in the decades of the 60's and 70's. Rubens Gerchman. voluntariamente ou não. brazilian contemporary arts. brasileiros em Nova Iorque This article discusses about two brazilian artists in New York in 1970. Porém. arte contemporânea brasileira. como. Dária Jaremtchuk Experiências em Nova Iorque na década de 1970* Este artigo discute a presença de dois artistas brasileiros em Nova Iorque na década de 1970. por exemplo. do São Paulo: Companhia das comunismo e de outros regimes dados a oprimir e expulsar dissidentes”1. por exemplo. obra 1. em larga medida. também são reduzidos os estudos dedicados às obras dos brasileiros que viveram nos Estados Unidos e suas possíveis conexões com aquele circuito de arte. Se Paris fora crucial para as experiências com a modernidade. Antonio Henrique Amaral e Rubens Gerchman. já foram realizadas. bem como suas possíveis conexões com aquele circuito de arte. os vínculos entre o mercado de arte e o milagre econômico e a situação dos exilados durante o período da ditadura. a nova rota geográfica traria particularidades também para as gerações posteriores. as well as their conexions with the circuit of art. Additionally. a década de 1970 vem despertando o interesse de pesquisadores e curadores. Temas significativos aguardam reflexões mais pontuais. voluntarily or not. no entanto. 2000. Edward. nas décadas de 1960 e 1970. intelectual e estético é o que é hoje graças aos refugiados do fascismo. artistas exilados. SAID. p. para os artistas contemporâneos este papel seria cumprido por Nova Iorque. Aproximações entre gravuristas brasileiros. this is also related to the economic interest and diplomats wich contributed to making the United States as an alternative route for the contemporary artists who left Brazil. a recusa dos artistas em participar das Bienais de São Paulo e do Salão Nacional. Jaremtchuk 105 . palavras-chave: artes plásticas na década de 1970. “a moderna cultura ocidental é. Como Letras. Reflexões sobre o de exilados. Dentro deste leque. Para Edward Said. não esgotaram a complexidade do período. as considerações aqui desenvolvidas pretendem discutir as experiências de dois artistas brasileiros em Nova Iorque na década de 1970. exílio e outros ensaios. brazilian artists who left brazil voluntary or not. como Fayga Ostrower e Maria Bonomi. brazilians in New York Desde não muito tempo. Também são relacionados os interesses econômicos e diplomáticos que contribuíram para que os Estados Unidos se tornassem uma rota alternativa para os artistas brasileiros que se exilavam. o pensamento acadêmico. emigrantes. as ligações das instituições com o regime. Foto de Juan Esteves. a crítica na imprensa e sua relação com a censura. Nesse sentido. keywords: visual arts in 1970. A ela já foram dedicadas mostras e publicações que. 46. refugiados. Nos Estados Unidos. com o abstracionismo norte-americano.

marchands. Depoimento de sentir todo impacto das forças criativas o que é muito emulativo. Documento descreveu as dificuldades encontradas por qualquer artista estrangeiro. porque ela não existe e lá a liberdade de expressão é tamanha que tudo que acontece (Coord. 161. críticos e intelectuais que para ela afluíram. sem olhar os slides: “Sorry.. que não deixa ninguém dormir. dificuldade das oficinas para o fornecimento das Também os relatos de Antonio Henrique do Amaral seguem a mesma direção: chapas de ferro. a mente para a Galeria de Arte Alberto extensão ocupada pelos brasileiros e a visibilidade de seus trabalhos foram irrisórias. Entretanto. Mesmo Antonio Henrique. você tem que procurar por GULLAR. Nova Iorque se consolidou como espaço internacionalista e cosmopolita após a Segunda Guerra. In: não pode digerir tudo [e] tem que selecionar. p. Antonio Henrique Amaral gravado e transcrito especial.] no Brasil. Amílcar Esse impacto com a nova realidade. A conju- minação das experiências dos artistas.] aqui não acontece por diversos problemas e um deles é censura. com internacionalmente. Existem artistas que moram há anos em Nova Iorque sem ter galeria que gravuras. principalmente se vende bem e não faz Neste período. sob o retroceder no tempo e relembrar o papel político que as artes cumpriram nas patrocínio do Embaixador do Brasil aproximações diplomáticas entre Estados Unidos e Brasil. Acho Janeiro: Paz e Terra. em 26 de fevereiro de 1975 (p. para Alvares Maciel. prende-se ao comércio. isso extremamente castrativo. Ferreira ela. dada a que as bienais3. isoladas. o problema da censura de expressão artística. Amílcar de Castro2 escreveria a Ferreira Gullar: ganhou em 1967 o Prêmio de Viagem ao Exterior no 17º Salão A quantidade de galerias que há em Nova Iorque assusta e assombra. onde a concorrência é infernal.. [. Amílcar de Castro artes. Mais de uma vez me disseram. O comércio de arte é de Arte Moderna e a igual ou melhor que o comércio comum. sobretudo localizado no arquivo de Antonio Henrique os latino-americanos5. Rio de a selecionar [. mas ele atua violentamente no poder criativo do artista. e sim componentes de estratégias de interferência em diversas áreas em 15 set. Paulo. George dos museus de arte moderna em São Paulo e no Rio de Janeiro. em 1967 e em 1969.). transformou a cidade em um lugar privilegiado para as 2. Bonfiglioli. Antonio Henrique Quando cheguei lá. Apesar da diversidade e das largas proporções desse meio artístico. viveu outra coisa do que o mais aceito. resolvi sair com meus slides debaixo do braço e mostrar a galerias e Amaral. Há um incentivo em Nova Jersey e extraordinário e provocador. 1971. é muito bom para você4. Já foram tratadas pela junto à Organização historiografia as intervenções e os incentivos de Nelson Rockefeller para a criação dos Estados Americanos. centro receptor deste contingente de expatriados. é necessário Pan-Americana. expuseram os represente e venda. Não sei se é prejuízo ou não para o artista. Este é um 1973. Ver: O Estado de S. a análise aqui pretendida não é demasiado relembrar que aquelas não foram ações São Paulo. Talvez seja para aquele que. mas só trabalhamos de bananas.. Há uma especulação terrível como em qualquer Bolsa Guggenheim outro comércio. com sua série museus. na galeria de arte da União Para se compreender melhor a configuração desse cenário. CASTRO. que encontrou relativo espaço na cena nova-iorquina. Diz ele: Amaral. somadas às políticas governamentais e aos esforços privados para a formação de acervos. 14).” Eles só se interessam por artistas conhecidos Libedeff. Isso é tragicamente doloroso e tira a força criativa de uma geração. e Olga com artistas americanos e europeus. O futuro é importância e a pessoa aprende a selecionar mais porque a informação é tanta que você construtivo. em Washington. com esse fervilhamento de coisas é realmente da maior de. Isto nos Estados Unidos e na Europa não acontece e você pode 4.. Arte pode ser visto e então a pessoa é bombardeada por tal gama de informações que ele começa brasileira hoje. 13 de outubro de 1971. 3. problema que atua não só na área política (como é o objetivo das autoridades). Acho esse comércio melhor e mais honesto inoxidável. por outro lado é bom. trabalhou com aço com as mais estapafúrdias experiências à venda. Vivem de venda do próprio estúdio a uma clientela que acompanha de 23 de setembro a seu trabalho6. 106 Jaremtchuk . preocupado com o viver. 5. No entanto.

Eram preocupantes o crescimento da influência nazi-fascista na Leite. bem como difundir informações Companhia das Letras. União Cultural Brasil-Estados Unidos. Rockefeller representava um grupo não oficial dentro dos 6. em 1966. América Latina e a restrição de lucros diante do fechamento do mercado europeu. tão pouco falada no Brasil até então. José Roberto Teixeira das Américas. próprios do american way of life. os Estados Unidos objetivaram construir Sedutor. Avatar Apesar dos interesses norte-americanos na América Latina arrefeceram da Silva Moraes. em 1981. Nelson Rockefeller transformou o MOMA em espaço em 1978. em a promoção e a venda de produtos norte-americanos deveria ser acompanhada 1971. a cuidadosa presença dos norte-americanos nas Bienais de São Paulo. em logo após o término da Segunda Guerra. em 1971. Amílcar de Castro. Essas foram as tarefas levadas a cabo pelos meios de comunicação de massa. p. recebendo. organizada diversas vezes pelo Museu. São Paulo. relacionados ao universo das artes: Já no contexto da Segunda Guerra. em 1970. inclusive. a política externa e recolocar o continente no foco das atenções outra vez. Como analisou o historiador Antonio Pedro Tota7. em 1965. nº 0. of Inter-American Affairs. a agência dirigida por Rockefeller. Guggenheim os seguintes nomes seriam grandes responsáveis pelo trânsito dos artistas brasileiros em Nova Iorque. Jaremtchuk 107 . performance comercial. o continente. pela idéia de bem estar material e social. boa receptividade do país na América Latina. Haroldo de Campos. Franklin Delano Roosevelt. 1975. e convencer[am] os brasileiros de que os Estados Unidos sempre foram amigos do Brasil. contribuiu para a elaboração de uma imagem positiva dos Estados Unidos entre os brasileiros. propagaram “entre os americanos uma imagem positiva dos latino-americanos. por sua vez. sobre os latinos entre os norte-americanos. Augusto Boal. 53. em 1972.toda a América Latina. Essa última. criada em 1938 para difundir a língua inglesa. em 1959 e o crescimento das esquerdas no continente foram suficientes para reverter 1976. em 1967 e 1969. atuava a 8. em 1973 e 1975. como para combater o anti-americanismo. o sucesso da Revolução Cubana em 1973. Desde então. p. Orlando Villas Bôas. que se consolidavam nos anos 40”8. Como parte deste projeto. Antonio Pedro. em especial do Brasil. João Alexandre Costa Barbosa. assim como para consolidar um quadro de influências dentro do contexto da Guerra Fria. Antonio Dias. em 1977. como a Bolsa Fulbrigt e a Bolsa Guggenheim9 igualmente patrocinaram intercâmbios acadêmicos e favoreceram 9. a Office of the Coordinator Maureen Bisilliat. Segundo o autor. Amaral. a aprovação e o Revista Vida nas Artes. p. O Imperialismo da Boa Vizinhança da década de 1930. o domínio do Atlântico tornara-se Roberto De estratégico para os norte-americanos. receberam a Bolsa assim como o Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna. em 1980. 42. Entrevista concedida a Harry Laus. Hélio Oiticica. com a chamada Política 7. maio aval direto do próprio presidente. que se apresentavam como defensores Lamonica. encontros entre intelectuais e artistas brasileiros e norte-americanos. TOTA. Bonitas? Estados Unidos e chegou a elaborar um planejamento para atuação e intervenção Banais? Bananas?. Paulo receptivo à arte latino-americana. Da mesma forma. 2000. Idem. Frente a isso. Rubens Gerchman. No plano artístico. contribuiria com promoções de viagens para que brasileiros conhecessem a terra do Tio Sam. em diferentes setores nos países latinos. 43. Regina Vater. Entre as décadas de 1960 e 1980. ano 1. Aracy A. Agências financiadoras. traçou planos mais eficazes tanto para melhorar a em 1970. assim como promoveu mostras itinerantes para todo Bruscky e Lygia Pape. A Divisão Cultural do Departamento de Estado norte-americano.

Segundo a crítica Carla Stellweg. se possa compreender melhor a inserção de Antonio Henrique Amaral no circuito norte-americano na década de 1970. Ver: Tactics for Thriving on Adversity: 108 Jaremtchuk . Ainda sobre as políticas de aproximação. Igualmente críticos e curadores se empenharam em aproximar a produção brasileira do restante do continente e chegaram. esta comunidade teriam provocado um sentimento tênue na cultura brasileira. uma significativa comunidade de artistas latino-americanos. haja vista o reconhecimento generalizado do apoio norte-americano às ditaduras na América do Sul. Nova Iorque: El Museo de a de pertencimento ao continente latino-americano. Da mesma forma. Em depoimento a Ferreira Artes del Bronx en Gullar. Na mesma direção. inclusive. 1920-1970. Segundo ela. o ambiental y arte de instalaciones por grupo se destacava no contexto pela maturidade artística e pelo alto nível cultural. 284-334. refugiados Carla. a construção do conceito Latin American Art opera dentro dos espaços institucionais e no mercado de arte dos Estados Unidos com muita relevância. a promover na década de 1970 a polêmica Bienal Latino-Americana em São Paulo. nas décadas de 1960 e 1970. Rubens Gerchman exporia essa realidade: asociación con Harry N. tal como o fizeram Antonio Manuel e Anna Bella Geiger. Editores: 1988. Inúmeros artistas exploraram este viés identitário mais crítico. a comunidade latina longe daí. de meus amigos13. algo como portuñol ou espanholês num Carmen Ramírez cita plano plástico. Ao mesmo tempo. também não se pode esquecer que o termo latino- americano ganhou uma conotação de integração e resistência frente à dominação norte-americana. esta sucinta recuperação histórica revela que a construção de um conceito de América Latina baseado numa configuração geopolítica monolítica e pouco discrepante foi reafirmada ao longo do século XX e se transformou numa categoria epistemológica extensiva igualmente para as artes. Imán – Nueva York: arte conceptual. mesmo que isso fosse carregado de contradições. pois paradoxalmente nunca vivi tanto Brasil e América Latina como agora. por exemplo quando se apropriaram do mapa da América Latina. Em suma. resta salientar que a rota estabelecida por interesses econômicos e políticos transformaram os Estados Unidos numa alternativa promissora para os artistas brasileiros que se exilavam. devido ou à incipiência dos mercados artísticos em seus países de origem ou à arte interpretativo. em Nova Iorque. pré-existente12. colorísticos e peculiares próprios ao continente. voluntariamente ou não. In: Os artistas brasileiros que chegavam à cidade se integraram nesta rede El espíritu latinoameri. para a presença dos conceituais10. sobretudo após a revolução de Cuba. com especial destaque 10. Também Mari pensamento que fosse brasileiro/ latino-americano. STELLWEG. arte triste condição oferecida pelos regimes políticos de exceção11. Encontravam-se. reafirmam-se nas obras os aspectos quase sempre figurativos. da minha cultura. Nas minhas proposições procuro desenvolver uma consciência que se opõe à do homem branco europeu-norte-americano de que somos herdeiros por extensão. Abrams. Inc. artistas latinoamerica- nos em Nueva York. p. segundo ela. Proporia um 11. Nova Iorque possuía. nesse período. Dentro dele. o distanciamento do Brasil e a aproximação com cano: arte y artistas en los Estados Unidos. Talvez com esse dado.

teria sido o ambiente nova-iorquino que o Uruguai. p. concentrado. In: no grupo já formado por eles na cidade14. 163. realidade deles. E se em Nova Iorque. Organization of Jaremtchuk 109 . Em 1974 declarou: diversos setores daquele país. Omar onduladas e vales repletos de sonhos. mas para fixar uma imagem inventada [. como o corte.] Na prolongada exposição à esta cidade as bananas estão levando a pior. colombiano. 69.. 1999.. p. Maria Foi também nesta nova série designada de “Campos de Batalha” que surgiram Luiza Pacheco. “The banana varia- [. Molinari- artista brasileiro: “Entre as pinturas que apresentam distintas conotações latino-americanas. cada uma das quais valeria por si só a mostra inteira. Ver: LAUS. escultor colombiano.] Há um quase total sacrifício da sensibilidade em favor da técnica. da Venezuela e Alpuy. Uma arte essa temática foi entre outros motivos pela funda e insubstituível necessidade de não me Brasileiro/Latino- perder.] que símbolo pode ser guatemalteco (sic). ele retornaria para um período de mais dois anos. expôs gravuras na Pan a técnica realista não para reproduzir a realidade. Em abril de 1959.C. o detalhe. esses não eram da Venezuela”.. equatoriano.] Americana. p. 15. Também Antonio Henrique declarou que tinha mais programas e experi. do enquadramento. Os argentinos.. Posteriormente.. tions in oil” na congelando sua força20. Massachussets tendo o crítico do jornal ‘The Arts’ assim se manifestado sobre a pintura do colombiano. Harry. a experiência foi promissora e a estadia se estendeu até 1974. principal- mente. ências em comum com artistas latinos do que com os americanos e se integraria 1960-1980. de não me confundir. o comentário econômico das descomunais bananas de Amaral transcende o seu comentário Castro Cid e Mário sócio-econômico. da Nicarágua. Todavia. de preservar um senso de identidade nesta confusão geral. em 1977.. conforme já mencionado. 12. num ambiente tão diferente do brasileiro continuei a desenvolver Rubens. da mais claramente aspectos da fotografia. Quando chegou em Nova Iorque em Global conceptualism: points of origin. luz criada de sua própria fonte misteriosa”18. por exemplo. ou para se converterem em abstrações de uma suave Rayo. há duas telas. mais cruel17. como garfos. Em entrevista concedida à Harry comentário sobre sua mostra na Organização dos Estados Americanos: Laus afirmou: “Nossos amigos constantes eram os artistas Nos meses de fevereiro e março deste ano Carlos (sic) Henrique do Amaral participou de uma latino-americanos: exposição denominada ‘Contemporary Latin America Art’ patrocinada pela Universidade de Leonel Gongora. Rio de Janeiro: Paz e Terra. da motivou para o emprego da máquina e da projeção na tela . O realista americano fixa imagens com quase absoluta fidelidade. facas e cordas. American Union D. o artista encontravam presentes não abandonou o tema.. cit. pois dizia empregar: Op.. mais Bonevardi. para se converterem em bananas na paisagem. após ter recebido o Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Arte 1950s-1980s.. Ferreira. O clima dos quadros ficou mais ‘surdo’ mais situação e perspectivas. GERCHMAN. Europa. elementos suficientes para alinhá-lo ao hiper-realismo. [. Bogarin. 53. 13. Segundo o próprio artista. [. E sua proposta não deixou de repercutir positivamente. maior precisão. pretendia permanecer um ano por lá e depois seguir viagem para a Museum of Art.. Arte brasileira hoje: sendo destruídas pelos metais do Battlefield. o que cortantes. mais significativo do Brasil do que as bananas amarradas com corda de Antonio Amaral? [.. Flores. argentino. realidade. No entanto. 1972. como se vê neste 14. já se Já identificado anteriormente como o pintor das bananas16. [. cordas enroscadas com bananas. In Um especial prazer pessoal em impor a este environment cultural esta imagem tão fora da GULLAR. Nova Iorque: Queens Moderna15.. chilenos. Este recurso lhe propiciava Argentina..]. favorecendo sua entrada na criada para as artes e levada adiante por categoria Latin American Art. o que esfria a obra. à política tenha sido um dos poucos a ganhar espaço no circuito da cidade foi a exploração internacionalista de símbolos relacionados com seu lugar de origem. e Marisol.] Paternostro. a ampliação e o Bolívia. sem alterá-la. 1973. uma ilusão de colinas Toral. Morales. numa ‘montagem’ da Em setembro 1971. Ramirez. facas. nitidez e objetividade à imagem. mas transformou-o pela presença de objetos metálicos e desde o início da década de 1960. Talvez o que contribuiu para que o artista foi devido. altamente improvável: garfos. argumentava. Conceptualism in Latin America. A minha persistência na banana tem várias origens através destes 6 anos que nela elaboro.

três meses.. Antonio Henrique montava a cena em um prato e após o registro da Washington. que naquele período se encontrava pelos brasileiros. “ora compreendidos como desdobramentos das questões iniciadas no Rio de Janeiro desenhando diretamente da paisagem. Os pratos estéreis e os fundos esbranquiçados significam o clima geral de indiferença no qual tudo isto ocorre. nas séries “Casas de Macunaíma” que o vincularam à Nova Figuração. se o procedimento bolsa no Pratt era próprio ao foto-realismo. Porém. Também em 1959 recebeu uma câmera projetava-a na tela para depois pintá-la. As facas e os em 17 de setembro garfos são instrumentos que cortam e manipulam essa massa de gente. Gerchman. Relatou-lhe a respeito da interdição na Bienal Nova Iorque o método da Bahia e da retirada de “várias obras consideradas subversivas” da exposição. que previa transformar cada loft de artista em gesto. em político pelo qual passava o país. ainda palavras neste período não podem ser creditados ao ambiente conceitual. como se pode ler em cartas dirigidas a como o enquadramento. O então diretor do MAC/ USP o desestimulou. já estavam presentes. fora do âmbito da lógica fotográfica. com uma figuração iniciada no Brasil. Ver: Henrique do Se. atacar direta. No entanto. devido ao clima ampliado. posteriormente publicada21: a cena final do “Rei da Vela” encenada por José Celso Martinez. o mesmo não aconteceria com Rubens São Paulo. Paulo. Como Zanini assim terminava a missiva: “De minha parte protestei publicamente [. Vilém Flusser. decomposição. sofrer o impacto da dramaticidade política da série e escreveu espontaneamente o tema surgido em 1968 teria ligação com uma reflexão. após a volta ao Mas. Carta de Antonio terror e opressão que emana destas pinturas é comum não apenas nestas imagens mas Henrique Amaral também na situação representada: elas impõem esta leitura específica.. E dá a mensagem escrita em Nova sua forma imperativa: esta situação não deve ser tolerada22. procurava acentuar a tensão entre os elementos Graphic Art Center e lá permaneceu porque o tema lhe era mais substancial e significativo. em visita ao seu estúdio em Nova Iorque. Entrevista concedida à significa uma intolerável situação no mundo de fatos reais. representar uma espécie de símbolo que aludia a essa condição coletiva. projetor. “constrangido pelo equipamento fotográfi. slides – quer soltar o o de criar o Museu Latino-Americano. A inusitada situação. Antonio Henrique prosseguira em terra estrangeira Amaral na OEA. e não pode haver dúvidas quanto à identidade desse povo. chegou em dezembro de 1968 03 jun. No meio em Paris. a presença Logo que desembarcou. realizados no Brasil. [.] relata Maria Alice Milliet. American States. ao porto de Nova Iorque. Segundo o artista. anteriores. ora com os poemas tridimensionais. No entanto. da Bahia. A pesada atmosfera de 17. não deixou de 16. Estamos todos muito preocupados”23. manifestou desejo de organizar. pensar em fazer exposições.. no entanto. e sim faria uso do equipa- mento fotográfico. mas poderia igualmente envolver a América Latina. não se tem notícias mais recentes. distanciou-se mente a tela sem intermediação”. As cordas significam de 2008.] Não sei se a hora é de Brasil em 1975. As bananas representam a massa amorfa de um povo tropical em lenta ateliê em São Paulo. Documento nova-iorquino. as proposições plástico-poético- fotografando arranjos visuais seriam problematizadas de outra forma na atmosfera nova-iorquina. Recepcionado por Amílcar de Castro. as pinturas de Antonio Henrique não deixaram de igualmente localizado no arquivo do artista. bananas cortadas com garfos. Os de vegetação com 110 Jaremtchuk . oficial. 1973. e alguma coisa deve ser feita pesquisadora em seu em relação a isso. Além de suas atividades na comunidade latina. por exemplo. dos foto-realistas foi empregado. em 12 de outubro de 1974 e endereçada a Vilém O texto de Flusser acentua a condição arbitrária vivida particularmente Flusser. Iorque. Em trabalhos referência para os que brasileiros que por lá aportavam. uma parte do museu. co – câmera. No dos desenhos e pinturas diretamente associados às imagens urbanas e cariocas entanto. O abandono dos pincéis e a utilização de e “Bambuzais”.. facas e envoltas em cordas de enforcados. 18. O ateliê do artista carioca se transformaria em ponto de 19. O Estado de S. uma mostra de arte brasileira. a situação na qual esse povo se encontra. o corte. o detalhe Walter Zanini. Gerchman também compartilhou inúmeros projetos como.

o mesmo não aconteceria com Gerchman.89. Wilson (Org. Talvez estimulado por esse ambiente. Apesar de ser representado por 1969. objetos a partir o ano. de superlação da imagem para a formalização de uma síntese necessária hoje. foram para a tela”. É importante que também se lembre que entre 1975 e 1979 ele faria uma p.” Carta de não eram suficientes para sua manutenção e o artista precisou trabalhar numa Antonio Henrique Amaral escrita em São fábrica de escultura e múltiplos. que há anos vem influenciando numerosos jovens que começam. sentido mais aberto e criativo. Antonio Henrique. Os objetos-ideogra- ao mesmo tempo era uma chance de sobreviver”29. São Paulo: DBA. sem ligação metafísica ou estética a uma estrutura. agora em escala diminuta. reestruturando o Jaremtchuk 111 . mas. 196. Em carta endere- para um esteticismo. nº 43. In: COUTINHO. Creio entretanto que decretado o Ato Institucional nº 5 aqui. nós – o destino social da idéia de cartilha toma um Artes. In: ele.. há como que um exercício do poder da imagem. metais depois passadas novos jogos semânticos com sinais e letras. Para reverso da figura. Documento localizado desejou realizar trabalhos em aço e acrílico. Aí pensei: agora eu não volto mais. Peça e escolha o seu28. Rio de Janeiro: Editora e “foi a primeira vez que vendi uma exposição inteira”. Essa maneira de viver. foi motivado principalmente pela receptividade que sua obra encontraria por aqui. em 08 de setembro (não consta tecnologia. em 1972. segundo Roberto Pontual27. a Op. A disciplina quase geométrica mente foi em 1975) e endereçada a Vilém adquirida com esses trabalhos se tornaria um resíduo presente em suas obras Flusser. estruturação quem faz somos eu e você. p. Harry. como um talismã. Seu retorno ao Brasil. soube que tinham deste povo tropical. Tornar visível o eram letras em bloco para construir coisas. A insistência na criação (ou reinsistência) de uma imagem folk-Brasil-pop etc. Gerchman. o marchand Ralph Camargo o convidara para uma mostra em São Paulo Gerchman. mas que não leva a transformação e tende a se voltar 21. Maria Alice. no arquivo do artista.). esta somente lhe MAC/USP. por limitações orçamentárias. mas provavel- de projetos cuja execução cabia a outras pessoas”26. 8. como construtores de uma realidade específica a que se poderia chamar tradução do artigo brasileira. Optou por coisas de bolso (pocket stuff). assim como Antonio Dias. 23. FLUSSER.. Campos de batalha. declarou o artista30. p. toma rumos mais necessário ‘censurar’ firmes e radicais. 1997. não anedóticas. garantiu a sobrevivência. como conseqüência natural e lícita dos seus começos24. apartavam-se do contexto localista AMARAL. O que me interessa nessa evolução de Gerchman é exatamente essa superação de uma época 20. mas 24. idolatria de imagem atinge um nível de redundância e cai num perigoso marasmo. No Brasil. mas de Gerchman. Verso e denominados por Hélio Oiticica de “objetos-ideogramas. As coisas de bolso serão editadas em massa. quando não para um anedotário. Vilém. ano IX. Hélio. o que resultou em “trabalhos gráficos e de construção. Diria ele: “era um sistema um pouco escravocrata. Obra em brasileiro e se aproximavam de questões mais universais da arte: processo. Gerchman e Dias. A cidade também lhe apresentou os recursos da Paulo. vou tudo está bem claro e em nada alterou o que para ficar”25. MILLIET. Documento localizado no Arquivo uma galeria em seus dois últimos anos de permanência por lá. não o fez. que. LAUS. que se encontrava em Paris. Mudar nossa à mão. e usadas como algo que se ama e precisa.. OITICICA. a radicalização de processos universais que se geraram publicação da nesse contexto. também – creio que a procura então de uma linguagem sintética seria o elemento realmente Antonio Henrique construtivo para a retomada cultural em grande escala. como brinquedos [. Mas ainda estava no navio. 1989. poderão ser adquiridas jul. o lado político-social estaciona-se çada a Vilém Flusser. cit.] que é a estrutura poética levada invisível. para Artes: “para seria desastrosa. secos e diretos”. um trecho referente às cores da bandeira nacional assim como A permanência de Gerchman em Nova Iorque foi maior do que a planejada: a explícita identidade “não fui para ficar esse tempo todo. posteriores. p. Carta de Walter Zanini a Rubens Se Antonio Henrique do Amaral encontrou espaço no mercado de Nova Gerchman escrita em Iorque. fora do Brasil. Rubens Neste ano. 53. Salamandra. de 1975. o fortalecimento das posições informa sobre a não metafóricas. A contribuição de publicação foi ambos. parece que viram isso. isto é. para Oiticica: 22. mas aberta à estruturação. memorável gestão na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O valor de U$ 500 dólares pagos pela bolsa do prêmio de viagem foi dito.

Idem. somadas às promessas de realização Iorque em 08 de profissional. p. entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada. e a 1973. minha família e terra e coisas minhas. out. 1974. De qualquer forma é um Op. 77/79. 55. numa escala internacional são bem maiores o que pode me ajudar à longo prazo.] mas lá [Brasil] Rio de Janeiro. 32. cultural. românticos. ibidem. no Rio de Janeiro. Ele é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal. . aqui é boa pintura. ausência de vitalidade de Janeiro.. com algumas modificações. eu seria mais um latino-americano que sai de seu país para respirar ares respiráveis e entra na terrível contradição de viver na sede do colonialismo. prisões arbitrárias. misturavam-se as nostalgias. 1979. 1987. Enfim.]: não tenho problemas para voltar. Lá meu trabalho tem maior de Arte Moderna do significado que aqui. Por outro Rio de Janeiro: Museu lado lá está minha filha. “Rubens Gercham”. nº 4. para concluir este percurso. E. Eu tenho pensado muito [. tagonismos entre os artistas da década de 1970 e da seguinte. a apreensão sobre o paradeiro de amigos junho de 1974 e endereçada a uma e a falta de perspectivas para o país. autoridades. mar. E. Idem. Galeria: Nessa empreitada. Acho que voltar para lá vou brigar muito. Publicado em aqui terei que lutar muito para sobreviver pois não é fácil. Se fico por aqui 30. aguarda novos espaços para análise. p. 46. 112 Jaremtchuk Rubens Gerchman. Área Editorial. e todos os aspectos que caracterizam a ditadura me desanimam a voltar. SAID. no XXVIII Colóquio de História da Arte. embora seja verdade que a literatura e a história contêm episódios heróicos. Edward. analisar a proximidade entre as duas gerações. O exílio nos compele estranhamente a pensar sobre ele. pensar e dizer que gozo aqui. As realizações do exílio são permanentemente minadas pela perda de algo deixado para trás para sempre32. Confesso que estou acostumado muito à esta liberdade de Paulo. serviria Roberto. Documento localizado no arquivo Said. mas [estou] começando a vender aqui31. resta falar sobre os dilemas e as contradições jun. São Paulo: auto-censura dos amigos se manifesta até nas cartas o que me deixa em total dúvida do que Museu de Arte de São fazer à partir do próximo ano.. Foto de Juan Esteves. expressam a profunda angústia do tema: do artista. São para a transformação da escola. Rio as notícias de censura. Se fico 1970. mas as chances de ser conhecido Rubens Gerchman... imagens estranhas originais [. FERREIRA. Mas a atmosfera deprimente. Op. Vender eu vendo mais lá do que aqui. p. quem sabe é necessário Telma Cristina. mas ao mesmo tempo todas Jornal do Brasil. Talvez este caso seja uma oportunidade para se Paulo. cortar o cordão umbilical com o berço para realmente nascer. em outubro de 2008. 28.25. Telma espaço que formaria grande parte da geração dos anos de 1980. 2000. por ser complexa e relevante também para as artes.Rio de Janeiro: Galeria Saramenha. dissipando com isso os supostos an- 26. embora eu tenha criado inúmeros casos [. 56. FERREIRA. gloriosos e até triunfais da vida de um exilado. cit.. na “casa do senhor”. s/ p. Numerosos foram os artistas e intelectuais que compartilharam o mesmo dilema. Hélio Oiticica. no Rio de Janeiro. mitigado somente com a abertura política e com a assinatura da Lei de Anistia em agosto de 1979. essas mesmas imagens adquirem uma força mais eficaz. mas é terrível de experienciar. eles não são mais do que esforços para superar a dor mutiladora da separação. A questão. Rubens Gerchman/ Desenhos e como outro viés para se encontrar novos tipos de referências e conexões entre os pinturas recentes brasileiros e o meio norte-americano. ibidem. Apud PONTUAL. problema pessoal e cultural que ainda não resolvi e tenho pensado muito.. Antonio Henrique assim se expressa: 27. a experiência vivida em Nova Iorque foi significativo substrato revista de arte. 21 mar. cit. 31... organizado pelo Comitê Brasileiro de História da Arte. marasmo de amigos. Além disso. As palavras de um célebre desterrado. haverá uma distância entre eu e os “velhos” amigos e não creio que me sujeitasse como antes às arbitrariedades das 29. Carta de Antonio Henrique Amaral escrita em Nova Com a efervescência de Nova Iorque. * Este texto foi preliminarmente apresentado. Edward amigo. Cristina.]. entre o permanecer ou o voltar ao Brasil.

Ciências e Humanidades (EACH/ USP) e do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).Dária Jaremtchuk é professora da Escola de Artes. Jaremtchuk 113 .