AFABILIDADE E BENEVOLÊNCIA

Ao observar as pessoas da atualidade, nota-se que elas se encontram desprovidas,
sobretudo, da afabilidade e benevolência.

Vou escrever a respeito, tendo como base a nossa Igreja. Para se saber até que
ponto progrediu a própria fé, ou a que nível chegou o polimento espiritual, é preciso tomar
um padrão. Não se trata de algo muito difícil. A perda do gosto pelos atritos, e
conseqüente manifestação dos sentidos da amabilidade e benevolência, são fatores que
provêm do polimento espiritual adquirido, o que constitue, principalmente, a importância da
fé. Pessoas assim são estimadas e respeitadas por todos porque tais qualidades
constituem o verdadeiro valor humano.

Entretanto, ao vermos as pessoas da atualidade, constatamos que a amabilidade e
a benevolência são fatores que lhes carecem de forma demasiada. Em todos os lugares,
observa-se que o homem vive criticando, à procura dos defeitos alheios, odiando e
repreendendo. Tal aspecto é, realmente, indesejável de ser visto. Podemos afirmar que no
homem moderno quase não existe a benevolência. É superegoísta, grosseiro e calculista,
não se importando em ser desprezado por terceiros. Isso é uma democracia exagerada,
transformada no egocentrismo. O que há de mais indecente é o fato de ser um delator e
exclusivista, caracterizando-se por uma falta de humanismo ao extremo. Como há o
incremento de elementos dessa natureza, a sociedade torna-se obscura, fria e cresce o
número daqueles que são pessimistas. E este aspecto pode ser a causa que esteja
influenciando a demasiada ocorrência de suicídios ultimamente. A verdadeira sociedade
civilizada surge com o incremento de pessoas que praticam princípios como o do
cavalheirismo inglês e da filantropia americana. A valorização da moral social e seu fiel
cumprimento é que poderá determinar a manifestação de uma sociedade agradável e boa
de ser vivida. Considerando-se que a sociedade dessa ordem seja o Paraíso deste mundo,
o mundo paradisíaco se encontra bem ao alcance do homem. Observando-se por outro
ângulo, atualmente, proclamam como sendo de extrema importância para o País, a
implementação de um plano turístico. Não resta dúvida quanto à importância dos
investimentos relacionados aos recursos materiais para tal. Mas a necessidade de causar
a boa impressão aos estrangeiros é algo ainda mais importante. São três os fatores:
afabilidade, benevolência e asseio, que constituem a fundamental importância no
relacionamento com os turistas, sem mesmo demandar qualquer custo financeiro.
Entretanto, a condição básica para a formação de tais pessoas não está em outra coisa
senão na fé. Esta é a meta a qual a nossa Religião prossegue visando realizar.

25 de Outubro de 1950

Retirado do livro 'Escritos Divinos - Seimei'