DIREITO DAS FAMÍLIAS

04/02/16

Conceito
“Direito de família é o ramo do direito civil que estuda o casamento, a
união estável (e outras formas de família e/ou outras formas de manifestações
de família), além de estudar o parentesco, o poder familiar, a guarda e os
alimentos”.
Princípios
1. Dignidade da pessoa humana; – fundamento baselar do direito de
família. (art. 5º, inc. III da CF)
2. Princ. Da Solidariedade; – solidariedade familiar (art. 3º, inc. I da CF)
– a partir dele uma criança pode requerer pensão do pai ou o pai requerer ao
filho, quando ele é necessitado.
3. Princ. Da Isonomia (Igualdade); – isso significa que todos os filhos
têm o mesmo direito (“seja filho legítimo ou ilegítimos”) – art. 227, §6º da CF –
esse princ. também se aplica aos cônjuges e companheiros – art. 226, §5º da
CF.
4. Princ. Da Afetividade. – o que prevalece para o direito de família é
este princípio, pois de forma informal “pai é quem cuida” – equivale para os
casais homoafetivos

Pluralidade do conceito de Família
Matrimonial – união com certidão de casamento.
Informal – união entre homem e mulher, famoso amasio.  A ideia de
tipificar isso na CF foi para proteger o casal, assim como são protegidos os
cônjuges.  Não há prazos para esta união “informal” se tornar um matrimonio.
Monoparental/unilinear – famosos “Mãe/pai solteira (o)”
CRFB/88
Homoafetiva – pelos julgamentos de uma ADI 132 e ADPF 4277, o STF
mostrou que a união homoafetiva merece a mesma proteção da união hétero. –
Não há previsão legal que diga exatamente sobre o casamento homoafetivo, o
que há são jurisprudências, doutrinas e resoluções do CNJ
Anaparental – irmãos que moram juntos, ou que morem com avós, tios,
qualquer parente que não sejam os pais. Não há regulamentação, apenas
jurisprudências e doutrinas.  REsp 1217415
Pluriparental – também conhecida como: família composta,
recomposta, em mosaico, tentacular ou ensambladas. – famílias formadas por
uniões, desuniões e reuniões, ou seja: João se casou com Maria, tiveram
filhos, mas se separaram. João se uniu com Adelaide, teve filhos, assim como

Maria se uniu a Tonho e teve filhos. Todos eles juntos se tornam uma família
pluriparental, pois há meios-irmãos, enteados e madrastas/padrastos.
Poliafetiva – união entre mais de duas pessoas, p.ex., dois homens e
uma mulher, duas mulheres e um homem.
Unipessoal – uma única pessoa protege o bem de família
Extensa – o ECA foi alterado pela lei de adoção de 2009, e passou a
prever que o direito de família da criança, preferencialmente é o de família
natural, ou seja, pais e filhos. Se for retirada dessa família, deve ser entregue a
família extensa (avô, avó, tio, tia, etc).

Afeto/Eudemonismo (busca da felicidade) – o que vale é o afeto para a
união entre pessoas. O Estado não pode impedir as pessoas de se unirem.

25/02/16
Casamento
Direito Privado
Natureza Jurídica
categoria

a. Contratualista - porque diz que a principal característica do casamento é
um ato jurídico bilateral de manifestação de vontade.
b. Não contratualista – conceito de Maria Diniz, segundo ela casamento não é
um contrato, mas sim um instituto.
- Institucionalista – isso porque o mais importante não é a vontade das partes,
mas sim o que está na lei, visto que os cônjuges obedecem às regras pré-
estabelecidas pela lei, e eles não podem fugir do que ali está expresso. Se
fosse contratual as partes acordavam condições, p.ex. ser ou não fiel, pagar ou
não pensão se da sua dissolução.
c. Mista ou eclética
- O casamento é pactuado como contrato (as pessoas manifestam
reciprocamente a vontade de contrair o casamento), mas em seu
desenvolvimento ele é uma instituição, pois ele se desenvolve de acordo com a
lei vigente.
- “Contrato de Direito de Família” – O casamento é um contrato sem
gêneros, apenas tem o caráter patrimonial, contratual (Silvio Rodrigues).
*** Tais discussões são meramente teóricas, sem efeitos práticos.

Responsabilidade Civil
Rompimento do namoro – não faz parte do instituto de direito de família.

se sabia ou não se estava certa. .  Suprimentos regime – Portanto a lei entra com um suporte para autorizar. 03/03/16 Habilitação (arts. . não gera danos morais e materiais. que não tem quaisquer impedimentos..Também deve ser publicado na imprensa local. exceto se o outro divulgou fotos na internet. 1525 CC (doc.ex. p. .É feito um requerimento de habilitação ao Oficial de Registro Civil. o MP deve apontar qual é. Exceto se for emancipado.  Boa fé objetiva independente da vontade dela. 1525 – 1532 CC) .ex. fazer a pessoa passar vergonha de alguma forma. P.O indivíduo deve demonstrar que está apto a casar.: depois de contratar bufê.Havendo impedimentos para os Nubentes. Promessas de casamento não consolidam um matrimônio. Por meio deste pode ser descoberto se os nubentes são impedidos ou não.Menores de 16 anos  Ainda que com consentimento dos pais o menor de 16 anos não pode se casar sem autorização judicial. Esposas – art.146/15 (estatuto do deficiente). e fundamentar. . como nos casos de gravidez do (a) menor de 16 (esta é a única hipótese expressa na lei).O casamento apenas se consolida no momento do “sim”. o adolescente ainda é relativamente incapaz. Capacidade para casamento Idade Núbil  16 anos – apesar da idade núbil ser esta. ou seja. se retratar porque não quer casar.. necessários).: os pais não permitem casar por motivos racistas  Suprimento . exceto se a forma como foi feita levar a isto. preparar toda a festa.O simples rompimento não gera dano moral.Editais que devem ser fixados na própria sede do cartório onde residem os nubentes pelo prazo de 15 dias.A retratação quanto o casamento.  Os nubentes assinam um documento de habilitação. .ex. . p.  ver Lei 13. . Venire contra factum propium = atos contraditórios. se a recusa dos pais for injusta. logo é necessário o consentimento dos pais. Proclamas . este deve provar o que fala indicando provas.Consentimento  Se os pais não concordam com o casamento é possível o juiz autorizar. 546 .“Abandonar no altar” é abuso de direito. pois expõem a pessoa na frente de todas.  art. mas se o impedimento for dito por terceiro.

se ela não puder. que devem comparecer ao cartório no prazo de 10 dias para provar que estiveram presentes no casamento. . Moléstia grave (art. Se por alguma gracinha de uma das partes como “NÃO.Apenas documento público autoriza que terceiro compareça no casamento da parte. a qual deve seguir as mesmas regras do casamento em cartório. portanto são necessárias seis testemunhas. então o Oficial deve se dirigir até o local onde a pessoa se encontra para celebrar o casamento. pois é preciso que ambas as partes conscientizem.Estando habilitados a casar o Oficial vai expedir um certificado habilitação e marcar a celebração. não vejo problema em casar com ela” e a cerimônia for suspensa..Marcada a celebração que será redigida pelo Juiz de Paz (que é escolhido pelo Oficial ou ele mesmo o faz). a cerimônia é suspensa. 1539 – 1541 CC) – os Nubentes estão habilitados.. pois basta a declaração do SIM. Religioso – Pode gerar efeito jurídico. .ex. Celebração (art..Não há autoridade celebrante (padre ou oficial).. a outra continua solteira. Há uma procuração especial para isso. O indivíduo em questão não tem condições de passar pelo trâmite da habilitação. mas a celebração é feita por uma autoridade religiosa. com finalidades específicas.São necessárias duas testemunhas se ocorrer no cartório. os indivíduos estão casados.O juiz de paz pergunta aos nubentes se é de livre e espontânea vontade deles se estão contraindo o casamento. apenas será válida a retratação no dia seguinte. Nuncupativo – “in extremis momentis vitae” ou “in articulo mortis”.O prazo máximo para isto é de 90 dias. uma das partes morre. se celebrado perante autoridade do país. No Exterior – Neste caso o casamento. ou se o juiz de paz morre. Procuração (art. . sendo a habilitação ainda necessária em cartório. . . p. . mas no dia marcado para a celebração um deles está com alguma enfermidade. têm os efeitos das leis vigentes no lugar.Se uma das partes disser NÃO. Se após o SIM. . 1542) – a parte manda um procurador em seu lugar quando não pode comparecer ao casamento.Se uma das partes morrer antes de falar SIM. o outro será viúvo. bem como a continuação da celebração. Se ocorrer fora do cartório ou um dos nubentes não puder assinar é preciso quatro testemunhas. . casamento daquela pessoa que se encontra à beira da morte. 1535 CC) .

os irmãos. se o cônjuge perdeu a certidão. . Casamento Inválido – Infringe uma das hipóteses de nulidade: . unilaterais ou bilaterais.as pessoas casadas.Casamento Anulável – art.. validade e eficácia Casamento inexistente – alguns pressupostos que o casamento deveria possuir se encontram ausentes. . Prova do Casamento (art..  Impedimentos Matrimoniais: art. Caso seja impossível pegar uma segunda via é possível a comprovação dele por meio de outras provas.o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. (O próprio MP pode entrar com ação de nulidade para estes casos  a ação de nulidade ocorre após a celebração do casamento. VII .  Incompetência da autoridade celebrante. até o terceiro grau inclusive. ou seja. aí o matrimônio terá efeitos de acordo com a lei brasileira. essa deve ser relativa (p. os efeitos que o matrimônio terá é de acordo com a lei estrangeira.: quando um dos cônjuges não tinha idade núbil ou não tinha consentimento dos pais. seja o parentesco natural ou civil.Ainda que no Brasil não seja aceito determinado casamento (ex. ele tinha competência para realizar em Marilia.  ex. V . mas faz em Bauru). 1534 CC) .: o casamento ocorreu em lugar fora da jurisdição do juiz de paz. poligâmico). IV . foi extraviada. e demais colaterais.o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte .  O casamento anulável se torna válido com o tempo.o adotado com o filho do adotante.  Hoje o casamento só pode ser nulo se houver um dos impedimentos matrimoniais.ex. manifestação de vontade viciada (o indivíduo casa sob ameaça).Em regra é provado por certidão de casamento. após.os afins em linha reta.Casamento Nulo – aqueles que forem absolutamente incapazes (todo menor de 16 anos).Se celebrado o casamento por embaixador brasileiro.ex. mas pode ocorrer de ser provado por outros meios. VI . Não podem casar: I . 07/04/16 Planos: existência. II . 1.ex. apenas com ação). antes dela qualquer do povo pode demonstrar impedimentos.: quando não há a declaração de livre e espontânea vontade para contrair o casamento. III .os ascendentes com os descendentes.550 do CC. p. 1. P.521 do CC.  Ausência da autoridade para celebrar o casamento. etc.: fotos.

Se uma das partes estiver de má-fé.ex. . mas algumas situações são obrigatórias. . . Introdução ao tema: o que é “regime de bens” Vamos ao objeto sob enfoque.Em regra as pessoas escolhem seu regime de bens (separação ou comunhão de bens). mas não o tornam nulo nem anulável. 1523 do CC.  Supletivo = comunhão parcial de bens. e sua eficácia fica condicionada a superveniência de um casamento. 1. Ver 1557 do CC.Art. sob esta não haverá efeitos do casamento válido. Isso é um problema.O pacto antenupcial é um contrato formal e solene.Nas hipóteses deste artigo as pessoas “não devem se casar”. como regra qualquer pessoa pode escolher seu regime de bens. se casarem será válido. deve ser feito por escritura pública. . por meio de um pacto antenupcial. Causas Suspensivas . Efeitos: O nome é imutável. assim com o novo casamento os patrimônios de C ou A com C podem se confundir com o de B ou de B com A. Regime de bens . tanto homem quanto a mulher.. na semana seguinte se casa com C. 14/04/16 Casamento Putativo hipótese de casamento nulo ou anulável. . Regimes legais:  Obrigatórios = separação de bens: causas suspensivas.  São hipóteses que suspendem o casamento. porque ainda não houve a partilha de bens. suprimento de idade ou consentimento e maiores de 70 anos. é um casamento nulo que gera efeitos.  Isso significa que havendo a boa-fé de um ou de ambos os cônjuges o casamento nulo ou anulável gera os efeitos de um casamento válido. mas se.É o que disciplina as regras patrimoniais de um casamento conjugal. anterior ao casamento. mas que foi contraído de bom aspecto por um ou por ambos os cônjuges.: A se divorcia de B. Portanto A e C devem se casar em regime de separação de bens. isto é. porém com o casamento permite a alteração do sobrenome do cônjuge.

em comunhão. se você juntar as escovas de dente com outra pessoa. Assim. com regras diferentes daquelas que estão previstas no Código. O marido e a mulher são livres para criar seu próprio regime de bens.  Etc. e seja pelo casamento ou porque simplesmente passaram a morar juntos. tanto os bens de antes do casamento quanto aqueles que forem sendo adquiridos na constância do casamento. sempre serão necessárias as regras do regime de bens. A única exigência que a lei faz é que esse regime de bens criado pelos dois não viole as disposições legais. ainda que nem saiba disso. esse regime de bens. E também não custa lembrar que em todo casamento essa convivência do casal sempre está destinada a terminar (e a terminar mal): seja pela morte de um deles. Logo. seja do mesmo sexo que você ou não. No entanto.  e) ou se todos os bens serão comuns. como mais adiante também examinaremos. São essas regras do regime de bens que definirão:  a) se os bens que você e seu cônjuge já possuíam ao casar passarão a ser comuns aos dois. mas também nas uniões estáveis. já estará sujeito às regras de um regime de bens. inclusive nas que ocorrem entre pessoas do mesmo sexo.  c) ou se tanto esses bens anteriores ao casamento quanto os que forem sendo comprados durante o casamento serão particulares de cada um. em determinados casos e obedecidas certas exigências. para a apuração do patrimônio de cada um. mas os que forem sendo comprados durante o casamento pertencerão em comum aos dois. é importante observar que o regime de bens não se aplica apenas ao casamento. que continuará a ser particular de um dos dois. . pode ser alterado pelo casal. exceto determinado bem (um imóvel. seja pelo divórcio. exceto determinado bem.  d) ou se todos os bens serão particulares. seja pela separação.  b) ou se cada qual continuará com esses bens como sendo apenas seus. por exemplo) que pertencerá aos dois. sem maiores formalidades. em vez de comuns. O regime de bens começa a produzir seus efeitos a partir da realização do casamento.Chamamos de “regime de bens” o conjunto de regras que vão ser aplicadas aos bens do marido e da mulher.

já havia pago 80 parcelas . por exemplo. e o que era da mulher continuará a ser exclusivamente da mulher. e pode ser facilmente caracterizado pelos seguintes aspectos: 1) os bens que cada um deles já possuía ao casar. se o marido comprou um imóvel financiado. para pagar em 100 prestações. e o marido com 25%.000. O regime da comunhão parcial está tratado nos artigos 1. esse novo imóvel continuará a ser exclusivo da mulher. em partes iguais. no valor de R$ 400.00. Nesse exemplo. havendo dúvidas sobre a data da compra. não se comunicando com o patrimônio do marido. na época do casamento. Quais são os regimes de bens que o Código Civil prevê? a) o regime da comunhão parcial. em comum). em partes iguais. 3) mas os bens que forem recebidos por doação ou por herança. ainda assim o carro pertencerá a ele e à esposa.000. Quanto aos imóveis não há esse tipo de dúvida. e.000. no valor de um milhão de reais. Quanto aos bens móveis. serão exclusivos daquele que os recebeu. pois se trata de negócio formalizado em cartório. em relação a esse novo imóvel ocorrerá o seguinte: metade dele será exclusiva da mulher (porque os 500 mil que eram dela correspondem à metade do valor do bem). Por exemplo: se a mulher vende por R$ 500. 5) mas se a mulher vendeu esse imóvel exclusivo por R$ 500. por exemplo.00 um imóvel que era exclusivamente dela (porque já o tinha ao casar ou porque recebeu por herança) e com o dinheiro compra outro imóvel. durante o casamento. suponha-se que morre o pai da mulher e a mesma recebe a herança: esse patrimônio herdado do pai será exclusivo da mulher. pertencerão aos dois. será presumido que foram comprados durante o casamento (ou seja. portanto. a mulher ficará com 75% do imóvel. e a data pode ser apurada com precisão. 2) os bens que forem comprados durante o casamento serão de ambos.658 a1.00 e comprou um outro. Se o marido comprar um carro apenas em seu nome. continuarão a ser individuais: o que era do marido continuará a ser apenas do marido.666. Assim.2. do Código Civil. mesmo que comprados em nome de apenas um deles. e a outra metade será dela e do marido. 4) também será exclusivo o bem comprado durante o casamento com o dinheiro da venda de outro bem que era exclusivo. 6) de modo semelhante ao item anterior.

vindo a pagar o restante durante o casamento. ainda que só o marido tenha feito o jogo. os aluguéis pagos pelo inquilino (os frutos) pertencerão ao marido e à mulher. inclusive. essa valorização será dos dois. achando que poderia ficar sozinho com o mesmo. Se esse imóvel for alugado. no entanto. Em seguida. 8) uma última regra: pertencem aos dois. ainda que apenas um deles tenha jogado. . viu-se obrigado a dividir o prêmio com ela. podendo-se destacar os bens que sejam doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e as dívidas anteriores ao casamento. bens que não serão comuns aos dois. recebido em doação ou por herança por um deles também pertencerá aos dois. ocorreu caso famoso. serão comuns. mas nada disse para quem quer que fosse. e os outros 20% serão dos dois. Da mesma forma. sempre joga nos mesmos números. o que não ocorre na comunhão parcial. No regime da comunhão universal todos os bens que marido e mulher já possuíam ao casar passarão a pertencer aos dois.(80% do total). os bens anteriores ao casamento serão comuns. Um belo dia. e a mulher seria proprietária de 10%. em comum. em certa cidade do Brasil: o marido ganhou vultoso prêmio da sena. esse marido separou-se da mulher e só depois foi receber o prêmio. durante o casamento. Assim. nesse caso ocorrerá o seguinte: 80% do imóvel pertencerá exclusivamente ao marido. por exemplo) e o imóvel se valorizar. esse prêmio pertencerá aos dois. Veja-se que são duas as diferenças mais importantes. por exemplo. descobriu a artimanha e o safado. há 20 anos. se forem feitas benfeitorias (uma garagem e um banheiro extra. No entanto. em partes iguais. em relação ao regime da comunhão parcial: em primeiro lugar. o marido seria dono de 90% do imóvel. ou seja. já casado. Neste exemplo. do marido e da mulher. existem umas poucas exceções. 7) os prêmios ganhos em loteria ou sorteio pertencerão aos dois. mesmo os bens recebidos por doação ou por herança. b) o regime da comunhão universal. a sorte lhe sorri e o bilhete é premiado. em partes iguais. em segundo lugar. Sobre essa situação. suponhamos que o marido seja o dono exclusivo de um imóvel. portanto. em comum. Suponha-se que o marido. embora o imóvel seja apenas dele. A ex-esposa. nos concursos da loteria. as benfeitorias e os frutos referentes aos bens particulares de cada um deles. o maridão. Da mesma forma. digo. Pois bem. tudo o que for comprado.

se recebidos durante o casamento. pela separação ou pelo divórcio). não se comunicando para o marido. Esse regime é muito estranho e. Da mesma forma. Ao longo do casamento os patrimônios não se misturam. tanto o de antes do casamento quanto o que vier a ser adquirido em sua constância. formado pelo que já possuía ao casar e pelo que for adquirido durante o casamento. suponha-se que o marido é jogador inveterado. devendo ser feita a divisão em partes iguais. a herança que ele deixar será apenas de sua filha. e cada um deles. enquanto mantida a sociedade conjugal entre marido e mulher. se ao casar o marido tinha dívidas a pagar. que esses bens de cada um serão reunidos para serem divididos. ou seja. Nesse caso. naquele fatídico momento em que o “meu bem” cede lugar ao “meus bens”. e que tem justificado receio de que. é pessoa muito rica. os bens que tiverem sido comprados durante o casamento passam a ser de ambos. impondo sobre os bens da herança a cláusula de incomunicabilidade. e por elas não responderá a esposa.Assim. destinado a não sair do papel. por ocasião da sua morte. No entanto. Assim. No entanto. na minha opinião. Nessa situação. . e este possivelmente irá dissipar o patrimônio. marido e mulher. não fará muito sucesso: é precisamente quando termina a sociedade conjugal. terminada a sociedade conjugal. c) participação final nos aquestos. os bens comprados (adquiridos a título oneroso) durante o casamento passarão a ser comuns aos dois. que dissipa todo o dinheiro que lhe chega às mãos. em comum. os frutos produzidos por essa herança ou por qualquer bem que seja exclusivo de um deles. ou seja. essas dívidas continuarão a ser da responsabilidade exclusiva dele. o sogrão poderá elaborar testamento. na prática. sua fortuna será transmitida para a filha e também passará a pertencer ao marido. O pai da esposa. por sua vez. quando a sociedade conjugal terminar (pela morte. os patrimônios são separados. o regime será semelhante ao da separação. tem o seu patrimônio individual. ainda que comprados em nome de apenas um deles. pertencerão aos dois. ou seja. E é precisamente por isso que acredito que esse regime. o regime já passa a apresentar semelhança com o da comunhão parcial.

Nesse regime nada se comunica. Como já mencionamos logo na introdução. o casal pode ajustar as regras que quiser. doação ou herança. é que não poderão violar as normas legais. a não ser que tenham ajustado outra proporção para as respectivas contribuições. 3. marido e mulher não poderão ajustar que cada um deles possa vender livremente seus bens imóveis. será exclusivo daquele que adquiriu. o que poderá ser feito no pacto antenupcial. sem que o outro precise autorizar. essa mulher deverá concorrer para as despesas do casal com o dobro da participação do marido. por exemplo. Da mesma forma. seja por compra. mas que abaixo desse limite será exclusivo do que o tiver adquirido. continuará a ser de cada um deles. Assim. Assim. contribuam para as despesas do casal na proporção dos respectivos rendimentos. o que o marido e a mulher já possuíam ao casar. Regimes de bens livremente ajustados. Ou. poderão ajustar que os imóveis cujo valor seja superior a determinado limite será exclusivo do que o tiver adquirido. mas que os bens imóveis serão exclusivos do cônjuge que o adquirir. não se comunicando com o patrimônio do outro. com exclusividade. nessa ampla liberdade de elaborar as regras do próprio regime de bens. por exemplo. A única restrição que marido e mulher terão. mas que abaixo desse limite será comum a ambos. por exemplo. se a mulher ganha o dobro do que recebe o marido.d) o regime da separação de bens. Podem ajustar que os imóveis cujo valor seja superior a determinado limite será comum a ambos. não integrando qualquer patrimônio comum. . A única imposição que a lei faz é que os dois. ou seja. tudo o que for adquirido na constância do casamento. ao contrário. marido e mulher. não estando limitado pelos regimes de bens que já constam do Código Civil (esses que acabamos de examinar). poderá o casal ajustar que os bens móveis adquiridos na constância do casamento serão comuns aos dois. se o regime de bens for o da comunhão parcial. Assim. a não ser que ajustem de modo diverso.

para que se possa saber com clareza o que os dois pretendem. 4. bastará que os nubentes indiquem o nome que o Código deu a esse regime. Uma vez ajustado esse pacto antenupcial. Esse contrato recebe o nome de “pacto antenupcial”. Se o regime de bens for um dos que já se encontram previstos no Código Civil. etc. que poderá precisar ou não da autorização do outro. Como optar por determinado regime de bens. pois essa escolha poderá repercutir em negócios que um dos cônjuges venha a celebrar com esses terceiros. por exemplo. Para escolher determinado regime de bens. deverá ser registrado junto ao Cartório do Registro Imobiliário. se o patrimônio do casal ou apenas o patrimônio de um dos cônjuges. marido e mulher devem fazer isso por meio de um contrato. para que todos possam ter conhecimento do mesmo. e por isso não há necessidade de serem repetidas no pacto. se quiserem criar o próprio regime. antes do casamento. O leitor poderia pensar: mas por que outras pessoas devem ter acesso ao conteúdo do pacto antenupcial? É que. caso contrário será nulo. Assim. De modo mais claro. sem que sejam necessários maiores detalhes. se quiserem adotar o regime da comunhão universal. conforme o regime de bens ajustado. E assim por diante. os nubentes.Da mesma forma. terão que comparecer perante um tabelião. e precisa ser feito mediante escritura pública. pois caso contrário não terá efeitos perante terceiros. há – ou pode haver – interesse de terceiros em saber qual foi o regime de bens escolhido pelo casal. com suas próprias e específicas regras. nesse caso será necessário que tais regras sejam detalhadas no pacto antenupcial. não será válido o ajuste no sentido de que um deles estará desobrigado de contribuir para o sustento dos filhos. Ou seja. poderá influir no patrimônio que será usado para pagar as dívidas contraídas por um deles. No entanto. dizer o que pretendem quanto ao regime de bens. pois as regras de tal regime já estão especificadas e detalhadas no próprio Código Civil. seja um dos que já estão no Código ou seja para criar um regime próprio. e pedir que isso seja lavrado em escritura pública. bastará que do pacto antenupcial conste essa menção à comunhão universal. . isso poderá ter influência na compra e venda de imóvel pertencente a um dos cônjuges.

aos 17 anos. o pacto antenupcial deverá ser aprovado pelos pais ou representantes legais. mesmo que já tenham autorizado a realização do casamento. se não foi celebrado por escritura pública). basta o contrato por escrito (que pode ser particular) entre os companheiros. se os nubentes quiserem ajustar o regime da comunhão parcial. como veremos logo em seguida. e mais adiante pretendem modificá-lo. Explicando melhor: os que têm entre 16 e 18 anos. Na União Estável. Se os nubentes não fizerem o pacto antenupcial. que poderá deferi-la ou não. na união estável. A única diferença é que. o pacto antenupcial. se os companheiros nada ajustarem em sentido diverso. No entanto. o Código Civil . informem sobre sua intenção. Seria o caso. No entanto. 5. no entanto. no processo de habilitação para o casamento. da mesma forma. A alteração do regime de bens. Para isso. O pedido deverá ser feito por ambos os cônjuges. cujas regras já vimos anteriormente. bastando que. específica para o regime de bens. para casar. que é obrigatoriamente feito perante o oficial do registro civil. é possível alterar esse regime de bens. Por isso. já na constância do casamento. para que se ajuste à sua vontade. expondo-se os motivos que o justificam. serão aplicadas as regras do regime da comunhão parcial. neste caso não precisarão do pacto antenupcial. com a escolha do regime de bens. o juiz poderá conceder a autorização. caro leitor. por exemplo. não havendo necessidade de ser feito o pacto antenupcial por escritura pública. não obteve autorização dos pais para o casamento. do menor que. pois essa alteração deve ser pedida ao juiz.Se um dos nubentes for menor. e tomando-se o cuidado para não causar prejuízos aos direitos de terceiros. ou se o pacto for nulo (por exemplo. então o regime de bens será automaticamente o da comunhão parcial. e o menor conseguiu que o juiz a concedesse. Essa possibilidade de alteração tem grande aplicação quando os nubentes foram obrigados pela própria lei a adotar determinado regime. Essa autorização pode ser suprida pelo juiz. O regime de bens começa a gerar efeitos a partir da realização do casamento. Comprovadas as alegações. precisam da autorização dos pais. precisará de outra autorização. será necessário recorrer a um advogado. Nessa hipótese. mesmo que essa autorização tenha sido dada.

alguns anos depois. c) quando foi necessário. tendo filhos com o falecido. . e por isso pedem ao juiz que autorize a mudança para o regime que entendem mais conveniente. no prazo de dez meses após a viuvez ou a anulação. o suprimento judicial. já podendo escolher. se casarem. Vejamos. e ele e a mulher decidem que aquele regime que lhes foi imposto pela lei não é o mais adequado. do Código Civil: a) quando não for observada alguma das causas suspensivas (logo adiante explicarei o que são essas causas). se o marido anterior ou esse do novo casamento. A ideia é evitar que o patrimônio dos filhos venha a ser misturado e confundido com o patrimônio do novo casal. Pois bem. o casamento será válido. Casos em que o regime de bens é imposto pela lei. A) quando não for observada alguma das causas suspensivas.  d) o tutor ou curador (e seus parentes. e não escolhido por eles. b) quando algum dos nubentes já tiver mais de 70 anos. para casar. e que agora.impõe que o casamento seja pelo regime da separação obrigatória. enquanto não for feita a partilha dos bens do casal. para evitar que haja confusão e que se misturem os dois patrimônios. o do casamento anterior e o do casamento atual. São as seguintes situações:  a) o viúvo ou viúva que. As causas suspensivas estão indicadas no artigo 1523 do Código Civil. até os sobrinhos – só ficaram de fora os primos) com a pessoa tutelada ou curatelada. se essa mulher estiver grávida. brevemente. ainda não tiver feito a partilha dos bens do casamento anterior. esse marido já tem mais de 18 anos. cada uma dessas hipóteses.  b) a mulher que enviuvar ou cujo casamento venha a ser anulado.  c) a pessoa divorciada. previstas no artigo 1. esse menor não poderá escolher livremente o regime de bens que quiser: necessariamente casará pelo regime da separação. com um bom emprego e uma boa renda. O que o Código pretende evitar é que. para entregar a parte desses filhos. e são situações nas quais o Código menciona que “NÃO DEVEM CASAR” os que nelas se enquadram.641. ou seja. não querem permanecer casados pelo regime da separação. seria no sentido de que o regime da separação lhes foi imposto. haja confusão sobre quem é o pai. que obrigatoriamente será o da separação. No entanto. 6. por óbvio. Essa imposição do regime da separação ocorre em três hipóteses. enquanto não terminar a tutela ou curatela e ser feita a prestação de contas. mas a consequência será o regime de bens. A justificativa.

mas não há qualquer problema em casar com outra pessoa. é evidente que não poderá haver alteração posterior do regime de bens.. de “idade do bagaço”. em janeiro de 2003. o legislador impede que você possa escolher seu próprio regime de bens. Essa idade dos 70 anos é o que costumo denominar. e deixando ainda mais claro que é inconstitucional essa norma esdrúxula. e será plenamente válido. essa norma nunca foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. pois tal escolha não prevalecerá sobre a determinação legal. Já no último caso a causa suspensiva apenas recomenda que não deve casar especificamente com a pessoa tutelada ou curatelada. ainda que os cônjuges tenham feito pacto antenupcial e escolhido um outro regime de bens. e por isso continua plenamente válida. Trata-se daquela idade em que o legislador imagina que você. e sim se abestalha. impondo-lhe de modo obrigatório o regime da separação. quando explico o tema para os meus alunos. e a causa suspensiva será insuperável. B) quando algum dos nubentes já tiver mais de 70 anos. o regime de bens será obrigatoriamente o da separação. Ao que parece. homem ou mulher (sim.. e quem quer que se interesse por você estará de olho apenas no seu patrimônio(ou não). . No entanto. o mesmo não será nem nulo e nem anulável. para que seja imposto o regime da separação. Basta que um dos dois já tenha completado setenta anos. pois a idade só irá aumentar com o tempo. repetindo o que já mencionamos linhas atrás. nessa idade. o legislador partiu da ideia de que.  II) quando entrou em vigor o atual Código Civil. E. se esse casamento ocorrer. a pessoa não se apaixona. a idade do bagaço não discrimina pelo sexo). para protegê-lo do “golpe do baú”.Pode-se observar que nos três primeiros casos a pessoa que se enquadrar nas situações respectivas não deve casar com pessoa alguma. Contudo. De qualquer modo. neste caso. homens e mulheres foram democraticamente igualados na idade em que se tornam um bagaço. veja-se que a “idade do bagaço” variou ao longo dos tempos:  I) no antigo Código Civil. apesar de haver causa suspensiva. Assim. a obrigatoriedade do regime da separação era aos 50 anos para as mulheres e 60 anos para os homens. À guisa de curiosidade. sendo ambos aos 60 anos. já é um bagaço.

mesmo que determinado imóvel pertença apenas ao marido. Aqui é a situação do menor que. poderá requerer que o juiz o autorize a casar. poderá pedir ao juiz o suprimento dessa autorização. exceto se o casamento for pelo regime da separação absoluta. o Presidente do STF tinha quase 70 anos de idade. proferir decisão que afetaria a vida de dezenas de milhões de brasileiros. Vá entender!. e despachou sozinho o pedido de liminar em Ação Declaratória de Inconstitucionalidade. C) quando foi necessário. Esses atos. estão indicados no artigo 1647. e são os seguintes: a) alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis. tendo entre 16 e 18 anos. d) fazer doação dos bens comuns ou que estejam destinados a serem divididos entre ambos. o suprimento judicial. não haverá a necessidade de autorização do cônjuge se o regime de bens for o da separação absoluta. o Código Civil elevou a idade do bagaço para 70 anos de idade.. ou seja. Existem alguns negócios que a pessoa casada só pode praticar se for autorizada pelo cônjuge. caso viesse a casar. pelo regime da separação de bens. mesmo que digam respeito a bens que sejam exclusivamente seus. Em primeiro lugar. Se conseguir convencer o juiz de que possui condições de ter sua própria família e obtiver a autorização requerida. como já mencionamos acima. Algumas restrições decorrentes do regime de bens. veja que aspecto interessante: quando houve a primeira grande reforma da previdência social. b) atuar como autor ou réu em processo no qual se discutam os direitos sobre bens imóveis. Agora. em 1998. como já mencionamos.. E vice-versa. Esse menor. por exemplo. para casar. esse menor casará. como já mencionamos anteriormente. leitor. em conjunto. este não poderá vendê-lo sem a autorização da esposa. ao tratarmos da alteração do regime. talvez como reflexo do avanço da cirurgia plástica. requerer ao juiz. 7. em relação aos quais a lei impõe essas restrições. esses cônjuges poderão. tanto para homens quanto para mulheres. sozinho.  III) a partir de dezembro de 2010. No entanto. mas não tinha autonomia para decidir sobre os seus próprios bens. c) ser fiador ou avalista. futuramente. a alteração do regime. não obteve autorização dos pais para casar. Pois bem. obrigatoriamente. o Presidente do STF tinha o poder e o discernimento para. Assim. essa . do Código Civil. Ou seja.

E convém chamar a atenção. Ainda que um dos cônjuges seja o dono exclusivo do imóvel. poderá requerer ao juiz que autorize a realização do negócio. Nada disso pode ser feito por um dos cônjuges sem a autorização do outro. . Assim. a) alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis. sem qualquer fundamento. A mesma restrição é imposta pela lei quando o dono do imóvel pretende “gravá-lo de ônus real”. Logo. não poderá oferecê-lo em hipoteca sem que o outro autorize. para o seguinte: pouco importa que o imóvel seja exclusivo do marido ou exclusivo da mulher. se a dívida não for paga. como já mencionamos acima. a hipoteca pode ter como consequência a venda do imóvel. Para isso. o mesmo será anulável. como no caso da hipoteca. sem precisar de autorização da esposa. permite que o imóvel seja vendido para o pagamento do valor devido. no prazo de dois anos após o término da sociedade conjugal (pela morte. Na verdade. separação ou divórcio). por exemplo) for praticado sem a autorização do cônjuge e sem o suprimento judicial. o outro poderá requerer o suprimento judicial. de qualquer modo o dono não poderá vendê-lo sem que o outro autorize (ou com suprimento da autorização. se o cônjuge recusar-se a dar a autorização. essa proibição de oferecer em hipoteca nada mais é do que uma consequência da outra proibição: a hipoteca é uma garantia que. se o regime de bens for o da separação (obrigatória ou livremente escolhida). ou seja. dado pelo juiz). Gravar com ônus real significa oferecer o imóvel como garantia. é claro que precisará demonstrar que a recusa do outro é abusiva. no entanto. Ou seja. Em terceiro lugar. Em segundo lugar. trocar ou doar. exceto no regime da separação absoluta. Alienar significa vender.“separação absoluta” mencionada pelo Código abrange tanto a separação obrigatória quanto aquela que é livremente escolhida pelos cônjuges. então para a hipoteca também o será. pois na prática é o que mais causa dúvidas. se o negócio (a venda do imóvel. e esta poderá fazer o mesmo com os imóveis que sejam exclusivamente seus. A ação de anulação poderá ser ajuizada pelo cônjuge que deveria ter autorizado (ou por seus herdeiros). se para a venda a autorização é necessária. neste caso o marido poderá vender o imóvel que lhe pertença.

se assim o desejarem. Simples assim: tanto o autor quanto o réu. se casados. deverão figurar como réus na ação os dois cônjuges.). na hora em que terminar a sociedade conjugal). se vai integrar o patrimônio comum dos cônjuges. no entanto. que os imóveis que sejam exclusivos de um deles podem ser vendidos sem a autorização do outro. Da mesma forma. como o usufruto) de um imóvel. se a ação vai ser ajuizada contra pessoa casada. Nesse caso. A diferença é que a fiança é garantia prestada nas dívidas em geral. ainda que o direito a ser discutido diga respeito diretamente apenas a um deles. etc. embora apenas o outro seja o titular desse direito a ser discutido. para fins da partilha dos bens comprados na constância do casamento. b) atuar como autor ou réu em processo no qual se discutam os direitos sobre bens imóveis. Aqui. se esse imóvel particular tiver sido comprado na constância do casamento (ou seja. terão que figurar na ação acompanhados do respectivo cônjuge. e o aval é prestado em relação aos títulos de crédito (nota promissória. por exemplo. . A fiança e o aval são garantias pessoais. ainda que apenas um deles tenha violado o direito do autor. portanto. c) ser fiador ou avalista.Uma última observação: se o regime for o da participação final nos aquestos (cujas características já examinamos). o cônjuge também deverá aparecer como autor da ação. letra de câmbio. o valor da venda será considerado como integrante do patrimônio comum. os cônjuges poderão fazer constar do pacto antenupcial. que são duas as hipóteses nas quais o imóvel particular poderá ser vendido sem a necessidade de autorização do outro cônjuge ou suprimento pelo juiz: quando for o regime da separação e quando for o regime de participação final nos aquestos e constar expressamente do pacto antenupcial essa possibilidade. a situação pode ser facilmente descrita da seguinte forma: se uma pessoa casada vai ajuizar ação para reivindicar a propriedade (ou algum outro direito real. nas quais uma pessoa assume o compromisso de pagar dívida de outra. Veja-se.

esse bem lhe pertencerá com exclusividade. nas palavras do Código Civil) são aqueles comprados por um dos cônjuges na constância do casamento. ou seja. esse bem está destinado a integrar a futura meação entre os cônjuges. . caso o outro queira fazer a doação. quando terminar a sociedade conjugal. No entanto. pois terão que pagar a dívida do mesmo. vejamos como o regime de bens escolhido pode influir na entrega da herança aos herdeiros.Nos dois casos. e por isso precisa que um deles autorize. 8. como já vimos. seria absurdo que um deles. a ser dividido entre ambos. possa comprometer o sustendo do casal pagando dívidas alheias. O regime de bens e a sucessão por morte. Quanto aos bens comuns. se um dos cônjuges compra um bem na constância do casamento. pudesse doá-lo. Nesse regime. parece bastante claro o motivo do legislador ter exigido a concordância do outro: se o bem pertence aos dois. neste item. mas tão somente identificar a influência do regime de bens nessa mesma sucessão. Por último. quando o regime de bens é o da participação final nos aquestos. quando morre a pessoa casada. o fiador ou avalista se compromete a pagar se o devedor não o fizer. o que significa que o fiador e o avalista são aqueles sujeitos que em breve perderão o amigo. Pois bem. sozinho. Ou seja. sozinho. será completamente irrelevante o regime de bens. pois se forem outros os parentes chamados para herdar. pois o futuro patrimônio comum estará sendo desfalcado. E desde logo se observa que o regime de bens só influi na herança quando existem descendentes do falecido. A ideia. a fiança e o aval comprometem o patrimônio do casal com dívidas de terceiro. Já os bens destinados a serem divididos entre ambos (bens que possam integrar futura meação. para evitar que um deles. os bens que pertencem aos dois cônjuges. que em nada interessam à família. Por isso o legislador exigiu que houvesse a concordância do cônjuge. não é a de fazer o exame completo sobre a sucessão por morte. esse bem passará a integrar o patrimônio comum. d) fazer doação dos bens comuns ou que estejam destinados a serem divididos entre ambos.

não faria sentido que. ou seja. o cônjuge sobrevivente já vai receber metade de tudo o que havia de patrimônio. mas isso dependerá do regime de bens do casamento. pois tudo o que tem é em comunhão com o outro. Na prática. poderá ser chamado o cônjuge sobrevivente. os netos. E quando um deles vier a morrer. Em primeiro lugar são chamados os descendentes: os filhos (se não houver. os bisnetos. que o cônjuge não será herdeiro. não precisaria ser herdeiro da outra meada (a que pertencia ao falecido).Estão no artigo 1929. o falecido não possuía qualquer bem particular. o cônjuge já é meeiro. No regime da comunhão parcial. No regime da separação obrigatória. Veja-se. portanto. já tendo a metade do patrimônio. Vejamos os motivos dessa exclusão do cônjuge. Seria o caso. e por isso o legislador entendeu que. Assim. por exemplo. e pertencerá aos dois em comum. daqueles que casam (no regime da comunhão parcial) ainda muito jovens. houvesse essa mesma comunicação. pois todo o patrimônio existente é comum a ambos. nesses casos. juntando o nada a coisa nenhuma. Assim. . No regime da comunhão universal. em prejuízo dos descendentes. se o falecido não possuía bens particulares. o da separação obrigatória ou. o cônjuge não será chamado para dividir a herança com eles se o regime de bens era o da comunhão universal. o regime é o da comunhão parcial. não poderiam se comunicar. Ou seja. nenhum bem que seja particular. o legislador entendeu que. sendo o da comunhão parcial. etc. já é dono de metade de todo o patrimônio do casal. se houver descendentes. se durante a vida os patrimônios teriam que ficar separados. ou seja. mas será meeiro do patrimônio do casal.). se não os houver. isso corresponde ao regime da comunhão universal. as regras para definir quem serão os herdeiros legais da pessoa casada que vem a falecer. Para dividir a herança com os descendentes. isso significa que tudo o que era dele também era do outro. cuja herança seria reduzida se tivesse que ser dividida com o cônjuge. nada terá de seu. pois geralmente nenhum deles tem patrimônio algum. do Código Civil. embora seja o da comunhão parcial. todo o patrimônio será adquirido ao longo da constância do casamento. depois da morte. mas na prática corresponde à comunhão universal.

um deles como professora universitária. de comunhão parcial para separação total. enquanto a esposa tem estabilidade financeira graças a seus dois empregos.Reforçando o que foi dito logo no início deste item. avós. ministro Marco Aurélio Bellizze. ressaltou que os cônjuges. a partir de sua homologação ou desde a data do casamento. o novo regime só teria efeitos sobre o patrimônio a partir do trânsito em julgado da decisão que homologou a mudança. Riscos O casal recorrente argumentou que o marido é empresário e está exposto aos riscos do negócio. têm ampla liberdade para escolher o regime de bens e alterá-lo depois. etc. evitando que seu patrimônio venha a responder por eventuais dívidas decorrentes da atividade do marido – preservada. tios. Os magistrados de primeiro e segundo graus haviam decidido que é possível mudar o regime. pois em qualquer hipótese o cônjuge sobrevivente será herdeiro. desde que isso não gere prejuízo a terceiros ou para eles próprios. A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). quando houver descendentes do falecido. de todo modo. primos. ou seja.Casal pode mudar regime de bens e fazer partilha na vigência do casamento É possível mudar o regime de bens do casamento. atualmente. afastando o cônjuge da sucessão. É necessário que o pedido seja formulado pelos dois e que haja motivação relevante e autorização judicial. pouco importará o regime de bens. Assim.). o regime de bens só poderá influir. mas apenas ascendentes (pais. tem prevalecido a orientação de . que reformou entendimento adotado pela Justiça do Rio Grande do Sul. a garantia dos credores sobre os bens adquiridos até a alteração do regime. Assim. O relator do recurso interposto pelo casal contra a decisão da Justiça gaúcha. ou seja. etc.) ou parentes colaterais (irmãos. Acordão STJ . não será afastado em decorrência do regime de bens escolhido. se o falecido não tinha descendente. No STJ. Proteção a terceiros Bellizze ressaltou que ainda há controvérsia na doutrina e na jurisprudência sobre o momento em que a alteração do regime passa a ter efeito. O parecer do Ministério Público Federal considerou legítimo o interesse da mulher em resguardar os bens adquiridos com a remuneração de seu trabalho. e promover a partilha do patrimônio adquirido no regime antigo mesmo permanecendo casado. mas não fazer a partilha de bens sem que haja a dissolução do casamento.

pois a ideia de “futuro” é apenas para namorados. que há hoje um novo modelo de regras para o casamento. A única ressalva apontada na legislação diz respeito a terceiros.639 do Código Civil de 2002 estabelece. que é mais difícil de ser provada. União Estável Evolução .Entidade familiar marcada pela convivência pública. .Era necessário provar que os companheiros exerceram algum esforço. visto que este é muito melhor para ser comprovado e não é apenas uma situação de fato.Publicidade: a ideia é que os companheiros “se mostrem publicamente” como família. .“Namoro qualificado” é uma situação que possui todos os requisitos da união estável.que os efeitos da decisão que homologa alteração de regime de bens operam-se a partir do seu trânsito em julgado. de forma categórica.O nome união estável foi inserido na CF/88. com a consequente individualização do patrimônio do casal. “A separação dos bens. como marido e mulher. O ministro salientou. como é a união estável.ex. que os direitos destes não serão prejudicados pela alteração do regime. prevalecem até hoje como amigado. .A constituição de família deve ser naquele instante.Apesar de hoje estar prevista a união estável o legislador deixou claro que há preferência pelo casamento. antes era chamado “concubinato” e outros nomes comuns que. disse o relator. duradoura e com objetivo de constituir família. e não no futuro.Considerando a ideal patriarcal de antigamente o homem em geral conseguia se sair melhor que a mulher. concluiu. O parágrafo 2º do artigo 1. . porém.Os companheiros não possuíam direitos a nada. . compraram uma casa juntos. p. assim uma união que se dissolvia após um tempo ambos saiam perdendo. “Como a própria lei resguarda os direitos de terceiros. é medida consentânea com o próprio regime da separação total por eles voluntariamente adotado”. pois aí essa ânsia é futura. continua. . Conceito . exceto a vontade de constituir família naquele instante. inclusive. não há por que o julgador criar obstáculos à livre decisão do casal sobre o que melhor atende a seus interesses”. pois não havia meação do patrimônio que fora adquirido com o esforço dos dois. para assim reconhecimento da união de fato.. . em que é ampla a autonomia da vontade do casal quanto aos seus bens. .

. pois não há tal requisito. Elementos . .Ter filhos em comum não significa que há união estável. . Pode ocorrer que as pessoas se unam em uma semana e seja reconhecida a união estável.  Não possui a mesma formalidade do pacto antenupcial. 13/05/16 Parentesco a. Consanguíneo .Em linha reta se trata apenas de parentes ascendentes ou descendentes. Não possui os mesmos direitos da união estável. a união parcial de bens. apesar que se prevê que quem possui filhos está em união estável.Todos os impedimentos do casamento são da união estável. Efeitos Deveres . Concubinato . pois entre as pessoas há impedimentos. .Decorre do próprio nascimento da pessoa. Prevalecendo. Regime . Impedimentos . 1.Pode escolher qual será o regime patrimonial a partir de um: Pacto de Convivência. há na verdade uma sociedade de fato. caso da inexistência do pacto.Coabitação não é requisito para reconhecimento da união estável. pois é possível ter várias uniões estáveis..Todos os regimes do matrimônio se aplicam a união estável.Não há um prazo mínimo para reconhecimento da união estável na legislação. basta ser leal ao outro (a).Relação entre duas pessoas que se parece uma união estável. da própria inserção dela na família. podendo ser feito por escritura pública ou instrumento privado.O casamento posterior não desnatura a união estável. Ex. A ele equiparado muitas vezes está o socioafetivo e da adoção.Lealdade.  Entende-se que não há necessidade de fidelidade. mas não é reconhecida como família. Em linha reta .: Pessoa que está em separação de fato. exceto quando se tratar de uma pessoa que não poder se casar com outra.

isto é. Maternidade e paternidade . .Tioavô (4º grau) pai/mãe > avós > bisavós > tioavós b. usam de terceiros doadores. Por afinidade Consequência/efeito do casamento.Pai/mãe (1º grau) > avós/avôs (2º grau) > bisavós/bisavôs (3º grau) > etc. Ainda que haja dissolução do casamento a parte não deixa de ser parente desses.Primos (4º grau) pai/mãe > avô/avó > tio > primo. Reconhecimento Voluntário . Colateral ou transversal (até 4º grau) .1. Uma vez dissolvido o casamento. Art.Sobrinhoneto (4º grau) pai/mãe > irmão > sobrinho > sobrinhoneto . pois houve consentimento de inseminação de terceiro.Na linha colateral apenas os irmãos que se tornam parentes. .2. .Tios e sobrinhos (3º grau) passa pelo ascendente em comum (pai/mãe) passa pelos avós ou pelos irmãos. 1595.Irmãos (2º grau) sobe até o ascendente em comum (pai e/ou mãe) . .Para descobrir qual o grau do colateral tem que se contar o ascendente mais próximo e assim descobrir qual grau deste. 2.Inseminação interologa consentida: Diferente da inseminação comum nesse os cônjuges não utilizam seus próprios órgãos genéticos. intenção de não fazer diferença entre filhos de um casamento ou união).Todos os ascendentes e descendentes do cônjuge. . Ascendente . o vínculo em linha colateral se extingue. .Filhos (1º grau) > Netos (2º grau) > Bisnetos (3º grau) > etc. Descendente . Filiação . §§ 1º e 2º.Presunção de paternidade: filho de uma mulher casada é filho de seu marido (esta se inicia apenas após 180 dias (6 meses) do casamento.1. Se os cônjuges concordam com esse tipo de inseminação a presunção de paternidade/maternidade é absoluta.Não mais necessariamente filiação decorre de consanguinidade. persistindo por 300 dias (± 10 meses) após o fim do casamento). 1.  Há entendimento que também vale para a união estável (isso pela ideia de isonomia entre filhos.

é reconhecida a relação de pai e filho. por meio do exame de DNA (ou ADN). No polo passivo neste caso figuram os herdeiros da pessoa. sendo menor seu representante ou assistente com o MP. manteve relação sexual com Maria e desta nasceu Antonio. João. João. Judicial . . mesmo em termos fáticos. . A paternidade é um dado construído a partir do afeto como valor jurídico. pois diante da sociedade eles são reconhecidos como pai/mãe e filho. Vejamos o artigo 41 do Estatuto da Criança e do Adolescente: Art.É possível investigação de paternidade pós-morte.O indivíduo reconhece voluntariamente que é o pai da criança. a figura do ascendente genético e a figura do pai não coincidem na mesma pessoa. A adoção atribui a condição de filho ao adotado.Ação de investigação de paternidade. muitas vezes sim. manteve relação sexual com Maria e desta nasceu Antonio. inclusive sucessórios. desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes. que por eles é criado como filho. salvo os impedimentos matrimoniais.Paternidade e ancestralidade genética se confundem? Em termos fáticos. João é pai de Antonio e seu ancestral genético. que o cria como filho. Há entre eles afetividade peculiar que os pais dão aos filhos e vice-versa. assim como os socioafetivos..A discussão quanto ao peso de importância entre paternidade biológica ou afetiva é irrelevante.Há possibilidade da posse do estado de filiação. com os mesmos direitos e deveres. Parentalidade (paternidade ou maternidade) é matéria de direito de família e nesse campo produzem-se efeitos Na adoção. . isto é. O direito ao conhecimento da ascendência genética é direito de personalidade (Parte Geral). Biológica . Multiparentalidade: Casos em que pai/mãe biológicos são reconhecidos.  Aquele que se negar a realiza-lo presume ser o pai. atualmente. Contudo. A ancestralidade genética é um dado biológico e se apura. . padrasto e ascendente genético: uma confusão categorial que custa caro ao sistema . 41. com grande margem de precisão. dependendo do caso concreto para ser aplicada sua importância. Pai.Parte 1 04/05/2016 p or Jos é Fer n and o S imão I . João e Maria perdem o poder familiar e Antonio é adotado por Pedro.  Imprescritível. as figuras podem não coincidir. Socioafetiva . Pedro é pai de Antonio e João seu ancestral genético.  Sendo +18 anos o próprio filho ingressa com ação.Exame de DNA. podendo ser proposta a qualquer momento.

II . Um terceiro exemplo contribui com a compreensão da questão. mas os efeitos são distintos E agora algo de enorme importância: quais são os efeitos da relação paterno-filial e da relação padrastal? São efeitos da relação paterno-filial (pai).exercer a guarda unilateral ou compartilhada. fruto de um casamento anterior com Pedro. É padrasto. A utilização do termo “pais biológicos” é imprópria. Mas padrasto não pode ser pai socioafetivo? Pode. sem qualquer efeito para o direito de família. O Estatuto garante o conhecimento da origem genética. 1591 do CC). Pedro. equivocadamente chamados de pais são meros ascendentes genéticos. Assim. se ocorre com frequência de o ancestral genético ser também pai. estas figuras não se confundem. Padrasto é o homem que se casa ou mantém união estável com a mãe de certa pessoa.Os pais adotivos são. Há uma eficácia parcial e muito restrita da parentalidade entre o adotado e seus ancestrais genéticos. Pai é o homem que ocupa a posição de ascendente consanguíneo ou socioafetivo de primeiro grau em linha reta (art. pois mascara a categoria jurídica. Padrasto não é pai biológico. apenas. João faz doação de esperma em um banco. Do que trata o art.595. João se casa com Maria que é mãe de Antonio. Não há ex-padrasto ou ex-enteado João se casa com Maria que é mãe de Antonio. com nítido caráter eugênico. 1634 do CC: .dirigir-lhes a criação e a educação. Pedro é pai e João é padrasto de Antonio. É parente por afinidade de primeiro grau em linha reta (art. ausente. . A única ressalva. utilizam o esperma de João e desta técnica nasce Antonio. .[4] Paternidade e relação padrastal são de Direito de Família. fruto de um casamento anterior com Pedro. mas não se trata de regra e neste ponto começa a confusão. nem pai socioafetivo. Não há qualquer relação de parentesco entre João (doador de esperma) e Antonio. casados. 1595. 48 do ECA[2]? Da ascendência genética (Parte Geral) e não de parentalidade (Direito de Família). os pais (direito de família) e os “pais biológicos”. é a manutenção dos impedimentos matrimoniais. 1. é necessário esclarecer que paternidade e relação padrastal são conceitos jurídicos distintos e que produzem efeitos distintos. 1º do CC).Paternidade e relação padrastal[3] se confundem? Novamente de maneira didática. então. Pedro prossegue sendo pai e João sendo padrasto de Antonio. nos termos do art. rompe qualquer relação com Antonio. filho de Pedro e Maria Do que trata o ECA em seu artigo 27[1]? Da parentalidade (Direito de Família) e não do conhecimento da ascendência genética (Parte Geral). É de se frisar que a relação padrastal não se dissolve com o fim do casamento (art. Em suma. §2º do CC). par. Simples assim. com a adoção os anteriormente denominados “pais” passam à qualidade de ancestrais genéticos. Pedro e Maria. Pedro é pai de Antonio e João é apenas seu ascendente genético. que é criado pelo casal. O Estatuto garante o direito a um pai e uma mãe.

conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência permanente para outro Município. se o outro dos pais não lhe sobreviver. nos atos em que forem partes. É efeito único da relação enteado-padrasto para o direito civil: impedimento matrimonial para casamento (art. e assisti-los. prossigo com as reflexões. do Distrito Federal. do Presidente da República. §7º São inelegíveis. [5] Art. a seu pedido. sem qualquer restrição. a relação padrastal gera consequências: ao tratar dos crimes sexuais contra vulnerável.521. 226 do Código Penal prevê que a pena é aumentada de metade se o agente é padrasto ou madrasta.conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior. até o segundo grau ou por adoção. 7º). 1. 14. II do CC).[6] Na próxima Coluna. o art. após essa idade. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. Logo a relação padrastal gera inelegibilidade reflexa[5] Para o direito penal. respeito e os serviços próprios de sua idade e condição. de Governador de Estado ou Território. par.exigir que lhes prestem obediência. . Parágrafo único.conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem. [4] Depois analisarei a situação em que as posições se confundem. de Prefeito ou de quem os haja substituído .nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico. bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes. há inelegibilidade em razão do parentesco por afinidade até o segundo grau (art. o art. 14. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. .representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos. .reclamá-los de quem ilegalmente os detenha.. após completar 18 (dezoito) anos. suprindo-lhes o consentimento. 230 prevê que a pena para o rufianismo é maior se a vítima tiver entre 14 e 18 anos e o crime for cometido por padrasto ou madrasta. Para o direito constitucional. 27. [2] Art. Também. . 48. [1] Art. . observado o segredo de Justiça. o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins. O acesso ao processo de adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos. assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica [3] O VOLP e o Dicionário Houaiss não reconhecem o substantivo “padrastio” e sim o adjetivo “padrastal”. indisponível e imprescritível. . no território de jurisdição do titular. ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar. nos atos da vida civil.

[6] Ver ainda arts. . 231.dentro dos seis meses anteriores ao pleito. §2º. III e 231-A. salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. III. §1º. todos do Código Penal. §2º. 228.