Nas palavras de Bobbio (1992, p.

15), existe diferença na fundamentação de
um direito que se tem e aquele que se gostaria de ter. O foco do primeiro está no
positivismo, na titularidade de direitos e deveres, na presença de "[...] uma norma
válida que o reconheça [...]" bem como na identificação desta norma. Já no que
tange os direitos que se gostaria de possuir, defende-se sua potencial legitimidade
perante grandes grupos.
Sobre o relativismo característico dos direitos do homem, ele decorre do fato
de que estes formam uma classe instável, pois estão em constante alteração a
depender daqueles que ocupam o poder e das transformações técnicas, por
exemplo. Em resumo, aquilo que uma civilização, com determinado contexto
cultural, tem como pressuposto essencial, pode permanecer válido ou não ao longo
do tempo (BOBBIO, 1992, p. 18-19).

O fato de que a lista desses direitos esteja em contínua ampliação
não só demonstra que o ponto de partida do hipotético estado de
natureza perdeu toda a plausibilidade, mas nos deveria tornar
conscientes de que o mundo das relações sociais de onde essas
exigências derivam é muito mais complexo, e de que, para a vida e
para a sobrevivência dos homens, nessa nova sociedade, não
bastam os chamados direitos fundamentais [...] (BOBBIO, 1992, p.
75).

Todas as declarações recentes dos direitos do homem compreendem
além dos direitos individuais tradicionais, que consistem em
liberdades, também os chamados direitos sociais, que consistem em
poderes. [...] Quanto mais aumentam os poderes dos indivíduos,
tanto mais diminuem as liberdades dos mesmos indivíduos (BOBBIO,
1992, p. 21).

Discutir direitos do homem na sociedade atual, exige clareza para perceber
que o tema já ultrapassou limites meramente filosóficos, alcançando patamares
jurídico-políticos. Deve-se transcender a ânsia por conceituá-los e catalogá-los,
para, finalmente, estabelecer um consenso acerca do modo mais indicado para
resguardá-los, fazendo cessar, assim, as violações que os assaltam (BOBBIO, 1992,
p. 25).

Na história da formação das declarações de direitos podem-se
distinguir, pelo menos, três fases. As declarações nascem como
teorias filosóficas. Sua primeira fase deve ser buscada na obra dos
filósofos. No momento em que estas teorias são acolhidas pela
primeira vez por um legislador, [...] a afirmação dos direitos do

julgada ora como uma obra divina. 1992..]. apesar da violência que a acompanhou.. Norberto. universal e positiva (BOBBIO. homem não é mais expressão de uma nobre exigência..] (BOBBIO. A consciência moral se traduz num processo de formação e evolução da percepção acerca da inferioridade humana no mundo e da incapacidade de suportá- la (BOBBIO. BOBBIO. p.. na qual a afirmação dos direitos. 1992. 54). 28-30). não justificada porque um fim. é ao mesmo tempo. Foi justificada e não justificada de diferentes modos: justificada porque. ora como uma obra diabólica. Rio de Janeiro: Campus. teria transformado profundamente a sociedade européia. 1992. 1992. A era dos direitos. não santifica todos os meios [. mas o ponto de partida para a instituição de um autêntico sistema de direitos [. p. tem início uma terceira e última fase. . Com a Declaração de 1948. mesmo bom. p. A Revolução Francesa foi exaltada e execrada. 128).