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Iniciando 2009 começo uma nova fase em minhas matérias, agora trago até você amigo baixista entrevistas

com os mais destacados nomes do nosso cenário musical. Para abrir esse novo espaço tive o prazer de
entrevista Fábio Zaganin, um dos mais requisitados nomes quando falamos em Rock, Blues no Brasil.Fábio em
uma entrevista feita entre as festas de fim de ano fala um pouco de sua carreira, suas filosofias e seus
pensamentos.Convido você a conhecer esse grande músico! Abraços

Jota

SOBRE FABIO ZAGANIN

Autodidata, contra-baixista e compositor. Estudou Harmonia Funcional e Rearmonização com o Maestro Cláudio
Ferreira Leal. Como integrante de bandas e projetos tocou e/ou gravou com: Anjos da Noite, Hot Stuff
(Portugal), Legalize, Junk e Jack Daniels’ On The Road entre outros. Como sideman acompanhou e/ou gravou
com: Mark Ford, Hubert Sumlin, Faíska, Flávio Guimarães, Sérgio Buss, Lancaster, André Christovam, Bruce
Ewan, Marcos Davi, Mário Fabre, Theo Werneck, Cândido Serra, Heraldo do Monte, Michel Leme, Clara Ghimel,
Kiko Loureiro, Samuel Rosa e Mônica Tomasi entre outros.

Como session player trabalhou em jingles e trilhas publicitárias para as produtoras: Sax So Funny, Sam e Piano
com os produtores Sérgio Buss e Maestro Zezinho Mutarelli. Participou de Festivais e Oficinas como:
IB&T/Cover Baixo Bass Festival, Natublues Festival, Batuka!, Festival de Verão da Bahia, Salão de Bateria, CD
Expo, Budweiser Blues, Zildjian Day Brasil e Oficina de Música de Curitiba entre outros. Contribuiu com seus
workshops para as revistas: On & Off, Neozine.com e Bass Info [de 1992 a 2001]. Contribui para revista Cover
Baixo em sua coluna Slap Bass [2002 a 2006] e Harmonic Bass [2007 a 2008]. Leciona em seu curso
personalizado e individual de aulas Estudos de Contrabaixo desde 1991. Instrutor do IB&T - Instituto de Baixo &
Tecnologia desde 2000. Leciona pela internet através do curso fz online desde 2003.

Entrevista para o site baixista.com.br 24 de Dezembro de 2008

Por Jota Jota

Na sua opinião o quê mudou no universo do contrabaixo nos últimos 20 anos?
Fabio Zaganin: Sem dúvidas a tecnologia trouxe mudanças significativas ao instrumento e para a música em
geral. Da Internet aos novos equipamentos, temos novidades a cada momento. Como um efeito dominó, a
tecnologia atingiu também a maneira de fazer e se pensar em música. Hoje, o baixo e o baixista dispõem de
total controle da sua situação, e se colocam definitivamente em qualquer posição, seja acompanhando ou
trabalhando como instrumento líder ou solo. Do outro lado da moeda, estas mudanças também se dão no
comportamento do instrumentista, que muitas vezes valoriza apenas a tecnologia, esquece de fazer música, da
troca cultural e do respeito com outros músicos. Espiritualmente acho que existe um esquecimento ainda maior,
com valores ainda não notados, por novos músicos ou indivíduos.

Quem ou o quê foi o responsável por essa mudança?
FZ: Acho que como um todo, o mundo procura a evolução. Porém a única que parece existir é a evolução
material/tecnológica. Talvez esta seja uma das maiores mudanças que estamos passando nos últimos tempos,
acredito que teremos outra(s) em outros âmbitos.

O músico brasileiro teve sua dose de contribuição?
FZ: Creio que sim, com a Internet encurtando as distâncias, fica cada vez mais claro o que cada povo ou
indivíduo está buscando neste momento. Pesquisas mostram o relacionamento e desejo de praticamente toda a
sociedade e isso com certeza traz mudanças. O brasileiro tem sua parcela na opinião e hoje é cada vez mais
ouvida.

Aproveitando, me fale de suas referências musicais, quem mais te motivou na carreira?
FZ: Minha motivação vem principalmente do amor pela música. Para mim se reflete no ato final da composição.
Tenho um amor incrível pelo meu instrumento e isso também determina minhas decisões. Musicalmente minhas
referências são diversas, de inúmeros estilos e músicos, porém me deixo afetar também por outras áreas, como
a arte, pensamentos, espiritualidade e o meio em que vivo.

. Não quero abraçar o mundo. Sempre faço o que acredito.. Além de estudar muito existe outra receita para se sobressair no mercado? FZ: Não tenho receitas. Não penso em concorrência ou competição. Já tive o privilégio de trabalhar com inúmeros artistas e músicos e sempre fui tratado com devido respeito e valor. a cada dia que passa. Com toda a correria do dia-a-dia. shows. apenas fazer o que sei da melhor maneira. Estudar. É importante você saber qual é a sua posição dentro de cada trabalho. trabalhar. Sem rodeios. mais e mais baixistas aparecem “comendo” o instrumento. acredite ou procure. se atualizar e se dedicar são requisitos para qualquer profissão. Você trabalha também como side man. isso me mostra seguramente o que tenho de fazer no agora. . apenas olho para traz e me sinto feliz por todos trabalhos que fiz. ensaios. porém procuro fazer a manutenção de estudos e repertórios sempre que possível. o artista “no geral” dá o devido valor ao músico contratado? FZ: Acho que você é tratado da forma que merece.. talvez a vontade de se “sobressair no mercado” ofusque o que você realmente é. Dá tempo de ter uma rotina de estudos? FZ: Realmente é difícil. qual a sua função e manter clara a sua conduta. gravações compromissos com patrocinadores. conta muito para maneira de como você é visto. Hoje em dia a concorrência está bem grande.. A posição que você se coloca.

com/zfgmob. MPB. como foi esse convite? FZ: Sou fã do Faíska desde a primeira vez em que o vi tocar. No primeiro semestre teremos o lançamento do cd do trio instrumental ZFG MOB www. Para os músicos iniciantes qual seria um bom conselho para ser um bom sideman? FZ: Não me considero um sideman 100% ou conhecedor exímio do assunto. Conheça a sua função dentro do trabalho. Seja o que você tem de ser. Ser profissional está na atitude. Hoje acho mais fácil você mostrar ao mundo quem é. se não me engano já é o seu terceiro ano lá? FZ: A Oficina de Música de Curitiba é um evento cultural incrível. porém acho que algumas atitudes servem para todas as situações. Conte para nós sobre a Oficina de Música de Curitiba. ao menos. Está na 27ª edição e conta com Oficinas de música Antiga.faiska. esta facilidade também nos traz inúmeros indesejáveis. E a indústria da música dá valor ao músico? FZ: Se partirmos do ponto que todos tem um lugar ao sol. mostrar no que você acredita. Músicos e estudantes do Brasil e de inúmeras partes do mundo participam em um mês de celebração a música na cidade de Curitiba. . em Janeiro de 2009.. não no papel. Fui convidado para fazer um show de última hora com apenas um ensaio. Se dedique ao máximo ao que faz e respeite as pessoas.br ) . não! O problema é não poder. Nos conhecemos a um bom tempo e sempre conversamos sobre tocar um dia. ao lado dos amigos Mario Fabre e Edu Gomes. Leciono em meu programa de aulas personalizadas “Estudos de Contrabaixo”.myspace.com..andréchristovam. Para conhecer melhor e inscrições. e o que pensa. 2008 e agora pela terceira vez. Blues e Eletrônica. Estou muito feliz e desenvolver este trabalho enriquecedor. Estudei o incrível repertório que abrange o material de sua carreira e fizemos um grande show.oficinademusica. Acho que mesmo assim. Tenho plano para um novo método e início da gravação do meu projeto solo. sempre tivemos heróis pelo fato de conseguirem este espaço. recentemente tive a honra de ser convidado para fazer parte do trio do guitarrista Faíska www.br.fabiozaganin. Algum tempo depois recebi o convite para ingressar no trio. Erudita. FZ: Continuo meu trabalho com bluesman André Christovam www. mas uma honra ao mesmo tempo.org.com. Foi um desafio. Recebi o convite do coordenador e baixista Carlos Gaertner para ministrar aulas em 2007.com e sou instrutor do IB&T e da Oficina de Música de Curitiba (janeiro 2009). Fale dos seus planos e projetos para 2009. dou aulas online através do meu site www. acesse o site (www. E o seu trabalho com o Faíska. Infelizmente.

0.com. uso a pedaleira Zoom [B2. 0. AMANAÎÉ? FZ: Todo músico um dia se depara com a indagação de como melhorar seus estudos. 110 [E] e 130 [B] (www. Todos meus instrumentos são equipados com cordas D’addario: 0. técnica e conforto para tocar.Zaganin FZ Model. gigs.90 [A].nzaganin. Quanto aos efeitos. Qual o seu setup atual? Você usa o mesmo instrumento para vários trabalhos (aulas. com e sem trastes (www. adaptar e expandir fronteiras.br ). O baixos Amanaîé usam os captadores N. Uso amplificadores de 400 watts com 2 caixas 4 x 10” e combos de 300 watts. desenvolver. Todos instrumentos são passivos. 0.com. procurei buscar o meu timbre.Em 1990 conversando com meu irmão.royalmusic.Zaganin FZ Amanaîé Model de 4.br ) . Além do estudo constante e um bom professor. Dependendo da gig. então .com. Sempre em busca de novos desafios. Conte um pouco para nós sobre o seu novo baixo.70 [D].. nos deparamos também com a necessidade de um melhor instrumento para nos aperfeiçoar.) ou você da uma variada nas máquinas? FZ: Uso baixos N. escolho o equipamento..1u] (www. etc. sonoridade.musical- express. assim nasceu o protótipo do hoje Amanaîé. Trabalho também com o modelo FZ Telebass Custom de 4 cordas com e sem trastes. decidimos construir um instrumento que tivesse estas características. A/B [FZ Mistery Box] feito por Roberto Santana e inúmeros pedais análogos e digitais.32 [C].50 [G]. 5 e 6 cordas.br ).

Vejo de perto que o estudo. alcance e range do instrumento. Quatro. a essência é a mesma de quando foi criado. Cinco anos após a criação do Mr... sendo assim. Usei este instrumento por anos. ao som mais pesado e agressivo [Dragão/Yang]. Blackwell. um com trastes e outro sem trastes. parte elétrica passiva. gravações e ensaios e acreditando sempre na evolução. Conclusão foi o primeiro passo para excluir o que não gostava e necessitava em um instrumento. convivo com um dos maiores luthieres do mundo.chamado de Mr. nascia “o Mensageiro”. Blackwell. Assim em 1995 nasceu a versão 4 cordas fretted e fretless do Amanaîé. do som mais delicado e cristalino [Fênix/Yin]. concordando com a evolução incrível do contrabaixo nos últimos vinte anos.Zaganin. instrumento construído com todo carinho e qualidade da N. Hoje com a informação. Sendo assim sempre achei que mutilar e alterar demais um instrumento original passa a ser uma plástica” desrespeitosa a suas origens e sonoridade. a versão de 10 anos de aniversário foi construído desta forma. Obrigado a toda família N. [apelidados de Ron & Wood – homenagem a Ron Wood. a escala escura em jacarandá. Anjos Da Noite. Agora de bate pronto. Após 10 anos com os dois baixos. com e sem trastes. cinco ou seis cordas? FZ: Todos. tocando em inúmeras situações ao vivo. Esta escolha pelas seis cordas se concretizou com a satisfação e concretização de estudos e músicas. a pesquisa continuou e cheguei à conclusão [por enquanto] final: as madeiras. Por ser o baixista do primeiro disco que tirei linhas de baixo: Truth do Jeff Beck]. tocando em gigs como Legalize.. Qual sua opinião sobre os instrumentos feitos no Brasil? Hoje não precisamos ficar nas mãos dos gringos para ter instrumentos de ponta? FZ: Sem dúvida temos ótimos profissionais construindo belos instrumentos. desenho e hardware. com timbres e pegada inacreditáveis.. Minha conclusão final é que necessitava de um casal. estudo. Este instrumento passou a ser o meu equilíbrio. amor e busca incessante pela qualidade constroem peças de arte únicas. guitarrista dos Stones. natural. consciência e acesso ao material necessário.Zaganin. Versátil. o luthier brasileiro pode realizar trabalhos incríveis.. Decidi tocar com 6 cordas. Com certeza o Amanaîé me faz tocar e sentir melhor. 24 trastes. pelo sonho que se tornou realidade. dois captadores humbucking passivos. Para finalizar eu digo um nome e você me diz uma palavra: Sizão Machado: . Sou suspeito. tinha certeza absoluta do que necessitava em um instrumento. Hot Stuff e várias outras..Particularmente acredito que todo instrumento nasce com uma identidade e por mais que você o transforme. Tenho uma sorte incrível de poder concretizar o sonho de ter um instrumento com todos meus desejos e saciar minhas necessidades musicais. Passei a ser um apaixonado pela combinação de Maple e Frejó. Expandindo as fronteiras. tendo para o baixo com trastes a minha escolha final pela escala clara/maple e para o sem trastes. Em Junho de 2006.

com. Música é o Melhor. Alain Caron: FZ: Disciplina. JacoPastorius: FZ: Criador. Um recado final para o baixista. Beleza não é Amor. Sabedoria não é Verdade. Marcus Miller: FZ: Melodia.br? FZ: “Informação não é Conhecimento. Amor não é Música. Conhecimento não é Sabedoria. – Frank Zappa . Fabio Zaganin: FZ: Aprendiz.FZ: Groove. Verdade não é Beleza. Arismar do Espírito Santo: FZ: Intuição.