MANUAL DE FORMAÇÃO INICIAL

DISCIPLINA
X – BUSCA E SALVAMENTO

TEXTO PARA O MANUAL
Versão 4

Autor: Artur Gomes
Revisto por: Carlos F. Castro
Janeiro de 2001

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. INCÊNDIOS URBANOS E INDUSTRIAIS
3. ESPAÇOS CONFINADOS
4. SALVAMENTO DE VÍTIMAS
5. REGRAS DE SEGURANÇA

1. INTRODUÇÃO

O salvamento de vítimas em perigo constitui um dos objectivos principais da acção
dos bombeiros, pelo que deve ser visto como uma tarefa prioritária a ser levada a cabo em
qualquer teatro de operações.
Contudo, é necessário ter presente que as manobras de salvamento envolvem muito
mais do que o mero salvamento de pessoas encurraladas de um edifício a arder ou de um
qualquer espaço confinado. Assim, apesar do transporte de uma vítima até a um ponto
seguro constituir, no verdadeiro sentido do termo, uma manobra de salvamento, existem
outras que são essenciais para o êxito da operação. São exemplos:
• A montagem de escadas de qualquer tipo - molas, extensíveis, telescópicas
e outras - para utilização pelos ocupantes encurralados;
• O encaminhamento de pessoas para fora do edifício ou do espaço
confinado;
• A busca de vítimas no interior e exterior do edifício e no interior do espaço
confinado.
Todas estas manobras fazem parte de um conjunto a que se pode chamar operações de
salvamento, na medida em que, cada uma reduz, de imediato, o risco eminente que afecta
as potenciais vítimas. Mais ainda:
• As operações de ventilação removem os fumos, os gases e o calor,
prevenindo a sua acumulação no interior do edifício ou do espaço
confinado;
• A correcta colocação a trabalho da primeira linha de água poderá manter o
fogo afastado das vítimas.
Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001

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Estas operações reduzem o perigo para as vítimas ou ocupantes encurralados e
aumentam o tempo útil necessário à evacuação do edifício ou do espaço confinado, pelo
que podem ser consideradas, também, como operações ligadas aos salvamentos.
Os salvamentos são, para os bombeiros, operações algo complexas, pois todas as
situações requerem uma diferente combinação de movimentos, equipamentos e actividades
complementares, como, por exemplo, a montagem de acessos, a entrada forçada, a
busca no interior e a ventilação do edifício ou espaço confinado.
Por vezes, há a tendência para se considerar que as operações de salvamento estão
relacionadas, apenas, com hospitais, lares de terceira idade, escolas, hotéis e outras
instalações que comportam um número elevado de ocupantes.
Na verdade, este tipo de edifícios deve merecer uma atenção especial no que respeita
ao problema dos salvamentos, em virtude da quantidade de pessoas que podem estar
envolvidas. No entanto, as operações de salvamento nos incêndios em moradias de
apenas um ou dois pisos não podem ser descuradas.
Embora não ocorram com tanta frequência como nos incêndios, os salvamentos em
espaços confinados representam um tipo de incidente com os qual os bombeiros têm de
lidar.
Pela sua diversidade e especificidade, os salvamentos em espaços confinados devem
ser executados, somente, por equipas de bombeiros devidamente treinadas para o
efeito, na medida em que, fugindo à mera rotina, exigem grande desembaraço, força física,
experiência, coragem, alguma improvisação e pronta decisão. Pelas suas características, os
espaços confinados consubstanciam riscos extremamente gravosos para as vítimas.
Contudo, a busca e salvamento em incêndios urbanos e industriais e em espaços
confinados não são as únicas que os bombeiros executam, dado existirem outros
salvamentos que estão referenciados noutros capítulos deste manual.

2. INCÊNDIOS URBANOS E INDUSTRIAIS

2.1. OBJECTIVOS DA BUSCA E SALVAMENTO

Existem dois objectivos quando se procede a uma busca e salvamento: procurar
vítimas e, simultaneamente, obter informações sobre a extensão do incêndio.
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Por outro lado. inicialmente. PROCEDIMENTOS À CHEGADA AO LOCAL Embora a responsabilidade do reconhecimento seja. identificar caminhos alternativos de acesso e de fuga – janelas. ainda. Uma vez no interior. deve ser executada. Nesta altura. Contudo. todos os elementos da guarnição devem observar atentamente o edifício e as zonas periféricas. a busca secundária não é uma operação tão perigosa para os bombeiros. Do mesmo modo. à medida que a viatura se vai aproximando. não há necessidade de grandes correrias. em muitos casos. pela sua importância. 2. pelo que pode não ser suficiente para localizar a totalidade das vítimas. a busca secundária é executada depois do incêndio estar dominado. Uma vez que as condições de calor e visibilidade melhoraram substancialmente. muitas das vezes pode não passar de uma rápida «vista de olhos» sobre toda a área acessível aos bombeiros. pois as vítimas sobreviveram ou não. o provável estado de resistência das estruturas e cobertura e o tempo necessário para proceder à busca e salvamento. 4 Em grande parte dos incêndios urbanos e industriais. A busca secundária deve ser ainda mais minuciosa por forma a garantir que não ficaram vítimas por localizar. é executada sob condições bastante adversas como uma grande intensidade de calor e má visibilidade. dado que é tão importante como a busca primária. olhando pelas janelas. chegando a ser feita. A busca primária é uma procura rápida de vítimas antes ou durante as operações de extinção. Apesar disso. permitindo.2. a observação exterior auxilia os bombeiros a manter a orientação quando se encontrarem no interior. com particular atenção para os locais onde seja mais óbvio encontrar vítimas. portas e escadas de incêndio – antes de entrarem no edifício. sem que estejam montadas linhas de água para trabalho. nos edifícios de construção antiga. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . poderão localizar a sua posição exacta através do que vêem. No entanto. Uma observação cuidada dá indicações aos bombeiros sobre as proporções do incêndio. tem que ser o mais minuciosa possível. o tipo de ocupação. Em geral. a busca deve ser dividida em busca primária e busca secundária. a busca primária. acima do piso do fogo. do chefe da primeira viatura a chegar ao local.

Se bem que a chegada dos bombeiros ao local do incêndio pode ter como efeito uma acalmia nas pessoas que se encontram em pânico. Dado que os vizinhos. à chegada das viaturas. bem assim como. devem ser questionados. Estas e outras informações. procura-se que fiquem calmas até serem retiradas do local onde se encontram. ainda. Em qualquer caso. podendo. são frequentes situações nas quais os bombeiros têm de actuar imediatamente. se as ordens forem dadas sem que as vítimas sintam alguma força. utilizar-se megafones ou equipamentos similares. em prejuízo do início de quaisquer outras operações. todas as informações devem ser verificadas. fora do edifício. calma aí!» ou «não entrem em pânico». Uma forma de o fazer é dar ordens e directivas que demonstrem autoridade (figura 2). acerca da localização e extensão do foco de incêndio. de modo a controlarem os ocupantes mais excitados. é importante chamar a sua atenção. Fotografia de um graduado a perguntar a um dos moradores sobre a situação no interior. nomeadamente sobre o número de vítimas devem ser fornecidas ao comandante das operações e às guarnições das viaturas que vão chegando ao local do incêndio. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . antes mesmo do estabelecimento dos meios de acção. De acordo com a marcha geral das operações. para tal. por exemplo «pessoal. podem ser uma fonte preciosa de informações sobre a provável localização das vítimas. os salvamentos devem ser executados logo após o reconhecimento. como. 5 Para se obterem informações sobre aqueles que poderão estar. os bombeiros não devem assumir que todos os ocupantes se encontram em segurança. ou quando as vítimas têm as roupas a arder. Estão neste caso as situações em que se verifica. isto é. conhecem os hábitos dos ocupantes e a disposição dos diversos compartimentos. sem que tenha sido completada a busca e salvamento. a existência de ocupantes preparados para saltar das janelas ou das sacadas. Para que as vítimas se apercebam de que as manobras estão a ser executadas. Fig. no interior e qual a sua localização aproximada. por vezes. os ocupantes que já saíram do edifício (figura 1). Sendo possível. Deste modo. 1 – Obtenção de informações no local. Se tal não for feito. Nestas situações. Do mesmo modo. prioritariamente. o resultado poderá ser bastante negativo. poderão ter visto algum ocupante perto de uma janela antes da chegada dos bombeiros. a prioridade máxima deve ser dada à montagem dos acessos necessários aos salvamentos.

para que a operação de busca e salvamento seja eficaz. terá que ser devidamente planeada. mas todas começam na existência de um plano ! Na verdade. o sentido do tacto poderá ser confundido. Cada um dos bombeiros que executa uma busca e salvamento deve ter uma ideia clara do que procura. Mesmo que façam barulho na tentativa de chamar a atenção. os sons produzidos pelo fogo podem. Como é que se pode. como. Fig. não será possível seguir as suas vozes. Pelo contrário. encontram-se inconscientes ou. por vezes. então. a busca e salvamento deve começar imediatamente após a chegada ao local. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . logo. simplesmente. Esta situação agrava-se quando os ocupantes estão a dormir. pois a luvas de protecção não são feitas de modo a permitir exames muito detalhados. dificultam a execução da busca e salvamento de pessoas. pelo que. se as vítimas estiverem inconscientes ou impossibilitadas de falar. impedir que se distinga o chamamento das vítimas. 2. ordens dadas com firmeza. o mesmo será dizer que não podem existir acções descoordenadas. não tenham possibilidade de atrair a atenção da equipa de salvamento. Por outro lado. «para trás» ou «desça pelas escadas do prédio». poderão estar de tal forma distorcidos pelo calor que ficam completamente irreconhecíveis. as condições que os bombeiros encontram nos edifícios onde existe um foco de incêndio. executar a operação de busca e salvamento no interior dos edifícios por forma a maximizar as probabilidades de localização das vítimas? As respostas a esta questão são muitas e complexas. CONDIÇÕES ADVERSAS NOS EDIFÍCIOS COM INCÊNDIO Em geral.3. podem ter um efeito calmante nas vítimas encurraladas e aumentam as hipóteses de sucesso no salvamento. O fumo impede a visibilidade. 2 – A utilização do megafone para controlar os ocupantes encurralados. onde procura e como deve procurar. mesmo os objectos mais familiares. 6 Fotografia de um graduado a usar um megafone para dar indicações às vítimas encurraladas. Quando existem indicações de que no interior do edifício poderão estar vítimas encurraladas ou inconscientes.

pode apontar-se a espia de trabalho como uma ferramenta típica da busca e salvamento. 2. quer do ponto de vista do equipamento individual. BUSCA PRIMÁRIA Durante a busca primária. Contudo. assim que as linhas de água para as situações mais críticas estão a trabalho . a busca pode ser executada mais rapidamente sem prejuízo da manutenção das condições de segurança. simultaneamente. os objectivos são os mesmos e os métodos muito similares. Ao encontrar uma vítima. a trabalhar no ambiente de fumo e reduzida visibilidade que o rodeia. o bombeiro deve ser fisicamente capaz de transportar o seu «peso morto» para um local seguro. quando o número de bombeiros é muito limitado. se necessário. Deste modo.todo o pessoal disponível deve ser mobilizado para a busca primária. Os bombeiros utilizados nesta tarefa têm que estar preparados para a desempenhar. os bombeiros devem trabalhar sempre em equipas de dois ou mais elementos. 7 A busca e salvamento deve ser executada por uma equipa especificamente indicada para a tarefa. com um mínimo de dois bombeiros. a tentativa de salvamento. por debaixo do fumo. Logo. pode ser feita pelo segundo elemento de uma linha de água. o passo seguinte será. Como exemplo. Outra questão importante é o transporte pela equipa de busca e salvamento das ferramentas destinadas à. estará mais habilitado do que um bombeiro com menos experiência. são necessários dois bombeiros para cada linha de 45 mm . quer mental e fisicamente. abertura de acessos nalguma área fechada. sendo esta uma tarefa que exige muita preparação. Não obstante. deve ser pessoal experiente. eventual.4. De preferência. Ao encontrar uma vítima. procura localizar o foco de incêndio. que pode ser utilizada quando a operação é levada a cabo em condições mínimas de visibilidade ou ausência de Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . ao mesmo tempo que. Em qualquer dos casos.em geral. à medida que o ataque vai sendo feito ou mesmo pelo bombeiro da agulheta. todos os elementos de um corpo de bombeiros devem ter consciência plena da importância que tem manterem-se em boas condições físicas. bem como a facilitar a retirada. naturalmente. pois um elemento com prática tem maior probabilidade de se desenvencilhar de alguma situação perigosa com que possa deparar no interior do edifício ou do compartimento e.

etc. o bombeiro poderá ter que colocar a sua face a uma distância muito curta e apontar directamente o foco da lanterna. as vítimas que se encontram em maior risco de serem atingidas pela propagação do fogo. Deve ser. As ferramentas de arrombamento podem ser muito úteis para: • Abrir as janelas destinadas à ventilação. É tecnicamente errado e uma perca inútil de tempo. No piso do fogo. Também o são as tiras de borracha ou o giz. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . uma boneca. Cada equipa de busca e salvamento e. a lanterna portátil deve ser transportada no cinto ou no capacete de modo a não ocupar as mãos. • Sondar por baixo dos móveis. Este procedimento permite alcançar. por exemplo. quer para aceder. para auxiliar os bombeiros na busca sob as peças de mobiliário. quer. ainda. • Manter portas fechadas de modo a isolar o fogo. subir escadas. por bombeiro. destinados a marcar os compartimentos já revistados e as ferramentas de arrombamento que se usam para a entrada forçada. por o não terem feito antes de entrarem no edifício. Quando se faz a busca primária em edifícios com vários pisos. também. (figura 3). 3 – A equipa de busca e salvamento deve transportar as ferramentas adequadas. quer para retirar dos edifícios. preferencialmente. transportando ferramentas apropriadas. a busca primária deve iniciar-se o mais próximo possível do foco de incêndio. Todas as outras. retrocedendo a equipa em direcção à entrada. • O piso mais elevado. cada membro de uma equipa que executa a tarefa deve estar. alavanca de arrombamento. na medida em que a visibilidade poderá ser muito reduzida. Fotografia de dois bombeiros a entrarem num edifício. • O piso imediatamente acima do piso incendiado. obrigatória. Para distinguir entre uma vítima e. possibilitando o transporte de outras ferramentas. uma lanterna portátil que proporcione uma boa iluminação. Fotografia de espia fina. Preferencialmente. Fig. caso seja necessário. ainda. equipado com um rádio portátil. 8 iluminação. tiras de borracha e rádio portátil. as áreas mais críticas são (figura 4): • O piso onde decorre o incêndio. a maior distância do foco de incêndio. de modo a pedir auxílio. quando os bombeiros têm que voltar à viatura para se equiparem com as ferramentas necessárias à tarefa. em primeiro lugar. permitindo a continuação da busca.

prioritariamente. abaixo do calor e do fumo. efectuada. Fig. quaisquer ocupantes que tenham ficado no seu interior encontram-se fortemente ameaçados pelo movimento ascendente dos fumos. Quando os bombeiros procedem à busca primária no piso imediatamente acima do piso incendiado. apenas. mesmo num incêndio de médias proporções.1. agachados ou «de gatas» (figura 5). 1. • Os ocupantes do piso acima do fogo estão directamente ameaçados pelos gases de combustão. No caso do piso mais elevado do edifício.4. 4 – Locais prioritários para a busca primária. Os procedimentos na busca primária Em função das condições existentes no interior do edifício. devem iniciar a tarefa logo que entram naquele e progredir na direcção da vertical do foco de incêndio. gases e calor. 2. deve ser dada. difere da anterior . Caminhar «de gatas» sob a camada de fumo. enquanto que as vítimas na área do foco de incêndio correm riscos provenientes tanto dos gases como do próprio fogo. no caso dos edifícios de construção moderna. o mesmo não acontecendo no piso acima do fogo. fumo pouco denso e não havendo ou sendo reduzido o calor. • A propagação do fogo de compartimento para compartimento é muito mais rápida do que a propagação de piso para piso. ao fazerem a busca primária os bombeiros deslocam-se de pé. 9 estarão menos expostas aos produtos da combustão e. especial atenção à busca e salvamento naquele piso. que sobem pela caixa da escada e outros espaços verticais existentes. terão mais probabilidades de sobreviver até a equipa retornar em direcção à saída. Existindo. pois muitas das vezes. Fotografia ou desenho de um edifício com 4 ou 5 pisos. Esta prática. a utilizar obrigatoriamente nos edifícios de construção antiga. Assim. com indicação dos locais onde a busca deve ser. de imediato. caminhar de pé será a forma mais rápida para proceder à busca.avanço imediato para a zona do foco de incêndio - devido às diferentes condições existentes nos dois pisos considerados: • Os bombeiros movimentam-se no piso em chamas junto ao pavimento. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . o fumo preenche todo o espaço até ao nível do piso. consequentemente.

assim. Fotografia de dois bombeiros a caminharem agachados. devem ir à frente os pés. Ao subir. mais lenta. Tacteando com as costas da mão evita que. possa revistar-se um grande número de compartimentos. em locais de reduzida visibilidade. Em alternativa. Ao caminharem agachados ou «de gatas». Fotografia de uma equipa a deslocar-se com uma linha de água de 45 mm. eventualmente. pode utilizar-se uma linha de água em carga. 6 – A linha de água como guia em condições de grande densidade de fumo. fazendo deslocar as costas da mão do lado de dentro ao longo da parede. Fig. Ao descer. com movimentos para cima e para baixo. ao penetrar-se numa área carregada de fumo denso e. contornando todo o perímetro que se pretende revistar. a contracção automática dos músculos leve a agarrar o cabo e. ouvir sons ou ruídos produzidos pelas vítimas. 5 – A deslocação deve ser feita junto ao piso. a cabeça do bombeiro deve ir à frente. pode utilizar-se uma espia de trabalho de 9 mm de diâmetro. completando a tarefa em cada um deles. quer para fazer o caminho de regresso ou numa qualquer situação de perigo. em tempo útil. de compartimento em compartimento. manter o sentido de direcção no fumo denso. na busca primária esta manobra nem sempre é totalmente eficaz. Fig. à electrocussão dos bombeiros. cair em escadas ou por aberturas existentes no piso. sendo sistemática é demasiado lenta para permitir que. em fumo espesso. Na verdade. Não havendo uma linha de água disponível. permite que o bombeiro se movimente na camada de ar menos aquecida junto ao piso. os bombeiros devem utilizar as ferramentas para sondar o caminho à sua frente. devido ao reduzido tempo disponível que os bombeiros têm para encontrar vítimas com vida. consequentemente. Esta deslocação sendo. enquanto se procura. ao tocarem em qualquer instalação eléctrica não protegida. quando as condições de visibilidade são adversas. preferencialmente. Pretende-se. tanto para protecção. quer para chegar à vítima. constantemente. vendo-se o pormenor das costas da mão. «de gatas». Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . A técnica para a movimentação no interior de um edifício com pouca visibilidade é utilizar as paredes como guia. 10 aumenta a visibilidade e reduz os riscos de tropeçar. como para guia no caminho inverso em direcção à saída (figura 6). sem qualquer visibilidade. Todavia. embora. A busca primária deve ser executada de forma sistemática. A deslocação pelas escadas do edifício deve ser feita.

No salvamento de uma vítima para um ponto seguro ou para o exterior do edifício. apenas. as pernas e os braços para alcançar todo o espaço sob as camas e outras peças de mobiliário (figura 7). Quando a revista estiver completa. a busca deve prosseguir na parte central. se voltou à esquerda quando entrou. É importante que a equipa saia de cada compartimento pela mesma porta por onde entrou. orientando-se através do diálogo que vai mantendo com o parceiro (figura 9). fecham a porta. Ao entrar no primeiro espaço. Fotografia de um bombeiro a revistar sob uma cama utilizando uma alavanca de arrombamento. Como exemplo. Desenho em planta de um corredor e vários compartimentos. o melhor método para proceder à busca em compartimentos de pequena dimensão será manter um dos bombeiros à entrada do compartimento. Nalguns casos. continuando até ao compartimento seguinte. em alternativa à utilização das paredes como guia. 8 – Percurso da equipa de busca e salvamento. invertendo a tarefa de cada um. Se houver. serem revistados os do lado contrário. Esta técnica deve ser empregue em todos os tipos de edifícios. a busca e salvamento deve ser feita em ambos os lados. a operação deve iniciar-se pelos compartimentos de um dos lados do corredor e. Os bombeiros devem utilizar as ferramentas. por duas equipas diferentes. de modo a assegurar que todo o espaço foi completamente revistado. independentemente do número de pisos. enquanto o outro faz a revista. neste caso. volta à esquerda quando sai do compartimento. Após a revista do perímetro do compartimento. 11 Esta é. volta na mesma direcção em que entrou. Ao sair. 7 – As ferramentas ajudam a revistar sob a mobília. voltam a juntar-se à entrada. Fig. pois. Fig. se possível. marcam- na e passam ao compartimento seguinte. Quando existe um corredor central a separar escritórios. no regresso. de facto. a maneira mais rápida para encontrar o caminho de retorno. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . seguindo as divisórias em redor do compartimento até regressar ao ponto de partida. nos quais se indica a tracejado o percurso feito pela equipa de bombeiros. consumindo tempo e aumentando a sua exposição ao risco. apartamentos ou outros espaços. a equipa deve voltar na direcção contrária à que entrou. uma equipa disponível. a equipa volta à direita ou à esquerda. uma equipa poderá ter que percorrer 12 metros ao longo de três paredes num compartimento com apenas quatro metros de largura.

2.1.sendo os bombeiros a excepção . levam à conclusão de que se deve dar primordial importância a determinados locais quando se pretende encontrar vítimas no interior dos edifícios. Se tal acontecer. Por outro lado. Fig. Esta é uma das razões pela qual a equipa deve manter o contacto rádio com o exterior comunicando. A identificação dos objectos pelo toque pode ser a única fonte de informação sobre o tipo de compartimento onde se encontra a equipa de bombeiros. periodicamente. positivas ou negativas. ela abortar.. diminuindo. Fotografia de um bombeiro a comunicar via rádio. se a visibilidade for totalmente prejudicada pelo fumo. 9 – A busca em compartimentos de pequena dimensão.fogem perante a ameaça do fogo logo que dão pela sua presença.. Quase todas as pessoas e animais . Todas as informações. a partir da observação de incidentes passados.4. 10 – O contacto via rádio com o exterior é fundamental. isto é. por qualquer razão. dado que pode ser necessário melhorar a ventilação. o fogo ou os produtos da combustão poderão encurralar as vítimas antes destas conseguirem fugir. quando os compartimentos são relativamente pequenos. durante a busca primária a visibilidade pode ser bastante limitada. o stress causado pela situação. Este método pretende reduzir a possibilidade da equipa perder-se no interior do compartimento. são importantes para assegurar que a busca primária seja completada. a falar com o parceiro. muitas das vezes. pelo sentido do tacto. Localização provável das vítimas O comportamento humano na presença de um incêndio segue padrões cujo estudo. Como atrás referido.. os progressos e os retrocessos da operação de busca (figura 10). os bombeiros devem dar conhecimento ao seu superior directo.. Se. o superior directo deve ser imediatamente avisado e a operação retomada logo que possível. pois o que entra pode deslocar-se com maior ligeireza sem receio de ficar desorientado. Fig. Contudo. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . torna a busca mais rápida em comparação com a executada por dois bombeiros. 12 Fotografia de um bombeiro junto à entrada do compartimento. simultaneamente. sendo substituída.

mais uma vez. sob as camas. arcas congeladoras e armários de cozinha podem ser utilizados como refúgio por uma criança. A mesma atenção deve ser dada às zonas junto aos parapeitos das janelas. O objectivo será tentar alcançar as vítimas mais ameaçadas no mais curto espaço de tempo. locais chave para a colocação de linhas de água. atrás das mobílias. ainda. também. 13 Por esta razão. chuveiros. Mesmo frigoríficos. etc. deve ser dada uma especial atenção à busca executada nos caminhos que servem para evacuação e que são. a porta principal e a escada interior. caves e quaisquer outras áreas que possam ocultar crianças e ocupantes doentes ou desorientados (figura 11). porém.4. dando-se particular destaque à zona imediatamente por detrás das portas. utilizados pelas pessoas para entrar e para sair dos edifícios. As crianças podem esconder-se do fogo. sótãos. Assim. Planta de residência com indicação dos locais mais prováveis de localização das vítimas. 11 – Locais que devem ser cuidadosamente revistados. 2. Marcação das áreas revistadas Para uma busca e salvamento eficaz. deficientes. nomeadamente. banheiras. a busca deve ser feita nas saídas e nas escadas interiores o mais rapidamente possível. lavabos. Em consequência. não pode permitir-se que hajam equipas a duplicar a busca primária. se for difícil abri-las completamente.2. É extremamente importante que todos os locais sejam revistados. Quem não se aperceber. As vítimas. que a busca tem de ser exaustiva. fazendo-a em compartimentos ou áreas já revistadas por outras. no momento em que tentam manipular os puxadores das fechaduras. se existir. podem perder a consciência e caírem antes de serem capazes de escapar. da presença do fogo não fugirá dele. o mesmo acontecendo às pessoas fisicamente incapacitados de o fazerem por si só. nos locais que habitualmente usam para brincar. Assim. habitualmente. armários e outros locais inesperados. armários. deve ser dada alguma prioridade à busca e salvamento nos quartos de dormir. Fig. como crianças. especialmente. a chave é a coordenação. confrontados com o perigo podem esconder-se. Sendo muito imaginativas. o que significa. nomeadamente. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . em caixas de brinquedos.

de câmaras de ar de motos. desenhando-se um traço quando a equipa entra e outro quando a equipa sai. não é recomendável a colocação de cadeiras deitadas entre as ombreiras da entrada do compartimento. Por vezes. indicar a outras equipas que o compartimento está. ao lado. Desenho de uma porta com a marcação à entrada e. de puxador a puxador. as portas que ficam entre os bombeiros e o fogo podem ser fechadas. A forma mais eficaz para marcar os compartimentos já revistados. é colocar. a marcação à saída. sob instruções superiores. Fig. se tiverem fechado a porta de entrada do compartimento onde se Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Quando se executa a busca primária deve procurar-se que as condições de visibilidade sejam. Por outro lado. garantir a não duplicação de tarefas até que haja pessoal disponível em número suficiente. decisivamente. para aumentar a propagação do incêndio e. evitando-se não só a duplicação da busca. ser feita com giz ou produto similar. ao realizarem uma busca. não os devem lançar para áreas ainda não revistadas. é boa técnica marcar a porta pelo lado de fora com uma cruz. ou a ser revistado ou já revistado (figura 13). Quando se usa o giz ou produto similar. Fig. principalmente. Será possível. então. 12 – A marcação com tiras de borracha. as melhores. tiras de borracha retiradas. de todos conhecida. Por outro lado. Desde que haja a certeza da existência de outras saídas. 14 A melhor maneira de evitar duplicações é marcar os diferentes locais revistados de uma forma que. desde que tal não contribua. por exemplo. Assim. A marcação pode. os bombeiros ficam de tal maneira absorvidos que se esquecem totalmente do incêndio. desde que não haja necessidade de entrar no compartimento para descobrir a marca. 13 – Outra forma de marcar os compartimentos já revistados. o que pode facilitar a propagação do incêndio. ao máximo. dentro do possível. pode ventilar-se ao mesmo tempo que se avança. Durante a busca primária os bombeiros devem evitar. obviamente. dado haver o inconveniente de manter a porta em posição de aberta. danificar ou modificar a localização do mobiliário. também. Pretende-se. faça parte dos procedimentos operacionais instituídos no corpo de bombeiros sendo. ao puxarem os cortinados das janelas a fim de ventilarem. mas também que a porta se tranque (figura 12). assim. deste modo. Fotografia de porta com tira de borracha na fechadura. sempre.

apenas teve tempo para um rápido exame sob a cama. O perigo está em. Assim. olhar para os locais de forma diferente. ao pretenderem sair do compartimento. substituindo as equipas entre as buscas ou mesmo.5. A busca secundária deve processar-se por todo o perímetro do edifício. os bombeiros devem procurar memorizar a sua localização. ao passarem por uma janela. é altura de proceder-se à busca secundária. 2. cada local será assumido como uma nova área que deve ser Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . suponha-se que um bombeiro integrado numa equipa de busca primária. 15 encontram. Estas áreas exteriores devem ser examinadas antes de permitir lançar- se quaisquer escombros pelas janelas. eventuais. os pisos ou compartimentos. pois ao mesmo tempo que se anulam os pequenos focos não totalmente extintos. áreas nas traseiras para as quais alguém possa ter saltado e por debaixo de janelas. muitas das vezes em simultâneo com a fase de rescaldo. BUSCA SECUNDÁRIA Uma vez dominado o incêndio e tendo melhorado. pois aquela poderá ser o seu ponto de saída mais próximo em caso de emergência. apenas. verifica-se a existência ou não de vítimas. a velocidade a que se procede a busca secundária pode abrandar. Assim. num quarto de dormir. certamente. por bombeiros que não participaram na busca primária. incluindo. uma nova equipa irá. consequentemente. Devem ser verificadas. deve ser dada atenção à forma como se procede ao rescaldo de modo a não soterrar. A busca secundária deve ser executada. zonas de arbustos pois poderão encobrir alguma vítima inconsciente. Se o mesmo bombeiro for mandado para o mesmo compartimento a fim de realizar a busca secundária. a tendência vai ser para assumir que já viu debaixo da cama e procurar noutro qualquer local. Uma vez completamente extinto o incêndio. preferencialmente. as condições no interior do edifício. também. encontrarem o caminho bloqueado pelo fogo. vítimas sob os escombros se as paredes ou os tectos abaterem. por exemplo. Entretanto. sendo conveniente verificar o local onde vão ser colocados os objectos ou escombros antes da sua movimentação. Na verdade. as coberturas. pois.

mesmo que não haja informação sobre a falta de qualquer pessoa. condutas. pois os espaços verticais como as chaminés. Em geral. Assim. especialmente. por vezes com ferramentas de arrombamento.1. Esta tarefa deve ser encarada como um procedimento rotineiro por todos os bombeiros. etc. Fig. Se um compartimento ou uma área no piso do incêndio ou nos pisos acima estiverem trancados. quando os escombros provocados pelo incêndio caíram em cima dos corpos.. Esquema de compartimento onde está a ser efectuada a busca secundária (Fire Command ?). nos pisos dois ou mais níveis abaixo do incêndio não é necessário proceder à abertura forçada de compartimentos encerrados. 14 – Busca secundária. é essencial proceder à busca nas áreas acima do nível do fogo. deve ser feito um completo exame aos escombros antes de serem lançados pela janela ou retirados para o exterior. Uma excepção. por exemplo. poderão transportar concentrações mortais de fumos e gases para áreas afastadas da zona do incêndio. em casos especiais. bem assim como às acessíveis por baixo do nível do fogo. 3. nos quais podem existir concentrações de monóxido de carbono provenientes de fogos em fase incipiente. Outra dificuldade que os bombeiros podem sentir ao executarem a busca secundária. é necessário abrir o acesso. ESPAÇOS CONFINADOS 3. sem qualquer indicação visível nas caixas de escada. mesmo em fogos aparentemente de proporções médias. será reconhecer o que sobra das vítimas queimadas. excepto. crianças. Deste modo. RISCOS ASSOCIADOS AOS ESPAÇOS CONFINADOS Considera-se espaço confinado aquele que possui as seguintes características: Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . 16 cuidadosamente examinada. incluindo. O objectivo é assegurar que na busca secundária se examinaram todos os locais e espaços susceptíveis de esconder vítimas. é a que se refere aos pisos abaixo do nível do solo. pelo que é essencial que seja o mais minuciosa possível (figura 14).

Fotografia de bombeiros junto a um poço ou a uma tampa de esgoto. com os aparelhos respiratórios colocados. grutas e esgotos. Por este motivo. tanques. Contudo. Fig. Todos os espaços confinados encerram diferentes riscos que podem apresentar-se das mais variadas formas cabendo. metano. • Possuem qualquer outro risco agravado para a segurança dos ocupantes. 17 • Dimensão e configuração que permita a um indivíduo entrar e executar trabalhos no interior. As vítimas no fundo de qualquer dos espaços confinados estão. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . em geral. os poços. sem protecção adequada. 16 – No trabalho em espaços confinados é obrigatório o uso de aparelho respiratório isolante. como. físicos e ambientais. os espaços confinados. • Concepção não adequada para ocupação humana permanente. • Dispõem de uma configuração que permite a quem entra ficar encurralado ou asfixiado. às características acima mencionadas se devem juntar uma ou mais das seguintes: • Contêm ou têm condições para vir a conter. no que respeita às condições de trabalho no seu interior. Fig. • Meios de acesso limitados ou restritos. a sua maior parte. minas. devido a divisórias convergentes ou a pavimentos oblíquos descendentes para secções de menor dimensão. as que contêm monóxido de carbono. desde logo uma regra fundamental de segurança se impõe aos bombeiros: o uso de aparelho respiratório isolante. pelo que. Estão neste caso. têm diferentes graus de perigo. • Encerram uma substância susceptível de imergir um indivíduo. cisternas. uma atmosfera perigosa. sujeitas à acção de atmosferas tóxicas e explosivas. entre outros. Fotografia ou gravura de um espaço confinado. por exemplo. em três categorias: atmosféricos. ácido sulfídrico ou sulfidrato de amoníaco. 15 – Exemplo de um espaço confinado.

3. • Temperatura elevada. • Poeiras. através de instrumentos próprios para o efeito.1. Os riscos atmosféricos Os riscos atmosféricos associados aos espaços confinados. 3. mas cuja origem não é de carácter físico ou estrutural. • Atmosfera rica em oxigénio.3. • Possibilidade de imersão dos ocupantes em substâncias a granel. Os riscos ambientais Consideram-se riscos ambientais nos espaços confinados.1. 18 3. tais como: • Afectação das estruturas que compõem o espaço. Os riscos físicos Os riscos físicos associados aos espaços confinados estão relacionados com a sua estabilidade estrutural e. são: • Ausência de iluminação. com a existência de objectos ou substâncias perigosas no interior. Essas condições. ainda. • Atmosfera tóxica.1. obrigam a que se proceda. à recolha e análise de uma amostra de ar antes da entrada de qualquer indivíduo. os criados pelas condições no interior.1. de modo a detectar as seguintes situações: • Atmosfera pobre em oxigénio. que podem dificultar e tornar mais morosas as operações de salvamento.2. para além de. nas vítimas. • Ruído. • Humidade. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . • Atmosfera inflamável. • Escombros provenientes de um colapso parcial das estruturas. aumentarem a ansiedade e a sensação de claustrofobia.

4. evitando dividir-se. utilizar técnica igual à que se emprega na busca quando se trata de incêndios urbanos e industriais. Logo que a vítima seja localizada. tarefa que será facilitada se a vítima estiver consciente e puder descrever os seus sintomas. no combate a incêndios urbanos e industriais. a vítima estiver inconsciente. Mesmo que o avanço possa parecer lento. de modo a procurar ouvir sons ou chamadas por parte da vítima. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . INCÊNDIOS URBANOS E INDUSTRIAIS Embora as escadas que equipam os corpos de bombeiros sejam usadas para remover os ocupantes. sempre que possível. se torna essencial evitar que a caixa da escada seja tomada pelo fogo e pelo fumo. Uma vítima encurralada num espaço confinado pode sofrer de desidratação. enquanto os outros procedem à busca. a equipa tem de efectuar uma operação de busca no espaço confinado. As vantagens no salvamento de vítimas pela caixa da escada são: • Permite a remoção ou a evacuação simultânea de um maior número de ocupantes. SALVAMENTO DE VÍTIMAS 4. no menor espaço de tempo. de imediato deve receber ar respirável ou ser removida para o exterior. um dos bombeiros deve permanecer em local fixo. choque ou efeitos de exposição prolongada ao calor ou ao frio. para além de traumatismos de diversa ordem. podendo.2. a equipa deve trabalhar em conjunto.. Quando se revistam áreas interiores isoladas ou bolsas. A busca deve ser feita de forma sistemática e numa sequência lógica. pelo que. Se. as suas condições devem ser estabilizadas antes do salvamento. De vez em quando a equipa deve imobilizar-se. pelas escadas do edifício. para tal. Esta é uma das razões pela qual. por insuficiência de oxigénio ou pela presença de gases ou vapores tóxicos. deve ser examinada para se determinarem as condições em que se encontra. 19 3. quando se localizam acima do piso térreo a evacuação deve ser feita.1. O elemento fixo vai mantendo a ligação através do diálogo com os outros bombeiros. OPERAÇÕES EM ESPAÇOS CONFINADOS A menos que a localização da vítima seja conhecida. chamar pela vítima e manter-se quieta por uns momentos.

• Evita as manobras mais complexas no salvamento de ocupantes idosos ou deficientes. os bombeiros devem. para as escadas dos bombeiros. com menor ou maior dificuldade. sempre. são capazes de se movimentarem por si próprias. à partida. • Por estar em paragem cardíaca. os bombeiros devem procurar encaminhá-las para o exterior do edifício. As vítimas não devem ser removidas do local onde se encontram sem que lhes seja prestada a assistência necessária à estabilização das suas condições. a uma certa altura. de serem encaminhados. poderão ser necessários um ou mais bombeiros para remover cada uma das vítimas. permitindo que os bombeiros parem para descansar ou troquem de lugar. excepto. quer para a vítima. independentemente de um incêndio poder parecer. por exemplo. 17 – Em muitos casos. O salvamento urgente de vítimas deve efectuar-se quando: • O incêndio atingiu ou está prestes a atingir as áreas que circundam o local. a vítima tenha que ser transportada para outro local. • Facilita o transporte de vítimas inconscientes. de assistência com manobras de suporte básico de vida. quer para os bombeiros que procedem ao salvamento. uma superfície rígida adequada à reanimação cárdio-pulmonar. apenas. ficando. pois mesmo a confirmar-se aquela previsão. proceder à busca no interior do edifício. o que depende da disponibilidade de pessoal e das condições em que aquela se encontra. 20 • Evita o receio dos ocupantes ao passar. • A vítima esteja a impedir o acesso a outras vítimas que necessitem. Quando as vítimas. • Não for possível proteger o local onde as vítimas se encontram. os ocupantes necessitam. com urgência. se existir uma situação de risco eminente. Caso contrário. como. • Não expõe as vítimas à queda de objectos provindos de pisos superiores. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Como atrás referido. • Diminui a possibilidade de quedas. • Existirem explosivos ou outras matérias perigosas. Fotografia de um bombeiro a encaminhar um ocupante para o exterior. com a tarefa simplificada (figura 17). Fig. poderão existir ocupantes impossibilitados de escapar pelos seus próprios meios. de reduzidas proporções. deste modo.

a fim de evitar-se que a vítima seja desnecessariamente sacudida. Fig. até. Caso contrário. Ao procederem ao salvamento. depois. Voltar a ligar à tomada rápida de emergência. para levantar e transportar um adulto. a equipa de salvamento deve. Fotografia de um bombeiro a arrastar uma vítima pela roupa do ombro. pelo que as manobras de levantamento devem ser efectuadas em equipa. obviamente. Contudo. se existir no aparelho Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Sempre que é necessário fazer um salvamento urgente. mas podem ser necessários dois. a necessidade de abandonar o local de risco sobrepõe-se à tarefa de estabilização da vítima. com segurança. danos da coluna vertebral da vítima. quando se trata de uma vítima adulta. é sempre conveniente disponibilizar dois ou mais bombeiros para a manobra. de modo a arrastar a vítima. se a vítima estiver inconsciente torna-se mais difícil de levantar e transportar. desligar do aparelho respiratório o tubo que liga à peça facial (máscara) da vítima. uma criança. eventuais. 18 – Um método para o salvamento urgente da vítima. de modo a preservar a vida da vítima. quatro. um dos bombeiros deve suportar o peso da parte injuriada. devem precaver-se contra as percas de equilíbrio. com técnicas apropriadas. Levantar e transportar correctamente uma vítima não é uma tarefa fácil para bombeiros sem experiência. Se não for possível imobilizar um membro fracturado antes de um transporte a curta distância. em situações extremas deve correr-se aquele risco. dado poder existir descoordenação nos seus esforços. Todavia. torna-se necessário que trabalhem sob uma cuidada supervisão. tornando-se um «peso morto». utilizar todos os meios possíveis. Se o bombeiro vitimado tem o aparelho respiratório a funcionar. Um bombeiro pode remover. Quando é necessário remover um bombeiro sem sentidos. o bombeiro deverá puxar pela roupa na zona do pescoço ou dos ombros. Outra forma de o fazer será arrastar a vítima para cima de um cobertor e. dado não ter condições para facilitar os bombeiros que procedem ao salvamento. eventual. Em muitos casos. para se evitar um. três ou. agravamento do estado das vítimas. Assim. 21 O maior perigo na manobra de salvamento urgente consiste na possibilidade de agravar. puxar pelo cobertor. Por outro lado. a movimentação deve fazer-se sem que seja retirada a peça facial. Se estiver caída no pavimento. enquanto os outros movimentam a vítima. a vítima deve ser arrastada na direcção do comprimento do corpo e não para qualquer dos lados (figura 18).

MANOBRAS DE LEVANTAMENTO E TRANSPORTE 4. Fotografia idêntica à existente na página 259 do Fire Service Rescue. ESPAÇOS CONFINADOS Após a estabilização e libertação de. rapidamente. Não é prático para o transporte de adultos inconscientes devido ao «peso morto» do corpo. A manobra de levantamento e transporte nos braços é executada por um bombeiro. Nos braços Este tipo de levantamento e transporte é eficaz quando utilizado para remover crianças ou adultos de pequena compleição física. O salvamento para fora do espaço confinado pode ser efectuada pela equipa de busca e salvamento ou com o auxílio de meios mecânicos. 4. como. a arrastar outro bombeiro para o exterior. obstruções. de acordo com as figuras 21e 22. utilizando-se. 22 respiratório de um dos membros da equipa de salvamento. macas apropriadas às dimensões e configuração do espaço confinado. Fotografia de bombeiro entre portas. operados pelos bombeiros que se encontram no exterior. Fig. Porém.1. eventuais.3. em muitos casos. feitas de plástico que. com o intuito de a partilhar com a vítima. em conjunto com os equipamentos de imobilização da coluna. a vítima deve ser devidamente preparada para ser removida do local onde se encontra. por exemplo. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . deve ser removido para o exterior. combinam a necessária rigidez com flexibilidade (figura 20). Fig. 19 – O bombeiro acidentado. Como alternativa.2.3. remover urgentemente a vítima do ambiente em que se encontra (figura 19). 4. desde que conscientes. em caso algum. devem os bombeiros da equipa de salvamento retirar a sua própria máscara. 20 – Salvamento da vítima por meios mecânicos.

A vítima tem os braços cruzados em cima das pernas. pode ser utilizado quer a vítima esteja consciente ou inconsciente. Fig. preparando-se para executar o levantamento. Fig. com as mãos sob os joelhos. ladeando uma vítima sentada no chão. A vítima tem os braços cruzados em cima das pernas. com as mãos sob os joelhos. Fotografia de dois bombeiros em posição de levantar a vítima. Fig. Fotografia de um bombeiro de pé com a criança nos braços. que é executado por dois bombeiros. de acordo com as figuras 24 a 26. Fotografia de dois bombeiros agachados. Fig. Na posição de sentado Este levantamento e transporte.3. 2º tempo: Cruzar e unir os braços nas costas da vítima. 5º tempo: Transportar a vítima até um lugar seguro. 26 – 4º tempo: Preparar. 25 – 3º tempo: Colocar as mãos sob os joelhos da vítima de modo a formar um assento. a meio do peito. 4º tempo: Levantar a vítima até. 5º tempo: Levantar a vítima fazendo força nas pernas.2. 22– 3º tempo: Conservar o tronco em posição vertical enquanto prepara o levantamento. Fotografia de dois bombeiros em posição de levantar a vítima. 23 Fotografia de um bombeiro com o joelho no chão e uma criança nos braços. 2º tempo: Colocar o outro braço sob os joelhos da vítima. 21 – 1º tempo: Colocar um braço sob os braços da vítima cruzando as costas. 6º tempo: Transportar a vítima até um lugar seguro. 4. Fig. sensivelmente. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . 24 – 1º tempo: Colocar a vítima em posição sentada.

30 – 8º tempo: Colocar os braços em redor do tronco da vítima.3. Fotografia de dois bombeiros preparados para levantar a vítima. Fotografia de um dos bombeiros com os braços em redor do tronco da vítima. 32– 10º tempo: Colocar-se de pé e transportar a vítima à voz do bombeiro n. 7º tempo: Empurrar cuidadosamente as costas da vítima (bombeiro n. 24 4.º 1). Fig.º 2). 28 – 4º tempo: Apoiar a cabeça e o pescoço da vítima numa das mãos e colocar a outra sob os ombros da vítima (bombeiro n.º 2). 5º tempo: Agarrar os pulsos da vítima (bombeiro n.º 1). 27 – 1º tempo: Colocar a vítima deitada de costas. Fig. igualmente.º 1. É uma técnica que requer dois bombeiros e cujos procedimentos são os descritos nas figuras 27 a 32. utilizado com as vítimas conscientes ou inconscientes. Fig. agarrando o seu pulso esquerdo com a mão direita e o direito com a mão esquerda.º 1). Fotografia de dois bombeiros de pé preparados para transportar a vítima. Fotografia de dois bombeiros agachados na posição descrita na figura anterior. um de pé junto aos pés da vítima.3. Fig. Fig.º 1). 3º tempo: Colocar-se de pé entre os joelhos da vítima (bombeiro n. Fotografia de dois bombeiros na posição anterior. Fotografia de dois bombeiros. colocar o joelho no chão e as mãos sob os joelhos da vítima (bombeiro n. Fig.º 2).º 2). Pelas extremidades O levantamento e transporte pelas extremidades pode ser. 31 – 9º tempo: Virar de costas para a vítima. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . outro de joelhos junto à cabeça da vítima. 2º tempo: Ajoelhar junto à cabeça da vítima (bombeiro n. 29 – 6º tempo: Puxar a vítima para a posição de sentada (bombeiro n. com a vítima em posição de sentada. previamente soltos pelo outro bombeiro (bombeiro n.

Fig. Fotografia de dois bombeiros e da vítima sentada na cadeira. Esta técnica pode subdividir-se em duas. Em alternativa.º 1). Fotografia de dois bombeiros agachados e da cadeira a ser colocada. Fig.º 1). 34 – 2º tempo: Levantar os joelhos da vítima até que estejam. Fotografia da vítima deitada de costas. o levantamento e transporte por cadeira pode efectuar-se da seguinte forma (figuras 36 a 40): Fotografia de um bombeiro a agarrar a vítima pelas costas. Fig. com a vítima no meio sobre a cadeira. 37 – 3º tempo: Colocar a cadeira ao lado da vítima (bombeiro n. Por cadeira Nesta manobra. 33 – 1º tempo: Colocar a vítima deitada de costas. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . 35 – 5º tempo: Transportar a vítima. Fotografia de dois bombeiros de pé a transportar a cadeira com a vítima.4. destinada quer a vítimas conscientes. 4º tempo: Içar a vítima e a cadeira a um ângulo de 45 graus. um de pé e outro agachado. Fig.3.º 2).º 2). 25 4. Fotografia de dois bombeiros. 2º tempo: Passar os braços sob os braços da vítima e agarrar firmemente os pulsos. segurando pelos pés e pelas costas da cadeira. Fig. 4º tempo: Agarrar as pernas da vítima por detrás dos joelhos (bombeiro n. quer a vítimas inconscientes. 38 – 5º tempo: Levantar cuidadosamente a vítima e colocá-la sobre a cadeira. cujos procedimentos são os descritos nas figuras 33 a 35. 36 – 1º tempo: Colocar a vítima na posição de sentada (bombeiro n. 3º tempo: Colocar a cadeira sob a vítima (bombeiro nº2). em conjunto com as nádegas e as costas a uma altura que permita deslizar a cadeira sob o seu corpo (bombeiro n. deve utilizar-se uma cadeira resistente que não seja de abrir e fechar. Fig.

6º tempo: Segurar firmemente os pulsos da vítima. Fotografia de um bombeiro com as mãos nos ombros da vítima e esta encostada às pernas do primeiro.5. Fig. 42 – 3º tempo: Segurar a cabeça e o pescoço da vítima. um bombeiro e destina- se a fazer descer a vítima inconsciente por uma escada ou por um plano inclinado. Fig. Os procedimentos desta manobra são os descritos nas figuras 41 a 44. 4º tempo: Levantar o tronco da vítima até à posição de sentada. 44 – 7º tempo: Levantar e transportar. Fig. Fig. 26 Fotografia de dois bombeiros e da vítima sentada na cadeira. 41 – 1º tempo: Colocar a vítima deitada de costas. apenas. 43 – 5º tempo: Passar os braços sob os da vítima.3. Por arrastamento O levantamento e transporte por arrastamento requer. Fotografia de dois bombeiros de pé a transportar a cadeira com a vítima. Fig. Fotografia de um bombeiro com os braços passados sob os da vítima. Fotografia de um bombeiro a agarrar a vítima pelas costas. segurando pelos pés e pelas costas da cadeira. Fig. 39 – 6º tempo: Içar a vítima e a cadeira a um ângulo de 45 graus. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . 2º tempo: Ajoelhar junto à cabeça da vítima. Fotografia de um bombeiro de pé a arrastar a vítima. 40 – 7º tempo: Transportar a vítima. 4.

Fig. os bombeiros devem ter. 48 – 5º tempo: Puxar o cobertor juntando-o com cuidado nas costas da vítima. Fig. Por cobertor ou similar Esta técnica é executada por um bombeiro com o auxílio de um cobertor. 49 – º tempo: Deixar a vítima rolar com cuidado para o lado do cobertor.1. 11º tempo: Transportar a vítima para um local seguro. 46 – 2º tempo: Ajoelhar junto à vítima no lado contrário ao do cobertor. Fotografia de um bombeiro a puxar o cobertor. Fotografia de um bombeiro junto à vítima já enrolada no cobertor. Fig. 3º tempo: Colocar o braço da vítima para o lado da cabeça. 50 – 0º tempo: Puxar a ponta do cobertor junto à cabeça da vítima. Os procedimentos são os que seguem nas figuras 45 a 50. Fig. Esta deve constituir a primeira preocupação dos bombeiros. Fotografia de um bombeiro a rolar a vítima na sua direcção. 5. 45 – 1º tempo: Estender um cobertor ao lado da vítima. em consideração a sua própria segurança. sempre. 27 4. Fotografia de um bombeiro agachado no lado contrário ao da vítima. pois. não só Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 .3. trabalhar de forma insegura pode trazer sérias consequências. PROCEDIMENTOS GERAIS DE SEGURANÇA Quando procedem à busca e salvamento de vítimas. 8º tempo: Enrolar o cobertor à volta da vítima. REGRAS DE SEGURANÇA 5. Fotografia de um bombeiro a estender um cobertor ao lado da vítima.6. lençol ou tapete. Fig. Fotografia de um bombeiro a puxar o cobertor com a vítima em cima. 7º tempo: Endireitar o cobertor em ambos os lados. Fig. de modo a que uma parte fique para além da sua cabeça. 47 – 4º tempo: Rolar a vítima para o lado do bombeiro. 9º tempo: Prender o cobertor aos pés da vítima.

a porta não deve ser aberta até existir junto dela uma linha de água pronta a trabalho. Se houver fogo por detrás da porta. 28 para os próprios. Se uma porta não abrir. Outro importante procedimento de segurança prende-se com o cuidado que deve existir na abertura de portas. particularmente. pelo toque das mãos ou das ferramentas que transportam. escadas e aberturas. mantém-se agachados e abrem a porta o mais vagarosamente possível. À medida que se deslocam. os bombeiros devem procurar sentir o piso à sua frente. Fig. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . os bombeiros devem tactear a parte superior da porta e a fechadura. deve ser dada uma especial atenção às condições em que se encontram as estruturas afectadas pelo fogo. 52 – Verificação do estado de aquecimento da porta. Se for elevado. procedimentos e utilização das ferramentas utilizadas na busca e salvamento. Quando a operação é executada em edifícios com vários pisos e visibilidade limitada. eventualmente existentes nos pisos. Fotografia de bombeiro a tactear a porta de um compartimento. é necessário que os bombeiros estejam adequadamente treinados quanto às técnicas. Para tal. mas também para as vítimas que pretendem salvar. Fig. Este procedimento pretende evitar acidentes por queda nas caixas de elevadores. Os bombeiros colocam-se lateralmente. A abertura a pontapé pode prejudicar ainda mais a vítima. de modo a levar a bom termo a missão e evitar transformar os bombeiros em vítimas. além de não ser a forma mais segura e profissional de lidar com a situação. 51 – Verificação do estado do pavimento. Fotografia de equipa de bombeiros a utilizar a ferramenta para «apalpar» o estado do pavimento. Pelo contrário. a posição junto ao piso permite que o calor e os outros produtos da combustão passem por cima dos bombeiros sem os afectar. os bombeiros não devem forçá-la a pontapé. Assim. nos de construção antiga. de modo a executarem a missão no menor tempo possível. as operações devem ser efectuadas de forma segura e consciente. como coberturas e soalhos. dado que pode existir uma vítima inconsciente caída do outro lado (figura 53). provocadas ou não pelo incêndio. de modo a determinarem o grau de aquecimento (figura 52). Embora a rapidez seja necessária. a porta deve ser empurrada com o máximo de cuidado. assegurando-se da sua continuidade e estabilidade (figura 51).

PROCEDIMENTOS QUANDO DESORIENTADO OU ENCURRALADO Mesmo com a melhor organização do teatro de operações. No primeiro caso. Por outro lado. Desenho de bombeiro e de vítima atrás da porta. Fotografia de 3 bombeiros. Quando os bombeiros se encontram nesta situação. Um dos acidentes que mais vulgarmente afectam os bombeiros prende-se com o levantamento de cargas. procurar um lugar relativamente seguro e activar o alarme pessoal de segurança (APS). a área que fica por detrás. • Simultaneamente.2. vítima. 54 – O tronco na vertical evita acidentes. A fim de o evitar. pode acontecer que um bombeiro ou uma equipa de bombeiros fique desorientado ou encurralado dentro de um edifício onde ocorre um incêndio devido. em voz alta. posteriormente. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Fig. a levantarem uma vítima. o tronco deve ser mantido na vertical e a força aplicada com as pernas e não com as costas (figura 54). pois. de costas. • Não sendo possível. devem proceder da seguinte forma: • Procurar retroceder até ao local onde se encontravam no início. por exemplo. no intuito de encontrar a. a excitação reduz a capacidade de pensar e reagir com a necessária rapidez. 29 revistando-se. da área em risco de ser atingida pelo incêndio. procurar uma qualquer saída do edifício ou. neste caso particular. leva a um consumo exagerado de ar do aparelho respiratório. eventual. 5. a colapsos da cobertura e outras estruturas ou ao fecho inesperado de portas atrás da equipa de bombeiros. pelo menos. 53 – A porta pode esconder uma vítima inconsciente. caso possuam um destes equipamentos. de vítimas. • Não encontrando um caminho de fuga. é importante que os bombeiros mantenham a calma. Fig. pedir auxílio tentando chamar a atenção de outros bombeiros que estejam na área.

deste modo. fazer sinais pedindo auxílio. usar o foco da lanterna. agitar os braços ou atirar objectos para a rua. cavalgar no parapeito. quando não for possível encontrar um caminho de fuga. de imediato. devem procurar contactar. Em qualquer dos casos. Por outro lado. a equipa de salvamento tende. Contudo. devem deitar- se no pavimento junto a uma parede exterior. activar o APS. Quando os bombeiros desorientados ou encurralados possuem um rádio portátil. em nenhuma circunstância os bombeiros devem lançar o capacete ou outras peças do equipamento de protecção individual. • Manter a serenidade. Quando os bombeiros ficam encurralados por um colapso da estrutura do edifício ou sofrem qualquer tipo de lesão que os impeçam de se deslocarem. aumentando. dado que. de modo a diminuir a área a percorrer por outra equipa de salvamento. de modo a poupar ao máximo o ar do aparelho respiratório. a circular junto à periferia do compartimento. os bombeiros devem permanecer junto a uma parede. descrevendo a sua localização tão fielmente quanto forem capazes. de acordo com os procedimentos normais. Em complemento poderão apontar o foco da lanterna para o tecto do compartimento. com outros emissores-receptores. o mais rapidamente possível. a possibilidade de serem encontrados com maior rapidez. ao ficarem exaustos ou perto de ficarem inconscientes. em primeiro lugar. 30 • Se encontrarem uma janela. de um corredor ou de uma porta. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . os procedimentos possíveis são os seguintes: • Activar. o alarme de pessoal de segurança.

se o edifício for de construção antiga. 31 Regras de segurança  Operar sempre a partir de um plano de acção. Para sair virar na direcção oposta.  Marcar as portas de entrada nos compartimentos.  Entrar somente após terem sido feitas operações de ventilação.  Ter uma equipa de salvamento preparada para socorrer outras equipas de bombeiros. quando existam condições que indiciem a possibilidade de uma explosão de fumos. aparelho respiratório e alarme pessoal de segurança (APS).  Fazer uma busca sistemática que seja.  Trabalhar em equipas de dois ou mais.  Controlar a entrada e a saída do edifício das equipas de busca e salvamento. eficaz e reduza a possibilidade de perca de orientação.  Verificar o aquecimento das portas antes de as abrir.  Ficar alerta e usar todos os sentidos. simultaneamente.  Possuir uma linha de água em carga quando a busca for feita no piso do fogo ou no piso imediatamente acima.  Conhecer um meio alternativo de fuga para a equipa de busca e salvamento.  Estar constantemente atento à estabilidade das estruturas do edifício.  Manter uma posição baixa e deslocar-se cautelosamente.  Não entrar num edifício quando a propagação do incêndio seja tal que indique ser improvável a existência de vítimas com vida.  Estar constantemente atento ao risco do incêndio poder colocar em perigo a equipa de busca e salvamento.  Manter o contacto permanente com o superior directo que tem a responsabilidade da operação de busca e salvamento. incluindo.  Usar todo o equipamento de protecção individual.  Manter o contacto com as paredes quando a visibilidade é limitada. durante toda a busca. mantendo um permanente contacto entre os bombeiros.  Recordar se virou à direita ou à esquerda ao entrar. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 .

não for possível fazer a busca num determinado compartimento.  Informar o superior directo assim que a busca estiver completa. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 .  Fechar a porta dos compartimentos onde exista fogo e avisar o superior directo.  Informar imediatamente o superior directo quando. 32  Coordenar com a equipa da ventilação a abertura de janelas. por qualquer razão.

Oklahoma State University. FPP. RICHMAN. J.F. 360 p. NFPA. FPP. 2ª edição. USA. (1994) – Complete Confined Spaces Handbook. A. 541 p. INTERNATIONAL FIRE SERVICE TRAINING ASSOCIATION (1996) – Fire Service Rescue. H. USA. FPP. SCPGV. 262 p. USA. FIRE DEPARTMENT (1985) – Fire Service Drill Book. RICHMAN. Espanha. INTERNATIONAL FIRE SERVICE TRAINING ASSOCIATION (1998) – Essentials of Fire Fighting. NFPA. 4ª edição. USA. FPP. COMUNINAD AUTÓNOMA DEL PAÍS VASCO (1995) – Manual Basico del Bombero. (1991) – Firefighting Principles & Practices. 473 p. REKUS. CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA (1983) – Manual do Sapador Bombeiro. 4ª edição. Boca Raton. . HOME OFFICE. 323 p. USA. 259 p. INTERNATIONAL FIRE SERVICE TRAINING ASSOCIATION (1998) – Instructor’s Guide for de 4th Edition of Essentials of Fire Fighting. USA. Oklahoma State University MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (1994) – Manual de Manobras dos Bombeiros Portugueses. 167 p.E. . NORMAN. Fire Engineering Books & Videos. INTERNATIONAL FIRE SERVICE TRAINING ASSOCIATION (1981) – Fire Service Rescue Practices. USA. J. 255 p. (1986) – Truck Company Fireground Operations. Oklahoma State University. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . USA. Lisboa.V. 167 p. Lisboa. (1985) . 381 p. Oklahoma State University. USA. SNB. W. 153 p. Lewis Publishers. Fire Engineering Books & Videos. (1991) – Fire Officer’s Handbook of Tactics. 468 p. Londres. 33 BIBLIOGRAFIA BRUNACINI. CLARK. Reino Unido.Fire Command. NFPA. 2ª edição. 716 p. (1986) – Engine Company Fireground Operations. 2ª edição. BSB. HMSO. USA. Vitoria-Gasteiz. H.

eventuais. Montagem de acessos – Manobras de escadas destinadas a permitir o acesso alternativo a edifícios. com o objectivo de detectar vítimas que não tenham sido encontradas na busca primária. Claustrofobia – Forma de neurose caracterizada pela aparição de angústia quando um indivíduo se encontra num lugar fechado. Desidratação – Perda excessiva de líquidos e sais minerais do organismo. independentemente da sua natureza ou gravidade. Encurralada – Colocada na impossibilidade de se retirar. Dominado – Quando o incêndio cede perante a acção desenvolvida pelos meios de ataque. Busca secundária – Manobra executada após o domínio do incêndio. Estabilidade – Segurança. equilíbrio. Comandante das operações (CO) – Responsável pela gestão de todas as operações de um incidente. que visa encontrar. cercada. que tenham lugar em qualquer tipo de edificações. Entrada forçada – Conjunto de manobras necessárias à remoção de barreiras que impeçam os bombeiros de chegar ao foco de incêndio. firmeza. contido num espaço confinado. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Explosão de fumos – Fenómeno que ocorre pela reacção repentina de oxigénio bruscamente fornecido a um ambiente saturado com monóxido de carbono aquecido. Choque – Incapacidade do sistema cárdio circulatório em fazer chegar aos órgãos nobres a quantidade necessária de oxigénio e nutrientes. vítimas junto ao foco de incêndio e em todas as áreas expostas. 34 GLOSSÁRIO Busca primária – Manobra executada antes ou durante as operações de extinção. Incêndios urbanos e industriais – Fogos sem controlo no tempo e no espaço. Incidente – Acontecimento relativo a toda e qualquer situação de emergência.

Suporte básico de vida (SBV) – Nível da emergência médica que procede à avaliação inicial. manutenção da via aérea. com vista à supressão do incidente. ventilação com ar expirado e compressão do tórax da vítima. Teatro de operações (TO) – Área onde se desenvolvem as operações de supressão de um incidente. 35 Procedimentos operacionais – Directivas de carácter organizativo que estabelecem as formas de actuação nos incidentes. Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 . Reconhecimento – Avaliação dos problemas e das condições concretas que serve de base ao plano de acção. Rescaldo – Extinção de pequenos focos de incêndio postos a descoberto durante a remoção de escombros. Traumatismo – lesão física causada por força externa ou violência. sem o recurso a qualquer tipo de equipamento que não seja de protecção individual. Stress – Alteração do metabolismo sob a pressão das circunstâncias. de modo a aumentar a eficácia das acções desenvolvidas pelos bombeiros.

......................................................................................4...................... ESPAÇOS CONFINADOS ...................................... 3 2............................................................................................ INCÊNDIOS URBANOS E INDUSTRIAIS .................................................................. 9 2..................................................... 26 4................................................................................2....................3................................ Nos braços .................................. OPERAÇÕES EM ESPAÇOS CONFINADOS ...... 2.. 18 3..... Os riscos ambientais ..................................................................... 22 4.... Os riscos atmosféricos ....................................................................................... 13 2.... 29 BIBLIOGRAFIA........................................... 19 4............................... Por arrastamento......................................................................................... 33 GLOSSÁRIO ................................................................1...............3. Localização provável das vítimas ............................. INTRODUÇÃO .......................... 18 3................................. 15 3................................. 6 2........................................... MANOBRAS DE LEVANTAMENTO E TRANSPORTE. 22 4....................................... BUSCA PRIMÁRIA ...........4.............................3.......................3................................................................................................................................................................ PROCEDIMENTOS À CHEGADA AO LOCAL........................5.....................1......................................................................... 27 5................................................................................................................................................... Por cadeira.3.......... ESPAÇOS CONFINADOS ..6.......................................... 2 1..1..............................................................................................................2..... 3 2......................................................................................................................................................................2. 4 2.........2................1.....4..................... Por cobertor ou similar ............................................................................................................................................. PROCEDIMENTOS GERAIS DE SEGURANÇA ................................................................................................................4...................................................3............1............................................................... Marcação das áreas revistadas .........................................................................................................................................1..........1. 19 4............................... 34 ÍNDICE GERAL ........................... Pelas extremidades ......................................3...................... OBJECTIVOS DA BUSCA E SALVAMENTO................ 19 4.......................... CONDIÇÕES ADVERSAS NOS EDIFÍCIOS COM INCÊNDIO .... 12 2............ BUSCA SECUNDÁRIA .................................... Os procedimentos na busca primária .......... 18 3.................................................................... PROCEDIMENTOS QUANDO DESORIENTADO OU ENCURRALADO .................................... Os riscos físicos ................................................3.................... REGRAS DE SEGURANÇA ...................... 2 2...... 16 3.........................................................4.... 27 5..........3................... 24 4.............. 23 4.................. 27 5............... INCÊNDIOS URBANOS E INDUSTRIAIS .....................................................................................................5......................................... 36 ÍNDICE GERAL SUMÁRIO ............ 25 4...................................................1.................................... 16 3........................... Na posição de sentado .. 22 4........................1......................................................................2..........................2....... SALVAMENTO DE VÍTIMAS ........ 7 1........ RISCOS ASSOCIADOS AOS ESPAÇOS CONFINADOS ................................ 36 Manual de formação inicial – capítulo X – 4ª versão – Janeiro de 2001 ..3...............1.........................1.............2..