A maior vantagem de participar dos fóruns de discussão onde reina o

esclarecimento está na possibilidade de emitir opiniões contrárias de forma civilizada.
Por gozar de tal privilégio, eu venho publicamente justificar meu desacordo em relação
à posição expressa pelo Professor Bruno Bahia. Comecemos pela forma, para que
cheguemos ao conteúdo: notem aqui como a situação de greve se faz ocasião de
aprendizado. Em primeiro lugar, acusar um argumento como falacioso, sem explicitar a
natureza da falácia, além de ser uma estratégia argumentativa sofística, em grande parte
atravanca a aquisição de conhecimento. Suponhamos que a falácia seja: eles dizem que
lutam pela educação de qualidade fazendo greve, mas, em verdade, ou bem não lutam –
o que nos leva a uma suposta acusação de hipocrisia -, ou bem a greve não é
instrumento adequado. Pois fica o caso de o colega, a fim de desfazer uma falácia pouco
clara em sua explicitação, dizer qual outro instrumento de luta haveria.

Ouço os argumentos de que o terceiro ano está sendo enormemente prejudicado
pela suspensão das aulas. E a resposta mais evidente é afirmar a existência de um
prejuízo. Todavia, o prejuízo da perda de aula é apenas a gota d’água de prejuízos
acumulados. Os alunos possuem a ciência de que um órgão máximo deliberativo da
instituição foi declaradamente desrespeitado pelo seu Reitor? Os alunos tiveram a livre
formação para compreender que tal ato historicamente é o mesmo gesto tomado para a
instauração de ditaduras, condição bem explicitada por Maquiavel em Discursos sobre
a primeira Década de Tito Lívio. Ora, alunos em alguns campi disso não podem saber,
porque não há tal livro, assim como não há uma miríade outros importantes. De modo
que tanta coisa falta, tanta falta que nos faz o livre uso do raciocínio e dos livros, que
não espanta a falta de surpresa e indignação quando da destruição do CONSUP ou do
achincalhe da Constituição.

Se gozássemos de boas bibliotecas e melhor formação, nós lembraríamos que
Rudolf Von Ihering, no século XIX, demonstrou em A luta pelo Direito que as leis
somente emergem a partir de disputas políticas, sendo descabida a suposição de
neutralidade. E se a formação fosse um tanto melhor, de pronto seria evidente que por
político não se tem em mente a pura luta entre partidos de siglas estabelecidas. Em caso
de ainda mais aprimorada a formação, qualquer um notaria que há uma brutal diferença
entre direito e justiça: em cada sentença proferida o direito é realizado, mas uma

Não restará para o futuro. e se amamos tanto o Colégio Pedro II. ou bem aguarda a destruição . os professores não conseguem fazer pesquisa. pelos carreiristas. Onde se meteu a estima pelo progresso? Porque o acesso à internet é pífio. pelo o espírito baixo de cizânia. O terceiro ano perde muito. perdeu no ingresso ao Ensino Médio. agora a degradação que assola a educação básica federal é a mesma que apodrece o ensino superior. as glórias daquilo que resta. O terceiro ano já perdeu muito! Perdeu no ensino fundamental. Ou bem luta agora para auxiliar os que virão. e a nossa aposentadoria. porque não há acesso nos campi ao portal CAPES. em parte. Fato notório é que as condições salariais sofrem dilapidação... os alunos do Pedro II fazem o maravilhoso curso preparatório para uma universidade em frangalhos e para a pesquisa científica como piada nacional.Oh.como os municípios. tudo isso que pode vir a existir quando não se aprende . porque outras esferas . nós teríamos discernimento sobre a importância das instituições. Em parte. os terceiros anos. Se tivéssemos formação melhor.. E lembro que Sergio Buarque de Holanda. narrados por José Murilo de Carvalho em sua biografia sobre Dom Pedro II (também em falta nos melhores campi)? Aonde vai o amor aos livros. ainda que em condições adversas.injustiça pode ser cometida. mas já com a destruição da carreira de professores federais. Notaríamos que muitos professores mestres e doutores não desejam mais trabalhar no Colégio Pedro II ou nos demais institutos federais. o muito que resta. Se continuar tudo como está. já foi para o espaço.. o que resta. também foi mencionado e exposto em um comando de greve. E se amamos tanto o estudo. quando a biblioteca é acúmulo de nulidade e pó? Onde anda o amor pela ciência? Pois a falta de transparência é tanta. que tal amarmos os exemplos dados pelo imperador. que nós sequer descobrimos como e quais são as instituições que em parceria sustentam programas de jovens cientistas e pré-iniciação científica. tão capaz de formar gente tão boa. do patrimonialismo e do compadrio. porque o mercado privado pode oferecer melhores condições. nem isso restará mais.podem oferecer condições mais atrativas (lembro que a USP é da esfera estadual). prezado Professor Bruno Bahia. Não restará para trás. porque aqueles que entraram se depararão com o deserto. Porque agora. Onde fica o profundo nojo que o Imperador nutria pelos alcoviteiros. analista dessas misérias. têm os senhores isso no coração? – a natureza das instituições? Porque o descuro para com as instituições gera os pântanos do populismo. perde agora.

Vários professores submeteram palestras. e muito aprendemos. eu encerro com uma breve reflexão sobre minha experiência quando professor da UFRJ. a disposição para o debate público. E eu pergunto. A iniciativa para criar formular. Por fim. nós notamos que conceitos são revistos em debates públicos. Muitos dos alunos eram do Colégio Pedro II. e muito bem foram acolhidas tais atividades. ainda que para sustar tese muito controversa.mais elegante.. Bem notava Raimundo Faoro. Aquele que nutre apreço por órgão público de deliberação faz gosto de nele comparecer. eu pergunto com toda a sinceridade do mundo.. abrir novos horizontes da sensibilidade humana. debates e atividades ao comando de greve. perspicácia na análise de discursos. ao longo da história. reformular fundamentos conceituais. não em restritos gabinetes. quando comparamos tal apoucado com o sol do espaço público. tais coisa dependem fundamentalmente das posturas acima enumeras. eu pergunto para aquele que teve a decência de estar presente antes de falar qualquer coisa: quais dessas competências não foram exaustivamente trabalhadas durante a greve? Fórmulas a memória de curto prazo absorve e despreza. o caráter inquiridor. a argúcia na formulação de argumentos.tais coisas eram a capacidade de iniciativa. erguendo alegre o atestado de nulificação com timbre superior. Dei aulas para os cursos de história. São os detentores de tais habilidades os candidatos às bolsas de iniciação científicas. bem como pela diversidade de métodos de ensino. esse nosso bacharelismo risível e anedótico. onde a luz é mirrada. a habilidade de formulação de problemas. nas assembleias. Em geral. Postura! . Tenho grande apreço por revisão de conceitos. O que faltava em alguns e o que resplandecia em outros . todas com evidente cerne pedagógico. de filosofia e de psicologia. Vimos isso nos comandos de greve. são esses os homens de ciências e de artes. com diploma nas mãos. são esses os futuros mestrandos.o que talvez devamos cultivar em nossa instituição .