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COMBUSTÃO E QUEIMADORES

Ricardo Serfaty CENPES/Engenharia Básica/ Equipamentos

Tel: 8126209 / +55 21 38656209 Fax: 8127147 / +55 21 38657147 Chave BR08 email: rserfaty@cenpes.petrobras.com.br

Índice

COMBUSTÍVEIS

1

COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS

1

Petróleo como Fonte de Combustíveis Líquidos

1

Valores típicos de características de óleos combustíveis

2

Propriedades dos Combustíveis Líquidos

3

Densidade

3

Viscosidade

3

Resíduo de Carbono

6

Asfaltenos

6

Cinzas

6

Enxofre

8

Metais

8

Água e Sedimentos

8

Ponto de fulgor ( Flash Point )/Ponto de ignição ( Fire-Point ) 9

Ponto de Fluidez

9

COMBUSTÍVEIS GASOSOS

9

Velocidade de Propagação dos Gases

9

Temperatura de Chama

10

Poder Calorífico

10

Limite de Inflamabilidade

10

Faixa normal do número de WOBBE

11

Gases Combustíveis Típicos

11

COMBUSTÃO

14

Teoria da Combustão

15

Reações da Combustão

15

Variáveis da Combustão

16

Estequiometria da Combustão

17

Cálculo da Relação Ar/Combustível e Excesso de Ar

18

ii

Fundamentos Básicos Sobre os Pontos de Verificação para a Operação de Fornos

21

Esquema Típico para o Ajuste de um Forno de Tiragem Natural

22

OPERAÇÃO DE FORNOS

23

Introdução

23

Excesso de ar

23

Mudanças nas Condições Operacionais

23

Formato de Chama

24

Turndown

24

COMBUSTÃO DE GASES

25

COMBUSTÃO DE LÍQUIDOS

26

Introdução

26

Combustíveis Líquidos

26

Combustão de Gotas

27

Nebulização do Combustível

28

Mecanismo de Formação de Sprays

28

Caracterização de Sprays

29

Princípios de Nebulização

30

Nebulização por pressão de líquido

30

Nebulização com fluido auxiliar ou pneumática

31

ESTAÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SPRAYS

33

Técnica de Medição Diâmetro de Gota

34

Avaliação de Desempenho de Bocais Nebulizadores

35

Cálculo da relação vapor/óleo na situação real

35

iii

Efeitos das Variáveis de Processo no Comportamento de Chamas de Líquidos

38

Influência das Características do Combustível

39

Influência da Qualidade do Processo de Nebulização

39

Influência da Rotação do Fluxo de Ar

39

Influência da Temperatura da Câmara de Combustão

40

Influência da Te mperatura do Ar de Combustão

40

INTERCAMBIALIDADE DE COMBUSTÍVEIS

40

Mecanismos de Trocas de Calor em Processos de Combustão

40

Características dos Combustíveis

41

Comparação entre combustíveis

41

Comparação entre dois combustíveis

41

Emissividade dos Gases de Combustão

41

Influência da dimensão da câmara em relação à dimensão da chama na troca de calor

43

Intercambialidade de combustíveis gasosos

43

Intercambialidade de combustíveis líquidos

43

FUNDAMENTOS SOBRE QUEIMADORES

44

n

Mistura Ar / Combustível

44

n

Ignição e Estabilidade

44

Componentes do Queimador

45

n

Burner Tile

45

n

Registro de Ar

46

n

Sistema de ar de combustão

46

QUEIMADORES PARA APLICAÇÕES INDUSTRIAIS

47

Queimadores Premisturados (Premix Burners)

47

Queimadores de mistura por bocais (Raw gas Burners)

49

Queimadores combinados (dual) óleo e gás de tiragem natural

51

Queimadores de tiragem forçada

54

iv

Queimadores de baixo NOx

56

Outros Aplicações para Queimadores

61

Combustíveis Residuais ou de Baixo Poder Calorífico

61

Aquecedores de Ar

63

Queimadores para Caldeiras

63

INSTALAÇÃO, OPERAÇÃO, MANUTENÇÃO E PROBLEMAS COM AS LANÇAS DE ÓLEO

64

Instalação

64

Operação

64

Ignição Manual com Tocha Manual

65

Ignição Direta do piloto de gás

65

Ignição Direta a pa rtir de uma chama de baixa liberação de gás

65

Problemas de operação da lança de óleo

66

Falta de ar

66

Falta de pressão do fluido de atomização

67

Falta de vazão do fluido de atomização

68

Vapor úmido (com condensado)

68

Baixa Temperatura do óleo

68

Falha do bocal atomizador

69

Falha do estabilizador/difusor

70

Baixa vazão de óleo

70

Baixa pressão de óleo

70

Alta pressão do fluido de atomização

70

Vazamento na válvula de purga

70

Alta temperatura do vapor de atomização

71

Bico de óleo mal posicionado

71

Manutenção

72

POLUENTES GERADOS NA COMBUSTÃO

73

Valores Padrões para Qualidade do Ar Ambiente Material Particulado

74

Legislação Brasileira Ambiental Aplicável A Processos De Combustão 74

77

Emissão de Óxidos de Enxofre

v

Emissão de Óxidos de Nitrogênio

78

 

Formação de NOx

78

NOx térmico

79

NOx combustível

81

Efeito do NOx na Saúde Humana

83

Emissão de Dioxinas

83

SISTEMAS DE CONTROLE DE EMISSOES DE COMBUSTÃO

84

Coletores de pó mecânicos

85

Câmaras de Deposição Gravitacional

85

Coletor Gravitacional com Obstáculos

85

Coletores ciclônicos

85

Coletores Multiciclônicos

85

Filtro de Leito de Cascalho

86

Lavadores Ventúri

86

Filtros de Mangas

86

Precipitador Elétrostático Seco

86

Precipitador Elétrostático Úmido

87

Equipamentos de Absorção de Oxidos de Enxofre (SOx)

88

Processos não regeneráveis (geram um resíduo como efluente)

89

Processos Regeneráveis (não geram resíduos)

89

Sistema de Absorção à Seco

89

Equipamento de Decomposição de Óxidos de Nitrogênio

90

Referências Bibliográficas

90

vi

COMBUSTÍVEIS

COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS

Os combustíveis líquidos utilizados nos mais diversos processos de aquecimento industrial são chamados genericamente de óleos combustíveis.

No Brasil o termo “óleo combustível” é empregado apenas na designação de frações pesadas, não incluindo portanto os subprodutos denominados genericamente destilados (querosene, óleo diesel, etc).

Petróleo como Fonte de Combustíveis Líquidos

O petróleo é constituido essencialmente de uma mistura de hidrocarbonetos onde os elementos preponderantes são o carbono (85 - 90%) e hidrogênio (10 -14%), com pequenas quantidades de enxofre (0,2 - 7%), nitrogênio (0,1 - 2%) e oxigênio (0 -

1,5%).

Compostos organo- metálicos podem estar presentes em pequenas proporções (da ordem de ppm), constituindo-se principalmente de ferro, níquel e vanádio.

Em função da multiplicidade de pesos moleculares dos diversos tipos de hidrocarbonetos presentes, os petróleos são classificados segundo três grupos que se diferenciam pela natureza e concentração de compostos quimicamente similares, denominados parafínicos, naftênicos e aromáticos. O conhecimento prévio da natureza do óleo crú, permite prever a natureza de seus derivados, principalmente no que diz respeito aos óleos combustíveis.

Os óleos crús de natureza parafínica apresentam preponderantemente hidrocarbonetos

saturados de cadeias alifáticas, os de base naftênica apresentam hidrocarbonetos

saturados de cadeias cíclicas, contendo um ou mais anéis, podendo ter ramificações

do tipo parafínica, e os de base aromática ou asfáltica apresentam hidrocarbonetos

insaturados que possuem pelo menos um anel benzênico, podendo estar ligados a anéis naftênicos ou a cadeias parafínicas ramificadas.

No processo de destilação obtém-se um resíduo no fundo da Torre de Destilação a Vácuo, denominado Resíduo de Vácuo (RESVAC), que pode ainda ser submetido a um processo de desasfaltação, gerando óleos com menor teor de asfaltenos, e um produto de fundo denominado Resíduo Asfáltico (RASF).

O RESVAC e o RASF são os principais constituintes dos óleos combustíveis

residuais. A estas frações residuais são adicionadas frações mais leves, provenientes

de outros processos, a título de diluição e adequação da composição às várias especificações de óleos combustíveis existentes.

O resíduo tem maior densidade, maiores teores de enxofre, incorpora a totalidade das cinzas e demais impurezas (vanádio e níquel) presentes no óleo crú, apresentando-se mais viscoso e com maior peso molecular.

Desta forma as propriedades dos óleos combustiveis, e como decorrência delas o seu comportamento durante as operações de manuseio, nos processos de nebulização e combustão e na emissão de poluentes são fortemente dependentes da natureza do petróleo.

Os óleos combustíveis nacionais possuem valores de especificações estabelecidas pelo DNC(Departamento Nacional de Combustíveis), que diferencia 10 tipos de

1

óleos, nove dos quais identificados pelos números de 1 a 9, seguidos de letras A ou B.

A classificação de 1 a 9 é feita em ordem crescente de viscosidade, e os

complementos A ou B indicam alto ou baixo teor de enxofre respectivamente.

A Tabela a seguir apresenta valores típicos das características de alguns óleos

combustíveis.

CARACTERÍSTICAS

1A/1B

2A/2B

3A/3B

4A/4B

7A

8A

DENSIDADE

1,017/0,95

1,018/0,96

1,024/0,983

1,012/0

1,031

1,042

7

4

,980

FULGOR ( o C)

103/84

121/86

98/80

101/88

160

-

PONTO DE FLUIDEZ ( o C)

13/6

6/12

15/38

-

/-

-

60

ENXOFRE (%

3,8/0,8

3,9/09

4,0/1,0

4,3/1,0

4,6

4,8

peso)

CINZAS (% peso)

0,04/0,04

0,04/0,04

0,09/0,03

-

/-

-

0,05

P. CALORIF. SUP. (kcal/kg)

10.238/

10.130/

10.077/

10.050/

10.025

9.995

10.530

10.500

10.443

10.399

Teores de metais vanádio (ppm) sódio(ppm) níquel(ppm)

172/34

142/37

201/44

187/43

167

207

19/40

13/41

18/51

21/31

9,2

25

47/38

46/30

54/32

40/32

50

80

VISCOSIDADE (SSF) A :

           

65

o C

178/180

278/263

- /-

-/ -

37.600

100.00

 

0

82,2 o C

73/81

102/140

278/262

590/61

6.110

15.750

 

1

100

o C

30/37

40/ -

101/105

180/20

1.410

3300

   

2

135

o C

15/ -

- /20

27/29

34/38

168

330

Valores típicos de características de óleos combustíveis

A obtenção dos diferentes valores de viscosidades para os diversos tipos de óleos

nacionais é feita mediante a adição de frações mais leves como diluente nas frações mais pesadas (RESVAC, RASF) em diferentes proporções, o que define também o custo final.

Resíduo de Vácuo

A Petrobras consome resíduo de vácuo puro nos fornos e caldeiras na maioria de suas refinarias. O produto de fundo da torre de destilação a vácuo é encaminhado diretamente para consumo sem nenhuma adição de diluentes e sem necessidade de aquecimento. O produto é normalmente retirado da torre acima de 3500C, temperatura maior do que a necessária para a queima, na faixa de 240 a 270 0 C. Para alcançar a temperatura adequada, é feito o controle de temperatura pela mistura com o RESVAC retirado da bateria de pré -aquecimento do petróleo com uma temperatura menor do que a de queima.

2

Este combustível também é fornecido para grandes consumidores, normalmente situados próximos às refinarias, sendo enquadrado para efeito de faturamento como óleo 8A.

Resíduo Asfáltico

Este combustível está disponível para consumo nas refinarias que dispõe do processo

de desasfaltação a propano, ou seja, na REDUC, REPAR e REVAP. Estas refinarias

estão adaptadas para o consumo desse combustível em seus fornos e caldeiras. Esta adaptação não é simples, requerendo a instalação de aquecedores elétricos para a obtenção da temperatura de queima, adaptação dos tanques de estocagem além da revisão de todo o anel de óleo combustível para eliminação de trechos sem circulação, melhoria dos traçadores de vapor e de isolamento térmico.

Propriedades dos Combustíveis Líquidos

São várias as propriedades definidas para os combustíveis líquidos, determinadas por diversos mé todos e ensaios padronizados, sendo importantes na sua caracterização e definições quanto aos aspectos relativos ao manuseio e processos de nebulização, combustão e emissão de poluentes.

Densidade

Densidade é definida como a massa contida em uma unidade de volume. Para petróleo e seus derivados é comum utilizar a densidade expressa em °API definido como:

o

API =

1415

,

densidaderelativa

(

15

o

C

)

-

1315

,

Viscosidade

A viscosidade é uma medida da resistência ao escoamento de um fluido, sendo

importante

para

o

manuseio

dos

combustíveis

líquidos

e

para

o

processo

de

nebulização.

Define-se viscosidade cinemática como sendo a relação entre a viscosidade dinâmica

e a densidade. cinemática.

Existem várias escalas de viscosidade que se diferenciam no procedimento de medição e nas dimensões dos orifícios. A conversão de tempo t em segundos para stokes pode ser feita através das expressões da Tabela abaixo.

Frequentemente utiliza-se o centistokes como unidade de viscosidade

ESCALA DE

FAIXA DE TEMPO

VISCOSIDADE CINEMÁTICA (STOKES)

VISCOSIDADE

SSU (Standart Saybolt Universal )

32 < t < 100

0,00226 t - 1,95/t

t > 100

0,00220 t - 1,35/t

SSF ( Standart Saybolt Furol )

25 < t <40

0,0224t - 1,84/t

t > 40

0,0216 t - 0,60/t

*t = tempo em segundos

   

Conversão de escalas de viscosidade

3

A viscosidade de óleos combustíveis varia significativamente com a temperatura, com comportamento não linear. A equação de Walther, permite determinar aproximadamente a lei de variação da viscosidade com a temperatura de uma mistura

de hidrocarbonetos líquidos.

log(log n) = a + b.log T

onde:n : viscosidade cinemática (centistokes); T : temperatura absoluta em graus Rankine (°R = 1,8°k); a , b : constantes características de um determinado óleo;

Com a expressão acima, e conhecendo-se dois valores de viscosidade em diferentes temperaturas, é possível determinar os valores das constantes a e b e obter-se a expressão que permite estimar o valor da viscosidade do óleo numa larga faixa de temperaturas.

A Figura abaixo apresenta os valores típicos de viscosidade cinemática para os

diversos óleos combustíveis nacionais, e os da especificação americana.

Posteriormente são apresentadas duas tabelas com as principais especificações dos óleos produzidos pela PETROBRAS.

4

Viscosidade de óleos combustíveis nacionais e americanos 5

Viscosidade de óleos combustíveis nacionais e americanos

5

Resíduo de carbono

O resíduo de carbono, expresso em porcentagem em peso, é uma medida da

sob

condições específicas estabelecidas pelos métodos, em bulbo de vidro parcialmente fechado. Durante o aquecimento ocorrem fenômenos de evaporação das frações mais leves, e pirólise das frações de maior peso molecular, que ao se decomporem formam depósitos de material carbonáceo no interior do bulbo.

quantidade

de

material

sólido

remanescente

quando

o

líquido

é

aquecido,

Os métodos mais utilizados são os denominados Ramsbottom e Conradson, sendo este

último o mais usual para óleos combustíveis residuais. Os valores obtidos nos ensaios indicam tendências de formação de resíduos sólidos quando os óleos são submetidos a elevadas temperaturas, por exemplo, em processos de combustão.

Em geral o resíduo de carbono é tanto mais alto quanto maior a viscosidade do óleo.

Os

óleos de base naftênica geralmente apresentam valores mais elevados de resíduo

de

carbono do que os de base parafínica.

Asfaltenos

Asfaltenos são grandes estruturas de hidrocarbonetos aromáticos condensados com ramificações de cadeias parafínicas na periferia, contendo também átomos de enxofre, nitrogênio e vanádio na sua composição. Estas estruturas são pouco miscíveis no óleo, permanecendo em suspensão.

O teor de asfaltenos é expresso como uma fração em massa expressa em porcentagem,

cuja determinação é feita mediante precipitação pela adição de um solvente não polar

ao

óleo combustível.

O

teor de asfaltenos assim como o resíduo de carbono indicam tendências à formação

de material particulado. O teor de asfaltenos, adicionalmente, está associado à formação de NOX , uma vez que os asfaltenos contém parcela considerável do nitrogênio combustível.

Cinzas

Cinzas são resíduos da combustão, compostas por óxidos que se apresentam normalmente no estado sólido à temperatura ambiente. As cinzas formadas na combustão são elutriadas (cinzas volantes) e/ou depositadas em geral nos cinzeiros.

A

cinza no combustível pode ter diversas origens, por exemplo:

a)

impurezas, como elementos metálicos e semi- metais ou metalóides, presentes na estrutura molecular do combustível, devido à sua própria formação;

b)

fragmentos de argila, areia, sais, pirita, etc. agregados ao combustível sólido ou misturados no combustível líquido (sedimentos);

c)

fragmentos do solo misturados com o combustível na mineração e/ou manuseio.

As

impurezas do tipo b e c podem ser separadas (ou retiradas em parte) por processos

físicos, tais como lavagem, decantação gravitacional ou centrífuga, flotação,

destilação, filtragem. etc.

Como a combustão se processa a elevada temperatura, é necessário o conhecimento

do comportamento das cinzas nessas condições para evitar inconvenientes provocados

por operações inadequadas e orientar a escolha dos materiais refratários com

6

características compatíveis com as condições existentes no interior da câmara de combustão.

As propriedades de interesse, regularmente determinadas em análises laboratoriais, são composição química e fusibilidade da cinza.

A composição química das cinzas permite avaliar o seu comportamento quanto aos

seguintes aspectos:

Ataque de refratários:

O ataque químico das cinzas aos refratários pode ser evitado ao escolher refratários

com comportamento químico semelhante ao das cinzas.

Os óxidos presentes nas cinzas apresentam as seguintes tendências:

- os óxidos de elementos metálicos são básicos;

- os óxidos de semi- metais são geralmente ácidos, tais como óxidos de silício, zircônio e titânio;

- excepcionalmente, alguns óxidos são neutros, como o óxido de alumínio.

Os materiais refratários que entram em contato com as cinzas devem ter baixa porosidade, pois as cinzas alojadas nos poros ao se dilatarem provocam rachaduras nas superfícies dos mesmos.

Amolecimento e fusão das cinzas:

O ensaio de fusibilidade determina as temperaturas inicial e final de amolecimento da

cinza.

Observa-se uma influência acentuada do óxido de ferro na fusibilidade da cinza em atmosfera gasosa redutora, com sensível abaixamento da temperatura de amolecimento em relação à atmosfera gasosa redutora, com sensível abaixamento da temperatura de amolecimento em relação à atmosfera gasosa oxidante.

As cinzas compostas por óxidos só básicos ou só ácidos apresentam temperaturas de amolecimento superiores às cinzas obtidas com a mistura dos mesmos óxidos básicos com ácidos, devido à formação de eutéticos.

É possível estimar as temperaturas inicial e final de amolecimento da cinza através da sua composição química, através de expressões empíricas desenvolvidas por vários autores.

Os processos de combustão com temperaturas superiores ao ponto de amolecimento

da cinza podem propiciar a aglomeração de material particulado denominado ''sinter'',

ou a fusão da cinza ''slagging'', que geralmente inviabilizam a continuidade do processo ou reduzem a eficiência da troca de calor no equipamento.

Sublimação de compostos

Os óxidos alcalinos Na 2 O e K 2 O, diferem dos demais óxidos, pois uma boa parte dos mesmos se volatiliza durante a combustão, e condensa-se em temperaturas em torno de 760°C; ao condensar-se nas superfícies mais frias do equipamento aglutinam as cinzas volantes, propiciando corrosão e redução da taxa de transferência de calor nestas superfícies.

As cinzas nos óleos combustíveis podem atingir valores da ordem de 0,1%, dependendo da presença dos constituintes organo- metálicos e de sais inorgânicos

7

solúveis como cloreto de sódio proveniente do petróleo, que se incorporam às frações mais pesadas durante o processo de refino.

Enxofre

A presença de enxofre nos combustíveis, principalmente os óleos

combustíveis, além de problemas de poluição atmosférica pelo lançamento de óxidos

de

enxofre, é o principal responsável pelos problemas de corrosão nos componentes

da

região fria dos fornos (preaquecedores, ventiladores, chaminé e chaparia) quando

estes são dotados de preaquecedores de ar. Este problema é crítico quando se queima óleo combustível, pela redução da eficiência térmica, pois para limitar a corrosão em valores aceitáveis, os gases de combustão não podem ser resfriados a temperaturas inferiores a 140 – 170 0 C, função do teor de enxofre do óleo combustível.

Metais

Normalmente, os petróleo com altos teores de enxofre geram óleos combustíveis ATE

e com teor elevado de matais. Dentre estes, destacam-se, pelos problemas que teores

de óxidos de vanádio e sódio, formando eutéticos e de baixo pontos de fusão. Estas

cinzas no estado sólido, ao se depositarem sobre os tubos prejudicam a transferência de calor porém, quando fundidas, são extremamente agressivas aos tubos e aos

refratários.

 

Composto

Temperatura de Fusão ( 0 C)

V

2 O 3

1970

V

2 O 4

1970

V

2 O 5

675

Na

2 O. V 2 O 5

 

630

2Na 2 O. V 2 O 5

 

585

3

Na 2 O. V 2 O 5

850

Na

2 O. 3V 2 O 5

 

675

Na

2 O. 6V 2 O 5

 

700

5Na 2 O. V 2 O 4

6V 2 O 5

535

O óxido de vanádio, V 2 O 5 , além do problema mencionado acima, é catalisador da

reação do dióxido de enxofre a trióxido de enxofre, que é o principal responsável pela limitação da redução da temperatura dos gases de combustão.

Água e sedimentos

Os óleos combustíveis não podem reter em suspensão quantidades superiores a 2%.

A presença de água e

combustível acarreta uma redução do poder calorífico pela presença de inertes e pela necessidade de calor adicional para a vaporização da água. Além disso é responsável

pelos seguintes problemas:

sedimentos (areia, óxido de ferro, catalisador etc) no óleo

incrustação em linhas e instrumentos;

entupimentos de filtros e bicos de queimadores;

erosão de bicos de queimadores, rotores de bombas, instrumentos etc;

produção de fagulhas e instabilidade de chama.

8

Ponto de fulgor ( Flash Point )/Ponto de ignição ( Fi re - Point )

Ponto de fulgor é a temperatura a qual um líquido inflamável deve ser aquecido, sob condições do método de determinação, para produzir suficiente vapor e formar com o ar uma mistura capaz de se inflamar transitoriamente sob a ação de uma chama escorvadora. Ponto de ignição é a temperatura na qual, sob a ação de uma chama escorvadora, se estabelece a ignição e a combustão continuada sobre a superfície do líquido.

Considerando a definição dada, depreende-se que um combustível líquido não pode ser armazenado a temperatura igual ou superior à de fulgor, nem tampouco aquecido em recipiente aberto, a essas temperaturas.

Quanto ao processo de combustão pode-se prever que quanto menor a temperatura de ignição do líquido, mais favoráveis serão as condições para a estabilidade da chama.

Ponto de fluidez

Ponto de fluidez é a temperatura mais baixa na qual o líquido ainda flui nas condições normais estabelecidas pelo método de determinação.

COMBUSTÍVEIS GASOSOS

As principais características e propriedades a serem observadas nos gases combustíveis são as seguintes:

® Composição Química

® Peso Molecular

® Poder Calorífico

® Velocidade de Propagação

® Limite de Inflamabilidade

® Temperatura de Chama

Velocidade de Propagação dos Gases

Deve se observar que a velocidade de propagação de chama depende da composição química do gás, uma vez que cada componente tem uma velocidade de propagação própria, mas também depende da relação ar/combustível, pois para cada componente é possível se traçar uma curva de velocidade de propagação em função do Excesso de Ar como mostrado abaixo

METANO

30

cm/s

H2

300

cm/s

GÁS NATURAL

34

cm/s

GÁS DE NAFTA

100

cm/s

GLP

20

cm/s

9

Temperatura de Chama     com ar o C com O 2 o C GÁS

Temperatura de Chama

   

com ar o C

com O 2 o C

GÁS NATURAL

1920

2700

GÁS DE NAFTA

1980

2700

GLP

1930

2720

Poder Calorífico

 
   

PCS

PCI

(kcal/kg)

(kcal/kg)

GÁS NATURAL

13100

11800

GÁS DE NAFTA

6410

5700

GLP

12075

11025

Limites de Inflamabilidade

 

% GÁS NA MISTURA

 

INFERIOR

SUPERIOR

GÁS NATURAL

5

15

GÁS DE NAFTA

4

40

GLP

7

21

10

Faixa normal do número de WOBBE

GÁS NATURAL

1200

a 1400

GÁS DE NAFTA

600 a 750

GLP

1500

a 1800

Gases Combustíveis Típicos Gás Combustíveis de Refinaria

Este gás é, geralmente, uma corrente secundária do processo nas Unidades de destilação, craqueamento catalítico, reforma catalítica e coqueamento retardado.

Exemplo Típico de análises de gases combustíveis efluentes das Unidades produtoras:

 

Gás 1

Gás 2

Gás 3

Gás 4

PCI, Kcal/Kg

10070

12843

10719

9006

Massa Molar, Kg/Kmol

19,6

13,4

20,5

35,8

Componentes

Composição

molar

ou

Voluntária

(%)

Hidrogênio

19,06

60,75

13,81

3,90

Metano

37,44

15,83

47,63

23,38

Etano

16,65

11,08

29,98

13,48

Eteno

13,77

-

-

-

Propano

0,34

7,14

1,84

12,03

Propeno

0,94

-

-

-

Butanos

0,41

3,42

1,21

17,38

Butenos

0,54

-

-

-

Pentanos e + pesados

0,03

1,56

0,030

5,04

Nitrogênio

7,41

0,13

3,77

1,82

Monóxido de Carbono

2,36

-

1,28

4,78

Dióxido de carbono

0,92

-

0,01

0,45

Gás sulfídrico

0,03

-

 

- 14,33

Oxigênio

0,10

-

 

- 0,71

Dióxido de enxofre

-

-

 

- 2,70

Gás 1 – Gás produzido por Unidade de Craqueamento Catalítico Gás 2 – Gás produzido por Unidade de Reforma Catalítica Gás 3 – Gás produzido por Unidade de Coqueamento Retardado Gás 4 – Gás produzido por Unidade de Destilação a Vácuo

 

11

Exemplo de gases combustíveis produzidos na unidades da REPLAN

COMPONENTE

FFC I

FFC II

UCR

GN

HDT

H2

24

21,98

21,38

 

93,65

O2

0,2

0,14

0,01

0,01

0,03

N2

5,5

8,21

0,95

1,5

0,21

CO

1,6

2,1

   

0,01

CO2

0,1

0,34

0,01

0,67

0,02

CH4

36

42,06

60,65

91,71

1,74

C2H4

15

14,21

2

 

1,72

C2H6

14

8,39

14,66

5,4

0,05

C3H6

1,5

0,68

0,06

 

1,19

C3H8

0,5

0,22

0,13

0,7

<0,01

iC4H10

0,4

0,09

0,01

 

0,17

nC4H10

0,1

0,1

0,04

 

0,63

iC4H8

0,3

0,09

0,01

   

tC4H8-2

0,15

0,04

     

cC4H8-2

0,07

0,03

     

1-3-Butadieno

0,01

0,02

     

iC5H12

0,05

0,05

   

0,05

nC5H12

   

0,01

0,01

 

C5+

0,01

0,78

0,07

 

0,22

H2S

0,01

0,01

     

H2O

0,5

0,5

     

Gás Natural

O gás natural é encontrado associado ou não ao petróleo. Após ser produzido, antes de ser enviado para o consumo como combustível, geralmente, passa por uma Unidade de Processamento de Gás Natural (U-PGN) que retira deste gás as frações mais pesadas, que podem ser incorporadas ao GLP e gasolina, ou mesmo servir como matéria prima de petroquímicas.

Exemplos de gás natural:

 

Gás Úmido

Gás Seco

PCI, Kcal/Kg

11377

11571

Massa Molar, Kg/Kmol

20,2

17,6

Componentes

-

 

Metano

81,04

89,9

Etano

10,08

8,5

Propano

4,88

0,5

i-butano

0,72

-

n-butano

1,11

-

i-pentano

0,22

-

Neopentano

0,21

-

Pentanos e + pesados

0,15

-

Nitrogênio

1,08

0,7

Dióxido de Carbono

0,52

0,4

Gás Úmido = Gás Natural antes da U-PGN Gás Seco = Gás Natural após a U-PGN

 

12

Para fornecimento a consumidores externos, o DNC exige o cumprimento das especificações abaixo:

Densidade (relativa ao ar)

0,60 a 0,81

Enxofre total, mg/m 3

110 (máx)

Gás sulfídrico, mg/m 3

29 (máx)

Nitrogênio + Dióxido de carbono, % vol

6 (máx)

Poder calórico @ 20 0 C e 1 atm Inferior, Kcal/m 3 Superior, Kcal/m 3

7600

a 11500

8500

a 12500

Obs.: O produto deve ser isento de hidrocarbonetos condensados, óleos e partículas sólidas

GASES RESIDUAIS

Normalmente estes gases apresentam as seguintes características:

o Baixa pressão

o Baixo poder calorífico

o Alto teor de inertes

Exemplos:

COMPONENTES

GÁS DE PSA

GÁS AMONIACAL

H2O

0,88

50

NH3

 

47

H2S

 

3

H2

33,26

 

N2

0,68

 

CO

9,25

 

CO2

43,51

 

CH4

12,42

 

PCI (kcal/kg)

1992

2280

13

COMBUSTÃO

De maneira geral, define-se combustão como uma reação química exotérmica entre duas substâncias ditas combustível e comburente, ocorrendo a alta temperatura e com ritmos intensos. Então, a combustão é o processo químico em que um oxidante reage rapidamente coma um combustível para liberar a energia térmica, geralmente na forma de gases/produto de combustão a altas temperaturas. Pequenas quantidades de outras energias também são desenvolvidas durante o processo de combustão: energia eletromagnética (luz), energia elétrica (íons o elétrons livros) e energia mecânica (ruído). Na verdade, esta é apenas uma forma muito simplista de definir combustão, na medida em que se sabe que várias reações simultâneas estão envolvidas nos processos de combustão. No entanto, para o propósito deste curso, esta definição é suficiente.

Há uma grande variedade de materiais que podem ser considerados combustíveis; porém, a maior parte daqueles empregados industrialmente é composta basicamente de carbono, hidrogênio, oxigênio, enxofre e nitrogênio.

O comburente normalmente utilizado é o oxigênio do ar.

Na prática, costuma-se denominar "combustão completa" ao processo que leva as substâncias combustíveis à sua forma mais oxidada e, "combustão incompleta" ao processo no qual os produtos de combustão são constituídos, em parte, por formas que representam oxidação parcial dessas substâncias.

Partindo das substâncias mais simples, formadas por elementos que estão presentes na maioria dos combustíveis, as reações de "combustão completa" seriam:

C + O 2 Æ CO 2 + DH1

H 2 + 1/2 O 2 Æ H 2 O + DH2

S + 3/2 O 2 Æ SO 3 + DH3

onde DH1, DH2 e DH3 representam a energia liberada por unidade de massa, ou

volume

combustíveis.

As reações denominadas de "combustão incompleta" seriam:

ou

outra

unidade

qualquer,

normalmente

referidas

às

substâncias

C

+ 1/2 O 2 Æ CO + DH4

S

+O 2 Æ SO 2 + DH5

As substâncias resultantes destas últimas reações poderiam ainda ser oxidadas através das seguintes reações:

CO+ 1/2 O 2 Æ CO 2 + DH6 SO 2 + 1/2 O 2 Æ SO 3 + DH7 Neste caso, ter-se-ia, para as energias liberadas, as seguintes relações:

DH6 + DH4 = DH1; e, DH7 + DH5 = DH3 Durante o processo de combustão pode resultar nas seguintes emissões/geração de poluentes:

0 enxofre do combustível resulta em díóxido de enxofre (S0 2 ) e este ainda poderá ser oxidado para trióxido de enxofre (S0 3 ) (a reação acima mostra a reação molecular);

14

A presença de nitrogênio na combustão resulta na formação/ emissão de óxidos de

nitrogênio (NOx);

A presença de oxigênio

orgânicos;

A combustão incompleta (não adequada) resulta na formação/geração de fuligem,

monóxido de carbono (CO) e outros compostos parcialmente oxidados.

A ocorrência da reação "completa'' ou "incompleta" depende de vários fatores, tais

como: relação entre as massas de combustíveis e comburentes, temperatura na qual se processa a reação, tempo de permanência do combustível, presença ou não de catalisadores e turbulência na mistura-combustível.

A combustão espontânea raramente se verifica.

no

combustível. Isto porque a grande maioria dos componentes combustíveis se encontram em um equilíbrio metaestável, ou seja, em uma forma intermediária que não é a de menor energia. Para que estes componentes alcancem a forma de menor energia é necessário que se forneça uma delta de energia para iniciar a reação, denominada energia de ativação. Quanto menor a energia de ativação mais fácil é o início da reação. Verifica-se também que todos os combustíveis completam a sua combustão somente na fase gasosa.

sempre

no combustível resulta na formação de aldeídos e ácidos

0 início de uma combustão se faz

de

uma

mecha

ou

tocha

por

escorvamento

mediante

a

introdução

TEORIA DA COMBUSTÃO

Para iniciar uma combustão precisamos do triângulo do fogo:

Combustível;

Oxigênio;

Temperatura.

Porém, para que as reações da combustão ocorram e se mantenham, precisamos dos três T’s de combustão:

Temperatura;

Tempo;

Turbulência.

Estes fatores governam a velocidade e a química da queima do combustível, depois de sua iniciação.

REAÇÕES DA COMBUSTÃO

As reações químicas que ocorrem durante a combustão de um hidrocarboneto são muito complexas. Muitas reações intermediárias ocorrem antes de chegar aos produtos finais da combustão: CO 2 , H 2 O, SO 2 , O 2 , N 2 e CO 2 .

A reação de combustão completa de um hidrocarboneto pode ser representada pela

equação geral:

C x H y

+

m

O 2

+

p

N 2

Æ

b

CO 2

+

c

O 2

+

d

N 2

Genericamente, para o metano, as seguintes reações podem ocorrer (T ref = 25 O C)

1)

CH 4

+

20 2

Æ CO 2 + 2H 2 O (V) + 191760 Kcal/Kmol

15

2)

CH 4

+

Calor Æ

C

+

2H 2

- 17889 Kcal/Kmol

3)

C

+ O 2 Æ CO 2 + 94052 Kcal/Kmol

4)

2C + O 2 Æ 2CO 2 + 26416 Kcal/Kmol

5)

2CO

+

O 2

Æ

2CO 2

+ 67636 Kcal/Kmol

6)

C

+

CO 2 Æ

2CO 2 -

41220 Kcal/Kmol

7)

2H 2 + O 2 Æ 2H 2 O (V) + 57798 Kcal/Kmol

8)

CH4 +

2H 2 O (V) Æ CO + 3H 2 - 49271 Kcal/Kmol

VARIÁVEIS DA COMBUSTÃO

Como sabemos, para que o processo de calor na fornalha, onde se consegue

de

combustível ou do ar. O tempo necessário para a reação de combustão deve ser assegurado por projeto, ( Vmin > Vchama ), a não ser que a velocidade mínima caia abaixo da velocidade de propagação da chama ou seja, vazão abaixo da mínima para o queimador. A turbulência é o fator mais difícil de ser conseguido, e é necessária para assegurar uma boa mistura combustível-ar, forma de chama e queima completa do combustível.

desde

temperaturas

razoavelmente

estáveis,

que

não

se

interrompa

o

fluxo

Para se conseguir boa combustão devemos ter:

a) Para gases combustíveis: mistura gás/ar;

b) Para combustíveis líquidos:

b.1 - atomização do combustível; b.2 - vaporização do combustível; b.3 - mistura combustível-ar.

Consequências de ineficiência nas fases de:

Nebulização - gotejamento, coqueamento no maçarico, fagulha, vaporização deficiente; Vaporização - gotejamento, coqueamento, fagulhamento, má mistura com ar; Mistura - combustão incompleta, formação de CO, formação de fuligem, chama comprida e oscilante, excesso de ar desnecessário.

Estas fases do processo de combustão influenciam também a forma da chama, da seguinte maneira:

FATORES

FORMA DA CHAMA

LONGA

CURTA

Combustível

Óleo

Gás

Nebulização

Boa

Ângulo do “Spray” do Combustível

Estreito

Largo

Temperatura do bloco do queimador

Baixa

Alta

Tiragem na fornalha

Alta

Baixa

D P no maçarico

Baixo

Alto

Turbulência do ar

Pouca

Intensa

Temperatura do ar

Baixa

Alta

16

Conclusões:

Para se conseguir uma combustão completa, com chama estável e curta, e baixo excesso de ar é fundamental a boa mistura combustível-ar. Para tal devemos conseguir a turbulência adequada. Em combustíveis líquidos, para se conseguir boa mistura, deveremos ter antes boa atomização e vaporização. Por esta razão é mais difícil a combustão de líquidos.

ESTEQUIOMETRIA DA COMBUSTÃO

Cada combustível necessita de uma quantidade exata de ar para queimar completamente. Esta quantidade depende dos teores de C e H que o combustível contém, e é definida pela relação ar-combustível.

O ar seco tem a seguinte composição e volume específico:

COMPONENTES

% VOLUME

% MASSA

VOLUME ESPECÍFICO

O

2

21

23,2

 
     

0,85 m 3 /kg a 25°C

N

2

*

79

76,8

(*) Inclui outros gases inertes como Argônio, CO 2 , Kr, Ne e Xe.

RELAÇÃO

Ï

Ô

Ar Ô

Ì

O

Ó

Ô

Ô

2

3

m

Ar

3

O

m

KgAr

2

4,76

4,31

KgO

2

=

4,76

KmolAr

KmolO

2

Massa Molar Média do Ar = 29 Kmol Kg

Oxigênio Teórico (ou estequiométrico): É a quantidade de oxigênio necessária para a combustão completa do combustível, em condições ideais, ou seja, sem que haja falta ou sobra de oxigênio;

Ar Teórico: É a quantidade de ar correspondente ao ar teórico;

Ar Real: É a quantidade de ar utilizada efetivamente na combustão, na qual existe mais oxigê nio do que o necessário para a combustão teórica. Esta quantidade adicional é chamada de excesso de ar e é definida em percentagem do ar teórico;

Gás Real: É a quantidade de gases gerada efetivamente na combustão, ou seja, a quantidade de gases de combustão correspondente ao ar real. O gás real pode ser apresentado em duas formas: em base seca ou úmida, em função de ser considerada, ou não, a água contida no mesmo.

No processo de combustão industrial é praticamente impossível obter uma combustão completa sem que se tenha um excesso de ar, devido não se conseguir uma homogeneização perfeita entre o ar e o combustível. A combustão estequiométrica seria o ideal, pois não se perderia calor para o aquecimento do excesso de ar.

17

CÁLCULO DA RELAÇÃO AR/COMBUSTÍVEL E EXCESSO DE AR

O método de cálculo baseia-se nas seguinte considerações:

Todo o combustível é queimado completamente sem formação de CO. O combustível é composto somente de C e H, ou seja, é desprezado o teor de enxofre. É conhecida a composição volumétrica do gás de combustão, em base seca, ou seja, a análise de Orsat.

Seja a equação:

C x H Y + m O 2 + 3,76m N 2 b CO 2 + n H 2 O + cO 2 + dN 2

Base de cálculo: 1 kmol de combustível C x H y

Relação H/C (em massa) do combustível:

R =

Y

12X

Ê

Á X +

Ë 4

Y ˆ

˜

Quantidade de O 2 necessária para queima de C e H =

Quantidade de Ar =

Ê

Á 4,76

Ë

kmol Ar ˆ

˜

kmol 02

¯

Ê

Á x

Ë

y ˆ ˜

+ 4

¯

kmol O 2

¯

Á Ê x

Ë

y ˆ

˜

+ 4

¯

kmol O 2 = 4,76

kmol Ar

Massa molar do combustível = (12x+y) kmol kg

combustível

Razão

kg de Ar

kg de Combustíve l

=

(

4,76 x

+

)

y/4 .29

12x

+

y

=

(

33,76 x

12x

+ )

y / 4

y

11,5

=

(

1

+

3R

)

+ 1 +R

Esta seria a razão Ar/Combustível (em massa) necessária para a combustão completa. Depende unicamente de R (relação H/C do combustível), e quanto maior esta for (mais H e menos C), maior será a necessidade de ar para a mesma massa de combustível.

Porém, devido a ineficiência na fase de mistura do combustível com o ar, nem todo o ar estequiométrico vai participar da reação de combustão, pois não estará intimamente misturado com o combustível. Desta forma haverá falta de ar e a combustão será incompleta levando à formação de CO e fuligem (C não queimado).

Para evitar esta combustão incompleta, costuma-se operar na prática com uma

quantidade adicional de ar, acima da necessidade estequiométrica, que chamamos de

% de excesso de ar.

EA=

Assim:

ar em excesso

x 100

ar estequiome trico

=

ar total

-

ar tequiométr ico

ar estequiome trico

EO 2 = c kmol (análise de Orsat)

18

x 100

O 2 requerido para a queima de C e H = x +

O 2 requerido para a queima de C e H = x +

y kmol

4

EA % = % Exc. O 2 =

c

. 100

x +

y

4

Como x = b (balanço de Carbono)

R =

y

12

x

=

y

12 b

\

y

= 12

Então: EA%=

c

b +

12

Rb

4

EA% =

c

(

b

1

+

3

R

)

100

x

:

Rb

.

100

=

c . 100 \

b

1

+

3

R

(

)

c

=

%

O

2

b=% CO 2

R= Relação mássica H/C

Os valores de b e c estão relacionados com R.

Isto pode ser visto através do balanço material do componentes envolvidos na combustão:

C

H

: x = b

: y = 2n

N 2 : d = 3,76 m= 100- (b +c)

O 2

: m =

n +b+c

2

De (iv) : n = 2 (m – b – c)

De (iii) : m = 100 -(b 3 76 + c) , Substituindo (vi) em
De (iii) : m =
100 -(b
3 76 + c)
,
Substituindo (vi) em (v), vem:
100 -
(
b
+
c
)
-
n = 2
-
(
b
-
c
)
3 76
,

n = 53,19 – 2,532 (b+c)

(i)

(ii)

(iii)

(iv)

(v)

(vi)

(vii)

(vii) em (ii) : y = 106,38 – 5,064 (b+c)

19

Como

R =

Y

12 x

=

106 38

,

-

(

5 064 b

,

+

c

)

12

b

R

b

=

8 865

,

-

(

0 422 b

,

= 8 865 , - ( 0 422 b , + c )
= 8 865 , - ( 0 422 b , + c )

+

c

)

Portanto, conhecendo-se apenas duas das seguintes informações: % O 2 nos gases de combustão, % CO 2 nos gases da combustão (ambos em base seca) e relação H/C em peso no combustível poderemos obter a % de excesso de ar em um combustão.

Se substituirmos a expressão de R na fórmula de cálculo do excesso de ar (EA), encontramos:

EA =

c

0

,

266 d

-

c

x

100

Onde: c = % O 2

d = % N 2

Se nos gases de combustão for detectada a presença de CO, o excesso de ar é calculado como se a combustão fosse completa. Assim:

EA =

CO

-

0 2

 

2

 

0 , 266 N

 

-

Ê

Á

O

 

-

CO ˆ

˜

2

2

¯

Ë 2

X 100

Esta fórmula é encontrada no livro “Steam: Its Generation and Use”.

Como já foi visto, a operação de forno sem excesso de ar é indesejável, pois levaria à combustão incompleta, por ser impraticável a homogeneização perfeita entre o ar e o combustível. A combustão incompleta apresenta as seguintes desvantagens:

ß o combustível não libera todo o calor possível de fornecer, ou seja, é desperdiçado

que leva a um maior consumo do

o

calor da

combustão do CO a CO 2 ,

o

combustível;

ß aumenta a formação de fuligem, principalmente quando se queima óleo combustível;

ß a presença do CO e O 2 nos gases de comb ustão pode provocar a queima retardada do CO à CO 2 , o que poderá provocar altas temperaturas em locais não desejáveis.

Por outro lado, o excesso de ar desnecessário também é indesejável, pois quanto maior for a quantidade de ar que se deve ser aquecida pela chama, menor será a temperatura resultante na mesma, o que leva a um menor troca de calor por radiação e como conseqüência, diminui a eficiência do forno (fração do calor liberado na combustão, que é aproveitado), além de reduzir a capacidade do mesmo.

O

desejado será operar o forno com o menor excesso de ar, que possibilite a obtenção

de

uma combustão completa. Na prática, devemos proceder da seguinte maneira.

20

vapor/óleo correto etc ajustar o abafador para tiragem normal (-1 a –3 mm H 2 O no topo da radiação).

garantir a boa atomização. Trabalhar com viscosidade correta do óleo,

ƒP

ajustar cada virola individualmente, verificando o ponto em que começa a aparecer fuligem (ou CO). Verificar também a forma da chama.

reajustar o abafador, observando sempre

a chama (cor, forma, presença de

fuligem). procurar o equilíbrio ideal virola/abafador, quanto ao excesso de ar.

Se atuarmos somente no abafador poderemos ter mistura diferente nos queimadores e, consequentemente, condições de queima e de excesso de ar diferentes.

O importante para se conseguir trabalhar com o menor excesso de ar é a boa mistura

combustível/ar, o que é conseguido com maior velocidade do ar e um correto ângulo

de incidência ar-combustível.

FUNDAMENTOS BÁSICOS SOBRE OS PONTOS DE VERIFICAÇÃO PARA A OPERAÇÃO DE FORNOS

De uma forma geral, os fornos de processo podem ser resumidos a três pontos de amostragem de variáveis auxiliares para operação.

Tiragem no topo da radiação (bridge wall) – Esta conexão de pressão é usada em fornos de pressão negativa (fornos de tiragem natural ou induzida) para direcionar o

escoamento no banco de tubos da seção de convecção.

ponto se situar entre -1.27 e -2.54 mm de coluna de água não ocorrerá pressão

positiva na seção de convecção.

fatores de causa de danos a estrutura, chaparia e de risco ao pessoal de trabalho.

Enquanto a pressão neste

Pressão positiva nesta seção é um dos principais

Analisador de O2 – localizado no topo da radiação (bridge wall). Três aspectos devem ser considerados quanto a localização da sonda de O2. O primeiro, é que ela deve ser localizada no ponto mais alto da radiação de forma que a reação de combustão tenha se completado antes da amostragem dos gases. O segundo, é que ela deve se localizar antes de qualquer seção de convecção, de forma a minimizar o efeito da infiltração de ar que interfere na medição de O2. E o terceiro, no qual deve se garantir que ela seja introduzida suficientemente dentro da câmara (aproximadamente 300 a 450 mm) para garantir que nenhum ar infiltrado na seção de convecção interfira na medição, uma vez que este ar infiltrado está em uma temperatura mais baixa que os produtos de combustão e pode escoar para baixo colado nas paredes do forno.

Tiragem na base da radiação – localizado o mais próximo possível ao piso do forno, serve para medir a energia disponível para o ar.

21

ESQUEMA TÍPICO PARA O AJUSTE DE UM FORNO DE TIRAGEM NATURAL

INÍCIO VERIFICA TIRAGEM ALTA BAIXA AJUSTADO VERIFICA O2 VERIFICA O2 ALTA BAIXA ALTA BAIXA FECHA
INÍCIO
VERIFICA TIRAGEM
ALTA
BAIXA
AJUSTADO
VERIFICA O2
VERIFICA O2
ALTA
BAIXA
ALTA
BAIXA
FECHA
ABRE REGISTROS
DE AR
FECHA REGISTROS
DE AR
ABRE
ABAFADOR
ABAFADOR
RETORNA P/
RETORNA
P/
INÍCIO
INÍCIO
VERIFICA O2
ALTO
BAIXO
AJUSTADO
FECHA REGISTROS
DE AR
ABRE REGISTROS
DE AR
RETORNA P/ INÍCIO
RETORNA P/ INÍCIO
OPERAÇÃO ADEQUADA

22

OPERAÇÃO DE FORNOS

Introdução

A eficiência térmica dos fornos afeta diretamente o consumo de combustível. Para reduzir o consumo é essencial se reduzir o excesso de ar utilizado na combustão para o menor valor prático possível.

De forma geral, o processo de combustão tem três variáveis que precisam ser controladas para a adequada operação do forno. A tiragem controlada pelo abafador de controle. O ar necessário para a combustão controlada nos registros dos queimadores. A pressão no combustível controlada pelas válvulas de controle pelo sistema de controle do forno (normalmente automático). A tiragem no forno e o excesso de ar devem ser ajustadas simultaneamente, uma vez que a variação em uma delas altera a outra.

Deve ser ressaltado que qualquer alteração nas condições do tempo, taxa de queima (calor liberado), ajuste dos registros de ar dos queimadores e o tipo de combustível (características do combustível) afetará a tiragem no forno.

Excesso de ar

Existe um valor ideal para o excesso de ar em função da eficiência térmica e das características do queimador, para prover a adequada qualidade de mistura. Valores mais elevados de excesso de ar reduz a eficiência térmica, uma vez que uma parcela maior do calor liberado vai para o aquecimento do ar em abundância e não para o processo. Esta redução na transferência de calor se deve ao aumento do conteúdo de N 2 e O 2 nos gases de combustão. A estrutura molecular diatômica destes gases faz com que eles não absorvam nem emitam radiação. Assim menos calor será transferido para o processo.

Alguns cuidados adicionais devem ser tomados para se estabelecer o mínimo excesso

de ar adequado para o processo de combustão.

deve levar em consideração possíveis variações no calor liberado e nas propriedades do combustível. No caso de fornos com tiragem natural o ajuste deve ser feito para a condição de maior liberação de calor, o que torna o forno ineficiente nas demais condições de operação.

O mínimo excesso de ar aceitável

Ao se trabalhar com cargas significativamente reduzidas pode se tornar difícil se operar o forno com valores de excesso de O2 inferiores a 7 ou 8% devido a estabilidade de chama (dependendo do projeto do queimador). Nestas condições de carga reduzida o aumento na restrição dos registros de ar pode causar uma perda de energia acentuada na entrada de ar ao invés de ocorrer na garganta do queimador, consequentemente ocorrerá uma piora na qualidade de mistura.

Mudanças nas Condições Operacionais

Quando ocorrerem modificações nas condições operacionais do forno é necessária

Qualquer alteração na posição de

controle do abafador de controle localizado na chaminé ou nos registros de ar dos

calma e paciência para se re-ajustar o forno.

23

queimadores deve ser seguido de um intervalo de tempo da ordem de 10 a 15 minutos de forma a garantir que o forno estabilizou as novas condições de combustão (mudança no perfil de pressão, velocidades e até linhas de trajetória na câmara de radiação).

É muito importante se ressaltar que o ponto fundamental para se alcançar o melhor

ajuste dos fornos é se ter uma equipe de trabalho familiarizada com os fundamentos

da combustão.

Outro ponto importante é a verificação no campo das condições de operação do forno em intervalos regulares, de forma a se detectar e reportar imediatamente qualquer problema encontrado, tal como: incidência de chama, perfil ou padrão de chama não satisfatório e outros.

Formato de Chama

Para um determinado queimador, as alterações nas condições operacionais afetam o

formato da chama. A temperatura do ar de combustão, a energia de descarga do combustível (pressão) ou a quantidade de ar primário afetam diretamente o formato

da chama.

Evidentemente, o projeto ou modificações no projeto de um queimador afetam mais

fortemente a modificação do formato de chama do que as alterações nas condições operacionais. Os parâmetros de projeto tais como as velocidades relativas entre o ar e

o combustível ou a geometria interna do queimador podem ser alteradas para gerar

um determinado formato de chama. Por exemplo queimadores com geometria de descarga retangulares combinados com o adequado bocal de gás pode gerar uma chama plana (chama em formato de leque). Altas velocidades e grau de turbulência produzem chamas mais curtas e bojudas, enquanto que velocidades baixas e baixa qualidade de mistura normalmente produzem chamas longas e delgadas.

TURNDOWN

O turndown de um queimador é a razão entre a máxima liberação e a mínima

liberação que um determinado queimador pode operar satisfatoriamente. Muitas vezes é a condição de mínima liberação quem define o turn down de projeto de um queimador.

No caso de queimadores pre- misturados a condição de mínima capacidade é limitada pelo fenômeno conhecido como “flashback”, que ocorre quando a velocidade da chama excede a velocidade da mistura.

Em alguns casos, a máxima capacidade é limitada pela instabilidade denominada “blowoff” que ocorre quando a velocidade da mistura excede a velocidade de propagação da chama. Existem casos em que a limitação da capacidade de máxima

liberação se dá pelo próprio custo do equipamento devido as altas pressões requeridas

de ar e de combustível para operar o queimador.

24

COMBUSTÃO DE GASES

A combustão de gases pode se processar de duas formas:

Oxigenação progressiva do combustível Dissociação ou craqueamento do combustível em carbono e hidrogênio

A oxigenação progressiva do combustível ocorre quando existir um bom contato

os

hidrocarbonetos transformando-os em álcoois, aldeídos, ácidos carboxílicos e, por fim nos produtos finais da combustão, CO 2 e H 2 O.

combustível-ar.

Neste

caso,

o

oxigênio

vai

continuamente

oxidando

Neste caso, o oxigênio vai continuamente oxidando O resultado desta forma de reação é uma chama

O resultado desta forma de reação é uma chama azul e sem fuligem, já que não ocorre

a dissociação do hidrocarboneto, que permite a presença de partículas livres de

carbono na envoltória da chama. Esse tipo de combustão é mais frequente quando o queimador é do tipo com pré-mistura e o combustível tem pequena porcentagem de frações pesadas e/ou de alta razão hidrogênio/carbono, como será explicado adiante.

Quando não ocorre um bom contato combustível-ar haverá a dissociação ou craqueamento das moléculas de hidrocarbonetos, deixando livres o hidrogênio e partículas de carbono (reação 2). O hidrogênio queima extremamente rápido

produzindo uma chama azul clara que é difícil de ser vista, exceto contra um fundo escuro e o carbono queima como um sólido, lentamente e produzindo muito brilho amarelado. O resultado de uma combustão assim é uma chama amarelo/alaranjada,

pois

elementos. O carbono, ao se aquecer pelo calor da queima do hidrogênio, se

incandesce com brilho intenso, fazendo com que a luminosidade azul clara da chama

do hidrogênio seja completamente escondida pela cor amarela brilhante do carbono

incadescente. No caso de não haver ar suficiente para a queima ou um bom contato

combustível-ar para completar a reação, pode ocorrer a formação de fuligem na envoltória da chama.

Como a queima com chama amarela ou azul leva aos mesmos produtos finais CO 2 e H 2 O, não há diferença significante na geração de calor se o combustível queima com chama azul ou amarela. É comum ouvir que chama amarela é decorrente da falta de ar para a queima, mas esta opinião não é correta porque a chama amarela pode existir tanto com falta de ar como com elevado excesso de ar. Há uma tendência para queima com chama amarela á medida que a massa molar do combustível aumenta, quando são comparados hidrocarbonetos de mesma série. Assim, butano é mais propenso para chama amarela do que o metano. No entanto, quando compara-se hidrocarbonetos de séries diferentes, nota-se que a massa molar sozinho não é um bom critério para definir a cor da chama. O etileno é muito mais propenso para a chama amarela do que o propano, que é relativamente fácil de queimar sem chama amarela. A razão mássica Hidrogênio/Carbono é o fator chave para indiciar a quantidade do combustível bem como a sua tendência para chama amarela. Em todos os casos, quanto maior a relação mássica H/C, melhor é o combustível para a queima. Pode-se dizer que, se a relação

ocorre

uma

queima

independente

e

em

velocidades

diferentes

dos

dois

25

H/C de um dado combustível é maior que 0,200, o combustível pode ser queimado satisfatoriamente em condições adequadas de mistura de ar e turbulência. À medida que esta relação se aproxima de 0,100, técnicas mais difíceis e mais caras são necessárias para garantir a queima adequada.

Pode ser dito sem erro, que a queima pode se dar com chama amarela, chama azul e

às vezes ambas às condições específicas do combustível, da presença do ar, da

turbulência, das condições da mistura ar-combustível, bem como da temperatura”.

A reação ocorre quando existe a presença de vapor d’água, o que normalmente

acontece quando o combustível tem baixa relação mássica H/C, como é o caso do butadieno, por exemplo. É extremamente difícil conseguir uma queima rápida e com chama limpa do butadieno em qua lquer tipo de queimado. No entanto, este composto queimará com a qualidade de queima do metano (hidrocarboneto com a maior relação H/C = 0,333), se vapor d’água é adicionado antes do início da queima.

C 4 H 6 + 4H 2 O (v) Æ 4CO + 7H 2

A queima do CO é muito mais fácil que a do C.

COMBUSTÃO DE LÍQUIDOS

Introdução

O processo de combustão de líquidos de interesse neste curso é o de combustão de

uma nuvem de gotas, isto é, um ‘’spray’’.

O processo de combustão de ”sprays’’ líquidos pode ser descrito sumariamente como

a divisão do líquido gerando uma névoa de pequenas gotas; processo este denominado nebulização (atomização), que posteriormente mistura-se ao comburente (ar na maioria das vezes), proporcionando condições para a combustão, que ocorre ao nível das gotas. Difere dos combustíveis gasosos premisturados pois não apresenta composição uniforme .

O ‘’spray’’ constituído de gotas de combustível pode ter uma larga faixa de tamanhos

de gotas que podem se mover em diferentes direções e velocidades em relação ao fluxo gasoso. Esta ausência de uniformidade provoca irregularidades na propagação

de

chama e a zona de combustão não se apresenta geometricamente bem definida.

O

processo de mistura entre combustível e oxidante na câmara de combustão, sofre

influência da geometria da câmara, da distribuição espacial e da quantidade de movimento dos jatos introduzidos. Assim, o dispositivo de nebulização do combustível, de injeção do oxidante e câmara de combustão devem ser considerados como uma unidade integrada.

Combustíveis Líquidos

Os combustíveis líquidos utilizados nos mais diversos processos de aquecimento industrial são chamados genericamente de óleos combustíveis.

No Brasil o termo “óleo combustível” é empregado apenas na designação de frações pesadas, não incluindo portanto os subprodutos denominados genericamente destilados (querosene, óleo diesel, etc).

26

Combustão de Gotas

A gota ao ser lançada pelo bico nebulizador no interior da câmara de combustão, é

aquecida por convecção com o meio e por radiação da frente de chama e bloco refratário do queimador, o que propicia a evaporação formando-se, à sua volta uma camada de mistura ar- vapor do líquido-gases de combustão.

A medida que a gota se desloca no interior da câmara, a temperatura do meio vai

aumentando até um ponto no qual a camada de mistura que envolve a partícula tem concentração de vapor acima do primeiro limite de inflamabilidade e temperatura igual à de ignição. Neste ponto, estabelece-se uma chama em torno da partícula a qual, a partir daí passa a fornecer o calor necessário para que a gota continue evaporando.

O espaço existente entre o bocal e este ponto corresponde a uma região na qual

macroscopicamente não há chama visível, podendo observar-se apenas o cone formado pelo jato de ar arrastando a nuvem de partículas.

Na medida em que a gota evapora, parte das moléculas no estado de vapor sofrem craqueamento e polimerização simultânea, dando origem a partículas de dimensões muito pequenas, cerca de 500 A (1 A = 10-10 m), nas quais a relação carbono/hidrogênio é muito alta, denominadas fuligem. Esta fuligem, aquecida a temperaturas altas pelo meio gasoso circundante e pela sua reação com oxigênio disponível emite radiação com grande intensidade para a superfície envolvente.

Essa emissão de radiação é responsável pela coloração amarelo-alaranjado das chamas de líquidos e pelo brilho muito intenso, propiciando a distinção entre a parte visível e a não visível da chama. É importante observar que na região visível da chama ocorrem predominantemente, reações homogêneas (entre componentes da fase gasosa), não ocorrendo oxidação da gota propriamente dita, uma vez que ela permanece em temperaturas relativamente baixas devido à evaporação.

No final da evaporação, o material remanescente da gota apresenta altas relações carbono/hidrogênio, diâmetro muito pequeno e temperatura muito alta. Neste ponto, essa partícula está saindo da região visível da chama, juntamente com as partículas de fuligem formadas via polimerização. A partir deste ponto as reações de oxidação se darão na própria superfície, até que a partícula seja totalmente consumida ou saia da câmara de combustão.

É interessante ter presente que nesta região da chama o teor de oxigênio disponível é mais baixo que nas regiões anteriores e está fundamentalmente ligado ao valor do excesso de ar.

Conforme veremos a seguir, fica claro que os fenômenos que governam os ritmos de evaporação e combustão ao nível da gota, são respectivamente a transmissão de calor e transporte de massa (difusão de O2 nos produtos existentes em volta dela).

27

Representação do mecanismo de combustão de uma gota Na combustão de líquidos o estudo da

Representação do mecanismo de combustão de uma gota

Na combustão de líquidos o estudo da evaporação e queima de uma gota é importante

na

previsão do tempo de vida desta no interior de uma fornalha e consequentemente

do

perfil da chama, emissão de poluentes e perfil de fluxo de calor.

O

tratamento teórico do problema de queima de uma gota permite identificar quais os

parâmetros que interferem, e como atuam nos ritmos de evaporação e combustão. O problema é então determinar o tempo necessário para que uma gota de certo diâmetro, envolvida por um meio gasoso no qual se encontra o oxidante, seja completamente consumida. Existem modelos teóricos de gota simples que utilizando-se de hipóteses simplificadoras levantam correlações para a taxa de cons umo de uma gota com diâmetro inicial di. No entanto este tipo de estudo teórico ainda não é capaz de representar completamente o fenômeno e foge aos aspectos considerados relevantes para este curso.

Destas equações pode verificar que a maior influência para a taxa de vaporização da gota é devida a relação entre a condutividade térmica e o calor específico do líquido.

As hipóteses simplificadoras consideradas no modelo apresentado e os fenômenos que

ocorrem durante o processo de queima de uma gota, não nos

diretamente as equações apresentadas para os casos reais. No entanto nos permite fazer uma descrição qualitativa dos processos que ocorrem em torno de uma gota na sua trajetória no interior de uma câmara de combustão.

permitem aplicar

Nebulização do Combus tível

O propósito principal do processo de nebulização do combustível é a divisão do

líquido em gotas de menor tamanho possível, gerando um fino ‘’spray’’, aumentando

a relação área/volume de forma a maximizar o contato do oxidante com a gota de

combustível

Mecanismo de Formação de Sprays

O processo de nebulização ocorre quando se obtém à saída do bocal de descarga uma

película fina que em seguida se rompe em gotas com forma aproximadamente

esférica.

28

As gotas que constituem o “spray” real, na sua trajetória até entrarem em combustão, estão sujeitas a desintegrações devido a colisões entre si, à fricção, à ação da própria tensão superficial, ao movimento turbulento originado no interior do “spray”, bem como à coalescência de gotas. A Figura abaixo ilustra o aspecto de dois “sprays” reais, onde pode-se observar comportamentos distintos no que se refere à distância do bocal onde se dá a desintegração da película.

do bocal onde se dá a desintegração da película. Nebulização de glicerina em bocal de nebulização
do bocal onde se dá a desintegração da película. Nebulização de glicerina em bocal de nebulização

Nebulização de glicerina em bocal de nebulização por pressão de líquido

Caracterização de Sprays

O “spray” obtido no processo de nebulização é caracterizado pela sua configuração

espacial (comprimento, largura e ângulo sólido), pela distribuição do líquido na seção

transversal do “spray”, pelo diâmetro médio das gotas e pela uniformidade de tamanho das mesmas. Estas contribuem para a definição das características da chama obtida (comprimento, largura, estabilidade, perfil de temperaturas, etc.).

As características do “spray” são marcadamente afetadas pela geometria interna do bocal nebulizador, pelas propriedades do líquido e do meio onde é descarregado.

O escomento do líquido com alta velocidade induz recirculações (internas e externas)

que alteram a própria configuração do “spray”. O ângulo correspondente do “spray” não coincide com o ângulo do jato que deixa o bocal. Desta forma, as condições do

papel fundamental nas suas

características.

A qualidade do processo de nebulização, que é o diâmetro médio das gotas obtido,

estão condicionados os ritmos de evaporação e combustão, bem como a formação de resíduos não queimados.

O diâmetro médio de gota mais utilizado na área de combustão é o SMD (“Sauter

Mean Diameter”), que corresponde a relação do volume pela área superficial da gota.

Existem expressões empíricas com as quais é possível determinar o diâmetro médio de gota a partir das propriedades do líquido (tensão superficial, viscosidade, densidade), das condições de operação (pressão de injeção do líquido e do meio ambiente), desenvolvidas para um determinado tipo de bico nebulizador.

ambiente

na

região

onde

se

desenvolve

tem

29

Princípios de Nebulização

Os princípios e dispositivos de nebulização utilizados nas refinarias são divididos em por pressão de fluido e com fluido auxiliar ou pneumática (ar ou vapor).

Nebulização por pressão de líquido

A película à saída do bocal neste caso é obtida mediante a injeção do líquido sob pressões relativamente elevadas, 20 a 60 kgf/cm2, através de bocais de pequenas dimensões, e portanto a altas velocidades.

A formação e desintegração da película à saida do bocal, depende essencialmente dos seguintes fatores: das características geométricas do bico injetor; da pressão de injeção do líquido; das propriedades físicas do líquido (viscosidade, tensão superficial) e da pressão do meio em que está sendo injetado.

Podem ser obtidos sprays de formatos planos em forma de um leque, quando os orifícios por onde o líquido é injetado são rasgos. Os “sprays” de formato cônico são

obtidos quando os orifícios de descarga são anulares.

Neste caso o cone pode ser

cheio (simples orifício),ou oco quando existe uma câmara de rotação a montante do orifício.

existe uma câmara de rotação a montante do orifício. Bocal de nebulização por pressão de líquido

Bocal de nebulização por pressão de líquido com câmara de rotação

30

Nebulização com fluido auxiliar ou pneumática

Na nebulização com fluido auxiliar ou pneumática a injeção do combustíve l é feita com pressões relativamente mais baixas, com auxílio de um fluido gasoso (ar ou vapor) que transfere quantidade de movimento ao líquido que está sendo nebulizado.

Neste tipo de nebulização os mecanismos descritos anteriormente para a desintegração da película são desencadeados pelo fluido auxiliar, iniciando-se, em muitos casos, ainda no interior do próprio bocal.

Existem bocais em que a mistura líquido- fluido auxiliar é feita ainda no interior do bico, como é o caso dos bocais tipo câmara de mistura e “Y-Jet” e outros em que esta mistura é feita logo à saída do líquido do bico injetor de combustível.

logo à saída do líquido do bico injetor de combustível. Bocal nebulizador com fluido auxiliar tipo

Bocal nebulizador com fluido auxiliar tipo câmara de mistura

nebulizador com fluido auxiliar tipo câmara de mistura Bocal nebulizador com fluido auxiliar tipo `Y-JET` O

Bocal nebulizador com fluido auxiliar tipo `Y-JET`

O diâmetro médio de gota sofre grandes alterações com a variação da velocidade

relativa entre o fluido auxiliar e o líquido. A velocidade relativa varia com a alteração

na relação de vazão de ar ou de líquido.

Quanto às propriedades do líquido, a viscosidade tem maior influência do que a tensão superficial. Assim as forças de cisalhamento são predominantes sobre as forças devido à tensão superficial o que geralmente acontece quando se tem escoamento com grandes gradientes de velocidades como acontece na interface entre o fluido auxiliar e o líquido.

31

A redução do diâmetro médio de gota com o aumento da relação ar/líquido tem um

limite para cada vazão de líquido, acima do qual já não apresenta variações.

Os gráficos do tópico sobre a Estação de Avaliação de Sprays apresentam curvas de distribuição de tamanho de gotas obtidas para um determinado bocal em que se pode observar a influência de diversos parâmetros, tais como viscosidade, realção ar/combustível e outros.

Alguns fabricantes de queimadores propõe configurações de bocais alternativas às do tipo convencionais “Y-Jet”. O objetivo é reduzir assimetrias na distribuição de tamanho de gotas na seção transversal do jato à saída do orifício de descarga como mostra a Figura a seguir

do orifício de descarga como mostra a Figura a seguir Configuração do jato do bocal do

Configuração do jato do bocal do tipo “Y-Jet” convencional e alternativo

A Figura abaixo mostra dois bocais diferentes concebidos com tais propósitos, denominados genericamente “F-Jet”.

com tais propósitos, denominados genericamente “F-Jet”. Bocais alternativos A seguir são mostrados dois bocais

Bocais alternativos

A seguir são mostrados dois bocais combinados, por pressão de líquido com câmara

de rotação e fluido auxiliar tipo câmara de mistura. O segundo permite reduzir a relação fluido auxiliar/combustível, bem como nas emissões de óxidos de nitrogênio e

material particulado em relação ao primeiro.

32

Bocal combinado câmara de rotação - câmara de mistura Bocal combinado câmara de rotação-” F-Jet”

Bocal combinado câmara de rotação - câmara de mistura

Bocal combinado câmara de rotação - câmara de mistura Bocal combinado câmara de rotação-” F-Jet” ESTAÇÃO

Bocal combinado câmara de rotação-” F-Jet”

ESTAÇÃO DE AVALIAÇÃO DE SPRAYS

A Estação de Avaliação de Sprays permite caracterizar o desempenho de bocais

nebulizadores de queimadores através da medição da distribuição de diâmetros e do diâmetro médio das gotas do spray. Nesta instalação laboratorial, o próprio dispositivo nebulizador ou um protótipo dele são testados sem que ocorra a reação de combustão, permitindo assim avaliar especificamente a qualidade do processo de nebulização.

A instalação está apta a operar com bocais nebulizadores em escala real, com vazões

de óleo de até 5.000 Kg/h, portanto, capaz de testar tanto bocais de pequenas capacidades, como aqueles encontrados nas maiores caldeiras existentes no país. Utiliza óleos lubrificantes como fluidos de trabalho, simulando as propriedades dos óleos combustíveis importantes no processo de nebulização, quais sejam: viscosidade, tensão superficial e densidade. A viscosidade é controlada automaticamente

33

utilizando-se um aquecedor elétrico enquanto que a tensão superficial é ajustada pela a adição de tensoativos.

Os bocais a serem testados são instalados no interior de uma câmara transparente de

seção quadrada (0,6 x 0,6 m), sendo montados na extremidade de uma lança, sustentada por um posicionador cartesiano de três eixos. Através da lança é feita a alimentação de óleo e fluido de nebulização ao bocal.

A determinação da distribuição de diâmetros das gotas é feita por um instrumento a

laser, cujo princípio de operação é baseado no fenômeno de difração da luz que ocorre durante a interação de um feixe de luz laser com as gotas de óleo do spray. Este instrumento apresenta como resultado a distribuição de diâmetros e o diâmetro médio

de gotas.

Nos

utilizam

ar

comprimido, em condições de pressão e vazão determinadas a

partir

adimensionais

que

transposição

diâmetro médio de gotas para outros fluidos de nebulização,

por exemplo vapor d’ água

números

apropriados,

a

ao

para

que

casos

de

bocais

fluido

auxiliar

utiliza-se

nebulização,

de

permitem

fazer

quanto

auxiliar utiliza-se nebulização, de permitem fazer quanto Bocal nebulizador instalado na estação. Técnica de

Bocal nebulizador instalado na estação.

Técnica de Medição Diâmetro de Gota

A

técnica de medição adotada está baseada no fenômeno da difração de laser.

O

instrumento de medição utilizado é o Malvern, modelo Mastersizer X (“Long-

bed”). O instrumento é constituído de dois conjuntos, emissor e receptor, entre os quais situa-se a câmara onde se desenvolve o spray.

O feixe de laser emergente do emissor cruza uma determinada seção transversal do

spray. Parte do feixe sofre difração devido à sua interação com as gotas, o que resulta

espalhamento segundo ângulos que estão relacionados com o diâmetro das gotas (gotas menores espalham a luz em ângulos maiores e vice- versa).

O feixe de luz resultante desta interação incide numa lente de Fourier, que é

responsável pela manutenção do padrão de difração independentemente das posições das gotas no feixe. O feixe emergente desta lente incide num conjunto de diodos foto- sensíveis de que se constitui o detetor, situado no plano focal da lente. A parcela da luz não difratada incide em um diodo central, enquanto a parcela difratada incide em 33 diodos situados em anéis concêntricos ao diodo central.

Os sinais obtidos no detetor são tratados, enviados para microcomputador e processados pelo software do instrumento. A curva de distribuição de diâmetros é obtida mediante o ajuste de modelos matemáticos de distribuição às curvas de

de

distribuição

de

fluxo

luminoso

incidente

nos

diodos.

A

partir

das

curva

34

distribuição ajustada é calculado o diâmetro médio.

a medição de diâmetros de gotas compreendidos na faixa de 4 a 2000 micra.

O arranjo ótico montado permite

Avaliação de Desempenho de Bocais Nebulizadores

O bocal nebulizador tem seu desempenho avaliado quanto à qualidade do processo de nebulização,

quando se obtém as seguintes informações na estação: a distribuição de diâmetros e os respectivos diâmetro médio de gota; a distribuição do líquido na secção transversal e a configuração espacial (ângulo sólido que contém as gotas) nas diversas condições

operacionais.

no que se refere à relação fluido de nebulização / óleo são obtidas atuando-se na vazão de ar de nebulização, de modo a se obter uma faixa relativamente ampla para esta relação (ar/óleo). Para a completa caracterização do spray, utilizam-se ainda dispositivos amostradores denominados partenadores, que permitem determinar a distribuição do líquido numa determinada secção transversal do spray, conforme mostrado na figura, e técnicas fotográficas para visualização do ângulo

do spray

As diferentes condições de operação

Cálculo da relação vapor/óleo na situação real

Cálculo da relação vapor/óleo na situação real Partenador na câmara Para o cálculo das relações

Partenador na câmara

Para o cálculo das relações vapor/óleo na situação real de utilização, correspondente às relações ar/óleo utilizadas nos ensaios, considerou-se o modelo desenvolvido por Lefebvre, na forma proposta por Graziadio, para bocais do tipo nebulização com fluido auxiliar com mistura interna.

As relações vapor/óleo foram calculadas admitindo-se que o mesmo valor de viscosidade do óleo na entrada do bocal é mantido e que as diferenças existentes entre os valores de densidade e tensão superficial dos óleos combustíveis e dos óleos lubrificantes são pequenas.

Assim sendo as diferenças entre a operação com ar comprimido na estação e vapor d’água no caso real, estão expressas simplificadamente pela equação:

V

2

r,a

r

a

=

V

2

r,v

r

v

onde, ra : densidade do ar no orifício de descarga do bocal;

rv : densidade do vapor no orifício de descarga do bocal;

Vr,a : velocidade relativa ar-óleo no orifício de descarga do bocal;

Vr,v : velocidade relativa vapor-óleo no orifício de descarga do bocal;

Portanto, conhecendo-se a condição do vapor d’água na entrada do bocal, é possível calcular a vazão de vapor necessária para se obter condições de escoamento semelhantes no bocal.

35

Para um bocal nebulizador define-se coeficiente de vazão, CV , como um número associado à configuração geométrica do bocal, calculado para a condição dos testes na estação como:

CV

a

=

Q a D P a
Q
a
D P
a

onde, Qa : vazão volumétrica de ar [m 3 ];

DPa :o diferencial de pressão do ar entre a entrada e saída do bocal;

Admite-se que a pressão do vapor na entrada do bocal pode ser estimada,

considerando o valor CV como característico do bocal, considerando-se que a pressão

de descarga é próxima a atmosférica.

Seja o caso de um bocal nebulizador de um queimador que utiliza ar comprimido ou vapor como fluido auxiliar de nebulização e opera com vazão máxima de 125 kg/h de óleo com viscosidade de 20 cSt. O gráfico abaixo apresenta os valores medidos de diâmetro médio de gotas existentes num plano perpendicular ao eixo do bocal, situado a uma distância de 150 mm do orifício de descarga do bocal. Os valores referem-se à condição de 75 kg/h de óleo, obtidos para diferentes vazões de ar de nebulização, sendo que a relação kg de ar/kg de óleo variou na faixa de 0,3 a 1,2.

BOCAL NEBULIZADOR COM FLUIDO AUXILIAR Vazão de óleo: 75 kg/h; visc. 20 cSt

100 Ar neb. / Óleo = 0,3 Ar neb. / Óleo = 0,5 80 Ar
100
Ar neb. / Óleo = 0,3
Ar neb. / Óleo = 0,5
80
Ar neb. / Óleo = 0,75
60
Ar neb. / Óleo = 1,0
Ar neb. / Óleo = 1,2
40
20
0
-100
-80
-60
-40
-20
0
20
40
60
80
100
Diâmetro médio de gota
D[3,2] [micron]

Distância do eixo do bocal ( [mm]

Diâmetro médio de gota ao longo de uma seção transversal do spray.

Observa-se a sensibilidade da qualidade de nebulização em relação à vazão de fluido de nebulização. Obtém-se menor diâmetro médio de gota, com menor dispersão, à medida que se afasta do centro, para relações ar/óleo crescentes.

O gráfico abaixo apresenta as curvas de fração em volume de líquido ao longo da

mesma seção transversal. A distribuição de líquido na seção apresenta-se como um spray “oco” para relações ar/óleo menores, tendendo a um spray “cheio” para as relações ar/óleo mais altas.

A Figura a seguir apresenta os valores de diâmetro médio médio de gota calculados

para toda a seção transversal, considerando as diferentes relações ar/óleo e considerando a distribuição do líquido na seção. Pode-se verificar o efeito da viscosidade do óleo na qualidade de nebulização.

36

BOCAL NEBULIZADOR COM FLUIDO AUXILIAR Vazão de óleo: 75 kg/h; visc. 20 cSt

0,5 Ar neb. / Óleo = 0,3 0,4 Ar neb. / Óleo = 0,5 Ar
0,5
Ar neb. / Óleo = 0,3
0,4
Ar neb. / Óleo = 0,5
Ar neb. / Óleo = 0,75
0,3
Ar neb. / Óleo = 1,0
Ar neb. / Óleo = 1,2
0,2
0,1
0
-100
-80
-60
-40
-20
0
20
40
60
80
100
Fração em volume

Distância do eixo do bocal [mm]

Distribuição do líquido na seção transversal do spray com o partenador

BOCAL NEBULIZADOR COM FLUIDO AUXILIAR Vazão de óleo: 75 kg/h

60 50 Viscosidade do óleo = 40 cSt 40 Viscosidade do óleo = 20 cSt
60
50
Viscosidade do óleo = 40 cSt
40
Viscosidade do óleo = 20 cSt
30
20
10
0
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
1,6
Diâmetro médio de gota D[3,2]
[micron]

Ar de nebulização / Óleo [kg / kg]

Diâmetro médio de gota em função da relação ar de neb./óleo e m do óleo

A influência da qualidade de nebulização nas taxas de emissões de NOx e CO pode ser verificado em testes a quente.

BOCAL COM FLUIDO AUXILIAR Vazão de óleo: 75kg/h; visc. 20 cSt

120 Ar neb./Óleo = 1,1 100 Ar neb./Óleo = 1,0 80 Ar neb./Óleo = 0,9
120
Ar neb./Óleo = 1,1
100
Ar neb./Óleo = 1,0
80
Ar neb./Óleo = 0,9
60
40
20
0
0
1
2
3
4
5
6
7
MONÓXIDO DE CARBONO - CO
(ppm vol.; b.s.; 0% O 2 )

EXCESSO DE OXIGÊNIO - O2 (%vol.; b.s.)

Conc. de CO nos g.c. em função do EA p/ diferentes rel ar de nebulização/óleo

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BOCAL COM FLUIDO AUXILIAR Vazão de óleo: 75 kg/h; visc. 20 cSt

600 Ar neb./Óleo = 1,1 Ar neb./Óleo = 1,0 500 Ar neb./Óleo = 0,9 400
600
Ar neb./Óleo = 1,1
Ar neb./Óleo = 1,0
500
Ar neb./Óleo = 0,9
400
300
200
0
1
2
3
4
5
6
7
ÓXIDOS DE NITROGÊNIO - NO x
(ppm vol.; b.s.; 0% O 2 )

EXCESSO DE OXIGÊNIO - O2 (%vol.; b.s.)

Concentração de óxidos de nitrogênio (NO x ) nos gases de combustão em função do excesso de ar para diferentes relações ar de nebulização/óleo.

Para relações ar/óleo abaixo de 0,75 não se obteve condições para o acendimento da chama, pois a qualidade de nebulização é tão ruim que compromete as condições de ignição e sustentação da chama. Além disso, com a redução no tamanho de gota médio é possível se trabalhar com menores excessos de ar para se obter uma mesma condição de emissão.

Observa-se nitidamente a influência da qualidade de nebulização nas emissões. O teor de CO apresenta grandes variações para valores de relação ar/óleo baixas, mantendo-

se em patamares relativamente estáveis e mais baixos, para valores de relação ar/óleo maiores. Os valores de concentração de NOx, apresentam comportamento oposto, sendo mais baixos na medida em que se opera com relações ar/óleo menores.

Efeitos das Variáveis de Processo no Comportamento de Chamas de Líquidos

O queimador é um dispositivo que tem a função de subdividir o combustível em gotas

de menor diâmetro possível e introduzir esta névoa de pequenas partículas adequadamente no interior da câmara de combustão. Os fenômenos de ignição e combustão desta névoa são precedidos da evaporação na superfície das gotas e da mistura destes vapores com o ar de combustão.

O comportamento das chamas de líquidos são afetados pelas seguintes variáveis de

processo:

características do combustível;

qualidade do processo de nebulização;

rotação do fluxo de ar;

temperatura do ar de combustão;

temperatura interna da câmara de combustão;

Quando aumenta-se a pressão de nebulização obtém-se gotas de menor diâmetro, o que permite atingir a condição de ignição mais próxima do bico nebulizador. O aumento na vazão de gases recirculados externamente ao jato provoca uma aproximação do ponto de ignição do bico nebulizador, e um estreitamento da chama.

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Influência das Características do Combustível

No processo de combustão das gotas de líquido as caracterísicas mais importantes são

as que interferem no processo de evaporação da gota. A taxa de vaporização de uma

gota é tanto maior quanto maior for a condutibilidade térmica e a entalpia de reação e menor for o calor específico a pressão constante, a entalpia de vaporização e a temperatura de ebulição do líquido.

Para os óleos combustíveis nacionais as temperaturas de ebulição são altas, reduzindo

o ritmo de evaporação. Consequentemente tem-se um aumento da distância do bico nebulizador até o ponto de ignição.

Neste sentido a adição de destilados leves, na faixa do óleo diesel, aos combustíveis residuais contribui não só na melhoria da qualidade de nebulização, devido à redução na viscosidade, como também na evaporação, antecipando portanto a ignição para uma região mais próxima do bico nebulizador.

O teor mais alto de frações pesadas, isto é, compostos com elevada relação C/H,

relações

propicia

carbono/hidrogênio ao final do processo de evaporação. Estas partículas estarão então,

a partir daí sujeitas às reações de oxidação na superfície, exigindo portanto maior teor

de oxigênio na região final da chama.

Esta características dos combustíveis mais pesados explica a necessidade de geralmente se operar com maiores excessos de ar e da maior formação de material particulado e/ou fuligem.

Quanto maior o poder calorífico do combustível maior será a taxa de vaporização da gota.

maior

conteúdo

de

material

remanescente

da

gota

com

altas

Influência da Qualidade do Processo de Nebulização

Quanto menor o diâmetro da gota, melhor relação volume/área superficial, maior a taxa de vaporização da gota. Quanto maior for o diâmetro da gota maior será o comprimento visível da chama, e maior o diâmetro da partícula residual ao final da região visível da chama.

Desta forma aumentam as possibilidades destas partículas residuais se juntarem às partículas de fuligem. Consequentemente, para se obter as mesmas concentrações de partículas não convertidas e de fuligem nos gases de combustão, deve-se aumentar o excesso de ar com o aumento do diâmetro das gotas.

Por este motivo é importante diminuir o diâmetro da gota, bem como garantir uma distribuição de tamanho de gotas adequada, atuando nos parâmetros que influem na qualidade da nebulização.

Influência da Rotação do Fluxo de Ar

Com objetivo aumentar a taxa de vaporização das gotas logo à saída do bico nebulizador, e aproximar o ponto de ignição do bocal nebulizador, aumenta-se a circulação do ar e de gases de combustão na região frontal do bocal.

A introdução do ar de combustão com componentes tangenciais de velocidade,

aumenta a vazão de gases quentes recirculados para o centro da parte inicial do jato, aumentando também a estabilidade da chama.

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A seguir são ilustrados alguns dispositivos turbuladores utilizados para produzir

recirculação interna à frente do bocal do queimador.

recirculação interna à frente do bocal do queimador. Dispositivos para produzir recirculação interna na frente

Dispositivos para produzir recirculação interna na frente do bocal do queimador

Influência da Temperatura da Câmara de Combustão