13 Condução de Vozes na Harmonização Coral - Conteúdo

Introdução

Opções para o primeiro acorde

Critérios para escolha do primeiro acorde

Outras soluções para o primeiro acorde

Condução de vozes no segundo acorde

Outras soluções para o segundo acorde

Encadeamento do acorde de V grau

Condução de vozes no terceiro compasso

Reconstrução da condução de vozes

Condução de vozes e harmonização da primeira frase
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Introdução

As Unidades 04 e 06 desta interdisciplina trataram, respectivamente, da escolha de acordes e da
inversão de acordes na harmonização coral. Após a escolha da seqüência de acordes deve-se
completar a harmonização, preenchendo a textura a quatro vozes.

Muitas vezes, os problemas de movimento harmônico (encadeamento de acordes) podem ser
solucionados através de uma condução de vozes bem realizada.

Nesta unidade você irá acompanhar o processo de condução de vozes na primeira frase da
melodia coral Freu dich sehr, o Meine Seele, analisando as diferentes possibilidades e suas
implicações.

Vamos partir da escolha preliminar de acordes e suas inversões feitas no conteúdo da Unidade
06. Se necessário, retorne às Unidades 04 e 06 para rever os processos realizados.

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Opções para o primeiro acorde

Com base nas notas que estão dispostas no soprano (sol) e no baixo (sol), são possíveis as
seguintes opções de preenchimento do primeiro acorde:

Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir Ouvir

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Critérios para escolha do primeiro acorde

Para o primeiro acorde, (a) e (h) são as soluções mais adequadas. Do ponto de vista da
distribuição dos intervalos: (a) se encontra equilibrado e (h) distancia o baixo das outras vozes.

Pelo prisma das propriedades acústicas, (h) está conforme a distribuição da série harmônica da
nota fundamental sol, pois tem uma distância maior entre o baixo e o tenor, que se encontram em
posição aberta, enquanto que as notas de tenor, contralto e soprano estão dispostas em posição
fechada:

Se o critério for a distribuição dos intervalos, o acorde mais apropriado é (a). Se o critério for a
conformidade à série harmônica, é melhor iniciar com (h). Para facilitar a condução de vozes,
iniciaremos com (h).
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Outras soluções para o primeiro acorde

As outras soluções apresentam os seguintes problemas:
• (c): erro de distribuição das vozes (11ª entre tenor e contralto)
• (j): cruzamento entre tenor e contralto
• (b), (c), (e), (k) e (l): formação de acorde vazio (sem a 3ª)
• (g): dobramento da terça e supressão da quinta (não está errado, mas produz desequilíbrio na
sonoridade do acorde
• (d) e (i): também suprimem a quinta, porém a triplicação da fundamental é freqüente no Período
Tonal: (i) apresenta desequilíbrio pelo uníssono entre contralto e soprano; (d) é uma solução
satisfatória, pois a triplicação da fundamental ocorre de forma equilibrada, em três oitavas
distintas (comum na musica tonal)
• (f): o dobramento da fundamental do acorde (nota sol) em todas as vozes elimina o sentido de
acorde

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Condução de vozes no segundo acorde

No segundo acorde, de V grau, já tínhamos a terça no baixo (fá#) e a quinta no soprano (lá). Para
que esse acorde fique completo, falta acrescentar sua fundamental (ré).

A maneira mais simples de realizar a condução de vozes é verificar se há notas comuns entre os
acordes. A nota comum é a nota ré, pois é a quinta do acorde de G e a fundamental do acorde de
D.

Com isso, obtém-se uma condução de vozes equilibrada, pois ocorrem os tipos mais eficientes de
movimento para gerar independência entre as partes: movimento contrário entre baixo e soprano
e movimento oblíquo entre contralto e as outras vozes.

Ouvir

(*) Assim, pode-se tomar a identificação de notas comuns e sua permanência nas mesmas vozes
como o procedimento técnico básico para o encadeamento de acordes.
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Condução de vozes no segundo acorde - continuação

Agora, falta completar o tenor, no segundo acorde, que terá uma nota dobrada. O procedimento
mais comum é o dobramento da fundamental, que pode ser ré3 ou ré2. Pelo princípio do caminho
mais curto, a melhor solução seria ré3.
Ouvir
Essa solução apresenta dois problemas:
• uníssono entre tenor e contralto
• quinta direta entre tenor e soprano.

Outra possibilidade seria dobrar a 5ª do acorde (lá), o que produz graus conjuntos, no tenor, e
movimento contrário, entre tenor e soprano. A escolha que faremos para a condução de vozes do
primeiro ao segundo acorde será esta:

Ouvir

(*) A escolha da nota ré, no tenor, também seria possível, pois os problemas apresentados não
são considerados erros.
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Outras soluções para o segundo acorde

Há, ainda outras possibilidades de preenchimento do segundo acorde, porém apresentam erros
de condução de vozes:

• (a) dobramento de sensível (baixo e contralto)

• (b) dobramento de sensível, espaçamento muito aberto entre tenor e contralto e salto melódico
muito amplo no tenor

• (c) supressão de fundamental, triplicação da quinta e uníssono oculto entre contralto e tenor (o
que é o mesmo tipo de erro que oitavas ocultas)

Ouvir

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Encadeamento do acorde de V grau

No encadeamento do acorde de V grau para o I grau seguinte, há um movimento obrigatório, no
baixo, de resolução da sensível na tônica. A nota comum é novamente a nota ré, que será
mantida na voz de contralto. A melhor solução para o tenor é realizar movimento contrário com
relação às vozes externas, para compensar o movimento paralelo existente entre estas vozes.

Ouvir

Na continuação, a melhor solução para a voz de contralto é manter a nota comum (ré). Com isso,
tem-se um acorde com dobramento da quinta (baixo e soprano), a fundamental (contralto), sem a
terça. Para evitar o acorde vazio, deve-se acrescentar a terça (fá#) no tenor.

Ouvir

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Condução de vozes no terceiro compasso

No c. 3, a voz de contralto ainda pode manter a nota comum ré (note-se que somente é possível
manter a nota ré durante três compassos porque esta é a nota comum entre os dois acordes
presentes na harmonização: G e D).

Assim, falta apenas preencher a voz de tenor para completarmos a harmonização do terceiro
compasso. Uma boa solução seria conduzir a voz de tenor por movimento contrário com relação
ao soprano, com as notas fá#-sol-lá:

Ouvir

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Condução de vozes no terceiro compasso - continuação

A solução anterior produz uma quinta direta entre baixo e tenor. Essa quinta direta não está errada
porque a nota superior do intervalo de 5ªJ (tenor) é alcançada por grau conjunto:

Ouvir

O problema irá aparecer na condução para o próximo acorde, pois surgirá uma dificuldade
freqüente quando se encadeiam acordes sem nota comum. Para manter o acorde de C completo,
em qualquer solução sem cruzamento de vozes, produzem-se:

• quintas paralelas (a), (b) e (c)
• oitavas paralelas (a) Ouvir
• uníssono oculto (c).

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Reconstrução da condução de vozes

Neste ponto, tem-se um impasse comum na condução de vozes, em que se deve voltar alguns
passos, na harmonização já realizada, para resolver um problema que seria insolúvel de outra
maneira. O método para isso é reconstruir a condução de vozes de trás para frente.

Assim, o primeiro passo é definir qual seria a melhor disposição das notas nos dois acordes
cadenciais, isto é, no ponto onde o encadeamento deve chegar.

O acorde de D, que finaliza a frase, tem só uma posição possível, para ficar completo, isto é, deve
estar em posição cerrada. Para obter um bom encadeamento de vozes, o acorde de C deve estar
disposto conforme abaixo, pois:

a) os intervalos de 5ªJ (entre baixo e tenor) e 8ªJ (entre baixo e contralto) são conduzidos por
movimento contrário, evitando paralelismos indesejados.

b) as três vozes superiores (tenor, contralto e soprano) são conduzidas por movimento contrário
com relação ao baixo (procedimento usual para evitar movimentos paralelos entre as vozes).

Ouvir

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Reconstrução da condução de vozes - continuação

Da maneira como vinha nossa harmonização, existe um problema para alcançar o acorde de C,
pois se produzem: quintas paralelas entre baixo e tenor; oitavas paralelas entre baixo e contralto.
Assim, temos que redefinir a condução de vozes, mantendo-se o acorde de C nesta posição.

Ouvir

A melhor forma de solucionar este problema é inverter o encadeamento das três vozes inferiores
(baixo, tenor e contralto), já que ambos os paralelismos se dão com relação ao baixo, deve-se
buscar movimento contrário com esta voz.

Ouvir

Com isso, tem-se dobramento da sensível (fá#). Esse dobramento é aceitável, pois o acorde de V
grau conduz para o IV grau (quando há um encadeamento V-I, a sensível não pode ser dobrada).
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Reconstrução da condução de vozes - continuação

a) Seguindo o processo de trás para frente, temos que verificar o encadeamento que conduz ao
primeiro dos acordes do exemplo anterior: há uma oitava paralela entre soprano e tenor.

b) Para solucionar o problema, basta modificar o tenor, que, em vez de sol pode cantar ré2;
assim, o intervalo de 8ªJ (entre tenor e contralto) é conduzido por movimento contrário.

c) No encadeamento para o primeiro acorde do exemplo anterior, não há problema de condução
de vozes, pois a única oitava presente nesse acorde (entre tenor e contralto) é obtida por
movimento oblíquo.

Ouvir Ouvir Ouvir

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Condução de vozes e harmonização da primeira frase

Com todos os problemas solucionados, a condução de vozes da primeira frase da melodia coral
Freu dich sehr, o Meine Seele está completa.

O exemplo abaixo pode ser considerado plenamente satisfatório segundo os princípios de
harmonização e condução de vozes do Período Tonal.

Ouvir

Na próxima Unidade veremos o processo de condução de vozes e harmonização da segunda
frase desta melodia, para complementar este estudo.

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