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CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA
PORTARIA Nº 2.861 DO DIA 13/09/2004

MATERIAL DIDÁTICO

INTRODUÇÃO AO
GEOPROCESSAMENTO E
GEORREFERENCIAMENTO

0800 283 8380
www.portalprominas.com.br

SUMÁRIO

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03
UNIDADE 2 – GEOPROCESSAMENTO ............................................................... 07
2.1 Conceitos e definições ...................................................................................... 07
2.2 Técnicas e usos relacionados ao geoprocessamento ....................................... 08
2.3 Um pouco de história ........................................................................................ 16
2.4 Orientação a objetos ......................................................................................... 20
UNIDADE 3 – EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA DA GEOINFORMAÇÃO .............. 23
UNIDADE 4 – INTERDISCIPLINARIDADE: CARTOGRAFIA X
GEOINFORMAÇÃO ................................................................................................ 27
UNIDADE 5 – A URBANIZAÇÃO BRASILEIRA, OS PROBLEMAS SOCIAIS E
APLICAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES .................... 30
5.1 Desenvolvimento sustentável e qualidade de vida ............................................ 31
5.2 Urbanização brasileira e os problemas sociais ................................................. 33
5.3 Geoprocessamento e combate a criminalidade ................................................ 47
UNIDADE 6 – GEORREFERENCIAMENTO .......................................................... 53
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 61
ANEXO ................................................................................................................... 66

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Ao longo das últimas décadas o homem veio interferindo de maneira
muito intensa no meio natural que o cerca e, claro, modificou a paisagem
contribuindo para o surgimento de diversos problemas ambientais e, por
conseguinte, problemas socioeconômicos, em níveis que podemos dizer são hoje
alarmantes.

A urbanização modifica todos os elementos da paisagem: o solo, a
geomorfologia, a vegetação, a fauna, a hidrografia, o ar e o clima. Esta ocupação
indiscriminada que veio ocorrendo nos centros urbanos, principalmente a partir da
segunda metade do século XX, é uma das principais fontes de problemas
ambientais das cidades, sendo que esses locais podem ser caracterizados pela
elevada desigualdade em termos de distribuição da renda, precárias condições de
moradias e acesso reduzido aos serviços públicos, particularmente na parcela da
população mais pobre e vulnerável em termos socioambientais. Pode-se afirmar,
portanto, que os elevados níveis de pobreza urbana, exclusão social e
degradação ambiental têm caracterizado a urbanização brasileira (CARVALHO;
BRAGA, 2001; MONTE-MÓR; FREITAS; BRAGA, 2003).

Sendo fato a modificação da paisagem natural, como podemos saber o
local exato e as dimensões dessas modificações? Eis que aqui lançamos mão do
geoprocessamento que é uma disciplina do conhecimento que utiliza técnicas
matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que
vem influenciando de maneira crescente as áreas de Cartografia, Análise de
Recursos Naturais, Transportes, Comunicações, Energia e Planejamento Urbano
e Regional, dentre outras.

Geoprocessamento nada mais é que o uso automatizado de informação
que de alguma forma está vinculada a um determinado lugar no espaço, seja por
meio de um simples endereço ou por coordenadas (LAZZAROTTO, 2002). Vários
sistemas fazem parte do Geoprocessamento, dentre os quais o Sistema de
Informações Geográficas (SIG) que reúne maior capacidade de processamento e
análise de dados espaciais. A utilização destes sistemas produz informações que
permitem tomar decisões para colocar em prática várias ações.

uma descrição de alguns conceitos básicos. os quais veremos ao longo deste módulo. Para que o SIG cumpra suas finalidades. 1 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A digitalização é um dos processos mais utilizados para aquisição de dados já existentes. era a única forma de mapeamento para grandes áreas. tratamento. etc. e que seus elementos possam ser representados em um mapa. convertendo-os para a forma digital através de digitalização manual ou automática. hospitais. indicadores e variáveis. concessionárias e outros). deve-se aproveitar ao máximo possível os dados analógicos. que serão necessários ao projeto a ser implementado. Sistema de Informação Geográfica (SIG). Embora na área seja muito usado o jargão GIS. o entendimento da tecnologia de Geoprocessamento requer. voltado para um objetivo específico. Deve-se verificar a existência destes dados nos órgãos apropriados (IBGE1. Durante muitos anos. Como ressaltam Câmara et al. surgiu a Fotogrametria Digital. escolas. DSG2. Geoprocessamento é um conjunto de tecnologias de coleta. Como os custos para geração costumam ser significativos. há a necessidade de dados. (2005). A sua ausência implicará num esforço de geração que dependerá de custos. 4 Estes sistemas se aplicam a qualquer tema que manipule dados ou informações vinculadas a um determinado lugar no espaço. como casas. . prazos e processos disponíveis para aquisição. Este conjunto possui como principal ferramenta o Geographical Information System – GIS. Prefeituras. manipulação e apresentação de informações espaciais. A aquisição de dados em Geoprocessamento deve partir de uma definição clara dos parâmetros. Outro conceito básico e muito importante é a Fotogrametria. Segundo Rodrigues (1993). muito utilizada na geração de dados cartográficos. Com a evolução da informática e das técnicas de processamento digital de imagens. considerado também como já citado. usaremos sua correspondente em português – SIG. 2 Departamento de Sistema Geográfico do Exército Brasileiro – mais informações serão oferecidas ao longo do curso. preliminarmente.

oferecem diversas possibilidades de extração de informações e análises temporais. O GPS (Global Position Sistem ou Sistema de Posicionamento Global). apoiando também a Fotogrametria e o Sensoriamento Remoto. mas não menos científicos. Servir de instrumento de Registro Público. combinados com o processamento de imagens. Quanto ao georreferenciamento.gov. 5 Inicialmente considerado como um ramo da fotogrametria.449/2002. Em segundo lugar. Servir de instrumento de cadastro.267/01).planalto. portanto. baseada em normas e padrões da academia. possibilitando a segurança no tráfico jurídico de imóveis. . Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica. apesar de ter sido criado para finalidades nada nobres. imageando periodicamente a Terra. com a finalidade preponderantemente fiscalizatória. dispõe o art. Pois bem. o Sensoriamento Remoto (SR) emergiu com a capacidade impressionante de geração de dados.br/ccivil_03/decreto/2002/d4449.868/72 que trata do cadastramento rural (alterado pela Lei nº 10. de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra. até 2023.htm). disponível em https://www. este é por sua vez e de maneira bem concisa. deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores. revelou-se um sistema extremamente preciso e rápido para posicionamento e mapeamento. aliás. Sistemas orbitais com sensores de alta resolução. incluindo aqueles que consideramos clássicos. da Lei nº 5. uma técnica moderna de agrimensura e tem duas funções básicas: 1º. fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva. todas as 5. estes são alguns dos temas a serem estudados de maneira ampla neste módulo. 2º. Para se ter uma ideia de sua utilização e importância. não serão expressas opiniões pessoais.850 milhões de propriedades rurais brasileiras deverão ter as medidas atualizadas por meio de sistema digital (vale a pena ler o Decreto nº 4. não se tratando. como. 1º e seus parágrafos.

de todo modo. podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos estudos. encontram-se outras que foram ora utilizadas. ora somente consultadas. . mas que. além da lista de referências básicas. 6 Ao final do módulo.

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UNIDADE 2 - GEOPROCESSAMENTO

A obtenção de informações sobre a distribuição geográfica de fenômenos
e objetos é parte importante das atividades de organização da sociedade. Antes
contidas em mapas e documentos em papel impresso, o desenvolvimento da
Informática na segunda metade do século XX possibilitou armazenar e
representar tais informações em ambiente computacional, culminando no advento
da prática do Geoprocessamento que pode ser tido como “um ramo do
processamento de dados que opera transformações nos dados contidos em uma
base de dados referenciada territorialmente (geocodificada), usando recursos
analíticos, gráficos e lógicos, para a obtenção e apresentação das transformações
desejadas” (XAVIER-DA-SILVA, 1992, p. 48 apud MOURA, 2003, p. 9).

Vamos analisar esse conceito?

2.1 Conceitos e definições

É fato e historicamente registrado que a coleta de informações sobre a
distribuição geográfica de recursos minerais, propriedades, animais e plantas
sempre foi uma parte importante das atividades das sociedades organizadas. Até
recentemente, no entanto, isto era feito apenas em documentos e mapas em
papel, o que impedia uma análise que combinasse diversos mapas e dados. Com
o desenvolvimento simultâneo (na segunda metade do século XX) da tecnologia
de informática, tornou-se possível armazenar e representar tais informações em
ambiente computacional, abrindo espaço para o aparecimento do
Geoprocessamento.

Nesse contexto, o termo Geoprocessamento denota a disciplina do
conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o
tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira
crescente as áreas de Cartografia, Análise de Recursos Naturais, Transportes,
Comunicações, Energia e Planejamento Urbano e Regional. As ferramentas
computacionais para Geoprocessamento, chamadas de Sistemas de Informação
Geográfica (SIG), permitem realizar análises complexas, ao integrar dados de

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diversas fontes e ao criar bancos de dados georreferenciados. Tornam ainda
possível automatizar a produção de documentos cartográficos (CÂMARA; DAVIS,
2005).

Segundo Moura (2003), a palavra Geoprocessamento é o hibridismo do
termo grego gew (Terra) com o termo latino processus (progresso, “andar
avante”), significando implantar um processo que traga um progresso, um andar
avante, na representação da superfície da Terra.

Reúnem-se hardware, software, base de dados, metodologias e operador,
que analogicamente correspondem às ferramentas materiais e virtuais de
trabalho, à matéria-prima, às técnicas do ofício e ao trabalhador. Com os
componentes técnicos de suporte material (hardware) e os programas de
manipulação de dados no suporte lógico (software), trabalhar com
Geoprocessamento significa utilizar computadores como instrumentos de
manuseio de dados para representação digital do espaço geográfico.

De forma genérica, podemos explicar assim: “Se onde é importante para
seu negócio, então Geoprocessamento é sua ferramenta de trabalho”. Sempre
que o onde aparece, dentre as questões e problemas que precisam ser
resolvidos por um sistema informatizado, haverá uma oportunidade para
considerar a adoção de um SIG.

Num país de dimensões continentais como o Brasil, com uma grande
carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os
problemas urbanos, rurais e ambientais, o Geoprocessamento apresenta um
enorme potencial, principalmente se baseado em tecnologias de custo
relativamente baixo, em que o conhecimento seja adquirido localmente.

2.2 Técnicas e usos relacionados ao geoprocessamento

Trabalhar com geoinformação significa, antes de qualquer coisa, utilizar
computadores como instrumentos de representação de dados espacialmente
referenciados. Deste modo, o problema fundamental da Ciência da
Geoinformação é o estudo e a implementação de diferentes formas de
representação computacional do espaço geográfico.

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É costume dizer-se que Geoprocessamento é uma tecnologia
interdisciplinar, que permite a convergência de diferentes disciplinas científicas
para o estudo de fenômenos ambientais e urbanos. Ou ainda, que “o espaço é
uma linguagem comum” para as diferentes disciplinas do conhecimento.

Apesar de aplicáveis, estas noções escondem um problema conceitual: a
pretensa interdisciplinaridade dos SIG’s é obtida pela redução dos conceitos de
cada disciplina a algoritmos e estruturas de dados utilizados para armazenamento
e tratamento dos dados geográficos. Considere-se, a título de ilustração, alguns
problemas típicos:

um sociólogo deseja utilizar um SIG para entender e quantificar o
fenômeno da exclusão social numa grande cidade brasileira;

um ecólogo usa o SIG com o objetivo de compreender os remanescentes
florestais da Mata Atlântica, através do conceito de fragmento típico de
Ecologia da Paisagem;

um geólogo pretende usar um SIG para determinar a distribuição de um
mineral numa área de prospecção, a partir de um conjunto de amostras de
campo (CÂMARA; MONTEIRO, 2005).

O que há de comum em todos os casos acima?

Para começar, cada especialista lida com conceitos de sua disciplina
(exclusão social, fragmentos, distribuição mineral). Para utilizar um SIG, é preciso
que cada especialista transforme conceitos de sua disciplina em representações
computacionais. Após esta tradução, torna-se viável compartilhar os dados de
estudo com outros especialistas (eventualmente de disciplinas diferentes). Em
outras palavras, e que fique bem claro: quando se fala que o espaço é uma
linguagem comum no uso de SIG, a referência é ao espaço computacionalmente
representado e não aos conceitos abstratos de espaço geográfico.

Do ponto de vista da aplicação, utilizar um SIG implica em escolher as
representações computacionais mais adequadas para capturar a semântica de
seu domínio de aplicação. Do ponto de vista da tecnologia, desenvolver um SIG
significa oferecer o conjunto mais amplo possível de estruturas de dados e

média ou ruim a aptidão agrícola das porções dessa região. 1992 apud ROCHA. o valor da declividade e a quantidade de precipitação média mensal indica como boa. 2000). o que insere a representação dos fenômenos geográficos na lógica dos sistemas de informação.. a indicação de susceptibilidade à urbanização – a inclinação do relevo conjugada ao uso e à ocupação do solo permite a definição de áreas vulneráveis à expansão urbana. entidades. Outros exemplos de usos do Geoprocessamento: a determinação de aptidão agrícola – com os mapas de solo. dispostas em planilhas alfanuméricas. O conjunto de dados cujo significado contém associações ou relações de natureza espacial formam uma informação geográfica (TEXEIRA et al. matrizes e representações gráficas vetoriais. o Geoprocessamento é uma tecnologia transdisciplinar. 2002). Novamente podemos afirmar que várias são as Ciências que se beneficiam de seus resultados. como a Agronomia e o Urbanismo. integra várias disciplinas. que. Para que essas informações sejam submetidas ao processamento computacional. dados. a cada tipo de informação é associado um valor numa escala de medida ou referência. . através da axiomática da localização e do processamento de dados geográficos. 2002). programas. processos. Transpondo limites científicos disciplinares através dos trabalhos de localização dos fenômenos e equacionamento e esclarecimento das condições espaciais. equipamentos. 10 algoritmos capazes de representar a grande diversidade de concepções do espaço. caracterizadas por relevo de baixa inclinação e próximas a áreas já ocupadas (FLORENZANO. de declividade e de precipitação de determinada região submetidos a uma escala de medida de qualidade. o cálculo da média ponderada entre o tipo de solo. a definição da taxa de expansão urbana – delimitação e cálculo do tamanho da mancha urbana identificada em imagens de uma mesma área datadas sucessivamente (FLORENZANO.

Técnicas de armazenamento de informação espacial. tratamento. Cartografia Digital e SIG). portanto. 210).Coleta.. Sensoriamento Remoto. Processamento Digital de Imagens (PDI). Cada uma possui características que as singularizam. . • as que permitem a organização. 11 metodologias e pessoas para coleta. elementos participantes do conjunto de técnicas relacionadas ao tratamento da informação espacial. o gerenciamento e a apresentação dos dados (SGBD. 2. a saber: Sistema de Posicionamento Global (GPS). p. Algumas se enquadram em mais de um grupo devido às várias possibilidades de trabalho que permitem.Geoprocessamento é uma tecnologia formada pela confluência de outras tecnologias. 2000. e. armazenamento. . SGBD e SIG). 2009). Técnicas para coleta de informação espacial. Cartografia Digital e GPS). sendo.. análise e apresentação de informações associadas a mapas digitais georreferenciados (ROCHA. todas convergem no SIG (COUTO. ainda. Guarde. Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Cartografia Digital. . Voltando às técnicas. Porém. tratamento e análise e uso integrado são. • as que permitem o processamento dos dados (PDI. Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD). agrupadas entre as que permitem: • a aquisição de dados (Sensoriamento Remoto. Vieira (2002) cita pelo menos quatro categorias de técnicas relacionadas ao tratamento da informação espacial: 1.

Ciência quando se utiliza do apoio científico da Astronomia. 12 3. cartas e outras formas gráficas (computação gráfica) os diversos ramos do conhecimento do homem sobre a superfície e o ambiente terrestre. da Geodésica. ou seja. 4. Informações georreferenciadas têm como característica principal a localização. recursos matemáticos de projeções cartográficas. da Estatística e de outras ciências para alcançar exatidão satisfatória. 1). p. cuja função essencial é representar a realidade através de informações espaciais de uma forma organizada e padronizada incluindo acuracidade. dentre os quais o SIG. principalmente para aqueles que estão chegando à área. têm tido suas aplicações estendidas a todas as atividades que de alguma forma necessitem conhecer parte da superfície terrestre. Arte quando recorre às leis estéticas da simplicidade e da clareza. como casas. A utilização destes sistemas produz informações que permitem tomar decisões para colocar ações em prática. Técnicas para o uso integrado de informação espacial. . Segue abaixo uma breve explicação das principais técnicas relacionadas ao tratamento da informação espacial. é o sistema que reúne maior capacidade de processamento e análise de dados espaciais. Técnicas para tratamento e análise de informação espacial. buscando atingir o ideal artístico da beleza. como já dito. A Cartografia. datum para a determinação de coordenadas e ainda recursos gráficos de símbolos e textos. a) Técnicas para coleta de informação espacial: Aqui temos como principal representante a Cartografia! Segundo Timbó (2000. escolas ou hospitais. Cartografia é a Ciência e Arte que se propõe a representar através de mapas. da Física. Estes sistemas se aplicam a qualquer tema que manipule dados ou informações vinculadas a um determinado lugar no espaço. precisão. com destaque para as técnicas de uso integrado de informação espacial (SIG). da Matemática. mas é importante frisar sempre. Vários sistemas fazem parte do Geoprocessamento. estão ligadas a uma posição específica do globo terrestre por meio de suas coordenadas. e que seus elementos possam ser representados em um mapa.

• a precisão dos dados de localização espacial fornecidos por sistemas de posicionamento global por satélites (GPS). de todos os detalhes da configuração do solo (topografia). b) Técnicas de armazenamento de informação espacial: As informações espaciais são. • a obtenção de medidas terrestres precisas através de fotografias especiais. através de sensores montados em satélites artificiais. onde serão definidos itens importantes para sua coleta e . entre as principais funções de um banco de dados: a seleção de dados. Sistema de Banco de Dados (SBD) são softwares projetados para gerir grandes volumes de informações. 13 São ferramentas fundamentais para a cartografia: • a aquisição de dados a partir de plataformas espaciais. Esse gerenciamento implica na definição das estruturas de armazenamento das informações e na definição dos mecanismos para o tratamento dessas informações. A integridade. por uma projeção ortogonal cotada. Um sistema de banco de dados tem como principal objetivo permitir ao usuário a utilização. eficiência e eficácia das informações processadas pelo sistema de banco de dados dependem exclusivamente da correta e adequada modelagem. Banco de dados é uma coleção de registros ou conjunto de dados que contêm informações sobre um determinado assunto ou determinada organização. das informações contidas em cada banco e aquela resultante da interação entre eles. obtidas com câmaras métricas e com recobrimento estereoscópico (fotogrametria). de forma produtiva. • a representação. via de regra. a manipulação de dados e o controle de acesso aos dados. armazenadas em algum tipo de banco de dados. Destacam-se. e. A estrutura do banco de dados é definida através do processo de modelagem de dados. • a restituição de imagens através de ortofotos digitais.

em geoprocessamento. Neste caso. Uma das técnicas utilizadas para a análise dos dados é a normalização. . relacionando-os aos demais dados de um determinado assunto). reduzir sua inconsistência e facilitar sua manutenção. a geoestatística e a análise de redes. o que se considera tradicional. Uma modelagem de dados bem feita evita repetições de dados. com várias aplicações. e os números de placas e chassis de veículos são os exemplos mais conhecidos. Utilizando a normalização. Antes da modelagem. expansão de bairros. Os bancos de dados relacionais são utilizados. como o controle de transações bancárias e controle de estoques. c) Técnicas para tratamento e análise de informação espacial: As principais técnicas para tratamento e análise de informação espacial são a modelagem de dados. portanto. determinando a melhor estrutura do banco que os contêm. surgimento de novas codificações de crimes. A modelagem ocorre através de ferramentas importantes. Esse procedimento é o que garante. banco de dados multimídia. em diversas empresas. adaptações fáceis à troca de nomes de ruas. banco de dados móvel. Além das aplicações tradicionais. Os dados devem ser corretamente identificados e classificados. diminui o retrabalho. o CNPJ das empresas. etc. Os números de RG e CPF. Esses bancos contêm informações relacionadas a um determinado assunto. 14 armazenamento. o responsável pela construção e manutenção de bancos de dados escolhe qual dado há em comum no conjunto deles. para fixá-lo como imutável. a denominação de ruas será feita por meio de códigos. isto é. há necessidade de uma correta definição de quais dados serão tratados pelo sistema. que se baseia na percepção do mundo real e a transferência dessa percepção para o sistema de banco de dados. principalmente o modelo Entidade-Relacionamento. uma técnica que visa diminuir dificuldades nas operações sobre os dados. o banco de dados relacional pode ser utilizado em sistemas de suporte à decisão. banco de dados espaciais (trata de dados geográficos.

O modelo busca sistematizar o entendimento que é desenvolvido a respeito de objetos e fenômenos que serão representados em um sistema informatizado. entendendo como tal. A Geoestatística está baseada na teoria de variáveis regionalizadas. pelo que não podem ser completamente aleatórias. permitindo realizar análises de conectividade. variáveis cujos valores são relacionados de algum modo com a posição espacial que ocupam (variável aleatória georreferenciada) tendo uma função de covariância espacial associada. As variáveis regionalizadas são contínuas no espaço. que seja adequada às finalidades das aplicações do banco de dados. A análise espacial de dados via Geoestatística resume-se basicamente em duas fases na estimação do variograma (ou semivariograma) e krigagem que é predição (previsão) espacial. o sucesso de qualquer implementação em computador de um sistema de informação é dependente da qualidade da transposição de entidades do mundo real e suas interações para um banco de dados informatizado. . de acordo com a necessidade de compreensão e representação das diversas entidades de interesse do sistema de informação e suas interações. no entanto. Além disso. Redes são o conjunto formado pelo relacionamento entre entidades gráficas que permite a navegação entre estas entidades. Cada um destes componentes pode ser visualizado em diferentes níveis de complexidade e detalhe. Desta forma. A abstração funciona como uma ferramenta que nos ajuda a compreender o sistema. sendo uma variável distribuída no espaço e não envolve qualquer interpretação probabilística. é necessário construir uma abstração dos objetos e fenômenos do mundo real. características intermediárias entre processos puramente determinísticos e aleatórios puros. dividindo-o em componentes separados. A abstração de conceitos e entidades existentes no mundo real é uma parte importante da criação de sistemas de informação. Têm. ser modeladas por nenhuma função determinística (ou processo espacial). portanto. caminho mais curto. embora simplificada. caminho ótimo e outras. 15 A modelagem de dados é um conjunto de conceitos que podem ser usados para descrever a estrutura e as operações em um banco de dados. de modo a obter uma forma de representação conveniente. não podendo.

Dada a precariedade da informática na época. análise. manipulação. 2). de recursos humanos (peopleware) e principalmente a aplicação específica a que se destina. Definindo mais uma vez o Sistema de Informações Geográficas (SIG). pode ser entendido como um sistema composto por ferramentas de hardware. agregam-se ainda os aspectos institucionais. destacam-se: o Sistema de Informações Geográficas (SIG). analisar e manipular dados geográficos.. 2. 16 d) Técnicas para o uso integrado de informação espacial: Dentre as principais técnicas para o uso integrado de informação espacial. ou Projeto Assistido por Computador. com o objetivo principal de reduzir os custos de produção e manutenção de mapas. Tabelas e Relatórios convencionais (COUTO. 2001. Os produtos criados são arquivos digitais contendo Mapas. Gráficos. SIG são sistemas automatizados usados para armazenar. o AM/FM (Automated Mapping/Facilities Management) e o CADD (Computer Aided Design and Drafting). porém ao SIG.3 Um pouco de história As primeiras tentativas de automatizar parte do processamento de dados com características espaciais aconteceram na Inglaterra e nos Estados Unidos.. software. para o processamento. que permite a integração entre bancos de dados alfanuméricos (tabelas) e gráficos (mapas). É um sistema computacional composto de softwares e hardwares. ou seja. visando a solução de problemas complexos de planejamento e gestão de recursos e/ou fenômenos geograficamente/espacialmente distribuídos (TIMBÓ. 2009). e a . modelagem e exibição de dados do mundo real. nos anos 1950. análise e saída de dados georreferenciados. rotinas e métodos com o propósito de apoiar a aquisição. dados que representam objetos e fenômenos em que a localização geográfica é uma característica inerente à informação e indispensável para analisá-la. também chamado de GIS (Geographic Information Systems). O SIG engloba em sua definição vários aspectos abordados na definição de Geoprocessamento. p.

como parte de um programa governamental para criar um inventário de recursos naturais. o que demandava muito tempo e. os computadores necessários eram excessivamente caros. Os primeiros Sistemas de Informação Geográfica surgiram na década de 1960. A década de 1980 representa o momento quando a tecnologia de sistemas de informação geográfica inicia um período de acelerado crescimento que dura até os dias de hoje. que melhoraram em muito as condições para a produção de desenhos e plantas para engenharia. e cada interessado precisava desenvolver seus próprios programas. e a mão de obra tinha que ser altamente especializada e caríssima. Também nos anos 1970 foram desenvolvidos alguns fundamentos matemáticos voltados para a cartografia. a capacidade de armazenamento e a velocidade de processamento eram muito baixas. a criação dos centros de pesquisa que formam o NCGIA . Nos EUA. Foi também nesta época que começaram a surgir os primeiros sistemas comerciais de CAD (Computer Aided Design. naturalmente. Ao longo dos anos 1970 foram desenvolvidos novos e mais acessíveis recursos de hardware. devido aos custos e ao fato destes protossistemas ainda utilizarem exclusivamente computadores de grande porte. Até então limitados pelo alto custo do hardware e pela pouca quantidade de pesquisa específica sobre o tema. 17 especificidade das aplicações desenvolvidas (pesquisa em botânica. estes sistemas ainda não podem ser classificados como “sistemas de informação” (CÂMARA. tornando viável o desenvolvimento de sistemas comerciais. Foi então que a expressão Geographic Information System foi criada. na Inglaterra. muito dinheiro. no Canadá. ou projeto assistido por computador). Além disto. incluindo questões de geometria computacional. eram muito difíceis de usar: não existiam monitores gráficos de alta resolução.National . Estes sistemas. 2005). DAVIS. e estudos de volume de tráfego. nos Estados Unidos). no entanto. e serviram de base para os primeiros sistemas de cartografia automatizada. os SIGs se beneficiaram grandemente da massificação causada pelos avanços da microinformática e do estabelecimento de centros de estudos sobre o assunto. No entanto. apenas grandes organizações tinham acesso à tecnologia. Não existiam soluções comerciais prontas para uso.

do Dr. Mais recentemente. o produto dbMapa permitiu a junção de bancos de dados relacionais a arquivos gráficos . um sistema para automatização de processos cartográficos. O SAGA tem seu forte na capacidade de análise geográfica e vem sendo utilizado com sucesso como veículo de estudos e pesquisas. A vinda ao Brasil. • MaxiDATA: os então responsáveis pelo setor de informática da empresa de aerolevantamento AeroSul criaram. além do surgimento e evolução dos computadores pessoais e dos sistemas gerenciadores de bancos de dados relacionais. sempre alavancado pelos custos decrescentes do hardware e do software. 1989) marca o estabelecimento do Geoprocessamento como disciplina científica independente. A incorporação de muitas funções de análise espacial proporcionou também um alargamento do leque de aplicações de SIG. em 1982. 18 Centre for Geographical Information and Analysis (NCGIA. constituíram empresa MaxiDATA e lançaram o MaxiCAD. Em se tratando do Brasil. No decorrer dos anos 1990. Roger Tomlinson. Posteriormente. com a grande popularização e barateamento das estações de trabalho gráficos. software largamente utilizado no Brasil. desenvolveu o SAGA (Sistema de Análise GeoAmbiental). ocorreu uma grande difusão do uso de SIG. sob a orientação do professor Jorge Xavier. em meados dos anos 1980. incentivou o aparecimento de vários grupos interessados em desenvolver tecnologia. responsável pela criação do primeiro SIG (o Canadian Geographical Information System). a introdução do Geoprocessamento inicia-se a partir do esforço de divulgação e formação de pessoal feito pelo prof. Jorge Xavier da Silva (UFRJ). Neste século. e também pelo surgimento de alternativas menos custosas para a construção de bases de dados geográficas. principalmente em aplicações de Mapeamento por Computador. no início dos anos 1980. entre os quais podemos citar: • UFRJ: o grupo do Laboratório de Geoprocessamento do Departamento de Geografia da UFRJ. observa-se um grande crescimento do ritmo de penetração do SIG nas organizações.

Sobre o SITIM/SGI. e. SANO. realizado pelo CPAC/EMBRAPA. na área agrícola temos um conjunto significativo de resultados do SITIM/SGI. trigo e soja. 1998). altimétricos e de sensoriamento remoto. Construído com base num ambiente de um SIG (VISION) com um banco de dados cliente-servidor (ORACLE). realizada pelo NMA/EMBRAPA. o SPRING (Sistema para Processamento de Informações Geográficas). para ambientes UNIX e MS/Windows. 19 MaxiCAD. foi suporte de um conjunto significativo de projetos ambientais. • CPqD/TELEBRÁS: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRÁS iniciou. . em 1990. a DPI desenvolveu o SITIM (Sistema de Tratamento de Imagens) e o SGI (Sistema de Informações Geográficas) para ambiente PC/DOS.DPI). c) O mapeamento das áreas de risco para plantio para toda a Região Sul do Brasil. Enfim. podendo-se citar: a) O levantamento dos remanescentes da Mata Atlântica Brasileira (cerca de 100 cartas). produzindo uma solução para “desktop mapping” para aplicações cadastrais. o SAGRE envolve um significativo desenvolvimento e personalização de software. desenvolvido pela IMAGEM Sensoriamento Remoto. uma extensiva aplicação de Geoprocessamento no setor de telefonia. conduzido pelo CENPES/Petrobrás (ASSAD. a partir de 1991. sob contrato do SOS Mata Atlântica. b) A cartografia fito-ecológica de Fernando de Noronha. para as culturas de milho. o desenvolvimento do SAGRE (Sistema Automatizado de Gerência da Rede Externa). De 1984 a 1990. o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) estabeleceu um grupo específico para o desenvolvimento de tecnologia de geoprocessamento e sensoriamento remoto (a Divisão de Processamento de Imagens . • INPE: em 1984. através da integração de dados geofísicos. d) O estudo das características geológicas da bacia do Recôncavo.

inpe. A este mecanismo dá-se o nome de especialização ou divisão. única. as classes derivadas herdam as propriedades das classes básicas. 20 Já o SPRING unifica o tratamento de imagens de Sensoriamento Remoto (ópticas e micro-ondas). pode-se dizer do objeto “golfinho Flipper” que “golfinho Flipper” é um mamífero. pode-se dizer que a classe “Primatas” é uma especialização da classe “Mamíferos”. passou a ser distribuído via Internet e pode ser obtido através do website http://www. um objeto é uma “materialização” ou instanciação da classe. Para uma análise mais completa. e ainda poder-se-ia definir uma classe “Homens” como especialização da classe “Primatas”. o termo “orientação-a-objetos” denota um paradigma de trabalho que vem sendo utilizado de forma ampla para o projeto e implementação de sistemas computacionais. com atributos próprios. A ideia geral da abordagem de orientação-a-objetos para um problema é aplicar as técnicas de classificação por divisão ou agrupamento. que permitem uma análise mais detalhada.br/spring. No processo de especialização. Uma classe pode ser definida como um molde básico. mapas temáticos. redes e modelos numéricos de terreno tanto que a partir de 1997. Assim. Este processo pode continuar. é muito útil reconhecer subclasses. porém com pelo menos as mesmas propriedades da classe que lhe deu origem. derivadas de uma classe básica. Neste caso. ou identificáveis no molde básico. em biologia. os conceitos de classe e objeto.dpi.4 Orientação a objetos Segundo Medeiros (1999). Um objeto denota uma entidade capaz de ser individualizada. a classe dos Mamíferos “agrega” todos os animais com a propriedade de ter sangue quente e de ser amamentado. ou melhor. mapas cadastrais. Dentre os conceitos fundamentais em orientação-a-objetos destacam-se aqui. acrescentando novos atributos que serão . Por exemplo. 2. uma espécie de “fôrma” na qual se reúnem os objetos com certas propriedades comuns.

. vale a afirmativa “todo homem é um mamífero. permite combinar vários objetos para formar um objeto de nível semântico maior. memória. chaves. 21 específicos destas novas classes. onde subclasses derivadas herdam comportamento de classes mais gerais. Um objeto composto ou objeto complexo é formado por agrupamento de objetos de tipos diferentes. a ideia de especialização (também chamada de é-um ou is-a) é utilizada normalmente para definir subclasses de entidades geográficas. disco rígido. conforme pode ser visto no próximo esquema. mas nem todo mamífero é um homem”. transformadores. monitor e mouse. Por exemplo. também chamado de relacionamento “parte-de” ou part of. formado de CPU. Em consequência. que podem obedecer a uma relação de hierarquia. no esquema abaixo ou mapa cadastral. Tome-se o caso de um computador. a classe de objetos indicada por hospital pode ser especializada em hospital público e hospital privado. subestações e linhas de transmissão. que podem ter atributos próprios. uma rede elétrica pode ser definida a partir dos componentes postes. A modelagem orientada-a-objetos aplica-se de forma natural ao geoprocessamento. teclado. Os atributos da classe hospital são herdados pelas subclasses: hospital público e hospital privado. Especialização O relacionamento de agregação. no qual cada parte tem funcionalidade própria. O outro mecanismo fundamental da teoria de orientação-a-objetos é a agregação ou composição. Em Geoprocessamento. Como exemplo. onde cada um dos tipos de objetos espaciais presentes será descrito através de classes.

O Geoprocessamento é uma poderosa ferramenta computacional.. p. 22 Agregação Fonte: Medeiros (1999. essencial ao gerenciamento dos recursos naturais. .. 43). que processa dados geograficamente referenciados e pode ser bastante útil na abordagem integrada. Guarde.

. Geografia. sem fornecer ao aluno uma visão sólida de fundamentos de aplicação geral. ou seja. Monteiro e Medeiros (2005) se preocuparam em discorrer sobre a epistemologia da geoinformação como veremos adiante. de aplicação genérica e independentes de aspectos de implementação. não há um corpo básico de conceitos teóricos. A tecnologia de sistemas de informação geográfica evoluiu de maneira muito rápida a partir da década de 1970. é pertinente conhecer a origem para validar o conhecimento. para que isto aconteça. Mesmo que sejamos breves. Engenharia. Câmara. não foi acompanhado por um correspondente avanço nas bases conceituais da geoinformação. a Ciência da Geoinformação ainda não se consolidou como disciplina científica independente. Estatística e Ciências do Ambiente. Para estabelecer as bases epistemológicas da Ciência da Geoinformação. mas uma diversidade por vezes contraditória de noções empíricas. na teoria do conhecimento. será preciso estabelecer um conjunto de conceitos teóricos. como resultado. é preciso – em primeiro lugar – identificar as fontes de contribuição teórica nas quais poderemos buscar bases para a reflexão que . fundamentar teoricamente para que essas bases sejam sólidas no momento de praticar. 23 UNIDADE 3 – EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA DA GEOINFORMAÇÃO Alguns devem estar se perguntando por que abordar a epistemologia. Muitos livros texto e cursos são organizados e apresentados em função de um sistema específico. o aprendizado do Geoprocessamento tornou-se singularmente dificultado.. Planejamento Urbano. Como este desenvolvimento foi motivado desde o início por forte interesse comercial. Ao contrário de outras disciplinas (como Banco de Dados). Os autores explicam que as raízes deste problema estão na própria natureza interdisciplinar (alguns diriam transdisciplinar) da Ciência da Geoinformação. realmente faz sentido. Ponto de convergência de áreas como Informática. que sirva de suporte para o aprendizado da tecnologia. Se pensarmos no seu conceito.

as técnicas de análise deverão incluir modelos multiescala. Para capturar as diferentes relações dinâmicas. Embora a ideia não seja aprofundar nessas concepções. o fundamento básico da Ciência da Geoinformação é a construção de representações computacionais do espaço. portanto é preciso revisar as principais concepções da Geografia. expressa através de um conjunto de eventos. na perspectiva da construção de sistemas de informação (CÂMARA. no qual a evolução do fenômeno é expressa através de representação funcional. 2005). pensar em geografia regional ou idiográfica. Apesar de seu caráter interdisciplinar. . Podemos. MONTEIRO. 24 vamos pontuar como sendo o espaço geográfico. Para a Geografia Quantitativa (SIG dos anos 2000). expresso através de abstrações como a “unidade-área”. ou até mesmo a geografia crítica tão arraigada nos trabalhos de Milton Santos. amostras pontuais. Para a Geografia Idiográfica (SIG dos anos 80). “unidade de paisagem” e “land-unit”. a partir da qual podemos construir os fundamentos teóricos desta disciplina científica. o conceito-chave são os modelos preditivos com representação espaço-temporal. por exemplo. o conceito-chave é a unicidade da região. quantitativa ou geografia do tempo. e o uso da interseção de conjuntos (lógica booleana). ou dados agregados por área. o conceito-chave é a distribuição espacial do fenômeno de estudo. que estabeleçam conexões entre fenômenos de macroescala (tipicamente relacionados com fatores econômicos) e fenômenos de microescala (tipicamente associados a transições no uso da terra). Para a Geografia Quantitativa (SIG de 1990). vale a pena estabelecer as relações possíveis e necessárias que nos conduzem à tecnologia dos SIGs. A representação computacional associada é a superfície (expressa como uma grade regular) e há uma grande ênfase no uso de técnicas de Estatística Espacial e Lógica Nebulosa (“fuzzy”) para caracterizar com o uso (respectivamente) da teoria da probabilidade e da teoria da possibilidade as distribuições espaciais. MEDEIROS. Ele é a noção-chave. A representação computacional associada é o polígono com seus atributos (usualmente expressos numa tabela de um banco de dados relacional) e as técnicas de análise comuns.

atributos conjuntos área) Geografia Final da década Distribuição Superfícies Geoestatística + quantitativa 1 de 90 espacial (grades) lógica fuzzy Geografia Meados da Modelos espaço. embora tenhamos apresentado uma visão reducionista e limitada. Técnicas de associada Comput. a ideia é exatamente esta: deixá-los pensar na importância do conceito-chave e na evolução das representações computacionais e no ambiente tecnológico atual. análise Geografia Anos 80 – Unicidade da Polígono e Interseção e Idiográfica meados anos 90 região (unidade. os SIGs oferecem ferramentas que permitem a expressão de procedimentos lógicos e matemáticos sobre as . Lembramos que a tecnologia de sistemas de informação geográfica ainda não chegou ao seu ponto de “ótimo” para dar suporte adequado às diferentes concepções de espaço geográfico. Funções Modelos quantitativa 2 década de 2000 tempo multiescala Geografia crítica Século XXI Objetos e ações Ontologias e Representação espaços não do conhecimento Espaços de fluxo cartográficos e espaço de lugares Evidentemente que o Geoprocessamento possui certo alcance e igual limitação e. Para cada escola temos o conceito chave em sua definição de espaço. para a Geografia Crítica (SIG do século XXI). há uma distinção entre os conceitos da escola de Geografia Quantitativa que tem expressão na geração de SIG dos anos 2000 e aqueles que apontam para sua evolução neste novo século. Se observarem. os conceitos-chave incluem o espaço como “sistema de objetos e sistemas de ações” e a oposição entre “espaço de fluxos” e “espaço de lugares”. a representação computacional que melhor aproxima este conceito. Teoria geográfica e Geoprocessamento Teoria Tecnologia SIG Conceito-chave Repres. e algumas técnicas de Análise Geográfica típicas que estão associadas a esta escola geográfica. O quadro abaixo nos mostra a evolução das teorias geográficas em comparação com o Geoprocessamento que resume a questão do conhecimento da noção-chave do espaço geográfico. Atualmente. 25 Enfim.

exigindo sempre a construção de “mapas computacionais”. como diz o próprio Milton Santos. Esse conceituado autor apresenta uma visão geral. tarefa sempre custosa e nem sempre adequada ao entendimento do problema em estudo. 26 variáveis georreferenciadas com uma economia de expressão e uma repetibilidade impossíveis de alcançar em análises tradicionais. sendo um de seus principais méritos o de apontar para uma visão muito rica do espaço geográfico. Os atuais sistemas são fortemente baseados numa lógica “cartográfica” do espaço. A tecnologia de SIG resolveu vários problemas de representação computacional do espaço. MEDEIROS. 2005). que admite diferentes leituras e distintos processos de redução. MONTEIRO. necessários à captura desta definição abstrata num ambiente computacional. com interações complexas entre seus componentes. enfatizando a noção do processo em contraposição à natureza estática dos SIGs. geometrias não são geografias (CÂMARA. da representação cartográfica para a dimensão da representação do conhecimento geográfico. Ela. a Geografia crítica. Afinal. . Não obstante. contribui sobremaneira para a Ciência da Geoinformação. a riqueza inerente a este conceito está em deslocar a ênfase da análise do espaço. O conceito de Milton Santos (1985) de “espaço como sistemas de objetos e sistemas de ações” caracteriza um mundo em permanente transformação.

e as plantas. os mapas. . as cartas temáticas. as cartas topográficas. Dentre as principais representações cartográficas destacam-se o globo. 27 UNIDADE 4 – INTERDISCIPLINARIDADE: CARTOGRAFIA X GEOINFORMAÇÃO Não há como não falar da Cartografia quando se trata das inter-relações da geoinformação! Cartografia é a ciência e a arte de expressar graficamente o conhecimento humano da superfície terrestre por meio de representações gráficas.

Exemplos: Levantamentos topográfico. para tratar os processos que ocorrem no espaço geográfico. utilizam-se equipamentos e técnicas da Topografia como teodolito. com o objetivo de elaborar uma informação cartográfica. coleta de dados. 28 O Problema Fundamental da Cartografia é justamente a representação gráfica da superfície terrestre. que tem seu início na organização sistêmica dos dados e informações provenientes de diversos levantamentos. climatológico. Para estas atividades. é necessário o conhecimento de sua forma. nível e trena. Sendo que esses equipamentos estão sendo gradativamente substituídos e/ou complementados (dependendo do caso) pelo GPS. Os resultados dos diversos levantamentos possibilitam a elaboração de documentos cartográficos. Levantamento – caracteriza-se pela realização de medidas e observações. . adotou-se a Terra com a Forma Plana. Vejamos alguns conceitos importantes: mapeamento – processo de construção de um documento cartográfico. A Cartografia preocupa- se em apresentar um modelo de representação de dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico. a partir do estabelecimento das correlações espaciais e da observação dos fenômenos naturais e sociais que ocorrem na superfície terrestre. a razão principal da relação interdisciplinar forte entre Cartografia e Geoprocessamento é o espaço geográfico. Inicialmente. O Geoprocessamento representa a área do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais. estação total. hidrográfico. e a seleção de documentos existentes. como o homem via o seu entorno. posteriormente. o interesse do homem pela terra crescia com a distância dos lugares de comércio e com o desenvolvimento das ciências chegou-se à Forma Esférica. fornecidas pelos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Isso estabelece de forma clara a relação interdisciplinar entre Cartografia e Geoprocessamento. Portanto. tanto que para resolver este seu problema.

Acontece geralmente pelo Sistema suborbital (Avião – imagem aérea) ou sistemas Orbitais (satélites como Landsat. feita através de energia – energia eletromagnética ou radiação eletromagnética (REM). barragens. Spot. imagem orbital). A energia solar é a base dos princípios que fundamentam essa tecnologia. . O princípio básico é a transferência de dados do objeto para o sensor. etc. Aerolevantamento: realização de observações. A obtenção de informações a partir de dados de SR baseia-se no estudo das interações entre a energia eletromagnética e os alvos da superfície terrestre (MAIO. como o monitoramento contínuo de veículos (automóveis. através de sensores que não se encontram em contato físico com o objeto ou fenômeno estudado. como estradas. CBERS. Sensoriamento Remoto: processo de medição e obtenção de dados sobre um objeto ou fenômeno. outra grande vantagem do GPS é a não necessidade de intervisibilidade entre as estações em determinadas áreas. dada a rapidez e segurança nos dados que fornece. Dentre muitas. 2008). ou mesmo alguma propriedade deste. 29 O GPS é um importante aliado nos serviços que exigem informações de posicionamento confiáveis. etc.. Exemplos de aplicações: locação de obras na construção civil. aviões ou navios). pontes. túneis. ou coleta de dados com o emprego de equipamentos aerotransportados. IKONOS. Alguns casos atendidos pelo GPS são impossíveis através da Topografia.

desenvolvimento de plano de evacuação. de integrar dados espaciais e não espaciais. conservação/manutenção das infraestruturas. tais como: manejo e conservação de recursos naturais (estudos de impacto ambiental. análise da concorrência e das tendências de mercado. etc. etc. planejamento e manutenção das instalações. avaliação do potencial agrícola da terra. isso se deve ao enfoque principal dos mesmos. entidades privadas e não-governamentais. gestão das explorações agrícolas (cultivo de campo. OS PROBLEMAS SOCIAIS E APLICAÇÕES DO GEOPROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES O geoprocessamento tem sido muito empregado pelos órgãos governamentais. etc. avaliação predial/territorial.). pesquisa do potencial mineral. administração pública (gestão de cadastro.). Embora os exemplos citados acima tenham sido classificados nessas diferentes áreas. 30 UNIDADE 5 – A URBANIZAÇÃO BRASILEIRA. planejamento de desenvolvimento. distribuição e evolução das doenças.). etc. e. gestão da qualidade das águas. localização dos acidentes. manejo de irrigação. estudos das migrações e dos habitats das faunas. etc. com o objetivo. gestão das instalações (localização dos cabos e tubulações. uma vez que a . etc. planos de organização.). planejamento de área urbana (planejamento dos transportes. principal. em seus projetos e estudos relacionados ao meio ambiente. Diversos são os exemplos de aplicação do geoprocessamento. planos de emergência. seleção dos itinerários. modelagem das águas subterrâneas e do caminhamento dos contaminantes. comércio (análise da estrutura de mercado.). distribuição dos serviços sociais sanitários.). saúde pública (epidemiologia.). etc.

Entretanto. lançaremos neste módulo alguns excertos de trabalhos científicos que objetivaram mostrar a aplicação do geoprocessamento em áreas específicas. embora ele respeitasse a mesmo e as forças naturais que traziam tempestades e outras intempéries eram consideradas manifestações divinas. foram surgindo diversas correntes de pensamento. o aumento populacional e o desenvolvimento das sociedades acabaram por levá-lo a pensar com seriedade no modo como usava a natureza. Com o passar do tempo e a evolução da humanidade. criação de zoneamento de potencial turístico em unidade de conservação e outras serão vistas ao longo do curso. combate as atividades ilícitas e controle da aplicação do policiamento ordinário. Salientamos que outras aplicações como. discutindo a relação homem-natureza. GONÇALVES. como por exemplo. em 1992 concordou-se que “o desenvolvimento e o meio ambiente estão indissoluvelmente vinculados e devem ser tratados mediante a mudança de conteúdo. o homem que utilizava a natureza apenas para saciar a fome e a sede não tinha motivos para se preocupar com questões ambientais. . no encontro global realizado no Rio de Janeiro.1 Desenvolvimento sustentável e qualidade de vida Por um tempo. das modalidades e das utilizações do crescimento”. frente ao crescimento populacional (HAMADA. que proporcionam maior sensação de segurança para a população. áreas da geologia. 31 maioria das aplicações de geoprocessamento possui inerente caráter multidisciplinar (HAMADA. 2007). não cabendo a ele nenhuma maneira de controlar essas situações. Segundo Maurice Strong. GONÇALVES. apenas venerar e temer a natureza. Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD). Dentre as várias aplicações do geoprocessamento de informações. segurança pública. 2007). preservação dos recursos hídricos. com respeito à utilização dos recursos naturais (conservação/ preservação e escassez). 5. principalmente. a sua evolução.

econômica. aprovada durante a CNUMAD.. 1991). Caso queiramos. pois necessitam negociações entre objetivos conflitantes de diferentes setores. espacial e cultural. 32 A Agenda 21. em seu Capítulo 10. A abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento físico e do uso da terra é uma maneira eminentemente prática de fazê-lo. criando competição e conflitos e tendo como resultado um uso impróprio tanto da terra como dos recursos terrestres. atender às necessidades humanas de maneira sustentável. 1992). A Agenda 21 (ABORDAGEM. No entendimento da FAO (2000).. define-se também como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. equidade social ou justiça social e prudência ecológica.. A importância de uma abordagem integrada do desenvolvimento e gerenciamento dos recursos naturais é enfocada em muitos fóruns internacionais de desenvolvimento sustentável. conclamou a todos para uma associação mundial em prol do desenvolvimento sustentável e apresentou um programa de ação para a sua implementação. De uma forma mais ampla.. o desenvolvimento sustentável deve contemplar as seguintes dimensões: social. a fim de atender às necessidades e aspirações humanas (COMISSÃO MUNDIAL. Examinando todos os usos da terra de forma integrada é possível reduzir os conflitos ao mínimo. no entanto. fazer as alternâncias mais eficientes e vincular o desenvolvimento social e econômico à proteção e melhoria do meio . direção dos investimentos. Desta forma. Segundo Sachs (1993).. o desenvolvimento sustentável é obtido pela obediência simultânea ou conciliação aos três critérios fundamentais: eficiência econômica. a maioria das agências de desenvolvimento de recursos naturais são orientadas por um único setor.. uma característica inerente à maioria das decisões sobre desenvolvimento sustentável é que elas são multidisciplinares ou interssetoriais. é essencial resolver hoje esses conflitos e avançar para um uso mais eficaz e eficiente da terra e de seus recursos naturais. no futuro. e que. ecológica. Desenvolvimento sustentável é o processo de transformação no qual a exploração de recursos. também observa que: As crescentes necessidades humanas e a expansão das atividades econômicas estão exercendo uma pressão cada vez maior sobre os recursos terrestres. orientação do desenvolvimento tecnológico e mudanças institucionais se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro.

por ser uma ferramenta computacional muito poderosa. A essência dessa abordagem integrada se expressa na coordenação de planejamento setorial e atividades de gerenciamento relacionadas aos diversos aspectos do uso da terra e dos recursos terrestres. Este início de 2014 tem sido um grande alerta para dirigentes governamentais. permitindo. estamos vendo os reservatórios de água com níveis jamais esperados. estamos falando em sobrevivência mesmo. problemas se agravando no setor elétrico.2 Urbanização brasileira e os problemas sociais O processo de urbanização brasileira que em um primeiro momento remonta do século XVI até o início do século XX está vinculado às transformações sociais que começaram efetivamente e num segundo momento a partir da década de 1930 com a expansão das atividades industriais nos grandes centros atraindo os trabalhadores das áreas rurais. de diferentes setores. contribuindo assim para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável. o geoprocessamento pode ser bastante útil na abordagem integrada. uma verdadeira cascata de problemas que afetam a vida do ser humano e sem solução imediata pela ação do homem. 33 ambiente. principalmente em virtude das mudanças do clima do planeta e todos os problemas que vem formando uma cadeia de tempestades. frio e calor excessivo colocando-nos a todos em situações de perigo. a análise matemática e estatística desses dados. tendo em vista uma possibilidade de maiores . geadas. enfim. Neste sentido. Pensem nisso! 5. Pensando somente em termos de Brasil e mesmo de região sudeste. secas. os usos potenciais do geoprocessamento devem ser entendidos em todos os aspectos na adoção dessa tecnologia. empresários e população de maneira geral. No entanto. especialistas técnicos e potenciais usuários possam adequar essa ferramenta à sua aplicação específica. entre outras. Desta forma. integrando grandes bancos de dados. pesquisadores. é importante possuir o entendimento geral da tecnologia do geoprocessamento. de forma que os gerentes. Não estamos falando apenas e amenizadamente em qualidade de vida.

a infraestrutura de transportes e comunicações expandiu-se pelo país unificando o mercado e acelerando a concentração urbano-industrial saindo da escala regional e atingindo o Brasil como um todo. o governo federal concentrou seus investimentos em infraestrutura na região Sudeste. A falta de infraestrutura urbana necessária para atender à nova e crescente demanda decorrente desse aumento populacional contribuiu para torná-las regiões caóticas. ditadas em grande parte por suas relações com o mundo exterior. sem escolaridade e que em decorrência disso eram obrigados e aceitar empregos que ofereciam uma remuneração baixa. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A partir da década de 1940. A mecanização do campo foi um fator importante. conforme Santos (2005). formado por subespaços que evoluíam segundo lógicas próprias.127) analisa e descreve esses loteamentos caracterizando-os como “um amontoado de moradias rudimentares” quando diz que “não possuem vias de . A migração populacional foi composta de uma maioria esmagadora de trabalhadores desqualificados. p. porém desprovidos de vários serviços básicos e de infraestrutura urbana. 2011). começaram a atrair um contingente de mão de obra de outras regiões que não acompanharam o ritmo de crescimento econômico da região sudeste e. George (1983. o Brasil foi durante muitos séculos um grande arquipélago. tornaram-se assim metrópoles nacionais. 34 rendimentos. Não havia ainda uma integração entre as diferentes atividades econômicas que eram responsáveis por impulsionar o processo da urbanização brasileira. Estes “arquipélagos regionais” estavam polarizados nas capitais regionais e metrópoles. Após o processo de aceleração na industrialização brasileira que teve seu pico durante o governo de Getúlio Vargas e foi até meados da década de 1970. Até então. pois “expulsou” enormes contingentes de trabalhadores rurais (DANNA. o que impulsionou a concentração dessa classe trabalhadora nas regiões periféricas como loteamentos irregulares e em favelas que eram lugares mais baratos. que. porém o país deixou de ser essencialmente agrícola somente a partir da década de 1960. consequentemente se tornou o centro de maior atração populacional no país.

estas regiões metropolitanas receberam os nomes das principais cidades de cada localidade sendo elas: Belém (PA). Hoje podemos expandir essa miséria para o entorno de todas as capitais brasileiras e outras cidades sem esquecer sequer uma delas. Curitiba (PR). visto que sempre houve contrastes marcantes na distribuição espacial da população brasileira entre o meio rural e urbano e entre as suas regiões políticas além de ter sido um processo extremamente concentrador. como saúde. nenhum dispositivo de evacuação ou coleta de lixo e detritos. a miséria nas construções feitas com materiais obtidos ao acaso”. mas a distribuição de renda desigual é um fator que acaba por . Na década de 1970. O processo de urbanização em geral não é uniforme. 35 acesso. porém tiveram muitos problemas devido à falta de serviços básicos. A má distribuição de renda ampliou ainda mais o número de favelas e de loteamentos clandestinos ainda dos cortiços nos centros destas grandes metrópoles. este processo se estendeu depois a outras localidades e atualmente o Brasil possui 31 regiões metropolitanas. adutoras de água. Milton Santos (2005) define essa urbanização como “territorialmente seletiva”. De acordo com estudos de Danna (2011). foram instituídas as primeiras regiões metropolitanas com a intenção de desenvolver economicamente e socialmente determinadas regiões. Fortaleza (CE). processo esse que é denominado conurbação. Porto Alegre (RS). A rápida urbanização (se comparada ao modelo europeu) fez com que as cidades vizinhas aumentassem seu tamanho e consequentemente formassem um só conjunto. Recife (PE). Esse fenômeno eclodiu no Brasil na década de 1980 prolongando-se até meados da década de 1990 em várias regiões. o que vai contribuir de forma acelerada na criminalidade em si. É importante ressaltar que a pobreza não é sinônimo de marginalidade. e com isso acaba por apresentar também um abismo na distribuição de renda. Salvador (BA) e São Paulo (SP). transporte público e habitação para atender o crescimento populacional deste novo conjunto de cidades. Belo Horizonte (MG). além de integrar e desafogar as grandes cidades brasileiras. Rio de Janeiro (RJ).

e neste contexto. e os paradigmas são o conjunto de leis estabelecidas. a violência urbana e a criminalidade são objetos de discussão por estar relacionado ao homem e ao espaço criado ou transformado por ele. sociologia entre outras ciências. .] A análise geográfica pode levar a interessantes e relevantes hipóteses da espacialização da criminalidade. 2002). Eis que chegamos a um dos pontos que queríamos atenção: a questão da criminalidade x geografia x geoprocessamento. Nos modelos dinâmicos é possível realizar comparações com os padrões observados em diferentes períodos. A geografia busca compreender a relação entre os homens e suas interferências na formação e transformação do espaço. não permitido em lei e reprovado pela sociedade. 2002). tornando o agente ativo um alvo das sanções penais. onde este é o que pratica a ação criminosa. Os fenômenos de criminalidade tem sido objeto de apreciação de diversos estudiosos. implicam em mudanças complexas. já que além da lei.] (FELIX. o geógrafo a faz também por meio de mapas que representam modelos simplificados da realidade espacial e por meio desta estabelece deduções. a localização das ofensas é uma importante dimensão que caracteriza o evento criminal [. onde há agentes ativos e passivos.. O estudo da criminalidade pela Geografia se dá principalmente a partir da década de 1970 com diversas teorias e análises associadas a outros campos científicos na tentativa de elucidar os processos que culminaram no problema. Ao estabelecer a análise do espaço. seja na área da antropologia. é preciso tentar encontrar uma interpretação ou compreensão deste e o que o cerca. “O espaço é a condição de possibilidade dos fenômenos” (SANTOS. que neste caso. do ofensor e do alvo.. 2011). Sendo assim.. vem a ser a legislação vigente. 36 aflorar ainda mais as práticas delituosas. e sendo esse espaço uma “condição” ele será dotado de paradigmas que uma vez quebrados. pode-se analisar a criminalidade como um fenômeno que está distribuído no espaço. [.. Quando o geógrafo discute o espaço. algumas vezes por necessidade e outras por ganância (DANNA.

armazenamento. na busca destes padrões espaciais tem-se explicação e a localização dos fenômenos. o SIG (Sistemas de Informação Geográfica) entre outras que realizam o tratamento de dados espaciais e outras informações para serem aplicadas em diferentes organizações públicas e privadas com a finalidade de otimizar gastos. que permitem a realização de análises complexas. devido ao grande número de delitos que ocorrem e por diversos fatores. é necessário um trabalho integrado entre profissionais de diversas áreas. 2011) afirma que a Geografia procura estabelecer “padrões formais e tipologias” para os objetos de seu estudo.. 37 Haesbeart (2002. 2005). o Sensoriamento Remoto. ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados georreferenciados (CÂMARA et al. tempo e direcionar com mais precisão os recursos laborais. em especial a geotecnologia. A partir da utilização de tecnologia de análise espacial. entra em cena uma poderosa alternativa integradora para as autoridades policiais e nas políticas de combate à criminalidade. 2011). e. Esta ferramenta pode ser entendida segundo Burrough (1986 apud DANNA. mas sim contribuir com o estudo das causas analisando as relações sociais que interferem na vida do homem. Apesar do sistema manual e tradicional de mapeamento da criminalidade ser um material utilizado pelas autoridades policiais já há algumas décadas. 99 apud DANNA. este se mostra deficiente quando se trabalha com grandes áreas. p. o geoprocessamento é então uma ferramenta de grande valor na aplicação de questões de segurança pública. O estudo da violência pela Geografia não tende a resolução do problema. para desenvolver estratégias eficientes no combate à criminalidade. Os Sistemas de Informação Geográfica correspondem às ferramentas computacionais de Geoprocessamento. é traduzida nesse contexto em ferramentas como o GPS (Global Positioning System). Onde entra então o geoprocessamento? O avanço da tecnologia ocorrido nos últimos anos. A dinâmica destes eventos . como um poderoso conjunto de ferramentas para a coleta. recuperação e exibição de dados do mundo real para determinados propósitos.

geógrafo. no início do século XVIII. A ideia de mapear o crime não é nova. pois possui múltiplas capacidades na geração de informação e muitas informações podem ser acompanhadas praticamente em tempo real. . se apresenta como um facilitador na prestação de contas à sociedade na medida em que estas são solicitadas.d.) citado por Beato Filho (2001. Estas exigências fazem com que a utilização do geoprocessamento aumente cada vez mais. A análise técnico-científica destes mapas e do andamento da criminalidade é feita por profissionais como o sociólogo. Adriano Balbi e André-Michael Guerry foram os criadores dos primeiros mapas de crime. a montagem de bases de dados sobre suspeitos e seu modus operandi tem contribuído para incrementar a qualidade das investigações com informações oriundas de organizações não-policiais. 2011). Na França. já que a sua eficiência possibilita direcionar corretamente os recursos disponíveis. 1998 apud DANNA. seja feito também uma análise das raízes sociais que influenciaram a criminalidade em cada região. estatísticas criminais e dados demográficos do censo francês (WEISBURG e MCEWEN. antropólogo e estudiosos da segurança pública para que além do trabalho policial. 38 requer que os dados sejam sempre atuais e as informações sejam eficientes e rápidas para atender as necessidades nas áreas de sua implementação que neste caso vem a ser a segurança pública. 7) aponta que “a utilização intensiva de tecnologias de informação espacial tem promovido uma verdadeira revolução silenciosa nas polícias de todo o mundo”. p. e a referência espacial das localidades mais problemáticas. porém para isto é necessário a eficiência na elaboração do mapa por parte dos responsáveis como inclusão e georreferenciamento de toda a área presente de jurisdição por uma unidade policial. onde combinavam as técnicas cartográficas. O mesmo autor ressalta que nas atividades de investigação. O surgimento de sistemas de análises da criminalidade além de auxiliar as operações policiais na segurança pública. O sistema de mapeamento digital exerce um papel importante no processo de investigação. Reuland (s.

nem mesmo um problema nacional.. A análise criminal passa então a ser um processo sistemático direcionado a informações sobre características e padrão de crimes a fim de apoiar o setor operacional preventivo das polícias militares. p. operações especiais com unidades táticas até a prevenção criminal. Diante dessa situação. demora na confecção dos mapas e a falta de atualização sistemática.] formas ortodoxas de atuação policial tem sido ineficaz no controle da criminalidade. quantificando e relacionando os delitos com algumas variáveis que formam a complexa dinâmica urbana.. 39 A violência no Brasil não é um fenômeno exclusivo de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. e afeta em maior escala os países de terceiro mundo. o que faz alguns estudos proporem a utilização de ferramentas computacionais inteligentes para trabalhar em prol da segurança pública. As limitações neste trabalho de análise são significativas. Alia-se isto a dificuldade de armazenamento de dados. 6) considera que [. como ferramenta que auxilia no aumento da eficácia da ação policial e consequentemente na redução da criminalidade. substituindo uma metodologia obsoleta e atuando com precisão. mas sim mundial. . Beato Filho (2001. A complexidade deste fenômeno exige um mecanismo complementar para a construção de indicadores de segurança e georreferenciamento de informações. Considerando o processo veloz de crescimento de muitas cidades os dados rapidamente ficam obsoletos. Sobre a aplicação do SIG na análise geocriminal. Mais relevante ainda [. que vai desde a distribuição de patrulhamento. pois a identificação de problemas criminais específicos depende das análises efetuadas. há muitos anos o mapeamento e monitoramento da violência já faz parte do trabalho de análise das instituições policiais.. pois os mapas produzidos são estáticos. sua leitura é difícil. Esse trabalho consistia em uma representação das localidades de ocorrência dos delitos marcados nos mapas por alfinetes em que ocorriam os delitos..] é a centralidade que sistemas de informação passam a ter neste caso.

mapeamento do espaço (visualização de todos os delitos por região). Com a introdução do SIG na área de segurança pública. onde essa tecnologia foi implantada de forma inicial no ano de 2004. Considerando que as instituições policiais dependem também de informações para realizar seu trabalho tendo a população através de denúncias e relatos. além de investigações como uma das principais fontes de informações para a produção do serviço de inteligência como destaca Manning (2003. de sua atuação principal. ano do delito). tem-se acrescido um avanço na segurança pública em algumas regiões em que é utilizada como na cidade de Londrina. planejamento de barreiras policiais. A polícia junta informações . e nas expectativas de seu público. decodifica e usa a informação são críticas para a compreensão de seu mandato e função. codifica. 40 Nos estudos realizados por Danna (2011). podendo. abrangência de delitos. civil e científica) para prevenção e investigação. baseadas no senso comum. a respeito de seu trabalho. por exemplo. mapeamento do tempo (local. os procedimentos operacionais das instituições policiais (militar. p. hora. realizar estudos delimitando áreas por: intensidade. pois auxilia no direcionamento do policiamento dos locais onde ele é mais necessitado. que anteriormente eram limitados ou impossíveis. A polícia junta diversos tipos de informações e as usa para diferentes fins. mapeamento por características registradas (vítima. suspeito e modus operandi). espécie de delito. podem passar a ser mais rápidos e com oportunidades de exploração muito maiores. 378) sobre o uso do SIG: As formas como a polícia obtêm. localização instantânea de viaturas. orientando-se por suposições. sendo praticamente ilimitadas. dia. no Estado do Paraná. mês. processa.

Nesse sentido. além de.. diferentemente da forma tradicional.. o geoprocessamento da criminalidade permite ainda identificar tendências e padrões da ação.. juntadas e formatadas. Uma vez mapeada a ação criminal. [. elas podem avançar na organização e tornar-se informações terciárias [. onde os relatórios se tornam objetos obsoletos e não se mostra com tanta eficiência quanto o SIG.] são percebidas e interagem com as estratégias operacionais da polícia. Como justifica Danna (2011). Sendo assim.. o SIG pode se tornar uma ferramenta também para o poder público. por se tratar de uma ferramenta preventiva com abrangência em diversos tipos de ações criminosas e principalmente por não possuir um alto valor financeiro de investimento. permitirem a visualização e estudo das transformações espaciais decorrentes da aplicação do policiamento. se transformando em informações secundárias. apontando de forma clara e rápida se o planejamento operacional apresenta resultados. aliar a experiência empírica das ruas. Outro benefício que esta ferramenta pode fornecer é a identificação mais precisa de determinadas ocorrências e assim o operador pode facilmente . que pode ainda utilizá-lo para orientar um melhor planejamento para a segurança pública da cidade quando utilizado também pela guarda municipal. visando uma melhora significativa na prestação de serviços de segurança por parte da administração pública. através das imagens geradas e guardadas.] para resolver crimes ou encerrar eventos..] essas formas de informação e inteligência [. Sendo assim.. 41 primárias. Quando processadas duas vezes. as informações são processadas em um contexto organizacional e de cultura profissional para definir uma melhor maneira de se fazer o uso desta ferramenta. e permitem ainda a construção de mapas que auxiliam na visualização dos dados o que facilita a interpretação dos mesmos. a eficácia do SIG se torna uma arma tão eficiente quanto as que os policiais portam. processar com muito mais agilidade os dados criminais e propor as suas possíveis relações e ainda utilizar as imagens levam a maior mobilidade e agilidade no planejamento operacional.

A legislação define ainda que o município que não cumprir às determinações dentro do prazo estará sujeito às sanções penais. Nesta nova mentalidade de Gestão Municipal que veio sendo proposta. 41). uma vez que há os dados das coordenadas do local do crime. Lembremos que o geoprocessamento pode ser definido. Envolve. como o tratamento da informação relacionada ao espaço geográfico. portanto. A nova lei obriga os municípios a administrar melhor sua receita. como prevê a Lei Federal nº 10. também conhecida por Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).. através do cadastro imobiliário atualizado. de 05/05/2000. p. a variável locacional aparece para aumentar a eficiência dos tradicionais sistemas de automação. Esta lei aumentou a necessidade municipal de investir em tecnologias da informação como forma de otimizar a administração de recursos e ampliar a arrecadação. como pode-se pensar em primeira instância. qualquer forma de manipulação da informação de caráter geográfico. não fica difícil perceber o papel do geoprocessamento na municipalidade. Podemos dizer que o marco da utilização do geoprocessamento está.].028 de 19/10/2000.] cerca de 85% de todas as informações da administração de uma prefeitura estão de alguma forma relacionadas à localização geográfica. Segundo Assumpção (2001. seja através de endereço.. sucintamente. 42 deslocar a viatura ou guarnição mais próxima do local.. [. O uso das geotecnologias não se aplica apenas à melhora na arrecadação tributária.. contendo gastos e evitando endividamento. e que uma parcela expressiva de seus recursos financeiros são provenientes de elementos sobre a sua geografia [. Outro exemplo da aplicação do geoprocessamento de informações é encontrado no trabalho de Vieira (2002) que também considerou a área de segurança pública. 2011). mesmo que indiretamente na Lei Complementar nº 101. Se considerarmos que as ações da administração . seja através de coordenadas. com o uso de recursos computacionais. facilitando as decisões operacionais e estabelecendo assim as prioridades de deslocamento de acordo com a espécie de ação criminosa (DANNA.

permitindo o conhecimento quantitativo e qualitativo da cidade. causado pelo incremento da criminalidade. A repercussão positiva dos resultados alcançados motivou várias prefeituras do interior a solicitarem ao Estado-Maior a ampliação do projeto até a respectiva região. A implantação do projeto de geoprocessamento da criminalidade. tem atraído a atenção dos administradores públicos na busca de soluções efetivas e eficazes para este problema. faz-se necessário observar que para obter eficiência operacional neste sentido. O uso de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) tem aparecido como uma ferramenta de apoio à gestão urbana. . A crescente apreensão da sociedade quanto à questão da segurança pública. O trabalho de Vieira (2002) realizado em Belo Horizonte. redução dos prazos. considerando aplicações na área de segurança pública” é de interesse para ilustrar o assunto em tela. favorecendo o desenvolvimento mais eficaz de suas atividades. A otimização da arrecadação e a construção de um novo conceito gerencial baseado na informação espacial são os principais benefícios obtidos pela implantação do SIG associado ao Cadastro Técnico Municipal. é necessário que os dados geográficos estejam integrados aos Sistemas de Gestão Municipal. Entretanto. em Belo Horizonte. principalmente pelas ações do crime organizado. fornecendo vínculos entre dados de diversas fontes. Além disso. otimização do trabalho de pessoal e aumento da produtividade. percebemos que o conhecimento do espaço territorial pode levar a decisões mais acertadas em todos os setores do município. é notável a redução dos custos operacionais. possibilitou um tratamento mais científico dos problemas de segurança pública. intitulado “Orientações para implantação de um SIG municipal. como veremos no excerto abaixo. pela PMMG. e não a simples bancos de dados. 43 municipal acontecem em algum lugar e que os problemas a serem resolvidos possuem uma localização.

O campo de aplicações de um SIG para administração pública municipal é muito amplo. e de todo o setor público. com até cinquenta mil habitantes. 4. Manutenção dos cadastros imobiliários para fins de regularização e tributação. hospitais. 91. tem sido uma grande preocupação do governo federal. Ou seja.7% têm entre cinquenta e trezentos mil.1 Planejamento Urbano: 1. Dentre eles. em particular o Sistema de Informações Geográficas (SIG). etc. e apenas 1% tem mais de trezentos mil habitantes. moradias. o Geoprocessamento. 7. os mais diversos setores da atividade pública municipal. É se organizar para ganhar mais e gastar com inteligência. uma vez que a análise criminal executada pela PMMG baseia-se principalmente na análise de dados estatísticos e de mapas temáticos. 44 Contudo.500 municípios. destaca-se como auxiliar do prefeito. de forma integrada. podemos relacionar alguns exemplos que por si só já evidenciam a importância de SIG como ferramenta auxiliar aos administradores. Entre as diversas opções para a modernização dos municípios. 3. a) Gerenciamento de espaço físico-territorial a. A modernização destes municípios. 2.3% são de pequeno e médio porte. O Brasil conta com mais de 5. principalmente dos pequenos e médios. Planejamento do uso e ocupação do solo. gerados a partir de um SIG. . Planejamento para localização de novas escolas. aumentando a arrecadação e racionalizando os gastos. alcançando. modernização para melhorar a eficiência administrativa. contudo. mercados. Criação e manipulação da base cartográfica digital da área urbana. o principal obstáculo para a implantação do projeto costuma ser a inexistência de dados atualizados ou a dificuldade para conversão dos mesmos. principalmente pela amplitude de atuação. rodoviárias.

). naturais. Análise e estudo da viabilidade de projetos.).3 Defesa Civil: 1. a. a. Acompanhamento dos serviços por tipo de obras (emergência. Cadastramento e mapeamento das áreas sujeitas à inundação. 45 5. etc.). 2. socioeconômica e outros. etc. 3.5 Recursos naturais . etc. 7. Cadastramento e mapeamento das obras e projetos. escolas. Análise de impacto ambiental. Análise e planejamento da utilização de recursos hídricos. a. Cadastramento e mapeamento de postos de bombeiros. Cadastramento e mapeamento das indústrias para controle de poluentes. radioativo. 3.2 Sistema Tributário: 1. etc. ampliação.4 Projetos e Obras: 1. quartéis de polícia militar. Cadastramento e mapeamento das indústrias de material químico (explosivo. Elaboração de zoneamentos ambientais. 6. ISS. Suporte à elaboração de planos diretores. 3. Monitoração de poluição ambiental. 2. Efetivo controle da arrecadação de taxas (IPTU. manutenção. 2. 4.Meio Ambiente: 1. Análise e estudo sobre a densidade populacional. delegacias. Unificação e georreferenciamento do cadastro de contribuintes. etc. . 3. Estabelecimento e controle de roteiros para fiscalização otimizados. a. hospitais. 2.

etc. 4. 3. 2. 2. a. financeiras. Criação e otimização de rotas de viaturas policiais. planejamento. Análise e simulação de vazamento das redes.Gás e telefone: 1. favelas). Análise.6 Serviços públicos . simulação. 3. Criação e manipulação das redes de coleta de esgoto. 46 4.8 Serviços públicos – Eletricidade: 1. Monitoramento das viaturas identificando onde se encontra e quais os policiais em ação. a. Monitoramento e cadastramento de ligações domiciliares para fins de medição de consumo. Planejamento e projeto de novas redes.Segurança Pública: 1. . Criação e manipulação da rede de transmissão e distribuição de energia elétrica. 3. Análise e estudos de erosão e declividade. 2.7 Serviços públicos .Água e esgoto: 1. florestas. Criação e manipulação das redes de adução e distribuição de água. Monitoramento e cadastramento de ligações domiciliares para medição de consumo.9 Serviços públicos . 2. Criação e manipulação das redes de transmissão e distribuição de gás e telefone. Preservação de parques. Mapeamento das áreas de risco (comerciais. Monitoramento e cadastramento de ligações domiciliares para medição de consumo. a. projeto e monitoração de redes. a. 5. 5.

Coleta de lixo: 1. 3. no seu combate! No fim da década de 1990. 4. ferroviário e metroviário. Planejamento de áreas depositárias. simulação. Monitoramento dos veículos de coleta. 5. 2. É possível ainda obter . 4. Planejamento de rotas de transporte otimizadas. Planejamento e projeto de novas redes. 5. teve início pela PMMG a implementação do modelo em uso atualmente de análise criminal. Planejamento de operações. a. 7. Análise de impacto ambiental. Planejamento da manutenção e monitoramento da infraestrutura e pavimentação. Monitoramento de tráfego.11 Serviços públicos .Planejamento de rotas de coletas otimizadas. 47 3. ou melhor. Monitoramento e cadastramento de ligações domiciliares para fins de medição de consumo. Monitoramento das sinalizações.Rede rodoviária e ferroviária: 1. é possível plotar em um mapa os locais onde houve a incidência de determinados delitos. Análise e simulação de vazamento das redes. através de um SIG. Análise. 3. 4.10 Serviços públicos .3 Geoprocessamento e combate à criminalidade Vamos focar novamente na criminalidade. planejamento e projeto de novas vias. 6. possibilitando a análise espacial da criminalidade. 5. Planejamento de interligação dos meios de transporte de diferentes naturezas como: viário. 2. Hoje. a.

sendo que. dentre os assuntos discutidos. denominado SIDS. O objetivo era viabilizar o desenvolvimento de um Sistema de Gestão das Informações de Segurança Pública e Defesa Social. uma comissão mista. A segurança pública tem sido atualmente um dos temas mais discutidos pela sociedade brasileira. a integração de informações dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social sempre está presente. Para viabilizar a implantação do sistema. informações espaciais (logradouros. horários). diga-se de passagem. Durante a realização dos trabalhos foram convidados a participar das discussões representantes dos seguintes órgãos estaduais: Tribunal de Justiça. tendo-se em vista o avanço da criminalidade e violência em todo o país. em razão da necessidade urgente de buscar a integração de todos os órgãos e Poderes do Estado. modo de operação). que direta ou indiretamente são responsáveis pela Segurança Pública e Defesa Social. etc. descrição física. O cruzamento destas informações e a análise criminal possibilitam a identificação de padrões e auxiliam na prevenção de futuros delitos (VIEIRA. buscou-se uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). sendo esta ação uma importante medida para melhorar a efetividade operacional no campo da Segurança Pública. em dezembro de 2000. foi contratada pelo governo do Estado de Minas Gerais para apresentar uma solução tecnológica (hardware/software) capaz de atender as especificações do referido sistema de gestão de informações. composta por integrantes da Polícia Militar de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) para procederem a estudos visando à criação do Centro Integrado de Comunicações do Estado de Minas Gerais. pontos de comércio e serviços nas imediações) e informações sobre os agentes criminais (quantidade. . do Canadá. O governo do Estado de Minas Gerais designou. Procuradoria Geral de Justiça e Direitos Humanos e Corpo de Bombeiros Militar. A empresa Mobilair. armamento. rotas de fuga. 2002). 48 informações temporais sobre os delitos (dias da semana. como elemento detentor de conhecimento específico e de excelência de qualidade. mais de uma década atrás.

As publicações da Lei Estadual nº 13. atendeu prontamente à solicitação. em laboratório experimental instalado no Quartel do Comando Geral da PMMG. 49 A UFMG. quando totalmente operacional. que tratam da disponibilização dos sistemas de informação relativos à Segurança Pública pela PMMG e SESP foram grandes passos em direção à integração das informações entre esses órgãos. O DEP realizou pesquisas e propôs soluções com vistas a implantar um novo modelo de gestão da atividade operacional da PMMG.968. Quanto aos demais integrantes do Sistema de Segurança Pública e Defesa Social. que já mantém parceria com a PMMG desde o final da década de 90 no projeto de geoprocessamento do crime. espera-se que o SIDS. de 27 de julho de 2001 e do Decreto Estadual nº 42. a integração das informações provavelmente se dará por intermédio de convênios. celebrados para este fim. O DEst desenvolveu o Mapa de Kernel e o Sistema de Vigilância para serem integrados ao SIDS e analisou e propôs mudanças nos relatórios estatísticos gerados pelo produto da empresa Mobilair. mudando o enfoque do atendimento ao cidadão. O atendimento e acompanhamento das solicitações de emergências policiais (civil e militar) e de bombeiro. possibilite: 1. A UFMG atuou por meio de seus departamentos de Engenharia de Produção (DEP). com utilização de um único número telefônico. Foram constituídas três comissões. Buscou-se também o apoio da Companhia de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais (PRODEMGE). Com implantação parcial a partir de 2003.747. Gestão Estratégica e Portfólio de Serviços. de 15 de julho de 2002. denominadas: Desenvolvimento e Implementação da Estrutura Matricial. com participação de militares da PMMG. . de Estatística (DEst) e de Ciência da Computação (DCC). que desenvolveu e mantém a maioria dos sistemas que dão suporte às ações de Segurança Pública do Estado. O DCC trabalhou no conhecimento e adaptação do produto às necessidades do governo do Estado.

) e no mapeamento dos recursos disponíveis para empenho. etc. A integração de todos os órgãos e Poderes responsáveis pela Segurança Pública e Defesa Social. O compartilhamento da tecnologia de informações a ser instalada. realizações de ações e operações inopinadas. A eliminação do retrabalho. 8. 50 2. 5. manter e recuperar informações organizadas em um banco de dados único. para o combate ao crime no momento exato em que ele ocorrer. com ênfase na prevenção. 4. . 7. 9. respeitadas as restrições de acesso para consulta às informações. definição e classificação de emergências. bairro. 11. proveniente da coleta de dados e produção de informações entre os órgãos do Sistema de Segurança Pública e Defesa Social. cidade. atuação nas excepcionalidades. 6. determinação das prioridades de atendimento. com acompanhamento gráfico da criminalidade. O estudo e melhoria dos processos e das relações entre os órgãos responsáveis pela Segurança Pública e Defesa Social. 3. O acesso do cidadão ao serviço e às informações produzidas. A implantação do Centro de Análise Criminal. diante do conhecimento adequado das variáveis do problema: pontos críticos. O provimento das informações necessárias ao deslocamento imediato de tropas. em tempo real. com base em estatísticas mapeadas. cada um dentro de sua função e de acordo com o perfil de seu acesso. A visão completa do caminho percorrido pela informação de segurança pública desde o atendimento da solicitação do cidadão até o controle da execução penal. O aumento da eficiência no emprego e na atuação policial. etc. 10. O emprego imediato do efetivo nos locais de risco. integrando os setores de inteligência das polícias. baseado nos índices de criminalidade de determinado espaço geográfico (rua. visto que todos poderão armazenar.

13. Cada tabela listada acima é uma planilha diferente a ser preenchida. portanto. 'DOUTOR BORGES' ao invés de 'DR BORGES' ou 'SETE DE SETEMBRO' ao invés de '7 DE SETEMBRO'. Gerar mais de seis mil ocorrências policiais (PMMG) por ano. 2. 3. Os dados referentes a pessoal e viaturas serão de responsabilidade da PMMG. decorrente da melhoria da operacionalidade dos órgãos ligados ao Sistema de Segurança Pública e Defesa Social. Os dados das tabelas acima deverão ser entregue obrigatoriamente em arquivos no formato . 4. de forma padronizada. utilizando a base de dados integrada. sem abreviação. 5. eram pré-requisitos para a implantação do SIDS nos municípios mineiros: 1. Todos os dados devem estar em caixa alta (letras maiúsculas). A melhoria do atendimento ao cidadão. Cada informação deve ser preenchida em uma única célula da planilha. por sua grande abrangência e eficiência. 'RUA PERNAMBUCO'. 2. O Sistema de Informações Geográficas (SIG). A produção de informações estatísticas do sistema de segurança pública em tempo oportuno. são dois dados: tipo de logradouro e nome de logradouro e. Na data da elaboração deste trabalho. devem ser preenchidas duas células na planilha. 51 12. Os dados devem ser digitados na sua totalidade. mais uma vez consolida-se como importante ferramenta . por exemplo. 6. Deve-se observar ainda as seguintes regras de preenchimento das planilhas: 1. Providenciar o preenchimento (com dados atualizados) das planilhas geradas a partir dos campos das tabelas 4 a 13 (exceto os dados de responsabilidade da própria PMMG).xls (planilha do Microsoft Excel).

é complexa e com resultados. produz resultados incipientes.mg. A informação de qualidade. Informações atualizadas sobre o sistema no Estado de Minas Gerais podem ser encontradas no sítio eletrônico: http://www2. A Universidade Federal de Minas Gerais oferece cursos para capacitação em Geoprocessamento para técnicos para prefeituras municipais do Estado de Minas Gerais.br . alcançados depois de grande período de tempo e gastos sem retornos efetivos.sids.arq.br/MC-sig/html/INDEX. A implantação do SIG. necessária a um planejamento eficiente e eficaz. as áreas integradas. que a modelagem dos dados bem executada atende as necessidades do município ao mesmo tempo em que garante que os dados sejam facilmente portados de um sistema para o outro.gov. no entanto. Envolve uma quantidade enorme de informações e. aumentando a arrecadação e racionalizando os gastos. 52 estratégica para otimizar a administração pública municipal.htm . aumenta significativamente as chances de sucesso na implementação de um SIG. as resoluções que dispõem sobre as mesmas e outras informações necessárias.ufmg. no qual ainda podemos encontrar vários outros links que levam às informações como os mapas. Maiores informações podem ser obtidas no sítio: http://www. Vieira (2002) lembra aos interessados na implantação do SIDS em seu município. principalmente a longo prazo. se mal implementado. enquanto que a atualização sistemáticas dos dados garante a confiabilidade das informações.

reflorestamento e também áreas inservíveis ou mesmo com benfeitorias. deve conter seus limites (vértices) vinculados a um sistema de coordenadas referenciado ao Sistema Geodésico Brasileiro (SGB). reserva legal (RL). Para sua realização. devem ser utilizadas normas técnicas específicas para a correta distinção do imóvel. o georreferenciamento é uma técnica moderna de agrimensura. Oliveira Junior (2005) explica que o fenômeno do georreferenciamento na legislação pátria foi instituído em nosso sistema jurídico . Georreferenciamento nada mais é do que o mapeamento de uma propriedade realizado por meio de GPS. Vimos na introdução que a partir da promulgação do Decreto nº 4.267/2001. que é feita por profissional de agrimensura. O georreferenciamento é uma ferramenta eficaz para desatar o nó fundiário que ainda existe em grandes porções do Brasil. pastagens. de 30 de outubro de 2002. a obrigatoriedade do georreferenciamento das propriedades rurais constitui-se num importante marco no ordenamento da estrutura fundiária do país. identificando as áreas de preservação permanente (APPs). livres de superposições e com precisão posicional dos vértices não superior a 0. Segundo Folle (2010). lavouras. Philips (2007) e Batista (2008).50m. Segundo o INCRA (2002). proporcionará identificar através de coordenadas geométricas a localização destes imóveis. Seu uso não é exclusivo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para o atendimento da exigência legal trazida pela Lei nº 10. quando bem gerenciado.449. Na seara do Direito.267/01. ficou estabelecido que todo e qualquer imóvel rural localizado em território brasileiro. é inquestionável nos dias de hoje. é possível estabelecer os limites do imóvel com alto grau de precisão. 53 UNIDADE 6 – GEORREFERENCIAMENTO O poder da informação. Por meio do monitoramento por GPS. uma vez que. que regulamenta a Lei nº 10. podendo ser feito por iniciativa particular de quem queira conhecer melhor ou definir precisamente os limites de sua propriedade.

Por esses dispositivos. é chamado de “memorial da caracterização de estremas”.868/72.267/01. dispõe o art. com as quais se caracterizaram as estremas. 4. no qual o agrimensor descreve o perímetro do prédio. 1° e seus parágrafos da Lei nº 5. O que o georreferenciamento estabelecerá são perímetros rigorosamente poligonais e geométricos. O termo “estrema” (na linguagem jurídica. parte da essência do princípio da especialidade do registro público de imóveis concernente à individualização obrigatória de propriedade fundiária. com a finalidade preponderantemente fiscalizatória. em prazos que a norma regulamentadora viria instituir. pena de ver gessado o direito de fruição de seu imóvel. por força da lei nº 10. obrigatoriamente. A de servir de instrumento de Registro Público. A de servir de instrumento de cadastro. 54 via alteração dos art. em caso de alienação do imóvel rural. parcelamento e remembramento e. tem duas funções básicas: 1º. possui o sentido de marco divisório) com a metodologia de sua caracterização é importante porque se constitui um dos suportes do Direito Imobiliário. de acordo com essa legislação. deveria promovê-la. 176 e 225 da Lei dos Registros Públicos (nº 6. conhecido popularmente como “memorial descritivo”. Tais dispositivos foram regulamentados pelo Dec. como. em casos de desmembramento.015/73). aliás. Moraes (2007) ensina que o documento destinado à composição da matrícula imobiliária.449/2002. geograficamente referidos ao sistema de coordenadas . que pormenorizou os deveres do proprietário.267/2001. pois a certeza dos limites físicos do prédio é dependente do conteúdo do título de domínio no qual se assentaram as quantidades geodésicas e estatísticas. possibilitando a segurança no tráfico jurídico de imóveis. alterado também pela dita lei nº 10. que trata do cadastramento rural. mediante utilização do sistema geodésico brasileiro e às suas expensas. o proprietário rural. O georreferenciamento. 2º.

não terá ingresso na matrícula. 3 Precisão estabelecida pelo INCRA através da Portaria nº 932/02. o georreferenciamento foi imposto ao proprietário rural. o proprietário de um imóvel rural com cem hectares. aquele descrito e especializado na matrícula do registro imobiliário. A área georreferenciada que constará no Registro de Imóveis poderá ser somente a área dos cem hectares de seu efetivo domínio (PAIVA. inserindo tal obrigatoriedade em artigos da Lei dos Registros Públicos. limitada à diferença de cinquenta centímetros3 (DIAS.267/01. o erro máximo na determinação das coordenadas de cada vértice dos polígonos não deverá ultrapassar 50 cm. ou seja. pois a lei que obriga a tal medida trata somente da propriedade imobiliária juridicamente constituída. não pode pretender que. podemos entender que o imóvel a ser georreferenciado é somente aquele caracterizado como propriedade imobiliária pela Lei dos Registros Públicos. ou seja. Seguindo esse raciocínio. e não qualquer outra configuração que conste em cadastros do INCRA ou da Receita Federal. e qualquer outra exigência ficaria fora de sua alçada. a falta da descrição georreferenciada não tem o condão de tornar o imóvel indisponível. conclui-se que é a Lei dos Registros Públicos que determina o georreferenciamento do imóvel rural (AUGUSTO. desmembramento. Tendo em vista que a Lei nº 10. Imprescindível esclarecer que o georreferenciamento apresentado a registro não serve para criar ou extinguir direitos reais. . mesmo que devidamente certificada pelo INCRA. que detenha a posse sem título de outros trinta hectares. Contudo. remembramento ou parcelamento do imóvel rural (AUGUSTO. 2006).267/01 não é autônoma. apenas se trata de exigência a ser cumprida no momento em que o proprietário realizar a alienação. 55 oficial e único do país e sua precisão absoluta. Augusto (2006) alega que trabalho georreferenciado que abranja área não adequada ao conceito jurídico de “propriedade imobiliária”. como dito anteriormente. 2005). georreferenciando a área de cento e trinta hectares. 2006). ou seja. continuando o imóvel sujeito às restrições legais até o integral cumprimento da legislação do georreferenciamento. 2005). essa conste do registro. Em decorrência da Lei nº 10.

de 1973. que será. dia 20 de novembro de 2003. se esse título objetivar o registro de alienação. parcelamento. Questão recorrente quando se trata do presente tema são os prazos a serem observados para o enquadramento dos imóveis rurais à nova exigência. ou seja. Quem executa o georreferenciamento são profissionais inscritos nos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura (CREA) habilitados no INCRA. somente após transcorridos os seguintes prazos: . ao assumirem tal responsabilidade.449. remembramento ou parcelamento do imóvel rural. remembramento e transferência de imóveis rurais conforme o Decreto nº 5. 10 e 16 do Decreto nº 4.015. O referencial dos prazos. 9º. 2010). 9º. de 31 de outubro de 2005. parte integrante do título a ser apresentado ao Registro de Imóveis. A identificação da área do imóvel rural. Dependendo da dimensão do imóvel eles serão diferenciados. 1º Os arts. este será encaminhado ao INCRA para a elaboração do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural. Após inúmeros debates e arguições salientando a impossibilidade do cumprimento das normas do georreferenciamento nos prazos primeiramente fixados e a preocupação com o travamento do mercado imobiliário. prevista nos §§ 3º e 4º do art. assumem a responsabilidade pelos serviços. ficam obrigados a responder por danos que a má execução de seus trabalhos possa ocasionar (FOLLE. que. remembramento e em qualquer situação de transferência de imóvel rural. 176 e 225 da Lei dos Registros Públicos. o cronograma foi prorrogado pelo Decreto nº 5. de 30 de outubro de 2002. 5º. 176 da Lei nº 6.570.570/05: Art. será exigida nos casos de desmembramento. passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. ao qual chama-se georreferenciamento. 56 Depois de realizado o levantamento. por exigência dos arts. Esses profissionais. desmembramento. na forma do art. sendo os seguintes: 20 de novembro de 2008 (cinco anos) o prazo para enquadramento dos imóveis com área de quinhentos a menos de mil hectares e 20 de novembro de 2011 (oito anos) o prazo para os casos de desmembramento. por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). 10. seu dies a quo é a data da publicação dos atos normativos do INCRA. parcelamento.

para os imóveis com área inferior a quinhentos hectares. A tecnologia de geoprocessamento influencia de maneira crescente as áreas de cartografia. entende-se que continuam valendo os prazos de noventa dias. Apesar de ter concedido tal gratuidade. para as ações protocoladas anteriormente ao referido Decreto. ou superior. e de um ano. fica impossibilitado de dispor de seu imóvel em decorrência do bloqueio de sua matrícula. 10 do Decreto nº 4. O termo Geoprocessamento denota o conjunto de conhecimentos que utilizam técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica. 2006).oito anos. isto é. energia e planejamento urbano e regional. para os imóveis com área de mil a menos de cinco mil hectares. transportes. O termo Sistema de Informação Geográfica (SIG) é aqui aplicado para sistemas que realizam o tratamento computacional de dados geográficos.cinco anos. Um SIG armazena a geometria e os atributos dos dados que estão georreferenciados. Os . A legislação eximiu de custos os proprietários de imóveis com proporções menores ou iguais a quatro módulos fiscais.449/02. o prazo para a realização das exigências será: imediato para ações ajuizadas a partir da publicação do Decreto 5.449/0219. para os imóveis com área de quinhentos a menos de mil hectares. 10 do Decreto 4. localizados na superfície terrestre segundo uma projeção cartográfica. não podendo arcar com os custos do procedimento e não conseguindo que o Estado o faça. análise de recursos naturais. comunicações. Para os casos de imóvel rural objeto de ação judicial. a lei não excluiu os aludidos imóveis da necessidade de descrição georreferenciada no prazo legal. IV . continuarão valendo os prazos estipulados pelo art. para os imóveis com área de cinco mil hectares.. 57 III .. pois o registrador não poderá praticar nela nenhum ato até o cumprimento da norma (AUGUSTO. Guarde. Como o Decreto alterador não mudou o texto dos incisos I e II do art.570/05 e. o que gera uma incoerência na medida em que o pequeno proprietário.

em um mapa de área de risco de enchentes pluviais (ALCÂNTARA E ZEILHOFER. porém. no adequado processamento digital das informações espaciais pertinentes à solução da questão-problema proposta. em que o conhecimento seja adquirido no local. no método para determinação espacial de potenciais Áreas de Preservação Permanentes (APP’s) em topos de morro (HOTT. 2004). BRITO FILHO E XAVIER-DA-SILVA. o principal motivo da combinação de diferentes profissionais está no uso ferramental em abordagens interdisciplinares. 2006) e. por essa condição. Isso se justifica em parte pela quantidade de dados a ser processada e pela quantidade de tarefas. São contribuições de um Geoprocessamento: atender a um propósito específico ou a uma demanda ou ainda como metodologia e técnica. com uma enorme carência de informações as quais julgamos serem as mais adequadas para que sejam tomadas decisões sobre os problemas urbanos. GUIMARÃES E MIRANDA. Ao mesmo tempo em que demanda a articulação de diferentes conhecimentos científicos. 2009). rurais e ambientais. O Geoprocessamento é usualmente realizado por mais de uma pessoa. o geoprocessamento apresenta e dispõe de um enorme potencial. etapas e procedimentos a serem metodicamente seguidos. como em um Mapa de Áreas Indicadas para Aterro Sanitário (ROCHA. a ser utilizado como base para a tomada de decisões (COUTO. sendo a equipe de trabalho composta por profissionais de diferentes áreas do saber científico. 2004). também a sua oferta é a de um produto interdisciplinar. ainda. mostrando-se. como uma ferramenta de trabalho com implicações políticas e sociais. O Geoprocessamento é um conjunto de atividades de trabalho para o avanço de conhecimento através da manipulação digital de informações espaciais conforme um sistema de coordenadas de localização definido. 58 dados tratados em geoprocessamento têm como principal característica a diversidade de fontes geradoras e de formatos apresentados. . Em um país que possui uma dimensão continental de tamanha proporção como a do Brasil. Seus resultados servem sempre a algum propósito. principalmente quando se diz respeito às tecnologias de custo relativamente baixo.

com. atribui-se a ele características de localização. Os fenômenos relacionados ao mundo real podem ser descritos de três maneiras: espacial. ocupação do solo) e temática quando as variações são detectadas através de mudanças de características (geologia. Estas três maneiras de se observar os fenômenos que ocorrem na superfície da terra são.mgambiental. Espacial quando a variação muda de lugar (declividade. isto é: quais os imóveis desse sistema que não pagaram o imposto.br). Transferências de titularidade de imóveis . Por exemplo. apenas para citar algumas. pesquisa pelo atributo específico (calçamento por asfalto. denominados espaciais (SILVA. engenheiro cartográfico e coordenador-geral de cartografia do INCRA. 59 O mapeamento por GPS é exigido pelo INCRA no ato de venda ou compra de terras.de pai para filho. diz Edaldo Gomes. 29). temporal quando a variação muda com o tempo (densidade demográfica. Essas características todos os imóveis possuem e sobre elas é construído um sistema de informações: também é possível que se queira localizar todos os imóveis que tenham um determinado tipo de construção (de madeira. Georreferenciamento é o processo pelo qual se executa um levantamento topográfico materializando as divisas com utilização de marcos onde os mesmos recebem coordenadas geográficas (latitude e longitude) reais e corrigidas com nível de precisão menor que 50 cm. por exemplo). ou uma derivação disso. é possível levantar informações através do fenômeno relacionado. profundidade do solo). ao se definir um imóvel (que seria o alvo) para efeito de tributação (que seria o fenômeno). por exemplo). altitude. coletivamente. por exemplo – também necessitam do mapeamento. processo este que só pode ser executado por profissionais devidamente qualificados e credenciados pelo INCRA utilizando equipamentos modernos e de grande precisão (www. p. além disso. . assim como para o desmembramento e remembramento (incorporação) de propriedades. ou seja. cobertura vegetal). tipo de ocupação. temporal e temática. “Essa medida permitirá que daqui a uma geração o país conheça a sua malha fundiária”. tipo de construção. 2003.

que ainda está aquecido. são os indicadores de um mercado promissor para o profissional que atua com geoprocessamento. sobretudo. . 60 Como a gestão disso é um sistema computacional. localização ambiental. O mercado está em alta. etc. ocupação. com oportunidades. mapas temáticos (solo. As obras de infraestrutura conduzidas pelo governo federal. ou seja. distribuição espacial por faixa etária ou renda. é possível estruturar mapas de área. em empresas responsáveis pela execução de projetos de infraestrutura sanitária e ambiental. Atualmente no Brasil. é possível retirar informações sobre cada ponto ou sobre todos os pontos. que englobe e que se relacione com o mundo como um todo. Segundo Teodoro (2012). juntamente com aquelas voltadas para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016. uma visão que seja geral. localização das atividades que mais geram tributos. Assim. qualquer organização pública ou privada pode utilizar geoprocessamento. agrônomo ou civil – incentivar o uso da ciência do geoprocessamento para fins benéficos a todos em nossa sociedade. sem falar no segmento da construção civil.). sendo assim cabe ao engenheiro – seja ele ambiental. sem a necessidade de grandes investimentos financeiros. as pessoas começam então a perceber que se faz necessário o uso de um novo enfoque.

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em Brasília . e a então Comissão da Carta Geral dá origem à Primeira Divisão de Levantamento. em 1946. com a instalação da Comissão da Carta Geral. até ser transferida para o Quartel General do Exército. em conformidade com a nova estrutura de organização do Exército. Até 1932. no Rio de Janeiro . os métodos estereofotogramétricos de emprego de fotografias terrestres e aéreas e a impressão offset. que funcionaria nas instalações históricas do Antigo Palácio Episcopal da Conceição. A partir daquele ano.RJ. o Serviço passa a denominar-se Serviço Geográfico do Exército (SGE). o Serviço Geográfico Militar e a Comissão da Carta Geral atuavam de forma independente. O primeiro. Os austríacos introduziram no país o levantamento topográfico à prancheta. Em 20 de junho de 1903. e as decorrentes de convênios estabelecidos com órgãos da administração pública. com a finalidade de fornecer o embasamento técnico necessário ao mapeamento do Território Nacional. 66 ANEXO O Serviço Geográfico foi criado em 31 de maio de 1890. as atividades cartográficas relativas à elaboração de produtos. iniciava a execução do Projeto “A Carta Geral do Brasil”. Em 1920 chega ao Brasil a Missão Austríaca. são regulamentadas as atividades da Diretoria do Serviço Geográfico do Exército. em Porto Alegre . A DSG é o órgão de apoio Técnico Normativo do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT). realizando levantamentos no Rio Grande do Sul. executando o mapeamento de áreas no então Distrito Federal e a segunda. no âmbito do Exército Brasileiro. incumbido de superintender. A atual denominação Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) é atribuída por Portaria Ministerial de 1953. contratada pelo Estado- Maior do Exército. elaborado pelo Estado-Maior do Exército. então Ministério da Guerra. inicialmente anexo ao Observatório do Rio de Janeiro e depois transferido para o Ministério do Exército. Finalmente.DF em 1972.RS. desde então. . suprimento e manutenção de material.

000 e 1/250. por meio de dados digitais do terreno. Geoportal do Exército Brasileiro. de interesse do exército.eb.br/index. Disponível em: http://www.geoportal.php/39-noticias/destaque/153-dsg . executar trabalhos de cooperação técnica. produzir o mapeamento de interesse do Exército. fornecer apoio cartográfico. com outros órgãos públicos. para os sistemas de Comando e Controle de Simulação de Combate de Inteligência e de Guerra eletrônica. nas escalas 1/25.000.mil.000. 67 Dentre as atribuições da DSG destacam-se: normatizar e participar da execução do Mapeamento Sistemático Terrestre Nacional. 1/100.000. 1/50. realizar o suprimento de imagens e produtos cartográficos ao Exército.