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Teoria e Prática na Engenharia Civil, n.19, p.

77-87, Maio, 2012

Levantamento visual das patologias na cidade de
Manaus-Am
Visual Survey of pathologies in city of Manaus-Am

Daiana Góes Cavalcante, Pedro Henrique da Silva Crisóstomo, Lourdes Cristina
Porfirio da Silva, Reginaldo José Queiroz de Souza, Daniela Muniz D’Antona
Guimarães, Consuelo Alves da Frota
Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus, AM
daianagoes@ufam.edu.br, phcrisostomo@yahoo.com.br, lourdesporfirio@yahoo.com.br,
reginaldo_jq_souza@hotmail.com, daniela_dantona@yahoo.com.br,
cafrota@ufam.edu.br

RESUMO: Manaus mostra historicamente recorrentes e prematuras patologias nos seus pavimentos. Neste
trabalho tais problemas foram avaliados visualmente, segundo o Manual de Restauração de Pavimentos
Asfálticos do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) atinente às normas TER
005/2003 e PRO 009/2003, em duas zonas distintas da cidade, a citar: a) Zona Sul: constituída pelas vias
do Polo Industrial, as quais permitem o transporte das cargas em contêineres aos portos; b) Zona Oeste:
avaliada segundo ruas e avenidas, de um bairro residencial, destinadas principalmente ao transporte
coletivo. Os resultados, tomando-se por base os levantamentos visuais realizados e os Valores de Serventia
Atual, indicaram vias com conceito entre ruim e regular.

ABSTRACT: Manaus shows historically recurrent and premature pathologies in their pavements. In this
work such problems were assessed visually, second the Asphalt Pavement Restoration Manual of DNIT
(National Department of Transport Infrastructure), terms TER 005/2003 and PRO 009/2003 standards, in
two distinct areas of the city, they are: a) South Zone: composed Industrial Pole routes which allow
transport of cargo in containers to ports; b) West Zone: evaluated second streets and avenues, a residential
neighborhood, designed mainly to collective transportation. The results, based on the Visual surveys
conducted and the Current Service Roads Values, indicated routes with concept between bad and regular.

1. INTRODUÇÃO Parte significativa das mercadorias
produzidas pela ZFM é exportada por meio
Manaus, capital do estado do Amazonas, hidroviário pelos Terminais de Uso Privativo
mundialmente conhecida por seu potencial (TUPs) — Porto Chibatão e Porto Superterminais,
turístico, suscitado principalmente pela ambos localizados no bairro Colônia Oliveira
biodiversidade da floresta amazônica, desponta Machado, e pelo Porto Público. Outra parte da
como principal centro financeiro e econômico da carga movimentada nas hidrovias se dá por meio
região norte do país, creditado a Zona Franca de dos TUPs para balsas, espalhados em toda a parte
Manaus (ZFM), que promove a integração costeira da cidade. As cargas com maior valor
produtiva e social desta região ao país. A agregado e baixa densidade são exportadas por
disseminação das indústrias no citado município meio do modal aéreo, onde se destaca o Aeroporto
desencadeou um desenvolvimento rápido, gerando Internacional Eduardo Gomes.
a migração de população advinda de todo o Brasil, Outra possibilidade consistiria no uso das
à procura de emprego no Pólo Industrial de rodovias. O principal destino no país das cargas
Manaus (PIM), que é responsável por movimentar manauenses é a região sudeste, cujo transporte
grande parte da economia do estado e o principal pelo modal supracitado ocorre num tipo específico
contribuinte para o município deter o sexto maior conjugado, denominado roll-on/ roll-off, cujas
Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, superando carretas adentram com suas cargas em balsas para
o montante de R$ 38 bilhões, conforme o Instituto então, chegar a uma localidade e seguir por
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [11]. rodovia até o seu destino final. A combinação de

que neste trabalho denominou-se TRECHO ZS (Zona Sul). contêineres x tempo. sabendo-se que há somente uma rodovia federal em condições de tráfego (BR-174). Crespo. Dados de 2011 mostram que o crescimento anual médio da movimentação de contêiner para o município está Figura 3. Colônia Oliveira Machado. SNPH [21] apud Moita [17]. contêineres x tempo. modais sucede devido à deficiência por rodovias que conectem Manaus as demais regiões do país. corroborando a queda no desempenho operacional do Porto Público. b) o TUP-Superterminais indicam as Figuras 1 a 3. Movimentação de cargas em mil unidades de contêineres x tempo. Portos e Hidrovias – SNPH [23] revela que os citados portos simultaneamente Nota-se. situação poderia consistir em um dos maiores entraves para a logística na região Norte. de acordo com as citadas figuras. conforme pela costa do país). apresenta uma preponderância na navegação de Longo Curso (entre portos de diferentes nações). Ressalta-se a contribuição do Porto Privativo Chibatão. Dessa forma. o Porto Público passou a ser alvo de grande conflito. n. Movimentação de cargas em mil unidades de na ordem de 17% SNPH [21] apud Moita [17]. Cabotagem e Longo Curso: comparado ao ano anterior. quase 30% a mais se Movimentação Total.78 Teoria e Prática na Engenharia Civil. localizados na Zona Sul do município de FONTE: SNPH. p. é feito por um trecho até aos Portos Privativos anteriormente citados. conforme COOPEAD/UFRJ [5].77-87. no ano de 2008. pertencentes ao trecho em questão. São Lázaro e Figura 1. Maio. distribuídos em a) o TUP-Chibatão caracteriza-se principalmente embarque e desembarque. neste trabalho situadas nos bairros Distrito Industrial I e II. quando comparado à contêineres no ano de 2010. acordo com a divisão de bairros constante da . Tal resultado pode ser confirmado pelos dados correspondentes ao ano de 2007. advindas das fábricas. Apesar da importância no escoamento de cargas de Manaus. Tais problemas podem ser evidenciados no ano seguinte. que foi o responsável pela maior movimentação de contêineres (60%) do Estado. além do transporte de pela navegação de Cabotagem (aquela que se dá navegação por cabotagem e longo curso. As vias. particularmente em meados de 2004. 2010. Movimentação de cargas em mil unidades de movimentação. quando o citado porto começou a indicar uma redução de 28% na sua Figura 2. Para tanto. 2010. A Superintendência Estadual de FONTE: SNPH. porquanto a necessária ampliação da capacidade operacional era restringida por pressões políticas. estão estabelecidas nos bairros Betânia. avaliou-se visualmente o pavimento que resiste ao tráfego deste segmento de importância econômica para a ZFM. as cargas a serem destinadas aos portos privativos. onde juntos os TUPs Superterminais e Chibatão movimentaram 97% dos contêineres. 2010. levando vários especialistas a afirmarem que esta FONTE: SNPH. a movimentaram mais de 410 mil unidades de peculiaridade de cada TUP. 2012 . Navegação. que liga a capital do Amazonas ao extremo norte do país.19.

onde se verificou identificados pela numeração 27. relativo ao último censo realizado no ano 2. dispostos na Figura 4 e levantamentos realizados in loco. rocha sedimentar muito explorada em Manaus na década de 70. 28. Analogamente ao TRECHO ZS. porém superficialmente escassa na atualidade. Dessa vistoriadas visualmente. bem como a influência das irregularidades no Em momento posterior. vias que seriam avaliadas em ambos os trechos. como é o Graduação em Engenharia de Recursos da caso das vias situadas no bairro Tarumã. conforme Figuras 1 a 3. que compõem o TRECHO ZO com o número 55. Manaus. as patologias encontradas nos trechos Para o trecho da Zona Sul. p. realizou-se o dados referentes ao tempo de execução destes levantamento visual das patologias. Mapa da delimitação dos bairros do Município de Município de Manaus . que corroborassem com o presente automóveis privados e coletivos. ressalta- se que a construção mais recente do TRECHO ZO. operações visando compreender as principais causas da “Tapa Buracos” da Prefeitura Municipal de deterioração precoce dos pavimentos regionais. segundo informações obtidas em entrevista junto a Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF. em alguns segmentos do pavimento com maior respectivamente. Para as vias menos (trecho Zona Oeste) que se encontra referenciado solicitadas.AM. com trabalho. fez-se a seleção das conforto e segurança dos usuários do tráfego. 2012 79 . os Na etapa inicial desta pesquisa. pôde-se constatar nos Colônia Oliveira Machado. a nomenclatura TRECHO ZO altamente solicitado. Zona Amazônia (PPG-ENGRAM). Para o trecho de grande circulação de insignificantes solicitações de cargas atinentes ao cargas e pessoas (TRECHO ZS). O presente artigo se insere na linha de pesquisa Pavimentos. objetivando pavimentos. Dessa forma. que até o ano de 2006 era considerado um Navegação. em abril de 2011.19. FONTE: Lei Municipal 1404 de 14/01/2010. MATERIAIS E MÉTODOS de 2000. optou-se igualmente por alunos do Mestrado do Programa de Pós- analisar pavimentos pouco solicitados. . igualmente foram percurso analisado. legislação municipal [15]. As vias constantes neste diretor técnico da Superintendência Estadual de bairro. Em contrapartida. alusivo as suas principais vias pavimentadas. classificou-se tal pavimento como presente trabalho. n. conforme a Figura 4. Portos e Hidrovias (SNPH-AM) e se bairro rural. realizou-se pesquisa junto à Secretaria Municipal Escolhidas as vias — com características de Infraestrutura (SEMINF). após o contorno da Praça pavimento do TRECHO ZS é o mais solicitado e Francisco Pereira da Silva (Bola da Suframa) até o antigo. com destino aos TUPs. onde receberam no forma. atividade de Manaus. possuem não mais que oito anos. sito no bairro última informação. bem como se verificou que em tais avaliar a situação da superfície destas estruturas. Teoria e Prática na Engenharia Civil. realizou-se pavimentos desse bairro são utilizados somente visitas técnicas aos órgãos e empresas visando para o transporte de pessoas por meio de obter dados. onde se conseguiu diferenciadas de tráfego. sendo integrado à citada zona obteve dados atinentes às cargas movimentadas no residencial pela legislação [15]. solicitação. que segundo o IBGE [12] apresenta um crescimento populacional em torno de 284%. Oeste de Manaus.77-87. Esta início da Rua Felismino Soares. Maio. levando-se em consideração que o General Rodrigo Otávio. escolheu-se a Avenida avaliados. vinculada ao Grupo de Geotecnia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e voltada ao estudo de soluções para as históricas patologias das vias urbanas do Figura 4. 29 e 30. entrevistou-se o primeiro trecho analisado. respeitante às vias do TRECHO ZO. a presença de brita proveniente do arenito. investigação científica levada a efeito com a participação de bolsistas de Iniciação Científica e Por outro lado. vias se realizaram.

médios e pesados.74"S 59°59'18. conforme indica a Figura 5. quanto ao valor de serventia atual (VSA) preconiza os procedimentos exigíveis para a empregada pelo Departamento Nacional de avaliação subjetiva da superfície de pavimentos Infraestrutura de Transportes . TRECHO ZS. caso fosse necessário. conforme se apresenta na Figura 6. para uma avaliação posterior. Ressalta-se. Quando possível. localiza-se na Zona Oeste de Manaus. onde se visualizava as patologias de acordo com as exemplificadas pela classificação. utilizando ainda. Para tanto. Vista Aérea do TRECHO ZS. a pesquisa foi aplicada em campo no período de maio a junho de 2011. Rua Praia do Futuro.65"S 59°59'39.55"O circulação. Praia Grande. Maio. provenientes de contêineres vazios ou carregados. visando poder retornar. Os materiais empregados neste levantamento foram os Figura 6. trena de 20 m. inclusos na Av.19"O Negra. mesmos presentes na vistoria do TRECHO ZS. fez-se a classificação visual das coordenadas dos pontos mais significativos patologias do referido pavimento segundo as vistoriados neste trabalho.14"S 59°59'18. O procedimento ocorreu percorrendo-se o trecho. no entanto que. confeccionou-se um da Zona Sul. onde se analisou alguns segmentos de P64 3° 8'46. caneta e GPS.48"O 500 m no bairro Tarumã. Coordenadas geográficas de pontos específicos - O segundo trecho considerado neste trabalho. No TRECHO ZO. intenso de veículos. prancha e suavidade ao rolamento proporcionado pelo com papel. Tabela 1. A quantificação dos defeitos do pavimento flexível realizou-se pelo método de visualização. Esquema Geral do TRECHO ZO destacado. Praia da Canoa P112 3° 8'9. destacado. por exemplo. ônibus.DNIT [6]. como comprimento de trincas.19. em ambos os sentidos. antes de deste local. Igualmente as mesmas eram localizadas por meio do aparelho receptor móvel que adota o Sistema de Posicionamento Global (GPS). devido ao tráfego Figura 5. onde foram Pontos Latitude Longitude escolhidas ruas e avenidas de pequena e grande P9 3° 8'9. 2012 . fez-se necessário estabelecer critérios realizado foram simplificados devido à para a avaliação visual do pavimento. o método descrito pelo DNIT [6]. Como esta área não possui Realizou-se visitas no percurso escolhido registros por satélites. Grandes depressões resultantes do recalque de aterros deveriam ser ignoradas segundo a especificação do DNIT [8]. fez-se medições de algumas patologias. ao longo do período compreendido esquema geral no software AUTO CAD das vias entre abril a junho de 2011. 2011.71"S 59°59'52. literaturas [2] e [20]. n. constam na Tabela 1. classificação das patologias de pavimentos foram norteados pela norma do DNIT [6]. saliências. irregularidades transversais e longitudinais da superfície. Neste caso. que determinou as pavimento. Os avaliadores consideraram principalmente as panelas. baseado no seu valor de somente de cunho visual. caminhões leves. Assim. medir os defeitos naquela via foi dificultoso. onde se faziam registros fotográficos e escritos descrevendo tal defeito. Praia de Copacabana e Praia dos Mosqueiros.21"O Quebrada. FONTE: Adaptado de Google Earth. Entretanto. que flexíveis. serem flexíveis e semirrígidos.80 Teoria e Prática na Engenharia Civil. percorrendo-se toda uma extensão de 500 m. .77-87. p. iniciar o levantamento das manifestações Os materiais utilizados no levantamento patológicas. utilizaram-se: serventia atual (VSA) — indica o grau de conforto máquina fotográfica digital. Ponta P77 3° 8'44.

c) em Rodrigo Otávio. registrando-se os dados em uma ficha elaborada respectivamente: a) ligação inadequada entre as pela equipe de avaliação para cada rua e avenida. Aponta-se como possível causa dessa deterioração. como descreve a referência [25]. permitindo um diagnóstico da situação funcional. Maio. Deteriorações dos remendos alternativas de conservação e manutenção. considerando que a Avenida General Rodrigo Otávio recebe veículos com cargas pesadas.77-87. variando somente o 3. melhorando o conforto e a resistência à derrapagem. advindas das indústrias do Pólo Industrial de Manaus. RESULTADOS E DISCUSSÕES grau de severidade. (Figura 8). 2012 81 .Av. falha na seleção dos (ZO). Todas as mencionadas trincas foram percebidas no decorrer dos trechos avaliados. Dentre as funcionalidades do revestimento. O levantamento dos defeitos dessa superfície tem por finalidade avaliar o estado de conservação dos pavimentos asfálticos. n.1. Teoria e Prática na Engenharia Civil. deve se e os defeitos localizados e classificados segundo a considerar as deformações repetidas pelo tráfego referência [20]. indicando as melhores alternativas para a manutenção ou restauração da referida estrutura. que é trafegado por veículos de passeio e ônibus. b) as solicitações climáticas. [20]. e d) “couro-de-jacaré” como nas ruas avaliadas no bairro do Tarumã. Tais fatores provocam a falência estrutural do Os remendos representam a porção da revestimento e das subcamadas. Baseado nas literaturas [6]. para a deterioração do revestimento: a) ação do tráfego no TRECHO ZS (carga por eixo). camadas do pavimento. inadequações nas 3. Trincas e fissuras igualmente do tipo de defeito apresentado.Rua Praia do Furuto problemas construtivos. b) e c) contração devida a por meio de quesitos norteados por normas do alta temperatura da região. utilização de materiais pouco resistentes para a construção das camadas. da mistura asfáltica após a má-execução dos remendos e erros de dosagem da mistura asfáltica. problemas no rolamento. Figura 8. tem-se dentre outras causas. a forma de execução dessa patologia depende 3. confrontando-se com o TRECHO ZO. Rodrigo Otávio (ZS).2. têm-se incidente nos trechos em estudo.19. [22] e [25]. intenso e espessura insuficiente do revestimento. materiais. conforme cita Rocha & Costa [19]. d) além da contração da referido órgão. notadamente pelo elevado índice pluviométrico e altas temperaturas regionais. pela má execução do projeto. . Trincas couro-de-jacaré . A gênese das patologias no pavimento está ligada. p. trechos em estudo. capa asfáltica devido a alta temperatura. Trinca em bloco . via.1m². Observou-se tal Nos trechos em estudo foram observadas patologia em diversos trechos da Avenida General trincas: a) longitudinais. em geral. constantes nas referências [7] e [8]. b) transversais. tem-se a impermeabilidade e o oferecimento do acabamento final. [19]. [9]. o escorregamento como principais motivos para os defeitos. No que tange as patologias encontradas nos Figura 7. Com isso permite estabelecer soluções tecnicamente adequadas. conforme Figura 7. conforto e segurança da removida e substituída após a construção inicial. bem bloco. Assim como a avaliação do nível de severidade. nos dois sentidos de tráfego. ocasionando superfície do pavimento maior que 0. aplicando a essa situação.

Panelas Figura 11. até a remoção de causada pela má adesividade entre o revestimento partes do revestimento e/ou da base [25]. escorregamento do revestimento. 2012 . Iniciam-se com base associada a uma drenagem deficiente. falhas nas áreas de entradas e saídas dos empreendimentos e falta Figura 10. de aderência entre o asfalto e a superfície do . agravada pelo aumento da temperatura e excesso Na Figura 10. Figura 9. fraqueza do pavimento.19. várias são as causas destas patologias. apontam-se conforme as Figuras 10 e 11 as panelas com maiores níveis de severidade. Panela . observa-se que. Encontraram-se ao longo dos trechos ZS e ZO. possivelmente. dentre o expressivo número desse defeito. e a camada inferior a ele. sob a ação do tráfego e em presença de maior na superfície do pavimento. a gênese desse problema seja a fadiga do revestimento. Possivelmente água. conforme se visualiza na Figura 9. com panela (ZS). resultantes Para o caso das ruas do bairro Tarumã. enquanto na Figura 11 se nota defeito estrutural da camada subjacente. Maio. envelhecimento de misturas asfálticas. [8] e [20]. Remendo com escorregamento da mistura asfáltica. Na Av. Figura 12. p.Rua Praia do Futuro (ZO) 3. de uma desintegração localizada. tornou-se difícil realizar medições das dimensões devido ao grande fluxo de veículos. Rodrigo Otávio. Segundo o Manual de Avaliação. Esses pontos de verificou-se que as panelas. Panelas em trincas do tipo “Couro de jacaré” (ZS).82 Teoria e Prática na Engenharia Civil. geralmente causados por se formam num primeiro estágio no revestimento aplicação insuficiente de asfalto ou por ruptura da apresentando dimensões variadas. para uma fragmentação. trincas por fadiga evoluindo para uma degradação evoluem. baseando-se nas referências [6]. de carga. conforme Figura 12.4. n. Manutenção e Restauração de Pavimentos de Vias Urbanas Rodrigues et al [20]. Defeitos de superfície Quanto às patologias relativas aos defeitos de superfície. Panela profunda (ZS) Panelas são cavidades de diversos tamanhos que ocorrem no revestimento. soltamento de agregado da mistura. encontrado na referida avenida manauense. . 3.77-87. [7]. visto que tal patologia era profunda e facilmente se visualizava a base do pavimento. várias panelas de magnitudes variadas.3. encontraram-se afundamentos de trilhas de rodas.

que são deteriorações decorrentes de irregularidades laterais do revestimento.Rua Praia do Futuro (ZO) Figura 13. . Problemas devido à falta de drenagem superficial. Atinou-se que as patologias como desprendimento de agregado da mistura. se concentram em determinados trechos. apresentam além da depressão na região das trilhas de rodas um solevamento lateral. em relação ao nível do revestimento foi igualmente encontrado. 2012 83 . Soltamento de agregado (ZS).Rua Praia do Futuro (ZO). Desnível de caixa coletora. Falhas no acostamento .77-87. p. enquanto o envelhecimento da mistura se encontra por todo o trecho onde não se realizou a operação tapa-buraco. conforme Figura 16. Maio. conforme Figura 13. Figura 16. Desnível de Caixa Coletora . lixo e esgoto. também são comuns na região. Teoria e Prática na Engenharia Civil. Falta de drenagem superficial . que é Na Zona Oeste do município.19. o nível de deterioração é alto e causado principalmente pelo excesso de vegetação. Figura 15. trilhas de roda e escorregamento do revestimento (Figura 14). Os Figura 14. n. paralelepípedo. exibida na em decorrência da ação do tráfego. notou-se a causado pela ruptura das camadas do pavimento incidência de falhas no acostamento. Escorregamento (ZS) afundamentos de revestimento. exposto na Figura 18. observado na Figura 17. Nesta localidade. Figura 15. Figura 17.Rua Praia do Futuro (ZO).

de-Jacaré”). que resultaram causada pela falta de suporte das camadas em quatro grupos principais: a) Defeitos de inferiores (base e/ou sub-base). Maio. Estudos recentes realizados ZS. Qtd provocando pequenas variações de temperaturas. conforme Tabela 2. temperatura superficial (51. Incidências das principais patologias e trincas nos dois trechos em estudo. porém conotam deformações transversais ao eixo da pista. Os recorrentes valor de serventia atual remendos observados podem ser elucidados quando se compreende que a gênese da Para efetuar-se uma comparação mais deterioração é a fadiga prematura do revestimento. agruparam-se as patologias. Trincas em Bloco. apesar de também possuírem seu grau de criticidade. segundo referência [18]. As ondulações aparecem em cenário intermediário quanto à incidência. o Desgaste proveniente da falta de adesão em Manaus. As demais patologias deste grupo obtiveram amostragem pequena. Além de características do CAP utilizado em Trincas e Fissuras 78 55 misturas asfálticas do Município manauense. em bloco e do tipo transversais. Patologias mas capazes de danificar um revestimento mal ZS ZO Defeitos de Superfície e de Drenagem 87 187 executado. Falhas na Sarjeta e no Acostamento. variação da temperatura.84 Teoria e Prática na Engenharia Civil. execução. c) Deterioração do Remendo. Trincas Longitudinais. Ainda assim.Rua Praia do implicam no bom comportamento do pavimento ao Futuro (ZO). Afundamento. ação da água. a ampla ocorrência deste defeito Tabela 2. Borrachudo. entre outros).77-87. o que caracteriza Superfície e de Drenagem (Elevação. Quando se analisa o trecho ZO. “Couro-de-jacaré”) reunidos em um grupo maior. 2012 . b) O elevado número de trincas inventariadas Panelas. pavimentos é relacionada a falhas no acostamento das vias. longo de sua vida útil. p. cuja temperatura superficial enquadradas como Defeitos de Superfície e de indicada está abaixo da situação real dos Drenagem. que possui uma superfície lisa. revestimentos presentes. provenientes de problemas com o subleito. Panelas 15 42 deixando a estrutura vulnerável à ação erosiva da Deterioração dos Remendos 70 51 água. encontrados com exaustão. Desgaste. climática em Manaus. no caso o envolve o agregado com o aumento da intensidade revestimento de Areia-Asfalto e o menor pico de do tráfego. Afundamento de Revestimento . Comparação entre incidências das principais deve-se ao fato da ocorre ocorrer uma alternância patologias nos trechos de estudo.19. direta. Trincas (longitudinais.5. pico de temperatura superficial (59. que geralmente possuem somente duas camadas: o Ondulações. sem regularidade. entre as quais. a entre o ligante e o agregado. sobre um subleito pouco resistente.7°C) incide no ocasionando na perda da película asfáltica que pavimento de menor albedo. transversais. entre outros fatores que Figura 18. quando se analisa o efeito do envelhecimento. n. Falta de Drenagem Superficial. observou-se como agregado realmente influencia o aumento de temperatura nos graúdo o seixo. quando confrontadas com as supracitadas. e d) Trincas é explicado pelo agrupamento de todos os tipos (Fissuras. é imediata a para as características regionais) e o Ponto de observação da predominância das patologias Amolecimento.4°C) ocorre no verificou-se que a maior parte dos defeitos dos . Justamente onde se refletividade (ou a absorção) da radiação solar notou esse defeito. como a Penetração (indicando viscosidade insuficiente Ao analisar a Tabela 2. incluindo a transição da sarjeta para a pista de rolamento. Nota-se a alta incidência de remendos e 3. Trincas “Couro. Observou-se que o maior dificultando a aderência com o ligante. Trilha de como consequência dos pavimentos em Manaus Roda. destaca-se para o trecho pavimentos regionais. Tais defeitos foram Coletora. Levantamento. Desnível de Caixa subleito e o revestimento.

n. Quando esses danos atingem valores 0 baixos de serventia. Como 2 consequência. No e subleito. provocando danos estruturais e de superfície. conforme das ruas deste trecho possuem um expressivo Bento & Frota [3]. Com isso. O clima CONCEITO 3 contribui para a aceleração da deterioração do pavimento. conforme Figura 19.1. podendo atingir valores iguais ou maiores à serventia inicialmente 4. drenagem superficial. 2012 85 . devido à falta de manutenção preventiva. O pavimento já 1 trincado na superfície facilita a entrada de água e. o que é característico da região VSA=2. uma vez que a água da chuva pode REGULAR provocar queda de capacidade de suporte. VSA foi classificado como acoplados as altas temperaturas. Maio. material este que não apresenta resistências adequadas (tanto às intempéries quanto às deformações. além da ausência de exemplo. nos trechos da Zona Sul. Os principais agentes patológicos Baseado na avaliação proposta pela propulsores aos defeitos nos pavimentos são especificação do DNIT [6]. remendos e ondulações que encontrados nas vias urbanas da cidade (por comprometem o conforto. em decorrência principalmente. Teoria e Prática na Engenharia Civil. Valores de Serventia Atual. sendo 5 este o pavimento rígido. possivelmente . determinou-se o Valor de Serventia Atual do pavimento que diminui com o 4 VSA .19. a estrutura ao ser solicitada pelo RUIM tráfego sofre maiores deslocamentos. aumenta os danos do pavimento. Ambos apresentar-se estruturado apenas em revestimento caracterizaram a serventia da via como regular. serventia eleva-se novamente. os resultados do base e sub-base. Ressalta-se que péssimo. já no de grande estiagem e de intensas chuvas. Estes fatores somados a má número de trincas e panelas de grandes dimensões. e a intercalação climática entre períodos caso das ruas avaliadas no Bairro do Tarumã. basicamente a atuação do tráfego sobre uma obtiveram-se para o sentido de tráfego Bola da estrutura de pavimentação que não apresenta Suframa – Portos (ZS-1) e o sentido Bola da capacidade de suporte nas camadas subjacentes de Suframa – Portos (ZS-2). BOM de dois fatores: o tráfego e as intempéries. Particularmente. em estudo). respectivamente. Verificou-se igualmente que os revestimentos empregados no trecho da Zona Oeste são do tipo AAUQ. TRECHO ZO. Associa-se ao aparecimento de defeitos a aplicação do seixo como agregado graúdo nas misturas de revestimento. devem ser efetuadas as Figura 19.Valor de Serventia Atual passar do tempo. PÉSSIMO consequentemente.77-87. pavimento de maior albedo/refletividade. os defeitos mais comuns nos trechos da Zona Oeste são as falhas de superfície e drenagem. propiciando o surgimento de desgaste devido à má adesividade entre o ligante e o agregado aliado a sua superfície lisa o qual diminui a coesão. execução correta e uso de material apropriado. manutenções corretivas.9 e VSA=2. CONCLUSÕES determinada para este pavimento Rocha & Costa [19]. Este resultado pode ser Manaus possui um revestimento de AAUQ explicado quando se constata que os pavimentos assentado sobre um subleito argiloso.0. p. execução dos pavimentos e ação erosiva da água a ponto de impedir a passagem de um veículo de desencadeiam uma série de defeitos visivelmente maior porte. já que VSA=1. o valor de FONTE: DNIT 009/2003. ÓTIMO Por outro lado.

13. 1989. dos Pavimentos.ibge. de 14 de janeiro de 2010 (D. onde entram em colapso Identificação de Defeitos de Revestimento rapidamente pela falência estrutural das camadas Asfalticos de Pavimentos. M. Pavimentos Asfálticos – Patologias mia/pibmunicipios/2003_2007/tab01. COOPEAD/UFRJ (2005). 8. MS-4.Nossos Os índices de serventia encontrados. Câmara Municipal de Gerência de Pavimentos Urbanos em Nível de Manaus. do pavimento.gov. Rio de Janeiro 2001.coopead. 1997. H. remendos realizados pela Prefeitura na operação 9. com estabelecimento de novos limites. Domingues.Lucena. Disponível: instrumentos adequados que meçam. 2003. Maio.gov. Geotécnica.01. L. Zerbini. T. revestimento asfáltico de estradas. 2003. Acesso em 25 de oleoso das atividade de esploração em março de 2008. para Equipamentos para Medição de Irregularidade as zonas estudadas. DNIT [7]. A. Terminologia. 12. F. Disponível: Pavimentar sua Cidade. Planejamento de Transportes.gov. Disponível: Rede. 2008. e Manutenção. . DNIT 005/2003 – TER: Defeitos Campina Grande. M. Balbo.19. nos pavimentos flexíveis e semi-rígidos – 17. http://www. São Paulo: Plêiade. A.censo2010. 2012 . Departamento Nacional de Infraestrutura de (Doutorado) – Universidade Federal de Transportes.Lei nº 1. Manaus. N. 1998. Escola de http://dom. DNIT 006/2003: Avaliação Cabotagem em Manaus.am. Disponível 16. Frota.. A.401. Rio de Janeiro: IPR. 2003. Departamento Nacional de Infraestrutura de Produtividade da Operação Portuária de Transportes. 1997. Geotécnico da Área Urbana de Manaus . S. Utilização do resíduo em:http://cel. p. The Asphalt Handbook. IPR. 2365 Ano XI). Mapeamento 14. São Carlos.. Transporte Rodoviário Brasileiro.urfj. n. dom2365cad1. J..br. SC. 2001. trabalhos futuros a Avaliação Objetiva. Considerações sobre a e dá outras providências. E. Cardoso. 4. Departamento Nacional de Infraestrutura de 70-87. C. J. Capturado: 07/09/2011. P. Bertollo. 1993. pela ausência do agregado graúdo). V. Dissertação – (Mestrado). Capturado: deflexões e afundamentos nas pistas. Diretoria Legislativa.O. criação e a divisão dos bairros da cidade de 1998. III Simpósio Brasileiro de 14. São Paulo. 3. utilizando IBGE.br. L. A.pdf/view. Vol5.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – desses trechos com maior precisão. Manual para “Tapa Buracos”. MID . Escola para a posterior identificação dos problemas e de Engenharia de São Carlos. Sabe-se que o trabalho de Defeitos e Atividades de Manutenção e mapeamento de defeitos é de suma importância Reabilitação em Pavimentos Asfálticos. v. http://www. H. L. J.br/pdf/2010/janeiro/ Engenharia de São Carlos . Indicadores de 07/09/2011. 07/09/2011. 2011 Transportes. nº 4. Notícias do censo 2010. Sugere-se para São Paulo. A..86 Teoria e Prática na Engenharia Civil. 10. A.2010 – N.Instituto do Asfalto. F.M. Rio de Janeiro: panelas. Bento.br/home/estatistica/econo 2. Oda. S. F. Revista de Literatura Objetiva da Superfície de Pavimentos Flexíveis dos Transportes. Santos. Atributos de Paralisação como Indicador de 7. elucidando parte da precária situação das ruas e 11. segundo os Distribuidoras de Asfalto – Abeda.manaus. Tese 6.Moita.Fernandes Júnior.pdf. A. por exemplo.AM. Capturado: 5. principalmente pelo grande número de IPR. Sociedade Brasileira de e Semi-rígidos – Procedimento.ibge. Dispõe sobre a Cartografia Geotécnica. Florianópolis.Domingues. Universidade de aplicação da manutenção corretiva. pp. F. Posição ocupada pelos 100 maiores REFERÊNCIAS municípios em relação ao Produto Interno Bruto a preços correntes e participações 1.77-87. A. DNIT 009/2003 – PRO: Avaliação . 1994. São paulo. A. Manual municípios e respectivas Unidades da Básico de Emulsões Asfálticas: Soluções para Federação. T. avenidas da cidade. CD-ROM. variaram de regular a ruim. tornando as subjetiva da superfície de pavimentos flexíveis e vias propícias ao desenvolvimento de trincas e semi-rígidos – Procedimento. Associação Brasileira das Empresas percentuais relativas e acumuladas.USP.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Campina Grande. In: III Simpósio Brasileiro de Cartografia 15.

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