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M ARIA RE GINA DINI Z H E C K

O E NSI N O D O L A T I M N O B R ASI L :
objetivos, método e tradição

Porto A legre
2013

Universidade Federal do Rio G rande do Sul
Instituto de L etras

O E NSI N O D O L A T I M N O B R ASI L :
objetivos, método e tradição

M ARIA RE GINA DINI Z H E C K

O rientadora: Prof. D ra. L úcia Sá Rebello

Trabalho de Conclusão do Curso de Letras apresentado no
Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas do
Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul - UFRGS - como requisito parcial para
obtenção do grau de Licenciatura em Letras com ênfase
em Português-Latim

Porto A legre
2013

Homo sum : humani nil a me alienum puto
Ich bin ein Mensch, nichts Menschliches ist mir fremd
Sou homem: nada de humano me é alheio
Terêncio
Heauton Timorumenos
Ato 1, V. 77

por último. Por conseguinte. Palavras-chave: latim. analisa-se a tradição jurídico-legal do ensino do latim no Brasil. ler e compreender a língua latina e auxiliar no aprendizado da língua portuguesa e de línguas estrangeiras. Assim. propor o resgate desse ensino como elemento importante na formação do jovem e na preparação do adulto para a vida profissional. delimita-se os objetivos do ensino do latim: compreender o humanismo. é possível tecer considerações sobre a possibilidade de resgate do ensino do latim como disciplina da humanidade (laica) no ensino fundamental e médio. para a formação de professores competentes. . consequentemente. adentra-se à questão do método que servirá como caminho para se alcançar os objetivos traçados no ensino da língua latina. e. R ESU M O Esta monografia procura compreender o motivo do abandono do ensino do latim no Brasil e. Para isso. para adestramento de capacidades e talentos. no ensino superior. formação. ensino do latim. E.

A BST R A C T This monograph seeks to understand the reason of abandonment of Latin teaching in Brazil and consequently proposes a rescue of this teaching as an important element on education to youngsters and to adults preparing them for their professional life. reading and understanding the Latin language. Keywords: Latin. the learning of foreign ones. as a discipline of Humanity (secular) in secondary school for training skills and talents and in higher education (college) for the training and graduation of competent teachers. it is possible to consider the redemption possibility of Latin. Thus. not only assisting the learning of Portuguese language but also. And lastly it analyzes the juridical- legal tradition of teaching Latin in Brazil. teaching Latin. Accordingly it enters into questions of method that Will serve as a way to achieve the outlined objectives in the teaching of Latin. teacher-training and graduation. Therefore it delimits the targets of Latin teaching: conceiving Humanism. .

página S. folgende i. edição f. id est LDB lei de diretrizes e bases LLPSI Lingua latina per se illustrata n. Auflage ed. e. artigo Aufl. L IST A D E SI G L AS art. seguinte trad. número p. Seite seg. tradução .

............................... SU M Á R I O ! I N T R O D U Ç Ã O ..... 22 3.. 14 1.................. 26 C O NSI D E R A Ç Õ ES F I N A IS ................................................. 9 1................................................................................................................. 30 R E F E R Ê N C I AS ................................... 9 1... T R A D I Ç Ã O D O E NSI N O D E L A T I M .......... O BJ E T I V OS D O E NSI N O D O L A T I M ........................................... 17 2. M É T O D O ....................................................1 Compreender o humanismo .............................................................................................................. 7 1...............................2 L er e compreender a língua latina ................................................................................................................................3 A uxiliar no aprendizado da língua portuguesa e de línguas estrangeiras .......... 32! ..........................................................................................................................................................................

Aufl. 7. seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho.. Nos gramáticos e doutrinadores de língua latina no Brasil. talvez seja o mais controvertido. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. Tübingen: Mohr. 46. formação está empregada no sentido da palavra alemã BildungTXHQDGLFomRGH*DGDPHU³TXHUGL]HU aqui mais que cultura. d. Gadamer. H.. isto é. Ausbildung von Vermögen oder Talentes. ed. 6. escolheu-se condensá-los em três e. Petrópolis: Editora Vozes. adentra-se à questão do método que difere do método adotado para as línguas estrangeiras modernas. Primeiramente. 1 Aqui. o terceiro objetivo é a importância do estudo da língua latina para a língua portuguesa e demais línguas modernas ocidentais. Essa diferença ocorre por não serem a fala e a audição os focos do ensino de línguas clássicas. tem tarefas específicas e diferentes daquelas das línguas modernas. W ahrheit und M ethode. o segundo é o objetivo do estudo de línguas clássicas. os objetivos são variados e controvertidos. consequentemente. delimita-se os objetivos a serem alcançados com o ensino do latim." Gadamer. propor um resgate desse ensino como elemento importante na formação1 do jovem e na preparação do adulto para a vida profissional. 7 INTRODUÇ Ã O Esta investigação procura compreender o motivo do abandono do ensino da língua latina no Brasil e. O primeiro objetivo é a compreensão do humanismo que. Hans-Georg. assim. 1990. assim. por estar carregado de tradição religioso-cristã. S. adestramento de capacidades ou talentos". Por ser uma língua clássica e sem falantes. cumprindo. 205. Trad. No original: ". . será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. p. evitar a dispersão e prolixidade. Diante dessa situação. h. meint hier mehr als Kultur. A educação. direito de todos e dever do Estado e da família. 2005. o preceituado no artigo 205. V erdade e método I. Estabelecidos os objetivos a serem alcançados com o ensino do latim.-G. de Flávio Paulo Meurer. da Constituição Federal de 1988: art. 16. que é ler e compreender a língua estudada.

mas sim a tradição jurídico-legal do ordenamento jurídico brasileiro posterior à lei Capanema. 8 Dessa forma.244. 3 Lei n. coloca-se a questão da tradição no ensino de língua latina no Brasil. e as leis de diretrizes e bases da educação nacional. de 11 de agosto de 1971. pode-se chegar à conclusão sobre que tipo de formação está sendo dada aos jovens e adolescentes brasileiros tanto no ensino fundamental e médio como no superior.692. Por fim. de 9 de abril de 1942. Isso. Não será analisada a tradição histórico-escolástica do ensino do latim. de 20 de dezembro de 1961. . feito preponderantemente pelos padres da igreja. Lei n. 4. O método servirá como caminho para se alcançar os objetivos traçados no ensino da língua latina. 4. Diante disso. 2 Decreto-lei n.024. contudo. 5. de 20 de dezembro de 1996.394. pressupõe um professor competente. Lei n. pode-se reduzir a ênfase nos estudos dos sons e da pronúncia e aumentar o tempo dedicado à gramática e ao aperfeiçoamento da leitura e compreensão dos textos.2 ponto alto do ensino de línguas clássicas e modernas.3 elaboradas nas décadas seguintes e que acabaram com a obrigatoriedade do ensino de línguas clássicas no Brasil. 9.

9.. 3 Aufl.9 DWp R VpFXOR . Giovanni Boccaccio) progressivamente opuseram-se contra tendências de dissolução SROtWLFDQRVHVWDGRVLWDOLDQRVGRQRUWHHRGRJPDWLVPRFUHVFHQWHGDLJUHMD´5. a De genealogia deorum contém um apêndice ao livro catorze e quinze em que discute a atitude do humanismo nascente frente ao seu século. [. fez compilações de textos mitológicos. 9 1.. Conferir no original: ³+XPDQLVPXV>]XODWKXPDQLWDV©0HQVFKOLFKNHLW©©*HVLWWXQJ©@´ 5 'XGHQ QRWD . ³RQGH UHSUHVHQWDQWHV GD EXUJXHVLD GLVWLQJXLGD )Uancesco Petrarca. mas. Schülerduden Philosophie. S. Mas não nos enganemos.1 Compreender o humanismo ³+XPDQLVPR>GRODWLPKXPDQLWDVªKXPDQLGDGH©ªFLYLOL]DomR©@´4 é o movimento de formação filosófico-literário que se desenvolveu na Itália a partir da segunda metade do VpFXOR . ao escrever grandes obras de história e tratados de filosofia. Petrarca foi um GRVSRHWDVLWDOLDQRVTXH³LPLWDYDDSRHVLDODWLQDHPWRGRVRVJêneros e. se olharmos mais de perto notaremos que tem em vista toda a actividade intelectual dos poetas filólogos. não tentava fazer esquecer as obras dos antigos. O BJ E T I V OS D O E NSI N O D O L A T I M 1. Censura esses frívolos ignorantes que só pensam em mostrar bom aspecto e levar boa vida. biográficos e geográficos em língua latina. antes de se tornar conhecido pela obra Decameron.. É aos inimigos desta que combate com uma energia infatigável. Dentre essas. mas SURSDJDU R VHX FRQKHFLPHQWR´6. os frades mendicantes (designados por perífrases bastante transparentes) que se comprazem em acusar o paganismo e trovejam contra a imoralidade do século. finalmente. 7 4 DUDEN. Mannheim: Dudenverlag. Só fala de »poesia«. 195. 2009. E Boccaccio.] Combate.

158. no Brasil. mas reinterpretações da humanidade. . como. porque dá a entender uma humanidade laica e outra cristã. usa-se humanidade no plural. p. Isso é falso. 2. a feita pelos padres da igreja. 6 BURCKHARDT.. A civilização do renascimento italiano. Lisboa: Editorial Presença. A isto se voltará mais adiante. p. Não existem humanidades. 7 BURCKHARDT. (nota 6). 158.LUFKH ]XU :HKU VHW]WHQ´ $TXL GHYH VHU chamada a atenção sobre isto: em geral. 1983. 6  1R RULJLQDO ³ ZR VLFK 9HUWUHWHU GHV YRUQHKPHQ %UJHUWXPV )5$1&(6&2 PETRARCA. por exemplo. Jacob. ed. GIOVANNI BOCCACCIO) zunehmend gegen politische Aflösungstendenzen in den QRUGLWDOLHQLVFKHQ 6WDDWHQ XQG GHQ ]XQHKPHQGHQ 'RJPDWLVPXV GHU . Trad. O uso do plural confunde. J. de António Borges Coelho.

wuchs ab etwa 1400 (nach der Eroberung von Byzanz) auch das Interesse für griechische Literatur. 1R RULJLQDO ³0HQVFKHQELOG 1DWXUDXIIDVVXQJ XQG *HVFKLFKtsverständnis der Autoren wurden in Anlehnung an die Kultur der Antike entworfen. diferentemente da obscuridade e resignação do homem ao sobrenatural existentes na idade média. ainda influenciados pelas crenças religioso-dogmáticas da idade média. prenhes da verdade absoluta proveniente de Deus e distantes dos ideais da antiguidade não-cristã. 1400 (depois da conquista de Bizâncio) também o interesse pela literatura grega. cresceu a partir de. que tiveram o predomínio total da educação. e os colégios. Orienta-se primeiro na antiguidade romana. o Brasil foi descoberto pelos navegadores portugueses. Orientierte man sich zunachst an der römischen Antike. em que 8 DUDEN. Os primeiros a chegarem foram os jesuítas. Assim: Imagem da pessoa. uma oposição ao dogmatismo religioso da igreja católica que dominava economicamente o meio cultural renascentista. o movimento humanista toma consciência do homem como fim. filosófica. dass von dieser Wahrheit auch die nicht christliche Antike =HXJQLVDE]XOHJHQYHUP|JH´ . a humanidade chega ao Brasil trazida pelos padres da igreja. escolas elementares. 196. betonte aber. foi. aproximadamente. Trotz kritischer Grundeinstellung gegenüber dem Dogmatismus blieb die Bewegund . Nessa tradição religioso- cristã. Seus trabalhos foram. escolas médias. essenciais para o resgate e propagação da antiguidade clássica apagada pela religiosidade do período medieval. S. por um lado. permaneceu o movimento . Apesar da atitude fundamental crítica perante o dogmatismo. política e histórica).com apoio nos pais da igreja . por outro. Isso é comprovado pela VHJXLQWH DILUPDomR ³8PD YH] HVWDEHOHFLGRV QR SDtV RV SDGUHV GD &RPSDQKLD SDVVDUDP D fundar as escolas de ler e escrever. 10 Essa preocupação em desvelar autores antigos foi tão intensa que sufocou a desenvoltura e a criatividade das produções em língua italiana. (nota 4).obrigado à fé cristã em uma verdade que sempre procede de Deus.8 Nesse período de efervescência das questões humanísticas na Europa (cultural.unter Berufung auf die Kirchenväter . Ao resgatar a cultura da antiguidade greco-latina. também. immer Von Gott kommende Wahrheit verpflichtet. que dessa verdade também a antiguidade não-cristã é capaz de dar testemunho. concepção da natureza e compreensão da história dos autores foram projetados com apoio na cultura da antiguidade.dem christlichen Glauben an die eine. acentuou. porém.

Rio de Janeiro. 14 Ver para isso.11 Essa concorrência na educação. qXH HX FKDPDULD GH µSHGDJRJLD EUDVtOLFD¶ SRLV SURFXUDYD VH DGHTXDU jV FRQGLo}HV HVSHFtILFDV GD FRO{QLD H GHSRLV QD YHUVmR GR µ5DWLR 6WXGLRUXP¶ FXMRV FkQRQHV foram adotados pelos colégios jesuítas no mundo inteiro. Romanitas Revista de Cultura Romana. p. 10 SAVIANI. a substituição da orientação jesuítica se deu não exatamente por ideias laicas formuladas por pensadores formados fora do clima religioso. continuavam na tradição do ensino humanístico pelo viés religioso 14 e do latim pela 9 TUFFANI. aperfeiçoava-se em Portugal. modificar os ideais religiosos da educação. (nota 10). formulada por padres de outras ordens religiosas. Não se aventou a possibilidade de um ensino laico. particularmente. desvinculado das escolas escolásticas de tradição medieval. 1957. que. 11 SAVIANI. data da chegada ao Brasil de Nóbrega. Dessa forma. 14 e segs. acríticas e ortodoxas que ensinam a humanidade e. a 1759. 2013. Serviu apenas para acabar com a hegemonia dos padres da companhia. 19. 5. 2006. Cotia: Íbis Editora. 457. que iniciou a reforma do ensino sem. ao analisar a implantação dos colégios jesuítas no Brasil. v. 1962. quando os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal. ELIA. mas mediante uma nova orientação. mesmo não pertencendo aos quadros religiosos. 11 VHGHVWDFDYDRHQVLQRGR/DWLP´9 Saviani. ano IV.html.histedbr. posteriormente. com destaque para os oratorianos.br/navegando/artigos_frames/artigo_036. Vandick Londres da. Acesso em: 31 out. o latim pelas velhas gramáticas feitas pelos padres. 12 +RMHSRGHUtDPRVGL]HU³SOXUDOLVPRLGHROyJLFR´ 13 Ver para isso. Demerval. 10 Essa hegemonia na educação perdurou de 1549.13 Nessas escolas. NÓBREGA. p. p. Repertório brasileiro de língua e literatura latina (1830-1996). p. primeiro na versão do Plano de Nóbrega. . igualmente católica. diz: a pedagogia católica se instalou no país.12 iniciada com a reforma de Pombal. no entanto. 7.. 4. p. A cultura clássica no B rasil. não modificou tampouco melhorou o ensino no país. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora. Sílvio. D. não só estudava a elite dirigente do país. mas também os futuros professores que.fae. As concepções pedagógicas na história da educação brasileira. Eduardo. Disponível em: http://www.unicamp. O ensino do latim (doutrina e métodos).

1995. e.. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais. Revista de Letras. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista. Assis. especialmente. ver supra. 307. L. mas a tradição. são necessários conhecimento da língua latina. No original: "Horizont ist der Gesichtskreis. 17 e 25. 1962. sem possibilidades de ampliação e abertura de novos horizontes. portanto. Alceu Dias. 18 LIMA. disciplinas pertencentes à humanidade e essenciais à formação do indivíduo. Tradução de Roberto Schwarz. O ensino das letras clássicas. 12 gramática:15 decoreba de regras e exceções.16 Nessa tradição. BENTON. S. V. o aluno deve. Em outras palavras. também. v.-G. ver NÓBREGA.. 399. 16 ³+RUL]RQWHp´DTXL³RFtUFXORGHYLVmRTXHDEUDQJHHDEDUFDWXGRRTXHpYLVtYHOGHXPSRQWR´*$'$0(5 H. a oportunidade de cursarem disciplinas que contribuam para a sua formação. p. da cultura e da filosofia romanas. não somente das universidades. o ensino da língua latina que deve ser ensinada 15 Para mais informações. à repetição da gramática que servirá para ler textos "descontextualizados". Vandick Londres da. Por isso. primeiro. para depois ler então os do humanismo cristão. que se restringe. escrito numa cultura distante da nossa e em uma língua tão difícil como o latim. 17. (nota 1). der all das umfaßt und umschließt. a transmissão foi reinterpretada. a gramática permaneceu igual. mas também do ensino secundário. conjugações de verbos e dissecção de textos. Para isso. 19 Aqui. was von einem Punkt aus sichtbar ist. É preciso rever esse preconceito contra a humanidade e disponibilizar aos alunos. Aqui se mostra uma contradição: ao ignorar os textos do humanismo (laico) inicialmente. também se ignora a formação do professor. O resultado dessa ideologia religiosa e da carência de formação dos professores levou D TXH ³RV GLVFtSXORV DSUHQGHVVHP D GHWHVWDU R ODWLP´17 e se formassem opiniões SUHFRQFHLWXRVDV FRQWUD R ³HVStULWR GD KXPDQLGDGH´18 como se esse fosse o responsável pelo fracasso do ensino de latim no Brasil. (nota 15). 19 Para isso. José Antônio. A presença do latim I. . é somente consequente a acentuação no "método". 2. É uma posição cômoda para o professor. p. U ma estranha língua? Q uestões de linguagem e de método. pois é muito mais fácil ensinar regras do que raciocinar e refletir sobre um texto clássico." 17 NÓBREGA. nota 1. 1961.. saber a gramática para depois ler os textos. da história. 98 e segs. i. p. 32. lista de palavras.. p. Ver. p.

ago. 10. ano III. 7.20 20 ROUANET. 13 para exercitar nossas faculdades de análise e abstração. v. 1986. e para fugirmos dessa atualidade. para conhecermos melhor esse latim moderno que é o português. Sérgio Paulo. num gesto de desafio político. Reinventando as humanidades./out. recusando. para encontrarmos na antiguidade romana paralelos com nossa atualidade. e não de escapismo. São Paulo. . p. Revista Humanidades. o eterno presente que nos é imposto pela sociedade unidimensional.

sobra mais tempo para o estudante dedicar-se à leitura e compreensão dos textos clássicos escritos em latim. jornais e revistas podemos treinar a escrita. p. tratada de forma apaixonada e intransigente FRP PXLWR GHVJDVWH SDUD DV SDUWHV HQYROYLGDV´21 Disso. 22 BENTON. Se o estudo for de uma língua moderna. J. (nota 9). mas não existe um povo a quem escrever. falar e ouvir (compreensão). encarregá-lo de traduzir uma obra literária sem a devida introdução préYLD j HVVrQFLD H DRV DVSHFWRV EiVLFRV GD DUWH GH OHU´22. Assim sendo. reconstituída ou tradicional. . 28.. que nos permite comunicação constante e temporal com os nativos estrangeiros. Eduardo Tuffani.2 L er e compreender a língua latina Quando se estuda uma língua estrangeira. cita vários autores brasileiros que se dedicaram às diferentes SURQ~QFLDV GD OtQJXD ODWLQD H DILUPD ³$ TXHUHOD GD SURQ~QFLD GRPLQRX JUDQGH parte do período e foi. o objetivo é aprender a ler. Há um imenso legado escrito.. (nota 15). escrever. para prejuízo dos estudos latinos. a fala e a audição usando criativamente o computador para treinar as habilidades comunicativas e interagir com a cultura estrangeira. Esclarecidas essas diferenças. como é injustificável. ao comentar sobre trabalhos universitários publicados entre 1940 e 1970. essas habilidades podem ser facilmente aprimoradas pelo uso da tecnologia. A. não se chegou a uma conclusão definitiva sobre a pronúncia latina. Por mais que se tenha tentado estabelecer uma pronúncia correta. com competência. Hoje. &RQWXGR SDUD TXH HVVD FDSDFLGDGH GH OHLWXUD VHMD GHVHQYROYLGD ³RV HVWXGDQWHV WrP GH VHU 21 TUFFANI. O mesmo não se aplica ao estudo do latim. durante dois ou mais semestres o acesso à leitura. nessa língua. 14 1. p. E. pode-se concluir que falar e ouvir latim são duas habilidades às quais se dedicam aqueles que querem se aprofundar no assunto ou querem ler em voz alta os poetas latinos. 104. além de ler livros. pode-se dizer que a habilidade de ler é o centro dos HVWXGRVODWLQRV'HVVDIRUPD³>@pGHWRGRLQMXVWLILFiYHOYHGDU-se ao estudante. falar ou ouvir.

O movimento da compreensão vai.. que aqui é a matéria do texto.. 271. é dizente de tal maneira que não é somente uma declaração sobre um desaparecido. daß wir einen Satz erst >konstruieren< müssen.. 386. No original: ". S. sempre do todo para a parte e de volta para o todo. No original: ". o que. histórico e literário proporcionados. 294 f.-G. (nota 1). 385. daß es nicht eine Aussage über ein verschollenes ist. ter a pré-compreensão não sobre a coisa. als sei es eigens ihr gesagt. portanto. >construir< uma proposição antes de nós tentarmos entender o sentido total da SURSRVLomR HP VHX VLJQLILFDGR LGLRPiWLFR´26. S. H." 26 GADAMER. A. (nota 1). H.25 $OpP GLVVR QR DSUHQGL]DGR GH OtQJXDV DQWLJDV DSUHQGHPRV ³>@ TXH QyV WHPRV GH primeiro. H. 24 $TXLRVHQWLGRGHFOiVVLFRpRKRUL]RQWHGRSDVVDGR³FOiVVLFRpDTXLORTXHVHFRQVHUYD porque ele mesmo se significa e mesmo se interpreta. p. was sich bewahrt. 15 HGXFDGRV SDXODWLQD PDV SHUVLVWHQWHPHQWH´23 no hábito da leitura e devem entrar em contato com textos clássicos o mais cedo possível. S.." (Gadamer. i. 355. sondern das der jeweiligen Gegenwart etwas so sagt. die ihrerseits wieder von Sachen handeln). outra vez." 27 Ver para isso.). transpor-se para a tradição à qual o texto pertence. J.24 que devem ser escolhidos conforme o conhecimento gramatical... uma mera testemunha. weil es sich selber bedeuted und sich selber deutet..-G." 25 GADAMER. de algo. porque toda interpretação correta tem de proteger-se contra a arbitrariedade de ideias súbitas e da limitabilidade de hábitos de pensar imperceptíveis e dirigir o olhar >para a coisa mesma< (que nos filólogos são textos cheios de sentido que.. S. GADAMER. (nota 15). Textos que excedem a capacidade do aluno podem acarretar desânimo ou interpretação desvirtuada. portanto.. quebrando a tensão existente entre o estranhamento e a familiaridade. Esse conhecimento da temporalidade do texto permite realizar a fusão de 23 BENTON. was also derart sagend ist. (nota 1). 296. . selbst noch zu deutendes Zeugnis von etwas. No original: "Alle rechte Auslegung muß sich gegen die Villkür von Einfällen und die Beschränktheit unmerklicher Denkgewohnheiten abschirmen und den Blick >auf die Sache selber< richten (die beim Philologen sinnvolle Texte sind. mas que diz algo à atualidade respectiva como se fosse dito especialmente para ela.-G. Klassisch ist. 383 e seg. e ter a consciência histórica da distância temporal entre o autor e o intérprete.. (nota 1). 105. bevor wir den gesamten Sinn des Satzes in seiner sprachlichen Bedeutung zu vestehen suchen.-G.. tratam de coisas). Ao professor compete a tarefa de preparar o aluno para a leitura dos textos clássicos. p. a ser ainda interpretada mesma. H. por sua vez. p. ein bloßes.27 Para que essa compreensão do texto se realize é preciso ser versado na coisa em questão. 296. p. p. e. mas na coisa..

ou seja. 28 Ver para isso. p. historicamente. o ensino fundamentado na compreensão dos textos permite a abertura e ampliação de horizontes e quem tem horizonte sabe avaliar corretamente o significado de todas as coisas no interior desse horizonte. H.. a possibilidade de ampliação de horizontes e abertura de novos horizontes. (nota 1). A conseqüência disso é a estreiteza de horizontes provocada pela preponderância dos estudos gramaticais em prejuízo do conhecimento e compreensão dos textos clássicos. 16 horizontes entre o passado e o presente e. poder resgatar o seu ensino e sua consequente fonte como formação. .-G. essa fusão de horizontes. então.28 No Brasil. segundo proximidade e distância. portanto. O contrário disso.. 399 e segs. S. esteve sob influência da igreja que é atemporal e não permite. o ensino do latim. GADAMER. grandeza e pequenez. consequentemente. 207 ff. É preciso quebrar essa tradição religioso-escolástica e o preconceito contra o latim para.

que era a linguagem usada pela população culta. proporciona maior conhecimento dos 29 ³2 REMHWLYR LPHGLDWR p VHP G~YLGD SRGHU OHU LQWHOLJHQWHPHQWH R ODWLP L H OHU VDEHQGR R TXH OHX´ (NÓBREGA. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 17 1. Além do sermo plebeius havia simultaneamente em Roma o sermo urbanus (fala da cidade). No século passado. p. Esse auxílio do latim não se restringe apenas às línguas românicas.30 Essa origem comum das línguas românicas deixou. românicas ou neolatinas. a American Classical League promoveu uma pesquisa para averiguar a importância do estudo do latim e quais os objetivos a serem alcançados com o estudo dessa língua. 2. incontestável é que ao aprender latim o aluno aproxima-se das principais línguas modernas que se originaram diretamente do latim. a grafia e a compreensão do inglês. também. melhora a leitura. concluiu-se também que o estudo do latim facilita não só a compreensão de palavras inglesas originadas do latim. Essa proximidade é devida ao fato dessas línguas. principalmente no léxico. 86. espanhol e francês. mas também ao ensino do inglês e do alemão. sermo castrensis (fala do acampamento) e sermo peregrinus (fala do estrangeiro).). além do estudo do latim pelo latim. mas. V. BASSETO. Desnecessário é citar exemplos.. pois. ed. italiano. Se for um texto jurídico a compreensão se torna ainda mais fácil. numa visão de conjunto.29 Porém. Bruno Fregni. em 1924. reconhecer o assunto do texto. basta pegar um texto em espanhol ou italiano para se deparar com várias palavras conhecidas e. que era falado pelos populares incultos e subdividido em sermo rusticus (fala do campo). (nota 15). Os resultados são surpreendentes e interessantes. E lementos de filologia românica. 30 Ver para isso.3 A uxiliar no aprendizado da língua portuguesa e de línguas estrangeiras O estudo do latim tem como principal objetivo o aprendizado da língua latina. 89. L. ou seja. 2005. p. terem se originado do sermo plebeius (fala do povo). português. muitas semelhanças que auxiliam no reconhecimento. memorização e significação das palavras. .

dativo e genitivo.32 Nesse artigo.. a língua alemã enriqueceu-se com tantas palavras latinas quantas foram necessárias. destacamos algumas questões gramaticais interessantes: semelhança entre a construção da frase latina e a alemã. adjetivos e pronomes. ainda atual. Curitiba. que foram tomados de empréstimo do latim. v. (nota 15). mesmo quando no alemão o paradigma já estava preenchido por outra palavra com o mesmo significado.. feminino e neutro e dos seis casos existentes no latim o alemão tem quatro: nominativo. (Nóbrega. Vandick da Nóbrega. Oswaldo O. de estatística e levantamento de dados com vistas à programação científica de nosso ensino. Revista de Letras. dormimos o longo sono do comodismo e da improvisação. sem dúvida. por influência do cristianismo. avessos a qualquer tipo de pesquisa. Uma pesquisa semelhante foi realizada pelo Prof. Para a língua alemã. Para constatação. com mais indicações. o professor faz um estudo comparativo entre vocábulos do inglês moderno e do anglo-saxão. pelos escritores clássicos do renascimento. em particular. Em um artigo sobre o ensino do inglês. É uma pesquisa de âmbito mais restrito. aliás. acusativo. V. junto aos professores de latim. Esses vocábulos chegaram até a Bretanha pelo contato entre romanos e bretões. mas isso não retira o seu significado. e do latim. a flexão dos substantivos. de várias universidades americanas. Portella cita os objetivos encontrados pela pesquisa americana e afirma: Enquanto nós. em geral. na década de 1950. (nota 15). p. p. por via do normando-francês e. com destaque para o verbo no final da frase. basta abrir um dicionário de literatura e 31 Ver para isso. São semelhanças gramaticais que facilitam a comparação e o estudo entre as duas línguas. e tinha como objetivo a formação dos estudantes do secundário. V. NÓBREGA. de que se tem notícia: a CLASSICAL INVESTIGATION. p. do bloco neolatino. os gêneros masculino. 58 e segs. L. 52 e segs. nossos irmãos de língua inglesa realizaram a mais ampla e abrangente enquete em torno dos estudos clássicos. também. Oswaldo O. Quanto ao léxico. no Colégio Pedro II. 34. 18 princípios da gramática inglesa. facilita o estudo de outras línguas estrangeiras. F unção propedêutica do latim no ensino do inglês. dos seus resultados. da educação. O autor apresenta com detalhes HQRRULJLQDORUHVXOWDGRGDLQYHVWLJDomRIHLWDSHOD³ American Classical League ´ 32 PORTELLA. L. 31 Essa pesquisa foi realizada com professores. 123 e segs.) .

de colocar a questão em discussão.. Aufl. L. com professores do colégio Pedro II. 5.bibliotecadigital.. 36 MIOTTI. análise histórico-comparativa da língua . (nota 15). Todavia. 15. Disponível em: http://www. Zürich: Dudenverlag. pode-se ver o dicionário Duden Fremdwörterbuch.35 A pesquisa de Nóbrega tem o mérito de ter sido o primeiro trabalho a respeito do assunto e. V. 34 Ver.36 33 Como exemplo.unicamp.srf. Wien.. ainda NÓBREGA. 2013. veiculada no texto de Nóbrega e hoje combatida pela grande maioria dos estudiosos. na década de 1950. também. Mannheim. Charlene Martins. 2006.ch/sendungen/kultur-kompakt/latin-lovers-lateinunterricht-heute. os falantes de língua alemã sempre discutem. 19 ler algum verbete. O ensino do latim nas universidades públicas do Estado de São Paulo e o método inglês Reading latin: um estudo de caso. p. pode ter ajudado a gerar uma metodologia de ensino que foi internalizada por muitos docentes e alunos ao longo dos anos: o latim estudado como se fora apenas um pretexto para o exercício da análise sintática.). fora do âmbito científico. maior habilidade na grafia.L ateinunter richt heute. para isso L atin Lovers . quanto à importância do latim para o português. 1990.br/document/?down=vtls000377335.34 No Brasil. 19 jun.33 No mais. Excetua-se a pesquisa feita por Nóbrega. 2013. Schweiz: SRF Schweizer Radio und Fernsehen. . Acesso em: 26 out. são raros os estudos científicos que analisam a importância do ensino do latim para a língua portuguesa. Miotti afirma: Do nosso ponto de vista. nos mesmos moldes da investigação feita pela ³American Classical League´ 'R UHVXOWDGR GHVVD SHVTXLVD HOH FRQFOXLX TXH RV REMHWLYRV considerados mais importantes pelas respostas dos professores são: o humanismo e o estudo da língua portuguesa (compreender o significado exato das palavras portuguesas derivadas do latim. Tal idéia. 2013. conhecimento dos princípios da gramática portuguesa. ao comentar sobre os resultados da pesquisa feita por Nóbrega. Disponível em: http://www. é certo que o português possui uma gramática independente da do latim e que a exposição de Nóbrega sobre os alcances do estudo do latim é um tanto artificial. Acesso em: 21 out. p. Campinas: sem editora. Band 5. a importância do ensino do latim para a formação de seus jovens e para o estudo e compreensão da gramática da língua alemã. 35 Ver para isso. 81.

v. quanto ao alemão. empiricamente. que é artificial. a segunda.php/revistainstrumento/article/view/4/4. a exemplo do alemão e do russo. ao analisar os objetivos do latim nas licenciaturas em letras modernas. dizer que é uma língua eslava. sustentD ³(QWUHWDQWR D DSUHQGL]DJHP GH IXQo}HV VLQWiWLFDV SRGHULD VHU IDFXOWDGD pelo estudo de qualquer língua cuja morfologia expresse o caso./jun. mas o latim que pode favorecer. 1. contudo. p. por serem línguas modernas. 2009. faz uma afirmação e retira dela uma conclusão. com a vantagem de se encontrarem mais facilmente oportunidades de contato com essas ltQJXDV >@´37 Sobre a opinião da autora. que os docentes e alunos internalizarDP TXH VH HVWXGD R ODWLP ³DSHQDV´ SDUD H[HUFtFLR GD DQiOLVH VLQWiWLFD (VVDV comprovações ainda estão pendentes. Acesso em: 22 out. jan. a aprendizagem das funções sintáticas das demais línguas modernas. pois é grande a semelhança gramatical entre as duas línguas. 11. . Duas são as questões que deveriam ter sido comprovadas: a primeira. difícil. 30. Samantha de Moura. inclusive do russo e do alemão. que o latim não auxilia no aprendizado do português. sem. 20 A pesquisadora. ou seja. Revista Instrumento . que facultam a aprendizagem das funções sintáticas. como se pode observar em seu trabalho. Juiz de Fora. a segunda. apresentar dados empíricos que a corrobore. que seu aprendizado na universidade seria facilitado e incentivado se os alunos viessem do secundário com conhecimentos prévios da língua latina. Aqui se inverte a colocação: não é o alemão ou russo. pode-se. n. por comparação. de pouca procura nos meios universitários e despertou interesse há alguns anos por questões ideológicas. a primeira teórica.br/revista/index.Revista de estudos e pesquisa em educação. Disponível em: http://www.com. Reflexões sobre o ensino de língua latina em cursos superiores de letras modernas. quanto ao russo.editoraufjf. Mais objetivo em suas afirmações é o gramático $OPHLGD³eGHWRGRIDOVRSHQVDUTXH a primeira finalidade do estudo do latim está no benefício que traz ao aprendizado do 37 MARANHÃO. 2013. Também Maranhão.

282. Educação. G ramática metódica da língua portuguesa.. 46. 29. Rafaela. 175. 2009. Isso prova a importância que eles dão ao estudo da língua latina como cultura e como parte da formação de seus jovens. ed. p.39 Com essas observações. o autor remeter os estudantes de sua Gramática latina para a Gramática metódica da língua portuguesa e vice-versa. românicas ou não-românicas. São Paulo: Editora Saraiva. pois. e chama-se a atenção ao adjetivo "primeira". Jornal da Universidade. 2000. se o ensino do latim estivesse à disposição na formação dos jovens no ensino fundamental e médio. de. p. 97 e segs. 231. N. M.. 40 PECHANSKY. Napoleão Mendes de. contudo. 8. 34. ele faz comparações entre as gramáticas das duas línguas que facilitam o entendimento do conteúdo gramatical estudado tanto do português quanto do latim. mas também para o aprendizado das demais línguas ocidentais. Nestas. 21 SRUWXJXrV´38 Isso não impede. 17 e segs. 40. ALMEIDA. F ronteiras que o idioma impõe. dicionários e traduções do latim. 7. No Brasil. . que sempre estão a produzir novos trabalhos acadêmicos e publicações específicas como gramáticas. (nota 38). 23.40 Isso mostra claramente a má-formação no ensino fundamental e médio e a incapacidade dos universitários em se comunicar em outra língua que não seja a materna. G ramática latina: curso único e completo. p. destacam-se os alemães e os ingleses. Além disso. São Paulo: Editora Saraiva. p. Napoleão Mendes de. Rio Grande do Sul: junho de 2013. 39 Ver para isso. ed. pode-se dizer que o ensino do latim é importante não só para o aprendizado da língua portuguesa. Esses estudos tornam-se urgentes. 38 ALMEIDA. o aprendizado de uma terceira língua seria facilitado e os estudantes QmRVHFDQGLGDWDULDPHPSURIXVmRQRSURJUDPDGRJRYHUQRIHGHUDO³&LrQFLDVVHPIURQWHLUDV´ para as universidades portuguesas. ALMEIDA. faltam estudos sérios e com fundamentos em dados empíricos para se delimitar o tema e evitar afirmações preconceituosas e autoritárias contra o ensino do latim.

S. Assim. Um caminho tomam. he méthodos (he hodós = caminho) significa (ir) 'segundo um caminho'. sem que se tenha originado das discussões um manual adequado às necessidades dos alunos brasileiros. 84. v. independente disto. Hans Michel. i. evita obstáculos e. de nada adianta utilizar o melhor método H[LVWHQWHVHRSURIHVVRUpPHGtRFUH$HVVHUHVSHLWRDILUPD(OLD³2PDJLVWpULRSDUWLFLSDGD arte e não da mecânica. mas caminho no sentido de decurso que toma um determinado modo de movimento. o método? Para responder à pergunta é cabível o conceito de Krings. n. saber). Tradução de Luís Afonso Heck. STEGMÜLLER. como também o comportamento de espécies animais superiores. pode-se perguntar. do grego. 20. M É T O D O Um professor competente e um bom método de ensino são essenciais para que se alcance os objetivos do ensino do latim. que deixe o movimento fluir naturalmente e não crie obstáculos para o alcance dos objetivos do ensino do latim. Para isso. O significado da palavra deixa reconhecer que a expressão concerne a um determinado elemento de movimento. defesa. 32. Stegmüller e Baumgartner: Método. jan. uma reflexão sobre o decurso e a determinação de um determinado modo do procedimento - possivelmente também sua exposição simbólica como construção técnica ou lingüística. como. entre outras coisas. finalmente. por exemplo alcance de um objetivo. e.42 Muito já se refletiu sobre qual o melhor caminho para o ensino do latim. 5 e seg. transmissão de informações. que por sua 41 ELIA. p. (nota 14). o faz adequado para a ordenação em uma ação ampla. àquele que toma do movimento a discricionariedade. M étodo./abr. caso não encontrem no professor uPDDXWrQWLFDYRFDomRGHPHVWUH´41 Mas o que é. 42 KRINGS. São Leopoldo. descobrimento de uma incógnita. método indica não propriamente um caminho existente. p. todas as ações humanas. e precisamente. procura. se ele será percorrido ou não. . 1999. 22 2. Wolfgang. Por isso mesmo todas as fórmulas de ensino são vãs. Mais de perto.. Hermann. mais ou menos. Porém. é necessário ciência (Wissen(schaft). BAUMGARTNER. método pode ser definido como modelo de um procedimento refletido. O conceito de método exige. além disso.

pdf. São. que. A tradução e o ensino do latim. Acesso em: 25 out. ou seja. destacam-se alguns. A língua latina é lógica. que analisou especificamente o método inglês Reading latin. atrasam o contato do aluno com os textos. apesar 43 Ver para isso. Disponível em: http://www. Ela analisou dezoito manuais didáticos de língua latina. Em primeiro lugar. possui inconvenientes. elaborados entre 1930 e 2010. . a tese de mestrado desenvolvida por Fernandes. 23 vez. compostas de temas isolados e que não têm uma visão de conjunto capaz de. a falta de conexão entre a nossa realidade e a realidade da qual os textos latinos clássicos falam. não-institucionais.pget. A questão do método diz respeito à primeira. Essas conexões não são perceptíveis em nossas instituições. outra coisa é o que se expressa com essa língua. Disso se percebe. portanto. Dos trabalhos realizados no país sobre métodos de ensino de latim. outros possuem o ensino gramatical compartimentado em tópicos e. p. exceto um (normativo). Ela ensina a correção da sua escrita. A tradição da qual a língua latina fala diz respeito à segunda. Por isso a sedução de teorias e métodos alienígenas. De sua pesquisa. 81 e segs. todos os demais têm uma abordagem tradicional do ensino de língua. 2013. pelos métodos adotados. realmente. Florianópolis. Thaís. O erro está em não compreender que a ausência da segunda não se resolve com modelos da primeira. FERNANDES. a barreira da língua inglesa. ou seja. Existem muitas pesquisas fragmentadas.43 Outro trabalho sobre o assunto é a dissertação de mestrado de Miotti. Primeiro. muitos não seguem as recomendações mais modernas da linguística aplicada. a ausência de uma tradição relacionada com um saber. de interesse e investimentos. Existe uma inversão dessas questões.br/curso/dissertacoes/Thais_Fernandes_±_Dissertacoes. 2010. e concluiu que. nacionais e estrangeiros.ufsc. pesquisas individuais. utilizado nas universidades estaduais de São Paulo. sobretudo. empiricamente. depende. que foram feitos recentemente em instituições de ensino público federal. ela concluiu que o Reading latin é um dos métodos mais completos à disposição. contudo. refletir sobre um método de ensino do latim no Brasil para o secundário e para o universitário. Dissertação.

44 Por último. L ingua latina per se illustrata Pars I F amilia romana. Ela aponta várias qualidades existentes no método. explicações de estruturas gramaticais feitas a cada vez e em conformidade com os textos. p. MIOTTI. Eles valorizam fatos gramaticais sem importância para a língua portuguesa. pode-se inferir que o uso de métodos estrangeiros deve ser tratado com cautela. C. Porto Alegre. 45 Ver para isso. nota de pé-de-página 4. p. entre elas. com mais indicações: ORBERG.47 Seguindo essa tradição. 47 Ver para isso.ufrgs. (nota 36) p. . segundo.br/cadernosdoil/article/view/26057. retornamos ao humanismo cristão que não é o humanismo laico do qual nos fala a tradição expressa pela língua latina. recorrência do vocabulário que facilita a aquisição e memorização pela própria leitura dos textos. deve-se tratar com ressalvas os textos adaptados por Orberg para o LLPSI. 46 Ver sobre isso. Cadernos de letras. XXXI e XXXII. 2005. São mais de vinte lições contando a vida romana em adaptações feitas pelo autor. R. a demora em adentrar ao texto clássico. M. Hans H. 24 de ser a mais estudada no Brasil.. (nota 45). aprendizagem da língua a partir de textos. pela ênfase dada a questões problemáticas para a língua inglesa que não são as mesmas para a língua portuguesa. 322. n. analisado por Quednau. QUEDNAU. 2013. o método desenvolvido por Orberg. não é facilmente compreendida pelos alunos e professores. Laura Rosane. Newburyport: Focus publishing. capítulos XVI. 20 e segs. Da análise dessas pesquisas. Acesso em: 27 out. 42. São obstáculos que prejudicam o total aproveitamento do método e que levaram professores de letras clássicas da UNICAMP a adaptarem o método inglês à língua materna e às necessidades do ensino de latim no Brasil. segundo. explicações sobre o léxico feitas à margem dos textos. QUEDNAU. Disponível em: http://www.45 As qualidades apontadas para o método são interessantes e úteis para o ensino de língua estrangeira. o método LLPSI têm tradição religioso-cristã46 e é adotado por países tradicionalmente católicos. E nsino de latim: discussão e propostas. são pensados em uma outra língua estrangeira e podem conter determinadas 44 Ver para isso. transição entre os textos adaptados e os textos clássicos feita de forma gradual.seer. a forma natural de aprender uma língua pelo método direto. jun. 323 e segs. Primeiro. contudo. 2011. L. Lingua latina per se illustrata (LLPSI). XXVIII.

no Brasil. portanto. Essa reflexão é uma tarefa que deveria ser feita em conjunto pelos professores-especialistas em língua latina nos centros de pesquisa universitários. a reflexão sobre qual o caminho a ser seguido para o ensino da língua latina. Faz-se necessária. que agrega especialistas da área das línguas clássicas. A execução dessa tarefa poderia. . ser auxiliada pela sociedade brasileira de estudos clássicos. 25 visões religiosas. também.

244 de 9 de abril de 1942. 2. 3. mas não desenvolverá seus talentos com a capacidade e percepção do jovem. Essas disciplinas devem ser reforçadas exatamente no período da juventude.49 pois. que estabelecia o seguinte: art. a personalidade integral dos adolescentes. torna-se frutífero averiguar a importância dada pelo legislador federal ao ensino de línguas clássicas para a formação do jovem que procura desenvolver sua capacidade ou talento. 4. 48 Uma formação clássica exige do Estado a oferta do ensino de línguas maternas e estrangeiras clássicas e modernas. o indivíduo deverá estar preparado para o enfrentamento da vida em sociedade e não mais lhe sobrará tempo e disponibilidade para o aperfeiçoamento de sua formação. Dentro dessa perspectiva de formação clássica a primeira. formar. e talvez melhor. No sentido dessa lei. história. nota 1. transcorrida essa fase. filosofia e artes. 26 3. legislação brasileira a focar a formação no ensino secundário foi o decreto-lei n. pelo caminho perseguido até aqui. que abre oportunidade a todos os alunos que tiverem acesso ao ensino 48 Ver para isso. literatura. T R A D I Ç Ã O D O E NSI N O D E L A T I M Sob vários focos pode-se analisar a legislação referente ao ensino de línguas estrangeiras no Brasil. acentuar a elevar. dar preparação intelectual geral que possa servir de base a estudos mais elevados de formação especial. também conhecido como lei Capanema. Porém. Um adulto pode ser tecnicamente preparado. 1º O ensino secundário tem as seguintes finalidades: 1. tanto espiritual como intelectual. 49 Ver para LVVR1Ï%5(*$9/ QRWD. a consciência patriótica e a consciência humanística. em prosseguimento da obra educativa do ensino primário. existe um desejo de formação integral do adolescente. na formação espiritual dos adolescentes.

um total de cinco anos de ensino do latim. e 8. . séries. e três anos no ensino médio. dessa forma. 7. Perfazendo.S³>@RODWLPILJXUDDSHQDVQDVFLQFR~OWLPDVVpULHVGHXP FXUVRVHFXQGiULRGHVHWHDQRV´+RMHHVVHVFLQFRDQRVVHULDPGLYLGLGRVGDVHJXLQWHIRUPDGRLVDQRVQRHQVLQR fundamental.

cujos programas terão maior amplitude no curso cientifico do que no curso clássico. e a filosofia. Porém. que diz³$VGLVFLSOLQDVFRPXQVDRVFXUVRVFOiVVLFRHFLHQWLILFRVHUmRHQVLQDGDVGHDFRUGR com um mesmo programa. para ambos os cursos. . deve-se observar a finalidade da lei que era a formação clássica do indivíduo. No entanto. 27 secundário. O ginasial era obrigatório àqueles que pretendessem prosseguir no colegial. prossegue o ensino de línguas modernas: português. O aprendizado das línguas estrangeiras modernas é facilitado pela obrigatoriedade do ensino do latim no curso ginasial. a química e a biologia. voltado para as ciências.3. destinar-se-á a dar aos adolescentes os elementos fundamHQWDLVGRHQVLQRVHFXQGiULR´ 51 9HUQRWDDUWžTXHGL]³2FXUVRFOiVVLFRHRFXUVRFLHQWLILFRFDGDTXDOFRPDGXUDomRGHWUrVDQRVWHUmR por objetivo consolidar a educação ministrada no curso ginasial e bem assim desenvolvê-la e aprofundá-la. no curso científico há reforço no ensino das ciências exatas. 17. ponto 1. No curso clássico. ver supra.53 50 Decreto-OHL QGH GHDEULOGH DUWžTXHGL]³2 FXUVRJLQDVLDOTXHWHUiDGXUDomRGH TXDWUR anos. aqui. ou seja. essa formação será marcada por um estudo maior de FLrQFLDV´ 52 Ver nota 50. dividiu-se o curso secundário em ginasial50 e clássico ou científico51. história e artes. art. a física. concorrerá para a formação intelectual. francês e inglês. com formação intelectual. além de um maior conhecimento de filosofia.52 A diferença entre um curso e outro é feita pelas suas especificidades: no curso clássico permanece o ensino do latim e introduz-se o ensino do grego (optativo) e do espanhol. as condições de ensino da época. Não vem ao caso. salvo a matemática. inglesa e latim. ou no curso científico. Cursado o ginasial. Essa ênfase no ensino de línguas é a característica mais marcante dessa lei que valoriza o conhecimento de línguas estrangeiras tanto para a formação intelectual como para a formação científica. o estudante aprende uma língua que lhe dá o pré-conhecimento necessário para o aprendizado de outras línguas. um acentuado estudo das letras antigas. o adolescente optava por desenvolver suas habilidades no curso clássico. Nele havia igualdade de formação e de oportunidade para todos os indivíduos da sociedade e era dada ênfase nas disciplinas da humanidade: línguas portuguesa. pois é sabido que a escola era para poucos e concentrava-se em algumas regiões do país. Em conformidade com a proposta de ensino da lei Capanema. que terá neste mais amplo programa do que QDTXHOH´ 53 Para isso. francesa. no curso científico.

que. Na LDB/1961. concentraram-se os esforços na preparação do indivíduo e da sociedade para o uso dos recursos tecnológicos e na universalização do ensino. Introdução à didática do latim. 28 Essa extensão do ensino de latim a todos os alunos do ginasial e clássico perfaz um total de sete anos de estudo de língua latina e exige para isso formação de professores competentes para ministrar as aulas. Isso não correspondeu à realidade e trouxe prejuízos à efetividade da lei. 4024GHGHGH]HPEURGHDUWžOHWUDH. p. 461. por decreto ministerial. 1959. a formação do adolescente foi esquecida e deu-se prioridade à sua adequação ao meio. Uma tentativa de suprir essa carência foi autorizar. perderam sua importância como disciplinas da humanidade. Rio de Janeiro: Livraria acadêmica. O prejuízo não foi apenas para o ensino do latim e do grego. publica-se. mas também para o ensino de línguas modernas que. por omissão. estabelecer um currículo mínimo e obter resultados práticos e imediatos. uma nova LDB.. decretou a falência do ensino de línguas estrangeiras. o ensino de línguas clássicas no secundário não faz sentido. 54 FARIA. Ernesto. Com poucas inovações. L. também. durante o regime militar. Nesse quadro. (nota 13). publicada em 20 de dezembro de 1961. 288. 55 Para isso. professores habilitados em cursos de línguas neolatinas e anglo-germânicas a lecionarem aulas de latim. que ressalta como objetivo para R HQVLQR GH ž H ž JUDXV ³>@ SURSRUFLRQDU DR HGXFDQGR D formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto- UHDOL]DomRTXDOLILFDomRSDUDRWUDEDOKRHSUHSDURSDUDRH[HUFtFLRFRQVFLHQWHGDFLGDGDQLD´57.54 Os efeitos dessa falta de formação de professores causou prejuízos à eficiência dos estudos clássicos no Brasil.55 Isso refletiu na LDB. p. 56 Lei n. ver NÓBREGA. Para alcançar essa finalidade.56 Há na LDB/1961 a preocupação de oferecer ensino a todos. V.

5. art. .TXHGL]³RSUHSDURGRLQGLYtGXRHGDVRFLHGDGHSDUD o domínio dos recursos científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as possibilidades e vencer as GLILFXOGDGHV GR PHLR´ H WDPEpP DUW   TXH GL] ³R DFHVVR j HVFROD GR PDLRU Q~PHUR SRVVtYHO GH HGXFDQGRV´ 57 Lei n. de 11 de agosto de 1971. 1º.692.

Atualmente. transcorrido quase 25 anos. repetiremos o velho problema da lei Capanema. 29 Essa formação. levou a sociedade ao esquecimento da importância do aprendizado do latim na formação clássica. Nas línguas clássicas. a lei não esclarece quais condições impedem a escolha feita pela comunidade. contudo. ocorrida em 1961. uma nova LDB.394. humanístico nem se reflete nos demais artigos da lei.. 9. e. 59 9HUQRWDDUW†žTXHGL]³1DSDUWHGLYHUVLILFDGDGRFXUUtFXORVHUiLQFOXtGRREULJDtoriamente. de 20 de dezembro de 1996. publica-se em 1996. i. A escolha de qual língua moderna será ensinada pode ficar a cargo da comunidade e condicionada às possibilidades da instituição de ensino. Pois bem. sequer as universidades confessionais católicas ensinam a língua latina. o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna.58 que torna obrigatório o ensino de uma língua estrangeira moderna a partir da 5ª série do ensino fundamental. 58 Lei n. a carência de professores competentes para ministrar as aulas de língua latina. Se essa formação de professores latinistas não ocorrer. Para que haja esse retorno é preciso não só mobilização social para sua inserção como disciplina obrigatória no secundário. pois a LDB/1961 facultou o ensino de latim nos cursos superiores e. particularmente no que se refere ao latim. Isso demonstra que a quebra da tradição do ensino da língua latina no secundário. ou seja. que não faz referência ao ensino de nenhuma língua estrangeira. cuja escolha ficará a cargo da FRPXQLGDGHHVFRODUGHQWURGDVSRVVLELOLGDGHVGDLQVWLWXLomR´ . com isso. somente as universidades públicas federais têm formação em língua latina. não houve nenhuma tentativa de resgate do seu ensino para a formação do jovem. mas também abertura de cursos superiores nas universidades para a formação de professores de latim. não tem caráter clássico. a partir da quinta série. 59 porém.

aqui. de comunicação com outras culturas. sequer à língua latina. a pouca importância dada pelo legislador federal ao estudo de línguas estrangeiras. tanto clássicas quanto modernas. ler e compreender a língua latina e auxiliar no aprendizado. consequentemente. como disciplina componente da formação clássica. bem entendido. 30 C O NSI D E R A Ç Õ ES F I N A IS Neste momento. Estabelecidos esses objetivos que cumprem a finalidade do estudo do latim. percebe- se que o problema do latim no Brasil. . Isso se resume na seguinte questão: nós temos conhecimento sobre a língua (entende-se. pode-se verificar. tanto da língua portuguesa como de línguas estrangeiras ocidentais. de compreensão de outras línguas e. Portanto. procura-se dar respostas às questões propostas na introdução do presente trabalho. foram traçados os objetivos a serem alcançados com o ensino do latim: compreender o humanismo. em contrapartida. e no ensino superior para a formação de professores competentes. Diante desses fatos. a gramática). nós não temos. no ensino fundamental e médio. Somente assim se alcançará o pleno desenvolvimento da pessoa humana. conhecimento sobre a matéria da qual o latim nos fala. que é a tradição que está por trás da expressão idiomática. também. como se a tradição de quase dois mil anos do mundo ocidental não existisse e não interessasse aos jovens e adolescentes brasileiros. Na atual LDB não há referências ao ensino de línguas clássicas. está no deslocamento do ensino da língua para o método. O entendimento desse fato está em conexão com a possibilidade de resgate do ensino do latim como disciplina da humanidade. Discussão sobre esse tema é urgente e necessária para que se restitua à sociedade a capacidade de raciocínio abstrato. diante do que foi proposto. laica. para o adestramento de capacidades ou talentos.

não temos formação no ensino superior. . aquele é pressuposto desta. 31 Em síntese. pelo fato de não termos adestramento no ensino fundamental e médio.

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