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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA 10ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE GOIÂNIA-GO

PROCESSO nº 22140-45.2016.800.0099

MM. Juiz:

JOSÉ DAS TAMPAS, já qualificado nos autos do processo
fls 07, por seu advogado e bastante procurador que a esta subscreve, conforme
procuração anexada, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência
apresentar em tempo o MEMORIAL DE DEFESA, com fundamento no artigo 403
parágrafo 3º do Código de Processo Penal, ante os fatos e fundamentos a seguir
exposto:

I) DOS FATOS:

Na noite de 13 de agosto de 2016, o acusado jogava sinuca
com seu amigo Tião (qualificado nos autos fls 03) quando se aproxima a vítima
Chorão (também qualificado nos autos fls 08) e começa a dar palpites no jogo
dos dois primeiros. Chorão era usuário de drogas e sempre se encontrava sob
estado de entorpecentes e na noite em questão falava coisas que não era de
seu normal de lucidez. JOSÉ DAS TAMPAS, alterado pelo álcool tentou dar um
susto em CHORÃO e em tom jocoso, fez ameaças como qualquer pessoa faz
quando está com raiva, mas que não está com a intenção de realizar o feito.

aquele que nada tem correlação aos fatos. lembra-se Evandro Linz e Silva: . de transformar os atores sociais em falsos acusadores é muito grande. Na manhã do dia seguinte a vítima fora encontrada próximo a um bueiro. sem vida. para assustar CHORÃO. se não há provas robustas da autoria. e percorreram toda a extensão da rua. ambos entraram em uma rua escura RUA VN22. e. sequer podemos falar no princípio do in dúbio pro reo. uma vez que existe um lastro imenso entre a certeza acusatória e a mera conjectura. com golpes de faca no tórax e a arma do crime foi encontrada há aproximadamente. Após a manifestação do D. Esta certeza não pode ser falseada por uma acusação leviana e incongruente. sentou-se em uma calçada para descansar pois correu demais e depois lembrou-se que tinha saído sem pagar a conta do bar. Todo o evento foi assistido pelas testemunhas que não relataram em seus depoimentos. a lançar aos azares de um julgamento popular. uma vez que não há nenhum elemento de informação fiel e forte o suficiente para gerar no mínimo dúvidas de que o acusado tenha cometido este delito. Inobstante. assim diante disso as chances de se cometer uma injustiça com um inocente. II DO DIREITO: a) Preliminarmente Requer-se que não seja aceito o pedido do Ministério Público de prisão preventiva. edificadas por condutas passiveis de reprovações em afronta aos tão sagrados e irrevogáveis direitos humanos. algo esse. que causaria um desequilíbrio no tecido jurídico da sociedade em que está a se dar toda essa celeuma. o acusado corre a pé atrás de CHORÃO que estava em sua bicicleta. JOSÉ DAS TAMPAS. Regressou ao Bar.Após o termino do jogo. Eis o breve relatório. principalmente quando galgada em informações inverídicas. Promotor de Justiça. trinta metros do local do fato. que o acusado estava munido de faca ou trazia consigo após a corrida atrás da vítima qualquer vestígio de sangue. A percepção equivocada sobre a autoria de um delito gera injustiça. . Nesta análise. pagou sua conta e foi embora para sua casa. vieram os autos deste processo-crime para os memoriais da Defesa.

Assim sendo. 415 e incisos do Código de Processo Penal – CPP permite aplicação da Absolvição Sumária por ser impossível dizer que o acusado praticou uma conduta tão vil. absolverá desde logo o acusado. Resta prejudicada por ser inócua a inaugural acusatória.” Considerando que em nenhum momento do procedimento inquisitivo a autoridade logrou êxito em reunir elementos INTEGROS para indicar a autoria do delito. quer-se a defesa perfeita. dentro. não em elementos fáticos. há prova de autoria ou participação do réu e não está demonstrada nenhuma excludente ou justificativa. O tão nobre doutrinador supracitado comenta o Código de Processo Penal sobre o tema: Art. que não deveria ocorrer. 55. “O juiz lava a mão como Pilatos e entrega o acusado (que ele não condenaria) aos azares de um julgamento no Júri. quando: […] II provado não ser ele autor ou partícipe do fato. são extremamente vagas e por que não dizer tendenciosas. Guilherme de Souza Nucci leciona que a Plenitude de Defesa significa que “aos réus. ao passo que assim agindo. e as testemunhas. obviamente. viciadas. das limitações naturais dos seres humanos”. em sua totalidade. tem-se totalmente prejudicial a sociedade. ostenta-se de plano a necessidade de impronúncia/ absolvição Sumária do crime homicídio – Neste interim. 08/09 nada contribui para identificar o delito e sua autoria. O juiz. o direito e a justiça. no Tribunal do Juri. a nova redação do art. A perícia de fls. fundamentadamente. mas em informações inseguras. não há absolutamente nenhuma prova que permita o prosseguimento da presente Ação Penal contra o acusado. 415. pela razão muito simples de que o Tribunal de Jurados só tem competência para julgar os crimes contra a vida quando este existe. Prova de não ser o acusado autor ou participe: é . a qual se embasa.

ed. Atlas. que passa a ter correspondência com a nova hipótese do art. introduzida pela Lei 11. e com ela se impõe necessária a impronúncia do acusado. Sabendo que não cometeu o delito que lhe esta sendo imputado. colocando fim ao processo definitivamente. o inciso IV menciona estar provado que o réu não concorreu para a infração penal. com a imposição da malfada segregação cautelar. p. Também se sabe que não foram encontradas provas datiloscópicas que indicassem a autoria por parte do acusado. ou para assegurar a aplicação da lei penal. São Paulo. inarredável a negativa de autoria. outra alternativa inédita.680/2008. consoante termo de oitiva da vítima de fls. não consubstancia materialidade e autoria para tal acusação III. 312 do Código de Processo Penal (CPP). 376). Com efeito. Também não poderia ser considerado o acusado o autor do homicídio. o juiz pode decretar a prisão preventiva somente quando exista também um dos fundamentos que a autorizam: para garantir a ordem pública por conveniência da instrução criminal. 386 do CPP. não merece o acusado sofrer os rigores da lei. A mais indicada solução.12. eis que inexistentes os requisitos necessários previstos no art.DO PEDIDO Considerando os elementos aqui carreados. b) DO MÉRITO: No mérito. (Código de Processo Penal Interpretado. uma vez que a insuficiência de provas. tem-se que ela mesma não chegou a ver ação delituosa. fundamento de toda medida cautelar". . é a absolvição sumária. portanto deve o acusado responder o processo em liberdade. uma vez que não cabe prisão preventiva já que doutrinador JULIO FABBRINI MIRABETE preconiza: "Havendo prova da materialidade do crime e indícios suficientes da autoria. no procedimento do júri. Preocupa-se a lei com o periculum in mora. 1996. Neste dispositivo. a absolvição se impõe.

22 de outubro de 2017 Alice Costa Lima OAB-GO 08. requer: A impronúncia do acusado. não se pode apoiar no in dúbio pro reo. Goiânia-GO.523 . Neste terpos Pede Deferimento. e remetidos os autos a Autoridade Policial da respectiva circunscrição competente com o objetivo de acurar as investigações. e assim. de tão frágil. pois assim agindo delineada esta a arbitrariedade e ofensa a Constituição Federal de 1988. Posto assim.reforçando que a fragilidade dos elementos acusatórios carreados não chega a trazer sequer dúvidas se a autora pode ou não ser atribuída ao acusado.