LINHAGENS

1114 DE FEIJÃO (Phaseolus vulgaris
MESQUITA, F. R. et L.):
al. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E
DIGESTIBILIDADE PROTÉICA

Bean (Phaseolus vulgaris L.) lines: chemical composition and protein digestibility

Fabrício Rivelli Mesquita1, Angelita Duarte Corrêa2, Celeste Maria Patto de Abreu2,
Rafaella Araújo Zambaldi Lima3, Angela de Fátima Barbosa Abreu4

RESUMO
O feijão representa a principal fonte de proteínas para as populações de baixa renda, todavia a digestibilidade dessas proteínas
é relativamente baixa. Por isto, os programas de melhoramento genético vêm trabalhando em busca de novas linhagens com níveis
protéicos mais elevados. Assim, com a finalidade de fornecer informações aos melhoristas, neste trabalho foram analisadas 21
linhagens de feijão (Phaseolus vulgaris L.), quanto à composição centesimal e mineral, digestibilidade protéica, compostos fenólicos
e inibidor de tripsina. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com 21 tratamentos (linhagens) e três
repetições. O teor de proteína bruta variou de 22,34 a 36,28 g/100 g de matéria seca (MS); o de fibra detergente neutro de 7,56 a 20,91g/
100 g MS; o de extrato etéreo de 0,53 a 2,55 g/100 g MS e o de cinzas de 2,97 a 4,87 g/100 g MS. Os teores, em g/100 g MS, de P,
K, Ca, Mg e S variaram de 0,45 a 0,72; 1,51 a 2,48; 0,03 a 0,28; 0,18 a 0,34 e 0,28 a 0,45, respectivamente. Já os teores de Cu, Mn,
Zn e Fe, em mg/kg MS, variaram de 11,37 a 17,73; 14,93 a 28,90; 36,67 a 69,90 e 71,37 a 126,90, respectivamente. A digestibilidade
protéica in vitro variou de 18,03% a 48,32%. Os teores de compostos fenólicos variaram de 0,28 a 1,08 mg de ácido tânico/100 g MS
e os de inibidor de tripsina de 59,93 a 151,07UTI/mg MS. Entre as linhagens com maiores teores protéicos a ESAL 569 (bege com
rajas marrons) apresentou a maior digestibilidade protéica e também níveis consideráveis de minerais. A P-180 (bege com rajas
marrons) ficou entre as linhagens com teores mais elevados de proteína bruta e entre as de maiores digestibilidades, além de ter
apresentado teores elevados para a maioria dos minerais. Não foi observada nenhuma relação entre a digestibilidade da proteína e os
teores de compostos fenólicos e inibidor de tripsina.
Termos para indexação: Feijão, Phaseolus vulgaris L., nutrientes, antinutrientes, digestibilidade protéica.

ABSTRACT
Bean represents the main source of proteins for the low income populations, though the digestibility of those proteins is
relatively low. Consequently, the programs of plant genetic breeding have been working on the search for new lines with higher protein
levels. Thus, with the purpose of supplying information to the researchers, in this work 21 bean (Phaseolus vulgaris L.) lines were
analyzed for the centesimal and mineral composition, protein digestibility, phenolic compounds and trypsin inhibitor. The entirely
randomized experimental design was used with 21 treatments (lines) and three repetitions. All values were within the following
ranges: 22.34 to 36.28g of crude protein/100g of dry matter (DM); 7.56 to 20.91g of neutral detergent fiber/100g DM; 0.53 to 2.55g
of fat/100g DM and 2.97 to 4.87g of ashes/100g DM. The levels, in g/100g DM, of P, K, Ca, Mg and S varied from 0.45 to 0.72; 1.51
to 2.48; 0.03 to 0.28; 0.18 to 0.34 and 0.28 to 0.45, respectively. Regarding Cu, Mn, Zn and Fe, the levels in mg/kg DM, varied from
11.37 to 17.73; 14.93 to 28.90; 36.67 to 69.90 and 71.37 to 126.90, respectively. The in vitro protein digestibility varied from 18,03%
to 48,32%. The levels of phenolic compounds varied from 0.28 to 1.08mg of acid tanic/100g DM and the one of trypsin inhibitor from
59.93 to 151.07 TIU/mg DM. Among the lines with higher protein contents, ESAL 569 (beige with brown stripe) presented the
largest protein digestibility and also considerable levels of minerals. P-180 (beige with brown stripe) was one of the lines with
higher crude protein contents and digestibilities, and also presented high levels for most of the minerals. No relationship between
protein digestibility and the contents of phenolic compounds and trypsin inhibitor was observed.
Index terms: Bean, Phaseolus vulgaris L., nutrients, antinutrients, protein digestibility.

(Recebido em 20 de outubro de 2005 e aprovado em 16 de maio de 2006)

INTRODUÇÃO um produto de destacada importância nutricional, econômica
e social. Além de ser um dos alimentos mais tradicionais na
O feijão é um excelente alimento, fornecendo dieta alimentar do brasileiro. Portanto, a sua contribuição
nutrientes essenciais ao ser humano, como proteínas, ferro, como fonte de proteína e caloria é bastante significativa.
cálcio, magnésio, zinco, vitaminas (principalmente do Quanto ao aporte de calorias, o feijão ocupa o terceiro lugar
complexo B), carboidratos e fibras. Representa a principal entre os alimentos consumidos, totalizando 11,2% das
fonte de proteínas das populações de baixa renda e constitui calorias ingeridas por dia (SOARES, 1996).

1
Mestre em Ciência dos Alimentos pela Universidade Federal de Lavras/UFLA Cx. P. 3037 37200-000 Lavras, MG.
2
Professora do Departamento de Química/DQI Universidade Federal de Lavras/ UFLA Cx. P. 3037 37200-000 Lavras, MG angelita@ufla.br;
celeste@ufla.br
3
Aluna de Iniciação Científica CNPq Rua Comandante Vilas Boas, 35 Jardim Floresta 37.200-000 Lavras, MG rafazambaldi@hotmail.com
Ciênc.
4 agrotec.,
Pesquisadora Lavras, v.
da EMBRAPA 31,en.Feijão
Arroz 4, p. 1114-1121,
Departamentojul./ago., 2007
de Biologia Universidade Federal de Lavras/UFLA afbabreu@ufla.br

o feijão é pobre em Vinte e uma linhagens de feijão (Phaseolus vulgaris aminoácidos sulfurados. bem como de chama. promovendo um efeito + proteína bruta + FDN + extrato etéreo + cinzas). o feijão é a principal de Biologia da Universidade Federal de Lavras. tornando-as A digestibilidade protéica in vitro foi realizada indisponíveis. o feijão Assim. alimento básico e sob o ponto de vista quantitativo. (1969). no qual os extratos das amostras foram obtidos de formar complexos coloridos com sais de ferro. por digestão nitroperclórica.): Composição química. por fotometria de diazônio e aldeídos (HASLAM. Ciênc. como teor de proteínas e minerais. utilizando metanol produtividade. A sendo prioridade nas pesquisas. Por isso.. formação de complexos com proteínas.. como. 1980). O extrato tratamento térmico do feijão. contribuindo com 28% de proteínas e 12% de de produzir caldo claro e denso após o cozimento. A dosagem de inibidor feijão devem possuir características culinárias e de tripsina foi realizada pelo método de Kakade et al. ao menor custo de sua proteína em relação as análises.. Mg. 4. A benéfico na digestibilidade (ANTUNES et al. 1115 O consumo diário de feijão está entre 50 a 100 g por palatabilidade. Cu.. nutricionais desejáveis. n. Os feijões foram contribuem com 70% da ingestão protéica. v. agrotec. embora. Isto porque. podendo ser influenciada por vários determinados pela extração das farinhas com éter etílico fatores. apesar de já A proteína bruta foi determinada pelo método micro- existirem inúmeros trabalhos com o feijão. determinação dos minerais foi feita segundo Malavolta et Os compostos fenólicos possuem a propriedade al. entretanto. 1990). capacidade dia/pessoa. boa modificado por Kakade et al. Além disso. Portanto. 1114-1121. Linhagens de Feijão (Phaseolus vulgaris L. este trabalho teve como objetivo calórico. 2007 . e rico em lisina. no processo de cozimento. inibidores usando aparelho de Soxhlet (AOAC. de Genética e Melhoramento de Plantas do Departamento Na alimentação dos brasileiros. Fe. determinação de fibra detergente neutro (FDN) foi realizada Um dos estudos relevantes é a digestibilidade segundo metodologia proposta por Van Soest & Wine. e inibição de enzimas digestivas (STANLEY empregando-se a técnica descrita por Akesson & & AGUILLERA. seu conteúdo aos melhoristas. brilho aceitáveis no mercado. e o arroz é pobre L. seguido. com a finalidade de oferecer informações é considerado um alimento protéico.. protéica. mineral e vitamínico não possa ser desprezado... 1996). baseado na determinação da perda de peso do material que diminuem a atividade das enzimas digestivas. determinar a composição química e a digestibilidade da O valor nutritivo da proteína do feijão é baixo quando proteína de novas linhagens de feijão. 31. A digestibilidade encontrada para caseína de compostos fenólicos. parâmetro nutricional que avalia o aproveitamento citados por Silva (1990). Os teores de de proteína e tratamento térmico. O submetido a aquecimento a 550°C (AOAC. conforme procedimento da AOAC (1995). Ca. Apenas esses três alimentos básicos colhidas em janeiro de 2004 (Tabela 1). que se localizam principalmente foi tomada como padrão e seu valor considerado como no tegumento do grão e em variedades coloridas 100%. Lavras. à caseína e os resultados expressos em porcentagem. P e S foram quantificados por compostos insolúveis com sais de chumbo e de sofrer colorimetria. (1974). compostos fenólicos. aliada a resistência às doenças. em importância pela carne cultivadas sob as mesmas condições. tamanho. além de ser triturados em moinho de bola acrescidos com nitrogênio uma cultura de grande expressão sócio-econômica no Brasil líquido e posteriormente embalados em sacos plásticos de (LAJOLO et al. Os teores de extrato etéreo foram de uma fonte protéica. utilizado como única fonte protéica. até especialmente. Em feijões é observada a presença Stahmann (1964). por exemplo. com (80mL/100 mL) como extrator e dosados de acordo com produção de sementes possuindo forma. os grãos de usando ácido tânico como padrão. como facilidade de cocção.) foram fornecidas pelo Banco de Germoplasma do Setor em lisina e relativamente rico em aminoácidos sulfurados. aos produtos de origem animal. quando combinado com arroz. Mn e Zn por substituição eletrofílica aromática de acoplamento com sais espectrofotometria de absorção atômica e K. Os Os programas de melhoramento genético do compostos fenólicos foram determinados segundo feijoeiro visam obter variedades que apresentem alta metodologia de Swain & Hillis (1959). cor e método de Folin-Denis. por exemplo. 1995). maior calorias ingeridas (SGARBIERI. na safra das águas e bovina e pelo arroz. A digestibilidade das farinhas foi corrigida em relação (GOYCOOLEA et al. jul. Essa importância alimentar deve-se. 1979). 1995). p./ago. ele continua Kjeldahl. 1985). (1989). não nitrogenado foi calculado por diferença: 100 (umidade inativa os inibidores de proteases. tendo sido fonte de proteína. descrito pela AOAC (1995). polietileno e armazenados em temperatura de 5 a 10ºC. forma uma mistura de MATERIAL E MÉTODOS proteínas mais nutritiva. textura macia do tegumento. 1995). A baixa digestibilidade no cinzas foram determinados pelo método gravimétrico feijão cru é atribuída à atividade dos inibidores de proteases.

2 a 2. sobretudo. MOURA.45 (ESAL 521) e 0. para o se portanto. 2000.. 1993. n. P-180 e ESAL 569. 1998).37 a 0. 1993. SIMARD. ESTEVES. em 100 g à linhagem. foram encontradas linhagens com (Paraná) a 20. de FDN variaram de 7. Nome Cor do tegumento Nome Cor do tegumento ESAL 516 Roxo D 282 Bege c/ rajas marrons ESAL 543 Vermelho Rio Vermelho Roxo Valente Preto ESAL 603 Bege c/ rajas marrons Negrito Preto P 180 Bege c/ rajas marrons Small white Branco AN 910523 Bege c/ rajas marrons CIAT 511 Vermelho ESAL 651 Bege c/ rajas marrons ESAL 521 Bege c/ rajas marrons ESAL 569 Bege c/ rajas marrons Paraná Pardo ESAL 647 Bege c/ rajas marrons BAT 304 Preto ESAL 654 Bege c/ rajas marrons ESAL 518 Bege c/ rajas marrons ESAL 655 Bege c/ rajas marrons Flor de Mayo Bege c/ rajas rosas O delineamento utilizado foi o inteiramente apresentou também um dos mais elevados teores de cinzas. casualizado com 21 tratamentos (linhagens) e 3 repetições.. mostrou o nível mais elevado de extrato etéreo com o uso do programa estatístico SISVAR versão 4. 1993). A composição centesimal das 21 linhagens de feijão O teor de P encontrado neste estudo variou de 0. linhagens apresentaram teores superiores a esses. na literatura. 2000. BRIGIDE.00 a 29.54 g/100 g MS (BARAMPAMA & SIMARD.55 g/100 g MS destacaram em relação ao P. Na literatura os teores de P variam MOURA. que Os teores. em g/100 g.28 g/100 g MS. ESTEVES. citada na literatura. e as linhagens significativa entre as linhagens.0. Verifica- Verificou-se que a linhagem ESAL 655 além de ter se que as linhagens estudadas estão dentro desta faixa apresentado o teor mais elevado de proteína bruta.87 (D-282). Lavras. ESTEVES. agrotec. que 10 de 0.96 g/100 g MS (BARAMPAMA & dados de literatura para a FDN 14 a 19g/100 g MS SIMARD. enquanto que a ESAL 516 de menor teor protéico (22.8 a citada na literatura. de extrato etéreo de 0. 647. 1998). Na literatura são citados teores Portanto.34 g/ Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância 100 g MS). 2007 . 2002).1116 MESQUITA. portanto.55 g/100 g MS).34 a 36. A análise de variância demonstrou diferença significativa entre as linhagens RESULTADOS E DISCUSSÃO estudadas para todos os minerais. (2.56 no presente trabalho. 31. Aos parâmetros significativos aplicou-se o teste de médias Os teores dos minerais das 21 linhagens de feijão Scott-Knott. as linhagens com maiores teores protéicos se de proteína bruta variando de 22. Constata-se. 2000.59 g/100 g MS (ESAL 518). 1993. indicando que essas diferenças são inerentes Vários autores encontraram teores de Ca.5g/100 g MS (BARAMPAMA & SIMARD. A umidade encontrada nas (ESAL 521) a 0. 1998. (ESAL 518) a 2.52 a 1. MOURA.97 (ESAL A faixa de K encontrada na literatura para o feijão 543) a 4. v. As linhagens farinhas de feijão variou de 13. são apresentados na Tabela 3.0g/100 g MS (BARAMPAMA & baixo (as onze primeiras da Tabela 2) estão dentro da faixa SIMARD.73g/100 g MS (ESAL 647). 1993. variando de 0. RIOS. Comparando estes resultados com varia de 0.06 g a 0. com 5% de probabilidade. ESTEVES.45 está apresentada na Tabela 2. Verifica- (REYES-MORENO & PAREDEZ-LOPEZ. 2000). que as linhagens com conteúdo protéico mais extrato etéreo 1. 1998)./ago.73 g/100 g MS (ESAL 647). 4. Ciênc. para estes parâmetros. 2000. as linhagens ESAL (BARAMPAMA & SIMARD. e para cinzas 3.28 g (BARAMPAMA & de fertilidade do solo. MOURA. Observa-se. et al.55 (ESAL 651) a 0. 1114-1121.55 (ESAL 516) e o de cinzas de 2. as linhagens com maior 4. de clima e MS. conteúdo protéico apresentam teores de K superiores aos observaram-se teores maiores e menores da faixa citada citados na literatura. F. devidas às condições de cultivo.91 (ESAL 654).53 teores superiores a estes. p. 1993). 1993. com menor teor protéico apresentaram teores de P entre A análise de variância mostrou diferença 0.26g/100 g. com maior teor protéico apresentaram teores de fósforo Observou-se que os teores de proteína bruta variaram de entre 0. porém. jul. TABELA 1 Nome e cor do tegumento das 21 linhagens de feijões. R.76 a 18. 22.

.41 CIAT 511 23. mg/kg MS (Flor de Mayo) e as linhagens com maior valor As linhagens com nível protéico mais elevado protéico teores entre 42. ESTEVES. ESTEVES.74c 4.60 SIMARD.50h 1.75c 4.72b 12. 1993.86c 4.87 P-180 32.56h 1.44 ESAL 569 33.82 ESAL 603 32.63b 33.09d 1. apresentaram teores de Fe entre 71.87a 38.88d 35.00 Os teores encontrados para Cu.34 g. ENN = extrato não nitrogenado. Ciênc. 1998) de diferentes linhagens de feijão.83g 1. 2000.42f 36. As linhagens com maior conteúdo protéico se kg de MS (BARAMPAMA & SIMARD.23 Negrito 23.37 (Small White) e 101.56e 3. 4.23 a 0.19e 1.60e 35.67e 46.54e 4. 1114-1121. ESTEVES. FDN = fibra detergente neutro. MOURA.56d 17.52b 22.90 mg/kg MS também apresentaram os níveis mais elevados de S. em mg/kg de MS.79c 3.34e 10.73d 1.22 ESAL 654 34.28e 19.95b 10.73 (P-180).38c 11. Das 10 protéico apresentaram teores de ferro entre 78.4 a 9 mg/ apresentarem também maior teor de Fe. em 100 g superiores aos da literatura.47 ESAL 651 33.70h 3. Os teores de Mg.20 a 36.81d 1.14c 8. n. EE = extrato etéreo.26e 1.15d 13. MS.76c 3. PB = proteína bruta.31f 4. Já as autores os teores de Zn registrados para vários feijões linhagens com nível protéico mais baixo mostraram teores.41b 20.03g 1. que de Zn.55e 37. estatisticamente diferentes das linhagens de menor conteúdo Constata-se que os teores de Cu do presente trabalho são protéico.03d 12.16 * Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. exceto a D-282 .49 ESAL 518 24.42b 9. Novamente verifica-se uma os teores mais elevados de Cu.86a 29. 1117 TABELA 2 Composição centesimal.28 g a 0.44c 32. (P-180). MOURA.24 g (BARAMPAMA & apresentaram teores de Zn entre 36.80a 35. de 0.37g 2./ago.02b 3.20 Flor de Mayo 24. exceto as D-282 e ESAL 651 . jul.53i 3.89 D-282 32.): Composição química. MOURA.28a 13.40c 1. sendo (2000) relatou teores de S de 0. v.83b 8.67 (ESAL 521) e 54. 7 se apresentaram com 126.90 mg/kg MS (ESAL 654).43f 48.66e 33.14g/100g MS e Moura inferiores aos encontrados neste trabalho. 2007 . Esteves SIMARD. variaram de 0.03e 1..62 Small White 23. p.18 g a 0.63e 0. mg/kg MS (ESAL 516) e as linhagens com maior valor variaram de 11. 2000.81e 16. sendo mais altos que a faixa As linhagens com menor nível protéico encontrada na literatura 0.26g/100g MS. 1998). Estudos citados na tendência das linhagens com maior conteúdo protéico literatura mostram os teores de Cu variando de 1. Lavras.55a 3.74d 20. 31.84c 0.. sendo 2000.55a 2. Segundo alguns foram estatisticamente diferentes das demais.29c 34.59d 1.36f 41. 1998).40 Paraná 24.03g 3.23f 39.44 g/100 g MS).97b 3. variaram de 20.11h 1. destacaram também com os níveis mais elevados de Mg. a P-180 teor protéico apresentarem também teores mais elevados (0.50d 14. das 21 linhagens de feijão*.31f 42.68d 3.37 BAT 304 24. agrotec.15f 1.83 (ESAL 651) e 63.75c 2.78c 13. que variaram de 0.84 ESAL 655 36.69e 14.45g/100g MS) e a AN 910523 (0.95 Rio Vermelho 32.06g 3. 1993.31f 35. Linhagens de Feijão (Phaseolus vulgaris L. em g/100g matéria seca (MS).91a 1. Linhagens PB FDN EE Cinzas ENN ESAL 516 22. níveis abaixo dos As linhagens com menor nível protéico encontrados no presente estudo.34 g.68d 4.91a 1.44e 4. 1993.38d 15. Observa-se uma tendência das linhagens com maior destacando-se a ESAL 647 (0.57b 1.92b 3.79 ESAL 543 22.47g/100g MS).93 (D-282) a linhagens com maior teor protéico..98 Valente 22.37 (ESAL 603) a 17.97g 43.04 g a 0.00 mg/kg MS (BARAMPAMA & em 100 g MS. (1998).09d 7.22f 44.10 a 0.33f 41.06g 3.60 AN 910523 33.76 ESAL 521 24.47 ESAL 647 33. exceto a Rio Vermelho .78c 13.

et al. F. R. 2007 *Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. das 21 linhagens de feijão*. 1114-1121. p.. n.. 31. em matéria seca. Lavras. v. TABELA 3 Teores médios de minerais. 4. jul./ago. 1118 . agrotec. MESQUITA. Ciênc.

.28 a 1. 18. que a metodologia empregada foi a mesma..93b 106.81d 121.97f P-180 44.17f 0. A linhagem ESAL 655.45 teor protéico foi o mais elevado.. v. 2002).97f 0. 2007 .32b 0.72d 0. cujo registrados para vários feijões estão na faixa de 0.94b 151. esse percentual de digestibilidade é ainda é de 10 mg/dia (NRC.90g Paraná 31.): Composição química.53b 0.28f 97.02a 113. 2000.91c 80.67d Valente 32.96d 0. 2003.10f ESAL 521 37.. MENDONÇA et al. as linhagens com O teor de compostos fenólicos encontrado neste maior teor protéico apresentaram valores variando de estudo variou de 0.02a 59. entre as de maior ESTEVES./ago.50d 1 Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.32%.7d AN 910523 20.88c 120. uma vez diferença significativa para estes parâmetros.96b 120. Digestibilidade2 Inibidor Linhagens Compostos fenólicos3 (%) tripsina4 ESAL 516 26. p. Isto deve ser devido principalmente a e dos inibidores de tripsina. saudáveis. e as linhagens de menor teor protéico Segundo alguns autores.32%).93h D-282 36. TABELA 4 Digestibilidade protéica in vitro.43b 0. A análise de variância mostrou diferenças inerentes a cultivar ou linhagem.07a Rio Vermelho 40. 4 UTI (unidades de tripsina inibida)/mg de MS. 2003.53e 0. 3 Em g de ácido tânico/100 g de MS.95%. encontram dentro desta faixa.27c ESAL 569 48.67f Flor de Mayo 19.48g 1.03e 0.73d 0.03%). 2 Valores corrigidos para caseína considerada 100 % digerível. os teores de compostos fenólicos variando de 19.97b ESAL 647 29.26 a 1.00a 84.00e 0.96b 67.03g 1.08a 136. corresponde a 15% da quantidade de Fe total Comparando-se com resultados de presente na dieta.. observa-se que os resultados deste trabalho foram digestibilidade protéica in vitro.90c Small White 39.80 a 73.50b 1.52g 0.08 g de ácido tânico/100 g MS.00% (EGG- Daí. verificando-se a importância do feijão digestibilidade protéica encontrados na literatura. jul. n.23c Negrito 43.48 a 43..76d 81. se destacou na digestibilidade resultados obtidos neste trabalho.14c 0.38g 0.9d ESAL 651 44. digestibilidade (18. A ESAL 569 .47g ESAL 543 36.05a 127. ESTEVES. 2000.30c ESAL 654 26.95d 1.. Comparando-se com os conteúdo protéico. teores de compostos fenólicos e de inibidor de tripsina das 21 linhagens de feijão1.96b 118.67g BAT 304 20. RIOS et al.77d 71. apresentou a menor g de ácido tânico/100 g MS (EGG-MENDONÇA et al. sendo estatisticamente diferente das demais. 4. RIOS et al. 1989) e a absorção para indivíduos considerado muito baixo. 2003).67c ESAL 603 43.89c 90. dos compostos fenólicos inferiores. verifica-se que eles se (48. 31.. Em relação à digestibilidade.77f ESAL 518 21.80e CIAT 511 43. cujos comum na dieta da população brasileira (BRIGIDE. Ciênc.88c 67.43g 0. agrotec. a busca por teores mais elevados. Linhagens de Feijão (Phaseolus vulgaris L.91c 81.97b 112. são mostrados os valores médios da 2003).28c 0. 1119 A recomendação nutricional de ferro para crianças Contudo.32a 1. Na Tabela 4.27e ESAL 655 18.03 a 48. Lavras. percentuais variaram de 48. 1114-1121.70e 106.

antitripsina e lectina. v. SOARES. V. Nutrient composition. Ciência e Agrotecnologia. 2007 . 1979. v. Pelotas. não houve correlação BRIGIDE. cujas digestibilidades protéicas foram de 48. n. p. n. Quantificação de Entre as linhagens com maiores teores protéicos a polifenóis e digestibilidade protéica de famílias de feijoeiro ESAL 569 apresentou a maior digestibilidade protéica e comum. p./ 183. de outras cultivares e também constataram essa enorme 170-176. 1995. de 148. P.80. BILHALVA. 19. Journal of foi a Small White (tegumento branco). agrotec. D. Rico 23. cultivares de G. E. n.. toxicidade. D.08). em UTI/mg MS. Journal of digestibilidade protéica. 58 f. 47. No ANTUNES. valor biológico das proteínas da dieta (ANTUNES & 1993. Provavelmente. Em relação ao inibidor de tripsina (Tabela 4). Oxford. Influence of time and contendo feijão cru em um intervalo de 2 a 9 dias. L.32%. estudo realizado por Antunes et al. p. (1983) e Kakade & Evans (1965) properties of a dry bean (Phaseolus vulgaris L. p./Feb. 16. v. 2. 2003.. a ação dos agentes ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Zn e Fe. CONCLUSÕES A. p.. contribuindo para o efeito tóxico total.60 e 161. Esses compostos desconhecidos podem ser BARAMPAMA. 27. C. B.02) e CIAT 511 Cu. L. WOLZACK. Analytical Chemists. carioca. SIMARD. Lavras.07 UTI/mg MS) cuja digestibilidade foi melhor que a Flor de Mayo. R. melhorando o Burundi.428) entre a digestibilidade protéica e o inibidor comum (Phaseolus vulgaris L. CORRÊA..48% e 43. M. p. tegumento vermelho.. conditions of storage on technological and nutritional Bressani et al. antinutricionais. V. respectivamente. Chicago. Carioca. A. G. 1995. P. L.. Valor nutricional de feijão (Phaseolus vulgaris. Revista inibidores de tripsina.. Observa-se que os teores mais elevados de 180 ficou entre as linhagens com teores mais elevados de compostos fenólicos (g de ácido tânico/100 g MS) foram proteína bruta e entre as de maiores digestibilidades. 1983. EGG-MENDONÇA. maior teor (151. jul. J. K. et al. M. Food Chemistry. jan. C.. Piratã-1 e Rosinha-G2 apresentaram cultivares rico 23. 48. p.. ESAL 655 (1.50%. e a linhagem D-282 apresentou o Food Science. Mg e Cu. Bathesda.93 UTI/mg MS) e baixa methods of analysis and effects on protein quality. Os autores comentam que abr. A linhagem Flor de Mayo apresentou o menor teor BRESSANI. 4. v. F. 157-167.008) entre os dois parâmetros.. de tripsina. P. ABREU. 1114-1121. 3.02). SGARBIERI. ESAL 651 de ter apresentado altos teores dos minerais P. 858-864. Z. 1979). R. Ciênc. S. D. A. Flor de Mayo (1. 4. SGARBIERI.. 1964. 1000-1003.50.) irradiados.). além encontrados nas linhagens ESAL 569 (1. 2002. podem estar presentes. ed.07 UTI/mg MS. (1. v. (1995). C. Brasileira de Agrociência. 12-18. MORAIS. jul. feijão. Nutrition.) grown in identificados. 1. R./ago. Mg. Washington.03%. todavia observa-se que as linhagens de maior Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de teor protéico apresentaram também maior teor de inibidor Alimentos) .00). L. A toxicidez aguda do feijão cru não parece ser devida. 44. 257-261. A. R. uma vez que Official methods of analysis of the Association of the outros. Enquanto a P. v. 2002. ELIAS.05). do C. STAHMANN.. As três primeiras linhagens são de tegumento bege com rajas marrons. altamente termolábeis. M.. C.) variety estudaram a letalidade de ratos alimentados com feijões Rosinha G2. 83. A pepsin pancreatin que apresentou o teor mais baixo de compostos fenólicos digest index of protein quality evaluation. v.Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. SANTOS. 136. fenólicos e inibidores de tripsina. Chicago. n. Não foi observada nenhuma correlação linear entre 44.1120 MESQUITA. Common beans: de inibidor de tripsina (59.93 a 151. 31. exclusivamente. pirata-1 e rosinha-G2. C. Jan.95%. altamente tóxicos.. A linhagem AKESSON. 1. pois tratamento térmico brando. ainda não identificados. de tripsina. também níveis elevados de P. Journal of Food Science.30. A. responsáveis pela baixa digestibilidade. n. provocando letalidade total dos ratos alimentados com dieta ANTUNES. ELIAS. não a digestibilidade da proteína e os níveis de compostos havendo correlação linear (-0. outros fatores devem ser Piracicaba. (1. W. in vivo a toxicidade dos feijões foi extremamente elevada. respectivamente. P. Disponibilidade de ferro em grãos de feijão linear (0./ago. protein quality and antinutritional factors of some insuficiente para eliminar os antinutricionais varieties of dry beans (Phaseolus vulgaris L. tegumento bege com REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS rajas rosas e a CIAT 511 . diminui a toxicidez aguda. encontrou-se teores de 59. R. a Flor de Mayo . 18. Portanto. Lavras.

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