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Gerken, C. H. de S. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico-
Cultural de Vigotski

A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a
Psicologia Histórico-Cultural de Vigotski

The Reason and the Other in Lévy-Bruhl: Notes for a Dialogue
with the Historic-Cultural Psychology of Vygotsky

Carlos Henrique de Souza Gerken1

Resumo
Neste texto, faremos um esforço de apresentar algumas ideias fundamentais do diálogo que se estabeleceu entre Vigotski e Lévy-Bruhl.
Parte-se do pressuposto de que o debate sobre a relação entre evolução da sociedade e transformação dos modos de representação e de
compreensão do mundo, realizada no campo da antropologia, teve um profundo impacto no modelo histórico-cultural, constituindo-se ora
como fonte de inspiração, ora como campo de disputas na construção da abordagem sobre o desenvolvimento do saber na humanidade.
Nosso objetivo é pontuar algumas contribuições de Lévy-Bruhl que, ao lado de Durkheim, elaborou uma rica discussão sobre a natureza da
representação coletiva enquanto processo de mediação, além de postular a origem social dos processos simbólicos de apreensão da realidade.

Palavras-chave: processos simbólicos; representações coletivas; psicologia; antropologia.

Abstract
In this text, we will make an effort to present some fundamental ideas of the dialogue which was established between Vygotsky and Levy-
Bruhl. It starts from the assumption that the debate regarding the relation between society evolution and transformation of the forms of
representing and understanding the world, performed in the field of anthropology, had a deep impact on the historic-cultural model,
consisting either of a source of inspiration or of a field of disputes in constructing an approach on the development of human knowledge. Our
aim is to point out some contributions from Levy-Bruhl’s, who, along with Durkheim, produced a rich discussion on the nature of the
collective representation as a process of mediation, and postulated the social origin of the symbolic processes of apprehension of the reality.

Keywords: symbolic processes; collective representations; psychology; anthropology.

1
Doutor em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor associado e pesquisador da
Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), Laboratório de pesquisa e intervenção psicossocial (Lapip). Endereço para
correspondência: Rua Dez, 112, Girassol, São João Del Rei, MG, CEP 36.303-010. Endereço eletrônico: hgerken@superig.com.br

Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1), São João del-Rei, janeiro/junho 2012

complexidade. a cultura e os seres deveriam passar. à qual têm se dedicado vários autores campo de conhecimento no momento de sua contemporâneos. teve um indagações a respeito da possibilidade de haver profundo impacto no modelo histórico-cultural. da antropologia e da linguística. Esse problema ocupou tanto embora trabalhe em uma condição mental de os evolucionistas ingleses como Spencer. 1986). A circunstância de estabelecermos as bases de um diálogo com a crítica pode ser resumida nos seguintes termos. 1988 social dos processos simbólicos de apreensão da 1995. na construção da próximo de sua morte. evolução da sociedade e transformação dos modos não se sentiu apto a compreender. 1996) e W. Nesse Nesse sentido. além de postular a origem oralidade. o pensamento humano é sempre. C. Lévy- de referências que possam auxiliar na compreensão Bruhl havia sido convidado para ocupar a cátedra de sua teoria. Apesar de reconhecer essa ser humano em sua complexidade. a mudar sua visão sobre esse campo de estudos e Neste texto. estabelecendo relações de causalidade estágios evolucionários. Nosso objetivo é pontuar algumas 2 Procuramos mostrar no trabalho Linguagem. no de idade. Um teoria histórico-cultural de Vigotski. 1999) em que natureza da representação coletiva enquanto medida as formulações de Lévy-Bruhl articulam-se com produções mais recentes na constituição do campo de estudo da processo de mediação. Tylor e intensa ignorância (Jahoda. em que os autores realidade. Ong (1982. Parte-se do amigo enviou-lhe uma tradução de um texto antigo pressuposto de que o debate sobre a relação entre de origem chinesa. Del Reio e Alvarez (1995). Tylor e Frazer. através dos quais todos os entre a organização da sociedade. ao lado de cultura: apontamentos para a elaboração de uma teoria sobre Durkheim. faremos um esforço de apresentar que o faria redirecionar os seus interesses de algumas ideias fundamentais de Lévy-Bruhl a fim pesquisa para o resto de sua vida. de que as parâmetros teóricos de explicação da origem social diferenças psicológicas entre os grupos humanos das estruturas cognitivas de compreensão da deveriam ser explicadas em termos de níveis de realidade. esquecido no tocadas pela escrita e as transformações provocadas pela sua campo da antropologia. 1991. J. cognição e contribuições de Lévy-Bruhl que. O episódio da entrada de Lévy- trabalhou de forma sensível e criativa com um Bruhl para a antropologia é curioso e mostra como número muito extenso de fontes. suas análises no desenvolvimento do modelo Wertsch. Frazer. em 1900. formulações teóricas constituem contribuições que Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). de S. além de não ter esse autor era comprometido eticamente com a utilizado dos seus interlocutores para subscrever as busca de um conhecimento que pudesse explicar o suas teorias. interessado particularmente no considerando-se que Vigotski foi um autor que problema da lógica. ora que orientou as suas investigações até muito como campo de disputas. Pino Vigotski2. Nicolopoulou e Weintraub (1996). 1996). experiência que o filósofo teria iniciado as suas realizada no campo da antropologia. diferenças radicais no pensamento humano. Foi como filósofo que ele entrou para a para a complexidade desse tipo de empresa antropologia. avaliação do poder heurístico de seu modelo que definia os principais contornos teóricos desse teórico. lógico e essencialmente racional. que. aceitava-se genericamente o ponto de vista elementos essenciais das reflexões realizadas no da chamada Escola inglesa dos evolucionistas campo da antropologia e da sociologia sobre os sociais Spencer. Wertsch (1985. acreditamos ser fundamental a busca De acordo com Jahoda (1999). entre os quais podem ser citados constituição. 1988. de certa forma. Tulviste (1991). questão constituindo-se ora como fonte de inspiração. apesar de seus esforços. janeiro/junho 2012 . metafísica e introspeccionista. na confluência da Embora Lévy-Bruhl seja um autor pouco psicologia. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski A compreensão do contexto dialógico no qual tiveram amplas repercussões na construção de uma Vigotski se localizou como leitor e pensador é uma teoria psicológica que propunha romper com uma tarefa imprescindível para a realização de uma abordagem idealista. 1999). A problemática particular de Lévy-Bruhl é Nicolopoulou e Weintraub (1996) chamam atenção filosófica. 131 Gerken. particularmente. São João del-Rei. como os representantes da escola francesa Lévy-Bruhl tinha por volta dos cinquenta anos de sociologia. (1999). veremos que as suas conquista. elaborou uma rica discussão sobre a as relações entre a oralidade e a escrita (Gerken. de História da Filosofia da Sorbonne. Knox (1996) e outros. principalmente as repercussões de Cole (1997). nos estudos de Havelock (1986. Kozulin teórico da psicologia histórico-cultural de (1990). quando teve uma experiência que o levou final do século dezenove. nos interessa resgatar alguns período. primitivo e moderno. com o objetivo de compreender os modos de funcionamento de culturas não conhecido entre nós e. e em todos fundamento social e cultural do pensamento dito os lugares. procuram constituir um novo campo de saber. abordagem sobre o desenvolvimento do saber na humanidade. Foi a partir dessa de representação e de compreensão do mundo. como Durkheim e Lévy-Bruhl. em 1938. H. De acordo com Tylor e processos cognitivos. demonstrando teoricamente o Frazer.

no qual cada um localiza a sua fala. é preciso afirmar que esta não foi nunca a sua intenção. escrito em 1910. sentimentos de respeito. como uma nossos princípios lógicos de apreensão da estrutura que antecede e supera o nível particular. por serem numa instância psíquica independente das transmitidas de geração em geração e por se dimensões biológicas e sociais. Como esta tarefa seria praticamente impossível de ser realizada com dados etnográficos diz respeito aos primitivos – pelo estudo do disponíveis no período. a sua problemática é (Lévy-Bruhl. constituía. São João del-Rei. 3 Gustav Jahoda (1999) afirma que “idealmente o objetivo de As representações coletivas têm suas leis próprias. Por outro termos: como construir uma psicologia objetiva que lado. de para a criação dos saberes sobre o homem e um adoração por seus objetos. por diferenciação. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski Do ponto de vista teórico. au contraire. tudo o que não pode ser explicado por uma a análise do sujeito individual (Lévy-Bruhl. é. afastando-se das concepções empreendimento teórico estavam na necessidade de dominantes de “natureza humana”. 1910/1951. as partir de uma ótica distinta da perspectiva adotada representações e os sentimentos e que não separe o pelo introspeccionismo filosófico tradicional. l’homme par investigação das leis de funcionamento das l’humanité” (Comte citado por Lévy-Bruhl. se articulam e se distinguem das A resposta para essa questão exigia tomar como representações construídas pelos indivíduos objeto de análise os fenômenos que acontecem. janeiro/junho 2012 . verdadeiro obstáculo epistemológico para se pensar O fundamental dessa definição é a tentativa de numa “ciência do psiquismo” independente das mostrar de que forma as representações coletivas. A representações coletivas nas “sociedades língua não existe independente dos falantes. A questão colocada sociológica e etnográfica que pudesse se converter para Lévy-Bruhl pode ser resumida nos seguintes numa verdadeira antropologia científica. ao mesmo tempo. Jahoda adverte ainda que “como coletivas e suas ligações nas sociedades inferiores seus esforços foram compreendidos como uma tentativa de que poderá lançar alguma luz sobre a gênese de elaborar o quadro de dois tipos humanos completamente nossas categorias e de nossos princípios lógicos. “nesses verdadeiros laboratórios” afirma Lévy-Bruhl. mesmo tempo é anterior a eles e se impõe a cada o funcionamento de nossas próprias categorias e os um como um universo possível. do seu ponto de vista. distintos. o estudo das representações mentalidade moderna” (p. O primeiro caminho seria colocado pela chamadas “sociedades inferiores. no imporem aos indivíduos e lhes provocarem. Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). que. o autor pretendia analisar o espírito humano a leve em consideração. 132 Gerken. 1910/1951. Lévy-Bruhl teve duas possibilidades para o “etnopsicologia”. ao mesmo tempo. é a língua. Lévy-Bruhl era desenvolver uma tipologia de uma que não podem ser descobertas – principalmente se multiplicidade de mentalidades. na vida mental do independentes das leis da psicologia fundadas sobre homem. A tomada de posição teórica de reconhecidas por serem comuns aos indivíduos de Comte em relação à impossibilidade de se pensar um determinado grupo social. que indivíduo do meio social em que vive? funcionou como teoria hegemônica no meio Lévy-Bruhl procurou se orientar pela célebre acadêmico durante a segunda metade do século fórmula de Auguste Comte. de S. Les functions mentales dans les articular o postulado da unidade humana com o fato sociétés inférieures. determinações assinaladas. que afirma no seu dezenove e início do século vinte. individual. baseada na análise de documentos desenvolvimento de um pensamento original e de caráter etnográfico provenientes das então próprio.180). Lévy-Bruhl teria se concentrado na indivíduo “branco. 2) a mesma da antropologia como um todo: trata-se de Nesse texto. Não dependem dos indivíduos naturalmente oferecidos pelas sociedades para existir. do individual. C. realidade3. simples reação à excitação do organismo é de 1910/1951). adulto e civilizado”. Do ponto de vista do criador da possuem modos de funcionamento próprios. O exemplo dado por diretores da “mentalidade primitiva”. para poder explicar. No entanto. De acordo com Goldman (1951) fará um esforço de estabelecer essa nova (1994).” As razões necessidade de dar à questão da moral um metodológicas para a realização desse tratamento científico. A proposta dessa ciência objetiva do de um sujeito coletivo distinto dos indivíduos que psiquismo humano era estabelecer os princípios compõem o grupo social. sociologia e da filosofia positiva. de crença. As representações coletivas podem ser natureza social. um dos grandes marcos epistemológicos exemplo. forma pura. não implicam na existência primitivas. p. Lévy-Bruhl para nomear essa instância coletiva determinar as leis mais gerais a que obedecem as distinta do particular. por período. p. 3). mas ao inferiores”. sem dúvida. Ao elaboração da dicotomia entre mentalidade primitiva e contrário. de isoladamente. ou seja. H. representações coletivas. Aquelas possuem leis próprias. Esse esforço levar em conta o caráter sociológico das chamadas exigiria a formulação de uma psicologia de base “funções mentais superiores”. Curso de filosofia positiva: “Il ne faut pas définir O objeto de análise de Lévy-Bruhl é a l’humanité par l’homme. Lévy-Bruhl da diversidade cultural.

181). A pretensão de apreender os modos que cercavam a tarefa de explicar as diferenças pelos quais as representações se articulam no utilizando-se de instrumentos lógicos da cultura interior de uma mentalidade que. A mentalidade dos primitivos. na recursos cognitivos de formulação do pensamento. na ocidentais? Se a resposta a essa questão privilegia a medida em que Lévy-Bruhl anuncia a possibilidade identidade dos processos como o faz a antropologia de um diálogo com essas culturas a partir da análise inglesa4. H. brancos de formular leis que possam dar conta do universo e civilizados”. Tylor acreditavam que os mesmos despeito de sua posição a esse respeito ser absolutamente clara. 1994). como o faz Lévy-Bruhl. então. compreendemos a sua língua. Nesse sentido. é o “mentalidade primitiva”. a abstração. não é possível ser ao mesmo por Goldman. é Nesse sentido. nesse tipo de sociedade. Para cumprir com exemplo dado por Lévy-Bruhl para demonstrar a esse objetivo teórico. quais sejam: a memória. Lévy-Bruhl não renuncia à necessidade diferente do que prevalece para os “adultos. 1999. porque não quatro funções básicas que caracterizam o conhecemos outras formas de construção de processamento cognitivo. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski Seriam os modos de compreensão dos povos registro dos princípios mais ordinários do primitivos idênticos aos modos de apreensão da funcionamento do pensamento racional. Ora. características das sociedades modernas A contradição evidencia-se. Era preciso penetrar lógica. com a busca de compreender o outro de certo modo. pensamento do antropólogo francês está no cerne Apesar das dificuldades inerentes a esse de suas formulações a respeito do pensamento dito empreendimento. sem se inquietar princípio da contradição e da identidade não é com contradições que um pensamento lógico não respeitado. supor que esse pensamento não característica de todo o pensamento antropológico funciona de acordo com os princípios da lógica é. p. Contudo. base de toda a lógica ocidental. renunciar à sua explicação. uma das soluções que se nesse universo sob o risco de renunciar aos próprios apresenta é considerar que esse pensamento. medida em que não é imediatamente acessível. 200-201) tempo A e B. p. B. Para os princípios que governam o poderia mais tolerar. A memória teria. “vários psicólogos proeminentes do período funcionamento da mente civilizada funcionariam. C. uma importância muito Ele compreendia bem que o homem primitivo em sua vida cotidiana era tão competente quanto o homem ocidental em lidar 5 com o seu meio ambiente. que se vangloriam de prelogismo e a participação. não é primitiva. São João del-Rei. ocidente? uma comunicação praticável entre essa mentalidade O interesse e a maior contradição do e a nossa (Lévy-Bruhl. a impossibilidade de necessariamente também pré-lógica: isto quer dizer compreensão do funcionamento dessa mentalidade que. de S. 133 Gerken. preocupada sobretudo com as propriedades e primitiva evidencia-se na medida em que o forças místicas dos objetos. sem entrarmos em contradição. independentes usaram a teoria de Lévy-Bruhl para realizar essa aproximação do contexto social. ou explicá-lo. então como explicar o fato dessas do encontro entre a cultura europeia e os povos de sociedades terem permanecido em graus primários outros continentes. toca diretamente no problema da formado por essas diferenças. 1910/1951 citado pensamento racional. A compreensão da lógica de de domínio tecnológico e societário? Se a resposta suas representações é antecipada. definido de forma explicações que possam ser legítimas fora do universal. 181). p. sem deixar. de se afirmarem homens (Goldman. princípios de associação mental que explicaram os modos de afirma Jahoda. Spencer e E. seres. seu trabalho não dizia respeito a este Em mais uma advertência é necessário afirmar que Lévy-Bruhl problema. sendo mística. Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). para todos os seres humanos. o dos índios brasileiros Bororo. 1994. 1910/1951)5. como a maioria de seus contemporâneos fazia. leis da lógica. janeiro/junho 2012 . mas se dirigia à representação mental do mundo” nunca comparou o adulto primitivo com a criança ocidental (Jahoda. realidade. não obedece exclusivamente às concepção etnocêntrica e evolucionista. fazemos negócios como explicar o processo de evolução que terminou com eles. na medida em que privilegia a diferença. formula um triângulo inexistência dos princípios que governam a lógica conceitual com o qual pretende nomear essas aristotélica (princípio de identidade e de diferenças e apreender as leis de funcionamento da contradição). de seu tempo. são eles: O misticismo. por outro lado. desde o início. O que fica evidente é que o pensamento desse compreensível e mesmo explicável para o homem autor caracteriza-se por uma tensão entre uma europeu civilizado. a 4 H. 1999. chegamos a interpretar suas instituições e por caracterizar o pensamento lógico dominante no suas crenças: há então. uma passagem possível. (Lévy-Bruhl. entre a mente primitiva e a criança” ( Jahoda. a generalização e a classificação. O a partir de novos referenciais. no entanto. ser araras. Se existe uma modalidade de pensamento que não Para desvelar o funcionamento da mentalidade funciona dentro desses parâmetros. das ambiguidades e contradições “primitivo”. concebe a relação entre eles sob a lei de participação. Lévy-Bruhl ocupa-se do estudo das possível compreendê-lo. é ocidental.

37- exclusiva às suas dimensões místicas. conceitos homogêneos que seria. dedicando atenção com o mesmo espírito. janeiro/junho 2012 . A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski maior do que as outras funções. de S. São João del-Rei. Os primitivos característica seria isolar os caracteres que veem com os mesmos olhos que nós: não percebem constituem um ser. selecionando e representações coletivas seriam concretas. pp. não no tempo. sobretudo o chamados “povos primitivos”.. por diferente. que seriam parte da conceito de prelogismo. Do Por outro lado. também daquele que percebemos. para nós. imagens. a aplicação vez que consistiria apenas no resultado de direta da teoria da evolução sugeria uma série de abstrações e generalizações misticamente desvantagens para os povos cujas raças eram orientadas (Goldman. também dominantes em seu de ligação entre as coisas. haveria um predomínio da mesmo modo que o meio social em que vivem é ordem do indivíduo nas sociedades diferenciadas diferente do nosso. que terminou por deixar origem das nossas próprias construções lógicas. o mundo exterior que percebem difere oposição. 1957. ao considerar o princípios da lógica ocidental. representações abstratas. Mas é preciso levar explica essa dicotomia é a construção de uma oposição entre a noção de “indivíduo” e a de Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). que 38) englobariam tudo aquilo que ultrapassa o alcance imediato dos sentidos. Lévy-Bruhl ao papel por ele atribuído à linguagem e aos se colocará frontalmente contrário ao sensualismo símbolos. Sem dúvida analíticas e conceituais (Goldman. sentidas. pois possibilitaria que as objetos familiares são reconhecidos de acordo com inúmeras sínteses substantivas recebidas da tradição as experiências anteriores. integração mental desses ordem coletiva impõe-se ao indivíduo. nas sociedades ditas primitivas a e as percepções. Seria basicamente em conta aquilo que as representações coletivas concreta e atenderia a necessidades reais de fazem entrar em cada uma de suas percepções. que estão na base das principais formulações da Um dos principais problemas enfrentados por psicologia histórico-cultural de Vigotski. prelogismo a ideia de que os povos primitivos não Seguindo a tradição racionalista. A generalização consistiria Por outro lado. dos seres. em outras palavras. filtrando. A classificação seria características anatômicas e funcionais dos povos também de caráter fundamentalmente místico. A abstração seria uma em um estado de consciência complexo. como a maioria dos grupos de sociedades oportunidade de identificar as matrizes conceituais tradicionais estudados. é importante ressaltar que o autor basicamente no resultado de um sentimento difuso afasta-se das ideias. 1994). O que possuem os mesmos sentidos que nós. e a mesma estrutura do aparelho cerebral.. dados por Lévy-Bruhl ao conceito de prelogismo e Do ponto de vista epistemológico. sintéticas. uma europeus civilizados. Lévy-Bruhl sustenta espírito humano fundamentalmente ativo e não puro que esse pensamento só é pré-lógico no sentido de reflexo dos estímulos provenientes do mundo que ele não teria sofrido o tratamento dado pelo exterior. concede ao “meio seriam capazes de funcionar de acordo com os interno” um papel fundamental. as como mediadoras que. porque. diferentes e para sociedades que não dominavam a No exame dos seus conceitos teremos a escrita. 1994). de que os povos “ditos primitivos” não processo de elaboração puramente lógica de teriam à sua disposição o mesmo aparato orgânico. onde operação substancialmente mística. 134 Gerken. Entre as sensações captadas pelos sentidos indivíduo. Nesse contexto. sem oferecer estímulos.. as mesmas fundamento dessa operação. cabe apresentar o eixo fundamental do funcionamento psíquico” que governariam as processo de construção do conhecimento proposto e representações coletivas construídas pelos discutir o sentido de alguns conceitos. Os primitivos não percebem nada como nós. constituiriam as emocionais. irracionais (Goldman. objetos. sua marca na psicologia. que se ocuparia dos aspectos sensíveis dos ideia de mediação com a qual opera Lévy-Bruhl. organizando as sensações. Herdeiro das concepções de Kant sobre a se tratar da articulação entre a linguagem e as natureza do processo de construção do formas de compreensão do mundo. por empirista. as representações coletivas funcionariam a ele condições de reflexividade. questões que nos interessam de perto. H. (Lévy-Bruhl. Nesse campo. diferente da abstração O texto acima transcrito deixa bastante clara a lógica. Sua principal dominam as representações coletivas. 1994). vividas.. o as mesmas habilidades perceptuais. uma coisa. racionais. Nessa Lévy-Bruhl é explicar o que ele chama de “Leis do direção. e precisamente porque é ocidentais europeias que compartilhariam. em suma. seres e homens. C. todos os processos fisio-psicológicos da percepção funcionam social pudessem estar sempre presentes nas neles como nós. Os reprodução da cultura. fundamenta o seu modelo numa Apesar de estar implícita no conceito de interpretação do positivismo de Augusto Comte. presas às percepções. conhecimento. Mas seu produto é logo envolvido consciências individuais. como iremos demonstrar Nesse ponto é que se podem esclarecer os sentidos adiante.

sociedades. (Lévy-Bruhl. esses conceitos realizadas no texto anterior. representações coletivas. diferindo apenas no que caracterizariam o modo de vida dessas sentido em que se oferecem à sensibilidade. p. mas eles seriam. em nome dos seus hábitos do espírito” (Lévy-Bruhl. no texto ao qual nos referimos poderiam desempenhar o papel de simples anteriormente. 1994. individuais. não possuindo. Esse tema será para evitar contradições. 1910/1951 citado demonstrada de repetir os sermões palavra por por Goldman. as representações coletivas experiências concretas. Os autores são unânimes ao atribuir a Lévy- Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). raciocinar de um indivíduo. p. dos processos ou mesmo. em La mentalité primitive uma verdadeira dimensão dessa mesma realidade. no entanto. Em outras palavras. 205) palavra e. nem de entrar como peças em um sistema missionários admiram-se com a capacidade hierárquico superior. Por outro lado. ou uma configurações dentro da psicologia. no caso de Vigotski. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski “coletivo”. conquistado conhecida aversão pelo raciocínio discursivo no interior da escola. essa operação aparece teórica. serão apreendidos pela missionários que tiveram oportunidade de passar psicologia naquilo que interessam como suporte longos períodos de convivência com os grupos para a descrição de processos evolutivos indígenas da América. na medida em que estão antecipadamente fundamentais desses hábitos mentais distintos dos fixados. Lévy-Bruhl (1910/1951) procura representantes convencionais de uma realidade que explicar o funcionamento interno das lhes seria exterior. os seus conteúdos (Lévy-Bruhl. Lévy-Bruhl espera Imersos num ambiente intelectual marcado pela poder confirmar as suas análises mais abstratas ideia de evolução e de progresso. sociedades tradicionais. o pensamento dos detalhes das descrições. 1938. O mentalidade analisados pelo autor figura a primeiro seria pré-lógico e o segundo. que o mesmo autor pretendia superar. racional. 1994. texto de “mentalidade primitiva” é pré-lógica. de uma perspectiva que retém a sua dimensão 1). parecerem não entender as suas mensagens. parecem identificar outras características estes. H. no sentido de ser incapaz realizadas por indivíduos sem treinamento especial de ultrapassar os limites dos complexos. a capacidade de se compor e decompor. aplicado à Outra questão que nos interessa de perto é o mentalidade primitiva significa apenas que não faz tratamento dado pelo autor ao problema dos qualquer esforço deliberado. alógico ou antilógico. os símbolos não Se. embora sentida como real. O pensamento pré-lógico não quer dizer 1947). as descrições O pensamento primitivo pode operar com conceitos. 1947. Pré-lógico. se referindo à capacidade ou incapacidade de para o domínio da sensibilidade” (Lévy-Bruhl. procurando mostrar. de que forma a experiência caráter concreto e emocional que as definiria nas desse “outro” diferencia-se da “nossa experiência”. Tendo quais ele raciocina (Evans-Pritchard. não podem. p. citado por Goldman. janeiro/junho 2012 . antes de tudo. como suportes para que os numerosos fatos descritos e analisados pelo definir processos evolutivos do pensamento do autor são obtidos por descrições de viajantes e homem. 273). temporal e evolutiva. 135 Gerken. de S. nesse ganhariam outros contornos e superariam o seu nível mais descritivo. Apesar de mostrar uma comum falta de interesse e de habilidade em refletir. Lévy-Bruhl não está experiência intangível. 1981). e. mas às categorias nas 1938. A função dos símbolos seria “transportar uma irremediavelmente não crítica. descrição dos quadros e do conteúdo das por definição. Apesar histórico-culturais. busca uma Submetidas ao tratamento do indivíduo. não se pode dizer que pré-lógico irá preceder evolutiva e temporalmente o sejam fontes genuínas para o desenvolvimento da pensamento lógico. como nós fazemos. Os portanto. por um lado. uma excelente capacidade de memorizar. entre os esquimós no polo norte. O pensamento primitivo seria teoria. “mas coletivo associado estreitamente ao conceito de que ela se explicava primeiramente pelo conjunto prelogismo é colocado em segundo plano. Essa falta é compensada por plasticamente ao trabalho da lógica. São João del-Rei. ou com as tribos africanas. contudo. seria caracterizado pela lógica (posteriormente também relatada por Luria em sua e pela abstração. (1947) volta-se para as definições mais ordinárias uma dimensão constitutiva. Quando afirma que a tratado na Análise da experiência mística. Em tanto para o registro quanto para a construção Vigotski (1934/1993). símbolos nas sociedades primitivas. Nesse sentido. C. Observa-se que as propriedades expedição à Ásia central). O caráter impossibilidade natural de seu entendimento. pois se trata de observações empíricas marcado pelo prelogismo. que seria. Com esse empreendimento. Importante ressaltar serão traduzidos. se oferecer hábitos do ocidente. também na distinção elaborada entre o pensamento Entre os fatos mais marcantes dessa do senso comum e o pensamento científico. que não será identificada heurísticas do conceito foram assumindo outras com uma incapacidade radical. essa função na sociedade.

que Apesar de reconhecer essa identidade. p. Importante ressaltar que entre as ideias Lévy-Bruhl rejeita o termo “pré-lógico” e fundamentais que serão importantes para o ponto de reconhece a sua impropriedade para revelar as partida no diálogo com Vigotski é o características centrais do fenômeno que pretende reconhecimento da heterogeneidade entre o nomear. tempo e Pesquisas e Práticas Psicossociais 7(1). 1996). A radicalidade com a qual enfrenta esse autor é importante pensar que essa conclusão só foi desafio o faz abandonar. 1949). fez parte das relações resolvidas. quando se trata da experiência mística. segundo a qual. O complexo segundo Vigotski. A seriedade com a qual pretendia enfrentar raramente separadas uma da outra. formulada por esses sujeitos. etc. É o caso da dualidade. compreender o processo de evolução do presença. p. 136 Gerken. assim como as ideias de espaço. Apesar da mentalidade primitiva possui hábitos mentais que importância desse autor na obra de Vigotski não ter diferem dos nossos. que nós não podemos esquecer que as duas seguindo Durkheim. a formulação está afirmar que Durkheim e Lévy-Bruhl serão implicitamente marcada pela emoção. anteriormente. na medida em que foi. ao longo do desenvolvimento. Lévy-Bruhl. admitida. mas de um fundamental para deixar clara a natureza social dos complexo que funde esses dois elementos processos de construção das categorias lógicas que imediatamente na vida e na visão de mundo permitem ao ser humano compreender o mundo. pois. conceitos. experiência corrente ordinária. Entre os seguidores mais importantes de costumes. mesmo modo que todas elas possuem uma língua. formulada depois do exercício permanente de todo o seu esquema de análise. Janet diferença essencial é constatada entre a mentalidade formulou o que se tornou conhecido como Lei primitiva e a nossa. 1949). Será esse o ponto que fará da teoria de tornaram conhecidas depois de sua morte. Para uma a questão da compreensão científica da diferença compreensão mais profunda do pensamento desse humana. o autor Lévy-Bruhl uma “boa ideia para se pensar” para renuncia ao tripé conceitual que ligava as noções de Vigotski? “prelogismo”. E. Não se para pensar nas leis de construção das funções trata. mas de compreender que. é preciso reter Durkheim e de Lévy-Bruhl na psicologia francesa os fatos nomeados e incontestáveis de que a destaca-se Pierre Janet (1859-1947). 1934/1993. que as formas complexas da memória. Em suas cartas. que oferecem a Vigotski uma referência construção de suas referências próprias. Sua produção deixa profundas renuncia a hipótese da diferença afirmando que a marcas na teoria histórico-cultural. uso da numeração. H. Les colocar em destaque as diferenças de ponto de carnets de Lucien Lévy-Bruhl (1949). janeiro/junho 2012 . a ideia da mediação das representações predominância dos elementos afetivos na coletivas. de S. por muitos pensamento humano. de “misticismo” e de “participação”. Em tudo que diz respeito à fundamental da Psicologia (Vigotski. compreender e explicar as diferenças existentes Importante ressaltar que nos últimos escritos a entre o pensamento dito primitivo e o pensamento reformulação conceitual é radical. o autor afirma que tudo que faz parte do psiquismo ainda admite haver complicações a serem humano. Em outros termos. Renuncia ao conceito de participação sob a primitivo e o civilizado. uma sido suficientemente estudada e de Vigotski citar menor exigência lógica. C.. 63) aplicadas. sortes. instituições. transações de todas as 146). vida política. São João del-Rei. em seus últimos escritos. na definição dos estrutura lógica do espírito humano é a mesma em processos de evolução do pensamento verbal (Van todas as sociedades humanas conhecidas. econômica. (Lévy-Bruhl. sem prejuízos. de tal forma importantes na construção da abordagem da que não se pode falar de uma representação evolução do pensamento verbal. um dos autores mais sensíveis que envolve a consciência do primitivo seria para detectar e propor um modelo de leitura para essencialmente afetivo. Lévy-Bruhl será uma das principais referências para unidade entre o espírito e o cadáver e o caso da bi. A Razão e o Outro em Lévy-Bruhl: Notas para um Diálogo com a Psicologia Histórico- Cultural de Vigotski Bruhl uma qualidade rara nos cientistas de seu modalidades de experiências se apresentam tempo. Bruhl negado no final de sua obra. como. que só se partida. do der Veer. formulou a lei geral que define a origem social da vida psíquica. por exemplo. de uma incapacidade de formular psíquicas superiores. ponto central de sua obra. Segundo Vigotski. ponto de partida de Lévy- forma de lei (Leenhardt. suas ideias podem ser consideradas centrais para a elaboração da teoria Do ponto de vista estritamente lógico nenhuma histórico-cultural. pouco seus trabalhos. povos africanos (Lévy-Bruhl. 1949. Lévy-Bruhl europeu ocidental. No entanto. nas As considerações feitas acima nos permitem circunstâncias dadas. Propôs. Durkheim será cognitiva e de um sentimento separados. 1949. eles se comportam de uma maneira que implica a criança começa a aplicar a si mesma as formas de o mesmo uso de suas faculdades que nós fazemos da comportamento que anteriormente lhe foram nossa. em segundo mas anuncia que na vida dos primitivos há uma lugar. e sociais nas quais o sujeito está inserido.

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