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Processamento Primário de Petróleo 1

1. Introdução  O gás associado (H2S e CO2), contendo
substâncias corrosivas e sendo altamente
O QUE TRATA O PROCESSAMENTO inflamável, deve ser removido por
PRIMÁRIO DE FLUIDOS? problemas de segurança (corrosão ou
explosão);
01) Separação do óleo, do gás e da água com
 Água, sais e sedimentos também devem
impurezas em suspensão.
ser retirados, para reduzirem-se o gasto
02) O tratamento e condicionamento dos com bombeamento e transporte, bem
hidrocarbonetos (gás e óleo). como para evitar-se corrosão ou
acumulação de sólidos nas tubulações e
03) O tratamento da água para descarde ou equipamentos por onde o óleo passa.
reinjeção.

GÁS

ÓLEO
FLUIDOS EMULSÃO
PRODUZIDOS
NUM POÇO DE ÁGUA
PETRÓLEO LIVRE

SÓLIDOS
OBJETIVOS GERAIS

 Promover a separação das três fases
- No reservatório de um campo produtor, o
mencionadas anteriormente: oleosa,
PETRÓLEO encontra-se em uma fase líquida
gasosa e aquosa, nos equipamentos
conhecida como fase oleosa ou simplesmente
conhecidos como separadores;
óleo.
 Tratar a fase oleosa para redução do teor
- No entanto, ao alcançar a superfície, os da água emulsionada e dos sais nela
hidrocarbonetos mais leves e alguns outros gases, dissolvidos;
como o H2S e o CO2, aparecem também na fase  Tratar a fase gasosa para redução do teor
vapor em equilíbrio termodinâmico* com a fase de água (vapor) e de outros
líquida (óleo). contaminantes, se necessário;
 Tratar a água separada do petróleo, para
*Ocorre devido à queda de pressão durante a elevação do
descarte e/ou reinjeção em poços
petróleo à superfície e às quedas de pressão localizadas em
válvulas de controle nas instalações de petróleo. produtores.

- Além das fases oleosa e gasosa, um campo de OBJETIVOS ESPECÍFICOS
petróleo normalmente produz água, após certo
 Remoção dos contaminantes: água
período de operação do campo, seja por estar
produzida, sais, gases, etc.;
presente inicialmente no reservatório ou pela sua
 Facilitar o escoamento dos produtos;
injeção, em um processo que visa ao aumento da
 Reduzir custos com transporte;
recuperação do petróleo.
 Diminuição do uso da água de diluição;
SALMORA → solução aquosa rica em sais.  Diminuição do uso de produtos químicos;

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 Aumentar a integridade dos dutos e - Quando dois ou mais poços são alinhados para
equipamentos: corrosão e incrustações; a mesma instalação de superfície é indicado o uso
de um equipamento, conhecido como “manifold
- A planta de processamento primário pode ser: de produção”.
 Simples: é constituída apenas da Manifold → reúne todos os fluidos e equaliza a
separação gás/água/óleo; pressão de alimentação de processamento
 Complexas: além da separação primário.
gás/água/óleo, tem condicionamento e
compressão do gás, tratamento e
estabilização do óleo e tratamento da água
para reinjeção ou descarte.

PLANTAS COMPLEXAS

1. Separação Primária: separar o líquido do
gás natural;
2. Tratamento de Gás Natural: Especificar
o gás para envio a UPGN;
3. Tratamento de Óleo: Especificar o óleo
para envio à Refinaria;
4. Tratamento da Água Produzida: Reuso Separação → O sistema de separação utilizado é
ou descarte. constituído de um conjunto de vasos separadores
(bifásicos ou trifásicos) em série, que pode ter
várias configurações, que diferem entre si pelo
número de estágios utilizados, dependendo da
qualidade da separação desejada entre o gás e o
óleo e a densidade do petróleo produzido.

 PETRÓELOS PESADOS – um ou dois
vasos com níveis de pressão diferentes;
 PETRÓELOS LEVES - podem passar por
vasos separadores que operam com até
três níveis de separação*: alta,
intermediária e baixa.

*Permite a maximização da produção de óleo e o
processamento, na mesma instalação de produção, de óleos
Transporte e Coleta → Linha de Surgência → de poços diferentes com diferentes níveis de pressão.
Porém, mesmo para petróleos muito leves, normalmente
aço carbônico e fibra de vidro / No mar → duto
não há justificativa econômica para mais de três estágios.
flexível.
Tratamento de Gás → A corrente gasosa final é
conhecida como gás natural úmido*, que
normalmente é encaminhado a uma UPGN, em
terra, para reduzir o teor de hidrocarbonetos mais
pesados do que o etano, gerando então o gás
natural para o uso final como combustível.

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*O termo úmido aqui se refere ao teor relevante de - Dependendo dos tipos de fluidos produzidos e
hidrocarbonetos mais pesados (C3+) que podem se da viabilidade técnico-econômica do campo de
condensar.
produção, o processamento primário de fluidos
- Uma parcela do gás é usada como gas lift, no produzidos em um campo de produção pode ser:
processo de elevação artificial do petróleo, e
 Bifásico: necessário separar apenas
como gás combustível na própria plataforma.
liquido e gás;
OBS.: As correntes gasosas obtidas nos níveis de  Trifásico: necessário separar óleo, água e
pressão, baixo e intermediário, precisam sem gás;
comprimidas para serem exportadas da  Quaternário: necessário separar areia,
instalação, ou para serem levadas às unidades de água, óleo e gás.
tratamento do gás.
3. Separadores
Tratamento de Óleo → O petróleo efluente do
último estágio de separação possui, em sua - A carga que alimenta os vasos separadores é
composição, uma parcela de água, dispersa no constituída das fases líquida (óleo + água) e
óleo em forma de gotículas com diâmetro entre 1 gasosa, em íntimo contato, ocorrendo dispersões
μm e 10 μm, ou seja, emulsionada, a qual deve tanto de gotículas de óleo na fase gasosa como de
ser removida no equipamento denominado bolhas de gás na fase oleosa.
tratador de óleo, em que uma combinação de
vários métodos é empregada: - Para garantir a melhor separação possível entre
as fases, os vasos separadores são normalmente
 Adição de compostos químicos dotados de dispositivos especiais, como, por
desemulsificantes; exemplo, uma placa deflectora na entrada e um
 Aquecimento; eliminador de névoa na saída do gás.
 Aplicação de um campo elétrico;
 Separação por gravidade em um vaso de - Os vasos separadores são normalmente
grande diâmetro. classificados em horizontais e verticais, e a
seleção da configuração se baseia na proporção
Tratamento de Água → A água produzida nos líquido/gás da carga e na sua tendência à
separados trifásicos e no tratador de óleo, por sua formação de espuma, de forma que:
vez, ainda necessita sofrer um tratamento para
redução do teor de óleo emulsionado e do óleo Vasos Horizontais → São normalmente mais
arrastado com água. eficientes quando é alta a razão gás/óleo ou
quando há formação de espuma, pois permite
2. Sistemas de Separação Líquido-Vapor uma melhor separação de gás, devido à maior
área interfacial óleo-gás, bem como facilitam a
- Os fluidos produzidos de um reservatório são decantação de óleo arrastadas na fase gasosa, pois
normalmente mistura de líquidos e gás. elas caem perpendicularmente à direção do
escoamento do gás → MAIS USUAIS EM
- A operação unitária destinada a separar a fase
PLATAFORMAS.
líquida da fase vapor ou gasosa é a separação
gravitacional, efetuada em vasos separadores. É  Maior área superficial de interface;
comum a injeção de compostos químicos  Melhor separação gás-líquido;
antiespumantes, para facilitar a separação gás-  Maior eficiência;
óleo, e de desemulsificantes, para facilitar a  Alta razão gás-óleo.
separação água-óleo.

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DESVANTAGENS: Manuseio dos sólidos gravidade para o fundo do vaso, onde se acumula
produzidos (os verticais têm uma geometria que devido à sua maior densidade. MAIOR PARTE
permite a deposição localizada no fundo do vaso DO LÍQUIDO É SEPARADO.
facilitando a remoção) e menor capacidade de
absorver grandes variações de fluxo (golfadas). Seção de acumulação (coleta) de líquido →
onde ocorre a separação das bolhas gasosas que
Separador bifásico horizontal ficaram no meio do líquido.

Seção de Separação Secundária → Separação
de gotículas de óleo (de diferentes diâmetros)
contidas no gás separado.

- As gotas maiores se chocam entre si e com as
paredes do vaso, se aglutinam e caem sobre a
interface gás-líquido.

- As gotas menores, ao passarem pelo eliminador
de névoa na saída do vaso, podem coalescer
Vasos Verticais → Requerem uma menor área (aumentar de diâmetro), vendendo a velocidade
para instalação, e a sua geometria facilita a de ascensão do gás e gotejando no sentido da
remoção de sedimentos porventura depositados interface gás-líquido.
no fundo. Devido à sua altura, os vasos verticais
não são normalmente usados em plataformas → Seção de Aglutinação → As gotículas de líquido
MAIS USUAIS EM INSTALAÇÕES arrastadas pela corrente gasosa são removidas do
TERRESTRES. fluxo gasoso através de meios porosos que por
possuírem grande área de contato facilitam a
Separador trifásico vertical coalescência e decantação das gotas.

- Os vasos separadores baseiam-se nos seguintes
mecanismos para separa líquido/gás:

 Ações de gravidade e diferença de
densidade – responsável pelo fluido mais
pesado;
 Separação inercial – mudança brusca de
velocidade e de direção de fluxo
permitindo ao gás desprender-se da fase
líquida devido a inércia que esta fase
possui;
 Aglutinação das partículas – contato das
gotículas de óleo dispersas sobre uma
- Um separador típico constitui-se de quatro superfície, o que facilita sua coalescência,
seções distintas: aglutinação e conseqüentemente
decantação;
Seção de Separação Primária → A mistura gás-
 Força centrifuga – que aproveita as
líquido, ao entrar no vaso, choca-se com um
diferenças de densidade do líquido e do
deflector de entrada, que provoca uma alteração
gás.
brusca na direção e na velocidade dos fluidos. A
parte líquida da mistura desce então por
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3.1 Separação Bifásica problemas de segurança no transporte e no
armazenamento nos terminais.

- Nos sistemas mais simples, com o uso de
separados bifásico, há apenas a remoção de gás
em dois níveis de pressão, para a estabilização do
óleo. O petróleo contendo água é bombeado para
uma plataforma central, de maior capacidade,
para a remoção de água.

3.3 Problemas Operacionais nos
Separadores

a) Espuma: Causada pelas impurezas.
3.2 Separação Trifásica Dificulta o controle de nível do líquido
dentro do separador.
- Outros sistemas empregam um separador b) Obstrução por Parafinas: Causa
trifásico, a partir do qual o petróleo produzido, obstrução na fase interna dos vasos.
praticamente isento de água livre, é encaminhado c) Areia: Causa corrosão nas válvulas,
para outra instalação que disponha do sistema de obstrução nos elementos internos e
tratamento de óleo para remoção da água acumula-se no fundo do separador.
emulsionada. d) Emulsão: Se forma na interface
água/óleo. Problema de controle de nível.
- Em um sistema mais completo, a separação
e) Arraste: Arraste de óleo pela corrente de
trifásica é feita em dois estágios e, além disso,
gás, ocorre quando o nível do líquido está
está presente a etapa de desidratação, para
muito alto.
remoção da água emulsionada, e a etapa final, de
ajuste da pressão de vapor do petróleo, para evitar

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4. Tratamento e Processamento do Gás  Poder Calorífico.
Natural
DEFINIÇÕES (LEI Nº 11.909)

4.1 Gás Natural Gás Natural → Todo hidrocarboneto que
permanece em estado gasoso nas condições
- Gás Natural é uma mistura de hidrocarbonetos atmosféricas normais, extraído diretamente a
gasosos cuja mistura abrange do metano (C1) até partir de reservatórios petrolíferos ou gaseíferos,
hidrocarbonetos parafínicos com 7 carbonos, cuja composição poderá conter gases úmidos,
sendo o metano o principal componente. secos e residuais.
Apresenta também teores variáveis de gás
sulfídrico (H2S), dióxido de carbono (CO2), Gás Natural Liquefeito (GNL) → Gás natural
nitrogênio (N2) e vapor d’água. submetido a processo de liquefação para
estocagem e transporte, possível de
regaseificação em unidades próprias.

Gás Natural Comprimido (GNC) → Todo gás
natural processado e acondicionado para
transporte em ampolas ou cilindros à temperatura
ambiente e a uma pressão que o mantenha em
estado gasoso.

POSSÍVEIS DESTINOS

- Existem quatro destinos possíveis para o gás
natural em uma planta de produção de petróleo e
gás:
 Densidade 0,06 (mais leve que o ar); Gás Transferido → Corresponde ao volume de
 Não tem cheiro; gás transferido para o continente, utilizando, para
 Fornece de 8 a 10 mil Kcal/m3; tal, dutos submarinos (gasodutos). O gás
 É considerado rico quando percentual de transferido para o continente será processado em
todos os componentes maior que C3 é uma Unidade de Processamento de Gás Natural
maior que 7%; (UPGN) e, em seguida, transportado até chegar
 Ocorre na natureza associado ou não ao nos consumidores.
petróleo.
Gás Lift → Gás utilizado para auxiliar a elevação
CARACTERIZAÇÃO TÉCNICA do óleo.
 Riqueza; Gás Combustível → Representa a parcela de gás
tratado que é utilizada nos equipamentos de
Gás considerado rico: riqueza alta (> 8,0%)
geração de energia elétrica, térmica e em
Gás considerado pobre: riqueza baixa (< 6,0%) processos físico-químicos.

Riqueza mediana: (entre 6,0% e 8,0%) Reinjeção nos Reservatórios → Método adotado
para aumento do fator de recuperação ou por
 Peso Molecular; limitações nos sistemas de transferência.
 Massa Específica;
 Densidade;
 Inflamabilidade;
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4.2 Tratamento (ou Transporte → Transferir energia para o gás para
Condicionamento) que ele tenha capacidade de fluir de um ponto a
outro, através da compressão.
PORQUE TRATAR O GÁS
NATURAL?

 Uma vez que o uso principal do gás
natural é como combustível, sabe-se que
os teores elevados de CO2 e N2 reduzirão
o seu poder calorífico;
 O H2S e o CO2 são gases de caráter ácido,
tornando-se corrosivos na presença de
água líquida;
 O vapor d’água, que é inerte, pode, nas
condições de escoamento e dos
equipamentos (alta pressão e baixa  Depuração;
temperatura), formar hidratos que  Dessulfurização;
bloqueiam a tubulação e provocam  Compressão;
corrosão, na presença de gases ácidos.  Desidratação;
 Tratamento de Gás Combustível;
O gás úmido deve estar disponível em uma
pressão especificada para exportação e não  Tratamento Químico do Gás Natural.
deve conter teores excessivos de H2S, CO2 e
vapor d’água. 4.2.1 Depuração/Filtração

- Remoção de partículas líquida do gás,
O QUE É TRATAMENTO (OU principalmente gotículas de hidrocarbonetos,
CONDICIONAMENTO) DO GÁS provenientes do arraste na fase de separação
NATURAL? primária.
É um conjunto de processos (físicos e/ou 4.2.2 Dessulfurização
químicos) ao qual o gás deve ser submetido, de
modo a remover ou reduzir os teores de - A remoção de gases ácidos (H2S e CO2) tem
contaminantes para atender as especificações de como objetivos: a segurança operacional, a
mercado, segurança, transporte e processamento especificação do gás para a venda e a redução da
posterior. corrosividade do sistema.

- Conjunto de unidades responsáveis pela - Os processos mais utilizados são:
separação, tratamento e transporte do gás natural
 Tratamento com solução de MEA
até a unidade de processamento ou para ser
(monoetanolamina);
utilizado na unidade de produção.
 Adsorção por peneiras moleculares
Separação → Isola o gás natural do óleo e da (PSA);
água, ou seja, a fase gasosa da fase líquida.  Permeação por membranas poliméricas.

Tratamento → Retirada de contaminante que OBS.: Os processo químicos reversíveis que
pode de alguma forma prejudicar o transporte, as utilizam soluções de amina (monoetanolamida,
instalações e o processamento. dietanolamida, trietanolamida) são os mais
usados.
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4.2.3 Compressão

- Compressão é a etapa de passagem do gás por
um conjunto de compressores, a fim de fornecer a
energia necessária a esse fluido para que ele
possa ser transferido para as undiades de
processamento de gás ou injetados em poços de
gas lift.

4.2.4 Desidratação
- A tecnologia está baseada na reação química de
uma base (alacanolamina) com um ácido (H2S e OBJETIVO PRINCIPAL
CO2) e é reversível, o que permite que o solvente
também seja regenerado por meio de - Separar o vapor d’água presente em equilíbrio
aquecimento. com o gás para garantir o escoamento e o
processamento do mesmo, sem o risco da
MEA/DEA/MDEA ocorrência de formação de hidratos ou provocar
corrosão nos equipamentos e tubulações.
 MEA: maior reatividade e facilidade de
atingir a especificação de 20 ppm de H2S - O gás natural oriundo de qualquer formação
no gás tratado em comparação com a encontra-se sempre saturado com vapor d’água e
DEA; à medida que se aproxima da superfície, dentro da
 DEA: a menor quantidade de calor linha de produção do poço, começa a ocorrer a
requerida para liberar os gases ácidos na separação de água livre, devido as mudanças das
etapa de regeneração devido ao fato de ser condições termodinâmicas.
uma base quimicamente mais fraca que a
MEA. Utilizada também quando - Estas condições podem conduzir a formação de
quantidades relativamente altas de COS, hidratos, que é preocupante quando a
CS2 e mercaptanas estão presentes no gás temperatura do fundo do mar atinge valores
natural; baixos (4ºC) e as pressões de escoamento
 MDEA: metildietanolamina (MDEA) é superam os 1500 psi.
uma amina que vem sendo utilizada em - A desidratação de gás é um processo de
substituição às anteriores com as seguintes absorção ou de adsorção, utilizando absorventes
vantagens: líquidos no primeiro caso, ou alternativamente
- Maior resistência à degradação; sólidos no segundo caso.

- Menos problemas de corrosão; Absorção → É o mais comum, principalmente
em sistemas offshore, pois a logística do
- Seletividade pelo H2S na presença de CO2. manuseio de líquidos é mais fácil. A fase gasosa

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flui contracorrente a uma solução de etileno produção, de acordo com o que é requerido pelos
glicol, de grande poder higroscópico, que equipamentos consumidores.
posteriormente é regenerada por aquecimento e
retorna ao processo. 4.3 Hidratos

- É uma solução sólida
constituída de
hidrocarbonetos de
baixa massa molecular
(metano e etano) e água,
apresentando-se na
forma de cristais, em
que os hidrocarbonetos
ficam encapsulados
dentro de uma estrutura
- Os glicóis, dentre os quais o trietilenoglicol – cristalina semelhante ao
TEG, são os adsorventes mais largamente gelo.
utilizados devido às suas características. Eles são
álcoois muito higroscópicos, não corrosivos, não - A formação do hidrato
voláteis, de fácil regeneração a altas é resultante de um
concentrações, insolúveis em hidrocarbonetos processo de
líquidos e não reativos com os componentes do solidificação (congelamento), uma vez que a
gás (hidrocarbonetos, dióxido de carbono e diminuição da temperatura e o aumento da
compostos de enxofre). pressão favorecem a sua formação.

Adsorção → Realizada através de materiais com
grande área superficial e afinidade pela água
(alumínio, sílica gel, peneira moleculares). É
regenerado por ação de calor. Técnica mais
utilizada em terra.

- Outra forma é a utilização de produtos químicos
inibidores, como os álcoois (metanol, etanol
anidro, etc.).

4.2.5 Tratamento Químico PREVISÃO DE FORMAÇÃO
- Injeção de produtos químicos no gás natural - Considerando um Gás Natural:
produzido para complementar uma etapa do
condicionamento de gás garantindo a qualidade  Na condição de saturação em vapor
mínima necessária à etapa do escoamento deste d’água;
até um centro processador.  Com teor de contaminantes inferior a 3%
molar (N2 + CO2 + H2S);
4.2.6 Tratamento do Gás Combustível  Riqueza menor do que 7% molar (C3+ <
7% molar).
- Especifica o gás natural para ser utilizado como
gás combustível ou no processo das unidades de - Pode-se prever o ponto de formação de hidratos
segundo o método de Kartz.

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Método de Kartz  Aumento da pressão à montante da
formação de hidrato;
- Trata-se de um gráfico que correlaciona pressão  Queda na pressão a jusante;
e temperatura para um gás natural com densidade  Consequente redução de vazão.
conhecida. Duas formas de uso são possíveis:
DISSOCIAÇÃO
 Temperatura e Densidade conhecidas;
- Quando a formação de hidratos se torna um
- A partir do gráfico traça-se uma reta vertical fato, algumas técnicas para a sua dissociação
interligando a temperatura (conhecida) até atingir podem ser utilizadas:
a curva de densidade (conhecida).
 Decomposição e Aquecimento;

- São técnicas que se baseiam em aumentar a
temperatura ou diminuir a pressão até valores
limites aos de formação de hidratos.

 Injeção de Inibidores de Hidrato;

- Em situação em que a remoção de água presente
no gás não é possível, se faz necessária a injeção
de compostos que inibem a formação de hidratos.

- Esses compostos se combinam com a água livre
diminuindo a temperatura em que os hidratos se
formariam.

- Trata-se da aplicação de uma das propriedades
coligativas das soluções aquosas, a crioscopia.

- Diversos produtos podem ser adicionados para
baixar a temperatura de congelamento e de
- A partir do ponto encontrado, traça-se outra reta formação de hidrato (álcoois ou glicol).
(horizontal) até o eixo das ordenadas (pressão) –
Encontra-se o valor de máxima pressão, a partir - Usualmente: metanol, etanol, monoetilenoglicol
da qual o hidrato pode ocorrer. MEG), dietilenoglicol (DEG), trietilenoglicol
(TEG).
- A partir do ponto encontrado, traça-se outra reta
(vertical) até o eixo das abcissas (temperatura).
Encontra-se o valor de menor temperatura, a
partir do qual o hidrato pode ocorrer.

 Pressão e Densidade conhecidas.

DETECÇÃO

- À medida que o hidrato se acumula na
tubulação, provoca uma alteração da pressão e
vazão de escoamento em linhas de óleo e de gás.
Com a restrição da área de escoamento, ocorre:

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4.4 Processamento

EM QUE CONSISTE O
PROCESSAMENTO DO GÁS
NATURAL?

- Separação dos componentes do gás natural em
produtos com especificação definida e controlada,
para que possam ser utilizados com alto
desempenho em aplicações específicas,
permitindo a incorporação de maior valor
agregado aos produtos gerados. PRODUTOS DO GÁS NATURAL

- O gás natural é utilizado no Brasil  Gás Industrial, Combustível, Residual;
principalmente como combustível industrial,  Gás Liquefeito de Petróleo (GLP);
doméstico e automotivo, e, nesse último caso,  Gasolina Natural;
passa a se chamar gás natural veicular (GNV).  Etano Petroquímico.

- Diferentemente do GLP, o gás natural Gás Industrial/Combustível/Residual  gás
processado, ou seco, só pode ser liquefeito sob especificado e pronto para o consumo em
condições criogênicas, pois seu principal qualquer equipamento térmico industrial, motor à
constituinte é o metano. A compressão do gás combustão a gás ou uso domiciliar, conforme
natural gera o gás natural comprimido (GNC), especificação contida na Portaria Nº 16 da ANP
permitindo o seu transporte até o consumidor de 2008.
final.
Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)  Produto
- O gás natural é conhecido como gás úmido, de maior utilização no âmbito domiciliar.
devido à presença de hidrocarbonetos com mais
 Possui um alto valor agregado;
de 3 átomos de carbono, que irão gerar o GLP e
 Pode ser separado das frações mais leves
uma nafta leve, conhecida como gasolina natural.
do petróleo (refinaria) ou das mais
PRODUTOS DE MAIOR VALOR pesadas de gás natural;
AGREGADO  RIQUEZA DO GÁS  À pressão atmosférica e temperaturas
NATURAL normalmente encontradas no ambiente, é
um produto gasoso, inflamável, inodoro, e
- Para sua comercialização, o gás úmido precisa asfixiante, quando aspirado em altas
passar por uma unidade de processamento, cujas concentrações;
características dependerão da composição e da  Submetido à pressão na faixa de 3 a 15
vazão desse gás e do mercado a ser atendido. kgf/cm², o GLP se apresenta na forma
líquido. Deste fato resulta o seu nome –
UPGN (UNIDADE DE PROCESSAMENTO DE
gás liquefeito do petróleo.
GÁS NATURAL)
Gasolina Natural  O fracionamento das
Objetivo  É
frações líquidas presentes no gás natural (LGN –
recuperar, na forma
C3+) gera, além do GLP, uma fração mais pesada,
líquida, o GLP e a
denominada gasolina natural.
gasolina natural e
especificar o gás
natural seco para os seus diversos usos.
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 Compostas pelas frações mais pesadas que  À medida que os pratos estão mais
o GLP: C5+; próximos do topo, suas temperaturas vão
 Por não possuir uma especificação bem decrescendo;
definida, não tem uma aplicação mais  O vapor ascendente, ao entrar em contato
nobre; com cada bandeja, tem uma parte de seus
 É injetada nas correntes de petróleo para componentes condensada.
ser destilada nas refinarias.
Sistemas de Tratamento de Cargas e Produtos
Etano Petroquímico  Derivado do  sistemas responsáveis pela garantia da
processamento de gás natural fornecido como qualidade dos produtos obtidos e também pela
matéria-prima para a indústria de base para a especificação requerida para a corrente de gás
fabricação de polietileno de várias densidades. natural que entra na unidade.

CONFIGURAÇÃO BÁSICA DE UMA Sistemas Auxiliares  Sistemas responsáveis
UNIDADE DE PROCESSAMENTO DE GÁS pela geração das facilidades necessárias para a
NATURAL perfeita operação das áreas fria e quente, bem
como pelos sistemas de tratamento.

 Sistema de Aquecimento a Óleo Térmico

- Normalmente, um forno aquece o óleo térmico e
este cede carga térmica para todos os refervedores
da área quente da unidade.

- Em unidades com sistema de geração de vapor
d’água, este fluido pode ser utilizado como fonte
Área Fria  Área responsável pela liquefação
quente.
dos componentes mais pesados do gás natural,
gerando uma fração líquida de alto valor  Sistema de Desidratação do Gás Natural
agregado.
- Responsável pela retirada da água do gás,
- Operam normalmente com baixas temperaturas visando evitar a formação de hidratos na unidade
e altas pressões, condições que favorecem a durante a etapa de resfriamento.
condensação da riqueza do gás natural.
TIPO DE UNIDADES DE PROCESSAMENTO
Área Quente  Área responsável pelo DE GÁS NATURAL (UPGN)
fracionamento do líquido do gás natural gerado
- Em uma UPGN, a etapa mais importante é o
na área fria em produtos finais com especificação
abaixamento da temperatura do gás natural
bem definida.
(sistema de geração de criogenia), para permitir a
- Opera, em geral, com temperaturas mais altas e liquefação dos hidrocarbonetos mais pesados do
pressões mais baixas do que a área fria, que que o etano.
favorecem a separação de hidrocarbonetos
- Os tipos de processos empregados diferem entre
constituintes do líquido de gás natural obtido.
si quanto à rota termodinâmica adotada. São eles:
Destilação  As torres possuem em seu interior
 Expansão Joule-Thomson;
bandejas e/ou pratos ou recheios, que permitem a
 Refrigeração Simples;
separação do cru em cortes pelos seus pontos de
 Absorção Refrigerada;
ebulição.
 Turboexpansão.
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- De maneira simplificada, pode-se dizer, que 5. Tratamento do Óleo
esse processos são constituídos de uma sequência
de operações, que podem incluir:

 Desidratação;
 Eliminação da umidade remanescente;
 Compressão;
 Absorção;
 Resfriamento.

- Os hidrocarbonetos recuperados podem ser
estabilizados e separados por fracionamento, para - Os separadores gravitacionais trifásicos
obtenção dos produtos desejados. A escolha do removem a água livre, porém não conseguem
processo utilizado depende dos fatores técnicos e retirar do óleo efluente água emulsionada, que
econômicos e do mercado a ser atendido. necessita ser removida para atender às
especificações de exportação.
Expansão Joule-Thomson  Consiste na
compressão inicial e resfriamento do gás antes da - Toda vez que dois líquidos imiscíveis, como
sua despressurização na válvula, onde ocorre óleo e água, são expostos a uma grande agitação,
liquefação dos pesados, formando uma mistura como, por exemplo, ao longo do percurso do
bifásica, que é separada por um vaso. petróleo desde o reservatório até a superfície, o
líquido em menor proporção, no caso a água, se
Refrigeração Simples  Consiste no dispersa no outro, gerando gotas de diversos
resfriamento do gás natural por um fluido diâmetros.
refrigerante, propano, e posterior remoção do
líquido condensado que contem os  As gotas de diâmetros maiores tendem
hidrocarbonetos mais pesados. novamente a se aglutinar e se separam
como água livre no separador trifásico,
Absorção Refrigerada  Se baseia na onde há normalmente tempo suficiente
recuperação dos componentes pesados do gás por para decantar.
absorção física com um óleo de absorção, ao  No entanto, as gotículas (entre 1 μm e 10
mesmo tempo que é resfriado, sendo o processo μm) não têm tempo suficiente para se
de absorção é favorecido pela temperatura. aproximarem e coalescerem,
permanecendo dispersas no meio oleoso,
Turboexpansão  É a mais eficiente, por gerar
formando uma emulsão.
temperaturas abaixo de -95oC, sendo usado
quando se deseja alta recuperação do propano no - A quantidade de água produzida associada aos
GLP e eteno especificado para industria hidrocarbonetos varia em função de uma série de
petroquímica. fatores:
- O abaixamento da temperatura do gás, através  Características do reservatório de onde os
da sua expansão numa turbina, provoca a fluidos são produzidos;
condensação dos hidrocarbonetos mais pesados  Idade dos poços produtores;
que se deseja separar. Pode ser necessário o uso  Métodos de recuperação utilizados
de um fluido refrigerante (turboexpansão (injeção de água, vapor, etc.).
refrigerada).
- O problema é que essa água, por ser na
realidade uma solução salina (salmora), contém

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também sólidos dispersos (sedimentos), além de - A vantagem da eliminação da água:
micro-organismos como algas, bactérias e fungos.
 Proporciona um tempo de operação mais
CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA PRODUZIDA longo dos equipamentos de diversas
unidades;
 Água Salina (15.000 a 300.000 ppm);  Redução de tempo e custo de manutenção
 Gases dissolvidos; e consumo de produtos químicos (NH3,
 pH < 7,0; para neutralizar ácidos, inibidores de
 Sólidos (sedimentos) provenientes de: corrosão e incrustações);
- Rochas (argilas, silicatos, etc.);  Operação de produção, transporte e refino
dentro dos padrões de segurança e
- Processos de oxidação/corrosão (óxidos, qualidade a menores custos.
hidróxidos e sulfeto de ferro);
OBJETIVO
- Incrustações (CaCO3, CaSO4, BaSO4 e SrSO4).
- Reduzir o teor de água emulsionada no
 Metais pesados; petróleo e, consequentemente, todos os sais e
 Sais solúveis: carbonatos, silicatos e sedimentos nela presentes, de forma a adequá-
cloretos; lo às condições de recebimentos nas
 Micro-organismos (algas, bactérias e refinarias.
fungos) que geram H2SO3 e H2SO4.
O petróleo não pode conter mais do que 1%
QUAIS OS DANOS (em volume) de água emulsionada e de
CAUSADOS PELA sedimentos (BS&W) e a concentração de sais
PRESENÇA DE ÁGUA dissolvidos na água deve ser de, no máximo,
285 mg/L de óleo.
PRODUZIDA?

- A presença da água associada ao petróleo
Água Livre  é facilmente separada por
provoca uma série de problemas nas etapas de
decantação nos separadores.
produção, transporte e refino.

No transporte e produção: Água Emulsionada  para ser retirada, são
necessários processos físicos e químicos que
 Superdimensionamento (instalações de aumentem a velocidade de coalescência* das
coleta, armazenamento, transferência, gotículas de água.
bombas, tanques, etc.);
*União das partículas do mesmo líquido.
 Maior consumo de energia;
 Segurança operacional (corrosão, TRATAMENTO DO ÓLEO
incrustações, etc.).
- São os métodos aplicados para remover água,
No refino: sal, areia, sedimentos, lama e outros impurezas do
petróleo.
 Corrosão provocada por ácidos
gerados por microoganismos e - Os métodos de tratamento de óleo tem um
cloretos de cálcio e magnésio (na objetivo em comum: Promover um ambiente
presença de calor); adequado para que a força da gravidade atue e
 Diminui a vida útil e rendimento de separe o óleo da água produzida.
catalisadores (presença do cloreto de
sódio).
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5.1 Emulsão provoca o contato das fases óleo e água junto com
a agitação causada por acessórios e equipamentos
O QUE É UMA da linha de produção.
EMULSÃO?
- Depois de formada a emulsão, não é necessário
- É uma quase estável dispersão de finas gotículas manter a agitação.
de um líquido disperso em outro líquido.
Agentes Emulsificantes  Asfaltenos, resinas,
- O líquido presente como pequenas gotas estão ácidos orgânicos, sólidos inorgânicos (argilas,
dispersos ou dentro da fase de outro líquido que sílicas, sais metálicos, etc.).
está envolta dele, sendo este uma fase contínua.
- Estes agentes emulsificantes agem na interface
- Uma emulsão preparada pela mistura de das gotículas, formando uma barreira (ou filme
hidrocarbonetos e água é instável, e as fases são interfacial), impedindo o contato entre as
facilmente separadas. gotículas e evitando a sua coalescência. Sendo
- No entanto, o petróleo possui na sua assim, uma fase fica dispersa em outro líquido.
composição substâncias ditas agentes
emulsificantes, cujas moléculas têm uma parte
constituída de heteroátomos com afinidade pela
água (polar) e uma maior parte com afinidade
pelo óleo (apolar).

- Devido a essa característica, a parte polar,
chamada de hidrofílica, tente a se descolar para a
fase aquosa, enquanto a maior parte da molécula
(apolar ou lipofílica) tende a permanecer na fase
oleosa, se acumulando nas superfícies das
gotículas.

COMO SE FORMA UMA CLASSIFICAÇÃO DE UMA EMULSÃO
EMULSÃO?

Emulsões firmes  As gotículas de água
Líquidos Imiscíveis  Água produzida e o emulsionada são muito pequenas. Estas emulsões
petróleo. são muito estáveis e difíceis de quebrar ou
romper. PEQUENAS GOTAS DISTANTES
Agitação Vigorosa  A movimentação dos ENTRE SI.
fluidos do reservatório até os tanques de produção
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Emulsões soltas  ou Dispersões As gotículas
de água são maiores. Estas emulsões são muito
instáveis e fáceis de quebrar ou romper. Fáceis de
separar por forças gravitacionais. GRANDES
GOTAS DISPERSAS.

5.1.1 Quebra da Emulsão

- A quebra da emulsão consiste no
enfraquecimento e no rompimento da película
formada pelos agentes emulsionantes sobre as
gotículas de água, a fim de permitir que as
5.1.2 Parâmetros da Estabilidade de uma
gotículas vizinhas se aglutinem e decantem,
Emulsão
desestabilizando a emulsão.
- Principais parâmetros que atuam na estabilidade
- Os meios usuais de quebra de emulsão são:
de uma emulsão:
 Aquecimento;
 Impedimento Estérico;
 Adição de compostos químicos
(Desemulsificantes); - É a parte apolar das moléculas dos
 Uso de campo elétrico. emulsificantes naturais adsorvidos que impede a
aproximação e o contato entre as gotas.
OBJETIVO
 Repulsão Elétrica;
- Fazer coalecer a maior quantidade de partículas
do mesmo produto que estavam separadas na - Os grupos polares dos emulsificantes são
emulsão, deixando o óleo na especificação capazes de interagir eletricamente com a água,
desejada para ser transportada até a refinaria. formando uma camada elétrica superficial, que
causa a repulsão entre as gotas e impede o
MECANISMOS
contato entre elas.
- Dois líquidos podem ter sua emulsão quebrada
ou destruída por três mecanismos:

 Sedimentação ou Flotação (creaming):
deslocamento gravitacional das gotas para
a superfície da fase contínua em função da
diferença de densidade entre as duas
fases.
 Agregação/Aglutinação: Junção de uma  Tamanho da Gota Dispersa
ou mais gotas. A integridade física das
Pequenas gotículas  emulsões mais estáveis.
gotas é mantida. Não há mudança da área
interfacial. - Maiores gotas aumentam as probabilidades de
 Coalescência: uma ou mais gotas se colisões e de quebrar a emulsão.
fundem. A integridade física das gotas não
é mantida.  Viscosidade da Fase Contínua;

- Quanto maior a viscosidade da fase contínua,
mais estável a emulsão.
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Alta viscosidade  reduz a difusão interna das Ajustar o pH  minimizam as características do
gotículas de água  reduz a frequência de filme interfacial  aumenta a tensão superficial
colisões  estabiliza as emulsões.  desestabiliza a emulsão.

Grandes gotas da fase continua  aumenta  Idade da Emulsão;
viscosidade aparente da fase contínua 
Aumento da idade  aumenta a estabilidade.
estabiliza a emulsão.
- O tempo auxilia para que os agentes
 Concentração da Fase Dispersa na Fase
emulsificantes migrem para a interface da
Contínua;
gotícula dispersa.
Aumento no volume da fase dispersa 
- O filme ao redor da gotícula aumenta sua
aumenta o número de gotas e/ou tamanho das
densidade, espessura e resistência e,
gotas  aumento das chances de colisão e
consequentemente, aumenta a estabilidade da
coalescência.
emulsão.
Distância que separara as gotícula menor 
 Diferença de Densidade;
aumentam as chances de colisão e coalescência
 reduz a estabilidade da emulsão. - A força gravitacional atuando na gota dispersa é
diretamente proporcional à diferença de
Ex: Emulsão A/O: Aumentando a quantidade densidade entre a gota e a fase contínua.
água na fase contínua do óleo, aumenta a
população de gotas de água existentes na - quanto maior a diferença de densidade, maior as
emulsão, aumentando-se a probabilidade de chances de desestabilizar a emulsão formada.
colisão e a coalescência entre elas.
5.2 Métodos de Desestabilização das
 Temperatura; Emulsões de Petróleo

- A temperatura tem uma grande influência na
estabilidade da emulsão, gerando as seguintes
consequências com o seu aumento:

 Aumenta a difusão da gotícula na fase
contínua; - A decantação leva em conta a taxa de
 Reduz a viscosidade da fase contínua, sedimentação dos elementos dispersos (no caso,
 Causa distúrbios no filme interfacial; gotículas de água) em um campo gravitacional.
 Alteram as forças de tensão
- Líquidos com densidades diferentes, as gotas
interfacial/superficial; começarão a sedimentar (ou flotar) devido ao
 Modifica a solubilidade dos agentes efeito do empuxo. A força do empuxo é oposta à
emulsificantes; força de arraste, que é função direta da velocidade
- Estes fatores reduzem a estabilidade da da fase contínua.
emulsão. ETAPAS DA QUEBRA DA EMULSÃO
 pH; 1. Destruição do filme emulsionante;
Adição de ácidos inorgânicos ou bases  2. Coalescência das gotículas dispersas;
estabilizam o filme interfacial  emulsões A/O 3. Decantação das gotículas.
estáveis.
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MECANISMOS EMPREGADOS PARA 5.2.3 Tratamento Eletrostático
DESETABILIZAR UMA EMULSÃO A/O
- Nas plataformas marítimas, onde normalmente
1. Adicionar desemulsificante (químico); os volumes processados são muito altos, o
2. Aquecer a emulsão (térmico); sistema mais utilizado é o tratamento
3. Submeter a campos elétricos eletrostático, por atingir maior eficiência na
(eletrostático); coalescência das gotas e, portanto, na separação.
4. Centrífuga (mecânico).
- A aplicação de um campo elétrico de alta
TIPOS DE TRATAMENTO DE EMULSÃO intensidade provoca a polarização das gotículas
de água, principalmente pela migração dos sais
 Tanque de Lavagem;
dissolvidos no interior das mesmas, fazendo com
 Tratamento Termoquímico;
que as gotículas de água passem da forma
 Tratador Eletrostático;
esférica para a forma elíptica (alongamento).
 Tratamento Químico.
CAMPO ELÉTRICO INTENSO 
5.2.1 Tanque de Lavagem FORMAÇÃO DE UM DIPOLO INDUZIDO
 ALONGAMENTO DA GOTA NA
- Em campos de produção terrestre que
DIREÇÃO DO CAMPO ELÉTRICO.
apresentam alta razão água/óleo e baixíssima
razão gás/líquido, são utilizados separadores - Devido ao uso de corrente alternada, o
gás/líquido no primeiro estágio de separação, tipo comportamento senoidal do campo elétrico faz
vaso de pressão, e tanques atmosféricos de alta com que as gotas sofram alongamentos e
capacidade, mais conhecidos como tanques de contrações sucessivas.
lavagem, como separador de segundo estágio.
- Desta maneira, o filme interfacial fica
submetido a vibrações longitudinais, que causam
a dessorção de parte dos emulsificantes naturais,
favorecendo a coalescência das gotas.

5.2.2 Tratamento Termoquímico

- Mais utilizado nos campos de produção
terrestre, consiste na adição do desemulsificante
em um ponto de razoável turbulência para
permitir a dispersão do mesmo e no aquecimento 5.2.4 Tratamento Químico
da mistura, em um vaso normalmente vertical, até
- Os desemulsificantes são substâncias de alta
uma temperatura da ordem de 60ºC, de forma a
massa molecular, comparáveis aos emulsificantes
reduzir a viscosidade da fase contínua (óleo), o
naturais, que são atraídas pela interface água-óleo
que acelera a decantação das gotas.
e deslocam ou rompem a película emulsificante,
- O próprio tanque de lavagem apresenta um promovendo a coalescência das gotículas, que
sistema de aquecimento e opera como tratador de decantam através do óleo.
óleo.
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- Adição de Desemulsificante: 5.2.5 Centrífuga

 Forte atividade na interface; - As centrífugas são equipamentos providos de
um rotor capaz de girar com velocidades
- Deslocar ate a interface, deslocar o
elevadas, dando origem a campo centrífugo que
emulsificante e impedir a aproximação de
permite separar boa parte de água do petróleo.
novos emulsificantes.

 Floculação;

- Propiciar forte atração entre as gotículas.

 Colescência;

- Atuar facilitando a quebra da película.
Anotações
 Remoção de sólidos estabilizadores de
emulsão para o meio. ________________________________________
________________________________________
- Inicialmente, o desemulsificante chega à
________________________________________
interface e desloca os emulsificantes naturais,
________________________________________
desestabilizando a emulsão.
________________________________________
- Em seguida, ocorre a coalescência das gotas em ________________________________________
gotas de maior tamanho e peso. ________________________________________
________________________________________
- Finalmente, ocorre a sedimentação das gotas de ________________________________________
água, separando as fases água e petróleo, por ________________________________________
segregação gravitacional. ________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
________________________________________
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6. Tratamento da Água Produzida A água produzida deve ser tratada antes de ser
descartada para atender às regulamentações
- É o efluente resultante dos processos de ambientais. Por exemplo, no Brasil, de acordo
separação existentes nas estações coletoras e de com a Resolução CONAMA 393/07, a
tratamento na produção de petróleo. concentração média mensal de óleos e graxas é
limitada ao valor máximo de 29mg/L, com
- Em média, para cada barril de petróleo valor máximo diário de 42 mg/L, para descarte
produzido são gerados 3 a 7 barris de águas e, a no mar.
medida que os campos ficam maduros e aumenta
a produção de óleos pesados, maior a tendência PRINCIPAIS ESPECIFICAÇÕES EXIGIDAS
de aumentar estas quantidades de água produzida.
- Corrente gás, óleo e água produzida (para
- Nas atividades do E&P a água produzida descarte), após processamento primário realizado
responde por 98% de todos os efluentes gerados. no E&P.
- A água produzida destinada ao tratamento, pode
conter concentrações de óleo que variam de 50 a
5000 ppm, possui elevada salinidade (entre
40.000 e 150.00 mg/L de NaCl) e pode conter
teor de sólidos suspensos (TSS) variando entre 5
a 2000 ppm. Além disso, micro-organismos e
gases dissolvidos, carbônico e sulfídrico, podem
estar presentes. TRATAMENTO DA ÁGUA
DESTINO - Para projeto, avaliação ou adaptação se sistemas
Descarte Reinjeção para tratamento de água, é importante o
Pode ser realizado Principal meio de conhecimento das características da água
com os parâmetros de recuperação (salinidade, temperatura, teor de sólidos) e do
acordo com a secundaria de poço de óleo disperso (concentração, densidade,
regulamentação do petróleo. distribuição de tamanhos).
CONAMA (estaduais MELHOR SOLUÇÃO
e municipais). EM TERMOS - Todas as tecnologias utilizadas no tratamento
AMBIENTAIS.
primário de águas oleosas estão baseadas na Lei
de Stokes e se encarregam basicamente da
- O tratamento de água produzida numa separação de sistemas particulados (óleo livre ou
instalação de processamento primário de petróleo disperso e sólidos em suspensão).
depende de sua destinação final: descarte ou
reinjeção nos poços de produção. - A utilização de produtos químicos também é
muito importante e no caso das águas oleosas,
- A injeção de água tem sido um dos principais utilizam-se polieletrólitos que atuarão na
meios de recuperação secundária de campos de desestabilização e coalescência das gotículas de
petróleo, porém, a fim de evitar comprometer o água e de óleo.
poço, a água necessita ser tratada para redução do
teor de óleo emulsionado, e remoção: de H2S e Polieletrólitos  São agentes floculantes
CO2 dissolvidos, evitando a corrosão; se poliméricos que atuam neutralizando as cargas
sedimentos, evitando o tamponamento do superficiais das gotículas, evitando a repulsão
reservatório; e de bactérias redutoras de sulfato, entre as mesmas e induzindo a floculação.
evitando a corrosão pela formação de H2S.
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- Como as gotas de óleo normalmente apresentam 6.1 Floculadores
cargas negativas, os agentes floculantes mais
usados são os polieletrólitos catiônicos, por
exemplo, poli (diamina vinílica), poli(brometo de
piridínio vinílico), poli(imina vinílica),
poli(acrilamida quaternária).

ESQUEMA DE TRATAMENTO DE ÁGUA
OLEOSA EM OFFSHORE

- São produzidas microbolhas na câmara de
flotação, que se prendem às partículas oleosas,
formando aglomerados que são carregados para a
superfícies.

- A separação é mais eficiente à medida que se
diminui o tamanho das bolhas e se aumenta o
tamanho das gotículas.

- É comum o uso de hidrociclones seguido de - Existem dois tipos de flotador:
flotador para tratamento de água produzida.
 Flotador de gás dissolvido;
- Apenas a passagem pela bateria de  Flotador de gás introduzido.
hidrociclones é suficiente para o enquadramento
do efluente para seu descarte. 6.2 Hidrociclones

Slop  Grandes tanques gravitacionais.

SISTEMA SIMPLES DE TRATAMENTO DE
ÁGUA

- Aumenta a velocidade de sedimentação: - Nos hidrociclones, a água oleosa é introduzida
tangencialmente, sob pressão, no trecho de maior
 Hidrociclones: se baseia no aumento da diâmetro, e pela ação da força centrífuga, a água
força de campo gravitacional; contendo sedimentos (salmora), que é a fase mais
 Floculadores: se baseia no incremento da densa, é impulsionada contra as paredes no
diferença de densidade entre as fases. sentido do trecho de menor diâmetro, saindo por
essa extremidade.
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- Dentre as vantagens do uso de hidrociclones ________________________________________
para o tratamento de água oleosa destacam-se: ________________________________________
________________________________________
 São compactos; ________________________________________
 Apresentam grande capacidade por área ________________________________________
instalada; ________________________________________
 Não requer dosagem de polieletrólitos; ________________________________________
 Não possuem partes móveis, requerendo ________________________________________
baixa manutenção mecânica e baixo ________________________________________
consumo de energia; ________________________________________
 Não sofrem efeito do balanço, pois ________________________________________
operam a elevadas velocidades lineares. ________________________________________
- Em contrapartida, os hidrociclones também ________________________________________
apresentam algumas desvantagens: ________________________________________
________________________________________
 Em uma passagem, dificilmente ________________________________________
conseguem enquadra o TOG em 20 mg/L; ________________________________________
 Podem sofrer abrasão comprometendo a ________________________________________
estrutura interna dos liners; ________________________________________
 São muito susceptíveis a incrustação ________________________________________
devido ao pequeno diâmetro dos liners. ________________________________________
________________________________________
Referências
________________________________________
BRASIL, N. I.; ARAÚJO, M. A. S. ________________________________________
Processamento de Petróleo e Gás. Rio de ________________________________________
Janeiro: LTC, 2011. ________________________________________
________________________________________
KUNERT et al. Apostila de Processamento ________________________________________
Primário de Petróleo. Rio de Janeiro: ________________________________________
Universidade Petrobras / Escola de Ciências e ________________________________________
Tecnologia E&P, 2007. ________________________________________
________________________________________
GONDIM, Amanda Duarte – Notas de Aula da
________________________________________
Disciplina Métodos de Separação – Natal:
________________________________________
Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
________________________________________
2017.
________________________________________
Anotações ________________________________________
________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
________________________________________ ________________________________________
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