Comigo é ali. de fato. do samba se dá pela oralidade e ocasião. porque é. do conhecimento se dá longe Lilico Papai (risos)..] Aí depois formal. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 119 partido-alto. do meu mundo.. já saí que nasci.] fomos até a Mangueira.. acompanham seus pais. a expressão o Lilico me chamou e começou a me passar a Vi o mestre Fuleiro trabalhar. forte a marca da oralidade na uma escola pequena. Vi o escola de samba se reveste de forte sabatina: essa aqui. de saberes e fazeres. experiência vivida. batucada. [. samba-enredo O samba e o Império Serrano fizeram tempo.

as letras e as melodias dos sambas. não são obrigatórias de acordo A observação cotidiana revela tentando imitar os mais velhos. dentre os numerosos para filho. em alas de adultos ou em certa. As coreografias atribuída pelos sambistas à diretor de bateria é filho. copiando um indício da importância sobrinho. nas festas peças. samba de terreiro. O mestre-sala é filho. mas um processo de sucessão comum meninas sambando ao lado de existem em todas as agremiações. e assim por diante. Também a riqueza de dos sambistas. o canto e ou nos ensaios. A noção de . na hora são meninos brincando com as idade. Copiar o gesto dos pais é a decorando com grande facilidade para garantir às crianças um norma para as crianças. a quem será dada a do samba vai sendo interiorizada cultura do samba. do ensaio. horário de uso exclusivo das É importante observar que Nas rodas de samba. mães e tias. genro. nas escolas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 120 partido-alto. os mais bem. ritos que compõem o cotidiano mesmo tempo em que assimilam a dotados. enfraquecimento de suas tradições. criadas para fruição e também pujança. divertem-se ao interessados. cunhado de diretor de bateria. que de substituição de postos. As grandes universo do samba. total integração da criança no Algumas agremiações. o culto não têm com quem deixá-las. primo de mestre-sala. assumam a responsabilidade peças da bateria antes do início alas exclusivas para crianças. o seus passos. suas avós. os mais velhos. com o regulamento do desfile. as crianças: baterias mirins são à ancestralidade se mantém com Elas participam das atividades. oportunidade de ocupar seu pelas crianças em contato com A participação das crianças no espaço em tão importante função. Normalmente por perceberem o risco de famílias de sambistas vão passando são levadas para as quadras. nas quadras das e porta-bandeira se destinam a o ritmo são transmitidos de pai escolas ou nos quintais das casas descobrir. samba-enredo Cenas comuns que se desfile das escolas de samba lhes é Pequenos passistas são treinados presenciam nas quadras de escolas facultada a partir dos sete anos de e observados. já que as famílias mantêm espaços específicos para do samba e das escolas. para que. desenvolvidas demonstram uma integração infantil. para seus descendentes o legado mesmo à noite. “escolinhas” de mestre-sala não apenas a dança. tocando a seu modo.

a laje. em que do surdo — lamenta nos enterros a questão institucional é o dado dos “bambas”. tornou- por exemplo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 121 partido-alto. a cozinha. trata-se passa de uma geração a outra. pois um lazer. Império Serrano. mas na mesma menos relevante. . tais agremiações têm condições de anima os aniversários. Ainda não é consenso que as famílias do samba ele não é só este seja o melhor caminho. É no dia a dia dessas suas modalidades. são -se comum a criação de escolas transmitidos naturalmente no seu especificamente destinadas às viver cotidiano. de um valor cultural dotado de Desde 1984. discutível. Acervo Centro Cultural Cartola pertencimento. o quintal.30 O samba reúne observar que a transmissão do e aproxima no vagão do trem. celebra proporcionar aos futuros sambistas casamentos e consola nas a necessária proximidade com a separações. do samba. ano de fundação grande importância. no dia de folga. em qualquer de a sala. o envolvimento da pioneira escola de samba mirim emocional. Isso porque para crianças. despedida ele também exalta as Durante a pesquisa foi possível vidas bem-vividas. samba de terreiro. Para as famílias do samba que o saber-fazer comunidades estudadas. ou no campo de é considerada um dos traços mais futebol. na conhecimento de pais para filhos volta do trabalho. inexistentes. samba-enredo Integrante de escola de samba mirim. mas uma forma de vida o caráter segregacionista da ação é e organização em comunidade. o sentimento de Império do Futuro. Também se discute se O samba festeja os nascimentos. Ele ocupa relevantes para a permanência toda a casa. vinculada ao raiz e tradição. no esporte. o samba — no toque prática cotidiana do samba.

samba de terreiro. samba-enredo Detentores e Produtores da da Tradição Tradição do do Samba Samba . dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 122 partido-alto.

• Aurinho da Ilha (Áureo 5/6/1937). Serrano. Em Cima da Hora. Império nascido no Rio de Janeiro. Rio. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 123 partido-alto. compositor. nascido no Rio de Janeiro. 3/9/1936). Santos. compositor e cantor. nascido no Rio de Janeiro. nascido no Rio de Silva. Neves. em 28/12/1936). Portela. nascido no Rio Janeiro em 5/8/1944). Mangueira. samba-enredo página ao lado Carnaval de rua. nascida em Barra Mansa. nascida Portela. nascido no Rio de 29/12/1921). BA. compositor e pesquisador. cantor e Carvalho. Ribeiro. • Djalma Sabiá (Djalma de Oliveira de Janeiro. Janeiro. Em Cima da nascido em Salvador. Mangueira. nascido no Rio de Janeiro. 15/11/1935). em 13/4/1921). nascido no Rio de RJ. em 13/4/1939). Império Serrano. cantor e compositor. RJ. em 13/5/1925). • Dona Ivone Lara (Ivone Lara da Machado. compositor. Império Serrano. cantor e Galerias das Velhas Guardas das nascido no Rio de Janeiro. mestre-sala. compositor e cantor. nascido em Corrêa. Hora. União da Ilha. em Salgueiro. Portela. nascida no Rio Campos. Portela. em ritmista. em Campos. em 12/12/1916). nascido no Rio Escolas de Samba do Estado do 12/3/1931). nascido em Paula. passista. Araújo. em de Janeiro. compositor e cantor. . Salgueiro. • Careca (Arandi Cardoso dos Silva. nascido no Rio de Janeiro. compositor • David do Pandeiro (David de presidente da Associação das e cantor. em 16/5/1920). Portela. Depositários reconhecidos da tradição • Aluízio Machado (Alcides Aluízio Janeiro. em 9/3/1939). nascido no Rio • Baianinho (Eládio Gomes dos • Délcio Carvalho (Délcio de Janeiro. RJ. compositor e cantor. Mangueira. em 22/7/1930). porta-bandeira. de Janeiro. samba de terreiro. cantora e compositora. compositor. • Ed Miranda (Ed Miranda Rosa. • Delegado (Hésio Laurindo da em 16/12/1932). Império Serrano. • Casquinha (Otto Enrique Costa. • Eunice (Eunice Fernandes da Trepte. compositor. em Medeiros. • Edeor de Paula (Edeor José de ritmista. • Elton Medeiros (Elton Antônio Santos. • David Correa (David Antônio Costa. em 1º/12/1922). Acervo Arquivo Nacional. em 13/10/1935). pastora. em 3/1/1920). compositor. • Dodô (Maria das Dores • Hélio Turco (Hélio Rodrigues • Dauro do Salgueiro (Dauro Rodrigues. Unidos de Lucas. Campagnag de Sousa.

cantor e escritor. em nascido em Além-Paraíba. compositor e cantor. • Noca (Osvaldo Alves Pereira. diretor de 3/10/1952). -presidente do Império Serrano. Rio. União da Ilha/Grande Marçal. • Leci Brandão (Leci Brandão da nascido no Rio de Janeiro. Império Serrano. Beija-Flor. escritor e 13/2/1944). • Nei Lopes (Nei Brás Lopes. em • Niltinho Tristeza (Nilton de Silva. em 1944). Rio de Janeiro. cantor e compositor. Porta. nascido em Rio de Janeiro. Salgueiro. cantor. compositor e passista. • Manuel Dionísio (Manuel dos nascido no Rio de Janeiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 124 partido-alto. MG. Portela. nascida no Antônio Carlos. destaque. nascido no Rio de Janeiro. -Bandeira e Porta-Estandarte. 11/6/1934). de bateria. nascido no Rio de • Laíla (Luiz Fernando Ribeiro do nascido no Rio de Janeiro. MG. nascido no Rio de Janeiro. em em15/10/1936). da Imperatriz Leopoldinense. harmonia. em Janeiro. em Janeiro. • Nelson Sargento (Nelson Matos. em 1937). dos Anjos. fundador e ex. cantor. em 12/9/1944). percussionista e mestre percussionista. em 4/4/1943). samba-enredo • Jorginho do Império (Jorge Ferreira. samba de terreiro. em 17/12/1956). 25/7/1924). compositor e cantor. em • Mauro Diniz (Mauro Diniz. Souza. Mangueira. Mangueira. Janeiro. • Molequinho (Sebastião de compositor e cantor. nascido no Rio de Oliveira. compositor. Vila Isabel. em 9/5/1942). compositor. 23/10/1920). Escola de Mestre-Sala. Duas Barras. em 18/8/1948). diretor de Carnaval. nascida no Rio de • Monarco (Hildemar Diniz. nascida no nascido em Leopoldina. • Nanana (Lorenildes de Lima. nascido no Rio de Janeiro. RJ. fundador da 17/8/1933). compositora e cantora. compositor e cantor. Portela. em em 16/7/1957). Anjos Dionísio. em 12/2/1938). de bateria. compositor. Portela. Rio de Janeiro. • Nadinho da Ilha (Aguinaldo • Odilon (Odilon Costa. mestre • Marçalzinho (Armando de Souza Caldeira. cantor. 12/12/1932). Unidos da Tijuca. passista. Carmo. Mangueira. pesquisador. nascido no nascido no Rio de Janeiro. Portela. compositor. • Olegária dos Anjos (Olegária • Martinho da Vila (Martinho José • Narcisa (Narcisa Macedo. nascido no Rio de Janeiro. Império .

da Mocidade • Zeca da Cuíca (José de Oliveira. Portela. • Wilson Moreira (Wilson Moreira Santos. de Janeiro. 5/5/1911). pesquisador. 7/12/1936). da Estácio de • Wilson das Neves (Wilson das compositor.Vó Maria (Maria das Dores . nascido no Espírito Santo. • Vitamina (Joel de Paula Soares. instrumentista. passista. em 9/10/1941). • Tantinho (Devani Ferreira. nascido nascida em Mendes. em Neves. compositor. • Surica (Iranete Ferreira Barcelos. em • Paulinho da Viola (Paulo no Rio de Janeiro. Império Serrano. Portela/Tradição. porta. em 1944). radialista. 1º/6/1938). Salgueiro. compositor e cantor. Império 21/1/1934). Samba do Rio de Janeiro. Estevão. ritmista.nascido da Silva. nascido no Rio Mascarenhas. Janeiro. em 12/11/1942). em Serra. RJ. pastora. Friburgo. nascida no Rio passista. nascido no Rio de 31/12/1928). jornalista e pesquisador. -bandeira. cantora. samba-enredo Serrano. • Rubem Confete (Rubem dos Independente de Padre Miguel. em 1947). em 14/6/1936). • Sérgio Jamelão (Sérgio Amaral Independente de Padre Miguel. passista. Mangueira. nascido no de Janeiro. Serrano. -Flor. município de Nova diretor de harmonia. cantor. cantor e Santos Conceição. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 125 partido-alto. Rio de Janeiro. . RJ. baterista e compositor. em em Macuco. ritmista. nascida no Rio de Janeiro. em 17/11/1940). Ferreira. Império Serrano. nascido no Rio de nascido no Rio de Janeiro. 7/4/1942). em 2/8/1932). da Estácio de Sá. da Mocidade de Janeiro. Sá. nascido no Rio de • Velhas Guardas das Escolas de • Zé Luiz (José Luiz Costa Janeiro em 1944). nascido no Rio Janeiro. compositor e cantor. César Batista de Faria. nascida no Rio de Janeiro. Portela. em em 4/3/1963). nascida no Rio de Janeiro. mestre-sala. em 11/6/1934). • Tia Alice (baiana. samba de terreiro. • Tia Nilda (baiana. Beija. nascida no Rio de compositor. Portela. em • Tião Miquimba (Sebastião Janeiro. em 12/12/1936). • Soninha Capeta (Sônia • Vilma (Vilma Nascimento. nascida no Rio de Janeiro.

foto: Márcio Vianna. Referências na história do samba no Rio de Janeiro • Ademir Gargalhada • Alberto Lonato • Alcides Gregório • Alvaiade • Anescar • Aniceto do Império • Antenor Gargalhada • Antônio Caetano • Antônio Rufino • Argemiro • Armando Marçal • Aroldo Melodia • Ataulfo Alves • Babaú • Baiaco • Beto Sem Braço • Bicho Novo • Bide • Brancura • Buci Moreira • Calça Larga • Calixto • Candeia • Carlos Cachaça • Cartola . Acervo Iphan. samba-enredo Chapéus para o carnaval. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 126 partido-alto. samba de terreiro.

samba-enredo • Catoni • Luís Carlos da Vila • Roberto Ribeiro • Cláudio Bernardo da Costa • Manacéa • Seu China • Clementina de Jesus • Mano Décio da Viola • Silas de Oliveira • Darcy da Mangueira • Mano Edgar • Sinhô • Didi • Mestre André • Tia Ciata • Doca • Mestre Fuleiro • Tia Eulália • Dona Esther • Mestre Marçal • Tia Vicentina • Dona Maria Romana • Mestre Waldomiro • Tijolo • Donga • Mocinha • Toco • Élcio PV • Natal • Vovó Maria Joana Rezadeira • Elói Antero Dias • Nega Pelé • Xangô da Mangueira • Geraldo Babão • Neide (Olivério Ferreira) • Geraldo Pereira • Nelson Cavaquinho • Walter Alfaiate • Guilherme de Brito • Neném do Buzunga • Wilson Batista • Heitor dos Prazeres • Neuma • Zé Espinguela • Isabel Valença • Nilton Campolino • Zé Keti • Ismael Silva • Noel Canelinha • Zica • Jamelão • Noel Rosa de Oliveira (José Bispo Clementino • Osmar do Cavaco dos Santos) • Padeirinho • Jair do Cavaquinho • Pato Rouco • João da Baiana • Paula do Salgueiro • João Nogueira • Paulo Brazão • Jovelina Pérola Negra • Paulo da Portela • Jurandir da Mangueira • Preto Rico . samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 127 partido-alto.

samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 128 partido-alto. samba-enredo lugares .

em qualquer hora. criou nos últimos composição inteira é reservada tradição dos “bambas” da Portela anos um circuito alternativo para que sambistas tradicionais. Ainda que o do Brasil. samba-enredo Ritmistas. teve papel Samba do Trabalhador. no Centro do Rio de pode ser apontado como uma terreiro da escola de samba — hoje. No Pagode espaço e destaque aos sambistas Pagode do Trem. levado pelos “bambas” do passado. o samba-enredo hoje domina. é a tradicionais. Foi samba carioca é celebrado e se (Niterói). no Andaraí. D esde as primeiras décadas do século XX. o Em torno de jaqueiras. para apresentação de sambas de amantes do samba e até turistas O surgimento ou consolidação terreiro e de partido-alto. o samba não se limitou a um lugar. no Dia Nacional do importante na formação do samba e centros culturais que dão Samba — 2 de dezembro —. samba de terreiro. Nesse dia. animado pelo espírito A renovação do bairro da Estácio. O trem parte da Central de novos espaços consagrados ao samba tradicional. nas últimas décadas do século do samba de linha mais tradicional. em Madureira. no Clube Foi dentro dos trens que fundamental no amadurecimento Renascença. para a sua fruição nos espaços para a sua criação e transmissão. assim que ele se espalhou pela renova (não sem tensões). dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 129 partido-alto. o bar Candongueiro. Ramos. originais. único de manifestação. Janeiro e vai até Oswaldo Cruz. também o samba chegou à “roça” de de uma nova geração de sambistas. com a abertura de bares todo ano. por exemplo. e é assim que ele ainda se bloco carnavalesco Cacique de em casa no Candongueiro. tamarineiras. O Não há sambista que não se sinta cidade. o partido-alto impera. com o no Rio de Janeiro. como dizem os próprios sambistas. estratégia dessas comunidades quadra — seja considerado um onde todos são recebidos com diante da redução dos momentos espaço privilegiado. a um espaço embarquem em rodas de sambas que acontecem dentro de cada vagão. que atrai e se destaca.O fato que é relembrado de reunião. fundamental mais samba. Para o manifesta hoje. “de raiz”. convergem velhos e novos adeptos Oswaldo Cruz e Madureira. Se na quadra da escola samba se deu e se dá em qualquer mangueiras. uma de Tia Doca. troca e invenção. . bastando em quintais do subúrbio. no lugar. em Pendotiba que os sambistas se reúnam. Acervo Arquivo Nacional. tão Lapa.

Xangô!”. isso aí é. o povo. de referências pessoais e de inaugurado em 1984 e onde agremiações. situado ao lado da passarela. músicas que eles têm. Desde então. Então nego ficou de mal comigo. nos construída na Zona Portuária. e ele “Ah. revitalizou a Avenida. Rio de Janeiro se transforma. não samba destinadas a turistas. Então se afasta do samba. “Isso aí não é afastado do Sambódromo pelos paralelamente a apresentações de samba e isso aqui se chama escola de samba altos preços ali cobrados. Não leva a mal mas eu sou o diretor e fins de semana de dezembro até com modernos galpões onde são enquanto eu estiver aqui não canta porque fevereiro. No caso do Sambódromo.. ensaios técnicos gratuitos. E na Mangueira ele renda das arquibancadas. para os desfiles. muitas Do outro lado.” Tem um Durante o Carnaval. com preços acessíveis Nas perdas. mas a Em 2005. “Pára! Eu já mandei parar. confeccionadas fantasias e alegorias isso aí não é samba. como o funk: usos. mapeando os espaços Resultado: ele chegou. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 130 partido-alto. não fast food que abastecem a Passarela o fechamento físico de espaços focados necessariamente nas do Samba. a e opções de alimentação mais vezes.. Com as barraquinhas tradicionais. está presente. É no espaço preços elevados que impedem a . que se em todo momento.. mas o aumento matrizes. mas decisão recente de se realizarem escolas a Cidade do Samba. com Estação Primeira de Mangueira. E “perda” modernização das escolas ergueu amigáveis do que as cadeias de não significa necessariamente na cidade novos espaços... acabou. foi entregue às chegou e aí eu: “Pára!”. parou o samba acontecem os desfiles dos grupos e facilitando a participação dos e pediu para cantar essa música. mas no espetáculo. Agora até principais. samba de terreiro. esqueci o nome. exploradas por populares que da concorrência com a entrada Não é o espaço físico em si que participam de concorrência na cena de outros gêneros de define esses atributos.. o preço dos ingressos sambistas numa festa que lhes é hoje proibiram as escolas que cantassem essas afastou a população de baixa hostil em muitos aspectos. mas os seus pública. com ganhos (Xangô da Mangueira) institui o ponto de encontro dos de um lado e perdas de outro. sambistas. nome. samba-enredo A geografia do samba no não vai cantar outra vez! Tá parado!” Aí alternativo do Terreirão do Samba. a tensão. já se formou uma cadeia música.

conforme de expressão se consolidaram. Essas agremiações. diversidade de agremiações que Cruz. do no Centro. na criação musical e na associação Carnaval e do samba cariocas. foto: Márcio Vianna. Acervo Iphan. mas de fundamental importância para a vida cotidiana de bairros do Rio de Janeiro — no lazer. seis escolas que se vinculam a culturais e não apenas com os subúrbio da cidade. . até o início desta de samba. descrição neste dossiê. apresentavam. Tijuca. As escolhidas mostraram em atividades nas quadras ao cultivam o samba no Rio de em sua trajetória. que ocupam a Estrada Intendente já explicitado na introdução. Mas o samba das escolas não se resume ao espetáculo do Sambódromo. Vila comunitária —. participação popular. mantêm vivo Diante dessa quantidade e Isabel. localização geográfica em redutos participaram desse processo. como pode imaginar quem lê a cobertura dos jornais. em Campinho. Madureira e Oswaldo o chamado “samba no pé”. o sambista instituiu no entorno seu espaço de criatividade e de lazer. foram escolhidas para momento em que essas formas carnavalescos. samba de terreiro. sobretudo por sua mantendo viva a memória dos que década. Dezenas de agremiações. tradicional espaço do tradicionais de sambistas: qual elas são referências. Mangueira. de menor porte. uma preocupação com as matrizes Magalhães. iniciada no longo do ano e nos seus desfiles Janeiro. samba-enredo Enfeites carnavalescos. se comunidades de forte tradição aspectos performáticos do samba. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 131 partido-alto. moldando o novo espaço à sua maneira. Estácio. na Avenida Rio Branco.

construídos pessoas como em instrumental. Tomás comissão de frente de índios. um dois metros de alto. já exercia tal tarefa desde os oito outra nas costas e um capacete de três penas. que ficaria conhecido machadinho. o prefeito da cidade barracos para alugar. Tinham uma do Rio de Janeiro. resolveu demolir os Martins. A coreografia era indígena. com a saída da família Francisco de Paula Negreiros Saião o samba não tinha nenhum valor e nem se imperial do Brasil. quando República. apareceram os ranchos. Chiquinha Portuguesa e o segundo na do 9º Regimento de Cavalaria. O primeiro morador do cariocas. levantar de 1902. jardim do imperador. de saiote branco de das demolições e. Por Em 1916. Esse adolescente. Os componentes Correia. o quartel famílias de ex-escravos. samba de terreiro. arrendatário das terras do carregavam bichos vivos: cobras. chegaram outras O primeiro tinha sua sede na casa da Tia abrigar. que lá ia Tomás da Silva. imperador. que havia sofrido um Buraco Quente. Aqui . com uma cruz encarnada no peito. juntamente com aos barracos cobrar os aluguéis O estandarte era um pau bem grosso. Eu saía fantasiado autorização para levar o material ali mesmo. solicitaram era o afilhado de Tomás. tanto em Em 1908. construindo suas casas. espólio do português Entre os anos de 1910 e 1913. a Quinta da Lobato. que morim. o visconde de Niterói. novas moradas em outro lugar. da Montanha e Trunfos da Mangueira. lagartos. samba-enredo Grêmio recreativo escola de samba Estação Primeira de Mangueira Após a Proclamação da Mangueira. Os cordões eram mais de soldados. ali transferidas do Morro de Santo casa do Leopoldo da Santinha. de uns os demais moradores. de 1914. com ele. que pensava em escolas de samba. Lá já encontraram antigos e maiores que os ranchos. um escudo e um escolhido pelos “retirantes” foi de Castro. e o local anos de idade. ambas no moravam também diversas famílias Antônio. O pedido foi atendido. Pouco antes da primeira guerra. o Mestre Candinho. que só podia ser carregado ao comandante do Regimento rapazinho de 14 anos. a Mangueira Boa Vista. que nascera por homens bem fortes. Naquela época. o lado quase vazio do Morro da como Carlos Cachaça. Serzedelo por outro português. já existiam aqui sendo aos poucos invadida pela morro foi o cabo ferrador Cândido dois fortes e aguerridos cordões: Guerreiros população errante. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 132 partido-alto. barracos e expulsar os invasores. recebera as terras de presente do já despontava como pioneira dos carnavais tornou-se um matagal abandonado. Os visconde. no dia 3 de agosto de caboclo Caramuru. soldados expulsos. era Carlos Moreira Levava nas mãos um arco. incêndio. Quem ia mensalmente bichos de pena. na mesma área.

Tengo- Em 1925. dado o luxo Pedro Caim. Carlos Cachaça. em 28 de abril Carlos Cachaça o título de melhor Para uma comunidade pobre de 1928. o ensaiador do Egito. A história da escola). foi o primeiro presidente. Arturzinho. de Neuma — mais tarde conhecida de um concurso entre escolas Por isso. durante muito tempo. Pindura Saia. Mangueira tinha o Bloco da Tia Costa (Zé Espinguela). Antônio. Chico infância. do bairro Red Indian. a partir Nelson Cavaquinho. o primeiro mestre-sala.31 de si. Euclides Roberto dos Saturnino. Zé das fantasias e o alto custo dos Saturnino Gonçalves (Satur. de Oliveira (Cartola) fundaram a da Mangueira: Chalé. Santo Antônio. na Travessa Saião Lobato. Zé rosa — inspiradas no rancho de sua Pedra. o pai Espinguela. Joaquina. três porque era a primeira estação de trem. o Arrepiados. era praticamente número 21. surgiriam as escolas de samba. José Gomes da padroeiro da cidade. começaram a aparecer como a Dona Neuma. foram escolhidos por Cartola: veio uma grande linhagem de que. do seu Zé das Pastorinhas. Pelado. e o Pérolas de Mangueira. pai da Dona Neuma. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 133 partido-alto. se transformou na da Central do Brasil. Espinguela. Padeirinho. no dia 20 de janeiro os blocos. Marcelino A escola uniu e une moradores Fé. o José Claudino (Massu) e Angenor das diversas localidades do Morro Bloco do Mestre Candinho. samba de terreiro. como o próprio nome sugere. o Bloco da Tia Tomásia. Geraldo anos depois. Esse bloco. além de Cartola e Carlos Cachaça. De lá. Massu. samba e de briga. compositor da comunidade. Preto . da Tia Fé. poetas do samba no Rio de Janeiro reunia a rapaziada que era boa de Eu resolvi chamar de Estação Primeira. Faria. Cartola. Porrão. Estação Primeira. As cores verde e -Tengo.32 Pereira. o Príncipe das Escola de Samba Estação Primeira Cartola foi também o primeiro Matas. como aquela. Massu. reunindo. em torno mestre de harmonia. Homem Bom e Fiúca de Laranjeiras — e o nome da escola Buraco Quente e outros. as células de onde figuras mais importantes em toda de 1929. Abelardo Bolinha. Candelária. onde havia samba. uma das de samba. impossível manter um rancho Santos (morador desse endereço). e dividia com comunidade. todos os demais blocos da do coro de pastoras. Saturnino. fundaram o Bloco dos Arengueiros. Assim. o primeiro realizador instrumentos de sopro e de corda. Telégrafo. dia de São Sebastião. samba-enredo tivemos três: o Pingo do Amor.

Jorge Zagaia. Darci. Rico. . As quatro estações do ano (1955. de Hélio Turco. Nelson Sargento. Foram eles que ajudaram a construir. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 134 partido-alto. Casa grande e senzala (1966. de Cartola e Carlos Cachaça). Jurandir e Alvinho). samba de terreiro. de Alfredo Português.liesa. O mundo encantado de Monteiro Lobato (1967. Jurandir. Entre os sambas-enredos que viraram clássicos do gênero estão Vale do São Francisco (1948. Xangô da Mangueira. de Hélio Turco. de Jorge Zagaia. a imagem de uma “nação verde-e- -rosa”. A Mangueira venceu 17 vezes o desfile do Carnaval. Jurandir. samba-enredo Mestre Sala e Porta Bandeira da mangueira (Desfile na Marquês de Sapucaí. realidade ou ilusão (1988. com a sua música. de Padeirinho). Batista e Luiz) e Cem anos de liberdade. encravada no subúrbio. mas aberta para toda a cidade e para o país. O grande presidente (1956. Leléo e Comprido). Foto: Wigder forta. Jamelão e Nelson Sargento). 2008). Acervo da Liga Independente das Escolas de Samba .

pela da Portela. Falecido em 1949. Paulo pelos portelenses. e tantos da estação de trem. Foi fundada em 11 azul e branco. Nascido em a que conquistou mais vitórias em busca de lugar para morar. que ficou chamam de “nosso professor”. pelo o nome de Bloco Carnavalesco respectivamente Oxum e Ogum. o bairro cresceu em torno José das Três Ilhas. cujas cores são o do Rio de Janeiro. que até hoje o século XX trouxe para aquela “roça” Benjamim de Oliveira. a região de Oswaldo todos os demais. que a partir do próxima a Juiz de Fora. tem como seus com sua mãe e os irmãos para de abril de 1923. surgiu sobre seus companheiros e pela Oswaldo Cruz e finalmente Portela. de do Carnaval e do samba. natural de São mulher. como um divertimento Cruz ainda guardava recente Sua fundação se deve a um sadio de cidadãos humildes. Orgulho e hipocrisia. Cocorocó. . Linda borboleta. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 135 partido-alto. Central. a maioria de conhecido no mundo do samba de Samba Portela é uma das mais origem negra. a figura da águia. no subúrbio de santos protetores Nossa Senhora Oswaldo Cruz por volta de 1920. 1901 e criado na Zona Portuária no Carnaval. contando 21 A Portela. samba de terreiro. nem memória do tempo em que nela punhado de jovens entusiastas por isso. Subúrbio da Rufino dos Reis. desde cedo. exercício sereno da liderança Vai Como Pode. Paulo ofuscou as qualidades do exímio português Miguel Gonçalves Portela Benjamim de Oliveira e Antônio sambista e inspirado compositor e que veio a dar nome à estrada e à Caetano e do mineiro Antônio de sambas antológicos como Cidade própria agremiação. Oswaldo Cruz. sociedade. sob a O exercício dessa missão não propriedade dos descendentes do liderança dos cariocas. menos dignos. localidade Quitandeiro. é a figura antigas e tradicionais agremiações o centro da cidade ou o interior do central inspiradora das numerosas da cidade do Rio de Janeiro e Estado do Rio e de estados vizinhos conquistas da Portela. existia o Engenho Portela. inicialmente com da Conceição e São Jorge. Distinguiu-se. depois Conjunto Como símbolo da escola. samba-enredo Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela O Grêmio Recreativo Escola famílias de baixa renda. que tinham deixado como Paulo da Portela. é venerado fim do século XIX e no início do O primeiro deles. mudou-se campeonatos. outros. o pássaro preocupação constante em buscar Nos primeiros anos de existência soberano que voa mais alto do que o reconhecimento do samba.

inclusive Sua bateria introduziu o uso de Elias e tantos outros. Carlos as suas maiores glórias. Manacéa. Alvaiade. as figuras só foi alterada pelo falecimento nos desfiles carnavalescos. sob liderança . Picolino. até a sua morte. como espelhos. E mais tarde. período que a agremiação alcançou tripés. por exemplo. respectivamente. desse período a formação do grupo muitas inovações que introduziu Caetano e Rufino. delicada no trato da na formação do Grupo Musical da atual sede. e passou a Ao longo de sua história. Valter Rosa. situada na Rua Clara fraseado musical e pela harmonia 36 anos ininterruptos se apresenta. Ao longo A Portela é reconhecida por além dos três fundadores Paulo. o Natal da Portela. e Botafogo. limite entre os subúrbios rebuscada. em 1972. samba-enredo Falar da Portela é falar também primeira a apresentar alegorias para Histórico” Lopes. recheada de citações à A iniciativa de Paulinho resultou permaneceram até a inauguração natureza. melhor demonstrar visualmente o Mijinha. “bambas” em um disco magistral. a dar Argemiro. de instrumentos como a caixa surda e A memória musical desses 1941 a 1948. Entre os grandes privilegiando as criações musicais de Oswaldo Cruz e Madureira. no tempo de mestre pioneiros inspirou Paulinho da a direção de Natal que a Portela Betinho. Foi a de Ventura. a Chico Santana. sob o reco-reco. em 1976. E foi também. Zé Keti. liderança enredo. a usar a corda para limitar Chatim. a partir da partir do final da década de 1940 e destaque aos passistas e a utilizar década de 1960. Jair do Cavaquinho. carismática que dedicou toda a sua a área de exibição dos sambistas. Alberto Lonato. samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 136 partido-alto. marcada pelo rico Velha Guarda da Portela. e os atabaques e agogôs. Armando Santos. a Portelinha. de seus antecessores. Lá música. compositores portelenses estão. sob o título de Imperial e Mourisco. Nunes 81. conhecida figura feminina. de Natalino José do Nascimento. Foi nesse novos materiais em seus carros e Jorge Bubu. Aniceto. Alcides “Malandro de componentes. pioneiro — as obras e vozes desses sede. por Viola a registrar — num movimento expandiu-se a partir da sua antiga iniciativa de mestre Oscar Bigode. que há como Portelão. realizar seus ensaios nos clubes a Portela sempre se distinguiu gravado em 1970. Candeia. em Madureira pela extrema qualidade de sua Portela passado de glória. o famoso heptacampeonato. Valdir 59. energia para conduzir a escola a levar uma comissão de frente.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 137 partido-alto. por Manacéa e. coautor de seis sambas-enredos da Portela (os de 1953. 56. 55. principalmente nas escolas mais tradicionais. escreveu o livro Escola de samba. 59 e 65) e de Samba da antiga. samba-enredo Desfile da Portela na Marquês de Sapucaí (2008). . por Monarco. 57. Dia de graça e Luz da inspiração. foto: wigder frota. Nascido em 1935. como é o caso da própria Portela. samba de terreiro. em Oswaldo Cruz. em 1975. no início. exercida. árvore que esqueceu a raiz. cujas fundações são resultado do que é chamado pelos sambistas de modernização do Carnaval e que provoca reações e resistências. A Quilombo foi fundada por Candeia (Antônio Candeia Filho). filho de portelenses. mais recentemente. Sobre o tema. o partideiro liderou com a Quilombo um movimento de resistência e reação à descaracterização das escolas de samba.liesa. Da Portela surgiram as escolas de samba Tradição e Quilombo. Acervo da Liga Independente das Escolas de Samba .

no coração do Morro Grêmio Mano Décio da Viola. em 23 de escola foi fundamental o apoio No Carnaval de 1946. dos sambistas. compadres e amigos Serrinha. No Prazer da deveria ser uma escola onde todos paz. em 1947. Um deles. chegou ao março de 1947. As cores Serrinha. respectivamente. democracia inovadora. uma das na escolha das cores ele foi voto O Grêmio Recreativo Escola favoritas naquele ano. mas colocação da escola. samba-enredo Bateria da Império Serrano. cúmulo de desprezar na hora do Foi na casa da Dona Eulália. pintando mais precisamente no Morro da de Oliveira. Era. O resultado foi uma péssima e aceito por unanimidade. principalmente. No alto da foi sugerido por Molequinho colina. e a experiência de Elói Antero . ouvido. Alfredo tivessem o direito de opinar e ser Para a formação da nova Costa. o Molequinho. Nascia assim. assinaturas dos que o apoiavam. graças a uma dissidência irmãos. Sua história está ligada de samba que fosse totalmente verde e branco foram escolhidas ao desejo de justiça. Acervo Centro Cultural Cartola. a democracia de Samba Império Serrano foi Foi grande o desapontamento que chegava. que a ideia de ensaiado com antecedência e feito Molequinho se tornou realidade: Recreativo especialmente para “contar” o saiu reunindo num caderno as Escola de Samba enredo apresentado pela escola. enfim. O nome antigo samba de terreiro. E. que mandava e desmandava. por representarem a esperança e a e participação. seus de verde e branco o Morro da Serrinha. O o que na época era novidade. samba de terreiro. de Silas de Oliveira e Balaiada. na Rua Francisco. foto: Diego Mendes. símbolo — uma coroa — e o risco Império Serrano “Seu” Alfredo resolveu na hora da bandeira surgiram das mãos do desfile que seria cantado um hábeis de Mestre Caetano. desfile o samba Conferência de São irmã de Molequinho. Prevaleceu a sugestão fundado em Madureira. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 138 partido-alto. o subúrbio de Madureira da escola de samba Prazer da resolveram fundar uma escola e o Carnaval carioca. que fora da Serrinha. Sebastião do compositor Antenor. Serrinha havia um dono. vencido. o Império Serrano.

samba-enredo .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 139 partido-alto. samba de terreiro.

e não à frente. o Império história da escola ocorreu em Nunca teve um patrono. Como seu genro. como algo se notabilizou por compositores venceu no Grupo de Acesso. uma homenagem escola eram trabalhadores do Oliveira. a escola os tempos. E esta luta continua. não poupou manteve a dianteira. que contava a Molequinho e Dona Eulália. Inovações que se Aluísio Machado. foi tornaram regra de todas as outras história dos antigos carnavais e é o primeiro presidente da nova escolas até hoje. Como na destacar no ramo. O cais do porto do Rio de Janeiro 14 sambas cantados na Avenida. Depois de terminar a década diretoria é escolhida em eleições com as melhores e ganhando. Foi de 1970 em baixa — quando livres. em 1979 —. em especial. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 140 partido-alto. a escola e o Especial. autor de nada menos que ao Estado de Pernambuco. um dos mais populares de todos agremiação. nem terceiro grupo. de organização fez a diferença Ivone Lara. Império ganhou nota dez em e traziam a experiência da Outros autores de destaque foram todos os quesitos e voltou para o militância sindical. Nos anos 90. a escola primeiro momento. irmão de era costume. de Beto Sem Braço e como João Gradim. -sala e porta-bandeira no meio samba-enredo Bum bum paticumbum João de Oliveira. época ainda não havia segundo Um dos maiores sucessos da de opinião. A capacidade Mano Décio da Viola e Dona Grupo Especial. conhecido da escola. 50 e 51. líder comunitário de grande a primeira escola a trazer todos chegou a disputar o segundo importância para a consolidação os seus componentes fantasiados grupo. Muitos de seus problemas . como Depois da boa estreia. o signo da liberdade de expressão. Em 2000. samba de terreiro. à Avenida com o antológico nossa cidade. e sua Serrano começou concorrendo 1982. Silas de Guararapes”. novo e diferente. de samba-enredo que renovaram com o enredo “Os canhões de Os primeiros dirigentes da o gênero. desde o Nas décadas de 1950 e 60. como prugurundum. esforços para que o Império os campeonatos de 1949. conquistando amargou alguns rebaixamentos. Mano Elói. oscilando entre o Grupo de Acesso Serrano se impusesse. samba-enredo Dias. primeira mulher a se O Império Serrano nasceu sob na gestão da escola. a escola foi da cultura afro-brasileira em e também a ter o casal de mestre. a escola era chamado.

afro-brasileiros). dos grêmios — o Unidos da Grota. de Paulino de Oliveira e na perdendo apenas para Mangueira de uma fábrica de conservas e de casa das benzedeiras. religioso. A fé no santo e do samba. dono Santo. na década de . no vezes. Em um concurso Quilombo do Samba. O nome Salgueiro veio terreiro de Seu Oscar Monteiro. por ex-escravos e migrantes. É a terceira colocada em número do português Domingos Alves na Tenda Espírita Divino Espírito de campeonatos conquistados. ocupado no início do século XX Sport Club Azul e Branco e o Em seus 59 anos de existência. o que a caracteriza salgueirenses davam nomes às (correspondente. Salgueiro. Neca da Baiana. moradores do Salgueiro pelas cores tradição cultural de matriz afro. e o orixá Xangô colocações. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 141 partido-alto. o Grêmio Recreativo — a democracia tem seu preço. Anacleto Salgueiro. samba-enredo grêmio recreativo escola DE SAMBA Acadêmicos do Salgueiro advêm exatamente dessa estrutura O Morro do Salgueiro foi Dominó. Canto do Vovô. ambas com mais anos barracos no morro. Grêmio Recreativo Cultivista organizado no morro. o Serrano é conhecido como o Português —. comemorado pela igreja católica no reduto é o Morro da Serrinha. no sincretismo como uma das grandes escolas localidades do morro: Sossego. Pedacinho do Céu. sendo quatro consecutivas. e Portela. Por em torno das tendinhas e vendas — O morro abrigou blocos como o suas características de preservação de Ana Bororó. A vida começou a se organizar vermelho e branco. Anjo da Guarda. no orixá explica a predileção dos preserva de maneira exemplar a Carvalho da Cruz. a São Jerônimo. o Capricho do e culto à tradição. mesma data em no limite entre os bairros de Trapicheiro. os primeiros 20 de janeiro. o Príncipe da Floresta. Grota. e da foi campeã do Carnaval por nove pobre do interior e de outros religiosidade — no Cruzeiro. reverenciado em -campeonatos e nove terceiras moradias humildes. Rua Cinco. de samba do Rio de Janeiro. gente Cabaré do Calça Larga —. Caminho Largo. Ali. Seu Campo. -brasileira do Rio de Janeiro. o Império Casemiro Calça Larga. samba de terreiro. além Sempre Tem. que Xangô é celebrado nos cultos Madureira e Vaz Lobo. dia 30 de setembro. Já recebeu dez vice. Ao mesmo São padroeiros do morro: de trajetória. Estados. Flor dos Camiseiros. comerciante. Portugal Pequeno. se cultua o jongo e se Terreirão. tempo em que iam erguendo suas São Sebastião.

foi fundada em 5 de samba Unidos do Salgueiro (azul de forças: de março de 1953. Duduca. vermelho e o branco como cores Gargalhada. então A cidade exclamará em voz alta: período. Frequentadores do samba “Chica da Silva” (1963). o Salgueiro marcou compositores locais . Portela .Geraldo uma mudança nos desfiles. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 142 partido-alto. Bala. Babão. Pamplona. chegou a Academia! a sambista Isabel Valença a ser . resultado Ceciliano. Vamos balançar a roseira. Guará. Salgueiro e Terreiro Grande. da bandeira. “Chica da Silva” levou dominados por Mangueira. por Dona Alice da Tendinha. “Chico- Anescar. Paulino de Pro povo nos classificar principalmente do trabalho do Oliveira e Mané Macaco. Noel Rosa de Oliveira. e Império Serrano. Abelardo. Foi em 1953 A nova escola. em vez dos temas A Depois Eu Digo reunia Pedro um ritmo de bateria históricos tradicionais. Com enredos inspirados em Joaquim Casemiro. Vamos apresentar -brasileira. Acadêmicos do Salgueiro recebeu fusão dos blocos Capricho do o Salgueiro apresenta os seus componentes. o Peru. samba-enredo 1930. samba de terreiro. estava uma só união. Se houver opinião. na Mangueira. em bacharel. por sambistas e rosa). Eduardo Teixeira. Vão conhecer o Salgueiro Rei” (1964) e “Bahia de todos Djalma Sabiá -. e a Salgueiro. e Branco. cenógrafo e carnavalesco Fernando Apesar do brilho dos Bacharel em harmonia. Na roda de gente bamba. as agremiações Como primeiro em melodia. o Calça Larga. que escolheram o A Azul e Branco tinha Antenor Dar um susto na Portela. Paolino Santoro. Antenor Gargalhada.Chegou. personagens e na cultura afro- uma das lideranças do morro. Poucos anos depois. Azul e Branco e Depois Eu da Depois Eu Digo e da Azul Digo (branco e verde). a Acadêmicos daqueles blocos surgiram as escolas que Geraldo Babão propôs a união do Salgueiro. os deuses” (1969) são alguns do morro não se saíam bem dos temas do Salgueiro nesse nos desfiles de Carnaval. “Quilombo dos Palmares” (1960). no Império. o Italianinho do a Unidos do Salgueiro acabou. Na Unidos do Salgueiro.

um jovem bailarino do Theatro Municipal foi trabalhar com Fernando Pamplona no Salgueiro. Após grande polêmica na cidade. Joãosinho faria uma revolução nos desfiles das escolas (primeiro no Salgueiro. samba-enredo ala das Baianas do Salgueiro. 1963. fantasiada como Chica. consagrada. . 1974. O Salgueiro venceu oito carnavais do Rio de Janeiro. Nas décadas de 1970 e 1980. Foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio. 1971. os de 1960. foto: diego mendes. 1965. samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 143 partido-alto. 1975 e 1993. Acervo Centro Cultural Cartola. Em 1965. 1969. fazendo prevalecer o visual sobre o samba no pé. Isabel. criando superalegorias que seriam acusadas de esconder os sambistas. Joãosinho Trinta. depois na Beija-Flor). participou do concurso de fantasias de luxo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o venceu.

Walter Herrice. na época de de São Carlos. deixaram as escolas do Morro de Ismael Silva. entre outros. Nilton Bastos. samba de terreiro. foi Dez anos depois. vermelho e branco por serem as de Samba Estácio de Sá foi criado Naquela época. São Carlos fora dos desfiles de Rubens. em fins dos anos do bairro do Estácio de Sá a samba carioca foi imortalizado pelos . O grande fundada na Rua da Capela. no Larguinho. levava as cores verde estão Miro. para arrecadar recursos com os Assim. fundada em 1947. como símbolo. A agremiação surgiu da fusão sobrevivência era o Livro de Ouro considerada pelos sambistas a de três escolas do Morro da São — prática comum entre as escolas primeira escola de samba. Caldez. por Acelino dos Santos (Bicho defender a fusão das agremiações Novo). em uma só: a Unidos de São Grêmio Geleia. A Recreio Bagulho. em 1965. com pequena do América Futebol Clube (time em 27 de fevereiro de 1955. no 1953 e 1954. e suas cores eram branco e. Manuel escola de samba ramo e uma baiana. Bide. bem mais recente. Morenas. com subvenção e sem apoio financeiro de futebol adorado por moradores o nome de Unidos de São Carlos. Cândido e rosa e tinha como símbolo um Canário. Mano A Cada Ano Sai Melhor. duas o verde e o branco. o berço das escolas de a Paraíso das Morenas e a Recreio comerciantes. Unidos de de São Carlos — inicialmente Sidney Conceição. São Carlos/ 1929. Entre os seus fundadores recreativo Gaudêncio. o que levou sambistas valor do bairro do Estácio para o Beco da Padeira. Maurício Gomes da Silva. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 144 partido-alto. samba-enredo 20. Carlos: a Cada Ano Sai Melhor. externo. na localidade denominada Foram adotadas as cores azul e Estácio de Sá Atrás do Zinco. As dificuldades samba foi o Estácio. José Botelho. Xangô e Carlos. Rubem. a única fonte de do morro) e da Deixa Falar. chamada Vê Se Pode — nasceu em Zacharias do Estácio. Marçal. com as cores as cores foram mudadas para o O Grêmio Recreativo Escola azul e rosa. A Paraíso das mãos entrelaçadas. Miquimba. Chiquinho.

com o enredo “Deixa falar”. principalmente devido à Oi! Deixa o couro comer . Depois de um Deixa Falar Já fui convidada início de muitas dificuldades. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 145 partido-alto. a (Elinto Pires e Sidney da Conceição) para ser estrela escola passou a apresentar bons Do nosso cinema desfiles no Carnaval. pela Unidos de Viradouro. desse modo. na década Vai levantar poeira Ser estrela é bem fácil de 1970. uma vez por semana o veto do enredo. a São Carlos declarou eu gostar de você Não vive na areia de Copacabana em desfile a sua filiação. herdeira segundo grupo. E felicidade maior natural dos “bambas” da Estácio neste mundo não há e da Deixa Falar. O desfile o samba é a corda Nasci no Estácio aconteceu. Mas não Eu sou diretora A São Carlos pode ser foi bem-sucedida e caiu para o da escola do Estácio de Sá considerada. e o samba se tornou um Eu sou a caçamba Não posso mudar clássico. de tal modo que voltou a E não acredito minha massa de sangue ser cantado em desfile. o pároco da Basílica e na escola de samba Pra ser a rainha o organizador da festa de Nazaré Sou independente. Você tem vontade polêmica. de um grande palácio enviaram carta ao governador do conforme se vê E dar um banquete Estado do Rio de Janeiro pedindo Nasci no Estácio. foi responsável por grande Nasci no Estácio. Que possa fazer palmeira do Mangue Em 1980. Argumentando que seria fui educada na roda de bamba que eu abandone difícil conciliar festa religiosa e Fui diplomada O Largo do Estácio Carnaval. “x” do problema. samba-enredo próprios sambistas. como mostra O Sair do Estácio é que é qualidade de seus sambas-enredos. em 2004. com Festa do Círio de Nazaré. de Noel Rosa: O “x” do problema Em 1975. que haja muamba Você pode crer. samba de terreiro.

iaiá É o samba. O Estácio virou tema Seu passado é um poema Agora é que eu quero ver É o samba. ioiô Mostrando pro mundo inteiro O seu berço verdadeiro Onde nasceu e se criou É samba de roda Batucada e candomblé Tem capoeira e gafieira dando olé Foi Ismael O criador da primeira escola Ao som do surdo e da viola Fez o nosso povo cantar Poesia e fantasia Num carrossel de ilusão Viemos mostrar agora O velho Estado de outrora Revivendo a tradição Deixa Falar. ô. samba-enredo Fachada do GRES Estácio de Sá. Deixa Falar .. ô. samba de terreiro..dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 146 partido-alto.. Acervo Centro Cultural Cartola..

sendo até contestada . das escolas mais fracas). samba-enredo Relembrando aquele tempo mas em 1992. O coração. foi embora. e aquilo Os efeitos da mudança não Os olhos miúdos de Tia Atanásia estava me moendo. bate forte. um dos mais foi dada pelo então presidente desce do alto do Morro de São Carlos quando tradicionais mestres-salas do da escola. Antônio Gentil: “São é levada ao médico. em 25 de em reportagem do jornal O Dia. acreditei que a minha escola ia .A campeã é a Estácio! meu coração sossegado. Estácio é status”. estava com o mais antigos. brilharam. com o enredo -se da poltrona onde passa a maior parte do Que não pode mais voltar “Pauliceia desvairada — 70 anos tempo e gritou para quem estava na sala: de modernismo”. levantou. cheguei em casa no rejeitada por alguns dos sambistas ouviu o locutor da Riotur anunciar na tevê: dia e tomei um calmantezinho. A E nunca bateu com tanta intensidade como decisão foi cercada de polêmica e na tarde de Quarta-feira de Cinzas. em 4 novo rótulo para vender de novo. de abril do mesmo ano. também deixou Carlos é hoje uma empresa que e a última vez que pôs os pés na quadra da suas impressões sobre aquela não vende bem. perde e título de campeã. quando Eu me resguardei. bandeira. sendo necessário escola foi há mais de 15 anos. de agradecendo a Deus a notícia que esperava há março de 1983 os dirigentes da 8 de março de 1992: quase um século. canto e estou escutando: 10. levantou a arquibancada e Sentou-se novamente. Quando a Mangueira se fizeram sentir de imediato. 10. Tia Atanásia só estava rezando. comprimiu as “sobe” para o grupo das escolas conquistou o primeiro e único mãos junto ao peito e deixou todo mundo mais fortes. A justificativa Aos 92 anos. Ela cerrou os punhos. entretanto. Fiquei quieto no meu na justiça. concorre. Os olhos já vitória. Além disso.Não disse? Eu sabia! Ao tentar escapar da imagem de a Semana de Arte Moderna de escola “ioiô” (aquela que num ano 1922. Atanásia de Oliveira só Bicho Novo. mas prevaleceu. escola decidiram mudar seu nome para Estácio de Sá. pensando que ela estivesse passando “cai” novamente para o grupo dessa conquista pode ser percebida mal. samba de terreiro. As pernas estão fracas Carnaval do Rio. em depoimento ao Museu vestir nova embalagem. a escola festejou . dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 147 partido-alto. A grandiosidade assustado. colocar um não enxergam direito o vermelho e branco da da Imagem e do Som (MIS).

com todos os conhecidos do público. que primava leva à Avenida sambas bastante ainda não era a da Unidos de pela organização. a escola retornou ao Grupo Drumond. Em 2007. onde nasceu e cresceu. Seu China se mudara para a Vila aguentei e fui embora. mas eu tinha que ver. que um dos muitos blocos do bairro. o Vermelho e Branco. componentes fantasiados. Seu China propôs você? (de 1983. E chorei. por causa da assinatura Isabel. meus olhos complexo do Morro dos Macacos. Na hora da apuração eu não irradiador de tendências musicais. O nome dado ao bairro Ela reuniu componentes de Especial com “Tititi do Sapoti”. pelo Barão de desfilar na Praça Onze. espírito folião. a Fundada em 4 de abril de 1946. já era a Vila de Noel Rosa. o Seu China. vilas operárias Fernandes da Silveira. foi uma homenagem à princesa blocos como o Acadêmicos de Vila samba de 1987. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 148 partido-alto. Quando cheguei aqui ponto de encontro da classe média no começo da década de 1940. o desde 2005 reedita enredos e morrera na década anterior. mas Acadêmicos da Vila. a data da Manchete me perguntou e eu disse: se não a Unidos de Vila Isabel é a escola de assinatura deu nome ao Boulevard houver sabotagem. De recordado em 2005) e Quem é Macacos. Desfilava na rua de Acesso A e depois para o B. com sua de samba no bairro foi de Antônio os meus companheiros não verem. levado ao público em um projeto arrojado e a criação de uma agremiação para novamente em 2006). a minha escola é campeã. samba de terreiro. que nos na fonte de onde jorrou o samba Seu China ouviu uma batucada e últimos anos caiu para o Grupo urbano e carioca. A Vila negra na legendária Bahia (de 1976. samba-enredo Grêmio recreativo escola de samba Unidos de Vila Isabel ser campeã. samba do bairro de Vila Isabel e do Vinte e Oito de Setembro. de ala não gostou. chapéu para ver a plateia e meu presidente e fábricas. para Bairro planejado. Antiga sede da Fazenda dos não podia ficar sem uma escola. que procurava os sambistas dos inspiração para a fundação da escola morros para beber diretamente veio no Carnaval de 1946. carnavalesca foi um centro na Tijuca. como Arte Vila Isabel. Nos anos 40. A ideia de se criar uma escola encheram d’água e eu chorei escondido. a região foi urbanizada. Antes disso. quando A Estácio de Sá. afrancesado. foi ver o que era. a vila boêmia e Oriundo do Morro do Salgueiro. Tirei o avenida larga. lá na Avenida. Quando entrei e vi a plateia.33 . Isabel. A já estava cheio de gente. da Lei do Ventre Livre.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 149 partido-alto. samba-enredo Fachada do GRES Vila Isabel. samba de terreiro. Acervo Centro Cultural Cartola .

porta-bandeira. em torno da poderosa figura de Brazão) e Servan Heitor Do Morro dos Macacos . até a segunda metade da década de Muitas atas da Unidos de Vila Isabel A seu lado na ala de compositores 1950. é um retrato de grandes dificuldades. maior vencedor de sambas-enredo Seu China foi o primeiro Terreirinho. Ganhou os concursos presidente. foram redigidas no porão da Rua Conselheiro brilharam (e brilham) nomes As cores branco e azul foram Autran 27. na Bandeira -. 1948. 1956. na subida unir o bairro. a ata de fundação da nova escola primeiro desfile. do Salgueiro. 1950. Joaquim José Rodrigues Raquel Amaral como mestre-sala e A ala de compositores da (Quinzinho). repetem as da escola de samba Azul levava os rascunhos das reuniões e passava-os Gemeu. o branco “vem as importantes decisões tomadas na casa de Até meados dos anos 60. Djalma Sapo. foi por anos. Ari Barbosa. Irany Olho Verde. 1952. em bom português. onde vivia seu Eurico. e o quintal de sua casa. do Morro dos Macacos. 1973 e 1976. a Vila apresentou estudantes redigiam atas e enredos. A escola e o Antônio Rodrigues (Tuninho “De escrava a rainha”). Ele Simplício. em seu Comerciantes assinavam o livro de ouro. 1949. mais como Tião Graúna. Rodolpho de Souza. Ailton Cleber. Osmar Mariano. da Vila. até hoje. 1965. quando cada morador do bairro conjunto das escolas e dos sambistas. o de Carvalho. o que indica seu China. o enredo “A escrava rainha” (ou de casa ajudavam nas fantasias. e Branco. tendo Tião Arroz e da Silva. tinha um compromisso afetivo com a escola. Caminho Central. 1954. donas Seu China. o terreiro de ensaios. 1957. Paulo Brazão. samba-enredo o Dona Maria Tataia. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 150 partido-alto. escolhidas por Seu China e conhecido fora da escola como Moreira. Assinaram No Carnaval de 1947. . 1959.34 Carpinteiro). 1961. a na frente” do azul. Rua Senador Nabuco 248. Acontecia ali pelos começos dos história da Vila. assim como a do a predominância da primeira cor anos 50. samba de terreiro. Bambuzal. Ele é. que ele ao futuro médico que morava no andar de Martinho da Vila e Luiz Carlos integrara. Mas há uma inversão. cima para que ele pusesse. Cesso Paulo Brazão. No caso da Vila. a escola partiu para de 1947. samba de bairro eram uma coisa só. 1964. 1963. sobre a outra. Pau da na escola. Pedreira. e Osmar Mariano Unidos de Vila Isabel se constituiu Paulo Gomes de Aquino (Paulo como mestre de bateria.

o primeiro samba-enredo assinado (de Rodolpho de Souza. Mocidade Independente de festa de confraternização”. Assinada por Martinho. que são as baianas e a bateria. Jonas o patrimônio da Escola. Nossa sede é nossa sede/de que o primeiras colocações. a Vila saiu da No ano seguinte. Assim solução era o “Livro de Ouro”: eu percorria o Padre Miguel (1979) e Imperatriz começava a sinopse de “Kizomba. Um marco “Kizomba é uma palavra do apartheid se destrua. porque samba no Rio de Janeiro. para botar Carnaval as vitórias da Beija-Flor (1976 a de pessoas que se identificam numa na rua.35 por Martinho da Vila. vice-campeã do Aprendizes da Boca do Mato. dizia o samba. com o enredo tema. qualquer quantia servia. o imaginário infantil. naquela época a Unidos de Vila Isabel foi o foi 1967. De novo. O dos mais emocionantes da história segundo grupo. ano de Carnaval das ilusões. As fantasias eram coloridas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 151 partido-alto. recém-chegado da e a um desfile apontado como um Em 1965. O que mais marcou O ano-chave na história da Vila escravatura. Seu China lembrava: para outras escolas. “Epopeia do Theatro Municipal”. . o enredo que a escola doações. samba-enredo Em entrevista ao jornal Correio da que. que se revezavam nas A vez da Vila chegou em 1988. a de Martinho. a sinopse deu origem a um samba coro de baiano. o Império Serrano e o liderança inconteste. em parceria Rodrigues e Luiz Carlos da Vila) com Gemeu. do centenário da Abolição da o dinheiro era pouco. Vila subiu para o grupo principal. das quatro grandes. e posição de “escola que poderia colocada e quebrou a hegemonia o samba-enredo fugia do modelo cair” para a que marcou a história. A 1978). samba de terreiro. a escola ficou ao cantar a afirmação da herança então conhecidas a Mangueira. a da tradição de enredos históricos. mergulhada em crise financeira. e festa da raça”. não se ensaiando na rua. uma das línguas da Manhã. fugia do Carnaval carioca. abriu as portas kimbundu. não como atualmente. a comércio de Vila Isabel pedindo assinaturas e Leopoldinense (1980 e 1981). Salgueiro. pode-se dizer. a subvenção era de 300 cruzeiros. A que culminaria nos anos 70 com palavra kizomba significa encontro Naquele tempo. Sem quadra. como eram canônico. E ganhou uma africana. a em quarto lugar. no movimento República Popular de Angola. As fantasias redefiniria o mapa do poder no levou para a Avenida no Carnaval eram bonitas. em 1971. num libelo libertário: Portela. foi a quarta prendendo ao branco e ao azul.

.dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 152 partido-alto. samba-enredo mapa do samba no rio de janeiro. samba de terreiro.

Mocidade Unida do Santa Marta 6. Unidos do Cabral 15. Centro Cultural Carioca 23. Acadêmicos da Abolição 39. Mocidade de Vicente de Carvalho 1. Centro Cultural Cartola 12. Pagode da Tia Ciça 28. Infantes da Piedade 70. Trapiche Gamboa 33. Inocentes de Belford Roxo 71. Vizinha Faladeira . Acadêmicos do Cubango 42. Sambódromo 9. União de Jacarepaguá 1. Acadêmicos do Salgueiro 46. Cidade do Samba 11. Unidos da Ponte 4. Unidos da Vila Santa Teresa 7. Pagode da Tia Doca 29. Tradição Rodas de Samba 15. Independente da Praça da Bandeira 69. Pedra do Sal e Morro da Conceição 2. Leão de Nova Iguaçu 72. Unidos do Anil 14. Samba do Trabalhador 32. samba-enredo Escolas de Samba 37. Acadêmicos de Vigário Geral 41. Imperial 66. Praça Onze 4. Em Cima da Hora 60. Unidos Uraiti 35. Delírio da Zona Oeste 58. Flor da Mina do Andaraí 63. Unidos do Cabuçu 16. Caprichosos de Pilares 56. Gato do Bonsucesso 64. Estação Primeira de Mangueira 61. samba de terreiro. Pagode da Tia Eliza 30. Boi da Ilha do Governador 54. Arrastão de Cascadura 51. Acadêmicos da Rocinha 40. Morro da Favela 3. Casa da Mãe Joana 22. Largo do Estácio 5. União da Ilha do Governador 16. Bip Bip 17. Acadêmicos do Engenho da Rainha 44. Lins Imperial Locais de Referência 38. Corações Unidos do Amarelinho 57. Alegria da Zona Sul 48. União do Parque Curicica 3. Unidos de Lucas 10. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 153 partido-alto. Acadêmicos do Dendê 43. Acadêmicos do Sossego 47. Unidos do Sacramento 34. Escravos da Mauá / Circuito-Mauá 27. Mocidade Independente de 1. Carioca da Gema 20. Acadêmicos da Barra da Tijuca Inhaúma 2. Acadêmicos de Santa Cruz Padre Miguel 4. Rosa de Ouro 11. Estácio de Sá 62. Arranco 50. Império da Tijuca 67. Avenida Rio Branco 7. Centro Cultural Memórias do Rio 24. Difícil é o Nome 59. Renascer de Jacarepaguá 10. Mocidade Independente de 3. Casa Brasil Mestiço 21. Unidos de Manguinhos 11. Clube Democráticos 25. Acadêmicos do Grande Rio 45. Candogueiro 19. Terreirão do Samba 10. Igreja da Penha 6. Beija-Flor de Nilópolis 52. Arame de Ricardo 49. Avenida Presidente Vargas 8. São Clemente 13. Unidos do Viradouro 36. Clube Renascença 26. Unidos de Cosmos 9. Império Serrano 68. União de Vaz Lobo 2. Imperatriz Leopoldinense 65. Porto da Pedra 9. Unidos da Vila Kennedy 6. Paraíso do Tuiuti 7. Portela 8. Unidos de Vila Isabel 13. Unidos da Tijuca 5. Unidos de Padre Miguel 12. Unidos da Vila Rica 8. Unidos do Jacarezinho 17. Cacique de Ramos 18. Sereno de Campo Grande 14. Boêmios de Inhaúma 53. Canários das Laranjeiras 55. Mocidade Unida de Jacarepaguá 5. Pagode do Carlinhos Doutor 31.

samba-enredo objeto do registro . samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 154 partido-alto.

e desfilantes a cada noite de pulsante no Rio de Janeiro. os mestres. em quintais. pandeiro. reunindo milhares de espectadores O samba é. com a utilização o título de maior espetáculo da cultural reconhecido. samba de terreiro e samba-enredo são formas de expressão e manifestação musical e Atualmente. cuíca. Acervo Centro Cultural Cartola. metropolitana. O samba é importante elemento de identidade e expressão coreográfica do samba promovidas grandes escolas de samba ganhou na vida dessas pessoas. fundamentos. agogô e outros. samba de terreiro. E isso graças à de instrumentos de cordas. dos subúrbios à Zona Sul. estruturas pelos depositários dessas tradições. violão de seis ou a perda de visibilidade das pela energia radiante de sua dança . Mas elas Esses depositários são as velhas continuam intensas no cotidiano matrizes do guardas. Terra. apresentadas e transmitidas cidade . sambistas como memória viva do das rodas de samba tradicionais samba no Rio que se espalham por toda a região de Janeiro. cavaquinho. assim. ou não. que se deseja de instrumentos de percussão. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 155 partido-alto. samba-enredo Roda de Samba. variando de acordo com a situação.as suas raízes. um valor no Rio de Janeiro. os baluartes. como espetáculo contribuíram para riqueza poética. impregnando o cotidiano da cidade Ocorrem acompanhados.. conforme sejam matrizes tradicionais do samba na criadas. O desfile das clubes. bares. etc. surdo. melódica e rítmica. P artido-alto. do samba de terreiro essência. uma cultura reco-reco. sete cordas. das pequenas agremiações pelas próprias comunidades de que lutam para sobreviver e desfilar. das comunidades de sambistas os “bambas” e seus herdeiros identificadas com a preservação samba no rio com notório saber dos ofícios do e transmissão de sua memória e de janeiro partido-alto. Carnaval no Sambódromo. básicas. tamborim. com forte apelo visual. reconhecidos guardas. o universo do samba no Rio de Janeiro é múltiplo e complexo. As pressões da indústria do e dos sambistas. como é o caso das velhas e do samba-enredo. promover e destacar cada vez mais.

O samba não O João Nogueira diz o seguinte: segurança. porque tenho partido político. fazer parte de suas vidas. O samba é lazer e é também trabalho. porque eu estava batendo errado.. “Não precisa se estar feliz. todo mundo fazia em que o Império desfilava na Vila da Penha um bocado de coisas. fui do Conselho a minha vida. Eu tomei conta do e desfilava em Madureira. ele foi “Ninguém faz samba só porque prefere. é a reposta legal. trabalhei aqui. samba de terreiro. Ela surge do nada. com uma rapaziada boa. no tempo (Rody) Antigamente. com tudo se mistura e se confunde. feijoadas. Eu João Nogueira. mais do que O samba é a essência da minha vida.. o meu partido é o No Império Serrano fui mestre-sala. simplesmente. E. samba-enredo . passista e saí na bateria com o Seu Alcides tem aquela licença do samba. ainda. sempre convivi no meio do Olha. foi importante na minha vida. mas não era só cinco Estandartes de Ouro. o samba é porque eu nasci. fui vigia compositor que me tornei mais conhecido (Nelson Sargento) (vigia mesmo) dentro do barracão. família. Este é o valor excepcional do (Surica) O samba no Rio reúne. pelos mais homenagem a padroeiros. (Adilson Bispo) casamentos animados por ele. quem convive no meio de bamba partido-alto. era departamento de segurança. essas comunidades. fui bambas. procissões de (Aloísio Machado) inspiração. fui porteiro do barracão. tudo isso se encontra no mundo do sobre o poder da criação. O samba faz parte da minha vida. Fui várias vezes campeão e ganhei na quadra como segurança.. em aniversários e nasci no samba e no samba hei de morrer. se refugiar em lugar bonito. alia.. parceiros. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 156 partido-alto.] família de samba e convivendo no meio de eu não tenho partido. Nem alegria festiva de suas cenas. . samba no Rio de Janeiro. pra te dizer a verdade eu não a sua vida.. O samba é tudo (Monarco) Gregório dando vassourada na minha cabeça para mim. Que força nenhuma do mundo interfere umas quatro ou cinco gestões de presidentes. Amigos. não. essas coisas [. Ela surge. barracão. nem aflito. Me considero raiz do samba. em busca de suas rodas.” Essa resposta do de bandeiras e velhas guardas ou.que começa no simples bater das amores. encontros diversos motivos. para mim. Trago no sangue o micróbio do samba. samba. Para integra.. pela samba. Mas foi como O samba é um bonito modo de viver.” E ainda diz mais: palmas das mãos.

que. rua.. E é tão bonito.. O sentimento de pertencimento nove anos. samba-enredo saí na bateria (firme. não surge mais um Cartola. pra. garotos que têm talento.. (Pery Aimoré) A transmissão dos fui gostando.. me levava. “Vai à padaria comprar cinco. naquela época. fazia de coração se voltasse de novo. para fazer com o maior gosto. lá como porta-estandarte.. eu e (Tantinho) mãe também saía na ala das baianas da os outros. Tenho a escola como uma de baiana pra brincar o Carnaval de rua. Carnaval. novos sambista a um grupo. grande relevância. Todo garoto que a uma comunidade é parte Vaz Lobo. Era de odalisca. só surgiu um e acabou. com sete anos eu saber de alto valor. de repente. e a minha Passar o que passei dentro do barracão. ele.. quatro. é do morro. olha. o seu grupo.. Clara... O início dele é na bateria.] Saía quase junto do se. pirata.. sabe lá fantasia. não era fácil [. Aí com talentos. me vi envolvida com a União de normal.] “com entretenimento. Era dificílimo. e meu pai se vestia de bisnagas”.. uma cerveja preta. Então isso tudo foi me incentivando.. “Compra uma mortadela” [. na conhecimentos no samba é Rua D.. seis União de Vaz Lobo. Vaz Lobo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 157 partido-alto. eu vou te é igual a Pelé. que era mestre-sala de rancho. que Cartola então aquilo foi me incentivando. samba de terreiro. com meus (Pery Aimoré) talento pra compor. ter um garoto do local pai.. mas Que a minha mãe era porta-bandeira de contar. legal). tocando tamborim.] A noite (Djalma Sabiá) E..” A cerveja preta enche.. aí de repente me vi envolvida dia a dia. que seja um bom compositor. tinha um bloco... era o Unidos Ele é reconhecido como um apontada como uma atividade de de D. Clara. três anos. A prática do samba liga o com a bandeira.. surgem bons garotos. bateria é normal. bons. com a minha mãe e meu um garoto do local... que se dá no já dava no pé. o pai do Benício. maior prazer. como um estudo. Foi na bateria dos sambistas. Então eu fui gostando.. cultura. Aí comecei a sair Tem que formar garoto novo.. .. baiana. [. Mas tem garoto que tem Porque desde pequenininha. A gente cortava direitinho... me vestiam cada ano com um tipo de Era difícil mesmo botar a escola na que crie... e aonde que eu morava. importante do universo (Vilma Nascimento) como eu fui no início. e eu era. homem se vestia aí. Bisnaga não era desse tamanho Eu não tenho a escola só como baiana. surgem compositores rancho. e eu tinha um tio. Garoto de bateria tudo bem. quando a minha mãe ia para a União de inteira pela Vila Isabel.

Acho importante o da população. gringo lá de fora. Está em minha mente. (Aloísio Machado) sem grandes estrelas.. Portela. pois sempre que precisa desse reconhecimento todo. até direitinho como é que esse negócio de samba Então. o reconhecimento do samba fazer um samba para ela. importantíssimo. Eu era vizinho da casa do Paulo da Finalmente este país faz o reconhecimento quando eles acordaram. o samba estava aí. em Paraíba do Sul. da música que o representa.. Aí eu ia lá no ensaio da anos atrás e toda a Europa curte o samba em Portela e ficava vendo. Então é um patrimônio sim. reconhecimento da necessidade de preservação . O que eu tenho inspira. e tem fomos discriminados e desacreditados. de origem negra. atrai e apaixona. E aí. segmento que não tinha força. Cruz! Você vê como o destino foi bom para Ele veio subindo. defender e vender as suas do samba no Rio de Janeiro como partituras. Com o samba isto não ocorreu. Isto foi há muitos anos.. feito com muita seriedade. eu cheguei menino ainda. fazendo samba direito. um negócio (Rubem Confete) ainda.. motivo. porque Por isso. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 158 partido-alto. a comunidade de sambistas contaram sempre com a preocupação dos (Wilson Moreira) defendeu o registro das matrizes editores de mostrar. O danças. Por esse que quer dizer isto? Todos os gêneros musicais são coisas deles. o samba do samba como patrimônio cultural brasileiro. Já (Nelson Sargento) estão reproduzindo na Europa gravações de veio no sangue. do Japão até.. querendo reconhecimento da importância de um (Monarco) conhecer a gente. E fui feliz de o meu cresceu e se tornou tão importante que vem como patrimônio imaterial do Brasil é o samba ser cantado pelas pastoras da Portela. eu tinha medo de entrar naquela turma fazendo é um negócio de louco. E de repente eu fui morar em Oswaldo patrimônio imaterial do Brasil. tombamento. samba de terreiro. reconhecido pela sua força Considero fundamental a declaração do tendo que passar obrigatoriamente pelo criativa e beleza. Hoje os editores Eu já gostava de fazer meus sambinhas.. minha tia mostrava as músicas e fronteiras do Estado e do país. Então. porque é preciso mostrar fui aprendendo. musical do mundo fora da linha editorial. de longe assim. samba-enredo Meus avós do interior tocavam lundu Rio de Janeiro ultrapassou as por situar o samba como a maior expressão e jongo. pegando força e mim. eu fui ensaiando. Fundamental na afirmação que divulgar pra todo mundo saber e respeitar O samba se tornou uma grande força social das camadas mais pobres ainda mais. esse movimento que estão nossos dias. com o tempo.

tanto no que se de rica expressão artística e da indústria do espetáculo e do refere à música quanto à dança. afrouxando--se laços preservação do samba carioca. E constituiu-se. como o pandeiro e . acentuadamente nas duas últimas saber fazer do samba tradicional e prestigiando um bem cultural décadas do século. em partido-alto e ao samba de terreiro. num projeto ainda apelo comercial e turístico mais de manifestação originais dessa não concluído no país. no que diz respeito ao que o reconhecimento dessas Janeiro. A partir dos anos 60 e 70 e.imposição Isso pode ser notado na redução história da cidade do Rio de de modelos e padrões importados do número de solistas de alguns Janeiro e do Brasil. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 159 partido-alto. matrizes — o partido-alto. de Janeiro como manifestações de solidariedade e sentimentos de (Rubem Confete) vivas e ricas da cultura popular. num elemento em comunidades tradicionais de -enredo — contribuirá para fundamental na construção da sambistas. que se concentram enfraquecimento verificado. de integração social das camadas Esse processo pode ser Diante do descrito. um meio de expressão de anseios na diminuição de suas práticas o samba de terreiro e o samba. na área cultural e no consumo instrumentos. julgamos mais pobres da população no Rio de identificado. samba-enredo SITUAÇÃO das casas de culto omolokô. a derrubar barreiras e eliminar no gênero samba-enredo. em especial nas quadras a redução do processo de identidade nacional.e a crise urbana que a energia primeira. ainda. mais dificuldades de transmissão do em especial as velhas guardas. Demorô. de para a valorização dos espaços preconceitos. imediato. que ainda está aí. grupo. Ele também aparece nas arte e dos sambistas tradicionais. o crescimento seus fundamentos. pessoais e sociais. samba de terreiro. de onde partiu O partido-alto. provocaram uma redução na Reconhecido pelo seu alto valor valorização dessas matrizes do samba. o samba em geral . o samba contribuiu com a diminuição dos espaços (Surica) significativamente para o processo tradicionais para a sua manifestação. artístico. enorme importância para a turismo. ajudando das escolas. a globalização . Não de terreiro e o samba-enredo esgarçou o tecido social nas se pode desassociar o aspecto religioso da atravessaram o século XX no Rio metrópoles.

ainda na criação. das escolas para o samba de terreiro. De um lado. por chamado pelos próprios sambistas. depositários reconhecidos sobrevivência do interesse popular ritmistas. que novos espaços tenham sido sambistas. de escolas (ou cursos Outro sinal são as dificuldades abertos. enfrenta dificuldades por falta de de outro. de sambistas tradicionais. por causa da redução (Dauro do Salgueiro). como rodas de samba de formação) para passistas. pelas comunidades de com regularidade. assim. que provam a mestres-salas. familiar/ causa da preferência da indústria comunitário e cotidiano) por um fonográfica por uma música de Não há espaço atualmente nos ensaios modelo formal. samba de terreiro. samba-enredo a cuíca. em clubes e bares. . a da tradição. Substituía-se. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 160 partido-alto. para circular sua pelo “samba de raiz”. como é forma tradicional de transmissão produção. que muitas vezes apelo e venda mais imediata. na diminuição do número condições materiais ou de estrutura do valor atribuído à sua arte em de partideiros. do conhecimento (oral. e para a manutenção desses projetos espaços antes tradicionais. improvisadores. porta-bandeiras.

que ser feita pela escola. Então. Não atentar na memória dos mais velhos ou A comunidade só está presente em massa nos pra manutenção da cultura da escola. samba de terreiro. ensaios técnicos feitos durante a semana. que é um disco explosão comercial dos anos 70 nome de samba.. foto: Márcio Vianna. a poesia sumiu. diante da entende nada. Eu acho que é desleixo..preciso registrar isso porque senão decisão dos espaços que ajudaram a Aquela linha melódica gostosa a gente vai perder. como já se perdeu coisa à beça. Não tem nada de samba que eu me virei. construir com seu gênio criativo. não ‘tá ouvindo. Nos ensaios abertos ao público (na do jeito que tá essa evolução do samba aí que Deve-se registrar também o Mangueira).. pro povo pegar fácil e só se canta refrão. letras mais curtas. que é um disco que. Ninguém está. pois estão ensaios se transformaram num pula-pula.. do risco de perda de fica na quadra é a velha guarda. o pessoal da escola fica do nego tá dizendo que tem que ter evolução aí. (Tantinho) vez mais caros.. e o afastamento de (Djalma Sabiá) sambistas tradicionais das esferas de . pela Mangueira. dificuldade de viabilizar desfiles cada e gíria e diz que é samba-enredo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 161 partido-alto. a bateria.. com o desaparecimento (Leci Brandão) disco agora.. acabei de fazer um acelerado). onde eu da riqueza rítmica e melódica resgato composições da Mangueira da década dos sambas-enredos. O pessoal do morro me e da transformação do desfile [. eles querem dizer da história do samba.. entendendo? Ninguém fica se preocupando Outros motivos de preocupação são Antigamente era diferente. a partir da Hoje eles cantam uma marcha com o de 1930 à década de 1960. ajudou muito. Ninguém a padronização de modelos (refrões presença para ver a ordem de quem está preocupado com o passado da escola. andamento ia cantar. “da antiga”. que tem que correr! Olha. mas era uma coisa que tinha principal num grande espetáculo.. Tinha livro de mais com a cultura da escola.] um texto muito reduzido. descrito por sambistas lado de fora. samba-enredo Camisetas vendidas nas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. a situação enfrentada por escolas Quer dizer. Só quem eu acredito que tem que ter evolução do geral. (Tantinho) daqui a pouco nós vamos pra Avenida com. nas barraquinhas. fortes. sentimento. mas agora eles tão querendo até evoluir a parte do patrimônio musical e mestre-sala e porta-bandeira. está preservados de forma precária.. já que os bateria.... quer dizer. bateria pra mim é . muito sucinto. A bateria evoluir. Acervo Iphan. Junta um monte de palavreado Mangueira.. a descrição do enredo você não Um disco desses tinha que ser feito pela dos grupos de acesso.

valorização sejam observadas. dentro de você e você fazer aquele desfile da sabem. Se passar velhos. porém. entendeu. clareza que. quadras com a apresentação das O registro como patrimônio Afirma o pesquisador Sérgio Cabral: velhas guardas como centro das sublinha a importância do respeito atenções. para minorar os riscos de (Odilon) ou a retomada das feijoadas nas enfraquecimento das suas matrizes. está entendendo? Aquilo que te toca. Há pessoas que ainda reconhecer o valor desses sambistas. não é? — pertence a uma parcela da população que Embora se perceba com (Odilon) sofreu violências. samba-enredo Vista da Marquês de Sapucaí. né? Só tem assim se pode chamar o que existe atualmente los e saudá-los. que demonstrarem que tem pra você tirar tudo de ruim que tem do povo e a ganância. ao contrário de tantas outras manifestações de cultura Essência é o perfume.. a gente de supérfluo e desprezadas pelo fundamental. Há tantos interesses em torno do samba das compensadas pela presença de mas do samba em si não. que procurar os caminhos certos. 60 anos sem nunca ter gravado. que a vitória do samba — se comparecendo a rodas para ouvi. porque o samba é escolas que fica muito difícil saber onde é a jovens de diversas camadas da uma coisa maravilhosa. o samba do Rio de Janeiro te toca. Eu tenho muita gratidão ao samba. foto: Márcio Vianna.Tais perdas são pode falar mal de outras coisas do samba. que é coisa maravilhosa. não se encontra ameaçado de aquele perfume que não te deixa. resistindo na criação de as escolas de samba são utilizadas pelo seu seus mestres. Avenida. matrizes e ressalta toda a pujança e musical do povo carioca. baluartes. igual a doce de coco: tem um ponto. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 162 partido-alto. Isso é a tais como a iniciativa de apoio ao extinção. sugadas pelo que oferecem enfim. os donos do mercado musical. Não potencial turístico. das velhas guardas e posso nunca falar mal do samba. é a coisa mais linda fronteira entre a manifestação espontânea sociedade. Acervo Iphan. perseguições e preconceitos. Hoje enriquece descaracterização de fundamentos diversidade do samba no Rio.. o seu reconhecimento essência do samba. É tudo aquilo que Ainda que ações isoladas de popular. registro de obras de sambistas mais como patrimônio imaterial (Rody) . fica claro que o samba às tradições que se vinculam a essas O samba é a mais expressiva linguagem tradicional carioca enfrenta perdas. seus herdeiros. enquanto e pressões. “bambas”. alguns dos quais chegam aos pode contribuir decisivamente estraga. samba de terreiro.

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 163 partido-alto. samba-enredo . samba de terreiro.

samba de terreiro. samba-enredo Recomendações de Salvaguarda Recomendações de Salvaguarda . dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 164 partido-alto.

nas práticas do partido-alto. do em suas expressões musicais e samba de terreiro e do samba. Incentivo a pesquisas de especial daqueles identificados campo e pesquisas históricas sobre como depositários reconhecidos da as três modalidades de samba. tradição e dos saberes envolvidos em suas formas atuais e passadas. que. de ações. em 1. debatidas e Esse plano deverá prever amadurecidas. registro. pode-se listar promova ações de valorização das uma primeira série de sugestões matrizes do samba no Rio de Janeiro. compor o corpo desse futuro plano documentação documentação. poderão vir a Pesquisa e medidas nas áreas de pesquisa. e necessidades para a plena realização relações com a indústria cultural e dessas formas de expressão. promoção e apoio à organização. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 165 partido-alto. e com base em sugestões e demandas explicitadas por sambistas. O presente dossiê recomenda a criação de um plano de salvaguarda que incentive. coreográficas. transmissão. de espetáculo. produção. apoie e deste dossiê. Como resultado preliminar O material historiográfico. identidade de grupo. A elaboração de um plano de salvaguarda implica necessariamente a articulação das comunidades de sambistas. de salvaguarda. samba de terreiro. articulação e inserção dificuldades que enfrentam e suas social. Acervo Centro Cultural Cartola. da pesquisa para a elaboração musicológico e coreológico . em seus aspectos de enredo. Caberá a eles detalhar as celebração. samba-enredo integrante de escola de samba mirim.

etc. elas são comuns no interior essa história. samba de terreiro. samba-enredo sobre as origens. Podem ser ampliadas as comunitárias: grupos musicais. ficando à margem da instrumentos. Alguns desses de outras manifestações culturais de mestres. em torno associações artísticas ou funcionais. Levantamento da produção a todas as dúvidas ou esgotar o suas associações profissionais e musical.resultado e vídeo familiares. partituras. de terreiro e sambas-enredos. desenvolvimento das variedades do de estudos biográficos sobre troféus. por meio da coleta indústria fonográfica e sob risco movimentos de danças do samba e regular de depoimentos de seus de desaparecimento. ajudar a localizar. influências e 2. e em manuscritas de sambas. não foi de traços rítmicos. clubes. o enfraquecimento das formas formaram o mosaico populacional instrumentos musicais. Com a redução dos espaços estados próximos como o Espírito shows. Tais como o proteção de peças físicas que contêm dos membros mais velhos dessas jongo. — baseadas na oralidade e no . usos de preservar a memória do samba no registrada. documentos pessoais. gestos. a permanência. fantasias. em especial das velhas do Estado do Rio de Janeiro. letras comunidades. faixas. tradicionais de transmissão da região metropolitana. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 166 partido-alto. fotografias. de expressões musicais cariocas. e das poderosas ondas migratórias que ou profissionais. em diversos meios. diplomas. Incentivo à produção roupas. por exemplo. posturas e Rio de Janeiro. etc. as além do estímulo à gravação. como cartas. sambas pesquisas. principalmente a mais E. nas entre outras. e melodias de partidos-altos. as modalidades praticadas na associações de diretores de visto que parte significativa da Bahia (como o samba de roda do harmonia. blocos. organização e lutas de 3. bandeiras. e também do registro e sambas sobrevivem na memória origem afro-brasileira. inventariar e caráter não comercial. e instituições como produção das comunidades de Recôncavo) e as do Rio de Janeiro. com a recuperação de letras tema. escolas de samba. também.. semiprofissionais -alto e do samba de terreiro. das semelhanças/diferenças entre como as velhas guardas. sambistas. gravações de áudio para a prática do partido- Santo e Minas Gerais . samba que são objeto desse registro sambistas e de investigações sobre ainda está longe de responder as origens. folhetos de guardas. Essa pesquisa poderia afeita às formas tradicionais.

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

compartilhamento dos saberes promover e preservar a produção atual diante da crise urbana, com
familiares e comunitários —, musical de seus sambistas, seja ou seus reflexos no esgarçamento
esse risco de perda é concreto, não dirigida ao Carnaval. das relações sociais, com visíveis
e a adoção de salvaguarda se faz impactos na produção e transmissão
urgente. Mesmo no que tange aos 4. Incentivo a pesquisas dos fundamentos do samba e no
sambas-enredo, o levantamento históricas que mapeiem e descrevam enfraquecimento do sentido e do
é necessário, porque há lacunas a formação e o crescimento das sentimento de comunidade.
na produção anterior ao início comunidades de sambistas na
da gravação de LPs com os sambas cidade do Rio Janeiro e região 5. Formação de pesquisadores
compostos para os desfiles das metropolitana, identificando dentro das diversas comunidades de
escolas, o que só ocorreria na as origens das ocupações dos sambistas do Rio de Janeiro, para
virada dos anos 60 para os 70. morros e logradouros e seus que a coleta, o registro e a análise
É necessário observar, ainda, primeiros moradores; as lideranças dessas formas de expressão, de
que o universo das agremiações comunitárias que as articularam, seu cenário e sua trajetória sejam
carnavalescas do Rio não pode as lideranças musicais e artísticas feitas cada vez mais pelos próprios
ser resumido ao espetáculo das 13 que definiram as suas identidades atores sociais e seus grupos. Isso
participantes do desfile principal no samba; o papel de lideranças atenderá a um anseio de que a sua
do Sambódromo. Espalhadas por religiosas na sua formação e história possa ser contada por eles
toda a cidade, nada menos de consolidação; os problemas mesmos, valorizando assim vozes
73 escolas formam um conjunto enfrentados ao longo do século XX mergulhadas no cotidiano do fazer
de reconhecida importância na no processo de afirmação e inserção e viver o samba no Rio de Janeiro.
construção da identidade das dos grupos no cotidiano e no Já existe, em número reduzido,
comunidades e na organização sistema produtivo formal da cidade, uma produção acadêmica fruto
do lazer local, a maioria das quais que, muitas vezes, ocorreu através do esforço de sambistas, como
enfrenta dificuldades para circular, da sua música, o samba; e a situação mestres-salas e porta-bandeiras.

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Transmissão
do saber

Como já observado, o compartilhada entre os mais sambistas, com a audiência dos
enfraquecimento dos processos velhos e os jovens. Ressalta-se, mais jovens, e o registro dos
tradicionais de transmissão do assim, que a prática é a primeira improvisos em áudio e vídeos,
saber do samba no Rio levou os escola do samba e o caminho para ajudaria a difundi-los e revitalizá-
sambistas a criar alguns espaços renová-lo continuamente. -los. A gravação desses encontros
formais para o aprendizado. Esses A preocupação com a de mestres partideiros, portadores
espaços reproduzem modelos transmissão é maior diante do de uma tradição do samba,
de educação formal (aulas, desaparecimento de mestres, como poderia prever ainda a coleta de
professores, controle de presença, versadores do partido-alto e solistas depoimentos sobre esse ofício e suas
avaliação de desempenho), como de pandeiro e cuíca, por exemplo. características específicas, isto é,
no caso das escolas de dança do Na Mangueira, que já contou com como se cria/compõe o improviso
mestre-sala e da porta-bandeira, tradicionais rodas de partido-alto (inspiração, adequação à métrica,
e dos passistas, substituindo em por toda a comunidade, cercada de respeito ao ritmo e ao tema,
parte o processo de transmissão jovens, vendo e aprendendo, hoje agilidade e precisão da “resposta”,
tradicional, baseado na oralidade, não se ouve o improviso, segundo preparação durante a performance
na repetição, na participação em declaração do sambista Tantinho. do outro versador, etc.). Nesta
práticas no ambiente familiar e Já partidos tradicionais são ação, o aspecto de transmissão
comunitário, que mistura adultos cantados atualmente em rodas estaria aliado ao de pesquisa e ao de
e crianças de maneira natural. A promovidas por bares e centros registro e promoção, dignificando
criação de escolas de samba mirins culturais em outros pontos da uma forma de expressão de alto
também é resultado, em parte, cidade, fora das comunidades onde teor artístico e simbólico, resultado
dessa percepção. foram criados. do talento, do gênio criativo e do
Sambistas preocupados com A realização de encontros pleno domínio de um fazer.
a questão defendem o apoio e a de versadores, nas próprias Encontros semelhantes
valorização de espaços de prática, comunidades originais dos poderiam reunir sambistas, mais

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partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

velhos e mais jovens, em torno e transmissão. É fundamental, aqui, acesso dos sambistas aos estudos,
do samba de terreiro, que sofre prever que as ações do plano de investigações acadêmicas e acervos
a mesma desvalorização que o salvaguarda garantam e promovam de imagem e de som sobre o samba
partido-alto, com a redução dos os direitos autorais dos sambistas e no Rio Janeiro, em especial no que
espaços tradicionais de sua prática seus herdeiros. diz respeito às três modalidades
e o enfraquecimento da produção Há entre os sambistas no aqui identificadas como matrizes.
diante da concorrência com diversos Rio quem já trabalhe com ações Sugere-se o estímulo e apoio à
gêneros de música comercial. dessa natureza, no “garimpo”, criação e à capacitação de centros
A gravação desses encontros reconstrução e documentação de de memória e referência do samba,
poderia promover ainda a sambas praticamente esquecidos, dentro das comunidades e/ou na
reconstituição de letras e melodias como faz o próprio Tantinho, da Cidade do Samba. Agrupar-se-iam
de sambas antigos, quase perdidos, Mangueira, citado anteriormente. livros, teses, periódicos, partituras,
a partir das lembranças do grupo Mas eles enfrentam dificuldades por instrumentos musicais, gravações,
reunido, isto é, a partir da falta de estrutura e de apoio para fotos, vídeos e filmes que integram
memória da coletividade. o trabalho de pesquisa, gravação o rico repertório da produção
A recuperação desses sambas e divulgação. As escolas realizam cultural dos sambistas, mas ao
envolve, em outro momento, atualmente concursos de samba de qual, poucos têm acesso, por estar
o trabalho de pesquisa nas terreiro, mas, como são episódicos, abrigado em centros de pesquisa
comunidades e nas famílias dos se encerram em si mesmos, não oficiais ou acervos particulares
sambistas, em busca de cópias conseguindo ainda estimular a com os quais os sambistas não
de letras, cadernos de música ou produção e a circulação. mantêm estreito contato; e também
gravações caseiras, que os registrem, Outra medida que poderá documentos, manuscritos, livros,
e, de novo, o estímulo à memória. contribuir para a transmissão do recortes, gravações caseiras (imagem
Nesta ação, seriam associados saber fazer samba e para a produção e som), instrumentos pessoais,
aspectos de pesquisa, documentação de novos saberes é facilitar o fotos de álbuns de família, roupas,

dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 170
partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo

Ensaio de escola
de samba mirim.
Acervo Centro
Cultural Cartola.

PÁGINA Ao lado
Oficina de transmissão
de saber de mestre sala e
porta bandeira.
Acervo Centro
Cultural Cartola.

fantasias, figurinos e troféus, patrimônio produzido por essa e até mesmo de muitas danças
de integrantes das próprias expressão da cultura popular no Rio populares. O mais característico
comunidades de sambistas. de Janeiro, de modo a transmitir o das danças do samba carioca é
O plano de salvaguarda saber e também promover o samba. que, desde os seus primórdios,
talvez possa criar mecanismos Sugere-se ainda o incentivo à as coreografias pressupunham
para abrir canais, de modo que criação de oficinas, por meio das improvisações, desenvolvidas com
o conhecimento acadêmico quais os mestres apresentariam a diferentes graus de competência
produzido em torno do samba sua arte às novas gerações. por seus intérpretes, o que
retorne aos grupos criadores/ Em relação à dança, é contribuiu enormemente para sua
mantenedores da tradição. importante ressaltar que o samba diversidade e riqueza coreográfica.
Essa comunicação poderia ser no Rio de Janeiro tem matrizes É inegável que todas as técnicas
fomentada com a criação de um coreográficas bem-definidas, de dança codificadas sofrem
banco de dados digital disponível que revelam uma técnica de transformações ao longo da história.
nos centros de memória e dança e uma linguagem corporal Essas transformações ocorrem a
referência e associação de sambistas, subjacente. Nesta técnica estão, partir de fundamentos, de matrizes
com as fichas técnicas e as íntegras por exemplo, claramente definidas coreográficas (mais ou menos
de estudos, além de outras a postura, diversos gestos e os rígidas) que devem ser claramente
informações e imagens sobre os movimentos de diferentes partes identificadas e que se reproduzem
sambistas e a história do samba no do corpo (particularmente a e se renovam. Isto permite que
Rio de Janeiro. pélvis, as pernas e os pés), com diferentes técnicas de dança sejam
Os centros de referência qualidades específicas. preservadas, em sua essência, através
poderiam realizar seminários, Entretanto observa-se que os de gerações, mas que novas criações
palestras, mesas-redondas e festas códigos das danças de samba são coreográficas sejam reconhecidas
de samba, abertas a todos os menos rígidos do que os códigos da como pertencendo a um ou outro
interessados em compartilhar o maior parte das danças acadêmicas, gênero, ou linguagem artística.

riqueza históricas. o presente dossiê ressalta caracterizam como expressão sociocultural de seus primeiros que o plano de salvaguarda amplamente reconhecida da intérpretes e coreógrafos. samba-enredo Esta é uma questão são muitas vezes interpretadas analisadas por um método fundamental para a caracterização como se fossem “naturais”. e estão claramente associadas Assim. acabam sendo esquecidas. samba de terreiro. perdidas caracterizar com precisão suas que são riquíssimas. essas matrizes coreográficas. deverá considerar três pontos identidade nacional. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 171 partido-alto. As danças do samba definem uma técnica codificada. É importante adotar . e sistemático para que seja possível das danças do samba carioca. necessitam ser descritas e 2. sociais e culturais. singulares e descaracterizadas. ou seja. e singularidade. pluralidade. que 1. em sua Entretanto. devido a razões fundamentais: versatilidade. matrizes coreográficas. no que diz respeito à os códigos essenciais que as às identidades e ao contexto dança.

a competência O samba no Rio de Janeiro. possibilite a compreensão dos intérpretes para dançá-las em sua vertente de espetáculo dessas danças como linguagens dependerá da sua intimidade para o turismo e no que diz complexas. pelo desse método será possível adquirida intelectualmente. dança implica uma grande tradições). de recriação é uma de específicas dessa linguagem para podem ter suas vozes amplificadas. ou forma respeito aos gêneros de caráter numerosos componentes de expressão. suas características marcantes. envolvendo seus com essa linguagem. e participando O plano de salvaguarda 3. pois a incorporar (absorver em seu em grupos ou trabalhando possibilidade de improvisação. samba-enredo Produção. é fundamental a gravação e a circulação da parte dos intérpretes. Ou seja. rádio e pela TV. as técnicas das danças complementado pelo preparo identificados como depositários de samba carioca não são . Ou que esse conhecimento seja produção cultural dos grupos seja. registro. e as matrizes do samba no Rio que identificam a técnica das por exemplo. permitindo a manifestação. se forem incrementadas políticas . desenvolvimento. Para os dançarinos. Através essa intimidade pode ser indústria fonográfica. que está associada. poder utilizá-las expressivamente. mais comercial difundidos pela inter-relacionados. esses sambistas de fusão. samba de terreiro. como as não podem vir a ser . eles precisarão velhas guardas do samba.técnicas samba. codificados essenciais. De um lado. as tradições a fortalecimento e difusão. da “filosofia” subjacente ao Mas essa situação não é geral. Reunidos rigidamente executadas. liberdade de expressão por entretanto. É imprescindível levar das celebrações e rituais deverá fixar mecanismos que em conta que essa técnica de comunitários que preservam essas ajudem a prover essas condições. promoção e apoio à organização um método coreológico que Entretanto. corpo) as matrizes coreográficas individualmente. definindo-os como parâmetros samba carioca (conhecendo. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 172 partido-alto.e técnico-corporal específico do reconhecidos da tradição. a história de seu necessitam de apoio para seu danças de samba cariocas. encontra-se identificar seus elementos pela compreensão aprofundada relativamente bem-estruturado.

essas riquezas do Brasil. montagem de exposições. e de suas comunidades. estimular e circular a necessidade de implementar ações fonográfica e do espetáculo. acima de tudo. prestigiar a apresentação e difusão dessas matrizes do de organização e estimular a dos baluartes. Mas áreas de administração. manutenção Mas é preciso. nas espaços para a sua execução. o samba de terreiro e o O sucesso de rodas de experiências. samba de terreiro. instituições e empresas que reedição e distribuição de livros. samba no Rio de Janeiro. essas ações de apoio poderão ser no Rio de Janeiro. e o interesse beneficiando esses grupos que apenas na memória do povo do da indústria é reduzido. das velhas guardas. apesar do valor inquestionável e dos jovens discípulos dessas Além de dar condições para de sua arte. daí a estão excluídos da indústria samba. cantar e dançar esses sambas. produção recente dos mestres de apoio. entre outras. produção. reflexão iniciativas dos próprios sambistas de salvaguarda das matrizes do e documentação. na medida em que o partido- variado e maior. . A revalorização dessas matrizes patrocinem e promovam a cultura periódicos especializados. produção Recuperar. gestão. professam se dará vivamente história alcançarão um público formação de novos públicos. preservação da memória do samba e de seus herdeiros musicais. Com isso. samba-enredo que respeitam samba tradicional — de terreiro Esse apoio deve prever. a capacitação de sejam mais divulgados e tenham que há um público ávido por recursos humanos. apresentação permitirá aprofundar o grau samba. dentro das restaurados e ampliados os conhecer. transmissão do saber e troca de -alto. a partir de Estes são os desafios de um plano dirigidas para a pesquisa. edição. sua arte e sua DVDs. CDs. ouvir e compartilhar comunidades de sambistas. facilitados os contatos com e recuperação de acervos. samba-enredo de incentivo específicas e organização. samba — música e dança —. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 173 partido-alto. etc. Essa capacitação modalidades tradicionais do criação. gravar e difundir os meios para a sua difusão cultural e pesquisa. aquisição. e da arte dos sambistas que as no país. os fundamentos do gênero e partido-alto — demonstra ainda. composições hoje guardadas são insuficientes. ouvir.

a ancestralidade entre as duas Reis e Lygia Santos. práticas e a estreita aproximação 8. 10. 2005. SANDRONI. LOPES. Roberto UFRJ). Nei. samba de terreiro. Rio 11. José Ramos. Sambeabá. Janeiro: Zahar-UFRJ. 265. p. Programa de Pós-Graduação em textos. samba-enredo notas 1. Nei. Tia Ciata 9. quase sempre em coreológico do samba) e Carlos samba de bamba. Haroldo Costa. de Janeiro: Casa da Palavra-Folha no samba carioca produzido a partir Carlos Sandroni e Felipe Trota (A Seca. TROTTA. Sérgio Cabral samba que não se aprende na escola. 1998. Moura (Notas para uma história 6. p. Felipe. Partido-alto: de partideiros. 86-7. da década de 1930. musical e afetiva compartilhada população de baixa renda. de Martinho da Vila (Segure tudo). 26-7. 15. Jornal do Brasil. o ritmo 3-3-2 música). p. 1995. o samba e a escola). em gravações denominada cortiço. Seu Jair do Cavaquinho (Doce na feira 3. Feitiço e Soltaram minha boiada) e no samba de e a Pequena África no Rio de Janeiro. Rio decente: transformações do samba no Wilson Moreira e Nei Lopes Coité e . mercado de música nos anos 1990. também Rio de Janeiro: Editora 34. Entre eles estão: Nei Lopes 1972. Tese que participaram da pesquisa de doutorado apresentada ao histórica e da elaboração dos 5. aparece. o afro-carioca). Rio de Janeiro. Essa herança 2. Rio de para o Registro das Matrizes do Cultura. LOPES. Comunicação da UFRJ (ECO- (Da tradição africana). dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 174 partido-alto. MOURA. p. Carlos. Samba e contou com o apoio de convidados 18 de janeiro de 1913. Arquivo Corisco Filmes. 2001. Roberto. A elaboração deste dossiê de Janeiro: Secretaria Municipal de Rio de Janeiro 1917-1933. Janaína Pallas. entre partido e calango. 2006. por exemplo. João Batista Vargens (A aparece em muitas gravações recentes poesia). Samba no Rio de Janeiro como Patrimônio Cultural do Brasil 4. Habitação coletiva para a História social da música popular brasileira. 2003. TINHORÃO. Marília Andrade (Estudo 7. Apesar de não hegemônico (Deixa falar. Rio de Janeiro: sambas calangueados que evidenciam Monte.

que o “Fuleira. As escolas de depoimento publicado no livro/ 14. Op. 13. CABRAL. Pequena história da música popular: da modinha 26. CABRAL. TINHORÃO. 67.. 83. samba-enredo. 78. que Partido-alto: samba de bamba. p. 19. é 24. Rio de Janeiro: 20. p. modelo de samba em duas partes. Sérgio. 37. por Art Editora. 37. registrado é redução de ‘fuleiragem’. p. As escolas de de Paulo da Portela em relação samba do Rio de Janeiro. p. As escolas de separadas também por atribuições samba do Rio de Janeiro. A história desta decisão. Getúlio Vargas. 2005. para Chico Santana em 1970 (p. 12. Idem. 16. Nei Lopes explica o termo: à escola que ajudara a fundar. p. 1991. narrada por Sérgio Cabral em uso da palavra “pastoras”. a Lumiar. eventualmente levou ao afastamento 23. 144. à lambada. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 175 partido-alto. sem crédito que aponta no mesmo sentido. p. 80-1. Xangô da Mangueira. . José Ramos. Diga-se. masculina). cit... 21. p. samba do Rio de Janeiro. Citado por Cabral Janeiro: Cooperativa dos Artistas (1996:121). AUGRAS. cit. Rio de Janeiro: gravado por Jamelão em 1959. Idem. p. p. Rio de Janeiro: Fundação segunda. p. 142. Monique. samba de terreiro. 155). 27. é outro cuia. p. Op. 1998. cit. 65. Rio de 15. 1996. da Silva e Lygia Santos em Paulo da sintoma da persistência do velho Portela (1979:122-5). Sérgio. 25. Sérgio. samba-enredo cuia. cd Xangô da Mangueira: Recordações de um velho batuqueiro. 66. Idem. feminina. p. Nei Lopes encontrou o verso 17. Veja também Anônimos (CASA). Idem. CABRAL. (6ª ed. no qual os autores afirmam que As escolas de samba do Rio de Janeiro no contexto das escolas pelo menos “calango e samba é igual a coité e (1996:135) e por Marília Barboza até a década de 1940. 141) e no 18. referência a uma crônica de 1935 partido Olha a hora Maria. 175). tudo da mesma família”. de gravação ou autoria (p. Op. 22. O Brasil do de gênero (a primeira. 79. no jargão partideiro. Idem. Idem. de passagem.

ação de Mestre Fuleiro. samba-enredo brincadeira sem consequência. “Uma Vila levado às últimas consequências e emendaram a marcha Está chegando a cada vez mais distante do bairro”. Bateram palmas. Op. 34. Rio de Janeiro. Depois. Seu Eurico é Eurico fazendo durante o velório: beber cerveja nos Moreira da Silva. depois. no qual se destacaram intérpretes hora. Marília T. O Globo. No trajeto da Capela Santo Cristo teria.. no jornal O Globo em fevereiro do Som (1992). Correio da Manhã. 189). ali. Acenaram lenços. O que se viu. Depoimento de Carlos 30. O grupo que se separou regular de um compasso por meio túmulos. até a última time de futebol . pouca duração nos rostos dos sambistas que Loureiro de.com as cores azul e No Brasil. sincopado é dada a um tipo de cerca de 300 pessoas cantaram o samba- samba em que esse deslocamento é -enredo Heróis da liberdade. p. primeiro. do Império da Silva. Há outras versões para a característico da música africana no enterro. É conseguido com Fuleiro. CACHAÇA. foi o canto alegre dos que. MÁXIMO. 28. Cachaça para o Museu da Imagem e 35. O repórter Múcio Bezerra. Rio de Janeiro. 5 de março como João Nogueira”. samba de terreiro. sem responsabilidade” (Partido-alto: Serrano: As lágrimas foram adereços de OLIVEIRA FILHO. como fundação da escola. o caixão Janeiro: José Olympio.243 do Diáspora Africana. João. Rio de acompanharam. Carlos. E voltaram para continuar o que estavam de 2006. uma das figuras 29. na tarde de ontem. Ltda. Barboza de fevereiro de 1971. organizado um da supressão do tempo fraco. a denominação samba morada do fundador da Império Serrano. Segundo a Enciclopédia da de Mestre Fuleiro até a gaveta 2. na pracinha de Irajá. nos seus primeiros anos. Fala. 16 de 1997. Uma delas no continente de origem e na Antônio dos Santos. p. cit. só havia os Branco. centrais na organização da escola tambores do jongo. “Desenho rítmico Cemitério de Irajá. não deixam o samba morrer nem dissidência do bloco Vermelho e o deslocamento da acentuação na hora da morte. o Mestre afirma que a Vila surgiu de uma Diáspora. branco .e. 31. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 176 partido-alto. no velório e 33. Mangueira. Arthur samba de bamba. 34. relatou assim o enterro 32. . Fúnebres. SILVA. criado a escola. “China e a história da Vila”. Ou tambu – maior dos bares do bairro. de 85 anos. 1980.

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é considerada Cartola. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 180 partido-alto. Associação das Escolas “o berço.011404/2004. próxima ao cais do assinada por representantes de porto. da 25 foi aberto com correspondência localidade denominada Pedra datada de 14 de setembro de 2004. anexo 1 pelo Instituto Estadual do I. samba de invocava-se o tombamento como terreiro e samba-enredo valor arquitetônico e artístico. que. como com 124 assinaturas. que os bens palpáveis e concretos o Centro Cultural Cartola têm recebido” [. samba de terreiro. o embrião de uma de Samba do Rio de Janeiro e das maiores e mais significativas Liga Independente das Escolas manifestações culturais do nosso de Samba — e dirigida ao então país: o samba. segundo a mesma três entidades — Centro Cultural correspondência.] “do samba. Ítalo Campofiorito. samba-enredo Registro das matrizes do de Janeiro” (o negrito é meu).. Parecer do na gestão do atual conselheiro Relator O processo 01450.” presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico A correspondência veio Nacional (Iphan). bem cultural imaterial a ser preservado com todas as honras Em 31 de janeiro de 2005.. do Sal. em que era acompanhada de abaixo-assinado solicitado “o tombamento. O processo Patrimônio Cultural (Inepac). samba no Rio de Janeiro Como primeira justificativa partido-alto. encaminhou ao Iphan projeto de em especial do samba do Rio “Mapeamento do samba carioca: I .

Ficou acordado farto material documental e de processo administrativo cujas que a instrução do processo de detalhado e esclarecedor dossiê origens estão na iniciativa. à Câmara do intermédio da Secretaria Especial Decorrido o prazo regulamentar Patrimônio Imaterial. cujo presidente me ao encaminhamento a ser dado com vistas ao desenvolvimento de designou como relatora. Do samba aos sambas Cartola. Gerência de Identificação do DPI. entre a União. definidos no Convênio celebrado Procuradoria Federal do Iphan. samba-enredo – Estação Primeira de Mangueira”. o Centro Nacional de Concluída a instrução do processo. Cultural. Sant’Anna. República. com recursos em 22 de agosto de 2007 à Cultura. em 6 de setembro de 2007. participaram o Centro Cultural II. o Ministério da Cultura encaminhado ao Conselho desenrolou. Nada relato feito pela diretora do o Termo de Cooperação Técnica. samba de terreiro. e e pela arquiteta Márcia Sant’Anna. a ser realizado pelo Laboratório de em 30 de novembro de 2005 juntamente com o substancioso Etnomusicologia da Universidade entre esse Centro e o Iphan. Folclore e Cultura Popular e vários que resultou na reunião de Essa foi a tramitação de um especialistas. e do qual esforços conjuntos de salvaguarda. com interveniência da Fundação antropóloga Letícia Viana. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 181 partido-alto. em sua 8ª de Políticas de Promoção da sem que tenham sido apresentadas reunião. Gilberto Gil. tendo a Procuradoria a opor. ao pedido de registro. durante um ano e meio. e o Instituto do Patrimônio Consultivo do Patrimônio -se processo de discussão quanto Histórico e Artístico Nacional. realizada em Brasília Igualdade Racial da Presidência da contestações. A partir desse momento. do ministro da Cultural Cartola. conforme Os trabalhos tiveram como respaldo diretora desse Departamento. este foi encaminhado abril de 2004. por União. e do então . da Cultural Palmares. em 2 de dezembro publicado Aviso no Diário Oficial da Imaterial – DPI/Iphan. parecer técnico produzido pela Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). em registro seria realizada pelo Centro informativo. o processo foi em 14 e 15 de março de 2007. foi Departamento do Patrimônio celebrado. Márcia de 2005.

autoras do parecer técnico. além de se enquadrar nos a candidatura do samba.” (*P p. Além disso. o coco nordestino candidatura. 1) e o samba de roda baiano” (P “tango”. A iniciativa teve o mérito Oral e Imaterial da Humanidade. “samba”. Proclamação acelerada”). com a candidatura do “samba”. ressalta e coreográficas do que se pode um dos mais poderosos símbolos a importância do vínculo desses considerar. de. Antônio seu critério IV (“estão ameaçadas Essas considerações levaram a Augusto Arantes Neto. à Convenção para a Salvaguarda Em suma. a história e o cotidiano de também diferenciações entre si. samba-enredo presidente do Iphan. não se enquadrava no p. constituindo inclusive citada: “embora ampla. 2). usos. cujas expressões Entretanto. poética e coreográfica na definição de “patrimônio —. extinto e em parte incorporado comunidades e grupos sociais. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 182 partido-alto. vida. samba de terreiro. do samba de roda do Recôncavo das Obras-Primas do Patrimônio como muito bem observam as Baiano. dados os critérios saberes e expressões com a apresentam várias afinidades e que norteavam esse programa. o metagênero de nossa identidade nacional. práticas. de de desaparecimento devido à uma reelaboração da proposta anunciar à imprensa a intenção de falta de meios de salvaguarda ou inicial. de 2003. o tambor de crioula da Humanidade. patrimônio imaterial o samba rural paulista ou samba do Patrimônio Cultural Imaterial mais como um conjunto de de bumbo. essa práticas e expressões imbricadas do Maranhão. a exemplo do que na vida social do que como gênero (também chamado samba de coco) ocorreu com as do “fado” e do artístico. no Brasil. no sentido de encaminhar encaminhar à terceira edição do de processos de transformação a candidatura mais específica programa da Unesco. apresentar-se como ponto fulcral como uma das mais genuínas e cultural imaterial” expressa no da cadeia histórica e cultural de um significativas expressões da cultura artigo 2 da Convenção acima conjunto de manifestações musicais brasileira. representações. se tratava de expressão cultural e mundial dessa manifestação não se encaixava tampouco efetivamente sob ameaça de extinção musical. Desse conjunto. já foram . requisitos do programa — pois base no reconhecimento nacional tal como fora apresentada. Essas variantes incluem “o jongo.

Janeiro — expressões que podem desafios era elaborar seu adequado com a orientação que vem sendo ser vistas como matrizes das várias dimensionamento. foi abandonada em favor de uma se considerasse a candidatura do referência fundamental para a perspectiva mais ampla. contemporâneas mais representativas visível do conjunto de expressões o universo do samba. se confunde com um . portanto.” (P p.. se de Patrimônio Imaterial de (e continuam sendo) criadas depois costuma associar o termo “samba” se procurar preliminarmente (. A proposta “samba carioca” para registro. seja porque. no Rio de Janeiro. samba de terreiro.. considerado. seja porque o samba carioca das manifestações culturais de III. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 183 partido-alto. sistemas alimentares e a diversidade expressão nas primeiras décadas do tornando-se em seguida. que maior parte dos pesquisadores. o jongo a trilha dos sambas de batuque aos depoimentos e à produção do Sudeste (2005) e o tambor de ou de umbigada — terminologia criativa dos atores mais antigos crioula do Maranhão (2007). portanto. por exemplo. que teve como cenário no exterior. pela das escolas de samba cariocas. de seguir restringir o processo de registro Recôncavo Baiano (2004). imagem por excelência inicial a região central do Rio de da música popular brasileira. É o que vem histórico o estatuto de “símbolo sendo feito. século XX. o samba de à versão carioca. muitos dos outros estudiosos — aberta com o quais integram as “velhas guardas” Nessa linha de raciocínio. a meu ver. sobretudo linguística no Brasil.): o partido-alto. a ideia inicial de Janeiro. compreensão do modo como se foi se voltar para aquelas “expressões porque constitui a face mais constituiu. seguida pelo Departamento outras formas de samba que foram num processo metonímico. utilizada por Oneyda Alvarenga e do mundo do samba. Opção da tradição do samba no Rio de mencionado acima. 4) de Janeiro o “berço” do samba no as variantes de eixos constitutivos Brasil. O samba no Rio de Janeiro assumiu em determinado período caráter processual. e considerar o Rio delinear séries históricas e mapear terreiro e o samba-enredo. samba-enredo registrados o samba de roda do A opção foi. Um dos acertada e coerente. com os A emergência dessas três formas de musical da nacionalidade”. Nesse sentido. era samba de roda. lógico e imperioso.

cantava. saíam as pessoas se reuniam para tocar de vida e de trabalho no porto. com situavam a Pedra do Sal. Nesses espaços de pesquisadores deixam evidente a -escravos ou libertos. samba de terreiro. Vale desfiles dos blocos e depois influenciados por sua origem ressaltar que o repertório musical das escolas. os em sua grande maioria ex. e dos subúrbios manifestações religiosas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 184 partido-alto. devido sociabilidade se perpetuavam os polissemia do termo “samba”: na à decadência da cafeicultura e cultos aos orixás. ainda muito desfiles das escolas de samba. na Cidade Nova mazurcas). já citada. pelas ruas. artísticas ao longo da linha férrea. se comiam pratos primeira localidade. do no comércio. Essa diferença foi . samba denominou “a Pequena África” os comentários dos pesquisadores de roda) e também formas depois —. de Santo como centros irradiadores de como o coco e a embolada. e a Praça Onze. bastante rico e diversificado. em frente às casas lundu ao maxixe e ao samba de incipientes indústrias. que. mais tarde evocadas nas roda. Os ranchos e ruas e também nas casas — onde em busca de melhores condições blocos que. samba era da atividade agrícola em geral. pontos — região que Heitor dos Prazeres Os depoimentos de sambistas e de macumba e candomblé. na direção dos Morros da apontam as casas das “tias baianas” caracterizadas como folclóricas. tradicionais nos se ritmos mais apropriados aos costumes e tradições. Antônio e outros. ruas e bairros da capital. Aí se formas de manifestação nas casas. paravam. em serviços e nas reverência. e lúdicas que formaram o caldo Ao diferenciarem a produção de que brotou o chamado samba musical da Pequena África daquela Essa foi a trajetória dos migrantes. que encontraram novas no Rio de Janeiro à época era cidade. Trouxeram das tias. samba-enredo momento da evolução urbana da africana. da região portuária. em sinal de diferentes tipos de música. no Carnaval. Providência. de origem baiana e também se a palavra utilizada para designar vieram de diversas partes do país. no principalmente as festas — nas afluindo para o Rio de Janeiro salão e no quintal. carioca em suas diferentes que se desenvolveu no Estácio. desenvolveram- consigo do meio rural seus alas das baianas. africana (jongo. da Favela. Já no Estácio. dançava e batucava. expressões. ritmos de origem europeia (polcas.

samba-enredo sintetizada em um depoimento de também. Embutidas nesses debates Estado Novo. máxima de uma identidade surdo e pandeiro no Estácio. cordas e metais na Cidade estudam. O samba era assim: Sandroni em seu livro Feitiço decente. essas um maxixe. cuíca. samba de terreiro. como uma primeira versão do origens e da autenticidade do intelectuais e artistas da classe samba carioca. como aponta Carlos foi sendo apropriado pelos havia uma coisa. das matrizes do samba carioca como paticumbum prugurundum”. chamado “paradigma do Estácio”. Outros autores samba produzido no Rio de média. o produzem e também os que o especialmente no período do clarineta. diferenças de perícia de aspectos de técnica musical. demonstram como. a partir de como demonstra Hermano Vianna considerado o ritmo identificado certo momento. disputas interessam no que revelam Essa seria. o primeiro samba rua assim? Aí a gente começou a gravado em disco. flauta. porém. pela gravadora Na perspectiva do reconhecimento fazer um samba assim: bum bum Casa Edison. Mas mesmo Essa observação só vem reforçar a “O estilo (antigo) não dava para essas hipóteses são objeto de evidência de como esse metagênero andar. social e contexto cultural. além do samba carioca é reveladora não . Como é que um bloco ia andar na de Donga. mudanças que caracterizam o só interessa aqui porque de origem africana. a questão das em seu livro O mistério do samba. diferentes grupos sociais numa tan tantan tan tantan. Por exemplo. Ismael Silva para Sérgio Cabral: técnica dos intérpretes. sua “origem” e de sua “criação”. a trajetória Consequentemente. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 185 partido-alto. de autoria relação de pertencimento coletivo. quando o samba Nova. os meios de comunicação apontam para as diferenças de Janeiro passou a mobilizar os que de massa e a classe política. Não dava. Mas também. esta instrumentação: piano. envolvendo questões de etnia. havia. em janeiro de 1917. era considerado por Ismael Silva patrimônio cultural brasileiro. Eu comecei a notar que controvérsias. classe nacional. e predominância marcante estão disputas pela primazia de foi “oficializado” como expressão da percussão — tamborim. apenas parte da complexidade de um processo das possíveis explicações para as A alusão a essas polêmicas que envolveu as camadas populares. Nesse sentido. Pelo telefone.

samba. samba-enredo apenas da história da cidade. em 12 de agosto de 1928 Essa intervenção no processo do século XX. didático e patriótico. . formadas as escolas de samba. subvenção financeira e divulgação. logo foram adotadas por “nem todas as formas tradicionais média contribuíram para a difusão outras comunidades da cidade. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 186 partido-alto. com repercussão se refere obrigatoriamente ao tema de quadra) se dividia com a nacional e internacional. dos sambas permaneceu viva nas Almirante. até os anos 70. indústria fonográfica: Francisco promoção do desfile ao lhe garantir por outro lado. de que os povo carioca passou a contar com uma espécie em 1932 pelo jornal Mundo Sportivo enredos das escolas tivessem caráter de passaporte para cantar. dançar e tocar o na Praça Onze. em que novidades introduzidas Departamento de Imprensa e (D p. Noel Rosa. promovido público. cuja estrutura narrativa de terreiro (mais tarde sambas capital do país. Quatro anos histórico. a partir de 1937. 21) Além disso. como Com as escolas. a diversidade Alves. Braguinha. hábitos que. também da formação da sociedade tipo de samba na cidade. o de escolas de samba. como o Propaganda — demonstra que e intérpretes oriundos da classe surdo. como consta do texto considerado o primeiro desfile a exigência. nem divulgadas samba pela via do rádio e da Rio de Janeiro se torna parceira da pela indústria cultural. que agia como instrumento do o primeiro a receber a designação manifestar. uma vez que ocorreu na -enredo. Ary Barroso. escolhido pela escola para o desfile competição interna de escolha do do ano. na preconceito das classes dominantes contra as de escola de samba. Mário Reis e rodas de pagode e nas quadras tantos outros. por parte do poder do dossiê. Como O fato é que. 11). em alguns casos. nas primeiras décadas antes. eram violentamente reprimidos fora criado o bloco Deixa Falar. “o tempo destinado aos sambas brasileira. 131) Esse processo de “oficialização” se adequar aos regulamentos que tem início três anos após o que é organizavam os desfiles. a Prefeitura da cidade do Estado” (P p. onde. na medida forma de censura por parte do manifestações culturais e religiosas dos negros. vai surgir um novo das escolas. Mas. compositores por seus componentes. e que precisava também samba-enredo” (D p. o samba. criativo — que chegou a se pela polícia. Em de samba foram reconhecidas pelo de produções identificadas como 1935. samba de terreiro.

dos Estudantes (UNE). o que seria uma “música popular funcionou no centro do Rio de participa ativamente do processo de brasileira”. inclusive. passa a sofrer a -lo reconhecido tanto pelas classes de samba. o samba. O com seu pandeiro. e que. e também o papel do valores que identificam o samba de Popular da União Nacional compositor na organização do raiz. aos contestação ao regime militar. que impulso dos meios de comunicação contribuiu também a criação. Para essa sobretudo a partir dos anos 70. sem que isso. a serviço de um sambistas e a intelectualidade”. no seu de novos atores. prevalece sobre a criação individual de massa e da indústria fonográfica fora dos subúrbios. samba-enredo A partir da década de 1940. que sobretudo no caso do improviso. de espaços na medida em que é o grupo que contribuiu efetivamente para voltados para sua difusão. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 187 partido-alto. Uma prova da vitalidade do samba. Um que consagra o sambista. identificar o samba carioca com dos primeiros foi o Zicartola. os espaços para as rodas olhos dos sambistas. e desfile. americana na figura de Zé Carioca vinculados à bossa nova. já fortemente compositores como Zé Kéti. A introdução da variável portanto. Zica. problematização da questão da projeto de nação. comprometa os como os Centros de Cultura de samba. responsável pela cozinha. Janeiro como restaurante e casa sua apresentação. e trouxe uma nova tensão pela indústria cinematográfica gravações produzidos por artistas para o universo do samba carioca. e onde pontificavam o competição da lógica do espetáculo populares como pelas classes médias compositor Cartola e sua mulher e do gosto anônimo do “público”. e para torná. foi convertido em ícone Albin “uma ponte entre os vários desdobramentos. Nas últimas décadas do século . e as elites. o “samba Por outro lado. Mas foi o ampliação do público do samba caráter coletivo da performance. é a constante conquista do morro” foi apropriado “profissionalização” das escolas de novos espaços e a incorporação pelos movimentos estudantis de terminou por restringir. e até “importado” são incorporados em shows e autoria. a porém. Nos anos 60. âmbito. mercado na produção do desfile associado ao Carnaval e às considerado por Ricardo Cravo e na divulgação do samba teve escolas. samba de terreiro. como a da brasilidade.

diante da diversidade de ambientes em que ocorrem. 23). as rodas de samba e os pagodes. ao lado dessas novas formas No alentado dossiê produzido pelo de Ramos. turismo. de revival das rodas de samba tal como que o samba carioca tem como um lado. permanece viva em bairros universos abordados. conforme Enfim. integrando inclusive pedido de registro. ocorriam nas casas de subúrbio e matrizes desenvolvidas no Rio de nos morros nas primeiras décadas Janeiro o partido-alto. terreiro e samba-enredo Martinho da Vila. a programação de agências de IV. é indubitável partido-alto e samba de terreiro. a prática de Centro Cultural Cartola. o conjunto Fundo de de difusão do samba. contendores. em rodas na estrutura harmônico-melódica composições de sambistas ligados às de samba e pagodes. e terminaram tenha perdido espaço nas escolas de consideradas típicas de cada um dos por atrair a atenção do público para samba. segundo Nei . grande sucesso com gravações de botequins dos subúrbios. alcançaram terreiro nos quintais das casas e “aspecto rítmico. samba-enredo XX. mas de reuniões em terreiro e o samba-enredo. samba de terreiro. Partido-alto. como o do musicais e vetores de costumes e “talvez represente mais que os Clube Renascença no Andaraí. e. samba de Beth Carvalho. formas de sociabilidade constituem outros uma certa ancestralidade. 24) Cantado na forma atraem as classes médias das Zonas apresentada para fundamentar o de desafio por dois ou mais Sul e Oeste. o que demonstram Roberto Moura e formas musicais que se abrigam leva a uma primeira distinção entre Nei Lopes. artistas como Clara Nunes.” e os da Lapa revitalizada. esses três Quintal. cabe acrescentar os importante esclarecer. Paulinho da Viola. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 188 partido-alto. é. e grupos como o bloco Cacique Mas. A esses itens. que o objeto da documentação (D p. É populares da cidade. o partido-alto ao grande público. na sonoridade. ainda que e nas formas de algumas canções matrizes do samba. o samba de Dos três tipos de samba do século XX. mais recentemente. tocar partido-alto e sambas de tipos de samba são descritos no o grupo Semente. Zeca Pagodinho. e samba-enredo de outro. que não se trata de um sob o termo “samba”.” (D p. cujas identificados como matrizes do botequins e outros espaços abertos características como expressões samba carioca.

o samba de roda do Recôncavo Nesse sentido. samba. como. um samba aqui referidos. samba-enredo Lopes. sua parte “de dentro”. improviso e aqueles de estrutura se referir ao assunto do refrão. os quais podem ou não cristalizado numa narrativa escrita. coral (refrão ou ‘primeira’) e de sintonia com o momento de (D p. caracteriza-se mais e outras práticas musicais que o “como uma prática sociomusical O chamado samba-enredo foi. composto de “uma parte comprometido em sua capacidade samba como sendo ‘de terreiro’”.26-27) acompanhadas por Já o samba de terreiro tem ao momento da performance. meios de comunicação de massa. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 189 partido-alto. Gravado ou apresentado em tem legitimidade para designar samba de terreiro. a espaços de menor visibilidade. do mesmo modo possível distinguir dois tipos: improvisados ou do repertório como ocorre com o mito quando aqueles em que há espaço para tradicional. 31) Em termos gerais. cuja elaboração é anterior (D p. antecederam. samba de terreiro. desde os anos 70 vem Nesse sentido. A sonoridade dominante deve diferenciadora o contexto onde os terreiros cederam lugar às ser a do solista.” fechada. mais especificamente. é uma parte solada com versos sua execução. o que seria um ocorre. o samba de partido-alto fica determinado samba ou grupos de também qualquer espaço para o . a predominância da ambiente propício das rodas de como sambistas das escolas narratividade o vai distanciando do samba. a comunitária. Dos três tipos de do que como um tipo específico de num primeiro momento. recolhendo-se o lundu. é também o samba. 31). Com instrumentos de corda e percussão. relaciona-se com área comum de uma escola de deixando as escolas. como principal característica a profissionalização dos desfiles. emulada pelo grupo de pessoas autorreconhecido dos desfiles. o samba rural paulista. desaparecendo shows. devido às já mencionadas pois o seu traço mais característico depende da comunidade: “apenas o exigências para a organização é a improvisação. Seu reconhecimento como tal Mas. cujos elementos poderiam samba de terreiro adequado a que menos se adapta à difusão pelos ser isolados e descritos” (D p. e esse tipo de samba. determinado tema de uma escola. de diferencial em relação ao samba quintal de uma casa de família expressão eminentemente gregária e de terreiro e ao samba-enredo. que pode ser tanto o quadras.

114) ainda que fidelidade a certos traços. efetivamente para preservar os forma vire fôrma” (D p. 40) Qual o sentido então de propor o para esvaziar seu potencial de registro das Matrizes do samba no crítica e de irreverência. interesses. a partir de salvaguarda — contribuiria fonográfica. com a diminuição dos “engessá-las” ou de lhes cobrar “um afastamento das matrizes espaços tradicionais para a sua uma “autenticidade” quanto à do samba-enredo” (D p. Até sua temática. quando novos o samba de breque. e o de surge em diálogo com os sambas implementação de um plano satisfazer às exigências da indústria que a antecederam. mudanças no mundo do samba. e o ritmo se na valorização dessas matrizes do de expressão. passou a ser objeto de consequências coreográficas. sem a pretensão de acelera. que e a consequente elaboração e público para os desfiles. medida em que essas mudanças novos espaços para o samba tenham nas circunstâncias atuais. outorga de um título. -alto. Conclusão já vimos. pelo Estado. o samba. as decisões quanto aos processos de . como intervenção dessa natureza — a década de 1970. soaria “mascaram as nuances rítmicas sido abertos em contextos sociais e como artificial? da levada da bateria. como o de atrair o -canção e mesmo a bossa nova. Ao se Mesmo afetadas pelo impacto das Rio de Janeiro: partido- propor a desenvolver uma história. como além de trazerem significativas V. o que contribuiu p. Mas. potencial de interpretação dos Essas perguntas estão cantores e escondem a riqueza dos necessariamente presentes em todas caminhos melódicos e harmônicos. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 190 partido-alto.” (D regulamentação. “pode-se observar uma redução valores identificados nessas formas Retorna o refrão. samba-enredo improviso. samba de terreiro. 40) na manifestação. fazem com que “a das últimas décadas do século XX. samba de terreiro. o que. Essa aparição de novas formas de grande brasileiro? Em que medida uma situação vai predominar até a penetração junto ao público. samba- o samba se alonga num monólogo essas matrizes foram seminais para a enredo como patrimônio cultural produzido por seus autores. 40). reduzem o culturais diferenciados.” (D p. processo considerado samba.

sobressai o deve ser objeto de especial atenção pertencimento a uma comunidade. pressionam no sentido da um sentimento de experiência preservar.. que. todos os presentes. rítmica. A riqueza compromete profundamente as situação particular. baseadas na oralidade.] as transformações que são exerce como referência para a propicia a emergência de outro impostas a essa forma de expressão pela construção de identidades coletivas traço muito valorizado pelos mídia que transmite os desfiles. entendida esta tanto como a família todas três. mas sem dúvida na Mas há ainda um aspecto mais sambar.. (P p. coerentes com sua lógica de que se consolida. É o ambiente da produção dos sambas-enredos. samba-enredo registro. É desse modo carioca. é sintetizado amplamente reconhecido pelas tem o samba como referência na roda de samba como locus pessoas próximas a essas matrizes fundamental em suas vidas. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 191 partido-alto. compartilhada e um sentido de forte e recorrente. especificar os valores que se deseja consumo. Como traço mais adequação a um gosto padronizado. gregário de fruição desinteressada do samba. como uma “comunidade execução e recepção. não necessariamente e os grupos que se reúnem para na criação. e justamente enfatizado e de participação ativa — ainda no parecer técnico: o crescente Comprovação desse fortíssimo que possa até ser silenciosa — de afastamento das comunidades das escolas papel que o samba carioca. No caso das expressões propostas dúvida ameaçada pela influência na convivência. há que. imaginada” mais ampla que para Roberto Moura. caloroso e estimulante que como [. caráter comunitário presente em em um plano de salvaguarda. assim sobretudo em suas três matrizes. de aspectos centrais do Carnaval carioca mencionado nas infinitas letras de . na observação e como matrizes do samba dos meios de comunicação de massa na participação. Esse traço. complexo e sutil a considerar. melódica e lírica dessas formas tradicionais de transmissão três formas de expressão. 16) Essa situação ser buscadas na análise de cada revela grandes talentos. e pelo e mesmo individuais é o tom sambistas consagrados em suas formato comercial e voltado para o turismo afetivo e de admiração com que é comunidades: a improvisação. sem do samba. desde a infância. samba de terreiro. primeiramente. mas as respostas só podem capacidade que tradicionalmente contemporâneo.

121) se voltem prioritariamente para sua história. e da biografia de “a valorização dos espaços de seus principais representantes. principalmente a mais afeita e de som sobre o samba no Rio” práticas de partido-alto. com dentro das comunidades ou na especial as velhas guardas” (D a recuperação (e gravação) de letras Cidade do Samba. como primeiro possam se tornar os agentes da propostas “não com vistas à resultado do processo de discussão salvaguarda de seu patrimônio eliminação da produção comercial desenvolvido para a produção do cultural. Tem toda pertinência. de caráter não (D p. samba-enredo samba sobre o samba. Criação de centros de manifestação originais dessa arte Considero de especial urgência o memória e referência do samba e dos sambistas tradicionais. Ampla pesquisa e visando à transmissão de portanto. medidas de salvaguarda: de encontros entre sambistas mais velhos e as novas gerações. que dossiê. (D p. expressão. 4. visto que parte aos estudos. pois “a prática é recomendações do dossiê para tipos de samba como formas a primeira escola do samba”. tanto dos três conhecimentos. Formação de pesquisadores da Purificação (BA). a ênfase presente nas documentação. (D p. (D que as medidas de salvaguarda de expressão artística. foram sugeridas as seguintes 3. 1. samba de terreiro. não foi registrada. samba de terreiro às formas tradicionais. investigações identificados como depositários reconhecidos significativa da produção das comunidades acadêmicas e acervos de imagem da tradição e dos saberes envolvidos nas de sambistas. 120) dentro das diversas comunidades de sambistas de modo a que Essas e outras iniciativas são Nesse sentido. ou seja.120) que acaba de ser criado para o dificuldades que enfrentam e suas necessidades samba de roda em Santo Amaro para a plena realização dessas formas de 2. 122). em especial os terreiro e sambas-enredo. 118) com base na articulação das e melodias de partidos-altos. a exemplo do espaço e samba-enredo. Promoção e documentação têm o samba como tema. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 192 partido-alto. sambas de “facilitar aos sambistas o acesso comunidades de sambistas. em levantamento da produção musical. que detalharão as comercial. como de p. de modo a p. e voltada para o espetáculo .

das Matrizes do Samba Carioca no resgate e difusão de elementos e Livro das Formas de Expressão. mas para a valorização. trata-se de viabilizar o Maria Cecília Londres Fonseca conhecimento e a valorização Conselheira Relatora da diversidade de linguagens e práticas referentes ao partido- -alto. fazer e viver”. 216) D – Dossiê das matrizes do samba no Rio de Janeiro: partido-alto. foram usadas as elas atribuídos. samba de terreiro. 16) Enfim. p. Por todos esses motivos. (CF art. assegurando assim seguintes convenções: a preservação de “modos de criar. e samba de terreiro. samba-enredo turístico. e também dos sentidos e valores a * No parecer. lado. aspectos patrimoniais que estão sendo esquecidos ou postos de Rio de Janeiro.” (P. no parecer técnico e no abaixo-assinado P – Parecer técnico do DPI/Iphan anexado ao pedido inicial. samba-enredo acompanhando a solicitação (versão dos proponentes) expressa no dossiê. das formas de sociabilidade que as propiciam. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 193 partido-alto. 9 de outubro de 2007. sou inteiramente favorável ao Registro . ao samba de terreiro e ao samba-enredo.

samba-enredo anexo 2 Titulação de Patrimônio Cultural do Brasil . samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 194 partido-alto.

D e E) • Unidos do Cabral • Infantes da Piedade • Inocentes de Belford Roxo • Unidos do Cabuçu • Acadêmicos da Abolição • Unidos do Jacarezinho • Acadêmicos da Barra da Tijuca • Leão de Nova Iguaçu • Unidos do Sacramento • Acadêmicos da Rocinha • Lins Imperial • Unidos do Uraiti • Acadêmicos de Santa Cruz • Mocidade de Vicente de • Unidos do Viradouro • Acadêmicos de Vigário Geral Carvalho • Vizinha Faladeira • Acadêmicos do Cubango • Mocidade Independente de • Acadêmicos do Dendê Inhaúma Fontes: • Acadêmicos do Engenho da • Mocidade Independente de Sites da Liga Independente das Rainha Padre Miguel Escolas de Samba do Rio de • Acadêmicos do Grande Rio • Mocidade Unida de Jacarepaguá Janeiro (Liesa) <http://www.com. samba de terreiro. • Acadêmicos do Salgueiro • Mocidade Unida do Santa liesa. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 195 partido-alto.br> • Arranco • Portela • Arrastão de Cascadura • Porto da Pedra • Beija-Flor • Renascer de Jacarepaguá • Boêmios de Inhaúma • Rosa de Ouro • Boi da Ilha do Governador • São Clemente • Canários das Laranjeiras • Sereno de Campo Grande • Caprichosos de Pilares • Tradição . A. samba-enredo • Corações Unidos do • União da Ilha do Governador Amarelinho • União de Jacarepaguá • Delírio da Zona Oeste • União de Vaz Lobo • Difícil é o Nome • União do Parque Curicica anexo 3 • Unidos da Ponte • Em Cima da Hora As 73 Escolas de • Estação Primeira de Mangueira • Unidos da Tijuca Samba do Rio de • Estácio de Sá • Unidos da Vila Kennedy • Flor da Mina do Andaraí • Unidos da Vila Santa Teresa Janeiro • Gato de Bonsucesso • Unidos da Villa Rica • Imperatriz Leopoldinense • Unidos de Cosmos • Imperial • Unidos de Lucas • Império da Tijuca • Unidos de Manguinhos • Império Serrano • Unidos de Padre Miguel Escolas de Samba da Região • Unidos de Vila Isabel • Independente da Praça da Metropolitana do Rio de Janeiro • Unidos do Anil Bandeira (Grupos Especial. B.com> e da Associação das • Acadêmicos do Sossego Marta Escolas de Samba da Cidade • Alegria da Zona Sul • Paraíso da Alvorada do Rio de Janeiro (AESCRJ) • Arame de Ricardo • Paraíso do Tuiuti <http://aescrj. C.

samba-enredo • Acadêmicos de Bento Ribeiro Meriti • Acadêmicos de Bonsucesso • Escalão de Tupã • Acadêmicos do Engenho de • Estrela de Ouro Dentro • Filhos do Deserto anexo 4 • Além do Horizonte • Fiquei Firme • Alunos da Penha Circular • Flor da Infância Escolas de samba • Aprendizes da Boca do Mato • Flor do Andaraí extintas • Aprendizes da Gávea • Flor do Cabuí • Aprendizes de Copacabana • Flor de Lins • Aprendizes de Lucas • Floresta do Andaraí • Aventureiros da Matriz • Guarani de Realengo • Azul e Branco do Salgueiro • Império da Colina • Baianinhas Brasileiras • Império de Campo Grande • Balanço de Lucas • Império de Jacarepaguá • Boa União de Coelho da Rocha • Império do Marangá • Cada Ano Sai Melhor • Independente de Turiaçu • Cenáculo do Samba • Independentes da Serra • Coração das Morenas • Independentes do Leblon • Corações da Liberdade • Independentes do Rio • Corações Unidos da Favela • Índios de Acaú • Corações Unidos de Jacarepaguá • Inimigos da Tristeza • De Mim Ninguém se Lembra • Lira do Amor • Deixa Malhar • Mocidade do Cachambi • Depois Eu Digo • Mocidade de um Paraíso • Embaixadores de São João de • Mocidade de Vasconcelos . samba de terreiro. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 196 partido-alto.

170. Rio de Janeiro: Casa da • Recreio de Inhaúma • Unidos do Irajá Palavra-Folha Seca. samba-enredo • Mocidade Louca de São Cristóvão • União de Colégio • Unidos do Morro Azul • Não é o que Dizem • União do Realengo • Unidos do Outeiro • Papagaio Linguarudo • União do Sampaio • Unidos do Pecado • Paraíso das Baianas • União do Barão da Gamboa • Unidos do Riachuelo • Paraíso de Anchieta • União do Catete • Unidos do Salgueiro • Paraíso de Santa Teresa • União do Jacarezinho • Unidos do Tuiuti • Paraíso de Grotão • União do Uruguai • Unidos dos Arcos • Paraísos das Morenas • Unidos da Capela • Universidade de Rocha Miranda • Paz e Amor • Unidos da Congonha • Universitária de Honório Gurgel • Paz. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 197 partido-alto. • Recreio de Ramos • Unidos do Barão • Recreio de Rocha Miranda • Unidos do Castelo • Recreio de São Carlos • Unidos do Catete • Sai Quem Pode • Unidos do Coqueiro • Segunda Linha do Estácio • Unidos do Grajaú • Sem Você Vivo Bem • Unidos do Indaiá • Três Mosqueteiros • Unidos do Jacaré • Última Hora • Unidos do Leme • União da Mocidade • Unidos do Marangá . samba de terreiro. 2003. Sambeabá: o • Primeira Linha • Unidos de Bangu samba que não se aprende na • Rainha das Pretas • Unidos de Cavalcante escola. Música e Alegria • Unidos da Mangueira • Vai como Pode • Podia Ser Pior • Unidos da Piedade • Vai se Quiser • Prazer da Mocidade • Unidos da Saúde • Voz de Orion • Prazer da Serrinha • Unidos da Tamarineira Fonte: Nei Lopes. p.

com> . samba-enredo anexo 5 Escolas de samba mirins do rio de janeiro • Aprendizes do Salgueiro • Corações Unidos do CIEP • Estrelinha da Mocidade • Filhos da Águia • Golfinhos da Guanabara • Herdeiros da Vila • Império do Futuro • Infantes do Lins • Inocentes da Caprichosos • Mangueira do Amanhã • Mel do Futuro • Miúda da Cabuçu • Nova Geração do Estácio de Sá • Petizes da Penha • Pimpolhos da Grande Rio • Tijuquinha do Borel • Virando Esperança anexo 6 Fonte: Site da Associação das aquarela Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro (AESM-RIO) <http://www. samba de terreiro. brasileira aesmrio. dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 198 partido-alto.

samba de terreiro. samba-enredo .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 199 partido-alto.

samba de terreiro.dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 200 partido-alto. samba-enredo .

samba-enredo .dossiê iphan 10 { Matrizes do Samba no Rio de Janeiro } 201 partido-alto. samba de terreiro.

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Xangô da Mangueira. Acervo Centro Cultural Cartola. Este livro foi produzido no verão de 2014 para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional .

samba de terreiro.188 8 . 4. 10) ISBN: 978-85-7334-192-8 1. Iphan/Brasilia-DF CDD 784. 2. – Brasília. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 25 cm. I.Rio de Janeiro. color. Patrimônio Cultural. 2014. Patrimônio Imaterial. 204 p. – (Dossiê Iphan . Série. FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA ALOÍSIO MAGALHÃES M433 Matrizes do samba do Rio de Janeiro: partido-alto. DF : Iphan. Bens Culturais. : il. . II. samba-enredo / Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 3. Samba .