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Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado

O redirecionamento da execução fiscal
contra o sócio-gerente e a prescrição intercorrente
Daniel Carneiro Machado*

Introdução; 2 A responsabilidade tributária Nesse contexto, não obstante a sociedade
do sócio-gerente – art. 135, inciso III, do CTN; 3 O empresária possuir personalidade jurídica distinta da
redirecionamento da execução fiscal contra o sócio- de seus sócios, podem eles vir a ser responsabilizados
gerente incluído ou não na CDA; 4 A prescrição solidária e pessoalmente pelos débitos tributários
intercorrente e o termo inicial de sua contagem: visão gerados pela sociedade que integram.
crítica do atual entendimento do STJ; Conclusão; No Direito Tributário, o fundamento legal da
Bibliografia. responsabilização pessoal e solidária dos sócios
encontra-se estampado nos arts. 134, VII e 135, III, do
Introdução Código Tributário Nacional – CTN que dispõem, verbis:

A execução fiscal é regida por lei especial e tem Art. 134. Nos casos de impossibilidade de
exigência do cumprimento da obrigação principal
por objetivo dar à Fazenda Pública um procedimento
pelo contribuinte, respondem solidariamente com
célere para cobrança da dívida ativa, isto é, o seu este nos atos em que intervierem ou pelas omissões
crédito tributário ou não tributário. A lei em referência de que forem responsáveis:
é a Lei 6.830/1980. [...]
Após o ajuizamento da execução fiscal, não é VII - os sócios, no caso de liquidação de
incomum a constatação da total inaptidão da pessoa sociedade de pessoas.
jurídica (do contribuinte) para o pagamento da dívida, Parágrafo único. O disposto neste artigo só
surgindo grande controvérsia em relação à interpre- se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter
tação das hipóteses legais de responsabilização tri- moratório.
butária do sócio-gerente da sociedade pelos débitos Art. 135. São pessoalmente responsáveis
devidos pela empresa e a possibilidade de redirecio- pelos créditos correspondentes a obrigações
namento do processo para constrição do patrimônio tributárias resultantes de atos praticados com
excesso de poderes ou infração de lei, contrato
pessoal do dirigente.
social ou estatutos:
O presente artigo abordará o tema, trazendo o [...]
posicionamento da doutrina e da jurisprudência atual III - os diretores, gerentes ou representantes
do Superior Tribunal de Justiça – STJ, destacando, de pessoas jurídicas de direito privado.
ainda, a aplicabilidade da prescrição intercorrente
à execução fiscal e seus efeitos em relação ao sócio, Trata-se da chamada responsabilidade tributária
responsável tributário. por transferência. Os arts. 134 e 135 do Código
Tributário Nacional preveem determinadas situações
em que terceiras pessoas se responsabilizam solidária
2 A responsabilidade tributária do sócio- e pessoalmente pelo inadimplemento da obrigação
gerente – art. 135, inciso III, do CTN: tributária por parte do contribuinte em decorrência de
fatos constatados.
É cediço que o sujeito passivo da obrigação
A responsabilidade tributária de terceiros,
tributária pode ser o contribuinte, quando tiver relação
tratada especificamente pelo art. 135, inciso III, do
pessoal e direta com o fato gerador, ou um responsável,
CTN, o qual interessa diretamente ao presente estudo,
que integra por força da lei a relação jurídico-tributária
não desconsidera a pessoa jurídica devedora, apenas
como devedor pessoal de um tributo, sem possuir
imputa aos terceiros indicados pelo legislador, e que
relação direta com o fato gerador.
no caso estão vinculados à pessoa jurídica, a obrigação
pessoal pelo pagamento dos débitos decorrentes “de
obrigações tributárias resultantes de atos praticados com
*Juiz Federal Substituto da 21ª Vara da Seção Judiciária de Minas excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou
Gerais/TRF1. estatutos”.

40 Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, v. 24, n. 5, maio 2012

não por ser sociedade sem sua prévia dissolução legal e sem o sócio. obrigação tributária pela sociedade não gera. constitui infração da lei e do contrato Calmon. 17/06/1996. tributo. São Paulo: formalizar as baixas regulares perante os órgãos Malheiros. sem comunicação aos órgãos competentes. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. p. induz responsabilidade de quem tenha administrado a sociedade 9. na conduta dolosa especificamente apontada pelo sem qualquer ingerência na administração e nos atos próprio legislador. 135. Eliana Com efeito.244/PR.. n. 331) 3 STF. 138. empresa que deixar de funcionar no seu domicílio Importante ressaltar que. ed. por si só.. em tais casos. Humberto Theodoro Júnior2: jurisprudência do STJ. p. sem poderes 2 Junior. Resp. ed. III. Min. DJ 21/10/2002. São Paulo: Premier. Se responsabilidade solidária do sócio-gerente. social. Ademais. rel..5 Oportuno destacar que. cit. com a consequente responsabilidade do 6 A responsabilidade tributário-solidária prevista nos arts. rel. Min. Recurso Especial – Resp. no solidária a terceiros. a As hipóteses de responsabilidade tributária responsabilidade tributária poderá recair apenas sobre definidas no art. Curso de Direito Tributário. Hugo de Brito. Calmon. do CTN.. p. fraude ou excesso de poder”. 2002. rel. rel. segundo o qual “o inadimplemento da ilegal. culpa. sem dolo ou fraude. essa solidariedade não se expande aos meros quotistas. 244. Na referida norma o legislador aderiu à [. Elementos do Direito – Direito Tributário. administrador.. Hugo de Brito Machado.375/SC. São Paulo: de gestão. 226. inciso III. Humberto Theodoro. 2ª Turma. 134 e 135. É imprescindível a responsabilidade dos sócios-gerentes na referida atuação dolosa do gerente ou diretor. (STJ. 8 Ob. isto é. p. O sócio-gerente responde por ser gerente. a da responsabilidade pessoal. não pela circunstância de a sociedade estar em pagamento das dívidas tributárias. quando em posição de influir para a sua não- ocorrência. presume. Ele responde. p. Eliana Calmon. 12. É evidentemente que se trata de presunção a infração a que se refere o art. mora da empresa. 135 do Código Tributário Nacional.129. que fecha as portas sem 4 Machado. mas por haver dissolvido irregularmente a pessoa jurídica – (STJ. Eduardo de Moraes. 135 é subjetiva (e não relativa de responsabilidade dos sócios-gerentes.Recurso Extraordinário – RE 115. RT 631:261. a até porque o dispositivo não menciona tal termo. Lei de Execução Fiscal. 24. fato gerador de tributo praticado com excesso de poder. públicos e sem patrimônio suficiente para honrar seus 5 Precedentes:Recurso Especial – Resp. 85. isto é. A mera condição de “sócio” é insuficiente. 20. p. isoladamente analisado. 436. dolosa. e é sabido que o dolo não se que estes “podem provar não ter agido com dolo. seus sócios-gerentes. 5. o descumprimento da obrigação legitimando o redirecionamento da execução fiscal principal. 21. alcança o sócio-gerente que liquidou irregularmente a sociedade sócio-gerente. p.] a responsabilização exige que as pessoas No mesmo sentido. apenas representa para o sócio-gerente. Eduardo Sabbag8: por parte do gestor da pessoa jurídica. DJ 20/1/2009.526-SP. infração da lei ou violação do contrato social. DJ 10/06/1996. O não pagamento do apropriaram dos bens pertencentes à sociedade”4. devendo ser hipótese decorre da “presunção de que tais pessoas se cabalmente comprovada. Resp. Min. Min. 325. maio 2012 41 . p. pelas próprias palavras da lei.652-0/RJ.] presume-se dissolvida irregularmente a denominada teoria ultra vires. 2011. Conforme lição do Prof.3 débito.155/PR. 2008. DJ 25/11/2002. Humberto Gomes de Barros. Eliana compromissos financeiros. 33. em substituição ao devedor sentido de que: principal. Min. e não infração legal deflagradora Para o Prof. Resp. segundo a melhor fiscal. Saraiva. rel.472. é mera presunção de infração à lei pelo gestor da pessoa jurídica. [. por quotas de responsabilidade limitada. Djaci Falcão. que vem a ser a ocorrência de um decisórios da pessoa jurídica.289) 7 A prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só 1 Sabbag.802/MG. mas e não sobre os bens de simples sócios quotistas7. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado O referido dispositivo do CTN estabelece A referida interpretação é atualmente verdadeira imputação legal de responsabilidade corroborada pelo enunciado 435 da Súmula do STJ. 65. 1. para elidir a solidariedade do art. não se fundam no mero os bens do sócio que exerce a gerência da sociedade6 inadimplemento da sociedade contribuinte. doutrina1. o desaparecimento da limitada. conforme admitido pela Nas palavras do Prof. consolidou-se o indicadas no referido inciso tenham praticado entendimento jurisprudencial no enunciado 430 da diretamente ou tolerado a prática do ato abusivo e Súmula do STJ.” Hipótese diversa ocorre no caso de extinção irregular da sociedade. sendo objetiva). 242. rel. Ari Pargendler. v. Min.

pacificando a questão. o que repercutirá diretamente sobre o ônus da a ele o ônus de provar a ausência dos requisitos do art. DJ 20/06/2005. recursos financeiros. 135. a Fazenda Pública 1. 24. título executivo. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado o sócio existe. da relatoria do e. b) constando o nome do sócio- sócio na certidão de dívida ativa – CDA. DISTINÇÃO. nas funções de gerência para A propósito.619/MG. o redirecionamento da execução contra o sócio-gerente que não consta previamente 9 AgRg no REsp 1196537 / MG. o redirecionamento da execução fiscal Corte Superior ao concluir o julgamento do ERESP contra o sócio-gerente. a indicação na CDA do nome ou somente contra a empresa. DJ o sócio-gerente incluído ou não na CDA 20/08/2001. geralmente desprovidas de prova é. verbis: Com base nesse arcabouço legislativo e Processual Civil.º 6... do CTN: a) quando reste demonstrado O redirecionamento da execução fiscal contra que este agiu com excesso de poderes. Tributário. investidos na administração da sociedade. 5. Responsabilidade do sócio-gerente. seja por conta da devedora e os sócios. 135 do CTN. não do título executivo (CDA). FUNDADA EM CDA QUE INDICA O NOME DO SÓCIO. incumbe devedor e não de terceiro.] não localização de bens penhoráveis.09.030/PR. foi proposta contra a pessoa jurídica e contra o sócio A toda evidência. se for o caso.2005. Os fundamentos de referido aresto restaram de que goza o referido título executivo extrajudicial. 135 DO CTN. relação a todos indistintamente. caberá à Fazenda Pública. vem se manifestando no intuito do redirecionamento e seus consectários legais. ou na hipótese de dissolução consolidada do STJ quer conste o nome do referido irregular da empresa. no curso do 3. confere ao indicado a condição de legitimado passivo nos termos do art. ao requerer a inclusão do referido sócio no polo Ou seja. indicar a causa do pedido capazes de atrair a responsabilidade tributária devem capaz de caracterizar a responsabilidade tributária. nem gerente. rel. especialmente a dos embargos do devedor. mas não é diretor. abordada no item anterior. recebimento do crédito tributário da pessoa jurídica. assentou que: no polo passivo do processo e previamente citado a) se a execução fiscal foi ajuizada somente contra a para que seus bens possam ser constritos e para que pessoa jurídica e. deve ser responsabilizado. sempre ser imputados aos sócios que se achavam Sem provas no processo executivo de infração da lei. O ônus da interpostas pessoas. Por outro lado.830/80. ART. 3 O redirecionamento da execução fiscal contra 2. 3º da Lei n. v. 42 Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. portanto. cabendo ao sócio o ônus da prova para desconstituir o REDIRECIONAMENTO. 204 do CTN c/c o art. confirmando. O redirecionamento da execução fiscal. administradores da pessoa jurídica. tendo em vista que a do sócio-gerente como corresponsável tributário CDA goza de presunção relativa de liquidez e certeza. Min. após o ajuizamento. salvo evidentemente não se admitirá a inclusão do sócio-gerente como nas hipóteses de fraudes em que são utilizadas corresponsável. da sociedade. poderá ser dirimida pelas vias cognitivas RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE. DJ 22/02/2011. e não em abuso da gestão. Recurso especial.555/PR. matéria que. ao Fisco a prova da ocorrência de alguns dos requisitos do art. Precedentes da Corte: ERESP 174. Execução que consta no pólo passivo a sociedade seja por conta de sua não localização. DJ 06/10/2003. se já não constava da CDA. da Fazenda Pública exequente. cita-se recente precedente do STJ9 encobertar os verdadeiros administradores e gestores que resume o entendimento daquela Corte Superior. Ministro Castro Meira. n.232/RS. existência de responsabilidade tributária. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. somente é cabível quando reste da cobrança para a pessoa dos sócios gerentes ou demonstrado que este agiu com excesso de poderes. para o sócio-gerente da empresa. na execução fiscal. independentemente se a ação executiva prova acerca da responsabilidade tributária. jurisprudencial e verificada a impossibilidade de Execução fiscal. infração à lei ou contra o estatuto. dissolução irregular da sociedade.532/PR. por presunção relativa 4. o qual deverá ser incluído n. Considerando a responsabilidade tributária DJ 13/06/2005. EXECUÇÃO próprias. a sintetizados na seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. [. maio 2012 .º 702. o abuso da gestão e as infrações à lei passivo da execução. REsp 513. Luiz Fux. foi requerido o possa promover sua defesa por meio de embargos de seu redirecionamento contra o sócio-gerente. quer não gerente como co-responsável tributário na CDA cabe conste. publicado no DJ de 26. infração à lei o sócio-gerente é admitido pela jurisprudência ou contra o estatuto. AgRg no Ag 613. admite-se. não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. REsp 228. A jurisprudência da Primeira Seção desta processo.

III. quem sabe. interrompido o prazo prescricional. excepcionalmente. já que a CDA goza de presunção relativa de sócios administradores que ainda não foram incluídos liquidez e certeza. as quais se justiçam para fomentar o co-responsável tributário. pretende voltar-se também contra Nessa linha de interpretação. 2005 (vigência a partir de 09/06/2005). corresponsável. ainda. deve harmonizar-se com as a ação. AgRg no Ag 11 Dinamarco. deve dar-se objetivamente Dinamarco11 acerca do reinício do prazo prescricional interrompido no processo: 10 Precedentes:REsp 205887. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado 1. v. de 9 de fevereiro de favor da Certidão de Dívida Ativa. o ônus da prova tema.. São Paulo: Malheiros. que não constava da CDA. prescrição em relação aos responsáveis solidários. ed. Isso porque. ao contrato social ou aos estatutos ou. Verificada a possibilidade de redirecionamento Pois bem.830/80. do que se É cediço que o despacho ordinatório da citação conclui caber a ele o ônus de provar a ausência dos requisitos do art. Caso a execução tenha sido proposta somente contra a pessoa jurídica e havendo posicionamento do STJ. havendo solidariedade passiva pela 4 A prescrição intercorrente e o quantia cobrada em juízo. instigar nova reflexão sobre o redirecionamento. REsp 736030. sendo inaplicável o disposto no art. Com todo o respeito que merece o 3. ao propor ao responsável tributário. nos termos do art. 3. Instituições de Direito Processual Civil. venia. Para a referida Corte Superior10 o Nesse sentido. após o transcurso do omissão e desídia do exequente que não promoveu prazo quinquenal. v. [. AgRg no REsp 445658. 135 do CTN. 89. n. e não Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. de modo a não estender a responsabilidade ao sócio-gerente e. cabe analisar quando ele retomará o seu curso? o polêmico entendimento acerca da prescrição da Ao contrário do entendimento do STJ. cabe ao 6. III. p. 204 do CTN c/c o no pólo passivo. posteriormente. a execução foi proposta com do CTN para atribuir ao despacho do juiz que ordenar a base em CDA da qual constava o nome do sócio. 24. ocorrerá a prescrição intercorrente para os da prova. posteriormente. citação o efeito interruptivo da prescrição. Se a execução foi proposta contra a pessoa decorridos mais de 5 (cinco) anos após a citação da jurídica e contra o sócio-gerente. o prazo não citação da pessoa jurídica (contribuinte) na execução volta a fluir imediatamente. doutrina processual do Prof. II. compete igualmente ao sócio. Na hipótese. a este compete o ônus empresa. Iniciada a execução contra a pessoa no prazo de cinco anos contados da citação da pessoa jurídica e. art. DJ 11/04/2005. tendo em vista a presunção relativa de liquidez e certeza que milita em A Lei Complementar 118. alterou o art. Interrompido o prazo prescricional. o qual estabelece que a interrupção do termo inicial de sua contagem: prazo prescricional em relação a um dos executados visão crítica do entendimento do STJ também atinge os demais devedores. Se a Fazenda Pública. Embargos de divergência providos. não obstante o seu patrimônio. DJ 1º/08/2005. 541255. maio 2012 43 .º 6. tornar imprescritível a dívida fiscal. 135. redirecionada contra o jurídica. 5. aplica-se o disposto no art. a referida interpretação indicação do nome do sócio-gerente na CDA como merece críticas. DJ 20/06/2005. data pretensão em relação ao mesmo. 3º da Lei n. gerente como corresponsável tributário. Cândido Rangel gerente.] (destaquei) o curso do prazo prescricional também em relação aos eventuais responsáveis tributários (art.830/1980 que. do CTN. do devedor principal (no caso. inclusive O STJ pacificou entendimento de que após a em relação aos devedores solidários. deverá demonstrar infração à lei. mas apenas após o último fiscal o prazo prescricional fluirá imediatamente em ato do processo ou.. satisfação do seu crédito. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 2002. o contribuinte) proferido na execução fiscal de crédito tributário interrompe 5. não se trata de típico debate e. 40 da Lei sócio-gerente. oportuno destacar clássica redirecionamento da execução contra o sócio. 125. 135 do CTN. Neste caso. além de referir-se ao devedor. rel. Cândido Rangel. haverá prescrição da cobrança do os atos necessários para a regular tramitação do feito e crédito tributário em relação ao sócio-gerente. não visualizava qualquer fato capaz de hipóteses previstas no art. nos casos de relação ao corresponsável e que. 174 4. 174 do CTN. da execução contra o sócio-gerente. do CTN). DJ 16/05/2005. a citação válida da pessoa jurídica interrompa a dissolução irregular da sociedade. 2.

. Eis o enunciado da Súmula 314 do STJ. ele não recomeça a fluir logo em seguida.e. se o processo terminar com a plena satisfação do absolutamente incoerente a interpretação segundo a direito alegado pelo credor . do Código Civil. 5. leniência consumativo da prescrição. restar caracteriza a inércia da Fazenda do direito de ação. se se interrompe no momento indicado pelo art. não localizados bens é inutilizado com a citação. mas deste momento da penhoráveis. direito está extinto e nenhuma ação ainda resta pro Admitir-se-á a contagem do prazo prescricional exercer em relação a ele. Ed. durante tal período não há que se falar em processo é fruto exclusivo da desídia do demandante). em suma. for promovido o prosseguimento da execução pelo credor. 44 Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. ao menos. Porto Alegre. o mesmo (encerramento do prazo inicial e fixação de novo prazo) não se sucede. 3 ed. dentro do qual o novo prazo não começa a intercorrente”. o seu curso. Leandro. p. in verbis: citação. da pretensão de cobrança do crédito no curso do Assim. 24. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado 423. pudesse recomeçar o prazo A citação é uma causa interruptiva diferenciada: prescricional assim que ocorrida a hipótese de segundo o art. citando Carvalho Santos. esse ato incide e realiza a hipótese da regra de reinício do prazo de Permitir o transcurso do prazo prescricional em prescrição do direito do fisco. efetuada a extraordinários os casos de prescrição intercorrente. que é a inércia do credor. 232-233. simplesmente porque o aos responsáveis tributários. citação não começa a correr novo prazo. se operou o termo Fazenda Pública) em decorrência da inércia. privilegiando o julgada formal. inicial da demanda. Obviamente.Constituição e Código Tributário 12 Santi. encerra-se a inação do credor. como ocorre nos demais casos de interrupção da prescrição. ante o ajuizamento da execução dia em que o processo se considerar extinto será o fiscal. interrompendo-se exclusiva do credor exequente. 1. Decadência e Prescrição no Direito à Luz da Doutrina e da Jurisprudência 8 ed. no caso de suceder a coisa Pública contraria a lógica do sistema.. 2006. p. se.. segundo Porque o prazo da prescrição anteriormente decorrido o qual “em execução fiscal. Só terá ensejo o reinício Tendo fim a litispendência pela extinção do da contagem quando quedar inerte o exequente. a prescrição para o seu curso.g.” processo. com a penhora de bens.Eurico Marco Diniz de.nenhum prazo se reinicia. Entretanto. Ed. Ao mesmo tempo. com a propositura da ação. (destaquei) 13 Paulsen. n. impedido de fluir durante toda a litispendência (sendo o prazo terá recomeçado. em tese. 202. v. a perda a prescrição’. estipulando o final do relação ao sócio-gerente a partir da citação da empresa. suspende-se o processo por um ano. Somente com o último termo da demanda ou quando esta tiver fim é que começa a correr prazo para A prescrição intercorrente é.. Embora. 219 efetuada a citação. devedores solidários. também explica com mestria os casos convencionais Trata-se da chamada prescrição intercorrente somente de interrupção da prescrição tributária e o reinício de reconhecida se estiverem presentes os seguintes sua contagem: pressupostos: transcurso do prazo quinquenal e a comprovação de que o feito teria ficado paralisado por Quando a interrupção é operada pela citação esse período por desídia do exequente. o início da recontagem ficará impedido interrompida por ela só se reinicia depois do último ato enquanto não se verificar requisito indispensável do processo para interromper . (destaquei) interrompido no curso do processo apenas se Eurico de Santi12. caracterizada a inércia e/ou desídia do exequente. quando a contagem volta a ser feita desconsidera-se o tempo passado antes Desta sorte. e. par. processo como novo prazo para o eventual exercício sem. relação ao contribuinte continua a escoar-se em relação .contrato anulado pela qual o fluxo do prazo prescricional interrompido em sentença. Leandro Paulsen13 quanto ao recomeço da contagem Detido o curso do prazo prescricional pela do prazo prescricional interrompido. o credor nada mais solicitar e a do Código de Processo Civil e seu curso permanece execução não tiver curso em razão da sua omissão.284 -1. realização de que só se configuram quando a longa paralização do leilão etc. São Paulo: Max Limonad. 2004. Reinício da fluência do prazo Merece destaque também a lição do tributarista prescricional. citação.ou seja. Direito Tributário . o prazo recomeça . como é natural às (destaquei) interrupções de prazo. revelando-se dies a quo no novo prazo prescricional. curso do prazo prescricional. Verifica-se um findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal interregno. o despacho do juiz ordenando a processo se o mesmo permanecer paralisado pelo citação tem a finalidade de reconhecer juridicamente prazo prescricional (cinco anos no caso dos créditos da que. bem recebido etc. execução consumada.285. a prescrição interrupção. Assim. maio 2012 . correr. Tributário. com o exercício do direito de ação da interrupção e começa-se novamente do zero (o pela Fazenda Pública. Livraria do Advogado.

da lei capaz de responsabilizar o sócio-gerente pelos de modo que somente neste momento é que pode ter débitos.] 3. por outro. Assim. sem a pretensão de esgotar o tema. aplicando-se ao caso o princípio Assim.] O Tribunal de origem reconheceu. no caso de corretamente o instituto da prescrição intercorrente. prescrição intercorrente..914-SP. inciso III. Precedente: Ag 1. interrompido o prazo prescricional o Por fim.. rel. por um lado. se a Fazenda Pública se mantiver do redirecionamento. maio 2012 45 . rel. interpretativo seja corrigido em breve. consolidou-se a pretensão gerentes e. se o exequente se mantiver inerte em relação ao Nesse contexto de responsabilidade solidária. 20/11/2008) pode admitir o transcurso do prazo prescricional em 15 Processual Civil e Tributário. a ficado paralisado por esse período por desídia do caracterização da responsabilidade tributária dos exeqüente. não se poderá falar da citação da empresa. empresa. contados da citação da da execução. estando ou não seus nomes dissolução irregular da sociedade. a dissolução irregular da sociedade nascimento o direito de ação da Fazenda Pública em implica presunção de apropriação ilícita dos bens da face do sócio corresponsável tributário. merecendo críticas o Caso contrário.409-SC. a requerimento de redirecionamento da execução interrupção da prescrição pelo despacho ordinatório contra o corresponsável fluiria o prazo prescricional da citação da empresa na execução fiscal também atin- intercorrente. a prescrição intercorrente somente poderá ser reconhecida se estiverem presentes os seguintes pressupostos: transcurso do prazo Conclusão quinquenal e a comprovação de que o processo teria Conforme sustentado neste artigo. aplicando ato do processo ou. inércia e desídia do exequente. empresa. ao contrário do entendimento do STJ. não houve prescrição. Herman Benjamin. e REsp 844.. DJ 11/3/2008. somente após seis anos da citação da empresa. da dissolução legal capaz de atrair a responsabilidade pessoal e irregular da sociedade no curso do processo executivo. ou fraude. o mero inadimplemento da somente no curso do processo executivo. mas da actio nata. relação aos responsáveis tributários a partir da citação Citação da empresa e do sócio-gerente. buscando instigar o debate. Ou seja. empresa pelos seus gestores. administradores e gestores da A par disso. pressuposto essencial para a caracterização da decisão monocrática. importante mencionar que.308/PR. contados da citação da empresa. Precedentes citados: REsp 996. Aplicação do princípio da actio nata. o que constitui infração A partir da constatação da fraude. do CTN. 24. mas a partir do momento em que constatado nos autos a dissolução da sociedade 14 [. [. dos sócios-gerentes muitas vezes foram conhecidas Se. em mesmo somente retomaria o seu curso após o último alguns julgados recentes14 15. Eliana Calmon. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.571-RS. (AgRg no REsp 1. v. DJ 18/10/2007. fraude e dolo mencionados na Certidão de Dívida Ativa – CDA. solidária pelos débitos tributários. defende-se que não se Min. inerte quanto ao requerimento de redirecionamento ainda que a citação do sócio-gerente tenha sido realizada após o transcurso de prazo superior a cinco anos. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado corresponsável tributário que pode ter agido com dolo infração da lei e do estatuto social. Princípio da actio nata. infração posterior ao fato gerador e ao lançamento tributário. 5. DJe 05/08/2008. não houve prescrição. Min. que a Fazenda e/ou atos praticados com dolo ou fraude pelos sócios- Pública sempre promoveu o andamento do feito e que. permite o redirecionamento Ademais. sócios-gerentes. excepcionalmente.046. pressuposto essencial o que representa esperança de que o desacerto para a existência da prescrição intercorrente. saliente-se que as hipóteses de da execução fiscal. o STJ fez ressalvas ao seu posicionamento já consolidado. Prazo superior a cinco anos. Execução fiscal.062. ge os devedores corresponsáveis. sociedade pelos atos dolosamente praticados com o prazo da prescrição intercorrente não poderia fluir da citação da empresa. possibilitando a caracterização em prescrição mesmo se eventualmente já tenha da prescrição intercorrente após o transcurso de cinco transcorrido o prazo quinquenal a partir da citação da anos. 135. ainda. j. Prescrição.. que se mostrou diligente. daí reiniciando o prazo prescricional. por si só. Redirecionamento. em momento obrigação tributária não constitui. a teor do art. se o redirecionamento da entendimento do STJ no sentido de que o prazo pres- execução foi requerido a tempo e modo pela Fazenda cricional flui em relação aos sócios-gerentes a partir Pública. cinco anos. Com efeito. n. Ainda que a citação do sócio- da empresa na execução fiscal se não constatada gerente tenha sido realizada após o transcurso de prazo superior a a inércia do exequente no curso do processo. in casu.

Decadência e Prescrição Processual Civil. Direito Tributário. São Paulo: Ed. Fredie. Lei de execução fiscal. Dialética. São Paulo: Ed. 12. São Paulo: Ed.. Eurico Marco Diniz de. 46 Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. ed. n. São Paulo: Ed. Curso de Direito Processual Civil. São Paulo: Ed. DIDIER JR. 5. maio 2012 . II.. 3. Salvador: Ed. Max Limonad. Malheiros. Livraria do Advogado. 2008. 2004. Cândido Rangel. Luciano. 3. ed. em juízo. SABBAG. CUNHA . Leonardo José Carneiro da. PAULSEN. São Paulo: Ed. 2006. ALEXANDRE. São Paulo: Ed. MACHADO. ed. 5. ed. Direito Tributário Brasileiro. Instituições de Direito SANTI. 2007. Hugo de Brito. v. 2006. Humberto Theodoro. AMARO. Direito Tributário Esquematizado. 2011. et al. 2002. no Direito Tributário. 2002. 5. A Fazenda Pública 8. Saraiva. São Paulo: Ed. ed. ed. Malheiros. Leandro. 12. Método. Eduardo de Moraes. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Curso de Direito Tributário. Ricardo. Artigos Doutrinários – Daniel Carneiro Machado Bibliografia JUNIOR. 24. Elementos do Direito – v. 2011. ed. Porto Alegre: Ed. Premier. DINAMARCO. 9. Saraiva. Podivm. 2009. ed. 5. v.