UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE NACIONAL DE DIREITO

MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA JURÍDICA - J.R.F. XAVIER

REVISÃO DE LITERATURA

SIDNEY PEREIRA DA SILVA – 2016-2 Noite

Este texto objetiva abordar o tema do “Direito dos Animais”, a partir da escolha
de três artigos que servirão de base para a busca de uma resposta plausível para a
seguinte pergunta de partida: “É possível conciliar o uso de animais vivos em
pesquisas científicas e práticas acadêmicas com as expectativas da sociedade
brasileira e normas de proteção vigentes no Brasil?”
Dentre os artigos encontrados, procurei privilegiar aqueles que estivessem em
linguagem mais acessível para o ambiente de discussão ao qual se destina: o jurídico,
uma vez que a maioria era voltada para o ambiente da medicina ou bioética, com seu
vocabulário técnico e suas referências estabelecidas no campo da biologia, química,
medicina e similares. Com base nesse critério, os selecionados foram: “A regulação do
uso de animais no Brasil do século XX e o processo de formação do atual regime
aplicado à pesquisa biomédica” (MACHADO; José Saldanha, FILIPECKI; Ana Tereza
Pinto, TEIXEIRA; Marcia de Oliveira, KLEIN; Helena Espellet, 2009), “Redução,
refinamento e substituição do uso de animais em estudos toxicológicos: uma
abordagem atual” (CAZARIN; Karen Cristine Ceroni, CORRÊA; Cristiana Leslie,
ZAMBRONE; Flávio Ailton Duque, 2004), e “Legislação de proteção animal para fins
científicos e a não inclusão dos invertebrados - análise bioética” (OLIVEIRA; Elna Mugrabi,
GOLDIM; José Roberto, 2014).

Inicialmente, é preciso contextualizar o debate acerca do uso de animais em
pesquisas, principalmente biomédicas e, considerando as afirmações contidas nos
primeiros argumentos de Machado (2009, p. 88-89), parece estar longe de ter um final
convergente de opiniões ou consenso, uma vez que até o momento histórico dessas
pesquisas, não haviam métodos alternativos suficientes que viabilizassem a
substituição total de animais todos procedimentos conhecidos. Além disso, é
historicamente comprovada a importância do uso desses indivíduos em estudos e
pesquisas biomédicas, ainda que a cada dia, novas normas e regulamentação são
aprovadas e implementadas em diferentes países, inclusive no Brasil, no sentido de
regulamentá-lo e fomentar a busca por alternativas.

. especialmente em testes de toxicológicos. tendo em vista um programa conhecido por 3R (Reduction. Embora o debate nesse estudo seja especialmente voltado para os testes de produtos toxicológicos. que o estudo mostra que foram excluídos. ainda que com objetivo específico e delimitado. GOLDIM." CAZARIN (2004. já que aborda a legislação que os protege e conceitos de extrema relevância. através de hipóteses cientificamente comprovadas. apresenta conceitos de redução e substituição da necessidade de utilizá-los nos experimentos. por fim. 2014) também trata de uma área específica dentro do tema. considerando o 3R. Diferentemente dos outros dois artigos. que alude à questões morais sobre discriminação de animais no contexto da pesquisa científica. em sua essência. neste. e a busca de métodos alternativos que.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE NACIONAL DE DIREITO Na mesma direção da conscientização e disciplinamento do uso dos animais nas pesquisas. quando se analisa o campo específico que trata dos testes de produtos tóxicos pela indústria farmacêutica entre outras. no sentido de reduzir o sofrimento ao mínimo possível. p. a presença de sentimentos e sofrimento dos animais. não devessem. e fomentam o uso de métodos alternativos propostos por associações ligadas ao bem- estar animal e instituições de proteção não governamentais. O artigo traz em suas argumentações. UFRJ . a melhora na condução dos estudos. tais como o de senciência que explica. pois. José Roberto. Nos Estados Unidos e na Europa. Elna Mugrabi. E inclui o conceito de especismo. eles estabeleceram critérios de aceitação de pesquisas que utilizam animais vivos. substituam os testes in vivo. O artigo relaciona também as principais instituições regulatórias de alguns países que estabelecem normatização e orientações sobre o tema. embora tecnicamente. Oliveira e Goldim abordam também o aspecto político-econômico da inclusão ou exclusão de determinadas categorias animais no contexto da proteção por motivos práticos associados a custo x benefício. ele traz à discussão alguns conceitos e argumentos que esclarecem sobre a origem e motivação pelo cuidado com o bem-estar dos animais e tratam das possíveis alternativas. que "de forma resumida significam a redução do número de animais utilizados na pesquisa. dados e propostas que embasam o debate sobre o “Direito dos Animais”.análise bioética” (OLIVEIRA.290). As considerações em torno de evidências de sofrimento de animais em procedimentos científicos fica nitidamente demonstrado. discute a inclusão de uma categoria de animais no âmbito das leis de proteção aos animais: os invertebrados. O artigo “Legislação de proteção animal para fins científicos e a não inclusão dos invertebrados . Refinement and Replacement).

utilizando-se de referências bibliográficas bem diversas. não divergem das diferentes comunidades acadêmicas. . profissionais responsáveis pelo tratamento dos animais destinados a pesquisas.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE NACIONAL DE DIREITO Nesse sentido. professores. esse artigo ratifica os anteriores no sentido de trazer ao debate elementos objetivos. representantes das sociedades protetoras de animais e juristas de forma geral. disponíveis para o público comum e já de domínio dos principais personagens envolvidos diretamente na questão: pesquisadores. Portanto. quanto ao fato de que todos propõem ou buscam encontrar a conciliação entre proteger os animais ao máximo possível e ainda utilizá-los nas pesquisas e procedimentos acadêmicos. jurídicas ou da sociedade organizada. embora tenham seus trabalhos voltados para diferentes aspectos e segmentos sobre o uso de animais em pesquisas. UFRJ . com diferentes vocabulários e material de trabalho. os conceitos abordados e as diferentes linhas de pesquisa dos autores abordados. até que surjam meios mais concretos e igualmente eficientes de substituí-los totalmente.

E.php?script=sci_arttext&pid=S1983- 80422014000100006&lang=pt CAZARIN. 2004. M.T.F. FILIPECKI. K. H.L. UFRJ . Legislação de proteção animal para fins científicos e a não inclusão dos invertebrados – análise bioética. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. 3. C.br/scielo. n. C. Revista Bioética (Brasília).D.A. E.br/scielo.scielo. J.br/scielo.scielo. p.R.. 22. 2010. História. TEIXEIRA. n.J. 40.M. Disponível em: http://www. Disponível em: http://www. KLEIN..Manguinhos. CORRÊA.O.php?script=sci_abstract&pid=S1516- 93322004000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt . Redução. refinamento e substituição do uso de animais em estudos toxicológicos: uma abordagem atual.scielo. ZAMBRONE. 2-11. Ciências. p. Disponível em: http://www. v. GOLDIM.C. p. 2014. A Regulação do Uso de Animais no Brasil do século XX e o processo de formação do atual regime aplicado à pesquisa biomédica.. 1..P.. A. 1-12.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE NACIONAL DE DIREITO Referências MACHADO..php?script=sci_arttext&pid=S0104- 59702010000100006&lang=pt OLIVEIRA.C. Saúde .S.289-297. v.