Revista Crítica de Ciências Sociais

83 | 2008
Número não temático

Desenhando a nova morfologia do trabalho: As
múltiplas formas de degradação do trabalho
Profiling the New Morphology of Work: The Multiple Forms Whereby Work Has
Been Debased
Dessinant la nouvelle morphologie du travail: Les multiples formes de
dégradation du travail

Ricardo Antunes

Publisher
Centro de Estudos Sociais da Universidade
de Coimbra
Electronic version
URL: http://rccs.revues.org/431 Printed version
DOI: 10.4000/rccs.431 Date of publication: 1 décembre 2008
ISSN: 2182-7435 Number of pages: 19-34
ISSN: 0254-1106

Electronic reference
Ricardo Antunes, « Desenhando a nova morfologia do trabalho: As múltiplas formas de degradação
do trabalho », Revista Crítica de Ciências Sociais [Online], 83 | 2008, colocado online no dia 01
Dezembro 2012, criado a 30 Setembro 2016. URL : http://rccs.revues.org/431 ; DOI : 10.4000/
rccs.431

The text is a facsimile of the print edition.

Revista Crítica de Ciências Sociais. com ritmo controlado. resultado das fortes mutações que abalaram o mundo produtivo e de serviços nas últimas décadas. Dezembro 2008: 19-34 RICARDO ANTUNES Desenhando a nova morfologia do trabalho: As múltiplas formas de degradação do trabalho O presente texto apresenta alguns elementos empíricos e analíticos que configuram o que denominamos como nova morfologia do trabalho. relações laborais. como disse Ford. produção. em espanhol. ora acentuando seu traço de superfluidade. Destacam-se as consequências das distintas formas de trabalho presentes na era da informatização. o seu sentido pendular. que oscila ora em direcção à sua condição de perenidade. e exploram-se analiticamente os significados da ampliação do trabalho imaterial no mundo do capital. O resultado foi publicado em versão preliminar e bastante alterada no livro Por uma Sociologia do século XX. em versão também bastante modificada. organizado por Josué Pereira da Silva (2007. Taylor dizia que os trabalhadores deve- riam executar o trabalho prescrito. que a opção do consumidor fosse escolher entre um carro Ford. Palavras-chave: trabalho.    Este texto é parte do projeto de pesquisa Para Onde Vai o Mundo do Trabalho?. cujo traço mais visível é o seu desenho multiface- tado. indicando algumas das suas consequências na lei do valor. modelo T ou outro carro Ford. sob rígido controle dos tempos e movi- mentos e que deveria existir uma camada de gestores responsáveis pela ­elaboração e controle da produção. desenvolvido junto ao CNPq (Brasil). Foi através do binômio taylorismo-fordismo que a estrutura produtiva se desenvolveu: uma fábrica (prolongando-se para a sociedade) produzindo sob o controle rígido do capital. capitalismo. Tratava-se de uma produção cronometrada. cor preta. 83. procura-se compreender as novas modalidades de trabalho que estão em emer- gência no mundo contemporâneo. buscando. O século XX pode ser definido sinteticamente como o século do automó- vel. . Contrariamente às teses que advogaram o fim do trabalho ou visualizaram a sua desconstrução e perda de centra- lidade. pro- dução homogênea. São Paulo: Annablume) e será publicado pela CLACSO.

capazes de oferecer respostas ao quadro crítico que se desenhava. a partir de então. desantropomorfização. Nascia. no norte da Itália na chamada “Terceira Itália”. sendo a experiência toyotista do Japão a mais expressiva de todas. de certo modo. parcelar. parcelização. gerou uma produção em massa que objetivava a ampliação do consumo também de massa. Começava a se expandir uma outra pragmática. coisificado e maquinal. concebida em ritmo seriado. que se articulou intimamente com a reestruturação produtiva em curso à escala global. na Califórnia nos EUA. rígido e parcelar. se prolonga até os dias de hoje. sofrendo até mesmo o controle de sua sexualidade pela empreitada taylorista e fordista (Gramsci). Ainda que regulamentado e contratado. . cujos salários operários também foram incrementados. A linha de montagem. estandar‑ tizado.20 | Ricardo Antunes cor preta. pois vinha se estruturando desde os inícios dos anos 1950 e. modelo T. especial- mente depois da eclosão das lutas sociais de 1968 na França. quando um novo receituário. de garantir a acumulação. Estruturava-se uma nova engenharia da liofilização no microcosmo da produção. segundo Taylor). em seu processo de reestruturação: na Suécia (em Kalmar). mostrava forte potencialidade uni- versalizante. ou no “Outono Quente” da Itália de 1969. manualização. um novo desenho ideo-polí- tico se apresentou como alternativa de dominação em substituição ao Estado‑Providência. Este quadro foi dominante até o início dos anos 1970. visto que o vasto e global processo de reestruturação pro- dutiva ainda não encerrou seu ciclo. na Alemanha e em outros diversos países e regiões. a chamada empresa flexível. Tratava-se. conhecida no Ocidente como “modelo japonês” ou toyotismo. no limite. a degradação do trabalho na sociedade taylorizada e fordizada estava estampada em sua mecanização. movimentos que objetivavam o controle social da produção. Mas o empreendimento de base taylo- rista e fordista mostrou que tinha cumprido a sua trajetória. então. massificado. no Reino Unido. alienação e. Animalizado (“gorila amestrado”. Tratava-se. quando ocorreu a crise estrutural do sistema produtivo que. Essa transformação estrutural teve forte impulso após as vitórias do neoliberalismo. de implementar novos mecanismos e formas de acumulação. a partir da crise de 1973. Essa materialidade produtiva que se esparramou para o mundo industrial e de serviços (até o McDonalds nasceu sob este signo) teve como corolário a genial fotografia de Chaplin: a degradação do trabalho unilateral. para os capitais. porém de modo cada vez mais flexível e compatível com a nova fase do capital. fetichizado. Foram várias as experiências exercitadas pelo capital.

Desenhando a nova morfologia do trabalho | 21 Essa reestruturação produtiva fundamentou-se no que o ideário domi- nante denominou como lean production. a “empresa moderna”. energia. perda de direitos. do “trabalho multifuncional”. como não poderia deixar de ser. tempos e processos de trabalho. Tornaram-se importantes empresas privadas geradoras de valor.. quanto nos serviços. ampliando o maquinário tecno‑científico. que vem afetando fortemente os trabalhadores do setor estatal e público. algo diverso do tra- balho que se desenvolveu na empresa taylorista e fordista. etc. com número muito mais reduzido de trabalhadores e produzindo muitas vezes mais. Verifi- cou-se a expansão do que Juan Castillo (1996) cunhou com felicidade como liofilização organizacional: processo no qual substâncias vivas são eliminadas. sejam elas materiais ou imateriais. ampliam-se as terceirizações. O trabalho que cada vez mais as empresas buscam não é aquele fundamentado na especia- lização taylorista e fordista. etc. educação. as noções de tempo e de espaço tam‑ bém foram metamorfoseadas e tudo isso muda muito o modo do capital produzir as mercadorias. como saúde. rebaixamento salarial. para não falar do agronegócio. Afloram o trabalho da telemática. indus- trial e de serviços. precarização estrutural do trabalho. o trabalho conectado em rede. mas o que floresceu na fase da “desespecializa- ção multifuncional”. que Marx denominou como trabalho morto. que em verdade expressa a enorme intensificação dos ritmos. O resultado parece evidente: intensificam-se as formas de extração de trabalho. O resultado não tardou em aflorar: desemprego explosivo. E isso ocorre tanto no mundo industrial. telecomunicações. também experimentaram. de modo mistificado. reduzindo enormemente a força de trabalho vivo e ampliando intensamente sua produtividade. Quais são os contornos desse “novo tipo de trabalho”? Ele deve ser mais “polivalente”. Onde havia uma empresa concentrada pode-se substituí-la por várias pequenas unidades interligadas pela rede. como “cola‑ boradores”. corpóreas ou simbólicas. sendo o trabalho vivo crescentemente substituído pelo trabalho morto. isto é. E que redesenhou a planta produtiva de modo bastante distinto do taylo- rismo/fordismo. soterrando a tradicional divisão entre setores agrícola. a empresa enxuta. Nessa nova empresa liofilizada era necessário um novo tipo de trabalho que atualmente os capitais denominam. Os serviços públicos. previdência. um significativo processo de reestruturação. . reterritorializando e mesmo desterritorializando o mundo produtivo. a empresa que restringe e limita o trabalho vivo. pois as noções de espaço e tempo transformavam-se profundamente. “multifuncional”. o trabalho em casa. subordinando-se à máxima da mercadorização.

quase virtual. neste cenário aberto pelo neoliberalismo e pela reestruturação produtiva. expressões cada vez mais freqüentes do que poderia ser denominado. como indicaremos adiante. Similar é o caso do empreendedorismo. que cada vez mais se configura como assemelhado a uma forma oculta de trabalho assalariado e que permite a proliferação. com as mais distintas formas de precarização. “trabalho voluntário”. em pleno avanço informacional. então. Há. Tudo isso em plena era do avanço tecno-científico que fez desmoronar tantas (infundadas) esperanças oti- mistas. das mais distintas formas de flexibilização salarial. pelo “empreen­ dedorismo”. elas nasceram como instrumentos de luta operária contra o desemprego e o despotismo do trabalho. O exemplo das cooperativas talvez seja ainda mais eloqüente. como trabalho atípico (Vasapollo. “cooperativismo”. subjetivo e ideo-político do mundo do trabalho são por demais evidentes. e especialmente após 1930. então. 2005). uma vez que estamos vivenciando a erosão e mesmo corrosão do trabalho contratado e regula- mentado. uma outra contradição que se evidencia quando o olhar se volta para a (des)sociabilidade contemporânea no mundo do capital mun- dializado e financeirizado: quanto maior é a incidência do ideário e da pragmática na chamada “empresa moderna”. amplia-se o mundo da informalidade. desde o início da Revolução Industrial. quanto mais racionalizado é seu modus operandi.. quanto mais as empresas laboram na implantação das “competências”. flexibilizado. na Inglaterra. ampliar as formas de precarização e destruição dos direitos sociais que foram arduamente conquistados pela classe trabalhadora. da gestão do “conhecimento”. uma vez que são verdadeiros empreendimentos patronais para des- truir direitos e aumentar ainda mais as condições de precarização da classe trabalhadora. em sua origem. uma vez que. ante- riormente. valorativo. As “cooperativas” criadas pelas empresas têm. pelas formas de trabalho part time. como forma de precarizar ainda mais os direitos do trabalho. O trabalho estável torna-se. contrariamente. Isso porque. Hoje. As repercussões no plano organizativo. É neste quadro de precarização estrutural do trabalho que os capitais globais estão exigindo dos governos nacionais o desmonte da legislação social protetora do trabalho. “terceiro setor”. quando se toma o exemplo brasileiro.22 | Ricardo Antunes etc. sentido contrário ao projeto original das cooperativas de trabalha- dores. dominante no século XX e vendo sua substituição pelo trabalho terceirizado. da chamada “qualificação”. os capitais vêm criando falsas cooperativas. funcional ou organizativa. de horário. . E flexibilizar a legislação social do trabalho significa aumentar ainda mais os mecanismos de extração do sobretraba- lho. então.

articulado e inserido no trabalho material. mais intensos parecem tornar-se os níveis de degra- dação do trabalho (no sentido da perda de liames e da corrosão dos meca- nismos de regulamentação e contratação) para uma parcela enorme de trabalhadores e trabalhadoras. da marca. temos trabalhos ultraqualificados que atuam no âmbito informa- cional. expressam as formas con- temporâneas do valor (Antunes. ao apoderarem-se de sua dimensão intelectual – traço crucial do capitalismo de nossos dias –. do informacional. ambos estruturais. yoi shina” (“bons pensamentos significam bons produtos”). A pirâmide social do trabalho se segmenta ainda mais em sua estrutura: no topo. ainda mais em época de crise. Ao contrário. fixado na bandeira que tremulava na entrada da unidade produtiva (Business Week. Mas . na nova planta da Telefônica e que resultam do labor imaterial que. acima referido. gerando uma força sobrante de trabalho monumental e impossível de ser incorporada pelo capital. Desenhando a nova morfologia do trabalho | 23 do sistema de “metas”. transferência ou incorporação da empresa. presente no design da Nike. do fim ou redução de relevância da teoria do valor‑trabalho. 2003: 135). É o que o discurso empresarial chama de “sociedade do conhecimento”. entretanto. realizado nas esferas da comunicação. na concepção de um novo software da Microsoft. uma vez que utilizam mecanismos ainda “mais coativos. a se tornar mais um desempregado. No meio. das chamadas tecnologias de informação e comunicação. do simbólico. do involucral e do supérfluo. 2003). um elemento importante. publicidade e marketing. na base. É sintomático também o slogan adotado pela Toyota. Ao apropriarem-se da dimensão cognitiva do trabalho. aumen- tando também os modos de controle e subordinação dos sujeitos do traba- lho. a hibridez. Há. que devemos mencionar com destaque: trata‑se da ampliação do trabalho “cognitivo”. na unidade de Takaoka: “Yoi kangae. mais “intelectualizado”. os capitais ampliam as formas e os mecanismos da geração do valor. o espaço por excelência do que fora ultraqualificado ontem e se encontra sem trabalho pelo fecho. informação. nos modelos da Benetton. Candidato. avança a precarização e o desemprego. próprias da sociedade do logos. há uma qualitativa alteração e ampliação das formas e mecanismos de extração do trabalho. do trabalho “imaterial”. Isso sem falar naqueles trabalhadores e trabalhadoras sem emprego há tempos e que não têm mais como retornar ao mercado de trabalho. renovando as formas primitivas de violência. 1995 e 1999). uma vez que ao mesmo tempo as empresas necessitam cada vez mais da cooperação ou ‘envolvimento’ subjetivo e social do trabalhador” (Bialakowsky. na nova confi- guração do mundo do trabalho. portanto.

. Manpower Brasil.24 | Ricardo Antunes é bom lembrar que estes projetos de “envolvimento”. Tem-se então como resultante que a prevalência da razão instrumental assume a forma de uma enorme irracionalidade societal.br). para todas as áreas. também o tra‑ balho. projetos de terceirização e serviços de contact center. O que coloca um desafio fundamental e candente: a desconstrução desse ideário e dessa pragmática é condição para que a humanidade e. na Espanha. programas de trainees e de estágios. possam ser verdadeiramente dotados de sentido.manpower. Pode-se lembrar também o recente projeto da Telefônica. (. subcontratados. do mundo maquinal e digital.300 trabalhadores.) mais de 400 mil clientes dos mais diversos segmentos. flexibilização. em Madrid. A constatação parece inevitável: em plena era da informatização do tra- balho. no passado recente. etc.. acabam também por encontrar resistência junto aos trabalhadores. portanto. trabalhadores em tempo parcial. só marginalmente a classe trabalhadora no Brasil presenciava níveis de informalidade. Ou as incontáveis empresas de call center e telemarketing que se expandem em praticamente todas as partes do mundo e se tornam cada vez mais relevantes para a efetivação ou agregação do valor.. Distrito C. indústria. admi- nistração de RH (RH Total) e contratação de profissionais com alto grau de especialização” (Divisão Manpower Professional.. do subproletariado. des- provida de direitos. precarização exacerbada. rebaixamento salarial . organizado pelos sindi- catos que eram contrários à implantação do sistema de autocontratação (Japan Press Weekly. 2004). Se. fora da rede de proteção social e sem carteira de traba- lho. precarizados. circulando “livremente” pelo espaço da empresa. cuja atividade “constrói parcerias com clientes em mais de 60 países. como comércio. serviços e promoção (. como contratação e administração de funcionários temporários. onde uma parte significativa dos trabalhadores das tecnologias de comunicação e informação já atua sem mesa ou bancada de trabalho.. recrutamento e seleção de profissionais efetivos. hoje mais de 50% dela se encontra nessa condição (aqui a informalidade é concebida em sentido amplo). estamos conhecendo a época da infor‑ malização do trabalho. A Manpower está preparada para aten- der seus clientes com serviços de alto valor agregado [grifos meus]. Desemprego ampliado. uma vez que trabalha sob o sistema de metas. Não é por acaso também que a Manpower é símbolo de emprego nos EUA.com. con- forme se viu no protesto de 1. obstando o destru- tivo processo de desantropomorfização do trabalho em curso desde o início da Revolução Industrial. dos terceirizados. flexibilizados. in www.).

na gênese da Revolução Industrial. sendo que os operários deserdados das cidades não têm mais o campo como refúgio. os capitais não podem eliminar completa‑ mente o trabalho vivo. No outro lado do pêndulo. que decuplicaram nos últimos anos. Como. Não é por outro motivo que o Partido Comunista chinês e seu governo estão assustados com o salto dos protestos sociais. Aqui encontramos. perda crescente de direitos. portanto. um movimento pendular vivenciado pela classe trabalha- dora: por um lado. Segundo Jeremy Rifkin. chegando a 80 mil manifestações em 2005 e que não param de se ampliar depois da eclosão da recessão mundial. sendo que a ampliação do desemprego estrutural é sua manifes- tação mais virulenta. entre 1995 e 2002 a China perdeu mais de 15 milhões de trabalhadores industriais (Rifkin. esse é o desenho mais freqüente da classe trabalhadora. pela crescente apropriação da dimensão cognitiva do trabalho e. em decorrência do avanço tecno‑científico em curso. então. Cada ponto percen- tual a menos em seu PIB corresponde a uma hecatombe social. que vai dos EUA ao Japão. somente dentre os ex-trabalhadores rurais que estavam trabalhando nas indústrias das cidades e que não têm como encontrar trabalho no campo uma outra alternativa de trabalho. Desenhando a nova morfologia do trabalho | 25 acentuado. a economia chinesa. Há. em ritmo e intensidade que se assemelham à fase pretérita do capitalismo. dadas as peculiaridades de seu processo de industrialização hipertardia – que combina força de trabalho sobrante e hiper-explorada com maquinário industrial‑informacional em lépido e explosivo desenvolvimento – também o contingente proletário industrial sofreu redução. E. como se vê. da Alemanha ao México. da Inglaterra ao Brasil. cada vez mais homens e mulheres encontram menos trabalho. configurando uma crescente tendência à precarização do trabalho em escala global. esparramando-se pelo mundo em busca de qualquer labor. Na China. cada vez menos homens e mulheres trabalham muito. a partir da ampliação da crise global em fins de 2008 e início de 2009. configurando uma redução do traba- lho estável. herança da fase industrial que conformou o capitalismo do século XX. . pela ampliação do trabalho desqualificado e precarizado. conseguem reduzi-lo em várias áreas e ampliá-lo em outras. paralelamente. ao mesmo tempo. país que cresce a um ritmo estonteante. gerou 26 milhões de novos desempregados. por exemplo. O que sinaliza um século XXI com alta temperatura nas confrontações entre a totalidade do trabalho social e a totalidade do capital global (Mészáros. entretanto. com quase um bilhão de trabalhadores ativos. 2004). o traço de perenidade do trabalho. 2002).

Assim. a partir do momento em que. o quadro se agrava também na América Latina: em outro Relatório afirma que “devido à crise até 2. uma significativa expansão do trabalho dotado de maior dimensão intelectual. As novas formas do trabalho e do valor: materialidade e imaterialidade Com a conversão do trabalho vivo em trabalho morto. no mundo contemporâneo. Trabalho material e imaterial. que se converte em linguagem da máquina informacional. Com a crise. quer nas atividades industriais mais informatizadas. onde o trabalho manual direto está sendo substituído pelo trabalho dotado de maior dimensão intelectual. O que nos obriga a compreender as formas contemporâ- neas do trabalho e do valor. centralmente subordinados à lógica da produção de mercadorias e de capital. além da monu- mental precarização do trabalho acima referida.    A OIT projeta 50 milhões de desempregados ao longo de 2009 e adverte que para 1. 1995). uma vez que se presencia. foi 2. com taxa de desemprego 1. quer nas esferas compreendidas pelo setor de serviços ou das comunicações. na imbricação crescente que existe entre ambos. não só para aqueles mais empobrecidos. através dos computadores. o trabalho imaterial expressa a vigência da esfera informacional da forma-mercadoria: ele é expressão do conteúdo informacional da mer- cadoria. a máquina informacional passa a desempenhar atividades próprias da inteligência humana. A transferência de capacidades intelectuais para a maquinaria informati- zada. pelo desenvolvimento dos softwares. somando-se aos quase 16 milhões já desempregados.2 vezes maior do que a taxa de desemprego total (OIT.26 | Ricardo Antunes O Partido Comunista chinês pode esperar novas ondas de revoltas. 2008).5 bilhão de trabalhadores o cenário será turbulento e marcado pela erosão salarial e ampliação do desemprego. se heterogeneizou e se complexificou o universo da classe‑que‑ -vive‑do‑trabalho. mas também para as classes médias que “serão gravemente afetadas” (ILO. Portanto. pode-se presen- ciar o que Lojkine sugestivamente denominou como objetivação das ativida‑ des cerebrais junto à maquinaria. reduziu-se o trabalho estável da era do automóvel. em 2008. a crescente imbricação entre trabalho material e ima‑ terial. . exprimindo as mutações do trabalho no interior das grandes empresas e do setor de serviços. acentua a transformação de trabalho vivo em trabalho morto. entretanto. em nove países latinoamericanos. As mulheres trabalha- doras têm sido mais afetadas. e o desem- prego juvenil.6 vezes maior que os homens. Acentua-se. nem sempre contabilizado pelas estatísticas oficiais. mas se ampliou. então. transferência do saber intelectual e cogni- tivo da classe trabalhadora para a maquinaria informatizada (Lojkine. encon- tram-se. ampliando o cenário da tragédia atual. 2009). sem falar no “desemprego oculto”.4 milhões de pessoas poderão entrar nas filas do desem- prego regional em 2009”. entre tantas outras.

Portanto. da substi- tuição da produção pela informação.. M. neste processo. O que    Na fase de mundialização do capital tornou-se obsoleto tratar de modo independente os três setores tradicionais da economia (indústria. de que são exemplos a agroindústria. das suas capacidades cognitivas. Desenhando a nova morfologia do trabalho | 27 Estamos aqui em plena concordância com J. que se expandem no contexto da reestruturação produtiva do capital. . 1993: 121) A nova fase do capital. mas o faz apropriando-se crescentemente da sua dimensão intelectual. (Vincent. ela necessita de uma maior interação entre a subjetivi- dade que trabalha e a nova máquina inteligente. sugestivamente denominou como o exercício de uma subjetividade autêntica e autodetermi‑ nada (Tertulian. uma vez que parte do saber intelectual é transferida para as máquinas informatizadas. a indústria de serviços e os serviços industriais. E. ampliando as formas modernas da reificação. A força de trabalho intelectual pro- duzida dentro e fora da produção é absorvida como mercadoria pelo capital que lhe incorpora para dar novas qualidades ao trabalho morto […]. reproduzindo parte das atividades a elas transferidas pelo saber intelectual do trabalho. entre as atividades fabris e de serviços. sob a era da “empresa enxuta”. entre atividades laborativas e as atividades de concepção. ao invés da substituição do trabalho pela ciência. Como a máquina não pode eliminar cabalmente o trabalho humano. procurando envolver mais forte e intensamente a subjetividade existente no mundo do trabalho. tornando-se por isso cada vez mais subordinadas a uma produção crescente de conhecimento que se converte em mercadorias e capital. Vale aqui o registro (até pelas conseqüências políticas decorrentes desta tese) que reconhecer a interdependência setorial é muito diferente de falar em sociedade pós-industrial. o envolvimento interativo aumenta ainda mais o estra‑ nhamento e a alienação do trabalho. 1993). agricultura e serviços). ou ainda da substituição da produção de valores pela esfera comunicacional. Ela assume crescentemente a forma valor do trabalho intelectual-abstrato. concepção carregada de significação política.] a própria forma valor do trabalho se metamorfoseia. uma maior interpenetração entre as atividades produtivas e as improdutivas.. retransfere o savoir faire para o trabalho. que se tornam mais inteligentes. quando afirma: [. Vincent. o que se pode presenciar no mundo contemporâneo é uma maior inter-relação. A produção material e a produção de serviços necessitam crescentemente de inovações. Mas o processo não se restringe a esta dimensão. dada a enorme interpenetração entre essas atividades. distanciando-se ainda mais a subjetividade do exercício daquilo que Nicolas Tertulian. na esteira do Lukács da maturidade.

menos que uma descompensação da lei do valor. tudo isso articulado com um controle sócio-técnico dos trabalhadores. assimilando-o à nova fase da produção do valor. inserindo crescentes coágulos de trabalho imaterial na lógica pre‑ valente da acumulação material. ao contrário. 2005). De nossa parte. até porque grande parte das atividades imateriais são condensadas e plasmadas em um conjunto de relações que acabam por assumir predominantemente uma dada forma material. Na fase laborativa onde o saber científico e o saber laborativo mesclam-se ainda mais diretamente. Já citamos acima o exemplo da Manpower. As teses. a potên‑ cia criadora do trabalho vivo assume tanto a forma (ainda dominante) do trabalho material como a modalidade tendencial do trabalho imaterial (Antunes. que propugnam a prevalência do trabalho imaterial hoje (com a conseqüente desmedida do valor). 1999 e 2005). ancorada na enorme força sobrante de trabalho. numa contextualidade onde esse movimento é dado pela lógica da financeirização. onde 2/3 da huma- nidade que trabalha encontram-se nos países do Sul. Também vimos que o que é intangí- vel para tantos é claramente contabilizado pela Toyota. parecem equivocadas (Gorz. vem permitindo uma exploração . a crescente imbricação entre trabalho material e imaterial configura uma adição fundamental para se compreender os novos mecanismos da teoria do valor hoje. cremos que as formas do trabalho imaterial expressam as distintas modalidades de trabalho vivo. Esta não se torna desmedida. transnacional que terceiriza força de trabalho em âmbito mundial. entretanto. de modo que a medida do valor é uma vez mais dada pelo tempo social médio de um trabalho cada vez mais complexo. desenhado pela nova divisão internacional do trabalho. E está em curso o projeto Distrito C da Telefônica. A explosão chinesa (para não falar da Índia) na última década. e não para afirmar a sua negação. na incorporação de tecnologia informacional e na estruturação em rede das transnacionais. necessárias para a valorização contemporânea do valor. até porque. é preciso acentuar que se a imaterialidade é uma tendência. nas novas formas de tempo e de espaço.28 | Ricardo Antunes remete ao desenvolvimento de uma concepção ampliada para se entender a forma de ser do trabalho no capitalismo contemporâneo. Especialmente quando se olha o capitalismo em escala global. Portanto. a materialidade é ainda largamente prevalecente. Por fim. agregando valor através do trabalho nas tecnologias de comunicação e informação. não sendo nem única e nem mesmo dominante – aqui aflora outro traço explosivamente eurocêntrico destas teses – o trabalho imaterial se converte em trabalho intelectual abstrato.

onde a desigualdade salarial das mulheres contradita a sua crescente participação no mercado de trabalho. que atinge mais de 40% ou de 50% da força de trabalho em diversos países avançados. Isso para não falar no trabalho duplicado (no mundo da produção e reprodução). todos de algum modo partícipes da totalidade do trabalho social necessário para a expansão das novas modalidades de agregação do valor. Sabe-se que esta expansão do trabalho feminino tem. Portanto. o masculino na composição da força de trabalho. mais elementares e freqüentemente fundadas em trabalho intensivo são destinadas às mulheres trabalhadoras (e. como verdadeiros operários encapsulados) ao trabalho contingente presente nos Estados Unidos. muito freqüentemente. por fortes clivagens e novas transversalidades. dos imigrantes que migram para o Ocidente avançado ao submundo do trabalho no pólo asiático. precarizado e desregulamentado. ambos imprescindíveis para o capital (Pollert. podem-se constatar distintas modalidades de trabalho vivo. por exemplo. No Reino Unido. preferencialmente no uni- verso do trabalho part time. etc. 1996). E estes exemplos evi- denciam a fragilidade das teses que defendem a predominância da imate- rialidade do trabalho como forma de superação. que infirma (empírica e teoricamente) a teoria da irrelevância do trabalho vivo na produção de valor. inadequação ou desmedida da lei do valor. Bastaria recordar que no mundo do trabalho vivencia-se um aumento significativo do contingente feminino. etnia. Na divisão sexual do trabalho. significado o inverso quando se trata da temática salarial e dos direitos. no topo ou na base da estrutura social do trabalho. das maquilladoras no México aos precarizados/as de toda a Europa Ocidental. Mike Davis nos ­lembra . operada pelo capital dentro do espaço fabril. Desenhando a nova morfologia do trabalho | 29 desmesurada da força de trabalho e. das trabalhadoras dos call center aos trabalhadores da Wal Mart. particularmente no que concerne às dimensões de gênero. que tem sido absorvido pelo capital. uma expansão monumental do valor. O mesmo freqüentemente ocorre no que concerne aos direitos e condições de trabalho. entretanto. Seu percentual de remuneração é bem menor do que aquele auferido pelo trabalho masculino. como conseqüência. ainda. geração. Este multifacetado mundo do trabalho é caracterizado. da Nike aos McDonalds. da General Motors à Ford e Toyota. também aos trabalhadores/as imigrantes e negros/as). ao final da década de 1990. enquanto aquelas dota- das de menor qualificação. do trabalho intensificado do Japão (onde jovens operários migram em busca de trabalho nas cidades e dormem em cápsulas de vidro. geralmente as atividades de concepção ou aquelas baseadas em capital intensivo são preenchidas pelo trabalho masculino. o contingente feminino superou.

Com o enorme incremento do novo proletariado informal. Na Europa. os imigrantes do leste europeu (poloneses. ela é muito expressiva em países como China. EUA e em tantas outras partes do mundo. são os primeiros a serem penalizados. geração. precarização. ou os bolivianos no Brasil. Japão. com profundas repercussões na totalidade do sistema de capital. etc. Além da perda em massa do emprego. Vale recordar também que a explosão da periferia parisiense em fins de 2005 aflorou as ricas conexões existentes entre trabalho. Índia. nas últimas décadas houve uma inclusão precoce de crianças no mercado de trabalho. acentuado depois da eclosão da crise que atinge o conjunto dos países capitalistas. como os gastarbeiters na Alemanha. em troca de casa e comida. com menores salários. não-trabalho. Se a igualdade salarial é certamente uma reivindicação justa. nas empresas de confecção em São Paulo. os chicanos nos EUA. 2006: 188). latino-ame- ricanos. particularmente nos países de industria- lização intermediária e subordinada. o lavoro nero na Itália. imigração. em Fevereiro de 2009. etc. Ainda que essa tendência tenha sinais importantes de declínio. Não importa que o trabalho adulto se torne supérfluo e que muitos milhões de homens e mulheres em idade de trabalho vivenciem o desemprego estrutural. etc. . especialmente os imigrantes. romenos. mas que atinge também inúmeros países centrais. como nos países asiáticos. a xenofobia se amplia em várias áreas de trabalho. há exclusão dos jovens e dos idosos do mercado de trabalho: os primeiros acabam muitas vezes engros- sando as fileiras de desempregados e quando se atinge a idade de 35/40 anos. Jovens em sua quase totalidade suble- varam-se contra sua condição de “cidadãos de segunda classe”. em uma usina nuclear em Sellafield. os trabalhadores. húngaros.30 | Ricardo Antunes que “não é raro encontrar [na América Central] empregadas domésticas de sete ou oito anos com jornadas semanais de noventa horas e um dia de folga por mês” (Davis. os dekaseguis no Japão. Ainda no que concerne ao traço geracional. novos postos de trabalho são preenchidos pelos imigrantes. uma vez desempregados. externando sua posição contrária à contratação de trabalhadores italianos e portugueses. tendo como epicentro o tripé caracterizado pelos EUA. Mas as crianças devem. Europa e Japão. uma manifestação de trabalhadores britânicos estampava os seguintes dizeres: “Put British Workers First”. albaneses. a discriminação é caso típico de xenofobia. Inglaterra. Brasil. E numa contextualidade de desemprego estrutural em escala global. Paralelamente. do subprole- tariado fabril e de serviços. dificilmente conseguem novo emprego. Recentemente. cujas jornadas de trabalho atingem até 17 horas diárias.) na Europa Ocidental. manifestações semelhantes também vêm ocorrendo.

qualificados e desqualificados. E na indústria do vidro trabalham ao lado dos tanques com temperatura próxima de 1. em relativo processo de encolhimento (que é desigual quando se comparam os casos do Norte e do Sul). resultado das fortes mutações que abalaram o mundo do capital nas últimas décadas.800 graus centígrados (Davis. fazer parte do ciclo produtivo: seu corpo brincante trans- figura-se muito precocemente em corpo produtivo para o capital. Desenhando a nova morfologia do trabalho Contrariamente. os motoboys que morrem nas ruas e avenidas. nas pedreiras. as crianças trabalham de cócoras em jornadas que chegam a 20 horas por dia. Nova morfologia que compreende desde o operariado industrial e rural clássicos. lembra Mike Davis. jovens e idosos. brancos. índios. Desse modo. carvoarias e olarias. na indústria de calçados e confecções. segundo a lógica da flexibilidade- toyotizada. Na pro- dução de sisal. ­estamos desafiados a compreender a nova morfologia. 2006: 187). Menos do que a tese unívoca da redução do proletariado. os novos contingentes de homens e mulheres terceirizados. Desenhando a nova morfologia do trabalho | 31 desde muito cedo. Nova morfologia que pode presenciar. os digitalizadores que laboram (e se lesionam) nos bancos. nacionais e imigrantes. temporários que se ampliam. subcontratados. simul- taneamente. no trabalho doméstico. cujo elemento mais visível é o seu desenho multifacetado. Na indús- tria de tapeçaria da Índia. Estes contingentes são partes constitutivas das forças sociais do trabalho que Ursula Huws sugestivamente denominou como cybertariat. etc. portanto. o novo proletariado da era da cibernética que vivencia um trabalho (quase) virtual . de que são exemplos as trabalhadoras de telemarketing e call center. estas indicações sugerem como são ricas as clivagens e transversalidades existentes hoje entre os trabalhadores estáveis e precários. entre tantos outros exemplos que configuram o que venho denominando como a nova morfologia do trabalho. das novas modalidades precarizadas de trabalho. negros. até os assalariados de serviços. os assalariados do fast food. homens e mulheres. por outro lado. os trabalhadores jovens dos hiper- mercados. às teses que advogam o fim do trabalho. reconfigurando (e complexi- ficando) o mundo do trabalho e sua polissemia. estamos pre- senciando o afloramento de novas e distintas modalidades de trabalho que se esparramam pelo mundo em escala global. empregados e desempregados. são inúmeros os espaços onde o trabalho infantil valoriza os capitais. a retração do operariado industrial estável de base tayloriano- -fordista e. a ampliação. no cultivo do algodão e da cana.

por exemplo. 2003). Foram. E sinali- zaram para novas formas de lutas sociais do trabalho. nacionalidade. Ela fala de novos trabalhadores e trabalhadoras que oscilam entre a enorme heterogeneidade de sua forma de ser (de gênero. as respostas do mundo do trabalho devem configurar-se de modo crescentemente internacionalizadas. Os exemplos ocorridos na França. como a explosão do movimento dos trabalhadores-desempregados. de que são exemplos os sin- dicatos. com as explosões dos imigrantes (sem ou com pouco trabalho) e a destruição de milhares de carros (o símbolo do século XX) em majestosas manifestações. acima referidos. etc. não é essa nossa constatação. 2005. espaço. eiva- dos de significados. da infor- mática e da telemática. Se muitos analistas desta crise viram um caráter terminal nestes organismos de classe. presenciamos novas formas de confrontação social. qualificação. que discorre sobre as novas configurações do trabalho na era digital.) e a impulsão ten- dencial para uma forte homegeneização que resulta da condição de preca- riedade dos distintos trabalhos (Huws.32 | Ricardo Antunes em um mundo (muito) real. etnia. Na Argentina. para lembrar o sugestivo título de seu livro. são também experimentos seminais. Se a indústria taylo- rista e fordista é parte mais do passado do que do presente (ao menos . Bernardo. 1996). articulando intimamente as ações nacionais com seus nexos internacionais. Se a era da mundialização do capital se realizou de modo ainda mais intenso nas últimas décadas (Chesnais. Queremos tão somente registar que a nova morfologia do trabalho significa também um novo desenho das formas de representação das forças sociais e políticas do trabalho. Se a impulsão pela flexibilização do trabalho é uma exigência dos capi- tais em escala cada vez mais global. os piqueteros que “cortan las rutas” para barrar a circulação de mercadorias (com suas claras repercussões na produção) e para estampar ao país o flagelo do desemprego. e que atingiu a soma de duas centenas de empresas sob controle-direção-gestão dos trabalhado- res. nos inícios de 2001. respostas decisivas ao desemprego argentino. ampliadas pelas massas de desempregados que se esparramam pelo mundo (Antunes. das forças do trabalho. muitos deles experimentando forte quadro crítico. ocupadas durante o período mais crítico da recessão na Argentina. 2004). ambas. nos inícios de 2006. mun- dializadas. geração. Presenciamos ainda a expansão da luta dos trabalhadores em torno das empresas “recuperadas”. em fins de 2005. com os estudantes e trabalhadores na luta contra o Contrato de Primeiro Emprego. Essa nova morfologia do trabalho não poderia deixar de afetar os orga- nismos de representação dos trabalhadores. entramos também na era da mundialização das lutas sociais.

21/02/2004. Gorz. in Jacques Bidet. Revista Herramienta. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centrali‑ dade do mundo do trabalho. “De la révolution industrielle à la révolution informationnelle”. 152. O mais importante é o movimento social. Se. Global Wage Report 2008/2009. 133-140. Business Week (2003). Alberto et al. Jean (1995). A. Huws. em contrapartida. como imaginar que um sindicalismo verticalizado possa representar esse novo e compósito mundo do trabalho? (Bihr. à guisa de hipótese: hoje devemos reconhecer (e mesmo saudar) a desierarquização dos organismos de classe. São Paulo: Boitempo. François (1996). Democracia totalitária. A mundialização do capital. 23. Ricardo (1995). Uma conclusão se impõe. São Paulo: Xãma. aquecerá ainda mais o universo e a destruição ambiental. São Paulo: Boitempo. é impres- cindível conhecer a nova morfologia do trabalho. Paris: Press Universitaires de France. International Labour Organisation (2008). (2003). ILO: Geneva. Alain (1991). Bernardo. . 1991. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Annablume. Du «Grand Soir» a «L’Alternative» (le mouvement ouvrier Européen en crise). Desenhando a nova morfologia do trabalho | 33 enquanto tendência). O caracol e sua concha: Ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. Jacques Texier. Paris: Les Editions Ouvrières. Mike (2006). Chesnais. Referências bibliográficas Antunes. São Paulo: Boitempo. Sociología del trabajo. São Paulo: Cortez. Bialakowsky. Virtual Work in a Real World. Antunes. para fazê-lo. Lojkine.    Basta indicar aqui uma contradição em que o mundo se encontra mergulhado: quando se reduzem as taxas de emprego. sindical ou partidário que apreende as raízes mais profundas das engrenagens societais dominantes. 18/11/2003. La crise du travail. “Diluición y mutación del trabajo en la dominación social local”. Castillo. Imaterial. João (2004). as questões que são vitais. Japan Press Weekly (2004).º 2371. o mundo produtivo retomar os níveis altos de crescimento. Ricardo (1999). Planeta favela. New York / London: Monthly Review Press / The Merlin Press. (1996). Bihr. aumentando a produção e seu modo de vida fundado na superfluidade e no desperdício. E. Antunes. 1995). Davis. Colección Monografías. as complexas formas da dominação. Antunes. n. The Making of a Cybertariat. aumentam os níveis de desemprego global. Madrid: Centro de Investigaciones Sociológicas. Juan J. Ricardo (2005). Ursula (2003). São Paulo: Cortez. (2005).

L. “Les automatismes sociaux et le ‘general intellect’”. István (2002). Chris Smith. Julho/Setembro. (2004). J. Rifkin. “‘Team work’ on the Assembly Line: Contradiction and the Dynamics of Union Resilience”. Vincent. Futur Antérieur. Anna (1996). “Return of a Conundrun”. São Paulo: Boitempo. Brasília: OIT/ Brasil. OIT (2009). Vasapollo. The New Workplace and Trade Unionism: Critical Perspectives on Work and Organ‑ ization. O trabalho atípico e a precariedade. São Paulo: Expressão Popular. 02/03/2004. . Panorama laboral para a América Latina e Caribe – 2008. London: Routledge. in Peter Ackers. “Le concept d’aliénation chez Heidegger et Lukács”. Marie (1993). J. Paul Smith (orgs. Pollert. 16. Nicolas (1993). 56. The Guardian.). Archi‑ ves de Philosophie – Reserches et Documentation. Para além do capital.34 | Ricardo Antunes Mészáros. Tertulian. Paradigmes du Travail. (2005). Paris: L’Harmattan.