Florescimento: floração e produção de

sementes

Eng. Agr. Dra. Samira D. Carlin Cavallari
Centro de Cana – IAC

Sertãozinho, 18 de junho de 2015

Florescimento da cana-de-açúcar

 Mudança da fase vegetativa para a fase reprodutiva:
alteração crítica no ciclo das plantas, crucial para a
produção de frutos e sementes;

 O florescimento é essencial para a obtenção de novos
materiais – Melhoramento genético;

 É indispensável para a perpetuação da espécie, mas
indesejado em cultivares comerciais devido a perda de
produtividade;

Florescimento da cana-de-açúcar
• O que é florescimento?

• É um processo fisiológico complexo formado por vários
estádios de desenvolvimento, e cada estádio tem a sua própria
necessidade ambiental e fisiológica;

• Envolve modificações especificas no metabolismo do vegetal.
Em plantas que são induzidas ao florescimento, estímulos
ambientais são percebidos por estas e desencadeiam sinais que
tornam uma planta de estágio vegetativo para o reprodutivo;

• Controlado por uma rede gênica (faltam pesquisas);
Castro, 2001; Araldi et al., 2010

Florescimento da cana-de-açúcar

• O processo de formação da inflorescência é de difícil definição,
pois depende da cultivar, do clima da região e das mudanças
que ocorrem nos anos agrícolas;

• Estímulo: transformação do meristema apical em gema floral -
18 a 25 dias, dependendo da cultivar;

• No hemisfério sul: estímulo e diferenciação meristemática
ocorrem normalmente nos meses de fevereiro - março - abril;

Humbert, 1974; Rodrigues, 1995

Alonso. • Região Centro-Sul do Brasil: maioria das áreas sujeitas a ocorrência do florescimento. Florescimento da cana-de-açúcar • Florescimento: abril – maio – junho. 2014 . sendo que algumas plantas (CULTIVARES) são mais exigentes aos fatores ambientais envolvidos sensíveis • Ribeirão Preto: principal região produtora do Centro-Sul está fortemente dependente das condições térmicas e hídricas. Almeida. 2003.

Rodrigues. Florescimento da cana-de-açúcar • Florescimento é dividido em 4 estágios (ou fases): 1. emissão da inflorescência. 1995. Almeida. meristema apical em gema floral. Taiz e Zeiger. 2. 2009 . gema floral em inflorescência. 2003. 4. 3. desenvolvimento da inflorescência e folha bandeira.

2014 . Florescimento da cana-de-açúcar Folha bandeira em inflorescência Meloni.

conhecida como bandeira ou flecha. Scarpari & Beauclair. é uma panícula aberta com flores hermafroditas cada uma com um óvulo. Florescimento da cana-de-açúcar • A inflorescência da cana-de-açúcar. 2008 .

Rodrigues. 1995. Florescimento: prejuízos • Crescimento vegetativo é paralizado. • Perda no rendimento de açúcar. . • Colmo florescido entra em senescência permitindo novas brotações. • Açúcar é direcionado para formação da folha bandeira ou flecha.

umidade do ar e do solo. 2007 . Como evitar o florescimento? • Interferência do homem: 1. temperatura. Através do melhoramento genético: cultivares que não florescem. • Florescimento: é sazonal e muitos são os fatores que regem sua ocorrência: fotoperíodo. 1995. nutrição e idade da planta. • No entanto. Labord. 2. Reguladores vegetais (principal ferramenta). Rodrigues. bem como fatores do meio. são necessários conhecimentos na fisiologia da planta. mesmo que o ambiente seja propício ou que floresçam em menores proporções. latitude.

fotoperíodo 2.latitude 5. Fatores que interferem no florescimento • Fatores externos (do meio): 1.nutrientes Castro.temperatura 3. 2001 .umidade 4.

FOTOPERÍODO 1. • FPC: valor em horas de luz que determina a floração ou não de uma planta. 1973. • As horas de escuro são tão importantes quanto as horas de luz. • A cana-de-açúcar floresce quando submetida a dias com comprimentos inferiores a um fotoperíodo crítico (FPC). Alexander.. 2004 . Imaizumi et al.FOTOPERÍODO: fator determinante da indução • Resposta a um período de luminosidade diária. • Resposta biológica a uma modificação nas proporções de luz e escuridão num ciclo de 24 horas.

FOTOPERÍODO • Fotoperíodo indutivo da floração em cana-de-açúcar: 12h e 50 min. Castro. 1981. • Planta de dia curto. • Para que as plantas percebam as menores mudanças de luz. 1984 . • Uma cultivar que floresce em uma determinada região poderá não florescer em outra. estas possuem diferentes pigmentos em seus tecidos– fitocromos Berding.

são sensíveis a pequenas mudanças no comprimento do dia.fitocromos • FITOCROMOS: 1. Pigmento do florescimento. FOTOPERÍODO . Detectam a presença da luz e a diferença na sua intensidade. Rodrigues. 2. 1995 . assim como ocorre no amanhecer e entardecer. 3.

ficando inativo. o escuro também torna o pigmento inativo. e ao da luz vermelho-extremo (VE). FOTOPERÍODO .fitocromos 4.Respondem ao espectro da luz vermelha (V). 2009 . Fitocromo inativo Fitocromo ativo Taiz e Zeiger. ficando em estado ativo.

Este balanço entre fitocromos na forma ativa e inativa que vai desencadear os metabolismos envolvidos no florescimento. com pequenas variações de temperatura.fitocromos 5. 6. 2009 . E o número de fitocromos ativados e o tempo que ficam inativados são diferentes para plantas de dia curto e dia longo. Taiz e Zeiger. FOTOPERÍODO.Pode-se dizer que as melhores condições para o florescimento acontecem nas regiões equatoriais do globo terrestre: 12 horas de luz e 12 horas de escuro.

. tendo grande influência da temperatura. porém a oscilação da temperatura pode afetar a ocorrência da inflorescência. FOTOPERÍODO • De fato. • No estado de SP: grande variabilidade do índice de florescimento. o fotoperíodo possui grande influência na indução do florescimento.

TEMPERATURA: fator determinante da indução. Berding. • 21 a 31 ºC – faixa. • nos locais de ocorrência abundante de florescimento a temperatura mínima noturna raramente fica abaixo de 18ºC e as máximas diurnas nunca ultrapassam os 32-35ºC e que temperaturas abaixo de 21ºC podem atrasar o crescimento e a emergência da panícula. TEMPERATURA 2. juntamente com o fotoperíodo. Araldi et al. 1981. 2010 ..

como o tamanho. a quantidade em dias vai depender da cultivar. • Temperaturas acima ou abaixo da faixa ideal atrasam a iniciação floral e desenvolvimento das panículas. . aumentam o tamanho das inflorescências.10 dias de temperatura noturna acima de 18 ºC. No geral. • Para a indução: +. temperaturas amenas em Poaceae. TEMPERATURA • a temperatura também pode afetar a morfologia das panículas.

quando este fenômeno não ocorria. notava-se que ocorreriam mudanças nas precipitações anuais (interferência da umidade).memória do estresse. • locais onde temperaturas e fotoperíodos indutivos aconteciam naturalmente e raramente acontecia à inibição da floração da cana-de-açúcar. TEMPERATURA • Não necessariamente dias consecutivos. as plantas armazenam as informações . .

inflorescência e produção de sementes. UMIDADE 3. • Sem água não ocorre o transporte dos fotoassimilados para o meristema apical. Moore. 1987 . • A adequada umidade do solo é crucial para a indução floral.UMIDADE: • Deficiência hídrica na época da indução ou meses antes altera a fisiologia do florescimento – inibe ou retarda.

1973.. LATITUDE 4.LATITUDE: exerce forte efeito na intensidade do florescimento • Brasil: região litorânea da Bahia e Alagoas. • Florescimento natural. 2010 . Araldi et al. sementes viáveis para os cruzamentos. Alexander.

2014 .Florescimento da cana-de-açúcar Alonso.

tamanho da flor e produção de sementes. NUTRIENTES 5. 1995.NUTRIENTES: • N: doses altas ou baixas no momento da indução interferem no florescimento. 2010 . reduzem a emergência das panículas. • Interação: nutrição x florescimento ainda é questionada Rodrigues. • Para florescer: doses ótimas por cultivar ainda é desconhecida. • P e K: também interferem.. Araldi et al.

florígeno 4.Sinais.Metabolismo hormonal 3.O estímulo indutivo. Fatores que interferem no florescimento • Fatores internos (da planta): 1.Folha 2.Idade .

. Porém. • Dentre os fatores internos. a maturidade fisiológica destaca- se como um fator limitante à indução do florescimento. 1991 . independente da idade cronológica. Viveros et al. estes de nada valem se a planta não perceber estes estímulos e enviar sinais de forma que passe do estágio vegetativo para o reprodutivo. • Plantas de 3 a 6 meses respondem a esses estímulos. Fatores inerentes a planta • Os fatores externos são de grande influência no florescimento da cana-de-açúcar.

• Sinal é transportado via floema para o ápice. • A indução floral é controlada por uma rede gênica que responde aos estímulos externos. 2010. Fatores inerentes a planta • Os estímulos são percebidos na folha pelos fitocromos.. Fornara et al. 1995. Mutton. • Este sinal é identificado como florígeno. 2013 . Rodrigues.

Efeitos do florescimento na planta  Do ponto de vista comercial: PROBLEMA • Implica em alterações morfológicas e fisiológicas na cana-de-açúcar. Rodrigues. • Auxinas: diminuem no ápice. • Translocação de outros hormônios e fotoassimilados para o meristema apical. 1995 .

1995 . • Fotoperíodo + temperaturas indutivas: fitocromo – florígeno. Efeitos do florescimento na planta • Meristema apical gema floral • Síntese de hormônios só ocorrem em plantas que atingiram a maturidade para florescer. • Crescimento vegetativo é paralisado. Rodrigues. após o desenvolvimento vegetativo.

Rodrigues. pois a formação da flor drena considerável quantidade de sacarose. Araldi et al. Outras alterações fisiológicas • Alteração na distribuição da água. • prejudicial no processo de acúmulo de sacarose. • Alteração na redistribuição de nutrientes orgânicos e inorgânicos. 2010 . • Diminuição nas reservas de carboidratos (raiz). 1995..

Outras alterações fisiológicas • Colmos florescidos: rendimento de açúcar – folha bandeira ou flecha. • A flor drena e consome sacarose o que acarreta prejuízos à qualidade da matéria-prima fornecida a indústria. .

• Excreção de K e N pelo sistema radicular. 2010 .. Outras alterações fisiológicas • Colmo florescido: senescência – novas brotações laterais. Araldi et al. • Brotação lateral: diminui a qualidade tecnológica dos colmos uma vez que a formação desses brotos tardios mobiliza considerável quantidade de energia da planta. • ISOPORIZAÇÃO OU CHOCHAMENTO. • Sacarose: quebrada em glicose e frutose. em contrapartida ao processo de acúmulo de sacarose.

2007 . 1995. adquirem gradativamente cor branca. ISOPORIZAÇÃO • Pode ou não estar relacionado com o florescimento da cana e está relacionado com a maturação. • Ocorre em algumas cultivares e caracteriza-se pelo secamento do interior do colmo. Rodrigues.. PORÉM O FLORESCIMENTO INTENSIFICA A ISOPORIZAÇÃO. desidratação dos tecidos dos colmos que. ao perderem água. • diminui as características tecnológicas dos colmos. Caputo et al. a partir da parte superior.

ISOPORIZAÇÃO Isoporização: do centro para a periferia Landell. 2014 .

2013 . ISOPORIZAÇÃO Isoporização: do centro para a periferia Mutton.

ISOPORIZAÇÃO • Redução da densidade dos colmos acarreta em diminuição no peso dos colmos florescidos Landell. 2014 .

. • Prejuízos na pesagem. ISOPORIZAÇÃO – matéria-prima • Prejuízos na embebição. • Menor densidade de cana. • Caldo com baixa transparência. • Bagaço com dificuldade de queima. • Fibras curtas. • Baixa densidade do bagaço.

(1985) L = 1. Se L for: Negativo – haverá florescimento Positivo – não haverá florescimento até a data considerada L=0 50% probabilidade de florescimento Desde que tenha disponibilidade de água no solo (2/3 da CC%) Alonso. onde: X¹ = nº dias (períodos noturnos) t° C ≥ 18 X² = nº dias (períodos diurnos) t° C ≤ 31 L= é o parâmetro que determina o percentual de probabilidade de indução. 2014 .06764 * X1 .02296 * X2. Monitoramento do florescimento Fórmula: Período de indução – Pereira et al.0.263 – 0.

Fotoperíodo e Precipitação. Monitoramento do florescimento São observados o número de dias indutivos com base na Temperatura. 2014 . 2008 100% 2009 60% 2010 15% 2011 100% 2012 28% 2013 62% 2014 < 20% ? 2015= ? Início do período indutivo: 26-02-2015 adaptado de Meloni.

Quando aplicar • Segunda quinzena de fevereiro: ? • Etefon: libera etileno quando em contato com tecidos vegetais. . Monitoramento do florescimento 1. Reguladores vegetais: ferramenta • O mais utilizado: etefon.

o como não mata a gema apical. 2014 . ETEFON Modo de ação: o aumenta os níveis endógenos do etileno. o etefon permite uma maior flexibilidade da época de colheita. o apresenta restrição temporária ao crescimento. além de não induzir a inversão da sacarose. o o etileno perturba o transporte de auxina. Monitoramento do florescimento 1. Figueiredo.

ETEFON o Etefon e estresse apresentam efeito similar. 2006 . o aplicação do etileno leva à inibição temporária do crescimento do colmo e ao seu engrossamento. Morais Netto. aplicado antes da iniciação floral inibe a formação da inflorescência e consequentemente o volume de parênquima sem caldo. 1995. Rodrigues. Monitoramento do florescimento 1. ou isopor.

Atua como regulador de genes que promovem a formação de pelos foliares e radiculares. também importantes para o armazenamento de água na planta. ETEFON o Em cultivares que não florescem: o etefon inibe a isoporização. 2014 . Figueiredo. Monitoramento do florescimento 1. conduzindo à maior absorção e conservação de água. o Proporciona maior número e dimensão de células buliformes.

a.a. ha-1). ha-1)  Paraquat (100g i. Meloni.a. ha-1)  Ethephon (480g i. Monitoramento do florescimento • Produtos utilizados:  Fluazifop-butil (125g i. 2014 .a. ha-1)  Glifosate (240g i.

visto que as perdas com a inversão da sacarose para formação da panícula. 2.. Em áreas comerciais de produção de cana-de-açúcar. o uso de produtos inibidores do florescimento é a melhor alternativa. Quando não é possível esse manejo varietal. 2010 . onde há condições ideais para o florescimento da cultura. durante o florescimento. Araldi et al. CONCLUSÕES 1. são enormes. é recomendado o uso de cultivares com potencial menos ou não florífero.

br sdcarlin97@gmail. Obrigada sdcarlin@iac.com (16) 3919-9942 (16) 9 9994-3107 .sp.gov.