[Trabalho 2245

]
APRESENTAÇÃO ORAL

1 2 3
IGOR SANTOS TUPY ;SILVIA HARUMI TOYOSHIMA ;ADRIANO ALVES DE REZENDE .
1.CEDEPLAR/UFMG, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL; 2,3.UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA,
VIÇOSA - MG - BRASIL;

IMPACTOS DOS PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS DE TRANSFERÊNCIA DE
RENDA NA ECONOMIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS.1

IMPACTS OF GOVERNMENTAL CASH TRANSFER PROGRAMS ON THE
BRAZILIAN MUNICIPALITIES´ ECONOMY

Grupo de Pesquisa: Desenvolvimento Rural, Territorial e Regional

Resumo
O objetivo desse artigo foi verificar os efeitos das políticas de transferência de renda
sobre a geração de renda e emprego nas localidades caracterizadas pela ocorrência da
“Economia sem Produção”, sob inspiração na análise de Celso Furtado. Especificamente,
buscou-se verificar: a) a evolução dos programas governamentais de transferência de renda no
Brasil, particularmente, do Bolsa Família (PBF) e do Benefício de Prestação Continuada
(BPC); b) o padrão de distribuição espacial e a formação de clusters das transferências dos
municípios brasileiros, por meio da Análise Exploratória de Dados Espaciais; e, por fim, c) o
potencial do PBF e da BPC em impactar o produto e o emprego nas localidades identificadas
como as maiores beneficiárias desses programas, por meio de Dados em Painel. Os resultados
indicaram a existência de um grande cluster do tipo high-high, nas regiões Norte e Nordeste,
em que as transferências, sobretudo, do PBF, têm grande importância na renda dos
municípios. Verificou-se, adicionalmente, que há correlação positiva entre o PIB dos
municípios dessa aglomeração e o PBF e o BPC, o que mostra que esses programas elevam o
nível de renda da região. No entanto, há correlação negativa entre emprego formal e esses
dois tipos de transferências de renda nessas localidades. Isso indica que as famílias
beneficiárias ficam desestimuladas a se manter no emprego, ou a procurar emprego, ou, ainda,
ficam estimuladas a migrar para empregos informais, a fim de continuarem elegíveis para
receberem o benefício.
Palavras-chave: Transferências de renda; Economia sem Produção; Desenvolvimento.

Abstract
The objective of this paper was to verify the effects of cash transfer policies on the
income and employment generation in the localities identified as “Economies without
Production”, inspired by the Celso Furtado analysis. An attempt was made to verify: a) the
evolution of government programs of cash transfer in Brazil, particularly, the “Programa
1
Estudo realizado durante Iniciação Científica com apoio financeiro do CNPq e do Programa “Cátedras para o
Desenvolvimento” do IPEA.

Belém - PA, 21 a 24 de julho de 2013
SOBER - Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural

Bolsa Família” (BFP) and the “Benefício de Prestação Continuada” (BPC); b) the spatial
distribution pattern and the transfer cluster formation of Brazilian municipalities, using the
Exploratory Spatial Data Analysis; and finally c) the potential of both PBF and BPC to affect
the output and the employment in the localities identified as the greatest recipients of these
programs, using the Panel Data. The results indicated the existence of the large high-high
cluster in the North and Northeast regions where the transfers, specially the PBF, have a
great importance in the municipalities’ income. Additionally, it was verified that there is a
positive correlation between the municipalities’ GDP in this cluster and both PBF and BPC,
demonstrating that these programs do increase the region’s income level. However, there is a
negative correlation between formal employment and both cash transfer programs in these
localities. This indicates that the beneficiary families are discouraged from keeping their jobs,
or seeking a job, or are even encouraged to migrate to informal employments, in order to
remain eligible for receiving the benefit.
Key words: Cash Transfer; Economies without Production; Development.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo desse artigo foi verificar os efeitos das políticas de transferência de renda
sobre a geração de renda e emprego nas localidades identificadas como “Economias sem
Produção”. O estudo da evolução dessas economias permitiria verificar se as transferências
governamentais foram capazes de desenvolver essas localidades.
O presente artigo tem como inspiração os escritos de Celso Furtado, que em sua vasta
obra2 trata de diversos temas, mas todos focalizando sobre as possibilidades de
desenvolvimento da sociedade brasileira. Segundo o autor, a forma de inserção do país na
divisão internacional do trabalho gerou grandes desigualdades, tanto em nível de distribuição
pessoal da renda, como em nível geográfico, regional. Tal desigualdade, por sua vez, manteve
uma parcela considerável da população em situação de pobreza, alijada das atividades
produtivas e do mercado consumidor.
A desigualdade e a pobreza são variáveis que estão, assim, intimamente conectadas e a
redução de ambas se encontra na raiz das interpretações desse autor sobre o desenvolvimento
do Brasil e da América Latina. Políticas para atingir esses objetivos foram perseguidas por
Furtado, enquanto acadêmico e participante da gestão da economia brasileira. As políticas
sugeridas, entretanto, não tinham um caráter assistencialista, mas estavam associadas a um
projeto de desenvolvimento econômico, com geração de renda e emprego.
Após décadas de esforços com pouco êxito em relação ao combate à pobreza e à
redução da desigualdade, atualmente, as políticas de transferência de renda foram eleitas pelo
governo federal como fundamentais para atingir esses objetivos. A expansão de programas
com esse cunho tem sido apontada como eficaz no curto prazo, para aliviar a pobreza e a
desigualdade. No entanto, sua eficácia no longo prazo para gerar renda e emprego e retirar os
beneficiários da condição de dependentes de recursos governamentais, ainda, carecem de
muitos estudos.

2
Ver, dentre outras obras, Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (1965); Subdesenvolvimento e estagnação na
América latina (1968); Teoria e política do desenvolvimento econômico (1987); O mito do desenvolvimento
econômico (1974); A economia latino-americana (1976); Introdução ao desenvolvimento: enfoque histórico-
estrutural (2000); e Em busca do novo modelo (2002).

Belém - PA, 21 a 24 de julho de 2013
SOBER - Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural

Abramovay (2003). sobretudo. ainda. Aposentadorias Rurais. senão agravar. que utiliza a Análise Exploratória de Dados Espaciais para observar o padrão de distribuição espacial das transferências de renda do governo e os modelos de Regressão com Dados em Painel para verificar os impactos das transferências sobre o produto e o emprego. possam ser incorporados em atividades produtivas que nascem nessas regiões. Tonneau et al. os resultados são apresentados e discutidos. Barreto e Tebaldi (2007) e Marques e Mendes (2005) já identificam efeitos das transferências de renda sobre o crescimento econômico dos municípios brasileiros. Na verdade. presente na interpretação de subdesenvolvimento de Celso Furtado. No quinto tópico são discutidos os mecanismos pelos quais os valores das transferências de renda podem influenciar a atividade produtiva dos municípios.PA. Cacciamali e Camillo (2009). Rocha (2008). o fenômeno denominado “Economia sem Produção”. de modo a gerar crescimento econômico. o artigo pretendeu: 1) verificar a evolução dos programas governamentais de transferência de renda no Brasil. particularmente. é: em que medida essas políticas sociais – embora desejáveis do ponto de vista assistencialista – são capazes de induzir desenvolvimento nas localidades que recebem um alto valor de benefícios? Ou seja. mais especificamente. Administração e Sociologia Rural . trabalhos como os de Landim Jr. bem como no de reduzirem a desigualdade de renda – Soares et al. Diante do exposto. Como esses recursos não requerem uma contrapartida produtiva. cria-se uma situação em que a região possui renda. para outra de viver de “assistencialismo”. Medeiros et al. Vale (2010) e IPEA (2010. a partir da década de 1990. consistem no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Programa Bolsa Família (PBF). Por sua vez. cuja renda é formada. O segundo item mostra a evolução recente dos programas de transferência de renda no Brasil. os mais expressivos programas de transferência direta. que ganharam importância. a expansão dos programas e a crescente dependência dos municípios brasileiros desses recursos podem perpetuar. por transferências governamentais? No Brasil. dando ênfase ao PBF e ao BPC. assim. Neto. o Programa Bolsa Família (PBF) e o Bolsa de Prestação Continuada (BPC). em última instância. A seção seis traz a metodologia do trabalho. Na parte três analisam-se as distintas formas sob as quais os valores das transferências podem afetar a oferta de emprego das famílias beneficiadas e. No item quatro conceitua-se “Economia sem Produção”. além desta Introdução. O termo “Economia sem Produção” se refere a situações em que a economia de uma região tem as transferências governamentais (Bolsa Família. (2006). Apesar de vários estudos apontarem esses programas como importantes no sentido de reduzirem significativamente a pobreza no Brasil – Soares et al. (2009). em trabalhos como os de Sandi (2001). (2007) e Maia (2010) –. há regiões em que o produto é bem menor que a renda. 3) a partir dessa identificação – uma vez que utilizou-se como proxy os clusters do PBF para selecionar as “Economias sem Produção” – verificou-se o potencial dos programas PBF e BPC em desenvolver atividades produtivas nessas localidades. A questão que se coloca. b) –. A “Economia sem Produção” é preocupação. Benefício de Prestação Continuada. Em seguida.Sociedade Brasileira de Economia. no sétimo tópico. (2007). é possível que os beneficiários que saem da condição de viver de uma “economia de subsistência”. Abramovay (2002). Este artigo está estruturado em mais sete itens. Belém . 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . o emprego total. Empregos Públicos e Transferências Intergovernamentais) como principais fontes de renda. (2005) e Araújo e Lima (2009). Oliveira e Lima (2010). mas não valida a identidade macroeconômica de que renda é igual ao produto. 2) identificar espacialmente os municípios que mais são beneficiados com esses programas. no oitavo item são feitas as considerações finais do trabalho. Por fim.

de onde provêm os recursos para o seu custeio. O BPC é individual. RELAÇÕES ENTRE TRANSFERÊNCIAS DE RENDA E EMPREGO O impacto dos programas de transferência de renda. durante a segunda metade da década de 1990 e início dos anos 2000. sob a égide do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. totalizando 3.21).Sociedade Brasileira de Economia. 2006). e à garantia de cobertura via assistência social do Benefício de Prestação Continuada (BPC). 2007. Bolsa Alimentação e PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). exigindo- se renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo vigente. As transferências diretas de renda focalizadas em famílias de baixa renda se intensificaram.6 milhões de beneficiários. em especial do PBF... 2012). aumentando a parcela apropriada por aqueles mais pobres em detrimento dos relativamente mais ricos. mas sua operacionalização é realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). o Brasil tem investido em políticas de redistribuição de renda por meio de transferências diretas do governo para aquelas pessoas que se encontram abaixo de um determinado limite de renda. por exemplo. O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) é um benefício de Assistência Social que integra. que. sem que se recorra a mecanismos como os programas de transferência de renda (Soares et al. POLÍTICAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA NO BRASIL A erradicação da pobreza e redução dos níveis de desigualdade são metas dificilmente alcançáveis num prazo razoável de tempo. sobre o nível de emprego tem sido um dos temas mais controversos quanto a esses programas. atualmente. A maioria desses programas foi posteriormente incorporada ao Programa Bolsa Família. há nessas economias pessoas que não conseguem garantir sua subsistência via trabalho (Medeiros et al. IPEA (2010) e Maia (2010) atribuem às alterações contidas no texto constitucional aprovado em 1988 – que instituiu o instrumento da Seguridade Social e seus desdobramentos nos anos posteriores.2. não exigindo contribuição anterior à Previdência Social Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS. p. 3.9 milhões de pessoas com deficiência e 1. Administração e Sociologia Rural . A maioria dos países que lograram erradicar a pobreza possui algum tipo de programa de transferência de renda. a partir de 2004. ao estabelecimento de um piso para os benefícios previdenciários no valor do salário mínimo. pois mesmo tendo renda alta.7 milhões de idosos. a partir dos anos 1990. pessoal e intransferível e é cedido mediante comprovação de ausência de meios de garantir o próprio sustento. segundo Maia (2010). Tal movimento para assistir as famílias pobres ganhou mais visibilidade e maior amplitude com a criação de programas como o Bolsa Escola. a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). Araújo e Lima (2009). 2010). Tais alterações levaram: à ampliação da cobertura previdenciária para os trabalhadores rurais. afetaram de forma significativa a distribuição de rendimentos entre os municípios brasileiros. o programa atende atualmente 1. Como será Belém . destinado a idosos com mais de 65 anos e a pessoas com deficiência (IPEA. Auxilio Gás. a Proteção Social Básica no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O programa é gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . que abriram caminho para a consolidação dos programas de transferência de renda. Indo neste sentido.PA. na década de 1990 – o impulso principal para a criação dos benefícios sociais.

a flexibilidade na aplicação do critério de renda. a existência de um período mínimo de concessão e o baixo valor do benefício. um incentivo ao ócio. adotam comportamentos no sentido de reduzir sua dependência em relação à transferência aumentando a sua oferta de trabalho.5 horas de trabalho remunerado. foi a redução entre zero e 3. podendo-se pensar que deve existir um ponto ótimo para as transferências. torna-se possível que algum membro da família reduza sua oferta de trabalho sem que isso comprometa o orçamento familiar. esse adicional de renda para as famílias pobres pode modificar as relações entre trabalho e lazer do trabalhador. em parte. Tavares (2010) chama a atenção ao fato de que o efeito negativo do valor da transferência sobre a oferta de trabalho pode sugerir que aumentos no valor do benefício podem fazer com que o efeito-renda seja tão grande de maneira a superar o efeito- substituição. apesar de significativos. Este argumento baseia-se na concepção de que esse tipo de transferência recebido pelas famílias atua no sentido de criar uma acomodação dos beneficiários. Já Brito (2011) relata a possibilidade da existência de uma “Armadilha da Pobreza” definida como um desincentivo ao trabalho gerado pelo recebimento de uma transferência de renda focalizada nos pobres. como os impactos. quando a criança deixa de trabalhar – é compensada pelo aumento da oferta de trabalho de algum membro da família. não apresentaram grande magnitude. por isso. a renda do trabalho da família – reduzida. diante do aumento da renda no domicílio. Tavares (2010. gerando um desincentivo ao trabalho – ou melhor. Administração e Sociologia Rural . Quando avalia o impacto do Bolsa Família sobre a oferta de trabalho das mães de famílias beneficiárias. O II Relatório de Avaliação dos Impactos do Bolsa Família (MDS. Descreve. Por outro lado. a partir do qual haveria incentivos para a redução da oferta de trabalho. Mas destaca que. segundo ela. “o efeito-substituição parece dominar o efeito-renda na determinação do impacto do programa sobre as decisões de trabalho das mães”. não se pode afirmar que o programa seja responsável por gerar dependência em relação a rendimentos desvinculados do trabalho. Neste caso. Outro efeito descrito por Tavares (2010) seria o efeito-substituição da transferência. Assim. num dos principais questionamentos dos opositores a este tipo de política pública. Este conceito está relacionado à existência do efeito-substituição e se justifica em função de que um aumento nos rendimentos poder ser totalmente contrabalanceado por uma redução equivalente dos benefícios gerando efeito nulo sobre o padrão de vida das famílias. um “efeito estigma” associado às políticas públicas que corresponde à discriminação sofrida pelos beneficiários das transferências – estigmatizados como “preguiçosos” ou “acomodados” – que. como uma das condicionalidades do programa implica a redução obrigatória do trabalho infantil. 2012) da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome admite que o PBF tem potencial de afetar as decisões familiares referentes à Belém . a direção dos impactos das transferências sobre o nível de emprego vai depender de uma série de fatores e de suas respectivas magnitudes que podem torná-lo positivo ou negativo.PA. de forma que. entre 2004 e 2006. p. ainda. Tavares (2010) identifica este comportamento como o efeito-renda da transferência em que. na oferta de horas trabalhadas até 2006. desde o início da vigência deste. Já o trabalho de Teixeira (2008) traz como resultado que o efeito médio do Bolsa Família. Uma possível relação negativa entre a oferta de trabalho e o Bolsa Família consiste.abordado neste tópico. baseado nos dados da PNAD. 628) encontra resultados que parecem contradizer o dito “efeito-preguiça”. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . aponta fatores que podem atenuar esse efeito da “Armadilha da Pobreza” no caso do PBF: a não verificação das rendas auto-declaradas pelos pleiteantes ao benefício. neste mesmo sentido.Sociedade Brasileira de Economia.

podendo então apresentar característica de transferência. A desinformação quanto a relação entre o programa e a participação no mercado de trabalho é citado pelo MDS (2012) como possível causa dessa migração de beneficiários do emprego formal para o informal. Araújo e Lima (2009) estudam essa mesma região. Araújo e Lima (2009) acrescentam a ela os beneficiários do Bolsa Família. então pesquisador do IPEA. verificou-se por outro lado uma tendência à informalidade no mercado de trabalho quando analisados os beneficiários do programa: constatou-se “uma diminuição de 8. benefício do Bolsa Família e programas do gênero. sendo aquela maior que este. ele sugere que “no caso nordestino. mas não ter. justificando que no período analisado por Gomes. ser proveniente de transferências diretas do governo como aposentadorias e pensões. p. TRANSFERÊNCIAS DE RENDA E A FORMAÇÃO DA “ECONOMIA SEM PRODUÇÃO” NO BRASIL Com a participação cada vez mais relevante dos mecanismos governamentais de transferência de renda nas ações de combate à pobreza e à desigualdade. Na verdade. cit.33). Isso é evidenciado por percepções do tipo “quem tem Bolsa Família não pode ter carteira assinada”. Belém . Isso se deve ao fato de que a renda gerada por tais formas de transferência não está vinculada a nenhuma contrapartida (imediata) em termos de produção – no caso específico do PBF e das aposentadorias. ainda.participação no mercado de trabalho.8 horas semanais no trabalho formal. 4. Gomes (2001) observou a existência de uma discrepância entre renda e produto nessa região. Entretanto. Mais recentemente. o de ter renda. é um fenômeno que se caracteriza pelo fato da principal parcela da renda.7) no trabalho informal” (op. fosse melhor dizer: pouca renda e quase nenhum produto” devido à dependência das transferências governamentais para a geração de renda (Gomes: 2001.Sociedade Brasileira de Economia. emerge a preocupação com a existência de uma “Economia sem Produção”. Pode-se. A “Economia sem Produção” é constituída.. na concepção de Gomes (2001) por três agentes principais: aposentados. que induz parcela dos trabalhadores a optar por não formalizar o vínculo.148). A “Economia sem Produção”. em que não se sabe ao certo o quanto dessa renda gera algum produto. como no caso dos empregos públicos.. e aumento equivalente (8. se em seus resultados encontrou-se efeitos pouco significativos na jornada de trabalho entre 2006 e 2009. em seu livro “Velhas Secas em Novos Sertões: continuidade e mudanças na economia do semi-árido e dos cerrados nordestinos”. ou ter pouco. caracterizar a “Economia sem Produção” como uma situação em que renda e produto não são idênticos. mostrando que a “Economia sem Produção” caracteriza “. de uma dada localidade. assim. produto” (p. O termo “Economia sem Produção” foi introduzido nas discussões sobre as características econômicas de determinadas regiões brasileiras pelo economista Gustavo Maia Gomes. sobretudo as aposentadorias rurais e benefícios que não necessitam de contribuição anterior – ou. mesmo quando os rendimentos do trabalho formal não os retirem das condições de elegibilidade do programa. Mas.PA. Ao analisar a economia do semi-árido nordestino. funcionários públicos e prefeituras. uma vez que o programa aumenta a renda per capita no domicílio.56). além de empregos e salários públicos e transferências intergovernamentais. no Brasil. Administração e Sociologia Rural . Mas consiste numa renda que não há exigência de uma contrapartida em termos de serviços produtivos para que as pessoas que recebam o benefício. os programas de transferências diretas eram dispersos e não eram abrangentes como o PBF. p.um aspecto peculiar do semi-árido nordestino. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER .

normalmente. dando margem ao desenvolvimento de novos setores e elevando de forma sustentada o PIB de cada região. as transferências diretas de recursos por parte do Governo via aposentadorias e pensões. dentre outros. Rocha (2008). o programa torna-se uma fonte de renda considerável. ao passo que “o tamanho da folha de salário das prefeituras deve guardar não mais do que uma pálida relação com o volume do produto efetivamente ofertado pelos municípios” (Gomes. nessa região nordestina. no Brasil. Essa constatação torna-se fundamental na análise de longo prazo da “Economia sem Produção”.PA. o que no semi-árido tem tido o efeito de ampliar os limites da economia sem produção. É fundamental. caracterizadas por um elevado nível de pobreza.173). dispensam contribuição anterior). Caso isso não ocorra. uma parcela desses valores está sob a forma de aposentadorias rurais (que. TRANSFERÊNCIAS DE RENDA E CRESCIMENTO O êxito das transferências de renda na redução das taxas de pobreza e na diminuição das taxas de desigualdade de renda foi sugerido em diversos estudos. Parte dos recursos das aposentadorias é incluída por Gomes (2001) nos componentes da “Economia sem Produção” porque.Uma vez que essas regiões são. dada a dificuldade de se mensurar o quanto é produzido na esfera pública. a posteriori. contabilizada na “Economia sem Produção” (Araújo e Lima. Uma outra parcela. a discussão fundamental que esse trabalho está interessado é quanto aos impactos das transferências governamentais sobre a atividade produtiva das regiões que as recebem. como o IPEA (2010). A criação do BPC teve. o volume de recursos oriundos das aposentadorias representa muito mais do que os recursos previstos nos orçamentos públicos municipais”. tais regiões correm o risco de Belém . Oliveira e Lima (2010). Gomes (2001) identifica a ocorrência de aumento do emprego público bem como uma maior dependência dos municípios das transferências de recursos dos Governos Estaduais e Federal. Em suma. disfarçada em salários”. constitui “uma transferência de renda. um importante impacto sobre o rendimento das famílias brasileiras em regiões pobres sob a forma de transferências direta de renda. 2009). por isso. Por sua vez. Kageyama e Hoffmann (2006). Além disso. tradicionalmente. a entrada de recursos monetários provenientes de benefícios concedidos pelo setor público é suficiente para elevar. 2001. é provável que a maioria dos aposentados da região nunca tenha contribuído para a Previdência Social. Segundo afirmam Tonneau et al. na verdade. 5. além de benefícios a idosos e deficientes que não contribuíram para a Previdência.Sociedade Brasileira de Economia. Assim. Medeiros et al. É importante averiguar se. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . caracterizando transferência direta de renda e. ponderar se a incidência desses programas governamentais é capaz de dinamizar as economias locais. benefícios do PBF e empregos públicos – cujos valores são bastante relevantes se comparados ao seu Produto Interno Bruto – representam a principal fonte de renda da população local. como política sócio eleitoral. os empregos públicos são considerados nessa definição. portanto. nestas regiões de incipiente produção. assim como o emprego. Cacciamalli e Camillo (2009). (2007). (2005: 75) “em muitas comunidades rurais. é preciso considerar que em muitas localidades a expansão deste tipo de emprego é utilizada. em áreas como o semi-árido nordestino. o produto local. Partindo desse pressuposto. Com o grande crescimento no número de municípios decorrente da Constituição de 1988. Administração e Sociologia Rural . p. portanto.

Isso porque induz a um consumo mais austero. Abramovay (2002) propõe que. constantemente. Administração e Sociologia Rural . ressalta que a instalação de pequenos laticínios.PA. mais a propensão marginal a consumir se aproxima de 1. Marques e Mendes (2005) assinalam a ocorrência de uma característica peculiar que potencializa seus efeitos sobre o produto: quanto mais a população alvo se aproxima das condições de extrema pobreza. gerando maior poupança e uma produção com relação capital/produto menor. Isto é. de inspiração Keynesiana. padarias e farmácias podem vir a ser atividades líderes em um processo de desenvolvimento”. Portanto. A tese de aumento da poupança é bastante polêmica. em que b é a propensão marginal a 1− b consumir (0 < b <1). em geral. que se reproduziria ao longo do tempo. 1− b Em se tratando das transferências. definido por m = . tendo como argumento contrário. Belém . ela se dissipa em milhares de parcelas de dimensões que chegam a ser insignificantes. o de Kaldor (1956). De acordo com Furtado (1968). agroindústrias e centros locais de difusão de tecnologias podem contribuir para mudar o ambiente inibidor de novas iniciativas empresariais e. numa espécie de “ciclo vicioso” em que a economia local ficaria. dependente de recursos externos. o efeito do gasto realizado (G) será tanto mais significativo sobre o produto (Y) quanto maior for a proporção da renda que as pessoas disponibilizam para o consumo 1 imediato. a ocorrência de um gasto do governo aumenta o nível de renda da economia numa proporção. Ele afirma que outros atores passam a integrar conselhos locais que planejam ações de desenvolvimento. Ambas induziriam maior crescimento. Gomes (2001: 266) chega a admitir que as transferências podem dar lugar a alguma atividade econômica. como explicitado pela equação ∆Y = ∆G ⇒ ∆Y = m × ∆G . o efeito multiplicador se aproxima de seu máximo. uma vez que a totalidade da renda obtida é direcionada para os bens de primeira necessidade. Fajnzylber (1989). favorecer a formação de poupança. maior que o dispêndio realizado em razão do chamado efeito 1 multiplicador da renda. apesar de a demanda gerada na “Economia sem Produção” ser considerável. Essa demanda não é. Afirma que.Sociedade Brasileira de Economia. nessas condições. mas principalmente estrutura social e coordenação voltada à inovação e estímulo das iniciativas individuais. de que a propensão a poupar dos capitalistas é superior à dos trabalhadores. se o processo de desenvolvimento supõe não apenas capacidade técnica competitiva. bancas de jogo de bicho. o efeito multiplicador é muito pequeno. já discutido anteriormente. dessa forma. entretanto. Em contraposição a essa visão. Além disso. e mais direto. mecanismo de desencadeamento de crescimento econômico a partir das transferências diretas consiste na demanda gerada por esses valores. m. O primeiro canal de transmissão dos recursos de transferências diretas para impactar o crescimento econômico. Esse raciocínio tem como base as teorias de crescimento induzido pela demanda. O segundo. a maior equidade na distribuição de renda pode atuar como indutora do crescimento econômico. individualmente. Assim. espalhadas por mais de mil municípios e distritos. a “Economia sem Produção” pode ser mais promissora do que a concepção anterior. por exemplo. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER .estarem inseridas num contexto de estagnação. a presença de “Economia sem Produção” hoje seria responsável por esta mesma situação no futuro. pode ser a própria redução da desigualdade social – uma das consequências das transferências. e numa versão mais recente. capaz de gerar qualquer impulso autônomo que sustente um processo de crescimento econômico: “ninguém conseguiu demonstrar que barracas de feiras livres. Nesse caso. na sua concepção. bem como começam a surgir ações coordenadas entre municípios.

numa determinada região. Low-Low. No mesmo sentido. Barros e Athias (2009) concluem que as transferências do Governo Federal tiveram papel relevante na determinação de maiores taxas de crescimento da economia nordestina na década de 2000. Sandi (2001) destaca que o pagamento de benefícios previdenciários dinamiza as economias do semi-árido. Os estudos de Landim Jr. a existência de concentração espacial das transferências de renda no Brasil. Durante a entressafra. (2009) indicam que o Programa Bolsa Família impacta positivamente no PIB dos municípios. baseada na estatística I local (LISA). esgoto e gás. Em seguida. 2001). sendo o setor industrial o mais afetado pelo programa. que são fatores ligados ao consumo de alimentos e necessidades básicas. analisou-se a evolução dos valores das transferências diretas de renda no Brasil. A construção do diagrama de dispersão de Moran. METODOLOGIA A metodologia deste trabalho compreende três etapas.PA. por meio da Análise Exploratória de Dados Espaciais. fornece as informações necessárias para a formação de agrupamentos (clusters) que representam os quatro tipos de associação linear espacial. o volume do comércio local representa 60% do obtido no mês. em termos produtivos. tal resultado se explica pelo fato de que um dos caminhos pelo qual o PBF aumenta o PIB municipal é devido ao aumento do consumo de energia. procurou-se verificar se as transferências de renda. 6. de acordo com Anselin (1999): High-High. buscou-se verificar. de fato. Um aumento de 10% no valor dos benefícios eleva em média 0. especificamente o PBF e o BPC. 2004). Administração e Sociologia Rural . por sua vez. tiveram importância para alavancar a renda e o emprego das “Economias sem Produção”. o êxodo rural e a consequente pressão sobre as grandes cidades. Isto significa que – considerando agentes heterogêneos distribuídos num espaço heterogêneo – o valor de cada uma das referidas variáveis.81%. A metodologia e os resultados são apresentados a seguir. Por fim. em 2004 e em 2009. High-Low e Low-High. Inicialmente. comparando os resultados e analisando as mudanças nos agrupamentos e no coeficiente de correlação espacial no período. Identificam ainda que nessa região os efeitos do PBF sobre o crescimento foi maior que aquele decorrente do aumento do salário mínimo. Buscou-se observar se os valores do PBF e do BPC são distribuídos aleatoriamente entre os municípios brasileiros ou sua disposição apresenta alguma dependência espacial.Sociedade Brasileira de Economia. estimou-se os impactos das transferências diretas de renda sobre a produção e emprego naqueles municípios onde a relação do Programa Bolsa Família com o PIB local é elevada. água.6% a produção municipal enquanto o PIB industrial se eleva em 0. Para ele. alguma influência sobre a economia local. Alguns estudos já corroboram a hipótese de que as transferências de renda exercem. depende do valor das mesmas variáveis nas regiões vizinhas (ALMEIDA. Tonneau et al. Neste Belém . fixando o homem do campo e diminuindo assim. seguido pelo setor de serviços. descrita por Anselin (1995). utilizando regressões com Dados em Painel. que são. Por meio da análise dos padrões espaciais de distribuição dos recursos advindos dos mecanismos governamentais de transferência de renda. A fim de contribuir para o debate. (2005) mostram que nos dias em que as aposentadorias são pagas. notadamente o comércio. o benefício previdenciário pode ser considerado como uma espécie de seguro agrícola que garante a renda das famílias dos produtores rurais (Sandi. o presente trabalho utilizou a Análise Exploratória de Dados Espaciais (AEDE) de modo a captar a existência de dependência espacial e possíveis clusters de municípios. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER .

PA. um padrão de associação espacial do tipo High-High implica que os municípios apresentam altos valores relativos do Programa Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada. estabeleceu-se um padrão nas variáveis explicativas em todas as regressões realizadas: foram utilizadas. é importante ressaltar que. não tendo como contrapartida alguma produção.estudo. que considera uma determinada amostra de indivíduos ao longo de um período de tempo. segundo Gujarati (2006). Isso. é natural que exista heterogeneidade para os diferentes indivíduos bem como dependência nas observações porque a variável evolui cronologicamente. levando em conta um número mais elevado de observações. seus vizinhos recebem valores abaixo da média. os modelos para regressão tiveram como forma: (1) Belém . sobretudo. Optou-se por utilizar um modelo da forma log-log. Benefício de Prestação Continuada e Renda Média do Trabalho (formal). devido à natureza dos Dados em Painel. Para realizar a análise a partir das regressões. estando rodeados por vizinhos que também recebem altos valores relativos dessas transferências. a fim de delinear espacialmente regiões que pudessem. o município recebe altos valores de transferências governamentais. De acordo com Silva e Júnior (2004). sobretudo ao se considerar uma abordagem de inspiração keynesiana. Dessa forma. Assim esta variável tornou-se relevante no modelo. Cândido e Lima (2010) ressaltam que o Painel permite um controle pela heterogeneidade individual não observada. Administração e Sociologia Rural . 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . interessou. Nesse sentido. ao mesmo tempo. da variável Renda Média do Trabalho justificou-se por esta ser a principal fonte de renda das famílias. a partir das características dos municípios que as compõem. Agrupamentos de padrão Low-Low se caracterizam por municípios que recebem baixas transferências de renda (em valores relativos). existem muitas vantagens em se utilizar dados em painel. os modelos em Painel vão permitir que o estudo avalie de forma mais coerente a mudança na produção e emprego dos municípios ao longo do período. ser caracterizadas como “Economias sem Produção”. onde o crescimento do produto está relacionado às variáveis de demanda. os dados em painel são mais adequados ao estudo da dinâmica de mudança ao analisar repetidamente um corte transversal de observações. Dessa maneira. Como forma de trabalhar com as “Economias sem Produção”. Isso é um indicador de que se trata de “Economias sem Produção”. numa vizinhança que também recebe baixos valores. Para o que se propõe este trabalho.Sociedade Brasileira de Economia. obtendo-se menor colinearidade entre as variáveis. que compõem o cluster high-high. optou-se por selecionar os municípios identificados por meio da Análise Espacial. O método utilizado foi a análise de regressões com Dados em Painel ou longitudinais. Assim. A inclusão. de maneira que os coeficientes βi da regressão correspondem às respectivas elasticidades. no modelo. Em clusters classificados como High-Low. as variáveis Programa Bolsa Família. De acordo com Martins (2006). sendo complementada pelos programas de transferências. pode-se considerar que contemplam tanto os dados “cross-section” quanto os dados de uma série temporal. a identificação de clusters cujo padrão de associação espacial fosse caracterizado como High- High. Para esse trabalho. segundo Wooldridge (2010). ocorrendo o inverso no caso Low-High. no entanto. potencialmente. ou seja. garante que haja ganhos de variabilidade. a rigor. como por exemplo o maior número de observações. aqueles em que o PBF como proporção do PIB é muito alto. pois a renda do município é composta em grande parte pela renda dos beneficiários do programa. maior eficiência dos parâmetros estimados e maior grau de liberdade ao se estimar a regressão e ao realizar os devidos testes de hipóteses.

ao logaritmo natural do total de empregos gerados no município i. (2) em que. esperou-se que o modelo de efeitos fixos fosse o mais adequado. Além do teste de Hausman. no período t. Atualmente o Programa Bolsa Família atende a mais de 13 milhões de famílias. não se estendendo até 2012 em virtude da falta de dados em nível municipal a partir do último ano da amostra utilizada. Isso consiste num aumento de 279% no valor transferido pelo governo para as famílias. pbf. Da mesma maneira. Para todos os modelos. no período t. 2004. ultrapassando 12 milhões em 2009. o valor médio de transferência para municípios cresceu muito entre 2004 e 2010. o Modelo de efeitos fixos mostrou-se mais adequado. Ainda. e . Administração e Sociologia Rural . Ademais. o modelo de efeitos fixos é o mais adequado. corresponde ao termo de erro. um alcance de mais de 6 milhões de famílias. Segundo Gujarati (2006). bpc. 7.PA. no período t. Diante da natureza e das características dos dados utilizados nesta pesquisa. nos anos 2004 e 2009. O período de estudo foi definido conforme disponibilidade de dados. Além disso. já passava de 10 milhões de famílias. como era de se esperar pelos motivos citados acima. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . ao logaritmo natural do valor transferido de BPC para o município i. no período t. em 2010. como o início da série. pibit corresponde ao logaritmo natural da produção ln(PIBit) no município i. acreditando-se que as unidades individuais não são extrações aleatórias de uma amostra maior. foram utilizados os testes de Chow e o teste LM de Breusch- Pagan. Esse número. Acompanhando o aumento de 94. ao logaritmo natural do valor recebido no PBF pelo município i. em curto período de tempo (seis anos). realizando-se a correção através da matriz de White. ao ser implantado em 2004. ao logaritmo natural da renda média do trabalho formal (RT) no município i. no período t. procedeu-se para todas as regressões feitas a realização dos testes indicados para a escolha entre os modelos. Este é o exato contexto da pesquisa em questão: um número elevado de municípios (1278). a presença de Heterocedasticidade nos modelos.43% no número de famílias atendidas e seguindo uma tendência de aumento no valor dos benefícios ao longo de sua vigência.791 bilhões para mais de R$ 14 bilhões em 2010.565 municípios brasileiros. Os dados utilizados neste trabalho são referentes a todos os 5.5 milhões. As séries de dados correspondentes às transferências diretas de renda foram obtidas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). foi preciso considerar o ano de início do Bolsa Família. ainda. em relação ao modelo de efeitos aleatórios. para mais de R$ 2. se o n (número de unidades de corte transversal) for grande e o t (número de períodos) for pequeno. empregoit. Neste período. rt. utilizando o método dos Mínimos Quadrados Generalizados. a fim de ter um embasamento estatístico coerente. Identificou-se. certamente a forte expansão desse benefício foi o Belém . Os dados referentes ao Produto Interno Bruto dos Municípios constam da base de dados municipais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. de aproximadamente R$ 681 mil por município. o PBF logrou. Ainda assim. as estimativas obtidas pelos dois métodos podem ser muito diferentes. de imediato.Sociedade Brasileira de Economia. o valor total gasto pelo governo federal com o PBF passou de R$ 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como pode ser visto na Tabela 1. em média. há a certeza de que os municípios não são extrações aleatórias de corte seccional por considerar um grande número de municípios brasileiros.

ainda. Além do PBF e os recursos do BPC. recursos correspondentes ao salário mínimo por meio das Aposentadorias Rurais que são concedidas a pequenos produtores que nunca contribuíram com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).662.155 21.902.119. com o caso do Nordeste. e ao aumento da arrecadação.372.156.a. em função da condição de pobreza extrema da população.022. em todos os períodos. em que os baixos rendimentos per capita das aposentadorias e pensões têm papel relevante na renda total.611.00 1.929.787.700.363.41 2011 13.051. ao mesmo tempo em que reduziu a importância de rendas provenientes do trabalho (IPEA.791. períodos de redução no valor arrecadado (anos de 2001 e 2008).370.606.00 2. Tabela 1. em quase todos os anos.582. embora o ritmo de crescimento da arrecadação federal seja bastante inconstante contendo. inclusive.533.353.608.PA.07 Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) Nesse período.498.076 8.043.691.69 2012 13. Essa situação é exemplificada por Maia (2010). 2010).00 681.822. nos últimos anos.810 7.965.744.00 1.161.140.842 3.842 14.670.751.777.14 2008 10.193.principal responsável pelo aumento da importância das transferências de renda para as famílias pobres e para muitos municípios. A Figura 1 mostra que o BPC e o PBF tiveram expansão muito superiores à do PIB.571.715.Sociedade Brasileira de Economia.045.695.00 3. o fato de o governo expandir os gastos sociais numa proporção bastante superior ao crescimento econômico.93 2006 10.19 2010 12.834.43 2005 8. ao mesmo tempo em que são baixos os rendimentos do mercado de trabalho.00 1.238.557. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER .).026.352. próximo a 20% (a.905.67 2007 11.801.834 17.996 10. Dados do Programa Bolsa Família no Brasil – 2004 a 2012 Valor Médio Famílias Valor Acumulado Ano (municipal) Atendidas (R$) (R$) 2004 6.665.451 5.915 12. Dessa maneira.454.899.00 1.00 2. denota o compromisso adotado pelo governo brasileiro no período – que engloba mais de um mandato presidencial – com as políticas sociais.95 2009 12.761. a Previdência Social transfere.524.500. Belém .880.965.044. As taxas de crescimento das transferências conservam-se. Administração e Sociologia Rural .00 3. o aumento das políticas de transferência de renda como componente das políticas sociais do governo ampliou a importância relativa das transferências monetárias na composição da renda das famílias.361.499.

Figura 1. Entretanto. as regiões que concentram a maior quantidade de pobres no país.PA. pode- se observar que a distribuição espacial no que diz respeito à região em que o agrupamento é formado. não se altera substancialmente entre 2004 e 2009. Mapa de Cluster para o Programa Bolsa Família como Proporção do PIB dos Municípios Brasileiros . Esta característica peculiar do agrupamento formado – único cluster abrangendo uma grande parcela do território – demonstra o caráter regional da política de distribuição de Belém .Sociedade Brasileira de Economia.Fonte: Elaboração Própria. Taxa Real Anual de Crescimento das Transferências de Renda Ao se analisar a distribuição espacial do Programa Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada como proporção do PIB. de um período para outro. como era de se esperar. Fonte: Elaboração Própria. nota-se uma elevação na densidade do único cluster high-high formado. São. fica evidente como esses valores estão concentrados nas regiões mais pobres do Brasil. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . Os mapas que seguem (Figura 2) mostram a formação de clusters espaciais para os valores do Bolsa Família como proporção do PIB dos municípios brasileiros no ano de 2004 e no ano de 2009.2004 Como o interesse do trabalho recai sobre os clusters espaciais do tipo high-high. assumindo aí maior relevância quando colocado em proporção da produção local. Administração e Sociologia Rural . para os anos de 2004 e 2009. Figura 2. corresponde a faixa que compreende todo o Semi-Árido do Nordeste e a Região Norte do Brasil. Neste período.

Fonte: Elaboração Própria Figura 3. que formam o grande cluster low-low. Para o caso do BPC a diferença entre esses anos. Coeficientes positivos. demonstrando uma focalização coerente com os objetivos primeiros dos programas – redução da pobreza e da desigualdade social. apesar da dependência espacial ser bem menor. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . no que diz respeito a formação de clusters. como os encontrados. além disso. via de regra. também recebem. novamente.7056 em 2009. seja baixo. A figura acima mostra. Entretanto. significam que as características dos municípios vizinhos quanto ao recebimento relativo das transferências se assemelham. mas que é relativamente menor que o da região Norte-Nordeste. como pode ser visto nas figuras abaixo: Belém . O caráter regional da distribuição é comprovado pela estatística I de Moran. O alto coeficiente de correlação espacial visto na figura acima mostra como os valores do PBF na economia dos municípios estão ligados às características regionais. Coeficientes de Correlação Espacial para o Bolsa Família como Proporção do PIB – 2004 e 2009. foi menos intensa que no caso do Bolsa Família e os agrupamentos envolveram. o coeficiente de correlação espacial. municípios que recebem altas taxas de transferências estão nas regiões onde os municípios. em geral. um número menor de municípios. isto é. Isso não significa que o repasse para outras regiões. Administração e Sociologia Rural .renda do governo. como pode ser visto pela figura 3.Sociedade Brasileira de Economia.PA.5823 em 2004 para 0. os clusters high-high estão localizados na porção Norte-Nordeste do Brasil. que houve um aumento considerável no coeficiente de correlação espacial das transferências que passa de 0.

21 a 24 de julho de 2013 SOBER . e não exatamente sob critério de pobreza. O coeficiente de correlação espacial do BPC. Isso se explica em virtude do benefício ser concedido para idosos e deficientes que nunca contribuíram para a previdência. mensura o que o mapa revela. Mapas de Cluster para Benefício de Prestação Continuada como proporção do PIB – 2004 e 2009 Fonte: Elaboração Própria. esses recursos sejam capazes de num prazo mais longo induzir atividades que possam diminuir os dependentes desse tipo de renda. com uma pequena queda na dependência espacial dos valores do BPC como proporção do PIB.PA. Figura 6. É objetivo do governo que além de reduzir a pobreza imediata. Visto que maiores valores das transferências estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste do país. Administração e Sociologia Rural . observa-se uma estabilidade do coeficiente entre 2004 e 2009. Figura 3. mostrando-se bem menor que no caso PBF.Sociedade Brasileira de Economia. Coeficientes de Correlação Espacial para o Bolsa Família como Proporção do PIB – 2004 e 2009.Fonte: Elaboração Própria. os tópicos seguintes vão procurar estabelecer a conexão entre essas transferências e a geração de renda e emprego nessas localidades. Além disso. Belém .

0000) Constante 6. que a oferta de trabalho se eleve quando a renda média do trabalho cresce.1158288*** 0.0000) (0.PA. no período.0000) R² 81. Entretanto. é mais prudente indicar que esse resultado esteja relacionado à natureza dos dados utilizados neste trabalho – empregos formais.0689503*** (0.0586146*** (0.. que pode indicar uma tendência de que os beneficiários do programa têm realocado a oferta de trabalho do emprego formal para o informal.0000) (0.027% a produção dos municípios.0000) (0.0995201*** -0. Em particular.1158) foi superior às elasticidades das transferências. Desse modo.7985146 (0. As transferências de renda mostraram-se significativas e positivamente relacionadas com o PIB dos municípios pertencentes ao cluster do tipo high-high para a proporção do PBF em relação ao PIB dos municípios (Tabela 2).1027704*** -0.0000) Programa Bolsa Família 0.Sociedade Brasileira de Economia. Apesar de as transferências terem contribuído. a primeira vista. (***) Significativo a 1% Quanto ao Bolsa Família.0000) Benefício de Prestação Continuada 0. sugere que as teorias segundo as quais o programa faz com que as pessoas deixem de trabalhar em função de receber o benefício tenham alguma razão. para uma elevação no produto. Uma elevação em 10% nas transferências do Bolsa Família para esses municípios elevariam em. o resultado encontrado é coerente com o resultado encontrado pelo Ministério do Desenvolvimento Social em sua II Avaliação dos Impactos do Bolsa Família (MDS. Benefício de Prestação Continuada e Programa Bolsa Família apresentaram-se negativamente relacionadas. Administração e Sociologia Rural . (**) Significativo a 5%.15% 94. é importante ressaltar que a elasticidade da renda média do trabalho (0. Enquanto a renda média do trabalho impactou de forma positiva sobre o emprego. por exemplo. PIB Emprego Formal Variável Agregado Total Renda do Trabalho 0. Analisando o resultado sob a ótica da oferta de trabalho. em função das Transferências e Renda do Trabalho para os municípios brasileiros. seguindo a abordagem de Tavares (2010).79% no total de empregos formais nessas localidades. Tabela 2.0000) (0.995% o PIB. aproximadamente. 1. o resultado encontrado pode ser explicado de forma lógica. É de se esperar.757687*** -2. os resultados sugerem que uma elevação percentual na renda média do trabalho provocaria uma elevação em 0. uma vez que a oferta de trabalho é função positiva da remuneração real do fator. o efeito-renda das transferências estaria superando o efeito-substituição. Resultados das Regressões do PIB agregado e Emprego Formal.075055*** (0.0000 0. as transferências de renda.55% Prob>F 0. 2012). Todas as variáveis foram significativas para explicar a variação no emprego total dos municípios. Belém . Neste caso. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . enquanto uma elevação na mesma proporção do Benefício de Prestação Continuada provocaria um aumento de 0.0000 Fonte: Elaboração Própria Nota: p-valores entre parênteses (*) Significativo a 10%. este resultado.

PA. o trabalhador informal não contribui com a previdência social. do Programa Bolsa Família. ser retirados dessas famílias. Em segundo lugar. via de regra. de preferência formais. de modo que as Belém . Com isso. com remunerações reduzidas e mais propensas a se manterem dependentes das transferências no futuro. Administração e Sociologia Rural . Ou as famílias beneficiárias ficam desestimuladas a se manter no emprego. Além disso. ou a procurar emprego (efeito-preguiça). 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . Diante desses resultados. a fim de não perderem as características para continuarem recebendo o benefício. seria fundamental a existência de políticas públicas complementares que induzissem a geração de atividades produtivas. têm importância fundamental na renda dos municípios. esperava encontrar resultados em que as políticas governamentais de combate à pobreza e de redução das desigualdades fossem. o que mostra que esses programas elevam no nível de renda da região. Os principais resultados encontrados foram que. Portanto. geradoras de desenvolvimento. Grande parte deles. principalmente. que não necessariamente é refletido na redução da oferta global de emprego. no futuro. para elas. além da insegurança quanto a garantias trabalhistas. há uma grande faixa nas regiões Norte e Nordeste do país em que as transferências. ao gerar atividades produtivas que possam desencadear um processo de desenvolvimento endógeno. No entanto. pouca ou nenhuma estabilidade para o empregado. que tem como inspiração a obra de Celso Furtado. Logo. O emprego informal tem. por suas características. Essas características deixam as famílias que optam pela informalidade mais vulneráveis a ciclos econômicos. 8. alta volatilidade.Sociedade Brasileira de Economia. se essas localidades passarem a fornecer empregos. também. CONSIDERAÇÕES FINAIS Essa análise. é possível que os resultados encontrados neste trabalho captem este movimento de redução do emprego formal. sobretudo. esta relação negativa entre o emprego formal e os benefícios do Programa Bolsa Família tem implicações preocupantes. no futuro. ou elas estão migrando para os empregos informais. auxílio em caso de doença e seguro desemprego. há a possibilidade de esse idoso depender novamente de transferências de renda. Uma delas seria manter as condicionalidades e. caracteriza-se como “Economias sem Produção”. há correlação negativa entre emprego formal e esses dois tipos de transferências de renda. Outro ponto negativo que isso indica é que essas localidades se perpetuem como “Economias sem Produção”. tais como licença maternidade. o que não é um dado positivo. que os benefícios possam. as exigências de seu cumprimento. verificou-se que há correlação positiva entre o PIB dos municípios dessa região e os programas Bolsa Família e Bolsa de Prestação Continuada. Ou seja. remunerações menores. De qualquer forma. ao invés da diminuição total da oferta de trabalho. ainda que haja apenas uma migração para a informalidade. esta relação negativa entre nível de emprego formal e Programa Bolsa Família pode estar sendo influenciada pela troca do emprego formal pela informalidade daqueles beneficiários que temem perder o benefício caso trabalhem com “carteira assinada” e de que um possível aumento de renda captado pelo emprego formal exclua sua família do programa. O mesmo raciocínio pode ser empregado ao se analisar a correlação negativa entre o BPC e o emprego formal. agora sob a forma de Benefício de Prestação Continuada. Observando-se apenas o aspecto da renda repassada aos beneficiários dos programas Bolsa Família e Bolsa de Prestação continuada. então. procurou-se verificar se esses benefícios estão contribuindo para alterar a situação das denominadas “Economias sem Produção”. por não mais atender aos critérios de baixa renda per capita. primeiramente.

Revista de Economia Contemporânea. 2009. BARROS.18. L. . ALMEIDA. p. 1999. In: Pobreza e mercados no Brasil.. Spatial Econometrics. C. 2004. Bolsa Família e Desempenho Relativo Recente da Economia do Nordeste. A impressão geral deixada pelo estudo é de que as regiões Norte e Nordeste. foco de grande preocupação de Celso Furtado.Transferências de renda e empregos públicos na economia sem produção do semi-árido nordestino. Alessandra Scalioni. vol. M. 33. ABRAMOVAY. que as caracterizam como “Economias sem Produção”. ago.novas gerações estivessem melhores preparadas para sair da condição de assistidas. Redução da desigualdade da distribuição de renda entre 2001 e 2006 nas macrorregiões brasileiras: tendência ou fenômeno transitório? – Economia e Sociedade. School of Social Sciences. Eduardo Simões de. ARAUJO. ANSELIN. ultrapassar também essa etapa. mai. No entanto. 27(2): 93-115. Dissertação (Mestrado em Economia). 14. Em outras palavras. parte da população vive. Mercados do empreendedorismo de pequeno porte no Brasil. 1995. De economia de subsistência. uma análise de iniciativas de políticas públicas. São Paulo: 24 de janeiro de 2002. Luc.PA. Programa Bolsa Família e Mercado de Trabalho: Uma Análise das Limitações e Possibilidades da PNAD e do Cadastro Único. 2009. atualmente. ESALQ-USP: Piracicaba. Vladimir Sipriano. Gazeta Mercantil. Magalhães. Alexandre Rands e ATHIAS. persiste. CANDIDO. p. ter deslanchado. 2009. 45-77. Curso de Econometria Espacial. 2011. S./ago. Brasília: Department for International Development/ CEPAL. Dallas: Bruton Center. R. Crescimento Econômico e Comércio Exterior: Teoria e Evidências para algumas Economias Asiáticas. REFERÊNCIAS ABRAMOVAY. Planejamento e Politicas Publicas. LIMA. Universidade Federal Fluminense. R. de renda transferida pelo governo. de modo que essa população fosse absorvida e deixasse de ser beneficiária de programas de transferência. em grande parte. O desenvolvimento desejado pelo autor não parece. Limites da “economia sem produção”. essa melhoria vem. Belém . É necessário. J. Outro tipo de política consistiria em medidas incentivadoras de implantação de atividades nesses locais. R. Luc. começam a apresentar melhores indicadores de condições de vida de sua população. LIMA. Local Indicators of Spatial Association – LISA. ANSELIN. CACCIAMALI. Maria Cristina e CAMILO. Diloá. Foz do Iguaçu: ANPEC. SOUZA. de modo a que essa população deixe de ser assistida e passe a ser incorporada no que Furtado denominava de “setor moderno”. n. . BRITO.Sociedade Brasileira de Economia.0(36). Salário Mínimo. ainda.G. SAES. Niterói. Geographical Analysis. com redução da pobreza e da desigualdade. como atestam a sua participação no PIB dos municípios dessa região. v.S. a sociedade dual que caracteriza uma economia subdesenvolvida.287-315. v. dos programas de transferência do governo. ainda. 2010. assim. 2003. Campinas. Ricardo. pp. Escritório no Brasil. 303-325. P. sobretudo essa última região. Administração e Sociologia Rural . M. A. F. XXXVII Encontro Nacional de Economia. Rio de Janeiro. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER .

2010. Campinas: Unicamp. Avaliação de Impacto do Programa Bolsa Família – 2ª Rodada (AIBF II). Transferências de Renda no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Luis Felipe. (2009) Os Efeitos do Programa Bolsa Família sobre a Economia dos Municípios Brasileiros. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: Relatório Nacional de Acompanhamento – Brasília: IPEA. da Concentração da Renda e das Transferências Governamentais sobre a Pobreza nos Municípios Brasileiros.mds. Quarta Edição. BRITTO.Disponívelem:<http://www. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.20 (3). v. p. São Paulo: Companhia Nacional..Velhas Secas em Novos Sertões. IPEA– Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Fortaleza. Pobreza no Brasil: uma perspectiva multidimensional. MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.FAJNZYLBER. Introdução ao desenvolvimento: enfoque histórico-estrutural. Paulo M. 1968. 2006. Gustavo Maia . MEDEIROS. A contribuição das fontes de rendimento na dinâmica da distribuição espacial de renda no Brasil. Tatiana. Econometria Básica. Disponível em <http://www. Marcelo. 842-859. F. Belém . A economia latino-americana. 2001. n. LANDIM JR. 60. Complementos de Econometria. Indicadores Econômicos FEE. N. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Teoria e política do desenvolvimento econômico. _______________. J. p. Brasília: Ipea. p. e SOARES.org/publications/mds/33P. GUJARATI.2. 2006. F..159-180.53. Alternative Theories of Distribution.59. Brasília: IPEA. The Review of Economic Studies. 2002. 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . 23. Ednaldo. Cristiano Aguiar de. GOMES. ISCTE – EG. 2006. 2012. Porto Alegre. Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina. Desigualdade de Renda e Crescimento Econômico no Nordeste Brasileiro. Revista Econômica do Nordeste. Fábio. BARRETO. Flávio A. Áquilas. 2012. ______.2010. Modelos com Dados em Painel. Nova Economia. O mito do desenvolvimento econômico. 2007 OLIVEIRA. Industrializacion en America Latina: de la “caja negra” al “casillero vacio”. 1987. n. Crescimento. mar. _______________. v. São Paulo: Companhia Nacional. novembro de 2007. acesso em 15 jul.pdf> MAIA. 2000. setembro-dezembro de 2010. v.Sociedade Brasileira de Economia.293-316. 1965. Rio de Janeiro: Paz e Terra.PA. ano 28. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura. MARTINS. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. _______________. Administração e Sociologia Rural . D. HOFFMANN. _______________.1. 2005.gov. MARQUES. MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. _______________.br>. Impacto do Crescimento. e TEBALDI. n. Comunicado n°. Rosa Maria. jun. Cuadernos de la CEPAL.ipc-undp. KAGEYAMA. 2010.33. p. 1974. D. Previdência e Assistência Social: Efeitos no Rendimento Familiar e suas Dimensões nos Estados. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação. Rodolfo. Porto Alegre.32. International Policy Centre for Inclusive Growth (IPC- IG). Francisco Soares de. 83-100.15. Alexandre Gori. p. Lisboa.. Novos Estudos. Análise Econômica. n. n. v. Desenvolvimento e Cidadania. Belo Horizonte. n. (1989). NETO. 461-490. FURTADO. H. Ângela. São Paulo: Makron Books. Economia e Sociedade. Em busca do novo modelo. CEBRAP. 1976. KALDOR. Celso. _______________. Brasília. MENDES. P. 1956. e LIMA.1.

Jeffrey M. Ricardo Dinarte & HERINGER. O. Brasília. MEDEIROS. Priscilla Albuquerque. VALE. Análise do Impacto do Programa Bolsa Família na Oferta de Trabalho dos Homens e Mulheres. OSORIO. OSÓRIO. José César.A. Viçosa. Belém . p. dez. Avaliando o impacto do programa Bolsa Família: uma comparação com programas de transferência condicionada de renda de outros países. 2006. TAVARES. Efeito do Programa Bolsa Família sobre a Oferta de Trabalho das Mães. Economia e Sociedade. Maria Célia de Carvalho. Sergei. SOARES. R. 2008. SILVA. InternationalPoverty Center. Rafael Perez. Redução da pobreza e transferências governamentais: Um estudo de caso para o estado Rio Grande do Norte na região Nordeste brasileiro. C. Clarissa Gondim. M. Rio de Janeiro. Sônia. L. J. VIEIRA. 613-635. e RAMOS.ABEP. FORMIGA. In: SANTOS. TEIXEIRA. 2005. J.pdf>.Sociedade Brasileira de Economia. 2010. 2007. Revista e Economia Contemporânea. 3. Trabalho Completo. Revista da ANPEC. nº01. 22. n. 19. Campinas. Brasília. UFV.PA. agosto de 2001.. Rafael Guerreiro. Disponível em <http://www. CRUZ Júnior. p. Marcelo. Administração e Sociologia Rural . 2004. José Lacerda Alves. Informe da Previdência Social. Fabio Veras. Orlando Monteiro. W. São Paulo: Cengage Learning. Transferências de Renda Federais: Focalização e Impactos sobre Pobreza e Desigualdade. UNDP: InternationalPolicy Centre for Inclusive Growth (IPC-IG). 1.P. Programas de transferências de renda no Brasil: impactos sobre a desigualdade. v. MPAS. Luiz Pércio – A Previdência Social nos Municípios do Semi-Árido Brasileiro. Modernização da agricultura familiar e exclusão social: o dilema das políticas agrícolas. n. Paulo César Formiga. RIBAS.1. p.ROCHA. Rafael G. Cadernos de Ciência e Tecnologia (EMBRAPA). 21 a 24 de julho de 2013 SOBER . SOARES. TONNEAU. SOARES. Tásia Moura Cardoso do. WOOLDRIDGE. AQUINO. TEIXEIRA. Métodos Quantitativos em Economia. Dados em Painel: Uma análise do Modelo Estático. Caxambu. 2010. v.ipc- undp. MG: 2010. .. 67-96. FELIPE. abr.12. XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais .org/publications/mds/27P. n. . 67-82. Introdução à econometria: uma abordagem moderna. 2008. Fábio Veras. IPC Evaluation Note. v. SANDI.