Lista de Analise Funcional

David Paternina Salgado
Dezembro 2016

TEOREMA DE HAHN-BANACH
1. Demonstre, usando o Lema de Zorn, que todo espaço vetorial normado
de dimensão infinita possui uma base de Hamel (ei )i∈I com ||ei || = 1 para
todo i ∈ I.

Demonstração. Seja X espaço vetorial normado infinito-dimensão, consi-
deremos o conjunto

B := {A ⊂ X : A é L.I e ||x|| =1 tal que x ∈ A }.

Agora definamos a seguinte relação de ordem em B.

AB ⇐⇒ A ⊆ B.

Então (B, ) é parcialmente ordenado.
 Seja C um conjunto totalmente
ordenado de B, isto é, C = Cα α∈Λ com a relação. Para α, β ∈ Λ então

Cα  Cβ ou Cβ  Cα .

Vejamos que [ [
C= Cα ∈ B.
α∈Λ
S
Seja F ⊂ C subconjunto finito. F = {e1 , e2 , . . . , en }, então existe
α0 ∈ Λ tal que F ⊆ Cα0 . Como Cα0 é L.I, temos que
X
λv v = 0 =⇒ λv = 0 ∀v ∈ F.
v∈F

Concluindo que C é L.I, e por conseguinte C ∈ B 1 . Logo pelo Lema
S S
de Zorn, existe um elemento maximal D ∈ B.
Mostremos que D é uma base de Hamel. Com efeito, se x ∈ X, então
M ∪ {x} é L.D2 . Daí, se {e1 , . . . , en } ⊂ M , então existem constantes
1 Isso mostra que C, uma cadena qualquer de B é limitada
2 Senão, M ∪ {x} ∈ B e portanto M  M ∪ {x} o qual contradiz a maximalidade do
conjunto M .

1
λ, λ1 , . . . , λn não nulas tais que
n n
X 1X
λx + λj ej = 0 =⇒ x = − λ j ej .
j=1
λ j=1

2. Seja X um espaço vetorial e Y um subespaço. Demonstre que todo funci-
onal f : Y −→ K possui uma extensão ˜(f ) : X −→ K.

Demonstração. Seja f um funcional linear. Consideremos o conjunto

P := g : D(g) −→ K : g é linear, g = f em Y e Y ⊂ D(g) subespaço ,
com a relação de ordem “  ” definida por
g  h ⇐⇒ D(g) ⊂ D(h) e h|D(g) = g.

Seja C um conjunto totalmente ordenado em P, isto é, C = gα α∈Λ
.
Tomamos [
g̃ : D(g̃) −→ K onde D(g̃) = D(gα ).
α∈Λ

Mostremos que D(g̃) é subespaço. Com efeito, sejam x, y ∈ D(g̃) e
λ ∈ K. Existem α, β ∈ Λ tais que x ∈ D(gα ) e y ∈ D(β). Como C é um
conjunto totalmente ordenado e sem perda de generalidade, suponhamos
que D(gα ) ⊂ D(gβ ), já que D(gβ ) é um subespaço temos que
x + λy ∈ D(gβ ) ⊂ D(g̃).
Além disso,
g̃(x + λy) = gβ (x + λy)
= gβ (x) + λgβ (y)
= g(x) + λg(y).
Mostrando que g̃ é linear. Logo, todo conjunto totalmente ordenado em
P tem pelo menos uma cota superior. Assim, pelo Lema de Zorn, P
possui um elemento maximal f˜ : D(f˜) −→ K.
Mostremos agora que D(f˜) = X. Com efeito, sejam x0 ∈ X\{D(f˜)} e
α ∈ K fixos. Seja
N := D(f˜) + Kx0 .
Definamos
G : N −→ K
z 7−→ G(z) := f˜(y) + αλ,

onde z := y + λx0 para y ∈ D(f˜) e λx0 ∈ Kx0 . Como D(f˜) ⊂ N e G = f˜
em D(f˜), então G é uma extensão de f˜ o qual é uma contradição. Por
conseguinte D(f˜) = X. Assim, mostramos que f possui uma extensão.

2
3. (Príncipio de extensão). Demonstre que um funcional linear limitado em
um espaço vetorial normado X pode ser estendido a um funcional linear
limitado em X. Esta extensão é única e a norma é preservada na extensão.

Demonstração. Por hipótese, f é um funcional linear contínuo. Assim,
existe uma constante C > 0 tal que

|f (x)| ≤ C||x||. (1)

Seja x ∈ X. Então existe (xn )n∈N uma sequência em X tal que xn → x.
Em particular, (xn )n∈N é uma sequência de Cauchy. Assim, Dado  > 0,
existe n0 ∈ N tal que se n, m > n0 então

||xn − xm || < . (2)
C
Daí, estimando

|f (xn ) − f (xm )| = |f (xn − xm )| ( linearidade )
≤ C||xn − xm || ( pela equação (1) )

≤C ( pela equação (2) )
C
= .

Portanto (f (xn ))n∈N é uma sequência de Cauchy. Como K é completo,
existe y ∈ K tal que f (xn ) → y. Definamos a aplicação

f˜ : X −→ K
x 7−→ f˜(x) := lim f (xn ).
n→∞

f˜ está bem definida, isto é, não depende da sequência escolhida. Seja
x ∈ X, suponhamos que existem sequências (xn )n∈N e (yn )n∈N em X tal
que xn → x e yn → x. Então limn→∞ f (xn ) = f˜(x) = limn→∞ f (yn ),
logo limn→∞ f (xn − xm ) = 0, pela continuidade de f , temos que

f lim (xn − xm ) = 0.
n→∞

Daí, como f é linear temos que limn→∞ (xn −yn ) = 0. Portanto as sequên-
cias (xn )n∈N e (yn )n∈N coincidem. Além disso, f˜ é linear pelas proprieda-
des do limite. Se x ∈ X, então existe uma sequência (xn ) em X tal que
xn → x. Assim,
|f˜(xn )| = |f (xn )| ≤ C||xn ||.
Mostrando que f˜ é limitada. Agora, seja G outra extensão linear e limitada
de f . Então, se x ∈ X temos que G(x) = f (x) = f˜(x), logo (G− f˜)(x) = 0.
Como x é qualquer então (G − f˜) ≡ 0. Portanto, G = f˜ em X.

3
4. Seja X um espaço normado, M ⊂ X um subespaço fechado e x0 ∈ X\M .
Demonstre que, se
δ := inf ||x − y||
y∈M

então, existe f ∈ X tal que ||f ||X ∗ = 1 e f (x) = δ. Em particular,
f |M = 0.

Demonstração. Seja N = M + Kx0 . Se z ∈ N , então

z = x + λx0 ,

com λ ∈ K e x ∈ M . Definamos ϕ : N → K pondo ϕ(x + λx0 ) = λδ.
Vaejamos que ϕ é linear. Com efeito, sejam z1 , z2 ∈ N e α ∈ K temos

ϕ(z1 + αz2 ) = ϕ((x1 + λ1 x0 ) + α((x2 + λ2 x0 ))
= ϕ((x1 + αx2 ) + (λ1 + αλ2 )x0 )
= (λ1 + αλ2 )δ = λ1 δ + αλ2 δ
= ϕ(z1 ) + ϕ(z2 ).

Vemos que, ϕ(M ) = 0 e que ϕ(x0 ) = δ. Mostremos que ||ϕ|| = 1. Seja
z = x + λx0 e observamos que, se λ 6= 0 então

x
||z|| = ||x + λx0 || = |λ|
− x0 ≥ |λ|δ = |ϕ(z)|
−a
e, se λ = 0 então
||z|| = ||x|| ≥ 0 = 0δ = |ϕ(z)|.
Logo,
||ϕ|| = sup |ϕ(z)| = sup ||z|| = 1.
||z||≤1 ||z||≤1

Como δ = dist(x0 , M ), por propriedade de ínfimo, dado  > 0 existe
x ∈ M tal que
δ ≤ ||x0 − x || ≤ δ + .
x0 −x
Seja z = ||x0 −x || . Então, z ∈ N , ||z || = 1 e

δ δ
||ϕ|| ≥ |ϕ(z )| = ≥ ,
||x0 − x || δ+

onde ||ϕ|| ≥ 1, e portanto ||ϕ|| = 1. Pelo Teorema de Hahn-Banach,
existe ϕ̃ ∈ X ∗ que estende ϕ e tal que ||ϕ|| = ||ϕ̃||.

5. Seja X um espaço normado.
(a) Se M ⊂ X é um subespaço fechado e x ∈ X\M , então M + Kx é
fechado.
(b) Todo subespaço de X de dimensão finita é fechado.

4
Demonstração.
(a) Definamos a aplicação quociente

π : X −→ X/M

a qual sabemos é linear contínua e sobrejetiva, (Teorema visto na aula).
Como, dim(Kx) < ∞ e π é uma aplicação
 linear, segue que π Kx também
tem dimensão finita, portanto π 
Kx é fechado. Por outra parte, como π
é contínua temos que π −1 π Kx é fechado. Mostremos que

π −1 π Kx = M + Kx.


A contenção “ ⊇ ” já bem pela definição de função. Restaprovar “ ⊆
”. Com efeito, seja x ∈ π −1 π Kx . Então π(x) ∈ π Kx , como π é


sobrejetiva, existe x0 ∈ Kx tal que π(x0 ) = π(x). Logo, x − x0 ∈ M , daí,
x = x0 + M . Portanto x ∈ M + Kx.
(b) Seja M subespaço de X de dimensão finita. Então, consideremos o
conjunto {e1 , e2 , . . . , en } como uma base para M . Definamos a aplicação
n
X n
X
x := λk xk ∈ M 7−→ T (x) := λk T (ek ) ∈ Kn .
k=1 k=1

Onde {T (e1 ), T (e2 ), . . . , T (en )} é uma base para Kn . Se pode ver que T
é linear e além disso, é bijetiva. Mostremos que ela éPlimitada superior
n
e inferiormente. Com efeito, seja x ∈ M . Então x = k=1 λk xk . Logo,
estimado o módulo da imagem
n
X
|T (x)| = | λk T (ek )|
k=1
n
X
≤ |λk ||T (ek )|
k=1
Xn
=C |λk | = C||x||.
k=1

Onde C := max{|T (ek )| : k = 1, 2, . . . , n}. Mostrando que T é contínua.
Por outra parte, existe uma constante c > 0 tal que
n
X
||T x|| = || λk T (ek )||
k=1
Xn
≥ c| λk |
k=1
= c||x||.

5
Mostrando que é limitada inferiormente, y por conseguinte, T −1 é con-
tínua. De todo o anterior temos que M e Kn são isomorfos, como Kn é
fechado, então M é um subespaço fechado em X.

TEOREMA DA CATEGORIA DE BAIRE
1. Demonstre que se X for um espaço de Banach de dimensão infinita, então
uma base de Hamel não pode ser enumerável.

Demonstração. Suponhamos que existe uma base de Hamel enumerável

B := {vj : j ∈ N}

de um espaço de Banach de dimensão infinita X. Neste caso

[
X= Fn ,
n=1

onde cada Fn = span(v1 , v2 , . . . , vn ). Por ter dimensão finita, cada Fn
é fechado, e portanto pelo Teorema de Baire, existe um n0 ∈ N, tal que
int(Fn ) 6= ∅. Isto é, uma contradição, já que Fn0 6= X por X ter dimensão
infinita e pelo fato que subespaços proprios de espaços normados sempre
tem interior vazio.

2. Seja X um espaço de Banach e B ∗ ⊂ X ∗ . Suponha que, para todo x ∈ X
o conjunto {f (x) : f ∈ B ∗ } é limitado. Mostre que B ∗ é limitado.

Demonstração. Seja x ∈ X. Como o conjunto {f (x) : f ∈ B ∗ } é limitado,
então existe Mx > 0 tal que

|f (x)| ≤ Mx . (3)

Consideremos (f )f ∈B ∗ a família de funcionais limitados pontualmente,
por (3). Como X é completo, pelo Teorema de Limitação Uniforme
segue-se que a família é uniformemente limitada, isto é, existe M > 0 tal
que
||f || ≤ M ∀f ∈ B ∗ .
Por conseguinte B ∗ é limitado em X ∗ .

3. Sejam X e Y dois espaços de Banach e a : X × X → R uma forma bilinear
satisfazendo
a Para cada x ∈ X fixado, o funcional y 7→ a(x, y) é contínua;
b Para cada y ∈ Y fixado, o funcional x 7→ a(x, y) é contínua.
Demonstre que existe uma constante C > 0 tal que

|a(x, y)| ≤ C||x||||y|| para todo (x, y) ∈ X × Y .

6
Demonstração. Definamos o operador
T : X −→ Y ∗
x 7−→ Tx
onde
Tx (y) := a(x, y) para todo y ∈ Y .
Logo, pela hipótese (b), temos que
|Tx (y)| ≤ Mx para todo y ∈ Y ,
isto é, para todo y ∈ Y o conjunto {Tx (y) : Tx ∈ Y } é limitado, onde
Y := {Tx : x ∈ X} ⊂ Y ∗ . Pelo exercício anterior Y é limitado, é dizer,
Existe uma constante C > 0 que não depende de x tal que para todo
Tx ∈ Y temos que
||Tx ||Y ∗ ≤ C.
 
x y
Seja (x, y) ∈ X × Y . Então ||x|| , ||y|| ∈ BX×Y , onde BX×Y é a bola
unitária em X × Y . Daí, estimamos
 
x y
a , ≤ ≤ C.
x

||x|| ||y||
T ||x||
Y∗

Como a(·, ·) é uma forma bilinear, segue-se que
|a(x, y)| ≤ C||x||X ||y||Y .

4. Sejam X e Y dois espaços de Banach e T : X → Y linear e limitada com
M = ker(T ). Demonstre que Y e X/ ker(T ) são isomorfos.

Demonstração. Como X é um espaço de Banach e M é fechado então
X/M é um espaço de Banach. Definamos a aplicação
π : X/M −→ Y
[x] 7−→ π([x]) := T (x).

(a) π é linear: Sejam [x], [y] ∈ X/M . então
π([x] + [y]) = π([x + y]) = T (x + y)
= T (x) + T (y)
= π([x]) + π([y]).

(b) π é contínua em X/M : Seja [x] ∈ X/M . Então
||π([x])||Y ≤ ||T ||||x||X .
Logo, aplicando ínfimo sobre os z ∈ M obtemos
||π([x])||Y ≤ ||T ||||[x]||.

7
(c) π é sobrejetiva: Seja y ∈ Y . Então existe x ∈ X tal que T x0 = y, daí
considerando [x0 ] ∈ X/M temos que π([x0 ]) = T (x0 ) = y.
(d) π é injetiva: Sejam [x], [y] ∈ X/M . Se π([x]) = π([y]), então T (x) =
T (y), assim, T (x − y) = 0, logo, (x − y) ∈ ker(T ) = M . Portanto

[x] = [y].

Dado que Y também é um espaço de Banach. Então pelo Teorema
da Aplicação Inversa, π é um isomorfismo. Portanto Y e X/M são
isomorfos.

5. Seja T : D(T ) ⊂ X → Y um operador linear com X e Y espaços de
Banach. Considere em D(T ) a norma do gráfico:

||x||D(T ) := ||x||X + ||T x||Y para todo x ∈ D(T ).

Demonstre que se T é fechado então (D(T ), || · ||D(T ) ) é um espaço de
Banach.

Demonstração. Seja (xn )(n∈N ) uma sequência de Cauchy em D(T ). En-
tão, dado  > 0, existe n0 ∈ N tal que se m, n ≥ n0 então

||xn − xm ||D(T ) < .

Em particular, temos que
(
||xm − xn || ≤ ||zm − zn || ≤ ,
||T xm − T xn || ≤ ||zm − zn || ≤ .

Mostrando que (xn )n∈N e (T xn )n∈N são sequência de Cauchy. Como X e
Y são completos, existem x ∈ X e y ∈ Y tais que xn → x e T xn → y para
n suficientemente grande. Logo, como T é um operador fechado temos
que x ∈ D(T ) e T x = y. Mostrando em particular que D(T ) com a norma
|| · ||D(T ) é um espaço de Banach.

6. Sejam X e Y dois espaços de Banach e T ∈ L(X, Y ) sobrejetor. Demonstre
que existe uma constante C > 0 tal que para todo y ∈ Y , a equação

Tx = y

possui solução x = x(y) ∈ X tal que ||x(y)||X ≤ C||y||Y .

Demonstração. Pelo Teorema da Aplicação Aberta, temos que existe
um δ > 0 tal que 
BY (0, δ) = T BX , (4)

8
onde BX é a bola unitária em X. Se y = 0 basta tomar x = 0. Se tomamos
y ∈ Y \{0}, então
δy
∈ BY (0, δ).
2||y||
Já que
δy
= δ y = δ < δ,


2||y||
X 2 ||y|| 2

Daí, da equação (4) temos que existe x∗ ∈ BX tal que
δy
T (x∗ ) =
2||y||
Logo,  
2||y||
y=T .
δ
Assim, definimos
2
x(y) := ||y|| x∗ ,
δ
tal que:
(a) T (x(y)) = y
(b) ||x(y)||X ≤ C||y||Y

7. Sejam X e Y dois espaços de Banach. Se T : D(T ) ⊂ X → Y e A :
D(A) ⊂ X → Y são operadores lineares. Demonstre que, se T é fechado
e A é contínuo com D(T ) ⊂ D(A), então T + A é fechado e além disso,
D(T + A) := D(T ) ∩ D(A) = D(T ).

Demonstração. Primeiramente vemos que
D(T + A) := {x ∈ X : (T + A)(x) está definido}
= {x ∈ X : T (x) + A(x) está definido}
= {x ∈ X : x ∈ D(T ) ∩ D(A)}
= D(T ).
Seja (xn )n∈N uma sequência em D(T + A) = D(T ) tal que xn → x ∈ X
e (T + A)(xn ) → y ∈ Y . Como A é contínuo, então A(xn ) → A(x). Logo,
podemos definir a sequência
T (xn ) = y − A(xn ) para todo n ∈ N,
a qual converge, isto é, T (xn ) → (y − A(x)) ∈ Y . Daí, como T é um
operador fechado. Segue-se que x ∈ D(T ) = D(T + A) e T (x) = y − A(x).
Portanto,
(T + A)(x) = T (x) + A(x) = y.
Mostrando que T+A é um operador fechado.

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