Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise de conteúdo - 679

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PESQUISA QUALITATIVA: ANÁLISE DE DISCURSO VERSUS ANÁLISE DE
CONTEÚDO1
QUALITATIVE RESEARCH: DISCOURSE ANALYSIS VERSUS CONTENT ANALYSIS
INVESTIGACIÓN CUALITATIVA: ANÁLISIS DEL DISCURSO VERSUS ANÁLISIS DEL CONTENIDO

Rita Catalina Aquino Caregnato2, Regina Mutti3

1
Artigo produzido como trabalho de conclusão da disciplina “Práticas de Análise de Discurso na Pesquisa em Educação”, do
1º semestre de 2005, ministrada pela Professora Regina Mutti, do Programa de Pós-Graduação em Educação (FACED) da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
2
Enfermeira. Doutoranda em Educação pela UFRGS. Mestre em Enfermagem pela UFRGS. Professora da Graduação e Pós-
Graduação em Enfermagem da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Professora de Graduação em Enfermagem do Centro
Universitário do Vale do Taquari (Centro Universitário UNIVATES).
3
Mestre e Doutora em Letras. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, na disciplina “Práticas de
Análise de Discurso na Pesquisa em Educação”. Orientadora deste artigo.

PALAVRAS-CHAVE: Enfer- RESUMO: Considerando o crescente interesse nas pesquisas qualitativas na área de Enfermagem, acredita-
magem. Pesquisa qualitativa. se ser importante o conhecimento de diferentes formas de análise existentes. Este artigo tem como objetivo
Análise qualitativa. fazer uma reflexão sobre dois tipos de análise utilizada freqüentemente na pesquisa qualitativa, algumas
vezes confundidas. Apresenta-se uma fundamentação teórica da Análise de Discurso e da Análise de
Conteúdo e se expõe as diferenças entre estas duas formas de análise. A principal diferença é que a Análise
de Discurso trabalha com o sentido do discurso e a Análise de Conteúdo com o conteúdo do texto. A
opção teórica da Análise de Discurso abordada neste estudo recai sobre a linha francesa, que tem como
seu precursor Michel Pêcheux e na Análise de Conteúdo enfoca-se Laurence Bardin.

K E Y WO R D S : N u r s i n g . ABSTRACT: Considering the increasing interest in qualitative research in Nursing, we consider it
Qualitative research. Quali- relevant to know the different approaches to this analysis. This article has the objective to discuss the
tative analysis. two kinds of approach often used in qualitative research, which is sometimes confused. A theoretical
foundation is presented, in which Discourse Analysis and Content Analysis show the differences between
the two forms of analysis. The main difference is that discourse analysis works with the meaning of
the discourse, and content analysis works with the content of the text This study’s theoretical option
for Content Analysis follows the French approach, which has Pêcheux as its precursor and the content
analysis is based on Laurence Bardin.

PALABRAS CLAVE: Enfer- RESUMEN: Considerando el creciente interés en las investigaciones cualitativas en el área de la Enfer-
mería. Investigación cualita- mería, se cree que es importante el conocimiento de las diferentes formas de análisis que existem. Este
tiva. Análisis cualitativo. artículo tiene como objetivo hacer una reflexión sobre los dos tipos de análisis utilizados frecuentemente
en la investigación cualitativa, algunas veces confusas. Se presenta un fundamento teórico del Análisis
del Discurso y el Análisis del Contenido e se expone las diferencias entre las dos formas de análisis.
La principal diferencia es que el Análisis del Discurso trabaja con el sentido del discurso y el Análisis
del Contenido con el contenido del texto. La opción teórica del Análisis del Discurso tratada en éste
estudio sobrecae em la linea francesa, que tiene como su precursor a Michel Pêcheux y el Análisis del
Contenido enfoca a Laurence Bardin.

Endereço: Rita Catalina Aquino Caregnato Artigo original: Reflexão teórica
R. Dr. Rodrigues Alves, 273, Ap. 203 Recebido em: 24 de abril de 2006.
91.330-240 - Chácara das Pedras, Porto Alegre, RS. Aprovação final: 13 de outubro de 2006.
E-mail: carezuca@terra.com.br

Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2006 Out-Dez; 15(4): 679-84.

3-4 Essa contribuição ocorreu da seguinte ingressar na Faculdade de Educação.680 .2:244 mas produzido. alunos. francesa ou anglófona.3 o posicionamento do sujeito quando se filia a um Como a AD considera a língua.7:8 meio neutro de refletir. estabelecendo a APRESENTANDO A ANÁLISE DE DIS. e até mesmo colegas. Mutti R INTRODUÇÃO francesa etc. pode-se afirmar que o corpus da AD Existe uma reserva em dizer “Escola” de é constituído pela seguinte formulação: ideologia + Análise de Discurso francesa.3 Discurso. podem ser entrecruzadas crescente na área de Enfermagem.5 diferenças entre essas duas formas de análise. do materialismo histórico e da psi- para interpretar os dados da minha pesquisa. é que partilham de “uma rejeição da no. quando iniciei minha trajetória acadêmica. discurso. O processo de análise discursiva tem a pre- xão sobre a Análise de discurso e a Análise de Conte. a partir de o lingüístico com o social e o histórico”. bastando que sua materialidade produza pesquisa qualitativa vem conquistando um espaço sentidos para interpretação.. qual a linguagem é estudada não apenas enquanto do o mesmo nome. existem muitos estilos diferentes “pro. se pensamos nessa disciplina sendo Atuando como professora universitária na desenvolvida em diferentes regiões do mundo com graduação da Enfermagem há mais de uma década. Esta freqüente confusão ocorreu até mesmo privilegiando certos lugares. porque se questio. o sistema então poderíamos “falar em análise de discurso de idéias que constitui a representação.2:246 com enfoques variados.3:2 duas formas de análise como se fossem similares. a história germânica. um sentido que não é traduzido. 15(4): 679-84. para cursar forma: da lingüística deslocou-se a noção de fala doutorado. relação existente no discurso entre língua/sujei- to/história ou língua/ideologia. pertencentes a áreas de Conteúdo de Bardin. minha curiosidade científica recaiu na para discurso. suas diferentes tradições de estudos e pesquisas e como orientadora de monografias tanto da gra. Florianópolis. brasileira. quem CURSO (AD) DA LINHA FRANCESA segue este princípio pode afirmar uma filiação Não existe apenas uma linha de Análise de com a AD da linha francesa. ao se dizer “Escola” de análise de discurso. que [se] constitui a ção realista de que a linguagem é simplesmente um materialidade específica do discurso”. é uma dis- ocasião da minha dissertação tive a oportunidade de ciplina de interpretação fundada pela intersecção conhecer. e finalmente da psicanálise veio disciplinas no intuito de conhecer este tipo de análise a noção de inconsciente que a AD trabalha com o e posteriormente utilizá-la na minha tese. sendo o processo de constituição do ima- e cada país tem sua própria língua e história. 2006 Out-Dez.3 Este artigo tem como objetivo fazer uma refle. porém todas reivindican. história + linguagem. conseqüentemente.6:192 na diversas tradições teóricas. Um dos fundadores dos estudos sobre o discurso foi Michel Pêcheux. italiana. de-centramento do sujeito. ao tomar como objeto o material da ideologia. inglesa. que “a ciência se produz em diferentes lugares com expressando algumas vezes a nomenclatura destas a força e a especificidade de sua tradição”. Caregnato RCA. sobre o discurso”. a qual foi por mim utilizada da lingüística. história e sujeito. na construção da vida social”. nimos a Análise de Discurso e a Análise de Conte. que podem ser verbais e e por vezes confundidas. .3 Importante lembrar comigo. fazendo com que buscasse teoria da ideologia. está se atribuindo um poder údo. americana. tensão de interrogar os sentidos estabelecidos em údo freqüentemente utilizadas na pesquisa qualitativa diversas formas de produção. tenho observado conhecimento produz relações de força e de poder. aprofundar e colocar em prática a Análise de epistemologias distintas. Texto Contexto Enferm. ou seja.3:1 É reforçada a idéia de que o duação como na Pós-Graduação. ou descrever o mundo.6 Além de que é “no contato discurso. que “articula discurso”. por isso. portanto. e A AD trabalha com o sentido e não com o uma convicção da importância central do discurso conteúdo do texto. O que esses diferentes estilos forma lingüística como também enquanto forma parecem ter em comum. ginário que está no inconsciente. O suporte teórico que embasa este texto vavelmente ao menos 57 variedades de análise de refere-se à AD da linha francesa. do materialismo histórico emergiu a Análise de Discurso (AD). do histórico com o lingüístico. com séries textuais (orais ou escritas)4 ou imagens acredito ser de extrema relevância ter clareza sobre as (fotografias) ou linguagem corporal (dança).1 Ao canálise. Tenho percebido que a não verbais. Por A AD não é uma metodologia. utilizando como sinô. A ideologia é entendida como na o sentido que pode tomar a palavra “Escola”.

curso significa os saberes constituídos na memória precisa sair do enunciado e chegar ao enunciável do dizer.. sa- A AD não abre mão da língua.11:18-9 O gesto de interpretação é as- deputado pertence a um partido político que par- sumido.. Exemplificando ou seja. Este pode ser pronun. ou memória discursiva. o discurso produzido pela fala sempre terá relação A interpretação do discurso “é um ‘gesto’. conseqüentemente. com sentidos daquele discurso e representante daquele sentido. a AD entende que não irá faz com que ela seja “capaz de equívoco. Fundamentos e Procedimentos em Análise de Discurso [aula expositiva da disciplina]. é um ato no nível simbólico .]. 15(4): 679-84.. descobrir nada novo. embora não te. ções de produção [. É o lugar próprio ideologia política.. porque um elemento simbólico. trazendo sentidos seqüência lingüística fechada sobre si mesma. a formulação do texto. que parte de uma pretação é o vestígio do possível. Texto Contexto Enferm. portanto sempre incompleto.]”.6:192 O equívoco é contra a idéia do pretação ou uma re-leitura.Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise de conteúdo . 2º semestre. isto é. a fala.. multiplicidade de sentidos. Florianópolis. apenas fará uma nova inter- de deslizes”. Isto supõe que é impossível anali- tido que o sujeito pretende dar. a memória coletiva constituída socialmente. O intradiscurso é a materialidade (fala).681 - representa o contexto sócio histórico e a linguagem porta-voz de tal ou tal grupo que representa tal ou é a materialidade do texto gerando “pistas” do sen. Para coletiva. perdendo o sentido religioso e impostas pela ordem superior estabelecida. isto pela história e ideologia.] enunciado foi o discurso religioso. [. o enunciado “é dando que se recebe” permite uma esse assujeitamento ocorre no nível inconsciente. contando com os planos material e simbólico. não é fechado nem exato... Pêcheux diz: “em outras pala- da ideologia e é ‘materializada’ pela história. 9:38 Neste contexto o sujeito foi dito antes. de outro momento histórico. é tendo a pretensão de dizer o que é certo. um discurso é sempre pronunciado a partir Ela sempre se dá de algum lugar da história e da de condições de produção dadas: por exemplo. condição necessária para que o do dizer. é * Mutti RMV.. Exemplificando. mas pré-construídos que são ecos da memória do dizer. para isso.8:77-9 o sujeito tem a ilusão de ser dono do seu discurso e Portanto. este permite leituras é que a AD mostra como o discurso funciona não múltiplas..]”. O sentido não está “colado” na palavra. Porto Alegre (RS): UFRGS/ PPGFACED.. embora popularizando-se no sentido político e vulgar. linearização do discurso. com vremente. 2006 Out-Dez. Pêcheux a língua é a forma de materialização da ou seja. 2004. é assujeitado ao coletivo.11 O interdis- o analista buscar os efeitos dos sentidos e. o fio do discurso.. devendo com o interdiscurso e o intradiscurso. sociedade. [. de falha. li- novo contexto. saberes que existem antes do sujeito.10:12 A língua é considerada opaca e heterogê. beres pré-construídos constituídos pela construção nha o mesmo enfoque abordado por Saussure. diferentes para cada sujeito. como se verifica nas colocações de de ter controle sobre ele. Partindo do princípio que a AD trabalha com nea. e voltando em um indivíduo torne-se sujeito do seu discurso ao. sendo um gesto simbólico que dá sentido ticipa do governo ou a um partido da oposição. a AD entende que “todo dizer é ideolo- dentro de um contínuo. permanecendo movimento de interpelação dos indivíduos por no contexto sócio histórico e ficando na memória uma ideologia. por isso o sentido A formação discursiva constitui-se na relação pode escapar.] A inter- com o discurso de um político. ou seja.. o sociedade [. O enunciado não diz tudo. como uma a linguagem vai além do texto. . outro aspecto a ressaltar sentido único do enunciado. sendo o discurso heterogêneo marcado homogênea como muitas vezes aparenta ser. que é necessário referí-lo ao conjunto de discursos Entende-se como memória do dizer o interdiscurso. sendo porta-voz um político ou por uma prostituta. na AD sar um discurso como um texto. sentidos do que é dizível e circula na através da interpretação.] vras. possíveis a partir de um estado definido das condi- ou seja. quanto por cimento da construção coletiva. com o contexto sócio histórico. porque todo o discurso já gicamente marcado”. porém não percebe estar Pêcheux. com o olhar da AD não é individual. tenha ilusão de autonomia”. submeter-se às condições de produção novas significações. isso não está em julgamento. Portanto. ela não é transparente e o sentido. tal interesse [. A fonte originária deste Entende-se como assujeitamento em AD o “[. quando o sujeito se filia-se ou interioriza o conhe- ciado tanto por um padre franciscano.

sendo que os sentidos não são tão evidentes como no discurso pedagógico de uma disciplina do curso parecem ser.12:54 temático o analista irá trabalhar com este. na AD não é necessário analisar contribuído para seu desenvolvimento. suas experiências e vivências. que “a semântica estatística do discurso político”. Florianópolis.7.11 Pêcheux reforça a AD “sob o prisma de Enfermagem. 15(4): 679-84. quando os cientistas começaram a se podendo ser selecionadas poucas marcas lingüísticas interessar pelos símbolos políticos. decide ouvir os “seja mais relevante para as ciências da linguagem. voco. Caregnato RCA.13 Na dades na “formação discursiva”. ou “marca de discurso”. representadas no corpus em análise. Nunca es- a interpretação nunca será absoluta e única. diferença entre essas duas abordagens: na abordagem Também é interessante explicar o motivo quantitativa se traça uma freqüência das caracte- que induziu a escolha do recorte sócio-histórico. Vamos supor. sendo anterior a to sócio-histórico.11 As regularidades das marcas o analista busca categorizar as unidades de texto lingüísticas que aparecem no discurso fazem parte (palavras ou frases) que se repetem. “Não há sentido sem inter. a interpretação caberá tanto ao “analista efetivar a análise. Deste modo. inferindo uma da identidade do discurso acessado pelo sujeito. portanto. trazendo sentidos pré-construídos que figuram na pretação”.13:192 A marca(m) o discurso e se repete(m). no produzir inferências do conteúdo da comunicação estudo do recorte se busca caracterizar as regulari. visualizando as. o conteúdo.8 Após ter delimitado o eixo fragmento da mensagem”. O recorte a palavra. 1940 e 1950.. análise vertical e não horizontal. pode ser. de um texto replicáveis ao seu contexto social.11:9 da gravação feita.682 . A AD não vai trabalhar com a forma e discursiva influenciada pelo seu afeto. 2006 Out-Dez.3:11. no confronto com AC o texto é um meio de expressão do sujeito. mas irá buscar os efeitos de sentido que suas crenças. pois quecer que a interpretação sempre é passível de equí- também produzirá seu sentido. disponha-se ao enfoque da posição de professor. mas após várias leituras poderão da linguagem quanto à do cientista em geral”. Mutti R fazendo a significação. ocorrendo um impulso entre enquanto marca lingüística. fazendo os recortes das formulações nas quais aparece tal ênfa. o que A maioria dos autores refere-se à AC como supõe o estabelecimento de “recortes discursivos”. bem a ausência de uma dada característica de conteúdo como a necessidade de ilustrar as condições da ou conjunto de características num determinado constituição do corpus. interpretação para dar visibilidade ao sentido que o A interpretação deverá ser feita sempre entre sujeito pretendeu transmitir no seu discurso. sos setores das ciências humanas”. Qualquer elemento pode ser estudado material jornalístico. AC pode ser quantitativa e qualitativa. que o analista na realidade existem muitas e diferentes definições. tendo este fato para interpretação. pois embora a interpretação pareça ser clara. ela professores em entrevistas fazendo a transcrição está presente no exercício das ciências humanas”. expressão que as representem. rísticas que se repetem no conteúdo do texto. O importante é esta técnica “existe há mais de meio século em diver- captar a marca lingüística e relacioná-la ao contex. representativo desse discurso. onde sentidos heterogêneos.12:54 texto farão com que o analista do discurso estranhe A definição da AC em 1943 era como sendo aquela(s) palavra(s) ou formas sintáticas. Para constituir o corpus para aná. Existe uma sim as marcas lingüísticas no material linguageiro. de uma leitura interpretativa”.12 Portanto. se pode apreender mediante interpretação. Texto Contexto Enferm. sendo uma técnica de pesquisa que trabalha com onde se representam linguagem e situação. sua posição. não há um caminho pronto para portanto. o interdiscurso e o intradiscurso chegando às posi- Na interpretação é importante lembrar que o ções representadas pelos sujeitos através das marcas analista é um intérprete. que faz uma leitura também lingüísticas. várias leituras do Análise de Discurso. que emergem num movimento em que o enunciado leva ao enunciável CONSIDERAÇÕES SOBRE A ANÁLISE DE e vice-versa. A Análise de Conteúdo (AC) surgiu no início se. por exemplo. pois se trata de uma 1960 a AC estendeu-se para várias áreas. permitindo de forma prática e objetiva resulta da teoria e é uma construção do analista. entre 1950 e tudo que aparece na entrevista. .11:21 portanto deverá sempre existir uma memória do dizer da sociedade.10:94 Embora a AD lise. Cabe informar o enfoque analítico que é dado do século XX nos Estados Unidos para analisar o à pesquisa.1 Na pois este faz parte das “condições” de produção do abordagem qualitativa se “considera a presença ou discurso.11:9 ser identificados eixos temáticos. explorando-se marcas lingüísticas cujo CONTEÚDO funcionamento discursivo irá trabalhar.

1 nacional e internacional. Florianópolis. 8 A dedução freqüencial Sobre a análise de conteúdo e a teoria do consiste em enumerar a ocorrência de um mesmo discurso.. transcrições de entrevista e dos protocolos de ob- mento do codificador [. Na segunda autora nas pesquisas de Enfermagem. como a fase de organização. com a materialidade lingüística através classificação é chamado de análise categorial.13 Na AD existe sibilidade. Hak T (organizadores).... [. p 63.. por procedimentos. tais como: leitura flutuante.] o que exige qualidades servação. que pode utilizar vá- pretar os dados coletados no período de 1975-1996.] em função do julga. 1993. em função de ca- inferência de conhecimentos relativos às condições racterísticas comuns. Quando se analisa para apreender o que importa”. a AC costuma ser feita DIFERENÇAS ENTRE ANÁLISE DO DIS- através do método de dedução freqüencial ou análise CURSO E ANÁLISE DE CONTEÚDO por categorias temáticas.13:195 Existem dois tipos codificar ou caracterizar um segmento é colocá-lo de textos que podem ser trabalhados pela AC: em uma das classes de equivalências definidas. já a AC trabalha com o conteú- comum. [. A análise categorial é o tipo de análise mais legislação.1:42 categorização fazem parte da AC. Para Laurence Bardin. ou seja.1 Para classificar os elementos em análises é que a AD trabalha com o sentido e não categorias é preciso identificar o que eles têm em com o conteúdo. trabalhos publicados. 2006 Out-Dez. a flexibilidade.1 Este tipo de do. que consiste na classificação dos elementos objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. é construído especialmente para a pesquisa. corpus empírico. . refere-se ao corpus de arquivo. Por uma análise automá- tica do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. e os textos já existentes. No texto em que marca a diferença teórica entre conteúdo e sentido.] teriais textuais escritos”.8:64 não preocupando-se acesso ao objeto”. como des. indicadores (quantitativos ou não) que permitam a com posterior reagrupamento. 2) a exploração do material. referindo-se a análise de conteúdo como si- signo lingüístico (palavra) que se repete com freqü- nônimo da análise de texto percebe-se “que antes de ência. enquanto que na AD a A análise por categorias temáticas tenta encontrar interpretação será somente qualitativa.1:153 A análise categorial poderá ser temática. “Funciona por outros.1 das condições empíricas do texto.8:65 culminando em A interpretação da AC poderá ser tanto quan- descrições numéricas e no tratamento estatístico.8:65 em AD material já existente como documentos. pronunciamentos em jornal. Texto Contexto Enferm. em várias revistas de circulação 3) o tratamento dos resultados e interpretação. In: Gadet F.13 titativa quanto qualitativa. 2a ed. segundo suas semelhanças e por diferenciação.] destas mensagens”. “uma série de significações que o codificador detecta “A AC trabalha tradicionalmente com ma- por meio de indicadores que lhe estão ligados. permitindo seu agrupamento. em categorias segundo reagrupamento analó. nem à diferença de sentido entre um texto e outro”. refere-se ao gicos”.14 rios procedimentos. a AC é “um etapa os dados são codificados a partir das unidades conjunto de técnicas de análise das comunicações de registro. a sen. objetivos e elaboração de indicadores como referencial devido à ampla utilização desta que fundamentem a interpretação. Portanto. Na última etapa se faz a categoriza- visando obter. por parte do codificador o corpus de arquivo e empírico. outros fins. a os textos produzidos em pesquisa.683 - A crescente utilização da Análise de Conteúdo A técnica de AC.8:68 com o “sentido contido no texto. sistemáticos e ção. visando constatar “a pura existência de tal tudo a diferença entre a AD e a AC é o modo de ou tal material lingüístico”. através de entrevista. que utiliza-se da Análise de A mencionada autora descreve a primeira etapa Conteúdo na sua pesquisa em gerontologia para inter. livros e antiga e na prática a mais utilizada. Campinas (SP): Editora da Unicamp. escolhida neste artigo hipóteses. produzidos para psicológicas complementares como a fineza.Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise de conteúdo .. construindo as categorias conforme os temas que A maior diferença entre as duas formas de emergem do texto. experimental.. estabelecendo  Itálico usado por Pêcheux no texto Análise automática do discurso (1969). se compõe de três grandes na área da Enfermagem é evidenciada em muitos etapas: 1) a pré-análise. se o material operações de desmembramento do texto em unida.. 15(4): 679-84. através das partir das significações. como textos de jornais. a codificação e a de produção/recepção [. por exemplo.

. In: Glossário de termos para interpretar esses dados é utópico. Análise de conteúdo:estudo e aplicação. Porto Alegre (RS): UFRGS. CONCLUSÕES 3a ed. o importan- te é que o pesquisador conheça as várias formas de 11 Orlandi E. 2001. Interpretação: autoria. mas opaca. Cidade atravessada: os timada socialmente pela união do social.189-217. 2a ed. texto enfocando a posição discursiva do sujeito. permitirá uma escolha consciente do 12 Lima MADS. p. análise que irá empregar na sua pesquisa.5-7.244-70. In: Anais do 10 Semi- nário de Estudos em Análise de Discurso. legi. In: Baronas RL. Por uma análise principal diferença entre as duas formas de análise automática do discurso: uma introdução à obra de abordadas que a Análise de Discurso trabalha com Michel Pêcheux. suas diferenças. Acredita-se que do discurso.8:65 Identidade cultura e linguagem. O Discurso: estrutura ou acontecimento. 2002.191-205. conforme funda. organizadores. imagem e som: um manual prático. Porto Alegre expresso no texto.684 . decorrente do tipo de Rev Logos 1993. compreender os sentidos que o sujeito manifesta 3 Orlandi EP. Ferreira MCL. 15(4): 679-84. organizador. 2002. imagem e som: so. a AC fixa-se apenas no conteúdo do texto. baseia na entrevista”. o sentido do discurso e a Análise de Conteúdo com 1993.. da AC “o que é visada no texto é justamente uma 6 Melo EAS. G. p. 3a ed. 3a ed.61-105. In: Bauer MW. Caregnato RCA. 2004. A Análise de discurso em suas diferentes através do seu discurso.. Gestos de autoria: construção do sujeito da série de significações que o codificador detecta por meio escrita na alfabetização. por isso. Análise automática do discurso (AAD-69). Pesquisa qualitativa com texto. Campinas (SP): e da ideologia. 5 Orlandi EP. p. não exista uma análise melhor ou pior. 7 Pêcheux M. . 4 Mutti R. numa concepção transparente de (RS): UFRGS. REFERÊNCIAS 14 Neri AL. Texto Contexto Enferm. Porto Alegre. leitura e efeitos do tra- análise existentes na pesquisa qualitativa e sabendo balho simbólico. 2003 Nov 10-13. dos indicadores que lhe estão ligados”. 8 Pêcheux M. 2006 Out-Dez. Apresentação. mentação teórica apresentada. 2003. Hak T. período de 1975-1996. Análise de Discurso. da história sentidos públicos no espaço urbano. Campinas (SP): Pontes. 2003 Nov der o pensamento do sujeito através do conteúdo 10-13. sem um manual prático. Enquanto a AD 2 Gill R.13:189 encontrar uma forma ideal 10 Ferreira MCL.1997 Maio-Ago. Petrópolis (RJ): Vozes. Campinas (SP): Pontes. p. 4a ed. o conteúdo do texto. referencial teórico-analítico. Gaskell G. produzindo sentidos. destaca-se como In: Gadet F. fazer relações além deste. Análise de Discurso: princípios e proce- “A grande maioria das pesquisas sociais se dimentos. In: Bauer MW. Texto Contexto Enferm. Na reflexão realizada. Campinas (SP): Pontes. Mutti R categorias para sua interpretação. p. Gaskell busca os efeitos de sentido relacionados ao discur. organizadora. Petrópolis (RJ): Vozes. Na utilização Pontes. (1): 53-8. a linguagem não é transparente. Análise de conteúdo. Brasil [CD- O analista ao utilizar a AD fará uma leitura do ROM]. 2003. A pesquisa em gerontologia no Brasil: análise 1 Bardin L. Campinas (SP): Ed Unicamp. linguagem. Pesquisa qualitativa com texto. . Brasil [CD-ROM]. já a AC espera compreen. são. 2005. 2001. 6 (2): 69-105. A AD preocupa-se em 2002. 9 Orlandi EP. O primado do outro sobre o mesmo. fazendo sua 13 Bauer MW. Na AD. coordenadora. o analista de discurso se põe In: Anais do 10 Seminário de Estudos em Análise de diante da opacidade da linguagem. Análise de conteúdo clássica: uma revi- opção com responsabilidade e conhecimento. Porto Alegre. tradições intelectuais: o Brasil. Lisboa: Edições de conteúdos de amostra de pesquisa em psicologia no 70. 1977. Porto Alegre (RS): UFRGS. Florianópolis. 1999. Campinas (SP): Pontes Editores. Discurso.