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REVISTA doTCU

Fiscalização a serviço da sociedade

Revista do Tribunal de Contas da União • Brasil • ano 48 • número 137 • Setembro/Dezembro 2016

A Evolução do Controle na
Era Digital

REVISTA doTCU
Fiscalização a serviço da sociedade

Revista do Tribunal de Contas da União • Brasil • ano 48 • número 137 • Setembro/Dezembro 2016

© Copyright 2016, Tribunal de Contas da União
Impresso no Brasil / Printed in Brazil

FUNDADOR
Os conceitos e opiniões emitidas em trabalhos doutrinários Ministro Iberê Gilson
assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.
SUPERVISOR
Ministro Aroldo Cedraz de Oliveira
Permite-se a reprodução desta publicação, em parte ou no
todo, sem alteração do conteúdo, desde que citada a fonte e CONSELHO EDITORIAL
sem fins comerciais. Ministro-substituto Augusto
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www.tcu.gov.br Procurador-Geral Paulo Soares Bugarin
Eduardo Monteiro de Rezende
Rainério Rodrigues Leite
Missão Flávia Lacerda Franco Melo Oliveira

Aprimorar a Administração Pública em benefício da
RESPONSABILIDADE EDITORIAL
sociedade por meio do controle externo Instituto Serzedello Corrêa
Centro de Documentação
Visão
Ser referência na promoção de uma Administração Pública COLABORADORES
efetiva, ética, ágil e responsável Biblioteca Ministro Ruben Rosa

TRADUÇÃO
Secretaria de Relações Internacionais

Projeto Gráfico
Pablo Frioli

Imagens
iStock

Diagramação, capa e fotomontagens
Vanessa Vieira - ISC/ Seducont

Centro de Documentação
SAFS Quadra 4 Lote 1
Edifício Anexo III - Sala 21
Brasília-DF
Revista do Tribunal de Contas da União. - v.1, n.1 (1970) - . – Brasília : TCU, 70.042-900
1970- . revista@tcu.gov.br
v.
De 1970 a 1972, periodicidade anual; de 1973 a 1975, quadrimestral; de 1976 Impresso pela Sesap/Segedam
a 1988, semestral; 1989, quadrimestral; 1990 a 2005, trimestral; 2006, anual; a
partir de 2007, quadrimestral.

ISSN 0103-1090

1. Controle de gastos públicos – Brasil. 2. Controle externo – Brasil. I. Tribunal
de Contas da União.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Ministro Ruben Rosa

com foco em resultados orientados pela estratégia do Tribunal. de modo a escolher melhor as ações de controle a serem realizadas pelo Tribunal e. de modo a tornar-se mais eficiente. o TCU já tem colhido frutos de modelos preditivos e algoritmos inteligentes produzidos por nossas próprias equipes técnicas. responsável por tais iniciativas. Estamos. dedica-se a um olhar para o futuro próximo – para os avanços que poderão ser conquistados a partir das mais modernas técnicas de mineração de dados. conforme ilustram diversos artigos publicados nesta edição. como a Universidade Rutgers. a realização de auditorias ambientais. conferindo assim maior efetividade à atuação desta Corte. O processamento de volumes colossais de dados. ato contínuo. estão em desenvolvimento novos métodos de trabalho com base Bruno Spada na captação. portanto. possuem equipes de pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de soluções que potencializem o uso da tecnologia e de grandes massas de dados como instrumentos para se combater. A presente edição. transparente e eficaz no atendimento aos anseios da população. “uma das lições mais importantes das últimas duas décadas foi o papel fundamental da inovação no desenvolvimento econômico”. Editorial da Revista do TCU. Não há dúvidas de que a atividade de auditoria. Boa Leitura! 4 Revista do TCU 137 . trata-se de incorporar novas ferramentas à rotina de trabalho dos auditores. os desvios e as fraudes na aplicação dos recursos públicos. ao intensificar o uso da Tecnologia da Informação no controle externo e compartilhar suas experiências. Como relata na coluna “Opinião” o Secretário Wesley Vaz. Ainda assim. em obras públicas e em outros empreendimentos que envolvam grandes extensões territoriais. é importante ressaltar que a transformação digital da atividade de controle não é assunto de interesse exclusivo dos Tribunais de Contas e órgãos similares.Carta ao Leitor P rezado leitor. Mais ainda. é certo que estamos longe de esgotar o assunto. Como nos lembra o entrevistado desta edição. em particular. nos Estados Unidos. e centros de excelência internacionais em contabilidade e auditoria. na Era Digital. passa necessariamente pelo uso intensivo do assim chamado Big Data Analytics. os avanços nessa área são tão rápidos que temos dificuldade até mesmo em imaginar os resultados que poderão ser alcançados nos próximos anos. Investimentos em ciência e tecnologia são essenciais ao desenvolvimento sustentável e à construção de economias produtivas. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Carta ao A Administração Pública atravessa um período marcado por desafios importantes. diante do desafio de inovar continuamente. com maior eficácia. executá-las de forma eficiente. geoprocessamento e realidade virtual. com sociedades mais justas e inclusivas. De maneira similar. o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta caminhos a serem seguidos pelo Estado. Testemunhamos uma transformação nas relações entre governo e cidadãos. Os que acompanham a Revista do TCU sabem que o tema não é inédito nesta publicação. provocados pela evolução tecnológica da Era Digital e pelo envolvimento crescente da sociedade na formulação de políticas públicas e em discussões sobre eficácia e transparência na aplicação de Leitor recursos do Estado. Universidades brasileiras. Ao assumir posição de vanguarda no uso desses instrumentos. à qual o controle externo não pode e não vai ficar indiferente. como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Cezar Taurion. análise semântica de textos. trata-se de imperativo para é ministro do Tribunal de Contas que sejamos capazes de desempenhar a contento a missão que nos foi incumbida há 126 anos: da União e supervisor do Conselho aprimorar a administração pública em benefício da sociedade. torna-se cada vez mais presente graças à evolução da aprendizagem de máquina e da inteligência artificial. de modo a consolidar o protagonismo desta Casa Aroldo Cedraz de Oliveira perante o sistema de controle nacional e internacional. no tratamento e na análise de imagens – seja por técnicas tradicionais de geoprocessamento ou com as inovações da realidade virtual – que prometem revolucionar. para deles extrair conhecimentos úteis à gestão pública e à sua fiscalização. haja vista a amplitude de possibilidades e perspectivas que essa nova era nos traz. Por fim. dentro de pouco tempo. tempestiva e precisa. Assim.

Sumário Entrevista 07 Opinião 13 Destaque 17 Entrevista Opinião Destaque Cezar Taurion Wesley Vaz Silva 17 Nova Pesquisa em Jurisprudência Sócio e líder de Digital Secretaria de Gestão de Informações para o Transformation da Kick Controle Externo Ventures e VP de Inovação 13 Os pilares da estratégia do Instituto Smart City de análise de dados Business e consumo de informações no TCU 07 As inovações tecnológicas na fiscalização Setembro/Dezembro 2016 5 .

• Remis Balaniuk sistema geodésico • Renato M. Assunção brasileiro para fins • Marcelo Pacote • José Nagib Cotrim Árabe de incorporação no 32 A recuperação 61 Aplicativos de cadastro técnico semântica da auditoria: uma multifinalitário: informação no contexto ferramenta eficaz para construção da do controle externo asseguração de compras regularização imobiliária governamentais dos municípios • Márcia Martins de Araújo Altounian • Qiao Li • Davi Lopes Silva • Beatriz Pinheiro • Jun Dai de Melo Gomes 125 Uso de técnicas de 71 Modelagem de dados inteligência artificial 43 Geotecnologias e geográficos para para subsidiar ações o monitoramento definição de corredores de controle dos Objetivos de alternativos no rodoanel Desenvolvimento da região metropolitana • Luís André Dutra e Silva Sustentável pelas de Belo Horizonte: Entidades de cenários comparativos Fiscalização Superior 6 Revista do TCU 137 .Sumário • José Irley Ferreira Júnior Artigos 18 • Rodrigo Affonso de Albuquerque Nóbrega • Leise Kelli de Oliveira 81 O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas • Osmar Abílio de Carvalho Júnior • Renato Fontes Guimarães • Roberto Arnaldo Trancoso Gomes 97 Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos Artigos • Rherman Radicchi Teixeira Vieira 18 Fundamentos de • André Delgado de Souza • Drausio Gomes uma auditoria em • Leonardo Pereira Garcia dos Santos realidade misturada • Erick Muzart Fonseca • Alexandre Zaghetto dos Santos 107 O porquê de • Aroldo Cedraz • Francisco Osório Ramos 53 InfoSAS: um sistema governança de dados de mineração de em organizações 24 Plataforma de serviços dados para controle de controle de dados abertos do da produção do SUS TCU: crowdsourcing. • Ricardo Dantas Stumpf nuvem cívica e • Osvaldo Carvalho aplicativos cívicos 117 O georreferenciamento • Marcos Prates dos bens imóveis • Raquel Minardi públicos no • Monique Louise Monteiro • Wagner Meira Jr.

No desempenho dessa atividade. surpreendendo aos mais desavisados. Não devemos pensar na vimento e aplicação de novas tecnologias. das inovações tecnológicas nas organizações e em seus processos de negócio. tendo produzido nove livros sobre os mais Hoje somos quase três bilhões. tem participado ativamente do desenvol. cerca variados ramos da TI. o espe. nos negócios e nas atividades Hoje. Nos últimos anos. gência Artificial (IA) e o impacto de tudo isso na sociedade. Em 1995. milhões usavam celulares. tecnologias exponenciais. grid computing. Inteli. as tecnologias permitem de do Tribunal de Contas da União. cloud computing. O trabalho. Um rápido Cezar Taurion olhar ao passado recente mostra Sócio e líder de Digital Transformation da Kick Ventures e VP de Inovação quão impressionante é o ritmo das do Instituto Smart City Business mudanças. A capacidade computacional de um supercomputador de 10 milhões de dólares em 1985 está embutida hoje em um smartphone. tanto no Brasil como no exterior. produtos e serviços referência. Nesta entrevista à Revista do TCU.Entrevista // Cezar Taurion As inovações tecnológicas na fiscalização // Entrevista As inovações tecnológicas na fiscalização Vinícius Magalhães Cabe ao Tribunal de Contas da União verificar se as instituições governa- mentais estão utilizando recursos públicos de forma efetiva e eficien- te. navegantes na Internet mundial. através das tecnologias digitais. éramos 35 milhões de Além de profissional da Tecnologia da Informação. há apenas 21 anos.2 bilhões de na Internet pelo NCE/UFRJ. big data e transformação digital. ou mais de 5. as estruturas o pensar fora da caixa é insuficiente porque “a caixa ainda nos prende a uma fonte de organizacionais. Ciência da Computação e Marketing de Serviços. forma muito mais fácil e barata que Setembro/Dezembro 2016 7 . Na sua formação acadêmica en. Para ele. Taurion busca compreender e avaliar os impactos Estamos em um novo jogo. hoje três tram conhecimentos em Economia. como software livre. Como as inovações tecnológicas podem ajudar o TCU a cumprir essa missão e “fazer mais com menos”? A evolução tecnológica avança em ritmo exponencial. pessoas. automatização de processos atuais. serão efetivamente transformados cialista em TI aborda temas como transformação digital. so dessa área desde o final da década de 70. A Internet está se massificando. em cada quatro pessoas do mundo Ele foi professor do MBA em Gestão Estratégica de TI na FGV/RJ e de Empreendedorismo têm um. 80 ção. limitando o pensamento inovador”. o que lhe revolução digital como uma simples permite acompanhar casos reais das mais diversas características e complexidades. software embarcado. inova. de 40% da população mundial. Cezar Taurion é um ávido estudio. os modelos de negócios.

não? A pressão para encerrar o projeto foi imensa. e esse número tende a aumentar. é a cultural. Um exemplo de como a mudança exponencial é subestimada nossas pegadas digitais. as ações de continuamente. por cerca de cem dia a dia de grande parte da sociedade Por exemplo. podemos não pois a caixa ainda nos prende a uma to. qual o maior obstá. algoritmos preditivos. mas o custo da tecnologia vem tuições públicas e a sociedade? que se conseguem bons resultados caindo e continuará caindo de forma As redes sociais já fazem parte do em praticamente qualquer situação. que variam de de subestimar o impacto das trans- bases de dados convencionais a redes sociais. Foi lan- estão mais empoderados e com seus çado em 1990. tradicional. US$ 6 bilhões. de recomen. Aliás. em 2020 estaremos criando em todo trabalho? As barreiras culturais ou as Quais as ferramentas tecnológicas o planeta 73. o pensamento linear. no constatamos que a Internet e as estudo de práticas de contratação por tenas de milhares de reais há pouco redes sociais podem ser vistas como grandes empresas. quando considerando menos dinheiro que o estimado. ele disse “1% significa para o Controle Externo? Por quê? metade do caminho. enviando informações no tinha sido sequenciado. considerada ele- mos deles.Entrevista // Nonononono há dez anos. com estimativa de ser smartphones estão conectados a concluído em 15 anos a um custo de milhares de outros através de redes devem estar conectados. o alvo por 696 anos! Muitas vezes o analisados de forma contínua? As cionário na empresa. Estimativas apontam que vações tecnológicas no ambiente de mento essencial em uma democracia. além de tecnologias mais nejamento linear que nós adotamos. en. Parece lógico. Com o uso de pensar fora da caixa é insuficiente. antes do planejado e custando muito viando informações continuamente. quatro anos podem e devem estar conectados. mas fazer samento inovador. Hoje. Em 1997. O Por que esperar semanas e meses para o sucesso da contratação. um estudo efetuado nos reais. Vão em frente!”. culo quando se quer introduzir ino. 1% Internet e os smartphones permitem dobrando a cada ano significa che- acesso rápido e fácil a qualquer mo- mento. nos leva à terrível armadilha de diversas fontes. Se EUA. Estamos imersos em um Na sua opinião. metade do sociais. inclusive. compartilhando seus pontos prazo.. esperar semanas e meses mento. para ficar. mostrou que o uso mais de dez anos. linear. Quais as tecnologias que o senhor mas quando perguntaram ao futurista classificaria como mais importantes para analisar dados. e análise de fatos passados. onde mais e mais pessoas po- ticas (geralmente baseadas na intui. ações terão efeito muito mais imedia. Os cidadãos de governo podem e foi o Human Genome Project. ção) por 25%. apenas 1% do genoma huma- de vista. Algumas tecnologias como a puderem ser analisados Ele pensou exponencialmente. errou analisar dados. promoção do diálogo entre as insti- da aplicação de algoritmos mostram ceiras. se esses Ray Kurzweil. limitando o pen- eficazes se usarmos algoritmos e in. Pelo pla- Assim. as limitações finan. A grande barreira tecnologias cognitivas descentraliza- de algoritmos vencia as melhores prá.5 zettabytes de dados ou limitações financeiras? Por quê? que você considera mais eficazes na 73 seguido de 21 zeros! Os resultados Existem. expressiva. pela American Psychological mazenamento de um terabyte (um observarmos de perto esse fenôme- Association. Por que supondo 1% em 7 anos. opiniões e comentários. pação é. teligência artificial. se esses puderem ser acerto da contratação do novo fun. ses e decisões tomadas pelo governo de fraudes por operadoras de cartões parece ser uma abordagem que veio de crédito. ou seja. algoritmos predições de comportamento de ór- já estão em toda parte. dem emitir suas ideias e opiniões de 8 Revista do TCU 137 . compram-se dispositivos de ar. O nosso pensar de forma doras.. onde todos nós deixamos “ Todos os órgãos formações. Hoje em dia essa partici- oceano de dados. quando a evolução é expo. e pouco uso faze. levaríamos fiscalização podem contar com a 700 anos para concluir o sequencia- colaboração da própria sociedade. analisando 17 casos de trilhão de bytes) que custavam cen. Todos os órgãos de governo de forma contínua? ” gar aos 100% em 7 anos. baratas e disponíveis. claro. O projeto foi concluído em 2001. As análises podem ser muito mais apenas nos contentar com descrição fonte de referência. cruzar dados obtidos nencial. gãos públicos baseadas nos padrões O envolvimento do cidadão nas análi- dação de livros e filmes à detecção observados até o momento.

devemos pensar pessoas e tem-se um quadro geral. Claro que diferente. A partir iniciais e não podemos sair delas. modelo vertical e centralizado. Não nas redes. Temos que seguir alguns passos. intra equipe. áveis. Entretanto. descrição e análise de detalhamos os centavos. Com o tempo refinamos os ser “ N=todos” podemos fazer gra. dos embute mudanças na maneira de Qual seria um bom exemplo disso? Uma sugestão é montar uma equipe pensarmos dados. como seguiremos pessoas que atendam à – identificar os melhores dados e de. não terá representativi. Um gerente burocrata não de uma pequena amostra de dados. do dos canais de distribuição de ideias até o momento. da fiscalização. cada um que esteja pre. fatos passados. Saímos para cos. compartilhando predições de comportamento em tempo real com milhares de ou. Quando a variável passa a problemas de comunicação inter e amplo. multidisciplinar e operacionalizar os pensamento baseado na escassez para Geralmente pegam-se umas duas mil processos que envolvam os proje- abundância de dados. Com isso refinamos da Paraíba. podemos não com uma rede social. enquanto grande como o PIB de um país. fazemos hoje. Não pode ser uma ação limitada a presenta a opinião das pessoas que determinada área ou restrita ao setor Nos últimos anos. tão diferentes entre si e que seja uma série de práticas como análises ficiente. negócio. trabalham fora. um mental: a equipe. fora do controle analisar os dados. Podemos identificar pode gerar um algoritmo preditivo A precisão depende muito da amos. “ Com o uso de algoritmos ra de olhar os dados é que volumes do ao vivo por uma TV unidirecional grandes não demandam precisão preditivos. a atividade de fis. E. tendências e descobrir correlações sensacional. Pensemos em um número voz que a emissora libera. mas sim resolver problemas de fixos embute um viés: se a coleta for um “mind set” mais oportuno ou seja. interessante que afeta nossa manei- Comparemos um evento transmiti.cuja atividade principal lhar um pouco mais a pesquisa. O que é necessário para se obter da- de órgãos públicos baseadas dos concretos. a amostragem será insu. Além disso. Depois. mas fazer restritos aos grandes números e às minado ângulo e emite suas próprias tendências que eles apontam. Pela dificuldade e limitação Mas se quisermos detalhar ao ponto a equipe deve ter um bom gestor. que problemas ção para abundância de dados. definir claramente os calização migrou de falta de informa. nulações inimagináveis no modelo apenas com hackers. de escassez. de vista bem diferente das que podem objetivos de negócio. Pelas características de lidar Setembro/Dezembro 2016 9 . Mas sar dados. quando se está diante tros. nós acabamos de querermos saber a intenção de que consiga entender as diversas construindo um modelo mental de es. E montar uma equipe modelos e hoje eles são bastante confi. quem aproveitamos oportunidades de fa. tos de análise de dados. Na TV somos extra de cada dado. Por exemplo. Afinal. nos padrões observados de uma abundância de informação? ” Não existe mais o controle centraliza. percepções do fato. Aliás. Primeiro é essencial ter um patroci- e as trocas horizontais substituem o nador de alto nível na organização.Entrevista // Cezar Taurion Entrevista forma muito rápida. Quando saímos do As pesquisas de intenção de voto. equação hackers + profundos conhe- cidir como usá-los/interpretá-los? dade estatística. jovens entre 18 e 25 anos do estado linguagens faladas por profissionais cassez de dados. dados irão resolver? Um fator funda- instituição . Podem ter um ponto de TI. por exemplo. Qual atender o telefone doméstico durante as iniciativas de análise massiva de o caminho mais viável para uma o dia. gover- vai atender não necessariamente re. tecnológica que existia. mas ficamos sente ao evento filma de um deter. finalmente. Estamos presos às perguntas apaixonado pelo conceito de anali- estatísticas por amostragem. como eficácia e eficiência feita no horário de trabalho. se quisermos deta. cimento estatísticos e matemáticos A imensa disponibilidade de da. o objetivo não de opinião baseada em uma amostra novas perguntas e descer a novos é gerar modelos analíticos fantásti- randômica de usuários de telefones níveis de segmentação. Dificilmente con- depende da análise de informação universo de amostras pequeno. zer perguntas não pensadas antes de nança. Cria uma topologia de poder menos vertical e muito mais aberta. com volumes grandes o pensamento vai conseguir desfiar os inevitáveis extrapolamos para um cenário mais é outro. Outra característica dos mecanismos centralizadores. há algumas lacunas. Podemos fazer a organização. uma pesquisa não pensadas antes. já fazemos obrigados a ver as imagens e ouvir a apenas nos contentar com isso hoje. mas de pouco valor para tragem. + bons conhecimento de negócio.

muitas vezes são influenciadas por está chegando tão rápido que temos essa tecnologia será um dos principais experiência pessoais. de um dos filmes que dade e o emprego como conhecemos. “Ela” previu que. afetou cenário. computadores. como “Terminator”. O tos em fotografias. tecnologia e dados. quando os pioneiros entregar correio rural. O serviço ou vinte vezes melhor. como o as- que o ser humano em reconhecer ros.5 milhões deles nos Estados Unidos isso existe o risco de reinventar-se a e. para I n t e l i g ê n c i a A r t i f i c i a l (I A) e década de 1950. sistemas. Dave?”. trada será autônomo. temos mais de um roda constantemente. temos como antecipação cinetífica. Portanto. de alguma for. diz Hawkins. tífica poderia muito bem ser definida censorista. ” caminhões sem motorista cruzando a Europa. resultados que ninguém poderia ter nós humanos conseguimos fazer. cando correlações que nem sempre a tomada de decisão. rodando sem sistemas de reconhecimento e ima. mais comuns no mundo todo. será um anacronismo. foi fundada por especialistas de IA muito rápida. O imaginário de ficção gia. Nesse me marcaram e que tenho em casa. segurança da informação e “2001: A Space Odyssey”. dificuldade em imaginar como ela motores da inovação e da tecnolo- se tornará. Com pois a caixa ainda nos 3. mas o senhor acredita que pensamento inovador. Entretanto. quais são os desafios e benefícios da previsto nos anos 50. A consultoria McKinsey Google falava em carros autônomos. Hoje os Spark em Iron Man. Hoje já é e Jarvis. Aprendizagem Automática Avançada estabeleceram as ideias básicas dos No TCU. A propósito. Ficção cien. O Uber recentemente pagou elas podem ser confiáveis quando se US $ 680 milhões para comprar Otto. motoris- ta de caminhão. realizou um teste bem-sucedido de cientes na coleta e classificação de dados. Adivinhar o Não temos capacidade de lidar com utilização dessas tecnologias por impacto da IA e dos robôs em uma grandes volumes de dados muito ra- uma Corte de Contas? década ou duas está se tornando ain. fundador da mos. em seu início. em vez de vans. robô”. hoje. os computadores tornaram extremamente eficaz na análise de Estratégicas de Tecnologia. Em setembro. que vemos em Jarvis. É um dos trabalhos tende-se a não documentar e nem fora da caixa é insuficiente. dentro de oito anos. mas porque Isso significa que se uma tecnologia ma. Em talvez 15 anos. um era curiosidade futurista. a evolução é do you think you´re doing. trata de interpretação? computador se intrometia na vida dos uma startup que desenvolve tecnolo- Depende é claro da eficiência do astronautas da tripulação : “Just what gia para caminhões autônomos e que algoritmo. As instituições governamentais científica ainda predomina. com dados não estruturados funções que antes eram reservadas (antítese do modelo estruturado e re- lacional que estamos acostumados).. essa frota em Pittsburgh. limitando o As ferramentas de TI são muito efi. Jeff Hawkins. Muito Uber investiu em Otto não apenas que pensar de forma exponencial. “ Muitas vezes o pensar aos humanos. pidamente. analisando de forma ampla que permitem a criação de sistemas companhias aéreas e ATMs (caixas e rápida milhões de documentos. Menos de 20 anos o papel da IA será o de um auxiliar tão entre as chamadas Tendências depois. Em 2009. nossas decisões A revolução conduzida pela IA da mais difícil. O governo holandês já referência.Entrevista // Nonononono // Entrevista com volumes muito grandes e va. “Daqui a vinte anos. se não a principal”. quando o De lá para cá vimos filmes de robôs do Google. onde o as linhas de produção nas fábricas. estão cada vez mais dependentes de de uma frase. Jarvis significa “Just Another Rather motoristas. motorista de caminhão. Assim. aqui no Brasil. Lembro Indiscutível que a IA vai afetar a socie. Na sua opinião. uma vez possíveis sistemas de reservas de contas. quer operar frotas de carros autôno- digital. prende a uma fonte de milhão registrados para o transpor- te de carga.. já está no nosso dia a dia. o gens do Facebook são mais eficientes Very Intelligent System”. diz que a IA está hoje em um ponto postal do Canadá quer enviar aviões similar ao da computação no início da não tripulados. para operar caminhões. me parece claro que (Advanced Machine Learning) es. A automação. Agora o risco de desemprego afeta riados. capazes de compreender. “Eu. aprender e eletrônicos) bancários e ajudaram a fazendo comparações e identifi- prever eventos que podem melhorar NASA a colocar o homem na lua. começou a testar talvez em dois a três anos esteja dez Numenta (e inventor do Palm Pilot). segurança cibernética desempenham 10 Revista do TCU 137 . Por exemplo. ainda não está tão eficaz. o assistente pessoal de Tony terço de todos os caminhões na es- praticamente uma realidade. São criar processos de governança.

Comprar online inicial do Google. sem censura. incidência de racismo e preconceitos (EUA) e Kiva. seja a de localizar um de perguntar algo incômodo gera talvez daqui a dez ou vinte anos táxi. haverá mais palavras crítico de sucesso para as organiza- escritas no Twitter nos próximos correlações que nem ções. O sempre nós humanos gias é frequentemente um requisi- Facebook. Outro é garantir privacidade.Entrevista // Cezar Taurion Entrevista um papel extremamente importante. comprar um produto. analisando de forma reação da sociedade a determinados Deixamos uma imensa pegada eventos e como o retângulo do digital no nosso dia a dia. Ele ouve nossas previsão do mercado de ações. Hoje a maior parte das menos 25% dos adultos do planeta amostras da mente privada.. como os fornecidos pelo LendingTree o que queremos.Vários projetos é rotina. são gigantescos repositórios de documentos. novos modelos de empréstimos. Este é o problema predominante e o próprio Facebook seguros. O Google do conceito de e-commerce de uns idade. que geralmente são aprendizado. para promover práticas de controle Olhando esta imensa quantidade autocensura. nossas mentes. e colocam É um repositório do id coletivo saber com o Google Trends. consegue. as nelas sentimentos de ódio e ainda uma longa caminhada de instituições financeiras. confissões. do cientista social: o que eles mais só ganhou esta proporção toda nos Está nítido que a sociedade já está querem saber é justamente o últimos seis anos. inovadoras? de usuários e considerando que se obter informações praticamente O impacto da transformação di- aproximadamente um quarto do impossíveis de se obter por gital deverá ser muito maior que o mundo tem menos de 14 anos de pesquisas tradicionais. o papel da nos relacionamos. na análise de contas. Nesse bilhão de usuários (936 milhões entram todo dia nele). move a produtividade econômica. um fator comparações e identificando exemplo. expressam de algo muito recente. incluindo o governo. fazendo de opiniões e comentários. contendo apenas o Google sabe.. isso significa que mais ou Trends pode gerar excelentes 15 anos atrás. do que transações que setores inteiros de in- têm conta no Facebook. Na Alemanha preconceitos. Apenas e empresas aéreas. quais são os precisamente a perguntas como principais desafios e entraves para tornar sistemas e informações mais “ No TCU. quais métodos e técnicas. com seus mais de 1. como o AirBnB. como a timeline do Esse é um dos grandes desafios.4 to essencial para a inovação. já mostram o quanto é possivel surgem. As redes ampla e rápida milhões Google explicitará os cantos das sociais. na sua avaliação. O simples ato ainda estão sendo construídas e des do dia a dia. Novos modelos de negócio um campo para entrada de dados. Facebook expressará a vida de uma Temos dois pontos a validar. As informações acostumada a usar a Web e os apps que seus objetos de estudo mais sobre o comportamento humano dos smartphones para suas ativida- tentam esconder.6 Mb de novos dados por usuário. como novas ideias se infiltram e se disseminam seguros? IA será o de um auxiliar pela sociedade. Como estamos falando ção entre a sociedade e os fornecedo- fazem sem censura. Em muitos países. da humanidade. E esse por dia). conseguiremos responder mais Na sua opinião. comércio quem somos é a famosa página outras. hoje em dia. como os tuites mostrarão a é um assunto que é bem fluído. A Internet é muito o Friendsurance é uma ruptura no camuflados pelo comportamento jovem como registro humano modelo tradicional da indústria de social em público. Buscam sozinhas. Outra fonte as pessoas realmente querem saber e dústria fazem com seus clientes já é inesgotável de informações sobre que nem sempre compartilham com via Internet. existe res tradicionais de empréstimos. Nas buscas. ” sentido. como em cheque setores consolidados. como bancos. A adoção dois anos do que as contidas em de novas metodologias e tecnolo- todos os livros já impressos. Um é extremamente eficaz pessoa (hoje ele recebe em média a garantia de segurança dos dados. o que como o hoteleiro. estão mudando a rela- Como são buscas que as pessoas arraigados. 0. como o Twitter e Facebook. preocupações e segredos. teriam potencial rede da história da humanidade. fazer um Setembro/Dezembro 2016 11 . Por A inovação é. é hoje a maior conseguimos fazer. Nós digitamos naquele retângulo epidemias de gripe e dengue.

Com este apoio. KM) é EUA. uma uma tradicional profissão. taxistas. quem começou foi um negócio fora iniciativas muito interessantes que. ainda desdenhadas pelos advogados BelezanaWeb. O ines. A gestão do conhecimento tem modelo de negócios. O ce. ticas de trabalho dos advogados não dizer sobre o TCU. Os altos custos apenas 1. E praticamente todos que ser. e realistas. efeito Uber nos próximos anos. otimistas do digital”. to agregado torna-se realmente útil vez mais volátil. a advoca.3 bilhão de reais. desde que não nos o processo é irreversível e os ven- ções incrementais. recebendo altas Cosméticos é um exemplo interes- sante. certamente vai acontecer zação saia da sua zona de conforto. Ainda mudança da mentalidade e elaborar contratos. mesmos. das tradicionais empresas do setor. até compulsiva. Vamos analisar o contexto. que têm não são as tradicionais bancas de ad- mesmas tecnologias que seus clientes na informação e no conhecimento vogados. O uso de aplicativos vocados pelas Fintechs. A velocidade tradicionais. alguns entenderão que prazo baseados apenas em evolu. salvo raras exceções. fazer o mix certo entre advogados novos produtos similares. Imaginem o potencial de crescimento. receres e jurisprudências referentes de mídias sociais como Facebook e aos casos em análise. (Knowledge Management. temos nos EUA já usam IA como “associa- falam por fone. Vemos que o As organizações têm que se ajus. terá maior impacto nas estratégias estabelecidas tendem a ser conser- ganização depende de mudança da de KM dos próximos anos e por quê? vadoras e lutam para preservar seu mentalidade na alta administração. função ou setor de negócios estará a nova mentalidade incentivadora de cia. As empresas digital. Famílias mas necessidade de reação. Skype tar à velocidade da transformação abordagem o senhor acredita que e Whatsapp se repete. Há cinco anos. para não sermos cas inteligentes por documentos. nossas ideias. Mas. organização depende de trabalho árduo de buscar precedentes gastaram 1. como o contexto que talentos que hoje inexistem. cia. Interessante Instagram. opiniões e qua. apoiando o tra- moveram com rapidez em direção alto custo e os sócios dos prestigiados balho dos ministros. As prá.5% das vendas deste merca. vemos hoje envolvendo o Uber e os formação digital exige que a organi. forma de pirâmide. Em 2014. como ampliação apeguemos a crenças e paradigmas cedores serão os que conseguirem de um mercado ou lançamento de que nos limitam o olhar crítico. O conhecimen- nário de negócios passa a ser cada mudaram muito nas últimas déca. Airbnb. sempenhar suas atividades. que já usam. E. delegando a algoritmos nós compartilhamos.Entrevista // Nonononono check-in do voo ou uma transferên. ao mesmo tempo. mas precisa. panzés jogando dardos e acertando o quando os escritórios de advocacia A velocidade das mudanças não per. ” rários propiciam um cenário aberto a disrupções. sobre o uso de IA na advoca- sumerização de TI é um movimento ainda um grande desafio para or. como as pessoas interagem. contra 6% nos EUA. mostra que. a ao banco digital porque foram pro. visões futuristas é a mesma de chim. destes escritórios e dos seus hono- do. ambíguo. preditivos a tarefa de executar bus- mente. 12 Revista do TCU 137 . podem provocar um como WhatsApp mudou a maneira das mudanças não foi opção deles. Alguns escritórios de advocacia trocam mais mensagens entre si que sualizar e construir o futuro. investem no conceito. no futuro?”. Claro. Os grandes bancos só se oferecem assessoria personalizada de por motores de IA. novamen- na alta administração. Não é fácil. para comparação. O cenário mudanças provoca a contratação de fazer é: “ainda existirão advogados conturbado. Vamos pegar. Eles adotam primeiro! a principal matéria prima para de. mos construí-lo. estamos Os gestores precisam entender a muito a ver com o uso de algortimos diante de mudanças significativas na urgência da mudança para poderem e IA. Uma provocação que podemos salvo das transformações. mas novos entrantes. pa- se tudo que fazemos em plataformas descontruídos por ele. incerto e das. os advogados quando manipulado de forma ágil complexo. A transformação de uma or. Qual momento do Uber. escritórios presidem organizações em cia eletrônica entre contas correntes. mas podemos debater algumas sentirem reais ameaças ao seu mode- mite mais planejamentos de longo ideias e tirarmos conclusões por nós lo atual. e tecnologia. enquanto batalhões de advogados principiantes fazem o não compravam pela Web. os brasileiros “ A transformação de uma comissões. A sociedade está cada vez A gestão do conhecimento que uma análise feita na Europa e mais tecnológica e o processo de con. Para vi. O mesmo poderíamos perado surge a cada instante. alvo. sociedade e praticamente nenhuma provocá-la. que pressiona as empresas a adotar as ganizações como o TCU. A trans. Enfim. De maneira geral. A taxa de acertos em pre. Já existem algumas te.

sob a ótica para o Controle Externo do uso de informação como recurso essencial? Como lidar com as dificuldades já conhecidas Setembro/Dezembro 2016 13 . concessões de benefícios etc. para que as instituições públicas se adaptem à Secretaria de Gestão de Informações realidade atual de exigência de melhores produtos e serviços e funcionem melhor. mesmo sabendo que aquilo só ocorre porque existe uma comunidade de usuários que contribuem produzindo e consumindo informações. entregar resultados relevantes com a menor utilização de recursos. o cenário atual nos exige pensar em novas alternativas. Ter à sua disposição a rota mais rápida para se locomover de um ponto a outro em dias de chuva torrencial é alentador. com a missão de aprimorar a administração pública em benefício da sociedade por meio do controle externo. Considerando que a quantidade de sistemas de informação tem crescido a ponto de os principais atos e fatos administrativos (contratações. adaptável à interpretação de diversos atores. informações sobre o funcionamento do Estado e de interesse do controle externo estão cada vez mais disponíveis. de maneira pragmática. como fazer que órgãos públicos. É o uso correto e tempestivo da informação que permite que as organizações tomem decisões mais apropriadas sobre o que fazer e como fazer. O “fazer melhor” representa o bom funcionamento dos processos de trabalho relacionados às atividades de controle externo. O desalinhamento entre os dois pode representar excelência ao inverso: estar fazendo muito bem algo que não deveria estar sendo feito. um dos insumos fundamentais é a informação. Por isso será cada vez mais difícil (se não impossível) reter as informações ou impedir que elas sejam combinadas para gerar outras. Especificamente sobre o TCU. públicas ou privadas – ou seja. Secretário o que é preciso fazer. Efetivo e eficiente. de maneira simples e barata. A informação está e estará cada vez mais abundante. Dada a limitação de recursos. é cada vez mais importante ser certeiro na fase de planejamento. Para planejar e executar da maneira desejada. incluindo os de controle. pagamentos. Opinião Os pilares da estratégia de análise de dados e consumo de informações no TCU Eficiência e efetividade: palavras que resumem necessidades fundamentais impostas a todas as organizações. em que se demanda o pleno funcionamento dos métodos e disponibilidade das ferramentas e de profissionais capacitados. consigam utilizar plenamente esse insumo para Wesley Vaz Silva viabilizar o aumento da sua eficiência e efetividade a custos possíveis? Em outras palavras. pode-se sintetizar eficiência e efetividade como a necessidade de “fazer melhor e escolher melhor o que fazer”. bem como o bom funcionamento das políticas públicas. prontas para serem analisadas e consumidas.) poderem ser representados digitalmente. licitações. projetando ações de controle com base no risco. enquanto auxiliar do poder de fiscalizar a legalidade e legitimidade dos gastos. A abundância das informações. Em que pese o desafio da eficiência e efetividade ser perene no mundo corporativo. distribuída e fluída. somada às infinitas formas de combiná-las. não? Considerando que a utilização correta da informação abundante sobre o funcionamento do Estado é condição fundamental para a boa gestão dos recursos públicos. também deve buscar fazer mais e melhor o que a ele compete. O TCU. Fazer o melhor possível aquilo que deve ser feito torna eficiência e efetividade conceitos fortemente conectados. materialidade e relevância identificados em cada um dos objetos. A tendência de utilização maciça dos dados públicos está posta e é similar à realidade atual das organizações privadas. nos impõe outro desafio: consumi-las.

Apresentado por Eric Ries no necessárias e suficientes para cumprirem a recursos suficientes para executar seu livro Lean Startup. Vamos que têm servido como base da estratégia do constantes e cada vez mais drásticas. Ambas contexto. A execução de ações 2. As secretarias de controle tionar se. A infalibilidade. Acredita-se que os fundamentos tituições públicas que atuam em por representarem os pré-requisitos para as aqui apresentados possam ser considerados ambiente altamente regulado. visando o pleno uso da informação em prol do controle. submetido a mudanças sedimentados na estratégia do TCU. Contudo. informações para a atividade de controle. na produção e no consumo de informações e insucessos. responsabilização. Nesse não basta. as fa. I. é de pelo controle e para o controle estão sendo públicas e privadas nacionais e internacionais incerteza. o conceito de startup. a leitura. escolha foi a de incentivar a descentralização das atividades de análise de dados para as 1. as para o bom funcionamento das instituições. Aos mitos: vas públicas se vinculam. seu corpo para iniciar os trabalhos de análise 14 Revista do TCU 137 . público e privado. Governança coordenadas tem permitido ao TCU avançar nhecer que soluções complexas na utilização de técnicas de análise de dados. importantes da governança corporativa.Opinião Os pilares da estratégia de análise de dados e consumo de informações no TCU // Opinião e avançar na direção da instrumentalização instituições públicas gozam de caracterizadas pela inovação em um ambiente dos processos de trabalho com informações uma estabilidade institucional e de de incerteza. em Sem o claro apoio da alta direção. em especial para as ins. por óbvio. por essa razão. aos pilares: TCU. por outros órgãos de controle. sobre o qual os pilares A seguir. apresenta-se três pilares sabilidade. somente o direcionamento Duas premissas foram fundamentais ciativas por medo do fracasso. É preciso que as diretrizes se para o estabelecimento dos pilares. iniciativas por qualquer instituição pública brasileira última instância. No caso do colidem frontalmente alguns mitos da riscos deve ser estabelecida sem que TCU. diretrizes superiores que suportam a missão. estão naturalmente sujeitas à falhas Apoio da alta administração e liderança. Em determinados Esses costumam ser os viabilizadores mais úteis ao planejamento e à execução das ações ambientes. se afronte. É preciso reco. esse é precisamente sua finalidade? as políticas públicas sob sua respon. Portanto. A estabilidade. transformadoras não são mais do que boas que deseje repensar seu funcionamento a A reação a isso se impõe na forma de ideias prestes a serem vencidas pelo cansaço. de controle. como era (ou ainda que forneçam novos produtos e serviços externo passaram a capacitar auditores do é) amplamente entendido. bem como lhas podem gerar desconforto e. uma nova relação com os transformem em estratégias. O ambiente corporativo de fomento ao uso pleno de informações inspirados no funcionamento de instituições mundial. Há que se ques. inibição ao surgimento de novas ini. que contou com direcionamento Administração Pública e. partir do consumo intensivo de informação. o princípio da voltado ao estímulo da utilização de podem ser contraintuitivas em uma primeira legalidade ao qual todas as iniciati. é preciso encontrar soluções unidades técnicas.

cita-se: de fiscalização superior realizado em ou disponibilização. O sucesso dessa estratégia a colaboração e os trabalhos conjuntos definidos os objetivos. entre os papéis estimulam o consumo de No âmbito externo. que objetivava estruturar fis- calização contínua de benefícios previdenciários quanto à sua con- cessão. mas antes é preciso obter de Controle Externo do Mato práticas. do Trabalho e da Assistência Social (SecexPrevi) sob a relatoria do Ministro Vital do Rêgo. por exemplo) formalizaram Setembro/Dezembro 2016 15 . as entidades no assunto. análise de informações em cada um dos Laney. A tarefa de tornar dezembro de 2016. ria do ministro Benjamin Zymler. desenho de novas estratégias e o uso de disponíveis para o uso. da confiança entre os para o controle externo – Rede Infocontas. a matéria-prima.de dados. sobre Big Data e Analytics. Plataforma atores. novos grupos Estabelecidas as diretrizes. além de discutir e fomentar o as informações e torná-las plenamente Grosso (Secex-MT) e sob a relato. de um grupo de trabalho verdadeiramente simples o consumo da • Acórdão 539/2015-Plenário. da experimentação e testes ágeis de criada em 2013 e que. desses núcleos se baseia na colaboração e de fiscalização superiores dos EUA. é preciso conseguir depende. ferramentas e competências Centralizada liderada pela Secretária é estimular a colaboração e a troca de boas profissionais. positivos ou negativos. Em 2016. da clareza relacionados à análise de dados. seleção de objetos de controle com e eficiência das entidades de fiscalização que permite aos auditores terem acesso a base em análise preditiva de dados relativos a transferências voluntárias. destaca-se a criação. Além disso. composto por informação implica desenvolver novos vado de Fiscalização de Orientação diversos países. novos métodos e ferramentas baseadas em Essa é a essência do Labcontas. definida a informações para as atividades de controle institucionais têm surgido para intensificar estratégia. recentemente. dos papéis e responsabilidades de cada a rede nacional de informações estratégicas um dos envolvidos. Se informação do TCU lideraram trabalhos de fiscalização nível internacional. capacitados os profissionais e externo. manutenção e pagamento no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social. Sem último congresso internacional das entidades uso não depende somente da sua existência a pretensão de ser exaustivo. entre outros fatores. Em ser plenamente utilizada”. SecexPrevi. II. a “informação só é útil quando pode Em dois anos. entre eles o Brasil. a exemplo do que informações úteis ao seu trabalho. O trabalho o Controle Externo (Seginf). deri. Índia A soma do apoio da alta direção com a integração com as demais unidades de apoio e China criaram estruturas organizacionais formação de times de auditores tem gerado do TCU. bem como a buscar acesso a a existência de um núcleo próprio de superior. utilizar análise de dados. o seu pleno utilizando técnicas de análise de dados. com uma estrutura leve e uso de informações e de técnicas de análise que a descentralização e a coordenação voltada a resultados. várias unidades técnicas tribunais de contas estaduais do Brasil. composto por auditores já existe no TCU com o papel atribuído à ferramentas tecnológicas de suporte e capacitados para utilizar técnicas de análise Secretaria de Gestão de Informações para compor um grupo de interesse e pesquisa de dados nos seus trabalhos. ambiente que tinha como objetivo validar a informação para a melhoria da efetividade virtual criado e gerenciado pelo TCU. • Acórdão 718/2016-Plenário. de dados no âmbito das suas operações. visando inserir nos processos de responsáveis pelo estabelecimento e bons resultados e reforçado o fomento trabalho cotidianos novos métodos e execução da estratégia corporativa para o à construção de uma nova cultura. procedimentos sobre os dados e da avaliação fomentou a criação de uma unidade de Nas palavras do pesquisador Doug rápida dos resultados. em ferramentas. no é o insumo. algumas unidades técnicas do TCU (Secex-MT. Secex-CE e Secex Educação. O objetivo métodos. Destaca-se as ferramentas e os insumos. rea- lizado pela Secretaria de Controle Externo da Previdência.

para o funcionamento do Estado. solução que provê uma interface realidade impõe aos profissionais públicos. textos dos editais em comparação com a instituições públicas deve ser plenamente jurisprudência do TCU. disposição. estruturantes visando a construção de uma Inspirado nesse exemplo e viabilizado a partir De modo pragmático. que As organizações globais que mais uma ferramenta de apoio aos processos demanda o envolvimento e o aumento consolidaram seu funcionamento a partir de planejamento baseados em risco. publicadas no dia anterior. é preciso construir soluções mas que carrega consigo muitas dúvidas. A existência de um ponto central que técnicas mais recentes de indexação e cálculo em que o consumo de bens e serviços é congrega informações e softwares para de relevância do conteúdo. não há alternativa senão o constante disponíveis e estrutura montada. execução da estratégia de utilização por parte das organizações públicas e que Geral da União. cada vez mais. manter as suas informações prontas para processos por meio da utilização abrangente principalmente. por exemplo). a utilização de novas possuem verdadeira neurose em tentar execução de fiscalizações e instruções de tecnologias. que precisa entregar mais e funcionar melhor. Soluções baseadas em informação Esses são dois exemplos de soluções eficiência e da efetividade certamente baseadas em informação que servem como envolve o pleno uso da informação. Ou disposição do TCU. o ALICE (Analisador de de informações e análise de dados nos serviria como ponto de contato para as Licitações. consubstanciado Consultas. mais eficientes. com a publicação de normas que apoiam de busca às informações custodiadas e além de uma análise crítica sobre o senso a troca de informações entre os órgãos produzidas pelo TCU de maneira simples e comum do funcionamento das organizações públicos (vide Decreto 8. na visão daquele de mudança na forma de trabalhar muito funcionamento de instituições de sua que usará esse insumo para tomar decisões. sugere o surgimento de iniciativas simples e em prol do seu trabalho cotidiano. 16 Revista do TCU 137 . (TCEs). considerando e se comparar a uma realidade global e Com o ambiente pronto. o que deve caracterizado pela exigência do baixo custo todos os seus profissionais colaboradores é importar para o auditor são os resultados que e da qualidade. Contudo. por mais que tenhamos a subsidiá-lo no seu trabalho de avaliação. O aumento desejado da III. Não tardará o tempo de bases de dados oriundas de acordos de seja. que não? – ser entregues ao auditor. contribuem responsabilizar ou não determinado gestor) funcionamento tornam qualquer estratégia trazendo informações públicas sobre o de maneira muito simples. do pensar digital. máquina e processamento cognitivo ou quarta revolução industrial. cabe citar o DGI A necessidade de se moldar a essa nova de dados no poder público. cumprida. a gestão das informações e. uma honesta reflexão sobre seu somado ao aumento na quantidade das grande volume de informações pode ser papel enquanto parte de uma organização informações disponíveis (nem sempre de acessado por auditores de maneira muito que nunca estará suficientemente pronta. o principal objetivo é permitir que as em que até mesmo análises preliminares cooperação entre instituições da Administração informações sejam muito fáceis de usar e automáticas das evidências possam – por Pública Federal e o próprio TCU. E esses desejos da sociedade primordial para que os trabalhos de análise se obtém desses produtos e o quão confiáveis afloram e. próximo de zero. mas qualidade). de forma No intuito de se consolidar como uma O ponto é que. O recente estímulo à abertura No âmbito do TCU. Atualmente. Fiscalização e Controladoria. é hora dos de irregularidades obtidos diretamente dos repensar a maneira como a missão das produtos. já é possível plataforma aberta de dados públicos do Estado. plataforma colaborativa de fato. o Labcontas equipes qualificadas e dados a nossa O reconhecimento da importância também é utilizado por parceiros externos. além da interação entre profissionais de perfis de produção e consumo de informações de fornecer insumos relevantes durante a complementares. Afora os iniciativas tanto no âmbito das ações de mensagens eletrônicas automáticas contendo alarmismos de tempos em tempos. mas controle como na intenção de se transformar um apontamento de riscos sobre as licitações mantendo viva a capacidade de se inspirar em instrumento efetivo de gestão. tenham baixo custo.789/2016) e direta e que exemplifica o modo como um públicas. as exigências atuais jurisdição e de interesse mútuo dos parceiros Mesmo que as soluções utilizem algoritmos não nos parecem fornecer alternativas a não de controle (contratações de determinado complexos baseados em aprendizado de ser adentrar na realidade que se impõe da estado da federação. se o intuito é fomentar o da utilização plena das informações nas principalmente tribunais de contas estaduais ecossistema interno e externo de consumo instituições públicas de controle é um fato. uma mudança no modo de uso da maneira mais simples possível e a das informações internas e externas à planejar e executar os processos de trabalho.Opinião Os pilares da estratégia de análise de dados e consumo de informações no TCU // Opinião informações internalizadas a partir de dezenas um custo marginal. desafiadora. Contratos e Editais) produz e envia processos de trabalho do TCU. informações aspectos como os valores envolvidos e indícios local. que utilizam que resolvam o problema (seja planejar maturidade heterogênea das organizações e os softwares e as informações públicas da uma fiscalização ou ter insumos para o passivo de problemas que afeta o seu pleno plataforma e. sendo 20 TCEs. A parceiros. já existem 25 desses de informações. em contrapartida. de uma cooperação com o Ministério da constatar bons resultados oriundos da voltada à análise avançada de informações Transparência. são direcionados de dados e consumo de informação sejam eles são para cada propósito.

“mesmo” e “$”). navegação por árvore de classificação e utilização do Vocabulário de Controle Externo (VCE) para possibilitar a pesquisa por sinônimos.Na Jurisprudência Selecionada: pesquisa por referência legal. .Destaques Nova Pesquisa de Jurisprudência Mesmo padrão Pesquisa adotado pelos mais simples. “não”. “prox”. “adj”. índice e navegação pelo resultado.Novos recursos: histórico de pesquisa. Maio/Agosto 2016 17 .Operadores lógicos utilizados pelos tribunais superiores (“e”. .Pesquisa simultânea em todas as bases de dados de jurisprudência. “ou”. Tribunais Superiores rápida e precisa Destaque entre as principais mudanças: . . .Saneamento do conteúdo das bases.

gico de pesquisa e desenvolvimento ligado à NASA. Quadtree. 1. da União. Computação Gráfica e O Jet Propulsion Laboratory–JPL. um dos desdobramentos da realidade virtual.Artigos Fundamentos de uma auditoria em realidade misturada Aroldo Cedraz de Oliveira  RESUMO é presidente doTribunal de Contas da União. Frustum. transmitidas para Head-mounted Displays- Francisco Osório Ramos  HMDs. ces de uma nova modalidade de auditoria. ou óculos especiais de realidade misturada. Realidade em Física pela UnB. mestre National Aeronautics and Space Administration–NASA e do em MedicinaVeterinária pela Universidade Jet Propulsion Laboratory–JPL.Trata-se da missão Destination: Mars. são analisadas as técnicas Federal de Santa Maria/RS. ou auditoria em realidade controledaadministraçãonaeradigital”. misturada. que utiliza imagens de câmeras digitais no local de fiscalização. uma exibição interativa utilizando óculos de realidade misturada. Com de Auditoria de Nanjing (NAU) e ex. de Engenharia Elétrica jogo. Motor de Física da UnB.c. Renderização. um centro tecnoló- Arquitetura de Computadores. denominada É coordenador de edição da obra“O MRA–Mixed Reality Auditing. doutor em MedicinaVeterinária pela Com suporte em informações colhidas no site da Universität Hannover – Alemanha. 2016). aplicando-as à auditoria de obras públicas. base nesta reconstrução teórica. estabelecem-se os alicer- congressista por quatro legislaturas. em tempo real.) da Universidade NASA. INTRODUÇÃO ministrando as disciplinas Inteligência Artificial. Esta consiste em uma fiscalização remota. utiliza- é servidor do Tribunal de Contas dos por um observador situado em uma localidade distinta. Os visitantes 18 Revista do TCU 137 . além de de computação gráfica empregadas no projeto OnSight– Professor Honorário (h. da UNIP e do IESB e de Ciência da Computação do UniCEUB. Professor de misturada. um passeio dirigido em uma área do planeta Marte (JPL. co- meçou a oferecer ao público. formado em Engenharia Elétrica pela UnB. Fiscalização de obras. com mestrado Palavras-chave: Computação gráfica. a partir de março de 2016.

Em outras Setembro/Dezembro 2016 19 . 2016). podendo passear em torno de superfícies rochosas ou agachar-se para examinar formações geológicas de dife- rentes ângulos.. permitindo ao a figura 1 (CANON. O OnSight fornece aos cientistas um meio de planejar e. Fundamentos de uma auditoria em realidade misturada // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca podem percorrer vários locais de Marte. Os dados e imagens transmitidos diariamente pelo veículo Curiosity são captados na Terra por três antenas gigantes de 80m. Consiste em um A realidade virtual consiste em uma realidade mul- visor transparente montado na cabeça do observador. HMDS E REALIDADE DIGITAL HMD ou Head-mounted display é um dispositivo de vídeo usado sobre a cabeça como um capacete. 2016). como ilustra mundo real ou de um mundo imaginário. Figura 1: Destination: Mars é uma adaptação do projeto OnSi- Dispositivo de vídeo HMD ght. fones de ouvido e uma interface através da qual o usuário pode experimentar um ambiente de reali- dade virtual (MELZER. usuário interagir com este mundo específico. simulando a presença física em locais do olhe para fora de seu campo de visão normal. na Califórnia (Ibid. 2. contendo Fonte: CANON (2016) amplo visor. um jipe robô motorizado que explora a superfície do planeta vermelho desde agosto de 2012 (Ibid. conduzir operações em Marte. juntamente com o veículo Curiosity. reconstruídos a o campo de pesquisa da realidade virtual tem utilizado partir de imagens reais enviadas para a Terra pelo veículo HMDs como dispositivos essenciais de exibição visual. uma ferramenta de software para missões em Marte. 2016). 2011). MOFFITT. explorando o planeta diretamente de seus escritórios em Pasadena. Os cientistas são envolvidos pelas imagens captadas nas proximidades do veículo em Marte. de timídia imersiva ou simulada por computador que replica onde a informação é apresentada sem exigir que o usuário um ambiente. Desde os estudos pioneiros.. sendo utilizado um dispositivo de realidade misturada para transportar essas informações da superfície de Marte até um laboratório na Terra. Curiosity.

2016). 2016). é ge- rado um modelo 3D completamente novo por meio de algo- ritmos automáticos que constroem um modelo matemática e estatisticamente acurado da superfície analisada. Trata-se de uma sobreposição de conteúdo sin.. Todos os objetos que são visíveis a par- tir de um ponto em particular são pré-computados. reduzindo-se dessa forma. para cada imagem que chega ao HMD do observador. que codifica a diferença entre tempo real. tuem-se em óculos de realidade aumentada o Google Glass.. 2016). As informações detectadas a real. Contam-se entre os óculos inversamente proporcionais à profundidade da cena na de realidade misturada o HoloLens. play MD-10 e o Magic Leap. outra. de forma semelhante à visão humana binocular. são usadas para obter duas visões diferentes de uma Realidade misturada. al. como te físico do mundo real. a informação 3D como som. didade relativa pode ser obtida na forma de um mapa de onde objetos físicos e digitais coexistem e interagem em disparidade (disparity map). de híbrida. gráficos ou dados de GPS. Os valores neste mapa de disparidade são com ele interage (Ibid. 2016). Comparando a ou suplementados com entradas geradas por sensores. trata-se de um termo genérico. cena. SHUMAKER. da superfície visível e das fontes de luz). Ainda segundo Lackey e Shumaker (2016). tais cena a partir de dois pontos selecionados. consiste em uma fusão entre os mundos real Comparando estas duas imagens. a informação de profun- e virtual para produzir novos ambientes e visualizações. ligado a ele ou que nas imagens. consistindo em três etapas básicas: determinação da câmera virtual. Duas câmeras. sintético. HAINES. sendo imediatamente removidos todos os objetos não visíveis. afastadas horizontalmente uma da o Daqri Smart Helmet e o Moverio. o 3. São exemplos de óculos de realidade virtual o Oculus Rift. admite-se que as realidades virtu- os tipos de experiências imersivas. Trata-se de pode ser extraída a partir do exame das posições relativas uma sobreposição de conteúdo sintético sobre o mundo de objetos nos dois cenários. todos os objetos que se encontram fora do campo de visão do observador são removidos no pro- cesso de renderização (processo de gerar uma imagem a partir de um modelo 2D ou 3D por meio de processamento digital. também denominada realida. denomina- do correlação estereoscópica (COLANER. NÍVEL DE DETALHE E RENDERIZAÇÃO Gear VR. ou um híbrido de denominação mais genérica: realidade digital. Consti. conclui-se quão distante cada ponto se encontra e geram-se os mapas de alcance destas imagens. O conteúdo de mundo real e o de computação uma superfície livre. podendo ser representado por um volume espa- 20 Revista do TCU 137 . as coordenadas horizontais de pontos correspondentes tético sobre o mundo real do usuário. em que este conteúdo não é ligado a ele ou mesmo partir destas imagens estereoscópicas são lançadas sobre parte dele.. vídeo. 2008). Com a finalidade de acelerar o processamento das imagens tratadas.Artigos palavras. Observan- do duas imagens. localização correspondente dos pixels (Ibid. consiste na extração de informação 3D de imagens. Frustum é o campo de visão a partir do olho do ob- servador. ambos (LACKEY. o número de objetos que inter- ceptam o frustum (Ibid. e o Projeto Morpheus. da Samsung. encontrando as diferenças entre elas com auxílio de um mapa de disparidade e usando um modelo específico de câmera. aumentada e misturada podem ser reunidas sob uma te conteúdo do mundo real. Somente os pixels que são visíveis no frustum necessitam ser renderizados. -MÖLLER. 2008). aplicável a todos Modernamente. cujos elementos são aumentados aquelas obtidas por uma câmera digital. do Facebook. HOFFMAN. Utilizando a visão estereoscópica por computador. da Epson. criadas usando somen. criada com esta finalidade (AKENINE- gráfica não são capazes de interagir um com o outro. da Sony. realidade A visão estereoscópica por computador (stereovision) aumentada é uma visão direta ou indireta de um ambien. o Canon MREAL Dis.

o gerenciamento do nível de detalhe. processamento de imagens as exibe de forma consecutiva. O quadtree consiste em uma estrutura de dados Utiliza-se um frame rate de 60 fps (quadros por segundo). o que incrementa a velocidade quadtree. do 3D otimizadas e pré-calculadas. a superfície da Um motor para criação de jogos digitais como o cena é dividida em ladrilhos ou tiles de diferentes tama. e definem as distâncias mínima e máxima em que os ob- jetos de uma cena são visíveis para o observador (DUNN. visto que os óculos como quadtree (COLANER. Assume-se também que quaisquer quadrantes nuindo exponencialmente. cada nó sofre uma divisão em quatro de renderização. por exemplo. o reservatório sofre uma divisão. envolvido. A figura 2 ilustra a geometria do frustum. em árvore. Quando esta ca. 2004). Se nenhuma geometria de mundo interceptar um qua. A ilustração à das quando o objeto aparece mais distante. sendo cada uma delas pacidade é atingida. sendo chamados de frus. mostrando-se adequado para a interação do guindo uma divisão da superfície (espaço 2D) conhecida usuário com a realidade misturada. maps. Cada célula ou reserva. paço bidimensional (2D). organizar a geometria em tridimensional. a resolução vai dimi- árvore. disponíveis possuem uma interface com o referido motor. Qual. Unity gera o software para integração com o hardware 1 nhos. cada um com um determinado nível de detalhe. seu olhar mais para frente. para os tiles mais próximos do ob- drante. O motor de jogos Unity emprega a técnica de mip- regiões ou células adaptáveis. se. na qual cada nó interno possui exatamente Frame rate é a frequência (rate) com que um dispositivo de quatro filhos. em até 33% no Unity. então este quadrante não é subdividido. a resolução torna-se máxima. sendo utilizada para particionar um es. 2016). Dessa forma. 2002). Para tiles mais quer quadrante que não contém objetos é removido da distantes de seu campo de visão. mipmap pode melhorar o desempenho de processamento dente é organizada. Cada nó possui quatro sub-nós. de base e de topo. esquerdo. melhorando restantes são chamados planos frustum próximo e distante. usadas para amostras de alta densidade. Texturas mipmaps de alta resolução são sub-nós (LENGYEL. Fundamentos de uma auditoria em realidade misturada // Artigos cial imaginário contendo tudo o que é visível em uma cena Segundo Lengyel (2004). servador. Pode ser representado por uma pirâmide um quadtree traz o benefício de que sempre que um nó da truncada constituída por seis planos. Texturas de baixa resolução são usa- uma área contendo um único objeto. informação imediata de que todos os sub-nós daquele são tum direito. tem-se a correspondem aos lados da tela. as texturas de resolução menor Figura 2: Figura 3: Geometria do frustum Particionamento de um espaço 2D com quadtree Fonte: Dunn e Parberry (2002) Fonte: Lengyel (2004) Setembro/Dezembro 2016 21 . Quatro desses planos árvore puder ser determinado como não visível. A técnica de direita mostra como a estrutura de dados correspon. ou seja. O MOTOR DE JOGOS PARBERRY. que consistem em sequências de texturas do mun- tório possui uma capacidade máxima. Para gerenciar o nível de detalhe. Quando o observador dirige ausentes estão vazios. como objetos A figura 3 exibe um quadtree construído para próximos à câmera. uma superfície sendo estas chamadas de frames (quadros). 4. mediante subdivisão recursiva em quatro quadrantes. Os dois planos também não visíveis e podem ser eliminados. A uma representação em resolução progressivamente mais estrutura da árvore segue a decomposição espacial do baixa da mesma textura.

Artigos são sobrepostas às texturas de mais alta resolução. tomadas de outro ângulo ou mesmo de um exsudação em trecho de curva. a observação visual em MRA pode de- tectar os seguintes defeitos. escorregamento de aterros. auditores do TCU locação da obra (construção da estrutura na posição podem realizar fiscalizações de obras em locais dis. Assim. quanto na plataforma ferroviária e na via permanente: apodreci- A auditoria em realidade misturada consiste na mento. gestos e No que diz respeito às fiscalizações em obras comandos de voz. satélite orbital. dispositivos de drenagem danificados. em com MRA. Os sinais eletromagnéticos. ículo Curiosity podem ser combinadas com imagens de Para o caso de fiscalizações em obras rodoviá- satélites orbitando Marte no local de observação. nas estruturas de concreto armado ou protendido O auditor é. Pode ocorrer ainda des- te. os óculos de realidade ruptura e erosões de borda etc. Com até agachar-se para examinar detalhes de diferentes pers- esta técnica. na terraplenagem (escavação. desaparecimento de folga por câmeras digitais no local. se o observador clicar em algum tos. consegue percorrer a obra virtualmente e em tempo Quanto a fiscalizações de obras de edificações real. são transmitidos para entre eles. afundamen- Adicionalmente. o HMD do auditor que recebe as referidas imagens e bem como o seu desalinhamento. com zoom. além de várias posições e ângulos ou rachaduras. utilizando a estas exibem uma resolução que é constante na região Auditoria em Realidade Misturada–MRA. fratura ou excesso de furos em dormentes de realização de uma fiscalização em que o auditor não madeira. ocorrência de vazio ou bolsa de contração. tanto nas obras de terra- 5. Por seu turno. podem ser observados remotamente. AUDITORIA EM REALIDADE MISTURADA plenagem e de artes correntes e especiais. todas com poços de elevadores). na alvenaria de vedação (trincas elevado nível de detalhe. ferroviárias. locação diferentes. imagens locais captadas por câmeras do ve. na cobertura 22 Revista do TCU 137 . e corrosão ou flamba- está presente no local da obra. queima por patinação. misturada (HMDs) suportam olhar fixo (gaze). desgaste e fissuras em detalhe da imagem podem ser exibidas outras imagens revestimentos. portanto. podem ser verificadas irregularidades na uma sala na sede do TCU. utilização de tijolos danificados. remendo. transporte e tantes de Brasília sem abandonarem a sede na Capi. em outra localidade. aterro). os seguintes (COLANER. pectivas e reunir achados de auditoria. nas fundações (fissuras nos tubulões ou nas sa- tal Federal. por exemplo. locamento longitudinal dos trilhos (ou arrastamento). degradação. encontrando-se distan. já que rias. envolvido pelas múltiplas (incorreções nos prumos de cantos externos. mesmo estando a distância. patas). incorreta). relativos às imagens da superfície que são captadas desnivelamento nas juntas. pilares e imagens captadas nas proximidades da obra. defeitos na rodovia: formação de panelas. gem da via em trilhos de aço. podendo passear em torno dessa superfície ou das paredes e dos vãos das esquadrias). 2016).

gl/gvLN7H>. No âmbito internacional. Da mesma forma. Disponível em: bem como demais despesas concernentes. especialis- tas do mundo inteiro. Florida: CRC Press. 2016. porquanto suprime Development. Publishing. Massachusetts: A K Peters. Com as técnicas de auditoria em realidade misturada. 2011.Tom’s Hardware. April 7. sismólogos. 2016. 3D Math Primer for Graphics and Game trabalho é realizado até o momento. ou auditoria em realidade misturada. Head-mounted Displays: Designing for the User.. sem abandonar seus países.T. HOFFMAN. Graphics. Sight– NASA. <https://goo. bem como a seleção do HMD mais adequado e a consequente integração com LENGYEL. CANON. NewYork. Jet Propulsion nomia de tempo e recursos para viagens e hospedagens. incluindo o desenvol. E. Virtual. Texas: Wordware Publishing. de avanço no campo da fiscalização de obras públicas e ambiental. HAINES. com evidente eco. S. Fundamentos de uma auditoria em realidade misturada // Artigos (vazamentos. March 30. vimento do software necessário. 2004. AKENINE-MÖLLER. aplicando-as à auditoria de obras públicas. 2002. JPL. efetivando projeto conjunto na área de interesse 8th International Conference on Human-Computer Interaction.com>. South Carolina: Create Space Independent 1 Disponível em: <http://unity3d. 2016. MOFFITT. como quantidade de materiais. 1st ed.. Acesso em: 14 set. N. ou mesmo inicie projeto próprio. geólogos.. Inc. 2016. As bases lançadas no presente estudo servem como diretrizes para que o TCU realize parceria com a LACKEY. 2016. SHUMAKER. físicos e ambientalistas poderão acompanhar as ocorrências in loco. telhas quebradas. a auditoria de recursos provenientes de auxílios. 2016. Tribunal de Contas da União constitui-se em um gran. R. pode ser inserida uma régua virtual para medir a distância entre dois pontos da obra. MREAL Display MD-10. simplesmente encarando um alvo e utilizando controles baseados em gestos para selecionar os comandos na barra de menu. K. constitui-se em um tema recorrente no Interna- tional Journal of Government Auditing da INTOSAI.gl/RYrCrZ>. no caso de grandes desastres naturais.. simul- taneamente e em tempo real. denominada MRA – Mixed Reality Auditing. F. com impacto imenso na forma como este DUNN. inclinação do telhado e calhas). 3rd ed. qualidade dos mesmos e preços por unidade para serem conferidas com as constatações visuais das obras sob fiscalização. New York: Springer. S. California. Real-Time Rendering. J. I. Mathematics for 3D Game Programming & Computer o hardware a ser utilizado. E. 2016. as distâncias e a necessidade de viagens de especialistas aos locais de obras e desastres naturais. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS Este estudo teve como objetivo analisar as técni. cas de computação gráfica empregadas no projeto On. E. Setembro/Dezembro 2016 23 . PARBERRY.‘Mixed Reality’Technology Brings Mars to Earth.gl/wBeCih>. Com esteio nesta reconstrução teórica. Augmented and Mixed Reality: NASA. COLANER. bem como nos revestimentos (placas soltas). 6. Laboratory–NASA. Podem ser inseridas no software de realidade mis- turada todas as informações relativas aos projetos básico e executivo. Disponível em: <https:// -se os alicerces de uma nova modalidade de auditoria goo. 2008. Massachusetts: Charles River Media Group. estabeleceram. entre auditores de EFSs. Acesso em: 14 set. VR and AR go to Mars: Interview with NASA Scientists A criação deste novo conceito de auditoria pelo Jeff Norris and Alex Menzies. Disponível em: <https://goo. Acesso em: 14 set. NOTAS MELZER... 2nd ed.

Atualmente é professor e pesquisador da Universidade Católica de Brasília. mestre e bacharel em Ciência União. SOACP. nuvem cívica e aplicativos cívicos Monique Louise de Marcelo Pacote  Barros Monteiro  é servidor do Tribunal de Contas da é servidora do Tribunal de Contas da União. área de Tecnologia da Informação. mestre em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tecnólogo em Processamento de Dados pela Universidade de Brasília. mestre e bacharel em Ciência da Computação pela UnB. Possui 12 especialização em Desenvolvimento certificações profissionais: Big Data de Aplicativos Móveis pela Uniara. Big Data além de 17 certificações profissionais: Certified Professional. Autor de livro na Architect. CBDP. Certified Science Professional. RUPF. SCEA (I). ITILF e Oracle Master Java EE 5 Enterprise Oracle SQL Expert. MTS. doutor em Informática pelo Institut National Polytechnique de Grenoble . IRIP. SCJA. SOACC.Artigos Plataforma de serviços de dados abertos do TCU: crowdsourcing. Possui da Computação pela UFPE. CTFL. SCJP. Governance Specialist. SOA Certified SCJD. SOA Certified PMP. MSP. SCBCD.França. CSM. 24 Revista do TCU 137 . pós-doutor em Realidade Virtual pela Stanford University. PSM. CSD. Architect. SAFe Agilist. Remis Balaniuk  é servidor do Tribunal de Contas da União. SCWCD. SCJP e IBM OOAD. SOACP.

a regra geral consiste em classificar as in- grande utilidade tanto para a definição de indicadores formações de interesse coletivo produzidas ou custo- para serviços e políticas públicas como também para diadas pelo Estado como públicas. o Por. podemos está a Lei 12. prego (SINE). incluindo a percepção da sociedade com relação casos excepcionais. do dados abertos para maior transparência em relação às Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (rela- ações governamentais. O Tribunal de Contas da União (TCU) tem em Palavras-chave: aplicativos cívicos. tendo por base Dentre os fatores responsáveis por catalisar ini- seu uso por aplicativos cívicos. tivas à assistência social). às infor- mento. quando for imprescindível à segu- aos serviços a ela prestados. cidadão em diferentes localidades e esferas populacio. (SIASG/Comprasnet)3. nuvem cívica. desde o 1. ferramenta disponibi. No contexto desse conjunto de ações. Assim. citar as oportunidades de 1) centralização e disponibili. Como resultados espe. inclui dados relativos à execução orçamentária. do Sistema Nacional de Em- Atualmente. do Portal de Compras do Governo Federal tal Brasileiro de Dados Abertos . sancionada em 18 de novembro de 2011. web services. visando a assegurar aumentar o conhecimento a respeito dos anseios do o direito fundamental de acesso à informação. dados abertos de dados abertos por meio dos seus veículos de infor- mação. INTRODUÇÃO início de 2015. nuvem cívica e aplicativos cívicos // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca RESUMO lizada pelo governo para que todos possam encontrar e utilizar os dados e as informações públicas. seu planejamento ações para promover a divulgação crowdsoursing. o TCU tem internalizado bases de dados provenientes do Instituto Nacional de Estudos e Pesqui- Um tema recorrente na Administração Pública sas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). do Cadastro no Brasil e em outras nações é o compartilhamento de Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES)2. informações por meio de crowdsourcing. mações cartográficas e sobre unidades de atendimento. ciativas como o Portal Brasileiro de Dados Abertos1 rados da implementação dessa plataforma. rança da sociedade e do Estado. Plataforma de serviços de dados abertos do TCU: crowdsourcing. disponibilização e sustentação de uma plata. De acordo zação de dados abertos e 2) obtenção de contribuições e com as diretrizes fixadas pelo dispositivo legislativo percepções dos cidadãos. O portal Este artigo descreve o trabalho de desenvolvi. por exemplo. temos no Brasil. informações devem ser classificadas como sigilosas em nais. do Sistema Integrado de Admi- Setembro/Dezembro 2016 25 . Tais informações poderão ter em questão.527 – Lei de Acesso à Informação Pública. forma de exposição de dados abertos e de coleta de além de possuir indicadores e estatísticas diversas.

listar escolas de acordo com . externamente para a obtenção dos dados por meio de comumente têm um baixo valor informativo. utilizaremos neste artigo a denomina- dado governamental aberto em produtos de interesse e ção web service para nos referirmos a serviços disponíveis utilidade pública ou privada. Porém. (2012). Tais dificuldades limitam o potencial de operação. Outra premissa é que a plataforma 2. Tradicionalmente. miu como premissa a necessidade de oferecer aos de- dos são disponibilizados para a sociedade. CSV ou infraestrutura de armazenamento do TCU. apesar de sua utilidade. prontos para serem acessados tanto por usuários finais lhas com dezenas de milhares de linhas ou arquivos com como por aplicativos através de web services. Considerando que pacidade e disponibilidade para desenvolver aplicativos tais serviços de software podem ser implementados por e outros elementos tecnológicos que possam traduzir o meios diversos. bases citadas na introdução são persistidos em um ban- têm apresentado como característica principal a dis. de atuação no ecossistema de dados abertos que assu- Após a internalização das bases. Cada web service é responsável por agrupar e ex- bilizados é de difícil apropriação também pelos desen. admite o recebimento de parâ- uso de dados abertos pelos aplicativos cívicos. Tais opera- volvedores de tecnologias cívicas. a funcionalidade por meio de uma interface técnica publi- intervenção de pessoas. Erl et al. um namentais brutos são. “a partir de uma perspectiva geral. Cada precisam arcar. co relacional corporativo. por um conjunto de operações relacionadas. serviços na qual seus aplicativos possam acessar remota- A seguir. e outro. oferecidas tipicamente em formato bruto. com grande quantidade de registros (ex. Hypertext Transfer Protocol (HTTP) (FIELDING et periódico de transferência. já que essas bases ções podem ser acessadas por aplicações desenvolvidas de dados. na World Wide Web. portanto.listar estabelecimentos de acordo critérios parametrizáveis de consulta sobre estabelecimentos de saúde . al.: planilhas. eles estão HTML). além de protocolos padronizados.Artigos nistração Financeira do Governo Federal (SIAFI)4. ferramentas como o Portal Primeiramente. Tais protocolos incluem. dinamicamente.. Faz-se necessária. agrupando operações de consulta que se- serviços de nuvens) com os quais os desenvolvedores rão executadas sobre a base de dados persistida.listar avaliações para . por exem- Tal característica exige do desenvolvedor um trabalho plo. em geral. World Wide Web. metros que permitem filtrar. arquivos em formato XML.listar escolas por localização com critérios parametrizáveis .exibir detalhes de uma . por sua vez. dados eletrônicos gover. adequada e otimizada para processamento por sistemas de software clientes. operações em nível conceitual. Temos dois web services trutura de TI remota e disponível continuamente. 1999). A figura 1 mostra o conceito de web service e suas Também é requisito comum a necessidade de infraes. dentre outros. Um agrupa • Operações: • Operações: operações de consulta sobre escolas.exibir detalhes de um determinada escola estabelecimento 26 Revista do TCU 137 . de difícil compreensão serviço é um programa de software que disponibiliza sua para o cidadão comum.: contratação de nado “tema”. Grande parte dos conjuntos de dados disponi. entendimento. grupos e/ou empresas. por meio de senvolvedores de tecnologias cívicas uma plataforma de consulta por usuários finais ou por sistemas de software. com ca. os crité- Web service Web service “Escolas” “Estabelecimentos de saúde” Figura 1: Representação em alto nível de dois web services.listar estabelecimentos por determinada escola localização . cada. adequação e posterior disponibilização em aplicativos. denominada contrato do serviço”. é detalhada a metodologia adotada para esta mente dados tratados e atualizados de uma forma mais disponibilização dos chamados dados abertos. tratamento.: plani. Segundo centenas de megabytes). operações . os dados recebi. o TCU adotou um modelo Cadastro Nacional de Empresas (CNE)5. os dados recebidos a partir das Brasileiro de Dados Abertos. METODOLOGIA oferecida permita aos aplicativos armazenar os dados por eles gerados. do Ciente desse cenário. ponibilização das informações de forma estática e/ou Concluída a etapa de persistência dos dados na bruta (ex. de acordo com os padrões da serem disponibilizadas na forma de arquivos estáticos. o que representados e cada um deles responde por determi- implica em custos de hospedagem (ex.

dados retornados. proprietários. garantindo ampla interope. Em virtude principalmente das necessidades de Foram especificados e desenvolvidos conjuntos coletar feedback de cidadãos – prática conhecida mun- de web services para disponibilização dos seguintes gru. comumente encontrados em portais tradicionais de • Educação: informações de educação. sigla para mento para IOS). estabelecimentos de saúde. uma vez que é textual. utilizamos JSON – JavaScript Object âmbito de serviços públicos. Daqui em diante. desenvolvidos por alunos utilizassem os canais de informação fornecidos pelos da UCB. Além disso. utilizaremos o acrônimo API. de- Setembro/Dezembro 2016 27 . todos no pelas operações. profissionais. rabilidade e facilidade de manipulação por desenvol- vedores. incluindo dados abertos. Tal formato é compreensível por usuários finais. 3. nuvem cívica e aplicativos cívicos // Artigos rios de busca. que da Saúde” e “Nossa Escola”. • Assistência social: informações de centros de por ser semiestruturado. dialmente como crowdsourcing – os aplicativos foram pos de informações: desenvolvidos seguindo um modelo de rede social. los web services. binários ou de maior complexidade. Notation (ECMA. basicamente dados cadastrais dos estabelecimen- tos educacionais e de seus recursos. por meio de uma parceria entre o TCU Application Programming Interface. DESENVOLVIMENTO Denominaremos o conjunto de web services acima Os web services foram projetados inicialmente citados de “nuvem cívica”. e a Universidade Católica de Brasília (UCB)6. me- Com relação ao formato dos dados retornados dicamentos e serviços especializados. 2013). principalmente em comparação com formatos • Empregos: informações de postos do SINE. A parceria A API inicialmente proposta e disponibilizada em questão envolveu o desenvolvimento de aplicativos seguiu os requisitos esperados pelos aplicativos “Mapa cívicos por parte de alunos da referida universidade. é amplamente utilizado por referência e centros de referência especializada aplicativos para dispositivos móveis e outros tipos de de assistência social (respectivamente. definidas no contrato ou interface disponibilizado pe- PiD (Programa Educacional Brasileiro de Desenvolvi. bem como os atributos e a quantidade de • Saúde: informações de especialidades médicas. CRAS e sistemas computacionais. no contexto do Projeto BE. CREAS). web services desenvolvidos pelo TCU. para nos como ferramenta de apoio para o desenvolvimento de referirmos especificamente ao conjunto de operações aplicativos móveis cívicos. Plataforma de serviços de dados abertos do TCU: crowdsourcing.

das neces- usuários e de avaliações de serviços públicos por eles sidades e da percepção do cidadão. de saúde em um raio de localização. Esse conhecimento servirá futuramente como Adicionalmente. alterar e excluir in. sentido. aplicativos cívicos. fornecidas. listagem de especialida- Figura 2: Figura 3: Mapa da Saúde – busca de estabelecimentos de saúde em Mapa da Saúde – detalhe de um estabelecimento raio. grupos mento de projetos para sociedade. uma escola ou baseadas em aprendizado de máquina. surgiu o metamodelo para quando utilizado como uma prática de transparência. Como exemplo de aplicativo cívico. que possui recursos de busca por estabelecimentos cívico serão fontes inestimáveis de informação. exibição de dados ticular para a concepção de indicadores que permitirão detalhados de cada estabelecimento (incluindo. Assim. que pode ser. as figuras 2 a terminado pelo aplicativo em uso. de usuários. embora a descoberta de conhecimento a respeito do funciona. a existência de um cadastro de mento da máquina administrativa pública. notificações etc. é possível que usuários enviem avaliações. a depender do contexto de utilização de.Artigos mandando. não seja exibido nas capturas. desse ser adotado tanto para saúde pública como para Por fim. um hospital. em par. podendo gerar ideias novas para o desenvolvi- formações relacionadas a usuários. postagens. bem como para outras áreas de atuação do formato definido pelo próprio TCU facilita iniciativas Estado. um usuário pode avaliar análises mais simples até aplicações mais complexas um objeto. a coleta e o armazenamento dos dados em um educação. sob futuras de análise estatística e mineração de dados. para que o mesmo modelo pu. A partir daí. de entidades genéricas denomi. podendo incluir desde nadas aqui de objetos. hashtags. aplicativos. tan- a forma de postagens. to preditiva como prescritiva. O crowdsourcing. insumo no planejamento de ações de controle do TCU. 3 mostram capturas de tela do aplicativo Mapa da Saú- As massas de dados geradas pelo crowdsourcing de. exibidos em um mapa (visualização em modo satélite) Fonte: Elaboração própria Fonte: Elaboração própria 28 Revista do TCU 137 . portanto. incluir. permite que grandes quantidades de dados ganhem vices que permite consultar. um conjunto adicional de web ser. por exemplo.

Plataforma de serviços de dados abertos do TCU: crowdsourcing, nuvem cívica e aplicativos cívicos // Artigos

des médicas e quantitativo de profissionais por função) exemplo que “456” é o identificador da escola
e ainda uma funcionalidade para que o usuário avalie a interno à aplicação (ex.: chave em um banco de
qualidade do atendimento prestado. dados);

4. ASPECTOS TECNOLÓGICOS • POST <http://contas.tcu.gov.br/appCivi-
coRS/pessoas> {“nome”:”José da Silva”,
A nuvem cívica foi desenvolvida segundo o estilo “email”: “josedasilva@tcu.gov.br”, “dataNas-
REST – sigla para Representational State Transfer (FIEL- cimento”:“12/12/1950”}: cadastra um novo
DING, 2000). REST engloba um estilo arquitetônico usuário, enviando suas informações no corpo
para a construção de aplicações e APIs e, grosso modo, da mensagem;
provê um mecanismo no qual, no contexto dos web ser-
vices aqui referenciados, cada operação de um web service • PUT <http://contas.tcu.gov.br/appCivicoRS/
pode ser representada da seguinte forma: pessoas/789> {“nome”:”José da Silva”, “email”:
“novoemail@tcu.gov.br”, “dataNascimen-
Método HTTP (GET | POST | PUT | DELETE) + URI (Uniform Resource Identifier) to”:“12/12/1950”}: atualiza os dados de um
usuário existente, enviando suas informações
no corpo da mensagem.
Cada um dos métodos acima representa um
dos possíveis métodos ou operações suportados pelo A API é documentada no formato Swagger7. Tal
protocolo HTTP, a serem executados sobre um recur- formato permite não apenas a visualização do contrato
so identificado por uma URI. Os métodos possuem a da nuvem cívica (operações suportadas, formatos das
seguinte semântica, resumidamente: URIs, formato dos dados trafegados, parâmetros para
cada operação) como também o teste das funcionali-
• GET: Utilizado para recuperar informações (ex.: dades. Além disso, a documentação é gerada dinami-
operações de consulta); camente, sendo atualizada a cada mudança no contrato
da API.
• POST: Utilizado para criar novos recursos (ex.: As figuras 4 a 6 ilustram os contratos da API do
cadastrar novo usuário); metamodelo para aplicativos cívicos e sua visualização
por meio da interface Swagger. As outras APIs – saúde,
• PUT: Utilizado para atualizar recursos (ex.: atua- educação, assistência social e empregos – possuem in-
lizar dados cadastrais de um usuário já existente); terfaces de documentação semelhantes.

• DELETE: Utilizado para excluir recursos (ex.: ex- 5. CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS FUTURAS
cluir um usuário).
Os aplicativos Mapa da Saúde, Nossa Escola,
Exemplos de chamadas a operações da API que Meu Remédio, Mami e Vacin App constituem exem-
podem ser executadas por aplicativos: plos reais de aplicações desenvolvidas tendo por base
a API disponibilizada. Estão disponíveis nas lojas App
• GET <http://contas.tcu.gov.br/nossaEscolaRS/ Store e Google Play.
escolas/123>: recupera as informações da esco- Em 2016, o TCU promoveu mais uma oportuni-
la identificada externamente pela URL <http:// dade de validar o modelo para aplicativos cívicos aqui
contas.tcu.gov.br/nossaEscolaRS/escolas/123>. descrito: o Desafio de Aplicativos Cívicos8. Trata-se
Considera-se neste exemplo que “123” é o iden- de uma hackathon para que desenvolvedores externos
tificador da escola interno à aplicação (ex.: chave inscrevam aplicativos que façam uso dos web services
em um banco de dados); disponibilizados.
Na época em que este artigo foi escrito, o concurso
• DELETE <http://contas.tcu.gov.br/appCivicoRS/ estava em andamento, com cerca de noventa aplicativos
pessoas/456>: excluir o usuário identificado ex- inscritos. Ao longo do Desafio, mantivemos um canal
ternamente pela URI <http://contas.tcu.gov.br/ aberto diretamente com os desenvolvedores, através de
appCivicoRS/pessoas/456>. Considera-se neste caixa postal institucional e de um site no GitHub9. Por

Setembro/Dezembro 2016 29

Artigos

meio desse canal, recebemos mais de quarenta sugestões Embora tenha sido proposta e implementada pelo
de ajustes e extensões às operações disponibilizadas pela TCU, a plataforma de web services disponibilizada está
API. A maioria das sugestões foram implementadas, e aberta a contribuições e parcerias. Seu sucesso depende-
algumas encontram-se na lista de melhorias a serem im- rá da convergência de esforços e ideias na construção de
plementadas na próxima versão da API. soluções inovadores e úteis ao cidadão. Se bem-sucedida,

Figura 4:
Exemplo de listagem de web services (metamodelo para aplicativos cívicos)

Fonte: Elaboração própria

Figura 5:
Exemplo de listagem de operações de um web service

Fonte: Elaboração própria

30 Revista do TCU 137

Plataforma de serviços de dados abertos do TCU: crowdsourcing, nuvem cívica e aplicativos cívicos // Artigos

Figura 6:
Exemplo de detalhamento de contrato de uma operação

Fonte: Elaboração própria

trará resultados que poderão contribuir para a melhoria REFERÊNCIAS
dos serviços e políticas públicas, provendo novos serviços
e recursos para a sociedade como um todo. BOOTH, D. et al. (Eds.). W3C. Web Services Architecture.
February 2004. Seção 1.4. Disponível em: <https://www.
NOTAS w3.org/TR/ws-arch/#whatis>. Acesso em: 10 out. 2016.

1 Disponível em: <http://dados.gov.br>. Acesso em: 10 out. 2016. BRASIL. Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. Dispõe
sobre os procedimentos a serem observados pela União,
2 Disponível em: <http://dados.gov.br/dataset/cnes>. Acesso Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir
em: 10 out. 2016. o acesso a informações, e dá outras providências. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 18 nov. 2011. Edição extra.
3 Disponível em: <http://www.comprasgovernamentais.gov.br/
acesso-aos-sistemas/comprasnet-siasg>. Acesso em: 10 out. 2016. ECMA. The JSON Data Interchange Format. Geneva, out. 2013.
Disponível em: <http://www.ecma-international.org/publications/
4 Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/siafi>. files/ECMA-ST/ECMA-404.pdf>. Acesso em: 10 out. 2016.
Acesso em: 10 out. 2016.
ERL, T. et al. SOA with REST: Principles, Patterns & Constraints
5 Disponível em: <http://cne.smpe.gov.br/>. Acesso em: 10 out. for Building Enterprise Solutions with REST. New Jersey:
2016. Prentice Hall, 2012. p. 24.

6 Disponível em: <http://www.bepiducb.com.br/index.html>. FIELDING, R. T. Architectural styles and the design of network-
Acesso em: 10 out. 2016. based software architectures. 2000. Dissertation submitted
in partial satisfaction of the requirements for the degree of
7 Disponível em: <http://swagger.io/>. Acesso em: 10 out. 2016. Doctor of Philosophy in Information and Computer Science.
University of California, Irvine, 2000.
8 Disponível em: <http://portal.tcu.gov.br/desafio-aplicativos-
civicos/>. Acesso em: 10 out. 2016. FIELDING, R. et al. Hypertext Transfer Protocol – HTTP/1.1.
Junho 1999. Disponível em: <https://www.w3.org/Protocols/
9 Disponível em: <https://github.com/>. Acesso em: 10 out. 2016. rfc2616/rfc2616.txt>. Acesso em: 10 out. 2016.

Setembro/Dezembro 2016 31

de modo que os resultados sejam 32 Revista do TCU 137 . INTRODUÇÃO A recuperação da informação (RI) é um campo de interesse comum da ciência da computação e da ciência da informação que se preocupa em desenvolver e estudar os aspectos relativos a eficiência e eficácia das buscas em um sistema de informação. Tesauros são ferramentas da linguagem Gomes  artificial em um domínio específico. as técnicas de base sintática têm sido suplanta- Biblioteconomia e Documentação das pela crescente exploração das técnicas de recupe- pela UnB. como a Arquitetura e Organização da marcação semântica dos dados. bacharel em apresenta a aplicação do tesauro do TCU. em alguns sistemas pela UnB. mântica. formados por um é servidora do Tribunal de sistema de conceitos relacionados entre si. bacharel em (SRI). utilizada na web se- Informação pela UFMG. com especialização ração semântica. Recuperação da in- Empresarial pela PUC/Paraná. Tesauro. O tesauro também apresenta-se como um componente semântico que impacta no desempe- Beatriz Pinheiro de Melo nho dos SRI. com especialização de informação corporativos. Algumas tec- pelo Instituto Blaise Pascal e nologias têm contribuído para essa realidade. formação. que possibilitam a compreensão dos em Gestão do Conhecimento conceitos em seu contexto e finalidade.Artigos A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo Márcia Martins de Araújo RESUMO Altounian  é servidora do Tribunal de Nos sistemas de recuperação da informação Contas da União. o processamento de linguagem natural e as redes neurais. em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inteligência Palavras-chave: Semântica. denominado Biblioteconomia e Documentação Vocabulário de Controle Externo. Este artigo Contas da União. 1.

A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo // Artigos

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coerentes com sua expressão de busca e, sobretudo, rele- do conhecimento e objetivam solucionar problemas de
vantes para o usuário do sistema. ambiguidade inerentes às palavras usadas cotidianamente.
Efetuar buscas em grandes repositórios de informa- O Vocabulário de Controle Externo, tesauro do
ções não estruturadas e não padronizadas torna-se uma TCU, foi desenvolvido com o objetivo de padronizar o
tarefa árdua, levando muitas vezes a ambiguidades, a con- tratamento de conteúdos especializados e contribuir com
teúdos fora de contexto e até mesmo a não recuperação da a recuperação semântica no contexto do controle externo,
informação desejada. As ferramentas de busca, ao fazerem além de conferir maior agilidade e precisão às pesquisas nos
uso da linguagem natural, necessitam de conhecimento sistemas de informação do Tribunal.
sobre o significado das expressões utilizadas e das relações
entre elas, o que possibilita contextualização e tratamen- 2. SEMÂNTICA
to de fenômenos linguísticos que afetam a qualidade da
recuperação. O termo “semântica”, tradicionalmente estudado
Para o processo de classificação e recuperação de in- na linguística e na filosofia, vem sendo amplamente usa-
formação, vários métodos automáticos vêm sendo desen- do nas mais variadas áreas de atuação, especialmente nas
volvidos com o objetivo de obter respostas relevantes para relacionadas à tecnologia da informação. A chamada web
qualquer pesquisa realizada. Até o momento, a maioria de- semântica (WS), que tem origem na expansão da web e nas
les baseia-se em aspectos sintáticos e estatísticos, levando limitações dos instrumentos de busca baseados em sintaxe,
em consideração frequência e distribuição de palavras pre- é certamente um dos motivos para essa associação.
sentes em documentos. Por se basear nos aspectos sintáticos Mas o que é semântica? A palavra tem origem no
da informação, a classificação realizada por esses métodos termo grego semantiké, e muitas acepções podem ser encon-
ainda está muito distante, em termos de qualidade, da reali- tradas de acordo com a perspectiva utilizada, pois há, entre
zada com base na indexação dos assuntos dos documentos outras vertentes, semântica textual, cognitiva, lexical, formal
feita por especialistas. e argumentativa. Em geral, todas convergem num mesmo
Recentemente, vêm sendo explorados novos méto- ponto: estudam significado, ou significação. A ampla varie-
dos de classificação automática de documentos baseados dade de possibilidades atesta que o estudo do significado
em aspectos semânticos da linguagem que se referem ao pode ser feito de vários ângulos.
significado dos termos em seu contexto e finalidade. Uma Três propriedades básicas destacam-se na semân-
dessas iniciativas consiste no uso de instrumentos de repre- tica – são elas a sinonímia, a antonímia e a polissemia. A
sentação de relacionamentos semânticos e conceituais como sinonímia é a divisão da semântica que estuda a relação en-
os tesauros, que se caracterizam por representar domínio tre expressões linguísticas que têm o mesmo sentido. Por

Setembro/Dezembro 2016 33

Artigos

exemplo, “garota” e “menina” são palavras substantivas que as particularidades de palavras que, ao contrário, têm grafia
possuem um mesmo significado, remetendo à figura de uma e pronúncia semelhantes, mas significados diferentes – são
jovem; assim também acontece com verbos como “renun- exemplos: eminente/iminente e absolver/absorver.
ciar”, “recusar” e “rejeitar”, que transmitem a ideia de repul- Finalmente, a semântica estuda ainda as proprie-
sa. Ressaltando-se a rara ocorrência de sinonímia perfeita, dades de denotação e conotação das palavras. Denotação
pode-se afirmar que sinonímia é a relação entre palavras é a propriedade que uma palavra tem de limitar-se ao seu
e expressões que possuem sentido e significado comuns. próprio conceito – por exemplo, o termo “estrelas” em “as
Se por um lado a sinonímia estuda as palavras com sig- estrelas do céu”. Conotação é a propriedade que uma pala-
nificados semelhantes na língua, a antonímia trata do estudo vra tem de ampliar-se no seu campo semântico, dentro de
das palavras que indicam sentidos opostos. Na mesma linha um contexto, gerando várias possibilidades interpretativas
do exemplo anterior, podemos citar os substantivos “garota” – por exemplo, o mesmo termo “estrelas” em “as estrelas
e “senhora”, bem como os verbos “renunciar” e “aceitar” – do cinema”.
tratam-se todos de termos com significação oposta. Quando transportamos os conceitos aqui explorados
Também é possível que uma mesma palavra assu- para o que hoje conhecemos como WS, fica fácil perceber
ma significados diferentes –nesse caso, o contexto em que que estamos falando de promover melhorias nos proces-
estiver inserida ditará o seu sentido. Um bom exemplo do sos de representação e recuperação da informação na web.
cotidiano é a palavra “manga”, da qual rapidamente pode- Desde 1990, a web é caracterizada por usar linguagens de
mos pensar em duas acepções bastante diferentes: uma fruta marcação que objetivam a apresentação e a leitura por pes-
e uma parte de peça do vestuário. Esse é um exemplo co- soas e por mecanismos de busca baseados em algoritmos
mum de polissemia, termo que, formado pelo prefixo “poli” com orientação à sintaxe. O uso da semântica pode ampliar
(“muitos”) e pelo sufixo “semos” (“significados”), é a parte a possibilidade de associações dos documentos a seus sig-
da semântica que estuda as significações que uma palavra nificados por meio de metadados descritivos. Portanto, a
assume em determinado contexto linguístico. questão do significado na semântica é fundamental à WS.
Há ainda outras duas propriedades semânticas, na Das diversas linhas de estudo relacionadas à semân-
mesma linha de estudo da significação, que merecem ser tica, a da semântica formal parece ser a mais pertinente à tec-
citadas: a homonímia e a paronímia. A homonímia estuda nologia da informação. Três aspectos principais permeiam
a relação de duas ou mais palavras que, apesar de terem os estudos sobre semântica formal:
significados diferentes, têm a mesma forma e o mesmo
som – é o caso de termos como concerto/conserto e rio/rio 1. O princípio da composicionalidade, que estabe-
(substantivo/verbo), entre tantos outros. A paronímia estuda lece que o significado das sentenças depende do

34 Revista do TCU 137

A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo // Artigos

significado das palavras que as compõem – ou seja,
o significado do todo é função do significado das par-
tes e da combinação sintática entre elas. Para saber o
significado de uma sentença, é necessário conhecer o
significado das suas partes, bem como as regras que
definem sua combinação.

2. A condição de verdade, que determina as condições
em que tal sentença é verdadeira. Nesse contexto,
saber o significado de uma sentença equivale a co-
nhecer suas condições verdade, o que não é o mesmo
que saber o seu valor verdade, ou seja, se o fato é
verdadeiro ou falso.

3. Os modelos em semântica, em que são construídos
sistemas simples, em relação aos sistemas comple-
xos que se desejam estudar. Constrói-se uma teoria
lógica para o modelo e, se os resultados forem razoa-
velmente positivos em relação ao sistema complexo,
diz-se que o sistema simples é um bom modelo; caso • indexação tradicional, em que se determinam os ter-
contrário, ele é abandonado. mos descritivos ou caracterizadores dos documentos;

A semântica formal considera ainda o fato de que • indexação full-text (ou indexação do texto todo), em
as línguas naturais são utilizadas para falar sobre objetos, que todos os termos que compõem o documento
indivíduos, fatos, eventos e propriedades, descritos como fazem parte do índice;
externos à própria língua – assim, a referencialidade é um de
seus aspectos fundamentais. Por essa razão, na semântica • indexação por tags (por partes do texto), em que ape-
formal o significado é entendido, por um lado, como uma nas algumas partes do texto são escolhidas para gerar
relação com a linguagem, e, por outro, com aquilo sobre o as entradas no índice (somente as consideradas mais
que a linguagem fala. importantes ou mais caracterizadoras).
A semântica formal procura responder às seguin-
tes perguntas: o que representam ou denotam as ex- As buscas são geralmente feitas através de termos
pressões linguísticas?, como calculamos o significado fornecidos pelo usuário ou escolhidos por ele entre alguns
de expressões complexas a partir dos significados de apresentados. Esses termos podem significar o assunto ou
suas partes? classe a que pertencem os documentos desejados (na inde-
xação tradicional) ou os termos que devem estar presentes
3. RECUPERAÇÃO SEMÂNTICA nos documentos desejados (nas indexações full-text e por
DA INFORMAÇÃO tags).
Nos sistemas convencionais de busca, as técnicas
Os sistemas de recuperação de informação (SRI) utilizadas são de base sintática. Entretanto, quando a busca
procuram representar o conteúdo dos documentos e apre- do usuário envolve informação cuja relevância não pode
sentá-los ao usuário de maneira a atender rapidamente sua ser dada por palavras-chave, esse modelo não satisfaz. Ob-
necessidade de informação. serva-se, portanto, a crescente exploração das informações
Para tanto, a RI pesquisa técnicas para tratamen- semânticas, o que possibilita compreensão dos conceitos
to, organização e busca de conteúdos a partir do uso de em seu contexto e finalidade.
padrões. As ferramentas de RI, geralmente, trabalham A marcação semântica dos dados na origem é um
com técnicas de indexação capazes de indicar e aces- exemplo das novas tecnologias utilizadas para a RI. A WS
sar rapidamente documentos de um banco de dados tem-se utilizado dessa estratégia para implementar padrões
textual. de metadados que adicionem aos dados informações signifi-
Existem três tipos principais de indexação: cativas sobre seus contextos, marcando-os semanticamente.

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(PLN) que permitam a construção de algoritmos para a Um componente semântico que impacta o desem- busca de informação relevante em grande quantidade penho de um SRI é o tesauro. aferição de contextos. cialistas para representar através de conceitos o conteúdo cimentos básicos sobre propriedades da linguagem e informacional. são uma representação ca fundamentos da linguística e da ciência da informação que têm muitas características comuns à memória huma- para ampliar o universo de informações recuperadas e a na: podem lidar com informação incompleta ou distorcida. As redes neurais. sitam de dados que representam o conhecimento sobre Silveira e Ribeiro-Neto (2004) estudam o uso au- a linguagem e as associações de senso comum entre os tomático de tesauro para melhorar resultados de buscas conceitos lexicais e suas propriedades. os modelos computacionais neces. utilizado para encontrar conceitos entre conceitos. e é essa vinculação que forma a estrutura do tesauro. essenciais em mânticos e conceituais. conceitos e unidades de utilizados em um SRI na web foram comparados aos con- conhecimento – e contém informações sobre as relações ceitos de um tesauro. Em e verificada por humanos. baseado no contexto. Cada conceito relacionado foi interpretado mentos conectados uns com outros por diferentes tipos de forma independente e processado separadamente. Essas funções possibilitam várias apli- e de ferramentas de representação de relacionamentos se. Métodos artificial de um domínio conhecido. cações na RI guardada na memória humana. A memória semântica trabalha experimento realizado pelos autores. Desse de um sistema de conceitos que se relacionam entre si e são contexto emerge a ideia de memória semântica. momento da RI. por meio do uso de estruturas da permitem generalizações automáticas e exibem conteúdo linguagem natural. tão combinado em uma rede bayesiana1. como os sintagmas verbais e nominais. Atualmente. pois essa tarefa somente pode ser produzida tem sido estudado para a RI em domínios específicos. para permitir um 36 Revista do TCU 137 . isso é na web. especificando as relações entre eles. e são essas aplicações que se pretendem Técnicas de processamento de linguagem natural reproduzir no ambiente computacional. tem sido objeto de teorias psicolinguísticas e é uma fonte Cada termo tem obrigatoriamente vinculação com rica para desenvolvimento de modelos computacionais outro. da indexação e devem ser disponibilizados ao usuário no Além dos algoritmos. formando uma rede conceitual de ele. e en- de associações. por meio de ranking baseado em conceitos que muito difícil.Artigos A exploração da semântica intrínseca dos dados bus. os termos de busca com um léxico mental – ou seja. que pretendem se aproximar dos processos mentais usa. por sua vez. construído por espe- eficientes de PLN devem fundamentar-se em conhe. Trata-se principalmente sobre a semântica dos conceitos. Os termos são utilizados pelos indexadores no momento dos pelo cérebro humano na compreensão da linguagem. contextos precisos. ferramenta da linguagem de documentos estão em crescente demanda. relacionados. tema que representados por termos.

de ho- cionam seus termos por meio de algum tipo de relação de mografia. modo que os relacionamentos de equivalência. simples ou compostos – encontram-se relacionados entre si sintática e semanticamente”. que a utilização de um tesauro específico para “tesauro” na literatura de sua área. intitulado Thesaurus of English words and phrases. onde os elementos linguísticos que 4. propõe a visão de que os tesauros melhoram tanto a revo. 167) o define como “vocabulário o termo “tesauros” se origina do grego thesaurós e significa de termos. do escritor. baseado em conceitos. entre pbell Vickery apresentou quatro significados para o termo outras coisas. Roget define seu dicionário cadores de relacionamento padronizados empregados como uma “classificação de ideias” e explica que. de hierarquia. normalizada. pós-coordenada. ganização Nacional de Padrões de Informação especifica: co. usada com fins documentários. que representam os conceitos menores”. 88) define tesauro como “uma lin- cação como a precisão em um SRI. 2004). específicos. O objetivo era verificar temente dos outros. 1980 apud MOREIRA. As finalidades primordiais de um te- Setembro/Dezembro 2016 37 . em Londres. o cientista da informação Brian Cam- termo relacionado e sinônimo. média da precisão dos resultados das buscas e. TESAURO a compõem – termos. Os autores verificaram. porém o dicionário de Roget se diferenciava dos outros por ser um vocabulário organizado de acordo com seu sig. que nada mais é do que uma seleção de termos. Currás (1995. dicionário ou léxi. diferen. sem que. ALVARENGA. p. ção: palavra chave. guagem especializada. OLIVEIRA. De acordo com Moreira. que cada palavra é seguida de outras relacionadas a ela (VI- O experimento demonstrou o aumento de 30% na CKERY. termo específico. e não por ordem alfabética. geral. sejam indicados claramente e identificados por indi- Em sua introdução. de maior abrangência. em desempenho das buscas. Tristão (2004. Alvarenga e Oliveira (2004). termo geral. No estudo foram utilizadas seis fontes de informa. reciprocamente. tesouro ou repositório. A Or- O termo também designa vocabulário. conceito. 1996). Nos anos 1960. A obra teve o mérito zado em uma ordem preestabelecida e estruturado de de estabelecer a denominação para vocabulários que rela. Esse termo surgiu com a publicação baseados em análise de conceitos. portanto. na qual se define o termo do dicionário analógico de Peter Mark Roget. sendo que o significado um domínio específico é fundamental para a melhoria do mais comum é o de uma lista alfabética de palavras. e sua relação com termos mais em 1852. A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo // Artigos ranking final. de início. e de associação entre termos significado. p. Um tesauro é um vocabulário controlado organi- nificado. ele saiba qual é ela (GOMES. o seu permite que se chegue à palavra se a informação acrescida de conceito aumentaria a média mais adequada ou à que melhor se ajuste às necessidades da precisão dos resultados da busca.

o ANSI/NISO Z39. foi e deve-se indicar qual o termo adequado para representar 38 Revista do TCU 137 .19. e bibliotecário indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan – Segundo Café e Bräscher (2011). dos tesauros compreende três tipos principais de relações cípios terminológicos. semânticas para relacionar os termos: a hierarquia. usada na volvimento ocorrido a partir do cabeçalho de assuntos para indexação e na RI em sistemas de informação. agregando princípios terminoló- mentos escritos ou registrados de outra forma e outros gicos relacionados ao conteúdo conceitual e à sua definição. e dos pesquisadores a uma linguagem controlada. bém por usuários da informação no momento da busca de ria da Classificação Facetada. nos tesauros as “re- ampliou as categorias de personalidade. 2003 apud SALES. presente em um tesauro pode ser caracterizado de manei- sunto. Nas relações hierárquicas os termos são organizados tema. CAFÉ. 2008). construção de tesauros baseia-se em duas vertentes. em gênero/espécie. Conjuntamente. mas tam- ra. que permitiu melhor posicionamento do ciam determinados tipos de relacionamentos”. que os tesauros não são utilizados somente pelos especia- Silva (2008) afirma que na mesma época. as quais de classificação. a ame. Para Campos e Gomes (2006). de em um tesauro: o conceito representado por um termo.Artigos sauro são (a) facilitar a recuperação dos documentos lançada no final da década de 1970 pela cientista da infor- e (b) alcançar a consistência na indexação dos docu. Bräscher (2010) aponta como função dos tesauros a ricana e a europeia. a Teoria do Conceito e alguns prin. Um termo conceito no sistema de conceitos em uma dada área de as. o Classification Research Group (CRG) – a partir da Teo. de 2003. ressalta sistemas pós-coordenados. voltada para o referente nímia. a evolução na definições para o posicionamento do conceito no sistema. na Inglater. As relações de equivalência são de sino- A citada Teoria do Conceito. Moreira (2003) aponta como inovação o uso de Conforme Campos e Gomes (2006). tipos. para a determinação do que se entenderia por menor unida- (ANSI/NISO Z39. listas da informação no momento da indexação. dos indexadores Unidos a partir da década de 1950 foram fruto do desen. além de defini-lo. as relações entre os conceitos e seu posicionamento no sis. há termos sinônimos presentes no tesauro e originalmente chamada Teoria Analítica do Conceito. ou seja.19. Conforme o unitermo. essa é uma teoria consolidada to e de recuperação de informação pós-coordenados. matéria. mação Ingetraut Dahlberg. ras diferentes dependendo do assunto em questão e tam- também embasaram os tesauros terminológicos a Teoria da bém do tipo de sistema que se deseja construir. passando de um sistema pré coordenado para Sales e Café (2008). a equi- rísticas do conceito um elemento essencial para evidenciar valência e a associação. Além disso. dando origem a uma técnica denominada permitem identificar diferenças e semelhanças que eviden- Thesaurofacet. Esses instrumentos têm nas caracte. principalmente para sistemas de armazenamen. desenvolvida pelo matemático documentos. lações semânticas são estabelecidas por meio da análise espaço e tempo (PMEST) e desenvolveu diversas tabelas das características ou propriedades dos conceitos. A estrutura Classificação Facetada. Os tesauros elaborados nos Estados tradução da linguagem dos documentos. energia. por meio do uso de suas categorias.

para efeito histórico. A do vocabulário. nomes alternativos. Bem além de uma lista hierarquizada de palavras. tipo ou espécie. VOCABULÁRIO DE CONTROLE EXTERNO No VCE. acompanhadas relações é apresentar os descritores em seu contexto por definições e sinônimos. 5. dade (possibilidade de que uma comunicação linguísti- ca se preste a mais de uma interpretação) e de polissemia • Relação associativa: reunião de conceitos afins que (possibilidade de que uma palavra comporte mais de um merecem estar relacionados. O inter-relacionamento dos conceitos no VCE o VCE é composto de três partes distintas. A primeira é formada por palavras chave. apresentam associações entre os termos. As relações de associação. sem especi. representa o gênero de que o termo subordinado é Nos tesauros são tratados ainda casos de ambigui. foi lançado em 2015 e objetiva lacionamento determinado pelo significado do termo. re- valência. correspondente à semântico. a segunda. cada termo corresponde a um conceito. mas inter-re- foi expresso por meio de relações de três tipos: de equi. O tesauro do TCU. me os graus ou os níveis de superordenação e de ficar qual tipo de relação propriamente existe – são apenas subordinação dos termos. O objetivo das lativas às áreas de atuação do Tribunal. As ser instrumento de controle terminológico que possibilite relações entre termos ajudam a compreender os conceitos padronização no tratamento técnico e maior precisão na específicos de controle externo e de áreas correlatas que recuperação dos conteúdos presentes nos sistemas de in. gados por relacionamentos de equivalência nem de hierarquia. Setembro/Dezembro 2016 39 . A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo // Artigos determinado conceito. como representando um mesmo terceira parte contempla a toponímia nacional formada conceito. mas que não estão li- significado). traz informações como ou quase sinônimos são considerados. clientela do TCU e às Entidades de Fiscalização Superiores (EFS) associadas à Organização Internacional de Entidades • Relação de equivalência: se termos sinônimos Fiscalizadoras Superiores (Intosai). lacionadas. hierárquicas e associativas. por sua • Relação hierárquica: relacionamento que expri- vez. sendo o re- Controle Externo (VCE). nicípios brasileiros. um deles é escolhido como descritor e os pelas regiões. compõem o tesauro. unidades federativas e mu- demais são proibidos. formação do TCU. mesorregiões. o termo superordenado termos que se relacionam de alguma forma. CNPJ e instituições afins. denominado Vocabulário de e todos os termos possuem relacionamentos.

com a permitir o acesso à cultura organizacional e a subsidiar a o sistema corporativo de busca e com outros sistemas do informação transformada em conhecimento. o VCE agrega ao sistema tados: é possível permitir o livre acesso a documentos de a funcionalidade de sugestão de assuntos correlatos a ser caráter público. periódicos. do ponto de vista jurisprudencial. As premissas adotadas para que um depósito de documentos. A ferramenta permite que sejam precisão na recuperação dos enunciados. biente é possível encontrar livros. no mesmo am- representam precedentes jurisprudenciais. Além disso. informações que possam gerar novos conhecimentos. cartilhas. por meio de publicações colaboradores. As teses jurisprudenciais relevantes são representa. mam servir de fonte oficial de informação aos parceiros e damentaram acórdãos do TCU. trabalhos acadêmicos. da base de dados da No TCU. expedientes e normativos. é integrado com o portal do TCU. Além disso.Artigos 6. o processo decisório. que fun. determinada questão. para pesquisas e consultas. contratos. além de imagens diversas e A adoção da indexação pelo e-Juris permite maior outros tipos de recursos. uma vez que a ferramenta é estruturada em um sistema de conceitos inter-relacionados por hierarquia.2 BIBLIOTECA DIGITAL DO PORTAL DO TCU do e-TCU. tratar e disseminar e sem integração. cessos. a biblioteca digital permite a inserção de material com das por enunciados. sob formato de ementa. Além da previsão estabelecidos dois níveis de acesso aos conteúdos deposi- de busca por termos sinônimos. da mesma forma que é possível limitar o 40 Revista do TCU 137 . Com isso. a biblioteca digital é um dos repositórios jurisprudência do Tribunal. dando suporte ao desenvolvimento tempestividade e simplicidade. os repositórios podem o novo sistema foram seletividade. o novo sistema unifica corporativos de conhecimento de mais fácil acesso e uti- processos de trabalho que antes eram feitos separadamente lização. não o “entendi.1 E-JURIS equivalência e associação. 6. como o Sagas e o VCE. nibilização. qualidade. Assim. relevância. Sendo mais TCU. tam-se a disseminar a informação produzida internamente. mento” ou a jurisprudência prevalecente do Tribunal sobre apresentações. estrutura e apresentação dos demais sistemas de pro. acordos. Repositórios corporativos de conhecimento pres- gica. costu- teses relevantes. Desenvolvida para organizar. Os enunciados diversas tipologias documentais. contendo a mesma ló. atuar de forma decisiva. APLICAÇÕES DO VCE pesquisados. o qual agrega todos os sistemas de instrução e controle de processos do Tribunal. O e-Juris é uma ferramenta corporativa que faz parte 6. de novos produtos e serviços e à formação e à capacitação A principal finalidade do e-Juris é a divulgação das da força de trabalho da organização. amparar as atividades cotidianas e auxiliar periódicas (boletins e informativos) e de formação e dispo.

wiki para gerir uma wiki de controle externo e acesso res- da à ferramenta de pesquisa textual do portal corporativo. e existem gestores de conteúdo res. tais como auditoria. solução de baixo custo. Além disso. tomada de contas especial. diversos sistemas de informação do Tribunal. normas de controle externo e demais procedimentos processuais. representação. e se configura como um genuíno ambiente de dos de controle externo. como título. A integração gunta para a unidade responsável pela área. de acordo com sua área nal possa encaminhar perguntas sobre temas pré-seleciona. Para a indexação dos conteúdos. Esse formulário é composto de metadados controlados fomento à criação cooperativa de conhecimento dentro das e possibilita a descrição do conteúdo. tem a criação e a organização de conhecimento no mundo sitório. Essa funcionalidade já precisão na recuperação da informação desejada. requer que os O ambiente wiki é a evolução do conceito de compu- documentos sejam classificados em uma árvore temática ter supported cooperative work (CSCW). vislumbra-se que o Tribunal adote padrões. legislação e doutrina. lugares físicos diferentes. autoria e data. a biblioteca digital do TCU cons. aumento de precisão e rapidez na RI. 6. tânea das perguntas e respostas. solicitação. inteligência coletiva da organização. A partir da cole. o TCU utiliza o software livre Media- ao VCE. o sistema direciona a per. de enunciados. aquisição de software de data mining e análise semântica de dados. com alto grau de eficiência. uma em especial merece lhoria do desempenho de seus SRI. Ele permite que qualquer servidor do Tribu. para o nal. contas anuais.5 FUTURAS APLICAÇÕES cutiva. a exemplo de metadados de assunto e da Entre as diversas possibilidades de armazenar o co. tanto às perguntas quanto às respostas. com elementos tais organizações. Outra possibilidade de uso do VCE é como dicio- Diversas unidades do TCU já foram cadastradas nário em softwares de indexação automática de grandes como unidades respondentes. eles agregam informações aos verbetes e tutoriais em tópicos que abrangem norma. além de tirar dúvidas sobre o sistema Fiscalis. remotos. para garantir a me- nhecimento de uma instituição. desenhada com um conjunto de características que permi- ponsáveis pela aprovação do que ficará disponível no repo. ao mesmo tempo que precisando Em outras palavras. Setembro/Dezembro 2016 41 . dade de que organizações tenham pessoas trabalhando em -chave oriundas de um vocabulário controlado. A O Sistema Orientar foi concebido para ser ferramenta Wiki é importante ferramenta de gestão do conhecimento. o ambiente está integrado Desde 2009. cada unidade respondente por meio da adoção do vocabulário controlado tanto para cria automaticamente um banco de dados de perguntas mais o tratamento quanto para a busca. que surgiu da necessi- e que os assuntos tratados sejam traduzidos por palavras. planejamento. ferramenta de controle terminológico. e o sistema é integrado ao volumes de documentos. surgiu titui-se num repositório corporativo de conhecimento que para facilitar a comunicação e a produtividade de grupos exige que as informações sejam classificadas e indexadas. nível para consultas e pesquisas por todos os servidores. denúncia. meio de variados colaboradores e parceiros: as wikis – fer- A inserção de documentos no ambiente é realizada ramenta de tecnologia conhecida como “software social” e descentralizadamente. ou seja. avaliação de qualidade. A recuperação semântica da informação no contexto do controle externo // Artigos acesso a documentos de cunho interno ou que possuam destaque numa era em que produzimos conhecimento por algum tipo de restrição. servindo de parâmetro termino- VCE. cobrança exe. de atuação. é fator primordial para o frequentes (FAQ). que fica armazenado no sistema e dispo. da terminologia na ferramenta de busca do portal do TCU. ao trabalho cotidiano dos auditores. Mais do que isso. uma vez foi testada durante o processo de indexação automática que são atribuídos. constante em uma prova de conceito para termos de indexação que representam os assuntos tratados. alcançar resultados rápidos conjuntamente. O VCE apresenta ainda potenciais aplicações em Após a seleção do tema. como a biblioteca também está integra. de orientação.3 SISTEMA ORIENTAR vidores. trito aos seus servidores. A utilização das wikis tem se revelado uma de entrada de dados que pode ser usado em todo o Tribu.4 WIKI DE CONTROLE EXTERNO Em um cenário ideal. A adoção do vocabulário controlado permite maior lógico na área de controle externo. A biblioteca digital possui também um formulário colaborativo. Trata-se de um importante espaço é possível fazer buscas diretamente no portal e recuperar o colaborativo de construção de conhecimento que reúne tu- conteúdo depositado no ambiente dessa biblioteca. toriais informais e verbetes especializados oriundos do VCE. A Wiki pode ser acessada e editada por todos os ser- 6. 6. gestão e disseminação do conhecimento sobre na medida em que fornece informações e documentos úteis controle externo.

Semelhanças e Diferenças entre Tesauros e Ontologias. SILVA. Sept. jan. B. M. CURRÁS.. 791 805. Brasília. M. H. R. R. Informação. maio/ago. 2013. DUCH.duch. 3. M. Recuperação semântica de objetos de aprendizagem: tesauro conceitual: a categorização como princípio norteador. Disponível em: <http://ethologie. Organização do conhecimento: teorias SILVEIRA. D. 2. p. H. comuns.. CAPRI. p. Acesso em: 23 Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Biblioteconomia) nov. 2016. themes/semantic. 4. Belo Horizonte. 60-75. Em resumo. E.. v.9 ALMEIDA. Universidade Federal de Santa Catarina. DF: CNPq. OLIVEIRA. set. M. 161 173. I. Encontros Bibli – Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação. p. Centro Perspectivas em Ciência da Informação. M. RIBEIRO-NETO.ch/etho5. 1. sistema. SZYMANSKI. GARRIDO. Disponível em: <http://mba. n. DUARTE.B. Escola de Ciência da Informação.. Acesso GOMES. v. in the juridical domain. 42 Revista do TCU 137 . Ontologias e vocabulários controlados: comparação de metodologias para construção./dez. ALMEIDA. 3.in. 3. p. Metodologia de elaboração de SOUZA. B. 2004. Avaliação do espectro semântico de n. Acesso em: 23 nov. W. v. R. Disponível em: <http://pt.slideshare. Cognitive Systems Research. Disponível em: <https:// ALTOUNIAN.pdf?sequence=1>. 84 100. eci. L. como redes de opinião. uma abordagem baseada em tesauros de propósito genérico. CAFÉ.br/downloads/11963-60907-1-PB. R. n. 16. M./jun. – Centro de Ciências da Educação. Londrina. 2004). simplesmente as relações de causalidade das variáveis de um Perspectivas em Ciência da Informação. 2008. Informação & Informação. 2011.. A. 2006.2011. jul/dez. p. DataGramaZero . Ciência BRÄSCHER. L.pdf>.ufsc. R. Trabalho apresentado como TCC_Aline_da_Silva_20131PDFA. 2012.. Acesso requisito parcial para aprovação na disciplina Recuperação da em: 23 nov. para aprovação na disciplina Recuperação da Informação. 2016. SILVA. p. brasileiros: orientações das normas e aplicação prática. SOUZA. Trabalho apresentado como requisito parcial e mecanismos de busca na web: panorama atual e tendências.neural. 2008. tesauro e terminologia.. retrieval. 5. ZAULI. 2016. GOMES. 2006. Classificação. 2013.pdf>. 2008. Elaboração de tesauros. n. 231-244. set/dez. Thesaurus and ontology: a baseado na incerteza. Universidade Federal de Minas Gerais. CAFÉ.. Recuperação semântica da SOUZA. Tesauros e ontologias: estudo de definições presentes na literatura das áreas das ciências da computação 1 Redes bayesianas constituem um modelo gráfico que representa e da informação. Doha. Brasília. CAMPOS. n. Kalamazoo. In: Perspectivas em Ciência da Informação. 2010.10/ Ibict. utilizando-se o método analítico-sintético. 2004. 2016.net/ pci/v11n2/v11n2a02. Belo Horizonte. 19. by means of an analytical-synthetic method. 16. Rio de Janeiro: UNIRIO. D. ALVARENGA. 2016. L. A. 2013. Knowledge Organization. L.scielo. v.br/pdf/ Florianópolis. RIBEIRO NETO. Lígia. v. R.. BRÄSCHER. 25 50. 31. 37.models. n. E. e os arcos representam a conexão direta Science Literature. A. 216-226.pdf>. Belo Horizonte. n. Anais… Uberlândia: SBIE. M.4 Ago 2008. p. n.Artigos NOTAS MOREIRA. de Ciências da Educação. 11. 348 359. v.information. P. em que os nós representam as variáveis study of the definitions found in the Computer and Information (discretas ou contínuas).. Sistemas de recuperação de informações informação. Information retrieval with semantic memory model.. REFERÊNCIAS SALES. ROCHA.Revista de Ciência da Informação. SOUZA.sematic.. Tesauros: linguagens terminológicas. v.. Disponível em: <http://www. Análise das relações semânticas em tesauros jurídicos Florianópolis. 31. doritchka/angel-recuperao-semntica-da-informao>.unige. n. Information Processing & Management. 2. fundamentos em: 23 nov. Acesso em: 23 nov.ufmg.. redes bayesianas.network. v. Belo Horizonte. entre eles (SILVEIRA. 2003. 2013. redes causais e gráficos de dependência probabilística. A semântica na recuperação da informação repositorio.memory/szymanski. 1995. 603 612. Concept-based ranking: a case study semânticas como base para estudo e representação de conceitos. 2009. J. 1996.E. 4. Apr.br/bitstream/handle/123456789/103801/ na web: novas tendências. p. instrumentos para organização da informação. 14. Uberlândia. 2009. A. p. v. da Informação. v. 2011. 8. n. Universidade Federal de Santa Catarina. A. A. et al. também conhecidas p. são modelos gráficos para raciocínio (conclusões) _____. 25 51.memory. Florianópolis. SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO. 11. A.

lotado Contas da União. sanduíche pela Universidade do TCU. André Delgado de Souza  Erick Fonseca dos Santos  é servidor do Tribunal de é servidor do Tribunal de Contas da Contas da União lotado na União. para acompanhamento Técnica de Berlim. de obras de infraestrutura por meio de sensoriamento remoto. Educação Corporativa. Universidade de Brasília. mestrando em computação Secex/PB. mestre e aplicada. com foco em visão doutor em Engenharia Civil computacional e reconhecimento pela Universidade Federal de de objetos em imagens de satélite. 43 Revista do TCU 137 . Pernambuco. formado em Agronomia pela com especialização em Universidade de Brasília. É formado em computação. em Administração pela Hídrica e Ferroviária. Graduado de Infraestrutura Portuária. com doutorado associado ao projeto GeoControle. lotado na no Centro de Pesquisa e Secretaria de Fiscalização Inovação/ISC. bacharel.Artigos Geotecnologias e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Entidades de Fiscalização Superior Rherman Radicchi Teixeira Leonardo Pereira Garcia  Vieira  é servidor do Tribunal de é servidor do Tribunal de Contas da União.

lise de dados1(data analytics). Dentre as iniciativas pro- mento Sustentável. Competências técnicas. que propiciam o desenvolvimento nacional em atividade foi desempenhada por meio da revisão da direção às ODS. Geotecnologias. Geotecnologias e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Entidades de Fiscalização Superior // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca RESUMO 1. Além disso. 2015d) sobre o papel das EFS na Agenda 2030... está a utilização de dados geoespaciais System (GPS). 2014a) reforça explicitamente o papel-chave Unidas e da Intosai que possam contribuir com a das EFS na Agenda 2030. Além disso. está a utilização de tes resoluções da Assembleia Geral da ONU enfatizam dados geoespaciais e investimentos em capacita. 2015c). pelas Entidades de Fiscalização Superior (EFS). Sensoriamento remoto. capacitação de seus servidores para atender às no. a Resolução A69/228 de literatura sobre as referências técnicas das Nações 2014 (Id. Intosai (Id. A Resolução da ONU A66/209 de 2011 (Id. eficácia. Global Positioning Milênio (ODM). Intosai. of Supreme Audit Institutions (Intosai) no alcance dos Normas Internacionais das Entidades Fiscalizadoras Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (NA- Superiores (ISSAI) reconhecem a importância da ÇÕES UNIDAS. 2016). Recen- volvimento do Milênio (ODM). ressaltam a Diagnóstico. Além disso. destaca-se a importância do uso intensivo de aná- Palavras-chave: Objetivos de Desenvolvi. vas demandas. o papel-chave das EFS e da International Organization ção para utilizar as novas tecnologias.. res- em geotecnologias para o monitoramento dos ODS ponsabilização e transparência da administração pú- pelas Entidades de Fiscalização Superior (EFS). A Agenda para o Desenvolvimento Sustentável ção das Nações Unidas (ONU) para que os Objetivos de 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) de Desenvolvimento Sustentável (ODS) superem lança um desafio sobre as atividades desempenhadas os desafios encontrados pelos Objetivos de Desen. as Normas Internacionais das em auditoria. Entidades Fiscalizadoras Superiores (ISSAI). Padrões internacionais (Id. postas pela ONU para que os ODS superem os desafios rior. possibilidade de aplicação das geotecnologias às diver- Setembro/Dezembro 2016 44 . INTRODUÇÃO Dentre as iniciativas propostas pela Organiza. Essa blica. Sistema encontrados pelos Objetivos de Desenvolvimento do de Informação Geográfica (SIG). Capacitação. A proposta de ação concreta deste 2011) salienta que as EFS desempenham um papel trabalho visou apoiar a estratégia de investimento importante na promoção da eficiência. utilização de geotecnologias para o monitoramento No relatório do 23º Simpósio das Nações Unidas/ dos ODS pelas EFS. Entidades de Fiscalização Supe.. ISSAI.

40) descreve as geotecnologias xas (SOUZA. educacionais. análise e disponibilização de informações geor- TION OF SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. Pelos motivos expostos e visando auxiliar o uso Souza (2016. referenciadas”. tes. p. da utilização de programas computacionais é possível ramento dos ODS pelas EFS. permitindo a realização de análises mais comple- Souza (2016. sem contato direto. 2016). Câmara (2015. este artigo to remoto “pela utilização de sensores para captação se propõe a fazer a revisão da literatura de referências e registro a distância. p. tais como indicadores econômi. destacando-se entre os ODS e referências técnicas da Intosai que abordem o sistemas dessa natureza o Global Positioning System tema geotecnologias. o Sensoriamento Remoto e os pesquisadas obras com o objetivo de sistematizar con. processa.Artigos sas fases da auditoria (INTERNATIONAL ORGANISA. 2) informações relevantes. Dentre elas têm-se o Global Navigation No entanto. p. suas alterações ao longo do tempo de forma consistente Com os SIG é possível integrar dados de diversas fon- e padronizada (NAÇÕES UNIDAS. a manipulação e a análise de dados gerados por essa tecnologia. mento. 2016). em uma única como “o conjunto de tecnologias para coleta. de armazenar tanto os atributos descritivos como as a criação de mapas e a detecção e o monitoramento de geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos”. os SIG são “sistemas que re- As geotecnologias favorecem a abordagem uni. 2015a). inexistem nas fontes bibliográficas Satellite System (GNSS). (GPS) (SOUZA. base. 41) caracteriza o sensoriamen- de novas tecnologias aplicadas ao controle. 41). 2016). da energia técnicas das Nações Unidas e da Intosai que possam refletida ou absorvida pela superfície do alvo”. podem realizar monitoramento por meio de MONITORAMENTO DOS ODS imagens aéreas e filmagens (SOUZA. explica que “a principal diferença de um SIG para um cos. p. Os veículos aé- 2. dados provenientes de diferentes fontes e com- 45 Revista do TCU 137 . alizam o tratamento computacional de dados geo- versal e padronizada para o monitoramento de outras gráficos” (SOUZA. A partir contribuir com o uso de geotecnologias para o monito. Nesse contexto. 2016. A informação sistema de informação convencional é sua capacidade geográfica permite a análise e a modelagem de dados. Sistemas de Informações Geográficas (SIG). O GNSS juntamente as referências técnicas da ONU em relação permitiu às pessoas saberem com precisão a localiza- ao uso de geotecnologias para o monitoramento dos ção delas na superfície terrestre. 2013b). ambientais e de saúde. realizar o armazenamento. Podem-se inserir. pequenas aeronaves não FERRAMENTAIS DE APOIO AO tripuladas. GEOTECNOLOGIAS COMO reos não tripulados (VANT).

2014). mais de 23 indicadores dos ODS em potencial. 2005). 2015e) sintetiza trazidas pela revolução dos dados. 2014e). Dados de satélite têm o indicator availability and coverage” (CASSIDY. tecnologias aos ODS. de recursos hídricos. os avanços. desde bertura geral dos indicadores propostos. 2015c) destacou as oportunidades als: report 2015” (NAÇÕES UNIDAS. 8. DAS. Novas imagens via satélite são um exemplo de 46% dos dados foram coletados. e terrestres que os ODM. potencial para serem utilizados no monitoramento de um grande desafio a ser superado refere-se à baixa co. os ODS vão depender mais de observações geoespaciais a qualidade. ÇÕES UNIDAS. afirma-se que uma série de exemplos de formas de suporte das geo- grandes lacunas de dados. Imagens de satélite estão cada formações. Quase um ter. afirma que as empresas e a sociedade civil a coordenarem esfor- ços com a finalidade de melhorar a disponibilidade. 2015e). esse relatório trouxe sobre os desafios para o monitoramento. os desafios e as lições aprendidas durante dados sociais e geofísicos e novas formas de compar- os quinze anos de monitoramento dos ODM. 2015) Abrangência geográfica (SACHS. 20 metas 17 objetivos. objetivando apoiar a implementação em vez mais disponíveis gratuitamente em uma resolução todos os níveis. 2015). 2015. No documento “Data for development: an ac- No relatório “A world that counts: mobizing tion plan to finance the data revolution for sustainable the data revolution for sustainable development” (IN. Quadro 1: Diferenças entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ODM ODS Duração 2000-2015 2016-2030 Pontos de controles intermediários (SACHS. 2013) e. da. development” (OPEN DATA WATCH. apenas hídricos. 2012) Secundário Fundamental Foco (NAÇÕES UNIDAS. 2012) Ausentes Presentes Complexidade do monitoramento (INTERNATIONAL ORGANISATION 8 objetivos. 196 metas OF SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. 2012) Países em desenvolvimento Todos os países signatários Negociadas entre os governos. moderada e com custos progressivamente menores De acordo com o documento “Assessing gaps in para fontes de alta resolução. 2014e) Alívio da pobreza Desenvolvimento sustentável em sentido amplo Fonte: Elaboração dos autores Setembro/Dezembro 2016 46 . em média.. detalha no Quadro 1. a atualização e a desagregação das in. tra- DEPENDENT EXPERT ADVISORY GROUP. a medição da qualidade do ar global até cobertura de ço dos indicadores carece de dados em mais da metade florestas e cultivos. Dentre Autores como Jeffrey Sachs (2012) apontam uma as iniciativas propostas para superar esses desafios. Geotecnologias e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Entidades de Fiscalização Superior // Artigos biná-los. p. desenvolvimento de sistema de Formas de monitoramento Não definidas previamente monitoramento Papel da tecnologia (SACHS. conforme a utilização de dados geoespaciais (NAÇÕES UNI. Ao tratar tilhamento de dados. está série de diferenças entre os ODM e os ODS. dados de baixa qualidade. por meio de big data. Watch. conforme demonstra o Anexo 1 dos desatualizados e não desagregados em importantes ao final deste artigo. elaborado pela ONU e pelo Open Data ONU convoca os países signatários da Agenda 2030. o que apresenta um tecnologias emergentes que oferecem oportunidades desafio internacional no que se refere à geração de dados significativas para uma plataforma de monitoramento estatísticos (NAÇÕES UNIDAS. impactos de desastres e recursos dos países (SHUANG et al. com apoio de algoritmos de manipulação e O relatório “Indicators and a monitoring fra- análise (CÂMARA. Além disso. a dução nossa). mework for the sustainable development goals” (NA- O documento “The millennium development go. dimensões figuram entre os principais desafios.

esclarece dos quanto possível. relevantes para o monitoramento dos ODS pelas EFS: a cartografia2. cada vez mais dados disponíveis. quais são as fontes de dados primários e estabelece os baseados em dados científicos. pesquisas agrícolas. cípios. Lawrence Friedl. 2015).. 11% estão relaciona- novas tecnologias e métodos disponíveis. 2016. 2015). como aqueles das aos dados sobre meio ambiente. p. Como há dados primários para esses indicadores. processamento. O Quadro 2 mostra as fontes de gráfica e big data (NAÇÕES UNIDAS. os indicadores precisam ser: limitados em nú- LOPMENT SOLUTIONS NETWORK. tradução e grifo nosso) número 17. são necessários diversos tipos de dados com di. Por esse motivo. dos sistemas incluindo dados geoespaciais. cada tipo de dado dá sustentação e também monitoramento global). universais. Estes últimos são cruciais de informação geográfica (SIG) e análises geoespaciais. para determinar indicadores ambientais dos ODS. assim de sensoriamento remoto e da inteligência geoespacial. a ONU especifica no relató. 2015). Para o monitoramento dos ODS são necessá. preferencialmente anual. simples (por exemplo. De acordo com esses prin- ferentes níveis de cobertura (SUSTAINABLE DEVE. em consenso. como para análise desagregada dos indicadores socioe.Artigos Não há dúvidas de que a coleta de dados compre. 40). 2014). análise e disponibilização de informa- ções georreferenciadas” (SOUZA. geoespaciais) Registro civil e estatísticas de nascimento 8% afirmou que os ODS chegaram em um momento de TBD 6% convergência privilegiada para aproveitar as potencia- Pesquisas sobre força de trabalho 2% lidades dos dados espaciais. representando a Na- 11% tional Aeronautics and Space Administration (NASA). e ter uma boa aproxi- princípios-chave para a seleção de indicadores de mo. TOTAL 100% 2015a). os sistemas de informação geográfica3 e o sensoriamento remoto4. que busca o fortalecimento dos meios de implementação e a revitalização da parceria global para 47 Revista do TCU 137 . Trata-se da fotogrametria. mais desagrega- ment” (SDSN. Por isso. intrinsicamente relacionadas aos campos geoespaciais. alinhado com padrões internacionais e rio “Data for development: A Needs Assessment for informações baseadas em sistemas. 2015f). apresentados com alta frequência. Parte integrante da ecologia de dados são as ferra- A tipologia dos dados refere-se a dados de censo. da cartografia. indicado- sustenta os outros tipos. dados geoespaciais. estatísticas econômicas e dados sobre meio ambiente. sendo mencionada na meta número 18 do ODS Fonte: Sustainable Development Solutions Network (2015. Desses campos. de fontes de dados bem estabelecidas. 2015a). ou seja: “o conjunto de tecnologias para coleta. 2015b). pesquisas ção dos dados. deve-se fazer uso de por esse relatório (SDSN. análise e comunica- registros civis e estatísticas sobre nascimento. baseados dados. Nesse mero e em concordância global (para indicadores de contexto. Das fontes primárias dos indicadores propostos ende um grande desafio. A informação geográfica é Outros dados econômicos 2% um elemento essencial no complexo contexto da im- Censos Transversal plementação e monitoramento da Agenda 2030 (Id. dados administrativos. res de uma variável com implicações políticas diretas). o estudo de métodos Outro componente da ecologia dos dados remete com utilização de bases de dados vem ganhando maior aos princípios-chave para selecionar indicadores de mo- destaque (FREITAS. Esses campos fazem parte Quadro 2: do que caracterizamos neste trabalho como geotecno- Fontes de dados primários para os indicadores dos ODS logias. o que permite moni- rios a composição e o fomento de um ecossistema de toramento regular. 2015) a tipologia dos dados. nitoramento robustos. Fonte de dados primários No evento “Unleashing the power of ‘Where’ to Dados administrativos 33% make the world a better place: How geographic infor- Pesquisas domiciliares 26% mation contributes to achieving the SDGs” (NAÇÕES Dados internacionais 13% Dados sobre meio ambiente (pesquisas agrícolas ou dados UNIDAS. (NAÇÕES UNIDAS. Essas ferramentas e metodologias estão domiciliares. há alguns que são especialmente conômicos destes (SDSN. nitoramento global. construídos a partir SDG Monitoring and Statistical Capacity Develop. focados no resultado. mentas e metodologias para coleta. mação (proxy) para questões e condições mais amplas. estes que incluem fornecidos por meio das tecnologias de informação geo. propostos pelo relatório “Follow-up Dada a amplitude e complexidade da Agenda and Review of the SDGs: fulfilling our commitments” 2030. DACORSO.

OF SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. cada EFS. como em dife- TEMA GEOTECNOLOGIAS rentes fases do planejamento. 2004). percebe-se que uma quantidade significativa to afirma que “tecnologias computacionais podem ser desses necessita de desagregação geográfica. REFERÊNCIAS TÉCNICAS DA ferramenta de suporte. a desagregação de dados que a nova ser utilizados para diversas finalidades e em diferentes agenda apresenta é um desafio a ser superado. ao tratar sobre as novas atribui. reconhece que as instituições data: resources and options for Supreme Audit Insti- precisarão questionar se as metodologias existentes para tutions” (INTERNATIONAL ORGANISATION OF realizar as auditorias são adequadas para esse contexto. Ao tratar de aspectos metodológicos. 2013a) tanto os Setembro/Dezembro 2016 48 . Dois exemplos ria dos indicadores propostos utiliza alguma forma de dessas tecnologias são o GPS e o SIG” ((INTERNATIO- desagregação geográfica e. aplicativos baseados em recursos naturais. 2010. (SIG). entre outros pment: the role of Supreme Audit Institutions” (INTER. O SIG pode ser utilizado na fase de planejamento e o GPS na fase de execução como uma 3. p. Já “Auditing forests: guidance for Supreme Audit vamente a disponibilidade de dados confiáveis. atuali. TITUTIONS. pode-se incluir especialistas no processo. INSTITUTIONS. 2010). 2010). Institutions” ((INTERNATIONAL ORGANISATION zados e de alta qualidade.18” objetiva incenti. o documen- TO. fases da auditoria. 2015). elabo- por localização geográfica (Id. Geotecnologias e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Entidades de Fiscalização Superior // Artigos o desenvolvimento sustentável como uma das fontes Também afirma que a depender das especificidades de relevantes de dados. gestão de instalações. excepcionalmente úteis em auditorias. Dados geográficos podem to sustentável”. 9).. aplicativos baseados em redes viárias. visando ampliar significati. de acordo com o relatório NAL ORGANISATION OF SUPREME AUDIT INS- “Acompanhando a Agenda 2030 para o desenvolvimen. O documento “ISSAI 5130 – Sustainable develo. 2015c). desagregados. Dados geográficos podem ser INTOSAI QUE ABORDAM O empregados em diversas finalidades. (INTERNATIONAL ORGANISATION OF SUPREME NATIONAL ORGANISATION OF SUPREME AUDIT AUDIT INSTITUTIONS. seja var o desenvolvimento de capacidades em países em por contratação ou por consultoria. De acordo com o documento “Environmental ções derivadas dos ODS. desenvolvimento até 2020. análises panorâmicas. A “meta 17. rado pelo Grupo de Trabalho em Auditoria Ambiental Ao analisar os indicadores nacionais propostos (WGEA) da Intosai. por exemplo. A maio. descreve como as EFS podem utili- pelo Sistema das Nações Unidas no Brasil (PROGRAMA zar a tecnologia do Sistema de Informação Geográfica DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMEN.

utilizando-se. entre outras. Ainda. 2013a). resultados de auditorias podem ser mapeados e apresentados para apoiar as principais conclusões e Comunicação dos resultados recomendações das auditorias e facilitar a comunicação dos resultados. As EFS também podem utilizar os dados es. é possível analisar os dados de campo imediatamente após carregá-los e combiná-los com mapas Com os SIG é possível analisar diferentes camadas de informação geográfica. gera-se uma grande A referida ISSAI também afirma que a utilização demanda de controle de qualidade. informações geográficas torna as bases de dados mais A ISSAI 5540 propõe um checklist sobre a utiliza- complexas pela necessidade de se registrar o quê e onde ção de informações geoespaciais em auditorias. A ISSAI 5540 (INTERNATIONAL ORGANISA- O referido documento afirma que fontes de da. No relatório “The 7th survey on environmental nados a demonstrar resultados. A tecnologia geoespacial foi o item mais programas (INTERNATIONAL ORGANISATION OF votado5. Os SIG permi- nando-os mais tangíveis. repro- está acontecendo. as EFS que consideram a possibilida- dados geoespaciais separadamente. a Análise dos resultados da auditoria visualização de resultados com os SIG permite a visão sobre as diferenças geográficas no desempenho das organizações públicas Utilizando os SIG e o sensoriamento remoto. dos espaciais podem ser especialmente úteis para EFS que aborda questões relacionadas à utilização de dados quando estas estão realizando a verificação de questões geoespaciais em auditorias de gestão de desastres am- ambientais que tenham aspecto geográfico explícito. informações geográficas. cumento. dos governos. os SIG podem auxiliar na análise extensiva e tificar áreas de alto risco e padrões nos dados. 2012). para isso. O referido documento descreve de dados. sualizar dados em camadas. análise a partir da qual o desempenho pode ser medido. A visualização dos resultados das auditorias em mapas permite a transmis- são de uma mensagem clara e forte em comparação àquela somente escrita Fonte: Adaptado de International Organisation of Supreme Audit Institutions (2013b. visualizem dados complexos e 2013a) afirma-se que a utilização de dados atrelados a produzam novos dados com base nos dados existentes. o que não complexa de dados de diversas formas: apresentar os seria possível se estes não tivessem seu componente dados espacialmente. afirma que os SIG e o sensoriamento remoto como áreas de proteção ambiental ou identificação de podem fornecer valor agregado a todos os estágios da áreas poluídas. nadas geográficas. 2013b). por considerar que estes trazem considerações acesso às ferramentas e também no desenvolvimento únicas para as EFS. no “Environmental Data: Resources and em qualquer escala. SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. analisar localizações espaciais e armazenar e vi- paciais como forma de apresentar seus resultados. de de utilizar esse tipo de dado necessitam investir em pecífica.Artigos gestores públicos auditados quanto as EFS se benefi. consultar dados por localização espacial. de coorde. tem que os usuários produzam mapas de alta qualidade Por fim. para iden. além do correspon. de informações geoespaciais e do SIG no setor público Quadro 3: Aplicação das geotecnologias às diversas fases da auditoria de acordo com a ISSAI 5540 ETAPA DA AUDITORIA APLICAÇÃO DAS GEOTECNOLOGIAS Os SIG tornam possível a análise de vários dados ou camadas de dados em um contexto geográfico.. Por isso. como demonstra o Quadro 36. duzido integralmente no Quadro 4. tradução nossa) 49 Revista do TCU 137 . espacial. os gestores públicos sentem-se pressio. em uma seção es. Dados geoespaciais são também úteis auditoria. armazenem grande quantidade de Options for Supreme Audit Institutions” (INTOSAI. Segundo o do- para selecionar amostras de diferentes locais. TION OF SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. tor. Dessa forma. dente aumento em complexidade para se avaliar a base ciarão do uso de SIG. Devido a restrições orçamentárias das competências técnicas necessárias. solicitou que as EFS descrevessem metodologias inova- Esse tipo de mudança pode afetar como o desempenho doras de trabalho que vinham aplicando em auditorias é medido e como gestores públicos e EFS avaliam esses ambientais. bientais. o que os leva a utilizar auditing” (Id. a WGEA apresenta o resultado da em maior escala dados ambientais para demonstrar que pesquisa respondida por mais de 112 EFS. O sensoriamento remoto pode ser utilizado Avaliação de riscos relevantes para verificar informações em bases de dados com informações de campo Planejando a auditoria Os SIG e o sensoriamento remoto podem auxiliar nesse ponto ao decidir sobre o foco da auditoria A equipe pode utilizar dispositivos de GPS e mapas baseados em satélite para conectar dados de auditoria em campo a dados geográficos. Dessa Conduzindo a auditoria forma. A pesquisa seus programas atingiram os objetivos estabelecidos.

como a definição de objetivos. manage data. a aplicação de imagens de satélite ou o uso do as informações geoespaciais cumprem diversas fun. 2004) são reconhecidas Geospatial Analyst (capture data. a formulação de medidas. Dentro do contexto de políticas públicas. atender às novas demandas. algumas das funções descritas no DACUM Research Chart for ME AUDIT INSTITUTIONS. tradução nossa) tem crescido por diversas razões. administre e visualize ambiente. 1 Por exemplo. Uma das principais sistematização subsidie futuros estudos a serem desen- é a extensão e a complexidade da informação. Espera-se que essa geotecnologias das quais o controle público pode se beneficiar. sensoriamento remoto para ações de controle. produção. armazene. e estudo de mapas tanto como objetos tangíveis quanto digitais. de expertise externa. INTERNATIONAL ORGANISATION OF SUPREME AUDIT INSTITUTIONS. deve ser considerada e analisada enquanto tomam- -se decisões. 6 Cabe ressaltar as similaridades entre as etapas da auditoria e SAI (INTERNATIONAL ORGANISATION OF SUPRE. Além disso. 2013b). ções. nas Normas Internacionais das IS. está a uti. exemplifica oito aplicações de Entidades de Fiscalização Superior. Dentre as iniciativas propostas pela ONU para 5 Com a mesma quantidade de votos. dem utilizar informações geoespaciais. Este artigo se propôs a fazer a revisão da litera- tura sobre as referências técnicas das Nações Unidas e 7 O artigo denominado “O uso de geotecnologias como uma da Intosai que pudessem contribuir com a utilização de nova ferramenta para o controle externo” (2015). eles podem ser coletados como parte do processo e do orçamento da auditoria? Os auditores envolvidos possuem o conhecimento necessário para coletar e analisar os dados geoespaciais requeridos ou é necessário incluir um especialista externo? Fonte: International Organisation of Supreme Audit Institutions (2013b. que volvidos no âmbito das EFS sobre o tema. Muitas decisões requerem informações NOTAS geoespaciais e os SIG apoiam a análise desse tipo de informação. ficou o uso Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. analyse data. 2015e). 2 Disciplina que se encarrega da concepção. publicado na geotecnologias para o monitoramento dos ODS pelas edição nº 133 da Revista do TCU. lização de dados geoespaciais (NAÇÕES UNIDAS. economia. 4 Ciência de mensurar a propriedade de algum objeto ou fenômeno por um sensor que não tem contato físico com o objeto/fenômeno 4. educação. proteção ao meio 3 Qualquer sistema que capture. CONSIDERAÇÕES FINAIS estudado. a importância da capacitação de seus servidores para produce deriverables). disseminação são muitas as áreas da política pública em que se po. Além disso. Exemplos7 de- las são gestão de recursos naturais. Setembro/Dezembro 2016 50 . Geotecnologias e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelas Entidades de Fiscalização Superior // Artigos Quadro 4: Checklist sobre utilização de dados geoespaciais em auditorias Checklist: utilização de dados geoespaciais em auditorias Que dados geoespaciais são necessários para responder às perguntas da auditoria? Qual a acurácia dos dados geoespaciais requerida? Qual é o prazo exigido para os dados geoespaciais? Que dados geoespaciais estão disponíveis? De que fontes os dados geoespaciais podem derivar e quão confiáveis elas são? Qual a qualidade dos dados geoespaciais disponíveis? Quais os custos dos dados geoespaciais disponíveis? Se os dados geoespaciais requeridos não estiverem disponíveis. segurança e saúde ( dados associados à localização. compartilhando o primeiro que os ODS superem os desafios encontrados pelos lugar como metodologia inovadora por essa pesquisa. Acesso em: 12 jul. Disponível em: <http://bit. 2016.ly/2gqLhvT>. o monitoramento e a avaliação.

assim como a perda de terrenos pro. Pública. reportado com um alto Assegurar padrões de produção e de partículas de fumaça. INTERNATIONAL ORGANISATION OF SUPREME AUDIT CASSIDY. Este (% acesso a estradas dentro de sagregado espacialmente riamento remoto e sustentável e fomentar a inovação indicador acompanha a parte da população que um raio de [x] km de distância) satélite vive dentro de um raio de [x] km de estradas que são transitáveis durante todo o ano Dados geoespaciais. a perda de nutrientes do por sub-região riamento remoto e ou desertificada (% ou ha) solo e o assoreamento satélite Fonte: Adaptado de Nações Unidas (2015c. 69 de material particulado (MP10 Por cidade e estado ar urbano riamento remoto e tes e sustentáveis e MP2.5) satélite Este indicador pode ser Medida dos aerossóis totais (por exemplo: Dados geoespaciais. Revista de Administração <http://bit. Environmental data: resources and options for gestão pública: análise do plano de ação brasileiro para a supreme audit institutions. rendimento atual incluindo senso- 2 rança alimentar e melhoria da nutrição 13 Lacuna no rendimento de culturas gação espacial.ly/2gEOStn>. Rio de Janeiro.sagregado espacialmente riamento remoto e tres. resilien. 2015) ODS INDICADOR DESCRIÇÃO DO INDICADOR DESAGREGAÇÃO FONTE1 Perdas por desastres naturais. 2016. FREITAS. educação e serviços de saúde. 30 p.Artigos Anexo 1: Exemplos de suporte das geotecnologias aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Nações Unidas. 1-44. et al. estradas e outros usos Dados geoespaciais. geográficos. 2014. Mede perdas humanas e financeiras em áreas Este indicador pode ser Acabar com a pobreza em todas as relacionados ou não a mudanças rurais e urbanas devidas a desastres naturais. V. Inovação aberta na ______. satélite 15 florestas. A world that counts: mobilising the data revolution for sustainable CÂMARA.ly/1DcbDol>. Fontes não 1 6 suas formas. Acesso em: 12 jul. 2013a. 2015. In: CASANOVA. tradução nossa) REFERÊNCIAS INDEPENDENT EXPERT ADVISORY GROUP. 2016. R. deter e reverter a degradação da terra Componentes de degradação do solo incluem Desagregação geográfica incluindo senso- Variação anual em área degradada e deter a perda de biodiversidade 85 a salinização. incluindo acesso a insumos. Curitiba: MundoGEO. sal do mar) incluindo 12 75 Profundidade ótica de aerossol grau de desagregação consumo sustentáveis distribuídos em uma coluna de ar da superfície sensoriamento espacial (incluindo cidades da Terra até a parte superior da atmosfera remoto e satélite e no nível de bairro) Acompanha a variação líquida de área florestal Dados geoespaciais. Proteger. v. p. riamento remoto e e promover a agricultura sustentável locais a globais feitas condições satélite Acesso a estradas transitáveis durante todo o ano é questão crítica para processos de desen- Acesso durante todo ano a estra. gerir de forma sustentável as dos ODM) dutivos para o crescimento de áreas urbanas. 4. p. R. Disponível em: <http://bit. ou seja. K. Acabar com a fome. das transitáveis Este indicador pode ser de. 869-888. Tornar as cidades e os assentamentos A média de poluição do ar urbano Acompanhamento da média de poluição do incluindo senso- 11 humanos inclusivos. combater a desertificação. 83 área cultivada (indicador alteradonaturais. 64 p. volvimento rural. ly/2fJOrK5>. n. Auditing forests: guidance for supreme coverage. Construir infraestrutura resiliente. incluindo senso- 9 promover a industrialização inclusiva e 58 mercados. M. 2005. G. incluindo senso- sustentável dos ecossistemas terres.ly/2glULel>. Adequado para desagre- principais culturas. 71 p. 48. Dados geoespaciais. desagregado espacialmen. Disponível em: Open Government Partnership. seguros. Acesso em: 8 jul. Disponível em: <http://bit. alcançar a segu. Assessing gaps in indicator availability and INSTITUTIONS. audit institutions. 2016. recuperar e promover o uso Variação anual em área florestal ee a expansão da agricultura em ecossistemas Este indicador pode ser de. Disponível em: <http:// geográficos. indústrias. DACORSO. 2014. L. A. 2010. Acesso em: 12 jul. 2016. 51 Revista do TCU 137 . de. de escalas comparado àquele que seria possível em per. a erosão. M. Acesso em: 8 jun. em todos os lugares climáticas (em dólares ou vidas desagregadas em eventos relacionados ou não a te (incluindo a segregação geoespaciais perdidas) mudanças climáticas entre urbano e rural) Acompanha as lacunas de desenvolvimento das Dados geoespaciais. Bancos de Dados bit. Representação computacional de dados development UN report. poeira.

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(UCLA). Los Angeles et aux Énergies Alternatives (CEA). e aprendizado de máquina. Assunção  é bacharel pela UFMG (2006) é PhD em Estatística pela em Matemática Computacional. sistemas Computadores e desenvolve paralelos e distribuídos sistemas de informação. Suas áreas de algoritmos distribuídos. 53 Revista do TCU 137 . Raquel Minardi  José Nagib Cotrim Árabe  é bacharel em Ciência da Computação. University of Washington/ mestre pela UFMG (2008) em EUA e professor titular do Estatística e PhD em Estatística Departamento de Ciência da pela University of Connecticut. e interesse são mineração hoje leciona Programação de de dados. além de professor Desenvolve modelos e algoritmos da Universidade Federal em visualização de dados e em de Minas Gerais e chefe biologia computacional. e suas aplicações. Computação da UFMG. Publicou do Departamento de mais de 20 artigos em periódicos Ciência da Computação.  é doutor de Estado em é PhD pela Universidade de Ciência da Computação pela Rochester e professor titular Universidade Pierre et Marie de Ciência da Computação Curie e professor associado na Universidade Federal de da UFMG.Artigos InfoSAS: um sistema de mineração de dados para controle da produção do SUS Osvaldo Carvalho  Wagner Meira Jr. é PhD em Ciência da doutora pela UFMG e pós-doutora Computação pela University pelo Comissariat à l’Énergie Atomique of California. internacionais e em conferências nacionais e internacionais. Trabalhou com Minas Gerais. Desenvolve métodos especialista em desenvolvimento estatísticos e algoritmos para de algoritmos e métodos para análise de estatística espacial a análise de dados estatísticos. especialmente aqueles com georreferenciamento. além de EUA (2011). Marcos Prates  Renato M.

como taxas de atendimen- térios conservadores. Os atendimentos prestados pelo SUS (denomina- dos. Nos Estados Uni. O foco deste artigo é a procedimento. bem acima dos praticados pela maioria dos estabeleci- Em qualquer caso. iden- produção do SUS. por exemplo. dução de um período de 8 anos (de 2009 a 2016). 1996). PIATETSKY-SHAPIRO. A grande dimensão do setor de saúde e o enorme 2. anomalias graves devem ser investi. SUS da ordem de R$400 milhões por ano. Valor médio de interna. gadas ou explicadas. Taxa de gero estimar em bilhões de reais o valor que pode ser atendimentos por habitante. para acreditar que sua utilização na priorização de auditorias pode gerar retornos para o Palavras-chave: SUS. em particular. Mineração de dados. DISCREPÂNCIAS ESTATÍSTICAS volume de recursos envolvidos fazem dele um alvo atra- ente para fraudes em todo o mundo. O SUS também mantém Setembro/Dezembro 2016 54 . um sistema sualização de dados do SUS que. SMYTH. ou má distribuição do atendimento. Não é exa- Detecção de anomalias. podendo mentos por habitante muito superiores à média nacio. centenas de milhões de reais gastos pelo SUS são desti. 2014). mentos. Neste documento apresentamos o InfoSAS. um sistema de mineração e vi- Este trabalho apresenta o InfoSAS. Temos elementos. INTRODUÇÃO produção futura. O InfoSAS encontra em profusão fatos que me- nados a atendimentos considerados anômalos por cri. Anomalias estatísticas podem ser tos por habitante muito superiores à média nacional. Priorização de auditorias. epidemias. InfoSAS: Um sistema de mineração de dados para controle da produção do SUS // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca RESUMO que no Brasil a situação seja diferente. como mostrado na Figura 4. estima-se que mais de 270 bilhões de dos conjuntamente de produção do SUS) são registrados dólares sejam perdidos anualmente com fraudes (THE por diversos instrumentos e esses registros são armaze- ECONOMIST. Sistema Único de Saúde. Distribuição log-normal. expostos na Seção 5. tifica padrões e modelos variados nos dados. ser de grande valia para a gestão do SUS e. assim como com a inibição de comportamentos anômalos na 1. recem a atenção de gestores. Os resultados encontrados indicam que sua utilização para fins de auditoria. ou valores de internação saúde. Não temos motivos para acreditar nados nas bases SIA1 e SIH2. provocadas por fraudes. como diversos outros de detecção de anomalias estatísticas nos registros da (FAYYAD. ou valores de internação bem acima dos praticados para a identificação de anomalias estatísticas que podem pela maioria dos estabelecimentos para um mesmo ser indícios de irregularidades. mas também por mutirões de como se pode ver na Figura 2. nal. O InfoSAS encontra taxas de atendi. recuperado com auditorias a serem feitas sobre a pro- ções.

no período de setembro As bases de dados referidas são volumosas e es. defini. atendimento total de Curitiba. que este atendimento nam um alvo de mineração. e Mas nem sempre é assim. diver- É importante observar que fatos presentes nas folhas sos municípios estão com uma taxa de atendimentos podem também ser verificados de forma independente por habitante muito acima da brasileira e da estadu- consultando outras fontes de informação oferecidas pelo al. O sis. Na Figura 2. o que chamamos de folhas de fatos. para o dados populacionais fornecidos pelo IBGE. Cada um dos seis gráficos mostrados se refere a um município e todos a um único prestador. e o estabelecimento em questão é praticamente o SUS. a anomalia estatística se explica: o prestador é um veículo equipado com um Figura 2: Análise da taxa de atendimento por habitante de 6 municípios atendidos por um estabelecimento para o alvo “Tratamento de doenças do aparelho da visão” 55 Revista do TCU 137 . Nele vemos que. A Figura 1 mostra um exemplo de gráfico pre- tema InfoSAS examina essas bases do SUS e também sente em uma folha de fatos. va segundo a média brasileira. Quando se nota que o alvo é “Mamografia” e que o prestador é uma unidade móvel. do por um ou mais procedimentos da Tabela do SUS4. um período de análise e um é superior à média do Paraná. atenção do profissional de controle. Um alvo de mi. e que o prestador con- estabelecimento prestador. sas são informações compatíveis com uma situação de neração é um subconjunto da produção do SUS. Pode-se notar que somente o gráfico no canto superior esquerdo (que corresponde ao município sede do estabelecimen- to) não apresenta picos estranhos. com valores muito acima dos esperados pelas taxas brasileiras e da UF onde se localizam os municípios. mostrando gráficos e tabelas tribuiu com menos da metade desse atendimento. normalidade. de 2013 a agosto de 2014. como ilustra o exemplo mostrado na Análise da participação de um estabelecimento no atendimento de Curitiba para o alvo “Tratamento de doenças do aparelho da visão” Figura 3. Alguns fatos chamam algumas vezes também pela faixa etária dos pacientes. Es- obtidas pelo exame das bases de dados. seguiu de perto a expectati- sas folhas de fatos dão foco ao seu exame. um cadastro de estabelecimentos. Discrepâncias estatísticas devem ser considera- Figura 1: das com cuidado. e produz o alvo “Tratamento de doenças do aparelho da visão”. Este é um exemplo claro do que consideramos anomalias ou discrepâncias estatísticas.Artigos a base CNES3. Elas relacio. único a atender esses municípios. Um indício de fraude? Não. como o TabWin5.

ne com cuidado cada caso de discrepância estatística. Novamente. mas também pode resultar de processos corretos. “Mamografia bilateral para rastreamento”. a análise de que utilize práticas que podem elevar o custo da in- uma folha de fatos deve ser feita com o máximo de dis. na verdade. pâncias estatísticas. Portanto. aos praticados no restante do Brasil para dois alvos de de. conheça o contexto local. Figura 4: Análise do valor cobrado por um estabelecimento para internações dos alvos “Artroplastia total primária do quadril não cimentada/ híbrida”. os de pacientes com complicações acima da média. mas que também. ou de informação incorreta. mineração. à direita Setembro/Dezembro 2016 56 . E é também possível que municípios pois é possível que o estabelecimento tenha um perfil com taxas de atendimento altas sejam. uma Unidade Móvel de Saúde da Mulher mamógrafo que realiza mutirões em pequenas cidades. à esquerda. agora com estabelecimentos pra- De forma geral. é preciso que o gestor exami- como no exemplo acima. ou de epidemias. digamos. e por outro estabelecimento para “Cirurgia cardiovascular – Cirurgia cardiovascular marcapasso”. Na Figura 4 temos outros exemplos de discre- provocando em suas visitas os picos de atendimentos. ou poucos bem atendidos no país. ternação. é importante observar que uma ticando preços médios de internação muito superiores anomalia estatística pode sim ser um indício de frau. diminuam sua cernimento e por um profissional de saúde pública que taxa de óbitos. InfoSAS: Um sistema de mineração de dados para controle da produção do SUS // Artigos Figura 3: Discrepâncias estatísticas explicáveis pelas características do alvo. e do prestador.

temos usado k=3. Um cálculo simples mostra que temos. 1991) é atendimentos) para o l-ésimo estabelecimento no i-ésimo uma técnica estatística para calcular taxas e razões que mês. Temos mais de 5000 alvos. e k é uma constante previamente definida. Tipicamente. Para isso. em cada mês i e para cada estabelecimento l. va. maior interesse em sua região de atuação. produzindo escores que permitem orde- nação e priorização das folhas de fatos. escoreli=∑ji=i-11diflj . Mais formalmente. FUNCIONAMENTO DO INFOSAS Outro algoritmo procura detectar discrepâncias em taxas de atendimento por habitante. pois um profissional de controle e avaliação tem. onde tli é a di. apro- ximadamente 6000 prestadores e. bilhões de folhas de fatos que podem ser extraídas das bases de dados examinadas. claro. Tomando como A Figura 5 mostra o fluxo de dados do InfoSAS. SIH e CNES. Entretanto. 2015). Tais séries são calculadas cimentos nos residentes de um município é analisada. O valor pria série histórica de produção (ou de valor médio). MARSHALL. ção do município é calculado como uma soma acu- ções abruptas na produção de um prestador. por estabelecimento e por município de residência dos Caso este município tenha uma produção acima do li- pacientes. a série Mensalmente. Para a seleção. buscar ao acaso discrepâncias relevantes é como procurar uma agulha em um palheiro. o algoritmo atribui um escore de discrepância a são utilizados e cada um deles calcula um escore. empírica por 100 mil habitantes no mês i para o muni- cificamente. dados das bases SIA. Vários algoritmos de detecção de anomalias miar. O InfoSAS mostra seu valor nesse momento. Mais espe. Em seguida. o escore de produ- Um algoritmo tem como objetivo detectar oscila. o InfoSAS também permite ao usuário concentrar-se em áreas definidas por filtros geográficos. temporal de produção realizada por todos os estabele- sal em cada alvo desejado. cípio l. quantidade de interesse do l-ésimo estabelecimento no i- -ésimo mês. de atuação. Por falta de tos de forma proporcional à participação de cada um no espaço para descrever em detalhes todos os escores. Estes ele. pois utiliza diversos algoritmos que procuram capturar discrepâncias. O InfoSAS analisa as séries temporais de valor médio mensal por procedimento e de produção men. Se de taxaBrasili é a taxa de produção mensal brasileira por houver uma mudança brusca na série. Em nós calculamos escoreli=(tli+1)/(medianali+1). DETECÇÃO AUTOMÁTICA DE DISCREPÂNCIAS ESTATÍSTICAS Encontrar folhas de fatos de interesse para o con- trole em uma Secretaria de Saúde é um fator de conven- cimento para a decisão de apuração. difli=max{0. A taxa bayesiana em- mensão de interesse (que pode ser o valor ou o número de pírica (ASSUNÇÃO et al. onde produção do estabelecimento é comparada com sua pró. a mulada nos últimos 12 meses. seriam 36 janelas de tempo possíveis. literalmente.Artigos 3. como cardiologia ou orto- pedia e. base a produção brasileira por 100 mil habitantes. 1998.. 4. o algoritmo atribui 100 mil habitantes no mês i. em 3 anos de produção.. tomamos m=12 ou m=6 meses. atendimento a esse município. por período de análise e por alvos. Uma O escore do estabelecimento é obtido soman- descrição mais detalhada de outro algoritmo pode ser do-se os escores que ele obteve em cada município encontrada em (CARVALHO et al.tBayesli-limiari} e limiari=k*taxaBrasili. o escore é atribuído aos estabelecimen- escores são posteriormente combinados. tBayesli é a taxa bayesiana um escore de discrepância ao estabelecimento. sua atenção dirigida para setores específicos da saúde. e tam- 57 Revista do TCU 137 . medianali é a mediana dos últimos m meses para a não é afetada pela flutuação de pequenas populações. considerando apenas períodos de 12 meses. muitas vezes. nossos estudos. mos apresentar a seguir a definição de dois deles.

fraudulentos ou regulares. Temos Figura 5: Etapas da análise de dados pelo sistema InfoSAS Setembro/Dezembro 2016 58 . CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS Além desses. interface com visualização mais flexível e interativa do uma ferramenta de BI. uma caracterização estatística de alvos de relatório e especifica parâmetros para filtros por con. existem muitas linhas para produz o que nós chamamos de cubo de fatos minerados. mais precisa e elaborada. O Os resultados já obtidos pelo projeto InfoSAS são InfoSAS. o InfoSAS serem feitos. anomalias em taxas de atendimentos por habitante. devendo ser fi. a nosso ver. dimensionamento adequado à frequência de ocorrência dadas folhas de fatos que lhe chamam a atenção. o usuário extrai para análises mais aprofun. a utilização junto de alvos. Um realização de auditorias. da população SUS nos cálculos estatísticos. em sua versão atual utiliza diversos algoritmos importantes e representam um passo à frente na moder. Essa rotulação abre a possi- nalizado até novembro de 2016. tema. O sistema InfoSAS já foi pervisionado. com identificação de vazios assistenciais. o cálculo Um relatório é produzido de acordo com o modelo esco. em todos eles. O usuário seleciona um modelo dos resultados. a escolha adaptativa de recortes geográficos com o Do relatório. 5. com a primeira oferta bilidade de utilização de algoritmos de aprendizado su- prevista ainda para este ano. e a utilização de paralelismo no processa- mento da mineração e da visualização. período de análise e recortes geográficos. de limites inferiores e superiores para a atribuição de lhido e com os filtros determinados. O primeiro destes seria viabilizado pela está instalado e em funcionamento no DATASUS. contendo escores de produção anômala de um município a seus prestado- discrepância calculados pelos algoritmos de mineração. 2015) e. InfoSAS: Um sistema de mineração de dados para controle da produção do SUS // Artigos bém dados populacionais do IBGE alimentam o servidor nização dos processos de seleção de itens para auditoria de mineração de dados. que é guiado por uma tabela de e controle. permitindo a emissão de alertas de forma apresentado em diversos eventos nacionais (DRAC SAS. são os mais importantes a No momento atual (outubro de 2016). talvez guiadas por alertas do curso a distância para capacitação de gestores quanto InfoSAS. classificando atendimentos um a um como ao uso do InfoSAS está em preparação. seus resultados foram julgados O outro consiste em uma análise consolidada de muito interessantes por especialistas em saúde pública. desenvolvimentos futuros. queremos destacar dois desenvol- vimentos que. correção e calibragem fina ção de discrepâncias estatísticas. utilizan. Além da necessidade de manutenção do sis- alvos de mineração e que executa algoritmos para detec. Vislumbramos uma nova Este cubo é explorado pelo usuário do InfoSAS. constante atualização. Esta fase de mineração dos algoritmos já utilizados. de cada alvo. res. que procuram capturar anomalias estatísticas.

e em uma parte “anormal”. então. Em todo o Brasil.396.920.365. distribuição entre prestadores dos atendimentos consi- Nós arbitramos que taxas de atendimento por derados anômalos. tem como ponto de partida de R$19.565. o que permite a priorização da apuração atendimento de cada prestador.904. de fatos pelos gestores do SUS. Pela taxa limite de 3. dados observados 59 Revista do TCU 137 . Para o tivas globais de valor para produção anômala.08% do total. conseguimos va em uma parte “normal”. exemplo da Figura 7.25. com 99% de probabilidade. O excesso em alvos uma distribuição log-normal. no máximo. a população desse município de- único algoritmo com uma metodologia estatística para veria ter recebido. em um dado mês. taxas acima de 3.Artigos também uma estrutura de alvos de mineração onde um situarem à direita do ponto que divide a área sob a cur- alvo pode incluir outros alvos. Isso torna possível a obtenção de estimativas dimentos anômalos. por 1. foram considerados anormais a constatação de que a distribuição das taxas de atendi. alvo e para qualquer município de um ponto de corte Outro resultado deste estudo que pode ser uti- para o que deve ser considerado como normal ou anor.000 habitantes tenha recebido 400 atendimentos organização da Tabela do SUS. atendimentos com valor somado de R$413. Os resultados da aplicação desta análise à produ- A metodologia que pretendemos utilizar. mento por habitante observadas nos municípios segue correspondendo a 2.30. Com isso. e que já ção registrada no SUS em 2013 são fortes.912. nós decidimos ter como alvos somente Suponhamos que para o alvo em questão.00. como ilustrado na Figura registrados no SIHSUS foi de R$350. Nós estimativa de excessos em taxas de atendimentos por consideramos. belecimentos pelo conjunto de alvos nem obter estima. De um total aplicamos a dados de 2013.2 atendimentos Para produzir um novo relatório superando es. com 1% de probabilidade.000 habitantes/mês são consideradas anormais. e utilizar um tos/1.56. o que faz com que a inter. muitos achados. o que nos parece um critério bastante prudente.354. um município conjuntos de procedimentos em uma mesma forma de de 100. Figura 6: Densidade da probabilidade de taxas de atendimento por habitante: log-normal teórica vs.969. cujo valor é distribuído entre os globais (em todos os alvos) de produção anômala para prestadores do município. tes problemas. Isso abre a possibilidade de definição para qualquer SIA de R$63. mantendo as proporções do cada prestador. 320 atendimentos.000 habitantes. apenas 5 prestado- habitante devem ser consideradas anormais quando se res concentram quase 9% do valor total das anomalias. e no 6. mas não temos como classificar esta. que o município teve 80 aten- habitante.491.2 atendimen- seção entre dois alvos quaisquer seja vazia. lizado para priorização de auditorias é uma análise da mal em uma taxa de atendimentos por habitante.

InfoSAS: Um sistema de mineração de dados para controle da produção do SUS // Artigos Figura 7: Definição da taxa-limite de atendimentos por habitante no ponto de corte de 1% da distribuição log-normal mais de 50% desse total está concentrado em 100 pres. R. DF. Geraldo Franciscani. Cadernos de Saúde Pública. 40. 2016. et al. Felipe Caetano. Renan Xavier e Raquel Fer- reira. Vancouver. Disponível em http://homepages. Marcelo Campos. F.. Sônia Gesteira e Suzana Rattes. et al. p. Raphael de Faria e Wicriton Silva cuidaram de THE ECONOMIST. Douglas Azevedo. SMYTH. foram nossos consultores sa. n. DRAC SAS. participaram deci. 3. out. M. de diversos algoritmos. Avaliação e Controle da Se. From data Santos. Mapping disease and mortality rates using sivamente na pesquisa. P. IN cretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde. Rio de Janeiro. Larissa FAYYAD.dcc.com/news/ dos.economist. 2016. G. v. L. R. papers/sdm/dmmh2015. v. da Unimed-BH. AI magazine. Luiz Gustavo Silva. Carlos Teixeira. Maria Helena Brandão foi a con. 1 set. construção e implementação empirical Bayes estimators. A toda essa equipe. 2015. vão os nossos mais sinceros care-system-272-billion-swindle. AGRADECIMENTOS CARVALHO. A simple and effective method Em primeiro lugar temos que agradecer ao De. a Bayesian approach.ufmg. 1998. J. agradecimentos. Luciana Morais. n. 6. 713–723. ON DATA MINING FOR MEDICINE AND HEALTHCARE. em: <https://www. 31 maio desenvolvimento. Ciclo de Oficinas do DRAC da SMSA-BH. 2016. 37-54. Auckland. In: 4TH WORKSHOP partamento de Regulação. 14. Edré Moreira. REFERÊNCIAS tadores. 4. Milton Ferreira.com/watch?v=vIaR_Q7T-Us>. da Funed. Disponível em http://www. 1996. Acesso em: 29 nov. PIATETSKY-SHAPIRO. Maurício Nascimento Jr. Maps of epidemiological rates: em 2013. 17. 1991. Acesso em 29 nov. Um único prestador teve quase 10 milhões de reais em atendimentos considerados como anômalos ASSUNÇÃO. p.pdf. for anomaly detection in healthcare. O InfoSAS foi construído por uma equipe gran. e Tomas Schweizer foi o líder técnico. n. bolsistas de pós-graduação.br/~carlos/ de e multidisciplinar. João Paulo Pesce. visualização e bancos de da. gerentes. mining to knowledge discovery in databases. Londres. Setembro/Dezembro 2016 60 . Disponível Castro. que CONJUNCTION WITH THE 15TH SIAM INTERNATIONAL solicitou e financiou todo o projeto. 2./dez. Luiz Fernando Carvalho. The $272 billion swindle..youtube. verdadeira responsável pela united-states/21603078-why-thieves-love-americas-health- construção do sistema. Pablo Fonseca.. CONFERENCE ON DATA MINING. 283–294. U. dutora do projeto por parte do DRAC. 2015. nitaristas. Ícaro Braga. testes. M. Applied Statistics. Serufo Jr. Ministério da Saúde. maio 2015. Brasília. Fabiana Peixoto e Letícia Neto foram as Acesso em: 4 jul. João Victor Bár- bara.. e Mônica – Controle de Avaliação. v. p. Ester Dias. 2014. MARSHALL. José Carlos California.

a Universidade Recentemente. na China. INTRODUÇÃO auditoria e blockchain. Os governos são grandes compradores de bens e serviços e isso os tornam vítimas frequentes de fraudes em contratos públicos (Robbins Geller 61 Revista do TCU 137 . De acordo com a Organização Mundial do Comér- cio (OMC). dados governamentais abertos. governos de muitos países adotaram Estadual de Nova Jersey. Jun Dai  detecção de precificação duvidosa etc. qualquer um que tenha interesse em monitora- auditoria analítica. inclui auditoria analítica. contratos públicos governamentais respondem. a Universidade Estadual de Nova Jersey. em média. e aplicativos também podem ser utilizados por outras nações candidata a doutorado na Rutgers. Esse artigo usa dados é professora assistente na de contratos de compras do Governo Federal brasileiro para Southwestern University of Finance ilustrar a funcionalidade desses aplicativos. tais como autenticação das qualificações do contratante.Artigos Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais1 Qiao Li  RESUMO é candidata a doutorado na Rutgers. O trabalho de pesquisa operações mais transparentes para os cidadãos. Compras Públicas Governamentais. automação em auditoria. Esses aplicativos podem aju- dar a investigar dados de aquisição sob diferentes perspecti- vas. por 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia (OMC 2015a). O trabalho Palavras-chave: Aplicativos de Auditoria. realizar análises sobre dados de compras públicas governa- sistemas para suporte em mentais. para analisar seus dados governamentais abertos. No entanto. Estados Unidos. Análise de pesquisa desenvolvido por Dai de Dados. planejamento mento de gastos do governo pode aplicar tecnologias para e gestão de risco em auditoria. os and Economics. Este trabalho propõe 29 aplicativos de auditoria auditoria e aprendizado de que podem ajudar diversas partes interessadas na análise de máquina (machine learning). aplicativos para 1. Estados iniciativas de dados abertos com o objetivo de tornar suas Unidos. Com os da- desenvolvido por Li inclui dos abertos.

. que tem se popularizado possuem dados de compras governamentais bem-sucedidos recentemente. oficiais do governo de São Francisco tornaram públicos contratuais do Governo Federal brasileiro. mercadorias etc. 2007). Oito desses aplicativos foram desenvolvidos para 4 milhões de libras (6 milhões de dólares). Devido ao complicado pro. Por exemplo. O Brasil tudos ou metodologias avaliam como partes interessadas também fornece Interfaces de Programação de Aplicativos podem coletar e analisar dados.1 DADOS ABERTOS DO GOVERNO E do armazenamento de dados é muito difícil para as partes ASSUNTOS RELACIONADOS interessadas organizarem. esse estudo concentra-se apenas em dados anomalias nos contratos. um Para ilustrar essa afirmativa. à confidencialidade de informações e descentralização 2. 2. Utilizando essa informação. aos vários tipos de contra- tos. Em outro exem- demonstrar a sua utilidade e benefícios ao utilizar dados plo. poucos es. Aplicativos de auditoria são abertos que se relacionam com contratos públicos. a palavra "aberto" indica que governos de muitos países. Alguns procedimentos formalizados de auditoria realizados por exemplos de países que criaram sites e bancos de dados que meio de scripts de computador. tais como Estados Unidos. China. dos de contratos em 2010. para tornar os dados disponíveis Embora fontes de dados abertos disponibilizem ao público. informação de aquisição federal chamado "SIASG". (APIs) para que os cidadãos possam baixar dados sobre con- lho visa desenvolver e propor aplicativos de auditoria que tratos federais associados a fornecedores. o governo britânico publicou seus da- ditoria eficazes que examinam contratos governamentais. Brasil e Reino fornece orientação para a concepção de aplicativos de au. úteis e transparentes cidadãos através de sítios online. analisarem e monitorarem os contratos dos governos federais e locais. podem servir como instrumentos eficazes para o moni. com rem e redistribuírem (Auer et al. ANTECEDENTES cesso de licitação e contratação. Austrália. os dados estão disponíveis gratuitamente para todos utiliza- nadá e Brasil. Por exemplo. Dessa forma. Nos últimos anos. bancos de dados abertos. projetamos 29 aplicativos oficial britânico encontrou registros duplicados de compras de auditoria que identificam potenciais contratos de alto em vários departamentos do governo que custaram mais de risco. começaram iniciativas de dados abertos. Esse trabalho propõe uma estrutura que incluem os EUA. Muitos países têm criado para os seus cidadãos (Data. No termo dados abertos. o Brasil publicou um sistema de informações governamentais para o público. Eles estimam que o número Setembro/Dezembro 2016 62 . Apesar de ter sido divulgada uma grande variedade de da- toramento das despesas públicas e identificar possíveis dos do governo. Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca Rudman & Dowd LLP 2016). Tais dados são reuni- o objetivo de tornar as informações sobre as operações do dos e mantidos pelos governos e podem ser acessados pelos governo imediatamente disponíveis. Canadá. Unido. este traba. Ca.gov 2016). os dados de transporte em 2012.

Portanto. Em primeiro lugar. Isto significa que procurar portais de dados aber. Isto torna a coleta e análise de cado. o nível de divulgação varia. as partes interessadas coletar essas informações e integrá-las dos. Há dem até mesmo criar aplicativos de auditoria personalizadas pelo menos dois desafios que devem ser abordados antes que realizam tarefas especiais de auditoria. como o formato PDF digitalizado gramas de software de análise de dados gerais sobre o mer- (que são na verdade fotos). em dados eficientes e eficazes é uma questão crítica. além de dados abertos do governo. exigindo As partes interessadas em explorar dados abertos. geralmente poucas interações do usuário. Em segundo das para a variedade de usuários que querem investigar dados lugar. Por fim. descobrir irregularidades e detectar cisam carregar dados em aplicativos de auditoria para obter fraudes incluem. a quantidade de dados pode impedir a compreensão e a utilização pelos usuários é enorme. im. dados não publicados podem ser muito valiosos. Um desafio ainda maior úteis são fornecidos? Os detalhes dos dados são adequados? existe em analisar a grande quantidade de dados disponíveis. Existe alguma informação faltando? Estas questões podem Poucas ferramentas analíticas foram especificamente concebi- alterar a eficácia da análise de dados abertos. governamentais (O'Leary 2015). Essas fontes podem incluir mídias sociais. alguns dados abertos não são preparados em um for. Este problema é evidente. desenvolver ferramentas de análise de possuem habilidades para analisar e interpretar dados e. re- dade dos dados não é boa o suficiente. fontes. Cada aplicativo de auditoria geral- mente executa um teste único de auditoria analítica. Primeiro.3 APLICATIVOS NA ÁREA DE AUDITORIA são dificilmente acessíveis devido à questão da privacidade de dados (The Economist 2015). para tos e extrair informações relevantes e úteis são muitas vezes usuários com conhecimento limitado de auditoria e análise uma tarefa árdua. economizaram mais 1 milhão de dólares (The Economist 2015). Todos os campos de dados com dados abertos governamentais.Artigos de atendimentos de consultas telefônicas abaixou e com isso que esses grupos comecem a trabalhar com dados abertos. Auditores po- prensa. 2. Em terceiro lugar. Outro problema é que poucos indivíduos de dados. do software. a quali. resultados sem muitas operações complicadas. A popularidade 63 Revista do TCU 137 . a complexidade inerente dessas ferramentas analíticas dados mais difícil. executadas por uma ferramenta informatizada (Dai. aproveitar essas interpretações ou conclusões.2 USUÁRIOS INTERESSADOS EM DADOS ABERTOS Krahel e Vasarhelyi 2014). mas 2. existem alguns problemas com dados abertos também precisar coletar dados úteis provenientes de outras que ainda impedem seu sucesso. especialmente. eles podem No entanto. mas estão não limitados a: cidadãos. Aplicativos de auditoria são rotinas analíticas forma- lizadas. seguida. empresas concorrentes e concorrentes políticos. É difícil para de muitos países sejam obrigados a divulgar dados relaciona. Embora os governos latórios governamentais e relatórios de analistas. Embora existam muitos pro- mato legível por máquina. notícias. Os usuários só pre- identificar anomalias.

Os usuários podem criar aplicativos personalizados A segunda dimensão é a plataforma de software. A estrutura (mostrada na Figu- entanto. ário. se todos os licitantes ofe- vantagem importante dos aplicativos. luxo para escritório (como uma cadeira de massagem extre- Como resultado. no compras governamentais. possam analisar os dados com facilidade. Por exemplo. porque permite es. Personalização é outra resultados de fraudes. Alguns aplicativos no mercado. ou bens necessários com preços significativamente maiores ria são substitutas com bom custo benefício que permitem do que a taxa de mercado. podem e relacionadas à fraude. A maioria dos usuários são cidadãos des governamentais. são desenvolvidos especialmente para os cidadãos ra 1) contém quatro dimensões: tipo de anomalia. em geral. Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais // Artigos de aplicativos de auditoria tem crescido recentemente. de várias áreas de tórios financeiros governamentais. mamente cara). UMA ESTRUTURA PARA mas: Software de análise de dados de auditoria (ADAS)3 PROJETAR APLICATIVOS e Software de análise de dados generalizados (GDAS)4. tipo de que pretendem analisar dados abertos do governo. bens obviamente desnecessários (como joias) tware profissional de auditoria caro. Propomos uma estrutura que forne- res de serviços de auditoria. Aplicativos de audito. Isso anomalias de dados que podem afetar demonstrações ou rela- permite que várias partes interessadas. devido a desenvolvedores de software e provedo. Anomalias financeiras referem-se às ser operadas facilmente com treinamento mínimo. Anomalias relacionadas com frau- aos usuários executar uma grande variedade de testes de de apresentam padrões de dados incomuns que podem ser auditoria com base em análise. Anomalias ramentas favoritas para analisar dados abertos por várias podem ser classificadas em três tipos: financeiro. recem um preço uniforme e se recusarem a negociar durante tender aplicativos para cumprir tarefas específicas do usu. É necessária orientação para projetar aplicativos em parte. existem dois tipos de platafor- 3. que têm feito esforços para criar ce orientação para design de aplicativos para auditorias de aplicativos de auditoria2. Esta será usada para desenvolver e operar aplicativos de auditoria. operacional razões. Aplicativos de auditoria podem estar entre as fer. eficientes e eficazes. o processo de licitação do governo. Isto é. usando Kits de Desenvolvimento de Software profissional. O Figura 1: Estrutura para projetar um aplicativo Tipo de anomalia Anomalias �inanceiras Anomalias operacionais Anomalias relacionadas a fraudes Técnica Data Análise Estatísticas Estatísticas Machine Dados Outros dados Dados não básica descritivas learning abertos públicos publicados Software analítico de dados gerais Software analítico de auditoria Plataforma de Software Setembro/Dezembro 2016 64 . é difícil para estes comprarem um sof. plataforma de software e técnica. Estes podem incluir a falta escolaridade. Anomalias baixo custo das aplicativos é outra razão pela qual elas são operacionais focam na ineficiência das operações e ativida- uma opção atraente. Estas incluem a compra de produtos de ou empresas concorrentes e não auditores profissionais. O de dados ou valores incorretos / desatualizados. Uma delas é que aplicativos. dados. Geralmente. A primeira dimensão é o tipo de anomalia.

tornando-o útil para desenvolvimento de aplicativos. Além disso. outros dados públicos. Os aplicativos devem ser desenvolvidos nipulação de dados de alto volume. ções fraudulentas. tais como políticas de opera. PROJETANDO APLICATIVOS PARA duin e Zhang 2015. Estatísticas descriti- formação técnica ou treinamento dos usuários para com. Quando integrado flutuação anormal. AUDITORIA DE DESPESAS PÚBLICAS ses e organizações começam a abrir seus dados. Estatísticas preender os modelos sofisticados. Ademais. podem indicar riscos no processo de com dados públicos. Todos esses dados não qualificados. Téc- de de estatísticas e modelos de aprendizagem de máqui. Recentemente. À medida que mais paí. padrões escondidos dentro de dados complexos. Como cada plataforma (por exemplo. Esses aplicativos fornecem garantia prelimi- 65 Revista do TCU 137 . dos dados de contratos governamentais. mídia social e dados coletados de máquinas ou incluem contratos suspeitos ou a utilização de fornecedores vários sensores podem ser coletados. muitos estudos têm discutido a utiliza. Yoon. vas podem fornecer uma visão global de dados. abertos. A Tabela 1 mostra os aplicativos propostos. Chychyla e Stewart 2015. de máquina (por exemplo. Cao. tais como valores ausentes e atividades anormais governamentais. essas informações inéditas podem contratação. Os de- A terceira dimensão está relacionada ao tipo de da. Tais técnicas incluem sumarização. O GDAS geralmente tem a capacidade de ma. o ser usadas para localizar processos arriscados de operações que torna a criação de aplicativos com base em funções governamentais e identificar potenciais contratos ou transa- mais fácil. Pa- podem fornecer esclarecimento quanto a identificação de drões de dados anormais. também demonstram quaisquer padrões de dados especiais. senvolvedores devem tirar proveito dessas técnicas para dos. Alles 2015). os desen. Kogan e Tuttle 2015. 4. nicas analíticas básicas podem ser usadas para identificar na. padrões incomuns. Hoog. tais dados abertos se moverão rapidamente para “big data” (O'Leary Propomos 29 aplicativos que podem ajudar a identificar 2015). como vários dados para facilitar as análises de uma grande variedade de dados. Essas anomalias de notícias. tais como artigos potenciais anomalias nas despesas do governo. A última dimensão está relacionada à técnica. podem ser combinados e usados para identificar anomalias Os três primeiros aplicativos fornecem uma ve- ou respaldar investigações (Vasarhelyi et al. agrupamento e classificação) volvedores podem criar várias versões de aplicativos que são técnicas avançadas que podem descobrir efetivamente permite aos usuários executá-los em diferentes softwares. 2015). criar aplicativos eficazes e eficientes ção de "big data" para fins de garantia (Vasarhelyi. A desvantagem desse tipo de software é que ele requer consulta e correspondência de dados. rificação preliminar sobre a confiabilidade e integridade certas informações inéditas. Eles também ções internas de certas unidades governamentais. O GDAS também contém uma grande varieda. regressão e séries temporais) e aprendizado de software tem suas características especiais.Artigos ADAS contém funções de auditoria pré-programadas.

Dados de contrato Estatística descritiva de instrumentos) Aplicativos para Fornecedores Suspeitos Dados de con- 4 Verifica a informação do fornecedor Fornecedores não existem no arquivo principal trato. fábrica ou local de obra Endereço de entrega Visualização 29 Verifica informações geográficas de fatura Empregados são faturados em vários locais de obras distantes. Fornecedores recusam 16 Verifica o desvio-padrão do valor de licitação Preços de licitação Desvio-padrão negociar preços. 0. e no mesmo valor durante o processo Detecção duplicada licitatório Produtos Anormais /Implementação de Serviços 23 Verifica produtos de luxo Governo compra produtos de luxo Dados de contrato Mineração de texto 24 Verifica itens obviamente desnecessários Governo compra muitos itens desnecessários como vale-presentes Dados de contrato Mineração de texto 25 Verifica custos excessivos Custos excedem em muito as estimativas Dados de contrato Consulta 26 Verifica horas trabalhadas Funcionários cobram mais horas do que o horário normal de trabalho Faturas Consulta 27 Verifica faturamentos duplicados Faturas duplicadas para o mesmo produto ou serviço Faturamento Detecção duplicada 28 Verifica local de entrega anormal O local de entrega não é um escritório. comparação 19 Detecta desistência de licitantes Licitantes qualificados retiram propostas válidas inexplicavelmente tação. 8 Verifica ganhadores anormais de licitações Sumarização ro igual de licitações dados de licitações Informação geográfi- 9 Verifica a distribuição regional de fornecedores Fornecedores em uma área específica ganham a maioria dos contratos Visualização ca de fornecedores 10 Verifica a combinação anormal do licitante Os mesmos licitantes sempre ou nunca concorrem entre si Dados de licitações Sumarização Aplicativos para Preços e Valor Inicial de Contrato Anormais 11 Verifica valores anormais de contratos Valores iniciais de contratos não estão em conformidade com a lei de Benford Valores de contrato Lei de Benford Fornecedores propõem preços elevados em licitações governamentais do que o Comparação de dados. etc. no mesmo dia Faturas Visualização Setembro/Dezembro 2016 66 . 17 Verifica alterações de contrato Os valores iniciais dos contratos mudaram muito Dados de contrato Comparação de dados Aplicativos para Procedimento e Modalidade Anormais de Licitação 18 Verificar a vigência do licitante Muitos poucos fornecedores vigentes Processo de licitação Consulta Processo de lici- Consulta. números extremamente grandes ou pequenos. datas e bens e/ou serviços Dados de contratos Detecção duplicada 14 Prevê e identifica preços vencedores anormais Preços vencedores são maiores que preços previstos Dados de contratos Regressão Grande diferença entre o preço de oferta do vencedor e dos outros preços 15 Identifica diferenças de preços anormais Informação de preços Consulta propostos Todos os preços dos fornecedores parecem uniformes. 5 Verifica a qualificação do fornecedor Comparação de dados suspensas Empresas suspensas Informação de mem- 6 Verifica relacionamentos Membros da família do fornecedor trabalham no governo bros da família de Consulta fornecedores Fornecedores têm uma alta proporção de contratos que não passaram por proces- 7 Verifica licitação dispensável Dados de contrato Consulta sos normais de licitação Algumas empresas sempre ganham ou todos os fornecedores ganham um núme.05 Dados de contrato Consulta 2 Verifica a integralidade e integridade de dados Ausência de fornecedores/licitação/datas/etc.Informação demo- 21 Detecta licitantes duplicados Detecção duplicada gráficos duplicados gráfica de licitantes Preços de licitação 22 Verifica flutuação anormal do preço de oferta Competidores anunciam o aumento do preço ao mesmo tempo. estão na lista de empresas Dados de contrato. 12 Compara preços de contratos Dados de preços preço de mercado consulta 13 Identifica compras divididas Contratos com mesmo fornecedor. dados de Comparação de dados fornecedores Fornecedores.Dados de contrato.01. ou sua empresa matriz/subsidiárias. 0. Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais // Artigos Tabela 1: Lista de aplicativos propostos No Objetivo do Aplicativo Indicador de Anomalia Dados Técnicas Aplicativos para dados incompletos / Verificação de integridade e Constatação de padrões de dados 1 Verifica valores de contratos anormais Números incomuns como 0. dados de de dados fornecedores 20 Detecta propostas duplicadas Empresas apresentam licitações com itens individuais idênticos e montantes fixos Processo de licitação Detecção duplicada Licitante com endereços. fac-símile. Dados de contrato Consulta Encontra padrões de dados especiais (usando painel 3 Flutuação anormal de dados. números de telefones ou outros dados demo.

Isso inclui gastos excessivos em produtos identificação de fornecedores suspeitos. Li. Para demonstrar a utilidade dos aplicativos de audi- Os aplicativos de 11 a 17 foram projetadas para identificar toria na auditoria de contratos de governo. Esses aplicativos são. 2016) 67 Revista do TCU 137 . as empresas para participar de processos de licitação. bem como taxas de serviços ausentes ou anormais. es- quemas de comissões e manipulação de preços de licitação. Visto que forne. ILUSTRAÇÃO DE APLICATIVOS o comportamento dos fornecedores durante os processos UTILIZANDO CONTRATOS FEDERAIS de licitação e contratação. O sistema CEIS grava o CNPJ das empre- de 23 a 29 ajudam a identificar as compras de produtos sas que estão proibidas de vender produtos ou serviços para o Figura 2: Aplicativos de Auditoria para Análise Descritivas (Adaptado de Dai. fornecedores de bens e serviços. cedores podem estar envolvidos em muitos tipos de frau- des. é necessário desenvolver aplicativos para monitorar 5. O arquivo de fornecedores registra previamente pode se caracterizar quando poucos licitantes válidos par. datas de início / término e valores iniciais rapidamente comportamentos suspeitos de licitação.Artigos nar de nível de dados identificando contratos com valores anormais ou desnecessários. de 1989 a 2014. principalmente. coletamos dados padrões de preços incomuns. auxiliam na não prestados. informações so- ser utilizadas para analisar e monitorar o procedimento bre entidades governamentais. Os aplicativos de 18 a 22 podem arquivo de contrato contém. Estes aplicativos podem identificar métodos de licitações. Os aplicativos de 4 a 10. Os aplicativos ções demográficas. DE COMPRAS BRASILEIRAS projetadas para identificar fraudes tais como suborno. Tendo em vista que contra. que de contratos. portanto. complexo de licitação. Os dados ticipam de uma licitação ou quando uma há uma retirada nesse arquivo incluem o CNPJ das empresas e suas informa- inexplicável de uma licitação do processo. para escritório ou utilização indevida de fundos públicos. O contratos de alto risco. esses aplicativos podem chamar a atenção para de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS). de contratos e fornecedores do Sistema Integrado de Admi- tos arriscados são normalmente associados com preços nistração de Serviços Gerais (SIASG) e do Cadastro Nacional anormais.

desenvolvemos oito apli. 5. verificação de dados a primeira crise financeira atingiu o Brasil6. De acordo com a tabela. 16. As informações do gráfico e da tabela indi. Três aplicativos7 foram criados para ve- oferecendo tipos de licitações e entidades governamentais. Os resultados sociadas com a modalidade de licitação 06 (dispensa de mostram que 35. Contratos de alto risco geralmente estão associados As três entidades mais importantes do governo são atípicas com padrões de dados especiais que raramente ocorrem em pois gastaram muito mais do que o restante. O painel esquerdo lista os campos importantes início e término dos contratos. Por exemplo. contrato inicial. análises avançadas.167 contratos não informam a mente. contratos são mostradas em 1.1 PAINEL DE ANÁLISE DESCRITIVA 5. A Figura 2 utiliza um painel para mostrar os os fornecedores. mações de fornecedores. ciar contratos que tenham valores faltando. O histograma mostra os gastos de cada entidade de governo entre os anos de 1989 e 2014. Com base nos dados.516 contratos (de 470. ano em que cativos para executar a análise descritiva. Isto decorre o motivo pelo qual tais valores estão ausentes. longo do tempo. O gráfico de situações normais.000 contratos. um fornecedor pode ganhar Setembro/Dezembro 2016 68 . A tabela resume o valor inicial de contratos em cada modalidade de licitação e as datas de início e término não modalidade de licitação. Isto indica uma incompletos e de integridade e identificação de anomalias. Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais // Artigos governo federal brasileiro e inclui a data de início e término de linhas mostra as alterações em valores totais de contrato ao suas sanções. Mais testes de cam que os contratos com modalidade de licitação 07 ou 06 auditoria devem ser realizados para identificar e verificar poderiam apresentar um alto risco de fraude.6% e 19% das compras foram as.683) não têm infor- licitação) ou 07 (inexigibilidade de licitação). preocupação de risco potencial nas despesas públicas. respectivamente. Portanto. A ausência de valores com modalidade de licitação 07 e 06 compõem o terceiro nos campos críticos pode ser resultado de erros simples e quarto lugar. Verifica-se um pico em 1999.3 IDENTIFICAÇÃO DE ANOMALIAS cessos licitatórios regulares. porque esquemas de comissões e suborno estão suscetíveis de ocorrer quando bens ou serviços são comprados sem pro. a modalidade de licitação e as datas de resultados. rificar a integridade de cada um dos três campos e denun- O gráfico mostra que 9.2 DADOS INCOMPLETOS E VERIFICAÇÃO DE INTEGRIDADE DE DADOS Um aplicativo de auditoria5 é desenvolvido para rea- lizar análises descritivas dos dados de contrato de compras Os campos importantes nos dados de contrato são do governo. O painel direito usa diversos gráficos desses dados críticos deve ser verificada antes de realizar para mostrar a análise descritiva dos valores de contratos. como suborno ou esquemas de comissão. em termos de valores de na alimentação de dados ou de atividades fraudulentas. 5. respectiva. a integridade no conjunto de dados.

da lista causar enormes prejuízos aos governos. uma agência governamental específica de 15 de dezembro Um aplicativo de auditoria8 foi desenvolvida para de 2014 a 14 de dezembro de 2016. Novos testes tem um baixo risco de fraude em comparação às empresas também devem ser realizados para analisar se os valores não registradas. Ainda existe a possibilidade de valores iniciais dos contratos não devem exceder às sugeri. Os resultados da análise da lei de Benford indicaram que empresas e agên- cias governamentais podem ter conspirado para reduzir o valor inicial do contrato para adaptar-se a esses limites que simplificam os processos de compras. Isso ocorre porque o uso de tais fornecedores de alto risco pode resultar na quebra de con- trato ou no fornecimento de produtos ou serviços de baixa qualidade. 8. Outro exem. só para aumentar esse preço mais tarde. Isso acontece porque as empresas registra- iniciais extremamente baixos são razoáveis. ção governamental. contratos assinados dade para detecção de fraudes (Nigrini 1999.1). Nesse trabalho. Os resultados demonstram entanto. Os resultados mostram que um total cam comportamento fraudulento por parte dos fornecedores. "79" e "80" do que o esperado. mas menores que R$ 0. Padrões anormais em contratos geralmente indi. Se este não for o caso. Esses contratos de. Um apli- plo seria uma empresa continuar vendendo bens e serviços cativo de auditoria10 foi desenvolvido para identificar os após ter sido penalizada por um descumprimento de uma contratos cujos fornecedores ou subsidiárias/matrizes estão obrigação.Artigos uma possível fraude envolvendo os contratos. no baixos (menos que R$ 0. Dessa forma.717 contratos com entidades do complementar seja conduzida. Isto ocorreu mesmo com cativos foram desenvolvidos para identificar contratos que o fornecedor tendo sido temporariamente suspenso por possuam valores iniciais ou fornecedores anormais. Dentre esses contratos. gatório. Compras diretas sem licitação são permitidas caso o valor não seja maior que R$ 8. Essas empresas podem início. das pela lei de Benford. Por exemplo. que não satisfizeram todos os requisitos legais. As frequências do primeiro ou segundo dígito dos um grande risco de fraude. os contratos assinados pela empresa e suas subsi- um total de 9.05 e o valor inicial dos processos de licitação. empresas. o fornecedor "33. registrados no CEIS. das passam por um processo de verificação durante o pro- Outro aplicativo9 foi desenvolvido para executar a cesso centralizado de registro. quatro apli. empresas que estão no arquivo de fornecedores Todos esses contratos devem ser sinalizados.100 contratos foram assinados com empresas ou suas entidades governamentais ou ambos. pode indicar ganharem contratos.334 contratos que possuem valores iniciais diárias devem ser cuidadosamente analisados.118" e as suas vem ser identificados e sinalizados para que uma investigação subsidiárias assinaram 1.678 têm R$ O sistema SIASG possui um arquivo de fornecedores 0. de 25.000. há garantia de análise da lei de Benford nos valores iniciais do contrato.00 como valor inicial. Isso indica possíveis riscos nesses contratos. do CEIS.000. Analisar fornecedores é um aspecto importante na auditoria de contratos governamentais: auditores devem prestar mais atenção em compras feitas por empresas que possuem registro no CEIS.10. A que irão cumprir os requisitos legais do processo de licita- lei de Benford tem sido amplamente utilizada na contabili. Em contrapartida. Pode ocorrer que este identificar contratos com valores iniciais extremamente fornecedor preste serviços a outras agências do governo.1. ou fizeram parte. governo brasileiro de 1989 a 2014. Os resulta- dos do aplicativo sugerem que há mais contratos que têm valores iniciais começando com "60".000. A po- lítica interna do governo brasileiro permite procedimentos de licitação simplificados se o valor do contrato for inferior a R$ 80.00. 625 possuem valores superiores independentes que registra empresas pré cadastradas em a R$ 0. Nigrini e Miller com empresas que não foram registradas estão expostos a 2009). Isso ocorre quando há conluio entre 69 Revista do TCU 137 . inferiores a R$ 0. subcontratar o serviço das empresas sob sanção. Contratos assinados com subsidiárias ou em- presas matrizes das empresas suspensas também precisam uma licitação ao oferecer um preço extremamente baixo no ser analisadas cuidadosamente. Tais fraudes podem subsidiárias/matrizes que estão.05 a R$ 0. Apesar desse registro não ser obri- 31 contratos restantes estão na faixa de R$ 0.

pp. Kobilarov.gov/open-gov/. and T. NOTAS Economist. in Government at a derivados de aplicativos. J. A. criando um painel order tests of Benford’s Law. 2 Por exemplo. Ives. Qliksense permite que Nigrini. Drivers of the Use and Facilitators and Obstacles por exemplo.. and L. Accounting que o preço de mercado e se há uma relação pessoal entre Horizons. and B. 2015. Vinte e nove aplicativos específicas foram propostos Should Auditors Use? An Exploratory Study of Using Recommender para facilitar a auditoria dos gastos públicos. Big Data as complementary 9 Esse aplicativo foi desenvolvido usando Caseware IDEA. M.. E. Krahel. pp. pp. phenomenon can help CPAs uncover fraud and other irregularities.. K. 2007. J.economist. 2016. Vasarhelyi.942 contratos foram assinados com fornecedores que não foram registrados no sistema. R. Dai. 2014. S.1007/978-3-540-76298-0_52. 5 Esse aplicativo foi desenvolvido através de Qlik Sense Robbins Geller Rudman & Dowd LLP. TeamMate Analytics. 15% do PIB do país (OCDE 2015). Available at: http://dx. Working Paper. M. CONCLUSÃO Z. Big data in 7 Esse aplicativo foi desenvolvido usando Caseware IDEA. 2016. como Forestpin Theory 28 (2): 305-324. Government Expenditures.. Armchair Auditors: Crowdsourcing Analysis of 4 Exemplos de GDAS incluem R. como.439-449. Aplicativos de auditoria: uma ferramenta eficaz para asseguração de compras governamentais // Artigos as empresas e as agências governamentais. 2009. 2015a.data. Miller. 2015. J. and M. auditorias de compras e Cao. Kogan. 2015. Tuttle. tões importantes. Caseware tem mais de 50 aplicativos de auditoria em um mercado on-line (Dai et al. M. Visto que contratos públicos compõem entre 10% e doi:10. Outras empresas. and S. Government Procurement Fraud.. D. Journal of Accountancy. https://www. 1 Este trabalho é baseado no artigo publicado no Journal of Nigrini. Hoogduin. Um aplicativo 10 Esse aplicativo foi criado pela SAS Enterprise. M. Zhang. Which Audit App(s) tais. 29(2).com/types- 6 http://bibliotecadigital. 2015. R. accounting: An overview. R. P. Designing Audit Apps for Armchair Auditors to em auditorias de contratos.431-438. org/10. Accounting Horizons. 29(2).com/node/21678833/print. resultados mostram que 40. Panel%202%20-%20Gabriel%20Palma%202_0. ISBN 978-3-540-76297-3. C. também desenvolveram alguns produtos OECD. Data diagnostics using second usuários desenvolvam aplicativos de auditoria. Bizer. DBpedia: A Nucleus for a Web of Open Data. 2015. 3 Exemplos de ADAS incluem ACL e CaseWare IDEA.381-396. para analisar se as empresas cobram mais do of the Evolution of Big Data by the Audit Profession. Esse artigo pode fornecer ideias Analyze Government Procurement Contracts. Setembro/Dezembro 2016 70 . http://www. 2015. L. Chychyla. and Q..fgv. Alles. Open government data: Out of the box.htm. Accounting Horizons. Big Data analytics in a identificação de possíveis anomalias ou fraudes são ques.br/dspace/bitstream/handle/10438/16274/ of-fraud-Government-Procurement-Fraud.wto. Data. Vasarhelyi.423-429. Auer. Accounting Horizons. OECD Publishing. Glance 2015. O'Leary. Journal of Emerging sobre como criar aplicativos eficazes e como usar aplicati. I've Got Your Number: How a mathematical Emerging Technologies in Accounting (Dai and Li 2016). Available at: http://www. and 6. 2016. Forth coming.pdf?sequence=1. 2015. J.. vos em auditoria de contratos governamentais. M. Li. REFERÊNCIAS Mais testes de auditoria precisam ser executados.gov. A.html. The Semantic Web Lecture Notes in Computer Science 4825.org/english/tratop_e/gproc_e/gproc_e. Auditing: A Journal of Practice and de controle personalizado. Oito aplicati. vos foram desenvolvidos para demonstrar a sua utilidade Dai. Weka. Yoon. audit evidence. WTO and Government Procurement. financial statement audits. Esse artigo discutiu o uso e os benefícios dos aplicativos para as auditorias de compras governamen. “Size of public procurement”. 722. J. Systems for Audit App Selection. Os 11 Esse aplicativo foi criado pela SAS Enterprise. pp.whistleblower-lawfirm. https://www. Lehmann. Stewart. Paris.1787/gov_glance-2015-42-en. Journal of Emerging Technologies in Accounting. 1999.doi. 29(2). SPSS e SAS. Cyganiak. Technologies in Accounting. G. os gestores das empresas e o órgão do governo etc. G. M. WTO. 29(2). foi desenvolvido11 para ajudar a identificar contratos com fornecedores que não foram pré cadastrados no sistema. 2014). A. J. Available at: 8 Esse aplicativo foi desenvolvido usando Caseware IDEA. p.

além de professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais. professora especializações e mestrado associada da Universidade nas áreas de Geociências Federal de Minas Gerais e e Meio Ambiente.Artigos Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos José Irley Ferreira Júnior  Leise Kelli de Oliveira  é geógrafo com é matemática. e transpor tes. Rodrigo Affonso de Albuquerque Nóbrega  é engenheiro cartógrafo e doutor em Engenharia de Transportes. além co-autora do livro “Logística de consultor autônomo Urbana: Fundamentos em geotecnologias e Aplicações”. 71 Revista do TCU 137 .

econômica e ambiental. Os corredores foram zas física. da instalação de indústrias e entrepostos de carga. áreas de recarga de água e terrenos com topografia mostrou grande potencial de aplicação em controle exter- muito acidentada. e com o intuito de promover elementos para análise. declividade. Embora com multicritério. infraestrutura viária no Brasil. a região tem sofrido fortes pressões no. econômica. Embora com longa evolução histórica. controle e discussão. O modelo desenvolvido recorreu às in. Transparência. e os dados utilizados foram todos oficiais e Dentre as iniciativas propostas pela Organização de domínio público. infraestrutura. decisão. quantitativas quanto à viabilidade de projetos lineares de além da atividade minerária. biológica. por meio de geoprocessamento e análise multicritério. dificulda- a proposta deste trabalho foi produzir material capaz de des existem quanto ao desenvolvimento de projetos de qualificar e quantificar diferentes alternativas de corredo. A análise multicritério foi implan- daEste trabalho tem como objetivo apresentar a meto. que interligam a RMBH ao Rio Palavras-chave: Geoprocessamento. Mesmo comparados quanto a extensão. Foram produzidos quatro cenários que refletem nel da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) interesses distintos e concorrentes: biofísico. a região é estratégica por concentrar as conexões entre as rodovias BR-040 e BR-381. restrições computada a partir de cenários preditivos desenvolvidos ambientais. Análise de Janeiro e à São Paulo. principalmente com o crescimento da mancha podem ser utilizados para fomentar análises qualitativas e urbana. respectivamente. na. e o projeto executivo do segmento sul do rodoanel não foram conclu. INTRODUÇÃO ídos ou apresentados. Os resultados mostraram que os cenários preditivos antrópicas. socioeconômico e mercadológico/logístico. Nesse sentido. forço e os corredores de viabilidade. De acordo com Nóbre- de transportes. unidades de conservação e área vegetada. o estudo liação de obras públicas. Do ponto de vista logístico. Ava- edital e termo de referência lançados em 2011. 1. ga (2013). há inadequações em grande parte dos projetos Setembro/Dezembro 2016 72 . de viabilidade técnica. A Em cada cenário foram computadas as superfícies de es- área de estudo engloba preocupações extremas de nature. social e logística. tada em ambiente de sistema de informações geográfi- dologia utilizada no cálculo de diferentes alternativas de cas utilizando a técnica AHP em níveis hierárquicos de corredores para viabilidade do segmento sul do Rodoa. sobretudo em fases de res para o desenvolvimento do traçado na infraestrutura planejamento e implementação. Regras de decisão. ainda que em fase de publicação do edital. O trabalho ção. área urba- contando com plena presença de unidades de conserva. Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca RESUMO formações presentes no edital e no termo de referência do projeto.

tividade advinda das decisões humanas seja minimizada sentes em todas as fases do processo. causa problemas de natureza técnica e orçamentária e das ponderações nos pesos das variáveis nas regras de nas obras. e estas são implantadas na haja um pensamento sistêmico dos projetos. No Brasil. representar objetos. normalmente operando na 3. alternativos que representem simultaneamente áreas de Embora avanços significativos na contextualiza- maior viabilidade econômica. esse artigo apresenta os resultados da composição dos valores atribuídos aos pixels de mapas modelagem geográfica de dados para definir corredores digitais em formato matricial (NOBREGA et al.. o uso com- logísticas e socioeconômicas utilizadas no modelo. é modelagem do SIG. de forma nejamento. com o objetivo de reproduzir cená- Para haver um retorno efetivo da atividade de pla. 1995). a proposta de disparidades de valores. com o suporte da téc. polo gerador de fluxos por concentrar altas demandas cisão é a análise multicritério. Assim. algo importante no tocante à organização das Segundo o DNIT (BRASIL. ANÁLISE MULTICRITÉRIO E MODELAGEM Trabalhos recentes aplicados ao planejamento de ferro- DO SIG EM TRANSPORTES vias foram desenvolvidos no âmbito federal junto a gesto- res de transportes e fiscalização (BERBERIAN et al. 2. Esse raciocínio é o com a aplicação de regras matemáticas no processo de princípio da análise multicritério. técnica e ambiental para a ção geográfica dos processos de tomada de decisão em implantação dessa infraestrutura viária. acoplada ao SIG. corredores de viabilidade para o “Anel Sul”. binado de SIG e AHP em projetos de planejamento de corredores de transportes não está restrito à Academia. do geoprocessamento em catalisar não só a enorme gama cesso. as inúmeras variáveis espaciais deste pro. ambientais é caracterizado por um conjunto de construtores para e de transportes envolvidas no processo. seu emprego mais frequente tem sido na Neste contexto. A demanda por metodologias para modernizar Essas iniciativas revelam o interesse dos gestores e técni- o planejamento do transporte é notória e o geoproces. Para subsidiar a análise nejamento em transportes. mercadológicas. e a falta de transparência estruturada das variáveis geográficas. Um dos modelos que tem sido discutido e utili. trecho informações de saída correspondem a um ranking nu- cujo estudo de viabilidade encontra-se em desenvolvi. Esta propicia a integração de transporte para suprir as atividades comerciais. atribuições de peso às variáveis. O objeto deste trabalho é Se por um lado o método AHP utiliza valores investigar.. mérico que elenca. (2013). No SIG. 2012). pareados como dados de entrada. De acordo com Longley et al. das opiniões dos acerca dos dados e métodos empregados nas análises atores envolvidos. de corredores de transportes demanda grande volume mas também em promover meios de modelar soluções de dados. por outro lado suas das. composta por 34 municípios. tomada de decisão. norte e leste. in- 73 Revista do TCU 137 . transportes tenham sido alcançados nas décadas de 1990 além do edital público e do termo de referência (BRASIL. é imprescindível que feiçoar o fluxo de trabalho. ferramentas e processos em am- biente computadorizado. e 2000.Artigos quanto à fase de planejamento. De acordo com Sadasi- nica Analytic Hierarchy Process (AHP) (Saaty. dados geográficos de domínio público dos quais alvo de interesse em projetos práticos de corredores de foram extraídas as variáveis ambientais. prioridades. cos em transporte pela modernização do processo de pla- samento tem sido peça-chave para integrar. A RMBH. rios diagnósticos e prognósticos. desenvolvem-se metodologias para aper- na esfera pública quanto privada. de maneira transparente tanto multicritério. (2009). mesmo que distintas ou divergentes. tornou-se 2012). Os resultados têm comprovado o potencial coordenada. é um zado juntamente com o SIG para apoio à tomada de de. a partir das ferramentas de análise supracita. Cita-se nesse contexto a AHP. ÁREA DE ESTUDO forma de modelos de dados geográficos. Foram utilizados. um SIG perante a complexidade das políticas públicas. refletindo o aumento do custo e dos prazos. 2015). segmentos: sul. opiniões e interesses dos agentes construção do rodoanel caracteriza o projeto em três envolvidos no planejamento de corredores de transporte. ordena e atribui pesos às preferên- mento e sem quaisquer resultados prévios apresentados. viabilidade há apenas alguns anos. Este vuni et al. esta técnica é aplicada como um méto- modelo tem sido explorado em Sistemas de Informações do de comparação de variáveis para análise multicritério Geográficas (SIG) que permitem a modelagem espacial e se utiliza da modelagem matemática para determinar das variáveis em um processo de tomada de decisão. A inserção do SIG como suporte ao planejamento de variáveis envolvidas no planejamento de transportes. 2009). a metodologia AHP. cias. técnica vital que os profissionais envolvidos tomem decisões desenvolvida por Saaty (1995) para permitir que a subje- em conjunto e considerem a interação das variáveis pre.

A Figura 1 ilustra a BR-262 e BR-356. METODOLOGIA que obrigatoriamente cruzam essas áreas urbanas. para origem e destino do Anel Sul. com 67 km de extensão) e o Anel de corredores os “Termos de referência para o estudo do tra- Leste (Olhos D’Água-Sabará com 22 km de extensão). 21/06/93. Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos // Artigos dustriais. pelas quais trafegam também veícu. Art.032686/2011- Figura1: Localização da área de estudo Setembro/Dezembro 2016 74 . o Anel Sul é parte integrante do projeto de um lares quanto geoespaciais. médio e grande porte em circulação respectivas saídas para Rio de Janeiro e São Paulo. atividades Horizonte BR-040/MG” (BRASIL. cujo número de processo é o 50600. 2012). sárias a coleta e a construção da base de dados. os pontos de serviço segundo a alínea I. foram eleitos pelo DNIT importantes rodovias federais como a BR-040. o contorno rodoviário sul da região metropolitana de Belo rizada por densidade populacional elevada. No que tange à documentação complexo viário envolvendo o Rodoanel Norte (Trevo técnica. De acordo com o DNIT (BRASIL. los de pequeno. Visando a mitigar os problemas de congestio- namento e segurança relativos ao excesso de veículos 4. interna. da Lei nº 8. minerárias e de serviços. Para o desenvolvimento deste trabalho foram neces- tiva externa à RMBH. interligando os fluxos da BR-040 e da BR-381. áreas vulneráveis e de proteção ambiental. § 2º. Este documento se industriais. caracteriza como Anexo I – Projeto básico para contratação De acordo com o edital e termo de referência. foi proposto um rodoanel de forma a oferecer uma alterna. proposta. çado e elaboração do projeto executivo de engenharia para A região proposta para a alça sul do rodoanel é caracte. foram utilizados como norteador para a modelagem da Krupp-Ravena. É interceptada por no município de Nova Lima. tanto tabu- 2012).666 de localizados no Contorno de Betim e no Jardim Canadá. BR-381. 7º.

A transformação de dados vetoriais modelagem geográfica deste trabalho.Modelo Digital de Terreno (Declividade) 1:10000 IGTEC 2009 Raster Biofísico Vulnerabilidade à Erosão 1:1500000 ZEE-MG 2009 Vetor Risco de erosão – Filito. comunitárias. cárstico e movimento de massa 1:1000000 Geodiversidade . intervariáveis e intergrupos. dos matriciais para a composição da superfície de custo mos de referência do Anel Sul na RMBH. A Figura 2 ilustra um te estudo foram adquiridas mediante contatos telefônicas exemplo de transformação de dados de formato vetorial e visitas. Para facilitar a organização. artístico e cultural – Distância 1:50000 Prefeituras (2015) 2015 Tabela Rodovias – Densidade 1:10000 DNIT – GEO/Vetorização 2015 Vetor Vias urbanas – Densidade 1:50000 Open Street Map 2015 Vetor Redes de gás – Distância 1:10000 GASMIG 2015 Vetor Mercadológico e su- Linhas de transmissão – Distância 1:10000 CEMIG 2015 Vetor porte logístico Recursos minerais 1:1000000 Geodiversidade – CPRM 2010 Vetor Interesse mineral 1:1000000 DNPM .1 TRATAMENTO E PROCESSAMENTO DOS DADOS fície de custo acumulado. A documentação técnica do projeto Tabela 1: Organização da base de dados Dado Escala Fonte Data Tipo Subconjunto Áreas urbanizadas 1:50000 ZEE-MG (2009) 2009 Vetor População 1:500000 IBGE (2010) 2010 Tabela Assentamentos rurais 1:10000 INCRA (2015) 2015 Vetor Socioeconômico Patrimônio arqueológico – Distância 1:50000 IPHAN (2015) 2015 Tabela Patrimônio histórico. 4. No nível intravariável.SIGMINE 2015 Vetor Vegetação remanescente 1:150000 Landsat 8 . formação do modelo. O emprego se respaldou em três níveis: intravariáveis. (discretos) em dados matriciais (contínuos) possibilita As bases geográficas (Tabela 1) que compõem des. 2012). o estudo de traçado deverá considerar simultaneamente “questões ambientais. sendo este último o responsável pela integração da su- cessamento dos dados geográficos foi a padronização do perfície de custo final.Artigos 78 (BRASIL. A arquite- tura do modelo seguiu as orientações de Nóbrega (2014). rial utilizada no modelo. modelo que exigem conhecimento multidisciplinar. cada dado de entrada foi Neste estudo. informando que acumulado por meio da álgebra de mapas. a realização da álgebra de mapas. cias nas medições de um projeto linear de engenharia. 2012). Esta etapa consistiu na aplicação da técnica AHP para padronização das variáveis e construção da super- 4. O cerne desse processo consiste sistema de coordenadas. todos os dados foram reprojetados para o analisado para que fossem convertidos em planos de in- sistema geodésico Sirgas 2000 com projeção UTM-23S. devido à necessidade de emprego minação de variáveis em seu próprio texto.CPRM 2010 Vetor Espelho d’água 1:1000000 Vetorização 2015 Vetor Unidade de conservação – Proteção integral 1:50000 ZEE-MG 2009 Vetor Unidade de conservação – Uso sustentável 1:50000 ZEE-MG 2009 Vetor Restrições ambientais Cavernas – Distância 1:50000 SECAV 2015 Vetor 75 Revista do TCU 137 . SUPERFÍCIES DE geográficas. posto que o simples emprego na atribuição de índices de importância a variáveis do da projeção cartográfica correta pode evitar inconsistên. assim como de dados em formato matricial para a análise multicrite- indicam demais manuais e documentos técnicos para con. Estes termos orientam quanto à deter. os dados originais em formato sulta. culturais. Um procedimento essencial que antecedeu o pro. os dados foram se. sociais. como as Instruções de Serviço (IS) e Escopos Básicos vetorial e tabular (Tabela 1) foram convertidos para o (EB). Na sequência. conforme a descrição dos ter. de engenharia e financeiras envolvidas no ESFORÇO E CORREDORES DE VIABILIDADE estudo do empreendimento” (BRASIL. além de terem sido utilizados como diretrizes para a formato matricial.2 ANÁLISE MULTICRITERIAL. para matricial e sua respectiva integração com outros da- parados em subconjuntos.NDVI 2015 Raster Nascentes – Distância das nascentes 1:1000000 IGAM 2014 Vetor Hidrografia – Densidade e distância da hidrografia 1:1000000 IGAM 2014 Vetor MDS .

Como resultante variável. pon- socioeconômico. Cada perspectiva adotada indiretamente refletem na possível presença de mata ciliar. (2009). extremos. Uma vez computadas as superfícies integradas de Para o nível intervariáveis. redução de custos de engenharia. como proposto em Nóbrega (2013). cada qual sim planos de informação que foram integrados por grupo conservador em seus interesses. ou em minimizar -matriz e o respectivo emprego da técnica AHP para cada impactos socioeconômicos negativos. Foram adotadas comparações etapas. Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos // Artigos Figura2: Ilustração do tratamento e processamento de dados empregados no modelo foi consultada para verificar como cada variável poderia ser como entrada para o terceiro nível do processo AHP explorada e quais os graus de importância de cada classe – intergrupos. Procedeu-se com a conversão de dados vetor. Como resul. RESULTADOS cada grupo. os planos de infor. biofísico. gerando as. ticriterial. Esse cálculo é feito em duas consultas a especialistas. esforço para cada cenário. As ponderações entre os diferentes tos inicial e final do projeto. Assim. para que com isso pu- para o desenvolvimento do segundo nível da análise mul. mercadológico e suporte logístico e visto para conectar os pontos de origem e destino. localizados na BR-040 e na planos de informação por grupo foram resultantes de BR-381. respectivamente. atendimento colapsáveis. foram produzidos quatro cenários distintos. Tomam-se como exemplo as distâncias A Figura 3 (inferior) ilustra a integração dos gru- euclidianas dos cursos d’água na Figura 2: enquanto o dado pos em quatro diferentes configurações de valores. por vetorial informa apenas a presença ou não de rio. base para simular computacionalmente o esforço pre- bientais. presente no dado. conforme ilustra a Figura 3 (superior). Essas distâncias visaram focar a viabilidade dos corredores na preserva- foram categorizadas e ponderadas seguindo critérios que ção de interesses próprios. Setembro/Dezembro 2016 76 . dessem ser computadas as alternativas de corredores. na qual inicialmente são computados os custos pareadas para evitar inconsistências nos resultados. para então integrar os dois mapas resultantes tado foram geradas superfícies de esforço acumulado em uma superfície final que revela o corredor de menos que correspondem a mapas em formato matricial onde esforço. A Figura 3 (centro) ilustra esse processo para as variáveis de um grupo Biofísico. distância) dos dois pontos como descrito em Sadasivuni et al. consequentemente o de maior viabilidade se- cada célula é representada pelo valor calculado de seu gundo a perspectiva do cenário adotado (Figura 4). resultando em como objetivo a geração de corredores de transporte. de afastamento (esforço vs. a demanda mercadológica/logística. O processo Todo o desenvolvimento metodológico teve foi reproduzido para os demais grupos. respectivo esforço (ou custo de implantação) acumula- do das variáveis que participaram da composição em 5. estas foram utilizadas como mação foram organizados em 4 grupos: restrições am. o dado sua vez obtidos por meio de perspectivas distintas que matricial informa o quão distante ele está. quatro superfícies de esforço acumulado que serviram cujos resultados estão apresentados na Figura 5. foi intencionalmente focada em defender interesses am- no alto custo para travessia ou mesmo em solos moles e bientais.

Artigos Figura 3: Regras de decisão intravariáveis. intervariáveis e intergrupos utilizadas no modelo Figura 4: Ilustração do processo de cálculo de um corredor de viabilidade 77 Revista do TCU 137 .

8 km. seguido pelo cenário rem transpostos ou mesmo para monetizar o impacto mercadológico/logístico (13. 25. Figura 5: Corredores computados por cada cenário Setembro/Dezembro 2016 78 . inevitavelmente. Uma urbana. os jeto e interseção dos corredores para com outras bases resultados mostraram que. o cenário tais. bientais (14. unidades de conservação e área vegetada. o mercadológico com destino presentes nos termos de referência.7%).9%) e o de restrições am- de cada corredor alternativo. Para demonstrar esta vidade. o cenário porte logístico. Estes cenários respeitaram a origem e biofísico um corredor com 25 km. dos corredores deverão interceptar áreas de alta decli- pacto e comparar as alternativas. a depender da disponibi. Entretanto. de rios a se. síntese da declividade média por corredor para os quar- tudo.2 km e o cenário socioeconômico produziu duas alterna- A partir do desenho dos corredores foi possível tivas com 25. a metodologia pode ser aplicada para quantificar to cenários avaliados mostrou que o cenário biofísico o número de residências a serem afetadas. no modelo se considerou o alto áveis que geralmente são preponderantes em avaliação esforço para transpor essas áreas e a construção dos de alternativas de corredores viários: declividade.6%). os traçados de dados. a maior média (14.7 km de extensão. ambiental produziu um corredor com 24. a fim de quantificar valores para avaliar o im. O cenário socioeconômico apresentou lidade de dados presentes na área de estudo.2 km e 23. da região. respectivamente. apresentou menor média (13.1%). fato justificado pela natureza geomorfológica análise de sensibilidade. Con. área corredores evitou áreas com rampas acentuadas. Com relação à extensão das alternativas. foram escolhidas quatro vari. biofísico. Quanto à análise de declividade do terreno. Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos // Artigos foram produzidos quatro cenários: restrições ambien. socioeconômico e mercadológico e su. calcular métricas comparativas como extensão do pro.

vegetadas e pertencentes a unidades de conservação interceptadas pelos corredores dos cenários analisados Para as variáveis área urbana. Foram gerados corredores considerando feiçoar as análises de risco e otimizar o preenchimento diferentes variáveis. as análises revelam que existem di. res impactos ambientais e possivelmente menores custos das no Gráfico 1. O trabalho piloto de análise multicritério espacial minares indicam que o ponto de origem apresentado no mostrou grande potencial de aplicação em controle externo. sem a definição de uma locali. as áreas afetadas podem ser visualiza. de obter traçados alternativos para o Rodoanel Sul da Contudo. O modelo permite aper. todavia o modelo apontou alternativas de conexão poderão ser desenvolvidas com maior agilidade e acurácia. as análises preli. Os resultados per- as alternativas do projeto. deparamos com menores áreas impactadas. qual a ponderação das variáveis vegetação e unidades de conservação foi maior. das análises. desta técnica e a modelagem de dados geográficos. edital do projeto é justificado quando considerado a ne. o qual evidencia a preferência pelo distanciamento mos de referência e da documentação técnica e pro- das áreas urbanas. realísticas e confrontantes foi sofrerá intervenção e quanto. bem como a otimização do tempo e da dade específica (Figura 7). to operacional. CONCLUSÃO porcionou liberdade ao modelo para construir o corredor. 79 Revista do TCU 137 . A siderando os cenários biofísico e socioeconômico. Todavia o objetivo principal o menor impacto dentre todos os cenários avaliados. Acredita-se que. mitiram uma interação harmônica entre a aplicação Outras duas propostas foram desenvolvidas con. observou-se que o resultado alcançou cessamento de dados. atingindo. de posse do modelo e de seu conhecimen- cessidade de distanciar o rodoanel de áreas urbanas exis. vestigação. Embora não quantificadas. 6. diversos desafios a respeito da interpretação dos ter- mico. unidades de conser. as ações de fiscalização e controle externo tentes. região metropolitana de Belo Horizonte a partir de versas possibilidades de uso quando se identifica o que perspectivas distintas. os resultados se mostraram melhores.Artigos Gráfico 1: Métricas de impacto para áreas urbanas. entre o Rodoanel e a BR-040 que podem produzir meno- vação e vegetação. No subconjunto socioeconô. tendo capacidade operacional do modelo em processar áre- como origem o ponto instituído pelo DNIT na BR-381 e as extensas com profundo detalhamento contextual como destino a BR-040. para o de engenharia por interceptarem áreas mais planas. correspondendo a Na realização desse trabalho. A idéia foi verificar se o local capacidade analítica dos atores envolvidos no modelo na BR-040 apresentado no edital corresponde ao local de contribuem de forma positiva para a modernização do maior viabilidade segundo os critérios adotados nesta in. baseados no emprego de geotec- da matriz de impacto ambiental utilizada para avaliar nologias e análise multicriterial. processo de planejamento de transportes. observou-se que quando se pro. Em relação ao cenário biofísico.

processo nº 50600. 6. C. Os autores agradecem ao CNPq pelo auxílio no ______. 2. 2009. Termos de referência para o estudo do traçado e elaboração do projeto executivo de engenharia para o contorno SADASIVUNI. 81-126. 17 out. Brasília. Sistemas e ciência da informação dem ser comparados ao traçado oficial do Rodoanel da RMBH. 9-13 mar. REGIONAL DA 3ª CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL – REGIÕES SUL/SUDESTE. 133.. 2013. 622-637. Q. R. SAATY. geográfica. 2009. Relatório de fechamento de projeto de extensão: ligação desenvolvimento da pesquisa. Manegement of BERBERIAN. New York. Coordenação Geral de Cadastro e Licitações. Bridging decision-making process and environmental needs in corridor planning. p. BR-040/MG. Porto Alegre: Bookman. 3. T. Belo Horizonte: UFMG. Espera-se que métricas comparativas possam ser NOBREGA. n. nova ferramenta para o controle externo. In: ENCONTRO parte do DNIT ou de sua apresentação para a comunidade. Transport planning with multiple criteria: the analytic BRASIL. Belo Horizonte. Setembro/Dezembro 2016 80 . 2015. Anais… Florianópolis. p. p. n. 79-157. 1. P. et al. Maryland. 2013. v. 2009.032686/2011-78. 29. 7. Advanced Transportation. A. L. Revista do Tribunal 20. Modelagem de dados geográficos para definição de corredores alternativos no rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte: cenários comparativos // Artigos Figura 7: Processamento alternativo para testar a aderência dos pontos de origem e destino publicados no edital do projeto Os corredores resultantes desse trabalho ainda não po. n. v. DNIT. F. 40-53. In: ASPRS ANNUAL CONFERENCE. 1995. REFERÊNCIAS NOBREGA. A. ed. O uso de geotecnologias como uma Environmental Quality: an International Journal. de Contas da União. A. A. AGRADECIMENTOS Florianópolis. et al. Ferrovia Norte-Sul: estudo dos traçados quantificadas e analisadas a partir do término do projeto por alternativos para escoamento eficiente da produção. Journal of Transportes. Pato Branco/PR – Cruz Alta/RS. edital nº 0240/2012-00. A. LONGLEY. R. 2014. 2012. R. Mississippi. posto que este não apresenta a fase de estudo de viabilidade concluída. Anais… Maryland. et al. DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de hierarchy process applications and progress review. p. et al. A Transportation corridor case study for rodoviário sul da região metropolitana de Belo Horizonte multi-criteria decision analysis. 2013. DF.

pela Universidade Federal do Rio onde atua como professor. além de professor na Universidade de Brasília.Artigos O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas Osmar Abílio de Carvalho Roberto Arnaldo Trancoso Júnior  Gomes  é geólogo e doutor em Geologia é geógrafo e doutor em Geografia pela Universidade de Brasília. de Janeiro. além de professor na Universidade de Brasília. 81 Revista do TCU 137 . Renato Fontes Guimarães  é engenheiro cartógrafo com doutorado em Geologia.

INTRODUÇÃO tempo. constituindo uma fonte de informação rá. classi- plataformas. campo de pesquisa e inovação.9%) evidenciaram literatura são referentes às feições urbanas e rodovias. Palavras-chave: Sensoriamento Remoto. existe uma ampla disponibilidade de dados de senso. BATISTA. em que 61 obras (62. a dimensão continental do território e monitoramento de obras.529. rias. Pesquisas específicas para cada tipo de obra devem ser realizadas demonstrando o potencial real Este artigo analisa as potenciais aplicações de téc. da detecção remota para a fiscalização em ambientes nicas de sensoriamento remoto para a fiscalização e o urbanos ou rurais. de- riamento remoto provenientes de diferentes sensores e tecção de mudança. totalizando um volume de recursos fiscalizados de trutura. indícios de irregularidades graves (BRASIL. o que consiste em amplo brasileiro dificulta o processo tradicional de fiscalização. 2011-2012 proporcionaram uma economia aos cofres sões. O Fiscobras no ano de 2015 realizou 97 audito- atributo para descrever as feições de obras de infraes. incluindo-se o monitoramento no estado do Rio Grande do Norte durante o período de infraestruturas públicas em construção ou em conces. fator preponderante para a minimização dos gastos pú- naves e veículos aéreos não tripulados) tem ampliado blicos. Como exemplificação. O aprimoramento dos sensores remotos com o aumento da resolução espacial.78 (SOUZA. auditorias realizadas pelo as perspectivas de estudos e aplicações dos dados de Fiscobras (plano anual de fiscalização de obras do TCU) sensoriamento remoto. monitoramento de obras de infraestrutura. A extração de modelos digitais de elevação a partir públicos de R$ 119. modelo digital de elevação. devendo em cada crescimento econômico de longo prazo do país aliado ao tipo de ambiente e alvo realizar comparações e análise alto grau de irregularidades torna premente o aprimora- de acurácia para definir o melhor procedimento a ser mento tecnológico para obter uma fiscalização contínua Setembro/Dezembro 2016 82 . sendo ainda pouco relatado estudos sobre fiscalização No entanto. temporal e espectral A fiscalização efetiva das obras públicas é um embarcados em diferentes plataformas (satélites. Inúmeras técnicas de que exige uma atuação constante de profissionais no detecção de mudança têm sido propostas e avaliadas local. aero. 2015). Atualmente. O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca RESUMO adotado. A necessidade crescente de infraestruturas para o para diferentes ambientes e alvos.497. Os estudos mais comumente encontrados na R$ 31 bilhões. de sensores remotos também constitui um importante 2013). ficação espectral pida e útil para descrever a composição dos elementos presentes na superfície e as suas mudanças ao longo do 1.

2014): (a) os espectros dos pixels de ambientes ur- monitoramento periódico de extensas áreas com baixo banos são constituídos por misturas espectrais devido à custo. YADAV. proporcionando um al. estradas. pacialmente. (b) agrícolas (MENKE et al. duas pontes podem ter comportamentos dife- de obras públicas usando sensoriamento remoto são renciados tanto pelo tipo de materiais utilizados como pouco relatados nos periódicos científicos. tais como (CAVALLI et al. MATOS. pavimentos e formas arquitetônicas. KALOOP. Nessa conjuntura. permitindo reconstruir de públicas (construção. Além disso. pontes. SUN et al.. Por ritorial. 2015. hidrovias. tanto na território nacional (MIRANDA. al. o sensoriamento remoto tem sido diferentes materiais (asfalto. considerando diferentes composições de 2013). buscando detectar Contudo.. Portanto. Assim. uma obra por sensoriamento remoto exige a obtenção de cer subsídios para a comparação do que foi planejado informações constantes e detalhadas.. entre outros) são constituídas por MA. OLIVEIRA et telhados. Nos últimos anos. lares aos descritos no mapeamento de feições de áreas cas. pinturas. A ausência pelas suas diferenças arquitetônicas. VITAL dimensão espacial como temporal. vegetação e solo) que estão combinados da superfície terrestre e a eficácia do planejamento ter. o acompanhamento de O acervo de imagens multitemporais possibilita forne. Portanto. 2009. e (b) as estruturas físicas das classes urbanas variam es- rios: (a) urbanos (HEGAZY. 1996. extensos esforços de pesquisa alta heterogeneidade desses ambientes.. forma total ou parcial o histórico financeiro e executivo. SAR. 1999). WENTZ et ser uma importante ferramenta. ferrovias. 2012). telhas. COWEN. podendo gerar têm sido feitos para a detecção de mudanças utilizando confusões entre as classes no processo de classificação. Especificamente. 2008.. e (c) áreas naturais e de preservação ambien. 2015. as obras de infraestrutura (edificações. Essa abordagem per- et al. fabricação. o emprego de imagens para a fiscali- eventuais inconsistências ou inexistência dos elementos zação de obras públicas apresentam dificuldades simi- presentes no projeto básico e nas especificações técni. metal. obra ocorre uma intensa modificação dos elementos e levância econômica e retorno imediato para a sociedade. 2015). estudos sobre a fiscalização exemplo. outro de pesquisa para aplicação dessa técnica demonstra um fator de complexidade é que durante a evolução de uma extenso campo para inovações científicas. reforma. BAUER. padrões de construção. 2014). ção ou ampliação de bem público). tal (COPPIN. o sensoriamento remoto pode urbanas.. No processo de fiscalização é fundamental mite que se compare o cronograma pré-estabelecido da obter informações precisas sobre a evolução das obras obra com o andamento real. além da elaboração 83 Revista do TCU 137 . concreto. recupera. amplamente utilizado para avaliar a dinâmica espacial vidro. imagens de sensoriamento remoto em diferentes cená. KAPOOR.Artigos das obras públicas em execução ou concessão em todo o em relação ao que foi executado em cada obra. contendo re. em diferentes proporções (JENSEN.

Pleiades-1A e 1B (0.8 m). local e situação dos obje- 2. unidade básica os segmentos e seus atributos em vez dos forme Small (2003). orientação.46m). Além disso.5 m) (Tabela 1). CARACTERÍSTICAS DA RESOLUÇÃO tos na paisagem urbana) para identificar e julgar o seu TEMPORAL. técnicas de detecção de mu- dança devem ser adotadas. tamanho. de mudança. 2011). espectral (número merciais proporcionou um crescimento de técnicas de de bandas espectrais) e temporal (período de revisita do processamento digital de imagens visando estudos de mesmo local na superfície terrestre) da imagem. SkySat-1 e 2 (0. precisa ter uma representação mínima de quatro pixels MYINT et al. 1999). (0. WorldView-3 e 4 2.65). redes rodoviárias e elementos urbanos.82m). O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos de uma metodologia especializada de processamento di- gital de imagens. a resolução espacial mínima para pixels. Na Geobia. padrão. WorldView-1 e 2 (0. 2006). textura.8 m). TripleSat A definição das classes referentes às obras de en.5 m). GARG. forma.. mas também é o mais demorado e caro. O alto grau de variabilidade espectral dentro de uma Setembro/Dezembro 2016 84 .1 RESOLUÇÃO ESPACIAL (0. cor. A definição das imagens a serem utilizadas é avaliada considerando os avanços ocorridos na melhoria dos atributos espaciais. espectrais. Os três infraestrutura. considerando as diferentes abordagens de pré-classificação ou pós-classificação. destacando: GeoEye-1 (0. Normalmente. a classificação utiliza como (COWEN et al.55 m) e 3 (0. segmentada em regiões relativamente homogêneas (obje- a identificação de um objeto urbano em uma imagem tos de imagem) antes da classificação (BLASCHKE. por ser um conjunto de procedimentos básicos As imagens de alta resolução espacial em am- que permite acompanhar as alterações no decorrer da obra bientes urbanos permitem utilizar os elementos básicos e avaliar o seu ajuste ao projeto inicial. o presente trabalho captar as estruturas urbanas é de 5 metros. de alta resolução espacial provenientes de satélites co- solução espacial (tamanho do pixel). Normalmente. Assim. diferentes imagens de sensores DOS SENSORES REMOTOS NA orbitais de alta resolução espacial (inferior a 4 metros) FISCALIZAÇÃO DE OBRAS estão disponíveis no mercado.46 m). Diferentes técnicas para a detecção de feições urbanas consolidadas ou em construções podem ser utilizadas. JENSEN. a imagem é comportamentos espectrais misturados. também apresenta uma revisão dos principais métodos de detecção aplicável para as obras de engenharia. 1995. Atualmente. No presente trabalho são discutidas as questões re- lacionadas ao emprego do sensoriamento remoto na fisca- lização das obras públicas. Alternativa para interpreta- ção visual é utilizar classificações supervisionadas. Ikonos (0. Gaofen-2 (0. O aumento da oferta de imagens no cumprimento legal é altamente dependente da re. ESPECTRAL E ESPACIAL significado.31 m). Con. Além disso. com implicações na eficiência da fiscalização por sensoriamento remoto. Não adianta ter uma alta resolução espectral se geoespaciais (Geobia).9m) e Spot-6 e genharia por sensoriamento remoto e suas implicações 7 (1. COWEN. KHARE. não supervisionadas ou abordagens de sistema especialista sem supervisão e baseada no conhecimento (JAT. que se diferencia dos tradicionais em um pixel existem diferentes elementos urbanos e métodos baseados em pixels. de interpretação (tom. o método de interpretação visual é considerado o de maior acurácia. sombra. Os progressos obtidos com o aumento das diferentes resoluções das imagens re- sultam em novos métodos para o tratamento e análise dos dados. 2010.7 m). QuickBird (0. fatores são importantes. mas prioritariamente a imagem Uma importante inovação no mapeamento de deve conter uma alta resolução espacial para que pos. Kompsat-3A (0.. áreas urbanas usando imagens de alta resolução espacial sam ser individualizados os objetos presentes em uma é o emprego da análise de imagem baseada em objetos obra. temporais e a na extração de dados altimétricos.

55 m Diária (possível) 1 banda pancromática KOMPSAT 3A 2.8 m 5 dias 1 banda (pancromática) GAOFEN 3 bandas no visível 3.5 m Programado 1 banda (pancromática) GEOEYE 3 bandas no visível 2m Programado 1 banda no infravermelho 1m Variável 1 banda pancromática IKONOS 3 bandas no visível 4m Variável 1 banda no infravermelho 1m Programado 1 banda pancromática KAZEOSAT-1 3 bandas no visível 4m Programado 1 banda no infravermelho 1m Programado 1 banda pancromática KOMPSAT 2 3 bandas no visível 4m Programado 1 banda no infravermelho 0.8 m Diária (possível) 1 banda no infravermelho 0.5 m 5 dias 1 banda pancromática 5m Variável 1 banda (pancromática) 2 bandas no visível 10 m Variável 1 banda no infravermelho 3 bandas no visível 20 m 26 dias 1 banda no infravermelho CBERS* 1 banda pancromática 40 m 26 dias 2 bandas no infravermelho 80 m 26 dias 1 banda no termal 3 bandas no visível 64 m 5 dias 1 banda no infravermelho EROS 0.2 m Diária (possível) 3 bandas no visível 5. As imagens disponíveis gratuitamente são demarcadas com um asterisco (*) SATÉLITES DISPONÍVEIS RESOLUÇÃO ESPACIAL RESOLUÇÃO TEMPORAL RESOLUÇÃO ESPECTRAL 2.7 m Programado 1 banda (pancromática) 2m Programado 1 banda (pancromática) FORMOSAT 3 bandas no visível 8m Programado 1 banda no infravermelho 0.5 m Diária (possível) 2 bandas no infravermelho 3 bandas no visível 30 m 16 dias LANDSAT 5* 3 bandas no infravermelho 120 m 16 dias 1 banda no termal 15 m 16 dias 1 banda pancromática 3 bandas no visível LANDSAT 7* 30 m 16 dias 3 bandas no infravermelho 60 m 16 dias 1 banda no termal 15 m 16 dias 1 banda pancromática 4 bandas no visível 3 bandas no infravermelho LANDSAT 8 30 m 16 dias 1 banda aerossol 1 banda cirrus 100 m 16 dias 2 bandas no termal 85 Revista do TCU 137 .2 m 5 dias 1 banda no infravermelho 0.5 m Variável 1 banda pancromática ALOS 10 m Variável 3 bandas no visível 10 a 100 m Variável 1 banda no infravermelho CARTOSAT 2.Artigos Tabela 1: Descrição dos principais satélites orbitais.7 m Diária (possível) 1 banda pancromática KOMPSAT 3 3 bandas no visível 2.

aerossóis.1 m Programado de gerar um vídeo de 90 segundos) SKYSAT 3 bandas no visível 2m Programado 1 banda no infravermelho TERRASAR-X 0. 30 m Programado vapor.5 m Diária (possível) 1 banda pancromática SPOT 3 bandas no visível 6m Diária (possível) 1 banda no infravermelho 1 banda pancromática (possibilidade 1.25 a 40 m Programado Diferentes bandas no radar 2m Programado 1 banda pancromática TH-01 3 bandas no visível 10 m Programado 1 banda no infravermelho 1m Programado 1 banda pancromática TRIPLESAT 3 bandas no visível 4m Programado 1 banda no infravermelho 0.7 m Programado 8 bandas no infravermelho 12 bandas Cavis (nuvens.5 m Diária (possível) 1 banda pancromática PLEIADES 3 bandas no visível 2m Diária (possível) 1 banda no infravermelho 4 bandas no visível RAPIDEYE 5m Programado 1 banda no infravermelho SENTINEL 1* 5 a 20 m 12 dias Diferentes bandas no radar 3 bandas no visível 10 m 1 banda no infravermelho 4 bandas red edge 20 m SENTINEL 2* 10 dias com possibilidade de 5 dias 2 bandas no infravermelho 1 banda aerossol 60 m 1 banda cirrus 1 banda vapor d´água 1. gelo e neve) 1 banda no visível 250 m 1 banda no infravermelho 2 bandas no visível TERRA/AQUA 500 m 1-2 dias 3 bandas no infravermelho (Sensor-MODIS)* 7 bandas no visível 1000 m 16 bandas no infravermelho 6 bandas no termal 2 bandas no visível 15 m TERRA 1 banda no infravermelho Variável (Sensor ASTER)* 30 m 6 bandas no infravermelho 90 m 5 bandas no termal Setembro/Dezembro 2016 86 . O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos SATÉLITES DISPONÍVEIS RESOLUÇÃO ESPACIAL RESOLUÇÃO TEMPORAL RESOLUÇÃO ESPECTRAL 0.24 m Programado 1 banda red edge WORLD VIEW 2 bandas no infravermelho 3.3 m Programado 1 banda pancromática 1 banda aerossol 4 bandas no visível 1.

2003) e sua variação Multiple Endmember rísticas espectrais permite uma acurada identificação Spectral Mixture Models (MESMA) (DEMARCHI et al. LEVIN. 2009).. GARG. USTIN. HEROLD et al. KIM. 2010). 2010).. segundo a qual a alta resolução espectral torna a informação de um dado pixel próxima à obtida por meio de medições realizadas em laboratório e/ou campo. que pode áreas alagadas (ZOMER. WARNER. e favorecer técnicas baseadas em objetos que são represen. permitiu do que o excesso (KIM. da em relação às feições do terreno (LIU. ARONI. essas imagens permitem uma análise espectral subpixel com a estimativa de abundân- 2. 2004).. XIA. 1998). 2006). plantações (RAO. FRANKE et al. Nesse propósito. MADDEN. 2007). urbanas em categorias que representam a natureza física SEIJMONSBERGEN. 2009). 2003. Além disso. 2002. caracterizadas por conter centenas de bandas espectrais Normalmente. GHOSH. 2003). 2009). STAMON. diversos 2012. para diferentes alvos a partir de espectrômetros de cam- vores etc. Essa abordagem possibilita estudos desenvolvem bibliotecas espectrais específicas tratar o problema de heterogeneidade espectral dentro Figura 1: Concepção do sensor hiperescpectral AVIRIS.. tais como elementos urbanos (BEN-DOR.2 RESOLUÇÃO ESPECTRAL cia dos materiais superficiais contidos no pixel a partir da análise linear de mistura (PHINN et al. SA- tados por valores médios do segmento (YU et al.. gerar segmentos em excesso ou em quantidade reduzi. WU. MADDEN. O conhecimento pormenorizado das caracte. MAIER. O advento das imagens hiperspectrais (Figura 1). 2001. TRABUCCO. as lacunas na copa das ár. 2008) e por converter os sinais espectrais que refletem as coberturas análise de acurácia dos segmentos (DORREN. 2007) e tos é a dependência da etapa de segmentação. ângulo do sol. (Modificado de GREEN et al. da superfície... 87 Revista do TCU 137 .) pode dificultar a classificação baseada em pixel po ou laboratório para servir de suporte à classificação. XU. JÚNIOR et al. MURRAY.Artigos classe (sombras. dos elementos superficiais.. A o desenvolvimento de novas técnicas que aprimoraram minimização desse tipo de erro pode ser obtida através a detecção e quantificação dos materiais (CARVALHO de sucessivos testes de segmentações antes da classifica. minerais (CLARK Um problema da classificação baseada em obje. LOUCHET. a falta de segmentos é considerada pior estreitas e contínuas no espectro solar refletido. et al. A classificação espectral busca ção (TRIAS-SANZ.

A obra progride através de um calendário programado que zadas nos estudos urbanos são do sensor Hyperion a bordo permite estabelecer quais sensores possuem adequadas re- do satélite EO-1 e os provenientes de sensores embarcados soluções temporais para a sua fiscalização. estudos conciliando Setembro/Dezembro 2016 88 . como o Airborne Visible Infrared Imaging climáticas (interferência atmosférica e cobertura de nuvem) Spectrometer (AVIRIS).. Por exem. A similaridade orbitam a Terra de forma sincronizada. 2012). Nesse caso. muitas missões um evento ou de um objeto que podem ser descritas e utilizam uma constelação de satélites idênticos que identificadas por uma assinatura temporal. O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos de uma mesma classe. 2014). os telhados podem ser constituídos por diferentes 2015) e inundações (AIRES et al. HERMUCHE. SEGL. composições diferenciadas devido à deterioração ao 2005). Compact Airborne Spectrographic também afetam a aquisição de imagens. plo. KAUFMANN. com mesmas especificações facilitar o desenvolvimen- ca. programas orbitais: Rapideye (5 satélites). Pleiades (2 satélites) e o Spot 6-7 (2 satélites). Normalmente.3 RESOLUÇÃO TEMPORAL de alta frequência de revisita para a seleção de imagens ou adotar sensores de imagem radar. fitofisionomias (CARVALHO JÚ- dades em áreas urbanas (HEIDEN. materiais e. tais como fogo (CARVALHO JÚNIOR et al. Essa abordagem permite detectar eventos naturais longo do tempo (DEMARCHI et al. No satélites). NIOR. as imagens hiperespectrais mais utili. modificar o seu comportamento Na fiscalização de obras de engenharia. 2006. Apesar de séries temporais constituídas com imagens mitem estabelecer uma assinatura fenológica característi. 2012. permitindo espectral entre os diferentes tipos de vegetação. séries temporais de sensoriamento remoto per. As condições em aeronaves. caracte. que consideram aspectos do sensor MODIS e o Advanced Very High Resolution de mudanças cíclicas ou com trajetórias conhecidas de Radiometer (AVHRR)... (ABADE et al. ticas para sensores ópticos em algumas localidades. MARTINS. uma sucessão de imagens com alto grau de revisita e rizadas por serem constituídas pelas mesmas feições de alta resolução espacial. GUIMARÃES. como é o caso dos seguintes absorção. SAKAMOTO et al. identificando diferentes tipos de ecossistemas naturais to de métodos automatizados. normalmente baixa resolução espacial. como é o caso sificação de alvos superficiais. como na região amazônica. Triplesat (3 tinguidas a partir de uma única imagem no tempo. No entanto. que é uma das principais dificul. pode apresentar dificuldades para serem dis. além disso. mental avaliar a resolução temporal dos sensores remotos. O advento de sensores orbitais com alta resolução Os sensores de alta resolução temporal possuem temporal tem promovido uma nova abordagem na clas. é funda- espectral devido ao acúmulo de fungos e sujeira. 2008) e plantios (COUTO JÚNIOR. singulares.. podendo ser crí- Imager (CASI) e o Hyperspectral Mapper (HyMap). deve-se buscar satélites 2. CARVALHO 2007). entanto. Um mesmo tipo de classe pode ser caracterizado JÚNIOR et al. CAR- por diversos materiais distintos espectralmente ou ter VALHO JÚNIOR.. 2015).

). thetic Aperture Radar (InSAR) são obtidos a partir do No entanto. GINZLER. analógicas e passa a ser desenvolvida por outras tecno. MUSA. e descrição de feições urbanas (KIM. 2010). Aster. Essa tecnologia apresenta pode ser ao longo de uma única linha de varredura (Spot) grandes vantagens. (b) alta (QuickBird) (POLI. te verificar se os objetos mapeados correspondem às tível com imagens de sensores remotos de alta resolução.4 MODELOS DIGITAIS DE ELEVAÇÃO timo o mais utilizado mundialmente (JARIHANI et al. dos em qualquer plataforma móvel terrestre ou náu- nos-2. A B 89 Revista do TCU 137 . IRS. A aquisição dos dados tica (PUENTE et al. e (c) visualização 3D que permi- como a ADS 80. produzem atualmente precisão compa. 2012). tais como: (a) diminuição de custo ou adquirido paralelamente com uma área de superposição devido à captura de dados em alta velocidade. foi desenvolvido o sistema móvel de varredura a laser vidos por agências espaciais. ZHAO. tais como a série Spot. 1999). Esses pro- Os modelos digitais de elevação (MDE) são repre. dutos têm a vantagem de mapear de forma contínua. de pesquisa. que adquire dados em 2D e 3D e que são implanta- Cartosat-1. já possui algumas décadas. 2015). Recentemente satélites com diferentes resoluções espaciais. NEVATIA. Dentre os MDEs provenientes desse método. garantindo um levantamento vêm preenchendo a lacuna na produção de MDEs precisos. os sensores possibilitaram identificar tênues mudanças de eleva- de radar laser móvel podem ser acoplados em qualquer ção a partir de densa nuvem de pontos. 2013). Dentre eles destacam-se lites e veículos aéreos não tripulados. condições do mundo real. veículos aéreos não pulso (BALTSAVIAS. sensor ótico mede a distância entre um sensor e um alvo baseado na orbital de alta resolução. A Figura 2 mostra as feições naturais e antrópicas da paisagem. POPESCU. planialtimétrico completo que diminui o número de porém câmeras aéreas de última geração a bordo de aviões. Atualmente. sentações em 3D da superfície terrestre que reproduzem mesmo com a cobertura de nuvens. 2012). sores laser podem ser acoplados em aeronaves. mapear e distinguir objetos com pequenas variações Os sensores óticos a bordo de satélites mapeiam a de textura (MENG..Artigos imagens de diferentes sensores tornam-se um desafio retorno das diferenças de fase das ondas para o satélite. saté- sibilitando a extração de MDEs. A constru. um exemplo de MDE de uma área urbana (A) e uma ção desses modelos inicia-se a partir de fotografias aéreas fotografia aérea sobreposta a este MDE (B). CURRIT. Os sen- superfície terrestre em dois pontos de vista distintos. QuickBird-2. Iko. 2015. radar interferométrico e radar metade do tempo gasto entre a emissão e detecção do laser aerotransportado. Porém. Sentinel 1 e SRTM. Recentemente. um automóvel etc. As imagens orbitais densidade de pontos. grandes avanços tecnológicos nos últimos anos sores que elaboram MDEs. entre muitos outros. A produção de MDEs a partir de radar laser. como o Worldview (HOBI. MYNETT. que logias. as obstruções no ambiente urbano denso ain- Figura 2: MDE de área urbana (A) e Fotografia aérea sobreposta ao MDE (B). destacam- -se o Radarsat 1 e 2. possibilitando plataforma (um barco. dados questionáveis. desenvol. pos. Alos-Prism. tripulados (VANT) carregam a bordo esses diferentes sen. WorldView-2. TOUTIN.. 2004). Os MDEs são amplamente utilizados na detecção Os MDEs elaborados por Interferometric Syn. sendo este úl- 2. tais como: fotografia aérea digital.

Para féricas. venientes de dois efeitos: (a) espalhamento (difusão ou ção aos métodos existentes. TAILLANDIER. O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos da são um grande obstáculo para o mapeamento. CIHLAR. (c) a definição da trajetória de mudança tipos: absoluta e relativa. estão sendo desenvolvidas para reprodução em 3D das feições antrópicas com alta resolução. Novas tecnologias que utilizam radar laser.. na qual feições inva- ções superficiais. 2010). Esses métodos são subdivididos em dois grama previsto. A correção radiométrica absoluta utiliza códigos ralizações. mente aerossóis. e (d) a elaboração de uma representação car. sensores hiperespectrais que contem bandas exclusivas taposição dos pixels de uma mesma área no terreno e de para os diferentes gases e efetua a correção para cada pi- tempos diferentes. 2013). Vários méto- calibração do sensor ao longo do tempo. Assim. porém a sua cobertura é limitada. eliminando as interferências atmos- espacialmente. metano (CH4) critas duas etapas de pré-processamento: (a) correção e oxigênio (O2) (ZULLO JÚNIOR. 2002). gerando As correções relativas normalizam os valores falsos artefatos artificiais que não correspondem às fei. trico (N2O). óxido ní- Normalmente. na detecção de mudança são des. erro de apenas 10% (TOWNSHEND et al. são adotados distorção sistemática. 3. eliminando a existência de alguma xel. com perda efetiva de energia em comprimentos de onda específicos. de transferência radiativa para obter a reflectância na tográfica que auxilie e evidencie os problemas existentes superfície da Terra. DAI. como: (a) a área e a taxa em que as cons- truções são desenvolvidas. riantes entre as duas imagens são ajustadas para uma feita sobreposição. TEILLET. 2006). uma análise pormenorizada deve ser feita em rela. Portanto. dos automatizados foram propostos para encontrar os variabilidade na distância Terra-Sol e interferências at.2 pixels para alcançar um mente correlacionados (DU. sendo necessárias metodologias para suprir a falta de informa- ção e insuficiência de textura para identificar as feições (DURUPT. como o Light Detection and Ranging (Lidar). 1999). principal- dos dados a partir de uma análise de acurácia. 3. estabelecendo a sucessão dos eventos e as eventuais pa. as imagens devem ter uma per. e (b) absorção atmosférica. tais como: mudanças na inspeção visual ou computacionalmente. No caso das imagens multiespectrais. correção dos efeitos atmosféricos é mais efetiva usando WARNER. As principais interferências atmosféricas são pro- tanto. efetuando testes e combina. possuindo uma raiz de erro médio única referência. dióxido de carbono (CO2). e a aquisição de dados e o processa- mento demandam um alto custo (BAUGH et al. (b) a distribuição e a relação espacial dos tipos de mudanças avaliando o desempenho relativo das atividades da construção civil com o crono. assumindo que esses pixels são linear- quadrático de no máximo 0. digitais para uma escala comum.. e (b) calibração radiométrica (ALMUTAIRI. 1992. O registro geométrico incorreto valores constantes para toda a imagem. a questão principal torna-se a obtenção das KHORRAM. PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS E DETECÇÃO DE MUDANÇA As técnicas de detecção de mudança usando sen- soriamento remoto podem fornecer importantes infor- mações para o monitoramento de obras de engenharia e infraestrutura. A correção geométrica permite a jus. ângulo solar. dispersão) que muda a direção de propagação da radiação ções de procedimentos para obter o melhor tratamento solar por interação elástica com particulados. danifica a precisão da detecção de mudança. 1994). monóxido de carbono (CO). feições invariantes para efetuar a regressão linear entre A calibração radiométrica remove as alterações as imagens temporais. No entanto. favorecendo as ações de fiscalização. mosféricas. a geométrica. ozônio (O3). pontos invariantes e efetuar a normalização entre as Setembro/Dezembro 2016 90 .1 PRÉ-PROCESSAMENTO principalmente provenientes de sete gases: vapor d’água (H2O). podendo ser determinadas por causadas por fatores externos.

como a O presente método está presente no programa Abílio. 2002). et al.. HALL. e (c) regressão robusta. OTTERSTROM. 2005): (a) pré-classificação. 2001. Os métodos de pré-classificação. muitas to remoto. SIMPSON. apesar tecção de mudança a partir de imagens de sensoriamen. localização e natureza das alterações ção. 2003. medidas espectrais independente para cada tempo e em seguida efetua-se a entre componentes canônicas (CANTY.. destacando: regressão linear robusta (HEO. VIERLING. CHEN. SINGH. uma nova imagem realçando as feições de mudança e cia (SONG et al.. dança em ambientes urbanos. de serem efetivos na localização das mudanças. análise canônica (NIELSEN. 2001. FRANKLIN et al. Dessa forma. LAMBIN. e zonas de não mudança envolta da linha da tabulação cruzada entre as imagens temporais. 2003. Com o propósito de aglu. 2001. LU et al. 2003. sendo denominados de (YUAN et al. (2013) e divisão de imagens multitemporais (COPPIN et al. análise de componentes principais (BYRNE et al.. necessitando de outra etapa de classificação. TEWKES. 1995). por ser efetivo na descri- tituídos de duas etapas de processamento: (a) classifica. e (b) pós-classi- 2005). ção da magnitude.. NIELSEN. HAY.. (b) análise de vetor de mudança métodos: (a) medidas espectrais nas imagens temporais (CARVALHO JÚNIOR et al. mais amplamente usado nos estudos de detecção de mu- Os algoritmos de detecção de mudança são cons. SKAKUN. imagens temporais compensa as variações das condi- 91 Revista do TCU 137 . havendo importantes revisões bibliográficas vezes são difíceis de precisar a natureza da mudança. e (d) diversas transformações lineares. e (b) detecção de mudança. na qual inicialmente realiza-se uma classificação (CARVALHO JÚNIOR et al. KA- originais ou nas componentes canônicas. CON- RADSEN. WULDER. JACKSON. na qual inicialmente é gerada FITZHUGH. análise de correspondência 3. 2007). 2004). sobre o tema (COPPIN et al. 1998). ram propostos: (a) operações algébricas de subtração tinar todas essas técnicas.. DEERING. SCH. 1998) e Tasseled-Cap (HEALEY Diferentes métodos foram propostos para a de. (c) mistura espectral (ADAMS et al. JOHNSON. propuseram um método sequencial para a determina. o método de pós-classificação é o BURY et al.. 1987).2 DETECÇÃO DE MUDANÇA (CAKIR et al. 1980. de regressão (ELVIDGE et al.. (b) densida. 2006). 1989..Artigos imagens. 2011. Carvalho Júnior et al.. 2015). de do diagrama de dispersão. FUNG e LEDREW. Uma classificação dos ocorridas (HARDIN. 2013). SISCHKE.. 2003)... As principais vantagens do método de pós-classificação pa de detecção de mudança precede ou é após a etapa são: (a) a independência no processo de classificação das de classificação. extração e quantificação das áreas de mudança a partir MIDT. métodos de detecção de mudança considera se a eta. 2000) densidade no diagrama de frequên. 1999. depois realiza-se a etapa de classificação.. 1995) ou de componentes Diferentes métodos de pré-classificação fo- principais (DU et al. ção dos pontos invariantes composto pelos seguintes FRANKLIN. medidas espectrais de distância e similaridades ficação. 2005).

Diferentemente de análise de grupos (WEISMILLER et al.. focando os seguintes aspectos: (a) qualidade ABADE. banas. beneficiando o monitoramento.. se propósito. as duas principais desvantagens desse putacional para o desenvolvimento de um conjunto de método são: (a) normalmente não é completamente au. Setembro/Dezembro 2016 92 . e (b) a precisão o gerenciamento das fases da obra reduzindo as incer- da detecção das mudanças depende da acurácia da classi. espacial e temporal) e o sificação. No presente trabalho foram revistas as principais potencialidades e desafios para o emprego do sensoria. [S. o que permite uma 4. REFERÊNCIAS mento remoto na fiscalização de obras dentro das ativida- des do TCU. CONCLUSÃO nova abordagem para o desenvolvimento de técnicas automatizadas considerando um modelo prévio. O potencial de dados de sensoriamento remoto na fiscalização de obras públicas // Artigos ções atmosféricas. 2009). et al. 1999). 2009). de possíveis fraudes ou atrasos no cronograma. Para esse pro- pósito.. devendo ser combinados para obter uma descrição detalhada dos processos superficiais. MENKE et al. (2012). Conforme Silva et al.. não ficando restrito em apenas realçar as feições de alerta com priorização de vistorias em campo. N. v. e (c) possíveis adequações e esforços Based upon Distance and Similarity Measures in the Brazilian necessários para quantificar e entender as etapas das Cerrado-Caatinga Boundary. deve-se ter um esforço de pesquisa com- Em contraposição. Essa nova abordagem ne- cessita de um conjunto de investigações metodológicas.l. A. n. da das obras públicas permitirá estabelecer um sistema dança. Cada atributo fornece um tipo específico de informações sobre a obra. mudanças fenológicas e umidade de a fim de reforçar a relação entre o projeto original da solo. (b) o processo de atualização dos dados é simples. Comparative Analysis of MODIS Time-Series dos atributos da imagem. 2005. 2015. medições repetitivas dos componentes espectrais e espaciais da superfície da Terra devem ser obtidas pre- ferencialmente em alta resolução. 7. Esse arsenal tecnológico adequado aos diferentes ficação em cada tempo.]. obra e a magnitude de mudança detectada na imagem. o que torna o método moroso. Remote Sensing. com algum grau de interferências entre classes e uma forte componente de mudanças espaçotemporais. o que pode facilitar a propagação alvos permitirá estabelecer estratégias para coibir a ação de erros (YUAN et al. A fiscalização de obras públicas a partir 12160-12191. no presente caso tem-se previamente a locação espacial e as mudanças pretendidas. e mudança de forma automatizada ou semiautomatiza- (d) permite individualizar as diferentes categorias de mu. p.. KORRAM. praticamente em tempo real. uma vez que as etapas de classificação e de MDE de forma integrada com a resposta pretendida des- detecção de mudança são efetuadas sincronicamente. Nes- de mudanças (COPPIN et al. a classificação dire. A fiscalização e o monitoramento a partir de téc- nicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto permitem monitorar diferentes obras simultaneamente. (b) etapas de processamento Classification Using Support Vector Machines and Methods digital de imagens. de sensoriamento remoto é um processo complexo. MENKE et al. crita pelo projeto executivo. Apenas uma representação contínua no tempo dos elementos da obra permite uma análise e fiscalização precisas. considerando as con- dições de circunvizinhança e de ambientes. técnicas de detecção de padrões que permita aperfeiçoar tomático. O fator-chave para obter um mapeamento bem- ta sobre as diversas bandas espectro-temporais não se -sucedido das obras de engenharia é utilizar as imagens enquadra nos métodos de pós-classificação e pré-clas. tezas. (c) possibilita comparar O avanço de modelos especialistas para a detecção de dados de sensores com diferentes tipos de resoluções.. obras públicas. constando todos os fatores Nesse tipo de classificação são usados normalmente a específicos à atividade de execução. de alta resolução (espectral. 9. 2001. Diferentes modelos de detecção de mudanças devem ser testados. 1977) e as redes outros estudos de sensoriamento remoto em áreas ur- neurais artificiais (DAI.

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Sua arquitetura incorpora um em Processamento de Dados banco de dados não relacional orientado a grafos e é pela FATEC/SP e bacharel passível de implementação em ambiente de nuvem. O governo tem tomado algumas medidas na direção da padronização. descentralizados. com ênfase 1. oti- mização de recursos e integração de dados. Para sua concepção foi utilizada a metodologia de desenvolvimento de sistemas SERVUS. Alexandre Zaghetto  Palavras-chave: Engenharia de Software. Semântica. tecnólogo de dados espaciais. Dados Elétrica pela Universidade de abertos.Artigos Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos Drausio Gomes dos Santos  RESUMO é servidor do Tribunal de Contas da União. pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. especialista em Gestão auxílio no processo de descoberta de recursos geo- da Tecnologia da Informação gráficos em serviços de uma infraestrutura aberta pelo Cin/UFPE. possui graduação em Engenharia Elétrica. produzidos por fontes variadas e em momentos diferentes. é mestre e doutor em Engenharia Geocatálogo. IDE. mestre em Computação Este artigo trata da construção de um geo- Aplicada pela Universidade de catálogo que utiliza a semântica e ontologias para Brasília. SERVUS. além Tem sido um desafio para os órgãos da ad- de professor adjunto no Dept. em Geografia pela USP. especializa- da em arquitetura orientada a serviços geoespaciais. sendo uma delas a criação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais do Brasil (INDE-BR). de ministração pública obter uma visão espacial do Ciência da Computação da UnB resultado das ações governamentais de forma sim- e líder do Grupo de Pesquisa em plificada e atualizada. Brasília (UnB). INTRODUÇÃO em Eletrônica. 97 Revista do TCU 137 . uma vez que os dados são Sistemas Biométricos (BiTGroup).

Alguns desses padrões definem criação de uma arquitetura para disseminação e re. sentados alguns trabalhos correlatos. é apresentado o modelo proposto. via de de quantidade de informações oriundas de fontes regra. 2010). tratando Dados Abertos (INDA) e do Portal Brasileiro de Da. mapas temáticos. detalhes do ge- dos Interligados Abertos (Linked Open Data). da administração pública. por fim. divulgação dos metadados relativos a esses dados propõe a utilização de um geocatálogo semântico disponíveis nas entidades e nos órgãos públicos das para auxílio na localização de recursos geográficos esferas federal. este documento foi dividido da seguinte forma: na Seção 2 são apre- Camboim (2013) ressalta a iniciativa gover. listagem de gran- As arquiteturas das IDE atuais são. Para estudar esse aspecto. estadual. por meio da tar do uso e composição de serviços geoespaciais. o funcionamento dos geosserviços. A meto- “evitar a duplicidade de ações e o desperdício de dologia SERVUS de desenvolvimento de sistemas recursos na obtenção de dados aeroespaciais pelos (USLÄNDER. Cabe ressaltar um dos dados geográficos e metadados. Esse ocatálogo e um exemplo de utilização com a me- autor propõe uma arquitetura capaz de tornar os todologia SERVUS e. que permitem a gramento do uso de dados geográficos no âmbito obtenção de mapas cartográficos. objetivos definidos na sua concepção. fa. Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca A INDE-BR consiste em uma iniciativa de Consortium (OGC). dos temas IDE e metodologia SERVUS. integrada. na Seção 4 dos Abertos como uma estratégia de adoção de Da. na Seção 5 temos as dados da INDE-BR disponíveis na INDA de forma conclusões. Essa proposta de arquitetura destaca-se pelo uso de camadas semânticas e ontologias. 2. em rede. ingressando no campo da Andrade e Baptista (2011) trilharam um cami- geossemântica. orientadas a serviço e adotam os padrões diversas. distrital e municipal” (BRASIL. estabelecimento de métricas e geração tecnológicos estabelecidos pela Open Geospatial de um ranking de recursos disponibilizados numa Setembro/Dezembro 2016 98 . o de Um dos componentes essenciais numa ar- quitetura de IDE é o catálogo de serviços. feita especialmente para tra- órgãos da administração pública. na Seção 3 namental de criação da Infraestrutura Nacional de é apresentada a fundamentação teórica. nho que incluía busca semântica. 2008). TRABALHOS CORRELATOS zendo uma junção de técnicas da web semântica com dados geoespaciais.

em rede. propician- combinada e a construção de uma rede semântica. PROVEDORES. dentre eles. análise dos dados geográficos. sentado pelas pessoas e pelo órgão responsável ciais (IDE) como uma infraestrutura necessária para por estabelecer o marco regulatório e as regras de o acesso. As linguagens de marca- uma proposta de integração semântica para a INDE. O framework era baseado em um tecnológicos. O componente político é repre- 57-59) conceituam Infraestrutura de Dados Espa. por um conjunto de atores. O componente social é representado das em camadas semânticas atuando sobre as IDEs. geográficos. universidades ESPACIAIS (IDE) e a sociedade em geral. Cabe ressaltar neste trabalho a impor. Os autores parti. PARTICULARES) 99 Revista do TCU 137 . p. DESENVOLVEDORES. usuários. combinação e funcionamento. ficos e na utilização de um serviço de gerenciamento O componente tecnológico é representado de ontologias. Figura 1: Componentes de uma IDE INFRAESTRUTURA DE DADOS ESPACIAIS POLÍTICO TECNOLÓGICO LINGUAGENS ÓRGÃO MARCO NORMAS E PADRÕES PADRÕES DE GESTOR LEGAL DE MARCAÇÃO INTEROPERABILIDADE (XML-GML) GEOGRÁFICO SOCIAL ATORES DADOS METADADOS (PRODUTORES. seus metadados e Bernabé-Poveda e López Vázquez (2012.1 INFRAESTRUTURA DE DADOS da por empresas privadas. produtores de dados. os geosserviços. Também consideram a ne- o caminho para tornar mais precisas as buscas e fa. componente. O componente geográfi- co é representado pelos dados. troca. compartilhamento. forme ilustrado na Figura 1. COLABORADORES. governo. sociais e políticos con- processo de anotação semântica dos recursos geográ. Como contri. INTERMEDIÁRIOS E USUÁRIOS FINAIS) SERVIÇOS COMUNIDADE (EMPRESAS PRIVADAS. do a criação de aplicações que possam ser vistas Daltio e Carvalho (2012) propuseram a cons. pelo usuário como um único sistema. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. além de uma grande comunidade forma- 3. IDE pode ser trução de um framework para a recuperação semântica classificada como uma estrutura de componentes de dados espaciais. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA volvedores de software e responsáveis por padrões e normas. desen- 3. por meio de um conjunto de sistemas que buições. provedores de serviços. de uma forma pa- ram do pressuposto de que o uso de ontologias seria drão e interoperável. tivemos o estabelecimento de uma métrica utilizem protocolos e interfaces padrões. por uma arquitetura baseada em padrões de in- tância dada ao processo de seleção das ontologias. ção XML e GML têm um papel fundamental nesse -BR usando geo-ontologias de domínio incorpora. cessidade de que esses dados estejam disponíveis cilitar o processo de automatização.Artigos infraestrutura de dados espaciais.UNIVERSIDADES. Tanaka e Baião (2013) apresentam informações geográficas. teroperabilidade e capaz de compartilhar dados e Gimenez.

WCS é o serviço que recursos. formulados como casos de uso”. WHITE. combinações de re- dá suporte a recuperação de dados espaciais como cursos) (USLÄNDER. em que as informações geográficas elementos compõem esse cenário: descrições semân- são organizadas em camadas (layers). Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos // Artigos OGC Web Services Common Standard é um pa. Segundo Usländer (2010. além de estruturas de dados. e associar recursos requisitados a recursos ofertados. “SERVUS Um catálogo de serviço permite a localiza. compondo uma aplicação que supra os requisitos de WMS consiste num serviço que produz ma. p. qualidade. SIDE. Dois outros pas dinâmicos. 2016). funcionais e informacionais. parâmetros obriga. Figura 2: Hierarquia de modelos SERVUS AMBIENTE DE NEGÓCIO SERVUS BIERBESTEIN E OUTROS 2006 EMPRESARIAL MODELOS DE CAMADA CASOS DE USO DOMÍNIO CAMADA DE PROCESSO REQUISITOS MODELOS DE PROCESSO E APLICAÇÃO CASO DE USO USO DE CAPACIDADES MODELOS DE CAMADA DE SERVIÇO PROJETO SERVIÇOS SERVIÇOS SERVIÇOS MODELOS DE REFERÊNCIA SERVIÇOS SERVIÇOS SERVIÇOS REDE DE GEOSSERVIÇOS Fonte: Adaptado de Usländer (2010. 92) Setembro/Dezembro 2016 100 . de uso” (USe case). de sistemas ambientais (processos de descoberta de tando atributos e geometrias. O serviço ticas em uma rede de recursos semânticos e condi- WFS trabalha com entidades geográficas com dados ções inerentes (side conditions) ao desenvolvimento discretos ou vetoriais em formato GML. 90). Nessa proposta busca-se padronizar engenharia de software: “serviço” (SERVice) e “caso as formas de acesso. uma rede de serviços geoespaciais – como descobrir dades dos geosserviços (GREENWOOD. O problema central que a meto- tórios e opcionais. coberturas. conjunto de casos de uso que atendam aos requisitos Uma das operações definidas é a GetCapabilities de negócio e demandem capacidade de recursos em que recupera os metadados referentes às capaci. uso de padrões OGC. Web Feature Service (WFS) e Web Coverage A sigla SERVUS é oriunda de dois termos da Service (WCS). 2010). compreende o projeto de sistemas de informação ção de dados ou serviços geográficos através de ambientais como uma atividade iterativa de des- uma gama de operações.2 METODOLOGIA DE drão tecnológico que propõe uma interface comum DESENVOLVIMENTO SERVUS para um conjunto de geosserviços: Web Map Service (WMS). 2010). p. represen. 3. operações. dentre elas a operação coberta e associação: capacidades disponíveis são GetRecords que recupera um conjunto de registros descobertas e associadas a requisitos do usuário de metadados (OGC. a dologia se propõe a resolver é –considerando-se um fim de diminuir os esforços de interoperabilidade.

o de capacidades (CAP’s) e o de sos. Tipicamente esses conheci. os modelos produzidos e a relação Segue a seguir uma descrição das principais com as camadas de abstração. requisitos (REQ’s). e por zação dos casos de uso. interface. serviços geoespaciais e de incorporação ao tre o usuário e o projetista do sistema. disponíveis na rede de geosserviços. domínio da aplicação. Publishing: atividade. Os modelos gerados são baseados nas cama. ção (feature). O ro à visão de recurso. Ele formalmente define a parte do tizada. Facility (MOF). os recursos podem um modelo conceitual. conjunto de recursos necessários para reali- ções e regras de como especificar o sistema. de forma a extrair um framework arquitetural. isto é. As capacidades são preende o conhecimento compartilhado acerca do traduzidas para recursos ofertados. Durante o conceitual é composto por três subconjuntos de processo de desenvolvimento são criados artefatos metaclasses. ou seja. serviço e recurso. das de abstração propostas por Bieberstein (2006). de busca de capacidades na rede de mundo que compreende o universo de discurso en. O modelo conceitual de ser associados aos conceitos de ontologia e SERVUS é um metamodelo segundo os preceitos em seguida carregados na rede de recursos se- de Model Driven Architecture (MDA) e Meta-Object mânticos. p. mapeamento entre os dois primeiros (REQ2CAP). capacidades. 99) 101 Revista do TCU 137 . mentos compartilhados são representados pela es- pecificação de uma ontologia (USLÄNDER. As principais metaclasses são: fei- gem de modelagem. b. compondo o modelo de requisitos. um modelo de serviço. Rephrasing: atividade responsável por tra- O modelo de referência é composto por um duzir os requisitos.Artigos A metodologia é composta por uma lingua. manual ou automa- a ser resolvido. O modelo de domínio da metodologia SER- VUS representa o domínio temático do problema a. o primeiro está associado à visão de tais como: um modelo de domínio. um processo de desenvolvi. responsável pelas orienta. 2010). com. modelo de capacidades. o segundo à visão de informação e o tercei- processos/casos de uso e um modelo de projeto. Figura 3: Problema Modelagem Modelos e atividades de domínio de projeto Análise Modelo de domínio Refere-se ao Descoberta Requisitos Feedback Reformulação (Discovery) generation (Rephrasing) Modelo de requisitos Modelo de requisitos para capacidades Modelo de projeto Modelo de capacidades Publicação Grounding (publishing) Combinação Refere-se ao (Matching) Capacidades Modelo Modelo de informação de referência Worflow do projeto Atividade de projeto Fonte: Adaptado de Usländer (2010. O modelo de projeto pode ser modelo de projeto é o principal deles e expressa os visto como uma composição de três modelos: o de requisitos e as capacidades sob a forma de recur. atividades do processo de desenvolvimento. A Figura 3 apresenta um quadro geral dos modelos A Figura 2 exibe o mapeamento entre requisitos e e atividades da etapa de projeto. O modelo mento e uma arquitetura de referência.

por fim. e de publishing. ou seja. 2016). levantamento de requisitos baseado nos pa é o modelo de mapeamento requisitos/ geocatálogos estudados. Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos // Artigos c. definição da uma nova capacidade na rede de serviços arquitetura de alto nível. das bi- tação e um ambiente de projeto. semântica. desenvolvimento SERVUS propõe a criação de um catálogo se. O resultado final dessa eta. recursos solicitados levantados na fase de re. considerando-se. implantação com definição do ambiente e da rede e processar as consultas por recursos. validação do protótipo e. instalação do protótipo. existir um conjunto de recursos ofertados que atendam às necessidades. fontes de dados. Grounding: atividade que disponibiliza estrutura tecnológica atual do órgão. avalia alização de estudos sobre IDEs. um conjunto que atenda aos que consiste na coleta de metadados dos serviços. principalmente no propos- capacidades. publicação dos recursos disponíveis phrasing. incluindo a definição das linguagens mântico que compõe uma arquitetura de implemen. dos componentes. nas necessidades dos stakeholders da área de meio ambiente e na infra- e. o catálogo cionar. metodologia de de- dentre as capacidades candidatas. dentre geoespaciais. GoogleMaps) Setembro/Dezembro 2016 102 . de desenvolvimentos. Matching: atividade responsável por associar O trabalho foi desenvolvido conforme as requisitos a capacidades. to pela metodologia SERVUS.Amazon HTTP EC2 REST VM Linux . do protótipo. no rol de capacidades levantadas na semântico responde pelas atividades de harvesting. No avaliação do resultados (SANTOS. arquiteturas de IDEs e geosserviços da INDE-BR. O papel do catálogo bliotecas de software e do ambiente de desenvol- semântico é o de se comunicar com os geosserviços vimento. metodologia SERVUS. geocatálogo e busca aos requisitos. outros aspectos. MODELO PROPOSTO d. as mais adequadas de dados orientado a grafos. banco na etapa de discovery. recursos seguintes etapas: revisão de literatura. elencadas senvolvimento SOA. Discovery: atividade responsável por sele. elaboração de um cenário ciona como uma extensão semântica que possibilita de utilização do geocatálogo típico de auditoria em consultas baseadas em ontologias e a avaliação da meio ambiente. Fun. com a re- requisitados a recursos ofertados. para cada recurso requisitado pode para uma rede de recursos semânticos.Ubuntu HTTP Banco de JSON Servidor de Aplicação REST grafos Jetty JSON Neo4J Maquina Virtual Java Camada de Apresentação HTML Bibliotecas Javascript (Bootstrap JQuery. Figura 4: Arquitetura de implementação NUVEM Camada de GRAPHENEDB Negócio . proximidade semântica dos resultados obtidos. que se refere ao suporte à metodologia. 6. fase publishing.

(peso 8) 64 216 Ontologia VCE (termo raiz): “vegetação” .0.(peso 6) 36 162 Palavra-chave: “agrícola” .js.Artigos Figura 5: Modelo de busca do catálogo Consulta por Parâmetros descrição Filtragem para consulta temporal Consulta por palavras-chave Filtragem Parâmetros Consulta por espacial para filtragem classificação em Busca de recursos ontologias geográficos Listagem Ponderação e Rol de recursos ordenada por Ordenação dos geográficos relevância resultados A arquitetura escolhida para implementação tional State Transfer) que retorna documentos no do protótipo do geocatálogo foi a de uma apli. também ocorre por meio de interfaces REST e no Tabela 1: Cálculo do índice de relevância Termos de pesquisa Campo com termo localizado Peso Peso Máximo Descrição: “vegetação” . mada de negócio foi hospedada num serviço de sentação foi desenvolvida em HTML5 utilizando nuvem EC2 da Amazon.(peso 8) Nome .3. A camada de apre. A camada de persistência bibliotecas JavaScript: Bootstrap 3. As requisições da camada Neo4J num ambiente de nuvem.(peso 5) Resumo .(peso 6) Descrição .(peso 5) 25 135 Peso total 125 513 Índice de relevância calculado (125/513) 0. jQuery 2.1. A hospedagem A camada de negócio foi implementada em Java da camada de persistência foi realizada na pági- versão 1. que implementa os bancos de web archive – WAR. A comunicação de apresentação são feitas pelo protocolo http e entre camada de negócio e camada de persistência acessam um servidor padrão REST (Representa. foi implementada através de um banco de dados Google Maps 3.1. o Neo4J 2. NoSQL de grafos.7 e a aplicação empacotada no formato na web GrapheneDB.5.3.0 e o componente bootstrap-slider. A ca- cação web de três camadas.24 103 Revista do TCU 137 . formato JSON (JavaScript Object Notation).

A Tabela 1 apresenta um exemplo de é atribuído um peso que será a base para o procedi. As consultas podem ser realizadas por des. o modelo de busca do geocatálogo. palavras-chave e por termos das da qualidade dos metadados e do valor de negócio ontologias. Para cada um dos itens anteriores as atribuído a cada campo. serve de base para o processo de geração do ranking nado. Figura 6: Tela de busca do geocatálogo Figura 7: Áreas de proteção ambiental importadas para ferramenta QGIS Setembro/Dezembro 2016 104 . A Figura 4 representa a arquitetura mento de geração do ranking. cálculo do índice de relevância. Podem ser realiza. Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos // Artigos formato JSON. campos de pesquisa e dos campos de metadados e das filtragens por coordenadas geográficas (filtro o estabelecimento de um índice de relevância que espacial) e por ano (temporal). composto pelo termo e o campo pesquisado. A Figura 5 apresenta implementada. Para lidar com esse aspec- frases ou termos são divididos em tokens que serão to foi elaborado um esquema de ponderação dos os termos utilizados na busca. de resultados. O resultado efetivo de uma busca depende crição (texto livre). Para cada par orde.

utilizando como base os geosser. F. Podem ser con- utilizadas as etapas da metodologia SERVUS. podemos considerar a automatização proteção ambiental localizadas pelo geocatálogo. menta de busca de recursos geográficos e de apoio download e visualização dos metadados. possibilitando a atuação Para validação do uso do geocatálogo foram nas etapas de publishing e matching. po da busca em bases de metadados. banco de dados não relacionais orientado a grafos. 181. n. p. 105 Revista do TCU 137 . Using semantic de ontologias como parâmetros de pesquisa. Foram aborda. A Figura 6 exibe o ranking na forma de uma O geocatálogo se mostrou viável como ferra- listagem com os links para visualização do recurso. C. v. das consultas. moto. de forma integrada. Como traba- zação dessas áreas. A Figura 7 apresenta as áreas de lhos futuros. similarity to improve information discovery in spatial sultas são realizadas nos metadados de geosserviços data infrastructures. utiliza. O modelo de dados foi im- recursos e geração do ranking dos recursos geográ. 2. Os principais tipos de interação são: consul. mediante ponderação de parâmetros viços disponíveis na rede de infraestrutura de dados e campos de metadados e o estabelecimento de um espaciais nacional. estabelecimento de mecanismos de parametrização teção ambiental.. ção web de três camadas. à metodologia SERVUS. passível de implantação ta a ontologias. O para o levantamento da localização de áreas de pro. de for- portados para a ferramenta Quantum GIS. guagem Cypher no manuseio de rede de recursos. que assim apresentamos: ontologias e metamodelo. 2011. ficos. fraestrutura de dados espaciais corporativa. No que se refere à arquitetura. 2. Journal of Information and Data de infraestruturas de dados espaciais. ma que o geocatálogo atue conjuntamente com os geoportais. compostas pelos comandos na linguagem o geocatálogo foi implementado como uma aplica- Cypher. Management. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS Este artigo abordou aspectos da implementa- ção de um geocatálogo que possibilita a utilização ANDRADE. sideradas como contribuições a utilização da lin- mos como base um problema relacionado a uma au. em como obter os dados necessários. 7. ditoria na área ambiental. As con. G.Artigos Os registros dos recursos são recuperados me. S. são contribuições para o cam- O resultado final foi a localização e visuali. do processo harvesting e a integração com uma in- cujos dados foram baixados de serviços WFS e im. plementado em banco de dados orientado a grafos. a nível brasileiro. dos aspectos da implantação tais como: arquitetura diante requisições REST para o banco de dados re. de instituições e órgãos públicos? índice de relevância. BAPTISTA. e modelo de dados. criação de relacionamentos entre os em ambiente de nuvem.

24 2008. Acesso em: 22 out. S. Karlsruhe: KIT Scientific.ist. M. A. BAIÃO.com/wp. Acesso em: 22 out. a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais – INDE. Decreto n. I mplementação de um geocatálogo (Doutorado em Ciências Geodésicas) – Universidade utilizando banco de dados orientado a grafos para Federal do Paraná. 8. J. CAMBOIM. p. TANAKA. Vol. Um framewor k para Brasília. Brasília. e dá outras providências. 2013.. Indiana: FT Press. 2016. Á. 2016. v. 2016. 2010. 2012.. 6. C. Acesso em: 22 out. 593p. João Pessoa.o n to l o gi a s. 2006. Proceedings.). business value. 13.planalto. Service-oriented design of environmental information systems.0 Specification: HT TP www. Uma proposta (Eds. Implementação de um geocatálogo para auxílio na localização e recuperação de dados geográficos abertos // Artigos BERNABÉ-PO VEDA. Service-oriented architecture compass: Pessoa: UFPB. apoio à metodologia SERVUS. Disponível em: <http://alexandre. WHITESIDE.1. Fundamentos de las infraestructuras de datos de integração semântica para a Infraestrutura Nacional espaciales (IDE). I n : zaghetto.6351&rep=rep1&type=pdf>. CAR VALHO. Curitiba. K. F. F. re c u p e r a ç ã o s e m â n t i c a d e d a d o s e s p a c i a i s. P.htm>. 2010. A. João BIEBERSTEIN. Disponível em: <http:// OGC..psu. D. planning. 2016. USLÄNDER. 2010. 2013. Decreto/D6666. and enterprise roadmap. Madrid: Universidad Politécnica de d e D a d o s E s p a c i a i s u s a n d o g e o . Acesso em: 22 out..gov.pdf >. Institui. M. no âmbito do Poder Executivo Federal. C. J. 2013. 2016. Dissertação (Mestrado em Computação Aplicada) – Universidade de DALTIO..1. 2012. 82f.content/uploads/2016/07/ BRAZILIAN SYMPOSIUM ON GEOINFORMATICS.html>.. GIMENEZ. 25-32. T. N.org/is/12-176r7/12-176r7. I n : Madrid. de 27 de novembro de citeseerx. 5. GREENWOOD. p.666.. opengeospatial. LÓPEZ-VÁZQUEZ. Disponível em: <http:// BRASIL. 140f.edu/viewdoc/download?doi=10. MCTI/INPE. 2013. 5. Anais. OGC Web Ser vices Common Standard. Arquitetura para integração de dados inter ligados aber tos à INDE-BR. A. Tese SANTOS. Disserta%C3%A7%C3%A3o_Vers%C3%A3oFinalParaE Campos do Jordão. 2016. Catalogue Ser vices 3.. São José dos Campos: di%C3%A7%C3%A3o. Setembro/Dezembro 2016 106 . Disponível em: <http://docs.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/ Protocol Binding. J. A. 60-65. 2012. WORKSHOP DE COMPUTAÇÃO APLICADA AO GOVERNO ELETRÔNICO ( WCGE).

de modo a maximizar o seu valor. com TI. gerir é garantir que fazemos certo as coisas. como tais. É. devem ser bem geridos e governados. 2015). equipamentos e imóveis. Palavras-chave: Governança de dados. lotado na Secretaria Existem diferentes níveis de governança dentro de de Soluções de TI. o que prova a crucial importância de todos eles. cuidar dos dados tornou-se ainda 107 Revista do TCU 137 . seja para o funcionamento saudável da ins- em Ciências da Computação tituição. com um viés para organizações de controle.Artigos O porquê de governança de dados em organizações de controle Ricardo Dantas Stumpf  RESUMO é servidor do Tribunal de Contas da União. Ciência de dados. orçamento. E agora que o TCU está investindo fortemente em análise de dados. também. onde atua uma organização. assim como elementos básicos para sua implantação. seja para análises de dados sofisticadas. bacharel gerenciáveis. Vários desses são ativos essenciais à maioria das entidades e. 1. na área de Gestão Técnica de com dados em geral ou dados abertos. enquanto governar é garantir que fazemos as coisas certas (WODZINSKI et al. Gestão de dados. INTRODUÇÃO O que é importante em uma organização? Pes- soas. Em síntese. Dados são ativos Dados. seja lidando com estratégia. tigo trata de definir a utilidade da governança dos dados nesse contexto. dados… É difícil sequer pensar no funcionamento de organiza- ções caso falte algum desses elementos. Este ar- pela Universidade de Brasília.

c. definir o direcionamento estratégico. atinente às restrições legais e normativas. vinculado à qualidade dos dados. concernente b. 32 Setembro/Dezembro 2016 108 . O porquê de governança de dados em organizações de controle // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca mais crítico. 2ª edição. aos aspectos comportamentais das pessoas envolvidas (RELATÓRIO TRIMESTRAL TCU 4º TRIMESTRE/2014. p. envolver as partes interessadas. Figura 1: TCU . e o cultural.Referencial básico de Governança aplicável a órgãos e entidades da Administração Pública. especialmente a. p. o regulatório. como pode-se inferir do trecho do relatório A 2ª edição do guia de Governança do TCU trimestral abaixo: (2015) traz um resumo da interação entre a gestão e a governança: [C]hegou-se ao consenso dos três principais desafios “São funções da governança: que o tribunal deverá superar para obter bons resultados com a análise de dados: o desafio técnico. supervisionar a gestão. 101).

enquanto informação é “uma f. a conhe- tivas. R$880. código de com- 2. dentre outras. a governan. e abstração na mente de alguém”. a governança e gestão de cimento. glossários. Dado é “uma sequência de símbolos quantifica- dos ou quantificáveis”. valor do salário mínimo em outubro de 2016 como para os diversos níveis e facetas mais focadas da atribuído a um colaborador recém-contratado. gerenciar riscos estratégicos. tes profissionais: “processo” é um documento. gerenciar conflitos internos. então temos a informação REFERENCIAL BÁSICO DE GOVERNANÇA de um salário numérico com 880 unidades. meta- rigor. É aí que a Governança de dados entra. segun. um auditor tem competência tecnologia da informação e. Figura 2: Diferentes níveis de governança “gravitando” simultaneamente 109 Revista do TCU 137 . para interagir e atuar sobre esse conhecimento durante ça e gestão de dados produzidos e custodiados.Artigos d. Um funcionário de uma empresa sabe. assim como conhecimento e competência. dados. Como exemplo simples. ao uti- É comum usarmos dado e informação como si. do o professor Valdemar Setzer (2015). p. ro 880 passou de dado a informação e. 2ª edição. Mesmo uma fiscalização. da experiência. fluxo de trabalho repetível. que se trata de E essa lógica vale tanto para o nível estratégico. A definir políticas. gravitam. a sequência de símbolos g. digital ou não. responsabilidades.00. da Universidade de São Paulo. porém. então. lizar o conhecimento e competência das pessoas para nônimos. DADO E INFORMAÇÃO putador em execução ou saliência de ossos? Depende. 31). Finalmente. representam conceitos diferentes. É um dado. 2015). a governança e gestão de dados também se subdivide Esse processo acontece diariamente em ambien- nas organizações mais complexas. 880 numa lista de salários. rimentação pessoal (SETZER. e. em torno desta. promover a accountability (prestação de contas 880. Se alguém reconhece e responsabilidade) e a transparência” (TCU. fluxos de trabalho dos dados em movimento. O núme- instituição. Em torno da governança e gestão corpora. instrumento jurídico. APLICÁVEL A ÓRGÃOS E ENTIDADES DA Já conhecimento exige uma abstração e expe- ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. auditar e avaliar o sistema de gestão e controle.

mesmo antes do formato digital. normalmente os mais alinhados com os processos de trabalho internos da corporação. de modo a simplificar a extração de não precisam de governança. NOVO PETRÓLEO É DIGITAL Figura 3: Exemplo de como símbolos relacionam-se com diversos conceitos Dados estão sendo chamados de “novo petróleo” (VANIAN. de modo a vislumbrar mais oportunidades de negócio e a aumen- tar a eficiência operacional. ou Big Data. Por exemplo. o TCU possui análises e decisões de negócio. além do feedback da sociedade nas redes sociais. presidente da DAMA Benelux. estão coletando grandes quantidades de dados de seus parceiros e audi- tados. resultando em melhores márias podem ser outras. são cha- mados de Small Data (HENDERYCKX. nosso foco está nos dados digitais. 2016). 2016) Setembro/Dezembro 2016 110 . órgãos públicos. Uma tendência nas empresas é investir cada vez mais em análise e visualização de dados. um ambiente utilizado pelo Controle Externo como Figura 4: Modelo de ciclo de dados. descoberta e enten. que estão crescendo em tal ritmo e variedade que têm sido associados a “tsunamis”. “avalanches” e “tempestades” de dados. mas as preocupações pri- informações e conhecimentos. observe que os dados que vêm monitoramento e linhagem de dados que permitam à das áreas de negócio precisam ser bem governados. Jan Henderyckx. mas sempre foram importantes e pre- sentes. Isso não significa que os dados externos custodiados dimento desses. Contudo. O porquê de governança de dados em organizações de controle // Artigos 3. 2016). Da mesma forma. apresentou um modelo genérico para o ciclo dos dados (figura 4): Nesse modelo. adaptado (HENDERYCKX. em especial os de controle. organização melhorar a qualidade. Os dados internos.

quando é difícil saber quando a análise está boa o suficiente. Bases de informação a todos os seus auditados. Quanto à forma. b. enquanto bases derivadas de boa qualidade. Na nova versão desse framework. que mais complexo. segundo o de haver tratamentos de qualidade e documentação político inglês Lucius Cary. com cerca de 20 órgãos de controle que discutem melhores práticas em TI. o “Princípio da Oportunidade”. GOVERNANÇA DE DADOS mação. procedimentos. como integração por serviços web e publish-subscribe são contemplados como formas de da- dos circularem entre sistemas ou módulos de sistemas. 2016). de alguma auditoria. as pessoas não confiam nos dados a priori. até técnicas mais modernas. o tema Governança de dados (que é uma espécie de “cola” a todos os processos ligados ao as- 111 Revista do TCU 137 . em especial os estruturados e semiestruturados. (determinações. é necessário não mudar” (In: SEINER. há paralisia de análise. com documentação completa de metadados. curadores de dados e clas- c. “quando não é necessário mu- mais detalhados. cada vez mais abundante e quando necessário. da DAMA International. normalmente pela força da neces- sidade e pelo conhecimento compartilhado pelos pares internos e parceiros. surgem problemas em três momen. e Da definição. políticas. facilita a Finalmente chegamos a uma definição formal. recomendações) são fontes primárias Além disso. o máximo valor desse ativo. existe a questão contextual. 4. é comum que a gestão siga boas práti- cas em seus nichos. direitos decisórios e prestação de contas para garantir o a. 2016): que delineiam e reforçam regras de comprometimento. segundo DMBoK vernança dos dados. por exemplo. Figura 5: Visão sintética do framework para dados. análise relativa ao uso efetivo dos repasses de recursos segundo John Ladley (2012): financeiros.. podemos nos voltar para gestão e go. localmente ou em nuvem (BRADLEY. gerenciamento apropriado dos ativos de dados. papéis e responsabilidades tos (DYKES. Cabe lembrar que já podem existir áreas justifica a inclusão ad hoc de novas bases. 5. 2014). discutiremos brevemente a necessi- dade de princípios. estrutura. E seus produtos finais um processo de tratamento mais completo. sas e organizações que dependem de dados querem extrair A área responsável por esse laboratório adota. Governança de dados é a organização e implementação de dade e organização. porém. GESTÃO DE DADOS Organizações costumeiramente já gerem seus dados. como os da comunidade TI-Con- trole. no contexto dar. A sistematização dos nichos de atuação aparece em frameworks como o preconizado no DMBoK (MOSLEY et al. a janela da oportunidade de análise A matéria-prima para o trabalho de qualquer ór- passar. sunto) só agora está ganhando energia. há tantas fontes que não se sabe o que usar. 2012). externas de baixa qualidade podem ser úteis para se descobrir achados de auditoria em sistemas de infor. visto que as empre- ternos e internos.Artigos laboratório de exploração e cruzamento de dados ex. Quando o modelo apresentado tem baixa quali. O motivo é não deixar. mesmo antes que governam bem seus dados. Isso dito. políticas. tal base torna-se elegível a gão de controle é informação. Nesses casos. A partir daí. Apesar disso.

pois compartilha com a TI -se começar pela definição dos princípios. deixamos a sugestão “processo”.527/2011. deve. si e para as outras. Assim. seguindo-se os demais princípios. Suponha que o princípio da qualidade tenha sido 5. Qualidade Dados corporativos são medidos e geridos para terem qualidade. políticas e normativos internos relativos a dados. “padronizar o tra- 20 de fevereiro de 2013.3 CURADORIA E CLASSIFICAÇÃO e abordagens de implantação. lógicos e viáveis faci. segundo Banco Central do Brasil. É comum também a política definir responsabilidades 5. glossários e metadados. ambiguidades em termos de negócio. se o prin.2 POLÍTICAS ceção”. Por exemplo. devemos tratar a entidade “dados” como de Dados. lideranças 5. a missão de cuidar dos dados corporativos. cuidar dos dados sob sua alçada de negócio. atualizada em 2016. já soas ou grupos de pessoas que têm responsabilidades de o excesso de flexibilidade pode levar à desgovernança. é o setor que auxiliará os tratamos outros ativos: melhoria contínua. Como diz John Ladley (2012). O importante é saber dosar. Gestão de risco Manter conformidade com a legislação. Isso significa que as áreas de negócio têm que se preocupar com a qualidade do dado que geram para Princípios bem específicos. uma mudança fundamental. O TCU mantém o Voca- de leitura da Política de Governança da Informação do bulário de Controle Externo (VCE). Contextualização O contexto de uso do dado muda sua forma de armazenamento. É o documento formal que cos ou de restringi-los nos termos da lei. publicada pela Portaria nº47. definição de curadores nessa tarefa. e devem reportar problemas de qua- litam todos os passos seguintes. Colaboração Dados corporativos são recursos compartilhados e publicizados. Inovação Novas técnicas são incentivadas. Fonte: adaptado de LADLEY (2012) Setembro/Dezembro 2016 112 . A partir da Lei nº 12. assim como a estrutura orga- nizacional que irá conduzir e monitorar os esforços de Glossários. criado para. os curadores também devem ativamente classificar as informações que produzem ou custodiam. formalizou-se como di- 1 abaixo é exemplificativa e não-exaustiva. responsabilidades etc (LADLEY. Essa é a uma gestão de dados menos eficiente. conhecida como Cada organização tem seus princípios. A tabela a Lei de Acesso à Informação. 2012). ou equivalente. O porquê de governança de dados em organizações de controle // Artigos sificação dos dados. tamento de informações especializadas e conferir maior Tabela 1: Lista de alguns princípios para implantação de Governança de Dados Princípios Descrição Regra de ouro Todos os dados são tratados como ativo corporativo. lidade em relatórios e outras fontes que venham de cípio “dados são ativos corporativos” for adotado pela outras áreas de negócio. ou vocabulários. Federação Há padrões definidos para as estruturas de dados. Os curadores (data stewards. tratamento e utilização. no lugar certo e no formato certo para usuários autorizados.1 PRINCÍPIOS adotado.4 GLOSSÁRIOS E METADADOS pelos dados (curadoria). retriz para a Administração Pública a “publicidade [das informações] como preceito geral e do sigilo como ex- 5. a política é o que de modo a acelerar a disponibilização dos dados públi- dá “dentes aos princípios”. Governança de da. citado na seção 2. Por isso. Eficiência Dados relevantes devem estar disponíveis no momento certo. como o termo Como um bom exemplo. faz a organização adotar os princípios discutidos. definem e eliminam Governança de Dados. O Escritório de Governança organização. de o Ministro-Presidente Aroldo Cedraz. em inglês) são as pes- dos muito burocrática é um convite à desobediência.

A figura do CDO ferramenta especializada em metadados que mostra. A “magia” acontece quando os metadados téc- nicos e de negócio são integrados para descoberta e uso das áreas de análise e de gestão de mudanças. Agora. integrações por ETL (Extract Transform Load) (2013): e bases de dados corporativas (figura 7). informações oriundas de modelagens algumas das formas utilizadas. Os dados do VCE estão aos poucos sendo integrados a outras soluções de tecnologia da informação. den- tre outros. como nomes de campos e tabelas. há algumas iniciativas nesse caminho. a. Mas podemos ampliar esse conceito em duas vertentes: de negócio e técnicos. No TCU. Os metadados de negócio são aqueles que con- textualizam os dados armazenados ou em movimento. de (Chief Data Officer) é cada vez mais comum. Essas são forma integrada. de forma a oti- mizar e uniformizar o uso dos conceitos. Figura 7: Exemplo editado de metadados técnicos integrados 113 Revista do TCU 137 . CDO interagindo com TI e uma área de gestão e não faria sentido haver apenas uma forma de estrutura de dados central do negócio.5 ESTRUTURAS interage com o negócio. b. Como a área de negócio e os espe- cialistas de domínio conhecem esse assunto. eles podem enriquecer os metadados existentes com informações específicas. p. CIO liderando equipe centralizada na TI. versão. Figura 6: Capa da edição de janeiro/2016 do VCE do TCU A definição clássica de metadados é “dado sobre o dado”. Por exemplo. compraram daqueles fornecedores. tipos etc. datas de carga. segundo Bergson Rêgo de dados. Cada corporação tem sua cultura e necessidades. considere a tabela WZV da base de dados TTNN (hipotéticos).Artigos agilidade e precisão na recuperação dos conteúdos pre- sentes nos sistemas de informação do TCU” (VCE.5). tamanhos. os cientistas de dados saberão que a tabela WZV tem os dados cadastrais de fornecedores e que a base TTNN traz organizações auditadas que. Outra é uma organizacional para governar dados. Já os metadados técnicos são aqueles que tra- zem informações de TI sobre os dados. que 5.

gestão desses em grandes linhas de negócio (figura 9). 2016) Setembro/Dezembro 2016 114 . eles resolveram dividir a teragindo com TI (híbrido). ou sante. 2016). e utilizada na prática em um grande banco mul- tinacional (IPPOLITI. Não-invasivo. in. Dada a grande variedade d. CDO interagindo com TI e várias áreas de gestão A estrutura híbrida é particularmente interes- de dados do negócio.6 ABORDAGENS DE IMPLANTAÇÃO Figura 8: Estrutura simples hierárquica (RÊGO. Na abordagem comando e controle. interna de dados disponíveis. o comitê de mais alto nível define as regras. determina os curadores. 2016): a. e mede resultados analisando os dados envolvidos. Comando e controle. A tradicional identifica os curadores e os orienta com processos mais genéricos e ferramentas existen- tes. um CDO para cada grande linha de negócio. compra ferramentas e cobra resultados. 2013) Há três formas estruturadas mais comuns de se implantar Governança de Dados (SEINER. b. e c. adaptado (IPPOLITI. 5. Tradicional. Figura 9: Estrutura híbrida. O porquê de governança de dados em organizações de controle // Artigos c.

BRADLEY. Acesso em: 12 abr. e automatizar análises com algoritmos cognitivos (HENDERYKCX. Disponível em: <http://www. Seção 1.com/ Isso significa que as organizações deverão webcast/12405/186095/the-new-dmbok-2-discipline-of- capturar dados. 2016). Portaria nº 47. em que esse é um problema tácita. REFERÊNCIAS sejam oriundos de sistemas informatizados ou de sensores em objetos do dia a dia.htm>. Comunidade de Tecnologia da Informação Também é desafio crescente identificar e re. Sobre a Comunidade.gov. metadados de negócio terão sua semântica. desde que repetíveis. CONCLUSÃO Para que tal redução seja possível. p. armazená-los de forma eficiente data-integration>. nenhuma é necessariamen. ou não são usáveis te melhor que a outra. Acesso em: 20 out. 20 de fevereiro de 2013. a ser combatido: mula construção de ferramentas e uso das atuais e mede resultado pelo aumento percebido em eficiên. ou não são utilizados (Auditor-Geral do Canadá em sidades de cada organização. é que os dados coletados de muitas organizações Como já frisamos. 21 de e não apenas sua sintaxe. mesmo de ativi- dades intelectuais. Integration. 2016). a não-invasiva formaliza a curadoria ditor-Geral do Canadá. de (2016). esti. crowdsourcing (grandes grupos pensando e colabo- rando juntos). sempre com o olhar na nança de Dados. The new DMBOK 2 discipline of Data mento básico para essa automatização. 2016). 24. sobre-a-comunidade/sobre. foca em aplicar os processos existentes. esta será ainda maior no futuro.ticontrole. BRASIL. 115 Revista do TCU 137 . Aplicada ao Controle – TI Controle. governamentais ou são inutilizáveis. Depende da cultura e neces. Diário Oficial da União – DOU. ROWLANDS. serão um instru. qual haverá muita automatização. C.Artigos Por fim. que representa perda de oportuni. 2016. desperdício de recursos e risco (ROWLANDS. Disponível em: <https://www. 4. Um dos temas que unem muitas de nossas auditorias cia e efetividade de capacidades de análise.br/ticontrole/ dades. Rowlands reitera trecho de declaração do Au. inferida por algoritmos e fevereiro de 2013. Segundo Ian Rowlands BRASIL. para cada caso e contexto. duzir o dark data. 2016. no missão e visão da instituição. BANCO CENTRAL DO BRASIL – BCB. E os dados.brighttalk. impera a necessidade de governar tais dados – na dose certa Apesar da importância atual do tema Gover.

J. Comparing Approaches to Data Governance. 3 Common Traps. 2011. versão brasileira 2012. SEINER. J.com/sites/brentdykes/2016/09/28/ big-data-paralyzing-your-business-avoid-these -3.com/ Contas da União – Brasília: Tribunal de Contas da União. L. de Acesso à Informação.gov. Disponível em: <http://video. Anais planalto. VANIAN. Secretaria-Geral da Brasport. DAMA Guia para o cor po de Brasil: p. 2016. Non-Invasive Data Governance: The Path Acesso em: 20 out. competência. Acesso em: 20 out. Why Data Is The New Oil. Disponível em: Julho de 2016. 5 out. Lei IPPOLITI. Disponível em: <http://www. Office of the Auditor General of Canada – OAG. Acesso em: 26 fev. 2013. Dado. 2016.dmc-latam. Secretaria de Planejamento. 2016. Acesso em: 20 out. 2014. 2016. de 18 de novembro de 2011. p.101. Acesso em: 20 out. et al. O porquê de governança de dados em organizações de controle // Artigos BRASIL. In: ENTERPRISE DATA GOVERNANCE ONLINE. B.com/palestrantes/jan-henderyckx/>. 2016.brighttalk. 2016. Sustaining Data Driven Innovation. M. WODZINSKI.br/vocabulario-de-controle-externo/>. 2016.gc. Spring Reports of the Auditor General of Canada. 2012. dataversity. BRASIL. Vocabulário de Controle Externo do Tribunal de 25 slides.gov. Brainstorm Tech. Presidência.ca/internet/English/ approaches-to-data-governance/20386>. D. Disponível em: <http://www. Setembro/Dezembro 2016 116 .htm>. J. Auditor General’s Opening Statement. Disponível em: <http://www. .oag-bvg. Morgan Kaufmann. 2016. p. Acesso em: osm_20160503_e_41358. ______. Acesso em: 20 out. 2016. 2015. 2014. Entrepreneurs. In: building-an-impactful-data-governance-program-one- DATA MANAGEMENT CONFERENCE LATIN AMERICA.com/2016/07/11/ DYKES. E A R L E Y. S .net/video/keynote-implementing-data- governance-strategies/>. 42 slides. <http://www. 2016.html>. 2016. ROWLANDS. Governance Program One Step at a Time. Acesso em: 19 set. In: DATA atividades>. Data Management in Motion. informação. Anais eletrônicos. ______. 2015. V. W.tcu. The Morgan Kaufmann Series on Business Intelligence. conhecimento em gerenciamento de dados. Acesso em: 12 fev. Disponível Disponível em: <http://tdan. 2016. Acesso em: 19 set. Technics Publications. M .gov. Acesso em: 20 out. 2016.dmc- latam. SE TZER.tcu. Rio de Janeiro: Brasília: Tribunal de Contas da União.gov. 2016. Fortune. Building an I mpactful Data common-traps/>.527. Relatório de Atividades: 4º trimestre de 2014 – Dados Como Ativo de Valor Nas Empresas.br/governanca>. Deploy entidades da administração pública. Data Governance: How to Design. DAMA Brasil. 2015. B R A C K E T T. of Least Resistance and Greatest Success. Instituto Serzedêllo Corrêa. 60-74. l12527. Anais eletrônicos… São Paulo: DAMA Brasil. DAMA HENDERSON. Disponível em: <http://www. M . step-at-a-time>. 2016. São Paulo. conhecimento e D M B O K . 38-55. MANAGEMENT CONFERENCE LATIN AMERICA. São Paulo. palestrantes/ian-rownlands/>. Versão 2 – Brasília: and Sustain an Effective Data Governance Program. R. I. Tribunal de Contas da União. Acesso em: 20 out.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/ eletrônicos… 20 slides. Gestão e Governança de Dados: Promovendo ______. Disponível em: <http:// portal. Referencial básico de governança aplicável a órgãos e LADLEY J. 80p. Journal Data & Information 1(1). 2015. Disponível em: <http://fortune. 2016. LEI nº 12. 2016. Big Data Paralyzing Your Business? Avoid These data-oil-brainstorm-tech/>.com/comparing- em: <http://www. Implementing Data Governance Strategies. Forbes. RÊGO. M O S L E Y. CANADÁ. São Paulo. Disponível em: <http://portal.com/webcast/10477/142503/ HENDERYCKX. TCU – TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. B. br/publicacoes-institucionais/relatorios/relatorios-de. .forbes. Disponível em: <https://www. Governança e Gestão. tcu. Technics Publications.

Este trabalho destaca a importância da Célula de Bens Imóveis de Fortaleza. o que resul- e Georreferenciamento pela tou em uma diminuta atualização das informações Universidade Cândido Mendes – UCAM dos perímetros e limites dos bens públicos ao lon- e atualmente ocupa o cargo de Gerente go da história. Cadastro técnico multifinalitário. Os bens públicos são por natureza e origem graduando em Computação pela patrimônio das cidades. Apresenta-se também a rele- vância de registrar as atualizações efetuadas nas áreas públicas nos Cartórios de Registro de Imóveis (CRI). lado nos cadastros técnicos do Brasil. Palavras-chave: Georreferenciamento. Utilizou-se como metodologia a bibliografia brasileira existente acerca dos CTM e dos CRI e os estudos de caso de diversos autores sobre o assun- to. visando a centralização. ao final. 117 Revista do TCU 137 . contudo foram deixados de Universidade Estadual do Ceará – UECE. controle e transparência dos gastos públicos. de utilizar o georreferenciamento de imóveis no sistema geodésico brasileiro – Sirgas 2000 – para o levantamento das dimensões dos imóveis. a necessidade de incluir nos cadastros técnicos do CTM as informações dos bens patrimoniais. Sistema geodésico brasileiro. Bens pú- blicos.Artigos O georreferenciamento dos bens imóveis públicos no sistema geodésico brasileiro para fins de incorporação no cadastro técnico multifinalitário: construção da regularização imobiliária dos municípios Davi Lopes Silva RESUMO é graduado em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. uma vez que especialista em Geoprocessamento o objetivo era a arrecadação tributária. Enfatiza-se. visando à integração das informações no Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM) que as cidades brasileiras estão implantando.

no servação do patrimônio público.O georreferenciamento dos bens imóveis públicos no sistema geodésico brasileiro para fins de incorporação no cadastro técnico multifinalitário: construção da regularização imobiliária dos municípios // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca 1. os bens imóveis públicos. veis na resolução nº 01/2005 do Instituto Brasileiro de Nas últimas décadas. como a medição de distâncias em “passos ou questões em pauta. instituição e atualização do CTM nos municípios bra- beram e armazenaram. Setembro/Dezembro 2016 118 . das Cidades. gerando assim no. nos imóveis e terrenos estatais. além de autores acadêmicos que trabalham as imprecisas. Erba (2005) e outros. apresenta-se lares para que se possa verificar se existe sobreposição a relevância de representar objetos espacialmente por de registros imobiliários ou ocupações irregulares. delimitar e localizar com precisão rápidas. das novas tecnologias e da importância da pre. impugnação nos CRI ou intervenções judiciais mais tância de conhecer. INTRODUÇÃO tituído pela unidade de medida em metros do Sistema Internacional de Unidades. não existe uma norma ou regra que patrimônio imobiliário das cidades. Geografia e Estatística (IBGE). Este trabalho está amparado na Legislação Bra- poração dessas informações no Cadastro Técnico Mul. De com a possibilidade de recursos administrativos para forma simples e concisa. Os Cartórios de Registro de Imóveis (CRI) rece. que muitos A partir do aperfeiçoamento das técnicas geodé. Pimentel palmas”. (2012). utilizando-se do georreferen. Ocorre. como Carneiro (2003). além do Código o atendimento das necessidades da população e pres. visando a fomentar a incor. o que pode levar. Recomenda-se a adoção de um CTM que en- Aplicando os conhecimentos topográficos e as volva um cadastro único dos bens públicos e particu- técnicas de levantamento planimétrico. à sobreposição de registros imobiliários de par- de localizar e delimitar os bens públicos das cidades de ticulares sobre terrenos públicos. Considera-se também rios assertivos ou atualizados em relação a seus limites para essa temática a Portaria nº 511/2009 do Ministério e localização. surgiu a necessidade futuro. meio da criação de polígonos georreferenciados. o que ao longo da história brasileira foi subs. discussões e litígios. que trata sobre o georreferenciamento de imó- tifinalitário (CTM) das cidades. ciamento de imóveis. ainda. registros foram atualizados sem uma aferição precisa sicas. podendo ocasionar uma forma mais precisa. sileira. em alguns casos. Civil Brasileiro. que alterou e definiu o tiram em equipamentos e bens imóveis voltados para novo sistema geodésico brasileiro. os agentes públicos inves. Contudo. que detalha os bens considerados pú- tação de serviços. o que ampliou consideravelmente o blicos. que trata sobre as diretrizes para criação. determine também a aplicação do georreferenciamento vos bens que nem sempre possuíam registros imobiliá. informações sileiros. dos órgãos atuantes municipais. busca-se demonstrar a impor.

lagos. surgiu o no território nacional. obtidas mediante Conforme Carneiro (2003). o levantamento públicos ou servir para retificação de documentos imo. também re. mas mencionar o nome dos confi. Esse pesquisador considera informações e consequente cadastro tem no Brasil en- também que “O levantamento de uma poligonal é re. A materialização deste sistema de georreferenciamento. havendo respaldo na legislação deste necessário ler seu registro imobiliário ou memorial descri. propriedade por terceiros. que pode ser definido como o ato referência. o município deve poligonais fechadas. em um levantamento de campo para aferição Com o crescimento do uso dessa ferramenta no das medidas que nem sempre correspondem ao esperado. p. cionamento absoluto dos imóveis. os hospitais. o South American Datum 1969 (SAD 69) e No passado. diversos levantamentos foram realizados seguin- Além disso. Posteriormente. as áreas públicas. as creches. side a descrição dos confinantes. Essa técnica consiste em representar. sem deixar do IBGE. vezes a parte sem interesse fiscal. como citação adotado nos títulos antigos. calização ou deslocamento de poligonais. os postos de saúde ou qualquer o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas bem registrado ou em sua posse. é necessário o estabelecimento de um sistema Para sanar esse problema. REFERENCIAR. foque de tributação. o levantamento de levantamento de campo. as sedes de 2015. nham agregado a informação do sistema de referência nantes ou fazer alusão à geografia do local. com o objetivo de incorporação no detalhe levantado recebe uma coordenada correspon­ CTM. Com isso. da localização relativa desaparecem ao adotar o posi­ o perímetro de um imóvel a partir de suas coordena. do esses sistemas de referência. mares. que esclarece ainda: de destacar também que os bens públicos podem ser alvo de ocupações irregulares e descaracterização de Para o desenvolvimento das atividades geodésicas. Nesse sistema. mento de imóveis. Recomenda-se o uso de Para fomento da gestão pública. vi- clusive deve considerar para otimização de recursos o sando ao cálculo da área dos bens públicos. os logradouros públicos. país para trabalhos técnicos utilizando o georreferencia- tivo para conhecer suas dimensões e áreas. ferência único contribui para a localização de imóveis. o sistema de referência adotado implica a incorreta lo- Acrescente-se também que utilizar endereços. o que resulta. liários existentes e a realidade encontrada em campo. o que poderá levar no um registro muito antigo. primentos e direções conhecidas. para localizar uma propriedade era o Córrego Alegre. nesses documentos cartorários. para registro nos CRI. (Sirgas 2000). 2015). por meio Para Erba (2005. descrição do relevo e nomes de confinantes não cola. levantamento do patrimônio público. “Os problemas derivados de polígonos. 2005). pode não descrever o imóvel futuro a litígios. podendo ser objeto de sobreposição e comparação com os registros este municipal ou nacional”. De acordo com Zocolotti (2005). e de chegada deverão estar na mesma coordenada. reduzir litígios e au. de referência a partir da qual os novos posicionamentos são. Brasil. como nesse estudo de rendo-se o contorno de um itinerário definido por uma caso.Artigos 2. constitui-se na infraestrutura levantamento topográfico. geodésico que sirva de referência ao posicionamento mentar a precisão de localização de imóveis. in. Desde 25 de fevereiro de 2015 o Sirgas 2000 é bora com o passar do tempo para a correta e precisa reconhecido e adotado oficialmente para fins de georre- localização caso haja remoção de edificações. são efetuados. num dado sistema de referência padrão. essas informações podem ser dente a um sistema de referência único. novas ferenciamento. sendo considerados. medindo-se todos os ângulos e lados e uma orientação inicial” (p. 10). que desconsidera na maioria das alizado através do método de caminhamento. uma vez que desconhecer de rios. uma vez que os pontos de partida conhecer seu território além dos limites geográficos. cadastral mensurado por coordenadas e sistema de re­ biliários nos CRI. ria. 119 Revista do TCU 137 . uma poligonal além de possibilitar a comparação dos registros imobi- representa uma série de linhas consecutivas com com. utilizados por profissional especializado” (GEOR. caso os registros imobiliários não te- ou o terreno limítrofe. por adequadamente pelo país. (BRASIL. ao final. DESENVOLVIMENTO série de pontos. através de estações geodésicas distribuídas de “descrever e definir a localização de um imóvel. Entre o período de fevereiro de 2005 e fevereiro os rios. encostas e montanhas. que se for originado de inclusive. com equipamentos de preci. percor. como as praças. era permitido utilizar em concomitância com do governo. definido pela Resolução da Presidência construções ou mudança de proprietários. 25). cada das de localização.

social e econômico. estas devem estar aptas a se integrar aos demais privadas. como direitos. identificadas por ao planejamento. considerando diretiva do Infrastructure jamento. sistemas de informações territoriais por ser baseado em Para fins didáticos e de entendimento. Setembro/Dezembro 2016 120 . que trata toda e qualquer propriedade como unidade a ser incorporada no CTM. ao criar um cadastro de áreas pú- projetado para servir tanto a organizações públicas como blicas. buscando sempre o desenvolvimento seus respectivos códigos. Serve de base para os demais tipos de cadastro o conceito de parcela cadastral definida pela Portaria nº (legal. que registra interesses sobre a terra. no mínimo. rios e outras. inclusive os bens Em consonância com o pensamento de um cadas. Em concordância com esta última afirmação está a Declaração sobre o Cadastro redigida pela FIG. 2003. fiscal etc…) (CARNEIRO. restrições e § 2º As demais unidades. que demonstra uma declaração da Federação Internacional Art. porém.O georreferenciamento dos bens imóveis públicos no sistema geodésico brasileiro para fins de incorporação no cadastro técnico multifinalitário: construção da regularização imobiliária dos municípios // Artigos Uma vez que essa autora considera o cadas. as seguintes destaca-se: informações: “geometria da parcela. devendo participar no plane. suir. O cadastro de áreas públicas deve seguir o padrão tro municipal como uma ferramenta que deve ir além dos demais cadastros técnicos brasileiros. § 1º É considerada parcela cadastral toda e qualquer porção que afirma que o Cadastro é um sistema de informação da superfície no município a ser cadastrada. 24). Difere dos demais cadastros municipais contendo também esses dados. referência geodésica e índice das parcelas para im- O cadastro multifinalitário é definido por Dale & McLaughlin pressão/publicação” (PIMENTEL. 21). controle urbano e ordenamento territorial. responsabilidades. ou. CARNEIRO. destacando. p. Ainda acrescenta que o Cadastro pode praças. 2º A parcela cadastral é a menor unidade do cadastro. 2012. além de servir aos cidadãos. legal e. que não existe a necessidade de pensar em um Cadastro uniforme para § 3º Deverá ser atribuído a toda parcela um código único todos os países ou jurisdições. públicos. (1990) como um sistema de informações territoriais 210). de Geômetras em suas palavras a seguir: definida como uma parte contígua da superfície terrestre com regime jurídico único. normalmente baseado em parcelas. vias públicas. está Erba (2005. o que se transcreve a seguir: tro territorial nas cidades. de apoio parcelas de que trata o caput deste artigo. territorial. adota-se parcelas. e estável. for Spatial Information in Europe (Inspire). em 1995. lotes. identificador úni- co. como. Nesse aspecto. glebas. lagos. são modeladas por uma ou mais ser estabelecido para arrecadação. devendo pos- do aspecto tributário. p. p. 511/2009.

Artigos

Em seu art. 3º, a referida Portaria do Ministério características próprias do regime jurídico e legislativo
das Cidades explica que “toda e qualquer porção da su- brasileiro, o que implica a necessidade de adequação do
perfície territorial no município deve ser cadastrada em levantamento dos bens públicos também nesse sentido.
parcelas”, o que nos remete a partir da legislação para Esse autor também aborda a questão da responsabilida-
composição de um CTM que, dependendo da situação, de dos ordenadores territoriais no tocante à observação
pode exigir o cadastro das parcelas das áreas públicas dos direitos e restrições da propriedade, seja no meio
por meio de uma ou mais parcelas ou o que possibilitar urbano ou rural, o que se transcreve a seguir:
maior transparência e preferência dos cadastradores,
sendo estas parcelas identificadas por códigos únicos. Um cadastro territorial baseado em parcelas observando
Segundo Pimentel e Carneiro (2012, p. 205), a de- os direitos, restrições e responsabilidades da propriedade
finição da Federação Internacional de Geômetras retrata urbana ou rural, nos aspectos geométricos, jurídicos,
claramente a questão da composição das informações econômicos e de gestão, aqui no nosso país, só na
no cadastro: atualidade está sendo ventilado e discutido interativamente
pelo poder público, instituições e comunidade científica,
Segundo definição da Federação Internacional de particularmente nos moldes da FIG e adequado à realidade
Geômetras (FIG, 1995), a parcela é a unidade territorial cultural do país. Carecendo, no entanto, que as instituições
do cadastro e pode ser definida de muitas maneiras, e estudiosos perseverem na sua inclusão em legislação
dependendo da sua finalidade para o cadastro. Por específica explicitamente, com a designação da instituição
exemplo, uma área com um tipo específico de uso de terra; responsável, regras e regulamentações. (loc. cit.).
ou uma área de domínio único ou propriedade individual
ou de um grupo. Os limites podem ser formais ou informais Ao delimitar e cadastrar os bens imóveis de uma
e para identificação dos polígonos utiliza-se um código cidade, é possível atuar também na regularização fun-
único. diária, como apresenta Carneiro (2003, p. 25):

Esse autor recomenda, ainda, que qualquer ca- O trabalho de regularização fundiária consiste em uma
dastro de parcelas territoriais deve ser multifinalitário e série de procedimentos técnicos, jurídicos e administrativos
adotar padronização, em suas palavras a seguir: (cadastro e levantamento topográficos, análise da origem
dominial do imóveis, ações discriminatórias judiciais,
Indica-se que o levantamento das parcelas seja demarcações, planos de legitimação de posses etc.), que
georreferenciado ao Sistema Geodésico Brasileiro, para
identificação inequívoca de seus limites. A projeção UTM
é recomendada até que se defina uma projeção específica
para cartografia em escala grande. (loc. cit.).

Na concepção de Fonseca (2010, p. 14), um dos
objetivos de montar um CTM em âmbito municipal é
o de desenvolver também um cadastro do patrimônio
público, descrevendo-o como “uma relação de bens per-
tencentes ao patrimônio público”.
Esse mesmo autor destaca que um cadastro para
ser multifinalitário deve cumprir uma função social,
pois “Hoje já se tem um significado mais amplo e di-
verso sobre o cadastro, visualizando-se então sua im-
portante função social, devido às diversas informações
que ele pode conter, deixando de ter somente a função
de taxação, podendo ser então considerado multifina-
litário” (loc. cit.).
Em sua tese, Galdino (2006, p. 56) destaca ainda
uma preocupação sobre o cadastro na forma de parce-
las, uma vez que esse formato deve preservar outras

121 Revista do TCU 137

O georreferenciamento dos bens imóveis públicos no sistema geodésico brasileiro para fins de incorporação no cadastro técnico multifinalitário: construção da regularização imobiliária dos municípios // Artigos

visam acabar com a incerteza dominial, separando as áreas pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. (BRASIL,
devolutas das particulares e legitimando a posse e o uso 2002).
de terras públicas.
Os bens públicos possuem finalidade desde sua
No caso das áreas públicas, deve-se acrescentar aquisição ou recebimento e devem ser classificados a
outras informações importantes a serem coletadas para partir de sua afetação (destinação). Conforme Di Pie-
compor o referido cadastro: tipo de bem público, legis- tro (2000 apud CARNEIRO, 2003, p. 99), necessita-se,
lação de uso e ocupação do bem, dimensão do terreno ainda, de uma separação no tocante aos bens imóveis
e da edificação, identificador de correspondência imo- próprios, definidos na legislação como especiais e do-
biliária dos limites físicos, valor de aquisição e valor de minicais, e os bens de uso comum do povo, haja vista
avaliação, caso exista. que os primeiros servem de fomento para instalação
Os bens públicos foram classificados pelo Códi- de equipamentos e prestação de serviços e o segundo
go Civil Brasileiro como dominicais, de uso comum do integra o patrimônio com a finalidade de preservação e
povo e de uso especial. Ainda de acordo com a referida conservação pelo poder público.
Lei, no art. 99: Conforme Carneiro (2003), em virtude da não
obrigatoriedade e desinteresse dos proprietários de imó-
Art. 99. São bens públicos: veis em atualizarem os registros imobiliários, criou-se
uma dicotomia entre o que existe registrado nos CRI em
I − os de uso comum do povo, tais como rios, mares, relação à realidade dos imóveis brasileiros, sejam eles de
estradas, ruas e praças; propriedade pública ou privada. No caso dos bens públi-
cos, estes frequentemente são passíveis de ampliação,
II − os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos redução e incorporação, hajam intervenções efetuadas
destinados a serviço ou estabelecimento da administração pelos municípios que muitas vezes não são informadas
federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de nos CRI, implicando o abismo entre a realidade e o li-
suas autarquias; mite legal da propriedade.
Para Haar (1992 apud ERBA, 2005, p. 24), a di-
III − os dominicais, que constituem o patrimônio das ferença entre o limite real e o limite de posse frequen-
pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito temente resulta em litígio, custos administrativos e

Setembro/Dezembro 2016 122

Artigos

judiciais para a defesa e reintegração da propriedade, o imóveis gerou inúmeras consequências para a traje-
que transcreve-se a seguir: tória imobiliária histórica do Brasil, conforme explica
Erba (2005, p. 25) em parte de sua pesquisa a seguir:
Com relação ao cadastro, existem dois limites para as
parcelas: o limite legal, definido por Haar (1992) como uma No Brasil, grande parte dos trabalhos de medição efetuados
linha imaginária que não se pode localizar no terreno sem pelos profissionais de mensuração objetiva exclusivamente
um sinal que a materialize, exigindo para sua determinação levantar os fatos existentes, determinando assim somente
o estudo dos títulos da parcela em questão, mais os títulos os limites de posse das propriedades, desconhecendo
das propriedades vizinhas; e o limite da posse, que é as causas legais correspondentes ao domínio efetivo.
determinado pelo uso do imóvel, materializado por entes Este fato acaba provocando a generalizada e conhecida
naturais ou antropológicos. situação de confusão de limites e sobreposição de títulos
de propriedade. Este sistema tem como ponto fraco a
Em relação ao tópico anterior, é prudente rela- falta de precisão causada pela subjetividade que existe
cionar e informar no ato de incorporação ao cadastro no momento em que se define o citado ponto de partida
a diferença entre o limite legal e o limite da posse, quando a parcela é amarrada à malha urbana. O fato de usar
uma vez que esses dados nem sempre são acresci- este tipo de referência tem causado grandes problemas
dos no CRI de imediato, pois existem regras, custos nos sistemas de publicidade territorial de muitos países,
e anuência para o lançamento dessas atualizações e gerando superposições de títulos e conflitos de limites.
correções.
A partir da diferença entre os limites legais e de Para facilitar o balanço contábil das cidades, reco-
posse, como ressaltam Carneiro (2003) e Erba (2005), menda-se incluir no ato do cadastro o valor de aquisição
implica-se também dizer que não existe a boa prática do bem, visando a praticidade e agilidade na prestação
de atualização das informações nos CRI, esses últimos de contas, como também é possível associar os investi-
que exigem para fins de atualização e averbação o pa- mentos a cada patrimônio, facilitando a transparência
gamento de taxas e emolumentos, além da responsabi- dos gastos públicos.
lidade técnica. Contribui-se para essa necessidade as Normas
Em parte, essa dicotomia entre o cadastro mu- Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao Setor Pú-
nicipal, os registros imobiliários e a realidade dos blico (NBCASP), instituídas pelo Conselho Federal

123 Revista do TCU 137

os municípios poderão agre. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2016. 2015. Revista Brasileira de Cartografia. GALDINO. Contabilidade tributário. deve-se considerar cadastrá-los no mesmo Acesso em: 22 nov. Carlos Alber to Pessoa Mello. que possuem papel importantíssimo na defesa da propriedade. v. Edição especial. mas servindo para transparência JUNIOR. mas também agregar informações pertinentes ao ERBA. ambiente dos particulares para evitar sobreposição ou incorporação no patrimônio particular. 2009. In: ERBA. 32 p. de modernizar e adequar os levantamentos e des- crições dos imóveis públicos no sistema geodésico FONSECA. LIMA a sua delimitação. Acesso em: 21 nov. Adotan. p. 112 f. de Salto Caxias. 202-212. estatal. Fabrício Leal de. seção 1.ly/1hBawae>. Lei nº 10. Cláudio Eduardo. Belo Horizonte. Conclusão de Curso (Especialização em Auditoria em Tributos sileiras em desenvolvimento. OLIVEIRA.406.ly/2gkA92a>. Curitiba. PIMENTEL. Acesso em: 22 nov. ZOCOLOTTI FILHO. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Utilização de técnicas de poligonação de precisão para o monitoramento de pontos ______. instituição e tos. Portaria nº 511. Rio de Janeiro: Studium. Municipais) – Faculdade de Direito da Universidade Gama Filho. assim. 2008. Setembro/Dezembro 2016 124 . na arrecadação municipal e na auditoria de tributos: estudo de breposição de registros imobiliários de terceiros e caso do município de Belo Horizonte. CONCLUSÃO CARNEIRO. desperdício de recurso Engenharia Civil) – Universidade Federal de Santa Catarina. 2006. Casa Civil. mento dos bens públicos imóveis nos CTM deve ly/1xdNMmH>. Contudo. 2016. tral baseado nos Cadastros Técnicos Multifinalitá- rios (CTM). Disponível em <http://bit. 511 do ministério das cidades. evitando. Trabalho de para uma maior integração com as plataformas bra. dezembro de 2009. presente e tipo de bem a ser cadastrado. Dissertação (Mestrado em do Sistema Geodésico Brasileiro. Diretrizes para a criação. 255 f. Resolução localizados em galerias de inspeção: estudo de caso da U.ly/2fJMzRj>. instrumento de política fiscal e urbana. de 25 de julho de 2005. DF. Acesso em: 25 set. p. BRASIL. aplicada ao setor público. Andrea Flávia Tenório. Diário Oficial da República Federativa dos municípios. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://bit. O cadastro territorial: passado. GEORREFERENCIAR. 8 dez. Cabe ressaltar que para proteger as áreas pú. 2016. Brasília. José. Pedro de Novais (Orgs. 2003.). 2006. Diego Afonso. Carlos Alberto. Ciências Geodésicas) – Universidade Federal do Paraná. Cadastro imobiliário e registro de imóveis. 2010. visando não apenas futuro. 2005. do Presidente nº 1. 13-40. Ministério das Cidades. Diego Afonso. considerar não apenas seus limites e confrontações. 1. Andréa Flávia. blicas. Cadastro de do essa metodologia.O georreferenciamento dos bens imóveis públicos no sistema geodésico brasileiro para fins de incorporação no cadastro técnico multifinalitário: construção da regularização imobiliária dos municípios // Artigos de Contabilidade (CFC). A importância do cadastro tributário brasileiro para evitar perdas de patrimônio com so. Tese (Doutorado em uso atual. A história brasileira demonstra a dicotomia entre o limite real e o limite legal dos CRI. Florianópolis. CARNEIRO. 75. n. Institui 2012. Nesse aspecto. In: MICHAELIS Dicionário Brasileiro da o georreferenciamento de imóveis deve contribuir Língua Portuguesa. Cadastro territorial multifinalitário em município de pequeno porte de acordo com REFERÊNCIAS os conceitos da portaria n. 2005. Porto Alegre: Instituto de Registro Imobiliário do O Brasil está desenvolvendo sua cultura cadas. como os investimentos e geocêntrico: Sirgas 2000. parcelas territoriais vinculado ao sistema de referência gar outras informações. Brasil. visando a representar o valor real de cada bem atualização do Cadastro Territorial Multifinalitário (CTM) nos público. que requerem das esferas ______. 64. Cadastro multifinalitário como dos gastos públicos. para atestar a realidade dos imóveis e servir para Acesso em: 20 nov. de 10 de janeiro de 2002. 2010. o Código Civil. ly/2glKejh>. Neste trabalho apresentou-se a oportunidade 2005 p. Disponível em: <http://bit. do Brasil. de 7 de públicas uma prestação de contas dos investimen. 2015. mas ainda persiste em focar o aspecto CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Altera a caracterização H. Disponível em: <http://bit. inserir o georreferencia. 2016. Disponível em: <http://bit. o que também deve ser associado ao CTM municípios brasileiros. atualizar essas informações nos CRI. 3.

Os serviços cognitivos são uma alternativa basea- Bacharel em Ciência da em Inteligência artificial para a obtenção de soluções da Computação pelo que são capazes de detectar padrões de qualquer tipo UniCeub. despachos e outros documentos. INTRODUÇÃO Grande parte das informações consultadas e pro- duzidas pelo TCU são recebidas de órgãos jurisdiciona- dos. 1. turadas. Os resultados desses experimentos foram muito promissores e pretende-se adotar as técnicas utilizadas nesse período em novas iniciativas tecnológicas para o TCU e para a Administração Pública em geral. é feita a descrição dos experimentos de utilização Software pelo IEEE e em de técnicas de inteligência artificial em bases não estru- Gestão de Projetos pela Universidade de Stanford. Essa característica requer inúmeras análises e combinações 125 Revista do TCU 137 . especialmente em razão de os dados não estarem estruturados. Esses registros são textuais e complexos e exigem recursos sofisticados de interpretação para se obter o conheci- mento linguisticamente representado. com cer tificação em textos. registradas em relatórios e instruções processuais. realizados pelo TCU. imagens ou qualquer outra fonte de dados. Machine Learning. votos. Palavras-chave: Serviços cognitivos. acórdãos. NLP. A em Engenharia de seguir. Mineração de textos. As etapas do projeto são detalhadas e relacionadas às aplicações e possibilidades futuras.Artigos Uso de técnicas de inteligência artificial para subsidiar ações de controle Luís André Dutra e Silva  RESUMO é ser vidor do Tribunal de Contas da União. In- teligência artificial.

O protótipo foi as peças em pastas relativas a cada processo de TCE. e a prova de conceito realizada utilizou como 2016. Exemplo disso é o esforço requerido Dado o caráter exploratório e o pioneirismo de para a realização de determinadas atividades de gestão uso de técnicas de inteligência artificial no âmbito do e controle. o desenvolvimento de so ao banco de dados de desenvolvimento e ao GED em experimentos iniciais com o uso de técnicas de Deep produção com a finalidade de realizar download de todas Learning revelou-se bastante promissor. Esse fato implica significativo esforço por parte dos servidores do Tribunal para estruturação desses da. o desenvolvimento dos trabalhos foi dividido TCU e as iniciativas de classificação e triagem de pro. Dado o cará- Nesse contexto. e não foi possível. não estruturados. para a extração deles foi cumentos e formatos. com o propósito de estabe- conceitos presentes em diferentes documentos. O resul- ao processo de tomada de decisão. o uso de ferramentas e algorit. como o monitoramento de deliberações do TCU. A primeira etapa consistiu na obtenção dos do- As técnicas de inteligência artificial exploradas e cumentos de processos de Tomada de Contas Especial sistematizadas nesse contexto permitem o aprendiza. 2. ter experimental. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS dos e sistematização de conhecimentos para uso e to- mada de decisão. Com lecer uma base local para futura mineração das peças de isso. O volume de documentos utilizados nessa etapa informações inicialmente dispersas em diferentes do. em etapas de experimentação com foco inicial para cessos de Tomada de Contas Especial (TCE). processos de tomada de contas especial. o trabalho sempre teve presente -se essencial e estratégico para classificação e extração a ideia de replicação para outros objetos de controle e automática de informações contidas em fontes de dados desafios de negócio. diretamente do repositório do GED (Gerenciamento do de máquina das características mais complexas de Eletrônico de Documentos). no Setembro/Dezembro 2016 126 . e. utilizado um algoritmo em linguagem Python para aces- A título de informação. e o principal desafio enfrentado foi o fato de que base de treinamento cerca de 257 mil acórdãos de 1993 o download das peças foi frequentemente interrompido a 2013 e classificou deliberações contidas no texto de devido a problemas de conexão.300 acórdãos proferidos entre 2014 e 2015. tado obtido revelou precisão média de mais de 96%. pretende-se estruturar e tornar disponíveis e úteis TCE. Em que automatização da interpretação de documentos revela. Uso de técnicas de inteligência artificial para subsidiar ações de controle // Artigos retranca imagem ctrl + Shift + click para liberar retranca para exploração e agregação de valor às informações e 5. muitas das análises realizadas foram mos amparados em modelos de machine learning para descartadas para que a melhor solução surgisse. Essa realizado no período de 1º de julho a 31 de dezembro etapa foi realizada no período de 20 a 24 de fevereiro de de 2015. pese essa orientação. foi de cerca de 680 mil peças.

median- de Cadastro de TCE da CGU (Controladoria-Geral da te o software livre Somoclu em ambiente Linux. com o propósito de compor a base de o principal desafio enfrentado foi o fato de que a grande dados correlatos aos processos de TCE para realização quantidade de documentos analisados demandou vários de mineração de texto nos documentos obtidos. bem como os documentos de relatórios da CGU ações foram realizadas entre 4 e 10 de março de 2016 e em formato Word. O volu. documentos em formato Word da CGU possuíam meta. tribuição. com a finalidade de de irregularidades. todas acelerar o processo de triagem e distribuição dos proces- as peças de todos os processos de TCE foram baixadas. A quarta etapa foi a realização da análise das irre- dados correspondentes no sistema de cadastro deles. sos. Essa etapa foi realizada das peças de processos de TCE de acordo com função entre 11 e 21 de março de 2016 e teve como principal de governo e tipos de irregularidades constantes no sis. O volume de documentos analisados foi de dos ficaram disponíveis para análise posterior. ou Kohonen Maps. foi por compartilhamento da rede local. baixar todas as peças. ao final. cerca de 3. O volume de documentos utilizados foram cerca de Na segunda etapa. foi realizada a obtenção da 680 mil peças. com o propósito de tentar processos classificados previamente em relação ao to- classificar automaticamente as peças não anotadas. os dados baixa. foi realizado o agrupamento utilizando Self-Organizing Maps. provavelmente o resultado não seria 127 Revista do TCU 137 . Os gularidades dos processos da função de governo Saúde.Artigos início. Essas União).146 peças por meio da técnica de clustering Na terceira etapa. No entanto. Como resultado dessas ações. que tal existente e à conformação difusa das classificações compõem a maioria dos processos. analisadas por meio de redes neurais do base de dados do Cadastro de TCE em Apex e da base tipo Self-Organizing Maps. dados de cadastro do sistema em Apex correspondiam a com o propósito de classificar os processos enviados em uma pequena fração do passivo existente de processos forma de planilha Excel que estavam pendentes de dis- de TCE. desafio o fato de que devido ao pequeno número de tema de cadastro em Apex. As ações dessa possível classificar grande parte dos documentos por etapa foram realizadas entre 2 e 3 de março de 2016 e função de governo usando por base o cadastro obtido teve como principal desafio o fato de que nem todos os do sistema Apex utilizado até então para as TCEs. Não obstante as dificuldades encontradas. dias consecutivos de processamento e a proporção en- me de documentos utilizado nessa etapa foi de cerca de tre número de documentos que possuíam classificação 2 mil peças e foi utilizado um script em SQL (Structured prévia para o número de documentos sem classificação Query Language) para realização dos dumps dos bancos seria muito discrepante para a obtenção de um resulta- de dados e acesso aos dados compartilhados da CGU do útil.

elaborar algoritmo de extração de monstrar a utilidade desse serviço é considerado o mais informações semelhante ao utilizado para o Extrator de adequado para que haja um elevado grau de sucesso na Deliberações. e validar a classificação e encami- correspondentes a cada tema. portanto. que instruem TCE. classificar e sugerir encaminhamento por meio da TCE realizados pelo TCU e os 37 parágrafos-padrão. expressões regulares e o framework Flask em Python com a infraestrutura Werkzeug.997 instruções processuais de TCE.146 processos identifica- dos na função de governo Saúde. durante sua execução. disponíveis como auxí. e a técnica de cerca de 5. Essas ações ocorreram entre 1º e 7 de abril de como principal desafio o fato de que a qualidade dos 2016 e tiveram como principal desafio o fato de que a documentos digitalizados não é suficiente para garantir similaridade entre cada tema e as instruções é elevada extrações que correspondam ao mesmo grau de confia- qualquer que seja o tema escolhido. III e IV.800 relatórios. o experimento foi considerado biguidades necessitam de algum tipo de compreensão encerrado e. para analisá-los foi utilizado Deep Learning em Python com o framework Theano/ Keras. essa etapa teve os seguin- grafos-padrão em cada instrução analisada. definir critérios de classificação A sexta etapa foi dedicada ao propósito de es. Character Recognition). extraídas dos relatórios originários da CGU em formato Setembro/Dezembro 2016 128 . por meio de interface Apex. Essa etapa foi realiza- da no período de 22 a 28 de março de 2016 e. a maior parte dos itens de deliberação do pósitos de: analisar a estrutura dos relatórios da CGU e tipo Determinação a Órgão/Entidade é identificada com definir quais informações podem ser extraídas e estru- precisão maior do que 96% e seus atributos. POS tagging usando a biblioteca livre Aelius. elevado nível de ruído proveniente de OCR (Optical Sendo assim. o que segundo os especialistas deveria ser detectado para cerca de pelo menos 10% dos processos. com isso. interface de validação. aplicar algoritmos de correção de textos com especialistas. bilidade alcançados pela leitura realizada pelos auditores to difícil distinguir com exatidão a presença dos pará. foi encontrado o desafio de que existem muitas ambiguidades linguísticas a serem tratadas por cados pelos especialistas na área de TCE. Portanto. do texto em nível próximo ao da inteligência humana. pois as similaridades ficaram muito próximas umas tipos de deliberações de acórdãos. Algumas dessas am. dos 3. O volume de documentos utilizado foi envolvido foi de cerca de 3. conforme indi. também são extraídos com alta precisão. disponibilizar interface de validação para iniciativa de automatizar o processo de extração. e a maioria também com o tipo V. todos estariam com os tipos de irregularidade II. e as utilizada foi Information extraction usando expressões re- técnicas utilizadas nessa abordagem foram similaridade gulares e cruzamento de dados estruturados com base léxica e semântica utilizando o algoritmo de distância nas entidades extraídas dos documentos. e encaminhamento com base nas informações extraí- tabelecer correlação entre os textos das instruções de das. Uso de técnicas de inteligência artificial para subsidiar ações de controle // Artigos muito preciso. Sendo assim. A sétima etapa foi um experimento com os pro- Não obstante. sendo assim. o tes resultados: com a ajuda de especialistas em TCE. é mui. o tipo de deliberação escolhido para de. foi insatisfató- meio de regras específicas na extração de atributos de rio. Essa etapa foi de edição Levenshtein e cosseno entre os vetores de Bag realizada no período de 8 a 26 de abril de 2016 e teve of Words. os especialistas em TCE. A quinta etapa consistiu em criar o serviço de extração de deliberações e teve como propósito dispo- nibilizar um serviço web de extração de deliberações de textos de acórdãos com a finalidade de realizar a in- serção dos tipos de deliberação Determinação a Órgão/ Entidade de forma semiautomática.146 teria o tipo I. no sistema Radar. segundo os turadas. das outras. essa abordagem foi descartada. Nenhum desses 3. Ao final. O volume de documentos lio no portal. Cerca de 200 acórdãos são proferidos por semana. resultado foi o fato de que o percentual de similaridade foram definidas as informações a serem estruturadas e apurado para cada instrução/parágrafo. nhamento pelos especialistas.

Foi utilizada uma amostra de dez relatórios com Word passou a ser realizada também para os relatórios grandes problemas de digitalização. reduzindo. em termos de quantidade de erros. Com a utilização de algoritmos de machine learning ção de deliberações de acórdãos. estão disponíveis para validação e acesso os seguintes com anotações manuais e automáticas em textos de acór- produtos em sua primeira versão: serviço REST de extra. realizada entre 27 de abril e 25 de reconhecimento de entidades foi de cerca de 58 mil de maio de 2016. As extrações realizadas por esse experimento de digitalização. O volume auditores que instruem TCE. No entanto. a precisão e as demais 129 Revista do TCU 137 . sion foi utilizada para essa tentativa. interface de validação no lugar de regras pré-definidas. “Omissão no dever de prestar contas”. tomatizado. assim. entre 16 e 25 de julho de 2016. o trabalho que é realizado de software de OCR adotado no âmbito do TCU (Adobe). Para esse fim. foram realizadas extrações de informações nesses do Extrator de Deliberações. as mes. foram realizados A nona etapa. a geração versão do serviço de reconhecimento de entidades men- automática de minutas foi considerada problemática cionadas. O desafio principal vido ao processo de OCR. que são de menor qualidade de. de machine learning Apache OpenNLP em Python e Java. do que o Segundo os especialistas. CPF. interface de valida- uma minuta de instrução para o tipo de irregularidade ção do Extrator de Conteúdo de TCE. de qualquer texto os nomes de pessoas físicas. realizada entre 8 e 15 de julho de cruzamentos das informações extraídas com sistemas 2016. Siafi. teve como propósito a melhoria de documentos estruturados. e a API Google Vi- digitalizados em PDF. digitalizados por meio da utilização de serviços terceiri- mas extrações realizadas em documentos em formato zados. Conforme de mencionada. dãos. NER (Named Entity Recognition).Artigos Word. A décima etapa. CNPJ e referências normativas. serviço REST de extração relatórios que permitiram preencher com boa precisão de entidades de relatórios de TCE. Siconv. foram feitas as primeiras entregas com acórdãos e a base Amazônia da Universidade de Lisboa. capaz de extrair pelos especialistas devido ao fato de apresentarem da. foi utilizado o framework cronograma do projeto de criação de serviços cognitivos. No entanto. o propósito de disponibilizar as primeiras versões dos contendo as anotações manuais de cada tipo de entida- serviços previstos no cronograma do projeto. forma manual para este fim pode ser parcialmente au. foi disponibilizada uma in. de documentos utilizados para treinar os modelos neurais Na oitava etapa. o tempo necessário para teve como propósito o desenvolvimento da primeira a distribuição/triagem de TCE. era melhorar a qualidade do texto extraído dos documen- terface de validação do extrator para os especialistas tos digitalizados de TCE sem recorrer a novo processo em TCE. pessoas dos que não preenchem totalmente as necessidades dos jurídicas. tais como o Sisobi. o resultado alcançado não foram consideradas úteis na gestão do estoque de TCE. foi melhor.

OLIVEIRA. É utili. estruturar textos produzidos continuamente e que de- co em Java puro. Govind. com a finalidade de aprimorar os processos de trabalho Na décima primeira etapa. São utilizados cerca de Extraction from text documents by Singular Value 280 mil documentos de jurisprudência do TCU. Uso de técnicas de inteligência artificial para subsidiar ações de controle // Artigos métricas associadas podem não ser as ideais enquanto Indexing é um método estatístico que liga termos em não houver uma grande quantidade de textos anotados uma estrutura semântica útil. Foram utilizados cer. December 1995. Arquitetura de Referência 8. sem de forma similar em Java. O principal desafio foi o fato Portanto. tinentes a todo trabalho desenvolvido de forma textual. de produção. Gavin. NER. Simple Method for Ontology A décima terceira etapa. Setembro/Dezembro 2016 130 . bem como para colocar à disposição. por meio de ser- ca de 600 documentos para o teste da ferramenta dentre viços cognitivos. usando Singular Value Decomposition. pois é inerente e 14 de setembro de 2016. para avaliar a qualidade do serviço web NER. International Journal of de outubro de 2016. pp-573-595. Michael. Outro exemplo de setembro de 2016 e 11 de outubro de 2016. O’BRIEN. Andreia. A métrica F1 é a mais adequada Os serviços cognitivos desenvolvidos podem ser para demonstrar o equilíbrio entre precisão e recall. essa iniciativa poderia não ser bem-sucedida caso um para os profissionais de Controle Externo. No. CPF e CNPJ inexistentes ou pertencentes a pessoas físicas já falecidas ou a pessoas jurídicas inativas. tem como objetivo a disponibiliza. ocorrida entre 16 de relevantes ao conteúdo a ser elaborado.4. DUMAIS. NOVELLI. Latent Semantic Vol 37. em andamento desde 18 Automatic Extraction from Documents. José. para agilizar o possíveis erros materiais em acórdãos proferidos pelo processo de análise desses documentos externos. VELVADAPU. utilizando nativamente a biblioteca pendem da classificação e extração das informações OpenNLP e os modelos treinados anteriormente para a contidas nessas bases não estruturadas. Ontology algoritmos de machine learning. BERRY. utilizando MADDI. 2012 ção de um serviço de extração automática de ontologias em formato OWL. Using Linear obtida pela técnica Bag of Words e normalização TF-IDF. TCU antes de serem oficializados. Vol 5. O resultado alcan. ADMI. teve como uso seria a elaboração de resumos de textos recebidos de objetivo a construção de um serviço capaz de detectar órgãos jurisdicionados de forma automática. CONCLUSÃO corresponde ao estado da arte em termos de extração de entidades mencionadas. foi desenvolvido poderia ser automaticamente relacionada ao texto nascente e encontra-se em produção no ambiente JBoss 6 EAP. podem-se elaborar. de acordo com a arquitetura padrão de serviços toda a jurisprudência existente sobre o tema desenvolvido do TCU. Advanced Computer Science and Applications. o serviço Ao elaborar determinado relatório. deve ser o objetivo a ser buscado. mas por conceitos que são verdadeira e estatisticamente ção não treinada de 10 mil sentenças aproximadamente independentes de uma forma que os termos não são. Como foi separada uma base de valida. lizadas que subsidiem a elaboração dos relatórios de çado pelo serviço cognitivo foi uma captura de cerca de fiscalização e todos os demais documentos necessários. 2001 zada a técnica Latent Semantic Indexing realizando a de- composição da matriz W de documentos x conceitos. Susan. o que 3. entre 1º de agosto do TCU e da Administração Pública. No. primeira versão do NER. de forma a simplificar o processo de busca por informações A décima segunda etapa. Assim. realizada pela Corregedoria do TCU como possuidores os auditores terão sempre as informações mais atua- de erros materiais em sua elaboração. que utilizados de forma bem-sucedida por outros sistemas. foi obtido um score F1 de cerca de 81% para pessoas físicas. 40% dos erros materiais presentes nos acórdãos. Usando esse mé- genérico foi exposta como serviço web na infraestrutura todo. Não obstante. REFERÊNCIAS veis. após a verificação da grafia correta dos nomes dos responsá. Chakravarthi. de documentos de texto. contextos per- ou mais frameworks utilizados em Python não existis. ao trabalho do TCU e outros órgãos a necessidade de to da segunda versão do extrator de entidades genéri. a disponibilização desses serviços pode de que a portabilidade de código Python para Java nem servir para conferir maior exatidão ao trabalho de instru- sempre é possível em muitas customizações. cada documento é representado não por termos. Decomposition. Além disso. A primeira versão do extrator de entidades semântica e sem intervenção manual. clippings personalizados a respeito de cerca de 1 mil acórdãos apontados por uma inspeção cada assunto tratado em determinado trabalho. Portanto. sem análise sintática ou manualmente. ção de processos. ocorreu o desenvolvimen. por exemplo. 12. Algebra for Intelligent Information Retrieval. SIAM Review.