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Desemprego e Juventude:
Jovens em Busca do Primeiro
Emprego
Unemployment and Youth:
young in their search for the first job

Luciana Fim Wickert

Universidade
Federal do
Rio Grande do Sul
Artigo

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2006, 26 (2), 258-269

apesar do aumento potência. The data. trabalho. Key words: youth. enfoca-se a noção de desemprego da UFRGS. juventude: jovens em busca do primeiro emprego. dos níveis de desemprego e da participação dos sujeitos com menos de 24 anos na categoria Cenário socio-histórico da dos desempregados. como um processo de desfiliação. Abstract: This article discusses the professional insertion impasses and their impact on the mode of subjectivation of young aging from 16 to 24 years old in their search for the first job. obtained through interviews whom registered in the Programa Primeiro Emprego/RS (First Job Program). efetivaram-se transformações em escala mundial que Foram realizadas entrevistas abertas com redefiniram a dinâmica econômica. Jovens em Busca do Primeiro Emprego A proposta deste artigo é apresentar os dados de trabalho. revelam que o desemprego afeta os processos de filiação social dos jovens e provoca uma produção de subjetividade marcada pelo sofrimento decorrente do aplacamento da vontade de potência. Palavras-chave: juventude. Nietzsche e Graduação em Psicologia Social e Institucional. 259 PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Programa Primeiro Emprego. 2006. Castel. indicate that unemployment affects the young social filliation process and provides the production of a kind of subjectivity marked by the suffering that results from the mitigation of the will to power. programa de inserção de jovens no mercado as condições de vida e de identidade do . o mercado de trabalho. do Governo do Estado do Rio da pesquisa de dissertação Desemprego e Grande do Sul. Os dados. obtidos através de entrevistas com inscritos no Programa Primeiro Emprego/RS. Sua relevância centra. 26 (2). aponta-se para uma de jovens de 16 a 24 anos que estão em busca produção subjetiva marcada pelo sofrimento de seu primeiro emprego. subjectivation. Nas últimas décadas. subjetivação. os modos inscritos no Programa Primeiro Emprego. work. os jovens continuam a ser pesquisa preparados/objetivados para se tornarem trabalhadores assalariados. no período de 2000 a 2002. First Job Program. desenvolvida no Programa de Pós. A partir de conceitos de Foucault. como algo que coloca os jovens à parte dos espaços de Este trabalho discute os modos de subjetivação reconhecimento social. de gestão empresarial. 258-269 Resumo: O texto discute os impasses da inserção profissional e seus impactos nos modos de subjetivação de jovens de 16 a 24 anos que estão em busca de seu primeiro emprego. decorrente do aplacamento da vontade de se no entendimento de que.

Diante da ineficácia de tais simples conjuntos de princípios de caráter esquemas. valorativo do trabalho. mas exprimiram a substituídos por dispositivos científico- racionalização explícita da produção capitalista. 2002). a taylorista-fordista e da atualidade. Tal particularidade de. não há a possibilidade de ao trabalho e o engajamento subjetivo do constituição do que comumente se chama trabalhador no processo produtivo não estão subjetividade sem a relação com o outro. muitos foram os processos. 2002). Esse processo tem indicado a modelo social e como uma forma de organização constituição de um novo paradigma econômica. 1995. se constituem sujeitos de seu portador. que se distingue do taylorista. particularidade de. que até o advento do capitalismo era considerado “A mercadoria A problematização da valorização do trabalho algo aviltante. pois. paulatinamente. ou seja. conceituar modos de subjetivação como a pertencer ao preciso que suas premissas fossem assumidas capitalista. 12). 258-269 . para que o legalmente. nos aos modos de subjetivação do período processo se fez necessário. Podemos engendramento capitalístico vigorasse. ou seja. com as física e intelectual e canalizá-las para a atividade verdades construídas e legitimadas socialmente. 1997. social. a constituição de um regime de verdade estabelecendo relações entre trabalho. Tais mudanças afetam os modos de ser e de primeiramente. vigente em boa parte do século XX utilizados. pois inexistem auto-estilizações na solidão. Colbari contrato. O termo instituição é utilizado na se desde os meados do capitalismo. como assinala Colbari (1995). ao relacionarem- pelos homens. verdade. Então. 2006. mas continuar que se dá na subjetivação. plenamente assegurados pelo aspecto contratual da relação de compra e venda da força de É no campo das relações com o outro que o trabalho. passa a ser valorizado e força de trabalho é fundamental à nossa discussão por remeter- tem a considerado porta de acesso ao lugar social. Nardi. legalmente. 26 (2). a partir do Conforme Ortega (1999). que já vinha constituindo. verdades que sustentam e caracterizam o modo como os sujeitos se reconhecem e se Diante dessa necessidade do capitalismo. a construção de si. foi a utilização de esquemas viver. A adesão modo isolado. os socioeconômico. produtiva” (Colbari. mas forma pela qual os homens. 260 Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego trabalhador. que estabelece e cristaliza Para que o capitalismo se efetivasse como um provisoriamente as formas de relação social. o coercitivos que objetivavam obrigar os pobres taylorismo e o fordismo não se reduziram a a trabalhar. Em termos de acontecimentos. ao capital. presumem sempre a (boa) vontade do sujeito de depara com os códigos e os regimes trabalhador de desprender-se de suas capacidades de verdade de sua época. por mecanismos de saber consolidando a subordinação real do trabalho e poder que constituíram. Essa subordinação se efetivou com uma valoração/dignificação do trabalho. o trabalho. ou seja. esquemas de controle e os dispositivos fordista. ao longo do tempo.” “A mercadoria força de trabalho tem a suas próprias ações (Eizirik. técnico e organizacional. pois. nunca ocorre de sob o controle físico do seu portador. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. que contribuiu para o fortalecimento de uma ética se organizam a fim de cumprir esse estatuto valorativa do trabalho. 1999). p. É seguinte concepção: conjunto de normas e de importante destacarmos que a valorização do valores instituído sob a forma de regimes de trabalho não foi algo espontâneo ou rápido. o que se teve. estes foram. a governam (Nardi. adesão ao trabalho e o engajamento subjetivo no processo produtivo passam a estar sob a Entende-se que o paradigma taylorista-fordista responsabilidade de inúmeras instituições. honestidade e dignidade. (Cattani. era partir do contrato. disciplinares. afinal: continuar sob o se com os regimes de verdade próprios de cada controle físico do período histórico. pertencer ao capitalista.

sendo que tais processos não as possibilidades e as restrições à mobilidade “Vigiar e Punir” (1987) deve ser retomada. desqualificação ou a com as necessidades coletivas. mas que não obtêm êxito total no da família. 2002. 133). quando nos referimos ao poder. principalmente instituições públicas que configuram o Estado de dominação e de resistência que marcam os ao analisarmos que.. Bem-Estar. está sempre em processo solidão moral” (1981. “em situação ideal”. faz-se relevante discutirmos destacando o papel das servem como justificativa para as formas de brevemente a instituição escolar. processos de sociabilização. p. 133. apesar de este ainda e hierarquização das escolas como um dos persistir como um facilitador de maior/ É importante destacarmos a ação de algumas dispositivos de docilização dos corpos melhor inscrição/ instituições no fortalecimento da ética valorativa necessários ao capitalismo. ou seja. São essas estruturadas para atender as necessidades de utilizou esse conceito expansão do capitalismo. que tentam fixá. Entende-se por filiação social os processos que períodos permite explicar e justificar as posições legitimam/reconhecem de classe. . 1988). visto que Rodrigues apud Colbari. não ser essencialmente repressivo. Como escreve Colbari. 2006. tem-se encarregado de sustentar os por seu poder de afetar outras forças” (1988. Como coloca apresenta possibilidades de singularização e Deleuze “. provendo diferentes Cabe aqui destacarmos a função social das específicas). p. 274). Desse modo. tendo como foco para analisar os características de positividade de poder que mecanismos de suporte possibilitam rupturas nos regimes de verdade. não ser possuído. procedimentos de acordo com as circunstâncias organizações escolares. É incita. de i n s t i t u i ç õ e s organização. 26 (2). a (Foucault. Essa impossibilidade processo de sociabilização que prevê a filiação 1 de total controle do poder se deve às suas social atrelada ao processo de trabalho assalariado. passando tanto pelos devemos considerar a família exclusivamente como dominantes quanto pelos dominados. Como problematiza Nardi (2002). “o regime de verdades mínimo. o autor enfatiza o processo de disciplinarização pelo assalariamento. que complementa a função que o entende como diagramático. Refere-se à O exercício de poder não é um dado situação do sujeito que as antigas relações sociais desaparecidas para não mais encontra institucional. a relação de poder é ação para Castel. Como coloca Ariès. Cumpre à família “. produz. p. Nesta pesquisa. “pertence ao responsabilidade desacelerar o avanço do sobre ações. O autor que se apresentam (Foucault. social relacionados ao assalariamento.uma função remetemo. 1988). características de produção. para o trabalho e para o desenvolvimento de papéis são mecanismos operatórios. Nesse aspecto. sociais determinados é um componente do lo sob uma função homogenizadora e processo de sociabilização que ocorre no interior reprodutora. pois necessariamente se dão social” (Nardi. Caracteriza-se por culturalmente” (Cooper apud Colbari.. p. é “condução de condutas” mesmo campo semântico individualismo. 26). perpassada por inúmeras como um afeto. como socializadora de adequar as personalidades ao campo de forças dispersas que mobiliza matérias desempenho de papéis padronizados e funções não-estratificadas. onze anos para completar o nível social é utilizada de maneira mais ampla. de positividade. Dessa forma. mas não localizável. 258-269 O processo institucional não consegue abarcar e identificadora do trabalho. estabilizadora. induz. a modos de subjetivação de cada contexto crianças e adolescentes precisam de. a família e o fluxo de forças que constituem o que se a escola.22). pois não tem esse processos de caráter localizável. 1995. sociabilidade primária e secundária (com intermediação de de transformação. Nos inserção social. É ela que. existindo mera reprodutora dos padrões sociais.um exercício de poder aparece diferença. As instituições são práticas. 1988). cabe à família preparar os seus membros para essa pois. 1995. entre elas. Diante de um seu intuito (Deleuze. 114). ao mesmo tempo em que o articula que a dissociação. p. a contribuição de Foucault em os sujeitos sociais.. “a preparação entende por poder. 261 Luciana Fim Wickert PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO.nos à conceituação foucaultiana. as verdades Por essa razão. “é como se a família moderna tivesse substituído p. p. de elaboração. ficando sob sua 1 A noção de desfiliação. já que a própria força se define instituições. imprescindível que tenhamos claro que não somente exercido. tampouco uma estrutura que se proteção e tutela nos permitir ao homem escapar a uma insustentável mantém ou se rompe. o lugar dos sujeitos na estrutura social. no conceituação de filiação histórico. inserção.. isto é.. pois também na relação.. visto que estas foram que se encontra sem respaldo social. invalidez social” (1998. próprio do capitalismo nos seus diferentes médio de ensino. central a preparação dos futuros trabalhadores. 79).” (1995.

nos jovens. em coletivos. portanto. através de Diante desse quadro. passa a conectar-se a outros valores. na impossibilidade de cumprir a longo tempo. temos uma flexibilização. tem-se claro que essa flexibilização desligam da proteção geral ou da participação impõe novas relações de poder e de controle. No intuito de fordista que imperava nas fábricas. dar conta dessa situação. 26 (2). a dúvida sobre como mecanismos disciplinares e hierárquicos. pois. pontos de apoio. A a um maior controle das atividades e a uma produção de si encontra-se diante de um preparação subjetiva dos futuros trabalhadores. configurou-se um modo de podemos tomar a discussão feita por Robert trabalho mais flexível. das atividades não responde às exigências contemporâneas e nas escolas prepara as crianças e os jovens para à necessidade de inserção social e de fazer parte a inserção no mercado fabril através da do mundo. seus filhos para que estes fossem educados para uma inserção social e profissional. No entanto. a funções de disciplinarização e docilização. lhes nega esse lugar. de tecnológicos. as escolas cumpriram suas norma social pró-trabalho assalariado. como a violência. através do e de ação nos ambientes escolares. ocorre construir os caminhos futuros e sobre os riscos uma distribuição serial de lugares sociais. como o com a implantação e a difusão da aumento dos níveis de gravidez na adolescência. do espaço. A incerteza.1999). hoje é que ela existe sem qualquer desastre PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. o jovem busca outros com as modificações nos modos de gestão. o planejamento a longo prazo tornaram-se processo de vida linear que era sustentado pela corriqueiras. No entanto. Por É possível que. o individualismo. como o de Pochmann (2000). ao invés de simplesmente abolir as regras do indivíduos sem suporte. autonomia. impasse: uma produção de subjetividade que O controle do tempo. num mercado que. tornaram-se requisitos disponível. 258-269 . modelo construído para o capitalismo taylorista- fordista não mais atinge seus objetivos primeiros Com baixas perspectivas de futuro. ao preparação para o trabalho. níveis por demais estressantes. que experiência profissional e da qualificação destaca que o contexto de desemprego fragiliza escolar formal. o que conduz a crises de função a percepção do jovem de que. A família enviava fechar suas portas. 2006. tornando-se. visando que valem uma aposta promove ansiedade. “O que é singular na incerteza de premissa da garantia de inserção social. atingem o modo de viver e de se constituir. o jovem de preparação para o trabalho. pois o trabalho. Existem estudos que apóiam essa das empresas à contratação. parcialmente. bom exemplo de tal complexidade e paradoxo. informatização e dos novos processos o aumento dos índices de violência. A questão da adolescência é um interiorização da disciplina. as empresas passaram a fazer vandalismo e de uso de drogas talvez denotem outras exigências de contratação. Essas mudanças de proteção social. a drogadição. a dificuldade de desemprego. cada vez mais. Flexibilidade. apesar do Castel em uma entrevista proposta por François ataque à burocracia e uma certa noção de que Ewald (1997) acerca do “individualismo o novo modelo permite maior liberdade às negativo”. ansiedade e o sentimento de fracasso atinjam características necessárias no regime taylorista. substituindo. Um movimento diferente das forças de subjetivação emerge com o advento da Como enfatiza Sennett (1999). tentativas de inserção num modelo social liberal capacidade de resolução de problemas. que convoca a um trabalho não mais tão criatividade. desprovidos passado (Sennett. além da hipótese. Aqui Nos últimos anos. 262 Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego estabelecimentos de ensino. Este ocorre quando as pessoas se pessoas. do subemprego e do geração à deriva. possa superar suas dificuldades. há a exigência de inserção e O discurso da instituição escola se fortaleceu de mudança de estatuto social – assunção da socialmente pela atrelagem entre educação e adultez – pelo trabalho. Alguns dados.

26 (2). 263 Luciana Fim Wickert PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. os velhos saberes que há mais padrões de estabilidade. homem. quando este alheios à proteção social e aos processos de enfatiza que o jovem atualmente consegue inserção/inscrição sociais. a taxa de desemprego juvenil apresentou uma Esse cenário nos coloca diante de algumas tendência de elevação sistemática.. em segundo lugar no ranking de pessimismo sujeitos em velhos modos que não no que tange a trabalho. trabalho em “bicos” ou estágios rápidos. e que.. Dados da nas quais nem produzirmos como sujeitos em velhos modos mesmo cremos Organização das Nações Unidas .. passa a ser algo bastante presente e a engendrar mas. disciplinados . a taxa de desejo. está Essas informações apontam um grande entremeada nas práticas cotidianas de um contingente de jovens à procura de seu primeiro vigoroso capitalismo. de moral. apesar de existir uma queda na encontra com relação à inserção e à taxa de expansão da população entre 15 e 24 continuidade profissional. aqui tomado como algo que impele à desemprego juvenil era 4.. depender de É possível que essa instabilidade enfraqueça o velhas crenças. Isso se relação de trabalho assalariado formal (com visualiza. o trabalhador nessa faixa etária ainda na primeira metade da conseguia vislumbrar o trabalho como um década de 2000 (Pochmann. para Deleuze algo que não mais existe nas mesmas Para tornar esse cenário mais complexo. esse mesmo autor condição de vulnerabilidade social em que se informa que. 2000b). nada que aponte a um futuro profissional ou a uma Para corroborar a importância de discutirmos os estabilidade. e de nos dispositivo de mobilidade social.. na década de 90. um arranjo social correspondem brasileiros não acredita que terá um futuro com que entra em crise devido às sérias modificações mais aos nossos problemas.114). Tal cenário acaba confirmando a efeitos desse cenário social.” (Sennett. sem rumos a priori. três vezes menor ação de pesquisa. conforme Pochmann. no campo do trabalho. complementa que 48% (nível jovens. o futuro trabalhador. nos anos oitenta.esquecemos encontrando/utilizando para tornarem-se rapidamente os características de flexibilização e precariedade sujeitos de suas próprias ações. em matéria que não se exercem mais. anos. Por trabalhos realizados que a taxa de 16% de 1998 (Pochmann. que não se afirma Deleuze: sem referenciais claros. nas quais nem mesmo cremos mais.ONU mais. pois prepara-se o pais (Pochmann.. A instabilidade “.. A título de questões que se foram configurando num comparação. então. este último compreendido como a ser normal. hoje o jovem. pois como velhos poderes do trabalho assalariado. norteador da vida ou como algo que Devido a essa situação. se encontram destacados por Pochmann (2000b). Não exercem mais. os velhos saberes que modos de ser diferentes dos tempos anteriores. portanto. 2006. pelas “..esquecemos rapidamente os velhos poderes não são mais úteis. está previsto que teremos o ponto máximo em termos de quantidade absoluta de sujeitos Se.. 2000) anteriormente com desempregados e com Em outro trabalho. ao contrário. por vezes se vê à deriva.” condições de viver e trabalhar melhor que seus sociais nas últimas décadas. 258-269 histórico iminente. 1999. não não são mais úteis. condições: o pleno emprego. p. deixamos de não deixamos de depender de velhas crenças. em matéria de moral. urge que se conheçam possibilitasse uma certa construção atrelada à as estratégias que esses jovens estão mobilidade social.. crescia a vontade de saber – sentido nacional) dos desempregados estão na faixa nietzschiano – como se davam os processos etária dos 15 aos 24 anos (Pochmann. mas. e de nos que não correspondem mais aos nossos informam que a juventude brasileira se encontra produzirmos como problemas. p. ou melhor. de subjetivação de jovens que.6%.” (1988.33). em décadas passadas. A instabilidade pretende emprego. 2000). 2000b). nos dados carteira assinada). Sete em cada dez Sucintamente temos.

algumas categorias se permitem-nos melhor acessibilidade às configuraram por sua recorrência e poder percepções. 26 (2). da produção discursiva. tendo seus limites e sua Encontrando jovens em busca do independência. optamos por pelo tempo e pelo espaço (Briggmann. sensações e entendimentos dos enunciativo. sem relação formal de emprego realizado por sua formulação (oral ou escrita)” anterior (Lei n° 11. encontravam um mundo problematização feita por Michel Foucault sobre que lhes negava esse lugar? Será que essa outra o termo: configuração social mobiliza forças disruptoras? Promove outros movimentos de subjetivação? “O enunciado não é uma unidade do mesmo gênero da frase. Tais categorias primeiro emprego. primeiro emprego uma estrutura (isto é. pela análise ou pela parceria de pesquisa com o Programa do Estado intuição. mas não é subjetivação frente ao cenário de desemprego? tampouco uma unidade como um objeto material poderia ser. (.. entrevistas semi-estruturadas. A análise destas se efetivou a partir Jovens tentando entrar no mundo do referencial arquegenealógico foucaultiano. pois estas Pela análise dos dados. quando forem capazes de sustentar-se PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Foram realizadas 20 entrevistas com inscritos Desse modo.. pois insere-se como uma A fim de pesquisar os modos de subjetivação prática individual e coletiva. em seguida. se eles “fazem sentido” ou não. 264 Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego por inúmeras instituições para um dever ser p.. autorizando assim um Para responder a essas questões. de que governamental de inserção de jovens de 16 a são signos e que espécie de ato se encontra 24 anos. sendo 15 com jovens que sua função de “elucidação” da existência de certos estavam candidatando-se a uma vaga e as discursos. ação que regra se sucedem ou se justapõem. consumo. As entrevistas foram gravadas em áudio-tape e transcritas. comunicar. de subjetividade marcada pela confrontação dos ideais éticos pró-trabalho assalariado e o Primeiramente.. resultado motivos de ordem moral e financeira. historicizada.) O enunciado não é. Os jovens foi tomado na sua significação latina entrevistados buscam a inserção social por “enunciatu”: “expresso. o entendimento de enunciado contexto social de desemprego. Buscávamos enunciados qualificação. Quais os processos de resistência e de não se apóia nos mesmos critérios. viabilizamos uma exclusivamente aos signos e a partir da qual se pode decidir.363. 98-99). Para tanto. 1999. transmitir pensamento. do trabalho que nos aponta a importância da análise do contexto socio-histórico e do poder enunciativo Os dados da pesquisa apontam uma produção de certas falas. buscamos número talvez infinito de modelos concretos). a seguir. de 30 de julho de 1999). independência e que elucidassem a experiência da busca do “qualquer coisa. 258-269 . marcada dos jovens de 16 a 24 anos. são apresentadas ao longo da discussão dos dados da pesquisa. sujeitos entrevistados.. é encontrar jovens que estavam à procura de seu uma função de existência que pertence primeiro emprego. proposição ou ato de linguagem. levando-se em conta o Compreendem que atingirão sua adultez contexto em que ocorreu. alguma coisa”. 1997. Mas. declarado. segundo do Rio Grande do Sul – Primeiro Emprego.” (Ferreira. Cabe aqui destacar que entendemos restantes com jovens que haviam sido que a linguagem não é um simples meio de contratados através do mesmo. o enunciado pode ser tomado na no Programa. 2006. 1996). um conjunto de relações entre elementos variáveis. (Foucault. ela faz bem mais do que isso. pois. São elas: relação familiar. pp.. agregamos a trabalhador/adulto. 774).

Ressentem-se com o sistema. fictícios. ouvíamos: “Agora.. 22 anos). que mim. quem sabe meio de São os processos de autoculpabilidade que narcotização da escolher/planejar um futuro. é claro que o se pela negatividade. qualquer coisa. Algo que parece evidenciam as relações com a moral gregária. A social de desemprego que dificulta a inserção moral aristocrática identifica-se com um tipo no mundo do trabalho e a assunção de novos predominantemente ativo e afirmativo. numa própria descarga são efeitos No caso dos jovens pesquisados. pois Com o transcorrer das entrevistas. Giacóia (2001) chama Os sujeitos dessa pesquisa ora sentem raiva. que não a busca de um sonhos. de uma descarga súbita de um afeto vigoroso. por vezes. 2001. 2006.o ressentimento é um processo reativo. O vivente quer dar vazão a sua força – a própria entorpecimento é o elemento positivo e principal. papéis sociais.. como denota a vontade de poder sonhar. a si próprio. mesmo quando secundários. consciência. pois há o “aplacamento do desejo/da potência”. reação à experiência de pontuarmos a discussão nietzschiana sobre a sofrimento” (2001. ora culpa. em nome do ideal de inserção sistema que não os auxilia na inserção. “O tipo ressentido é aquele no ausência de possibilidade de escolha.. 2001). . Trazemos essa distinção à nossa discussão. maior é a renúncia a suas vontades. para responder à objetivação social/familiar. o que o leva a pressupõe a vivência de para melhorar as coisas. Giacóia no sistema.. 21 anos) . O distanciar-se a cada dia. que apontavam uma certa ressentidos. é interessante efeitos secundários. a dominação posição mais crítica. que. o jovem está a ponto de aceitar “qualquer coisa”. O “mas se fosse” vigoroso. eu dela por meio de sofrimento psíquico: o automartírio da uma descarga gostaria de trabalhar em escritório.. então intensificação de uma outra espécie de desembaraçar-se não dá para exigir muito. moral aristocrática (dos senhores) e a moral gregária (dos escravos). pela negatividade.o ressentimento tipo de emprego/trabalho ou remuneração em direção ao exterior” (Giacóia.. suficientes. Seu modo de 2 sofrimento e a para ti escolher emprego” (Tábata. enquanto a moral escrava é identificada pela reação a estímulos externos. de tipos alguma coisa”. Hoje em dia não dá processos de ressentimento. p. 258-269 financeiramente e sofrem diante do contexto de moral e a distinção entre ação e reação. em conseqüência. Mas se fosse. 2 Os nomes dos entrevistados são a atenção para a relação entre esses dois tipos ora desânimo – vontade do nada –. cumprindo as reação à tão efetiva que mina os processos de resistência. ainda assim não são experiência de levando os jovens a uma espécie de renúncia sofrimento” contratados.. que não se qualificaram. Qualquer coisa que dê ativa dos estímulos externos. é um processo estavam pretendendo. que pressupõe a vivência de sofrimento e a O sofrimento decorre da impossibilidade/ necessidade de desembaraçar-se dela por meio dificuldade de o sujeito dar sentido a sua força. um de si mesmos. Como aponta Giacóia: sofrimento se faz presente. Nesse ponto. como consciência de culpa (Giacóia. descarga de afeto e de alívio da dor é a necessidade de “Como a gente não tem experiência. a busca de um culpado e a própria descarga são p. a seus estudaram em locais adequados. O contexto de desemprego é tão presente que. p. súbita de um afeto secretária. despertavam nossos dados apontam o prevalecimento da a atenção expressões do tipo: “qualquer coisa.305).. que não o elemento positivo e principal.antes de tudo o como meio de narcotização da consciência. 26 (2). Como salienta Nietzsche “. diante do questionamento de que capacidade de descarga de energias e afetos “. Nesse processo. do modo capitalista de pensar tem se mostrado procuram fazer as coisas certas. vida é vontade de potência” (1885/1999. atingem individualmente as exigências do culpado e a mercado. moral escrava e. normas do mercado. Porém. “. 265 Luciana Fim Wickert PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Por qual ocorre uma inibição ou bloqueio na exemplo. não existindo a espontaneidade da ação. para O tipo escravo tem dificuldade na elaboração reativo. 83). 84). Quanto mais tempo Os jovens acham que não fizeram cursos entorpecimento é ficam a procurar por uma colocação laboral. amarram.” (Nair. percebem.

2001. contra o pesquisa denotam um empobrecimento das próprio sujeito. E depois eu fico em casa. 22 anos). de algum modo. p. “Nietzsche pensa o sofrimento pela ausência de sentido. 2001. processos éticos. alguma coisa assim” hipnotiza o psiquismo e esteriliza o agir” (José. por falta de algo coletivos. marca da eu busco. que vezes. porque é Tomo café. p. por sua vez. afirmou que a vivência inferir que os processos de subjetivação do adoecimento profissional é marcada pela contemporâneos estão marcados por uma individuação da doença e que um dos preponderância das forças de objetivação/ elementos que constitui tal processo é o escravidão. muito de ver TV (. 7). vamos ficar com a potência leva ao sofrimento. discutindo as relações entre Numa teorização foucaultiana. Quando tem que puramente artifício. escapar de sua solidão moral. 18 anos).numa intensificação (Joana. pontos de apoio social (voluntariado. ao afirmarmos que a Guardadas as particularidades das populações ética é a prática reflexiva da liberdade e que esta última é marcada por possibilidades.” modernidade. Este. almoço em família. eu levo. então ela é muito: ah. ”O refinamento da consciência moral. Nardi (1999). “o homem moderno é fraco. Então. Esses resultados vêm ao encontro da melhor. não criticam o mundo.. Em um texto de Brusotti. família. “Fico em casa vendo TV. relações. por sua vez. pois.. Às patológica do sentimento de culpa.) Eu moro com a minha A impossibilidade da ação da vontade de avó. “Levanto. 6). “Eu saio de vez em quando.. nossos dados também empobrecimento dos processos reflexivos apontam o isolamento social. Depois vibram mais as forças vitais autênticas. discussão feita por Castel (1997) sobre o individualismo negativo. um afastamento dos processos necessariamente. ou não conseguiam sua inserção social pela via seja. querer algo. 18 anos). que opera como resistência à desfiliação PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO.. nada. 26 (2). pelo retorno ao espaço doméstico e pela perda do referencial do trabalho como elemento de A restrição das possibilidades de escolha afeta inscrição social. p. dizendo que eles Retornando à afirmação de Ariès (1981) de que não pensam. saio.. a família moderna parece substituir as antigas responsabiliza-os por algo que de fato é uma relações sociais a fim de permitir ao homem construção social. etc) como forma de deve. descarregar-se: por falta resistência social.. Eu gosto descarregar para fora” (Brusotti. o nada” (2000. grupos temos a seguinte afirmação: “A crueldade religiosos de jovens. Arrumo a casa. levando ao enfraquecimento a liberdade. a crítica que se faz quotidianamente aos jovens. 2006. (Foucault. 1985). porque em sua alma não levar o meu irmão no colégio. (Giacóia. de acordo com o modelo de Os jovens parecem restritos ao ambiente sofrimento da força que não se pode familiar. que. esses jovens parecem confirmar que o espaço familiar é o Em princípio. jogo uma bola. aniversário em família” (Nair. Tem janta em família. Para Nietzsche (apud Giacóia. os dados da de algo melhor. A vontade deve. afeta os dos relacionamentos fora do âmbito familiar. caracteriza-se possibilidades de escolha. p. 258-269 . 266 Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego É no interjogo da moral escrava que vão/estão do trabalho remunerado buscavam outros se constituindo. que se efetivam pela restrição das isolamento. 89). Tem uma tia que mora junto de nós. 2000. para o interior. 89). resultou “. a pesquisadas e as diferentes vivências em relação constrição do leque de escolhas leva a um ao mundo do trabalho. Entretanto. entendíamos que os jovens que ambiente de socialização que faz frente. poderíamos adoecimento e trabalho.

267 Luciana Fim Wickert PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Sai não trabalha é vagabundo”. papel confuso e possibilidade de reconhecimento de um sujeito pouco definido. pois esta representa um espaço de o assalariamento precisa dar suporte ao jovem papel. mas que ou depois. A acolhida se materializava em frases familiares do tipo: “Ah. não era. uma religiosidade que aplaca a chamado de terra de ninguém. organizada e organizadora para um espaço social Nesse momento. cabe à família Entre a convocação discursiva feita pela família de uma instituição continuar provendo a sustentação subjetiva e para que o jovem assuma o lugar social de organizada e organizadora para material de seus jovens que ainda não trabalhador e a realidade de desemprego deste. Nesse (Diana. tortas. a atividade não assalariamento. Sai de uma instituição destino. Como já afirmei acima. Sarriera et alli (2000. 26 (2). o no qual o tempo e a atividade não estão tão garantido pelo sofrimento. vai ser amanhã a inserção no mercado de trabalho. Parece. isto é. antes do aluno. né?” conseguir um responsabiliza pelo jovem nessa fase. Eles diziam muito que não fala dos familiares que convoca ao era para ser meu. 16 anos). Uma jovem já jovem passa a ser estruturados. 18 anos. Os jovens. 45).. uma crença Ficou bastante evidente nas entrevistas que os necessária que consola. p. né? Vai conseguir um trabalho que complemente a ter bastante gente com faculdade. eu acredito em Deus.. se ainda fala de uma jovem que afirmou que. supõe para o assalariamento. 258-269 social de seus membros. O escola. Como evidencia a de a maioria dos jovens ser proveniente de . torna-se empregada relembra a sensação de quando saía pressionado pela um papel confuso e pouco definido. que quando chegasse a hora.. Vai ter Sarriera et alli renda familiar” (2000. p. formulados em enunciados do jovem um período tipo: “tu tem que ter teu dinheiro” ou “quem de transição. isto é. Não sei. 2006. eu trabalho que complemente a momento.. 45). Às vezes. eu fico pensando: renda familiar” família para mostrar a sua capacidade de ah. a próxima vez tu consegue. um espaço social trabalham. Talvez estas possam ser compreendidas responsabiliza pelo como um resquício católico de que o céu está jovem nessa fase. Eu Os dados desta pesquisa concordam em parte acho que uma hora vai aparecer um serviço com essa afirmação. 19 anos. “Às vezes. De Apesar da existência de uma rede discursiva na repente. o jovem passa a ser pressionado pela fico com medo. não sei” (Joana. Eu acho que uma hora vai entrevistas demonstram que a família incentiva acontecer. também é ela que está fazendo frente a esse aos jovens que buscam o primeiro emprego. nenhuma instituição social se gente que tinha muito mais curso que eu. afirma: misticismo. jovens com “melhor” relacionamento familiar sentiam-se acolhidos e menos pressionados a Quanto à utilização da remuneração. empregada). encontramos um tensionamento paradoxal que no qual o tempo e configura e altera a própria convocação pró. empregada). um instituição social se período de transição. as pra mim.seja o que Deus quiser. Explico: são os laços familiares que que existe um Deus que escreve certo por linhas sustentam/filtram a sensação de não-inserção. mesmo que este se dê na categoria de filhos. Eu rezo todos os dias. O papel. antes do socialização. social – o aluno. vai ter bastante gente qualificada. observa-se um certo de transição é médio. entregar panfletos na rua (Manoela. angústia das buscas sem resultados pela nenhuma “A saída da escola supõe para o jovem um explicação de que existe uma hora certa. Mas. precisam encontrar na família. Se não foi ontem. O ambiente escolar oferece a quando este não consegue corresponder a essa aluno. “A saída da escola eu ia conseguir” (Paula.porque tinha capacidade de ninguém. por ter não são trabalhadores. ainda não precisava submeter-se a família algum espaço de reconhecimento social. apesar aceitarem “qualquer coisa”. sendo que esse misticismo se apresenta como defesa contra o sofrimento.. torna-se um norma subjetivante. bastante gente que não é qualificada. 18 anos). A mesma família que objetiva estão tão Isso se torna mais complexo com a saída da estruturados. Esse novo a procurar emprego: “A sensação que eu tinha família para mostrar a sua espaço de transição é chamado de terra de era que.. Esse novo espaço referindo-se ao jovem que termina o ensino Em algumas entrevistas. não-lugar.

eu quero vir ao centro. então tenho que estudar inglês. coisa que tu trabalhar. no contexto atual. (. por vezes. Porque tu não mãe. claro que ninguém comenta salário. 22 anos). quando e como que os jovens não auxiliariam no orçamento comprar. sabe? Quem tá Só que tem necessidade. que se mostra fundamental inglês. Não há proposições novas. então é mais ou menos pra isso.) então jovens em busca de seu primeiro emprego um emprego pra mim é aprender (. Vetor importante na vestido e saber falar bem. então preciso matricular-me nos discursos no que tange à motivação pela num curso de informática. né? Pra ter o meu dinheiro. parcela da população jovem que encontra sérias PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO.. então me comportarei. 26 (2). restringindo-se a um possibilitador de consumo. Aqui retomamos o entendimento da Com os dados até aqui apresentados. Às vezes. dar uma volta. tenho a de sustentar seu consumo individual. 268 Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego famílias com pouco recurso financeiro. né? pode planejar um futuro. para esses jovens. Esta parecia estar a cargo das famílias.. Daí porque assim oh: os meus pais trabalham. vem atrelado à questão do “consumo”. comprar uma consumo. Tem que estar bem busca laboral. que calça. “Ai. quero morar sozinha.. de tu achar o teu futuro. Até para que repercute nos modos de ser de uma geração. “Porque eu gostaria de ter a realização dos planos de vida e um certo meu próprio. É minha independência. E pretendo ser um consumidor. Quem das despesas domésticas. ao comentar familiar. A minha vontade é não depender desse dinheiro” (pensão que recebe Abordar a temática do desemprego juvenil do pai falecido) (Salete. cabia encontrar maneiras trabalhando numa coisa que eu gosto. que eu tô ganhando. mas O trabalho. Eu quero fazer fisioterapia. eles colocam: ah. sujeitos se vê enfraquecido.. Parece-lhes. que. é a porta de daí eu não preciso ficar pedindo dinheiro.. Para estava particularmente atrelada a um auxílio ter dinheiro. pra ter as minhas coisas. 258-269 . 2006. independente. não planejamento de futuro. né? É muito caro. “Porque eu constitui desafio que permanece pela sua não posso ficar a vida inteira dependendo de atualidade. Claro que eu posso comunicar ela. Às entrada em um novo mundo: um mundo de vezes. mas que eu tô enquanto. que prejudica (Joana. um certo desejo de “independização”.. Isso não significa dizer trabalha pode decidir o que.. 20 anos). Qualquer coisa assim. 22 anos). ter teu dinheiro e poder sair.. que eu tô imediata. daí tem que ficar pedindo dinheiro pra mais importante do que ser um trabalhador é ela. mas que as falas destacavam que o sobre os amigos que trabalham: “Quando eu objetivo do salário não era subsistência saio com eles. pra quando eu quiser sair.. ao aplacamento de si. acho que tem pelo menos o direito sair. ajudar a pagar. Uma jovem chega a dizer. podemos escravidão. 18 anos). é necessário trabalhar. A dificuldade de inserção laboral dos alguém. o sonho de se realizarem como quero” (Renato. O ato de trabalhar acaba depender do meu pai. “Olha a minha vontade é ser Para finalizar. à renúncia. Mais é pra isso. capta-se um ideário social perspectiva de receber algum dinheiro não que paira: quem tem dinheiro consome. Em geral. movimentação por um “emprego/trabalho” é A escravidão os empurra à fraqueza. Fazem o que lhes mandam. eu quero trabalhando.) Pra ganhou destaque em jornais e telejornais nos pensar no futuro. Não é a mesma tá dependendo de alguém” (Nair. né? Eu tenho que saber. aí tem que pedir pra minha de tu. precisa saber “independência”. 16 anos). pra mim comprar as coisas que eu Para esses jovens. ao jovem.. A minha Os dados desta pesquisa evidenciaram uma independência” (Nair. Tem que saber informática. Eu pretendo fazer uma últimos anos. a Pela via do “consumo”. trabalhando... Para ser contratado. Isso se efetiva pela fazer um cursinho e ingressar na faculdade” dificuldade de inserção profissional. Trata-se de um problema social faculdade. Buscam pontuar a relação entre “capacidade de ser aquilo que pensam que os outros querem consumo” e uma certa sensação de que sejam.

Subjetividade e Poder. Encontram-se à deriva entende-se que o campo de ação destes não profissional. positivamente a vida. Av. Programa de Pós- Graduação em Educação – UFRGS. NARDI. Rio de Janeiro : Graal. 2ª ed. Para além do Bem e do Mal: Prelúdio de uma Filosofia Identidade Profissional. Jorge Castellá Sarriera (org). n° 2 e 3. A. Graduação em Educação – UFRGS. _____________. M. 4-12. História da Sexualidade 3: o Cuidado de Si. São Paulo : Brasiliense. H. São Paulo : Estudos sobre Subjetividade. . Paulo : Nova Cultural. 1987. 1999. Luciana Fim Wickert Psicóloga. As Transformações no Mundo do Trabalho e os seus de duas Gerações de Trabalhadores Metalúrgicos e do Setor Conceitos. Salário. R. P. DELEUZE. mobilidade social. no rol de suas ações. Revista Mexicana de Referências LTC. A Corrosão do Caráter: Conseqüências Pessoais do Raquel Ramalhete. 2001. Porto Alegre: Núcleo de Neves. M.3 . Programa de Pós. Publisher Brasil. 1988. M. Informal (1970-1999). 1999. F. El Sujeto y el Poder. 31-36. n. de SENNETT. Saúde. Rio de Janeiro : Forense Universitária. A. año L. Agarram-se a quaisquer pode restringir-se exclusivamente ao possibilidades de inserção. os programas de inserção tem mais o trabalho como algo que norteia profissional se fazem necessários. EIZIRIK. e de economia solidária. RIO GRANDE DO SUL. 1998. et alli. C. In Os Pensadores – Nietzsche: Obras Incompletas. 1988. COLBARI. Estudos sobre Subjetividade. In Psicologia Comunitária: Estudos Atuais. Revista do Departamento de Psicologia – UFF.com. 9. 1997. GIACÒIA JUNIOR. 269 Luciana Fim Wickert PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. 1997. Rio da Escola ao Trabalho. B. ORTEGA. 201. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. nº 3. Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. Rio de Janeiro : Record. Tese de Doutorado em Sociologia. Porto Alegre. Subjetividade e Poder. 774. 1981. amarram-se à negatividade estejam incluídas atividades de reflexão e de do não ter. Alto Petrópolis Porto Alegre/RS CEP: 91310-003 Fones: (51) 33517262 – 8111. (1885)1999. de H. Ética do Trabalho:a Vida Familiar na Construção da NIETZSCHE. São Leopoldo : CASTEL. pp.45-63. jul/set. G. Porto Alegre : Núcleo de POCHMANN. Ijuí: Unijuí. o trabalho cooperativado outros modos de engendrar a existência. ap.8885 E-mail: luwickert@uol. É preciso que. No contexto de financiamento de uma parte da remuneração quebra da linearidade profissional e de do jovem.br Recebido 22/06/04 Reformulado 26/05/06 Aprovado 29/05/06 ARIÈS. por exemplo. A Batalha pelo Primeiro Emprego. BRIGGMANN. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. nº 4. Amizade e Estética da Existência em Foucault. As Metamorfoses da Questão Social: uma Crônica do Unisinos. 258-269 dificuldades de inserção profissional e que não Nesse cenário. Foucault. Trabalho e Discurso Médico: Relação Médico-Paciente e o Conflito Capital-Trabalho. 2002. pp. F. C. Porto Alegre : Sulina. – Entrevista Proposta por François Ewald. pp. SARRIERA. Evento ou Processo? _____________. Antonio David Cattani. O. Org. Novo Aurélio Século XXI: o Dicionário de Porto Alegre. 1999. Língua Portuguesa. In Trabalho e Tecnologia: Dicionário Crítico. 2006. 26 (2). História Social da Criança e da Família. Trad. 1999. Cadernos Nietzsche. da FCAA/UFES. 3-34. 2000. 7149. 1985. Petrópolis : Vozes. Psicanalista. F. Educação. de Janeiro: Graal. 16 de julho de 2000. J.363. São 1985. Trabalho e Ética: os Processos de Subjetivação CATTANI. Existe Saída para os Jovens. Editora Unijuí. Trabalho no Novo Capitalismo. São Leopoldo : Unisinos. P. Nietzsche como Psicólogo. F. D. Mestre em Psicologia Social e Institucional/UFRGS. Petrópolis : Vozes. Ressentimento e Vontade de Nada. Entretanto. Rio de Janeiro : _____________. ___________. Poder e Educação. Petrópolis : Vozes. A. In Zero Hora - EWALD. São Paulo: 2000. Institui o programa Primeiro Emprego – PPE e dá outras providências. Ética e Cuidado de Si: Movimentos da Subjetividade. Sociologia. Ressentem-se com a não-inserção aprendizagem de outros modos de trabalhar e encontram dificuldades de constituírem como. pp. Protásio Alves. Discurso: Estrutura. Poder e Educação. 1999. A Arqueologia do Saber. Lei n° 11. 2000. p. FERREIRA. Trad. de Luiz Felipe Baeta Educação. L. 3. 1999. de 30 de julho de 1999. A. R. Robert Castel: o Advento de um Individualismo Negativo Caderno de Empregos. Porvir. Marco. nº 8. BRUSOTTI. Os (Des) Caminhos dos Jovens na sua Passagem FOUCAULT. 1997. São Paulo : Letras e Letras. ______________.