O filme "Tempos Modernos" traz ao decorrer de suas cenas, uma das grandes

temáticas relacionadas ao ser humano: a dimensão do trabalho. O que nos leva a uma
reflexão sobre alienação, capitalismo, atividades repetitivas, desigualdade, geração
de lucro, péssimas condições de trabalho, mão de obra, e tantas outras temáticas
abordadas na disciplina de ‘’ Educação e Trabalho’’.
Inicialmente o filme apresenta uma cena importante, quando retrata os
operários sendo cada vez mais exigidos, chegando ao ponto de praticamente não
terem um tempo livre para suas necessidades básicas, onde o empregador sempre
pensa no lucro a ser gerado, ignorando a qualidade de trabalho que deve ser disposta
ao trabalhador. Como visto no texto de Albornz (1990), essa forma de controle surgiu
na passagem do modo artesanal para o modo industrial de produção, onde o controle
passa a ter novas finalidades: a racionalização do processo produtivo tendo em vista
a eficiência, entendida pelos empresários como reprodução ampliada de capital. O
trabalho, até então escravo, passa a ser assalariado; a força de trabalho é
posteriormente comprada sob a forma de horas de trabalho a serviço de uma dada
organização, tendo em vista a prosperidade do empreendimento. A tecnologia, passa
a ser dinâmica e revolucionaria, exigindo uniformidade e ritmo, algo que claramente
se percebe nas cenas iniciais do filme, quando os funcionários são submetidos a
praticas cada vez mais repetitivas, técnicas, tão alienadas que passam a influenciar a
vida do sujeito dentro e fora das fabricas, um exemplo disso, vê-se na cena da refeição
mecanizada, em que os chefes procuram formas de fazer com que o trabalhador cada
vez mais perca seus direitos e viva apenas para o trabalho, perdendo até seu tempo
de alimentação. Para Marx a essência do homem está no trabalho, o que o homem
produz é o que ele é, no entanto, é no trabalho repetitivo, puramente técnico e
alienado, que o trabalho se desumaniza.
Ao decorrer das cenas, Chaplin vai se distanciando do real sentido das
atividades a qual desempenha na fábrica, o que remete ao que Albornz (1990), diz
sobre trabalho alienado, onde o funcionário entende apenas pequenas partes de todo
processo, não percebendo o conjunto das atividades a qual está inserido, onde o
produtor não detém, não possui, nem domina os meios de produção e que ao vender
seu tempo, sua energia e suas capacidades provoca em si mesmo uma auto-
alienação.
Ainda no texto de Albornz (1990), Hanna Aredent é citada, quando traz a ideia
de que cada vez mais temos uma alma operaria, em uma sociedade de trabalhadores

Seguindo este caminho. Para Marx esse estranhamento acontece por meio da alienação. não é isso que vemos acontecer com Chaplin no filme. mas a criação e que ocorra o fim da dominação do trabalho sobre o homem. onde percebe: tensões sociais. onde você vale o que tem e não o que é. é valido ressaltar o que Antunes (2008). Isso nos remete ao que diz Saviani (2007). Percebe-se o quanto o capitalismo justifica seu discurso. que segundo ele tem haver com identidade. onde o objetivo do trabalho não seja o rendimento. pais vendendo seus próprios filhos. sempre em busca de sujeitos que desempenhem aquilo que eles propõem e como eles propõem. fome. e o ser humano torna-se escravo do dinheiro. se identifica. cada vez mais pensa-se no lucro a ser gerado. o personagem se depara com os ‘’ tempos modernos’’. com qualidades péssimas de trabalho.que se veem como prisioneiros e necessitantes do trabalho. desemprego. e o começo da dominação do homem sobre o trabalho. indo em busca de algo que lhe faça sentido. O Capitalismo é notado de forma geral no filme. Na procura por uma vida melhor. seu tempo e sua força de trabalho. Neste sentindo. pois. ele desiste da opressão a qual é submetido na fábrica. em que nosso trabalhador cada vez mais tem sofrido com a perda de seus direitos. quando retrata sobre a relação entre o homem e o trabalho. onde o homem aprende a trabalhar trabalhando e consegue educar aos outros e a si mesmo a partir de suas práticas. com uma sociedade cada vez mais manipuladora e desigual. É bem verdade que ‘’ Tempos modernos’’ traz temáticas que se estendem até os dias de hoje. e que seja mais do que apenas ‘’ apertar parafusos’’. nos diz sobre o estranhamento entre o trabalho e o homem. e que o trabalhador o faz apenas por necessidade e não por prazer. mas. onde o trabalho exercido se torna forçado e um meio para satisfazer apenas as necessidades externas. em determinado momento. em que sistemas cada vez mais violentos e que incessantemente negligenciam os direitos dos trabalhadores. que acontece no momento em que o trabalho passa a ser cada vez mais degradado e intensificado. encontramos uma cena onde Chaplin começa a trabalhar como cantor. . Charles preferia estar preso do que enfrentar aquela realidade a qual vivenciava. onde o capitalismo toma sua subjetividade. Albornz (1990) em seu texto fala sobre a necessidade de pensarmos uma sociedade sem classes. algo que ele não imaginava conseguir fazer e que em sua pratica.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE CURSO DE PEDAGOGIA SABRYNA PRISCILA TRAVASSOS DA SILVA RESENHA: FILME TEMPOS MODERNOS CARUARU 2017 .