IGOR SANTOS TUPY

Impactos Regionais de Crises
Financeiras: Estudo sobre as respostas
dos Estados Brasileiros à Crise
Financeira Global.

Belo Horizonte, MG
UFMG/Cedeplar
2015

ii

IGOR SANTOS TUPY

Impactos Regionais de Crises Financeiras: Estudo
sobre as respostas dos Estados Brasileiros à Crise
Financeira Global.

Dissertação apresentada ao curso de Mestrado em
Economia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento
Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da
Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito
parcial à obtenção do Título de Mestre em Economia.

Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Crocco Afonso
Co-orientadora: Profª. Drª. Fernanda Faria Silva
(Universidade Federal de Ouro Preto)

Belo Horizonte, MG
Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional
Faculdade de Ciências Econômicas - UFMG
2015

Ficha Catalográfica

Tupy, Igor Santos.
T928i Impactos regionais de crises financeiras [manuscrito] : estudo
2015 sobre as respostas dos estados brasileiros à crise financeira global /
Igor Santos Tupy. – 2015.
150 f.: il., gráfs. e tabs.

Orientador: Marco Aurélio Crocco Afonso.
Coorientadora: Fernanda Faria Silva.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais,
Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional.
Inclui bibliografia (f. 142-148) e anexos.

1. Crise financeira –Teses. 2. Economia regional – Teses.
3. Política monetária – Teses. I. Crocco, Marco, 1961- II. Silva,
Fernanda Faria. III. Universidade Federal de Minas Gerais. Centro de
Desenvolvimento e Planejamento Regional. IV. Título.
CDD: 338.542
Elaborada pela Biblioteca da FACE/UFMG – NMM007/2016

iii Folha de Aprovação .

em especial à minhas avós. dedicação. pelos conselhos e direcionamentos sem os quais esta dissertação não se tornaria viável. À Universidade Federal de Minas Gerais e ao CEDEPLAR e todo o seu corpo docente e de técnicos administrativos. conselhos. Marli e Lindinalva. Renan e Tércio. Aos amigos e colegas. pelo amor e companheirismo nesses últimos dois anos! Por compreender e estar presente nos momentos mais difíceis do mestrado! A todos os meus familiares pela torcida e apoio em todos os momentos. que hoje concentra toda a minha saudade. Maria Luiza. cada novo aprendizado! À Bia. por todo o amor. iv AGRADECIMENTOS Primeiramente a meus pais. e à minha irmã. Ao Professor Marco Crocco e à Fernanda Faria pela valiosa orientação e coorientação. A meu avô Sinvaldo. e tenho me tornado. Pérycles e Adriana. . preocupações (e noites mal dormidas) e sacrifícios que me permitiram cada conquista. sobretudo os colegas do CEDEPLAR e amigos da república “À Vista”. pelo exemplo de simplicidade e humildade. enquanto pessoa e enquanto profissional. André. pelo carinho de sempre. Aos professores Marco Flávio Resende e Adriana Moreira Amado pela disponibilidade em estarem na banca e pelas valiosíssimas contribuições a este trabalho! Muito Obrigado! Todos vocês contribuíram muito para a formação e para o enriquecimento do que me tornei.

....................................2........2.................2 Testando a Resiliência Econômica dos Estados Brasileiros...................................... EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS DOS DESDOBRAMENTOS DA CRISE FINANCEIRA: IDENTIFICACAO DOS CHOQUES REGIONAIS E A CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA DOS ESTADOS BRASILEIROS..................2.................... 36 2 A CRISE FINANCEIRA...................................... ................2 Métodos Econométricos ......................................................... 83 3............. .........1.............. .......... .....1......1..................2 Preferência Pela Liquidez e Impactos Regionalmente Diferenciados...................................2.2.......... 41 2......... 40 2.......... ... 90 3............................... SUA TRANSMISSÃO E IMPACTOS REGIONALMENTE DIFERENCIADOS .........................2....................................... 55 3 ANÁLISE DOS IMPACTOS REGIONAIS DA CRISE FINANCEIRA GLOBAL SOBRE A ECONOMIA DOS ESTADOS BRASILEIROS...........3 Elementos Espaciais da Crise Financeira... .... ...........1........2......... 69 3.................................. v SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...3 Resiliência Econômica Regional.......... 69 3............................................................ Resistência e Recuperação Econômica dos Estados Brasileiros aos Efeitos da Crise Financeira Global.................................... 24 1....... ..... 68 3.. ...................110 3.....2...........2 A Hipótese de Fragilidade Financeira de Hyman Minsky ........ 21 1........ 74 3.. 15 1 UMA CARACTERIZAÇÃO DA CRISE FINANCEIRA GLOBAL (2007-2008) .........................1 Contexto Econômico do Desdobramento da Crise do Subprime ............1 VAR e Função de Resposta ao Impulso......... Análise do Comportamento do Emprego Formal...............1 O Resgate da Questão Regional na Análise dos Impactos das Crises..................... 31 1.1.....110 ...1 Análise dos Canais de Transmissão de Choques e seus Impactos sobre os Estados Brasileiros...................................................... 97 3......... 50 2......................1 Fonte e Tratamento dos Dados... 74 3. .......1...... Aspectos Metodológicos: análise descritiva dos dados e referencial econométrico utilizado...........

.................................................2.......146 ANEXOS ..............................................................153 ... ..................... vi 3....................................................................130 CONCLUSÃO .......................................2.................................140 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........2 Análise do Comportamento da Produção Industrial........................

................................... ..........103 FIGURA 3...................................... 92 TABELA 3....4 – EVOLUÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO EFETIVA REAL BRASILEIRA: 2004-2014 .......102 FIGURA 3..................111 TABELA 3..............106 GRÁFICO 3......................................................................2 – TAXA ANUALIZADA DE INFLAÇÃO (IPCA) PARA O BRASIL: 2004-2014 ........5 – RESISTÊNCIA À RECESSÃO ENTRE OS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DE SENSIBILIDADE DA CONTRAÇÃO ......1 – VARIAÇÃO DO PIB DOS ESTADOS BRASILEIROS: 2007- 2011....... CEARÁ E PERNAMBUCO............ ................ (%) ..........................104 FIGURA 3................ 96 GRÁFICO 3......................... ............................5 – EVOLUÇÃO DO RISCO BRASIL: 2004-2014.............................1 – RESPOSTAS DO EMPREGO A VARIAÇÃO NEGATIVA NO CRÉDITO LOCAL EM SÃO PAULO E AMAZONAS................................................. 93 GRÁFICO 3... 95 GRÀFICO 3.....6 ... ..1 – EVOLUÇÃO DO PIB BRASILEIRO TRIMESTRAL.......... ..............113 TABELA 3........ ................................ 94 GRÁFICO 3..........2 – VARIAÇÃO DO PIB PER CAPITA ESTADUAL: 2007- 2011(%).................3 – POTENCIAIS EFEITOS RECESSIVOS DE UMA RETRAÇÃO NO CRÉDITO BANCÁRIO: ESTADOS BRASILEIROS – 2004 A 2014............... vii LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICO 3.........3 – EVOLUÇÃO DA TAXA SELIC: 2004-2014............. 91 TABELA 3..........................................................................................................2 – RESPOSTAS DO EMPREGO A UMA REDUÇÃO NO CRÉDITO LOCAL NOS ESTADOS DA REGIÃO NORDESTE................................... 2004- 2014 ..........................................................................VARIAÇÃO DO EMPREGO FORMAL NO BRASIL COM E SEM AJUSTE SAZONAL: 2000-2014 .....3 – DECOMPOSIÇÃO DA VARIÂNCIA DO ERRO DE PREVISÃO DO EMPREGO FORMAL: BAHIA............................ 97 TABELA 3....................4 – RESISTÊNCIA À RECESSÃO ENTRE OS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DE SENSIBILIDADE DA CONTRAÇÃO RELATIVA DO EMPREGO NA CRISE DO SUBPRIME – PERÍODO ÚNICO.

. ............................ RS E SC. RO.......... SE...................132 TABELA 3......118 FIGURA 3................. PR................... 1991-2014.115 FIGURA 3............7 – VARIAÇÃO NO EMPREGO COM AJUSTE SAZONAL: BA. PI.......8 – EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL NOS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DESSAZONALIZADO....................... ... MT.......................... ................................. viii RELATIVA DO EMPREGO NA CRISE DO SUBPRIME: PERÍODOS DIFERENCIADOS................................... ................. 2002 – 2014...............123 TABELA 3.............................. MS....... ................ PB................................... AC E AL........................................................... PE......................7 – EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL: ÍNDICE DESSAZONALIZADO...... MA........... ....................................... ........... .................9 – RECUPERAÇÃO DO PRODUTO INDUSTRIAL REGIONAL NOS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DE RECUPERAÇÃO À CRISE DO SUBPRIME............... ............117 FIGURA 3.......................................................................................................6 – RECUPERAÇÃO DO EMPREGO REGIONAL NOS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DE RECUPERAÇÃO À CRISE DO SUBPRIME..............................................4 – VARIAÇÃO NO EMPREGO COM AJUSTE SAZONAL: AM....... MG...................120 FIGURA 3..121 TABELA 3.. RJ..........................................7 – RESULTADOS DA ESTIMAÇÃO POR SUR (REGRESSÕES APARENTEMENTE NÃO RELACIONADAS) PARA A EQUAÇÃO DE RESILIÊNCIA............................ GO.............119 FIGURA 3....134 ........8 – VARIAÇÃO NO EMPREGO COM AJUSTE SAZONAL: DF.6 – VARIAÇÃO NO EMPREGO COM AJUSTE SAZONAL: AP.126 GRÁFICO 3........ CE.....133 TABELA 3................................................... ........... PA E RN...........131 GRÁFICO 3.............5 – VARIAÇÃO NO EMPREGO COM AJUSTE SAZONAL: ES.....................8 – RESISTÊNCIA À RECESSÃO ENTRE OS ESTADOS BRASILEIROS: ÍNDICE DE SENSIBILIDADE DA CONTRAÇÃO RELATIVA DO ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL NA CRISE DO SUBPRIME – PERÍODO ÚNICO............. RR........... . SP E TO.....

...................... .......... . .155 TABELA A.......... CE.....136 GRÁFICO 3........3 – RESPOSTAS DO EMPREGO ESTADUAL A UM IMPULSO NEGATIVO NO EMPREGO NACIONAL..........138 TABELA A....1 – RESPOSTAS DO EMPREGO ESTADUAL A UM IMPULSO NEGATIVO NO CRÉDITO. RJ.............TESTES DE RAIZ UNITÁRIA PARA O ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL DESSAZONALIZADO: EM NÍVEL E EM DIFERENÇA......... .......................4 – RESPOSTAS DO EMPREGO ESTADUAL A UM IMPULSO POSITIVO NA TAXA DE JUROS......................... RS. ........................159 FIGURA A.............................................................1 .. PE E PR..........................2 – RESPOSTAS DO EMPREGO ESTADUAL A UM IMPULSO NEGATIVO NAS EXPORTAÇÕES................160 FIGURA A........11 – EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL DESSAZONALIZADO: BA...................................................157 TABELA A....................... SC... EMBI+..............6 – TESTES DE RAIZ UNITÁRIA PARA O CRÉDITO POR ESTADO: EM NÍVEL E EM DIFERENÇA. ....2...5 – TESTES DE RAIZ UNITÁRIA PARA AS EXPORTAÇÕES POR ESTADO: EM NÍVEL E EM DIFERENÇA. ix GRÁFICO 3..................TESTES DE RAIZ UNITÁRIA PARA AS VARIÁVEIS MACROECONÔMICAS: CÂMBIO........................ .............156 TABELA A............... .............................................. MG E SP......137 GRÁFICO 3.161 FIGURA A............153 TABELA A............................... TAXA DE JUROS (SELIC) E TAXA DE CÂMBIO........................................................ ...................................4 ............ ..154 TABELA A.........135 GRÁFICO 3................... .................10 – EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL DESSAZONALIZADO: GO...............3 – TESTES DE RAIZ UNITÁRIA PARA AS SÉRIES DE VARIAÇÃO NO EMPREGO FORMAL........158 FIGURA A...... . ............162 ...................TESTES DE RAIZ UNITÁRIA NAS SÉRIES DE ÍNDICE DE EMPREGO FORMAL COM AJUSTE SAZONAL..........................................9 – EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL GERAL DESSAZONALIZADO: AM........................................................ ES.................12 – DIFERENTES TRAJETÓRIAS DO ÍNDICE DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL NO PÓS-CRISE.......

........... ......163 FIGURA A.......6 – ESTABILIDADE DOS MODELOS FINAIS: RAIZ INVERSA DO POLINÔMIO CARACTERÍSTICO (AR) E CÍRCULO UNITÁRIO............. x FIGURA A.....165 .....5 – DECOMPOSIÇÃO DA VARIÂNCIA DO ERRO DE PREVISÃO DO EMPREGO FORMAL POR ESTADO. ...

Os resultados indicam a inserção no comércio externo como o principal fator responsável pelos impactos diferenciados da crise do subprime de forma que os estados mais afetados pela crise financeira foram aqueles cujas atividades econômicas são mais dependentes das exportações como Espírito Santo. e duração dos efeitos sobre a atividade econômica. inicialmente. iniciada com o episódio das hipotecas do subprime nos Estados Unidos. como os principais canais apontados como transmissores desses efeitos. poderiam ter gerado impactos diferenciados e. não estão entre os mais lesados durante a crise. Tais diferenças ocorreram em termos de amplitude. As respostas das economias regionais a choques nos canais de transmissão foram simuladas por meio da estimação de um modelo VAR (Vetores Autorregressivos) e das respectivas Funções de Resposta ao Impulso. infere-se que as políticas anticíclicas adotadas pelo governo federal conseguiram minimizar seus efeitos sobre os estados ao reestabelecer a liquidez no mercado de crédito via bancos públicos. . xi RESUMO Esta dissertação buscou analisar os impactos diferenciados da crise financeira global. Avaliou-se. restrição do crédito e queda nas exportações. como os da região Nordeste. Com isso. em seguida. tanto para as respostas aos choques nos canais de transmissão quanto na análise da resistência e recuperação. Os elementos relacionados à resiliência regional foram analisados com a construção de dois indicadores – Índice de Sensibilidade e Índice de Recuperação – e a estimação de uma “Equação de Resiliência” utilizando SUR (Regressões Aparentemente Não- Relacionadas). sobre os estados brasileiros. estados potencialmente mais afetados pela restrição de crédito. examinou-se os padrões diferenciados de resistência e recuperação da atividade econômica a partir do emprego formal e da produção industrial. Apesar de a restrição de crédito ter apresentado potencial de transmitir os efeitos recessivos da crise para maior quantidade de estados e em maior intensidade que a contração nas exportações. Os resultados confirmam a existência de heterogeneidade nos impactos do choque recessivo comum sobre os estados brasileiros. timming. Minas Gerais e Pará.

Economia Regional. xii Palavras-chave: Crise Financeira. Impactos Diferenciados de política monetária. Resiliência Regional. .

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ABSTRACT

This dissertation aims to analyze the regional transmission of the 2008 financial
crisis’ effects on Brazilian regional economies and their responses to this shock.
Specifically, the work concerns about the differentiated patterns of responses of
the Brazil’s twenty-seven States to this global event that contributed to lead
Brazilian Economy to a recession on the last quarter of 2008. In this context, the
reappearance of the regional question on economic debates about impacts of the
crisis is theoretically reinforced, mainly by highlighting the emergence of the notion
of regional economic resilience as a useful tool to understand the uneven patterns
by which local and regional economic systems respond and react to recessive
shocks. Additionally, the references of the dissertation include some elements of
Post-Keynesian Theory applied to regional context – such as differentiated liquidity
preference across territory and its effects during crises – in order to discuss the
role of credit constraints on this process. Decreases on credit and exports were
pointed as the main transmitters of international crisis to the national economy
during 2008. In this sense, this study evaluates how this channels could be
responsible to differentiated impacts among Brazilian states. The regional
responses to shocks in transmission channels were simulated by a Vector
Autoregressive Model (VAR) and their Impulse Response Functions. In a
counterfactual exercise, we examined how these simulated responses have fitted
to real regional frame of crisis impacts. Further, the uneven patterns of state
economic activity resistance to and recovery from recession were analyzed by two
indicators – Sensitivity Index and Recovery Index –and by a “Resilience Equation”
estimated by Seemingly Unrelated Regressions (SUR model). It was verified that a
common recessive shock, in the financial crisis period, causes heterogeneous
impacts on Brazilian States. Such differences occurred in extent, timing and
duration both in the regional responses to transmission channels shocks and in
the resistance and recovery analysis. In general lines, results had indicated that
the external insertion and the linkages with foreign markets were the main factor
responsible by the differentiated impacts of subprime crisis across Brazilian states.
Indeed, most affected states were those that are most dependents of exports,
mainly those specialized on mining industry, metallurgy and some commodities

xi

(i.e. Minas Gerais and Pará). Analysis allowed to indicate the strong impact on an
industrial district (Manaus), reflecting on the results of Amazonas state.
Furthermore, on the Brazilian Federal District case was verified the high resistance
and low recovery that shows the stability of employment in public sector on this
locality. Finally, credit constraints have shown higher, more intense and
widespread potential to transmit regionally the recessive crisis effects than the
decreases of exportation. However, it seems that countercyclical policies adopted
by the central government may had reduced their effective impacts over Brazilian
non-core states such as the Northeast region. Instead, these states could be
potentially most affected by a credit decrease were most resistant to the crisis.
The reestablishing of the credit market liquidity by the Brazilian government was
an important tool to recover from financial crises.

Keywords: Financial Crisis; Regional Economics; Uneven Impacts of Monetary
Policy; Regional Resilience.

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INTRODUÇÃO

Desde a década de 1990 a economia brasileira tem sofrido as consequências de
uma série de crises financeiras com dimensões globais, dentre as quais
destacam-se as crises do México (1995), Asiática (1997), Russa (1998), crise
Argentina (2002) e a crise mais recente em 2007/2008/2009 (Krugman, 2009).
Entretanto, a crise econômica mais recente, iniciada com o episódio do subprime
no mercado imobiliário Norte-Americano, tem características que a difere das
recessões anteriores em relação à sua profundidade e duração prolongada, sua
amplitude e sua influência, bem como suas implicações estruturais para o sistema
financeiro e para o investimento (Bailey e Berkeley, 2014).

Os impactos diferenciados da última crise financeira global puderam ser
observados por distintas formas e intensidades de transmissão de seus efeitos
entre os países. No entanto, diferente dos padrões anteriores, os países
desenvolvidos foram atingidos com maior intensidade e afetados mais
rapidamente, enquanto o contágio em países periféricos se deu de forma menos
intensa e mais lenta. O que não quer dizer que esses países ficaram imunes e
que os efeitos da crise do subprime não tenham se propagado internamente, de
forma também diferenciada.

Nesse sentido, é importante destacar que a crise financeira global apresenta
elementos espaciais bem definidos e, na maioria das vezes, ignorados nas
análises econômicas. A espacialidade que envolve este e outros choques de
natureza semelhante se configura não só no espalhamento de seus efeitos (cujas
formas serão discutidas no segundo capítulo desta dissertação), mas também se
mostra presente na gestação da crise, que não se criou num espaço abstrato do
mercado financeiro (Wójcik, 2013). Em particular, as características espaciais do
processo que levou à crise do subprime são fundamentais no entendimento dos
padrões desiguais de disseminação dessa crise entre as diferentes regiões.

Assim. Busca-se. Para esta discussão. também. como afirma Silva (2011). Dow & Rodríguez-Fuentes (1997). este trabalho parte do entendimento de não neutralidade espacial da moeda. levando em consideração variáveis macroeconômicas. portanto. taxa de câmbio. refletindo uma série de características econômicas e. as escolhas dos agentes econômicos. compreender os impactos diferenciados da crise financeira. Sendo não neutra no espaço. e seguindo as hipóteses de Dow (1987. tais como taxa de juros. bem como entender por quais canais esses efeitos se propagaram. sendo que esse impacto não acontece da mesma forma no espaço. dado que diferentes regiões apresentam distintas preferências liquidez. como afirma Carvalho (1989). a moeda exerce papel relevante no desenvolvimento e na perpetuação de desigualdades regionais. o canal do crédito e a variação nas exportações. isto é. Para esta análise. busca-se avaliar se os estados brasileiros responderam de maneira desigual aos efeitos da crise. cria demanda por segurança. por “flexibilidade para adaptar estratégias em face a imprevistos” (p. a preferência pela liquidez vai afetar a demanda e a oferta de crédito. a incerteza é o elemento chave que. Rodríguez-Fuentes (2006) e Crocco (2010). Nesse contexto. almeja-se entender de que forma as regiões brasileiras responderam à crise. em função das diferenças de preferências pela liquidez entre regiões. situação na qual a moeda se destaca por ser o mais flexível dos instrumentos de acumulação de riqueza para o indivíduo. 16 O objetivo geral desta dissertação é investigar de que forma ocorreu a transmissão regional dos efeitos da recente crise financeira global sobre a economia brasileira.179). . Especificamente. será proposta uma análise a partir de elementos relacionados ao conceito de Resiliência Regional - que será explicado em seguida. em termos de redução do emprego formal entre as regiões. identificando os principais canais de transmissão desses impactos e examinando os padrões de respostas das unidades da federação por meio de uma análise da capacidade de resistência e recuperação do emprego e da produção industrial. 1993). Ademais.

as características das regiões. Ainda. Entretanto. Este trabalho se justifica pela necessidade do entendimento de como uma crise de natureza financeira de dimensões globais. Blazek e Netrdová (2012) apontam que os fatores com relevância para explicação dos impactos regionais de crises são muito diversos. tida como a maior e mais intensa desde 1929. 17 Durante as crises financeiras. incluindo a situação macroeconômica inicial. Nesse aspecto. tal qual esta última crise. vão influenciar na intensidade dos revezes a que elas estão suscetíveis. como enfatizado por Silva (2011). algumas questões aparecem mais evidentes. é fundamental a compreensão de como as regiões absorveram e responderam a esse choque. . . isto é. em contextos de instabilidade. pela necessidade de se entender como os seus impactos são transmitidos diferencialmente e como as regiões no país tem conseguido reagir a esses efeitos.tendem a ter restrições financeiras ainda maiores em função de uma tendência a vazamentos de recursos e ativos financeiros em direção àquelas regiões centrais. afeta as regiões brasileiras. Em segundo lugar. as regiões periféricas – caracterizadas por uma maior preferência pela liquidez . Dessa forma consolida-se um quadro da dimensão regional da crise que vai permitir o exame das implicações em termos regionais da crise financeira. o quão resilientes foram as regiões frente à crise financeira. que as variadas respostas nacionais também foram importantes fatores que contribuíram para a diversidade dos impactos da crise. Para a compreensão da dimensão regional da transmissão dos efeitos das crises é importante o entendimento dos mecanismos pelos quais os choques se propagaram para a esfera real da economia. ainda. o que tem implicações severas sobre a disponibilidade de crédito e nível de investimentos. o cenário que se caracteriza é de profunda incerteza. Apontam. a estrutura territorial e os padrões econômicos de cada região. comparadas umas às outras. Na análise que se pretende nesta dissertação. de forma que as disparidades regionais podem vir a ser reforçadas.

mas também para a preparação para crises futuras. a compreensão dos padrões regionais diferenciados dos impactos das crises pode permitir um aperfeiçoamento na implementação das políticas anticíclicas por parte do governo. Nesse aspecto. reduzir os impactos naquelas regiões mais vulneráveis e evitar um eventual aprofundamento das disparidades regionais. a uma rica corrente de trabalhos que tem estudado os efeitos da crise financeira global e da consequente restrição do crédito sobre as regiões e sub- regiões em todo o mundo. este estudo acerca dos impactos da crise financeira sobre as regiões busca somar esforços e informações. Esta dissertação está organizada em três capítulos. em particular. entendendo como a crise foi gestada e como ocorreram seus principais desdobramentos a nível global e levando em consideração a importância da liberalização financeira e da consequente fragilidade no sistema financeiro. No primeiro capítulo realiza-se uma revisão geral sobre os principais aspectos da crise financeira global a fim de contextualizar o fenômeno cujos efeitos são o objeto de análise do trabalho. não só para mitigar seus efeitos. traz-se a discussão dos efeitos da crise financeira para o âmbito dos estados brasileiros. 18 Períodos de crise nos ciclos econômicos e políticos. como orienta Bailey e Propris (2014). principalmente a partir de Leyshon . têm servido como poderosos gatilhos para novas pesquisas e novos discursos. mas que ainda não parece consolidada no Brasil. 1986) de forma a mostrar como um ambiente de estabilidade permite a adoção de posturas financeiras mais arriscadas por parte dos agentes econômicos. criam imperativos para mudanças nos hábitos. resgata-se a Hipótese de Fragilidade Financeira de Minsky (1957. Portanto. pontos de inflexão nas trajetórias de desenvolvimento de curto e de longo-prazo. rotinas. Por fim. Adicionalmente. de acordo com Bristow (2010). As recessões. aliando – ou reforçando – à política macroeconômica um caráter regional que busque. Nesse aspecto. 1982. além desta introdução e da conclusão. além de mitigar os efeitos danosos das crises (no âmbito global). de forma a gerar uma instabilidade que é inerente ao sistema financeiro. convenções e políticas.

que consiste na capacidade que as regiões apresentam de lidar e reagir a choques. são destacados trabalhos a respeito da transmissão regional de choques monetários e da preferência pela liquidez regional e são abordados os principais aspectos que envolvem o conceito de “Resiliência Econômica Regional”. mostra-se as características espaciais da gestação da crise. (2010). buscam compreender os impactos regionais da última crise financeira em termos de seus impactos reais. busca-se verificar o comportamento dos canais de transmissão da crise financeira sobre o comportamento do emprego formal nos estados. Dentre os trabalhos desta natureza. rupturas e mudanças rápidas que ocorrem num âmbito nacional ou mesmo global. Cellini e Torrisi (2014) e Bailey e Berkeley (2014). onde detalha-se a metodologia utilizada na análise. Christopherson et al. desempenharam neste processo. Ashgarian. seguindo metodologia e estrutura de variáveis . utilizados como referência nesta dissertação. A discussão teórica sobre resiliência nesta dissertação se baseia em autores como Simmie e Martin (2010). O segundo capítulo traz uma revisão de literatura a respeito dos possíveis mecanismos geradores de impactos regionalmente diferenciados a partir de um choque recessivo. (2009) e Wójcik (2013). como é o caso de Morales e O’Callaghan (2014). por sua vez. Pike et al. utilizando o método VAR (Vetor Autorregressivo) e as Funções de Resposta ao Impulso. (2010) e Bristow (2010). Hess e Liu (2013) e Kenougios e Padhi (2012). 19 et al. A construção do modelo estimado inspira-se na literatura de Impactos Regionais de Política Monetária. Blazek e Netrdová (2012). A partir de uma análise de Séries Temporais. Nesse item. Fingleton et al. Alguns trabalhos recentes. (2012). em que grande parte deles se atém ao contágio da esfera financeira. Parte dos trabalhos que se voltaram para os efeitos regionais da última crise focaram exclusivamente na questão do contágio regional da crise. enfatizando o papel que os centros financeiros globais. Dias e Ramos (2014). Lee (2014). com foco em choques monetários como a crise financeira global. cita-se Davies (2011). A parte empírica e analítica do trabalho é apresentada no terceiro capítulo. Nova Iorque e Londres.

através do método SUR (Seemingly Unrelated Regressions). Fonseca (2008). bem como as diferenças regionais de seus impactos. Por fim apresenta-se as conclusões da dissertação. . (2012) e Cellini e Torrisi (2014). Assim. Rodriguez-Fuentes e Padrón-Marrero (2008). Bretanha e Haddad (2008). (2012). evidenciando o comportamento das variáveis econômicas agregadas durante a crise. 20 utilizadas por Carlino e DeFina (1996). analisa-se por meio das Funções de Resposta ao Impulso os possíveis canais de transmissão do choque recessivo para a economia brasileira. com ênfase no papel do crédito nesse processo e mostra-se as diferenças existentes em termos de resistência e recuperação do emprego nos estados brasileiros. esta dissertação pretende analisar alguns aspectos relacionados com a resiliência econômica dos estados brasileiros. Como segundo exercício empírico. Silva (2011). Fonseca e Vasconcelos (2003). (2011). (2013). Após a discussão das metodologias são apresentados e discutidos os resultados. Braatz (2013) e Cicarelli et al. Rocha et al. seguindo metodologia proposta por Fingleton et al. Fraser et al. Esta metodologia compreende a construção de dois indicadores que permitem uma análise exploratória das respostas regionais ao choque recessivo (Índice de Sensibilidade e Índice de Recuperação) e a estimação de um modelo que busca captar efeitos específicos dos choques sobre o comportamento do emprego nos estados.

Ferreira e Penin . apresenta intensa resposta às mudanças no cenário econômico. sendo um fenômeno com características espaciais bem definidas e fundamentais para um entendimento claro a respeito das suas peculiaridades. Segundo ele. ressalta que a gestação da crise não se deu num espaço abstrato. exatamente por essa velocidade com que reage às informações e movimenta os fluxos financeiros. aborda os principais fatores que levaram à recessão global e seus desencadeamentos mundiais. Por fim. Assim. sobretudo durante períodos de crise. Esta importância ocorre ainda mais neste contexto de maior liberalização e integração dos mercados financeiros ao redor do mundo. provendo a liquidez necessária e alocando poupança para a consolidação do investimento realizado quanto possuem um caráter instabilizador dada a ação dos especuladores que agem nos mercados financeiros. associadas à liberalização. Além disso. Para isso. busca evidenciar a importância do processo de liberalização do Sistema Financeiro Internacional e da consequente fragilização sistêmica na gestação e transmissão dos efeitos da crise. com sofisticação de seus mecanismos de atuação e de seus produtos. Os elementos e instituições ligados ao mercado financeiro são essenciais. tal mercado passa a ocupar crescente atenção por movimentar rapidamente grandes quantias financeiras entre instituições e entre países e. como este capítulo ressalta a seguir. Com as mudanças recentes. na dinâmica dos ciclos econômicos. que é objeto de estudo deste trabalho. avanços tecnológicos e inovações financeiras. 21 1 UMA CARACTERIZAÇÃO DA CRISE FINANCEIRA GLOBAL (2007-2008) Este primeiro capítulo faz uma revisão de literatura sobre os principais aspectos da crise financeira global. além de maior agilidade na transmissão de informações e de recursos. De Paula (2013) destaca o papel dual que o sistema financeiro possui na economia. os mercados financeiros tanto estimulam o crescimento.

A forte interação entre os bancos e . 22 (2007) completam que. Rússia e Argentina – na década de 1990. desde a década de 1980 pode-se verificar crises financeiras que. rapidamente. Dessa forma. se por um lado as operações financeiras complexas e interligadas dão coerência ao sistema. ou mesmo em países periféricos como Tailândia. bem como o alastramento e o contágio de crises gestadas nas mais diversas partes do mundo. essas hipotecas de alto risco foram reunidas em grande número de títulos financeiros sob os quais não se tinha informações de risco. A crise de 2008 teve origem no sistema imobiliário norte-americano a partir das hipotecas denominadas subprime. a partir do momento em que a viabilidade do processo dependa da capacidade de geração de renda para o cumprimento dos compromissos. também permitem comportamentos que o ameaçam. incentivaram uma maior alavancagem das instituições financeiras por meio de inovações financeiras. Com a reversão das expectativas. e por ele se espalha rapidamente tendo em vista o pânico que se instala entre os agentes. por outro. A concessão de empréstimos hipotecários a agentes que não tinham condições de fornecer garantias aos bancos gerou uma forte expansão do mercado imobiliário. bem classificados pelas agências de risco. por isso. tomam dimensões globais tendo surgidas tanto na maior potência econômica atual – os Estados Unidos – como na última crise (2007-2009). Mais adiante. A crise que se sucede ao estouro da dívida atinge fortemente o mercado financeiro. no qual se desenvolveram mecanismos de securitização que permitiram a diluição dos riscos e. e com a queda brusca no valor dos imóveis nos Estados Unidos é que transparecem a real dimensão da estrutura financeira frágil e complexa que se havia criado. Assim. as configurações atuais do mercado financeiro permitem intensificações de ondas de pessimismo por parte dos agentes econômicos. México. De Paula (2013) reitera que esta crise financeira evidencia o quão perigoso é confiar no funcionamento de um mercado financeiro desregulamentado. Sob esses títulos criaram-se ainda outros derivativos. sobretudo em 2007. em se tratando de crises.

a expectativa de reguladores e participantes do mercado de que o setor financeiro lograsse. que a dificuldade de supervisão e regulação das atividades financeiras internacionais ampliam o risco sistêmico da integração financeira global. segundo o mesmo autor. ser inteiramente estável. com a recente crise. parecendo. Segundo eles. a contra face dessa dinâmica decorre do fato desses mercados estarem frequentemente propensos a tremores sísmicos e crises sistêmicas de coordenação cuja fonte principal é o risco assumido pelas instituições financeiras. 23 as demais instituições financeiras esteve. ainda. Outro fator está relacionado à resposta dos governos dos Estados . diferentes mercados. Afirma. Leyshon e Thrift (2009). Lehman Brothers. French. técnicas e instrumentos. o crescimento de novos agentes financeiros e a internacionalização financeira resultaram num mundo em que o risco se espalha em muitos lugares. No entanto. dada as novas tecnologias. Merrill Lynch. por sua vez. mostrou-se falha. o modelo de bancos de investimentos independentes dos Estados Unidos parece quebrado. De acordo com Clark (2009). transformar a incerteza em risco calculável. localidades e institutos. o comportamento dos mercados financeiros globais é curioso. funcionalmente eficiente e completamente integrado. que foram arquitetos e líderes do modelo de securitização das finanças que domina o setor financeiro desde os anos 1980. A questão da incerteza é fundamental na compreensão da natureza e dos desdobramentos da crise financeira. em grande parte do tempo. Tal modelo engloba instituições como Bear Stearns. as inovações financeiras. apontam três razões que sugerem que a crise de securitização recente pode representar um ponto de inflexão significativo na trajetória do sistema financeiro global. De acordo com Engelen (2009). Morgan Stanley e Goldman Sachs. por detrás dos instrumentos especulativos “opacos” que foram se desenvolvendo até a emergência da crise financeira em 2007-2008. De acordo com ele. finalmente. Segundo ele. a crise do subprime mostrou que os mercados financeiros permanecem vulneráveis ao comportamento de mercado e custo acumulado de práticas muitas vezes ineficientes de gestão de risco.

afirmam que as crises vêm se tornando mais freqüentes e profundas: “tendo sido registradas. Após este panorama geral sobre alguns dos desdobramentos característicos da última crise financeira. a uma análise do contexto econômico e das características da crise do subprime americano. tal instabilidade reflete-se tanto na forma de volatilidade no preço dos ativos quanto na forma de ocorrência de crises em mercados de títulos e de câmbio. em Paris. . nos anos de 1719 e 1720 respectivamente. De acordo com Canuto e Laplane (1995). Nesse aspecto. desde o estouro das “bolhas” das empresas Mares do Sul. apontam que os problemas associados com a falência da securitização se provam. acabaram desembocando em contrações econômicas de grande profundidade. desde 1970. como na última onda de liberalização. 124 crises bancárias sistêmicas. no próximo item.1 Contexto Econômico do Desdobramento da Crise do Subprime Em períodos de forte liberalização financeira. através de atos de intervenção financeira que estavam sendo rejeitados em mais de quatro décadas de regulação financeira neoliberal. passa-se. Para eles. que pode representar uma mudança na atitude do estado quanto aos mercados financeiros. há tendência em se gerar uma crescente instabilidade nesse setor. a economia capitalista vem atravessando centenas de crises financeiras. intratáveis e custosos. seguida de uma discussão teórica resgatada neste ínterim: a hipótese de fragilidade financeira de Hyman Minsky. Os autores mostram que. particularmente complexos. Por fim. Gontijo e Oliveira (2011) destacam que. como o período anterior a 2007. em Londres e Mississipi. 1. Muitas destas crises. tal fenômeno tornou-se praticamente decenal a partir de 1825. desde 1930. segundo os autores. mas praticamente desapareceu no pós-guerra até o credit crunch em 1966 nos Estados Unidos. não se tinha registro similar de tantas crises isoladas ou com possibilidade de notável repercussão econômica. 24 Unidos e Inglaterra à crise financeira.

sobretudo. Entretanto. depois de uma queda entre 1990/1993. ao menor valor em quarenta anos. suas raízes se desenvolveram. para Gontijo e Oliveira (2011). quando esta passa a esvaziar. 05). em função da estagnação que se verificou decorrente do estouro da bolha acionária no segmento de alta tecnologia e. a Asiática em 1997. A partir de 2001. em todas elas. . verificou-se um boom no setor imobiliário naquele país. dos reflexos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. torna-se mais difícil inferir as implicações das operações e instrumentos que surgem das ondas de inovação no setor. a crise do subprime esteve inserida na reversão do último ciclo de construção residencial americana a partir de 1994. sua evolução e alastramento estiveram profundamente relacionadas à dinâmica do mercado financeiro. Os autores completam que com a redução na taxa de fundos federais. a Argentina em 2002 e a crise mais recente (2008) que será explicada de forma mais detalhada a seguir. foram dados novos impulsos para o setor de construção (tal como as reduções na taxa de juros promovidas pelo Federal Reserve). As crises da década de 1990 e do início dos anos 2000 tinham características semelhantes e. no qual os preços começam a subir. a Russa em 1998. A crise de 2008 diferencia-se das anteriores pelo rápido desenvolvimento de uma série de inovações no sistema financeiro. envolvendo a gestação de novos processos de empréstimos e cobranças que eram lançados aos mutuários e mutuantes. Entre 2000 e 2001. 25 208 crises cambiais e 63 episódios de não-pagamento de dívida soberana” (p. na década de 1990. ainda que lentamente. Segundo Krugman (2009). posteriormente. na década de 1990 verifica-se uma série de crises financeiras de dimensões globais: as crises do México (1995). Nessa mesma linha. Nesse ambiente de mercado financeiro desregulado. com essa série de reduções na taxa básica segundo Ferreira e Penin (2007). os custos do crédito hipotecário foram reduzidos consideravelmente. quando se forma a bolha de ativos em imóveis. e na década seguinte. Segundo Krugman (2009).

isso exigiu que se buscasse novos pretendentes para as hipotecas. emprego. Esta denominação se deveu ao fato de os tomadores não possuírem renda. Os emprestadores. ativos ou emprego. Kregel (2008) afirma que muitos desses empréstimos passaram a ser concedidos com base na autodeclaração de renda do tomador. são garantidos por uma segunda casa ou propriedade do investidor e possuem uma combinação de atributos (como alto valor do . seus lucros só poderiam crescer com a elevação da taxa de criação de novas hipotecas. concedidas a tomadores que dão a entrada tradicional e comprovam os seus rendimentos. Dessa maneira. e alimentaram a formação de uma ‘bolha ” (p. ou Obrigação de Dívida Colateralizada) – criados pelas grandes instituições financeiras. ao adquirir um imóvel através do crédito hipotecário. 26 destacam que “os cortes de juros tornaram-se muito expressivos. a partir de 2005. o comprador- devedor não é capaz de dar qualquer entrada e/ou não tem renda comprovada (GONTIJO e OLIVEIRA. segundo Kregel (2008). segundo Kregel (2009). ao contrário das hipotecas prime. levando estes papéis a serem chamados de NINJA. continuaram buscando novos mutuários para as hipotecas a fim de elevar os ganhos em taxas e comissões. uma vez que o estoque de tomadores de empréstimo classificados como prime haviam se esgotado. as hipotecas subprime correspondem àqueles casos em que.26). o que rapidamente levou a uma queda nos padrões das hipotecas incluídas nos CDOs – Collateralized Debt Obligation. nem ativos (No Income. as hipotecas subprime exigem menor grau de documentação. tendo mesmo resultado em valores negativos em termos reais. sem que houvesse uma verificação de renda. 2011. como as companhias financeiras e bancos especializados aumentaram suas atividades. Essa queda de qualidade nas hipotecas se deve ao fato de que. tornaram- se crescentemente de baixa qualidade e virtualmente sem nenhuma avaliação de crédito (Kregel. como afirma o autor. esses empréstimos usados como colateral. Nesse contexto. Gontijo e Oliveira (2001) retratam como o mercado de hipotecas subprime se desenvolveu rapidamente com a expansão das operações de securitização e alimentado pelas inovações financeiras a partir de 2002. No Job. Portanto. Entretanto. No Assets). p. 2008).35).

acrescidas de uma margem. que prometem pagar uma determinada taxa de juros. seu conceito é simples: Toma-se um certo número de contrato de hipotecas. permitia aos mutuários contrair novos empréstimos. Dessa forma as dívidas eram honradas mediante sucessivas “rolagens”. Esse título é. então. notou-se um rápido crescimento da participação de hipotecas subprime com taxa ajustável e a elevação dos empréstimos com pouca ou nenhuma documentação que comprovasse as condições de pagamento. Essas hipotecas de taxa ajustável. Uma das vantagens desse processo é que o tomador desse papel não tem muita noção do risco que está comprando. dando o mesmo imóvel como garantia. ofereciam uma taxa inicial baixa. Com isso. de acordo com Krugman (2009). vendido para fundos de investimento. para usar como base.19). apesar de o modo com que essa securitização é feita seja relativamente complicado. Isso foi possível enquanto o preço do imóvel permaneceu em alta. p. a maior parte dos investidores do mercado de capitais que compravam . ressalta Kregel (2009). dentro da capacidade de pagamento do mutuário. A redução das exigências para tomada de crédito e a valorização contínua dos imóveis do tomador. o processo de securitização para disfarçar essas hipotecas subprime. Além disso. famílias ricas. Condições especiais de pagamento também foram oferecidos a esses tomadores de empréstimo para tornar tais papéis mais atrativos. bancos etc. como relata Kregel (2009). 2008. com base no valor líquido do imóvel. em atraso. afirma Kregel (2008). Nesse sentido. em dois ou três anos. então. porque ele não vê as hipotecas que lhe servem de lastro (CARVALHO. o objetivo da criação do processo de securitização era precisamente evitar a necessidade de os compradores se preocuparem com a avaliação de risco do crédito. de um título financeiro (cuja remuneração é baseada nos juros pagos pelo tomador da hipoteca). sendo ajustada para as taxas de mercado. 27 empréstimo ou alta razão entre empréstimo e valor do imóvel) que tornam essa forma de empréstimo mais arriscada. objetivando a liquidação dos anteriores. Carvalho (2008) afirma que os bancos e as financeiras usaram. segundo ele. como Kregel (2008) destaca. Segundo ele. empresas com dinheiro para aplicar. ou lastro.

conhecidos como CDOs. combinadas com o desenvolvimento do processo de securitização e inovações financeiras introduzidas nesse período. Nesse momento iniciou-se uma reversão da política monetária por parte do Federal Reserve e uma tendência de queda no preço dos imóveis. lastreados nas hipotecas tipo subprime. p. O mercado do subprime conseguiu manter-se estável. Tal fato impôs dificuldades para as estruturas criadas que. como relatam Gontijo e Oliveira (2011): “a taxa média de elevação dos preços dos imóveis foi de 6. As várias agências de risco eram consultadas diretamente no desenho da composição dos ativos securitizados de forma a obter o “grau de investimento”. enquanto pôde-se originar um número crescente de novas hipotecas e enquanto os preços dos imóveis continuaram se elevando em condições de taxas de juros declinantes. 2008). como o autor reitera. entretanto. transformaram esse boom num verdadeiro frenesi. a debilidade do mercado começou a despontar. 2011. de . Krugman (2009) ressalta que esses títulos garantidos por dívidas. as instituições financeiras passaram a contar com agências reconhecidas de avaliação de risco para prover a avaliação do crédito dos empréstimos do subprime. de acordo com Kregel (2008). ano em que os preços das residências sofreram uma elevação da ordem de 14%” (Gontijo e Oliveira. que eram os colaterais por detrás das CDOs. fossem classificadas como grau AAA pelas agências de rating. A partir do segundo trimestre de 2006. Assim. as ações das instituições financeiras se deram no sentido de garantir que os ativos securitizados. Para possibilitar a venda desses ativos. atestando solidez comparada a dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. segundo Kregel (2008). pressionado pela elevação na execução das hipotecas (Kregel. ofereciam cotas de participação do pagamento dos recebíveis com diferentes prioridades de recebimento. com pico sendo atingido em 2005.4% ao ano no período 2000-2005. A redução das taxas de juros. 35). 28 tais ativos securitizados estavam sujeitos a exigências fiduciárias que os impediam de investir em ativos sem grau de investimento.

tais agências iniciaram a redução nas notas dos ativos securitizados. p. 2011. numa perda de confiança. E.31). p. 2008). para efeitos práticos. p. os títulos atrelados ao subprime começaram a se desvalorizar. Com isso. 29 acordo com Kregel (2008) só se mostravam viáveis em condições de contínua elevação na demanda e nos preços. ao mesmo tempo em que essas interrelações possibilitavam a dispersão do risco entre muitos participantes do mercado de capital. forçando ainda mais para baixo o preço e a demanda por estes papéis e aprofundando os prejuízos reportados pelas instituições financeiras. as agências de rating reconheceram que a atribuição do “grau de investimento” para tais ativos havia sido excessivamente otimista (Kregel. Neste aspecto. um estado de pânico no mercado financeiro.8). redução das notas de risco de títulos e papéis . Com o estouro da “bolha” imobiliária. Bullio (2011) acredita que a crise tenha mostrado que o risco sistêmico é um fator que não pode ser ignorado e que “as instituições desreguladas tendem a reduzir as margens de segurança e realizar operações arriscadas demais” (BULLIO. então. elas resultaram na perda da transparência em relação ao destino ultimo do risco (GORTON. e em ultima instância. 2008. “Quando a crise estourou em 2007. estruturas e derivativos resultaram numa perda de informação e. sucessivas divulgações de perdas substanciais por parte de fundos de hedge de importante banco de investimento.50). não era possível compreender os modelos de diferentes níveis de estrutura das hipotecas subjacentes. em última instância. No ano de 2007 ocorreram. seguiu-se uma série de anúncios de prejuízos de importantes instituições financeiras. 2009. Com a continuação da queda nos preços dos imóveis e dos CDOs. Como consequência das complexas relações existentes no processo de securitização das hipotecas. apud GONTIJO e OLIVEIRA. A crise levou a uma deterioração profunda das expectativas globais provocando. visto que. a rede ou interligações de ativos financeiros. pois ninguém queria comprá-los dado que o nível de inadimplência dos empréstimos subprime haviam atingidos patamares elevadíssimos” (LIMA e MATHIAS. 2011.

1986). acabou por esconder os riscos. que descreveu as formas como a liberalização financeira e a mudança na postura financeira dos agentes. resumido por De Paula (2013). pelas . conforme De Paula (2013). as atividades especulativas e valorização financeira da riqueza. é melhor entendida sob a ótica de Minsky (1982. sendo classificados com elevadas ratings. seguidos pela criação de novos instrumentos financeiros. apesar das fragilidades inerentes. Buscando ampliar a escala. Esta crise expressou. segundo Paula (2013). A compreensão desse processo. projetos que seriam avaliados como ruins em fases de desaceleração econômica foram considerados bons durante o boom. levando. desencadeia um processo de fragilização financeira que. 30 importantes e na falência de agências até então tidas como sólidas o bastante para resistirem a esse tipo de pressão. naturalmente. que não foram regulamentados pelas autoridades. no qual afloram. todas as contradições do processo de liberalização dos mercados financeiros e da crença de autorregulação destes. A ausência de crédito teve impacto imediato sobre os investimentos e sobre o consumo. frente a tomada de riscos. com instituições bancárias buscando conservar liquidez e menos propensas a emprestar. os bancos recorreram à securitização que. na verdade. Kregel (2009) afirma que a incerteza crescente sobre capacidade de solvência dos tomadores de empréstimo levou a uma crise de liquidez nos mercados monetários de curto prazo na Europa e nos Estados Unidos. as instituições financeiras incorporaram segmentos de baixa renda. levando a um processo de “estrangulamento financeiro do tomador de crédito”. tanto as economias emergentes quanto as desenvolvidas a uma situação de forte redução da atividade econômica e elevação do desemprego. evidenciando uma falha na autorregulação diante da existência de um caráter pró-cíclico da tomada de riscos. buscando diluir os riscos. Assim. no que ele denomina de condições de “exploração financeira”. segundo ele.

Segundo Arestis e Glickman (2002). a instabilidade é uma característica observada da economia. numa economia capitalista moderna. 1. gestam uma crise financeira como a que presenciamos a partir de 2007. Portanto. A fragilidade 1 De acordo com Minsky (1957). uma teoria que seja útil no suporte à políticas de controle da instabilidade deve mostrar como esta é gerada. (1982) e (1986) mostra que o lado monetário e financeiro da economia apresenta notáveis consequências sobre as variáveis reais. Mesmo que a quantidade de moeda não mude. endogenamente. não podendo omitir o papel dos bens de capital. Minsky segue Keynes na concepção de que os resultados das transações financeiras são inerentemente incertas. a tese central do argumento de Minsky. caracterizada por um sistema financeiro sofisticado e complexo. colocando ordem sobre as relações de troca numa economia descentralizada que opera num mundo sob incerteza.2 A Hipótese de Fragilidade Financeira de Hyman Minsky Minsky (1957). 31 forças do próprio sistema capitalista. as crises estão relacionadas ao processo de fragilização financeira. Dessa maneira. mas vai além ao indicar a existência de um processo endógeno em que a natureza da estabilidade econômica gera as causas da sua própria destruição (Kregel. a liquidez da comunidade . segundo ele. é que as forças capazes de produzir fragilidade financeira são construídas dentro do próprio sistema. segundo ele. Conforme a abordagem Minskyana. para Minsky (1982). dos arranjos financeiros centrados nos bancos e na criação de moeda. 2007). Minsky (1982) mostra que longos períodos de prosperidade propiciam inovações de mercado que elevam a velocidade da moeda ao mesmo tempo que reduzem a liquidez da economia 1. toda inovação institucional que resulta em novas formas de negócios financeiros e em novos substitutos para os ativos monetários reduzem a liquidez da economia. numa economia capitalista sofisticada. ligado à mudança na postura financeira das unidades econômicas. restrições impostas pelo passivo e os problemas relacionados com conhecimento sobre a incerteza futura.

depois trocam esses títulos por dívidas das casas de títulos. Estas posturas. Segundo Minsky (1986). especulativo e Ponzi. 2007). . Um agravamento da redução de liquidez resulta. num mercado monetário inerentemente instável. para a maneira como se dá o seu financiamento e a composição passiva das unidades financeiras. Uma unidade financeira Especulativa espera fluxos financeiros menores que os pagamentos acordados em um período próximo. Minsky incorpora a estrutura do passivo à análise na teoria do investimento – como destacam Lima e Mathias (2009) – voltando-se. segundo ele. a postura especulativa envolve o financiamento a curto prazo de posições de longo prazo. a robustez (ou fragilidade) dos financiamentos depende das relações entre obrigações e fluxos de caixa – como apontam Ferreira e Penin (2007) – que por sua vez são determinados pelos arranjos financeiros das unidades. A instabilidade inerente ao mercado monetário é tal. Minsky (1957) afirma que dessa mudança decorrem maiores riscos de insolvência ou mesmo iliquidez temporária por parte de importantes organizações não bancárias com poder de gerar reações em cadeia e afetar a solvência e a liquidez de muitas outras organizações. A liquidez também se reduz quando corporações não financeiras substituem moeda por títulos públicos e. diminui quando os déficits governamentais são substituídos por dívidas privadas em portfólios de bancos comerciais. Segundo Minsky (1986). três posturas financeiras em relação aos ativos podem ser identificados no sistema financeiro: hedge. que uma leve reversão na prosperidade pode ser o gatilho de uma crise financeira. além da estrutura dos ativos. segundo Minsky (1957). 32 apontada por Minsky pode resultar mesmo de um sistema financeiro perfeitamente estável em função de mudanças na dimensão da criação de liquidez (Kregel. se caracterizam por diferentes relações entre os pagamentos monetários de compromissos sobre as dívidas e as receitas monetárias esperadas com os ganhos em bens de capital. As unidades hedge tem fluxo de capital esperado com as operações em bens de capital mais que suficientes para arcar com os pagamentos de compromissos contratuais presentes e futuros (Minsky. 1986). Nesse aspecto. para Minsky (1982).

é similar a uma unidade especulativa em que. Uma rápida expansão da adoção do financiamento Ponzi. sendo necessário obterem refinanciamento para saldar o principal desta” (p. . com seu fluxo de renda. assumindo uma postura Ponzi na qual as unidades deixam de ter capacidade de fazer frente ao pagamento do principal de suas estruturas de passivo e dos juros que incorrem sobre elas. essas firmas necessitam. de empréstimos para poder rolar os compromissos de suas dívidas” (p. afirmam que elas “apresentam um fluxo de renda esperada superior apenas ao pagamento dos juros. 33 Uma unidade Ponzi. elas apresentam grande vulnerabilidade quando as taxas de juros são elevadas. Já as unidades Ponzi – segundo os autores – apresentam uma renda esperada “insuficiente para cumprir até mesmo o pagamento do juro da dívida. por fim. Assim. Em relação aos tipos de financiamento citados acima. assim. como no curto prazo não apresentam o fluxo de caixa necessário para honrar seus compromissos financeiros. o pagamento de obrigações excede as receitas monetárias esperadas de seus próprios ativos. Barhy e Gabriel (2010) apontam suas implicações práticas: as unidades econômicas hedges “são capazes de honrar. Minsky (1982) descreve como financiamento Ponzi atividades de investimento que dependem de relações financeiras nas quais o total da dívida de curto prazo em circulação se eleva dado que as taxas de juros correspondentes a empréstimos anteriores excedem a renda que se ganha com os ativos. Quanto às unidades especulativas. afirma Minsky (1982). os agentes tornam-se mais propensos a assumir riscos em relação às receitas e fluxos financeiros.34). Em períodos de boom.34).34). refinanciar indefinidamente suas dívidas para continuar a operar. é quase uma garantia de que uma crise financeira está para emergir ou que um refinanciamento faz-se necessário para afastar a possibilidade de uma crise. como destacam Terra e Ferrari Filho (2011). necessitando. de acordo com Minsky (1986). por esse motivo. passando de hedge para especulativa e. Assim. tanto o pagamento do principal (amortizações) como os juros” (p. para alguns períodos próximos.

segundo o pensamento de Minsky. Em momentos de expansão do investimento e forte crescimento econômico. bolhas especulativas ou deflações de débitos inter- relacionados. “a estabilidade alimenta a instabilidade” (Lima e Mathias. menos cautelosos e tutelam posturas mais ousadas e menos prudentes dos agentes. em última instância. (Mollo. Nesse aspecto. mas que tendem a serem revertidos por meio da intervenção de políticas. torna-se possível estabelecer as relações que seguem: a economia será mais frágil quanto maior for o número de unidades especulativas e Ponzi. há tendência de a ocorrer uma fragilização da estrutura econômica. 2011. p. no qual o otimismo em relação aos indicadores deixa a sociedade e os formuladores de políticas menos vigilantes. 34 Como sumariza Lourenço (2006) as ideias de Minsky partem do princípio de que economias capitalistas alternam períodos de estabilidade com períodos de turbulência ou caos. no modelo de Minsky. que podem assumir movimento próprio. sistemas financeiros frágeis estão propensos a gerar instabilidade econômica com a ocorrência de crises. situações que levam da estabilidade à crise. em que ambos são endógenos ao seu funcionamento e gerados a partir de situações estáveis em decorrência da busca dos interesses próprios dos agentes. por exemplo. sobretudo nas características da economia em períodos de crescimento. De forma sucinta esse mecanismo é pontuado por Ferreira e Penin (2007): . em geral. baseado num padrão de financiamento robusto. ressaltam Lima e Mathias (2009). 457). Lourenço (2006) ressalta que. inflações interativas. Por sua vez. Isso porque qualquer endurecimento das condições de empréstimo inviabiliza os refinanciamentos. levando a um novo regime de estabilidade. 2009) e inovações nas práticas financeiras criam. O sentido deste mecanismo na concepção de Minsky baseia-se. De posse das definições e implicações feitas quanto às unidades hedge. transformando as unidades especulativas em Ponzi e exigindo que tanto as unidades hedge quanto as especulativas vendam ativos para pagar dívidas. especulativas e Ponzi. um período turbulento ou caótico pode assumir diversas formas como.

Com o descolamento entre a realização do ativo e os fluxos de compromisso. segundo Minsky. e gera uma euforia que induz um superdimensionamento dos fluxos financeiros esperados. premia as posturas mais alavancadas – maior proporção de obrigações em relação a receitas esperadas – . 2010).25) Os autores seguem o raciocínio baseado no pensamento de Minsky. além da necessidade de financiamento constante. cujos efeitos afetaram de . 35 Esse bom cenário valida a estrutura financeira existente. tornam a postura especulativa vulnerável ao aumento da taxa de juros e uma possível não maturação dos fluxos esperados. Essas características estão presentes na última grande crise econômica mundial que estoura em 2007 e se aprofunda ao longo de 2008. Muitas unidades hedge assumem postura especulativa para aproveitar as oportunidades de investimento. 2007). Isso implica num ciclo de deflação de dívidas e dos demais ativos. por exemplo. As restrições e margens de segurança são relaxadas. Em outras palavras. Isso não faz. Isso ocorre até que os níveis de endividamentos das firmas superem a rentabilidade dos ativos induzindo a uma desaceleração econômica seguida pela queda do valor dos ativos. deteriora a posição financeira das unidades e revertem as expectativas e o ciclo econômico (Ferreira e Penin. A tendência é que esse crescimento se torne um boom validando a postura especulativa (FERREIRA E PENIN. Os bens de capital e o investimento sobem. Segundo ele. explicando agora a reversão da fase de otimismo e crescimento. segundo Minsky (1982). inevitável uma depressão profunda. Dessa forma. a combinação de uma ação rápida do banco central para estabilizar os mercados financeiros e uma rápida ação de política fiscal para elevar a liquidez geral vai minimizar a repercussão da crise sobre os gastos de consumo e de investimento. durante o crescimento econômico os preços dos ativos sobem e cresce o peso da dívida. p. contudo. 2007. pode-se observar que numa concepção Minskyana a crise financeira das unidades e a crise econômica financeira são explicadas pela interrupção no fluxo de financiamento que ocorre em função da desconfiança dos emprestadores para com a capacidade dos devedores de validar o crédito concedido (Bahry e Gabriel. Bahry e Gabriel (2010) sugerem que. e a estrutura de débitos muda em favor de uma estrutura mais alavancada.

(2009). pouca atenção ainda tem sido dada para a importância dos elementos espaciais em suas análises. levantando questões acerca dos . a crise do subprime é uma crise do espaço financeiro. Dessa forma.(2009). Na visão de French et al. Portanto.3 Elementos Espaciais da Crise Financeira. Nesse contexto. 1. Almeja-se ressaltar. reduzindo as exigências para tomada de empréstimos e elevando sobremaneira as hipotecas do tipo subprime. neste item. acima de tudo. French et al. apontam que se deve atentar para a localização das origens da crise. levado a uma vasta discussão acerca da sua geografia política e econômica dado que os primeiros países afetados foram os desenvolvidos da América do Norte e da Europa. que a crise financeira global atual apresenta uma característica espacial bem definida. assim como em Minsky. Como afirmam Blazek e Netrdová (2012) a corrente crise tem. verificou-se a adoção de posturas mais arriscadas das instituições financeiras. enquanto um número significante de países em desenvolvimento na Ásia continua a mostrar taxas de crescimento impressionantes. é possível observar importantes similaridades no processo descrito por Minsky (1982. 1986) em relação à fragilidade financeira associada a uma mudança na postura financeira dos agentes e o processo que levou à gestação de uma bolha de ativos a partir da securitização das hipotecas do subprime. Assim. Esta questão será abordada no tópico em seguida. a estrutura que leva à crise atual é gestada no momento do boom no mercado imobiliário Norte-Americano. sobretudo quando se trata da espacialidade em que se insere a gestação da crise. com particularidades em relação às crises anteriores no que se refere à sua localização e aos elementos espaciais de sua gestação. Apesar do grande número de trabalhos acadêmicos sobre a temática da crise financeira recente. ainda. 36 forma generalizada a economia mundial e que se estende até os dias atuais sob outras características e com foco sob os países europeus.

37 centros financeiros. cuja dominância sobre as finanças globais é frequentemente subestimada. tem apresentado um mapa de fluxos financeiros. ainda. da geografia da moeda. segundo o autor. perpetuando o mito de . segundo eles. de áreas mais ou menos afetadas. exercem liderança que se fortaleceu com o tempo e sua ligação tem sido central para o processo de globalização. a ação dos agentes do mercado financeiro nesses dois grandes centros financeiros. através de elementos como o poder das empresas imobiliárias de Londres e Nova Iorque e o lobby em favor da desregulação financeira que permitiu a emergência do Shadow Banking System nos Estados Unidos. que o lobby por desregulação financeira é produto da competição espacial. Nesse aspecto. O aspecto espacial da crise está relacionado. Esses dois centros. a crise recente foi gerada em um “uso ativo do espaço” em uma série de escalas e por meio de redes de várias extensões com indivíduos e instituições conectadas e envoltas no sistema financeiro. que possuem alto grau de semelhanças. à questão da espacialidade dos centros financeiros internacionais. segundo quem as finanças globais ou mesmo as crises financeiras não podem ser entendidos sem se considerar os centros financeiros. a crise. Dessa maneira. De acordo com French et al. sobre a geoeconomia e geopolítica global da moeda e sobre meios financeiros. complementariedades e conectividades. De acordo com o autor. as empresas ligadas ao mercado imobiliário. nesses que são os principais centros do sistema financeiro global. sustentaram uma “exuberância irracional”. (2009). foi crucial para a gestação da bolha de ativos. O Espaço. segundo aponta Wójcik (2013). 2013). Para isso. de diferentes efeitos de riqueza. tem sido um fator constituinte na formação e desenrolar da crise. ainda. que são significantemente relacionados entre si. Wójcik (2013) ressalta. de crise de agentes de vários tipos. em que o nível de globalização dos outros centros está relacionado às respectivas conexões com tal eixo (WÒJCIK. mas em grande escala foi originado no eixo Nova Iorque – Londres. a crise não se originou num espaço abstrato do mercado financeiro.

As posturas financeiras dos agentes econômicos desses centros também possuem uma relação espacial. levaram à fusão dessas sociedades e a subsequente crescimento em organizações trans-regionais. num contexto de maior competição. servindo a comunidades locais. se deram no sentido de pressionar as autoridades desses países para prevenir e combater medidas regulatórias restritivas. Outro aspecto que. o que os expuseram à crise financeira. além do empreendimento de inovações financeiras radicais para melhoria da performance. as características Ponzi. etc. Para ele. segundo ele. foram oferecidas inicialmente por construtores imersos nas regiões. através de redes de abrangência nacional e internacional. . contexto que coloca o eixo como importante componente desse Mix multicausal que desencadeou a crise financeira global. Novos contextos regulatórios e institucionais. segundo ele. serviços legais. de acordo com Wójcik (2013). intrínsecas a bolhas de ativos. Por outro lado. como afirma Wójcik (2013). – de forma que se deve compreender. a crise financeira global como falha não apenas do setor financeiro. posteriormente. As ações das companhias financeiras americanas e britânicas. As hipotecas.líderes globais em serviços de contabilidade. redes de consultoria em administração. de acordo com Wainwright (2012). por exemplo. por agentes completamente vinculados às economias regionais. por sua vez. Ele sugere que os espaços financeiros regionais possuem comunidades financeiras poderosas cujas práticas coordenam o desenvolvimento de novos conhecimentos e inovações financeiras. tendo como resultado um modelo centralizado de tomada de decisão sobre a concessão de hipotecas. mas de um conjunto de produtores de serviços complexos. embutidos ativamente nos mercados globais como emprestadores de hipotecas. os centros financeiros regionais não foram vítimas passivas da crise financeira. tem uma dimensão geográfica tanto a nível de países quanto a nível regional e mesmo urbano. estando imersos nesse espaço poderoso. facilitou a operação do Shadow Banking System envolve centros financeiros conectados e coestabelecidos por firmas financeiras de Londres e Nova Iorque . 38 propriedade como um investimento lucrativo e seguro.

antes vistas como isoladas. afirmam que esta crise tem transformado a geografia dos mercados financeiros regionais. que as comunidades periféricas. Da mesma forma. seus desencadeamentos ocorrem sobre territórios distintos. ainda. 39 Wainwright (2012) mostra. recorrendo sobretudo a uma literatura de finanças regionais. que se constitui tanto de economistas regionais quanto de geógrafos econômicos. economia pós-keynesiana e a recente corrente de estudos de Resiliência Regional. com implicações distintas. Dessa forma. desenvolveram fortes relações de network com os mercados intermediários de capital globais através da securitização. O próximo capítulo busca entender quais as fontes possíveis de assimetrias regionais na transmissão de choques recessivos. como foi esta crise financeira tratada neste primeiro capítulo. . percebe-se a existência de uma lógica por trás da gestação da crise que apresenta contornos e elementos que se definem em unidades espaciais específicas. por exemplo. especialmente com investidores e agências de avaliação de risco. Valverde e Cabello (2013).

Por outro lado. SUA TRANSMISSÃO E IMPACTOS REGIONALMENTE DIFERENCIADOS Muito tem-se discutido na teoria econômica. Francis et al. como afirmam Fingleton et al. sobretudo de viés mainstream. são os estudos que abordam os impactos dos grandes choques recessivos sobre os padrões de crescimento regional de longo prazo. interligado e interdependente. tais impactos não ocorrem uniformemente em todo o território de um mesmo país. sob várias matizes teóricas. Como mostram Fingleton et al. Há. caracterizem tal economia. os padrões gerais apresentados por um choque recessivo na economia nacional pode mascarar grandes agravamentos nas disparidades regionais que. é provável que essa tenha sido a mais rápida propagação da crise. Notadamente. sobretudo sobre os mercados financeiros e sobre as bolsas de valores. (2012) afirmam que a literatura que tem relatado assimetrias regionais nos ciclos de negócios. Dessa forma. Menos ainda. Tais discussões tem refletido sobre políticas anticíclicas possíveis para mitigação de tais efeitos sobre o nível de renda e produção da nação como um todo. de acordo com eles. Contudo. Parte da literatura econômica. Entretanto. poucos estudos se preocuparam sobre a forma como o crescimento regional varia ao longo do tempo. evidências que choques recessivos severos tendem a deprimir as taxas de crescimento de longo prazo dos países. 40 2 A CRISE FINANCEIRA. (2012). afetando regiões de forma diferenciada. os impactos das crises de todas as naturezas sobre o sistema econômico em nível de países. dada a interligação dos mercados financeiros nacionais dentro de um Sistema Financeiro Internacional profundamente globalizado. a incidência de choques regionais e as respostas diferenciadas aos choques agregados é crescente. porventura. . e quando e porque essas variações diferem de região para região. (2012). se preocupou com os impactos diferenciados e com a propagação dos efeitos da crise.

como abordado no capítulo anterior. ainda. Tal resultado evidencia. na verdade. como o são os mercados de capitais. os efeitos dos choques se propagam de forma diferenciada. com o Reino Unido sendo responsável pela propagação dos efeitos da crise sobre os mercados financeiros na Europa e Cingapura na Ásia. a importância dos Centros Financeiros Internacionais. Este tópico pretende contribuir com a discussão teórica sobre os impactos das crises entre unidades espaciais distintas dentro dos estados nacionais. . a ocorrência de efeitos de spillovers que se originaram na economia Norte-Americana e foram transmitidos e propagados a partir de alguns países-chave nas diferentes regiões. Nesse aspecto. Os resultados de Morales e O'Callagham (2014) evidenciam a importância da questão espacial e regional na transmissão de impactos da crise financeira. durante períodos de dificuldades econômicas. elas afirmam. mas também na propagação de parte de seus efeitos. Nesse aspecto. busca-se fazer uma revisão na literatura econômica recente de forma a ter uma noção preliminar de como. a propagação inicial da crise nos mercados financeiros não se deu de forma homogênea em todos os territórios. que a atual crise financeira global tem afetado diferentemente as regiões econômicas globais. como Londres e Nova Yorque não só na gestação da crise. 41 mesmo com essas características. os choques que atingem os mercados de ativos podem ser transmitidos entre os mercados financeiros mundiais através do efeito “contágio”. mesmo em mercados extremamente integrados a nível internacional. em tempo. em que vigoram as mesmas moedas e as mesmas diretrizes de políticas econômicas.1 O Resgate da Questão Regional na Análise dos Impactos das Crises. 2. e porquê. mas não encontram evidências de efeitos de contágio mundial ou entre regiões de tais impactos. Os resultados encontrados pelas autoras mostram. Morales e O'Callagham (2014) afirmam que.

e choques de mesma natureza. Nesse aspecto. a partir do que se discutiu até aqui. portanto. aparece como uma questão pertinente a ser discutida a respeito dos padrões de crescimento regional de longo prazo e. . que sofrem com os efeitos globais e as restrições que se impõem sobre as economias regionais. 42 Pode-se afirmar. Dessa forma. afirmam Fingleton et al. que refletem tanto a natureza das mudanças na economia nacional quanto as características individuais das economias locais. o choque afeta a economia regional através de seus impactos imediatos (heterogêneos ou homogêneos) e da capacidade de recuperação. Assim. Mais ainda. pela qual altera a performance permanente no longo prazo. subsequentemente com as restrições no crédito. segundo eles. a respeito de quando as rendas regionais e outras dimensões das disparidades regionais convergem ou divergem ao longo do tempo. sobre o lado real da economia. com a queda dos valores das ações e títulos. Na visão de Cellini e Torrisi (2014). mas que também são afetadas nos mecanismos próprios dos respectivos sistemas econômicos. e. Lee (2014). através das bolsas de valores. por sua vez. defende que é relevante aos policy-makers o questionamento sobre as formas pelas quais as diferentes características econômicas e sociais das cidades impactam sobre suas taxas de crescimento durante as crises. isto é. seus efeitos e sua propagação imediata se daria por seus próprios mecanismos. o cerne da discussão desta dissertação está nas possíveis implicações desta crise. as recessões apresentam impactos espaciais particulares. a forma como as regiões respondem aos choques recessivos. o que este trabalho busca é captar essas formas de transmissão sobre as economias regionais. podem buscar um direcionamento de recursos para aquelas cidades com economias mais fracas de modo a tornarem suas cidades mais resilientes a futuras crises econômicas. naturalmente. que a crise financeira de 2008/2009 se originou da ação dos mercados financeiros e. por sua vez. (2012). a partir de suas peculiaridades e características que amenizam ou potencializam tais efeitos. Contudo. de acordo com Lee (2014). portanto.

a incerteza a respeito dos impactos espaciais da recessão e da crise de crédito requer uma liderança em diferentes escalas: nacionais. como por exemplo o declínio do emprego no setor manufatureiro em regiões industriais maduras. avaliando as características dos impactos regionalmente diferenciados. esperou-se que. 43 É nesse contexto de construção teórica que esta dissertação pretende se inserir. sendo apontadas como determinantes dos impactos diferenciados deste choque. trazendo esta rica discussão para a configuração regional brasileira. Morales e O'Callagham (2014). Analisando o caso do Reino Unido. ressaltando que a recessão de 2008-2009 remonta a recessão dos anos 80. A princípio. com possibilidade evidente de analogia com o caso brasileiro. dado que as raízes da recessão estão nos serviços financeiros e na crise de crédito. Assim. regionais e locais. A Crise Financeira Global também evidenciou a importância das respostas em termos de política econômica por parte das mais variadas esferas de governos. poderia iniciar uma redução na divisão Norte-Sul. o período de queda na atividade econômica acelerou alguns processos chave de mudanças estruturais que já estavam em curso. Para Bailey e Berkeley (2014). os impactos da queda nas atividades seriam mais severos nos grandes centros. sendo pior nas regiões industriais. relatam que os eventos recentes que dizem respeito a crise financeira mostram que esta tende a se espalhar como uma doença contagiosa entre os países se não for contida por uma vigorosa intervenção a nível internacional. Sendo assim. Lee (2014) afirma que. Lee (2014) corrobora com esta conclusão. a respeito desse ponto. tais características poderiam significar uma reversão nos padrões de desigualdades econômicas. sobre países e sobre economias locais. apontam que os vários . Como afirmam Bailey e Berkeley (2014). fazendo referência ao caso do Reino Unido. segundo ele. de acordo com Lee (2014). sendo pior para aqueles que trabalham em setores relacionados com o setor gerador da crise. caso a recessão tivesse impactos mais severos no Sul.

neste caso específico. concebe-se que os desenrolares desiguais da crise sobre as regiões ocorrem não só nos efeitos multiplicadores. são essencialmente três os canais que determinam os impactos da recessão sobre as economias regionais. mas também nos efeitos específicos. de como o sistema econômico da região está relacionado ao mercado financeiro nacional e internacional. infere-se que regiões com economias dependentes do setor financeiro seriam mais . 44 planos de estímulos e outras medidas implementadas pelos diferentes países do mundo tenham minimizado os efeitos da recessão. verificou-se uma elevação no desemprego em regiões mais industrializadas e o peso da elevação do desemprego foi maior em áreas onde o desemprego já era alto. Desse raciocínio. Lee (2014) aponta a especialização setorial como uma explicação comum para as variações geográficas no emprego. Nesse aspecto. como mostra Lee (2014). a crise financeira e o colapso no mercado imobiliário. em processos que operam a forma da elevação no desemprego a nível local. em crises lideradas pela indústria. sendo. neste caso específico. efeitos multiplicadores nas economias locais à medida que o aumento no desemprego reduz a demanda local. a depender da conformação das economias locais. exacerbando os padrões prévios de disparidades regionais. por exemplo. os canais que determinam os impactos da recessão sobre as economias regionais são: efeitos específicos da recessão. e. com os efeitos gerais. a depender da estrutura produtiva da região e de como os setores de atividade econômica predominantes a nível local dependem e relacionam-se com o comércio externo e com o setor financeiro. de acordo com a distribuição dessas indústrias se dá a geografia dos impactos da crise. afirma Lee (2014). Para Lee (2014). e. efeitos gerais devidos à redução na demanda na economia. De acordo com ele. impactando sobre setores em particular. em que a recessão impacta sobre determinados setores e. relacionados com a natureza específica da crise e de como o choque de demanda é sentido. isto é. Mesmo considerando-se a divisão dos efeitos como proposto por Lee (2014).

Blazek e Netrdová (2012) apontam a existência de uma diversidade nas tendências gerais em relação aos impactos da crise a partir da combinação de fatores nos vários estados europeus. segundo Lee (2014). Em seu estudo para o Reino Unido. Assim. de acordo com os autores. muito diversos e incluem características desde a situação macroeconômica espacial até a estrutura territorial dos padrões econômicos. em que cidades com elevada proporção de sua população com altos níveis de qualificação ou experiência acima da média obtiveram menores elevações nas taxas de desemprego. como vai ser discutido de forma mais profunda no item sobre Resiliência Regional. Segundo ele. Entretanto. 45 prováveis de experienciarem as maiores elevações nas taxas de desemprego. Lee (2014) reporta aos casos de cidades com grande participação deste setor no emprego e com elevada importância dos serviços bancários e financeiros no funcionamento de suas economias. que os impactos podem ser mais severos nas cidades onde os produtos financeiros controversos eram mais usados. mostrando que as companhias tendem a manter empregados de maior qualificação e que firmas de alta produtividade podem ser mais aptas para absorver choques de produtividade através da redução nos salários ou nos lucros. tal resultado reflete uma tendência ampla do mercado de trabalho. . em decorrência da crise financeira global2. do que naquelas onde as instituições financeiras são localizadas. Além disso. Lee (2014) evidencia que a capacidade dos trabalhadores se configurou como um determinante importante dos impactos da recessão. os fatores e mecanismos são. 2 Ao fazer referência a economias dependentes do setor financeiro. como mostram eles. O segundo agrupamento é de fatores soft. O primeiro grupo consiste. Lee (2014) destaca a diversidade da estrutura econômica local como um importante determinante setorial da resiliência desse sistema econômico. com uma tendência de maior intensidade no caso dos impactos da crise a nível regional. pode-se argumentar ainda. nos fatores hard que se constituem de elementos primariamente macroeconômicos e geográficos. incluindo elementos institucionais e subjetivos.

a partir do trabalho de Blazek e Netrdova (2012) tem-se a indicação de uma série de elementos possíveis para explicar os efeitos diferenciados da crise financeira entre unidades espaciais. 46 De todo modo. renovação e reorientação após o choque. estrutura da propriedade bancária). Tais elementos englobam questões como os impactos espaciais do capital estrangeiro. resistência. não apenas em função do choque financeiro ter tido a participação do governo ou porque os governos também tiveram papel importante na mitigação dos efeitos da crise. mas também porque a crise está levando a . baixos custos de transação nas estruturas econômicas diversificadas. como um dos fatores mais importantes por trás da multiplicação de seus impactos negativos e que as variadas respostas nacionais à ela contribuíram para a diversidade de seus impactos. abertura e integração econômica. com a acumulação de desequilíbrios ao longo do período de forte crescimento. estratégias de competitividade de firmas e setores chave e suas posições na cadeia global de valor e fatores político-institucionais (qualidade da administração pública. favorecendo regiões com estrutura produtiva diversificada. amplitude regional das políticas públicas. impactos espaciais do comércio. Em relação aos fatores políticos-institucionais. mudanças estruturais e seus impactos espaciais. recuperação. Davies (2011). favorecendo regiões metropolitanas. ressalta a importância da habilidade das autoridades políticas em garantirem um planejamento efetivo e estratégias de implementação como respostas aos choques. Segundo ela. Bailey e Berkeley (2014) mostram como as intervenções de política em uma das regiões do Reino Unido contribuíram para elevar a “resiliência regional” em suas várias dimensões. elementos financeiros regionais (volume de empréstimos baratos no período pré-crise. a dimensão política é particularmente importante na recente crise. Por sua vez. Blazek e Netrdová (2012) observaram que a inadequação das políticas econômicas antes da crise. tamanho e descentralização do setor público). empréstimos em moeda estrangeira.

Valverde e Cabello (2013). utilizando vantagens de aglomeração e acessando maiores reservas financeiras de forma a reduzir as chances de falência. Regiões periféricas são. similar às teorias centro-periferia. 47 cortes de gastos públicos que tendem a ter efeitos mais fortes em regiões estruturalmente mais fracas que possuem. 2012)3. menor volume de recursos para políticas públicas redistributivas durante períodos de recessão. Blazek e Netrdová (2012) apontam que o relacionamento entre uma recessão econômica e a escala das disparidades regionais depende da amplitude e da natureza da crise. bem como de maiores parcelas das suas populações que dependem dos serviços públicos e de medidas públicas de promoção do bem-estar social. entidades que operam em várias regiões e outras que operam em todas e. um aumento das diferenças durante um período de recessão econômica se devem a: i. Assim. Assim. normalmente. afirmam que as entidades financeiras operam em âmbitos territoriais muito distintos em função de sua especialização e sua dimensão. Firmas das regiões mais desenvolvidas são mais flexíveis e melhor equipadas em termos de tecnologia. ii. níveis de emprego no setor público e em empresas que ofertam para o setor público acima da média. há a possibilidade de criação de circuitos internos de liquidez. um relacionamento pró-cíclico proveniente da causação cumulativa. indica que uma crise profunda com expansão rápida para todos os setores significativos da economia provoca uma recessão generalizada. segundo ele. especializadas em setores mais sensíveis a crises econômicas. e iii. em função disso. causando diferenças regionais menores nos seus impactos. de forma que existem entidades financeiras que operam somente em uma região. por sua vez. . Ekonomický časopis 55: 989–1006. É de acordo com tais estruturas e da capacidade de captação de recursos no mercado externo que os bancos maiores que operam em vários 3 Texto citado indiretamente por estar escrito em Tcheco: HŮLKA J (2007) Vztah vývoje regionální diferenciace a hospodářského cyklu: Teoretická diskuse a empirický důkaz (na příkladu vybraných států EU). em geral. Algumas tendências do desenvolvimento regional durante as crises são apontadas por Hulka (2007. Há. apud Blazek e Netrdová.

podendo ser atenuados pela existência de mais e maiores circuitos de liquidez gerados no processo de reestruturação bancária. o investimento e o crescimento econômico. mostram-se especialmente relevantes durante etapas de instabilidade e crises financeiras na medida em que a oferta de crédito possa sofrer choques regionais assimétricos que afetem mais uma região que outras e. De acordo com seus estudos para o caso espanhol. ainda. Ademais. 48 mercados podem amortecer a redução do crédito regional mais facilmente que os bancos que operem somente em um mercado. Se há dominância do efeito spillovers. Valverde e Cabello (2013) trabalham com dois efeitos de transmissão dos choques de crédito: spillovers e efeito substituição. então. Estas configurações. Se existem spillovers. a diversificação geográfica das instituições pode elevar a sensibilidade do crédito local aos choques externos na oferta de crédito. em todas as regiões. Segundo eles. afirmam que os bancos com circuitos internos próprios possuem um maior potencial de ajuste e de redistribuição de liquidez em todos os territórios que cobrem. assim. Caso haja dominância do efeito substituição. Valverde e Cabello (2013) referem-se a uma ampla evidência teórica sugerindo que o estabelecimento de uma rede ou mercado interno de capital a nível de entidade pode favorecer a transmissão de liquidez das regiões com maiores recursos de liquidez para aquelas com menores. fazendo com que o crédito se reduza nas distintas regiões. . os circuitos internos de liquidez podem atuar ampliando ou reduzindo esses choques. o que ocorre é um choque de demanda em que a redução na qualidade de crédito numa região impulsiona os bancos a moverem suas atividades a outros mercados. o crédito só se reduzirá nas regiões onde se elevar a inadimplência. de acordo com Valverde e Cabello (2013). de forma a reduzir os possíveis choques macroeconômicos regionais e amortecer os efeitos da restrição de crédito sobre empresas e famílias. Por outro lado. favorecendo. se observar-se o efeito substituição. nos anos de crise financeira os efeitos spillovers são mais severos. o crédito tende a reduzir-se de forma agregada. a inadimplência no sistema financeiro se converte num choque de oferta. inclusive naquelas em que a inadimplência não tenha se elevado.

por terem menor número de clientes. dado que é um determinante-chave da performance e do comportamento tomador de risco dos bancos. que estrutura produtiva. sua capacidade em diversificar eficientemente o risco é limitada se comparada à dos bancos maiores. o que levantou a questão da existência de algumas instituições particulares. durante a crise. bem como outras autoridades nacionais. atividades concentradas e oferta de produtos e serviços com escala e escopo limitados. explicando os diferentes impactos que se verificam entre os estados. socorreram com ajuda financeira substancial muitas organizações bancárias – primordialmente grandes – ao mesmo tempo que tantas outras fossem à falência. Essas instituições menores podem. não ser hábeis em explorar completamente o desenvolvimento tecnológico recente. sobretudo em termo de política econômica. afirmam que os bancos pequenos apresentam pior performance e assumem maiores riscos. inserção regional no comércio internacional e outros elementos estruturais são fundamentais para explicar os níveis diferenciados de impactos. segundo eles. O . Ocorre. Nesse contexto. não conseguindo operar com ganhos de escala e escopo. Braatz (2013) constata assimetrias nas respostas dos estados brasileiros frente a choques monetários comuns. De acordo com Grammatikos e Papanikolaou (2013). Bretanha e Haddad (2008) relatam que as discussões sobre os canais de transmissão da política monetária sobre o lado real são explicados substancialmente por características estruturais das economias regionais. Na mesma direção. Isso comprova. segundo eles. consideradas importantes e grandes o suficientes para serem salvas – “too big to fail” – enquanto outras são percebidas como muito pequenas para sobreviver. Muitos estudos tem mostrado os impactos diferenciados dos choques monetários. segundo ele. as autoridades dos Estados Unidos e Europa. também é crucial para entender a forma como foi atingida pela crise. sobre as economias regionais. que o tamanho é um elemento crucial para entender porque as autoridades tratam os bancos de forma distinta. 49 O tamanho dos bancos dominantes em uma região. em vista da crise do subprime. Além disso.

diferenças espaciais na oferta e na demanda que podem se reforçar mutuamente. quando a análise incorpora o elemento espacial. afetando os motivos e decisões. a moeda não é neutra tanto no curto prazo como no longo prazo. (2009) destacam que a estrutura espacial de uma economia é importante para determinar padrões e comportamentos diferenciados. Mais ainda. ainda. que problemas de financiamento para as micro e pequenas empresas devido a falta de mercados de crédito locais. Assim. isto é. 2. Como afirma Amado (2000). . e. 50 autor encontra. No próximo tópico serão discutidas algumas questões referentes à preferência pela liquidez e impactos diferenciados entre as regiões. pode-se observar que a moeda não é neutra também no espaço. em decorrência dos diferentes níveis de incerteza nos processos econômicos entre as localidades. a existência de acentuadas diferenças na intensidade e na temporalidade das respostas estaduais aos choques. a retenção de moeda (ativo mais líquido) e investimentos em ativos menos líquidos.2 Preferência Pela Liquidez e Impactos Regionalmente Diferenciados. As características espaciais estão relacionadas à diferenças entre preferências pela liquidez entre as regiões periféricas e as regiões centrais. numa abordagem Keynesiana a moeda é elemento que desempenha papel fundamental. estabelecendo uma relação entre a evolução de um sistema bancário e processos desiguais de desenvolvimento regional. Dow (1993) mostra que o comportamento financeiro é capaz de reforçar as características periféricas da economia regional. em função das diferentes regiões apresentarem distintas preferências pela liquidez – conceito que envolve a escolha entre a manutenção ou reprodução da riqueza. Entre os motivos apontados estão: a elevação de informações imperfeitas e custos de transação com a distância dos mercados. as condições de crédito se diferenciam espacialmente. Dow et al. Nessa concepção.

A preferência pela liquidez vai afetar a demanda e a oferta de créditos. uma vez que seu papel na oferta de liquidez é fundamental. por vezes. No caso da oferta de crédito. Amado (2000) afirma que. por exemplo. assim como ocorre na fase do auge quando suas expectativas quanto ao estado de negócios podem conduzir à tomada excessiva de risco. 2009) Nesse quadro teórico. A contração de crédito eleva a fragilidade financeira dos clientes elevando a inadimplência e a aversão ao risco e refreiam o crescimento econômico. 51 Evidenciando a existência da preferência pela liquidez do setor bancário. que são encorajados a adotar portfólios mais líquidos. isso implica que têm uma posição bem mais poderosa que os outros agentes. Freitas (2009) destaca que em contextos de deterioração das expectativas há uma tendência de que os bancos contraiam a concessão de crédito. com ativos de fora da região. reduzam linhas e prazos e elevem juros e as exigências de garantias. sua preferência pela liquidez depende tanto das expectativas regionais (com respeito as condições econômicas locais). como afirma Amado (2000). Segundo ela. Além disso. No concernente aos bancos. soma-se a ela o estágio de desenvolvimento bancário. a prudência na fase de recessão é uma característica intrínseca das atividades bancárias que possuem fins lucrativos. Nesse aspecto. os bancos apresentam elevação em sua preferência pela liquidez e isso tende a acentuar a depressão na economia. quanto das condições monetárias criadas pelo banco central. impactando sobre investimento e produção (FREITAS. nos momentos de ampliação da incerteza na economia e em momentos em que as expectativas são negativas. segundo Dow e Rodriguez Fuentes (2006 ). contexto que têm as crises econômicas como exemplos claros. os bancos não acomodam todas as necessidades de liquidez do setor real da economia em função de terem uma estrutura bem definida de preferência pela liquidez e. a preferência pela liquidez vai afetar também o comportamento dos poupadores. surgem relevantes questões que podem ser indicadas a priori como possíveis fontes de impactos mais severos em algumas regiões que .

segundo eles. Como destaca . com possibilidade de redução da disponibilidade de fundos na região. (Cavalcante. 52 em outras. É importante notar. a depender da habilidade do setor bancário expandir crédito independente da base regional de depósitos e do efeito dos transbordamentos regionais na preferência pela liquidez bancária essa fuga de recursos pode afetar a disponibilidade regional de crédito. o que poderia obrigar bancos a diminuir o prazo de seus empréstimos para ajustar o menor prazo dos depósitos gerando menos recursos de longo prazo para a região. num período de crise. de acordo com Crocco (2010). bancos nacionais podem emprestar menos para a periferia. 2006) um aumento na preferência pela liquidez de agentes em regiões periféricas pode implicar em um fluxo de recursos em direção às regiões centrais. Segundo Dow e Rodriguez Fuentes (1997. Bancos específicos da periferia. a diversificação dos setores industriais e de serviços. com grande oferta de bens centrais. Crocco e Jayme Jr. auxiliam na redução da incerteza na região. p. 2006. Crocco e Jayme Jr. (2006): Em ambientes de incerteza crescente. localização e urbanização que. afeta a economia de forma espacialmente diversa inclusive pelo fato de as atividades produtivas não estarem distribuídas uniformemente no espaço. colocando-se em uma posição de desvantagem relativa e encorajando a concentração bancária no centro. ainda. seja relevante nessa diferenciação das incertezas no âmbito regional. abrangendo mais ativos ilíquidos. Além disso. e. é estimulada quando se tem uma centralidade elevada. irão preferir manter um nível de reservas mais altos e restringir os empréstimos locais. a maior preferência pela liquidez do público na periferia se traduziria em maior parcela de depósitos a vista sobre depósitos a prazo. Da mesma forma. afirmam Cavalcante. 302) Tais discrepâncias na forma como se desdobram os impactos das diferenças financeiras regionais fazem com que o termo centralidade . A essa maior diversificação. decorrentes de uma crise financeira. que o contexto econômico. que induz maiores investimentos e diversificação dos portfólios por parte dos bancos. aglomeração. Como mostra Crocco (2010). dada sua estrutura econômica e o remoto controle sobre as suas filiais. estão associadas economias de escala. por sua vez. muito estudado por meio da Teoria do Lugar Central.

as expectativas relativas às decisões sobre esse tipo de atividades têm bases mais voláteis (AMADO. 2012). Francis et al. Atividades que apresentam resultados em momento próximo de tempo e em que as revisões de expectativas são possíveis. e isso pode relacionar o padrão de especialização produtiva de cada região e as formas como elas são afetadas pela turbulência. taxa de câmbio. 2000.. 53 Amado (2000). 2012. consequentemente. De acordo com Mishkin (1996).. afetando o lado real da economia. não estão sujeitas ao mesmo tipo de incerteza que aquelas que geram frutos em momentos distantes no tempo e que.48). o que pode exercer influências sobre os padrões de disparidades regionais e de desenvolvimento regional desigual dentro de um país. é fato que a taxa de juros real tem impacto maior que a taxa de juros nominal. as taxas de juros exercem impactos sobre os gastos de consumo e investimento. Além da preferência pela liquidez. preço de ações. Mishkin. por exemplo (Francis et al. como um aspecto importante na determinação dos impactos regionalmente diferenciados. os diferentes níveis de atividade econômica são confrontados com distintas intensidades de incerteza. reduzindo os gastos com investimento. Diante do que se coloca até aqui. Nesse sentido. tais como taxa de juros. crédito e custos (Francis et al. relacionadas com estrutura das indústrias instaladas no território e com questões institucionais. concebe-se que as economias regionais vão reagir de formas diversas aos choques monetários. p. através de seus efeitos sobre a rede de . O canal da taxa de câmbio tem um papel importante em como a política monetária afeta a economia doméstica. sendo que a sensibilidade a nível regional depende de questões locais. (2012) indica que estruturas financeiras e econômicas distintas entre as economias locais e fatores relacionados à políticas públicas a âmbito local são fatores que ajudam a explicar assimetrias nas respostas da atividade econômica regional a um choque monetário. consistindo num importante canal de transmissão da política monetária com poder de estimular a economia real. que são transmitidos por uma série de canais específicos. 1996). Um aumento da taxa de juros eleva os custos de empréstimo do capital.

neste ponto. Mishkin (1996) ressalta que este canal também envolve os efeitos da taxa de juros. Em relação á teoria do investimento. Mishkin (1996) identifica dois canais pelos quais este afeta o lado real da economia em função de problemas de informação no mercado de crédito. com a queda da taxa de juros. A política monetária expansionista. O canal dos empréstimos bancários relaciona- se com a ideia de que os bancos solucionam problemas de informações assimétricas no mercado de crédito. os depósitos em moeda doméstica se tornam menos atrativos que os depósitos em moeda estrangeira causando uma depreciação da moeda nacional. Dessa maneira. eleva as reservas e depósitos bancários. distribuindo suas intensidades pelos setores da economia conforme as condições de mercado que prevalecem em cada um. (2012). . regiões dependentes de bens voltados a exportação como commodities. segundo Mishkin (1996). já discutido anteriormente. Mishkin (1996) destaca a importância do canal do investimento. os títulos ficam menos atrativos que as ações. Quando a taxa de juros doméstica cai. segundo ele. 54 exportações (Mishkin. Em relação ao canal do preço dos ativos. elevando o preço destes últimos. a partir da teoria do q de Tobin e do efeito riqueza sobre o consumo. A política monetária pode também afetar o crédito via alteração no balaço dos bancos. Bretanha e Haddad (2008) destacam que o canal do crédito e o canal de juros agem conjuntamente. Quanto ao crédito. 1996). O comércio internacional e a taxa de câmbio exercem influências diferenciadas a depender da proporção de setores voltados a exportação ou de setores produtores de bens non-tradables na composição da estrutura econômica da região. mineração e indústrias exportadoras são mais sensíveis a variações no comércio internacional e na taxa de câmbio do que regiões que concentram suas atividades em setores como serviços e construção civil. segundo afirma Francis et al. Quanto ao efeito riqueza. o que provoca a expansão da quantidade de empréstimos disponíveis. Mishkin (1996) mostra que a elevação no preço dos ativos aumenta a riqueza financeira causando uma expansão do consumo.

E como completam Simmie e Martin (2010). perigosas . Christopherson et al. transportes de longa distância mais baratos e comércio global. Contudo.3 Resiliência Econômica Regional. estando sujeito a todo tipo de interrupções e rupturas. a noção de resiliência parece ser altamente relevante no entendimento de padrões e processos do desenvolvimento regional desigual. A discussão sobre Regional Resilience tem ganhado um forte impulso teórico na literatura de Economia Regional nos últimos anos. por sua vez. como enumera Bristow (2010). (2010). questões relacionadas à base energética das economias regionais. político e ambiental – crescente. incluindo crises financeiras. sobretudo após meados dos anos 2000. Na visão de Pike et al. O conceito de Regional Resilience busca capturar as habilidades desiguais e diferenciadas das regiões para reagir. tendo como motivação empírica o fato do desenvolvimento econômico local e regional não se configurar um processo suave. em que o aumento do seu uso se origine. o tema tem sido pouco trabalhado no Brasil. responder e lidar com a incerteza. além de tal senso de risco – econômico. Simmie e Martin (2010) afirmam que o interesse que se tem tido em resiliência emerge como uma reação a certos eventos extraordinários específicos e a determinados choques que tem incitado respostas de políticas públicas de vários tipos. da percepção de que processos associados à globalização têm feito localidades e regiões mais “permeáveis” aos efeitos do que se tinha por processo externo. Tais eventos podem envolver as consequências da recessão global. 2010) que ocorrem em decorrência de choques. 55 2.. volatilidade e mudanças rápidas (Pike et al. com auge no período pós-crise. (2010). as discussões em Desenvolvimento Regional tem se aproximado da resiliência regional em resposta a choques externos e transições cada vez mais diversas. acreditam que a atenção dada à resiliência recentemente possa ser uma resposta ao senso contemporâneo de incerteza e insegurança generalizada e a busca por fórmulas de adaptação e sobrevivência. mudanças climáticas catastróficas.

atos terroristas e eventos climáticos extremos. não há uma definição de resiliência aceita universalmente em economia ou ciência social. Davies (2011) afirma ainda que tal contexto trouxe novamente as atenções para a capacidade dos governos em mitigar os impactos dos choques internacionais. tem sido intensificada como parte da crescente permeabilidade e interdependência entre os lugares. (2010) estimulado a busca de novos caminhos para a “resiliência”. essas concepções através das disciplinas dão à resiliência significados diferentes e particulares. Para Christopherson et al. A vulnerabilidade potencial das localidades a esses riscos perigosos e exógenos. Portanto. Além disso. de fato. por exemplo. uma das razões para a popularidade do termo regional resilience tem sido a sua maleabilidade. bem como a diferenças nas capacidades das regiões para se adaptarem diante de tais pressões. como destacam Pike et al. afirmam. presença ou não de bolhas imobiliárias e a importância de manufaturados na economia regional. psicologia e psiquiatria. (2010). (2010) . este aumento na percepção de vulnerabilidade tem. Davies (2011) reforça que esse período deu ênfase à vulnerabilidade de muitas economias regionais á distúrbios internacionais. em virtude de uma menor dependência de atividades globais. 56 mudanças climáticas. ciências sociais e ciências econômicas. Segundo Bristow (2010). engenharia. bem como os efeitos regionalmente diferenciados da intervenção governamental. Segundo eles. E. de acordo com Cristophersen et al. a recente crise global e consequente elevação da insegurança tem destacado as vantagens daquelas economias locais e regionais que possuem maior resiliência. Simmie e Martin (2010) e Pike et al. como Simmie e Martin (2010) destacam. com variações no tempo e nos canais de impacto a depender de elementos como grau de abertura a instrumentos financeiros internacionais sofisticados. podendo significar diferentes coisas para pessoas diferentes. sistemas ecológicos. O termo resiliência é utilizado em várias áreas do conhecimento. maior diversidade econômica ou determinação de priorizar e realizar mudanças estruturais mais significantes. (2010).

pela visão de ajustamentos em equilíbrios múltiplos. segundo os autores. torna-se difícil conciliar a ideia de resiliência com evolução econômica regional. Nessa concepção. incorporando a noção de dependência de trajetória em sistemas fechados e estruturas estáveis ao longo do tempo. “engeneering resilience”. Por outro lado. de acordo com Simmie e Martin (2010). um choque pode deslocar a economia para um outro destes equilíbrios e uma economia não-resiliente seria aquela que se sujeita a um “lock-in” em uma estrutura obsoleta. a resiliência é entendida como. outras concepções de resiliência tem sido elaboradas a partir de uma leitura institucionalista das ideias evolucionárias. assume-se a ideia de que não há um único estado de equilíbrio. em que grau e em que contexto uma unidade espacial pode retornar para sua posição e nível pré-choque de emprego ou produto. Entretanto. Essas concepções são limitadas. 57 identificam quatro interpretações diferentes sobre a resiliência econômica regional: abordagem de equilíbrio único (engeneering resiliece). os autores . (2010). (2010). De acordo com Pike et al. mas muitos estados ou trajetórias possíveis. múltiplos equilíbrios. segundo os autores. Nesse aspecto. Com essa definição. esta abordagem está relacionada à noção de equilíbrio da teoria econômica mainstream e implica que uma região resiliente é aquela que retoma sua estrutura pré-choque. Simmie e Martin (2010) destacam que pressupõe-se que o choque tira a economia de sua trajetória de equilíbrio mas forças auto corretoras e ajustamentos eventualmente trazem-na de volta. quando ou não. ou trajetória. resiliência ecológica e resiliência na perspectiva evolucionária. Para os autores. afirmam Pike et al. nesta abordagem baseada na existência de equilíbrio único. diz respeito à estabilidade do sistema em torno de um estado estacionário em que a velocidade de retorno a um equilíbrio pré-existente define a ideia de resiliência. Os autores afirmam que tal noção é enfraquecida por seus limitados pressupostos de ajustamento através da livre e flexível operação dos fatores de mercado e retorno a um único estado de equilíbrio. a mais tradicional dessas definições. Segundo Simmie e Martin (2010).

tem foco na capacidade dos choques e distúrbios causam uma mudança do sistema a um outro regime de comportamento. Três mecanismos podem fazer com que firmas locais tornem-se melhor adaptadas: a resposta intencional à percepção das circunstâncias. o atributo principal da resiliência regional é a capacidade adaptativa das economias locais (Simmie e Martin. uma sucessão de equilíbrios estáveis. Dessa maneira. mas estes conceitos não implicam na existência de um equilíbrio. Entretanto. Dessa maneira. Os autores afirmam que certamente as economias regionais apresentam uma estabilidade e uma auto-organização. Simmie e Martin (2010) ressaltam. volta-se a assumir que uma região resiliente é aquela em que há pouca alteração em suas funções. diz respeito ao potencial de ajustamento a circunstâncias em transformação de uma maneira apropriada. é uma boa forma de descrever como o sistema econômico regional se desenvolve. afirmam Simmie e Martin (2010). o . A adaptabilidade. para os economistas evolucionários. Por sua vez. Na visão de Simmie e Martin (2010) a capacidade adaptativa consiste na habilidade diferencial da região ou das firmas locais em adaptarem-se aos choques e mudanças em competição. segundo Simmie e Martin (2010). isto é. Caso se interprete este conceito como a magnitude do distúrbio que pode ser absorvida pelo sistema antes da mudança de sua estrutura. segundo eles. de uma perspectiva evolucionária. políticas e condições relacionadas que moldam a dinâmica evolucionária e trajetórias da economia local e regional ao longo do tempo. 58 questionam se a ideia de existir um processo de “equilíbrio pontuado”. a resiliência está relacionada a magnitude do choque que pode ser absorvida antes do sistema mudar sua estrutura. A chamada “Resiliência Ecológica”. a economia nunca está em equilíbrio e a evolução desse sistema depende da ação de agentes econômicos individuais que podem aprender. afirmam que se interpretado como quão bem o sistema adapta sua estrutura e funções em resposta ao choque. tecnologias. abre-se potencialmente um escopo maior para uma análise evolucionária. mercado. inovar e ajustar seus comportamentos. 2010).

adaptabilidade consiste na capacidade dinâmica para executar e desdobrar múltiplas trajetórias pela perda ou enfraquecimento das ligações entre agentes sociais e os lugares. Por outro lado. sob uma ótica evolucionária. ineficiência econômica e impopularidade política de se mover de uma posição regional estabelecida. adaptação é um movimento em torno de trajetórias pré-concebidas no curto prazo. por outro lado.(2010) entendem que adaptação e adaptabilidade podem oferecer tanto explicações contrastantes para as resiliências diferenciadas dos lugares. pode explicar um tipo diferente de resiliência que deve lidar com características imprevistas. Acontece. Na concepção de Pike et al. Portanto.(2010). relacionada ou alternativa. no curto prazo. os conceitos de adaptação e adaptabilidade emergem como elementos centrais para a construção da resiliência regional. mercado de trabalho. o que carrega uma série de desafios substantivos no desenvolvimento de capacidades e tolerância para lidar com incerteza. 59 seguimento automático de regras específicas com relação a comportamentos padrões e desdobramentos cumulativos de novos padrões de comportamento (como as inovações) dentro de um conjunto específico de restrições. é fundamental para a compreensão dos mecanismos de adaptação e adaptabilidade explicando as resiliências diferenciadas entre as regiões. A adaptabilidade. (2010) afirmam que numa antiga região industrial a adaptação pode explicar uma forma de resiliência baseada na renovação. de uma trajetória de desenvolvimento pré-concebida e bem sucedida anteriormente. Pike et al. quem . emergindo de decisões de abandonar uma trajetória que tenha se provado bem sucedida no passado em favor de uma nova trajetória. Como exemplo. caracterizada por fortes e estreitas ligações entre agentes sociais e lugares. O relacionamento entre os agentes. (2010). enfatizam Pike et al. segundo eles. Pike et al. que melhoram a capacidade geral de resposta do sistema a mudanças inesperadas. quanto serem complementares para explicar como os diferentes elementos de uma região – setores. para uma alternativa. interesses políticos – podem se integrar para gerar uma forma mais complexa de resiliência para qualquer lugar particular. que.

que apresentam atores econômicos informados e altamente capacitados apresentam capacidade adaptativa potencialmente mais forte. segundo Pike et al. dissipando os efeitos negativos através de uma série de atividades econômicas e locais ao invés de concentrá-los e reforçá-los. Nesse sentido. sejam mais capazes de se . regiões com estrutura econômica mais diversificada são menos propensas a choques. enquanto economias diversificadas e heterogêneas. economias de base homogênea e restrita com agentes não instruídos e não capacitados devem apresentar uma capacidade adaptativa mais fraca. indicam que variedade produtiva também influencia a atividade inovativa de firmas locais. Simmie e Martin (2010) relatam que o grau de diversidade de setores locais é tido como fator que influencia a vulnerabilidade da economia regional a choques exógenos. Segundo eles. (2010). Por sua vez. influenciando as discussões acerca de que tipo de economias locais e regionais são mais propensas a adaptação e para mostrarem adaptabilidade. Isso está de acordo. Esta discussão e suas relações com a resiliência também está presente nas demais concepções sobre o termo regional resilience. afirmam que as regiões economicamente mais especializadas são não só propensas a choques num setor específico. afirmam. advoga que embora seja plausível esperar que regiões com estruturas econômicas mais diversificadas e maiores níveis de inovação e capital humano. ou pelo menos mais preparados para se recuperar deles. bem como mercados com competição mais forte. mas havendo uma discussão sobre quando uma estrutura diversificada é mais propícia à inovação do que uma estrutura especializada. Além disso. Dessa maneira. Davies (2011). 60 ou o que esteja adaptando-se ou sendo adaptado coloca em primeiro plano a atuação dos atores e sua relação com as estruturas. mas também não possuem amplitude de atividades econômicas capazes de compensar tais distúrbios adversos. com a ideia de que economias diversificadas se adaptam mais facilmente em função de atuarem absorvendo os choques. De acordo com eles. por exemplo. a tradicional questão que confronta especialização versus diversificação permanece.

Lee. afirma que a diversidade de setores econômicos funciona como uma espécie de seguro contra declínios setoriais e Turok (2009. uma política comercial pode . Assim. também. que elementos políticos são amplamente negligenciados dos trabalhos existentes sobre resiliência. (2010). 2014) destaca que as economias mais especializadas tornam-se mais vulneráveis a flutuações de curto prazo associadas aos ciclos de negócios. estado e sociedade civil se delineiam e são moldados pelas trajetórias evolucionárias. (2010) destacam as regiões existem num espaço de ação multiescalar. Percebe-se. choques externos e outras instabilidades que costumam afetar determinados setores ou indústrias periodicamente. enquanto regiões cujas economias são mais abertas apresentam. Nesse sentido. apud. capacidades inovativas e seleção de mercado mais fortes. (2010) destacam. Christopherson et al. Ainda em relação à dimensão política envolvida na resiliência. acomodar e facilitar mudanças. na visão de Christopherson et al. trabalho. mas que o entendimento de como a adaptação e a adaptabilidade afetam a resiliência regional requer a compreensão de como as relações de poder. Pike et al. isso traz uma série de questionamentos sobre o conceito de resiliência. portanto. maior autossuficiência poderia reduzir a vulnerabilidade regional a choques internacionais. Lee (2014). política e contestações e cooperação diferenciadas entre capital. provavelmente. que a diversificação produtiva aparece como um fator importante para determinar a resiliência econômica local sob várias formas teóricas de se abordar o tema. em que atores políticos e econômicos estão tomando decisões que tem consequências para o que está localizado no espaço. é inevitável. ao buscar entender os fatores que afetam a capacidade das economias regionais responderem a mudanças e recuperarem-se de choques significantes que se originam de fora da região. no mesmo sentido. Uma delas está relacionada com o paradoxo de que. cair em questões sobre os fatores como a formulação de política e estrutura de governança apropriada que podem habilitar. 61 adaptar aos efeitos de longo prazo da crise de 2008-2010.

mudando a forma como os gestores das companhias encaram a forma da acumulação de capital. portanto. transporte e comunicação. é preciso considerar o grau em que o distúrbio é antecipado ou não e quando sua ocorrência é altamente provável e de baixo risco ou de baixa probabilidade e alto risco. enquanto no curto prazo se confronta com aspectos quantitativos de desafios imediatos. 2010). (2010). A dimensão institucional é. e de longo prazo. isto é.. A consideração dessa ampla gama de características que constroem a resiliência econômica de uma região. fundamental no processo de resiliência regional na ótica de Pike et al. permitem melhorar o entendimento da natureza e do tempo. (2010). sugerem que um grau de estabilidade nos arranjos institucionais permite a construção de um quadro habilidoso e um conjunto consistente de estratégias e de práticas. chega-se a considerações de curto prazo. Além disso. adaptação e adaptabilidade. a dependência de trajetória. envolvendo estratégias proativas (PIKE et al. do nível supra nacional ao nível local. que afirmam que o desafio da adaptação e da adaptabilidade das regiões requer a coordenação institucional de múltiplos agentes – verticalmente e horizontalmente – entre diversos níveis espaciais. quanto a respostas reativas aos choques. Ao se pensar em termos de adaptação e adaptabilidade dos agentes e os mecanismos para distinguir quantitativamente e qualitativamente sobre as dimensões da resiliência. a liberalização comercial pode fazer desaparecer. a visão de longo . por inteiro. e. garantir a continuidade da capacidade das instituições de uma região para interpretar e dar sentido aos desafios trazidos pelos choques é preferível a qualquer simples resposta reativa ou respostas prontas e gerais. da proporção e da duração da mudança. segundo Pike et al. a desregulação nacional das industrias pode reduzir custos de capital. 62 afetar a estrutura de incentivos que direcionam as decisões de localização das firmas: proteções comerciais podem manter indústrias numa região mesmo quando há vantagens em termos de baixos custos em outras regiões. Para Pike et al. Além disso. (2010). Portanto. indústrias regionais ou mesmo resultar numa nova divisão internacional (ou regional) do trabalho.

como um sistema regional de inovação robusto. inovativa e empreendedora. uma força de trabalho habilidosa. mas a questão que permeia a resiliência é relacionada à manutenção desse sucesso. das capacidades empreendedoras e formação de novas firmas. disposição dos trabalhadores de recapacitarem-se e de outros fatores similares. particularmente quando a região estiver em face de uma recessão econômica ou de outros desafios. taxas de emprego. uma moderna infraestrutura produtiva que envolva. Uma outra questão relevante a ser destacada é que a resiliência não está relacionada necessariamente a um maior nível de desenvolvimento ou sucesso econômico anterior. mas pode-se encontrar com mais força alguns fatores que influenciam na resiliência das regiões. deslocamentos na demanda dos consumidores e outros choques no sistema. mas mantem o sucesso ao longo do tempo em face das inevitáveis adaptações que são requeridas pelas mudanças na competição internacional. Segundo eles. uma região resiliente não é apenas bem sucedida economicamente. crucialmente. Christopherson et al. Nesse âmbito. por exemplo. de sua capacidade de se adaptar às circunstâncias em transformação ao longo do tempo e se ajustar a choques externos como e quando eles ocorrem. no futuro. os fatores que habilitam uma região a se ajustar e se adaptar ao longo do tempo são diversos e se diferenciam entre as regiões. (2010). padrão e qualidade de vida. De acordo com Simmie e Martin (2010). fatores que gerem maior aprendizado na região. tais respostas criativas e flexíveis aos choques vão depender da capacidade inovativa das firmas locais. Para uma região bem sucedida economicamente. inovação institucional. O sucesso da economia de uma região pode ser medido pelo crescimento passado e atual. um sistema financeiro desenvolvido para . 63 prazo deve ligar melhor com questões qualitativas com a reflexão acerca das diferentes saídas através de trajetórias mais hábeis para resistir a recorrências dos choques. (2010) ressaltam que o sucesso de uma região numa época pode não aparentar o mesmo quando as condições mudam. rede eficiente de transportes e comunicação. destacam Christopherson et al. Desta forma. acesso a investimento e venture capital. a probabilidade de que tal sucesso se sustente ao longo do tempo vai depender.

frequentemente. Bristow (2010). Segundo Chirstopherson et al. apresentando taxas de crescimento desfavoráveis às dos grandes centros de consumo. 64 fornecimento de capital de longo prazo e uma base econômica diversificada. a incorporação da dependência de trajetória dentro do conceito de “resiliência regional” muda a forma como esta deve ser definida e mensurada. incluindo pequenas indústrias manufatureiras bem como instituições de educação e saúde. (2010) exemplificam afirmando que entre as regiões metropolitanas menos afetadas pela última crise. A questão de dependência de trajetória aproxima-se da noção de adaptação. afirmam. sendo também caracterizadas por motivações sociais e políticas. Dessa maneira. segundo Simmie e Martin (2010) quando se leva em consideração as evidências e o campo teórico que defende que novas trajetórias de desenvolvimento são. a dependência . Nesse sentido. por sua vez. cujos relacionamentos são trajetória-dependentes. direcionados por crises e transformadores. (2010). formadas por antigas trajetórias. são mostradas como mais resilientes em face da crise econômica nacional. que não dependa demasiadamente de uma única indústria. estão antigas cidades industriais cuja resiliência se pauta em suas economias diversificadas. as decisões políticas de longo prazo contribuem para a determinação da capacidade física. entretanto. essas cidades foram criticadas por um suposto lock-in em formas ultrapassadas de pensamento. para resiliência regional e distribuição dos riscos das consequências adversas dos choques e distúrbios entre residentes e agentes externos. prossegue. Durante o boom do consumo. nos Estados Unidos. Agora. Regiões não são necessariamente planos homogêneos de imperativos puramente econômicos. Christopherson et al. além de serem fracas candidatas para os altos lucros com a atividade imobiliária o que garantiu que fosse evitada a especulação e a fraude das hipotecas que resultou em profundas perdas financeiras em grandes centros de consumo. afirma que os teóricos do desenvolvimento regional têm reforçado crescentemente que o “lugar” importa no entendimento de como as regiões funcionam e se desenvolvem.

a resiliência não só requer uma diversidade entre uma série de setores.. ou até mesmo ser uma força que restrinja a emergência de novas indústrias e tecnologias. recursos. Além disso. segundo eles. compreende que uma região resiliente deva apresentar ênfase em atividades de pequena escala. Em outras regiões. pelo menos em parte. dificuldades dos conhecimentos e recursos herdados das trajetórias pretéritas serem recombinados ou convertidos em novas competências ou pela atividade de indústrias existentes anteriormente no sentido de elevar a renda da terra local. em particular. 65 de trajetória pode atuar no sentido de possibilitar ou restringir a adaptação econômica regional em resposta a um choque. Tais elementos envolvem a necessidade de diversidade de atividades de negócios. o que implica numa ligação com as outras localidades mais por uma rede de compartilhamento de informações do que por dependência mútua. em função do choque. Portanto. A partir da perspectiva da “Cultural Political Economy”. por exemplo. inseridas nas capacidades do ambiente local e adaptadas a seus limites. de modo a ofertar suas necessidades básicas sem dependência substancial de transporte. . habilidades e experiências que provém de trajetórias locais anteriores e padrões precedentes de desenvolvimento econômico. a capacidade de reorganização de suas atividades. mas também que esses setores devam ser de uma pequena escala relativa de modo que nenhum setor ou companhia. Dessa perspectiva. instituições. fontes de energia. o ambiente local pode conduzir menos. alguma capacidade extra para se adaptar a mudanças estruturais e declínio industrial. alimentação. por recursos pré-existentes. sempre. Bristow (2010) analisa algumas características-chave de regiões resilientes. Simmie e Martin (2010) afirmam que a emergência de uma nova indústria local pode não se dever a mudanças ou “acidente histórico”. localizadas. competências. etc. seja dominante na localidade e que haja. mas ser estimulada ou possibilitada. preços e salários a níveis que desencorajem novas atividades empreendedoras. em razão das especificidades de seu desenvolvimento econômico passado. Tal situação pode ocorrer por uma série de fatores como.

A resiliência requer. (2010) como sendo a abordagem mais completa e mais adequada para o fenômeno da Resiliência Regional. apresentada por Simmie e Martin (2010) e Pike et al. a metodologia adotada se limita a uma análise do comportamento de curto prazo dos estados brasileiros frente a crise. 66 Dessa maneira. o comércio e trocas localizadas. portanto. Esta dissertação entende a perspectiva evolucionária. comunidades e sociedade civil. ainda. Entretanto. competitivo e bem sucedido. uma estrutura de economia de suporte às famílias. em termos da intensidade do . Enfatiza. capacidades e recursos locais e a produção. implicando. as formas de abordá-lo. Logo. De acordo com Bristow (2010). as políticas de desenvolvimento regional permanecem dominadas por um discurso superficial sobre competitividade que possui implicações negativas para a resiliência. uma série de limitações se impõe a análise que será feita no capítulo 3 em termos de disponibilidade de dados para o período que se quer analisar e intervalo ainda pequeno desde o fim da crise financeira global. Percebe-se que o conceito de Resiliência Regional apresenta um rico potencial de discussão sobre o desenvolvimento regional em face às crises e rupturas que atingem os sistemas econômicos regionais constantemente. as estratégias regionais tomam uma variedade de formas com maior ou menor progresso em direção à resiliência. indica que competitividade e resiliência relacionam-se de maneiras complexas e. sobremaneira. assim. quando ela é eficientemente balanceada com uma rede cooperativa e ciente do contexto e do lugar. 2010. de acordo com a autora. a utilização mútua de ativos. a importância de um comércio local dinâmico. A competitividade do sistema econômico regional também pode estar interrelacionado com a resiliência econômica desse lugar. então. bairros. Entretanto. mas ressalta que uma concepção mais nuançada sobre competitividade trás algumas conotações positivas para o termo. o conceito está envolto em consideráveis nuances e pontos de vista que distinguem. sob a ótica de Bristow. Dessa maneira. a resiliência se caracteriza mais por dispersão do que centralização no controle do sistema econômico.

relacionados a diversas características do sistema produtivo. está bem definido que os choques recessivos. . No capítulo seguinte. captando as distintas capacidades de resistência e de recuperação aos choques e discutindo. uma vez que os choques econômicos não se distribuem uniformemente pelo território nacional. assim. nota-se a importância de se considerar a dimensão espacial na análise dos impactos da crise. afeta de maneiras distintas as várias unidades espaciais de um país. como os principais canais de transmissão de choques monetários podem ter sido responsáveis pela transmissão dos choques para os estados brasileiros. 67 choque sobre as respectivas atividades econômicas e do crescimento do emprego após o choque. social e político das regiões. Reconhece-se. A partir da revisão de literatura feita neste capítulo. que questões importantes em relação à capacidade adaptativa das economias estaduais e outros comportamentos de longo prazo que melhor caracterizam a resiliência não são respondidos nesta análise. como uma crise financeira de dimensões globais. Por todos os fatores levantados neste capítulo. por meio de um modelo VAR. busca-se analisar como os estados brasileiros responderam à crise financeira global.

68

3 ANÁLISE DOS IMPACTOS REGIONAIS DA CRISE
FINANCEIRA GLOBAL SOBRE A ECONOMIA DOS
ESTADOS BRASILEIROS.

Este capítulo contém a análise empírica sobre os impactos diferenciados da crise
financeira sobre as economias dos estados brasileiros. Tal análise se apoiará em
dois tipos de investigação: na primeira, serão verificados os efeitos de dos
principais mecanismos de transmissão monetária para o caso brasileiro, a saber,
os canais de juros, crédito e cambio. A escolha destas variáveis está em
consonância com a literatura internacional e nacional utilizadas para este tipo de
estudo4. A utilização da taxa de juros, em particular, se dá pelo fato da autoridade
monetária brasileira tê-la utilizado como instrumento de inflexão da política
monetária contraciclicamente à crise financeira a partir de 2009. Na segunda
parte, será realizada uma análise da resiliência dos sistemas econômicos
estaduais ao choque inicialmente recessivo decorrente do comportamento da
autoridade monetária brasileira quando do início da crise do subprime e os seus
desdobramentos. Esta segunda parte fornecerá os subsídios necessários para o
entendimento da capacidade de resistência de cada estado frente à política
econômica do período de análise deste trabalho.

No que tange à primeira parte acima citada, será feita uma análise descritiva das
variáveis relevantes para este estudo e que fornecerão pistas sobre o
comportamento destas variáveis antes e depois da crise financeira. Em seguida,
será apresentado o referencial econométrico mais usado na análise dos efeitos
regionais de política monetária, a saber, dos modelos VAR e as Funções de
Impulso e Resposta. A partir de então, ou seja, da identificação e análise dos
mecanismos de transmissão monetária, parte-se para a análise da capacidade de
resiliência regional.

4
Tais como Minskhin (2007); Carlino e Defina (1996); Fraser et al. (2012); Fonseca e Vasconcelos
(2003) Bertanha e Haddad (2008); Fonseca (2008);Fonseca e Medeiros (2011); Silva (2011); e
Braatz (2013).

69

3.1. Aspectos Metodológicos: análise descritiva dos dados e
referencial econométrico utilizado.

No que tange à proposta empírica deste trabalho, inicialmente será feita uma
análise descritiva que, a priori, buscará evidenciar o comportamento das variáveis
mais relevantes para o exercício empírico no período que diz respeito à crise
financeira global. Em seguida, serão realizados exercícios empíricos distintos.

No primeiro exercício empírico pretende-se estimar o papel do crédito na
transmissão diferenciada dos impactos regionais da crise financeira utilizando a
metodologia de Vetores Auto-Regressivos (VAR). A escolha dessa variável está
relacionada ao peso do crédito enquanto canal de transmissão monetária no
Brasil. Mais especificamente, o estudo será realizado por meio da análise das
funções de resposta ao impulso, seguindo metodologia inspirada em Carlino e
DeFina (1996) e, em especial, em Rodríguez-Fuentes (2006), mantendo a
estrutura analítica da grande parte dos trabalhos relacionados com transmissão
regional de política monetária.

A fim de avaliar como os estados brasileiros resistiram e se recuperaram dos
efeitos da crise financeira global, serão analisados os comportamentos da
variação do emprego formal e do índice de produção industrial por meio de dois
indicadores calculados a partir da dinâmica relativa dos sistemas econômicos
estaduais durante e depois da crise: o Índice de Sensibilidade e o Índice de
Resistência Relativa ao choque recessivo. Ainda neste exercício, será estimada
uma equação de resiliência, adaptada de Fingleton et al. (2012), a fim de verificar
os impactos específicos do choque sobre as regiões.

3.1.1 Fonte e Tratamento dos Dados.

O período selecionado para a análise da dissertação está compreendido entre os
anos de 2004 e 2014, utilizando, para os exercícios econométricos que se
pretende, uma periodicidade mensal para as variáveis. A análise vai se proceder
a nível dos estados brasileiros.

70

Para a observação dos impactos da crise financeira, serão definidos como
indicadores de atividade econômica, as informações sobre produção e emprego.
Os dados sobre PIB (Produto Interno Bruto) e Produto Industrial fazem parte da
base de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados
sobre emprego formal estão disponíveis nas bases de dados do Ministério do
Trabalho e Emprego, nas informações da RAIS e CAGED.

Ambas as opções apresentam problemas que precisam ser destacados. Um dos
principais problemas no uso do Índice de Produção Industrial como proxy para a
atividade econômica consiste na sua abrangência limitada, sendo calculado para
apenas 13 das 27 unidades da federação. Ademais, caso seja necessária uma
análise de periodicidade mais longa, a quantidade de informações disponíveis se
reduz ainda mais, dado que apenas 10 estados apresentam séries anteriores a
2002. Outro fator relevante é que, por ser um indicador setorial, não se captam
movimentos nos setores de serviços e agropecuário, que podem ser relevantes
para o entendimento da dinâmica econômica de estados cujo peso da indústria é
menos representativo, ou mesmo daqueles cujo peso do setor industrial é
bastante relevante, tal como acontece nos estados da fronteira agrícola brasileira,
no Centro-Oeste.

Em relação à variação do emprego, é importante destacar que apenas são
captados movimentos no mercado formal de trabalho. Além disso, como ressalta
Silva (2011), a resposta do emprego a choques pode ser mais lenta que a do
produto, por exemplo. De todo modo, em função da disponibilidade de dados
para todas as unidades da federação para o período considerado neste trabalho
(2004 a 2014), optou-se por proceder às análises econométricas usando
preferencialmente a variação no emprego formal, realizando algumas análises
sobre o Índice de Produção Industrial de forma complementar.

Muitos estudos sobre os impactos da crise têm sido realizados em termos da
variável produto. Entretanto, a escassa disponibilidade de dados regionais com
periodicidade maior dificultam que tais variáveis captem respostas mais
consistentes dos estados à crise. A utilização de dados sobre

A opção pelo Índice de Emprego.2) A partir do nível de emprego formal mensal aproximado pelas equações acima. E por outro lado. Empregot  Empregot 1 ( Admissõest  Desligamentost ) (3. por meio do saldo entre as séries de Admissões e Desligamentos ocorridos em cada mês. obtida diretamente das séries do CAGED. sobretudo por dois pontos. como discutido acima e ressaltado em trabalhos mais recentes. permite a utilização de informações em períodos maiores e com maior frequência. Tal operação não é possível de ser aplicada na Variação do Emprego Formal. tal como em Ciccarelli et al. tal que Emprego janeiro / 2004  Emprego Dezembro / 2003  ( Admissões janeiro / 2004  Desligamentos janeiro / 2004 ) (3. de forma a reduzir as suas variâncias. Dessa maneira. de acordo com Blazek e Netrdová (2012). Utilizando os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) sobre o total de empregos no mês de dezembro de 2003.. n . se justifica. 71 emprego/desemprego. ao utilizar a variável emprego formal como proxy para a variação na atividade econômica faz-se uma análise mais geral e agregada que não capta efeitos setoriais da crise nem os efeitos sobre o setor informal da economia. ao invés da variação absoluta. gerou-se uma série aproximada do nível de emprego formal mensal em cada estado. A Variação no Emprego Formal foi obtida através do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego. que .1) Com t  0.. (2013). onde 1  janeiro / 2004 . gerou-se um Índice de Emprego Formal. Ao utilizar o índice ou o nível de emprego. foi calculado como sendo o número de trabalhadores formais em 31 de dezembro de 2003 (a partir dos dados da RAIS) somando-se o saldo entre Admissões e Desligamentos ocorridos em janeiro de 2014 (informações obtidas do CAGED). o nível de emprego formal no mês de janeiro de 2004. o que pode fornecer os primeiros impactos das crises financeiras a nível regional. ou do nível construído via a interação desta série com as informações da RAIS.. por outro lado. pode-se incluir tais variáveis no modelo aplicando-se os respectivos logaritmos. por exemplo.1.. que será utilizado na estimação do VAR.

72 apresenta valores negativos. especificamente no caso das variáveis Variação no Emprego e Exportações. ano de início dos impactos da crise financeira nos estados brasileiros. Além do IPCA. o que é um forte indício da sazonalidade. todas as séries foram ajustadas pelo programa X12-ARIMA. o comportamento das séries selecionadas para este trabalho apresentam Autocorrelação serial de ordens elevadas. O Índice do Emprego Formal (IEmprego) tem como período base janeiro de 2008. com objetivo de representarem os choques monetários comuns. Em segundo lugar. consequentemente. facilitando a comparação entre eles. O componente sazonal das séries de emprego é bastante conhecido na literatura econômica. forte componente sazonal e. A fim de compatibilizar os dados com a base do LEMTe foi feita uma mudança no IPCA da original. por isso. De toda forma. desenvolvido pelo United States Census Bureau. serão utilizadas outras variáveis agregadas no modelo VAR.1993=100. do Banco Central do Brasil. para jan. As séries de Operações de Crédito utilizadas nesta dissertação foram extraídas da base ESTBAN. dez. o Índice do Emprego Formal apresentam. A série de crédito foi deflacionada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE. Parte da série já havia sido sistematizada pelo LEMTe (Laboratório de Estudos em Moeda e Território) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. A variação do emprego formal e. tendo sido completada por esta dissertação. em geral.2008=100. A variável Índice de Produto Industrial sofreu ajuste sazonal por parte do IBGE. A taxa de Juros . sendo que este trabalho utilizou a base da série já dessazonalizada. Em função do forte componente sazonal de algumas séries. como pode ser observado na tabela 1 do anexo desta dissertação. tornou-se necessário usar procedimentos para realizar ajustes sazonais. O Total de Operações de Crédito foi obtido com a soma das contas 1600 da ESTBAN para todos os municípios de cada estado brasileiro. O IPCA será a variável correspondente ao nível de preços utilizada no modelo VAR. a utilização das variáveis em Índices reduzem as discrepâncias existentes em termos absolutos na quantidade e variação do emprego entre os estados.

da redução da renda mundial após a última crise financeira. esta dissertação utiliza como deflator das exportações o IPA-US. extraída do Banco Central. são especificados as duas metodologias que serão utilizadas nas análises que se propõe neste trabalho. retirada do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para tanto. Para a estimação do modelo VAR. 73 consiste na Série Acumulada Mensal anualizada da taxa Selic Over. decorrente. É realizada uma mudança de base de janeiro de 2005 para janeiro de 2008. de forma a captar a desvalorização dessa moeda. sobre as economias dos estados brasileiros. que já estão em valores percentuais. A Série diária do EMBI+ foi extraída do site IPEADATA e agregada pela média mensal. deve-se utilizar um índice de inflação correspondente ao dólar. sobretudo. medida do Risco-País. como sugere Bretanha e Haddad (2008). todas as variáveis serão utilizadas em Logaritmo com fins de estabilizar as variâncias das variáveis. A taxa de câmbio será a taxa de câmbio efetiva real. No tópico abaixo. As exportações estaduais foram calculadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento. Inicialmente trata-se dos aspectos que . As exportações estaduais serão incluídas no modelo VAR a fim de captar os impactos da redução no comércio internacional. Tal procedimento tem como exceção as taxas Selic e a taxa de câmbio. deflacionada pelo IPCA. Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e foram extraídas do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central. conta 4189 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central. Uma vez que a unidade da série de exportações é de US$ mil. As expectativas em relação à economia brasileira serão aproximadas pela variável EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus). baseado nos trabalhos de Castro e Cavalcante (1997). com as simulações a partir das Funções de Resposta ao Impulso. índice calculado pelo Banco JP Morgan que aproxima as informações das expectativas dos agentes sobre a economia brasileira. a fim de manter base semelhante com as demais variáveis. Nakabashi e Cruz (2007) e Bliska e Guilhoto (1999). Índice de Preço por Atacado dos Estados Unidos (Wholesale price index).

No Brasil. Os autores encontram que a política monetária difere substancialmente. destacam-se os trabalhos de Bretanha e Haddad (2008).2. assumindo que as variáveis nacionais não são afetadas instantaneamente pelos choques monetários enquanto as variáveis setoriais (e regionais) são afetadas.2 Métodos Econométricos 3. apresenta-se as avaliações sobre o crédito como canal de transmissão de choques recessivos. em diferentes regiões. 3. uma série de trabalhos tem buscado avaliar a transmissão da política monetária sobre a economia dos estados brasileiros. sobre a atividade econômica dos estados brasileiros frente ao período em que a crise financeira global se insere. Vários trabalhos tem utilizado a metodologia VAR para análise de impactos diferenciados de choques monetários sobre o setor real da economia. Rodriguez- Fuentes e Padrón-Marrero (2008). como os efeitos de spillovers no crescimento da renda de outras regiões.1. Dentre eles. (2013). Ciccarelli et al. seguindo o instrumental da literatura de Impactos Regionais de Política Monetária. pode-se destacar os trabalhos de Carlino e DeFina (1996). Carlino e DeFina (1996) utilizam o VAR para estimar tanto os efeitos diretos da mudança na política monetária sobre o crescimento da renda a nível regional. em seus impactos. 74 embasam o estudo da resiliência regional e. De acordo com Rodriguez-Fuentes e Padrón-Marrero (2008) a maior parte da literatura empírica emprega o modelo VAR quando estudando os mecanismos de transmissão monetários. Rocha et . Fraser et al.1 VAR e Função de Resposta ao Impulso. O segundo exercício econométrico a ser utilizado consiste num modelo VAR (Modelo de Vetores Autorregressivos) a fim de avaliar o papel do crédito. um dos principais canais de transmissão dos choques monetários. Entre eles. (2012) e Silva (2011).1. e Fonseca e Vasconcelos (2003). em seguida. Silva (2011) que utilizam a variação no emprego como variável dependente.

que mostra como a atividade econômica. será estimado um modelo macroeconômico buscando avaliar o impacto de um choque monetário sobre a atividade econômica (que nesta dissertação será mensurada através da variação no emprego) utilizando a função de resposta ao impulso. Segundo eles. enquanto os modelos univariados estão preocupados com aspectos de previsão. a utilização da dinâmica entre as variáveis para mensurar os impactos de uma sobre a outra ao longo do tempo através de um choque inesperado no termo de erro no período inicial. (2011) e Fonseca e Medeiros (2011) que utilizam o Índice de Produto Industrial como proxy para a produção estadual. o VAR almeja respostas sobre a trajetória da série que está sendo utilizada a partir da ocorrência de um choque estrutural numa outra série. apontado no capítulo 2 como uma das fontes de assimetrias regionais e um importante canal de transmissão dos choques monetários. Neste estudo. O modelo é utilizado . para Bretanha e Haddad (2008). Para Carlino e DeFina (1995). a principal variável a ser analisada será o crédito. uma forma típica de resumir os impactos do choque monetário sobre a atividade econômica é a função de resposta ao impulso cumulativa. No caso deste trabalho. transmitindo seus efeitos entre as variáveis nos períodos subsequentes. Tal como no trabalho de Fraser et al (2012). com a possibilidade de avaliação do tempo deste efeito e das mudanças de patamares nas variáveis. bem como em termos dos valores passados das variáveis dependentes. busca-se avaliar os mecanismos responsáveis pela transmissão da crise financeira para os estados brasileiros. principalmente para o contexto brasileiro. 75 al. numa região. muda ao longo do tempo em função de uma surpresa monetária. o VAR consiste numa metodologia ampla para coleta de evidências sobre a dinâmica dos ciclos de negócios dependente de um pequeno número de variáveis expressas em termos de seus valores presente e passado. Como mostra Bueno (2008). Esta metodologia tem como utilidade.

puramente. apresente erros não correlacionados entre si. A literatura a respeito de efeitos regionais de choques monetários leva. modelos VAR com variáveis macroeconômicas e variáveis financeiras se tornaram ferramentas padrão para identificação dos efeitos de choques monetários sobre a economia. o vetor de constantes (n x 1). de coeficientes (n x n) e a matriz de desvios-padrão (matriz diagonal. O trabalho de Ciccarelli et al. variância constante e são não- correlacionados serialmente. Ciccarelli et al. pode-se expressar a estrutura geral de um modelo Auto-Regressivo que conte com n variáveis endógenas. De acordo com Bueno (2008). Eles são. (2013) estima um modelo VAR de maneira recursiva incluindo dados sobre crédito. p sendo a ordem do modelo Auto-Regressivo. definindo as restrições contemporâneas entre as variáveis endógenas. de acordo com Enders (1995). Por sua vez. . contemporaneamente ou temporalmente. no caso desta metodologia. A uma matriz de ordem n x n. n x n). e os vetores B0 . que estão conectadas entre si por uma matriz A e pertencentes a um vetor X t : p AX t  B0   Bi X t i  B t . investigando assim as diferenças existentes nas respostas a tais choques. (2013) utilizam um modelo VAR incluindo variáveis de séries temporais macroeconômicas e variáveis financeiras.  t . Assume- se que o vetor de choques estruturais. à estimação de um modelo para cada região estudada como forma de mensurar a heterogeneidade nas respostas regionais e a incorporação tanto de variáveis nacionais como de variáveis regionais. 76 para aplicar o mesmo choque sobre a atividade econômica a nível estadual. (3. sete variáveis.3) i 1 Com. Bi e B são. respectivamente. Segundo eles. segundo Bueno (2008). inovações ou choques sobre as respectivas variáveis e são ruídos-brancos que apresentam média zero. de acordo com Rodriguez-Fuentes e Padrón-Marrero (2008) à escolha do modelo VAR como técnica econométrica para identificar choques monetários. Esses choques estruturais.

Zt é o vetor de variáveis exógenas. expressa como se segue: p X t  A 1 B0   A 1 Bi X t i  A 1 B t . Para recuperar as informações contidas na forma estrutural. IPCA. de acordo com Bueno (2008). 77 afetam individualmente as variáveis endógenas e as inter-relações entre eles são capturados pela matriz A. dado que se permite que uma variável afete a outra. Seguindo o padrão de modelos utilizados pela literatura ao estimar impactos de choques monetários sobre variáveis reais. Como discutido anteriormente. implica na perda de informações que dificultam a recuperação dos parâmetros do modelo original. O modelo a ser estimado nesta dissertação. De acordo com Enders (1995). a estrutura do sistema incorpora a existência de feedbacks entre as variáveis incluídas no modelo. (3. (3.4) i 1 A estimação desta forma reduzida. A estimação deste modelo é realizada através da forma reduzida do VAR. e os canais tradicionais de impacto dos choques monetários: a taxa de juros (SELIC). contudo. a taxa de Câmbio efetiva real.5) i 1 Neste modelo. o Total das Operações do Crédito Bancário e o canal das . após a estimação do modelo na forma reduzida será preciso impor algumas restrições aos parâmetros através de uma estratégia de identificação do modelo. a dinâmica da atividade econômica será aproximada pelo comportamento do Índice gerado a partir do emprego formal (IEMPREGO) com ajuste sazonal. serão incluídos no modelo estimado por esta dissertação um índice de preços. através do VAR reduzido será o seguinte: p X t  0   i X t i  GZt  et .

78 expectativas. SELIC . usar um p elevado num modelo muito complexo gera deficiências no teste estatístico. CAMBIO. Segundo Bueno (2008). Para detecção da Autocorrelação Serial analisou-se as Funções de Autocorrelação (FAC) e Autocorrelação Parcial (FAC-P) dos resíduos da regressão e aplicou-se o Teste LM de Breush-Godfrey. deflacionadas pelo IPA-US. O Índice de Emprego Formal agregado para o Brasil busca captar o comportamento pró-cíclico das séries de emprego estaduais e captar o impacto da redução na demanda agregada da economia brasileira sobre as economias estaduais. na presença de Autocorrelação Serial. segundo Bueno (2008). EMBI  ] O dimensionamento dos modelos. As expectativas quanto à economia nacional normalmente se deterioram em períodos de crise econômica. Entretanto. Além dos critérios de informação. o autor ressalta que é provável que a Autocorrelação permaneça em algumas variáveis ainda que p seja alto. Critério de Informação de Shwarz. a fim de controlar as estimativas pelo Risco-País. IEMPREGOi . foi escolhido com base em três critérios de informação: Critério de Akaike (AIC). buscam captar o impacto sobre as economias estaduais da retração no comércio internacional que ocorreu em virtude da redução da renda mundial. Em geral. (BIC) e o Critério de Informação de Hannan-Quinn (HCQ). é necessário bom senso e parcimônia. foram acrescidas defasagens aos modelos. Também serão incluídas no modelo duas variáveis reais. CREDITOi . IEMPBR . cuja proxy será o EMBI+. Assim. os critérios indicaram duas defasagens para os modelos estaduais. As Exportações por estado. no modelo acima. escreve-se os vetores como: X t  IPCA. Foram adicionadas . Portanto. Ao mesmo tempo. EXPORTi  Zt  [Cons tan te. em termos de defasagens das variáveis endógenas. deve-se utilizar o número de defasagens necessárias para a obtenção de “ruídos brancos” nas variáveis endógenas. ou Critério de Informação Bayesiano.

79 algumas defasagens a fim de corrigir a Autocorrelação serial. A. num modelo VAR mais completo que busca gerar estimadores eficientes e permite que as variáveis com dinâmica comum expressem suas relações de curto prazo e de longo prazo.A. Os testes ADF (Dickey-Fuller Aumentado) e PP (Phillips-Perron) foram realizados em todas as variáveis. de acordo com Bretanha e Haddad (2008) e a constante (Bueno. Para verificar a estabilidade do modelo. com esta alternativa. Entretanto. Os argumentos apontados . Entretanto. estimando-se um modelo VECM. A. segundo Bretanha e Haddad (2008). é a utilização de Vetores de Correção de Erros. a partir dos coeficientes estimados do sistema reduzido.6). uma parte da literatura prefere a utilização das variáveis em nível mesmo sob a presença de raiz unitária (Enders. para analisar a presença de raiz unitária nas séries.3.4 . as variáveis utilizadas neste trabalho não podem ser consideradas estacionárias em nível. que possibilitaria estimativas eficientes sem a perda de informações. Caso i 1 i os autovalores estejam dentro do círculo unitário. em nível e em diferença. com o modelo sendo estacionário. Em geral. em função da perda de eficiência do estimador decorrente da presença de raiz unitária. que se perde com a diferenciação.2. a cointegração ocorre quando as variáveis se movimentam conjuntamente. mesmo na presença de raiz unitária. é necessário que as variáveis sejam cointegradas. As raízes dos polinômios característicos das equações calculadas estão em tabela em anexo e atestam a estabilidade dos modelos estimados. O Modelo VECM (Modelo de Correção de Erros) consiste. perde-se muitas características com as possíveis relações de longo prazo. porém seguindo as orientações de Bueno (2008) de agir parcimoniosamente neste aspecto. calcula-se os autovalores da equação p i polinomial   L . em sua grande maioria. Uma alternativa.5 e A. 2008). como afirma o autor. Para tanto. as variáveis sejam utilizadas em diferença. nestes casos. orienta-se que. Como pode ser observado nas tabelas do Anexo (tabelas A. satisfaz-se a condição de estabilidade. Segundo Bueno (2008). 1995).

pelo menos assintoticamente. então. segundo Enders (1995). e não os parâmetros estimados. Segundo Fonseca (2008) seria preferível. Stock e Watson (1990) mostram que a prática comum de tentar transformar os modelos para a forma estacionária via diferenciação ou aplicando o operador de cointegração sempre que a integração das variáveis parece ser provável é. a perda de eficiência do estimador do que perder informações sobre a relação de longo prazo entre as variáveis. mesmo que as variáveis contenham raiz unitária. Trabalhos como o de Fonseca (2008). que. sem se preocupar com a estrutura de cointegração. Fonseca (2008) aponta. são. não se preocupam com a perda de eficiência desta . Cavalcanti e Silva (2010) utilizam como uma das justificativas para não apresentarem preocupação explícita com a presença de raiz unitária das séries analisadas o fato de que as Funções de Resposta a Impulso dos modelos VAR podem ser calculadas e interpretadas da forma usual. para uma análise deste tipo. desnecessária. mostram que os procedimentos nos modelos que leva em conta a cointegração são desnecessários. Cavalcanti e Silva (2010) e Braatz (2013). ancorados nestes argumentos e em uma série de outros trabalhos que. obtém-se uma estimação consistente. Os resultados encontrados pelos autores implicam que os estimadores de Mínimos Quadrados são consistentes mesmo que o VAR não contenha componentes integrados. 80 pelos autores que se mostram contrários à diferenciação. Além disso. mesmo na presença de processos integrados. Sims. que o objetivo desta metodologia é determinar as relações entre as variáveis. que no caso da investigação das formas como as variáveis reagem a choques monetários pode-se aplicar o VAR com as variáveis de interesse. por não estarem interessados no valor dos parâmetros e sim no comportamento das trajetórias das séries. Tais autores defendem que a diferenciação descarta informações relevantes quanto aos co-movimentos entre os dados. analisam impactos de choques monetários sobre o lado real da economia brasileira utilizando variáveis não estacionárias em nível em seus modelos. ainda assim. muitas vezes.

segundo Sims (1980). como mostram Sims. Braatz (2013) afirma que esta opção metodológica é amplamente utilizada na literatura. Ademais. a análise das estimações costuma ser realizada através das Funções de Resposta ao Impulso (FRI) e da Decomposição da Variância do Erro de Previsão. o que permite que se trace a trajetória temporal dos vários choques sobre as variáveis incluídas no VAR e examinar as interrelações entre as sequências de duas variáveis (Enders. que consistem nas Funções de Resposta ao . Como afirma Sims (1980). os estimadores continuam consistentes. pois tendem a oscilar entre os sucessivos lags e em função dos complicados feedbacks entre as equações. segundo ele. abrindo mão de eficiência para manter as informações que as séries não-estacionárias trazem em seus comportamentos. deve-se identificar o modelo impondo valor zero a alguns coeficientes do modelo Nesse sentido.  X t     i et i (3. de forma que os resultados permitem que se faça a análise que se almeja. é difícil descrever suscintamente Sistemas Autorregressivos como os estimados nesta dissertação. assim como os trabalhos citados tem feito. Fonseca (2008) destaca que. dada a dificuldade da interpretação direta da matriz de coeficientes de um VAR. é difícil dar sentido aos coeficientes estimados na equação reduzida. Para isso. Assim. Stock e Watson (1990). A opção deste trabalho foi estimar as variáveis em nível. 1995). As Funções de Resposta ao Impulso decorrem da representação dos modelos VAR em Vetores de Média Móvel (VMA). 81 estimação. Além disso. Os gráficos desses coeficientes. A melhor forma de descrever os resultados. A matriz de coeficientes fornece tanto os multiplicadores de impactos instantâneos de uma mudança unitária sobre a variável e os impactos cruzados.6) i 0 Os coeficientes de i são os impactos multiplicadores que transmitem os choques gerados sobre um termo de erro específico do vetor et i para as variáveis do vetor X t . é a análise das respostas típicas dos sistemas a choques aleatórios.

então. . Serão analisados. mostram-se uma opção prática de representar visualmente o comportamento das séries após a ocorrência de vários choques (Enders. segundo ele. segundo Bueno (2008). por ordem de endogeneidade das variáveis é a seguinte: IPCA. É preciso. definir a ordenação das variáveis. Índice de Emprego Estadual. Esta decomposição consiste forçar. 24 meses. Por sua vez. segundo ele. sobre o nível de Crédito Local. Taxa Selic. A partir desta decomposição define-se os impactos contemporâneos e defasados entre as variáveis. Crédito Estadual. As respostas serão avaliadas sobretudo sobre o nível do Emprego Formal e. A fim de fazer a análise da Função de Resposta ao Impulso e a Decomposição da Variância do Erro de Previsão é preciso. ii) Redução Unitária nas Exportações. que uma variável explique quase toda a sua variância do erro de previsão em horizontes curtos e proporções menores em horizontes mais longos. É comum. antes. 82 Impulso. a Decomposição da Variância do Erro de Previsão mostra. segundo Enders (1995) a proporção dos movimentos de uma variável que se deve aos seus próprios choques em comparação com os choques em outras variáveis. A simulação de impactos será realizada para um horizonte temporal de dois anos. choques recessivos unitários em quatro variáveis: i) Redução Unitária no Crédito. Emprego Nacional. Para tanto. 1995). Será por meio deste instrumental de análise que esta dissertação procederá sua análise a respeito das formas como o crédito podem transmitir choques recessivos para as economias regionais. iv) Elevação na taxa de juros. identificar as variáveis por ordem de exogeneidade. será utilizada como estratégia de identificação a decomposição recursiva de Cholesky. Exportações Estaduais. num exercício arbitrário. iii) Redução Unitária no Emprego Nacional. ao todo. A ordenação das variáveis escolhida por este trabalho. eventualmente. que a porção superior da diagonal principal da matriz de coeficientes seja zero. dado os efeitos defasados dos choques nas demais variáveis com os sucessivos lags. isto é.

1. neste momento. portanto. em grande medida devido à dificuldade que até agora se tem de encontrar uma definição universalmente aceita para o seu conceito. (2010). ser influenciada apenas pela taxa de câmbio e pela renda internacional. Como tratado no capítulo 2. Contudo. admitindo que a metodologia adotada não permite uma análise mais profunda de eventuais mudanças nas estruturas locais. ser a mais apropriada.2 Testando a Resiliência Econômica dos Estados Brasileiros. este trabalho reconhece a abordagem evolucionária como a mais apropriada para lidar com o conceito de resiliência. Em vista de tais limitações. neste momento. mas sua influência sobre as economias dos estados se dão de forma defasada. sofre influência contemporânea do emprego estadual (que entra em seu cômputo). . Poucos trabalhos tem buscado. as limitações em termos de informações disponíveis para as regiões brasileiras na periodicidade escolhida para a análise desta dissertação e o curto período desde o final da crise financeira global até o período em que se tem informações sobre aspectos mais amplos das economias estaduais inviabilizam uma análise da resiliência a partir da ótica que acredita-se.2. este trabalho optou por analisar o comportamento dos estados brasileiros em termos de resistência e recuperação do emprego. A partir do próximo tópico os resultados obtidos com a aplicação dos métodos descritos até aqui são apresentados e discutidos. por sua vez. tratar a resiliência de forma empírica. que o nível de preços é influenciado por todas as variáveis contemporaneamente. aqui. mas só influencia o emprego com uma defasagem de um mês. As exportações entram como as variáveis mais exógenas neste modelo em função de. 83 Assume-se. O emprego nacional. contemporaneamente. Dentro das possibilidades metodológicas que se mostraram viáveis. como indicado por Simmie e Martin (2010) e Pike et al. 3. não mostrou-se viável uma análise da resiliência enquanto capacidade adaptativa das economias locais após a crise global.

sobretudo do ponto de vista evolucionário. em si. por utilizar dados mensais que vão até o ano de 2014. proceder com as comparações entre estados. Assim. Optou-se por utilizar a variação do emprego formal como proxy para a variação na atividade econômica brasileira contendo o período. informações anuais e trimestrais que consideravam apenas até o ano de 2011. Tal metodologia fornece um instrumental simples e útil para uma primeira análise empírica da resiliência nas regiões brasileiras à crise financeira global. sobretudo. . conforme já indicado. Contudo. uma informação que se baste. respectivamente. como o é a medida de eficiência. adota-se como referência os artigos recentes de Fingleton et al. A metodologia apresentada permite que se explore. significa afirmar que esta não traz. mais uma vez é importante ressaltar que esta metodologia ainda não consegue incorporar todas as dimensões e aspectos envolvidos na discussão resiliência regional. das regiões do Reino Unido e da Itália frente a choques recessivos através de um exercício de séries temporais via SUR (Regressões Aparentemente Não Relacionadas). analisando essencialmente o comportamento das séries de dados utilizados como proxies para a dinâmica da atividade econômica. Dizer que a medida de Resiliência é relativa. Portanto. a não ser quando comparada a outras unidades espaciais no mesmo tempo ou outras unidades temporais no mesmo espaço. o objetivo deste tópico ao tentar estimar valores que indiquem resiliência e. 84 Para a análise destes dois aspectos. a partir dai. as diferenças entre os estados (ou unidades espaciais que sejam) em termos de resistência – ou sensibilidade – e recuperação dos choques. (2012) e Cellini e Torrisi (2014) que verificam o comportamento do emprego e do PIB per capita. Os trabalhos citados não conseguiram verificar a resistência e recuperação das regiões analisadas a esta última crise em função do curto intervalo temporal dos dados utilizados após este choque. Uma questão sobre a medida de resiliência importante para o entendimento da metodologia é que sua mensuração é relativa. este trabalho será o primeiro utilizando tal metodologia a conseguir analisar tais comportamentos das regiões frente à crise financeira.

 EiF    1 E i1 IS    (3. (2012) propõem o uso de dois indicadores distintos. de acordo com Fingleton et al. Ei1 : Emprego da região i no mês inicial da recessão t = 1. envolve-se. O segundo indicador utilizado na análise exploratória sugerida por Fingleton et al. Fingleton et al. (2012) consiste no Índice de Recuperação do Emprego Regional. 85 Quando se busca responder quão resilientes tem sido as regiões a choques recessivos. E BR1 : Emprego no Brasil no mês inicial da recessão t = 1. O Índice de Resistência busca captar a sensibilidade da região ao choque específico. (2012). Para uma análise exploratória inicial. Uma região com um Índice de Sensibilidade (IS) maior que a unidade pode ser considerada menos resistente a um choque recessivo nacional que uma região com um índice menor que a unidade. quando e em que medida as regiões recuperaram-se deles ou quando as trajetórias de crescimento foram permanentemente afetadas. calculado como o crescimento percentual do emprego regional pós-recessão como proporção do crescimento percentual nacional. testar a existência de possíveis deslocamentos nas trajetórias de crescimento regional e taxas de crescimento regional. EiF : Emprego da região i no último mês de recessão t = F. E BRF : Emprego no Brasil no último mês da recessão t = F. sendo calculada pelo declínio percentual no emprego regional relativo ao emprego nacional durante a recessão.7)  E BRF    1  E BR1  Em que. um IR maior que 1 (um) indica . Neste caso.

Ademais. . conforme já ressaltado em. um choque que afeta o crescimento do emprego em uma região pode afetar simultaneamente o crescimento do emprego em outras regiões (Fingleton et al. Para Cellini e Torrisi (2014). (2012) o modelo SUR é bastante flexível e. a ser considerada no Brasil. a estimação proposta se dá através do SUR (Seemingly Unrelated Regressions). ou Regressões Aparentemente Não-Relacionadas. % Ei IR  (3. 86 regiões com melhor recuperação pós-crise e IR menor que a unidade indica regiões com recuperação pós-crise inferior que a média nacional. de uma análise de regressões bastante simples. (2012) . De acordo com Fingleton et al. o modelo permite ligações entre as unidades espaciais por serem deixadas indeterminadas como uma co-variância geral no termo de erro para cada equação de crescimento do emprego regional. Dessa maneira. apesar de as interdependências inter-regionais não estarem expressas explicitamente em uma função particular e parametrizada e de não ser necessário a especificação a priori de uma matriz de pesos espaciais. por esta mesma lógica. O pressuposto implícito nesta utilização do modelo SUR é. tal como é o caso da Espanha (no artigo em questão) e. permitindo verificar de que forma as regiões reagem e se recuperam de choques em diferentes formas.8) % E BR Em seguida. segundo ele. que os efeitos espaciais decorrem do componente do erro não observado no modelo e não se devem a uma interação espacial direta em que a taxa de crescimento do emprego em uma região i é uma resposta direta das taxas de crescimento do emprego nas regiões j e k. seguindo a abordagem metodológica proposta por Finlgeton et al. segundo eles. Rodriguez-Fuentes e Padrón Marrero (2008). outra vantagem da estimação SUR é a sua eficiência no tratamento de dados de regiões heterogêneas. . o modelo é um útil ponto de partida analítico para identificar a capacidade de resiliência das regiões. Consiste. 2012).

Fingleton et al. segundo eles. se os choques recessivos tem o mesmo papel no formato da performance regional e se há alguma relação entre a performance de crescimento regional e a forma como as regiões reagem e se recuperam dos choques. Carllini e Terrisi (2014) utilizam dados anuais para uma análise de longo prazo (1890-2009). Dentro de uma configuração regional. Reino Unido (Fingleton et al. nas formas como as regiões reagem e se recuperam dos choques. Segundo eles. quais delas são as mais aptas a se recuperarem. ao longo do tempo. os resultados permitem responder se as regiões tem respondido ao mesmo choque da mesma forma. quando se comparado aos dois casos europeus estudados nas referências para esta parte da metodologia. como as Guerras Mundiais. nas recessões passadas. quais são as regiões que apresentam os maiores graus de resistência aos choques recessivos. 2012) e Itália (Cellini e Torrisi.. Os dados utilizados referem-se a séries trimestrais entre 1971 e 2010 para as 12 maiores regiões do Reino Unido. a captação dos efeitos regionais a choques extremos. 2014). para eles. o que possibilita. Além disso. grande parte do impacto de choques recessivos severos são suportados pelo mercado de trabalho. utilizam dados de PIB per capita. Por outro lado. o declínio no emprego tem sido proporcionalmente maior que o declínio no produto. de forma significativamente potencializada. Diferente de Fingleton et al. afirmam eles. As duas experiências recentes de aplicação desta metodologia se referem a casos de países com disparidades regionais Norte-Sul. ou se ainda estão em processo de adaptation e adaptability. (2012) utilizam dados de emprego regional. se há alguma diferença. se as regiões tem se recuperado dos mesmos choques de formas semelhantes. no Reino Unido. (2012). 87 Cellini e Torrisi (2014) ressaltam que esta metodologia permite a geração de algumas respostas para questões relevantes de uma maneira simples e intuitiva. divisão que também se verifica entre as regiões brasileiras. não se consegue levantar informações suficientes a fim de captar as formas como as regiões se adaptaram e modificaram suas estruturas. dado que. ao invés de dados de emprego em .

A fim de detalhar a estrutura do modelo a ser testado. de forma reduzida. (2014).2.. neste aspecto. o modelo a ser estimado a fim de captar os impactos diferenciados dos choques nas economias dos estados é o seguinte. (2012) assumem que o período pós-crise dure até o choque subsequente. tanto por utilizar uma amostra com periodicidade mensal quanto por abranger um período que se expande até janeiro de 2014.   ik S k  ei (3. g it : primeira diferença de yit . a análise desta dissertação diferencia-se de ambos. que o diferencia do caso britânico.N t  1. Em função dos períodos utilizados pelos dois trabalhos. seguinte a cada choque.9) Ou. g it   it   i (1) D1   i ( 2) D2  . 88 função de uma rigidez no mercado de trabalho italiano..... De posse das variáveis. (2012).. seguiremos a notação apresentada por Celline e Torrise (2014) para o modelo de Fingleton et al.. Medida do crescimento do emprego. obtém-se informações suficientes para captar a análise de resistência e recuperação regional à crise financeira. Fingleton et al. S k : Variável dummy correspondente ao período pós-recessão.   i ( k ) Dk   i (1) S1   i ( 2 ) S 2  . segundo Cellini e Torrise (2014). que se encerram em 2010 e 2009. a análise da crise recente é necessariamente restrita..T Dk : Variável dummy associada a cada choque recessivo k .. Entretanto.. Entretanto.. k  1. . pode-se assumir que o período pós-recessão tenha uma duração fixa.2. i  1.2.K . como admite Fingleton et al.. Com esses dois fatores... As variáveis principais utilizadas são: yit : log do nível de emprego na região i no tempo t.

Desta maneira. O objetivo do exercício. não se tem interesse em quão bem o modelo SUR irrestrito se ajusta aos dados para cada região. em função da disponibilidade de dados por parte do CAGED/MTE. Caso o coeficiente estimado (  ou  ) tenha valor zero. O período utilizado para a estimação desta etapa da metodologia compreende os meses entre janeiro de 2000 a janeiro de 2014. diz-se que não há efeito específico do choque k sobre a região i.10) k 1 k 1 Em que. segundo os autores. é não-estacionário. não seja significativo. ei : Termo de erro. que se mostrou estacionário para a grande maioria de estados brasileiros. por exemplo. utilizou- se a variação do emprego formal com ajuste sazonal. Uma vez que o emprego formal. isto é. foram identificados três momentos de piora nas expectativas em relação à economia brasileira que mereceram intervenção da política econômica.  it : Taxa de crescimento autônoma do emprego. é a comparação entre as regiões que o modelo possibilita. ao proceder-se uma estimação deste tipo. em nível e em índice. com esta ressalva. (2012). 89 K K git   it    i ( k ) Dk    ik S k  ei (3. Através da estimação desta equação via SUR (Regressões Aparentemente Não Relacionadas). segundo ele. Para os demais casos. Neste período. O coeficiente  i (k ) mostra a reação da região i ao choque k e o coeficiente  ik a recuperação da região i ao choque k. optou-se por proceder a estimação desta mesma forma. a utilização de uma segunda diferença do emprego não iria gerar informações úteis para a análise que se propõe. com alterações na . A heterogeneidade entre os coeficientes  i (k ) e  ik referentes a um choque específico significam diferentes comportamentos de resiliência entre as regiões. tem-se a possibilidade de comparar os coeficientes  e  entre as regiões. De acordo com Fingleton et al.

3. a crise financeira global. EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS DOS DESDOBRAMENTOS DA CRISE FINANCEIRA: IDENTIFICACAO DOS CHOQUES REGIONAIS E A CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA DOS ESTADOS BRASILEIROS. enquadrando o país . D2 : Quarto Trimestre de 2002. período sob os efeitos da crise energética na economia brasileira. Dessa forma. a equação a ser estimada neste trabalho terá K=3 choques testados. Como observa-se no gráfico 3. este é um caso comum em que o estimador por Mínimos Quadrados Generalizados é equivalente ao estimador da equação individual por Mínimos Quadrados Ordinários. 90 taxa de juros (cuja inflexão para baixo se deu a partir de 2009). O método utilizado para estimação das equações do modelo acima o SUR com regressores idênticos em todas as equações.2. D1 : Terceiro Trimestre de 2001. Período de elevação nas incertezas quanto à economia brasileira com a eleição para presidente de Luis Inácio Lula da Silva. Tomazzia e Meurer (2009) evidenciam que os dois primeiros momentos escolhidos como choques demandaram respostas específicas de política econômica por parte do governo federal. a crise financeira global atinge o lado real da economia brasileira sobretudo no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009.98% e 2. Uma análise descritiva dos dados nos fornece uma visualização preliminar do comportamento de algumas variáveis relevantes para o estudo em questão. períodos nos quais houve redução significativa no Produto Interno Bruto brasileiro em 5. com o conhecido “Efeito Lula”. D3 : Quarto Trimestre de 2008. embora o nosso foco recaia apenas sobre o terceiro deles.06%.1 abaixo. Segundo Greene (2010). respectivamente. Crise da Argentina e Efeitos sobre a economia mundial dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Período dos impactos generalizados da crise financeira global sobre os estados brasileiros.

a análise do período agregado ignora uma série de questões relacionadas aos impactos e às respostas em cada território durante o período mais crítico da crise e da capacidade de recuperação no pós-crise. a trajetória de crescimento do PIB resistiu até terceiro trimestre de 2008 e se recupera já a partir do segundo trimestre de 2009. enquanto as economias avançadas permaneceram em recessão durante esse ano (OIT.1 abaixo evidencia que nem todos os estados brasileiros apresentaram queda nos respectivos produtos industriais no auge do choque recessivo e de seus desdobramentos. como ocorreu nos países em geral. o PIB mundial recuou aproximadamente 3% (OIT. essa desaceleração foi tardia e de curta duração (OIT. 2010). De qualquer maneira. Neste mesmo ano. sobretudo no ano de 2009. 2004-2014 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do IBGE. 2010). 2010).1 – Evolução do PIB Brasileiro Trimestral. Nesse sentido. . 91 em um quadro de recessão técnica. Esta dissertação discutirá tais aspectos em tópicos posteriores. Apesar de o declínio no PIB brasileiro ter sido significativo.33% em seu Produto Interno Bruto. tem-se uma ideia inicial de como os efeitos da crise foram sentidos entre os estados brasileiros. no qual a economia brasileira vivenciou um declínio de 0. Entretanto. GRÁFICO 3. a tabela 3. Considerando-se a variação anual na produção total dos estados.

00 2.32 10. Minas Gerais (3.65 4.79 SP 7.34 8.96 5.42 11.97%).64 10.53 2.82 7.44 5.32 2.96 7.22 RR 2.45 3.89 -0.23%) e Amazonas (2.60 RS 6. Como mostrado na tabela acima.17 10.17 RJ 3.07 5.46 6. Pará.00 4.77 -6.23 8.36 0. A tabela 3.73 13.54 6.15 1.57 6.94 3.64 2.97 -0. indicando que.47 7. observa-se que os estados do Amazonas.55 2.27 -1.55 1.10 4.59 7.97 8.07 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE. tal como no comportamento agregado .16 3.33 7.49 GO 5. Minas Gerais.04 8.57 10.53 2.1 apresenta as taxas de crescimento dos produtos estaduais nos anos próximos ao auge dos impactos do choque recessivo da crise financeira internacional sobre a economia brasileira.92 2.36 6.89 3. Rio Grande do Sul.43 PR 6.21 5.46 ES 7.91 1.77 8.94 -3.61 12.19 4. (%) UF 2007 2008 2009 2010 2011 UF 2007 2008 2009 2010 2011 BR 6.49 0.73%).27 2.99 0.96 4.23 2.01 9.01 PB 2.01 2.96 PI 2.82 11.80 SC 6.12 2.18 -0. durante o primeiro trimestre de 2009. Espírito Santo.43 5.17 -0.16 7. entretanto.74 4.73 7.01 6.34 MS 6. Importante destacar que.09 4.94 1.52 5.41 3.69 -2.34 8.61 4.47 -2. Pará (3.80 14.70 2.12 MT 11.74 -0.20 -2.1 – Variação do PIB dos Estados Brasileiros: 2007-2011. ou tais estados tiveram impactos muito severos no auge da crise.31 12.39 MA 9.37 -1.07 4.68 6. com o aprofundamento dos impactos da crise. No ano de 2009.04 7.89 -3.11 2.18 -3.24 4.17 CE 3. TABELA 3.78 7.93 8. as taxas de redução do PIB no ano de 2009 foram lideradas pela redução da atividade no Espírito Santo (6.73 8. Maranhão.59 9.41 5.63 RN 2. Santa Catarina e São Paulo apresentaram redução na produção anual.01 5.08 3. Paraná. Bahia. 92 Todos os estados brasileiros apresentaram crescimento econômico no ano de 2008.97 6.09 5.74 SE 6.99 1.64 MG 5. ou a redução na atividade econômica se estendeu por um período maior.49 4.02 TO 4.53 AM 4.97 0.80 4.01%). apesar de o PIB brasileiro do último trimestre ter indicado uma retração na atividade econômica agregada.76 6. O comportamento que se evidencia na tabela acima fornece alguns indícios da discussão sobre como os estados brasileiros responderam à crise financeira.79 6.27 5.10 6.28 AP 5.73 PA 2.58 RO 5.37 DF 5.72 AL 4.61 5.57 PE 5.84 7.59 4.98 BA 5.26 3.62 -3.25 2.21 4.12 AC 6.52 1.60 4.

27 1.2 – Variação do PIB per capita Estadual: 2007-2011(%).65 5. o período dos impactos da crise sobre a economia brasileira apresenta uma inflexão no comportamento dos preços.89 PR 7.73 MA 10.48 3. 2007 2008 2009 2010 2011 2007 2008 2009 2010 2011 AC 11.56 3.81 1.43 0.75 5.34 ES 11.87 6.90 8.59 -0.32 5.51 10.79 PE 5.49 TO 12.59 -4.27 BA 4.21 12.27 MS 8.08 4. nos respectivos produtos per capita.2.36 3.17 5.98 4.13 -4.89 1. verifica-se uma redução do PIB per capita no Acre.68 5.61 2.63 12.42 0.42 2.68 PI 2. A redução nas taxas de inflação. Tal comportamento se observou.57 SC 7.74 2.65 -0.06 3.62 RN 3.78 -0.20 -1.52 4.90 10.77 4.67 8.48 11. se inicia no início do terceiro trimestre de 2008 e se estende por todo o ano de 2009. abaixo.59 -7.54 MG 6.39 CE 3.73 1.99 10.70 2. nas tabelas acima.46 4.59 SP 10. Deve- se destacar que ao longo do ano de 2008 o governo brasileiro sustentou uma .35 5.09 -1.37 6.49 3.73 O 13.73 AM 7. com recuperação considerável no ano seguinte.57 AP 10.50 GO 7.75 -3.72 2.15 3.67 0. Goiás e Mato Grosso do Sul.73 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE.57 5.77 0.16 -0.2.05 AL 4. os produtos estaduais apresentaram forte crescimento já em 2010.45 4.18 1.18 7. cujas retrações ocorreram nos mesmos estados anteriores.93 7.88 1.15 3.38 0. apresenta a o comportamento do PIB per capita dos estados brasileiros entre 2007 e 2011. A tabela 3.19 -0.20 2.85 11.12 -1.26 -2. que vinham em elevação desde o início do ano de 2007. Da mesma forma que no caso do PIB.74 5.37 R DF 2.29 0.26 RS 10.09 3.02 -0.03 2.97 7.01 6.31 2.35 2.46 7.03 4.20 2.10 1.29 PA 2.06 0.23 4.78 PB 1.19 -1.04 SE 9.02 0.52 7.39 2.86 1. Ceará.57 8. Paralelamente à queda na produção que se verifica.87 -2. da mesma forma.41 6. como está ilustrado no gráfico 3.95 2.20 -0.64 2.31 -3.16 -0. que também caracterizam o período do retração das atividades.30 MT 11. TABELA 3. 93 da economia brasileira. as variações negativas do PIB per capita não se observam em todos os estados e apenas ocorreram no ano de 2009.30 2.66 -3.27 -4.44 4.56 1.62 3.49 9.62 1.69 RJ 4.13 RR 4.55 1.29 -2.26 1.33 -0.40 1. Além dos estados em que houve redução do PIB agregado.83 -1.36 0.62 6.10 9.

quando o PIB e o emprego brasileiro já declinavam. além dos efeitos da própria recessão sobre os preços.75% para 8.2 – Taxa anualizada de Inflação (IPCA) para o Brasil: 2004-2014 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE O comportamento da taxa básica de juros durante o período da crise financeira permite que se tenha uma noção interessante da ação do governo na economia de forma a reverter o quadro de piora nas expectativas quanto à economia e resultados negativos que vinha se desenhando. O governo manteve a trajetória de redução nas taxas de juros até o mês de setembro do mesmo ano e. A redução da taxa de juros decorrente da ameaça de recessão só se iniciou em janeiro de 2009. . com manutenção de altas taxas de juros até o final de 2008. ao todo.75%. deve-se considerar nessa trajetória as impactos da política monetária. 94 política monetária restritiva com objetivo de conter a alta dos preços que estava em curso. GRÁFICO 3. Dessa maneira. a meta da taxa Selic caiu de 13.

Como o gráfico 3. segundo a autora. Essa depreciação causou fortes perdas para empresas brasileiras que. logo após a falência do Banco Lehman Brothers. a redução dos investimentos externos e maior preferência pela liquidez e aversão à tomada de riscos por parte dos investidores estrangeiros. No âmbito do setor externo e seus impactos sobre a economia brasileira. Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do Banco Central do Brasil.4 abaixo evidencia. haviam realizado operações de derivativo de dólar no mercado de balcão. em relação ao comportamento desta variável ao longo do período. . levando a uma saída de capitais da economia brasileira. Tal como afirma Freitas (2009). houve uma forte depreciação do real entre setembro e outubro de 2008. correspondente a 22. a elevação no índice de taxa de câmbio efetiva real não se prolonga por muitos meses mas ocorre de maneira acentuada.3 – Evolução da Taxa SELIC: 2004-2014.7%. 95 GRÁFICO 3. verifica- se uma forte desvalorização do real a partir de meados de 2008. com a piora nas expectativas sobre a economia mundial.

o pico do risco país evidencia o cenário de instabilidade em setembro de 2008. Tal índice retrata a diferença entre rentabilidade esperada dos principais títulos da dívida pública brasileira frente à do T-Bond – principal título da dívida americana e o de maior liquidez no mercado.4 – Evolução da Taxa de Câmbio Efetiva Real Brasileira: 2004- 2014 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do Banco Central do Brasil. o que pode ser evidenciado pelo Indice Embi +. Essa desvalorização do real e a recessão generalizada que reduziu a renda a nível mundial acabou afetando o comércio externo. a maior instabilidade gerada pela crise financeira refletiu-se nos mercados financeiros. . No que tange à questão expectacional. 96 GRÀFICO 3. impactando negativamente as exportações brasileiras durante o período. Dessa forma.

levanta-se a questão de quais teriam sido os canais responsáveis por esta transmissão. Ao evidenciar-se diferenças nas respostas regionais à crise. em função da forte retração das exportações brasileiras.P. Como hipótese deste trabalho. Após terem sido apresentadas algumas evidências do comportamento das principais variáveis que representam a esfera real e financeira da economia brasileira. sobretudo em estados com maior . Fonte: Elaboração Própria a partir do dados disponibilizados pelo J. de forma agregada. 97 GRÁFICO 3. tem-se atribuído para a transmissão dos efeitos da crise aos estados brasileiros ao comportamento do mercado externo.2. 3. Além da restrição de crédito. a fim de verificar o papel potencial do crédito na disseminação diferenciada dos efeitos recessivos da crise financeira.Morgan – coletados no Ipeadata. a partir do referencial teórico utilizado. esperou-se que a redução do crédito tivesse sido o principal responsável pela diminuição da atividade econômica e que os estados periféricos tivessem sido os mais atingidos pela crise. passa-se à análise dos possíveis canais de transmissão dos efeitos da crise.1 Análise dos Canais de Transmissão de Choques e seus Impactos sobre os Estados Brasileiros.5 – Evolução do Risco Brasil: 2004-2014.

no período que compreende os anos imediatamente anteriores à crise financeira global. saída de investimentos estrangeiros de portfólio no Brasil e. taxa de juros. a fim de avaliar se no período em questão estes choques podem estar associados à dinâmica da atividade econômica. por exemplo. aqui aproximada pelo comportamento do emprego formal. o período correspondente ao estouro da crise e propagação de seus efeitos e período posterior à crise. 98 peso dos setores exportadores de commodities agrícolas e minério. afirma que a crise sistêmica global atingiu a economia brasileira pela via do comércio exterior e por meio dos fluxos financeiros. Assim. como as linhas de crédito comercial. o modelo estimado inclui os canais de transmissão monetária. A . Nesse sentido. uma contração das linhas de crédito no mercado financeiro internacional. num momento de tendência crescente na atividade econômica até os impactos do choque recessivo. por fim. 2010). Tal como tratado na descrição da metodologia. além das exportações por estado em vista do papel relevante que a literatura tem apontado para esse fator na determinação dos impactos da crise para a economia brasileira. principal inflexão na trajetória da atividade econômica dentro do período selecionado. identifica-se uma queda da demanda externa e a redução do preço das commodities. a investigação a respeito dos canais de transmissão da crise financeira tenta identificar como os choques afetaram a atividade econômica. O período anterior à crise utilizado na amostra para esta análise consiste. tendem a causar redução nas atividades econômicas estaduais. A análise feita neste tópico consiste no estudo de simulações de choques que isoladamente. taxa de câmbio. segundo a teoria econômica. como pode ser observado nos itens acima. uma redução na oferta doméstica de crédito (OIT. que causaram uma redução do valor das exportações. crédito. tais como Minas Gerais e Pará. preços. espera- se que o modelo VAR estimado consiga captar o padrão de respostas das economias estaduais aos choques nas variáveis no momento da crise financeira global. Desta forma. Freitas (2009).

sobretudo). 2009). junto com os impactos da crise. No caso brasileiro. Esse resultado pode ter sido influenciado. Segundo ele. atuando com importantes políticas anticíclicas em termos da política de crédito. 99 pressuposição feita nesta análise é que os canais tiveram potencial efeito transmissor da crise nas economias estaduais quanto choques recessivos inesperados evidenciara. não é uma possibilidade dado que busca-se entender. uma série de incentivos fiscais como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento.03 da amostra. respostas negativas por parte do emprego formal. que. neste estudo. nas respectivas Funções de Resposta ao Impulso. (2012) observa situação semelhante em seu estudo sobre transmissão de política monetária na Austrália. justamente. as condições financeiras internacionais levaram a um menor dinamismo no mercado de capitais brasileiro em função da saída de capitais de investidores estrangeiros. A partir de 2008. por exemplo. Há. o governo Australiano implementou um pacote de estímulo econômico que. podem ter distorcido as informações imediatas e de curto prazo dos dados relevantes a nível de estado no pós-crise. como resultado da crise. pelas ações do governo durante o auge da crise. A solução que o autor encontra é a exclusão dos dados após 2008. as ações do governo também provocaram uma inflexão no comportamento do mercado de crédito no decorrer da crise financeira. Fraser et al. Programa Bolsa Família e Programa Minha Casa. . os impactos da crise financeira. Minha Vida. com a redução dos depósitos compulsórios dos bancos e sustentação dos níveis de crédito dos bancos públicos (Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal e BNDES. além da inflexão na condução da taxa básica de juros a partir do ano de 2009 e. também. todavia. segundo Freitas (2009). e políticas anti-inflacionárias adotadas pelo governo frearam o crédito no início de 2008 (Freitas. uma série de casos em que o sentido da resposta ao impulso não foi o esperado segundo a teoria econômica.

na reversão das expectativas. entre janeiro e setembro de 2009 (OIT. decorrente do congelamento do mercado de crédito internacional. através do Banco do Brasil e do BNDES. Neste sentido. creditícia e cambial (OIT. envolveram instrumentos de política monetária. o que elevou a disponibilidade de liquidez para instituições de menor porte e os recursos disponíveis para empréstimos para instituições financeiras já no final de 2008 e taxa de juros foi reduzida em 5 pontos percentuais. 2010). o mercado de crédito brasileiro passou a sofrer os efeitos do problema de “empoçamento de liquidez” no interbancário doméstico. foi permitida em grande parte pela ação dos bancos públicos federais que foram instrumentos do governo para este objetivo. 100 Com a falência do Lehman Brothers em setembro de 2008. A forte retração do crédito. em instituições financeiras públicas e privadas no Brasil e disponibilizaram conjuntamente R$ 19 bilhões em linhas de crédito para diversos setores. As respostas do governo brasileiro para restaurar a liquidez da economia após o mercado de crédito interno ter sido duramente atingido a partir do mês de setembro de 2008. estes bancos (BB e CEF) foram autorizados a adquirir participação societária. desvalorização rápida da moeda e consequente piora nas expectativas dos bancos. Neste aspecto. direta ou indireta. 2009). foram reduzidos de forma sucessiva os percentuais de recolhimento dos depósitos compulsórios sobre depósitos à vista. O BNDES foi capitalizado com mais de R$100 bilhões de forma a garantir que o investimento privado tivesse recursos por meio de empréstimos . ao todo. gerou uma série de revisões no plano de investimentos das empresas brasileiras e afetou de forma mais intensa os bancos pequenos e médios que dependiam da captação de recursos no interbancário e da cessão de crédito (Freitas. A manutenção da oferta de crédito para empresas e famílias mesmo com elevada preferência pela liquidez dos bancos. desempenhando papel anticíclico na economia. segundo a Organização Internacional do Trabalho (2010). os rumores sobre as perdas de empresas e bancos levaram ao desencadeamento de profunda aversão ao risco e preferência pela liquidez dos bancos. Segundo ela. de acordo com Freitas (2009). 2010).

destacam-se a abertura de linhas de financiamento para os setores exportadores e para refinanciamento da dívida de empresas brasileiras no exterior e a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros em portfólio (OIT. Emprego Nacional e Taxa de Juros encontram-se em tabelas no anexo desta dissertação. nos casos em que os empregos estaduais são prejudicados em função de choques recessivos nas variáveis de interesse. algumas conjecturas podem ser extraídas das Funções de Resposta ao Impulso e da Decomposição da Variância analisadas ao longo deste item. 2010). Esse potencial mostra-se. A interpretação dos resultados obtidos nesta parte da dissertação se volta. os resultados encontrados evidenciam as assimetrias financeiras e reais existentes entre as respostas regionais aos choques das diversas naturezas incluídas no modelo. 101 “abaixo da linha” e subsídios financeiros decorrentes do diferencial de juros. Mesmo reconhecendo a possibilidade de essas ações do governo terem interferido nas relações entre as variáveis e no relacionamento entre o comportamento da variáveis ao longo do período. O crédito ao setor agrícola também foi incentivado com uma redução do custo de empréstimo por meio de subsídios na taxa de juros (OIT. serão apresentados na discussão que se segue. em uma elevação de 85% do volume de crédito em 2009. Como será possível notar. De uma forma geral. para o período em que se insere a crise financeira global. no que diz respeito ao período de resposta máxima ao choque. a duração de seus efeitos e sua persistência sobre o nível da atividade econômica local. Os resultados das Funções de Resposta ao Impulso para todos os estados a choques nas variáveis Crédito. Além disso. para os potenciais efeitos que os fatores incluídos no modelo apresentam de terem sido transmissores de efeitos negativos da crise financeira global. . evidentemente. Exportações. 2010). Os resultados mais relevantes. então. contudo. as formas como as regiões são afetadas pelos choques recessivos apresentam padrões distintos de magnitude e temporalidade.

sumarizados na tabela abaixo e ilustrados pelas Funções de Resposta ao Impulso da tabela (A. no caso da dinâmica nacional do emprego e da taxa de juros.4972 15 -0.001 Maranhão -0.007 Rio Grande do Norte -0. uma das principais consequências costuma ser a contração da disponibilidade de crédito bancário. Nesse sentido.055 Minas Gerais 0.041 Sergipe -0.0243 10 -0.038 Pernambuco -0.0577 2 -0.005 Bahia -0. sendo bastante expressivo o papel dos bancos públicos quando do financiamento de longo prazo. principal mecanismo da política econômica.0901 7 -0.028 Piauí 0. potencial de causar uma redução na atividade econômica regional.050 Amapá 0.0340 3 -0.0004 24 -0.055 Mato Grosso -0.001 Alagoas -0.1671 12 -0.6352 . Como retratado no capítulo anterior.053 Distrito Federal -0. mostram que.5798 24 -0. Como discutido no capítulo 2.1136 .035 Roraima 0.4961 17 -0.7233 5 -0.6) do anexo. Máximo Efeito Máximo Efeito Efeito Negativo Efeito Negativo Estado Estado Acumulado Acumulado Mês Amplitude Mês Amplitude São Paulo -1.038 Pará 0. em termos de intensidade e de persistência.6885 4 -0. em momentos nos quais eleva- se a incerteza.6970 17 -0. a análise apresentada neste trabalho tenta averiguar como as economias estaduais reagem a um choque de mesma amplitude ou a um choque comum.092 Paraíba -0.008 Ceará -0.4370 12 -0. sobretudo nas regiões periféricas.068 Rio de Janeiro -0.1504 . - Santa Catarina -0. Os resultados encontrados.4230 3 -0. para a maioria dos estados brasileiros. resta salientar a importância deste canal de transmissão em virtude do seu sistema financeiro ter se constituído predominantemente de forma bank-based. contudo.0737 24 -0. - Tocantins -0. - Acre -0.3 – Potenciais Efeitos Recessivos de uma Retração no Crédito Bancário: Estados Brasileiros – 2004 a 2014.7734 18 -0. este constitui-se em um dos principais mecanismos de transmissão de uma crise.7969 12 -0. No caso especial brasileiro.4118 10 -0. Há.010 Amazonas -0. 102 O canal do crédito é o principal objetivo da análise deste tópico.6675 2 -0.0381 24 -0.001 .4898 11 -0. consideráveis diferenças nas formas como estas respostas se manifestam.054 Rondônia 0. no período em que a crise financeira se insere. TABELA 3.005 Goiás -0. uma redução no crédito local apresentou.043 Espírito Santo 0.

025 Mato Grosso do Sul 0. Os estados da Região Nordeste apresentaram. aparentemente.08 -. o choque do crédito chega a responder por mais de 20% do comportamento de longo prazo da atividade econômica paulista.117 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação VAR. Software Eviews 7. São Paulo apresenta o maior efeito negativo acumulado no nível do emprego formal após um choque negativo no crédito.15 -.1 – Respostas do Emprego a Variação Negativa no Crédito Local em São Paulo e Amazonas.08 . com efeitos que parecem .2489 2 -0. Comparativamente aos choques nas demais variáveis.10 .10 -. A presença do Amazonas entre os estados com maior efeito recessivo decorrente de uma redução no crédito local também merece destaque. por ser este um dos estados menos resistentes aos efeitos da crise. no acumulado em 24 meses após o choque. a redução do crédito local provocou contração mais que proporcional no nível de emprego.12 -. Software Eviews 7.20 -. como pode ser observado através da Decomposição da Variância do Erro de Previsão.017 Rio Grande do Sul -0.12 . em ambos os casos as trajetórias do emprego formal parecem responder rapidamente nos primeiros meses após a ocorrência do choque. FIGURA 3.0.00 -. o estado é o único no qual. No período em que a crise financeira global se insere.05 -. Response of LOG(AM_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .00 .0.20 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.04 -.16 -. de acordo com a análise realizada a seguir. Nesse sentido.05 . impactos consideráveis da redução do crédito sobre as respectivas economias.04 . em geral.9141 3 -0.2228 5 -0. Destaca-se que. ao fim da trajetória analisada. 103 Paraná -0.

04 -. Response of LOG(AL_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(BA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(CE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .06 -.03 .0025 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.08 -.04 .04 .10 -.01 . Software Eviews 7.02 -.010 -.10 -. 104 persistir por maior duração que a média dos outros estados brasileiros.08 -.07 -.06 .00 .04 .06 -.02 . em geral. A região Nordeste é a que apresenta a maior homogeneidade quanto aos impactos do crédito sobre a economia de seus estados.04 -. com exceção do estado do Piauí.0005 .08 -.0.0015 -.04 -.10 -.0005 .02 .10 -. A Figura 3.02 -.02 .06 -. abaixo evidencia que.08 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(PI_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RN_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 . um resultado possível poderia ter sido a ampliação das disparidades regionais.04 -.01 .00 -.005 -.05 -.08 -. os estados Nordestinos responderam no mesmo sentido à contração do crédito.03 -.0010 -. Ao somar-se a esse fator a hipótese de que esta região tenderia a apresentar uma contração maior no crédito que as regiões centrais.01 -.00 .000 -.02 -.0020 -.04 . Esse resultado parece indicar que uma redução do crédito local desta região teria impactos de prazo mais longo do que se verifica nas demais regiões. principalmente em função dos impactos negativos que uma restrição de crédito teria.2 – Respostas do Emprego a uma Redução no Crédito local nos Estados da Região Nordeste.04 .04 -.02 .0000 .00 -. FIGURA 3.06 -.00 -.04 . sobre a dinâmica econômica do . caso não tivesse ocorrido uma forte presença do governo em termos de políticas anticíclicas.08 .02 .06 -.005 -. Os estados da região estão entre os que apresentam maiores impactos recessivos acumulados entre todos os estados brasileiros.015 -. no acumulado.02 -.04 .00 .010 .020 -.08 -.12 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PB_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .06 .01 -.2. em geral.02 -.12 -.12 -.00 .02 -.

Maranhã e Rio Grande do Norte mostraram tendência de redução ao longo do tempo. Pernambuco e Sergipe. Nota-se. Pernambuco. o crédito teve potencial de transmissão dos efeitos do choque recessivo sobre a dinâmica de longo prazo da atividade econômica em alguns estados do Nordeste. no período. Pernambuco e Alagoas. especialmente em vista da importância dos recursos do BNB (Banco do Nordeste) e do FNE. Bahia. relacionar tal resultado à alta dependência de recursos de crédito local. o choque recessivo tem seu maior impacto negativo sobre a atividade econômica da Paraíba e de Alagoas antes dos demais estados. Os efeitos de uma eventual redução do crédito. por exemplo. sobretudo em relação aos estados da Bahia. . que responderam à redução de crédito de forma mais homogênea que as outras regiões brasileiras. Nesse aspecto. que mesmo entre os estados do Nordeste. A Decomposição da Variância do Erro de Previsão também evidencia como. Assim. Bahia e Ceará foram os estados em que o choque no crédito apresentou maior poder de explicação do comportamento de longo prazo do emprego formal no período analisado. Essa característica mostra como uma eventual redução no crédito aparentemente teria efeitos de longo prazo sobre o nível da atividade das respectivas economias destes estados. dessa forma. no período analisado. diferenças consideráveis em termos do timming do pior momento dos impactos do choque recessivo simulado. A persistência dos efeitos negativos de uma eventual redução de crédito também caracterizaram o comportamento das séries de emprego nos estados Nordestinos. também. 105 Ceará. É possível. também. Paraíba. sobre Alagoas. A Figura acima evidencia. no segundo e no quarto mês posterior ao choque. Ceará. há considerável diferença nas reações a um choque recessivo de natureza semelhante em termos de persistência/dissipação do choque e amplitude dos impactos.

106 FIGURA 3. em que tal restrição foi associada a efeitos acumulados positivos. Isto é. como esperado. chegando a ser responsável por 43. entretanto. o choque no crédito chega a explicar 27. Mato Grosso do Sul.3 – Decomposição da Variância do Erro de Previsão do Emprego Formal: Bahia. . Pará.17% do comportamento do emprego. O sentido dos impactos do choque negativo sobre o crédito não foi o esperado em Amapá. a partir do 14º mês. negativos. No caso do Ceará.48% da variância no comportamento do emprego. tende-se a sugerir que o crédito não foi um canal transmissor da crise para estes estados. a dinâmica do crédito e do emprego no período se comportaram de tal forma que o modelo captou trajetórias inversas. Espírito Santo. o choque permanente sobre o crédito passa a ser o principal fator de explicação do comportamento do emprego formal nos estados da Bahia. No longo prazo. Ceará e Pernambuco. ter sido influenciado pela ação do governo no sentido de evitar uma contração maior do crédito. Minas Gerais. Sergipe e mesmo São Paulo – cujo comportamento aos choques será discutido adiante – o choque do crédito passa a assumir maior parcela de responsabilidade sobre o comportamento do emprego no longo prazo. por meio das políticas anticíclicas adotadas. Software Eviews 7. O resultado pode. Piauí. Variance Decomposition of LOG(BA_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(CE_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PE_IEMPREGO_SA) 70 90 90 60 80 80 70 70 50 60 60 40 50 50 30 40 40 30 30 20 20 20 10 10 10 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA) LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA) LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA) LOG(BA_IEMPREGO_SA) LOG(BA_CREDITO) LOG(CE_IEMPREGO_SA) LOG(CE_CREDITO) LOG(PE_IEMPREGO_SA) LOG(PE_CREDITO) SELIC LOG(BA_EXPORT) SELIC LOG(CE_EXPORT) SELIC LOG(PE_EXPORT) Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR. diante deste resultado. o choque negativo simulado obteve correspondência positiva na dinâmica do emprego.0. em Pernambuco. Inicialmente. Em outros estados como Maranhão. Nos estados onde o sinal foi diferente do esperado. Em todos os outros estados. chegando a explicar 42.31% do comportamento da atividade econômica e. Roraima e Rondônia. os efeitos acumulados foram. mas numa amplitude consideravelmente menor que os três exemplos citados acima. a partir do 16º mês posterior ao choque.

portanto. Todos os estados apontados como os menos resistentes pela análise do Índice de Sensibilidade e pela Equação de Resiliência tiveram impactos acumulados negativos nas respectivas trajetórias dos níveis de emprego. Além disso. algumas indicações podem ser intuídas. sobretudo em relação aos estados menos resistentes aos efeitos da crise financeira. o acesso das empresas localizadas na região Nordeste a crédito em outras regiões – e. em outros países – é menor que em regiões das regiões Sul e Sudeste. a possibilidade de que empresas estaduais busquem fontes alternativas de crédito em agências e bancos de outros estados. Há. Neste aspecto. que os investimentos diretos estrangeiros. É possível. Dessa forma. por exemplo. é preciso destacar que regiões mais desenvolvidas e com estrutura produtiva mais diversificada apresentam maior potencial de suprir a contração de crédito local com outras fontes de funding. foram estados fortemente afetados pela contração no emprego decorrente da crise financeira. É importante destacar que o crédito incluído neste trabalho diz respeito às fontes de crédito locais. no período. eventualmente. não captando os efeitos de outras fontes de funding. Contudo. comportamento que potencialmente a caracteriza como um canal transmissor dos efeitos recessivos . inclusive fontes externas. mas este estudo é levado a indicar que o crédito não foi um dos motivos que levaram a este comportamento nestes estados. os resultados parecem indicar que as exportações tiveram. foi ainda mais heterogêneo que o apresentado pelo Crédito. Minas Gerais e Pará. 107 enquanto ainda assim verificou-se queda no emprego por outros fatores. das agências instaladas nas cidades de cada estado. sobretudo provenientes de empréstimos inter-companhias podem ter exercido papel importante para atenuar os efeitos da contração do crédito. os resultados apontam que uma eventual redução das exportações teria potencial de transmissão dos efeitos da crise financeira para um número menor de estados e em menor intensidade que uma eventual contração no crédito. também. Contudo. O comportamento das economias estaduais ao choque das exportações. para o período em questão.

também merece destaque o comportamento das economias do estado de Amazonas. principalmente. Também neste exemplo. esse parece ter sido um canal relevante para explicar as respostas que tais estados apresentaram em termos de sensibilidade ao choque. Nos casos de Espírito Santo. Amazonas. sobretudo visto que que o comportamento da atividade econômica em relação ao crédito não aparentou a mesma tendência. Entre os estados mais afetados pela crise financeira nas respectivas trajetórias de crescimento do emprego e da produção Industrial.5 do anexo evidencia. Como era de se esperar. representando a dinâmica agregada da economia brasileira. que respondem mais a um choque no emprego brasileiro que ao crédito. Tal resultado pode indicar um comportamento pró-cíclico em que a queda da demanda na economia como um todo tem um impacto forte sobre estas economias. O estado de Goiás apresenta o maior efeito recessivo acumulado em decorrência do choque negativo que foi simulado nesta variável. Tal resultado é um indício de que a retração na demanda interna tende a reforçar e redistribuir os choques que ocorrem sobre os estados brasileiros. mas isso pode indicar que a situação tenha sido agravada e persistido pela queda da demanda interna. Espírito Santo. Minas Gerais e Rio Grande do Norte. 108 da crise sobre São Paulo. a elevação da taxa de juros provocou uma queda no nível do índice de emprego formal para a maioria dos estados brasileiros. Minas Gerais e Pará. tendem a repercutir de forma intensa sobre a grande maioria dos estados brasileiros. Os choques no emprego nacional. É improvável que este fator tenha sido o responsável pelo primeiro impacto da crise sobre suas economias. Como a Figura A. fica claro como as regiões respondem de formas . Pará. segundo a análise do tópico anterior. dado que nestes estados o final dos efeitos recessivos da crise se deu meses depois que a maioria dos estados. Espírito Santo e Minas Gerais. estados entre os mais afetados pela crise. a dinâmica do mercado interno assume elevada participação no comportamento de longo prazo da maior parte das economias estaduais.

Por outro lado. por exemplo. nos quais não se pôde associar a um choque negativo no crédito a ocorrência de uma redução nas atividades econômicas nestes estados. de acordo com a análise da resistência e recuperação realizada no tópico seguinte. sem que se possa estabelecer um padrão geográfico sobre tais impactos. . por outro lado. que. 109 distintas aos choques monetários. nos anos em que esta crise se insere. possivelmente tiveram suas atividades afetadas tanto pela contração do crédito local quanto pela redução das suas exportações. Os resultados encontrados a partir das simulações de choques realizados neste item evidenciam que o crédito apresentou potencial de transmitir efeitos recessivos da crise financeira global para as economias da maioria dos estados brasileiros. Entretanto. se refere exclusivamente à ação do governo na economia. Amazonas e São Paulo. e bem mais localizado em alguns estados brasileiros. sobretudo no sentido de sustentar o crédito por meio dos bancos públicos e incentivá-lo com a redução dos depósitos compulsórios e redução da taxa de juros. evitou que uma contração do crédito se desse de forma mais acentuada e concentrada. nos estados do Nordeste – onde um choque negativo dos empréstimos bancários teria considerável efeito recessivo generalizado. o potencial de transmissão de efeitos de uma suposta redução das exportações mostrou-se menos intenso do que um eventual “empoçamento” do crédito. neste exemplo. parece mais razoável atribuir à este fator a transmissão dos impactos da crise para os estados mais afetados pelos efeitos da crise financeira. em relação ao Espírito Santo. Esta atribuição deve se dar. sobretudo. pode-se observar que as ações anticíclicas realizadas pelo governo. Entretanto. Minas Gerais e Pará.

1.2. de forma semelhante a análise de Fingleton et al.7%) durante a crise. Análise do Comportamento do Emprego Formal. cuja diferença fica ainda mais evidente na série de variação no emprego ajustada para corrigir a sazonalidade. analisará as respostas diferenciadas dos estados brasileiros para a crise financeira de 2008. (2012). A primeira etapa desta análise. com um grau de demissões bem mais elevado que o comum para o período. A recuperação do emprego foi rápida.2. utilizando como proxy para o desempenho da economia a variação no emprego formal. recorrentes nas séries de emprego.2. segundo a Organização Internacional do Trabalho (2010). também de acordo com o órgão. 110 3. A figura abaixo evidencia o impacto que a crise financeira exerceu sobre o emprego formal no Brasil entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. tendo início antes mesmo que o PIB e recuperando os níveis de emprego anteriores à crise já no mês de novembro de 2009. adotando o instrumental sugerido por Fingleton et al. É importante destacar que o Brasil registrou a menor queda percentual no emprego (0. Resistência e Recuperação Econômica dos Estados Brasileiros aos Efeitos da Crise Financeira Global. (2012) e também utilizado por Carllini e Torrise (2014).2. 3. . se comparado com todos os outros países em que se tem informações disponíveis.

Com Ajuste Sazonal 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do CAGED/MTE. ao longo da análise dos indicadores de sensibilidade relativa do crescimento do emprego ao choque. Embora a economia brasileira. de forma generalizada. de acordo com os respectivos padrões de variação. em função das diferenças em relação à escala. em todos os estados brasileiros. de novembro de 2008 a janeiro de 2009. Os comportamentos das séries de variação estadual no emprego. as taxas de variação no emprego formal começaram a cair. são consideravelmente diversos e. tenha reduzido o emprego apenas por três meses. . neste item. 2010). como um todo. momento em que a crise financeira adquire dimensões sistêmicas (OIT. este efeito sobre alguns estados iniciaram-se meses antes e prolongaram-se por alguns meses depois. as séries regionais serão mostradas. No segundo e terceiro trimestre do ano de 2008. por sua vez. Entretanto. mas com durações e intensidades distintas.6 . 111 GRÁFICO 3.Variação do Emprego Formal no Brasil Com e Sem Ajuste Sazonal: 2000-2014 400000 200000 0 -200000 -400000 -600000 Variação do Emprego Variação do Emprego . é a partir do quarto trimestre deste ano que se verificam quedas no número de empregos formais em todos os estados.

. abaixo. (2012): i. Maranhão. O período utilizado para comparação entre as unidades federativas corresponde aos três meses em que houve uma redução generalizada do emprego formal no país. mostra o impacto da crise financeira sobre o emprego formal nos estados brasileiros no final do ano de 2008 e início do ano de 2009 e apresenta os valores do indicador de sensibilidade ao choque. Índice de Sensibilidade ou Resistência e ii. o indicador de resistência busca captar. com uma queda de 2.52% do número de empregos formais entre novembro de 2008 e janeiro de 2009. na seção seguinte. A tabela 3. Pará e Minas Gerais (em menor grau. 112 como é o caso evidente de Alagoas. (2012). segundo Fingleton et al. a sensibilidade da economia regional ao choque. Conforme já apresentado. Uma região com um Índice de Sensibilidade maior que a unidade pode ser considerada menos resistente aos efeitos contemporâneos de um choque recessivo nacional que uma região com um índice menor que a unidade (FINGLETON et al. que também se destacam na análise da redução da atividade quando se analisa a produção industrial. se comparado relativamente aos primeiros). sendo calculado pela razão entre o declínio percentual no emprego regional durante a recessão e o declínio no emprego nacional durante a recessão.. 2012).4. Rio Grande do Norte e dos estados do Amazonas. Uma análise exploratória sobre alguns aspectos das respostas dos estados a esse choque específico será realizada através de dois indicadores propostos por Fingleton et al. Índice de Recuperação ao choque recessivo.

19 MINAS GERAIS -4.52 RONDONIA -1.44 0.54 CEARA -1.18 PERNAMBUCO -1.44 RIO GRANDE DO SUL -0. 113 TABELA 3.45 0.01 0.57 ALAGOAS -1. adotando-se como Fingleton et al.57 0.68 SERGIPE -0. Ao considerar-se. (2012) o intervalo em que o emprego agregado sofreu redução – no caso.16 2.23 MATO GROSSO DO SUL -3.23 SAO PAULO -3.63 1.45 DISTRITO FEDERAL -0.05 NORDESTE -1.30 SUL -1.56 MARANHAO -3.42 0.21 -0.43 0. um período único de impacto para o choque nos estados.44 AMAZONAS -6. na elaboração do indicador.11 a 2009.50 2.57 PARANA -2.07 RIO DE JANEIRO -0.00 NORTE -3.58 RORAIMA 0.81 0.35 1.99 1.58 MATO GROSSO -4.48 0.91 SANTA CATARINA -1.22 AMAPA -1.28 0.72 GOIAS -3.32 CENTRO OESTE -3.25 PIAUI -1.70 1.84 1.71 ESPIRITO SANTO -2.45 ACRE -3. entre novembro de 2008 e janeiro de 2009 – observa-se índices bastante diversos entre as Regiões Brasileiras.71 0.4 – Resistência à Recessão entre os Estados Brasileiros: Índice de Sensibilidade da Contração Relativa do Emprego na Crise do Subprime – Período Único.99 1.40 RIO GRANDE DO NORTE -2.62 0.14 0.01 (Período Único) BRASIL -2.86 0.08 PARA -3.16 1.28 0. .22 0.10 1.19 BAHIA -1.26 1.07 1.25 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do CAGED/MTE.74 TOCANTINS -5. INDICADOR DE NIVEL QUEDA NO EMPREGO (%) SENSIBILIDADE¹ GEOGRAFICO 2008.12 0.31 1.67 1.37 0.88 PARAIBA -0.52 1.51 SUDESTE -2.

não permite captar. É importante ressaltar. Nesse aspecto. de forma a incorporar a noção de que os impactos dos choques sobre os estados apresentam características temporais distintas. de fato. . a redução total sofrida pelos empregos formais de cada estado entre os últimos trimestres de 2008 e primeiros trimestres de 2009. Os novos valores são apresentados pela tabela 3. o estado do Amazonas se mostra como o estado mais sensível ao choque recessivo decorrente da Crise Financeira Global. ainda mais. (2012). entretanto. mostrada a seguir. cujos índices apresentaram valores superiores à 1. observa-se que as regiões Sul e Nordeste apresentaram indicadores menores do que a unidade. em termos de redução no emprego formal. as capacidades desiguais de resistência caso tenham ocorrido diferenças entre as regiões quanto ao momento em que cada uma foi impactada pelo choque recessivo e pela duração de seus efeitos sobre as economias locais. que os impactos do choque nas unidades espaciais tiveram duração semelhante. Essa pressuposição. Norte e Centro-Oeste. recalcula-se o Indicador de Sensibilidade ao Choque considerando-se agora. portanto.5. neste momento aproximado pelos efeitos sobre a estrutura dos empregos formais. que. sugerindo maior resistência ao choque recessivo por parte destas regiões em relação às regiões Sudeste. 114 A partir da interpretação sugerida por Fingleton et al. Nesta análise. considerando-se para o cálculo desse indicador um período único para mensuração e comparação dos impactos do choque recessivo sobre os estados e as regiões brasileiras. supõe-se que a redução do emprego decorrente da crise financeira se manifestou no mesmo instante temporal em todas as regiões e.

..40 1.12 3 -3. 2008.02 3 -1.62 1. Há diferenças consideráveis na intensidade da retração no emprego entre os estados. 115 TABELA 3.....44 SAO PAULO ...98 MARANHAO . três níveis de impactos imediatos diferenciados do choque recessivo sobre os estados brasileiros: i...11 a 2009... Como observado. O Caso do Amazonas é o primeiro que chama a atenção por ter sido um dos estados que primeiro refletiu o choque da crise financeira...12 1 -1.52 CENTRO OESTE .11 a 2008..35 0..02 5 -5.99 0.12 2 -4.31 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do CAGED/MTE.63 CEARA .. A duração da recessão difere entre os estados.....01 3 -2.....77 0.... 2008..12 a 2009.. 2008... 2008.93 SANTA CATARINA ..35 MATO GROSSO DO SUL 2008..52 1 RONDONIA .02 3 -3. 2008.81 0.78 0. estudando as assimetrias nas respostas dos estados brasileiros a um choque monetário comum... pode-se apontar..76 1.. 2008.11 a 2009........ NIVEL Duração da Queda Total no Indicador De Período de Queda Queda GEOGRAFICO Emprego (%) Sensibilidade² (Meses) AMAZONAS ..5 – Resistência à Recessão entre os Estados Brasileiros: Índice de Sensibilidade da Contração Relativa do Emprego na Crise do Subprime: Períodos Diferenciados....70 RIO GRANDE DO SUL. 2008.05 5 -4...12 1 -1......30 SUL .84 2.....57 3. constata acentuadas diferenças nos impactos e da temporalidade das respostas.12 a 2009.12 2 -2...... Essa percepção está de acordo com os resultados de Braatz (2013) que.... a priori..10 0.10 BRASIL ..26 1..11 a 2008.01 GOIAS ... 2008.02 4 -2.....01 2 -0. 2008..02 3 -1.12 a 2009.53 RORAIMA .....10 a 2008........28 MINAS GERAIS . 2008...53 1. 2008. 2008...32 R GRANDE DO NORTE.. 2008..... 2008.31 0.12 1 -1. o que pode ser ....72 PARANA ........ ii.06 2..11 a 2009..10 a 2009..16 2.12 1 -1...11 a 2009..01 4 -5..10 a 2008...05 6 -1.10 a 2009..65 SERGIPE .83 ESPIRITO SANTO . 2008.80 MATO GROSSO . 2008. 2008.. 2008. 2008..63 0.74 2.. 2008..... 2008.12 2 -3. O início dos impactos do choque recessivo não é o mesmo para todos os estados.11 a 2009..05 8 -8.05 PARA . e...06 8 -4......12 3 -5..10 a 2008..12 a 2009..11 a 2008.12 1 -1.58 0.33 0......99 1.87 1.....11 a 2009..79 PIAUI . 2008...05 7 -5.40 TOCANTINS . iii.....53 DISTRITO FEDERAL .

(2012) e Davies (2011) apontam. em seus resultados. a produção de minério e outras atividades ligadas à atividade extrativa). infere-se que a indústria de transformação no estado foi duramente atingida pela combinação de uma redução no crédito e contração da demanda internacional. em Minas destaca-se a retração nas indústrias de metalurgia e automobilística. De fato. quanto na redução na atividade industrial (analisada no próximo tópico). A dependência da base industrial em relação ao setor externo também parece . sobretudo em relação aos impactos iniciais. 116 compreendido por ter apresentado uma das maiores reduções na atividade econômica e a maior duração dos impactos negativos do choque recessivo. fortes impactos da crise sobre regiões industriais como Manaus. mesmo após a inflexão da política monetária e creditícia do governo federal. destacam-se ainda os casos de Minas Gerais e Pará. Neste grupo de estados nos quais o choque se prolongou por um período maior de tempo. Como mostrado pela análise dos canais de transmissão no tópico anterior. Trabalhos como o de Fingleton et al. Especificamente no caso do Maranhão. o que aprofundou a transmissão da crise para o emprego formal nestes estados. O Maranhão e o Rio Grande do Norte apresentaram duração do choque semelhante a apresentada pelo Amazonas. que parece ter ampliado a duração dos efeitos recessivos da crise. No Pará. tanto com relação à variação negativa do emprego. a análise setorial da redução do emprego no estado evidencia que a Indústria de transformação foi a principal responsável pela redução do emprego amazonense entre os últimos meses de 2008 e primeiros meses de 2009. e pela redução na demanda nacional. parte deste choque está relacionado ao peso da extração mineral no Estado. destaca-se também a retração na indústria madeireira e. por exemplo. sobretudo com relação à Zona Franca de Manaus. Tal fato pode ser atribuído às especificidades na conformação de sua economia e o peso que o setor manufatureiro. que potencializa o efeito do choque diante de uma retração da demanda internacional. nos quais se verifica um impacto significativo dos setores voltados à exportação (em especial.

PA e RN. a redução das exportações aparecem como um potencial canal de transmissão da crise para estes estados. MG. AM_d11 MA_d11 MG_d11 8000 5000 40000 4000 6000 30000 3000 4000 2000 20000 1000 2000 10000 0 0 -1000 0 -2000 -2000 -10000 -3000 -4000 -20000 -4000 -6000 -5000 -30000 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 PA_d11 RN_d11 5000 5000 4000 4000 3000 3000 2000 2000 1000 1000 0 0 -1000 -2000 -1000 -3000 -2000 -4000 -3000 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do CAGED/MTE. 117 explicar o caso da redução o emprego no Espírito Santo. . a seguir.4. FIGURA 3. ou menos resistentes aos efeitos do choque. identifica- se. na análise dos gráficos das respectivas séries de variação no emprego com ajuste sazonal. em especial. MA.4 – Variação no Emprego com Ajuste Sazonal: AM. Como mostrado na análise anterior. Além dos casos acima. ilustra o comportamento de tais estados. nesta primeira análise exploratória. Espírito Santo e Tocantins. nos quais o efeito do choque recessivo parece ter sido mais duradouro que nos demais. dentre os estados tidos como mais sensíveis. impactos agudos da crise sobre o emprego em São Paulo. A Figura 3. de forma complementar. cujo resultado será melhor detalhado no item sobre o Produto Industrial.

a análise complementar do comportamento da série dessazonalizada das respectivas variações no emprego formal indica que deve-se atribuir tais resultados a variações sazonais e não aos impactos da crise financeira. ES_d11 SP_d11 10000 100000 80000 8000 60000 6000 40000 4000 20000 2000 0 -20000 0 -40000 -2000 -60000 -4000 -80000 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 TO_d11 1500 1000 500 0 -500 -1000 -1500 2000 2003 2006 2009 2012 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE. As figuras abaixo ilustram o comportamento dos demais estados com o Índice de Sensibilidade ao Choque maior que a unidade. Apesar de Alagoas e Acre terem apresentado um resultado do indicador que o colocaria como estado pouco resistente.5 – Variação no Emprego com Ajuste Sazonal: ES. . SP e TO. 118 FIGURA 3.

PE. que a interrupção no ciclo de crescimento na criação de empregos é acompanhada por uma tendência de . ilustrando a variação no emprego. Ceará. durante o período da crise. Rondônia e Roraima. Distrito Federal. na Bahia. Merece destaque. o choque recessivo interrompeu períodos de intensa criação de vagas de emprego formal que estava em curso no Rio de Janeiro. AC e AL AP_d11 GO_d11 MS_d11 1200 12000 6000 1000 10000 4000 800 8000 600 6000 2000 400 4000 0 200 0 2000 -2000 -200 0 -4000 -400 -2000 -600 -4000 -6000 -800 -6000 -8000 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 MT_d11 PE_d11 AC_d11 8000 20000 800 6000 600 15000 400 4000 200 2000 10000 0 0 5000 -200 -2000 -400 0 -600 -4000 -800 -6000 -5000 -1000 -8000 -10000 -1200 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 AL_d11 25000 20000 15000 10000 5000 0 -5000 -10000 -15000 2000 2003 2006 2009 2012 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE. Apesar de redução no emprego consideravelmente menor que a média nacional. Piauí. MS. no caso destes estados. Sergipe e os três estados da Região Sul foram os mais resistentes aos efeitos do choque recessivo provocado pela crise financeira global. como fica evidente na figura abaixo. MT. De todo modo. tal resultado não significa de modo algum que tais estados tenham saído imunes aos efeitos desta crise.6 – Variação no Emprego com Ajuste Sazonal: AP. nas duas formas de tratar o índice de resistência proposto. 119 Figura 3. nestes estados. A análise das tabelas acima permite inferir que Rio de Janeiro. no Ceará e nos estados do Sul. GO. ajustada para correção de sazonalidade.

120

criação de emprego decrescente no pós-crise. Em se tratando de resiliência, a
mudança na trajetória de crescimento do emprego pode indicar efeitos de longo
prazo do choque sobre as economias regionais, mas estas alterações não são
captadas de forma satisfatória nesta análise.

FIGURA 3.7 – Variação no Emprego com Ajuste Sazonal: BA, CE, RJ, PR, RS
e SC.

BA_d11 CE_d11 RJ_d11
14000 12000 25000
12000 10000
20000
10000
8000
8000
15000
6000 6000

4000 4000 10000
2000 2000
5000
0
0
-2000
0
-4000 -2000

-6000 -4000 -5000
2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012

PR_d11 RS_d11 SC_d11
20000 20000 20000

15000 15000
15000
10000 10000
10000
5000 5000

0 0
5000
-5000 -5000
0
-10000 -10000

-15000 -5000 -15000
2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012

Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do CAGED/MTE e software GRETL.

Ainda em relação aos estados tomados aqui como menos sensíveis ao choque
recessivo, destacam-se aqueles que, de fato, não parecem ter sofrido maiores
impactos ou variações que fujam de uma tendência de crescimento do emprego
em curso diante do choque , como é o caso de Roraima e Rondônia, do Distrito
Federal, Paraíba, Sergipe e Piauí.

121

Figura 3.8 – Variação no Emprego com Ajuste Sazonal: DF, PB, PI, RO, RR,
SE.

DF_d11 PB_d11 PI_d11
6000 5000 4000
5000 4000
3000
4000 3000
3000 2000 2000
2000
1000
1000 1000
0
0 0
-1000
-1000
-2000 -1000
-2000
-3000 -3000
-2000
-4000 -4000
-5000 -5000 -3000
2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012

RO_d11 RR_d11 SE_d11
6000 800 5000
5000 600 4000
4000 400 3000
3000 200
2000
2000
0
1000 1000
-200
0 0
-400
-1000
-1000
-600
-2000
-800 -2000
-3000
-4000 -1000 -3000
-5000 -1200 -4000
2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012 2000 2003 2006 2009 2012

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do CAGED/MTE.

Em relação aos estados acima, ressalta-se que a maior parte deles, com exceção
do Distrito Federal, tem estruturas pouco diversificadas em termos de atividade
econômica mas, ao mesmo tempo, com menor inserção internacional, o que pode
ter reduzido as respectivas exposições aos efeitos da queda no comércio
internacional. Além disso, são estados em que o peso do setor informal é mais
elevado, de forma que os dados utilizados nesta análise (emprego formal e índice
de produto industrial para apenas 13 estados) não conseguem captar esta
dinâmica.

122

Em relação ao Distrito Federal, o peso dos empregos do Setor Público sobre o
total do emprego formal nesta Unidade da Federação é bastante elevado,
explicando em grande parte a estabilidade do comportamento desta variável
mesmo durante a crise financeira internacional. De fato, como aponta Blazek e
Netrdová (2012), regiões que apresentam muitas instituições do setor público e
grande variedade de empresas do setor de serviços tendem a ser menos afetadas
pelos choques. As empresas do setor público são grandes empregadoras em
capitais e, mesmo que ocorram quedas na disponibilidade de recursos financeiros
durante a crise para as empresas do setor público ela não é tão intensa quanto
ocorre no setor privado (Blazek e Netrdová, 2012). Além disso, ressalta-se que
grande parte dos trabalhadores do setor público tem sua estabilidade garantida
pela legislação vigente. Portanto, este resultado traduz a estabilidade do emprego
do setor público e financeiro presente nesta unidade da federação.

O resultado encontrado, a priori, apresenta semelhanças entre os estudos que
vem sendo realizados sobre a resiliência das regiões em outros países no pós-
crise. O trabalho do Fingleton et al. (20012), por exemplo, observou uma menor
resistência ao choque recessivo por parte de regiões industriais, o que parece ser
o caso sobretudo do Amazonas, influenciado pela dinâmica da Zona Franca de
Manaus.

O segundo indicador proposto por Fingleton et al.(2012) consiste no Índice de
Recuperação, calculado como a razão entre o crescimento percentual do
emprego regional no período pós-recessão e o crescimento percentual do
emprego nacional no mesmo período. Por sua vez, as regiões com Índice de
Recuperação maior que a unidade se recuperaram de forma mais acentuada de
que aquelas que apresentaram Índice de Recuperação menor que 1,00.

Neste indicador, uma questão que deve ser destacada é a dificuldade de se
estabelecer ad hoc um período fixado para a mensuração desta recuperação.
Fingleton et al.(2014) usam como período de recuperação o crescimento do
emprego até o início de uma outra recessão. Cellini e Torrisi (2014), por outro
lado, estabelecem um limite de três anos após o choque como sendo o período

00 1.92 0.37 0.51 0.11 SANTA CATARINA 1.03 0.94 0.00 1.51 0. 3 e 4 anos após o auge dos impactos do choque recessivo.86 0.09 1. 2. No caso desta dissertação.43 0.10 0.22 1.6 – Recuperação do Emprego Regional nos Estados Brasileiros: Índice de Recuperação à Crise do Subprime. 123 máximo para a ocorrência da recuperação.05 0.61 1. Entretanto.52 1.50 1.00 TOCANTINS 0.22 0.76 1.52 PERNAMBUCO 1.46 ALAGOAS 0.69 0.01 1. Índice de Índice de Índice de Índice de Recuperação Recuperação Recuperação Recuperação NIVEL GEOGRAFICO (1 ano) (2 anos) (3 anos) (4 anos) BRASIL 1.09 0.96 1. o Índice de Recuperação será calculado para mais de um período do pós-crise: 1. quatro anos após o ponto mais agudo da crise.79 0.90 0.90 1.38 1.99 1.94 MINAS GERAIS 0.89 SUL 1. de forma a minimizar a imprecisão relacionada com a definição da duração do período pós-crise.45 1.98 SAO PAULO 0.74 0.96 0.96 1.44 BAHIA 1.67 0.50 1.85 0.49 0.19 1. o que levaria à utilização de todo o período pós-crise nos dados disponíveis.38 1.04 0.43 1.88 0.72 1.33 0.30 AMAZONAS 0. TABELA 3.97 RIO DE JANEIRO 0.18 CEARA 2.10 1.70 0.62 0.96 0.18 1.16 1.92 0.60 SERGIPE 1.29 1.00 1.40 1.52 1.89 1.43 2.87 0.78 0.83 0.34 1.49 NORDESTE 1.91 1.13 PARANA 1.01 1.55 RIO GRANDE DO NORTE 0.16 0.15 MARANHAO -0.33 1.95 PARAIBA 1.85 0.95 0.99 1.88 1.52 PIAUI 1.97 0.09 1.01 1.03 AMAPA 0.89 SUDESTE 0.42 0.41 1.69 PARA 0.00 NORTE 0.91 0.86 0.23 1.07 ESPIRITO SANTO 0.05 RORAIMA 1.23 ACRE 0.13 . maior que o período utilizado por Celline e Torrise (2014).79 0. não há uma outra recessão evidente após a crise de 2008-2009. portanto.97 0.20 1.02 1. no caso.90 0.97 RONDÔNIA 4.

Entre os estados mais atingidos pela crise. Tal resultado é compreensível uma vez que o Amazonas foi afetado por uma queda de grande intensidade e de duração maior no emprego.79 GOIAS 1.41 1. ainda.12 1. de acordo com o Indicador de Sensibilidade.aparecem.06 1. 124 RIO GRANDE DO SUL 1. mas passando a apresentar um índice de recuperação maior ao fim do terceiro e do quarto ano após o auge dos efeitos da crise financeira.86 MATO GROSSO DO SUL 1. neste caso.53 0. em ambos os estados acima o setor informal.64 0. O Amazonas.85 0. Nos dois primeiros anos do pós- crise o estado apresenta taxas de crescimento do emprego menores que a média do Brasil. estado em que os efeitos da crise se manifestaram primeiro. os estados do sul – Paraná.11 DISTRITO FEDERAL 0.79 0. Rio Grande do Sul e Santa Catarina .82 0. Destaca-se. que no caso brasileiro. Há. Este também é o caso do estado de Rondônia. Destaca-se que o Maranhão tem uma economia pouco diversificada no que tange aos setores geradores de emprego formal. como os estados que menos foram impactados num primeiro momento pela crise ao mesmo tempo que foram os que mais se recuperaram.07 1. (2012). em que algumas das regiões mais afetadas pela crise foram as que melhores se recuperaram desta. na Região Norte. tem uma recuperação que se comporta de maneira diferente nos períodos de recuperação.86 MATO GROSSO 0. No Brasil. fazendo com que as taxas acumuladas de recuperação demorem a apresentar resultados positivos. nos indicadores acima. não captado aqui. em termos de variação percentual no emprego. nos quatro períodos observados. . as que pior se recuperaram dele nos períodos subsequentes.73 0.85 0. um padrão diferente ao encontrado por Fingleton et al.56 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do CAGED/MTE.78 0. Além disso.15 CENTRO OESTE 1. em geral.06 1.07 0. é bastante representativo.57 0.95 0. o Maranhão e o Rio Grande do Norte se destacam como estados de piores recuperações ao choque entre todos os estados.11 0. por mais tempo e em grande intensidade.03 1. as regiões mais sensíveis ao choque foram.

. bem mais homogêneo que o comportamento relativo do emprego durante o período de recessão. Mais uma vez evidencia-se que o Distrito Federal apresenta um comportamento mais estável do mercado de trabalho em função da participação do setor público. 125 O comportamento da recuperação do emprego nos estados brasileiros no pós- choque mostra-se. os valores se encontram melhor distribuídos em torno do valor 1. Para tanto. Nesse sentido. Uma vez que há grande diferença na dimensão das variações no emprego formal entre os estados foi necessário fazer um ajuste a fim de minimizar a variância e permitir uma comparação entre os coeficientes dos estados brasileiros. Em função de valores negativos da variável utilizada (em períodos de queda do emprego).0. optou-se pela normalização da variável.3. (2012) e Celline e Torrisi (2014) de maneira a comparar as respostas dos estados brasileiros ao choque recessivo da crise do subprime. contudo. a opção pela aplicação do logaritmo natural sobre as observações fica inviabilizada. parte-se para a análise do modelo proposto por Fingleton et al. Os testes de raiz unitária encontram-se na tabela A. com poucos valores mais extremos. A fim de confirmar tais considerações a partir da análise exploratória realizada acima. no anexo desta dissertação. Em geral. as séries de variação no emprego mostraram-se estacionárias.

195802 n.s.781068 ** −0.4520) (0.8022) (0.9048) (0.s −0.5576) (0.0551855 n.4701) AL −0.s −0.5822) 0.0870057 n.3237) (0.2344 ) (0. 0.0304153 n. 0.5317) (0.0847368 n.s.117866 n.0386568 n.s.252063 n.0743076 n.286452 n.0746847 n.s.s 0. α β1 (2001) β2 (2002) β3 (2008/2009) γ1(2001) γ2 (2002) γ3 (2008/2009) AC −0.5736) (0.s −0.4089) (0.s.8670 ) (0.11348 *** (0.s −1.479313 ** (0.s 0.s 0.s 0.0017) MA −0.0017) (0.0410082 n.141093 n. −0. −0.0800970 n.0100998 n. 0.131436 n.644274 *** (0. −0.s −0.469264 n.162615 n.311329 n.117837 n.s.2975) (0.2908) (0.9109) (0. −0.673401 *** (0.249521 n.3676) (0. 0.3872) (0.s 0.s 0.606187 n.414866 n.0652201 n. 0.819943 * −0.7121) (0. 0.200668 n.5311) AM −0.s −1.s −0.171742 n.5766) (0.01797 ** −0.s.s 0.s −0.s.7814) (0.7883) (0.125377 n.1070) (0. −0.2242) ( 0.s.18774 *** 0.433165 n.s −0.5711) (0.2262) (0.s 0.0424) (0.s 0.147948 n.585384 n.2503) (0.s −0.0965391 n.6266 ) ( 0.925594 *** .9327) (0.1933) MG −0.0206) (0.604345 *** (0.100730 n.324697 n.s.715709 n. 0.s −0.9861 ) (0.s −0.7769) PA −0.139783 n.2998) (0.161588 n.3841) (0.336754 * 0. 0.387362 ** 0.150460 n.1987) MT 0.0414) (0.s −0.0148) ES −0.0648184 n.385639 ** (0.955366 *** (0.2500) (0.25e-07) CE −0.s −0.402023 n.7844) (0. 0.271638 *** −0.0642740 n.00687185 n.s. (0.s.0002) PB −0.633668 *** (0.595755 n.441371 n.7 – Resultados da Estimação por SUR (Regressões Aparentemente Não Relacionadas) para a Equação de Resiliência.6319) (0.292044 n.115182 n.s.43e-07) 0.3205) (0.0097) (3. −0.0227409 n. −0.4783 ) (0.9713) (0.2250) (0. 1.112535 n.s 0.5631) (0.4608 ) (0.00552199 n.s 0.0808) BA −0.3012) (0.0102590 n.s 0.0580910 n.7071) (0.9775) (0.s.0526653 n.s.9383 ) (6. −0.5045) (0.7987) (0.s 0.0407832 n.2736) (0.284747 n.0754183 n.s.s −0. 0. 0.1001) (0.962180 * 0.1185 (0.1174) (0.s 0.4554) (0.5703) (0.340161 n.129272 n.s 0.s 0.123474 n. 0.9083) (0. −0. 0.6037) (0.632327 * 0.s.0426) AP −0.300882 n.0009) PE −0.298984 n.9690 (0.s 0.469864 *** 0.0584) (0.6909) ( 0.s.0557517 n.736873 * 0.4452) (0.92787 *** −0.s.0006) MS −0.0423) GO −0.s.s.s 0.0003) (0. −0.s.s −0.352679 n.s.s −0.224735 ** 0.s.287521 n.s. ( 0.s.s.74e-010) DF −0.283323 n.s 0.260909 n.012199 n.s.s −0.8699) (0. 126 Tabela 3.302736 n.s −1.s 0.8624) (0.s −0.33629 *** −0.8303) (0.222839 n.s (0.s 0.63480 *** −0.136355 n.s.256667 n.s.s 0.08e-06) (0.0362) (0. −0.9359 ) (0.146121 n.4873) (5.410956 ** 0.6487) (0.s.6956) (0. −0.151894 n. −1.362214 ** (0.106184 n.0081) (0.507464 n.s.0592) (0.0771) (0.243823 n.0797) (0.9854) ( 0.143171 n.7102) (0. 0.343951 * (0.8971) (0.0995) (0.169062 n.s.0649444 n.128729 n.622882 * −0.0404491 n.s (0.199408 n.4827) (0.0461) (0. 0.0303049 n.287209 n.457646 n. −0.231903 ** −0.3849) (0.3664 ) (0. −1.5840) (0.s (0.6570) (0.s −0.s 0. 0.s −0.7005) (0.s 0.8395) (1.2269) (0.s.

197245 n.1474) (0.s −0.s −0.0174597 n.926831 ** 0.15e-06) PI −0. (**) Significante a 5%.334303 n.6522) (0.s 0.209682 ** −0.7970) (0.7786) (0.1082) (5. 127 (0.7680 ) (0.s −0. (n.453291 n.9591 ) (0.694837 n.452023 n.s 0.9695) (0.s 0.s 0.466820 ** (0.0380334 n.0002) PR −0.0083) RS −0.5511) (0.9418) (0.4396 ) (0.7187 ) (0.s 0.0385788 n.135368 n.694892 * −0.3080) (0.726031 ** −0.4755) (0.393828 n.4003) (0.168319 n.172275) (0.0825228 n.354402 *** 0.725927 *** ( 0.485820 n.806990 * 0.3752) (0.9383 ) (0.396303 n.206555 n.s −0.272998 n.861935 *** (0.0002) SC −0.s 0.0706079 n.0253) (0.5314) (0.395033 n.228038 n.s −0.4259) (0.151550 n.0439642 n.286055 n.4351) RO −0.0156) SE −0.1981) (0.0674) (0.5153) (0.s −0.3205) (0.207538 n.0058) (0.54e-06) SP −0.2408) (0.9589) (0.s 0.536891 n.s 0.9076) (0.0055) ( 0.s 0.s 0.s −0. Fonte: Elaboração Própria por meio do Software GRETL.s 0.0849508 n.1177) (0.s 0.s 0.5472) (0.00894481 n.s −0.5965) (0.s −0.0651294 n.s 0.0261) TO −0.s −1.157473 n.0841) (0.2870) ( 0.22269 *** (0.81e-07) RN −0.6714) (0.9376) (0.6510) (0.s 0.508521 n.411918 n.336419 n.3212) (0.5452) (0.0263967 n.6482) (0.528351 *** (0.2821) (0.2180) (0.s 0.s 0.0880) (0.668744 * −0.0160) (0.2993) (0.s 0.s 0. (*) Significante a 10%.7055) (7.1651) (0.s 0.4266) (1.73e-01) RR −0.349801 n.8050) (0.s 0.424249 ** (0.434756 n.s −0.01354 *** −0.6605) (0.0184660 n.188571 n.7388) (0.0853314 n.s −0.4779) (0.) Não Significante.0004) (0.362498 * (0.0372 ) (0.s 0.0839177 n.4314) (0.854330 ** −0.3947) (4.7289) (0.0482) (0.s −0.s 0. P-valores entre parênteses.404658 n.154063 n.5858) (0.0281907 n.s −0.s 0.0830) (0.0522481 n.s 0. .s 0.517483 *** (0.3539) (0.s 0.s −0.s 0.207061 n.347081 n.0613) (***) Significante a 1%.307435 n.1985) (0.282058 n.04523 *** −0.3988) ( 0.865627 n.0927407 n.s 1.s −0.0225461 n.0470147 n.945390 *** ( 0.s −1.s 0.s −0.s 0.s (0.0264) (0.237193 n.0708381 n.s 0.6105) (0.695365 *** (0.s.s −0.s 0.9299) (0.00724659 n.0573) (0.s 0.305849 n.195149 * −0.1093 ) (0.0975651 n.9787) (0.172275 n.2287) (0.8904) (0.0062) RJ −0.s 0.s 0.

128 Não se tem como objetivo comparar os efeitos da crise do subprime com os outros momentos de piora nas expectativas considerados no modelo estimado. Os resultados mostrados na tabela acima confirmam a análise que já vinha sendo realizada na parte descritiva dos indicadores de Sensibilidade e Resistência e da análise do comportamento das séries de tempo de variação no emprego formal dessazonalizado. Dessa forma. Nos estados nos quais os parâmetros para o choque se mostraram significativos. como esperado. de fato. Assim. durante o período mais intenso dos impactos da crise. há uma redução nas contratações de mão-de-obra e aumento no volume de demissões . isto é. apesar da redução na atividade econômica ter ocorrido. como mostrado na análise descritiva. mas sim na significância dos parâmetros estimados e na comparação entre os parâmetros significativos. o período correspondente ao auge dos efeitos da crise do subprime sobre a economia brasileira é marcado por uma redução na quantidade de empregos no país. Em geral. há uma heterogeneidade considerável em como choques recessivos nacionais são distribuídos espacialmente entre as regiões Brasileiras. o sinal dos parâmetros estimados estatisticamente significativos foram negativos (com exceção do resultado para Pernambuco) indicando que. nesses estados. Verificou-se a presença daquelas nas quais o impacto destas crises não mostrou-se significativo. As diferenças de significância dos parâmetros relativos às variáveis dummy dos choques e dos períodos de recessão indicam que. isto é. Ademais. não se tem interesse aqui no poder de explicação do modelo estimado. assim como Fingleton et al. sobre a dinâmica das demissões e contratações nas economias regionais. nesses estados em específico. (2012) ressaltam. estados que não foram afetados de maneira específica pelos choque em seu momento mais grave. tendo consequências diretas sobre a variação no emprego formal. esta dissertação irá se ater aos resultados dos parâmetros relacionados com o choque de 2008/2009 e sua recuperação. tais localidades foram afetadas diretamente por seus efeitos. a evidência que se observa é que.

63480). Minas Gerais e Pará (onde a atividade mineradora exerce grande influência sobre as estruturas produtivas locais) e da integração dos sistemas financeiros locais e das respectivas dinâmicas à dinâmica do mercado financeiro global (como parece ser o caso de São Paulo). as diferenças na recuperação entre os estados brasileiros não se mostram tão discrepantes. a resposta do governo brasileiro ao choque recessivo também pode ter amenizado esses efeitos em grande parte dos estados. definitivamente. Pará (−1. implica em uma variação superior à um desvio-padrão. Assim. Ao mesmo tempo. que parte dos estados menos desenvolvidos não tenham sido fortemente afetados pela crise. a forte dependência das indústrias e atividades produtivas locais do mercado externo. . Os parâmetros correspondentes ao período de recuperação do choque também mostraram.33629). pôde-se verificar como o período pós-crise teve comportamentos diferentes entre os estados brasileiros. o sinal esperado.18774) e São Paulo (−1. em regra. como é o caso do Espírito Santo. Este padrão de impactos sobre estes estados brasileiros já vinha sendo evidenciado desde o início das análises aqui realizadas.92787). Espirito Santo (−1. parece desenhar as formas como ela tem impactado os estados brasileiros e explicando. como os estados com maior sensibilidade ao choque recessivo de 2008 e 2009. dada a padronização das variáveis. com apenas dois valores superiores à unidade (Ceará e Rondônia) que. O maior impacto da crise em tais estados parece ter uma relação com a forma como as estruturas produtivas locais estão postas (por exemplo a concentração do setor industrial no Amazonas.04523) despontam. em que Amazonas (−1. 129 evidenciando os impactos da crise financeira global para a dinâmica real da economia de alguns estados brasileiros. em função da Zona Franca de Manaus). A relação expressa a partir dos parâmetros significativos para o choque recessivo da crise do subprime corroboram com as primeiras análises da resiliência baseada na trajetória do emprego formal. Entretanto. Minas Gerais (−1. A natureza da crise. relacionada com o mercado financeiro e localizada sobretudo nos países desenvolvidos. em parte.

de fato. a principal proxy para variação da atividade econômica com periodicidade mensal. 3.2 Análise do Comportamento da Produção Industrial. entretanto. . Rússia. a análise da Resiliência sob a ótica da produção industrial fornece informações bastante interessantes e complementa a análise já realizada a partir da variação do emprego formal. O período retratado na figura abrange desde a década de 1990. em função da restrição no número de estados com Índice de Produção Industrial.2. período em que a economia brasileira foi duramente afetada por sucessivos choques a partir de crises em países emergentes (México. quando se leva em conta o mercado de trabalho formal. em relação à construção e análise dos indicadores utilizados. Conforme já salientado anteriormente. Argentina. complementarmente. O Índice de Produção Industrial é. escolhida para a análise desta dissertação. Tailândia. apesar da sua amostra reduzida em termos territórios. De forma a corroborar os resultados apresentados na seção anterior. Diferente da variação no emprego. diferentes comportamentos de resiliência econômica nos estados brasileiros. esta dissertação procede a mesma análise anterior. para o Índice de Produção Industrial. ao lado da variação do emprego formal. com pelo menos um representante de cada uma das cinco grandes regiões brasileiras desde janeiro de 2002. a análise exploratória realizada com ajuda dos índices de Sensibilidade e Recuperação ao choque corroboram a hipótese de que há.2.7 mostra a evolução da Produção Industrial Dessazonalizada para todo o Brasil no período que antecede a Crise de 2008-2009 e os primeiros anos da recuperação. Por outro lado. O Gráfico 3. optou-se por realizar os exercícios econométricos utilizando apenas a variação no emprego formal como proxy para o comportamento da atividade econômica. 130 A heterogeneidade verificada em relação à significâncias e valores dos coeficientes  e  estimados para o choque recessivo de 2009/2009 e. além de um difícil processo de estabilização da moeda em 1995 e uma crise cambial em 1999.). o Índice de Produção Industrial só é calculado para 13 estados brasileiros.

131 Na crise de 2008-2009. segundo a Organização Industrial do Trabalho (2010). O comportamento da produção industrial nos estados segue um padrão semelhante. em geral. atingindo sobretudo o setor produtor de bens de consumo duráveis. 1991-2014. a produção industrial foi afetada em primeiro lugar e mais gravemente em função das restrições de crédito interno. numa intensidade consideravelmente maior que os demais choques recessivos que vinham atingindo a economia brasileira desde o início da década de 1990.7 – Evolução da Produção Industrial no Brasil: Índice Dessazonalizado. contudo com duração e intensidades distintas entre os . 140 Crise Financeira Global 130 120 Índice de Produção Industrial 110 100 90 80 70 1995 2000 2005 2010 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do IBGE. sua redução se inicia em outubro de 2008 e se estende até o mês de fevereiro de 2009. A figura acima mostra como a Produção Industrial brasileira foi atingida pela crise do subprime. No caso da Produção Industrial Brasileira. GRÁFICO 3. O órgão mostra que o declínio na agropecuária foi gradual enquanto o setor de serviços manteve seu ritmo de crescimento mesmo diante dos efeitos da crise financeira.

abaixo. . A figura acima ilustra o comportamento do Índice de Produção Industrial nos 13 estados brasileiros para os quais a pesquisa é realizada em que se nota uma forte queda no índice a partir da segunda metade de 2008 até a primeira metade de 2009 (área sombreada). 200 AM BA CE ES 180 GO MG PA PE PR 160 RJ RS Índice de Produção Industrial SC SP 140 120 100 80 60 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do IBGE. ilustra a dinâmica da produção industrial em 13 estados brasileiros. no período correspondente à crise financeira global. só há dados disponíveis a partir de 2002. Uma vez que. para os 13 estados. não se avaliou os dados para um período maior.8.8 – Evolução da Produção Industrial nos Estados Brasileiros: Índice Dessazonalizado. Um dos impactos mais substanciais provocados pela crise sobre os estados brasileiros consistiu numa redução considerável da produção industrial. 2002 – 2014. É possível observar que há uma queda generalizada na produção industrial dos estados observados. GRÁFICO 3. 132 estados. O gráfico 3.

09 a 2008.12 05 meses -27.08 a 2009.08 a 2008.01 06 meses -38.67 SP 2008.12 03 meses -24.51% 0.62 ES 2008. As tabelas abaixo mostram os indicadores de sensibilidade e de recuperação do índice de produção industrial para os estados brasileiros.90% 1.49 PR 2008.06 a 2009. no entanto.09 a 2009. 133 É possível observar que. foram bastante distintas.47% 0.79% 0.00 AM 2008. TABELA 3.03 07 meses -16. os impactos não se deram da mesma forma sobre todos os estados.01 05 meses -20.01 06 meses -15. as trajetórias de crescimento no produção industrial desses estados.05 08 meses -24. Além disso.05% 1.62% 0.10 a 2009.08 a 2009.10 a 2008.70% 0.23 BA 2008.00 PE 2008. . A partir de Janeiro de 2008 já observa-se uma redução nas taxas de crescimento da produção industrial em todos os estados analisados.16% 0.61% 0.12 03 meses -24.63 MG 2008.62 RS 2008.83 CE 2008. Períodos de Queda Duração da Queda (Meses) Queda Total Índice de Sensibilidade BR 2008.02 05 meses -15.10 a 2008.09 a 2009.84% 1.09 a 2009.79 RJ 2008.25% 1.09 a 2009.63% 1. mas é a partir dos meses de agosto e setembro de 2008 que se iniciam os períodos mais intensos de queda na atividade industrial.02 06 meses -12.04 07 meses -30.10 a 2008.14% 0.60% 1. que tem seu pior momento entre dezembro de 2008 a fevereiro de 2009.8 – Resistência à Recessão entre os Estados Brasileiros: Índice de Sensibilidade da Contração Relativa do Índice de Produção Industrial na Crise do Subprime – Período Único.54 PA 2008.12 04 meses -15.97 SC 2008.09 Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados do IBGE. após a crise.01 07 meses -44.79 GO 2008.12 03 meses -19.10 a 2009.

134

TABELA 3.9 – Recuperação do Produto Industrial Regional nos Estados
Brasileiros: Índice de Recuperação à Crise do Subprime.
Índice de Índice de Índice de Índice de
Recuperação Recuperação Recuperação Recuperação
(01 ano) (02 anos) (03 anos) (04 anos)
BR 1,00 1,00 1,00 1,00
AM 1,30 1,36 0,83 1,17
BA 1,06 -0,09 -0,07 0,20
CE 0,85 0,10 0,04 -0,23
ES 2,65 2,65 3,09 1,35
GO 2,01 1,07 3,10 1,10
MG 1,63 1,41 1,72 1,31
PA 0,47 0,08 0,89 -0,47
PE 0,84 0,89 1,51 1,16
PR 0,33 -0,26 0,13 -0,01
RJ 0,64 0,78 0,93 0,77
RS 0,57 0,68 0,52 0,67
SC 0,23 0,49 0,19 0,27
SP 1,06 1,28 0,91 1,06
Fonte: Elaboração Própria com Base nos dados do IBGE.

Tem-se, com relação à sensibilidade à crise da produção industrial, um cenário
compatível com o quadro encontrado a respeito da dinâmica do emprego formal.
Os estados menos resistentes à crise, em termos de produção industrial, foram,
da mesma forma que o ocorrido na análise no tópico anterior, Amazonas, Espírito
Santo, Minas Gerais, Pará e São Paulo. Os estados do Centro-Oeste, Sul e da
Região do Nordeste, nesta análise, tiveram uma produção industrial menos
sensível à crise que a média nacional. As diferenças nestes resultados com
relação à análise anterior parecem guardar forte relação com a ausência, aqui
neste item, do componente agrícola das produções regionais. Nesse sentido, o
estado de Goiás que obteve um Índice de Sensibilidade da Contração Relativa do
Emprego maior que a unidade da Produção Industrial menor que a unidade, o
que indica uma maior influência do setor agrícola, sobretudo com a redução nas
exportações de commodities agrícolas durante a crise.

Com relação à dinâmica da produção industrial pós-crise, observa-se um padrão
de recuperação distinto do encontrado na análise anterior, no sentido de que
aqueles considerados no grupo dos menos resistentes à crise foram os que
apresentaram as melhores recuperações da produção industrial: Amazonas,
Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, apesar de só os dois primeiros terem

135

conseguido retomar o índice de produção industrial imediatamente anterior à
crise. Os estados do sul, neste caso, apresentaram os menores níveis de
recuperação pós-crise, apesar de terem conseguido resistir melhor que os demais
aos seus primeiros impactos.

GRÁFICO 3.9 – Evolução do Índice de Produção Industrial Geral
Dessazonalizado: AM, ES, MG e SP.
180
AM
ES Crise Financeira Global
MG
160 SP

140

120
Índice de Produção Industrial

100

80

60

40

20

0
2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE.

Por outro lado, entre os estados mais resistentes ao impacto da crise destacam-
se Goiás e Pernambuco por terem apresentado índices de recuperação
significativa da produção industrial. Goiás, entretanto, mostra uma clara mudança
na trajetória de crescimento do produto industrial, assumindo um caminho
crescente, enquanto Pernambuco segue uma trajetória similar à pré-crise, porém
a um nível superior. O Estado do Paraná, por sua vez, apesar de não apresentar
índice de Recuperação superior à unidade, assume uma trajetória crescente da
produção industrial e, por isso, pode ser considerado neste grupo de estados.
Tendo em vista a noção de Resiliência como também assumir uma outra
trajetória, superior à primeira, fica evidente que o comportamento da produção

136

industrial do Paraná caracteriza uma inflexão em seu caminho de crescimento
pós-crise.

GRÁFICO 3.10 – Evolução do Índice de Produção Industrial
Dessazonalizado: GO, PE e PR.
200
GO
PE Crise Financeira Global
PR

150

100

50

0
2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE.

Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro,
nos quais a produção industrial foi mais resistente aos efeitos da crise
apresentaram, contudo, uma recuperação inferior à apresentada pelos estados
mostrados acima. Como pode-se ver no gráfico 3.11 abaixo, o estado de Santa
Catarina parece apresentar a pior recuperação da produção industrial entre todos
os estados, num cenário em que, mesmo sendo pouco afetado pelos impactos
iniciais da crise, assume no período seguinte uma trajetória de crescimento da
produção industrial inferior à trajetória pré-crise.

SC. CE. evidenciando continuação e mudanças nas trajetórias de crescimento pré e pós-crise. RS. 200 BA CE RJ RS SC 150 Índice de Produção Industrial 100 50 0 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 F onte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE. 137 GRÁFICO 3. mas que tiveram alterações na trajetória de crescimento da produção industrial no longo prazo. regiões mais resistentes num primeiro momento. isto é.12. regiões que foram resistentes e tomaram trajetórias de maior crescimento da produção industrial no pós-crise (Goiás) e regiões nas quais o efeito do choque foi menor. A Figura 3. Desta análise. tanto em questão de resistência quanto de recuperação. RJ. fica claro que os estados brasileiros apresentaram respostas distintas à crise financeira sob vários aspectos. há regiões duramente afetadas que se recuperaram bem do choque (Amazonas).11 – Evolução do Índice de Produção Industrial Dessazonalizado: BA. como parece ter se configurado em Santa Catarina. Desta forma. a seguir. . ilustra três casos distintos de respostas dos estados à crise.

Partindo de um choque econômico comum. três estados do Sudeste. Esta diferença parece se dever a dois fatores: a natureza e as características desta crise e da resposta do governo aos seus efeitos. 200 AM Crise Financeira Global GO SC 150 Índice de Produção Industrial 100 50 0 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do IBGE. Contudo. enquanto outras logram superar rapidamente os efeitos do . diferente do esperado. 138 GRÁFICO 3. os estados mais afetados pelos efeitos da crise. desiguais entre os estados brasileiros. em regra.12 – Diferentes Trajetórias do Índice de Produção Industrial no pós-crise. Espírito Santo e São Paulo. Minas Gerais. portanto. os estados do Nordeste não foram. As evidências levantadas neste item possibilitam. Amazonas e Pará. de fato. a confirmação de importantes questões que vem sendo discutidas desde o referencial teórico do capítulo 2. juntamente com estados do Norte fortemente dependentes do mercado externo. Esta parte da análise mostra que os impactos da recente crise financeira foram. Pelo contrário. verifica-se que alguma economias não conseguiram voltar para suas trajetórias de crescimento que se delineava no período pré-choque. estão entre os mais afetados pela crise. que afetou a economia global e a economia brasileira.

Ademais. os argumentos de que as regiões diferem nas formas em que as respectivas economias regionais se recuperam do choques. . assim. esta análise parece indicar que nem sempre as regiões mais afetadas pelo choque recessivo são aquelas que crescem e se recuperam mais lentamente que as outras. Por fim. é possível destacar que há diferenças mais intensas na resistência do crescimento do emprego entre os estados brasileiros do que em termos de recuperação ao choque. 139 choque. tomando-se como exemplo um choque econômico de natureza mundial de elevada amplitude. Corrobora-se. atingindo uma trajetória de crescimento da atividade econômica superior à fase precedente. Importante ressaltar que este comportamento se verifica tanto em relação ao comportamento do emprego formal quanto da produção industrial.

como os principais canais apontados como transmissores desses efeitos. a partir do comportamento do emprego formal e da produção industrial. 1982. . Para realizar a análise proposta. 1986) e sua Hipótese de Fragilidade Financeira. ainda. sobre os estados brasileiros. como o processo de securitização dessas hipotecas disseminou o risco entre os vários setores da economia e como a reversão no mercado imobiliário desencadeou os piores momentos da crise financeira. inicialmente. mostrou-se que a gestação da crise não se dá num espaço abstrato do setor financeiro. sobretudo Nova Iorque e Londres. evidenciou-se como o boom no setor imobiliário norte-americano permitiu a adoção de posturas cada vez mais arriscadas dos agentes do setor financeiro. como o processo de securitização das hipotecas do subprime. restrição do crédito e queda no comércio externo. 140 CONCLUSÃO O objetivo desta dissertação foi analisar os impactos diferenciados da crise financeira global. Para o entendimento de como um período de estabilidade econômica proporciona condições para a adoção de posturas mais arriscadas dos agentes de forma a gerar uma fragilidade no sistema financeiro. Por fim. poderiam ter levado a impactos diferenciados. de forma a introduzir a noção de espaço na análise da crise financeira. Em seguida. com destaque para a atuação dos centros financeiros globais. baseado em autores como Leyshon et al. (2009) e Wójcik (2013). iniciada com o episódio das hipotecas do subprime nos Estados Unidos. reduzindo drasticamente as exigências para a contração de créditos hipotecário. procurou estudar os padrões diferenciados de resistência e recuperação da atividade econômica. a discussão realizada buscou avaliar. elevando o risco dessas operações. Percebeu-se. capaz de gerar uma crise como esta. Assim. recorreu-se à interpretação de Minsky (1957. e sim em unidades espaciais bem definidas. Nesse aspecto. foi necessário uma caracterização inicial de como se desencadeou uma crise financeira nestas proporções a partir de um sistema financeiro desregulado e da implementação de uma série de inovações financeiras.

sobretudo a respeito das capacidades diferenciadas que as regiões apresentam em lidar com choques que atinjam seus sistemas econômicos. Por fim. mostra-se que regiões periféricas tenderiam a ser mais afetadas por restrições de crédito que regiões centrais em função de uma maior preferência pela liquidez. Dow e Rodriguez-Fuentes (1997). tendo como referência Dow (1993). o objetivo do segundo capítulo deste trabalho foi trazer a questão regional para as discussões sobre os efeitos da crise financeira. como numa crise financeira. Tal referencial teórico foi importante na construção da análise realizada no terceiro capítulo do trabalho. tem sido abordadas. o foco da dissertação passou à análise de como os efeitos de um choque recessivo podem espalhar-se de forma desigual entre diferentes regiões. a discussão sobre impactos regionais de crises financeiras do capítulo dois desta dissertação introduziu a questão da resiliência econômica regional. 141 Após construir um entendimento inicial da natureza da crise global. inicialmente. mostrou-se que a preferência pela liquidez diferenciada no espaço é importante para determinar as formas desiguais com que as regiões em um país são afetadas em períodos de elevação na incerteza. A partir de uma visão pós-keynesiana. e em particular choques monetários. em vários âmbitos que dizem respeito ao processo de desenvolvimento regional. Crocco e Jayme Jr. uma ampla revisão na literatura recente de economia regional a fim de se observar como as implicações regionais de choques recessivos. Adicionalmente. fez-se uma breve discussão sobre os canais tradicionais de transmissão dos choques monetários. Cavalcante. Portanto. A incorporação dessa discussão relativamente nova na literatura de economia regional busca agregar à discussão da transmissão regional dos choques monetários a noção de que as regiões apresentam capacidades distintas para lidar com choques e rupturas. (2006) e Crocco (2010). em que se estuda o comportamento da atividade econômica dos estados brasileiros diante dos impactos da crise financeira global. Amado (2000). de forma a fornecer subsídio adicional para a construção da análise empírica. A primeira parte da metodologia utilizada consistiu na análise do crédito como possível canal da transmissão dos efeitos da crise financeira. Trabalhos como o de Freitas (2009) apontam que a crise financeira afetou a economia brasileira . Realizou-se. Dessa forma.

ainda. corrobora a hipótese de que a restrição do crédito. contudo. Uma eventual retração do crédito teria maior potencial de provocar uma redução do emprego sobretudo no estado de São Paulo. seguido da maior parte dos estados do Nordeste Brasileiro e do estado do Amazonas. (2012) permitiram uma análise dos diferentes padrões de respostas dos estados brasileiros à crise financeira global. As respostas estaduais à redução simulada no crédito mostraram. verifica-se que a atividade econômica na Região Nordeste seria potencialmente mais afetada por uma retração do volume de crédito local. Para tanto. Os resultados encontrados a partir das Funções de Resposta ao Impulso. Em relação às grandes regiões brasileiras. complementados pela estimação da “Equação de Resiliência” proposta por Fingleton et al. . utilizou-se a estimação de um modelo VAR (Vetores Autorregressivos) e das respectivas Funções de Resposta ao Impulso e Decomposição da Variância do Erro de Previsão de forma a analisar como os índices de emprego formal dos estados brasileiros responderiam a uma simulação de um choque recessivo no crédito e nas demais variáveis utilizadas no modelo. no período analisado. de forma a identificar os estados mais afetados. elevada heterogeneidade nas formas como se manifestam. teria grande potencial de transmissão dos efeitos recessivos da crise financeira. A construção dos indicadores de Sensibilidade e Recuperação Relativas do emprego estadual e da produção industrial aos efeitos da crise financeira global. Tais diferenças ficam evidentes tanto em relação à amplitude do impacto quanto em relação ao timming e à persistência desses efeitos. A retração no crédito simulada apresentou. potencial de transmitir a crise para a atividade econômica de maior número de estados e em maior amplitude que uma redução no comércio externo. As respostas dos estados a um choque nas exportações foram bem mais heterogêneas que as respostas a uma retração no crédito. para a maioria dos estados brasileiros. no período em que a crise financeira global se insere. 142 sobretudo através da contração das linhas de crédito e da retração do comércio exterior.

principalmente de commodities e de atividades ligadas à extração. necessariamente. Esse fator torna-se ainda mais relevante para tal explicação no caso de Minas Gerais. por exemplo. Nesse aspecto. Espírito Santo e Pará. verificou-se que entre os estados mais sensíveis aos efeitos da última crise financeira foram. também. Espírito Santo e Pará. Ao analisar resultados em conjunto. Os resultados indicam. via de regra. Banco do Nordeste e BNDES) e através de incentivos ao aumento do crédito pelos bancos privados via redução das reservas compulsórias e do imposto sobre operações financeiras. em decorrência da queda na sua indústria de transformação e em outros estados cuja dinâmica local é bastante influenciada pelas dinâmica externa. Os resultados da análise da Resistência e da Recuperação dos estados brasileiros à crise evidenciam que. de fato. as regiões brasileiras diferem nas formas em que respondem a choques comuns. os estados menos resistentes ao choque recessivo. fica mais evidente que a inserção no comércio internacional foi o principal fator na determinação dos impactos diferenciados da crise financeira global. Os resultados parecem indicar a relevância das políticas anticíclicas adotadas pelo governo federal para as formas como os diferentes impactos estaduais se evidenciaram. no Amazonas. os que apresentam uma maior tendência de crescimento no pós-crise. no acumulado. Assim. Caixa Econômica Federal. Tais políticas tiveram como objetivo reestabelecer a liquidez e o crédito no mercado brasileiro sobretudo por meio da concessão de novas linhas de crédito através dos bancos públicos (Banco do Brasil. Diferente do que se esperava. que os estados mais resistentes à crise financeira não são. como Minas Gerais. os estados menos resistentes aos efeitos da crise financeira no Brasil foram aqueles nos quais um choque simulado no crédito apresentou maiores efeitos recessivos. através de suas exportações. onde o choque no crédito local não se mostrou um possível canal de transmissão da crise no período em que esta se insere. . os estados mais periféricos não foram. a partir do choque negativo simulado. sobretudo. 143 dado que a maior parte de seus estados estão entre os mais afetados.

com informações mais completas. infere-se que a atuação do governo no mercado de crédito através dos bancos públicos pode ter evitado impactos da crise especialmente elevados sobre esta região. que levantem questões estruturais e de longo prazo mais adequadas. Ao considerar-se a discussão realizada sobre o papel da preferência pela liquidez diferenciada no espaço. reconhece-se que a trabalho não fornece respostas sobre importantes questões na construção da resiliência das regiões. Uma outra limitação surge da análise de resiliência adotada neste trabalho. principalmente em relação à adaptação e a adaptabilidade dos sistemas econômicos regionais – que são conceitos-chave na concepção evolucionária do termo. A primeira delas diz respeito às proxies relacionadas à atividade econômica. estudos mais aprofundados. Portanto. 144 Na ausência de tais políticas e com a manutenção da tendência inicial de contração generalizada e intensa no mercado de crédito brasileiro. incluindo-os no rol dos estados mais afetados. Ao optar pela análise da resistência e da recuperação do emprego no curto-prazo. que indica que uma restrição no crédito tenderia a ser mais intensa nas regiões periféricas. A considerável restrição na disponibilidade de dados sobre vários outros aspectos da atividade econômica dos estados e o período relativamente curto desde o final da recessão impõe importantes limitações sobre a análise realizada. As respostas estaduais a uma contração do crédito evidenciam que tal cenário ampliaria ainda mais os efeitos da crise em estados já afetados pela redução no comércio internacional e pela queda na demanda interna como Amazonas e São Paulo e poderia alterar as respostas dos estados da Região Nordeste à crise. que nas regiões centrais. Entretanto. para a análise da adaptação e da adaptabilidade dos sistemas econômicos estaduais são necessários para verificar se as regiões mais . como os estados nordestinos. devido a restrições similares às citadas no parágrafo anterior. A adoção da variação do emprego formal ignora uma série de impactos sobre o setor informal e o mercado de trabalho pode não reagir de forma tão rápida quanto a produção. o escopo deste estudo não esgota a ampla agenda de pesquisa relacionada aos impactos regionais da crise financeira. estados que se mostraram mais resistentes aos efeitos do choque recessivo poderiam ter comportamentos distintos.

Sobretudo porque parece evidente que a atuação do governo federal com políticas anticíclicas e políticas públicas que objetivam a restauração da liquidez e recuperação da atividade econômica também apresentam impactos diferenciados sobre os estados ao mesmo tempo que podem potencializar ou amenizar os efeitos de alguns dos canais de transmissão dos choques. o governo incorpora a possibilidade de mitigar os efeitos das crises naquelas regiões que se mostram mais vulneráveis. de fato. Por fim. evitando assim um eventual aprofundamento das desigualdades regionais. as mais resilientes dentro da concepção que acredita-se ser a mais adequada. fica evidente a necessidade de uma melhor compreensão das diferenças existentes nas respostas que as regiões são capazes de apresentar frente a choques comuns. Dessa maneira. . ao aliar à política macroeconômica as implicações regionais das suas intervenções. 145 resistentes e que apresentaram melhor recuperação do emprego nos primeiros anos do pós-crise são.

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0 RS_IPI(D) 0.0 0.0000 9.0000 0 0.0000 0 0.0000 3.0 0.0000 13.0 SP_IPI 0.0 CE_IPI(D) 0.0 RJ_IPI(D) 0.0000 6.0 0.0 0.0129 1.0224 0 0. (D) Indica Primeira Diferença da Variável. 153 ANEXOS TABELA A.0 SP_IPI(D) 0.0382 1 0. .0000 3.0000 0 0.0000 10.0 0.2433 1 0.1183 3.0 BA_IPI 0.0148 3.0784 12.0000 9.0 MG_IPI 0.0 0.0000 0 0.0000 0 0.0 PR_IPI(D) 0.0000 0 0.3948 1 0.0352 4.0457 0 0.0 0.0 0.1905 4.0000 7.0 0.0 CE_IPI 0.0 AM_IPI(D) 0.0342 1 0.8793 1 0.0006 0 0.0 ES_IPI 0.0 0.0000 0 0.0000 12.0 SC_IPI 0.0 0.6999 6.0000 0 0. Bandwidth³ AM_IPI 0.0000 16.0000 0 0.0 RJ_IPI 0.1 .0 0.0 0.1289 2.0000 5.0 Fonte: Elaboração Própria.0000 0 0.0450 3.0149 3.0000 0 0.0 0.0000 5.0664 1 0.5581 9.0000 3.0000 10.0000 5.0368 0 0.0000 1 0.1442 0.0 PA_IPI(D) 0.0000 1 0.0 0.0813 1 0.0145 0 0.1049 0 0.0000 6.0 0.1768 5.0 GO_IPI(D) 0.2017 0 0.0000 0 0.0 MG_IPI(D) 0.0 PE_IPI(D) 0.0 0.2665 5.0231 3. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.0000 1 0.0098 0 0.0000 1 0.0000 4.0010 5.0 0.0002 5.0000 5.0000 0 0.3678 0 0.0023 3.0007 0 0.0 PR_IPI 0.0000 0 0. Lag² Prob¹.0 0.0007 0.0000 6.0 0.0001 78.0 BA_IPI(D) 0.0 PE_IPI 0.0000 0 0. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).0000 6.0248 1.0000 4.Testes de Raiz Unitária para o Índice de Produção Industrial Dessazonalizado: Em Nível e em Diferença.0000 16.0 0.0000 5.1925 0 0.0 0.1990 0 0.0 0.0121 0 0.0 ES_IPI(D) 0.0000 0 0.0 SC_IPI(D) 0. Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob¹.1992 4.0000 19.0 0.0739 2.0000 6.0001 96.0000 0 0.3314 0 0.0783 1 0.0 GO_IPI 0.0029 4. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste. Bandwidth³ Prob¹.0000 0 0.0000 0 0.1442 0 0.0000 0 0.0000 0 0.0000 22.0675 1 0.0000 6.0000 0 0.0565 0 0. Lag² Prob¹.0 0.0 PA_IPI 0.0000 0 0.0 RS_IPI 0.0 0.

Lag Prob.0000*** 2.0 0.0 0.5651 8.0091* 2 0. Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob.0 SELIC 0.0000*** 4. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste.0219** 4.9971 3. Bandwidth CAMBIO 0.0000*** 3.0 IPCA (D) 0.0 0.1730 12 0.0 *** EMBI 0.0 0. Lag Prob.0 IPCA 0.0 0.Testes de Raiz Unitária para as Variáveis Macroeconômicas: Câmbio.5050 8.0 0.0 0.5746 5.0001*** 5.7981 1 0. 5% e 10%. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.2.0 0.0000 CAMBIO (D) 0.9998 1 1 4.0845* 4.0 Fonte: Elaboração Própria.0000*** 0 0.0001*** 0 0.0000*** 9.0 EMBI (D) 0.1278 0 0.4711 3.6291 0 0. (D) Indica Primeira Diferença da Variável. . Bandwidth Prob. Taxa de Juros (Selic) e Taxa de Câmbio. EMBI+.0001*** 0 0.1507 0.0 0.0 EMPBR (D) 0. (***.0000*** 12 0.0 0.2140 1.0000*** 0 10.0 EMPBR 0.0000*** 0 0.2415 0 0.0 SELIC (D) 0. ** e *) Significativo a 1%.9807 1 0.0780* 1 0.5445 1.0000*** 4.0000*** 9.2372 1 0.6054 12 0. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).9205 2.0 0.3266 12 0. 154 TABELA A.0064*** 3 0.0000*** 0 0.

0000 13.0000 7.0 0.0 0.0000 6.0000 0 0.0000 8.0 0.4579 4 0.0 0.0000 24.0000 0 0.0000 0 0.0000 5.0 0.2926 11 0.0 0.0000 0 0.0000 4.0 0.0007 1 0.0 0.0000 2.2109 12 0.0000 0 0. .0 0.0 0.0000 0.1557 12 0.0 0.0 0.0 SC_VAR_EMP 0.0061 1 0.0 GO_VAR_EMP 0.0000 4.0036 2.0002 10.0000 17.0034 1 0.0000 6.0001 6.0 0.0000 5.0000 0 0.0000 0 0.0264 1 0.0000 0 0.0027 1 0.0000 3.0 RN_VAR_EMP 0.0 0.4200 12 0.0000 6.0000 7.0000 4.0000 2.0 0.0000 0.0062 1 0.0 0.0020 10.0000 0 0.0 0.2936 11 0.0901 12 0.0 PE_VAR_EMP 0.0000 7.0000 14.0 0.0000 0 0.0000 1.4756 12 0.5546 12 0.0 0.0 ES_VAR_EMP 0.0 RS_VAR_EMP 0.0838 12 0. Bandwidth³ Prob¹.7843 11 0.0000 3.0000 10.0000 0 0.0 0.1492 12 0.0000 14. Lag² Prob¹.0000 6. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.0000 0 0.0 AM_VAR_EMP 0.0 AP_VAR_EMP 0.0000 0 0.4589 12 0.0000 8. Bandwidth³ Prob¹.0000 4.0000 4.0000 0.0000 36.0000 6.0000 0 0.0 AL_VAR_EMP 0.0000 5.0 0. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste.0000 4.0000 6.0 0. Lag² Prob¹.8050 12 0.0 PA_VAR_EMP 0.0 0.0000 6.0 0.0129 1 0.0000 5.0 0.0 0.0000 5.0 Fonte: Elaboração Própria.0000 4.0000 0 0.0000 4.0 RJ_VAR_EMP 0.0000 22.0000 0 0.3 – Testes de Raiz Unitária para as Séries de Variação no Emprego Formal.0694 11 0.0 0.0000 0 0.1804 11 0.0575 2 0.0355 12 0. Lag² Prob¹.0000 6.0000 5.0000 37.0 0.4455 11 0.0000 13.0 0.0000 5.0042 1 0.0008 2.0 0.9165 11 0.0000 36.0000 0 0.0 0.0 0.0000 7.0000 0 0.0 0.0 0.0007 0 0.0 SE_VAR_EMP 0.0 0.0000 0 0.0 0.6888 11 0.0000 10.0 SP_VAR_EMP 0.0000 5.0 0.0000 37.0000 4.0000 4.0 0.0000 7.0 0.0001 1 0.0000 41.0000 0 0.8331 11 0.1759 2 0.0000 0 0.0000 0 0.0000 1. Bandwidth00B3 AC_VAR_EMP 0. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).0 0.0000 2.0000 3.0 0.9663 11 0.0192 1 0.0000 19.0000 0 0.0 0.2748 12 0.0000 5.1053 11 0.5628 12 0.0 0.0 0.0000 1.0000 3.0 0.0 0.0000 0 0. Bandwidth³ Prob¹.0000 9.6382 11 0.0000 0 0.0 TO_VAR_EMP 0.0489 12 0.0000 4.0000 6.0000 5.0000 0 0.0000 0 0.0000 0 0.0000 5.4774 12 0.0000 4.0000 0 0.0 0.0000 0 0.3021 11 0.0000 0 0.0 0.0000 4.0000 2.2817 12 0.0 0.1192 11 0.0 0.0 0.0000 0 0.0000 4.0 0.0000 6.6694 11 0.0 PB_VAR_EMP 0.0005 8.1895 12 0.0000 0 0.2411 12 0.0000 15.0000 5.0000 3.0000 3.2961 11 0.0000 5.0000 6.0000 1 0.0 0.0 0.0000 0 0.0 0.0 MA_VAR_EMP 0.0 0.0000 5.0 0.0000 23.0 MG_VAR_EMP 0.0000 16.0000 0 0.0 0.0 PI_VAR_EMP 0.0000 5.0000 3.0000 0 0.0000 9.0 0.0 0.0000 10.0 0.0 0.0 0.0000 0 0.1341 12 0.0000 19.0035 0 0.0000 5.0 0.0 BA_VAR_EMP 0.0000 7.0000 0 0.0000 2.0000 6.0 MS_VAR_EMP 0.0 0.3380 12 0.3054 11 0.0 0.0 0.0 CE_VAR_EMP 0.0 MT_VAR_EMP 0.0018 1 0.0 RO_VAR_EMP 0.0000 4.0000 0 0.7240 4 0.0 DF_VAR_EMP 0.0 0.1744 12 0.0 0.0000 5.0000 2.0 0.0 PR_VAR_EMP 0.0911 12 0.0 RR_VAR_EMP 0.0793 1 0. Série sem Ajuste Sazonal Série com Ajuste Sazonal Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência Teste com Intercepto e Tendência Teste com Intercepto ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob².0002 3.0 0.0000 0 0.0000 0 0.0622 12 0.0000 24.3420 11 0.3890 11 0.5441 11 0.0 0.0 0.0 0.0000 4. Lag² Prob¹.0000 0.0000 6.0 0.0 0.0 0.0000 0 0.0000 0 0. TABELA A.3334 12 0.0 0.0000 6.0000 14.0 0.0003 1 0.0000 4.0 0.0000 22.0 0.

5713 3 0.6927 2 0.0000 0 0.0 AL_IEMPREGO_SA 0.0 0.0 AP_IEMPREGO_SA 0.0 0.6496 7.0000 0 0.0000 6.0 0.2479 2 0.0000 3.4380 4.4306 7.0 0.0 MG_IEMPREGO_SA 0. Bandwidth³ AC_IEMPREGO_SA 0.0000 1 0.0 0.0 0.8286 2 0. Bandwidth³ Prob¹.0 RS_IEMPREGO_SA 0.6727 1 0.0000 6.0000 3.0000 4.0 0.0001 6.0000 7.0 0.0000 0 0.9974 1 0.0021 1 0.0000 0 0.0 GO_IEMPREGO_SA 0.8856 2 0.0 0.0000 0 0.9134 8.7803 8.0 0.0 0.0 MT_IEMPREGO_SA 0. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste.8340 7.7825 6.4271 7.0 0.9784 4.0000 0 0.1096 3 0.8706 0 0.9402 7.0 0.0114 1 0.0000 7.6510 2 0.0000 0.1480 1 0.0 0.0000 6.0 0.0000 2.0000 7.9133 2 0.0 0.4453 2 0.9233 4.0 0.0000 6.0 0.4 .0000 2.0000 0 0.0 0.8039 4.0 0.5153 8.4211 0 0.0 0.9197 0 0.7604 0 0.0000 1.6869 6.7378 3 0.9791 0 0.0000 0 0.6366 6.0030 1 0.0 0.0 SE_IEMPREGO_SA 0.3288 19.0005 0 0.0 0.0 0.6889 7.0 0.0 0.9851 1 0.8313 5.0 0.0 0.0000 6.0269 1 0.0 PR_IEMPREGO_SA 0.0 0.0 Fonte: Elaboração Própria.0059 1 0.6801 0 0.7844 7.8476 4.0107 3 0.4106 6 0.0 0.0 0.0000 18.9844 2 0.0 MS_IEMPREGO_SA 0.0007 1 0.0000 6.0060 1 0.9709 7. Variável em Nível Variável em Diferença Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob.9758 8.7268 1 0.0 0.0 MA_IEMPREGO_SA 0.9587 1 0.0 0.6736 6.0001 1 0. Bandwidth³ Prob¹.0 0.0000 4.0 RR_IEMPREGO_SA 0.0666 2 0.0 BA_IEMPREGO_SA 0.0000 3.0000 0 0.0 0.0000 0 0.0 0.9530 0 0.8205 8.0 SP_IEMPREGO_SA 0.9707 0 0.0 ES_IEMPREGO_SA 0.9870 0 0.0 0. Lag² Prob¹. Lag² Prob¹.0000 6.6676 5.0 0.7683 2 0.0383 0 0. Bandwidth³ Prob¹.0000 6.8679 7.0002 1 0.0000 3.3215 0 0.0000 6.1918 6.0000 0 0.8017 2 0.0000 0 0.0 0.0000 0 0.0013 1 0.8732 2 0.0 PB_IEMPREGO_SA 0. TABELA A.3328 1 0.0016 1 0.9872 7.0 0.0 0.0000 6.0 SC_IEMPREGO_SA 0.9264 0 0.0 0.0 PA_IEMPREGO_SA 0.9935 6.0000 1.0000 0 0.0000 6.6693 2 0.0 0.0 0.0000 6.0000 6.0 0.0 0.0 0.0000 4.0 0.0000 2.0 0.0 0.6013 1 0.0004 3.0 0.0000 6.0000 0 0.3613 6.0000 0 0.3867 0 0.7048 1 0.0 PI_IEMPREGO_SA 0.9683 8.3321 5.0 RJ_IEMPREGO_SA 0.0 0.0 0.0 0.8133 7.7794 4.0 0.0 0.7277 8.3582 2 0.7479 8.0001 4.6127 6. Lag² Prob¹.8696 8.0000 0 0.0 0.0000 7.2865 2 0.2271 1 0.0 0.1277 3 0.9226 0 0.0000 6. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).6963 1.0000 4.0075 2 0.0000 0 0.0 RO_IEMPREGO_SA 0.6154 7.0 0.0 RN_IEMPREGO_SA 0.4856 4 0.0 0.0000 0 0.0 0.0 0.9834 3.0 0.0 0.0104 2 0.0 CE_IEMPREGO_SA 0.7609 2 0.0 0.0 0.0 PE_IEMPREGO_SA 0. .2864 3 0.0000 2.9822 4.0000 0 0.0000 0 0.0 DF_IEMPREGO_SA 0.0 0.0251 1 0.4866 7.0000 6.0 AM_IEMPREGO_SA 0.9885 4.0000 6.0 0.0 TO_IEMPREGO_SA 0.0000 23.9997 0 0.0 0.0000 6.9969 0 0.0000 0 0.0000 0 0.5194 7.0000 0 0.0 0.0000 3.0000 3.0010 1 0.0000 0 0.0064 1 0.0000 5.0000 7.0000 6.9831 0 0.2932 7.Testes de Raiz Unitária nas Séries de Índice de Emprego Formal com Ajuste Sazonal.6622 4.0 0.0000 3.0 0.0 0.0000 0 0.0 0. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.8554 0 0.0000 4.8870 7.2475 7.1932 2 0.¹ Lag² Prob¹.0045 1 0.1761 7.0 0.0 0.9715 6.7436 4 0.0000 7.0074 2 0.9969 7.4935 1 0.9569 7.0 0.5697 0 0.0000 5.0 0.3986 1 0.0 0.5733 5 0.0000 0 0.0028 0 0.0000 0 0.0000 6.0021 3.0008 1 0.0 0.7500 8.0 0.0000 6.

0000 0 0.0 PR_EXPORT 0.0000 0 0.0 PA_EXPORT 0.0000 7.0002 5.0190 5.0001 31.0000 2. Bandwidth³ Prob¹.0148 8.0000 22.0 0.0000 0.0000 0 0.0 0.0 0.0056 0 0.0 SE_EXPORT 0.0000 3.0000 0 0.0080 1.0 AL_EXPORT 0.0 0.9853 11 0. Lag² Prob¹.0 ES_EXPORT 0. Lag² Prob¹.0 0.0000 1 0.0 0.0000 3.0000 20.0 RN_EXPORT 0.0 0.0067 1 0.0 0.0 0.1823 12 0.0 0.0000 2.0 CE_EXPORT 0.0000 7.0 0.0000 2.0 0.0001 10.0000 3.0171 11 0.9905 11 0.0000 8.0000 0 0.0000 0.0000 8.1200 1 0.0000 20.0318 1.0 0.0000 2.0 0.0000 10.0000 5 0.0 GO_EXPORT 0.0000 1 0.2809 8.0000 0 0.0000 7.0 0.0 RO_EXPORT 0.0000 3.0000 5.0000 9 0.0000 0 0.0001 22.0 0. Bandwidth³ AC_EXPORT 0.0000 9 0.0002 6.0000 4.0 0.0000 10 0.8355 10 0.0000 5.0036 0 0.0 0.0000 9 0.0 PB_EXPORT 0.0000 4 0.0000 1 0.0000 3.0 0.0000 0 0.0 0.0001 0 0. . Lag² Prob¹.0001 11 0.0000 10.0000 1 0.0000 5 0.0001 0.0000 0 0.0001 4.0001 8.0000 0 0.0000 0 0.3173 12 0.0000 6.0000 1.9108 10 0.0000 4.0000 10 0. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste.0 0.0000 0 0.0000 1 0.0 0.0000 15.0000 1 0.0000 0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0000 4.0000 10.0 0.0 0.0000 21.0000 0 0.0000 1 0.2388 12 0.0683 2 0.0000 23.0000 8 0.0001 80.0 0.0000 2.0000 9 0.0024 1 0.0000 2.0 0.0000 10 0.0000 0 0.0 BA_EXPORT 0.0000 3 0.0000 4.0000 0 0.0 0.0000 24.0 RJ_EXPORT 0.0 RR_EXPORT 0.0001 0 0.0 0.0 0.0 Fonte: Elaboração Própria.0000 7.0000 32.0000 3.1430 2 0.0006 2.0000 1 0.0000 6.0685 8.0025 1 0.0004 1.0 0.0 0.0001 18.0000 0.0000 0 0.0001 33.0 PE_EXPORT 0.0 0.0000 0 0.0001 5.0000 3.0001 53.0 MG_EXPORT 0.0000 6.0000 3.0000 4.0003 0 0. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).0 0.0 0.0000 4 0.7976 11 0.0000 1 0.0 0.0000 23.0 0.2506 1 0.0 0.0001 10.0000 6.0000 1.0000 0 0.0000 11 0.0 0.0000 5.0000 0 0.0 0.0000 2.0 0.0000 10 0. Bandwidth³ Prob¹.0000 2.0 0.0 0.0 SP_EXPORT 0.0 0.0027 2.0 0.0000 1.0 MT_EXPORT 0.0000 3.0000 5.0000 8 0.0000 0 0.0000 3.0 0.0094 5.0000 0 0.0000 24.0000 7.0957 4.0 0.0 0. TABELA A.0 0.0004 0 0.0000 0 0.0206 1 0.0 AP_EXPORT 0.0000 0 0.0 0.0230 1 0.0 0.0 RS_EXPORT 0.0 0.0 MA_EXPORT 0.0000 1 0.¹ Lag² Prob¹.0 0.0000 0 0.0000 3.0 TO_EXPORT 0.7666 6 0.0 0.0 DF_EXPORT 0.0000 11 0.0 0.0 0. Bandwidth³ Prob¹.0707 1 0.0001 18.0000 0 0.0 0. Variável em Nível Variável em Diferença Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob.0014 0 0.0000 7.0000 10 0.0001 26.0497 0 0.0000 10.0000 9 0.0000 0 0.0041 11 0.0 0.0 0.0 0.0000 0 0.0383 3.5 – Testes de Raiz Unitária para as Exportações por Estado: Em Nível e Em Diferença.0000 1 0.0 0.7484 12 0.0000 0 0.0 0.0000 0 0.0 PI_EXPORT 0.0522 0 0.0 0.0 SC_EXPORT 0.0 0.0 0.0 0.0001 8.0000 1.0001 0.0 0.0000 0 0.0 0.0000 1 0.0000 15.2869 11.0000 9 0.1793 0 0.0 0.0000 21.0000 0 0.0000 9 0.0000 0 0.0000 1 0.0000 5.0000 0 0.0 MS_EXPORT 0.0 0.0001 22.0000 1 0.0 0.5957 12 0.0000 6. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.0 0.9930 10 0.0000 7.1124 12 0.0 0.0001 54.0 AM_EXPORT 0.0000 31.0001 81.0 0.0000 5.0102 3.0000 10 0.0000 21.0 0.0000 0 0.0 0.0001 1.0000 24.0175 5.0 0.0000 0 0.0001 0.0 0.

0 0.0 RR_CREDITO 0.0 0.0 TO_CREDITO 1.0 0.0 GO_CREDITO 1.3060 0 0.0 0.0 0.0000 1 0.0000 0 0.9326 9.0 0.0000 0 0.9839 0 0.0000 1.0 0.0000 15.9994 7.000 0 1.2973 1 0.000 7.0000 6.0 0.0000 1 0.0 RN_CREDITO 1.0 0.0000 0 0.9431 1 0.0000 13.9996 13.000 6.000 2 1.000 0 1.0 0.0000 5. Bandwidth³ Prob¹.0000 0 0.9903 3.0 1. Bandwidth³ AC_CREDITO 1.0000 1 0.1714 4.000 10.0000 6.0 0.9994 1 1.0000 0.9999 3.0 0.0000 11.0000 8.6475 10.0 0.000 1 1.0000 11.8372 0 0.0000 0 0.0 0.9888 2 0.0 0.0 0.0000 1 0.9992 8.0 0.000 1 1.0000 6.9903 2 0.0 0.0000 1.000 2 1.9982 10. Lag² Prob¹.0 RS_CREDITO 1.0 0.0 1.0000 4.0000 1 0. .0000 0 0.0000 0 0.0000 1 0.9849 2.9974 0 0.0000 2 0.0000 0 0.0 MS_CREDITO 1.8184 5.0000 1 0.000 9. Lag² Prob¹.0 0.0409 6.0000 0 0.9217 7.000 1 1. Lag² Prob¹.9952 1 0.9977 0 0.0 AL_CREDITO 1.0 0.9350 0 0.0 ES_CREDITO 1.000 0 1. Bandwidth³ Prob¹.1131 2.0000 7.0000 6. ²Lags necessários para correção de Autocorrelação no Teste (Máximo 12 lags).0000 10.0000 7.0 0.9790 10.0 0.0 PE_CREDITO 0.0000 12.8971 0 0.0 0.0 0.0000 5.9625 19.0000 7.0000 1 0.0 CE_CREDITO 1.0 1.0000 0 0.0000 0 0.000 6.0000 0 0.000 1 0.0 0.000 1 1.0000 0 0.000 1.0 0.0 0.0000 0 0.0 0.0000 1 0.¹ Lag² Prob¹.0000 10.0000 6.4948 0 0.000 6.9596 6. ¹Hipótese Nula: Presença de Raiz Unitária.0000 0 0.0 MT_CREDITO 1.0000 6.000 13.0000 0 0.0 AP_CREDITO 1.000 2.0 0.9347 1 0.0000 4.0000 10.9940 3 0.9932 2 0.7219 1 0.0000 0.0 0.000 28.0 0.0 RJ_CREDITO 0.0 0.0000 1 0. Bandwidth³ Prob¹.0001 118.0000 0 0.0 0.9409 1.000 10.0000 8.000 2 1.0000 6.0000 12.0000 0 0.0 0.0 0.0 0.0000 3.8183 1 0.0026 6.9919 5.0 SC_CREDITO 1.0000 0 0.0 0.0 0. TABELA A.0 0.0000 5.0000 4.000 2 1.9399 1 0.0000 6.0000 0 0.0 0.0 0.0000 0 0.0 0.9996 0.0 0.0 0.000 15.000 0 1.4948 0.9935 19.0000 1 0.0 0.000 1 1.0000 1.000 16.0000 1.0000 1 0.000 1 1.0 PI_CREDITO 1.0 BA_CREDITO 1.0 SP_CREDITO 0.0000 0 0.0000 0 0.0000 3.0000 5.0 0.0 1.0 0.0 AM_CREDITO 1.0 0.0 SE_CREDITO 1.0000 0 0.0 0.0000 0 0.1327 0 0.0 0.0000 0 0.8358 0 0.0000 0 0.6 – Testes de Raiz Unitária para o Crédito por Estado: Em Nível e Em Diferença.0002 2 0.0000 7.0009 4.000 4.0000 1 0.000 13.0000 0 0.000 11.0 0.9826 5.0000 0 0.0 0.0000 3.000 1 1.0000 1.0 0.0 0.3885 7.0 0. Variável em Nível Variável em Diferença Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência Teste com Intercepto Teste com Intercepto e Tendência ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron ADF Phillips-Perron Series Prob.000 1 0.9796 5.9994 7.0 MA_CREDITO 1.0000 2 0.0000 6.0 PA_CREDITO 1.0 0.0001 50.0000 7.0 DF_CREDITO 0.9720 0 0.9363 7.0 0.0 0.000 7.0 0.0000 0 0.0000 0 0.0000 5.0000 0.0 PB_CREDITO 0.9204 1 0.0000 6.9998 2 0.9907 0 0.0000 1 0.0 0.9986 2 0.0000 2.0 PR_CREDITO 0.0 0.0000 0 0.0 0.0000 14.0000 0.0000 4.000 16.3617 2 0.000 2 1.4389 2 0.0000 0 0.0 RO_CREDITO 1.0000 4.0000 0 0.0 0.9432 7.0 0.0 MG_CREDITO 0.000 2 1.0005 0 0.0 0.000 1.0 0.0 0.0000 0 0.0 0.000 8.000 7.7688 3.1688 3 0.0000 2.0000 6.0 Fonte: Elaboração Própria.000 0 1.0 0.000 1 1.0 0.0 0.000 7.0000 5.0000 0 0.0 0.000 1 1.0 0.0 0.0 0.4404 1 0. ³Largura da Banda utilizada pelo teste PP para correção da Autocorrelação no Teste.0 0.000 2 1.

04 -.05 -. FIGURA A.0050 -.005 .01 .004 .05 SC -.00 .015 .20 .08 MA -.005 .12 .00 .04 -.04 .0150 -.002 .02 .00 -.04 .08 .04 .02 -.2 -.0010 -.02 .12 CE 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(ES_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(GO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MG_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MT_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(DF_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .0.08 -.020 -.0005 .02 .01 .08 -.00 -. Software Eviews 7.04 .05 .04 .004 -.02 .03 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PB_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PI_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .01 .07 AC -.01 .02 .10 -.4 -.005 .10 BA -.02 -.010 RJ RN -.05 -. Response of LOG(AC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AL_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AM_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(BA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(CE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .03 .2 .12 -.06 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(SP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(TO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .04 . .05 .1 -.12 -.04 .04 .06 -.04 .01 .12 AL -.12 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(RN_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RJ_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .00 .02 MG MT -.00 .00 .10 .00 -.05 -.015 -.002 -.06 -.0020 SE -.06 .02 .04 -.015 .08 .10 -.000 -.06 -.000 .10 .005 .02 -.010 -.015 -.00 .05 -.0005 .02 .08 -.02 -.04 -.04 .06 .08 -.00 -.10 -.0000 .04 -.08 -.02 .03 .10 -.03 .00 -.07 PE PI PR -.0015 -.000 -.04 .05 .08 -.0000 .03 .0075 -.4 .10 -.02 -.00 .02 -.010 -.04 .02 -.01 .06 .01 -.08 -.02 -.0 -.015 -.08 -.0025 -.006 .08 .00 .0050 .08 -.12 .00 -.04 -.12 -.04 -.01 -.08 .04 -.06 .04 -.01 .01 .03 -.3 .01 .16 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.06 -.0125 DF -.10 .03 -.15 .010 .08 .20 AM -.12 -.010 .00 .1 -.04 .08 -.04 -.08 .04 -.1 – Respostas do Emprego Estadual a um Impulso Negativo no Crédito.00 .04 .3 RS RO RR -.020 AP -.005 -.02 .04 -.02 .02 .06 -.0100 -.12 .04 -.01 -.0025 .010 .000 -.04 -.005 -.00 .03 ES GO -.02 -.06 -.00 .16 SP TO -.15 -.20 -.08 MS PA PB -.00 -.00 .02 -.0025 .04 -.04 -.

004 .005 .008 GO -.0015 MT 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PB_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PI_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .005 .0012 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 -.004 MA -.005 .002 .006 PE -.00 .005 .002 .000 .001 -.0.002 -.008 -.002 .0008 -.001 -.06 .000 .01 .002 .004 .008 RS -.0004 .005 -.04 .0016 .010 -.012 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 SC 22 24 Response of LOG(SP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(TO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .000 -.020 .00008 .02 .008 .0012 DF -.003 .004 .10 -.012 PR 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(RJ_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RN_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .002 -.004 .004 .0004 .0010 TO -.001 -.0005 .006 .00004 -.001 .0010 .015 CE 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MG_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(DF_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(ES_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(GO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MT_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .004 -.0010 -.004 .00004 SE -.001 .015 .000 -.0016 -.00008 -.0012 -.001 .010 .004 .003 -.0004 .0005 -.002 AP -.002 .02 .003 -. Software Eviews 7. Response of LOG(AC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AL_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AM_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(BA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(CE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .004 .006 -.0000 -.004 .0008 RR -.0008 .0015 .002 .00012 .004 .00000 -.0005 .001 .006 BA -.008 .006 ES -.015 .0000 -.0010 -.0004 .0020 PI -.000 .0012 .010 -.0008 -.001 .003 .0025 .002 .002 .002 -.02 .002 PB -.0020 .004 .000 -.0015 .008 -.0015 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.001 .005 RN -.0008 .004 -.2 – Respostas do Emprego Estadual a um Impulso Negativo nas Exportações.000 .000 .000 .0015 .002 -.008 -.0010 .004 .006 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 -.002 .001 -.002 -.006 MS -.08 SP -.0005 RJ -.004 -.003 .000 -.005 .012 .004 .003 . .000 .003 .0000 -.0000 .001 .012 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 -.006 .002 .02 -.000 .0012 .004 .004 -.000 -.008 .0000 -.002 -.008 .001 -.010 .002 RO -.002 -.0004 -.004 . FIGURA A.000 .04 -.010 .003 -.008 .002 -.000 -.003 .000 .010 .0000 .004 -.006 .05 MG -.0005 -.003 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 -.004 -.002 .03 .001 .0020 .000 .04 .01 .00 .015 PA -.0010 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 -.012 AM -.004 -.008 .004 AL -.0020 .012 .006 .004 .002 .003 AC -.004 .000 -.005 -.06 -.001 .002 .0008 .0004 -.0025 .03 -.0005 -.

2 -0.5 DF -1.5 MA -6 MG -.00 -2 -0.6 -6 -.00 SC -.5 -0.25 -3 -0.2 .4 1 -0.4 1 0.0 -.2 -0.0 -5 -.6 PB -1.5 0.0 -.5 2 0.6 -3.2 -1.3 -0.75 -6 -.75 AC -1.0 .1 -0.0 0.50 -.5 .4 3 0 0. Software Eviews 7.00 -1.8 -0.1 PI -4 PR -2.0 -1 .5 0 .01 -4 -1.1 -0.2 AL -5 AM -.5 -.8 2 .5 -1.3 0 0.8 -1.25 0.25 . .8 -4 -.4 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PB_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PI_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(PE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 1.0 -3 -1.5 -10 -.1 -0.0 -0.0.2 -.6 -1.5 MS -2.5 .50 -4 -0.4 -.5 -.00 -2 .4 RJ -1.5 -.0 0.5 -.50 .3 -0.3 -1.0 .25 -0.2 -0.50 0.2 -1 -0.0 .6 4 1.5 . FIGURA A.00 -1.4 AP -1.2 -0.2 .03 SP -1.75 -1.0 0 .5 -.4 -.02 0.1 0.6 .2 -.8 1.3 MT -.4 -2 0.04 4 1.25 0.0 -7 -.8 -.0 -1 0.00 1 0.0 -0.0 1.0 2 .4 -0.25 2 -.0 0.7 -1.0 -.1 -2 -0.2 0.0 -.0 BA 0 CE -1.0 -4 -.4 .8 -1.6 .5 RR -1.0 .02 SE -6 TO -.2 0.2 0.0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.2 -.5 .4 .6 -1.8 1.50 -0.50 .1 0 .5 -0.4 0.8 -0.75 .25 PE -.6 -.1 0.4 -1.2 0.01 0.2 0.4 -2 -.00 -.1 1 0.5 0.5 -0.2 0.0 PA -.2 GO -2.0 2 .0 0.0 ES -1.50 -1.4 -2.1 0.6 -.2 -0.3 – Respostas do Emprego Estadual a um Impulso Negativo no Emprego Nacional.0 .0 2 .2 0.50 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(SE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(TO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .0 -1. Response of LOG(AL_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AM_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AP_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(BA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(CE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(AC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 0.6 RO -.2 -5 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(RJ_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RN_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RS_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(RR_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(SC_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .8 -.6 -3 -.25 -.0 -2.03 1.0 RN -8 RS -.4 0.04 -8 -2.00 .4 .0 .2 -1 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(DF_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(ES_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(GO_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MA_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MG_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 Response of LOG(MT_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 .

02 .03 -.012 -.016 SC -.04 .005 PI -.08 RS RO -.005 -0.010 -1.015 -.0 .000 -.012 .012 -1.020 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(SP_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(SE_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(TO_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation .008 TO -.005 0.015 -.50 -.006 . .02 .2 .006 -0.04 -.004 -.004 .0003 -.008 -.0001 -.000 .03 .000 .001 .004 .025 -.08 -.005 -.004 -.06 -.04 -. Response of LOG(AC_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(AL_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(AM_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(AP_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(BA_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(CE_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation .020 PA PB -1.004 .000 -.015 -1.008 .000 .01 .004 -.000 -.020 -.02 .003 -.008 -.004 .015 -.01 .010 AL -.008 .001 -.05 -.06 -.004 -.002 -.0002 -.00 -.025 -.8 -.002 -.004 .004 0.00 .005 . FIGURA A.005 -.002 -.25 PE -.004 .002 .012 RN -.025 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(DF_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(GO_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(MA_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(MG_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(MT_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized One Unit SELIC Innovation Response of LOG(ES_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation .003 AP -.012 .02 .005 .008 .004 MT -.006 -.04 .002 .05 -.008 .002 -0.003 -.015 .4 – Respostas do Emprego Estadual a um Impulso Positivo na Taxa de Juros.005 -.016 BA -. Software Eviews 7.75 -.4 -.016 MS -.006 -.000 .000 -.012 -.008 0.50 .004 -.003 -.0.07 PR -.03 -.002 .02 .02 -.00 -.002 -.008 -.004 .004 -.0000 -.003 .000 -0.0006 -.010 .02 .00 .000 -.020 .001 -.002 .004 AC -.0001 .50 -.005 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(MS_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(PA_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(PB_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(PI_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(PR_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation Response of LOG(PE_IEMPREGO_SA) to User Specified Shock1 One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation .008 .000 -.01 .03 MG -.010 .004 -0.000 -.001 -.000 .020 MA -.008 .004 .0005 SE -.00 .003 .004 .001 -.002 -.010 0.01 -.005 RR -.02 -.012 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.2 .04 -.005 .2 -.004 .001 .02 .25 .008 .000 .010 .004 .010 .04 -.004 .002 -.008 -.008 -.00 .000 -.00 -.000 -0.6 -.004 -.01 -.008 DF -1.04 AM -.010 .012 -.020 CE -.002 0.001 -.000 -.000 .01 .008 -.012 -.008 -.010 -.06 SP -.0002 .04 .001 .001 .004 -.010 -0.001 -.020 -.004 .003 RJ -.000 -.005 .016 GO -.0004 -.004 -.08 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Response of LOG(RJ_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(RN_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(RS_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(RO_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(RR_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized Response of LOG(SC_IEMPREGO_SA) to Nonfactorized One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation One Unit SELIC Innovation .0 ES -.002 .004 -.10 -.0003 .25 .015 .

FIGURA A.5 – Decomposição da Variância do Erro de Previsão do Emprego Formal por Estado. Variance Decomposition of LOG(AM_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(BA_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(CE_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(AC_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(AL_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(AP_IEMPREGO_SA) 80 70 90 100 100 100 AC AL 70 AM AP 60 80 CE 80 80 60 80 50 BA 70 60 50 60 60 60 40 50 40 30 40 40 40 30 40 30 20 20 20 20 20 20 10 10 10 0 0 0 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA ) LOG(IPCA) LOG(EMP BR_SA) LOG(IPCA ) LOG(EMP BR_SA) LOG(IPCA ) LOG(EMPB R_S A) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(AC_IE MPREGO_SA) LOG(AC_CREDITO) LOG(AL_IEMPRE GO_SA ) LOG(AL_CREDITO) LOG(AM_IEMP REGO_S A) LOG(AM_CRE DITO) LOG(AP _IEMPRE GO_SA ) LOG(AP_CRE DITO) LOG(B A_IE MPRE GO_SA) LOG(BA_CREDITO) LOG(CE_IEMPREGO_SA ) LOG(CE _CREDITO) SELIC LOG(AC_EXPORT) SELIC LOG(AL_EXPORT) S ELIC LOG(AM_EXPORT) SELIC LOG(AP_EXP ORT) SE LIC LOG(BA_EXPORT) SE LIC LOG(CE _EXPORT) Variance Decomposition of LOG(DF_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(ES_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(GO_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(MA_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(MG_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(MT_IEMPREGO_SA) 90 70 80 90 70 70 80 DF 60 ES 70 GO 80 MA 60 MG 60 MT 70 70 60 50 50 50 60 60 50 50 40 50 40 40 40 40 30 40 30 30 30 30 30 20 20 20 20 20 20 10 10 10 10 10 10 0 0 0 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IPCA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(IPCA ) LOG(E MPB R_SA) LOG(IPCA ) LOG(EMP BR_SA) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(IPCA ) LOG(EMP BR_SA) LOG(IPCA) LOG(EMPB R_SA) LOG(DF_IEM PRE GO_S A) LOG(DF_CREDITO) LOG(ES_IEMP REGO_SA ) LOG(E S_CRE DITO) LOG(GO_IEMPREGO_SA ) LOG(GO_CRE DITO) LOG(M A_IE MPREGO_SA) LOG(MA_CREDITO) LOG(MG_IE MPREGO_SA ) LOG(MG_CRE DITO) LOG(MT_IE MPRE GO_SA) LOG(MT_CRE DITO) S ELIC LOG(DF_EXPORT) SE LIC LOG(E S_EXP ORT) S ELIC LOG(GO_EXP ORT) SE LIC LOG(MA_EXPORT) SE LIC LOG(MG_EXP ORT) S ELIC LOG(MT_EXPORT) Variance Decomposition of LOG(MS_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PA_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PE_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PR_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PB_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(PI_IEMPREGO_SA) 70 90 90 70 100 100 60 MS 80 70 PA 80 PB 80 70 PE 80 PI 60 PR 50 50 60 60 40 60 60 40 50 50 30 40 40 30 40 40 30 30 20 20 20 20 20 20 10 10 10 10 0 0 0 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(IPCA ) LOG(E MPB R_SA) LOG(IPCA ) LOG(EMPB R_S A) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA) LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(M S_IE MPREGO_SA) LOG(MS_CREDITO) LOG(PA_IEMP REGO_SA ) LOG(P A_CRE DITO) LOG(PB _IEMPRE GO_SA ) LOG(PB_CRE DITO) LOG(P E_IE MPRE GO_SA) LOG(PE_CREDITO) LOG(P I_IEMPRE GO_SA ) LOG(PI_CRE DITO) LOG(PR_IEMPREGO_SA ) LOG(PR_CREDITO) SE LIC LOG(MS_EXPORT) SE LIC LOG(P A_EXP ORT) SELIC LOG(PB_EXP ORT) SE LIC LOG(PE_EXPORT) SE LIC LOG(PI_EXPORT) SE LIC LOG(PR_EXPORT) .

. Software Eviews 7.0. Variance Decomposition of LOG(RJ_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(RS_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(SC_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(RN_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(RO_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(RR_IEMPREGO_SA) 70 90 70 100 100 100 80 60 RJ 80 RN 70 RS 80 RO 80 RR 60 SC 50 50 60 40 60 60 60 40 50 30 40 30 40 40 40 30 20 20 20 20 20 20 10 10 10 0 0 0 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IP CA) LOG(E MPB R_S A) LOG(IPCA) LOG(EMPB R_S A) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(IPCA) LOG(EMPBR_SA ) LOG(IPCA) LOG(EMPB R_S A) LOG(IP CA) LOG(EMP BR_SA ) LOG(RJ_IEMP REGO_S A) LOG(RJ_CRE DITO) LOG(RN_IEMPRE GO_SA ) LOG(RN_CREDITO) LOG(RS_IEMPREGO_SA ) LOG(RS _CREDITO) LOG(RO_IEMP REGO_SA) LOG(RO_CREDITO) LOG(RR_IEMPRE GO_SA ) LOG(RR_CREDITO) LOG(SC_IEMPREGO_SA ) LOG(SC_CREDITO) SE LIC LOG(RJ_EXPORT) SELIC LOG(RN_EXP ORT) SE LIC LOG(RS _EXPORT) SELIC LOG(RO_EXPORT) SELIC LOG(RR_EXP ORT) SE LIC LOG(SC_EXPORT) Variance Decomposition of LOG(TO_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(SE_IEMPREGO_SA) Variance Decomposition of LOG(SP_IEMPREGO_SA) 90 100 100 80 SE 80 SP 80 70 TO 60 60 60 50 40 40 40 30 20 20 20 10 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 LOG(IPCA) LOG(EMP BR_SA) LOG(IPCA ) LOG(EMPB R_S A) LOG(IPCA) LOG(EMPB R_SA) LOG(SE_IEMPREGO_SA) LOG(SE _CRE DITO) LOG(SP _IEMPRE GO_SA ) LOG(SP_CRE DITO) LOG(TO_IE MPRE GO_SA) LOG(TO_CRE DITO) SELIC LOG(SE _EXPORT) SELIC LOG(SP_EXP ORT) S ELIC LOG(TO_EXPORT) Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.

5 -1.5 -0.0 -1.5 -1.5 -1.5 0.5 1.5 -1.5 -1.0 0.5 -1.5 -0.5 -1.5 1.5 -1.5 1.5 -1.0 1.0 -0.5 -1.5 0.5 1.5 1.5 1.0 0.5 0.5 0.5 -1.5 -1.0 -1.5 Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial 1.5 1.0 -1.5 0.5 0.0 1.5 0.0 -0.5 -1.0 0.0 0.0 0.0 1.0 -1.5 .0 -0.0 1.0 0.5 1.0 -1.0 0.5 1.5 0.0 -0.0 1.0 0. FIGURA A.0 -0.0 0.0 0.0 0.5 1.0 1.5 -0.5 0.5 -0.0 -1.5 -1.0 0.5 0.0 1.5 -1.5 1.5 1.0 1.5 1.0 -0.0 1.5 0.5 1.5 -1.0 -0.0 0.5 0.5 -0.5 1.5 -1.0 0.0 -1.5 0.5 1.0 -0.5 -1.0 -1.5 -1.5 0.5 -1.0 0.0 -0.5 -1.0 0.0 -0.5 0.5 -1.5 1.5 -1.5 0.0 0.5 Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial 1.0 1.0 0.5 -0.0 -1.5 0.5 MS PA PB PE PI PR 1.5 -1.0 1.0 1.0 -1.0 1.0 0.5 -1.0 -1.0 1.5 1.5 -1.0 1.5 -1.0 1.5 0.5 -1.5 -1.5 -1.0 0.5 0.5 1.0 0.5 -1.5 0.5 0.5 1.5 -1.5 1.5 1.0 -0.5 1.0 0.0 -1.0 0.5 -0.0 1.0 0.5 -1.5 -1.5 -1.0 0.0 1.0 0.5 -1.5 -1.5 -1.5 -1.0 -0.5 -1.5 1.0 0.5 -1.5 -0.5 0.5 -1.0 -0.5 0.0 1.5 1.5 -1.6 – Estabilidade dos Modelos Finais: Raiz Inversa do Polinômio Característico (AR) e Círculo Unitário.0 -0.0 -0.5 -0.5 0.5 -0.5 1.0 1.5 -1.5 1.5 -0.5 1.0 0.5 0.5 -1.5 1.5 0.0 0.5 AC AL AM AP BA CE 1.5 0.0 1.5 0.0 -0.5 0.0 0.0 -1.5 DF ES GO MA MG MT 1.5 -1.5 1.5 -1.0 0.5 1.5 1.5 0.5 0.0 1.5 -1.0 -1.5 -1.0 1.0 -0.5 0.0 -0.0 0.0 1.5 -1.0 1.5 -1.5 -1.5 0.5 -0.0 1. Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial 1.5 -0.5 -1.0 1.0 -0.0 -0.0 1.5 -1.5 1.0 1.0 0.0 -1.0 0.0 -1.0 -1.5 0.0 0.5 0.5 0.0 -0.5 -0.0 1.0 -1.0 1.5 -0.0 1.0 0.0 1.

5 0.0 1.0 0.5 0.5 1.0 0.5 -1.0 1.0 -0.5 -1.0 -0.5 RJ RN RS RO RR SC 1.0 0.0 -0.0 0.0 0.0 1.0 -0.5 -1.0 -1.5 -1.5 Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial 1.5 -1.5 -1.5 1.0 0. Software Eviews 7.0 1.5 1.5 -0.5 1.5 SE SP TO 1.5 0.0 0.5 -0.0 -0.5 -1.0 -0.0 -0.5 1.0 1.0 1.5 0.5 -1.0 -1.0 1.0 1.5 -1.5 0.0 1.0 1.0 -1.5 -1.0 0.0 1.5 0.5 1.5 -0.5 1.5 1.0 -1.5 -1.5 0.5 -0.5 -1.0 -1.5 1.5 0.0 -0.5 1.5 0.5 -0.5 -1.5 -0.0 0. Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial Inverse Roots of AR Characteristic Polynomial 1.0.5 1.5 -0.0 -1.5 -1.5 -1.5 0.0 -1.5 -1.0 0.5 1.5 1.0 0.0 1.5 0.5 -1.0 0.5 -1.0 1.5 -1.5 -1.5 1.5 -1.5 1.0 0.0 0.5 0.5 Fonte: Elaboração Própria a partir da Estimação do Modelo VAR.0 -0. .5 0.0 -0.5 0.0 -1.5 0.5 -1.0 -1.0 0.5 1.5 -1.5 -1.0 0.5 0.5 -1.0 1.5 0.0 0.0 1.5 -1.5 0.0 -0.0 0.5 -1.0 1.