Márcio Fagundes Goethel

INDICADORES BIOMECÂNICOS DO KARATE DE ALTO NÍVEL

Tese apresentada ao Instituto de Biociências do
Câmpus de Rio Claro, Universidade Estadual
Paulista, como parte dos requisitos para obtenção
do título de Doutor em Desenvolvimento Humano
e Tecnologias - Área Tecnologias nas Dinâmicas
Corporais.

Orientador: Prof. Dr. Mauro Gonçalves

Rio Claro-SP

2015

RESUMO

O Karatê é um esporte amplamente praticado ao redor do mundo, com seu número de
praticantes em constante crescimento. Suas técnicas implicam em movimentos complexos
de membros inferiores e superiores e que exigem do executante velocidade, agilidade,
técnica, precisão e eficiente tomada de decisão. Devido a expansão no número de
praticantes e de competições com exigência de nível técnico cada vez maior, seus
praticantes assim como seus preparadores físicos e técnicos têm manifestado a necessidade
de suporte científico na mesma proporção. Diante disto, o objetivo geral deste estudo é de
determinar quais indicadores biomecânicos diferenciam o desempenho de atletas de
diferentes níveis competitivos no Karatê durante a realização dos golpes Gyaku Tsuki e Mae
Geri. Para tanto, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: (1) analisar
parâmetros dinamométricos durante a flexão e extensão isométrica e isocinética das
articulações do ombro, cotovelo, joelho e quadril de atletas de diferentes níveis competitivos
no karatê; (2) analisar parâmetros temporais da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae
Geri em atletas de diferentes níveis competitivos no karatê; (3) analisar parâmetros
dinâmicos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis
de experiência no karatê; (4) analisar parâmetros coordenativos da execução dos golpes
Gyaku Tsuki e Mae Geri e sua variabilidade em atletas de diferentes níveis de experiência no
karatê; (5) analisar o relacionamento de parâmetros eletromiográficos de músculos
envolvidos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis
competitivos no karatê. Para cada objetivo proposto é apresentado um artigo, nos quais
foram avaliados 14 voluntários do gênero masculino, faixa etária de 18 a 35 anos, praticantes
competitivos de Karatê, Faixas Pretas, divididos em 2 subgrupos: Grupo Elite (GE), 07
indivíduos competidores à nível nacional ou internacional; e Grupo Sub-elite (GSE), 07
indivíduos competidores à nível regional ou estadual. Durante o protocolo experimental deste
estudo os atletas realizaram um avaliação dinamométrica de contrações concêntricas,
isométricas e isocinéticas (60 °/s), dos movimentos de flexão e extensão, das articulações do
Ombro, Cotovelo, Quadril e Joelho. Após, foi realizada a avaliação dos golpes onde foram
mensuradas variáveis cinéticas, cinemáticas e eletromiográficas (EMG) durante a execução
de 5 tentativas de cada golpe. Os músculos analisados pela EMG durante a execução do
Gyaku Tsuki foram: Deltóide Anterior (DA), Deltóide Posterior (DP), Bíceps Braquial (BB) e
Tríceps Braquial (TB). Já durante a execução do Mae Geri, os músculos foram: Tensor da

Fáscia Lata (TFL), Glúteo Máximo (GM), Bíceps da Coxa “Cabeça Longa” (BCcl) e Reto da
Coxa (RC). Os resultados provenientes da avaliação dinamométrica não apontaram
diferenças significativas entre os grupos, demonstrando similaridade nos parâmetros de
produção de força. No que diz respeito às variáveis temporais, o grupo Elite se mostrou mais
eficiente em ambas as técnicas, reagindo mais rapidamente, bem como desempenhando o
golpe em menor tempo. O grupo Elite também se destacou em sua estratégia de propulsão
ao alvo em ambas as técnicas, produzindo uma maior taxa de produção de carga contra o
solo quando comparado ao Sub-elite. Dentre os parâmetros provenientes da análise
cinemática avaliada durante execução dos golpes, variáveis de potência desempenhadas
pelas articulações proximais e distais envolvidas em ambas as técnicas também demonstram
superioridade do grupo Elite. O grupo Elite se mostrou significativamente superior na
performance final de ambas as técnicas, sendo que a mesma foi apontada através da
velocidade linear do segmento que atinge o alvo. Indicadores de coordenação intra-
segmentos foram apontados como diferentes entre os grupos, assinalando maior capacidade
coordenativa e menor variabilidade para o grupo de maior nível competitivo. Também foram
apontadas diferenças significativas na utilização do mecanismo de cocontração para
frenagem do movimento, apontada entre os músculos TB e BB durante a fase de
desaceleração do Gyaku Tsuki, onde o grupo Elite utiliza uma maior ativação da musculatura
antagonista nesta fase do golpe, gerando um maior índice de cocontração. Durante a
execução do Mae Geri não foram encontradas tais diferenças. Diante aos achados no
presente estudo foi possível concluir que apesar do gesto técnico não diferir entre os grupos,
os atletas de Elite possuem um maior refinamento técnico e capacidades neuromusculares
mais desenvolvidas. Também, que a performance final do golpe é proveniente principalmente
de aspectos coordenativos entre os segmentos envolvidos no desempenho da técnica.
Finalmente, concluímos que os indicadores biomecânicos apontados neste estudo tem
substancial importância para técnicos e atletas, por serem capazes de categorizar atletas de
Karatê segundo seu nível de desempenho, bem como, servir de ferramenta de
acompanhamento dos resultados de treinamento.

Palavras-chave:Eletromiografia; Dinamometria Isométrica e Isocinética; Cinética;
Cinemática; Coordenação Intra-segmentos; Karatê

ABSTRACT
Karate is a sport widely practiced around the world, with its number of practitioners
constantly growing. His techniques involve complex movements of upper and lower limbs and
require the performer speed, agility, technique, precision and efficient decision making. Due
to expansion in the number of practitioners and competitions with demanding technical level
increasing, its practitioners as well as their trainers and technicians have expressed the need
for scientific support accordingly. Therefore, the aim of this study is to determine what
biomechanical indicators differentiate the performance of athletes of different competitive
levels in Karate while performing the Gyaku Tsuki and Mae Geri strokes. To this end, the
following specific objectives were established: (1) analyze dynamometric parameters during
flexion and extension isometric and isokinetic of the shoulder, elbow, knee and hip joints of
athletes from different competitive levels in karate; (2) analyze temporal parameters of the
execution of Gyaku Tsuki and Mae Geri strokes in athletes of different competitive levels in
karate; (3) analyze dynamic parameters in the execution of Gyaku Tsuki and Mae Geri
strokes in athletes of different levels of experience in karate; (4) analyze coordinative
parameters of the execution of Gyaku Tsuki and Mae Geri strokes and your variability in
athletes of different levels of experience in karate; (5) analyze the relationship of
electromyographic parameters of muscles involved in implementing of Gyaku Tsuki and Mae
Geri strokes in athletes of different competitive levels in karate. For each proposed objective
is presented a paper, in which were evaluated 14 male volunteers, aged 18 to 35, competitive
practitioners of Karate, Black Belts, divided into two subgroups: Elite Group (GE), 07
individuals, competitors at national or international level; and Sub-elite Group (GSE), 07
individuals, competitors at regional or state level. During the experimental protocol of this
study the athletes performed a dynamometric evaluation of concentric contractions, isometric
and isokinetic (60 °/s), of the flexion and extension movements of the joints of the shoulder,
elbow, hip and knee. After, it was performed the evaluation of the strokes, where were
measured kinetic, kinematic and electromyographic (EMG) variables, during the execution of
five attempts at a stroke. The muscles analyzed by EMG during the execution of Gyaku Tsuki
were: Anterior Deltoid (DA), Posterior Deltoid (DP), Biceps Brachii (BB) and Triceps Brachii
(TB). Already during the execution of Mae Geri, the muscles were: Tensor Fasciae Latae
(TFL), Gluteus Maximus (GM), Biceps Femoris "Long Head" (Bfcl) and Rectus Femoris (RF).
The results from the dynamometric evaluation showed no significant differences between the
groups, demonstrating similarity in strength production parameters. With respect to temporal

karate . Elite group was significantly higher in the final performance of both techniques.variables. kinematics. and the same was indicated by the linear velocity of the segment that reaches the target. Elite group is more efficient in both techniques. Among the parameters from the kinematic analysis evaluated during execution of strokes. the final performance of the stroke is derived mainly of coordinative aspects of the parts involved in the performance of the technique. Intra-segment coordination. On the findings in this study it was concluded that despite the technical gesture not differ between groups. Isometric and Isokinetic dynamometry. Significant differences were also noted in the use of co-contraction mechanism for the movement braking. Finally. elite athletes have a higher technical refinement and more developed neuromuscular capabilities. Keywords: Electromyography. we conclude that the biomechanical indicators presented in this study has substantial importance to coaches and athletes. Also. generating a higher co-contraction index. The Elite group also stands out in your target propulsion strategy in both techniques. Kinetics. pointed between TB and BB muscles during the deceleration phase of Gyaku Tsuki. During the execution of Mae Geri were not found the same differences. as well as performing the stroke in a shorter time. reacting more quickly. and serve as a monitoring tool of the training results. power variables carried by the proximal and distal joints involved in both techniques also demonstrate superiority of the Elite group. producing a higher load production rate against the ground when compared to the Sub-elite. suggesting greater coordinative capacity and less variability for the group of higher competitive level. by being able to categorize karate athletes according to their level of performance. where the Elite group uses a greater activation of the antagonist muscles at this stage of the stroke. Indicators of intra- segment coordination are perceived to be different between the groups.

. Então. Obrigado Senhor. família que me deste em tua casa para me amar. Antonio Roberto Bendilatti “Prof. vejo que a participação dos mesmos em minha vida tem sido acima de tudo uma benção sem medidas de Deus para mim. Prof. minha amiga. Obrigado Senhor. e de todos que o Senhor tem colocado como benção em meu caminho. AGRADECIMENTOS Normalmente nesta seção do documento de Tese demonstramos o quanto somos gratos à todos que de alguma forma tem sido importantes para nossa vida e trabalho. toda a glória e todo louvor. pela vida da minha Irmã. nos momentos certos. Obrigado Senhor. Dr. Dr. Alfredo Kobylanski Filho. Porém. colegas e amigos. para abençoar minha vida. escolheste cada um a dedo. Noé Gomes Borges Jr. amor da minha vida. tem sido especial viver e trabalhar ao seu lado. Dr. exemplo. colegas e amigos da Spine Implantes ltda. pela vida de minha família. Prof. pela vida da minha Mãe. Shu”. primeiramente. meu eterno amor. peço que o Senhor abençoe o trabalho de cada um. minha companheira. pela vida de meus colegas de Laboratório... mulher notável. Adalgiso Coscrato Cardozo. te amo mãe. pela vida do meu amigo Pedro Kobylanski. lhes dirigindo algumas palavras. tens por mim amor incondicional e tem cumprido em mim todas tua promessas. Mauro Gonçalves e Prof. Elcio Landim. sou tudo “∞” contigo e nada “Ø” sem ti. Obrigado Senhor. benção sobre medida em minha vida. Obrigado Senhor. pela vida do meu colega e bom amigo Prof. Prof. Obrigado Senhor. pela vida da minha Esposa. Obrigado Senhor. Obrigado Senhor. Dr. Sr. rendo ao meu amado Deus toda honra. professores. pela vida de meus Professores. pela vida dos meus Pastores e irmãos. “naninha”. que me ama de uma forma indescritível. Obrigado Senhor. Enfim. minha paixão de todos os dias.

.............1 Objetivo geral ...................................................................... SUMÁRIO 1..............................10 2........................................................................12 3............81 .... CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................10 3.............................................................................. Anexo 2 – Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa Local .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................2.....................................................................................................................................5............... ARTIGOS .... ANEXOS......... Artigo 4 ...................75 5..............................37 3.................................... 64 4........ Artigo 5 .....................................................................2 Objetivos específicos ................... Anexo 1 – TCLE ...........10 2........................11 3.................................................................79 6... Artigo 2 ............ OBJETIVOS ......................77 6................. INTRODUÇÃO ..................4........................................1..................8 2......................................................................................51 3...........1........................................................................... REFERÊNCIAS ......... Artigo 3 ............79 6....................................25 3................3.................2. Artigo 1 ........................

8 1. Não é considerado como uma batalha simbólica a ser realizada isoladamente. Apesar da necessidade de demonstrar a força potencial de seus movimentos e executá-los como se fossem reais. incorpora técnicas de várias escolas de arte marcial. cuja palavra é de origem japonesa. a luta propriamente dita (WKF. em meados do século XVIII. o Karatê é uma arte marcial amplamente praticada no mundo e para a propagação do mesmo como modalidade esportiva levou a necessidade da formulação de regras de combate para torná-lo competitivo. portanto. e cada Kata executado possui uma duração distinta. 2013). expressividade e ritmo. O Kata. Os elementos básicos da técnica de kata apropriada incluem: kime (uma pequena contração muscular isométrica realizada quando a técnica é concluída). as competições foram divididas em duas modalidades: Kata e Kumitê (DORIA et al. Os atletas que chegam a final devem realizar um kata estilo fixo (Shitei) e um Kata estilo livre (Tokui). (STEVENS. 2013). onde os atletas se movem em várias direções no espaço. o que exige do atleta um aprimoramento do tempo e da distância adequada para que o golpe tenha grande eficiência. O atleta é penalizado por cada segundo acima ou abaixo deste limite. 2007). Deste modo. Desenvolvida no sul do Japão. onde este último deve ter duração mínima de 60 s e máxima de 80 s. significa mãos vazias e é uma das versões para a arte do combate desarmado (ROSSI & TIRAPEGUI. Atualmente. os atletas realizam estilos de kata fixos (Shitei). INTRODUÇÃO O Karatê. O Karatê assim como outras modalidades de arte marcial exerce grande . na ilha de Okinawa. O kumitê é a execução de técnicas de defesa e ataque em movimentação livre contra um oponente. 2013). 2013). de acordo com as regras da Federação Mundial de Karatê (WKF. e se referem a elas por nomes distintos. precisão e controle do movimento para pará-lo de modo a não causar dano ao adversário (WKF. Durante as competições. 2007). 2009).. Várias escolas incorporaram diferentes números de técnicas de kata. a prática do Karatê foi motivada em resposta à necessidade do uso de técnicas de luta efetivas sem a utilização de armas (WKF. mas sim como uma batalha contra um ou mais adversários invisíveis. no kumitê competitivo os golpes são realizados de maneira representativa. que significa “forma”. sendo.

al. 1988a. WITTE et. 1988b. SFORZA et. Atualmente. al. EMMERMACHER et. SUWARGANDA et. sendo passível de punição se tal recomendação não for devidamente seguida (WKF. 2000. tem sido foco de grande parte das pesquisas científicas realizadas com o Karatê. como efeito de refinamento. o sucesso no desporto exige não só a execução eficiente de padrões motores. mas também um elevado nível de capacidade de percepção. técnica. 2005. apresentando uma menor variabilidade das características coordenativas do gesto técnico à medida que a especialização na ação aumenta (WILSON et. de variabilidade. 2008. e em especial. HOFMANN et. . 2009). sendo permitido apenas breve contato no momento do impacto do golpe. 2009.. al. 2008). al. 2013). 2005. sob a nova regra competitiva. Todavia. Tais mudanças foram necessárias para diminuir o número de lesões e a severidade das mesmas em competições de Karatê (ARRIAZA. al. 1999). Anteriormente a 2001. de ativação muscular. de adaptações do controle neuromuscular. ataque e contra ataque aos golpes recebidos (SBRICCOLI et al. desta forma. Esportes de alto nível competitivo são caracterizados por restrições espaciais e temporais severas impostas sobre o atleta por regulamentos e adversários (WILLIAMS et. e ainda mais. de forma que atinja a maior velocidade possível durante o percurso e chegue ao alvo com a velocidade próxima de zero. 9 demanda do ponto de vista coordenativo. etc (STULL et. Porém. uma eficiente tomada de decisão durante a defesa. al. O Gyaku Tsuki (Soco invertido) e o Mae Geri (Chute Frontal). A ineficiência em atingir um alto Pico de velocidade e a falta de capacidade de frenar o movimento de forma brusca pode tornar a técnica facilmente percebida por parte do adversário. precisão de movimento. 2010). os ataques que eram desferidos contra o oponente não possuíam nenhum tipo restrição no que diz respeito ao impacto e os efeitos do mesmo no atleta que receberia o golpe. al. al. 2001. são golpes que têm obtido grande destaque entre as técnicas do Karatê pela sua grande utilização em competição. procurando utilizar os movimentos dos membros superiores e inferiores que exigem do executante velocidade. Com a especialização esportiva os padrões motores coordenativos vão se tornando mais consistentes e controlados. investigando-os em suas características cinemáticas. os atletas necessitam controlar a velocidade do golpe. de acordo com as regras da Federação Mundial de Karatê (WKF) os ataques tem caráter representativo.

OBJETIVOS 2.Analisar parâmetros dinamométricos durante a flexão e extensão isométrica e isocinética das articulações do ombro. SBRICCOLI et. 2002. 2011).Analisar parâmetros dinâmicos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis de experiência no karatê.Analisar parâmetros eletromiográficos do relacionamento de músculos envolvidos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis competitivos no karatê. no anseio de encontrar tais fatores. 10 SØRENSEN et. cotovelo. al.Analisar parâmetros coordenativos da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri e sua variabilidade em atletas de diferentes níveis de experiência no karatê. al. POZO et. al. é formulado o seguinte problema: Quais são as variáveis biomecânicas que melhor traduzem o nível de desempenho em atletas de alto nível e qual o efeito desta alta especialização (atletas de Elite) em relação a atletas de menor qualificação (sub Elite) durante a execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri? 2. 2. SFORZA et. . al.2 Objetivos específicos . . . Assim. . 1996.Analisar parâmetros temporais da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis competitivos no karatê. joelho e quadril de atletas de diferentes níveis competitivos no karatê.1 Objetivo geral Determinar quais indicadores biomecânicos diferenciam o desempenho de atletas de diferentes níveis competitivos no Karatê durante a realização dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri. identificar variáveis biomecânicas durante a sua execução e em atletas de alto nível competitivo pode ser a chance de contribuir para a análise do desempenho e obter assim valores normativos para atletas da mesma categoria ou inferiores. 2010. . Baseado na importância destes golpes para a modalidade.

Parâmetros Coordenativos Intra-segmentos na execução do Soco “Gyaku Tsuki” - Comparação de atletas de Karatê de Sub-elite e Elite. Comparação do desempenho de atletas de Karatê de Elite e Sub-elite.1. 11 3. Indicadores da Coordenação Intra-segmentos de Karatecas de Sub-elite e Elite durante a execução do Chute Frontal “Mae Geri”. ARTIGOS Neste capítulo estão apresentados os artigos que compõem a presente Tese. 3.3. assim intitulados: 3. 3. Cinéticos e Cinemáticos do Soco Gyaku Tsuki.4. 3. 3. .5. Comparação de parâmetros biomecânicos do Chute Frontal Mae Geri entre Karatecas de Elite e Sub-elite. Parâmetros Temporais.2. Indicadores do Controle Neuromuscular de Atletas de Karatê de Sub-elite e Elite na Performance do Gyaku Tsuki.

.1. Parâmetros Temporais. 1999). cuja palavra é de origem japonesa. Cinéticos e Cinemáticos do Soco Gyaku Tsuki. uma eficiente tomada de decisão durante a defesa. O primeiro (TPM) corresponde ao intervalo de tempo entre o estímulo visual e a imediata mudança no nível de ativação do músculo detectado pela eletromiografia. técnica. Esportes de alto nível competitivo são caracterizados por restrições espaciais e temporais severas impostas sobre o atleta por regulamentos e adversários (WILLIAMS et.. al (2005) e Emmermacher et. a prática do Karatê foi motivada em resposta à necessidade do uso de técnicas de luta efetivas sem a utilização de armas (WKF. ambos em contato com o solo. Segundo Witte et. O Tempo de Reação (TR) é um importante indicador da velocidade de processamento da informação. na ilha de Okinawa. sendo interpretado na literatura como o tempo entre a apresentação de um estímulo e o início da resposta motora (VAGHETTI et al. 2013). a frequência de utilização do Gyaku Tsuki representa 50 % do total de técnicas utilizadas em um combate oficial de Karatê (CHAABÈNE et. O sucesso no desporto exige não só a execução eficiente de padrões motores. precisão de movimento. 2010). Dentre os golpes utilizados no Karatê. ataque e contra ataque aos golpes recebidos (SBRICCOLI et al. sendo uma técnica extremamente utilizada na modalidade Kumite “luta” (HOFMANN et al. 2007). al. É uma arte marcial que procura utilizar os movimentos dos membros superiores e inferiores que exigem do executante velocidade. mas também um elevado nível de capacidade de percepção. O segundo . significa mãos vazias e é uma das versões para a arte do combate desarmado (ROSSI & TIRAPEGUI.. Pode-se subdividir o TR em dois períodos: pré-motor (TPM) e motor (TM). 2007). em meados do século XVIII. 12 3. al. e em especial. 2008). al (2005) o Gyaku Tsuki é um soco executado com o avanço da mão juntamente com o avanço do membro inferior contralateral na postura Zen Kutsu Dachi na qual o atleta está com um membro inferior a frente e com joelho flexionado e o outro membro com o quadril e joelho estendido. 2014). Comparação do desempenho de atletas de Karatê de Elite e Sub-elite Introdução O Karatê. Desenvolvida no sul do Japão.

13 (TM) refere-se ao intervalo de tempo entre o TPM e o início de um movimento perceptível do membro solicitado (SCHMITD & LEE. para condições de 80% de poder e um effect size entre 0. dinamométricas.8 e alpha (α) de 0. 2007). os quais foram divididos em 2 subgrupos. praticantes competitivos de Karatê. Estatura: 1. faixas pretas e competidores em nível nacional ou internacional (Idade: 26.9. Esta estimativa foi baseada em uma diferença detectável de 1. No sentido de identificar parâmetros biomecânicos que possam se relacionar ao desempenho no Karatê.8.678 %).300 ± 6. bem como histórico de alterações cognitivas. fratura.894 %). e grupo Sub-elite (GSE). .5 e 0. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética Local e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.114 ± 5. este estudo traz a comparação de variáveis temporais. Participaram do estudo 14 voluntários do gênero masculino. FAUL et. na faixa etária de 18 a 35 anos. e utilizando o software G*Power© (versão 3. 6 em cada grupo.2). Método Amostra De acordo com a análise de poder estatístico conduzida nos dados piloto deste estudo.064 ± 8. 1992. foi estimada uma amostra de 12 atletas. Os critérios de exclusão dos participantes consistiram da presença de dor.514 ± 6.586 ± 6.711 ± 0. mínima correlação de 0. cardiovasculares ou respiratórias. 1999). Massa Corporal: 77. Tais critérios foram investigados através de entrevista prévia ao início das avaliações. Percentual de Gordura: 15.1.758 kg. constituído por 07 indivíduos. al.077 m.062 m. Massa Corporal: 75.900 anos. Estatura: 1.938 kg. constituído por 07 indivíduos.716 ± 0.471 ± 12.136 anos.0. para teste de diferenças entre duas médias independentes (dois grupos). de acordo com seu nível competitivo atual: grupo elite (GE). ou lesão grave em tecidos moles nos 6 meses pregressos ao estudo. neurológicas.05 em 4 variáveis de importância deste estudo (COHEN. Percentual de Gordura: 12. cinéticas e cinemáticas entre atletas de Elite e Sub-elite na execução do Gyaku Tsuki. faixas pretas e competidores em nível regional ou estadual (Idade: 27.

Abdominal e Coxa (JACKSON & POLLOCK. a qual foi composta por 03 contrações submáximas e 02 contrações máximas para cada articulação a ser avaliada (CORVINO. foi .30º à 90º) para a articulação do ombro e (0º à 120º) para a articulação do cotovelo. 14 Procedimentos de Coleta de Dados Avaliação Antropométrica e Dinamométrica. os quais foram ajustados no centro articular dos mesmos conforme recomendações do fabricante. Avaliação dos golpes Por ser um dos golpes mais utilizados durante a prática do Karatê.2009). na velocidade de 60º/s com amplitude de movimento de 120º. A ordem das articulações foi definida de modo aleatório. 1978) com os quais foi calculado o percentual de gordura corporal (SIRI. Para a avaliação dinamométrica foi utilizado o equipamento System 4 PRO (Biodex) com os acessórios para ombro e cotovelo. 1961). 2008) (Figura 1). Foram avaliadas contrações do tipo isocinética. dobras cutâneas do Tórax.. (. Execução do GyakuTsuki Para a captação dos sinais eletromiográficos durante a aplicação dos golpes. concêntrica. Figura 1. Foram realizadas 05 repetições do movimento de flexão e extensão para cada velocidade. et al. estatura.. Antes do início do protocolo de avaliação dinamométrica foi feita uma familiarização do voluntário com o equipamento. No que diz respeito à antropometria foram coletadas: a massa corporal. (HOFMANN et al. foi escolhido o Gyaku Tsuki (soco invertido).

filtro passa alta de 20 Hz. Tanto o sistema de Leds como o sensor de contato foram controlados por uma placa micro controladora Arduino modelo “MEGA 2560” (Figura 2C). Figura 2. (Figura 2B). Este sensor de contato era composto de um sensor piezoelétrico de 30 mm fixado a um bloco de Etil Vinil Acetato com dimensões de 24 cm x 27 cm.. (B)Sensor de contato. nos músculos Tensor da Fáscia Lata (TFL) e Glúteo Máximo (GM). que gerava um estímulo simultâneo aos outros equipamentos utilizados sendo assim um marcador do final da realização do movimento. calibrado com frequência de amostragem de 1500 Hz. ganho total de 2000 vezes (20 vezes no sensor e 100 vezes no equipamento). com área de captação de 1cm de diâmetro e distância inter-eletrodos de 2cm. 2000). Tanto o firmware alocado na placa como o software que comanda o sistema de . composto de Leds. os quais foram estímulos visuais ao voluntário que em seguida realizava o golpe atingindo um sensor de contato. filtro passabaixa de 500 Hz. marcadores básicos (Vicon®) foram fixados bilateralmente. segundo as normas da SENIAM (HERMENS et al. A coleta dos dados cinemáticos foi realizada simultaneamente aos dados eletromiográficos durante a realização dos golpes. Os golpes foram realizados sobre um alvo instrumentalizado no Laboratório de Biomecânica da Unesp (Figura 2A). (A) Alvo Instrumentalizado. de acordo com o modelo PluginGait para corpo inteiro (Vicon ®). Foram utilizados eletrodos de superfície de Ag/AgCl (Meditrace®). Os eletrodos foram posicionados no lado dominante. (C) Arduino modelo MEGA 2560. Para isto utilizou-se de 07 câmeras T10 com 250 fps (Vicon®) e software cinemático Vicon Nexus (Vicon®). em configuração bipolar. Para a reconstrução do movimento. 15 utilizado um módulo de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon®) de 16 canais.

Análise dos dados Os dados foram processados e analisados por meio de rotinas específicas desenvolvidas em ambiente Matlab. para estabelecimento de suas frequências de corte ideais. 16 Leds e sensor de contato foi desenvolvido em linguagem C++. Durante todo procedimento de avaliação dos golpes foram coletados os dados eletromiográficos e cinemáticos. o sinal da análise cinemática com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 6 Hz e os dados de Força de Reação do solo com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 95 Hz. e iniciados de acordo com o estímulo visual fornecido pelo sistema de Leds. versão 8.0. sendo que os dados de Torque foram filtrados com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 8 Hz. Inc. o qual após a execução de cada golpe pelo atleta dava o comando para parar.). 1990).5. O sujeito estava posicionado de forma que o pé do membro inferior dominante estivesse sobre a Plataforma de força AMTI® (Figura 1). Primeiramente.197613 (Mathworks®. voltar à posição inicial e reiniciar. . A validade do golpe foi avaliada por um árbitro da Federação Paulista de Karatê. Os sinais provenientes do alvo instrumentado foram sincronizados com o sistema de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon®) e unidade analógico-digital Vicon® através de input analógico emitido aos dois sistemas simultaneamente. os dados antes de sua filtragem foram processados por meio de análise residual (WINTER. Cinco golpes foram realizados unilateralmente .

Foi determinado como onset da ativação muscular o menor tempo de onset entre os músculos analisados. 17 Figura 3. TFL – Sinal EMG do Tensor da Fáscia Lata. Para a detecção do onset da ativação muscular. Variáveis cinéticas.Impacto com o Alvo. Cotovelo – Angulação do cotovelo. “A” . o qual é capaz de realçar a atividade das unidades motoras e assim fornecer uma metodologia mais robusta de detecção do onset (LI et. O onset de movimento foi determinado por meio do método de limiar aplicado sobre a curva de deslocamento antero-posterior do Centro de Pressão (COP). cinemáticas e eletromiográficas obtidas durantea execução do golpe GyakuTsuki do karatê. al. GM – Sinal EMG do Glúteo Máximo. O segundo (TM) refere-se ao intervalo de tempo entre o TPM e o onset de movimento.Onset da ativação muscular. Já o Tempo de Movimento (TMOV) corresponde ao intervalo entre o onset de movimento e o contato com o alvo. onde o instante de onset é maior ou igual à média mais 3 Desvios Padrão calculados na linha base. “B” . Os dados de torque foram normalizados pela massa corporal do sujeito afim de isolar o efeito da massa corporal nestas variáveis. o sinal eletromiográfico dos músculos Tensor da Fáscia Lata e Glúteo Máximo foram submetidos à um operador de energia não-linear Teager-Kaiser. 2007). Ombro – Angulação do Ombro. O intervalo de aplicação de carga da Resultante das Forças de Reação do Solo . O primeiro (TPM) corresponde ao intervalo de tempo entre o estímulo visual e o onset da ativação muscular. FRS – Resultante das Forças de Reação do Solo.Estímulo visual. “C” -Onset de movimento e “D” . O Tempo de Reação foi dividido em dois períodos: pré-motor (TPM) e motor (TM).

Após verificação da normalidade dos dados através do teste de Shapiro-Wilk foi realizado o Teste T para amostras independentes nos dados paramétricos e o teste de U Mann-Whitney para os não-paramétricos. O tempo de aplicação de carga foi calculado como o intervalo entre o onset de ativação muscular “B” e o Pico de carga da Resultante das FRS.0 (SPSS®). são apresentados os dados dinamométricos da avaliação isocinética à 60°/s da articulação do Ombro e Cotovelo.. A Taxa de Desenvolvimento de carga da curva da Resultante das Forças de Reação do Solo em relação ao Tempo foi calculada de acordo com a Equação 1. . afim de comparar as variáveis nos dois grupos. 18 analisado neste estudo teve início no onset de ativação muscular “B” e final no onset de movimento “C” (Figura 3. ? = ???????????????? … ????????? ??? i+1 − ??? i ??_????? i = ????? i+1 − ????? i Equação 1. seguidos da significância apresentada pelo teste utilizado para comparação entre os grupos. pelos quais se verificam que os atletas de Elite apresentam maiores valores de Trabalho Total e Potência Média durante o movimento de flexão do cotovelo em relação aos atletas Sub-elite. Na Tabela 1. Em todos os testes estatísticos foi adotado o nível de significância de p < 0. não ocorrendo diferenças quando analisadas na articulação do ombro entre os grupos.05. Resultados Os resultados estão disponíveis em média ± desvio padrão nos dados paramétricos e mediana (intervalo interquartil) nos dados não-paramétricos.). Taxa de Desenvolvimento de Carga da resultante da FRS Análise estatística A análise estatística foi realizada por meio do software PASW statistics 18.

242 1.060 -1 -1 * TD_carga (N.485) 0.094 0.710 ± 0.817 ± 0.709 1.237 (0.238 47. Com relação à análise cinemática da execução do Gyaku Tsuki.367 33.022) 104.181 0.104 0.041 * diferença significativa entre os grupos (p < 0.653 0.463 ± 0.247 1. onde apenas a taxa de desenvolvimento de carga possui diferença estatisticamente significativa.624 ± 0. o Tempo e a Taxa de Desenvolvimento de carga.094 0.104 1. sendo maior no grupo Elite.118 0.255 1.115 (0.584 ± 0.862) 0. que mostrou- se similar entre os grupos.175) 0.374) 16.227 0.361 -1 Potencia_Média (W.TMOV).132 0.687 0.kg .000 (10.570 ± 0.242 (2.230 -1 Trabalho Total (J.136 1.000) 81.823 (0.195 0.494 53.000 (111. assim como maior pico de velocidade e velocidade média na flexão do mesmo.084 * TM (s) 0.000) 10. os dados da Tabela 4.909 (0.096) 0.193 ± 0.746 62. Tabela 2 – Variáveis Temporais obtidas durante a execução do golpe Gyaku Tsuki do Karatê Sub-elite Elite p TPM (s) 0.224 Tempo_carga_FRS (s) 0.kg ) 0.606 Flexão -1 Pico_Torque (N.110 0. Tempo de Reação – TR e Tempo de Movimento . apontam que o grupo Elite desempenha menor amplitude de movimento do Ombro.000 (11.100 0.506 ± 0.542 Ang Pico Torque (°) 85. 19 Tabela 1 – Variáveis da Dinamometria Isocinética de flexão e extensão do Ombro e do Cotovelo Ombro Cotovelo Sub-elite Elite p Sub-elite Elite p Extensão -1 Pico Torque (N.000 * diferença significativa entre os grupos (p < 0. com menores intervalos de tempo.003 * TR (s) 0.204 0. os atletas do grupo Elite demonstraram diferenças significativas em praticamente todas as variáveis temporais (Tempo Motor – TM.018 ± 0.568 ± 0.s ) 66.067) 0.686 (54.143 ± 16.065 Ang Pico Torque (°) -20.TPM.233 (0.083 0.149) 0.657 ± 0.000) 0.346 0.029 (4.100 ± 0. .042 -1 * Potencia Média (W.000 (18.131 0.402 ± 0.210 ± 0.kg ) 1.461 ± 0.857 ± 9.874 ± 0.321 0.143 ± 31.kg ) 0.171 ± 0.m.m.086) 0.954 ± 0.112) 0.352 (0.983 ± 0.190 1.093 (0. com exceção do Tempo Pré-Motor .05).141 0. Durante a extensão do cotovelo o grupo Elite desempenha maior potência.000) 0.078 0.047 * TMOV (s) 0. Na Tabela 3 são apresentadas as variáveis derivadas da Resultante das Forças de Reação do Solo.422 (93.141 0. De acordo com os resultados da Tabela 2.kg ) 1.05).080 ± 0.629 0.kg ) 0. como o Pico.106 0.131 (0.320 ± 0.632 ± 0.kg ) 16.000 ± 18.655 ± 0.906 0.042) 0.802 0.315 0.324 -1 * Trabalho Total (J.589 ± 0.130 0.522 ± 0.091) 0.kg ) 1.033 * diferença significativa entre os grupos (p < 0. com maior potência durante a flexão do mesmo.05).298 0.407 ± 0. Tabela 3 – Variáveis da Resultante das Forças de Reação do Solo obtidas durante a execução do golpe Gyaku Tsuki do Karatê Sub-elite Elite p -1 Pico_carga_FRS (N.

879 (17.794 (159. Tal fato pode ser atribuído à prováveis diferenças nas características do treinamento entre os grupos.603 0.156 (492. al (1997) evidenciam e atribuem como influência do treinamento de Karatê valores maiores destas variáveis.s ) 347. 2003.727 1092.125) 0. POZO et.828) 638.976 0. GIAMPIETRO et.838 -1 Vel_media_Cotovelo_ext (°.834) 28.253) 0.028 -1 * Pico_Vel_Cotovelo_fle (°.030 (114.137 ± 0. 1998. o grupo Elite apresentou uma taxa de desenvolvimento de carga no solo (TD_carga) significativamente maior do que o Sub-elite.514 (32.033) 0.622 (49. tempo de reação (TR) e de movimento (TMOV). Pieter & Pieter (1995) ao avaliar atletas de Taekwondo de alto nível verificam que para estes atletas o tempo de movimento para golpear um alvo é menor que o tempo de reação para esquivar de um ataque. em ambos os grupos Elite e Sub-elite.417 (222. Discussão Os atletas que participaram deste estudo apresentaram antropometria semelhante (IMAMURA et.s ) 130.256 ± 241. al.414 -1 * Pico_Power_Cotovelo_ext (W.055) 164.kg ) 1.326) 0. al (2002) demonstram que atletas experientes são superiores na tomada de decisões rápidas e com acurácia.651) 0. 2011). Durante a execução do GyakuTsuki os sujeitos do grupo Elite apresentaram de forma significativa menor o tempo motor (TM).028 0. Ações decisivas em um combate de Karatê.498 (144.350) 0.001 * diferença significativa entre os grupos (p < 0.962) 548. al (2007) e Zehr et.489 (1.396 (217.731 (247. como o chute ou o soco.143) 141. garantindo assim a homogeneidade da amostra e não sendo fator interveniente nos resultados obtidos.201 (205.003 -1 Pico_Vel_Ombro_ext (°. assim como Probst et. o trabalho total e a potência média durante a flexão do cotovelo foram maiores para o grupo Elite.s ) 1080. Mori et.526 ± 11.s ) 116.428 (51. al.413 ± 17.043 -1 * Vel_media_Cotovelo_fle (°. al (2014) verificam que o treinamento perceptual sem feedback através de vídeo é capaz de melhorar a tomada de decisão de atletas de elite de karatê. al.s ) 185.697 ± 230.922) 0.553 (357.449 -1 Vel_media_Ombro_fle (°.s ) 589.s ) 36.551) 206.507 -1 Vel_media_Ombro_ext (°.265 (239.kg ) 1.609 (1. 20 Tabela 4 – Variáveis Cinemáticas obtidas durante a execução do golpe Gyaku Tsuki do Karatê Sub-elite Elite p * Amp_art_Ombro (°) 67.s ) 545. no grupo de atletas em comparação com o grupo controle de fisicamente ativos. No que diz respeito às variáveis envolvidas na produção de Torque durante o teste isocinético na velocidade de 60º/s.931 86. Milazzo et.808) 0.000 Amp_art_Cotovelo (°) 91.651 -1 * Pico_Power_Ombro_fle (W.150 -1 Pico_Vel_Cotovelo_ext (°.264 ± 0.481 (13.05).286 (24.728 2.564) 422.836) 56.693) 0.965) 2.421 -1 Pico_Vel_Ombro_fle (°. Com relação à resultante das forças de reação do solo durante a execução do GyakuTsuki. são dependentes da potência muscular e .

NAGRA. 2006.. 2004) são preditores de desempenho nesta modalidade. pode-se afirmar que as variáveis que evidenciaram diferenças podem ser utilizadas para categorizar atletas de karatê quanto ao seu nível de desempenho e no acompanhamento de seus treinos. v. 2009). objeto deste estudo. Ao se analisar as variáveis cinemáticas das articulações do ombro e cotovelo durante a realização do golpe Gyaku Tsuki. N. al. A. 2003) assim como a potência ou força explosiva (RAVIER et... E. SELMI. H. B. al. SOUISSI. variáveis estas evidenciadas como superiores no grupo Elite em relação ao grupo Sub-elite. 30. RAVIER et. The effect of motor abilities on karate performance. Conclusão O treinamento de alto nível permite o desenvolvimento reflexo dos praticantes de karatê quando submetidos a estímulos visuais como demonstrado nos atletas do grupo Elite e com conseqüente diminuição do tempo de execução dos golpes. particularmente o Gyaku Tsuki. São necessários futuros trabalhos com enfoque na execução do Gyaku Tsuki para investigar como treinamentos específicos podem incrementar resultados nas variáveis apontadas no presente estudo.. K. FRANCHINI. R. M. p.. o grupo Elite recebe descarga mais potente da Resultante das Forças de Reação do Solo. otimizando assim sua propulsão em direção ao alvo. Physiological Responses and Performance Analysis Difference between Official and Simulated Karate Combat Conditions. al. S. Referências BLAZEVIĆ. Y. 327–333. al. Embora poucas diferenças existam nas variáveis cinéticas e cinemáticas obtidas entre atletas de elite e sub-elite no presente estudo. assim como a estratégia de propulsão em direção ao alvo. KATIĆ. CHAABANE.. 2006. D.. Desta forma.. MKAOUER. o que pode ter ocorrido por a capacidade física ser similar entre os mesmos. o que corrobora o fato de que a velocidade (BLAZEVIC et. apresentaram-se maiores no grupo elite. CHAMARI. maior potência representa maior velocidade em uma mesma carga relativa (ROSCHEL et. assim como no pico de velocidade e velocidade média da flexão do cotovelo. Este fato é constatado pelo desenvolvimento dos Picos e médias de velocidades angulares produzidas no ombro e cotovelo. Asian Journal of Sports . verificou-se que as diferenças encontradas no pico de potência de flexão do ombro e extensão do cotovelo. 21 considerando que potência é o produto de força e velocidade. POPOVIĆ.Collegiumantropologicum.

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29. . n.Medicine and science in sports and exercise. v. 10. 24 athletes. p. 1366–73. 1997.

O Tempo de Reação (TR) é um importante indicador da velocidade de processamento da informação. 1999).2. este estudo pretende apresentar a comparação entre atletas de Elite e Sub-elite de Karatê em parâmetros temporais. A eficiência dos golpes no Karatê está associada à execução de movimentos precisos e rápidos. sendo interpretado na literatura como o tempo entre a apresentação de um estímulo e o início da resposta motora (VAGHETTI et al. mas também um elevado nível de capacidade de percepção. O Mae geri é um chute frontal. 2012). Desempenho de sucesso no desporto exige não só a execução eficiente de padrões motores. cinéticos e cinemáticos que envolvem a performance do Chute Frontal Mae Geri. e o Karatê representa um dos esportes de combate mais populares do mundo (CHAABÈNE et al. 2010).. 25 3. O segundo (TM) refere-se ao intervalo de tempo entre o primeiro sinal eletromiográfico e o início de um movimento perceptível da parte solicitada (SCHMITD & LEE. dinamométricos. Portanto. a partir da percepção e interpretação de estímulos externos (SBRICCOLI et al... Comparação de parâmetros biomecânicos do Chute Frontal Mae Geri entre Karatecas de Elite e Sub-elite Introdução Esportes de combate assumiram um lugar de destaque no cenário do esporte atualmente. 1999). al. Esportes de alto nível competitivo são caracterizados por restrições espaciais e temporais severas impostas sobre o atleta por regulamentos e adversários (WILLIAMS et. O primeiro (TPM) corresponde ao intervalo de tempo entre o estímulo visual e a primeira mudança no nível de ativação do músculo detectado pela eletromiografia. 2005). 2007). Método Amostra De acordo com a análise de poder estatístico conduzida nos dados piloto deste . considerado uma técnica de simples execução porém muito eficiente e muito utilizada em competições (DWORAK et. al. Pode-se subdividir o TR em dois períodos: pré-motor (TPM) e motor (TM). tanto de ataque como de defesa.

1961). Para a avaliação dinamométrica foi utilizado o equipamento System 4 PRO (Biodex) com os acessórios para quadril e joelho.900 anos. 1978) com os quais foi calculado o percentual de gordura corporal (SIRI.711 ± 0.064 ± 8.894 %). constituído por 07 indivíduos. faixas pretas e competidores em nível regional ou estadual (Idade: 27.8 e alpha (α) de 0.716 ± 0.514 ± 6. os quais foram divididos em 2 subgrupos. Estatura: 1. Os critérios de exclusão dos participantes consistiram da presença de dor. Tais critérios foram investigados através de entrevista prévia ao início das avaliações. No que diz respeito à antropometria foram coletadas: a massa corporal. bem como histórico de alterações cognitivas. faixas pretas e competidores em nível nacional ou internacional (Idade: 26.8. praticantes competitivos de Karatê. fratura. e grupo Sub-elite (GSE). 2007). de acordo com seu nível competitivo atual: grupo elite (GE). foi estimada uma amostra de 12 atletas. 1992. Participaram do estudo 14 voluntários do gênero masculino. al. Esta estimativa foi baseada em uma diferença detectável de 1. Abdominal e Coxa (JACKSON & POLLOCK.5 e 0. mínima correlação de 0. para teste de diferenças entre duas médias independentes (dois grupos). ou lesão grave em tecidos moles nos 6 meses pregressos ao estudo. constituído por 07 indivíduos. Estatura: 1. os quais foram ajustados no centro articular dos mesmos conforme recomendações do fabricante.586 ± 6.300 ± 6. na faixa etária de 18 a 35 anos. Percentual de Gordura: 15. 6 em cada grupo. e utilizando o software G*Power© (versão 3. FAUL et. Massa Corporal: 77.471 ± 12. Massa Corporal: 75. neurológicas.678 %).1. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética Local e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.062 m.05 em 4 variáveis de importância deste estudo (COHEN. Procedimentos de Coleta de Dados Avaliação Antropométrica e Dinamométrica. dobras cutâneas do Tórax. Percentual de Gordura: 12. cardiovasculares ou respiratórias. para condições de 80% de poder e um effect size entre 0.0.758 kg.9.938 kg.114 ± 5.136 anos. a qual foi composta por 03 contrações . estatura.2). Antes do início do protocolo de avaliação dinamométrica foi feita uma familiarização do voluntário com o equipamento. 26 estudo.077 m.

Foram avaliadas contrações do tipo isocinética. A ordem das articulações foi definida de modo aleatório. em configuração bipolar. concêntrica.. A coleta dos dados cinemáticos foi realizada simultaneamente aos dados eletromiográficos durante a realização dos golpes. Foram utilizados eletrodos de superfície de Ag/AgCl (Meditrace®). Os eletrodos foram posicionados no lado dominante. filtro passa baixa de 500 Hz. 27 submáximas e 02 contrações máximas para cada articulação a ser avaliada (CORVINO. filtro passa alta de 20 Hz. Para isto utilizou-se de 07 câmeras T10 com 250 fps (Vicon®) e software cinemático Vicon Nexus (Vicon®). segundo as normas da SENIAM (HERMENS et al. Glúteo Máximo (GM). Foram realizadas 05 repetições do movimento de flexão e extensão para cada velocidade. com área de captação de 1cm de diâmetro e distância inter-eletrodos de 2cm. calibrado com freqüência de amostragem de 1500 Hz.. 2000). et al. Para a . Avaliação de Golpes O golpe analisado neste estudo foi o Mae Geri “Chute Frontal” (NAKAYAMA. na velocidade de 60º/s com amplitude de movimento de 60º (0º à 60º) para a articulação do Quadril e 90º (0º à 90º) para a articulação do Joelho.2009). 1986) (Figura 1). nos músculos Tensor da Fáscia Lata (TFL). ganho total de 2000 vezes (20 vezes no sensor e 100 vezes no equipamento). Figura 1. foi utilizado um módulo de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon ®) de 16 canais. Execução do golpe Mae Geri do Karatê Para a captação dos sinais eletromiográficos durante a aplicação dos golpes.

O sujeito estava posicionado de forma que o pé do membro inferior dominante estivesse sobre a Plataforma de força AMTI ® (Figura 1). Tanto o sistema de Leds como o sensor de contato foram controlados por uma placa micro controladora Arduino modelo “MEGA 2560” (Figura 2. Os golpes foram realizados sobre um alvo instrumentalizado no Laboratório de Biomecânica da Unesp (Figura 2. Cinco golpes foram realizados unilateralmente. e iniciados de acordo com o estímulo visual fornecido pelo sistema de Leds. A validade do golpe foi avaliada por um árbitro da Federação Paulista de Karatê. (Figura 2. . 28 reconstrução do movimento. os quais foram estímulos visuais ao voluntário que em seguida realizava o golpe atingindo um sensor de contato. Figura 2.A).C).(A) Alvo Instrumentalizado (B) sensor de contato (C) Arduino modelo MEGA 2560 Tanto o firmware alocado na placa como o software que comanda o sistema de Leds e o sensor de contato foram desenvolvidos em linguagem C++ no Laboratório de Biomecânica da Unesp. composto de Leds. que gerava um estímulo simultâneo aos outros equipamentos utilizados sendo assim um marcador do final da realização do movimento. Este sensor de contato era composto de um sensor piezoelétrico de 30 mm fixado a um bloco de Etil Vinil Acetato com dimensões de 24 cm x 27 cm. de acordo com o modelo PluginGait para corpo inteiro (Vicon ®). Os sinais provenientes do alvo instrumentado foram sincronizados com o sistema de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon®) e a unidade analógico-digital Vicon® através de input analógico emitido aos dois sistemas simultaneamente.B). marcadores básicos (Vicon®) foram fixados bilateralmente.

Joelho – Angulação do Joelho. GM – Sinal EMG do Glúteo Máximo. Foi determinado como onset da ativação muscular o menor tempo de onset entre os músculos analisados. Eventos da execução do Mae Geri. Inc. 29 o qual após a execução de cada golpe pelo atleta dava o comando para parar.197613 (Mathworks®. versão 8.Onset de movimento e “D” .Impacto com o Alvo. 1990).Onset da ativação muscular. . Durante todo procedimento de avaliação dos golpes foram coletados os dados eletromiográficos e cinemáticos. sendo que os dados de Torque foram filtrados com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 8 Hz. al.Estímulo visual. Primeiramente. 2007). o qual é capaz de realçar a atividade das unidades motoras e assim fornecer uma metodologia mais robusta de detecção do onset (LI et. “A” . Para a detecção do onset da ativação muscular. TFL – Sinal EMG do Tensor da Fascia Lata. Figura 3. voltar à posição inicial e reiniciar. o sinal da análise cinemática com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 6 Hz e os dados de Força de Reação do solo com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 95 Hz. os dados antes de sua filtragem foram processados por meio de análise residual (WINTER.0. o sinal eletromiográfico dos músculos Tensor da Fáscia Lata e Glúteo Máximo foram submetidos à um operador de energia não-linear Teager-Kaiser. “C” . “B” . para estabelecimento de suas frequências de corte ideais.5. FRS – Resultante das Forças de Reação do Solo.). Análise dos dados Os dados foram processados e analisados por meio de rotinas específicas desenvolvidas em ambiente Matlab. Quadril – Angulação do Quadril.

Taxa de Desenvolvimento de Carga da resultante da FRS Análise estatística A análise estatística foi realizada por meio do software PASW statistics 18. O intervalo de aplicação de carga da Resultante das Forças de Reação do Solo analisado neste estudo teve início no Onset de ativação muscular “B” e final no Onset de movimento “C” (Figura 3. O primeiro (TPM) corresponde ao intervalo de tempo entre o estímulo visual e o onset da ativação muscular.0 (SPSS®). O segundo (TM) refere-se ao intervalo de tempo entre o TPM e o onset de movimento. ? = ???????????????? … ????????? ??? i+1 − ??? i ??_????? i = ????? i+1 − ????? i Equação 1.05. O Tempo de Reação foi dividido em dois períodos: pré-motor (TPM) e motor (TM). onde o instante de onset é maior ou igual à média mais 3 Desvio Padrão calculados na linha base. Já o Tempo de Movimento (TMOV) corresponde ao intervalo entre o onset de movimento e o contato com o alvo. Após verificação da normalidade dos dados através do teste de Shapiro-Wilk foi realizado o Teste T para amostras independentes nos dados paramétricos e o teste de U Mann-Whitney para os não-paramétricos. O tempo de aplicação de carga foi calculado como o intervalo entre o Onset de ativação muscular “B” e o Pico de carga da Resultante das FRS. . Os dados de torque foram normalizados pela massa corporal do sujeito afim de isolar o efeito da massa corporal nestas variáveis. seguidos da significância apresentada pelo teste utilizado para comparação entre os grupos. A Taxa de Desenvolvimento de carga da curva da Resultante das Forças de Reação do Solo x Tempo foi calculada de acordo com a Equação 1. afim de comparar as variáveis nos dois grupos.). Resultados Os resultados estão disponíveis em média ± desvio padrão nos dados paramétricos e mediana (intervalo interquartil) nos dados não-paramétricos.. Em todos os testes estatísticos foi adotado o nível de significância de p < 0. 30 O onset de movimento foi determinado através do método de limiar aplicado sobre a curva de deslocamento antero-posterior do Centro de Pressão (COP).

sendo maior no grupo Elite.397 1. Na Tabela 3 são apresentadas as variáveis derivadas da Resultante das Forças de Reação do Solo.234) 0.369 ± 41.000 (19.864 ± 0.004 ± 0.05).319 2.173 0.025 -1 Potencia Média (W.kg ) 1. com maior Pico de Potência durante a fase de flexão do mesmo.982 -1 Potencia_Média (W.229 2.05).899 ± 0.726 ± 0. Tempo de Reação – TR e Tempo de Movimento .640 ± 0.000 (21. os dados da Tabela 4 apontam que o grupo Elite desempenha um maior Pico e Velocidade média na extensão do Quadril.034 ± 0.000 * TR (s) 0.197 2. bem como também .335 2.001 -1 -1 * TD_carga (N.244 1.638 * Tempo_carga_FRS (s) 0.kg .158 Ang Pico Torque (°) 18.449 2.410 Ang Pico Torque (°) 47.134) 0.857 ± 6.kg ) 2.441 -1 Trabalho Total (J.655 1.481 ± 4. podemos assinalar que os atletas de Elite apresentaram maiores valores na variável de Trabalho Total durante o movimento de flexão tanto do Quadril como do Joelho.054 0.398 0.093) 0.775 ± 0.518 ± 0.000) 64.729 ± 0.794 ± 0.400) 1.000) 0.558 ± 40.182 0.269 0.219 0.138 0.012 * TM (s) 0.064 0.381 211.007 * TMOV (s) 0.252 0.571 ± 5.kg ) 2.155 64. Tabela 3 – Variáveis da Resultante das Forças de Reação do Solo obtidas durante a execução da técnica Mae Geri do Karatê Sub-elite Elite p -1 Pico_carga_FRS (N. Tabela 1 – Variáveis da Dinamometria Isocinética de flexão e extensão do Quadril e do Joelho Quadril Joelho Sub-elite Elite p Sub-elite Elite p Extensão -1 Pico Torque (N.377 31.318 0.258 1.082 1.001 * diferença significativa entre os grupos (p < 0.000 (28.391 1.161 0.286 ± 5.778 ± 0.196 ± 0.204) 0.048 ± 0.302 2.047 1.163 (0.703 ± 0. os atletas do grupo Elite demonstraram menores intervalos de tempo e com diferenças significativas em todas as variáveis temporais (Tempo Pré Motor – TPM.onde podem ser visualizados os dados dinamométricos da avaliação isocinética à 60°/s das articulações do Quadril e Joelho.770 ± 0.865 ± 6. De acordo com os resultados da Tabela 2.164 1.433 ± 0.950 ± 0.738 ± 0.526 ± 0.s ) 177.608 -1 * * Trabalho Total (J.174 2.kg ) 18.275 (0.698 ± 0.290 ± 0. Tempo Motor – TM. Com relação à análise cinemática da execução do Mae Geri.038 0.264 0.164 0.m.499 19.828 52.TMOV).453 0.178 ± 0.176 0.778 ± 0.kg ) 1.135 ± 0. onde o Tempo de Carga e a Taxa de Desenvolvimento de Carga possuem diferença estatisticamente significativa.293 (0.304 ± 0.000) 0.581 1. Já em relação ao Joelho o grupo Elite desenvolve maiores valores de Pico e Velocidade média tanto na fase de flexão como na de extensão.113 0.185 ± 0.980 ± 0.241 0.363 (0.000 (11.000 * diferença significativa entre os grupos (p < 0. 31 Na Tabela 1.136 0.05).m. Tabela 2 – Variáveis Temporais obtidas durante a execução da técnica Mae Geri do Karatê Sub-elite Elite p * TPM (s) 0.094 0.124 0.143 (0.736 15.571 ± 6.260 * diferença significativa entre os grupos (p < 0.164 ± 0.039) 0.000) 31.kg ) 1.353 Flexão -1 Pico_Torque (N.210 (0. em relação ao grupo Sub-Elite.kg ) 1.712 3.

s ) 53.450 945.625 (42. 2003. al.682 (4.281 (140.05).062 0.859 (61.990 0.952 ± 10.001 -1 * Vel_media_Joelho_fle (°.460 (171. al.532) 605. Tabela 4 – Variáveis Cinemática obtidas durante a execução da técnica Mae geri do Karatê Sub-elite Elite p Amp_art_Quadril (°) 81.983 ± 11.898) 0. 1998. os dados indicam que apesar de não haverem diferenças nos valores máximos de torque entre os grupos. al (2006) relata que faixas pretas de 3º e 4º Dan reagem mais rápido do que faixas pretas de 1º e 2º Dan. GIAMPIETRO et.086 -1 Vel_media_Quadril_fle (°.000 -1 * Vel_media_Joelho_ext (°.851 78. o trabalho total durante a flexão do Quadril e do Joelho mostraram-se significativamente maiores para o grupo Elite.379 ± 88. 32 apresenta maior Pico de Potência na fase de extensão.289 (23. administraram o “Identical Picture Test”.106 -1 * Pico_Power_Quadril_fle (W.s ) 548. porém aponta que faixas pretas possuem menores tempos do que iniciantes.922 ± 1.221 (3.176 ± 91.444) 0.612 ± 12.000 -1 * Pico_Power_Joelho_ext (W.180 -1 * Pico_Vel_Quadril_ext (°. assim como Probst et. Tal fato pode ser atribuído à prováveis diferenças nas características do treinamento entre os grupos.s ) 507. Ao analisar as variáveis envolvidas na produção de Torque durante o teste isocinético na velocidade selecionada de 60º/s.s ) 868.876) 32.s ) 315.939 (96.873 0.246 ± 111.984 (109.155) 0.008 -1 Pico_Vel_Quadril_fle (°.746 220. em ambos os grupos Elite e Sub-elite.kg ) 13.202) 617.055 -1 * Pico_Vel_Joelho_ext (°.004 * diferença significativa entre os grupos (p < 0. um teste de julgamento perceptual com .561 ± 9.952 ± 1.833) 0. 2011).601 ± 75. Durante a execução do Mae Geri os sujeitos do grupo Elite apresentaram de forma significativa menor todos os tempos mensurados. POZO et.007 -1 * Pico_Vel_Joelho_fle (°. Com relação ao tempo de reação simples.649 0.306 541.214 0. Discussão Os atletas que participaram deste estudo apresentaram antropometria semelhante (IMAMURA et.586 0.937 ± 80.729) 13.656 ± 102.553 ± 57.s ) 163. Kim e Petrakis (1998). Layton (1993) não encontra diferenças significativas ao comparar atletas de diferentes níveis competitivos.000 Amp_art_Joelho (°) 113.585 8.657) 336.kg ) 6.012) 0.s ) 977.104 108.570 0.001 -1 * Vel_media_Quadril_ext (°. al (2010) apontam diferenças na produção de torque de flexão isocinética do joelho quando comparam atletas de Karatê de elite e amadores.933 ± 84. Sbriccoli et. Já Fontani et.s ) 558. al (2007) evidenciam e atribuem como influência do treinamento de Karatê valores maiores destas variáveis no grupo de atletas de Karatê em comparação com o grupo controle de fisicamente ativos.385 (99.459 1094. garantindo assim a homogeneidade da amostra e não sendo fator interveniente nos resultados obtidos. al.

grupo de faixas brancas. Com relação à variáveis de análise articular durante a execução do golpe Mae Geri. como resultado do processo de formação especializada. 2003) e de que a potência ou força explosiva também é preditora de performance na modalidade (RAVIER et. Assim. a sincronização das unidades motoras otimiza a taxa de produção de força através de superposição de disparo de unidades motoras (CELICHOWSKI. sendo que ao executá-los. utilizando estímulo específico. RAVIER et. tanto respondendo verbalmente como com gestos de ações defensivas. podem conseguir um padrão de coordenação otimizado em conjunto com uma grande capacidade de produzir força muscular. 2007). 2005). em 3 grupos de karatecas. grupo de faixas azuis e grupo de faixas pretas. 2006. 33 restrição de tempo e múltiplos itens. al. al. onde encontraram maiores escores para o grupo de faixas pretas em comparação com os outros grupos. al. al (2010) revelam que atletas de elite de karatê quando comparados com atletas amadores. 2004). A combinação desses fatores permitiria que esses atletas tenham uma alta taxa de desenvolvimento de força (UGRINOWITSCH et. Com relação à resultante das forças de reação do solo durante a execução do Mae Geri. Tal fato aparentemente se . al. Movimentos explosivos podem exigir um padrão único de controle neuromuscular para que a produção de potência possa ser maximizada (RICARD et. Atletas de alto nível. Sbriccoli et. o grupo Elite apresentou um menor tempo de carga (Tempo_carga_FRS) e uma maior taxa de desenvolvimento de carga no solo (TD_carga) do que os valores obtidos pelo grupo Sub-elite. 2000). as diferenças encontradas no desempenho de velocidade e potência das articulações do quadril e joelho. al. apresentando-se maiores no grupo Elite. onde encontraram que os atletas experientes responderam mais rapidamente. Scott et. Conclusão Os atletas do grupo Elite responderam mais rapidamente ao estímulo visual e desempenharam o golpe Mae Geri em menor tempo. corroboram com a afirmação de que a velocidade é um dos principais fatores determinantes da performance do Karatê competitivo (BLAZEVIC et. apresentam maiores Picos de velocidade angular de flexão do quadril e do joelho durante a execução do Mae Geri. al (1993) compararam o tempo de reação de escolha de Karatecas experientes e iniciantes. o grupo elite demonstra ter sua capacidade de propulsão ao alvo ao desempenhar o Mae Geri superior aos atletas de sub-elite.

E. The effect of motor abilities on karate performance. MACZYNSKI.. FRANCHINI.. n. p. CELICHOWSKI. and biomedical sciences. behavioral.. 98–101. são as velocidades angulares produzidas pelos movimentos articulares do Quadril e Joelho. Journal of Physiology and Pharmacology. por produzir maiores Picos e médias de velocidade componentes. HACHANA. bem como para monitorar resultados de treinamento.. 30. 2009. cinéticas e cinemáticas da execução do Mae Geri são particularmente valiosas para avaliar e selecionar atletas de Karatê de alto nível. H. n. 327–333. Por não terem sido encontradas diferenças nas capacidades físicas entre os grupos. v.. BUCHNER. K. p. p. C. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. J. POPOVIĆ. 6.. A. B. v. 2006. 51. . R. v. Y. 42. ERDFELDER. Characteristics of Kinematics and Kinetics os Strokes in Karate . D.-G. p. F. n. C. que no caso. Statistical Power Analysis. 1. 15. COHEN. FAUL. Sports medicine (Auckland. n. v.. A. bem como. p. CAPUTO.. MKAOUER. DZIEWIECKI.. DENADAI. GRECO. S. DWORAK. 829–43. Taxa de Desenvolvimento de Força em Diferentes Velocidades de Contrações Musculares. XXIII International Symposium on Biomechanics in Sports.Biomechanical Approach. S. Anais. C. KATIĆ. p. 17–33.).. 1. onde o grupo Elite tem sua capacidade de aumentar o estado ativo superior. n. concluímos que as variáveis temporais. 175–91. Physical and physiological profile of elite karate athletes. E. Current Directions in Psychological Science. Referências BLAZEVIĆ. B. 428–431. B. São necessários futuros trabalhos com enfoque na execução do Mae Geri para investigar como treinamentos específicos podem incrementar resultados nas variáveis apontadas neste estudo. A. J. 1992. 2. 34 configura como consequência da capacidade de antecipar suas ações por possuir melhores habilidades perceptuais e cognitivas.Beijing.Z. J. OLIVEIRA. LANG. R. CORVINO. K. com menor tempo de carregamento e maior produção de força no tempo do que o grupo Sub-elite.. F... Outro fato a ser ressaltado é a diferença na estratégia de propulsão entre os grupos. B. L. maio 2007. China: 2005. DE. Behavior research methods. 3. CHAMARI. 10. v. 2000. CHAABÈNE.. 2012. 39. Mechanisms Underlying the Regulation of Motor Unit Contraction in the Skeletal Muscle. v.. G*Power 3: a flexible statistical power analysis program for the social. N. Collegium antropologicum..

Tokyo: Kodansha America. 44. 9. Applied Human Science .. 1. 40.. CORRADESCHI. 35. B. DIERICK. Attention in athletes of high and low experience engaged in different open skill sports. 17.. p. 765–766.. L. Inc. 39–46. p. 5. n.. F. 14. 2011. UCHIDA. n.. I.. S. p. 26. R. 2. M. Perceptual and motor skills. J. G. RUBLEY. Y. International journal of sports medicine. S. n. Development of recommendations for SEMG sensors and sensor placement procedures. Application of force-velocity cycle ergometer test and vertical jump tests in the functional assessment of karate competitor. PARCELL. 791–805. BERTINI. A. F. maio 2007. v. 215–218. LI. HERMENS. 96–98. kinetics. and knee stability between karate athletes and active controls. 2000. FELICI. G. ARUIN. p. RAVIER. D. 5. n. Execution time.. POOLE.. 76. ROUILLON.. S. DISSELHORST-KLUG. NISHIMURA.. H. A. IMAMURA. 451–5. p. Acta Diabetologica. P.. 3. C. J.. p. F. PUJIA. v. M. MIGLIORINI.. Avaliação antropométrica de atletas de Karatê. LODI.. H. 2007. v. p. Teager-Kaiser energy operation of surface EMG improves muscle activity onset detection. RICARD. TIRAPEGUI.. 361–74. A. M. E. 29. v. BASTIEN. RAU. Revista Brasileira de Ciência & Movimento.. 2003. R. KIM. C. H. PETRAKIS. p. J. T. v. 1993.. Maximal Oxygen Uptake . M. p. 87. Visuoperceptual Speed of karate practitioners at three levels of skill.. X.. S. Journal of sports sciences. FRERIKS. 349–355.. SEELIG. and kinematics of the mae-geri kick: comparison of national and international standard karate athletes. 66–70.. Journal of electromyography and kinesiology : official journal of the International Society of Electrophysiological Kinesiology. 2005. Annals of biomedical engineering. POZO. ROSSI. v. GRAPPE. NAKAYAMA.. Body Composition and Strength of Highly Competitive and Novice Karate Practitioners. L. v. n. . 10. Reaction + Movement-Time and Sidedness in Shotokan Karate Students. p. A comparison of lower-body flexibility. Perceptual and Motor Skills. 2006. nov. SAWYER. YOSHIMURA. v. Perceptual and motor skills. GIAMPIETRO. 1532–8. NAKAZAWA. set. p. M. S. n. G. 1553–61. 0–3.. K. 2004.Journal of Physiological Anthropology. ZHOU. out. PROBST. HILTON. 35 FONTANI. D.. G. p. v. J. 2007.. 102. A. Journal of strength and conditioning research / National Strength & Conditioning Association. M. Dynamic Karate. 15. D. S. C. Anthropometric features and body composition of young athletes practicing karate at a high and medium competitive level. strength. 21.. v. n. LAYTON. Effects of rate of force development on EMG amplitude and frequency. v.. C. 1998... FLETCHER. UGRINOWITSCH. v. 1986. R. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness. D. 1998. A C.

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bem como em ações explosivas não-cíclicas (TEMPRADO et. van EMMERIK & van WEGEN. procurando utilizar os movimentos dos membros superiores e inferiores que exigem do executante velocidade. KIM et. precisão de movimento. 1967). HEIDERSCHEIT et. cuja palavra é de origem japonesa. 2010). al. al. TOMIOKA et. a prática do Karatê foi motivada em resposta à necessidade do uso de técnicas de luta efetivas sem a utilização de armas e hoje. al. . Os relacionamentos de fase tem sido utilizados como uma medida de coordenação e forma de quantificar a coordenação intra-segmentos (HAMILL et. Parâmetros Coordenativos Intra-segmentos na execução do Soco “Gyaku Tsuki” . ataque e contra ataque aos golpes recebidos (SBRICCOLI et al. Com a especialização esportiva os padrões motores coordenativos vão se tornando mais consistentes e controlados. A FRC tem sido utilizada para investigar padrões coordenativos em ações cíclicas (LI et. al.. Introdução O Karatê. 2005). A variabilidade da coordenação tem sido analisada utilizando a dispersão de valores da FRC (STERGIOU & DECKER.Comparação de atletas de Karatê de Sub-elite e Elite 1. técnica. al. 37 3. al. apresentando uma menor variabilidade das características coordenativas do gesto técnico à medida que a especialização na ação aumenta (WILSON et.3. 1999. se destaca a técnica chamada Fase Relativa Contínua (FRC). 2000). Desenvolvida no sul do Japão. mais do que uma arte de defesa pessoal é uma das modalidades esportivas de combate mundialmente praticada (WKF. 2007). 1997. na ilha de Okinawa. Coordenação é definida como a habilidade de administrar os abundantes ou redundantes graus de liberdade para produzir um sistema controlável no movimento corporal (BERNSTEIN. por relacionar simultaneamente deslocamento e velocidade angular de um dado movimento. Dentre as técnicas conhecidas de relacionamento de fase entre duas ou mais articulações. 2011). 2001. 2013). 2008). al. e em especial. uma eficiente tomada de decisão durante a defesa. em meados do século XVIII. 1993). O Karatê assim como outras modalidades de arte marcial exerce grande demanda do ponto de vista coordenativo. fornecendo assim importantes informações na investigação do controle motor de ações multi-articulares (BURGESS-LIMERICK et. significa mãos vazias e é uma das versões para a arte do combate desarmado (ROSSI & TIRAPEGUI. 2011. como efeito de refinamento. al. 1999).

05 em 4 variáveis de importância deste estudo (COHEN. al. Amostra De acordo com a análise de poder estatístico conduzida nos dados piloto deste estudo. EMMERMACHER et. 2014). Porém estudos com suas características da coordenação intra-segmentos e variabilidade de padrões coordenativos ainda não foram conduzidos. etc (STULL et. FAUL et. na faixa etária de 18 a 35 anos.1. HOFMANN et. 2007).8 e alpha (α) de 0. de ativação muscular. al (2005) e Emmermacher et. praticantes competitivos de Karatê. 1988a. mínima correlação de 0. 2001. al. Método 2. para teste de diferenças entre duas médias independentes (dois grupos). 2005. de adaptações do controle neuromuscular. o Gyaku Tsuki representa 50 % do total de técnicas utilizadas em um combate oficial de Karatê (CHAABÈNE et. Portanto. 2008. O Gyaku Tsuki tem grande destaque entre as técnicas do Karatê e tem sido examinado em suas características cinemáticas. 38 Segundo Witte et. para condições de 80% de poder e um effect size entre 0. Dentre os golpes mais utilizados no Karatê. de acordo com seu nível competitivo atual: grupo elite (GE). 1988b. WITTE et. SUWARGANDA et. al. al. 2000. SFORZA et.2). faixas pretas e competidores em nível nacional ou internacional (Idade: . 2. al (2005) o Gyaku Tsuki é um soco executado com o avanço da mão juntamente com o avanço do membro inferior contralateral na postura Zen KutsuDachi na qual o atleta está com um membro inferior a frente e com joelho flexionado e o outro membro com o quadril e joelho estendido.8. 1992.9. ambos em contato com o solo. constituído por 07 indivíduos. 2005. os quais foram divididos em 2 subgrupos. al. 2009).0. foi estimada uma amostra de 14 atletas.1. al. Participaram do estudo 14 voluntários do gênero masculino. al.5 e 0. Esta estimativa foi baseada em um diferença detectável de 1. e utilizando o software G*Power© (versão 3. de variabilidade. o objetivo deste estudo foi de analisar como o relacionamento de fase entre o Ombro e o Cotovelo afetam a performance de atletas de nível competitivo Sub- elite e Elite do Karatê durante a execução do Gyaku Tsuki. 7 em cada grupo. al. afim de investigar as diferenças na coordenação intra-segmentos e variabilidade da coordenação desempenhadas pelos grupos.

Percentual de Gordura: 12. composto de Leds. cardiovasculares ou respiratórias.894 %). foi escolhido o Gyaku Tsuki (soco invertido). Cinco golpes foram realizados unilateralmente.2.064 ± 8.514 ± 6. constituído por 07 indivíduos. 39 26. O sujeito estava posicionado de forma que o pé do membro inferior dominante estivesse sobre a Plataforma de força AMTI® (Figura 1). bem como histórico de alterações cognitivas. Estatura: 1.300 ± 6. voltar à posição inicial e reiniciar. fratura.900 anos.471 ± 12. Protocolo Experimental Os golpes foram realizados sobre um alvo instrumentalizado no Laboratório de Biomecânica da Unesp. Tais critérios foram investigados através de entrevista prévia ao início das avaliações. 2.114 ± 5. 2008) (Figura 1). Tanto o sistema de Leds como o sensor de contato foram controlados por uma placa micro controladora Arduino modelo “MEGA 2560”. Massa Corporal: 75. A validade do golpe foi avaliada por um árbitro da Federação Paulista de Karatê. e grupo Sub-elite (GSE).758 kg. o qual após a execução de cada golpe pelo atleta dava o comando para parar. os quais foram estímulos visuais e um sensor Piezoelétrico que marcava a finalização do golpe. ou lesão grave em tecidos moles nos 6 meses pregressos ao estudo. 2. e iniciados de acordo com o estímulo visual fornecido pelo sistema de Leds. (HOFMANN et al. neurológicas. Coleta e processamento dos dados Por ser um dos golpes mais utilizados durante a prática do Karatê.136 anos.711 ± 0. Massa Corporal: 77. faixas pretas e competidores em nível regional ou estadual (Idade: 27.077 m. Percentual de Gordura: 15. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética Local e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.3..062 m.678 %). Estatura: 1. .586 ± 6.716 ± 0.938 kg. Os critérios de exclusão dos participantes consistiram da presença de dor.

). sendo que o sinal da análise cinemática foi filtrado com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 6 Hz e os dados de Força de Reação do solo com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 95 Hz. para estabelecimento de suas frequências de corte ideais. marcadores básicos (Vicon®) foram fixados bilateralmente. de acordo com o modelo PluginGait para corpo inteiro (Vicon®). A completa execução do golpe compreende o intervalo entre o onset de movimento e o contato com o alvo. os dados antes de sua filtragem foram processados por meio de análise residual (WINTER. . Os dados foram processados e analisados por meio de rotinas específicas desenvolvidas em ambiente Matlab. Primeiramente. 40 Figura 1. O onset de movimento foi determinado por meio do método de limiar aplicado sobre a curva de deslocamento antero-posterior do Centro de Pressão (COP). versão 8. onde o instante de onset é maior ou igual à média mais 3 Desvios Padrão calculados na linha base. Inc.0. Execução do do golpe Gyaku Tsuki do Karatê Para a coleta dos dados cinemáticos utilizou-se de 07 câmeras T10 com 250 fps (Vicon®) e software cinemático Vicon Nexus (Vicon®). Para a reconstrução do movimento. 1990).197613 (Mathworks ®.5.

Os gráficos de fase (Figura 3) foram construídos apartir da Velocidade Angular em função do Deslocamento Angular. os dados de deslocamento angular e velocidade angular foram normalizados para cada tentativa de acordo com o processo recomendado por Li et. Análise dos dados 2. com a intenção de minimizar os efeitos de diferentes amplitudes de movimento (HAMILL et.4. ω) do Ombro e do Cotovelo foram calculados apartir dos dados provenientes dos marcadores reflexivos (Figura 2). As seguintes equaçôes foram utilizadas para normalizar os dados: . primeiramente. Anteriormente ao cálculo do Ângulo de Fase (φ). O procedimento de interpolação serve para uniformizar as diferentes quantidade de amostras dos arquivos. com o deslocamento angular no eixo horizontal e velocidade angular no eixo vertical. os dados cinemáticos do Ombro e Cotovelo de cada tentativa foram interpolados para 2500 pontos utilizando funções Spline Cúbicas. 2002). Dados Cinemáticos O Deslocamento Angular e a Velocidade Angular (θ. Dados cinemáticos das articulações do Ombro e Cotovelo de um sujeito de cada grupo 2. al.2. LAMOTH et. 2000. al. Gráficos de Fase Para a construção dos gráficos de fase. 41 2. Foi calculado o Pico de Velocidade Linear do Punho como a resultante da velocidade linear do marcador reflexivo lateral do punho nos 3 eixos.1.4. Al (1999). Figura 2.4.

o Ângulo de Fase (φ) foi computado como a inversa da tangente da razão entre a velocidade angular normalizada e o deslocamento angular normalizado. (2) ? onde R foi calculado como: ? = ?? e ωirepresenta a velocidade angular a cada amostra I de dados. Figura 3. Para cada ponto do gráfico de fase.ωi) e o eixo horizontal à direita. 42 2∗ ? ? −??? ? ? Eixo Horizontal (Deslocamento Angular): ?? = − 1.0) até o ponto (θi. Esta normalização coloca a origem do eixo horizontal no meio do intervalo. e para ambas articulações. Ombro e Cotovelo. (1) ??? ? ? −??? ? ? onde θ representa o ângulo da articulação e I cada amostra de dados no âmbito de cada tentativa. A maior magnitude positiva e negativa dos valores de velocidade angular para cada tentativa foram normalizadas para 1. Este processo foi repetido em cada tentativa. Gráfico de fase das articulações do Ombro e Cotovelo de um sujeito do grupo Elite (linha conínua) e de um sujeito do grupo Sub-elite (linha traçejada) . A mesma escala foi aplicada então para todos os dados de velocidade angular na mesma tentativa. ?? Eixo Vertical (Velocidade Angular): ?? = . o que representa o ângulo formado entre uma linha com origem em (0. enquanto normaliza o valor mínimo em -1 e o máximo em 1.

2. O Pico da curva de FRC média do sujeito (Pico_FRC) foi calculado como o máximo valor apartir da flexão máxima da articulação do Cotovelo até o impacto com o alvo. buscou investigar o parâmetro de coordenação na fase de flexão da articulação do Ombro e de extensão da articulação do Cotovelo. A curva de FRC média do sujeito foi calculada como a média das curvas de FRC das 5 tentativas de cada sujeito. A FRC é portanto.4. Os resultados destes cálculos são um indicativo da variabilidade de tentativa para tentativa e podem ser usados para comparar as características de estabilidade do sistema sobre os padrões de execução do Gyaku Tsuki (van EMMERIK & WAGENAAR.5. A curva de FRC média do grupo foi calculada como a média das curvas de FRC médias dos sujeitos de cada grupo. Um maior ângulo de fase de uma articulação em relação à outra pode ser interpretado como um movimento mais lento ou de menor amplitude da articulação analisada. A variação de FRC para cada sujeito foi calculada como a média do DP (σ) de cada amostra da curva de FRC média do sujeito. 2.4. O tempo em que ocorreu o Pico_FRC foi representado em percentual do tempo de execução do golpe. 43 2. afim de comparar as variáveis nos dois grupos. reciprocamente um valor negativo de FRC reflete um maior ângulo de fase do Cotovelo em relação ao Ombro. Análise estatística A análise estatística foi realizada por meio do software PASW statistics 18.4. Em todos os testes estatísticos foi adotado o nível de significância de p < 0.05. considerada como uma medida de coordenação entre o Ombro e o Cotovelo.3. como a diferença entre os ângulos de fase do segmento proximal (φOmbro) e do segmento distal (φCotovelo) para cada amostra de dados da tentativa. Variabilidade A variabilidade dentro dos dois grupos foi calculada apartir do Desvio Padrão das medidas de FRC. 1996). Um valor positivo de FRC reflete um maior ângulo de fase do Ombro em relação ao Cotovelo. . Após verificação da normalidade dos dados através do teste de Shapiro-Wilk foi realizado o Teste T para amostras independentes nos dados paramétricos e o teste de U Mann-Whitney para os não-paramétricos. ou uma combinação de ambos os fatores. Fase Relativa Contínua (FRC) A FRC foi definida na amplitude de -180 ° < φ < 180 °. desta forma.0 (SPSS®).

287 ± 0.s-1) como mostra a Figura 4 no Painel Superior à esquerda. Fase Relativa Contínua (FRC) As curvas médias de FRC do grupo Sub-elite e grupo Elite estão apresentadas na figura 5.813 m.s-1) ao apresentado pelo grupo Sub-elite (6. Resultados 3. Velocidade Linear do Punho O grupo Elite apresentou um pico de velocidade linear do punho significativamente superior (7.1. Gráficos comparativos dos resultados entre os grupos 3.686 m. .2. 44 3. Figura 4.093 ± 0.

028 ° ± 4.931 %) (Figura 4. o que demonstra que o grupo Elite possui uma maior estabilidade do sistema durante a execução do Gyaku Tsuki.857 ± 1. o que representa um maior ângulo de fase do Ombro em relação ao Cotovelo.178 %) e Elite (91. Curva de FRC média e curva de desvio padrão de FRC dos grupos Pode-se observar um pico positivo mais próximo do final da execução do gyaku tsuki. 45 Figura 5. Variabilidade A variabilidade dos valores de FRC entre as tentativas (Figura 4.858 °) do que no Elite (23. 3. Discussão Os maiores valores do Pico de Velocidade Linear apresentados pelo grupo elite. Este pico apresenta-se significativamente maior para o grupo Sub-elite (74.3.192 °). . 4. Painel superior à direita). Tal resultado representa a similaridade da forma de execução do Gyaku Tsuki entre os grupos. Painel inferior à esquerda).931 ± 0.484 °) (Figura 4. o que ocorre devido a uma menor velocidade angular e um menor deslocamento angular desta articulação em relação ao Cotovelo nesta fase do golpe. O tempo percentual de ocorrência do Pico de FRC apresentou-se similar entre os grupos Sub-elite (92.932 ° ± 2.574 °) do que do Elite (51. Painel inferior à direita) representada como a média do desvio padrão (σ) de cada amostra da curva de FRC média se mostrou significativamente maior para o grupo Sub-elite (34.797 ° ± 12.203 ° ± 4.

Conclusão As diferenças nos parâmetros coordenativos entre atletas de Sub-elite e Elite . 2013). sendo benéfico se a ação a ser desempenhada envolver a necessidade de adaptação de padrões motores complexos (BUTTON et. patologias latentes. que possuem menor nível competitivo apresentaram um grau de variabilidade do padrão coordenativo significativamente maior em relação ao apresentado pelos atletas do grupo Elite. al. al. e no desempenho de ações básicas possuem altíssimo grau de reprodutibilidade do movimento (PREATONI et. 2003). que no caso é o Ombro (HAMILL et. 2000). fato que se confirma ao não serem encontradas diferenças significativas no parâmetro temporal de comportamento do Pico de FRC. os atletas do grupo Sub-elite. o que representa que os atletas de menor nível competitivo apresentam um pior padrão coordenativo neste intervalo de execução do golpe. 2006). O grau de variabilidade nos padrões coordenativos é um elemento importante no entendimento da dinâmica do movimento (HAMILL et. al. sendo que se excluídos fatores como transformações ambientais. Em nosso estudo. al. ou prejudicial se a ação a ser desempenhada for pré-determinada e ausente de perturbações. recuperação incompleta. indicando um menor deslocamento e velocidade angulares na articulação proximal. al (2000. 2006. 2001) encontraram em seus estudos que atletas de Karatê com graduações mais altas da faixa preta (Dans mais altos) possuem maior repetibilidade ao desempenharem dois socos do Karatê. Mesmo tendo sido apresentadas diferenças no padrão coordenativo acima discutido entre os grupos. 5. 46 corroboram com o fato de que a velocidade seja um dos principais fatores determinantes e preditores do desempenho do Karatê competitivo (BLAZEVIC et. Al. al. RAVIER et. 1999). já que tal fato configura um movimento com maior anti- fase positiva. os mesmos apresentam similaridade na execução do gesto técnico. Com relação aos valores de Pico da Curva de FRC mensurados apartir da flexão máxima da articulação do Cotovelo durante a execução do golpe. o grupo Sub-elite apresentou valores significativamente maiores do que o Elite. Sforza et. Atletas de Elite possuem um excepcional domínio de seus movimentos. Um alto grau de variabilidade no movimento pode ser interpretado de duas formas. o Oi Tsuki (soco de estocada) e o Choku Tsuki (soco direto).

J. que no caso deste estudo se deu entre a articulação do Ombro e do Cotovelo. 1993. 47 apontadas neste estudo parecem explicar a diferença na performance do golpe. Collegium antropologicum. 26. BURGESS-LIMERICK.. S.. p.. p. Os resultados encontrados neste estudo indicam que durante a execução do Gyaku Tsuki. B. W. K. BLAZEVIĆ. se mostrou superior nos atletas de Elite. O presente estudo apresenta informações cruciais à técnicos e atletas da modalidade. o comportamento do deslocamento e velocidade angulares da articulação proximal.. K. The effect of motor abilities on karate performance. NEAL. n. 327–333. D. KATIĆ. R. demonstrada como superior pelos atletas de maior nível competitivo e que foi obtida pela velocidade linear do segmento que é projetado ao alvo. Relative phase quantifies interjoint coordination. assim configurando nesta variável um fator preditivo de performance. Referências BERNSTEIN. Movement System . através da medida de variabilidade do padrão coordenativo entre as tentativas. DAVIDS. ABERNETHY. (Eds. 1967. 2006. 91–94. BENNETT.. BUTTON. NEWELL. . Todavia. C. SCHOLLHORN.. para que se possa entender de forma mais aprofundada como o sistema de controle motor se especializa em tarefas mais próximas da realidade do combate na competição. a coordenação intra-segmentos. R. foi possível. exercem papel determinante e se comprometidos podem interferir de forma significativamente negativa no resultado final da performance do golpe. v. POPOVIĆ. 1. R... são necessários estudos futuros nesta mesma temática envolvendo ações motoras mais complexas. Coordination Profiling of Movement Systems. constatar que os atletas de Elite possuem maior refinamento técnico e capacidade de reprodubilidade de suas ações. 30. The Coordination and regulation of movement. apontando diferenças substanciais entre níveis competitivos no que diz respeito à parâmetros coordenativos durante a execução do Gyaku Tsuki. K. S. In: DAVIDS. Journal of Biomechanics.). neste caso o Ombro. Apesar do gesto técnico parecer similar entre os grupos. A. N. London: Pergamon. v. Levando em consideração que o protocolo experimental deste estudo não demandou da necessidade de adaptação ou mudança de padrão motor por parte do atleta.

67–85. 5. 1. J.. B. SELMI... n. v.... M. HOFMANN. 98–101. J. 175–91. A dynamical systems approach to lower extremity running injuries. A. p. HOFMANN. R. HEIDERSCHEIT. p. K. Q-angle influences on the variability of lower extremity coordination during running. 3. 39. Anais. KIM. Using Coordination Measures for Movement Analysis. CHAMARI. W. n. n. A. MEIJER. K. Champaign.. J. n.... EMMERMACHER. EMMERIK.. 1. NAGRA.. p. R. M. SOUISSI. E. HAMILL.. R. n. IL: Human Kinetics. p. v. E. . 2007. p. Seoul. XXVI International Conference on Biomechanics in Sports. Clinical Biomechanics. n. H. E. HEIDERSCHEIT.. A. 4. G. 5.. 16. EMMERMACHER. Biomechanical Analysis of Fist Punch Gyaku-Zuki in Karate. G. O. 2002. MCDERMOTT. 48 Variability. C. J.. J. P. Current Directions in Psychological Science. 14. M. C. E. p. 133–152. 2000. Asian Journal of Sports Medicine.. 2013. 18. HAMILL. Beijing. Y. E. P. G*Power 3: a flexible statistical power analysis program for the social. R. FRANCHINI. 1999. 297–308. H. v. LAMOTH. 1999. 2011. WEGEN. B. XXIII International Symposium on Biomechanics in Sports. HAMILL. MKAOUER. 407– 418. Human Movement Science. E. Behavior research methods. and biomedical sciences. On variability and stability in human movement. 21–29.. 101–114. 31–8. N. 1999. VAN EMMERIK.. VAN. CALDWELL. 1992. v. R. J. K. n. HAMILL. A VAN.. 16. Korea: 2008 KIM. Y. C. E. 10.. 2000. C. HADDAD. L. S. China: 2005 HAMILL. BUCHNER. H. E.Medicine and science in sports and exercise.. 2. Journal of Applied Biomechanics. v. J. M. Statistical Power Analysis. Acceleration Course of Fist Push of Gyaku-Zuki. CHAABANE. 1. M. IM. E. A. Coordination patterns of walking and running at similar speed and stride frequency. J. F. v. K. E. Pelvis–thorax coordination in the transverse plane during gait. J. A. v. Anais. p. Gait & Posture. LANG..-G.. VAN EMMERIK. behavioral. Issues in Quantifying Variability from a Dynamical Systems Perspectives. VAN EMMERIK. p. LI. v. WITTE. VAN EMMERIK. 16. HADDAD. 2006. C. A. 1. 394–406. Journal of sports science & medicine. VAN DEN BOGERT. L. Anais. Beijing. XXIII International Symposium on Biomechanics in Sports. n. J.. 2. Inter-joint coordination in producing kicking velocity of taekwondo kicks. P. p. E.. LI.. Physiological Responses and Performance Analysis Difference between Official and Simulated Karate Combat Conditions. Journal of applied biomechanics. v. COHEN. B. Y. WITTE.. BEEK. ERDFELDER. China: 2005 FAUL. J. J. p. H.

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precisão de movimento. 2005). TOMIOKA et. al. 51 3. considerado uma técnica de simples execução porém muito eficiente e muito utilizada em competições (DWORAK et. 2005). Indicadores da Coordenação Intra-segmentos de Karatecas de Sub-elite e Elite durante a execução do Chute Frontal “Mae Geri” 1. apresentando uma menor variabilidade das características coordenativas do gesto técnico à medida que a especialização na ação aumenta (WILSON et. por relacionar simultaneamente deslocamento e velocidade angular de um dado movimento. 1997. se destaca a técnica chamada Fase Relativa Contínua (FRC). 2000). 2001.4. bem como em ações explosivas não-cíclicas (TEMPRADO et. que procura utilizar os movimentos dos membros superiores e inferiores que exigem do executante velocidade. 2011. al. A variabilidade da coordenação tem sido analisada utilizando a dispersão de valores da FRC (STERGIOU & DECKER. KIM et. al. sendo construtiva quando quando estão em fase e destrutiva quando estão for a de fase (VAN EMMERIK & WAGENAAR. 1967). As relações de fase refletem fundamentalmente a cooperatividade entre componentes de um sistema. e em especial. . O Mae geri é um chute frontal. como efeito de refinamento. Os relacionamentos de fase tem sido utilizados como uma medida de coordenação e forma de quantificar a coordenação intra-segmentos (HAMILL et. ataque e contra ataque aos golpes recebidos (SBRICCOLI et al. al. mostrando como se comporta a interferência entre os mesmos. al. técnica. al.. fornecendo assim importantes informações na investigação do controle motor de ações multi-articulares (BURGESS-LIMERICK et. al. al. 1999. 1993). A FRC tem sido utilizada para investigar padrões coordenativos em ações cíclicas (LI et. 2010). Coordenação é definida como a habilidade de administrar os abundantes ou redundantes graus de liberdade para produzir um sistema controlável no movimento corporal (BERNSTEIN. uma eficiente tomada de decisão durante a defesa. 2008). VAN EMMERIK & VAN WEGEN. Dentre as técnicas conhecidas de relacionamento de fase entre duas ou mais articulações. 1996). Introdução O Karatê assim como outras modalidades de arte marcial exerce grande demanda do ponto de vista coordenativo. 1999). Com a especialização esportiva os padrões motores coordenativos vão se tornando mais consistentes e controlados. al. 2011). HEIDERSCHEIT et.

etc (SØRENSEN et. 1996.471 ± 12.300 ± 6. al.9.2). Estatura: 1. constituído por 07 indivíduos. faixas pretas e competidores em nível regional ou estadual (Idade: 27. SBRICCOLI et. 2007). Percentual de Gordura: 15. SFORZA et.1. POZO et. al. os quais foram divididos em 2 subgrupos.758 kg. de adaptações do controle neuromuscular.586 ± 6. de ativação muscular. al. 2.064 ± 8. bem como histórico de alterações cognitivas. 2002. 2011). para condições de 80% de poder e um effect size entre 0. na faixa etária de 18 a 35 anos.05 em 4 variáveis de importância deste estudo (COHEN. Porém. afim de investigar as diferenças na coordenação intra-segmentos e variabilidade da coordenação desempenhadas pelos grupos. 52 Dada a relevância do Mae Geri. o objetivo deste estudo foi de analisar como o relacionamento de fase entre o Quadril e o Joelho afetam o desempenho de atletas de nível competitivo Sub- elite e Elite do Karatê durante a execução do Mae Geri.1. ou lesão grave em tecidos moles nos 6 meses pregressos ao estudo. 2010. Estatura: 1. neurológicas. e utilizando o software G*Power© (versão 3. FAUL et. praticantes competitivos de Karatê. e grupo Sub-elite (GSE). Massa Corporal: 75. Participaram do estudo 14 voluntários do gênero masculino. mínima correlação de 0. Amostra De acordo com a análise de poder estatístico conduzida nos dados piloto deste estudo. de variabilidade. faixas pretas e competidores em nível nacional ou internacional (Idade: 26. para teste de diferenças entre duas médias independentes (dois grupos). 7 em cada grupo.062 m. Massa Corporal: 77. Esta estimativa foi baseada em um diferença detectável de 1.716 ± 0. foi estimada uma amostra de 14 atletas.136 anos. 1992.938 kg.900 anos.514 ± 6. autores têm estudado suas características cinemáticas. cardiovasculares ou respiratórias.894 %). Os critérios de exclusão dos participantes consistiram da presença de dor.0. características da coordenação intra-segmentos e variabilidade dos padrões coordenativos no desempenho desta técnica ainda são ausentes na literatura. al.711 ± 0. Percentual de Gordura: 12.8. constituído por 07 indivíduos. .678 %).8 e alpha (α) de 0. Método 2.5 e 0. Portanto. fratura.077 m. al. de acordo com seu nível competitivo atual: grupo elite (GE).114 ± 5.

e iniciados de acordo com o estímulo visual fornecido pelo sistema de Leds. Figura 1. Protocolo Experimental Os golpes foram realizados sobre um alvo instrumentalizado no Laboratório de Biomecânica da Unesp. o qual após a execução de cada golpe pelo atleta dava o comando para parar. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética Local e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Tanto o sistema de Leds como o sensor de contato foram controlados por uma placa micro controladora Arduino modelo “MEGA 2560”. 2. . Cinco golpes foram realizados unilateralmente. Coleta e processamento dos dados O golpe analisado neste estudo foi o Mae Geri “Chute Frontal” (NAKAYAMA. Para a reconstrução do movimento. Execução do golpe Mae Geri Para a coleta dos dados cinemáticos utilizou-se de 07 câmeras T10 com 250 fps ( Vicon®) e software cinemático Vicon Nexus (Vicon®). de acordo com o modelo PluginGait para corpo inteiro (Vicon®).2. 53 Tais critérios foram investigados através de entrevista prévia ao início das avaliações. marcadores básicos (Vicon®) foram fixados bilateralmente. 2. A validade do golpe foi avaliada por um árbitro da Federação Paulista de Karatê. composto de Leds. O sujeito estava posicionado de forma que o pé do membro inferior dominante estivesse sobre a Plataforma de força AMTI® (Figura 1).3. 1986) (Figura 1). voltar à posição inicial e reiniciar. os quais foram estímulos visuais e um sensor Piezoelétrico que marcava a finalização do golpe.

. Inc. para estabelecimento de suas frequências de corte ideais. O onset de movimento foi determinado por meio do método de limiar aplicado sobre a curva de deslocamento antero-posterior do Centro de Pressão (COP).4. versão 8. Dados Cinemáticos O deslocamento angular e a velocidade angular (θ.4.197613 (Mathworks®. Análise dos dados 2.0.5. Primeiramente.1. os dados antes de sua filtragem foram processados por meio de análise residual (WINTER. A completa execução do golpe compreende o intervalo entre o onset de movimento e o contato com o alvo. 1990). o sinal da análise cinemática com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 6 Hz e os dados de Força de Reação do solo com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 95 Hz. 2. ω) do quadril e do joelho foram calculados a partir dos dados provenientes dos marcadores reflexivos (Figura 2). Foi calculado o Pico de Velocidade Linear do Pé como a resultante da velocidade linear do marcador reflexivo do maléolo lateral nos 3 eixos. onde o instante de onset é maior ou igual à média mais 3 Desvios Padrão calculados na linha base. sendo que os dados de Torque foram filtrados com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 8 Hz. 54 Os dados foram processados e analisados por meio de rotinas específicas desenvolvidas em ambiente Matlab.).

(2) ? onde R foi calculado como: ? = ?? e ωirepresenta a velocidade angular a cada .4. Os gráficos de fase (Figura 3) foram construídos a partir da Velocidade Angular em função do deslocamento angular. Anteriormente ao cálculo do ângulo de fase (φ). O procedimento de interpolação serve para uniformizar as diferentes quantidades de amostras dos arquivos. LAMOTH et. al. (1) ? ? −??? ? ? onde θ representa o ângulo da articulação e i cada amostra de dados no âmbito de cada tentativa. al. os dados de deslocamento angular e velocidade angular foram normalizados para cada tentativa de acordo com o processo recomendado por Li et. Gráficos de Fase Para a construção dos gráficos de fase. 2002). 2000. Esta normalização coloca a origem do eixo horizontal no meio do intervalo. enquanto normaliza o valor mínimo em -1 e o máximo em 1. os dados cinemáticos do Quadril e Joelho de cada tentativa foram interpolados para 2500 pontos utilizando funções Spline Cúbicas. Dados cinemáticos das articulações do Quadril e Joelho de um sujeito de cada grupo 2. ?? Eixo Vertical (Velocidade Angular):?? = .2. 55 Figura 2. As seguintes equações foram utilizadas para normalizar os dados: 2∗ ? ? −??? ? ? Eixo Horizontal (Deslocamento Angular):?? = ??? − 1. primeiramente.. com a intenção de minimizar os efeitos de diferentes amplitudes de movimento (HAMILL et. al (1999).

3. A maior magnitude positiva e negativa dos valores de velocidade angular para cada tentativa foram normalizadas para 1. A mesma escala foi aplicada então para todos os dados de velocidade angular na mesma tentativa.0) até o ponto (θi.4. 56 amostra I de dados. considerada como uma medida de coordenação entre o quadril e o joelho. reciprocamente um valor negativo de FRC reflete um maior ângulo de fase do joelho em relação ao quadril.ωi) e o eixo horizontal à direita. Um maior ângulo de fase de uma articulação em relação à outra pode ser interpretado como um movimento mais lento ou de menor amplitude da articulação analisada. Um valor positivo de FRC reflete um maior ângulo de fase do quadril em relação ao joelho. A curva de FRC média do sujeito foi calculada como a média das curvas de . Figura 3. o ângulo de fase (φ) foi computado como a inversa da tangente da razão entre a velocidade angular normalizada e o deslocamento angular normalizado. A FRC é portanto. como a diferença entre os ângulos de fase do segmento proximal (φQuadril) e do segmento distal (φJoelho) para cada amostra de dados da tentativa. quadril e joelho. Gráfico de fase das articulações do quadril e joelho de um sujeito do grupo Elite (linha contínua) e de um sujeito do grupo Sub-elite (linha traçejada) 2. e para ambas articulações. ou uma combinação de ambos os fatores. o que representa o ângulo formado entre uma linha com origem em (0. Fase Relativa Contínua (FRC) A FRC foi definida na amplitude de -180 ° <φ<180 °. Para cada ponto do gráfico de fase. Este processo foi repetido em cada tentativa.

1996). buscou investigar o parâmetro de coordenação na fase de flexão da articulação do quadril e de extensão da articulação do joelho. A curva de FRC média do grupo foi calculada como a média das curvas de FRC médias dos sujeitos de cada grupo.1. então foi realizado o Teste T para amostras independentes afim de comparar as variáveis nos dois grupos. 3.525± 0.5. 2.4.05. O Pico da curva de FRC média do sujeito (Pico_FRC) foi calculado como o máximo valor a partir da flexão máxima da articulação do joelho até o impacto com o alvo. Em todos os testes estatísticos foi adotado o nível de significância de p < 0. Análise estatística A análise estatística foi realizada por meio do software PASW statistics 18.804 m. desta forma.0 (SPSS®).s-1). Resultados 3. A variação de FRC para cada sujeito foi calculada como a média do DP de cada amostra da curva de FRC média do sujeito. . al (2011) configura-se como a fase de ataque. Variabilidade A variabilidade dentro dos dois grupos foi calculada a partir do Desvio Padrão das medidas de FRC.521 ± 0. 57 FRC das 5 tentativas de cada sujeito.784 m. 2. como pode ser visto na figura 4 no painel superior à esquerda.4.s- 1 ) significativamente superior ao apresentado pelo grupo Sub-elite (8. Os resultados destes cálculos são um indicativo da variabilidade de tentativa para tentativa e podem ser usados para comparar as características de estabilidade do sistema sobre os padrões de execução do Mae Geri (VAN EMMERIK & WAGENAAR. Velocidade Linear do Pé O grupo Elite apresentou um pico de velocidade linear do Pé (9. que de acordo com Pozo et. Através do teste de Shapiro-Wilk foi constatado que todos os dados apresentaram-se paramétricos. O tempo em que ocorreu o Pico_FRC foi representado em percentual do tempo de execução do golpe.

58 Figura 4. Fase Relativa Contínua (FRC) As curvas médias de FRC do grupo Sub-elite e grupo Elite estão apresentadas na figura 5.2. Curva de FRC média e curva de desvio padrão de FRC dos grupos Pode-se observar um pico positivo mais próximo do final da execução do Mae . Figura 5. Gráficos comparativos dos resultados entre os grupos 3.

o grupo Elite apresentou valores significativamente menores do que o Sub-elite. 59 Geri.006 ± 5. Variabilidade A variabilidade dos valores de FRC entre as tentativas (Figura 4. Tal resultado representa a similaridade da forma de execução do Mae Geri entre os grupos.309 °) do que no Elite (26. al (2003). Discussão Concordando com os trabalhos de Blazevic et. já que tal fato configura um movimento mais em fase. 4. Com relação aos valores de Pico da Curva de FRC mensurados apartir da flexão máxima da articulação do joelho durante a execução do golpe Mae Geri. que afirmam que a velocidade seja um dos principais fatores determinantes e preditores do desempenho do Karatê competitivo. 3.316 ° ± 4.651 %) (Figura 4.770 ° ± 5. al.592 °) do que do Elite (55.086 ± 5. ou seja. os dados de nosso estudo apontam uma performance significativamente maior da Velocidade Linear do Pé pelos atletas do grupo Elite em comparação com os do Sub-elite. O tempo percentual de ocorrência do Pico de FRC apresentou-se similar entre os grupos Sub-elite (81.284 %) e Elite (81. 1999). al (2006) e de Ravier et. Este pico apresenta-se significativamente maior para o grupo Sub-elite (72.406 ° ± 9.703 °) (Figura 4. o que ocorre devido a uma menor velocidade angular e um menor deslocamento angular desta articulação em relação ao Joelho nesta fase do golpe (Figura 5). onde existe uma maior colaboração entre as articulações e por consequência uma menor interferência destrutiva.295 ° ± 6.218 °). os grupos se assemelham na execução do gesto técnico já que não foram encontradas diferenças . Painel inferior à esquerda). o que representa um maior ângulo de fase do Quadril em relação ao Joelho. Painel inferior à direita) representada como a média do desvio padrão (σ) de cada amostra da curva de FRC média se mostrou significativamente maior para o grupo Sub-elite (28. o que representa que os atletas de maior nível competitivo apresentam uma estratégia coordenativa mais efetiva neste intervalo de execução do golpe.3. Apesar de utilizarem estratégias coordenativas distintas. o que demonstra que o grupo Elite possui uma maior estabilidade do sistema durante a execução do Mae Geri. Painel superior à direita). otimizando assim o efeito do deslocamento e velocidade angulares do quadril e do joelho na produção de velocidade do Pé (HAMILL et.

Atletas de Elite possuem um excepcional domínio de seus movimentos. que possuem menor nível competitivo apresentaram um grau de variabilidade do padrão coordenativo significativamente maior em relação ao apresentado pelos atletas do grupo Elite. ao comparar a variabilidade durante a execução do Mae Geri em atletas de Karatê belgas de nível Nacional e Internacional. os padrões motores coordenativos vão se tornando mais consistentes e controlados. 60 significativas no parâmetro temporal de comportamento do Pico de FRC. Um alto grau de variabilidade no movimento pode ser interpretado como: . Conclusão As diferenças nos parâmetros coordenativos entre atletas de Sub-elite e Elite apontadas neste estudo parecem explicar a diferença no desempenho do golpe Mae Geri. al. (BUTTON et. o comportamento do deslocamento e velocidade angulares da articulação proximal (quadril). 2006). al.prejudicial se a ação a ser desempenhada for pré-determinada e ausente de perturbações. os atletas do grupo Sub-elite. O grau de variabilidade nos padrões coordenativos é um elemento importante no entendimento da dinâmica do movimento (HAMILL et. Em nosso estudo. mensurada pela velocidade linear do Pé. verificaram que os atletas de nível Internacional possuem menor variabilidade em parâmetros do movimento nas articulações do quadril. ou . e no desempenho de ações básicas possuem altíssimo grau de reprodutibilidade do movimento (PREATONI et. Além disso. . sendo que se excluídos fatores como transformações ambientais. Da mesma forma. 2013). joelho e tornozelo. 5. Tal fato concorda com o achado de Wilson et. onde com o aumento da especialização esportiva de atletas de salto triplo. al 2008. patologias latentes. apresentando uma menor variabilidade das características coordenativas do gesto técnico à medida que a especialização na ação aumenta. podendo ser responsável por comprometer o resultado final da produção de Velocidade Linear no Pé que atinge o alvo. recuperação incompleta. Pozo et. al (2011).benéfico se a ação a ser desempenhada envolver a necessidade de adaptação de padrões motores complexos. como efeito de refinamento. a qual demonstrou-se superior pelos atletas de maior nível competitivo. 2000). exercem papel determinante. os resultados apontados neste estudo indicam que durante a execução do Mae Geri. al.

. n. para que se possa entender de forma mais aprofundada como o sistema de controle motor se especializa em tarefas mais próximas da realidade do combate na competição. a variabilidade pode ser um fator preditivo de desempenho na modalidade. Journal of applied biomechanics. N. K. S. DWORAK. Coordination Profiling of Movement Systems. Todavia. Referências BERNSTEIN. B. 61 Os atletas de Elite apresentaram menor variabilidade do padrão coordenativo entre as tentativas do golpe Mae Geri. BUCHNER. p. Issues in Quantifying Variability from a Dynamical Systems Perspectives. Behavior research methods. 26.. Characteristics of Kinematics and Kinetics os Strokes in Karate . HAMILL. A. BLAZEVIĆ. K. DZIEWIECKI. SCHOLLHORN.. Collegium antropologicum. ABERNETHY. 407– 418. F. Champaign. W. p.. 2006. 327–333. Movement System Variability. M. 133–152. M. J. K. behavioral. v. HADDAD. n. W. 2006. 91–94. D. 30. v. MACZYNSKI. n. J. 175–91. 16. J. XXIII International Symposium on Biomechanics in Sports. 39. C. v. BURGESS-LIMERICK. and biomedical sciences.. London: Pergamon. Journal of Biomechanics. R.. (Eds. The effect of motor abilities on karate performance. DAVIDS. 1992. Current Directions in Psychological Science.). J. 98–101. VAN EMMERIK. Statistical Power Analysis. Relative phase quantifies interjoint coordination. J.. Beijing. 1993.. HAMILL. HADDAD. MCDERMOTT. S.. IL: Human Kinetics. 1967. J. 2. China: 2005 FAUL. L. 2007.. p. R. p.. KATIĆ.. R.. BENNETT.-G. LANG. 2000. NEAL. apontando diferenças substanciais entre níveis competitivos no que diz respeito à parâmetros coordenativos durante a execução do Mae Geri. p. 1. BUTTON.. Anais. 1. J. J. NEWELL. v. G*Power 3: a flexible statistical power analysis program for the social..Biomechanical Approach. Using Coordination Measures . v. The Coordination and regulation of movement. B. A. E. permitindo constatar que os atletas de maior nível competitivo possuem maior refinamento técnico e capacidade de reprodutibilidade de suas ações. E.. O presente estudo apresenta informações cruciais à técnicos e atletas da modalidade. A. K. p. COHEN. Sendo assim. POPOVIĆ. são necessários estudos futuros nesta mesma temática envolvendo ações motoras mais complexas. R.. A. In: DAVIDS. 3. ERDFELDER.

p. L. v. Gait & Posture. F. XXIII International Symposium on Biomechanics in Sports. n. H. 5. KIM.. Repeatability of Mae-Geri-Keage in Traditional Karate: a three-dimensional analysis with black-belt karateka. n. China: 2005 HAMILL. G.. 2002. A. Neuromuscular control adaptations in elite athletes: the case of top level karateka.. n. 1. 1269–80. 1999. n. G. E.. VAN EMMERIK. n. Journal of sports science & medicine. 18. Journal of sports sciences.Medicine and science in sports and exercise. G.. p.... QUINZI. nonlinear dynamics. BEEK. DIERICK. F. GRAPPE. ZACHO. 1986. P. p. and pathology: Is there a connection? Human Movement Science.. v.. v. R. F. Clinical Biomechanics. C. WILSON. E. 30. E.. H. O. MEIJER.. LI. p. E. LAMOTH. J. E. 2. Y. 1. G. A. F.. HAMILL. V... Perceptual and Motor Skills. IM. J. C. v. 62 for Movement Analysis. HAMILL. and kinematics of the mae-geri kick: comparison of national and international standard karate athletes. Inter-joint coordination in producing kicking velocity of taekwondo kicks. p. NAKAYAMA. 6. 12. Anais. M. J. Dynamics of the martial arts high front kick. C. 2011.. Human Movement Science. Science & Sports. ROUILLON. Beijing. P. BASTIEN. F. DECKER. v. 5. 14. N. 3. v.. CAMOMILLA. 10. 2010. S. DYHRE-POULSEN. A dynamical systems approach to lower extremity running injuries. Inc. J.. HARRISON. G. POZO. 14. TURCI.. 2002. Pelvis–thorax coordination in the transverse plane during gait. p. D. 6.. PIZZINI. HAYES. Sports biomechanics / International Society of Biomechanics in Sports. 101–114. FELICI. PREATONI. 16. C. Journal of sports sciences. SHIRAI. Y. 433–444. R. R. CALDWELL... E. HAMILL. P. p. C.. FERRARIO. v.. HEIDERSCHEIT.. p. H. K. J. LI. n. 1999. Comparaison de deux méthodes d’analyse des variables maximales de vitesse. K. p. RODANO. Tokyo: Kodansha America. 108. 1553–61. 2.. F. n. E. v. GRASSI. HEIDERSCHEIT. Dynamic Karate. F. A. Coordination patterns of walking and running at similar speed and stride frequency. RAVIER. K. v. Human movement variability. R. SIMONSEN. L.. 14. p. kinetics. 1999. B. . 297–308. V. SFORZA. Movement variability and skills monitoring in sports. n.. P... M.. A. FIGURA. G. 31–8. Q-angle influences on the variability of lower extremity coordination during running. SØRENSEN.. European journal of applied physiology. p. 134–140. R. 18.. 95. KLAUSEN. J. 29. VAN DEN BOGERT. n. J. C. B. KIM. VAN EMMERIK. M. J... Y. L. v. C. STERGIOU. n. 67–85. B.. J. 2011. DI MARIO. VAN EMMERIK. 2003. force et puissance dans l’évaluation fonctionnelle en karaté. 2011. v. 869–888. 69– 92. M. E. 2013. A. J. Execution time. VAN EMMERIK. SBRICCOLI.

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2013).5. 2007). Desenvolvida no sul do Japão. cuja palavra é de origem japonesa. Anteriormente a 2001. sendo passível de punição se tal recomendação não for devidamente seguida (WKF. Porém. 1994). Antes os ataques possuíam uma característica de movimento tipicamente balístico. as mudanças na regra inevitavelmente geraram modificações nas características da execução dos ataques. os movimentos tipicamente balísticos são pré-programados e uma vez que o comando central o tenha . significa mãos vazias e é uma das versões para a arte do combate desarmado (ROSSI & TIRAPEGUI. 2010).. 64 3. a prática do Karatê foi motivada em resposta à necessidade do uso de técnicas de luta efetivas sem a utilização de armas (WKF. os ataques que eram desferidos contra o oponente não possuíam nenhum tipo restrição no que diz respeito ao impacto e os efeitos do mesmo no atleta que receberia o golpe. Atualmente. e em especial. na ilha de Okinawa. Indicadores do Controle Neuromuscular de Atletas de Karatê de Sub-elite e Elite na Performance do Gyaku Tsuki Introdução O Karatê. em meados do século XVIII. precisão de movimento. de acordo com as regras da Federação Mundial de Karatê (WKF) os ataques tem caráter representativo. o Karatê é uma arte marcial amplamente praticada no mundo e para que se firmasse como uma modalidade esportiva surgiu a necessidade da formulação de regras de combate para torná-lo competitivo (STEVENS. Todavia. É uma arte marcial que procura utilizar os movimentos dos membros superiores e inferiores que exigem do executante velocidade. Arriaza et. al (2009) compararam o índice de lesões em competições conduzidas com os dois sistemas de regras e encontraram que nas competições conduzidas após a implementação da nova regra o índice de lesão caiu para praticamente a metade do encontrado nas competições com a regra antiga. uma eficiente tomada de decisão durante a defesa. Atualmente. atingir o alvo com a maior aceleração e velocidade possível (ZEHR & SALE. Tais mudanças foram necessárias porque o índice de lesões em competições conduzidas com a antiga regra era demasiado alto. sendo permitido apenas breve contato no momento do impacto do golpe. e ainda mais. 2007). ou seja. ataque e contra ataque aos golpes recebidos (SBRICCOLI et al. 2013). técnica.

al (1995) verificaram que Antagonistas mais fortes. Jaric et. podem melhorar a performance de movimentos rápidos do cotovelo. onde constatou que a duração da atividade da musculatura agonista e o onset da atividade da musculatura antagonista tiveram clara correlação com o Pico de velocidade. Porém com o aumento da carga inercial e do Pico de velocidade. Atualmente. chegando ao alvo com a velocidade próxima de zero. uma vez que facilitam a frenagem do movimento em um curto intervalo de tempo. Dentre os golpes utilizados no Karatê. 2014). condicionados por um programa de treinamento. agonista e antagonista. diferentes amplitudes e diferentes cargas inerciais no processo de frenagem de flexão/extensão da articulação do cotovelo. Sbriccoli et. al (2010) investigaram o mecanismo de cocontração na performance do chute frontal de atletas de Karatê e apontam que este mecanismo não serve apenas como proteção à uma dada articulação mas também um mecanismo de controle fino do movimento. sob a nova regra competitiva. porém sem alterar as características temporais dos bursts eletromiográficos. os atletas necessitam controlar a velocidade do golpe. de forma que atinja a maior velocidade possível durante o percurso. o Gyaku Tsuki representa 50 % do total das técnicas utilizadas em um combate oficial de Karatê (CHAABÈNE et. al. 1997). não há nenhuma alteração da ativação dos motoneurônios baseada em feedback periférico (ZEHR et. que o aumento das cargas inerciais com um mesmo Pico de velocidade aumentaram o nível de excitação de ambas as musculaturas. . Lestienne (1979) investigou o efeito de diferentes velocidades. o aumento do nível de excitação da musculatura antagonista foi maior em relação ao aumento na musculatura agonista. al (2005) o Gyaku Tsuki é um soco executado com o avanço da mão juntamente com o avanço do membro inferior contralateral na postura Zen Kutsu Dachi na qual o atleta está com um membro inferior a frente e com joelho flexionado e o outro membro com o quadril e joelho estendido. provendo assim uma maior duração da fase de aceleração e uma maior velocidade do movimento. e além disso. Segundo Witte et. al (2005) e Emmermacher et. al. Tal manobra pode tornar o desempenho da técnica facilmente percebido por parte do adversário se o mesmo não atingir um alto Pico de velocidade e se o tempo necessário ao processo de frenagem não for o mais curto possível. 65 formulado e enviado aos neurônios motores.

300 ± 6.716 ± 0. foi escolhido . constituído por 07 indivíduos. Estatura: 1. fratura. e utilizando o software G*Power© (versão 3. mínima correlação de 0. 66 ambos em contato com o solo. foi estimada uma amostra de 14 atletas.062 m. Método Amostra De acordo com a análise de poder estatístico conduzida nos dados piloto deste estudo. este estudo teve como objetivo investigar e comparar o comportamento do mecanismo de cocontração em atletas de Karatê de nível Sub-elite e Elite durante a execução do Gyaku Tsuki. 7 em cada grupo.678 %). Participaram do estudo 14 voluntários do gênero masculino. FAUL et.758 kg.114 ± 5.9.8. 1992. O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética Local e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.8 e alpha (α) de 0.894 %). para condições de 80% de poder e um effect size entre 0. de acordo com seu nível competitivo atual: grupo elite (GE). ou lesão grave em tecidos moles nos 6 meses pregressos ao estudo. para teste de diferenças entre duas médias independentes (dois grupos). os quais foram divididos em 2 subgrupos.514 ± 6. neurológicas.900 anos. e grupo Sub-elite (GSE). Esta estimativa foi baseada em um diferença detectável de 1.05 em 4 variáveis de importância deste estudo (COHEN. Percentual de Gordura: 12. Massa Corporal: 75. faixas pretas e competidores em nível nacional ou internacional (Idade: 26. al. Portanto. Estatura: 1. Procedimentos de Coleta de Dados Avaliação dos golpes Por ser um dos golpes mais utilizados durante a prática do Karatê.586 ± 6. Percentual de Gordura: 15. 2007).2).1. faixas pretas e competidores em nível regional ou estadual (Idade: 27.064 ± 8.938 kg.471 ± 12.711 ± 0. Tais critérios foram investigados através de entrevista prévia ao início das avaliações. cardiovasculares ou respiratórias.136 anos. na faixa etária de 18 a 35 anos.5 e 0. bem como histórico de alterações cognitivas.077 m.0. Massa Corporal: 77. Os critérios de exclusão dos participantes consistiram da presença de dor. constituído por 07 indivíduos. praticantes competitivos de Karatê.

em configuração bipolar. com área de captação de 1cm de diâmetro e distância inter-eletrodos de 2cm. (HOFMANN et al. ganho total de 2000 vezes (20 vezes no sensor e 100 vezes no equipamento). marcadores reflexivos (Vicon ®) foram fixados bilateralmente. Foram utilizados eletrodos de superfície de Ag/AgCl (Meditrace®). composto de Leds. A coleta dos dados cinemáticos foi realizada simultaneamente aos dados eletromiográficos durante a realização dos golpes. que gerava um estímulo simultâneo aos outros equipamentos utilizados sendo assim um marcador do final da realização do movimento.B). os quais foram estímulos visuais ao voluntário que em seguida realizava o golpe atingindo um sensor de contato. Deltóide Posterior (DP). nos músculos Deltóide Anterior (DA). de acordo com o modelo PluginGait para corpo inteiro (Vicon®). 2000). Os golpes foram realizados sobre um alvo instrumentalizado no Laboratório de Biomecânica da Unesp (Figura 2. Os eletrodos foram posicionados no lado dominante. Para a reconstrução do movimento. Este sensor de contato era composto de um sensor piezoelétrico de 30 mm fixado a um bloco de Etil Vinil Acetato com dimensões de 24 cm x 27 cm. segundo as normas da SENIAM (HERMENS et al.A). 2008) (Figura 1). foi utilizado um módulo de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon ®) de 16 canais. Tanto o sistema de Leds como o sensor de contato foram controlados por uma placa micro controladora Arduino modelo . Para isto utilizou-se de 07 câmeras T10 com 250 fps (Vicon®) e software cinemático Vicon Nexus (Vicon®). calibrado com frequência de amostragem de 1500 Hz. Figura 1. Execução do Gyaku Tsuki Para a captação dos sinais eletromiográficos durante a aplicação dos golpes.. (Figura 2. Bíceps Braquial (BB) e Tríceps Braquial (TB). filtro passa alta de 20 Hz. filtro passa baixa de 500 Hz. 67 o Gyaku Tsuki (soco invertido)..

sendo que o sinal da análise cinemática foi filtrado com um Butterworth recursivo passa baixa de 4ª ordem com frequência de corte de 6 Hz.C). O sujeito partiu de uma posição natural com os pés paralelos (Shizen Tai)(Figura 1). o qual após a execução de cada golpe pelo atleta dava o comando para parar. 1990). A validade do golpe foi avaliada por um árbitro da Federação Paulista de Karatê. Cinco golpes foram realizados unilateralmente. os dados antes de sua filtragem foram processados por meio de análise residual (WINTER. Análise dos dados Os dados foram processados e analisados por meio de rotinas específicas desenvolvidas em ambiente Matlab. voltar à posição inicial e reiniciar. Os sinais provenientes do alvo instrumentado foram sincronizados com o sistema de aquisição de sinais biológicos via wireless (Noraxon®) e unidade analógico-digital Vicon® através de input analógico emitido aos dois sistemas simultaneamente. e iniciados de acordo com o estímulo visual fornecido pelo sistema de Leds. Através dos dados fornecidos pela reconstrução do movimento obtida dos .). Durante todo procedimento de avaliação dos golpes foram coletados os dados eletromiográficos e cinemáticos. Inc.197613 (Mathworks®.5. versão 8. Alvo Instrumentalizado Tanto o firmware alocado na placa como o software que comanda o sistema de Leds e sensor de contato foram desenvolvidos em linguagem C++. Figura 2. 68 “MEGA 2560” (Figura 2. Primeiramente. para estabelecimento de suas frequências de corte ideais.0.

69 marcadores foram calculados o Pico de Velocidade Linear do Punho. a Velocidade Linear Média do Punho. o Pico de Aceleração linear do Punho e o Pico de Desaceleração Linear do Punho (Figura 3). Após o processo de criação do envoltório o sinal EMG foi normalizado pelo Pico do envelope linear do sinal EMG do músculo em questão atuando como agonista durante uma contração voluntária máxima realizada em um equipamento System 4 PRO (Biodex). primeiramente o sinal eletromiográfico (EMG) foi retificado por onda cheia e depois submetido à um filtro Butterworth recursivo passa baixa de 6 Hz para criação do envelope linear. Todas as variáveis citadas acima foram calculadas através de derivação da resultante dos valores de deslocamento linear do marcador reflexivo lateral do Punho nos três eixos. foi aplicada a seguinte equação criada em nosso laboratório (1) no sinal eletromiográfico dos pares de músculos agonistas e antagonistas dos movimentos de flexão e extensão do Ombro e do Cotovelo: ???????? + ??????????? − ????? ????????????????????????? ∗ 2 ∗ 100 ????? = 100 − ???????? + ??????????? − ????? ????????????????????????? (1) O índice de Cocontração foi calculado em percentual e nas fases de aceleração . sendo este o intervalo entre o Pico de Velocidade Linear do Punho e o mínimo valor da curva de Aceleração Linear do Punho (obtido entre o Pico de Velocidade Linear do Punho e o contato com o alvo). Figura 3. Ainda foi calculado o Tempo de Frenagem. Velocidade e Aceleração lineares do Punho de um sujeito como exemplo Para análise do índice de cocontração (Figura 4).

755 (27. seguidos da significância apresentada pelo teste utilizado para comparação entre os grupos.05.023) 0.s ) 49.096 (22. Na tabela 1 pode-se visualizar os resultados provenientes da análise cinemática.423 0. Mecanismo de Cocontração Análise estatística A análise estatística foi realizada por meio do software PASW statistics 18. afim de comparar as variáveis nos dois grupos.605 -2 * Pico_Acel_Punho (m.0 (SPSS®). . Figura 4.004 * T_freio_Punho (s) 0. Após verificação da normalidade dos dados através do teste de Shapiro-Wilk foi realizado o Teste T para amostras independentes nos dados paramétricos e o teste de U Mann-Whitney para os não-paramétricos.s ) 1.000 -1 Vel_media_Punho (m.013 * Indica diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p < 0.004 -2 * Pico_Desacel_Punho (m.330) 1.682 63.016) 0.093 (0.05). onde os atletas de Elite são significativamente superiores em praticamente todas as variáveis.700) 0.456 (0.486) 103.279) 0. Tabela 1 – Dados Cinemáticos Sub-elite Elite p -1 * Pico_Vel_Punho (m. Em todos os testes estatísticos foi adotado o nível de significância de p < 0.989) 0. 70 e desaceleração após a flexão máxima da articulação do Cotovelo durante a execução do Gyaku Tsuki.358 (0. tendo como exceção somente a Velocidade Linear Média do Punho (Vel_media_Punho) que se mostrou similar entre os grupos.810) 7.032 ± 24.301 ± 11. Resultados Os resultados estão disponíveis em média ± desvio padrão nos dados paramétricos e mediana (intervalo interquartil) nos dados não-paramétricos.080 (0.s ) 6.093 (0.s ) 92.287 (1.

71 No que diz respeito aos índices de Concontração calculados nas diferentes fases de execução do Gyaku Tsuki.233) 48. Quinzi et. . al (2003).677 Cocon_TB_BB_acel (%) 25.276) 24.756) 40. foram encontrados índices de concontração tanto na fase de aceleração como de desaceleração do golpe. as diferenças encontradas também apresentaram-se na musculatura responsável pelos movimentos da articulação distal em nossa tarefa (Cotovelo).738 Cocon_DA_DP_desacel (%) 21. al (2006) e Ravier et.018) 0. sendo maiores os índices apresentados pela musculatura responsável pelos movimentos da articulação distal (Joelho). al (2013) encontraram informações similares ao compararem atletas experientes e amadores no desempenho do Mawashi Geri (Roundhouse Kick). onde os atletas de nível mais alto desaceleram o movimento de forma mais intensa e breve. Tal fato também concorda com os resultados encontrados por Cesari & Bertucco (2008). Assim como os achados de Zehr et. al (2013).236) 19.499 * Cocon_TB_BB_desacel 31. é consequência do Pico de aceleração linear que se mostrou superior quando desempenhada pelos atletas de Elite e confirma o que foi indicado anteriormente por Blazevic et.894) 0. o grupo Elite apresentou um valor significativamente maior no percentual de coativação entre os músculos Tríceps Braquial (Agonista) e Bíceps Braquial (Antagonista) durante a fase de desaceleração do golpe (Tabela 2).897 (28.353) 0. o índice de cocontração significativamente mais alto apresentado pelos atletas do grupo Elite na fase de desaceleração explica a diferença apresentada entre os grupos na capacidade de desaceleração.719 (35. onde comparado ao nosso estudo. na tarefa sem impacto os atletas experientes apresentaram maiores índices de coativação agonista/antagonista.05). verificaram maiores valores de velocidade de membros superiores nos atletas de maior nível. Sbriccoli et.665 (19.022 * Indica diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p < 0.754) 0. em duas situações. que a velocidade seja um dos principais fatores determinantes e preditores do desempenho do Karatê competitivo. que ao comparar atletas de Karatê de diferente níveis. com e sem impacto com o alvo. Porém. al (1997). al (2010) e Quinzi et.135 (22.284 (36.887 (19.670 (21. Discussão A diferença entre atletas de Karatê de Elite e Sub-elite na performance do Pico de velocidade linear do punho encontradas neste estudo.784 (37. Em nosso estudo. Tabela 2 – Índice de Cocontração Sub-elite Elite p Cocon_DA_DP_acel (%) 42.

72

Conclusão
Em conclusão, os atletas de ambos os grupos apresentaram uma típica
estratégia de ativação neuromuscular durante a execução do golpe. Porém os atletas
de nível competitivo mais alto apresentaram um maior nível de ativação da musculatura
antagonista durante a desaceleração, estratégia esta, adotada para obter um melhor
controle da velocidade do movimento, podendo assim ter maior intervalo de aceleração,
aumentando a capacidade da mesma em gerar velocidade, bem como, diminuindo o
intervalo de frenagem, tornando o golpe menos perceptível ao oponente.

Os resultados dos parâmetros analisados e apresentados neste estudo
representam uma adaptação neuromuscular diferenciada por parte dos atletas de Elite,
possivelmente como resultado de um maior refinamento técnico. Futuros estudos são
necessários nesta temática afim de investigar possíveis metodologias de treinamento
que sejam provedoras destas adaptações neuromusculares.

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75

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O treinamento de alto nível permite o desenvolvimento reflexo dos praticantes de
karatê quando submetidos a estímulos visuais como demonstrado nos atletas do grupo
Elite e com consequente diminuição do tempo de execução dos golpes. Tal fato
aparentemente configura-se como consequência da capacidade de antecipar suas
ações por possuir melhores habilidades perceptuais e cognitivas, bem como, por
produzir maiores picos e médias de velocidade componentes, que no caso, são as
velocidades angulares produzidas pelos movimentos articulares do Ombro e do
Cotovelo durante o golpe Gyaku Tsuki e do Quadril e do Joelho durante o golpe Mae
Geri.Outro fato a ser ressaltado é a diferença na estratégia de propulsão entre os
grupos, onde o grupo Elite tem sua capacidade de aumentar o estado ativo em menor
tempo por meio da maior produção de força no tempo, quando comparado ao Sub-elite.

Por não terem sido encontradas maiores evidências de diferenças em
capacidades físicas entre os grupos, concluímos que as variáveis temporais, cinéticas
e cinemáticas da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri são as particularmente
valiosas para a investigação científica de particularidades na modalidade esportiva do
Karatê. Porém, quando o foco é desempenho geral do golpe, o que adquire destacada
importância é a forma como se dá o relacionamento entre as variáveis acima citadas,
constituindo uma capacidade de coordenação entre os segmentos que produzem este
desempenho geral.

Desta forma, as diferenças nos parâmetros coordenativos entre atletas de Sub-
elite e Elite apontadas neste estudo parecem explicar a diferença no desempenho do
golpe, demonstrada como superior pelos atletas de maior nível competitivo e que
obtida pela velocidade linear do segmento que é projetado ao alvo. Apesar de o gesto
técnico parecer similar entre os grupos, a coordenação intra-segmentos, que no caso
deste estudo se deu entre as articulações do ombro e do cotovelo durante o golpe
Gyaku Tsuki e entre as articulações do quadril e o joelho durante o golpe Mae Geri, se
mostrou superior nos atletas de Elite, fato este demonstrado por meio de sua elevada
capacidade de manter em fase os segmentos envolvidos no desempenho da técnica.
Foi possível também, por meio da variabilidade calculada entre as tentativas do golpe,
constatar que os atletas de Elite possuem maior refinamento técnico e capacidade de
reprodutibilidade de suas ações, assim configurando nesta variável mais um fator
preditivo de desempenho.

muito justificada em razão da necessidade de extremo controle de variáveis que seriam potencialmente intervenientes nos resultados. apontando indicadores biomecânicos que demonstram as diferenças entre níveis competitivos no que diz respeito a execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri. . O presente estudo apresenta informações interessantes à técnicos e atletas da modalidade. Assim. verificamos que são necessários estudos futuros nesta mesma temática envolvendo ações motoras mais complexas e ecológicas. identificamos que a tarefa solicitada em nossa metodologia foi constituída de características pouco ecológicas. possivelmente como resultado de um maior refinamento técnico. estratégia esta. podendo assim ter maior intervalo de aceleração. Futuros estudos são necessários nesta temática a fim de investigar possíveis metodologias de treinamento que sejam provedoras destas adaptações neuromusculares. aumentando a capacidade da mesma em gerar velocidade. Os resultados dos parâmetros analisados e apresentados neste estudo representam uma adaptação neuromuscular diferenciada por parte dos atletas de Elite. os atletas de ambos os grupos apresentaram uma típica estratégia de ativação neuromuscular. Porém os atletas de nível competitivo mais alto apresentaram um maior nível de ativação da musculatura antagonista. Todavia. adotada para obter um melhor controle da velocidade do movimento. 76 Com relação à capacidade de controle da velocidade do golpe. bem como. para que se possa entender de forma mais aprofundada como estes indicadores que apontamos se comportam em tarefas mais próximas da realidade do combate na competição. diminuindo o intervalo de frenagem. tornando o golpe menos perceptível ao oponente.

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possibilitando que seja interrompida a rotina de avaliações a qualquer momento. como forma de evitar possíveis interferências no sinal eletromiográfico. . Informamos que nenhuma das etapas da avaliação oferece qualquer risco grave à sua saúde. Para isto será realizada a raspagem da pele com lamina descartável e limpeza da pele com álcool. 79 6. tão pouco o expõe a situações constrangedoras. Nosso objetivo é analisar variáveis biomecânicas do Karate nos golpes Mae-Geri e Gyaku-Tsuki em indivíduos com diferentes níveis de experiência.Resolução 196/96) Você está sendo convidado a participar do estudo “BIOMECÂNICA DO KARATE: ANÁLISE DE ATLETAS DE DIFERENTES NÍVEIS DE EXPERIÊNCIA”. Os dados serão utilizados apenas para fins acadêmicos e seu nome não será divulgado ou citado em nenhum momento. colaborar com o entendimento das variáveis biomecânicas e com isso contribuir para o aperfeiçoamento da técnica e melhoria na execução dos padrões de movimento de ataque e defesa nesse esporte. Garantimos a confidencialidade das informações geradas e a privacidade do indivíduo. porém ambos prevalentes em curto período de tempo. Anexo 1 – TCLE TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (Conselho Nacional de Saúde. Poderá ocorrer vermelhidão no local da colocação dos eletrodos e possível dor muscular decorrente de atividade física. cinética. Na avaliação dinamométrica você será posicionado no equipamento System 4 PRO (Biodex) onde realizará avaliação da força da articulação do joelho. a avaliação cinemática refere-se a análise do movimento e será realizada durante a execução dos golpes de Karate por meio de um sistema de 7 câmeras (Vicon®) (antes da avaliação serão colocados marcadores básicos fotorreflexivos que possibilitam a captação dos movimentos em diversos pontos anatômicos do indivíduo) e a eletromiográfica possibilitará a análise da ativação dos músculos durante a aplicação dos golpes de Karate (previamente a esta avaliação serão colocados eletrodos sobre sua pele).1. além de incentivar uma maior aderência e investimento no Karate. a critério do indivíduo. As avaliações consistirão de avaliação dinamométrica. Este estudo almeja. A recusa do indivíduo em participar do estudo será sempre respeitada. ANEXOS 6. cimemática e eletromiográfica. Com intuito de esclarecer possíveis dúvidas seguem abaixo informações a respeito do estudo.

Rio Claro. por meio de contato com os pesquisadores. São Paulo.unesp. n˚1515. __________________________________ ______________________________ Assinatura do pesquisador responsável Assinatura do participante (Prof. Se você estiver suficientemente esclarecido sobre sua participação nessa pesquisa. Mauro Gonçalves Cargo/função: Professor Titular Instituição: Universidade Estadual Paulista (UNESP)/ Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Humano e Tecnologia Endereço: Av. 24-A. Dr. sendo que uma via ficará com você e a outra com os pesquisadores. convido-o a assinar este Termo elaborado em duas vias. Dados para Contato: fone (19) 3526-4345 e-mail: goethel@rc. Rio Claro.br Dados do indivíduo: Nome:__________________________________________________________________Sexo: F( ) M( ) RG:_________________________________ Data de nascimento:______/______/______ Endereço:_____________________________________________________________Fone:_________ _________ . _____ de _______________ de 2014. Mauro Gonçalves) Contatos e Questões: BIOMECÂNICA DO KARATE: ANÁLISE DE ATLETAS DE DIFERENTES NÍVEIS DE EXPERIÊNCIA Pesquisador Responsável: Prof. Dr. Laboratório de Biomecânica. 80 A qualquer momento o indivíduo poderá requisitar informações esclarecedoras sobre o estudo.

Anexo 2 – Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa Local . 81 6.2.