PRESBITÉRIO LITORÂNEO DE PERNAMBUCO EXAME DE SERMÃO

SERMÃO EXPOSITIVO EM JUDAS 1, 2, 24, 25 Daniel Luiz Rodrigues de Andrade

RECIFE, 2005

JUDAS 1, 2, 24, 25

“1Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo,
2

a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados. Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com

24

exultação, imaculados diante da sua glória,
25

ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade,

império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”.

INTRODUÇÃO

Meus queridos irmãos, foi-se o tempo em que era aconselhável e possível deixar arquivos importantes, como relatórios, folha de pagamento, trabalhos grandes e demorados, e, no nosso caso, sermões, resenhas, resumos e monografias, armazenados apenas nos computador pessoal. Quem nunca teve que formatar o HD e assim, perder todas as informações gravadas? Ou quem nunca perdeu relatórios e trabalhos por conta de uma incompatibilidade no drive de cd? É difícil, mas acontece! Ou quem jamais teve que transportar um arquivo e ao chegar no computador, no momento de ler o disquete, uma mensagem é apresentada dizendo que o disco flexível deve ser formatado? É frustrante! Hoje, com a proliferação de invasões virtuais, e os chamados vírus, é mais importante do que nunca, fazer cópias de segurança (backup) e, ainda mais, colocar estes arquivos nos chamados discos virtuais. O Disco Virtual serve para você armazenar arquivos, funcionando como o disco rígido do seu computador. Você pode acessar esses arquivos de qualquer lugar do mundo, bastando ter um computador conectado à Internet. Estes nos dão um espaço considerado e a segurança de deixar os arquivos muito bem guardados. Além de não se preocupar em estar levando um disquete, cd ou notebook por aí. Certamente, o disco virtual é a mais segura forma de guardar seus arquivos importantes e ter acesso quando e onde quiser.

ELUCIDAÇÃO

A Epístola de Judas é um daqueles livros menos confirmados pelos antigos pais da igreja. Policarpo, Irineu e Inácio, ambos do segundo século, parecem não haver conhecido ou ignoraram este livro, além de não declararem ter sido Judas um escritor sagrado.1 Porém, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Atanásio e Jerônimo acreditavam que esta epístola deveria fazer parte do cânon e que era Judas, o irmão de Jesus (Mt 13.55 e Mc 6.3) aquele que a escreveu. Quanto à similaridade com 2a Pedro, estudiosos afirmam ter sido escrito primeiro o livro de Judas e depois 2a Pedro, embora isso seja muito disputado. Uma das razões alegadas é que Judas foi aceito primeiro, neste caso, no concílio de Catargo no ano de 397. Os anos entre 60-70 são mais prováveis, no tocante à datação da mesma. O local de escrita está relacionado com a escrita de 2a Pedro, já que uma é dependente da outra. De Roma deve ter sido sua proveniência. No que tange aos destinatários não se sabe muito bem que eram. O versículo um é muito geral ao dizer “... aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo”. Segundo o contexto da época, a região que estava sendo “atacada” pela heresia gnóstica, que parece ser a principal heresia combatida por esta carta, de, entre outras coisas, negar a encarnação de Cristo, era a Ásia Menor. Daí deduzir-se que este tenha sido o destino da carta. A imoralidade dos mestres gnósticos, a negação da expiação pelo sangue de Cristo,2 a rejeição da “idéia” da paternidade de Deus, a perversão destes homens e a negação da

1

R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: vol. 6. São Paulo: Hagnos, 2002. p. 324. 2 Implícito no quarto versículo: “... e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

salvação plena oferecida aos homens eram ensinos destes indivíduos que transformavam a graça de Deus em libertinagem. O propósito da carta, então, expresso no verso 3 é de combater estes homens e seus ensinos, assim como exortar aos amados a batalharem juntos pela fé3 que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Observando a proposta de esboço da Bíblia de Estudo Almeida e a dada por Champlin em seu comentário a esse livro, arranjamos da seguinte forma a divisão do livro:

ESBOÇO 1. SAUDAÇÃO (1-2); 2. PROPÓSITO CENTRAL
DA

EPÍSTOLA: Exortação à batalha da fé por causa da

presença de falsos mestres entre eles (3-4); 3. EXEMPLOS HISTÓRICOS
DE

APOSTASIA: Destruição dos descrentes entre o povo

libertado do Egito, os anjos caídos, Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas (5-7); 4. DESCRIÇÃO DOS FALSOS MESTRES E SEU JUÍZO (8-16); 5. ADVERTÊNCIAS
E

EXORTAÇÕES: os apóstolos já advertiram, edificação e oração

mútua, compaixão pelos que estão na dúvida (17-23); 6. DOXOLOGIA (24-25).

Lemos dois textos. Um do início da carta e outro do fim. Mas ambos falam de uma coisa importantíssima que vai servir de base e estímulo para o propósito da carta e do sermão de hoje. É o fato de Deus nos guardar em Cristo.
3

Fé em Judas tem o sentido de todo o arcabouço doutrinário teológico embasado nas Escrituras Sagradas.

SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

Neste sermão pretendemos responder a três perguntas que nos saltam ao escutarmos que somos guardados em Cristo Jesus. As perguntas são as seguintes: Por quem somos guardados? De quê somos guardados? E para quê somos guardados? De modo que o sermão se divide nestas três perguntas.

Por Quem Somos Guardados?

O verso 24 nos diz que quem nos guarda é “aquele que é poderoso”. Aquele que é descrito aqui é o Senhor Deus todo-poderoso, ou seja, aquele que detêm o mais elevado de todos os poderes, aquele que tem poder suficiente para nos guardar e fazer as mais difíceis tarefas. Deus é o Deus que tem poder por habilidade e recursos próprios. Seu poder não deriva de nada nem procede de ninguém. No contexto de Judas todo esse poder é direcionado para o guardar, proteger. É como segurar algo com toda a força possível. Ele é poderoso para guardar. O vocábulo utilizado é dunamenw, que tem esses sentidos anteriormente proferidos, ainda trás em si a idéia daquele que guarda de maneira extremamente cuidadosa. Utiliza-se essa palavra cerca de 68 vezes falar de algo que está seguramente protegido, cuidadosamente guardado, poderosamente preservado. Na própria epístola de Judas vemos que quando Deus decide guardar algo ou alguém, de fato, ele guarda de maneira poderosa e definitiva. Por exemplo, os anjos que não guardaram seu estado original estão guardados por Deus sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia (verso 6). Aqui há um paralelismo proposital de Judas:

os anjos não guardaram, então Deus os guarda! Há possibilidades destes anjos serem restaurados e serem guardados para outro fim que não a condenação? Absolutamente, não! Outro exemplo, os falsos mestres são descritos como estrelas errantes para os quais está guardada a negridão das trevas, para sempre (verso 13). Quem os tem guardado de maneira poderosa até hoje e até o grande e terrível dia chegar afim de fazê-los depósito da ira infinda e eterna? Aquele que é todo-poderoso! O soberano Senhor guarda os ímpios para o juízo eterno. Sendo o Senhor Deus aquele que guarda, e sendo Ele o todo-poderoso, logo, Deus é aquele que guarda com todo o poder. No entanto, é também Aquele que sustenta, protege, defende, poupa, previne. Aquele que de uma maneira poderosa nos guarda. E só Ele tem poder para isso. Ninguém mais poderia nos segurar com tanta segurança. Muito menos eu mesmo me seguraria sem que o meu próprio peso me fizesse escorregar. Jonathas Edward certa vez disse que estamos em terreno escorregadio e o que precisamos para cair é nada mais nada menos que nosso próprio peso. Eu não me sustento. Você não se sustenta, como é de costume falarmos. Eu não me protejo. Você não se protege, como é de costume tentarmos. Eu não me guardo. Você não se guarda, como é de costume sermos advertidos. Deus é o único capaz disso porque Ele é Aquele que é poderoso para nos guardar. A própria teologia bíblica mostra que uma vez debaixo das mãos de Deus, nada nem ninguém poderá nos achar neste esconderijo secreto. Se há clamor por segurança hoje, há, e mais uma vez se comprova, a necessidade da torre forte, da rocha eterna que protege os pés do vacilo, há a necessidade de “aquele que é poderoso para nos guardar”. E se isso não fosse uma coisa tão certa, e se fosse possível se confundir quem seria essa pessoa digna de nos proteger nele, Judas citaria com todas as letras seu nome. Mas só basta dizer “aquele

que é poderoso para guardar”. Ele preserva tão bem preservado por causa do seu infinito poder. Por causa da sua onipotência. É o El-Shadday. Se fizermos uma caminhada, mesmo que seja apenas no Pentateuco, perceberemos que os escritores reconheciam a Deus como que contendo todo o poder em suas mãos e o próprio Deus se intitulava assim. Em Gênesis 17.1 o Senhor apareceu a Abraão e disse: “Eu sou o todo-poderoso”. Isaque abençoou a Jacó no nome do todo-poderoso (Gn 28.3). Jacó disse a José que o todo-poderoso havia se manifestado a ele numa luz (Gn 48.3). Em Êxodo 6.3 Deus diz que se revelou a Abraão, Isaque e a Jacó como o todo-poderoso. Mesmo nos oráculos de Balaão Deus é o todo-poderoso (Nm 24.16). Em Deuteronômio 10.17 Deus é o Deus dos deuses, o soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, assim como em Josué 22.22. Muitas outras passagens afirmam este fato – Deus é o todo-poderoso. Ainda que reconheçamos que na epístola de Judas Deus é aquele que dá graça (verso 4), é o libertador (5), o justo (7, 14), aquele que repreende (9), o que ama (21), o único salvador (25), mas nenhum destes conceitos nos saltam tantos os olhos como a verdade de que Deus é aquele que guarda até os ímpios para sua condenação. Ora, aquele que é poderoso é Deus. O que nos guarda em Cristo Jesus é Deus e, como que sendo redundante de propósito, o poderoso Deus nos guarda de maneira poderosa em Cristo Jesus. O nosso Hinário Novo Cântico registra o fato de ser Deus o que guarda os seus pelo seu poder quando no hino de número 368 chamado Despedida diz:

Deus vos guarde pelo seu poder, Permaneça ao vosso lado, Vos dispense o seu cuidado,

Deus vos guarde pelo seu poder! Pelo seu poder e no seu amor, Estaremos todos com Jesus! Pelo seu poder e no seu amor, Oh! Que Deus vos guarde em sua Luz!

SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

Sabemos até agora que somos guardados em Cristo Jesus por Deus, o todopoderoso, mas agora nos cabe uma segunda pergunta que equivale ao segundo ponto deste sermão nesta noite.

De Quê Somos Guardados?

O versículo 24 diz que “aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços...”. E não é difícil observar internamente quais são os tropeços, os obstáculos que são colocados no caminho daqueles que são guardados em Cristo Jesus pelo Senhor Deus todo-poderoso. A apostasia é o perigo maior. O que aconteceu com Sodoma e Gomora, o que sobreveio aos anjos desobedientes, ao povo descrente que foi libertado do Egito não aconteceria aos crentes daquela comunidade. Porque Deus era suficientemente poderoso para os guardar. As doutrinas degradantes dos heréticos não influenciariam os irmãos definitivamente. Tropeço aqui é a disposição pecaminosa de diminuir a obra ou a pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado como se vê que professam estes indivíduos ímpios que penetraram sorrateiramente na igreja primitiva. O gnosticismo da época prega a malignidade total da carne e que se Cristo ou alguma divindade se tornasse figura humana, como foi o caso de Jesus, esse Deus perderia sua essência divina. Isso é um grande tropeço! A NVI ao invés de dizer “guardar de tropeços” traduz por “aquele que é poderoso para impedi-los de cair” que é a mesma idéia do texto da Bíblia de Jerusalém que traduziu da seguinte forma: “aquele que pode guardar-vos da queda”. Essa parece ser a melhor tradução tendo em vista o fato de que o crente autêntico jamais cairá definitivamente. Isso

segundo a regra de interpretação reformada que diz que a Bíblia interpreta a própria Bíblia e que um texto obscuro deve ser interpretado à luz de um texto mais claro. No entanto, é possível que esse mesmo tropece. Isaías nos adverte que devamos tirar os tropeços e preparar o caminho para o povo de Deus (Is 57.14). A palavra tropeço também é encontrada em Romanos 14.13 quando Paulo nos exorta a não servimos de tropeço para o irmão mais novo na fé. Certamente, esta palavra está relacionada ao fazer alguém pecar ou ser como uma pedra no caminho daqueles que querem e estão caminhando. No nosso contexto, o pecado, como já dissemos antes, é, de uma maneira geral a apostasia. A incredulidade. A diminuição da obra e pessoa de Jesus Cristo. Isso é o tropeço. E a pedra é o ensino e os ensinadores heréticos que fazem com que os crentes não se aproxime de Deus devidamente. Somos guardados de seguir e ensinar doutrinas que não condizem com a Palavra de Deus. O conceito de Deus como aquele que nos guarda de maneira poderosa em Cristo Jesus da queda definitiva é, de novo, expresso no Hinário Novo Cântico quando diz:

Eu creio, Senhor, na divina promessa, Vitórias já tive nas lutas aqui. Contudo, é mui certo que a gente tropeça; Por isso, Senhor, eu preciso de ti.

Bem sei que nas preces eu posso buscar-te, Jamais dessa benção na vida eu descri; Contudo, é possível que dela me afaste; Por isso, Senhor, eu preciso de ti.

SOMOS GUARDADOS EM CRISTO JESUS

É certo que somos guardados em Cristo Jesus pelo Deus todo-poderoso e que Ele nos guarda da queda, dos tropeços que podem nos afastar de Deus por algum tempo, mas qual a finalidade desta proteção e preservação do todo-poderoso? Porque Ele nos livra das pedras afiadas que os caminhos nos proporcionam? Pra quê? Qual a finalidade disso?

PARA QUÊ SOMOS GUARDADOS?

A finalidade da preservação por parte de nosso Senhor todo-poderoso está claramente expressa nas linhas que se seguem no versículo base deste sermão nesta noite, a saber, “para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória”. Todos nós sabemos que ver a glória do Senhor e ficar intacto são duas coisas impossíveis de se pensar juntamente. Foi o caso de Moisés que só pode ver pela fenda da rocha a glória de Deus que passou de costas. Mas aqui a promessa é indubitavelmente relacionada à segunda volta do nosso Senhor Jesus Cristo, onde todos o verão em glória e honra exaltado. A palavra “apresentar” tem o sentido de “estabelecer”, “ficar de pé”, “permanecer ileso”, “continuar íntegro e seguro”, e nos traz a idéia de alguém que não deve nada. É uma postura firme diante de Deus. O vocábulo “sthsai” (apresentar) está no aoristo e sugere uma ação pontilear, ou seja, a ação de Deus guardar os seus culmina numa apresentação final, última e incomparável diante da glória de Deus, ou melhor traduzindo, na presença da glória de Deus, do seu eterno esplendor. Glória esta que resultará em exultação da parte do crente

que fora guardado debaixo das asas de Deus. Extrema alegria sentirá o guardado. Será que haverá choro? Ah! Se ele existir, certamente será porque seus olhos não conterão o exercício de seus lábios a se abrirem em louvor alegre. Aqui também está contido a idéia de prazer diante de Deus. E este prazer é aquele sentimento que nós tentamos encontrar em coisas vulgares e frívolas, diz John Piper. E em muitas vezes teimamos em buscar prazer na impiedade e futilidades. Mas lá não! Lá no lugar que se chama presença de Deus haverá alegria, exultação e até o prazer dos seus joelhos será se manterem dobrados. O prazer de suas mãos será o levantamentos das mesmas e dos seus braços o soerguimento. Em Lucas 1.44 a palavra exultação é usada quando a criança dentro da barriga de Isabel “percebe” que sua mãe foi saudada por aquela que tinha em seu ventre o próprio menino Jesus ainda em formação. O texto diz: “Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim”. E quando em Atos é dito que o povo se reunia para orar, repartir o pão e isso com alegria a palavra é a mesma, a saber, exultação (At 2.46). Toda essa exultação é proveniente do fato de que o crente que fora guardado pelo Deus todo-poderoso em Cristo Jesus será apresentado “irrepreensível” e aqui este vocábulo vem recheado do conceito vetero-testamentário de sacrifício. Segundo o livro de Levíticos, o animal a ser oferecido a Deus não poderia conter nenhum defeito ou mancha, deveria ser perfeito. Assim também seremos apresentados diante da glória de Deus – com bastante alegria por termos sido feitos perfeitos em Cristo Jesus, o lugar onde somos guardados. Este termo é o mesmo que Paulo usa para falar do propósito da nossa eleição. Ele diz: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor...”. E em Colossenses 1.22, o mesmo Paulo diz que

“fomos reconciliados no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis”. Seremos apresentados desta maneira à vista de Deus. Ora, como Deus não vê pecado e diante dele não há variação nenhuma de mudança e malignidade, entendemos que seremos perfeitos, íntegros na sua presença. Só um Deus todo poderoso pode nos guardar de tropeçarmos e cairmos definitivamente com a finalidade de apresentar-nos diante dEle mesmo sem mácula, rugas ou mesmo pecado. É justamente aquilo que Moisés desejou em vida, mas só teve acesso após a morte. Somos Guardados em Cristo Jesus pelo Deus todo-poderoso de tropeçar e cair definitivamente com a finalidade de sermos apresentados sem pecado nem mancha diante dele naquele dia e isso nos dá muitas aplicações para nossas vidas. Apresentaremos algumas agora, não pretendendo esgotar o tema.

APLICAÇÃO

1. Somos Guardados em Cristo – aqui está implícita a doutrina da união mística com Cristo onde estamos estritamente ligados a Jesus. Sepultados em Cristo, porém, ressurreto nele. Isso nos dá uma segurança inabalável porque estamos guardados nele e se Deus não despreza seu Filho, conseqüentemente não nos desprezará. Se Deus ama seu Filho, conseqüentemente nos amará. Se Deus aceita o louvor que constantemente Seu Filho lhe dá nos céus, conseqüentemente, nele, Deus aceita sempre o nosso louvor. Se Deus nunca deixará Seu Filho e sempre o guardará, conseqüentemente Deus nos guardará para sempre. Todas as expressões “nele”, “em Cristo” nos dão esta idéia. Eu e você somos guardados nEle. Cristo é o nosso lugar seguro, por isso devemos nos aproximar cada vez mais através da oração e leitura bíblica. Eu e você jamais seremos abandonados ou deixados ao acaso. Estamos em Jesus, portanto, a frase que devemos escutar todos os dias ao acordarmos é a seguinte: “Jesus/Daniel, Kennede, Felipe, Ana, Ithamar, Bruno tu és o meu filho amado em quem me comprazo”.

2. Estamos Cercados pela Proteção do Todo-poderoso – O texto traz o conceito da segurança, “guardados em Cristo” e termina com o mesmo conceito, “aquele que é poderoso para nos guardar”. Isso indica que do começo da nossa vida até o final, devemos ter a certeza de que Deus nos cerca com a sua segurança. Deus cerca a nossa igreja das heresias com interfaces modernas. Ainda que se levantem falsos profetas, Deus nos guardará. Ainda que se levantem falsos ensinos, Deus nos guardará. Ainda que sejamos sujeitos a tropeços, Deus nos guardará da queda definitiva. Do nascente ao ocaso Deus nos guarda. Do nascimento à morte, Deus nos guarda. Das primeiras palavras balbuciadas até o

último suspiro, Deus nos Guarda. Do engatinhar ao deitar-se no túmulo, Deus nos guarda. Do berço ao leito, Deus nos guarda. Dos primeiros passos à última deitada, Deus nos guarda. Do primeiro sono à última cochilada, Deus nos guarda. Dos primeiros dentes ao cair deles, Deus nos guarda. Portanto, saibamos queridos que estar guardado em Deus significa ter a totalidade da vida em suas mãos. Dedique a sua a ele.

3. Só Deus é Poderoso o Suficiente para nos Guardar em Cristo – Ninguém é tão poderoso como o Deus El-Shadday. Ninguém é tão poderoso quanto o é o nosso Deus todopoderoso. Quem é Deus como o nosso Deus, poderoso e grande El-Shadday já dizia o grupo de música da Igreja Batista da Lagonhia cantando o texto bíblico. Ele está guardando os anjos caídos para a maldição, guarda os infiéis de Sodoma e Gomorra para o julgamento e estes jamais podem ser resgatados. Quando Deus guarda Ele guarda de verdade. E nós jamais poderemos sair da guarda de Deus como um filho que prefere a proteção do abraço do Pai a um exército israelita. Jesus mesmo disse que nunca ninguém arrebatará ninguém das suas mãos. Uma vez protegidos debaixo das asas de Deus nunca jamais sairemos porque nEle subsiste todo o poder do universo. O salmo 93 diz que Ele está vestido de poder e majestade.

4. Ele nos Guarda de Cair Definitivamente – Tropeços teremos. Obstáculos, mais ainda. Mas definitivamente caídos nunca! Isso deve gerar em nós alegria e exultação, pois estamos constantemente sujeitos à queda. Constantemente esquecemos que a graça de Deus e o seu favor nos mantêm íntegros e em pé. É sua graça que nos faz levantar toda manhã. É sua Graça que nos faz deitar toda noite. É sua guarda que nos impedi de cair definitivamente. Acredito que devemos agradecer a Deus por ter nos dado a oportunidade de ouvirmos o

evangelho da graça e de não sermos hereges. Devemos agradecer a Deus o fato de termos acesso ao ensino fiel das escrituras, até porque a temos em nossas mãos. Devemos agradecer a Deus porque Deus tem motivos de sobra pra fazer esse teto desabar sobre nós agora. Ele tem motivos de sobra para fazer se abrir debaixo de nossos pés um grande vale. Se Deus tem motivos de sobra pra fazer assim, nós também temos motivos de sobra para agradecer sempre por ele ter nos preservado e guardado das heresias que assolam nossa época. Sua oração deveria ser em certo momento a seguinte: “não deixe, Senhor, que a tua igreja se perca neste “sincretismo doutrinário” que nos bate a porta todos os dias, e obrigado porque o Senhor me dá a consciência que devo ser um fiel ensinador da Palavra.

5. Seremos Considerados Perfeitos à vista de Deus – uma vez aceito o sacrifício de Cristo por nós como forma de expiar nosso pecado o Espírito Santo imputa em nós a justiça de Cristo e no tribunal de Deus somos declarados justos e perfeitos diante do Juiz. Todo cuidado que sentimos que Deus tem por nós é porque somos seus filhos adotivos e também porque quer que fiquemos firmes no seu grande e terrível dia. Hoje, não precisamos mais temermos nossos próprios pecados, somos aceitos por Deus desde já. Não devemos viver tendo como referencial o pecado. E sim a graça de Deus que superabunda o mal. Você não precisa correr e lutar por auto-imagem porque sua imagem agora é a imagem de Cristo. Você não precisa lutar para ser aceito por pessoas porque você já é aceito por Deus. Você não precisa mais lutar por autojustiça, porque sua justiça agora é a justiça de Cristo. Não se engane! Sendo você um eleito, confirmando a cada dia sua eleição, Deus lhe aceita e lhe ver pela lente que é Cristo, por isso você perseverará até o fim mesmo que na caminhada aja espinho, você perseverará. Mesmo que ajam pedras você perseverará. Mesmo que aja terreno escorregadio, você perseverará. Mesmo que ajam tropeços você perseverará até o

fim. Porque Deus é quem te guarda de cair definitivamente e tem a finalidade última de te apresentar diante da sua infinda e luzente glória.

6. Ajuda Mútua: No entanto, existem conselhos valiosíssimos ainda na epístola de Judas quanto a nossa responsabilidade nisso tudo. Existe aqui a realidade da soberania de Deus e a responsabilidade humana. Judas pede que nos guardemos no amor de Deus. Mas como? Ele continua (verso 17) lembrando sempre das palavras dos apóstolos. Guardando a Palavra de Deus. Outra coisa é orando uns pelos outros no Espírito afim de sermos fortificados e edificados mutuamente. E ainda, utilizando a linguagem de Judas arrebatando do fogo os que estão na dúvida e odiando o ódio, amando o amor e se guardando em Deus. CONCLUSÃO

Amanhã certamente inventarão outras mídias mais seguras que os discos virtuais, mas nunca ninguém inventará outro lugar e ninguém que esteja em algum outro lugar estará mais seguro do que se estiver em Cristo Jesus. Somos Guardados pelo todo-poderoso de cair definitivamente e com o propósito de ser apresentado perfeitamente diante da glória de Deus. Eu e você, os guardados em Cristo, experimentaremos estar de pé e exultantes diante da Glória eterna de Deus.

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